ed1623

Page 1


Página 5

Rudyard Kipling & Guilherme de Almeida: a consagração da poesia “SE”

Página 3

Guilherme de Almeida na opinião dos críticos literários! – reescreveu a poesia (IF) de Kipling e construiu uma de suas mais belas poesias: “SE” Página 3

Eleições em Portugal: conheça o líder da ultradireita e o socialista que se enfrentam no 2º turno Segundo turno, marcado por forte polarização entre ultradireita e esquerda, acontrece em 8 de fevereiro e é a primeira vez em 40 anos que Portugal terá uma disputa presidencial em duas fases.

Moradora recebe vacina contra a dengue em Botucatu
Moradores esperam a vez de receber a vacina.

"O vestido do baile de formatura"

Entrando na metade final do ano, os preparativos para a formatura estavam acelerados.

Ainda tinha uns números da rifa para vender, pró- baile.

A viagem para o Rio de Janeiro empolgava a turma.

Anos 60, praia de Copacabana, passeio ao Cristo Redentor, rock and rol, visita ao Maracanã, muita alegria e curtição.

Coppertone e sol, maiôs comportados, alguns duas peças mais ousados.

E a rapaziada carioca alvoroçada com tantas mocinhas bonitas paulistas e branquelas.

Caipirinhas com guarda-chuvas e coca cola gelada, os jeans do Paraguay.

As amizades se reforçando.

Urgia pensar no vestido do baile.

Vovó Angelina tirando medidas.

Vira que revira páginas das revistas de moda, até que os olhos caíram sobre aquele modelo espetacular.

Tinha que ser branco num tecido diáfano, o corpete tomara que caia todo drapeado, na cintura um bordado de cristais e aquela saia meio evasé esvoaçante até os joelhos.

Entre inúmeras provas de todas as matérias escolares, as reuniões da comissão de festas para organizar eventos e conseguir dinheiro para as comemorações, tinha as demoradas provas do vestido que tinha que ficar perfeito.

E o olhar exigente na frente do espelho.

-”Vovó tem que apertar mais na cintura”.

E lá vinha a avó com a boca cheia de alfinetes e os dedos experientes: prende, que espeta, que ajeita, aperfeiçoa.

No meio disso tudo o noivo ciumento exigindo tempo para si.

O tempo não passava entre estudos e provas, mas voava entre passeios e beijos.

Vieram as cerimônias da missa de formatura na Catedral com a igreja lotada, um calor insuportável naquele uniforme de gala quente.

O cabelo liso ameaçando colar na nuca.

A entrega dos diplomas e o discurso comovente.

Lágrimas emocionadas entre os parentes e os presentes.

Até que o vestido branco impecável ficou pronto no cabide.

Cabelo todo enrolado de bobs amarrado com lenço, fazer as unhas, tomar banho e se preparar para usar o vestido dos sonhos.

A casa cheia de parentes se preparando, e falando alto, trançando pelos quartos e corredores.

A hora do baile chegou e a formanda estava pronta esperando o seu príncipe louro de olhos azuis, topete de Elvis, vir buscá-la.

Silêncio total quando abriu-se a porta do quarto e ela surgiu tal qual Natalie Wood esplendorosa e sorridente naquele vestido de baile deslumbrante.

Vovô Gijo quase perde a dentadura com a boca aberta e olhos de encanto.

Tia Lucilla sorrindo maravilhada olhando sua sobrinha predileta tão linda.

Lá fora na frente do portão o noivo buzinava impaciente e lá fomos todos seguindo-a encantados e combinando tudo.

-”Não se esqueçam de pegar os convites, tem uma mesa especial para os parentes no clube”.

Acenou sorrindo e partiu na curva da esquina.

Desse dia ficaram algumas fotos em branco e preto.

50 anos se passaram.

Vieram os filhos, os netos, a neta tão esperada e adorada que ia se formar.

A já avó, pegou a escadinha e lá do fundo do armário retirou um pacote de plástico azul, cheirando a naftalina.

Desenrolou e dele saiu o seu vestido de formatura, amassado mas, não menos bonito.

A neta olhou achou lindo, mas queria outro modelo em cor amarela rebuscado bordado com estrelas.

A avó sorriu um sorriso amarelo, decepcionado, mas partiu para São Paulo para comprar o voile e a renda no Brás.

DIRETOR: Armando Moraes Delmanto

EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes

O Diário da Cuesta não se responsabiliza por ideias e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressem apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção do jornal. A publicação se reserva o direito, por motivos de espaço e clareza, de resumir cartas, artigos e ensaios.

Assim é, porque é...”

Faça de tudo, peça pra Deus, reze pros santos, proseie com o anjo da guarda, se apegue aos teólogos, filósofos, psiquiatras, sociólogos, historiadores, mediuns, benzedores, e outros todos que você quiser e verás que não tem jeito, HÁ DIAS AZEDOS, LONGOS, LERDOS, CHATOS.

Pergunto a mim mesmo:

Por quê? Por que, se a passarada já fez gostosa cantoria no amanhecê? Por que, se já foi bonita a barra do dia? Por que, se teve chuvinha mansa e criadeira à noite? Por que, se as “onze horas” já se abriram no terreiro? Logo, logo, na boca da noite o sol vai se recolhê pra lá de longe que nem sei d’onde e a lua, escondida aí pra riba, enfeitará a noite. Ela e as estrelas.

Pra mim, simplório de tudo, isso aí tudo, tá tudo certo. Tá tudo do jeito que Deus manda.

Então por que eu passei o dia assim, angreste, macambuzio, jururu, acabrunhado?

Qué sabê? Qué sabê mesmo? Isso é coisa do coração da gente!

Tem conserto? Parece que sim, mas não! Como?

Amanhã ocê tá mió, mas só até o próximo tropicão na convivência humana. Só tem um jeito, aceitar que assim é e rir de si mesmo por ser tão bobinho, pensando que era diferente e fácil.Conviver é engolir rispidez, ofensas, grossuras e ao mesmo tempo saborear gentilezas, delicadezas, agrados com um porém, a escolha não é sua.

Penso que é a convivência humana quem esconde o mistério da felicidade. E ela, a convivência humana, depende e independe de você. Boa sorte pra nóis. Simples assim!

Botucatu inicia vacinação em massa contra a dengue

A auxiliar administrativa Tereza da Silva Lopes, de 44 anos, foi a primeira moradora da cidade a receber a vacina.

A vacinação começou a ser aplicada em moradores de Botucatu, única cidade de São Paulo escolhida pelo Ministério da Saúde para o estudo de impacto da imunização. O governo federal é o responsável pela estratégia de imunização, que inclui no Brasil também as cidades de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Nessas localidades, o público-alvo será composto por adolescentes e adultos de 15 a 59 anos.

“O Instituto Butantan tem o maior orgulho de estar presente em Botucatu no lançamento da vacinação contra a dengue. É uma iniciativa do Estado de São Paulo, Secretaria de Saúde de São Paulo e Instituto Butantan de disponibilizar a Butantan DV para esse programa piloto. É um orgulho ver a ciência brasileira dando soluções para a saúde pública nacional”, diz Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan.

O município de Botucatu foi escolhido pela sua estrutura de saúde e pela experiência comprovada em operações de vacinação em massa contra a Covid-19. O município também registrou a circulação do sorotipo DENV-3, responsável pelo aumento no número de registros de dengue no ano passado.

A meta é proteger 90% da população entre 15 e 59 anos e avaliar, em larga escala, a efetividade do novo imunizante, que já demonstrou segurança e eficácia em estudos clínicos anteriores.

A Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) da Unesp participa da ação e vai monitorar de perto os casos de dengue do município, a partir de uma análise laboratorial criteriosa. Os resultados vão compor o estudo.

Ritmo acelerado

O Instituto Butantan começou a entrega das doses da vacina contra a dengue para o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde no final de dezembro. Até o final de janeiro, a previsão é de serem entregues 1,3 milhão de doses.

Mesmo antes da aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Instituto Butantan já havia dado início à produção do imunizante em seu parque industrial. Além disso, fechou uma parceria internacional com a empresa chinesa WuXi para aumentar a produção e ampliar a entrega no segundo semestre de 2026.

De acordo com o secretário de Saúde, Eleuses Paiva, a produção da vacina segue em ritmo acelerado pelo Instituto Butantan. “Até o final de janeiro, a expectativa é alcançar 1,3 milhão de doses, chegando a 3 milhões ao término do primeiro semestre. Até o fim do ano, a produção deve atingir 30 milhões de doses, com possibilidade de ampliação conforme a demanda nacional”, afirma.

A Butantan-DV foi aprovada pela Anvisa para ser utilizada na população brasileira de 12 a 59 anos.

De acordo com a estratégia anunciada pelo Ministério da Saúde, as primeiras doses entregues pelo Instituto Butantan serão destinadas aos profissionais da Atenção Primária, que atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs)

e em visitas domiciliares. Com a ampliação da capacidade produtiva, o ministério deverá estender a vacinação ao público geral, começando pelos adultos de 59 anos e avançando gradualmente até as faixas etárias menores.

O Instituto Butantan pretende ainda ampliar a faixa etária de vacinação tanto para o público pediátrico quanto para aqueles acima de 60 anos. Para isso, já recebeu aprovação da Anvisa para avaliar a vacina da dengue na população de 60 a 79 anos. Se os resultados da pesquisa forem satisfatórios, será possível solicitar à agência reguladora a inclusão desse grupo nas recomendações do imunizante. Além disso, mais dados deverão ser coletados para avaliar a possível inclusão das crianças de 2 a 11 anos nas recomendações da vacina. Os estudos clínicos realizados já comprovaram que a vacina é segura nesta faixa etária.

Ensaios e resultados

A aprovação da vacina é sustentada pelos resultados de cinco anos de acompanhamento dos voluntários do ensaio clínico de fase 3, encaminhados à Anvisa. De acordo com o estudo, no público de 12 a 59 anos, o imunizante mostrou 74,7% de eficácia geral, 91,6% de eficácia contra dengue grave e com sinais de alarme e 100% de eficácia contra hospitalizações por dengue.

O estudo, conduzido entre 2016 e 2024, avaliou a Butantan-DV em mais de 16 mil voluntários residentes de 14 estados brasileiros. Resultados anteriores do acompanhamento de dois e 3,7 anos foram publicados no The New England Journal of Medicine e na The Lancet Infectious Diseases, respectivamente.

Composto pelos quatro sorotipos do vírus da dengue, o imunizante se mostrou seguro e eficaz tanto em pessoas com infecção prévia como naquelas que nunca tiveram contato com o patógeno. A maioria das reações foi leve a moderada, sendo as principais dor e vermelhidão no local da injeção, (exantema (manchas vermelhas) no corpo, dor de cabeça e fadiga. Eventos adversos sérios relacionados à vacina foram raros e todas as pessoas se recuperaram.

Morador de Botucatu recebe a vacina da dengue neste domingo (18)
Tereza da Silva Lopes, primeira moradora a receber a vacina
Cadastro de moradores de Botucatu para receber a vacina contra a dengue
Profissional de saúde aplica vacina contra a dengue em Botucatu
Vacinação contra a dengue em Botucatu
Moradores compareceram em peso em escola estadual no centro para receber a vacina
Moradores esperam a vez de receber a vacina
Moradores fazem cadastro antes de receber a vacina
Moradora recebe vacina contra a dengue em Botucatu

Historiando

ANTONIO VIANA GOMES

“TONY TORNADO”

O Brasil de 2026 recém iniciado convive em suas várias esferas de poder com diversos tipos de tornados e a oportunidade, ao que parece, serve para breves comentários sem maiores pretensões. A personalidade que hoje ganha o espaço no Historiando é nosso contemporâneo nascido em 23 de maio de 1930. Antônio Viana Gomes pouco conhecido pelo nome de batismo mas, nacional e mundialmente conhecido pelo inconfundível apelido artístico de Tony Tornado sendo, ele próprio uma força da natureza, mas especificamente um tornado, aquele nosso conhecido redemoinho de vento formado a partir da tempestade que passa varrendo tudo. Tendo completado nove décadas em 2020, noventa anos de uma vida nada monótona. Filho de pai guianense e mãe brasileira nasceu em Itororó do Paranapanema, à época pertencente ao município de Presidente Prudente. Aos doze anos de idade Tony fugiu de casa e foi parar no Rio de Janeiro, hospedado por uma tia em local muito distante do centro da cidade; tornou-se menino de rua e ganhava a vida vendendo amendoim e engraxando sapatos. Dormindo debaixo de viadutos. Aos 19 anos foi para a Escola de Paraquedistas do Exército servindo, inclusive no Batalhão Suez, na faixa de Gaza.

Roque Roberto Pires de Carvalho email:roquerpcarvalho@gmail.com

tes anos de pura efervescência ele decidiu seguir, em 1963, com o “Conjunto Folclórico Coisas do Brasil” para a Europa e depois para os Estados Unidos. Mais uma vez o tornado que muda os ventos da vida girou e o colocou no coração do bairro do Harlem, onde conheceu de perto os movimentos “Black Power”; “Black Panther”. Ele chegou à América em anos emblemáticos. A Marcha sobre Washington, o Verão da Liberdade e do Nobel da Paz para Martin Luther King; a Marcha de Selma no Alabama e o assassinato de Malcolm X. Morar no Harlem nessa época, apenas duas alternativas disse ele: ou você canta ou trafica. Ainda nos Estados Unidos por cinco anos, período tão marcante em sua vida, respirava o ar americano e tudo já estava impregnado em seu corpo quando foi deportado para o Brasil por estar ilegalmente no país. Seu retorno ao Brasil foi triunfante: ao descer no aeroporto em 1968 deve ter parecido um extra terrestre para quem o visse, pois com todo o seu tamanho chegou de jaqueta aberta, torso musculoso nu, coturno, cabelo black no alto e um ar de superioridade. Era preciso sobreviver e Tornado passou a cantar em bares e boates do Rio de Janeiro e São Paulo, foi um dos introdutores dos ritmos sob influência de James Brown, do funk e do soul. Famoso com a música “Na BR-3” que em 1970 apresentou no 5º estival Internacional da Canção.

Retornando ao Brasil não era mais o Antônio e sim Tony, influenciado pelo rock and roll nascente e que começava despontar no Brasil no programa “Hoje é dia de rock”, na Rádio Mayrink Veiga. Também é possível imaginar o impacto que causou um homem negro com dois metros de altura cantando e dançando “twist”. Sua figura humana impressionou o apresentador Carlos Imperial, que o contratou como dançarino em seu programa na TV Continental. Enquanto Tony dançava na jovem televisão brasileira, a luta pelos direitos civis estava ganhando corpo e chegando ao seu auge nos Estados Unidos. O Brasil também começava a ter grupos muito engajados na luta antirracista e nes-

Tony Tornado, aos 95 anos, segue na ativa como cantor e ator, participando de novelas, gravando filmes e fazendo shows, celebrando a música negra brasileira. Continua com energia, falando sobre sua longevidade e mostrando que sua carreira e paixão pela arte estão mais vivas do que nunca.

Em época de muitos tornados pela natureza assustando por onde passa, e outros tantos em Brasília, com ventos fortes e tempestades tonitruantes o Tony, precursor do estilo afro - black music no Brasil, continua ileso.

FONTE:Wikipédia; Memórias de um repórter do Interior/ Mar2013

Roque Roberto Pires de Carvalho roquerpcarvalho@gmail.com

Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Issuu converts static files into: digital portfolios, online yearbooks, online catalogs, digital photo albums and more. Sign up and create your flipbook.