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A data homenageia os profissionais de comunicação social que são responsáveis em pensar, criar e desenvolver campanhas publicitárias destinadas a promover ideias, lugares, empresas, organizações, produtos, pessoas e etc. Os publicitários trabalham tendo como principal característica a criatividade, por causa disso são considerados profissionais “despojados”, “jovens” e sem horários fixos. A construção de um bom ambiente de trabalho é essencial para o desenvolvimento da inspiração necessário para o publicitário criar suas peças e projetos.
Duas criativas e premiadas peças publicitárias: a do Conde Francesco Matarazzo (Portfolio/Alltype) e a do lançamento da TV Cultura ( Norton Publicidade). É Registro Histórico.
O tempo que passô não volta mais...
José Maria Benedito Leonel
Quantas vezes já dei balanço na vida? Quantas vezes as contas não fecharam, o laço não teve as braças necessárias e o mestiço foi embora, mato a dentro?
Quantas vezes engoli a seco, mastigando lerdo uma hora dura? Só a gente sabe o que gente passa. Assim é a vida, nem sempre há crédito no saldo.
Ano que termina. Novo ano por chegar. Agora é tempo de salgá os cochos, lamber as feridas, pensá no que foi...
O feito tá feito, o tempo que passô não volta mais. Sabe, leite derramado, derramado tá. O que sei é que não planejei maldades, não semeei discórdias,não armei arapucas para aprisionar os sonhos de ninguém. Certamente que errei bastante, coisinhas miúdas, mas errei. Só não errei deliberadamente. Não magoei querendo magoá, não menti pra enganá, não tripudiei sobre as fraquezas alheias, não agi com soberba sobre os humildes.
Mas o que digo de mim, posso dizer de tanta gente. Pense em você. Você também não quis magoar ninguém.
Acho que a vida é assim e às vezes tem umas pegadinhas, uns acidentes de percurso. Há que se ter cuidado com o que se pensa, com o que se fala, com o que se faz.
Em sendo assim, que venha 2022. Vamos praticar o bem, zelando do coração alheio, porque nele ninguém anda. E nem no meu.
No fim, a vida é isso, um tempo de aperfeiçoamento. Simples assim...
DIRETOR: Armando Moraes Delmanto EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes
O Diário da Cuesta não se responsabiliza por ideias e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressem apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção do jornal. A publicação se reserva o direito, por motivos de espaço e clareza, de resumir cartas, artigos e ensaios.
O BEM E O MAL
BAHIGE FADEL
O bem sempre existiu. O mal sempre existiu. Os bons e o maus sempre conviveram num mesmo espaço. Às vezes, uns vencem e dominam. Às vezes, os outros vencem e dominam. Não há domínio permanente. Não há submissão permanente. Há, ainda, o fato de, às vezes, os bons virarem maus e os maus virarem bons. São casos raros, mas existem. O que existe com maior frequência é acharmos que os maus são bons ou que os bons são maus. São situações históricas e inevitáveis. Independente de nossa vontade, elas sempre existirão. A realidade, então, não é acabar com o mal. Não conseguiremos. Mais racional é evitar que o mal consiga sobrepujar o bem. Se o mal so-brepujar o bem, teremos muitos problemas. Assim, o desejável é lutar para que o bem lidere todas as ações possí-veis.
Parece simples, né? Mas não é. Ao contrário, é muito difícil. A dificuldade mais notável é saber o que é o bem e o que é o mal. Para simplificar, poderia dizer que o bem está relacionado às boas ações e que o mal está relacionado às más ações. Simples. Ocorre que o que é uma boa ação para uma pessoa pode representar uma ação má para outras.
Outra dificuldade é que, na maioria das vezes, o bem e o mal estão na mesma pessoa. É muito difícil uma pessoa ser apenas boa e outra ser apenas má. Sei que alguns dirão que Deus só tem o bem. Mas vamos falar de seres humanos. Desses que estão atuando na sociedade, nos gover-
nos, nos clubes esportivos, nas igrejas, nos supermercados... Em todos os lugares.
Já que é impossível debelar o mal, vamos diminuí-lo com boas ações, para que ele não tenha forças para dominar. E como se faz isso? Em primeiro lugar, anulando suas ações em nós mesmos. Impedindo que esse mal nos domi-ne, atue sobre nós. Depois, ajudar os outros a dominarem o mal. Uns fazem isso com orações. Outros com refle-xões. Outros, ainda, fazem isso com ações. Agir para o bem corresponde a aprimorar as suas boas qualidades e a estimular que as boas qualidades dos outros prevaleçam. Na política, por exemplo, como é que se faz isso? Se você se julgar capaz de melhorar a sociedade com a política, participe. Seja atuante. Pode ser candidato a um cargo público ou pode ser um bom eleitor. Atue sempre com empatia. Coloque-se no lugar dos outros e veja o que deve ser feito pelo outro. Impeça que os maus políticos (o mal) vençam os bons. E se os maus políticos já estiverem no poder, dificulte as suas ações.
Há várias maneiras para se fazer isso. A primeira é o exemplo. Seja bom, com boas ações e ideias, e faça-se notar, para que os outros percebam que ser bom vale a pena. Depois, estimule a educação. A educação se faz pelo exem-plo e pelos conhecimentos. Um não pode estar dissociado do outro. O bom exemplo auxilia a pessoa a transformar o conhecimento em sabedoria. E essa sabedoria acompanhada do bom exemplo é que tranformará o mundo.
Tudo isso é muito difícil, mas não é impossível. É lento, mas pode ocorrer. Não é preciso ter pressa. O bem nunca será perfeito. Portanto, haverá sempre algo a fazer por ele. Mãos à obra!
"Gotas de chuva na janela"
Maria de Lourdes Camilo Souza
“Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...
Tão calma é a chuva que se solta no ar (Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...
Não paira vento, não há céu que eu sinta. Chove longínqua e indistintamente, Como uma coisa certa que nos minta, Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...”
(Fernando Pessoa: in: Chove calmamente lá fora.
Alguns pingos no vidro da janela, alguns parados outros escorrem.
Meus olhos pairaram magnetizados num pingo gordo que caiu e foi descendo solitário. Foi passando incólume entre os outros, descendo pelo vidro frio, desviando aqui e acolá, ora esbarrando em um e outro sem diminuir ou diluir, seguindo um rumo certo e estabelecido, sem deixar rastros.
Juntou-se aos outros mesclou-se junto ao ferro de junção da vidraça para seguir no vidro liquido abaixo em novo formato mais alongado.
Seguia hipnotizada seu deslizar suave e uma imagem de uma pena de pincel molhado de tinta sobre um papel que ia seguindo ao comando firme de uma mão delicada e traçando muito leve flores, folhas numa aguada que resultou em mais uma sua obra de arte.
Nós, alunos atentos ouvíamos a voz calma e melodiosa e seguíamos passo a passo sem querer perder uma sílaba orientando como pintar uma bela aquarela.
Falava calma, pausadamente e com muita propriedade.
Ali no seu estúdio muito amplo, a luz do dia que entrava pelas suas enormes janelas.
Ambiente perfeito, mestra iluminada, artista renomada só sua figura já era uma inspiração.
Tem aqueles olhos tranquilos e sábios de gente de alma antiga.
Quando entrava naquele santuário, su-
bia e descia os olhos sobre as numerosas telas coloridas em contrastes de cores formando ambientes alegres de jardins, salas de jantar, mesas com toalhas quadriculadas em tons azuis e brancos, fontes de águas alegres em jardins de lilases suspensos, mais parecidos à sonhos dourados.
Potes repletos dos inúmeros tipos de pincéis, cada qual tinha o segredo para um efeito especial.
Muitos tubos de tintas de todas cores.
Ah ... e o cheiro daquele ambiente?
Era um poderoso sedutor.
Apesar da sabedoria e do empenho da minha querida mestra em querer me ensinar, nunca consegui pintar uma aquarela decente.
Elas me resultavam nuns borrões hediondos e terminavam amassados em bolas no lixo.
O segredo talvez fosse saber a exata quantidade de tinta e água que unida a outra pincelada em nova cor se fundissem como perfeitas gotas de chuva a delinear uma pétala de rosa, ou uma daquelas lindas naturezas mortas, repletas de cores bonitas.