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ALGARVE INFORMATIVO Revista semanal - 4 de maio, 2019

«MARGEM» DE VICTOR HUGO PONTES SAM THE KID, MUNDO SEGUNDO E NAPOLEÃO MIRA | MÁKINA DE CENA 1 ALGARVE INFORMATIVO #200 MOÇOILAS | «CARTAS PARA ABRIL» | 40 ANOS DE CASA DA CULTURA DE LOULÉ


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CONTEÚDOS #200 4 DE MAIO, 2019 50

ARTIGOS 16 - Dia do Associativismo Jovem 30 - «Margem» de Victor Hugo Pontes 50 - Sam The Kid, Mundo Segundo e Napoleão Mira em Loulé 62 - Mákina de Cena 74 - Moçoilas lançam novo disco 86 - The Black Teddys vencem MÚSICA JA 98 - «Cartas para Abril» 112 - Casa da Cultura de Loulé 140- Atualidade

OPINIÃO

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122 - Paulo Cunha 124 - Mirian Tavares 126 - Adília César 128 - Ana Isabel Soares 130 - Carla Serol 132 - David Martins 134- Alexandra Rodrigues Gonçalves ALGARVE INFORMATIVO #200

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IPDJ DE FARO RECEBEU COMEMORAÇÕES NACIONAIS DO DIA DO ASSOCIATIVISMO JOVEM Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina

Delegação Regional do Algarve do Instituto Português do Desporto e Juventude, em Faro, foi o local escolhido para se assinalar, a ALGARVE INFORMATIVO #200

30 de abril, o Dia do Associativismo Jovem, o que motivou a presença do Secretário de Estado da Juventude e Desporto, João Paulo Rebelo, e do Presidente do Conselho Diretivo do Instituto Português do Desporto e Juventude, Vítor Pataco, para além de 16


diretores regionais de todo o país e de muitos dirigentes e representantes do movimento associativo. Não admira, por isso, o sorriso nos lábios de Custódio Moreno, Delegado Regional do Algarve do IPDJ, por receber tão ilustres visitantes na sua «casa». “É com muito orgulho e felicidade que tenho aqui ao meu lado, neste palco, três presidentes ligados à juventude”, afirmou, referindo-se a Vítor Pataco, mas também a Tiago Manuel Rego, Presidente da Federação Nacional das Associações Juvenis, e a Hugo Carvalho, Presidente do Conselho Nacional de Juventude. “Hoje, o Algarve é a capital do associativismo juvenil, mas não é o IPDJ que está de parabéns, mas sim as associações e os seus dirigentes. São pessoas que queremos ter ao nosso 17

lado, porque o IPDJ trabalha com os jovens, e não para os jovens. A nossa missão é dar os meios para que as vossas ideias possam ser colocadas em práticas, e não impingir-vos as nossas ideias”, distinguiu. Discursando à capela, na sua forma característica de falar, de coração na boca, sem filtros, Custódio Moreno agradeceu a presença dos vários autarcas que se encontravam na sala, nomeadamente aqueles com a pasta da Juventude, porque “o IPDJ tem a consciência de que não consegue fazer as coisas sozinho”. “Não estamos muito preocupados com o número de associações juvenis que existem no Algarve, porque o trabalho tem que ALGARVE INFORMATIVO #200


ser feito com naturalidade e o que interessa são as ideias e a sua qualidade, sempre com a certeza de que o IPDJ pretende ser um parceiro de confiança dos jovens algarvios”, salientou, não desejando que se olhe para o Instituto como uma «Caixa de Depósitos» onde se vai apenas pedir dinheiro quando ele está disponível. “E não estamos fechados nos gabinetes à espera de ver o resultado dos e-mails que enviamos. Primeiro vamos ao terreno conhecer a realidade, conversar com o movimento associativo, acertar todos os pormenores. É falando com as pessoas, com proximidade, na rua, que nos tornamos parceiros fiáveis”, enfatizou. “O associativismo juvenil hoje está em festa e, quando a festa é em nossa casa, ainda ficamos mais felizes”. ALGARVE INFORMATIVO #200

Enquanto Presidente da Federação Nacional das Associações Juvenis, Tiago Manuel Rego representa as cerca de mil e 200 associações juvenis existentes de norte a sul de Portugal e também ele sublinhou que a quantidade não é o mais importante, mas sim a qualidade do trabalho desenvolvido e o impacto que tem nas comunidades. “Os jovens mobilizam-se para criar a diferença que querem ver no mundo e o movimento associativo fez-se precisamente pela sua iniciativa e coragem em assumirem um lugar de protagonismo. E os parceiros deste movimento, como sejam as câmaras municipais, não devem ocupar a iniciativa dos jovens, mas dar-lhes o lugar de destaque que eles merecem 18


ter, para serem cidadãos ativos e plenos”, defendeu. “Os jovens partilham sonhos e projetos e em conjunto tornamnos realidade, pelo que tenho que agradecer a vossa audácia. A juventude é um contínuo desafio e o poder central e local vão precisar de outras ferramentas e metodologias para apoiar a geração seguinte. A tecnologia avança e tem que se reinventar a capacidade de cativar os jovens, portanto, é fundamental criar associações juvenis, mas também capacitá-las”, apontou Tiago Manuel Rego. Sobre política e Europa falou Hugo Carvalho, até porque se avizinha, as eleições para o Parlamento Europeu, considerando que a política é uma «arte de narrativas». “Nós tomamos posições mais pela história que nos contam sobre alguma coisa, do que pelos factos em

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sim. O último século costuma ser chamado pelo «século dos ismos», do fascismo, comunismo, capitalismo, socialismo, que foram todos falhando ao longo dos anos porque diziam às pessoas como é que tinham que viver as suas vidas, porque impunham uma forma de estar”, recordou o Presidente do Conselho Nacional de Juventude, adiantando que estas narrativas podem falhar por dois motivos: “Ou porque estão erradas, deixam de fazer sentido, já não acreditamos nelas e compramos outra «banha da cobra»; ou porque falham tanto e tantas vezes que deixamos, pura e simplesmente, de acreditar em quem conta as histórias, no sistema e na política, o que dá lugar a coisas perigosas”. Hugo Carvalho apontou os exemplos da Hungria, Roménia, República Checa,

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Malta, Eslováquia, mas mais existiriam para se falar, lamentando que, hoje, as pessoas sejam mais vezes contra alguma coisa do que a favor de outra coisa diferente. “Há pessoas que querem alcançar o poder sem que exista política, o que significa sem que haja o contraditório, opiniões distintas, e isso é ditadura. E isto só acontece porque não nos lembramos que a política é fraca, porque tem incerteza e porque os políticos continuam a ser pessoas e, portanto, também falham, o que não tem mal nenhum”, indicou o dirigente, ALGARVE INFORMATIVO #200

antes de abordar a emergência do quinto poder, o digital, que se veio juntar aos poderes religioso, militar, económico e político. “O Facebook foi a coisa que mais depressa cresceu na história do mundo, a sua evolução foi mais rápida do que qualquer religião ou epidemia, do que a própria internet. Em oito anos foi de zero pessoas para 1,2 biliões de pessoas e mudou a política toda”, observa Hugo Carvalho. “Há uma nova ordem mundial, os followers, porque aquilo que, no futuro, vai medir o capital de 20


um político, de um artista, de uma empresa ou projeto, é o seu número de seguidores. Nós, os jovens, os nativos digitais, podemos ir buscar capital ao online, mas o impacto temos no offline, uns com os outros, nas nossas comunidades. A indignação é má porque pode gerar uma narrativa negativa, mas não precisamos ter medo do futuro e devemos olhar de forma positiva para a política”. A finalizar a primeira parte da manhã, o Presidente do Conselho Diretivo do Instituto Português do Desporto e Juventude revelou, com satisfação, que foram submetidas 250 propostas ao Orçamento Participativo Jovem, em resultado da participação de centenas de jovens neste processo. “O mais importante é encontrarmos formas de cruzar os nossos interesses com os dos

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jovens e que eles participem, de forma ativa, na construção do seu futuro. Para tal devem aproveitar as oportunidades e as potencialidades dos programas e instrumentos europeus que estão à sua disposição, como o Erasmus, o Parlamento Jovem ou o Corpo Europeu de Solidariedade, entre outros”, apelou Vítor Pataco.

NÃO BASTA VOTAR, É PRECISO PARTICIPAR TODOS OS DIAS Seguiu-se o debate «Europa: a Democracia e Eu» com Joana Farias, João Perleques e Sofia Solayman a representarem a juventude, mas também com Bárbara Pinto Leite, Relações Públicas do Gabinete do Parlamento Europeu em Portugal, Sofia

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Custódio Moreno, Delegado Regional do Algarve do IPDJ e Vítor Pataco, Presidente do Conselho Diretivo do Instituto Português do Desporto e Juventude

Colares Alves, Chefe da Representação da Comissão Europeia em Portugal e Luís Alves, Diretor da Agência Nacional Erasmus+ JA. A encerrar os festejos do Dia do Associativismo Jovem no IPDJ de Faro, Rogério Bacalhau Coelho, Presidente da Câmara Municipal de Faro, fez uma breve comparação entre os seus tempos de criança e o cenário que que vive atualmente. “Naquela altura, o meu mundo era a minha rua. Saia de casa, brincava na minha rua, ia à escola primária que ficava a 200 metros, voltava para casa e não havia mais nada. A televisão começava a emitir às sete da noite, não existia qualquer ligação ao mundo externo. Hoje, o nosso mundo é o planeta Terra e, qualquer dia, será a ALGARVE INFORMATIVO #200

Lua e outro planeta qualquer. Nesse sentido, acho que o Erasmus é dos melhores programas criados pela União Europeia, por nos dar a conhecer outros mundos e povos”, manifestou o autarca. Para Rogério Bacalhau, um dos problemas da falta de paz é precisamente a não aceitação dos outros, por ignorância e desconhecimento. “E é importante que todos participemos, a conversar no café com os nossos vizinhos, nas escolas, nas associações, em grupos formais ou informais, que discutamos os temas atuais com os nossos amigos, porque isso também leva ao 22


Hugo Carvalho, Presidente do Conselho Nacional de Juventude e Tiago Manuel Rego, Presidente da Federação Nacional das Associações Juvenis

voluntariado”, acredita o edil farense. “Mas participar nas eleições não se pode esgotar em ir votar no dia 26 de maio para as Europeias e depois esperar pelo próximo ato eleitoral. É preciso estarmos informados e participarmos no dia-a-dia das nossas comunidades, que deixou de ser a nossa rua, mas tudo aquilo que nos rodeia”, enfatizou Rogério Bacalhau. Quanto a João Paulo Rebelo, Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, as primeiras palavras foram de agradecimento para Rogério Bacalhau, porque “Faro é um município amigo do desporto e da juventude”, e para Custódio Moreno, pois “o trabalho que o IPDJ do Algarve está a desenvolver é realmente transformador e um motivo de orgulho para todos nós”. “Tivemos aqui um debate que levantou questões e 23

esclareceu dúvidas. É fundamental ter a perspetiva dos jovens em todas as matérias, aliás, seria até estúpido fazer o contrário. Os jovens dispensam políticos com boas ideias para os jovens, eles próprios têm boas ideias para si mesmo e nós só precisamos criar as condições para que possam dar azo à sua participação, criatividade e energia transformadora”, referiu o governante. O Secretário de Estado não esqueceu a elaboração do Plano Nacional Para a Juventude, o primeiro da história da nação, aprovado em Conselho de Ministros e que inclui cerca de 250 medidas que atestam o compromisso do governo em estar ao lado dos jovens. Do mesmo modo recordou que Portugal é o único país do mundo a ter um ALGARVE INFORMATIVO #200


Orçamento Participativo Jovem, mas também que cabe ao poder central financiar o movimento e a dinâmica associativa. “As associações cumpriram a apresentar os seus orçamentos, planos de atividade e intenções de trabalho, e cumpriu o IPDJ ao já ter pago a primeira tranche dos apoios financeiros. Antes, não se cumpria a lei neste aspeto e davase logo um péssimo exemplo aos jovens naquele que, porventura, era o seu primeiro contato com a administração pública. O Estado falhava, não pagava a tempo e horas, e isso deixou de ALGARVE INFORMATIVO #200

acontecer nos últimos anos”, destacou João Paulo Rebelo. Em relação às Eleições Europeias que se aproxima, o governante fez questão de sublinhar tudo aquilo que a Europa tem dado, e continuará a dar, a Portugal, por via dos fundos comunitários que financiam muitas obras e projetos. “Os nossos direitos nunca podem ser dados adquiridos, temos todos os dias que trabalhar para garantir a sua efetivação. Hoje, quando pegamos no telemóvel e ligamos de França para Portugal, 24


pagamos exatamente o mesmo que um telefone entre duas pessoas de Faro, e isso é uma conquista do Parlamento Europeu. Os jovens tirarem os seus cursos superiores em Portugal e essas competências e capacidades serem reconhecidas na Alemanha, Espanha ou Itália, também é uma conquista da União Europeia”, exemplificou João Paulo Rebelo. “Tudo isto contribui para uma paz que, durante décadas, não existiu na Europa, e a erosão dessa memória coletiva é perigosíssima. Portugal é, sem qualquer dúvida, um país mais próspero e melhor desde que aderiu à União Europeia”, finalizou o Secretário de Estado da Juventude e Desporto . João Paulo Rebelo, Secretário de Estado da Juventude e Desporto e Rogério Bacalhau, Presidente da Câmara Municipal de Faro

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80 ANOS DEPOIS DO LIVRO DE JORGE AMADO, VICTOR HUGO PONTES DEU A CONHECER OS NOVOS «CAPITÃES DA AREIA» Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina

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ARGEM chegou ao Teatro das Figuras, em Faro, com a fasquia bem elevada, depois de ter conquistado o Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores para a Melhor Coreografia de 2018. Mas, verdade seja dita, as expetativas já costumam ser altas quando falamos de espetáculos de Victor Hugo Pontes e, para não variar, ninguém ficou defraudado na noite de 27 de abril. «Margem» tem como inspiração o romance de Jorge Amado «Capitães da Areia», que retrata um grupo de crianças e adolescentes abandonados e que vivem nas ruas de São Salvador da Baía, no Brasil, roubando para comer e dormindo num «trapiche», onde apenas de preocupam em sobreviver um dia de cada vez. Oito décadas depois da publicação do livro, Victor Hugo Pontes quis questionar quem são os novos «capitães da areia», inspirando-se na realidade social de jovens que vivem nas margens. Para tal contou com a colaboração de Joana Craveiro que produziu o texto, num projeto que partiu de um trabalho realizado “junto de jovens que foram privados do ensino, alimentação, carinho, de um pai e de uma mãe, jovens que partiram em défice ou que se viram em défice por razões que muitas vezes lhes são alheias”. Segundo releva Victor Hugo Pontes, o desafio foi lançado por Madalena Wallenstein, programadora da Fábrica das Artes do Centro Cultural de Belém, para que trabalhasse sobre as «pobrezas contemporâneas», mas o coreógrafo depressa constatou que os «capitães da areia» do século XXI não estavam nas ruas, mas sim em instituições. “Trabalhei diretamente com a Casa Pia e o Instituto Profissional do Terço, fiz vários workshops e entrevistei muitas crianças 33

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e adolescentes que estão institucionalizados, uns sem pai nem mãe, outros que se encontram ali por outras vicissitudes. Eu e a Joana fomos construindo o texto e desde o princípio do projeto que entendi que fazia todo o sentido trabalhar depois com adolescentes no espetáculo”, contou Victor Hugo Pontes, depois de fechadas as cortinas no Teatro das Figuras. Intérpretes adolescentes e em grande quantidade, sendo que, em cada espetáculo, para além dos 12 elementos fixos do elenco, são integradas mais oito a 10 crianças locais que passam por uma figuração especial. “São os «mini ALGARVE INFORMATIVO #200

capitães» que ajudam a dar uma maior escala à história, porque eram mais de 100 adolescentes a viver nos «trapiches» do Jorge Amado e que cuidavam uns dos outros”, indica o coreógrafo, acrescendo que em «Margem» se fala de tudo sem quaisquer tabus ou hesitações, motivo pelo qual os espetadores normalmente saem bastante comovidos da sala. “São jovens a falar diretamente dos seus problemas reais, e não adultos a fazerem de conta que são adolescentes. O livro «Capitães da Areia» serve de sustentação ao enredo, mas depois são inseridos os testemunhos das crianças 34


institucionalizadas e histórias dos próprios intérpretes, que contribuem com o seu ponto de vista sobre situações que estão a viver ou das quais estão a falar”, revela o entrevistado. Fala-se, por isso, sem pudores, de religião, amor, sexo, família e morte, do dia mais feliz de cada um, dos seus maiores receios, do próprio sentimento de se dormir, pela primeira vez, com um completo desconhecido. “A autenticidade e veracidade são a grande força do «Margem» e trabalhamos de forma muito profissional com estes jovens, bastantes horas por dia, para se atingir este resultado. Tive com eles a mesma 35

exigência que tenho com intérpretes profissionais e as limitações foram sendo ultrapassadas. Grande parte deles são estudantes de dança ou teatro, portanto, têm alguma ligação às artes. Os outros, com o decorrer do tempo, foram apanhando o ritmo. Convém dizer que o espetáculo anda na estrada há sensivelmente um ano e meio e eu fiz audições muito antes disso, pelo que já os conheço há mais de dois anos”, sublinha, com um sorriso. O resultado deste rigor, exigência e profissionalismo está à vista, «Margem» é um espetáculo com uma dinâmica ALGARVE INFORMATIVO #200


tremenda, com uma carga emocional bastante pesada, e a crítica não tardou a render-se ao novo sucesso de Victor Hugo Pontes. “O projeto ganhou uma proporção maior do que poderíamos alguma vez ter imaginado e depressa verificamos que não era um espetáculo apenas para adolescentes, mas para públicos de todas as idades. É incrível ver a reação nos adolescentes, mas também nos pais”, reconhece, lembrando que «Margem» constou na lista dos 10 melhores espetáculos de 2018 do jornal «Público» e foi considerado o segundo melhor da lista e o melhor português. “Pensei que não dariam a mesma atenção ao «Margem» do que a outro tipo de espetáculos, mas felizmente tivemos os olhos certos colocados em nós, o que fez com que fosse também nomeado para os prémios da SPA”, prossegue. A vitória foi uma surpresa para Victor Hugo Pontes, porque os outros dois finalistas para melhor coreografia eram Clara Andermatt e Tânia Carvalho com a Companhia Nacional de Bailado. “De ALGARVE INFORMATIVO #200

repente, a «Margem» esteve no centro e esse era o nosso grande objetivo. Os temas que abordamos ganharam o protagonismo que merecem e deixaram de estar na margem das atenções. Eles tentam fazer uma revolução e, embora não sejam 12 adolescentes sozinhos que a conseguem concretizar, podem convocar outros, e outros, e outros, e vão-se mudando as coisas devagar”, afirma, confessando que não sabe o que o futuro ditará para «Margem». “O texto foi editado em livro aquando da reposição este do espetáculo no CCB e gostávamos que continuasse a circular, mas estes jovens estão numa fase da vida em que não lhes posso exigir que continuem comigo e, acima de tudo, desejo o melhor para eles. Alguns estão a concluir o 12.º ano e quero muito que vão estudar para fora. Vou ter que perceber se o espetáculo ainda fará sentido com outros intérpretes, mas, para já, temos datas marcadas por mais um ano”, finaliza Victor Hugo Pontes . 36


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Ficha artística e técnica Direção: Victor Hugo Pontes Texto: Joana Craveiro Cenografia: F. Ribeiro Música: Marco Castro e Igor Domingues (Throes + The Shine) Direção Técnica e Desenho de Luz: Wilma Moutinho Operação de Luz: Joaquim Madaíl Operação de Som: Rodolfo Sá Pereira Interpretação: Alexandre Tavares, David S. Costa, Gonçalo Cabral, Hugo Fidalgo, João Nunes Monteiro, José Santos, Magnum Soares, Marco Olival, Marco Tavares, Nara Gonçalves, Rui Pedro Silva e Vicente Campos Estagiários: Beatriz Baptista (Ginasiano Escola de Dança) / João Filipe Abreu (FCSH) Consultoria Artística: Madalena Alfaia Direção de Produção: Joana Ventura Assistente de Produção: Mariana Lourenço Parcerias: Centro de Educação e Desenvolvimento de Pina Manique - Casa Pia de Lisboa e Instituto Profissional do Terço Apoio à Residência: Centro Cultural Vila Flor Coprodução: Nome Próprio, CCB-Fábrica das Artes e Teatro Aveirense: Câmara Municipal de Aveiro

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CINE-TEATRO LOULETANO FOI AO RUBRO COM SAM THE KID, MUNDO SEGUNDO E NAPOLEÃO MIRA Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina

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Cine-Teatro Louletano recebeu, no dia 24 de abril, um concerto único e especial que colocou em palco Sam The Kid (com Mundo Segundo) e o pai Napoleão Mira. O objetivo foi juntar, nas comemorações dos 45 anos da Revolução dos Cravos, poetas de gerações diferentes para fazer uma crítica à realidade social, falando de temas como habitação, educação, economia, religião, convívio/conflito entre grupos ou violência, como é apanágio dos universos do hip-hop e de uma cultura de intervenção musical centrada na figura do cantautor, que floresceu precisamente durante o período ditatorial e se prolongou para lá do 25 de Abril de 1974. Quanto à parceria entre Sam The Kid e Mundo Segundo, já vem de ALGARVE INFORMATIVO #200

longe, tanto no palco como nos estúdios, existindo entre os dois uma história longa de dedicação à causa das rimas e das batidas. E na calha está um álbum feito a duas vozes e quatro mãos, do qual já são conhecidos quatro temas, que promete ficar para a história do hip hop nacional. Mundo Segundo é a figura de proa do grupo «Dealema», um dos mais empenhados membros do movimento que se espalhou de Sul para Norte e responsável por, entre outros sucessos, «Alvorada da Alma». Sam The Kid mantém-se insuperável na arte das rimas, facto bem atestado por «Entre(tanto)» de 1999 ou «Sobre(tudo)» de 2002. Já Napoleão Mira fundou, dirigiu e colaborou em várias revistas e jornais e, no campo musical, assinou «Pratica(mente)» e 52


«Slides — Retratos da Cidade Branca» para o aclamado disco «Pratica(mente)» do filho, Sam The Kid. Também com este criou e interpretou, para o primeiro Festival Silêncio!, o espetáculo «Palavras Nossas». O alentejano tem colaborado em vários trabalhos discográficos, nomeadamente com Dino & The Soulmotion, Orelha Negra, Sir Scratch e o projeto «Hip Hop 53

Pessoa». Publicou diversos livros, entre eles crónicas, relatos de viagens, romances. Nos últimos anos criou, quer com o coletivo Reflect (Pedro Pinto/Kimahera) quer, mais recentemente, com o projeto «Grafonola Voadora» (com Luís Galrito e João Espada), vários formatos em torno da spoken word e dos seus cruzamentos com a poesia cantada e a música instrumental . ALGARVE INFORMATIVO #200


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MÁKINA DE CENA AGITA CENA CULTURAL DE LOULÉ Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina e Mákina de Cena

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oi na Casa da Mákina, em Loulé, que estive à conversa com Carolina Santos e Marco Martins, um casal das artes, ela do teatro físico, ele do jazz, os rostos visíveis e motor propulsor da Mákina de Cena, associação cultural que completou recentemente um ano de existência e cuja atividade disparou, a olhos vistos, com a entrada em ALGARVE INFORMATIVO #200

2019. A ideia, contudo, começou a fervilhar quando a dupla ainda vivia em Paris, cidade onde estava envolvida em múltiplas produções. “Tentamos criar uma associação com um coletivo internacional de artistas do qual faziam parte mais alguns portugueses, mas a intenção acabou por não se concretizar. Depois, eu dediquei-me mais ao meu disco, a Carolina à escola 64


Teatro da Cerca, um trabalho que foi superexcitante e estimulante. Viemos depois para o Algarve e decidimos avançar com a associação no Poço da Amoreira, próximo de Loulé, com a ideia de realizar algumas residências artísticas e trabalhar com a população local, tanto os mais idosos como os mais jovens”, prossegue Marco Martins com a história, mas ainda não foi dessa que nascia a tão desejada associação, por não encontrarem um espaço adequado para tal.

de teatro, mas a vontade nunca desapareceu”, relata Marco Martins. O casal decide, entretanto, regressar a Portugal, por motivos familiares, mas também por entender que tinham encerrado um ciclo na capital francesa e não queriam iniciar uma caminhada em tudo semelhante à que tinham terminado. “Fomos para Coimbra e fizemos a produção do «Público vs Lorca», no 65

Por essa altura Carolina Santos estava a trabalhar em Loulé, de onde é originário Marco Martins, e o casal começou a fazer um género de «estudo de mercado», a ver que associações existiam na cidade e em que áreas artísticas estavam a atuar para não serem apenas mais uns. “Eu sou do jazz e da música improvisada, a Carolina é do teatro físico, e percebemos que, nesses campos, não íamos estar a sobrepor-nos a mais ninguém, que havia espaço para estas linguagens”, conta Marco Martins, enfatizando a vontade de serem complementares aos «vizinhos» e não concorrentes. Uma preocupação que advém da experiência que tinham de Paris, em cuja área metropolitana habitam 10 milhões de pessoas. “Nós eramos apenas mais um casal de artistas a batalhar pelo sucesso. O Marco lançou um disco de jazz com outros músicos da cena parisiense que correu muito bem, tocou várias vezes em clubes de renome internacional. Eu formei-me na Ecole Internationale de Theatre Jacques Lecoq e tinha circulado três anos com a Companhia Philippe ALGARVE INFORMATIVO #200


Genty, mas a verdade é que era bastante difícil chegar aos sítios onde havia efetivamente criação artística. Depois de seis anos em França, ou investíamos toda a nossa energia num novo ciclo lá, ou voltávamos para Portugal”, complementa Carolina, que é de Coimbra. Sobre a cena cultural algarvia o casal apenas conhecia aquilo com que tinha contatado nas suas férias de Verão, ou seja, estavam convencidos que iam «aterrar» num terreno virgem, o que não coincidia com a realidade, daí o tal período de «estudo de mercado», de tentar compreender como poderiam ser uma mais-valia e oferecer algo diferente à comunidade. Nasce, então, em 2018, a Mákina de Cena, resultado de um intenso brainstorming, porque escolher um nome para uma associação não é fácil, muito menos um que ilustre na perfeição o que ela pretende fazer. “Sempre estivemos nos bastidores, a trabalhar nos cenários, comunicação, imagem, figurinos, máscaras, no apoio moral e psicológico para manter toda a gente feliz em cena, geríamos a maquinaria humana. E todas as artes precisam de uma maquinaria por detrás”, descreve Marco Martins, reconhecendo que ter uma sede própria é um benefício tremendo para qualquer associação, ao invés de andar a trabalhar em casas emprestadas. “A Carolina estava a trabalhar com a Folha de Medronho quando nos deparamos com um anúncio online de aluguer de uma loja que ficava quase ao virar da esquina. Pusemos a nossa «poker face» para ir conhecer a Casa da Mákina, mas ela desapareceu num instante quando vimos o potencial do espaço. Fomos um pouco ingénuos em relação ao trabalho que a ALGARVE INFORMATIVO #200

remodelação iria implicar, mas investimos o nosso mealheiro com muito gosto e orgulho”, garante o músico. A Casa da Mákina foi depois crescendo fisicamente aos fins-de-semana e feriados com a ajuda de todos os associados e a Mákina de Cena ganhou asas desde que abriram portas. “O que aconteceu nestes últimos quatro meses é um pouco surreal. Estava a dar formação de teatro físico na Folha de Medronho, fizemos uma parceria com a Casa da Cultura de Loulé com o projeto «Sextas à Solta», começamos a programar o Clube de Leitura Teatral, iniciamos um ciclo de workshop, as inscrições têm esgotado sempre e está tudo a acontecer muito acima das nossas expetativas”, confessa Carolina Santos. “Depois do workshop de improvisação vamos fazer outro de harmonia em maio. Fruto de uma parceria com a Casa da Cultura de Loulé temos o projeto das «West Sessions» e em junho queremos reunir artistas algarvios e internacionais numa residência. E o professor de guitarra do Conservatório de Paris, o Florent Souchet, vem dar uma masterclass aqui na Mákina, a cereja no topo do bolo para encerrar este ciclo de workshops”, adianta Marco Martins, de olhos brilhantes.

ABRIR OS BRAÇOS À COMUNIDADE Constituída a associação e abertas as portas da sede, concentraram-se as atenções no programa de atividades, 66


sem o qual a Mákina de Cena não podia, por exemplo, estar apta para receber apoios financeiros da Câmara Municipal de Loulé. E gastar energias para ser «mais do mesmo» não fazia, de facto, qualquer sentido para o casal, daí terem rapidamente definido três eixos de atuação: Formação, Criação e Comunidade. “A partir de setembro vamos abrir um workshop regular de música moderna e ter formações mais condensadas. Antes disso, de 20 a 27 de junho, vamos organizar um workshop intensivo de teatro clown, quatro horas por dia com o Luciano Amarelo, que também andou na Escola Jacques Lecoq, 67

e a ideia é apresentar o resultado final no primeiro dia do Festival MED”, anuncia Carolina Santos, adiantando que um clube de cinema também está no forno, assim como concertos de música. Na vertente da criação, a par das «West Sessions», há duas criações próprias de teatro na agenda: um solo de Carolina Santos que vai estrear em setembro; e uma coprodução com a Folha de Medronho, financiada pela Bolsa de Apoio ao Teatro da Câmara Municipal de Loulé, a ir a cena, a 29 de novembro, no Cine-Teatro Louletano. ALGARVE INFORMATIVO #200


Quanto ao eixo da Comunidade, concretiza-se numa parceria com a ASMAL – Associação de Saúde Mental do Algarve para a realização de um atelier de teatro e movimento, a partir de setembro, com um grupo de utentes. “Neste caso não há a pressão de se levar a cena um espetáculo final, porque isso, às vezes, conduz a um ALGARVE INFORMATIVO #200

objeto diferente daquele que procuramos”, justifica Carolina. A conversa é com Marco Martins e Carolina Santos, formalmente o presidente e a tesoureira da Mákina de Cena, mas outros elementos existem na direção, como é natural, uns ligados à 68


música, outros à psicologia, economia e direito. “Tentamos convencer um grupo de pessoas que eram da nossa confiança e, sobretudo, sérias, para construir um coletivo de múltiplas valências”, diz Marco Martins. “E tivemos a sorte de encontrar pessoas que abraçaram este nosso sonho e que confiaram na nossa 69

vontade. Somos ambos Diretores Artísticos porque tudo é partilhado, os papéis estão perfeitamente esbatidos, estamos os dois à frente deste nosso bebé”, acrescenta Carolina Santos, que não esconde a alegria pelo sucesso que as iniciativas da Mákina estão a alcançar. “Vieram pessoas de Portimão ALGARVE INFORMATIVO #200


ao Clube de Leitura Teatral, de Tavira para o workshop de improvisação. Quando começarmos a ter um horário de abertura fixo da Casa da Mákina vamos criar «Os Amigos da Mákina», sócios que vão ter livre acesso a todas as atividades da associação, em troca de uma quota simbólica”. Quanto à forte adesão do público às atividades, Carolina Santos acredita que a “incrível programação do Cine-Teatro Louletano tem despertado a vontade das pessoas participarem em criações próprias”. “Aprender coisas novas através de vídeos do you tube é fácil, mas uns são bons, outros são péssimos e ensinam de forma errada. Há pessoas que não fazem ideia do que estão a falar mas, como têm uma webcam, acham que sim, e isso é perigoso”, alerta Marco Martins, daí ter avançado para os ALGARVE INFORMATIVO #200

workshops de música moderna. “Tirei um mestrado em Lisboa onde descobri a Psicopedagogia, que me ajudou a organizar na cabeça o modo de dar aulas, como é que vou passar a informação aos alunos, a maneira de os motivar”, conta. “Vir para Loulé foi uma escolha fantástica. Muitas vezes delineamos um plano de segurança para a eventualidade das coisas correrem mal, mas temos tido o melhor feedback possível. Também porque encontrámos pessoas que nos têm ensinado bastante e que têm tido um impacto brutal na maneira como desenvolvemos o nosso trabalho, como o José Laginha, o José Eduardo, a Alexandra Diogo e o João de Mello Alvim”, reforçam, em final de conversa.

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MOÇOILAS FESTEJAM 25 ANOS DE CARREIRA COM NOVO DISCO Texto: Daniel Pina | Fotografia: Irina Kuptsova

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Teatro das Figuras, em Faro, deu a conhecer, na noite de 30 de abril, o novo disco das Moçoilas, grupo constituído por Inês Rosa, Margarida Guerreiro e Teresa Silva, o terceiro ciclo de uma geração de mulheres/moçoilas que nasceu da vontade de reacender e recuperar os cantos do Sul, mais precisamente da região do Algarve. Esquecidos ou escondidos no tempo e nas profundezas de uma serra repleta de sons, cheiros, cores e saberes únicos, estes cantos fazem ALGARVE INFORMATIVO #200

parte e representam uma grande parte do patrimônio cultural do Algarve, refletindo a alma e as tradições de uma Serra do Caldeirão, onde o canto sempre foi uma identidade nacional. Reinterpretando muitos dos antigos temas e enriquecendo-os com a sua própria energia, modificando uns, apropriando-se de outros e preparando caminho para novas melodias e novas canções, as Moçoilas comemoram 25 anos de uma carreira repleta de aventuras, sucessos, experiências e partilha de memórias, e para tal lançaram o álbum «Atão, Porque Não?». 76


Regressando à Serra Mãe deste projeto, o disco reata vivências, traz à luz as vozes das mulheres desta serra e reacende memórias de outros tempos. Tempos de vivências pesadas, mas agora reavivados sob a forma de novas e alegres sonoridades, que não esquecem os desalentos da vida, mas que os transformam no reflexo de uma força e tenacidade, próprias das mulheres do Sul. O som emergente renasce da necessidade de se continuar a fazer ouvir e afirmar as sonoridades de base, da raiz, da terra e de uma cassete desencantada no fundo de um baú, onde se descobriram sons e cantares recolhidos nos anos 90, nas localidades de Currais e Cachopo. Um mix criativo, onde o tradicional e o moderno se unem pela voz das Moçoilas, acrescentando outras cantigas que têm acompanhado o grupo, mas ainda não editadas, e outras novas, eternizando alma dos cantos da serra .

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THE BLACK TEDDYS SÃO OS GRANDES VENCEDORES DA PRIMEIRA EDIÇÃO DO «MÚSICA JA» Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina

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Mateus Verde ALGARVE INFORMATIVO #200

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auditório da sede da Direção Regional do Algarve do Instituto Português do Desporto e Juventude, em Faro, foi palco, na noite de 27 de abril, da grande final da primeira edição do «Música JA - Concurso de Música Moderna IPDJ Algarve 2019», cujo grande objetivo é criar condições para o crescimento de novos projetos musicais na região algarvia. Um género de versão 2.0 do saudoso concurso de bandas do «Maio Jovem», na altura organizado pelo IPJ Instituto Português da Juventude, e que catapultou para a cena musical regional e 89

nacional algumas bandas de grande valor do sul do país. Em comum aos dois concursos está a figura do Delegado Regional Custódio Moreno, que regressou a esta casa há alguns anos, agora também com a incumbência de representar a pasta do Desporto no Algarve, e o edifício situado na Rua da PSP, na capital distrital, depressa começou a ganhar uma dinâmica que, infelizmente, tinha perdido. E o Música JA foi, de acordo com Custódio Moreno, até relativamente fácil de montar, porque as entidades contatadas para apoiar o evento num instante deram o seu «Sim», casos da Câmara Municipal de Faro, da ETIC_Algarve, da FNAC ALGARVE INFORMATIVO #200


The Black Teddys

Portugal, da Associação Académica da Universidade do Algarve, da Rua FM, do Núcleo de Faro da Associação José Afonso, da Câmara Municipal de Lagoa e da Lusitânia Companhia de Seguros, SA. Reunidos os apoios financeiros necessários para montar o evento, e para proporcionar os prémios aos vencedores, foi hora de escolher a produtora do evento e a seleção recaiu, com alguma naturalidade, sobre a MentecaptaProduções Áudio, de Francisco Aragão, Filipe Cabeçadas e Miguel Santos. Três nomes bem conhecidos da música algarvia ALGARVE INFORMATIVO #200

e que, inclusive, participaram no antigo concurso de bandas do «Maio Jovem». Depois, foi lançar o desafio aos artistas da região, com a condicionante de terem menos de 30 anos e de não terem nenhum contrato assinado com uma editora discográfica. Porque a ideia é ajudar a lançar novos projetos e não propriamente dar um empurrão a bandas e músicos que até já estão, supostamente, bem encaminhados. E assim se chegou à noite de 27 de abril, com Mateus Verde, The Black Teddys, João Quintela (Peculiar & Freak) 90


e Zebra Sépia a disputarem a final do primeiro capítulo do «Música JA» que, conforme foi anunciado durante o espetáculo, já tem continuidade assegurada em 2020. A decisão coube a Viviane Parra, Miguel Santos, Ana Pires, Carlos Almeida e Rafael Correia e os prémios eram aliciantes, com o vencedor a atuar já na edição de 2019 do Festival F, o segundo classificado a fazer parte do cartaz da próxima Receção ao Caloiro da Associação Académica da Universidade do Algarve e o terceiro classificado a ter direito a realizar um showcase numa loja FNAC à sua escolha. A Câmara Municipal de Lagoa decidiu atribuir um prémio extra a uma das bandas a concurso, que assim irá subir ao palco da FATACIL no dia 18 de agosto. Já o IPDJ decidiu premiar também o quarto lugar com um concerto numa das

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suas animadas sextas-feiras. Outros prémios eram, por exemplo, a gravação de um EP na Mentecapta e de um videoclipe pela ETIC_Algarve e a inclusão de um tema na programação diária da RUA FM. Enquanto o júri escolhia os vencedores, e porque o concurso homenageou também um dos maiores cantores e compositores da música portuguesa nos 90 anos do seu nascimento, Zeca Afonso, a plateia vibrou com o projeto «Mauro Amaral toca e canta Zeca». Na hora da decisão final, o primeiro lugar foi para os The Black Teddys, logo seguido dos Zebra Sépia, Mateus Verde e Peculiar & Freak. O prémio extra da autarquia lagoense foi atribuído aos Zebra Sépia .

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«CARTAS PARA ABRIL» DE ROSA VIEIRA GUEDES PÕEM NOVA GERAÇÃO A PENSAR SOBRE A GUERRA COLONIAL Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina

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Gimnásio Clube de Faro acolheu, no dia 1 de maio, a apresentação de «Cartas para Abril», uma leitura encenada de textos originais de Rosa Vieira Guedes levada a cabo pelo «Grupo de Leitores» e ALGARVE INFORMATIVO #200

apoiada pelo Instituto Português do Desporto e da Juventude, em colaboração com o Agrupamento de Escolas Tomás Cabreira. A iniciativa partiu de um grupo informal de jovens liderado por Erica Viegas e Samuel Sequeira, ex-estudantes do curso profissional de Artes do Espetáculo – Interpretação da Escola Secundária 100


Tomás Cabreira, que tem como objetivos promover o conhecimento de textos literários e teatrais, e favorecer o desenvolvimento das capacidades de reflexão e de pensamento crítico, bem como de competências profissionais, nomeadamente a autonomia e a colaboração, pelo envolvimento ativo e responsável em projetos no âmbito teatral. À dupla de ex-alunos juntou-se o professor Manuel Neiva na direção artística e a interpretação coube aos estudantes Andra Tolamei, Beatriz Ruivo, Bruna Rodrigues, Catarina Reis, Constança Melo, Daniel Encarnação, Daniela Lopes, Diana Correia, Filipe Palma, Gabriel Antunes, Gonçalo Cabrita, Gonçalo Pedrosa, Inês Pedro, Irina Pedrosa, Isabelle Noran, Isaura Peres, Jimi Linden, Pamela Correa, Patrícia Cabrita, Sava Manojlovic, 101

Sofia Bento e Vera Lopes. Depois, a leitura encenada percorreu os vários espaços da sede da centenária associação farense, terminando no salão principal, em cuja primeira fila se encontrava, de olhos brilhantes, a autora. “O conjunto das cartas ficou escrito há cinco anos e o Luís Campião já tinha feito um espetáculo com estes textos. Fazem parte de um projeto adiado no qual pretendo realizar algo mais profundo sobre a Guerra Colonial e têm a ver com memórias minhas – porque vivi em Moçambique e vim para Portugal nas vésperas do 25 de Abril, com oito anos – e de outras pessoas que conheci”, indicou Rosa Vieira Guedes. A vontade de preservar histórias e sentimentos marcantes deu origem a ALGARVE INFORMATIVO #200


estas «Cartas para Abril», que foram agora novamente a cena por iniciativa de Manuel Neiva, Erica Viegas e Samuel Sequeira. “O desafio foi como é que se pega num conjunto de leitores e se consegue vestilos com estas palavras e com o próprio espaço. Não foi nossa intenção criar um espetáculo no sentido de luz, som e interpretação de personagens. Tentamos limpar tudo isso e criar locais onde os intérpretes pudessem simplesmente ler estas cartas, havendo esta noção mais performativa do «eu no espaço» e do «eu com esta data e texto»”, explicou Manuel Neiva depois do espetáculo terminar. ALGARVE INFORMATIVO #200

Em cena estiveram vários estudantes que, por um lado, já não cresceram com o hábito de escrever cartas, por outro, não conviveram com a dura realidade da Guerra Colonial, nem sequer ouviram falar dela no seio da sua família, porque quem passou por ela prefere não abordar o assunto, deixá-lo sossegado no passado. Mas a verdade é que, tanto os alunos de Luís Campião na primeira encenação, como agora os alunos de Manuel Neiva, reagiram bem à situação. “Para já são cartas pequenas, porque, na minha cabeça, quando escrevi os textos, eles tinham que caber nos 102


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aerogramas. São curtas o suficiente para eles as puderem acompanhar, mesmo tendo coisas que lhes são estranhas, como expressões que faziam parte do vocabulário da época. Mas a intenção está lá e eles percebem a mensagem, o sentimento e a emoção por detrás das palavras”, observa Rosa Vieira Guedes. E, segundo Manuel Neiva, foram trabalhadas duas dimensões que envolviam a memória que os alunos tinham das histórias que os pais lhes contavam do pré-74, mas também do que se construiu após 74. “As cartas trazem todas essas informações e percebemos que, afinal, o que existia antes ainda continua a acontecer depois e o que estava depois era o desejo anterior. É uma travessia no tempo que também acontece no Gimnásio Clube de Faro, um dos espaços onde, na época, havia conversas de resistência na classe média”, explica o docente e encenador. 105

Entretanto, o leitor atento depressa encontra paralelismos entre a realidade vivida aquando da Guerra Colonial e após a chegada a Portugal de milhares de retornados, com o que se passa no Século XXI, agora com os refugiados e, antes disso, com os imigrantes. “Naquela altura as pessoas queixavam-se que os problemas da droga eram o resultado da vinda dos retornados, quando, antes disso, já existiam imensos sítios em Lisboa onde se podia comprar droga. Assustadoramente, parece que persiste esta tendência das pessoas culparem sempre aqueles que vêm de fora pelos problemas que encontram no dia-a-dia”, lamenta Rosa Vieira Guedes. “A última carta tem a ver com uma empregada que não sabe ler nem escrever, uma menina de 11 anos que ALGARVE INFORMATIVO #200


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é abusada pelo senhor doutor, pelo patrão. A maior parte da população portuguesa era pobre e vivia amarfanhada, humilhada e violentada uma vida inteira, mas tentavam compor as coisas, diziam que estava tudo bem e que eram muito felizes”, recorda a autora. Uma menina que, nesta encenação, passa a ser um rapaz, não em 1973, mas nos tempos atuais, “mas que continua sem saber ler nem escrever e a estar numa relação duvidosa com os doutores, os superiores”, indica Manuel Neiva, uma adaptação que deixou encantada Rosa Vieira Guedes, confessou a própria após 107

terminado o espetáculo. “A Revolução do 25 de Abril faz parte dos programas curriculares desde o oitavo ano, só que os jovens não contatam com esta visão particular que tem a ver com afetos e sentimentos. Acho que os nossos alunos não têm noção de que Portugal era uma miséria, um país cinzento, triste e feio cheio de pessoas com medo, que a maior parte delas não tinha casa-de-banho nem luz elétrica”, declara a professora, preocupada. Quanto a «Cartas para Abril», é natural que volte a ir a cena, desvendou Manuel Neiva, ainda que num formato diferente, pelo que há que estar atento . ALGARVE INFORMATIVO #200


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CASA DA CULTURA DE LOULÉ ASSINALOU 40.º ANIVERSÁRIO NO CINE-TEATRO LOULETANO Texto: Daniel Pina | Fotografia: Jorge Gomes

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estejaram-se, no dia 30 de abril, no Cine-Teatro Louletano, os 40 anos de percurso da Casa da Cultura de Loulé, uma resiliente associação cultural que tem efetuado um trabalho regular e continuado de referência no concelho de Loulé, e no resto da região, sobretudo nos campos das artes performativas e visuais, mas não só. Com uma dinâmica que tem contribuído para uma entusiástica e apaixonada aproximação de várias gerações ao mundo artístico, a Casa da Cultura de Loulé tem estimulado múltiplas expressões e abordagens, promovendo a diversidade cultural, a cidadania e os valores da participação e cooperação. Para festejar a marcante efeméride, os seus membros prepararam uma noite única com teatro, música, conteúdos audiovisuais, literatura, expressões plásticas e muitas memórias (vividas e imaginadas) no palco louletano. Na ocasião foi igualmente apresentada uma antevisão da próxima edição do Festival Internacional de Jazz de Loulé, o segundo mais antigo do país sem interrupções, que em 2019 completa os 25 anos . ALGARVE INFORMATIVO #200

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Crises para todas as idades Paulo Cunha (Professor) rise da meia-idade» é um termo criado em 1965 por Elliott Jaques e que continua a ser usado para descrever alguma insegurança sofrida por pessoas que estão a passar pela meiaidade, sentindo que o período da sua juventude já terminou e a idade adulta já se instalou. Essa crise pode ser desencadeada por vários fatores relacionados com essa época da vida, tais como a morte de familiares mais velhos, as relações extraconjugais, a andropausa, a menopausa, a sensação de envelhecimento, a insatisfação com a carreira profissional e a saída dos filhos de casa.

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inalcançável; um profundo sentimento de angústia por não alcançar certas metas; o desejo de voltar a sentir-se como na juventude; a vontade de ficar mais tempo sozinho ou apenas com determinadas pessoas. É habitualmente aceite que os comportamentos mais comuns são: o abuso do álcool; a aquisição de artigos pouco usuais ou muito caros, como motas de alta cilindrada, barcos, carros desportivos, roupas e joias; o cuidado exagerado com a aparência e a tentativa de parecer mais jovem através do uso de piercings, tatuagens e implantes; a procura de relacionamentos com pessoas muito mais jovens; a depressão.

Normalmente quem passa por essa sensação de crise sente uma enorme vontade de mudar o seu modo de vida, fazendo gastos exagerados com aquisições fúteis, abandonando o emprego ou até divorciando-se. Existindo vários estudos que indicam que algumas culturas podem ser mais sensíveis a este fenómeno do que outras, destaco um que revelou que há pouca evidência de que as pessoas sofrem crises de meia-idade nas culturas japonesa e indiana, levantando assim a questão se a crise de meia-idade não será apenas uma conceção cultural das sociedades ocidentais? E é caso para perguntar também: será que a população dos países considerados do terceiro mundo sofrerá também estas crises próprias das sociedades de consumo?

Ora, se a crise da adolescência se costuma apelidar da «idade parva», como deveremos nós chamar à crise da meia-idade? Sei que há quem veja as crises como uma oportunidade de crescimento, mas não será a crise da meia-idade uma espécie de «idade parva - parte 2», tendo em conta os comportamentos patenteados por quem tem dificuldade em lidar com a entrada na menopausa e na andropausa? Não querer envelhecer não é um fenómeno novo, mas o que estará, afinal de contas, a legitimar e a potenciar este desejo da eternização da juventude? Será a crise da meia-idade mais uma frase feita que se utiliza, em tom depreciativo, para dissuadir a tentação de mudança e assim fazer crer que a renovação a meio da vida não merece incentivo, nem admiração, mas, somente, condescendência e «desconto»?

Os principais sintomas da crise de meiaidade continuam a ser: a busca insistente de um sonho ou dum objetivo de vida

É patente na expressão meia-idade algum pendor eufemístico, pois, na verdade, e literalmente, se a esperança média de vida é

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hoje, em Portugal, de cerca de 80 anos, a meia-idade, ou seja, o meio da vida, dá-se aos 40 anos. De onde, considerar os 50, os 60 ou os 65 anos como o fim da meia-idade pressuporia que durássemos mais de 100 anos. Apesar de rejeitarmos o velho – que são os trapos –, usamos com facilidade termos da mesma família, como envelhecer, envelhecimento, velhice e outros… Será a quarta idade o período que se segue à terceira idade, em que a maior parte das atividades autónomas se tornam impossíveis, e que corresponde à senescência (não maduro, mas a cair de maduro)? 123

À medida que a geração do «eu» (aqueles que olham mais para o seu umbigo do que para a normalidade) faz crescer a crise da meia-idade, os «baby boomers» (geração que nasceu após a Segunda Guerra Mundial até meados da década de 60), agora reformados ou perto da reforma, estão a fazer a geração X despertar para outra versão de meia-idade. Numa cultura que valoriza a juventude, é interessante constatar que as pessoas, geralmente, são mais felizes nas idades mais avançadas. Entre os adultos, os que têm mais de 65 anos referem constantemente que estão felizes. Embora os problemas de saúde normalmente coloquem alguns entraves ao bemestar das pessoas em idade mais avançada, mesmo assim tendem a apreciar as coisas simples da vida, enquanto os mais jovens são mais propensos a procurar a excitação e a ficarem dececionados quando não a encontram. Não sabendo em que fase da vida ainda, ou já, estou, sei que pouco valor dou aos estereótipos que ajudam a arrumar-nos em determinadas estantes com classificações comportamentais socialmente aceites. Assim sendo, deixo-vos aqui esta reflexão para que possam descobrir qual é realmente a vossa idade. Sem crises! .

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OPINIÃO

Só sei que nada sei Mirian Tavares (Professora) “Uso a palavra para compor meus silêncios. Não gosto das palavras fatigadas de informar. Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão tipo água pedra sapo”. Manoel De Barros

á dias em que me apetece escrever sobre tudo e acabo escrevendo sobre nada. Melhor que nada escrever, acho eu. Se bem que há tanta gente a dizer tanta coisa, que nos afogamos numa inundação de palavras sem sentido. Mas é preciso escrever, assumi o compromisso. E penso nas questões que me incomodam ou comovem. Nas que me movem. E sou movida por paixões, por ideias nada fixas, mas que me despertam o interesse, que acicatam a minha curiosidade. Digo sempre aos alunos que as respostas estão aí, prontinhas para serem lidas, mas as perguntas… é preciso saber muito, ou querer saber alguma coisa, para dominar a arte de perguntar. Para saber quais as perguntas certas e que não há perguntas erradas. A sede do conhecimento não se sacia, desde que seja uma sede verdadeira. De resto, temos tanta informação e sabemos tão pouco sobre tanta coisa. Porque saber é mais vasto que ter informação. Diz-se que vivemos na Sociedade da Informação e do Conhecimento. Porque os meios tecnológicos estão mais acessíveis e podemos a todo o instante ALGARVE INFORMATIVO #200

ver/ler/ouvir notícias. Porque o mundo aparentemente foi reduzido ao tamanho de um ecrã e cabe todo nele e dele não nos faz falta sair para saber sobre o outro, sobre os outros, sobre nós mesmos. Porque o tempo foi condensado e passamos de efeméride em efeméride sem nos darmos conta da vida que está perdida a meio. Porque estamos todos ligados, conectados, em rede. Porque desde cedo aprende-se a entrar na internet e a navegar pelas páginas, a criar contas nas redes sociais e conteúdos. Porque foi dado a (quase) todos o lugar da fala. Mas, pergunto-me se alguém ouve. Ou mesmo se nos ouvimos a nós, quando falamos/escrevemos sobre tudo o que nos cerca, de que sabemos tanto e tão pouco. Se estamos, de facto, mais próximos uns dos outros, se o poder da omnipresença que os media locativos nos dão, nos deixam estar aqui, no lugar onde o nosso corpo físico marca presença, mas onde raramente estamos. Porque temos muita informação e sabemos muito pouco. Não há tempo para absorver, e para sorver, o mundo que nos entra olhos e ouvidos adentro. Porque é preciso redescobrir o silêncio . 124


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OPINIÃO

Michael Adília César (Escritora) s meus passeios musicais foram sempre intensos, imersos em sons e tonalidades. A minha mãe cantava o fado. O meu pai compunha melodias dançáveis e tocava-as com o seu grupo de música ligeira nos bailes das sociedades recreativas, em Vila Real; era grande a sua cultura musical, que já vinha do tempo da adolescência, em que ele fazia parte da Banda Filarmónica de Silves. Eu absorvia tudo: fazia perguntas, cantava o fado com a minha mãe, dançava o twist nos bailes abrilhantados pelo grupo do meu pai. Tive acesso a uma educação expressiva valiosa, em lugares privados e públicos, e sendo filha única no seio de uma família de origem humilde e harmoniosa, vivi momentos preciosos. Recordar a infância realça os fios brilhantes que ainda me seguram enquanto ser humano, os laços atados às coisas que ficaram para trás, os sons e os movimentos do amor que nos envolviam. Um dia, o meu pai falou-me do Michael. “Litinha, tens que ouvir este miúdo, ver como ele dança!”, disse, entusiasmado. Confesso que fiquei um pouco ciumenta, ao perceber a admiração que o meu pai sentia por aquele desconhecido, um rapazinho da minha idade que actuava nos palcos do outro lado do mundo. Mas era impossível ficar indiferente ao Michael de voz doce e firme, aos movimentos coreográficos nunca antes vistos. Rapidamente, interessei-me pela sua vida e carreira de uma forma quase obsessiva, colecionando tudo o que conseguia encontrar sobre ele: recortes de jornais e revistas, fotografias, discos, e recordações trazidas da América por um familiar, incluindo cassetes e filmes. A minha cultura «jacksoniana» tornou-se considerável. 1971. Começa a carreira a solo de Michael, aos 13 anos de idade, ainda na companhia dos seus irmãos., os Jackson Five. «Got To Be There», sim, eu tinha que estar lá. E cantei e dancei com ele, no meu quarto, sem ninguém ver. ALGARVE INFORMATIVO #200

1972. A balada «Ben» dedicada a um ratinho foi o primeiro single a solo de Michael. E o meu pai ofereceu-me um pequeno hamster, ao qual dei o nome de Ben. Eu e o ratinho cantávamos a nossa canção a toda a hora. 1973. Se não fosse o padrinho da América, provavelmente nunca teria conhecido este álbum do Michael, pois foi talvez o que menos sucesso teve. No entanto, o título era, indubitavelmente, a essência dele: «Music and Me». A música e ele, a música e eu. 1975. «Forever, Michael» marcou uma viragem na sua vida artística, sendo este o seu último disco gravado na discográfica Motown. Era notória a mudança da sua voz, cujo timbre se situava entre a criança e o jovem adulto. Foi nessa altura que eu decidi: sim, Michael ainda para sempre na minha vida. 1979. Nasceu a minha primeira filha, mas tive sempre tempo para a mistura contagiante de pop e funk de «Off the Wall». Eu, encostada à parede, encostada à obsessão da música de Michael. 1982. «Thriller». O suspense criado por este teledisco correu mundo e parou junto ao espelho do meu guarda-fato rústico. E transformei-me num dos figurantes mortos-vivos, pelo menos nesse Carnaval… 1985. Nós dois – eu e Michael - éramos agora um lugar guardado em segredo, embora solidários com o mundo inteiro. «We Are The World», a caridade entregue ao mundo inteiro por ele e outras estrelas da música. 1987. Michael passou mais de um ano na estrada em espectáculos ao vivo, a promover o álbum «Bad», mas nunca chegou perto de mim. Quase que cortei relações com ele… bad, bad Michael. 1991. O álbum «Dangerous» ficou na memória através do hit «Black and White». O vídeo desta música causou alguma controvérsia, tendo em conta os gestos sexuais e as acções violentas do artista consagrado, registadas publicamente para sempre. Fiquei decepcionada e preocupada: até onde pode ir alguém para 126


bem que fizeste passou para segundo plano. A tua música e a paz que almejaste para as crianças do mundo foram cobertas de sombras. Pecados e difamações passaram a fazer parte da nossa memória colectiva. Mas eu ativo o meu mecanismo de sobrevivência e vejo-te a sorrir para mim, ainda inocente. Entre nós, essa tua música que a certa altura da minha vida me salvou. Descansa em paz, Michael.

atingir um objectivo artístico? Seria Michael um homem perigoso? 1995. A mesma voz. Mas é notória a transformação física. É nítido o declínio. Uma fraca recepção do público a novos trabalhos, apesar de ainda contemplar alguns sucessos mundiais. Surgem fortes críticas ao artista por ele utilizar um termo antissemita numa das faixas («They Don’t Care About Us») do álbum «HIStory: Past, Present, e Future, Book I». Parecia que o passado e o presente de Michael não iriam salvar o seu futuro. Afinal, quem é que se importava connosco, contigo? Mas eu continuava ali, disposta a perdoar. 2001. Michael regressa invencível e grava o seu primeiro álbum completo de material novo. E eu sempre vigilante. 25 de junho de 2009. E tudo o que imaginaste, cantaste e dançaste se desmoronou. Toda a tua filantropia deixou de ter importância. Todo o 127

Smile, my dear Michael, because «(…) the two of us need look no more, we both found what we were looking for, with a friend to cal my own, i’ll never been alone. And you, my friend, will see, you’re got a friend in me. You’re always running here and there, you feel you’re not wanted anywhere. If you ever look behind and don’t like what you find, there’s something you should know, you’ve got a place to go. I used to say I and me, now it’s us, now it’s we. Most people would turn you away, I don’t listen to a word they say, they don’t see you as I do, I wish they would try to, I’m sure they’d think again if they had a friend like you (…)».* *Excerto da letra da balada «Bem» (1972). Michael Jackson (29 de agosto de 1958 – 25 de junho de 2009, EUA) foi cantor, compositor, dançarino, produtor, empresário, filantropo, pacifista e activista. Segundo a revista Rolling Stone, facturou em vida cerca de sete bilhões de dólares, tornando-se o artista mais rico da história. A especulação sobre os excessos e as controvérsias da sua vida pública e privada continua a povoar os meios de comunicação social e o nosso imaginário, numa tentativa de apurar a verdade sobre este menino-homem que é ainda considerado por muitos como o Rei da Música Pop, ao criar um estilo de performance inimitável . ALGARVE INFORMATIVO #200


OPINIÃO

Do Reboliço #36 Ana Isabel Soares (Professora) mercearia da aldeia era a divisão da entrada da casa no Largo dos Bairros Alegres – nome que, se não houvesse já, o Reboliço se encarregaria, com muita alegria, de inventar. Entrava-se pela porta de folha dupla de que só se abriam as duas folhas quando era para fazer transpor os grades cestos de vime cheios de pão, que vinham entregar de outra aldeia ali ao lado (só uma folha se abria para que no tempo frio o frio ficasse de fora e no tempo quente a calma não engolisse a frescura da casa). Entrava-se e o balcão corria a divisão toda, do lado esquerdo de quem entrasse. A primeira metade do balcão tinha sobre ela a balança: um prato redondo, metálico, onde se punha o a pesar, num dos braços, e uma plataforma quadrada no outro, sobre a qual iam os pesos de ferro, dos mais pequenos aos maiores. A seguir a esta parte do balcão estava a portinhola – a segunda metade tinha, fixada com quatro parafusos para a imobilizar, o suporte e a faca de cortar bacalhau. Era assim. Os outros instrumentos mais utilizados, além do lápis, do papel grosso de embrulhar e da gaveta de divisórias onde se guardavam e de onde se tiravam, para os trocos e os pagamentos, moedas e notas, eram as medidas (caixas de madeira escura, cones de alumínio com uma pega para os segurar) e o metro, um longo paralelepípedo de madeira escura com os entalhas dos centímetros tão gastos que a mesura, por exemplo, da palha de aço, era feita mais das vezes estendendo para o lado de fora do corpo a mão que segurava o extremo do rolo daquela palha cinzento escura e agarrando junto ao nariz outro bocado – mais coisa, menos coisa, dava o certinho metro. ALGARVE INFORMATIVO #200

Atrás do balcão, a parede do fundo e as duas porções de parede de lado eram forradas com as prateleiras que iam de cima a baixo, cortadas a pouco menos de meio pelas cubas: dentro delas cabiam os secos: feijão branco, feijão careto, feijão encarnado, os minúsculos grãos de bico. O Reboliço não tinha altura para ver o que lá se passava, mas, de quando em quando, ouvia resmalhar as sementes, como se fossem berlindes, entre as mãos de alguém que procurava no toque daquela macieza seca a distração do tempo sem fregueses. Por baixo das cubas, as prateleiras davam lugar a estantes menores, onde se dispunham latas várias, desde atum a graxa de sapatos – estando tudo acondicionado e fechado, não havia perigo de se contaminarem os produtos. As estantes, o balcão, as cubas, tudo era em madeira pintada de vermelho sangue-deboi, com umas faixas aqui e ali, ornamento discreto, em amarelo pálido. Nas prateleiras, ao alcance do olhar de quem se vinha aviar, estavam as guloseimas: o tabaco (de que se vendia “uma onçazinha e uma pedra de isqueiro”) e os caramelos. O sorriso interior do Reboliço, a antecipar a felicidade, era quando entrava a menina que sempre os vinha pedir, enterrava num dos bolsos do casaco curto a mão, retirava de lá três ou quatro moedas e pedia: “Eram vinte cinco tostões de burraçados” . *Reboliço é o nome de um cão que o avô teve, no Moinho Grande. É a partir do seu olhar que aqui escrevo.

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Foto: Vasco Célio 129

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OPINIÃO - Tudo em Particular e Nada em Geral

Questões de etiqueta Carla Serol (Uma Loira Qualquer) arece que está a decorrer até amanhã, mais uma excitante, sei lá, edição do Estoril Open, na terra dos tios e tias mais tios e tias que todos os outros do país. Diz também que um afamado futebolista português, na sua humilde condição de amante de desporto, foi, num destes dias, assistir a um jogo, tendo sido barrado à entrada porque estaria a usar uns modestos calções. Ora, todos sabemos que o ténis surgiu na Inglaterra em meados do século dezanove, mais coisa menos coisa, que está envolto numa série de rigorosíssimas regras, quer para o seu ingresso como atleta de alta competição, quer ao que ao protocolo e etiqueta concerne. Igualmente sabemos que, no que toca a protocolo e etiqueta, os súbditos de Sua Majestade Isabel II, são detentores a níveis elevados, portanto, revela-se intolerante que um qualquer jogador, de uma outra modalidade menos nobre, em que os seus espetadores gritam, vivem e sofrem genuinamente pela equipa do seu coração, tente assistir a um jogo de tão distinta e nobre modalidade. Esta distinção quanto à etiqueta e protocolo no seio dos «inventores» do ténis é bem visível, particularmente nos meses de Verão, por entre grupos de educados cidadãos ânglicos, que elegantemente de dorso despido invadem as esplanadas de cafés e pubs, ALGARVE INFORMATIVO #200

onde educadamente bebem, cada um, trezentos litros de cerveja e civilizadamente conversam entre si sem ruído qualquer. É com enorme classe que expelem os gases ingeridos através do néctar de cevada, enquanto cantam lindas cantigas, com uma sobriedade incomparável. Também é possível verificar o notável rigor na arte do saber estar, quando estes exigentes defensores da etiqueta se encontram em recintos desportivos! Por exemplo, quando equipas rivais desse desporto menor que é o futebol, se confrontam! É vê-los cheios de preceitos a arremessar tudo o que lhes surge a jeito, quando as coisas não lhes correm de feição e o efeito da ingestão infimamente controlada de bebidas altamente inflamáveis, lhes sobe aos nobres e ricos cérebros. É preciso ter classe para isto, senão incorrem no risco de se assemelharem a hooligans, algo que nada tem a ver com esta estripe de pessoas, tão bem educadas e formadas. Ora, posto isto, não julguem vocês, pessoas sem qualquer noção protocolar de saber estar num jogo de ténis, que qualquer um pode irromper por entre um court para assistir a uma partida. Ir a um jogo de ténis é muito mais do que isso. É um profundo exercício para a alma, e uma autêntica demonstração de santa paciência protocolar, estar ali, uma, duas, três horas ou mais, a ver uma bola amarela de um lado para o outro. E é vêlos com tamanha classe a mexer apenas a cabecinha para a esquerda e para direita, 130


apenas com o som desta a bater no chão e nas elegantes raquetes, e o do esforço físico do atleta como pano de fundo, onde até as pingas de suor se ouvem cair no chão. Estas pessoas por vezes arriscam ser expulsas do público, quando por excesso de emoção deixam sair um efusivo “Ohhhhhhh”, quando a bola falha por milímetros a linha. É uma emoção só. Portanto, desenganem-se se pensam que podem para lá ir comer alcagoitas e pipocas, ou levantarem-se só porque 131

estão aflitos por um xixizinho! É para ficarem sossegaditos na cadeirinha até à hora estipulada para comer um refinado canapé e dirigirem-se aos requintados lavabos! Todas estas normas devem estar pormenorizadamente relacionadas com o chapéu Panamá a fazer pandam com uns vistosos óculos escuros, gestos delicados e muita sobriedade e, claro está, o infalível par de calções certo, porque a velha máxima de «que com um vestido preto, nunca me comprometo», já era! . ALGARVE INFORMATIVO #200


OPINIÃO

Descontos bem-vindos, mas… David Martins (Diretor de Marketing e Alojamento) redução do preço dos transportes públicos no Algarve, que entrou em vigor no passado dia 1 de maio de 2019, é uma importante medida de apoio às famílias que merece ser elogiada por pretender melhorar a qualidade ambiental do nosso território e por pretender criar melhores condições de mobilidade na região. Pelo que nos é dado a conhecer, com um apoio de 924 mil euros do Governo central e uma comparticipação de 2,5 por cento das câmaras municipais algarvias, será possível uma redução até 50 por cento do valor dos passes, para um limite máximo de 40 euros. Muito bem! Não obstante a relevância desta medida política, importa refletir se temos ou não condições de mobilidade adequadas no Algarve, designadamente, se a rede de transportes existente e os serviços de transportes públicos são suficientes para servir os residentes e turistas? Creio ser unânime considerar que um dos principais problemas regionais é a mobilidade, nomeadamente nesses dois domínios. Por um lado, temos uma rede de transportes em muitos locais desajustada ou em más condições (por exemplo, na rede rodoviária ainda polulam muitos sinais de «Piso em Mau Estado» – imagino o dia em que o contribuinte responder às Finanças, por falta de capacidade de pagamento dos impostos, «Contribuinte sem Liquidez, favor aguardar»!?); e, por outro lado, temos falta de equipamentos ou os que existem não tem a qualidade adequada.

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Vejamos dois casos que gosto de partilhar, por experiência própria. 1) Resido em Tavira e trabalho em Castro Marim. Se não tivesse viatura própria, tinha a opção, por exemplo, dos transportes ferroviários cuja estação de comboios dista cerca de 500 metros da minha residência, mas com uma chegada totalmente desajustada – o apeadeiro de Castro Marim que se situa num descampado, em S. Bartolomeu, a cerca de 5 quilómetros do centro urbano da Vila e a 6 quilómetros do empreendimento. Resumo: alguma vez será possível imaginar que eu ou outros residentes, trabalhadores deslocados e/ou turistas utilizemos com regularidade este serviço da CP para Castro Marim? Tendo a considerar que não, por muito que desejasse que fosse ao contrário… 2) Sou formador convidado nas Escolas de Turismo do Algarve, em Faro e Vila Real de Santo António, e uma das situações recorrentes é o atraso dos alunos, quer porque o comboio/autocarro se atrasou, ou mesmo porque não passou no horário devido e não houve reposição… O que fazer? Será que, mesmo que o valor do passe seja mais acessível, se a situação de falta de transportes se mantiver, vai haver aumento de utilizadores? Talvez não… Auguro honestamente que esta redução do preço nos passes promova um aumento da procura, e, por conseguinte, se criem melhores condições de mobilidade. O Algarve precisa desse investimento e os algarvios, portugueses e estrangeiros agradecem! . 132


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OPINIÃO - LADO A LADO…

A Rota do Atum, as quotas e uma nova visão Alexandra Rodrigues Gonçalves (Professora e Investigadora) o passado dia 11 de abril associei-me a um workshop do projeto TunaRoute, cofinanciado pela União Europeia (Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e Pesca) em que a Universidade do Algarve participa com vários investigadores e com o CRIA (Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia). Coincidência ou não, por estes dias o atum fez notícia no jornal Público, com o título: «Algarve a ver passar os atuns que valem milhares para os japoneses» (28/04/2019). A notícia retrata o abandono de armações e a redução da pesca, que ditou uma história que muitos de nós associamos ao declínio da indústria conserveira e pesqueira do Algarve. A última armação de atum que fechou no Algarve é hoje o reconhecido Hotel Albacora, em Tavira, o antigo Arraial Ferreira Neto, que encerrou há tantos anos como tenho de vida. Diz-nos a referida peça jornalística de Idálio Revez que hoje são os espanhóis e os japoneses que dominam o mercado, tendo introduzido novos métodos de captura (tendo substituído a antiga armação fixa conhecida por almadrava) e liderando a exportação do atum-rabilho para os seus mercados, em especial o nipónico, onde o seu valor de transação é muito elevado (permanecem no Algarve apenas três armações das 19 de outrora, todas geridas por outros países). Fazem parte do passado do Algarve as ALGARVE INFORMATIVO #200

histórias da «Bolsa do Atum», cidade de Vila Real de Santo António, onde famílias inteiras desenvolveram um saber especializado, nomeadamente, na arte de desmanchar o peixe (ronquear), ou o copejo; onde a tradição gastronómica permanece muito viva. Esta «carne do mar» protagonizou mesmo a atenção artística numa época, destacando o exemplar painel de Carlos Porfírio com a representação do momento de captura do atum, naquela que era designada de «tourada do mar» (exposta no Museu Ramalho Ortigão em Faro). De referir também o papel da Confraria do Atum que, criada em 2008, tem vindo a pugnar pela preservação deste património gastronómico, promovendo e premiando a qualidade do «fazer tradicional», com especial incidência entre Vila Real de Santo António, Castro Marim e Tavira. Mas também merece destaque a atividade da Lais de Guia - Associação Cultural do Património Marítimo que nos seus passeios concilia lazer, história, património e identidade. A próxima oportunidade é já no dia 11 de maio, onde propõem, com o tema «Rota do Atum-Barril», um percurso de cerca de uma hora a pé pelos vários locais do arraial da Praia do Barril - pequena vila piscatória - onde viviam os pescadores e as suas famílias durante os seis meses da temporada de pesca. Numa nota mais científica transcrevo alguma informação relevante sobre o atum no Algarve: “Na indústria de conservas é utilizado essencialmente o «atum direito», o qual, nos meses de maio a junho, se dirige 134


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para o Mediterrâneo para proceder à desova. Por conseguinte, contém elevada percentagem de gordura e maior valor alimentar. No período que decorre entre julho e fins de agosto, os cardumes deslocam-se agora em sentido inverso: depois da desova regressam do Mediterrâneo, é o «atum de revés». Finalmente, caberá ainda mencionar o «atum de recuado», o qual nas épocas de direito ou de revés passava em sentido contrário ao movimento geral dos cardumes”. Vide Rodrigues, J. (1997) A INDÚSTRIA DE CONSERVAS DE PEIXE NO ALGARVE (1865 – 1945), Dissertação de Mestrado em História Contemporânea, Lisboa. Hoje, este conhecimento está na posse de muito poucos e com a ambição de disseminar e desenvolver este saber e criar nova riqueza, o projeto da Rota do Atum uniu Portugal, Espanha e Itália num consórcio que envolve sector público e privado, mas também a academia, e que já disponibiliza no seu lugar da internet um conjunto de atividades que têm em comum o Atum, mas reúnem na sua diversidade, a náutica, o património, a cultura, alguns eventos temáticos, entre outras coisas ainda em desenvolvimento, podendo reservar através do próprio portal os seus serviços (ver em https://tunaroute.com). Todavia, é preocupante a informação prestada que a quota portuguesa de captura do atum é de 2,97% no conjunto da União Europeia, sendo as embarcações fretadas na Madeira para a captura pelos japoneses e espanhóis no Algarve, e não se prevê que aumente, segundo o mesmo artigo que cita fontes oficiais. Na verdade, tudo isto é resultado da evolução dos tempos, mas muito do não ALGARVE INFORMATIVO #200

acompanhamento desses tempos pelas políticas e, sobretudo, da ausência de algumas medidas prospetivas. Centrando a nossa análise no turismo e não tanto na pesca, quando falamos em turismo continuamos a falar dos chamados «elementos primários» – infraestruturas, transportes, hotéis, alojamento… – e os elementos secundários? Que se assumem como fatores principais de atratividade e competitividade do nosso destino em relação a outros? Temos uma oferta riquíssima que apresenta enormes dificuldades de organização. Continuamos a não dar a devida atenção a tudo o que ajudar a complementar, a diversificar e a diferenciar, mas também a dar mais valor social e económico aos nossos recursos. Ficam muitas histórias por contar. Temos de pensar e agir de forma diferente, por um Algarve com uma política que contribua para o seu desenvolvimento sustentável. Num discurso pessoal, continuo a acreditar que estes projetos podem ser sementes de união e de promoção de novos comportamentos, mas também alternativas a um conformismo desinquietante, que nos deixa reféns das más decisões de outros. Na Confraria, segundo o seu presidente, António Cabrita, o gosto pelo atum é o que os une, mais do que os resultados de qualquer atividade económica da pesca, da conserva ou da restauração. Precisamos todos de gostar e conhecer mais! . * A autora inicia um conjunto de crónicas que pretendem ser reflexões pessoais sobre questões do quotidiano e da atualidade, pelo que, o título de enquadramento será sempre lado a lado, num posicionamento de integração inclusiva e de proximidade com os leitores e as nossas preocupações. 136


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ASSOCIAÇÃO DE CAÇADORES E PESCADORES DE ALBUFEIRA RECEBEU KITS DE PRIMEIRA INTERVENÇÃO EM INCÊNDIOS FLORESTAIS Campo de Tiro de Paderne foi o local escolhido para a entrega, na tarde de 2 de maio, de dois kits de primeira intervenção em incêndios florestais pela Câmara Municipal de Albufeira à Associação de Caçadores e Pescadores do Concelho de Albufeira, constituídos por extintores de pó químico, uma motobomba automática portátil, mangueira e duas agulhetas de caudal

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regulável e um reservatório em plástico reforçado com capacidade para mil e e 600 litros de água, respetivamente. “O objetivo é que possamos colaborar com as forças de proteção civil concelhias, nomeadamente com os Bombeiros e a GNR, no caso de deflagração de incêndios, seja na sua fase inicial como na fase de rescaldo”, explicou João Arez, presidente da associação. “Antigamente tínhamos apenas um depósito de água que, não

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João Arez, José Carlos Rolo e Vítor Vaz Pinto

possuindo pressão, não nos permitia fazer quase nada nessas situações. Temos um funcionário a tempo inteiro no terreno a dar água aos animais, pelo que é de toda a utilidade que ele possa intervir de imediato caso se depare com uma ocorrência e a Câmara Municipal de Albufeira teve sensibilidade para perceber essa realidade”. A medida foi considerada bastante positiva por Vítor Vaz Pinto, Comandante Operacional Distrital da Proteção Civil do Algarve, lembrando que já existem na região exemplos de parcerias semelhantes entre as autarquias e os clubes de caçadores. “Os incêndios começam sempre pequenos e muitos deles podem 141

ser facilmente extinguidos logo nessa primeira fase. Para além disso, em situações de exceção e emergência, como conhecem o terreno melhor do que ninguém, os caçadores podem conduzir as forças de combate para os locais de forma mais segura e rápida. Estamos num concelho que não tem uma floresta muito densa, mas basta recordar o que sucedeu na Grécia em 2018, cujo espaço florestal é idêntico ao de Albufeira”, afirmou Vaz Pinto. A aquisição dos dois kits envolveu um investimento a rondar os seis mil euros da parte da Câmara Municipal de Albufeira, uma verba considerada «insignificante» por José Carlos Rolo ALGARVE INFORMATIVO #200


quando comparada com o bem para a comunidade que daí pode advir. “Cada caçador é um vigilante, eles são verdadeiros guardiões da natureza, e este kit ajuda nas suas tarefas do dia-a-dia de dar água aos bebedouros das espécies cinegéticas, mas também pode ser crucial numa primeira intervenção a um incêndio florestal”, justificou o presidente da Câmara Municipal de Albufeira. “Se os caçadores conseguirem anular duas ou três ignições muito simples, está o investimento sobejamente pago. Nos meus tempos de jovem, as aldeias estavam cheias de pessoas, agora, se ALGARVE INFORMATIVO #200

começar algum incêndio no campo, não há ninguém para acudir de imediato. A caça, desde que organizada, é uma mais-valia e é importante que a sociedade reconheça o papel que estes homens e mulheres desempenham na proteção do meio rural”, frisou José Carlos Rolo . 142


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VII FÓRUM DE EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO DO ALGARVE ARRANCA A 8 DE MAIO e 8 a 10 de maio, o Pavilhão Desportivo de Albufeira acolhe o OPTO – VII Fórum de Educação e Formação do Algarve, uma coorganização do Município de Albufeira com a DGEstE - Direção de Serviços da Região Algarve da Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares e o IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional, com a colaboração dos Agrupamentos Escolares do concelho. Nos dias 8 e 9 de maio (quinta e sexta), o certame vai estar aberto ao público das 9h30 às 17h30, sendo que, no dia 10, as portas abrem às 9h30 e encerram às 13h. De acordo com José Carlos Rolo, ALGARVE INFORMATIVO #200

presidente da Câmara Municipal de Albufeira, estamos perante “uma oportunidade anual de conciliar momentos de animação com o contacto com realidades escolares e percursos profissionais, num ambiente convivial e indutor da vontade de aprender e evoluir, com base em informação clara e objetiva das soluções e alternativas para cada estudante: um período estimulador da reflexão tendo por objetivo escolhas individuais alicerçadas em decisões fundamentadas, tão importantes para a escolha de um percurso profissional de sucesso”. E o programa inclui a realização de workshops, conferências, apresentação de experiências, demonstrações culinárias, entrevistas 144


no âmbito de projetos de mobilidade e um leque variado de propostas de animação no interior e exterior do recinto. No dia 9 de maio, das 16h10 às 16h45 está prevista a entrega de prémios do Concurso de Fotografia do Festival T. Integrado no programa de animação há ainda a destacar a realização da Exposição de Fotografias incluída na Campanha #DestaVezEuVoto, no âmbito das Eleições Europeias de 2019, dinamizada pelo Centro de Informação Europe Direct do Algarve, e a Sessão Informativa sobre o Plano Nacional de Ética no Desporto, promovida pela Direção Regional do IPDJ, esta última no dia 10 de maio, entre as 10h e as 11h30, na Biblioteca Municipal Lídia Jorge.

À semelhança das edições anteriores, recomenda-se que os interessados em viagens regionais de comboio contactem a Direção Geral de Produção de Negócio da CP, sita na Estação de Faro, Largo da Estação - Faro 8000-133 FARO, pelo telefone 919 273 772, ou ainda via eletrónica usando o endereço gruposlc-rg@cp.pt, mencionando que se dirigem ao VII OPTO, para procurar obter preços especiais. Desde a Estação Ferroviária de Ferreiras e dentro da cidade de Albufeira, poderá ser garantido transporte gratuito nos autocarros urbanos GIRO, sendo para tal necessário solicitar os respetivos passes à organização .

ALBUFEIRA ACOLHEU COMEMORAÇÕES DO DIA NACIONAL DO MOTOCICLISTA lbufeira recebeu as comemorações do Dia Nacional do Motociclista, no fim-de-semana de 27 e 28 de abril, com mais de oito mil motos a fazerem-se ouvir pela cidade, carregando os porta estandartes e bandeiras de todos os clubes e grupos de motociclistas participantes. Um dos momentos altos da festa foi a Procissão, que partiu do Destacamento Territorial de Trânsito de Albufeira, acompanhada por uma Charanga a Cavalo da G.N.R, em direção aos Paços do Concelho, onde decorreu a Missa Solene. De acordo com a tradição, a cerimónia incluiu a bênção das motos e capacetes e um momento de homenagem a todos os 145

motociclistas que já partiram. Nos discursos, os presidentes da Câmara Municipal de Albufeira, José Carlos Rolo, e da Federação de Motociclismo de Portugal, Manuel Marinheiro, evocaram a memória de Carlos Silva e Sousa, exedil albufeirense que participou e apoiou várias iniciativas ligadas à modalidade. Durante o fim-de-semana, os parques de estacionamento em frente ao edifício dos Paços do Concelho e do Tribunal foram decorados com tasquinhas de comes e bebes, e de exposição de material promocional relativo ao motociclismo. Já o Largo Eng.º Duarte Pacheco acolheu a receção aos participantes com concertos e muita animação . ALGARVE INFORMATIVO #200


REMODELAÇÃO DO CENTRO NÁUTICO DE ALCOUTIM VAI CRIAR MELHORES CONDIÇÕES DE TREINO PARA ATLETAS que promove a prática de desportos náuticos, nomeadamente a canoagem de recreação/lazer, formação e competição. Com a candidatura, o edifício será alvo de remodelações e ampliado, bem como apetrechado com equipamentos diversos.

Centro Náutico de Alcoutim terá em breve melhores condições de treino para os atletas e maior poder de atração de equipas externas ao território para a realização de estágios, pois será alvo de remodelações por via de uma candidatura aprovada pelo Programa Operacional CRESC Algarve 2020, operação incluída no Plano de Ação de Desenvolvimento de Recursos Endógenos (PADRE). O Centro Náutico de Alcoutim é uma infraestrutura recente destinada ao aproveitamento das potencialidades desportivas e recreativas do Rio Guadiana, ALGARVE INFORMATIVO #200

Alcoutim detém excelentes condições para a prática de canoagem, beneficiando das magníficas mais-valias naturais oferecidas pelo Rio Guadiana, e tem vindo a afirmar-se como grande potência regional de canoagem. “Este projeto visa afirmar este território como destino náutico e aproveitar as potencialidades marítimo-turísticas do Rio Guadiana”, confirma o Presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, Osvaldo Gonçalves. O projeto teve um investimento elegível 234 mil e 870,27 euros, ao qual foi atribuída uma comparticipação comunitária do FEDER de 164 mil e 409,19 euros, estando a sua conclusão prevista até final do corrente ano . 146


FASE FINAL DO CAMPEONATO NACIONAL DE ANDEBOL EM CADEIRA DE RODAS DISPUTOU-SE EM LAGOA respeito entre todos, e o fairplay que marcou esta prova”, afirmou Luís Encarnação, vice-presidente e vereador do desporto na Câmara de Lagoa.

Pavilhão Municipal Jacinto Correia recebeu, no dia 28 de abril, a fase final do Campeonato Nacional de Andebol em Cadeira de Rodas – ACR6, que contou com a participação de cinco equipas. A representante do Algarve, a Sporting CP/Casa do Povo de Messines/AMAL classificou-se em 3.º lugar, logo atrás do Porto e APD Leiria. “No ano em que Lagoa se afirma como Cidade Inclusiva, ainda mais importante que os resultados obtidos é o enorme entusiamo dos participantes, a entrega dos jogadores, o 147

Esta jornada de «Andebol 4 All» que apurou o campeão nacional da modalidade resultou de uma parceria entre o Município de Lagoa, a Associação de Andebol do Algarve e a Federação de Andebol de Portugal. Recorde-se que o andebol é uma modalidade com forte tradição em Lagoa. Já esta vertente inclusiva está a registar um desenvolvimento cada vez maior em Portugal, sendo praticado por pessoas com comprometimento das funções motoras, nomeadamente ao nível dos membros inferiores, ou outras disfunções que as impeçam de correr, saltar e pular como as que não têm lesões. Também pode ser praticado por pessoas sem deficiência . ALGARVE INFORMATIVO #200


AQUASHOW REABRIU A 1 DE MAIO E VAI TER PARQUE INDOOR DURANTE O INVERNO parque Aquashow regressa no dia 1 de maio para mais uma temporada de alegria e muita adrenalina e com ele voltam também as atrações que já fazem parte do Verão dos portugueses, como sejam a Piscina Tropical e o escorrega Thunder Cruise, ambos inaugurados em 2018, o enorme River Slide, o escorrega duplo Twin Space Shuttle, a queda livre do Free Fall, o splash da Montanha Russa, o Speed Race, a Piscina de Ondas, agora com uma nova entrada e decoração, o Aquakids e Aqualândia, exclusivos para a pequenada, e muito mais. No total, são mais de 20 atrações, agradáveis espaços verdes, zonas de descanso e uma variada oferta de restauração, que inclui também novidades. Até 30 de setembro é esta a proposta do Aquashow para dias memoráveis a sul, ALGARVE INFORMATIVO #200

mas a grande novidade é que, a partir deste ano, a diversão não termina em setembro. Para o final do ano é esperado o Aquashow Indoor Park, um parque aquático e de diversões coberto que surgirá inserido no mesmo complexo do parque outdoor e que permanecerá aberto todo ano. Com atrações concebidas a pensar em toda a família, ninguém vai resistir aos cinco diferentes Planos de Água disponíveis, com diversas profundidades e atrações. Divertidos jogos interativos, escorregas desafiantes ou jatos de massagens, nada é deixado ao acaso neste surpreendente percurso. A expedição segue pelos trilhos e penhascos do Circuito de Aventura duas piscinas situadas a diferentes níveis que permitem realizar uma viagem em altura e, pelo caminho, atrever-se por exemplo, na parede de escalada, na 148


zona de salto ou de coasteering. Para os aventureiros de palmo e meio há um Playground onde brincar é a palavra de ordem. Os mais pequenos vão perder-se entre escorregas, labirintos, piscinas de bolas e muito mais. Para quem prefere

simplesmente abrandar o ritmo, o Aquashow Indoor Park criou zonas relax, spa, jacuzzi, banho turco, piscinas de essências e outras maravilhas do universo wellness.

FOLHA DE MEDRONHO ORGANIZA 2.º POETRY SLAM DE LOULÉ 11 de maio, a poesia vai-se fazer ouvir em Loulé, no bar «Chá d´Arte», a partir das 22h, na primeira eliminatória do 2.º Poetry Slam de Loulé, concurso de poesia dinamizado pela Folha de Medronho cujo máximo de inscritos é de 15. A 1 de junho, às 22h, acontecerá a final, no Bar Bafo de Baco, onde será escolhido o representante de Loulé na Competição Nacional do Portugal Slam de 2019. Em 2018, Loulé foi representado por João Caiano. No Poetry Slam procuram-se poetas que deem o corpo ao manifesto e o falar/dizer 149

não vem só da boca, liberta-se da boca, da mente e implica a totalidade do corpo. De acordo com a organização, “o poema transforma-se num corpo falante e o poeta quebra a imobilidade do diseur e transforma-se num performer…poético”. O Poetry Slam Loulé conhece este ano a segunda edição, contando com o apoio, entre outros, da Câmara Municipal de Sintra e do PORTUGAL_SLAM. As inscrições podem ser feitas até dia 9 de maio, através do endereço eletrónico folhademedronho@folhademedronho.c om. ALGARVE INFORMATIVO #200


VÍTOR ALEIXO TOMA PEQUENO-ALMOÇO COM FUNCIONÁRIOS DA CÂMARA o âmbito da adesão do Município de Loulé ao Pacto para a Conciliação integrado no «Programa 3 em Linha – Programa para a Conciliação da Vida Profissional, Pessoal e Familiar» do Governo, arrancou, no dia 30 de abril, mais uma medida do Programa de Qualidade de Vida e Inovação Organizacional, nomeadamente o «Pequeno-Almoço com o Presidente», através da qual se pretende aproximar os funcionários da Autarquia ao seu edil. O ALGARVE INFORMATIVO #200

primeiro pequeno-almoço reuniu à mesma mesa, no histórico Café Calcinha, o presidente Vítor Aleixo e cinco funcionários. O convite, que foi recebido com muito entusiasmo por parte dos contemplados, resultou de um sorteio realizado de forma aleatória e teve como base os números dos trabalhadores. Este momento de convívio permitiu criar mais proximidade entre os trabalhadores de 150


diferentes serviços da autarquia e o seu presidente, sendo que a iniciativa decorrerá trimestralmente. A adoção de medidas promotoras da conciliação da vida profissional, pessoal e familiar é o mote deste projeto-piloto, um compromisso assumido por 52 entidades públicas e privadas, sendo a Câmara Municipal de Loulé uma das 14 autarquias participantes. Para além desta, outras medidas propostas no Programa de Qualidade de Vida e Inovação Organizacional já estão a ser implementadas, nomeadamente a dispensa de serviço aos trabalhadores no período da tarde do dia de aniversário dos filhos com idades inferiores a 12 anos, bem como dispensa para acompanhamento no

primeiro dia do ano letivo na creche, infantário, 1.º e 5.º ano de escolaridade; medidas de acolhimento e integração de novos funcionários; ou a «Caixa de Ideias», através da qual todos os trabalhadores podem deixar as suas sugestões e propostas, que serão analisadas e poderão dar origem a novas medidas. Ainda neste semestre está previsto o arranque de outras ações. Para o responsável municipal, “o compromisso de promover um maior equilíbrio entre a vida profissional, pessoal e familiar é fundamental como condição de um efetivo bem-estar e produtividade organizacional e pessoal”.

MARTA MARTINS FALA DO FASCÍNIO DOS CONTOS PARA INFÂNCIA DE SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN o âmbito das comemorações do centenário da poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen, a Biblioteca Municipal de Loulé recebe a formação «O fascínio das palavras: os contos de Sophia para a infância», no dia 18 de maio, sábado. A formação será dinamizada por Marta Martins e serão abordadas diversas obras de Sophia, procurando-se que a aquisição do conhecimento decorra da análise dos textos e da informação que se vai sistematizando, de forma a implementar 151

práticas educativas mais ativas junto de crianças. Vai-se promover o debate em torno dos conteúdos a trabalhar e a realização de pequenas tarefas direcionadas para os objetivos de aprendizagem, visando a aplicação de conceitos. A formação decorre das 10h às 13h e das 14h30 às 17h30 e destina-se a maiores de 18 anos. A ação é creditada para professores. É necessária inscrição prévia para biblioteca@cm-loule.pt, as vagas são limitadas e a entrada gratuita. Mais informações podem ser obtidas através do telefone 289 400 850 . ALGARVE INFORMATIVO #200


CRIANÇAS DE OLHÃO E VILA DO BISPO FORMARAM LAÇO AZUL HUMANO CONTRA MAUS-TRATOS NA INFÂNCIA Município de Olhão voltou a associar-se ao Mês de Prevenção dos Maus-Tratos na Infância e Juventude que relembra a responsabilidade coletiva para a prevenção dos maus-tratos. O ponto alto deste mês de atividades aconteceu no Estádio Municipal, no dia 30 de abril, onde mais de dois mil participantes formaram um Laço Azul Humano. A ação de sensibilização contou com 88 turmas do concelho, bem como com inúmeras IPSSs, associações, bombeiros e forças de segurança. Com esta atividade, a organização pretendeu, mais uma vez, tornar visível o interesse comum e esforço conjunto das instituições do concelho relativamente ao ALGARVE INFORMATIVO #200

problema dos maus-tratos na infância e juventude e informar e consciencializar a comunidade para o seu papel na sua prevenção. Entre os participantes encontravam-se o presidente da Câmara Municipal de Olhão, António Miguel Pina, e restante vereação, com o autarca a sublinhar “o papel de todos enquanto comunidade, bem como das escolas, educadores e forças de segurança, na luta contra este flagelo que se continua a verificar”. Também a Praça do Município de Vila do Bispo foi palco, na manhã do dia 30 de abril, de um enorme Laço Azul Humano para alertar a comunidade que a melhor forma de tratar o problema dos maus-tratos na infância é impedir 152


que estes aconteçam. A iniciativa, realizada pelos alunos do Jardim de Infância de Vila do Bispo, marcou o encerramento das atividades desenvolvidas no âmbito da campanha nacional «Abril - Mês da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância», que este ano teve como lema «Serei o que me Deres… Que seja Amor!». As restantes atividades decorreram junto dos alunos do Agrupamento de Escolas do município, onde os alunos do pré-escolar foram presenteados com a atividade lúdico-pedagógica «Contos com direitos». Já os alunos do 1.ºciclo assistiram ao filme «A Minha Vida de Courgette», seguido de 153

debate. Por seu turno, os alunos da Escola E.B. 2,3 de Vila do Bispo assistiram ao filme «O Principezinho», seguido também de debate. Destaque ainda para a realização do seminário «Os Direitos da Criança», no Centro Cultural de Vila do Bispo, e do Laço Azul que foi hasteado na fachada desse edifício . ALGARVE INFORMATIVO #200


ARTGILÃO TAVIRA E SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE TAVIRA CRIAM CARTÃO PARA VISITAS A IGREJAS DE TAVIRA ARTgilão Tavira e a Santa Casa da Misericórdia de Tavira desenvolveram uma parceria que permitiu a criação de dois cartões para visitar as mais importantes e significativas igrejas da cidade histórica de Tavira. Um dos cartões dará acesso às Igrejas do Centro Histórico de Tavira, ou seja, Igreja de Santa Maria, Igreja da Misericórdia e Igreja de Santiago, e custará seis euros. O outro cartão dará igualmente acesso à à Igreja de São Paulo e custará oito euros. ALGARVE INFORMATIVO #200

Os turistas que visitarem a cidade terão um acesso facilitado a estes espaços, podendo conhecê-los, bem como às peças de arte sacra que albergam. Do mesmo modo, poderão visitar as exposições que estiverem patentes nesse local, como acontece na Igreja da Misericórdia, que alberga uma mostra de pintura sacra, e na Igreja de São Paulo, onde está visitável uma mostra fotográfica intitulada «Via Crucis», que dá a conhecer trabalhos fotográficos dos alunos da Escola 154


profissionais Gil Eanes (Portimão) que fazem uma interpretação contemporânea dos últimos passos da vida de Cristo. Os bilhetes podem ser adquiridos, a partir do dia 2 de maio, na Loja da ARTgilão Tavira, localizada na Igreja de Santa Maria, e na Loja da Igreja da Misericórdia de Tavira. Recorde-se que a empresa ARTgilão Tavira – Atividades Religiosas e Turísticas, Lda foi criada pelas paróquias de Tavira para poder explorar

financeiramente todas as possibilidades que possam surgir nesta paróquia, de modo a poder aplicar as receitas geradas na recuperação do património religioso ao seu cuidado. A empresa conta já com duas técnicas de restauro a trabalhar em permanência e tem em preparação diversas iniciativas, que passam pela promoção e preservação do património religioso ao seu cuidado.

MUNICÍPIO DE VILA DO BISPO VAI ATRIBUIR MAIS QUATRO HABITAÇÕES SOCIAIS stá a decorrer em Vila do Bispo, até dia 16 de maio, o procedimento concursal para atribuição de quatro habitações sociais, em regime de arrendamento apoiado nos termos da Lei n.º 81/2014, de 19 de dezembro na redação da Lei n.º 32/2016, de 24 de agosto. A localização, as tipologias e as respetivas áreas das habitações a concurso são as seguintes: - Vila do Bispo – Sítio das Eiras, lote 10 – 2.º direito, com a tipologia T1 e a área de 57,24 m2; - Vila do Bispo – Sítio das Eiras, lote 10 – 1.º direito, com a tipologia T1 e área de 57,24 m2; - Budens – Salema – Bairro da Encosta do Sol, nº 47, com a tipologia T2 e a área de 83,05 m2; - Sagres – Rua José Luís R/C esquerdo, com a tipologia T2 e a área de 79,00 m2.

regulamento e obter esclarecimentos na Divisão de Desenvolvimento Municipal, a funcionar no Centro Cultural, entre as 9h e as 15h30. Para formalizar a candidatura, os interessados deverão entregar o formulário fornecido pelos serviços devidamente preenchido, acompanhado dos documentos mencionados no n.º 3 do art.º 13.º do Regulamento e da Declaração de Compromisso de todos os requisitos de acesso. Todos os documentos para a candidatura deverão ser entregues até ao dia 16 de maio, nos serviços acima mencionados. Consulte os documentos a apresentar no site da Câmara Municipal de Vila do Bispo: https://www.cmviladobispo.pt/pt/destaques/13430/abert ura-de-procedimento-concursal-paraatribuicao-de-4-habitacoes-sociais.aspx.

Os interessados podem consultar o 155

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DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 3924 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Daniel Pina A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista regional generalista, pluralista, independente e vocacionada para a divulgação das boas práticas e histórias positivas que têm lugar na região do Algarve. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista independente de quaisquer poderes políticos, económicos, sociais, religiosos ou culturais, defendendo esse espírito de independência também em relação aos seus próprios anunciantes e colaboradores. A ALGARVE INFORMATIVO promove o acesso livre dos seus leitores à informação e defende ativamente a liberdade de expressão. A ALGARVE INFORMATIVO defende igualmente as causas da cidadania, das liberdades fundamentais e da democracia, de um ambiente saudável e sustentável, da língua portuguesa, do incitamento à participação da sociedade civil na resolução dos problemas da comunidade, concedendo voz a todas as correntes, nunca perdendo nem renunciando à capacidade de crítica. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelos princípios da deontologia dos jornalistas e da ética profissional, pelo que afirma que quaisquer leis limitadoras da liberdade de expressão terão sempre a firme oposição desta revista e dos seus profissionais. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista feita por jornalistas profissionais e não um simples recetáculo de notas de imprensa e informações oficiais, optando preferencialmente por entrevistas e reportagens da sua própria responsabilidade, mesmo que, para tal, incorra em custos acrescidos de produção dos seus conteúdos. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelo princípio da objetividade e da independência no que diz respeito aos seus conteúdos noticiosos em todos os suportes. As suas notícias narram, relacionam e analisam os factos, para cujo apuramento serão ouvidas as diversas partes envolvidas. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista tolerante e aberta a todas as opiniões, embora se reserve o direito de não publicar opiniões que considere ofensivas. A opinião publicada será sempre assinada por quem a produz, sejam jornalistas da Algarve Informativo ou colunistas externos. ALGARVE INFORMATIVO #200

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