Edição 97 julho 2021

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www.revista100porcentocaipira.com.br Brasil, julho de 2021 - Ano 9 - Nº 97 DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Pecuária é capaz de gerar crédito de carbono com média lotação no pasto

A recuperação de pastagens e a intensificação da produção de bovinos em áreas degradadas melhoram o sequestro de carbono

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O AGRO NÃO P

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PODE PARAR

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Suinos: Exportações de carne suína totalizaram 102 mil ton em maio

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Capacitação:

Eneva e Embrapa firmam acordo de cooperação para desenvolver projeto

Aveia, trigo e cevada:

Solução para a escassez de grãos Mercado florestal:

Empresas paranaenses de florestas plantadas são exemplo de posicionamento

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Artigo:

Pecuária é capaz de gerar crédito de carbono com média lotação no pasto


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Avicultura:

Especialista aponta as mega tendências para a avicultura global

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Gestão:

Programa de Fomento Rural completa 10 anos de ajuda às famílias rurais

Governo:

Entenda o substitutivo ao PL 490/2007 sobre demarcações de terras indígenas no Brasil Biológicos e bioinsumos: Novo produto biológico obtém 100% de eficácia no controle da lagarta-do-cartucho

Receitas Caipiras:

Brodo

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SUÍNOS

Exportações de carne suína totalizaram 102 mil ton em maio Brasil,julho de 2021 Ano 9 - Nº 97 Distribuição Gratuita

EXPEDIENTE

Revista 100% AGRO CAIPIRA www.revista100porcentocaipira.com.br

A receita gerada pelas vendas de maio alcançaram US$ 253,2 milhões, saldo 11,1% maior em relação ao quinto mês de 2020, com US$ 227,9 milhões Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) as exportações brasileiras de carne suína (incluindo todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 102 mil toneladas em maio, volume 0,3% menor que o embarcado no mesmo mês de 2020, com 102,4 mil toneladas. A receita gerada pelas vendas de maio alcançaram US$ 253,2 milhões, saldo 11,1% maior em relação ao quinto mês de 2020, com US$ 227,9 milhões. No ano (janeiro a maio), as vendas internacionais de carne suína do Brasil chegaram a 453,9 mil toneladas, volume 18,44% superior ao embarcado no mesmo período do ano passado, com 383,2 mil toneladas. A receita acumulada das exportações do ano alcançou US$ 1,079 bilhão, resultado 22,9% superior ao realizado em 2020, com US$ 878,3 milhões. Entre os principais importadores do produto brasileiro entre janeiro e maio deste ano, se destacaram a China, com 238,7 mil toneladas (+29% em relação ao mesmo período do ano 6 | REVISTA 100% CAIPIRA

passado); Chile, com 25,5 mil toneladas (+94%); Uruguai, com 17,5 mil toneladas (+12,2%); Argentina, com 12,2 mil toneladas (+63,4%); e Vietnã, com 9,4 mil toneladas (+27,4%). Santa Catarina segue como maior exportador de carne suína do Brasil, com 227,6 mil toneladas exportadas entre janeiro e maio (+14,7% em relação ao ano anterior). Em seguida estão o Rio Grande do Sul, com 123,3 mil toneladas (+31,27%) e Paraná, com 59,3 mil toneladas (+13,34%). “Os mercados da Ásia continuam como principais indicadores de tendência para as vendas de carne suína do Brasil. Temos observado, contudo, uma significativa elevação da presença das nações importadoras da América do Sul entre os dez maiores importadores, o que é altamente positivo para o setor, especialmente do ponto de vista logístico. À exemplo do setor de aves, o fortalecimento das vendas internacionais contribui para a redução dos impactos da alta dos custos para a produção brasileira”, avalia Luís Rua, diretor de mercados da ABPA. Fonte: SuiSite

Diretor geral: Adriana Reis - adriana@ revista100porcentocaipira. SUÍNOS com.br Editor-chefe: Eduardo Strini imprensa@ revista100porcentocaipira. com.br Diretor de criação e arte: Eduardo Reis Eduardo Reis eduardo@ revista100porcentocaipira. com.br (11) 9 6209-7741 Conselho editorial: Adriana Oliveira dos Reis, João Carlos dos Santos, Paulo César Rodrigues e Nilthon Fernandes Publicidade: Agência Banana Fotografias: Eduardo Reis, Sérgio Reis, Google imagens, iStockphoto e Shutterstock Departamento comercial: Rua das Vertentes, 450 – Vila Constança – São Paulo - SP Tel.: (11) 98178-5512 Rede social: facebook.com/ revista100porcentocaipira Os artigos assinados não refletem, necessariamente, a opinião desta revista, sendo eles, portanto, de inteira responsabilidade de quem os subscrevem.


PROCESSAMENTO

Indústrias de amendoim consolidam operação digital para segundo ano de Festas Juninas em meio à pandemia

Abicab observa maior investimento das empresas em canais digitais para a época e mostra otimismo em relação aos resultados do setor Fonte: JeffreyGroup

que cresceu 38% nas exportações em 2020 milhões, crescimento de 38% na exportação do produto no período, com 259 mil toneladas exportadas segundo dados da ComexStat. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção de amendoim 2020/21 deve crescer em média 3% quando comparada com a safra de 2019/2020, com expectativa de alcançar 575 mil toneladas do grão.

Versatilidade e saudabilidade são pontos fortes do amendoim para a festa junina em casa

O período de festas juninas é o mais importante para as vendas sazonais das indústrias de amendoim e, em mais um ano, a temporada ocorrerá dentro de um cenário de pandemia de Covid-19. No entanto, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), as indústrias conseguiram se planejar e acreditam em boas vendas, tendo em vista que os consumidores se adaptaram para comemorações em casa de forma segura. “Em contraste com o cenário de incertezas de 2020, neste ano, observamos o consumidor mais habituado aos formatos digitais e os avanços das empresas nas operações on-line. Com isso, houve um plano diferenciado na preparação para a data, desde campanhas de marketing, passando por novas estratégias de vendas, criação de pro-

moções, lançamentos de produtos e até a ampliação de novos canais de atendimento, como redes sociais”, analisa o presidente da Abicab, Ubiracy Fonsêca. O executivo afirma ainda que, com as ações no período de pandemia, as indústrias trabalharam em forte parceria com o varejo e conseguiram trazer mais comodidade ao consumidor que tem à disposição um leque maior de canais de venda para comprar e ser atendido com segurança e qualidade. “As empresas além de investirem no on-line, concentraram esforços na organização dos produtos incrementando os espaços e a visibilidade por meio de material de ponto de venda”. Mesmo com o cenário adverso da pandemia, o amendoim in natura apresentou resultado superavitário na balança comercial em 2020 registrando, de janeiro a dezembro, US$ 314,4

O amendoim é um alimento versátil, que pode ser consumido em várias ocasiões, e as indústrias do setor oferecem um portfólio amplo de produtos, com opções para diversos perfis e demandas do consumidor. O alimento é fonte de vitaminas e tem alto valor nutricional: é rico em vitamina E, que atua como antioxidante e preserva o sistema imunológico; vitaminas do complexo B, essenciais para o sistema nervoso e que ajudam na formação de neurotransmissores; e possui Ômega 3 e Ômega 6, combinação que promove renovação celular, prevenindo o envelhecimento precoce. Entre outros compostos, a leguminosa também tem ácidos graxos monoinsaturados, conhecidos como gorduras do bem, que contribuem para prevenir doenças cardiovasculares, além de fibras que garantem saciedade por um período superior a duas horas, tornando-se um aliado em planos de reeducação alimentar para consumos de lanches intermediários. A porção diária indicada é de 30 g/dia. REVISTA 100% CAIPIRA |

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Pecuária é capaz d carbono com média ARTIGO

A recuperação de pastagens e a intensifi degradadas melhoram o

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de gerar crédito de a lotação no pasto

icação da produção de bovinos em áreas o sequestro de carbono

Por: Ana Maio -Embrapa Pecuária Sudeste REVISTA 100% CAIPIRA | 9


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m e x p e r i m e nt o, o c ré d it o d e c a r b on o o bt i d o c om re c up e r a ç ã o d e p a s t a g e m e i nt e n s i f i c a ç ã o e qu i v a l e a o c re s c i m e nt o d e 6 , 2 7 á r v ore s d e e u c a l ipt o a nu a l m e nt e p or g a r rot e .

P

e s qu i s a c omp a rou d i n â m i c a d e g a s e s d e e f e it o e s tu f a d e s i s t e m a s d e pro du ç ã o e m q u at ro n í v e i s d e i nt e n s i f i c a ç ã o, d e s d e p a s t a g e n s d e g r a d a d a s at é p a s t o s a lt a m e nt e i nt e n s i f i c a d o s e i r r i gados.

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r a b a l h o c on s i d e rou b a l a n ç o d e c a r b on o, ou s e j a , t a nt o a e m i s s ã o c om o a re m o ç ã o d o e l e m e nt o n o s i s t e m a .

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r at a - s e d e u m d o s pr i m e i ro s e x p e r i m e nt o s pu b l i c a d o s c om t o d a s a s c o l e t a s e m c on d i ç õ e s d e c a mp o ( a m o s t r a s d i re t a s ) du r a nt e d oi s a n o s .

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e s u lt a d o s re f orç a m n e c e s s i d a d e d e re c up e r a r p a s t a g e n s d e g r a d a d a s , qu e e m it e m m a i s e re m ov e m m e n o s c a r b on o.

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om m é d i a i nt e n s i f i c a ç ã o, é p o s s í v e l o bt e r o m e l h or b a l a n ç o d e C O.

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e s u lt a d o s p o d e m s e r u s a dos para parametrização de m o d e l o s , s u b s i d i a r p o l ít i c a s pú b l i c a s e e m b a s a r a lt e r n at i v a s d e m it i g a ç ã o. Um s i s t e m a d e m é d i a l ot a ç ã o, d e 3 , 3 u n i d a d e s a n i m a i s ( UA ) p or h e c t a re , e m qu e s e re c up e rou a p a s t a g e m d e g r a d a d a , f oi c ap a z d e n e ut r a l i z a r a s e m i s s õ e s d e g a s e s d e e f e it o e s tu f a d e b ov i n o s e a i n d a g e r a r c ré d it o s d e c a r b on o c or re s p on d e nt e s a o pro du z i d o p or s e i s á r v ore s d e e u c a l ipt o. Um a u n i d a d e a n i m a l c or re s p on d e a 4 5 0 k g d e p e s o v i v o. E s s e f oi u m d o s q u at ro s i s t e m a s m ont a d o s n a E mbr ap a Pe c u á r i a Su d e s t e ( SP ) p a r a m e n s u r a r o ônu s e o b ônu s d e c a r b on o, i n d i c a n d o g r au d e s u s t e nt a bi l i -

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d a d e a mbi e nt a l d a at i v i d a d e . O e s tu d o, f e it o e m qu at ro n í v e i s d e i nt e n s i f i c a ç ã o d e s i s t e m a s p a s t or i s d e pro du ç ã o p e c u á r i a , i n d i c a qu e a i nt e n s i f i c a ç ã o m é d i a apre s e nt ou a p e g a d a d e c a r b on o m a i s b a i x a , c om p o s s í v e i s c ré d it o s d e c a r b on o. O s t r a b a l h o s f or a m d e s e nv o l v i d o s n o bi om a Mat a At l â nt i c a , u m d o s m a i s i mp a c t a d o s p e l a s a ç õ e s d o h om e m s o bre o a mbi e nt e , p or s e l o c a l i z a r e m á re a c om c re s c e nt e c re s c i m e nt o u r b a n o. D e a c ord o c om a p e s qu i s a d o r a d a E mbr ap a Pat r í c i a Pe ron d i A n c h ã o O l i v e i r a , a re c up e r a ç ã o d e p a s t a g e n s e a i nt e n s i f i c a ç ã o d a pro du ç ã o d e b ov i n o s n e s s a s á re a s m e l h or a m o s e qu e s t ro d e c a r b on o e m it i g a m a s e m i s s õ e s d e g a s e s d e e f e it o e s tu f a , a l é m d e t e r u m e f e it o p oup a - t e r r a . “ Ta mb é m l e v a m à re du ç ã o n a p e g a d a d e c a r b on o p or u n i d a d e d e pro dut o e n o nú m e ro d e á r v ore s n e c e s s á r i a s p a r a o a b a t i m e nt o d a s e m i s s õ e s d e g a s e s d e e f e it o e s tu f a . O s s i s t e m a s d e pro du ç ã o i nt e n s i f i c a d o s c om m é d i a l ot a ç ã o a n i m a l apre s e n t a r a m o s m e l h ore s re s u lt a d o s , e s p e c i a l m e nt e s e c omput a d o s o s i n s u m o s”, c ont a O l i v e i r a . No c a s o c it a d o p e l a p e s qu i s a d or a , o c ré d it o d e c a r b on o e qu i v a l e a o c re s c i m e nt o d e 6 , 2 7 á r v ore s d e e u c a l ipt o p or g a r rot e a c a d a a n o. O s i s t e m a c om qu a d ro m a i s pre o c up a nt e é o d e p a s t a g e n s d e g r a d a d a s , c uj o b a l a n ç o re s u lt ou e m s a l d o n e g at i v o. E m s itu a ç õ e s a s s i m , c h e g a m a s e r n e c e s s á r i a s 6 3 , 9 á r v ore s p a r a o a b at i m e nt o d a s e m i s s õ e s d e c a d a g a r rot e m a nt i d o n e s s a s á re a s . O s re s u lt a d o s f or a m pu b l i c a d o s n a re v i s t a br it â n i c a A n i m a l , d a Un i v e r s i d a d e d e C a mbr i d g e , In g l at e r r a . O t r a b a l h o é a s s i n a d o p or oit o p e s qu i s a d ore s , c i n c o d e l e s d a E mbr ap a Pe c u á r i a Su deste. A c i e nt i s t a re l at a qu e a p e s qu i s a t e v e p or o bj e t i v o e lu c i d a r o pro b l e m a d a e m i s s ã o d e g a s e s

d e e f e it o e s tu f a p e l a p e c u á r i a , f re qu e nt e m e nt e c on s i d e r a d a a g r a n d e v i l ã d o a qu e c i m e nt o g l o b a l e d a s c on s e qu e nt e s mu d a n ç a s c l i m át i c a s . “A p e c u á r i a br a s i l e i r a a i n d a é qu e s t i on a d a e m re l a ç ã o a s u a p a r t i c ip a ç ã o n a dinâmica de emissão de gases de e f e it o e s tu f a ( G E E ) ”, re l at a . E l a c ont a qu e o s e x p e r i m e nt o s f o r a m d e s e n h a d o s p a r a c o br i r a s l a c u n a s n o c on h e c i m e nt o s o bre a re a l c ont r i bu i ç ã o d o s s i s t e m a s d e pro du ç ã o d a p e c u á r i a br a s i leira para as emissões de GEE e p a r a o a qu e c i m e nt o g l o b a l . S e g u n d o a p e s qu i s a d or a , f o r a m d e s e nv o l v i d o s e x p e r i m e n t o s qu e p e r m it e m o bt e r d a d o s p or m é t o d o s p a d ron i z a d o s e re c on h e c i d o s p e l a c omu n i d a d e c i e nt í f i c a i nt e r n a c i on a l e qu e d e r a m or i g e m a o s j á f a m o s o s b a l a n ç o s d e c a r b on o. “Nã o f or a m l e v a nt a d a s s om e nt e a s e m i s s õ e s d e g a s e s d e e f e it o e s tu f a , m a s t a mb é m a s re m o ç õ e s d e s s e s g a s e s . Is s o c r i ou c on d i ç õ e s p a r a av a l i a r o s s i s t e m a s d e pro du ç ã o c om c ap a c i d a d e d e m it i g a r a e m i s s ã o, e s p e c i a l m e n t e d o m e t a n o e nt é r i c o, p or m e i o d o s e qu e s t ro d e c a r b on o”, e x p l i c a a p e s qu i s a d or a . “No c a s o d a p e c u á r i a , f oi p o s s í v e l c ompre e n d e r m e l h or o s b e n e f í c i o s d a p a r t e d o s e qu e s t ro d e c a r b on o re a l i z a d a p e l o c re s c i m e nt o d a s p l a nt a s , s e j a p e l o a c ú mu l o n o s o l o d a s p a s t a g e n s ou n o f u s t e [ c au l e ] d a s á r v ore s , qu e e s t av a m e s qu e c i d a s n e s s a pro b l e m át i c a a mbi e nt a l”, c omp l e t a . Ap e s a r d e o s s i s t e m a s av a l i a d o s n ã o p o s s u í re m á r v ore s , a s t a x a s a nu a i s d e re m o ç õ e s d e G E E d e á r v ore s d e e u c a l ipt o d e u m s i s t e m a s i l v ip a s t or i l c om br a c h i a r i a , qu e f a z p a r t e d e out ro e x p e r i m e nt o, f or a m ut i l i z a d a s p a r a c a l c u l a r o nú m e ro h ip ot é t i c o d e á r v ore s n e c e s s á r i a s p a r a a b at e r a e m i s s ã o a nu a l d e c a d a s i s t e m a d e pro du ç ã o. No c a s o d o s s i s t e m a s qu e e s t av a m c om c ré d it o s d e c a r b on o, d e v i d o a o s e qu e s t ro d o e l e m e nt o


no solo das pastagens, a mesma t a x a f oi u s a d a p a r a c a l c u l a r o qu a nt o e s s e c ré d it o e qu i v a l e r i a e m nú m e ro d e á r v ore s h ip ot e t i c a m e nt e c re s c e n d o n o s s i s t e m a s d e pro du ç ã o. O b a l a n ç o d e c a r b on o é u m a f e r r a m e nt a qu e p e r m it e ap ont a r t a nt o o p ot e n c i a l d e n e ut r a l i z a r as emissões de gases de efeit o e s t u f a , qu a nt o d e pro s p e c t a r s i s t e m a s d e pro du ç ã o p a s s í v e i s d e re c e b e r c ré d it o s d e c a r b on o. Ta mb é m é c ap a z d e i d e nt i f i c a r o s s i s t e m a s d e pro du ç ã o qu e p o d e m c au s a r pre ju í z o s a o m e i o a mbi e nt e d o p ont o d e v i s t a d a s mu d a n ç a s c l i m át i c a s , u m a v e z qu e i d e nt i f i c a t a mb é m a qu e l e s qu e m a i s e m it e m d o q u e s e q u e s t r a m c a r b on o. O l i v e i r a c ont a qu e n a p e c u á r i a t e m s i d o c omu m re g i s t r a r a s e m i s s õ e s , m a s o b a l a n ç o e nt re o qu e a at i v i d a d e e m it e e o qu e e l a s e qu e s t r a d e c a r b on o n e m s e m pre é c on s i d e r a d o. “C om a f e r-

r a m e nt a d o b a l a n ç o, e s s e ap ort e d e c a r b on o é c ont a bi l i z a d o e p o d e m o s t r a r o d i f e re n c i a l d a p e c u á r i a re a l i z a d a a p a s t o, qu e a l é m d e m a nt e r o a n i m a l e m s e u h a bit at s e m c ont e n ç õ e s , a i n d a t r a z o b e n e f í c i o d o s e qu e s t ro d e c a r b on o re a l i z a d o p e l o c re s c i m e nt o d a s p a s t a g e n s”, a f i r m a .

Conhecimento para uma pecuária de baixo c a r b on o E nt re o s i mp a c t o s g e r a d o s p e l a d e s c o b e r t a e s t á a p o s s i bi lidade de adoção de sistemas de pro du ç ã o m a i s s u s t e nt áv e i s e d e s e o bt e r pro dut o s p e c u á r i o s c om b a i x a p e g a d a d e c a r b on o. E s s a “c ont a bi l i d a d e d o c a r b on o” p o d e f av ore c e r a e x p or t a ç ã o d a

c a r n e br a s i l e i r a , p or e x e mp l o, j á qu e o m e rc a d o e x t e r n o v a l or i z a c a d a v e z m a i s a pro du ç ã o s u s t e nt áv e l . O o bj e t i v o pr i n c ip a l d a p e s qu i s a f oi c ont r i bu i r p a r a a c om p e t it i v i d a d e e s u s t e nt a bi l i d a d e d a p e c u á r i a br a s i l e i r a p or m e i o d o p l a n e j a m e nt o, d e s e nv o l v i m e nt o e or g a n i z a ç ã o d e d a d o s qu e e s t i m a r a m a p a r t i c ip a ç ã o d o s s i s t e m a s d e pro du ç ã o a g ro pecuários na dinâmica de gases d e e f e it o e s tu f a e m qu at ro n í v e i s d e i nt e n s i f i c a ç ã o ( d e s d e a s p a s t a g e n s d e g r a d a d a s at é a s p a s t a g e n s a lt a m e nt e i nt e n s i f i c a d a s e irrigadas), visando subsidiar p o l ít i c a s pú b l i c a s e a lt e r n at i v a s d e m it i g a ç ã o. O proj e t o t a mb é m g e rou i n f or m a ç õ e s qu e p o d e r ã o s e r u s a d a s p a r a o apr i m or a m e nt o d e n or m a s e m e c a n i s m o s d e g a r a n t i a d a qu a l i d a d e , d a s e g u r a n ç a e d a r a s t re a bi l i d a d e d o s pro dut o s p e c u á r i o s . E s s e s re s u lt a d o s p o -

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d e m s e r u s a d o s p or f or mu l a d o re s d e p o l ít i c a s pú b l i c a s , e mpre s a s g ov e r n a m e nt a i s , e mpre s a s pr i v a d a s e c omu n i d a d e c i e nt í fica.

Por qu e a s p a s tagens degradadas são um sér i o pr o b l e m a ? S e p or u m l a d o a p e s q u i s a ap ont ou qu e e x i s t e m s i s t e m a s qu e p o d e m g e r a r pro dut o s p e c u á r i o s c om e m i s s õ e s n e ut r a l i z a d a s ou c om c ré d it o s d e c a r b on o, p or out ro t a m b é m i d e nt i f i c ou a s d e s v a nt a g e n s d e s e m a nt e r a s pastagens degradadas e a necess i d a d e d e re c up e r á - l a s . “E l a s apre s e nt a r a m u m b a l a n ç o d e c a r b on o b e m d e s f av o r áv e l , p oi s a l é m d a s e m i s s õ e s d o s a n i m a i s t a m b é m o c or re r a m e m i s s õ e s d o s o l o, prov e n i e nt e s d a d e c omp o s i ç ã o e p e rd a d a m a t é r i a or g â n i c a d a s á re a s e m pro c e s s o d e d e g r a d a ç ã o”, d e t a l h a a 12 | REVISTA 100% CAIPIRA

p e s qu i s a d or a . A l é m d o a lt o i mp a c t o a m bi e nt a l , a s p a s t a g e n s d e g r a d a d a s apre s e nt a m b a i x a pro dut i v i d a d e , o qu e au m e nt a a p e g a d a d e c a r b on o p or u n i d a d e d e pro dut o. O ut ro pro b l e m a é o d e s p e rd í c i o d e t e r r a , d e v i d o a o s b a i x o s í n d i c e s z o ot é c n i c o s o bt i d o s ( b a i x a l ot a ç ã o a n i m a l , b a i x a pro du ç ã o d e p e s o v i v o p or h e c t a re e b a i x o re n d i m e nt o d e c a rc a ç a ) , n e c e s s it a n d o d e m a i s á re a p a r a a pro du ç ã o d e c a r n e e au m e nt a n d o a pre s s ã o s o bre o s re m a n e s c e nt e s f l ore s t a i s d o bi o m a Mat a At l â nt i c a . “A re c up e r a ç ã o d e p a s t a g e n s , s i mu lt â n e a à i nt e n s i f i c a ç ã o d a pro du ç ã o d e g a d o b ov i n o, m e l h orou o s e qu e s t ro d e c a r b on o e re du z iu a s e m i s s õ e s d e g a s e s d e e f e it o e s tu f a , a l é m d e t e r u m e f e it o p oup a - t e r r a”, o b s e r v a a p e s qu i s a d or a . E s s e s re s u lt a d o s e mb a s a m a pro du ç ã o d e c a r n e c a r b on o n e u t ro e m s i s t e m a s d e pro du ç ã o p a s t or i s , e m qu e n ã o s om e nt e a s e m i s s õ e s d e G E E s ã o c ont a bi l i z a d a s , m a s t a mb é m h á p o s s i bi l i d a d e d e u s a r o s e qu e s t ro

d e c a r b on o n o s o l o d a s á re a s d e pastagens.

F i qu e p or d e n tro dos cálculos A p e s qu i s a av a l i ou c i n c o n í v e i s d e i nt e n s i f i c a ç ã o : p a s t a g e m d e g r a d a d a ; p a s t a g e m re c up e r a d a c om c or re t i v o s e f e r t i l i z a nt e s e m é d i a l ot a ç ã o a n i m a l ; p a s t a g e m i nt e n s i f i c a d a c om c or re t i v o s e f e r t i l i z a nt e s e a lt a l ot a ç ã o a n i m a l ; p a s t a g e m i nt e n s i f i c a d a c om c or re t i v o s , f e r t i l i z a nt e s , i rr i g a ç ã o e a lt a l ot a ç ã o a n i m a l ; e a v e g e t a ç ã o n atu r a l . A v e g e t a ç ã o n atu r a l f oi o c ont ro l e p o s it i v o e a p a s t a g e m d e g r a d a d a f oi o c on t ro l e n e g at i v o. Foi re a l i z a d o o b a l a n ç o d e c a r b on o e nt re a s e m i s s õ e s d e g a s e s d e e f e it o e s tu f a - G E E ( m e t a no ruminal, metano do sistema s o l o - p l a nt a , óx i d o n it ro s o d o s i s t e m a s o l o - p l a nt a ) - e a re m o ç ã o d o s g a s e s d e e f e it o e s tu f a ( s e qu e s t ro d e c a r b on o n o s o l o ) . Pa r a o c á l c u l o d a p e g a d a d e c a r b on o, a l é m d a e m i s s ã o d e


G E E , f oi c ont a bi l i z a d a a e m i s s ã o d e G E E d a f a br i c a ç ã o d o s f e r t i l i z a nt e s , d o s c ombu s t í v e i s f ó s s e i s d a s op e r a ç õ e s a g r í c o l a s re a l i z a d a s e d o u s o d e e n e r g i a e l é t r i c a p a r a i r r i g a ç ã o, d e a c ord o c om c a d a n í v e l d e i nt e n s i f i c a ç ã o. Ta m b é m f oi c a l c u l a d o o nú m e ro d e á r v ore s n e c e s s á r i a s p a r a a b at e r a e m i s s ã o d e G E E d e c a d a g a r rot e pro du z i d o n o s d i f e re nt e s s i s t e m a s d e pro du ç ã o av a l i a d o s . D e a c ord o c om Pat r í c i a A n c h ã o, f oi a n a l i s a d a a i n d a a t a x a a nu a l d e s e qu e s t ro d e c a rb on o d e á r v ore s d e e u c a l ipt o e , c om e s s e v a l or, f or a m c a l c u l a d a s qu a nt a s á r v ore s pre c i s a r i a m s e r p l a nt a d a s e m a nt i d a s p a r a c a d a a n i m a l e x i s t e nt e n o s s i s t e m a s d e pro du ç ã o.

R e s u lt a d o s O sistema degradado apresentou balanço de carbono

negat ivo, a maior emiss ão de gases de efeito estufa por quilo de peso vivo produzido e a maior emissão de GEE por quilo de carcaça, necessitando de 63,9 ár vores para o abatimento das emissões de cada garrote mantido em pastagens degradadas. O sistema irrigado com alta lotação apresentou balanço de carbono negativo maior que o deg radado, ent ret anto, como sua produção de peso vivo e seu rendimento de carcaça foram maiores, a emissão por quilo de peso vivo produzido foi diluída e menor que o sistema deg radado. Na prática, isso signif ica que esse sistema requer menor número de ár vores para o abatimento das emissões (29,11 ár vores/garrote). Mesmo computando todos os insumos utilizados, a emissão por quilo de carcaça foi menor para o sistema intensivo irrigado do que

p ara o sistema deg radado. Já os sistemas de pro dução intensificados de sequeiro com média lotação animal em pastagens de brachiaria (uso de corretivos e fertilizantes, com dose de 200 kg N/ha/ano) e alta lotação animal em pastagens de Panicum maximum (uso de corretivos e fertilizantes, com dose de 400 kg N/ha/ ano) apresentaram maior sequestro de carbono no solo em relação às emissões de GEE. Consequentemente, o balanço de carb ono foi p osit ivo, o que representaria créditos de carbono equivalentes ao crescimento de 6,27 de eucalipto para cada garrote no sistema de sequeiro com média lotação, e 1,08 ár vore p ara cada garrote no sistema de sequeiro com a lt a lot ação. Q uando computados os insumos, somente o sistema com média lotação permaneceu com créditos de carb ono.

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CERTIFICAÇÃO

IMA elabora cartilha sobre certificação de azeite Fonte: IMA - Instituto Mineiro de Agropecuária

Com linguagem simples e educativa, iniciativa faz parte do Programa Certifica Minas, coordenado pela Seapa 14 | REVISTA 100% CAIPIRA


O Instituto Mineiro de Agrop ecuária (IMA), vinculado à S ecretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (S eapa), elab orou car tilha s obre a cer tif icação de azeite. O material direcionado esp ecialmente para os olivicultores está disp onível AQUI. C om linguagem simples e educativa, a car tilha contém um pass o a pass o s obre os pro cedimentos e do cumentos necessários para o olivicultor s olicitar as auditorias ao IMA. A car tilha é uma fonte de consulta que bus ca ampliar o leque de informaçõ es para os produtores s obre o que é a cer tif icação, quais as suas vantagens e como s olicitar as auditorias. A iniciativa faz par te do Programa C er tif ica Minas co ordenado p ela S eapa. O IMA é o órgão cer tif icador of icial no estado, resp onsável p elas auditorias e emissão do cer tif icado, além da autorização do us o dos s elos. A Emater-MG orienta os pro dutores e as indústrias s obre as adequaçõ es necessárias de pro dução. E a Epamig direciona p es quisas e estudos para monitoramento, avaliação e aprimoramento do process o de cer tif icação. “A gente p erceb e um des conhecimento muito grande p or par te dos pro dutores r urais s obre o que é o Programa C er tif ica Minas e como ele funciona. Muitas vezes o pro dutor acha que cer tif icar é uma coisa muito complexa e dif ícil. As car tilhas têm linguagem le ve e informativa, desmitif icando o pro cess o de cer tif icação”, avalia o sup erintendente de Inovação e Economia Agrop ecuária da S eapa, C arlos B ovo. Os pro dutores contam com auditoria que verif ica des de a área de cultivo e manejo de pragas até a extração do pro duto, incluindo as b oas práticas de pro dução e normas sanitárias. O IMA realiza as auditorias nas oliveiras, verif icando, entre outros, a pro cedência da muda, as condiçõ es sanitárias adequadas, a fer tilização do s olo, a área de cultivo, o manejo

das pragas e do enças, a irrigação, a instalação, o armazenamento do pro duto, a extração e o envas e do azeite. Dep ois de to do este process o, o azeite é atestado no âmbito da gestão do pro cess o pro dutivo, das b oas práticas agrícolas, da resp onsabilidade s o cial e da sustentabilidade ambiental e econômica. C o ordenadora do C er tif ica Minas Azeite p elo IMA, a f is cal agrop ecuário e engenheira agrônoma Daniela L azzarini acrescenta que a car tilha es clarece as principais dúvidas para o olivicultor interessado conquistar a chancela. “O s elo é imp or tantíssimo para que o azeite tenha valor agregado e ganhar novos mercados, principalmente p orque a oliveira é uma cultura relativamente nova no estado e encontra-s e em pleno des envolvimento ano ap ós ano. É um cultivo com p eculiaridades e características ainda a s erem exploradas p elos olivicultores mineiros”, analisa L azzarini, comentando que o azeite não é ap enas um comp onente culinário, mas um alimento íntegro de alta qualidade, e fonte e vitamina E. “Um alimento único e que merece to da a nossa atenção”, completa.

C ol heita, prêmios e Az eite ch A colheita de azeitonas em Minas acontece normalmente no mês de fe vereiro, quando pro dutores de oliva do Sul do estado iniciam o pro cess o pro dutivo do azeite. Em Minas, a oliva é mais recorrente na região da S erra da Mantiqueira, que f ica a 1,3 mil metros de altitude, ambiente ideal para o des envolvimento da cultura, que necessita de temp eraturas mais baixas para s e des envolver. Os azeites da S erra da Mantiqueira conquistaram recentemente prêmios nos principais concurs os internacionais. A primeira extração de azeite brasileiro o cor-

reu em 2008 graças aos trabalhos da Empresa de Pes quisa Agrop ecuária de Minas G erais (Epamig). Des de então, os azeites nacionais, s obretudo os da Mantiqueira mineira e paulista, são destaques em concurs os dentro e fora do país. A Epamig promove, entre os dias 15 e 17 de junho, o 1º Azeitech. Neste ano, o e vento on-line e gratuito vai debater a cadeia pro dutiva da oliveira e asp ectos como qualidade, características s ens oriais e es colha de azeites. As ins criçõ es p o dem s er feitas no site.

S elos O Prog rama C er t if ic a Minas é comp osto p or membros d a S e ap a e su as v inc u l ad as Emater-MG e Ep amig e ofere ce s elos do IMA p ara c ad a item contempl ado no Prog rama, dent re eles est ão a lgo d ão, azeite, c achaç a, c afé, c arne b ov ina, f rango c aipira, f r ut as, leite, pro dutos veget ais s em ag rotóxicos (SAT), queij o minas ar tes ana l, ovo c aipira, mel e hort a liç as. A S e ap a re a liza açõ es e duc at ivas, t reinamentos de consu ltores e acomp an hamento d as at iv id ades. Neste momento de p andemi a, interess ados em s ab er como cert if ic ar s eus pro dutos p o dem env i ar e-mai l p ara ge c@ima.gov. mg .br.

Par a ad erir ao Pro g r ama A ades ão ao Prog rama de C ert if ic aç ão é volunt ár i a. O s elo de cer t if ic aç ão tem a va lid ade de um ano, p o dendo s er re va lid ado, de acordo com o interess e do pro dutor, ap ós novas auditor i as do IMA, o órgão cer t if ic ador of ici a l do E st ado. Pro dutores d a Ag r ic u ltura Fami li ar têm ades ão g ratuit a ao Prog rama. REVISTA 100% CAIPIRA | 15


GESTÃO

Eneva e Embrapa firmam a desenvolver projeto de refl A Eneva, maior operadora privada de gás natural do Brasil e uma empresa integrada de energia, dará início este mês à implantação de projetos socioambientais que visam o desenvolvimento de sistemas agroflorestais de produção no Amazonas Os projetos beneficiarão famílias que vivem da agricultura, nos municípios de Silves e Itapiranga, onde a Eneva mantém o Projeto Azulão-Jaguatirica. Para isso, foi firmado, nesta quinta-feira, 10/06, um acordo de cooperação entre a Eneva e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Com isso, ambas se comprometem a empregar tecnologia e recursos no desenvolvimento de atividades sustentáveis de produção agroflorestal, a partir do cultivo de mudas nativas e da capacitação dos agricultores em técnicas de manejo de culturas agrícolas. As ações permitirão o reflo16| REVISTA 100% CAIPIRA

restamento de uma área de 8 hectares, nos dois municípios. Isso equivale a aproximadamente 80 mil metros ou oito campos de futebol. A implantação de projetos socioambientais é uma das marcas registradas da atuação da Eneva, em todas as áreas em que a empresa mantém suas atividades. O Termo de Cooperação prevê uma série de atividades a serem realizadas ao longo dos próximos dois anos. Entre elas estão a implantação de viveiros para a produção de mudas, seleção de grupos de agricultores interessados em participar das atividades, apoio a projetos educacionais da

Embrapa e implantação de unidades demonstrativas de plantação e criação de animais. O gerente geral de HSE e Licenciamento Ambiental da Eneva, Gerson Scheufler, mencionou o esforço desenvolvido pela Eneva para implantar projetos de desenvolvimento sustentável, visando a autonomia das comunidades. “Para nós, da Eneva, é uma grande satisfação firmarmos esse acordo de cooperação com a Embrapa, que tem um histórico notável no desenvolvimento da agricultura no Brasil, compartilhando assim o desejo de transformação numa sociedade mais justa e sustentável”, destacou.


acordo de cooperação para lorestamento no Amazonas Fonte: FSB

A empresa de energia já desenvolve projetos de cunhos social e educacional nos municípios de Silves e Itapiranga. As duas cidades estão situadas em área de grande vulnerabilidade social do Estado, com forte apelo para geração de emprego e renda nas comunidades. De acordo com o gerente geral da Planta de Operação do Campo Azulão, Rafael Filippelli, o acordo de cooperação é motivo de grande satisfação. “A Eneva é pioneira em aplicação de tecnologias, assim como a Embrapa, sendo assim essa é uma parceria perfeita no sentido de alavancar projetos de responsabilidade social e de desen-

volvimento sustentável no entorno das nossas operações”, afirmou. Na Amazônia Ocidental, a Embrapa desenvolve estudos em aquicultura, culturas alimentares e agroindustriais, cultivo de plantas medicinais e condimentares, olericultura, silvicultura e manejo florestal, sistemas agroflorestais e sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta e fruticultura. O pesquisador Everton Rabelo Cordeiro, chefe geral da Embrapa Amazônia Ocidental, ressaltou a importância da parceria com a Eneva. “O acordo de cooperação é motivo de grande satisfação para nós da Embrapa Amazônia Ocidental. Percebe-

mos desde o nosso primeiro contato que com a Eneva chegaríamos com rapidez ao nosso objetivo, que é o da transferência da tecnologia desenvolvida pela Embrapa para as comunidades do interior do Estado. Temos certeza de que será a primeira de muitas parcerias estratégicas”, afirmou. O chefe adjunto de Transferência de Tecnologia da empresa de pesquisa, Gilmar Meneguetti, lembrou que a cooperação Eneva/Embrapa permitirá vencer o desafio de implantar projetos de segurança alimentar, geração de renda sustentável, produção de alimentos visando a redução da fome e da pobreza no interior do Amazonas. REVISTA 100% CAIPIRA |17


PESQUISAS

Circuito produtivo de frutas e hortaliças em escala familiar

Na produção de frutas e hortaliças, assim como é na agricultura de maneira geral, a cadeia ou circuito produtivo contempla desde a terra até a mesa do consumidor, ou seja, antes, dentro e depois da porteira

Fonte: Embrapa Agropecuária Oeste

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No meio empresarial é comum se dizer que primeiro é preciso garantir a comercialização de seu produto para depois pensar como é que vai se produzir. O agricultor, já com o seu pedaço de terra, além do conhecimento, da mão-de-obra da sua família, necessita de capital para investir no seu empreendimento. Certamente tem que dispor de recursos próprios, no entanto é importante que existam linhas de financiamento para viabilizar investimento e custeio da fruticultura e da olericultura. Bancos e cooperativas de crédito são instituições que possibilitam esse apoio, com as suas linhas de financiamento. Na agricultura familiar, constituída por produtores proprietários de pequenas áreas de terra, a escala de produção é pequena. Nessa situação, para que se possa ter condições de competitividade no mercado é ainda mais importante que os agricultores estejam organizados em associações e cooperativas. Na etapa “antes da porteira”, temos os fornecedores de máquinas e equipamentos, materiais e insumos agrícolas, as instituições financeiras e a assistência técnica. Essa etapa pode, de maneira bem efetiva, ser suprida pela organização dos produtores por meio de associações ou cooperativas. Por meio dessas organizações, os produtores podem realizar compras em comum e, dessa maneira, com a aquisição de maiores volumes se tem maior poder de barganha junto aos fornecedores, além de economia com frete. Também é possível a criação de um departamento técnico, por meio do qual se contrata profissionais para a realização da assistência técnica. “Dentro da porteira”, o agricultor para estabelecer o seu sistema de produção precisa investir no preparo do solo, na sua correção e adubação, na aquisição de sementes ou mudas certificadas, na infraestrutura de barracões, estufas, sistemas de irrigação, máquinas, equipamentos, ferramentas, materiais para os sistemas de sustentação (palanques tratados e arame) e os insumos agrícolas. A Associação ou Cooperativa agrícola fornece por

meio do seu departamento comercial, insumos, materiais, máquinas e equipamentos e do departamento técnico a assistência necessária. Na fase que aqui denominamos de “depois da porteira”, temos o transporte, a industrialização e a distribuição da produção até chegar ao consumidor, considerando que frutas e hortaliças são produtos perecíveis e demandam uma logística adequada. Nas associações e cooperativas essa etapa está relacionada ao setor das vendas em comum. De forma grupal é possível viabilizar instalações, como uma packing house para limpeza, classificação, processamento mínimo, embalagem, refrigeração, assim como fabricação de polpa de frutas, transporte e distribuição por meio de caminhões frigoríficos. Para realimentar o circuito produtivo temos a fase do planejamento/ replanejamento da produção conforme demanda do mercado. Com essa informação o produtor é orientado no dimensionamento da sua programação da produção de forma a atender as necessidades do consumidor (mercado) evitando falta ou excesso de oferta. Geralmente o departamento técnico e comercial de uma cooperativa orientam nesse aspecto. Finalmente, temos as políticas públicas para a agricultura familiar, fundamentais para viabilizar apoio aos diferentes segmentos da cadeia ou circuito produtivo: assistência técnica e pesquisa oficial, linhas de crédito, assistência ao associativismo/cooperativismo, subsídios para aquisição de mudas, legislações que viabilizem as culturas (tais como o estabelecimento de “vazio sanitário”, como exemplo, para a cultura do maracujazeiro azedo), logística e estrutura para comercialização, entre outras. A Embrapa Agropecuária Oeste e parceiros (Embrapa Hortaliças, Agaer, Senar, Sebrae, UFGD, Semagro, Prefeituras Municipais e Associações/ Cooperativas de Agricultores) contribuem para o desenvolvimento da horticultura familiar, na realização de ações de pesquisa, transferência de tecnologias e comunicação, na execução do Projeto ProHorta. Busca-se

conjuntamente viabilizar opções para a persificação da produção sustentável de hortaliças e frutas. Nessa primeira fase do ProHorta, dentre as ações previstas, temos atividades que estão relacionadas à cultura do maracujá amarelo. Algumas experiências preliminares indicam o potencial dessa cultura para a região da Grande Dourados, além do retorno econômico em curto prazo. O objetivo dessa atividade é o desenvolvimento regional da produção sustentável de maracujá amarelo (sistema de produção orgânico ou integrado). A proposta atende demandas da região e busca incentivar a inserção de mais opções de produção hortifruti para o mercado consumidor do Mato Grosso do Sul. Ainda fazendo parte do ProHorta, as atividades da Embrapa estão relacionadas ao desenvolvimento de sistemas conservacionistas e agroecológicos, com ênfase no manejo do solo, visando sua fertilidade e aumento da produtividade das culturas. Assim, são realizadas pesquisas buscando desenvolver e/ou aperfeiçoar tecnologias como: rotação de culturas, plantas de cobertura e plantio direto de hortaliças, adubação com compostagem, vermicompostagem, entre outros. Também estão previstos ensaios de competição de cultivares inicialmente com abóbora tipo kabotiá, alface crespa, brócolis de cabeça e cenoura visando identificar materiais genéticos mais adaptados as condições de clima e solo regionais e características de acordo com a preferência do consumidor. Dessa maneira, o trabalho desenvolvido pela Embrapa, busca ampliar a oferta e o consumo regional de frutas e hortaliças de qualidade, considerando que o Mato Grosso do Sul é um estado importador destes produtos. Além disso, a viabilização dessas atividades é uma excelente opção de renda e emprego para a agricultura familiar que contribuem para o desenvolvimento sustentável de nossa região, com o fortalecimento destas cadeias produtivas. Ivo de Sá Motta (Pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste) REVISTA 100% CAIPIRA | 19


PRAGAS E DOENÇAS

Pacote tecnológico da APTA Reg

reduz em até 80% danos cau Tecnologia será apresentada em live em 21/06, às 19h, no Youtube da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Fonte: Assessoria de Imprensa - APTA

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Estado de SP


gional para o setor de amendoim

usados pelo percevejo-preto

U

ma nova tecnologia para controle do percevejo-preto no amendoim será entregue ao setor produtivo pela APTA Regional de Pindorama, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. A partir de estudos conduzidos pelo pesquisador da unidade regional da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), Marcos Michelotto, é possível reduzir em até 80% os danos causados nos amendoins cultivados em áreas infestadas com o percevejo-preto. A recomendação da APTA é importante, pois os grãos danificados pela praga não conseguem ser exportados, reduzindo assim, a rentabilidade dos agricultores. A pesquisa será apresentada pela primeira vez em live a ser realizada em 21 de junho, às 19h, no Youtube da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. O evento para a entrega da tecnologia contará com a participação do coordenador da APTA, Sergio Tutui, e do diretor da APTA Regional, Daniel Gomes. A live será moderada pelo pesquisador do Instituto Agronômico (IAC), Denizart Bolonhezi, terá apresentação da tecnologia pelo pesquisador Michelotto, além da participação de José Rossato Jr, vice-presidente do Conselho da Coplana, e do produtor de Planalto (SP), Rodrigo Valochi. De acordo com Michelotto, os estudos conduzidos pela APTA em Pindorama e Ribeirão Preto, desde 2017, mostram que a utilização de tratamento de sementes de amendoim com inseticida a base de fipronil, além da aplicação de enxofre em áreas cultivadas com amendoim podem reduzir em até 80% os danos causados pelo percevejo-preto nos grãos da oleaginosa. “Normalmente, o produtor já faz o tratamento de sementes com insetici-

das. O que ele precisa fazer é utilizar o produto indicado e em uma dosagem um pouco maior. Apenas com a adoção dessa medida preventiva conseguimos reduzir em mais de 70% a ocorrência da praga”, explica o pesquisador da APTA Regional. Ele complementa que a aplicação de fertilizantes a base de enxofre na semeadura também traz benefícios para a prevenção da ocorrência da praga, assim como o uso do gesso a partir dos 60 dias de cultivo. “Fizemos os testes e vimos a efetividade dessas ações. É importante destacar que utilizando os produtos em doses adequadas e nos momentos indicados, isso não trará problemas relacionados ao resíduo de pesticidas no amendoim. Precisamos ter muita atenção nessa questão, pois o amendoim é consumido in natura”, afirma Michelotto. O pesquisador explica que esse pacote de tecnologia para controle da praga não acarretará em custos muito superiores aos produtores, que normalmente já utilizam esses produtos. “O produtor terá um investimento um pouco maior por conta da dosagem do produto, mas isso se paga ao longo da produção, já que as ações indicadas reduzem significativamente os prejuízos causados pela praga”, diz.

Entenda o que é o percevejo-preto O percevejo-preto é uma praga de solo, que ataca as vagens de amendoim e suga o grão maduro. Para se alimentar, injeta enzimas e deixa lesão visível, que prejudica interna e visualmente o grão. Levantamento realizado pela APTA Regional mostra que a praga está presente em praticamente em todas as áreas paulistas que cultivam amendoim, com

maior ou menor intensidade. O estado de São Paulo é responsável por 90% da produção nacional da oleaginosa. “Cerca de 70% da produção nacional de amendoim é destinada à exportação e, boa parte do volume, sem a película. O processo térmico de retirar a película acaba expondo esse dano do percevejo no grão, que fica manchado, com coloração inviável comercialmente. Os grãos danificados são direcionados, então, para produção de óleo, destino que tem menor remuneração”, explica Michelotto. O dano causado pelo percevejo preto não é perceptível no campo. Assim o produtor não identifica o percevejo por não haver prejuízo na parte aérea da planta, que se desenvolve normalmente. “As empresas que beneficiam o grão são as que sentem o impacto desse dano”, diz. A pesquisa foi realizada em parceria com as seguintes empresas e associações: Amenco, Balsamo, Beatrice, Cooperativas Casul, Copercana e Coplana, Mars Brasil, TerraNuts, JLA e Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag).

Entregas tecnológicas Esta é mais uma entrega tecnológica dos Institutos de Pesquisa ligados à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria. Essas entregas fazem parte de um programa do Governo do Estado de São Paulo, que coloca como meta a disponibilização de 150 soluções tecnológicas pela APTA até 2022. Só neste ano, serão mais de 50 nas áreas de agricultura, pecuária, sanidade animal e vegetal, pesca e aquicultura, economia e processamento de alimentos. REVISTA 100% CAIPIRA |21


BOVINOS DE CORTE

Vale a pena investir no boi magro? Especialistas da Nutricorp explicam como o manejo, tecnologias e contas na ponta do lápis se somam nesta

Fonte: Nutricorp

Não é somente o que você entrega para os animais que determinará o seu resultado final, mas também é preciso estar atento ao que veio antes. O que fica ainda mais claro quando observamos os dois sistemas instalados no país, como na pesquisas divulgada recentemente pela Scot Consultoria, sobre Benchmark Confina Brasil 2021, que apresenta 15,4% dos confinamentos utilizam o modelo exclusivo, onde todos os animais que entram no sistema são comprados, enquanto, 59% utilizam o modelo misto, onde parte dos animais são de produção interna e parte de compra. Qual é a qualidade genética, como era a nutrição, quais foram os desafios nutricionais e de saúde, quais eram as condições de ambiência, como foi o transporte, houve estresse em demasia, ou teve controle com a utilização de tecno22| REVISTA 100% CAIPIRA

decisão

logias como SecureCattle. Estas e muitas outras perguntas precisam ser realizadas antes de se constatar qual o tipo de trabalho e manejo deverá ser dedicado durante a engorda. São fatores que podem também oferecer ao pecuarista ganhos ou perdas, ambos significativos. “A primeira grande ação é ter uma boa estratégia de compra. Investindo em um boi magro com menor ágio possível, depois disso, precisamos buscar a eficiência biológica/alimentar máxima, aliada à uma excelente gestão de custos/ compras de insumos. Além disso, a saúde dos animais também conta e por isso, precisamos buscar lotes com potencial genético superior, capaz de responder à estratégia nutricional desenhada para se atingir os maiores ganhos possíveis”, explica José Guedes, Zootecnista da Nutricorp. Outro importante fator é o pas-

sado deste animal em sua raíz mãe, ou seja, além do potencial genético, também é importante saber sobre a matriz qual a condição da sua fase de transição, afinal vacas que emprenham mais cedo, dentro da estação de monta, terão o conhecido bezerro do cedo, que cientificamente serão bois mais saudáveis, desmamam com peso maior e tem um potencial melhor de qualidade de carcaça no futuro. “Isso é importante porque um boi magro, com cerca de 330kg ou 11@, que chega para engorda em uma outra propriedade ou na mesma, tem um único objetivo que é oferecer lucro na última fase do ciclo produtivo, a fase de engorda. A diferença entre o custo da engorda (boi magro+engorda) e o preço do boi gordo, precisa ser positivo. E é esse o primeiro cálculo que precisa ser feito para se compreender se vale a pena ou não investir no boi


Foto: Pixabay

magro”, conta Gabriel Zyberlitch, Business Intelligence da Nutricorp. Mas afinal, o que eu preciso saber para investir no boi magro? Investir em boi magro é para você, se na ponta do lápis, todos os seu cálculo te permitir realizar um planejamento nutricional e de manejo que te levem a uma fase de engorda lucrativa. Ou seja, com seus investimentos retornando à você. “Porém, nem sempre essa conta está favorável ao engordador. Atualmente, apesar da valorização do boi gordo, os altos custos do boi magro e dos insumos nutricionais, dificultam a obtenção do lucro. Esse cenário é traduzido quando analisamos a relação que se encontra abaixo da média histórica e nos menores níveis dos últimos anos”, explica Guedes. Portanto, os especialistas da Nutricorp indicam que neste momento, o pecuarista deve fazer as contas e olhar pro sistema de produção em que este animal será inserido e os custos desse sistema, principalmente alimentação. Mas, existem ainda formas de se obter lucro na engorda. A primeira forma delas é buscando alternativas

de alimentação, uma das opções é através da TIP, ou investindo em tecnologias que ajudem o animal a ter eficiência alimentar. “Estamos em um ano muito diferente. Falta de boi no mercado brasileiro seja talvez um erro nos dados estimados. E, entrando em um momento do ano de “entressafra”, quando as condições climáticas são desfavoráveis ao desenvolvimento das pastagens “obrigando” os pecuaristas entregarem seus animais ao abate, assim pressionando os preços do boi gordo para baixo. Por isso, talvez a melhor opção neste período seja a de adesão de tecnologias disponíveis no mercado”, orienta Guedes. Uma das tecnologias disponíveis no mercado é o Nutri Gordura®, um produto composto de gordura protegida de alta energia, que tem uma resposta de aumento de 7 a 8% na eficiência da engorda. Outra tecnologia disponível é o Secure Cattel®, uma substância análoga, apaziguadora bovina, que ajuda na redução do estresse, que também apoia nesse ganho de eficiência, na fase final da engorda e promovendo ainda qualidade da carne após

abate. O mercado está passando por um momento que podemos dizer ser sui generis, ou incomum, onde muitos fatores têm contribuído para um cenário com recorde nos preços das carnes e no custo de produção. O ciclo do boi, faz com que o preço da reposição esteja em patamares altíssimos, enquanto ao mesmo tempo a procura é maior que a oferta. No consumo, existe uma alta no compra para consumo por carne, principalmente no pelos clientes internacionais em um momento em que a moeda brasileira se encontra em desvalorização, frente ao dólar. “Estes mesmos fatores, contribuem para que sejam pressionados os preços dos insumos nutricionais para cima, deixando os custos de produção também em níveis recordes. E por isso, é muito importante observar a realidade dentro da sua porteira e escolher a opção que te traga melhor rendimento. Mesmo que para isso, você precise optar por investir um pouco mais em tecnologia para fazer a alimentação do rebanho ter ganhos e eficiência melhores durante o processo”, finaliza Gabriel. REVISTA 100% CAIPIRA | 23


AVEIA, TRIGO E CEVADA

Solução para a escassez de grãos SC e RS investem nas culturas de inverno

Fonte: MB Comunicação Empresarial/Organizacional

A redução do déficit de milho e a queda de custos de produção de aves, suínos e gado leiteiro estão entre as prioridades dos criadores e das agroindústrias de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Com uma cadeia produtiva de proteína animal em plena expansão a iniciativa ganhou ainda mais força com a união de lideranças catarinenses e gaúchas na busca por alternativas para aumentar o fornecimento de insumos. Santa Catarina tem um déficit anual de quase 5 milhões de toneladas de milho e, o Rio Grande do Sul, igualmente, importa 4 milhões de toneladas/ano, o que representa uma demanda de 9 milhões de toneladas que os dois Estados do extremo sul precisam buscar em outros mercados, do País ou do exterior. O objetivo é apostar em novos cultivares de cereais de inverno no Sul do País, incentivando os produtores rurais a investirem no plantio de trigo, triticale, centeio, aveia e cevada. O andamento do projeto que envolve a Embrapa nas duas Unidades – Concórdia (SC) e Pas24 | REVISTA 100% CAIPIRA

so Fundo (RS) – vem sendo discutido e está ganhando forma com a parceria de lideranças dos dois estados e apoio de lideranças nacionais. Em recente encontro da FAESC, FARSUL e Secretaria da Agricultura de SC na sede da Embrapa Suínos e Aves, em Concórdia, o presidente da FAESC, José Zeferino Pedrozo, realçou que a união de esforços dos dois estados para reduzir a escassez de milho encontrou amparo na pesquisa. Segundo ele, a única matéria-prima que sempre será difícil é o precioso cereal milho. “Da mesma forma que outros países, nós temos que encontrar o sucessor deste grão. A Inglaterra tem uma variedade de trigo especialmente para rações de animais. Com o tempo chegaremos lá. Assim como o Brasil segue dando lição de produtividade nas suas novas fronteiras agrícolas e está se transformando em um dos maiores produtores de grãos do mundo, também encontraremos cereais que se adaptam à nossa realidade do sul do País, ou seja, cereais que substituam

o milho – grão que temos dificuldades em produzir”. O presidente da FAESC reforçou, ainda, que o projeto envolvendo os dois estados será a solução para esse grave problema. “Iniciamos esse movimento em Santa Catarina, mas existem limites territoriais e o Rio Grande do Sul tem essa potencialidade. Com engajamento das lideranças do agro dos dois estados e com a participação da agroindústria nacional, que é parceira desse programa, teremos em médio prazo uma solução”. INCENTIVO AO PLANTIO DE CEREAIS DE INVERNO O secretário de Estado da Agricultura e Pesca de SC, Altair Silva, ressaltou que em SC foi criado o Projeto de Incentivo ao Plantio de Cereais de Inverno Destinados à Produção de Grãos, que subvenciona 50% do valor das sementes de cereais de inverno destinadas à fabricação de ração. Na outra ponta, a Embrapa Suínos e Aves, em conjunto com


a Embrapa Trigo, está trabalhando no desenvolvimento de cultivares adaptados para a produção de cereais voltados à fabricação de ração. São passos importantes para diversificarmos ainda mais a economia dos dois estados”. Em Santa Catarina, a Secretaria da Agricultura está investindo R$ 5 milhões para incentivar o cultivo de cereais de inverno. Com o Projeto de Incentivo ao Plantio de Cereais de Inverno Destinados à Produção de Grãos, os produtores receberão uma subvenção de R$ 250 por hectare efetivamente plantado com trigo, triticale, centeio, aveia e cevada, em um limite de 10 hectares por agricultor. A intenção é ampliar em 20 mil hectares a área cultivada em todo o estado na safra 2020/2021. Todo esse movimento para apoiar o plantio de cereais de inverno tem como objetivo reduzir a dependência de milho e os custos de produção, além de trazer mais uma alternativa de renda para os produtores rurais e mais competitividade para a cadeia produtiva de carnes. “O déficit de milho é um desafio que Santa Catarina tem enfrentado e as alternativas estão aí. Estou animado com esse movimento que o Rio Grande do Sul vem fazendo, de incentivo à produção de alimentos alternativos, e tenho certeza que isso fortalecerá toda a nossa produção no Sul”, ressalta Altair Silva. MOMENTO ÍMPAR PARA O AGRO O presidente da FARSUL, Gedeão Pereira, realçou que o momento é ímpar para o agronegócio brasileiro devido às grandes demandas e crescimento de consumo no mundo todo. “O Brasil, com uma das maiores agriculturas do mundo, se apresentou na comunidade internacional como solução de problemas, pois cada vez mais a demanda pelos nossos produtos é maior e estamos aprendendo a produzir quantidade e qualidade para chegarmos com um made in Brasil com muita qualidade. Os três estados do sul são grandes produtores de proteína animal. E nós do RS e SC nos deparamos com um problema sério de falta de milho”, observou. Gedeão Pereira ressaltou, ainda, que o Brasil é um produtor crescente

deste cereal, que está remunerando bem o produtor, mas a produção está voltada para a logística exportadora via arco norte e Porto de Santos, o que está trazendo dificuldade principalmente para SC e RS. “Quando fizemos um levantamento, detectamos que o Paraná praticamente dobrou a sua suinocultura e avicultura nos últimos anos enquanto RS e SC pararam. Mas, por que pararam? Por falta do milho! Descobrimos que o Rio Grande do Sul, que é uma nova fronteira agrícola brasileira, tem apenas 1,09 safra por ano enquanto o Brasil Central está com duas”. Mas, por que existe essa limitação? “Porque plantamos 6 milhões de hectares de soja e no inverno plantamos apenas 1 milhão e 100 mil hectares de trigo, que é o cereal de inverno. E a nossa possibilidade para duas safras está em cima dos cereais de inverno. Então estamos nos socorrendo às nossas Embrapas que têm todos os pacotes tecnológicos que precisamos. Estamos usando quatro Embrapas que estão com pacotes tecnológicos para oferecer tanto para o crescimento de grãos para suíno e frango como também um outro problema que está surgindo no RS que está fazendo com que a pecuária de corte esteja diminuindo de tamanho”, esclareceu. Segundo o superintendente do SENAR/RS, Eduardo Condorelli, esta é uma oportunidade excelente de agregação de renda para o setor produtivo dos estados do Sul. “Precisamos estar organizados para enfrentar o desafio, que não é tão grande assim, pois temos área, infraestrutura e tecnologia. Nosso papel é dar voz ao que a Embrapa desenvolve, pois é aqui que encontramos a solução”, enfatizou. Enquanto a Embrapa Trigo, de Passo Fundo, trabalha no desenvolvimento das cultivares de cereais de inverno, a Embrapa Suínos e Aves analisa o uso desse material na alimentação de suínos e aves. “A nossa missão é a de gerar as soluções que a cadeia produtiva precisa. Estamos aqui para atuar em conjunto com o Estado, as cooperativas e os produtores em busca do que o produtor precisa”, afirmou a chefe geral da Embrapa Suínos e Aves, Janice

Zanella. AGRICULTURA PUXA O CRESCIMENTO Apesar da pandemia e das incertezas políticas e fiscais, a economia brasileira deve crescer 4% este ano, de acordo com projeções de várias consultorias e instituições. Mais uma vez, a agricultura e o agronegócio – em razão da combinação de alta dos preços de commodities, de taxa de câmbio desvalorizada e de expansão do comércio mundial – darão uma sustentação mínima à atividade econômica no Brasil neste ano. O cenário para o balanço de pagamentos também está se tornando mais positivo. O fluxo de moeda estrangeira para o Brasil começa a se recuperar, favorecendo, pela primeira vez desde fins de 2020, uma tendência de queda da cotação do dólar ante o real. O “boom” de commodities também aumenta a renda em algumas regiões do país, como a fronteira agrícola, e cria um efeito de riqueza com a alta de ações na bolsa. Esse é o cenário que os economistas chamam de “reflação”, ou seja, uma convergência dos níveis de inflação muito baixa dos últimos anos nos Estados Unidos para mais próximos do percentual desejado, na casa dos 2%. As commodities são também um ativo financeiro e, por isso, respondem a outros fatores além de fundamentos econômicos. As commodities são uma forma de proteção contra a inflação. No caso das commodities agrícolas, há restrições na oferta, devido a eventos climáticos que limitaram a produção de grãos nos Estados Unidos e no Brasil. Além disso, a demanda aumentou durante a pandemia, quando as famílias trocaram o consumo de serviços por alimentação. Os preços das commodities são muito importantes para o PIB brasileiro: se as cotações sobem num trimestre, a atividade econômica responde já no trimestre seguinte e continua reverberando por algum tempo, antes de se dissipar completamente. É um enorme ganho de renda para a economia brasileira. O aumento do emprego formal nas localidades que produzem produtos para exportação é o dobro das demais regiões do país. REVISTA 100% CAIPIRA |25


EM TEMPOS DIFÍC NO AGRO PA

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CEIS HÁ SEMPRE UM GUERREIRO ARA ABASTECER O BRASIL

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MERCADO FLORESTAL

Empresas paranaenses de florestas plantadas são exemplo de posicionamento sustentável

Uma das principais preocupações do

setor de florestas plantadas é garantir qualidade à madeira

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Ao mesmo tempo, alcançar maior produtividade. Mas tudo isso passa, obrigatoriamente, pelo compromisso do segmento com o desenvolvimento sustentável, focado em ações para as pessoas, o meio ambiente e para a prosperidade das comunidades. Com base nessas premissas, aliadas à tradição no uso dos recursos das florestas, o setor vem mostrando que os plantios florestais são uma solução sustentável para a produção de matéria-prima para múltiplos usos. Hoje, a sustentabilidade é um tema que permeia não só o setor florestal, mas o mundo corporativo como um todo. Diversos setores da economia já absorveram esse compromisso, adotando, por exemplo, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com o professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Carlos Sanquetta, que tem forte atuação na sustentabilidade corporativa, certificações e mudanças climáticas, as companhias ao redor do mundo vêm aplicando esse tema internamente. No Brasil, ele avalia que as empresas que trabalham com plantações florestais têm se mostrado bastante proativas, adotando boas práticas e implementando uma série de ações, passando por todo um processo que inclui as certificações florestais, ambientais, de gestão, segurança, saúde, qualidade do produto etc. O grande desafio, segundo Sanquetta, é entender, compreender e se ajustar aos novos parâmetros que a sociedade exige hoje com relação à sustentabilidade. É preciso mostrar o que a empresa está fazendo, como ela trata a comunidade, como trabalha questões relacionadas à água, equidade de gênero, mudanças climáticas, gestão de resíduos, entre outras. Tudo isso, conforme o professor explica, está previsto na certificação florestal, mas o acesso à documentação nem sempre é muito claro para a população de modo geral. “Mais de 70% das plantações florestais brasileiras são certificadas. O

setor de árvores plantadas têm grande grau de absorção das certificações como uma ferramenta de gestão importante, não só para cumprir parâmetros de consumidores e importadores, mas também para ter melhores práticas internas de gestão e governança. A certificação veio com o intuito de separar os produtos produzidos de forma sustentável dos não sustentáveis. Isso foi uma exigência do mercado importador, como Europa, partes da Ásia e Oceania mais desenvolvidas e América do Norte, que buscam procedência dos produtos de origem florestal. Já a sociedade brasileira ainda precisa de um esclarecimento do papel da certificação, da importância de discriminar uma coisa da outra. Com a demonstração das boas práticas e a transparência, acredito que o setor terá mais apoio, porque a população está querendo comprar melhor”, comenta. Atentas a essa realidade, empresas que integram a Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre) mostram que esse é um caminho sem volta para quem quer se manter competitivo e exercer com responsabilidade um papel de agente transformador na sociedade. Marcelo Leoni Schmid, sócio-diretor do Grupo Index, uma das associadas, lembra que a sustentabilidade corporativa tem sido discutida no âmbito das políticas de ESG (Environment, Social and Governance – meio ambiente, social e governança, em tradução livre). Porém, isso não é novidade para as empresas do setor florestal, pois, pela própria natureza e pelo longo prazo da atividade, a manutenção da qualidade ambiental é uma necessidade de toda empresa que planta árvores, razão pela qual o setor conserva uma parcela significativa de florestas nativas em proporção à área de produção. Ele destaca, ainda, que as empresas florestais se estabelecem em regiões marginais à agricultura e outras atividades econômicas e, consequentemente, possuem um papel de grande importância no desenvolvimento social e econômico regional, mantendo uma relação harmoniosa

com a comunidade que a cerca. “A sustentabilidade não é um benefício para as empresas do setor florestal, mas, sim, uma necessidade. As empresas florestais, para se manterem na atividade, dependem de uma relação ganha-ganha tanto com o meio ambiente quanto com a sociedade. Não é à toa que o setor florestal mudou muito nas últimas décadas, abandonando a visão imediatista e fechada à sociedade, para uma visão moderna, em que a preocupação com a longevidade e sucesso da empresa se materializam em políticas ambientais e sociais. Por fim, as empresas também têm investido e aprimorado intensamente a governança de suas atividades”, reforça. Inúmeras empresas paranaenses trazem as boas práticas como pilares em suas atividades. Outro exemplo entre as empresas associadas à Apre é a Klabin, que sempre procurou manter a gestão voltada para o desenvolvimento sustentável. “A companhia busca ser referência mundial em soluções responsáveis que respondam às constantes transformações da sociedade, com produtos florestais renováveis, recicláveis e biodegradáveis. Para isso, a empresa exerce um conjunto de práticas responsáveis envolvendo colaboradores, parceiros e comunidade que privilegiam o equilíbrio entre as esferas econômica, social e ambiental”, destaca Júlio Nogueira, gerente de Sustentabilidade e Meio Ambiente da Klabin. A empresa foi a primeira do setor de celulose e papel do Hemisfério Sul a receber a certificação que atesta o manejo responsável em suas florestas plantadas. Além disso, é pioneira na adoção do manejo florestal em forma de mosaico, que consiste na formação de florestas plantadas entremeadas a matas nativas preservadas, formando corredores ecológicos que contribuem para a conservação da biodiversidade e a proteção do recurso hídrico. Atualmente, 100% das florestas próprias são certificadas, reforçando práticas de respeito aos recursos naturais, localidades e bem-estar dos trabalhadores. REVISTA 100% CAIPIRA |29


Dentre os programas existentes, destacam-se o Plante com a Klabin, de parceria com produtores rurais do Paraná e Santa Catarina, que oferece um preço mínimo e a garantia de compra da madeira dos produtores de florestas de pinus e eucalipto, bem como programas ambientais para apoiar o cumprimento das questões legais ambientais e certificação; o Matas Sociais, que auxilia agricultores familiares no planejamento sustentável e na diversificação do uso da propriedade; o Parque Ecológico Klabin, área de 11 mil hectares de responsabilidade da empresa, que abriga cerca de 150 animais selvagens em recuperação; a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Fazenda Monte Alegre, com 3.852 hectares destinados à pesquisa científica, proteção da biodiversidade local e dos recursos hídricos e fornecimento de sementes de espécies florestais para a restauração de áreas degradadas; e a RPPN da Serra da Farofa, Santa Catarina, para pesquisas científicas desenvolvidas em parceria com universidades locais, como a Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Por fim, em 2020, a empresa passou a integrar o Índice Dow Jones de Sustentabilidade, com participação em duas carteiras: Índice Mundial e Índice Mercados Emergentes. No mesmo ano, ainda implementou sua agenda própria de sustentabilidade, os KODS (Objetivos Klabin para o Desenvolvimento Sustentável), que possuem 23 metas, alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU). Já a associada John Deere, que atua nos segmentos agrícola, de construção e florestal. Para que esses setores consigam um desenvolvimento sustentável, eles se apoiam especialmente nas soluções tecnológicas em equipamentos e serviços. A empresa investe US$ 4 milhões por dia em pesquisa e desenvolvimento para disponibilizar aos clientes novas tecnologias e máxima produtividade, com redução de custos e foco na sustentabilidade. “A companhia, que tem como 30 | REVISTA 100% CAIPIRA

um de seus pilares promover a sustentabilidade, disponibiliza esses equipamentos e serviços que contribuem para que as empresas possam produzir, crescer e ao mesmo tempo preservar. Além disso, também buscamos manter esse desenvolvimento sustentável internamente, em nossas fábricas. Para tanto, a empresa assumiu compromissos públicos de sustentabilidade. Sabemos que o desafio para o segmento, quando o assunto é preservação do meio ambiente, é ainda maior, considerando a necessidade de quebrar paradigmas e conceitos preestabelecidos. Por isso, é essencial que as empresas do setor, como a John Deere, mantenham diálogos transparentes com a sociedade e trabalhem para mostrar que no Brasil é possível produzir e preservar”, garante Rodrigo Junqueira, gerente de vendas da divisão Florestal da John Deere. Estamos à disposição. Dentre as ações realizadas, Junqueira cita que 100% das fábricas da empresa no Brasil utilizam energia proveniente de fontes renováveis. Em nível mundial, desde 2017, a companhia já reduziu em 19% a emissão de gás do efeito estufa. Em 2020, 32% da energia utilizada pela companhia foi oriunda de fontes renováveis e 78% das sobras foram recicladas. Do ponto de vista de ações externas, uma das principais é o trabalho ativo da John Deere para comunicar o conceito e os conhecimentos do sistema de Integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), uma estratégia de produção agropecuária que integra diferentes sistemas produtivos dentro de uma mesma área e que protege biomas, trabalha sobre áreas degradadas, planta árvores e resulta em maior produtividade.

C er tifi c aç ão florestal De caráter voluntário, a certificação florestal tem como objetivo atestar a origem da matéria-prima e se os processos utilizados pela em-

presa certificada seguem princípios legais, técnicos, ambientais e sociais de excelência. Os dois principais sistemas de certificação em âmbito mundial são o Forest Stewardship Council (FSC), selo de certificação florestal mais popular em todo o mundo; e Programme for the Endorsement of Forest Certification Schemes (PEFC), representado no Brasil pelo CERFLOR (Programa Nacional de Certificação Florestal). Em 2019, a área total certificada no Brasil foi de 7,4 milhões de hectares. Destes, 4,4 milhões de hectares correspondem a florestas plantadas certificadas. No Paraná, o destaque fica pelo trabalho que vem sendo realizado pelas empresas ligadas à Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre), já que 89% do total da área plantada estão certificadas. “Isso mostra, mais uma vez, o respeito que o setor florestal tem pelo meio ambiente, pelas leis trabalhistas e por tudo que envolve a sociedade. Mais do que cultivar árvores e ser um negócio ambientalmente sustentável, as empresas exercem papel muito importante dentro da sociedade e da economia das cidades onde as florestas estão inseridas”, afirma Álvaro Scheffer Junior, presidente da Apre. Para Marcelo Schmid, a busca pelo processo acontece por diferentes motivos. O primeiro deles é poder dar a garantia ao mercado consumidor que o produto tem origem em florestas manejadas adequadamente em relação a aspectos ambientais e sociais. Em seguida, tem crescido bastante no setor a demanda de empresas que desejam obter a certificação como uma política institucional, para comunicar tanto aos shareholders quanto aos stakeholders o posicionamento da marca nessas questões. “Não se trata de uma preocupação meramente mercadológica, mas um posicionamento institucional, de querer fazer o melhor e o mais correto”, completa. Essas e outras informações estão presentes no último Estudo Setorial Apre, disponível no site www.apreflorestas.com.br, na aba “Publicações”. Fonte: Interact


FRUTICULTURA

RS: produção de morangos está em excelente qualidade na região de Pelotas Morangueiros espanhóis implantados em substratos no mês de março estão com a produção em excelente qualidade No município de Turuçu, na região de Pelotas, os morangueiros espanhóis implantados em substratos no mês de março estão com a produção em excelente qualidade, com aumento da oferta e alcançam bons preços. De acordo com o Informativo Conjuntural, publicado e divulgado nesta quinta-feira (17/06) pela Gerência de Planejamento da Emater/RS-Ascar, vinculada à Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), as áreas cultivadas apresentam diminuição considerável do ataque de lagartas, tripes e ácaros, devido principalmente ao clima mais frio das últimas semanas. Na região de Caxias do Sul, a colheita de morango segue normal para a época. O volume colhido é pequeno e a lenta maturação dos frutos é condicionada pelas baixas temperaturas e pela reduzida luminosidade dos dias do outono-inverno. As condições climáticas de elevada umidade do ar também afetaram o ritmo do desenvolvimento das plantas, a emissão de novas floradas

e a manutenção da sanidade das flores e frutas quanto à ocorrência de podridões. Já em Bom Princípio, na regional de Lajeado, a produção segue em baixa nessa fase inicial de desenvolvimento de novas áreas implantadas.

CULTURAS DE INVERNO Trigo - A área de trigo semeada na região de Frederico Westphalen avançou rápido em dias de sol e deve ter atingido 70% do estimado, toda em fase de germinação e desenvolvimento vegetativo. A cultura apresenta boa germinação e consequentemente bom estande de plantas. Se observam nesta safra o aumento do uso de sementes salvas pelos agricultores e um posicionamento de semeadura que tende a ser mais tardio em decorrência das previsões de um inverno mais úmido e com possíveis geadas em agosto. Canola - Na regional de Santa Rosa, o plantio foi suspenso em função da elevada umidade do solo, dos dias nubla-

dos e com cerração. Da área plantada, temos 90% em germinação e desenvolvimento vegetativo e 10% em floração. As lavouras apresentam bom estande de plantas, e produtores mantêm a expectativa de bons rendimentos para o grão. Nas regiões de Santa Maria e Soledade, o plantio da canola foi finalizado. As lavouras encontram-se em germinação e desenvolvimento vegetativo normal, com bom estande de plantas. Aveia Branca - Na região de Ijuí, cultivos em final de semeadura, apresentando bom estabelecimento inicial. As primeiras lavouras semeadas estão em início de perfilhamento e recebem adubação nitrogenada em cobertura. Em Tenente Portela é tradicional os produtores semearem a cultura em abril para colher em agosto, liberando as áreas para a cultura do milho. Assim, as lavouras cultivadas no município entram em estádio reprodutivo com excelente potencial produtivo, embora representem área pouco exFonte: EMATER - RS pressiva. REVISTA 100% CAIPIRA |31


AVICULTURA

Especialista

apo

tendências para a Fonte: Boehringer Ingelheim Saúde Animal

O professor David Hughes atendeu a Boehringer Ingelheim Saúde Animal e elencou os motivos do crescimento no consumo mundial de ovos e carne de frango 32 | REVISTA 100% CAIPIRA


onta

as

mega

a avicultura global O c onsu mo d e ovo s e c arne d e f r ango ve m au me nt and o no mu nd o d e for ma c ons iste nte nas ú lt i mas d é c a d as , pr i nc ip a l me nte p or s e re m a l i me nto s d e f á c i l a c e ss o, b ar ato s e ve rs áte is . Poré m , o pre ç o nã o é o ú n i c o f ator d e te r m i nante p ar a e ss a mai or bus c a d e prote í na an i ma l e m to d o o pl ane t a . A d iv is ã o d e S aú d e An i ma l d a B o eh r i nge r Ingel he i m g l ob a l c onv i d ou D a v i d Hu g he s , profe ss or e mé r ito d e Fo o d Marke t i ng no Imp e r i a l C ol l e ge, e m L ond re s , p ar a ap on t ar as t rê s pr i nc ip ais te nd ê nc i as qu e e st ã o a l av anc and o a av i c u l tu r a a o re d or d o pl ane t a . C on fira:

Pro c u r a p or a d j e ti vo s O profe ss or Hu g he s e x pl i c a qu e, no p ass a d o, o s pre ç o s e r am d e te r m i nante s p ar a o c onsu mo d e c ar ne d e f r ango. C it and o a C h i na c omo e xe mpl o, el e e x pl i c a qu e, no s ú lt i mo s c i nc o s ano s , o me rc a d o l o c a l mu d ou d r ast i c a me nte. Os c onsu m i d ore s pro c u r am agor a pro duto s d e r iv a d o s . S e g u nd o el e, “f r ango é ap e nas o sub st ant ivo, e há p ou c a marge m no sub st ant ivo. S ã o o s a dj e t ivo s qu e as p e ss o as pro c u r am : f r ango c aipi r a , d e a l g u ma re g i ã o e sp e c í f i c a , f r ango d e c re s c i me nto l e n to, u ma r a ç a e sp e c í f i c a , f r ango d e d i e t a ve ge t ar i ana , f r ango or-

g ân i c o, f r ango am i go d o ambi e n te. E m to d o o mu nd o, o s c onsu m i d ore s pro c u r am a dj e t ivo s e e st ã o d isp o sto s a p ag ar p or iss o”.

A l i m ento s e c o logicamente c or re to s : u m a m e g aten d ên c i a O i mp a c to d a no ss a a l i me n t a ç ã o no me i o ambi e nte t r a z u m d eb ate qu e g an h a c a d a ve z m ais rel e v ânc i a , p el o b om d e s e m p e n ho qu e o f r ango apre s e nt a ne ste asp e c to. O Prof. Hu g he s a c re d it a qu e iss o s e tor nar á u m f ator c a d a ve z m ais i mp or t ante no f utu ro. “A l g u m a s e mpre s a s j á l ist am o i mp a c to d o c ar b ono d e s e us pro duto s na s e mb a l age ns . Par a o f r ango, c om su a p e g a d a d e c ar b ono rel at iv ame nte b ai x a e m c omp ar a ç ã o c om out r a s c arne s , e ss a te nd ê nc i a p o d e s e r u m b e ne f í c i o”.

Men o s é m ai s O Prof. Hu g he s ap ont a p ar a a te nd ê nc i a d a bus c a p or obj e t ivo s : c a d a ve z m ais , o s c onsu m i d ore s e x i g i r ã o a l i me nto s “ l i v re s d e”. S e m ant ibi ót i c o s , s e m a d it ivo s , s e m e s c r av i d ã o e s e m d e s mat ame nto. E ss e s f atore s s o c i ais , d e s aú d e e pre o c up a ç õ e s

ambi e nt ais e st ã o s e tor nand o c a d a ve z m ais i mp or t ante s p ar a qu e m c ompr a c ar ne d e f r ango e ovo s . “E o s c onsu m i d ore s v ã o e s p e r ar pro g re ss iv ame nte qu e e s s e s a dj e t ivo s ‘ l iv re s d e’ te n ham u m pre ç o d e v are j o nor ma l”, af i r m a . As qu e stõ e s s o c i ais c ont i nu ar ã o a s e r u m a te nd ê nc i a - ch ave ap ó s a p and e m i a d e C ov i d - 1 9 . Q u a l qu e r p e ss o a qu e t r ab a l he na i ndúst r i a av í c ol a d e ve f i c ar d e ol ho ne ss e s d e s e nvolv i me nto s e s e a d apt ar à s mu d anç a s n a d e m and a d o s cl i e nte s .

Q u a l s er á o f u tu ro d a av i c u l tu r a ? “O f utu ro d o f r ango p are c e b e m d e f i n i d o !” ap ont a o Prof. Hu g he s . “A mu d anç a d e mo g r áf i c a g l ob a l p o d e l e v ar à ab e r tu r a d e novo s me rc a d o s p ar a ave s . Os d e s af i o s a s e re m ob s e r v a d o s s e r ã o p and e m i a s z o onót i c as rel a c i ona d a s a ave s e ovo s , a mu d an ç a s o c i a l a c el e r a d a e a a c e it a ç ã o d e sub st ituto s d e c ar ne b as e a d o s e m c élu l a s ou ve ge t ais . No e n t anto, o c re s c i me nto d o c onsu mo d e c ar ne é f re qu e nte me nte i mpu l s i ona d o p el o au me nto d a re nd a . C om a s p e ss o a s at i ng i nd o p a d rõ e s d e v i d a m ais el e v a d o s , a s ave s c ont i nu ar ã o e m a lt a”, c onclu i. REVISTA 100% CAIPIRA |33


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GESTÃO

Fonte: Assessoria de Comunicação – Emater-MG

Programa de Fomento Rural completa 10 anos de ajuda às famílias rurais carentes Em junho, o Programa de Fomento Rural, originalmente conhecido como Brasil sem Miséria, está completando dez anos de existência 36 | REVISTA 100% CAIPIRA


Desde sua criação, o programa tem sido uma importante política pública de ajuda às famílias rurais em situação de vulnerabilidade social. Em 2020, foram beneficiadas 925 famílias mineiras, totalizando um investimento de cerca de R$ 2,1 milhões. Desde sua implementação no estado, mais de 25 mil famílias já foram atendidas por meio de financiamento de pequenos projetos produtivos. O programa do governo federal tem como objetivo a inclusão social e produtiva de famílias que vivem em situação de extrema pobreza no meio rural, com renda mensal per capita de até R$ 89,00. As famílias recebem um fomento no valor de R$ 2,4 mil, dividido em duas parcelas, para execução de projetos produtivos, como, por exemplo, a implantação de hortas, criação de pequenos animais e outras ações. O trabalho envolve articulação entre o governo de Minas Gerais, por meio da S ecretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (S eapa) e Emater–MG, e o governo federal, por meio dos ministérios da Cidadania e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Os beneficiários recebem ainda toda a assistência técnica da Emater– MG para viabilizar acesso aos recursos financeiros e executar seus projetos. A produtora Lucilene Aparecida Lopes, de Cajuri, na Z ona da Mata mineira, é uma das beneficiárias do programa. Em 2018, ela usou os recursos do Fomento Rural na construção de um galinheiro móvel, o que ajudou muito a família. S egundo Lucilene, animais como lobo-guará e até onça comiam as galinhas, que ficavam soltas no sítio, localizado perto de uma mata. C om as galinhas protegidas, ela agora consegue ter uma boa renda com a venda de ovos. “A gente tem muita encomenda de ovo. Não estamos nem dando conta de atender tantos pedidos. E é um dinheirinho extra muito abençoado”, diz ela.

Para conseguir o dinheiro e executar o projeto, Lucilene foi auxiliada pela equipe local da Emater-MG. Na época, os técnicos da empresa faziam reuniões mensais com o gr upo de mulheres na comunidade da Capivara, distrito de Cajuri, além de visitas às propriedades. A extensionista da Emater, Jaqueline S oares Barbosa, diz que o trabalho com as mulheres rurais tem gerado ótimos resultados. “O recurso, quando é gerido pela mulher, acaba f icando muito com o foco na família, na alimentação e no vestuário. Além disso, é possível notar uma melhoria na autoestima, tanto da mulher como dos f ilhos, que acabam se envolvendo no desenvolvimento e na implementação do projeto”, explica Jaqueline. Na casa da Lucilene, a produtora passou a contar com a ajuda dos filhos na produção e venda de ovos. O f ilho dela, Maílson Andrade, assumiu as finanças do empreendimento, além de ajudar na entrega dos produtos. “C om a suspensão das aulas presenciais na pandemia, os professores e funcionários da escola passaram a me mandar mensagens no WhattsApp, fazendo encomendas de ovos e galinhas. E, nesse boca a boca, as vendas foram sempre aumentando”, comenta Maílson. A produtora Mariana Gracianini, de Cajuri, também montou um galinheiro e pôde ainda comprar uma máquina de costura, que é a realização de um antigo sonho já que ela tem muita habilidade manual. C om a nova máquina, Mariana faz diversas peças de artesanato. Os retalhos usados na criação de tapetes são doações de confecções de Er vália, um município vizinho. O trabalho abriu uma nova fonte de renda e ainda tem ajudado Mariana a superar a depressão. “O que me salva é o artesanato. Vou de um lado, vou de outro. Tento fazer crochê, tapetes e com o programa eu consegui comprar a máquina, que me ajudou a ter uma renda”, conta a

ar tesã.

Aumento p obreza pandemia

da na

No Brasil, são cerca de 14 milhões de famílias abaixo da linha de pobreza e mais de um milhão dessas famílias estão em Minas Gerais, segundo o IB GE. S ó no meio r ural, existem aproximadamente 410 mil pessoas em situação de vulnerabilidade social no estado. E a situação de pobreza se agravou com o surgimento da C ovid-19 e a piora da economia no último ano. Para o coordenador técnico da Emater-MG, Thiago Car valho, o programa de Fomento Rural é de grande importância para o país, principalmente neste momento de pandemia, quando milhares de pessoas perderam renda e vivem em situação de extrema pobreza no meio rural. “C om as atividades implantadas com os recursos do programa, as famílias conseguem produzir o próprio alimento. Isso garante segurança alimentar e ainda geram uma renda extra para os agricultores benef iciados. Além disso, o programa dinamiza a economia local, pois entra mais recursos para os municípios”, argumenta Thiago. O coordenador da Emater-MG diz que, atualmente, uma das limitações do programa é que a inf lação elevou os preços, deixando o valor do f inanciamento defasado. A estratégia então a ser adotada pelos técnicos da empresa será fazer projetos coletivos. “Ao invés de usar o benefício na execução de projetos individuais, queremos fomentar projetos em gr upo. C om a compra coletiva, os produtores conseguem mais poder de negociação e fazer mais com o recurso do programa”, explica Thiago. REVISTA 100% CAIPIRA |37


GOVERNO

Entenda o substitutivo ao PL 490/2007 sobre demarcações de terras indígenas no Brasil Solução para a segurança jurídica e redução de conflitos no campo está em discussão Desde a chegada dos povos europeus ao Brasil, as divergências em relação às terras indígenas seguem, por diversas razões, sem a resolução dos conflitos. Com o aumento populacional na década de 1950, cresceram também as declarações fraudulentas, tendo em vista o critério de “autodeclaração indígena”. O mesmo ocorre em relação às demarcações de terras que, caso continuem como estão hoje, qualquer área poderá virar terra indígena, basta a autodeclaração e um 38 | REVISTA 100% CAIPIRA

na CCJC

laudo antropológico que comprove a ocupação do solo, mesmo em áreas privadas, posterior ao ano de 1988. A Constituição Federal soluciona este problema quando determinou em 1988 que a demarcação de terras indígenas fosse feita em até 5 anos (1993), conforme o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT - art. 67). O substitutivo ao Projeto de Lei 490/2007, apresentado pelo deputado federal Arthur Maia (DEM-

-BA), institui a data da promulgação da CF/88 (5 de outubro de 1988) como marco temporal para o reconhecimento de ocupação de terras por indígenas. O objetivo é dar segurança jurídica para quem detém a posse da terra e pagou por ela. A medida é determinante para redução significativa de conflitos no campo. Atualmente, qualquer área do território nacional pode ser demarcada, sem nenhum tipo de indenização. A proposta inclui o marco temporal e, também, a indenização


por demarcação de terras indígenas, de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o tema. Os proprietários que tiverem terras demarcadas poderão ser indenizados, caso comprovem a posse legítima, diante do erro do Estado ao não demarcar a área dentro do prazo estabelecido pelo ADCT. Na prática, o Congresso Nacional busca avançar no processo de regulamentação em Lei do trâmite de demarcação de terras no Brasil, alvo de conflitos ao longo da história. O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Sérgio Souza (MDB-PR), defende que o proprietário da terra não pode ser culpado pelo erro do Estado. “Nós defendemos que quem pagou pela terra, com anuência do próprio Governo, tenha o reconhecimento de seu direito de propriedade e em caso de demarcação da área, possa ser ressarcido”. Para Sérgio Souza, “a questão principal a ser defendida é a segurança à propriedade, ao solo e à todos os brasileiros, independente da etnia”. Segundo o parlamentar,

os 14 anos de debate sobre o tema definiram dois pontos imprescindíveis: as 19 condicionantes, assim como o marco temporal. “São questões que regulamentam a nossa Constituição e não podemos deixar de lado para definir o futuro do solo do nosso país”, comentou. O relator do Projeto de Lei, deputado Arthur Maia (DEM-BA), reforça a aplicação das 19 condicionantes que foram apresentadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na análise do julgamento da reser va indígena Raposa Serra do Sol. Para Maia, “as condicionantes estabelecem não só a preser vação do índio e do seu território, como também busca dar segurança jurídica à propriedade privada no Brasil”. O deputado argumenta que, “o projeto confronta o argumento de prejuízo ou retirada de direitos já conquistados pelos povos indígenas”. Dentre as condicionantes, destaca-se que nas terras indígenas é permitido à União instalar estradas, redes de comunicação e serviços para saúde e educação nas áreas demarcadas. Bem como, a

possibilidade de o exército brasileiro poder entrar nessas reser vas para defender as fronteiras brasileiras e garantir a preser vação do meio ambiente. Na visão do relator, as questões apresentadas no substitutivo ao PL 490/2007 trazem razoabilidade para o debate, quando a própria Constituição Federal de 1988 diz que terra indígena é aquela tradicionalmente ocupada pelos índios, em caráter permanente, para o desenvolvimento das suas atividades produtivas. “Ora, nós temos que ter um marco para a demarcação, para a questão da posse e para comprovar a presença do índio na terra. Será a solução de todo e qualquer problema”, finalizou. A medida está em debate na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (23) e mobiliza a bancada da FPA para que o substitutivo seja aprovado. Os parlamentares reafirmam que o projeto não retira direitos indígenas e que a bancada atua para que haja pacificação no campo, resguardados os direitos de todos os brasileiros.

Fonte: Assessoria de Imprensa e Comunicação FPA

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ENERGIAS RENOVÁVEIS

Brasil sobe 4 posições em ranking de atratividade para energia renovável

O Brasil subiu quatro posições no ranking de uma publicação que mede a atratividade para investimentos em energias renováveis, e agora ocupa o 11º lugar, sendo o primeiro colocado da América Latina, apontou a empresa de consultoria e auditoria EY Os Estados Unidos continuam na primeira colocação, seguidos de China e Índia, que passou da sexta para a terceira posição, conforme a 57ª edição do Índice de Atratividade de Países em Energia Renovável (RECAI, na sigla em inglês). À frente do Brasil aparecem ainda países como Reino Unido (4º), França (5º), Austrália (6º) e Alemanha (7º), em um mercado que registrou no ano passado investimentos de mais de 300 bilhões de dólares em nova capacidade de energia renovável. A EY citou que o Brasil está avançando com os planos para regulamentar o mercado de energia eólica offshore (no mar). “Atualmente, (o Brasil) não possui turbinas nos seus 8 mil km de costa atlântica, mas um novo projeto de lei foi proposto no Congresso em fevereiro, e, se aprovado, abrirá o setor”, disse a empresa de consultoria. 40 | REVISTA 100% CAIPIRA

Segundo a EY, o setor de energia eólica offshore no Brasil poderia “ter um forte crescimento” também pela velocidade dos ventos do país, adequada à fonte. A empresa citou que Equinor e Iberdrola a já buscaram licenças para 4 GW e 9 GW, respectivamente. Total e Enauta também manifestaram interesse, segundo a EY. Além de medir a atratividade de investimentos em energia renovável, o RECAI também reflete as oportunidades de implantação, em momento em que as metas de meio ambiente, sustentabilidade e governança estão cada vez mais presentes na agenda dos investidores. Sobre os líderes do ranking, a publicação citou que, com o presidente Joe Biden, os EUA estão inaugurando uma “nova era” de políticas de energia para deixar a nação mais distante dos combustíveis fósseis, começando com a

reativação do Acordo de Paris. Biden ainda prometeu que os EUA vão cortar as emissões de gases de efeito estufa em até 52% até 2030, com base em níveis de 2005. A EY também citou investimentos em energia eólica no mar nos EUA, e o rápido crescimento da fonte que acontece também na China. A publicação disse que a China adicionou “impressionantes” 72,4 GW de nova energia eólica em 2020, incluindo 48 GW apenas em dezembro, quando os desenvolvedores correram antes do corte de subsídio para energia eólica onshore (em terra). A China não aprovará mais projetos eólicos subsidiados em terra após 2020, e instalou 3 GW de eólicas no mar no ano passado, representando cerca de metade da nova capacidade global, com o país liderando o ranking desses novos projetos pelo terceiro ano conFonte: Reuters secutivo.


FRUTICULTURA

Abacate conquista o lugar do café no Vale do Ivaí e no Norte do Paraná As curvas em sequência na estrada rural de terra batida terminam na propriedade Fonte: Agricultura do Paraná

do agricultor João Costa

É lá, no sítio de 18 alqueires em um distrito de Apucarana, no Vale do Ivaí, que ele se esconde. Passa horas e horas, dias e dias, absorto pelas árvores de abacate. Só volta para a cidade quando o sol já não é mais companhia na roça. É do sítio que tira o sustento da família. São 600 pés e mais de 400 toneladas de abacate por ano que ele espalha pelo Brasil – São Paulo, Pará e Pernambuco são alguns dos estados compradores. Fora a outra propriedade, em Lidianópolis, que tem mais 75 pés dando fruto. Produção em expansão, assim como tantos outros agricultores da região, o seu João trocou o café pela fruta. Ainda mantém uma pequena plantação do “ouro negro”, mas por pouco tempo. Já decidiu que vai usar todo o espaço em Apucarana para o abacate, adicionar a variedade Breda às variedades Margarida e Quintal, que ele já cultiva. “São mais de 30 anos de abacate. Comecei com 20 pés e decidi me dedicar porque logo na primeira colheita consegui comprar um Uno zero. Vi que esse era o caminho. Já encomendei 400 mudas e quero fechar o ano com mais de mil pés”, destaca o agricultor. O veterano “abacateiro” é um dos puxadores do crescimento da participação da fruta no Paraná. O abacate teve um incremento de 19% na área de plantio e de 34,1% em produção no Es-

tado nos últimos dez anos. Apesar de o volume ainda não ser expressivo nacionalmente, é uma cultura importante, sobretudo no Vale do Ivaí e na Região Norte. De acordo com o censo agropecuário elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) em 2019, o Paraná é o terceiro maior produtor de abacate do País, responsável por 9,7% do volume nacional. Fica atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. O solo paranaense produziu ano passado 26,4 mil toneladas da fruta em 1,3 mil hectares, o que representa 1,9% do volume da fruticultura estadual. Em 2019, o Valor Bruto da Produção (VPB) somou R$ 4,9 milhões. NO ESTADO - O Norte e o Vale do Ivaí respondem por 75% dos frutos no Paraná. Apucarana é o principal produtor, com 11,4% do volume. Arapongas vem em segundo lugar com 8% da produção. São 1,2 mil fruticultores com produtividade média de 21 toneladas por hectare. O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná recomenda o cultivo de diversas variedades e em altitudes diferentes, oportunizando a colheita durante boa parte do ano”, diz Paulo Andrade, técnico do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento.

Levantamento do órgão aponta que o abacate foi a 13ª fruta mais comercializadas nas cinco unidades da Ceasa do Paraná em 2020 – 8,9 mil toneladas, resultando em um valor bruto da produção de R$ 30,5 milhões. O preço médio ficou em R$ 3,42/kg. NACIONAL - O abacate é cultivado em 15,3 mil hectares do território brasileiro. Entre as frutas, é a 17ª em área e VBP, com R$ 362,2 milhões apurados em 2019 pelo IBGE. Em volume de produto colhido, ocupa o 15º lugar, com 242,9 mil toneladas. No ano passado, foi a 12ª colocada entre as frutas mais exportadas pelo Brasil. Foram enviadas 7,6 mil toneladas para o Exterior, o que rendeu US$ 13,2 milhões. O País também é importador da fruta. No mesmo ano, foram compradas 326 toneladas, pelas quais o País pagou US$ 874 mil. Em âmbito mundial, o México lidera a produção, com 34,6% da oferta de 6,3 milhões de toneladas registrada em 2018. SÉRIE - O abacate de Apucarana integra a série de reportagens Paraná que alimenta o mundo, desenvolvida pela Agência Estadual de Notícias (AEN). A série mostra o potencial do agronegócio paranaense. Os textos são publicados sempre às segundas-feiras. A previsão é que as reportagens se estendam durante todo o ano de 2021. REVISTA 100% CAIPIRA | 41


PESQUISA

Pesquisa desenvolve isenta de

Um grupo de cientistas desenvo

Fonte: Embrapa Agroindústria de Alimentos

O novo produto alimentício não contém glúten, o que o torna apropriado a dietas especiais, como a voltada a pessoas com doença celíaca. O alimento pode ser combinado com outros ingredientes para ser empregado na panificação e compor pães, bolos, salgados, doces e outros. A farinha de pinhão cru nasceu da estratégia de estruturação da cadeia produtiva do pinhão, que visa desenvolver novos produtos de alto valor agregado em escala agroindustrial. “Sua obtenção”, conta o pesquisador da Embrapa Felix Cornejo, “envolve conceitos simples referentes às propriedades físicas de matérias-primas agrícolas incluindo descascamento, separação da casca (tegumento) e pinhões danificados por flotação, secagem e moagem com a possibilidade de diferentes aplicações e usos da farinha, conforme a granulometria utilizada”. Esse trabalho foi realizado nas plantas-piloto da Embrapa por meio de parceria entre Embrapa Florestas (PR), Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Espécie nativa brasileira, o pinhão é a semente da araucária, espécie florestal que integra a paisagem ambiental, cultural e econômica nas regiões brasileiras Sul e Sudeste, bastante apreciado na alimentação. No entanto, sua cadeira produtiva é baseada no extrativismo e não é organizada, o que traz desafios e oportunidades. Os pesquisadores acreditam que o desenvolvimento de novos | REVISTA 100% CAIPIRA

produtos possa fazer com que a cadeia se organize, desde a disponibilização de matéria-prima, criação de plantas agroindustriais e consequente geração de renda e conservação ambiental, especialmente em pequenas comunidades rurais. “O produto final não apresenta odor pronunciado, e tampouco materiais lignocelulósicos que alteram a textura da farinha, o que facilita sua utilização na elaboração de diversos outros produtos das linhas de extrudados, panificáveis, salgadinhos e para uso gastronômico”, afirma pesquisadora da Embrapa Rossana Catie Bueno de Godoy que coordenou o projeto “Avaliação do potencial do pinhão na alimentação e no desenvolvimento de novos produtos (Pinalim)”. Os resultados do projeto se destinam principalmente às comunidades e produtores que atuam no extrativismo sustentável de produtos da floresta e a empresas que atuam no segmento de farinhas especiais, de acordo com a pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos Regina Nogueira. “Sua textura fina e sem resíduos lignocelulósicos confere maior aceitação por parte dos consumidores”, afirma, frisando a intenção de estender aos consumidores a oferta de produtos com potencial de boa aceitação durante todo o ano. O rendimento do processo de elaboração da farinha é de 30% em relação à matéria-prima. Segundo dados da tese de doutorado defendida no Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos Químicos e Bioquímicos

da semente d (EPQB, da UFRJ) por Angela Gava, a vida útil dessa farinha de pinhão é de 120 dias, o que representa um ganho significativo. “A semente de pinhão in natura apresenta uma elevada ‘atividade de água’. Ou seja, a água livre presente na semente, que pode ser utilizada por microrganismos, torna a matéria-prima suscetível à deterioração, o que limita seu consumo aos meses de coleta. Quando submetido ao processamento, após a desidratação e envase adequado, há possibilidade de oferta desse alimento por mais tempo”, informa. Embora a farinha branca tenha melhor aceitação, é possível também, durante o processo de obtenção da farinha, utilizar a película que envolve o endosperma da semente e, com isso, ter a opção de uma


farinha de pinhão cru e glúten

olveu uma farinha de pinhão cru

da araucária farinha com maior teor de aminoácidos essenciais (leucina, fenilalanina + tirosina e valina). Segundo análises realizadas no Laboratório de Análises Físico-Químicas da Embrapa Agroindústria de Alimentos, a farinha de pinhão crua possui cerca de 80% de amido, 6% de proteína, 5% de fibras e 2% de lipídios e apresenta umidade de 4,95%. Uma característica interessante observada pela equipe de pesquisadores é que os tipos de amidos encontrados no pinhão são potencialmente benéficos para a saúde humana. “O pinhão apresentou níveis elevados de amido rapidamente digerido, como a maioria das fontes amiláceas, contudo, também consideráveis quantidades de amido lentamente digerível, amido

resistente, o que desperta potencial promoção de saúde com o seu consumo”, explica a engenheira de alimentos Manoela Guidolim da UFPR. O amido resistente serve de nutriente para as bactérias presentes no intestino grosso, sendo considerado um alimento prebiótico.

dos consumidores brasileiros seguem a tendência mundial pela busca de alimentos mais naturais e saudáveis, que podem ser sem glúten, aditivos químicos, agrotóxicos e proteínas de origem animal, por exemplo. Um outro nicho de mercado a ser explorado é daqueles consumidores que valorizam alimentos provenientes da sociobiodiDesafio: aumentar a pro- regionais, versidade brasileira. Nesse contexto, o dução de pinhão avanço dos estudos da estrutura e das propriedades funcionais do pinhão poNa natureza, a araucária leva de dem contribuir para a expansão de seu 12 a 15 anos para começar a produzir consumo e uso industrial. o pinhão. Pesquisas conduzidas pela Embrapa Florestas desenvolveram tecConsulta aos consumidonologias que possibilitam a antecipação da produção para seis a oito anos, res para definir linhas de estimulando a formação de pomares de pesquisa pinhão. A tecnologia é destaque no Balanço Social da Embrapa 2021. Clique As pesquisas com novos produtos de aqui para conhecer mais. https://www. pinhão, que deram origem à farinha de embrapa.br/balanco-social-2020/impinhão cru, são fruto de uma consulta pactos/frutos-e-castanhas feita a mais de 180 consumidores que, entre as questões levantadas, relataram Potencial para mercado os principais problemas encontrados no pinhão no mercado e o que a pesquisa de celíacos poderia contribuir para incrementar o Dados da Gluten Free Brasil apon- aproveitamento da semente, gerando tam que o mercado nacional de alimen- novos produtos. Além da farinha, outros produtos tos sem glúten quadruplicou nos últiforam pesquisados em escala laboratomos 15 anos para atender a necessidade rial e piloto, como snacks, pré-mistura de mais de dois milhões de pessoas com para bolos, extração de amido, entre oudoenças celíacas, alérgicos e intolerantros. Outro resultado do projeto Pinates à glúten, e àqueles que preferem relim foi a publicação do livro O Pinhão duzir o glúten de suas dietas. Além disso, segundo a empresa na Culinária, com cem receitas doces e de pesquisas de mercado Mintel, 79% salgadas elaboradas com essa iguaria. REVISTA 100% CAIPIRA |43


BIOLÓGICOS E BIOINSUMOS

Novo produto biológico obtém 100% de efic

A Embrapa e a empresa suíça Andermatt Biocon

de provocar a morte de 100% da população da

Batizado com o nome comercial de Spodovir, o biodefensivo tem na composição um vírus que infecta a praga sem trazer riscos à saúde humana ou ao meio ambiente. Isso porque sua base é um baculovírus, tipo de vírus que causa a morte somente de insetos e não prejudica microrganismos, plantas, mamíferos e vertebrados. O Spodovir será o primeiro lançamento global de um produto biológico com tecnologia Embrapa, pois foi desenvolvido em parceria com uma empresa privada com rede de atuação em diversos países. O produto foi registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para o controle da lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda, principal praga do milho, capaz de reduzir a produção dessa cultura em mais de 50%, e pode ser usado em diversos 44| REVISTA 100% CAIPIRA

cultivos, tais como soja, sorgo, algodão, arroz, pastagens e hortaliças. “A grande vantagem desse produto biológico, também chamado de biodefensivo, é que ele não afeta o meio ambiente, não intoxica aplicadores, não mata os inimigos naturais das pragas (insetos benéficos), não polui rios e nascentes e não deixa resíduos nos alimentos a serem vendidos nos supermercados, contribuindo para uma melhor sustentabilidade e melhor qualidade do produto disponibilizado para os consumidores”, ressalta o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo Fernando Hercos Valicente, desenvolvedor e responsável pela tecnologia na Empresa. Os biodefensivos à base de baculovírus têm melhor ação quando as lagartas são pequenas, desde recém-nascidas até, no máximo, o tamanho de um centímetro de comprimen-

to, no caso da lagarta-do-cartucho. “O posicionamento do Spodovir no campo é essencial para causar a mortalidade desejada e é dependente da região e do início de ataque da praga”, pondera o cientista, frisando que a eficácia de 100% do produto, obtida em experimentos, foi também resultado da aplicação correta dele. Valicente destaca que o Spodovir deve ser ingerido pelos insetos para fazer efeito, por via oral. “Dessa forma, a pulverização deve respeitar esse fator (ingestão por parte do inseto) e a operação precisa ser bem-feita. Os baculovírus não possuem ação de contato. Podem ser feitas aplicações a UBV (ultrabaixo volume) desde que com os equipamentos adequados. Serão iniciados testes para a pulverização com drones em soja e algodão”, anuncia o pesquisador. O produto deve ser aplicado, quando possível, após as 16h, período com menor incidência de raios ultravioletas (UV), que desativam as partículas virais no campo. Outro motivo é que a lagarta-do-cartucho possui hábito noturno, iniciando sua alimentação no início da noite. “Se a pulverização for feita no fim da tarde, não haverá desativação das partículas virais (não há radiação UV) e haverá o consumo do baculovírus que foi pulverizado sobre a plantação, por meio da raspagem das folhas pelas lagartas, causando a morte desses insetos”, explica o pesquisador, ao ressaltar que a aplicação deve ser ajustada com a necessidade e o tamanho da cultura e de acordo com a logística da propriedade. • Biodefensivo é resultado de par-


cácia no controle da lagarta-do-cartucho

ntrol desenvolveram um produto biológico capaz

a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) ceria entre a Embrapa e o grupo suíço Andermatt Biocontrol, com lançamento mundial. • Novo produto obteve 100% de letalidade contra a lagarta-do-cartucho em experimentos e é inofensivo a outros insetos (inimigos naturais), plantas e seres humanos. • Custo de aplicação é pouco acima de 70 reais por hectare, o que equivale a meia saca de soja ou 75% do valor de uma saca de milho (cotações da primeira quinzena de junho). • Produto pode ser aplicado em lavouras de milho, soja, sorgo e algodão, além de pastagens e hortaliças. • Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) é a principal praga do milho, capaz de reduzir a produção dessa cultura em mais de 50%. • Serão iniciados testes para a pulverização com drones em soja e algodão. A Embrapa e a empresa suíça Andermatt Biocontrol desenvolveram um produto biológico capaz de provocar a morte de 100% da população da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda). Batizado com o nome comercial de Spodovir, o biodefensivo tem na composição um vírus que infecta a praga sem trazer riscos à saúde humana ou ao meio ambiente. Isso porque sua base é um baculovírus, tipo de vírus que causa a morte somente de insetos e não prejudica microrganismos, plantas, mamíferos e vertebrados. O Spodovir será o primeiro lançamento global de um produto biológico com tecnologia Embrapa, pois foi desenvolvido em parceria com uma empresa privada com rede de atuação em diversos países. O produto foi re-

gistrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para o controle da lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda, principal praga do milho, capaz de reduzir a produção dessa cultura em mais de 50%, e pode ser usado em diversos cultivos, tais como soja, sorgo, algodão, arroz, pastagens e hortaliças. “A grande vantagem desse produto biológico, também chamado de biodefensivo, é que ele não afeta o meio ambiente, não intoxica aplicadores, não mata os inimigos naturais das pragas (insetos benéficos), não polui rios e nascentes e não deixa resíduos nos alimentos a serem vendidos nos supermercados, contribuindo para uma melhor sustentabilidade e melhor qualidade do produto disponibilizado para os consumidores”, ressalta o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo Fernando Hercos Valicente, desenvolvedor e responsável pela tecnologia na Empresa. Os biodefensivos à base de baculovírus têm melhor ação quando as lagartas são pequenas, desde recém-nascidas até, no máximo, o tamanho de um centímetro de comprimento, no caso da lagarta-do-cartucho. “O posicionamento do Spodovir no campo é essencial para causar a mortalidade desejada e é dependente da região e do início de ataque da praga”, pondera o cientista, frisando que a eficácia de 100% do produto, obtida em experimentos, foi também resultado da aplicação correta dele. Valicente destaca que o Spodovir deve ser ingerido pelos insetos para fazer efeito, por via oral. “Dessa forma, a pulverização deve respeitar esse fator (ingestão por parte do in-

seto) e a operação precisa ser bem-feita. Os baculovírus não possuem ação de contato. Podem ser feitas aplicações a UBV (ultrabaixo volume) desde que com os equipamentos adequados. Serão iniciados testes para a pulverização com drones em soja e algodão”, anuncia o pesquisador. O produto deve ser aplicado, quando possível, após as 16h, período com menor incidência de raios ultravioletas (UV), que desativam as partículas virais no campo. Outro motivo é que a lagarta-do-cartucho possui hábito noturno, iniciando sua alimentação no início da noite. “Se a pulverização for feita no fim da tarde, não haverá desativação das partículas virais (não há radiação UV) e haverá o consumo do baculovírus que foi pulverizado sobre a plantação, por meio da raspagem das folhas pelas lagartas, causando a morte desses insetos”, explica o pesquisador, ao ressaltar que a aplicação deve ser ajustada com a necessidade e o tamanho da cultura e de acordo com a logística da propriedade.

Custo por hectare é inferior a 50% do valor da saca de soja O Spodovir é resultado de uma parceria firmada em 2015 entre a Embrapa e o Grupo Andermatt. “Após diversos testes realizados nos nossos laboratórios, verificamos que REVISTA 100% CAIPIRA | 45


o produto apresentava uma eficácia excelente, o que impulsionou a empresa a fechar a parceria com a Embrapa”, afirma o CEO da Andermatt Biocontrol Brasil, Markus Ritter. A engenheira-agrônoma Viviane Dutra (foto à direita), responsável pela gerência da Andermatt Brasil, adianta que o custo de uma aplicação do produto por hectare seria de aproximadamente 0,75 saca de milho (considerando, por exemplo, o preço da saca do cereal no último dia 10 de junho a R$ 96,57, o produtor de milho gastaria R$ 72,42 por hectare) e de 0,45 saca de soja (com preço de R$ 167,62; dados do mesmo dia. Dessa forma, o sojicultor gastaria R$ 75,42 por hectare para aplicar o Spodovir). A gerente explica que o processo de produção do Spodovir ocorre totalmente no Canadá, em uma das unidades da Andermatt especializadas na produção e formulação de baculovírus. “Nosso processo de produção e de multiplicação do vírus é muito criterioso. A equipe tem grande expertise com esse tipo de microrganismo, o que nos proporciona alta qualidade”, destaca. Sobre a formulação do produto biológico, Dutra relata que ele apresenta alta solubilidade, não forma sedimentos e é de fácil mistura. “Em todos os testes realizados, o Spodovir obteve performance igual ou superior aos produtos já utilizados para o controle da praga. Acreditamos que teremos uma excelente aceitação dos agricultores, uma vez que ele tem alta eficácia, e o agricultor brasileiro já está habituado ao uso de produtos biológicos”, aposta a gerente. Para ela, a experiência do Grupo Andermatt na produção de microbiológicos, juntamente com o conhecimento da Embrapa, será uma aposta de sucesso. “Podemos atender as necessidades dos produtores rurais de forma sustentável, sem causar impacto ao meio ambiente, aos trabalhadores e aos consumidores”, afirma Dutra, ressaltando que o Spodovir pode 46 | REVISTA 100% CAIPIRA

compor ações de Manejo Integrado de Pragas (MIP), com vantagens sobre os inseticidas químicos. Markus Ritter afirma que a expectativa da empresa é que a comercialização já atenda a demanda dos produtores para os primeiros plantios da safra de milho. “Nosso objetivo é levar soluções aos diversos perfis de produtores, independentemente do tamanho de sua propriedade ou da escolha no manejo da sua lavoura. Estamos prontos para atender todos os públicos, desde pequenos agricultores familiares até os grandes grupos empresariais”, adianta o executivo.

D e s e nv o l v i m e n to da pesquisa: anos de dedicação A identificação de isolados eficientes do baculovírus para ação contra a Spodoptera frugiperda teve início ainda na década de 1980, quando pesquisadores iniciaram a coleta e fizeram levantamentos de lagartas para identificação dos insetos doentes. “Para se produzir um inseticida à base de baculovírus, devem ser coletadas lagartas em campo, isoladas aquelas que possuem sintomas de infecção e estudadas uma a uma em relação às lagartas sadias. Os melhores isolados são trabalhados em laboratório e faz-se a caracterização, utilizando, se necessário, ferramentas de sequenciamento gênico. A caracterização dos isolados induz à escolha da melhor cepa e esta será trabalhada em termos de produção-piloto, formulação do produto biológico e experimentos de campo”, relata Valicente. Segundo ele, após todos os estudos, foi possível obter parâmetros para a produção. Lagartas sadias criadas em laboratório são usadas como hospedeiras para multiplicar os vírus e dar origem ao produto.

“São anos de dedicação, de investimento em pesquisa, de experimentos em laboratórios e testes nos campos para tornar o produto viável”, conta o pesquisador. Ele diz que os sintomas de infecção do baculovírus nas lagartas começam com perda de apetite, redução na mobilidade, descoloração do corpo e morte. Além da eficiência, a tecnologia apresenta como diferenciais o baixo número de aplicações e a preser vação de mananciais de água e de inimigos naturais da praga.

Como aplicar O Spodovir vem em uma formulação em pó molhável, com recomendação de 50 gramas por hectare. Ritter afirma que a Andermatt tem estoque suficiente para cobrir 18 mil hectares nessa primeira fase. Segundo ele, a fábrica no Canadá está em plena operação e novos volumes serão importados. Seguindo a recomendação da dosagem, um quilo do produto é suficiente para 20 hectares. Recomenda-se usar bico leque e a vazão aprovada pela pulverização convencional de 100 litros a 120 litros por hectare, podendo chegar a 150 litros por hectare e um mínimo de 80 litros por hectare. Toda aplicação deve incluir um espalhante adesivo para melhorar a aderência do produto às folhas pulverizadas, tomando-se o cuidado para que o pH da calda fique entre 5 e 7,2. Há espalhantes no mercado que mantêm o pH da calda nesse inter valo, o que facilita a aplicação na cultura do algodão. Os técnicos ressaltam as observações já citadas: é importante que a aplicação leve em conta o modo de ação do produto, a ingestão dele pelo inseto. Portanto, o horário ideal de aplicação é a partir das 16h, quando há menos incidência de raios ultravioleta (que afetam o bioproduto) e já prepara as folhas para a lagarta que se alimenta Fonte: Embrapa Milho e Sorgo à noite.


ENERGIAS RENOVÁVEIS

Brasil atinge meio milhão de conexões de energia solar em telhados e pequenos terrenos, aponta ABSOLAR Segundo a entidade, geração própria de energia solar trouxe R$ 29 bilhões em investimentos e gerou mais de 174 mil empregos acumulados no País

Fonte: Totum Comunicação

Para a associação, o Projeto de Lei nº 5.829/2019, que cria o marco legal da modalidade, fortalecerá a segurança de suprimento elétrico em tempos de crise hídrica e bandeira vermelha na conta de luz Segundo levantamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), o Brasil acaba de ultrapassar a marca de meio milhão de conexões de geração própria de energia a partir da fonte solar fotovoltaica. Desde 2012, a modalidade instalou cerca de 5,8 gigawatts (GW) de potência operacional, sendo responsável pela atração de mais de R$ 29 bilhões em novos investimentos ao País e agregando mais de 174 mil empregos acumulados no período, espalhados pelas cinco regiões nacionais. Embora tenha avançado nos últimos anos, o Brasil – detentor de um dos melhores recursos solares do planeta – continua atrasado no uso da geração própria de energia solar. Dos mais de 87 milhões de consumidores de energia elétrica do País, menos de 0,7% já faz uso do sol para produzir eletricidade, limpa, renovável e competitiva. Para a entidade, o maior incentivo à geração própria de energia renovável,

como proposto no Projeto de Lei (PL) nº 5.829/2019, que cria um marco legal para a modalidade, fortalecerá a segurança de suprimento elétrico em tempos de crise hídrica, bandeira vermelha na conta de luz pelo uso de termelétricas fósseis e risco de racionamento. O PL 5.829/2019, de autoria do deputado federal Silas Câmara e relatoria do deputado federal Lafayette de Andrada, garantirá em lei o direito do consumidor de gerar e utilizar a própria eletricidade, a partir de fontes limpas e renováveis. A geração própria de energia solar já está presente em 5.257 municípios e em todos os estados brasileiros. Entre os cinco municípios líderes estão Cuiabá (MT), Brasília (DF), Teresina (PI), Uberlândia (MG) e Rio de Janeiro (RJ), respectivamente. “Com 5,8 GW em operação nos telhados e fechadas de residências, comércios, indústrias, propriedades rurais e prédios públicos do Brasil, a geração própria de energia solar já equivale a mais de um terço da potência instalada de Itaipu. São investimentos feitos diretamente pelos consumidores, sem depender de recursos do Governo. Os sistemas fornecem eletricidade limpa, renovável e compe-

titiva justamente nos horários de maior demanda da sociedade, entre 11h e 18h. Isso ajuda a aliviar e desafogar a operação do sistema elétrico”, esclarece Rodrigo Sauaia, CEO da ABSOLAR. Em número de unidades consumidoras usando geração própria de energia solar, os consumidores residenciais estão no topo da lista, representando 75,0% do total. Em seguida, aparecem consumidores dos setores de comércio e serviços (15,4%), produtores rurais (7,0%), indústrias (2,3%), poder público (0,4%) e outros tipos, como serviços públicos (0,02%) e iluminação pública (0,01%). “A energia solar na geração própria ajuda a economizar água dos reservatórios das hidrelétricas do País e reduz o uso de termelétricas fósseis, caras, poluentes e responsáveis pela terrível bandeira vermelha. Com isso, ajuda a diminuir a conta de luz de todos os brasileiros. Também reduz as perdas elétricas e os gastos com infraestrutura elétrica, que seriam rateados e cobrados nas contas de luz dos consumidores. Por isso, é fundamental fortalecer e incentivar o uso desta tecnologia no Brasil”, comenta Ronaldo Koloszuk, presidente do Conselho de Administração da entidade. REVISTA 100% CAIPIRA |47


RECEITAS CAIPIRAS

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Brodo INGREDIENTES

3 xícaras (chá) de farinha de trigo 1/2 colher (café) de sal 5 colheres (sopa) de óleo 4 ovos Farinha de trigo para enfarinhar Salsa picada e queijo parmesão ralado a gosto para polvilhar Recheio: 1 xícara (chá) de bacon em cubos 2 xícaras (chá) de carne moída 1 ovo 5 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado Sal, pimenta-do-reino e noz-moscada moída Caldo: 4 colheres (sopa) de óleo 3 xícaras (chá) de sobrecoxa de frango sem pele e osso em cubos 1 cebola picada 1 cenoura em cubos 2 colheres (sopa) de extrato de tomate 2 talos de salsão picados 2 litros de água 2 cubos de caldo de galinha 1 folha de louro 1 pedaço de 2cm de canela em pau

PREPARO Para o recheio, aqueça uma frigideira e refogue o bacon na própria gordura até dourar. Adicione a carne e refogue por 5 minutos ou até dourar levemente. Junte o ovo e o parmesão, tempere com sal, pimenta e noz-moscada e reserve. Para a massa, misture a farinha com o sal em uma vasilha. Adicione o óleo e os ovos batidos com um garfo e comece a incorporar a farinha, aos poucos, com o garfo até formar uma bola. Transfira para uma superfície lisa e enfarinhada e sove por 10 minutos ou até obter uma massa homogênea. Embrulhe em filme plástico e deixe descansar por 30 minutos. Abra a massa bem fina com ajuda de um cilindro ou rolo de macarrão em uma superfície lisa e enfarinhada. Corte em quadrados de 4cm. e no centro de cada quadrado, coloque um pouco de recheio e feche a massa em forma de triângulo, apertando bem as bordas para fixar. Enrole o triângulo sobre o dedo indicador para que formem uma espécie de anel pressionando para grudar. Coloque-os sobre uma superfície enfarinhada. Para o caldo, aqueça em fogo médio, uma panela grande com o óleo e frite o frango até dourar. Acrescente a cebola e a cenoura e refogue por 3 minutos. Adicione o extrato e o salsão e refogue por 2 minutos. Despeje a água, o caldo de galinha, o louro e a canela e cozinhe por 5 minutos. Acrescente o capeleti e cozinhe por 5 minutos ou até amaciar. Transfira para uma refratário fundo, polvilhe com salsa e parmesão e sirva. REVISTA 100% CAIPIRA | 49


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