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ESPECIAL EMPRESAS / Seis concelhos – seis empresas – seis histórias de superação. Pág. 13 a 18 CULTURA

Artejo - “A arte contemporânea é necessária no interior do país”. Pág. 12

/ JORNAL DE ABRANTES / Abrantes / Constância / Mação / Sardoal / Vila Nova da Barquinha / Vila de Rei / Diretora Joana Margarida Carvalho MARÇO 2019 / Edição n.º 5577 Mensal / ANO 118

/ DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Manuel Jorge Valamatos assume uma presidência que quer “Forte, Inteligente e Gentil” Pág. 4

/ Presidente da Câmara acolhe nova vereadora socialista, Ana Paula Grijó.

REGIÃO

Mação, Sardoal e VN da Barquinha integram "Tejo Ambiente – Empresa Intermunicipal” . Pág. 7 e 8

VN DA BARQUINHA

Da floresta tropical à savana africana, o projeto BARK – Biopark Barquinha vai “criar uma aventura”. Pág. 10

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Luís Fernandes, presidente da Liga dos Amigos do Hospital de Abrantes, em entrevista ao JA. Pág. 3


A ABRIR / FOTO OBSERVADOR /

EDITORIAL /

Carolina Ferreira

Aconteceu no dia 28 de fevereiro a cerimónia do Juramento de Bandeira do 1.º curso de Formação Geral Comum de Praças do Exército de 2019, constituído por 45 soldados recruta masculinos e 10 femininos incorporados no RAME, em Abrantes. A cerimónia decorreu na zona ribeira do município de Constância e contou com os atos de Juramento de Bandeira e imposição de boinas. Na alocução referente ao ato festivo, o Comandante da Companhia de Formação Nuno Ribeiro destacou a vontade e determinação dos soldados recruta na conquista pelos objetivos.

Joana Margarida Carvalho DIRETORA

Acima de tudo Felizes! Este mês fomos à procura de quem promove riqueza e gera valor na nossa região. Pelos seis concelhos da nossa área de cobertura, numa atitude curiosa, fomos conhecer novos projetos empresariais ou outros que já têm uma história e uma marca consolidadas. Projetos onde a palavra de ordem é “empenho”, onde a dedicação aos objetivos a cumprir, aos colaboradores de que dispõem e ao evoluir da economia local é uma constante. O receio de arriscar surgiu certamente. Mas também é um facto que para se conquistar mais além, por vezes, é necessário sair da zona de conforto e, simplesmente, arriscar dentro de uma estratégia definida. E por falar em sair, de repente muito mudou no concelho de Abrantes no que se refere à política local. Se, num dia, Maria do Céu Albuquerque dirigia os destinos concelhios, num ápice estava a tomar posse como Secretária de Estado do Desenvolvimento Regional. Após esta saída inesperada, esperamos agora que a sua nova função governamental represente um verdadeiro contributo no desenvolvimento regional que aspiramos há muito tempo. Pois para o interior do país têm sido anos difíceis, onde para vingar é preciso mestria, vontade de fazer diferente e sentido de inovação. Na verdade, nos últimos anos, assiste-se à retirada dos serviços essenciais e no que concerne ao desenvolvimento, este deve-se sobretudo aos agentes e às instituições públicas e privadas locais. Manuel Jorge Valamatos assume a presidência do município abrantino e fala de uma política “Forte, Inteligente e Gentil”. São, de facto, bons princípios. Porque, na verdade, queremos uma sociedade cada vez mais Forte para enfrentar os desafios futuros. Inteligente, uma vez que sem esse dom é difícil ultrapassar as contrariedades dos tempos. E, por último, a que mais aprecio – Gentil. A gentileza, mas sobretudo a proximidade, é determinante para se fazer uma política que coloca o cidadão em primeiro plano e que tudo faz para lhe criar as melhores condições de vida. E não será este o real propósito da política local? Criar as condições necessárias para que possamos ser mais fortes, mais inteligentes e, acima de tudo, gentis e felizes.

ERRATA Na última capa do Jornal de Abrantes, referente ao mês de fevereiro, Miguel Pombeiro foi apresentado como presidente da CIM Médio Tejo. O cargo correto é Secretário Executivo da CIM Médio Tejo. Aos visados, pedimos aos nossas desculpas pelo erro.

ja / JORNAL DE ABRANTES

Joana Margarida Carvalho

Há precisamente quatro décadas, entre 9 e 13 de fevereiro, Rio de Moinhos, no concelho de Abrantes, vivia momentos de grande desespero. O Tejo tinha galgado as suas margens e as suas águas tinham invadido as ruas da freguesia. Após 40 anos das maiores cheias do rio Tejo, a Junta de Freguesia quis recordar a força dos antepassados e do seu povo riomoinhense e inaugurou no dia 10 de fevereiro a exposição “1979 - Grandes Cheias do Tejo”. Pela aldeia, a Junta de Freguesia instalou oito Painéis de Azulejo que eternizam a memória dos fregueses e de quem visita Rio de Moinhos, com imagens que retratam o que aconteceu. (Na foto – Rui André, presidente da JF e Hélder Silvano, responsável pela estação meteoabrantes)

PERFIL /

Um filme Há uns meses atrás fiz um percurso por diversos Filmes antigos, de meados do século passado. Sem grandes artifícios. Adorei os “Morangos Silvestres” de Ingmar Bergman, de 1957. Uma viagem que marcou Amesterdão.

/ Sónia Pedro Imaginariamente Antropóloga. Na realidade Consultora de Negócios.

Idade 42 Naturalidade / Residência Abrantes

Um momento importante Amanhã. Amanhã há-de sempre trazer algo melhor. Um recanto diferente na região Gosto muito desta Região… já me chamaram Embaixadora do Médio Tejo! E existem tantos recantos especiais e bons para fotografar…

Uma música Adoro “Soledad” de Amália Rodrigues na voz de Sónia Tavares. Um livro - “A Mãe” de Máximo Gorki; - “No Outono” de Karl Ove Knausgard; - “Berta Isla” de Javier Marías. Um país para visitar O próximo?! Tenho uma alma nómada…Quero ir a Paris! Se fosse presidente Câmara o que faria? Esta pergunta é difícil… como diz um amigo… está tudo por fazer… Procurava focar o trabalho nas pessoas! É que normalmente os nossos políticos vivem em Torres

de Marfim, e não conhecem os seus “clientes”, embora achem que sim. Não sabem quem são, do que precisam. Portanto, creio que mudava o modelo de negócio da autarquia. A valorização das pessoas é essencial! E existem tantas formas de o fazer. Haja criatividade! O que mais e menos gosta na sua localidade? Gosto de poder sair de casa e caminhar, apreciar a natureza. E isto é qualidade de vida! Contudo, sinto falta da diversidade, da vida, do novo, da cultura, do outro que podemos encontrar nas Grandes Cidades.

FICHA TÉCNICA Direção Geral/Departamento Financeiro Luís Nuno Ablú Dias, 241 360 170, luisabludias@mediaon.com.pt. Diretora Joana Margarida Carvalho (CP.9319), joanamargaridacarvalho@mediaon.com.pt, Telem: 962 108 759. Redação Patrícia Seixas (CP.6127), patriciaseixas@mediaon.com.pt Telem: 962 109 924. Colaboradores André Lopes, Carlos Serrano, José Martinho Gaspar, Paulo Delgado, Teresa Aparício, Paula Gil, Manuel Traquina. Cronistas Alves Jana e Nuno Alves. Departamento Comercial. comercial@mediaon.com.pt. Design gráfico e paginação João Pereira. Sede do Impressor Unipress Centro Gráfico, Lda. Travessa Anselmo Braancamp 220, 4410-359 Arcozelo Vila Nova de Gaia. Contactos 241 360 170 | 962 108 759 | 962 109 924. geral@mediaon.com.pt. Sede do editor e sede da redação Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65, 2204-909 Abrantes. Editora e proprietária Media On - Comunicação Social, Lda., Capital Social: 50.000 euros, Nº Contribuinte: 505 500 094. Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65, 2204-909 Abrantes. Detentores do capital social Luís Nuno Ablú Dias 70% e Susana Leonor Rodrigues André Ablú Dias 30%. Gerência Luís Nuno Ablú Dias. Tiragem 15.000 exemplares. Distribuição gratuita Dep. Legal 219397/04 Nº Registo ERC 100783. Estatuto do Jornal de Abrantes disponível em www.jornaldeabrantes.pt. RECEBA COMODAMENTE O JORNAL DE ABRANTES EM SUA CASA POR APENAS 10 EUROS (CUSTOS DE ENVIO) IBAN: PT50003600599910009326567. Membro de:

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JORNAL DE ABRANTES / Março 2019


ENTREVISTA /

“Para aumentar a qualidade da medicina, é fundamental tornar a implementar os concursos e as carreiras médicas” São palavras de Luís Fernandes. Alto, franzino, andar sereno, semblante calmo e sorriso pronto, trato fino e pose distinta, olhar suave que transmite calma e prontidão, é um ligeiro retrato do nome mais sonante que encontramos quando se pergunta a um abrantino: qual a pessoa mais conceituada e respeitada nesta cidade - Luís Filipe Moura Neves Fernandes, médico-cirurgião, amigo e sempre pronto a ajudar o próximo. Com um percurso estudantil e académico brilhantes, ingressou em Medicina, com dispensa do exame de admissão à faculdade, e iniciou o curso no Hospital Universitário de Santa Maria (à data a única Faculdade em Lisboa). Após terminar o curso, fez a tese de licenciatura com um trabalho de investigação anatomopológico e clínico. Especializou-se em cirurgia geral por opção e concorreu para o internato do Hospital de Santa Maria. No seu percurso militar passou por Santarém, foi mobilizado para a Guiné e colocado no Hospital Militar de Bissau, como ajudante de cirurgião (1969-1970). Após regresso, foi assistente de cirurgia em Santa Maria e concluiu a especialidade que durou 6 anos. Foi assistente de Patologia Cirúrgica, colaborando nas aulas práticas e fez concurso de cirurgia da zona sul. Acedeu em 1980 a vir para Abrantes, com a promessa da construção de um novo Hospital. Em 1983 foi nomeado pelo Ministro da Saúde para presidir à comissão instaladora do novo Hospital de Abrantes, onde, durante 8 anos, exerceu em simultâneo. Inaugurado em 1985, foi nomeado para presidir ao conselho diretivo e, em 1988, foi indigitado para presidir o concelho de Administração onde se manteve até à sua aposentação. Concomitantemente exercia as cirurgias de rotina de doentes da enfermaria e do serviço de urgência e, num período de 8 anos, acumulou ainda com a direção clínica. Nos anos 80, frequentou por cinco vezes o curso intensivo anual de cirurgia no Hospital de Santa Cruz e S. Paulo, em Barcelona, e fez dois concursos de cirurgia para Graduado e depois para Chefe de Serviço. Este último é o topo da carreira médica hospitalar e obteve uma das melhores classificações. Em 2002 fundou, juntamente

Quando me reformei fui agraciado pelo senhor Ministro da Saúde, com a “Medalha de Prata” de “Serviços Distintos”, pelos serviços prestados na minha vida profissional e administrativa. A Câmara Municipal de Abrantes atribuiu-me em cerimónia pública a “Medalha Municipal de Mérito Social”, como reconhecimento pela atividade social desenvolvido extra hospitalar. Fui ainda homenageado pelo Rotary Club de Abrantes na cerimónia da personalidade do ano.

O que pensa da sociedade jovem?

A sociedade jovem sofre de falta de estímulo, dadas as escassas perspetivas de futuro. Os mais capazes depois da licenciatura rumam para países que oferecem mais perspetivas.

Como vê o mundo de hoje?

O mundo de hoje é um “mundo cão”. Vejam-se os conflitos por todo o lado, em vários continentes. Estou com o Papa Francisco quando diz que é preciso paz, amor e solidariedade.

E a política nacional?

com 24 amigos, a Liga dos Amigos do Hospital de Abrantes, da qual é presidente. É uma IPSS com estatuto de utilidade pública. Como lazer, faz parte atualmente dos corpos sociais dos Amigos do Museu, do Museu Nacional do Azulejo, do qual é vice-presidente da Assembleia Geral e é membro do Círculo Richard Wagner em Portugal.

Quem o marcou mais durante o período de aprendizagem?

A minha professora primária, a Dª Hermínia Pires Alves. O meu pai que faleceu no meio do meu curso de medicina. E, mais tarde, o professor Jaime Celestino da Costa, catedrático de Patologia Cirúrgica, bem como o professor doutor Diaz Gonçalves, cirurgião com quem trabalhei até vir para Abrantes e que me ensinou tudo o que sei da profissão, com o qual mantenho ainda uma profunda amizade.

O que pensa da medicina no nosso país?

A meu ver, a medicina em Portugal está em crise. Por um lado o SNS está a deteriorar-se. Por outro, acabou-se com as carreiras médicas hospitalares com que o professor Miller Guerra há tantos anos se empenhou, o que leva à falta de concursos e à qualidade da medicina. Isto em termos gerais, contudo, continua a haver médicos de exceção. Há uma pulverização de Faculdades da Medicina o que leva a uma menos concedida qualidade de ensino. Os hospitais e as entidades públicas empresariais (EPE) contratam médicos a prazo apenas pelo currículo, sem concursos, o que contribui para a falta de estímulo. Repito, para aumentar a qualidade da medicina em geral no país, é fundamental tornar a implementar os concursos e as carreiras médicas. Só assim se faz uma seleção.

Atendendo à folha de serviço até hoje prestada, alguma vez foi condecorado?

A política portuguesa é uma política de geringonça e quase não menciona o facto de a dívida ultrapassar 130% do PIB. A título de exemplo conta-se a história entre Otelo e OLof Palme, em que este pergunta, no final, qual o objetivo pós revolução? Otelo diz “acabar com os ricos” e Olof Palme responde, “é curioso, nós na Suécia, queremos é acabar com os pobres”.

E os nossos políticos?

Há os sérios e os que se servem da política para seu próprio interesse. Isso explica porque há tanta corrupção. Tenho a convicção de que metade dos deputados da Assembleia da República não está à altura do cargo que desempenha e que o seu número é excessivo. A Holanda, com mais população que Portugal, tem 180 deputados.

O que pensa de Donald Trump?

Donald Trump é um construtor civil multimilionário e que é exemplo, para alguma classe média americana que sonha com a riqueza. Chegou a presidente com uma atitude populista com o slogan de criar uma “América Grande” com muita riqueza. É um impreparado político bem como o seu staf.

Que contributo deu a sua família à cidade de Abrantes?

O meu pai sempre gostou muito de Abrantes. Foi um grande impulsionador na evolução desta cidade. Começou pela edificação da Casa de Saúde extinta em 1985. Juntamente com um grupo de amigos (Iniciativas de Abrantes) em 1940 edificaram o Colégio de Nossa Senhora de Fátima que entregaram às irmãs Doroteias; em 1948 o teatro S. Pedro cedido à Câmara Municipal de Abrantes por 19 anos; em 1954 o Hotel Turismo que, após o 25 de Abril, foi ocupado pelos empregados e o colégio de La Salle em 1960, vendido ao Estado em 1976, atualmente denominada Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes. Tal como ele, eu gosto muito da cidade.

Pode falar-me um pouco da Liga?

A Liga dos Amigos do Hospital de Abrantes, da qual fui um dos fundadores e sou Presidente, tem tido grande parte ativa no Hospital. Auxiliamos os doentes com dificuldades monetárias na medicação, acompanhamento e transporte. A Liga tem auxiliado e patrocinado de uma forma geral o Hospital de Abrantes em equipamentos e estruturas, nomeadamente na esterilização, cardiologia, cuidados intensivos, e ainda a pintura geral do Hospital e a reparação do refeitório, entre outras ações. Em algumas situações tivemos a preciosa ajuda do mecenato.

Era necessário ter ocorrido a transferência de serviços para os Hospitais de Tomar e Torres Novas?

Este Hospital era suficiente e foi construído para acolher todas as especialidades. Contudo, a política é que manda. Cada Ministro mandou edificar um Hospital, em Torres Novas e Tomar em vez de um edifício novo. Assim, como se trata dum Centro Hospitalar, houve que repartir serviços pelos três Hospitais.

Tem alguma coisa que ainda gostasse de fazer em benefício da sociedade?

Bem, gostava de conseguir uma unidade intermédia de cuidados continuados. Isto é, durante um período entre a alta hospitalar e o domicílio, os doentes, poderiam ali permanecer com vigilância.

Como vê Abrantes a nível social e económico?

A nível social há uma razoável resposta da parte oficial e da igreja. A economia está debilitada, o centro histórico está adormecido, o comércio está a diminuir e os lojistas queixam-se das restrições da circulação e do estacionamento. Há que repensar para salvar a cidade. Sérgio Figueiredo

Março 2019 / JORNAL DE ABRANTES

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REGIÃO / Abrantes

Manuel Jorge Valamatos assume uma presidência que quer “Forte, Inteligente e Gentil” “Forte, Inteligente e Gentil” foi o slogan  deixado pelo novo presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos na cerimónia de tomada de posse realizada no dia 19 de Fevereiro, no Salão Nobre dos Paços do Concelho. António Mor, presidente da mesa da Assembleia Municipal, deu posse ao novo presidente. E na sequência da reorganização do Executivo Municipal, iniciou funções a nova vereadora, Ana Paula Grijó.  Perante uma sala cheia, nomeadamente de presidentes de Junta de Freguesia, colaboradores do Município e amigos, Manuel Jorge Valamatos discursou pela primeira vez na qualidade de presidente de Câmara, referindo-se a um “processo de continuidade, mas “com registos novos”. “Temos muito tempo para nos conhecermos melhor e para cada um deixar a marca que tiver de deixar neste processo. São cerca de 2 anos e meio pela nossa frente e há muito trabalho e muitas pessoas lá fora à nossa espera”, disse o presidente. Não referindo a nova distribuição de pelouros e quem irá presidir aos Ser viços Municipalizados de Abrantes (SMA), Manuel Jorge Valamatos reconheceu que este “foi um processo muito rápido” e que “é preciso dizer que nunca se está totalmente preparado para estas coisas e daí ser importante não haver precipitações. Temos de fazer as coisas com calma e com inteligência”, vincou. O novo presidente salientou que uma das razões que o levou a aceitar o desafio foi a equipa que o acompanha, que caraterizou “de muito forte” e que referiu estar preparada para os próximos 2 anos e meio que ainda faltam de mandato. De seguida, procedeu-se à realização da reunião de Câmara já presidida pelo novo presidente e pela nova vereadora, Paula Grijó,  que disse ser “uma honra” estar ao serviço da comunidade abrantina. “Estou verdadeiramente honrada por poder servir esta comunidade que é minha de coração há muitos anos”, afirmou Paula Grijó, salientando que os munícipes podem esperar o seu “completo empenho”.

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/ “É o momento de olhar de forma especializada para aquilo que são as nossas freguesias” - Manuel Valamatos

“Temos de fazer as coisas com calma e com inteligência”, disse o presidente

/ Manuel Jorge Valamatos disse ser necessário “equilibrar” a política de investimentos.

ANABELA FREITAS ASSUME A PRESIDÊNCIA DA CIMT

Anabela Freitas, presidente da Câmara Municipal de Tomar, foi eleita presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT), no dia 28 de fevereiro. Depois de Maria do Céu Albuquerque ter sido nomeada para Secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, Anabela Freitas, que era a

JORNAL DE ABRANTES / Março 2019

primeira vice-presidente da CIMT, assume agora o cargo de presidente da Comunidade. Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal de Mação, é novamente o vice-presidente da CIMT, juntando-se Fernanda Asseiceira, presidente da Câmara de Alcanena, também como vice-presidente.

/ Vasco Estrela, Anabela Freitas e Fernanda Asseiceira

À margem da reunião de Câmara, e quando questionado pelo JA, sobre os desafios dos próximos anos na presidência da Câmara Municipal, Manuel Jorge Valamatos disse ser necessário “equilibrar” a política de investimentos no concelho, referindo-se às freguesias. “Todos nós temos noção que nos últimos tempos tem havido um investimento muito significativo na cidade e nas questões culturais. Há um conjunto de investimentos a decorrer nestas matérias, que são de extrema importância quer para a cidade, quer para o concelho e para a região. E nós não vamos interromper esse desígnio. Vamos tentar dar continuidade ao trabalho na medida em que há aqui compromissos assumidos e quadros de apoio a respeitar”, referiu o presidente. Contudo, disse que também é momento “de olhar para as nossas freguesias de forma muito próxima”. “Como sabem, tenho estado na gestão do gabinete de freguesias há muitos anos. Tenho um contacto muito próximo com os nossos presidentes de junta que são pertença da nossa equipa de gestão autárquica e de gestão do poder local. E com os presidentes de junta estamos muito convencidos que teremos de ter aqui um trabalho de grande proximidade, de resolução de questões, trazendo alguma harmonização neste território tão grande”, salientou. “É o momento de dar continuidade ao trabalho iniciado na cidade mas, também, é o momento de olhar de forma especializada para aquilo que são as nossas freguesias”, finalizou. M a n u e l Va l a m a t o s t e m 5 3 anos, nasceu no Tramagal, residiu em Vale das Mós e aos 10 anos passou a residir no Rossio ao Sul do Tejo, onde cresceu e constituiu família. É professor de Educação Física, atleta e dirigente associativo. Foi vereador da CMA desde 2004, tendo assumido várias áreas de gestão autárquica. Em janeiro de 2018, assumiu a Presidência da Comissão Política Concelhia do PS Abrantes, sob o lema “Mobilizar. Afirmar. Renovar o Compromisso”. Hoje, é o atual presidente da Câmara Municipal. Joana Margarida Carvalho


REGIÃO / Abrantes Maria do Céu Albuquerque é Secretária de Estado do Desenvolvimento Regional

FOTOLEGENDA /

Foto DR

da Silva para a Presidência, Pedro Nuno Santos para as Infraestruturas e Habitação, e Nelson de Souza para o Planeamento.

Nesta remodelação, entraram para o XXI Governo Constitucional quatro novos secretários de Estado: Duarte Cordeiro, para Adjunto do

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O primeiro-ministro fez, a 17 de fevereiro, uma remodelação no Governo promovendo três secretários de Estado a ministros, Mariana Vieira

Primeiro-Ministro e Assuntos Parlamentares; Maria do Céu Albuquerque para o Desenvolvimento Regional; Jorge Moreno Delgado para as Infraestruturas; e Alberto Miranda para Adjunto e das Comunicações. Nos Ministérios abrangidos por este remodelação, mantiveram-se como secretários de Estado Tiago Antunes (Presidência do Conselho de Ministros), Luís Goes Pinheiro (Adjunto e da Modernização Administrativa), Rosa Monteiro (Cidadania e a Igualdade) e Ana Pinho (Habitação). Estas mudanças aconteceram na sequência da escolha do, até à altura ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, para número um do PS às eleições europeias, lista que também inclui a titular cessante da pasta da Presidência, Maria Manuel Leitão Marques.

Até ao dia 10 de março, a margem sul do Aquapolis, em Rossio ao Sul do Tejo, está a receber a centenária Feira de São Matias. A inauguração da Feira, a 15 de fevereiro, foi o último ato oficial de Maria do Céu Albuquerque como presidente da Câmara Municipal de Abrantes. A autarca anunciou que 2019 seria a última vez que o certame se realizaria neste espaço pois, a partir de 2020, a Feira de S. Matias passará a ter lugar no Vale da Fontinha, em Abrantes. Maria do Céu Albuquerque cumprimentou os feirantes e informou-os de que iriam ser convidados a visitar o local onde a Feira se irá instalar em definitivo.

Março 2019 / JORNAL DE ABRANTES

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REGIÃO /

/ ETAR: Mação é um dos Municípios que integra a nova empresa e prevê submeter candidaturas de cerca de 6 ME . A renovação da ETARS já começou.

//“TEJO AMBIENTE – EMPRESA INTERMUNICIPAL”

Três municípios estão dentro, outros três estão fora Dá por nome de “Tejo Ambiente – Empresa Intermunicipal de Ambiente do Médio Tejo E.I.M., S.A.”, reúne seis municípios do Médio Tejo, nomeadamente Ourém, Ferreira do Zêzere, Mação, Tomar, Sardoal e Vila Nova da Barquinha, e vai permitir a candidatura a fundos comunitários para infraestruturas de água e saneamento, já que, ao abrigo de uma imposição legal, apenas as entidades integradas em sistemas intermunicipais estão aptas a fazê-lo.

SARDOAL / O Executivo da Câmara Municipal de Sardoal aprovou a 11 de fevereiro, a entrada do Município na Tejo Ambiente. “Vai ser uma empresa constituída por seis municípios que se juntam para ganhar escala e com isso ganhar uma outra racionalidade nos diferentes serviços que os municípios prestam no âmbito do meio ambiente. Ganhando escala, ganha também uma maior eficiência e uma maior eficácia”, começou por explicar Miguel Borges, presidente da Câmara Municipal. No que diz respeito ao concelho de Sardoal, “estamos a falar de uma população dispersa, com pouco mais de 4 mil habitantes”. Agora, “passamos a ter uma empresa a olhar para mais de 100 mil habitantes. É completamente diferente pois vai haver maior eficiência, maior eficácia, maiores ganhos na

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produtividade da própria empresa, na possibilidade de nos candidatarmos a fundos comunitários (…) pois concorrermos agregados é completamente diferente do que estarmos cada um por si”, afirmou o autarca. Na reunião de Câmara, Miguel Borges esclareceu o Executivo de que, “neste momento, o sistema atual dá prejuízo ao Município e a ideia é de que passe a dar lucro”. Em 2017, as perdas espelhadas na fatura do Município à Aguas do Vale do Tejo foram de 97 mil euros e, em 2018, saldaram-se em 105 mil euros. Com a nova empresa, o Município poderá recuperar entre 80 a 90 mil euros, entre a diminuição de perdas, funcionários, reparação de veículos... O presidente justificou que, para Sardoal, “há um conjunto de investimentos associados, superiores a 5 milhões de euros, para obras que queremos fazer ao longo dos

JORNAL DE ABRANTES / Março 2019

vários anos de concessão a esta empresa”. As obras dizem respeito “à substituição de algumas ETAR’s e à construção de outras”. No entanto, “estamos já a preparar uma candidatura de 2,2 milhões de euros para alterar o sistema em certas zonas”. Miguel Borges especificou, dando como exemplos “a substituição da ETAR de Vale das Onegas, a substituição da ETAR do Tojalinho, o encerrar das condutas de águas residuais da parte norte da Cabeça das Mós, a anulação e substituição da ETAR de Cabeça das Mós, a ligação da água desde o depósito de Carvalhal até S. Simão, bem como substituição de outras condutas”. Miguel Borges garantiu que, com a empresa de fornecimento de água em baixa “as coisas possam surgir com uma maior rapidez do que aquela que seria só com o orçamento municipal. Estamos a falar, para já, da possibilidade deste investimento de 2, 2 milhões

de euros, que acreditamos que irá ser financiado a 85% pela Comunidade Intermunicipal mas depois, os outros 15% que, em vez de ser a Câmara a assumir, será já a empresa. Isto dentro de um bolo que é superior a 5 milhões de euros que a empresa tem como compromisso para investir no nosso concelho”. Na discussão do tema, o vereador socialista Pedro Duque questionou acerca da não inclusão das ETAR’s de Andreus e Valhascos e o presidente da Câmara explicou que “essas continuam como estão” pois são da responsabilidade da Águas de Lisboa e Vale do Tejo. “Vão ter que fazer uma nova ETAR em Andreus, na Rosa Mana e em Valhascos. Aliás, todas as que estão entregues são para remodelação (…) e nós vamos continuar a pressionar”. Na fatura dos contribuintes, a mudança do sistema vai refletir-se num aumento mensal na fatura

de cerca de 2,80 euros, sendo que há a garantia de ser um aumento único, sem alterações nos próximos 15 anos.

VILA NOVA DA BARQUINHA / Na reunião ordinária da Assembleia Municipal de Vila Nova da Barquinha, realizada a 15 de fevereiro, foi aprovada a participação do Município na criação da Tejo Ambiente. O presidente da Câmara defende que entrar neste projeto financiado exclusivamente por capitais públicos é uma “solução agregada dos [seis] municípios” do Médio Tejo envolvidos, que terá vantagens a nível de candidaturas comunitárias. Fernando Freire destaca também que este sistema traz efeitos “em termos de rentabilidade do


REGIÃO /

próprio território e isso permite alocar investimento significativo no saneamento” e que só assim é possível “em zonas de baixa densidade, dar as condições ideais aos nossos habitantes, ou seja, ter água com qualidade e saneamento para toda a gente”, permitindo que Vila Nova da Barquinha fique “quase com abastecimento básico a 100%” no seu território. Quanto aos investimentos previstos para o concelho, o presidente referiu que “vamos candidatar o saneamento básico das Limeiras e toda a zona norte de Atalaia, nomeadamente a Rua D. Dinis e Casal da Margarida que não têm saneamento básico e ainda a substituição de uma adutora na Moita do Norte”. Mais tarde, será Tancos, garantiu o autarca. Fernando Freire garantiu que o Município não vai ver as tarifas da água aumentadas: “Para Vila Nova da Barquinha, a tarifa ficará como está e, residualmente, poderá ver uma oscilação ou outra”. Apesar da decisão – aprovada por maioria com os votos contra da CDU e abstenções do PSD/CDS-PP - a oposição protestou contra esta participação na empresa intermunicipal: os deputados da CDU defendem que “uma empresa não responde pelas necessidades dos municípios” e que é necessário salvaguardar a “autonomia da câmara”.

VILA DE REI / Já no que diz respeito a Vila de Rei, a Câmara Municipal decidiu não integrar este sistema intermunicipal de águas.

Ricardo Aires, presidente da Autarquia, referiu que atualmente, a Câmara é a “entidade gestora” do sistema de águas e considera “não ser ainda a altura própria para entrar” na Tejo Ambiente. No entanto, o autarca não fechou a porta e disse que “um dia, veremos se é para entrar ou não”. O presidente justificou esta decisão com “os investimentos que fizemos em 2018 e que estamos a realizar também este ano” e que representam um investimento “para cima de 2,5 ME”. “Achamos não ser necessário e a situação da ERSAR (Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos) é excelente. O que não quer dizer que, no futuro, não vejamos essa necessidade”, afirmou, adiantando que “a situação de Vila de Rei está estável e é sustentável”. Ricardo Aires assumiu que poderá “ter algum défice na água mas prefiro ter esse défice e manter o controlo municipal desde a baixa até à alta”. Vila de Rei opta assim por não integrar a empresa intermunicipal de abastecimento público, saneamento de águas e recolha de resíduos urbanos.

MAÇÃO / A Assembleia Municipal de Mação, aprovou por unanimidade, no dia 18 de fevereiro,a entrada na empresa intermunicipal para gestão das infraestruturas dos sistemas de água, saneamento e resíduos sólidos Na sessão, Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal, disse que este novo sistema “é mais

equilibrado” e dá a “garantia que temos as condições financeiras e outras para melhorar o que já existe, podendo otimizar os nossos recursos”. “Ao longo desta concessão de 30 anos, há investimentos para o concelho na casa dos 17 ME. Até ao final deste mês, temos condições para submeter candidaturas de cerca de 6 ME para podermos concretizar aquilo que é necessário”, salientou o autarca. Vasco Estrela adiantou que numa primeira fase está prevista “a remodelação das ETAR de Chão de Codes 1 e 2, Pereiro, Aldeia de Eiras, Chão de Lopes Grande e Pequeno, Chaveira, Chaveirinha, Queixoperra e Carregueira. Isto vai significar 5 novas ETARS”. Mais avançou que estão previstas intervenções ao nível das infraestruturas dos sistemas de água na zona industrial das Lamas, Rosmaninhal, Vales e Amêndoa. O presidente explicou que “ficou previsto comprar à Águas de Lisboa e Vale do Tejo todo o sistema de água para ser bombeado nos depósitos que atualmente existem, ou seja, em vez de haver uma remodelação em cada depósito iremos fazer 50 km de condutas para aproveitar a água existente no concelho”. O ponto submetido à votação acolheu a unanimidade dos eleitorais. Em declarações ao JA, Vasco Estrela já tinha referido que a empresa intermunicipal para a gestão das águas, saneamento e resíduos sólidos, era a “única e a melhor solução” para o concelho de Mação. “A Câmara tem ao seu encargo

cerca de 60 sistemas autónomos” o que “é ingerível”, salientou Vasco Estrela, lembrando que “o Município de Mação tem um défice anual de cerca de 500 mil euros em todos os sistemas”.

ABRANTES / A Câmara de Abrantes não vai integrar o novo serviço intermunicipal de gestão do sistema de água em baixa, previsto para o Médio Tejo. “Decidimos e está decidido. Abrantes não entra na agregação dos sistemas de distribuição de água em baixa com os sete municípios do Médio Tejo que prosseguem na perspetiva da criação de uma empresa intermunicipal”, afirmou Maria do Céu Albuquerque, ainda no exercício das funções de presidente de Câmara Municipal, quando lia uma declaração política sobre o assunto. “Gostava que o nosso município pudesse ter as condições políticas para liderar este processo. Acolhendo a sede da empresa, participando no capital social de forma a ver os interesses dos seus munícipes salvaguardados. Uma liderança regional que assim nos escapa. Precisávamos de mais tempo para podermos melhor sustentar uma posição diferente daquela que aqui assumimos”, fez notar. Na declaração política sobre o assunto, a maioria PS apresentou um conjunto de dúvidas e constatações acerca do estudo, entre as quais: “A acessibilidade física do serviço de abastecimento de água está subvalorizada; as projeções

demográficas adotadas são muito otimistas, estando o número de clientes para Abrantes sobrevalorizado. Em relação às fontes de financiamento apresentadas, os montantes identificados poderão não corresponder às taxas de 85% quando, em candidatura recente dos SMA (via POSEUR), o cofinanciamento efetivo ficou nos 63,75%”. Entende ainda a maioria socialista que no estudo “Abrantes terá uma descida de tarifas de cerca de 6% para os clientes domésticos (consumo de 10 m3/mês). Contudo, os clientes não domésticos aumentam 19% e os clientes não domésticos (autarquias) aumentam 39%. No saldo, os clientes de Abrantes irão pagar mais cerca de 160.000€/ ano, face ao tarifário atual”, pode ler-se.

CONSTÂNCIA / O Município de Constância não vai entrar no novo serviço intermunicipal de gestão do sistema de água em baixa. Em declarações ao JA, Sérgio Oliveira, presidente da Câmara Municipal, começou por referir que “depois de uma análise aprofundada ao último estudo que nos foi entregue, ponderámos os prós e os contras, e não fizemos uma análise geral das vantagens e desvantagens para os outros municípios. Fizemos a nossa análise e entendemos que devíamos de continuar com o nosso sistema”. A gestão em baixa das águas do concelho é feita pelo Município. Joana Margarida Carvalho e Patrícia Seixas

Março 2019 / JORNAL DE ABRANTES

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REGIÃO / Abrantes

“Unanimidade” foi a palavra de ordem da Assembleia Municipal “Unanimidade” foi a palavra de ordem da última Assembleia Municipal de Abrantes, que decorreu no dia 22 de fevereiro, no edifício Pirâmide. À exceção de uma Moção, apresentada pelo PSD, acerca do Plano Nacional de Investimentos 2030, todas as Moções foram aprovadas por unanimidade. Foram vários os assuntos que marcaram a sessão da Assembleia Municipal (AM), pela primeira vez com Manuel Jorge Valamatos a liderar o executivo. Os cuidados de saúde primários e a transferência de competências para os municípios foram os que geraram mais discórdia. No que diz respeito à Transferência de Competências, a bancada do BE solicitou que o ponto fosse retirado da ordem de trabalhos. Pedro Grave (BE) justificou a proposta “pelo absurdo que representa uma votação sobre o que Sr. Presidente da AM já aprovou de forma unilateral, ao deixar terminar os prazos de pronuncia à DGAL sobre os diplomas sectoriais em apreço, sem ter para o efeito convocado sessão extraordinária em tempo útil”. Em resposta, António Mor, presidente da AM, considerou que o ponto não deveria de ser retirado da ordem de trabalhos e disse que o que lhe foi transmitido, “do ponto de vista legal”, era que caso o executivo não fosse contra à Transferência de Competências para o Município, o assunto não teria de ser votado pela Assembleia. Já a Transferência de Competências para a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, teria de ser submetida à votação.  O ponto acabou por ser discutido e toda a oposição da Assembleia Municipal votou contra. Pedro Grave (BE) falou “de um processo atabalhoado, sem o necessário tempo e cuidado estudo, que nos parece apenas um modo de desresponsabilização do Governo central, atirando para cima das entidades regionais deveres acrescidos, sem a necessária e atempada provisão de meios”. Já Elsa Lopes (CDU) disse “não haver qualquer garantia legal de que a transferência de competências seja acompanhada de um pacote financeiro”. E alertou “para a ausência de conhecimento das matérias a transferir” e das implicações financeiras do processo. Por sua vez, João Fernandes (PSD) salientou  que “o PSD de Abrantes e nacional discorda com

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uma operação de reabilitação urbana”. Em resposta, Manuel Jorge Valamatos começou por explicar que “uma ARU tem uma validade de três anos” e que para além do investimento privado, carece “de um grande investimento público”. Mais avançou que, neste momento, “o Município está centrado em iniciar os investimentos previstos na ARU de Rossio ao Sul do Tejo e de Alferrarede, anunciados recentemente, e que não será a curto tempo que conseguirá avançar para novas ARU no concelho”. No entanto, o presidente da Câmara afirmou que a proposta poderia ser aceite, caso a mesma não delimitasse o arranque do processo num curto espaço de tempo. Rui André acolheu a sugestão, a proposta foi adaptada e votada por unanimidade.

Cidadãos de São Miguel do Rio Torto estão contra ao encerramento do posto de saúde

a forma como o processo tem sido levado a cabo pelo Governo” e avançou que a sua bancada iria votar contra “por uma questão de protesto”. Por último, o presidente da Câmara Municipal referiu que foi entendimento do Município aceitar as competências nesta fase para não juntar todo o processo em 2021, sendo a data limite dada pelo Governo. Passou-se à votação e o ponto foi aprovado por maioria, tendo contado com os votos contra das bancadas do PSD, do BE e da CDU e as abstenções do eleito do CDS PP e do presidente da União de Freguesias de Aldeia do Mato e Souto.

“É na Abrançalha que começa [a nova ponte] e termina no Tramagal” – vincou Bruno Tomás Durante a sessão, uma moção para a solicitação de esclarecimentos sobre a efetiva localização da ponte sobre o rio Tejo, entre Abrantes e Constância, foi uma das propostas que recolheu a unanimidade dos eleitos. A moção prevê que o Presidente da Assembleia Municipal questione o Ministro responsável pelo Planeamento e Infra-estruturas, “solicitando esclarecimentos inequívocos sobre onde, efetivamente, será construída a ponte sobre o Rio Tejo entre Constância

JORNAL DE ABRANTES / Março 2019

e Abrantes prevista no Plano Nacional de Investimentos 2030”. Pedro Grave (BE) referiu que há estudos e projetos feitos e que há “fundamentações suficientes” para que a ponte seja construída no concelho de Abrantes. “Relativamente ao IC9 é explicito no PRN2000 que a travessia do rio Tejo será entre Abrantes e Tramagal. O troço até Ponte de Sôr tem os estudos de impacto ambiental aprovados, condição essencial para se poder avançar com as obras”, começou por dizer o líder de bancada do BE. Por seu lado, Bruno Tomás, presidente da União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede, foi “mais longe nas palavras” e vincou mesmo que a nova ponte deve começar na Abrançalha e terminar na freguesia de Tramagal.

Aprovada Moção que prevê a criação da ARU nas freguesias rurais Apresentada por Rui André, presidente da Junta de Freguesia de Rio de Moinhos, do Movimento Independente da Freguesia, foi aprovada por unanimidade uma Moção que prevê a criação da área de reabilitação urbana (ARU) nas freguesias rurais. Considera o autarca que “as freguesias rurais do concelho de Abrantes têm um centro urbano degradado e limitado pelo atual PDM. Nessas áreas existem edifícios, equipamentos de utilização coletiva, infraestruturas, espaços urbanos e verdes de utilização coletiva degradados, obsoletos e insalubres que necessitam de ser reabilitados através de

No final dos trabalhos, foi a vez de dar a palavra ao público presente. Presentes do início ao fim, estiveram vários cidadãos de São Miguel do Rio Torto que mostraram o seu descontentamento pelo encerramento da extensão de saúde da localidade. Recorde-se que desde a abertura oficial da Unidade de Saúde Familiar (USF) Beira Tejo, situada em Rossio ao Sul do Tejo, que a extensão de saúde de São Miguel foi encerrada e os utentes foram aconselhados a inscreverem-se na nova USF. Fernando António e José Moreira falaram em nome dos presentes e demonstram o seu descontentamento. Fernando António salientou que a retirada do serviço de saúde “foi mais uma machadada” naquela comunidade que diz estar “desprovida de vários serviços”. Já José Moreira, bastante indignado, disse ver-se obrigado a sair da sua terra “que já não tem praticamente serviços”. Em resposta, o presidente da Câmara pediu desculpa e referiu que não estava completamente inteirado do assunto, tendo explicado que a reformulação existente nos cuidados de saúde primários no concelho tinha sido dirigida pela ex-presidente de Câmara, Maria do Céu Albuquerque. Manuel Jorge Valamatos disse que iria marcar uma reunião, muito em breve, com a diretora do ACES Médio Tejo, para se inteirar da situação e depois reunir com a população de São Miguel do Rio Torto. Joana Margarida Carvalho Reportagem completa em www.jornaldeabrantes.pt


REGIÃO / Abrantes

ACROM inaugurou sede e museu em Mouriscas A associação já tinha uma sede, mas nunca os dirigentes esconderam a vontade de ter um espaço mais no centro da freguesia. Desde o dia 24 de fevereiro que a Associação Cultural das Rotas de Mouriscas (ACROM) tem essa sede e, como o espaço era muito grande, abriram portas a mostrar um pouco da história da aldeia. Neste núcleo museológico, a associação liderada por António Louro conseguiu reunir quase um milhar de peças que fazem parte da história do último século da aldeia. Desde artefactos ligados à agricultura, passando pela pesca, por atividades artesanais que tinham muita expressão na terra, entrando na vida doméstica, comércios, não esquecendo os lagares e as azenhas. Em destaque não poderia faltar os ceirões de esparto ou os capachos em cairo, estes últimos ainda produzidos na Sifameca. Ao entrar nestas duas salas de exposição, mais uma para reuniões, entramos na história de Mouriscas. A ACROM não esqueceu as rotas e os trabalhos que têm vindo a desenvolver, desde as oliveiras milenares, onde se inclui a oliveira do Mouchão, com 3350 anos, passando pelas fontes e nascentes

/ Inauguração da sede da ACROM (da esquerda para a direita) Aristides Lopes, João Abreu, Manuel Valamatos, António Louro, Pedro Matos, Luís Dias, Vasco Marques e Pedro Rosa e a Grande Rota das Ribeiras de Arcês, Rio Frio e Rio Tejo que deverá avançar ainda este ano. Esta grande rota vai ser implementada nos concelhos de Abrantes, Mação e Sardoal, através das localidades que fazem fronteira com Mouriscas.

É neste sentido que a inauguração da sede e núcleo museológico da ACROM contou com a presença do presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Valamatos e de vereadores dos municípios de Abrantes, Luís Dias, de Mação, Vasco Marques, e de Sardoal, Pedro Rosa.

António Louro, presidente da direção da ACROM destacou o facto de terem conseguido reunir naquele espaço quase um milhar de peças cedidas por 31 mourisquenses e que mais teriam se o espaço o permitisse. O presidente da direção da

ACROM salientou o projeto que a associação tem com os três municípios, a grande rota das ribeiras, vencedora do Orçamento Participativo Português 2017 cujo concurso vai ser lançado brevemente e que deverá estar operacional no final do ano. António Louro vai mais longe e anunciou a “criação de um centro interpretativo, que irá depender das ajudas que apareçam, porque sozinhos não conseguimos fazer tanta coisa”. Vasco Marques, vereador da Câmara de Mação, destacou as parcerias “entre populações vizinhas, como foi o caso dos incêndios, mas também em coisas boas, como as rotas”. Já Pedro Rosa, vereador da Câmara de Sardoal, disse que esta colaboração “permite pensar o território, não em pequenas ilhas, mas de uma forma mais abrangente”. Manuel Valamatos, presidente da Câmara de Abrantes, destacou que há muito trabalho a fazer entre todos e evidenciou o trabalho “apaixonante” desenvolvido pela ACROM que tem sido “a limpeza de trilhos das ribeiras, por forma a poderem captar mais pessoas para nos visitarem”. Jerónimo Belo Jorge

Março 2019 / JORNAL DE ABRANTES

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REGIÃO / Vila Nova da Barquinha

Da floresta tropical à savana africana, o projeto BARK – Biopark Barquinha vai “criar uma aventura”

Desde o grilo asiático até aos jaguares, do lince ibérico às girafas, dos elefantes às suricatas, são mais de 260 as espécies animais que vai poder encontrar a partir de 2021 em Vila Nova da Barquinha, num ambiente de verdadeira simbiose com a natureza. Chama-se BARK – Biopark Barquinha, quer ser uma porta para o conhecimento e respeito pela biodiversidade e também um dos maiores bioparques da Europa: o primeiro em Portugal, segundo na Europa e quinto no mundo a estar aberto durante a noite. O projeto foi apresentado no dia 15 de fevereiro, na Assembleia Municipal de Vila Nova da Barquinha, e é a concretização de um sonho de João Paulo Rodrigues, o promotor, de 22 anos, licenciado em Biologia e cuja convivência diária com animais na Quinta dos Plátanos, em Coalhos, freguesia do Pego, no concelho de Abrantes, lhe despertou a necessidade de conservação das várias espécies animais. “O BARK é um bioparque projetado como centro de conservação e reprodução de espécies em vias de extinção, com a ideia de educar e de sensibilizar toda a população visitante e local, para conseguir interagir e viver com a natureza numa simbiose perfeita”, esclarece João Rodrigues. Assente nos pilares de conservação, educação e investigação, o BARK vai ser construído entre a A23 e a A13, a norte do centro de negócios de Vila Nova da Barquinha, na fronteira com o concelho de Tomar, e segue o conceito de zoo de imersão, ou seja, respeita os recursos naturais do local, tentando “recriar ao máximo o habitat natural de uma espécie” e privilegiando “o bem estar animal ao máximo”, conta João Rodrigues. E o objetivo é claro: “Esperamos que o BARK seja o melhor bioparque, se não da Europa, do mundo”, afirma João Rodrigues, pertencente à empresa promotora do projeto, OLIFANTES & NATURE. O BARK representa um investimento global de 70 milhões de euros, vai ter uma área de 43 hectares e criar 150 postos de trabalho direto. As portas vão abrir no dia 25 de março de 2021 e a meta é proporcionar “uma aventura” a

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qualquer um dos 450 mil visitantes esperados no primeiro ano. E a aventura começa pelos quatro habitats iniciais que vão inaugurar o bioparque: o arquipélago indonésio – uma floresta tropical com dois andares que leva os visitantes desde a Malásia até à Papua Nova Guiné, através de espécies como o pequeno grilo asiático, o tapir malaio, os dragões de komodo e o gato enferrujado; o Pantanal – numa viagem até ao Brasil, através de uma ponte suspensa sobre a água onde pode avistar “os jaguares a nadar debaixo de água”; o Peneda-Gerês – onde salta à vista os linces e lobos ibéricos, abutres portugueses e cabras pirináicas; e a Savana Africana – onde está o animal mais exigente do parque, o elefante, bem como girafas, zebras, texugos e suricatas. Ao todo, 260 espécies vindas de outros parques que podem vir a crescer até às 3000. Depois de uma visita aos quatro cantos do mundo, pode repor energias e tomar uma refeição no restaurante do bioparque, com 300 lugares e vista para a Savana Africana ou tomar um descan-

JORNAL DE ABRANTES / Março 2019

/ BARK – Biopark Barquinha é a concretização de um sonho de João Paulo Rodrigues.

“O BARK vai ser construído entre a A23 e a A13, a norte do centro de negócios de Vila Nova da Barquinha”

“Esperamos que o BARK seja o melhor bioparque, se não da Europa, do mundo”, afirma João Rodrigues”.

so e disfrutar da experiência de dormir envolto de natureza no hotel de quatro estrelas com 130 quartos. O BARK conta ainda com outros equipamentos de apoio como um anfiteatro de 1000 lugares, estacionamento para 397 veículos, um centro pedagógico e uma clínica veterinária. Pedro Costa, arquiteto envolvido no projeto, destaca que a “ambição é enorme” e que as infraestruturas vão “todas elas ser concebidas numa lógica de projeto ecológico, sustentável, renovável, reciclável e acessível, nas melhores práticas de projeto e de construção que a Europa tem para oferecer”, com a preocupação do planeta sempre presente: até “a reciclagem de resíduos será feita dentro de um ciclo biológico e natural dentro do parque”. Em declarações ao JA, o Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha mostra expectativa no projeto e admite que será, em termos económicos “uma mais-valia para todos os concelhos limítrofes porque permite alocar investimentos significativos”. Fernando Freire admite estar a par do projeto e diz que a Câmara tem ajudado “nomeadamente na questão dos terrenos” e na alocação de “todos os meios técnicos para este projeto”. Mas porquê Vila Nova da Barquinha? De acordo com o promotor, é “o melhor local” para o bioparque, devido à sua localização estratégica: abundância de recursos naturais e do parque florestal, situada no centro do país, numa zona de baixa densidade urbana entre a A23 e a A13, a pouca distância de acessos importantes como a A1 e a estação do Entroncamento e perto de outras atrações como o Castelo de Almourol e o Convento de Cristo, em Tomar. Uma escolha que agrada ao autarca de Vila Nova da Barquinha, uma vez que o projeto representa um “investimento significativo no nosso território, e só temos que acolher de braços dados tudo o que é investimento em zonas de baixa densidade. É sempre, de facto, benéfico para as populações e para o território”, conclui. Ana Rita Cristóvão


REGIÃO / Vila Nova da Barquinha

/ Vila Nova da Barquinha “tem estado a crescer muito” em termos turísticos

Município adere à campanha StayOver Fátima-Tomar O Executivo da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, reunido a 13 de fevereiro, aprovou a adesão do município à campanha StayOver Fátima-Tomar. Trata-se de um projeto da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT), em parceria com os 13 municípios que a integram e a Turismo Centro – Entidade Regional de Turismo. Fernando Freire, presidente da Câmara Municipal, explicou que “o objetivo é que as pessoas fiquem no nosso território”. Para tal, além dos

municípios, “foram chamados unidades de alojamento, empresas de animação, restaurantes e agentes turísticos e comerciais” da região “no sentido de as pessoas que vierem e fiquem uns dias no nosso território”, terem determinados benefícios. Neste caso, “a entrada gratuita em espaços municipais ou que tenham componente de descontos municipais”. “Queremos cativar as pessoas, quer fiquem em Vila Nova da Barquinha, em Tomar, em Ferreira do Zêzere... que pernoitem pelo

mínimo de duas noites e depois funciona com um género de voucher que lhes dará acesso gratuito, no caso de Vila Nova da Barquinha, ao Castelo de Almourol e Centro de Interpretação Templário e também ao CEAC – Centro Integrado de Educação e Ciências”. A campanha StayOver Fátima-Tomar vai decorrer na primavera/verão de 2019, mais concretamente de 15 de abril a 15 de setembro, e vai ser apresentada na edição deste ano da BTL (Bolsa de Turismo de Lisboa), que decorrerá no mês de março. “Queremos mostrar a simbiose entre a restauração, a hotelaria e os municípios e com isso tentarmos que as pessoas permaneçam mais tempo na nossa região, prescindindo de algumas receitas para bem do território”. A adesão do Município à campanha StayOver Fátima-Tomar foi aprovada por maioria, com o voto contra do vice-presidente Rui Constantino e com a abstenção da vereadora do PSD/CDS-PP, Cláudia Ferreira. Quanto aos números de dormidas no concelho, com as novas unidades hoteleiras, Vila Nova da Barquinha “tem estado a crescer muito”. Dados de 2017 apontam para mais de 7300 dormidas e os números continuam a subir.

Lampreia e Sável “para comer e chorar por mais” A comemorar um quarto de século de existência, a mostra gastronómica “Mês do Sável e da Lampreia” está de volta ao concelho de Vila Nova da Barquinha. Pelo 25.º ano consecutivo, estes sabores únicos do peixe do rio podem ser apreciados, até dia 31 de março, à mesa dos 8 restaurantes aderentes

à edição deste ano. O festival promovido pelo Município de Vila Nova da Barquinha tem como principal objetivo difundir a cozinha típica e tradicional de um concelho banhado por três rios - Tejo, Zêzere e Nabão – e cuja história está intimamente ligada à atividade piscatória. Este ano, os visitantes que degustem nos restaurantes aderentes a lampreia e o sável poderão ganhar bilhetes para passeios de barco ao Castelo de Almourol e ao Centro de Interpretação Templário (CITA).

Patrícia Seixas

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REGIÃO / Vila Nova da Barquinha

“A arte contemporânea é necessária no interior do país” Nas quatro freguesias de Vila Nova da Barquinha surgem agora obras pintadas em paredes, assinadas por quatro artistas: Vhils, Manuel João Vieira, Violant e Carlos Vicente. É o projeto “Artejo”, resultado de uma parceria entre o Programa de Arte Pública da Fundação EDP e a Câmara Municipal. Assim se democratiza o acesso à arte em territórios de baixa densidade populacional. De roupa escura e cabelos longos, para trás, amarrados por um elástico, João Maurício trabalha na sua mais recente obra, na Praia do Ribatejo, em Vila Nova da Barquinha. Esse foi o nome que lhe foi dado à nascença, mas é conhecido por ‘Violant’, nome artístico que surgiu enquanto estagiava na Junta de Freguesia de Riachos, localidade de onde é natural. Hoje é ‘street artist’ já conhecido e também um dos quatro artistas que dão forma ao ‘Artejo’, projeto de arte pública naquele concelho. Era de tarde. Estava um dia “esplêndido para pintar”. O sol não brilhava, porém a temperatura era agradável e a chuva dava tréguas. Quem passava observava o artista a passar rolos de tinta pela parede da antiga escola primária, da Praia do Ribatejo, em Vila Nova da Barquinha, que lhe servia de tela. Vários habitantes da localidade iam caminhando por ali. Ao longe, apreciavam e tentavam entender a temática do trabalho, “fora do vulgar” e “maravilhoso”, elogiando também a iniciativa por parte do município. Do cimo de uma grua com seis metros de altura, que o ajuda a alcançar as partes mais altas dos murais, Violant tinha já uma imagem bem composta, com uma mulher em casa, com o seu bebé ao colo e o seu filho mais velho, de

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pé, segurando-lhe as saias. Do seu lado direito, numa cadeira estavam pousadas uma vestimenta militar e uma moldura com a fotografia do seu marido. Violant explica: “Nesta imagem, queria dar destaque às mulheres que aguentavam cá o «barco», a casa, os filhos e tudo o que importava, enquanto os maridos iam lutar pelos interesses da Pátria. É a história de uma viúva e imita aquelas fotografias antigas que se tiravam com todos presentes na casa. Aqui a ausência do marido está representada pelo retrato e pela farda.” Aquele edifício dará lugar a um Museu Militar e, por isso, a temática da obra foi escolhida em função da circunstância. Mas, ao contrário do que acontece noutras situações, neste projeto que resulta de uma parceria entre a Fundação EDP e a Câmara de Vila Nova da Barquinha, os artistas não estão sozinhos no processo de criação. Uma das características do Artejo é que há sempre um envolvimento da comunidade. Carlos Vicente, o responsável pelo projeto, conta que se fizeram assembleias comunitárias com a população e com os quatro artistas, que foram “beber informação” às pessoas das freguesias. Tudo porque as obras “devem ter uma relação histórica e cultural com a Barquinha”. Mas também porque é “fundamental integrar a comunidade para ser um projeto dela e não só deste ou daquele artista, para as pessoas sentirem que isto também é delas”. Noutras circunstâncias, Violant prefere pintar e criar a partir da sua própria vontade e do seu estado de espírito. Tenta escolher locais abandonados, como barracões ou edifícios em ruínas, isolados de tudo e de todos, para usar os seus materiais “sem incomodar ninguém”. Define a sua atividade como “uma terapia” e uma “forma de se expressar” a partir de uma coisa que gosta de fazer. O gosto de Violant pela arte de rua surgiu por influência de artistas internacionais e por “tropeçar” naquele estilo de pintura, depois de ter começado a fazer “uns rabiscos em papel um pouco tarde, a partir

JORNAL DE ABRANTES / Março 2019

/ Carlos Vicente, coordenador e artista do ‘Artejo’, é a alma do projeto

/ As intervenções são dos artistas mas a população foi envolvida desde o início dos 17 ou 18 anos”. Inicialmente, pintava paredes com spray – técnica mais utilizada pelos grafiteiros – mas ao começar a desenhar as paredes “à mão livre”, deu-lhe “coragem para continuar e virar para a tinta plástica” em vez das tintas em lata. As mãos cobertas de salpicos multicolores, de quando em quando escondidas dentro do casaco de inverno verde-tropa, retratam bem as horas e os dias que passa dedicado às suas obras. Da estrada,

aponta para a empena colorida de tons acastanhados e diz: “À medida que vou pintando, mudo muitas vezes as coisas. Ainda não sei se vou deixar ali o prato ou se o mudo de sítio… Sim, costumo alterar muitas vezes os «pratos» de lugar nas pinturas que faço até as assinar.” O ‘street artist’, que conta com vários trabalhos feitos em todo o país e “um ou dois” lá fora, partilha muitas das suas obras nas redes sociais. O convite para fazer parte deste projeto será certamente uma

forma de o seu trabalho ganhar outra dimensão. Carlos Vicente reconhece que os artistas que “andam a fazer coisas escondidos no meio do mato e em barracões velhos” têm, neste contexto proporcionado pela Fundação EDP, a oportunidade de adquirem “alguma visibilidade” através do seu trabalho e, depois, serem depois “reconhecidos” pelas pessoas. Para além de quatro trabalhos de Violant e de quatros trabalhos de Carlos Vicente, o Artejo conta com a participação de um nome grande da arte pública – Vhils – e de um outro nome importante do panorama artístico português – Manuel João Vieira. Por todo o concelho são já visíveis os seus trabalhos, que dão cor a vários edifícios públicos e (alguns) privados. No dia 17 de maio será inaugurado um percurso que facilitará a vida de quem quiser conhecer e compreender as obras. Uma das obras de Carlos Vicente é a “Nau Catrineta”. Esta intervenção deu novas cores ao depósito de água da Avenida dos Plátanos e tem a colaboração dos alunos do Centro de Estudos de Arte Contemporânea (CEAC), frequentado tanto por “artistas conceituados” como por “pessoas que procuram aqui um hobby”. Outra das suas obras representa as mãos dos barqueiros, que transportavam pessoas de um lado para o outro do rio. Aliás, o seu avô foi um desses últimos barqueiros do Tejo. Marina Honório, vereadora da Cultura da Câmara de Vila Nova da Barquinha, acredita que “a arte contemporânea é necessária nas áreas do interior do país, pois permite dinamizar as zonas mais rurais e é uma forma de intervenção social”. Acrescenta ainda que a arte “permite-nos olhar o mundo de uma outra forma” e “pode alertar-nos para certos problemas sociais, políticos e económicos”. Aliás, pelo menos uma das obras de Violant tem uma clara ligação com o atual momento económico do país. Através das obras projetadas nas várias freguesias, Marina Honório espera que este projeto de arte pública seja dinamizador e que traga aos vários locais do concelho “turistas que se interessem por este tipo de arte, atraindo novos públicos e projetando o território da Barquinha” a nível nacional. Sem nunca esquecer a população local. Maria de Lurdes Matos tem 67 anos e passa todos os dias no edifício onde Violant está a finalizar a sua obra. “Eu acho que isto é maravilhoso. No dia que ele começou a fazer os primeiros traços, as pessoas falavam que estava ali um homem a fazer barulho.” Curiosa e “sorrateira”, aproximou-se. “Comecei a ver os primeiros traços e disse a ele que de lá ia sair uma granda... Dois dias depois ficou impecável!” Rafael Grau


ESPECIAL / Empresas / Abrantes

Jorge Batista e Carlos Pombo são primos, naturais de Casais de Revelhos, Abrantes, e dois corajosos empresários que em maio de 2007 iniciaram a empresa Abrancongelados, Produtos Alimentares, Lda. Com uma faturação anual de mais de 9 milhões de euros (ME), com 65 colaboradores e um investimento de 2 ME para expansão da unidade fabril, a Abrancongelados é hoje um exemplo de sucesso empresarial no concelho de Abrantes e na região do Médio Tejo. Estão a assinalar 13 anos de existência e o arriscar foi uma das premissas que levou os dois empresários a seguir em frente com o negócio. Ambos trabalhavam numa empresa do ramo e foram as dificuldades sentidas que os fizeram sair do local de trabalho e constituir a sua própria empresa. “Na altura, a empresa onde trabalhávamos começou a ficar com dificuldades e nós tínhamos duas hipóteses: ou íamos trabalhar para outro lado, ou fazíamos a nossa própria empresa”, referiu Jorge Batista, dando conta que decidiram avançar e que de facto “foi um risco”. Um risco que assumiram. O investimento inicial foi de cerca de 100 mil euros. Começaram somente os dois com o apoio de um funcionário, que ainda se encontra, num armazém “pequeno” e numa altura em que o país estava às portas da crise económica. “Éramos apenas um entreposto. Atualmente, somos uma empresa que produz e transforma pescado e que também é entreposto”, salienta Carlos Pombo, explicando que a Abrancongelados hoje “transforma o peixe congelado e, depois, entrega o produto a todo o tipo de cliente, desde as grandes superfícies, mini mercados, instituições, restaurantes, todo o tipo de estabelecimento que possa existir”. Normalmente, o produto chega inteiro à Abrancongelados, depois é separado, cortado à posta e colocado em saco, “como aparece no supermercado”, salientou Jorge Batista. O pescado provém de várias par-

tes do mundo, desde o Vietname, a China, a Argentina, mas é sobretudo em Espanha que se encontram “os maiores armadores de peixe”. Já os clientes estão espalhados pelo país, mas também lá fora. Conta Jorge Batista que as entregas são realizadas “nos distritos de Santarém e em parte no distrito de Lisboa, Leiria, Castelo Branco, Coimbra, Portalegre e Évora”. E é o pequeno, médio e grande comércio, em concreto duas marcas de grandes superfícies, que recebem o pescado da Abrancongelados. Portanto, são várias as carrinhas que transportam o produto com a chancela da empresa. Lá fora, a exportação do pescado incide para Espanha, México, França, Alemanha e também China. “São armazenistas, que não trabalham com caixinhas, mas sim com paletes e contentores de grandes quantidades”, explicou Carlos Pombo. Quando a empresa assinalou os 10 anos de existência anunciou uma possível expansão para Timor. Contudo, “o projeto está parado”. “Infelizmente, o Governo timorense é muito instável. Não há propriamente uma certeza do que se pode contar e depois temos a distância. Estou a falar de vinte e quatro horas de viagem. Para fazermos uma fábrica lá, teríamos de deslocar recursos, o que não seria fácil”, lamentou Jorge.

Fotos: Carolina Ferreira

Abrancongelados anuncia expansão e é hoje uma empresa de referência

/ Carlos Pombo e Jorge Batista são os responsáveis da empresa.

“É preciso trabalho, mas também um bocadinho de sorte” Para além do pescado, dos moluscos e do marisco, a Abrancongelados também entrega outro tipo de produtos alimentares. Em concreto: bolos e as mais variadas sobremesas, legumes pré-cozinhados e salgados. Carlos Pombo refere que são “complementos”, sobretudo procurados pelo comércio de menor dimensão. Como as encomendas não param, a empresa terá necessidade de aumentar a sua área. Em concreto os dois lotes que estão contíguos à atual estrutura já foram comprados e Jorge e Carlos

perspetivam iniciar a obra muito em breve. Os novos espaços servirão para “armazenagem e produção”. Pois, estão “a rebentar literalmente pelas costuras”. “Neste momento, não temos capacidade de resposta para o trabalho que temos”, confessou Jorge Batista. “Quando chegámos à zona industrial, pela primeira vez, pen-

Os novos espaços servirão para “armazenagem e produção” .

sávamos para que é uma coisa tão grande? E agora, reconhecemos, para que é uma coisa tão pequena?” (risos). Ao longo dos anos, a Abrancongelados já recebeu em 2014 e em 2015 o estatuto PME Líder e é uma “empresa amiga do ambiente”. Carlos Pombo avançou que a frota dos carros comerciais será renovada para carros a gás e a separação dos resíduos é uma constante, havendo um trabalho de estreita parceira com a Valnor. Para além da responsabilidade ambiental, na Abrancongelados há também uma preocupação social. Através de um protocolo estabelecido com o CRIA, colaboram na empresa cerca de quatro utentes da instituição em regime de estágio. O segredo para o sucesso alcançado está no esforço e dedicação. “Há treze anos que vimos para aqui muitos dias às seis da manhã e saímos daqui às nove, dez, onze da noite e quando não é mais tarde. Não temos sábados, nem temos feriados. Basicamente, a nossa vida foi dedicar-nos a isto desde que começámos”, salientou Jorge Batista, considerando que “é preciso trabalho, mas também um bocadinho de sorte”. Já Carlos Pombo confessou que “algumas pessoas certas ajudaram-nos a fazer algumas coisas, o que originou que o negócio também fosse correndo. Depois, temos os nossos funcionários, também eles importantes”. Quanto a objetivos futuros, ambos destacaram o caminho da exportação, como também o finalizar da obra anunciada no final de 2019 ou, no limite, no início de 2020. Joana Margarida Carvalho

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ESPECIAL / Empresas / Vila de Rei

//VIDROREI

“Quero crescer mais um bocadinho. Vamos ampliar as instalações porque o espaço já é pequeno”

/ “Temos o fabrico de vidro duplo, com o produto certificado, que é sempre uma mais-valia” A Vidrorei – Sociedade Transformadora de Vidros e Espelhos está instalada na Zona Industrial de Vila de Rei. “Começou com cinco sócios. Trabalhávamos todos na mesma empresa [já no ramo do vidro] e, em 1995, decidimos todos sair”, começa por contar Carlos Pereira, o administrador da VidroRei. “Neste momento, estou sozinho. Uns reformaram-se, outros quiseram vender e agora sou só eu, como era o mais novo…” Carlos Pereira tem 55 anos e é natural de Tomar. “A ideia de virmos para Vila de Rei foi fugir a uma zona onde havia algumas vidreiras e estarmos num sítio central. Foi a localização que nos trouxe até Vila de Rei pois estamos perto de Abrantes, estamos perto

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da Sertã, estamos no centro”. A VidroRei foi criada em 1995 “mas eu comecei no ramo do vidro em 1982”. A empresa trabalha em tudo o que seja vidro, “só vidro. Não trabalhamos em caixilharias nem nada disso, só fornecemos os caixilheiros de alumínio. Fazemos montagens de divisórias, espelhos, decoração… e depois temos o fabrico de vidro duplo, com o produto certificado, que é sempre uma mais-valia e é o grosso do nosso trabalho”. Para além da fábrica, “também temos uma loja na Sertã, com venda direta ao público”. “Os nossos principais clientes são os serralheiros de alumínio, que são quem consome a maior parte do vidro. Depois fazemos o

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processo todo até ao cliente final, desde a pessoa que quer um resguardo de banheiro ou um espelho…” Carlos Pereira explica que o produto que fabrica fica quase todo no mercado nacional. Contudo, “sei que vendemos alguma coisa para fora. Muitas vezes para os serralheiros, que eles é mandam os vidros já encaixilhados. Isto no que se refere ao vidro duplo. Sem ser o vidro duplo, sim, fornecemos algumas coisas. Andámos recentemente numa obra na Alemanha”. Para além da Alemanha, também fornecem algum produto para França. Quanto ao vidro que utilizam, esse também tem que vir de fora porque “infelizmente, não há vidro nacional”, revela. O vidro

vem “de Espanha, da França, da Bélgica, da Holanda… menos de Portugal. Todo o vidro que está em Portugal não se fabrica cá”, lamenta Carlos Pereira que conta que, “apesar de não ter a certeza do que vou dizer, já me garantiram que os produtos de maior qualidade, o vidro melhor, vem buscar a matéria-prima aqui à Marinha Grande. Portanto, nós temos a matéria-prima mas não fabricamos. Cá, só se transforma”. A Vidro Rei conta com 19 trabalhadores, tem um volume de faturação anual “à volta de 1 ME” e tem por onde crescer. Pelo menos, é essa a intenção de Carlos Pereira. “Quero crescer mais um bocadinho. Vamos ampliar as instalações porque o espaço já é pequeno

e está todo ocupado. Para além de ganharmos melhores condições, também tenho aí outras perspetivas”. Carlos Pereira adquiriu o pavilhão ao lado da VidroRei e é para lá que vai expandir. A aposta na qualificação também é fator importante na empresa. “Os funcionários que trabalham aqui, são todos formados aqui” pois, como explica, “quando começámos, os cinco sócios, já todos tínhamos experiência. Então, nunca colocámos ninguém que já estivesse relacionado com o ramo. As pessoas vêm para cá, aprendem aqui e vão ficando”. Todos os funcionários são do concelho de Vila de Rei, sendo esta uma das empresas com um maior número de colaboradores. Quanto à mão-de-obra, Carlos Pereira conta que “depende das alturas. Há vezes em que é difícil e outras em que temos pessoas a virem cá oferecerem-se mas sempre se vai arranjando. Mão-de-obra qualificada é que não há. Somos nós que os formamos”. Segundo o site da empresa, a VidroRei possui um conjunto de profissionais com larga e reconhecida experiência no sector do vidro. Com a aposta na ampliação, vai surgir a oportunidade de criar “mais dois ou três postos de trabalho”, é a pretensão de Carlos Pereira. O fator interioridade, apesar de ter sido essa a aposta inicial, “tem um senão”. Carlos Pereira revela que “fazemos muitos quilómetros. Por mês, gastamos na ordem dos 900 a 1000 litros de gasóleo porque somos nós que fazemos as entregas visto ser um produto que não podemos mandar por uma transportadora. Temos sempre que nos deslocarmos para trabalhar até porque é tudo para fora. Aqui, em Vila de Rei, nem sei se chega a 1% do nosso negócio”. A VidroRei atua numa área de cerca de 200 quilómetros a partir de Vila de Rei. “Chegamos a Lisboa, Coimbra, Castelo Branco, Portalegre... basicamente os distritos à nossa volta”. As novas tecnologias também são alvo de atenção pois a VidroRei “investe e continua a investir em novas tecnologias. Atualmente possui uma estrutura caracterizada pela capacidade de produção e competências”, pode ler-se na página da empresa na internet. “Vão sempre surgindo novas formas de transformar, o nosso corte é, basicamente, todo automático”, explica Carlos Pereira. A empresa e o ramo de negócio tem, ao que tudo indica, o futuro assegurado. “Já tenho os meus dois filhos a trabalhar aqui para ver se tomam o rumo disto, se quiserem, claro”, conclui Carlos Pereira. Patrícia Seixas


ESPECIAL / Empresas / Sardoal

//SARPNEUS

“Tive um bocado de medo no princípio mas, felizmente, tem corrido menos mal”

“primeiro porque os terrenos eram mais baratos do que na Zona Industrial de Abrantes, em segundo, porque era no meu concelho e, em terceiro, devido à localização”. No entanto, confessa que “tive um bocado de medo no princípio mas, felizmente, tem corrido menos mal”. Em Sardoal, a Sarpneus já conta com “p'raí 15 anos mas, no início, eu vim para aqui e o meu filho continuou em Alferrarede” ainda por uns tempos. E Sardoal continua a ser uma aposta ganha. “Alguns clientes vêm de longe mas a maior parte é da região porque ficamos aqui no centro. Está perto de Vila de Rei, Abrantes, Mação, Mouriscas, Fontes...” Para além da venda de pneus, a Sarpneus “também faz alinhamentos de direção, faz algumas reparações, muda óleos, pastilhas, vende baterias mas em área da mecânica não temos muito porque também não temos tempo”.

Na Sarpneus há sete trabalhadores “a contar comigo, mas eu já não faço nada”, afirma, bemdisposto, David Bento.

Quanto aos pneus que vende, “é tudo importado. É que em Portugal só há a fábrica da Continental, que faz Continental e Mabor mas esses pneus não se vendem cá. Esses vão para fora e os de lá vêm para cá. Não sei porquê mas é à boa moda portuguesa”, diz David Bento, rindo.

Como em todos os negócios, “há dias bons e dias menos bons” mas “há sempre movimento”. Devido à localização da empresa, junto a um Centro de Inspeção Automóvel, a máquina de “alinhamento de direção está praticamente todo o dia a trabalhar”. E esse foi um investimento recente pois também é preciso estar atento às novas tecnologias. “Ainda há dias comprei uma máquina de alinhar que me custou 40 e tal mil euros mas também não há nenhuma melhor do que aquela. Faz um trabalho rápido e bem”. Na Sarpneus são sete trabalhadores “a contar comigo mas eu já não faço nada”, afirma, bem-disposto. - Então são seis mais um?, questionamos. E ouve-se uma sonora gargalhada: “É isso mesmo, seis mais um”. Contudo, esta não vai deixar de ser uma empresa familiar pois a filha Andreia, o filho Tiago e o gen-

ro Carlos já gerem o dia-a-dia da Sarpneus. “Será para continuarem se eles quiserem e conseguirem”. Os restantes funcionários, dois são do concelho de Abrantes e um de Sardoal e “são suficientes, ou melhor, uns dias chegam e outros não chegam mas nesses dias têm que trabalhar mais depressa e os clientes têm que esperar um bocadinho”. A Sarpneus tem um volume de faturação de cerca de 1ME mas, como acontece quase em todo o lado, “o livro dos calotes também existe”. “Principalmente nos camiões é um problema muito grave. Não pagam, depois abrem falência e nunca mais sabemos deles. Esquecem-se que nós temos que pagar esses pneus”. No entanto, as portas da Sarpneus continuam abertas e David Bento sempre vai aparecendo por lá para “deitar o olho”. Patrícia Seixas

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A Sarpneus - Comércio de pneus, Lda, está implantada junto à Estrada Nacional 2, na Zona Industrial de Sardoal. Mas a história desta empresa começa antes, num local e num concelho ao lado. Começou a trabalhar aos 16 anos, na recauchutagem que o pai, Joaquim Bento, tinha na Rua da Estação, em Alferrarede. “Na altura, o meu pai tinha um sócio e quando eu vim da tropa, comprei a parte do sócio e fiquei a trabalhar com o meu pai. Mas foi durante pouco tempo, uns três ou quatro anos, porque o meu pai já tinha 60 e tal anos”, começa por nos recordar David Bento, de 65 anos, proprietário da Sarpneus. Da recauchutagem à venda de pneus, “foi logo a seguir. Deixou de compensar fazer esse serviço e enviávamos para as recauchutagens grandes pois era muito trabalho para se ganhar pouco dinheiro”, diz David Bento com humor. Mas nem tudo foi fácil... “Na Rua da Estação estive muitos anos. Estive até que as instalações arderam, já nem sei em que ano mas já foi há 18 ou 19 anos. Atiraram lume lá para dentro e aquilo ardeu tudo”, conta. - E tinha seguro? “Havia um segurozeco, ainda recebi qualquer coisa mas não chegou nem para metade”, desabafa David Bento. Não desistiu, permaneceu em Alferrarede, “no Largo do Cinema, mas tive que comprar máquinas novas, pneus novos para vender... O importante é que venci e, ao fim de oito dias de aquilo ter ardido, já eu estava a trabalhar”. E por lá se manteve mais uns anos “até pensar fazer isto aqui porque lá o espaço não era muito e já precisava de outras condições”. Natural de Alcaravela, optou pela Zona Industrial de Sardoal

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ESPECIAL / Empresas / Vila Nova da Barquinha / “Os nossos colaboradores não são nossos empregados, são nossos amigos” - Joaquim Ferreira

Oceanfolio onde a “arte de saber lavar” e a tecnologia fazem milagres A aventura começou no ano de 2010, em Fátima, para Joaquim Ferreira e Gonçalo Rodrigues. Mas hoje, é na zona industrial de VN da Barquinha que tem sediado a empresa Oceanfolio, que se dedica à comercialização de produtos e equipamentos para a higiene e limpeza. Numa área de mercado com forte concorrência, o que difere a Oceanfolio das demais empresas do setor é a associação da componente tecnológica com a “arte de saber lavar”, confessa em entrevista ao JA Joaquim Ferreira. O empresário, de 51 anos, natural de Santo Tirso, mas agora residente em Torres Novas, é um dos diretores da empresa e também comercial. Já Gonçalo Rodrigues, engenheiro químico, ocupa-se da gestão e das questões mais técnicas do ramo. Os produtos sanitários com doseamento automático, os túneis de lavagem, os detergentes ou outros produtos mais específicos, fazem parte do portefólio da empresa, mas não só. Joaquim Ferreira refere que a especialidade da empresa está também centrada na “questão tecnológica”, ou seja na colocação de doseadores automáticos informati-

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zados nas lavandarias. “Nós fazemos a colocação desse equipamento e o cliente adquire os nossos produtos. Depois, ainda fornecemos todo o apoio técnico”, afirma o responsável, avançando que “com o doseamento automático há poucas empresas a trabalhar. Nós avançámos uma vez que o meu sócio teve formação e domina bastante a área”. Para além da sua marca própria e de outras com quem trabalha, a Oceanfolio é distribuidora exclusiva dos produtos de limpeza e higiene da marca Induquim, que tem sede em Madrid. Explica Joaquim que a Induquim tem evoluído imenso na lavagem de roupa, “com mais qualidade e menos agressividade, para que a roupa possa durar mais tempo”, incorporando no processo de lavagem “uma componente mais ecológica” e menos onerosa. “Temos lavandarias [de clientes] a lavar 20 toneladas de roupa por dia. E quando falamos de lavandarias industriais, estamos a falar de pessoas que têm a preocupação de querer lavar bem, mas também querem lavar por um preço aceitável

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porque, de facto, o mercado é feroz”, salienta o empresário. Os principais clientes estão na região Centro, em Lisboa, mas também no Algarve, onde a Oceanfolio trabalha com unidades hoteleiras, de restauração e demais instituições ou industrias. “Tanto trabalhamos com um hotel de duas estrelas como com um de cinco. Tanto trabalhamos com um hotel com vinte quartos, como

com um de dois mil. O hotel que tem vinte quartos tem de lavar a roupa e o de dois mil também tem”, afirma Joaquim Ferreira, explicando que o foco da Oceanfolio não é o negócio do supermercado e o doméstico, é a componente profissional e industrial. Por isso, a empresa trabalha diretamente “com lavandarias que lavam toneladas de roupa por dia. E quando introduzimos o nosso equi-

pamento de doseamento automático, temos o elemento diferenciador”. Com uma faturação anual que ultrapassa 1ME, é nos 15 colaboradores que a Oceanfolio centra também as suas atenções. “A diferenciação do nosso serviço está nos nossos colaboradores, que são espetaculares. São os melhores colaboradores que qualquer empresa pode ter. São excelentes e ajudaram-nos sempre”, disse convicto Joaquim, acrescentando que a filosofia da empresa “assenta muito nas pessoas, que não são números, são pessoas”. “Os nossos colaboradores não são nossos empregados, são nossos amigos”, vinca o responsável, explicando que o objetivo passa por “ver os nossos clientes satisfeitos, mas primeiro queremos que os nossos colaboradores estejam satisfeitos. Eu tenho a certeza que quando os nossos colaboradores estão satisfeitos, eles encarregam-se que os nossos clientes fiquem também satisfeitos. Portanto, com colaboradores felizes a casa só pode estar bem ”, considera o empresário. A Oceanfolio vai brevemente adquirir um novo lote contiguo à atual estrutura para aumentar as instalações. O objetivo é criar no novo espaço um laboratório que incorporará também uma sala para formação. “O laboratório servirá para que quando um cliente tenha um problema numa roupa, numa toalha, num turco ou num lençol, nós possamos ter a capacidade de estar aqui, desmontar o problema e encontrar a solução”, explica Joaquim, dando conta que no novo espaço a Oceanfolio quer “encontrar soluções com um menor custo associado e de preferência doseado porque fica sempre mais económico”. Quanto ao nome de empresa, o gestor conta que foi “um nome que surgiu. Ambos gostamos do mar, e fazer uma empresa nem sempre é fácil em termos de nomes, e então juntámos o termo folio [portefólio de produto] e, assim, ficou”. Sobre o crescimento da empresa, Joaquim Ferreira refere que “a preocupação assenta muito na componente de haver 10% de crescimento orgânico e de haver 10% de crescimento com a inovação, ou seja com uma representação nova, com um produto que seja diferenciador”. A internacionalização também é outro objetivo, sobretudo para os países nórdicos, como a Noruega, Suécia, Finlândia, Dinamarca ou Suíça. “A internacionalização não é uma coisa que se faça assim de um dia para o outro. Já tivemos oportunidade de partir para os mercados de língua portuguesa. Decidimos não ir, e ainda bem que não o fizemos, porque temos amigos que o fizeram e tiverem problemas e dificuldades. Aqui estamos a crescer devagarinho e estamos no bom caminho”, remata. Joana Margarida Carvalho


ESPECIAL / Empresas / Mação

//INDÚSTRIAS VIP

“No mínimo, produzimos 30 a 40 mil velas por dia” Não é uma daquelas histórias de vida em que parece que basta tomar a iniciativa e tudo corre sobre rodas. O início da Indústrias VIP – Velas e Ceras, é atribulado e recheado de momentos marcantes. Só a perseverança e o espírito lutador de Sérgio Martins fazem com que esta história seja possível e que seja, afinal, uma história de sucesso. Hoje com 46 anos, é o administrador da Indústrias VIP, a fábrica que construiu com a esposa e que está implantada na Zona Industrial de Cardigos, no concelho de Mação. A escolha por este setor das velas vem dos tempos do pai, retornado de Angola, que regressou a Cardigos e ficou com 10% de uma das mais antigas fábricas de velas da freguesia. Com a morte do pai, Sérgio Martins e um amigo pegaram na fábrica e diz, com orgulho, que “a fábrica que eu comprei é de 1850, era a fábrica dos Tavares, que foi das primeiras fábricas de velas em Portugal”. A fábrica evoluiu, fez uma candidatura a fundos europeus mas, “como só fazíamos aquele tipo de velas para Fátima, o mercado tornava-se muito curto. Na altura, começaram a surgir as velas para cemitérios e ninguém fazia isso”. Foi essa mudança de produção e a candidatura aprovada, que levaram os dois amigos até Vila de Rei, pois “ainda não havia zona industrial em Cardigos”. Em Vila de Rei, “tive um incêndio na fábrica, em 2001, e ardeu por inteiro. Não tinha seguro, não tinha nada”. - Foi começar do zero? “Não, foi do menos zero porque tinha empréstimos. Esses não arderam”, diz, com bom humor. Mas não perdeu a esperança e “montei outra fábrica no Vale da Urra, que foi onde encontrei um pavilhão para alugar”. Passados cerca de cinco anos, “aquilo não tinha grandes condições” e... imagine-se, “voltou a arder”. “Já estava para montar outra fábrica mas depois do incêndio, parei”. E é aqui que regressa ao ponto de partida: Cardigos. Primeiro, “para as instalações de um amigo meu mas onde não tinha máquinas, não tinha nada. Só uma maquineta. Foi mesmo só

/ A primeira vela produzida na fábrica de Cardigos, a 22 setembro de 2008

/ Sérgio Martins e a mãe, “a melhor funcionária que eu tenho”

para manter a atividade e não dizerem que me tinha ido embora”. Foi quando a Câmara Municipal de Mação começou a construir a Zona Industrial “e me deram todo o apoio para que aqui se instalasse a fábrica. Pouco a pouco, fomos construindo isto, tudo com fundos próprios. Peguei em máquinas velhas que tinha e comecei a re-

cuperá-las pois as máquinas de velas são muito caras, qualquer linha de produção custa 200 mil euros”. Começou a laborar em 22 setembro de 2008 e, para o comprovar, está lá a primeira vela ali produzida, em destaque na prateleira. Na Indústrias VIP, “só produzimos velas de cemitério”. Os copos

onde são inseridas, “alguns são portugueses mas o grosso vem de Espanha”. “Há 12 tipos de velas”, explica Sérgio Martins. “Depende da cor do copo, se é para meter ou não num candeeiro de vidro mas tudo para a secção do cemitério. Eu dediquei-me apenas a este setor”. Quanto à matéria-prima utilizada, a parafina, um sub-produto do petróleo, “é comprada à Repsol portuguesa mas vem toda de Espanha e de França”. Sérgio Martins adianta que “fazemos muito boas parafinas cá em Portugal mas são muito caras e, para este tipo de velas, que é um segmento baixo, não carece de tanta qualidade”. Quanto aos clientes, “90% é de Coimbra para cima porque a tradição dos cemitérios está mais enraizada no norte do país”. E isto parece ter uma explicação. “É que no norte, os cemitérios ainda estão ao lado das igrejas. A sul isso já não acontece porque os árabes, quando cá andaram, colocaram os cemitérios fora das localidades. E no norte, vão à missa e passam no cemitério. E se o meu vizinho

colocou duas velas, eu vou pôr três”, conta, com alguma graça. A venda é toda feita através de distribuidores e o produto é praticamente todo absorvido pelo mercado nacional. “Exportamos para Espanha mas é residual, representa 1 a 2%”. A Indústrias VIP emprega 14 funcionários, sendo 12 da freguesia de Cardigos, e tem um volume de faturação de mais de 3ME. “No mínimo, produzimos 30 a 40 mil velas por dia, é a média anual” e é tudo escoado no mercado nacional. Em setembro e outubro, devido ao Dia de Finados, passa “para 60 mil por dia”. Mas nem tudo são rosas para quem aposta em investir no tão badalado “interior” do país. Primeiro, a questão técnica. Por perto, “não há quem faça e fica caro pedir assistência. Só a deslocação de um técnico, por vezes, fica mais caro do que a própria reparação da avaria. Por isso, apostei na contratação de um técnico em permanência. Também no que diz respeito à distribuição, nós estamos num dos setores mais caros”. Mas a fábrica de Cardigos “está a funcionar bem e, no que diz respeito a esta, vai manter-se assim”. No futuro, que pode não estar muito longínquo, a intenção poderá passar pela aposta “no decorativo, como enchimento de vasos de cerâmica ou terracota, velas com cheiros... mas, para já, ficamos pelas velas”. Contudo, há novidades na Indústrias VIP. Sérgio Martins lá conta que “nós somos a maior fábrica de produção de velas de cemitério. A nível nacional e da Península Ibérica, somos a maior neste segmento. E comprámos a segunda maior, na Maia. Uma fábrica que, para além destas velas, tem outros modelos e de qualidade superior”. Esta compra significa que a produção das velas de gama baixa “vai ser toda transferida para Cardigos” e que, em breve, haverá lugar para mais postos de trabalho na Indústrias VIP. “Contratar ou mecanizar, ainda teremos que decidir”, avança Sérgio Martins. E explica que “contratar, nesta zona, está muito difícil. Não há mão-de-obra aqui e mão-de-obra qualificada, esqueça!” E esta é outra das críticas do administrador, desta vez direitinha ao Estado. “Nem no IEFP conseguimos porque o Estado antes quer estar a pagar os subsídios do fundo de desemprego para as pessoas não fazerem nada, do que o dar às empresas. O que o Estado devia fazer era colocar as pessoas nas empresas, com os ordenados que tinham e, em caso disso, pagar o remanescente. Mas não. O nosso Estado tem muito dinheiro”. Patrícia Seixas

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ESPECIAL / Empresas / Constância

//PISTELLI ENGENHARIA

Onde as soluções de armazenamento se encontram

/ Rui Lopes foi o primeiro colaborador da empresa, hoje é o diretor geral. radores, sendo Rui o primeiro. Hoje, tem à sua responsabilidade 22 profissionais do concelho de Constância, mas também dos concelhos limítrofes. “A economia está cada vez mais dinâmica. Sentimos que o negócio está a crescer e já chegámos a perder um negócio para a concorrência porque não tínhamos capacidade de resposta e já ganhámos outros negócios porque também verificámos a falta de capacidade de resposta ”, disse. Os principais clientes estão em Portugal, mas o mercado espanhol também tem sido um foco, bem como a tentativa de chegar a outros

Fisabrantes

Centro de Fisioterapoia Unipessoal, Lda. Médico Fisiatra Dr. Jorge Manuel B. Monteiro Fisioterapeuta Teresinha M. M. Gueifão

Terapia da Fala Dr.ª Sara Pereira Psicóloga Clínica Aconselhamento

Ana Lúcia Silvério

Audiologia / aparelhos auditivos

Dr.ª Helena Inocêncio

Acordos: C.G.D., SAMS, PSP, SEGUROS, PT - Consultas pela ADSE -------------------------------------------------Telef./Fax 241 372 082 Praceta Arq. Raul Lino, Sala 6, Piso 1 - 2200 ABRANTES 18 JORNAL DE ABRANTES / Março 2019

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Rui Lopes, tem 46 anos é natural de Santa Margarida da Coutada e é o diretor geral da empresa Insuflar, responsável pela marca Pistelli Engenharia, com sede na zona industrial de Montalvo, Constância. A Pistelli Engenharia é propriedade de Hélio Pistelli, administrador brasileiro, que iniciou este tipo de negócio há 40 anos em São Paulo, Brasil. O responsável decidiu investir em Portugal em 1996 e a escolha recaiu pelo concelho de Constância em 1997. Conta Rui Lopes que o motivo prendeu-se “pela zona geográfica da empresa”. “Constância fica praticamente no centro do país. Foi o Município que facilitou a situação da compra do terreno, de criar aqui uma unidade fabril, numa altura em que a zona industrial estava a iniciar o seu desenvolvimento e esta foi uma das primeiras empresas a instalar-se”, referiu. A Pistelli Engenharia apresenta soluções inovadoras para aproveitamento de espaços e dedica-se ao fabrico e à montagem de estruturas em membrana (lona) e de toda a estrutura em aço que a acompanha, que passam pelas coberturas para a logística de armazenagem, às coberturas de campos desportivos e piscinas, do evento convencional, à mais arrojada obra arquitetónica. O aluguer deste tipo de estruturas é outro serviço prestado. Os clientes são diversos e passam pelas empresas do concelho, da região, mas também do país, como a NAVIGATOR ou a SONAE. “É uma área de negócio que está a crescer”, afirma Rui Lopes que recorda que, em 1997, a empresa arrancou com 7 colabo-

países. Mas para se chegar a esse objetivo da internacionalização, primeiro a empresa tem de consolidar o seu trabalho em Portugal, continuando “a corresponder ao cliente”. A resistência é um dos requisitos que a Pistelli tem em conta no tipo de pavilhões e tendas que aluga ou comercializa. Também a climatização dos equipamentos é outro fator a ter em conta. “Se for uma indústria alimentar requer um pouco de equilíbrio de temperatura, mas temos membranas específicas que fazem com que não hajam problemas ao nível da temperatura”. No entanto, “como qualquer armazém convencional, com uma estrutura amovível, a membrana por vezes condensa, mas para isso temos sempre solução, colocando ventilação de ar que resulta perfeitamente”, explicou o responsável. A Pistelli Engenharia vai aumentar brevemente a sua área na zona industrial de Montalvo, passando dos 2.800 m2 para os 4.500 m2. O motivo passa pela falta de espaço para armazenar o material. Explica Rui Lopes que como a empresa “trabalha com produto alugado, temos a devolução do produto e, para isso, temos de ter espaço. Para além disso, há cerca de um ano e meio, tivemos um aumento constante de produção o que faz com que tenhamos de investir em equipamentos. Temos aqui equipamentos que nem montados estão e, para isso, temos de aumentar a área”. Com o aumento da área fabril, perspetiva-se a contração de pelo menos mais de três pessoas. Este ano, a Pistelli já contratou mais um profissional, mas a tarefa do recrutamento não é fácil, pois reconhece Rui que não há profissionais especializados na área. “Na parte de serralharia existe alguma formação, mas no trabalho com a tela não. Que eu tenha conhecimento não há”, vincou. “Existe um nicho de mercado que ainda não explorámos que passa por fabricar para os nossos concorrentes. Nós ainda não o fazemos, pois não temos capacidade de resposta aos pedidos da indústria”, explica o diretor, dando conta que um dos objetivos “do aumento das instalações é criar uma equipa de duas ou três pessoas que se foque nesse tipo de trabalho”. Com trabalho contratualizado até 2022, a empresa faturou 1,3 ME no último ano, mas pretende aumentar este número em 10%. Portanto, as perspetivas futuras são as melhores. O seu grande objetivo é o crescimento da qualidade do seu produto e do serviço a ele agregado, satisfazendo cada vez mais as necessidades de seus clientes. Joana Margarida Carvalho


REGIÃO / Vila de Rei

Município define critérios de atribuição de incentivos fiscais às empresas do concelho O executivo municipal de Vila de Rei aprovou, na sua reunião ordinária de 15 de fevereiro, o projeto de Regulamento de Isenções de Impostos e outros Tributos Próprios, de forma a definir os critérios a adotar para a concessão de isenções totais ou parciais de impostos municipais para as empresas a laborar no Concelho. O regulamento aprovado visa criar um sistema de atribuição de pontos relacionado com o montante de investimento, postos de trabalho a criar, sede fiscal da empresa, idade dos promotores do investimento, prazo de implementação do projeto e volume de negócios, que definirá depois o montante de desconto ou mesmo isenção a atribuir às empresas. Estes apoios passam pela isenção total ou parcial do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), Imposto Municipal sobre Transações Onerosas de Imóveis (IMT) e Derrama (as empresas com sede fiscal em Vila de Rei têm já isenção de derrama e, com este regulamento, as empresas com sede fora do concelho e a funcionar em Vila de Rei podem também usufruir deste benefício). O incentivo a conceder será posteriormente formalizado por um Contrato de Investimento, a celebrar entre o Município de Vila de Rei e o beneficiário do incentivo, no qual se consignarão os direitos e deveres das partes, os prazos de execução e implementação, as cláusulas penais e a quantificação do valor dos incentivos concedidos. O presidente do Município de Vila de Rei, Ricardo Aires, afirmou que “este novo Regulamento vem estabelecer critérios vinculativos no apoio às empresas estabelecidas no concelho. A concessão destes incentivos de natureza tributária vem tornar o concelho mais atrativo ao empreendedorismo e à realização de investimentos económicos que viabilizem a criação de riqueza e a oportunidade de criar novas áreas de negócios e novos postos de trabalho”.

Aprovado por maioria em Assembleia Municipal O Regulamento seguiu para aprovação pela Assembleia Municipal e, em sessão ordinária realizada esta segunda-feira, 25 de fevereiro, na Biblioteca da Escola Básica e Secundária de Vila e Rei, levantou dúvidas por parte das bancadas. Hélder Antunes e Fátima Tavares, da bancada do PSD, mostraram ter dúvidas na redação do Regulamento com o deputado social-democrata a afirmar mesmo que “por ser um regulamento novo, pode ser sempre alvo de melhorias. Contudo, neste caso, não consigo em consciência, votá-lo favoravelmente”. Hélder Antunes considerou que “existem uma série de questões que me levantam dúvidas em relação à sua aplicabilidade e também em relação à justiça de alguns critérios”. Do lado da bancada socialista, Carlos Dias também mostrou ter dúvidas mas, “na essência”, concorda com o Regulamento. Quanto

O Município também vive de receitas e não podemos dar isenção para tudo” Ricardo Aires

A Abrantaqua informa que as obras do sistema intercetor e da ETAR dos Carochos foram candidatadas ao aviso Nº 12.2015.02 do PO SEUR – Operações que visam o cumprimento da DARU e obteve o respetivo financiamento, de acordo com o quadro seguinte:

à questão da redação do documento, o deputado alertou para que “não se confunda incentivos com benefícios”. O presidente Ricardo Aires voltou a lembrar que o documento é dinâmico e que conta com as sugestões de todos mas pediu para que não se esqueçam que “o Município também vive de receitas e não podemos dar isenção para tudo”. Colocado o ponto a votação, foi aprovado por maioria com três abstenções dos deputados do Partido Socialista e a abstenção de Hélder Antunes, do Partido Social-Democrata. A Assembleia Municipal de Vila de Rei aprovou ainda dois Votos de Pesar pelos falecimentos de Carlos Domingos (ex-presidente da Junta de Freguesia da Fundada e membro desta Assembleia) e por Carlos Tereso (funcionário do Município). Assembleia e público presente cumpriram um minuto de silêncio em memória dos falecidos.

Construção da ETAR dos Carochos e sistema intercetor Descrição da operação: Constução da ETAR dos Carochos e sistema intercetor Objetivos: Cumprimento da Diretiva Águas Residuais Urbanas (91/271/CEE) — investimento com vista à redução da poluição urbana nas massas de água de forma a assegurar a proteção do ambiente e das águas superficias dos efeitos nefastos das descargas residuais urbanas. Valor do investimento: 2.152.550,86€ Valor comparticipado pela União Europeia: 1.506.349,36€

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REGIÃO / Sardoal Loja do Cidadão comemorou 3º aniversário sa Loja tem vindo a crescer, e aqueles serviços que nós temíamos que saíssem, triplicaram o número de respostas da presença do Estado no nosso território”. O presidente referiu-se também à recente abertura do Gabinete de Apoio ao Emigrante que, “com pouco mais de uma semana, já teve uma quantidade de utilizadores, quase ao ritmo de um por dia”. No final, Miguel Borges mostrou o Livro de Elogios “que tem muitos mais elogios do que o Livro de Reclamações” tem de reclamações dos utentes “e, quando assim é, estamos satisfeitos”. Já Luís Goes Pinheiro começou por considerar que “este é um bom exemplo do que são os bons serviços públicos” e explicou que Modernização Administrativa são “todas as ações que tenham como consequência simplificar a vida das pessoas, criar um melhor ambiente para os negócios ou tornar a administração pública mais eficiente”. Para dar cumprimento a estes objetivos, o Secretário de Estado referiu que “tem sido feito um investimento muito grande na disponibilização de serviços online, de mais e melhor atendimento telefónico com a reabilitação do Centro

/ “Se nós queremos que o nosso Interior seja povoado, que tenha gente, temos que lhes dar qualidade e serviços” - Miguel Borges de Contacto da Segurança Social, com o Centro de Contacto do Serviço Nacional de Saúde, o SNS 24 que foi reformulado, a criação do Centro de Contacto Consular... mas não chega. Nós não podemos desistir de continuar a prestar bons serviços presenciais e este é um bom exemplo disso”. “Este esforço que tem sido feito desde que foram criadas as Lojas do Cidadão, já vai para 20 anos, mudou o paradigma pois antes os

Concurso de Pintura “À Descoberta do Mestre” tem candidaturas abertas Paulo Sousa

O Município de Sardoal vai promover uma vez mais o concurso de pintura “À Descoberta do Mestre”, cuja 3ª edição decorre este ano, subordinado ao tema “Novos Caminhos”. Informa o Município que a manifestação de intenção de participação no concurso deverá ser feita através do envio da ficha de candidatura até 31 de maio de 2019. O júri é composto por Laura Afonso, personalidade com estreita ligação ao panorama artístico nacional; Carlos Vicente, coordenador do Centro de Estudos de Arte Contemporânea de Vila Nova da Barquinha; e Rita Vieira, Doutorada em Belas-Artes – Desenho. Promovido pela Câmara Municipal de Sardoal, o concurso de pintura “À Descoberta do Mestre” pretende promover e divulgar a pintura enquanto recurso de expressão artística, estabelecendo uma estreita relação com a

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herança histórica e cultural legada pelos pintores manuelinos, Manuel Vicente e Vicente Gil, tradicionalmente reconhecidos como “Mestre de Sardoal”, cujas Tábuas se encontram na Igreja

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Matriz de Sardoal. Todas as informações relativas ao concurso, assim como o formulário da ficha de candidatura e regulamento estão disponíveis em www.cm-sardoal.pt.

serviços públicos estavam muito centrados sobre si mesmos”, disse Luís Goes Pinheiro. Na Loja do Cidadão de Sardoal funcionam de forma permanente o Espaço do Cidadão, os serviços da Autoridade Tributária e da Segurança Social, assim como do Instituto de Emprego e Formação Profissional, através do Gabinete de Inserção Profissional. Além dos serviços permanentes da Loja, também a Direção Regional

de Agricultura e Pescas de Lisboa e Vale do Tejo ali presta atendimento semanal e a Associação Comercial e Empresarial, bem como a Associação de Agricultores estão presentes quinzenalmente. O edifício alberga ainda o cowork Espaço Empreende, um Balcão Multisserviços com dois postos de atendimento que podem ser reservados por diversas entidades, o Arquivo Municipal e o Arquivo Histórico Municipal. Patrícia Seixas PUBLICIDADE

O 3.º aniversário da Loja do Cidadão de Sardoal foi assinalado a 21 de fevereiro, numa cerimónia que contou com a presença do Secretário de Estado Adjunto e da Modernização Administrativa, Luís Goes Pinheiro. Inaugurada a 18 de fevereiro de 2016, os serviços permanentes da Loja do Cidadão de Sardoal fizeram, nos primeiros três anos de atividade deste espaço, 54.025 atendimentos, numa média de 71 por dia. Miguel Borges, presidente da Câmara Municipal de Sardoal falou em “honra e orgulho” ao referir-se à Loja do Cidadão porque “foi uma luta que nós, autarcas, em articulação com o Governo, temos a obrigação de fazer” pois “sobre nós pairava a possibilidade de alguns serviços públicos saírem do nosso território, nomeadamente as Finanças”. “Se nós queremos que o nosso Interior seja povoado, que tenha gente, temos que lhes dar qualidade e serviços”, afirmou o autarca que confirmou que a Loja do Cidadão “veio criar uma nova centralidade e, ao mesmo tempo, teve aqui um papel importante na recuperação deste espaço”, lembrando que o edifício albergava anteriormente uma panificadora e que estava devoluto. Miguel Borges disse que “a nos-


REGIÃO / Sardoal Sardoal já dispõe de um Gabinete de Apoio ao Emigrante Mais avançou que “qualquer assunto, de qualquer cidadão de Sardoal que daqui queira sair para qualquer parte do mundo ou que estando em qualquer parte do mundo, que queira aqui viver, investir ou tratar das suas condições de vida, passa a ter neste GAE a chave de acesso aos serviços consulares portugueses por intermédio da Direção Regional da Emigração, que está sediada no Porto”. O governante fez referência ao papel que os Municípios devem ter na dinamização dos GAE e referiu que estes equipamentos pretendem dar “apoio à internacionalização de investimentos com origem nas comunidades locais, mas também, para aqueles que estão emigrados e que querem investir nas suas terras de origem”. Com a criação do GAE, Sardoal estreita relações com os emigrantes que querem investir no país e no concelho e com aqueles que querem partir e também investir lá fora. Na cerimónia, Miguel Borges, presidente da Câmara Municipal, começou por dizer que era “um dia muito importante, porque hoje va-

/ Miguel Borges, presidente da CM e José Luís Carneiro, Sec. de Estado mos inaugurar o Gabinete de Apoio ao Emigrante. Um espaço que sentimos que faz bastante falta, sobretudo naquela altura em que os nossos emigrantes regressam à terra”. O autarca reconheceu que, com o GAE, os emigrantes têm agora oportunidade de “tratar dos seus assuntos” sem terem a necessidade de se deslocarem aos grandes centros. O Gabinete tem então como obje-

tivos “ações que apoiem os cidadãos que pretendam emigrar e dos que se encontrem a residir e a trabalhar nos países de acolhimento; ações que apoiem, incentivem e acompanhem os cidadãos que regressam com carater definitivo ao país de origem; ações que garantam a divulgação de informação relevante para o exercício dos seus direitos e deveres; ações que, aproveitando o

poder económico das Comunidades Portuguesas, associado às potencialidades oferecidas pela região, promovam projetos de investimento e desenvolvimento locais, em conjugação com o Gabinete de Apoio ao Investidor da Diáspora (GAID) e ações que apoiem o associativismo e que promovam e favoreçam o conhecimento da cultura portuguesa”. Joana Margarida Carvalho

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A Loja do Cidadão de Sardoal tem agora ao dispor um novo serviço. Trata-se de um Gabinete de Apoio ao Emigrante (GAE) e um Gabinete de Apoio ao Investidor na Diáspora. A cerimónia de inauguração realizou-se no dia 7 de fevereiro com a presença do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, de Jorge Oliveira da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas e de Miguel Borges, presidente da Câmara Municipal. O momento teve início no Salão Nobre dos Paços do Concelho, com a assinatura do Protocolo de Cooperação entre o Município de Sardoal e a Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas do Ministério dos Negócios Estrangeiros, seguindo-se, na Loja do Cidadão, a inauguração do GAE. Na ocasião, o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas referiu que o acordo celebrado era “uma chave de entrada do Município de Sardoal numa rede consular e diplomática presente em 148 países, representativa das estruturas de carreiras e honorárias que temos em todo o mundo”.

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REGIÃO / Constância

Assembleia Municipal rejeita, por unanimidade, competências na Saúde e na Educação A Assembleia Municipal de Constância recusou, por unanimidade, a assunção dos novos diplomas de transferência de competências para os órgãos municipais, nomeadamente educação, cultura, saúde e proteção e saúde animal e segurança de alimentos. Sérgio Oliveira, presidente da Câmara Municipal, disse que “nesta fase, o Município não tem capacidade, nem recursos humanos nem financeiros para aceitar este conjunto de competências. Ou seja, não temos capacidade para aceitar mais competências durante o ano de 2019”. De relembrar que o Município de Constância aprovou anteriormente a aceitação de oito diplomas, à exceção do diploma referente à Habitação. Quanto aos diplomas agora em discussão, o autarca disse ser necessário “fazer uma análise profunda das implicações que têm, do dinheiro que se prevê transferir para a Autarquia e, depois disso, depois de estar devidamente estudado e fundamentado, dar então o passo com vista à aceitação destas competências”. Rui Ferreira, da bancada da CDU, referiu o facto da Câmara já ter aceite outras transferências mas concordou que “estas são muito mais exigentes e complicadas. Para gerir isto, é necessário outra Câmara Municipal”, afirmou e questionou o presidente do Executivo acerca dos valores em questão. Sérgio Oliveira adiantou que já existem valores no que diz respeito à saúde e educação mas ainda não foram discutidos e, por isso, “não os vou divulgar”. No final da sessão, em declarações ao Jornal de Abrantes, o presidente da Câmara explicou que

/ Unanimidade no chumbo de novas competências Constância não vai assumir estas competências “porque são as mais pesadas de todas as que são para transferir para os Municípios e, internamente, não estamos ainda preparados para as receber e dar as respostas que são necessárias dar nestas áreas”. “É um trabalho que temos que

delinear até ao final deste ano, estudar os diplomas, ver efetivamente a nível de recursos humanos aquilo que necessitamos porque há áreas em questão que nós, Município, não temos pessoas formadas nessas áreas que nos possam auxiliar tecnicamente nas decisões que teremos que tomar no futuro e

teremos que olhar também para os números que nos serão propostos ao nível de apoios financeiros para a assunção dessas competências. São estas as razões porque nós não vamos aceitar estas competências em 2019 e porque já aceitámos um conjunto de oito competências”, assegurou o presidente.

Constância vai ter lavandaria self-service A Assembleia Municipal aprovou por maioria, com quatro abstenções da bancada da CDU e o voto contra da deputada municipal do MIC (Movimento Independentes por Constância) a isenção de taxas para a instalação de um quiosque/ lavandaria self-service. A iniciativa partiu da arrendatária do Parque de Campismo e o presidente da Câmara considera o investimento como “uma mais-valia para a comunidade, para a vila e para o próprio concelho”. Sérgio Oliveira explicou que “esta situação não é possível de enquadrar

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no Regulamento de Apoio ao Investidor”, daí ter que vir à aprovação da Assembleia Municipal. O presidente disse ainda que dar incentivos aos investidores “terá de ser o caminho” para que os concelhos do interior possam ter pequeno comércio e possibilidade de fixar população. Rui Ferreira (CDU) gostaria de “ter um parecer do arquiteto” e lembrou que, afinal, “há situações em que é necessário” isentar investimentos. “Esteticamente, tenho dúvidas”, concluiu. A crítica mais veemente partiu da deputada Carmen Silva (MIC)

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/ Lavandaria self-service vai ser instalada junto à entrada do Parque de Campismo

Quanto ao estar devidamente esclarecido acerca dos diplomas, Sérgio Oliveira assume que não está e que “ainda há um conjunto de dúvidas que preciso de tirar e estudar com os serviços técnicos internamente na Câmara para depois podermos dar o passo seguinte”. Patrícia Seixas

que disse que “nós passamos grande parte do nosso tempo aqui a aprovar regulamentos e eu pergunto se não existe um regulamento da edificação da urbanização? Esta estrutura cumpre todos os parâmetros do regulamento? Não cumpre. Ultrapassa a altura. Mais, não vai levar a uma sobrecarga dos esgotos e do consumo de água? Porque estamos nós aqui a aprovar a isenção de taxas para a implementação de uma estrutura que nem postos de trabalho vai criar?” Sérgio Oliveira disse “não ver nenhum tipo de problema de infração ao respetivo regulamento”, escudando-se nos pareceres técnicos do Município. A lavandaria self-service irá ser instalada junto à entrada do Parque de Campismo de Constância.


REGIÃO / Constância //FOZ DO ZÊZERE

Fluviário e Centro Interativo dão a conhecer a vida aquática e a história do rio que dava ouro Foto: Carolina Ferreira

O objetivo vai muito além da mera observação das espécies aquáticas.

lo de Almourol” e é um espaço que serve “para usufruir de alguma calma” e com o lema de “interpretar a região”, explica Gonçalo Neves em declarações ao Jornal de Abrantes. O objetivo vai muito além da mera observação das espécies

aquáticas pelos visitantes, pretendendo ser uma experiência “fora da caixa” e com uma vertente interativa: exemplo disso é a presença de códigos interativos junto aos tanques que possibilitam ter acesso a informações mais detalhadas

sobre cada espécie, incluindo curiosidades que são “recolhidas junto dos pescadores mais velhos que colaboram, fazendo-se também um repositório das tradições que se passam à volta das espécies”, conta Gonçalo Neves. O investimento, que ronda os 300 mil euros, vai criar oito postos de trabalho a tempo completo e dez a tempo parcial. Para além do fluviário, o centro interativo vai dispor de uma sala

de filme, onde os visitantes poderão assistir - através de óculos de realidade virtual - a um documentário focado no rio Zêzere, de uma oficina de conhecimento e de uma experiência de garimpo de ouro, que remete o visitante para uma “cultura com quatro mil anos”, em que é recriada a prospeção de ouro, prática outrora feita no rio Zêzere e que lhe valeu o nome de “Tagónio, o rio que dava o ouro”, revela Gonçalo Neves. O espaço do centro náutico de Constância conta ainda com atividades como slide e canoagem, com um espaços de cafeteria e restaurante, relvados e um Centro de Formação Outdoor. O Foz do Zêzere abre portas ao público a 23 de março deste ano e já pensa em novas atrações para receber os cerca de 30.000 visitantes esperados no primeiro ano de funcionamento. Ana Rita Cristóvão PUBLICIDADE

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À beira-rio e com vista para Constância nasce o Foz do Zêzere - Fluviário e Centro Interativo. Um projeto que surge da necessidade de preservar as espécies aquáticas e com a vontade de eternizar a tradição e o conhecimento sobre a região e às águas do rio Zêzere. Com um total de 20 espécies autóctones e invasoras, a ideia de um fluviário concretiza-se com a inauguração de 16 tanques iniciais onde habitam barbos, bogas, bordalos, verdemãs do sul, escalos, camarões ibéricos, carpas, alburnos, siluros, pimpões, lúcios-perca, percas-sol, gambúsias e até lagostins. O projeto pretende ser um espelho daquilo que de mais característico existe nas águas do rio Zêzere e é da autoria de Gonçalo Neves, da empresa AVENTUR, concessionária do Centro Náutico de Constância. “O Foz do Zêzere integra as zonas entre Castelo de Bode e o Caste-

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REGIÃO / Mação

A Assembleia Municipal de Mação atribuiu, no dia 18 de fevereiro, o Prémio Cidadania 2017 a Arlindo Consolado Marques. Este Prémio representa “uma distinção pelo seu importante trabalho em defesa do Rio Tejo e dos Munícipes maçaenses”. A atribuição do Prémio teve lugar na Assembleia Municipal que se realizou no Auditório da escola-sede do Agrupamento de Escolas Verde Horizonte, em Mação, perante dezenas de alunos. José Saldanha Rocha, presidente da Assembleia Municipal, começou por falar da admiração que sente pela coragem do ambientalista. “Dou-lhe os parabéns pela postura que o Arlindo tem vindo a ter ao longo destes últimos meses e na atitude para com o rio Tejo. Admiro-te imenso, Arlindo, pela tua coragem em defender um património que é de todos nós”. José Saldanha Rocha terminou a sua intervenção, dedicando umas frases da poesia de Bertolt Brecht: “Dizem violentas as águas deste rio. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”. Depois foi o presidente da Câmara, Vasco Estrela, quem tomou a palavra para destacar os riscos que Arlindo Consolado Marques enfrentou e ainda enfrenta nesta luta pelo Tejo. No entanto, lembrou que “dentro daquilo que nos tem sido possível, temos sido solidários na defesa do rio e, mais do que isso, solidários com a pessoa em causa. Todos nós sabemos no concelho, na região e no país a importância do trabalho que o Arlindo fez, o facto de ter dado o corpo às balas, o facto de ter denunciado, muitas vezes com riscos pessoais evidentes (…) se não fosse a sua valentia, a sua vontade de denunciar, nada disto tinha sido possível”. O autarca referiu que “estamos hoje na situação que estamos, a Câmara poder retomar o Festival da

/ “O rio está 99% melhor do que o que estava” - Arlindo Consolado Marques

“Estou muito contente com este Prémio que para mim é muito, muito importante”

Lampreia e os pescadores dizerem que nunca viram o rio como o veem agora” se deve também ao trabalho do ambientalista. Vasco Estrela reforçou que Arlindo Marques “conta com o apoio unânime de todos os eleitos da Câmara e da Assembleia Municipal porque tem ajudado a resolver um problema que é de todos”. Vasco Estrela, a par de muitos outros, será testemunha abonatória de Arlindo Consolado Marques no processo que a Celtejo lhe moveu. João Filipe, líder da bancada socialista na Assembleia Municipal de Mação, foi uma das pessoas que acompanhou Arlindo Consolado Marques em muitas iniciativas e falou de como o processo da Celtejo acabou por beneficiar a causa. “Por

incrível que pareça, provavelmente o processo que a Celtejo lhe colocou em tribunal foi a forma de levar o problema do Tejo, que é um património da Humanidade, para planos nacionais e até internacionais. Parabéns Arlindo e força. Sabes que contas connosco e a vitória, no final, será tua. Quase de certeza”. Do lado dos sociais-democratas, Duarte Marques, outra das pessoas que muitas vezes acompanhou Arlindo ao rio, destacou o facto de ter havido muitos a alertarem para os focos de poluição do Tejo mas que foi o ambientalista a único “que nunca largou o osso”. “Em 2014, inícios de 2015, começou-se a falar muito da poluição do Tejo. Na altura, fizemos uma resolução a criticar o que se pas-

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Arlindo Consolado Marques é Prémio Cidadania 2017

sava e a pedir soluções”, começou por recordar o deputado municipal que lembrou que “nessa altura, o Arlindo já andava por aí a fazer vídeos”, que às vezes “parecia um refugiado que andava lá sozinho no meio do Tejo e que era quem trazia as provas”. “E se muitos de nós se preocupavam com o Tejo, há aqui uma grande diferença para hoje fazermos esta homenagem. É que o Arlindo teve uma coisa que mais ninguém teve”, e, dirigindo-se a Arlindo Consolado Marques, disse: “é que tu nunca largaste o osso”. “Todos os dias, a toda a hora, em todos os momentos, o Arlindo nunca largou a perseguição aos poluidores e a defesa do Tejo”, concluiu Duarte Marques. Faltava ouvir o homenageado. Perante os alunos da Escola de Mação, Arlindo Consolado Marques disse-se “em casa”, falou da sua luta e também da qualidade das águas do rio e das espécies que já voltam novamente a aparecer pois, como contou, o rio “está 99% melhor do que o que estava” e que, no domingo, “apanhei 12 ameijoas do rio quando elas já tinham desaparecido todas. Desde 2013 que nunca mais vi nenhuma, só cascas, e no domingo estavam vivas. O rio melhorou e muito”. “Estou muito contente com este Prémio que para mim é muito, muito importante como também é muito importante o rio que vocês conhecem”, proferiu. Por fim, Arlindo também agradeceu a quem o acompanhou nesta luta, como o Executivo da Câmara e a Assembleia Municipal de Mação, referindo-se particularmente a Vasco Estrela, Duarte Marques e João Filipe, a quem partilhou os seus vídeos nas redes sociais e a quem participou na angariação de fundos para a sua defesa. Deixou, no entanto, um agradecimento mais especial a quem levou o tema até à Assembleia da República, “o deputado Duarte Marques”. “Isto tinha que chegar à casa das leis, à Assembleia da República e aos deputados porque lá não pode haver barreiras políticas nem partidos porque o Rio é nosso!”, garantiu Arlindo Consolado Marques.


REGIÃO / Mação

Após um ano de pausa, a Lampreia volta a ser rainha em Mação Até ao dia 14 de abril, a lampreia é rainha no concelho de Mação. São oito os restaurantes aderentes ao Festival Gastronómico, que já estão preparados para fazer as delícias dos muitos apreciadores que procuram o concelho nesta altura do ano. O executivo camarário procedeu à apresentação oficial do Festival Gastronómico da Lampreia no Salão Nobre dos Paços do Concelho, no dia 25 de fevereiro. Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal, começou por fazer referência ao ano de 2018 e ao interregno que o Município fez no desenvolvimento e promoção do evento. “A Câmara Municipal de Mação decidiu este ano voltar a fazer este festival. O ano passado, não realizámos devido às evidências relacionadas com a poluição no rio Tejo”, afirmou o presidente, salientando que não “haviam condições

para que a lampreia pudesse ser degustada e apanhada no nosso concelho”. “Os próprios restaurantes não se sentiam confortáveis a servir lampreia do rio Tejo. Aquilo que diziam aos clientes é que podiam vir porque, efetivamente, a lampreia servida não era do Tejo”, referiu o autarca. Assim, continuar a apostar no evento sem a lampreia do rio Tejo “era desvirtuar por completo o espírito deste festival e aquilo que se pretendia”. “Num espaço de um ano, as condições são completamente diferentes”, vincou o presidente, tendo evidenciado “que o Tejo é hoje um rio saudável e com total segurança, onde se pode apanhar peixe, lampreia e onde se pode consumir os peixes sem problema”. Distribuídos pelas freguesias de Mação, Ortiga e Envendos, os oito restaurantes cozinham a lampreia com algumas “particularidades,

sobretudo na forma como ela é confecionada”, tal como o arroz que a acompanha. Para além da gastronomia, os aspetos naturais e culturais são uma atração a quem irá procurar o concelho por estes dias. Vasco Estrela lembrou que a Câmara Municipal está a desenvolver um Núcleo Museológico em Ortiga, ligado ao tema das pescas, que contemplará também uma rota junto ao rio. Como também disse que “a Câmara está disponível para proporcionar visitas ao concelho e, em concreto, ao Museu de Mação”. Por fim, e visivelmente satisfeito, Vasco Estrela afirmou que “para a Câmara de Mação, a lampreia confecionada no concelho é a melhor do país”. O Festival Gastronómico da Lampreia representa um investimento autárquico de cerca de seis mil euros. Joana Margarida Carvalho

Competências. “Há aqui uma pressa em fazer as coisas que não augura nada de bom” A Assembleia Municipal de Mação, reunida em sessão ordinária a 18 de fevereiro, voltou a rejeitar, por maioria, as competências que o Estado pretende descentralizar para as Autarquias. Desta vez, em cima da mesa, estavam diplomas como a Educação e a Saúde. Vasco Estrela, o presidente da Câmara Municipal, disse mesmo que o Município “não as deveria aceitar, de todo”. “Têm um peso grande naquilo que é a gestão da Câmara, de relacionamento entre os serviços e com as pessoas e, portanto, devemos ter aqui um cuidado diferente”, explicou. O autarca elucidou depois as razões para a recusa e começou pela educação. “Acho que há aqui um longo caminho a percorrer, de debate e de análise entre as entidades para a podermos receber. Podemo-nos estar a antecipar e, se for caso disso, em junho poderemos discutir o assunto, mas ainda não recebemos os valores que traduzem em termos financeiros

/ O presidente da Câmara Municipal disse que o Município “não as deveria aceitar, de todo” aquilo que a Câmara Municipal de Mação poderia receber, nomeadamente em termos das instalações, de assistentes operacionais e assistentes técnicos”, disse. Para além disso, Vasco Estrela

afirmou ter a perceção de que “não há por parte do Agrupamento de Escolas de Mação, grande vontade de que a Câmara possa vir aqui a assumir um maior protagonismo. Não que isso seja o

fator decisivo, não é, mas nestas coisas da política, às vezes é preciso que todos estejamos confortáveis com algumas situações”. Já no que diz respeito à saúde, Vasco Estrela falou da inexatidão dos documentos do Estado e, como tal, mostrou-se preocupado com a falta de discussão sobre a matéria. “Não posso deixar de criticar e de me preocupar”, revelou o presidente que deu conta dos erros que constam num mapa enviado pela diretora geral das Autarquias Locais e que refere os equipamentos de saúde do concelho que ficarão sob a jurisdição da Câmara e os respetivos valores. “Suponho que se isto é assim em Mação, é assim em todo o lado (...) há aqui uma pressa em fazer as coisas que não augura nada de bom”, declarou. Quanto à competência na área da proteção e saúde dos animais de produção, o presidente explicou que a informação que tem do veterinário municipal,

Fernando Monteiro, “é demolidora nesta matéria” porque vai acarretar enormes responsabilidades para a Câmara “em termos de acompanhamento, de licenciamento dos animais de companhia, das explorações pecuárias, quase fiscalização da ASAE, vamos ser os autuantes de todas as multas e cumprimentos de licenciamentos de todos os estabelecimentos... há aqui um conjunto de competências que passam para a jurisdição das Autarquias e eu temo que muitas delas, e também a nossa, não possamos vir a exercer essas competências com o cuidado que as mesmas merecem”. Vasco Estrela pediu para “esperar para ver como é que as coisas evoluem nesta e noutras matérias”. Na votação, a proposta foi aprovada com os votos da maioria social-democrata e contou com a abstenção por parte da bancada socialista. Patrícia Seixas

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REGIÃO / NOMES COM HISTÓRIA /

Teresa Aparício

E

sta praça, mais conhecida entre a população por Largo da Câmara é, como o antigo nome indica, o coração do município abrantino. Foi também, até meados do século XX, uma importante zona comercial, com bastante actividade e movimento. Há notícia que a Casa da Câmara já ali se situava no reinado de D. Manuel I, portanto pelo menos desde os finais do século XV e ali se tem mantido até hoje, embora sofrendo várias alterações ao longo dos anos. Foi em Janeiro de 1893, que sob proposta do presidente de então, a Câmara deliberou atribuir-lhe o nome de Praça Raimundo Soares Mendes. Vamos então saber o como e o porquê desta atribuição. Raimundo José Soares Mendes nasceu em Abrantes em 1815 e na sua terra faleceu na viragem do século, precisamente em Março de 1900. Proprietário abastado, desde cedo começou a manifestar-se activo e interessado pela vida política e cívica, não só de Abrantes mas do país. Muito jovem ainda foi sob o seu impulso e com a participação de actores amadores locais, que foi levado à cena o 1º espectáculo no Teatro Nacional de Abrantes, mais tarde denominado Teatro Taborda.

OPINIÃO /

Praça Raimundo Soares Mendes (antiga Praça do Concelho) Foi Capitão da Primeira Companhia de Caçadores Voluntários e pelo seu bom desempenho neste cargo foi-lhe atribuído o título de Cavaleiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e, já fidalgo em exercício, obteve depois a carta de Brazão de Armas. Chegou a gozar no Paço de grande influência, mas mesmo assim decidiu regressar a Abrantes, onde durante anos desenvolveu uma acção notável em instituições diversificadas. A nível camarário exerceu cargos de relevo: foi várias vezes vereador e durante largos anos membro activo do conselho municipal, mas foi em instituições de carácter social que a sua acção mais se destacou. “A menina dos seus olhos” foi a associação que esteve na origem do Montepio, a que ainda hoje está ligado o seu nome. Em 1856 foi criada a Sociedade Filantrópica Abrantina, cuja iniciativa se deve a Miguel Fialho de Castro e que tinha como fim “socorrer sócios que fizessem parte da mesma”. Raimundo Soares Mendes inscreveu-se como sócio pouco depois da sua fundação, no ano seguinte ascendeu a presidente, cargo que manteve durante 37 anos, até 1894 e que desempenhou sempre com empenho e até generosidade. Esta associação, dada a sua

natureza, lutava quase sempre com dificuldades económicas, que Soares Mendes tentava superar com energia e imaginação. Logo em 1857, organizou duas corridas de touros, cujas receitas reverteram a favor da instituição e ficaram famosos os seus leilões e quermesses em que, frequentemente, verificando que o saldo não era suficiente, mandava que trouxessem algumas das suas pratas para serem leiloadas e que depois ele próprio arrematava. Em 1904, quando da alteração dos estatutos, esta associação passou a ser denominada Associação de Socorros Mútuos Soares Mendes e o seu nome continuou a ela ligado quando em 1931, passou a denominar-se, tal como ainda hoje, Montepio. Durante a sua já longa vida, não teve um presidente que a gerisse durante tanto tempo como este e, quando saiu, embora já com oitenta anos, foi ainda até ao ano da sua morte, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes. Bibliografia: Campos, Eduardo, “Toponímia Abrantina”, C.M. de Abrantes, 1989 Gaspar, José Martinho, “Montepio Abrantino Soares Mendes, 150 anos de acção mutualista”, revista Zahara nº 8, edição Palha de Abrantes, 2006 Carolina Ferreira

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Nuno Alves MESTRE EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS nmalves@sapo.pt

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om dois terços dos recursos naturais do planeta já explorados, o futuro deveria dar-nos muito que pensar. Claramente, a nossa sociedade global depara-se com um sério paradoxo: há cada vez menos recursos naturais disponíveis e, contudo, a população mundial não pára de aumentar, prevendo-se que chegue perto dos dez mil milhões de pessoas a meio deste século. O cenário piora se tivermos em conta que boa parte destas pessoas sonha em ter um padrão de vida que lhes permita elevados níveis de conforto material e capacidade de consumo. Contudo, no modelo económico vigente o consumo e conforto material estão frequentemente associados à exploração desmesurada e predatória dos recursos naturais sem complacência para com as necessidades das gerações futuras. Neste sentido, como gerir necessidades infinitas num contexto de recursos limitados? O futuro que este contexto quer fazer prever relança a discussão geopolítica em torno da capacidade que os Estados têm para assegurar as necessidades básicas para todos os seus cidadãos. Veja-se a grande estratégia chinesa como exemplo. A China está bem longe de possuir todos os recursos naturais de que necessita para assegurar o bem-estar básico da sua população. Mesmo sendo uma grande potência económica, a China não dispõe de recursos energéticos suficientes para alimentar a sua máquina económica, tem escassez de água e nem sequer consegue produzir alimentos em quantidades suficientes para alimentar toda a sua população. Por isso, nos últimos anos Pequim tem construido uma extensa e complexa teia de relações bilaterais com países estratégicos na América Latina, em África, no Médio Oriente e no Sudeste Asiático de forma a assegurar o controlo sobre os recursos energéticos, minerais e alimentares de que necessita; o monopólio dos canais marítimos, terrestres ou aéreos de acesso a esses recursos bem como

A geopolítica da escassez o controlo das infraestruturas que suportam esses canais. A escassez de recursos irá moldar seriamente a evolução da política internacional. Já o faz hoje e continuará a fazê-lo de forma mais agressiva nos tempos por vir. Esta escassez ditará conflitos graves, como a Primavera Árabe claramente demonstrou, arruinará economias e criará novos mercados, fará da água e da produção alimentar o novo ouro dos tempos modernos, exacerbará os desequilíbrios entre países pobres e ricos e poderá levar ao surgimento de regimes políticos mais conservadores e militaristas. É portanto fundamental construir um novo modelo de comércio internacional que permita o justo, sustentável e livre acesso aos recursos naturais sob pena de vermos o nosso futuro posto seriamente em causa.

“A China está bem longe de possuir todos os recursos naturais de que necessita para assegurar o bem-estar”


REGIÃO /

Carta Gastronómica da Lezíria do Tejo entre os candidatos a “Melhor do Mundo” A “Carta Gastronómica da Lezíria do Tejo”, lançada em finais de 2018, foi a vencedora nacional da categoria “Countries - Regions Local” e é agora candidata ao título “The Best in the World”, ou seja “A Melhor no Mundo”, num concurso promovido pelos Gourmand World Cookbook Awards. O prémio a nível nacional permite agora à “Carta Gastronómica da Lezíria do Tejo” concorrer com os restantes vencedores de cada país para a conquista da distinção na mesma categoria, numa cerimónia que vai decorrer nos dias 20, 21 e 22 de março em Paris. Francisco Armando Fernandes é o autor da obra, que contém cerca de 600 receitas tradicionais, e disse

“não saber ainda bem o que significa” esta distinção. “É um trabalho meu mas, fundamentalmente, é um trabalho das mulheres e dos homens que acederam a contarem-me como é que era a vida, como comiam, como conseguiam suportar as carências...”, afirmou o autor. A obra resulta de uma vasta pesquisa e de mais de uma centena de entrevistas, realizadas ao longo de cerca de dois anos, e “é a primeira parte de um trabalho que se chama Carta Gastronómica do Ribatejo e que, na segunda fase, englobará a região do Médio Tejo. Vai de Alcanena a Ourém até Mação e Sardoal, passando por Abrantes, Constância, Barquinha, Tomar e Torres Novas”.

OPINIÃO /

O objetivo é “reservar para memória futura aquilo que foram as usanças culinárias desta gente”. Relativamente ao prémio “The Best in the World”, Francisco Armando Fernandes diz “não ter expetativa nenhuma (…) limito-me, com toda a singeleza e honestidade, a fazer o meu trabalho o melhor que sei”. E revelou que “neste momento, tenho em mãos um trabalho muito interessante que é a Carta Gastronómica de Santarém, só do concelho, e estamos também à espera que a Entidade Regional de Turismo do Centro viabilize o protocolo que foi assinado em Abrantes, para se fazer a Carta Gastronómica do Médio Tejo”.

João Coroado eleito presidente do IPT João Paulo Coroado é o novo presidente do Instituto Politécnico de Tomar (IPT), tendo sido ontem eleito para um mandato de quatro anos, com 14 votos favoráveis e três votos em branco em reunião do Conselho Geral, anunciou a instituição de ensino. João Coroado, que sucede no cargo a Eugénio Pina de Almeida, possui licenciatura em Geologia pela Universidade de Coimbra (1990) e mestrado em Geoquímica e doutoramento em Geociên-

cias pela Universidade de Aveiro (1994 e 2001, respetivamente), exercendo, desde 2015, o cargo de vice-presidente do Politécnico de Tomar, com a responsabilidade das áreas científica e pedagógica. O processo de eleição deverá agora ser homologado pelo Ministério da tutela e, depois de publicado em Diário da República, João Coroado será empossado como novo presidente da instituição. Lusa

A bicicleta José Alves Jana FILÓSOFO

A

Dinamarca é um país símbolo da boa política ambiental. Uma das componentes desse esforço político é o uso da bicicleta, que é hoje “o principal meio de transporte”. Na página oficial do país, pode ler-se: “Na Dinamarca, as pessoas andam de bicicleta com todos os estados do tempo e a qualquer hora do dia. As bicicletas são usadas para lazer, nas deslocações diárias, no transporte de mercadorias e em viagens em família, e extensas redes de ciclovias e rodovias para bicicletas tornam isso fácil.” No entanto, nem sempre foi assim. Quando a ideia foi lançada, a reação foi de recusa: “Nós, dinamarqueses, nunca iremos concordar com isto – o povo dinamarquês não vai andar de bicicleta”. Em 2009, já um terço da população ia de bicicleta para o emprego. Hoje, como vemos, é o principal meio de transporte e orgulho nacional. Este é o resultado de uma política com princípio, meio e fim, ou seja, com filosofia apurada e uma execução tecnicamente cuidada. A aposta foi de Jan Gelh, um urbanista visionário que defende o planeamento da cidade para as pessoas. Em Portugal há já algum trabalho de introdução da bicicleta como meio de transporte na cidade. É mais económico para quem a usa e ajuda a manter a condição física, ao mesmo tempo que alivia o trânsito e o estacionamento na cidade e manifesta um maior respeito pelo ambiente. E, muito importante, cultiva uma nova atitude política. Mas no território que o JA serve não se vê sinais de vida… ciclista. A não ser como desporto ao fim de semana, talvez manifestação de status social. No dia seguinte, já o automóvel leva o pseudo-ciclista até à porta de entrada no trabalho. Ou seja, por cá o uso da bicicleta é conservador, sob o estigma da diferenciação social: bicicleta é coisa de pobre. Não é, é sinal de inteligência esclarecida e de responsabilidade social. Nós temos territórios planos a chamar pelo uso da bicicleta: Rossio

e Alferrarede, Entroncamento e Pego, Barquinha e Mação… Abrantes é mais acidentada, mas uma bicicleta ajudada por motor menos agressivo é melhor que o carro. A cidade onde vive o meu filho, na Suíça, é bem mais inclinada que Abrantes e muito do tráfego é feito de bicicleta, skate, trotineta e patins em linha. Ah, e de autocarro e metro. Para que o panorama mude faltam duas coisas. Um projeto político esclarecido que, como na Dinamarca, queira produzir resultados e, depois, tudo aquilo que um tal projeto faz, incluindo um trabalho rigoroso de conquista dos cidadãos para uma atitude de fazer um mundo melhor e a sua cidade mais à dimensão das pessoas. E essa atitude traria múltiplos efeitos benéficos. Agora que devem estar a ser preparados os próximos programas autárquicos, é oportuno deixar este desafio. Queremos estar a caminho do futuro. P.S. – A cidade italiana de Bari paga 20 cêntimos ao Km pelo uso da bicicleta para o trabalho e 40 para outras deslocações, num máximo de 25€/mês. É uma hipótese, mas não a única via.

“Em Portugal há já algum trabalho de introdução da bicicleta como meio de transporte na cidade”.

Março 2019 / JORNAL DE ABRANTES

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DESPORTO / //SPORTING CLUBE DE ABRANTES

Atletismo de qualidade num clube quase centenário O Sporting Clube de Abrantes, fundado em 1923, tem na atualidade como única modalidade o atletismo. Em entrevista, Susana Estriga, treinadora, fala-nos do projeto, ao passo que o Presidente da Direção, Luís Silvério, nos dá conta da realidade da associação, do seu passado e do que quer que venha a ser o seu futuro.

E quem não se considera um “grande atleta” também pode integrar os treinos?

SE: No nosso grupo de trabalho há lugar para todos. Um atleta forma-se a vários níveis e nós temos um papel importante na sociedade, formar atletas desportivamente competentes e torná-los cidadãos socialmente saudáveis. Nem todos os que nos procuram e com quem trabalhamos pretendem ser campeões e possivelmente nunca serão mesmo que trabalhem afincadamente. É importante que lhes sejam propostos e definidos objetivos ambiciosos, mas realistas, que se empenhem para os alcançar, mas que se respeitem os interesses e as motivações de cada um. Os jovens atletas são muito mais do que números, e por várias vezes ficou provado que quantidade não é sinónimo de qualidade.

Susana Estriga, desde quando assumiu o projeto de atletismo do Sporting de Abrantes? Como se proporcionou esta oportunidade?

Susana Estriga: Sou técnica do clube desde a época 2009/2010. O clube estava sem treinador, na sequência da saída do professor Manuel Gonçalves. O convite surgiu porque na altura não estava vinculada a nenhum clube e orientava um grupo de crianças não federadas e duas atletas sub-23 do Futebol Clube do Porto. Quando assumi esta responsabilidade, o Sporting tinha menos de meia dúzia de atletas.

O que é atualmente o atletismo do Sporting?

Sr. Presidente, há quanto tempo integra a Direção do Sporting de Abrantes? Como evoluiu a situação do clube desde essa altura?

SE: É a seção do clube que trabalha diariamente em prol da formação orientada de jovens atletas e do desenvolvimento desportivo do concelho de Abrantes. O nosso projeto está orientado para as crianças e jovens a partir dos 8 anos, no entanto, independentemente da idade, nunca deixamos de dar uma resposta competente e orientadora a todos aqueles que nos procurem.

Luís Silvério: Estou na Direção desde 1983, neste período houve al-

Perspetiva-se a abertura de outras modalidades no clube?

LS: O clube necessita de outras modalidades, mas deixamos essa decisão para uma futura Direção.

A sede do Sporting de Abrantes representou, na história abrantina do século XX, um espaço de sociabilidade marcante. Há a possibilidade de que o seu bar venha a reabrir a curto prazo?

LS: O bar pode abrir a curto prazo, desde que apareça um candidato à sua exploração.

Se lhe aparecesse um “génio da lâmpada” que lhe concedesse três desejos para o Sporting de Abrantes, quais escolheria?

LS: O que mais desejo é que nas próximas eleições apareçam elementos que possam trazer novas ideias e com elas dinamizar o clube. José Martinho Gaspar

CONVOCATÓRIA ASSEMBLEIA GERAL

SE: Atualmente integra cerca de 20 atletas, com idades compreendidas entre os 6 e os 23 anos.

Desde que assumiu o treino do atletismo do Sporting, que resultados considera dignos de realce?

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gumas paragens. O primeiro cargo que ocupei foi no Conselho Fiscal e depois na Direção do clube passei por Vogal, Tesoureiro, Secretário e Presidente. Quando entrei o clube ainda tinha futebol de formação e no último ano disputámos o Nacional de Juvenis. Depois saí e quando voltei o clube estava a iniciar o basquetebol que com os vários escalões de formação, movimentava muitos jovens. Em 2005 foi-nos proposto pelo Município reativar a secção de atletismo e aceitámos. Na época de 2006/2007 terminámos com a secção de basquetebol, por falta de meios humanos. O atletismo está em atividade com bons resultados, apesar de não ter muitos atletas. É necessário repensar e reestruturar o clube.

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE ABRANTES

Quantos atletas integram o projeto que se reúne ao final de tarde na pista do Estádio Municipal de Abrantes?

SE: Temos obtido bons resultados a nível nacional e em vários setores. Nos escalões da formação, o setor das barreiras tem sido onde nos temos destacado mais. Formámos a atleta Larissa Vieira, várias vezes campeã nacional e recordista regional. José Matos, conquistou vários títulos em competições nacionais e a Mariana António foi claramente a atleta que conseguiu ir mais longe, foi recordista Regional e Nacional em provas de velocidade e barreiras, campeã na-

fazer mínimos para uma competição internacional, não são os mesmo de uma criança com 10 anos. A nossa linha orientadora é a formação multidisciplinar e por isso os nossos atletas até ao escalão juvenil abordam todas as áreas (saltos, lançamentos, barreiras, corridas de velocidade e resistência) e sem queimar etapas de desenvolvimento. Na nossa perspetiva é incorreto especializar um atleta com menos de 16 anos numa única disciplina, pois poderá hipotecar o sua evolução e carreira desportiva.

cional por várias ocasiões e a única atleta do clube a alcançar mínimos para o Campeonato do Mundo de Juvenis e Juniores. A atleta teve o seu ponto alto no Campeonato do Mundo de Juniores, nos 100m barreiras. Atualmente temos obtido excelentes resultados na velocidade e no lançamento do peso. Esta época o André Jerónimo foi campeão Nacional de Juvenis nos 300m, em pista coberta, e a atleta

JORNAL DE ABRANTES / Março 2019

Mariana Marques foi líder nacional no lançamento do peso no escalão de Iniciados e detentora do recorde regional em pista coberta.

Os treinos que ministra têm que objetivos?

SE: Os objetivos são definidos em função da idade do atleta e dos anos de prática. Logicamente que os objetivos definidos para um atleta juvenil ou júnior, que pretende

De acordo com o art.° 22, n.° 2, alínea b) do Compromisso, CONVOCO os Irmãos desta Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, para a Reunião Ordinária da Assembleia Geral, que se realiza, Sábado, dia 23 de março de 2019, pelas 14H30, no Auditório do Sector Cultural do LAR — HOSPITAL D. LEONOR PALER CARRERA DE VIEGAS. ORDEM DE TRABALHOS 1.° - Apreciação e votação do Relatório e Contas do Exercício de 2018 e Parecer do Conselho Fiscal do Exercício de 2018; 2.° - Análise e votação da proposta da Mesa Administrativa para atualização da quota anual dos Irmãos; 3.° - Período de 30 (trinta) minutos para tratar de qualquer assunto que a Assembleia considere de interesse para a vida da Instituição; ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• Se á hora marcada não houver número suficiente para a Assembleia funcionar, (mais de 50%), a mesma terá lugar meia hora despois (15h00), com qualquer número de Irmãos, de acordo com o estatuído no art. ° 24, n.° 1. ABRANTES, 28 DE FEVEREIRO DE 2019 O PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA GERAL DR. HUMBERTO PIRES LOPES


CULTURA / Teatro “Não Kahlo” em cena em Abrantes O Auditório da Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes, em Abrantes, será palco da peça de teatro “Não Kahlo”, no dia 29 de março. O espetáculo, da autoria de Mónica Kahlo e Sílvia Raposo, parte da noção de “conto-sonho”, do universo non-sense e do mundo onírico criado por Lewis Carrol em “Alice no País das Maravilhas”. “Não Kahlo” recria Alice não como uma sucessão de eventos, mas como uma história que mergulha no universo surrealista, do realismo mágico latino-americano, biográfico e artístico da pintora mexicana Frida Kahlo. A peça de teatro conta com produção de D. Mona, encenação, texto e cenografia de Mónica Kahlo e Sílvia Raposo, enquanto o elenco é composto por Mónica Kahlo, Sílvia Raposo, Margarida Camacho e Anabela Pires. Os bilhetes podem ser adquiridos no Welcome Center e na Escola Secundária, no dia do espetáculo.

Escola Básica D. Miguel de Almeida celebra 50 anos com conferência No âmbito das comemorações do cinquentenário da Escola Básica D. Miguel de Almeida (antigo Ciclo Preparatório de Abrantes), o Agrupamento de Escolas nº 1 de Abrantes, ao qual a escola pertence, irá realizar uma conferência subordinada ao tema “50 anos, a escola de ontem e a escola de hoje”, com um painel de convidados, antigos alunos e professores, bem como atuais, gente com memória e afeto pela escola que frequentaram ou ainda frequentam. O evento terá lugar no auditório da D. Miguel de Almeida, no dia 4 de abril, a partir das 14h30 e é de entrada livre.

AGENDA / Abrantes Até 10 de março – Feira de S. Matos – Aquapolis Margem Sul, Rossio ao Sul do Tejo Até 30 de março – Exposição “Florestas para o Futuro” – Biblioteca Municipal António Botto Até 31 de março – Exposição “Hotel de Turismo de Abrantes, 65 anos de hospitalidade” – Arquivo Municipal Eduardo Campos 8 de março – Celebração do Dia Internacional da Mulher – Centro Histórico

Constância promove atividades no Dia Internacional da Mulher No âmbito da comemoração do Dia Internacional da Mulher, a Biblioteca Municipal Alexandre O´Neill, em Constância, realiza, no dia 8 de março, um conjunto de atividades em que o tema é a “Mulher”. Pelas 11 horas, decorrerá a inauguração da Exposição de Pintura, intitulada “Mulheres”, da artista plástica Sibila Aguiar, em que são retratadas mulheres e em que as influências de África estarão bem visíveis, como em muita da obra desta artista, nascida em Moçambique, mas radicada há muitos anos em Portugal. Pela tarde, decorrerá uma Tertúlia intitulada “As Mulheres no Mundo e na História”, com a presença do historiador e investigador, Manuel Dias Duarte, com a presidente da Universidade Sénior, Andreia Coelho, e com o bibliotecário municipal, Nuno Ferreira, que debaterão o papel da mulher ontem, hoje e no futuro. Esta atividade decorrerá entre as 15h e as 18h na Sala Polivalente.

8 de março – “Sabores com conto e medida” - Chá das 5 com bolos tradicionais do Tramagal – Mercado Municipal, 17:00 A partir de 16 de março - Exposição “Sob o signo de Saturno”, de Pedro Valdez Cardoso - Quartel da Arte Contemporânea – Coleção Figueiredo Ribeiro 16 de março – Espetáculo infantil “Manuel”, uma homenagem à infância vivida no ambiente rural português – Escola Sec. Dr. Manuel Fernandes, 10:30 e 11:30 A partir de 21 de março – Exposição “Parque em Macro II”, da Fundação Serralves – Parque Tejo 21 de março – Encontro Infantojuvenil com Manuela Costa Ribeiro – Apresentação do livro “O toiro azul” – Biblioteca Municipal António Botto, 11:00 e 14:00 23 de março – “Aromas com conto e medida” – Cultivo de bolbos de verão com Nuno Alves - Mercado Municipal, 10:30 23 de março – Teatro “A Partilha”, pelo Grupo de Teatro Palha de Abrantes – EPDRA – Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes, 21:30 28 de março – “Recantos com História e com Estórias”- Dia Nacional dos Centros Históricos – Centro Histórico, 14:30 29 de março – Teatro “Não Kahlo” de Mónica Kahlo e Sílvia Raposo – Escola Sec. Dr. Manuel Fernandes, 21:30

com teatro, poesia, música, apresentação de livros – Vários locais 26 de março – Apresentação do livro “Roubar ao Mar” de Carmen Zita Ferreira e com ilustrações de Alexandre Esgaio Biblioteca Municipal Alexandre O´Neill

Mação Até 30 de março - Exposição “Florestas para o Futuro” – Galeria do Centro Cultural Elvino Pereira Até 14 de abril – Festival da Lampreia – Restaurantes aderentes do concelho 29 de março – “À conversa com…” – Auditório do Centro Cultural Elvino Pereira, 21:00

Sardoal Até 16 de março – Exposição documental “A Banda!” – Espaço Cá da Terra Até 22 de março – Exposição “Florestas para o Futuro” – Centro Cultural Gil Vicente 23 de março – Teatro “À Espera de Godot”, pelo Teatro Nacional D. Maria II – Centro Cultural Gil Vicente, 21:30 24 de março – Passeio Pedestre pelo percurso “Do pão ao vinho” – Sujeito a inscrição 30 de março – Tardes da Agulha e da Linha – Espaço Cá da Terra, 14:00

Vila de Rei Até 22 de março – Exposição documental “O Ensino em Portugal – da Monarquia ao Estado Novo” de Fernando Correia – Biblioteca Municipal José Cardoso Pires Até 6 de maio – Exposição “As Memórias do Museu” com quadros de Alves Dias – Museu Municipal, de quarta a domingo 3 de março – Desfile de Carnaval – Ruas da vila, 15:00 30 e 31 de março – IV Festival das Sopas e Petiscos – Polidesportivo da Fundada

Constância Até 30 de março – Exposição “Florestas para o Futuro” – Antiga Cadeia

Blasted Mechanism e Piruka no Rock na Vila

/ Piruka

O Rock na Vila está de regresso ao Parque de Feiras de Vila de Rei nos dias 7 e 8 de junho. A décima sexta edição do Rock na Vila tem como cabeças-de-cartaz o rapper Piruka e a banda Blasted Mechanism, prometendo dias de animação, lazer, convívio… e boa música. Assim, a 7 de junho (sexta-feira), atuam ContraSenso; Protest & Survive; Piruka; DJ Silver Fox; DJ Kadiv. No sábado, dia 8, destaque para Paradigma; Gordo e os Indecentes; Blasted Mechanism; DJ Fernando Alvim; DJ R3AKTIV.

Até 17 de maio – Exposição “Caima -130 anos” – Casa-Memória de Camões

Vila Nova da Barquinha

3 e 5 de março – Desfile de Carnaval – Montalvo, 15:00

Até 22 de março - Exposição “Florestas para o Futuro” – Centro Cultural

8 de março – Tertúlia “As Mulheres no Mundo e na História” com o historiador e investigador Manuel Dias Duarte Biblioteca Municipal Alexandre O´Neill, 15:00

Até 31 de março – XXV Mês do Sável e da Lampreia – Restaurantes aderentes do concelho

8 de março a 8 de abril – Exposição “Mulheres”, da artista plástica Sibila Aguiar – Biblioteca Municipal Alexandre O´Neill 11 a 15 de março – Semana da Leitura

5 de março – Matiné de Carnaval com desfile de máscaras infantil e música com Os Arregaita – ExTuna – Clube de Instrução e Recreio, 16:00 16 de março – I Jornada Regional do Ribatejo de Dança Desportiva – Pavilhão Desportivo, 14:00

Março 2019 / JORNAL DE ABRANTES

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SAÚDE /

Margarida Arnaut Enfermeira USP do ACES Médio Tejo

“Cerca de 850 milhões de pessoas em todo o mundo apresentam doenças renais”

USF Beira Tejo quer abranger todo o sul do concelho A Unidade de Saúde Familiar (USF) de Rossio ao Sul do Tejo entrou em funcionamento no dia 1 de fevereiro. Uma semana depois, o Município de Abrantes anunciou ter conseguido “inverter uma taxa de 43% de utentes sem médico de família em dezembro de 2013 contra os atuais 8%”, resultado de uma “política articulada de investimento e reorganização de serviços” de saúde. “Em cinco anos, e apesar de o município não ter competências próprias [na área da saúde], conseguimos inverter a situação” em trabalho de parceria desenvolvido com o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo e a tutela, disse Maria do Céu Albuquerque, ainda em funções como presidente da Câmara de Abrantes. A responsável congratulou-se com o trabalho iniciado “há mais de cinco anos” e em que o objetivo era “criar condições para que todos tivessem acesso à saúde”, num município de 714 quilómetros quadrados, 13 freguesias e 38 mil utentes inscritos, dos quais “35.718 utentes frequentadores”. Em dezembro de 2013 eram 15.190 os utentes sem médico de família no concelho (43%), “o caso mais grave” em todo o Médio Tejo, tendo os números apresentados revelado que esse valor se cifra agora nos 2.683 utentes (8%). Maria do Céu Albuquerque falava, no dia 6 de fevereiro, na nova USF Beira Tejo, em Rossio ao Sul do Tejo, onde decorreu a apresen-

tação dos resultados e objetivos a alcançar com a reorganização dos serviços médicos de proximidade. Nesse sentido, a USF Beira Tejo vai, numa primeira fase, servir as freguesias de Tramagal, Bemposta e Rossio ao Sul do Tejo, mantendo estes polos a funcionar e deslocando os profissionais de saúde às respetivas extensões de saúde, e encerrando os polos de São Miguel do Rio Torto e da União de Freguesias de São Facundo e Vale das Mós. Para que os utentes destas localidades se possam deslocar à USF Beira Tejo, a autarquia anunciou um “reforço do serviço de Transporte a Pedido” para aquelas populações. “Não é o modelo perfeito, mas estamos satisfeitos com a reorganização efetuada, temos insta-

lações modernas e funcionais, e equipas profissionais motivadas”, destacou Maria do Céu Albuquerque, adiantando que o Município “está pronto” a receber as novas competências na área da saúde. Na cerimónia, Flávio Ribeiro, coordenador da USF Beira Tejo, procedeu à apresentação do novo equipamento, tendo referido que a unidade poderá vir a abranger, gradualmente, os cerca de 12 mil utentes da zona sul do concelho. “Quando estiver a funcionar na sua plenitude, propõe-se que esta USF possa ter 7 médicos de família, 7 enfermeiros de família e 6 secretários clínicos”, afirmou o coordenador, tendo salientado que todos “os utentes inscritos nesta USF terão médico e enfermeiro atribuído”. JMC c/Lusa PUBLICIDADE

O Dia Mundial do Rim foi designado pela Sociedade Internacional de Nefrologia (ISN) e pela Federação Internacional de Fundações Renais (IFKF) no ano de 2006. É internacional, com comemorações em mais de 150 países. Cerca de 850 milhões de pessoas em todo o mundo apresentam doenças renais. Tanto a doença renal crónica como a lesão renal aguda contribuem para o aumento significativo da morbilidade e mortalidade e surgem maioritariamente nos grupos de maior risco que incluem doentes com diabetes, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, obesidade, doenças autoimunes ou história familiar de doenças renais. Em Portugal a prevalência de doentes sob tratamento substitutivo da função renal tem vindo a aumentar anualmente e a incidência de doentes em diálise é das mais elevadas da Europa. Podemos fazer alguma coisa? Sim!!! Podemos fazer a diferença na nossa Saúde. Salvo as situações relacionadas com a genética e as im-

previsíveis, as quais são em número reduzido, a Saúde Renal é construída ao longo da vida da pessoa e resulta dum conjunto de vários fatores de risco cumulativos. Este ano, a comemoração do Dia Mundial do RIM - 14 de março tem como tema: “Saúde Renal para Todos em Qualquer Lugar”. Esta campanha desenvolve-se a nível mundial e pretende aumentar a conscientização sobre a alta e crescente carga de doenças renais em todo o mundo e a necessidade de estratégias para a prevenção e o tratamento precoce das doenças renais. No Dia Mundial do Rim, pede-se que todos defendam medidas concretas em todos os países para melhorar os cuidados com os rins, nomeadamente através da Promoção da Saúde e da Prevenção das Doenças Renais: - Adotar estilos de vida saudáveis: alimentação saudável, opte por uma dieta mediterrânica, evitando o uso excessivo de sal, gorduras e esteja atento às porções. Controle o peso. Evite fumar e beber álcool. Durma as horas de sono recomendadas para a idade. Se não tiver contraindicação médica, faça exercício físico. - Vigie a sua Saúde para detetar o mais precocemente qualquer alteração. Controle a sua tensão arterial, a diabetes, não se medique pelo facto de existirem medicamentos que são tóxicos para os rins e quando usados requerem acompanhamento médico. Faça os rastreios recomendados para a sua idade e pela sua equipa de saúde. A insuficiência renal crónica é uma doença silenciosa e bastante comum, desconhecida da maioria da população. A única forma de a travar é detetá-la precocemente, através de exames simples como análises de urina e sangue. Só assim é detetável quando ainda não existem sintomas. Cuide-se! Faça jus ao tema do dia Mundial do Rim “Saúde Renal para Todos em Qualquer Lugar”.

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JORNAL DE ABRANTES / Março 2019


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J. A. CARDOSO BARBOSA

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EXAMES ENDOSCOPIA DIGESTIVA ALTA DR. RUI MESQUITA

OTORRINOLARINGOLOGISTA DR. RUI CORTESÃO

CIRURGIA DR. FRANCISCO RUFINO

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CLÍNICA GERAL DR. ANTÓNIO PROA; DR. PEREIRA AMBRÓSIO; DRA. ROSA MENDES

HOMEOPATIA DRA. MARIA LUÍS LOPES NEUROCIRURGIA DR. ARMANDO LOPES

DERMATOLOGIA DRA. MARIA JOÃO SILVA

NEUROLOGIA DRA. AMÉLIA GUILHERME; DRA. ISABEL LUZEIRO

EEG – ELETROENCEFALOGRAMA TÉCNICA HÉLIA GASPAR

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GASTROENTEROLOGIA DRA. CLÁUDIA SEQUEIRA; DR. RUI MESQUITA

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ACUPUNCTURA Tradicional Chinesa/ Fisioterapia DRA. ANA RITA LUTA

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NUTRICIONOSTA DRA. MARIANA TORRES

ENFERMAGEM ENF. MARIA JOÃO LANÇA; ENF. BRUNO FERREIRA; ENF. HUGO MARQUES

OBSTETRÍCIA/GINECOLOGIA DRA. LÍGIA RIBEIRO; DR. JOÃO PINHEL

FISIOTERAPIA/OSTEOPATIA DRA. PATRICÍA MASCATE

OFTALMOLOGIA DR. LUÍS CARDIGA

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PENEUMOLOGIA DR. CARLOS LOUSADA PROVA F. RESPIRATÓRIA TÉCNICA PATRÍCIA GUERRA PSICOLOGIA DRA. ODETE VIEIRA; DRA. ANA TORRES PSIQUIATRIA DR. CARLOS ROLDÃO VIEIRA; DRA. FÁTIMA PALMA REUMATOLOGIA DR. JORGE GARCIA TERAPIA DA FALA DRA. SUSANA CORDA UROLOGIA DR. RAFAEL PASSARINHO

Março 2019 / JORNAL DE ABRANTES

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Jornal de Abrantes março 2019  

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