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JORNAL DA BROTERO

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edição mar. 2020

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IGUALDADE DE GÉNERO


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índice

EDITORIAL 2- Editorial, por Manuel Esteves da Fonseca 3- Tempos de mudança, por António Marques

TEMA DE CAPA 4- A (Des)igualdade dos Sexos (Géneros), por Pedro Falcão 6- “M’espanto às vezes, outras m’avergonho”, por Maria Helena Dias Loureiro 8- (Des)igualdade de Géneros, por Cláudia Oliveira 9- Sou uma adolescente, por Ana Carolina Santos, 10 1A GRUPO DISCIPLINAR DE FILOSOFIA 10- Congresso de Filosofia, por Cristina Janicas GRUPO DISCIPLINAR DE EDUCAÇÃO FÍSICA 11- Badminton ESAB #1, por Teresa Silvano 13- Badminton ESAB #2, por Teresa Silvano CLUBE PRODE 14- TECLA 2020, por João Sá PROJETOS MULTIMÉDIA 15- Feminismo, por Sabrina Silva, 12 2B 16- A Violência, por Lara Chaves & Lurdes Pina, 12 2A 17- Play & Pretend, por Leonardo Rama, 12 2A 18- AnnieArt, por Ana Martins, 12 2A ATIVIDADES 19- Olimpíadas de Matemática, por Ana Fonseca, Elisa Albuquerque, Francisca Pessoa, Marta Tovar, Rosa Caridade 20- Competição Europeia de Estatística, por Francisca Pessoa 21- Brotero (mais uma vez) solidária, por Fernanda Madeira BIBLIOTECA 22- Concurso “Há Poesia na Escola”, por Fernanda Madeira 23- Teatro (profissional) veio à escola, por Fernanda Madeira EDUCAÇÃO E CIDADANIA 24- Mercadinho de Trocas, por 10 PDM e Cristina Leal 25- Visita de Estudo à Louriceira e Carregado, por Mariana Pereira, 10 1G VISITAS DE ESTUDO 26- Visita de estudo a Lisboa, por PNC GRUPO DISCIPLINAR DE ARTES 27- Encontro com Antigos Alunos, por José Vieira

REDAÇÃO ANTÓNIO MARQUES (COORDENADOR), EMÍLIA MELO, FERNANDA MADEIRA, ISABEL MONTEIRO, JOSÉ VIEIRA (CAPA, DESIGN E EDIÇÃO)

“A igualdade de género” é pertinente numa sociedade atual em constante evolução. A nossa Escola, por tradição, sempre foi um espaço em que todos e todas tiveram as mesmas oportunidades, sem que houvesse qualquer tipo de discriminação. Podemos, por isso, afirmar que estivemos à frente das novas correntes. Escrevo este editorial pela última vez como diretor da Escola, dado que o meu mandato está prestes a terminar. Durante os 45 anos como professor e 12 anos na Direção, oito dos quais como diretor, tive o privilégio de poder contribuir para a formação de milhares de jovens. É altura de agradecer a todos os alunos e alunas, professores e professoras e funcionários e funcionárias não docentes, toda a riqueza da sua vivência nesta Escola, que a engrandeceram no passado, que a engrandecem no presente e que a engrandecerão no futuro. Um agradecimento também a todas as direções da Associação de Estudantes e da Associação de Pais e de Encarregados de Educação, com quem sempre tive um relacionamento de respeito mútuo e de colaboração, tendo como objetivo comum a melhoria da Escola. Agradecer, também, a colaboração da Direção, dos membros do Conselho Pedagógico, dos membros do Conselho Geral e à equipa que tornou possível a publicação periódica deste jornal. A todos e a todas desejo as maiores felicidades. Ao novo diretor ou à nova diretora da Escola desejo as maiores felicidades e sucesso no desempenho do seu cargo, que será, também, o sucesso da nossa Escola. Uma despedida especial para os alunos e alunas que terminam este ano o seu secundário e que, no próximo ano letivo, vão frequentar o ensino superior ou integrar a vida profissional. Desejo-lhes muitas felicidades. Até sempre! O diretor da ESAB,

NOTA DA REDAÇÃO: Os textos e as fotografias que os acompanham são da responsabilidade do(s) respetivo(s) autor(es)

Manuel Carlos Esteves da Fonseca


EDITORIAL

TEMPOS DE

Estávamos em 2009. Colocado na Escola Secundária Avelar Brotero (ESAB), viria a integrar a equipa inicial do Jornal da Brotero (JB), então sob a coordenação do colega Aires Diniz. Depois, com a sua aposentação, assumiria a coordenação do JB, de setembro de 2011 até hoje. Saio com a sensação de “missão cumprida”: 26 edições (do número 6 a este número 31). Essa “missão” só foi, no entanto, conseguida graças a toda a comunidade educativa. Na verdade, e a avaliar pelas opiniões que nos iam chegando, se o JB tem a qualidade que tem, tal deve-se a todas as colaborações: às dos professores (quer as “residentes”, como eu gosto de lhes chamar - as que raramente faltavam a uma edição -, quer as pontuais), à dos alunos, à do diretor da ESAB, à dos assistentes (operacionais e técnicos), pois, sem elas, os objetivos não teriam sido alcançados. A todos o meu “Muito obrigado”. Na minha perspetiva, um Jornal de Escola “ilustra” aquilo que se vai fazendo com os alunos e para os alunos, mas também tem de ser um espaço de reflexão de todos. Por isso, tínhamos sempre, em cada edição, um tema orientador, que não forçosamente obrigatório nem aglutinador. Para além disso, o JB também proporcionou vários e variados momentos de partilha. De facto, esperada com alguma ansiedade, a saída de mais um número proporcionava a discussão saudável de certos aspetos do tema de capa, começando pelos linguísticos. Recordo com saudade a época em que havia quem aceitasse e apoiasse o (agora já velho) Acordo Ortográfico, mas também quem se recusasse a escrever com a nova grafia (e ainda há por aí alguns resistentes). Foi, na verdade, gratificante, discutir/partilhar, fora do espaço institucional, questões relacionadas

com a língua portuguesa (e não só), mas também com os autores, os escritores, as vidas. Na verdade, se não fosse este jornal, não saberíamos de metade das atividades que se realizam na escola. Por outro lado, muitas ficaram por divulgar, porque somos todos professores e só os jornalistas podem e devem estar em todo o lado. Tentámos, sempre, respeitar todas as opiniões (também mal seria, se pudéssemos voltar ao tempo do “lápis azul”). Não, não me recordo de uma única colaboração que tivesse ficado intencionalmente “na gaveta”. Aliás, nem poderia ser de outra forma, já que os autores são, no JB, os primeiros e os últimos responsáveis pelos seus próprios textos. Dois agradecimentos em particular: a todos os que fazem e fizeram parte desta equipa e ao sr. diretor da ESAB. Este JB foi por ele sempre apoiado, acarinhado e incentivado. Penso até que não haverá por aí muitos jornais escolares com a qualidade gráfica e das colaborações que o JB apresenta. Mas tudo tem um tempo…e tudo acaba. Neste caso, termina aqui a minha coordenação, porque considero que, para além de já ter atingido os objetivos a que me propus, é necessário revitalizar o Jornal da Brotero. Finalmente, votos sinceros de sucesso a todos os que vierem a constituir a nova equipa.

ANTÓNIO MARQUES

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TEMADE CAPA

)S a (DE igualdade de sexos ( géneroS ) A ideia de “género” resulta de uma convenção humana e de construção concetual de âmbito sociocultural, para eufemisticamente designar e diferenciar os sexos, masculino e feminino, enquanto o termo “sexo” é o conceito que distingue biologicamente os humanos. Então, a histórica reivindicação de igualdade de género ou igualdade sexual surgiu com o intuito de estabelecer a ambicionada igualdade sociocultural, política e económica entre os membros dos dois sexos. A luta contra o sexismo tem como fundamento seculares injustiças na organização social e na mentalidade cultural dos diferentes povos, opondo-se veementemente à sujeição da mulher ao homem e consequente rejeição da autonomia feminina. O conceito de género é indissociável doutro, o de “identidade de género”, que tem a ver com o género (sexo biológico) com que cada um se identifica e que determina o seu comportamento, ao assumir o desempenho de certos papeis sociais expressos por representações sociais assentes em crenças, ideias e valores pelos quais se rege no relacionamento com os outros. Com origem nos movimentos feministas do século XIX, a revolução pela igualdade de género visa, sobretudo, a igualdade a nível de estatuto social, direitos, privilégios e no reconhecimento da mesma dignidade entre homens e mulheres, assim como na igualdade de oportunidades no acesso a profissões e cargos no mercado de trabalho e a progressões na carreira profissional. Incidem os movimentos pró-igualdade de género na legítima reivindicação de salário igual entre géneros, para a mesma função, sem discriminação ou preconceito. No fundo, trata-se de cumprir o que preconiza a Carta Universal dos Direitos Humanos relativamente a direitos básicos a nível civil, político, económico, social e cultural. O ideal que se procura alcançar é justo na medida em que, sendo todos humanos, apesar das dife-

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renças sexuais, todos temos direito a tratamento e respeito iguais, não tendo sentido sobrevalorizar uns humanos em detrimento de outros. Ainda no século XIX, o filósofo inglês, J. Stuart Mill, defendia a emancipação da mulher na sociedade, escrevendo numa das suas obras o seguinte: «[…] O princípio que regula as relações sociais entre os dois sexos – a subordinação legal de um sexo ao outro – está em si mesmo errado, constituindo hoje um dos obstáculos ao desenvolvimento humano; e, justamente por isso, deveria ser substituído por um princípio de perfeita igualdade, que não admitisse qualquer poder ou privilégio de um dos lados, nem discriminação do outro» (A sujeição das mulheres, 1861). Apesar disto, é indesmentível que existem diferenças muito significativas entre os sexos e que mostram mesmo uma certa superioridade da mulher: a nível biológico e fisiológico, cerebral, anatómico e estético. Segundo estudos da neurociência, alguns recentes, o cérebro feminino diferencia-se, entre outros aspetos, pelo tamanho do corpo caloso (faixa de filamentos que une os dois hemisférios), que, sendo maior nas mulheres, otimiza as capacidades de pensamento intuitivo (um sexto sentido feminino) e analítico-dedutivo. Por isso, genericamente, as mulheres podem descobrir, mais rapidamente do que os homens, soluções práticas para os problemas, desenvolvendo ações imediatas e atempadas para os resolver. Tendo ainda em conta a estrutura cerebral e devido à zona do hipocampo (que determina o armazenamento de memórias, a curto e longo prazo) ter também dimensões maiores nas mulheres, elas possuem mais capacidades a nível da memória (as mulheres não esquecem facilmente uma afronta), manifestando, correlativamente, menores dificuldades na cognição. Infere-se sobretudo (e


isso nota-se na convivência diária) que as mulheres são mais empáticas e expressam emoções e afetos de modo mais extrovertido e arrojado do que os homens, que se contraem nesse domínio, manifestando mais um comportamento racionalizado e sob controlo emocional em diversificadas situações. Apesar disso, concluiu-se também que as mulheres, relativamente aos homens, podem ter maior poder de concentração aquando da realização de tarefas. Na realidade, nos vários níveis de ensino, é possível confirmar estas diferenças, não sendo por acaso que, no Ensino Superior, o número de mulheres tem aumentado consideravelmente, ultrapassando mesmo o número de homens nalguns cursos. Nunca, em séculos passados, como agora, houve tão número elevado de mulheres cientistas ou a assumir cargos políticos e de administração e gestão em empresas. Também em termos anatómicos, as diferenças são elevadamente consideráveis: ninguém pode negar que o corpo feminino tem formas anatómicas específicas que dão um ar elegante e gracioso à mulher e que a sua beleza física, não em detrimento da beleza interior, é uma das marcas indiscutíveis da indelével diferença dos sexos. Mas a diferença crucial está na propensão natural da mulher para a maternidade, estando preparada biológica e psiquicamente para ser mãe. A Natureza assim a faz existir, com o dom da criação, o poder e a responsabilidade de trazer à existência um ser humano, dando continuidade à vida e preservando a hegemonia e sobrevivência da Espécie no mundo natural. Por conseguinte, estas diferenças dos sexos (géneros) não devem ser anuladas e

ignoradas, devendo, no entanto, manter-se a harmoniosa relação natural entre homens e mulheres, sem a mentalidade machista de outros tempos ou atitudes feministas (afinal, os opostos atraem-se e completam-se, estabelecendo um equilíbrio). É assim importante a Educação para a Cidadania e Educação Sexual nas escolas, a fim de sensibilizar os adolescentes e jovens para a problemática das relações entre os géneros na comunidade, a que inevitavelmente todos pertencem, e de refletir e debater com eles sobre a dignidade que é direito de todos, contribuindo para modificar mentalidades erróneas acerca das diferenças de género e promover o espírito de cooperação, respeito e aceitação das diferenças. Atendendo ainda ao que diferencia os sexos, que superiorizam em certos aspetos as mulheres, com notórias exceções, claro, o conceito de igualdade de género deve necessariamente ser social e politicamente substituído pelo de equidade entre os sexos, promovendo a desigualdade e discriminação positiva em função das competências e necessidades mais prementes de cada um e não pelo género com que se identifica. Só deste modo se poderá instituir autêntica justiça social, sem se calcular ou desvalorizar as diferenças e sem criar obstáculos ridículos, porque sem sentido ou fundamento científico, à realização pessoal de cada um, independentemente do género. Apesar disto, parece que a mentalidade atual se vai transformando e a mulher, com o seu contributo para o progresso das sociedades, começa cada vez mais a deixar de ser encarada como o “sexo fraco”.

PEDRO fALCÃO

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« m’espanto às vezes outras m’avergonho »

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«Já imaginou viver num país onde: - tem de possuir uma licença do Estado para usar um isqueiro? - uma mulher, para viajar, precisa de autorização escrita do marido? - as enfermeiras estão proibidas de casar? - as saias das raparigas são medidas à entrada da escola, pois não se podem ver os joelhos? - não pode ler o que lhe apetece, ouvir a música que quer, ou até dormitar num banco de jardim»? Estas são a meia dezena de perguntas que o editor do livro Era Proibido de António Costa Santos2 escolheu elencar na contracapa. Para nos dar uma ideia do que era viver num tempo que começou a 28 de maio de 1926, foi revisto e piorado em 1933 e que só terminou uns longos e penosos 48 anos depois, no dia 25 de abril de 1974, o tal dia «inicial inteiro e limpo». Durante esse tempo, as proibições não eram só as que o estado e os seus aparelhos ideológicos, como as polícias, a igreja e a escola impunham, eram, de um modo ainda mais perverso, aquelas que as pessoas impunham a si próprias e umas às outras. «Ao “é proibido” juntavam-se os heterónimos “não se faz, “é pecado” e “parece mal”»3, que eram tão inibidores quanto o primeiro. Eram estas proibições não escritas em código nenhum, que “obrigavam” a minha mãe e todas as outras mulheres e meninas a entrar ao domingo na igreja com um véu de renda ou um lencinho de tule a tapar a cabeça, ou que me “obrigavam” a mim e às outras alunas do Liceu a usar meias de vidro no pino do calor de fins de maio e junho4. Estas proibições atingiam de um modo muito particular as meninas, as raparigas e as mulheres. Desde o mais sério e decisivo para a

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sua felicidade e bem-estar, ao mais banal. Das mulheres maltratadas no casamento, ou simplesmente com o casamento esgotado, sem amor e sem futuro, a quem era proibido o divórcio, às meninas da cidade que eram obrigadas a usar soquetes e sapatos com fivela até chegar a altura certa de poderem passar a usar meias de vidro presas por cintos de ligas e sapatos de enfiar e não brincavam na rua como os irmãos, às raparigas que não podiam usar meias de seda pretas porque essas eram reservadas às viúvas e àquelas outras mulheres de quem não se falava em voz alta, às mulheres que tinham de se vestir de acordo com o que “ficasse bem à idade” e que, se casadas, não desse muito nas vistas. As mulheres portuguesas não podiam usar biquíni e as estrangeiras que persistissem na pouca vergonha em areais lusos eram multadas. As mulheres não entravam sozinhas nos cafés e, nos cafés, não entravam na zona dos bilhares, se os houvesse. As mulheres bem comportadas não fumavam, ou, pelo menos, não fumavam em público. As mulheres não iam sozinhas ao cinema, ao teatro, a concertos. As mulheres, tais como as crianças menores de idade, precisavam da autorização do marido para se deslocarem, por exemplo em trabalho, ao estrangeiro. As professoras do ensino primário precisavam de autorização do estado para casar e não podiam casar com um homem de “condição social inferior”. As enfermeiras não podiam, pura e simplesmente, casar. As mulheres que deixavam os maridos para refazer as suas vidas com outro homem e dele tinham filhos, viam-nos forçados ao estigma de serem filhos de “pai incógnito”.


TEMADE CAPA

As mulheres não deviam sair sozinhas com amigos ou colegas de trabalho, porque “parecia mal”. As mulheres não deviam ter empregos em que ganhassem mais do que os maridos, porque “parecia mal”. As mulheres não deviam reivindicar que o trabalho doméstico fosse partilhado, porque “parecia mal”. As raparigas e as mulheres não podiam viver livre e saudavelmente a sua sexualidade, porque “era pecado”. Este Portugal dos “brandos costumes”, miserável social e moralmente, este Portugal que alguns queriam “orgulhosamente só” numa Europa que pulara e avançara depois da Segunda Grande Guerra, marcou gerações de mulheres e homens que nasceram e cresceram a ter medo e vergonha e a aceitar como inevitabilidade o que é meramente circunstancial e temporário. Passados 45 anos sobre o 25 de Abril, as alunas e os alunos que comigo e mais algumas professoras e alguns professores visitaram, a 27 de fevereiro, o Museu do Aljube – Liberdade e Resistência, e ouviram as guias, excelentes e calorosas profissionais, contar-lhes histórias de um tempo de chumbo, dar-lhes conta dos nomes de homens e

mulheres a quem devemos tanto, poderão duvidar da veracidade destes factos que aqui deixo. Segundo o António Costa Santos «é maravilhoso que o façam. Porque esse estranho tempo em que era indecoroso uma senhora traçar a perna, ou usar calças, em que não se podia mostrar o umbigo à beira-mar,pedir dinheiro na rua sem ser para o Santo António, conduzir um táxi ou entregar correio sem boné, ou guiar em tronco nu, parece ficção.

Quem viveu sempre em liberdade terá dificuldade em imaginar um país onde os filmes eram escrutinados para defender os bons costumes e se ia parar à cadeia por ouvir a BBC, ou ler um determinado livro. Foi um tempo caricato, mas sem graça» (Costa Santos, 2019, p.16). Sem qualquer nostalgia, sem graça nenhuma. 1- Sá de Miranda, “Quando Eu, Senhora, em vós os Olhos Ponho”, (1595, publicação póstuma) 2- António Costa Santos (Lisboa, 1957) é jornalista, guionista para cinema e televisão. Trabalha atualmente na Antena 2. Na apresentação que faz de si próprio neste livro, acrescenta o seguinte: «Tem quatro filhos, aos quais proibiu algumas coisas ao longo da vida, como bater nos mais fracos, faltar às aulas para ir jogar matraquilhos, deixar os discos fora das caixas, denunciar um colega ou pregar mentiras, com exceção das piedosas e em legítima defesa». 3- António Costa Santos, Era Proibido, Autor e Guerra e Paz editores, 2019, p. 12. 4- Para cada proibição injusta ou tonta há sempre resistência criativa. No caso das meias de vidro, a solução arranjada pelo meu grupo de amigas foi desviar o fond de teint, a base, da maquilhagem das mães e besuntar as pernas até ficarem com o tom mais escuro das meias (do Antílope ao Muskade...), chegando uma de nós ao requinte de desenhar, a todo o comprimento da perna, a costura das meias de vidro mais risqué, pormenor que nos denunciou a todas ao não passar despercebido à funcionaria que, em caso de dúvida, nos apalpava as pernas.

MARIA HELENA DIAS LOUREIRO

Artur Pastor, “Conversa entre mulheres”, Lisboa, década de 50.

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TEMADE CAPA

(des) igualdade de géneros Há alguns dias, enquanto me deslocava de carro, fui confrontada com uma publicidade, passada na rádio, que, nos dias de hoje, ainda me deixa perplexa. Naturalmente, que não me alongarei acerca dos montantes pagos pela empresa para publicitar o seu produto, nem tão pouco acerca dos lucros obtidos, por todos os intervenientes, advindos de tal publicidade. Adiante. Nesse anúncio publicitário, uma criança fazia o elogio a todas as vantagens de se viajar em determinada companhia aérea. Entre os aspetos positivos anunciados afirmava-se, então, que «o pai poderia ver em direto jogos de diferentes desportos, enquanto a mãe assistiria a programas sobre cozinha gourmet». Tendo em conta o artigo 5º da Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres, das Nações Unidas, segundo o qual é obrigação do Estado tomar medidas que tenham como objetivo «modificar os esquemas e modelos de comportamento sociocultural dos homens e das mulheres com vista a alcançar a eliminação dos preconceitos e das práticas costumeiras, ou de qualquer outro tipo, que se fundem na ideia de inferioridade ou de superioridade de um ou de outro sexo ou de um papel estereotipado dos homens e das mulheres», não pude, naturalmente, ficar indiferente a tal anúncio. Uma análise menos profunda das estatísticas atuais, relativas à situação das mulheres e dos homens ocidentais, pode levar-nos a acreditar que a igualdade entre homens e mulheres está praticamente conseguida. Porém, se a aparente igualdade em algumas áreas pode passar despercebida, noutras continuam a cultivar-se «conceções, atitudes e comportamentos estereotipados relativamente a aprendizagens de género, que trazem consigo a quase invisibilidade das mulheres numas áreas, mas também a dos homens em outras» (Vieira, 2017, p.12). Numa época em que é suposto termos uma sociedade mais informada, mas também mais atenta e crítica face aos problemas do

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mundo contemporâneo, continuamos a discutir e a analisar temas, que há muito deveriam estar resolvidos culturalmente, e que continuam a entrar-nos em casa, sob as mais diversas formas, e de maneiras mais ou menos evidentes. Pois bem, voltemos à nossa publicidade. É importante chamar a atenção para diversos aspetos da mesma: mesmo em ocasiões de lazer, como seja viajar, supostamente para passear ou passar férias, convém reforçar que «o pai pode assistir aos jogos sobre desportos» (replicando um comportamento que terá habitualmente) enquanto a mãe «assiste a programas sobre cozinha gourmet» (não convém esquecer que a sua função é cozinhar e que deve assistir a programas culinários, mesmo em situação de férias, para continuar a aperfeiçoar, ou até aprender, as suas técnicas de boa cozinheira). Para agravar esta situação, todo o anúncio é feito por uma menina, ou seja, meninos e meninas são educados numa sociedade que é já pautada por aprendizagens de género. Significa isto que, desde cedo, o fator biológico (nascer-se rapaz ou rapariga) é também um fator social e cultural. Meninos e meninas são colocados em categorias diferentes o que gera visões simplistas, irreais e dicotómicas que só contribuem para acentuar a desigualdade e a hierarquia. O exemplo de publicidade apresentado e que serviu de base a esta reflexão é, infelizmente, apenas um entre muitos outros. Um olhar atento pela publicidade, pelos brinquedos para crianças, pelo acesso a cargos de chefia e liderança, pelos salários auferidos por homens e mulheres, pela recente cerimónia dos Óscares (onde não houve mulheres nomeadas para a categoria de Melhor Realização), entre tantos outros exemplos, mostra-nos, efetivamente, que a questão da igualdade ainda está longe de ser uma realidade. Podemos perguntar-nos pelo nosso papel enquanto pais, professores e educadores. Não teremos nós a obrigação de chamar a atenção para estas questões evitando replicar ideias que valorizem uns e inferiorizem outros?


Não deveremos nós, num tempo em que liberdade e igualdade são seriamente afetadas, contrariar perspetivas limitadas de ser e de estar e que só colocam em causa a ideia de uma cidadania responsável? Esse é, com efeito, um dos objetivos que reside na base humanista do Perfil do aluno à saída da escolaridade obrigatória que aponta para uma educação escolar onde os alunos «mobilizam valores e competências que lhes permitam intervir na vida (…) dos indivíduos e das sociedades, tomar decisões livres e fundamentadas sobre questões naturais, sociais e éticas e dispor de uma capacidade de participação cívica, ativa, consciente e responsável» (Martins, 2017, p.10). Chamar a atenção para estas questões deve passar por atos concretos que nos permitam, enquanto sociedade, olhar criticamente para tudo o que vemos e ouvimos, estando disponíveis para não nos deixarmos iludir por discursos populistas que só contribuirão para limitar todo o tipo de liberdades. Não podemos esquecer que vivemos numa sociedade plu-

ral e que, por isso, não nos podemos demitir da nossa função de exercer uma cidadania ativa, mas que seja sempre inclusiva. Em conclusão, mais do que biológico é cultural. E enquanto continuarmos a cultivar e a aceitar este tipo de situações, não avançaremos nunca para uma sociedade mais igualitária e menos discriminatória. 1- ONU (1981) Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres. Disponível em http://gddc.ministeriopublico.pt/sites/default/ files/documentos/ 2- Vieira, Cristina (2017), Conhecimento, Género e Cidadania no Ensino Secundário. Disponível em https:// www.cig.gov.pt/documentacao-de-referencia/doc/cidadania-e-igualdade-de-genero/ guioes-de-educacaogenero-e-cidadania/ 3- Martins, G., Gomes, C., Brocardo, J., Pedroso, V., Carrilho, J., Silva, L., Encarnação, M., Horta, M., Calçada, M., Nery, R., Rodrigues, S. (2017) Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória. Lisboa: Ministério da Educação/Direção-Geral da Educação (DGE)

cláudia oliveira

SOU UMA ADOLESCENTE Estou a viver, segundo alguns, a melhor fase da minha vida. Eu não acho. Sou tratada como uma criança, não recebo o devido respeito e privacidade, estou constantemente sob pressão devido a notas e pressionam-me ainda mais para ser perfeita. Erro todos os dias, e culpo-me todos os dias. Mas faço todos os dias algo de bom, algo genuíno. Eu diria que a frase que mais define a adolescência é “Não sei”. Não sei o que sou, não sei o que quero, não sei o que me faz feliz, não sei o que me faz sentir viva. E, no entanto, colocam-me a questão do que quero fazer para o resto da vida. Tem uma certa piada, não? Enquanto tento encontrar respostas, enquanto tento consertar as respostas erradas que já dei, puxam-me para baixo com os erros sem quererem saber o motivo dos mesmos.

No outro dia, na aula de Filosofia, a professora disse que para qualquer efeito há uma causa. Porque é que não querem saber das minhas causas? A adolescência é crescimento. Não falo só de barba ou de acne, mas também de mentalidade. Que levante a mão quem nunca cometeu um erro. Que levante a mão quem nunca teve um “dia não” e agiu de forma errada. Já dizia Neil Gaiman: «Eu desejo que neste ano cometas muitos erros porque, se estás a errar, significa que estás a fazer alguma coisa». Se vivemos em liberdade, eu sou autora e agente das minhas próprias ações e devo ser penalizada pelas minhas ações erradas. Mas porque é que, numa música de cinco minutos, só conseguem reparar na minha nota errada? Assinado: uma adolescente

ANA CAROLINA SANTOS, 10 1A 09


GRUPO DISCIPLINAR DE FILOSOFIA

CONGRESSO DE No dia 28 de fevereiro foi o primeiro dia do 34°Congresso de Filosofia subordinada ao tema: “Filosofia e Educação”, no Teatro Paulo Quintela da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Esta organização estava a cargo da Associação de Professores de Filosofia com a colaboração (específica para o primeiro dia) da Rede de Bibliotecas Escolares. As escolas do país foram chamadas a participar e APENAS avançaram simultaneamente com alunos assistentes e palestrantes 3 escolas: Escola Secundária D. Duarte, Escola Secundária Quinta das Flores e a Escola Secundária Avelar Brotero, que se apresentou com o maior número de palestrantes: 6 alunas do 11°ano (4 do 11°1G e 2 11°1E). Foram acompanhadas pela professora de Filosofia, Cristina Janicas, e pela professora bibliotecária, Fernanda Madeira. O nome das alunas deve ser aqui grafado, pois foram um orgulho, dada a excelência da sua participação (assim avaliada por elementos do público e da organização): Adriana Ribeiro, Daniela Martins, Filipa Almeida, Filipa Lucas, Inês Simões e Alexandra Ramalho. Deixamos aqui excertos das intervenções sobre o tema “Filosofia, Educação e Sociedades Justas”: «Quando nos ensina a questionar, a Filosofia ajuda-nos e guia-nos na tentativa de construir uma sociedade justa. Mune-nos com as armas necessárias para nos sabermos defender e não aceitar passivamente tudo. Daí ser tão importante os jovens terem acesso a uma Educação que tenha como base a Filosofia, permitindo-os desenvolver um pensamento critico sobre o mundo em que vivemos. Ao sabermos pensar por nós próprios, podemos tentar alcançar esta utopia tão necessária, a justiça» (Daniela Martins e Adriana Ribeiro). «A Educação, de facto, pode fazer-nos mudar de paradigma, mudar a forma de ver o mundo; estamos crentes que pode contribuir

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FILOSOFIA para alcançarmos o mundo justo do qual Sophia de Mello Breyner Anderson nos fala no poema “A forma justa” [...]. Educação tem o poder de abalar o ser humano, de o tornar vigilante e consciente das consequências dos seus atos. É isto mesmo que, atualmente, a jovem Greta nos exige: “Eu não quero que vocês estejam esperançosos. Eu quero que vocês estejam em pânico. Quero que vocês ajam como se a casa estivesse em chamas, porque está.”» (Filipa Almeida e Filipa Lucas) «Pode ser justa uma sociedade onde algumas (muitas! demasiadas!) pessoas têm de fugir das suas casas, arriscando as suas vidas e a das suas famílias, para tentarem sobreviver a uma guerra incompreensível e que acontece sem que elas tenham participado ou aceite? Quanto vale a vida de um refugiado nas mesas de negociação da ONU? Pode ser justa uma sociedade que ainda escolhe, para determinadas profissões e lugares de chefia, elementos masculinos em detrimento de elementos femininos? O critério do género é um critério justo? É justa uma sociedade onde os homens têm salários superiores a mulheres? Pode ser justo um mundo onde o género dita as nossas escolhas e projetos de vida?» (Inês e Alexandra).

CRISTINA JANICAS


badminton

ESAB

GRUPO DISCIPLINAR DE EDUCAÇÃO FÍSICA

No dia 12 de dezembro de 2019, a Escola Secundária de Avelar Brotero esteve presente, no pavilhão 1 do Estádio Universitário de Coimbra, com a sua equipa da Badminton, no 1º torneio de apuramento para o Torneio Distrital, no âmbito do projeto nacional do Desporto Escolar. Estiveram presentes os alunos da sua série, alunos das escolas Silva Gaio, D. Duarte, Quinta das Flores e Jaime Cortesão. No dia 29 de janeiro 2020, no mesmo local, decorreu o segundo (e último) torneio de apuramento, para encontrar os dois representantes da série H de escolas, para os jogos de singulares. Dois alunos da nossa escola conseguiram totalizar os pontos que lhes irão permitir estar presentes no dia 24 de março, no Torneio Distrital de Badminton: Vitor Figueiredo e Inês Pratas, alunos do 12º 1B e 10º 1D, respetivamente. Este torneio irá decorrer no pavilhão desportivo da Escola B. e S. da Quinta das Flores, com a organização da série H de escolas (a nossa série). No próximo dia 2 de março, o Grupo-Equipa da ESAB voltará a competir para tentar apurar uma equipa masculina e outra feminina, na competição “de equipas”. Esta competição envolve uma equipa de 4 jogadores, sendo disputada “à melhor” de 5 jogos, 2 de pares e 3 de singulares. Somente

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GRUPO DISCIPLINAR DE EDUCAÇÃO FÍSICA

uma equipa pode ser apurada, para representar a série H de escolas. No respeitante às equipas femininas, existem grandes probabilidades de se alcançar o objetivo. Já no que diz respeito às masculinas, estas terão de enfrentar um adversário mais forte, representado pela Escola Secundária de D. Duarte. Esperemos que estejam todos inspirados nesse dia!!! Paralelamente, alguns alunos da nossa equipa quiseram estar presentes em 3 dos 4 Torneios de Divulgação de Badminton, torneios organizados por clubes do distrito de Coimbra, no âmbito de um projecto da Federação Portuguesa de Badminton. Estes torneios são abertos a alunos de qualquer escola e a jogadores das escolas de formação dos clubes. A competição contempla, apenas, os jogos de singulares, mas são jogos disputados com pontuação mais prolongada e com adversários de um nível mais elevado. Deste modo, os alunos presentes conseguiram aprender mais e adquirir mais experiência e ritmo de jogo. Para além do torneio do dia 12 de outubro, na Lousã, já mencionado no jornal anterior, 5 e 10

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alunos estiveram presentes no T. D. de Vila Nova de Poiares e no T. D. da A.A.C., no pavilhão 3, do Estádio Universitário de Coimbra, respetivamente. No torneio em Vila Nova de Poiares, realizado no dia 16 do passado mês de novembro, a ESAB, embora com poucos participantes, obteve excelentes resultados: a aluna Ana Beatriz Fernandes, do 11º 1G, ficou em 3º lugar, no escalão de Sub-17 feminino; no escalão de Sub-19, feminino e masculino, a aluna Mª Eduarda Curado, do 11º 1G e o aluno Daniel Seiça, do 12º 1F, conseguiram, ambos, um 2º lugar. No dia 22 fevereiro de 2020, aconteceu o torneio da A.A.C., caracterizado por um elevado nível competitivo. Assim, “apenas” o Daniel Seiça conseguiu um lugar no pódio, um 2º lugar, no escalão Sub-19.

TERESA SILVANO


ESAB

badminton

Sete alunos do Grupo-Equipa da ESAB participaram no I Torneio de Divulgação do Badminton, inserido no projeto da Federação Portuguesa de Badminton, aberto a clubes e escolas. Este torneio aparece como uma atividade “extra” e complementar ao projeto de atividade externa de Desporto Escolar da nossa escola. Ocorreu no Pavilhão dos Carvalhos, na Lousã, no dia 12 de outubro, sábado, com excelente organização do clube C.A. B.R.I.L. da Lousã. Melhores resultados: 2º e 3º lugares, escalão Sub-17 masculinos — Fernando Martins do 11º PMA1 e Mário Mendes do 11º PSI1; 1º, 2º e 4º lugares do escalão Sub-19 femininos — Sofia Pinheiro do 12º 1D (em representação da A.A.C.), Mª Eduarda Curado do 11º 1G e Mª José Almeida do 12º1D. Este torneio foi um excelente contributo para a formação dos nossos alunos, tanto na função de jogadores como de árbitros. No dia 16 de novembro, alguns alunos deste Grupo-Equipa irão, novamente, representar a ESAB no II Torneio de Divulgação de Badminton, em Vila Nova de Poiares.

TERESA SILVANO

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CLUBE PRODE

TECLA 2020 CONCURSO DE PROGRAMAÇÃO

O concurso de programação TECLA (Torneio Estudantil de Computação MultiLinguagem de Aveiro) tem, como intuito, sensibilizar os alunos do ensino secundário ou equivalente, para a área da programação de computadores. Organizado, anualmente, pela Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda, da Universidade de Aveiro, decorre em duas fases, uma de qualificação, para apurar as equipas que participarão na fase final, e outra organizada, localmente, com a colaboração das escolas participantes. Entre as 35 escolas inscritas, este ano, com um total de 536 alunos, organizados em 268 equipas de pares, a Avelar Brotero participou com 18 equipas (36 alunos), na fase de apuramento, realizada a 29 de janeiro. Mediante o número de problemas resolvidos e o tempo utilizado, por cada equipa, para a sua resolução, cada escola está limitada ao apuramento para a fase final de um máximo de 3 equipas, sendo também selecionadas as 5 melhores constituídas, exclusivamente, por alunos do 10º ano que não estejam entre as 25 primeiras apuradas.

A Brotero foi uma das poucas escolas a apurar, para a fase final, o número máximo de equipas - quatro. Nesta fase, realizada no dia 19 de fevereiro, em Águeda, na qual participaram as 30 equipas apuradas, alcançou os seguintes resultados: • 2º lugar geral, com a equipa constituída pelos alunos Gonçalo Almeida e Joaquim Milheiro, do 12º1F; • 2º lugar entre as equipas de alunos do 10º ano, com a equipa constituída pelos alunos Bruno Fernandes e Francisco Malva, do 10ºPSI2. As outras duas equipas da Brotero, participantes na final, constituídas pelos alunos Diogo Ferreira e Tomás Domingues, do 12º1F; Ricardo Ferreira e Rodrigo Reis, do 10ºPSI2, ficaram classificadas em honrosos lugares, a meio da tabela. De notar, também, que, de entre as equipas vencedoras, a Avelar Brotero foi a única escola pública nos primeiros lugares, tendo os restantes (1º e 3º, na classificação geral, e 1º, nas equipas do 10º ano) sido ocupados pelo Colégio Internato dos Carvalhos, instituição com uma longa tradição na preparação de alunos, participação e conquista de prémios em concursos de programação.

JOÃO SÁ

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ieira v é jo s

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O feminismo é uma ideologia e um movimento social que reivindica a igualdade de oportunidades entre géneros, tendo-se fortalecido, principalmente, no início do século XXI, De acordo com o senso comum, o movimento feminista, que propõe uma disputa entre homens e mulheres, existe para combater o machismo. Mas o feminismo tem mostrado a sua verdadeira intenção, ao defender que todos possuam o mesmo poder dentro da sociedade, sendo respeitadas as particularidades de cada um. A atual luta do feminismo vai para além de pensar só nas mulheres. Algumas das “coisas” a serem transformadas pelo feminismo são o sexismo, a culpabilização das vítimas, a discriminação de géneros e a busca pela eterna juventude e beleza femininas. A resposta para a evolução da igualdade de géneros está no apoio mútuo e na concentração de todos num objetivo comum, que, também, inclui os homens. Eu escolhi o Feminismo, como tema do meu trabalho de oficina de multimédia, por ser atual e porque, cada vez mais, incentiva pessoas por todo o mundo a lutar por esta causa, pois considero que, hoje em dia, a mulher e o homem ainda não se encontram em “pé de igualdade”. Com esta “fotografia” pretendo mostrar o quanto as críticas sexistas oprimem a mulher e incentivam a uma mudança de comportamento.

PROJETOS MULTIMÉDIA

FEMINISMO

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SABRINA SILVA, Nº 28, 12 2B 15


A VIOLÊNCIA

Lara Ch aves, n º

17, 12 2 A

A violência sempre existiu e sempre fez parte da humanidade. Hoje em dia, é um tema bastante discutido, quer do ponto de vista da vítima, o que ela sofre e as suas consequências; quer do ponto de vista do agressor, o que o leva a agir. Existem vários tipos de violência, nomeadamente a agressão física, psicológica e sexual, que ocorrem em ambientes familiares, envolvendo pais, crianças ou idosos e também entre namorados. Os maus tratos a animais de estimação, abandonados ou selvagens, são outro exemplo de violência, cada vez mais frequente. Os motivos que levam os agressores a cometer este tipo de atos são diversos, sendo os mais comuns a instabilidade emocional e os preconceitos de todo o género (raciais, religiosos, ideológicos, sexuais, etc.). O projeto ML Publicity é constituído por campanhas de sensibilização, sob a forma de fotografia e vídeo, sobre os direitos gerais e contra qualquer tipo de violência. Através da metáfora, pretendemos sensibilizar e alertar as pessoas, em geral, para o facto de tudo o que fizermos de errado, hoje, terá consequências graves, amanhã. Iremos mostrar vários tipos e formas de violência, com algo em comum.

Lurdes

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Pina, nº

23, 12 2

A


DEMULTIMÉDIA FILOSOFIA PROJETOS

PLAY & PRETEND Numa realidade onde a sociedade se arrasta em direção a uma distopia, cabe a cada um de nós decidir se devemos “entrar na brincadeira” e fingir que tudo está bem e ser recompensado por isso ou expor a verdade e enfrentar as consequências. Play & Pretend é um projeto que procura abordar e explorar esta premissa de uma forma metafórica, apresentando o público como marionetes, que, sob o controlo dos mais poderosos, são submetidas a uma cadeia contínua de manipulações. O objetivo deste projeto passa por fazer o seu espetador questionar-se sobre tudo o que conhece sobre a sociedade e o poder que realmente tem e levá-lo a rebelar-se contra o sistema que o aprisiona numa sociedade hierárquica e extremamente opressora. Play & Pretend está estruturado em dois componentes: dois cartazes resultantes da colagem e manipulação de imagens e um vídeo que visa ilustrar a realidade acima descrita de uma forma sucinta e superficial, mas que instigue o espetador à reflexão.

LEONARDO RAMA , Nº 19, 12 2A

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Olá, caro leitor! O meu nome é Ana Martins, também conhecida por Annie, e estudo Artes Visuais na Escola Secundária de Avelar Brotero. Este pequeno texto, que agora escrevo, vai ter como ponto central o meu projeto de multimédia, AnnieArt. Tal como o nome indica, o projeto é sobre a minha arte. Não vou estar, agora e aqui, a dar muitos detalhes técnicos acerca do mesmo, referindo apenas que se trata de um website, onde todos os meus pequenos trabalhos vão ser apresentados, como se de um portefólio se tratasse. O projeto AnnieArt vai ser o espelho da minha alma, um sítio onde posso mostrar os meus trabalhos de pintura, fotografia e bijutaria. Nesse cantinho muito pessoal e cor-de-rosa, vai ser possível ver a minha evolução como artista, ter acesso às datas e locais das minhas exposições e contactar comigo de uma maneira mais profissional. Resumindo, este projeto vai refletir a minha persona artística, dando a conhecer ao mundo um bocado de todas as coisas que faço.

ANA MARTINS, Nº 1, 12 2A

annieart

PROJETOS MULTIMÉDIA

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ATIVIDADES

olimpíadas

PORTUGUESAS DE MATEMÁTICA

As Olimpíadas Portuguesas de Matemática (OPM), organizadas anualmente pela Sociedade Portuguesa de Matemática, que visam incentivar e desenvolver o gosto pela Matemática, são um concurso de problemas dirigido aos estudantes dos 1.º, 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e também aos que frequentam o ensino secundário. Os problemas propostos neste concurso fazem sobretudo apelo à qualidade do raciocínio, à criatividade e à imaginação dos estudantes. São fatores importantes na determinação das classificações o rigor lógico, a clareza da exposição e a elegância da resolução. As OPM não têm como objetivo fundamental testar a quantidade de conhecimentos acumulados. No entanto, o desenvolvimento mental inerente à idade dos participantes e a própria maturidade matemática que decorrem do aprofundamento das matérias escolares fazem com que seja necessária a separação dos participantes em três níveis: Categoria Júnior, Categoria A e Categoria B. A categoria B destina-se a alunos de qualquer ano de escolaridade do ensino secundário.

As OPM decorrem em três fases:1ª eliminatória, 2ªeliminatória (que funciona como uma final regional) e a final nacional onde participam 30 alunos de cada categoria. À semelhança dos anos anteriores, este ano, a ESAB reuniu um grupo de alunos que mostraram entusiasmo e disponibilidade para participar nesta competição. De todos os participantes, o aluno Estevão Moreira Gomes, nº 14, do 11º 1A, conseguiu o apuramento para a Final Nacional (categoria B) que terá lugar de 26 a 29 de março de 2020, no Agrupamento de Escolas Raúl Proença, Caldas da Rainha. Parabéns! A equipa dinamizadora, Ana Fonseca Elisa Albuquerque Francisca Pessoa Marta Tovar Rosa Caridade

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ATIVIDADES

COMPETIÇÃO EUROPEIA

de ESTATÍSTICA A Competição Europeia de Estatística (European Statistics Competition [ESC]) é uma competição organizada pelo Eurostat (o Gabinete de Estatísticas da União Europeia) e vários Institutos Nacionais de Estatística, com o propósito de promover a literacia estatística entre os alunos e os professores. Os principais objetivos da ESC são: promover a curiosidade e o interesse dos alunos pela estatística; incentivar os professores a utilizar novos materiais e novos métodos de ensino da estatística, incrementando a utilização de dados estatísticos oficiais e a aplicação do conhecimento estatístico adquirido. Visam também mostrar aos alunos e aos professores o papel da estatística em vários aspetos da sociedade e ainda promover o trabalho de equipa e a colaboração entre os alunos com vista a alcançar objetivos comuns. A competição tem duas fases: a nacional e a europeia. A fase nacional tem duas etapas eliminatórias e só os que passarem em ambas as etapas serão apurados para a fase europeia da competição. A 1ª etapa consistiu na

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realização de três testes que implicaram, por um lado, a pesquisa e utilização de informação divulgada pelo INE e pelo Banco de Portugal, e, por outro, a interpretação de conteúdos de publicações estatísticas. A equipa da Brotero, formada pelas alunas Ana Rita Lopes de Oliveira, nº 6, Bárbara Sofia Santo Gouveia, nº 9 e Iara Sofia Monteiro dos Santos, nº 17, do 11º 1A, com a tutoria da professora Maria Francisca Ribeiro Pessoa, conseguiu a qualificação para a 2ª etapa de avaliação da fase nacional, que está, neste momento, a preparar um trabalho de pesquisa, no âmbito do tema “Acidentes de viação e vítimas”, com dados estatísticos de um dos ficheiros Excel, disponibilizado pelos organizadores. Os finalistas da fase nacional de cada país poderão vir a participar na fase europeia.

FRANCISCA PESSOA


) z e v BROTERO a m u s (mai SOLIDÁRIA Com o objetivo de tornar um bocadinho melhor o Natal das crianças e dos jovens internados no Hospital Pediátrico de Coimbra durante a quadra natalícia, a Biblioteca promoveu uma campanha de recolha de presentes. Com esta atividade, pretendeu-se contribuir para a interação da escola com a comunidade, apoiar a Educação para a Cidadania e promover o desenvolvimento de valores e atitudes, nomeadamente da cooperação e da solidariedade. Até ao final do 1.º período, os presentes doados por alunos e outros membros da comunidade educativa foram sendo recolhidos na Biblioteca. No Hospital Pediátrico, foram entregues à educadora Dra. Natália Namora, ficando ao seu cuidado a distribuição pelos utentes. Agradece-se a colaboração nesta atividade de professoras e funcionárias e a participação das turmas 10.º 1A, 10.º 1C, 10.º 2A, 10.º 3A, 10.º 3B, 11.º 1D, 11.º 3A e 12.º 1E.

FERNANDA MADEIRA

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concurso

“há poesia na escola” Está a decorrer a 11.ª edição do desafio intitulado “Há Poesia na Escola”, uma iniciativa que consta do Plano de Atividades da Rede de Bibliotecas de Coimbra. O tema proposto para o corrente ano letivo foi “Sustentabilidade e Bem-Estar”. A fase de escola chegou ao seu termo e, tal como em anos anteriores, desenvolveu-se em trabalho colaborativo entre a Biblioteca escolar e a disciplina de Português. A aluna vencedora desta fase foi a Bruna Lucas Martins, do 11.º PDM, com o poema “O mar já não é mar”.

FERNANDA MADEIRA O mar já não é mar Já não é apenas uma vasta paisagem salgada, Habitat de espécies, Vale de vida, Destino dos enamorados, Amores falhados e as suas poesias. É agora morte marinha, De falsa beleza, Depósito de inúmeras políticas e grandes egos. O mar… Um dia, sustento de vida. Um dia, fonte de esperança e certeza, Transporte para o novo! Um dia, digno de louvor! Agora, instrumento da falta de humanidade... Imaginas tu um mundo sem a originalidade do mar?

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Prepara-te! Lentamente para lá caminhamos… O equilíbrio morre devagarinho E o mar com ele, Com cada peixe, Cada planta, Cada ser, Cada molécula, E com cada partícula de lixo que para lá é deitado… Inocentemente, dizem eles! Assim, perde o mar a sua essência, E o ser humano perde-se no seu próprio mundo, Tentando domar o indomável… Conseguirá? Ou será consumido por esta força da natureza? O mar não precisa do humano, mas o humano precisa do mar. No entanto, o humano já não é humano… E o mar já não é mar. Bruna Lucas Martins, 11.º PDM


BIBLIOTECA

teatro ( profissional ) veio à escola No dia 15 de janeiro, no auditório da ESAB, realizaram-se duas sessões de representação da Farsa de Inês Pereira de Gil Vicente, pela companhia de Teatro “Atrapalharte”. A realização desta atividade foi dinamizada, em parceria, pela Biblioteca escolar e pelos professores que lecionam a disciplina de Português do 10.º ano dos Cursos Científico-Humanísticos. Tratou-se de um evento que proporcionou aos alunos um contacto privilegiado com o universo teatral, enquanto contribuiu para a consolidação de conteúdos programáticos da disciplina de Português do 10.º ano. Os espetadores reconheceram o mérito da companhia teatral convidada e mostraram-se muito agradados com a experiência proporcionada.

FERNANDA MADEIRA

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mercadinho de trocas Com o “Mercadinho de Trocas”, procurámos sensibilizar toda a Comunidade Educativa para a questão ambiental. Enquanto consumidores preocupados, (re)lembrámos que a indústria do vestuário e os hábitos de consumo atuais são altamente poluentes - compra-se cada vez mais e usa-se cada vez menos peças de roupa reciclada. Recolhemos, organizámos, divulgámos roupas e acessórios, que depois foram expostos para que fossem levados gratuitamente, promovendo, desta forma, o consumo sustentável. Reutilizando / trocando roupas que já não usamos, dando-lhes uma nova vida, é uma forma de criar padrões de consumo mais inteligentes, reduzindo a procura de novos produtos e, simultaneamente, de minorar o impacto ambiental. Admitimos que o respeito pela natureza é uma importante atitude que o consumidor contemporâneo deverá assumir para ter uma pegada mais leve e preservar o meio ambiente. Acreditamos que este Projeto tem potencialidade para aprofundar valores como a solidariedade, a cooperação, o respeito, a participação e a responsabilidade. Esta foi uma atividade dinâmica, de sucesso, que irá repetir-se em abril de 2020. Participa no 2º Mercadinho de Trocas. O Planeta agradece!

10 pdm e cristina leal

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EDUCAÇÃO E CIDADANIA

VISITA DE ESTUDO À LOURICEIRA E AO CARREGADO

No âmbito do projeto para a cidadania e integrando o Plano Anual de Atividades da Escola, os alunos das turmas 10º1B, 10º1F, 10º1G e 10º1H, da Escola Secundária de Avelar Brotero, realizaram, no dia 20 de fevereiro, uma visita de estudo ao Centro de Ciência Viva do Alviela – Carsoscópio, na Louriceira, e à Central Termoelétrica do Ribatejo, no Carregado. A partida da escola efetuou-se às 7h50min e a chegada às 20h20min, sendo que as viagens de autocarro decorreram de forma tranquila, apesar da ocorrência de um imprevisto. No centro de Ciência Viva do Alviela – Carsoscópio — os alunos puderam desfrutar de atividades, tanto no interior como no exterior. Primeiramente, divididos em três grupos, os estudantes visitaram uma exposição sobre os morcegos que habitam, sazonalmente, as grutas da zona. Aprenderam sobre o processo de formação da paisagem cársica, através de

um simulador, e descobriram o percurso que o rio Alviela faz, pelas grutas, com a visualização de um filme. Seguiram-se duas atividades: uma sobre a poluição aquática e a outra sobre a inundação sazonal das grutas. No exterior, os alunos foram divididos em dois grupos e efetuaram um percurso pedestre, que lhes permitiu conhecer a flora da zona e um pouco do percurso do rio à superfície, bem como apreciar a paisagem. Na Central Termoelétrica do Ribatejo, os estudantes assistiram a uma palestra sobre a EDP, o funcionamento da central e fontes de energia. De seguida, visitaram a sala de controlo, onde puderam compreender o seu funcionamento. Finalmente, efetuaram uma visita guiada, pelo recinto, aprendendo, detalhadamente, a função de cada zona e edifício. O sol e a temperatura alta contribuíram para o sucesso desta visita de estudo em que os alunos experienciaram diferentes realidades e aprenderam, de forma divertida e agradável.

MARIANA PEREIRA, 10 1G

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VISITAS DE ESTUDO

VISITA DE ESTUDO A LISBOA As alunas e os alunos das turmas do 10° ano - 1A,1B,1C e 11°ano - 1E e1G - fizeram uma visita de estudo a Lisboa, ao Museu do Aljube – Resistência e Liberdade e Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNA) – e ao Museu do Chiado, para ver a exposição permanente no primeiro e a exposição temporária “Sarah Affonso, Os Dias das pequenas coisas”, no segundo. A organização da visita foi da responsabilidade das docentes Maria Helena Dias Loureiro e Cristina Janicas, enquanto elementos da equipa do PNC. Que relação tem esta visita com o tema da presente edição do jornal da nossa escola, “Igualdade de género”? Começando pelo mais imediato, Sarah Affonso foi uma das mais notáveis e, paradoxalmente, desconhecidas artistas modernistas portuguesas, mas, porque viveu num Portugal onde as mulheres eram relegadas para segundo plano, foi sempre conhecida como a “mulher de Almada Negreiros”. Em 2019, comemoraram-se os 120 anos do nascimento de Sarah Affonso e, para celebrar a sua vida e obra, o MNAC manteve, de setembro do ano passado até ao final deste março, a exposição “Sarah Affonso. Os Dias das pequenas coisas”, que mostra os núcleos da criação de Sarah Affonso, revelando aspetos artísticos que têm permanecido na sombra: o bordado, a arquitetura paisagista, a ilustração, o desenho de estudo e a arte da azulejaria, vetores que nos permitem analisar, com maior rigor, a sua obra e descobrir uma artista que foi muito mais do que “a mulher de Almada Negreiros”. Foram várias as razões que a levaram a abandonar a pintura, em finais da década de 40 do século passado. «Às razões pessoais juntavam-se a insegurança profissional e a falta de condições de trabalho. Continuou, no entanto, com um trabalho menos visível nas artes decorativas e de apoio a Almada Negreiros [...]» (Gerbert Verheij, “Sarah Affonso”). Afinal, vivíamos um tempo em que as mulheres não eram mais do que coadjuvantes dos homens... muito longe da igualdade de género que, hoje, continua a estar na agenda política e, necessariamente, na agenda da educação.

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O outro local visitado foi o Museu do Aljube – Resistência e Liberdade, dedicado à memória da resistência e do combate à ditadura, em prol da liberdade e da democracia. É um museu que pretende projetar a valorização da memória na construção de uma cidadania responsável, assumindo a luta contra a amnésia desculpabilizante e, quantas vezes, cúmplice, da ditadura que Portugal viveu e enfrentou entre 1926 e 1974. Este museu tem definidas, como missão e visão, entre outros aspetos: «dar voz às vítimas e mostrar como é longo e difícil o caminho da sua reabilitação, impondo a verdade e o exemplo sobre o silêncio e o embuste»; «restituir a memória coletiva à cidadania, na sua pluralidade». Pretende, em suma, assegurar

“Retrato de Matilda”, Sarah Affonso, 1932


que o nosso futuro não seja amputado do nosso passado. «O futuro cria-se no presente com a memória do passado» (in site do museu). Aqui, vimos e sentimos que a ditadura, em Portugal, tratou mulheres e homens com o mesmo desrespeito, com a mesma indignidade e o mesmo desprezo pela vida humana, mas usando de estratégias específicas de humilhação, em função do género da pessoa detida. As alunas e os alunos foram surpreendidas/os por um regime que sempre quis ser visto como de “brandos costumes”. Mas os “brandos costumes” são, facilmente, desmentidos, por testemunhos como o de uma das mulheres a quem a ditadura tratou assim: «Os espancamentos (e tive muitos), a gente aguenta. Os pontapés, os murros, o flash nos olhos. Agora, aquelas torturas morais... a mim doeram-me muito mais. Doeu-me

terem-me despido à frente daquelas pessoas. Entraram todos, dez. Tentei esconder-me atrás de uma mesa, mas a pide Madalena empurrou-me para o meio da sala. Isto depois de me espancar, “Fala, sua puta. Não te rias” Chora, tens de chorar”. Queria obrigar-me a chorar!”» (Conceição Matos, em entrevista a Anabela Mota Ribeiro). Felizmente, chegou Abril e com ele, sempre, a continuação da luta iniciada por outras e outros contra o medo, a ignorância e a indignidade. Por isso, temos a obrigação de não esquecer. Também a escola deve, às suas alunas e aos seus alunos, aquilo a que Primo Levi chamou o «dever de memória». Afinal de contas, como nos lembra um painel no final do percurso no Aljube, «O futuro cria-se no presente com a memória do passado».

A EQUIPA DO PNC GRUPO DISCIPLINAR DE ARTES

ENCONTRO ANTIGOS ALUNOS O grupo de artes e a equipa do PNC promoveram um encontro com antigos alunos da escola, com o objetivo de divulgar / partilhar a sua experiência com os alunos de artes do 12º ano. Os dois antigos alunos, a Beatriz Costa e o João Duque (que sairam desta escola em 2016), acabaram recentemente a licenciatura; ela em Belas Artes, na FBAUP, no Porto, ele em Imagem e Som, na ESAD, nas Caldas da Rainha. Durante a sessão, estes antigos alunos partilharam a sua experiência universitária e apresentaram alguns trabalhos nela desenvolvidos. O encontro teve lugar no dia 7 de fevereiro, pelas 11h30, na Biblioteca da escola.

JOSÉ VIEIRA

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Escola Secundรกria Avelar Brotero Rua Dom Manuel I, Coimbra 3030-320

http://www.brotero.pt | http://issuu.com/esab125 http://jornaisescolares.dge.mec.pt/2013/06/19/jornal-da-brotero

Profile for Escola Secundária de Avelar Brotero

Jornal da Brotero N.º 31 – março de 2020  

Jornal da Brotero N.º 31 – março de 2020  

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