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GIANECCHINI ADIA TRANSPLANTE PARA JANEIRO

LUCIANA GIMENEZ VIRA SOLDADO DO EXÉRCITO POR UM DIA

O PRÊMIO DO ANO

A emoção de Lilia Cabral ao receber o troféu de Istoé Gente das mãos da presidente Dilma • Cauã Reymond anuncia na festa que será pai de uma menina • Deborah Secco, Fabio Assunção e todo o agito da premiação NA TERÇA-FEIRA 6, A PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF DIVIDE O PALCO COM PEDRO LOURENÇO, CAUÃ REYMOND, LILIA CABRAL, FABIO ASSUNÇÃO, DEBORAH SECCO E ANDERSON SILVA

00/NON/2011 19/DEZ/2011

II SS SS NN

11 55 11 66 -- 88 22 00 44

ANO 13 12 N° 640 000

R$ 9,90

99 77 77 11 55 11 66

88 22 00 00 00 00

00 00 66 43 09

NOVO FORMATO E UM NOVO PROJETO GRÁFICO. IstoÉ Gente, mais aindasofi mais sticada, sofisticada mais moderna


Especial premiação

Lilia, Dilma

E AS GRISELDAS DO BRASIL

Na entrega do prêmio Personalidade do Ano, de IstoÉ Gente, a atriz Lilia Cabral se emociona ao receber a homenagem por seu destaque na tevê das mãos da presidente Dilma Rousseff, premiada na mesma noite Brasileira do Ano, pela revista IstoÉ POR AINA PINTO

Sob olhar do anfitrião Caco Alzugaray, presidente executivo da Editora Três (à dir.), Lilia recebe o troféu da presidente e é aplaudida por Dilma. A cerimônia anual celebra os prêmios Personalidade do Ano, de IstoÉ Gente, Brasileiro do Ano, de IstoÉ, e Empreendedor do Ano, de IstoÉ Dinheiro. O palco reuniu autoridades, artistas e empresários


• Era quase 21h quando os homenageados da noite que premiou os 15 melhores de 2011 pelas revistas IstoÉ, Dinheiro e Gente começaram a ocupar o palco do Credicard Hall, em São Paulo. A presidente Dilma Rousseff, que receberia o prêmio Brasileiro do Ano por IstoÉ na mesma cerimônia, e a atriz Lilia Cabral, Personalidade do Ano na Televisão por Gente, sentaram-se em suas poltronas e continuaram o animado papo que haviam começado na sala vip. O assunto? De comadres! “Falamos de novela! Ela assiste!”, disse a atriz. Foi a presidente, sua admiradora confessa, quem fez o pedido para entregar o troféu a Lilia, dias antes da premiação.

No palco, a atriz conversou com os ministros Fernando Pimentel e Guido Mantega

O papel dela em Fina Estampa foi citado também no discurso de agradecimento de ambas. “Não sei se eu choro, mas é uma emoção muito grande estar aqui. Primeiro por receber esse prêmio das mãos de Dilma, que conhece as Griseldas deste País mais do que ninguém”, disse a artista, após fazer reverência e abrir os braços para receber o abraço da presidente. “Tenho de agradecer aos meus amigos, minha família, marido e principalmente ao Aguinaldo Silva, que teve a coragem de me dar esse personagem tão brilhante. Griselda será inesquecível porque existe nas casas, nos lares brasileiros (...). Nós conhecemos todas as Griseldas e espero que tenham o mesmo futuro da minha, que ganhem na loteria também”, brincou Lilia. Dilma retribuiu o carinho em seu discurso e foi aplaudida de pé: “Dedico esse prêmio aos 190 milhões de brasileiros e brasileiras que carregam este País nas costas. É graças ao povo que chegamos até aqui. Como disse a Lilia Cabral: graças às Griseldas e aos Griseldos deste País”. •


Especial premiação

‘‘Dedico este prêmio aos 190 milhões de brasileiros e brasileiras que carregam este País nas costas. É graças ao povo que chegamos até aqui. Como disse a Lilia Cabral: graças às Griseldas e aos Griseldos deste País’’ Dilma Rousseff

A sequência em que Lilia reverencia e recebe o abraço de Dilma: “Griseldas e Griseldos do País” homenageados


Especial premiação

‘‘É uma emoção muito grande estar aqui primeiro por receber este prêmio das mãos de Dilma, que conhece as Griseldas deste País mais do que ninguém’’ Lilia Cabral, atriz

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‘‘Tenho de agradecer aos meus amigos, à minha família, marido e principalmente ao Aguinaldo Silva, que teve a coragem de me dar esse personagem tão brilhante’’


Um ano

BOM

A indicação ao Emmy Internacional, a volta à tevê e a bemsucedida peça Adultérios credenciaram Fabio Assunção ao prêmio Personalidade do Ano de Gente. Eufórico, ele dedicou o prêmio aos filhos João e Ella Felipa POR SIMONE BLANES


Especial premiação

‘‘Fiz uma peça maravilhosa, entrei em um programa muito bacana, o Corinthians foi campeão, e nasceu minha filha linda, a Ella Felipa. Então, receber este prêmio foi muito importante para mim’’ Fabio Assunção, ator

Fabio Assunção agradeceu à IstoÉ Gente pelo reconhecimento do trabalho. “Ainda mais porque a revista tem uma linha editorial tão bacana”, elogiou


Especial premiação

O ator com a mulher, Karina, e abaixo, com o governador da Bahia, Jaques Wagner, que lhe entregou o troféu

‘‘Foi genial. Eu fui ao estádio com o João (ver o jogo do Corinthians) e o fato é que somos pentacampeões Vão ter que engolir’’

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• Ao descer do palco da premiação, às 22h30 da terça-feira 6, Fabio Assunção não conseguia conter a felicidade. “Foi uma emoção maravilhosa”, dizia eufórico com o prêmio que acabava de receber – o de Personalidade do Ano. No trajeto para a mesa do jantar, onde a mulher Karina Tavares, o sogro Luís Felipe, a empresária Patrícia Casé e a assessora Fabiana Oliva, o aguardavam, o ator parou dezenas de vezes para dar autógrafos e posar para fotos. Era o termômetro de sua popularidade em um ano realmente especial em sua carreira. “Este ano foi um ano de muitas realizações. Fiz uma peça maravilhosa, entrei em um programa muito bacana, o Corinthians foi campeão, e nasceu minha filha linda, a Ella Felipa. Então, receber esse prêmio foi muito importante para mim. Para coroar este ano tão iluminado”, resumia ele. Em seu discurso, Fabio – que dedicou o prêmio aos filhos Ella e João, de seu casamento com a empresária Priscila Borgonovi – citou ainda a disputa pelo Emmy Internacional pelo personagem que fez na série Dalva&Herivelto, ao lado de Adriana Esteves, no início de 2010. O prêmio de Gente foi festejado também pela mulher dele, Karina. A publicitária revelou que a ideia é continuar comemorando nas férias. “Estávamos agora no carro falando que esse prêmio é para o Fabio fechar o ano com chave de ouro. Hoje é o último evento dele antes de sair de férias. Agora é só descansar e curtir a homenagem em Itacaré, na Bahia, onde passaremos o Réveillon.”

• Ano-Novo

• Depois da temporada em praias baianas, Fabio volta ao batente no teatro. Sua bem-sucedida peça, Adultérios, retorna a São Paulo no dia 20 de janeiro. Depois, deve excursionar por capitais brasileiras e termina o semestre no Rio. O seriado Tapas&Beijos também terá nova temporada. De quebra, Fabio pretende dirigir sua primeira montagem nos palcos, com um texto americano. Antes de tudo isso, porém, o ator terá um papel importante no próximo Carnaval de São Paulo: vai desfilar pela escola de samba Gaviões da Fiel, que homenageará Lula em 2012. “Farei o chofer do carro do Lula no dia da posse dele”, antecipou. Corintiano fanático, ele contou ainda que foi até o estádio do Pacaembu, na capital paulista, para torcer pelo time no domingo 3, quando a equipe se sagrou pentacampeã brasileira. “Foi genial. Eu fui ao estádio com o João e o fato é que somos pentacampeões. Vão ter que engolir”, zombou. •


Só deu

ELA!

Deborah Secco brilhou no cinema, na tevê, no teatro e também no palco do prêmio Personalidade do Ano, onde foi homenageada e agradeceu ao marido, Roger Flores

POR BRUNA fURlAN e BRUNA NARCIZO


Especial premiação

‘‘Dilma disse: ‘Você divertiu as minhas noites este ano. Era a pessoa que eu mais queria encontrar aqui’. Realmente não têm palavras que definam o que estou sentindo” Deborah Secco

• Elegante em um conjunto de saia e blusa pretos e os cabelos presos em um coque clássico, Deborah Secco chegou com o marido, Roger Flores, ao Credicard Hall para receber o prêmio Personalidade do Ano na Dramaturgia. Em 2011, ela brilhou na tevê, como Natalie Lamour, de Insensato Coração, no cinema, como Bruna Surfistinha, e no teatro, com a peça Mais Uma Vez Amor. Em seu discurso, ela mencionou Roger, com quem trocou olhares enquanto estava no palco. “Queria agradecer muito à minha família, em especial ao meu marido, que está aqui, por ter suportado tamanha ausência que a minha profissão exige”, disse. Confira o bate-papo com a atriz nos bastidores: • Como foi para você receber este prêmio? • Debora. Atuar é a única coisa que sei fazer na vida e faço com o maior amor do mundo. Este ano foi iluminado, tive grandes personagens. Ser reconhecida por isso, depois de tamanho trabalho, tamanho sacrifício, é uma emoção. Poder acordar de manhã e ler no jornal uma declaração da Dilma (Rousseff ) de que assistia à novela para ver a Natalie... E hoje ela reforçou isso. Disse: ‘Você divertiu as minhas noites este ano. Era a pessoa que eu mais queria encontrar aqui’. Realmente não têm palavras que definam o que estou sentindo. • Você já está escalada para o seriado Louco Por Elas. Mais algum novo projeto para 2012? • Este é um superprojeto para mim, com direção do João Falcão e da Flávia Lacerda. Poder trabalhar com eles é um privilégio. Eu falo que um especial, um programa semanal, é a cereja do bolo na TV Globo, a gente consegue trabalhar com mais tempo, não é aquela loucura de fazer novela. E tem o Confissões de Adolescente, que faz parte da minha história, foi onde comecei. A gente vai fazer virar filme e será um dos momentos mais emocionantes da minha carreira.

Com um longo preto e uma vertiginosa fenda, a atriz foi aplaudida e admirada por sua beleza pela plateia e pelos homenageados no palco

• Acredita que neste ano você teve uma superexposição na mídia? Pretende descansar um pouco em 2012? • A novela terminou no meio do ano, e a série estreia em abril. Então, vou ficar quase um ano fora do ar. Acho que precisava desse descanso de imagem e ele aconteceu. Agora, descanso interno para criar um novo personagem, não teve. Já estou fazendo a série. Mas confio tanto no João Falcão como diretor que ele supre essa falta de tempo. • 19/12/2011

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Com o marido, o jogador Roger Flores, que foi buscá-la no salão. O vestido de rendas, paetês e fendas (à dir.) foi sucesso no prêmio

Marcos Proença (acima) e a estilista Lethicia Bronstein dão os últimos retoques na produção de Deborah antes do prêmio

Como Deborah virou a musa da festa O cabeleireiro Marcos Proença e a estilista Lethicia Bronstein foram os responsáveis pelo visual inesquecível da atriz O beauty stylist cuidou do visual: “Fiz um coque com brilho para dar um ar sofisticado”, explicou Proença. Já a estilista ajustava o belíssimo vestido. “Ele tem renda francesa Chantily em cima, paetês e bordados, e uma generosa fenda na coxa esquerda.” O resultado? “Uau!”, exclamou Deborah ao sair do salão para ser aplaudida na noite do prêmio.


Especial premiação

“Atuar é a única coisa que sei fazer na vida e faço com o maior amor do mundo. Este ano foi iluminado, tive grandes personagens’’ Deborah Secco, atriz

Recordista de bilheteria no cinema com Bruna Surfistinha e responsável pelos picos de audiência de Insensato Coração: aplausos merecidos para Deborah


O príncipe dO cinema Cauã Reymond, que foi visto em três filmes diferentes este ano, foi homenageado por sua performance nas telonas e, prestes a estrear no papel de pai, ouviu dicas do colega Fabio Assunção e do lutador Anderson Silva POR thaís botelho


Especial premiação

‘‘Sou o mais jovem entre os homenageados, fico surpreso com isso. Estou crescendo rápido’’

• Cauã Reymond parecia tão seguro ao receber o prêmio de Personalidade do Ano no Cinema que se deu ao direito de brincar com a vaidade da colega Deborah Secco e da presidente Dilma Rousseff. Como chegou atrasado, fez um discurso rápido e bem-humorado, dizendo que havia levado mais tempo que as duas para se arrumar. O ator, na verdade, tinha acabado de chegar do Rio e voltaria para a cidade no dia seguinte. “Foram três filmes e uma novela. Classifico como um dos melhores e mais produtivos anos da minha vida”, disse. “O Fabio (Assunção) fez um trabalho fenomenal. A Lilia (Cabral) nem se fala. Todos os que estão aqui merecem. E sou o mais jovem entre eles, fico surpreso com isso. Estou crescendo rápido”, considera Cauã, que a partir de 17 de fevereiro estará nas telas de cinema em Reis e Ratos, que também tem Selton Mello e Rodrigo Santoro no elenco. Cauã, em breve, também começa a gravar Avenida Brasil, próxima novela das 21h da Globo, ao mesmo tempo em que cuida dos preparativos para a chegada da primeira filha com Grazi Massafera – que não o acompanhou porque está gravando Aquele Beijo. “Ela vai nascer no meio da novela. Fico preocupado porque estarei trabalhando muito”, contou ele, que aproveitou o encontro na festa de premiação para pegar algumas dicas com outros pais. “Conversei com o Fábio (Assunção) e com o Anderson Silva. Eles disseram que as meninas são muito apegadas aos pais.” •

“Ela vai nascer no meio da novela. Fico preocupado porque estarei trabalhando muito”, conta o ator sobre a filha


Especial premiação

Papo com

a Presidente

Pedro Lourenço, o melhor da moda em 2011, pede a Dilma Rousseff mais atenção ao setor têxtil e ouve promessa da presidente POR bianca Zaramella

“Dilma tem uma energia incrível. Adorei poder conhecê-la” Pedro Lourenço, estilista

O estilista em noite de consagração no Credicard Hall: elogios e conversa engajada com Dilma (abaixo, observados pelo ministro da fazenda, Guido Mantega)

• Tão logo recebera seu troféu como Personalidade do ano da Moda, o estilista Pedro Lourenço ficou ansioso por poder conhecer a presidente Dilma Rousseff pessoalmente. E foi o que aconteceu, ainda no palco, quando Dilma falou com todos os demais homenageados da noite. “Ela tem uma energia incrível. Adorei poder conhecê-la”, disse Pedro. Na rápida conversa que teve, o jovem de 21 anos reiterou sua preocupação com os impostos na cadeia produtiva do setor têxtil, tema do seu discurso de agradecimento. No papo, Dilma sorriu e respondeu: “Fica tranquilo que estou cuidando de tudo. A indústria da moda vai bombar”, contou ele, que se tornou o mais novo fã de Dilma. “Ela é uma 19/12/2011

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mulher de personalidade muito forte e independente, como as mulheres que imagino para a minha marca. Dilma estava muito elegante”, disse ele, que assumiu uma vontade de ser seu estilista oficial no futuro.

• Emoção

• Na plateia, os pais de Pedro, os estilistas Reinaldo Lourenço e Gloria Coelho, eram só orgulho. “É ótimo vê-lo tão seguro e reconhecido pelo seu trabalho na moda. Depois de todo o sucesso lá fora é bom ser reconhecido e ganhar prêmios no próprio país”, disse Gloria. Lilia Cabral também não se privou em elogiar a carreira do rapaz. “Você é muito talentoso menino!”, brincou a atriz. •


Diversão & Arte

arte • cinema • gastronomia • livros • música • teatro • televisão

AVALIA: ★★★★★ INDISPENSÁVEL ★★★★ MUITO BOM ★★★ BOM ★★ REGULAR ★ FRACO

MÚSICA •

BETH CARVALHO

COM O BLOCO DE VOLTA À RUA

Em recuperação de um problema de saúde, a cantora lança seu primeiro disco de inéditas em 15 anos, lamenta o que chama de “mediocrização” da música e celebra as pazes com sua escola, a Mangueira Mauro Ferreira

• Sem lançar um disco de inéditas desde Brasileira da Gema (1996), Beth Carvalho repõe seu bloco na avenida com o CD Nosso Samba Tá na Rua. O álbum representa a superação do grave problema de saúde que prendeu Beth a uma cama por mais de um ano. Nesta entrevista à Gente, a Madrinha do Samba (como é chamada pelos colegas) conceitua o disco, lembra o período mais difícil e celebra as pazes com a Mangueira, que de forma indireta a homenageia no Carnaval de 2012 ao desfilar com enredo sobre os 50 anos do bloco Cacique de Ramos.

Washington Possato

A CANTORA DIZ QUE O SAMBA “TÔ FELIZ DEMAIS” REFLETE SEU ATUAL ESTADO DE ESPÍRITO

• A sra. teve um grave problema de saúde. O que aconteceu, afinal? • Tive de fazer uma operação na coluna, tirar quatro vértebras. Não foi uma operação simples, mas foi bem-sucedida. Eu estava bem e ia fazer o show do Réveillon carioca de 2009. Aí, um dia, andando em casa, eu senti uma dor inenarrável. Eu tinha fissurado o sacro (osso situado na base da coluna vertebral). Fiquei meses de cama, porque não é possível engessar o sacro. A única saída é deitar para que o osso se consolide. Só que o meu osso não se consolidou e eu tive de fazer outra operação. Comecei a me recuperar quando fui operada com uma técnica indiana. Botei dois parafusos, um de 15


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• Foi durante o repouso forçado que o Zeca Pagodinho lhe deu um rosário verde e rosa, com as cores da Mangueira? • Sim, foi. No Natal de 2009 eu já estava de cama. Nesse longo tempo em que fiquei de repouso, recebi visitas diárias de amigos. Numa das vezes em que o Zeca veio, ele me trouxe o rosário verde e rosa e me disse que eu ia ficar boa. É raríssimo encontrar uma imagem de Nossa Senhora com as cores da Mangueira. E eu segui meu tratamento até poder sair da cama. É horrorosa a sensação de um dia pisar o chão e não conseguir mais dar um passo. É desesperador porque a sensação é a de que você nunca mais vai andar. • Foi nessa época que começou a pesquisa de repertório? • Sim. Já me afligia ver a quantidade de fitas cassete que acumulei em 46 anos de carreira. Nunca tive coragem de jogar nada fora porque tenho cabeça de pesquisador. Sou uma intérprete, dependo dos compositores. E resolvi digitalizar esse acervo. Chamei meu amigo Paulinho Bicolor, músico, para essa tarefa de digitalização. Aí eu comecei a ouvir tudo aquilo. Só que, desse acervo, acabei somente aproveitando no disco o “Palavras Malditas”, um samba raro do Nelson Cavaquinho com o Guilherme de Brito, que só tinha sido gravado uma única vez, em 1957, pelo Ary Cordovil. Tenho a gravação do Nelson cantando esse samba para mim! • Como montou o repertório do disco então? • Estava com um monte de sambas inéditos comigo. Quis falar de temas como o amor, o próprio samba, a negritude, o feminismo, a Mangueira. Quis ter um samba de bloco como o “Chega”, porque ninguém mais grava

‘‘É desesperadora a sensação de um dia pisar o chão e não conseguir mais dar um passo” música para o Carnaval. E consegui ter tudo isso no disco. E tem um bonito samba do Edinho do Samba, “Tô Feliz Demais”, que eu quis gravar porque ele já diz no título qual é o meu estado de espírito atual. • Como avalia a supremacia do pagode pop nas paradas em detrimento do samba mais tradicional? • Apareceu uma geração de autores e cantores de muita representatividade no samba tradicional. Moyseis Marques, Teresa Cristina, Pedro Miranda, Mariana Baltar, Casuarina... Tem a Mariene de Castro, minha afilhada da Bahia. Só que tem forças de fora querendo dominar o Brasil através da diminuição da qualidade da nossa música. Quando um povo quer dominar outro, ele destrói sua cultura. Toda a música brasileira vem do samba, do baião ou do sertanejo. Meu primeiro sucesso, “Andança”, é uma toada, que vem do sertanejo. Esse tripé básico da MPB foi atingido. Tem forró universitário, esse pagode pop, sertanejo universitário... Estão mediocrizando a música brasileira. Estão forçando a barra para acabar com os valores musicais do nosso povo. • Vai desfilar na Mangueira? • Sim, devo vir na comissão de frente. Estou feliz porque fiz as pazes com a minha escola (a cantora foi impedida de desfilar em 2007 por desentendimentos com a antiga diretoria). O primeiro ato do Ivo Meirelles foi pedir desculpas a mim em nome da comunidade quando assumiu a presidência. Estou me sentindo homenageada com o enredo do Carnaval de 2012. O enredo é “Vou Festejar, Sou Cacique, Sou Mangueira”. Quem será essa pessoa? (risos).

trilha

Na trilha refinada de Woody Allen Sai no Brasil coletânea dupla produzida na França com 36 músicas usadas pelo cineasta em seus filmes Divulgação

centímetros e outro de 14. Esses parafusos resolveram a questão. Agora eu ando e brinco dizendo que, além de interplanetária, eu sou biônica (Beth se refere ao fato de que, em 1997, uma gravação do samba “Coisinha do Pai” foi usada pela Nasa para acordar um robô em Marte).

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TUDO PODE DAR CERTO, DE 2009, TEM “DESAFINADO” NA TRILHA

Em 1978, quando seu filme Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977) abocanhou quatro prêmios no Oscar, Woody Allen não estava presente porque preferira tocar clarinete num pub. Devoto do jazz tradicional, o cineasta sempre pôs sua marca autoral nas trilhas sonoras. Lançada este mês no Brasil, a coletânea dupla Woody Allen & La Musique – De Manhattan à Midnight in Paris junta 36 gravações usadas pelo diretor em seus filmes, do período 19792011. As 36 gravações priorizam o jazz, mas, mesmo quando enveredam por outros ritmos, primam pela unidade estética. O Brasil está duplamente representado. “Desafinado”, em registro de Stan Getz e Charlie Byrd, foi usada por Allen em Tudo Pode Dar Certo (2009). “South American Way”, tema de A Era do Rádio (1987), está na voz de Carmen Miranda. (M.F.)


G

ata borralheira A trajetória de Loris Kraemerh, a menina rica que perdeu tudo, morou na favela e sofreu violência doméstica até se tornar uma top internacional

POR Simone BlaneS fOtOs RichaRd machado stylist anna KatSaniS


Vestido, sapatos e bolsa Salvatore Ferragamo, luvas Louis Vuitton e pulseira Pamela Love

Ensaio

Longos cabelos loiros, olhos verdes e corpo impecável. A menina que perdeu tudo por conta do alcolismo do pai ganhou o mundo: “Hoje sou feliz”


• Uma menina linda, de origem humilde, descoberta por acaso pelo mundo da moda. Resumir a história da brasileira Loris Kraemerh assim, como acontece com a maioria das modelos, seria uma simplificação extrema diante do drama pessoal vivido pela top até conquistar as capas das revistas e os editorias de moda mundo afora – como este ensaio feito em Nova York. As dificuldades começaram cedo para Loris, de 19 anos. Ela nasceu prematura depois que sua mãe, então com 15 anos, se sentiu mal em pleno voo de um helicóptero pilotado por seu pai. “Minha mãe era muito nova e não sabia que estava grávida. Meu pai pousou às pressas e nasci em um hospital de Sorocaba (interior de São Paulo), aos cinco meses e meio”, conta à Gente. A bebê, claro, tinha poucas chances de sobrevivência, mas depois de três meses na incubadora, recebeu alta sem nenhuma sequela. Passado o susto, ela teve uma vida confortável, cheia de brinquedos, viagens e estudando em uma excelente escola. Até os 9 anos de idade. Ironia do destino, o pai perdeu o emprego e se perdeu na bebida. Começavam as incontáveis cenas de violência doméstica. “O alcoolismo do meu pai estragou tudo. E a minha mãe não era fácil, ela me batia muito”, diz a modelo que, além de encarar a separação dos pais, teve de se acostumar a uma vida diferente, em uma favela na capital paulista. “Minha mãe estava grávida de 9 meses e nos mudamos com a roupa do corpo. Lembro que eu trouxe uma (boneca) Barbie escondida. Não tínhamos o que comer e presenciei desde pessoas sendo mortas até venda de drogas na favela. Não podíamos nem abrir as janelas de casa”, relembra. Sendo a filha mais velha, Loris teve de trabalhar ainda criança para ajudar no sustento da família. “Comecei como estoquista de loja. Como não aparentava meus 9 anos por causa da minha altura, consegui o emprego.” Ela caminhava às 5h da madrugada, nove quilômetros para comer a merenda da escola

pública e voltava tarde todas as noites. O alento era dado pelas tias da modelo, que muitas vezes entravam à força na casa para salvá-la, e aos irmãos, das surras da mãe. O padrasto, com 21 anos na época, também defendia as crianças. “Hoje em dia tenho dois pais que eu amo muito”, afirma a top, que no mês de agosto reencontrou seu pai biológico depois de 11 anos. Ela conta como tudo aconteceu: “Procurei meu pai em todas as redes sociais da internet. Um dia, minha avó me achou na lista de contatos dele e escreveu: ‘Não sei se você é a minha neta. Se for, a vó está morrendo de saudades’”. O encontro, depois da Semana de Moda de Nova York, foi emocionante. “Conversei com meu pai, entendi que ele fez tudo aquilo porque estava doente e o perdoei”, relata. Com a mãe, Loris ainda tem uma relação conturbada. “Ela me expulsou de casa e tem muitos problemas psicológicos. Mas não a culpo, embora seja difícil esquecer todas as surras que eu levei”, desabafa.

• Novos ares

• Aos 15 anos, a sorte da adolescente virou quando ela entrou em um processo seletivo para modelos. “Nunca foi um sonho. Mas minha mãe estava desempregada, meu padrasto era caminhoneiro e quando vi que não tinha comida em casa... Fui a única escolhida pelo olheiro e, quatro dias depois, já estava trabalhando”, conta. Com o tempo e o trabalho, Loris conquistou a capa da Vogue Itália e deslanchou. “Hoje me sustento, comprei meu apartamento em Nova York e sou feliz como modelo. Tenho muitas amigas que eu amo. Gostamos de ir ao Farofa, um bar brasileiro em Nova York, onde tomamos caipirinha e comemos pão de queijo”, diverte-se. Dona de longos cabelos loiros, olhos verdes e corpo impecável, nutre um sonho de menina para o futuro: “Quero viver um grande amor e ser mãe. Vou tratar meus filhos com respeito, como eu gostaria de ter sido tratada”. •

veja mais fotos no site WWW.ISTOEGENTE.COM.BR

CabelO • Elsa CanEdo MaquiageM • MykEl REnnER paRa MaC ManiCuRe • ViRginia BoRini assistente de fOtOgRafia • ChaRliE EngMan assistente de styling • ashE daVis VídeO (nO site) • MilEs adgatE

‘‘Não tínhamos o que comer e presenciei desde pessoas sendo mortas até venda de drogas na favela. Não podíamos nem abrir as janelas de casa’’


Ensaio

Blusa e vestido BCBG e anéis Rajana Khan

“Vou tratar meus filhos com respeito, como eu gostaria de ter sido tratada”, garante a modelo

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“Fui criado para participar das questões nacionais” Em Tudo Pelo Poder, onde atua e dirige, George Clooney volta a falar de um de seus temas preferidos: política. Nesta entrevista à Gente, ele fala de como o assunto era tratado em família e compara os bastidores de Hollywood a Casa Branca POR CARLOS HELÍ DE ALMEIDA

• Irônico e sedutor até o último fio de cabelo grisalho, George Clooney só trabalha em filmes que lhe interessam, com roteiros provocadores. Virou um dos maiores astros de Hollywood de nossos tempos. Aos 50 anos de idade, o ex-galã de Plantão Médico é um homem engajado em causas políticas e sociais e escolhe cuidadosamente os filmes em que atua ou dirige. É também um solteirão convicto, mas um namorador de plantão. Ainda assim, dribla a indústria de celebridades e tira as fofocas de letra. “Minha tia é uma cantora famosa e meu pai trabalhou durante muitos anos na tevê. Sei como lidar com a fama”, disse o ator – dono de um Oscar por seu desempenho em Syriana (2005) – durante o Festival de Londres, onde foi promover Tudo Pelo Poder, seu novo trabalho como diretor. Na história, que entra no circuito brasileiro dia 23, Clooney toma para o si o papel de Mike Morris, governador que disputa a indicação do partido democrata para a corrida à Casa Branca, coprotagonista de uma trama que envolve traição e corrupção. Baseado na peça Farragut North, de Beau Willimon, o filme devolve Clooney ao território que o consagrou como realizador: o do drama de fundo político.

• Seu pai concorreu a uma vaga como vereador distrital no Estado de Kentucky, em 2004. Teve alguma ajuda dele para construir o seu personagem em Tudo Pelo Poder? • George Clooney. Há alguns elementos que consegui em conversas com meu pai, como a tradição de apertar as mãos de gente que normalmente não apertaria normalmente. Infelizmente, é assim. Não se consegue financiar a própria campanha a não ser que se tenha bastante dinheiro, o que não era o caso de meu pai. • Tem intenção de algum dia concorrer a um cargo público? • Tenho uma vida muito confortável e não pretendo abandoná-la (risos). Mas isso não quer dizer que não continuarei a expressar minhas posições. Meu bisavô foi prefeito da cidade dele, meu pai foi apresentador de noticiário de tevê por 40 anos, antes de se aventurar em uma campanha política. Algumas das maiores mudanças no meu país nessas áreas aconteceram na minha infância e juventude e, portanto, fui criado para contribuir e para participar ativamente das questões nacionais.

Clooney diz que conversou com o pai, um ex-candidato a vereador, para construir o personagem


AP

Gente entrevista

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“Sei bem o que é lidar com esse aspecto da celebridade. Mas sempre preferi falar sobre meus filmes do que sobre minha vida particular”

Gente entrevista

‘‘Cresci nos anos 60 e 70, numa época em que os filmes refletiam sobre o movimento pelos direitos civis, os protestos antiguerra, os movimentos feministas. Vem daí o meu gosto por filmes que levantam questões sem, necessariamente, oferecer respostas’’

No filme, o ator é um governador que tenta concorrer à Presidência Divulgação

George Clooney

CONFIRA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA EM WWW.ISTOEGENTE.COM.BR

• Acredita que o cinema pode mudar a realidade ou interferir nela? • Cresci nos anos 60 e 70, numa época em que os filmes refletiam sobre o movimento pelos direitos civis, os protestos antiguerra, os movimentos feministas. Vem daí o meu gosto por filmes que levantam questões sem, necessariamente, oferecer respostas. Mas acho que filmes não têm muita influência sobre o cenário político ou social. Um filme como Tudo Pelo Poder leva, no mínimo, dois anos para ser escrito, produzido, filmado e lançado. Então, ele funciona como um mero espelho de certo momento que já passou. • Os bastidores de Hollywood são tão maquiavélicos quanto os do Congresso americano? • O cinema como indústria, como negócio, pode abrigar gente assim, que queira esfaquear as pessoas pelas costas. Mas existe uma dose de generosidade entre os atores que não se vê entre os políticos (risos). Tenho certeza de que vocês, da imprensa, gostariam de cortar a cabeça de alguns atores, mas a maioria deles é muito gentil um com o outro. Porque somos tão afortunados por fazer um trabalho que amamos. Somos privilegiados e temos a

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noção exata de que não é só por nosso brilhantismo que chegamos aonde chegamos. É resultado de uma série de felizes acidentes que encontramos ao longo do percurso. • Sente-se frustrado quando as questões sérias levantadas em seus filmes são ofuscadas pela curiosidade em descobrir que grife está vestindo ou com quem o sr. está saindo? • Compreendo bem os dois lados. Minha tia (Rosemary Clooney) é uma cantora famosa, meu pai trabalhou anos na tevê, durante muito tempo fiz parte do elenco de um bem-sucedido seriado (a série Plantão Médico). Então, sei bem o que é lidar com esse aspecto da celebridade. Mas sempre preferi falar sobre meus filmes do que minha vida particular. •


PEDE PRA SAIR, GIMENEZ! Luciana Gimenez sofre em campo de treinamento do Exército para gravar seu reality show da Rede TV! Mas a apresentadora não desistiu

POR SIMONE BLANES FOTOS SIDNEI RODRIGUES / AG. ISTOÉ


Televisão

De farda militar, Luciana bate continência na base do 20° Grupo de Artilharia de Campanha Leve do Exército Brasileiro, em São Paulo

A apresentadora encara a trilha onde os soldados aprendem a passar por obstáculos no terreno

• A quinta-feira 8 foi um dia atípico para Luciana Gimenez. Às 11h40 ela se apresentou na base do 20° Grupo de Artilharia de Campanha Leve do Exército Brasileiro, no município de Barueri, em São Paulo, onde encarou um dia de treinamento de guerra. Bem-humorada, a apresentadora do Superpop começou o desafio, um circuito de treinamento físico militar, de shorts e regata com seu nome. Ela estava gravando o quadro “Gimenez na Real” e pensou que tudo seria uma brincadeira... O sol ainda estava ardido quando Luciana começou a série de flexões de braço, abdominais, agachamentos e levantamento de peso. “Treinamento bem pesadinho esse, né? Não é para meninas...”, ela comentou com Gente. Na segunda etapa, a apresentadora teve de vestir a chamada gandola de combate, uma farda militar camuflada, e uma mochila cheia de apetrechos nas costas. Nos bolsos, Luciana colocou batom e celular, motivo da primeira bronca da comandante. “Preciso estar com o telefone por causa dos meus filhos”, tentou justificar, mas também tinha o coturno amarrado de modo errado. Depois que a mãe de Lucas e Lorenzo Gabriel partiu do alojamento em direção a uma trilha intitulada de “pista aeromóvel”, aconteceu a etapa mais árdua. “Aqui preparamos os soldados para passar por qualquer terreno e se movimentar em qualquer lugar”, explicou a capitã Marília Villas Boas. O trajeto incluía obstáculos como pneus e uma tubula19/12/2011

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Cenas do campo: o início do percurso, ainda de regata. Travessia de uma tubulação estreita e no meio da lama. Ponte de cordas (abaixo), que exigiu equilíbrio da apresentadora

ção escura e enlameada. Ela hesitou, mas não desistiu. Atravessou um lago em cima de uma ponte de cordas, dependurou-se em cipós e até se arrastou pela lama. Tudo embaixo da chuva que caiu na tarde da quinta-feira 8. Antes de encarar o desafio final, o túnel camuflado, a apresentadora precisou do incentivo dos outros soldados. Gritou a palavra “superação” e, com muito esforço, concluiu o exercício. “Entrar nesse túnel e não conseguir avistar o final foi o que mais me deu frio na barriga e falta de ar”, disse. Os relógios marcavam 17 horas quando a “soldado Gimenez” viu o resultado de seus esforços. Ela recebeu uma homenagem: a boina das Forças de Ação Rápida. “Quase chorei, mas não poderia pagar esse mico. Lembrei dos meus pais e dos meus filhos”, contou ela. E concluiu: “Como toda mãe, vou ficar com o coração apertado quando eles tiverem de se alistar...”. • 19/12/2011

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“Quase chorei, mas não poderia pagar esse mico”, disse Luciana, que recebeu uma homenagem ao concluir o treinamento


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LUCIANA GIMENEZ VIRA SOLDADO DO EXÉRCITO POR UM DIA

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