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Outros títulos de interesse

Maria Sônia Lopes Duarte

Distúrbios da Deglutição – Receitas e Viscosidades

Mestre e Doutora em Ciências e Tecnologia dos Alimentos pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), MG. Professora Adjunta do Departamento de Nutrição e Saúde da UFV. Nutricionista pela UFV.

Fabiane Aparecida Canaan Rezende

Mestre e Doutora em Ciência da Nutrição da Universidade Federal de Viçosa (UFV), MG.

Atualmente, a nutrição do idoso é assunto de destaque devido às crescentes taxas de envelhecimento populacional no Brasil e no mundo. Por isso, Abordagem Nutricional no Envelhecimento tem por objetivo tratar de diversos aspectos referentes ao tema desde as alterações fisiológicas até as principais doenças geriátricas. Assim, discorre-se sobre tópicos que auxiliarão na avaliação e no planejamento dietético, como a microbiota de idosos e a atividade física na sarcopenia. Concebida pelas professoras Maria Sônia Lopes Duarte, Fabiane Apa-

Professora Adjunta do Curso de Nutrição da Universidade Federal do Tocantins (UFT), TO.

recida Canaan Rezende e Eliana Carla Gomes de Souza, com grande

Nutricionista pela UFV.

periência das organizadoras e de 14 colaboradores com base nas evi-

Eliana Carla Gomes de Souza

Professora Adjunta do Departamento de Nutrição e Saúde da UFV.

Luciano Bruno de Carvalho-Silva

Microbiota Gastrintestinal – Evidências da sua Influência na Saúde e na Doença Alessandra Barbosa Ferreira Machado Ana Paula Boroni Moreira Damiana Diniz Rosa Maria do Carmo Gouveia Peluzio

Nutrição Clínica – Bases para a Prescrição Nelzir Trindade Reis Larissa Calixto-Lima

dências científicas mais atuais. Desse modo, pretende contribuir com a

Ossos Sempre Saudáveis – Em Todas as Fases da Vida

formação e a atualização de profissionais da saúde, sobretudo de nu-

Mario Gáspare Giordano

tricionistas, promovendo uma visão mais completa e aprofundada do idoso, além de qualidade de vida dessa população.

Nutricionista pela UFV.

Área de interesse Nutrição

Abordagem Nutricional no Envelhecimento

Mestre em Agroquímica e doutora em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), MG.

atuação na Universidade Federal de Viçosa (MG), esta obra reflete a ex-

Maria Sônia Lopes Duarte | Fabiane Aparecida Canaan Rezende Eliana Carla Gomes de Souza

Sobre as Organizadoras

Saúde do Idoso – Epidemiologia, Aspectos Nutricionais e Processos do Envelhecimento

Abordagem Nutricional no Envelhecimento Maria Sônia Lopes Duarte | Fabiane Aparecida Canaan Rezende Eliana Carla Gomes de Souza

Adelson Luiz Araújo Tinôco Carla de Oliveira Barbosa Rosa

Vitaminas Minerais e Eletrólitos – Aspectos Fisiológicos, Nutricionais e Dietéticos Maria Eliana Madalozzo Schieferdecker Rubia Daniela Thieme Daniela Barbieri Hauschild

Saiba mais sobre estes e outros títulos em nosso site: www.rubio.com.br


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Maria Sônia Lopes Duarte Mestre e Doutora em Ciências e Tecnologia dos Alimentos pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), MG. Professora Adjunta do Departamento de Nutrição e Saúde da UFV. Nutricionista pela UFV.

Fabiane Aparecida Canaan Rezende Mestre e Doutora em Ciência da Nutrição da Universidade Federal de Viçosa (UFV), MG. Professora Adjunta do Curso de Nutrição da Universidade Federal do Tocantins (UFT), TO. Nutricionista pela UFV.

Eliana Carla Gomes de Souza Mestre em Agroquímica e doutora em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), MG. Professora Adjunta do Departamento de Nutrição e Saúde UFV. Nutricionista pela UFV.

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Organizadoras

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Copyright © 2017 Editora Rubio Ltda. ISBN 978-85-8411-053-7 Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução desta obra, no todo ou em parte, sem autorização por escrito da Editora. Produção Equipe Rubio Capa Thaissa Fonseca Editoração Eletrônica Elza Ramos Imagem da Capa ©iStock / Halfpoint

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ D872a Duarte, Maria Sônia Lopes Abordagem nutricional no envelhecimento / Maria Sônia Lopes Duarte, Fabiane Aparecida Canaan Rezende, Eliana Carla Gomes de Souza. 1. ed. Rio de Janeiro: Rubio, 2016.   168 p.: il.; 25cm.   Inclui bibliografia e índice   ISBN 978-85-8411-053-7   1. Geriatria. 2. Idosos – Nutrição. 3. Idosos – Saúde e higiene. 4. Envelhecimento – Aspectos nutricionais. 5. Dietética. I. Rezende, Fabiane Aparecida Canaan. II. Souza, Eliana Carla Gomes de. III. Título. 16-36807 CDD: 618.97 CDU: 616-053.9

Editora Rubio Ltda. Av. Franklin Roosevelt, 194 s/l 204 — Castelo 20021-120 — Rio de Janeiro — RJ Telefax: 55(21) 2262-3779 • 2262-1783 E-mail: rubio@rubio.com.br www.rubio.com.br

Impresso no Brasil Printed in Brazil

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Abordagem Nutricional no Envelhecimento

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CAROLINA ARAÚJO DOS SANTOS Nutricionista pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), MG. Mestre em Ciência da Nutrição pela UFV. DALILA PINTO DE SOUZA FERNANDES Nutricionista pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), MG. Doutoranda e Mestre em Ciência da Nutrição pela UFV. DANIELA MAYUMI USUDA PRADO ROCHA Nutricionista pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), MG. Doutoranda e Mestre em Ciência da Nutrição pela UFV. DANIELA DA SILVA ROCHA Nutricionista pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), MG. Professora Adjunta da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Doutora e Mestre em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). JOÃO PAULO CHIEREGATO MATHEUS Fisioterapeuta pela Universidade de Uberaba (Uniube), MG. Doutor e Mestre em Ciências Médicas pela Universidade de São Paulo – Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP). Especialista em Fisioterapia aplicada a Geriatria e Fisioterapia aplicada a Traumatologia pela Universidade de Franca (Unifran). JOSEFINA BRESSAN Nutricionista pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), MG. Professora Titular da UFV. Pós-doutora pela Louisiana State University, EUA. Doutora em Fisiologia y Nutrición pela Universidad de Navarra, Espanha. Mestre em Microbiologia Agrícola pela UFV.

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LAÍS MONTEIRO RODRIGUES LOUREIRO Nutricionista pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), MG. Mestre em Ciência da Nutrição pela UFV. Doutoranda em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília (UnB), DF. LEONARDO COSTA PEREIRA Educador Físico pela Universidade Católica de Brasília (UCB), DF. Doutorando em Ciências e Tecnologia em Saúde pela Universidade de Brasília (UnB). Mestre em Ciências da Saúde pela UnB.

LISIANE LOPES DA CONCEIÇÃO Nutricionista pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), MG Doutoranda em Ciência da Nutrição pela UFV. Mestre em Microbiologia Agrícola pela UFV. LUIZ SINÉSIO SILVA NETO Educador Físico pela Universidade Luterana de Palmas (Ulbra), TO. Professor Adjunto da Universidade Federal do Tocantins (UFT). Pós-doutorando em Patologia Muscular pela Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp), SP. Doutor em Ciências e Tecnologia em Saúde pela Universidade de Brasília (UnB), DF. Mestre em Gerontologia pela Universidade Católica de Brasília (UCB). MARGÔ GOMES DE OLIVEIRA KARNIKOWSKI Farmacêutica pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), RS. Professora Adjunta da Universidade de Brasília (UNB), DF. Doutora em Patologia Molecular pela UnB. Mestre em Ciência e Tecnologia Farmacêutica pela UFSM.

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Colaboradores

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NEILA BARBOSA OSÓRIO Assistente Social pela Universidade Católica Dom Bosco (USDB).

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Professora Pesquisadora da Universidade Federal do Tocantins (UFT). Doutora em Ciências do Movimento Humano pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), RS. Mestre em Educação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), SP.

SANDRA APARECIDA DOS REIS Nutricionista pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), MG. Doutoranda e Mestre em Ciência da Nutrição pela UFV.

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MICHELE PEREIRA NETTO Nutricionista pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), MG. Professora Adjunta da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), MG. Doutora em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mestre em Ciências da Nutrição pela UFV.

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Dedicamos esta obra aos nossos familiares, alicerce de nossas vidas.

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Dedicatória

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Agradecemos aos nossos colaboradores, essenciais, no desenvolvimento dessa obra.

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Agradecimentos

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A abordagem nutricional do idoso é um tema que atualmente se destaca devido às elevadas taxas de envelhecimento populacional no Brasil e no mundo. Esta obra trata de vários aspectos do envelhecimento desde alterações fisiológicas até as principais doenças que acometem o idoso, contando com temas que auxiliarão na condução da avaliação e do planejamento dietético. Destaca-se a presença de novas descobertas da ciência como a microbiota no envelhecimento e a atividade física na sarcopenia.

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O presente livro reflete a experiência vivenciada pelos autores com base nas evidências científicas mais atuais. Assim, seu objetivo é contribuir com a formação e a atualização de profissionais da saúde, especialmente de nutricionistas, promovendo uma visão mais completa e aprofundada do idoso e proporcionando melhor qualidade de vida deste indivíduo. As Organizadoras

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Apresentação

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O curso de nutrição da Universidade Federal de Viçosa (UFV) foi criado em julho de 1976 e a primeira turma de alunos deu início às suas atividades em março de 1977. Esta turma inaugurou a graduação em nutrição em Minas Gerais. Até 1970 existiam apenas sete cursos de nutrição no Brasil. O Serviço de Alimentação da Previdência Social (SAPS), criado no governo Vargas em 1940 (Decreto-Lei no 2.478, de 5 de agosto de 1940), teve atuação marcante nas políticas de educação e orientação da alimentação das classes populares brasileiras. Com a extinção desse órgão governamental em 1967 (Decreto-Lei no 224, de 28 de fevereiro de 1967), ocorreu um esvaziamento de programas existentes e de políticas para essa área tão importante no cenário nacional. A profissão de nutricionista no Brasil teve origem em 1939 e foi instituída em 1967 (Lei no 5.276, de 24 de abril de 1967, com nova regulamentação por meio da Lei no 8.234 de 17 de setembro de 1991), fortemente influenciada pelas políticas do SAPS. Entretanto, com a extinção deste órgão, houve um lapso de tempo sem muito direcionamento de políticas nacionais. Em 1972, porém foi criado o Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição (Inan), que entre outros feitos criou e desenvolveu o Programa Nacional de Alimentação e Nutrição (Pronan), retomando e renovando programas e políticas de educação alimentar e nutricional, principalmente voltados para os grupos biologicamente vulneráveis. Ainda que a ação primordial contemplasse os grupos biologicamente vulneráveis, outros vieram nessa nova política da década de 1970, como o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), que tinha por objetivos principais melhores

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condições nutricionais dos trabalhadores sem perder o foco da introdução da educação alimentar para incrementar a qualidade de vida, reduzir o número de acidentes de trabalho e aumentar a produtividade da classe. Este programa foi instituído em 1976 e regulamentado em 1991 e era voltado, inicialmente, para os que ganhavam até cinco salários mínimos mensais. Posteriormente, estendeu-se aos demais trabalhadores. As políticas alimentar e nutricional que precederam o Inan já focavam os grupos populacionais mais suscetíveis e tinham como meta prevenir e combater o fantasma da desnutrição tão alardeado à época. Elas foram inspiradas nas políticas idealizadas por Josué de Castro, como a Associação Mundial de Luta Contra a Fome (Ascofam). Houve vários programas e políticas voltados para a alimentação e a nutrição desde a era Vargas. Entre eles, destaca-se a Campanha da Merenda Escolar (CME), de 1955 (Decreto no 37.106, de 31 de março de 1955), subordinada ao Ministério da Educação, que em 1956, com a edição do Decreto no 39.007, de 11 de abril de 1956, passouse a denominar Campanha Nacional de Merenda Escolar (CNME), com a intenção de promover o atendimento em âmbito nacional. No ano de 1965, o nome da CNME foi alterado para Campanha Nacional de Alimentação Escolar (CNAE) pelo Decreto no 56.886, de 20 de setembro de 1965. Assim, surgiu nesse período um elenco de programas de ajuda americana, entre os quais se destacavam: o Alimentos para a Paz, financiado pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid); o Programa de Alimentos para o Desenvolvimento, voltado ao atendimento das populações carentes

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Prefácio

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no 399, de 30 de abril de 1938) e a instituição deste na era Vargas; já percorreram os SAPS da vida acadêmica; e passaram pela Campanha Nacional de Alimentação Escolar (CNAE), sobre o Estudo Nacional de Despesas Familiares (Endef). Tudo foi realizado de maneira tão criteriosa e atualizada que hoje brindam a nós profissionais da saúde e mais especificamente da nutrição com esta obra tão importante. Vivemos outra realidade; os grupos populacionais tornam-se cada dia mais longevos, e daí vem a grande preocupação da previdência na manutenção de benefícios por períodos bem mais longos. Por isso, os órgãos de saúde não podem negligenciar este fato. É indispensável que na transição demográfica tão em evidência no mundo e em nosso país, busquemos novas formas de lidar com o envelhecimento e a atividade intelectual; a inserção e a reinserção do idoso em atividades que lhe proporcionem melhor qualidade de vida; a atividade física adequada à idade; e a alimentação saudável e adaptada às condições de saúde ocasionadas pela idade avançada e suas sequelas. Em um passado não tão remoto, houve uma busca por salvar nossas crianças da miséria e da fome, proporcionando-lhes condições saudáveis de alimentação e nutrição. Hoje, temos um cenário totalmente distinto e comentado em todos os órgãos de política e previdência do país (a transição demográfica). Com enorme satisfação, constato que aquelas que passaram por nós em tempos ainda tão recentes cresceram profissionalmente a ponto de trazer para a geração de seus professores obra tão valiosa e esta, com certeza, será francamente utilizada por nós em benefício próprio. Agora em uma total inversão dos papéis na vida, vem este velho professor, altamente lisonjeado com o convite para prefaciar esse livro, beber na fonte de suas muito queridas ex-alunas. Às queridas Maria Sônia Lopes Duarte, Eliana Carla Gomes de Souza e Fabiane Aparecida Canaan Rezende, meus agradecimentos pela honra que me foi prestada para escrever aqui. Gilberto Paixão Rosado Nutricionista. Professor-associado aposentado do Departamento de Nutrição e Saúde da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Advogado.

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e à alimentação de crianças em idade escolar; e o Programa Mundial de Alimentos (PMA), da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU). O cenário mundial mudou e, com ele, o brasileiro. A transição nutricional foi tema de inúmeros trabalhos nas áreas de nutrição e epidemiologia nutricional entre outros assuntos correlatos. A transição demográfica assumiu os temas políticos previdenciários em substituição à mortalidade infantil. O envelhecimento populacional no mundo e a inversão da pirâmide populacional passaram a tema central, tanto no campo da saúde quanto da previdência. O Brasil faz parte desse mundo ainda que a longevidade aqui não seja exatamente como nos países mais desenvolvidos. A longevidade recebe um olhar diferente entre profissionais da saúde e da previdência. Enquanto os previdenciários, talvez mais pragmáticos, busquem uma maneira de assegurar o padrão monetário dos longevos, os profissionais da saúde comungam também com essas preocupações, mas focam na adaptação da longevidade as exigências e alterações do organismo à nova realidade de vida da terceira idade. O mundo mudou e as políticas de saúde, alimentação e nutrição passaram a ter outro enfoque. Ainda assim, a desnutrição no Brasil continua a existir, pois, embora o país seja um grande exportador de alimentos, existe uma precária distribuição de renda, além do desemprego. Fui professor do curso de nutrição da UFV desde o início deste e acompanhei inúmeras turmas de alunos na graduação e, posteriormente, na pós-graduação até me aposentar da academia. Atualmente, sou Diretor de Seguridade do Agros – Instituto UFV de Seguridade Social. Tal Diretoria abrange previdência e saúde e, assim, não poderia deixar de visualizar esses dois campos que são os objetos da minha reflexão. Portanto, é pela minha origem profissional com ênfase em nutrição o elo com as autoras deste livro, que tenho a honra de prefaciar. Com enorme satisfação recebi o tão distinto e amável convite de três ex-alunas que hoje são professoras doutoras dos cursos de Nutrição da UFV e da Universidade Federal do Tocantins (UFT). Se algum dia pude influenciar e informá-las de algum dado de nutrição em suas graduações, isso já faz muito tempo. A transição do ensino já ocorreu. Elas são perfeitamente informadas sobre a Comissão do Salário Mínimo (Decreto-Lei

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25(H)D

25-hidroxivitamina D

AA

ácido araquidônico

DEXA

absortometria com raios X de dupla energia

AAE

aminoácidos essenciais

DHA

ácido docosa-hexaenoico

ACAT

acil-CoA:colesterol aciltransferase

DHEA

desidroepiandrosterona

ADA

Associação Dietética Americana

DNA

ácido desoxirribonucleico

AGB

área de gordura do braço

DP

desvio padrão

AGE

produtos finais de glicosilação avançada

DP

diálise peritoneal

DPd

desvio padrão da diferença

AGS

ácidos graxos saturados

DPi

desvio padrão da ingestão

AI

ingestão adequada (do inglês adequate intake)

DRC

doença renal crônica

DRI

ingestão dietética de referência (do inglês dietary reference intake)

EAR

necessidade média estimada (do inglês estimated average requeriment)

AIDS

síndrome da imunodeficiência adquirida

AJ

altura do joelho

ALA

ácido linolênico

ECA

enzima conversora da angiotensina

AMBc

área muscular do braço corrigida

EER

AMDR

Acceptable macronutrient distribuition range

estimativa das necessidades de energia

EMAD

Anvisa

Agência Nacional de Vigilância Sanitária

Equipes multiprofissionais de Atenção Domiciliar

EMAP

Equipes Multiprofissionais de Apoio

ATP

adenosina trisfosfato

EPA

ácido eicosapentaenoico

AVE

acidente vascular encefálico

ERG

escore risco cardiovascular global

BCAA

aminoácido de cadeia ramificada

FAO

Food and Agriculture Organization

CAF

coeficiente de atividade física

FPM

força de preensão manual

CCK

colecistoquinina

GH

hormônio do crescimento

Ccr(e)

estimativa da depuração de creatinina

GLP-1

peptídio semelhante ao glucagon

GME

glicemia média estimada

CFN

Conselho Federal de Nutricionistas

GnRH

hormônio liberador de gonadotrofina

CHCM

concentração de hemoglobina corpuscular média

HAS

hipertensão arterial sistêmica

Hb

hemoglobina

HbA1c

hemoglobina glicada

HCM

hemoglobina corpuscular média

HD

hemodiálise

HDL

lipoproteína de alta densidade

HLC

cromatografia de alta performance

HMB

beta-hidróxi-beta-metilbutirato

HOMA-IR

Homeostasis Model Assessment – insulin resistence

Ht

hematócrito

CT

colesterol total

CTL

contagem total de linfócitos

DASH

Dietary approaches to stop hypertension

DCNT

doença crônica não transmissível

DCSE

dobra cutânea subescapular

DCT

dobra cutânea tricipital

DCV

doença cardiovascular

DEP

desnutrição energético-proteica

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Abreviaturas

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Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

RI

resistência à insulina

RNI

razão normalizada internacional

IDL

lipoproteína de densidade intermediária

SBEM

Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

IG

índice glicêmico

Scr

creatinina sérica

IMC

índice de massa corporal

Sisvan

IOM

Institute of Medicine

Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional

ISI

Índice de Sensibilidade Internacional

SO

suplemento oral

LDL

lipoproteína de baixa densidade

SPPB

bateria curta de desempenho físico

MAN

Miniavaliação Nutricional

SUS

Sistema Único de Saúde

MGP

proteína de matriz Gla

TACO

Mi

média de ingestão

Tabela Brasileira de Composição de Alimentos

MM

massa muscular

TFG

taxa de filtração glomerular.

MS

Ministério da Saúde

TG

triacilgliceróis

MUFA

ácidos graxos monoinsaturados

TG

triglicerídios

NAF

nível de atividade física

TMB

taxa metabólica basal

NE

nutrição enteral

TNE

terapia nutricional enteral

NEE

necessidade energética estimada

TNED

Nepa

Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação

terapia nutricional enteral domiciliar

TNPD

NHANES III

National Health and Nutrition Examination Survey

terapia nutricional parenteral domiciliar

TP

tempo de protrombina

OMS

Organização Mundial da Saúde

TTOG

ONU

Organização das Nações Unidas

teste de tolerância oral à glicose

PB

perímetro do braço

TUG

timed up & go test

PC

perímetro da cintura

UL

PE

peso estimado

PI

peso ideal

nível máximo de ingestão tolerável (do inglês tolerable upper intake level)

PMB

perímetro muscular do braço

Unicamp

Universidade Estadual de Campinas

PNAD

Pesquisa Nacional de Amostras de Domicílios

USDA

United States Department of Agriculture

POF

Pesquisa de Orçamentos Familiares

USP

Universidade de São Paulo

PP

perímetro da panturrilha

UV

ultravioleta

PTH

hormônio da paratireoide

VCM

volume corpuscular médio

PUFA

ácidos graxos poli-insaturados

VCT

valor calórico total

RCE

razão cintura-estatura

Vi

variância da ingestão

RDA

ingestão diária recomendada (do inglês recommended dietary allowance)

VLDL

lipoproteína de muito baixa densidade

145 – Abordagem Nutricional no Envelhecimento - cap-00.indd 16

Vn

variância da necessidade

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IBGE

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CAPÍTULO 1

Epidemiologia e Processo Biológico do Envelhecimento 1 Eliana Carla Gomes de Souza • Maria Sônia Lopes Duarte CAPÍTULO 2

Recomendações Nutricionais para Idosos 11 Maria Sônia Lopes Duarte • Eliana Carla de Souza Gomes • Laís Monteiro Rodrigues Loureiro CAPÍTULO 3

Avaliação Nutricional em Idosos 29 Fabiane Aparecida Canaan Rezende • Michele Pereira Netto • Daniela da Silva Rocha • Laís Monteiro Rodrigues Loureiro • Carolina Araújo dos Santos CAPÍTULO 4

Conduta Nutricional nas Doenças Comuns em Idosos 65 Fabiane Aparecida Canaan Rezende • Maria Sônia Lopes Duarte • Laís Monteiro Rodrigues Loureiro • Eliana Carla Gomes de Souza CAPÍTULO 5

Conduta Nutricional nas Síndromes Geriátricas 95 Maria Sônia Lopes Duarte • Eliana Carla Gomes de Souza CAPÍTULO 6

Interação Fármaco-nutriente em Idosos 103 Daniela Mayumi Usuda Prado Rocha CAPÍTULO 7

Terapia Nutricional Enteral Domiciliar em Idosos 111 Sandra Aparecida dos Reis • Lisiane Lopes da Conceição • Josefina Bressan

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Sumário

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Lisiane Lopes da Conceição • Sandra Aparecida dos Reis • Dalila Pinto de Souza Fernandes CAPÍTULO 9

Exercício Físico como Adjuvante no Tratamento da Sarcopenia em Idosos 133 Luiz Sinésio Silva Neto • Neila Barbosa Osório • Margô Gomes de Oliveira Karnikowski • Leonardo Costa Pereira • João Paulo Chieregato Matheus

Índice 145

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CAPÍTULO 8

Microbiota Intestinal em Idosos 121

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1

Epidemiologia e Processo Biológico do Envelhecimento Eliana Carla Gomes de Souza Maria Sônia Lopes Duarte

Introdução De acordo com a Organização Mundial da Saúde1, uma pessoa idosa é aquela que tem mais de 60 anos de idade. Em países desenvolvidos, é considerado idoso o indivíduo com mais de 65 anos de idade. A população idosa brasileira tem crescido de maneira acelerada, e constata-se que o aumento da proporção de idosos vem sendo acompanhado por progressos na qualidade de vida.2 Em geral, eles são mais saudáveis e socialmente ativos, menos confinados ao leito e com menores limitações funcionais quando comparados aos idosos de algumas décadas atrás. Muitos continuam trabalhando depois da aposentadoria, e um percentual crescente consegue ter acesso às mesmas tecnologias que seus filhos e netos usam.3 O aumento progressivo do número de idosos traz como desafio ao nutricionista a contribuição para melhorar a qualidade de vida destes pacientes. Uma dieta que atenda às novas exigências deve ser programada. Neste sentido, a ciência da Nutrição tem descoberto novas estratégias, as quais serão abordadas neste livro.

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Epidemiologia do envelhecimento Em 2012, a Organização das Nações Unidas (ONU)4 divulgou uma projeção da população mundial por continentes até 2100, na qual se destaca o crescimento da população acima de 65 anos de idade na América Latina e no Caribe (Figura 1.1). No Brasil, o perfil demográfico da população tem sofrido modificações importantes. Em 2002, a proporção de idosos era de 9,3%; em 2011, de 12,1%; e, de acordo com a Pesquisa Nacional de Amostras de Domicílios (PNAD), em 2012 as pessoas com mais de 60 anos de idade correspondiam a 12,6% da população ou 24,85 milhões de indivíduos e, em 2060, este número se elevará para 26,8% e a maior parte vive em áreas urbanas (20,94 milhões).2 Em relação ao sexo, a população idosa feminina é maior que a masculina, representando 55,5% e 44,5%, respectivamente. Em 2010, a população idosa feminina acima de 80 anos de idade representava 59% e, em 2050, a projeção é de que corresponda a 62% (Figura 1.2).5 A celebração dos 60 anos de idade ou mais tornou-se bastante comum. A expectativa de

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CAPÍTULO

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Abordagem Nutricional

no

Envelhecimento

FIGURA 1.1  Projeção de crescimento da população idosa, por continentes Fonte: Organização das Nações Unidas, 2012.4

vida aumentou drasticamente nos últimos séculos em razão dos avanços da ciência, das melhores práticas alimentares, do desenvolvimento do saneamento básico e da queda nos coeficientes de fecundidade e de mortalidade (Figura 1.3).2 Em 2012, a média de expectativa de vida no Brasil foi de 74,6 anos de idade, sendo que para homens era de 71 anos de idade e, para mulheres,

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78,3 anos de idade. Entre 2002 e 2012, a expectativa de vida do brasileiro aumentou mais de três anos. A diferença da expectativa de vida das mulheres em relação aos homens se deve a uma maior taxa de mortalidade entre homens mais jovens. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)2 (2013), os principais fatores responsáveis por essa diferença são

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2

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Homens

Mulheres

5.175.373

8.573.332

2050

3.531.657

5.888.830

2040

2.258.072

3.654.153

2030

1.579.741

2.425.788

2020

1.082.139 2010

1.570.922

848.556 2005

1.196.231

661.009 2000 384.646 1990 239.621 1980 9.000.000

7.000.000

3

5.000.000

3.000.000

1.000.000

925.949 534.564 351.347 1.000.000

3.000.000

5.000.000

7.000.000

9.000.000

População

FIGURA 1.2  Evolução da população com 80 anos de idade ou mais, por sexo (Brasil, 1980-2050) Fonte: IBGE, 2004.5

90

85 80 75 70 65 60 55 1970 1980 1990 2000 2010 2020 2030 2040 2050 2060 2070 2080 2090 2100 Anos Ambos os sexos

Homens

Mulheres

FIGURA 1.3  Estimativas e projeção da expectativa de vida ao nascer, por sexo (Brasil, 1970-2100) Fonte: IBGE, 2013.2

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Capítulo 1  Epidemiologia e Processo Biológico do Envelhecimento

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Abordagem Nutricional

no

Envelhecimento

as mortes por causas externas (não naturais ou violentas). A expectativa de vida ao nascer deve chegar aos 80 anos de idade em 2041, alcançando os 81,2 anos em 2060, diferindo entre os estados brasileiros. Em Santa Catarina, deve alcançar os 80,2 anos de idade em 2020 e, nesse mesmo ano, para o Maranhão será provavelmente de 71,7 anos de idade.2 Apesar de a expectativa de vida no Brasil ter aumentado, ainda difere de outros países mais desenvolvidos. O Canadá e diversos países europeus, por exemplo, têm expectativa de vida acima de 81 anos de idade. Mônaco apresenta a maior expectativa de vida do mundo: pouco menos de 90 anos de idade.3 Os indivíduos com 80 anos de idade ou mais são considerados idosos longevos, representando um grupo com projeção de aumento. Desse modo, em 2025, o Brasil será o quinto país do ranking em idosos longevos. O número de centenários, pessoas acima de 100 anos de idade e supercentenários, com mais de 110 anos, continua também a aumentar. Em 2010, o IBGE identificou 16.989 mulheres e 7.247 homens com idade igual ou superior a 100 anos no Brasil, totalizando 24.236 brasileiros centenários. Na França, uma mulher nascida em 1875 sobreviveu até os 122 anos de idade e é tida como a pessoa que alcançou a idade mais avançada no mundo. Contudo, a maioria dos pesquisadores concorda que uma vida útil além de 125 a 130 anos é improvável.2,3 Deve-se considerar que o aumento do número de idosos gera problemas nos setores econômico, social e de assistência à saúde. Portanto, avanços nestes setores são necessários para melhor atendimento à população idosa. Para a maioria dos idosos, o objetivo não é viver tanto tempo quanto possível, mas desfrutar de boas condições de saúde, com autonomia e independência pelo maior tempo possível. Este conceito de longevidade saudável é muitas vezes referido como “expectativa de vida ativa”, “envelhecimento bem-sucedido”, “compressão da morbidade” e “envelhecimento ativo”.3

Idade cronológica e biológica As doenças, bem como as limitações físicas e funcionais não são consequências inevitáveis do envelhecimento, já que o estilo de vida saudável

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pode ser determinante para que esse processo seja bem-sucedido. A idade biológica corresponde à idade fisiológica determinada pela saúde e pelo estado funcional e relaciona-se com as funções orgânicas, sendo influenciada por fatores ambientais e escolhas pessoais. A idade cronológica, por sua vez, é a idade real do idoso e não pode ser mudada. É possível prever a idade biológica por meio de uma série de questões relacionadas com tabagismo, consumo de álcool, exposição ao sol, estado nutricional e nível de atividade física, entre outros fatores.3

Processo biológico do envelhecimento O processo de envelhecimento é natural e inevitável, sendo influenciado por fatores genéticos e ambientais. As várias dimensões do envelhecimento dos seres humanos estão sendo bastante estudadas e ainda há muito a ser desvendado.6,7 O envelhecimento se dá em células e tecidos e alguns sinais, tais como o branqueamento dos cabelos, não prejudicam a saúde. No entanto, outras alterações relacionadas com a idade contribuem para declínios em funcionalidade, saúde e bem-estar.8,9 De acordo com o Ministério da Saúde (2006),10 envelhecer é um processo progressivo de diminuição funcional, denominado senescência, e desenvolvimento de uma condição patológica por estresse emocional, acidente ou doenças, definido como senilidade. As teorias que explicam os mecanismos do envelhecimento abrangem as Teorias de Envelhecimento Programado e as Teorias de Dano Biomolecular (Tabela 1.1). As duas linhas de teorias não são mutuamente exclusivas; ou seja, é provável que o envelhecimento resulte de uma complexa interação entre elas.

Fisiologia do envelhecimento A velhice é um momento em que o crescimento está completo e os sistemas do corpo começam a se desgastar mais intensamente, constituindo uma fase biológica natural. Vale ressaltar, contudo, que esse desgaste está, pelo menos em parte, sob controle do indivíduo. Por exemplo, algumas das diminuições observadas na massa muscular, na massa óssea e na resistência muscular

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Conduta Nutricional nas Doenças Comuns em Idosos Fabiane Aparecida Canaan Rezende Maria Sônia Lopes Duarte Laís Monteiro Rodrigues Loureiro Eliana Carla Gomes de Souza

Osteoporose A osteoporose é uma doença predominante em idosos e sua prevalência aumenta com a idade. Consiste em uma condição multifatorial do esqueleto na qual a resistência óssea está reduzida o suficiente para que ocorra fratura mesmo nos traumatismos menores.1-5 É o distúrbio ósseo mais prevalente no mundo e caracteriza-se por perda de massa óssea que leva a enfraquecimento e porosidade do tecido ósseo, afetando uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens.4 Após os 50 anos de idade, o risco de fraturas é de 40% nas mulheres e 15% nos homens, as quais são ocasionadas por mudanças estruturais que induzem menor habilidade para suportar peso.3 O perfil etário varia para as diferentes fraturas, com maior incidência de fraturas vertebrais e do quadril, que são muito dolorosas e debilitantes, conforme o aumento da idade.6-7 A incidência de fraturas do quadril é a que mais se associa à morbimortalidade, elevando-se exponencialmente até cerca de 84 anos de idade, de modo que, após esse período, o aumento é mais lento.2 Esse tipo de fratura acomete mais

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frequentemente residentes de casas de repouso em comparação à população idosa em geral.8 Além disso, essas fraturas levam a maior risco de infecções, podendo resultar em morte prematura. Cerca de 24% dos adultos acima de 50 anos de idade que têm fratura do quadril morrem dentro de um ano após a fratura, e as taxas de mortalidade são maiores para os homens em relação às mulheres.9 A osteoporose na coluna vertebral leva a uma redução da altura, que pode ser dolorosa e deformar a postura.4 Nas fases iniciais, a osteoporose pode ser uma doença silenciosa, ou seja, a pessoa pode não ter consciência da condição até que ocorra uma fratura. O osso sofre um processo contínuo de formação e reabsorção, de modo que cerca de 10% do esqueleto adulto é remodelado a cada ano. A perda óssea é resultado de um desequilíbrio nas taxas de formação e reabsorção. O esqueleto humano é composto por aproximadamente 80% de osso cortical e 20% de osso trabecular, o qual é mais metabolicamente ativo, e as fraturas osteoporóticas tendem a ocorrer em locais com mais de 50% de osso trabecular. A perda óssea leva a afinamento e, às vezes, perfuração das placas trabeculares.3

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CAPÍTULO

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Abordagem Nutricional

no

Envelhecimento

A desnutrição também é uma complicação frequente em idosos com demência. Pacientes deprimidos, com alucinações ou transtornos de comportamento estão mais expostos à desnutrição em comparação aos que apresentam apenas prejuízo cognitivo.41 Muitas enfermidades crônicas, como doença renal, câncer, insuficiência cardíaca e artrite reumatoide, apresentam inflamação como um componente que aumenta o risco de desnutrição, mesmo entre os pacientes que estão com sobrepeso ou obesos. Em condições clínicas agudas, como infecção grave, cirurgia, queimaduras e sepse, os marcadores de inflamação contribuem para perpetuar o risco de desnutrição grave.42 A caquexia é associada a uma doença subjacente, como câncer e insuficiência cardíaca grave, e caracteriza-se por perda de massa muscular, com ou sem perda de massa gorda.43

Sintomas44 Os sintomas mais frequentes de desnutrição abrangem: ƒƒ Perda de peso. ƒƒ Fadiga muscular, dificultando a realização das atividades diárias. ƒƒ Cansaço, que também pode ser atribuído à anemia causada pela desnutrição. ƒƒ Aumento de suscetibilidade a infecções. ƒƒ Irritabilidade. ƒƒ Tonturas. ƒƒ Pele e cabelo secos. ƒƒ Diarreia persistente ou constipação intestinal crônica. ƒƒ Depressão, que pode ser tanto a causa quanto a consequência da desnutrição. A desnutrição em idosos institucionalizados é frequente e afeta significativamente o funcionamento físico e a cognição, bem como aumenta o risco de úlceras de pressão, má cicatrização, complicações infecciosas e readmissões hospitalares, resultando em maior morbimortalidade e elevado custo direto ou indireto para a sociedade.45,46 As consequências da desnutrição ocasionam um círculo vicioso: a desnutrição leva a diminuição da mobilidade, aumento do risco de quedas e/ou fraturas, maior vulnerabilidade a doenças infecciosas e doenças crônicas, que contribuem para a redução do apetite e da autonomia e o aumento do catabolismo, os quais, por sua vez, tornam mais elevado o risco de desnutrição.47

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Diagnóstico O diagnóstico de desnutrição pode ser feito por meio da combinação de dois ou mais métodos, como antropometria e dados bioquímicos. Na avaliação antropométrica dos idosos, é comum a avaliação de gravidade da perda de peso, baixo peso segundo o IMC, reservas corporais reduzidas com base na dobra cutânea tricipital e no perímetro de braço, especialmente quando o peso não puder ser aferido, e no perímetro da panturrilha, que é a medida mais sensível da massa muscular nessa população.48,49 Os dados bioquímicos que mais auxiliam na monitoração da resposta à terapia nutricional e que detectam o risco nutricional são: proteínas plasmáticas como albumina, níveis reduzidos de colesterol e baixa contagem de linfócitos.48 Em casos de desidratação e doença renal crônica, o volume plasmático pode estar alterado, comprometendo a confiabilidade dos resultados. A Miniavaliação Nutricional (MAN) é outro método para diagnóstico de desnutrição, que é subjetivo, não invasivo, fidedigno e de baixo custo para a avaliação nutricional nos idosos. Ela identifica o risco do desenvolvimento de desnutrição em um estágio precoce, a partir de antropometria, avaliação dietética, avaliação clínica global e autopercepção da saúde e do estado nutricional.50

Tratamento O tratamento da desnutrição depende de vários fatores, como gravidade, causa subjacente, capacidade do paciente em alimentar-se, estado mental e local de moradia. A terapia nutricional não é limitada a oferecer suplementos alimentares. Ela também inclui o aumento da frequência de ingestão de alimentos e da densidade de energia e nutrientes, pois estes maximizam a recuperação nutricional nos casos de desnutrição.51 O sucesso do uso de suplementos nutricionais orais pode ser limitado em razão da baixa palatabilidade, dos efeitos adversos (p. ex., náuseas e diarreia) e do custo. Melhores resultados são verificados quando maior variedade de sabores, consistências e temperaturas é oferecida. Os suplementos, quando utilizados, devem ser administrados preferencialmente entre as refeições. Para ajustar o suporte nutricional, é essencial monitorar a ingestão alimentar. A periodicidade

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Proteínas

de monitoração dependerá da situação clínica do paciente, da gravidade da desnutrição e da alteração no peso corporal (Tabela 4.4).

A ingestão de proteínas maior do que a ingestão diária recomendada (RDA, do inglês recommended dietary allowance) é necessária para a recuperação dos estados nutricional e imunológico, a cicatrização de feridas e o controle da pressão arterial. Dessa maneira, a recomendação da ingestão aceita para o tratamento da desnutrição é de 1,2 a 1,5g de proteínas/kg/dia.

Planejamento da dieta40,51-55 Hidratação Em casos graves de desnutrição, primeiramente, deve-se garantir a ingestão adequada de líquidos e eletrólitos. A desidratação é comum na desnutrição, apresentando alterações eletrolíticas, como hipocalemia, hipocalcemia, hipofosfatemia e hipomagnesemia. Esses desequilíbrios podem levar a alterações do ritmo cardíaco e respiratório, muitas vezes fatais, em especial quando a realimentação não ocorre gradativamente.

Estratégias para otimizar o consumo alimentar40,51-55 O ato de alimentar-se relaciona-se com aspectos nutricionais, satisfazendo as necessidades fisiológicas; com aspectos sensoriais, pelo prazer obtido nas propriedades organolépticas dos alimentos; e com a dimensão psicoafetiva, que está associada a contexto e significados da ingestão de alimentos. Na tentativa de otimizar a nutrição oral adequada, são propostas estratégias para algumas alterações frequentes em idosos.

Energia Após a reidratação, é necessário que a reposição calórica seja feita lentamente para evitar o aparecimento da “síndrome da realimentação”, que se caracteriza por alterações respiratórias, arritmias e falência cardíaca decorrente de desequilíbrios de líquidos e eletrólitos derivados da suplementação nutricional via oral, enteral ou parenteral, após um período de jejum prolongado ou desnutrição. Idosos que mantiveram baixa ou nenhuma ingestão alimentar por cinco dias ou mais devem receber a realimentação lentamente, via oral, enteral ou parenteral, em cerca de 20kcal/kg/ dia ou, em média, 1.000kcal/dia inicialmente, ou ainda 25% das necessidades calóricas diárias estimadas, avançando de três a cinco dias para o valor total.

Perda de apetite Convém procurar minimizar os efeitos adversos dos medicamentos; incentivar o consumo de três pequenas refeições e oferecer lanches ricos em energia e proteínas nos intervalos; estimular o consumo de alimentos a cada 2 a 3h; maximizar o consumo de alimentos no período de melhor apetite; servir refeições e lanches atraentes em tamanho e aparência; servir as bebidas após as refeições, já que elas podem diminuir o apetite; e estimular o apetite, por meio de uma curta caminhada antes das refeições, evitando também interrompê-las.

TABELA 4.4  Estratégia de suporte nutricional aos idosos INGESTÃO DIETÉTICA

ESTADO NUTRICIONAL EUTROFIA

DESNUTRIÇÃO

DESNUTRIÇÃO GRAVE

Normal

Monitoração

Aconselhamento dietético Dieta fortificada Reavaliação após 1 mês

Aconselhamento dietético Dieta fortificada e SO Reavaliação após 15 dias

Reduzida, mas superior Aconselhamento dietético a 50% da habitual Dieta fortificada Reavaliação após 1 mês

Aconselhamento dietético Dieta fortificada Reavaliação após 15 dias; se falhar, usar SO

Aconselhamento dietético Dieta fortificada e SO Reavaliação após 1 semana; se falhar, usar NE

Reduzida, mas inferior a 50% da habitual

Aconselhamento dietético Dieta fortificada e SO Reavaliação após 1 semana; se falhar, usar NE

Aconselhamento dietético Dieta fortificada e NE Reavaliação após 1 semana

Aconselhamento dietético Dieta fortificada Reavaliação após 1 semana; se falhar, usar SO

SO: suplemento oral; NE: nutrição enteral. Fonte: Raynaud-Simon et al., 2011.52

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Capítulo 4  Conduta Nutricional nas Doenças Comuns em Idosos

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Abordagem Nutricional

no

Envelhecimento

Problemas com a mastigação Incentivar a higiene bucal e o consumo de alimentos com consistência mais macia, que requeiram menos mastigação, quando necessário.

Dificuldade de deglutição Considerar o encaminhamento para avaliação fonoaudiológica e modificar a consistência dos alimentos utilizando espessantes como amido, carragena, goma-arábica, goma guar, amidos modificados, clara de ovo e gelatina.

Dificuldade em obter ou preparar alimentos Usar alimentos de fácil preparo que possuam densidade calórica e nutrientes adequados. Na prática, é possível preparar alimentos em maior quantidade, porcionar, congelar e aquecer no momento do uso. Além disso, deve-se estimular o apoio familiar e do cuidador.

Dificuldade de locomoção Considerar a avaliação de um fisioterapeuta ou de um terapeuta ocupacional e certificar-se de que a assistência a compras e ao preparo de alimentos está disponível.

Isolamento social e depressão Incentivar as refeições em família ou outro grupo; tentar envolver o idoso no planejamento e no preparo das refeições; verificar o uso de medicação; e considerar acompanhamento médico e/ou psicológico.

Doença de Alzheimer A doença de Alzheimer é incurável e agrava-se ao longo do tempo. Acomete principalmente idosos e apresenta-se como demência ou perda das funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem), provocadas pela morte de células cerebrais.56 As causas ainda não foram elucidadas, mas existem lesões do cérebro que são características. As duas alterações mais importantes são as placas senis decorrentes do depósito de proteína beta-amiloide e os emaranhados neurofibrilares, atribuídos à hiperfosforilação da proteína tau. Ocorre também diminuição de neurônios e sinapses, com redução progressiva do volume do cérebro.56 A doença de Alzheimer é devastadora, de modo que o recente aumento nas taxas de

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incidência tem amplas implicações para a elevação dos custos em cuidados de saúde. Há investimentos importantes em pesquisas buscando investigar as causas e o progresso correspondente para a compreensão da evolução da doença.57 A Conferência Internacional sobre Nutrição e Cérebro, em julho de 2013,58 reviu as possíveis orientações dietéticas e de estilo de vida para a prevenção da doença de Alzheimer, orientando o desenvolvimento de medidas práticas a serem recomendadas: ƒƒ Minimizar a ingestão de gorduras saturadas e gorduras trans. As gorduras saturadas são encontradas, mais comumente, em produtos lácteos, carnes e determinados óleos (de coco e de palma). As gorduras trans estão presentes em muitos lanches doces e alimentos fritos, sendo listadas nos rótulos. ƒƒ A vitamina E deve provir de alimentos, em vez de suplementos. As melhores fontes são nozes, sementes, vegetais de folhas verdes e cereais integrais. A RDA é de 15mg/dia. ƒƒ Uma fonte confiável de vitamina B12, como alimentos fortificados ou suplementos que forneçam, pelo menos, a RDA (2,4µg/dia para adultos), deve fazer parte da dieta. Os níveis sanguíneos de vitamina B12 devem ser verificados regularmente. ƒƒ Os suplementos vitamínicos não devem conter ferro e cobre. O consumo de suplementos com ferro deve ocorrer apenas quando indicado pelo nutricionista ou pelo médico. ƒƒ Embora a função do alumínio na doença de Alzheimer permaneça sob investigação, aqueles que desejarem minimizar sua exposição podem evitar o uso de utensílios de cozinha, antiácidos, fermento em pó ou outros produtos que contenham esse componente. ƒƒ Convém incluir exercícios aeróbicos rotineiramente, o equivalente a 40min de caminhada, três vezes por semana. O papel da Nutrição na modulação da doença de Alzheimer permanece incerto. Vale ressaltar que indivíduos que consomem dieta do tipo mediterrânea parecem ser menos propensos a desenvolver essa doença.

Hipertensão arterial sistêmica A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma doença de alta prevalência na população idosa,

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que se caracteriza por pressão arterial elevada e sustentada em níveis maiores ou iguais a 140mmHg para a sistólica ou 90mmHg para a diastólica.59 Trata-se de uma doença de etiologia multifatorial que contribui consideravelmente para o aumento da mortalidade, em razão de seu caráter silencioso e difícil controle decorrente da baixa adesão ao tratamento.60 A maioria dos estudos de prevalência de HAS no Brasil encontra-se nas regiões Sul e Sudeste, apontando taxas superiores a 50% no grupo etário de 60 a 69 anos e ainda maiores em idosos longevos.61 Com o envelhecimento, ocorrem mudanças morfológicas e funcionais no sistema circulatório que contribuem para o aumento da pressão arterial. A maior rigidez da aorta e a perda da sua conformidade são apontadas como fatores que afetam diretamente a homeostase pressórica, pois resultam em aumento da resistência periférica e do esforço cardíaco para bombear o sangue.62 Além dos prejuízos que ocorrem com o envelhecimento, existem outros fatores de risco que aumentam os níveis pressóricos, destacando-se genética, excesso de peso e obesidade, sedentarismo, tabagismo e ingestão excessiva de álcool e de sódio.63 O tempo de doença e a baixa adesão ao tratamento são os principais fatores responsáveis pelo aparecimento de complicações da HAS em idosos. A cronicidade das alterações fisiopatológicas (vasoconstrição periférica e aumento da frequência cardíaca)62 desencadeia uma série de alterações micro- e macrovasculares em órgãos-alvo, fazendo com que o indivíduo desenvolva complicações, na maioria das vezes, irreversíveis,

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como retinopatia hipertensiva, hipertrofia ventricular esquerda (com risco de evoluir para insuficiência cardíaca), e nefropatia.59 O controle inadequado da doença pode resultar também em aumento súbito da pressão arterial que pode causar acidente vascular encefálico (AVE), edema pulmonar, isquemia do miocárdio e dissecção aguda da aorta.59 O tratamento medicamentoso é obrigatório, bem como o conjunto de medidas não farmacológicas, entre elas: alimentação saudável (Tabela 4.5), atividades físicas regulares, abandono do tabagismo e controle do estresse psicossocial. Segundo as VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão,59 o controle do peso corporal e a adoção de um estilo alimentar saudável contribuem para reduções significativas da pressão arterial. Entre os padrões alimentares estabelecidos em diversas partes do mundo, as Dietary Approaches to Stop Hypertension (DASH) têm sido as únicas até o momento indicado para a redução da pressão arterial64 (Figura 4.1 e Tabela 4.6). Estudos demonstram também redução dos níveis pressóricos a partir do consumo de alimentos que são fontes de gorduras insaturadas (ácido oleico e ácidos graxos ômega-3), fibras alimentares (especialmente fibras solúveis), oleaginosas (castanhas), laticínios magros (cálcio), alho (alicina), café e chás (polifenóis) e chocolate amargo (alto teor de cacau). No entanto, em relação a essas fontes alimentares ainda não há quantidades recomendadas para consumo com grau de recomendação e nível de evidência estabelecidos.59

TABELA 4.5  Modificações recomendadas no planejamento dietético para hipertensão arterial RECOMENDAÇÕES

GRAU DE RECOMENDAÇÃO; NÍVEL DE EVIDÊNCIA

Controle do peso

Manter IMC normal, preferencialmente abaixo de 25kg/m²

I; A*

Padrão alimentar

Dietary Approaches to Stop Hypertension (DASH): alimentação rica em hortaliças e frutas, fibras, minerais e laticínios com baixo teor de gorduras

I; A*

Redução do consumo de sal

Limitar a ingestão de sódio a 2g/dia, considerando tanto o sal de adição quanto o sódio presente nos alimentos industrializados

II; B**

MODIFICAÇÕES

*Revisão sistemática (com homogeneidade) de ensaios clínicos controlados e randomizados. **Estudo de coorte (incluindo ensaio clínico randomizado de menor qualidade). IMC: índice de massa corporal. Fonte: adaptada a partir das VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão.59

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Capítulo 4  Conduta Nutricional nas Doenças Comuns em Idosos

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Abordagem Nutricional

no

Envelhecimento

FIGURA 4.1  Pirâmide alimentar da DASH Fonte: U.S. Department of Health and Human Services, 2003.64

TABELA 4.6  Composição nutricional da DASH NUTRIENTES

QUANTIDADE DIÁRIA

‚‚ Gordura total

‚‚ 27% das calorias

‚‚ Ácidos graxos

‚‚ 6% das calorias totais

‚‚ Carboidratos

‚‚ 55% das calorias

‚‚ Proteínas ‚‚ Colesterol ‚‚ Fibras ‚‚ Potássio ‚‚ Magnésio ‚‚ Cálcio

‚‚ 18% das calorias totais ‚‚ 150mg ‚‚ 31g ‚‚ 4.700mg ‚‚ 500mg ‚‚ 1.240mg

saturados

totais

totais

Fonte: Appel et al., 1997.64

No que se refere à ingestão de bebidas alcoólicas, deve-se limitar o consumo a 30g/dia de etanol para os homens e 15g/dia para as mulheres (grau de recomendação II; nível de evidência B). Para aqueles que não têm o hábito de ingerir bebidas alcoólicas, não se recomenda o consumo.59 A prática de atividades físicas em nível moderado, por 30min, na maioria dos dias da semana, promove redução dos níveis pressóricos. Este período mínimo pode ser dividido, ao longo do

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dia, em três sessões de 10min. Idosos devem ser avaliados por um médico antes de iniciar um programa de atividades físicas, e a condição ideal é que estas sejam realizadas com a monitoração de um educador físico. Caso as pressões arteriais diastólica e sistólica sejam superiores a 105 e/ou 160mmHg, a atividade física não deve ser realizada.65

Dislipidemia A dislipidemia é o fator de risco cardiovascular mais prevalente na população idosa.66-68 As alterações do metabolismo lipídico surgem a partir do desequilíbrio entre biossíntese e degradação das lipoproteínas, podendo ter origem primária ou secundária.69 A dislipidemia primária associa-se às variantes genéticas de enzimas envolvidas no metabolismo de lipoproteínas ou de apoproteínas, bem como às mutações de genes codificadores de receptores destas partículas nos tecidos. A dislipidemia secundária é decorrente de outras doenças e/ou uso de medicamentos frequentes em idosos, como diabetes melito, hipotireoidismo, obesidade, síndrome nefrótica, administração de diuréticos tiazídicos e bloqueadores beta-adrenérgicos não seletivos.69

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TABELA 4.9  ERG em 10 anos para homens e mulheres PONTOS

RISCO (%) PARA HOMENS

RISCO (%) PARA MULHERES

≤-3

<1,0

-2 (≤-2)*

1,1

<1,0

-1

1,4

1,0

0

1,6

1,2

1

1,9

1,5

2

2,3

1,7

3

2,8

2,0

4

3,3

2,4

5

3,9

2,8

6

4,7

3,3

7

5,6

3,9

8

6,7

4,5

9

7,9

5,3

10

9,4

6,3

11

11,2

7,3

12

13,2

8,6

13

15,6

10,0

14

18,4

11,7

15

21,6

13,7

16

25,3

15,9

17

29,4

18,5

18 (18+)*

>30

21,6

19

24,8

20

28,5

21+

>30

níveis de HDL e melhora a sensibilidade à insulina, além de contribuir com nutrientes e compostos bioativos que reduzem a inflamação crônica subclínica. O padrão mediterrâneo caracteriza-se por elevada proporção de ômega-3 marinho, baixa relação ômega-6:ômega-3 (2:1), utilização de vegetais frescos, frutas, grãos e cereais integrais, legumes, castanhas e óleo de oliva (alto teor de ácido graxo oleico), ingestão moderada de produtos lácteos com baixo teor de gorduras e consumo reduzido de carne vermelha.74 Revisões sistemáticas e metanálises têm mostrado que a ingestão de alimentos como alho, chocolate com alto teor de cacau, café, amêndoas e castanhas, vegetais, frutas e grãos integrais, peixes e produtos lácteos com baixo teor de gorduras resulta em benefícios na prevenção primária de doenças cardiovasculares.71,74,76 Considerando-se ainda o risco de aterosclerose associado às dislipidemias, além de reduzir as concentrações séricas de lipídios, é fundamental controlar ou eliminar outros fatores de risco (diabetes melito, hipertensão, sedentarismo, tabagismo etc.) e priorizar o consumo de alimentos que são fontes de antioxidantes (vitaminas, minerais, compostos fenólicos etc.).69

Constipação intestinal

Nota: risco estimado para infarto do miocárdio, acidente vascular encefálico, insuficiência vascular periférica ou insuficiência cardíaca. *Para mulheres. Fonte: Xavier et al., 2013.69

TABELA 4.10 Classificação de ERG em 10 anos de acordo com o sexo SEXO

ERG EM 10 ANOS BAIXO*

INTERMEDIÁRIO

ALTO

Masculino

<5%

≥5% e ≤20%

>20%

Feminino

<5%

≥5% e ≤10%

>10%

*Na presença de histórico familiar de doença cardiovascular prematura, reclassificar como risco intermediário. ERG: risco cardiovascular global. Fonte: Xavier et al., 2013.69

gordura total, carboidratos e açúcares de adição e interrompendo o consumo de álcool70,71 (Tabela 4.11). Em termos de padrão alimentar, a dieta mediterrânea (Figura 4.2) reduz significativamente as concentrações de triglicerídios, aumenta os

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77

Segundo a Organização Mundial de Gastrenterologia, a constipação intestinal funcional é definida como “um transtorno caracterizado por uma dificuldade persistente para evacuar ou uma sensação de evacuação incompleta e/ou movimentos intestinais infrequentes (a cada três a quatro dias ou com menor frequência), com ausência de sintomas de alarme ou causas secundárias”.77 O critério de Roma III é o sistema mais utilizado para classificar os distúrbios funcionais do trato digestório.78 Sua revisão mais recente, publicada em 2006, recomenda a avaliação dos aspectos relacionadas na Tabela 4.12 para diagnóstico da constipação intestinal78. A avaliação do trânsito colônico pode ser feita por meio da Escala Bristol, que categoriza sete formatos das fezes (Tabela 4.13). A escala segue uma ordem de acordo com o tempo de trânsito colônico, considerando que o tipo 1 é o mais lento (em torno de 100h) e o tipo 7, o mais rápido (aproximadamente 10h).79

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Capítulo 4  Conduta Nutricional nas Doenças Comuns em Idosos

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Abordagem Nutricional

no

Envelhecimento

TABELA 4.11  Recomendações nutricionais específicas para a prevenção primária ou secundária de doenças cardiovasculares NUTRIENTE

DOSE

INDICAÇÃO

Ômega-3 marinho

2 a 4g/dia

Hipertrigliceridemia grave (>500mg/dL), com risco de pancreatite refratária a medidas não farmacológicas e tratamento medicamentoso

1g/dia

Indivíduos com risco baixo a intermediário que não consomem duas refeições à base de peixe por semana

1g/dia

Indivíduos com alto risco, como os sobreviventes de infarto do miocárdio ou insuficiência cardíaca sistólica

Peixes

2 porções por semana

Para reduzir o risco em qualquer condição, especialmente em idosos classificados com risco elevado de DCV

Fitosteróis

2 a 3g/dia

Hipercolesterolemia

Fibras

25g/dia

Hipercolesterolemia

Lipídios

<30% das calorias totais

Obesidade e hipertrigliceridemia

Gorduras saturadas

<7% das calorias totais

Hipercolesterolemia

Gorduras trans

<1% das calorias totais

Qualquer indivíduo, independentemente do risco cardiovascular

Colesterol dietético

<200mg/dia

Hipercolesterolemia

Gorduras monoinsaturadas 15% da energia total

Hipercolesterolemia

Energia

Obesidade

Redução de 500kcal/dia

DCV: doença cardiovascular. Fonte: Simão et al., 2013; Santos et al., 2013.72,73

FIGURA 4.2  Pirâmide alimentar da dieta mediterrânea Fonte: adaptada de Bach-Faig et al., 2011.75

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Exercício Físico como Adjuvante no Tratamento da Sarcopenia em Idosos Luiz Sinésio Silva Neto Neila Barbosa Osório Margô Gomes de Oliveira Karnikowski Leonardo Costa Pereira João Paulo Chieregato Matheus

“A forma como optamos por tratar dos desafios e maximizar as oportunidades de uma crescente população idosa é que determinará se a sociedade colherá os benefícios do dividendo da longevidade.”1

Introdução O Secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) Ban Ki-moon ressaltou no Prefácio do relatório Envelhecimento no Século XXI – Celebração e Desafio que a sociedade e as instituições precisam tratar com prioridade as transformações demográficas e epidemiológicas resultantes do processo de envelhecimento populacional. Dessa maneira, se o aumento no número de idosos no mundo não for contrabalançado pela perspectiva de melhores benefícios e qualidade de vida, iremos nos deparar com um grande “asilo” na humanidade, ou seja, uma população marcada por grande proporção de idosos acometidos por multimorbidades e sem os devidos cuidados.1 Tal realidade é destacada em vários periódicos, relatórios de institutos especializados e mídia, entre outros. Nossa experiência cotidiana no cuidado e em pesquisas com idosos nos motiva frequentemente a proclamar um discurso,

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às vezes considerado “exagerado”, acerca das preocupações decorrentes do processo de envelhecimento populacional, mais especificamente aspectos de saúde. Na literatura, dados sobre o perfil de morbimortalidade da população brasileira evidenciam a prevalência das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), e informações do Ministério da Saúde (MS)2 destacam que 8 em cada 10 idosos no Brasil são acometidos por, pelo menos, uma DCNT. Como consequência, essas doenças podem levar a incapacidades, ocasionando sofrimentos e custos materiais diretos aos pacientes e suas famílias, além de um importante impacto financeiro sobre o sistema de saúde.3 Dessa maneira, Veras et al. (2013)4 propõem que análises referentes a promoção em saúde, prevenção e retardamento de doenças e fragilidades, manutenção da independência e da autonomia em idosos precisam ser ampliadas. Neste cenário, os autores propõem-se a discutir a sarcopenia, uma das doenças crônicas que se instalam durante o processo de

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CAPÍTULO

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Abordagem Nutricional

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Envelhecimento

envelhecimento e que é responsável por alto grau de dependência, incapacidade, fragilidade e mortalidade. O capítulo será divido em dois momentos: no primeiro, são apresentados conceitos, definições, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento farmacológico desta síndrome geriátrica e, no segundo, uma abordagem do tratamento (não farmacológico) e da profilaxia da sarcopenia, com foco no exercício físico.

Sarcopenia O contexto demográfico e epidemiológico tem despertado o interesse dos pesquisadores em relação às alterações fisiológicas decorrentes do avançar da idade. O envelhecimento é caracterizado por um processo contínuo, durante o qual ocorre redução de diversas funções orgânicas. Um dos sistemas orgânicos afetados pelo envelhecimento é o musculoesquelético, o qual está envolvido em importantes funções corporais, como capacidade de realizar movimentos, contração muscular e locomoção. De acordo com Kamel et al. (2002),5 as alterações no tecido muscular que acompanham o envelhecimento são: ƒƒ Redução da massa muscular e da área de secção transversa. ƒƒ Infiltração de tecido gorduroso e conectivo no músculo. ƒƒ Decréscimo do tamanho e do número de fibras do tipo II. ƒƒ Diminuição do número de fibras do tipo I. ƒƒ Desarranjo dos miofilamentos e das linhas Z dos sarcômeros. ƒƒ Decréscimo do número de unidades motoras. A perda de massa magra, particularmente a massa muscular esquelética, de força e desempenho físico vem sendo cada vez mais reconhecida, pois tem importantes consequências entre os idosos. Esses declínios relacionam-se de modo negativo e significativo com a autonomia dos idosos em realizar as atividades de vida diária, a incapacidade, a fragilidade e a mortalidade. Em um estudo pioneiro, Roubenoff et al.6 atribuem a denominação sarcopenia às alterações na quantidade e na qualidade muscular que acompanham o envelhecimento, terminologia que vem sendo extensamente utilizada no campo científico especializado e abrange uma área de estudo em evidência.

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O envelhecimento é a fase da vida acompanhada de uma série de modificações funcionais, independentemente da raça/etnia, com repercussões sobre o indivíduo, os familiares, o sistema de saúde, a economia e a sociedade, requerendo, portanto, planejamento, sobretudo do ponto de vista das políticas de saúde pública. Um dos sistemas orgânicos afetados pelo avançar da idade é o musculoesquelético. Uma relevante alteração reconhecida é a perda de massa magra e, particularmente, de massa muscular esquelética, com concomitante redução da força muscular.7 Após os 30 anos de idade, aproximadamente 0,5% a 1% da massa muscular diminui por ano em humanos, com aceleração de taxa de declínio após os 65 anos de idade.8 Um estudo realizado por Frontera (2008)9 ressalta que, no período entre 20 e 80 anos de idade, há redução de aproximadamente 30% da massa muscular. Lexell et al. (1983)10 verificaram que as alterações musculoesqueléticas acontecem em virtude da diminuição tanto em tamanho quanto em número das fibras musculares. Contudo, essa associação sobre a existência de perda seletiva de tipos específicos de fibras musculares precisa ser mais bem elucidada. Estudos transversais iniciais demonstraram mudança na composição da fibra muscular, evidenciando maior proporção de fibras do tipo II com o avançar da idade.11 Em 1983,12 os mesmos autores reforçaram a possibilidade de perda preferencial de fibras do tipo II com o aumento da idade, potencialmente a partir do início da idade adulta. Fibras do tipo II demonstram atrofia seletiva (com preservação da área das fibras do tipo I) com o avançar da idade.13,14 Pesquisas apontam associação à redução nas atividades de alta intensidade que recrutam as fibras do tipo II, enquanto as fibras do tipo I são requeridas para a maioria das atividades de vida diária e durante o exercício submáximo (p. ex., caminhada).15,16 O termo sarcopenia tem origem grega (sarco = “músculo” + penia = “deficiência”) e foi utilizado pela primeira vez por Irwin Rosenberg.17 Um estudo realizado por Evans & Campbell (1993)18 descreveu originalmente o conceito, que foi definido por Evans (1995)19 como perda de massa muscular relacionada com a idade. Essa condição é altamente prevalente e pode ter impacto na saúde pública; estima-se que a diminuição de 10,5% na prevalência de sarcopenia pode levar à redução dos custos de saúde em

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O2

Intensidade

Glicolítico lático

Glicolítico alático Tempo

FIGURA 9.1  Contribuição do O2 de acordo com volu-

me e intensidade de atividade física

Fibra muscular I

Ao se trabalhar com as variáveis de intensidade, volume e frequência de treino, não se pode esquecer que existem métodos mais apropriados para controlá-las. Os métodos de treino são extremamente importantes; por meio deles, serão alcançados os níveis desejados das variáveis do treinamento e as adaptações esperadas. Podem ser subdividos em dois grandes grupos: treinamento aeróbio e treinamento anaeróbio.89-91 Deve-se ressaltar que, no idoso, há diminuição da secção transversa dos músculos, não importando o tipo de fibra que os compõe. Essas fibras musculares reagem de acordo com a intensidade do estímulo (Figura 9.2) e respondem com base em suas especificações, seus potenciais e suas capacidades.81,92,93

Fibra muscular IIA

Quando se planeja a estratégia terapêutica para sarcopenia, logo se pensa em um comprimido que irá repor a massa muscular; no entanto, nosso organismo não funciona dessa maneira. Para que não haja diminuição ou perda da massa magra, nosso corpo precisa ser estimulado para que ocorram microlesões no tecido muscular,79,80 desencadeando um processo regenerativo que se denomina hipertrofia muscular.81 Vários estudos vêm sendo desenvolvidos ao longo dos anos, a fim de se entender os procedimentos que podem ser capazes de gerar hipertrofia muscular de modo mais eficiente para combater a sarcopenia em idosos.79,80,82-84 Métodos, dose e resposta sobre exercício físico têm muitas variáveis e suas respostas reagem de acordo com a população-alvo.79,85 Marcadores fisiológicos são gerados em detrimento da prática de atividade física e predizem a intensidade desta;86-88 eles especificam a zona metabólica envolvida naquele momento, caracterizando-a como atividade aeróbia ou anaeróbia, de acordo com a utilização dos substratos energéticos utilizados para repor adenosina trifosfato (ATP), conforme explicado na Figura 9.1.81,89 A intensidade do exercício também revela o volume deste, ou seja, o período durante o qual o metabolismo humano pode sustentar determinada intensidade de uma atividade.81,89 Completando a lista de grandes variáveis do treinamento físico, é necessário avaliar quando se deve realizar a próxima sessão de treino, sem que haja prejuízo às adaptações geradas pela sessão anterior, determinando a frequência de treino.

ATP-CP

Fibra muscular IIB

Tratamento (não farmacológico) e profilaxia

ATP

Intensidade de força

revisão78 com possíveis tratamentos de sarcopenia em idosos. Em relação ao tratamento farmacológico, existem opções terapêuticas como inibidores da enzima conversora da angiotensina (ECA), estatinas, testosterona, desidroepiandrosterona (DHEA), grelina e moduladores de andrógenos sintéticos, tais como moduladores de receptores de andrógeno seletivo (SARM). Diversos estudos têm buscado apresentar melhores opções de fármacos para os pacientes sarcopênicos; no entanto, análises mais abrangentes devem ser realizadas para a utilização destes fármacos no tratamento da sarcopenia em idosos frágeis na prática clínica.

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Tempo

FIGURA 9.2  Resposta das fibras musculares de acor-

do com tipo de fibra, intensidade da força e grau de fatigabilidade

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Capítulo 9  Exercício Físico como Adjuvante no Tratamento da Sarcopenia em Idosos

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Abordagem Nutricional

no

Envelhecimento

Essas diferenças se devem a fatores fisiológicos que respondem ao maior potencial oxidativo das fibras do tipo I, devido à presença da mitocôndria em seu citosol. Nessas fibras, ainda se disponibiliza de um menor grau de excitabilidade pelos potenciais de ação.81,93,94 Tais características fazem com que esse tipo de fibra se manifeste em baixas intensidades de esforço e com baixo grau de fatigabilidade. Assim, elas também são chamadas de fibras musculares de contração lenta, oxidativas e ∕ou vermelhas.90,93 As fibras do tipo II são consideradas fibras rápidas, necessitam de maiores valores de potenciais de ação para que sejam excitadas e apresentam um número reduzido de mitocôndrias em relação às fibras vermelhas.95 Em razão das diferenças metabólicas, as fibras do tipo II dividem-se em dois subgrupos: fibras do tipo IIA, que realizam a hidrólise da glicose, tanto na forma aeróbia quanto na anaeróbia, e fibras do tipo IIB, que somente realizam a hidrólise de substratos energéticos sem a necessidade de oxidação.90,93 Para tratamento e profilaxia da sarcopenia, é importante compreender que as fibras musculares do tipo II têm maior capacidade hipertrófica.96-99

Respostas e adaptações aos treinamentos aeróbio e anaeróbio Qualquer atividade física que o corpo realize requer a quebra da homeostase, fazendo com que nosso organismo reaja em busca deste equilíbrio em todos os sistemas existentes no corpo.92 No entanto, quando se realizam exercícios físicos, estamos realizando uma atividade física de maneira planejada;100 assim, trata-se de uma intervenção pela qual se esperam resultados. Os exercícios aeróbios e anaeróbios devem ser planejados na expectativa de resultados, por meio de adaptações agudas e crônicas.90 As adaptações agudas ocorrem imediatamente ao se iniciar uma seção de atividade física e são responsáveis pela manutenção das funções fisiológicas, de energia e de equilíbrio homeostático do organismo. Assim, fazem com que a atividade executada seja realizada no tempo e na intensidade suportados pelos indivíduos.81,89,92 As adaptações crônicas ocorrem em virtude de uma sequência de adaptações agudas.89,101 Essas adaptações proporcionam modificações que geram respostas capazes de promover melhorias estruturais, metabólicas, psíquicas e sociais, tais como: regulação hormonal, maior controle

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ventilatório, sensação de prazer, maior independência motora, social e psíquica e alívio de dores articulares e musculares.85,102 Com a prescrição de exercícios físicos, priorizando o tratamento ou a prevenção da sarcopenia, deve-se elaborar um programa de treinamento no qual sejam viabilizadas, prioritariamente, as adaptações crônicas que possibilitem o aumento da massa magra e o ganho de força.

Prescrição de treinamento aeróbio para idosos O treinamento aeróbio ou cardiorrespiratório corresponde à capacidade de captação mecânica do O2 e transporte deste para que haja hidrólise por oxidação de substratos energéticos, de modo que a remoção de metabólitos termine em seu próprio ciclo.81,85,89,103 Uma das formas de se mensurar e prescrever esse tipo de exercício é por meio do VO2 máximo, que também está facilmente correlacionado com a frequência cardíaca máxima.104,105 Os métodos de treinamento devem calcular seus estímulos para que não ultrapassem o limiar anaeróbio de cada indivíduo, evitando, assim, que o músculo sofra alterações em seu pH, com fadiga antes do tempo previsto de atividade.106 Dos vários métodos que podem trabalhar abaixo do limiar anaeróbio, destacam-se a caminhada, a hidroginástica e a dança, modalidades que recebem um grande número de praticantes oriundos da faixa etária tida como idosa.85 As adaptações geradas pelo treinamento aeróbio são de inegável importância para melhorar a autonomia do idoso; no entanto, contribuem efetivamente para o bom funcionamento dos sistemas cardiorrespiratório, neuromotor, hormonal e metabólico, não havendo tanta eficiência no declínio ou no retardamento sarcopênico.98,107-110

Prescrição de treinamento anaeróbio para idosos O treinamento anaeróbio é caracterizado pela grande intensidade imposta ao praticante, de modo que os métodos de treino preveem cargas de trabalho acima do limiar anaeróbio, impossibilitando, assim, a execução do exercício por um longo período, pois ocorrerá o acúmulo de metabólitos que irão alterar o pH muscular.81,101 Existem vários parâmetros fisiológicos que possibilitam a prescrição de exercícios anaeróbios; no entanto, as variáveis mais palpáveis para

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A Abdome, 50 Abordagem nutricional - na osteoporose, 67 - na sarcopenia, 96 Ácido(s) - fólico, 52 - graxos - - monoinsaturados (MUFA), 14 - - ômega-3, 15, 78, 98 - - ômega-6, 15 - - poli-insaturados (PUFA), 14 - - saturados (AGS), 14 - - trans, 14 - oxálico, 69 - pantotênico, 17 - úrico, 51 - - sérico, 57 Acidose metabólica, doença renal crônica, 89 Acuidade visual, perda da, 6 Adequação do peso, 37 Adipocinas, 99 Adoçantes, 85 Aferição do peso, 37 Agente(s) - antidiabético, 107 - antineoplásicos, 108 - endócrinos, 107 - hipolipemiantes, 108 - parkinsonianos, 108 Água, 21 Albumina, 53 - sérica, 58 Alimentos - dificuldade em obter ou preparar, 72 - fontes de ferro, 69 - que otimizam a absorção de ferro, 69 Alterações - na composição da saliva, 6

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- no metabolismo mineral, doença renal crônica, 88 Analgésicos, 106 Anemia, 68 - doença renal crônica, 88 - por associação a inflamação e neoplasias, 68 - por deficiência - - de cobre, 68 - - de ferro, 68 - - de folato, 68 - - de vitamina B12, 68 - por insuficiência renal, 68 - por motivos desconhecidos, 68 Anorexia do envelhecimento, 8 Anti-hipertensivos, 107 Antiácidos, 107 Anticoagulantes, 106 Antidepressivos, 107 Antiepiléticos, 106 Antimicrobianos, 107 Apetite, perda de, 71 Área - de gordura do braço, 46 - muscular do braço corrigida, 46 Aspirina, 106 Atividades físicas, prática de, 67 Avaliação - antropométrica, 36 - bioquímica, 47 - da adequação do consumo alimentar, 34 - dietética, 29 - nutricional subjetiva, 56

B Basófilos, 58 Bifosfonatos, 107 Biotina, 17 Bola de Bichat, 49 Braços e mãos, 49

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Abordagem Nutricional

no

Envelhecimento

C

Diário alimentar, 31-33

Cabeça, 49 Cabelos, 49 Cafeína, excesso de 66 Calcâneo, 50 Cálcio, 17, 18, 23 - iônico, 51 - - sérico, 57 Calcitriol, 51 Captopril, 107 Carga glicêmica de alimentos, 83, 84 Caquexia, 95 Carboidratos, 15 - diabetes melito e, 82 Cianocobalamina sérica, 58 Citocinas, 99 Colesterol - dietético, 78 - não HDL, 57 - total(CT), 55, 57 Colestipol, 108 Colestiramina, 108 Comensalismo, 121 Composição nutricional da dieta, estimativa da, 32 Compressão da morbidade, 4 Comprometimento cognitivo, 9 Constipação intestinal, 77 - probióticos, 127 Consumo alimentar - doença renal crônica e, 88 - estratégias para otimizar o, 71 Coração, 9 Cotovelo, 49 Creatinina, 55 Creatinina sérica, 57 Crista ilíaca, 50

Dietas industrializadas, 115 - elementares, 115 - especiais, 115 - líquidas prontas para consumo, 115 - líquidas semiprontas, 115 - modulares, 115 - oligoméricas, 115 - poliméricas, 115 Disfagia, 7 Dislipidemia, 74 - doença renal crônica e, 89 Divertículos, 79 Diverticulose, 79 Dobra(s) cutânea(s), 39 - subescapular, 40 - tricipital, 40 Doença de Alzheimer, 72 Doença diverticular do cólon, 79 - hipertônica, 80 - hipotônica, 80 Doença renal crônica, 85 - fase dialítica, 86 - fase não dialítica, 86 Doenças cerebrovasculares, 99

E Edentulismo, 6 Energia, 71 - desnutrição e, 71 - diabetes melito e, 82 - prevenção de doenças vasculares, 78 Envelhecimento, 1, 66 - alterações esofágicas, 7 - alterações gástricas, 7 - alterações intestinais, 7 - alterações na composição corporal, 8

D

- alterações na fome e na saciedade, 8

Deficiência(s) - de ferro em idosos, 68 - nutricionais, probióticos e, 126 Deglutição, dificuldade de, 72 Delirium, 98 Demência, 98 Densidade mineral óssea, 8 Dentes, 49 Depressão, 99 Desnutrição, 69 - diagnóstico de, 70 - energético-proteica, doença renal crônica, 88 - sintomas mais frequentes de, 70 - tratamento da, 70 Diabetes melito, 81 - doença renal crônica, 89 - micronutrientes e, 84 - tipo 2, planejamento dietético no, 82 Diálise, 87

- alterações na percepção sensorial, 5

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- alterações nas funções dos órgãos, 9 - alterações orais, 6 - ativo, 4 - bem-sucedido, 4 - fisiologia do, 4 - processo biológico do, 4 Eosinófilos, 58 Escala Bristol do formato das fezes, 80 Estatura, 38 - estimada, 38 Exame físico, 47 Expectativa de vida - ao nascer, 4 - ativa, 4 - no Brasil, 2

F Face, 49

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Fatores nutricionais, 66 Fenitoína, 106, 107 Ferritina, 52 - sérica, 58 Ferro, 17, 20, 23 Fibras, 15, 17, 78 - diabetes melito, 82 Fígado, 9 Fitosteróis, 78 Fluoroquinolonas, 107 Folato, 17, 52 - sérico, 58 Fórmulas, 114 - artesanais/caseiras/semiartesanais, 114 - industrializadas, 114 Fósforo, 52 - sérico, 57 Fragilidade, 95 Furosemida, 107

Imunomodulação, 125 Índice de massa corporal, 39 Índice glicêmico (IG), 82-84 Infusão - contínua, 114 - em bólus, 114 - gravitacional intermitente, 114 Ingestão - adequada (AI), 11 - diária recomendada (RDA), 11 - dietética de referência (DRI), 11 Inibidores da MAO2, 107 Inquéritos alimentares, 29 Insulina, 54 - sérica de jejum, 57 Integridade epitelial, 50 Interações fármaco-nutriente, 106 Iodo, 17 Isolamento social e depressão, 72

G

J

Gastrostomia, 113 Gengivas, 49 Glândulas salivares, 49 Glicemia de jejum, 54, 57 Gordura(s) - corporal, 8 - monoinsaturadas, 78 - saturadas, 78 - trans, 78 Gotejamento, 114 Guias alimentares para idosos, 22

Jejunostomia, 113

H Habilidade na condução, perda da, 6 Hemácias, 57 Hematócrito, 57 Hemoglobina, 57 - glicada, 55, 57 Hemograma, 53 Hidratação, 71 Hidroclorotiazida, 107 Hiperinsulinemia, 99 Hipertensão arterial - doença renal crônica e, 88 - sistêmica, 72 Hiponatremia, 21 Hipotireoidismo, 107 Hormônios gastrintestinais, 8 - anorexígenos, 8 - orexígenos, 8

I Ibuprofeno, 106 Idade - biológica, 4 - cronológica, 4

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L Lábios, 49 Laxativos, 108 Leucócitos totais, 58 Levodopa + carbidopa, 108 Levotiroxina, 107 Linfócitos, 58 - contagem total de, 58 Língua, 49 Lipídios, 14, 78 - diabetes melito e, 84 Lipidograma, 55 Lipoproteína - de alta densidade (HDL), 55, 57 - de baixa densidade (LDL), 55, 57 Locomoção, dificuldade de, 72 Longevidade saudável, 4

M Macronutrientes, recomendações de, 13 Magnésio, 21 Maléolo lateral, 50 Mastigação, problemas com a, 72 Membros - inferiores, 50 - superiores, 49 Metformina, 107 Metotrexato, 108 Microbiota intestinal, 121 - aquisição e fatores associados, 122 - modificações na composição associadas à idade, 123 - modulação da composição pela alimentação, 124 Micronutrientes, recomendações de, 16 Miniavaliação Nutricional (MAN), 56, 58

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Abordagem Nutricional

no

Envelhecimento

Monócitos, 58 Mucosa bucal, 49 Mudanças no estilo de vida – Doença renal crônica (DRC), 89 Musculatura(s) - da fúrcula esternal, supra e infraclavicular, 49 - intercostais, 49 - paravertebrais, 50 - temporomandibular, 49 MyPlate, 22, 24-25 MyPyramid, 22-25

Pirâmide alimentar da dieta mediterrânea, 78 Planejamento da dieta, 71 Plaquetas, 58 Pó, 115 Polifarmácia, 103 - e efeitos adversos, 104 - e estado nutricional, 104 População idosa, crescimento da, 1, 2 Potássio, 21 Pré-albumina, 53, 58 Prebióticos, 125 Probióticos, 125

N

Produtos finais de glicação avançada (AGE), 99

Necessidade - energética estimada (NEE), 12 - média estimada (EAR), 11 Neutrófilos, 58 Niacina, 17 Nível máximo de ingestão tolerável (UL), 11 Nutrientes antioxidantes, 98

Propanolol, 107 Proteínas, 13, 71 - diabetes melito e, 84 - sarcopenia e, 96 Proteinúria, doença renal crônica, 88 Protrombina, 53

R O

Ranitidina, 107

Obesidade sarcopênica, 8, 96 Olfato, perda do, 6 Olhos, 49 Ombros, 49 Omeprazol, 107 Osteoporose, 66, 65 - fatores de risco para, 66 - prevenção e tratamento da, 107 - probióticos e, 127 Ostomias, 113

Razão cintura-estatura, 46

P

S

Paladar, perda do, 6 Paracetamol, 106 Patogenicidade, 121 Peixes, 78 Pele, 9, 50 Pelve anterior, posterior e lateral, 50 Penicilina, 107 Percepção - gustativa, 6 - olfatória, 6 Perímetro - da cintura, 46 - da panturrilha, 47 - do braço, 42 - muscular do braço, 42 Pernas e pés, 50 Pescoço, 49 Peso, 37 - estimado, 38 - ideal ou desejável, 37 - - para amputados, 37 - perda de, 38 Pessoa idosa, 1

Sarcopenia, 95, 134, 137

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Recordatório 24h, 29, 30, 32 Região - de ísquio (nádegas), 50 - do trocanter, 50 - occipital, 49 - sacral, 50 - subescapular, 50 Registro alimentar, 31-33 Riboflavina, 17

- abordagem nutricional na, 96 - definição de, 135 - estágios da, 135, 136 - prescrição de treinamento - - aeróbio, 138 - - anaeróbio, 138 - - respostas e adaptações ao, 138 - prevalência de, 135 - primária, 136 - profilaxia, 137 - secundária, 136 - tratamento, 137 Saúde - oral adequada, 6 - óssea, probióticos e, 127 Selênio, 17, 23 Sensorial, perda, 6 Sexo feminino e genética e história familiar, 66 Simbiose, 121 Simbióticos, 125 Síndrome - da realimentação, 71

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- de secreção inapropriada de hormônio antidiurético (SIADH), 21 Sinvastatina, 108 Sobrepeso/obesidade, doença renal crônica e, 88 Sódio, 17, 21 Sondas nasogástricas e nasoentéricas, 113 Suplementação de nutrientes para idosos, 22

T Tabagismo, 66 Taxa de filtração glomerular, 58 Tecido subcutâneo, 50 Técnica para aferição - da altura do joelho, 39 - da dobra cutânea subescapular, 42 - da dobra cutânea tricipital, 40 - da envergadura dos braços, 39 - da estatura, 38 - do perímetro da cintura, 46 - do perímetro do braço, 42 - do peso, 37 - do PP, 47 Tempo de protrombina, 63, 57 Tempo de Quick, 53 Teoria(s) - da Longevidade Programada, 5 - das Ligações Cruzadas, 5 - de Dano Biomolecular, 4 - de Envelhecimento Programado, 4 - do Desgaste pelo Uso, 5 - do Envelhecimento de Hayflik, 5 - do Envelhecimento Endócrino, 5 - do Envelhecimento Imunológico, 5 - do Radical Livre, 5 Terapia nutricional enteral domiciliar, 111 - administração noturna, 114 - complicações, 116 - cuidados gerais, 115 - indicação, 112 - legislação, 116 - métodos de administração, 114 - sistemas de administração, 115

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- vias de acesso, 112 Terapia renal substitutiva, 86 Teste de tolerância oral à glicose, 54, 57 Tetraciclinas, 107 Tiamina, 17 TMB (taxa metabólica basal), 5 Tórax, 49 Treinamento - aeróbio, 138 - anaeróbio, 138 - cardiorrespiratório, 138 Triglicerídios (TG), 55, 57

U Unhas, 50 Urato, 51 Ureia, 55 - sérica, 57 Uso crônico de álcool, 66 Uso de medicamentos, 103 Uso excessivo de álcool e cafeína, 66

V Varfarina, 106 Vitamina(s) - A, 17, 18 - B6, 17, 23 - B12, 17, 23, 52 - C, 16, 23 - D, 17, 18, 23, 51 - - sarcopenia e, 97 - E, 17 - K, 17, 18 - do complexo B, 16

X Xerostomia, 6, 7

Z Zinco, 17, 20, 23, 52 - sérico, 58

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Mestre e Doutora em Ciência da Nutrição da Universidade Federal de Viçosa (UFV), MG.

Atualmente, a nutrição do idoso é assunto de destaque devido às crescentes taxas de envelhecimento populacional no Brasil e no mundo. Por isso, Abordagem Nutricional no Envelhecimento tem por objetivo tratar de diversos aspectos referentes ao tema desde as alterações fisiológicas até as principais doenças geriátricas. Assim, discorre-se sobre tópicos que auxiliarão na avaliação e no planejamento dietético, como a microbiota de idosos e a atividade física na sarcopenia. Concebida pelas professoras Maria Sônia Lopes Duarte, Fabiane Apa-

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tricionistas, promovendo uma visão mais completa e aprofundada do idoso, além de qualidade de vida dessa população.

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