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www.revista100porcentocaipira.com.br Brasil, junho de 2021 - Ano 9 - Nº 96 DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Pesquisa desenvolve cultivar nacional amarela de pimenta habanero

Versátil, nova cultivar atende agroindústrias e mercado de frutos frescos REVISTA 100% CAIPIRA |


O AGRO NÃO P

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PODE PARAR

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Feijão: Qualidade e falta de armazéns fazem produtores do Paraná colher e vender

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Capacitação:

Em um ano, produtor do Campo das Vertentes colhe 27.500 quilos de pimentões

Crédito rural:

Crédito Rural/CNA: Só 27% dos produtores acessou recursos em 2020; em 2021, 46,2% Logística e transporte:

BRF testa drones para entregas em granjas integradas

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Artigo:

Pesquisa desenvolve cultivar nacional amarela de pimenta habanero


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Fruticultura:

IG Sul da Bahia lança programa pioneiro de rastreabilidade de cacau

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Mercado florestal:

46 48

Turísmo rural: Governo de Goiás cadastra produtores interessados em turismo rural

Setor privado conservação e restauração de 22,6 mi de hectares

Saúde animal:

Brasil tem mais seis estados reconhecidos como áreas livres de febre aftosa

Receitas Caipiras: Patê de pimenta habanera amarela REVISTA 100% CAIPIRA |

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FEIJÃO

Feijão, por Ibrafe: Qualidade e falta de armazéns fazem produtores do Paraná colher e vender Brasil,junho de 2021 Ano 9 - Nº 96 Distribuição Gratuita

EXPEDIENTE

Revista 100% AGRO CAIPIRA www.revista100porcentocaipira.com.br

Fonte: Ibrafe

A necessidade de venda no Paraná, muitas vezes em função de não ter como secar ou até mesmo onde armazenar o Feijão colhido A necessidade de venda no Paraná, muitas vezes em função de não ter como secar ou até mesmo onde armazenar o Feijão colhido, seja preto ou carioca, faz com que os produtores que não estão associados a cooperativas ou mesmo que são associados daquelas cooperativas que não operam com Feijão tenham a necessidade de colher e vender. Por esta razão, há esta pressão vendedora que baixou os preços ao redor de R$ 20 por saca em Feijões-pretos e cariocas. Mas tenha em conta que o Feijão do Paraná é um produto afetado por diferentes fenômenos, desde a estiagem até chuva na colheita. Há peneira baixa, grãos irregulares, úmidos e manchados. Portanto, tecnicamente o valor é mais baixo por causa da qua6 | REVISTA 100% CAIPIRA

lidade. Ao mesmo tempo, vários compradores foram para aquele estado para atender sua demanda diária normal dos empacotadores. Apesar da queda dos preços com este Feijão do Paraná, não se vê movimento de estocagem ou a presença dos especuladores, por dois motivos: (1) que o tempo para apostar é muito cur to, pois em julho ao redor de 20/25% já estará colhido da terceira saf ra e (2) a qualidade do Feijão miúdo e passado em secador não permite que se estoque. Alguma coisa já será colhida do início da terceira safra. Em breve, traremos aqui, para o membros do Clube Premier, um estudo sobre o que tem acontecido com os Feijões colhidos em julho e agosto e vendidos até o mês de dezembro do mesmo ano e março do ano seguinte.

Diretor geral: Adriana Reis - adriana@ revista100porcentocaipira. com.br Editor-chefe: Eduardo Strini imprensa@ revista100porcentocaipira. com.br Diretor de criação e arte: Eduardo Reis Eduardo Reis eduardo@ revista100porcentocaipira. com.br (11) 9 6209-7741 Conselho editorial: Adriana Oliveira dos Reis, João Carlos dos Santos, Paulo César Rodrigues e Nilthon Fernandes Publicidade: Agência Banana Fotografias: Eduardo Reis, Sérgio Reis, Google imagens, iStockphoto e Shutterstock Departamento comercial: Rua das Vertentes, 450 – Vila Constança – São Paulo - SP Tel.: (11) 98178-5512 Rede social: facebook.com/ revista100porcentocaipira Os artigos assinados não refletem, necessariamente, a opinião desta revista, sendo eles, portanto, de inteira responsabilidade de quem os subscrevem.


SAÚDE ANIMAL

Inverno derruba temperaturas e aquece consumo de café Marca catarinense amplia vendas em até 40% nos meses frios, expande negócios e oferece personalização a estabelecimentos comerciais Fonte: Mem & Mem Comunicação

As bebidas quentes têm uma ligação natural com o inverno. Com a chegada de temperaturas mais baixas, elas servem de contraponto para suprir a falta de calor no corpo. O consumo do café, por exemplo, registra aumento médio de 30% na temporada mais fria do ano, segundo a Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC). Seja em casa ou nos pontos especializados como cafeterias e padarias, a companhia do café pode ser considerada um hábito natural para enfrentar dias em que o inverno mostra sua cara. “Esse é o período do ano em que nossas vendas aumentam de 30% a 40%”, comemora o diretor comercial da CCG Representações, Carlo Costa Gallinea, responsável pela expansão da catarinense Bonblend Cafés Especiais. Outra notícia que confirma os bons resultados da empresa é a conquista de novos clientes na metade do ano. Segundo o executivo, quem já é apreciador da marca costuma reforçar o estoque nos meses mais gelados. E quem os conhece – seja por indicação de um amigo ou porque degustou a bebida num ponto de venda, residência ou escritório comercial - logo se encanta com os aromas e sabores e faz as encomendas.

Investimento delicioso Segundo a ABIC, o café é a segunda bebida mais consumida no mundo e perde somente para a água. Estima-se que mais de 2 bilhões de xícaras são

servidas diariamente nos seis continentes. Por aqui, 9 entre 10 brasileiros acima de 15 anos apreciam o cafezinho todos os dias. De olho nessa enorme oportunidade de negócios e num gigantesco potencial de consumo, os melhores frutos do cafeeiro podem se transformar num rentável investimento. O volume de sacas de grãos especiais deverá chegar a 1,8 milhão em 2023 no Brasil, de acordo com projeções do banco holandês Rabobank que fez um estudo sobre o consumo do café e a produção no país. São cerca de 600 mil sacas a mais do que o volume produzido em 2017 (1,2 milhão). “É um setor com grande potencial, apesar da crise que atinge outros segmentos”, explica Gallinea. No mesmo levantamento, foi detectado que os consumidores brasileiros também já se comportam como migrantes de marcas comuns para cafés de maior qualidade, como os ofertados pela Bonblend.

Crescimento e diferenciais Outra pesquisa da consultoria internacional Euromoney mostrou que o café premium tem ganhado espaço no Brasil e cresce média de 15% ao ano, enquanto o grão tradicional expande em torno de 3,5% ao ano. “Quem degusta um café premium ou gourmet de melhor qualidade - fica apaixonado pela experiência e cria um novo hábito”, destaca Gallinea. Com tantos indicadores favoráveis,

a Bonblend – que tem sede administrativa em Joinville (SC) – quer ampliar os negócios dentro e fora do Brasil e busca novos pontos de vendas físicos e online. Outro diferencial de mercado é que a marca também produz cafés personalizados e oferece consultoria aos interessados em ter a bebida com sua própria identidade. Restaurantes, lanchonetes, hotéis, bares, cafeterias e empresas em geral podem ter sua marca personalizada, dentro de um segmento conhecido no mercado como “white label”. A empresa catarinense se encarrega do processo de torrefação dos grãos, presta consultoria sobre a confecção e escolha das embalagens e faz a entrega do produto devidamente caracterizado. A personalização do café - inclusive com a possibilidade de levar o produto para casa, com o invólucro do estabelecimento - é uma estratégia que visa aproveitar o alto tráfego de consumidores nestes estabelecimentos, que apreciam novidades. “Todo o processo é gerenciado pela Bonblend. Nosso objetivo é oferecer ao empreendedor a possibilidade de agregar valor ao negócio ofertando um café próprio e especial, pegando carona na harmonização com outros produtos oferecidos nos estabelecimentos, como pães e bolos. Quem experimenta um café de elevada qualidade se encanta com as nuances de sabor e o aroma e - naturalmente – vira nosso freguês”, orgulha-se Carlo Costa Gallinea. REVISTA 100% CAIPIRA |

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ARTIGO

Pesquisa desenvolve amarela de pim

Versátil, nova cultivar atende agroin 8 | REVISTA 100% CAIPIRA


e cultivar nacional menta habanero

ndústrias e mercado de frutos frescos Por: Anelise Campos -Embrapa Hortaliças REVISTA 100% CAIPIRA | 9


• Pe s q u i s a a s s o c i o u n e c e s s i dades dos agricultores às demandas do mercado nacional de pimentas. • No v a p i m e n t a t e m c o r e s a bor diferenciados e baixa pungência. • Planta tem porte elevado facilitando colheitas manual e mecanizada. • Cultivar é precoce, tolerante ao frio e têm alta produtividade em cultivo protegido (36 t/ha). • Frutos apresentam alto teor de vitamina C: 177,4 mg/100 g. • Ap r e s e n t a r e s i s t ê n c i a a o s n e m a t o i d e s - d a s - g a l h a s Me l o i d o g y n e i n c o g n i t a , e M . Ja v a nica. A cadeia produtiva de pimentas ganhou mais uma opção de cultivo e, com ela, a possibilidade de os produtores reforçarem a renda pelo

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aumento da oferta de um produto com características diferenciadas. A pimenta BRS Araçari, d e s e nv o l v i d a p e l o P r o g r a m a d e Me l h o r a m e n t o G e n é t i c o de Capsicum (pimentas e pim e n t õ e s ) d a E m b r a p a Ho r t a l i ç a s ( D F ) , v e i o j u n t a r- s e à B R S Ju r u t i , d e c o r v e r m e l h a , e à B R S Na n d a i a , a l a r a n j a d a , primeiras cultivares nacionais d e p i m e n t a h a b a n e r o, l a n ç a das em 2016. A nova pimenta produz frutos amarelos, quando maduros, e apresenta baixa pungência (ardor) – em torno d e 5 m i l S H U ( Un i d a d e d e C a lor S coville), que mede o grau de pungência das pimentas. Um t e o r c o n s i d e r a d o i n c o mum quando comparado com as outras cultivares do grupo: a B R S Ju r u t i a p r e s e n t a 2 6 0 m i l S H U e a B R S Na n d a i a , 2 0 0 m i l S H U.

De acordo com a pesquisadora da Embrapa Cláudia Rib e i r o, c o o r d e n a d o r a d o p r o grama, a coloração amarela e o aroma pronunciado dos frutos distinguem a BRS Araçari das demais cultivares de pimenta h a b a n e r o d i s p o n í v e i s n o m e rcado brasileiro e tem potencial para atender o mercado de frutos frescos e nichos de mercado voltados para produtos diferenciados à base de pimentas, como molhos, geleias, chutneys, mostardas, patês e o u t r o s . “C o m o n o B r a s i l o consumo da pimenta in natura, apesar de crescente, ainda é b a i x o, a s d e m a n d a s d o s a g r i cultores referem-se, de modo geral, à oferta de uma matéria-prima de qualidade, com foco na indústria de processam e n t o”, r e v e l a a p e s q u i s a d o r a . Segundo ela, esse é justamente o maior desafio do pro-


grama de melhoramento gen é t i c o, q u e “d e v e c o n s i d e r a r as demandas dos produtores, em sua grande maioria de base f a m i l i a r, e d a i n d ú s t r i a p r o cessadora, ao mesmo tempo em que avalia os nichos e as o p o r t u n i d a d e s d o m e r c a d o”.

Planta alta para colheita manual e mecanizada Com base nessas perspectivas, a BRS Araçari apresenta um conjunto de características que prometem ir ao encontro das demandas elencad a s p o r R i b e i r o. S u a s p l a n t a s são vigorosas, de porte elev a d o, o q u e f a v o r e c e a s c o lheitas manual e mecanizada, é precoce e tolerante ao frio e mostra alto rendimento em c u l t i v o p r o t e g i d o, a l é m d a e x cepcional qualidade sensorial ( t a m a n h o, c o r, s a b o r e a r o m a ) e alto teor de vitamina C – 1 7 7 , 4 m g / 1 0 0 g d e f r u t o.

BRS Araçari produz em média 13 t/ha em campo aberto e 36 t/ha em cultivo protegid o, e m t r ê s m e s e s d e c o l h e i ta, com uma população de 25 mil plantas/ha (espaçamento de 1,0 m entre linhas x 0,40 m e n t r e p l a n t a s ) . “A d i f e r e n ç a obser vada entre os dois tipos de cultivo mostra que é uma cultivar que se adapta melhor e m a m b i e n t e s p r o t e g i d o s”, s u blinha a pesquisadora. A nova pimenta também apresenta resistência aos nem a t o i d e s - d a s - g a l h a s Me l o i d o g y n e i n c o g n i t a e M . Ja v a n i c a , espécies importantes que provocam danos à cultura. Além da resistência intermediária a bactérias do complexo R alstonia, causadora da doença murcha-bacteriana. Ribeiro lembra que cultivares com resistência a doenças ocupam lugar de destaque entre as principais demandas dos produtores. “A u t i l i z a ç ã o d e v a r i e d a d e s resistentes, associada a boas práticas culturais, é muito importante para o controle dos nematoides e da murcha-bacteriana, daí a importância de o produtor contar com um mat e rial q u e

Não precisa ficar agachado para colher.”

No q u e s i t o p r o d u t i v i d a d e , e m c u l t i v o c o nv e n c i o n a l na Região C entro-Oeste, a

apresente essas característic a s”, a c e n t u a . A pimenta BRS Araçari é e x i g e n t e e m c a l o r, t o l e r a n t e a

baixas temperaturas e sensível a geadas. Em regiões mais frias deve ser cultivada, preferencialmente, nos meses de altas temperaturas que favorecem a germinação das sem e n t e s , o d e s e nv o l v i m e n t o d a p l a n t a e a f r u t i f i c a ç ã o.

Pa r a c u l t i vos convenc i o n a l e o rgânico De acordo com a pesquisadora, a cultivar foi desenvolvida para o cultivo convencional e encontra-se em processo de avaliação em cultivo orgânico para que, conforme os resultados, possa ser recomendada para produtores que utilizam esse sistema de p r o d u ç ã o. “A s c r e s c e n t e s d e mandas de mercado por alimentos orgânicos, em conjunto com outras características ( s a b o r, a r o m a , a l t o s t e o r e s d e vitaminas), podem promover a agregação de valor a produtos das cadeias agropecuárias e a g r o i n d u s t r i a i s”, o b s e r v a R i b e i r o, q u e c h a m a a a t e n ção para o fato de a produção de pimentas ter como base a a g r i c u l t u r a f a m i l i a r. “S i s t e mas de produção de base ecológica valorizam intensament e a a g r i c u l t u r a f a m i l i a r, e o cultivo de pimentas no Brasil ajusta-se perfeitamente a esse modelo de produção e de integ r a ç ã o p e q u e n o a g r i c u l t o r- a g r o i n d ú s t r i a .” Esse é o caso do produtor Flávio Marchesin, que está testando a BRS Araçari no sít i o S ã o Jo ã o, e m S ã o C a r l o s (SP), em sistema orgânico de REVISTA 100% CAIPIRA | 11


p r o d u ç ã o. At é o m o m e n t o e l e considera os resultados prom i s s o r e s . “ Pe l o q u e t e n h o o b s e r v a d o, a c r e d i t o q u e a c u l tivar terá boa aceitação para v e n d a e c o n s u m o”, a v a l i a M a rchesin, que aponta o sabor e a pouca ardência como principais atrativos da pimenta. Ele conta que tem utilizado a pimenta para fazer molhos e conser vas, e até para refogar com outros alimentos, e a resposta tem sido muito positiva. Além da culinária, o produtor destaca a colheita como outro fator que facilita a produção d e s s a v a r i e d a d e . “O s p é s t ê m uma arquitetura muito boa para fazer a colheita dos frutos, o que permite uma posição mais confortável, isto é: não precisamos ficar agachad o s p a r a c o l h e r ”, r e l a t a o a g r i c u l t o r. Ainda com relação ao sistema agroecológico de produç ã o, a p e s q u i s a d o r a a d i a n t a que estudos sobre o manejo orgânico da BRS Araçari - e da BRS Biguatinga, outra cultivar a ser lançada em 2021 serão o foco de um novo projeto de pimentas, em fase de e l a b o r a ç ã o.

Pimentas versáteis Esses lançamentos têm como objetivo preencher uma l a c u n a , t e n d o e m v i s t a o m e rcado nacional não contar ainda com cultivares de pimentas Capsicum recomendadas para cultivo orgânico e com características de frutos que atendam tanto às demandas do mercado de frutos frescos como às das indústrias processadoras de pimenta voltad a s p a r a e s s e n i c h o. Po r e s s e 12 | REVISTA 100% CAIPIRA

m o t i v o, s e g u n d o R i b e i r o, a s duas cultivares - que apresentam qualidades físico-químicas e funcionais superiores - oferecem novas oportunidades a esses segmentos no d e s e nv o l v i m e n t o d e p r o d u t o s c o m a l t o v a l o r a g r e g a d o. “A i d e i a é d e s e nv o l v e r c u l t i vares de pimenta para atender a d i v e r s o s n i c h o s d e m e r c a d o, desde pequenos agricultores a t é a a g r o i n d ú s t r i a”, s a l i e n t a R i b e i r o. E l a a c r e s c e n t a q u e as sementes da pimenta habanero BRS Araçari deverão ser disponibilizadas por meio de oferta pública, com normas definidas pela Secretaria de I n o v a ç ã o e Ne g ó c i o s ( S I N ) d a Embrapa, para contratação de empresas interessadas na produção e comercialização de s e m e n t e s d a c u l t i v a r.

Como t o rn a r- s e um produtor de sementes da BRS Araçari Assim como as outras cultivares de pimenta já lançadas p ela Embrapa Hor t aliças, a BRS Araçari também seguirá o mesmo caminho para chegar ao mercado e que começa com o processo de licenciamento para produção e comercialização de suas sementes. P a r a i s s o, a l g u n s t r â m i t e s devem ser obser vados, a começar pela obser vância pelos interessados na produção e comercialização de sementes às regras do edital referente a o l i c e n c i a m e n t o. A p r i m e i r a exigência é a inscrição prévia

como produtor de sementes de pimenta (Capsicum ann u u m L . v a r. a n n u u m ) n o R e g i s t r o Na c i o n a l d e S e m e n t e s e Mu d a s ( R e n a s e m ) d o M i n i s t é r i o d a A g r i c u l t u r a , Pe c u á r i a e Ab a s t e c i m e n t o ( M a p a ) . O próximo pass o envolve o preenchimento da ficha d e i d e n t i f i c a ç ã o, i n d i c a n d o a cultivar de interesse, com a cópia do comprovante de insc r i ç ã o n o R e n a s e m . To d o s o s documentos deverão ser encaminhados como anexos no e-mail de manifestação de interesse, em arquivo PDF e devidamente assinados. Importante obser var que a autorização para a multiplicação e oferta de venda de sementes somente será concedida pela Embrapa após a assinatura do contrato de lic e n c i a m e n t o. E s s a a s s i n a t u ra, assim como a outorga da s u b s e q u e n t e a u t o r i z a ç ã o, e s tará condicionada à comprovação da regularidade jurídica, fiscal e trabalhista do l i c e n c i a d o, b e m c o m o a s u a qualificação técnica e econômico-financeira. Os produtores habilitados serão comunicados por e-mail ou telefone, e convo cados à assinatura do contrato de lic e n c i a m e n t o, n o q u a l e s t á i n cluída a licença para uso da m a r c a “ Te c n o l o g i a E m b r a p a”. Para a p esquisadora Cláud i a R i b e i r o, c o o r d e n a d o r a d o programa de melhoramento genético de pimentas (Capsic um) da Embrapa Hor t aliças e que responde pelo desenvolvimento da BRS Araçari, o l i c e n c i a m e n t o é “u m a i m p o r tante ferramenta para assegurar que a cadeia produtiva tenha acesso à nova cultivar d e p i m e n t a”. Mais informações pelo e-mail cnph.chtt@embrapa. b r.


Foto: Anelise Campos REVISTA 100% CAIPIRA |13


CAPRINOS E OVINOS

Produto

negócio a p

Siste

Fonte: Assessora de Comunicação Sistema FAEMG/SENAR/INAES

A afirmação é da produtora de leite de cabra e veterinária Karine Meirelles, que participa do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Agroindústria, do Programa Agente de Turismo Rural, além de ter participado de diversos cursos. Karine e o parceiro André Ferreira estão à frente da Fazenda São Bento, localizada em Leopoldina, na Zona da Mata. “Foi neste lugar, em que passei toda minha infância e adolescência, que aprendi com meus pais, Artur Bernardes de Castro Meireles e Maria Dail de Castro Meireles, a trabalhar e valorizar o meio rural.” Segundo a produtora, a atividade principal da propriedade sempre foi a criação de gado de leite, com adequação, ao longo dos anos, aos modelos de criação existentes, como implantação de ordenhadeira mecânica, maquinários e métodos de conservação de forrageiras. Após concluir o mestrado em Reprodução Animal, em 2006, Karine investiu na criação de cabras leiteiras das raças saanen e parda alpina, montando o Capril CabraKadabra. “Nesta época, prestava assistência veterinária a um grupo de criadores de cabras da 14 | REVISTA 100% CAIPIRA

região. Havia uma empresa, Caprilat, que captava a produção e fomentava a atividade. Com o passar dos anos, outros laticínios foram sendo formalizados, principalmente no estado do Rio de Janeiro, aumentando muito a demanda pelo leite de cabra.” Contudo, há dois anos, por motivos familiares, Karine decidiu abandonar a atividade. “Foi uma fase difícil, em que tive que desfazer dos animais. A produção caiu drasticamente, tornando inviável a captação do leite pelos laticínios.” Até que recebeu uma ligação de uma mãe que precisava de leite de cabra para alimentar seu filho. “O agradecimento daquela mãe e a promessa de que iria ajudar foram a motivação da qual eu precisava para não desistir dos meus sonhos. Foi o primeiro leite de cabra envasado que comercializei ao longo de catorze anos de produção. O beneficiamento do leite despertou a vontade de fazer outros derivados, como queijos, doces, iogurtes.” Com foco na qualidade da produção, Karine e André participaram de diversos eventos promovidos pelo Sistema FAEMG/SENAR/INAES. “Foram cursos relacionados à produção de quei-

“O Sistema FAEM para adquirirmo para confecção p

jos, queijos finos e, em janeiro do ano passado, o evento piloto Derivados do Leite de Cabra, ministrado pela instrutora Aline Machado em Santo Antônio do Aventureiro.” Com as técnicas adquiridas, o casal elaborou um mix de queijos formado pelo Gran Caprino, frescal de cabra, Boursin, Chancliche, além de doce de leite e iogurtes.

ATeG Desde março do ano passado, eles são assistidos pelo ATeG Agroindústria, que reúne produtores dos municípios de Belmiro Braga, Mar de Espanha, Chiador, Maripá, Rochedo, Leopoldina, Além Paraíba, Cataguases, São João Nepomuceno, Santo Antônio do Aventureiro, Pequeri, Juiz de Fora e Bicas. No total, são 20 agroindústrias artesanais de queijo. “Estamos nos adaptando para formalizar a atividade e distribuir de forma legalizada nossos produtos, que já ganharam a aprovação de quem experimenta. Trabalhar com a própria matéria-prima, tomando os cuidados necessários desde a ordenha até as etapas de processamento com amor e tecnologia, faz toda diferença na qualidade e no sabor dos produtos”, destacou Karine.


ora de leite de cabra expande

partir de cursos e programas do

ema FAEMG/SENAR/INAES

MG/SENAR/INAES foi de fundamental importância os os conhecimentos e as técnicas necessárias dos produtos com a qualidade e alcançarmos a padronização que almejávamos.” O ATeG vem sendo desenvolvido por meio da parceria entre o Sistema FAEMG/SENAR/INAES e o Sindicato dos Produtores Rurais de Mar de Espanha. Por meio dele, são feitas visitas mensais de quatro horas em cada uma das agroindústrias participantes, além de serem promovidos treinamentos e eventos técnicos da cadeia produtiva. O participante recebe orientações técnicas e gerenciais por dois anos. “Quase 80% dos produtores rurais do país não recebem assistência técnica, o que reforça a importância do Programa. Focamos na pessoa, no lucro e não apenas no aumento da produção. Além disso, trabalhamos inovação, sucessão familiar e comercialização”, explicou a técnica do ATeG, Aline Machado.

Agente de Turismo Rural Karine, que integra o grupo do Programa Agente de Turismo Rural, ministrado por meio da parceria entre o Sistema FAEMG/SENAR/INAES e o Sindicato dos Produtores Rurais de Argirita, já tem planos de investir no segmento. “A meta é abrir a propriedade para visitação, investindo no turismo rural. O nome do projeto é Café no Sítio, por meio do qual os turistas pode-

rão desfrutar de um belo café da manhã, servido com produtos fabricados por nós e comidas regionais.” Como atrativo, a propriedade oferecerá passeios a cavalo; cachoeira; trilhas na mata Cafundó; visitação ao Museu São Bento, que conta a história da propriedade e dos trabalhadores que por lá passaram; além do acompanhamento das atividades rotineiras com os animais. “Ao pé de uma figueira centenária, pretendemos fazer um turismo pedagógico, trabalhando temas relacionados aos animais e à natureza.” A instrutora do Agente de Turismo Rural, Fernanda Silva, explicou que “o objetivo do programa é valorizar atrativos naturais, culturais, atividades produtivas, fazendas antigas, transformando tudo isso em atrativo turístico, de forma a começar a receber turistas, como nova alternativa de renda para moradores locais”.

Defumados André participou do curso Embutidos e Defumados, ministrado pelo instrutor Hudsson Costa Joviano Aquino. “Produzimos, ainda de maneira informal, defumados, que batizamos com o nome de Fumeiro São Bento. Nossa

ideia é focar na produção sem aditivos e conservantes, que atenderão um público cada dia mais preocupado com a saúde alimentar e qualidade de vida”, afirmou Karine.

Artesanato Ao mesmo tempo em que se capacita e faz seu negócio crescer, Karine contou que tem mobilizado mulheres da Comunidade dos Coelhos, onde a propriedade está inserida. A intenção é oferecer qualificação por meio do artesanato. Para isso, foi solicitado um curso de Patchwork, a fim de auxiliar as moradoras na técnica de artesanato em retalhos. “Transformar o lugar onde nasci, transformar as pessoas ao redor e proporcionar qualidade de vida e aprendizagem a todos aqueles que admiram o meio rural, como eu, faz parte dos meus objetivos, da minha vida e dos meus sonhos. Em todo esse processo, sou muito grata ao Sistema FAEMG/SENAR/ INAES. Aos instrutores, meu respeito e reconhecimento por transmitirem seus conhecimentos, todo nosso respeito e admiração E à minha filha Zoe, minha esperança de trilhar meus caminhos nesta terra, fruto do trabalho de muitas gerações”, concluiu Karine. REVISTA 100% CAIPIRA | 15


CAPACITAÇÃO

Em um ano, produtor do Campo das Vertentes colhe 27.500 quilos de pimentões

Localizada no município de Antônio Carlos, às margens da estrada Barbacena – Ibertioga, a Fazenda Santa Luiza é assistida pelo Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Olericultura, promovido por meio da parceria entre o Sistema FAEMG/SENAR/INAES e o Sindicato Rural de Barbacena. A assistência teve início em janeiro de 2020 16| REVISTA 100% CAIPIRA


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oi neste período que o produtor João Procópio começou o cultivo, em uma estufa, de pimentões coloridos. As primeiras colheitas foram realizadas em duas semanas do mês de maio de 2020, contabilizando 945 quilos. “Entre janeiro e maio do ano passado, ele manifestou interesse em aprimorar sua escala de produção, com a adição de mais duas estufas. Para tanto, buscou mais capacitação, principalmente na parte gerencial”, explicou o técnico Frederico Fernandes Vieira. Ao todo, contando exclusivamente os períodos de lançamento de colheita no Sistema ATeG, que inclui o período de maio de 2020 a abril de 2021, foram colhidos aproximadamente 27.500 quilos de pimentões, que tiveram uma variação do maior valor pago pelo produto de R$ 5,95 o quilo ao menor valor pago, R$ 1,66 o quilo. “No mês de abril de 2021, foram colhidos 3.916,5 quilos de pimentões em duas estufas”, relatou Frederico. De acordo com o produtor João, a fazenda sempre teve como atividade principal a pecuária leiteira. Hoje, não produz mais leite. “Tenho apenas algumas cabeças de gado para corte, com intenção de aproveitar os pastos da propriedade. É uma atividade secundária.” Isso porque, em 2019, João deu início à cultura de abacate, além de plantar alguns grãos, como feijão. Hoje, são cerca de 700 pés de abacate. “Como é uma cultura com retorno de longo prazo, iniciei a plantação de pimentão colorido em estufa, a fim de equilibrar as contas enquanto os abacateiros se desenvolvem. Quando comecei a fazer os testes com os pimentões, veio a oportunidade de integrar o ATeG. Isso foi excelente porque, como se tratava de uma novidade, não sabia como acompanhar e quais eram os parâmetros a serem monitorados.”

Com o passar do tempo, percebendo que os pimentões eram uma cultura promissora, ele aumentou a capacidade de produção. Hoje são três estufas em funcionamento e duas em construção, com a previsão de início da construção de mais uma entre os meses de julho e agosto. “Duas estufas estão em produção e na terceira está sendo iniciada a preparação dos canteiros para seu segundo ciclo produtivo”, relatou o produtor. O técnico explicou que as estufas se encontram em diferentes fases do manejo. “Isso possibilita o respeito à rotação de cultura, o controle fitossanitário e o aprimoramento técnico e operacional. Além disso, as estufas estão com plantios da cultura em períodos diferentes, o que proporciona ao produtor a continuidade de uma produção durante todo o ano, mitigando os possíveis impactos de uma variação do preço pago pelo produto no ano.” A venda da produção segue dois caminhos. Um deles é por meio de compradores que recolhem a produção na fazenda e revendem no Ceasa de Belo Horizonte. Outra modalidade é a venda direta a atacadistas.

Crescimento “O Programa ATeG foi e está sendo fundamental para a evolução do negócio. Como estava iniciando a atividade do plantio do pimentão sem nenhum conhecimento, as orientações técnicas foram muito importantes. O que julgo mais importante e fundamental é o levantamento dos resultados financeiros da cultura. Sem esta análise, estaria navegando no escuro. Foi acompanhando os resultados, mês a mês, que decidi ampliar o negócio”, destacou João. Para ele, outro ponto importante do ATeG reflete diretamente nos colaboradores da propriedade. “O Programa preparou e conscientizou os trabalhadores da fazenda a respeito da importância do acompa-

nhamento dos custos que envolvem a plantação. Hoje, todos têm a disciplina de anotar a quantidade de insumo usado, as horas trabalhadas em cada estufa e tudo que envolve a atividade de plantio.”

Aplicativo O produtor está desenvolvendo um aplicativo que tem como objetivo controlar toda a produção de pimentão, incluindo mão de obra, insumos, vendas, com vistas a acompanhar os resultados. “Para o desenvolvimento, o ATeG tem sido fundamental porque foi aplicando o que aprendi com os dados levantados pelo técnico que consegui desenvolver o aplicativo. Hoje, consigo acompanhar diariamente os resultados da produção de cada estufa. Penso que para crescer é preciso controle. Eu mesmo desenvolvendo o aplicativo fica da forma como considero ideal para gerir meu negócio”, afirmou João. Com a ajuda de Frederico, o produtor está preparando o aplicativo de forma que possa implantar a rastreabilidade vegetal na produção, que permite o monitoramento e o controle de resíduos de defensivos agrícolas, com intenção de garantir credibilidade, segurança e qualidade. “O ATeG veio para complementar todo o trabalho desenvolvido pelo Sistema FAEMG/SENAR/INAES junto aos produtores e trabalhadores rurais, trazendo benefícios inclusive para o Sindicato porque se temos um produtor que se vê como empresário rural, ele enxerga a importância da entidade. Ele entende que sua propriedade precisa ser trabalhada como uma empresa. Ao trabalhar a rastreabilidade, o produtor agrega porque a tendência é que seus produtos sejam ainda mais valorizados, visto que o consumidor poderá acessar informações sobre o processo de produção e terá respaldo quanto à segurança alimentar”, afirmou o presidente do Sindicato Rural de Barbacena, Renato Laguardia. Fonte: SENAR MG REVISTA 100% CAIPIRA |17


PESQUISAS

Protocolo inédito Carne Baixo Carbono permite aumentar lotação no pasto com sustentabilidade

Fonte: Embrapa Pecuária Sul

Com o manejo adequado do sistema de produção pecuário é possível ter 125% a mais de animais por hectare e um peso de carcaça/ha 163% superior em relação ao manejo convencional, tudo isso garantindo a qualidade do produto final, a fixação de carbono no solo e o controle das emissões de metano Os dados integram o primeiro protocolo para produção de carne com baixa emissão de carbono no Brasil, a Carne Baixo Carbono (CBC) ou Low Carbon Brazilian Beef (LCBB). A Embrapa, responsável pelo estudo, obteve os dados em uma Unidade de Referência Tecnológica (URT) de pecde corte, localizada no Cerrado baiano, com avaliações de estoque de carbono no solo, ganho de peso dos bovinos, qualidade da carne e emissão de metano. Conforme a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul (RS) Márcia Silveira, que coordena o trabalho de validação do protocolo, a marca-conceito CBC busca valorizar sistemas pecuários que não possuem o componente florestal, mas que apresentam potencial de mitigação das emissões de gases de efeito estufa (GEEs) por meio do adequado manejo da pastagem e adoção de boas 18| REVISTA 100% CAIPIRA

práticas agropecuárias. A Embrapa e a Marfrig Global Foods possuem uma aliança estratégica para fortalecer a agregação de valor à carne bovina brasileira, que envolve as marcas-conceito Carne Baixo Carbono (CBC) e Carne Carbono Neutro (CCN). “O estudo buscou avaliar a produção de bovinos de corte em sistemas com pastagens bem manejadas no intuito de validar as diretrizes em ambiente comercial. Os resultados iniciais demonstram que, pela implementação das diretrizes CBC, é possível garantir produtividade e qualidade da carne, de forma a aumentar a lucratividade do produtor, sem abrir mão da manutenção ou aumento do estoque de carbono do solo e da mitigação da emissão de GEEs, além do efeito poupa-terra, relacionado aos ganhos de produtividade do sistema, que possibilitam o aumento

da produção de carne com menor pressão sobre a vegetação nativa. É mais um passo na busca pela eficiência produtiva que leva em conta a qualidade do produto e do seu ambiente de produção”, destaca a cientista. As diretrizes técnicas para produção da Carne Baixo Carbono, avaliadas na pesquisa, envolvem o cumprimento de práticas adequadas de manejo da pastagem, como monitoramento de altura, ajuste de carga animal, adubação adequada à demanda das plantas forrageiras e ao nível de intensificação do sistema, assim como a adoção de Boas Práticas Agropecuárias (BPA).

Plataforma reúne tecnologias para redução de emissões O protocolo integra a Plataforma Pecuária de Baixa Emissão de Carbono


(PBC), uma iniciativa da Embrapa para contribuir com as estratégias do Plano Agricultura de Baixo Carbono (ABC+) frente aos desafios dos cenários de mudanças climáticas. As pesquisas fazem parte do Projeto Trijunção, iniciado em dezembro de 2017, e que é coordenado pela pesquisadora Flávia Santos, da Embrapa Milho e Sorgo (MG). A Plataforma PBC, projeto em rede liderado pelo pesquisador Roberto Giolo, da Embrapa Gado de Corte(MS), pretende desenvolver mecanismos de certificação para alguns produtos da pecuária de corte, produzidos em sistemas pecuários com foco em baixa emissão de carbono, a partir de marcas-conceito, como Bezerro Carbono Neutro (BCN), Carne Baixo Carbono (CBC), Carbono Nativo (CN) e Couro Carbono Neutro (Couro-CN), além de uma calculadora de carbono (calc-C). “Os ganhos são do produtor, da cadeia da carne como um todo e do Brasil, ao promover maior valorização do produto e melhor visibilidade do País no mercado global”, analisa Giolo, ao afirmar que a iniciativa contribui também para minimizar a pressão por abertura de novas áreas para a pecuária, pois apresenta efeito poupa-terra e, portanto, auxilia nos esforços para equacionar a questão do desmatamento no Brasil.

Emissões de metano A intensidade de emissão não variou entre os manejos, apresentando valor médio de 6,3 kg de CO2-equivalente por quilo de carcaça. “O manejo CBC possibilitou um aumento de 125% no número de animais por hectare e de 163% em quilo de carcaça pela mesma área em relação ao manejo convencional, indicando um importante efeito poupa-terra, além do potencial de maior incorporação de carbono no solo para manutenção da condição produtiva da pastagem e de mitigação das emissões de gases de efeito estufa do sistema”, frisa o pesquisador Roberto Giolo.

A pesquisa O estudo de caso teve início em maio de 2019 na Fazenda Santa Luzia, pertencente à Fazenda Trijunção, localizada em Jaborandi (BA). A pro-

priedade é referência na produção de bovinos de corte mediante as Boas Práticas Agropecuárias (BPA), com dados estruturados e sequenciais de todo o sistema produtivo. A URT foi composta por dois talhões, bem como por uma área de vegetação nativa (Cerrado). O primeiro talhão, com a forrageira Brachiaria brizantha cv. Marandu, conta com 115 hectares divididos em quatro piquetes, representando o manejo convencional. O segundo talhão, de pastagem recuperada, com Brachiaria brizanthacv. BRS Piatã, conta com 85 hectares, também dividido em quatro piquetes e manejado segundo as diretrizes técnicas para produção de carne com baixa emissão de carbono em pastagens tropicais (CBC). As áreas foram usadas para recria e terminação de machos da raça Nelore. Os dados da caracterização inicial (marco zero) do solo para o manejo CBC mostraram um estoque de 20,59 t ha-1 (tonelada por hectare) de carbono na camada de 0-20 cm do solo. O valor é superior ao encontrado no Cerrado nativo (15,18 t ha-1) e em pastagem sob manejo convencional (18,16 t ha-1). “Como esses valores foram obtidos em uma caracterização inicial, avaliações com intervalos de dois anos serão feitas para acompanhar a evolução desse carbono no solo das áreas avaliadas, entretanto, já é possível perceber que o estoque de carbono do solo para manejo CBC está acima dos demais”, explicam os pesquisadores responsáveis pela área, Flávia Santos e Manoel Ricardo Filho, da Embrapa Milho e Sorgo. Com a manutenção da altura do pasto recomendada para a forrageira cultivada, o talhão com manejo CBC possibilitou cargas médias de 4,34 unidade animal (UA) por hectare contra 1,93 UA/ha no talhão sob manejo convencional, assim como possibilitou cobertura do solo sempre acima de 80%. Essa cobertura do solo sempre alta no talhão CBC visa contribuir com palhada para a matéria orgânica do solo e retenção de carbono no sistema. Ao longo do primeiro ano de avaliação, os animais dos talhões CBC e sob manejo convencional ganharam em média 154

kg e 149 kg a pasto, respectivamente. “Assim, além do maior número de UA por hectare, os animais do talhão CBC entraram mais pesados no confinamento e chegaram ao peso de abate com pelo menos 20 dias a menos de confinamento em relação aos animais do talhão sob manejo convencional”, ressalta Márcia. “Com a fertilização dos pastos, suplementação estratégica e manejo correto, foi possível garantir alta produção de peso corporal por unidade de área no talhão CBC, sendo que os valores de produtividade registrados estão acima da média da produtividade brasileira. Já no talhão sob manejo convencional, apesar de o ganho médio diário não ter sido muito diferente do talhão CBC, observou-se um ganho por área aquém do potencial”, destaca a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul.

Qualidade da carne Na avaliação de carcaça e qualidade de carne dos animais do talhão CBC, foram registrados pesos médios de abate e de carcaça de 573 kg e 306 kg, respectivamente, proporcionando um rendimento médio de carcaça da ordem de 53,4%, sendo que 100% das carcaças apresentaram acabamento tipo 3 (gordura mediana) e maturidade de dois dentes. Para a análise da qualidade da carne, foi observado que o escore médio de marmorização foi de 7,7, ou seja, a marmorização média foi do tipo pequena. A força de cisalhamento (corte) média foi de 6,3 kg, variando entre 4,87 e 8,17 kg. “Enquanto nenhum animal apresentou carne considerada dura (> 9 kg), praticamente dois a cada três animais apresentaram carne com menos de 7 kg, o que poderia ser considerada como carne aceitavelmente macia se avaliada por um painel de degustadores treinados. Assim, a qualidade da carne, a marmorização e a força de cisalhamento observadas são compatíveis com os sistemas de produção existentes no Brasil e atendem ao que o mercado exige”, destaca o pesquisador da Embrapa Gado de Corte responsável pelos dados, Gelson Feijó. REVISTA 100% CAIPIRA | 19


APICULTURA

Exportações de mel cresceram 31,65% no 1º quadrimestre

“O mel é exportado em tambores que são despachados em contêineres. Os cinco principais destinos do produto que sai por aqui são Estados Unidos, Canadá, Austrália, Áustria e Bélgica”, diz o diretorpresidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia Fonte: APPA - ADMINISTRAÇÃO DOS PORTOS DE PARANAGUÁ E ANTONINA

As exportações de mel pelo Porto de Paranaguá cresceram 31,65% neste primeiro quadrimestre, comparado com o período em 2020. O produto natural que deixou o país pelo terminal paranaense movimentou, de janeiro a abril, US$ 12,48 milhões. Quase toda carga exportada é produzida no próprio Estado, que está entre os três principais produtores do país. Nos quatro primeiros meses, 3.887 toneladas de mel natural foram exportadas pelo Porto de Paranaguá. No mesmo período, no ano passado, foram 2.952,6 toneladas. O Porto de Paranaguá é o segundo em exportação do produto. “O mel é exportado em tambores que são despachados em contêineres. Os cinco principais destinos do produto que sai por aqui são Estados Unidos, Canadá, Austrália, Áustria e Bélgica”, diz o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia. Segundo ele, o crescimento das exportações paranaenses do produ20| REVISTA 100% CAIPIRA

to segue uma tendência nacional. “O preço pago está mais alto, comparado com o que era pago nos anos anteriores. Essa valorização favorece e a alta do dólar acaba intensificando o comércio internacional também do mel”, afirma. No primeiro quadrimestre do ano, o Brasil exportou cerca de 19.418 toneladas de mel natural. Durante todo o ano passado, as exportações brasileiras chegaram a 45.728,3 toneladas – US$ 98.560.461 de mel nacional vendido para o Exterior. Em 2020, durante todo o ano, pelo Porto de Paranaguá foram exportadas 8.802,8 toneladas de mel – 19,25% das exportações nacionais. O volume enviado pelo porto paranaense gerou receita de US$ 17.268.526, durante os 12 meses. Os dados são do Ministério da Economia (ComexStat). De acordo com a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, considerando os dados do primeiro trimestre, o preço médio

pago pelo mel paranaense foi US$ 3.146,3 por tonelada (US$ 3,15/kg). Líder na produção nacional, o Paraná responde por mais de 38% do mel brasileiro. Considerando as produções por municípios, Ortigueira (região dos Campos Gerais) é um dos que mais produz mel no Brasil.

DATA

Dia 20 de maio foi estabelecido, desde 2017, pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Mundial das Abelhas. A data – que homenageia Anton Jansa, considerado o pioneiro da apicultura moderna no mundo – destaca a importância da polinização para o desenvolvimento sustentável. Segundo a Secretaria estadual da Agricultura, no Paraná, assim como em todo território brasileiro, se desenvolve a exploração econômica e racional da abelha do gênero Apis e espécie Apis mellifera.


LOGÍSTICA E TRANSPORTE

Estudo indica que Porto de Cabedelo pode movimentar 55 mil toneladas após dragagem

No processo de executar uma complexa obra de dragagem, que permitirá a operação com 11 metros de calado, o Porto de Cabedelo acaba de concluir mais uma etapa do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) O resultado indica que o porto tem condições favoráveis para obra, que abre a possibilidade de navios atracarem e desatracarem com sua capacidade total de carga, ou seja, com até 55 mil toneladas. Hoje, esse volume está limitado a 35 mil toneladas. Outros estudos também estão atualizados, em especial no que se refere à batimetria e ao impacto da obra, com um novo relatório ambiental simplificado. O objetivo de toda essa pesquisa prévia é garantir que a dragagem seja excecutada com maior eficácia e menos custos. O EVTEA, realizado pela Fundação de Educação Tecnológica e Cultural da Paraíba (Funetec-PB), contou com uma equipe de economistas, engenheiros e advogados. Durante a obra da dragagem, tam-

bém será feita a manutenção de toda extensão do canal e da bacia de manobras. A retirada da derrocagem garantirá a operação com 11 metros de calado. A reformulação da área portuária promete gerar mais movimentação no porto, mais empregos e maior arrecadação para o Estado da Paraíba. “Nós já tínhamos o EVTEA e agora atualizamos. Com outros documentos em processo de atualização, tais como a Batimetria e o Relatório Ambiental Simplificado, a Docas segue avançando nas etapas prévias, necessárias para execução da obra”, destacou a diretora-presidente da Docas-PB, Gilmara Temóteo. Os estudos sobre a dragagem em Cabedelo será enviado para análise e aprovação da Secretaria Nacional de Portos (SNPTA) e Departamento Nacional de

Infraestrutura de Transportes (DNIT). A avaliação da viabilidade técnica, econômica e ambiental da dragagem acontece em um momento positivo para Cabedelo. Em abril passado, o porto registrou um movimento de navios e cargas 32,9% superior ao mesmo período de 2020. Ao longo do mês, Cabedelo operou 85.883 toneladas de cargas, contribuindo diretamente com o resultado do primeiro quadrimestre: mais de 448 mil toneladas movimentadas, ou seja, 45% a mais do que no ano passado. O destaque de movimentação em abril foi o malte: em apenas três operações, o porto movimentou 17.518 toneladas. No total, oito navios passaram por Cabedelo, transportando petcoke, diesel, gasolina e trigo. Ao todo, oito naFonte: Portos e Navios vios foram operados. REVISTA 100% CAIPIRA |21


PROCESSAMENTO

Operações do IMA contribuem para a regularização da cachaça em Minas Apenas na microrregião do Alto Rio Doce, houve aumento de 500% na legalização de estabelecimentos da tradicional iguaria

Fonte: IMA - Instituto Mineiro de Agropecuária

No dia da cachaça mineira, comemorado nesta sexta-feira (21/5), a corrida em todo o estado para a legalização dos estabelecimentos da tradicional iguaria é destaque com as operações do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), vinculado à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). Sob a supervisão da Gerência de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (GIV), a inspeção em Minas é resultado de um trabalho alinhado com todas as coordenadorias regionais na busca por sensibilizar o setor produtivo para a regularização de alambiques, atacadistas e envasadores de cachaça e aguardente de cana-de-açúcar. De 2019 até o momento já foram realizadas 614 operações em Minas. Um dado que chama atenção, apurado 22| REVISTA 100% CAIPIRA

recentemente pelo Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (Sipeagro) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), é que houve um aumento de 500% em 2021 no número de estabelecimentos registrados na microrregião do Alto do Rio Doce, quando comparado a 2019. Cenário que pode ser explicado pela importante colaboração e conscientização dos produtores de cachaça na região, além das operações do IMA, em parceria com a Polícia Militar do Meio Ambiente, motivadas por denúncias de consumidores e produtores que exigem uma cachaça legalizada. As fiscalizações em alambiques, por exemplo, resultam em solicitação de melhorias na estrutura da produção, o que estimula

o processo de aprimoramento contínuo, segundo o gerente de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal do IMA, engenheiro agrônomo Lucas Guimarães. “Com a regularização, o produtor consegue procurar parceiros e ter um preço mais justo na venda. Regularizar não significa que o produtor tenha que possuir uma marca, mas conseguirá atingir compradores e envasadores que poderão pagar mais e não ficarão refém de uma possível fiscalização. Além disso, legalizando, o produtor estará combatendo a clandestinidade da cachaça, ou seja, com o exemplo e atitude de um legalizado, o outro também legaliza, como se fosse um efeito cascata do bem. E, o mais importante, estará contribuindo com uma bebida livre de substâncias nocivas que poderiam causar males à


saúde”, alerta Guimarães. A equipe da GIV em todo o estado vem executando ações em produções clandestinas de cachaça e aguardente de cana-de-açúcar. Os resultados das ações têm mostrado uma série de benefícios, tais como a melhoria nas condições higiênico-sanitária de toda cadeia de produção da cachaça, e o fornecimento de um produto seguro e de qualidade ao consumidor. O crescente número de estabelecimentos com registro implica na valorização da cachaça no mercado interno e externo, além de geração de renda e emprego para o estado.

Regularização A produção e comercialização da cachaça crescem a cada ano, assim como aumenta a atenção de produtores, comerciantes e empresários à legislação e às políticas públicas desenvolvidas para o segmento. Tatiana Pinheiro, fiscal assistente do IMA, lembra que a regularização é o primeiro passo para conquistar o mercado e expandir as vendas, ao passo que a informalidade prejudica as empresas legalizadas e a qualidade da cachaça que circula no mercado. “Diversos produtores e comerciantes têm contatado a GIV para se informar sobre a regularização, pois reconhecem que a bebida produzida e comercializada sob os termos legais evitará multas e interdições dos estabelecimentos e alambiques”, informa Tatiana Pinheiro. Após o registro no Mapa, é necessário seguir orientações para regularizar a bebida. Os locais devem dispor de alguns requisitos, segundo suas atividades e linhas de produção desenvolvidas. Saiba aqui quais são as exigências legais. http://ima.mg.gov.br/agroindustria/ produtos-de-origem-vegetal O IMA é o primeiro órgão de defesa agropecuária estadual do país a inspecionar produção e comercialização de cachaça e aguardente de cana-de-açúcar. A Portaria nº 1/2018 do Mapa confia à autarquia a fiscalização em Minas das boas práticas de produção e dos padrões mínimos legais exigidos, como as condições higiênico-sanitárias em todo

o processo produtivo das bebidas.

o descumprimento provoca auto de infração seguido de multa.

Declaração Anual O “Legal merece de Produção e Esum brinde!” toque O IMA reforça a importância da declaração que dá suporte ao monitoramento da produção nos estabelecimentos registrados. O objetivo é manter a qualidade e a identidade da cachaça. “Com a declaração é possível planejar, em áreas específicas, ações de monitoramento referentes aos padrões de identidade e de qualidade definidos pela Instrução Normativa (IN) 13/2005 do Mapa. Relacionamos as informações do documento com dados de análises laboratoriais. O objetivo é garantir a inocuidade dos produtos oferecidos aos consumidores de cachaça ou aguardente e, ainda, verificar a presença de contaminantes e adulterações”, explica o fiscal do IMA, Flávio Alves. Após coletar amostras de cachaça e aguardente de cana-de-açúcar, os fiscais mensuram o volume dos lotes e, a partir dos resultados laboratoriais dos parâmetros analisados, avaliam o percentual da conformidade das bebidas produzidas em Minas. A exigência da declaração tem sido uma constante pelo IMA, e, de lá para cá, o comportamento do setor produtivo no estado tem se mostrado favorável à medida. Em 2019 foram aplicadas algumas autuações pelo descumprimento, mas no ano seguinte a situação apresentou considerável melhora, segundo Alves. “Isso indica que a maioria dos produtores está declarando dentro do prazo. Anteriormente, a dificuldade era a de não haver um formulário padronizado para informar o volume produzido de acordo com os itens registrados. Hoje, além de um documento padrão, o produtor ou o responsável técnico são orientados por nossos servidores quanto à exigência da medida, por meio da fiscalização, seja ela in loco ou remota”, informa Alves lembrando que

No ano passado, com o objetivo de sensibilizar os elos da cadeia produtiva da cachaça em relação à qualidade dessa singular bebida, patrimônio cultural dos mineiros, o IMA promoveu a campanha “o legal merece um brinde”, um estímulo ao registro e regularização da cachaça. A iniciativa é da GIV em parceria com o Núcleo de Educação Sanitária (NES). Ana Cristina Paiva, coordenadora do NES, ressalta que o registro e regularização são obrigações legais dos produtores. “O que traz o respeito aos aspectos de qualidade e identidade do produto. O objetivo do IMA é trabalhar em prol da manutenção da cachaça como produto de destaque do estado, já que é a bebida símbolo dos mineiros. Fomentar regularidade e qualidade é o Norte”, sinaliza Paiva pontuando porque é imprescindível a regularização da iguaria, assim como é importante o consumidor ter conhecimento sobre a adoção das boas práticas de fabricação, manipulação, controle, monitoramento e armazenagem. “A bebida pode prejudicar a saúde se for consumida fora do padrão”, completa.

Liderança de Minas

Desde 2019, o Mapa publica o Anuário da Cachaça no qual consta ranking do volume e densidade dos municípios produtores, estimulando a competitividade e a qualidade da bebida. Segundo dados do Mapa, existem no Brasil 894 estabelecimentos produtores de cachaça registrados. Minas, com 375, ocupa a primeira posição. As cidades mineiras de Salinas, Córrego Fundo e Januária são os municípios que possuem mais estabelecimentos com registro. O estado é o maior produtor de cachaça em alambique do país, com 200 milhões de litros por ano, respondendo pela metade da produção nacional. REVISTA 100% CAIPIRA | 23


Crédito Rural/CNA: Só 27% dos prod em 2021, 46,2% q CRÉDITO RURAL

Um

levantamento

realizado

pela

Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) com 4.336 produtores rurais de 14 Estados revela que somente 26,6% dos entrevistados, ou 1.150, contrataram crédito rural em 2020 Entre os ouvidos, um porcentual maior, de 38%, nunca acessou recursos para o setor, segundo pesquisa que fará parte do documento a ser entregue na tarde desta quarta-feira (19) pela CNA, à ministra da Agricultura, Tereza Cristina, com propostas para o Plano Safra 2021/22. As perguntas foram respondidas de 12 a 27 de abril por produtores de 727 municípios (da Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Sergipe, Tocantins e também do Distrito Federal) e 18 atividades agropecuárias. Os participantes da pesquisa são atendidos pelo Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), vinculado à CNA. Do grupo, 69,6% tem renda bruta anual de até R$ 100 mil; 20,4%, acima de R$ 100 mil até R$ 300 mil; 4% com renda bruta anual acima de R$ 300 mil a até R$ 410 mil; e 24 | REVISTA 100% CAIPIRA

6% com mais de R$ 410 mil. Entre os 2.671 agricultores que já acessaram crédito rural alguma vez na vida, 57% ou 1.521 não o fizeram no ano passado, ainda que precisassem. Destes, 26,1% declararam que não tomaram empréstimos em virtude de dívidas anteriores; 21,6% por causa de problemas com a documentação da propriedade e 12,6% em razão de seu limite individual de crédito. Além disso, entre os que não acessaram recursos no ano passado, 33,8% disse não ter precisado nem tentado; 14,7% precisou mas não tentou e 8,4% tentou mas não conseguiu. O porcentual dos produtores com renda bruta de até R$ 100 mil que acessaram crédito no ano passado, de 35,3%, foi menor do que o daqueles com renda acima de R$ 410 mil que obteve crédito rural no mesmo período (65,1%). Ainda quando se observa as razões apresentadas por quem não conseguiu

ou não tentou tomar recursos de crédito rural em 2020, a existência de dívidas anteriores foi mais apontada por agricultores com renda bruta anual de até R$ 100 mil, 27,9% deles, e por aqueles com renda acima de R$ 300 mil a até R$ 410 mil (29,1%). Os problemas de documentação da propriedade também foram mencionados por 22% dos que têm renda de até R$ 100 mil, 21,4% dos com acima de R$ 100 mil a R$ 300 mil e por aqueles com renda superior a R$ 410 mil. O limite individual de crédito foi mais apontado como entrave por produtores com renda acima de R$ 300 mil a R$ 410 mil (29,2% do total) e com mais de R$ 410 mil (22,2%) do que pelas duas faixas de renda menores (11,7% e 11,6%, respectivamente). Apesar de não ter sido destacada pelos entrevistados como um motivo relevante para não ter acessado crédito rural em 2020 (razão sinalizada por apenas 0,6% deles), a burocracia e o “excesso


dutores acessou recursos em 2020; querem contratar de papelada” foi apontada como uma das principais dificuldades de acesso ao crédito por 67,6% de todos os produtores ouvidos; em seguida aparecem as garantias exigidas (29,8%), a demora na liberação de crédito (25,9%) e a falta de informação (21%). Tanto os juros altos como os custos cartorários elevados foram incluídos por 17% dos produtores entre as razões das dificuldades de acesso a crédito. As taxas de juros foram mais mencionadas por produtores com receita bruta anual acima de R$ 410 mil (25,9% deles) do que nas outras faixas de renda bruta. Para os que conseguiram financiamento no ano passado, os bancos forneceram aproximadamente 83,8% dos recursos do ano e as cooperativas de crédito, 34,3%. O peso dos bancos no total de crédito acessado por agricultores com renda de até R$ 100 mil foi maior (89,9% da oferta, em média) do que para os com renda acima de R$ 100 mil a R$ 300 mil (75,5%). Para aqueles com renda na faixa de R$ 300 mil a R$ 410 mil, as cooperativas de crédito tiveram um peso bem maior - foram fonte de 54,2% dos recursos contratados de 2020. Além de bancos e cooperativas de crédito, agricultores que acessaram recursos no ano passado apontaram as cooperativas agropecuárias entre as principais fontes de financiamento (16,3% do todo, na média), revendas de insumos (15,3%) e os recursos próprios (28,1%). Entre as linhas e programas mais acessados, o Pronaf Custeio - linha dirigida a agricultores familiares para a compra de insumos - foi apontado por 42,8% dos produtores que acessaram crédito rural no ano passado. Bem atrás aparece o Pronaf Mais Alimentos, destinado a investimentos em bens ou equipamentos, mencionado por 13,7% dos participantes. A pesquisa também revela que dentre os agricultores ouvidos, 23% não conhecia no ano passado o Programa de Garantia da Atividade Pecuária (Proa-

gro), que dá cobertura a financiamentos para custeio e em alguns casos, investimento, que venham a enfrentar perdas por fenômenos naturais, pragas e doenças. Apenas 20,9% dos entrevistados contratou o programa. Além disso, 83% dos participantes da pesquisa nunca usou seguro rural para proteger a produção - porcentual maior entre os produtores com renda anual de até R$ 100 mil, 89,3%, e menor no caso dos produtores com renda acima de R$ 410 mil, 60,6%. Do total de produtores ouvidos, 8,7% disse ter contratado algumas vezes seguro e só 8,4% afirmou que contrata sempre seguro rural. Entre os que nunca contrataram ou adquiriram seguro apenas algumas vezes, a principal razão apontada para a não contratação, mencionada por 42,5% dos entrevistados, é “não saber como fazer”; em seguida, 25,5% disseram que “não acham interessante” contratar seguro e 12,7% justificaram por ser “muito caro”. Somente 10,9% mencionaram que não contratam seguro rural por falta de recursos. Agricultores com renda bruta anual de até R$ 100 mil disseram com mais frequência (47% deles) que não sabem como contratar seguro rural do que os com renda superior a R$ 410 mil

(17,6%). Neste grupo, a parcela dos que disseram não considerar seguro rural algo interessante foi maior (41%) do que a média.

2021 O levantamento investigou ainda o apetite dos agricultores por crédito rural em 2021. Dos entrevistados, 46,2% afirmaram que pretendem buscar financiamentos neste ano e 23,5%, que não sabem; 30,3% disseram que não procurarão empréstimos. Daqueles que irão atrás de recursos em 2021, 64,1% disseram que sua maior necessidade para a safra 2021/22 será de dinheiro para investimentos na propriedade e 30,1% que será a para compra de insumos. Agricultores com renda bruta anual de até R$ 100 mil demonstram mais apetite por crédito para investimentos (67,1% deles disseram que esta será a principal finalidade dos empréstimos) do que aqueles com renda acima de R$ 410 mil (49,8%). Para estes e também para produtores com renda superior a R$ 300 mil a até R$ 410 mil, a compra de insumos terá peso na faixa de 45%.

Fonte: Broadcast Agro

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EM TEMPOS DIFÍC NO AGRO PA

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CEIS HÁ SEMPRE UM GUERREIRO ARA ABASTECER O BRASIL

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LOGÍSTICA E TRANSPORTE

BRF testa drones para entregas em granjas integradas Aeronave autônoma entregou material genético em granja na zona rural de Toledo (PR) A BRF, uma das maiores companhias de alimentos do mundo, realizou em Toledo, no Paraná, a primeira entrega de material genético a produtor integrado feita por meio de um drone. No teste, que marca o pioneirismo da BRF, o drone entregou doses de sêmen suíno para inseminação em uma granja integrada na zona rural do município. A iniciativa verificou tempo, praticidade e segurança do transporte. Com rota predefinida, a aeronave decola de forma automatizada e usa softwares de navegação, câmeras e sensores para voar até o destino, onde a carga, refrigerada, é desacoplada e deixada na área de entrega. A seguir, retorna ao ponto de origem. Movido por um conjunto de baterias carregáveis por energia elétrica, o drone contribui para a redução de emissão de carbono na atmosfera, facilita a chegada às granjas, muitas delas em localidades de geografia aci28 | REVISTA 100% CAIPIRA

Fonte: BRF

dentada, diminui tempo e traz ganhos ambientais. O projeto também tem como objetivos a segurança sanitária e a biosseguridade. “Testamos a movimentação de cargas para estudar a viabilidade desse modelo de transporte para a cadeia agropecuária, para que no futuro possam ser realizados voos mais longos, cobrindo áreas maiores, e para aterrissarmos tecnologias que sejam realmente funcionais no campo”, afirma o diretor de Agropecuária da BRF, Guilherme Brandt. Depois de avaliados os primeiros resultados, novos testes devem ser feitos. Desenvolvido de forma conjunta pelas áreas de Agropecuária e Tecnologia da BRF, o projeto integra a plataforma Digital Agro 4.0, pela qual a BRF conecta o campo ao digital, e está alinhado com o Plano Visão 2030 da Companhia, de consolidar sua liderança como uma empresa global de alimentos com tecnologia e inovação. “A tecnologia é um meio e não um fim

para bons resultados. Com projetos como esse, avançamos na conexão do campo às novas tecnologias, facilitando a vida dos nossos integrados e cumprindo o propósito inovador da companhia”, afirma Antonio Carlos Cesco, diretor global de Tecnologia da BRF. Foram testados dois drones, com capacidade de transporte de 2kg a 5kg e autonomia de 2,5 km a 50 km. “Foi como ver o futuro chegando”, conta o produtor Ademir Geremias, integrado da BRF há 33 anos e proprietário da granja onde o teste foi feito. Os drones são projetados para voar com segurança durante o dia, à noite e sob chuva leve. “A aeronave monitora automaticamente seus sistemas para garantir que é seguro voar e está programada para evitar a decolagem ou para tomar ações de contingência automaticamente se um problema for detectado”, explica Samuel Salomão, fundador e chefe de produto da Speedbird Aero, empresa parceira no projeto.


BOVINOS DE CORTE

Cargill Nutrição Animal lança a Campanha Carne do Bem

Movimento leva informações confiáveis e conhecimento para o consumidor final A Cargill Nutrição Animal, com o propósito de comunicar e posicionar corretamente a produção pecuária para o consumidor final, criou a Campanha Carne do Bem, um movimento em prol do conhecimento, que tem a intenção de, através de diferentes temas, contar a história e promover a valorização da cadeia produtiva de carne. Ao lançar o Carne do Bem, a empresa tem o intuito de mostrar todo o trabalho que é desenvolvido do campo até chegar à mesa, apresentando as histórias dos pecuaristas, mostrando a realidade do dia a dia no campo e evidenciando os desafios e superações na jornada destes protagonistas da cadeia da carne. Serão histórias inspiradoras, mostrando o orgulho e comprometimento com a produção de alimentos saudáveis, sustentáveis e acessíveis. “Queremos valorizar o trabalho do pecuarista, bem como o consumo de carne bovina, abordando diversos aspectos desse mercado, da produção até a chegada do alimento à mesa do consumidor”, comenta Nathalia Coelho, Analista de Marketing para Bo-

vinos de Corte da Cargill Nutrição Animal. Por outro lado, a empresa pretende ajudar a desmistificar alguns pontos da cadeia de produção, levando conhecimento totalmente embasado por fatos e dados para a sociedade. Para tanto, conta com a curadoria de conteúdo do Profº Dr. Marcos Fava Neves, Professor de Planejamento Estratégico e Agronegócio da FEA-RP/ USP e EAESP/FGV, que trará esclarecimentos sobre temas como: histórico e evolução da pecuária, importância econômica e social, sistemas produtivos sustentáveis, certificações e selos de origem, práticas de bem-estar e saúde animal, tecnologia e conectividade da pecuária, benefícios do consumo de carnes, entre outros. “Nós queremos mostrar, por meio desta iniciativa, que a produção de carne bovina no Brasil é sustentável e, que ela traz diversos benefícios para a sociedade e nosso país, seja na geração de empregos, renda, até nos avanços constantes de práticas de produção que respeitem o meio ambiente, além de todo benefício nutri-

cional para saúde dos consumidores”, explica, Newton Teodoro, Gerente de Marketing na Cargill. A campanhas está estruturada em três editoriais: Produtor em Foco, Fados & Dados e Dicas do Assador. O Produtor em Foco aborda aspectos mais ligados à produção e aos desafios do dia a dia no campo. O Fatos e Dados vai ajudar a desmistificar alguns temas, trazendo também algumas curiosidades sobre a cadeia da carne. Por último, o Dicas do Assador, apresenta dicas de escolhas da carne, de cortes, formas de preparo, entre outras. E sempre em um ambiente descontraído para uma receita especial. “Juntas, essas três frentes nos ajudarão a construir e impulsionar todas as histórias e narrativas da produção pecuária no país, trazendo conteúdo e informação de qualidade”, afirma Nathalia. Todos esses conteúdos estarão disponíveis nas plataformas digitais e redes sociais das marcas Probeef e Nutron Brasil. A iniciativa ainda contempla ações com imprensa, parceiros e influenciadores. Fonte: Cargill Nathalia Coelho REVISTA 100% CAIPIRA |29


FRUTICULTURA

IG Sul da Bahia lança programa pioneiro de rastreabilidade para produtores de cacau

Fonte: Cacau e Chocolate

Sistema Blockchain garante qualidade das amêndoas 30 | REVISTA 100% CAIPIRA


A IG Sul da Bahia, Cooperativas Associadas (Cooperativa de Serviços Sustentáveis da Bahia- COOPESSBA, Cooperativa de Pequenos Produtores de Cacau, Mandioca e Banana do Centro da Região Cacaueira – COOPERCENTROSUL, Cooperativa da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Bacia do Rio Salgado e AdjacênciasCOOPFESBA) e Centro de Inovação do Cacau- CIC realizaram nos últimos meses atividades de campo em conjunto. O objetivo foi proporcionar maior qualificação aos agricultores familiares, em mais uma etapa de preparação para as inovações em transparência, qualidade e rastreabilidade propostas pela federação de produtores. Essas ações integradas contam com o apoio do Governo do Estado, através do Programa Bahia Produtiva/SDR-CAR e visam levar à excelência a produção de cacau na região Sul da Bahia. Sempre na vanguarda das inovações a IG Sul da Bahia é a pioneira na regulamentação dos padrões de qualidade de cacau no Brasil, já que instituiu o primeiro regulamento oficial no país que tratava das questões de padrão mínimo para que o cacau possa ser considerado de qualidade superior. Agora, a IG está lançando o primeiro sistema de rastreabilidade para cacau com tecnologia Blockchain no Brasil, fruto de uma parceria com a Bleu Empreendimentos Digitais. Os produtores associados à IG em breve passarão a ter acesso ao sistema através da Google Play Store. “A parceria inédita da Associação Cacau Sul da Bahia a Bleu Empreendimentos Digitais proporcionará a transparência na relação com o consumidor que está cada vez mais ativo na busca por informações sobre a origem dos alimentos que consome”, afirma Fala Cristiano Sant´Ana diretor executivo da IG. Segundo ele, “mais uma vez nossa IG demonstra a sua capacidade de inovar e fazer o melhor possível para cumprir sua visão que é a de transformar a Região Sul da Bahia em referência nacional e internacional em cacau de qualidade superior”. Adriana Reis, Gerente de Qualidade do Centro de Inovação do Cacau – CIC destaca que “Esse sistema garante

a rastreabilidade de cada lote registrado e a comprovação da origem. A indicação Geográfica tem um compromisso com a responsabilidade, a transparência, a segurança e a qualidade”. “Esses são os pontos chaves dessa tecnologia, que garante um produto saudável, oriundo de uma região de grande relevância ambiental, que cumpre seu papel com a legislação, respeita as questões trabalhistas e sociais. Temos muito o que avançar, mas estamos assumindo a vanguarda de um processo inovador e que agrega valor à cadeia produtiva do cacau e do chocolate e permite acesso a novos mercados”, diz.

Sobre o Sistema Em tempos de pandemia, a rastreabilidade tem ajudado de forma significante os produtores na comercialização de seus produtos.

O que é rastreabilidade? A rastreabilidade dos alimentos tornou-se uma aliada para garantir a segurança alimentar, respeito aos processos no âmbito socioambiental e aumento do valor agregado ao produto. O processo de rastreabilidade proporciona maior segurança para a qualidade dos alimentos no local e em toda a cadeia produtiva. Por meio do controle detalhado, é possível determinar a fase de plantio, o local e o produtor responsável pelo alimento.

Como registrar todas essas informações e etapas? A segurança da informação é fundamental para qualquer cadeia produtiva, sem se limitar a nenhum campo. O rastreamento mais que inteligente fazendo uso da tecnologia blockchain, muito já comentada nos dias de hoje, proporcionará todos os registros e a

auditorias. O termo em inglês blockchain significa cadeia de blocos. Essa é uma tecnologia usada como método de validação de registros e transações para diversos serviços. Diferentemente de outras tecnologias, são compartilhadas com todos os participantes que as utilizam, tornando as informações contidas nesta cadeia de blocos praticamente invioláveis. Todas as informações registradas na blockchain são gravadas de forma permanentemente, sem alteração ou violação de dados. Consequentemente, todas as informações descritas nos rótulos de um produto também o serão. Com o uso do blockchain auxiliando a rastreabilidade do cacau é possível criar uma linha de produção altamente transparente e confiável desde o campo até a barra de chocolate e outros derivados de cacau, ou seja, até o consumidor final. Com o uso de um aplicativo no celular é possível gerar a localização por GPS, mesmo em lugares sem sinal e registrar todas as informações socioambientais da propriedade e as etapas da colheita, quebra, fermentação, secagem, armazenamento, transporte e processamento. Conhecer toda a história do produto, auxiliará na maior percepção sobre os problemas de segurança e na sua qualidade, sendo possível gerenciar mais facilmente as rotinas operacionais.

A IG Cacau Atualmente a Associação Cacau Sul da Bahia possui 12 empresas de chocolates finos da região e de outros estados do país credenciadas para a comercialização de derivados de cacau fabricados exclusivamente com cacau rastreado produzido no Sul da Bahia. A Associação Cacau Sul Bahia-IG Cacau é uma federação formada por 20 instituições representativas de produtores com um total de 3460 associados e é atualmente a mais abrangente associação da cadeia do cacau e chocolate no Sul da Bahia. REVISTA 100% CAIPIRA |31


CARCINICULTURA

Após superar desafios sanitários, B de camarão

Cuidados com a sanidade é um processo essencial para o crescimento da atividade. Prevenção de doenças é o melhor caminho, diz diretor técnico para a América Latina da Biomin. O Brasil deve produzir 150 mil toneladas de camarão em 2021, projeta a Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC). Esse resultado, que representará crescimento de 38% em relação ao ano passado (112 mil toneladas), decorre de uma série de fatores, entre os quais o efetivo controle sanitário da atividade, explica Luciano Sá, diretor técnico regional LATAM da Biomin. “O controle preventivo de contaminações é a melhor forma de garantir alta produtividade e promover a carcinicultura mais sustentável”, explica o especialista, referindo-se aos desafios de sanidade que há duas décadas reduziram drasticamente a produção de camarão no Brasil e tiraram o país do comércio internacional. Itamar Rocha, presidente da ABCC, reconhece que o crescimento robusto da atividade entre 2016-2020 (86,7%) 32 | REVISTA 100% CAIPIRA

deve-se, entre outros fatores, aos aprendizados dos produtores sobre a importância ao status sanitário da atividade. “Após a estagnação da produção brasileira devido à ocorrência da Mancha Branca (WSSV) e da Síndrome da Necrose Infecciosa Muscular (NIM), em 2004-2016, ficou claro para o setor que não há espaço para correr riscos quando o assunto é sanidade e ela deve se sobrepor a qualquer outro interesse. Depois que uma contaminação viral ou bacteriana se estabelece em uma determinada região, a reversão do problema é muito mais desafiadora e custosa do que as iniciativas para precavê-la”, alerta o dirigente. “A prevenção é a melhor estratégia”, reforça Luciano Sá. “Diversos fatores estão envolvidos nesse processo: primeiro, o correto diagnóstico, que passa pelo entendimento do ciclo de vida

dos patógenos e em que fase ele está mais ativo. Também precisamos olhar para as espécies e observar a fase em que estão mais vulneráveis. É o caso das larvas de camarão, por exemplo, que ainda não têm sistema imunitário robusto para responder rapidamente às infecções. Esses fatores associados resultam em melhor estratégia preventiva, ao lado de outras ferramentas como protocolos de biosseguridade, análises presuntivas, aplicação de vacinas, controle sanitário de reprodutores e manejo nutricional”, destaca o especialista da Biomin. O impacto ambiental é outro ponto de atenção para a carcinicultura. Luciano Sá explica que em todo tipo de produção (agrícola ou animal) há formação de resíduos. No entanto, a responsabilidade das indústrias do setor, incluindo as empresas de insumos, é


Brasil produzirá 150 mil toneladas o em 2021

minimizar esse impacto com o desenvolvimento de soluções sustentáveis. A exploração aquícola intensiva produz grandes quantidades de resíduos orgânicos que se acumulam no ambiente do tanque. A degradação desses compostos reduz o oxigênio dissolvido, levando à formação de metabólitos tóxicos. “Quando há confinamento e alta densidade no tanque, se não houver um apropriado manejo, alguma doença, mais cedo ou mais tarde, aparecerá. Do ponto de vista econômico, ter uma enfermidade no plantel representa prejuízo pela maior mortalidade e gastos com o controle da infecção”, explica o diretor da Biomin, empresa de soluções naturais para nutrição animal. A microbiota do camarão é muito associada ao solo do tanque (fundos e taludes). Logo, um depende do outro. Sem a higienização adequada, o fundo

passa a acumular resíduos de matéria orgânica e torna-se propício à propagação de doenças. Como exemplo de ação preventiva eficaz, o diretor da Biomin destaca o uso de probióticos, tanto para a degradação da matéria orgânica, como através da colonização benéfica do trato intestinal por bactérias, fortalecendo diretamente o sistema imune. Sua ação também é segura e sustentável nos viveiros, controlando patógenos, eliminando resíduos indesejáveis e reduzindo a formação de lodo. “A responsabilidade da cadeia da produção de proteínas animais vai além da alimentação da população. Também passa pelo compromisso de garantir o bem-estar animal e minimizar os impactos socioambientais. O uso de aditivos naturais pode representar por exemplo, melhoria na digestibilidade dos nutrientes, o que leva à me-

lhor conversão alimentar e a um menor custo com rações. Controlar a ameaça de agentes patogênicos por meio de soluções nutricionais naturais significa mais segurança, associada a melhores índices produtivos”, conclui Luciano Sá. O status sanitário é um requisito essencial em termos de segurança alimentar e de acesso aos diferentes mercados. Itamar Rocha lembra que apesar da carcinicultura brasileira ainda ter pouca expressividade no comércio global, a cadeia como um todo trabalha para profissionalizar-se e garantir qualidade e segurança. “Voltar com força às exportações será fundamental para regular os preços praticados pelo mercado interno, que, pela falta de opções, têm sido desfavoráveis aos produtores brasileiros”, pontua o presidente da Fonte: Texto assessoria ABCC. REVISTA 100% CAIPIRA |33


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MERCADO FLORESTAL

Setor privado na América Latina contribui com conservação e restauração de 22,6 mi de hectares através da Iniciativa 20x20 A Iniciativa 20x20 reportou nesta quinta-feira (20) que parceiros da iniciativa privada, de governos nacionais e governos subnacionais da América Latina conservaram e restauraram cerca de 22,6 milhões de hectares de florestas e paisagens no continente, por meio de 135 projetos

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Os dados foram apresentados na reunião anual da Iniciativa 20x20, que está ocorrendo de forma virtual nessa semana e conta com a participação de ministros do Meio Ambiente e da Agricultura de diversos países latino-americanos, governos subnacionais, empresas e organizações da sociedade civil. Além das áreas conservadas e restauradas, a Iniciativa 20x20 também informou que 24 investidores e parceiros financeiros têm disponíveis um total de US$ 2,5 bilhões para investir em conservação, restauração de paisagens e florestas, silvicultura com espécies nativas, sistemas agroflorestais, restauração de pastagens e agricultura de baixo carbono em todo o continente. A Iniciativa 20x20 é um esforço de países da América Latina para restaurar e conservar florestas no continente. Lançado em Lima, no Peru, em 2014, ela hoje inclui compromissos de 17 países para restaurar 50 milhões de hectares no continente até 2030 - uma área do tamanho do território da Espanha. “Os dados da Iniciativa 20x20 mostram que já temos projetos de restauração e reflorestamento de boa qualidade no Brasil e na América Latina”, diz Miguel Calmon, consultor sênior de Florestas do WRI Brasil. “Eles mostram o potencial da iniciativa privada na ação climática, e também como soluções baseadas na natureza fazem cada vez mais parte do mundo dos negócios”.

Brasil 20x20

na

Iniciativa

Dos números reportados hoje, há 9 projetos liderados pela iniciativa privada no Brasil, totalizando cerca de 450 mil hectares. São projetos de desmatamento evitado, agricultura sustentável, restauração, reflorestamento e silvicultura com espécies nativas. Entre os projetos dos parceiros do setor privado está a Futuro Florestal, empresa que produz madeira de reflorestamento com nativas de alto

valor agregado em plantios mistos e homogêneos, junto com projetos de sistemas agroflorestais envolvendo café, cacau e açaí. A empresa maneja diretamente o reflorestamento de 500 hectares e apoia a restauração de outros 4.500 hectares no interior de São Paulo. “A Futuro Florestal trabalha com restauração de florestas com foco ecológico e econômico, fomentando, apoiando e trabalhando ativamente no campo, seja produzindo mudas nativas, criando modelos de restauração que tragam retorno econômico aos produtores rurais, como também conectando iniciativas que são importantes e necessárias para que o Brasil possa cumprir suas metas de restauração”, diz Rodrigo Ciriello, diretor comercial da empresa. “Restaurar ecossistemas para equilibrar nossa contribuição ao planeta é também uma forma de nos reconectarmos com a natureza e garantirmos algum futuro para as próximas gerações”, afirma. Também há comprometimentos importantes de agricultura de baixo carbono e dos governos estaduais de Espírito Santo, Mato Grosso e São Paulo. Um caso de sucesso é o Programa Reflorestar, do estado do Espírito Santo. O programa apoia produtores rurais que desejam plantar florestas, principalmente os projetos que conciliam a conservação do solo, da água e da biodiversidade, com a geração de renda a partir do estímulo ao plantio de sistemas agroflorestais e de espécies nativas que possam ser manejadas no médio e no longo prazo. Segundo Marcos Sossai, da Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Espírito Santo, com cerca de 10 mil hectares já implementando e outros 12 mil hectares que deverão ter a restauração iniciada nos próximos seis anos, o programa Reflorestar terá a oportunidade de levar fonte de renda e de desenvolvimento para diversas regiões do Estado, criando também oportunidade para investimentos externos, na medida em que parte dessas áreas podem ser restauradas conciliando a conservação com a geração de renda, como em plantios que permitam o manejo sustentável de ma-

deira de espécies nativas. “A restauração florestal deve ser tratada como prioridade pelos governos estaduais pois, se conduzida com a devida estratégia, pode trazer benefícios múltiplos para a sociedade”, afirma.

América Latina e a Década da Restauração Além dos trabalhos do Espírito Santo e da Futuro Florestal, há projetos como o de desmatamento evitado no Pantanal, o da promoção da silvicultura de espécies nativas na Bahia, investimento em pecuária sustentável, entre outros. O engajamento dos países, governos subnacionais e empresas latino-americanos é crucial para a ação climática, especialmente neste ano em que a ONU declarou como o início da Década da Restauração dos Ecossistemas (2021-2030). “Na América Latina, 58% das emissões de gases de efeito estufa são provenientes de agricultura, florestas e uso da terra”, diz Walter Vergara, coordenador da Iniciativa 20x20. “Restaurar paisagens durante a Década da Restauração representa um caminho de baixo custo para que o continente atinja a neutralidade de carbono até o meio do século”.

Sobre 20x20

a

Iniciativa

A Iniciativa 20x20 é um esforço liderado pelos países para proteger e começar a restaurar 50 milhões de hectares de paisagens e florestas na América Latina e no Caribe para 2030. Os governos, investidores de impacto e parceiros técnicos lançaram a iniciativa em 2014, durante a COP 20 em Lima, Peru, com o compromisso de começar a restaurar 20 milhões de hectares de terras degradadas até 2020. Agora, os países-membros e parceiros estão trabalhando para fazer com que a região seja neutra em carbono até 2050 protegendo e revitalizando 250 milhões de hectares de paisagens para as pessoas, clima e biodiversidade. Fonte: AViV Comunicação REVISTA 100% CAIPIRA |37


SAÚDE ANIMAL

Brasil tem mais seis estados reconhecidos como áreas livres de febre aftosa sem vacinação Mais de 40 milhões de cabeças deixarão de ser vacinadas e 60 milhões de doses anuais da vacina não serão utilizadas, gerando uma economia de aproximadamente R$ 90 milhões ao produtor rural

Fonte: MAPA

Os estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Acre, Rondônia e partes do Amazonas e do Mato Grosso agora são reconhecidos internacionalmente como zonas livres de febre aftosa sem vacinação. Ao todo, são mais de 40 milhões de cabeças que deixam de ser vacinadas, o que corresponde a cerca de 20% do rebanho bovino brasileiro, e 60 milhões de doses anuais da vacina que deixam de ser utilizadas, gerando uma economia de aproximadamente R$ 90 milhões ao produtor rural. O reconhecimento foi concedido 38 | REVISTA 100% CAIPIRA

pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) durante a manhã desta quinta-feira (27) na 88ª Sessão Geral da Assembleia Mundial dos Delegados da OIE. O Paraná também recebeu o reconhecimento como zona livre de peste suína clássica independente. Após a assembleia da OIE, a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, anunciou em live a conquista do setor, ao lado de governadores dos estados beneficiados. Ela ressaltou o empenho dos pecuaristas brasileiros e de toda a cadeia

produtiva das carnes bovina e suína, em cumprir as normas sanitárias, e dos estados, no fortalecimento dos serviços veterinários. “O reconhecimento da OIE significa confirmar o elevado padrão sanitário da nossa pecuária e abre diversas possibilidades para que o Ministério da Agricultura trabalhe pelo alcance de novos mercados para a carne bovina e carne suína do Brasil, assim como pela ampliação dos tipos de produtos a serem exportados aos mercados que já temos acesso”, disse a ministra, também agradecendo o empenho dos


servidores do Mapa. Para realizar a transição de status sanitário, os estados e regiões atenderam requisitos básicos, como aprimoramento dos serviços veterinários oficiais e implantação de programa estruturado para manter a condição de livre da doença, entre outros, alinhados com as diretrizes do Código Terrestre da OIE. O processo de transição de zonas livres de febre aftosa com vacinação para livre sem vacinação está previsto no Plano Estratégico do Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa (PE PNEFA), conforme estabelecido pelo Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa). A meta para o Brasil ser todo livre de febre aftosa sem vacinação é em 2026. “Esse reconhecimento internacional é muito importante para o país e impacta positivamente toda cadeia produtiva do agronegócio. A parceria entre o serviço veterinário oficial e o setor produtivo tem sido a base fundamental para os avanços conquistados. Agora, o Ministério segue, junto ao setor privado, com o desafio de manter a condição do país de livre da febre aftosa e de caminhar rumo ao objetivo de ampliar as áreas com reconhecimento de livre sem vacinação”, destaca o secretário de Defesa Agropecuária Mapa, José Guilherme Leal. Atualmente, existem em torno de 70 países reconhecidos livres de febre aftosa sem vacinação, que são potenciais mercados para a produção de carne bovina e suína, com melhor preço e sem restrições sanitárias como, no caso da carne bovina, desossa e maturação. Entre esses países estão Japão, EUA, México e países da UE. Em 2021, nos quatro primeiros meses do ano, o volume exportado de carne bovina e suína aumentou 27% na Região Sul do país, representando valores de R$ 4,3 bilhões, contra R$ 3,4 bilhões no mesmo período em 2020.

como as limitações à comercialização de produtos pecuários, exigem dos produtores rurais e das autoridades sanitárias um constante esforço para prevenir a doença e proporcionar condições para sua erradicação. No Brasi l, o ú lt imo fo co d a do enç a o cor reu em 2006 e to do o ter r itór io do p aís é re con he cido inter naciona lmente como liv re d a febre af tos a (zonas com e s em vacinaç ão) des de 2018. Até este momento, ap enas Sant a C at ar ina p ossuí a a cer t if ic aç ão inter naciona l como zona liv re de febre af tos a s em vacinaç ão.

Resu ltad os d as e tap as d e vacinaç ão Na s emana p ass ad a, a S e cret ár i a de D efes a Ag rop e c u ár i a do Ministér io d a Ag r ic u ltura, Pe-

c u ár i a e Ab aste cimento (Map a) l ançou um p ainel dinâmico p ara consu lt a dos d ados de vacinaç ão d as 26 unid ades d a fe deraç ão des de 2001 até hoj e. Sant a C at ar ina não ent ra no histór ico, p ois p arou de vacinar des de 2000. No p ainel é p ossível fazer aná lis es dinâmic as e obs er var os d ados de cob er tura vacina l de animais e de propr ie d ades em to d as as et ap as de vacinaç ão rea lizad as no p aís nos ú lt imos 20 anos. “E sp era-s e que ess e p ainel s ej a fonte de consu lt a p or p arte de pro dutores r urais, inst ituiçõ es ligad as ao ag ronegó cio e universid ades, s er v indo p ara a re a lizaç ão de aná lis es histór ic as e estudos rel acionados à febre af tos a”, dest ac a o diretor do D ep ar t amento de Saúde Anima l, G era ldo Moraes.

Febre Aftosa no Brasil A febre aftosa é uma doença que afeta bovinos, bubalinos, caprinos, ovinos e suínos. Os prejuízos diretos e indiretos ocasionados pela doença, bem REVISTA 100% CAIPIRA | 39


MÁQUINAS E IMPLEMENTOS

Indústria vê vendas de máquinas agrícolas fortes mesmo com impasse no Plano Safra

Representantes da indústria ouvidos pela Reuters afirmam que o volume de recursos para financiamento de máquinas e equipamentos pela linha Moderfrota se esgotaram no fim do ano passado 40 | REVISTA 100% CAIPIRA


O a g ron e gó c i o s e pre p ar a p ar a a ch e g a d a d o próx i m o Pl a n o S af r a , p o ss ive l m e nte, s e m g r an d e s av an ç o s n o c ré d ito r u r a l, m a s a i n dú st r i a d e m á qu i n a s a c re d it a qu e i ss o n ã o d e ve i n i bi r a for te d e m an d a p or t r atore s e c ol h e it a d e i r a s qu e p ai r a s obre o s e tor e te n d e a p e rdu r ar a o l on go d o an o. R e pre s e nt ante s d a i n dú st r i a ouv i d o s p e l a R e ute rs af i r m am qu e o volu m e d e re c u rs o s p ar a f i n an c i am e nto d e m á qu i n a s e e qu ip am e nto s p e l a l i n h a Mo d e rf rot a s e e s got ar am n o f i m d o an o p a ss a d o. Me s m o a ss i m , pro dutore s m ai s c apit a l i z a d o s p e l a a lt a d a s c om m o d it i e s s e g u e m c om av i d e z n a s c ompr a s . “O re c u rs o própr i o au m e ntou p orqu e a sup e rs af r a ( d e g r ã o s ) e o c âmbi o f avore c e r am . O ´ b arte r ´ t amb é m e st á c re s c e n d o. . . Me s m o qu e ve n h am a dve rs i d a d e s n o P l an o S af r a . . . qu e m qu i s e r c ompr ar m á qu i n a s v ai c ompr ar”, d i ss e o d i re tor- e xe c u t ivo d a Ass o c i a ç ã o Br a s i l e i r a d o Ag ron e gó c i o ( Ab a g ) , E du ard o D a h e r. E l e af i r m ou qu e “qu a l qu e r br a s i l e i ro j á s e nt iu qu e e x i ste u m t re m e n d o d é f i c it f i s c a l n o gove r n o”, e m f u n ç ã o d o s g a sto s d e c or re nte s d a p an d e m i a d a C o v i d - 1 9 , p or i ss o o s e tor ag r í c ol a j á e st á ate nto a out r a s for m a s d e arc ar c om o s i nve st i m e nto s . “Ach o qu e v ã o pro c u r ar e n f at i z ar a lte r n at iv a s d e f i n an c i a m e nto, i ss o e st á ab s olut am e nte cl aro”, a c re s c e ntou. O m om e nto é d e i n c e r te z a s p ar a o P l an o S af r a , u m a ve z qu e o C ong re ss o Na c i on a l aprovou a L e i O rç am e nt ár i a A nu a l ( LOA ) c om c an c e l am e nto s d e re c u rs o s qu e tot a l i z am 2 , 5 bi l h õ e s d e re ai s . A m e d i d a re su ltou e m d i re t r i z d o Mi n i sté r i o d a E c on om i a p ar a a su sp e ns ã o, p e l o s b an c o s , d e n ov a s c ont r at a ç õ e s d e f i n an c i am e nto s su bve n c i on a d o s d o pro g r am a 2 0 2 0 / 2 1 , a l é m d e at r a -

p a l h ar a s d i s c u ss õ e s d o pro g r a ma 2021/22.

Na In dú s t r i a O pre s i d e nte d a AG C O A m é r i c a d o Su l, Lu i s Fe l l i, d i ss e à R e ute rs qu e a l é m d o a lto n íve l d e c apit a l i z a ç ã o d o ag r i c u ltor, mu ito s n e gó c i o s tê m s i d o fe ch a d o s c om o au x í l i o d a l i n h a d e c ré d ito r u r a l d o B N DE S . “E st am o s s e m Mo d e r f rot a d e s d e o an o p a ss a d o e a ch o qu e i ss o ( Pl an o S af r a ) n ã o d e ve i m p a c t ar a d e m an d a”, af i r m ou o e xe c ut ivo d a c omp an h i a d on a d a s m ont a d or a s Va lt r a e Ma ss e y Fe rg u s on . Fu n d am e nt a d o p e l a s af r a re c ord e d e g r ã o s d o p aí s e a v i s ã o d e u m ambi e nte “sup e r c omp e t i t ivo” n o c om é rc i o d o s pro duto s ag r í c ol a s , o c e n ár i o é b a st ante prom i ss or p ar a a qu i s i ç ã o d e m á qu i n a s n o an o i nte i ro. “S e h ouve r ofe r t a su f i c i e nte, o m e rc a d o d e m á qu i n a s ag r í c o l a s p o d e c re s c e r até 3 0 % n o Br a s i l e m 2 0 2 1 ”, e st i m ou, l e mbr an d o qu e a f a lt a d e p e ç a s du r ante a p an d e m i a ai n d a te m l i m it a d o a e nt re g a d o s e qu ip am e nto s . Fe l l i c ontou qu e a e mpre s a te m to d a s a s ve n d a s fe ch a d a s c om pro g r am a ç ã o d e e nt re g a até outu bro e pre c i s ou fe ch ar a c ar te i r a d e p e d i d o s te mp or ar i a m e nte, p ar a p o d e r ate n d e r a d e m an d a . Agor a , a e x p e c t at iv a é qu e n ovo s p e d i d o s p o ss am s e r fe ito s s om e nte a p ar t i r d e ju l h o, p ar a e nt re g a e nt re n ove mbro e j an e i ro d e 2 0 2 2 . Na c on c or rê n c i a , o v i c e - pre s i d e nte d a Ne w Hol l an d Ag r í c o l a p ar a A m é r i c a d o Su l, R af a e l Mi otto, d i ss e qu e o Mo d e r f rot a foi ut i l i z a d o até n ove mbro d e 2 0 2 0 e a p ar t i r d e e nt ã o a s ve n d a s s e g u i r am p or m e i o d e c ons órc i o, c ré d ito d i re to a o c ons u m i d or e mu ito s n e gó c i o s fe ch a d o s c om re c u rs o s própr i o s d o pro dutor. “A te n d ê n c i a é qu e o próx i m o

Pl an o S af r a c u br a ai n d a m e n o s d o qu e o atu a l c obr iu. . . E s t i m a m o s u m m e rc a d o m ai or ( e m ve n d a s ) , m a s s e o re c u rs o qu e v i e r p ar a 2 0 2 1 / 2 2 for s i m i l ar ( a o d e 2 0 / 2 1 ) , e l e p o d e a c ab ar e m outu bro, du r ar m e n o s te mp o.” A i n d a a ss i m , s e g u n d o Mi otto, a c omp an h i a d e ve c re s c e r e nt re 1 0 % e 1 5 % e m volu m e d e ve n d a s n e ste an o, e m l i n h a c om o av an ç o e sp e r a d o p ar a o m e rc a d o. E l e a l e r tou, p oré m , qu e o s e tor pre c i s a e st ar pre p ar a d o p ar a u m Pl an o S af r a s e m au m e nto n o volu m e d e re c u rs o s ou c om ju ro s m ai s e l e v a d o s , e m e s m o qu e o c e n ár i o s e j a prom i ss or p ar a a ve n d a d e t r atore s e c ol h e it a deiras, em alguma medida, há pre o c up a ç ã o c om o t am an h o d o próx i m o Mo d e r f rot a d e v i d o à i mp or t ân c i a d a l i n h a p ar a o f i n an c i am e nto d o s pro dutore s . “Ach o mu ito d i f í c i l n ã o te r n e n hu m i mp a c to qu e ve n h a d o Pl an o S af r a , m a s t amb é m a ch o mu ito d i f í c i l qu ant i f i c ar qu a l s e r á e ss e i mp a c to”, av a l i ou o d i re tor d e ve n d a s d a Joh n D e e re Br a s i l, Marc e l o L op e s . E l e a c re s c e ntou qu e e x i s te m b a s e s for te s p ar a o m e rc a d o s e m ante r a qu e c i d o, m a s o f i n an c i am e nto s e mpre é u m f ator mu ito i mp or t ante p ar a a d e f i n i ç ã o d o cl i e nte n o m e rc a d o d e m á qu i n a s . A Joh n D e e re n ã o d iv u l g a proj e ç õ e s e sp e c í f i c a s p ar a o Br a s i l m a s e sp e r a qu e, n a A m é r i c a d o Su l, a s ve n d a s d a i n dú s t r i a d e t r atore s e c ol h e it a d e i r a s s u b am c e rc a d e 2 0 % e m 2 0 2 1 a c i m a d a e x p e c t at iv a p ar a ve n d a s mu n d i ai s d e e qu ip am e nto s ag r í c ol a s , qu e d e ve m au m e nt ar d e 1 0 % a 15%. D a d o s d a Fe d e r a ç ã o Na c i o n a l d a D i st r i bu i ç ã o d e Ve í c u l o s Autom otore s ( Fe n abr ave ) m o s t r am qu e a s ve n d a s d e m á qu i n a s ag r í c ol a s j á su bi r am 2 2 , 2 6 % n o Br a s i l n o pr i m e i ro t r i m e s t re, i mpu l s i on a d a p e l o d e s e mp e n h o f avor áve l d a s c om m o d it i e s n o p aí s . Fonte: Reuters REVISTA 100% CAIPIRA | 41


T. DA INFORMAÇÃO

Fonte: DSM – Bright Science. Brighter Living.™

DSM e Cepea/USP atualizam e trazem novas funcionalidades para o app Mais Arroba Novas funções do app gratuito desenvolvido pelas equipes de Ruminantes da DSM e do Cepea incrementam o leque de informações que ajudam a melhorar a gestão do confinamento e a buscar melhores índices zootécnicos e de rentabilidade | REVISTA 100% CAIPIRA


O aplicativo gratuito Mais Arroba, desenvolvido em conjunto pela área de Ruminantes da DSM, detentora da marca Tortuga® de suplementos nutricionais para animais, e pelo Cepea/USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, ligado à Esalq/USP), passou por uma atualização e ganhou novas funções. Entre as mudanças, o Mais Arroba não está mais disponível via Apple Store ou Play Store, mas, a partir de agora, pelo site, com opção de download do app pelo celular, notebook, tablet ou outros dispositivos. O Mais Arroba é uma ferramenta que ajuda pecuaristas a melhoraram a gestão da produção no confinamento ao permitir simulação para todos os fatores zootécnicos e econômicos / financeiros que influenciam os resultados. A partir de dados inseridos pelos produtores, é possível simular ganhos produtivos dos animais, custos fixos e variáveis (boi magro, dieta, sanidade etc.), rentabilidade e taxa de retorno mensal (em Reais). Além disso, traz indicadores financeiros monitorados pelo Cepea, como o preço da arroba por região e os custos médios (abrangência nacional e para as cinco regiões do Brasil) que incidem no confinamento e os resultados das etapas e edições do Tour DSM de Confinamento, que avaliaram mais de 100 mil bovinos confinados. “São dados que permitem aos produtores comparar seus custos com a média nacional e verificar o nível de eficiência na gestão do negócio”, conta Marcos Baruselli, gerente de categoria Confinamento da DSM. Novas funções do Mais Arroba Uma das novas funções é o “Índice de Inflação de Confinamento”. Com atualização mensal, gera índice de custos e de preços de confinamento para acompanhamento da evolução mensal e acumulada da inflação desse sistema produtivo, além de ser uma referência para o setor e para a sociedade em termos de custos. Trata-se de um estudo com abrangência inédita no Brasil. Outra novidade é o “Censo de Confinamento”, espaço dedicado a números de animais confinados no Brasil, com base em levantamento feito pela própria equipe da DSM e que é a referência no

que diz respeito à base de dados desse sistema no Brasil. É possível, inclusive, consultar a evolução dos números do confinamento no país. A terceira novidade do Mais Arroba é o “Ponto Ótimo de Abate”. Trata-se de uma área restrita para colaboradores da DSM, que permite o cálculo do ponto ótimo de abate considerando fatores como raça categoria animal, dias confinados, peso projetado, consumo de dieta e avaliação ECC. O objetivo é informar ao usuário e técnicos as informações sobre o melhor momento de abate dos animais confinados.

que reúne informações técnicas, econômicas e dados gerais das propriedades que, desde 2015, participam dessa maratona de dias de campo e avaliações zootécnicas e financeiras de confinamentos de várias partes do Brasil. Mídia Mais Arroba: espaço que funciona como canal de comunicação das equipes da DSM e do Cepea junto ao mercado pecuário e geral e que mostra lançamentos de produtos da empesa, eventos do setor e do mercado. Tecnologias que geram 1 arroba a mais por animal confinado

Mais funções que contribuem para a Os suplementos nutricionais de alta gestão do confinamento tecnologia da linha Fosbovi® Confinamento com CRINA® e RumiStar™, da Além das novas funções, o Mais Ar- marca Tortuga®, da DSM, geram uma roba mantém as funções que já dispu- arroba a mais por bovino confinado, nha aos usuários, como: em média. São tecnologias que geram Simulação: item para simular a ren- benefícios zootécnicos e econômicos tabilidade, em que os usuários podem comprovados em avaliações em campo, calcular o ROI (retorno do investimen- feitas pelas equipes da DSM e do Cepea. to) e margem por arroba. As variáveis Mas, além do ganho de peso, há outros para cálculo são o preço do boi gordo, diferenciais adicionais, como a melhor preço do boi magro, custo diário da die- eficiência alimentar, redução das taxas ta, custo operacional diário, rendimen- de problemas gastrointestinais, como to de carcaça, número de animais con- diarreias ou timpanismo; rápida adaptafinados, data de confinamento, tempo ção dos animais; menor taxa de refugo de confinamento, ganho de peso diário, de cocho; aumento do consumo de racusto de sanidade, raça, categoria dos ção desde os primeiros dias de confinaanimais e uso de frete. mento; eficiência na digestão; e menor Histórico de Simulação: item onde incidência de animais com laminites e ficam armazenados os cálculos reali- acidose. zados para consulta do histórico de siSobre os ingredientes inovadores da mulações, de modo a ajudar a definir o DSM, o aditivo CRINA® é indicado para melhor momento para negociar os ani- substituir o uso de antibióticos e ionófomais de acordo com a combinação de ros na ração de bovinos confinados, com variáveis. vantagens na produtividade, sem prazo Informativos: inseridas no aplicativo de carência, sem deixar resíduo na carne quinzenalmente, são informações para a e sem restrições no comércio mundial consulta dos usuários sobre questões re- de carne bovina. O uso do RumiStar™ levantes do mercado pecuário e de con- (enzima alfa amilase pura) proporciofinamento, com dados e gráficos com as na melhor ambiência ruminal e reduz variações de cotações e custos. a excreção de amido nas fezes, proporIndicadores de Preços: atualizado cionando melhor eficiência alimentar e mensalmente, esse item permite aos redução do custo de produção da arroba usuários consultar indicadores de suas produzida no confinamento. RumiStar™ regiões, como preço de bezerro, boi gor- faz a hidrólise do amido no ambiente do, milho e soja. O objetivo é ampliar o ruminal, transformando o amido em leque de informações sobre o mercado oligossacarídeos, melhorando todo o de insumos e do boi para ajudar a simu- metabolismo energético do bovino conlar mais assertivamente a atividade do finado, sendo indicado para confinadoconfinamento. res que trabalham com altos teores de Tour DSM de Confinamento: item milho ou sorgo na dieta. REVISTA 100% CAIPIRA |43


FRUTICULTURA

SC colhe mil tone

Crescimento é em torno d

safra pa

Fonte: EPAGRI

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eladas de pitaia

de 60% em comparação à

assada Santa Catarina encerra a safra de pitaia com volume estimado em mil toneladas comercializadas, representando um crescimento em torno de 60% em comparação à safra 2019/2020. Esse volume superou as expectativas da Epagri, que presta assessoria aos produtores dessa fruta, concentrados o Sul do estado. “Foi uma safra com clima bem favorável, com precipitações bem distribuídas. Aliado a isso, boa parte dos pomares implantados entraram na fase adulta acarretando em maior produção”, destaca Ricardo Martins, engenheiro-agrônomo e extensionista rural da Epagri em Maracajá. O levantamento de produção foi realizado pela Epagri e pelas cooperativas Cooperja, de Jacinto Machado, e Coopervalesul, de Turvo. Segundo Ricardo, esse volume comercializado consolida Santa Catarina como um dos principais polos produtores de pitaia no Brasil. Estimativas preliminares realizadas apontam área de

produção em torno de 200 hectares, com cerca de 150 famílias envolvidas. “Em 2021 faremos um levantamento sócio- econômico da cultura da pitaia de forma a caracterizar melhor os dados de produção em no estado”, informa o engenheiro-agrônomo Diego Adilio da Silva, líder do Programa Fruticultura da Epagri no Sul Catarinense. Na avaliação de Diego, a expansão da pitaia em Santa Catarina, em especial no Sul Catarinense, vem ocorrendo de forma significativa, principalmente devido à organização da atividade em cooperativas, alternativa de diversificação nas atividades econômicas da pequena propriedade rural e assistência técnica permanente nas propriedades.

Mercado consumidor O maior consumidor da pitaia catarinense está no Brasil, mas este ano

parte da produção foi exportada para países da Europa e da América do Norte (Foto: Ricardo Martins) O principal destino da fruta no mercado interno são as regiões Sul e Sudeste do Brasil. Este ano parte da produção foi exportada para países da Europa e da América do Norte. O extensionista Ricardo afirma que há uma tendência de queda nos preços pagos aos produtores em virtude do aumento de produção e pouca popularidade da fruta. “A pitaia ainda é uma fruta muito desconhecida em diversas regiões do país. Dessa forma, há a necessidade de ampliar o leque de comercialização, principalmente com a exportação. A industrialização também é uma excelente oportunidade para alavancar e agregar valor à cadeia produtiva”, diz ele. A Epagri, inclusive, oferece cursos para orientar produtores no processamento da pitaia e auxilia na prospecção de novos mercados, a exemplo do Programa Nacional de Alimentação Escolar. REVISTA 100% CAIPIRA | 45


TURÍSMO RURAL

Governo de Goiás cadastra produtores interessados em potencializar turismo rural Inicialmente, projeto abrangerá propriedades localizadas na região do Caminho de Cora Coralina e adjacências. Objetivo é fortalecer turismo rural, melhorando a economia de produtores e dos municípios alcançados Fonte: Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) – Governo de Goiás

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Ag r ic u ltura, Pe c u ár i a e Ab aste cimento, Ti ago Mendonç a, acre dit a que o proj eto irá cont r ibuir de maneira muito efet iva p ara gerar novas op or tunid ades de rend a a pro dutores r urais do E st ado, a lém de va lor izar aind a mais o c amp o e su as r ique zas. “G oi ás tem um enor me p otenci a l a s er explorado na quest ão do tur ismo r ura l. Temos exemplos de out ros p aís es, como a It á li a e a E sp an ha, em que cid ades inteiras mov iment am o comércio lo c a l p elos pro dutos vendidos d a reg i ão, b em como exp er iênci as de hosp e d agem ou de at iv id ades que envolvem o c amp o. C om to d a a cer te za, confor me or ient aç ão do gover nador R ona ldo C ai ado, p o deremos s eguir p or este c amin ho e enc ant ar as p ess oas com noss as r ique zas c u lturais que vêm do meio r ura l”, s a lient a. Para o s e cret ár io de E st ado d a R etomad a, C és ar Moura, que t amb ém resp onde p el a p ast a d a Cu ltura, a inici at iva d a cr i aç ão deste roteiro tur íst ico e c u ltura l é mais um exemplo do mo delo de gest ão do gover nador R ona ldo C ai ado, fo c ado na uni ão ent re as p ast as do G over no de G oi ás. “A lém de re con he cer a imp or t ânci a de C ora C ora lina p ara a histór i a de noss o E st ado, o proj eto do C amin ho de C ora eng lob a mais op or tunid ades p ara a geraç ão de emprego, rend a e des envolv imento reg iona l”, coment a. O presidente d a G oi ás Tur ismo, Fabr ício Amara l, reforç a que o incremento p or p ar te d a inici at iva tem muito a cont r ibuir no des envolv imento do E st ado de maneira gera l. “G oi ás tem enorme p otenci a l p ara o tur ismo r ura l. Nós temos ess a c arac ter íst ic a d a r ura lid ade no DNA e, no p ós-p andemi a, ele surge como uma d as tendênci as mundi ais”, considera. “A própr i a Organizaç ão Mundi a l de Tur ismo (OMT) colocou o tur ismo r ura l como a temáano de 2020, celebrando o econo- tpicapaeldoque o s etor des emp en ha em for ne cer op or tunid ades, emprego e rend a fora d as g randes cid ades, E st ado de e pres er var o p at r imônio c u ltura l

O Governo de Goiás deu início ao cadastramento de produtores rurais interessados em participar de um programa a ser desenvolvido pelo Estado no fomento ao turismo rural. A iniciativa é promovida de forma integrada e reúne ações das secretarias de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), da Retomada e da Cultura (Secult) e da Goiás Turismo, da Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão e Pesquisa Agropecuária (Emater) e da GoiásFomento. O objetivo é mapear propriedades rurais no Estado com potencial turístico a ser explorado, seja pelo lado gastronômico, de experiência, arquitetônico, de hospedagem, museológico, de aventura, ecoturismo e costumes locais, dentre outras práticas de agroturismo. A partir desse mapeamento, o Governo de Goiás irá desenvolver políticas públicas focadas no fomento a essas atividades, potencializando a economia local e criativa dessas zonas rurais. A previsão é de que o cadastro possa, em um futuro breve, também dar aos produtores a oportunidade de criar, desenvolver ou alavancar atividades ligadas ao turismo rural, por meio de capacitações, acesso a crédito, assistência técnica e gerencial. Além disso, a iniciativa visa contribuir para a valorização da cultura regional e a agregação de valor a produtos e experiências de consumo. Inicialmente, serão aceitos cadastros de municípios e povoados da região do Caminho de Cora Coralina e municípios circunvizinhos. São eles: Corumbá de Goiás, Cocalzinho de Goiás, Pirenópolis, Caxambu, Radiolândia, São Francisco de Goiás, Jaraguá, Vila Aparecida, Alvelândia, Palestina, Itaguari, São Benedito, Itaberaí, Calcilândia, Ferreiro e Cidade de Goiás. O preenchimento do formulário (https://forms.gle/HrVfViVDPRMHSwqM8) deverá ser feito até o dia 20 de junho.

Incremento da mia O

s e cret ár io

de

e natura l em to do o mundo”, dest ac a. O presidente d a Emater, Pe dro L e onardo R e zende, complement a que p or p ar te dos pro dutores r urais os gan hos t amb ém s erão s ent idos na gest ão d a propr ie d ade. “A Emater terá um p ap el f und ament a l, atu ando como agente lo c a l faci lit ador, promovendo aos produtores r urais, pr incip a lmente os p e quenos, o acess o às op or tunid ades que vêm do for t a le cimento d as rot as tur íst ic as. A Emater é o braço do p o der público que est á pres ente na maior i a dos municípios de G oi ás que têm ess a vo c aç ão tur íst ic a”, p ontu a. “O fomento à ess a at iv id ade tem como cons e quênci a o ap are cimento de vár i as op or tunid ades p ara que os pro dutores comerci a lizem s eus exce dentes. A Emater p o de cont r ibuir, ent ão, c ap acit ando ess es pro dutores nas c adei as pro dut ivas dess es itens que têm a p ossibi lid ade de p otenci a lizaç ão d as vend as”. Por f im, o presidente d a G oiásFomento, R ivael Agui ar, complet a dest ac ando os b enef ícios e conômicos que de vem surg ir p or meio dess a aç ão p ara pro dutores r urais e prof issionais do tur ismo. “A G oi ásFomento p ar t icip a dess e proj eto na ofer t a de cré dito com juros subsidi ados p ara os p e quenos pro dutores r urais e, t amb ém, p ara os micro e emprende dores do s etor do tur ismo. É a únic a inst ituiç ão f inanceira no E st ado que op era com as lin has de cré dito do Fungetur, que s ão as lin has com juros mais b aixos no merc ado e condiçõ es faci lit ad as que p o dem chegar a até 20 anos p ara p agamento”, dest ac a. “Noss o E st ado tem uma vo c aç ão muito g rande t anto p ara o tur ismo qu anto p ara a at iv id ade r ura l, e a conjugaç ão de esforços ent re ess as du as áre as e conômic as p ossibi lit ará o des envolv imento dess e tur ismo, s endo mais uma imp or t ante inici at iva do noss o gover nador R ona ldo C ai ado p ara a promo ç ão do des envolv imento reg iona lizado no E st ado.” REVISTA 100% CAIPIRA |47


RECEITAS CAIPIRAS

Patê de pimenta h

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habanera amarela INGREDIENTES 3 pimentas habanero amarelas grandes 7 dentes de alho grandes Cheiro verde a gosto (coloquei 2 punhados) 1 raminho de orégano fresco 1 raminho de manjerona fresca 1 raminho de tomilho fresco 1/2 colher de sopa de sal 1 colher de sopa de mostarda amarela 1/2 copo de requeijão de óleo de sua preferência 1/2 copo de requeijão de vinagre de vinho tinto 200 gramas de extrato de tomate 1 cebola grande 1 colher de sopa de açúcar 1 folha de louro grande (ou louro em pó)

PREPARO Higienize muito bem as pimentas e seque-as. Abra as pimentas retire as sementes e a parte branca, corte em cubos, reserve. Higienize a cebola, corte em cubos, reserve. Higienize os dentes de alho e descasque. Lave e seque o cheiro verde, o orégano, manjerona e tomilho. Coloque todos os ingredientes no copo do liquidificador e bata até formar um patê (caso ache que ficou muito claro, coloque um pouco mais de extrato de tomate). Coloque em potes de vidro esterilizados.

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Edição 96 junho  

A edição 96 junho da melhor revista de agronegócios do Brasil você encontra em: www.revista100porcentocaipira.com.br

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