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marisOl riBeirO em campos do JordÃo

roberto justus comemora os 2 anos da filha rafaella

com pensÃo de Pato corTada, stheFany brito ameaça reagir na JUsTiça kirsten Dunst fala sobre as polêmicas e as indiscrições do direTor lars von trier

Daniela albuquerque Um ensaio com a primeira-dama da rede Tv! Camila alves, a sra. matthew mCConaughey: “ele é o homem da minha vida” ney matogrosso, 70 anos: “eU era escravo do sexo”

venda proibida

• A atriz volta a lutar contra 20 anos de dependência química. A internação numa clínica de reabilitação foi decisão da filha Rafaella • “Ela não tinha consciência do problema”, diz ex-namorado Paulo Serra • Aos 59 anos, ela entrou em depressão após a morte do ex-marido Perry Salles e passava dias reclusa, sob efeito de álcool e drogas

exemplar de assinante

o drama de vera Fischer

8/ago/2011 ano 12 n° 621

r$ 9,90


Capa

A estrela luta

contra as drogas Aos 59 anos, VerA Fischer é internada em uma clínica para dependentes químicos e expõe um calvário que a acompanha há 20 anos Bruna narcizo e thaís Botelho (são Paulo),

Era pErto dE mEio-dia de terça-feira 26, e o interfone da cobertura 502 de um dos prédios mais charmosos da rua aperana, no alto Leblon, foi acionado. o porteiro avisava que a ambulância havia chegado para atender ao chamado feito pelo telefone. de sirene desligada, o motorista do veículo estacionou e procurou ser o mais discreto possível. No endereço, pelo menos dois empregados, Carlinhos e Lucia, estavam entre os presentes. Em minutos, a paciente, uma mulher, 59 anos, loira, 1,72 m, desce do prédio e entra no carro. tudo sem alarde. momentos depois, a ambulância dispara e segue para uma clínica de reabilitação de dependentes químicos, o Núcleo integrado de psiquiatria (Nip), na Barra da tijuca, zona oeste do rio. a paciente em questão, internada por decisão da filha rafaela e a concordância do caçula Gabriel, é a atriz Vera Fischer, exposta em mais um round de sua luta contra o vício das drogas e do álcool. a cena, testemunhada por vizinhos e funcionários dos prédios nos arredores, foi negada por sua empresária Liége monteiro. “Ela foi de chofer, linda, e com suas próprias pernas.” Fato é que Vera deu entrada no Nip na mesma terça e deve permancer por lá por pelo menos 15 dias. Há pelo menos 20 anos, Vera convive com a dependência. Crises agudas como no fim dos anos 80, quando fora casada com o ator Felipe Camargo – pai de Gabriel, de 18 anos –, foram se intercalando com períodos de calmaria. o que todos se perguntam é por que Vera caiu de novo. amigos confirmam que desde a morte de seu primeiro marido, perry Salles, em 17 de junho de 2009, a atriz entrou em uma fase triste. Havia perdido seu grande companheiro,

pai de sua primogênita, rafaela, 32, e o apoio fundamental para os seus momentos mais difíceis. “a Vera sempre foi de fazer festas. dava festas no sítio dela, em Guaratiba. mas, depois que o perry morreu, ela mudou”, diz um amigo. “acho que ela estava depressiva. até mesmo brigar com o perry era como brigar com um irmão. Sem ele, ela passou a usar mais álcool. Nesses momentos, o dependente químico acaba recorrendo a isso.” Em dezembro do ano passado, Vera lançou um livro, Serena, quando fez uma de suas últimas aparições em público. Logo depois, ela passou a ficar reclusa em casa. as festas na cobertura do Leblon silenciaram, e os vizinhos pouco a viam fora de casa. a reclusão coincidiu com o aumento no consumo de bebidas alcoólicas. amigos chegaram a alertá-la do excesso, mas não foram ouvidos. “a rafaela morou sozinha um tempo, mas ultimamente estava lá com ela, na casa da Vera. É triste para uma filha ver a mãe durante o dia em um estado fora de si, fora de sobriedade”, relata uma pessoa próxima da família. o efeito da morte da cantora britânica amy Winehouse contribuiu para a decisão pela internação. Diretores da Globo, próximos à atriz, a aconselharam a radicalizar o

alexandre sat’anna/ ag. istoé

Michelle licory, Poliana Costa e samia Mazzuco (rio)


Capa

ag. news

Vera Fischer e o ex-namorado Paulo serra em show no rio, em 2004: aborrecida com o assédio dos fotógrafos

Liége Monteiro deixa a clínica no domingo 31 após visitar a amiga: “Ela está bem”

tratamento para evitar o pior. Procurada, Rafaela não atendeu as ligações. O ator Felipe Camargo, pai de Gabriel, também não quis falar. Gabriel atendeu a repórter Thaís Botelho, mas foi lacônico: - Como está Vera? - Não sei. Prefiro não entrar em detalhes. - Você falou com sua mãe na clínica? - Não. Ainda não falei, nem a vi. - Pretende visitá-la? - Não sei, não estou acompanhando. Não sei quando conseguirei ir. - Por quê? Voce mora com seu pai, não tem muito contato? - É. Passo a maior parte do tempo na casa dele, mas é que realmente não falei com ela ainda. - Mas a Rafaela está com ela? Falou com sua irmã? - Também não falei.

gil rodrigues/ Photo rio news

marcos ramos/ ag. o globo

no final de maio, Vera deixou a reclusão no leblon para prestigiar o leilão de fotos pilotado pelo ator antonio Banderas no hotel Copacabana Palace, no rio


Musa polêmica Momentos marcantes da trajetória conturbada da atriz 27 de novembro de 1951 – Vera Fischer nasce em Blumenau, Santa Catarina. 1969 – Foi eleita Miss Brasil.

Depressão

“Ela não tinha consciência dos problemas de dependência”, conta o comediante Paulo Serra, com quem Vera namorou em 2004. Ele garantiu que, enquanto estiveram juntos – a relação durou oito meses –, nunca a viu usando drogas. “Ela não fazia na minha frente, não tinha coragem. Eu odeio, acho baixoastral.” Paulo disse que soube do estado delicado de saúde da ex-namorada por meio de amigos em comum e por Rafaela, com quem tem uma amizade antiga. “Acho que o problema recomeçou depois da morte do Perry. Eles tinham uma ligação muito forte”, acredita ele, que aderiu à campanha # ForçaVera, desencadeada no Twitter por amigos da atriz. A pressão da fama também acentuou o quadro. Sob a mira dos flashes, Vera virou alvo da mídia que noticiava fartamente suas crises e internações. Todos os seus gestos eram retratados à exaustão. “Lembro de um show que fomos do Gil e uns 20 fotógrafos ficaram plantados na frente da nossa mesa esperando um deslize. Era um pesadelo”, conta Paulo. “As pessoas pensam que Vera Fischer é uma musa intocável, mas ela é uma mulher focada nos filhos, que gosta de arroz, feijão e carne de sol. Ela ama carne de sol, nos churrascos sempre tem que ter.”

1982 – Posa nua. 1987 – Durante as gravações da novela Mandala, se envolve com Felipe Camargo e dá início a um relacionamento conturbado, com escândalos que incluíram desde brigas até envolvimento com drogas. Na época, ela ainda era casada com Perry Salles, de quem logo se separou para casar com Felipe.

fotos ag. istoé

em setembro de 2010, com o rosto inchado, caminhando pelo leblon

ag. news

1979 – Dá à luz Rafaela, sua primeira filha com o marido Perry Salles.

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Capa

‘‘Vera vai dar a volta por cima, como sempre deu’’ Liége Monteiro, empresária da atriz

O preço de ser musa da tevê, com a “obrigação” de se manter bela, lutando contra os efeitos naturais do tempo (para quem foi Miss Brasil em 1969), jogaram contra. E o resultado disso, hoje, é uma estrela de brilho opaco. A última aparição de Vera nas novelas foi em abril, numa breve participação especial de dois capítulos em Insensato Coração, de Gilberto Braga. Em cena, contracenou com Tarcísio Meira. Antes disso, ela fez um capítulo do seriado Afinal, O que Querem as Mulheres?, em novembro de 2010. “Não existe mais a ‘estrela Vera Fischer’. O que tem é uma mulher normal, que sofre de uma doença”, definiu um colega de trabalho. “Ela vai se recuperar desta vez; está se tratando, mas cura é muito difícil.” O psiquiatra Carlos Salgado, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas, é objetivo: “Não há cura para dependência química” (leia entrevista ao lado).

Tranquila

fotos ag. news

Acima, Rafaela Fischer caminha por Ipanema. A atriz está morando na casa de um amigo. Ao lado, Gabriel em 2010. O rapaz, de 18 anos, desconversou sobre o estado de saúde da mãe

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Seis dias depois de dar entrada no hospital, o quadro clínico de Vera era estável. Segundo uma das médicas do NIP, que não quis se identificar, a atriz estava “tranquila, sendo cooperativa com o tratamento e participando das atividades com os outros pacientes”. A mesma médica negou que Vera estivesse sedada, informação divulgada por parte da imprensa. E que também não há isolamento: ela ocuparia uma das suítes individuais do primeiro andar da clínica. O lugar, um edifício de três pavimentos e 16 quartos, atende a casos de depressão, anorexia, transtornos psíquicos e conta com uma ala geriátrica, no último piso. No térreo, funciona um ambulatório com equipamentos médicos de emergência. Há também um amplo pátio com mesas ao ar livre, ensolarado e com um grande aparelho de tevê de tela plana. Vera está internada no primeiro andar, reservado à desintoxicação química. O acesso é restrito: o elevador só funciona com chave e uma porta de ferro trancada limita a saída pelas escadas. As suítes individuais – com diárias a partir de R$ 440 – têm grades nas janelas. Entre os itens de conforto, sinal de internet e aparelhos de tevê, “luxo” negado a depressivos, para evitar o isolamento dos demais pacientes.


‘‘Ela não tinha consciência dos problemas de dependência’’

1989 – Após uma discussão com Felipe, sai correndo de um restaurante japonês e acaba atropelada por um táxi.

Paulo Serra, ex namorado de Vera

1993 – Dá à luz Gabriel, seu filho com Felipe Camargo.

“É uma hora difícil, que as pessoas têm de dar amor. Senão, essa moça vai se acabar!”, pede Lady Francisco, amiga antiga da atriz. “Ela tem tudo: beleza, saúde, dinheiro... mas é carente de amigos”, diz. Liége Monteiro esteve na clínica no domingo 31 e aposta em sua total recuperação. “Ela está bem e animada com seu próximo trabalho no teatro. Vera vai dar a volta por cima, como sempre deu”, declarou. “Sua última internação foi há 14 anos.” O público, que a aplaudiu nas novelas Mandala e Laços de Família, nas minisséries Desejo e Riacho Doce, também deseja isso.

1991 – Novo escândalo: Felipe é internado às pressas com uma perfuração no abdômen feita por Vera com um pedaço de vidro.

1995 – Pede para se afastar da novela Pátria Minha, em que era protagonista e fazia par romântico com o ex-marido. No mesmo ano, é internada em uma clínica psiquiátrica, depois de ter quebrado móveis em casa e agredido a ex-babá com golpes de tesoura. 1997 – Ela perde também a guarda do filho Gabriel, na época com 4 anos, para o pai Felipe Camargo, e logo depois é internada na clínica de reabilitação para viciados em drogas Solar, do Rio.

“Não tem cura” carlos salgado, presidente da associação brasileira de estudos do Álcool e outras Drogas (abeaD), explica os princípios que levam uma pessoa a ser dependente químico, e comenta o caso da atriz Vera fischer:

fotos ag. istoé

colaboraram: bela megale, gUstaVo aUtran e simone blanes

2000 – Posa nua novamente aos 49 anos e brilha como Helena na novela Laços de Família.

Em que momento é a hora certa de buscar a clínica de reabilitação? Acontece alguma reação adversa do corpo?

2007 – Lança a autobiografia Vera – A Pequena Moisi, em que conta a infância difícil e as polêmicas de sua carreira.

geralmente quando o indivíduo apresenta o corpo totalmente maltratado, sofre de desidratação, desnutrição e o desconforto com o uso da substância. no caso da cocaína, o indivíduo fica muito agitado, e, às vezes, agressivo. Já o alcoolista apresenta um tipo de sedação e a pessoa fica retraída. o caso do crack é muito parecido com o da coca, e tem ação curta, por isso a necessidade da repetição.

2008 – Assume ser viciada em drogas em entrevista ao jornal Extra.

Num caso como o da a atriz Vera Fischer, que voltou a uma clínica de reabilitação e já teve problemas com dependência química há mais de 20 anos, é possível uma cura?

2009 – Gerou polêmica ao declarar que sua personagem na novela Caminho das Índias não tinha importância nenhuma para ela. “Qualquer figurante poderia ter feito aquilo. Quero um personagem de verdade. Sou uma atriz!” 2010 – Teria declarado em entrevista de divulgação de seu livro, Serena, que não escrevia para gente pobre. Ela negou tudo depois.

A Vera perdeu o ex-marido Perry Salles, a quem ela chamava de melhor amigo. Como o luto por uma pessoa próxima pode interferir nessa dependência? felicidade extrema e grande tristeza são favoráveis ao vício. suponhamos que Vera seja uma pessoa que tenhamos contato e saibamos exatamente o caso dela. imaginemos que ela tenha retomado a carreira e esqueceu os problemas com droga. De repente, vem a perda. onde ela vai recair? exatamente onde achou que encontrou o conforto um dia, nas drogas.

ag. news

não tem cura. Quando o sujeito reverte a sua condição clínica, ele não poderá baixar a guarda nunca mais. Deve fugir de situações de risco para não recair. Por azar da vida, ela tem um grande interesse por álcool e/ou drogas. mas ela deveria estar em uma rotina desorganizada e outros fatores influenciaram.

2011 – É internada em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos na Barra da Tijuca

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Ensaio

De camelô a primeira-dama Apresentadora de dois programas, mulher do dono da Rede TV! e amiga de Hebe Camargo, DAnielA AlbuqueRque percorreu um longo e bem-sucedido caminho desde que saiu de Mato Grosso do Sul com apenas R$ 5 mil Bela Megale fotos Felipe Lessa/ Abá MGT ConCeito Bianca Zaramella stylist César Cortinove/ Abá MGT

Vestido jaquard amassado off white Reinaldo Lourenço scarpins StudioTMLS

Aos 14 Anos, Daniela Albuquerque era mais uma adolescente de nova Andradina, em Mato Grosso do sul, brigando porque a mãe não queria levá-la para sair. Chateada, assistindo a um sorteio de carros num programa de televisão da extinta TV Manchete, ela fez duas ligações. Dias depois, soube que ganhara um Pálio cor vinho. oito anos depois, aos 22, este episódio seria o responsável por aproximá-la daquele que seria seu futuro marido, Amilcare Dallevo, sócio majoritário da Rede TV!. “Estávamos num almoço com amigos em comum e perguntei o que ele fazia antes de se envolver com televisão. Contou que trabalhou com promoções de 0900, as Mercedes da Hebe, os Gols do Faustão. Expliquei que tinha boas recordações porque havia ganhado um carro assim. Ele me disse: ‘Essa promoção era eu quem fazia’. na hora liguei para minha mãe, ele falou com ela, perguntou se o carro chegou direitinho. A partir disso, tudo começou”, conta a apresentadora dos programas Manhã Maior e Dr. Hollywood. Daquele encontro até hoje foram sete anos de relacionamento, cinco deles de casamento. A primeira cerimônia, simbólica, aconteceu na ilha de Bora Bora, onde Amilcare pediu oficialmente a mão de Daniela. A grande festa foi realizada um ano depois, no Fasano, em são Paulo, reunindo 700 convidados. Um “recasamento”, como batizou a própria apresentadora, está marcado para 23 de setembro deste ano, a mesma data em que se casaram pela primeira vez. “nossa outra festa foi muito tumultuada, quero aproveitar nessa tudo que não consegui curtir. sinto falta de mais fotos com meu marido”, diz a noiva, que pretende casar de branco, véu e grinalda, como manda o figurino. A festa, porém, será mais intimista, e deve funcionar como open house da nova mansão do casal, que está sendo finalizada em um condomínio de luxo em Alphaville, nos arredores de são Paulo.


Ensaio


‘‘Fui babá, trabalhei em seguradora de carro, escritório de advocacia; fui gerente de loja de bolsa, vendi sapatos; fiz um pouco de tudo’’ vestido de micropaetés Fernanda Kujawsky


Ensaio filhos também fazem parte dos planos, já que Daniela, com 29 anos recém-completados, pretende ser mãe antes dos 30. “Quando terminei a faculdade de jornalismo queria engravidar, mas comecei a fazer teatro e adiei. Meu marido fala que mulher perto dos 30 fica desesperada para ter filho, mas ele também quer muito ser pai de novo. Acho legal ser mãe jovem, uma criança vai preencher mais a casa”, diz ela. Reservado, o dono da Rede tV! raramente concede entrevistas, mas quando o assunto é a esposa, sempre tem um elogio na ponta da língua: “A Daniela é uma mulher encantadora. eu adoro o seu jeito simples e humilde.” sobre a fama de ciumento de Amilcare, ela rebate: “falavam que ele fez faculdade comigo por ciúmes. Mas e agora que estou no terceiro ano do curso de teatro na escola Célia Helena? isso nunca existiu. ele cursou jornalismo porque era formado em engenharia pela UsP. eu disse: ‘o Roberto Marinho, dono de tevê, estudou jornalismo, estude também’”, conta. Daniela não descarta a possibilidade de fazer peças de teatro e atuar no cinema, mas garante que não ingressará em novelas.

Uma gracinha!

A relação com a outra estrela da casa, a apresentadora do SuperPop luciana Gimenez, esposa do sócio minoritário da Rede tV!, Marcelo de Carvalho, não tem nada de polêmica, garante ela. “falei para luciana para tomarmos cuidado para não nos abalarmos. ela já disse para deixar as pessoas falarem. Já trocamos vários e-mails sobre as notícias que saem porque não temos como calar a boca de ninguém. A gente nem se encontra. Uma grava de manhã e outra à noite”, diz. Mas a colega de casa com quem Daniela tem mais afinidade é Hebe Camargo. “ela é uma grande amiga é uma excelente colega de trabalho. torço muito por ela. Uma gracinha!”, diz a veterana da televisão. nem sempre a vida de Daniela foi o conto de fadas que parece. Antes de se tornar a primeira-dama da Rede tV!, ela chegou a ser camelô e comprar bugigangas no Paraguai para abastecer a barraquinha que sustentava a família em nova Andradina. “Havia uma pequena agência de viagens que organizava vans para o Paraguai. Passavam em casa de madrugada e me levavam. A primeira vez que cheguei lá pirei com a língua, as pessoas, tudo era diferente. lembro que comprei vários bichinhos virtuais e agendas eletrônicas que venderam como água”, conta. A mãe, eunice Albuquerque, recorda com orgulho dos tempos de dificuldade ao lado da filha. “Meu marido morreu quando ela tinha cinco anos, por isso ensinei tanto a Dani quanto seus irmãos, a Adriana e o Roger, a batalharem desde cedo. ela sempre teve uma veia de comerciante”, conta. Até se mudar para são Paulo, aos 19 anos, e começar a trabalhar


como modelo, a apresentadora se aventurou em outras profissões. “fui babá, trabalhei em seguradora de carro, escritório de advocacia, fui gerente de loja de bolsa, vendi sapatos; fiz um pouco de tudo”, orgulha-se. Até hoje, é difícil que Daniela saia de alguma loja sem um desconto. “Quando faço compras nos eUA, onde eles não abaixam o preço para ninguém, sempre consigo pechinchar” confidencia. o início da vida em são Paulo, já como modelo, não foi muito mais fácil. ela dividia um apartamento no Brooklin com cerca de dez meninas. situações como colocar nome na caixa de leite, papel higiênico e xampu faziam parte do cotidiano de Daniela. Mas nenhum dificuldade fez com que mexesse nos R$ 5 mil com os quais chegou à capital e que estão intactos até hoje. “se um dia precisasse desse dinheiro, voltaria para Mato Grosso do sul, pois não estaria valendo a pena”. entre os trabalhos que fez como modelo, há um que ela nunca esquece: “fui dublê de corpo da Adriane Galisteu numa propaganda de bronzeador”, conta. são Paulo fashion Week e semanas de Moda de fortaleza e londrina também fazem parte de seu currículo. Hoje, a Cinderela contemporânea faz questão de relembrar todos os dias seu passado de gata borralheira.

‘‘Nossa outra festa foi muito tumultuada, quero aproveitar nessa tudo que não consegui curtir. Sinto falta de mais fotos com meu marido’’ Sobre a renovação dos votos de casamento, que acontecerá em setembro calça de seda e blusa Talie NK BelezA Marco Diniz AGRADeCiMento Galeria O Barco, São Paulo www.obarco.com.br


MONTANHA

CAMPOS DO JORDテグ

Charme da juventude Aos 9 anos Juliana Paiva jテ。 era modelo. Ganhou fama como a Valquテュria de Ti-ti-ti e cursa publicidade. Namora Guilherme, jogador do Vasco fotos Carlos Prates


à esq., a atriz fica fascinada com a súbita neblina na Fazenda Lenz. na casa de Gente em campos do Jordão, exibe óculos triton eyewear

“No iNverNo, bota de couro loNga é iNdispeNsável e cachecol dá um toque especial ao figuriNo” Ao chegAr à FAzendA Lenz gourmet, a atriz Juliana Paiva foi presenteada pela natureza. Subitamente, uma densa neblina apareceu. era o que faltava para completar o cenário invernal. e, nele, Juliana se encaixava bem, de xadrez, tendência da estação. “É legal usar um cinto por fora dos casacos mais longos. A peça fica mais ajustada, mais elegante”, ensina. Ao final do passeio, já estava louca para se sentar diante da tevê e assistir à Seleção Sub-17 jogando contra o uruguai. em campo estava guilherme, jogador do Vasco, meia da Seleção Brasileira e namorado de Juliana há três anos. “Somos jovens e temos profissões diferentes, mas igualmente públicas. estamos crescendo juntos”, comentou, já na casa de Gente em campos do Jordão. ela tem apenas 18 anos. Filha única de uma arquiteta e de um publicitário, alcançou a fama vivendo Valquíria, filha de Jacques Leclair em Ti-ti-ti. mas está diante dos holofotes desde criança. Aos 9 anos era modelo e aos 11 fazia curso de teatro. estreou na tevê em Cama de Gato, fez uma participação em Viver a Vida e passeou pelo cinema no filme Desenrola. “hoje eu sei como funciona e que esta é a minha profissão”, garante. na suíte da casa de Gente, lembrou como seus dias eram pra lá de agitados em 2010. Ficava dez horas no Projac, terminava o ensino médio e ainda estudava para o vestibular. Passou. cursa publicidade. mas é um plano B. Aulas mesmo disse estar tendo no seu dia a dia como atriz. “convivi com Alexandre Borges, nicette Bruno, malu mader e claudia raia, que coreografava as cenas de briga e me deixava fascinada”, lembrou. tomou lições também com a equipe da figurinista marília carneiro e até obteve permissão para compor o seu próprio figurino. Por isso, aconselha com autoridade: “no inverno, bota de couro longa é indispensável e cachecol dá um toque especial ao figurino”.


Relacionamento

Rodrigo Lombardi e Betty Baumgarten no evento de apresentação do primeiro capítulo de O Astro, dia 12 de julho, no Rio

Casamento

em crise?

Romance quente em O Astro teria esfriado o casamento de RodRigo LombaRdi e betty baumgaRten. marido e mulher negam os rumores da separação Michelle Licory 24 IstoÉGente 8/8/2011 – 621

As cenAs cAlientes de Rodrigo lombardi e carolina Ferraz em O Astro têm causado efeitos diversos fora da telinha. O primeiro é a ebulição de hormônios nos espectadores, animados com o romance entre os personagens Herculano Quintanilha (lombardi) e Amanda (carolina). Outro reflexo do que vai para o ar de terça a sexta às 23 horas, na Globo, foi publicado no jornal carioca Extra na semana passada. Uma nota anunciava uma suposta crise no casamento entre o galã e sua mulher na vida real, a maquiadora Betty Baumgarten. O motivo? ciúme de carolina, sobretudo pelo histórico da atriz, que já namorou outro colega de elenco: Murilo Benício, com quem atuou em Por Amor, de 1997.


“Somos muito unidos. Nosso casamento está maravilhoso” Betty Baumgarten Tórrido: cenas de O Astro gravadas na praia, nas quais Lombardi e Carolina arrancam suspiros do público

O estremecimento teria levado o ator a sair do apartamento onde mora com Betty, na Barra da tijuca, zona oeste do Rio. Procurados, tanto lombardi quanto a mulher negaram qualquer rompimento. “só saí de casa para jogar golfe e volto já”, disse ele. “O Rodrigo não entendeu nada quando contei o que estava acontecendo. ele até riu. É algo completamente absurdo e sem fundamento”, declarou tata Pessoa, empresária do ator.

“Somos unidos”

em entrevista à Gente, Betty também negou categoricamente o fim do casamento. “não sei de onde essa história saiu. somos muito unidos, graças a Deus. nosso casamento está maravilhoso.” ela não tem palpites sobre o que teria incitado o boato. “Meu marido nem viajou recentemente, o que poderia dar margem para falarem que ele saiu de casa. está tudo normal. inclusive, estamos almoçando juntos neste momento”, disse, na quinta-feira 28. no dia seguinte, Betty – que conheceu o marido quando era maquiadora da novela Pé na Jaca (2006), onde lombardi fez o papel de irmão de Marcos Pasquim – reforçou o desmentido. “Rodrigo vai de casa para o trabalho e do trabalho pra casa. não dá motivos para ciúme. tem conseguido folga só aos domingos, que é quando ele vai jogar no itanhangá Golf club. e muitas vezes eu vou junto para assistir”, contou a mãe de Rafael, 3 anos, único filho do casal. sempre que pode, Rodrigo costuma levar a mulher aos eventos da Globo e a outros compromissos sociais. na festa de lançamento de O Astro, que aconteceu no início de julho, no Rio, os dois demonstravam estar em total sintonia e chegaram a ser fotografados aos beijos. Uma semana depois, o casal se juntou novamente ao resto do elenco para assistir juntinho ao primeiro capítulo da macrossérie, na churrascaria Pampa Grill, na Barra.

Dupla de atores na festa de apresentação da novela, no Rio, dia 6 de julho

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Entrevista

Os 70 anos de um transgressor Em sua cobertura no Leblon,NEy Matogrosso lembra o relacionamento com o pai, o companheiro, e os amigos que perdeu para a aids e diz ter ajudado algumas pessoas a assumirem a homossexualidade Gustavo Autran fotos Marcos Michael

Pouco antes de estourar nas rádios, à frente do secos & Molhados, ney Matogrosso ouviu de uma cartomante que ele iria ganhar muito dinheiro e que seria uma espécie de carmen Miranda. na hora ele não entendeu, mas a referência à Pequena notável tinha a ver com seus transgressores rebolados no palco e seu gosto por figurinos extravagantes. a ousadia permanece mesmo aos 70 anos, completados no dia 1º deste mês, assim como o corpo e a voz em ótima forma. em processo de pesquisa de repertório para o próximo disco, ney também está no cinema, como o protagonista de Luz nas Trevas, sequência do clássico O Bandido da Luz Vermelha, e é tema do documentário Olho Nu, dirigido por Joel Pizzini, ambos sem data para lançamento. sua postura rebelde e abusada é seguida à risca fora do palco, mesmo sendo ney um homem discreto e reservado. Mas nem por isso ele deixa de dizer o que pensa, com naturalidade e franqueza pouco vistas no show biz. em entrevista à Gente, em sua cobertura no Leblon, ney fala abertamente sobre idade, sexo, descriminalização da maconha e a barra que enfrentou quando perdeu amigos e um parceiro para a aids. “sempre me expus muito e com muita clareza. sempre defendi meu direito à liberdade de expressão”, diz. só não entrega como está sua vida amorosa hoje. “esse assunto eu não abro.”


‘‘Eu era escravo do sexo. Eu vivia pra ele. Não sou mais. Mas ele é interessante. Eu gosto muito’’

No palco você conserva a mesma ousadia de décadas atrás. Rebola, troca de roupa em cena. Se fosse qualquer outro homem na sua idade poderia ficar ridículo. Mas com você, não. Qual é o segredo? não sei. sempre me expus muito e com muita clareza. sempre defendi meu direito à liberdade de expressão, o direito de pensar diferente. Meu limite é estético. se estivesse barrigudinho, já teria me recolhido. Mas não estou. então, posso usar um figurino extravagante. e ainda estou cantando, minha voz ainda tem os agudos. tenho bom-senso. Idade é ou já foi um problema para você? foi quando eu fiz 60. fiquei um pouco inseguro, pensando se ia continuar podendo usar as minhas roupas. fiz 60 e vi que não mudou nada. continuo sendo quem eu sou. então, com 70 é a mesma coisa. Vai ficar tudo igual. Antes do sucesso, você foi hippie e trabalhou como artesão. Tirava seu sustento dessa atividade? sim. não era uma vida fácil. Mas tinha o principal, que era a minha liberdade. não fiz isso por necessidade. foi por opção. É que eu não queria viver dentro da sociedade organizada. Queria viver à margem dela. nunca fui um coitadinho. Seu pai era militar e você, um transgressor. Houve muito conflito em casa? nosso problema foi na minha juventude, até o momento em que eu saí de casa, aos 17 anos. Vim para o rio servir na aeronáutica. foi uma briga, porque ele não aceitava. Percebia que, se continuasse morando com eles, talvez eu fosse a causa da separação dos meus pais. não queria carregar isso. Conseguiram se entender? Gradativamente. certa vez, ele foi me visitar. chegou quando eu e meus amigos nos arrumávamos para ir a uma festa. Quando todos saíram, ele disse: “Para mim, são todos putas e viados”. respondi: “eles estão na minha casa, são meus amigos e você não pode opinar.” eu era a pessoa que, para ele, representava todas as coisas erradas. Mas meu tio, que meu pai considerava muito, ficou doente e eu o visitava frequentemente. e esse tio fez um comentário muito positivo a meu respeito. Isso deve ter mexido com ele. um dia, na hora de me despedir, dei-lhe um abraço e um beijo no rosto. ele tomou um susto, mas me abraçou e me beijou. nunca mais a gente deixou de se beijar na vida, enquanto ele esteve vivo. No palco você é abusado e espalhafatoso. Fora dele, gosta desse glamour? não. nada disso me interessa e quem vive assim não me inte46

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ressa. aquilo é uma coisa que acontece lá e só. sou uma pessoa discreta. Sua geração usou a transgressão como forma de expressão na arte e na vida. Acha que o mundo encaretou? a aids restringiu a liberdade. Mas as liberdades adquiridas ninguém pode tirar. continuei vivendo com a mesma liberdade. Mas com salvaguardas, porque camisinha não existia naquele universo. raramente alguém usava. Você já declarou que teve muita sorte por não ter contraído o vírus... Pedi explicação para muitos médicos e nenhum me deu. tenho certeza de que tive contato com o vírus. então, como é que se explica? Perdeu muitos amigos para a doença? Já aconteceu de eu ir a mais de um enterro numa semana. e quando eu fui fazer o primeiro exame, tinha certeza de que teria. tive um relacionamento estável sem camisinha. e dentro de casa também tive de conviver com isso. Dentro de casa você conviveu com isso? tinha meu parceiro doente. ele ficou na minha casa até o fim. Minha surpresa foi não estar com o vírus. Quando comecei a perder meus amigos, fiquei sem referência, parecia que tinham se quebrado todos os espelhos à minha volta. os amigos são os nossos reflexos. e quando você perde essas referências você fica sozinho, não tem em quem se espelhar. É a favor da descriminalização da maconha? o fernando Henrique cardoso está certíssimo. Álcool, cocaína, crack e oxi geram violência nas pessoas. Maconha não deixa ninguém agressivo. se a pessoa fuma maconha e é violento é porque já é um facínora. em Abusado (livro do jornalista Caco Barcellos), há um momento em que os marginais se juntam para fazer um assalto e um deles fuma maconha. toma bronca, porque ficou lento. o que mantém a maconha nesse embrulho de drogas pesadas é a hipocrisia.


Entrevista

‘‘Se estivesse barrigudinho, já teria me recolhido’’

"Quando comecei a perder meus amigos, fiquei sem referência, parecia que tinham se quebrado todos os espelhos à minha volta. Os amigos são os nossos reflexos"

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Entrevista Você fez muito pelo movimento gay no Brasil. Acha que ajudou muitos a saírem do armário? eles me falam que ajudei. Mas é uma pena, porque só ajudei a saírem do armário, mas não estou ajudando a esclarecer a mentalidade. essa questão de parada gay... Você se expõe, luta, transgride, mas só para ter o direito de subir num carro de som e ficar lá em cima se requebrando? a última parada gay (em são Paulo) reuniu quatro milhões de pessoas. É o suficiente para decidir uma eleição. não queiram apenas o direito de ficar de fio-dental se requebrando porque é muito mais que isso. Qual é a importância do sexo na sua vida? É tão importante quanto antes. só não sou dependente dele como eu era. eu era escravo do sexo. eu vivia pra ele. não sou mais. Mas ele é interessante. eu gosto muito. o amadurecimento traz a compreensão de que é mais interessante sexo com amor, com carinho. não que o furtivo seja errado. Mas eu só queria o furtivo. e naquela única vez que estava com aquele ser humano, eu amava aquela pessoa. nunca saí com nojo. como ter nojo de alguém com quem você esteve na cama? Hoje você está amando alguém? Está apaixonado? esse assunto é a única coisa tabu. eu não abro.

‘‘É uma pena, porque só ajudei (alguns gays) a saírem do armário, mas não estou ajudando a esclarecer a mentalidade’’


especiaL

MONTANHA

CAMPOS DO JORDÃO

JUliaNa PaiVa

Frescor iNVerNal

eLa tem apenas 18 anos, mas a atriz, que fez sucesso em ti-ti-ti contabiLizou 10 horas por dia no projac e mais:

marisol ribeiro a beata de morde & assopra passou a infância na serra e dá dicas de turismo o ‘padre’ erom cordeiro faLa de ceLibato

Patrocínio:

Copatrocínio:

Apoio:


ESTILO CASA por Silviane Neno

Na sala de tevê, retrato feito por Pedro Leitão em 1994. Patrícia posa ao lado da luminária Tolomeu


todas

as cores Na contramão dos modismos e tendências, a organizadora da Casa Cor no Rio, Patrícia Mayer, faz de sua casa um mix de estilos atemporal. A ordem ali é acumular móveis e objetos que contêm histórias da família numa mostra bem particular

Na foto maior, geral da sala principal. No canto, a coleção de muranos. Acima, varanda com vista para o mar de São Conrado

Michelle Licory fotos Masao Goto Filho 57


ESTILO CASA

Acima, tela de Beth Jobim e, abaixo, na sala de jantar, trabalho de Lelli de Orleans e Bragança e lustre Lalla Bortolini

Há 26 anos, a jornalista Patrícia Mayer recebe correspondências no mesmo endereço. ali, naquele apartamento em são Conrado, ela curtiu a gravidez do primeiro filho, adolpho, e viu crescer a família e o apego pelas peças que acumulou ao longo do tempo. não, Patrícia Mayer, um dos nomes por trás da Casa Cor Rio, não muda a decoração do lugar há muito tempo: “sempre estou em contato com tudo o que é novo. Então, preciso estar vacinada, para não querer mudar tudo em casa toda hora e ficar cheia de neuroses.” Patrícia prefere ter por perto objetos de valor afetivo que lhe tragam memórias. Entre os preferidos estão as máscaras tribais que a fazem lembrar de uma temporada na áfrica, um cavalo branco adquirido há 15 anos na China, uma luminária de murano, comprada em Milão, e muitos suvenires. “não gosto de apagar tudo isso que vivi e ficar só com fotografias, que, hoje em dia, são digitais”, justifica. o resultado, na prática, é um décor muito particular, uma assemblage divertida. “as empregadas têm muito trabalho porque minha casa não é nada minimalista”, assume. Desde os primeiros tempos foram poucas mudanças nos ambientes e no mobiliário. “acho isso natural porque minha vida é muito linear. não me separei, o adolpho e a alexia, minha caçula, ainda moram comigo.” Mas Patrícia confessa que a reforma na casa de uma vizinha vem provocando uma certa curiosidade de mudanças. Porém, nada para já: “talvez eu derrube só umas paredes quando um filho casar e aumente meu quarto.” 58

IstoÉGente 8/8/2011 – 621


Patrícia na varanda e o abajur de Maurício Nóbrega

Post-it o: referid evê, embaixo p o t n t Ca sala de sofá da ária Tolomeu in da lum cor: o de dé Achad e cristal com d abajur arisiense p la cúpu o: onsum chado c e d o Sonh la Ma Gabrie e d la e t

Uma das pequenas reformas que foram feitas foi a transferência do bar, da sala – “um costume muito década de 80” – para a varanda, que tem vista para o mar e virou o lugar preferido para receber os amigos. “Colocamos um barman fazendo caipirinhas e promovemos fondue no inverno e pizzas no verão. o Ricardo, meu marido, gosta de cozinhar e sempre tem uma novidade gastronômica.” outro atrativo do espaço é um telescópio, xodó de Ricardo. “a gente usa para ver de tudo: um barquinho passando, a lua, golfinhos e até baleia.” na sala principal, uma coleção de pássaros coloridos de porcelana dá a pista de que há sempre um espaço para alguma peça a mais: “os vendedores é que me avisam quando chega uma novidade. não tenho paciência para garimpar nada em feirinha.” Por causa do Casa Cor, ela acaba ganhando muitos presentes. “E não tenho como escondê-los.” ou seja, o acervo de Patrícia só cresce. De uma edição da mostra veio, por exemplo, uma colagem de Heloísa amaral Peixoto, feita com papel-jornal. “Como sou jornalista, achei que era uma referência bacana para mim.” outra peça que adora é uma tela de Beth Jobim. “se gosto mesmo, sou de gritar por uma peça. Já vou logo imaginando na minha casa.” foi assim com um de seus objetos preferidos: um abajur que Maurício nóbrega usou para decorar o antiquário de arnaldo Danemberg no edifício Chopin, em Copacabana, para uma exposição. a base, de cristal, era de arnaldo e a cúpula Maurício trouxe de Paris. “amei, gritei, ganhei.” Cachorrinhos, tapetes, almofadas de oncinha e balas de leite também compõem a sala de estar. na sala de jantar a pegada

é clássica. Destaque para o lustre de Lalla Bortolini e dois quadros, com paisagens de são Conrado e da Enseada de Botafogo, de Lelli de orleans e Bragança. na sala de tevê, mais relíquias da família. Um retrato de Patrícia pintado pelo português Pedro Leitão em 1994, uma escultura de Vera Bandeira de Melo, tia dela, os carrinhos de brinquedo que Ricardo coleciona e a escrivaninha dele, muitas fotografias, além de uma estante cheia de livros. “Meu cantinho preferido é o lugar do sofá que fica bem embaixo da luminária tolomeu. nos fins de semana, fico ali o dia inteiro. Pego jornais, revistas, minha mantinha e fico lá relaxando.” sempre que tem uma dúvida de décor, Patrícia escala a consultoria da arquiteta Joy Garrido. “Ela é muito minha amiga, já conhece meu estilo e me ajuda muito.” simples assim.

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Diversão & Arte

avalia ★★★★★ indispensável ★★★★ muito bom ★★★ bom ★★ RegulaR fRaco

cinema

Premiada no Festival de Cannes por sua atuação em Melancolia, a atriz fala de sua relação com o diretor Lars von Trier, que fez comentários antissemitas no lançamento do filme, e revelou que ela teve depressão

Kirsten Dunst

fotos divulgação

“Lars é muito vulnerável” A temerosA trAnsição de namorada de super-herói de franquia milionária à atormentada protagonista de filmes de arte europeu é encarada com naturalidade por Kirsten Dunst. A jovem atriz americana de 29 anos, que durante bastante tempo posou como par romântico de tobey maguire na série Homem-Aranha, de repente surge como noiva em depressão e assombrada pela proximidade do fim do mundo em Melancolia, dirigido pelo enfant terrible dinamarquês Lars von trier. no filme, ela ainda oferece uma inédita performance em seu currículo: uma longa sequência de nu frontal. Para quem sobreviveu a outra transição mais perigosa, a de atriz-mirim para atriz adulta, submeter-se aos caprichos de Von trier foi fichinha: “Aprendi muito com esse filme”, diz


‘‘Achei que a cena (de nudez) seria importante para mostrar o estágio da intimidade entre a personagem e o planeta (Melancholia). Para mim, foi muito natural e essencial. Ficou muito bonito no filme” Kirsten, que trabalhou com o brasileiro Walter salles no ainda inédito On the Road, concedeu entrevista à gente, durante o Festival de Cannes, onde Melancolia lhe deu a Palma de ouro de melhor atriz. Como foi o seu primeiro encontro com Lars von Trier? Primeiro, foi via skype. ele me fazia perguntas básicas, do tipo: “Você já esteve na suécia?”. em nosso primeiro encontro ao vivo, ele tremia muito, derrubava água durante a refeição. Há algo em Lars de muito vulnerável. imediatamente você quer tomar conta dele, como uma mãe. ele sempre tem mulheres à sua volta. O que achou dos comentários antissemitas que ele fez durante a coletiva de lançamento do filme, no Festival de Cannes? no mínimo, inapropriados. não se pode fazer piada com aquele tipo de assunto.

acima, à dir., cena do filme em que interpreta uma noiva em depressão

Não pensou em interrompê-lo? não consegui, porque estava absolutamente chocada com as palavras que saíam da boca dele. Pensava: “o que você está fazendo?!” eu convivi com ele tempo suficiente para saber que ele seria incapaz de fazer algo como aquilo. Ele comentou em público sobre seus problemas com a depressão. Ficou irritada com a indiscrição dele? não tinha motivos para ficar irritada. em Melancolia, interpreto uma jovem em estado depressivo, eu me sentia como se estivesse interpretando o próprio Lars, porque ele já teve uma grave crise de depressão anos atrás. Dividi minha experiência no assunto com ele. Críticos têm dito que seu papel em Melancolia é o seu melhor até agora. Você o vê como um divisor de águas também? Aprendi muito com esse filme, sim. tenho orgulho do que fiz no passado, mas acho que, quanto mais maduros, mais corajosos e menos confortáveis com o trabalho ficamos. Já sonhou em ter um casamento luxuoso, como

o de sua personagem no filme? oh, não. não teria um casamento daquele tamanho (risos). Que tipo de casamento gostaria de ter? sinceramente, não tenho ideia... Deixe-me pensar... Acho que gostaria de uma cerimônia no campo ou algo assim. talvez em um celeiro, quem sabe, com a natureza em volta. Algo bonito, simples e cercado pela natureza. Você protagoniza um nu frontal em Melancolia. Lars von Trier teve muito trabalho para convencê-la a fazer a cena? não trabalharia com alguém que precisasse me convencer a fazer uma coisa como essa. Achei que a cena seria importante para mostrar o estágio da intimidade entre a personagem e o planeta (Melancholia). Para mim, foi muito natural e essencial. Ficou muito bonito no filme. É um papel denso, difícil. o problema é que vemos apenas as fotos da nudez na internet. mas isso não me espanta. É um reflexo dos dias, da cultura em que vivemos. Qualquer um que tenha um blog pode postar a foto que quiser. Você tinha 11 anos quando contracenou com Tom Cruise e Brad Pitt em Entrevista com o Vampiro (1994). A transição de atriz-mirim para adulta foi difícil? sim. As barreiras a serem quebradas por uma criança na indústria cinematográfica são muitas, as tentações também. mas tive a sorte de começar a fazer filmes numa época em que os paparazzi não eram tão terríveis. Hollywood é bem pior para os jovens que estão começando hoje. os padrões ficaram muito mais altos e a vigília mais intensa. O que espera do próximo filme da franquia do Homem Aranha? Foi difícil deixar a série? espero que sejam bons. As atrizes que eles contrataram para o próximo filme são ótimas. A ideia de deixar a série foi um pouco dolorosa. sinto orgulho dos filmes que fizemos, mas acho também que foi o momento certo para seguir em frente. O que pode contar sobre o seu trabalho com Walter Salles em On the Road? minha personagem, Camille, é secundária, mas o filme promete ser icônico. sou uma grande fã do trabalho do Walter. eu o conheci há uns cinco anos, quando começaram a circular os primeiros boatos sobre o filme, o que é uma loucura. Achava que seria um daqueles projetos que nunca desencantariam porque, ao longo desse tempo, os produtores haviam contatado umas três gerações diferentes de atrizes para o filme e outro tanto de diretores foram sondados. Carlos Helí de Almeida 103


marisOl riBeirO em campos do JordÃo

roberto justus comemora os 2 anos da filha rafaella

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o drama de vera Fischer

• A atriz volta a lutar contra 20 anos de dependência química. A internação numa clínica de reabilitação foi decisão da filha Rafaella • “Ela não tinha consciência do problema”, diz ex-namorado Paulo Serra • Aos 59 anos, ela entrou em depressão após a morte do ex-marido Perry Salles e passava dias reclusa, sob efeito de álcool e drogas

8/ago/2011 ano 12 n° 621

r$ 9,90

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ISTOÉ Gente (04/08/11)  

Revista semana da editora 3

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