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edição DEZ. 2019

JORNAL DA BROTERO

B

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PROCRASTINAÇÃO


B

EDITORIAL

índice

BREVES 3- Cerimónia de Entrega de Diplomas, pela Redação TEMA DE CAPA 4- Procrastinar, por Pedro Falcão 5- A Base do Sucesso na Escola e na Vida, por Pedro Falcão 7- Procrastinar, por João Sá 8- Máximas de Proscratinação do Aluno Fraco ou Preguiçoso, por Paulo Gomes 9- Curiosidades Linguísticas sobre Procrastinação, por Paulo Gomes GRUPO DISCIPLINAR DE PORTUGUÊS, FRANCÊS E ESPANHOL 10- Dia de los Muertos, por Isabel Gameiro e Susana Carvalho 11- Dia de la Hispanidad, por Isabel Gameiro e Susana Carvalho 16- Visita a Mérida e Sevilha, por Isabel Gameiro e Susana Carvalho PROJETOS MULTIMÉDIA (seleção de José Vieira) 12- Art’ualiza-te, por Madalena Bindzi (12 2B) 13- Rose’s Street, por Claudia Matias, Daniela China, Inês Rosário, Lara Caldeira e Maria Branco (12 2A) 14- Olho na Política, Daniela Matoso (12 2B) GRUPO DISCIPLINAR DE INFORMÁTICA 15- Visita de estudo à Universidade de Aveiro e Exposição “ Load”””, por João Sá GRUPO DISCIPLINAR DE ARTES 17- Visita à Bienal ‘Ano Zero’, por José Vieira GRUPO DISCIPLINAE DE EDUCAÇÃO FÍSICA 18- Torneio de Badminton, por Teresa Silvano

O

tema deste jornal, “Procrastinação”, é dos nossos dias, pelo que merece de todos nós uma reflexão. Numa época em que a sociedade, e particularmente os jovens, valoriza mais as atividades do mundo virtual, é importante parar e pensar, para que a procrastinação não nos faça adormecer e afastar da vida real. O velho ditado “Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje” poderá ser um bom ponto de partida para repensar o tema. De facto, sermos organizados no nosso dia a dia, respeitando o cumprimento das obrigações/ prazos a que estamos sujeitos, tornar-nos-á pessoas com melhor autoestima. Aos alunos, desejo que não se deixem vencer pela procrastinação e que, na vossa organização pessoal, sejam cumpridores e não adiem as vossas decisões e o vosso trabalho. Assim, atingirão com maior sucesso os objetivos a que se propõem. Desejo a toda a comunidade educativa um Feliz Natal e um ano de 2020 com muita saúde e êxito pessoal.

PROJETOS – PNC 19- Lilian Thuram, por Maria Helena Dias Loureiro, Cristina Janicas, António Miranda BIBLIOTECA 20- Outubro, Mês Internacional das Bibliotecas Escolares, por Fernanda Madeira 21- Vencer os Muros e o Silêncio – Segundo ano do seu desenvolvimento, por Fernanda Madeira 22- Biblioterapia no EPC, por Isabel Monteiro 23- Palavras, por MP (recluso do EPC)

O Diretor,

Manuel Carlos Esteves da Fonseca

REDAÇÃO ANTÓNIO MARQUES (COORDENADOR), EMÍLIA MELO, FERNANDA MADEIRA, ISABEL MONTEIRO, JOSÉ VIEIRA (CAPA, DESIGN E EDIÇÃO)

NOTA DA REDAÇÃO: Os textos e as fotografias que os acompanham são da responsabilidade do(s) respetivo(s) autor(es)


BREVES

CERIMÓNIA DE ENTREGA DE DIPLOMAS

N

No passado dia 11 de outubro, pelas 18:00 horas, contrariando o que vinha sendo habitual, a sessão solene de entrega dos diplomas de Quadro de Mérito Académico e Quadro de Honra António Augusto Gonçalves (que distingue os alunos que, pelas qualidades humanas e académicas, atinjam exemplares níveis de mérito e de honra) não decorreu na Escola Secundária de Avelar Brotero (ESAB), mas no auditório do Conservatório de Música da Escola Básica e Secundária Quinta das Flores. Presentes na mesa de Honra estiveram o diretor e a subdiretora da ESAB, o presidente do Conselho Geral, a chefe dos serviços administrativos, a presidente da Associação de Pais e o presidente da Associação de Estudantes.

As excelentes condições deste auditório permitiram acolher os muitos professores e diretores de turma, amigos e familiares dos alunos do 10º, 11º e 12º Anos (dos Cursos Científico-Humanísticos e Cursos Profissionais de 2018/19) que aí se deslocaram para receberem o tão merecido diploma, numa cerimónia que contou, ainda, com várias (e muito aplaudidas) atuações de música, de dança e de canto, que alunos e ex-alunos da Brotero nos proporcionaram A terminar esta sessão solene, assistiu-se a um momento único e espontâneo: um emocionante abraço coletivo dos alunos ao diretor da ESAB, Engº Esteves da Fonseca, tendo sido bem percetível o enorme carinho e respeito que os alunos da Brotero têm pelo “seu” diretor. A Redação do Jornal da Brotero

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TEMA DE CAPA

PROCRASTINAR

P

rocrastinação é uma palavra invulgar e mesmo de difícil pronúncia, mas com uma significação simples. Traduz-se numa atitude aparentemente negativa face à vida, que pode afetar os compromissos e responsabilidades dos procrastinadores. Significa, este termo, o adiar sistemático ou pontual de tarefas e, portanto, a procrastinação é uma forma de evasão, que para muitos revela apenas o evitar de situações ou tarefas indesejáveis e pelas quais não sentem prazer, substituindo-as por outras mais prazerosas, preferindo, por exemplo, navegar na internet e comunicar nas redes sociais, como acontece com adolescentes e jovens alheios às suas obrigações e sem firme sentido de responsabilidade. Sempre é mais atrativa qualquer atividade que produza entretenimento do que propriamente o estudo e o trabalho ou outras tarefas que implicam mais esforço e concentração. Interpretando a teoria do psiquismo de Freud, e relacionando-a com este tema, pode-se inferir que muitos dos que procrastinam privilegiam o Princípio do Prazer em detrimento do Princípio da Realidade e assim vai prosseguindo o seu viver. Como exemplo, procrastinam os nossos alunos que vão adiando sucessivamente a realização dos trabalhos escolares propostos, sem muitas vezes, e a maioria deles, cumprirem os prazos de entrega. Muitos também não se preparam com a devida antecedência para os testes de avaliação, adiando recorrentemente o estudo para as vésperas dos testes. Nalguns casos, que não a regra, necessidades educativas básicas e especiais, estados de depressão ou mesmo o Transtorno de Défice de Atenção com Hiperatividade (TDAH), produzem igualmente comportamentos procrastinadores e, neste sentido, a procrastinação é sem dúvida uma condição comportamental inerente a alguns dos nossos estudantes, a exigir atenção e reflexão no seio da comunidade escolar. Certos autores referem este fenómeno como a “Síndrome do Estudante”, que explica porque muitos alunos só se dedicam inteiramente a uma tarefa imediatamente antes do prazo final, deixando calmamente que o tempo vá decorrendo sem a iniciar e dedicando-se a outras atividades de aparente menor importância. É claro que este diferimento de tarefas,

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em qualquer circunstância e de forma reincidente, resulta quase sempre, nos alunos, em insucesso escolar ou pelo menos na impossibilidade de alcançar as desejáveis elevadas classificações e na profissão, na desorganização no trabalho e na perda gradual de produtividade. Noutros casos, a procrastinação relaciona-se com atitudes perfecionistas de indivíduos que, não tendo uma apreciação realista das várias situações, vivem de “sonhos e desejos”, procurando realizar tarefas com o máximo de perfeição e, não conseguindo atingir esse grau desejado, abandonam-nas e adiam-nas para momentos futuros previstos como mais propícios. Não reconhecem que sendo humanos e, portanto, imperfeitos, nunca conseguirão materializar em pleno a perfeição. Este comportamento de procrastinação tem inevitavelmente, como causa e efeito, fatores psicológicos: a ansiedade, a baixa autoestima e a falta de autoconfiança conduzem ao adiamento de tarefas, muitas vezes pelo medo de falhar, associado ao sentimento de ser incapaz de as concretizar ou terminar; outras vezes, por falta de motivação para as realizar. Por sua vez, adiar permanentemente a realização de atividades/trabalhos pode originar ansiedade, agitação emocional e confusão mental, que se manifestam quase sempre em transtornos comportamentais. Pode causar também remorso e sentimento de culpa por não se ter realizado atempada e corretamente as tarefas, contribuindo para uma baixa autoestima e diminuta autoconfiança. Há também fatores fisiológicos explicativos do comportamento procrastinador, que têm a ver com a estrutura cerebral e o funcionamento de determinadas áreas do córtex cerebral (lobos cerebrais), sobretudo o lobo frontal e o córtex pré-frontal, relacionadas com a capacidade de planeamento de ações, com o controlo de impulsos e emoções, com a atenção e a tomada de decisões. São aquelas áreas cerebrais que controlam a vontade e a determinação para agir e, portanto, qualquer trauma nestas áreas provoca necessariamente a incapacidade para delinear estratégias de ação ou desenvolver sequências corretas e alinhadas de ações/trabalhos/atividades. Apesar disto, é indesmentível que um número indeterminado de pessoas adia regularmente as suas tarefas caseiras e familiares, profissionais, escolares ou outras, dedicando-se em exclusivo ao que mais as seduz num ou outro momento, sem, no entanto, deixar de cumprir mais tarde


os objetivos delineados e assumir conscientemente as suas responsabilidades naqueles domínios. Incontáveis são as vezes que deixamos de fazer uma atividade ou de a terminar, simplesmente porque não nos apetece naquele momento realizá-la ou terminá-la ou até por não termos tempo de tudo realizar num momento, abreviando-a e adiando a sua execução. A procrastinação será então uma patologia a exigir tratamento psicológico e/ou médico ou será apenas preguiça mental e emocional que nos afeta a todos em certas circunstâncias particulares? A atitude procrastinadora expressa o comportamento inverso ao explícito no conhecido e popular ditado que afirma que não

devemos “deixar para amanhã o que se pode fazer hoje”, se o adiamento for evitável, acrescente-se. É que por vezes não é, principalmente para pessoas que em simultâneo se entregam a diversificadas tarefas ou por motivos vários. No entanto, tais pessoas devem aprender a controlar o seu tempo, organizando os trabalhos/ atividades, por exemplo, em função de prioridades na vida e da consequente hierarquização de objetivos, projetos e valores. Concluindo, quem consegue cumprir aquela máxima popular, é pessoa sensata e organizada, capaz de se orientar na vida e assumir compromissos sem vacilar.

PEDRO fALCÃO

©José Vieira

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A BASE DO SUCESSO NA ESCOLA E NA VIDA

ertamente que ter sucesso escolar e ser feliz são objetivos primordiais de qualquer estudante e pessoa. No entanto, para alcançar esses pretensos propósitos, é necessário ter e aplicar um conjunto de qualidades que constituem o seu sustentáculo: esforço, motivação e perseverança, autoconfiança, correlato de consciencializada e assumida autoestima, capacidade de organização na execução de atividades, empenho,

dedicação e concentração na realização das tarefas propostas e, claro, um quociente mediano (normal) de inteligência, pois esta, sendo condição necessária, não é suficiente para se obter o expetável su,cesso na Escola e na vida. Ter inspiração, talento e imaginação, é igualmente requisito para o sucesso, porquanto se a Escola visa preparar os alunos para a sociedade e futuramente integrarem o mercado de trabalho e se as sociedades deste nosso mundo global são quase

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estritamente tecnologizadas e a tecnologia acelera o progresso, é exigido a cada um que desenvolva espírito empreendedor inegavelmente incentivado pelas competências de inovação e iniciativa. Estas, juntamente com a capacidade para ser autónomo, são indispensáveis para um futuro sucesso profissional. Mas, viver bem a vida não implica ter sucesso apenas profissionalmente, mas nas vivências pessoais também. Assim sendo, viver é uma arte que deve ser igual e paulatinamente formatada na Escola e em casa com os familiares, através de uma educação que promova em cada um dos nossos alunos a felicidade. As “ideias” constituem a base propulsionadora de projetos, mobilização e concretização de tarefas ou de qualquer ato criador. Concretizar essas “ideias (elementos puramente mentais e abstratos) constituirá o trabalho-percurso que encaminha para o sucesso, selecionando meios adequados – técnicas e recursos – e executando metodicamente as tarefas requeridas. Definir e clarificar objetivos é também indispensável, porque decisivo na orientação a seguir para produzir os projetos idealizados e materializar sonhos e ambições. Afinal, «o sonho [também] comanda a vida» (António Gedeão) e esta adquire algum sentido, quando interiorizamos que vivemos bem, cumprindo os objetivos delineados e, sempre que possível, tornando reais os sonhos, profissionalmente e para além disso. Viver bem não significa de modo nenhum possuir vastos e sumptuosos bens materiais nem satisfazer incondicionalmente os nossos desejos, dando livre e irrefletido consentimento aos caprichos da vontade. Uma vida sem orientação é vivida sem sentido, porque sem finalidade percetível.

Vários adolescentes e jovens vivem como que em labirinto, sucessivamente perdidos e sem solução de saída, porque em muitos casos não a querem procurar e noutros porque não conseguem libertar-se de peias que os consomem e prejudicam. A saída do labirinto terá de ser o ensino e a educação a promover (familiar e escolar) para que cada aluno forme e desenvolva qualidades intelectuais, afetivas e alcance equilíbrio emocional, suficientes para se tornar num bom cidadão, com firmes princípios e valores, consciente e responsavelmente assumidos. Sendo assim, para atingir sucesso é inevitável lucidez e bom senso para exercer eficaz controlo emocional e sentimental e selecionar o que em cada momento e situação é realmente importante no presente, mas sempre perspetivando o futuro. “Felicidade” é um mero conceito geral e abstrato sem correspondência ao real. Não é tão pouco um estado que se mantenha imutável e seja intemporal. Cada pessoa sente em si a felicidade, estado de espírito subjetivo correlativo de uma vida boa, ordenada e com sentido, com princípios e finalidades claramente definidos: uma vida que merece ser vivida e que nos agrada viver. Descobrindo-se feliz e autorrealizado, cada um reconhece ter construído uma vida com sucesso. Valoriza-a e sente-se por ela atraído, consciente, no entanto, de que é impossível cumprir todos os seus desejos pessoais numa só vida. A família e a Escola têm responsabilidades acrescidas na formação dos adolescentes e jovens, devendo ter como objetivo primário prepará-los para a vida, estimulando-os para que adquiram aqueles requisitos referidos e autonomamente cresçam como pessoas e cidadãos, conscientes, livres e responsáveis, sem, no entanto, descurar o objetivo essencial desta vida, o de ser feliz.

PEDRO fALCÃO ©José Vieira

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TEMA DE CAPA

PROCRASTINAR JOÃO SÁ

1. Este foi um momento, no tempo passado, mas que também pode ter sido no presente ou no futuro de algum outro momento, em que surgiu vontade de tomar café, ou talvez o súbito interesse e a necessidade inadiável de ver uma série da TV dos anos 80. Depois de tomar café, ou talvez tenha sido após um prolongado diálogo com o ar, fresco ou quente, pouco importa, que entrou pela janela aberta e que foi preciso fechar. Neste outro momento, aconteceram coisas importantes e a lembrança de tarefas urgentes veio à memória. Tão importantes e tão urgentes que o autor, leia-se procrastinador, não se recorda quais foram, quais são ou virão a ser. 2. Este foi outro momento, importante e digno de registo, passados talvez cinco minutos. Ou, pensando bem, talvez tenham sido dois dias passados. Mas também poderia ser um mês. Não foi um ano, porque um ano antes ainda não sabia qual viria a ser o tema da edição do Jornal da Brotero. É importante notar que a relação da procrastinação com o tempo é, digamos, muito liberal. 3. A procrastinação é uma coisa boa. Mas também é uma coisa má. Às vezes é tramada e não deixa fazer as coisas que se tinha para fazer. Outras vezes é produtiva, e até pode criar. Não sei! Mas sei que procrastinei.

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TEMA DE CAPA

MÁXIMAS DE PROCRASTINAÇÃO DO ALUNO FRACO OU PREGUIÇOSO

01. Deixo sempre para amanhã o que posso fazer hoje. 02. Não estudo hoje, pois amanhã estudarei melhor. 03. Não faço o trabalho para casa, para no dia seguinte não ter de o resolver outra vez. 04. Não faço o trabalho para casa, porque amanhã resolver-se-á na aula. 05. Não estudo hoje, para não ficar cansado amanhã. 06. Se hoje poderei errar, amanhã poderei acertar. 07. Vou divertir-me e descansar hoje, para não me faltar a vontade de trabalhar amanhã. 08. Adio o estudo o mais possível, para não perder o interesse pelas matérias. 09. Não faço nada hoje, para amanhã fazer alguma coisa. 10. Se faço tudo hoje, amanhã não terei motivação para fazer nada. 11. Se hoje gastar as minhas energias, amanhã terei um fraco rendimento. 12. Hoje não sou capaz, mas amanhã vou ser! 13. Não vale a pena esforçar-me hoje, porque amanhã ninguém vai notar! 14. Sinto que a motivação de estudar hoje será ainda melhor amanhã! 15. Não me empenho nas aulas para o professor não se entusiasmar comigo. 16. Quando não estou atento nas aulas, prometo estar melhor no dia seguinte! 17. Tenho de fazer uma boa gestão do meu esforço hoje, para não me cansar amanhã! 18. Se hoje sou um aluno fraco, amanhã serei um bom aluno! 19. Agora quero aproveitar bem a vida; depois, penso no meu futuro. 20. Agora não tenho sucesso, mas amanhã vou ter!...

PAULO GOMES

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CURIOSIDADES LINGUÍSTICAS SOBRe

PROCRASTINAÇÃO

E

timologicamente, a palavra procrastinação (n.f. ato ou efeito de procrastinar ou deixar para o dia seguinte; adiamento) vem por via erudita do latim prōcrastĭnātĭō (prō + crastĭnātĭo ‘adiamento’, < do verbo procrastĭnāre ‘procrastinar’, cuja 1.ª pessoa do presente do modo indicativo é procrastĭno < prō + crastĭnu-: prō prep., ‘por, em favor de’ como prefixo ‘movimento para diante’ + crastĭnum n., ‘o amanhã, o dia de amanhã’, cujo adjetivo é crastĭnus ‘de amanhã’ — por exemplo crastĭnus dies ‘o dia de amanhã’— < cras adv. ‘amanhã’). Relativamente ao adv. cras, ficou famoso o lema cras credo, hodie nihil, ‘amanhã acredito, hoje não’ (título de uma das sátiras menipeias do filósofo latino Marco Terêncio Varrão), correspondente ao nosso típico cartaz tradicional dos estabelecimentos comerciais Fiado, só amanhã (o m. q. vender fiado ou à confiança, nunca). Na Idade Média, surgiu outro lema latino como variação do original: Cras do, non hodie: sic nego cotidie - ‘Amanhã darei, hoje não: assim nego todos os dias’. A esta regra de conduta assemelha-se o provérbio brasileiro mais vale um hoje que dois amanhã (que faz lembrar o nosso provérbio mais vale um pássaro na mão, do que dois a voar).

O protelar ou adiar sem fim ficou fixado nas expressões ou locuções latinas sine die, ‘sem dia, sem data marcada’ ou ad kalendas graecas, ‘para as calendas gregas, para nunca se concretizar’ (ficar para as calendas gregas significa nunca acontecer, como nas expressões populares para o Dia de São Nunca à tarde, para quando as galinhas tiverem dentes, para quando os porcos voarem ou não ocorrer nem que a vaca tussa). O lema oposto ao da procrastinação é carpe diem quam minimum credula postero - ‘aproveita o dia e confia o mínimo possível no amanhã’ (v. 8 da ode 11 do livro I das Odes do grande poeta latino Horácio): isto é, aproveita hoje o máximo que puderes ou goza hoje bem, sem te preocupares com as incertezas do futuro, com a fugacidade ou transitoriedade do tempo. Este preceito relaciona-se com a máxima epicurista de Pérsio, carpamus dulcia, ‘aproveitemos ou gozemos os prazeres da vida’.

PAULO GOMES

Daniela Batista, 10 PDM

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DIA DE LOS

MUERTOS

E

ntre os dias 30 de outubro e 6 de novembro, foi assinalada, na nossa Escola, a celebração do “Día de los Muertos”, no âmbito da disciplina de Espanhol. Esta festa, de origem indígena, é comemorada no México, nos dias 1 e 2 de novembro, para recordar as pessoas que já “partiram” e prestar-lhes homenagem. É uma das festas mexicanas mais animadas do país. Festeja-se com comida, bolos, festa, música e os doces preferidos dos entes queridos que já faleceram. O elemento mais representativo desta festividade são os altares com oferendas aos mortos. É uma representação repleta de alegorias e significados. Na nossa Escola, foi criado um altar, à semelhança dos mexicanos, e foram expostas as caveiras elaboradas pelos alunos. Houve, inclusivamente, um concurso de “Calaveras”, tendo sido a aluna Maria Ascenço do 10 1F a vencedora do concurso. ¡Enhorabuena, Maria!

isabel gameiro e susana carvalho

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GRUPO DISCIPLINAR DE PORTUGUÊS, FRANCÊS E ESPANHOL

dia de la

Hispanidad O

O Día de la Hispanidad (12 de outubro), também conhecido pelo Dia Nacional de Espanha, Dia da Resistência Indígena ou Dia do Encontro entre Dois Mundos, comemora o dia em que Cristóvão Colombo desembarcou na ilha Guanahani, no arquipélago das Bahamas. Assinalando os 527 anos da descoberta das Índias Ocidentais, os alunos de Espanhol, da Escola Secundária de Avelar Brotero, visitaram a exposição alusiva ao Día de la Hispanidad, na Biblioteca da Escola. Nesse espaço, puderam “viajar” pela diversidade da língua de Cervantes e encontrar um mundo repleto de culturas e costumes.

No dia 16 de outubro, foi a vez dos professores degustarem um pouco da gastronomia hispânica: churros, nachos com guacamole, tortilla, turrón, fuet, jamón ibérico, calamares e caramelos. Celebrámos desta forma a multiplicidade da língua espanhola, reconhecida em 2014, pela ONU, como um elemento de união e consolidação do mundo hispânico.

isabel gameiro e susana carvalho

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ira e i év s o j

ão ser s ” ro dia imé s núme jet l o ê Mu s tr ro, pr lvios o t d e o te oj vo “Pr o long a Bro desen édia o d ã a em al ltim tes ecç ados, e n u s r s M o Na des r ent , no J cebido icina s o e ã ce ç apr 19-20 is con de Of enta nhe os o 0 c s 2 e s ia el de pec ula a apr dar a os p nos a e i ad tos o nas Com de-se ua gin o s a . t o m n n i e la feit . an t e me e o p s º pr 12 m ico und ações do os, artíst estaca um m t de e j n que e d ade, pro etos s o d e id j s pro os, qu quibil ençõe t e n alu o e ex s de in ã ai ç va ez m v a cad

I

Art ualiza-te!

“ Ar na plata t’ualiza-te!” é u forma d m proje a to que p retende Existe u internet. ma enor divulgar artística m a arte m e tendê s que es oderna n t c a ia para a s duas a valor es e contem tético d r t d e e s s a v b porânea a r lo a a rização d ngem. P arte resid tas e pro , retende o jetos, as e no fac t r a b a -se desc lho ou d to de es sim com pintura, o a s n t o st m a ser ma do cinem explorar is ou me ruir essa ideia, a anifestações nos reali O princ a, escultura e da grandes (e peq id eia de ipal uen sta, divu fot al, tanto lgar nov que o para qu objetivo é criar ografia, da histó os) nomes e va os n em estu captand da a dis uma plataform ria…da arte em guardas da hist artiso o inte a c ória da res ge ipli in de traba lhos que se para novos a na, como para formativa, onde ral. rtistas e q mereçam s u e e rá forne m partil m ascen ser apoia c ha dess são e pr a mesm ido materidos. omoven a c uriosida do a div de, ulgação

madalena bindzi (12 2B)

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DEMULTIMÉDIA FILOSOFIA PROJETOS

rose’s street

ima cidade de Co ar iz am in d vo mo objeti ’s Street tem coaixa. se o nde R to je ro p O ma das ruas, o o a a da b u n e zo d a , ão te aç n iz e riam nd inam bra, mais prop , estruturado, consiste na d diferentes áreas, aumenta ial. O o rc e n e d la m s p O zona co empresa l apedores daquela entadas lojas/ serão implem serviços para os frequentaa baixa novamente num loca detridiversidade de ovas ofertas poderá tornar ses pelo comércio local, em acréscimo de njá o foi) para os conimbricen r cada tecível (como ndes espaços comerciais. s comerciais, exploradas po : mento dos graente, serão criadas cinco casaco empresas projetadas são . As cin oturna; Inicialm is deste projetoiversão e confraternização n e pausa, desve sá n o sp re uma das espaço de d m momento d OLIMPIUM, um café pastelaria ideal para u ntes e algumas doçarias; LIGHTS UP, umedade de cafés, bebidas queinada a vestidos de noiva e dest a vari frutando de umHING FOR BRIDES, uma loja ruEVERYT adquiridos instesrios; ó r ss se e o ac rã e e d d o e p dad os de toda uma varieGS, uma loja de música, on mo a organização de divers co N LI m E e E b F órios, ra is e seus acess tende valoriza re p mentos musica e u q ra tu e de arquit petáculos; uma empresa , E IT aço, H IW U Q R A a, um novo esp ru va o . n e a ad m u d ci ir arquitetura da as cinco empresas, vai surg ovamente! n st e ar lh m ri o b C vai de vida. A Baixa cheio de cor e

Cláudia Matias, Daniela China, Inês Rosário, Lara Caldeira e Maria Branco (12 2A)

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Este projeto vai ter como base um gosto pessoal, abrangendo áreas como a fotografia, o vídeo e o website. Vou, então, elaborar um site, onde fundamento os meus conhecimentos acerca da política portuguesa. Este gosto nasceu por volta dos 14 anos, quando comecei a preocupar-me de forma mais séria com as injustiças e os preconceitos existentes na nossa sociedade. Desde logo, identifiquei-me com as ideias defendidas pelas ideologias dos partidos de esquerda. Contudo, os utilizadores terão acesso apenas a um leque alargado de informações neutras e não ideológicas. A produção vai abranger informações acerca de cada partido, a sua história, curiosidades e caixas informativas. Um dos principais objetivos deste projeto, direcionado para público mais jovem, consiste em incentivar ao voto e a um maior conhecimento da política, tanto interna como externa de Portugal, de forma a tornar os cidadãos mais atentos e informados, tentando construir um “leque” de políticos mais jovem e ativo. Neste website, espero elaborar, de forma rápida, fiável e confortável, o melhor projeto possível, visando a satisfação das minhas metas e a curiosidade de quem terá acesso ao meu site.

daniela matoso (12 2B)

de olho na política

PROJETOS MULTIMÉDIA

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GRUPO DISCIPLINAR DE INFORMÁTICA

visita de estudo

r

universidade de aveiro e exposição load ””

ealizou-se, no dia 22 de novembro de 2019, uma visita de estudo à Universidade de Aveiro e ao Museu da Pedra de Cantanhede. Participaram nesta visita alunos das turmas 12º1F e 11ºPING, acompanhados pelas professoras Clara Marto, Helena Gomes e pelo professor João Sá. A visita iniciou-se, de manhã, pelo Departamento de Engenharia Mecânica e pelo Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática da Universidade de Aveiro, com visitas aos laboratórios de investigação, onde os alunos contactaram com diferentes projetos e respetivos investigadores, incluindo variadas tecnologias inovadoras nos domínios da mecânica, da robótica e das comunicações. Depois, seguiu-se o almoço nas cantinas da Universidade de Aveiro. Da parte da tarde, a visita continuou em Cantanhede, na exposição intitulada LOAD ””, que homenageia e descreve o aparecimento dos primeiros computadores que, na década de 80, começaram a surgir na casa de muitos utilizadores. Salientamos, ainda, a apresentação entusiástica feita pelo dono da coleção e curador da exposição, João Diogo Ramos, pelo destaque dado à importância que Portugal teve nesta revolução tecnológica.

joão sá

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GRUPO DISCIPLINAR DE PORTUGUÊS, FRANCÊS E ESPANHOL

VISITA a mérida e sevilha

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o dia 3 de abril, os alunos de Espanhol da nossa Escola, rumaram em direção a Espanha, para uma aventura em terras de “nuestros hermanos”. A primeira paragem foi em Mérida. Além de terem percorrido uma parte da cidade, visitaram o Teatro e o Anfiteatro romanos de Mérida, com direito a um guia local. No dia 4 de abril, já em Sevilha, visitaram os locais mais emblemáticos da cidade, tais como a Plaza de España (com um guia local), o Real Alcázar, a Catedral, a Giralda, o Bairro de Santa Cruz e a Torre del Oro. O ponto alto do dia foi o espetáculo de flamenco ao qual alunos e professores acompanhantes puderam assistir! Já no último dia, deram um passeio de barco no rio Guadalquivir e visitaram um dos monumentos mais modernos da cidade, as Setas de Sevilla. Houve ainda tempo para comprar uns “recuerdos” e percorrer algumas ruas da cidade, antes do regresso! Depois de três dias repletos de cultura e alegria, é caso para dizer que “Sevilla tiene un color especial”, tal como refere o grupo musical “Los Del Río”, na sua afamada canção!

isabel gameiro e susana carvalho

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GRUPO DISCIPLINAR DE ARTES

VISITA À BIENAL ‘ANO ZERO’

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o dia 22 de novembro, as turmas de Artes do 12º ano, acompanhadas pelos professores Antonino Neves, José Vieira e Valdemar Mendes, visitaram o Convento de Santa Clara-a-Nova para assistir à Bienal “Ano Zero”. Os alunos tomaram aí contacto com variadas peças artísticas, desde a vídeo-instalação à pintura, num conjunto de 22 peças, apresentadas em vários espaços do convento. Anozero – Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra - é uma iniciativa proposta em 2015 pelo Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, organizada em conjunto com a Câmara Municipal de Coimbra e a Universidade de Coimbra, que assume como objetivo primordial promover uma reflexão quanto à circunstância da classificação da Universidade de Coimbra, Alta e Sofia como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO. “A TERCEIRA MARGEM” «A história da cidade de Coimbra e do seu património é marcada pela convivência com as águas do Rio Mondego, que, ao longo dos séculos, teimosamente alagou as suas margens. O ritmo natural dos seus subimentos obrigou a uma permanente adaptação no modo de estar rio abaixo, rio afora, rio adentro, numa constante reposição e atualização do que aparentemente não se pode mudar. O encontro com o pondo perpétuo do rio acontece, de maneira reversa, no conto A Terceira Margem do Rio, de João Guimarães Rosa (1962). A decisão individual do protagonista não é contornar a natureza, mas ir solitariamente enfrentá-la para cursar o rio numa canoa feita especialmente para si, como para caber justo o remador. Essa atitude de autorreclusão a céu aberto, gesto radical de ocupação irreversível que define o território da terceira margem, provoca os elementos da família, que observam, reagem ou narram a estranheza da verdade de acordo com as suas expectativas e papéis». (in “A Terceira Margem”, Guia Ano Zero’19, CAPC, 2019).

JOSÉ VIEIRA 17


GRUPO DISCIPLINAR DE EDUCAÇÃO FÍSICA

torneio de badminton

s

ete alunos do Grupo Equipa da ESAB participaram no I Torneio de Divulgação do Badminton, inserido no projeto da Federação Portuguesa de Badminton, aberto a clubes e escolas. Este torneio, que aparece como uma atividade “extra” e complementar ao projecto de atividade externa de Desporto Escolar da nossa escola, decorreu no Pavilhão dos Carvalhos, na Lousã, no dia 12 de outubro, sábado, com a excelente organização do clube C.A. B.R.I.L. da Lousã. Melhores resultados: 2º e 3º lugares, escalão Sub-17 masculinos, Fernando Martins do 11º PMA1 e Mário Mendes do 11º PSI1; 1º, 2º e 4º lugares, escalão Sub-19 femininos, Sofia Pinheiro do 12º 1D, em representação da A.A.C., Mª Eduarda Curado do 11º 1G e Mª José Almeida do 12º1D. Este torneio serviu como um excelente contributo para a formação dos nossos alunos, tanto na função de jogadores, como de árbitros. No dia 16 de novembro, alguns alunos deste Grupo-Equipa vão, novamente, representar a ESAB, no II Torneio de Divulgação de Badminton, agora, em Vila Nova de Poiares.

teresa silvano

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PROJETOS

José V

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Quando o Álvaro se levantou e fez a pergunta que já tinha decidido fazer ao nosso convidado, não suspeitaria que ia protagonizar um um dos momentos altos da sessão que encheu o Auditório António Augusto Gonçalves: “Na sua perspetiva, o que aconteceu com o jogador Bernardo Silva, quando publicou no Twitter um Conguito a representar o seu amigo Benjamin Mendy, é ou não racismo? Chamado para o palco, o Álvaro, bem como os cerca de 170 alunos e alunas, as duas dúzias de professoras e professores e a equipa que acompanhava o nosso convidado, teve a oportunidade de assistir a uma brilhante lição de como debater assuntos difíceis (há quem lhes chame fraturantes) com humor, mas sem facilitismo de qualquer espécie, com empatia, mas com total intransigência quando o que está em jogo são direitos humanos. Estabelecendo uma distinção entre o que é privado e o que é público, sublinhando o que une as pessoas discriminadas, chamando a atenção para o valor pedagógico de questionar “verdades universais e imutáveis”, demonstrando que “não nascemos racistas, tornamo-nos racistas”, Lilian Thuram, o ex-futebolista e pedagogo contra o racismo, obrigou os jovens e os adultos na sala a parar e a pensar. Livremente e com gosto. Numa escola, que mais se pode desejar?

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LILIAN NATHURAM BROTERO A sessão, resultado de uma colaboração entre o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES), através dos Projetos “MEMOIRS Filhos de Império e Pós-Memórias Europeias” e “O CES vai à escola”, e a Escola Secundária de Avelar Brotero, através do Plano Nacional de Cinema (PNC) e do Núcleo de Estágio de Educação Física, realizou-se na manhã do dia 26 de novembro (10.30 – 12:20) e mobilizou as turmas 10º1B, 10º3B, 11º1G, 11ºPM, 12º2B, 12º1B, 12º1E e 6 alunos/as surdos/as. A equipa do PNC e o núcleo de estágio de Educação Física agradecem ao senhor diretor (e equipa diretiva), aos diretores e às diretoras de turma envolvidas, às professoras e aos professores que cederam partes de aula para preparação da sessão e acompanhantes das turmas, ao José Vieira (elemento do PNC), aos funcionários e às funcionárias todo o empenho para que esta fosse uma jornada memorável. E foi.

MARIA HELENA DIAS LOUREIRO CRISTINA JANICAS ANTÓNIO MIRANDA

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BIBLIOTECA

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mês internacional das bibliotecas escolares

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tema escolhido, em 2019, para o Mês Internacional das Bibliotecas Escolares (MIBE) foi “Vamos imaginar”. Desafiámos o nosso colega José Araújo, detentor de comprovada veia poética, a redigir um texto de comemoração do MIBE. Surgiu esta preciosidade!

“É tempo de LEITURA. Tempo de resistir À tempestade imensa Que ameaça o porvir!... Pois enquanto houver poetas, escritores, E o sonho existir Como BANDEIRA acesa duma crença O canto da leitura Será, para além do que QUERO, Asa, grito e presença Aqui na ESCOLA AVELAR BROTERO”

No dia 30 desse mês de celebração da ligação entre livros, leitura, bibliotecas escolares e imaginação, decorreu na BE da ESAB um encontro com o jovem autor André Fernandes, um excelente comunicador, que comoveu os alunos e os professores presentes com os temas abordados nas suas obras: 25+ A Vida é uma Escola e Tia Guida. Outubro foi ainda o espaço temporal durante o qual muitos dos novos alunos da ESAB receberam formação de utilizadores da Biblioteca, que lhes proporcionou informação para a utilização correta e autónoma desse espaço escolar e para o uso do catálogo online. Nessas sessões, receberam ainda orientações para: a planificação de trabalhos de pesquisa; tratamento, estruturação e apresentação da informação; e registo de referências bibliográficas.

FERNANDA MADEIRA

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vencer os muros e o silêncio segundo ano do seu desenvolvimento

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a tarde do dia 3 de julho, encerrámos as atividades planificadas para o ano letivo anterior com uma tertúlia no Estabelecimento Prisional de Coimbra (EPC), na qual estiveram presentes o Diretor e a Diretora Adjunta dessa instituição, Dr. Orlando de Carvalho e Dra. Dora Parada, que agradeceram o empenho de todos os intervenientes nas sessões realizadas. Realçaram a importância da parceria feita com a ESAB, neste projeto, afirmando que “contribui, de forma incontestável, para o processo de integração e reinserção social de uma comunidade muito particular”. No decurso desta tertúlia, distribuímos t-shirts aos participantes nas diferentes sessões realizadas no EPC. Nestas camisolas, estavam impressos excertos de poemas criados pelos reclusos no decurso da atividade “Estilhaços poéticos”. O projeto dispõe agora de um site para a divulgação dos eventos realizados, dos textos elaborados pelos participantes e dos recursos didáticos (vídeos com interpretação em Língua Gestual Portuguesa) produzidos no âmbito da operacionalização das suas três linhas de ação. O acesso ao site poderá ser feito pelo blogue da Biblioteca da ESAB ou através do seu URL: https://sites.google.com/view/bebrotero.

No dia 18 de outubro, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto, realizámos uma comunicação sobre este projeto no Painel II - “Boas práticas: das escolas às empresas” do “VII Colóquio Internacional Ler e Ser: Educação onde cada um(a) conta”. Este evento, que associa a escrita e a leitura à solidariedade, foi organizado pela AJUDARIS, IPSS – Instituição Particular de Solidariedade Social, em parceria com a Escola Superior de Educação do Porto e com a Escola Superior de Educação Paula Frassinetti, e contou ainda com o apoio do Plano Nacional de Leitura e da Rede de Bibliotecas Escolares.

Antonino Neves

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BIBLIOTERAPIA

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o dia 13 de novembro, levámos a Biblioterapeuta Sandra Barão Nobre ao Estabelecimento Prisional de Coimbra (EPC), como dinamizadora da primeira sessão a realizar no corrente ano letivo no âmbito do projeto “Vencer os Muros e o Silêncio”. Acompanhou-nos a coordenadora interconcelhia das bibliotecas escolares Helena Duque. Fomos recebidas, com a cordialidade e a disponibilidade a que já nos habituaram, pelas técnicas de reeducação Elsa Gouveia e Graça Neto. Desta vez, o espaço escolhido foi a sala do teatro. Uma vasta área, com o chão forrado a alcatifa multicolor, as paredes cobertas de imagens de teatro, de poesia, de escritores, de livros. Os reclusos eram à volta de 20 e, sentados em mochos de madeira, fizeram um semicírculo, à nossa volta. Feitas as apresentações, a Sandra Nobre iniciou a sessão com a leitura silenciosa deste pequeno conto: «Havia um certo Mosteiro Zen que era muito rígido. Seguindo um estrito voto de silêncio, a ninguém era permitido falar. Mas havia uma pequena exceção a esta regra: a cada 10 anos os monges tinham permissão de falar apenas duas palavras. Após passar seus primeiros dez anos no Monastério, um jovem monge foi permitido ir ao monge Superior. “Passaram-se dez anos,” disse o monge Superior. “Quais são as duas palavras que você gostaria de dizer?” “Cama dura…” disse o jovem. “Entendo…” replicou o monge Superior. Dez anos depois, o monge retornou à sala do monge Superior. “Passaram-se mais dez anos,” disse o Superior. “Quais são as duas palavras que você gostaria de dizer?” “Comida ruim…” disse o monge. “Entendo…” replicou o Superior. Mais dez anos se foram e o monge uma vez mais se encontrou com o seu Superior, que perguntou: “Quais são as duas palavras que você gostaria de dizer, após mais estes dez anos?” “Eu desisto!” disse o monge. “Bem, eu entendo o por quê,” replicou, cáustico, o monge Superior. “Tudo o que você sempre fez foi reclamar!”» In Brumas do tempo – Contos espiritualistas tradicionais

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EPc Seguiram-se as reações e as emoções experimentadas, num entusiasmado diálogo, entre reclusos e terapeuta, ao encontro das palavras do texto. Quase no final da sessão, o M.P. pediu a palavra, para declamar um poema da sua autoria, finalizando com uma performance artística, ao rasgar, em quatro partes, uma pintura feita por si, oferecendo-as, de seguida, a cada uma das visitantes. Recebemos ainda blocos de notas produzidos na Oficina de Encadernação do EPC. No final, foi lido o poema de William Ernest Henley, Invictus, que acompanhou Nelson Mandela nos seus 27 anos de reclusão. Uma espécie de oração que o ajudou a vencer a punição injusta das grades. Foi mais um momento de reflexão, onde as palavras foram o palco das emoções. Saímos todas com o espírito de missão cumprida.

isabel monteiro INVICTUS Da noite escura que me cobre, Como uma cova de lado a lado, Agradeço a todos os deuses A minha alma invencível. Nas garras ardis das circunstâncias, Não titubeei e sequer chorei. Sob os golpes do infortúnio Minha cabeça sangra, ainda erguida. Além deste vale de ira e lágrimas, Assoma-se o horror das sombras, E apesar dos anos ameaçadores, Encontram-me sempre destemido. Não importa quão estreita a passagem, Quantas punições ainda sofrerei, Sou o senhor do meu destino, E o condutor da minha alma. William Ernest Henley


BIBLIOTECA

palavraS Só são livres Quando ditas da alma Seja por quem for Ou em que momentos forem. São elas Que formam o seu límpido voo Vá ele para onde for, Desde que sejam ditas com verdade! Deixa-se o pensamento poisado! No refletir do corpo Que, por mais belo que seja, Nunca é perfeito, Por sermos quem somos E como somos.

São elas as guias dos voos. Seja com chuva, seja com sol, Seja com a lua, seja com o orvalho, Seja com frio, seja com calor. São elas que nos guiam E nos dão o voar da dita luz Que todos procuramos, Desde que as suas penas Tenham verdade e humildade. São esses os voos das palavras, Porque são palavras… As prisioneiras do nosso pensamento. São elas … Palavras! 13-11-2019

M.P. (Recluso do Estabelecimento Prisional de Coimbra. Poema elaborado no âmbito do projeto “Vencer os Muros e o Silêncio”)

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Escola Secundรกria Avelar Brotero Rua Dom Manuel I, Coimbra 3030-320

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Jornal da Brotero N.º30 - dezembro 2019  

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