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EXCLUSIVO: COMO O BRASIL VAI USAR TESTES DE DNA PARA DESCOBRIR TALENTOS

PÁTRIA AMADA

DIFERENÇAS QUE VALEM OURO

ATLETAS CONSAGRADOS VESTEM FARDA PARA DEFENDER O BRASIL NOS JOGOS MUNDIAIS MILITARES, PRIMEIRO GRANDE TESTE PARA A RIO 2016

A CIÊNCIA EXPLICA POR QUE ATLETAS NEGROS SÃO IMBATÍVEIS NAS PISTAS E OS BRANCOS, MAIS RÁPIDOS NA ÁGUA

MAGUILA PEGA PESADO

NEGÓCIOS DE OLHO NA OLIMPÍADA, UNIVERSIDADES LANÇAM CURSOS DE EXTENSÃO E MBAS VOLTADOS PARA O ESPORTE

ONG DO MAIS POLÊMICO BOXEADOR BRASILEIRO PREPARA LUTADORES E ATÉ BAILARINAS, MAS O EX-CAMPEÃO NÃO AMOLECE: “POPÓ É UM CHORÃO”

PRONTA PARA A BRIGA

CANDIDATA AO PÓDIO OLÍMPICO NA MARATONA AQUÁTICA, POLIANA OKIMOTO ENFRENTA CORRENTEZAS TRAIÇOEIRAS, COTOVELADAS DE RIVAIS E TUBARÕES, MAS NADA SE COMPARA AO DESAFIO DE SE TORNAR A PRINCIPAL NADADORA DO PAÍS

POR HÉLIO DE LA PEÑA

www.istoe2016.com.br

VENDA PROIBIDA - EXEMPLAR DE DISTRIBUIÇÃO GRATUITA E PARTE INTEGRANTE DA EDIÇÃO 2170 DA REVISTA ISTOÉ

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Junho/2011 Edição 34 Ano 2


eXPedieNte EDITOR E DIRETOR RESPONSÁVEL DOMINGO ALZUGARAY EDITORA CÁTIA ALZUGARAY PRESIDENTE EXECUTIVO CARLOS ALZUGARAY DIRETOR EDITORIAL CARLOS JOSÉ MARQUES DIRETOR EDITORIAL-ADJUNTO LUIZ FERNANDO SÁ EDITOR-EXECUTIVO AMAURI SEGALLA EDITOR EDSON FRANCO EDITOR DE ARTE PEDRO MATALLO EDITOR-EXECUTIVO DE FOTOGRAFIA CESAR ITIBERÊ EDITOR DE FOTOGRAFIA MAX GPINTO COLABORADORES

Alexandre Lyrio, Amauri Knevitz Jr., Flávia Ribeiro, Hélio de La Peña, Jaime Lerner, Juliana Cariello, Lucas Bessel, Luiza Villaméa, Márcio Kroehn, Marisa Folgato, Patrícia Diguê, Ralphe Manzoni Jr., Solange Azevedo, Tom Cardoso e Walter Paschoalino Neto (textos); Bruno Miranda/Na Lata, Daryan Dornelles, Jefferson Bernardes, Jorge Bispo, Maurício Nahas, Rogério Albuquerque e Rogério Cassimiro (fotos); L. Braga Jr. e Jana Mell (produção)

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06 JuNHo 2011 | ISTOÉ 2016

MARKETING PUBLICITÁRIO: DIRETORA: Isabel Povineli GERENTE: Maria Bernadete Machado COORDENADORA: Simone F. Gadini ASSISTENTES: Ariadne Pereira, Laliane Barreto e Marília Trindade 3PRO: DIRETOR DE ARTE: Victor S. Forjaz REDATORA: Marianne Bechara PUBLICIDADE ONLINE: GERENTE: Michele Gonzaga 2016 é uma publicação trimestral da Três Editorial Ltda.. Redação e Administração: Rua William Speers, 1.088, São Paulo/SP, CEP: 05067-900. Fone: (11) 3618-4200 – Fax da Redação: (11) 3618-4324. São Paulo/SP. Sucursal no Rio de Janeiro: Av. Almirante Barroso, 63, sala 1510 Fone: (21) 2107-6650 – Fax (21) 2107-6661. Sucursal em Brasília: SCS, Quadra 2, Bloco D, Edifício Oscar Niemeyer, sala 201 a 203. Fones: (61) 3321-1212 – Fax (61) 3225-4062. 2016 não se responsabiliza por conceitos emitidos nos artigos assinados. Comercialização: Três Comércio de Publicações Ltda. Rua William Speers, 1.212, São Paulo/SP Distribuição exclusiva em bancas para todo o Brasil: FC Comercial e Distribuidora S.A. Rua Dr. Kenkiti Shimomoto, 1678, Sala A, Osasco - SP. Fone: (11) 3789-1623 Impressão: Editora Três Ltda. Rodovia Anhanguera, km 32,5/CEP 07750-000 – Cajamar/SP e Prol Editora Gráfica Ltda. Av. Luigi Papaiz, nº 581/CEP 09931-610, Diadema/SP


editorial

Números, pessoas e bom humor

E

xistem diversas maneiras possíveis de contar uma história. Na imprensa brasileira, há atualmente certa tendência de sufocar o leitor, o telespectador e o ouvinte com uma avalanche de estatísticas e dados enciclopédicos que, sem dúvida, podem ser valiosos para a análise fria dos fatos. No campo esportivo, o problema é o exagero sem sentido – como se apenas isso bastasse para a cobertura de um evento. Os jornalistas dos Estados Unidos são mestres na arte de criar e cruzar informações matemáticas. Basta dar uma espiada em um jogo da NBA para ter acesso a todo tipo de números capazes de iluminar a compreensão técnica da partida. A diferença é que os americanos não abdicam do aspecto que, afinal, realmente importa: o humano. Alguns dos melhores perfis de atletas, dirigentes, empresários, políticos e celebridades que gravitam no universo dos esportes foram escritos com doses generosas de estatísticas combinadas com a vida pulsante dessas pessoas. Contar histórias amparadas nessas duas formas de fazer jornalismo é o que move a equipe da 2016. Nesta edição, adicionamos um novo elemento em algumas de nossas reportagens: o humor. A capa que retrata as duas principais maratonistas aquáticas do Brasil – Poliana Okimoto e Ana Marcela Cunha – traz um rosário de informações cruciais a respeito da trajetória das atletas e revela as angústias, sonhos e desafios que marcam a vida delas. Em vez de produzir um material convencional, convidamos o casseta Hélio de La Peña, ele próprio um nadador de águas marítimas, para escrever o artigo. O resultado, como você verá nas páginas da 2016, é um primor de jornalismo associado a humor inteligente. Igualmente divertida é a reportagem sobre o ex-boxeador Maguila, uma figura capaz de disparar frases tão risíveis quanto surpreendentes que certamente colocarão um sorriso nos lábios dos leitores da 2016. “O bom humor tem algo de generoso: dá mais do que recebe”, escreveu o filósofo francês Émile-Auguste Chartier. “O humor é a arte de fazer cócegas no raciocínio”, disse Leon Eliachar, jornalista egípcio radicado no Brasil. Eles estão certos. Divirta-se. AmAuri SegAllA Editor-ExEcutivo asegalla@istoe.com.br


colaboradores

rogério Cassimiro

Jorge BisPo

Formado em artes plásticas pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Jorge Bispo colabora com alguns dos principais veículos de imprensa do Brasil. Hoje é professor da Escola de Fotografia Ateliê da Imagem e tem obras expostas em diversas coleções importantes dentro e fora do País. Nesta edição da 2016, é responsável pelas imagens que ilustram a reportagem sobre as diferenças (e semelhanças) entre atletas brancos e negros.

Rogério Cassimiro, 37 anos, é fotógrafo profissional desde 2000. Foi editor da Folha Online e fez parte da equipe do jornal até 2008. Apaixonado por imagens subaquáticas, já clicou alguns dos nadadores mais importantes do Brasil, como Thiago Pereira, Gustavo Borges, Poliana Okimoto e Ana Marcela Cunha, essas duas últimas para esta edição da 2016.

Jaime lerner

Referência mundial em planejamento de cidades, o arquiteto Jaime Lerner já foi duas vezes prefeito de Curitiba e duas vezes governador do Paraná. Responsável pelo plano diretor da capital mais verde do Brasil, foi também um dos criadores do eficiente sistema de transporte público do município. Atualmente, é consultor de urbanismo da ONU (Organização das Nações Unidas). Sobre o papel transformador da arquitetura, defende uma abordagem ousada: “As mudanças têm de ser rápidas”, diz. “Inovar é começar.”

Pedro dias

Nascido em São Paulo, Pedro Dias, de apenas 20 anos, é um prodígio atrás das lentes. Começou como assistente de fotografia, trabalhou com profissionais da publicidade e da moda e, hoje, é colaborador assíduo das publicações da Editora Três. Também atua como assistente de fotografia para produções do cinema, arte que considera “um vício”. Quando criança, sonhava em entrar para as Forças Armadas, aspiração parcialmente realizada nesta edição da 2016: foi ele que capturou as imagens da reportagem sobre os Jogos Mundiais Militares.

Hélio de la Peña

mauríCio naHas

Ganhador de dois leões de prata e um leão de bronze em Cannes, Maurício Nahas, 45 anos, trabalha para as mais importantes agências de publicidade do Brasil, além de ser colaborador de renomados veículos de imprensa. Apesar de ter estudado até o terceiro ano da Faculdade de Medicina da Santa Casa, apaixonou-se pela fotografia e, ainda nos anos 1990, abriu o próprio estúdio. As imagens espetaculares dos craques brasileiros da esgrima publicadas nesta edição são de sua autoria.

Humorista, redator e engenheiro, Hélio de La Peña – cujo verdadeiro nome é Hélio Antonio do Couto Filho – se tornou um dos nomes mais conhecidos da televisão brasileira graças ao programa "Casseta & Planeta", exibido pela Rede Globo. Sua veia criativa, porém, vem de muito antes, dos tempos de faculdade, quando ajudou a fundar o jornal "Casseta Popular" ao lado dos colegas Beto Silva e Marcelo Madureira. Atleta amador, Hélio escreveu para a 2016 sobre Poliana Okimoto e Ana Marcela Cunha, estrelas da maratona aquática, esporte que ele também pratica.


CARTAS

Paraolímpicos

Sou deficiente físico, praticante de esportes e um profissional bem-sucedido na área de administração de empresas. Posso dizer com conhecimento de causa: fiquei orgulhoso ao ler a reportagem “Extraordinários”, sobre os atletas paraolímpicos brasileiros. O texto trata do assunto com a seriedade que merece, sem a falsa piedade que tanto me incomoda quando outras publicações escrevem sobre o tema. Parabéns em especial para o fotógrafo e deficiente visual Teco Barbero, que registrou imagens sensacionais dos atletas. Enfim, um trabalho jornalístico primoroso.

Ronaldo Vasconcellos Jundiaí – SP Que bela sacada pedir a um deficiente visual para fotografar atletas paraolímpicos. A ideia demonstra a sensibilidade da equipe da 2016 e a vocação da revista para ousar.

Cristiane Antonik São Paulo – SP

O pódio é delas

Cada vez mais as mulheres brasileiras descobrem no esporte uma possibilidade viável de carreira. Não vai demorar para que elas superem os homens em número de medalhas olímpicas trazidas para o Brasil.

Rosana Mendes Oliveira Belo Horizonte – MG

Belezas do Rio

Uau! É de tirar o fôlego o ensaio fotográfico aéreo do Rio de Janeiro feito pelo fotógrafo Cássio Vasconcelos. Moro na Barra da Tijuca há mais de 30 anos e nunca tive a oportunidade de ver imagens tão espetaculares de lugares que ficam perto de casa. Tenho muito orgulho desta cidade e estou convicto de que faremos os Jogos Olímpicos mais exuberantes de todos os tempos.

Acompanhe a 2016

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Conteúdo extra

José Luiz Alcides Rio de Janeiro – RJ

Neymar e Lucas

Como alguém ainda pode perguntar se o Neymar é o cara? Claro que ele é um jogador excepcional. O Neymar e o Lucas vão formar uma das melhores duplas ofensivas da história do futebol brasileiro.

Rogério César Belchior Campinas – SP

Negócios

Gosto muito das reportagens da 2016 que retratam oportunidades de negócios proporcionadas pelos Jogos do Rio. Tenho uma empresa na área de turismo e posso garantir que nunca os ventos sopraram tanto a favor.

Arthur Cesena São Paulo – SP

Assista ao making off da sessão de fotos para o ensaio com os atletas da esgrima, confira a galeria de fotos feitas para a reportagem sobre os Jogos Militares e acompanhe o vídeo com a nadadora Poliana Okimoto


ÍNDICE

EXPEDIENTE

06

EDITORIAL

07

COLABORADORES

08

CARTAS

19

CLIQUE OLÍMPICO

20

SEÇÕES AQUECIMENTO Sobrevivente profissional do Discovery Channel, Bear Grylls fala sobre esporte, superação e fama

24

34 entrevista

RAIO X Conheça as regras, a história e os atletas brasileiros que sonham em conquistar uma medalha no handebol

32

68 aprendiZado olÍmpiCo

ARTIGO O arquiteto Jaime Lerner escreve sobre os desafios urbanísticos que o Rio de Janeiro vai enfrentar

Medalhista olímpico, Fernando Scherer, o Xuxa, fala sobre os Jogos de 2016, conquistas e, claro, mulheres De olho na Rio-2016, universidades lançam cursos de extensão e MBAs voltados ao esporte

72

74 vila verde

O desafio de tornar a Vila Olímpica do Rio em exemplo permanente de construção sustentável

82 duelo moderno

PERFORMANCE Os equipamentos utilizados por atletas amadores e profissionais da vela

104

CONCENTRAÇÃO Conheça o museu olímpico e os melhores acervos esportivos do planeta

106

PAINEL Pesquisa revela que brasileiros preferem atletismo a futebol

108

PÁGINA DOURADA Abandonado pelo pai, o ginasta Nikolai Andrianov transformou rebeldia em medalhas

114

A luta do Brasil para formar campeões na esgrima, esporte que distribui 30 medalhas olímpicas

90 a volta de maGuila

O maior peso-pesado da história do boxe brasileiro agora quer formar campeões para 2016

94 a veZ da periferia

Rodrigo Rocha saiu de uma favela de São Paulo para se tornar um dos jovens mais rápidos do Brasil

100 alemão Bem Brasileiro

Fundada por germânicos há 143 anos, a Sogipa coloca Porto Alegre no mapa olímpico


40 rivalidade em alto-mar As maratonistas aquáticas Poliana Okimoto (foto) e Ana Marcela Cunha disputam o pódio da natação brasileira

56 Questão de raça

78 desafio na travessia Depois de cruzar o Canal da Mancha, o paraolímpico Marcelo Collet tenta ir à terceira Olimpíada

48

primeiro teste para 2016 Atletas consagrados como a nadadora Simone Lima vestem farda para disputar os Jogos Mundiais Militares no Rio

Até que ponto a herança genética influencia no desempenho dos atletas vencedores como o nadador Kaio Márcio?


CliqueOlĂ­mpicO imagens surpreendentes dO espOrte

42 km e uma ak 47


Tudo é mais difícil na Faixa de Gaza. O atendimento médico é precário. O acesso à educação básica, limitado. Os bens de consumo – incluindo os mais simples – passam por um rígido controle israelense, a fim de garantir que armas não cheguem às mãos de extremistas. O direito de ir e vir não é para todos. Nesse ambiente hostil, foi realizada em maio a primeira maratona da história da Faixa de Gaza – o que revela a força do esporte como instrumento pacificador. De amarelo, o atleta olímpico palestino Nader Masri, que correu sob os olhos (não muito atentos) de um policial do movimento islâmico Hamas, armado com o onipresente rifle AK 47. À beira-mar da Cidade de Gaza, 42 km são muito mais do que uma maratona

AFP / MARCO LONGARI


CliqueOlímpicO

Homem elástico


A câmera de Photo Finish é utilizada em provas de corrida. É um recurso essencial para tirar a dúvida sobre o resultado final de competições decididas em milésimos de segundo, quando o olho humano e as lentes tradicionais não são capazes de apontar o vencedor. A Photo Finish captura imagens muito estreitas que, colocadas em sequência, formam um quadro completo das posições de chegada. Se aplicada a um esporte como o salto em distância, o efeito pode ser curioso. Aqui, o atleta jamaicano Keneil Grant ganha braços elásticos enquanto pula durante uma competição nos Estados Unidos. O fundo, que parece estar em movimento, na realidade é a repetição quase infinita da mesma imagem fotografada inúmeras vezes.

Heinz Kluetmeier /Sports Illustrated/Getty


entrevista | xuxa

todos querem f e r n a n d o s c h e r e r


O catarinense Fernando scherer jura que, desde que

começou a namorar a dançarina sheila Mello, não faz mais sucesso com as mulheres. “estou parado”, diz. “ninguém nem olha para mim na rua.” Dono de dois bronzes (Atlanta-1996 e Sidney-2000), 17 medalhas em Pan-Americanos (sete de ouro) e bicampeão mundial nos 100 metros livre em piscina curta, Xuxa não tem se dedicado só ao casamento. Aos 36 anos, é comentarista da Rede Record, empresário e palestrante – além de participante de reality show e figura cativa em campanhas de publicidade. As múltiplas atividades e a vocação para os holofotes fizeram dele uma celebridade também fora do esporte. Em entrevista à 2016, o ex-atleta conta por que se aposentou, fala sobre a vida pessoal e faz uma radiografia da natação. “O Brasil ainda precisa trabalhar muito para que a Olimpíada se torne uma realidade.”

O Rio de Janeiro será capaz de organizar uma Olimpíada de qualidade? Acredito que a Olimpíada de 2016 pode ser extraordinária. Mas é necessário que os gastos sejam bem controlados e todas as obras sejam concluídas a tempo.

O término das obras o preocupa?

O término e o valor. Muitas vezes, atrasam as obras e, depois, para entregar logo, tudo fica mais caro. A gente já sabe há muito tempo que a Olimpíada será no Brasil. Então, todas as obras já deveriam ter começado. Onde, por exemplo, vai ser a piscina olímpica? De qualquer forma, acredito que a estrutura será tão boa que a minha preocupação maior é após os Jogos Olímpicos. Essa estrutura terá de servir como um polo para outros atletas, como um celeiro.

entrevista FernanDO sCHerer, BRONZE NOS JOGOS DE ATLANTA E SIDNEY E CAMPEÃO MUNDIAL DOS 100 M EM PISCINA CURTA por solange azevedo foto bruno miranda

O Brasil está preparado para sediar eventos globais como a Copa e a Olimpíada?

O Brasil ainda precisa trabalhar muito para que a Olimpíada se torne uma realidade. Apesar de o futebol ser uma paixão mundial, a Copa funcionará como um grande treino para os Jogos Olímpicos, que, em termos esportivos, é muito maior e recebe muito mais gente. O que não for perfeito em 2014 poderá ser repensado para 2016.

Por que a natação brasileira não revela campeãs?

A natação feminina está melhorando. A Fabíola Molina está dando resultados, apesar de ter 36 anos. A Joana Maranhão também. O problema é que, para tirar um campeão mundial ou um medalhista olímpico na natação, é preciso ter quantidade. E o número de meninas querendo sofrer, treinar e se dedicar é muito menor que o de homens. O medo de ficar com o corpo masculinizado é complicado. Muitas desistem antes mesmo de se tornarem atletas.

Mas a natação não é, também, um esporte de elite?

Esse é um problema tanto para a natação feminina quanto para a masculina. Faltam piscinas em todos os Sesc, Sesi, nas escolas públicas, nas universidades federais. Se o Brasil desse o devido valor à natação, como nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Austrália e na França, o esporte cresceria muito.


entrevista | xuxa

Em que lugar você se colocaria no ranking dos nadadores brasileiros?

Hoje eu colocaria o Cesar Cielo em primeiro lugar. Ele é o único medalhista de ouro do Brasil. É o melhor do mundo da atualidade nas provas dele. Mas o que aconteceu foi que eu e o Gustavo, juntos, alavancamos a natação brasileira. Se o Gustavo tivesse ficado sozinho, não teria tido tanta repercussão na mídia. Nossa rivalidade foi muito positiva. Deu retorno de mídia, conseguimos patrocínios e mais visibilidade para o esporte. E, atualmente, o Cielo se beneficia disso.

O Ricardo Prado entraria em que posição?

Eu o colocaria depois do Gustavo e de mim. Ele deu um grande resultado como atleta, mas a época dele era diferente. O Ricardo ganhou uma medalha de prata na Olimpíada de 1984 (Los Angeles) e, depois, o Brasil só ganhou outra olímpica em 1992 (Barcelona), com o Gustavo. Mas a natação não tinha a visibilidade e nem os patrocínios que a minha geração conseguiu.

Alguma medalha faltou na sua história olímpica?

Não. Eu trouxe tudo o que quis. Não teve uma medalha que eu desejei e que não tenha conquistado. Sou uma pessoa muito realizada.

A decisão de se aposentar aos 32 anos foi repentina?

Recentemente você escreveu no seu blog que teve vontade de subir no bloco e atravessar a piscina. Se arrependeu de ter se aposentado? De jeito nenhum. Naquela época eu não tinha condições de competir.

Você morou na Flórida, o Cesar Cielo também viveu nos Estados Unidos e o Thiago Pereira está lá. Por que os atletas de ponta precisam partir para o Exterior?

Não é bem precisar. É uma opção, já que o nadador pode fazer faculdade, competir em alto nível e treinar com atletas de ponta todos os dias. Esse é o caso do Thiago. Quem, no Brasil, pode treinar diariamente com oito medalhistas olímpicos? Ninguém, porque não existem oito medalhistas olímpicos no País.

É um desafio diário?

36 junho 2011 | istoé 2016

Exatamente. No Brasil não existe essa de competir quase todo fim de semana nem de treinar diariamente com medalhistas olímpicos. O Thiago vê isso como uma vantagem. Eu, por exemplo, preferia treinar sozinho. Não gosto dessa competição diária.

Maquiagem: Mari Sciotti / Agradecimentos: Luciana Oliveira // Foto: Ricardo Stuckert

Foi. Vinha com lesões na coluna e não aguentava mais sentir dores. Tinha feito fisioterapia o ano inteiro e não havia conseguido me recuperar. Muito menos recuperar o ânimo. Eu sabia que não conseguiria dar os resultados que gostaria e resolvi parar. Faço fisioterapia até hoje. Maquiagem: Mari Sciotti / Agradecimentos: Luciana Oliveira // Foto: Ricardo Stuckert

ao lado do parceiro gustavo borges, um exausto xuxa comemora o bronze no revezamento 4 por 100 metros em sidney 2000. "não teve uma medalha que eu desejei e que não tenha conquistado"


Quando fui para os Estados Unidos, treinava com uma galera juvenil, júnior. Nunca com nadadores que competiam nas mesmas provas que eu nem que tinham a mesma qualidade técnica.

Além do Cesar Cielo, em quem você aposta?

Gosto muito da Alessandra Marchioro, uma menina de 1,82 metro de altura, que já entrevistei. Ela fala que o lado psicológico não é muito forte e que não acredita no próprio talento. É uma coisa que dá para trabalhar. Já que talento, envergadura e altura ela tem. O Thiago Pereira é um nadador que vai brigar por medalha nos 200 metros peito. Ele também poderá brigar com o Michael Phelps e com o Ryan Lochte nos 200 metros medley e nos 400 metros medley no futuro. Também aposto no Kaio Márcio e no Bruno (Fratus).

Sexo antes da competição ajuda ou atrapalha? Depende do atleta.

Para você?

Se for com uma pessoa de quem eu gosto e eu estiver com vontade, para aliviar o estresse, ajuda muito. A pessoa só não pode querer manter performance nessa hora. É válido se for para curtir e desestressar. Para alguns atletas pode ser ótimo ficar seis meses sem sexo. Mas, para mim, não.

Durante uma competição, você já fugiu para encontrar alguém?

Não. Se eu precisasse, falaria com o diretor técnico. Eu já saí de um campeonato mundial para jantar, mas com autorização e com horário para voltar. Você não pode botar em risco o seu resultado. Então, nos esportes individuais, não precisa ter essa coisa de concentração tão rigorosa e radical. A gente não treina seis meses para jogar tudo fora no último segundo.

A sua fama é de ter sido um dos maiores conquistadores do esporte brasileiro. A que você atribui o sucesso com as mulheres?

Atribuo à imprensa. Quanto mais a imprensa fala, todo mundo acredita. Se eu tivesse saído com metade das mulheres que a imprensa falou... Mas agora não faço mais sucesso nenhum. Estou parado. Ninguém nem olha para mim na rua.

Por quê? A Sheila Mello é ciumenta?

Ela é brava. Ciumenta, não. Tem um ciúme normal. Mas ela sabe que eu me casei porque quis e estou muito feliz.

As mulheres não se atiram?

Uma coisa bacana que eu notei neste um ano e pouco de casado é que as pessoas me respeitam muito. Não sei se é porque as mulheres acompanharam o nosso relacionamento pela tevê (que começou no reality show “A Fazenda”, da Record). Pode haver elogios, mas as mulheres não faltam com o respeito.

O que trouxe mais dinheiro para você? A natação, sua atuação como empresário ou na tevê?

Uma coisa vai pagando a outra. Dinheiro na conta, que é bom, nunca tem. Se a academia dá lucro, reinvisto lá mesmo. Se entra

“a única coisa que me faria voltar seria nadar numa olimpíada no brasil", afirma o ex-atleta. "não estou dizendo ganhar medalha, mas treinar muito para representar bem o meu país” um dinheiro na Hammerhead (sua empresa de roupas e material para natação), construo um galpão para botar o estoque. Se ainda sobra algum, compro um carro, um apartamento e reformo.

Você tem uma experiência variada na tevê...

O meu contrato com a Record é de comentarista, com exclusividade no Pan-Americano e na Olimpíada. O quadro Gigantes da Água é um adicional. Tem sido um grande aprendizado e um prazer. Faço curso de vídeo e fono. Erro e tenho aprendido a não me cobrar tanto. Tenho de assistir e não gostar, para ver o que tenho de melhorar. Essa luta constante de aceitação dos meus erros é bacana. Isso eu nunca tinha conseguido como atleta, porque um erro na piscina não tem volta. Aceitar o erro e ter de revisá-lo é um exercício fantástico de autocontrole.

Como é o seu projeto que patrocina duas mil crianças e adolescentes no Brasil?

A parte mais difícil foi viajar pelo Brasil inteiro. Entreguei, em mãos, dois mil kits de natação. Demos uma sacola com diversos produtos, como boné, camiseta, touca, óculos e tampão de ouvido. A preço de loja, seria um gasto de R$ 2 milhões. Pegamos o ranking federado e escolhemos crianças e adolescentes, de 10 a 16 anos, que já nadavam.

Você está preparando um livro. Em que pé está?

Acho que vou publicá-lo em 2015. Não será simplesmente uma biografia. Quero botar os meus sentimentos durante as competições, o que mexeu comigo. As transformações internas. A minha participação em “A Fazenda”. Por que decidi me casar. O processo difícil de lidar com uma tristeza profunda. Será uma autoanálise.

Por que publicá-lo em 2015?

É o tempo de estar tudo amadurecido. As minhas ideias, a minha vida de casado, contar um pouco da minha experiência com o próximo filho (Sheila está tentando engravidar), o programa de tevê. Talvez, se eu voltar a nadar para 2016, será uma boa data.

Você pensa em competir em 2016?

Não, mas se eu voltar... Por que não fazer tudo junto? A única coisa que me faria voltar seria nadar numa Olimpíada no Brasil. Não estou dizendo ganhar medalha, mas treinar muito para representar bem o meu País. Só isso, com 42 anos, já estaria de bom tamanho.


natação cabo de guerra durante muito tempo Poliana okimoto brilhou sozinha nos mares brasileiros. agora, sua principal rival na luta por uma medalha olímpica é uma atleta nascida no brasil

000 mês 2010 | istoé 2016


campeãs da maratona aquática, elas enfrentam correntezas traiçoeiras, águas geladas, cotoveladas de atletas maldosas, tubarões, leões-marinhos e outros bichos. mas isso é pouco perto dos duelos que vão definir quem é a principal nadadora do país

por hélio de la peña fotos rogério cassimiro


natação

fui convidado para escrever sobre poliana okimoto e ana marcela cunha. o motivo alegado foi que eu pratico o mesmo esporte que essas duas criaturas marinhas. vou logo avisando: é mentira! o fato de gostar de nadar no mar, de participar de travessias como a dos fortes, em copacabana, não me permite dizer isso. tirando o fato de que entramos no mar, damos braçadas e saímos molhados, não vejo mais nenhuma semelhança entre o que fazemos. até porque, quando completo minha prova, elas já estão no avião de volta para são paulo. elas são peixes, e eu, um prego. mas vamos lá...

42 junho 2011 | istoé 2016


boa de briga Nove anos mais jovem que Poliana okimoto, ana Marcela cunha já venceu a rival em algumas competições, inclusive na olimpíada de Pequim. ela é cotada para um pódio em Londres 2012


p oL I A NA ok I m o t o poliana começou a nadar por causa do irmão. Sua mãe a levou para acompanhar o mano mais velho. O problema é que ele detestava aquilo, se escondia no armário do clube, atrás de um pé de pato. Enquanto isso, Poliana descobriu que seu elemento era a água. E foi tomando cada vez mais gosto pela coisa. Até aqui sua história coincide com a minha. Com algumas diferenças. Também fui levado à aula de natação por causa do meu irmão. Só que ele, além de mais novo, nadava muito melhor do que eu. Era eu quem fugia da raia e procurava convencê-lo a escapar dos treinos comigo. Um talento a menos nas piscinas. Ela tentou a sorte em outros esportes. Jogou basquete, mas seu metro e sessenta e cinco de altura não lhe permitiu grandes vôos. No tênis de mesa, também não foi longe: batia com a cara na rede sempre que mergulhava para rebater a bolinha. Entrou para o balé, mas dançou. Não ficava bem de óculos, touca e sapatilhas. Também começou não ganhando nada. Dos 7 aos 12 anos, as provas eram de 25 ou 50 metros, curtas demais para o seu fôlego. Depois, a coisa mudou de figura. Tinha resistência de gente grande e, quando passou a disputar competições acima dos 400 metros,

começou a encher seu quarto de medalhas. Poliana foi campeã e recordista paulista nos 400 metros livre. Faturou as provas de 800 e 1.500 metros e aos 15 anos já era campeã e recordista brasileira em provas de fundo. Mesmo morando em Santos, Poliana custou para chegar ao mar. Morria de medo de peixe, tubarão, arraia, qualquer coisa que pudesse encontrar na água, como se algum desses seres pudesse alcançá-la. Veio perder a virgindade em provas marinhas na Travessia dos Fortes em 2005, já com 22 anos. Ela, que temia os bichos, acabou com o trauma de vez disputando espaço com sacos plásticos, lixo e cocô. Não foi fácil vencer seus fantasmas. Na véspera do evento, foi até a praia, mergulhou e não se sentiu nada à vontade. Saiu chorando, certa de que estava no esporte errado. As adversárias logo ficaram animadas. No dia seguinte, Poliana chegou e viu os 4.000 participantes. Apesar de sua origem nipônica, não ia amarelar. Ao ouvir o tiro do canhão que sinaliza o início, deixou medo, tubarão, dejetos e concorrentes para trás. Estreou vencendo a prova. Voltou ao degrau mais alto do pódio em 2009 e 2010. Estava invicta, já que em 2006 e 2008 não houve o evento e em 2007 não pôde competir por estar com o tímpano perfurado: levou uma cotovelada na largada do campeonato mundial em Nápoles. Mesmo assim, continuou nadando e foi vice-campeã nos 10 mil metros no mar. Na Travessia dos Fortes, foi derrotada uma única vez. Nesse ano, quando Ana Marcela conquistou a vitória. Poliana já se acostumou a levar pancadas. Não tem raia separando os nadadores no mar. O resultado é chute, soco, unhada, puxada de pernas na largada. Mais parece uma edição de “Ultimate Swimming”. Não sei como o Ricardo Cintra, seu treinador e marido, não se joga na água para ajudar a pequena Poliana a revidar. Ela, aliás, prefere não comprar briga. Ao avistar uma nadadora encrenqueira, se afasta. Não nasceu para vale-tudo.

Sua rotina é uma tremenda maratona. Treina de segunda a sábado. Nada durante duas horas e meia pela manhã, faz musculação, almoça, faz alongamento e cai na água de novo, onde fica por mais duas ou três horas. Poliana nada por dia uma distância que percorro em uma ou duas semanas, contando o trajeto de casa até a praia. Não sobra tempo para mais nada. Estudar, nem pensar. Formada em letras, queria fazer jornalismo, mas teria de ser à noite. Impossível. Cedo está na cama, contando golfinhos. Medalha de prata nas maratonas de 5 e 10 km do Mundial de Nápoles em 2006, prata no Pan de 2007, trouxe para o Brasil a primeira medalha nos jogos do Circuito Mundial, em 2009, além de ter encerrado o jejum brasileiro de 15 anos sem medalha no Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos, também em 2009. Nos jogos de Pequim ficou em sétimo lugar, resultado que considera muito bom. Agora está de olho nos Jogos de Londres no ano que vem. Para isso, terá de se dar bem na seletiva que vai acontecer em Xangai. Vaidosa, cuida do corpo e do cabelo sempre que possível. E quando o Ricardo não está de olho. Se parar o treino para reaplicar o filtro solar, ele a fuzila. Mas certamente adora quando a moça sobe num pódio com os cabelos sedosos e a pele bem tratada. Para dar conta do recado, Poliana tem o apoio da família. A mamãe prepara as refeições – ela não sabe sequer fritar um sashimi. E o maridão está sempre ao seu lado orientando e, eventualmente, quebrando o pau. Sempre por causa da natação. Seu único problema é que não pode chegar em casa e reclamar do técnico para o marido. A vantagem é que um não sente ciúmes do outro. Entre namoro e casamento, já são oito anos de convivência 24 horas por dia. Só se vê livre dele quando está debaixo d'água, treinando apneia. Filhos? Só pensará no assunto depois de 2016. Será que o parto vai ser na água?

Fotos: Satiro Sodre/ divulgacao cbda e

natação


A NA

m A r C E L A

elétrica, agitada desde pequena, Ana Marcela passa longe do estereótipo baiano. Com ela, não tem moleza. Filha de um nadador e uma ginasta olímpica, tem o esporte no seu DNA. Aprendeu a nadar com dois anos, antes mesmo de falar “acarajé”. Aos 8 já participava de maratonas. Nessa mesma época, eu era um marmanjo e só entrava no mar usando uma boia de patinho na cintura. Marcela tinha 13 anos quando nadou duas etapas do Brasileiro de Maratonas, em Ilhéus e Juazeiro. Voltou para Salvador com a bagagem mais pesada: duas medalhas de ouro. No ano seguinte, saiu enfim da Bahia para competir todo o circuito brasileiro. Ganhou. Em 2006, 2007, 2009 e 2010 só deu ela. Quando a maratona aquática se tornou prova olímpica, ela estava lá: foi quinta colocada em Pequim 2008. Em 2010, arrasou: campeã mundial do circuito e bronze na prova de 5 km, no Canadá. Mas Ana Marcela não olha para trás. Classificou-se para o Pan de Guadajara com seu quinto lugar na Maratona Internacional de Santos. Agora está focada na seletiva para a Olimpíada de Londres, que acontece em julho. Caraca! Fico cansado só de escrever tantas conquistas... Atualmente tem 19 anos e mora em Santos com os pais. Só vai à praia tomar água de coco, prefere treinar em piscina. Como boa baiana, não atura água gelada. Correnteza, ondas, vento, só em dia de competição. Passa o dia na piscina da

CU N H A

Unisanta, Universidade Santa Cecília, seu clube. Quando não está contando azulejos, está fazendo abdominal, ioga, pilates ou alongamento. Dá uma paradinha à tarde para tirar um cochilo. Não sei se por necessidade do corpo ou por medo de perder a cidadania baiana. São 14 a 16 quilômetros por dia. Ou seja, se resolver voltar a nado para Salvador, em mais ou menos três meses estará de volta ao Farol da Barra. Portanto, para chegar a tempo de curtir o Carnaval no camarote 2222, basta cair na água em dezembro, antes do Natal... Ana Marcela também não tem tempo para estudar. A faculdade de educação física está trancada. E precisa? Se resolvesse me dar umas aulas de natação, não ia pedir seu diploma. Jura que não tem cuidados especiais. Mas faz um sacrifício arretado na hora das refeições, já que foi obrigada a cortar o azeite de dendê, correndo o risco de perder até o sotaque! Apesar de não ter nenhuma superstição, cultiva um hábito. Costuma levar na mala o DVD “Duelo de Titãs”, em que o galã Denzel Washington faz um técnico de futebol americano que comanda um time dividido pelo racismo. Enfrentamento, superação e final feliz lhe dão gás para brigar por mais uma medalha. Só não suporta o telecatch nas largadas das maratonas. Se toma um chega pra lá, fica na sua para evitar mais confusão. Como Poliana, também não nasceu para jiujuteira.

Sua maior adversária no Brasil é também sua companheira nas competições internacionais. Não costuma encontrar Poliana fora dos eventos esportivos. A diferença de idades é grande, nove anos. As duas vivem momentos diferentes. Como Poliana é casada com seu técnico, tem companhia fixa nas viagens. Eventualmente treinam juntas ou dividem o quarto. Porém, quando a maratona começa, nem lembra se Poliana é quase japonesa ou quase coreana. Ana Marcela também tem hora para ficar de bobeira. Aí, é shopping, praia e internet. Ainda não tem namorado. Acho que a rapaziada teme nadar e morrer na praia. À noite pode ser encontrada no facebook, no MSN ou no twitter (@anamarcela92). Tento segui-la, mas ela é muito rápida, difícil de acompanhar. Seu quarto é seu cafofo. Ali guarda seus 200 troféus, suas 600 medalhas! Se fosse ela, abandonava tudo e saía por aí com um cartaz “Vendo ouro”. Ia me dar muito bem. Talvez ela tenha esse plano. Mas ainda é cedo pra pensar nisso. Ainda tem muitas medalhas para chegar naquele quarto.


natação

R i va i s n o m a R , pa R c e i R a s e m t e R R a poliana okimoto

Nascimento: 8/3/1983 Local: são paulo (sp) altura: 1,65 m Peso: 48 kg clube: esporte clube pinheiros (são paulo, sp) Técnico: ricardo cintra desempenho olímpico: 7o lugar em pequim-2008

Você foi prata na Maratona Internacional de Santos, em abril, e se classificou para o Pan de Guadalajara. Como foi a prova? No começo não estava muito bem. o calor de Santos e a água quente me deixaram estranha. Na primeira volta, de 2,5 mil metros, estava em 20o lugar. depois melhorei e fui ganhando posições.

Você reclamou que levou muita cotovelada.

Maratona aquática não tem raia para separar os atletas. como todo mundo nada junto e cada um procura o melhor espaço, as colisões com outros atletas são normais.

Não tem sacanagem?

Tem o lado sujo. Às vezes acontece um pontapé, uma cotovelada embaixo d’água. coisas desleais mesmo.

agora não mais. em fevereiro, em uma prova da Patagônia, nadei ao lado de um leão-marinho. em Melbourne, na austrália, tive a companhia de um pinguim.

Acontece em geral ou algumas atletas são mais maldosas?

Você se classificou para o Pan, que será em outubro. E a Olimpíada?

a gente vai conhecendo as pessoas, faz muitas provas juntas no circuito mundial e acaba descobrindo quais são as mais maldosas e as que não fazem de propósito. Quando vê que está do lado da pessoa desleal, tenta desviar, ir para outro lugar.

Você não dá cotovelada?

eu prefiro o esporte mais justo e limpo. Não gosto de apanhar nem de bater. Mas tenho uma lei. Suporto duas pancadas e se houver uma terceira passo a ter certeza que a pessoa fez de propósito. aí revido.

Você teme o mar?

No começo tinha medo de tubarão, arraia, qualquer coisa que encostasse em mim.

o ano de 2011 é muito importante. o foco principal é a seletiva para a olimpíada, que vai acontecer em Xangai, em julho. Só irão as dez melhores do campeonato.

Quem são seus ídolos?

Tenho um: ayrton Senna.

Como é seu relacionamento com a Ana Marcela, sua principal rival? Não sou a melhor amiga dela, mas temos um bom relacionamento. Na água é uma tentando ganhar da outra. É muito bom ter adversário. Não acomoda, obriga você a sempre buscar o melhor.


As duas maiores maratonistas aquáticas do Brasil contam como é o relacionamento entre elas, reclamam do excesso de cotoveladas nas provas e falam sobre ídolos, temores e desafios Por Marisa Folgato

Como é seu relacionamento com ela? a gente não se vê muito, apenas em competições. Sempre conversamos antes da prova. Mas dentro da água é cada uma por si.

em duas edições olímpicas e o clodoaldo pela superação, pelo fato de, apesar das limitações físicas, conseguir fazer da natação algo tão especial. o Lars já foi várias vezes campeão na vela e é um ídolo para se seguir.

Quais os desafios de competir no mar?

Nos Jogos de Pequim vocês dividiram o mesmo quarto.

Tem muita cotovelada na maratona aquática?

Quais suas maiores adversárias?

Não tem rivalidade?

ana marcela de Jesus soares da cunha

Nascimento: 23/3/1992 Local: salvador (ba) altura: 1,65 m Peso: 66 kg clube: unisanta (santos, sp) Técnico: márcio latuf desempenho olímpico: 5o lugar em pequim-2008

Água gelada, correnteza, sol quando está forte, vento. É dureza. Por isso mesmo, evito treinar no mar. Prefiro a tranquilidade das piscinas. Na maratona está todo mundo muito igual. Não dá para destacar uma ou duas. Há um pelotão de 15 atletas muito fortes. Nadadoras da alemanha, estados unidos, austrália, Suíça e rússia (a atleta campeã da olimpíada é de lá), são difíceis de superar.

No Brasil sua principal adversária é a Poliana Okimoto? com certeza.

Sim, mas apenas por dois dias, enquanto o pessoal de piscina ainda estava por lá. depois vagaram mais quartos e ficou cada uma em seu canto.

Só nas competições. Fora da água, não existe motivo para rivalidade. Temos idades e mentalidade muito diferentes. a Poliana é nove anos mais velha que eu. ela é casada. eu penso mais em coisas da juventude.

Quem são seus ídolos?

Na natação, gustavo borges e clodoaldo Silva e, no esporte em geral, o Lars grael. o gustavo pelas conquistas maravilhosas

produção: l. a. braga júnior (imagemakers) • agradecimentos: academia corporis ipiranga; companhia athletica e centauro

acontece. Prefiro acreditar que a cotovelada foi sem querer. Levo mais na esportiva do que na maldade. a gente fica muito próxima umas das outras e pode haver um encontrão. Não sou muito de devolver. Se você bater na adversária, ela vai ficar a prova toda querendo revidar. eu tento me controlar.

Qual é a sua prioridade para 2011?

Minha cabeça agora está na seletiva para os Jogos de Londres. Mas é claro que penso em 2016. a emoção no Pan do rio, em 2007, já foi uma amostra do que é competir em casa. Mas até lá muita água vai rolar.


ISTOÉ 2016 (Junho de 2011)  

Edição de junho de 2011 da revista ISTOÉ 2016.

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