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www.revista100porcentocaipira.com.br Brasil, outubro de 2013 - Ano 1 - Nº 4 - R$ 9,90

QUEIMA DO ALHO

resgata cultura caipira em SP A berranteira Fabiana Pelegrini, da comitiva Capiau, participa da Queima do Alho, festival que celebra as tradições culinárias dos tropeiros

Fundador da Seleta quer doar dinheiro

Exemplo de empreendedorismo no Brasil, Toni Rodrigues sonha ajudar quem precisa mundo afora

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Resíduo orgânico vira adubo em São Paulo

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Renda mais alta eleva consumo de alimentos

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Fábrica de tratores prevê produção recorde em 2013

Leia também Embrapa estuda produção de citros no AM - Pág. 18 Coca-Cola compra açaí para fazer suco - Pág. 22 Efapi movimenta R$ 126 milhões - Pág. 38 Exportações do agronegócio em expansão - Pág. 39 Governo prevê recorde da safra de grãos - Pág. 40 Receita de feijão tropeiro - Pág. 46


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Queima do Alho agita Cotia

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Vendas de flores disparam na primavera

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Diretor geral: Sérgio Strini Reis - sergio@revista100porcentocaipira.com.br Editor-chefe: Paulo Fernando Costa- paulofernando@revista100porcentocaipira.com.br Diretor de criação e arte: Eduardo Reis - eduardo@revista100porcentocaipira.com.br Diretor comercial: Donizetti Baldon - dbaldon@revista100porcentocaipira.com.br Nextel: (11) 7742-6675 - ID 965*17324 TIM: (11) 98685-8320 / (11) 95731-5064

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Empresário da cachaça comemora sucesso doando dinheiro

Conselho editorial: Adriana Oliveira dos Reis, João Carlos dos Santos, Paulo César Rodrigues, José Manuel da Silva e Nilthon Fernandes de Oliveira Publicidade: Agência Banana Fotografias: Eduardo Reis, Sérgio Reis, Paulo Fernando, iStockphoto e Shutterstock Departamento comercial Rua Silvio Rodini, 216 – Parada Inglesa – São Paulo - SP - Tel.: (11) 2973-1360 Impressão e acabamento: Gráfica Bandeirantes A revista 100% Caipira é uma marca registrada com direitos exclusivos de quem a publica e seu registro encontra-se na revista do INPI Nº 2.212, de 28 de maio de 2013, inscrita com o processo nº 905744322 e pode ser consultado no site: http://formulario.inpi.gov.br/MarcaPatente/jsp/servimg/validamagic.jsp?BasePesquisa=Marcas. Os artigos assinados não refletem, necessariamente, a opinião desta revista, sendo eles, portanto, de inteira responsabilidade de quem os subscrevem.

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SUSTENTABILIDADE

Descarte de feira livre vira adubo em São Paulo Projeto fornece insumo a produtores rurais, diminui volume de lixo transportado e aumenta a vida útil dos aterros sanitários da cidade A prefeitura de São Paulo pretende mudar o destino de 62 mil toneladas anuais de resíduos orgânicos, que hoje vão para aterros, e transformá-los em adubo com um projeto piloto de levar o programa às 900 feiras semanais da capital. Segundo dados da prefeitura, 53% de todo lixo coletado é orgânico e não aproveitado. Caso fosse levado para centrais de compostagem, a emissão de gás metano, que gera efeito estufa, diminuiria 20 vezes. Para viabilizar o projeto, a prefeitura deve criar quatro centrais de compostagem até 2016. Cada uma delas deve custar R$ 500 mil por mês, valor equivalente ao gasto para transportar e enterrar o lixo das feiras livres em aterros. Com isso, o programa espera economizar 30% com a limpeza das feiras. Há dois meses, uma feira livre em São Mateus, na zona leste, está servindo como teste para o projeto. Todo lixo orgânico produzido ali deixou de ser enviado para o aterro e passou a ser destinado para compostagem no próprio bairro. Os feirantes têm colaborado, descartando os restos de frutas e verduras nas caçambas destinadas à compostagem. A prefeitura pretende também transformar dois dos oito garis, que varrem cada feira, em agentes ambientais, que acompanharão a coleta, o transporte e a compostagem. Cerca de 40 agricultores da zona Leste aguardam o adubo da feira livre de São Mateus, o que pode baratear a produção e o custo final dos alimentos. - 6 - REVISTA 100% CAIPIRA


INDÚSTRIA

Agrale deve fechar 2013 com produção recorde Lançamento de novos tratores médios das linhas 500 e 5000 ampliará oferta da marca nacional para as propriedades rurais A Agrale S.A., empresa brasileira cada vez mais internacionalizada, anuncia que prevê fechar o ano com produção recorde de tratores. O bom desempenho obtido nos primeiros nove meses do ano deverá ser mantido e permitirá à companhia crescer mais de 20% e superar o volume de 2.200 unidades fabricadas. Segundo Flávio Crosa, diretor de vendas da Agrale, o aquecimento do mercado brasileiro de máquinas agrícolas é o principal motivo para o desempenho recorde. “Este ano, o segmento de agronegócio deve superar inclusive os volumes de produção e vendas registrados em 2010. Até agosto, produzimos quase 1,5 mil tratores”, explica o executivo. Alinhada à maior demanda do mercado brasileiro e com o objetivo de ampliar a oferta de mode-

los no segmento entre 75 cv e 105 cv de potência, a Agrale lançou, este ano, novos tratores das linhas 500 e 5000. “Lançamos uma nova família, a Linha 500, e o modelo 5105, o mais potente da Linha 5000, estará disponível na rede de concessionárias a partir deste mês de outubro. Com o início de comercialização desses modelos vamos aumentar a nossa presença no segmento mais importante e também o de maior volume de vendas, o que poderá colaborar para termos um desempenho ainda melhor”, salienta Crosa. Além da maior penetração no mercado brasileiro, a fabricante também prevê aumentar suas vendas no exterior. “Já fechamos alguns contratos com clientes de países da África e da América do Sul e até o final deste ano poderemos ampliar ainda mais o fornecimento internacional”, finaliza o executivo. Com uma ampla variedade de modelos, a Agrale produz quatro linhas de tratores – 500, 4000, 5000 e 6000 – com potências entre 15 cv a 168 cv, que proporcionam ótima relação custo/ benefício e atendem às necessidades dos pequenos, médios e grandes produtores rurais, com baixo custo de manutenção e operação. Os tratores são ágeis, versáteis e se adaptam aos mais diversos tipos de aplicações em terrenos e culturas. REVISTA 100% CAIPIRA - 7 -


ECONOMIA

Alta da renda impulsiona consumo de alimentos Produtos industrializados foram os mais consumidos nos últimos Em cinco anos, a renda dos brasileiros teve alta de 8,6%, resultado que tem puxado o aumento do consumo interno de alimentos com maior valor agregado, como carnes e derivados do leite, além de bebidas, como cerveja e vinho. Os dados estão nos levantamentos feitos pela Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Segundo o coordenador de Planejamento Estratégico da pasta, José Garcia Gasques, a tendência é de que o aumento do consumo continue na próxima década. “Produtos básicos, como arroz e feijão, devem ter o crescimento do consumo associado ao aumento da população. Essa demanda tem crescido por volta de 1% ao ano, pouco abaixo do crescimento populacional do País. No entanto, outros com maior valor agregado serão ainda mais busca-

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dos no mercado devido ao maior poder aquisitivo dos brasileiros”, explica. Entre os alimentos industrializados que ampliaram as vendas nos últimos cinco anos, estão carne de frango, com alta de 1,87% ao ano (a.a.); carne bovina, 2,77% a.a.; leite de vaca, 2,29 a.a.; iogurte, 2,97% a.a.; azeite, 3,06% a.a.; e queijo, 3,52% a.a.. Entre as bebidas, destaque para a cerveja (3,85% a.a.), vinho (3,2% a.a.) e cachaça (2,11% a.a.). “A continuidade do aumento da renda dos brasileiros na próxima década deve manter a média de crescimento do consumo desses produtos”, destaca Gasques. Segundo dados do Ipeadata, a renda per capita dos brasileiros aumento a uma taxa anual de 1,72% em cinco anos, passando de US$ 10,69 mil, em 2008, para US$ 11,61 mil, em 2012.


PESQUISA

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EVENTO CAIPIRA

100% Caipira prestigia Queima do Alho em Cotia Concurso resgata tradição culinária dos tropeiros e agita Grande São Paulo

Presidida por Milton Barros, a comitiva Pizeiro - Criaturas do Estradão vai comemorar seu aniversário de 2 anos no próximo dia 30 de novembro, em Campinas (SP)

A segunda etapa do circuito da Queima do Alho agitou a cidade de Cotia, na Grande São Paulo, em 22 de setembro, quando as comitivas participantes do concurso gastronômico caipira se reuniram, mais uma vez, para celebrar a tradição dos tropeiros, cozinhando - 10 - REVISTA 100% CAIPIRA

arroz carreteiro, feijão tropeiro, couve refogada, churrasco. Conforme manda o regulamento, tudo foi preparado em fogão a lenha improvisado, bem perto do chão. O evento atraiu milhares de pessoas e os jurados elegeram

o prato da comitiva Bully Bulls como o melhor da festa. Em segundo lugar, ficou a comitiva Capiau, que tem entre seus integrantes a berranteira número um da capital paulista, Fabiana Pelegrini. Confira, nas páginas seguintes, os principais flashes da festa.


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HORTICULTURA

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CIÊNCIA AGRÍCOLA

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CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Manejo sustentável de citros na Amazônia Pesquisa busca gerar conhecimento científico para implementar pomares adaptados ao ecossistema amazônico Um amplo projeto de pesquisa e transferência de tecnologia está sendo coordenado pela Embrapa Amazônia Ocidental, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), para viabilizar alternativas de manejo conservacionista e sustentável para pomares cítricos (de laranja, limão e tangerina) no estado do Amazonas. A proposta inclui tanto ações de pesquisa voltadas para gerar e adaptar tecnologias para as condições locais quanto a capacitação de produtores em boas práticas agrícolas, com fins de consolidar um sistema produtivo que promova a redução dos riscos de contaminação ambiental, do homem e dos frutos produzidos. A pesquisa busca gerar conhecimento científico adaptado ao ecossistema amazônico, principalmente para as condições locais, que ofereça alternativas para manejo adequado do solo, manejo de coberturas vegetais/adubos verdes, manejo e controle de plantas infestantes, nutrição e adubação de citros, entre outras questões. Entre os problemas que desafiam a citricultura no estado, o - 18 - REVISTA 100% CAIPIRA

pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, José Eduardo de Carvalho, cita que 99% dos plantios de citros são feitos em cima de apenas uma variedade de porta-enxerto, que é o limão-cravo. “Isso não dá sustentabilidade e é um risco grande, pois se vier uma doença pode arrasar essa citricultura. Por outro lado, uma variedade só para mercado também não dá uma sustentabilidade mercadológica para o produtor”, explica. Diante desse problema, entre os estudos realizados pelo projeto destaca-se a avaliação de combinações de copas e porta-enxertos de citros introduzidas no Amazonas e que se mostram com alto potencial de adaptabilidade ao ambiente, tolerância a pragas e permitem aumentar as opções do citricultor na oferta de frutos. Está sendo feito experimento para avaliação dessas novas combinações de copas e porta-enxertos em área do produtor rural Sebastião Siqueira de Souza, no município de Rio Preto da Eva, a 90 km de Manaus. O agricultor, que trabalha na

área de citricultura há 13 anos, e conta com 225 hectares de área plantada, destaca que o estudo será importante para mostrar novas alternativas para a citricultura regional. “Hoje temos um problema seríssimo, porque a grande maioria dos pomares tem como porta-enxerto apenas o limão-cravo, e ele é um dos mais suscetíveis a pragas e doenças, como a gomose. Além disso, esta possibilidade de diversificar as combinações permitirá a produção da fruta o ano todo, porque tem variedade que é precoce, semiprecoce, de meia estação, tardia e supertardia”. O experimento também contempla a avaliação de variedades de porta-enxerto “ananicantes”, que formam uma arquitetura de copa menor. Para o produtor, esta é uma boa opção para aumentar a produtividade da propriedade. “No passado, nós trabalhávamos aqui em uma densidade de 204 plantas/ha. Hoje já trabalhamos com 571 plantas/ha. Caso estas variedades que estão sendo testadas se adaptem bem aqui, nós poderemos aumentar esta densidade para 700, 800 plantas/


ha. Ou seja, em uma mesma área você produz muito mais. Isso vai dar um lucro maior, sem contar que não será necessário abrir novas áreas de floresta”, desta-

cou Sebastião. Nas ações do projeto atual, serão trabalhadas várias frentes, desde o melhoramento envolvendo variedades para porta enxerto,

além de questões relacionadas à fitossanidade, manejo e conservação de solo, manejo de cobertura, manejo de plantas infestantes, nutrição e adubação de citros. REVISTA 100% CAIPIRA - 19 -


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DESENVOLVIMENTO SOCIOAMBIENTAL

Extrativistas fornecem açaí para a Coca-Cola Suco a ser lançado pela Del Valle vai utilizar matéria-prima de 200 produtores capacitados pelo Senar Uma parceria inédita vai aproximar os produtores de açaí da Amazônia com uma das maiores fabricantes de bebidas do mundo. Através de um termo de cooperação assinado entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Amazonas (Senar-AM) e a CocaCola, os extrativistas responsáveis por fornecer a matéria-prima para a fabricação do néctar Del Valle Reserva Açaí com Banana serão capacitados pela entidade. Quatro cursos já foram realizados e mais 14 treinamentos ocorrerão até maio de 2014, beneficiando mais de 200 produtores. As capacitações – com carga horária de 40 horas/aula – serão realizadas nos municípios onde se localizam as seis agroindústrias que beneficiarão o produto: Carauari, Benjamin Constant, Manacapuru, Codajás, Itacoatiara e Coari. Segundo o superintendente do SENAR-AM, Aécio Silva Filho, o foco das aulas são as boas práticas na produção. A intenção é ensinar os produtores a identificar o momento adequado para a colheita e a maneira correta de fazer o transporte dos açaizais até as agroindústrias. - 22 - REVISTA 100% CAIPIRA

“A Coca-Cola tem um padrão de qualidade muito rigoroso para a matéria-prima que será utilizada nos seus produtos. O produtor precisa ter conhecimentos sobre a retirada, a embalagem e o acondicionamento dos frutos. O prazo para o açaí chegar às agroindústrias não pode ser superior a 24 horas”, explica ele. Após a transformação em polpa congelada, o produto será enviado para a sede da empresa em Linhares (ES), onde a bebida será fabricada. Inicialmente, a CocaCola acertou a aquisição de 300 toneladas do concentrado. A nova bebida faz parte de uma linha especial da Del Valle, produzida a partir de “superfrutas” com alto poder nutritivo. Cerca de 50 comunidades e mais de 600 famílias estão envolvidas no projeto inicialmente. Na opinião do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea), Muni Lourenço Silva Júnior, a parceria vai ajudar no desenvolvimento da cadeia produtiva e terá grande alcance social e econômico, beneficiando milhares de famílias de produtores rurais e extrativistas

amazonenses – grande parte delas instaladas em Unidades de Conservação Ambiental. “Além de não gerar impacto no meio ambiente, o projeto proporciona melhoria de renda para essas famílias que estão na floresta. Dá para tirar até R$ 100 mil numa safra. A gente costuma dizer que quem tem açaí está com a aposentadoria garantida”, conta. Cooperação promissora Dados do IBGE apontam que o Amazonas produziu 71.145 mil toneladas de frutos no ano passado e que existem 4.847 produtores envolvidos na atividade naquele estado. Conforme o presidente da Faea, a produção vem crescendo em níveis elevados e existe incentivo para a ampliação. “O açaí tem a maior tendência de aumento de produção e de área plantada entre todas as frutas. Estive na China recentemente e até lá já conhecem o açaí”, destaca. De acordo com Lourenço, existe a perspectiva de que a parceria com a Coca-Cola seja estendida para outras frutas com “apelo amazônico”, como o cupuaçu e a acerola.


O superintendente do Senar -AM salienta outro benefício importante da cooperação com a Coca-Cola: a garantia de compra da produção. Mas alerta que para que isso realmente se torne uma vantagem é preciso investir per-

manentemente em qualificação. “A comercialização é uma das etapas mais difíceis para os nossos produtores. Quando perguntamos para a Coca-Cola qual a previsão de compra, eles responderam que têm um milhão de pontos de ven-

da só no Brasil. É uma demanda incalculável. Queremos capacitar esses extrativistas para que eles se tornem empresários, afinal, estarão fornecendo matéria-prima para ninguém menos do que a Coca-Cola”, relembra. REVISTA 100% CAIPIRA - 23 -


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EMPRESรRIO DO CAMPO

Toni Rodrigues distribui dividendos da cachaรงa -

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Fundador da Seleta ĂŠ exemplo de empreendedorismo no Brasil e sonha em doar seu dinheiro pelo mundo REVISTA 100% CAIPIRA -

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EMPRESÁRIO DO CAMPO Antonio Rodrigues, fundador e presidente da Seleta, a cachaça artesanal mais vendida e consumida do país, é uma figura folclórica para muitos, mas para outros é inspiração de empreendedorismo inteligente. De grande barba grisalha, chapéu, um galho de arruda atrás da orelha e prosa impagável, Rodrigues costuma circular pela cidade montado em uma de suas mulas e faz doações o tempo todo. “Não dou conta de gastar tudo o que ganho, então gosto de ajudar quem precisa”, declara. A Seleta nasceu na cidade de Salinas (MG). Muitos garantem que só a bebida desse remoto lugar no sertão do norte mineiro pode ser chamada de cachaça, o ‘resto é pinga’. A cidade é tão conhecida por sua produção de cachaça que possui um Curso Superior de Tecnologia em Produção de Cachaça. Com quase 40 mil habitantes, Salinas é uma cidade pequena, mas que abriga vários produtores de cachaça de qualidade, por isso é conhecida como a Capital Mundial da Cachaça. A história de Toni Rodrigues e sua paixão pela cachaça começaram há mais de 40 anos. Superando lutas e desafios, o empresário visionário mudou o cenário da então ‘pinga’ que dominava o mercado, para apresentar ao País cachaças de grife e qualidade ímpar. Para ele, o segredo do sucesso consiste em “três palavrinhas”: conhecimento, habilidade e atitude. “Estar dentro de toda essa história me traz uma recompensa muito grande. Sou feliz por ter dado início a essa fase que tanto valorizou a cachaça no Brasil”, diz. No início, Rodrigues apenas envelhecia a cachaça e vendia a granel ali mesmo pela região. Depois começou a engarrafar e os clientes não paravam de - 28 - REVISTA 100% CAIPIRA

chegar. Logo depois adquiriu uma fábrica com um grande canavial. Com visão estratégica e enfrentando vários desafios e aprendizados, o ‘rei da cachaça’ investiu trabalho e dinheiro no desenvolvimento da empresa e foi crescendo de maneira saudável e consciente, até alcançar a posição de maior produtor brasileiro de cachaça artesanal. Os processos que são a alma do negócio, como a fermentação, destilação, envelhecimento e engarrafamento, ainda são feitos no mesmo estilo de antes, ou seja, de forma artesanal para não perder a essência da bebida. Rodrigues afirma que não gosta de se sentir na zona de conforto. “Eu gosto mesmo é de ficar na zona de desconforto, pois essa não me permite parar e deixar de visualizar resultados maiores. Tenho tanto a crescer ainda”, ressalta o produtor. Feitas com cana crua, de fermentação natural, em alambiques de cobre, as cachaças produzidas pela empresa de Rodrigues são envelhecidas em tonéis de bálsamo, ipê amarelo e umburana. A Boazinha foi a primeira cachaça a ser produzida por Toni Rodrigues, em 1970. Envelhecida por dois anos em barril de bálsamo, o nome teve origem através do próprio consumidor que sempre pedia como ‘me dá mais uma dose daquela boazinha’. A Seleta é a estrela do show, é a mais vendida e mais consumida. Envelhecida durante dois anos em tonéis de umburana, é recomendada para quem gosta de sabores intensos. A Saliboa, envelhecida em tonéis de ipê amarelo, é uma cachaça que tem toque de elegância e sabor característico. Com mais de 150 funcionários, Rodrigues diz que os colaboradores são como uma grande família. “Temos os mesmos ideais, as mesmas intenções e o


mesmo direcionamento, por isso existe sintonia entre todos”, afirma. Esses mesmos colaboradores unidos aos milhares de fãs e consumidores das bebidas Seleta em todo o mundo formam uma legião chamada de ‘seleteiros’. São pessoas que consomem e acreditam na marca como algo único e muito especial. Além disso, considera parte de sua família os animais de estimação como urubus, gambás, cobras e cabras. Atualmente, a Seleta produz 1.500.000 litros de cachaça/ano. É o maior produtor nacional de cachaça artesanal. Exporta para China, Estados Unidos, Alemanha, Itália, Uruguai, Portugal, Nova Zelândia e França. Mas o grande autor dessa história não quer parar por aqui. Almeja voos maiores e se sente feliz por ter contribuído para a elitização da mais brasileira das bebidas, a cachaça artesanal. Além de tudo isso, Toni é generoso em suas obras sociais e nas doações. Há pouco mais de um ano, a região de Salinas

conquistou o selo de indicação geográfica. O selo é certificado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), e tem o objetivo de evitar que produtos de origem de outras regiões sejam vendidos como as originais cachaças salinenses, além de garantir a excelente procedência do produto. Com a conquista do selo, a cachaça passou a ganhar valor e parte para uma concorrência mercadológica justa, otimizando a exportação do produto que adquire status e reconhecimento como produto diferenciado. Mudou-se a visão da cachaça como mais uma bebida destilada genérica para um artigo a ser apreciado por sentidos como olfato, paladar e visão, abrindo portas para a inserção nos Estados Unidos e Europa. “Essa medida fortalece o mercado de cachaça, promove o desenvolvimento sustentável aos produtores de Salinas. O selo comprova que o produto é genuíno e traz características diferenciadas, encontradas somente nessa região”, finaliza o empresário. REVISTA 100% CAIPIRA - 29 -


FLORICULTURA

Primavera impulsiona comércio de flores Clonagem de células-tronco garante oferta de plantas com variedades excepcionais de cores, tamanhos e formas para o consumidor Paulo Fernando De São Paulo A estação mais colorida do ano faz a alegria de quem vende flores e plantas ornamentais no entreposto paulistano da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). De acordo com o orquidólogo Erwin Bohnke, a demanda durante a primavera sobe 50%, em relação aos sete primeiros meses do ano. “Se levarmos em consideração

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apenas o inverno, o volume de vendas triplica”, afirma o especialista, ao ressaltar que os floricultores que comercializam sua produção no maior mercado atacadista de da América Latina costumam cultivar espécies que florescem nesta época. Entre as plantas mais cobiçadas pelos compradores, estão azaleias, violetas, begônias e orquídeas. E o melhoramento genético de algumas espécies tem possibilitado a produção de variedades mais

atraentes e de vida útil mais longa. Este é o caso da mitônia, também conhecida como orquídea-amor-perfeito, uma planta muito consumida nos tempos atuais e cujo vaso está custando entre R$ 10 e R$ 30. A coloração mais escura, explica Bonhke, é resultante de pesquisas envolvendo seus genes. “Essa flor possui textura acetinada e mais substância, além de ser mais resistente aos dias secos”, informa. Atualmente, a mitônia é bastante procurada por decorado-


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ARTIGO

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FLORICULTURA res e outros compradores especializados que passam pelos corredores da Ceagesp nas madrugadas e manhãs de terças e sextas-feiras, das 2h às10h. Segundo Bohnke, a iluminação fluorescente branca do pavilhão acentua a cor azul das plantas. “As orquídeas, de uma forma geral, têm um colorido lilás, que é proveniente da mistura do azul com o vermelho. Portanto, o colorido azul fica mais acentuado durante a madrugada”, conta. “Quando amanhece, as orquídeas ficam um pouco mais vermelhas. Por isso, eu sempre digo é que mais fácil vendê-las na madrugada do que durante o dia. A cor azulada é a preferida de quem compra e, geralmente, garante preço melhor em qualquer exposição”, acrescenta. Biotecnologia – A clonagem via meristemas – as células-tron-

co das plantas – também permite a produção de variedades excepcionais em termos de tamanho, forma e quantidade de flores, e não somente cor. A partir de uma única matriz, é possível produzir milhares de vezes a mesma planta selecionada, fato que acabou com raridades vendidas por milhares ou milhões de dólares. “O processo meristemático, que hoje em dia é largamente empregado na cana-de-açúcar, intensifica a produção, reduz a demanda por espaço para o cultivo, economiza tempo e, com um produto melhor, o produtor ganha em preço”, salienta. Neste contexto, as orquídeas têm sido um grande laboratório para experiências de clonagem de espécies vegetais em todo o mundo. “Depois de confirmado o melhoramento genético, isso é aplicado em outros cultivos de larga escala. No Brasil, já temos batatas

e bananas clonadas”, informa. Embora o País tenha avançado no campo da proteção à propriedade intelectual, o desrespeito às leis que protegem o conhecimento ainda é motivo de preocupação para quem desenvolve melhorias genéticas. “Imagine uma planta que tenha potencial para produzir cinco mil exemplares idênticos. Se cada plantinha for vendida a R$ 10, isso resulta numa receita de R$ 500 mil. Então, essa matriz vale, pelo menos, R$ 50 mil”, exemplifica. O desrespeito à legislação leva produtores a patentear suas variedades fora do Brasil. “Apesar disso, é possível acionar na Justiça nacional quem reproduz uma planta via meristema ou qualquer outro processo para comercialização. Então, é muito importante ter seu registro, ou seja, manter sua patente, e exigir esse direito”, finaliza Bohnke.

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VAREJO

Walmart expande vendas de mel do Piauí

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AGRONEGÓCIO

Efapi 2013 movimenta R$ 126 milhões A boa fase que vive o agronegócio brasileiro refletiu nas transações da Exposição-feira Agropecuária, Industrial e Comercial (Efapi 2013), realizada este mês em Chapecó (SC). Os setores de máquinas pesadas, máquinas agrícolas, automotivos e pecuária de corte e de leite concentraram o maior volume de

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negócios da expo-feira - que, na composição global, indicam R$ 126 milhões de movimento econômico, de acordo com o coordenador geraldo evento, Américo do Nascimento Júnior. O prefeito José Caramori lembrou que a feira da sociedade chapecoense é fruto da união e do esforço dos empresários, dos

trabalhadores, das entidades e do poder público local. “É a maior vitrine de difusão do nosso município”, disse. Só as máquinas pesadas e máquinas agrícolas contabilizaram mais de 200 negócios fechados e outros 450 prospectados para os próximos meses, totalizando mais de R$ 60 milhões em vendas.


COMÉRCIO EXTERIOR

Exportações do campo somam US$ 8,96 bilhões em setembro

De acordo com a Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SRI/Mapa), as exportações do agronegócio brasileiro, em setembro de 2013, atingiram a cifra de US$ 8,96 bilhões, aumento de 3,3% comparado ao mesmo mês de 2012. As importações obtiveram elevação de 4,5% com o valor de US$ 1,38 bilhão, o que resultou em um saldo da balança comercial de US$ 7,59 bilhões – resultado 3,1% superior ao valor registrado no ano anterior. O complexo soja foi o principal setor exportador, registrando a marca de US$ 2,74 bilhões em vendas, o equivalente a 30,6% do total exportado pelo setor agrícola. Logo em seguida, aparece o setor de carnes com US$ 1,38 bilhão, elevação de 0,7% na comparação com setembro de 2012. Em referência às exportações do agronegócio brasileiro divididas por blocos econômicos, a Ásia lidera o ranking com US$ 3,69 bilhões, valor 22,1% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. Em segundo aparece a União Européia com

US$ 2,06 bilhões. O Oriente Médio foi o terceiro principal destino com US$ 716,61 milhões. Mais uma vez, a China foi o destaque entre os países de destino com US$ 2,07 bilhões, valor que foi 71,6% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. Os Países Baixos ficaram em segundo no ranking de destinos com US$ 652,45 milhões. Em seguida, os maiores destinos de exportação foram os Estados Unidos, com US$ 503,11 milhões, e o Japão, com US$ 311,98 milhões. Entre janeiro e setembro, as exportações do agronegócio cresceram 9,5% e atingiram a cifra de US$ 78 bilhões, com aumento de US$ 6,76 bilhões em relação aos US$ 71,25 bilhões exportados no mesmo período de 2012. As importações cresceram 5,3%, passando de US$ 12,03 bilhões para US$ 12,67 bilhões. A soja em grãos foi o principal produto que contribuiu para o crescimento das exportações do agronegócio. Entre janeiro e setembro de 2012, as vendas externas do grão subiram de 31,6 milhões para 40,6 milhões de toneladas no mesmo período de 2013. REVISTA 100% CAIPIRA - 39 -


LEVANTAMENTO

Safra de grãos deve bater novo recorde, prevê Mapa Previsão já havia sido antecipada pelo ministro Antônio Andrade durante o anúncio do Plano Agrícola e Pecuário, em junho A produção brasileira de grãos para a safra 2013/2014 está estimada entre 191,9 e 195,5 milhões de toneladas, que representa alta percentual entre 2,6% e 4,5%, respectivamente, em relação a temporada anterior, quando foram colhidas 187,09 milhões de toneladas. O resultado é do primeiro levantamento e intenção de plantio dos produtores, apurado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e divulgado

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no início deste mês. Os produtos com maior destaque são a soja e o milho, que cresceram tanto em área quanto em produção, devido ao bom comportamento dos cultivos e aos preços dos grãos no mercado internacional. A produção de soja deve alcançar entre 87,6 e 89,7 milhões de toneladas e a área, entre 28,6 e 29,3 milhões de hectares. Já o milho (total) tem produção estimada entre 78,4 e 79,6 milhões de toneladas e área de 15,3 a 15,6 milhões de hectares. A área plantada da safra deve

passar dos 54,1 milhões de hectares, podendo chegar a 55,1 milhões, o que representa um incremento entre 1,6% a 3,5% em relação à área anterior, que chegou a 53,34 milhões de hectares. Em relação à temporada anterior, a área plantada de algodão deve apresentar um incremento de 16,8% a 22,5%, além do trigo, que tem uma elevação prevista de 15,1%. A pesquisa foi feita pelos técnicos no período de 16 a 20 de setembro, nas principais regiões produtoras de grãos. Os números recordes para a safra brasileira já haviam sido antecipados pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Antônio Andrade, durante o lançamento do Plano Agrícola e Pecuário 2013/14, em junho. “A expectativa é que a nossa produção alcance e até ultrapasse as 190 milhões de toneladas. Por isso, a necessidade de mais recursos para auxiliar o setor”, disse o ministro à época, justificando o volume recorde de R$ 136 bilhões destinados ao setor agropecuário para financiamentos. (Com informações da Conab)


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ESPAÇO GASTRONÔMICO

Feijão tropeiro Nesta edição, em homenagem às comitivas do festival da Queima do Alho, preparamos a receita que foi criada pelos Bandeirantes e popularizada pelos boiadeiros que atravessavam o País no começo do século passado. Além de apreciado em todo o Brasil e por todas as classes, o feijão tropeiro é motivo de competições em concursos de culinária tradicional, tendo campeonatos anuais com direito a prêmios e todas as honras. Ingredientes: • • • • • • • • • • • •

Couve: • • • • • •

600 gr de feijão (tipo carioquinha) cozido 200 gr de toucinho 100 gr de calabresa 100 gr de paio 100 gr linguiça fina defumada 5 colheres de óleo 2 cebolas médias picada 1 pimentão vermelho 1 cabeça de alho Sal a gosto Cheiro verde a gosto 200 g de farinha de mandioca

200 g de couve manteiga 1 dente de alho, picado ½ cebola pequena, picada 2 colheres (sopa) de azeite 50 g de bacon, em cubinhos Sal gosto

Preparo: Coloque o óleo em uma panela e frite toucinho até ficar bem douradinho. Retire o toucinho da panela e reserve. Nessa mesma panela, refogue a calabresa, paio e a linguiça fina e reserve. Nesse mesmo óleo coloque a cebola, o alho e o sal, deixa dourar e refogue o feijão, acrescente os ingredientes reservados e deixe apurar em seguida apague o fogo. Couve: Fatie em tiras bem fininhas e reserve, doure bacon, alho e cebola em seguida adicione a couve deixe por poucos minutos e apague o fogo. - 46 - REVISTA 100% CAIPIRA


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ARTIGO

O gado e o meio ambiente

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Sistema Nacional de Transplantes

Aos 7 meses, eu ganhei um coração.

Há 7 anos, eu agradeço esse presente. Matheus tinha apenas 7 meses quando recebeu um coração. Hoje ele já tem 7 anos e comemora esses anos de vida graças a um doador. Todos nós podemos ser doadores de órgãos, basta comunicar esse desejo à família.

Não deixe a vida se apagar. Seja doador de órgãos. Fale com sua família. @doeorgaos_MS

/doacaodeorgaos

Matheus Bitencourt Lazaretti

Melhorar sua vida, nosso compromisso.

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Edição 04 100 por cento caipira  
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