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Câmaras de Abrantes, Mação e Vila de Rei definem estratégias para 2019. Pág 8,12 e 21

ZIF de Aldeia do Mato assinala 10 anos e recupera da tragédia dos incêndios. Pág 6

REPORTAGEM / JORNAL DE ABRANTES / Abrantes / Constância / Mação / Sardoal / Vila Nova da Barquinha / Vila de Rei / Diretora Joana Margarida Carvalho NOVEMBRO 2018 / Edição nº 5573 Mensal / ANO 117

/ DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

SMA querem abastecer todo o sul do concelho de Abrantes a pensar no futuro. Pág 4

Rostos que criam riqueza O JA passou por casas cheias de história, que durante gerações e gerações procuraram dar continuidade a marcas enraizadas. Mas também, fomos à procura de novos projetos, que são identitários de cada concelho.

Pág 13 a 18

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POLÍTICA

ABRANTES


REGIÃO / EDITORIAL /

FOTO OBSERVADOR / A TERCEIRA EDIÇÃO DO TRAIL DE ABRANTES 100 contou com 750 atletas inscritos, nacionais e estrangeiros. A prova atingiu um recorde de participantes e voltou a contar com uma distância de cerca de 100 km. João Oliveira (CRT - Associação Desportiva Dragões de Chaves), foi o vencedor da prova dos 100 km, do Trail Abrantes 100, disputado no dia 20 de outubro. Em femininos, triunfou Sílvia Cunha (AD Amarante Trail Running), com o crono de 13h57m40s, secundada por Isabel Almeida (OPraticante.pt), com o mesmo tempo. A organização pertenceu ao Município de Abrantes, em parceria com o Clube de Orientação e Aventura (COA). A nova edição já está agendada para o dia 19 de outubro de 2019.

Joana Margarida Carvalho

Esta é uma edição especial. O JA foi conhecer um conjunto de projetos dedicados aos produtos regionais, aqueles que são fruto da nossa tradição e história. Passámos por casas cheias de história, que durante gerações e gerações procuraram dar continuidade a marcas enraizadas. Mas também fomos à procura de novos projetos. Pessoas que saíram da sua zona de conforto, da sua vida pessoal e familiar, e que se dedicaram a projetos, causas e à continuidade de produtos que são identitários de cada concelho. Falamos de produtos que vão desde os azeites, aos enchidos, aos típicos bolos ou até mesmo aos hortícolas. Produtos de qualidade que estimulam a criação de emprego e, portanto, feitos por quem sabe e procura acrescentar valor ao local onde reside. Conversámos com pessoas apostadas em criar riqueza, porque afirmam que é aqui que encontram qualidade de vida, que encontram a paz e a serenidade para constituir família e é aqui que pretendem continuar a vingar e a deixar o seu contributo. Por isso, quando percebemos que há valores essenciais que cada vez mais são desvalorizados por poderes instituídos que se levantam ou que são eleitos, damos conta e ficamos com ainda mais vontade de dar destaque a estes projetos. Causas que prezam valores essenciais da nossa democracia e que tanto dizem sobre a nossa tradição e identidade portuguesa. É de pessoas assim que a nossa região precisa para continuar a afirmar-se e a tentar crescer, apesar de todas as dificuldades e contrariedades criadas por quem está nos centros de poder. Ao darmos destaque e o devido valor a quem cria riqueza, contribuímos numa atitude de afirmação e de diferenciação tão essenciais neste mundo cada vez mais competitivo e desigual. Na verdade, é preciso dizer que é de estórias de vida que falamos e que o Jornal de Abrantes também delas é feito.

ja / JORNAL DE ABRANTES

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XVII FEIRA NACIONAL DE DOÇARIA TRADICIONAL decorreu em Abrantes no último fim-de-semana de outubro. Foram mais de 30 doceiros numa mostra que nos levou a percorrer o país naquilo que tem de mais doce. Para além dos doces, do mel e dos licores, a Feira contou com momentos de animação musical, oficinas de doçaria, animação infantil e atividades desportivas. No entanto, um dos stands mais visitados, especialmente pelos mais novos, foi o da exposição dos “saquinhos dos bolinhos” feitos pelos alunos das várias escolas do concelho. Todos quiseram mostrar o que tinham ajudado a fazer e a admirar os trabalhos dos colegas.

PERFIL /

Um filme

“Oficial e Cavalheiro”, de Taylor Hackford (1982) Uma viagem que marcou

Assistente de Apoio ao Cliente (Customer Service Representative)

Uma excursão de autocarro durante 12 dias em 1995 que me levou a Espanha, França, Bélgica, Países Baixos, Alemanha, Luxemburgo e Andorra, carregado com dinheiro de cada um dos países (foi antes da introdução do Euro). Cansativa e inesquecível.

Idade

Um momento importante

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Quando me foi comunicado que tinha sido o vencedor a nível nacional de um concurso organizado pela Alliance Française, em 1986, cujo prémio foi

/ Pedro Jorge Moreira

Patrícia Seixas

Destacar quem cria riqueza

CM Abrantes

DIRETORA

uma estadia de 10 dias em Paris (França), com todas as despesas pagas e juntamente com jovens de toda a Europa. E foi a primeira vez que andei de avião. Um recanto diferente na região

A Ponte Romana de Alferrarede, perto da A23, que muita gente não conhece Uma música

“Music”, de John Miles (1976) Um livro

Naturalidade / Residência

Nasci em Abrantes e resido desde sempre em Alferrarede

“O sexo inútil”, de Ana Zanatti (2016) Um país para visitar

Noruega, o equilíbrio perfeito entre o Homem e a Natureza

Se fosse presidente Câmara o que faria?

Estabeleceria como prioridade máxima apoiar e estimular de facto e por igual todas as iniciativas criadoras de riqueza e postos de trabalho a nível concelhio. O que mais e menos gosta na sua localidade?

Ainda que pareça um paradoxo: o que mais gosto em Alferrarede é a sua capacidade de renascer das cinzas e de se auto-reinventar; o que gosto menos é a sua passividade frente às manobras que ao longo do tempo a têm tentado – e muitas vezes conseguido - menorizar e subalternizar.

FICHA TÉCNICA Direção Geral/Departamento Financeiro Luís Nuno Ablú Dias, 241 360 170, luisabludias@mediaon.com.pt. Diretora Joana Margarida Carvalho (CP.9319), joanamargaridacarvalho@mediaon.com.pt, Telem: 962 108 759. Redação Patrícia Seixas (CP.6127), patriciaseixas@mediaon.com.pt Telem: 962 109 924. Colaboradores André Lopes, Carlos Serrano, Paulo Delgado, Teresa Aparício, Paula Gil, Manuel Traquina. Cronistas Alves Jana e Nuno Alves. Departamento Comercial. comercial@mediaon.com.pt. Design gráfico e paginação João Pereira. Sede do Impressor Unipress Centro Gráfico, Lda. Travessa Anselmo Braancamp 220, 4410-359 Arcozelo Vila Nova de Gaia. Contactos 241 360 170 | 962 108 759 | 962 109 924. geral@mediaon.com.pt. Sede do editor e sede da redação Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65, 2204-909 Abrantes. Editora e proprietária Media On Comunicação Social, Lda., Capital Social: 50.000 euros, Nº Contribuinte: 505 500 094. Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65, 2204-909 Abrantes. Detentores do capital social Nov Comunicação SGPS, S.A. 80% e Empresa Jornalística Região de Leiria, Lda. 20% Gerência Luís Nuno Ablú Dias e Francisco Rebelo dos Santos. Tiragem 15.000 exemplares. Distribuição gratuita Dep. Legal 219397/04 Nº Registo ERC 100783. Estatuto do Jornal de Abrantes disponível em www.jornaldeabrantes.pt. RECEBA COMODAMENTE O JORNAL DE ABRANTES EM SUA CASA POR APENAS 10 EUROS (CUSTOS DE ENVIO). Membro de:

JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2018


ENTREVISTA /

“O maior desafio é adquirir sede própria.” O Orfeão de Abrantes cumpre em Janeiro de 2019 a notável idade de 90 anos. Teve na cidade um papel de primeira importância, que não é possível aqui sequer esboçar. E continua com um trabalho de reconhecida qualidade no campo da música, em especial da música coral. Elisabete Pereira é membro do Coro e do Cant’Abrantes e presidente da Direção. Nestas qualidades, falanos da associação mais distinguida do concelho e do momento que está a viver.

/ MICRO BIOGRAFIA

Como está o Orfeão, com quase 90 anos?

Escola de música Criação: 1992 Alunos: 25 Instrumentos: Guitarra acústica, Guitarra Eléctrica, Piano, Bateria, Baixo, Violino, Saxofone, Flauta transversal e canto Cant’Abrantes: 12 elementos Grupo de Cavaquinhos: 8 elementos

Elisabete Pereira

Naturalidade: Mindelo, Cabo Verde (o pai era militar, ali em serviço) Em Abrantes, há 26 anos No Orfeão, há 20 anos Na direcção, há 10 anos (3º mandato)

Orfeão de Abrantes

Fundação: 20 de Janeiro de 1929 Contacto: 241 371 797 www.orfeaodeabrantes.com orfeaodeabrantes@gmail.com Secções Grupo coral: 12 homens e 16 mulheres Maestro: Tiago Rodrigues Países em que já cantaram: Portugal, França, Bélgica, Espanha e Hungria

Vivo, a trabalhar, confiante e com projetos de futuro, empenhado em ser uma associação ativa.

Como chegou ao Orfeão de Abrantes?

Convidada por um coralista, Vitor Moura, que me vendeu uma casa. Em conversa e porque eu já vinha de outros grupos corais, quando era jovem… vim aqui ter.

E à direção?

Através da Helena Bandos, que me antecedeu. Como ela tinha muitas atividades além do Orfeão, começou a puxar-me para os trabalhos da Direção. Costumava fazer uns jantares em casa dela para os membros da direção e convidava-me sempre. Quando ela saiu… acabei por ficar eu.

Quais os principais projetos do Orfeão de Abrantes?

O que está nos estatutos da associação é o ensino da música e a sua divulgação, em especial a música coral e a música popular portuguesa. Isso faz-se através dos diversos projetos, o Grupo Coral, a Escola de Música e o Cant’Abrantes. E, apenas com um ano, o Grupo de Cavaquinhos.

E o Encontro de Coros do Ribatejo?

Sim, esse é um projeto dos vários grupos corais do Ribatejo e, portanto, nós participamos. Este ano vai ser em Ourém.

Que atração tem cantar em coro?

É trabalhar as vozes em polifonia. Eu sou um trinta avos [uma em trinta elementos], trabalho uma peça, depois cada naipe ou conjunto de vozes ensaia por si, e finalmente, cantamos em conjunto. Gosto muito, sempre gostei. Pegar numa pauta, cantar com quatro ou cinco [conjuntos de] vozes diferentes e conseguir um resultado maravilhoso. É fantástico.

O que representa uma deslocação ao estrangeiro?

Ah!, é – e mais uma vez foi, este ano, à Hungria – fantástico. É sempre o culminar de um trabalho que queremos mostrar a nós próprios – também trabalhamos para nós – mas também mostrar aos outros. Nas idas ao estrangeiro, esses outros têm uma história musical diferente. Na Hungria, a sua história musical é fantástica, muito desenvolvida, e nós vamos mostrar-lhes um bocadinho da música coral portuguesa. Neste ano, num espetáculo apresentámos praticamente só músicas de Lopes Graça.

Como se entra para o coro?

Uma pessoa pode vir à nossa sede, assistir a um ou dois ensaios, e depois se lhe agradar e se tiver

potencialidade, gosto e disponibilidade para os ensaios, um por semana, e as saídas, o maestro faz-lhe um pequeno teste que coloca a pessoa num dos naipes ou tom de voz, e… talvez acabe por ficar. Depois, é trabalho.

Quais os principais desafios?

O mais importante é conseguirmos continuar a trabalhar. Porque em 1929, quando o coro foi criado, as solicitações eram escassas. Hoje, as solicitações são muitas. Por isso, precisamos de ter capacidade de juntar as pessoas e trabalhar com elas. E cada vez mais gente “nova”. E são os jovens que têm mais solicitações e, além disso, terminado o secundário vão estudar para fora e durante vários anos. Por isso, temos de estar sempre a renovar e os novos têm de começar do princípio. O maior desafio, que é um projeto, é ter sede própria. O que está em cima da mesa é comprar o atual edifício, que não é nosso, e fazer dele um centro cultural dedicado à música. Temos a escola de música no edifico Carneiro, de onde vamos ter de sair em breve, e esta seria uma boa solução. Estamos preocupados, porque este projeto está… encalhado.

“O mais importante é conseguirmos continuar a trabalhar”.

Como vai ser a celebração dos 90 anos?

Estamos a trabalhar nisso, e temos já dois pontos do programa. Um, a edição de um livro sobre os 90 anos do Orfeão de Abrantes. O outro, um grande concerto, para o qual estamos a preparar, com orquestra, uma obra de um compositor contemporâneo, a Missa Brevis, de Jacob de Haan, lindíssima. Em ambos os casos, lá para Julho. Outras atividades estão ainda em preparação, entre outras, concertos da Escola de Música e mais um Encontro de Música Tradicional Portuguesa.

Alguns nomes da história do Orfeão de Abrantes Maestros: João Pereira dos Santos, Pinto Ribeiro, Henrique Santos e Silva, e Rui Picado Presidentes da direção: António Cortez, Manuel Dias, Mário Pissarra e Helena Bandos Distinções: Comendador da Ordem de Benemerência - Cavaleiro da Ordem Militar de Cristo Medalha de Mérito Cultural 1984 - Ministério da Cultura Medalha de Mérito Cultural 1996 - C. M. de Abrantes Sócio Benemérito da Liga dos Combatentes da Grande Guerra Medalha de 50 anos -  Sócio Benemérito da Liga dos Combatentes

José Alves Jana Novembro 2018 / JORNAL DE ABRANTES

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REGIÃO / Abrantes

/ Trabalhos em execução

/ Maris Marques, Chefe de Divisão, Manuel Jorge Valamatos, presidente dos SMA e João Cerejo, engenheiro dos SMA

SMA querem abastecer todo o sul do concelho a pensar no futuro Os Serviços Municipalizados de Abrantes (SMA) continuam com a sua missão de levar a água da Barragem de Castelo Bode ao sul do concelho. O investimento global, nesta fase de obra, ronda os 3 ME e a preocupação é garantir a qualidade e a quantidade de água que chega às torneiras de todos os cidadãos abrantinos. Manuel Jorge Valamatos, presidente do conselho de administração dos SMA e também vereador na Câmara de Abrantes, explica que esta grande intervenção já foi iniciada há mais de um ano e que num primeiro momento, o objetivo foi garantir a passagem da água do Castelo Bode no rio Tejo e colocá-la na margem sul do concelho.

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Atualmente, o objetivo é começar a trabalhar o abastecimento no sul do concelho e o vereador explica porquê: “O sul do concelho é abastecido por muitos drenos, muitos furos, muitas captações e são muitos pequenos sistemas que com o passar dos anos, com as condições climatéricas, vão apresentando algumas fragilidades”. “Houve sempre a preocupação de trabalhar o futuro. Nos SMA tivemos sempre uma agenda para o futuro ainda mais porque esta questão da água e as questões ambientais, estão cada vez mais na ordem do dia. É um problema dos nossos dias e que vai estar seguramente no pensamento e nas conversas de todos num futuro

JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2018

“Esta obra é muito importante, porque para além de aumentar a quantidade e a qualidade da água, é uma questão de segurança”.

bem próximo e é um facto que as fragilidades nos sistemas a sul do concelho começam a ser constantes”, salientou. Quanto à obra propriamente dita, os SMA têm “em mãos” dois projetos em execução: “Depois da passagem da água [de Castelo Bode] no açude, iniciámos o projeto

em Vale das Donas, para levar a água para o Tramagal e Crucifixo, num investimento na ordem dos 800 mil euros” “Depois, temos outra empreitada que vai desde o Vale das Donas, até Concavada e Alvega, num investimento de cerca de 2ME e 200 mil euros, com um apoio comunitário (POSEUR) na ordem dos 80%, que foi crucial para que os SMA dessem continuidade a este grande projeto”. Nesta fase da obra, “a freguesia de Rossio ao Sul do Tejo e São Miguel do Rio Torto já fica abrangida”, explicou o presidente daquela entidade. Após a conclusão destas obras e numa terceira fase, os SMA pretendem “fazer chegar a água até à freguesia de São Facundo e Vale das Mós e também de Bemposta. Há uma zona que nos preocupa que é as Mouriscas. Queremos ver se o projeto de levar a água a Alvega permite depois projetar a água para as Mouriscas”, fez notar o responsável, dando conta que até ao final deste mandato, os SMA pretendem ter o sul do concelho todo abrangido e a questão de Mouriscas resolvida. A obra é complexa e conta com maquinaria bastante pesada, pois

“são tubagens muito pesadas e de grandes dimensões, que ficam a 2 metros de profundidade, e que percorrem muitos quilómetros. Esta obra não é visível porque ela passa sobretudo por estradas rurais, no meio do mato e as pessoas acabam por não observar estas grandes intervenções”, contou. “Garantir soluções credíveis para o futuro”, é o objetivo dos SMA e, para o seu presidente, “nada melhor do que trazer a água de Castelo de Bode, enquanto bacia hidrográfica enorme e de excelente qualidade que temos no país e até na Europa, para o sul do concelho, pois falamos de uma garantia de qualidade e quantidade”. “Nós há muitos anos fizemos uma estação de tratamento de água na Cabeça Gorda, localizada na União de Freguesias de Aldeia do Mato e Souto e na Carreira do Mato, onde temos uma estação de tratamento e de distribuição e onde aproveitamos todas essas infraestruturas para a realização deste projeto, sendo que já há muitos anos vislumbrávamos esta possibilidade de levar a água ao sul do concelho”, acrescentou. Segundo avançou o presidente dos SMA, apesar desta intervenção com a água de Castelo Bode, “os pequenos sistemas vão continuar a funcionar porque, por exemplo, a água do Vale das Donas é uma água com bastante qualidade e vai continuar a abastecer, mas com este novo abastecimento temos uma salvaguarda para o caso de existirem futuros problemas, como a falta de água”. “Esta obra é muito importante, porque para além de aumentar a quantidade e a qualidade da água, é uma questão de segurança. Estamos a construir o nosso futuro, criando condições para que as pessoas nunca possam a vir a ficar sem água”, salientou. Por último, Manuel Valamatos realçou que esta intervenção “resulta do esforço de todos os abrantinos que pagam as suas tarifas da água. Muitas vezes, Abrantes é apelidada como o concelho que mais paga taxas em relação aos outros, mas o que é certo é que Abrantes hoje ao nível do abastecimento está mais robusta e com melhores condições e estruturas. E, neste momento, estamos preparados para não voltar a subir as tarifas da água, uma vez que, nos últimos anos houve um grande esforço para garantir esta solidez e robustez”. Caso seja possível atingir o objetivo de levar a água de Castelo Bode ao sul do concelho de Abrantes, os SMA concretizam um grande “sonho de vários concelhos de administração que passaram por ali”, finalizou. Joana Margarida Carvalho


REGIÃO / Abrantes

Ministro do Ambiente afirma que hoje a Administração Central tem uma maior capacidade sobre o rio Tejo

O governante, a convite do proTejo, do Município de Abrantes e da Comunidade Intermunicipal, marcou presença no evento “Tejo Vivo - Seminário para a recuperação do rio e os seus afluentes” que aconteceu no Parque Tejo, durante a tarde do passado dia 27 de outubro. Na sua intervenção, João Matos Fernandes recordou o grande episódio de poluição, junto ao açude insuflável de Abrantes, no dia 24 de janeiro, referindo que o mesmo serviu para que as entidades

/ João Matos Fernandes, Maria do Céu Albuquerque e Paulo Constantino atuassem: “Foi, de facto, um dia dramático, onde tudo se tornou muito visível. Às vezes é preciso alguma escatologia para que toda a Administração, todo o poder público e a própria comunicação social perceba o que está a acontecer e que tem de agir”. O governante destacou o traba-

lho realizado por parte da Administração Central e demais entidades a partir desse episódio no rio onde o objetivo se centrou “em despoluir o Tejo”. “Foi feita uma operação fundamental que foi despoluir o Tejo, onde existiam dezenas de milhares de metros cúbicos de poluição refe-

rente a Vila Velha de Rodão. Fizemo-lo com zero impacto ambiental, a partir de um método que nunca tinha sido testado e, por isso, conseguimos ter muito sucesso na operação que concretizámos porque mais de 90% da matéria orgânica que existia foi ali retirada”, salientou. De seguida, João Matos Fernandes referiu-se aos investimentos já realizados e deu como exemplo a colocação dos amostradores automáticos que estão no rio, nas zonas mais críticas, a colocação dos chamados guarda rios e a aquisição de novos meios analíticos, de novas embarcações e carros para ir ao terreno. Para o futuro, o Ministro do Ambiente disse estarem previstos uma série de investimentos a concretizar, no âmbito do POSEUR, através da aprovação de 74 candidaturas, que totalizam 73 milhões de euros, na construção e ampliação de novas ETARS. Entre 2018 e 2021, o governante falou de um investimento de 3,5 milhões de euros na consolidação do trabalho realizado durante estes meses.

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No que diz respeito aos episódios recorrentes de poluição no rio que marcaram os últimos anos e sobretudo o início de 2018, João Matos Fernandes referiu que o Governo não podia ficar à espera da penalização judicial para depois atuar: “Se houver alguma responsabilidade criminal em face do que aconteceu em janeiro passado certamente que serão empregues aos seus responsáveis uma parcela muito expressiva das despesas (…) Agora, ficar à espera de uma decisão judicial, seria um exercício de negligência”, observou. O evento que decorreu no Parque Tejo contou com dois painéis temáticos. Num primeiro painel analisaram-se as questões referentes ao regime de caudais e o estado ecológico na Convenção de Albufeira. No segundo painel abordou-se a problemática da escassez de água na bacia do Tejo em situação de seca periódica e as alterações climáticas. Foram muitos os convidados e especialistas presentes. Joana Margarida Carvalho PUBLICIDADE

João Matos Fernandes, Ministro do Ambiente, disse em Abrantes, que “hoje a Administração tem uma capacidade no rio Tejo que não tinha há cerca de 1 ano e meio”, e que esse facto é motivo de “segurança” relativamente ao que se passa no Tejo.

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REGIÃO / Abrantes

“O mais importante que a ZIF poderá celebrar é o facto de ter unido todas as pessoas num desígnio único” A Zona de Intervenção Florestal (ZIF) de Aldeia do Mato comemorou 10 anos este sábado, 13 de outubro. Uma “luta” que começou muito antes, em 2005, após o grande incêndio que devastou a zona norte do concelho de Abrantes e que foi aprovada e publicada em Diário da República em agosto de 2008. Um dos nomes que esteve ligado a este processo de constituição da ZIF foi o de António Cruz, na altura presidente da Junta de Freguesia de Aldeia do Mato. “Não há dúvida nenhuma que o processo foi muito difícil no início, a começar pelos serviços do Ministério da Agricultura”, explicou António Cruz que acrescentou que esses serviços “desconheciam a lei”. “Essa lei foi aprovada em agosto de 2005, altura em que houve o incêndio, e começámos imediatamente, em outubro desse ano, a fazer todo o processo de constituição da ZIF. Foi difícil porque era desconhecido, quer das entidades oficiais quer dos próprios proprietários florestais”. Na altura, a ZIF de Aldeia do Mato arrancou com “cerca de três dezenas de proprietários florestais”. Mas, como explicou António Cruz, “logo que começámos a ter algum trabalho visível no terreno, foram aderindo mais e as coisas começaram então a evoluir positivamente”. António Cruz vê a ZIF de Aldeia do Mato “com alguma perspetiva de futuro mas também com alguma desilusão perante o que aconteceu o ano passado”, referindo-se ao incêndio que afetou a zona intervencionada. Gonçalo Pessoa foi o engenheiro que embarcou “nesta aventura”, ao lado de António Cruz. Hoje, afastado profissionalmente dos temas da floresta, olha para a ZIF de Aldeia do Mato “com muito orgulho”. Lembrou que “foi um trabalho muito difícil de arrancar, era tudo uma novidade pois as pessoas não estavam por dentro do que era uma ZIF”. Recorda os mitos na altura em que “uma ZIF era igual a uma Reforma Agrária. As pessoas tinham medo e achavam que iam ficar sem os seus terrenos. Teve que haver um trabalho de desmistificação junto das pessoas, muito por parte do engº Cruz, e se chegámos a bom porto em 2010 foi muito por casmurrice dos dois”. “Foram muitas horas passadas no carro à noite, à porta das

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/ O almoço convívio, em Martinchel, reuniu todas as entidades que participam na ZIF

/Os trabalhos continuam a decorrer, apesar do “ciclo negro dos incêndios” pessoas e muitos quilómetros percorridos”, recorda com um sorriso nos lábios. “Independentemente de todas as vicissitudes que aconteceram na ZIF ao longo de todos estes anos, e dos inevitáveis incêndios, é com muito orgulho que eu vejo que, ao fim destes anos,

JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2018

cá estamos todos com uma coisa que é real”, acrescentou Gonçalo Pessoa. André Nunes, da Gestiverde, entidade gestora da ZIF desde 2012, “oficialmente”, fez um balanço destes anos e lembrou “que o mais importante que a ZIF pode-

rá celebrar é o facto de ter unido todas as pessoas num desígnio único que é a gestão do espaço florestal destas freguesias”. O incêndio do ano passado “podia colocar em descrédito todo o trabalho que foi feito mas se passearmos um pouco pela área da ZIF, percebemos que, onde havia intervenção, já cumprindo os procedimentos legais, as boas práticas e tudo mais, foram as zonas mais resilientes ao fogo. Houve zonas onde o fogo passou mas a floresta ficou. Esperemos que esses bons exemplos que foram já fruto deste trabalho dos últimos anos, que as pessoas os aprendam e continuem a multiplicá-los”. Mas mais importante agora é olhar para o futuro e na ZIF os trabalhos estão a ser feitos, pois “já pusemos as mãos à obra. Nós, os madeireiros, os proprietários...” No pós incêndio, concretamente, André Nunes afirmou que “infelizmente”, por ter sido de grande dimensão, “tivemos acesso a fundos para estabilização das encostas, para beneficiação de algumas linhas de água, de alguns troços mas não tanto quanto nós gostaríamos – esse vai ser um trabalho que realizaremos à posteriori – mas estamos a desassorear linhas de água, a retirar inertes, pois há muita madeira queimada...” Quando a Gestiverde iniciou a gestão, a ZIF de Aldeia do Mato contava com 96 proprietários aderentes, das freguesias de Aldeia do Mato e Rio de Moinhos e, neste momento, já se procedeu ao alargamento a toda a freguesia de Martinchel, contando atualmente

com 340 proprietários florestais. Olhando para um futuro a longo prazo, “interrompendo esse ciclo negro dos incêndios”, André Nunes considera que se poderá voltar a olhar para a floresta como um meio rentável e capaz de criar postos de trabalho, “ajudando a fixar populações”. O engenheiro florestal também gostava que “se quebrassem alguns mitos sobre as espécies”. Explicou que “nós conseguimos ter áreas de sobreiro e podíamos ter mais áreas de pinho mas infelizmente foram das que mais sofreram com os incêndios. Quisemos ter uma iniciativa no Verão de candidaturas para rearborizar áreas de pinhal mas tivemos um problema técnico de avaliação na União de Freguesias de Aldeia do Mato. Esperamos que venha a ser ultrapassado até ao fim do ano”. Consciente de que as rearborizações em curso são, na sua grande maioria, de eucaliptos, André Nunes reparou também que “muitas delas já seguem todas aquelas doutrinas que emanam da lei e para as quais vamos alertando”. “Mas obviamente que estamos a trabalhar para criar interstícios com outras espécies no meio deste maciço de eucaliptos. Estamos a falar de espécies diversas como o medronheiro, sobreiros, carvalhos... não com a dimensão que desejaríamos mas já são relevantes. E acredito que, à semelhança do que foi o crescimento dos aderentes, que à medida que se vá mostrando o trabalho e a pertinência do mesmo, que as pessoas vão aderindo” a estas práticas. Patrícia Seixas


REGIÃO / Abrantes Câmara avança com contrato de comodato para a dinamização do cineteatro São Pedro vender o imóvel”. “O que nos foi proposto pela Sociedade Iniciativas de Abrantes foi que eles pudessem regularizar toda a situação com os seus sócios para que depois pudéssemos celebrar um novo contrato de comodato”, afirmou o vereador. O responsável disse que a Câmara está a trabalhar, com os seus serviços jurídicos, “um contrato de comodato que não onere nenhuma das partes, porque um contrato de comodato é gratuito por natureza”. E lembrou que “o cineteatro está encerrado já há muitos meses e que a própria degradação do imóvel, quando não é habitado, se verifica cada vez mais”. Questionado sobre as condições que balizam o novo contrato de comodato, Luís Filipe Dias vincou que “o contrato terá seguramente algumas condições semelhantes ao anterior, mas obviamente que terá de haver uma salvaguarda de ambas as partes e não só contrapar-

tidas para uma das partes”. “Quando o contrato foi celebrado em 2001, houve um compromisso da recuperação do cineteatro e essas obras foram feitas e ficou salvaguardado que as benfeitorias no final do contrato reverteriam para a Iniciativas de Abrantes, o que se veio a verificar”, salientou. Luís Filipe Dias recordou que no final do ano de 2017, quando o

contrato de comodato estava a finalizar, o Município propôs à Iniciativas de Abrantes a celebração de um novo contrato, contudo a proposta “foi recusada unanimemente pela Assembleia Geral da Iniciativas de Abrantes”. Nesta fase, passados 10 meses do encerramento do equipamento, o vereador refere que “é agora a própria gerência da Iniciativas de Abrantes que propõe a celebração

de um contrato de comodato”. Por último, o vereador vincou que “haverá sempre uma indicação clara e expressa nas cláusulas a acordar que qualquer intenção de compra/venda passará sempre pelo direito de preferência do Município, o que será trabalhado ao longo dos próximos meses e anos por forma a que daqui a 30/40 anos não tenhamos os mesmos problemas que hoje estamos a ter”. PUBLICIDADE

A Câmara Municipal de Abrantes continua o seu processo negocial com a Sociedade Iniciativas de Abrantes para voltar a dinamizar o cineteatro São Pedro, encerrado desde janeiro passado. Tal como estava inicialmente previsto, o Município deverá avançar com a celebração de um contrato de comodato com a Sociedade Iniciativas de Abrantes, proprietária do equipamento. A proposta de compra do cineteatro São Pedro, por 267 mil euros, esteve em cima da mesa e chegou mesmo a ser anunciada pela presidente da Câmara Municipal, Maria do Céu Albuquerque, na reunião de Câmara de Abrantes, do passado dia 29 de maio. No entanto, na reunião de Câmara do dia 16 de outubro, Luís Filipe Dias, vereador com o pelouro da Cultura, avançou que a proposta “de compra e venda do imóvel foi negada pela gerência da Iniciativas de Abrantes por não terem condições legais para poder

Novembro 2018 / JORNAL DE ABRANTES

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REGIÃO / Abrantes

Câmara aprova orçamento superior a 37 ME. Oposição vota contra As Grandes Opções do Plano, que integram o Plano Plurianual de Investimentos e as atividades mais relevantes e, respetivo Orçamento da Câmara Municipal de Abrantes (CMA) para 2019, foram aprovadas pela maioria PS, com os votos contra dos vereadores da oposição eleitos pelo PSD e BE, na reunião do Executivo de dia 30 de outubro. O Orçamento da CMA para o próximo ano é de 37.183.680,00 euros e, segundo Maria do Céu Albuquerque, presidente do Município, é um plano “de continuidade”, sobretudo centrado nas funções sociais e na gestão florestal. A presidente explicou que o orçamento sofreu um aumento devido à “utilização dos fundos comunitários neste quadro de apoio Portugal 2020” e em concreto devido à injeção de 1ME proveniente da Administração Central. Trata-se de um orçamento que “se faz basicamente pelos investimentos que estão em curso e por aqueles que temos em carteira, no sentido de trazer mais investimento para dentro do nosso Município e que para isso seja possível alcançar os níveis de desenvolvimento que os nossos cidadãos aspiram e merecem”, salientou. Inscritas neste orçamento estão várias obras previstas a concretizar ao longo de 2019. O destaque vai sobretudo para a reabilitação do Colégio Nossa Senhora de Fátima, que será o futuro Centro Escolar de Abrantes. “A grande fatia vai para a educação, com a reabilitação do Colégio de Fátima. Também estamos a falar da instalação da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA) [no Tecnopolo do Vale do Tejo], para criarmos condições para o seu desenvolvimento pleno de uma vez por todas. Estamos a falar de investimentos de proximidade nas freguesias, seja por via, não só, dos orçamentos participativos ou dos contratos interadministrativos com as Juntas de Freguesia”, explicou a responsável. No plano cultural, Maria do Céu Albuquerque destacou o futuro Museu de Arqueologia e Arte de Abrantes (MIAA) que está a nascer no antigo Convento de São Domingos, o novo Museu de Arte Contemporânea (MAC) que vai ficar instalado no Edifício Carneiro e que vai acolher a coleção do escultor Charters de Almeida e a ampliação da Galeria de Arte – QUARTEL. “Aquilo que decidimos foi pegar em imóveis degradados no centro

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histórico, e estou a falar do antigo Quartel dos Bombeiros, do Edifício Carneiro e do Convento de São Domingos e com isso melhorarmos estes equipamentos no sentido de instalar as coleções que nos foram cedidas ou doadas por privados para podermos capitalizar o turismo cultural”, fez notar a presidente. Com estes investimentos, o objetivo para Maria do Céu Albuquerque passa por “potenciar a política de cidades para que a nossa cidade possa ter a capacidade, a nível regional, de ombrear com outras à sua dimensão, mas depois que esse desenvolvimento possa ser alicerce, promotor e catalisador do desenvolvimento do nosso concelho como um todo”. No decorrer da reunião de Câmara, Maria do Céu Albuquerque destacou a poupança corrente que, segundo disse, “cumpre claramente com aquilo que são as regras provisionais, regras que temos que cumprir no âmbito da lei das finanças locais. Estamos a falar de uma poupança de cerca de 5,5ME e, com isso, somos capazes de alavancar também a componente nacional dos investimentos que temos em carteira”. “Não equacionámos ainda as questões ligadas à descentralização de competências, porque não é possível quantificar ainda quais são as receitas e as despesas associadas. E, portanto, faremos isso logo que tenhamos a informação através daquilo que são os instru-

JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2018

mentos de planeamento que ficam disponíveis a todo o tempo durante a execução orçamental do próximo ano”, acrescentou.

SMA com orçamento aprovado de 6ME Proposto à votação dos eleitos esteve também o orçamento para 2019 dos Serviços Municipalizados de Abrantes (SMA) que ascende a 6ME. A grande obra prevista passa por continuar a levar a água da Albufeira de Castelo Bode até à margem sul do concelho. Com a obra já a decorrer, os SMA “garantem que a quantidade e qualidade da água que chega às comunidades têm a garantia de uma qualidade de excelência que é a água

de Castelo de Bode, em detrimento de pequenas captações e, com isso, queremos garantir a sustentabilidade do sistema de abastecimento de água”, vincou a presidente. Rui Santos, vereador do PSD, começou por referir que se iria abster relativamente ao orçamento dos SMA, dando conta que esperava ver concretizadas as obras anunciadas no orçamento para 2019. Relativamente à Câmara Municipal, o vereador afirmou que as opções inscritas no orçamento “não são as opções do PSD”. “Entendemos que existem diversos investimentos que são desnecessários”, afirmou Rui Santos, como também disse que não é através do orçamento defendido pela maioria PS que Abrantes vai

preparar os próximos 100 anos. Já Armindo Silveira (BE) mostrou-se contra aos documentos propostos à votação e falou em “divergências” “Falando em divergências refiro a continuidade do apoio financeiro à fixação de médicos de família nas USF´s; a requalificação do Largo 1º de Maio; a intervenção no Colégio Nossa Senhora de Fátima, sem ter em conta as conclusões da Carta Educativa que continua por publicar desde 2015, e as obras do Vale da Fontinha”, enumerou. De seguida fez referência à ESTA, e lembrou que o BE sempre discordou da opção de deslocalizar a escola para o Tecnopolo, “pois irá esvaziar ainda mais a cidade de Abrantes”. No entanto, Armindo Silveira considerou que “a ESTA não pode continuar a funcionar em três polos separados entre si. Por isso, preocupa-nos imenso o escasso montante (salvo erro, cerca de 190.000 euros) inscrito no orçamento para 2019, para a instalação no Tecnopolo em Alferrarede”. O vereador do BE criticou ainda a “escassa informação fornecida pela A-Logos e Tagusvalley, o que se repete ao longo dos anos”. Salientou que a informação disponível e que faz parte do orçamento da Câmara “não permite, em rigor, qualquer análise ao seu plano de investimentos o que é lamentável e nada transparente”. Por último, e no que diz respeito ao orçamento dos SMA, o vereador do BE começou por referir que “nada tem contra a empresa Abrantáqua SA que gere a rede de saneamento básico e aguas pluviais no concelho de Abrantes, mas dado a sua vocação para o lucro, voltamos a denunciar o contrato. Só para termos uma ideia, a Abrantáqua SA, segundo os relatórios e contas de 2014, 2015, 2016 e 2017, apresentou resultados líquidos de cerca de 893.000,00 de euros”. “O Bloco de Esquerda defende que a rede de saneamento básico e águas pluviais deve ser gerida pelos SMA numa ótica de rentabilidade para cobrir as despesas e salvaguardar investimentos futuros nas referidas redes”, referiu o bloquista, justificando o seu voto contra. As Grandes Opções do Plano, que integram o Plano Plurianual de Investimentos e as atividades mais relevantes e, respetivo Orçamento da Câmara Municipal de Abrantes, serão agora submetidos à votação da Assembleia Municipal do dia 30 de novembro. Joana Margarida Carvalho


REGIÃO / Abrantes “Sabores da Albufeira” abriu ao público com aposta nos produtos locais “Durante estes oito anos temos vindo sendo a melhorar”, afirma. Há outras novidades a caminho mas, para já, a mais recente prende-se com o restaurante. Ganhou nome próprio e foi batizado como «Sabores da Albufeira» porque a ementa é direcionada para os produtos locais. Ou seja, “temos muito peixe do rio, o lagostim, as carnes aqui da zona, o javali, o borrego, o cabrito...” “É uma carta com muitos produtos locais mas onde vamos continuar com a apresentação gourmet, porque temos que fazer jus aos prémios que já recebemos mas agora com um tipo de comida diferente”, explica Isabel Coimbra. A chef Dalila estará à frente da equipa, ajudou na recolha e “temos receitas com mais de 260 anos”. A inauguração aconteceu na sexta-feira, dia 2 de novembro, e o “Sabores da Albufeira” teve como padrinhos a fadista Fábia Rebordão e Jorge Fernando, “que são meus amigos” e que marcaram presença

/ Isabel Coimbra, diretora do Segredos de Vale Manso, na sala do restaurante “Sabores da Albufeira” no descerramento da placa, conheceram a nova decoração do restaurante e também a nova ementa. O “Sabores da Albufeira” está então aberto ao público e com um novo conceito. Mas as boas notícias no Hotel Segredos de Vale Manso não ficam por aqui. No que diz respeito ao alojamento, “por enquanto, só tem 24

quartos”. No ar fica o cheiro a novidades “que serão faseadas”. “Será a curto prazo, dependendo dos incentivos e das candidaturas apresentadas”, acrescenta a diretora, cujo sonho é ver a capacidade do Hotel aumentada. Esse aumento do número de quartos deve-se à procura pois “perdemos imensos eventos por não termos alojamento suficiente”, desabafa.

Para além do serviço de quartos, o Hotel disponibiliza também a piscina que está aberta ao público, com bar de apoio, organização de eventos, passeios de barco, 13 lugares de ancoradouro e, num futuro próximo, faz ainda parte dos planos a criação de um campo de paintball. Patrícia Seixas PUBLICIDADE

O concelho de Abrantes tem, desde o dia 1 de novembro, um “novo” espaço de restauração. Um conceito diferente, com uma das melhores vistas da região. Chama-se “Sabores da Albufeira” e é o restaurante do Hotel Segredos de Vale Manso, localizado na freguesia de Martinchel. Numa localização privilegiada com uma vista magnífica sobre a albufeira da Barragem de Castelo de Bode, “funciona tanto para clientes do hotel como está aberto ao público em geral, com preços normais de restaurante”. “Não é mais caro por ser no hotel”, garante Isabel Coimbra, diretora do Hotel Segredos de Vale Manso. Engenheira Civil de profissão, Isabel Coimbra sempre sonhou ter um lugar assim. Comprou o hotel num leilão feito pelo Instituto de Turismo. “Chamava-se Estalagem Vale Manso e estava encerrado há dois anos. Reabri na Passagem de ano de 2010 para 2011. Entrámos em 2011 com o Hotel aberto”, conta a diretora.

ANA FILIPA DE LOSADA MARCELINO TOMÁS Certifico para efeitos de publicação que, por escritura de Justificação Notarial, outorgada neste Cartório, em vinte e quatro de Maio de dois mil e dezoito, lavrada de folhas 28 a 29 verso do Livro de notas para escrituras diversas número 197, Maria do Rosário Lopes dos Santos, NIF 114.528.543, natural da freguesia de Souto, concelho de Abrantes, e marido João de Jesus dos Santos, NIF 116.250.216, natural da freguesia de Souto, concelho de Abrantes, casados no regime da comunhão geral de bens, residentes na Praceta Alexandre O’Neill, número 4, 1° Esquerdo, concelho de Amadora; justificaram que, com exclusão de outrem, são donos e legítimos possuidores do prédio urbano, destinado a habitação, sito no lugar de Sobral Basto, composto por casa de Cave com duas divisões para arrecadação e Rés-do-Chão para habitação, com cozinha, três divisões assoalhadas, despensa, uma divisão para arrumos e sótão amplo, com a área total do terreno e coberta de sessenta metros quadrados, a confrontar a Norte com Herdeiros de Manuel Lopes, a Sul com Herdeiros de Manuel Lopes, a Nascente com Herdeiros de Manuel Lopes e a Poente com Herdeiros de Manuel Lopes, na freguesia de Carvalhal, concelho de Abrantes, não descrito na Conservatória de Registo Predial de Abrantes, achando-se o prédio inscrito na matriz da referida freguesia sob o artigo 901, com o valor patrimonial tributário de E 12.220,00 (doze mil duzentos e vinte euros), ao qual atribuíram igual valor. Uma vez que, durante o ano de mil novecentos e setenta e seis, em data que não conseguem agora precisar, os Pais da justificante, já falecidos, Manuel Lopes e Júlia Rosa Soares, casados que foram no regime da comunhão geral de bens e com última residência habitual no lugar de Sobral Basto, freguesia de Carvalhal, concelho de Abrantes, doaram aos ora justificantes o prédio supra identificado; Apenas por merodesleixo e confiança inequívoca entre pais, filha e genro, não formalizaram a competente escritura de doação, a qual hoje não é possível de realizar em virtude de se desconhecer o paradeiro de todos os herdeiros dos doadores; No entanto, em consequência da referida doação, desde então a até à presente data, os justificantes estiveram na detenção e fruição do referido prédio; Que não possuem título formal que lhes permita registar na citada Conservatória do Registo Predial o identificado prédio, embora sempre tenha estado na detenção e fruição do mesmo, durante mais de vinte anos, detenção e fruição estas adquiridas e mantidas sem qualquer oposição e ocultação, ou seja, de modo a poderem ser conhecidas por quem pudesse ter interesse em contrariá-las. Que tal posse assim mantida e exercida, o foi em nome e interesse próprios e traduziu-se em factos materiais conducentes ao integral aproveitamento de todas as utilidades do prédio em causa, nomeadamente construindo nele uma casa de habitação, fazendo depois as necessárias obras de conservação e pagando os impostos a ele devidos; Que esta posse por ter sido sempre pacífica, pública, contínua e durante mais de vinte anos, facultou aos justificantes, a aquisição por USUCAPIÃO do direito de propriedade do referido prédio, direito esse que pela sua própria natureza não pode ser comprovado por qualquer título formal extrajudicial; Nestes termos, e não tendo qualquer outra possibilidade de levar o seu direito a registo, vêm os justificantes, justificá-lo nos termos legais. Está conforme o original. Alfragide, catorze de Junho de dois mil e dezoito. A Notária, Conta n.° 1417

(Ana Filipa de Losada Marcelino Tomás)

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REGIÃO / Abrantes

Abrantes não adere ao serviço intermunicipal de gestão de água Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara Municipal de Abrantes e da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT), disse no dia 30 de outubro que colocou o seu lugar de presidente da CIMT à disposição. O motivo está relacionado com facto da Câmara de Abrantes não integrar o novo serviço intermunicipal de gestão do sistema de água em baixa, previsto para o Médio Tejo. O assunto foi discutido na última reunião da CIMT no passado dia 25 de outubro. Na sessão, sete municípios da região, em concreto Constância, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar e Vila Nova da Barquinha, manifestaram-se favoráveis à adesão na nova empresa intermunicipal. Já os Municípios de Abrantes, Alcanena, Entroncamento, Sertã, Torres Novas e Vila de Rei, não quiseram ingressar no novo sistema de gestão de água em baixa.

“Decidimos e está decidido. Abrantes não entra na agregação dos sistemas de distribuição de água em baixa com os sete municípios do Médio Tejo que prosseguem na perspetiva da criação de uma empresa intermunicipal”, começou por dizer Maria do Céu Albuquerque, reunião do executivo camarário desta terça-feira, aquando lia uma declaração política sobre o assunto. “Gostava que o nosso município pudesse ter as condições políticas

para liderar este processo. Acolhendo a sede da empresa, participando no capital social de forma a ver os interesses dos seus munícipes salvaguardados. Uma liderança regional que assim nos escapa. Precisávamos de mais tempo para podermos melhor sustentar uma posição diferente daquela que aqui assumimos”, fez notar a autarca abrantina. Já enquanto Presidente da Comunidade Intermunicipal do Medio Tejo, Maria do Céu Albuquerque disse defender que todos os concelhos do Médio Tejo têm “a responsabilidade de participar à sua escala e com as condições que se oferecem a cada município, na salvaguarda de um interesse maior

que é o de uma comunidade mais alargada de 250.000 habitantes. Por isso mesmo, coloquei o meu lugar de presidente do conselho à disposição, por não me sentir legitimada para prosseguir nas funções que desempenho ao nível da região”. No entanto, a responsável referiu que os seus colegas autarcas consideraram que a sua prestação não estava comprometida com este processo.   Em finais de 2017, os 13 municípios da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT) entenderam iniciar um estudo com vista à agregação dos seus serviços em “baixa”, denominado “Estudo de Análise de Modelos de Agregação

Pagamentos e transmissão televisiva analisadas em balanço do Grande Prémio da Nacional 2 O apoio de 12 mil euros, concedido à Associação de Municípios da Rota da Estrada Nacional 2, para a terceira etapa do “Grande Prémio de Portugal – Nacional 2” que se realizou no dia 27 de julho e que passou pelo concelho de Abrantes, foi motivo de assunto na reunião de Câmara Municipal de Abrantes de dia 2 de outubro. Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara, mostrou-se desagradada pelo facto da prova não ter tido a mediatização prevista e que a prova se traduziu somente na passagem pela cidade. No final da reunião Luís Filipe Dias, vereador com o pelouro do desporto explicou o desagrado manifestado pela presidente e que foi transmitido na Assembleia Geral da Associação de Municípios da Rota da Estrada Nacional 2, que decorreu nessa mesma terça-feira, em Coruche.

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/ A passagem do “Grande Prémio de Portugal – Nacional 2” pela cidade de Abrantes

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no Âmbito do Abastecimento de Água e de Saneamento de Águas Residuais”. Aos dias de hoje, a Câmara Municipal de Abrantes não encontrou no estudo “maturidade suficiente que permita decidir a curto prazo sobre uma matéria tão estruturante para o interesse coletivo”. Na reunião de Câmara, os vereadores da oposição, Rui Santos (PSD) e Armindo Silveira (BE) lamentaram não ter tido o conhecimento prévio do assunto e nessa sequência terem oportunidade de dar a sua opinião e contributo sobre a adesão no serviço intermunicipal de gestão do sistema de água em baixa.

“Havia um compromisso inicial de que a despesa seria equitativamente distribuída por todos os Municípios onde passaria o Grande Prémio da Nacional 2” que ligou Chaves a Faro, “independentemente de haver partidas ou chegadas”. “A falta de solidariedade e subsidiaridade que era necessária” foi então levada à Assembleia Geral da Associação de Municípios da Rota da EN2 por Maria do Céu Albuquerque e, segundo confirmou o vereador Luís Filipe Dias “foi abordada por todos de forma bastante crítica”. “Percebemos que apenas 11 Municípios assumiram o valor total e estamos a falar de mais de 30”, confirmou o vereador que acrescentou que foi comunicado na reunião “que a candidatura ao Valorizar – programa de valorização turística do interior, vai contemplar a realização desta prova que, assim, será financiada nos próximos anos”. Para a realização do próximo Grande Prémio de Portugal – Nacional 2, o vereador afirma que “há-de haver um critério bem vincado que compensará todos aqueles que se comprometeram com o que ficou definido em Assembleia Geral”.


REGIÃO / Abrantes

Festival de Filosofia debate o tema da Inteligência Artifical

/ Festival de Filosofia do ano passado desafiou os jovens a “Pensar o Futuro” - Barbara, João, Inês e Sérgio foram os jovens que participaram no OrAbrantes dos os partidos políticos representados na Assembleia da República, no dia 17 de novembro, pelas 17h30, no Edifício Pirâmide. A par das conferências, o programa inclui apontamentos culturais, com cinema, teatro, música, feira do livro; apresentação de li-

vros sobre a temática; oficinas de Filosofia com crianças, com Joana Rita Sousa, nas escolas dos concelhos envolvidos; intervenções de rua; prémio Jovem filósofo e oratória livre por jovens abrantinos. O Festival é organizado pela Câmara Municipal de Abrantes, em

parceria com o Clube de Filosofia de Abrantes, a Câmara Municipal de Mação, a Câmara Municipal de Sardoal, a Palha de Abrantes - Associação de Desenvolvimento Cultural, os Agrupamentos de Escolas dos Concelhos de Abrantes, Mação e Sardoal e a Fundação Serralves. PUBLICIDADE

A 2.ª edição do Festival de Filosofia de Abrantes, que decorre de 9 a 18 de novembro na cidade abrantina, em Sardoal e em Mação, pretende desafiar os participantes a refletir e a debater sobre o impacto da Inteligência Artificial (IA) na organização do trabalho e no primado do pensamento humano. O programa oferece um conjunto de conferências com interven-

ções de pensadores, académicos, investigadores, nacionais e internacionais, entre os quais Viriato Soromenho Marques, Manuel Carvalho da Silva, Steven S. Gouveia, Leonel Moura, Nina Power, Luís Moniz Pereira, Porfírio Silva, Arlindo Oliveira, Jean Haentjens, Sara Fernandes, Luiz Oosterbeek, Diogo Tudela, Gonçalo Marcelo, Lara Sayão (Olimpíada de Filosofia do Rio de Janeiro), Tomás Magalhães Carneiro (Clube Filosófico do Porto) e Alves Jana (Clube de Filosofia de Abrantes). A dimensão política sobre os desafios da robótica no mundo trabalho será o tema que vai juntar à mesma mesa representantes de to-

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REGIÃO / Vila de Rei

oposição, justificou a sua abstenção considerando que o PS tem outras opções: “Há ali questões que concordamos, no entanto há outras que não. Se o orçamento

tivesse do nosso lado teria outras preocupações e reforço em outras áreas”, disse. Por sua vez, Ricardo Aires (PSD), presidente da Câmara de Vila de Rei, começou por explicar que orçamento para 2019, que se cifra em cerca de 8ME e 280 mil euros, prioriza as funções sociais. “Este orçamento vem na continuação do Orçamento anterior, onde as funções sociais é a maior percentagem do nosso orçamento”, afirmou Ricardo Aires, tendo lembrado que já em 2017 o Município tinha aumentado “a aposta nas funções sociais em relação a 2017, com novos apoios no âmbito da saúde, educação e âmbito social”. Disse que a aposta da Câmara Municipal “tem de estar nas pessoas e nas condições de vida que oferecemos aos munícipes”. Este ano, 60% do Orçamento de Vila de Rei vai para os diversos apoios que a Câmara disponibiliza em termos sociais, na educação, saúde e no apoio à economia local. Ricardo Aires enumerou algumas obras que estão inscritas neste orçamento para 2019 e que passam pela reabilitação de ETRS e melhorias nos sistemas de água e saneamento: “A nossa principal obra, de cerca de 1.5ME, é a remodelação da ETAR da Fundada e a remodelação do sistema de água e saneamento na sua sede de freguesia”. “Seguidamente, temos a reno-

vação de quatro ETRS em Carrascal, Milreu, São João do Peso e Fundada. Depois, temos a construção do Parque da Vila e a ampliação da zona industrial do Souto que já está em obra”, acrescentou o autarca. O presidente lembrou que ao longo dos últimos anos, o Município tem apostado no apoio à economia local e que essa aposta tem sido um garante de novas empresas no concelho. “Temos apoiados as atividades económicas onde continuamos com os estímulos ao investimento. Também a obra na zona industrial do Souto servirá para garantir mais condições para atrair mais investimento para o concelho”, considerou. Ricardo Aires explicou ainda que o orçamento para 2019 sofreu um aumento de cerca de 1ME justificado pelas candidaturas a fundo perdido que o Município preparou ao longo do último ano e também devido ao aumento do Fundo de Equilíbrio Financeiro (FEF) da Câmara Municipal atribuído pelo Governo. Neste orçamento, o Município prevê ainda contratar mais profissionais em diferentes áreas devido à descentralização de competências prevista para 2019. O orçamento será agora submetido à aprovação da Assembleia Municipal, no dia 8 de novembro.

A Câmara Municipal tem o seu ambiente de trabalho público e fazemos o que temos de fazer. Aquele espaço é de uma empresa e é privado. Nós somos uma entidade pública, que não tem nada de se estar a substituir a um privado”, considerou.

Por último, o presidente avançou que já endereçou uma carta ao Primeiro Ministro e ao Presidente da República a relatar a situação e a demonstrar o seu descontentamento. “O Governo está sempre a dizer que está a potenciar o desenvolvimento do

interior, contudo vê-se os CTT a fechar, o Gabinete de Inserção Profissional a fechar e amanhã será mais alguma coisa a fechar, assim é impossível o interior do país dar o salto, conforme o Governo diz e faz crer na televisão”, vincou o presidente.

Município aprova orçamento de mais de 8ME centrado nas funções sociais As Grandes Opções do Plano, que integram o Plano Plurianual de Investimentos e as atividades mais relevantes do Município, foram no dia 19 de outubro aprova-

das por maioria, com abstenção do vereador da oposição eleito pelo PS, na reunião de Câmara de Vila de Rei. Luís dos Santos, vereador da

Joana Margarida Carvalho

Única Estação CTT no concelho anuncia encerramento A única estação dos CTT em Vila de Rei vai encerrar portas, anunciou no dia 19 de outubro Ricardo Aires, presidente da Câmara Municipal, na reunião do executivo camarário. A informação do encerramento da estação dos correios abriu a reunião de Câmara de hoje. O executivo demonstrou o seu descontentamento pela situação uma vez que a estação é a única no concelho e dá resposta a mais de 1500 pessoas distribuídas por Vila de Rei. Luís Santos, vereador da oposição (PS,) solicitou ao executivo de maioria PSD que fossem encetadas todas as ações e meios para evitar o fecho daquela estação. À margem da reunião, Ricardo Aires afirmou que a Câmara tentou perceber o motivo que esteve na origem do anunciado encerramento, tendo o gestor dos CTT alegado “pouco movimento e poucos clientes”.

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O autarca disse ao JA que o gestor se comprometeu a não encerrar o espaço até que um privado abra um posto CTT. “O que ficou acordado é que a estação só seria encerrada quando abrisse um posto em qualquer estabelecimento comercial. No entanto, eu sei qual é a diferença de um posto para uma estação CTT, é que muitos dos serviços se vão perder e deixam de ser prestados”, lamentou Ricardo Aires. O presidente referiu que o gestor dos CTT chegou a perguntar se a Câmara poderia assumir o serviço, ao que o presidente disse que não. Os CTT “são uma empresa privada e não é a Câmara que vai assumir o serviço. Qualquer dia, um espaço fecha e é a Câmara que tem de assumir, não pode ser”, vincou o autarca, acrescentando que “o problema está nos CTT e não está na Câmara Municipal.

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ESPECIAL ESPECIAL// Produtos Regionais

/ Floriano Vaz e a sua esposa, Habibi Majul, responsáveis e gestores da Quinta do Pinhal.

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//Azeite da Quinta do Pinhal

Um produto exclusivo, fruto da história e da tradição Os primeiros registos datam de 1902, mas é certo que o olival é anterior a essa data. Do antigo olival provém um azeite natural, com uma vertente histórica muito carregada e que hoje é perpetuada por Floriano Vaz e a sua esposa, Habibi Majul, responsáveis e gestores da Quinta do Pinhal, em Constância. No passado, a quinta tinha uma grande dimensão, albergava quase todos os terrenos agrícolas entre Constância e Montalvo e ainda aqueles que se estendiam até à zona de Martinchel, já no concelho de Abrantes. Hoje, reúne cerca de 30 hectares e chega às mãos de Floriano por iniciativa do seu pai que adquiriu a propriedade há 30 anos. “O meu pai nunca exerceu atividade agrícola no espaço. Inicialmente, a quinta era um espaço privado, depois foi sendo melhorada e foram-se construindo as casas de Turismo Rural. Depois, surgiu o espaço que deu lugar ao antigo Club IN onde em tempos foi o largar da quinta”, conta Floriano. O responsável, de 33 anos, refere que sempre gostou do contacto com a natureza e que esse gosto foi surgindo pela vivência na Quinta do Pinhal. “Sempre gostei do campo e comecei a pensar em soluções que pagassem a manutenção da quinta. Os campos estavam de facto meio abandonados e a ideia foi adquirir alguns animais para irem ajudando com as ervas e, mais tarde, agarrar na vertente do azeite”, disse.

“É um produto exclusivo sendo que estamos a falar de oliveiras centenárias” O azeite secular da Quinta do Pinhal surgiu oficialmente o ano passado. O azeite provém das cerca de 1200 oliveiras, espalhadas em 15 hectares, e que em 2017 totalizaram 800 litros de ouro vegetal. “O nosso olival é muito antigo, foram gerações e gerações a dar continuidade a esta prática. Temos algumas oliveiras com perto de 200 anos e algumas com pelo menos 1000. Inicialmente, nós só apanhávamos a azeitona para consumo próprio e para a família. Todos os anos, fazíamos a colheita e nunca apanhávamos a totalidade da azeitona. Há cerca de um ano, começámos com a iniciativa de comercializar e começámos a tentar recuperar o máximo da produtividade do olival”, explica Floriano. O olival da Quinta do Pinhal tem capacidade para cerca de 5.000 litros de azeite. Um azeite sobretudo caracterizado pela azeitona galega, que provém de oliveiras milenares e centenárias de grande porte. “É um produto exclusivo sendo que estamos a falar de oliveiras centenárias e desde o ano passado que temos tido muita procura, tanto que já escoámos todo o azeite. Não era muito, mas o pouco que havia já foi todo”, salienta Floriano, destacando o facto de o azeite ser “100% natural, pois não fazemos qualquer tipo de tratamento ao olival”.

Por convite da Câmara Municipal, o azeite da Quinta do Pinhal esteve representado no concurso das 7 Maravilhas à Mesa e para venda está disponível na própria quinta, numa loja de produtos em Tomar e no restaurante - o Manjar dos Templários - propriedade do irmão de Floriano. Em breve, o jovem espera colocar o seu azeite na Loja Camões com Sabor, no centro histórico da vila de Constância. Para este ano, as expectativas são as melhores e certamente a produção será superior à do ano passado. “Este ano, a azeitona está um bocadinho atrasada, mas prevemos daqui a um mês iniciar a colheita. É difícil perspetivar a quantidade, mas achamos que vamos aumentar a produção e chegar aos 40% da produtividade do olival, portanto, cerca de 2.000 litros”, refere. Com o desenvolvimento do olival, a Quinta do Pinhal tem tido muita procura do Turismo Olivícola. Muitos turistas da Europa vêm para ficar na quinta, participar nos trabalhos da apanha da azeitona e aproveitar a estadia no campo e tudo o que a quinta oferece. “Temos casos de pessoas que querem vir recolher a azeitona connosco, participar nos trabalhos e ficar no nosso espaço. Temos algum contacto de universidades onde nós oferecemos o alojamento e os alunos vêm para a apanha da azeitona e estar na quinta”, conta Habibi Majul, salientando que

“muitas vezes temos turistas que nunca viram um olival na vida e nunca viram a produção de azeite e têm interesse pela nossa cultura mediterrânica”. O olival da Quinta do Pinhal pelo facto de ser centenário é um olival que requer muita manutenção e um trabalho que resulta bastante de mão de obra familiar. Este ano, Floriano avança que vai necessitar de contratar mão de obra e explica porquê: “O facto de serem oliveiras com muitos anos requerem uma manutenção muito mais trabalhosa. As copas têm mais de 2 metros de altura, logo, para colher a azeitona é muito mais trabalhoso. A poda também é mais complicada, porque as oliveiras têm grande volume e apanha tem de ser feita de uma forma muito mais delicada”. Após o trabalho da colheita, a azeitona galega da Quinta do Pinhal segue para o lagar de Carvalhal Grande, em Tomar. No local, “a azeitona é moída e isolada das outras”, salienta o responsável. Para além da vertente do azeite, a Quinta do Pinhal é um espaço dedicado aos animais e à agricultura de vários produtos, nomeadamente de cereal. “Tenho animais em liberdade são eles os responsáveis pela fertilização e mobilidade dos solos. Há cerca de 3 anos que tenho porcos, pois faço produção de leitões em liberdade e eles é que me ajudam a mobilizar as terras e contribuir para

o sucesso do olival. Também, tenho um rebanho de cabras que tratam da limpeza dos rebentos e acabam por nos fazer economizar na parte da mão de obra, o que é vantajoso porque acabamos por ter sempre o espaço limpo”, explica Floriano.

Quinta do Pinhal um espaço dedicado ao Turismo A vertente do Turismo Rural tem sido também uma aposta de Floriano e de Habibi, que em conjunto, recebem anualmente vários turistas que ficam nas 8 casinhas. Todas elas equipadas com um estilo rural, mas muito bem composto e acolher. Ao longo dos últimos anos, a quinta também se tem dedicado à promoção de eventos como sejam casamentos, batizados, entre outras cerimónias. Um dos objetivos de Floriano é criar uma Quinta Pedagógica e fazer com que “todas as atividades da quinta funcionem no seu pleno para termos trabalho todo ano e em todas as temporadas, mantendo a quinta sempre viva”. “A vida aqui trouxe-nos qualidade de vida, o contacto com a natureza e a tranquilidade do campo. É um trabalho que acarreta muitos desafios e é muito duro e pesado fisicamente, mas quem corre por gosto, não cansa”, vincou. Joana Margarida Carvalho

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ESPECIAL / Produtos Regionais //Mação

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Quando os segredos são desvendados da forma mais saborosa no minimercado de Mação e arrisquei abrir um espaço por conta própria”, explica ao JA. Hoje, o seu dia é sobretudo dedicado à confeção das famosas Cavacas de Mação. Um bolo bastante apreciado por aqueles que visitam o concelho, mas também por aqueles que nos seus espaços comerciais querem ter sempre o bolo mais típico do concelho. Vera assume o desafio, mas confessa que não é uma tarefa nada fácil: “As Cavacas são as que têm mais saída e bastante procura, sendo o bolo mais tradicional e típico do concelho. No entanto, é o bolo que demora mais tempo e que dá mais trabalho porque levam muito tempo a barrar, a secar e nem sempre ficam boas. Por vezes, não consigo perceber bem porquê, mas nem sempre é fácil acertar. E quando não se acerta, tem de se deitar fora”. “Não é um bolo nada fácil de fazer, porque quando não fica naquele “ponto certo” não vale a pena. É um desafio grande conseguir que elas fiquem bem. É por isso que quando faço, estou sempre na expectativa. Já os outros bolos já são mais fáceis de confecionar”, salienta. Para além das saborosas Cavacas, no espaço de Vera nascem as afamadas broas de mel, fervidas ou de batata doce, ou até mesmo as travelas e os torrados, que são bolos muito típicos no concelho de Mação. Vera Fernandes confeciona todos os dias pois, para além dos clientes que vão ao seu espaço, tem alguns espaços comerciais

que não prescindem dos seus bolos e sobretudo das Cavacas. “Antigamente, só se faziam Cavacas no verão, pois os bolos eram secos ao sol e colocados por cima da caruma dos pinheiros. Hoje, as cavacas são secas a uma temperatura amena [em estufa] porque senão ficam todas amarelas, e é um processo que de facto leva muito tempo, mas que faço todos os dias”, explica. O ano tem vários momentos onde o trabalho é uma constante

e são as alturas festivas como os Santos, o Natal e a Páscoa, as mais agitadas. No mês de agosto, os vários emigrantes que regressam à terra também gostam de apreciar a bela cavaca e depois levar consigo para amigos ou família. Vera Fernandes faz um balanço muito positivo do ano que a loja já assinalou. Confidencia que apesar de ser um trabalho duro fisicamente, “há um grande entusiasmo a fazer as coisas”. Depois, em Mação, as pessoas já conhecem os bolos e

acabam por apostar. “Vou tendo algumas encomendas, algum trabalho e tenho já clientes fixos o que é muito bom. Também tenho casos de pessoas que vão para fora e que levam para oferecer à família ou aos amigos”, refere. Para além do seu espaço, a maçaense costuma participar nos Quintais das Praças do Pinhal e é presença assídua na Feira Mostra de Mação. Joana Margarida Carvalho PUBLICIDADE

O s s e g re d o s e s t a v a m b e m guardados pela comunidade de Mação e Vera Fernandes, natural daquele concelho, começou a dá-los a conhecer. As Cavacas de Mação foram ao longo de muitos anos confecionadas por várias mulheres do concelho que transmitiram à jovem, de 35 anos, toda a sua sabedoria. Há mais de um ano, a maçaense decidiu mudar a sua vida profissional e abriu, na entrada da vila, um espaço intitulado Segredos de Mação, dedicado à confeção dos bolos mais típicos do concelho. Vera Fernandes é natural da aldeia de Galega, freguesia de Carvoeiro, e, portanto, conhece bem as tradições gastronómicas do concelho. Ao JA conta que sempre gostou de fazer bolos e de experimentar novas receitas. Hoje em dia, com o movimento que tem o seu espaço, inaugurado a 12 de setembro de 2017, não tem muito tempo para se dedicar a experimentar novas receitas. No entanto, os mais antigos ainda continuam a entregar-lhe algumas receitas que fazem crescer água na boca. “Trabalhei durante 15 anos no minimercado de Mação e durante aquele tempo ia tendo conhecimento e confiança com alguns clientes para pedir algumas receitas antigas. Eram pessoas que eu sabia que já faziam este tipo de bolos. Fui fazendo uma recolha, fui confecionando e experimentando.... Fiz a minha seleção de receitas e decidi abrir um espaço. Portanto, larguei o meu trabalho

Horário Segredos de Mação: De segunda-feira a sábado: das 9h00 – 13h00 das 15h00 – 19h00 Ao sábado, o espaço só está aberto no período da manhã

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JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2018


ESPECIAL / Produtos Regionais //Margarido’s

Aqui, a tradição ainda é o que era

/ “Há muitas coisas em que temos que nos ir atualizando mas, no que podemos, tentamos fazer tudo à moda antiga” - Natália Margarido aumentos nas instalações”, avança Natália Margarido. A empresa foi crescendo “e tivemos que nos ir adaptando”. Uma das alterações, na altura, “foi passarmos a ter produtos congelados”. Hoje em dia as pessoas têm à disposição “um saquinho só com um bife, ou dois, conforme a sua necessidade e também os restaurantes que precisam de embalagens maiores com um quilo ou mais”. Para além dos congelados, Natália Margarido conta que “também quisemos enveredar por outras coisas, como os preparados de carne. São as espetadas, as almôndegas, os hambúrgueres... e tudo preparado, em grande parte, de forma manual. Seja nos enchidos ou na parte dos frescos, não

há cá grandes máquinas”. A empresa apresenta ainda produtos já em cuvetes, “por ser mais fácil para os clientes”. As receitas são basicamente as mesmas do tempo do avô António mas “tem que se fazer alguns ajustes porque os tempos mudam e os hábitos alimentares mudam com eles”. Uma das maiores alterações prende-se com a percentagem de sal que se colocava nos enchidos e que, hoje em dia, “é impensável”.

Nos Margarido’s só se abatem fêmeas e “é uma tradição que já vem desde o tempo do meu avô” A matéria-prima “é exclusivamente nacional”. “Temos bons

produtores no país e não necessitamos de procurar no estrangeiro. Até o poderíamos fazer e talvez conseguíssemos preços mais em conta mas temos por princípio ajudar a economia do nosso país”, confessa a sócia-gerente. Uma das curiosidades da empresa Margarido & Margarido, Lda prende-se “com uma tradição que já vem desde o tempo do meu avô”. Ali, só se abatem fêmeas “e para podermos ter só fêmeas temos que pagar um pouco mais caro. É aqui que enfrentamos algumas dificuldades em termos de concorrência porque as pessoas deixaram de dar importância à qualidade e só querem o melhor preço”, desabafa Natália. No entanto, “se deixarmos de utilizar

somente fêmeas, as pessoas começam a notar. É que a diferença nota-se e não queremos defraudar os nossos clientes. Temos um mercado mais pequeno... paciência, mas garantimos que o produto é sempre igual”. Na empresa faz-se o processo todo desde a matança, ao desmanche até ao produto final. “Nós temos a linha toda. Há muitas coisas em que temos que nos ir atualizando mas, no que podemos, tentamos fazer tudo à moda antiga”. Na empresa trabalham, ao todo, entre supermercado, talho e fábrica, 42 pessoas, “o que já é uma máquina bem grande”. O mercado é quase exclusivamente regional, entre concelho de Abrantes e limítrofes. Contudo, “temos alguns clientes pontuais, e vão aparecendo cada vez mais, que trabalham em Lisboa”. Quanto aos produtos... o presunto continua a ser produzido, tudo o que são enchidos tradicionais como as morcelas, chouriços, paios, farinheiras... e todas as carnes frescas. O chourição ou o bacon são feitos também da forma tradicional. “Mantemos ainda os fumeiros a lenha e é esse tal sabor característico que as pessoas reconhecem”. Desde há 3 anos que a empresa tem a ISO 9001, que é a norma que certifica os Sistemas de Gestão da Qualidade, “e isso trouxe-nos muitas vantagens, não só para o exterior como a nível interno”. “Veio formalizar e certificar coisas que já fazíamos, e fazíamos bem, mas agora está tudo por escrito. E isso dá garantias de que o produto sai sempre igual, é estável e seguro”. O futuro, esse já está a ser precavido porque “já estamos a trabalhar na 4ª geração e eles gostam e já demonstram interesse”, diz Natália entre risos. Patrícia Seixas

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É uma empresa familiar e vai já na terceira geração. Na região não há quem nunca tenha ouvido falar ou não tenha tomado contacto com os seus produtos. Se falamos de carnes no concelho de Abrantes, associamos o nome Margarido’s. “Começou com o meu avô António e, por caricato que pareça, o meu avô nada tinha a ver com esta área”, começa por nos contar Natália Margarido, sócia-gerente da empresa. “O meu avô começou por ser carpinteiro”, recorda, adiantando que “o meu avô tinha uns cunhados neste meio e ele lá achou que, se calhar, também conseguia. Foi ganhando conhecimentos e as irmãs da minha avó, que eram da zona de Mouriscas, tinham algumas receitas. E foi começar a fazer uns enchidos tradicionais e a abater um porquito ou dois”. De Mouriscas, António Margarido ainda passou por Chainça até se estabelecer em Rossio ao Sul do Tejo, “onde fez o matadouro, já na altura com todas as condições, pois, para ele, as questões da limpeza eram extremamente importantes”. Importância que passou do pai António para o filho Eduardo e que, assume a neta Natália, “vamos percebendo, tomando o gosto e não sabemos fazer de outra forma. E como o avô era perfecionista, eu também sou e gosto de ser”. Nos anos 80, com a entrada de Portugal na CEE, as regras mudaram e a família Margarido teve que encerrar o matadouro em Rossio. Ainda procederam a abates noutros matadouros da região mas a qualidade não os deixou satisfeitos e “o meu pai e o meu tio decidiram fazer estas instalações”. A empresa Margarido’s está, desde 1988, no Parque Industrial, em Alferrarede, “e, desde essa data, já fizemos três

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ESPECIAL / Produtos Regionais

A Incarcentro da “mestre salsicheira” dos enchidos da Beira Baixa Em setembro de 1995, na freguesia de Amêndoa, concelho de Mação, “arrancámos com este trabalho. Foi debaixo de casa, em instalações provisórias, com o intuito de construir aqui, na zona industrial do Souto”, no concelho de Vila de Rei. Hugo Henriques e Sandra Henriques são os gerentes da Incarcentro, Indústria de carnes do Centro, Lda, situada na Zona Industrial do Souto, em Vila de Rei. Naturais do concelho de ação, mais concretamente da freguesia de Amêndoa, explica que a mudança de concelho prendeu-se com o facto de “serem oito quilómetros para Vila de Rei e vinte para a zona industrial de Mação”. Foram os pais que começaram com a empresa. Elias Henriques e Idalina Tavares regressaram de Angola, em 1975, e começaram a trabalhar no ramo, passando por várias empresas na região. Neste momento, os dois irmãos gerem a Incarcentro mas a mãe Idalina, a “mestre salsicheira”, continua na empresa e é das suas mãos e dos seus conselhos que os produtos vão

saindo. Trabalha no ramo “há 38 anos”. Foi um veterinário de uma outra empresa onde trabalhava que a desafiou a começar a trabalhar por conta própria. “E eu arrisquei mas na altura também era tudo mais fácil”, desabafa Idalina Tavares. O pai Elias Henriques, “já está reformado mas vem cá todos os dias e vai ajudando”. A produção é, essencialmente, “de enchidos daqui, da Beira Baixa. O chouriço, a farinheira, o salpicão, os paios e as morcelas. Estes são os produtos principais”, explica Hugo. No entanto, na lista de produtos que fabricam, apresentam ainda o painho e a paiola que são enchidos conhecidos na Beira Baixa. “Não inventámos nada”, ri Hugo Henriques. Assim de mais diferente, “talvez o butelo, que fazemos mais lá para o norte do país porque aqui não é muito usado”. Também mais para o norte, a Incarcentro fabrica ainda a moura de cebola que “também sai muito bem para França”. O «mercado da saudade» faz parte da lista de clientes da Incarcentro. “Paris e arredores”, con-

/ Hugo e Sandra Henriques gerem a Incarcentro, uma empresa familiar de produção de enchidos firmam. “Há muitos portugueses lá a consumir os nossos produtos. Franceses também mas são poucos. Só mesmo aqueles com grande proximidade à comunidade portuguesa”. Angola, Inglaterra e Alemanha também já foram explorados pelos gerentes da empresa, através de portugueses radicados nesses países, e agora “surgiu o interesse

de uma senhora na Suiça mas os acordos com a Suiça já são diferentes, é extracomunitário, e vamos ver como corre”, explica Sandra Henriques. Para já, a grande aposta “é o mercado nacional”, garante Hugo, que acrescenta que é “no mercado a retalho, no grossista, na zona da Grande Lisboa” que estão mais im-

plementados. “Temos funcionado assim desde o início, não estamos nas grandes superfícies mas temos aumentado a produção em torno desses clientes”. “Alguns deles”, acrescenta Sandra, “são clientes que já eram dos nossos pais e alguns também já são os filhos que continuaram com os negócios e permanecem connosco”. Relativamente a desafios, “às vezes são os próprios clientes que nos perguntam se temos isto ou aquilo. Como é o caso da entremeada enrolada”. Ora, para quem nunca ouviu falar, “é aquilo a que os italianos chama de panchetta”. A matéria prima é adquirida “a produtores nacionais na sua grande maioria, cerca de 90%. Também vem alguma coisa de Espanha mas poucochinho”. Quanto à produção, “já tem alguns processos industriais mas tentamos sempre aplicar a parte tradicional, como na secagem, nos temperos, no enchido atado à mão, na cura e na estufagem ainda usamos a lenha de azinho”. A Incarcentro conta atualmente com “8 empregados mais três sócios no ativo”. Os produtos da Incarcentro encontram-se à venda nos supermercados do concelho de Vila de Rei e também diretamente na fábrica. Patrícia Seixas

/ Sandra e a mãe, Idalina Tavares, a “mestre salsicheira”

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ESPECIAL / Produtos Regionais

/ Vale do Armo / Quinta do Coro

Se Baco ressuscitasse certamente viria ao Sardoal É verdade! O vinho produzido neste concelho é um verdadeiro néctar. E isso, leva-nos a dizer que Baco como Deus do vinho, das festas e do lazer, bem como amante da paz e fomentador da civilização, viria à terra que, directa ou indirectamente, impeliu a cumprir os seus princípios, o Sardoal. Por norma, a maioria dos seus habitantes que possuem algumas courelas, uma é dedicada à vinha. Na sua grande maioria, fazem alguns litros de vinho que não chega para consumo próprio. Porém, para quem não sabe e ainda não visitou, há duas quintas, sitas no concelho, de grande produção, que têm produzido vinho de qualidade superior e muito apreciado “a Quinta do Coro e a Quinta do Vale do Armo”. A mais antiga, sobranceira à Vila do Sardoal, com cerca de setenta hectares é a Quinta do Coro. Esta propriedade pertencente à família Vieira Graça desde 1966, possui 20 hectares de vinha plantada em terrenos argilo-calcários, de encostas ligeiras e solarengas e locais com um micro clima acentuado, onde predomina casta tinta com cerca de 90%, destacando-se a Touriga Nacional, Trincadeira Preta, Cabernet Sauvignon, Syrah, Alicante Boushet e Petit Verdot. A restante área, é destinada a castas brancas como o Encruzado, Verdelho e Arinto. Possui uma adega com equipamentos modernos mas similares aos antigos com tanques e pisa. O estágio dos seus vinhos é feito em pipas de carvalho americano ou francês. Com uma vasta gama de vinhos de grande qualidade, e medalhada várias vezes, tem como seu ex-libris

o branco encruzado D. Florinda e o tinto com o mesmo nome, com Touriga Nacional, Syrah, Petit Verdot e Trincadeira. Este rótulo é uma homenagem a Florinda da Silva Pires, proprietária da quinta, como nos disse Paulo Graça, seu único filho. D. Florinda, com os seu 91 anos repletos de vitalidade e com uma sanidade invejável, é a grande obreira, inspiradora criativa e responsável pela outra vertente desta quinta, as compotas, donde se destacam a marmelada, geleia de marmelo, os figos delícias de pingo mel e a geleia de pétalas de rosas. Para Paulo Graça, médico de profissão e agricultor por devoção que tem dado continuidade à expansão e conservação desta propriedade familiar, este ano, foi particularmente mau para a vinha tendo tido uma quebra na produção de cerca de 50%, contudo, assegura que a qualidade dos vinhos promete ser excepcional. Actualmente, 25% de toda a produção (doces e vinhos) é exportada,

/ Quinta do Coro

sendo que a fasquia pretendida é de 50 a 60%. Mas há mais, na quinta há duas casas para acolher oito a dez pessoas, serve refeições por encomenda e possui um pequeno Museu Agro Industrial, bem como uma sala de provas com capacidade para 40 pessoas, onde poderá apreciar o contraste do sabor da compota e do vinho. Por seu lado, a Quinta do Vale do Armo, como nos conta o seu gestor Tiago Pita Mora Alves, começou a sua remodelação a partir de 2004, após aquisição pelo seu actual proprietário Américo Vermelho, construtor civil e com negócios no ramo do turismo e hotelaria, que pretendia possuir no concelho uma moradia familiar. A dimensão da Quinta naquela data era de 13 hectares. Tiago Alves foi o criador desta propriedade e iniciou a actividade vinícola, com a plantação de 9 hectares, a parte sobrante à área de lazer. Aos poucos, com o entusiasmo envolvente do proprietário, construíram adega em 2007 e foram aumentando a extensão da Quinta comprando vários terrenos contíguos perfazendo 30 hectares. Na procura de crescimento foi comprado o terreno no Casal das Mansas, com boa exposição solar, possuidor de solos mais fortes e argilosos e de fácil obtenção de água dada a sua proximidade ao rio Tejo. Num processo similar ao anterior, a quinta foi aumentando e como

diz Tiago Alves “ o Vale do Armo passou não do oito para oitenta, mas sim de nove para noventa”, que é a área vínica actual. O objectivo desta quinta é atingirem uma produção de meio milhão de litros de vinho atingindo, o seu auge daqui a cerca de 4 anos se não existirem calamidades como a deste ano. A vindima, dada a impossibilidade de ser totalmente manual, tem uma apanha de 20% manual e 80% mecânica. A mecânica é feita durante a noite, para que a uva chegue mais fresca à adega e mantenha uma qualidade inalterável. No que concerne a castas imperam as tintas com cerca de 80%, essencialmente Touriga Franca, Touriga Nacional, Syrah, Trincadeira, e Tinta Barroca que mais povoam a vinha , não fugindo muito ao tradicional dos vinhos actuais, com excepção da Tinta Barroca e a Touriga Franca originárias do Douro vinhateiro. No que concerne aos vinhos brancos predomina a casta Antão Vaz, de origem alentejana, Síria, Arinto e duas curiosidades na zona a Casta Alvarinho, característica do vinho verde e Viozinho uma casta pertencente aos vinhos nobres do Porto. “Vamos buscar o bom a cada lado. Tal como temos duas castas tintas que fogem ao comum da localidade, também o temos nos vinhos brancos” refere Tiago Alves. Relativamente às marcas, todas

elas são de elite, sendo os vinhos de rótulo Vale o Armo o seu topo de gama e, em anos excepcionais sai a reserva de Vale do Armo, o que aconteceu por duas vezes uma em 2008 e outra em 2011. Ambos medalhados com Ouro. O primeiro na Alemanha e o segundo Grande Medalha de Ouro em Bruxelas, entre outras distinções. Como novidades, uma colheita seleccionada Vila Jardim branco e uma tinto. O branco à base de Verdelho e Arinto e o tinto Touriga Nacional, Syrah e Alicante. São vinhos de 2016 estagiados em barrica. O espumante sairá em 2019 e é de castas Verdelho e Arinto. A exportação após uma fase mais amorfa vai activar este ano, pois o objectivo da quinta, é baixar o mercado a granel e aumentar o engarrafado. Segundo Tiago Alves, a quebra de cerca de 40%, deste ano foi devida à carência de chuvas, de um arranque fora de época e ao calor extremo que assolou a região que provocou não um escaldão normal, mas a cozedura da uva. Prevê-se mesmo assim, uma produção de cerca de 245000 litros de vinho 45000 mil branco e 200000 tinto. Pelo que existe neste concelho, a gastronomia, a doçaria e vinhos deste tipo, até Baco viria ao Sardoal. Sérgio Figueiredo

/ Vale do Armo Novembro 2018 / JORNAL DE ABRANTES

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ESPECIAL / Produtos Regionais //Quinta do Canas

“Quem começa a consumir o biológico, que foi o meu caso, nota a diferença em certos alimentos”

Filipa era docente, trabalhava na área do ensino especial, mas decidiu mudar a sua vida profissional e familiar. Largou a cidade e veio para Vila Nova da Barquinha com o seu marido, Tiago Nunes, e a sua filha, para se dedicar a um projeto que afirma trazer muita “qualidade de vida”. A Quinta do Canas era pertença do avô do seu marido e teve alguns anos sem destino, até que Filipa e Tiago decidiram iniciar uma produção biológica no local. “Na quinta, existia um viveiro de plantas de jardim que era do avô do meu marido. Contudo, há cerca de 15 anos ele acabou por falecer. E desde que ele morreu, as coisas acabaram porque, de facto, ninguém deu seguimento ao negócio”, conta Filipa ao JA. Há cerca de dois anos, com o arranque do projeto, o caminho passou por dar seguimento à certificação dos produtos e árvores já existentes, bem como, fazer uma candidatura no âmbito do PDR 2020 que ainda não foi aprovada, mas que não limitou Filipa e Tiago a investir. Atualmente, na Quinta do Canas produz-se vários hortícolas e plantas. Tudo é biológico e certificado. “Temos muitas culturas ao mesmo tempo. Temos couve roxa, couve lombarda, alface e acelga. Na terra estamos a acabar a colheita do tomate. Depois, apanhamos tudo o que a terra tem para nos

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dar, como a laranja, a azeitona”, entre outros produtos, refere Filipa dando conta que o ano passado, pela primeira vez, surgiu o azeite da Quinta do Canas, proveniente de azeitona biológica. As árvores também são uma constante e no local existem diversas, desde pereiras, macieiras, laranjeiras, oliveiras, damasqueiros, diospireiros e figueiras. Para o escoamento dos produtos, Filipa faz a revenda dos produtos em alguns espaços comerciais e prepara todas as sextas-feiras um cabaz com produtos diversificados da Quinta do Canas. Para elaboração do cabaz, a empreendedora conta com a corporação de mais 5 parceiros que também fazem produção biológica certificada e que colaboram com produtos que não existem na quinta.

“Temos produtos de muito maior qualidade e muito saborosos”. Para além da conceção do cabaz, Filipa ainda assegura a distribuição do mesmo e são sobretudo as pessoas da região os principais clientes. A publicidade ao cabaz é feita através da página da Quinta do Canas no Facebook e segundo nos refere tem corrido bem: “O cliente encomenda o cabaz até quinta-feira e nós entregamos na sexta com hora e local combinados. Tudo o que nós temos aqui e o que conseguimos produzir é escoado”, vincou.

JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2018

/ Filipa Consolado junto do cabaz que prepara todas as semanas para venda. Para o futuro, ideias não faltam. Filipa quer colocar no espaço uma nova estufa, avançar com a produção de ovo biológico e proceder à construção de uma loja para a venda dos seus produtos, “onde o cliente pode ir diretamente à nossa quinta adquirir os nossos produtos e de outros parceiros”. A área da formação continua a ser uma aposta de Filipa que no espaço pretende desenvolver e potenciar a vertente “pedagógica” através de workshops, formações e outros eventos abertos ao público. Eventos sempre destinados a aprofundar o tema dos produtos biológicos, até porque considera Filipa, as pessoas mais velhas continuam muito resistentes à aquisição deste tipo de produtos. “As pessoas mais antigas ainda acham o produto biológico caro e ainda continuam a valorizar muito o que produzem nas suas hortas”, referiu Filipa, tendo feito notar que a produção biológica tem um conjunto de exigências associadas “pois falamos de um regime de produção natural”, onde não é colocada “nenhuma matéria orgânica nos solos e demora muito mais tempo do que uma produção feita e tratada com fertilizantes e outros químicos”. “Temos produtos de muito maior qualidade e muito saborosos. E ao contrário do que muitas pessoas pensam, não são produtos mais pequenos e com menos peso do que os outros, têm um sabor muito mais natural. Quem começa a consumir o biológico, que foi o meu caso, nota a diferença em certos alimentos”, vincou a empreendedora, dando conta que os produtos podem ser mais onerosos, mas “é preferível gastar na alimen-

tação do que gastar em consultas”. Em Vila Nova da Barquinha, Filipa diz ter muito mais tempo para se dedicar à família e que embora não seja fácil a vida agrícola, porque acaba por ser mais duro fisicamente, sente-se muito feliz, porque também vê a sua família mais feliz. “Sempre entendemos que este projeto devia de ser amigo do ambiente. Sempre quisemos ter pro-

dutos saudáveis para que os nossos clientes também comessem de forma saudável. E, no nosso caso, já estamos a ganhar em qualidade de vida, porque há dois anos temos vindo a mudar a nossa vida familiar devido a este projeto. O maior exemplo, foi a mudança para cá, para a Barquinha”, finalizou. Joana Margarida Carvalho PUBLICIDADE

Quinta do Canas é o mais recente projeto de agricultura biológica que existe em Vila Nova da Barquinha. Tem cerca de 2 anos e é Filipa Consolado, com 34 anos, que está ao seu comando.


REGIÃO / Sardoal Nova Escola avança para obras A obra que vai permitir uma nova EB 1,2,3/S Dr.ª Maria Judite Serrão Andrade, em Sardoal, pode arrancar a partir do dia 19 de novembro, disse ao JA Miguel Borges, presidente da Câmara Municipal de Sardoal. “No dia 19 será assinada a consignação da obra e no dia 5 de novembro será realizada uma reunião com todos os intervenientes do processo”, afirmou A nova escola representa um investimento total de 5ME provenientes de fundos comunitários, do Ministério da Educação e da Câmara Municipal. Miguel Borges confirmou que

física porque o ginásio será o primeiro equipamento a ser derrubado e vai ser o último a ser construído”. “É claro que nestes dois anos, os nossos alunos têm a piscina municipal, têm o campo de jogos, têm espaços alternativos onde podem fazer os seus trabalhos e a própria preparação do ano letivo já incidiu nestas opções, porque a qualquer momento a obra poderia começar”, acrescentou.

Pavilhão escolar vai ser Municipal Sardoal vai ter uma escola completamente nova e que “passados nove anos” do arranque do processo junto das entidades competentes, o Município “finalmente” dispõe de “financiamento e do visto do Tribunal de Contas para se avançar com a consignação da obra, que já está adjudicada a um empreiteiro da zona de Anadia”. “Trata-se de uma escola total-

mente nova (…) O que nos foi dito, é que não valia a pena fazermos a requalificação deste tipo de escolas, o ideal seria mesmo avançar com uma nova escola”, fez notar o autarca sardoalense. Quanto aos constrangimentos que a obra poderá causar no decorrer das aulas, Miguel Borges referiu que o único “impacto será sobretudo nas aulas de educação

Mas nesta obra há também uma outra resposta que era uma carência do concelho de Sardoal. Explicou Miguel Borges que “há nove anos, tínhamos a possibilidade de construir um novo pavilhão municipal, mas como entendemos que devia de existir uma boa gestão dos dinheiros públicos, sejam do Estado ou da Câmara, entendemos que não fazia sentido termos dois pavilhões a uma distância de 300 metros”.

Neste ponto, o autarca disse que a opção foi deixar “cair o projeto do pavilhão municipal” e o novo pavilhão da escola “vai servir a escola durante o ano letivo, mas também servirá a comunidade fora do período de aulas”. “No local onde se encontra o atual polivalente vai nascer o novo pavilhão”, disse o presidente, salientando que “os alunos terão sempre todos os serviços, porque só se derruba o antigo polivalente quando o novo ficar concluído”. Aproveitando as obras na escola, o Município irá manter o edifício do 1º ciclo, que é propriedade da Câmara Municipal, e vai transferir para aquele local o parque de máquinas e viaturas e serviços operacionais. Naquela zona, construída por diferentes pavilhões, pretende-se também instalar um conjunto de associações concelhias, tornando o espaço numa zona dedicada ao associativismo e aos serviços. Joana Margarida Carvalho

Câmara inaugura Ponto JA - um espaço para acolher os jovens “Nós acreditamos que a abertura deste balcão, tal como as restantes redes, é um ponto de contacto importante para os jovens e para com todos aqueles que se relacionam com os jovens. E que possam no fundo estimular a sua participação cívica, prestar e dar informação relacionada com aquilo que são os programas que o IPDJ tem responsabilidade de implementar relacionados com o âmbito do voluntariado, da produção da cidadania, dos tempos livres, da educação não formal” etc, referiu o responsável, dando conta que com a criação do Ponto JA, a tarefa do IPDJ está agora muito mais “complementada e ampliada”. De seguida, Vítor Pataco fez referência ao Plano Nacional da Juventude dando conta que o mesmo foi aprovado recentemente em

Conselho de Ministros e tem uma preocupação muito forte que é dar “robustez ao setor da juventude”. Por sua vez, Miguel Borges, presidente da Câmara Municipal, congratulou-se com o facto de Sardoal ser dos poucos municípios da região a ter um Ponto JA uma que Sardoal junta-se agora a Rio Maior, Santarém e Torres Novas com a nova valência dedicada aos jovens. Para o autarca, o novo espaço “vem complementar aquilo que é a Loja e Espaço do Cidadão que é na verdade um bom exemplo daquilo que em termos de políticas públicas é um bom uso não só dos recursos financeiros, mas também patrimoniais do Estado e do Município”. Miguel Borges deixou o desafio aos dirigentes juvenis para que passem pelo Ponto JA, salientando que o espaço é “um bom exemplo”

daquilo que é uma aposta no interior do país. “Este espaço é uma forma de acarinhar os jovens também neste território que é do interior, mas que não é um território inferior (…) mas para que interioridade não seja sinónimo de inferioridade, também temos de fazer por isso. Temos de lutar e contrariar aquilo que é uma tendência de um país

inclinado para o litoral”, finalizou. A Rede Ponto JA são espaços públicos que disponibilizam informações e serviços de interesse para a juventude. Funcionam numa lógica multicanal assente na oferta de valências como o Portal da Juventude e a Linha da Juventude. O espaço em Sardoal terá o mesmo horário que a Loja do Cidadão das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 16h30. PUBLICIDADE

A Câmara Municipal de Sardoal inaugurou, no dia 25 de outubro, o novo balcão Ponto JA, na Loja do Cidadão, com a presença de Vítor Pataco, presidente do Instituto do Desporto e da Juventude (IPDJ). A nova valência, agora disponível no Espaço Empreende da Loja do Cidadão de Sardoal, é sobretudo destinada aos jovens do concelho e da região do Médio Tejo. De entre os vários serviços, o Ponto JA pretende apoiar o associativismo jovem, nomeadamente nas áreas de ocupação de tempos livres, do voluntariado, da educação não formal e da formação. O presidente do IPDJ referiu-se ao Ponto JA como um “local multifuncional, num espaço de acolhimento do cidadão, não apenas para os jovens do Sardoal (…) mas que vai muito para além do Sardoal”.

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REGIÃO / Sardoal

Bombeiros Municipais 65 anos de dedicação à proteção de pessoas e bens Os Bombeiros Municipais de Sardoal comemoraram 65 anos de existência e a efeméride foi assinalada a 20 de outubro. Numa cerimónia que teve lugar no Centro Cultural Gil Vicente e que contou com a presença de comandantes de praticamente todo o distrito de Santarém, Nuno Morgado, comandante dos Bombeiros de Sar-

doal, agradeceu aos seus homens e mulheres, falou das dificuldades do ano passado e do que pretende no seu mandato. “É minha preocupação e dos restantes elementos de Comando dignificar o bom nome e história dos Bombeiros Municipais de Sardoal, procurando sempre a melhoria contínua da capacidade e eficiência do Corpo de Bombeiros”.

Para o futuro, Nuno Morgado, falou dos incentivos que já existem mas que ainda muito há para fazer. “Continua em vigor o sistema de incentivos por parte do Município de Sardoal, em vigor desde 2016, um dos primeiros municípios a implementar este sistema, permitindo que os bombeiros possam usufruir de um conjunto de apoios em servi-

ços e infraestruturas municipais”. No entanto, avançou o comandante, “a nível nacional pouco ou nada foi feito em mais de um ano. Continuamos a aguardar pelo tão afamado Cartão Social do Bombeiro, esperando que o futuro nos traga essas novidades”. Em representação da Liga dos Bombeiros Portugueses, o secretário Adelino Gomes, também comandante dos Bombeiros Voluntários de Constância, destacou o trabalho e a boa imagem deixada pelos bombeiros de Sardoal nos diversos palcos para os quais são chamados e criticou a Administração Central de não apoiar mais as Autarquias que têm Bombeiros Municipais, a quem apelidou de “exército barato”. “Pena é que, muitas vezes, o apoio que lhe era devido pela responsabilidade que este país tem de manter esta Proteção Civil, de manter este exército barato ao seu serviço, não reconheça as Autarquias que têm apoiado estes homens que têm apoiado o país (…) muitas vezes não olhem para eles, não os reconheçam e muitas vezes, mas muitas mesmo, nós vemos alguns apoios que são dados àqueles que menos fazem para os poder merecer”, criticou Adelino Gomes. Mário Silvestre, comandante operacional distrital de Santarém (CODIS), também agradeceu o trabalho que tem vindo a ser feito pelos Municipais de Sardoal ao serviço do seu concelho e do país.

CODIS convidou a sair as “ervas daninhas que proliferam nos bombeiros”

/ Não podemos permitir que o dinheiro dos nossos impostos vá para muitos lados menos para aquilo que muitas vezes é fundamental” - Miguel Borges

/ Os elementos condecorados com as Medalhas de Assiduidade e Medalhas Dedicação Grau Ouro

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No entanto, foi das palavras do comandante operacional distrital de Santarém que surgiu o discurso mais violento. Mário Silvestre falou para dentro da organização que comanda e convidou mesmo a sair aqueles a quem apelidou de “ervas daninhas”. “Pessoalmente, e como comandante operacional distrital, devia de estar contente e feliz. Infelizmente, não posso. Não posso porque vejo proliferar nos bombeiros um conjunto de ervas daninhas que apenas contribuem para o descrédito de uma organização secular, que apenas têm contribuído para que se tenha chegado ao estado atual das coisas. Permitam-se por isso, e de forma pública, que convide essas pessoas a saírem. A dedicarem-se a outras coisas, porque o tempo delas ou nunca chegou ou já terminou. Deixem os bombeiros prosperar e crescer, enquanto maior e mais poderosa força de Proteção Civil que os país tem”. O CODIS falou depois na regulação moribunda e juntou-se em solidariedade com a discriminação que diz existir para com os corpos de bombeiros Municipais do país e dirigiu-se ao presidente da Câmara

Municipal em “agradecimento e reconhecimento pelo apoio dado e trabalho desenvolvido na proteção de pessoas e bens do Município de Sardoal”. Miguel Borges, presidente da Câmara Municipal de Sardoal foi o último a intervir na cerimónia. Depois dos discursos que o antecederam, afirmou que “ficou claro que o problema da nossa estrutura de bombeiros é estritamente político e em nada operacional”.

Miguel Borges: “Tem de haver responsabilização de quem anda distraído” “Enquanto alguns políticos deste país não tiverem algum juízo, nós vamos ter sempre muitos e grandes problemas”, acusou Miguel Borges. O autarca referiu que Sardoal é o Município do país com a maior percentagem de verbas do seu orçamento destinadas à Proteção Civil. “A proteção de pessoas e bens tem um custo... tem um investimento muito elevado e aqui cria-se uma enorme injustiça. É que enquanto no concelho do Sardoal, do seu orçamento municipal, mais de 10% vai para a Proteção Civil, arriscamo-nos a dizer que é o Município deste país com maior percentagem de investimento daquilo que são as verbas de transferência do Estado para a Proteção Civil. (…) Enquanto neste país se gastar mais dinheiro nas Câmaras Municipais em festas e em fogo de artifício do que se gasta na Proteção Civil, casos como aqueles que temos tido ao longo dos anos, vamos continuar a tê-los. Portanto, há aqui uma questão de falta de coragem política”, desabafou o autarca. Acrescentou ainda que “isto tem que terminar, não pode continuar, não podemos permitir que o dinheiro dos nossos impostos vá para muitos lados menos para aquilo que muitas vezes é fundamental. Tem de haver responsabilização de quem anda distraído e que não investe aquilo que deveria de investir”, concluiu Miguel Borges. Na cerimónia em que se comemoraram os 65 anos dos Bombeiros Municipais de Sardoal foram também entregues algumas condecorações. Receberam a Medalha de Assiduidade: Cátia Velez (Grau Cobre – 5 anos), Tiago Leitão (Grau Prata – 10 anos) e Nuno Carreira, Sérgio de Sousa e Isabel Pita (Grau Ouro – 20 anos). A Medalha Dedicação Grau Ouro (+ de 25 anos) foi entregue ao comandante Nuno Morgado, ao 2º comandante Pedro Curado, ao sub-chefe Hugo Cardoso, a César Duarte, João Mourato, Martinho Nunes e Miguel Martins. Patrícia Seixas


REGIÃO //Mação

Executivo aprova Orçamento de cerca de 13ME “que poderá ainda ser maior” O Executivo da Câmara Municipal de Mação aprovou, no dia 29 de outubro, as Grandes Opções do Plano e Orçamento para 2019. O documento, que ronda os 13 ME, conta com um aumento de cerca de 400 mil euros em relação ao orçamento anterior e foi aprovado por unanimidade. São, em concreto, 12 milhões e 862 mil euros. “Um valor considerável e que, seguramente, será ainda maior durante o próximo ano”, avançou o presidente Vasco Estrela, justificando que “há um conjunto de receitas que teremos de ter para fazer face às despesas que pretendemos vir a realizar”. O aumento do montante disponível “está obviamente relacionado com os incêndios de 2017 e vai fazer face às candidaturas que nós temos submetidas e aprovadas para esse efeito”. O autarca acrescentou que “tudo isto faz com que seja um Orçamento um pouco maior do que tem sido habitual. Enfim, também as transferências do Orçamento do Estado são maiores e, portanto, há um conjunto de nuances que fazem com que o valor tenha tido um aumento, para já, de cerca de 400 mil euros relativamente ao ano anterior”. Quanto às prioridades do Executivo para a execução do Orçamento de 2019, Vasco Estrela começou por dizer que “este Orçamento e as atividades para o próximo ano estão altamente condicionadas pelo que eu referi”. Contudo, Vasco Estrela adiantou “que há um conjunto de prioridades que estavam e estão previamente definidas e que não é pelo facto de ter acontecido o que aconteceu em 2017, e de termos todos estes processos em mãos, que nos vão afastar das mesmas”. As áreas “onde focaremos mais a nossa atenção são a inovação e ação social, a educação e a cultura, o empreendedorismo, a floresta e o sistema agro-florestal, valorização dos nossos recursos, reabilitação e manutenção de infraestruturas e património”, enumerou o presidente. Relativamente às obras inscritas neste Orçamento, Vasco Estrela falou do Núcleo Museológico de Ortiga, “que é uma obra que já está em execução. Teremos, espero eu, o início da obra do Centro de Atividades Ocupacionais em Mação, queremos ainda concreti-

/ Orçamento de 2019: “Um valor considerável e que, seguramente, será ainda maior durante o próximo ano” Vasco Estrela

zar a obra do Cine-teatro Municipal e também a requalificação das margens do rio Tejo em Ortiga, cuja candidatura esperamos ver aprovada e a obra iniciada durante o próximo ano”. No entanto, “para além destas obras mais emblemáticas”, o autarca disse ainda haver um conjunto de obras de menos monta “mas não menos importantes”. Vasco Estrela especificou que “muitas delas têm a ver com a requalificação urbana, nomeadamente em Carvoeiro, que está a decorrer e esperamos concretizar no próximo ano. O Castro de S. Miguel é uma obra que também esperamos poder iniciar durante o ano de 2019 e temos aquilo que é a conservação corrente em termos de arruamentos e rede viária que terá também necessidade de ter a nossa atenção”. Patrícia Seixas

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE ABRANTES

CONVOCATÓRIA ASSEMBLEIA GERAL De acordo com o art.° 22, n.° 2, alínea b) do Compromisso, CONVOCO os Irmãos desta Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, para a Reunião Ordinária da Assembleia Geral, que se realiza, Sábado, dia 24 de novembro de 2018, pelas 14H30, no Auditório do Sector Cultural do LAR — HOSPITAL D. LEONOR PALER CARRERA DE VIEGAS. ORDEM DE TRABALHOS 1.° - Apreciação e votação do Plano de Atividades e Orçamento Ordinário de Exploração Previsional e Investimento para o ano de 2019; 2.° - Análise e votação de propostas da Mesa Administrativa para alienação de prédios urbanos; 3.° - Período de 30 (trinta) minutos para se tratar de qualquer assunto que a Assembleia considere de interesse para a vida da Instituição; Se á hora marcada não houver número suficiente para a Assembleia funcionar, (mais de 50%), a mesma terá lugar meia hora despois (15h00), com qualquer número de Irmãos, de acordo com o estatuído no art.° 24, n.° I. ABRANTES, 30 DE OUTUBRO DE 2018 O PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA GERAL DR. HUMBERTO PIRES LOPES

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REGIÃO / Mação Município “sem condições para cumprir contrato” do FEM A Câmara Municipal de Mação informou a Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, a Direção Geral das Autarquias Locais (DGAL) e a respetiva Secretaria de Estado de que não tem condições para cumprir o contrato celebrado entre as partes para efetivar o Fundo de Emergência Municipal (FEM). Na reunião do Executivo, realizada na quarta-feira, 24 de outubro, Vasco Estrela, presidente da Câmara de Mação, explicou que esse documento pressupunha que a Câmara Municipal de Mação tivesse que fazer obras no valor de cerca de 1 milhão de euros até ao final do ano, com uma comparticipação do Município de cerca de 400 mil euros, situação incomportável para o Município neste momento, segundo as palavras do autarca. “Isso significaria que teríamos de ter esse dinheiro disponível e, mais do que isso, teríamos de ter também todos os procedimentos administrativos para efetivar essas obras. Houve compreensão por parte da CCDR De Lisboa e Vale do Tejo relativamente a este assunto e aguardamos por novidades. Poderá passar por uma antecipação dos montantes que iremos receber, recebendo já este ano para não perdermos aquelas verbas ou então, uma reprogramação destes fundos para 2019 e 2020”, esclareceu o presidente. O contrato assinado obriga a que a verba seja utilizada durante este ano ou o Município perde direito a ela. “Como é bom de ver”, clarificou Vasco Estrela, “uma Câmara como a de Mação não tem

/“Uma Câmara como a de Mação não tem meios técnicos, financeiros nem logísticos para cumprir um encargo destes em três meses” - Vasco Estrela meios técnicos, financeiros nem logísticos para cumprir um encargo destes em três meses quando, ainda por cima, somos obrigados a cumprir o Código de Contratos Públicos, ao contrário do que acontece em outros locais”. Concretamente, o Fundo de Emergência Municipal prevê investimentos em “pavimentações, construções de ETAR’s, sinalização de trânsito, vedações, segurança... enfim, uma série de obras dos prejuízos que foram reportados ao Governo e que o Governo aceitou, e que foram reportados e validados também em Bruxelas”. Vasco Estrela adiantou que, o que o Executivo disse à CCDR, que “funciona aqui como intermediária”, foi que “não temos 400 mil euros até ao final do ano e, mesmo que os tivéssemos, não conse-

guiríamos fazê-lo. Portanto, têm que ter aqui uma atenção”. “Uma vez mais relembro que o facto de o Governo não nos incluir na lista dos municípios que ajuda a 100% implica, do Orçamento Municipal, mais de 1 milhão de euros. Estamos a falar de coisas muito sérias, com grande peso no nosso orçamento. Teremos, eventualmente, que recorrer a empréstimos bancários para fazer face a estes montantes, teremos que tomar decisões muito complicadas, com algum melindre, para vermos se temos condições de fazer tudo o que está previsto”, concluiu o autarca. A decisão final está agora nas mãos do Secretário de Estado das Autarquias Locais e da DGAL e, Vasco Estrela, espera que a decisão seja conhecida nos próximos dias.

Programa Jovem Autarca recebeu três candidaturas Já terminou a 1ª fase do Programa Jovem Autarca levado a cabo pela Câmara Municipal de Mação. Este ano o programa contou com 3 candidaturas e o presidente Vasco Estrela comentou este “aumento de 300%”. “A ideia é que os três novos vereadores formem uma equipa e que decidam politicamente a gestão daqueles processos. Eles sabem a verba que têm alocada e, entre eles, têm que fazer a gestão e saber o que custa tomar decisões”, disse o presidente. Quanto ao facto de este a n o t e re m s u r g i d o t r ê s candidaturas, ao contrário do 1º ano da iniciativa que apenas contou com uma, Vasco Estrela explicou que, “da primeira vez as pessoas não sabiam ao que iam”. Questionado se houve mais interesse dos jovens ou se a informação lhes chegou e forma diferente, o autarca afirmou que, “provavelmente, foi um bocadinho de tudo”. O Executivo vai agora analisar as propostas, reunir com os jovens vereadores e colocá-los a estabelecer prioridades para

o investimento dos 7.500 euros disponíveis no orçamento. “Presumo que os projetos dos três vereadores ultrapasse esse montante e, se assim for, terão de construir uma equipa, a «Pequena Câmara», e entre eles fazerem as cedências que têm de fazer, estabelecerem prioridades e investirem o dinheiro”, esclareceu o presidente. Vasco Estrela confessou que “no fundo, isto é para os estimular a pensar, para os estimular a decidir e para eles perceberem a dificuldade que é, tendo um montante que não chega para tudo aquilo que eles querem fazer, a necessidade que eles têm de fazer a gestão política e para saberem tudo aquilo que ás vezes nós aqui temos que fazer. Muitas vezes reconhecemos a necessidade de fazer as coisas, a pertinência desta ação, a pertinência desta obra e depois esbarramos naquele problema até percebermos que não temos recursos para tudo e temos que estabelecer prioridades e responder pelas mesmas”. Patrícia Seixas

Manuela Ramalho Eanes promove Comissão de Apoio a Mação Manuela Ramalho Eanes deu o mote para a criação de uma Comissão de Apoio/Acompanhamento ao Concelho de Mação, no passado sábado, 22 de setembro, em Mação, na sequência da discriminação negativa de que este Município tem sido alvo ao nível dos apoios concedidos pelo Governo na sequência dos incêndios florestais do verão de 2017. Presente no Encontro Internacional de Solidariedade Intergeracional, uma iniciativa da T3E e de Luís Duarte Patrício, a presidente honorária do Instituto de Apoio à Criança manifestou a sua solidariedade para com os maçaenses ,encabeçando esta Comissão que irá intervir junto das entidades e órgãos competentes no sentido de inverter a enorme injustiça que está a ser cometida para com este Município. “Vamos dizer que este concelho

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JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2018

foi esquecido!”, afirmou perante uma plateia composta por maçaenses e especialistas portugueses e estrangeiros de diversas áreas. A Manuela Ramalho Eanes associaram-se de imediato o juiz maçaense Carlos Alexandre, o maçaense Luís Duarte Patrício, médico psiquiatra, Armando Leandro, juiz Conselheiro, o maçaense Hélder Oliveira, antigo presidente do Conselho de Administração da Carris, o psiquiatra Júlio Machado Vaz, M. Jean Pierre Demange, presidente da T3E, Inês Fontinha, socióloga, demais congressistas estrangeiros profissionais de Saúde e de Educação de nove países participantes, entre demais interessados presentes no Encontro, que ali demonstraram a sua vontade e solidariedade. Mais pessoas manifestaram, entretanto, o seu interesse em integrar este grupo de apoio a Mação.


REGIÃO / Constância

Câmara aprova novos valores para a venda de lotes “Um dos grandes desafios que o concelho enfrenta é conseguir atrair e fixar a população”. metro quadrado. A localidade de Montalvo “é uma freguesia que está colada à A23 e tem uma zona industrial e uma dinâmica própria o que leva a que pessoas se fixem aqui com mais facilidade em relação à margem sul do concelho”, considerou o presidente. As vereadoras eleitas pela CDU,

Júlia Amorim e Sónia Varino, votaram contra à proposta e recomendaram a redução dos valores propostos, solicitando também a isenção de taxas de licenciamento. “No nosso entendimento, os lotes deviam de ter um preço ainda mais reduzido, concretamente, um preço simbólico e com isenção de taxas de licenciamento”, disse Júlia Amorim, considerando ser muito difícil atrair pessoas à freguesia de Santa Margarida da Coutada devido aos constrangimentos da ponte da Praia e devido a uma “pior imagem” que se criou devido aos maus cheiros do Centro Escolar. “Todos nós, nesta mesa, estamos preocupados com Santa Margarida da Coutada”, afirmou a vereadora da CDU, reconhecendo que a receita que provém da venda dos lotes é importante para o Município. Contudo, insistiu que fosse aplicado um preço simbólico aos 16 lotes de domínio municipal que

se encontram em Malpique e em Santa Margarida. “Se conseguíssemos fixar 16 famílias em condições, era uma medida muito positiva. A taxa de natalidade no concelho e no país não é muito elevada e, portanto, esta seria a nossa proposta”, vincou. Em resposta, o presidente da Câmara disse estar preocupado com a freguesia de Santra Margarida da Coutada, “porque é a freguesia mais envelhecida do concelho”. Lembrou que “Santa Margarida não começou a definhar há um ano, e sim, há muitos anos. E essas

medidas que a senhora vereadora indicou podiam ter sido tomadas também em mandatos anteriores, quando se detetou que Santa Margarida estava a ficar sem população e com casas a ficarem completamente degradadas”. “A nossa proposta neste momento é esta”, salientou Sérgio Oliveira, avançando que daqui por um ano, o Município poderia voltar a alterar os valores propostos caso a medida aprovada não tivesse os devidos efeitos. Joana Margarida Carvalho PUBLICIDADE

A Câmara Municipal de Constância aprovou no dia 25 de outubro, a alteração do preço de 4 lotes de terreno municipais em Montalvo e de 16 lotes em Malpique, na freguesia de Santa Margarida da Coutada. O objetivo da Autarquia é proceder à venda dos lotes e atrair mais pessoas a residir nas duas localidades. “Um dos grandes desafios que o concelho enfrenta é conseguir atrair e fixar a população e, portanto, neste sentido o que trazemos aqui é a descida por metro quadrado destes lotes, sendo que em Santa Margarida e em Malpique o valor praticado é de 25 euros por metro quadrado e propomos a descida para 20 euros por metro quadrado”, avançou Sérgio Conceição, presidente da Câmara Municipal. No que diz respeito à localidade de Montalvo, os lotes têm um custo de 45 euros por metro quadrado e passarão a custar 38.25 euros por

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REGIÃO / Vila Nova da Barquinha

“Centro de Interpretação Templário – Almourol” é único em Portugal e abre em novembro O novo Centro de Interpretação Templário – Almourol é inaugurado oficialmente no próximo dia 18 de novembro, às 14h30, no 1.º piso do Centro Cultural da vila. De acordo com a Câmara Municipal, o programa da cerimónia contará com uma demonstração de armas medievais no largo 1º de Dezembro. Depois, segue-se a inauguração do novo Centro, contando com um momento musical. Por último, irá realizar-se as conferências “O que é o CIT” e “Cortes de Amor”. O “Centro de Interpretação Templário – Almourol” vai permitir a afirmação da rota templária no território, através da criação de elementos físicos e expositivos que possibilitam ao visitante contactar com a história e lendas da temática presente em Vila Nova da Barquinha, indissociável do monumento nacional Castelo de Almourol. Ao mesmo tempo, o novo espaço cultural vai possibilitar capitalizar o Castelo de Almourol como item de marca templária, acrescentando no território um local que permita ao visitante contatar com a história da Ordem, e contribuir para a

permanência de visitantes no concelho, através da criação de fluxos entre o Castelo e a Vila, sobre a temática do turismo cultural e religioso. Com a criação de formatos multimédia interativos com vista à visitação e interpretação do património da Ordem do Templo. “Este projeto estava em falta, num território templário. Com o Convento de Cristo e o Castelo de Almourol faltava este conceito de preservação da memória”, considerou Fernando Freire, presidente da Câmara Municipal, dando conta que o novo espaço será “único em Portugal e muito direcionado para uma visitação internacional”. O projeto, que conta com um investimento de cerca de 152 mil euros comparticipado em 90% pela Linha de Apoio à Valorização Turística do Interior, vai contar com uma exposição temporária e permanente, sendo as paredes adaptadas de forma a servir de suporte a elementos gráficos, como fotografias, ilustrações, infografia e textos. O mesmo espaço será dotado de vitrinas para exposição de peças.

Utentes do Médio Tejo pedem abolição de portagens na A23 e A13 O Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) do Médio Tejo reclamou, no dia 10 de outubro, a abolição de portagens nas autoestradas A23 e A13, que atravessam esta sub-região do distrito de Santarém, consideradas um “entrave” ao desenvolvimento social e económico. “A existência de portagens no Médio Tejo (A23 e A13) são um problema para a mobilidade de pessoas e bens, são um entrave ao desenvolvimento social e económico, não contribuem para a coesão territorial, potenciam os problemas ambientais nas zonas urbanas e afetam a segurança rodoviária”, disse à agência Lusa Manuel Soares, porta-voz das estruturas de utentes da região do Médio Tejo do MUSP, presente numa ação pública que decorreu na rotunda da Atalaia (confluência da A23 com a A13), em Vila Nova da Barquinha. O dirigente frisou que estas vias são “fundamentais no acesso a cuidados de saúde nos três hospitais da região do Médio Tejo”,

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/ Mais de 12 mil assinaturas recolhidas na região do Médio Tejo pela abolição de portagens na A23 e A13 referindo-se às unidades hospitalares de Abrantes, Tomar e Torres Novas, que constituem o Centro Hospitalar da região (CHMT), tendo feito notar que o abaixo-assinado que as Comissões de Utentes lançaram em junho reivindicando

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a abolição de portagens na A23 e A13 foi subscrito por cerca de 12 mil pessoas. Em comunicado tornado público, os utentes do Médio Tejo lembram que a região é servida por duas vias rápidas - “o IP6 (nunca

concluído para Oeste) depois batizado como A23, e o IC 3, depois batizado como A13” - tendo feito notar que “as autoestradas, agora com portagens, ocuparam as anteriores vias sem que haja alternativas rodoviárias viáveis e com a quase inexistência de transportes públicos”. Em causa, referem, está a “qualidade ambiental, a deterioração das vias utilizadas e a segurança das populações das zonas residenciais urbanas e rurais agora atravessadas por milhares de veículos ligeiros e pesados, e que, antes, transitavam nos IP6 e IC3”. Reclamando a “abolição pura e simples” das portagens, os utentes referem ainda que “o troço da A23 entre a A1 e Abrantes foi construído pela antiga Junta Autónoma de Estradas (depois Estradas de Portugal, agora Infraestruturas de Portugal) com dinheiro de fundos comunitários, assim como o troço do IC3 entre a Atalaia e Tomar (Alviobeira/Ferreira)”, tendo sublinhado que, além da região estar

“perante vias sem alternativas e com portagens”, os cidadãos e empresários são confrontados com a relação “preço/quilómetro mais alto praticado em Portugal em rodovias semelhantes”. Segundo Manuel Soares, as medidas defendidas pelos utentes “contribuem para melhorar a vida das populações e potenciar o desenvolvimento social e económico”, tendo ainda dado conta que os utentes dos serviços públicos do Médio Tejo “entendem como muito importante o acabamento do IC3, entre Almeirim e a Atalaia”, bem como a “concretização da totalidade do IC9 (entre Tomar e o Alto Alentejo)”. Segundo o MUSP, as mais de 12 mil assinaturas recolhidas na região do Médio Tejo iriam ser enviadas ao ministro das Infraestruturas e o documento reivindicativo vai também ser dado a conhecer aos grupos parlamentares e aos autarcas. Lusa


SOCIEDADE /

Tramagal encheu-se de gente para assistir ao Juramento de Bandeira do RAME mandante do RAME, Coronel de Artilharia César dos Reis. “É o estabelecimento do reforço de uma relação de proximidade com a população, que em todas as componentes da nossa missão procuramos promover. Neste caso, no âmbito de uma cerimónia, porventura a mais significativa cerimónia militar, porquanto é nesta cerimónia que se estabelece vínculo e condição militar ao efetuar um Juramento de Bandeira”, explicou. O Comandante César dos Reis confessou que esta cerimónia “tem um profundo significado para nós e ficamos muito satisfeitos por saber que a aderência da parte da população, não só dos familiares como seria natural, mas também dos residentes de Tramagal”. Os militares que terminaram o 6º Curso de Formação Geral Co-

/ 58 soldados recrutas do RAME fizeram o Juramento de Bandeira numa cerimónia emotiva em Tramagal mum de Praças do Exército 2018, receberam um certificado das competências do formação profissional obtidas, validadas pela Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional. O soldado que mais se distinguiu durante a instrução básica do curso foi a soldado-recruta Magda Matosinhos, com a classificação final de 17,38 valores. O prémio foi entregue à soldado pelas suas familiares presentes na cerimónia.

No mérito escolar, distinguiu-se o soldado-recruta Nuno Borges, com a classificação final de 19,44 valores. No mérito pessoal, distinguiu-se a soldado-recruta Magda Matosinhos, com a classificação de 15,33 valores. Já no desembaraço físico, a distinção foi para o soldado-recruta Nuno Oitocentos, com a classificação de 18,25 valores. Estes foram os primeiros soldados a receberem a respetiva boina

castanha que foi depois imposta aos restantes soldados-recrutas. A população saiu à rua para assistir à cerimónia militar e as escolas também quiseram participar do evento. A cerimónia terminou com os militares a desfilarem em parada em frente ao Monumento de louvor aos Combatentes da freguesia de Tramagal. Patrícia Seixas PUBLICIDADE

O Jardim dos Combatentes, na vila de Tramagal, encheu, a 19 de outubro, para assistir à cerimónia do Juramento de Bandeira do 6º Curso de Formação Geral Comum de Praças do Exército 2018, constituído por 58 soldados recrutas – 18 mulheres e 40 homens – incorporados no Regimento de Apoio Militar de Emergência (RAME), em Abrantes. Uma cerimónia em que as emoções estiveram bem presentes e em que o Comandante da Brigada Mecanizada, Brigadeiro-General Eduardo Mendes Ferrão foi a Alta Patente convidada para a cerimónia. Mais uma vez, o RAME decidiu descentralizar a cerimónia do Juramento de Bandeira e isso “insere-se nos objetivos que tracei assim que assumi o comando do Regimento e que também tem vindo a ser prática no Exército”, afirmou o Co-

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SOCIEDADE / OPINIÃO INTERNACIONAL /

Abrantes “um sítio onde facilmente te sentes familiar” O 180 Creative Camp criou em Abrantes uma comunidade em constante crescimento. Os abrantinos envolvem-se, contam-nos as suas histórias e ouvem as nossas. Durante uma semana por ano, as experiências dão lugar a novas histórias que guardamos para as próximas edições. Neste espaço do Jornal de Abrantes, vamos refletir sobre a relação entre os participantes, artistas e a cidade sob a perspetiva de quem visita a cidade durante um período especial do ano. Afinal, o que faz o 180 Creative Camp ser uma semana tão especial para os que estão de visita e para os que cá vivem? Para além do charme da cidade, o seu silêncio e tranquilidade foram recebidos com curiosidade. Porque é que tudo fecha tão cedo? Não há outdoors em Abrantes? Para muitos participantes e artistas foi a sua primeira vez em Portugal. Para outros, foi o primeiro sítio que visitaram na Europa. Como será que se sentiram ao chegarem a Abrantes vindos de Nova Iorque, Londres ou Singapura? O que encontraram aqui? E o que podem cá deixar? Ioana Lupascu, uma participante romena que vive em Londres, diz que a experiência é completamente diferente por Abrantes ser “um sítio onde facilmente te sentes familiar”. “Não te distrais tanto com o que acontece à tua volta, estás

muito mais inclinado a ter uma conversa com as pessoas.” - diz. Jordy Van Den Nieuwendijk, ilustrador holandês e professor de desenho, liderou um workshop durante o 180 Creative Camp, mas não se focou só no trabalho. Jordy diz haver tempo para pensar: “Podes ler, podes sentar-te lá fora e pensar sobre o que gostas de fazer.” Charissa Kow, voou de Singapura até Portugal apenas para participar no 180 Creative Camp. “No primeiro dia que viemos cá era domingo e acho que todas as lojas estavam fechadas. Uma experiência muito interessante andar pelas ruas sem ninguém. E eu pensei: será que eles fecharam uma cidade pequena apenas para o Camp?” -

Mais de 100 escuteiros conheceram a Antena Livre no âmbito Jota-Joti Mais de 100 escuteiros de todo o concelho abrantino estiveram de visita às instalações da Antena Livre, no dia 20 de outubro. A ação esteve integrada no Jota-Joti, uma atividade mundial, que põe em contacto mais de 1.8 milhões de escuteiros. As vias utilizadas foram a rádio e a internet.

Assim, para perceberem o funcionamento de uma rádio, os vários escuteiros ficaram a conhecer a Antena Livre. No local, foram recebidos pelo diretor geral da rádio, Luís Ablú Dias, pelas jornalistas Joana Margarida Carvalho e Patrícia Seixas e pelo diretor de programas, Paulo

questiona. O 180 Creative Camp é uma oportunidade para nos “conectarmos” offline, para aprendermos com alguém enquanto conversamos à mesa ou passeamos pela cidade. Uma semana de criatividade em Abrantes é também uma semana de lazer e inspiração. Temos a certeza que muitas das conexões feitas durante o 180 Creative Camp resultaram em projetos bonitos e amizades memoráveis. Abrantes pode ser uma cidade pequena, mas consegue definitivamente criar um completo mundo novo para aqueles que se deixam levar pela experiência. Nicole e Viktoriya, Canal 180

Delgado. Em estúdio tiveram oportunidade de conhecer a locutora da manhã, Anabela Maia, e a sua paixão por fazer rádio há muitos anos. Foi um dia que permitiu aos mais de 100 escuteiros perceber todo o funcionamento da Antena Livre, os seus conteúdos e aquilo que a torna uma rádio de referência no panorama regional. Ainda no local, os escutistas tiveram oportunidade de conhecer o Jornal de Abrantes e a forma como é feito e colocado na rua todos os meses.

Nuno Alves MESTRE EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS nmalves@sapo.pt

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á lá vão dez anos desde a génese do colaspo financeiro que nos trouxe até à crise que se viveu na última década e, contudo, os indícios de que uma nova crise financeira não vem longe são cada vez mais evidentes. São já vários os indícios para este estado de alarme: o insustentável endividamento das economias emergentes, a desregulação financeira conduzida pela Administração Trump, uma possível saída italiana do Euro, a implosão da dívida interna chinesa, a subida progressiva das taxas de juro nas principais economias mundiais ou o colapso dos produtos financeiros que levaram à crise de 2008 e que foram retomados novamente nos últimos anos, como é o caso dos “swaps” ou derivativos. Estará o mundo à altura da próxima crise? Honestamente, não. Em primeiro lugar, o mundo é hoje um espaço político diferente daquele que viu nascer a crise e a tentou combater. O espírito de cooperação entre as principais economias mundiais nos anos duros da crise permitiu, de formas por vezes pouco perceptíveis ou compreensíveis à data, trilhar um caminho de saída para o marasmo económico em que o mundo vivia. Hoje, esses níveis de cooperação serão difícies de conseguir. Em segundo lugar, a vaga de líderes populistas e inconscientes que chegaram ao poder deixa o mundo num estado de precariedade aguda. Líderes como Trump nos EUA, Duterte nas Filipinas, Salvini e di Maio na Itália ou Bolsonaro agora no Brasil procuram regular a economia sem uma ideia clara das consequências das suas escolhas. Por exemplo, nos EUA, todos os directores das agências federais responsáveis

ISABEL LUZEIRO

Médica Neurologista/Neurofisiologista Especialista nos Hospitais de Universidade de Coimbra

Na próxima crise... pela regulação e supervisionamento do sistema financeiro têm fortes laços com os interesses financeiros de Wall Street. Lamentavelmente, muitos líderes políticos continuam a chegar ao poder crentes na ideia de que, independentemente das suas escolhas políticas permanecerão imunes às consequências e responsabilidades. Por último, não há como fugir à natureza

“Nos últimos dez anos os bancos cresceram para dimensões que ofuscam a dimensão que tinham em 2008”. humana. Devido às políticas monetárias mais flexíveis dos Bancos Centrais, existe agora abundância de capital no sistema financeiro que tem sido reciclado pelos agentes financeiros ávidos de ganhos acrescidos. Nos últimos dez anos os bancos cresceram para dimensões que ofuscam a dimensão que tinham em 2008, quando já eram considerados demasiados grandes para cair. Esta reconversão de capital tem sido novamente empenhada em pacotes financeiros que voltam a elevar o risco para níveis que reforçam as vulnerabilidades do sistema financeiro. O crédito fácil voltou, quer para famílias, empresas ou Estados. Da última vez que isso aconteceu, a economia global quase colapsou...

OURIVESARIAHeleno OURO . PRATA . RELÓGIOS . CASQUINHAS . TAÇAS

Representante oficial dos artigos

Consulta de Neurologia, Dor, Patologia do Sono, Electroencefalograma (EEG) e Exames do Sono Centro Médico e Enfermagem de Abrantes Largo S. João n.º 1 - 2200 - 350 ABRANTES Tel.: 241 371 690

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JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2018

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Relógios

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O Creative Camp visto por quem o vivencia


CULTURA /

Joana Cota,

“Foi talvez esta a maior superação, o acreditar no valor que as minhas palavras têm, e no quanto elas podem tocar quem as ouve”.

é natural de Monsanto (Alcanena), mas também se considera já abrantina, pois reside há vários anos em São Miguel do Rio Torto. Tem corrido o país a cantar o seu primeiro disco “Fado no Sorriso”. 3 de novembro, marcou o lançamento do segundo trabalho que promete levar Joana Cota noutros voos.

Depois de “Fado no Sorriso” chega agora “Influências”, um disco novo, mas completamente diferente do primeiro. De qualquer modo, o Fado…está lá todo. Como é que chegaste a este processo de mudança?

“Temos de nos tornar na mudança que queremos ver” (Mahatma Ganhdi). Começou por ser uma mudança física e psicológica, na qual me obriguei a apagar alguns “fantasmas” que me atormentavam e não me permitiam acreditar em mim mesma. Depois, uma mudança profissional, recorrendo a formação musical e de canto, de forma a superar algumas barreiras que colocavam limites não desejados à minha voz. Finalmente, uma mudança musical, impulcionada de forma positiva pelo meu produtor Rui Duarte, que como também faz o “favor” de ser meu marido, foi partilhando comigo muitas das influências culturais, sociais e musicais que procuro transmitir neste trabalho.

“Influências” porquê?

A cultura musical e social, é um pouco como o vinho. Existe o bom, o razoável, o péssimo, o que todos bebem, o que todos gostam, os que poucos gostam, os que poucos conhecem... e cada um, bebe o que entende... eu bebo daquilo que me faz bem, que me toca na alma e me faz arrepiar. Não consta apenas Fado na minha “endoteca”... não para quem gosta de desfrutar os prazeres da vida e de se deliciar com os néctares do mundo.

E quem te acompanha neste trabalho?

No nascimento prematuro

sorrisos, lágrimas, emoções e as reações do final de concerto do género: “aquele tema, “Sala Vazia”, é lindíssimo, tocou-me mesmo no coração”. O Obrigado, tal como o desabafo, para mim, sempre foram mais fáceis de transmitir pela escrita e são estas reações que me convencem que é a melhor forma de o continuar a fazer!

“Acreditar no valor que as minhas palavras têm, e no quanto elas podem tocar quem as ouve” do Influências em 2016, no qual apresentamos os singles “Fado Perdição” e “Quem Sou”, tive o acompanhamento musical do Ricardo Silva na guitarra portuguesa, Rui Miquélis na viola de fado e Rodrigo Serrão no contra-baixo e no Chapmastick (tendo assim o privilégio de ser o primeiro fado a contar com a presença deste instrumento). Na continuidade do cd, tive o acompanhamento musical do Nuno Cirílo na guitarra portuguesa, Miguel Monteiro na viola de fado, Rodrigo Serrão no baixo acústico e Paulo Vieira na bateria. Tive ainda a honra de contar com as participações especiais do Inácio Judepina na guitarra clássica, Patrício Fidel na guitarra eléctrica e o Rui Duarte (vocalista dos Ramp) num dueto brutal. Todo

este trabalho, não podia deixar de ser uma produção de excelência pelas mãos do Rui Duarte, que mais uma vez nos apresenta um conceito único.

Agora, as pessoas vão conhecer uma Joana Cota musicalmente diferente. Estás curiosa com as reações?

Sim, claro. Por dois motivos: primeiro porque ao ouvirem o Influências vão ouvir Fado, mas ao mesmo tempo não…Viajo pelo nosso país, onde vou buscar sonoridades das Beiras, de Coimbra, do Romântico, do Popular e do Tradicional e quando viajo pelo mundo, trago Mornas, Choros, Rock, Samba, Clássico... Mas todos falam de saudade, ciúme, raiva, dor, esperança, alegria, amor...Todos eles

são interpretados com o devido sentimento e alma... todos eles, para mim, são Fado! Segundo, porque constam neste trabalho seis poemas orginais de minha autoria, dois dos quais com música composta por mim. E foi talvez esta a maior superação, o acreditar no valor que as minhas palavras têm, e no quanto elas podem tocar quem as ouve.

A apresentação do novo disco já aconteceu em Gouxaria (Alcanena) no passado dia 3 de novembro, e antes deste um “cheirinho” do mesmo na Igreja de Nossa Senhora do Castelo, em Abrantes, e, portanto, as primeiras reações já aconteceram, e fizeram de ti uma pessoa muito mais feliz não foi? Claro que sim! Aplausos de pé,

O teu primeiro single do novo disco “Sala Vazia”, teve estreia nacional na Antena Livre, onde se ouve todos os dias e é um dos tais que marca a tua estreia como autora e compositora, certo? É um tema especial?

Sim. O “Fado no Sorriso”, teve como abertura um poema de minha autoria, que já por si, teve reações muito positivas. Mas a união da autoria à composição, vem mesmo através do “Sala Vazia” e do “Influências” (tema que apresenta o conteúdo do trabalho discográfico). Contudo, o “Sala Vazia” é especial como dizes, sim! Talvez possa mesmo dizer que seja a joia deste trabalho, pois foi feito no início da fase de mudança, foi a ele que me agarrei para sonhar e contruir este “Influências”, com o apoio incondicional do Rui Duarte aliás, eu pedi-lhe inclusive que me acompanhasse à viola neste tema, tarefa que ele incumbiu ao seu professor Nuno Cirilo. Mas ainda assim, deu-me a honra de contar com o seu tocar na introdução do tema, em modo “acústico” para dar a conhecer como de facto tudo começou. Paulo Delgado (entrevista completa em www.jornaldeabrantes.pt)

Novembro 2018 / JORNAL DE ABRANTES

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REGIÃO / Cultura NOMES COM HISTÓRIA /

Teresa Aparício

OPINIÃO NACIONAL /

Escola Básica António Torrado

E

Alves Jana FILÓSOFO

Mas…

E Havia então actores participantes, hoje há sobretudo espectadores passivos. Reclamamo-nos muito de viver numa época de progresso mas, neste campo, parece-me que houve mais um retrocesso, embora e felizmente, no nosso país, já comecem a aparecer muitos contadores de histórias. Nesta linha recuperou e actualizou alguns dos nossos contos populares de que são exemplo: O Macaco do Rabo Cortado, A Bela Micaela e o Monstro da Pata Amarela, História da Carochinha e do João Ratão, etc. Os seus livros de poesia, com versos bem ritmados que entram facilmente no ouvido, divertem mas através deles também são transmitidos conhecimentos e valores. Em 1988, viu a sua então já vasta obra galardoada com o Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças e em 1974 e 1996 viu livros seus serem reconhecidos internacionalmente, ao serem incluídos na lista de honra do International Board on Books for Young People. José António Gomes, crítico e investigador, diz sobre Torrado: “Impôs-se como uma das figuras de maior relevo da nossa literatura para crianças e dificilmente se encontrará hoje um autor que, de forma tão equilibrada, saiba dosear em livro

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ste estabelecimento de ensino, também conhecido por Escola da Encosta da Barata, devido ao local onde se encontra situado, foi inaugurado em 2003 e alberga turmas de Jardim de Infância, 1º Ciclo e também as chamadas AECs, ou sejam Actividades de Enriquecimento Curricular. Faz parte do Agrupamento de Escolas nº 2 de Abrantes, sediado na escola Dr. Manuel Fernandes. Contrariamente ao que é mais habitual, o nome do seu patrono foi escolhido não por este ter alguma ligação com Abrantes, a não ser por algumas visitas ocasionais às nossas escolas, mas por ser um conhecido escritor português de literatura para crianças. Através da sua já vasta obra, pretende levar às crianças de forma viva e quase sempre cheia de humor, valores tão importantes como os da liberdade e do respeito pela diferença. E se o objectivo foi levar os alunos que frequentam este espaço educativo a conhecerem e a viverem a sua obra, esse motivo foi mais que justificado. Mas quem é afinal António Torrado? Nasceu em Lisboa em 1939, embora tenha raízes na Beira Baixa e é licenciado em Filosofia pela Universidade de Coimbra. Começou a escrever cedo e da sua bibliografia constam já mais de cento e vinte títulos, de géneros variados: contos, novelas, teatro, poesia e recolhas várias oriundas da tradição popular. Nesta última bebeu os ecos dos velhos contadores de histórias, marcantes nas suas raízes beirãs, que conseguiam transmitir às crianças o encanto e a magia que iam enriquecendo o seu imaginário, numa época em que os serões ainda não eram preenchidos com os conteúdos massificadores da televisão e da internet.

“Num mundo gerido por robôs há ainda algum lugar para os humanos ou somos apenas spam?”

o humor, a crítica e os sinais de um profundo conhecimento do imaginário infantil.” Dos muitos títulos da sua vasta bibliografia saliento: Histórias à Solta na Minha Rua, Salta para o Saco, Milagre de Natal, O Veado Florido (um conto pequeno, mas para mim dos mais interessantes), Vamos Contar Um Segredo e Outras Histórias, À Esquina da Rima Buzina… A propósito de rima termino, a título de exemplo, com algumas quadras divertidas de António Torrado: Era um gato era um cão. Os dois não cabem na mesma canção. Era um velho e uma rapariga. Os não cabem na mesma cantiga. Era uma pulga era uma dama. As duas não cabem na mesma cama. Era uma laranja era um melão. Os dois não cabem na mesma estação.

ra evidente que o xadrez, uma expressão superior da inteligência humana, só pode ser jogado por um ser humano. Mas em 1997, o computador Deep Blue, da IBM, derrotou o grande mestre de xadrez Garry Kasparov. Era evidente que só o ser humano sabe fazer perguntas. Mas em 2011, o Watson, um computador da IBM, venceu anteriores vencedores do concurso televisivo Jeopardy!, que consiste em descobrir as perguntas para respostas que são dadas. Era evidente que tarefas muito complexas, como as de um jornalista, só podem ser levadas a efeito por um ser humano. Mas em 2014 a primeira notícia de um terramoto em Los Angeles foi dada por um computador: o Quakebot demorou apenas três minutos. O jornal Los Angeles Times já usa um programa informático para dar informação sobre homicídios. E a revista Forbes também publica artigos gerados por computador. Era evidente que aprender por si mesmo, sobretudo questões complexas, é uma prerrogativa dos humanos. Mas em 2015, o DeepMind da Google aprendeu sozinho a jogar 49 jogos clássicos da Atari. Era evidente que o Go, velho jogo chinês, só pode ser jogado por humanos, pelas exigências que coloca. Mas em 2016, em Seul, o AlphaGo, da Google, venceu por 4-1 o campeão sul-coreano de Go, com estratégias que surpreenderam os entendidos. Era evidente que certas tarefas

como as dos médicos, por exemplo diagnosticar uma doença, só podem ser exercidas por um ser humano qualificado. Mas o DeepMind tem uma taxa de erro de 5,5% na detecção de cancros e afins nos olhos, enquanto os oftalmologistas têm uma taxa de erro entre 6,7% e 24,1%. E um outro computador fez um diagnóstico correto de cancro do pulmão em 90% dos casos, enquanto os médicos em apenas 50%. Era evidente, até há pouco, que tarefas ultracomplexas, como conduzir um veículo automóvel, são o modelo de competências só alcance dos humanos. Mas hoje os veículos autónomos circulam já na estrada portuguesa. E o primeiro acidente entre um veículo autónomo e um humano ocorreu por erro do humano. Mas, afinal, o que é específico, exclusivo do ser humano? A resposta em uso desde há milénios está a ter de ser revista em toda a linha. Até onde? Num mundo gerido por robôs há ainda algum lugar para os humanos ou somos apenas spam? Se os robôs fazem o trabalho melhor que os humanos, como é que as pessoas se sustentam? Estas são apenas algumas das questões que se levantam sobre o mundo que estamos a construir. São o tema do Festival de Filosofia de Abrantes, este mês. ----Correção. Na minha última crónica, um erro de disgrafia, a troca de “algoritmo” por “logaritmo”, veio tornar anedótica uma afirmação minha. A frase correta é: “Tudo o que pode ser reduzido a um algoritmo pode ser automatizado, ou seja, dispensa o trabalhador humano.” Peço desculpa aos leitores e ao JA.

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JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2018


CULTURA / AGENDA /

Narrativas Mação/Portugal – Pelotas/ Brasil”, por Camila Osório – Museu de Arte Pré-Histórica de Mação, 18:00

Abrantes Até 31 de dezembro – Exposição “Parque em Macro” (Serralves) – Parque Tejo, diariamente, das 9:00 às 20:00 Até 22 de janeiro de 2019 – MIAA – Antevisão X “A representação da figura humana ao longo da história” – Museu D. Lopo de Almeida, Castelo/Fortaleza 9 a 18 de novembro – Festival de Filosofia de Abrantes 9 de novembro a 31 de janeiro de 2019 - Exposição “A descoberta de uma nova espécie para a ciência” – Parque Tejo 9 de novembro – “Do Princípio ao Fim”, pelo Teatro das Beiras – Auditório da Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes, 21:30 (5€) 10 de novembro – “Sabores no Mercado” com Nuno Alves da página “Um jardim de campo” – Mercado Municipal, 10:30 16 de novembro – Concerto de Ana Bacalhau – Sociedade Artística Tramagalense, 21:30 (10€)

Vila de Rei recebe XIV Quinzena do Teatro ras, e, tratando-se de uma iniciativa solidária, o público é convidado a doar um género alimentício que reverterá para as famílias mais carenciadas. A Quinzena de Teatro tem início no dia 17 de novembro, na Casa do Povo de S. João do Peso, com a apresentação de “Falar Verdade a Mentir”, pelo Grupo de Teatro

Meia Via (Torres Novas). A 24 de novembro sobem ao palco do Auditório Municipal de Vila de Rei Hugo Subtil, Ricardo Cardoso e Guilherme Duarte num espetáculo de Stand Up Comedy. “O Caminho Marítimo para a Desgraça”, pelo “DRA/MAT”, de Coimbra, encerra o evento, no 1 de dezembro, no Salão do Clube da Fundada.

Ana Bacalhau atua na Sociedade Artística Tramagalense “Nome Próprio” é o nome do novo disco de Ana Bacalhau que, depois de dez anos à frente dos “Deolinda”, se estreia num projeto a solo. A cantora atua na Sociedade Artística Tramagalense (SAT), no Tramagal, no dia 16 de novembro, pelas 21h30, e a acompanhá-la estarão os músicos Luís Figueiredo (piano, teclados), Luís Peixoto (cavaquinho, bouzouki, bandolim), Zé Pedro Leitão (contrabaixo, baixo) e Alexandre Frazão (bateria, percussão). “Nome Próprio” foi editado em outubro de 2017, depois dos Deo-

linda terem anunciado uma pausa nos discos e nos espetáculos. “Vida Nova”, “Menina Rabina”, “Debaixo da mosca”, “Maria Jorge”, “A Bacalhau” ou “Para Fora” são alguns dos temas do novo disco que farão parte do alinhamento do concerto no Tramagal. Os bilhetes para o espetáculo estão à venda no Welcome Center (Largo 1.º de Maio), na SAT, uma hora antes do espetáculo, ou em ticketline.pt.

res de Histórias, Encontros com Escritores e com Ilustradores, Teatro, um Workshop para famílias, entre muitos outros eventos farão da 32ª edição da Feira do Livro mais um grandioso evento cultural do concelho de Constância.

24 de novembro – “Sons no Mercado” com o Grupo Etnográfico “Os Esparteiros” de Mouriscas – Mercado Municipal, 9:30 26 de novembro – Art´Andante com Grupo de Danças de Casais de Revelhos e Alferrarede Velha – União de Freguesias de Alvega e Concavada – Alvega, 16:00 26 de novembro – “Biblioteca Municipal António Botto: 25 anos de memórias”, sessão evocativa – Biblioteca Municipal António Botto, 18:00

Constância 17 e 18 de novembro – Aromas e Sabores da Natureza – Parque Ambiental de Santa Margarida 17 de novembro – Migas Carvoeiras – Vale de Mestre, 13:00 30 de novembro – Aula Pública de Carrilhão – Parque de Merendas

Mação Até 30 de novembro – Exposição de fotografia “The Moved Stone (A Pedra Movida)” – Átrio da Câmara Municipal 8 de novembro – Apresentação de “Memórias gastronómicas da Pesca –

Até 16 de março de 2019 – Exposição documental “A Banda!” – Espaço Cá da Terra 9 a 11 de novembro – Tradissons – Festival de Música Tradicional Portuguesa (Fundação INATEL) – Centro Cultural Gil Vicente 24 de novembro – Mercadinho de Castanha – Mercado Municipal, 8:30 às 12:30 e das 14:00 às 17:00 24 e 25 de novembro – Sardoal ao Piano – Centro Cultural Gil Vicente

Vila de Rei Até 31 de dezembro – Exposição “Ao serviço da inclusão”, da Fundação Garcia – Museu Municipal 5 a 9 de novembro – Estafetas de contos – 10.º Aniversário da Biblioteca Municipal e dos 93 anos do nascimento de José Cardoso Pires – Instituições do concelho 5 a 29 de novembro – Exposição de fotografia “Um Olhar Sobre Vila de Rei”, de Telmo Martins – Biblioteca Municipal José Cardoso Pires 17 e 24 de novembro e 1 de dezembro – XIV Quinzena do Teatro – Vários locais do concelho, 21:00

Vila Nova da Barquinha Até 11 de novembro - Exposição “A Primeira Guerra Mundial... A História Por Contar” - Museu Etnográfico da Praia do Ribatejo 3 de novembro – Seminário Turismo Militar “Potencialidades e desafios para o Território Nacional” – Centro Cultural, 15:00 3, 4, 6 e 11 de novembro – 182.º Aniversário do Concelho de Vila Nova da Barquinha - Música, poesia, desporto e teatro 10 de novembro a 9 de dezembro – Mostra Gastronómica “À Mesa com Azeite” – Restaurantes do concelho 17 de novembro – Teatro “Sala de Espera” pela Companhia de Teatro “Chamusc´Arte” – Clube União de Recreios, Moita do Norte, 21:30 18 de novembro – Festival de Sopas com animação do grupo de Acordeões de Gondemaria – Clube União de Recreios, Moita do Norte, a partir das 13:00

Fisabrantes

32.ª Feira do livro de 20 a 25 de novembro A Feira do Livro vai voltar a Constância de 20 a 25 de novembro, um evento que terá lugar no Cineteatro Municipal, o qual está já a ser preparado pelo município, através da Biblioteca Municipal Alexandre O’Neill. Centenas de livros, Contado-

22 de novembro – VI Jornadas Biblioteconómicas de Abrantes – Biblioteca Municipal António Botto, 9:30

Até 23 de novembro – Exposição “Gil Vicente por Armando Correia” – Centro Cultural Gil Vicente

Promover e desenvolver o hábito e o gosto pela leitura, garantir o acesso aos livros, oferecendo assim, a oportunidade de ampliar a cultura e o conhecimento por meio de lazer e do entretenimento, são os grandes objetivos da Feira do Livro.

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As emoções das artes teatrais estão de regresso ao concelho de Vila de Rei, com a realização da décima quarta edição da Quinzena do Teatro Solidário, nas noites de 17 e 24 de novembro e 1 de dezembro. À semelhança de anos anteriores, o evento irá levar os espetáculos às três freguesias Vilarregenses. As sessões terão início pelas 21 ho-

17 de novembro – “Sabores com conto e medida” com Rui Marques do blog “A Pitada do Pai” – Mercado Municipal, 10:30

Sardoal

Centro de Fisioterapoia Unipessoal, Lda. Médico Fisiatra Dr. Jorge Manuel B. Monteiro Fisioterapeuta Teresinha M. M. Gueifão

Terapia da Fala Dr.ª Sara Pereira Psicóloga Clínica Aconselhamento

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SAÚDE /

Nuno Barreta ENFERMEIRO, UNIDADE SAÚDE PUBLICA DO ACES MÉDIO TEJO

Dia Mundial da Diabetes 14 de novembro

O

Diabetes Mellitus tipo 2 poder ser evitada, é uma doença em franco crescimento epidemiológico, tanto nos países desenvolvidos como em vias de desenvolvimento. Afeta maioritariamente as pessoas em idades economicamente ativas. Por outro lado, as características da doença, nomeadamente a sua incurabilidade, a necessidade de tratamento e autovigilância glicémica diária, consultas e exames complementares frequentes, aumento de internamentos hospitalares e a capacidade de induzir complicações tardias invali-

dantes, com inevitável absentismo laboral, surgem como um inerente aumento de gastos económicos a nível dos orçamentos da saúde nacionais e individuais. A alimentação saudável e a prática regular de atividade física são os fatores mais determinantes na prevenção da diabetes. A única maneira de travar este crescendo exponencial de perda de anos de vida com qualidade, passa pela prevenção da doença, pelo diagnóstico precoce, pela otimização do seu tratamento e prevenção das complicações.

Serviço de Observação da Urgência Médicocirúrgica alvo de intervenção Urgência Médico-cirúrgica, na Unidade Hospitalar de Abrantes, uma intervenção que concretiza o protocolo de prestação de serviços para melhoria das condições de qualidade clínica e segurança do serviço de urgência. Carlos Andrade Costa, presidente do Conselho de Administração, sublinha “a importância destas obras, que são prévias à obra de

requalificação das Urgências que não poderá avançar antes desta intervenção, e que vão garantir condições de segurança e qualidade clínica a utentes e profissionais”. Informa o CHMT que a intervenção agora iniciada tem um prazo de duração previsto de dois meses, permitindo que a obra de requalificação possa iniciar na primavera de 2019.

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Dia Mundial da Diabetes, é a maior campanha a nível mundial de consciencialização sobre a diabetes. Criado em 1991 pela International Diabetes Federation (IDF) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como resposta ao aumento alarmante de casos de Diabetes no Mundo, tornou-se, em 2007, dia oficial. A celebração do Dia Mundial da Diabetes, tem como finalidade chamar a atenção das entidades oficiais, dos profissionais de saúde, da comunicação social e da comunidade em geral para a problemática da Diabetes. Deste modo, associado às comemorações anuais está um tema, que para o período de 2018/2019 é a “Família e a Diabetes”. Tendo em conta a importância primordial da família na pessoa com Diabetes e as implicações da Diabetes no seio da família, cabendo a esta um papel importante no cuidar e apoiar a pessoa com diabetes. Apesar da campanha decorrer durante todo o ano, este dia é comemorado a 14 de novembro, para celebrar o aniversário de Frederick Banting, que, juntamente com Charles Best, concebeu a primeira ideia que levou à descoberta da insulina em 1922. Existem vários tipos de diabetes. Contudo e apesar de a

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JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2018


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ESCRITÓRIOS:

ORTOPEDIA Dr. Matos Melo OTORRINOLARINGOLOGIA Dr. João Eloi

Certifico para efeitos de publicação que por escritura lavrada no dia dezoito de Outubro de dois mil e dezoito, exarada de folhas cento e vinte a folhas cento e trinta e duas, do Livro de Notas para Escrituras Diversas CENTO E SESSENTA E SETE — A, deste Cartório Notarial, foi lavrada uma escritura de JUSTIFICAÇÃO, na qual os Senhores MARIA RICARDINA GONÇALVES AREIAS LENTO e marido MANUEL MARIA DA COSTA LENTO, casados sob o regime da comunhão geral de bens, ambos naturais da freguesia de Alvega, do concelho de Abrantes, residentes na Rua 24 de Julho, número 1, em Casa Branca, Alvega, Abrantes, DECLARARAM que, com exclusão de outrem, os justificantes são donos e legítimos possuidores do seguinte prédio: Prédio rústico, sito em Tramagais, Alvega, na União de freguesias de Alvega e Concavada, do concelho de Abrantes, composto de cultura arvense e figueiras, com a área de seiscentos metros quadrados, a confrontar de Norte e Poente com José Maria Vinagre, de Sul com Herdeiros de Francisco Garrinhas e de Nascente com Estrada, omisso, na Conservatória do Registo Predial de Abrantes, inscrito na matriz cadastral sob o artigo 75 da secção AC (anterior artigo 75 da secção AC, da extinta freguesia de Alvega). Que são possuidores do mencionado prédio desde, pelo menos, mil novecentos e oitenta, por doação meramente verbal de sua mãe e sogra MARIA JOAQUINA GONÇALVES, viúva, residente em Casa Branca, Alvega, não tendo, porém, celebrado a respectiva escritura. Que, desde a referida data, vêm exercendo continuamente a sua posse, à vista e com o conhecimento de toda a gente, usufruindo de todas as utilidades do prédio, amanhando-o, cultivando-o, na convicção de exercer direito próprio, ignorando lesar direito alheio, sendo reconhecidos como seus donos por toda a gente, pacificamente, porque sem violência, continua e publicamente, de forma correspondente ao exercício do direito de propriedade, sem a menor oposição de quem quer que seja, pagando os respectivos impostos, verificando-se assim todos os requisitos legais para que se possa confirmar a aquisição do citado imóvel por usucapião. Está conforme ao original e certifico que na parte omitida nada há em contrário ou além do que nesta se narra ou transcreve. Abrantes, 18 de Outubro de 2018. A Notária

ABRANTES: Rua de Santa Isabel, n.º1 - 1.º Dt.º - Tel.: 241 360 540 - Fax: 241 372 481 MAÇÃO: Rua Ten. Cor. P. Curado, 2 - R/c Dt.º - Telef/Fax: 241 519 060 - Fax: 241 519 069

Conta registada sob o n.º 170

PNEUMOLOGIA Dr. Carlos Luís Lousada PROV. FUNÇÃO RESPIRATÓRIA Patricia Gerra PSICOLOGIA Dr.ª Odete Vieira; Dr. Michael Knoch; Dr.ª Maria Conceição Calado PSIQUIATRIA Dr. Carlos Roldão Vieira; Dr.ª Fátima Palma UROLOGIA Dr. Rafael Passarinho NUTRICIONISTA Dr.ª Carla Louro SERVIÇO DE ENFERMAGEM Maria João TERAPEUTA DA FALA Dr.ª Susana Martins

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Novembro 2018 / JORNAL DE ABRANTES

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Jornal de Abrantes Novembro 2018  

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