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> Conhece a FARMA|inove, a júnior empresa da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (p. 10 e 11)

> A 1.ª Gala dos Prémios Nacionais Farmacêuticos (p. 4 e 5)

O Pilão

Número 6 Março de 2013 Semestral

Distribuição gratuita

J ORNAL I NFORMATIVO DO N ÚCLEO DE E STUDANTES DE F ARMÁCIA DA A SSOCIAÇÃO A CADÉMICA DE C OIMBRA

As duas faces do óxido nítrico O Prof. Dr. João Laranjinha falou-nos sobre a sua investigação nesta controversa molécula, sobre Ciência e sobre o Futuro (p. 12 e 13)

Entrevista a José Rebola, vocalista e guitarrista dos Anaquim e neuroinvestigador no IBILI (p. 8 e 9)

> A fascinante Viagem da Prof.ª Dr.ª Célia Cabral (p. 3)

> Criado o Centro de Documentação Farmacêutica da OF, com sede em Coimbra (p. 14)

> Como está a atual conjuntura a afetar a Indústria Farmacêutica? (p. 15)


Editorial

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Mensagem da Presidente do NEF/AAC FICHA TÉCNICA Edição

Núcleo de Estudantes de Farmácia da Associação Académica de Coimbra (NEF/AAC) Faculdade de Farmácia Universidade de Coimbra Pólo das Ciências da Saúde Azinhaga de Santa Comba 3000-548 Coimbra www.nefacademica.net www.facebook.com/nefaacoimbra presidente.nefaac@gmail.com jornalopilao.nefaac@gmail.com

Direção Mariana Pinho

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ejo com grande orgulho e satisfação que O Pilão retoma uma segunda edição num mesmo mandato. Apesar de ser feito apenas em formato digital, na era global em que vivemos esta é a forma mais eficaz de atingir não só todos os estudantes da Faculdade de Farmácia que o NEF/AAC teve durante todo o seu mandato o orgulho de representar, mas também todos aqueles que desejem ler e apreciar esta segunda edição. Assim, não posso deixar de congratular toda a equipa que permitiu o lançamento deste projecto e que nos apresenta aqui uma panóplia de informações e curiosidades que decerto nos irão orgulhar e surpreender. Quero começar por deixar um grande louvor a toda a equipa do NEF/AAC pelo fantástico trabalho desempenhado. Foi graças ao empenho, dedicação e poder de inovação dos seus diferentes pelouros que os estudantes por nós representados tiveram a oportunidade de usufruir não só de formações de excelência, como também de atividades extracurriculares extraordinárias, permitindo assim aumentar o seu conhecimento a todos os níveis. Posso dar como exemplos, não descurando nenhuma das atividades realizadas por este mandato, o VI Congresso Científico realizado pelo Pelouro da Formação, que trouxe à FFUC investigadores de renome tanto a nível nacional como internacional. A nível social o Concerto Solidário, realizado pelo Pelouro de Intervenção Cívica, que permitiu não só um momento lúdico, mas também o apoio a instituições de solidariedade. O Pelouro do Desporto conseguiu presentear todos os estudantes com atividades inovadoras, como workshops de dança e de zumba. Não podia deixar de referir o Pelouro das Relações Internacionais, que conseguiu incutir o “espírito de Coimbra” em todos os estudantes de Erasmus e do programa SEP, garantindo assim momentos memoráveis que estes certamente irão guardar com carinho e alegria. Felicito também toda a equipa organizadora da 1.ª Gala dos Prémios Nacionais Farmacêuticos que, com todo o seu empenho, perserverança e inovação, conseguiram criar uma noite memorável para todos os presentes, distinguindo tanto membros da comunidade estudantil como docentes das várias áreas farmacêuticas. Desde já agradeço a todos aqueles que apoiaram e permitiram que esta iniciativa fosse um grande sucesso e a todos aqueles que nos presentearam com a sua presença durante todo o espectáculo. Por fim, deixo uma palavra de agradecimento a todos aqueles que, não estando diretamente integrados na equipa, nos apoiaram de forma incondicional, permitindo que este mandato fosse pautado pela excelência e pela inovação.

Saudações Académicas,

Direção Editorial Anaísa Bartolomeu

Mariana Pinho Presidente do NEF/AAC

Grafismo e Paginação Pedro Martins

Redação Ana Sofia Teixeira Anaísa Bartolomeu Anita Calado Bárbara Ramalho Cristiana Pinheiro Cristina Rebelo David Ramos Diana Marques Laura Ferreira Leonor Bruçó Nuno Jesus Pedro Martins Rita Ribeiro

Agradecimentos Prof. Dr. João Laranjinha Prof.ª Dr.ª Célia Cabral Prof. Dr. Nuno Mendonça José Rebola Tatiana Sousa Rute Ambrósio Maria João Gomes Secção de Fotografia da AAC Núcleo de Ação Social da AEFFUL Secção Regional de Coimbra da OF Diário “As Beiras”

Periodicidade Semestral

Edição digital gratuita Apoios Ordem dos Farmacêuticos Associação Nacional das Farmácias Plural - Cooperativa Farmacêutica, CRL

NOTA O jornal O Pilão escreve de acordo com o novo acordo ortográfico

Nota redacional Pelouro do Jornal “O Pilão”

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segunda edição semestral d’ O Pilão foi este ano um desafio para o NEF/ AAC, de forma a promover uma crescente interação entre os estudantes da FFUC e as atividades que ocorrem não só nesta Faculdade, mas também na cidade de Coimbra e a nível nacional e internacional. Apostando em testemunhos inspiradores, pretendemos estar presentes de uma forma mais direta e trazer mais versatilidade aos estudantes de Farmácia. Para tal, abrimos as portas da Faculdade, procurámos uma maior abertura cultural e decidimos mostrar-vos a experiência de um investigador multifacetado que se destaca no mundo da música como uma das vozes de Coimbra, uma professora que sonhou e conseguiu estudar plantas endémicas em África, um professor de Microbiologia que frequenta um curso de gestão de empresas, uma estudante que nos conta as peripécias de cinco meses em território catalão, entre reflexos de atividades relevantes do setor farmacêutico como o Congresso Nacional dos Farmacêuticos em novembro em Lisboa. Porque o futuro pertence aos que não têm medo de arriscar, primámos por transmitir estes exemplos que fazem a diferença no mundo académico, do qual fazes parte e no qual podes ter uma atitude interventiva. Um mundo que começa na nossa Faculdade, a casa para as nossas causas. Uma casa onde há professores disponíveis para partilhar connosco a sua “ilha de conhecimento neste mar de informação”, capazes de nos direcionar, de apoiar na organização e comissão científica de eventos como a 1.ª Gala dos Prémios Nacionais Farmacêuticos e construir connosco um pouco da história do setor farmacêutico. Nesta sexta edição espero que todas as pessoas afetas à casa encontrem um pouco do seu percurso, espelhado nos muitos e tão díspares momentos que fizeram do último ano um daqueles em que o Núcleo se distinguiu pela oferta inovadora de atividades e fez jus à sua História, estabelecendo metas tecnológicas, profissionalizantes, solidárias, culturais e desportivas com a máxima de preparar bem os jovens para o futuro. Estaria a faltar o princípio ativo desta fórmula magistral se não mencionasse a força e o dinamismo desta equipa do Jornal. Diante de um grupo de pessoas heterogéneas e proativas apercebi-me do que realmente significa coordenar um projeto, ideias novas, unir uma equipa que vivencie na escrita o que significa pertencer à célebre instituição que é a Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra. Ganhámos maturidade a cada nova entrevista planeada, deparámo-nos com situações fora da zona de conforto, mas vibrámos com o que aprendemos a partir da experiência partilhada das personalidades entrevistadas. Como fruto do trabalho em prol da atualização permanente, o Pelouro do Jornal O Pilão apresenta-vos a sua página de Facebook (www.facebook.com/opilao.nefaac), na qual partilhamos notícias recentes e a edição online de acesso globalizado. Espero que eu, a minha equipa de colaboradores e todos aqueles que se dispuseram a colaborar com este projeto tenhamos conseguido proporcionar-vos uma visão mais abrangente mas seletiva, mais pertinente e aplicada aos vossos ramos de interesse. Este jornal é um álbum de recordações que abrirei no futuro com saudade, mas acima de tudo o NEF são momentos e partilha de vivências que nos fazem crescer. Findo este editorial resta-me congratular a grande equipa com a qual trabalhei, desejar que continuem a surpreender e a distinguir-se pela qualidade. Anaísa Bartolomeu Coordenadora do Jornal do NEF/AAC


À conversa

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«Se pudesse voltar, voltava. Porque esta experiência tornou-me numa pessoa mais humana» O Pilão esteve à conversa com a Doutora Célia Cabral, atualmente a fazer o pós-doutoramento na FFUC

por Cristiana Pinheiro e Laura Ferreira completamente diferente da nossa.»

«Foi, provavelmente, a viagem mais emblemática que fiz até hoje.»

A

frase é proferida pela Doutora Célia Cabral, que segue o seu pós -doutoramento na FFUC, na linha de investigação da História da Farmacognosia. Pertence ao Centro de Estudos Farmacêuticos e ao Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da UC. Está também envolvida em vários trabalhos de investigação que envolvem o estudo de plantas medicinais, óleos essenciais e avaliação de atividades biológicas. Nesta entrevista fala sobre uma viagem que a marcou, livros que lhe cativaram grande interesse e certos aspetos da sua vida académica e pessoal correlacionados. Célia Margarida dos Santos Cabral nasce em Viseu, em 1979, fazendo os seus estudos na Escola Secundária de Nelas. Pretendia cursar Medicina, pois queria fazer parte dos Médicos Sem Fronteiras. Não queria Medicina para ficar em Portugal, mas sim para ir a África. No entanto não conseguiu entrar nessa área. Teve então de conseguir outra maneira de atingir o seu objectivo. Queria ter um papel onde ajudasse a minimizar os efeitos da pobreza em África e noutros países subdesenvolvidos, onde há pouco acesso à saúde pública, a medicamentos e a cuidados primários. A medicina seria uma opção para atingir o seu objectivo mas, contudo, o que faz no presente é mais direccionado para o que pretendia fazer. Na entrada para o ensino superior, não conseguindo entrar em Medicina, foi colocada em Biologia. Começou a ter contacto com cadeiras que estavam relacionadas com plantas, onde percebeu a vertente medicinal que estas abrangiam, da qual sempre sentiu grande atração. No segundo ano do curso teve uma cadeira sobre plantas vasculares, onde realmente iniciou uma paixão por esta área, bem como pela taxonomia de plantas.

«O que eu quero mesmo é trabalhar com plantas.» No último ano do curso foi convidada pela sua orientadora de doutoramento para fazer um estágio, onde começou a alargar horizontes. Queria fazer o seu doutoramento/ investigação em plantas e não queria uma tese que “ficasse na prateleira”, mas sim que servisse de base e inspiração para outros trabalhos. Por querer envolver na sua tese aspectos medicinais das plantas, para além da taxonomia, teve também como orientadora a Prof.ª Dr.ª Lígia Salgueiro, com a qual trabalha até hoje. Porém, o seu estudo não seria direccionado para plantas portuguesas, mas sim para o seu sonho: trabalhar com plantas africanas.

«Eu sempre gostei de coisas muito complicadas, confesso!» Afirmou a Dra. Célia relativamente aos projetos que realizou. Abraçando então este sonho, decidiu seguir viagem até ao continente africano, aos Camarões.

«Foi a primeira viagem de trabalho de campo que fiz em ambientes tropicais.» Teve de escolher o género de plantas com as quais iria trabalhar. Escolheu o género Vitex, o qual abrange 250 espécies. Como seria muito difícil trabalhar com todas estas espécies, escolheu um grupo restrito de 26 espécies para trabalhar na sua tese, as quais só existem em África. Assim sendo, iniciou a sua expedição pelos Camarões com um grupo de investigação inglês do Royal Botanic Gardens de Kew (em Londres, um centro de excelência de investigação nesta área, uma vez que constituem os jardins botânicos mais antigos e prestigiados do mundo).

«Apesar de algumas partes menos agradáveis, foi uma experiência de vida excelente a todos os níveis, desde os sítios em que ficávamos até sermos cordiais com uma realidade

Contando a história e certas peripécias da sua viagem, a Dra. Célia Cabral relata que as crianças nos Camarões tinham tanta determinação em jogar futebol que treinavam com pedras e, muitas vezes, descalços. Nestes países há muitas necessidades bás ic as que s ão consideradas um luxo, como por exemplo a água engarrafada. Esta chegava a ser mais cara que a gasolina e, durante o tempo no campo, ela e a sua equipa tinham de beber água fervida, com sabor a fumo. Portanto, quando iam para a cidade, não se importavam com o preço da água, simplesmente queriam “água a sério”, segundo as palavras da Dr.ª Célia. «Se pudesse voltar, voltava. Porque esta experiência tornou-me numa pessoa mais humana. Não que não fosse (risos)! Comecei a dar mais valor às coisas. Nunca fui uma pessoa fútil, mas agora ainda menos». Se nos pudesse falar de um livro que a tocou, qual nos recomendaria? Se tivesse de falar sobre algum livro, teria dois de preferência: “O Papalagui” e “O Principezinho”. De facto, são livros muito simples e qualquer um deles, de uma forma diferente, nos dá lições de vida muito boas. O livro “O Papalagui” fala-nos de uma ilha do pacífico, Samoa, onde um indígena fala sobre o “homem civilizado, o homem branco e os seus estranhos costumes”. É um livro muito interessante, giríssimo e em cada parte tem sempre uma lição a dar. Quanto a “O Principezinho”, a primeira vez que o li foi em francês. Foram dois livros inspiradores, gosto muito deles pois mostram a simplicidade das coisas e ensinam a ver tudo como um todo e não em retalhos. Tem metas a alcançar no futuro? Para mim não há metas. Sempre que atinjo um objectivo, já estou a pensar no seguinte.

É com estas palavras inspiradoras que agradecemos à Doutora Célia Cabral a profícua partilha da sua experiência e gostos pessoais.


Prémios Nacionais Farmacêuticos

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1.ª Gala dos Prémios Nacionais Farmacêuticos Com berço na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, a 1.ª Gala dos Prémios Nacionais Farmacêuticos concretizou-se no passado dia 23 de fevereiro de 2013 no Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra As fotografias presentes nestas páginas foram gentilmente cedidas pela Associação dos Estudantes da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa (AEFFUL) e pela Secção de Fotografia da Associação Académica de Coimbra

por Diana Marques com Anaísa Bartolomeu

Prof. Dr. José A. Guimarães Morais, Prémio de Reconhecimento Honorário

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de dança contemporânea, música, teatro e asceu do cariz visionário e empreendedor de divertimento com a atribuição de prémios de caráter um grupo de alunos da casa, que implementou nobre a figuras que revelaram o seu percurso ímpar e o projeto com o objetivo de prestar um de avanço na área das Ciências da Saúde. Entre as reconhecimento ao esforço da comunidade distinções destacaram-se a atribuição do Prémio de farmacêutica em Portugal, dando assim mais Reconhecimento Honorário ao Prof. Doutor José A. motivação aos seus intervenientes para que, no Guimarães Morais (FFUL), o Prémio AMI de Melhor futuro, continuem a trabalhar e a levar a investigação Iniciativa Solidária atribuído ao Núcleo de Ação Social científica um passo mais à frente, numa realidade de da Associação de Estudantes da Faculdade de crise económica em que há pouco investimento Farmácia da Universidade de Lisboa, o Prémio ex público na área. aequo de Melhor Projeto de Investigação de Alunos a O espetáculo foi precedido por uma receção solene Ana Teresa Reis de Oliveira Santos, a Alexandre no edifício do Clube Farmacêutico da Secção Guedes e a Tiago Filipe Alves e o Prémio Fresenius Regional de Coimbra da Ordem dos Farmacêuticos e Kabi de Reconhecimento Externo a Ana Rita Jesus por um jantar de gala nas Cantinas Verdes, com a de Oliveira, praticante de equitação. presença dos apoios institucionais, do Prof. Doutor Contámos com uma Carlos Maurício Barbosa, cerimónia que enalteceu o bastonário da Ordem dos «O evento representou o Farmacêuticos, do Prof. reconhecimento da dedicação dada à mérito e o trabalho daqueles que dia após dia dão um Doutor Francisco Veiga, arte farmacêutica e ao seu ensino, pouco de si para o diretor da FFUC, do Prof. dado que esta é uma área de desenvolvimento do setor Doutor Amílcar Falcão, vicereitor da Universidade de inequívoca importância e intervenção farmacêutico. A seleção dos teve a Coimbra, do Prof. Doutor na nossa sociedade e que muitas das v e n c e d o r e s colaboração de professores José Luís Fontes da Costa vezes é esquecida e desvalorizada.» das Faculdades de Farmácia Lima, diretor da Faculdade de Coimbra, do Porto e de de Farmácia da Lisboa no comité científico e júri. Universidade do Porto, do Prof. Doutor João José Nas palavras do impulsionador do projeto David Dias Sousa, sub-diretor da FFUC e presidente da Costa, Presidente da Comissão de Produção dos comissão científica da organização e dos Prémios Nacionais Farmacêuticos, «Esta primeira patrocinadores – Doutor Fernando Nobre pela AMI, edição foi um culminar de meses árduos de trabalho. Fresenius Kabi, Sanofi, Mercedes-Benz Sodicentro, Poderei mesmo dizer que, em certos momentos, foi Rottapharm|Madaus e Laboratórios Delta. Estiveram uma verdadeira batalha. Mas, acima de tudo, foi a ainda presentes Marco Bispo, vencedor do concurso realização conjunta de um sonho e de uma vontade. do desenho da estatueta, bem como docentes das Vontade de querer ver o trabalho da nossa academia faculdades de farmácia do país e representantes das e classe reconhecido e de dar mais força aos que associações académicas das mesmas. todos os dias trabalham na “arte farmacêutica”.» Mais do que uma mera gala, o evento representou o Uma iniciativa pioneira que constitui uma mais-valia reconhecimento da dedicação dada à arte para o setor e promete perdurar com novas edições e farmacêutica e ao seu ensino, dado que esta é uma dinamizar ainda mais o nosso ramo profissional. área de inequívoca importância e intervenção na nossa sociedade e que muitas das vezes é esquecida www.premiosfarmaceuticos.pt e desvalorizada. www.facebook.com/PremiosNacionaisFarmaceuticos Uma noite que conseguiu conjugar momentos lúdicos


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No sentido dos ponteiros do relógio: 1 - Núcleo de Ação Social da AEFFUL, Prémio AMI de Melhor Iniciativa Solidária 2 - Atuação do Grupo de Fado “Canto da Noite”, da Secção de Fado da AAC 3 - Jantar de Gala nas Cantinas Verdes 4 - A Comissão de Produção dos Prémios Nacionais Farmacêuticos 5 - Receção na sede da Secção Regional de Coimbra da Ordem dos Farmacêuticos 6 - Performance de Marisa e Marlene Bernardino 7 - António Nobre na entrega do Prémio AMI 8 - Ao centro Raquel Fernandes, uma das vencedoras do Prémio de Melhores Alunos - 1.º Ciclo, ladeada por Alexandre Guedes e Tiago Filipe Alves, dois dos três vencedores do Prémio ex aequo de Melhor Projeto de Investigação de Alunos


Farmácia de Luto

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Reunião Magna da Farmácia No dia 13 de outubro de 2012 mais de seis mil pessoas deslocaram-se ao Campo Pequeno, em Lisboa, com o intuito de mostrar o seu desagrado pela atual situação do setor farmacêutico, na Reunião Magna da Farmácia

por Tatiana Sousa

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sta reunião foi organizada pelas entidades promotoras da ação de sensibilização “Farmácia de Luto” e contou com a presença de profissionais de farmácia, farmacêuticos, jovens farmacêuticos e estudantes, vindos de todas as regiões do país. Alguns estudantes da nossa faculdade saíram de Coimbra por volta das 10h acompanhados pelo então presidente do NEF/AAC, Steve Estêvão. No Campo Pequeno, por volta das 15h, deu-se início àquela que foi a maior reunião do setor farmacêutico alguma vez realizada. Na Reunião Magna intervieram o presidente da Associação Nacional das Farmácias, João Cordeiro, a vicepresidente do Sindicato Nacional dos Farmacêuticos, Sónia Correia, o presidente da Associação Portuguesa de Jovens Farmacêuticos, Duarte Santos e a presidente da Associação Portuguesa de Estudantes de Farmácia (APEF), Teresa Torres. No final da reunião, os participantes dirigiram-se numa marcha até ao Ministério da Saúde, onde entregaram uma petição pelo acesso de qualidade aos medicamentos e condições necessárias ao normal funcionamento das farmácias que contou com mais de 224 mil assinaturas. Nesse local foram também deixadas as chaves das farmácias como simbolismo de toda a indignação e crise vivida pelo setor. Depois deste dia, foi possível concluir que há necessidade de reposição urgente da sustentabilidade económica das farmácias, revisão do sistema de remuneração das farmácias, constituição urgente de uma comissão de farmácia e terapêutica a nível nacional, avaliação económica rigorosa e dos ganhos em saúde com medicamentos inovadores e, também, integração das farmácias na rede de prestação de cuidados de saúde primários.

«Somos jovens e não acreditamos em milagres. Mas acreditamos em nós. Acreditamos na nossa força e naquilo que representamos. Acima de tudo, sentimos no peito a profissão que decidimos abraçar. Sentimos o poder da nossa união. Sentimos a realidade das nossas competências e o mundo que se vai moldando por elas, se quisermos. Sentimos a razão de uma única certeza: o nosso valor, a nossa importância. O valor do Farmacêutico, a importância da Saúde Pública. Façam como nós, sintam. E quando não acreditarem em mais nada, acreditem em nós.» Discurso de Teresa Torres, Presidente da APEF


Cortes orçamentais ao ensino superior

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«Temos, neste momento, a terceira propina mais elevada da União Europeia e a décima mais elevada da OCDE» Foi na manhã de 9 de novembro de 2012 que estudantes, docentes e funcionários da Universidade de Coimbra encheram por completo o Teatro Académico de Gil Vicente para dizer “chega” aos cortes orçamentais ao ensino superior público, contemplados no Orçamento de Estado de 2013

por Bárbara Ramalho

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om uma UC que suspendia as suas atividades entre as 11 e as 13h, as 770 cadeiras foram escassas para receber uma academia que se avolumava no exterior. A cerimónia iniciou-se pouco antes do meio-dia com João Gabriel Silva, reitor da UC, à cabeça, acompanhado pelos representantes das sete faculdades e pelo presidente da DG/AAC, Ricardo Morgado. João Gabriel Silva começou por apresentar concretamente os números e despesas reais da UC e, por outro lado, a quota do OE2013 que lhe é destinada, deixando bem claro que esta se encontra “no limite”: “Não dá para continuar”. Com a leitura da declaração dos reitores das universidades públicas portuguesas, sete pontoschave são colocados, os sete pontos que espelharão os cortes orçamentais e serão imagem das perdas das universidades portuguesas: Educação, Investigação, Inovação, Internacionalização, Especialização, Cooperação e Financiamento. O Reitor da UC termina advertindo que, se aprovado, o OE2013 comprometerá perigosamente o futuro de Portugal, deixando-nos a mensagem de levar o nosso protesto até à Assembleia da República: “Façamo-nos ouvir com todos os meios ao nosso alcance – por e-mail, por telefone, no futebol, no Facebook; É hora de dizer “chega”!”. “Hoje é um momento histórico” anunciava Ricardo Morgado, que em nome da Associação Académica de Coimbra acrescentava: “Hoje temos de passar uma mensagem clara ao país: Não podemos desinvestir na Educação, não podemos desinvestir no que amanhã seremos”. No seu discurso, Morgado protestou com as medidas de austeridade de que há muito a Universidade de Coimbra tem vindo a ser alvo, recordando que desde 2005 o número de bolsas de estudo diminuiu em cerca de 20.000. O presidente da Associação Académica de Coimbra

«Não podemos desinvestir na Educação, não podemos desinvestir no que amanhã seremos» Ricardo Morgado

«Só com formação e educação conseguiremos níveis de conhecimento para uma Europa unida e uniformemente desenvolvida, uma Europa capaz de sair desta crise em que se encontra» Reitor João Gabriel Silva

«À semelhança do que Coimbra, os seus estudantes e a sua Universidade fizeram ao longo de toda a sua História, não baixemos os braços, não viremos costas, não nos conformemos» idem

salientou o facto de o Estado ver insistentemente o Ensino Superior como mais uma “mercadoria” de despesa/lucro, ao invés do que o que realmente representa – a garantia de futuro de um país. Ricardo Morgado reforça ainda a ideia já deixada por João Gabriel Silva: “Só com formação e educação conseguiremos níveis de conhecimento para uma Europa unida e uniformemente desenvolvida, uma Europa capaz de sair desta crise em que se encontra”. Por último, apelou à união e coragem, características da nossa Academia: “À semelhança do que Coimbra, os seus estudantes e a sua Universidade fizeram ao longo de toda a sua História, não baixemos os braços, não viremos costas, não nos conformemos, por aqueles que diariamente continuam a sair do Ensino Superior, por aqueles que vivem na dúvida se conseguirão aguentar mais um ano, por aqueles que se querem formar em Portugal e a porta parece não existir”. No momento em que João Gabriel Silva iria dar a cerimónia por encerrada, um grupo de estudantes pedia a palavra repetidamente, inspirados pelo mesmo gesto de Alberto Martins, presidente da Associação Académica de Coimbra em 1969, que numa cerimónia oficial presidida pelo então Presidente da República, Américo Tomás, “pedia a palavra” em nome dos estudantes, gesto esse que daria início ao luto académico da revolta estudantil de 1969. Uma semana mais tarde o Ministério da Educação anunciava o recuo nos cortes ao Ensino Superior público, reafectando verbas e contando com um reforço acordado com o Ministério das Finanças, confirmando o que em Coimbra havia sido assegurado pelo reitor da Universidade de Coimbra – “Ao fim de 722 anos de História, a Universidade de Coimbra não vai parar”.


Destaque - José Rebola

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José Rebola - “Necessariamente descomplicado” O Pilão entrevistou José Rebola, vocalista e guitarrista da banda Anaquim e investigador no IBILI

por Ana Sofia Teixeira, Anaísa Bartolomeu e Nuno Jesus

A vida académica e o percurso de investigador

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ornal “O Pilão”: Gostávamos de começar a nossa entrevista com algumas perguntas sobre a sua vida enquanto estudante, aquela que está mais próxima de nós. Como figura carismática e inspiradora da nossa academia, achamos que seria a pessoa indicada para fazer esta entrevista, pois gostávamos de conhecer melhor os dois mundos a que se dedica. Sabemos que começou o seu percurso académico em 1999, como estudante de Engenharia Electrotécnica e Computadores, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Como era a universidade nessa altura a nível de desenvolvimento tecnológico e estruturas de investigação e quais as maiores diferenças em relação à atualidade? José Rebola: Passou uma década e meia, mas eu já respiro a universidade desde pequeno, tendo crescido cá e pelo facto de a minha mãe ser professora na universidade (ainda é professora no Departamento de Química). Desde pequeno que estou em contato com a universidade, pelo menos com o Pólo I. Costumava andar lá por cima, pelo Chimico e também assisti à migração para o Pólo II. Foi engraçado, acabei por viajar pelos três pólos da universidade e não cheguei a apanhar Engenharia Eletrotécnica no Pólo I, o que realmente tive lá foram matemáticas e físicas. Mas suponho que tenha sido uma mudança brutal em termos das instalações e espaço para tecnologias, espaço para a inovação que o curso precisava, tendo vindo para o Pólo II. A partir daí, parece-me, do que eu vejo da universidade, que há uma abertura cada vez maior para colaborações e está a deixar de ser, feliz e finalmente, cada um sobre si próprio e isso é uma evolução da universidade que eu vejo como muito importante. Começam a aparecer spin-offs para empresas de projetos de investigação, como o Instituto Pedro Nunes. E em termos de colaboração em investigação entre o Pólo I e o Pólo III? Começam a existir muitos projectos de investigação? Sim. Começa a haver uma integração multidisciplinar que é fundamental e que não tenho a certeza se acontecia assim tanto antes. Portanto, em termos do que vejo mudar na universidade é sobretudo a nível da abertura e dinamização

da investigação e da procura de entrosamento de vários campos. Eu estou numa área privilegiada de cruzamento, que é a neurociência e ciências biomédicas, onde se vê muito o cruzamento da medicina com a psicologia, a matemática, a engenharia e a física. É engraçado trabalhar neste mundo e perceber que pessoas de backgrounds completamente diferentes dão o seu input para um bem comum. O projeto sai fortalecido e também as pessoas, porque acabam por aprender sobre vários campos. Quando vim para aqui (IBILI), não sabia praticamente nada de medicina, de neurociência ou de neuropsicologia. Vim fazer processamento de sinal para um projecto que estava relacionado com a epilepsia. Depois acabei por gostar dessa área e comecei a interessar-me mais, pelo que me candidatei a um projecto de doutoramento que foi aceite. Foi assim que “mudei de campo”.

de Coimbra, porque não é uma cidade muito industrializada nem muito empresarial e eu queria ficar cá, entre outros motivos, por causa dos projetos musicais que tinha. Estava num sítio perfeito para continuar na investigação e acabei por responder ao concurso da bolsa de processamento de sinal de epilepsia. Depois quando comecei a ver a parte da neurociência que faziam no IBILI e os tópicos que estudavam, interessei-me pela perceção de objetos, de faces e tentar compreender como é que o cérebro humano funcionava em termos de organização e de computação e aí originou-se a ideia para o meu doutoramento, que era ao mesmo tempo fazer estudos que permitissem ajudar doentes com epilepsia, mas também perceber como é que o cérebro normal faz o processamento de caras e objectos, onde é que ele se dá, como e com que propriedades.

O contacto com pessoas de diversos mundos académicos e do saber permitiu-lhe aumentar o seu conhecimento e realizar esse trabalho? Claro, e também gosto de pensar que os meus colegas aprenderam alguma coisa comigo e com os outros engenheiros que por aí andam, porque são abordagens diferentes aos problemas e é bom quando tens várias soluções e podes escolher a melhor; não estás preso àquela que tinhas como dogmática.

Relativamente à epilepsia, trabalham com todos os tipos de epilepsia ou com um tipo especial? Qual o interesse para o seu trabalho? Inicialmente trabalhávamos com epilepsia do lóbulo temporal, em que é complicado definir bem qual é o foco e isso é muito importante. Ainda não é, mas se algum dia for possível, com técnicas não invasivas, como a electroencefalografia (EEG) e a ressonância magnética funcional (RMF), definir precisamente onde é que está o foco, então evita-se uma dupla cirurgia. Neste momento os doentes têm que ter uma cirurgia para a implantação de umas grelhas de eléctrodos, para se perceber exatamente onde é que está o foco e as pessoas ficam com essa grelha três dias, com os perigos todos que isso implica. Portanto, previamente à cirurgia de remoção de uma parte do cérebro, têm esta cirurgia. Se isto pudesse ser feito de uma forma não invasiva, seria o ideal e é para aí que caminha o desenvolvimento de algoritmos de identificação e localização dos focos de epilepsia. Isto pode ser feito para qualquer tipo de epilepsia. Mas a mim interessava-me a epilepsia do lóbulo temporal inferior porque aí funciona ao contrário. As grelhas que essas pessoas têm que ter podem ser usadas para recolher informação sobre que características dos objetos e das faces a que essas áreas respondem. Nunca se iria abrir a cabeça de uma pessoa que não tenha epilepsia só para estudar isso. É interessante ver como é que o trabalho pode ajudar nesses dois campos diferentes. É essa a ideia.

E a investigação é um mundo individualizado? Temos assistido a muitos investigadores que consideram que é vantajoso coordenar o trabalho de diversas pessoas. Qual destas perspetivas é a mais vantajosa? Existe (a investigação individualista), mas considero mais vantajosa quando se trabalha em equipa porque é mais fácil trabalhar e ultrapassar obstáculos. A não ser que seja uma pesquisa de uma vida ou uma perseguição de uma teoria. Isso verificava-se mais antigamente, mas continuam a haver casos, em que o trabalho é mais para a pessoa. Pessoalmente, gosto mais de trabalhar em equipa, ir aprendendo e chegando a metas com o meu saber e o das outras pessoas. Qual foi a alavanca que o levou a fazer doutoramento nesta universidade? Podia-nos falar um pouco sobre o tema que desenvolveu? Quando terminei o curso de Engenharia Electrotécnica, tirei o ramo de Comunicações. Quase tudo, mas nem tudo, o que seria trabalho estimulante nessa área seria em Lisboa ou no Porto. De qualquer das maneiras, seria fora


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Com base na pesquisa que fizemos sobre os seus trabalhos, encontrámos alguns artigos referentes à neurociência. Considera que o conhecimento tecnológico de que dispomos actualmente pode vir a melhorar o tratamento e o diagnóstico de diversas doenças e a evitar condições degenerativas? De facto, a tecnologia ajuda cada vez mais. A minha primeira ferramenta de trabalho foi a EEG, mas agora tenho trabalhado mais com a RMF. Com a RMF consegues perceber bem, com uma resolução espacial ao nível dos milímetros, onde é que se origina a atividade que é responsável por uma determinada tarefa. Imagina que te ponho num scanner de RM e te peço para fazer contas, por exemplo. Consigo ver de onde está a surgir a atividade cerebral que te permite resolver esse problema. Claro que tenho que eliminar toda a actividade que é comum a outras tarefas. Por exemplo, se eu te mostrar imagens de caras e imagens de objetos, há áreas que se vão iluminar só por estares a usar a visão, e isso vai ser comum às caras e aos objetos. Quando fazes a diferença das condições, percebes o que é específico das caras e dos objetos e consegues perceber que zona no cérebro responde especificamente só a caras e só a objetos e para que caraterísticas das caras e para que caraterísticas dos objetos. É muito engraçado poder fazer isso sem qualquer risco para a pessoa. Há uma condição que levou à descoberta de que existem zonas específicas para a cara, que é a prosopagnosia. Essas pessoas não vos distinguiriam pelas caraterísticas da cara, mas se calhar pela cor de cabelo, pelo penteado ou a voz e vão por essas pistas e não pelas feições da pessoa. Noutros casos, não conseguem distinguir determinadas caraterísticas de objetos ou de classes de objetos. É uma condição rara, mas mostra-nos que há áreas fortemente especializadas na percepção de estímulos faciais, que é um estímulo que biologica e evolutivamente tem muita importância, que carrega muita informação. É natural que se tenha desenvolvido uma rede de áreas para o processamento de caras no cérebro. No trabalho que fazemos, não descobrimos isto, estávamos a ver que área responde a quê e se pudermos acrescentar alguma coisa. Estamos a tentar pôr mais um degrau nesta escada. No caso da prosopagnosia não há muito a fazer. As pessoas têm que arranjar outras estratégias. Mas no IBILI estudam-se outras doenças como a epilepsia, a doença de Huntington, de Parkinson, de Alzheimer, autismo e outras. Quanto melhor estiverem caraterizadas e quão melhor estiverem isoladas as zonas do cérebro que estão afetadas e de que maneira estão afetadas, melhor estaremos para elaborar um tratamento. Há doentes epilépticos que estão internados nos HUC que participam em ensaios clínicos, nomeadamente através do estudo das suas crises. Como é que esses estudos se processam? Não sou eu que faço esse tipo de estudos, mas posso dar um exemplo: o Gabriel Pires, que concluiu o doutoramento há pouco tempo, tentava a partir de registos de crises desenvolver um algoritmo que permitisse a predição de uma nova crise, o que teria vantagens óbvias. Por exemplo, um epilético não pode conduzir de ânimo leve, pois não sabe o que lhe poderá acontecer. Se houvesse alguma maneira de prever antecipadamente quando vai acontecer uma crise, a pessoa poderia procurar um ambiente mais seguro. Nós sabemos que isso é possível

pois há cães que conseguem pressentir isso, começam a ladrar ou a manifestar-se de outras formas se a pessoa estiver prestes a ter uma crise. Não fazemos ideia de como é que os cães conseguem, apenas nos mostram que é possível. Conseguir isto seria um incremento na qualidade de vida das pessoas que têm crises. Pode-nos falar do projecto que está a desenvolver actualmente? Atualmente tenho em mãos um projeto que se prende com os padrões de leitura de disléxicos. Estamos a tentar perceber o que faz confusão aos disléxicos: se o espaçamento entre linhas e se a diminuição de ruído à volta da informação a ser retida influenciam ou não a forma como eles lêem. Isto seria importante para a construção de um determinado layout para livros só para eles e até mesmo para websites. Assim, eles poderiam fazer uma apreensão mais eficiente da informação escrita. RITA CARMO

depois conheci malta que também queria tocar. Era engraçado porque nesta altura nem todos tocavam um instrumento. Por exemplo, o nosso vocalista foi aprender contrabaixo. Na altura a minha primeira experiência foi numa banda psychobilly que era uma onda que se vivia muito aqui em Coimbra há uns 15 anos. Tínhamos muito gozo porque estávamos a ter aquela necessidade de deixar de estar com a guitarra no quarto e a passar a estar com ela numa sala de ensaios e, em última analise, fazer alguma coisa que as pessoas queiram ouvir. Um projeto musical passa por aí: ter ideias e encontrar alguém com quem possas partilhar essas ideias. Depois tudo cresce a partir daí. Tirar o curso em Coimbra foi determinante no facto de seguir uma carreira musical? Não, no meu caso penso que não. De certa forma é um privilégio, Coimbra é conhecida como cidade do rock e sempre teve bandas muito boas. O estímulo à nossa volta é muito importante para uma pessoa não perder o norte ao fazer música, mas tenho a impressão que, com a paixão que tenho pela música, podia estar na Gronelândia que ia continuar a tentar ter uma banda. Coimbra pode não ter feito tanta diferença mas facilitou o poder ter umas bandas, ou várias. Como consegue conciliar a carreira de investigador com a de compositor e vocalista dos Anaquim? O truque é não ser “ d e s n ec e s sa r i a m e n te complicado” (como diz a música)? O truque é não dormir, quase. É possível, mas é duro. Nas primeiras etapas de uma banda e de uma investigação é possível conciliar, se não quisermos ultrapassar uma certa dimensão na música e uma certa ambição na carreira académica. A partir do momento em que a pessoa quer fazer coisas de excelência seja na carreira académica ou na música, já se torna mais complicado. Estou finalmente a deparar-me com esse problema, que é um bom problema, de começar a não ter tempo de fazer tudo bem feito. Então, chega uma altura em que a pessoa tem que deixar de ter duas profissões se quiser atingir um certo grau de exigência consigo próprio e com os projetos nos quais está envolvido. Mas em larga medida, penso que é conciliável. Para fazer um trabalho sem mácula quer num campo quer no outro, aí já começa a interferir porque requerem uma dedicação quase exclusiva. Porém, ter a música como hobby e ter uma banda é perfeitamente conciliável com uma carreira académica. Agora se for para fazer um trabalho de profissional da música e a corresponder a tudo o que se espera disso, torna as coisas mais complicadas.

A música Relativamente ao outro mundo a que se dedica, como surgiu a oportunidade de integrar um grupo musical? Surgiu como na maior parte dos casos. Eu tocava viola e comecei a interessar-me cada vez mais por música e

Porquê o nome Anaquim para a banda? Era um nick que eu usava no Messenger, que já está extinto. É referente à “Guerra das Estrelas”, em que o Anakin é o bom da fita na primeira trilogia e na segunda já é o Darth Vader, o mau da fita. Este nome simboliza que de certa forma todas as pessoas têm aspectos bons e aspectos maus e que o melhor é perceber e aceitar isso, porque ninguém é perfeito. Enquanto pudermos estar do lado do Anaquim, se calhar é melhor do que nos entregarmos às trevas, por assim dizer. É uma coisa muito metafórica, mas é uma brincadeira que de algum modo tem uma certa moral, como as fábulas de La Palisse, como “A Lebre e a Tartaruga”. Basicamente é isto, é para simbolizar a nossa dualidade enquanto humanos e para dizer que se pudermos estar do lado das coisas boas e daquelas que nos motivam a levantar de manhã (ou quando for) é bom estar deste lado mais bem disposto. E o que procura despertar nos ouvintes, com as letras das músicas que compõe? Gosto de abordar dois aspectos. Num plano pessoal, gosto de falar das coisas que me incomodam e que, ao falar com outras pessoas, percebo que não é só a mim que me incomodam. Muitos de nós temos diversos problemas em comum. Depois, gosto particularmente da responsabilidade que a banda tem ao abordar temas do plano social, criticar ou fazer crónicas da sociedade em que estamos inseridos, questionar por que é que as coisas funcionam desta maneira e por que não podem funcionar melhor, qual é o obstáculo, tentar mudar as coisas com as quais não concordamos. Pensamos que a música é uma arma para passar mensagem e ideias. Mesmo no estudo, às vezes as pessoas inventam lengalengas porque as matérias passam e com música as ideias também passam. Então começamos a criar o vício de pensar na sociedade à sua volta nas pessoas. Se calhar, se elas pensarem poderão perceber que nem tudo é perfeito e que há coisas mutáveis para melhor. Não queremos de todo dar lições de moral a ninguém, o que gostamos é de ver as pessoas a questionar mais o mundo à sua volta e propor as suas próprias soluções, avançar com os seus próprios projetos para mudar as coisas de que não gostam. Queremos tentar provocar as pessoas a irem fazer qualquer coisa e nós também irmos fazendo a nossa parte. Não temos a pretensão de apontar as nossas soluções como as melhores ou as únicas. É a nossa visão. Queremos apenas que as pessoas estejam alerta.

RITA CARMO


FARMA|inove

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«Aquilo que pretendemos é que cada um consiga perceber de que forma pode obter a máxima eficiência de uma simples ideia. A FARMA|inove é uma indústria de ideias.» Conhece a FARMA|inove - Associação para o Empreendedorismo e Inovação da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, a júnior empresa da FFUP e única na sua área em Portugal, que tem como principais valores a inovação, o dinamismo e a competitividade

por Pedro Martins

A

FARMA|inove Associação para o Empreendedorismo e Inovação da FFUP surge «do ideal de empreendedorismo e da capacidade e ambição de criação de novos projetos». Pretende corresponder às exigências do mercado de trabalho através da formação especializada dos seus colaboradores em diferentes áreas e, enquanto Associação para o Empreendedorismo e Inovação da FFUP, pretende «criar pontes de ligação que possibilitem novos projetos e novas ideias». Enquanto júnior empresa oferece uma vasta gama de serviços especializados, que vão desde análises e procedimentos laboratoriais a estudos de mercado e ajuda na formação de empresas a jovens com espírito empreendedor. Presta serviços em quatro áreas principais: Estudos na área do medicamento (em química analítica e tecnologia farmacêutica); Comunicação em saúde; Inovação (laboratório de ideias) e Formação.

Associação para o Empreendedorismo e Inovação da FFUP? A FARMA|inove é a Associação para o Empreendedorismo e Inovação da FFUP. Consideramos que os conceitos de empreendedorismo e inovação estão ligados e, ao contrário do que se possa recentemente veicular, não são novos, sempre existiram. Toda a atividade de investigação é inovação, sendo os medicamentos um exemplo claro de inovação e uma das nossas áreas é essa, desenvolver projetos inovadores. O empreendedorismo envolve algo mais, precisamente a transição do produto da inovação para o mercado e vice-versa, criando valor. A chave da nossa atividade passa por mecanismos de feedback entre mercado e inovação. Pensam ser crucial, no exigente meio empresarial dos dias de hoje, o aparecimento de novas plataformas de aproximação do meio académico à realidade empresarial, tal como as júnior empresas?

complementando a formação universitária e facultando-lhes competências que as empresas procuram? Tal como referi anteriormente, a Universidade é a escola do pensamento e deve, acima de tudo, ensinar a pensar, a duvidar e a sustentar o conhecimento e a crítica, com aceitação do contraditório como princípio para a análise e criação de conhecimento. Discordo totalmente de localizar o problema nos planos curriculares dessa forma. O currículo académico não tem, na minha perspetiva, de acrescentar competências de gestão, de comunicação ou até mesmo de liderança, por muito que as empresas até gostassem de ver o ensino superior desta forma. Concordo, porém, que estes mesmos planos curriculares possam prever mobilidade nas universidades para aqueles que buscam novas competências, através da sua própria capacidade de identificar o que necessitam, sempre numa perspetiva complementar e eventualmente extracurricular.

A FARMA|inove oferece uma vasta gama de serviços especializados, que vão desde análises e procedimentos laboratoriais a estudos de mercado e ajuda na formação de empresas a jovens com espírito empreendedor.

Falámos com Bruno Macedo, mestre em Ciências Farmacêuticas pela Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto e Presidente (CEO) da FARMA|inove, cargo que concilia com o de Secretário Técnico da Direção Nacional da Ordem dos Farmacêuticos.

Jornal O Pilão: Como nasce a FARMA|inove? Houve algum tipo de apoio na sua formação? Bruno Macedo: A FARMA|inove nasce de várias necessidades interdependentes. Quero com isto dizer que durante algum tempo foram sendo identificadas áreas que careciam de exploração, em particular a relação entre as instituições de ensino superior e o mercado, seja em termos

«Os conceitos de empreendedorismo e inovação estão ligados e, ao contrário do que se possa recentemente veicular, não são novos, sempre existiram. Toda a atividade de investigação é inovação, sendo os medicamentos um claro exemplo de inovação.» laborais – particularmente importante neste clima actual – mas também de serviços. Identificada essa necessidade, o processo de formação da FARMA|inove evoluiu de forma natural, com a integração de pessoas com visão estratégica, ponderação e paciência, adaptando-se o projeto às necessidades que foram sendo identificadas. Enquanto entidade inovadora foi necessário explicar o enquadramento da ideia e do projeto. Tivemos por base um princípio, não solicitamos apoios financeiros para uma ideia. Quisemos expor o conceito, obter concordâncias e reconhecimento do potencial por parte de entidades representativas do setor em que nos pretendemos inserir e colocar mãos à obra. É mais do que justo reconhecer, em particular, a visão do Professor Doutor José Costa Lima, diretor da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, que, além de depositar confiança em nós, também reconheceu que existia um lugar, de difícil e persistente conquista, mas que poderíamos contar com ele para o alcançar. E vamos no bom caminho.

De que forma se concilia a FARMA|inove com a

Crucial, é, sem dúvida. Mas é necessário entender do que estamos realmente a falar. O meio académico tem por missão ensinar a pensar, não tem por obrigação dar emprego aos diplomados, ou dar soluções às empresas. É da aprendizagem do pensamento e da crítica, com base em evidências, que se pode identificar como é que determinada área se pode ou deve ligar ao mercado. É sempre um tema demasiado abstrato, isto porque logo a seguir vem a pergunta cuja resposta certa valeria milhões, mas que nunca vi ser respondida: então se é crucial, como é que se faz? É aqui que nós queremos entrar, nesta segunda parte. As júnior empresas normalmente assumem um caráter mais analítico, na perspetiva da prestação de serviços

«As júnior empresas normalmente assumem um caráter mais analítico, na perspetiva da prestação de serviços em condições especiais. Nós jogamos noutro campo — assumimos a prestação de serviços para financiamento da inovação que colocamos em prática, além da perspetiva de investimento nos quadros que desempenham as funções.»

Em que medida a FARMA|inove faz esta ligação entre os dois meios? Quais os serviços prestados? Por um lado, disponibilizamos inputs, nomeadamente na participação das entidades externas nos projetos empreendedores de iniciativa da empresa. Desta forma o tecido empresarial pode contribuir para a formação dos quadros e investir no sucesso dos projetos empreendedores. Por outro, disponibilizamos outputs, em que nos disponibilizamos para corresponder às necessidades do mercado com serviços. Neste campo realizamos estudos na área do medicamento, serviços analíticos na área da química e biologia e damos grande importância à

«Somos uma associação sem fins lucrativos, tudo o que geramos é investido com a perspetiva estratégica de criar valor — numa perspetiva geral para a sociedade, numa perspetiva mais setorial na criação de valor para o setor farmacêutico.»

em condições especiais. Nós jogamos noutro campo — assumimos a prestação de serviços para financiamento da inovação que colocamos em prática, além da perspetiva de investimento nos quadros que desempenham as funções. Somos uma associação sem fins lucrativos, tudo o que geramos é investido com a perspetiva estratégica de criar valor: numa perspetiva geral para a sociedade, numa perspetiva mais setorial na criação de valor para o setor farmacêutico.

prestação de serviços que não sejam concorrenciais com o mercado e de caráter “académico”, pelo enquadramento em que surgem e pela especificidade dos equipamentos. Destaco atualmente a utilização da tecnologia FT-NIR, em que utilizamos espetroscopia de infravermelhos próximos para monitorização automática e contínua de diferentes etapas do processo de fabrico. Esta metodologia traz vantagens a nível de eficiência e custos de produção e pode ser usada na indústria farmacêutica, alimentar e química. São farmacêuticos que investigam esta tecnologia e são farmacêuticos que se disponibilizam para colocar em prática o produto da inovação.

Esta necessidade de criar novas sinergias entre estas duas realidades advém do facto de que na universidade os estudantes são pouco preparados para enfrentarem problemas reais numa empresa? A FARMA|inove pretende preencher as lacunas do currículo académico dos seus membros,

Como se processa o recrutamento de novos colaboradores para FARMA|inove? Quais as qualidades que o futuro colaborador deve ter? A FARMA|inove enquadra na sua estrutura estudantes e farmacêuticos formados pela Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto. O recrutamento tem por base


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este espetro e estamos permanentemente abertos a receber candidaturas espontâneas. Depois disso, surgindo oportunidades, estes colaboradores são chamados para integrar serviços ou projetos e passam a outra categoria de colaborador. Dependendo do número de colaboradores candidatos e necessários, o processo de recrutamento obedece a critérios transparentes e validados. Para a prestação de serviços, estes colaboradores são selecionados em colaboração com o coordenador científico da área. Os colaboradores devem ter vontade e sentido de compromisso, acima de tudo. É claro que algumas áreas

Qual o feedback das empresas com que já trabalharam? Ainda é cedo para esse feedback. Importa referir que o projeto não começou pelo fim, ou seja, estivemos durante muito tempo a posicionar a ideia e a estabelecer as vantagens de cooperação por parte da Faculdade,

«Concordo que os planos curriculares possam prever mobilidade nas universidades para aqueles que buscam novas competências, através da sua própria capacidade de identificar o que necessitam, sempre numa perspetiva complementar e eventualmente extracurricular.»

«A participação de colaboradores desde cedo, aliada à reconhecida formação de excelência da FFUP, permite [às empresas] identificar potenciais colaboradores de interesse num futuro próximo, que possuem desde já competências distintivas.»

«A chave para o nosso eventual sucesso será a adaptação rápida às necessidades e ao setor. Desta forma, identificámos já onde podemos atuar e estruturámos a nossa estratégia para os próximos três anos e é com isso que neste momento trabalhamos.»

requerem experiência prévia com equipamentos ou métodos, mas independentemente das questões mais técnicas, a vontade de inovar e de criar valor é tudo o que pretendemos.

em particular dos laboratórios, e a definir o nosso portefólio de serviços. Lançámos oficialmente os serviços no final de 2012 e por isso esperamos que este ano de 2013 possa colocar -nos verdadeiramente à prova na prestação de serviços.

que respeita aos serviços. Mas contamos também com estudantes de doutoramento, de 2.º ciclo, de mestrado integrado e de profissionais recém-formados. Esta rede é importantíssima, tanto para a difusão do projeto como para o enquadramento estratégico do mesmo.

Pretendem alargar as vossas áreas de atuação? A chave para o nosso eventual sucesso será a adaptação rápida às necessidades e ao setor. Desta forma, identificámos já onde podemos atuar e estruturámos a nossa estratégia para os próximos três anos e é com isso que neste momento trabalhamos. Teremos de saber ser pacientes para o momento certo em que lançaremos os projetos que temos no nosso pipeline. Temos em particular três grandes projetos que respondem a três grandes questões — Como contribuir positivamente para potenciar oportunidades aos jovens

Pode-se dizer que a FARMA|inove é uma escola de empreendedores? Empreendedores somos todos, não é isso que podem esperar apreender desta experiência. Aquilo que pretendemos é que cada um consiga perceber de que forma pode obter a máxima eficiência de uma simples ideia. A FARMA|inove é uma indústria de ideias.

Quais as vantagens para um cliente a ligação às júnior empresas, comparando com as empresas tradicionais? Permite-lhe recrutar novos quadros? Além do que referenciei anteriormente, de disponibilizarmos serviços específicos, os preços são bastante atrativos e estas empresas acabam por financiar indiretamente projetos de criação de valor. A FARMA|inove é uma empresa júnior, mas no registo é uma associação sem fins lucrativos, pois tudo o que os serviços possam render é investido na formação dos quadros e nos projetos que desenvolvemos. Além disso, a participação de colaboradores desde cedo, aliada à reconhecida formação de excelência da Faculdade

de Farmácia da Universidade do Porto, permite [às empresas] identificar potenciais colaboradores de interesse num futuro próximo, que possuem desde já competências distintivas.

A FARMA|inove, enquanto Associação para o Empreendedorismo e Inovação da FFUP, pretende criar pontes de ligação que possibilitem novos projetos e novas ideias.

farmacêuticos? De que forma a ação do Farmacêutico pode ser valorizada? Nesta era da web, como é que podemos potencializar a cooperação e mobilidade dos farmacêuticos no mundo? Brevemente esperamos poder mostrar as nossas respostas e, sendo eficientes nas mesmas, esperar que a estratégia que estamos a seguir seja a correta.

Nos projetos contam com a colaboração de docentes? Sim, de outra forma não seria possível, em particular no

Para mais informação: www.ff.up.pt/farmainove


Destaque - Prof. Dr. João Laranjinha

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«A informação pode ser vista como uma abstração matemática. O que temos de fazer é criar ilhas de conhecimento neste mar de informação» Conseguir perceber a dinâmica da concentração do óxido nítrico (NO), molécula gasosa que medeia a interação neurovascular, era algo até agora intangível

por Anaísa Bartolomeu, David Ramos e Leonor Bruçó

É

devido às suas caraterísticas que o Prof. Dr. João Laranjinha e o Prof. Dr. Rui Barbosa, docentes na FFUC, já estudam a molécula há mais de uma década. O óxido nítrico é conhecido desde há longa data como um poluente atmosférico que, por seleção natural, funciona como mediador da memória e da aprendizagem no nosso cérebro, mas por outro lado também participa na morte celular, associado a doenças neurodegenerativas, devido à sua toxicidade. Agora, a equipa do Centro de Neurociências e Biologia Celular da UC (CNC) conseguiu finalmente perceber a dinâmica da sua concentração, quantificando a produção da molécula em tempo real e in vivo, e o seu raio de difusão no cérebro. Esta investigação pode abrir caminho para o tratamento de doenças como a de Alzheimer ou de Parkinson, ao medir a variação transitória desta molécula com acuidade dual, estabelecendo o limite entre a função fisiológica e patológica de acordo com a função para a qual é produzida. Jornal O Pilão: Em primeiro lugar gostaríamos de saber o que o incitou a enveredar pelo ramo da Bioquímica para trabalhar e o que lhe suscitou mais interesse nessa área. Prof. Dr. J. Laranjinha: Primeiro deixemme felicitar-vos pela iniciativa, porque é muito importante esta divulgação da investigação que os vossos professores fazem. De uma maneira vaga, sabem que o nosso cérebro é um órgão extraordinário. A partir do momento em que, por mero acaso, nos interessamos por um assunto, temos a capacidade de aprender e de nos auto-motivar. Na Física existem os sistemas caóticos, como a atmosfera, em que conhecendo a velocidade e a posição de todas as partículas, não conseguimos fazer uma previsão, pois são sistemas sensíveis às condições iniciais. Ao longo dos anos tenho concluído que na nossa vida é a mesma coisa, há bifurcações e nós temos de optar com base em pormenores da nossa personalidade. Nós somos guiados pelos nossos sonhos, mas tomamos decisões em função dos nossos medos. Quando vim para a faculdade interessei -me logo pelo ramo da Bioquímica. Aliás, estive para mudar para Medicina, mas acabei por ficar porque me interessei muito pela Bioquímica. Comecei a trabalhar no iníco dos anos 90, já um pouco tarde, no Laboratório de Bioquímica, numa área que na altura estava a emergir — radicais livres. Tive a sorte de existirem pessoas em

«O nosso cérebro é um órgão extraordinário. A partir do momento em que, por mero acaso, nos interessamos por um assunto, temos a capacidade de aprender e de nos autoauto-motivar.» Coimbra interessadas na área, nomeadamente a Professora Leonor Almeida, que também foi orientadora da minha tese de doutoramento, juntamente com o Professor Vítor Madeira da FCTUC. Comecei por estudar a inibição da oxidação das lipoproteínas de baixa densidade (LDL), pois a aterosclerose constitui a principal causa de morte e morbilidade nos países ocidentais. Na altura estava a nascer também o interesse pelos polifenóis e antioxidantes naturais, áreas nas quais fiz algumas contribuições. Num meeting que fiz em Viena conheci uma pessoa que viria a mudar a minha vida, Enrique Cadenas, um dos pais desta área e professor na University of Southern California. Ele afirmou algo extraordinário, que as nossas células, na mitocôndria, produziam radicais livres, nomeadamente o ião superóxido (O2-). Quando eu tinha 36 anos, o Enrique Cadenas convidou-me para fazer um pós-doutoramento e, com o grande empenhamento da Professora Leonor Almeida junto do

«Na nossa vida [...] há bifurcações e nós temos de optar com base em pormenores da nossa experiência. Somos guiados pelos nossos sonhos, mas tomamos decisões em função dos nossos medos.» Conselho Científico, consegui que me deixassem sair. Durante o tempo que estive fora conheci e trabalhei com uma investigadora chamada Cecilia Giulivi, que fez uma descoberta excecional da oxido nítrico sintase (NOS) na mitocôndria, feito memorável do qual tive a oportunidade de presenciar de perto. Naquela altura, os radicais livres eram vistos como moléculas deletérias para a integridade estrutural e funcional das células. Mas a partir de certa altura começou-se a perceber que os radicais livres eram

moléculas sinalizadoras, tendo-se dado um grande avanço na Ciência. Este paradigma foi base para o Prémio Nobel da Medicina e Fisiologia de 1998, atribuído a três investigadores (Robert Furchgott, Louis Ignarro e Ferid Murad) que identificaram o fator de relaxamento derivado do endotélio como sendo o NO. Este radical livre passou então a ser a molécula-chave na vasodilatação e um mediador celular ubíquo, sendo uma molécula crucial nos processos de memória e aprendizagem a nível do hipocampo e, paradoxalmente, um poluente atmosférico produzido pelos escapes dos automóveis. Nós sintetizamos dois radicais livres nas nossas células: o radical superóxido e o óxido nítrico. Conhecíamos três isoformas — uma neuronal da sintase do óxido nítrico, uma endotelial e uma indutiva. Cecilia Giulivi descobriu, em 1998, uma isoforma mitocondrial que ainda hoje é muito polémica, pois o NO na célula liga-se ao citocromo C oxidase exactamente no mesmo sítio onde se liga o oxigénio molecular (O2) na respiração celular, ou seja, compete com o O2 para a ligação citocromo C oxidase. Para mim foi fascinante assistir a esta descoberta e à publicação do artigo, uma vez que a comunidade científica é sempre muito crítica face a um novo paradigma. Existiam dois grupos científicos que estavam a trabalhar no mesmo tema do NO, um deles em Los Angeles, no qual eu estava inserido, e outro na Suíça. Ambos sabiam que tinham a mesma descoberta, a questão era quem publicaria primeiro. O grupo da Suíça acabou por publicar em dezembro de 1998 e o da Cecilia em março de 1999.

Comecei na altura a fazer alguns trabalhos relacionados com as interações do NO com alguns neurotransmissores, nomeadamente com a dopamina. Submeti projetos à FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia), na altura em que o Mariano Gago era Ministro da Ciência, porque tínhamos essa possibilidade de, enquanto jovens investigadores, construirmos a nossa própria equipa, daí a Ciência ter evoluído tanto em Portugal. Nessa altura o professor já estava inserido numa equipa ou trouxe novos elementos para a equipa? Estava ainda em ligação com a Professora Leonor Almeida e por acaso os projetos aos quais me submeti tinham na minha equipa professores que tinham sido meus orientadores. Ao longo dos anos fui atraindo novos investigadores, formando uma equipa mais coesa em redor do tema do NO. Tive a sorte de colaborar com o Professor Rui Barbosa, que vinha de uma área mais instrumental, tendo desenvolvido um trabalho excecional à base de microelétrodos aplicados ao contexto da diabetes. O seu contributo para esta investigação foi crucial, uma vez que uma das grandes dificuldades era quantificar o NO, porque todos os estudos feitos até à data acerca desta molécula eram fenomenológicos. O NO tem a particularidade de ser um radical livre, relativamente fugaz, que difunde e é difícil de medir de modo seletivo. Lançámo-nos na aventura de reformular os microelétrodos que ele já tinha estudado para a medição de muitos neurotransmissores e aplicá-los ao estudo deste caso em particular. Muita neuroquímica que se conhece é devida a estes elétrodos de fibras de carbono. Começámos o estudo da função da regulação redox das funções celulares dos radicais, em particular do NO, no contexto das doenças neurodegenerativas, nomeadamente a doença de Parkinson e de Alzheimer. Um dos aspetos que nos torna muito competitivos nesta área a nível mundial é o facto de termos o approach experimental de incorporar duas componentes: Concetual (Qual é a ideia?; O que é que nós queremos?) e tecnológica, de modo a desenvolver tecnologias que nos permitam responder à pergunta que fazemos. O NO é um neuromodelador pouco ortodoxo porque, ao contrário dos neurotransmissores clássicos, é sintetizado numa altura específica, portanto não pode ser

«Este radical livre [NO] passou, então, a ser [considerado] a moléculamolécula-chave na vasodilatação e um mediador celular ubíquo, sendo uma molécula crucial nos processos de memória e aprendizagem a nível do hipocampo e, paradoxalmente, um poluente atmosférico produzido pelos escapes dos automóveis.» armazenado, é difusível, sendo permeável nas membranas celulares. Há um particular interesse no estudo a nível do hipocampo, porque aí está envolvido no processo de memória e aprendizagem. O NO integra, numa esfera de difusão, vários neurónios, independentemente de estarem ligados por sinapses. Isto é algo revolucionário a que se chama volume signaling, não fazendo uma movimentação unidirecional, daí a sua dificuldade em quantificá-lo. A dinâmica da concentração do NO no tempo e no espaço está ligada à sua ação biológica. Esta molécula diatómica não tem complementaridade estrutural nem


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um alvo específico, a sua informação está veiculada na dinâmica da sua concentração. Estas dinâmicas são medidas fazendo a inserção estereotáxica do microelétrodo (aproximadamente o tamanho de um corpo neuronal) em murganhos in vivo, em que o dano causado é diminuto. Através de estímulos conseguimos medir a variação transitória do NO, ligado a um comportamento ou a uma função. Sendo o NO uma molécula tão versátil, existem outras vertentes a serem investigadas? Há uma outra linha de investigação sobre a atividade do NO ligada a polifenóis da dieta e no âmbito da inflamação no trato gastrointestinal. O paradigma neste caso tem a ver com a diferença de resultados da atividade dos antioxidantes in vivo e in vitro. Os grupos químicos que conferem atividade ao polifenol são modificados durante a absorção. Hoje o efeito dos antioxidantes que pensamos ser benéfico para a saúde reside no fato de regularem as funções redox. Tal como os radicais livres, também os antioxidantes podem modelar as reações redox localizadas. O plano concetual que nos permite pensar sobre esta área é o conceito de stress oxidativo.

«O cérebro é o objeto mais complexo do Universo, o cérebro faz parte do Universo. Os átomos de que somos feitos foram feitos nas estrelas, somos pó de estrelas, como disse Carl Sagan. Esta propriedade que emerge neste órgão significa que é o Universo a tomar consciência de si mesmo. É muito difícil conceber alguma coisa mais elaborada que isto.» Quando consumimos vegetais de folhas verdes estamos a ingerir polifenóis mas também muitos nitratos. O nitrato é reduzido a nitrito por uma população de anaeróbios e o nitrito é considerado o produto inerte da oxidação do NO. Esta redução é monovalente e portanto os polifenóis reduzem o nitrito do estômago a NO, o que tem consequências funcionais. Em traços gerais é desta forma que interligamos a investigação ao metabolismo do NO. Sabemos que o NO pode ter efeitos diferentes, dependendo da sua concentração. Como explica esta dualidade benefício / toxicidade? De uma maneira poética dizemos que é uma atividade do deus Janus, deus romano, guardião das portas do Céu que tinha um olho nos que queriam entrar e outro nos que queriam sair. Tal como o NO, tem duas faces das quais não se percebe bem o seu funcionamento. O dogma é: A baixas concentrações estamos no lado da fisiologia, a altas concentrações estamos no lado da toxicologia. Aliás, este conceito está descrito no nosso cérebro para quase tudo, necessita de ser demonstrado experimentalmente para o NO e a dificuldade está em dizer a partir de que ponto é que deixa de ser fisiológico e passa a ser tóxico. A concentração de NO tem relevância, porque a reação mais rápida da biologia que não é catalisada é a reação entre os dois radicais que as nossas células produzem: O NO e o radical superóxido, ambos são pouco reativos no que concerne à família dos radicais livres, mas a reação entre eles dá uma espécie altamente oxidante e nitrante — o peroxinitrito (ONOO-), sendo este o composto que parece mediar a maioria das funções tóxicas do NO. A toxicidade do NO depende das suas vizinhanças, porque se nelas estiver a ser produzido o radical superóxido pode-se formar o

peroxinitrito. Os grandes fatores que influenciam a sua toxicidade são o tempo, a concentração e o ambiente redox. A toxicidade altera a integridade funcional dos sistemas biológicos, pensando-se que as suas dinâmicas do ponto de vista quantitativo possam estar envolvidas nos mecanismos das doenças neurodegenerativas e aterosclerose. Qual é o seu grande objetivo nesta investigação? Os objetivos nunca são instrumentais, são sempre biológicos. Nós fazemos Ciência porque pretendemos aumentar o bem-estar da Humanidade, mas para podermos fazer Ciência nunca nos podemos descorar da sua prima, a Tecnologia. É um lugar-comum dizer que quando encontramos uma resposta surgem logo duas ou três perguntas. A descoberta científica é como uma autoestrada, quando vamos nela devemos olhar para o lado, para a paisagem, porque aparece sempre algo interessante que vale a pena sair e verificar, quem sabe até abrir uma nova autoestrada nesse sentido. Nós temos de nos orientar com objetivos mas não podemos perder a capacidade de nos surpreender. No meu grupo de investigação ninguém é operário da Ciência, somos sempre alguém que dialoga com todo o sistema. Nós, cientistas, temos de ser observadores desinteressados, temos de estar abertos à novidade.

«A seleção natural hoje em dia inclui a pressão dos seres humanos, daí termos a capacidade de a dirigir.»

A sua investigação tem como órgão alvo o cérebro. De que forma acha que evoluirão os mecanismos fisiológicos do pensamento humano? O cérebro tem uma particularidade interessante, que é a de utilizar uma fração substancial de substratos energéticos — uma grande parte da glucose e do oxigénio molecular é utilizado pelo cérebro. Se pensarmos bem é fantástico como um órgão com cerca de 1 Kg consome tanto. Feitos os cálculos só temos energia disponível para 1% dos neurónios do nosso córtex dispararem em simultâneo. No caso do córtex dos macacos Rhesus há energia disponível para existirem cinco potenciais de ação de neurónios por segundo, no nosso caso é de um potencial de ação de neurónios por segundo. O cérebro é o objeto mais complexo do universo, o cérebro faz parte do universo. Os átomos de que somos feitos foram feitos nas estrelas, somos pó de estrelas, como disse Carl Sagan. Esta propriedade que emerge neste órgão significa que é o universo a tomar consciência de si mesmo. É muito difícil conceber alguma coisa mais elaborada que isto. Animais com cérebros mais elaborados, nomeadamente primatas,

«O mundo tecnológico não é mau nem bom, é um nível novo de acesso à informação e comunicação, do qual devemos tirar o máximo partido.» parecem ter consciência de si próprios porque, tal como nós, quando um dos primatas morre, eles fazem o luto. Até que ponto a evolução farmacológica, ao evitar o avanço de determinadas patologias, poderá condicionar a seleção natural? A seleção natural envolve a nossa participação de uma maneira muito ativa porque a frequência de mutações que hoje acontecem são muito diferentes das que se viam há muitos anos. A seleção natural hoje em dia inclui a pressão dos seres humanos e daí termos a capacidade de a dirigir. Até numa área biomédica nós interferimos, ao usar certos fármacos, daí a esperança média de vida ter aumentado tanto num período tão curto de tempo. Isto é claramente uma interferência nos mecanismos naturais, que no fundo é a nossa contribuição enquanto civilização. Assim, temos de ter uma nova abordagem em relação aos outros habitantes da Terra e manter o nosso papel ativo no sistema global. Como conceberia o ser humano do futuro? A maneira como nós trocamos informação vai ser crucial. E da forma como o planeta está a evoluir dá a sensação que teremos dentro de algum tempo necessidade de colonizar outros locais. O desenvolvimento tecnológico permite-nos ter uma informação mais acessível. Agora surge outra dificuldade, pois há que distinguir informação de conhecimento. A informação pode ser vista como uma abstração matemática, o que temos de fazer é criar as nossas ilhas de conhecimento neste mar de informação. O mundo tecnológico não é mau nem bom, é um nível novo de acesso à informação e comunicação do qual devemos tirar o máximo partido.

Ao Professor J. Laranjinha agradecemos a prontidão, disponibilidade, filosofia e partilha de pensamentos que nos trouxe, por possibilitar numa conversa informal momentos de reflexão sobre a transposição da Ciência para a nossa realidade pessoal.


Centro de Documentação Farmacêutica

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Criado o Centro de Documentação Farmacêutica da Ordem dos Farmacêuticos No passado dia 25 de setembro de 2012, aquando das comemorações nacionais do Dia do Farmacêutico, foi inaugurado o Centro de Documentação Farmacêutica da Ordem dos Farmacêuticos, situado no edifício contíguo à Secção Regional de Coimbra da Ordem dos Farmacêuticos

por Anaísa Bartolomeu e Rita Ribeiro

O

Centro de Documentação Farmacêutica é um serviço misto de arquivo e biblioteca aberto à comunidade em geral, cujos principais objetivos são a compilação e preservação de documentos relevantes no contexto da história da profissão farmacêutica até agora inacessíveis ao público, contribuindo assim para a preservação, recuperação e divulgação do património cultural farmacêutico em Portugal, fazendo deste uma ponte para a fomentação da investigação e memória da História da Farmácia no nosso país. Trata-se de um projeto dinâmico e de crescimento contínuo, cuja base assenta no fundo documental histórico da OF com 177 anos de existência e cerca de 420 documentos. Neste acervo reúne-se o espólio de doações já recebidas e documentos ligados à atividade

«(...) um valioso espólio, a cada dia mais rico, que dignifica a cultura farmacêutica e o património nacional.» Prof. Dr. João Rui Pita farmacêutica que se encontram noutros arquivos do país, nomeadamente na Universidade de Coimbra e na Torre do Tombo. Nesse sentido, foram celebrados protocolos com a Universidade de Coimbra (Biblioteca Geral, Arquivo e Imprensa), Direção-Geral dos Arquivos e Museu da Farmácia. Destaca-se ainda a Hemeroteca Digital, que é composta por jornais e revistas publicados pelas associações de farmacêuticos portugueses, como a Sociedade Farmacêutica Lusitana e o Sindicato Nacional dos Farmacêuticos, e que pretende crescer também com publicações como este jornal de associações de estudantes da área. Podes ter acesso ao catálogo bibliográfico, campanhas e mais informações sobre a história da OF no site do CDF: http:// cdf.pt.vu Segundo o coordenador científico do Centro, Prof. Dr. João Rui Pita, «Os amantes da história da farmácia, os farmacêuticos, bem como investigadores de diversas áreas do saber passam a ter agora ao dispor um valioso espólio, a cada dia mais rico, que dignifica a cultura farmacêutica e o património nacional.» Uma vez que a história e memória de uma profissão deve ser contada por quem a exerce, o Centro de Documentação Farmacêutica lançou a campanha “Vamos Fazer História”, com a qual pretende sensibilizar os farmacêuticos portugueses a disponibilizar através de doação ou cedência temporária documentos, bibliografia e fotografias. Várias farmácias, empresas farmacêuticas e farmacêuticos já participaram e estão representadas no Centro de Documentação Farmacêutica. Inauguração do Clube Farmacêutico pelos Profs. Drs. Margarida Caramona e Francisco Batel Marques, no passado dia 25 de setembro de 2012


Indústria Farmacêutica

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Como está a atual conjuntura a afetar a Indústria Farmacêutica? Aproveitando a proximidade à Indústria Farmacêutica proporcionada pela Expofarma, O Pilão recolheu testemunhos de responsáveis por empresas desta área, desde multinacionais a jovens empresas

por Anaísa Bartolomeu, Cristina Rebelo, Pedro Martins e Rita Ribeiro

O

objetivo foi tentar perceber se os constrangimentos financeiros impostos pela atual conjuntura e as recentes normas aplicadas ao setor se fazem sentir na Indústria Farmacêutica, se têm afectado as vendas, e de que forma e com que estratégias as empresas os tentam minorar. E, face a esta situação, como se tem processado o recrutamento de farmacêuticos recémformados. Recolhemos depoimentos de responsáveis de três empresas da área - Labesfal Genéricos, Mylan e Bene Farmacêutica. Enquanto que as duas primeiras, grandes companhias, contornam esta situação apoiando-se nas estruturas que lhes servem de suporte, isto é, as grandes multinacionais que as retêm, a última, uma pequena e jovem companhia, contorna a situação através de estratégias de aproximação ao cliente e de produtos tradicionais bem aceites.

Na área da produção e na área dos registos é sempre preciso gente qualificada e, normalmente, são farmacêuticos.»

MYLAN Sílvia Barata, Product Manager

BENE FARMACÊUTICA Luís Costa, Diretor de Marketing

« Apesar de a Mylan continuar a ser a 3.ª empresa no ranking de genéricos, sentimos diariamente nas vendas essa redução e essa influência das normas que têm sido aplicadas.

LABESFAL GENÉRICOS Roberto Fonte, Marketing & Business Development Manager « A descida de preços e o panorama do setor farmacêutico têm afetado inevitavelmente as nossas vendas, quer no seu volume, quer no seu valor. A prescrição por DCI veio, de alguma forma, abrir o leque para haver um maior volume de vendas de medicamentos genéricos, o que se tem verificado de uma forma pausada, não com a velocidade que se esperava. Infelizmente o valor destas vendas tem sido substancialmente inferior, dados os cortes que têm havido nos preços dos medicamentos. A Labesfal Genéricos é retida pela alemã Fresenius Kabi, uma empresa mundial com algum músculo financeiro. Nesse aspeto [de sustentabilidade] estamos relativamente tranquilos porque temos esse suporte. Mas presumo que outras empresas que não tenham este suporte, que não estejam dentro de uma empresa global, tenham mais dificuldades em ter essa sustentabilidade. A produção da Labesfal tem evoluído de uma forma espetacular nos últimos tempos e inclusivamente o ano passado fizemos exportações de cerca de 65 milhões de euros. A fábrica tem, ano após ano, crescido, quer em número de funcionários, quer em aumento da capacidade de produção, tendo havido também um investimento forte. Inclusivamente agora estamos a construir um novo armazém. E há investimentos que estão preparados para o futuro, com objetivos de, obviamente, recrutar mais gente.

Essencialmente, os factores que mais se têm ponderado no recrutamento são as capacidades, as aptidões, a vontade de crescer e de se desenvolver e, essencialmente, de crescer a Mylan.»

A Mylan é uma empresa que tem um grande background internacional, temos toda uma estrutura que nos apoia, e isso sem dúvida que contribui para o crescimento e desenvolvimento da Mylan em Portugal. Temos lançado imensos produtos ao longo do tempo e em novas áreas, tendo havido muita inovação. Penso que no futuro teremos muito mais ainda. A nível de recursos é evidente que nos tivemos de adaptar a esta nova condição do mercado que é a prescrição por DCI. A farmácia tem um grande poder que não tinha. A nossa visita era direcionada essencialmente para a visita médica, e agora com este mudar de posição e de influência por parte da farmácia, tivemos de nos adaptar. Penso que [esta estratégia] está a funcionar bem, se bem que a prescrição por DCI não está a funcionar a 100% como era suposto, porque se continua a apostar nas exceções e a prescrição ainda continua a ser feita pelos médicos. Temos uma equipa grande a nível de farmacêuticos na área regulamentar. O departamento regulamentar é extremamente importante em todo este processo de portefólio de produtos.

« [Contornamos os constrangimentos] refinando as estratégias de comunicação e procurando ter formas de trabalho que nos aproximem do serviço ao cliente. Na medida em que nos tornamos mais úteis e diferenciados, as pessoas escolhem-nos mais a nós do que a outros. O essencial é isso, são estratégias de marketing e de desenvolvimento estrutural do trabalho que proporcionem uma vantagem diferenciadora, pelo menos aos olhos do cliente. Temos essa preocupação, quer nos médicos, quer nos enfermeiros, quer nas farmácias, de ter procedimentos que sejam úteis. Não só procedimentos, mas também serviços, formação, ajuda ao esclarecimento e ao entendimento de como os produtos podem ser úteis ao cliente e da farmácia também. São tudo lógicas que nos levarão a fazer melhores aos olhos do cliente. Este tipo de alinhamento estratégico é uma preocupação de todas as companhias. Fazê-lo bem ou mal é o ponto fulcral. Somos uma companhia jovem, com dois anos, embora os produtos já sejam muito conhecidos de há muitos mais anos. Mesmo neste contexto de crise temos tido bons resultados. Não temos razões de queixa objetivamente. Em primeiro lugar, a nossa presença na Expofarma tem a ver com esta relação próxima com os nossos clientes e, nomeadamente, com as farmácias. O Ben-u-ron e o Thrombocid são produtos com dezenas de anos, onde as farmácias têm sido um excelente parceiro. E, portanto, também pelo dever de proximidade à Farmácia estamos cá. Em segundo lugar, temos um novo produto e é também uma forma rápida de divulgar muitos produtos a muitos clientes num curto espaço de tempo. No caso concreto deste ano a nossa participação tem estes dois fatores que a motivam. Por um lado estar próximo dos clientes com produtos já tradicionais, mas bem aceites e, por outro lado, divulgar o nosso mais recente produto de uma forma rápida e a muitos clientes num curto espaço de tempo.»


Fomos conhecer... // Imagem da edição

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Quem é Nuno Mendonça por Anita Calado e Leonor Bruçó

I

nvestigador e professor na nossa faculdade, nasceu nos Açores, onde tirou a licenciatura em Biologia na Universidade dos Açores. O fato de a sua terra natal se tratar de um meio pequeno e limitado em termos profissionais levou-o a vir para o continente, onde tirou o doutoramento em resistência aos antibióticos, no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, em Lisboa. Posteriormente veio para a Universidade de Coimbra fazer o pós-doutoramento com a Prof.ª Dr.ª Gabriela Jorge da Silva. Microbiologista de profissão, faz investigação sobre a resistência e virulência das bactérias, sendo estas clínicas, isoladas dos alimentos ou dos animais, juntamente com alunos de m es t ra d o e d ou t o ram e n to , constituindo assim uma equipa multidisciplinar da qual fazem parte biólogos, farmacêuticos, bioquímicos e técnicos de análises clínicas. Esta investigação tem como objetivo estudar a resistência dessas bactérias aos antibióticos com os quais são tratadas, bem como a capacidade que elas têm de se instalarem e de provocarem infeção no hospedeiro. Do ponto de vista alimentar, visa fornecer informações sobre a segurança

alimentar. Além da investigação colabora no ensino da componente laboratorial da unidade curricular de «Recebemos a nossa Microbiologia Geral, há cerca de três formação de base mas anos. O seu livro preferido é “Ensaio sobre é necessário continuar, a Cegueira”, de José Saramago. Relacionado com a sua área, sugere evoluir, pois não o livro “Dr. Bactéria - Um guia para podemos ser apenas passar sua vida a limpo”, que ainda não se encontra editado em aquilo que querem que Portugal. nós sejamos.» O filme sugerido é “A Guerra dos Mundos” (2005), de ficção científica, visto ser fã deste tipo de filmes. Relacionado com a área científica da biologia sugere “Microcosmos”, um documentário francês de 1996. Apologista nato do empreendorismo, considera que devemos utilizar os nossos conceitos, ideias e formação para tentar produzir algo do ponto de vista empresarial, de forma construtiva. Defende que os alunos desta faculdade devem usar os seus conhecimentos não só vocacionados para uma determinada área, mas também devem evoluir de acordo com as necessidades do mercado. Partindo deste princípio, frequenta um curso na Faculdade de Economia da UC na área da gestão de empresas, de modo a evoluir cientificamente nesta área.

Imagem da edição

A Prof.ª Dr.ª Maria Odette Santos Ferreira no VI Congresso Científico Anual do NEF/AAC. Professora catedrática jubilada da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, foi pioneira nos estudos da infeção do vírus da imunodeficiência humana 2 (HIV 2) em Portugal.


Mobilidade em Espanha

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Erasmus em Barcelona por Rute Ambrósio, 4.º ano do MICF

F

azer Erasmus foi sem dúvida uma experiência inesquecível. Mas o que torna tudo tão extraordinário e único? Primeiro, o desafio de viver bem longe de casa, num país diferente, neste caso Espanha. Quer dizer, Catalunha não é bem Espanha, pois tem uma cultura e língua muito próprias. Fala-se catalão, discute-se a independência e comem-se “batatas bravas”. Apesar de Barcelona ser uma cidade maravilhosa, vibrante, onde em cada canto se encontra a presença de Gaudi, há certas coisas tão simples como o nosso café ou o nosso bacalhau que são insubstituíveis. E todos os filmes e séries televisivas dobradas, onde as legendas são uma miragem. São pequenas coisas que nos fazem falta e só nos apercebemos disso quando estamos lá. Mas o melhor desta aventura são as amizades que se fazem e que vão ficar para sempre. Umas dificilmente vou voltar a rever, como a colombiana Vivianna que está no outro lado do Atlântico (vou matando as saudades pelo Skype), outras encontram-se geograficamente mais perto, como os italianos Gianni e Antonio e as alemãs Sina e Carol, que já têm as viagens de avião compradas para nos virem visitar na Queima das Fitas. Para mim, o mais enriquecedor é mesmo esta troca cultural: os jantares gastronómicos (não pode faltar um jantar de bacalhau com natas), a aprendizagem de idiomas (despertou a minha curiosidade para o alemão) e essencialmente perceber as diferenças culturais. Compreender, por exemplo, que quando combinas com uma alemã um jantar às 21h, é realmente as 21h e não às 21h30 e tudo tem que ser planeado e organizado com antecedência. Não estranhar se um rapaz alemão te cumprimentar com um aperto de mão e não esquecer que os italianos beijam ao contrário (cumprimentar um italiano pode tornar-se bastante cómico). Erasmus é uma janela para o mundo, que permite alargar os nossos horizontes. Academicamente permitiu-me valorizar o nosso ensino, que tem uma componente muito mais prática. Acabei de referir dois tópicos que podem parecer mito para a maior parte das pessoas: Sim, em Erasmus estuda-se; Sim, nós somos melhores. Muitas vezes o complexo de inferioridade que acompanha o “ser português” não nos permite ver que realmente temos valor. Enquanto que em Portugal temos aulas práticas todas as semanas, em Barcelona apenas tinha três aulas por semestre (e não eram bem aulas práticas, pois a legislação não permitia trabalhar com ratinhos). Assim, espero ter dado a entender que Erasmus não é só festa e passeio. Também faz parte, claro. Mas as amizades de que vos falei acompanham essas festas e passeios e são na verdade o que realmente importa. O mais difícil é voltar. Voltar à rotina, aos hábitos antigos. Tudo está igual, mas diferente ao mesmo tempo. Trouxe comigo na bagagem experiências e momentos que nunca mais vou esquecer e uma mente mais aberta e crescida, pronta para todos os desafios que a vida me trouxer, ainda mais na situação actual que o nosso país atravessa, em que a emigração é cada vez mais uma realidade. Um conselho para quem pretende embarcar nesta aventura? É preciso coragem, perseverança e muita força de vontade, especialmente na nossa faculdade, em que este programa de mobilidade ainda tem um longo caminho a percorrer. Mas cada minuto vale a pena e se pudesse voltar atrás, repetiria tudo novamente. Ainda ficou tanto por dizer, mas a lágrima no canto do olho já me esgotou as palavras. Erasmus.

«Erasmus é uma janela para o mundo, que permite alargar os nossos horizontes.»

Parc Guell, Barcelona

Erasmus em Granada por Maria João Gomes, 5.º ano do MICF

V

iver em Granada um ano numa experiência Erasmus foi, sem dúvida, o ponto alto da minha vida académica. Fui sozinha, mas voltei com grandes amigos e muitas histórias para contar! Em relação à cidade em si, Granada é uma cidade cheia de movimento e com imensos estudantes Erasmus todos os anos, o que se torna bastante positivo no sentido em que a integração é mais fácil, com imensas actividades para estudantes estrangeiros. Na faculdade o grau de dificuldade é igual, independentemente da nacionalidade, mas os professores são muito acessíveis, assim como os colegas.

Para além disso, recomendo vivamente Granada porque tem um estilo de vida e uma cultura muito diferente da portuguesa, as tradições e costumes são vividos de forma muito intensa. A Serra Nevada encontra-se muito próxima e tem, ainda, um monumento absolutamente encantador que se chama Alhambra. Em relação à minha experiência, foi muito enriquecedora, tendo aprendido outro idioma e conhecido novas realidades e pessoas de todos os cantos do mundo. Custou-me muito ir, mas voltar custou-me ainda mais. Erasmus é uma experiência que recomendo a todos, independentemente de ser em Granada ou não, mas acredito que Granada tem o seu encanto especial.


Atividades do NEF/AAC

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Foto-reportagem de atividades do NEF/AAC Ano letivo de 2012/13 2 1

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1 - VI Congresso Científico Anual do NEF/AAC: “Imunologia, Doenças Imunológicas e Imunoterapias” - 15 e 16 de novembro de 2012 (Pelouro da Formação) 2 - Equipa vencedora do Torneio de Basquetebol Feminino - 13 de outubro a 7 de novembro de 2012 (Pelouro do Desporto) 3 - A equipa do NEF/AAC 2012 no Jantar de Gala do VI Congresso Científico - Restaurante República da Saudade, 16 de novembro de 2012 (Pelouro da Cultura) 4 e 5 - Concerto Solidário com recolha de alimentos para o Centro de Acolhimento João Paulo II. Atuações da Phartuna, TMUC, Quantunna, Coral Quecofónico do Cifrão e Grupo de Fado “Canto da Noite” Centro Cultural Dom Dinis, 30 de outubro de 2012 (Pelouro da Intervenção Cívica) 6 - Botellón Erasmus - Praça da República, 2 de outubro de 2012 (Pelouro das Relações Internacionais)

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Agenda

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Semana Internacional do Cérebro 2013: “O Cérebro Criativo” Data: 11 a 17 de março de 2013 Local: Coimbra e outros Organização: Sociedade Portuguesa de Neurociências Mais info: www.cienciaviva.pt/divulgacao/semanacerebro2013

“Quarta à noite com...” Conjunto de conversas com caráter informal que pretendem transmitir como se relacionam as áreas do saber e a importância da multidisciplinaridade nos nossos dias. Os convidados serão professores.

Data: 13 de março - Ciências Forenses / 3 de abril - Ciência no Espaço / 17 de abril - Otimização. As conversas terão início às 21h15. Local: RÓMULO - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra (Departamento de Física, Pólo I) Organização: Núcleos de Estudantes da FCTUC no Pólo I: Antropologia, Biologia, Bioquímica, Física, Química, Matemática e Geociências

XV Encontro Nacional de Estudantes de Farmácia (ENEF) Inscrições de 11 a 13 de março no Ponto NEF Data: 22 a 25 de março de 2013 Local: Ofir, Esposende Organização: Associação Portuguesa de Estudantes de Farmácia (APEF) Mais info: apef@apef.pt

XV Concurso de Aconselhamento ao Doente (CAD) Data: 9 de abril - Eliminatória de Coimbra | 20 de abril - Seminário de Prática Farmacêutica | 21 de abril - Final nacional do CAD e do CCC (Concurso de Conhecimento e Clínica) Local: FFUC Organização: Departamento de Educação e Promoção para a Saúde da APEF e NEF/AAC

GoPharma 2013: “Manual de Sobrevivência” O GoPharma tem como principal objetivo a partilha de ideias e experiências entre os jovens farmacêuticos, criando um espaço de discussão e reflexão que contribua para a dinamização da profissão. Este ano o evento será subordinado ao tema “Manual de Sobrevivência” e pretende potenciar novas abordagens dentro das áreas clássicas de atuação farmacêutica, bem como incitar a procura de áreas em que a formação superior farmacêutica demonstre ser uma mais-valia. Com este programa, a APJF deseja incutir nos participantes uma postura positiva e empreendedora como manual para sobreviver num ambiente desafiante.

Data: 12 a 14 de abril de 2013 Local: Vieira de Leiria Organização: Associação Portuguesa dos Jovens Farmacêuticos (APJF) Mais info: www.apjf.pt

1st reSEARCH Coimbra in Health Sciences Data: 19 a 21 de abril de 2013 Local: Pólo das Ciências da Saúde da UC Mais info: researchcoimbra.cnc.uc.pt

Jornadas Científicas de Oncologia da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra Data: 13-14 e 20-21 de abril de 2013 Local/Organização: Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (ESTeS Coimbra) Mais info: www.coimbrahealthschool.pt

“Empower Your Future” - Feira de Emprego e Empreendedorismo em Saúde Data: 19 de abril de 2013 Local/Organização: Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (ESTeS Coimbra) Mais info: www.coimbrahealthschool.pt

36th EPSA Annual Congress Data: 22 a 28 de abril de 2013 Local: Catânia (Itália) Organização: European Pharmaceutical Students’ Association (EPSA) Mais info: www.epsacongress2013.com

Agenda cultural de Coimbra sempre atualizada em coimbra-b.tarrafo.pt


A fechar

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m estudo desenvolvido por uma equipa de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular da UC (CNC) e das Faculdades de Farmácia e de Medicina da UC revela que o consumo regular de cafeína, em concentrações equivalentes à toma de 5 a 7 cafés diários, atenua lesões cerebrais num modelo da doença de Machado-Joseph. Os investigadores induziram a doença no cérebro dos animais-modelo (ratinhos) recorrendo a vírus modificados causadores da neuropatologia. As experiências e análises realizadas permitiram identificar o alvo onde a cafeína atua para bloquear a progressão da doença - o recetor A2A para a adenosina - e mostraram, pela primeira vez, que a cafeína exerce efeitos protetores na conexão neuronal, capazes de restabelecer a função dos circuitos neuronais perturbados. Embora esta descoberta represente uma peça importante para o complexo “puzzle” da compreensão desta doença rara e incurável, os coordenadores do estudo aceite para publicação na revista internacional “Annals of Neurology” sublinham que estes «são resultados promissores que abrem pistas para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas, mas são necessários mais estudos e ensaios clínicos para confirmar se o alvo molecular é eficaz nos humanos.» Atualmente «não há nenhum mecanismo para interferir com a progressão da doença de Machado-Joseph, apenas se tratam os sintomas. Por isso, os resultados abrem portas para a definição de uma nova estratégia para frenar o surgimento da doença», clarificam os investigadores. Adaptado de RCM Pharma

F

oi criada a Comissão Nacional de Farmácia e Terapêutica, que, entre outras atribuições, será responsável pela elaboração de um Formulário Nacional de Medicamentos e de protocolos de utilização de medicamentos. A iniciativa legislativa resulta de uma proposta apresentada ao Ministério da Saúde pela Ordem dos Farmacêuticos.» Fonte: www.ordemfarmaceuticos.pt

O

A

série documental “Reação Espontânea” da RTP deu a conhecer ao longo de seis episódios a linha da frente da investigação científica em Portugal, nas áreas da antropologia, bioquímica, biomedicina, biologia molecular, genética e medicina. Como envelhecemos? Que avanços estão a ser feitos no diagnóstico e tratamento do Cancro da Mama? Estamos perto de uma cura para a SIDA? É possível erradicar a Malária? O que é a Epigenética? Quais os segredos da evolução do Homem? Cientistas de renome internacional, complementados pelo testemunho de pessoas que beneficiaram dos avanços científicos nas áreas do tratamento, dão a resposta em primeira mão em episódios de 5 minutos no final de cada magazine Magneto. A temporada de estreia da série da Academia RTP visitou alguns dos principais centros portugueses de investigação em Ciência. De realçar a forma pedagógica e prática em que os temas foram apresentados. Recomendamos vivamente aos aficionados.

Governo aprovou, no passado dia 7 de março, uma lei que proíbe a venda de 160 drogas nas smartshops. «Fica proibida toda e qualquer actividade, continuada ou isolada, de produção, importação, exportação, publicidade, distribuição, detenção, venda ou simples dispensa das novas substâncias psicoativas. Determina-se ainda o encerramento dos locais utilizados para esses fins.» Estavam já registados 45 casos graves de intoxicação nos serviços de urgência e estão ainda em investigação seis mortes suspeitas. Fonte: www.publico.pt

A

música pode ser viciante como as drogas psicoativas. Dizer que uma canção é “viciante” não é uma metáfora. Segundo um estudo desenvolvido na Universidade McGill, no Canadá, o prazer que sentimos ao ouvir música está relacionado com a libertação de dopamina no cérebro, numa reação semelhante àquelas que são causadas pela comida ou pelas drogas psicoativas e que podem causar dependência. A relação entre o cérebro e a música vai ser analisada no simpósio “Music, Poetry and the Brain”, a realizar no dia 25 de maio, na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa.

A equipa d’ O Pilão - Jornal Informativo do NEF/AAC 2012


Divulgação

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"O Pilão" / Número 6 / Março de 2013  

Jornal Informativo do Núcleo de Estudantes de Farmácia da Associação Académica de Coimbra (NEF/AAC)

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