Edição 75 de setembro 2019

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www.revista100porcentocaipira.com.br Brasil, setembro de 2019 - Ano 7 - Nº 75 DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Cultivar de milho branco é alternativa para panificação sem glúten

O milho BRS 015 Farináceo Branco é opção para celíacos REVISTA 100% CAIPIRA |


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Orgânico: Agricultura orgânica é melhor para o meio ambiente?

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Gestão:

Fraude no azeite de oliva: informação é peça-chave para o consumidor

Aquicultura e pesca: IFC discute estratégias para tornar Brasil player mundial do pescado

Meio ambiente: Mato Grosso teve menor desmatamento em um ano, aponta Imazon

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Artigo:

Cultivar de milho branco é alternativa para panificação sem glúten


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Pesquisa:

Cientistas obtêm primeiro feijão-de-corda com múltiplas vagens

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Transgênicos:

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Soja: Centro-Oeste responderá por 28% do aumento da nova safra de soja

Transgênicos contribuem para sustentabilidade e protagonismo da agricultura

Fruticultura:

Secretaria de Agricultura e Abastecimento estuda nova variedade de laranja vermelha

Receitas Caipiras: Biscoitinho de milho com goiabada REVISTA 100% CAIPIRA |

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PESQUISA

Cientistas propõem práticas ecológicas para o tomate

Brasil, setembro de 2019 Ano 7 - Nº 75 Distribuição Gratuita

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Fonte: Agrolink

Estas práticas são propostas para uso comercial em campo aberto ou em plantações protegidas de tomate A doença do enrolamento da folha amarela do tomateiro (TYLCD) causada pelo vírus amarelo do tipo onda-do-tomateiro é a doença mais destrutiva da cultura, causando sérios danos a culturas em todo o mundo e resultando em altas perdas econômicas. Para combater esta doença, muitos agricultores optam pela aplicação intensiva de inseticidas, no entanto, esta prática é frequentemente ineficaz e tem um impacto negativo no ambiente e na saúde humana, segundo os pesquisadores. Alternativamente, alguns agricultores plantam variedades de tomate resistentes ao TYLCD, mas estas variedades híbridas são frequentemente insípidas e uma comparação pobre com o sabor robusto do tomate tradicional. Como resultado, há uma demanda por medidas de controle eficazes e ambientalmente amigáveis para evitar danos generalizados contínuos do TYLCD, bem como outros vírus de plantas. Para responder a essa demanda, uma equipe de cientistas do Conse6 | REVISTA 100% CAIPIRA

lho Espanhol de Pesquisa Científica (IHSM UMA-CSIC) conduziu testes em campo e em estufa por três anos consecutivos e encontrou duas alternativas de controle ambientalmente amigáveis aos inseticidas. Primeiro, eles descobriram que proteger as plantações de tomate com plásticos bloqueadores de UV levou à redução do dano ao TYLCD. Em segundo lugar, eles descobriram que a aplicação de um análogo do ácido salicílico para fortalecer as defesas das plantas de tomateiro também foi eficaz na redução das perdas associadas ao TYLCD. Para os resultados mais eficazes, a equipe recomenda que os agricultores combinem as duas práticas de controle. Estas práticas são propostas para uso comercial em campo aberto ou em plantações protegidas de tomate. Essas descobertas também sugerem a possibilidade de descoberta futura de estratégias de controle de vírus ambientalmente corretas.

Diretor geral: Sérgio Strini Reis - sergio@ revista100porcentocaipira.com.br Editor-chefe: Eduardo Strini imprensa@ revista100porcentocaipira.com.br Diretor de criação e arte: Eduardo Reis Eduardo Reis eduardo@ revista100porcentocaipira.com.br (11) 9 6209-7741 Conselho editorial: Adriana Oliveira dos Reis, João Carlos dos Santos, Paulo César Rodrigues e Nilthon Fernandes Publicidade: Agência Banana Fotografias: Eduardo Reis, Sérgio Reis, Google imagens, iStockphoto e Shutterstock Departamento comercial: Rua das Vertentes, 450 – Vila Constança – São Paulo - SP Tel.: (11) 98178-5512 Rede social: facebook.com/ revista100porcentocaipira A revista 100% Caipira é uma marca registrada com direitos exclusivos de quem a publica e seu registro encontra-se na revista do INPI Nº 2.212, de 28 de maio de 2013, inscrita com o processo nº 905744322 e pode ser consultado no site: http://formulario. inpi.gov.br/MarcaPatente/ jsp/servimg/validamagic. jsp?BasePesquisa=Marcas. Os artigos assinados não refletem, necessariamente, a opinião desta revista, sendo eles, portanto, de inteira responsabilidade de quem os subscrevem.


ORGÂNICO

Agricultura orgânica é melhor para o meio ambiente?

A agricultura orgânica é moda

Segundo o que se divulga em revistas e jornais de grande circulação, de acordo com os nutricionistas e nutrólogos, consumir alimentos orgânicos vai salvar você e o planeta. Como todas as modas, há verdades e mitos sobre este tipo de prática agrícola. Normalmente, as publicações aparecem com artigos eivados de conceitos errados e meias verdades. Entretanto, um aspecto, extremamente importante, deveria ser mais bem esclarecido. Os orgânicos não são melhores para o meio ambiente. Ao se colocar, por exemplo, que eles evitam a contaminação em cadeia das áreas agrícolas e dos cursos d’água, se assume que a produção tradicional contamina, o que não é verdade. Agroquímicos, desde que aplicados de acordo com as recomendações técnicas, têm efeito negligível sobre abelhas e não deixam resíduos no solo ou na água. Entretanto, e principalmente, há um fator fundamental pelo qual a produção orgânica de alimentos é muito pior do que a convencional para o meio ambiente: ela emite muito mais gases de efeito estufa. Portanto, é muito pior em relação ao potencial de aquecimen-

to global. Vejamos: Primeiro, a agricultura orgânica tem produtividade bem menor que a convencional. Assim, exige mais terra para produzir quantidade semelhante de alimentos e usar mais terra significa desmatar mais. Estima-se que, somente no Brasil, a moderna tecnologia agrícola evitou que fossem desmatados, aproximadamente, 70 milhões de hectares de florestas. Esta é uma área maior que a atualmente explorada para a produção de grãos no Brasil. Segundo, além de usar mais terra, como a área é maior, a emissão de carbono para a produção, que guarda relação com a área, é também maior. Ainda, quanto maior a produtividade, menor o índice de emissão de gases de efeito estufa, por unidade de produto. Como na agricultura orgânica a produtividade é mais baixa, a pegada de carbono dos produtos é maior. Terceiro, a agricultura orgânica depende de adubos orgânicos e/ou compostos. Tanto os estercos animais como os compostos são potentes emissores de gás carbônico para a atmosfera. No caso de estercos, a emissão de óxido

nitroso, muito mais danoso que o gás carbônico, é grande, em função do que tem urina animal. Quarto, ao contrário do que se acredita, a agricultura orgânica utiliza sim, defensivos não biológicos. É o caso de defensivos, permitidos e usados, que tem cobre em sua composição, um metal pesado. E quinto e por último, ao inverso dos produtos da agricultura convencional, em que se usam produtos testados e aprovados por três ministérios, e regularmente são colhidas amostras para monitoramento da contaminação, nada disso ocorre com produtos orgânicos. Desta forma, a agricultura orgânica tem seu espaço e sua importância para a população. É um nicho de mercado importante para os agricultores. Não precisa de invencionices para ser justificada. A opção pelos alimentos orgânicos não pode ser feita com base em mitos.

Por Ciro Rosolem, vice-Presidente de Comunicação Científico Agro Sustentável (CCAS) e Professor Titular da Faculdade de Ciências Agrícolas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (FCA/Unesp Botucatu)

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Cultivar de milho br para panificaรง ARTIGO

O milho BRS 015 Fari para ce 8 | REVISTA 100% CAIPIRA


ranco é alternativa ção sem glúten

ináceo Branco é opção elíacos Por: Francisco Lima - Embrapa Clima Temperado REVISTA 100% CAIPIRA |

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U

ma nova cultivar de milho branco apresenta características que a tornam alternativa ao trigo para produção de farinha. O milho BRS 015 Farináceo Branco ainda tem potencial para panificação com foco em públicos com restrição de consumo de glúten, uma vez que grãos de milho não contêm essa substância. O novo cereal será lançado p e l a E m b r a p a C l i m a Te m perado (RS) no dia 29 de agosto, durante a Expoint e r, e m E s t e i o ( R S ) . Por sua composição, a variedade apresenta farinha de menor granulometria – ou seja, mais fina – do que as obtidas a partir de variedades tradicionais de milho. O melhor desempenho na moagem em comparação a essas variedades também pode resultar em rendimento de extração de amido de 40%, o que ajuda a dar estrutura e deixar as massas mais macias. Outro destaque é a cor do grão que, mesmo integral, gera uma farinha branca. Isso, somado à baixa granulometria, resulta em pães e biscoitos similares aos obtidos a partir do trigo. “Quando fazemos um pão com a farinha de milho branco, ele fica com aspecto mais bonito e a massa mais coesa. Não fica esfarelando. Geralmente, o milho amarelo não dá uma característica boa para a coesiv i d a d e d o p ã o ”, e x p l i c a a p esquisadora do Núcleo de Alimentos da Embrapa Clim a Te m p e r a d o A n a C r i s t i n a K r o l o w. 10 | REVISTA 100% CAIPIRA

Comparações com uma variedade de milho comercial realizadas na Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), onde o cereal foi transformado em fubá e farinha, indicam, de fato, que o novo milho farináceo é mais mole, mais facilmente triturado e que, portanto, produz mais farinha, sendo menos arenoso em textura. Segundo avaliação do pesquisador Rogério Germani, a indicação é para agregação a pães, biscoitos e bolos, mas não para produção de salgadinhos (snacks), que exigem material mais grosso. Além disso, o material tem mais facilidade de cocção, com gel mais viscoso após o resfriamento. Atu a lmente, a far in ha de trigo é a mais empregada em panificação no Brasil. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria d o Tr i g o ( A b i t r i g o ) , a p r o dução nacional de farinha no País em 2018 foi de 9,1 milhões de toneladas e o consumo médio por pessoa de 45,6 kg. Mas a presença de glúten inviabiliza o consumo pelos cerca de dois milhões de brasileiros afetados pela doença celíaca, segundo dados da Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra). Por isso, os pesquisadores enxergam no novo material uma oportunidade de mercado. “O noss o objetivo é disponibilizar o material para agricultores familiares e entrar em nichos de mercado, principalmente para celíacos ou pessoas que fazem dieta com men o s g l ú t e n”, d e c l a r a u m d o s

pesquisadores responsáveis p e l a c u l t i v a r, É b e r s o n E i cholz. Maiores rais

teores

de

mine-

Análises físico-químicas do grão, que indicam sua composição, também foram realizadas nos laboratórios da Embrapa, onde foram avaliados os teores de umidade, fibras, gordura, proteínas e minerais. Segundo Ana Cristina, a variedade apresentou teores de proteínas e minerais – como cobre, manganês, ferro e zinco – superiores aos do milho tradicional. Uma f at i a d e 1 0 0 g d e pão feito de farinha obtida a partir da variedade corresponde a 31% das necessidades de ingestão de ferro segundo a tabela de Ingestão Diária Recomendada para adultos (IDR) da Agê n c i a Na c i on a l d e Vi g i lância Sanitária (Anvisa). “Isso é um bom resultado para esse milho, haja vista que outros milhos amarelos não têm uma concentração t ã o e l e v a d a d e f e r r o ”, a f i r ma. Os resultados ainda indicam que 100g desse grão correspondem a 2,8% das necessidades de ingestão de cálcio, 106% de magnésio, 12% de fósforo, 41% de manganês e 22% de cobre. E que seus teores de proteínas, gordura e fibra bruta correspondem a 12%, 8% e 11% das necessidades diárias recomendadas para adultos saudáveis, respectivamente. A sugestão é que, a partir dos grãos da BRS 015FB,


seja produzida farinha integral, de maneira que ela incorpore os óleos naturais do milho – gorduras consideradas boas e responsáveis pelo bom funcionamento do organismo. Produto valorizado apesar da produção menor O milho BRS 015 Farináceo Branco padroni-

za uma variedade crioula cultivada e mantida pelos agricultores familiares da região sul do Rio Grande do Sul. São plantas de porte baixo, com pouco mais de dois metros de altura, o que facilita a colheita e o manejo. A produção média é de cinco mil quilos por hectare, com uma espiga p o r p l a n t a . “A c a b a s e n d o

mais eficiente porque tem uma maior produção direc i o n a d a à e s p i g a ”, e x p l i c a Eicholz. Apesar de ter porte menor e produzir menos do que as variedades tradicionais de milho, o BRS 015 Farináceo Branco tem como diferencial o apelo a um nicho, o que tende a aumentar o seu valor de mercado. A intenção REVISTA 100% CAIPIRA | 11


da C o op erativa União, de Canguçu (RS), uma das licenciadas para a produção de sementes, é comercializar as sementes e a farinha 30% mais caras do que as demais. “Pretendemos agregar valor na produção dos agricultores, trazendo o milho, industrializando e levando ao nosso consumidor um produto diferenciado. Além da farinha, pretendemos incentivar a produção de sementes, comercializando a um valor superior ao das demais sementes crioulas que a gente já p r o d u z i a ”, r e v e l a o p r e s i dente da entidade, Fabris Prestes. De acordo com o pesquisador da Embrapa Sérgio dos Anjos, que deu início ao trabalho de melhoramento desse material no fim da década de 1990, o enfoque foi justamente esse. “Quando comparado [a outros cereais], o milho farináceo não tem alta produtividade. Mas o que se dá ênfase é nos produtos especiais para os quais são destinados, como farinha sem glúten, milho-verde e, inclusive, massa sem glúten, que era uma das propostas do nosso trabalho à é p o c a ”, c o n t a . Dado seu apelo a um público preocupado com questões ligadas à saúde, a variedade também é indicada à produção orgânica. “Ela tem sido avaliada na produção orgânica há alguns anos e apresentado uma boa produtividade. O 12 | REVISTA 100% CAIPIRA

interessante é agregar valor à farinha pela introdução no sistema orgânic o ”, c o m p l e t a E i c h o l z . Agronomicamente, o ciclo até o chamado pendoamento, quando as primeiras espigas aparecem, é precoce. Gira em torno de 70 dias. A partir daí, são mais 50 para enchimento dos grãos. No total, são 120 dias para a maturação completa após o plantio, quando ocorre a colheita. Além disso, a cultivar é de polinização aberta (varietal), permitindo o replantio nas próximas safras sem a necessidade de compra de novas sementes. Isso reduz custos e dá mais independência aos agricultores. A qualidade do grão também torna a variedade apta para produção de milho-verde. Dessa forma, em que o milho é colhido e preparado antes da maturação, os grãos apresentam sabor mais adocicado. No Rio Grande do Sul, para onde a cultivar é adaptada e recomendada, o plantio ocorre de setembro a dezembro, e a colheita de janeiro a abril. A história do nosso milho do sul Segundo explica o pesquisador da Embrapa Sérgio dos Anjos, o resgate desse tipo de material teve início em 1976, a partir de um projeto financiado p elos Estados Unidos - o Latin American Maize

Project (LAMP). Essa pesquisa tinha por objetivo a conservação da variabilidade existente de milho, a oferta de sementes de milho farináceo branco à a g r i c u l t u r a f a m i l i a r, e a recuperação e criação de moinhos em áreas rurais. O milho BRS 015 Farináceo Branco é originário de material crioulo coletado na década de 1990 em São José do Norte (RS). As condições ambientais da região, de ventos fortes e ausência de barreiras físicas, e os solos rasos e arenosos, condicionaram o processo de seleção natural. Isso resultou em plantas baixas, sadias, com altura de inserção de espigas baixa e b o m s i s t e m a r a d i c u l a r. A obtenção da cultivar se deu a partir de seleção de plantas da população original, denominada “ B r a n c o s A ç o r i a n o s .” P o s teriormente, entre 2003 e 2008, pesquisadores da E m b r a p a C l i m a Te m p e r a do selecionaram mais de 100 progênies (descendentes) que, combinados, deram origem ao BRS 015. “Em relação ao farináceo branco, a gente identificava alguns defeitos. O principal é que, na espiga dele, havia grãos que tinham manchas amareladas. Por causa disso, a nossa seleção foi para tirar aquela frequência de m i l h o s c o m e s s e d e f e i t o ”, explica o cientista da Embrapa. No total, o trabalho levou em torno de dez anos, desde a coleta à seleção.


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PROCESSAMENTO

Vinhos da serra gaúcha têm três vezes mais resveratrol do que rótulos sul-americanos e europeus Imagine tomar um bom vinho a um bom preço e ainda descobrir que ele faz bem para a saúde? Fonte: .DOC Assessoria de Comunicação

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E o que é melhor, ele pode ser encontrado aqui mesmo no Brasil, mais especificamente na Serra Gaúcha, região conhecida pela sua tradição vitivinícola. Uma avaliação inédita feita pelo Laboratório Lavin, de Flores da Cunha, especializado em análises de bebidas, a partir de uma provocação da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-RS) feita a Vinícola Casa Perini, apontou que os vinhos da Serra Gaúcha têm 3,5 vezes mais resveratrol do que seus principais rótulos concorrentes sul-americanos e europeus. A média de resveratrol dos seis vinhos brasileiros da serra gaúcha analisados foi de 3,51 mg/L, ante 0,95 mg/L dos rótulos importados. Ou seja, na média, os seis vinhos da serra gaúcha – da Casa Perini – têm 3,5 vezes mais resveratrol do que os 12 rótulos importados mais vendidos no Brasil. O melhor resultado entre 18 vinhos analisados foi obtido pelo Fração Única Cabernet Sauvignon safra 2015, que teve 4,57 mg/L de resveratrol – mais do que o dobro do melhor resultado de um vinho importado, o argentino Etchart Malbec 2017, que registrou 2,15 mg/L de resveratrol. O resveratrol é um polifenol presente na semente e sobretudo na casca das uvas tintas, por isso está presente nos vinhos. Sua principal função é antioxidante, que combate os radicais livres, mas também traz benefícios ao coração, protege conta a diabetes e doenças cancerígenas, entre outros benefícios à saúde. “A teoria nos diz que a concentração de resveratrol presente nos vinhos depende da variedade, processos de fermentação e da origem geográfica das uvas. A serra gaúcha é tida como uma região úmida e inóspita para o cultivo de uvas tintas. A hipótese preliminar era que, para sobreviver e frutificar, a videira da serra gaúcha produz mais polifenóis, como o resveratrol, para proteger a planta da ação de fungos”, explica o presidente da ABS-RS, Orestes de Andrade Jr. “A análise feita pelo Lavin comprovou esta hipótese: os vinhos da serra gaúcha têm pelo menos o dobro de resveratrol do que rótulos sul-americanos e europeus”, destaca o sommelier. A novidade deste estudo

é a comparação de terroir, a origem das uvas utilizadas na elaboração de vinhos. “Independente da variedade de uva, as análises demonstram que a origem é mais importante na presença maior ou menor de resveratrol dos vinhos”, comenta Orestes Jr. A Dra. Caroline Dani, coordenadora do Mestrado Acadêmico em Biociências e Reabilitação do Centro Universitário Metodista (IPA) avaliou análise feita pelo Lavin e confirma: “Na análise estatística não aparecem diferenças entre as variedades de uvas. O que importa para a maior concentração de resveratrol é a região mesmo”. Especialistas em pesquisas sobre os benefícios da uva e seus derivados para a saúde, Caroline Dani diz que a razão é o “estresse da videira”. “Os fatores que levam a formação deste metabólito secundário são estresse no crescimento das videiras na serra gaúcha”, afirma. O diretor da Casa Perini, Franco Perini, diz que a comparação não surpreende, apenas confirma cientificamente uma tese amplamente defendida pela literatura vitivinífera. “Sempre vimos estudos que falavam do diferencial dos vinhedos da serra gaúcha, que precisam ser mais fortes para produzir uvas de qualidade. A análise comprova a prática o que a teoria já supunha”, diz ele. Franco Perini ressalta o fato de vinhos ao redor de R$ 30 (a linha Arbo) apresentarem três vezes mais resveratrol do que todos os rótulos avaliados. “Isso demonstra que os benefícios para a saúde dos vinhos são democráticos, acessíveis aos consumidores”, afirma. Franco comenta 90% das uvas utilizadas na elaboração dos vinhos da Casa Perini que participaram do estudo são oriundas da serra gaúcha – Farroupilha e Vale Trentino (a maior parte), Caxias do Sul, Flores da Cunha, Bento Gonçalves, Garibaldi e Pinto Bandeira. Apenas 10% é dos Campos de Cima da Serra. A ANÁLISE A análise feita pelo Lavin em abril deste ano comparou 6 vinhos da serra gaúcha com 12 rótulos da Argentina, Chile, Portugal, Itália

e França. A escolha desses vinhos teve por base o ranking de vendas no país. “Selecionamos os vinhos importados mais vendidos no Brasil e utilizamos seis vinhos, de estilos e preços diferentes, de uma vinícola brasileira, a Casa Perini, que aceitou participar do estudo”, diz a responsável técnica do Lavin, Elisabete Dalmolin. Os rótulos avaliados foram os seguintes: Cosecha Reservado 2018 (0,77 mg/L), Etchart Malbec 2017 (2,15 mg/L), Periquita 2016 (1,17 mg/L), Corvo Roso 2016 (0,92 mg/L), Latitud 33 2017 (0,72 mg/L), Casa Silva Cabernet Sauvigon/Carmenèré 2017 (1,17 mg/L), Casillero del Diablo 2017 (0,54 mg/L), Reservado Concha Y Toro 2018 (0,89 mg/L), Santa Carolina Reservado 2017 (0,57 mg/L), Cartucha 2016 (0,74 mg/L), Baron D’Arignac (0,89 mg/L), Santa Helena Reservado 2017 (0,89 mg/L), Arbo Merlot sem safra (3,52 mg/L), Arbo Cabernet Sauvignon sem safra (3,63 mg/L), Casa Perini Cabernet Sauvignon 2017 (3,01 mg/L), Casa Perini Merlot 2017 (3,15 mg/L), Fração Única Cabernet Sauvignon 2015 (4,57 mg/L) e Fração Única Merlot 2015 (3,18 mg/L). “Além da crescente qualidade, agora os vinhos brasileiros comprovam sua vocação natural de fazer bem à saúde”, observa Orestes de Andrade Jr. Antes de divulgar os resultados da análise, o presidente da ABS-RS solicitou a realização de uma contraprova em um laboratório público. As amostras dos mesmos vinhos foram enviadas então ao Laboratório de Referência Enológica (Laren) do governo do Estado do Rio Grande do Sul. “A análise no Laren comprovou os resultados apontados pelo Lavin, isto é, a concentração de o dobro de resveratrol nos vinhos da serra gaúcha ante seus concorrentes estrangeiros”, informa. No Laren, o melhor resultado de um vinho importado também foi do rótulo argentino Etchart Malbec 2017, com 1,61 mg/L de resveratrol. Entre os brasileiros, o Arbo Cabernet Sauvignon foi o campeão, com 2,96 mg/L de resveratrol. REVISTA 100% CAIPIRA | 15


GESTÃO

Fraude no azeite de

é peça-chave pa

Fonte: Mondoni Press

Uma alimentação de qualidade precisa ser encarada como prioridade; Gustavo Campestrini, do Fretag Laboratórios, dá dicas de como escolher um azeite de verdade 16| REVISTA 100% CAIPIRA


e oliva: informação

ara o consumidor É isso, pelo menos, que um número cada vez maior de pessoas pensa. Enquanto buscam um estilo de vida mais saudável, mudam seus hábitos alimentares, suas técnicas de cozinha e seus ingredientes favoritos, enfrentam um inimigo silencioso e discreto: a má índole de diversas marcas do setor alimentício. O cultivo de azeitonas é uma tradição milenar com origem na região mediterrânea. A produção de azeite marcou a nutrição, gastronomia, medicina e estética de uma civilização inteira. Mais que isso: continua sendo a opção mais clássica na hora de preparar um refogado ou temperar uma salada. É fácil compreender porque o azeite de oliva se tornou aliado de pessoas que buscam um estilo de vida mais saudável e natural. O seu consumo tem sido associado à uma diminuição das chance de desenvolvimento de câncer, doenças cardiovasculares, obesidade e diabetes. O Brasil, dentre os maiores importadores de azeite, ocupa o terceiro lugar no ranking mundial. É nesse cenário que, somente no mês de julho, o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) proibiu a venda de seis diferentes marcas de azeite de oliva. As empresas responsáveis são acusadas de comercializar produtos com mistura de óleos, sem a presença de azeite de oliva e impróprios para o consumo. Não é caso inédito no Brasil. Em 2017 uma operação similar retirou 64 marcas das prateleiras do mer-

cado. Em 2018, foram no total 46 marcas reprovadas. Em virtude da dificuldade e do alto custo da produção do azeite de oliva, empresas utilizam meios fraudulentos para otimizar a produção e rendimento do azeite. Ou ainda, encontram formas para ludibriar ou induzir o consumidor ao erro. Ninguém menos que o próprio consumidor para filtrar e selecionar os produtos que coloca em sua mesa. Nunca antes o acesso à informação foi tão simplificado – e, por vezes, descontrolado. As dicas selecionadas abaixo reúnem tudo o que precisa-se saber para acertar na próxima compra: Rótulo. Mesmo que o termo “azeite de oliva” esteja em destaque, é importante reparar se em letras menores não aparece as expressões “óleo misto ou composto, temperos e molhos”. Embalagem. Deve ser de vidro e escura, para reduzir exposição à luz e oxidação do azeite. Pureza. Preferencialmente azeites virgens e, se possível, extravirgens. Esses produtos não passaram por refino industrial. Caso o azeite seja misto, ele deve obrigatoriamente apresentar os seus percentuais de composição. Acidez. Para um bom azeite de oliva, quanto menor a acidez, melhor sua qualidade. Azeites extra virgens devem ter acidez menor que 0,8% e azeites virgens entre 0,8% e 2%. Validade. Aqui vale o contrário dos vinhos: quanto mais fresco, melhor! O seu processo de oxidação é rápido e, com isso, perde-se

seu aroma e sabor natural. Produção. O termo “prensado a frio” garante que o único método utilizado para extração do azeite foi o mecânico, que conserva o maior número de propriedades benéficas do azeite. Praticamente um suco fresco de azeitonas, certo? Envase. Atenção aos produtos envasados no Brasil: o envase do azeite de oliva em seu país de origem (isto é, no exterior) dificulta fraudes. Orgânico. Produtos orgânicos devem apresentar o selo “Produto Orgânico Brasileiro”, certificado pela IBD. Preço. O verdadeiro azeite de oliva costuma ter preço a partir de R$17,00. Produtos muito abaixo desse valor merecem desconfiança. Caso ainda restem dúvidas, é possível fazer uma busca no site do MAPA. Para isso, é necessário acessar agricultura.gov.br e preencher o nome da marca do azeite na ferramenta de busca do site. Qualquer registro antigo ou atual de fraude ou inconformidade deve aparecer. Como mencionado antes, informação há. Selecionar e assimilar essa informação é, de fato, um problema maior. Além disso, produzir e baratear estão no pensamento de cada cidadão moderno. Mais importante, no entanto, seria o homem reavaliar todos os seus valores, a fim de devolver aos produtos de qualidade o lugar que eles devem ocupar em nossas prateleiras. Gustavo Campestrini, Acadêmico de Engenharia Química, colaborador no Freitag Laboratórios REVISTA 100% CAIPIRA |17


ALGODÃO

Projeto integrará redes meteorológicas para fornecer alertas sobre doenças em lavouras Com isso, os agricultores terão informação para decidir quando e quanto investir em medidas para combater o problema, como a aplicação de defensivos. A iniciativa também contempla o acompanhamento do balanço hídrico da região

A Embrapa e a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) fecharam parceria para o desenvolvimento de um aplicativo e um sistema de informações geográficas na web (webgis) para mostrar, no mapa e em gráficos, quão favorável ou não um ambiente está para a proliferação de doenças nas lavouras. Com isso, os agricultores terão informação para decidir quando e quanto investir em medidas para combater o problema, como a aplicação de defensivos. A iniciativa também contempla o acompanhamento do balanço hídrico da região. Recém-aprovado pelo Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), o projeto tem duração prevista de dois anos. É liderado pela Embrapa Territorial (SP) e será direcionado inicialmente para a região oeste da Bahia e para duas doenças que 18| REVISTA 100% CAIPIRA

afetam as principais culturas locais: a ferrugem da soja e a mancha da ramulária do algodão. Por isso, integram o projeto outras duas iniciativas da Empresa e parceiros no combate a essas duas ameaças: o Consórcio Antiferrugem, coordenado pela Embrapa Soja (PR), e a Rede de Pesquisa de Ramulária, que tem à frente a Embrapa Algodão (PB). Conta ainda com a parceria da Embrapa Informática Agropecuária (SP) e da Embrapa Tabuleiros Costeiros (SE). Agricultores serão informados por aplicativo Os pesquisadores vão utilizar informações das estações meteorológicas dos agricultores, combinadas com imagens de satélite e dados de ocorrência das do-

enças. A partir daí, será calculado e divulgado pelo aplicativo e pelo site quão favorável à proliferação dos agentes causadores é o momento. Estão previstas atualizações diárias. O pesquisador da Embrapa Territorial Julio Cesar Bogiani explica que três fatores são necessários para a proliferação de doenças nas lavouras: presença do agente causador, dos hospedeiros (as plantas) e condições climáticas favoráveis. “O ambiente é altamente determinante para a favorabilidade da doença”, explica. No caso da soja, o Consórcio Antiferrugem já publica os números e locais de ocorrência e dispõe de série histórica. Esses dados serão combinados aos meteorológicos para gerar índices de favorabilidade a serem utilizados pelos agricultores.


“A interligação com a rede de estações será uma ferramenta a mais para auxiliar o produtor nas tomadas de decisões no manejo da doença porque interliga o triângulo de relações hospedeiro x patógeno x ambiente. Com os sistemas interligados, pode ser feita a validação de modelos de previsão, buscando desenhar mapas de favorabilidade para a região, a partir de dados locais”, avalia a pesquisadora da Embrapa Soja Cláudia Vieira Godoy, da coordenação do Consórcio. Já a rede de pesquisa que estuda a ramulária é recente. Há dados de uma safra completa e, até o lançamento do aplicativo e do webgis, pelo menos mais uma terá sido monitorada. De acordo com o coordenador da rede, o pesquisador da Embrapa Algodão Alderi Emídio de Araújo, a abrangência dos dados levantados permitirá determinar que condições de clima favorecem o aumento da intensidade da doença. Ele conta que os ensaios com defensivos e monitoramento de possíveis mutações no fungo causador da ramulária acontecem em área que representa 90% da produção brasileira da fibra, para a qual são registradas informações sobre a intensidade da doença e as condições climáticas. “Com esses dados, é possível estabelecer correlações entre o ambiente e o desenvolvimento da ramulária no campo”, explica. Tempo certo para aplicações Bogiani diz que, atualmente, os produtores têm ficado dependentes dos calendários definidos pelos fabricantes de defensivos para decidir quando aplicar produtos contra as doenças. “Mas, muitas vezes, ele precisaria ter feito as aplicações um pouco antes ou depois, dependendo das condições climáticas”, ressalta. Ao fim do projeto, a equipe espera entregar a eles uma ferramenta para que tomem decisões com base em informações qualificadas sobre quão favorável está o ambiente, na região dele, para a proliferação da ferrugem ou da ramulária. “Com essas informações, vamos criar um sistema de alerta para que os produtores possam fazer o controle do fungo com maior assertividade, aumen-

tando a produtividade e reduzindo o custo das lavouras de algodão”, reforça o presidente da Abapa, Júlio Cézar Busato, que tem grandes expectativas no uso da ferramenta para o combate à mancha da ramulária. “O alerta será emitido e os produtores podem trabalhar estratégias de prevenção e combate com a aplicação de fungicida. Caso as condições não sejam favoráveis para o desenvolvimento do fungo e, consequentemente, da doença, os defensivos agrícolas não serão aplicados, gerando, assim, economia para o produtor”, prevê. Rede de estações meteorológicas Passo fundamental para o sucesso do projeto será interligar em rede as estações meteorológicas dos agricultores que aderirem ao projeto. Isoladas como estão hoje, não são capazes de compartilhar as informações necessárias para a equipe. Os pesquisadores farão visitas-técnicas à região, inicialmente para avaliar as estações e, posteriormente, para validar no campo as informações geradas a partir dos dados processados pelos modelos. O pesquisador Paulo Barroso, da Embrapa Territorial, destaca a importância de conectar as estações já existentes nas propriedades. “As estações isoladas trazem informações para um agricultor; em rede, atendem a toda uma região, permitindo melhorar as previsões de tempo, clima e gerar os demais produtos desse projeto com maior precisão”, frisa. O projeto também prevê o uso dos dados das estações meteorológicas e imagens de satélite para medir a evapotranspiração nas áreas de plantio, por meio do SAFER (Simple Algorthm for Evapotranspiration Retrieving). Algoritmo desenvolvido pela Embrapa Territorial, ele permite calcular a perda de água do solo pela evaporação e das plantas pela transpiração. Assim, será possível acompanhar a evolução do balanço hídrico na região. Serão criados modelos automáticos para que as informações também fiquem disponíveis aos agricultores no aplicativo. De acordo com a pesquisadora Janice Leivas, o uso do método para monitorar de perto uma área relativamente pequena como o oeste da Bahia é

um diferencial do projeto. Normalmente, esse tipo de iniciativa envolve escalas muito maiores, até globais. Sobre a região e as doenças A região oeste da Bahia abrange 32 municípios, entre eles Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, e corresponde ao “ba” do Matopiba, área de expansão agrícola que compreende também parte dos estados do Maranhão, Tocantins e Piauí. Ela tem a segunda maior produção de algodão do Brasil e fica em sexto lugar na colheita de soja. Ali, como no restante do Brasil, a ferrugem asiática é a principal ameaça às lavouras de soja. Se não for bem manejada, a doença pode reduzir em até 90% a produtividade do grão. Desde 2011, os prejuízos acumulados com o problema no Brasil chegam a 10 bilhões de dólares, de acordo com as estimativas do Consórcio Antiferrugem. Na safra 2013/2014, o custo do controle ficou na casa dos 2,2 bilhões de dólares. O Consórcio Antiferrugem foi criado em 2004 e integra uma estratégia de transferência de tecnologias e uma rede de pesquisadores para promover ensaios cooperativos para testes de fungicidas. Conta com aproximadamente 100 laboratórios cadastrados em todo o Brasil e cerca de 60 pesquisadores. Mantém um site na internet com dados de ocorrência das doenças, além de informações de pesquisa e orientações técnicas. Já a Rede de Pesquisa da Ramulária foi criada em 2017, durante o 11º Congresso Brasileiro do Algodão, e reúne empresas multinacionais e instituições de pesquisa. A equipe tem atuado na uniformização de métodos de avaliação de fungicidas e em ensaios com diferentes tipos de produto, bem como na investigação de possíveis mutações do fungo causador da doença que possam gerar resistência ao controle químico. Considerada, hoje, a principal doença do algodoeiro no Brasil, a mancha da ramulária pode gerar quedas de produtividade de até 75% nas cultivares mais suscetíveis. A dispersão do agente causador ocorre facilmente pelo vento ou pelas máquinas que transitam nas lavouras. Fonte: Embrapa Territorial REVISTA 100% CAIPIRA | 19


SAÚDE ANIMAL

Ourofino Saúde Animal fecha parceria com Programa Carne 4.0 Iniciativa investe em capacitação de profissionais da cadeia de bovinos para produção de carne de qualidade

Fonte: Ourofino Saúde Animal

Idealizado pelos zootecnistas Danilo Millen, PhD em nutrição de ruminantes da Unesp – campus Dracena/SP, e Andrea Mesquita, fundadora do Território da Carne, o Programa Carne 4.0 tem como objetivo preparar e orientar alunos de graduação, pós-graduação e profissionais da zootecnia, medicina veterinária e agronomia. Apoiada pela Ourofino Saúde Animal, a iniciativa busca aumentar o conhecimento e a compreensão sobre a cadeia de carne bovina, para que todos os envolvidos no setor possam atuar de maneira assertiva nas soluções inovadoras do mercado, visando à promoção da carne de qualidade. “A Ourofino realiza um trabalho de capacitação constante para o uso correto de produtos veterinários, além de levar soluções sanitárias para garantir maior produtividade do rebanho, otimizando, assim, a mão de obra na fazenda – fator escasso na maioria das propriedades”, afirma Thales Vechiato, gerente de produtos para gado de corte da companhia. “Agora, com o Programa Carne 4.0, recebemos a oportunidade de estender esse trabalho aos estudantes e zootecnistas, para contribuir de forma efetiva na produção da carne 20| REVISTA 100% CAIPIRA

de qualidade. Com essa parceria, reforçamos nossos valores e princípios em prol da produção nacional.” O projeto nasceu da percepção dos fundadores de que a necessidade do mercado de ter profissionais que entendessem a cadeia animal, de forma integrada, era maior do que o número de pessoas que já se formam com essa visão. De acordo com Thales, uma boa gestão, que começa desde os cuidados com as propriedades, garante um sistema produtivo eficiente quando ligado ao uso de tecnologia. “Mas, para isso, é preciso investir em pessoas, em conhecimento, e direcionar recursos para de fato mudar os rumos da produção e consumo da carne no Brasil. Por isso a Ourofino apoia e acredita no Programa 4.0.” Andrea Mesquita, uma das fundadoras do projeto, ressalta que um dos reflexos é o incentivo de um consumo mais consciente da carne. “O Brasil tem um dos maiores consumos per capita de proteína bovina, mas feito de forma inconsciente, no sentido de identificar de onde vem a carne que está comendo, de que forma ela foi preparada até chegar ao mercado, quais as formas que pode ser consumida e assim por diante.

Um dos principais objetivos do Carne 4.0 é que toda a história dessa carne seja contada ao consumidor, para que ele tenha consciência e responsabilidade por suas escolhas”, explica. Nesse cenário, a Ourofino Saúde Animal entra para contribuir com a informação ao público voltado para cadeia produtiva e ao consumidor. “É nosso papel como indústria garantir que a carne bovina chegue ao mercado com qualidade, agindo como um braço para promover o alimento livre de resíduos de produtos veterinários, orientando e dando suporte sanitário aos pecuaristas para o uso de racional produtos”, esclarece o gerente da empresa. O programa contou com duas edições presenciais na Universidade Federal do Mato Grosso, estado líder em pecuária, iniciando a formação de 49 alunos, e deverá seguir com acompanhamentos online durante dois anos – no total, espera-se capacitar 150 estudantes nas cinco edições previstas para o ano de 2019. Semestralmente, cada inscrito deverá passar por um comitê de orientação como forma de avaliação da evolução no projeto. Os participantes recebem bagagem teórica e prática que proporcionam o esclarecimento de que a qualidade do produto final depende de que todo o processo da cadeia seja feito de forma integrada, e não individualizada. “Os materiais desenvolvidos ao longo do programa mostrarão que o processo para a carne do futuro precisa ser gerido por uma pessoa com consciência do que faz, e uma ação robusta como essa precisa de parceiros como a Ourofino, que tem comprometimento com a causa e o foco em pessoas. Acreditamos que iniciativa trará grandes resultados ao mercado da carne”, ressalta o zootecnista Danilo Millen.


PREÇOS AGROPECUÁRIOS

Frio influencia preço e qualidade das frutas As frutas e hortaliças devem se apresentar bem mais em conta para o consumidor nos próximos dias As frutas e hortaliças devem se apresentar bem mais em conta para o consumidor nos próximos dias. É que os produtos tiveram baixa de preços no mês de julho nas principais Centrais de Abastecimento (Ceasas) do país, o que pode se refletir também nas compras de varejo. O grande destaque entre os produtos pesquisados foi o tomate, que chegou a cair quase 40% em Recife e cerca de 30% em Brasília, Goiânia e Vitória. A análise é do 8º Boletim Prohort, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Mesmo com a queda de preços na maioria dos mercados, batata, cenoura e tomate ainda estão mais caros do que os valores que apresentaram no mesmo período em 2018. A cebola, inclusive, registrou altas de preços significativas, próximas ou acima dos 30%, em todos os mercados analisados nesta edição. Os produtores são favorecidos com os patamares de preços mais atrativos que compensam o cultivo, uma vez que as cotações estão acima dos custos de produção. Safra de Inverno Com relação à cenoura, a saf ra de inverno deve intensif icar

Fonte: Climatempo

a oferta aos mercados e diminuir os pre ços em agosto, g raças à região produtora de São Gotardo/MG que envia grandes quantidades da hortaliça à maioria dos mercados consumidores do país. Na central de Brasília, ela registrou diminuição de 17,45% e em São Paulo chegou a 14,38%. Po r o u t r o l a d o , a b a t a t a v e m sofrendo redução de oferta anualmente, sobretudo nesta safra de inver no, supr id a em g rande parte pelos estados de Minas Gerais e Goiás. O maior destaque na queda de preços o correu em Curitiba, onde a Ceasa local registrou menos 22,19%. Ao cont rár io, o R io de Janeiro teve uma pequena elevação de 0,41%. Fr utas A banana teve queda de preços na maioria das Ceasas, o que ocorreu em razão do aumento da oferta e da baixa qualidade do produto devido ao f r io. A exce ç ão foi a b anana nanica, que finalizou o mês com

tendência de alta nas cotações. A laranja também seguiu a baixa pelo terceiro mês cons e c ut ivo, mas de for ma menos i n t e n s a q u e n o m ê s a n t e r i o r, além do aumento do volume comercializado na maioria das C easas. A colheita das laranjas rubi, hamlin, westin e baía praticamente acabou, e da laranja pera foi intensificada, direcionada tanto para as indústrias produtoras de suco quanto para o varej o. A melancia sofreu novamente queda de preços nas roças, o que refletiu também nos entrepostos, em virtude da grand e p r o d u ç ã o d e Ur u a n a , G o i á s e da intensificação da colheita n o To c a n t i n s , q u e a u m e n t o u a oferta em todas as centrais atacadistas. Quem ficou na contramão dos preços baixos foi o mamão que registrou trajetória de alta de preços em todas as Ceasas. Isso porque, além de ter diminuído a ofer t a do pro duto, a espécie papaya teve super valorização e demorou mais a amadure cer p or cont a do f r io. REVISTA 100% CAIPIRA |21


AQUICUTURA E PESCA

Fonte: MB Comunicação Empresarial/Organizacional tilapia-mb

IFC discute estratégias para tornar Brasil player mundial do pescado Promissor na produção de peixes de cativeiro, o estado do Paraná será sede do Internacional Fish Congress. Entre os dias 17 e 19 de setembro, Foz do Iguaçu, sedia o evento, no Centro de Eventos Maestra, no Cataratas Resort 22| REVISTA 100% CAIPIRA


O congresso internacional vai reunir mais de 40 conferencistas de 12 países em Foz do Iguaçu para discutir estratégias e políticas para transformar o Brasil em um grande competidor global com a presença se representantes da Secretaria Nacional de Aquicultura e Pesca – MAPA, ABIPESCA, PEIXEBR, Sindipi, Comitê de Aquicultura da CNA e ABCC – Associação Brasileira de Criadores de Camarão Promissor na produção de peixes de cativeiro, o estado do Paraná será sede do Internacional Fish Congress. Entre os dias 17 e 19 de setembro, Foz do Iguaçu, sedia o evento, no Centro de Eventos Maestra, no Cataratas Resort. “O IFC tem o desafio de discutir estratégias e apontar tendências para colocar o Brasil entre os maiores players mundiais na produção de pescados”, destaca a executiva do evento, Eliana Panty. O evento reunirá todos os elos da cadeia produtiva em um só tempo e lugar com Congresso Internacional, Feira de Negócios, Rodadas de Negócios e Congresso Internacional. A feira de negócios será realizado nos dias 18 e 19 de setembro, das 14h às 22h. com exposição de tecnologias e conhecimento por empresas e instituições públicas. Ainda nos dias 18 e 19 o evento apresenta o Espaço Áqua 4.0, para startups agro mostrarem seus trabalhos. “Preparamos um evento muito rico em conteúdo e conhecimento. E queremos provocar o debate das grandes questões que inquietam o setor. E que precisam de ações e medidas do setor público e privado”, destaca o presidente do evento Altemir Gregolin. Inscrições As inscrições estão abertas com os seguintes valores: até 05 de setembro, R$ 350,00 para profissionais e R$ 175,00 para estudantes; a partir de 06 de setembro e durante o evento, R$ 450,00 para profissionais e R$ 225,00 para estudantes. As inscrições devem ser realizadas pelo site. Congresso internacional Na quarta-feira, 18 de setembro, o congresso discute temas de interesse do conjunto da cadeia produtiva do pescado. A programação inicia às 8h, com

apresentação sobre o desenvolvimento e estratégias de mercado dos grandes produtores mundiais de pescados. Conferencistas: Nils Martin Gunneng - Embaixador da Noruega. Carlos Wurman - M. Sc. Economics, Hull University, Reino Unido. Presidente Executivo do Programa Estratégico do Salmon, Chile. Consultor sobre mercados mundiais futuros. Na sequência os participantes acompanham apresentação sobre Tendências em relação ao consumo de pescados e as mudanças no processo produtivo: sustentabilidade, rastreabilidade e certificação. Conferencistas: Lucio Vicente Silva, Diretor de Sustentabilidade da Rede Carrefour e FAO. Com o tema “Das águas à mesa do consumidor: Como tornar a cadeia competitiva e sustentável?” vai reunir os conferencistas Thiago de Luca, Diretor Comercial da Frescatto Company e representante da Cooperativa Copacol – Paraná. Tendências mundiais Para explorar as tendências mundiais e foco no mercado externo a palestra “Exportar para ampliar o mercado - oportunidades e estratégias para o Brasil” será conduzida pela APEX Brasil, e reúne representantes de governo e indústria. O hot spot do dia fica por conta do Painel Estratégias e Políticas para transformar o Brasil em um grande player mundial de pescados. Com os debatedores Jorge Seif Júnior - Secretário Nacional de Aquicultura e Pesca – MAPA; Eduardo Lobo - Presidente da ABIPESCA; Francisco Medeiros - Presidente Executivo da PEIXEBR; Jorge Neves - Presidente do Sindipi, Eduardo Ono - Presidente do Comitê de Aquicultura da CNA e representante da ABCC – Associação Brasileira de Criadores de Camarão. Foco na Indústria O evento prossegue com o tema focado na indústria do pescado “Tendências tecnológicas na indústria de processamento de pescados” com os conferencistas Iago Torres - Regional Sales Manager e Eduardo Vanali Weschenfelder, Accout Manager da Empresa Marel. Na sequên-

cia, espaço para o tema “A competitividade da tilápia no mercado nacional e internacional” como os conferencistas Nícolas Landolt - Sócio e CEO da Empresa Tilabrás e Roberto Haag - Sócio e CEO da empresa Geneseas. A programação do IFC Brasil discute ainda o tema “Peixes Amazônicos - As oportunidades para o Brasil no mercado mundial” em um painel disputadíssimo com os conferencistas Isaac Gherson - Empresário, Piscicultor e líder na abertura do mercado americano para o Pirarucu, Peru e Francisco Hidalgo Farina - Associação de Criadores de Peixes do Estado de Rondônia - Acripar. O Internacional Fish Congress é voltado para empresários, aquicultores, pescadores, armadores de pesca, agentes do mercado, prestadores de serviços, fornecedores, dirigentes, profissionais do setor e formadores de opinião. A programação científica do evento foi construída com a colaboração das entidades do setor, Secretaria Nacional de Aquicultura e Pesca, empresas e profissionais do setor. Sobre o International Fish Congress Com o lema “Das águas ao consumo” o evento tem o apoio das principais entidades do setor Aquabio - Sociedade Brasileira de Aquicultura e Biologia Aquática, Ocepar - Organização das Cooperativas do Paraná, ABIPESCA – Associação Brasileira da Indústria da Pesca, PEIXEBR - Associação Brasileira da Piscicultura, SINDIPI – Sindicado dos Armadores e Indústria da Pesca, ABRAPES – Associação Brasileira de Fomento ao Pescado e ABPA – Associação Brasileira de Proteína Animal,CNA/SENAR e ABRAS – Associação Brasileira de Supermercadistas. As discussões tem o apoio da FAO - Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação e MAPA através da Secretaria da Aquicultura e Pesca. Entre os apoiadores estão ainda BRDE – BRDE – Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, Fundação Terra, Governo do Estado do Paraná, ADAPAR e EMATER. O evento tem ainda o apoio científico da UNILA, UNIOESTE, UFFS, UNIVALI e Instituto Federal Paraná Campus Foz do Iguaçu e Copacol. REVISTA 100% CAIPIRA | 23


MERCADO FUTURO

Conheça as tendências do mercado de canabidiol no Brasil

Patrocinado por Bossa Nova Investimentos, OnixCann/Cantera, Entourage Phytolab, HempMeds Brasil e VerdeMed, evento exclusivo promovido pelo LIDE FUTURO recebe mais de 300 convidados O LIDE FUTURO, plataforma de conteúdo, experiência e networking para jovens lideranças, promoveu, nesta semana, a 22ª edição do LIKE THE FUTURE, intitulada Cannabusiness: um mercado bilionário. O evento propôs um debate impactante sobre o potencial de mercado do composto da Cannabis Sativa no Brasil e no mundo, o canabidiol (CBD). O debate, mediado pelo jornalista Tarso Araujo, contou com a participação dos executivos Marcelo Galvão, fundador e CEO da OnixCann|Cantera, canal de distribuição de cannabis medicinal em toda a América Latina; Caio Santos Abreu, fundador e CEO da Entourage Phytolab, primeira companhia brasileira de pesquisa e desenvolvimento de medicamentos à base de cannabis; e José Bacellar, CEO e sócio-fundador da VerdeMed, especialista em pesquisa clínica, assuntos regulatórios/médicos e desenvolvimento de novas formulações farmacêuticas à base de cannabis. Para uma perspectiva política e médica sobre o assunto, juntaram-se ao palco Alessandra Bastos Soares, diretora da Segunda Diretoria da Anvisa, e o Dr. Junior Gibelli, diretor de Assuntos Médicos da HempMeds™ Brasil, que atuou em instituições como Unesp, University of Chicago, UCF, Harvard Medical School e Médicos sem fronteiras, entre outras. O encontro também reuniu Cristiana Prestes, fundadora e CEO da HempCare, farmacêutica que atua com foco na medicina integrada e com produtos importados dos Estados Unidos, e Viviane Sedola, CEO e fundadora da Dr. Cannabis, plataforma que informa e conecta pessoas a médicos que prescrevem e profissionais que produzem e revendem canabinoides de forma legal. Ambas participaram como startups no quadro 24 | REVISTA 100% CAIPIRA

#ofuturoéagora, mediado por João Kepler, sócio da Bossa Nova Investimentos. Alessandra Bastos mostrou-se otimista quanto ao cenário de regulamentação do cannabis medicinal, que aumentará o acesso aos compostos e permitirá o cultivo controlado da planta para fins médicos e científicos. Também enfatizou o esforço da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para a viabilização do processo. “Não é se acontecer, é vai acontecer”, afirmou, corrigindo os painelistas. O Dr. Junior Gibelli também defendeu a importância do uso de medicamentos à base de canabidiol para pacientes acometidos por uma lista extensa de patologias que prejudicam a qualidade de vida e podem ser tratadas com o composto, assim como para os que não progridem utilizando os medicamentos já disponíveis no mercado nacional. Já Caio Abreu, CEO da empresa responsável pela primeira importação brasileira da cannabis para fins medicinais, acredita que o país pode ter um grande potencial de plantio, assim como a Colômbia e parte da África. Por isso, confirma a necessidade de que, da mesma forma que a Entourage, outras organizações

desenvolvam tecnologias que barateiem o processo e assegurem a eficiência de escala, garantindo a chegada do produto final até o consumidor. Também destacou a importância de selecionar fornecedores que não utilizem agrotóxicos e demais químicos danosos à saúde. José Bacellar foi enfático em seu apoio à campanha CBD Legal, que defende que o Canabidiol seja regulamentado e tratado como substância natural sob a alegação de que a substância é benéfica à saúde e é proveniente do cânhamo, não da maconha, e Marcelo Galvão deu um panorama econômico referente ao que podemos esperar do mercado da cannabis medicinal, reforçando que o viés do mercado brasileiro será focado no Canabidiol (CBD). O evento reuniu 330 participantes, entre eles especialistas, empresários e filiados do grupo. “Foi preciso estudar o assunto à fundo para levar o mais completo e atualizado panorama da indústria da Cannabis medicinal ao palco, debatido pelos maiores experts, as maiores e mais sérias empresas do mercado juntamente ao poder público”, afirma Laís Macedo, CEO do LIDE FUTURO. Fonte: Pineapple Hub


Realidade aumentada beneficia plantas frigoríficas FRIGORÍFICOS E ABATEDOUROS

Fonte: Agrolink

Técnica pode melhorar as operações de treinamento da força de trabalho e manutenção de equipamentos. O usa da tecnologia de realidade aumentada pode trazer muitos benefícios para as plantas frigoríficas inteligentes. De acordo com Bryan Griffen, diretor de serviços industriais, PMMI, Associação de Tecnologias de Embalagem e Processamento, em um texto publicado no portal CarneTec Brasil, um número crescente de fornecedores está utilizando esse tipo de método. “Caracterizada por uma fusão de tecnologias que confundem as linhas entre o físico e o digital, a 4ª Revolução Industrial está se espalhando pelo mundo manufatureiro. Como um componente dessa revolução, um número crescente de fornecedores está usando a realidade aumentada (RA) para melhorar as

operações de treinamento da força de trabalho e manutenção de equipamentos. A RA é uma versão da realidade tecnologicamente aprimorada criada usando a tecnologia para sobrepor informações digitais em uma imagem de algo que está sendo visualizado por meio de um dispositivo, como óculos inteligentes ou uma câmera de smartphone. Os óculos são frequentemente controlados por voz, deixando os usuários com as duas mãos livres”, escreveu ele. Além disso, o especialista afirma também que o mercado de RA tenha um valor de US$ 5,91 bilhões em 2018 e que chegue a mais de US$ 198,7 bilhões até 2025. “A tecnologia naturalmente tem uma fortaleza

no setor de videogames e entretenimento, mas um número crescente de fornecedores de manufatura, incluindo grandes fabricantes de equipamentos automatizados, está utilizando a tecnologia para fornecer a seus funcionários e clientes instruções práticas para operar máquinas, solucionar problemas e fazer reparos”, comenta. “Na verdade, 10% das empresas da lista Fortune 500 já começaram a explorar aplicações de compras e operações para RA.[2]A Gartner prevê que, até 2020, 20% das grandes empresas irão avaliar e adotar as soluções de realidade aumentada, realidade virtual e realidade mista como parte de sua estratégia de transformação digital”, completa. REVISTA 100% CAIPIRA |25


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MEIO AMBIENTE

Mato Grosso teve menor desmatamento em um ano, aponta Imazon

Fonte: Só Notícias

Em Roraima, aumentou 2.700% e no Acre 434% O relatório divulgado sexta-feira pelo instituto de pesquisa Imazon dos alertas de desmatamento na Amazônia Legal mostra que Mato Grosso foi o Estado que menos desmatou, em relação aos demais que compõem a região Amazônica, entre os meses de julho de 2018 a julho deste ano. Foi constatado aumento de 17% no desmatamento no mesmo período em Mato Grosso. Em Roraima, aumentou 2.700% e no Acre 434%. O relatório do Imazon ainda aponta que, comparando dados entre os meses de agosto de 2017 a 2018 e dos mesmos meses de 2018 a 2019, Mato Grosso conseguiu reduzir o índice, também em 17%. O Instituto Imazon divulgou também os 10 municípios, assentamentos, unidades de conservação e terras indígenas da Amazônia Legal com áreas mais críticas. Mato Grosso tem um município listado, Colniza (1,1 mil km a Noroeste de Cuiabá) além do assentamento Japuranomann, em Nova Bandeirantes (Nortão), e a Terra Indígena Serra Morena. Na classificação de Unidades de Conservação, Mato Grosso não tem nenhuma área entre as 10 elencadas. A informação foi divulgada, esta tarde, pela secretaria adjunta de Comunicação. Conforme Só Notícias já informou, 28 | REVISTA 100% CAIPIRA

a secretaria de Meio Ambiente (Sema) lançou, semana passada, a Plataforma de Monitoramento com Imagens Satélite Planet, adquirida pelo programa REM, por meio do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO), com recursos da Alemanha e Reino Unido, que será utilizada pelo Estado de Mato Grosso como uma ferramenta preventiva de controle ambiental. Com imagens de alta resolução espacial e geração de alertas ocasionados pelo monitoramento diário em tempo real, a plataforma é abastecida por imagens de mais de 120 satélites Planet, disponibilizadas com resolução espacial de 3 metros que cobrem todo o território do estado. O grande número de imagens diárias permite um eficiente monitoramento de áreas críticas e servirão de fundamento para tomadas de decisões estratégicas. A secretária de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, assegurou que a plataforma trará resposta rápida não apenas do ponto de vista preventivo ou da autuação administrativa, mas também da responsabilização criminal e obrigação de reparar o dano. “O sistema vai inibir o avanço do desmatamento, como também permitir que estejamos no local a tempo de evitar que outras iniciativas ocorram. A percepção do

alerta vai nos fazer focar estrategicamente em determinadas regiões. Vamos otimizar nossos recursos para estarmos em lugares com arcos de desmatamento mais significativos, contando com a parceria dos órgãos cooperados que nos auxiliam na tarefa de combate e controle ao desmatamento e exploração florestal”, afirmou. O sistema permite detectar desmates de até um hectare e o monitoramento diário permite identificar rapidamente os desmatamentos que estão se iniciando nos três biomas – Amazônia, Cerrado e Pantanal – de forma a atuar imediatamente no seu combate. Uma ferramenta relevante desse sistema é a geração de laudos automatizados que dará celeridade ao processo e otimizará o tempo dos técnicos, permitindo realizar mais fiscalizações de campo para análise dos alertas gerados. O serviço também fornecerá um Painel dos alertas acessível ao público que permitirá verificar os índices de desmatamento por munícipios, bioma, unidades de conservação ou terras indígenas, podendo ser realizado cruzamentos entre os dados e verificação de áreas em que está ocorrendo uma degradação maior, dando uma transparência inédita para o Estado, acrescenta a secretaria de Comunicação.


CULTURAS FLORESTAIS

Fonte: Associação Brasileira de Estudo das Abelhas (A.B.E.L.H.A.) – www.abelha.org.br

Açaí pode ser mais produtivo e sustentável com polinizadores

Melhorar a produtividade agrícola e, ao mesmo tempo, minimizar os impactos ambientais é um grande desafio A bióloga Márcia Maués, em parceria com pesquisadores de diversas instituições de pesquisa e ensino, alunos de graduação, pós-graduação, pós-doutorado e técnicos, há quatro anos se dedica ao estudo da ecologia da polinização do açaí, cultura totalmente dependente dos serviços de polinização. A alta diversidade de insetos polinizadores nos açaizais pode responder por um acréscimo de até 25% na produção de frutos de açaí em cada planta, quando são comparadas áreas onde a diversidade é menor. O trabalho do seu grupo de pesquisa identificou mais de 200 espécies de insetos que visitam as flores de açaí, entre eles, abelhas, besouros, moscas e vespas, além de constatar a importância das áreas de floresta para a produção de frutos. A demanda crescente pelo consumo dos frutos do açaizeiro, sobretudo nas duas últimas décadas, levou a uma expansão do extrativismo e do cultivo no norte do Brasil. Por consequência, provocou transformações nos hábitat das florestas de várzea (planícies inundáveis) onde os açaizais nativos ocorrem naturalmente, com a transformação de hábitat naturais em sistemas agroflorestais simplificados, ecologicamente e funcionalmente distintos das formações originais. Além disso, impulsionou o plantio desta palmeira em terra firme, ocupando áreas previamente abertas. “Como o açaí contribui de forma importante para a economia e a segurança alimentar das comunidades locais, é essencial identificar abordagens de manejo

que protejam a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos que sustentam a produção de frutos”, enfatiza a pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental. Esse é o principal objetivo do projeto coordenado por Márcia Maués, um dos selecionados por meio da Chamada Pública nº32/2017 do CNPq e financiados em parceria entre CNPq, Ibama, Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A.). Manejo e produtividade - O grupo de pesquisadores busca compreender o potencial dos polinizadores silvestres (disponíveis na natureza, não manejados) e manejados (abelhas sem ferrão) para melhorar o rendimento de frutos do açaí em terra firme e nos açaizais nativos das várzeas. Promover os serviços de polinização, através do manejo adequado dos habitats dos polinizadores e/ ou introdução e manejo de polinizadores, pode reduzir os déficits de produção agrícola. O projeto está avaliando o potencial do manejo de polinizadores (abelhas nativas sem ferrão) para melhorar o rendimento de frutos e os índices socioeconômicos para os produtores de açaí em diferentes contextos de manejo (açaizais nativos manejados nas várzeas e plantios em terra firme), bem como a viabilidade econômica, visando caracterizar os impactos das mudanças no uso da terra sobre polinizadores silvestres e a introdução e manejo de polinizadores (abelhas

sem ferrão), em relação à produtividades do açaizeiro. Para os estudos de campo, contam com a parceria de uma grande rede de produtores de açaí em diferentes contextos de manejo (açaizais nativos manejados nas várzeas e plantios em terra firme) em áreas com diferentes índices de cobertura florestal. Em cada propriedade, detalha Márcia, estão sendo instaladas 15-20 colônias da abelha canudo (Scaptotrigona aff. postica), espécie que forma colônias muito populosas com até 15 mil abelhas e tem um alcance de voo de até 500 metros de raio. “A ideia é avaliar e comparar os dois cenários e a frequência de visitação de polinizadores: a produção com introdução de abelhas manejadas e sem a introdução de abelhas, nos diferentes tipos de paisagem, com mais ou menos floresta, para indicar ao produtor o que pode ser feito para otimizar a produtividade de frutos do açaizeiro.” Os pesquisadores pretendem gerar informações que possam ser usadas pelos produtores de açaí. Ao final do estudo, o intuito é reunir recomendações de aplicação direta no campo, estratégias de manejo visando à manutenção dos serviços de polinização nos açaizais nativos e nas áreas cultivadas, tanto direcionadas a agricultores familiares quanto empresariais. “Essas informações são importantes para que os produtores, sobretudo os ribeirinhos, obtenham o melhor de seu cultivo inclusive do ponto de vista ambiental”. REVISTA 100% CAIPIRA |29


PESQUISA

Cientistas obtêm primeiro feijão-de-corda com múltiplas vagens Após cruzamentos de dezenas de linhagens de feijão-de-corda, pesquisadores da Embrapa MeioNorte (PI) obtiveram uma planta com várias vagens por pedúnculo, o que permitiu comprovar o potencial de multiplicar a produtividade da leguminosa A previsão de lançamento das primeiras cultivares é 2022. Os cientistas trabalham agora no desenvolvimento de uma planta com ciclo precoce e capaz de produzir pelo menos três vezes mais que as variedades encontradas no mercado. O feijão-de-corda (Vigna unguiculata), também conhecido como feijão-caupi e macassar, possui inflorescência simples, com apenas uma vagem por pedúnculo. O objetivo dos pesquisadores com o melhoramento genético é obter uma planta com múltiplas vagens, ou de inflorescência composta, característica de leguminosas de alta produtividade como soja, feijão comum e grão-de-bico, que possuem de quatro a oito vagens por pedúnculo. O estudo abre caminho para uma revolução no cultivo do feijão-de-corda e está na fase final de seleção de linha30 | REVISTA 100% CAIPIRA

Fonte: Embrapa Meio-Norte

gens para que sejam conferidas a produtividade e adaptabilidade delas em diferentes regiões do País. A ideia dos cientistas é reduzir agora o comprimento do pedúnculo da planta, dando mais fôlego para ela desenvolver vagens, grãos e apresentar bom porte. “Esperamos triplicar a produção com essa nova tecnologia”, acredita o pesquisador da Embrapa Meio-Norte (PI) Maurisrael Rocha, informando que uma das oito metas de inovação tecnológica do Centro de Pesquisa até 2030 é contribuir para um aumento de 50% nas exportações da leguminosa. Os primeiros caupis com inflorescência composta Tudo começou em 1974, no município de Quixadá, no sertão do Ceará, a 167 quilômetros de Fortaleza. Em um

trabalho de campo com alunos do curso de agronomia da Universidade Federal do Ceará (UFC), o professor José Braga Paiva identificou cultivares crioulas (sementes tradicionais selecionadas por várias décadas pelos agricultores tradicionais) com inflorescência composta. Ele coletou o material e levou para o banco de germoplasma da universidade. Em 1978, durante uma visita ao município de São Miguel do Tapuio, a 190 quilômetros ao norte de Teresina, o então pesquisador Antônio Gomes, da Embrapa Meio-Norte, identificou também cultivares crioulas de feijão-de-corda com inflorescência composta. “Nas primeiras avaliações, elas apresentaram ciclo de maturação longo, porte com ramos longos e boa produtividade”, lembra o pesquisador Francisco Freire Filho, que hoje atua na Embrapa


Amazônia Oriental (PA). De 2006 a 2007, o pesquisador Francisco Freire Filho começou, em Teresina, o primeiro ciclo de cruzamentos com a cultivar crioula Cacheado roxo, de ciclo médio, porte semiprostrado e inflorescência composta; e as linhagens AU94-MOB-816 e TVx5058-09C, que tinham ciclo precoce, porte ereto e inflorescência simples. Potencial de produtividade comprovado O trabalho avançou com a avaliação das linhagens resultantes do segundo ciclo de cruzamentos, em um experimento com as cultivares comerciais BRS Guariba, BRS Cauamé, BRS Novaera e BRS Tumucumaque. No segundo estudo, durante dois anos, as plantas descendentes dos cruzamentos foram avaliadas novamente com as mesmas cultivares e a Bico de Ouro. Esta, uma cultivar sem identidade genética adotada pelos agricultores de Mato Grosso. Foi nesse último ensaio que ficou comprovado que a inflorescência composta aumenta o potencial de produtividade no feijão-de-corda. Rocha, que conduz a pesquisa no Piauí, conta que até agora a equipe selecionou 60 linhagens. “Foram 11 anos de pesquisas, coordenadas pelo cientista Francisco Freire Filho, até atingirmos essa fase de linhagens”, lembra Rocha. Na fase intermediária, este ano, ocorre a instalação de experimentos em três ambientes. O Mato Grosso, que lidera a produção de feijão-caupi no País, abrigará um deles. Em seguida, segundo o protocolo científico, as pesquisas se darão em vários estados com Valor de Cultivo e Uso (VCU), padrão de ensaio exigido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). “Ganha a ciência e lucra o produtor. Os frutos dessa pesquisa trarão melhores resultados em menor tempo, com acréscimo de lucratividade”, analisa o pesquisador Antônio Félix da Costa, do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), em Recife. Ele acredita que o resultado vai contribuir para o aumento da área plantada e da produção, provocando o aumento das exportações bra-

sileiras de feijão-de-corda. O pesquisador Aloisio Alcântara Vilarinho, da Embrapa Roraima (RR), que atua na rede nacional de melhoramento genético do produto, também vê perspectiva de sucesso. “Enxergo um grande potencial nessa tecnologia e ganhos produtivos substanciais”, prevê. No entender do cientista, com a nova tecnologia o País terá impactos positivos na produtividade média nacional, que hoje é em torno de 400 quilos por hectares, e tida como muito baixa para o potencial da cultura. “Se isso realmente ocorrer, teremos reflexos positivos também no custo de produção, que reduzirá com o aumento da produtividade”, prevê. Vilarinho aposta ainda nos ganhos com as exportações, já que o produto chegará ao mercado internacional com preços mais competitivos. Cultivar abriu exportação para Índia e Israel Ao longo de 31 anos, o Programa Nacional de Melhoramento Genético do Feijão-Caupi, conduzido pela Embrapa Meio-Norte, vem dando seguidos saltos de inovação tecnológica. O marco da grande produção que levou o Mato Grosso a ser o maior exportador foi a cultivar BRS Guariba, que abriu mercados como os da Índia e de Israel. As cultivares BRS Novaera e BRS Tumucumaque têm conseguido fortalecer o braço exportador brasileiro de feijão. As cultivares desenvolvidas pela Embrapa com grande performance produtiva, em regime de sequeiro, são: BRS Itaim (produtividade média: 1.500 kg/ ha - Cerrado e Amazônia), BRS Guariba (produtividade média: 1.300 kg/ ha - Cerrado, Amazônia e Caatinga), BRS Imponente (produtividade média: 1.250 kg/ha - Cerrado e Amazônia), e BRS Tumucumaque (produtividade média: 1.100 kg/ha - Cerrado, Amazônia e Caatinga). Tecnologia contra a subnutrição O programa, segundo Rocha, tem conseguido também grandes avanços na qualidade nutricional dos grãos, o que resultou no desenvolvimento de cultivares com altos teores de prote-

ínas, ferro e zinco. As cultivares BRS Aracê, BRS Tumucumaque e BRS Xiquexique, vitrines do Projeto BioFort, têm grande aceitação pelos agricultores familiares do Piauí e Maranhão, estados com históricos de subnutrição. Hoje, pelo menos 6.500 famílias cultivam essas variedades na região meio-norte. O governo do Maranhão, por meio do Programa Mais Produção, tem priorizado as variedades biofortificadas e alcança hoje 1.280 famílias. Segundo o pesquisador, desde 2017, a adoção da cultivar BRS Aracê vem incrementando a produtividade e a renda dos agricultores, gerando impactos econômicos, sociais e ambientais positivos. A concentração de esforços da equipe de pesquisadores está hoje avançando na melhoria da qualidade culinária dos grãos, principalmente no tempo de cozimento. “É importante que os grãos levem menos tempo para ficar no ponto de consumo, porque assim o custo de preparo é menor também”, diz Rocha. Feijão exportado para 68 países Em 2018, o Brasil foi mais longe nas exportações de feijão em geral, alcançando 68 países com 162,4 mil toneladas, segundo o Ministério da Economia. O faturamento foi de US$ 91,6 milhões. Os países que mais importaram o nosso feijão foram a Índia, Vietnã, Paquistão, Egito e Venezuela. Pelo menos 85% dessas exportações são de feijão-caupi e originários de cultivares desenvolvidas pela Embrapa. Segundo ainda dados do mesmo ministério, em 2017 as exportações de feijão feitas pelo Brasil somaram 122,5 mil toneladas, com um faturamento de US$ 80,1 milhões. Em 2018, a produção de feijão no País quase alcançou a marca de três milhões de toneladas. Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram produzidas 2,973 milhões de toneladas em uma área colhida de 2,980 milhões de hectares. O Centro-Oeste, Nordeste e Norte continuam sendo as regiões que mais cultivam o feijão-caupi. REVISTA 100% CAIPIRA |31


ANÁLISE DE MERCADO

Queijos paulistas estão entre os melhores do mundo, aponta júri do 1º Festival Mundial de Queijos do Brasil Três queijos produzidos em São Paulo fazem parte do Top 5 eleito por 160 jurados de seis países

Os queijos paulistas estão fazendo história. Novamente, os produtores voltaram para casa com várias medalhas na bagagem. Desta vez, os prêmios foram conquistados aqui pertinho, em Araxá, no 1º Festival Mundial de Queijos do Brasil, realizado entre 09 e 11 de agosto. Organizado pela Sertãobras - ONG que luta pela legalização do queijo de leite cru e pela valorização do pequeno produtor rural -, com o apoio da Guilde das Fromagers - associação de origem francesa que reúne mais de 6 mil profissionais queijeiros no mundo todo -, o concurso teve 953 queijos inscritos que foram colocados lado a lado, sem distinção de origem ou tecnologia. Destes, foram selecionados 239, entre nacionais e estrangeiros, e concedidas 20 medalhas Super Ouro, 35 Ouro, 72 Prata e 112 Bronze. Dentre os classificados como Super Ouro, os jurados escolheram 15 para defender: 6 paulistas, 4 mineiros, 3 franceses, 1 australiano e outro italiano. O queijo Mandala, da Pardinho Artesanal de São Paulo, foi eleito campeão e recebeu a medalha Diamante. Vanessa Alcolea, que já tinha embolsado outra 32 | REVISTA 100% CAIPIRA

Fonte: Assessoria de Comunicação Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

Super Ouro no Mondial du Fromage, em junho deste ano, na França, com o saborosíssimo Cuesta, recebeu o prêmio. A segunda posição coube ao australiano Anthill; na terceira, houve empate entre um brasileiro e um francês: o queijo Mimo da Serra, de Christophe e Zeide Queijos Artesanais, produzido em Natividade da Serra, e o comté curado pela francesa Christelle Lohro; Dionísio, da Fazenda Santa Luzia, na quinta posição, fechou o Top 5. As queijarias: Sítio Água Fria, Fazenda Vale dos Anjos, Trem Bom de Minas, Bolderini, Queijaria Rima, Queijaria Jeito de Mato, Capril do Bosque, Pé do Morro, Montezuma, Atalaia, Campo em Casa, Empório Aroeira, Agro Maripá, também foram premiadas. Para Christophe Faraud, presidente da Associação Paulista do Queijo Artesanal (APQA), o apoio da Secretaria de Agricultura é fundamental tanto na estruturação da cadeia, como na regulamentação do processo. “Nesse momento é necessário e urgente a atualização da legislação que permitirá que o produtor, seja ele pequeno ou médio, se regularize através da Agroindústria de Pequeno Porte. Outra oportunidade é

a adesão ao SISB e o autocontrole, um sistema moderno de inspeção e fiscalização, que ocorre em todo o mundo”, afirmou o produtor, lembrando que, “com a implantação do Selo Arte e a Agroindústria de Pequeno Porte, São Paulo ocupará um lugar de destaque na produção do queijo artesanal, pois nenhum Estado tem o poder de inovação que nós paulistas temos”, concluiu. A partir dos resultados do festival, a APQA elaborou um mapa com a localização dos melhores queijos classificados por São Paulo. Que o queijo paulista é um dos melhores do mundo já está mais que provado. Uma evidência desse fato é que o terceiro lugar foi dividido entre Christophe Faraud, e Christelle Lohro, considerada a melhor queijeira na França, em 2019, e fornecedora oficial de queijo para o Palais Champs-Élysées, quando o presidente Emmanuel Macron recebe convidados. É uma clara demonstração da capacidade do produtor paulista que se especializa, inova e empreende. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento está a postos para dar todo suporte aos produtores paulista e ajuda-los a trazer mais medalhas e prêmios para casa.


TRANSGÊNICOS

Transgênicos contribuem para sustentabilidade e protagonismo da agricultura brasileira, revela estudo inédito

Levantamento da consultoria ISAAA traz, ainda, pela primeira vez, dado sobre plantação da cana de açúcar transgênica no País

Fonte: CIB - Conselho de Informações sobre Biotecnologia

O Brasil cultivou 51.3 milhões de hectares (ha) com culturas transgênicas em 2018, um crescimento de 2% em relação a 2017 ou o equivalente a 1,1 milhão de ha. Os dados são do relatório do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações de Agrobiotecnologia (ISAAA) divulgado nesta segunda-feira, dia 26 de agosto. O estudo, que analisa os benefícios sociais, ambientais e econômicos da adoção global da biotecnologia na agricultura, mostra, ainda, que cerca de 17 milhões de agricultores, entre pequenos e grandes, foram beneficiados globalmente. Os 51.3 milhões de hectares brasileiros representam 27% de todo o cultivo global de transgênicos e estão divididos em lavouras de soja, milho, algodão e cana de açúcar, que começou a ser plantada pela primeira vez em 2018. “A novidade merece destaque, pois a cana geneticamente modificada é resistente a insetos e representa uma solução tecnológica para o controle da praga mais devastadora da cultura, a broca-da-cana, causadora de prejuízos de até R$ 5 bilhões por ano”, ressalta a doutora em biologia molecular e diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), Adriana Brondani. Segundo o estudo, a taxa de adoção de transgênicos no Brasil é de 93%, considerando as quatro culturas para

as quais essa inovação está disponível (soja, milho, algodão e cana-de-açúcar). Ao olhar separadamente para cada uma delas, ela chega a 96% na soja, 89% para o milho e 84% para o algodão. No ano passado, o País se tornou detentor de recorde de maior área plantada com soja transgênica do mundo, com 34,86 milhões de hectares (ha), superando por pouco os Estados Unidos (34,09 milhões). Ainda segundo o relatório, o milho transgênico foi plantado em 15 milhões de ha, o algodão em 1 milhão de há e a cana em 400 hectares, em seu primeiro ano de adoção. O levantamento do ISAAA corrobora os achados do estudo 20 anos de transgênicos: benefícios ambientais, econômicos e sociais no Brasil, conduzido pelo CIB em parceria com a consultoria Agroconsult em 2018. “Ano passado, comemoramos 20 anos de adoção de transgênicos no Brasil. Ao longo dessas duas décadas, os ganhos para os agricultores e para a sociedade foram enormes. O agricultor, por exemplo, pode produzir mais na mesma área, o que melhorou seu rendimento e reduziu a pressão por novas áreas agrícolas. Além disso, houve otimização na utilização de insumos, resultando em uma agricultura cada vez mais sustentável. As informações do ISAAA, mais uma

vez, confirmam esses benefícios.”, afirma Adriana. Adoção de transgênicos no mundo O estudo monitorou lavouras transgênicas em 26 países que, juntos, cultivaram 191.7 milhões de hectares – aumento de 1% em relação a 2017. A nação que lidera o ranking de adoção dessas variedades no mundo continua sendo os Estados Unidos, com 75 milhões de hectares plantados, mesmo montante de 2017. O Brasil vem na sequência, seguido de: • Argentina (23,9 mi/ha), • Canadá (12,7 mi/ha) e • Índia (11,6 mi/ha). Esses cinco países respondem por 91% da área plantada com sementes transgênicas. Outros 21 países, em todos os continentes, inclusive na Europa, foram os responsáveis pelo cultivo dos outros 17,4 milhões de hectares, o equivalente a 9% do total. Países em desenvolvimento como Índia, Brasil, México e Uruguai aumentaram a área plantada com essa tecnologia. “A larga adoção reflete a satisfação dos agricultores com essa tecnologia, uma vez que ela traz mais proteção para a lavoura e mais flexibilidade para o agricultor, devido a um manejo facilitado.”, completa Adriana. REVISTA 100% CAIPIRA |33


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FRUTICULTURA

Secretaria de Agricultura

nova variedade de laran

Grupo

de

variedades

se

destaca pelos maiores teores de carotenoides e licopeno� Fonte: Assessora de imprensa IAC

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a e Abastecimento estuda

nja “vermelha precoce” Uma nova variedade de laranja chamada “vermelha precoce”, um mutante espontâneo, está em estudos no Instituto Agronômico (IAC- APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, e demonstrou possuir mais que o dobro de carotenoides totais, de betacaroteno e de licopeno, na polpa dos frutos, em relação à laranja Sanguínea de Mombuca, outra laranja de polpa vermelha. Com essas características, esse novo material terá ainda maior conteúdo de nutrientes que os da laranja Sanguínea de Mombuca, que por ter polpa e suco na cor vermelho claro, já apresenta teores mais elevados de carotenoides totais e de alguns carotenoides específicos, como o licopeno, normalmente ausente na polpa das laranjas amarelas. A conclusão das pesquisas do novo mutante deverá ocorrer nos próximos anos. Enquanto a “vermelha precoce” segue em estudos, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio do IAC-APTA, tem pesquisado três outras variedades de laranjeiras de polpa vermelha, ainda pouco exploradas no Brasil: a Sanguínea de Mombuca, a Baía Cara-cara e a Valência Puka. Neste mês de agosto é possível ver as laranjas vermelhas em campo, no Centro de Citricultura “Sylvio Moreira” do IAC, em Cordeirópolis, interior paulista. Até o momento, dentre essas três variedades, apenas a Sanguínea de Mombuca possui os registros necessários para a comercialização de borbulhas pelo Instituto. Porém, espera-se

que, até 2020 as demais variedades possam ser registradas e comercializadas aos produtores do estado de São Paulo e do Brasil. Além da polpa vermelha, a Sanguínea de Mombuca possui frutos com formato esférico, tamanho médio, maturação precoce e média de 55% de suco. “O peso médio do fruto é de 140 gramas, com média de oito a dez sementes. Já o suco, tem bom sabor, com doçura (10-11º brix) e acidez (1,0%) no ponto certo”, diz Latado. Dentre as variedades de polpa vermelha, apenas a Sanguínea de Mombuca já possui plantios comerciais nos pomares paulistas, que somam cerca de um milhão

d e plantas. A maioria está em fazendas pertencentes às indústrias e os frutos são destinados à produção de suco pasteurizado, segundo o pesquisador. As laranjas de polpa vermelha, originadas de várias regiões do mundo, incluindo o Brasil, produzem frutos com cor vermelha na polpa e suco laranja escuro, independentemente da

região de cultivo. O princípio ativo diferencial é o licopeno, assim como ocorre nos tomates e melancia. Estudos no Centro de Citricultura do IAC com a quantificação de carotenoides em frutos de Sanguínea de Mombuca mostraram que ela apresenta entre 10% e 73% a mais carotenoides totais do que o da laranja Pêra. “Os valores variam de 8 mg a 12 mg de carotenoides totais por litro de suco”, diz Latado. “O diferencial se confirma também nas análises dos sucos dos frutos da Valência Puka, que apresentou teores de licopeno entre 0,5 mg e 3 mg por litro de suco”, explica. Nessa mesma análise, a laranja Pêra apresentou valores quase não detectáveis pelo método adotado. A possibilidade desse grupo de laranjas contribuir para o aumento do consumo de citros ocorre porque alguns dos principais carotenoides presentes em maiores teores nesses frutos, o licopeno e os carotenos, apresentam funções nutricionais e medicinais. “O licopeno aparece atualmente como um dos mais potentes agentes antioxidantes naturais, sendo sugerido na prevenção de carcinogênese e aterogênese devido à sua capacidade de proteger moléculas, inclusive o DNA, da ação de radicais livres, conforme consta na literatura”, diz Latado. O pesquisador relata que mais de 39 diferentes carotenóides já foram identificados em suco de laranja e alguns são precursores da vitamina A, outros possuem somente ação antioxidante, sendo que o licopeno é o principal deles. REVISTA 100% CAIPIRA |37


Brasília irá sediar curso sobre Engenharia Ferroviária

CAPACITAÇÃO

A New Roads Consultoria realiza de 28 a 31 de agosto, em Brasília, o curso “Engenharia Ferroviária: Conceitos, elementos de projeto e estudos de casos”, com o Prof. MSc. Luiz Heleno Albuquerque Filho, um dos mais repeitados profissionais de engenharia rodoviária do País

Fonte: New Roads Consultoria

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O treinamento é voltado para Empresas Construtoras; Empresas de Consultoria (fiscalização, super visão e gerenciamento dos serviços); Dnit, DERs e Secretarias de Estado de Infraestrutura; Caixa Econômica Federal, BID e demais agentes financiadores de obras públicas; Controladorias Int e r n a s e Tr i b u n a i s d e C o n tas. Dividido em dois módulos, o treinamento irá apres e n t a r, n o M ó d u l o I , u m histórico dos primeiros caminhos de ferro, principalmente os conceitos e as discussões afetas à interação entre a via férrea e os veículos, à geometria da via, concordância horizontal e vertical, superelevação e superlargura, aos componentes da via permanente (lastro, dimensionamento, dormentes, trilhos, acessórios de fixação e aparelhos de mudança de via). Nesse módulo, também serão analisados e discutidos os principais elementos do projeto de superestrutura ferroviária. O Módulo II tem por objetivo fornecer aos profissionais os elementos básicos de Engenharia Ferroviária, principalmente os conceitos e as discussões afetas ao assentamento da via (processo clássico ou moderno, lastramento e nivelamento), a o e s f o r ç o t r a t o r, à s r e s i s tências e ao cálculo de lotação das composições, às características do material rodante (rebocado e de tração), à operação, à sinalização, à manutenção da via permanente ferroviária, com discussão a respeito dos principais parâmetros e in-

dicadores de desempenho, e às normas técnicas ferroviárias. Na parte final do módulo, serão apresentados e discutidos diversos estudos de casos de projetos de ferrovias e obras de arte especiais, inclusive com orçamento. Segundo o palestrante, apesar dos recentes e importantes investimentos realizados pelo governo federal na implantação de hidrovias e ferrovias, em consonância ao planejamento e às diretrizes preconizadas no Plano Nacional de Logístic a e Tr a n s p o r t e s , a m a t r i z de transportes brasileira é marcada pela concentração acentuada do modo rodoviário em relação aos demais modos no transporte de cargas e passageiros. “O equilíbrio da matriz de transportes e o consequente acréscimo de participação dos modos ferroviário e aquaviário constituem necessidades prementes do governo federal e devem ser priorizados nos próximos anos, contando inclusive com potencial aporte internacional de recursos financeiros, o que exigirá qualificação dos profissionais na área de engenharia ferroviá r i a ”, r e s s a l t a L u i z H e l e n o Albuquerque Filho. Investimentos – O curso vai ao encontro dos crescentes investimentos do governo federal na área de infraestrutura de transportes, que pretende estimular investimentos privados, elevando os aportes em infraestrutura como proporção do PIB de 1,6% para 3,8% até 2022. De acordo com represen-

tantes do governo, a participação das ferrovias na matriz de transportes do País deve aumentar dos atuais 15% para 30% até 2025. Entre os projetos propostos para o futuro estão a Ferrogrão e a Fiol; a Fico; a ferrovia Rio – Vit ór i a ; a l é m d a s pror ro gações da malha paulista e da estrada de ferro Carajás, e s t r a d a d e fe r ro Vit ór i a Mi nas, a MRS e a ferrovia Cent ro-At l ânt ic a. Perfil – O curso será ministrado pelo engenheiro civil e mestre em Geotecnia, Luiz Heleno Albuquerque Filho, que foi coordenador-geral de Custos de Infraest r u t u r a d e Tr a n s p o r t e s ( C G CIT) do Dnit entre 2011 e 2018. Luiz Heleno foi responsável pela coordenação dos trabalhos de elaboração do Novo Sistema de Custos Referenciais de Obras (Sicro). O sistema foi criado e aperfeiçoado pelo Dnit para elaboração de orçamentos, e é utilizado como referência de preços para obras e serviços rodoviários, ferroviários e hidroviários. O engenheiro foi também profe ss or d a Un ive rs i d a d e Fe d e r a l d e O u ro Pre to ( Ufop ) e possui larga experiência na área de infraestrutura de vias terrestres; de superestrutura ferroviária; de engenharia de custos e formação de preços de obras públicas; e de geotecnia aplicada a` mineração, especialmente em investigação geotécnica de campo e barragens de rejeitos. Conta ainda com diversos trabalhos publicados em congressos, na Holanda, Por tu g a l, R e i no Un i d o e e m vários estados brasileiros. REVISTA 100% CAIPIRA | 39


FLORICULTURA

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SOJA

Centro-Oeste responderá por 28% do aumento da nova safra de soja do país, diz Aliança Sozinho, o Centro-Oeste do Brasil colheu mais de 50 milhões de toneladas de soja, nas últimas duas safras O Centro-Oeste do Brasil, principal região produtora de grãos do país, deverá elevar a produção de soja em 1,7 milhão de toneladas na nova safra (2019/20), na comparação com a temporada anterior, estimou nesta terça-feira a Aliança Agroeconômica, uma parceria de várias instituições do setor agropecuário. Esse aumento deve representar 28% do crescimento esperado para a safra do Brasil em 2019/20, segundo a Aliança Macroeconômica, que baseou sua projeção na estimativa de safra brasileira do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Para o USDA, a safra 2019/20 de soja do Brasil, que será plantada a partir de meados do próximo mês, dependendo da chegada das chuvas, deverá aumentar para 123 milhões de toneladas, ante 117

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milhões de toneladas em 2018/19. Sozinho, o Centro-Oeste do Brasil colheu mais de 50 milhões de toneladas de soja, nas últimas duas safras. A projeção de aumento de safra para o Centro-Oeste feita pela Aliança Agroeconômica, que inclui órgãos como Imea, de Mato Grosso, Famasul, de Mato Grosso do Sul, e Ifag, de Goiás, é pautada na expectativa de algum crescimento da área cultivada da oleaginosa, mas também incorpora uma recuperação na produtividade, principalmente em Mato Grosso do Sul, cujas lavouras foram afetadas pela falta de chuva em 2018/19. Segundo Daniel Latorraca, superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), os produtores estão aproveitando a recente alta do dólar frente ao real para comercializar o restante da safra velha e fazer ne-

gócios antecipados da nova temporada, enquanto se prepararam para o plantio. “Mais negócios da nova safra, até porque a velha anda bem, mas já está bem comercializada”, notou ele. O Imea estima um aumento de 1% na produção de soja no Mato Grosso em 2019/20, ou cerca de 300 mil toneladas, para um recorde de 32,8 milhões de toneladas, com um ligeiro avanço de área de 0,6%. Isso indica que a maior parte do crescimento esperado para o Centro-Oeste virá de Mato Grosso do Sul, cuja safra caiu 11,4% em 2018/19, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), para 8,5 milhões de toneladas. Goiás também teve uma frustração de safra, mas em menor medida que os sul-mato-grossenses. Fonte: Reuters


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ARTIGO

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GESTÃO

FRÍSIA: movem

Grãos e carnes avanço da cooperativa

Fonte: Portal Paraná Cooperativo

Graças à combinação desses fatores, o grupo projeta que sua receita ficará próxima de R$ 3 bilhões em 2019, ante os US$ 2,6 bilhões do ano passado, quando as sobras (lucros) distribuídas aos cooperados somaram R$ 40,7 milhões, com aumento de 61% 46 | REVISTA 100% CAIPIRA


A expansão da área de g r ã o s e m To c a n t i n s , a p e r s pectiva de uma produção farta de trigo, as oportunidades de exportação de carne suína e o investimento em uma nova torre de secagem de leite tendem a impulsionar a receita da Frísia Cooperativa Agroindustrial, com sede em Carambeí (PR), a um patamar recorde neste ano. Receita - Graças à combinação desses fatores, o grupo projeta que sua receita ficará próxima de R$ 3 bilhões em 2019, ante os US$ 2,6 bilhões do ano passado, quando as sobras (lucros) distribuídas aos cooperados somaram R$ 40,7 milhões, com aumento de 61%. Grãos e insumos - Segundo Emerson Moura, superintendente da Frísia, entre as frentes de atuação da cooperativa a de grãos e insumos – que representa 60% da receita - deverá trazer os mel h o r e s r e s u l t a d o s . “A p e s a r das incertezas no mercado internacional, será um ano ótimo para grãos. Além disso, o setor de carnes vem rea g i n d o d e f o r m a e x p r e s s i v a”, afirmou ele. Área - Nesse cenário, a cooperativa projeta que a área dos cooperados destinada ao plantio de soja e milho crescerá pelo menos 4% nesta safra 2019/20, para 167 mil de hectares. O avanço deve ocorrer especialmente em To c a n t i n s , o n d e a F r í s i a p a s sou a atuar em 2016. No Estado, os cooperados cultivam 23 mil hectares. Projeção - Naquele ano, M o u r a a f i r m o u a o Va l o r q u e pretendia chegar a 50 mil hectares cultivados no “Mat o p i b a” – c o n f l u ê n c i a e n t r e M a r a n h ã o , To c a n t i n s , P i a u í e Bahia - em dez anos. “Há mais de 500 mil hectares na região que podem ser dire-

cionados para grãos em dois a t r ê s a n o s ”, a f i r m o u , r e f e rindo-se a áreas de pastagens degradadas que podem ser convertidas em lavouras. Reflexos - Segundo ele, ainda que a China venha a reduzir as importações de soja com a queda de seu plantel de porcos em razão da peste suína africana, esse movimento ainda não teve reflexo nos negócios. E como a China ainda está em guerra com o s E UA , a s c o m p r a s d o g r ã o do Brasil poderão ser menos prejudicadas. “E outros países estão ampliando as importações. É o caso da Índia, que tem aumentado a demand a p o r f a r e l o e ó l e o ”, d i s s e Moura. Safra de trigo - A projeção de crescimento da Frísia também leva em conta a expectativa de uma safra maior de trigo. Neste ano, os cooperados ampliaram a área de produção do cereal em 10%, para 35 mil hectares. “Esperamos aumento de produção e q u a l i d a d e s u p e r i o r ”, d i s s e o superintendente. Geadas - Segundo ele, as áreas da cooperativa nos Campos Gerais no Paraná não foram afetadas pelas geadas que prejudicaram outras regiõ es. “C omo fazemos um plantio tardio, tivemos alguns casos de perda, mas a área dos cooperados não deve s o f r e r t a n t o ”. Carne suína - No segmento de carne suína, a Frísia vem colhendo, indiretamente, os frutos do aumento das exportações para a China em razão da peste suína naquele país. “Não temos plantas habilitadas a exportar aos chineses, mas como outras empresas ampliaram os embarques para o país asiático, estamos com mais espaço em outros merc a d o s ”, a f i r m o u . Exportação - A cooperati-

va exporta carne suína para mais de 50 países - por meio da Alegra, mantida em sociedade com as cooperativas Castrolanda e Capal. No ano passado, os cooperados da Frísia forneceram 227 mil cabeças, ou 29% do total abatido pela Alegra. As três cooperativas criaram a marca i nst itu c i on a l Un iu m e m 2 0 1 7 , por meio da qual atuam em conjunto também na produção de lácteos, com as marcas Naturalle, Colônia Holandesa e C olaso, e de farinha de trigo, com a marca Herança holandesa. Av a n ç o - O a v a n ç o n o m e r cado de carne suína vem depois de dois anos de crise, que levou ao adiamento dos planos de aumento da capacidade de abate da unidade, também parte da intercooperação com a Castrolanda e Capal - e que representa 15% do faturamento da Frísia. Meta - A meta era alcançar uma capacidade de abate de 5,5 mil animais por dia em 2020 - atualmente são 3,2 mil. “Poderemos levar dois anos a mais para alcançar e s s e o b j e t i v o ”, d i s s e M o u r a . Lácteos - O segmento de lácteos representa 35% da receita da cooperativa, que mantém três laticínios tamb é m no âmbito d a Un iu me m It ap et inga (SP), Pont a Grossa e Castro (PR). Especializada em atender empresas (B2B), a Frísia deverá inaugurar em novembro deste ano uma torre de secagem para a produção de leite em pó, que recebeu cerca de R$ 150 milhões em investimento. Produção - Com o aporte, a expectativa é que a produção de leite em pó, cuja demanda está em alta, dobre. A capacidade será de 400 mil litros por dia. As três cooperativas sócias, juntas, captam 2 milhões de litros por dia. REVISTA 100% CAIPIRA |47


RECEITAS CAIPIRAS

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B I S C O I T I N H O DE MILHO COM GOIABADA INGREDIENTES 1 e 1/2 xícara (chá) de farinha de milho branco 1 e 1/2 xícara (chá) de farinha de trigo 1 xícara (chá) de açúcar 1/2 colher (chá) de sal 1 espiga de milho branco 6 colheres (sopa) de leite gelado 4 gemas 1 xícara (chá) de manteiga gelada em cubos 60 cubos de goiabada

PREPARO Em uma vasilha adicione a farinha de milho branco, a farinha de trigo, o açúcar, o sal e misture. Retire os grãos de milho da espiga com uma faca afiada, rente ao sabugo. Coloque no liquidificador e bata com o leite até ficar homogêneo. Passe por uma peneira, apertando para sair todo o líquido. Misture com as gemas e reserve. Acrescente a manteiga aos ingredientes secos e misture com a ponta dos dedos até obter textura de farofa. Despeje o líquido reservado, aos poucos, amassando com as mãos somente até dar liga. Retire pequenas porções da massa do tamanho de uma uva e faça bolinhas. Coloque em uma fôrma grande e pressione ligeiramente no centro com os cubinhos de goiabada. Leve ao forno médio, pré aquecido, por 20 minutos ou até dourar levemente. Deixe esfriar sobre uma grade e guarde em recipiente tampado até o momento de servir.

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