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REGINA CASÉ VISITA OS LOCAIS SAGRADOS DE ISRAEL

Ensaio

ALÊ DE SOUZA

Os segredos da nova estrela Bianca Bin

SEMANA DE MODA DE NOVA YORK: O SUCESSO DE ALEXANDRE BIRMAN E UMA ENTREVISTA COM DIANE VON FURSTENBERG REYNALDO GIANECCHINI FAZ TRATAMENTO ESPIRITUAL EM CASA

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TUDO O QUE VOCÊ NÃO VIU NA TEVÊ

I S SN

Os bastidores do show de Roberto Carlos em Jerusalém

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Aos 21 anos, a protagonista da novela das seis Cordel Encantado conta histórias da infância no interior de São Paulo, da demora em dar o primeiro beijo e da sensualidade recém-descoberta: "Nunca comprei uma ligerie!"

19/SET/2011 ANO 12 N° 627

R$ 9,90


Capa

A descoberta de

Bianca

Em seu terceiro papel em novelas – e já como protagonista em Cordel Encantado –, BIANCA BIN revela-se não só um talento promissor na Rede Globo, mas uma menina do interior que está pronta para ser mulher do mundo Samia Mazzucco Direção Criativa e beleza Alê de Souza (AR Consultoria de Imagem) Fotos Felipe Lessa eDição De MoDa Rodrigo Grunfeld e Alê Duprat (AR Consultoria de Imagem)

vestido Emporio Armani Vintage para brechó Ateliê Carioca com bracelete Joalheria Sara Joias


Capa


‘‘Estou virando mais feminina agora, passando rímel, corretivo, aprendendo a destacar os pontos de brilho. Nunca nem comprei uma lingerie na vida!’’

blusa Talie NK e shorts Balmain para NK Store

ela só teM 21 anos, mas já está comprando seu primeiro apartamento. será na barra da tijuca, zona oeste do rio, mais próximo do seu trabalho. ok, ok, ela própria avisa: será financiado por muitos e muitos anos, “mas será meu!” bianca bin é uma estrela em fase de descoberta – e de ser descoberta. a atriz, protagonista da bem falada novela Cordel Encantado, vive coisas novas: a fama, o dinheiro entrando na conta, um namoro novo – de seis meses com o estudante de artes Cênicas, Pedro brandão – e uma sensualidade que nem ela imaginava ter. seu jeito moleca se perpetua e já rendeu súplicas da mãe. “andava de short e camiseta, minha mãe vivia pedindo para eu passar um batonzinho, botar um vestido.” tornar-se atriz lhe deu o ar mais de mulher e menos de menina. “estou virando mais feminina agora, passando rímel, corretivo, aprendendo a destacar os pontos de brilho. nunca nem comprei uma lingerie na vida! Quem sabe com 21 anos eu não descubro uma mulher mais sensual?”, brinca ela. a infância passada no interior de são Paulo, na cidade de itu, explica em parte essa personalidade mais inocente. bianca cresceu subindo em árvore, brincando descalça na rua de casa, comendo fruta do pé. “Jogava taco e futebol com os meninos. lembro que tinha um casarão do lado de casa, com uma mangueira enorme, pé de jaboticaba, carambola... pegava a fruta e comia ali na hora. era uma delícia!”, conta. entre os passatempos preferidos da adolescência, estava passear de bicicleta no final de tarde, depois da aula, e ir tomar café na avó. nascida na classe média, bianca precisou ajudar os pais no trabalho que sustentava a família: uma sorveteria na parte de baixo da casa onde morava. “eu e meu irmão íamos ajudar depois da escola. nunca pudemos viajar nas férias de verão, por exemplo, porque precisávamos ficar trabalhando. no máximo, às vezes, ir para a praia em julho, no frio. Meio programa de índio”, diverte-se ela. essa relação com a família sempre foi, aliás, muito forte para a atriz. e o que mais tem feito falta na rotina de bianca desde que fora morar no rio, há cinco anos. “assim que me mudei para o rio chorava muito, de solidão e medo de dar errado e ter que voltar para casa, mas tentava não demonstrar”, revela. o sacrifício, no entanto, tem lhe dado frutos pessoais e profissionais. “Quando penso que estou com 21 e já passando por tudo isso, acho que é um privilégio. Pouca gente está no lugar que estou. Dou muito valor para isso”, diz. a mãe

de bianca, a comerciante silvia elizabeth Franceschinelli, de 51 anos, ressalta a força de vontade da filha. “bianca é batalhadora e desde criança sempre foi muito econômica, pé no chão e madura”, gaba-se ela, orgulhosa.

Tímida e discreta

ajudar em casa nunca a impediu de ir bem na escola – apesar de ela assumir que chegou a colar nas provas de matemática – ou de se relacionar com os vizinhos e colegas de escola. Fazer amigos, aliás, é um dom de bianca. o problema na adolescência era a coisa de namorar. ela, por exemplo, foi a última do seu grupo de amigas a dar o primeiro beijo. “sou romantiquinha e nunca prestava atenção aos meninos. eram mais meus amigos mesmo. só fui beijar só com 13 para 14 anos”, lembra ela. Com Pedro brandão, ela faz a linha low profile. “Prefiro um filme, um jantar. sempre fui mais tranquila”, diz bianca, que vê no bom humor e na sinceridade a base de um relacionamento. Ciumenta assumida, a atriz conta estar conseguindo se controlar. “estou mais confiante. escorpião tem uma personalidade mais possessiva, mas não sou daquelas loucas que brigam. nunca pirei. Faço bico”, admite. Casamento, no entanto, passa longe dos seus planos no momento. admite que hoje faria mais para agradar aos pais, que dão importância ao ritual, do que a si mesma. Filhos então, só em um futuro distante, “com uns 30 anos”, quando estiver completamente estabilizada na carreira. “sonho em construir família grande, vários pirralhos correndo em volta da piscina fazendo churrasco de domingo, uma casa grande. e um pé de fruta no quintal”, imagina. Uma volta ao seu passado, lá atrás, no interior de itu. Doces lembranças. ProDUção De MoDa Marco Frige e Renato Telles


Capa

vestido Pucci para NK Store


‘‘Sonho em construir família grande, vários pirralhos correndo em volta da piscina fazendo churrasco de domingo, uma casa grande. E um pé de fruta no quintal’’


A viagem dos sonhos de ReginaCasé

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Turismo

A atriz e apresentadora aproveitou o show de RobeRto CARlos para fazer a viagem que sempre desejou. De formação católica, ela mergulhou no rio Jordão, cobriu-se com a lama do Mar Morto e contou que se preparou para visitar os lugares sagrados da terra santa Gisele Vitória, de Jerusalém

O primeirO dia de regina Casé em Jerusalém foi de surpresas. ao pisar na igreja de Todas as Nações, o Getsêmani, ao lado do Jardim das Oliveiras, onde Jesus passou sua última noite antes da crucificação, um padre rezava uma missa em português. “Não acreditamos que estava acontecendo aquilo em plena Jerusalém. era um grupo grande que vinha do Brasil e o padre fez o sermão em português. Foi emocionante”, contou a atriz e apresentadora. ela começava seu primeiro dia de roteiro turístico pela Terra Santa, ao lado do marido, o diretor de tevê estevão Ciavatta, e dos amigos Bia aydar, alex Lerner e Conceição Queiroz. Na casa de Sant’Ana e São Joaquim, onde nasceu a Virgem Maria

Regina Casé no Mar Morto 29


Turismo

Regina, o marido, Estevão, e a vista para Jerusalém

A atriz em frente ao Muro das Lamentações

Tamareiras com vista para o Mar da Galileia, ao fundo

Em Tel Aviv, onde experimentou roupas num antiquário

Tamareiras com vista para o Mar Morto

O jornalista Alex Lerner, com as turistas tailandesas que caíram na pegadinha de Regina e acreditaram ser ele um galã de novelas brasileiras

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“Tive formação católica. estava me preSi eugiamcor parando para vir. sum Quando soube do show do dolor pensei: sustrud roberto é a hora certa”, contou regina. dolenissed min a chegada, tarde daut noite da sexta-feira 2, foi autat, consequat umuttanto tumultuada. era o Shabat (nome do esed dolore sétimo diaex daeugiam semana e que em hebraico signiessim fica “cessar de trabalhar”. O Shabat não é somente um dia de descanso. É um dia santo, quando as pessoas devotam-se para a renovação espiritual e para a atividade religiosa). O motorista que levava o grupo para o hotel se perdeu e foi parar no bairro ortodoxo. “Ninguém pode andar de carro lá na noite do Shabat. porque isso significa gastar energia. Ficaram bravos conosco. Ficamos assustados até chegar no hotel”, contou a empresária Bia aydar. depois, foi só alegria. “Chorei na igreja do Santo Sepulcro (onde acredita-se que Jesus foi crucificado e onde teria ressuscitado). Foi muito emocionante”, disse regina. Na passagem pelo túmulo de davi, no monte Sião, regina aprontou com o amigo alex Lerner. inventou para um grupo de tailandesas que ele era um ator famoso no Brasil e que beijava muito bem. “Quando ela disse isso, veio um enxame de tailandesas para tirar foto com o alex. Foi engraçadíssimo”, contou Bia aydar. a viagem teve direito a lances únicos. No dia da visita a Galileia, regina e estevão vestiram roupas brancas apropriadas para o batismo e se banharam no rio Jordão, onde João Batista teria batizado Jesus. Também se divertiram no mar morto. Boiaram nas águas mais salgadas do planeta e o local mais baixo da Terra, aproximadamente 400 m abaixo do nível do mar. depois, passaram a milagrosa lama preta por todo o corpo e rosto. “essas fotos não dá para publicar”, reagiu a amiga Bia aydar, mostrando as imagens da diversão de regina e estevão. Um dos pontos mais impressionantes para o grupo foi a cidade de massada, próximo ao mar morto. em 40 a.C., Herodes fugiu de Jerusalém e se refugiou com a família em uma fortaleza no topo da montanha. depois, seguiu para roma. escolhido para ser o rei da Judeia, em 37 a.C., ele retornaria a massada com legiões romanas. “É um lugar espetacular”, disse ela. antes de voltar para o Brasil, a atriz coroou a viagem dos sonhos com o show de roberto Carlos no Sultan’s pool. “Foi inesquecível.”


‘‘Tive formação católica. Estava me preparando para vir. Quando soube do show do Roberto pensei: é a hora certa’’

Em Massada, onde Herodes se refugiou


Entrevista

“Nós nos sentimos

em casa no Brasil”

A italiana MonicA Bellucci vai morar no Rio por seis meses para rodar um filme junto com o marido, Vincent cassel. À Gente, a atriz declara seu amor ao País e conta como a maternidade a transformou: “Foi um alívio tirar o foco de mim mesma” Elaine Guerini, de Veneza

Monica Bellucci aproveitou o belo cenário de veneza, às margens do Mar adriático, para reafirmar as suas raízes italianas. “Sou mãezona. Gosto de cuidar da minha família’’, disse a atriz, companheira do ator francês vincent cassel, com quem tem duas filhas: Deva, 7 anos, e leonie, um ano e meio. Mas a beldade nascida e criada na região da Úmbria é, como ela mesma diz, uma “cidadã do mundo’’. Quando Monica e o marido não estão passando temporadas fora, por conta de filmagens, moram em roma, paris ou londres. “não paramos muito tempo num lugar só’’, contou ela, que se prepara para desembarcar em dezembro no rio de Janeiro, onde a família passará cerca de seis meses. “encontramos a desculpa perfeita para curtir o rio: fazer um filme lá.’’ ainda sem título definido, essa coprodução entre Brasil e França será uma his-

tória de amor protagonizada pelo casal e ambientada antes, durante e depois do carnaval carioca. “vincent passou o último carnaval no Brasil justamente para escolher locações e negociar com as escolas de samba’’, afirmou a atriz, que já dividiu a tela com o marido várias vezes, como em L’Appartement, Brotherhood of the Wolf e no polêmico Irreversível. Desta vez, eles viverão dois estrangeiros que se apaixonam de passagem pelo Brasil. “vincent e eu temos uma grande paixão pelo país e queremos dividi-la com o resto do mundo.’’ Monica concedeu uma entrevista à Gente no Hotel excelsior, no lido de veneza. ela desembarcou no balneário para promover o longa-metragem Aquele Verão, um dos concorrentes ao leão de ouro da 68ª edição do festival de cinema italiano – encerrado no sábado 10. Dirigida pelo francês philippe Garrel, Monica interpreta no drama (com estreia prevista para janeiro no Brasil) uma atriz mimada e egocêntrica que procura ser sempre o centro das atenções – a ponto de nem cogitar a ideia de ter filhos. “Sou o oposto. Minha vida só floresceu com a maternidade. Foi um alívio tirar o foco de mim mesma.”


alberto pizzoli/ afp

Monica em Veneza, durante o festival de cinema, onde seu mais recente filme, Aquele Ver達o, concorreu ao Le達o de Ouro


Entrevista “Vincent e eu temos uma grande paixão pelo Brasil e queremos dividi-la com o resto do mundo’’, conta a atriz

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IstoÉGente 9/9/2008 – 999


Você posou nua para a revista Vanity Fair durante a gravidez da segunda filha. E a primeira vez em que aparece em Aquele Verão você está nua, deitada na cama. É um orgulho poder exibir o corpo aos 47 anos? É sempre um desafio. principalmente durante e depois de uma gravidez, quando a mulher está com a feminilidade fragilizada. no caso do filme foi ainda pior, pois eu tinha dado à luz um mês antes do início das filmagens e ainda não tinha recuperado a forma. Mas topei por considerar um momento poético e elegante, que me fez sentir como se eu estivesse numa pintura, e por ter confiança total em philippe. Sempre achei que o ator não pode se deixar levar pelas inseguranças, já que seu corpo é um objeto de trabalho. Está mais difícil conciliar a vida profissional com a pessoal, agora que você é mãe de duas crianças? está. o bom é que a beleza de ser mãe compensa tudo. eu me sinto mais forte, completa e serena. É claro que muitas vezes, antes de sair de casa para trabalhar, eu me sinto dividida. Mas não tem como ser diferente. a verdade é que tive muita sorte por ter conseguido engravidar aos 45 anos. Vincent também fica dividido, por conta das meninas? Sim. a vantagem é que ele não precisa amamentar (risos). Durante as filmagens de Aquele Verão, eu tinha de parar a cada duas horas para amamentar a minha filha.

‘‘Eu tinha dado à luz um mês antes do início das filmagens e ainda não tinha recuperado a forma. Mas topei (aparecer nua no filme) por considerar um momento poético e elegante, que me fez sentir como se eu estivesse numa pintura’’

Está feliz com a casa dominada pelas mulheres? Sim. a atmosfera de uma casa tomada por garotas é sempre mais divertida e acolhedora. Minhas filhas são muito meigas. Só espero que vincent não fique mimado com tantas mulheres ao seu redor (risos). Qual o segredo para um casamento feliz entre dois atores? continuamos juntos, mas não sei explicar como conseguimos. ainda há algo muito forte entre nós. o curioso é que nem nós procuramos desvendar o que temos. o amor é um mistério até para as pessoas envolvidas. Como é viver um romance com o marido nos sets de filmagem? Vocês mesmos criaram a história do filme que será rodado no Brasil, não? É sempre prazeroso me apaixonar por vincent de novo. tenho muito orgulho dele como ator. nós sempre adoramos trabalhar juntos. tanto que nós mesmos corremos atrás desse projeto. vincent é o produtor do filme justamente para fazermos tudo do nosso jeito (Monica preferiu não divulgar o nome do diretor, que ainda está em negociação com o casal).

alberto pizzoli/ afp

Por visitar o Brasil há mais de 20 anos, Cassel fala português fluentemente. E você? Está aprendendo? ainda não. Minha sorte é que consigo entender muita coisa por ser uma língua latina (além do italiano, Monica fala francês, inglês e um pouco de espanhol). Por que filmar no Brasil? escolhemos o Brasil, no caso o rio, simplesmente porque gostamos muito de estar lá. tivemos uma experiência excelente quando vincent rodou À Deriva, com Heitor Dhalia. amamos a comida, o clima e, obviamente, o povo brasileiro. as pessoas são mais soltas, exatamente como nós. nós nos sentimos em casa no Brasil. 53


Diversão & Arte

AVALIA ★★★★★ INDISPENSÁVEL ★★★★ MUITO BOM ★★★ BOM ★★ REGULAR FRACO

música

Aos 30 anos de carreira, Zélia Duncan debuta no teatro, lança DVD em que canta sucessos de Roberto Carlos, prepara disco com a obra de Itamar Assumpção e avalia sua passagem pelo grupo Os Mutantes

Zélia Duncan

“Sou um pouco cachorro vira-lata” BEM QUE ZÉLIA DUNCAN avisou no título do álbum que lançou em 2004: eu me transformo em outras. Aos 30 anos de carreira, a artista ainda trilha diferentes caminhos. Enquanto promove o DVD Pelo Sabor do Gesto em Cena, em que canta duas músicas antigas de Roberto Carlos, a cantora se aventura no teatro, debutando como atriz em Totatiando, em cartaz no Sesc Belenzinho, em São Paulo, até o domingo 18. No espetáculo, Zélia dá tom teatral às músicas do compositor paulista Luiz Tatit. Ao mesmo tempo, ela já prepara para 2012 CD dedicado à obra de Itamar Assumpção (1949 – 2003). À Gente, Zélia falou dos novos projetos e fez um balanço de sua trajetória. Por que você decidiu se aventurar como atriz? Porque sempre enxerguei personagens dentro das letras do Tatit. E quis abordar essas músicas num espetáculo com lente de aumento. É um jeito diferente de estar em cena. As canções ganham vida por meio da voz falada. Interpreto as letras e digo alguns textos que me situam em relação a São Paulo. Não é show, mas é música. Não é poesia, mas é poético. Que balanço faz de seus 30 anos de carreira? Me sinto completamente iniciante. E é justamente isso que me encanta. Se você perde a curiosidade, está lascado. Fico emocionada com o que passou e excitada com o que virá. Sou experiente no que faço, mas tenho um frescor interno. Sou bastante plural e acho que o artista tem um pouco a função de confundir.

Fotos DIVULGAÇÃO

Seu projeto de fazer disco com as músicas do Itamar Assumpção vai mesmo sair do papel? Sim, neste ano, resolvi me dar três presentes. Um é o espetáculo com as músicas do Tatit. O outro é o DVD do show Pelo Sabor do Gesto. E o terceiro é o projeto do Itamar. Este disco já é embrionário há alguns anos. É para o primeiro semestre de 2012. Tudo é relevante na obra do Itamar. Por que o DVD Pelo Sabor do Gesto em Cena não tem caráter retrospectivo, já que celebra seus 30 anos de carreira? Meu DVD não é nostálgico. Sempre fiz o que acreditei sem achar que tinha que mimar o mercado. E não vai ser agora, com o mercado se diluindo, que eu faria diferente. É legal pra caramba fazer muito sucesso, traz conforto. Mas sempre procurei cami-

nhos alternativos. A Biscoito Fino (gravadora que edita o DVD) tem essa coisa familiar. A gente trabalha junto. Ninguém reclamou quando eu apresentei o repertório do DVD. Nunca vou achar ruim cantar “Catedral” (a música que deu fama a Zélia em 1995). Adoro cantar músicas conhecidas. Mas eu preciso andar para frente. Eu preciso vestir a camisa do meu time. E o meu time sou eu hoje, com 46 anos de vida e 30 de carreira. Pago um preço por isso? Pago! Você faz um programa (de tevê) e os caras querem que você cante sempre as mesmas músicas. Tem de negociar e isso é cansativo.


‘‘Adoro cantar músicas conhecidas. Mas eu preciso andar para frente. Eu preciso vestir a camisa do meu time. E o meu time sou eu hoje, com 46 anos de vida e 30 de carreira. Pago um preço por isso? Pago!” “Gravar as músicas do Roberto exorcizou a tristeza de não ter sido chamada para cantar para ele”

Considera um erro não ter aceitado o convite da Rede Globo para gravar a música “Quem de Nós Dois” para a trilha sonora da novela Um Anjo Caiu do Céu, já que a música se tornou um grande sucesso de 2001 na voz da Ana Carolina? Nunca me arrependi. Talvez se eu tivesse gravado a música ela não tivesse feito tanto sucesso. A história da gente é inevitável. Era a história da Ana, não a minha. Não me vejo cantando aquela música. Imagino que tenham pensado coisas do tipo “a Zélia deve se roer”. Acho essa história até divertida. Por que incluiu duas músicas de Roberto Carlos no show, “Por Isso Corro Demais” e o esquecido fox “I Love You”? Vou te contar uma coisa: fiquei muito triste de não ter sido chamada por ele para cantar naquele show (Zélia se refere ao show de 2009 Elas Cantam Roberto, em que o Rei convidou várias cantoras para interpretar suas músicas). Mas agora está tudo bem. Gravar essas duas músicas exorcizou a tristeza. Minha mãe conta que eu cantava as músicas do Roberto quando brincava. Incluir o “I Love You” no show foi um grito de rebeldia. Fiquei feliz de redescobrir essa canção. Gostou de fazer parte do grupo Os Mutantes por um tempo? Sim, faria de novo. Foi importante e não me arrependo de nada. Nunca me senti uma Mutante de verdade: não sou boba, não sou criança... Quando fui no primeiro ensaio, eu enlouqueci, fiquei excitada com o som deles. Brinquei de ser de uma banda. Foi uma grande honra ser backing vocal do Sérgio e do Arnaldo Baptista. Meu primeiro solo era somente na oitava música. Algum momento de desânimo nesses 30 anos? Claro, mas eles não duram muito, não. Sou um pouco cachorro viralata. O vira-lata é escorraçado num momento. Em outro, é só chamar que ele vai como se nada tivesse acontecido. No fundo, ainda me sinto como aquela adolescente de 16 anos que morava em Brasília e vivia com o violão do lado, querendo tocar. Mauro Ferreira 77


ESTILO CASA por Silviane Neno

Pronta para a festa Dentro de um condomínio fechado e longe do burburinho da metrópole, a casa da DJ Cris Proença, em São Paulo, é um oásis minimalista, mas com cenário perfeito para uma rave chique fotos Marcelo Navarro


Na foto maior, Cris Proença usa vestido de Obi Isabella Giobbi e sandália Estúdio TMLS. No alto, a cabine de dj faz dobradinha com o bar no estar principal da casa com projeto e décor de Fernanda Marques

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ESTILO CASA

O jardim tem projeto de Gilberto Elkis e consumiu 4 mil mudas. Ao lado, a coleção de corselets usados por Cris nas suas apresentações como dj. O spa, integrado à suíte do casal, tem vista para a piscina no piso inferior

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Cris Proença olha para o futuro e pensa em... música. É assim no trabalho (ela é uma das sócias do club Kiss & fly e do Budha Bar, em são Paulo) e em casa. Quando convocou a arquiteta fernanda Marques para tocar a reforma de seu palacete, de estilo neo-clássico em alphaville, há 24 quilômetros da capital, ela fez duas exigências: queria uma atmosfera mais contemporânea e um lugar para a sua pick up, além de espaço para uma pista de dança. as pequenas mudanças ganharam ares de grande projeto à medida que paredes foram sendo postas abaixo, e a casa, como diria Dona armênia, foi “ao chon”. a reforma durou um ano até que a casa chegasse ao que se vê hoje, uma construção moderna com ambientes amplos, formas puras e muita iluminação natural. no estar principal, de pé-direito altíssimo, vê-se um teto de vidro acima da sala de jantar onde o céu é o limite. “Já jantamos muitas vezes à luz da lua. até a um eclipse assistimos daqui”, conta Cris. a casa foi concebida para receber uma família pequena; Cris e o marido, Milton, têm apenas um filho de 14 anos. Mas, ao mesmo tempo, acolheu hábitos e caprichos dos três. o dela é, digamos, o mais extravagante. seu equipamento de som ganhou uma cabine que se transformou no maior atrativo da casa. a mesa, em estilo futurista, foi inspirada no

trabalho do genial indiano anish Kapoor e levou oito meses para ficar pronta. a peça lembra uma grande escultura (Kapoor é o autor do “Cloud Gate”, o “feijão” de aço exposto em Chicago) e empresta um cote meio factory ao ambiente limpo, sem excessos e predominantemente branco. o filho ganhou quarto com espaço para instrumentos musicais de uma banda de rock, e Milton quis equipamentos de ginástica no closet. o sistema de som distribui a música de Cris por todos os ambientes e, do quarto do adolescente, vem uma participação ao vivo de bateria. os empregados nem estranham mais aquela casa com jeito de estúdio de gravação. e, quando as festas acontecem, os mil metros quadrados parecem interagir numa dinâmica perfeita com a circulação de pessoas e os móveis com jeitão de lounges. a maior parte do mobiliário veio da Micasa e da Montenapoleone. Destaque para a flag halyard chair da Danish Design. o jardim, com projeto de Gilberto elkis, tem parede viva construída com 4 mil mudas de 10 espécies diferentes. É o pano de fundo para a piscina, que se comunica com um espelho d’água por uma fonte, toque final daquela natureza urbana. Gaúcha, ex-modelo e DJ profissional há quatro anos, Cris quis participar das escolhas de móveis e objetos, mas admite que arte não é muito o seu forte. Por isso, à exceção de algumas boas peças como a escultura de Jeff Zimmerman, junto à lareira, o capítulo ‘galerias de arte’, ficou para mais tarde. nada que comprometa a estética de uma casa com o jeito e a personalidade de seus donos. o mais importante está ali – a atmosfera de lar: a cozinha a pleno vapor, com cheirinho de baunilha, vindo de um suflê; os amigos do filho chegando; e a dona da casa, moderna e sexy, tocando na pick up futurista o seu último CD. 59


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