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Deverá ser o maior Carnaval de todos os tempos. Com a presença da Escola de Samba Campeã do Carnaval Paulista, a ROSAS DE OURO, o Carnaval contará com Grupos de Pagode de sucesso, tudo acontecendo na Avenida do Fórum. Página 2

Com diversas atrações, Carnaval 2026 de Botucatu começa no dia 14

Evento será entre 14 e 17 de fevereiro, na Avenida do Fórum, próximo à Rodovia João Hypólito Martins (Castelinho)

A Prefeitura de Botucatu já definiu as atrações principais do Carnaval 2026, que promete ser o maior já realizado no município. Neste ano, a programação musical terá foco em grupos de pagode consagrados no cenário nacional e contará ainda com a apresentação de uma escola de samba, reforçando a diversidade cultural da festa.

Os shows acontecerão ao longo de quatro dias, sempre a partir das 18h, na Avenida do Fórum, próximo à Rodovia João Hypólito Martins (Castelinho), em um espaço planejado para receber foliões de todas as idades. Confira a programação principal:

14/02 (sábado) – Os Travessos

Um dos grupos mais populares do pagode romântico dos anos 2000, com sucessos que marcaram gerações.

15/02 (domingo) – Rosas de Ouro

Atual campeã do Carnaval de Rua de São Paulo, a escola leva para Botucatu o brilho, a cadência e a tradição do samba paulistano.

16/02 (segunda-feira) – Negritude Jr

Referência do pagode nacional dos anos 90, conhecido por letras românticas e canções que atravessam décadas.

17/02 (terça-feira) – Art Popular

Um dos nomes mais emblemáticos do gênero em todo o Brasil, responsável por hits que seguem presentes nas rodas de samba e festas populares.

Além dos shows, o espaço do evento contará com praça de alimentação completa, brinquedos gratuitos para as crianças, banheiros, área de estacionamento com cerca de 500 vagas e linhas especiais de transporte público, que serão divulgadas nos próximos dias.

A segurança também será reforçada durante todo o Carnaval, com atuação integrada da Polícia Civil, Polícia Militar, Guarda Civil Municipal e equipe de seguranças contratados, garantindo tranquilidade para as famílias e foliões. (Acontece Botucatu)

a r t i g o RUBIÃO DOS VELHOS TEMPOS . . .

Lá pelas décadas de 1920-1930, Rubião Júnior era um vilarejo pacato, de umas poucas casas e um punhado de famílias sitiantes a lhe marcarem a escassa demografia. Nos seus oitocentos e noventa metros de altitude contados ao nível da estaçãozinha, ventos constantes, solo de camada arenosa, e o agreste morro de píncaro pontiagudo, cujo acesso único era o caminho velho tão bem fixado pela Kodak do velho Hernandez, a vilazinha pitoresca e alegre só tinha como atrativo para quebrar a mansuetude dos dias sempre iguais, a chegada dos trens da Sorocabana. A gare era o ponto social de reunião do vilarejo. Quando o seletivo anunciava ao Bilo, a partida do trem na estação mais próxima, o velho sino, até hoje existente, badalava os três toques da breve chegada do comboio. Já então nessa altura, fervilhava a gare no alegre perpassar dos jovens, nos encontros dos amigos, na espera do jornal do dia, vendido anos a fio, de forma avulsa, pelo Vicente Costillas. Foi esse velho jornaleiro que deu guarida em sua casa – e melhor – em seu coração, ao pobre menino abandonado que mais tarde surgiu homem feito, integro e exemplar, como o Comandante da Força Publica de São Paulo: o comandante João de Quadros. Enquanto se aguardava o trem, acertavam-se os namoros, definiam-se os noivados, engatilhavam-se negócios, decidia-se da construção da sonhada igreja para Santo Antônio, nome tutelar da região. No Botequim ao lado, fervilhavam os assuntos enquanto se saboreava o quente cafezinho, privilégio do Hotel Varoli.

Naqueles tempos não se inaugurara ainda o trânsito regular de ônibus. Washington Luiz batia-se pela abertura de estradas. O asfalto cuidado e as pistas não eram ainda. Vigoravam mesmo, os trens da Sorocabana.

Às dez da manhã e às dez da noite, desciam os trens, com pequenas diferenças horárias – um, de Bauru, outro, da alta Sorocabana – a caminho de São Paulo. Às dezesseis da tarde e pela madrugada, subiam da Capital, rumo ao sertão noroeste e para Presidente Prudente, então chamada Alta Sorocabana, os trens de passageiros.

O pernoite econômico, para baldeação, era em Rubião Júnior. Daí, as atividades de nossos avós maternos, que mantinham o Hotel Varoli, no velho casarão dos Pinto e no novo prédio construído, este último , até hoje lá no alto, abrigado pelo ainda frondoso pé de magnólia, à beira da asfaltada Avenida Bento Lopes. A salubridade do clima tornou Rubião, de repente, uma pequenina estação climatérica. Para lá acorriam famílias de São Paulo e de outros lugares, na discreta preocupação do restabelecimento de um dos seus familiares atacado da “fraqueza pulmonar” ante os prognósticos então sombrios de tuberculoses

e de “galopantes” que, não prevenidas, irrompiam em trágicas hemoptises. Desde então, surgiram os “bungalows” risonhos de áreas engrinaldas de trepadeiras alegres e as indefectíveis espreguiçadeiras para os longos repousos da prescrição médica.

Rubião encheu-se assim, de moradores diferentes. Era gente de outros níveis, educada em outras esferas, sujeita agora às contingências da cura. Gente extraordinária que acomodou-se ao pacato viver do lugar e que transformou e alegrou ainda mais o vilarejo.

O Hotel Varoli era hotel de trânsito. Oferecia pernoite e refeições. Não aceitava pensionistas. Fornecia esporadicamente pensão em marmitas. Surgiu daí o conhecimento, a cordialidade, a amizade duradoura envolvendo nossa gente a outras gentes.

Nossa avó – só coração e ternura maternal – era o centro monopolizador daquela juventude que na ocasião demandava o lugar. Indiferente aos riscos pessoais, quantas vezes foi ela chamada aflitivamente para vigiar, com a mãe desolada, as crises de hemoptises que cobriam de angustia as noites passadas nos “bungalows” floridos.

( A Gazeta de Botucatu – 10/08/1971)

EXPEDIENTE

DIRETOR: Armando Moraes Delmanto

EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes Contato@diariodacuesta com br Tels: 14.99745.6604

O Diário da Cuesta não se responsabiliza por ideias e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressem apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção do jornal. A publicação se reserva o direito, por motivos de espaço e clareza, de resumir cartas, artigos e ensaios.

“Rainha do Mar”

Se alguém pudesse representar a Rainha do Mar seria a eterna Clara Nunes.

Vestes brancas, flores nos cabelos, olhar perdido nas nuvens dos céus azuis, sol brilhando nas faces, colares de conchas, cantando com os os pés na areia do mar, leve como brisa, iluminada dançando suave ou levitando.

“É água no mar é maré cheia ô

Mareia “

Teve estória difícil, morte misteriosa...

Gosto de imaginar que os golfinhos vieram alegres buscá-la para voltar ao seu reino na Atlântida, de onde ela uma sereia deixou o rabo de peixe seduzida pelos olhos de um pescador.

Foram felizes por um tempo.

Nesse tempo ela cantou e encantou, mas o pescador, seduzido pelo vil metal só queria dela os frutos do seu canto sedutor.

Suas lágrimas juntaram-se as águas do mar escurecendo-as, e sua dor chegou aos ouvidos do conselho dos reinos das águas claras e os golfinhos foram convocados para vir por ela.

Numa noite de tempestade ela foi gloriosamente levada entre os raios de Oxum, a quem tanto louvou, e num cortejo levada num barco entre flores e perfumes ofertados num 02 de fevereiro a Iemanjá.

Muitas luzes de velas tremeluzindo ao som dos cânticos dos babalorixas vestidos de branco que pularam sete ondas para serem abençoados entre as muitas flores e barquinhos

de oferendas.

A mãe das águas saiu das ondas poderosa e iluminada com raios saindo de suas mãos, vestida de azul, flores nos cabelos, colar e brincos de diamantes, olhos muito penetrantemente lindos e sobrepôs-se nos céus por um tempo, altaneira, agradecendo e abençoando aos fiéis que estavam ali na orla.

Olhando agradecida e encantada com tantas luzes, cânticos flores e oferendas.

Iepahé minha Mãe!

Rainha do Mar.

Depois das bênçãos mergulhou para seu reino seguida dos golfinhos num séquito feliz.

Maria

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