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O Pilão

Nº 20 | Abril 2018 | Distribuição gratuita

ENTREVISTA AO DR. FRANCISCO GEORGE II Empower Pharma Estimula o teu espírito empreendedor Semana da Saúde Projetos e iniciativas para uma população com mais saúde The Compounding Event A primeira competição de medicamentos manipulados em Portugal

ENTREVISTA À DRA. CATARINA DA LUZ OLIVEIRA


Ficha Técnica

EDITORIAL

O Pilão é a revista do Núcleo de Estudantes de Farmácia da Associação Académica de Coimbra.

Direção Editorial Marco Rios Santos e Sofia Meireles

Grafismo e Paginação Marco Rios Santos e Sofia Meireles

Redação Cátia Almeida, Eduardo Torres, Maria Aquino, Nuno Abrunheiro, Rita Amado Dias, Sofia Martins e Sofia Meireles

Tiragem | 250 exemplares Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra Polo das Ciências da Saúde Azinhaga de Santa Comba 3000-548 Coimbra

nefaac.pt /opilao.nefaac jornal@nefaac.pt

Caríssimos leitores,

É com enorme satisfação que vos trazemos a 20ª edição d’O Pilão, revista do NEF/AAC. Próximos da conclusão deste mandato, toda a equipa espera ter contribuído verdadeiramente para o enriquecimento deste importante meio de informação. Traçámos desde o início o objetivo de disseminar O Pilão até bibliotecas de diversas(os) faculdades/institutos da cidade com o intuito de mostrar àqueles que frequentam esses espaços o que de melhor se faz na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra. Contas feitas, são já quase uma dezena os locais onde a revista é distribuída e não podíamos estar mais felizes pelo feedback recebido. Adquirimos também um expositor na edição transata, uma ferramenta que, claramente, veio conferir à revista uma maior visibilidade e facilitar a sua distribuição, benefícios bem refletidos no curto espaço de tempo em que os exemplares esgotaram, o que nos deixa igualmente orgulhosos. Não nos alheamos aos problemas, anseios e conquistas dos nossos leitores e, portanto, tentamos que O Pilão seja também uma ferramenta de divulgação de oportunidades, esclarecimento de dúvidas e partilha de testemunhos. Cientes da crescente exigência necessária ao que procuramos produzir para vós, fomos ao encontro de personalidades fortes, de que são exemplo o Dr. Francisco George, Ex-Diretor-Geral da Saúde, e a Dra. Catarina da Luz Oliveira, Presidente da Associação Portuguesa de Farmacêuticos Hospitalares, que nos brindaram com duas entrevistas interessantíssimas para esta edição. Na sequência do que tem sido feito, relatámos algumas das inúmeras e excelentes atividades a que o NEF/AAC já nos habituou. Não somos apenas o Núcleo mais antigo da Associação Académica de Coimbra, somos também um Núcleo que se destaca pela qualidade e periodicidade das iniciativas que desenvolve. E só assim, com afinco e dedicação, é possível capacitar os estudantes e oferecer-lhes melhores condições para que se desenvolvam de forma harmoniosa pessoal e profissionalmente.

Desejamos a todos uma profícua leitura! A equipa d’O Pilão


MENSAGEM DA PRESIDENTE DO NEF/AAC O NEF/AAC, durante o presente mandato de 2017/2018, pautou-se por uma exímia dedicação em prol da causa estudantil, alicerçando-se em valores rigorosos e responsabilidade perante o que assumimos e ao que nos comprometemos há um ano. Desde logo, delineámos claramente as nossas bandeiras e pilares para o trabalho que nos esperava, focando-nos em determinados desígnios, tendo em consideração os contextos atuais. O esforço em fomentar mais projetos de foro de promoção para a saúde, apostando-se ainda em campanhas de sensibilização, particularmente do setor em que nos enquadramos, foi evidente. A índole associativa e a aproximação aos órgãos e às associações com as quais conjuntamente trabalhamos – AAC e APEF - tomaram igualmente a nossa linha da frente de ação, refletindo-se numa intervenção ativa e adequada nos mais diversos campos. Cientes das realidades atuais a que os estudantes se encontram sujeitos e no sentido de respondermos às prementes preocupações dos mesmos e da sociedade, a ação cívica e social foi um eixo central do nosso trabalho, incrementando-se o número de iniciativas e a sua apropriação no âmbito referido. A vertente pedagógica, manteve-se como área de intervenção e foco, com a premissa clara de se possuir um ensino de qualidade e sucesso, articulando-se sempre esta iniciativa com os órgãos competentes da nossa faculdade. Atendendo à conjuntura atual e aos desafios do mercado empresarial, o empreendedorismo e a aproximação ao mundo profissional marcaram o plano de atividades. A revista que hoje vos apresentamos reflete mais um dos marcos do presente mandato, fruto do incansável mérito do pelouro O Pilão, que congratulo veementemente, tendo transformado este que é um relevante meio informativo do Núcleo há já 20 anos, concretizando uma ambição de diversas gerações de dirigentes. No que concerne à imagem, aos artigos, à sua estruturação, entre demais pontos, o exponenciar do seu profissionalismo e da sua distribuição foram um compromisso que firmámos desde início. Esta Direção batalhou por verdadeiros avanços na representação de todos os estudantes da FFUC, tendo tido como maior foco os seus superiores interesses em cada reunião, cada deliberação e cada projeto que desenvolvemos. Um ano volvido, concretizámos largamente mais de cem atividades e iniciativas, refletindo que a nossa preocupação nunca será possuir unicamente atividades de larga escala com elevadas adesões e que agradem às maiorias. Preocupámo-nos constantemente com o que cada estudante dos mil e quinhentos alunos representados pretendia do NEF/AAC e desenvolvemos iniciativas com 10 a 20 estudantes, bem como com 200 e 300, revelando um leque enorme de áreas e edificando uma verdadeira proximidade com os mesmos. Honrou-se a história do Núcleo mais antigo da Academia de Coimbra, a sua força inexplicável e a sua intransigência no que respeita às conquistas que se expectavam para os seus estudantes. Ao longo do ano inúmeras foram as vezes em que reforçámos a nossa disponibilidade para ouvir os estudantes, agir em seu nome e reivindicar o pretendido. Hoje, o NEF/AAC é uma estrutura num patamar mais elevado e fazemos votos para que a sua progressão seja uma constante. A Presidente da Direção do NEF/AAC,

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ÍNDICE 5 | 20 Edições 6 | Retrospetivas 8 | II Honoris Pharma 9 | The Compounding Event 9 | II Dose Extra 10 | Workshop de Comunicação Farmacêutica 10 | XVII Fórum Educacional APEF 11 | II Empower Pharma 12 | Na Sombra de Carla Varela 14 | Espaço Pedagógico - Desmistificar a Pedagogia 16 | Entrevista - Dr. Francisco George 19 | Semana da Saúde 20 | Dia das Doenças Raras 21 | XIX Simpósio NEF/AAC - Farmacogenética 22 | II Simpósio Científico-Desportivo 22 | V Formação em Dermofarmácia e Cosmética 24 | Entrevista - Dra. Catarina da Luz Oliveira 26 | Farmácia Além-Fronteiras 27 | Uma Vez Coimbra, Para Sempre Saudade

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20 EDIÇÕES Por Dra. Teresa Torres Corria o mês de maio de 2009, a Queima aproximava-se a passos largos e na Faculdade de Farmácia os estudantes preparavam-se também para o relançamento d’O Pilão. Tínhamos (finalmente) mudado de instalações no início desse ano e ainda ninguém sabia muito bem como eram as coisas neste novo espaço. O que sabíamos, era que a nova faculdade parecia mais fria, menos bonita, afastada da civilização, da biblioteca, do Cartola, da AAC e do Couraça. Não havia espaço para o NEF e a cantina fazia parecer que todos os dias eram dias de véspera de cortejo com filas de gente à porta d’A Toga. O desejo de voltarmos a ter O Pilão editado vinha já desde há uns anos. Contudo, nenhum momento nos pareceu mais oportuno para deixar registado em papel do que a passagem da Faculdade de Farmácia para o Pólo III. E assim foi. Fizemos uma edição essencialmente focada na história da construção da nova faculdade, com entrevistas aos professores envolvidos no projecto e dedicamos outras tantas páginas a uma despedida emotiva dos Mellos. Acredito que esta deve ser a missão d’O Pilão: a missão de escrever a história da Faculdade de Farmácia e dos seus estudantes, a missão de deixar escrito, com aquela emoção tão própria da idade, os momentos mais marcantes da nossa (vossa) vida de estudante. Na altura, escrevemos: “Ainda não se passaram sequer 6 meses desde que estamos na nova faculdade. Ainda ninguém teve, talvez, tempo para viver histórias. Mas onde há estudantes, há histórias e mais cedo ou mais tarde, também a nova se vai tornar velha, também o indiferente vai ser familiar”. Passaram 9 anos, e estou certa que haverão milhares de histórias para O Pilão contar agora. Eu tenho as minhas, mas deixo-vos a pensar nas vossas.

Acima, uma foto da Dra. Teresa Torres. À direita, um cartoon realizado por um estudante da FFUC, em 2009, sobre as filas da cantina do Pólo III, problemática a que, por vezes, ainda hoje assistimos.

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RETROSPETIVAS Volvido cerca de um ano de mandato, é tempo de reflexão. Importa dar destaque ao indubitável papel que o NEF/AAC tem desempenhado no que concerne ao crescimento pessoal e, acima de tudo, profissional de todos que o integram. Atendendo a vários relatos de Colaboradores e Coordenadores, percecionamos melhor o real impacto que a pertença a esta estrutura e este tipo de associativismo pode ter naqueles que se desafiam e, em equipa, trabalham diariamente em prol de todos os estudantes da FFUC. Este mandato mostrou-se um novo e interessante desafio para nós. O nosso pelouro está em contacto com os demais, e mantém e melhora a imagem do NEF/AAC. Apesar de pequeno, somos um pelouro essencial na divulgação das atividades dos outros pelouros, bem como das nossas, que tentam interligar a arte (como a fotografia) e o design à comunidade da FFUC, além de apelarem à criatividade. Quando entrámos para a Comunicação e Imagem, tínhamos noção da responsabilidade exigida. No entanto, fomos aprendendo mais a cada dia. Foi uma experiência incrível e memorável! Carla Pereira, 4º ano de MICF, e Paulo Rodrigues, 3º ano de MICF, Coordenadores do pelouro da Comunicação e Imagem Neste mandato, o pelouro Cultural e Recreativo fez por continuar o incrível trabalho dos mandatos anteriores. Organizámos atividades já habituais na nossa faculdade, como a Despedida ao Caloiro e a Semana Cultural, da qual destaco a nova Quizz Night, e inovámos ao nível de outras, como a Febre da Febra, uma febrada de início de ano letivo que juntou pela primeira vez as duas Tunas da comunidade da FFUC e o NEF/AAC numa só atividade. Este mandato foi ainda marcado pela forte crítica ao RJIES e ao Regime Fundacional na barraca da Festa das Latas e Imposição de Insígnias e pelo regresso da Honoris Pharma - Gala do NEF/AAC, que contou com a sua segunda edição. Ricardo Rodrigues Manso, 2º ano de MICF, Colaborador do pelouro Cultural e Recreativo A experiência no pelouro de Desporto do NEF/AAC tem sido muito enriquecedora. É fundamental que os estudantes saibam a importância da atividade física, cujo papel é essencial para a nossa saúde e bem-estar. Durante o último mandato, procurámos chegar a todos os estudantes da FFUC, promovendo também o espírito solidário para com a comunidade externa, nomeadamente através da realização da Corrida Solidária, uma atividade que destaco e que tem como principal objetivo auxiliar instituições de cariz social. Posso, assim, dizer que o espírito de grupo, a proatividade e o dinamismo são traços que caracterizaram o pelouro do Desporto do NEF/AAC neste mandato. Miguel Brêa, 2º ano de MICF, Colaborador do pelouro do Desporto Quando aceitei o desafio de integrar este pelouro, fi-lo com algum receio, pois não tinha noção da sua realidade. No entanto, confesso que me surpreendeu pela positiva, pois foi um percurso muito enriquecedor em todos os sentidos. A nível pessoal, foi uma ótima forma de melhorar as competências de organização e de trabalho em equipa, tendo sido também uma oportunidade única de ter um maior conhecimento da realidade da nossa área profissional, a promoção dos estágios extracurriculares, até ao Empower Pharma, um evento de cariz empreendedor que preza pela sua atualidade e inovação, sendo uma fonte de ferramentas imprescindíveis para o nosso futuro. Sofia Sousa, 4º ano de MICF, Colaboradora do pelouro dos Estágios e Saídas Profissionais Neste mandato, o pelouro da Formação primou novamente pela inovação. Realizámos o XI Congresso Científico, abordando o tema das Terapias Biológicas num espaço novo, o auditório do CHUC, onde conseguimos que o número de estudantes a participar não fosse tão limitado como em anos anteriores. Conseguimos ainda dar continuidade ao ciclo de palestras, intitulado Dose Extra, com novos temas e também um workshop sobre contraceção hormonal. Realizámos mais uma edição de sucesso do curso de Excel e ainda atividades que prepararam os estudantes do 5º ano para o estágio curricular que se avizinhava: uma palestra sobre monografias e um curso sobre o Sifarma. Margarida Lindo, 4º ano de MICF, Colaboradora do pelouro da Formação

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No passado ano tive o prazer de participar ativamente no próspero mandato que foi este do NEF/AAC. O Gabinete de Apoio ao Estudante é uma das peças mais essenciais do NEF/AAC; não só toma conta da venda do merchandising, mas também serve de ponte entre os pelouros do Núcleo e a comunidade estudantil. Aceitei prontamente o cargo que me fora proposto, comprometendo-me a dispensar um horário semanal ao Núcleo que me representa tão bem em toda e qualquer vertente. Ser Colaborador do GApE foi uma excelente experiência, que passou por ajudar os meus colegas de faculdade, quer fosse para a inscrição em atividades, quer pelo esclarecimento de quaisquer dúvidas que surgissem. Edna Caldeira, 2º ano de MICF, Colaboradora do pelouro do Gabinete de Apoio ao Estudante A minha experiência no Pelouro da Intervenção Cívica e Promoção para a Saúde não começou há muito tempo, mas desde logo fiquei fascinada pelo seu lado solidário. Os melhores exemplos são o banco de voluntariado, a angariação de bens com fim social, a recolha de sangue e todas as campanhas de sensibilização que fizemos. Não posso deixar de referir dois grandes eventos: a V Formação em Dermofarmácia e Cosmética e o XIX Simpósio, onde tentamos abordar assuntos atuais que concedem aos estudantes formação extracurricular. Fazer parte deste pelouro é sentir que posso ajudar e, ao mesmo tempo, educar para a saúde! Ana Pascoal, 2º ano de MICF, Colaboradora do pelouro de Intervenção Cívica e Promoção para a Saúde Integrar O Pilão, num pelouro que procurava reinventar-se enquanto levava a melhor informação aos seus leitores, foi algo difícil. Um sentimento presente durante o mandato foi a motivação da equipa: todos sabíamos que o desafio que fora lançado era duro mas todos tínhamos uma grande vontade de atingir os objetivos a que nos propusemos. Destaco deste mandato 3 acontecimentos: a nova imagem d’O Pilão, integralmente a cores e mais apelativa; o novo expositor, que permitiu uma maior visibilidade e proximidade e, por último, o facto de estarmos cada vez em mais faculdades a levar o que de melhor se faz na FFUC Maria Aquino, 2º ano de MICF, Colaboradora do pelouro O Pilão A minha jornada no NEF começou quando me propuseram a participação no pelouro da Pedagogia como Colaboradora. Achei desde início que esta seria uma experiência bastante enriquecedora, pois estaria a contribuir para o melhor funcionamento da nossa faculdade e a ganhar experiência numa área da qual não tinha muitos conhecimentos. A meu ver, o nosso pelouro tem um papel extremamente importante, uma vez que zelamos pelos interesses académicos dos estudantes da FFUC, tentando criar um ensino de excelência. No entanto, acho que neste mandato conseguimos elevar a fasquia e mostrar à comunidade a verdadeira essência da Pedagogia. Foi um privilégio fazer parte desta equipa! Gabriela Moço, 2º ano de LFB, Colaboradora do Pelouro da Pedagogia A experiência de integrar o pelouro permitiu uma melhor perceção de algumas das inúmeras saídas que o curso oferece antes de o ter acabado sequer. Sublinho a importância do pelouro no sentido em que relembra aos alunos da FFUC as inúmeras associações que existem no país e que nos defendem enquanto profissionais de saúde, e permite ainda ter a noção de todos os apoios existentes aos estudantes para ter a possibilidade de estudar na FFUC. Tudo isto foi-se aprendendo enquanto colaborei na realização de algumas atividades, entre as quais, as mais marcantes, a Palestra sobre o Associativismo e a Tertúlia Meet. Katia Reva, 3º ano de MICF, Colaboradora do pelouro da Política Educativa e Ação Social A minha experiência no pelouro das Relações Internacionais começou há cerca de um ano e devo dizer que tem sido bastante gratificante. Algumas atividades como a receção de estudantes do SEP, o programa Erasmus Partner, as Public Health Campaigns da EPSA e da IPSF ou as Jornadas da Mobilidade, possibilitaram-me contactar com novas culturas, partilhar experiências, entender o papel do farmacêutico pelo mundo e alargar os meus horizontes, relativamente às diferentes oportunidades de trabalho. O melhor? Tudo isto sem sair da minha cidade, Coimbra! Fazer parte deste pelouro é deixar esforço e dedicação em tudo o que fazemos, saindo com o objetivo de missão cumprida. Constança Oliveira, 4º ano de MICF, Colaboradora do pelouro das Relações Internacionais

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No passado dia 15 de fevereiro, realizou-se a 2ª edição da gala Honoris Pharma, um evento organizado pelo NEF/AAC, com o objetivo de homenagear colegas, docentes e não docentes que se destacaram pelo seu contributo cultural e talento na nossa faculdade no decorrer do ano civil de 2017. Por Eduardo Torres e Sofia Meireles • Fotografia por Ricardo São Marcos Os prémios abrangeram as áreas do desporto e cultura, bem como vertentes sociais e académicas, entre as quais se contavam o prémio para o melhor docente, não-docente, investigação, entre muitos outros. O evento desenrolou-se na Quinta das Abertas, em Condeixa-a-Nova, num local elogiado pela boa iluminação, espaços verdes e um aprazível salão de festas onde os 318 estudantes e os 43 docentes, não docentes e convidados se juntaram para um jantar e espetáculo cultural destinado a celebrar a FFUC e os que dela fazem parte. Com os comensais sentados nos respetivos lugares, após uma breve sessão fotográfica à entrada, a gala iniciou-se com um discurso do Diretor da FFUC, Professor Doutor Francisco Veiga, e da Presidente do NEF/AAC, Mariana Oliveira, seguindo-se o jantar, que foi intercalado com a entrega dos prémios e atuações musicais do trio composto pelos estudantes Gabriela Gomes, Gonçalo Rocha e Francisco Mota, e ainda do estudante Eduardo Branco e do antigo estudante Cláudio Cruz. Além destes, os presentes tiveram também o prazer de assistir a uma magnífica atuação dos alunos da Klasika - Academia de Bailado da Figueira da Foz, e também da sua professora, a estudante Andreia Cardoso, nomeada para o prémio Cultura. A celebração contou, inclusivamente, com um vídeo humorístico da autoria da comissão organizadora do evento, caricaturando episódios da vida de estudante na FFUC e que teve a contribuição de vários docentes e não docentes da faculdade, despertando risos por todo o salão. Os galardões foram entregues ao longo da noite, num ambiente imbuído em alegria e boa disposição e, após o jantar, foi aberta a pista de dança que contou com a presença de um DJ convidado e ainda com o serviço de bar do qual os convidados puderam desfrutar durante o resto da noite. O êxito do evento espelhou-se no ambiente alegre e descontraído que se gerou entre os convivas daquela que é uma instituição singular, a Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra. 8


II DOSE EXTRA

Por Cátia Almeida e Sofia Martins

À semelhança do ano anterior, o pelouro da Formação do NEF/AAC apostou, uma vez mais, em temas inovadores para a segunda edição da Dose Extra. Com vista a aprofundar os conhecimentos dos estudantes em áreas pouco abordadas no plano curricular, o tema escolhido para a primeira sessão, no dia 19 de fevereiro, foi a Gestão Farmacêutica. Através da colaboração do Dr. Alberto Antunes, CEO de uma empresa de Formação e Consultoria (CaF), os alunos tiveram a possibilidade de adquirir algumas noções relativas à gestão aplicada ao mundo profissional. No dia 14 de março, decorreu a segunda sessão, tendo sido debatido o Doping Intelectual e a utilização das designadas Smart Drugs, uma formação ministrada pelo Doutor Frederico Pereira, investigador no Instituto Biomédico de Investigação da Luz e da Imagem (IBILI). Através destas formações, o NEF/AAC procura ir de encontro aos manifestos interesses e expectativas dos estudantes que representa, oferecendo-lhes espaços de descoberta e discussão para que possam alargar a sua bagagem de conhecimentos e cultivar o sentido crítico.

THE COMPOUNDING EVENT

Por Sofia Meireles

Com génese na Federação Internacional de Estudantes de Farmácia (IPSF), decorreu no passado dia 23 de fevereiro, na FFUC, o The Compounding Event, a primeira competição de medicamentos manipulados em Portugal. Durante a manhã do evento, realizou-se um workshop que contemplou preleções sobre o percurso “Do Princípio Ativo ao Medicamento Manipulado”, por parte das Professoras Doutoras Maria Eugénia Pina e Victoria Bell da FFUC, a “Farmacotecnia em Farmácia Hospitalar”, com a intervenção da Dra. Lisete Lemos do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e, por fim, uma sessão subordinada à “Importância dos Medicamentos Manipulados em Farmácia Comunitária”, na voz da Dra. Clarisse Dias do Laboratório de Estudos Farmacêuticos (LEF) da Associação Nacional das Farmácias. Este workshop contou com cerca de quarenta participantes, tendo-se seguido, após almoço, a competição. Participaram na competição 9 equipas, cada uma constituída por dois alunos da FFUC, que se empenharam na resolução de um caso prático e na preparação do medicamento manipulado adequado ao mesmo. Com espírito de trabalho em equipa, todos procuraram aplicar da melhor forma os conhecimentos e técnicas auferidos na unidade curricular de Farmácia Galénica para a conquista do primeiro lugar. Congratulamos as vencedoras da competição, Ana Rosa Caldeira e Mariana Afonso, que foram premiadas com um estágio de verão no LEF com a duração de um mês, bem como o pelouro das Relações Internacionais do NEF/AAC pela excelente iniciativa desenvolvida.

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WORKSHOP DE COMUNICAÇÃO FARMACÊUTICA Por Rita Amado Dias No dia 20 de março, pelas 18 horas, o pelouro da Formação do NEF/AAC promoveu o Workshop de Comunicação Farmacêutica. A sessão foi conduzida pelo Dr. Francisco Pires, pelo Dr. Nelson Santos e pelo Dr. João Dias, sendo estes dois últimos ex-alunos da FFUC, que concluíram o curso no ano transato. Todos trabalham na área de Management Consulting na Adjustt, o Serviço de Consultoria de Gestão de Farmácias da Glintt, e as suas intervenções visaram preparar melhor os alunos para o estágio curricular final em farmácia comunitária. O workshop iniciou-se com uma apresentação e, seguidamente, os 40 participantes foram divididos em 3 grupos, tendo cada grupo acompanhado um dos formadores para uma sala diferente. Num ambiente mais intimista, que proporcionou uma abordagem mais interativa, cada consultor explicou ao seu grupo o script de atendimento, dando diversas dicas a aplicar ao longo do processo e tendo especial atenção na criação de uma relação de confiança utente-farmacêutico e na consequente fidelização de clientes. Foram também exploradas as várias funcionalidades do software Sifarma, a ferramenta de gestão e atendimento usado em cerca de 90% das farmácias comunitárias. Reunidos os 3 grupos novamente, foi mostrado o novo Sifarma, mais user-friendly, que chegará brevemente às farmácias. A iniciativa fui muito bem recebida pelos alunos da FFUC, que até sugeriram a sua realização anual.

XVII FÓRUM EDUCACIONAL APEF Por Maria Aquino Durante o fim-de-semana, foram debatidos temas fulcrais para um aluno em final de percurso académico, desde os estágios curriculares à inovação tecnológica, passando pelo papel do farmacêutico como político, as exigências do mercado de trabalho ou o empreendedorismo. Foi dada a oportunidade dos estudantes debaterem não só com os diversos oradores como com representantes de entidades nacionais como a Ordem dos Farmacêuticos e a APEF, entre outras. No geral, o feedback da atividade por parte da comunidade estudantil participante foi bastante positivo, tendo sido dado um enorme destaque à existência de grupos de trabalho que conduziram à necessidade de compreender as diversas palestras e até comparar as diversas realidades entre as faculdades do nosso país. A permuta de ideias e a comparação entre diferentes perspetivas tornaram estes dois dias muito produtivos, com um ambiente descontraído que, simultaneamente, proporcionou um trabalho focado, de reflexão, cheio de pessoas motivadas, interessadas e dispostas a aprender. Os estudantes foram não só convidados a envolver-se mais no mundo e a fazer melhorias a nível pessoal, mas também a não se contentarem apenas com o necessário, procurando ser pessoas ativas no mercado de trabalho futuramente. Durante o evento, celebrou-se também, na noite de 24 de fevereiro, o jantar comemorativo do 19º Aniversário da APEF. À posteriori, tivemos a possibilidade de entrevistar a Adriana Machado, estudante da FFUC e atual Presidente da APEF, que lança um olhar muito positivo sobre este fórum e os temas discutidos e perceciona a atividade como uma excelente forma de ver preocupações, diferenças curriculares e até o que o mercado procura. Caracterizou-o como um momento de discussão, debate e reflexão proporcionado pelo contacto entre vários alunos do país e falou-nos do orgulho que a APEF sente ao organizar um fórum com potencial e valores propícios à construção de uma classe profissional unida.

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Por Cátia Almeida Decorreu nos dias 2 e 3 de março a segunda edição do Empower Pharma, organizado pelo pelouro dos Estágios e Saídas Profissionais do NEF/AAC. Foram dois dias repletos de palestras e atividades empreendedoras. O Professor Doutor Pedro Saraiva iniciou a manhã de dia 2 com uma palestra motivacional que deixou todos os participantes com vontade de criar novos projetos e aguçou o apetite para as atividades que se seguiram. Ainda pela manhã, os oradores Dr. José Pedro Moura e Dr. João Diogo Ramos, com as suas intervenções descontraídas, transmitiram dicas deveras importantes para a subsistência no mudo empreendedor. As atividades seguiram pela tarde fora com o Dr. Jorge Figueira, que colocou os participantes à prova com os divertidos Lateral Thinking Puzzles, onde os intervenientes tiveram de recorrer à sua criatividade para dar respostas. O Dr. Tiago Gonçalves forneceu orientações fundamentais no que toca à inteligência emocional. Seguiu-se o Dr. João Magalhães que transmitiu conhecimentos bastante valiosos no campo do Marketing e Branding, área na qual tem uma vasta experiência. O dia terminou, já pela noite dentro, com diversas atividades de Team Building e o visionamento de um filme com uma história verdadeiramente empreendedora. O segundo dia desta atividade teve início com a apresentação dos tão esperados desafios, seguindo-se a sua elaboração por parte dos diferentes grupos. Este dia culminou com a apresentação das várias propostas de resolução e discussão dos resultados, tendo-se encontrado o grupo vencedor. Não obstante, todos os participantes se sagraram vencedores desta atividade, porque adquiriram capacidades e competências que lhes poderão vir a ser muito úteis no futuro. Deixamos uma palavra de apreço à organização por oferecer a possibilidade aos estudantes da FFUC de participar em atividades tão enriquecedoras como esta.

“O II Empower Pharma, tal como a primeira edição, teve como principal objetivo estimular o espírito empreendedor nos estudantes da FFUC e, realmente, achamos que este foi atingido junto dos participantes! A equipa do pelouro dos Estágios e Saídas Profissionais, com a ajuda da Académica Start UC, trabalharam para que neste evento fosse apresentado um programa inovador e com nomes de excelência, na vasta área do empreendedorismo. No decorrer da atividade, ficámos muito impressionadas e felizes com o interesse demonstrado pelos participantes, que permitiu tornar os trainings mais interativos! Observámos um grande empenho por parte dos participantes na resolução dos desafios que lhes foram lançados, tendo recebido comentários muito positivos por parte dos júris, o que nos deixou muito satisfeitas.” Raquel Chá-Chá e Daniela Oliveira, coordenadoras do pelouro de Estágios e Saídas Profissionais “O Empower Pharma foi definitivamente uma experiência que estimulou bastante o meu lado associativo e empreendedor. Todos nós devíamos ter o mínimo contacto com estas áreas, tendo em conta que assumem um papel cada vez mais importante nos dias de hoje. Um bem-haja ao NEF/AAC pelo sucesso e pela iniciativa em realizar atividades neste campo!” Ana Henriques, 3º ano de MICF “Indescritível! O Empower Pharma foi, sem dúvida, uma experiência inesquecível e com a qual alarguei os meus horizontes.” Sara Cardoso, 4º ano de MICF “Para mim, o Empower Pharma foi sair da minha zona de conforto e desafiar a minha criatividade. Saber cumprir timings, respeitar dinâmica de grupos e surpreender-me a mim mesma com as capacidades que possuo que nem sempre tenho noção que estão lá! Recomendo a qualquer estudante participar porque é mesmo uma experiência enriquecedora!” Joana Cadima, 5º ano de MICF

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NA SOMBRA DE CARLA VARELA Nesta 20ª edição tivemos a oportunidade de conversar um pouco com um rosto já conhecido da FFUC e maioritariamente associado às aulas laboratoriais de diversas unidades curriculares do Laboratório de Química Farmacêutica. Fica a conhecer um pouco melhor a Professora Doutora Carla Varela. Por Cátia Almeida e Maria Aquino O Pilão: Estudou na FFFUC. Como foi o seu percurso académico a nível extracurricular? Carla Varela: Fiz sempre estágios de Verão, só no meu primeiro ano é que não. No segundo ano fiz em Farmácia Hospitalar na minha terra natal, em Vila Real, que foi onde descobri que não gostava muito deste ramo porque era um trabalho muito burocrático. No terceiro ano fiz em Farmácia Comunitária e no quarto ano fiz um SEP na Sérvia. O SEP durante o mês de agosto foi uma experiência interessantíssima. Quando selecionei os países pensei: “Tem de ser o país mais improvável possível”, no sentido de ser um país que eu não considerasse para ir passar férias e que tivesse um contexto histórico e cultural muito diferentes de forma a proporcionar-me mais aprendizagens. Fiz lá um estágio em Farmácia Comunitária no qual produzi imensos manipulados, desde óvulos, xaropes, cremes, supositórios, não se parava um minuto! Não fazia atendimento ao público visto que não sabia falar a língua, mas foi uma experiência muito engraçada. Mais tarde, no quarto ano, surgiu a oportunidade de fazer, de forma voluntária, um estágio no laboratório da faculdade com o Professor Doutor Elisiário Tavares e com a Professora Doutora Fernanda Roleira, onde comecei a dar os primeiros passos na investigação. Desde então, nunca mais parei. No entanto, tenho pena de nunca ter experimentado o ramo da indústria, mas visto que o meu interesse pela investigação já estava definido, já não fazia sentido. OP: Realizou, posteriormente, o Doutoramento em Química Farmacêutica. Como descobriu o interesse por esta área? CV: Eu sempre quis ser dentista, mas quando chegou a altura de ir para a faculdade não entrei por uma décima no curso de Medicina Dentária. Recordo-me que nessa altura fiquei muito triste

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e acabei por entrar em Ciências Farmacêuticas como segunda opção, sempre com o intuito de mudar para Medicina Dentária. No entanto, depois do contacto com a Química Orgânica apercebi-me que este curso proporcionava a hipótese de trabalhar em diversos ramos e fiquei desde logo entusiasmada pela variedade de oportunidades e a existência de áreas da investigação que nem conhecia! Tanto era o entusiasmo que, quando ia aos fins de semana a casa, os meus pais aperceberam-se logo que eu já não iria mudar de curso (risos). Foi o que aconteceu e, até hoje, não me arrependo! OP: E como surgiu o Doutoramento? CV: No fim de fazer o estágio eu já sabia que queria fazer o Doutoramento. Na altura o Professor Doutor Elisiário e a Professor Doutora Fernanda aceitaram ser meus orientadores e, ainda que no trabalho sempre tenha feito a minha parte, reconheço que tive um apoio que a maior parte das pessoas que faz Doutoramento não tem, pois foram pessoas incansáveis. O Professor Doutor Saúl veio já mais no final do Doutoramento, e agora somos uma equipa. Como se costuma dizer, “em equipa que vence não se mexe”, e ainda que sejamos poucos somos coesos. Uns têm mais apetência para umas coisas, outros para outras, um faz isto e outro faz aquilo, mas toda a equipa sabe em que pé estamos e isso é importantíssimo. Confesso que fui muito sortuda nessa matéria, o que também faz falta para continuar porque, inevitavelmente, há sempre momentos menos bons, há alturas em que parece que nada corre bem e queremos deitar tudo para trás. Algumas pessoas sofrem mais que outras e eu, claramente, sofro um bocado (risos).


OP: O que nos pode revelar acerca do seu atual projeto de investigação? CV: Essencialmente, é a continuação do Doutoramento. Trabalho, portanto, com o Professor Doutor Elisiário, a Professor Doutora Fernanda e o Professor Doutor Saúl na área dos esteroides, mais voltado para os inibidores da aromatase, ou seja, cancro de mama e, pontualmente, trabalhamos também com antioxidantes. Focamo-nos em preparar os compostos e sintetizá-los e estas são estratégias que demoram bastante tempo. Para além disso, como agora já não estou somente dedicada à investigação, tudo se torna ainda mais demorado. Colaboramos também com um grupo da parte de Bioquímica e Biologia que fazem os ensaios bioquímicos e biotecnológicos nas células para apurar até que ponto os nossos compostos têm interesse e potencial. Acreditar que o que se está a fazer vai resultar em algo de bom é o que nos impulsiona, a fé e a crença de pensar que estamos a fazer algo que, a longo prazo, vai ser ótimo e vai fazer a diferença no mundo científico, pelo menos nesta pequena área em que nos focamos. Caso contrário, perdemos um pouco o entusiasmo que eu acho que nunca se deve perder. OP: Sabemos também que trabalhou alguns meses em farmácia comunitária. O que nos pode contar sobre essa experiência? CV: Eu venho de uma família de comerciantes (não estou a dizer que a atividade de farmácia comunitária seja uma atividade de comerciantes, mas está um bocadinho relacionada, como sabem), portanto sempre estive muito à vontade para trabalhar com o público porque os meus pais tinham um talho, onde os ajudava desde muito nova. Consequentemente, o comunicar com as pessoas era uma coisa que já me era natural e, nesse aspeto, não senti grande dificuldade. A minha experiência já tinha começado também no estágio de verão que tinha feito e me tinha dado essa abertura. Foi muito interessante porque como era um meio rural as pessoas davam muita importância à opinião farmacêutica e eram muito amorosas. OP: É também Professora Auxiliar Convidada na FFUC, e sabemos que, atualmente, além das aulas laboratoriais se encontra a lecionar aulas teóricas. Como tem sido este novo desafio? CV: As aulas teóricas começaram no ano passado, com a disciplina de Química e Saúde Ambiental, na Licenciatura em Ciências Bioanalíticas. São turmas mais pequenas, portanto conhecia os alunos todos e, para uma primeira abordagem, foi bastante interessante. Os conhecimentos que nós temos e a forma como os entendemos são para nós, mas daí a conseguir transmitir aos alunos e fazer com que eles, efetivamente, percebam vai um passo muito grande, mas procuro estar sempre disponível para esclarecimentos e dúvidas. A parte da componente teórica é bastante mais exigente em termos de preparação e cada aula acaba por ser um desafio, com os picos de stress lá em cima, pelo menos para mim que ainda não tenho muita experiência na docência. Contudo, tem sido uma experiência muito interessante, ainda mais neste semestre com Química Orgânica I que acaba por ser muito estimulante para mim uma vez que revejo a matéria para preparar as aulas. Gosto muito do que estou a transmitir e espero que os alunos também.

ou com alunos de Erasmus que fazem períodos connosco. Já chegámos a ter aqui alunos de SEP no verão. Ainda que às vezes falte a disponibilidade, digo sempre que temos de ter alunos para não se perder a oportunidade de conhecer mais e de manter o entusiasmo, transmitir o que mais gostamos de fazer. Acho sempre positivo, logo sou bastante recetiva e gosto de acompanhar os alunos que vêm cá nesses períodos. OP: Além do seu trabalho na faculdade tem algum hobbie ou atividade de que goste particularmente? CV: Gosto da atividade desportiva. Faço de uma forma regular aquilo que costumo chamar de “crosscenas” porque não é bem crossfit. Entre a atividade de musculação, gosto de fazer trails e faço BTT de uma forma muito amadora. Gosto de atividades em que seja possível descarregar a adrenalina e fico logo com outra energia. Posso, por vezes, sair da faculdade com uma disposição não muito boa, mas depois liberto todas as endorfinas e fico logo bem-disposta. Quando chego a casa ainda trabalho durante mais duas horas e tudo isto já faz parte da minha rotina. OP: Pode enumerar um livro, uma banda e uma personalidade nacional ou internacional que a tenham marcado de alguma forma? CV: Tenho vários livros que gostei imenso de ler, mas um que me marcou bastante e que é inspirado em factos reais é o Papillon. Mostra como o ser humano consegue realmente ter uma resiliência enorme e suportar as maiores dificuldades, ultrapassá-las e manter-se fiel aos seus princípios. Em termos de bandas, sou um bocadinho alternativa! Gosto muito de metal progressivo, adoro Dream Theater e os Iron Maiden que são espetaculares! Tive oportunidade de ver, recentemente, a banda da minha adolescência, os Metallica. Gostava imenso de poder ir a mais concertos, mas como estamos em Coimbra, ora temos de ir a Lisboa ora temos de ir ao Porto e, por vezes, coincidem a meio da semana e como tenho de trabalhar não é possível. Quanto à personalidade vou eleger o Nélson Mandela que é aquela figura que conseguiu unir todos os povos e, exemplo disso, foi o seu funeral que juntou todas as nacionalidades para lhe prestarem uma última homenagem. OP: Gostaria de endereçar algum conselho aos nossos leitores com base na sua experiência profissional? CV: Quando se gosta do que se faz, acaba por ser mais fácil todo o trabalho que se desenvolve, para não ser um sacrifício. Nesse sentido, considero-me uma privilegiada! Enquanto estiverem na faculdade e nas aulas, aproveitem-nas. Se forem pessoas dedicadas isso irá manifestar-se mais tarde em boas notas e, acima de tudo, na vossa própria satisfação e felicidade! Durante o curso aproveitem também todas as oportunidades para experimentar trabalhos de laboratório e estágios de verão, entre tantas outras coisas. Dá para alimentarem as amizades que também são muito importantes, dá para estarem com os amigos e para fazerem outras coisas que não seja só estudar. Se forem metódicos e organizados conseguem tirar o melhor proveito da parte académica e da parte mais social.

OP: Qual é o próximo passo? CV: Quem sabe um dia ter doutorandos. Por agora, só tenho alunos de monografias e passo algum tempo em laboratório com alunos que fazem investigação associada ao NEF/AAC

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DESMISTIFICAR A PEDAGOGIA Por Pelouro da Pedagogia do NEF/AAC

SABIAS QUE... Através deste espaço, publicamos, periodicamente, crónicas onde se clarificam questões pedagógicas pertinentes (por exemplo, o funcionamento das unidades curriculares isoladas ou entrevistas com alunos em programa de mobilidade, de modo a comparar os diferentes programas curriculares), dando-te, assim, conhecimento simplificado e na primeira pessoa sobre estes e outros assuntos?

Auxiliamos o Conselho Pedagógico da FFUC a formular o teu calendário de exames e a resolver qualquer problema referente ao mesmo?

Criámos e editamos o Manual Pedagógico que está incluído no Kit de Caloiro, com dicas para a integração dos novos estudantes da FFUC?

Zelamos pelo bom funcionamento das unidades curriculares e que, para isso, reunimos regularmente com as Comissões de Curso e com os representantes dos alunos do Conselho Pedagógico?

Estamos responsáveis pelos conteúdos que constam no Banco de Sebentas, onde podes encontrar diversos materiais de estudo?

Encontras em nós o acompanhamento necessário para ultrapassar as tuas dúvidas e receios em relação ao curso, nomeadamente mecanismos que te permitam ultrapassar o stress emocional que possas sentir?

Procuramos ir ao encontro das tuas questões pedagógicas, a fim de potenciar a qualidade de ensino na FFUC e o teu sucesso académico?

Somos nós que elaboramos os Inquéritos Pedagógicos do NEF/AAC, analisamos os dados e os expomos ao Diretor e aos Coordenadores de Curso, permitindo que a tua opinião sobre as unidades curriculares seja ouvida e sejam efetuadas melhorias?

Realizamos Sessões de Integração ao Curso para os alunos do 1º ano da FFUC, tendo como objetivo esclarecer o que vais estudar, o porquê e as saídas profissionais de cada curso?

Nós somos a voz de todos os estudantes da FFUC, lutando incansavelmente pela mudança e educação de excelência? Além disso, conferimos oportunidades imprescindíveis para o teu desenvolvimento pessoal e social, dotando-te de capacidades que te tornarão melhor profissional da tua área.

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O TEU NOVO PARCEIRO DE DESPORTO CHEGOU À FARMÁCIA

A nova gama de suplementos desportivos disponível em exclusivo nas farmácias portuguesas. Consulte as farmácias aderentes aqui: https://goo.gl/4zYMU5


DR. FRANCISCO GEORGE FORMAÇÃO

EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL

1973: Licenciado em Medicina pela Faculdade de Me-

1980: Chefe de Projeto de Desenvolvimento dos

1977: Curso de Saúde Pública na Escola Nacional de

1986: Representante da OMS na República da Guiné-Bis-

1978: Curso Santé Familiale promovido pela Organização

1990: Epidemiologista do Programa Mundial de Luta

dicina de Lisboa

Saúde Pública, Lisboa

Mundial de Saúde / CIE

PRÉMIOS E CONDECORAÇÕES 2006: Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique 2014: Medalha de Serviços Distintos do Ministério da Saúde - Grau Ouro

2017: Prémio Personalidade de Saúde Sustentável (negócios & accenture)

2017: Grã-Cruz da Ordem de Mérito 2017: Medalha de Mérito Social

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Serviços de Saúde da OMS, na República da Guiné-Bissau sau

Contra a SIDA da OMS (coordenador deste Programa na África Austral)

2001 – 2005: Subdiretor-Geral da Saúde 2005 – 2017: Diretor-Geral da Saúde 2007 – 2010: Membro do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida

2017 – presente: Presidente Nacional da Cruz Vermelha Portuguesa


O Pilão rumou à capital para conversar com o Dr. Francisco George, ex-Diretor-Geral da Saúde, função que considerava simultaneamente complexa e estimulante. Cedo compreendeu que “sentir o pulso do doente para perceber o ritmo cardíaco era bem distinto de sentir o pulso à comunidade, a fim de identificar os seus problemas e as suas necessidades”. Fica a conhecer melhor o homem que se encontra há 44 anos ao serviço da saúde pública. Por Sofia Meireles e Sofia Martins O Pilão: Quando era pequeno, morava por cima de uma farmácia, para onde costumava fugir para observar o farmacêutico a preparar os medicamentos. Como olhava, já nessa altura, para a profissão? Francisco George: Representava um fascínio! Na altura, o farmacêutico, com a sua bata comprida e com as suas barbas, parecia um sábio. Usava aqueles frascos com várias dimensões e, com vários reagentes e príncipios ativos, preparava xaropes, soluções, comprimidos - tudo feito ao balcão -, os tubos de ensaio, todos eles alinhados, e a sua forma meticulosa de trabalhar... Olhar para um farmacêutico enquanto preparava medicamentos para serem dispensados a um doente era uma lição permanente de organização, método, disciplina, precisão e rigor. Um verdadeiro fascínio! OP: O que o levou a rumar a África, em 1980, onde esteve envolvido em inúmeros projetos da Organização Mundial de Saúde (OMS)? FG: A opção de trabalhar em África não foi exatamente pelo país, mas sim pela Organização. Conheci dirigentes da OMS na China, onde me encontrava na época, na transição de 1979 para 1980. Tinha preparado um relatório sobre proteção materna e infantil na China e formularam-me um convite para concorrer a médico da OMS, com várias hipóteses. Uma delas era em Manila, Filipinas, e outra em Brazzaville, República do Congo, entre inúmeras outras propostas. A minha escolha recaiu em África porque, por um lado, estavam a emergir nos países lusófonos competências novas e independentes, e Brazzaville era a sede da organização da região africana e servida por voos diretos para Lisboa pela TAP, o que também foi motivo de atração. Foi assim que tomei essa decisão, sobretudo motivada, sublinho, pelo trabalho em saúde pública conduzido pela OMS. Foram quase 12 anos de muita atividade, aplicação de energias, identificação de problemas e assuntos absolutamente novos que surgiam de maneira inesperada. OP: Enquanto se encontrava em África, assistiu-se à descoberta da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA). Como é que nessa altura lidou com a situação? FG: A descoberta da SIDA foi uma situação completamente inesperada. Os primeiros casos surgiram em outubro de 1980 e não se percebia qual era a razão para as pessoas adoecerem. Foi exatamente nesse contexto que comecei os meus trabalhos como epidemiologista e que constituíram, na altura, o principal foco da minha atenção.

OP: O que o fez regressar a Portugal após 12 anos? FG: Há sempre um aspeto familiar. Tinha, no início, 33 anos e fui com a minha mulher e filhos. Ao fim de um tempo, começaram a levantar-se problemas de educação e, em 1991, foi preciso tomar uma decisão. A minha licença para estar fora de Portugal acabaria, porque primeiro tive uma licença de 2 anos e, de seguida, uma de 10 anos (chamada licença de longa duração). Tinha de resolver regressar ou continuar. Sabia que ainda tinha pela frente atividades para desenvolver em Portugal porque o país também precisava de contributos em saúde pública, e regressei. OP: Podemos ler no seu site pessoal - Dossier de Lutas - “preciso da luta para me sentir remoçar”, uma frase da autoria de José Rodrigues Miguéis. Quais foram as maiores lutas que travou ao longo dos 17 anos na Direção-Geral de Saúde (DGS), 14 dos quais na condição de Diretor-Geral? FG: José Rodrigues Miguéis é um grande escritor português, um neo-realista, autor de prosa e textos absolutamente inesquecíveis, a quem atribuí sempre grande encantamento. Ler José Rodrigues Miguéis é um encanto! Decidi pôr como tema central no site, onde escrevo e relato alguns episódios que se passaram na minha vida e algumas reflexões, porque acho que é uma expressão feliz e é isso que sinto também. Com a luta, estamos sempre a voltar a moços. Não podemos parar, não podemos ficar satisfeitos quando há muito para fazer e, portanto, devemos lutar, lutar e lutar, tal como em moço sempre acontece. As lutas em saúde pública não acabam. A luta contra o tabaco é permanente, contra os erros alimentares também, contra o excesso de açúcar e gorduras de origem industrial, sal e calorias. É preciso continuar a promover o exercício físico e estilos de vida mais saudáveis. Portanto, há aqui um conjunto de lutas que são, se quiserem, intermináveis. OP: Que tipo de reformas vislumbra necessárias no Serviço Nacional de Saúde (SNS)? FG: No SNS, as reformas são sempre importantes, não há dia que passe sem reforma. Aliás, essa é a caraterística principal do SNS, impondo-se um constante processo reformista para efeitos de adaptação permanente às necessidades que são diferentes de localidade para localidade, de comunidade para comunidade, de região para região. É preciso uma constante adaptação, porque senão surgem bloqueios que não podemos tolerar. Há muito trabalho para fazer em termos de processos legislativos, por exemplo. A nossa lei de restrição do tabaco ainda é tímida 17


e podemos ir mais longe. Há leis que podiam ser afinadas no sentido de representarem garantias para a promoção da saúde e estamos a trabalhar neste aspeto, sobretudo aqueles que têm responsabilidades governativas. No SNS, estamos distantes dessas atividades governativas e de responsabilidade, mas integramos a chamada faixa da sociedade civil e, portanto, temos obrigação de colaborar, porque é esse o nosso trabalho: participar.

pre possível de mobilizar. A atividade em saúde e até a liderança da saúde depende muito destas reservas e das fontes de energia que animam o trabalho. Tinha um colega, na OMS, que falava da importância das fanfarras nos tempos antigos, que davam energia aos guerreiros. Isso é verdade, há sempre formas de mobilizar energia.

OP: Em que vertentes julga que os farmacêuticos podem impactar mais o SNS? FG: Os farmacêuticos são membros de uma equipa de saúde, de uma equipa de especialistas em Ciências da Saúde. Os médicos não seriam médicos sem farmacêuticos, da mesma maneira que os farmacêuticos não o seriam sem os médicos. É preciso ter em conta que cada um tem um lugar importante no conjunto de uma grande equipa, onde as diferentes especialidades têm de estar representadas. Hoje são indispensáveis num hospital ou num centro de saúde, dando um enorme contributo para qualquer norma terapêutica ou preventiva. OP: Referiu numa entrevista ao Expresso que “não vacinar os filhos é como infligir maus-tratos”. A propósito do recente surto de sarampo e da polémica sobre a vacinação, encara a situação como proveniente de um ato de irresponsabilidade ou fruto de desconhecimento? FG: As mães e os pais não podem dispor da segurança e da vida dos filhos. Da mesma maneira que têm de dar-lhes um banho mais quente no inverno e mais fresco no verão, têm também de os vacinar de acordo com o programa. Reparemos: a primeira vacina que se administra é a vacina contra o cancro do fígado e é preciso ter em conta que o cancro do fígado é um problema muito grave, e não há nenhuma mãe nem nenhum pai que possa sujeitar a sua criança ao risco de ter um cancro do fígado quando ele é evitável. É verdade que há irresponsabilidade, mas não é em Portugal. Essa irresponsabilidade de que falam existe sobretudo em França, Itália e outros países europeus, e hoje a mobilidade transfronteiriça de todos está na origem destes problemas e, naturalmente, Portugal é reflexo disso. Aqueles que não estão devidamente imunizados ficam, portanto, vulneráveis a surtos como o sarampo. É preciso continuar a vacinar, continuar a cumprir o Programa Nacional de Vacinação e fazer reforços quando é preciso fazê-los.

Dr. Francisco George na DGS durante a epidemia em Vila Franca de Xira, 2014.

Tomada de Posse como Presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, 2017.

OP: A 26 de outubro do ano transato, foi eleito Presidente Nacional da Cruz Vermelha Portuguesa. De onde vem a energia para continuar ao serviço da saúde pública na presidência desta instituição como voluntário? FG: A energia é inesgotável, há sempre uma reserva. Uso a imagem daquele que está prestes a afogar-se e só tem duas hipóteses: ou desiste, ou vai às suas reservas e luta. Se desiste, morre afogado; se luta, tem a hipótese de poder sobreviver. A energia para trabalhar, para pensar, para dar contributos e para resolver problemas é sem18

Dr. Francisco George com a sua sucessora na Direção da DGS, Dra. Graça Freitas.


Por Nuno Abrunheiro e Sofia Meireles Decorreu de 5 a 9 de março, na FFUC, a Semana da Saúde do NEF/AAC. Ao longo destes 5 dias, o pelouro da Intervenção Cívica e Promoção para a Saúde e o pelouro do Desporto proporcionaram a toda a comunidade académica da FFUC a possibilidade de incrementar os seus conhecimentos acerca de uma temática tão importante como a Nutrição, sensibilizar a população de Coimbra para a importância da prevenção através de Rastreios Cardiovasculares, um Fitness Day e, ainda, de índole mais social, uma Corrida Solidária. No primeiro dia, os inscritos puderam assistir à preleção da Doutora Edite Teixeira de Lemos, do Instituto Politécnico de Viseu, relativamente à importância da nutrição no âmbito das doenças cardiovasculares, o que constituiu também uma oportunidade de melhoria no campo do aconselhamento farmacêutico, considerando o papel preponderante do equilíbrio nutricional para um estilo de vida mais saudável. Relembrando a importância da prática de exercício físico na saúde, realizou-se também o Fitness Day, em que 4 ginásios com protocolo com o NEF/AAC puderam apresentar as suas propostas aos estudantes. Já na noite de quarta-feira, houve lugar para uma Corrida Solidária em colaboração com os Night Runners Coimbra, “apelando ao espírito solidário da população com o intuito de recolher bens alimentares e de higiene para ajudar a Casa Acreditar. Iniciativas que fazem bem ao corpo e à alma, e que se devem continuar a realizar”, referiram Catarina Redondo e Catarina Silva, coordenadoras do pelouro do Desporto. Nos dias 7 e 8, 16 estudantes vestiram orgulhosamente a bata e rumaram à Loja do Cidadão e ao Polo I da Universidade para intervir ativamente na saúde dos Conimbricenses através de rastreios cardiovasculares. Antes da iniciativa, decorreu na FFUC uma formação teórica e prática obrigatória ministrada pela Dra. Anabela Madeira, da Associação Nacional das Farmácias, na qual marcaram presença 25 alunos interessados por um dos grandes objetivos da formação para a saúde – a prevenção. “Todos os participantes adoraram, principalmente porque muitos eram do primeiro ano e acharam excelente contactar com as pessoas de uma maneira tão próxima e tão cedo no seu percurso académico. Alguns quiseram, inclusive, ficar mais tempo para além do seu turno”, relatou com enorme satisfação Sara Cardoso, coordenadora do pelouro da Intervenção Cívica e Promoção para a Saúde. Ao longo de toda a semana decorreu ainda uma campanha de sensibilização – “Já comeste açúcar hoje?” – que visava consciencializar toda a comunidade académica da FFUC sobre a ingestão diária de açúcar e da qual se fez um balanço extremamente positivo.

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DIA DAS DOENÇAS RARAS Por Rita Amado Dias

No passado dia 28 de fevereiro, assinalou-se mundialmente o Dia das Doenças Raras. O Pilão aproveita a proximidade com esta data para dar a conhecer aos seus leitores um pouco mais sobre duas doenças neurodegenerativas raras com uma grande relação com Portugal, a Polineuropatia Amiloidótica Familiar (PAF) e a Doença de Machado-Joseph (MJD). A PAF, conhecida vulgarmente por doença dos pezinhos, foi descrita pela primeira vez na Póvoa do Varzim em 1952 pelo neurologista português Corino de Andrade. Já a DMJ só foi identificada 20 anos depois, na Califórnia, por duas equipas médicas independentes, em duas famílias de ascendência açoriana. Ambas são doenças autossómicas dominantes, mas enquanto a DMJ está associada a uma única mutação por expansão de repetições do tripleto CAG no gene ATXN3, localizado no cromossoma 14, a PAF pode ser causada por mais de 40 mutações no gene TTR, localizado no cromossoma 18. A proteína envolvida na DMJ é a ataxina 3 que, na sua versão mutada, apresenta uma cauda extremamente longa de glutaminas que lhe confere um ganho de função tóxica e a consequente acumulação de agregados proteicos insolúveis. Já na PAF, a proteína envolvida é a transtirretina. Quando mutada, esta proteína tende a dissociar-se em intermediários monoméricos não-nativos que se agregam e formam fibras amilóides que tendem a depositar-se nos tecidos - sobretudo nos nervos. As primeiras manifestações da doença costumam surgir entre os 25 e 35 anos nos membros inferiores, afetando a sensibilidade aos estímulos (por exemplo, térmicos) e a capacidade motora. Em muitos casos, o primeiro sinal é uma perda involuntária de peso. Gradualmente, a doença vai começando a afetar também os membros superiores, surgindo também complicações gastrointestinais e atrofia muscular. Sem tratamento, a doença agrava-se, causando a morte em média 10-15 anos após o apaPUB

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recimento dos sintomas. Um diagnóstico precoce é crucial, para que as opções terapêuticas existentes – transplante hepático ou medicamento Tafamidis - possam ser corretamente aplicadas. A DMJ é também designada por Ataxia Espinocerebelosa Tipo 3, e é ainda uma doença incurável, sendo caraterizada por descoordenação motora, atrofia muscular, rigidez dos membros, dificuldades na marcha, deglutição, fala e visão. Existem medicamentos para alguns destes sintomas, mas nada que trave a sua progressão. Também a terapia da fala e a fisioterapia têm permitido melhorias na qualidade de vida dos doentes. Os sintomas surgem geralmente por volta dos 40 anos, apesar de haver casos registados da doença a aparecer aos 4 e aos 72 anos. Na Europa, diz-se que uma doença é rara quando afeta menos de 5 pessoas em cada 10 000. A DMJ afeta cerca de 1,5 indivíduos em cada 100 000 em todo o mundo e estima-se que aproximadamente 10 000 indivíduos sejam afetados pela PAF a nível mundial sendo, portanto, ambas doenças bastante raras. Contudo, as duas doenças têm em Portugal uma prevalência muito superior à média global - 3,1/100 000 para a DMJ e 20,5/100 000 para a PAF, sendo que algumas regiões são verdadeiros clusters destas doenças, com 1 em cada 140 indivíduos afetados (MJD, na Ilha das Flores) e 1 caso em 500 (PAF, na Póvoa de Varzim). O Dia Nacional de Luta contra a Paramiloidose assinala-se em Portugal no dia 16 de junho, data do falecimento do Professor Corino de Andrade. Apesar da prevalência relativamente elevada em Portugal, não existe um dia dedicado à Doença de Machado-Joseph e à sua investigação. Sensibiliza-se para esta doença nos dias 28 de fevereiro e 25 de setembro, dias em que se assinalam, respetivamente, o Dia das Doenças Raras e o Dia Internacional das Ataxias.


XIX SIMPÓSIO NEF/AAC - FARMACOGENÉTICA Por Rita Amado Dias No dia 16 de março, realizou-se o XIX Simpósio do NEF/AAC, subordinado ao tema Farmacogenética e organizado pelos pelouros da Formação e da Intervenção Cívica e Promoção para a Saúde. Na sessão solene de abertura, discursaram a Presidente do NEF/AAC, Mariana Oliveira, e o Diretor da Faculdade de Farmácia, Professor Doutor Francisco Veiga. Ambos parabenizaram a equipa organizadora do evento e fizeram notar o já recorrente interesse dos estudantes da nossa faculdade neste tipo de eventos. O primeiro painel esteve a cargo da Professora Doutora Elsa Rodrigues, docente na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. A oradora destacou que já vivemos na era da farmacogenómica, que se diferencia da farmacogenética por ser mais abrangente. Na sua apresentação, abordou também as competências de um farmacêutico no que respeita à farmacogenética (recomendação de testes genéticos, design de regimes terapêuticos de acordo com os dados dos testes, entre outras) e as barreiras à implementação da farmacogenética na clínica (questões éticas, follow-up inadequado dos doentes genotipados, etc). Transmitiu ainda que hoje em dia já existem medicamentos que só podem ser prescritos após realização de testes genéticos, nomeadamente na área oncológica e na terapêutica anti-retroviral. O segundo painel iniciou-se com o tema Envelhecimento, a cargo do Professor Doutor Manuel Veríssimo, médico no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e professor na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC). Esta apresentação focou mais o lado social e não tanto científico do envelhecimento, apresentando-o como um desafio para os profissionais de saúde, para as instituições, para as famílias e também para a própria sociedade, no sentido da não discriminação e da integração. O orador evidenciou a necessidade de uma resposta mais eficiente do Serviço Nacional de Saúde, com recurso a estruturas hospitalares e cuidados de saúde primários, domiciliários e continuados mais adequados às necessidades. Reforçou também a necessidade de apostar na formação em geriatria, não só no ensino médico pré-graduado mas também noutras áreas de saúde como a psicologia, as ciências farmacêuticas e a educação física. Note-se que em Portugal, ao contrário de muitos países europeus, ainda não há nenhuma unidade centralizada de apoio ao idoso, estando a primeira Unidade de Geriatria a ser construída no Hospital dos Covões, em Coimbra. A sessão continuou com a intervenção da Professo-

ra Doutora Manuela Grazina, docente na FMUC e diretora do Laboratório de Bioquímica Genética, que nos elucidou sobre os mecanismos da adição e o papel da farmacogenética nos mesmos. Destacamos um estudo publicado recentemente na Pain Medicine no qual a sua equipa mostrou que variantes alélicas da enzima CYP2D6, em que há redução da função ou até ausência da mesma, estão associadas a scores mais elevados de dor em mulheres parturientes. Prevê-se que este estudo seja aplicado no sentido de permitir uma abordagem médica personalizada no tratamento da dor pós-cesariana. Procurando ser veículo de conhecimento e não moralista, a Doutora Manuela abordou também o tema dos efeitos placebo e nocebo e alertou para os riscos dos vários estimulantes (não só as drogas e o álcool, mas também os vídeojogos e os smartphones). O terceiro painel foi inaugurado pela Professora Doutora Armanda Santos, professora da nossa faculdade, que abordou a demência e um conjunto de doenças que afetam o cérebro e envolvem declínio mental e alterações de comportamento. Destas, destacou a Doença de Alzheimer, na qual se foca a sua investigação. O objetivo do seu trabalho passa por criar novos inibidores da enzima BACE1 que permeiem a barreira hematoencefálica e atuem de forma seletiva, comprometendo os peptídeos de β-amilóide, principais constituintes das placas de amilóide. Para tal, desenvolveu diversos péptideos quiméricos baseados na sequência de um substrato endógeno da BACE1, alguns dos quais mostraram a capacidade de diminuir os depósitos de amilóide e β-amilóide insolúvel no cérebro de murganhos. De seguida, a Doutora Cláudia Pereira, abordou a resposta celular ao stress em doenças psiquiátricas, com especial foco na Doença Bipolar, a 12ª maior causa de incapacidade no mundo. O dia terminou com a intervenção de António Figueiredo, licenciado em Direito e investigador em Genética e Direito. Pela sua visão, a ciência não se pode autorregular e a bioética existe com esse propósito. Apresentou-nos alguns desafios da Farmacogenética, além da tão referida discriminação genética a nível laboral e nas seguradoras, que apesar de regulada por leis continua a ocorrer. Por fim, falou ainda da eventual desigualdade na prestação de serviços de saúde referenciando que, muito provavelmente, investir-se-á num fármaco que seja eficaz na presença de um alelo que 80% da população possua em detrimento doutro que funcione noutras variantes alélicas menos prevalentes.

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II SIMPÓSIO CIENTÍFICO-DESPORTIVO Por Eduardo Torres No passado dia 21 de março, realizou-se a segunda edição do Simpósio Científico-Desportivo do NEF/AAC, onde estiveram presentes atletas de diferentes modalidades desportivas e ainda especialistas da área da saúde. O evento foi dividido em dois módulos, tendo o primeiro incidido nos prós e contras da suplementação na prática desportiva, elucidados pelo personal trainer Vítor Mendonça. Numa segunda parte, os atletas Francisca Laia (vice-campeã em K2 200 m no Campeonato Europeu de Canoagem em 2017) e Paulo Rebelo (campeão nacional universitário em rugby sevens, em 2017), deram o seu testemunho e explicaram como conciliam a vida universitária com as exigências inerentes à alta competição. O segundo módulo contou com uma abordagem científica à temática desportiva, através da contribuição do Professor Doutor Carlos Ribeiro, docente na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, que expôs os benefícios do exercício físico na prevenção e tratamento de doenças e abordou também a temática do doping na alta competição. No seguimento desta intervenção, a Dra. Helena Amado, diretora técnica da Farmácia Luciano & Matos, orientou uma palestra alusiva ao papel do farmacêutico na promoção do exercício físico. O balanço do evento foi bastante positivo, tendo este auxiliado a audiência a compreender melhor os benefícios da prática desportiva para a saúde e bem-estar, a realidade desportiva atual e de que modo esta se interliga com as ciências da saúde.

V FORMAÇÃO EM DERMOFARMÁCIA E COSMÉTICA Por Maria Aquino Contando já com 4 edições organizadas pelo pelouro da Intervenção Cívica e Promoção para a Saúde, a quinta edição da Formação em Dermofarmácia e Cosmética apresentou uma excelente adesão. Foram debatidos temas que vão desde a importância do tratamento do corpo humano e da higiene íntima, ao papel dos nutracêuticos para a beleza e até alguns cuidados podológicos. No que respeita à cosmética propriamente dita, foi exposta a temática da maquilhagem corretiva que mereceu especial atenção por grande parte dos participantes. Este foi também um evento marcado por surpresas para todos os participantes que, no respetivo kit adquirido durante a credenciação, receberam um vale de 50% de desconto no serviço de dermocosmética na Farmácia Luciano & Matos, uma toalha de praia pela Innéov-Galderma, diversas amostras de produtos cosméticos oferecidas pela Caudalie, Avène e Bioderma e houve ainda um sorteio para a realização de uma formação de aconselhamento dermatológico e rastreios de pele, destinada a 12 dos participantes. Destacamos o discurso de abertura do Diretor da Faculdade, o Professor Doutor Francisco Veiga, que ressalvou encontrar-se atento aos problemas dos estudantes e às lacunas que possam existir ao longo do seu percurso académico, procurando que exista uma melhoria constante em prol de todos os que integram a FFUC.

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DRA. CATARINA DA LUZ OLIVEIRA FORMAÇÃO

EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL

Junho 2000: Licenciatura em Ciências Farmacêuticas, Instituto Superior de Ciências da Saúde - Sul

Junho 2000 – setembro 2000: Farmacêutica Hospitalar, Hospital Distrital de Santarém, Santarém

Fevereiro 2008: Mestrado em Farmácia Hospitalar, Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa

Outubro 2000 – janeiro 2002: Farmacêutica Hospitalar, Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil S.A., Lisboa

Fevereiro 2008: Especialista em Farmácia Hospitalar, Colégio de Especialidade de Farmácia Hospitalar, Ordem dos Farmacêuticos (OF)

Fevereiro 2002 – agosto 2006: Farmacêutica Hospitalar, Hospital Professor Doutor Fernando da Fonseca, Amadora

Abril 2010: Programa de Alta Direção de Instituições de Saúde (PADIS), Escola de Direção e Negócios (AESE)

Setembro 2006 – janeiro 2013: Coordenadora do Setor da Farmacotecnia, Hospital da Luz, Lisboa

Março 2013: Pós-Graduação em Monitorização de Ensaios Clínicos, Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

Junho 2012 – 2015: Vogal Suplente da Direção, Associação Portuguesa de Farmacêuticos Hospitalares (APFH)

Março 2017: Pós-Graduação – Curso Internacional de Qualidade em Saúde e Segurança do Paciente, Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade Nova de Lisboa

Abril 2013 – presente: Responsável pela Gestão da Qualidade dos Serviços Farmacêuticos, Hospital de Vila Franca de Xira Janeiro 2015 – presente: Presidente da Direção, APFH

Para esta edição entrevistámos a Dra. Catarina da Luz Oliveira, Presidente da Direção da APFH, que nos elucidou de que forma o farmacêutico hospitalar desempenha um papel-chave no seio de uma equipa multidisciplinar de saúde e no próprio Serviço Nacional de Saúde (SNS), bem como luta diariamente a Associação para uma maior valorização profissional da classe. Por Sofia Meireles O Pilão: Porque devem os farmacêuticos hospitalares ser considerados uma “peça fundamental para a sustentabilidade do sistema de saúde”? Catarina da Luz Oliveira: Não tenho a menor dúvida que a presença do farmacêutico hospitalar nas equipas multidisciplinares de saúde contribui para a promoção do uso racional e adequado dos medicamentos, sendo fulcral o seu contributo para a racionalização da despesa e para a sustentabilidade do sistema de saúde. Somos os únicos profissionais que conseguem ter uma visão geral do que se passa no hospital. Acabamos por estar sempre ligados à

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seleção da terapêutica no âmbito do trabalho desenvolvido pelas comissões de farmácia e terapêutica e à monitorização da mesma durante a nossa atividade diária, através da utilização de ferramentas que nos permitem fazer a validação farmacêutica, recorrendo a várias áreas de intervenção como a farmácia clínica, a reconciliação terapêutica e a farmacovigilância. Podemos, portanto, aproveitar o nosso conhecimento para garantir a otimização, a segurança e a efetividade das terapêuticas, alertando para o facto dos doentes não acompanhados voltarem a ser reintroduzidos no sistema de saúde. O mesmo acontece com os medicamentos inovadores, em que a monitorização dessa terapêutica é essen-


cial, assim como a promoção da adesão à terapêutica, que só se torna possível com o envolvimento do doente no seu tratamento. O farmacêutico tem um grande desafio na avaliação de outcomes clínicos e financeiros no acompanhamento dos medicamentos em prol da saúde do doente e do sistema. OP: Sente que a profissão do farmacêutico hospitalar é devidamente reconhecida pelos doentes e pelos restantes profissionais de saúde, bem como pelo próprio Estado? CLO: Quando falamos de doentes ou de utentes, ainda temos um longo caminho a percorrer, uma vez que a população, regra geral, não sabe o que faz o farmacêutico hospitalar, o que me entristece. Aproveito para lançar o desafio aos nossos estudantes que, com a sua visão, nos poderão ajudar a ultrapassar esta barreira. Queremos que o doente, uma vez internado, peça para falar com o seu farmacêutico hospitalar, à semelhança do que acontece com as restantes categorias profissionais. Os doentes que mais reconhecem a nossa profissão, no fundo, são os que recorrem ao ambulatório hospitalar. Muitos deles já beneficiam da consulta farmacêutica e da proximidade ao seu farmacêutico hospitalar, a quem podem e devem recorrer sempre que tiverem alguma dúvida ou questão relativamente ao seu plano terapêutico. A paixão pelo trabalho que desempenhamos é um dos valores da APFH, em prol da nossa valorização profissional. Sempre que assim o fazemos, somos reconhecidos pelos profissionais de saúde com quem desenvolvemos a nossa atividade diariamente. Relativamente ao Estado, apesar do restabelecimento da carreira farmacêutica na administração pública ter sido uma batalha com mais de duas décadas, o reconhecimento ministerial da nossa profissão como peça fundamental do sistema de saúde aconteceu no dia 20 de junho de 2017, que ficará para a história com a aprovação, em Conselho de Ministros, do diploma que institui uma carreira profissional autónoma para os farmacêuticos integrados e a exercerem no SNS. Esta merecida carreira é de vital importância para o futuro e dignificação da profissão de farmacêutico, e é nosso desejo que esta conquista tenha reflexo e seja igualmente instituída pelo setor privado, que já teve também os seus frutos num dos maiores grupos privados da saúde. OP: Face à política de apoio por bolsas e prémios da APFH, há uma grande repercussão ao nível da produção de estudos de carácter técnico e científico e novos projetos? Crê que essa evidência de conhecimento pode contribuir para um maior reconhecimento da profissão? CLO: A aposta na formação possibilita incrementar as nossas competências e acompanharmos a constante evolução e a inovação, permitindo o crescimento dos profissionais e, em simultâneo, da profissão. Criar evidência do que fazemos é a melhor forma de mostrarmos e divulgarmos a nossa atividade, porque acreditamos que isso irá promover o reconhecimento da profissão, estimulamos e premiamos os nossos associados. A APFH, com o mesmo objetivo, criou uma bolsa de “tutores”, constituída por um grupo de profissionais altamente qualificados, que se disponibilizaram a ajudar e a melhorar as ideias, a fomentar a produção de documentos científicos e a realização de estudos de carácter técnico e científico, promovendo o desenvolvimento e o aperfeiçoamento do farmacêutico hospitalar. Em 2015, instituímos o Prémio de Investigação e Inovação em Farmácia Clínica Professor Doutor Aluísio Marques Leal, precursor da farmácia clínica em Portugal que completou o seu centenário nesse mesmo ano e que muito nos orgulhamos de homenagear. OP: Julga que o financiamento dos hospitais públicos contempla devidamente a atividade e serviços desenvolvidos na Farmácia Hospitalar?

CLO: Na minha perspetiva, enquanto farmacêutica, considero que não são consideradas todas as variáveis, mas somos uma profissão com um potencial enorme para acompanhar todas as mudanças de um setor que necessita de ser repensado e onde a inovação é uma realidade constante, e o farmacêutico apesar de manter as suas convicções sempre soube acompanhar e adequar as suas funções em prol da evolução. Surgirão em breve, com o aparecimento de alguns medicamentos inovadores, necessidades físicas e técnicas, que certamente terão de ser contempladas nos financiamentos dos hospitais, de forma a que as instituições hospitalares consigam responder aos novos tratamentos a prestar aos doentes. OP: Acredita que a contratação de novos farmacêuticos, que em muitos hospitais se revela necessária para suprimir a carência em recursos humanos, poderia traduzir-se em poupanças adicionais para o sistema? CLO: Acredito, porque o farmacêutico é especialista no uso de medicamentos, faz o acompanhamento farmacoterapêutico para uma prestação de melhores cuidados de saúde ao doente, contribuindo para que os efeitos da medicação sejam os previstos. Como elo do sistema de saúde, deve fazer evidência da intervenção farmacêutica com a possibilidade de medir outcomes clínicos e financeiros, fomentando as melhores práticas junto dos profissionais, e ser parte integrante junto das equipas de saúde. No futuro, vamos ter de estar cada vez mais ligados à segurança, à otimização da terapêutica e à efetividade, isto é, vamos ter de mostrar que a nossa missão é efetiva, através da monitorização e da realização de estudos de utilização de medicamentos. Devem ser promovidos pelos farmacêuticos a medição de outcomes clínicos em comparação com os resultados obtidos nos ensaios clínicos, deixando assim os resultados obtidos em doentes “super estudados” para a avaliação da eficácia de medicamentos, nomeadamente os inovadores, em doentes reais. Só assim se conseguirá efetuar uma sustentabilidade dos Serviços de Saúde. OP: A recente aprovação da carreira farmacêutica é um momento histórico e de conquista para todos os farmacêuticos hospitalares portugueses integrados e a exercerem no SNS. Que outras conquistas a APFH descortina prioritárias? CLO: A aprovação da merecida Carreira Farmacêutica é um momento histórico e extremamente importante para a diferenciação técnico-científica e para a garantia de um percurso de progressão profissional. Neste momento, estamos a aguardar a regulamentação para a transição para a carreira especial farmacêutica dos trabalhadores em contratos de trabalho individual, uma vez que este ano já saiu o decreto regulamentar que estabelece os níveis remuneratórios dos trabalhadores com contrato de trabalho em funções públicas integrados na carreira especial farmacêutica. No entanto, para garantirmos o futuro de uma profissão de excelência, urge ainda que seja desbloqueada a regulamentação do internato para farmacêuticos hospitalares, abrindo-se vagas para suprir as gritantes faltas de pessoal qualificado que a este nível são sentidas no SNS. A situação verifica-se há vários anos: há farmacêuticos hospitalares em sobrecarga de trabalho e os quadros de pessoal não são renovados. É urgente alterar o estado das coisas e isso só se consegue dignificando a profissão e aceitando jovens candidatos que a queiram exercer. Uma carreira é tão mais digna quanto mais organizada e mais provas os seus membros terão de apresentar. É necessário alimentar a carreira da melhor forma formativa possível, com exames de entrada e saída da especialidade, e os subsequentes à progressão da mesma.

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FARMÁCIA ALÉM-FRONTEIRAS O Pilão dedicou, uma vez mais, uma rubrica aos ex-estudantes que se encontram a exercer a sua atividade no estrangeiro. Para esta edição foram abordadas duas antigas alunas de Farmácia Biomédica, a Patrícia Valério e a Lúcia Costa, atualmente a trabalhar na Suíça e na Irlanda, respetivamente. Por Rita Amado Dias

Patrícia Valério licenciou-se em Farmácia Biomédica, em 2015, tendo depois prosseguido para o Mestrado em Biologia Celular e Molecular na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Durante a sua vida académica, dedicou-se ao associativismo, à aprendizagem de línguas, a atividades de comunicação de ciência e também ao desporto. Refere sempre ter tido interesse em trabalhar e viver fora de Portugal, interesse esse que cresceu com o estágio que realizou em Santiago de Compostela, em Espanha, ao abrigo do programa Erasmus+. Por essa razão, está atualmente a candidatar-se a um Doutoramento em grupos de investigação estrangeiros na área de Neurociências, enquanto estagia na Universidade de Basel, na Suíça. Tendo trabalhado na mesma área (investigação), tanto em Portugal como em Espanha e na Suíça, Patrícia conta-nos que a principal diferença encontrada foi a maior facilidade em ter acesso a recursos para desenvolver o seu trabalho, visto ser maior a flexibilidade monetária dos grupos em que esteve inserida. Lá fora, conheceu “diferentes formas de trabalhar, diferentes tipos de grupos/investigadores e diferentes regras de sociedade, formas de viver e burocracias salariais” e garante que a coragem de sair da sua zona de conforto lhe permitiu crescer tanto a nível profissional como pessoal. Apesar de não ter encontrado dificuldades relevantes na experiência, Patrícia deixa um alerta: “Na atualidade, o financiamento atribuído ao setor científico é menor, culminando em escassez de bolsas de investigação para jovens investigadores, para projetos científicos, e não só.”

Lúcia Costa terminou a licenciatura em 2013 e, durante a mesma, esteve envolvida no NEF/AAC e praticou ginástica acrobática. Complementou a sua formação com uma pós-graduação em Regulação e Avaliação de Medicamentos e Produtos de Saúde, na FFUL, e atualmente é especialista de farmacovigilância na IQVIA, na Irlanda, integrando a equipa responsável pelo processamento de casos de reações adversas medicamentosas que ocorrem em ensaios clínicos ou na fase de pós-comercialização. Esta oportunidade surgiu via LinkedIn e a sua aceitação prendeu-se com a ausência de perspetivas de progressão na carreira e a nível salarial em Portugal. Relativamente a trabalhar no setor no estrangeiro, refere que “a experiência tem sido muito boa. Existe um grande foco em formação, desenvolvimento pessoal e progressão na carreira, e existe preocupação em manter um bom equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. É um ambiente competitivo, pois existe muita gente a procurar, mas existem muitas mais oportunidades também.” Como conselho a quem tencione fazer opções semelhantes, Lúcia conta que o plano curricular de Farmácia Biomédica é bastante valorizado lá fora, principalmente nas áreas de Farmacovigilância, Assuntos Regulamentares e Ensaios Clínicos e explica ainda que “como existem muitas oportunidades, torna-se mais fácil encontrar algo adequado aos interesses de cada um”. Diz-nos também que quem emigra “deve esperar uma cultura diferente, mas no sentido positivo”.

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UMA VEZ COIMBRA, PARA SEMPRE SAUDADE Testemunhos recolhidos por Nuno Abrunheiro

Desde o momento da minha inscrição que senti que esta cidade tinha algo de diferente, mas a verdade é que fiquei longe de imaginar o que estes 3 anos nesta faculdade e nesta cidade me iriam dar. Na FFUC cresci muito enquanto pessoa, mas não só na vertente de estudante, pois nesta faculdade não se adquire apenas o conhecimento que está implícito ao curso, adquirem-se muitos mais valores; valores esses que me vão permitir sair de Coimbra uma pessoa muito mais proativa em todos os aspetos e muito mais apto para encarar o futuro. Além disso, desta cidade levo inúmeras memórias e amizades que, como alguém um dia escreveu, “levo comigo para a vida”! Toda a vida académica, quer a nível cultural, quer a nível recreativo, tornam também a FFUC única, desde a praxe às noites académicas pois, na minha opinião, estudar em Coimbra e na FFUC é muito mais que estudar, é viver tudo o que há para viver nesta cidade única! Por tudo isto, digo com toda a certeza que um dia terei o maior orgulho em poder dizer que me licenciei em Farmácia Biomédica na FFUC! Tiago Souto, finalista de LFB Esta é a minha carta de agradecimento a Coimbra. Quero agradecer à minha madrinha, que é a prova que podemos fazer sempre algo de bom por alguém. Agradecer a todas as minhas afilhadas que me mostraram que às vezes temos de estar lá para mais alguém do que para nós. Agradecer à RAJA e as todas as grandes amizades que ganhei, que me mostraram que há pessoas tão diferentes com histórias distintas, mas que no final do dia, todas nós temos um lugar à mesa para as podermos partilhar. Acima de tudo, agradeço aos meus pais, que me prepararam para todos estes momentos e que mesmo depois de todas as inacabáveis chamadas chorosas a encorajarem-me, continuaram a achar que eu seria capaz de tudo isto e muito mais. Acabei por concluir que se não tivesse ficado mais aquela hora na AAC, não teria sido a mesma coisa. Se não tivesse ouvido a minha primeira Serenata debaixo do braço da minha madrinha, não teria sido a mesma coisa. Se não tivesse passado mais uma época de exames a desesperar na RAJA, claramente não seria a mesma coisa. Isto é Coimbra - damos-lhe experiências, lágrimas, risos, esperanças e sonhos, e ela retribui-nos com a força que nós precisamos para continuarmos com os nossos caminhos e, se a soubermos aproveitar bem, sabemos que teremos sempre um lugar para voltar. Rita Barata, finalista de LCB Coimbra é a experiência que deixou a maior marca em mim. Mais do que uma cidade ou uma Universidade, aqui vivi dos momentos mais importantes da minha (ainda) curta vida. Nem sempre os melhores, ou os mais fáceis: um exame que corre mal, uma cadeira que fica para trás; aqueles momentos em que nos esforçamos e mesmo assim não atingimos o patamar que queremos. Mas claro, não esqueço a melhor parte: os amigos, com quem podemos ir afogar as mágoas das partes menos boas e que fazem desta experiência uma das melhores que uma pessoa pode ter. O espírito desta cidade é feito por cada um de nós que dela faz parte, e todos os momentos, os bons e os maus, moldam-nos para no final sermos pessoas mais resilientes e capazes. Olhando para trás, acho só que devo fazer um apelo à união, que no mundo do trabalho nos salvará e tornará a classe farmacêutica mais dignificada e que, por vezes, ao longo destes 5 anos, se sentiu em falta. De resto, agradeço a todos os que fizeram parte desta experiência, e ao Pilão pelo convite. Miguel Bacelar, finalista de MICF 27


AGENDA FORMATIVA

maio

abril

Mês

Dia(s)

Evento

Local

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Bioterrorismo - Armas Biológicas e Segurança Internacional

Departamento de Ciências da Vida, Universiade de Coimbra

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Workshop - Auto-Gestão do Stress e da Ansiedade

Coimbra

26 e 27

XXV Porto Cancer Meeting

Porto

27 a 30

XXX Jornadas de Terapêutica

Porto

4e5

Seminários em Regulação e Avaliação do Medicamento e Produtos de Saúde

Lisboa

11

Cancro: A Intervenção do Farmacêutico

Leiria

5a8

86º Congresso da Sociedade Europeia de Aterosclerose

Lisboa

8 a 11

VIII Workshop “Cancer Research: Biological and Molecular Basis”

Porto

10 e 11

3º Congresso Internacional da ASPIC - Associação Portuguesa de Investigação em Cancro

Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

10 a 12

10th European Congress of Speech and Language Therapy

Cascais, Centro de Congressos do Estoril

11

Workshop de Diabetologia da Região Centro 2018

Hotel D. Inês, Coimbra

16 a 20

11º Congresso Internacional de Autoimunidade

Lisboa

17

VI Curso de Antimicrobianos (SIP)

Coimbra

18 e 19

III Congresso – SNS: Património de Todos - Gestão Descentralizada e Participada no SNS

Convento de S. Francisco, Coimbra

junho

25 e 26

VII Congresso Científico da ANL - Associação Nacional Sheraton Porto Hotel & SPA dos Laboratórios Clínicos

26

Abordagem da Pessoa com Úlcera de Pressão

Coimbra

25 a 27

1st International Conference FIP Pharmacy Practice Research

Lisboa

20ª Edição  
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