Page 1

Brasil, agosto de 2013 - Ano 1 - Nº 2 - R$ 9,90

Conheça a maçã que não ‘envelhece’

Apelidada de ‘maçã botox’ nos EUA, a variedade Arctic (acima) não oxida depois de fatiada, enquanto a fruta comum (à esq.) escurece e perde textura e sabor

AGRICULTURA SUSTENTÁVEL

Mercado de orgânicos segue em ascensão rural

NOVA FÓRMULA

Cerveja brasileira vai ganharREVISTA mais ingredientes 100% CAIPIRA -

-


-

- REVISTA 100% CAIPIRA


REVISTA 100% CAIPIRA -

-


6

Orgânicos em destaque na capital paulista

8

Depois de mortes da Índia, FAO pede fim dos agrotóxicos perigosos

Leia também A vez dos defensivos biológicos - Pág. 11 Batata palito melhorada - Pág. 13 Mais suco no néctar - Pág. 17 Escoamento da safra de grãos - Pág. 19

26

Arctic Apple, a maçã que não escurece depois de fatiada - 4 - REVISTA 100% CAIPIRA

Exportações de soja em alta - Pág. 22 Mercado de Frutas revitalizado - Pág. 30 Fiscalização da carne - Pág. 31 Preservação e desenvolvimento sustentável - Pág. 32 Indústria do etanol em ascensão - Pág. 34 Gestão agrária e desenvolvimento - Pág. 38 Receita de camarão na moranga - Pág. 46 Preservação e produção. Como conciliá-las? - Pág. 48


9

Carimbó chamegado, o ritmo do Norte na voz de Dona Onete

12

Cerveja nacional terá mais ingredientes

EXPEDIENTE - Revista 100% CAIPIRA® Diretor geral: Sérgio Strini Reis - sergio@agenciabanana.com.br Editor-chefe: Paulo Fernando Costa Diretor de criação e arte: Eduardo Strini Reis eduardo@agenciabanana.com.br Conselho editorial: Adriana Oliveira dos Reis, João Carlos dos Santos, Paulo César Rodrigues, José Manuel da Silva e Nilthon Fernandes de Oliveira

18

Agronegócio alavanca consórcio de máquinas e equipamentos

Publicidade: Agência Banana Fotografias: Eduardo Reis, Sérgio Reis, Paulo Fernando, iStockphoto e Shutterstock Departamento Comercial SÉRGIO STRINI REIS – Fone: (11) 99103-8911 – (11) 2973-1360 Rua Silvio Rodini, 216 – Parada Inglesa – São Paulo - SP A revista 100% Caipira é uma marca registrada com direitos exclusivos de quem a publica e seu registro encontra-se na revista do INPI Nº 2.212, de 28 de maio de 2013, inscrita com o processo nº 905744322 e pode ser consultado no site: http://formulario.inpi.gov.br/MarcaPatente/jsp/servimg/validamagic.jsp?BasePesquisa=Marcas. Os artigos assinados não refletem, necessariamente, a opinião desta revista, sendo eles, portanto, de inteira responsabilidade de quem os subscrevem.

REVISTA 100% CAIPIRA - 5 -


EVENTO

Feira destaca ascensão do

mercado de orgânicos

Exposição realizada em São Paulo registra grande número de visitantes Consideradas as principais feiras nos seus respectivos segmentos, a Bio Brazil Fair | BioFach América Latina e a Naturaltech confirmaram sua importância no mercado representando com força e qualidade setores em franca ascensão em âmbito nacional. Os quatro dias dos eventos, entre 27 e 30 de junho, registraram 21.485 visitantes e profissionais do setor nos corredores da Bienal do Ibirapuera. Eles conheceram, provaram e adquiriram produtos de mais de 200 expositores para consumo próprio ou para suas lojas. Neste ano, o número de compradores profissionais foi 20% superior ao do ano passado. Para Abdala Jamil Abdala, presidente da Francal Feiras, promotora dos eventos, o sentimento é de dever cumprido. “A grande movimentação nos corredores e estandes, tanto de compradores profissionais como também do público consumidor, comprovam o sucesso de mais esta edição”. Na avaliação do executivo, as feiras representam a grandiosidade do setor de orgânicos e produtos naturais, além de reforçar a crença de que a alimentação e hábitos saudáveis podem e devem tornar-se opções mais viáveis ao consumidor, mantendo-se a rentabilidade dos produtores e fabricantes. Os quatro dias dos eventos, entre 27 e 30 de junho, registraram 21.485 visitantes e profissionais do setor nos corredores da Bienal do Ibirapuera. Eles conheceram, provaram e adquiriram produtos de mais de 200 expositores para consumo próprio ou para suas lojas. Neste ano, o número de compradores profissionais foi 20% superior ao do ano passado.

negócios de orgânicos do mundo, com edições na Alemanha, Índia, China, Japão e Estados Unidos - e com o IPD – Instituto de Promoção do Desenvolvimento, parceiro da Apex-Brasil no Projeto Organics Brazil de estímulo às exportações do setor. Segundo Ming Liu, coordenador executivo de projetos do IPD, “a Bio Brazil Fair| BioFach América Latina mostrou ao mercado a força com que os segmentos de produtos orgânicos, naturais e sustentáveis têm se mostrado nos mercados globais. A união dos dois eventos apenas reforça a imagem do País como a principal feira do segmento, fortalecendo o mercado interno na medida em que aproxima toda a cadeia: consumidor, produtor, processador, varejo e as tradings em um único ambiente de negócios”. Ligia Amorim, diretora geral da NürnbergMesse Brasil, concorda. “Observando o potencial crescimento do setor de orgânicos, a BioFach América Latina retornou ao país em parceria com a Bio Brazil Fair. O objetivo é somar esforços para gerar negócios, proporcionar a troca de conhecimentos com a vinda dos palestrantes internacionais e aumentar a visibilidade dos produtos e do mercado brasileiro no mundo. Desta forma, o Brasil está definitivamente inserido no calendário mundial dos principais eventos do setor de orgânicos no mundo – Biofach. Apesar do pouco tempo, conseguimos atrair visitantes e expositores de diversos países como Polônia, Argentina, Holanda e Peru. Podemos afirmar que começamos com sucesso esta parceira, que promete bons resultados ao mercado”.

Parcerias - Uma das novidades da Bio Brazil Fair Fórum Internacional - O Projeto Organics Bradeste ano foi parceria com a NürnbergMesse, pro- zil realizou, em parceria com a Francal Feiras e motora alemã da BioFach – mais importante feira de NürnbergMesse, a organização da nona edição do - 6 - REVISTA 100% CAIPIRA


Fórum Internacional do evento, que contou com a presença de personalidades do mundo orgânico de diferentes países para discutir as principais tendências do mercado internacional e as oportunidades dos produtos brasileiros no mercado global. As apresentações, que contaram com auditório lotado, aconteceram durante os dois primeiros dias da Bio Brazil Fair| BioFach América Latina. Para Ming Liu, o Fórum não só apresentou novas ideias e propostas, como também ajudou na construção de uma boa imagem do Brasil junto ao mercado internacional. “A realização do Fórum Internacional, sem dúvida, contribui na construção da imagem do País. É um privilégio podemos contar, agora, com as agendas e apresentações de palestrantes internacionais que só frequentavam eventos na Europa e nos Esta-

dos Unidos. Agora eles têm uma percepção in loco de que, apesar de nosso mercado ser relativamente novo, com regulamentação própria, o mercado interno é tão representativo e forte, com exportação e muito potencial para crescer”, afirmou Liu. Ciclo de palestras - A Naturaltech também contou atrações paralelas, como o tradicional Seminário SVB – Alimentação Ética, Saudável e Sustentável, que chegou à sua 5ª edição em 2013, que falou sobre temas voltados a pessoas preocupadas com alimentação mais saudável e também a adeptos do vegetarianismo e do veganismo, o segundo Seminário ABC Spas, que contou tudo sobre o universo dos spas e o 1º Encontro de Aromatologia, onde os visitantes puderam conhecer novos métodos e terapias alternativas para o bem-estar. REVISTA 100% CAIPIRA - 7 -


INTERNACIONAL

FAO pede fim dos agrotóxicos perigosos Alimentos contaminados com pesticidas matam 23 estudantes na Índia A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agicultura (FAO) alertou os países em desenvolvimento na América Latina, na Ásia e na África para que proíbam o uso de determinados tipos de agrotóxicos considerados “altamente perigosos”. Entre as recomendações, está o não uso do monocrotofós, o mesmo produto que causou a morte de 23 estudantes em Bihar, na Índia, em consequência de alimentos contaminados com pesticidas. De acordo com especialistas, o monocrotofós, se manipulado de forma incorreta, pode causar

- 8 - REVISTA 100% CAIPIRA

envenenamento. A inalação causa problemas musculares, salivação excessiva e perda de consciência. A ingestão provoca dores de cabeça, náusea, convulsões e dor de barriga. O monocrotofós está proibido na Austrália, na China, nos países da União Europeia, nos Estados Unidos e em vários países da África, da Ásia e da América Latina. Para a FAO e a Organização Mundial da Saúde (OMS), o monocrotofós é um agrotóxico de “grande periculosidade”. Segundo as duas organizações, o uso do produto pode causar da-

nos à saúde humana e também ao meio ambiente. “A FAO recomenda que os governos dos países em desenvolvimento acelerem a retirada de pesticidas altamente perigosos do mercado”, diz o texto. O Código Internacional de Conduta faz uma série de determinações sobre o uso de agrotóxicos, estabelece normas para entidades públicas e privadas e é a principal referência sobre o tema. O código define uma proposta de proibição para a importação, distribuição, venda e compra de pesticidas considerados perigosos.


CULTURA

Poesia amazônica na voz rouca de Dona Onete Cantora e compositora paraense de 73 anos, Dona Onete nasceu em Cachoeira do Ararí, na ilha de Marajó, e já foi professora de história, secretária de cultura e fundadora de grupos de dança e música regionais, como o Canarana, em Igarapé-Miri. Hoje, ela compõe e canta nos palcos as histórias, causos e lendas que, nas salas de aula, durante 25 anos ela ensinou. Personificação do imaginário amazônico e da riqueza papa-chibé, Dona Onete fez ainda parte do Coletivo Rádio Cipó, do bairro da Pedreira, em Belém, interpretou uma cantadora de carimbó no filme “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios”, dirigido por Beto Brant, e se apresentou em importantes eventos como o festival pernambucano Rec-Beat (2012) e também da festa de 10 anos da Orquestra Imperial, no Circo Voador, no Rio de Janeiro, com participação de Thalma de Freitas e Gaby Amarantos. Atualmente, ela mescla em seu trabalho diversas influências, sonoridades e características do folclore paraense, passeando entre o choro, carimbó, samba, boleros e bois com tempero da “Jamburana tremetreme”, que podemos perceber nas 11 faixas de seu primeiro álbum ,“Feitiço Caboclo”, lançado em julho de 2012, com produção de Marco André.

Feitiço Caboclo é o primeiro álbum da cantora paraense Dona Onete, lançado em 2012 pelo selo Na Music, com patrocínio do projeto Conexão Vivo, por meio da Lei Semear, da Fundação Tancredo Neves, e com apoio da Rádio Cultura FM

REVISTA 100% CAIPIRA - 9 -


-

- REVISTA 100% CAIPIRA


SUSTENTABILIDADE

Governo amplia incentivo ao uso e registro de defensivos biológicos Novos compostos reduzem custo de produção e risco à saúde humana Devido ao apelo social e de produtores para ampliar a produção sustentável, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) tem intensificado sua política de incentivo ao uso e registro de produtos biológicos para combater pragas nas lavouras. O mercado de agrotóxicos, que movimenta cerca de US$ 10 bilhões por ano, tem apostado cada vez mais na aquisição de defensivos sustentáveis. “Com o passar dos anos, com as pesquisas, as empresas foram desenvolvendo produtos cada vez menos tóxicos e isso foi criando o cenário que temos hoje. Estamos em busca de sustentabilidade e, aos poucos, estamos substituindo os produtos mais tóxicos pelos menos tóxico. Hoje, 5% dos agrotóxicos registrados no Brasil são biológicos. Nossa meta é chegar a 10% até 2015”, diz o coordenador de agrotóxicos e afins do Mapa, Luis Eduardo Rangel. Segundo Rangel, um novo defensivo biológico foi apresentado aos órgãos responsáveis pelo registro de agrotóxicos no país, visando o controle de nematóides de

galhas, na cultura da soja. O Mapa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) estão em processo final de avaliação do nematicida Nemat (Paecilomyces lilacinus 300g/kg). “Os três órgãos estão interessados na aprovação do defensivo, principalmente por ser menos prejudicial ao meio ambiente. Assim que registrado, poderá ser disponibilizado para os produtores”, salienta o coordenador. Os nematóides são responsá-

veis por severas perdas na produção de soja uma das culturas de maior importância econômica no Brasil. Eles estão presentes no solo e, para se alimentar, injetam substâncias tóxicas nos tecidos da planta, impedindo o seu crescimento. Luis Rangel explica que os químicos não têm sido eficientes o bastante para conter a praga. “Essa praga é um pesadelo para o agricultor, porque as áreas com a presença de nematóides normalmente são condenadas. O nematicida em avaliação é a grande esperança, pois os produtores clamam por isso há muito tempo”, lembra. O registro de produtos biológicos é uma das prioridades do governo gederal, de acordo com Rangel e, por este motivo, o Mapa tem trabalhado para reduzir o prazo para avaliação dos pedidos de certificação. “Se o produto for eficaz e menos tóxico, o agricultor passará a adotá-lo. Até porque, além de diminuir os riscos à saúde humana e ao meio ambiente, os defensivos biológicos são mais baratos, o que diminui o custo da produção”, ressalta. REVISTA 100% CAIPIRA - 11 -


NOVA FÓRMULA

Cerveja nacional com mais sabor e ingredientes Popular entre os brasileiros, a cerveja terá novos ingredientes autorizados para o preparo. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento elabora uma instrução normativa que permitirá receitas com adição de matérias-primas como mel, chocolate e especiarias. Além disso, o texto autorizará a produção com cereais diferentes do lúpulo e da cevada. A primeira versão da instrução normativa será apresentada a representantes do setor nos dias 20 e 21 de agosto. Depois o texto passará por mais discussões, tanto no mercado interno quanto no Mercosul. A expectativa do governo é que as alterações passem a vigorar em 2015.Atualmente, para ser considerada cerveja, a bebida precisa ter, no

- 12 - REVISTA 100% CAIPIRA

mínimo, 55% de cevada maltada e adição de lúpulo na fórmula. Além disso, é proibido adição de produtos de origem animal. As regras estão na Instrução Normativa 54, de 2001. A flexibilização é uma demanda do setor produtivo. Em fevereiro, o governo promoveu audiência pública e reuniu propostas dos representantes de cervejarias, usadas na construção do texto da nova instrução normativa. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (Cervbrasil), a intenção é que os criar mais variedades. “A decisão do consumidor está cada vez mais relacionadas a atributos que vão além do preço, como produtos sensoriais de diferenciação. Por isso, uma das solicitações é a ampliação das opções de ingredientes, como especiarias, frutas e mel”, destaca a entidade. A Cervbrasil disse ainda que deseja que sejam mantidos os pressupostos de qualidade e segurança já existentes. O chefe da Divisão de Bebidas do Ministério da Agricultura, Marlos Vicenzi, lembra que o Brasil importa diversos tipos de cerveja que a legislação

não permite fabricar. Assim, a flexibilização dos ingredientes traria competitividade à indústria nacional. Ele destaca que a permissão de mais itens na fórmula beneficiaria as cervejarias artesanais. “Nos últimos anos, houve crescimento expressivo de pequenas empresas que necessitam muito de liberdade para ter um diferencial no mercado”, pondera. As alterações na regulamentação precisam ser discutidas com o Mercosul porque as normas da indústria da cervejaria funcionam de forma harmonizada no bloco. Segundo Marlos Vicenzi, as propostas de mudança serão debatidas na Comissão de Alimentos do grupo. “A gente já fez a solicitação de revisão. A Argentina já mostrou que concorda. Venezuela e Uruguai estão analisando”, informa. O Paraguai, que também faz parte do Mercosul, encontra-se suspenso do bloco. De acordo com Vicenzi, o Brasil deve concluir as discussões internamente e em 2014 iniciá-las no Mercosul. “A intenção é, no começo de 2015, ter isso [a nova instrução normativa] publicado”, declarou. De acordo com informações da Cervbrasil, no ano passado, o país produziu 13,7 bilhões de litros de cerveja. Este ano, de janeiro a junho, fabricou 6,2 bilhões de litros da bebida. A maior parte desse volume é para consumo interno, já que as exportações são muito baixas.


CIÊNCIA AGRÍCOLA

Pesquisa pode melhorar qualidade da batata palito Estudo avalia produtividade de um clone submetido às adubações mineral e orgânica Entre os produtores mundiais de batata, o Brasil não está entre os principais, embora a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) considere o tubérculo como o esteio da segurança alimentar de inúmeros países. “A maioria das cultivares de batata disponíveis no mercado in natura são importadas e se sobressaem pelo alto potencial produtivo e aparência externa do tubérculo. Em geral, essas cultivares desenvolvidas no exterior não repetem nas diferentes regiões agroecológicas de cultivo brasileiras o bom desempenho exibido nas condições de cultivo de seu país de origem, especialmente no que diz respeito ao potencial produtivo e teor de matéria seca”, comenta o engenheiro agrônomo Eduardo Yuji Watanabe. Em estudo desenvolvido no programa de Pós-graduação em Fitotecnia, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ), Watanabe avaliou o desempenho de produção e de qualidade do clone de batata IAC 2.5, em três doses de adubação mineral de plantio com o uso da fórmula 0414-08, com e sem a adição de composto orgânico.

“O trabalho gera informações que contribui com o cultivo de batata em sistema sustentável, ou seja, nem orgânico e nem convencional tradicional, e com uso de genótipo nacional”, afirma o autor da pesquisa. Com orientação de Paulo César Tavares de Melo, do Departamento de Produção Vegetal (LPV), o experimento foi conduzido de outubro de 2012 a fevereiro de 2013 na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Itararé (SP), da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta). Segundo Watanabe, a cultura da batata é uma das mais exigentes em. “O clone de batata IAC 2.5 tem demonstrado, em ensaios preliminares, maior rusticidade, pela menor exigência em fertilização e proteção fitossanitária por fungicidas, em relação às cultivares importadas que atualmente dominam o mercado”. Além disso, constatou-se a importância da complementação da matéria orgânica no aumento da eficiência da adubação mineral e, ainda segundo o autor do projeto, as informações levantadas em campo contribuirão para a produção de

batata em sistema agrícola sustentável, com uso de genótipo nacional. “Outro aspecto que deve ser ressaltado é a qualidade de fritura na forma de palitos apresentada pelo clone, que possibilita a sua disputa no mercado de batata in natura e para processamento industrial”. O pesquisador desenvolveu o projeto com apoio de bolsa de estudos da Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag) e, além do orientador, contou com apoio de Valdir Josué Ramos, da Apta.

REVISTA 100% CAIPIRA - 13 -


-

- REVISTA 100% CAIPIRA


REVISTA 100% CAIPIRA -

-


CIÊNCIA AGRÍCOLA

- 16 - REVISTA 100% CAIPIRA


NOVO ACORDO

Indústria aumentará teor de suco em néctar Negociação foi realizada em audiência pública com participação de todos os segmentos das cadeias produtivas da uva e da laranja O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) vai escalonar o aumento de 30% para 50% de suco em néctares de uva e laranja. A negociação foi feita durante audiência pública realizada nos dias 2 e 3 de julho, em Brasília (DF). Uma nova instrução normativa será publicada concedendo ao setor produtivo prazo de 18 meses para aumentar de 30% para 40% o teor de suco em néctares dessas frutas e, após esse prazo, mais 12 meses para que o teor suba de 40% para 50%. Os novos prazos para o aumento do teor de suco em néctares também permitirão que o setor produtivo providencie rótulos com a declaração quantitativa de ingredientes. A proposta também prevê que a quantidade de 30% de suco em néctares de baixa caloria seja mantida até que sejam realizados testes para ajustar o aumento do suco e a quantidade de calorias dessas bebidas. O diretor do Departamento de Produtos de Origem Vegetal (Dipov), Ricardo Cavalcanti, ressalta que a negociação contribuiu para que os envolvidos nessas cadeias

produtivas tenham mais tempo para fazer testes de como oferecer uma bebida mais saborosa aos consumidores sem causar grandes impactos nos preços dos produtos. Segundo o diretor, durante as negociações ficou evidenciado, entre a grande maioria dos atores envolvidos, que o mais importante é que o consumidor seja privilegiado com um néctar com maior valor nutricional. “Fico muito feliz em saber que esses segmentos atingiram um grau de maturidade tal que possibilitou o fechamento desse acordo democrático e histórico”. Participaram da audiência representantes da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas (Abir), Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), Associação Brasileira de

Defesa do Consumidor (Proteste), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), várias cooperativas e sindicatos rurais de produtores de laranja e de uva, entre outros.

REVISTA 100% CAIPIRA - 17 -


ECONOMIA AGRONEGÓCIO

Máquinas e equipamentos agrícolas movimentam segmento de consórcios Consórcio Nacional John Deere registra crescimento de 13% em cotas ativas nos primeiros seis meses de 2013 O bom desempenho do setor agrícola, impulsionado principalmente pelas culturas da soja e do milho em todo o país, vem alavancando a cadeia produtiva e o consumo de máquinas e equipamentos agrícolas e, em decorrência, refletindo-se em bons negócios na área de consórcios. Para suprir a demanda do setor, o sistema de consórcios tem sido um grande aliado do produtor. O Consórcio Nacional John Deere, administrado pela Randon Consórcios, oferece há 16 anos diversos planos para investir e programar a renovação ou a ampliação da frota, além de possuir - 18 - REVISTA 100% CAIPIRA

diferentes opções de pagamento, observando o fluxo financeiro da safra agrícola. Em junho de 2013, o Consórcio John Deere registrou crescimento de 13% em cotas ativas em relação ao mesmo período de 2012 e acumulou mais de R$ 83 milhões de créditos distribuídos no ano, números que comprovam a credibilidade da marca no segmento. Segundo dados da Associação Brasileira de Administradores de Consórcios (ABAC), atualmente há cerca de 67 mil consorciados no setor de máquinas e implementos agrícolas, em todo o país. O sistema de consórcios é

um mecanismo prático e seguro de poupança programada e de construção de patrimônio, para aquisição de bens e serviços, que funciona basicamente como um financiamento convencional, porém, com opções mais flexíveis e com taxas menores. Ao contrário do sistema de poupança, em que o usuário precisa arrecadar todo o valor para adquirir o bem, o consórcio possibilita o pagamento de mensalidades, podendo o cliente ser contemplado por sorteio ou lance, o que permite o recebimento do bem antes do final do prazo de pagamento.


INFRAESTRUTURA

Pesquisa contribui com melhorias no escoamento da safra de grãos Estudo detalha as condições das principais rotas de transporte da produção agrícola do país Rosalvo Streit Agência CNT de Notícias Dados do Ministério da Agricultura apontam um aumento de 10,8% na produção de grãos da safra 2012/2013 – 180 milhões de toneladas foram produzidas, enquanto a safra anterior registrou 166 milhões. No entanto, apesar do resultado positivo, o país enfrentou dificuldades para escoar a produção: rodovias em condições precárias, filas de caminhões nos portos e falta de planejamento logístico. Convidada pelos Ministério da Agricultura, do Transporte e pela Secretaria de Portos (SEP), a Confederação Nacional do Transporte (CNT) integra o Grupo de Trabalho, criado em abril, para discutir e propor soluções – a curto e médio prazo - aos gargalos regulatórios, de gestão, de operação e de infraestrutura para o escoamento da safra brasileira de grãos. Entre as contribuições da Confederação, destaque para a apresentação de dados sobre as condições das rodovias brasileiras. As

informações partilhadas integram a Pesquisa CNT de Rodovias – trabalho que é referência no país e que mapeia com precisão as condições de infraestrutura do modal mais utilizado no Brasil, o rodoviário. A partir dos resultados da Pesquisa do ano passado, a CNT listou as seis principais rotas de escoamento de grãos – quatro têm início no Mato Grosso e as outras duas se originam nas novas fronteiras agrícolas: a primeira no Oeste da Bahia e a segunda no Piauí e Maranhão. Foi levantada a avaliação do pavimento, geometria, sinalização e o estado geral de cada rodovia e informado o percentual de km’s, em cada estado, com a classificação ótima, boa, regular, ruim ou péssima. Uma das rotas com origem no Mato Grosso, por exemplo, tem como destino final o Porto de Santos (SP). Nela, a CNT identificou que os principais problemas estão relacionados à geometria e à sinalização das rodovias – 73,5% e 54,1%, respectivamente, não estão

em condições consideradas satisfatórias. A CNT também mapeou os pontos críticos nas rotas, que podem dificultar o transporte das riquezas agrícolas do Brasil: quedas de barreira, erosão na pista e buracos grandes. O secretário executivo do Ministério dos Transportes, Miguel Mazella, garantiu que as informações da CNT serão utilizadas para orientar ações de correção destes gargalos. Neste caso, o objetivo é buscar uma solução a curto e médio prazo, ou seja, melhorar o escoamento da produção de grãos já para a próxima safra 2013/2014, que deve bater novo recorde, e, assim, evitar que os mesmos transtornos se repitam. Coleta de dados A Pesquisa CNT de Rodovias está na 16ª edição. Em 2013, as equipes acabam de sair a campo para coletar informações como condições de pavimento, geometria e sinalização de 97 mil km de rodovias federais serão avaliados. REVISTA 100% CAIPIRA - 19 -


-

- REVISTA 100% CAIPIRA


REVISTA 100% CAIPIRA -

-


ECONOMIA

Exportação de soja bate recorde no 1º semestre Bom desempenho deve-se à recuperação do ritmo de escoamento entre abril e junho As exportações brasileiras de soja em grãos no primeiro semestre deste ano atingiram o recorde de 26,17 milhões de toneladas, volume 12% superior ao embarcado em igual período do ano passado. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a receita gerada - 22 - REVISTA 100% CAIPIRA

pela matéria-prima entre janeiro e junho chegou a R$ 13,85 bilhões, um aumento de quase 16% em relação ao mesmo período do ano passado. O bom desempenho das exportações no primeiro semestre também pode ser creditado à recuperação do ritmo de escoamen-

to entre abril e junho - em apenas três meses, o país embarcou quase 22 milhões de toneladas do grão. A queda dos preços internacionais da soja em 2013 ainda não afetou o comércio exterior do agronegócio, uma vez que a maior parte da produção já havia sido comercializada até setembro do


ano passado. Desse modo, o Brasil já realizou quase 70% da receita e do volume previstos para toda a temporada. Esse percentual é ainda maior se considerada a projeção de exportação da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de 36,8 milhões de toneladas. Com menos de 13 milhões de toneladas a exportar (ou 30% do montante total estimado), o ritmo de embarques e, consequentemente, a pressão sobre os sistemas rodoviário e portuário, será

consideravelmente menor nos próximos meses. Já no mês passado, o volume embarcado (6,57 milhões de toneladas) foi 17,4% inferior ao registrado em maio (7,95 milhões). Na contramão das exportações de soja, as vendas de derivados registraram forte queda no primeiro semestre. No período, a receita total com os embarques de farelo e óleo caiu 12%, para US$ 3,44 bilhões. Já o volume somou pouco mais de 6,35 milhões de toneladas, queda de 22%.

Em 2013, as exportações de farelo devem somar cerca de US$ 6,4 bilhões, queda de 3,1% ante 2012. As de óleo devem cair ainda mais, 18,9%, a US$ 1,68 bilhão. Desse modo, a receita total com a exportação de derivados é projetada em US$ 8,07 bilhão, o que corresponde a 28,6% da receita esperada para todo o complexo soja (US$ 28,35 bilhões). No ano passado, os derivados renderam ao país US$ 8,66 bilhões, cerca de 33% das exportações do complexo. REVISTA 100% CAIPIRA - 23 -


Karina de Oliveira, São Paulo/SP Realizou cirurgia ortopédica pelo SUS.

TEMPO DE SAÚDE.

COM A REDUÇÃO DO TEMPO DE ESPERA DAS CIRURGIAS, OS BRASILEIROS TÊM MAIS TEMPO PARA APROVEITAR A VIDA. -

- REVISTA 100% CAIPIRA


O Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, vem adotando medidas para diminuir o tempo de espera de diversas cirurgias e aumentar o número de próteses dentárias para quem precisa. Com mais próteses dentárias e cirurgias na hora certa, os brasileiros ganham mais saúde e qualidade de vida.

• Cirurgias prioritárias: ortopédicas, urológicas, vasculares, auditivas e de visão. • Mais de 406 mil próteses dentárias em 2012.

PROCURE UMA UNIDADE DE SAÚDE OU LIGUE 136 E SAIBA MAIS.

MELHORAR SUA VIDA, NOSSO COMPROMISSO

REVISTA 100% CAIPIRA -

-


BIOTECNOLOGIA

A polpa e o suco das variedades Arctic Granny Smith e Arctic Golden Delicious não escurecem ao entrar em contato com o oxigênio

-

- REVISTA 100% CAIPIRA


Cientistas

desligam gene que oxida a

maçã Governos do Canadá e EUA devem aprovar até o fim do ano o plantio comercial da fruta que mantém aparência e sabor por mais tempo

Paulo Fernando De São Paulo

REVISTA 100% CAIPIRA -

-


BIOTECNOLOGIA Duas novas cultivares de maçãs desenvolvidas por cientistas canadenses tiveram seus genes alterados para inibir a reação química catalisada pela enzima polifenoloxidase, um processo natural que deixa a fruta marrom após o fatiamento. Além do grande potencial para reduzir o desperdício de alimentos no varejo e na casa do consumidor, a modificação genética melhora o sabor, a textura e a retenção de vitamina C e antioxidantes, nutrientes geralmente queimados durante oxidação que escurece a polpa e o suco da maçã. Desde 2011, a Okanagan Specialty Fruits (OSF) aguarda a aprovação do Canadá e dos EUA para distribuir comercialmente os frutos das variedades registradas como Arctic Apples. Agora, a expectativa da pequena empresa de biotecnologia canadense é que a desregulação aconteça até o fim deste ano em ambos os países. A partir da próxima primavera no hemisfério norte, a companhia espera plantar para fornecer aos segmentos de produtos minimamente processados, food service, atacado e outros nichos de mercado. O processo de melhoramento empregado nas Arctic Apples pode ser usado em qualquer variedade de maçã, conforme explica o fundador da OSF, Neal Carter. Mas embora as Arctics Granny Smith e Golden Delicious não sejam transgênicas, investigações envolvendo organismos geneticamente modificados (OGMs) sempre são controversas. - 28 - REVISTA 100% CAIPIRA

A associação que representa a cadeia produtiva da maçã dos Estados Unidos (U.S. Apple Association, em inglês) geralmente apoia esse tipo de avanço científico e não acredita que as maçãs da OSF sejam um motivo de preocupação para a saúde humana. A entidade, porém, tem sido contrária à autorização para o plantio comercial, pois teme a percepção negativa de parte dos consumidores a respeito de alimentos manipulados geneticamente. Por isso, a associação acompanha o caso de perto e destaca que já existem no mercado variedades cuja oxidação é naturalmente mais lenta. O Conselho de Horticultura do Noroeste (Northwest Horticultural Council, em inglês) também rejeita a inovação, alardeando o risco que os OGMs podem representar aos pomares de maçãs orgânicas e o temor da perda do

mercado europeu. Apesar das polêmicas, a OSF pretende expandir suas operações. “Depois de atingido o grau de sucesso comercial na América do Norte, vamos considerar a busca de outros países, mas isso ainda vai demorar alguns anos, já que os processos regulatórios são rigorosos e somos uma companhia pequena, com menos de dez empregados”, diz o especialista em marketing da empresa, Joel Brooks. No Brasil, a Lei de Biossegurança (Lei no 11.105/05) exige que qualquer OGM passe pela avaliação criteriosa da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Sua regulamentação demora, em média, 18 meses. Por levar em consideração apenas os pareceres que separam os mitos ideológicos das verdades científicas, o sistema nacional tem sido elogiado mundo afora.

Suco da maçã Arctic não escurece, conforme mostra a comparação acima. As novas cultivares foram desenvolvidas pela pequena empresa de biotecnologia do produtor canadense Neal Carter (à dir.)


REVISTA 100% CAIPIRA -

-


INTERNACIONAL

Para atrair mais turistas, mercado de frutas será revitalizado na Inglaterra Administração municipal busca parceiro privado para reformar prédio histórico O governo da cidade de Hull, localizada a 246 quilômetros ao norte de Londres, decidiu relançar um ambicioso projeto de revitalização do mercado de frutas do município. O plano inicial, orçado em cem milhões de libras esterlinas (cerca de R$ 340 milhões), foi arquivado em 2008 por causa da crise financeira mundial deflagrada naquele ano. Agora, o conselho que administra Hull está à procura de um parceiro privado para desenvolver o novo plano diretor da obra. Segundo as informações publicadas pela BBC, até 70 casas, um núcleo de artes com varejo e espaços para escritórios poderão ser construídos no centro histórico desta cidade inglesa. Ao anunciar o lançamento da competição para selecionar o desenvolvedor do projeto, o conselheiro municipal Steven Bayes ressaltou que os trabalhos poderão começar antes do ano que vem. “Nossa ideia é criar um vibrante centro cultural e residencial, que vai trazer mais pessoas para - 30 - REVISTA 100% CAIPIRA

nossa orla deslumbrante e se tornar um destino turístico de nível internacional”, informou. Bayes lembrou que 2,8 milhões de libras (cerca de R$ 9,5 milhões) foram destinados para ajudar a financiar a reforma em 3,2 hectares entre a marina e a margem leste do rio Hull. “Há cinco anos, nossa iniciativa não foi adiante devido à recessão. Mas agora estamos numa posição diferente”, explicou. Na avaliação de Colin McNicol, membro da Sociedade Cívica de Hull (Hull Civic Society, em

Região histórica do Mercado de Frutas de Hull será revitalizada

inglês), qualquer intervenção deve ser adaptada às peculiaridades do centro histórico. “Eu odiaria ver algo em vidro e cromo nesse local”, disse. “Nossa Cidade Velha é parte da joia da coroa em Hull e uma enorme atração turística a ser explorada”, disse. A região do Mercado de Frutas de Hull, marcada pela efervescência cultural, também abriga antiquários, galerias, estúdios, bares, restaurantes e locais de música ao vivo. Nos últimos anos, a quantidade de bandas de passagem pela Humber Street aumentou maciçamente.


DEFESA AGROPECUÁRIA

Governo vai aprimorar inspeção em produtos de origem animal Ações visam fortalecer a fiscalização de alimentos no país Com o objetivo de agilizar a equivalência de sistemas de inspeção em produtos de origem animal com o serviço federal, representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e dos serviços estaduais definiram medidas imediatas a serem adotadas pelo governo federal. As ações foram discutidas durante a oficina Evolução dos Serviços Equivalentes de Inspeção de Produtos de Origem Animal, que ocorreu em 24 de julho, em Brasília. Foram identificados pelos participantes da oficina três eixos com necessidades de mudanças. Primeiro, é preciso agilizar o processo de adesão ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA). Segundo, padronizar os critérios técnico-científicos e operacionais utilizados no Sistema. “Além disso, também é necessário viabilizar a estruturação dos serviços de inspeção”, explica a diretora do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal do Mapa, Judi Nóbrega. Para resolver essas questões,

serão adotadas medidas pela Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA/Mapa) nos próximos meses, como atualização do Decreto nº 5.741/06, que simplifica o processo de adesão dos estados ao Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa), do qual o Sisbi-POA faz parte. Outras ações envolvem instalar e estruturar a coordenação do Sisbi-POA, repassar recursos para fortalecer os serviços de inspeção

nos estados equivalentes e viabilizar o acesso desses estados à rede de Laboratórios Nacionais Agropecuários (Lanagros). Os estados equivalentes também deverão adotar ações comuns, inclusive identificando os estabelecimentos aptos à inclusão no Sistema. Será necessário, ainda, elaborar planos de ação para avaliar esses locais quanto à evolução no atendimento aos requisitos de equivalência.

REVISTA 100% CAIPIRA - 31 -


ARTIGO

Preservação ambiental como base do desenvolvimento sustentável Por Malena Damasceno Hoje, quando paramos para analisar oque fazemos para garantir a qualidade de vida, felizmente, podemos notar que apopulação está cada vez mais engajada em contribuir com ações para preservar os nossos recursos naturais. Um dos pontos mais positivos que devemos ressaltar é que o brasileiro está mais consciente em relação ao tema. Prova disso é a pesquisa Barômetro de Biodiversidade 2013, feita pela União para o Biocomércio Ético (UEBT). O levantamento nos mostra que somos o povo mais bem informado quando o assunto ébiodiversidade. Entre os entrevistados, 96% já ouviram falar e 51% sabemdefinir o termo corretamente. Esses números nos colocam na frente de paísescomo França, China, Suíça, Coréia do Sul, Inglaterra, Japão, EUA, Peru,Alemanha e Índia. Ainda sobre essa pesquisa, outro dado que chama a atenção é que 81% dos brasileirosdisseram estar preocupados em conhecer a origem dos ingredientes naturaisusados para produzir cosméticos, alimentos e bebidas. O estudo global mostroutambém que 84% das pessoas deixariam de consumir produtos de marcas que nãopossuem boas práticas na cadeia de abastecimento e 87% desejam que as empresas di- 32 - REVISTA 100% CAIPIRA

vulguem mais informações sobre o tema. Ao olharmos para o setor de cosméticos naturais, podemos notar o fortalecimento daindústria que produz itens a partir de matérias-primas da região amazônica. Ao lermos um rótulo, já encontramos ingredientes como o murumuru, cupuaçu, açaí,pracaxi, andiroba e castanha do Brasil. Tratam-se de poderosos ativos compropriedades hidratantes, nutritivas e antioxidantes. São altamenterecomendados para o tratamento dos cabelos e do corpo, pois, diferentemente dosprodutos sintéticos, não agridem o meio ambiente e ainda contribuem com a profissionalização e crescimento das comunidades que fazem o manejo do sinsumos. No país existem empresas que

estão engajadas em realizar um acompanhamento aolongo de toda a cadeia de origem e processamento das matérias-primas provenientes dos biomas brasileiros. No entanto, esse é um ponto que pode edeve ser melhorado ao longo dos próximos anos. O estudo realizado pela UEBT mostrou que apenas 24% das 100 líderes de mercado comunicam aos seusconsumidores o que estão fazendo em prol do meio ambiente. Certamente, aquelesque já adotaram as ações de sustentabilidade em sua política estão muito à frente. São elas as companhias que estão apoiadas no tripé da sustentabilidade e realizam todas as suas ações baseadas no respeito aomeio ambiente, desenvolvimento social e obtenção de lucro consciente. A conscientização e a preservação devem ser práticas constantes, ainda precisamos trabalhar muito para que tenhamos condições de dizer, daqui alguns anos, que100% das pessoas e empresas estão engajadas, na teoria e na prática, com o assunto. Malena Damasceno é gerente de biodiversidade da Beraca, empresa líder mundial no fornecimento de ingredientes provenientes da biodiversidade brasileira. Formada em Engenharia Agronômica pela Faculdade de Ciências Agrárias do Pará, especializou-se em Gestão de Agronegócio e em Gestão Sustentável de Recursos Naturais e Oportunidadesde Comercialização para comunidades Rurais na Amazônia, na Universidade Federaldo Pará.


REVISTA 100% CAIPIRA -

-


EVENTO

Indústria aposta no etanol e quer conquistar consumidor Brasil é o produtor mais eficiente desse biocombustível no mundo. Em 2012, a participação em vendas dos carros flex no país foi de 87% A indústria de etanol e açúcar tem apostado alto na força do biocombustível. Um dos exemplos disso é a campanha Etanol, o Combustível Completão, cujo jingle já se tornou popular nas rádios do país. Lançada em novembro de 2012, a campanha rapidamente teve êxito, impulsionando o consumo de etanol em 10% no Estado de São Paulo, ainda em seu primeiro mês de circulação. As informações são da União da Indústria de Canade-Açúcar (Unica). Entre tantos benefícios já comprovados pela cana-de-açúcar, matriz do etanol brasileiro, está sua eficiência na produção de etanol. Um hectare plantado de cana em solo brasileiro tem potencial para produzir até 7,5 mil litros de etanol, enquanto a mesma área nos Estados Unidos, com a plantação de milho, rende menos da metade desse volume - sem contar novas tecnologias como o etanol celulósico. Essa energia está presente nos 20 milhões de carros flex hoje no Brasil 55% da frota nacional, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos - 34 - REVISTA 100% CAIPIRA

Automotivos (Anfavea). Essa indústria, com todo seu potencial de produção de biocombustíveis, estará também representada na Fenasucro 2013 - 21ª Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergético, onde alta tecnologia, tendências da indústria e atualização profissional estarão sendo apresentados pelas principais empresas e entidades que movimentam este setor. O sucesso do flex começou com o lançamento do Gol de março de 2003, com motor 1.6. O crescimento do número de carros com essa tecnologia foi rápido, e 90% da frota leve comercializada no Brasil hoje é flex, pulverizada em 173 modelos e 15 marcas. No ano passado, a participação em vendas desse tipo de carro no Brasil foi de 87%, 3.163 milhões de carros. A porcentagem manteve-se de janeiro a maio de 2013, com 1,246 milhão de unidades flex vendidas. Segundo especialistas que participaram da publicação 20 Milhões de Flex, da Anfavea, em 2013, há previsão de que o etanol volte a ser economicamente viável nos postos, em mais de 60% dos locais onde a frota flex circula. Não

é uma opinião isolada, mas existem entraves a serem derrubados. Em suas declarações à imprensa, o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues mostrou-se alinhado com o setor sucroenergético ao dizer que a volta do imposto conhecido como Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) não é ideia “absurda”. A taxação sobre o combustível fóssil daria mais competitividade ao etanol, já que o preço atual da gasolina é controlado pelo governo, como incentivo ao consumo do derivado de petróleo. Outros benefícios No Brasil a emissão média de CO2 que sai pelo escapamento é de 170 g/km, e o índice costuma ser mais baixo quando se usa etanol. Ainda, por ser menos volátil do que a gasolina, a emissão evaporativa do etanol é menor, quando se abastece tanques e veículos. As usinas, por sua vez, queimando o bagaço da cana produzem energia elétrica, que as faz funcionar, e ainda podem vender a energia excedente. Desde o lançamentos dos primeiros carros flex, em 2003, o uso do etanol já evitou 100 milhões


REVISTA 100% CAIPIRA -

-


EVENTO de toneladas de CO2 na atmosfera. O número é significativo, e equivale a Colômbia e Peru sem emissão de carbono durante um ano. Os quase 8 milhões de hectares plantados no Brasil durante a safra 2012/2013 resultaram em 594,3 milhões de toneladas de cana, com potencial para substituir o equivalente energético de 713 milhões de barris de petróleo em um ano, caso toda a colheita tivesse sido convertida em combustível - o volume representa quase metade do consumo nacional anual de petróleo. Promovida pela Reed Multi-

plus e com realização do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise Br), a Fenasucro 2013 terá novo formato e um módulo exclusivo de Transporte e Logística, integrando os setores agrícola, industrial e transporte em um único evento. A edição 2013 reunirá cerca de 550 marcas expositoras entre nacionais e internacionais, e 35 mil visitantes de 20 estados brasileiros e 30 países, no período de 27 a 30 de agosto, no Centro de Eventos Zanini, em Sertãozinho (SP).

:: SERVIÇO :: Fenasucro - 21ª Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergético Data: 27 a 30 de agosto de 2013 Horário: das 13h às 20h Local: Centro de Eventos Zanini, Sertãozinho, São Paulo Mais informações em http:// www.fenasucro.com.br

Os quase 8 milhões de hectares plantados no Brasil durante a safra 2012/2013 resultaram em 594,3 milhões de toneladas de cana

- 36 - REVISTA 100% CAIPIRA


REVISTA 100% CAIPIRA -

-


DESENVOLVIMENTO

- 38 - REVISTA 100% CAIPIRA


Unidades de Conservação e terras indígenas reduzem PIB em R$ 200 bilhões Senadora Kátia Abreu critica “gincana” das demarcações e cobra política eficiente de gestão de terras Perdas de R$ 204,6 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) até 2018. Esse é o prejuízo econômico que pode ser imposto ao Brasil caso sejam mantidas as taxas médias de criação de Unidades de Conservação (UCs) e terras indígenas registradas nos governos dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luis Inácio Lula da Silva. “Mantida a gincana de criação dessas áreas, haveria uma redução drástica, de quase 49 milhões de hectares na área de produção, comprometendo o desempenho do principal setor da economia brasileira”, adverte a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu. É esta a resposta da CNA aos movimentos sociais que têm cobrado do atual governo que amplie as terras indígenas e Unidades de Conservação. A senadora defende uma política de planejamento de gestão de terras. “Precisamos saber para onde o País vai, refletindo sobre a economia e a inflação. É preciso considerar a importância das áreas de produção, além de discutir o papel do Brasil como fornecedor mundial de alimentos”, afirma. Se o ritmo de expansão de UCs e reservas indígenas dos governos FHC e Lula fosse mantido sobre a área de produção do país, a agropecuária poderia ser extinta em 2031, tendo em vista que as demandas indígenas recentes têm se dado em área produtiva. Projetando este avanço sobre o território nacional como um todo, em 2043 chegaríamos ao Brasil de Pedro Álvares Cabral, com todo o solo brasileiro conservado e reservado aos indígenas. A redução significativa das áreas de produção tem impacto sobre a inflação, pois compromete o fornecimento de alimentos para o mercado interno e as exportações. Além disso, a criação das UCs e de terras indígenas sobre áreas privadas obriga o governo a pagar elevadas indenizações, ampliando os gastos públicos num momento de escassez de recursos em que outras ações devem ser priorizadas. REVISTA 100% CAIPIRA - 39 -


DESENVOLVIMENTO Para as unidades de conservação, o valor a ser pago considera o preço das terras e as benfeitorias das propriedades rurais. No caso da criação de terras indígenas, o pagamento é limitado às benfeitorias feitas pelos antigos proprietários. A presidente da CNA alerta, no entanto, que há um passivo financeiro que precisa ser quitado, antes de se falar em novas UCs. Citando dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pelo processo de criação de unidades de conservação no País, lembra que a dívida relativa a 19,5 milhões de hectares desapropriados e não indenizados é de R$ 26,8 bilhões, segundo valor de referência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Pelo valor de mercado, este débito é ainda maior: R$ 107 bilhões. Enquanto isso, o orçamento do ICMBio foi de apenas R$ 128 milhões em 2012. Isto significa que o ICMBio levaria 209 anos para pagar as indenizações a preços definidos do INCRA e 836 anos, se considerado o valor de mercado dessas áreas. Vale ressaltar, também, q ue o total deste passivo é praticamente o dobro dos investimentos previstos pelo governo federal na modernização dos portos do país até 2017. De acordo com a lei 3.365 de 1941, o processo de criação de uma UC parte da publicação, no Diário Oficial da União, de um decreto definindo a criação de uma área. “É aí que começa o martírio do produtor rural”, diz a presiden- 40 - REVISTA 100% CAIPIRA

te da CNA. Ela lembra que, a partir da publicação, a propriedade deixa de ser uma unidade produtiva, mas ainda não é área protegida, porque a criação é apenas o início do processo de implementação da unidade. Por lei, o processo de desapropriação deve ser aberto em até cinco anos, o que não acontece na grande maioria dos casos, como no Parque Grande Sertão Veredas, criado em 1989. Outro exemplo é o da Floresta Nacional de Lorena, localizada em São Paulo, que foi criada em 1934 e nem sequer foi demarcada. A demarcação é o primeiro passo para implementação das UCs. Até março deste ano, apenas 44(14,10%) das 312 das UCs federais tinham sido demarcadas, segundo dados do ICMBio. Apesar disso, há 254 propostas de criação de novas unidades de conservação esperando a análise do órgão. “O Brasil vive uma farra das unidades de conservação em papel, sem que efetivamente

elas existam.”, critica. Nos governos FHC e Lula, houve demarcação anual média de 3,1 milhões de hectares. Propostas Na questão indígena, a presidente da CNA propôs que o assunto não fique centralizado no Poder Executivo e que, nesse debate, o Congresso Nacional também seja ouvido. “Só assim entraremos no campo técnico e sairemos do campo ideológico”, observa. Kátia Abreu também defende a criação de uma legislação que garanta indenizações mais justas aos produtores rurais envolvidos no processo de demarcação de terras indígenas, levando em conta não só as benfeitorias, como acontece hoje, mas também o valor da terra nua. As terras indígenas ocupam 110 milhões de hectares, o que equivale a 13% do território nacional. No Brasil há 454 áreas indígenas em diversas fases de regularização. Outras 123 novas áreas estão em estudo pela Fundação Nacional do Índio (Funai) que, no entanto, não sabe sequer precisar o tamanho desta ampliação. Nos dois governos anteriores ao atual, a média anual de demarcação foi de 3,7 milhões de hectares de terras indígenas. A senadora Kátia Abreu reconhece a legitimidade de todas as demandas, sejam ambientais, dos indígenas ou de produtores rurais, e acredita que os problemas só serão solucionados a partir de um planejamento de gestão integrada do uso do solo.


REVISTA 100% CAIPIRA - 41 -


-

- REVISTA 100% CAIPIRA


REVISTA 100% CAIPIRA - 43 -


-

- REVISTA 100% CAIPIRA


REVISTA 100% CAIPIRA -

-


ESPAÇO GASTRONÔMICO

- 46 - REVISTA 100% CAIPIRA


Saboreie um delicioso camarão na moranga Camarão na moranga (aquela bonita da roça bem “vermeinha”) é simples de se preparar e, mesmo assim, é um prato muito apreciado. Isto é se todos os convidados apreciarem um “bão” camarão. Capriche no tamanho da moranga, porque pode faltar, acredite!

INGREDIENTES • 1 unidade de abóbora moranga (tirada da roça, mas se não tiver roça serve do mercado mesmo) • 2 colheres (sopa) de azeite • 1 unidade de cebola picada (de preferência aquelas grandes) • 2 dentes de alho bem picados • 1 xícara (chá) de molho de tomate • 2 tomates sem pele e sem sementes picadinhos • 1 kg de camarão cinza limpo(s) • 6 unidades de camarões (grandes) com cabeça; para decorar • 250 g de requeijão; daqueles “dos bão” • 1 lata de creme de leite sem soro • Sal, pimenta do reino à gosto • 1 colher (sopa) de manjericão picado • 1 xícara (chá) cheiro-verde, bem picadinho • 1 pimentão vermelho picado

tes com o auxílio de uma colher. Cubra a moranga com papel-alumínio e coloque em uma assadeira com a cavidade voltada para baixo. Leve ao forno pré-aquecido a 180 graus até que a moranga esteja macia. Reserve. Em uma panela aqueça o azeite e refogue a cebola picada e o alho picado Acrescente o molho de tomate, os camarões (já temperados com sal, o manjericão e a pimenta do reino), menos os camarões grandes, e o sal. Cozinhe os camarões grandes com sal e reserve-os para a decoração. Tampe e deixe ferver por 5 minutos.

Retire do fogo e misture o requeijão já misturado com o creme de leite sem soro. Faça a correção do sal, se necessário. Recheie a moranga com este creme e leve ao forno pré-aquecido a 180 graus por aproximadamente 25 minutos. PolPREPARO vilhe com o cheiro verde e decore a superfície com camarões grandes cozidos Corte uma tampa na superfície superior em água e sal. Sirva com arroz branco e da moranga e reserve. Retire as semen- um bom vinho...

REVISTA 100% CAIPIRA - 47 -


ARTIGO

Preservar versus Produzir

- 48 - REVISTA 100% CAIPIRA


Por Adriana Reis Com as legislações ambientais mais rígidas, começamos a nos perguntar: como preservar o meio ambiente e, ao mesmo tempo, produzir? Além da interferência do homem no meio ambiente, temos a utilização de agroquímicos agrícolas, que poluem o solo e as águas. As utilizações destes agrotóxicos para aumentar a produtividade e controlar doenças tornaram o Brasil o maior consumidor destes produtos. O uso irracional de agrotóxicos pode causar erosões e desertificação nos solos, poluir os rios através das águas das chuvas e também a fauna e a flora aquática, contaminar os alimentos, extinguir animais e, além de tudo, podem também intoxicar e até levar a morte os agricultores que manuseiam esses produtos, esses são apenas alguns exemplos dos malefícios do uso dos agrotóxicos. Contudo, as pragas ficam cada vez mais resistentes aos produtos utilizados, causando assim um aumento destas pragas e não o combate, pois na medida em que se usam insumos químicos as pragas tornam-se mais resistentes, necessitando de agrotóxico cada vez mais forte, sendo assim tornando um ciclo vicioso e causando cada vez mais impacto no meio ambiente e prejudicando assim a saúde humana. Algumas medidas podem ser tomadas para minimizar esses riscos como, por exemplo, a substituição de adubo químico por adubo orgânico (composto, esterco, adubo verde), adaptação das máquinas agrícolas para as condições de solo regional (má-

quinas mais leves com o objetivo de não compactar o solo, permitindo que os micro-organismos não sejam sufocados), preservação das áreas silvestres, utilização de plantas repelentes e plantas companheiras e controle biológico natural. Devemos também levar em consideração a rotação de culturas, que além de evitar o desgaste do solo, ajuda no controle de pragas e promove um equilíbrio no meio ambiente. Obviamente, essas medidas não evitarão que insetos e pragas inexistam neste ambiente, porém permitem um equilíbrio entre pragas e predadores, sendo necessário um controle biológico destes seres, como drenagem de águas paradas nas proximidades das lavouras, manutenção de parte de ecossistema natural (o plantio não ocupa toda a área disponível), introdução nas áreas de cultura de insetos que são preda-

dores das pragas, não dos vegetais que estão sendo cultivados. Ambientalistas estudam medidas mais drásticas como o uso de gotejamento de água ao invés de irrigação, que também economiza água. Todas essas medidas são possíveis também para o pequeno produtor, pois são medidas simples e de fácil implantação, não exigindo mudanças bruscas no meio de produção, ajudando, assim, o meio ambiente e a saúde do homem. Na agricultura sustentável, já estão sendo implantadas diversas modificações ambientais, como a fixação biológica de nitrogênio (FBN), processo natural realizado por bactérias contidas no solo ou adicionadas via inoculantes, que se associam às plantas, captam e transformam o nitrogênio do ar, permitindo a troca de nutrientes e reduzindo a necessidade de adubação química. Em relação ao meio ambiente, este processo ajuda na recuperação de áreas degradadas, melhora a fertilidade do solo, a qualidade da matéria orgânica, causa também menor poluição de lagos, rios e lençol freático por nitrato, sem esquecer que reduz a emissão de gases na atmosfera. No Brasil pesquisas apontam dezena dessas bactérias capazes de fornecer nitrogênio a plantas, cada qual para uma planta específica. Desta forma, podemos concluir que uma planta equilibrada, além de se má hospedeira para pragas, são bons alimentos para nós e podemos produzir mais e preservar mais o meio ambiente basta querer. Adriana Reis é engenheira civil com especialização em engenharia ambiental

REVISTA 100% CAIPIRA - 49 -


-

- REVISTA 100% CAIPIRA


REVISTA 100% CAIPIRA -

-


Saúde do Viajante Cuide de sua saúde. Em viagens a lazer ou a trabalho ela é sua melhor companheira. Informe-se no site www.saude.gov.br/viajante, sobre como manter a sua saúde durante sua próxima viagem. Não se esqueça: Viaje com as vacinas em dia e previna-se contra febre amarela 10 dias antes de praticar turismo ecológico, rural, de aventura ou visitar áreas de mata

Lave bem as mãos com água e sabão várias vezes ao dia

Beba bastante água e evite consumir alimentos crus ou mal cozidos

Use calçados, roupas confortáveis e equipamentos de proteção (colete salva-vidas, capacete, ou outros) quando necessário

Proteja-se contra o sol e picada de insetos

Se ficar doente durante ou logo após retornar, procure o serviço de saúde e informe ao médico sobre sua viagem, pois esta atitude poderá ajudar no diagnóstico de algumas doenças

Em caso de emergência, ligue SAMU 192

-

Melhorar sua vida, nosso compromisso.

- REVISTA 100% CAIPIRA


REVISTA 100% CAIPIRA 2ª ED FORMATO TABLET  
Advertisement
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you