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ALGARVE INFORMATIVO 20 de dezembro, 2025
JOANA SANTOS
UMA HISTÓRIA DE SUPERAÇÃO E INSPIRAÇÃO 1«BAIÃO D’OXIGÉNIO» EM OLHÃO | «A FÁBRICA» EM LOULÉ | DIA DA CIDADE DE PORTIMÃO ALGARVE INFORMATIVO #508 CARLOS CAMPANIÇO TEM NOVO LIVRO | MERCADINHO DE NATAL DE BOLIQUEIME
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Os GNR festejaram os 45 anos de existência com um estrondoso concerto no Cineteatro Louletano 3
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ÍNDICE Paulo Cunha (pág. 18) Carlos Manso (pág. 22) Ana Isabel Soares (pág. 26) Júlio Ferreira (pág. 30) Paulo Neves (pág. 34) Dia da Cidade de Portimão (pág. 38) Mercadinho de Natal de Boliqueime (pág. 50) Águas do Algarve inaugurou infraestrutura na Quinta do Lago (pág. 60) Entrevista a Joana Santos (pág. 70) Entrevista a Carlos Campaniço (pág. 86) «Baião d’oxigénio» em Olhão (pág. 96) «A Fábrica» no Cineteatro Louletano (pág. 122)
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Natais fora de época Paulo Cunha, professor esde jovem, criando estruturas associativas e comunitárias, habituei-me a trabalhar com os outros e para os outros. Atualmente, vulgarizou-se chamar «empreendedor» a quem promove este tipo de iniciativas, sejam privadas, sejam públicas. Tendo tido, nalguns casos, um papel de liderança, tentei - sempre - motivar pela conduta e pelo exemplo. Como tal, senti que é na dádiva, reciprocidade, partilha, respeito e reconhecimento que residem os segredos para que as empresas e empreendimentos possam vir a ter sucesso. Foi aquilo que, desde sempre, chamei o «Espírito de Natal». Efetivamente, quando pensamos no Natal, imediatamente vem-nos à mente imagens e recordações da época natalícia, festejada em dezembro com ruas iluminadas, árvores decoradas, famílias reunidas, mesas bem compostas e a expectativa da troca de presentes. Contudo, há algo de mágico em celebrar «Natais fora de época»: são os momentos em que o espírito natalício se manifesta muito para além do calendário oficial, em dias inesperados e situações improváveis. O Natal, para muitos, simboliza união, generosidade e esperança. Embora tradicionalmente associado ao dia 25 de dezembro, o verdadeiro significado do Natal transcende datas e convenções. É possível viver o Natal em qualquer momento do ano,
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sempre que gestos de bondade, partilha e perdão aconteçam. Há quem se recorde de um momento especial celebrado num hospital, num outro mês qualquer que não o de dezembro, quando familiares se reuniram em torno de um ente querido e criaram um ambiente de afeto, carinho e de esperança. Outros talvez tenham vivido o espírito natalício numa rua deserta ao preparar ou distribuir uma refeição solidária para um qualquer semabrigo. São momentos em que há tempo para o tempo e o coração se enche de alegria, independentemente do dia do ano. Celebrar Natais fora de época é reconhecer que a generosidade, a compaixão e o sentido de comunidade podem – e devem – ser vividos todos os dias. Um gesto de carinho inesperado, uma palavra de apoio, ou simplesmente a presença num momento difícil, podem transformar qualquer dia num Natal especial. Natal fora de época desafia-nos a repensar tradições e a valorizar o que realmente importa: as pessoas, os sentimentos e a capacidade de fazer a diferença. Ao vivermos o espírito natalício para além de dezembro, trazemos mais luz ao nosso próprio caminho e ao dos outros, tornando o mundo um lugar mais caloroso e humano - todos os dias do ano. Tal como todos dias é Natal, pois todos os dias alguém nasce, façamos nascer em nós, todos os dias e em cada gesto, também o espírito de Natal. Bem precisamos! 18
Foto: Daniel Santos
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Meio século depois, o salário mínimo continua preso a 1974 Carlos Manso, Economista e Membro da Direção Nacional da Ordem dos Economistas discussão pública sobre o salário mínimo nacional continua, demasiadas vezes, refém de comparações nominais que nada dizem sobre o verdadeiro progresso económico e social. Dizer que o salário mínimo nacional “era de X em 1974 e é de Y em 2025” sem qualquer correção monetária é um erro técnico elementar e, se for afirmado por especialistas ou personalidades com responsabilidade, demonstra uma estratégia de distorção da realidade e manipulação da informação. A moeda perde valor ao longo do tempo, e só a correção pela inflação, através do coeficiente de desvalorização da moeda, permite comparações economicamente válidas. Em macroeconomia e em finanças, valores só são comparáveis quando expressos na mesma unidade temporal de poder de compra, isto é, em valores reais. O coeficiente de desvalorização da moeda resulta da evolução de um determinado índice de preços e mede quantas vezes o nível de preços aumentou entre dois momentos no ALGARVE INFORMATIVO #508
tempo. Quando aplicamos o conceito ao caso dos consumidores, podemos responder a uma pergunta simples: quanto dinheiro teria um consumidor de ter disponível no momento atual de forma a manter exatamente o poder de compra que teve no passado? Sem este ajustamento, não comparamos rendimentos reais, apenas números que não são comparáveis. Em Portugal, o salário mínimo de 1974, quando convertido diretamente para euros, corresponde a cerca de 16,5 euros mensais. No entanto, este valor, por si só, não tem significado económico: temos de o colocar a preços de 2025, algo que podemos fazer aplicando o coeficiente de desvalorização da moeda previsto na Portaria n.º 382/2025/1 de 11 de novembro: 41.5. Com base nesta correção, obtém-se um valor real próximo de 685 euros mensais, o que nos dá o ponto de partida correto para qualquer análise séria de comparação de valores monetários entre 1974 e 2025. Em 2025, o salário mínimo nacional é de 820 euros mensais, pelo que podemos concluir que o salário mínimo nacional real em Portugal aumentou cerca de 135 euros em cerca de 50 anos. Em termos percentuais, isto representa um 22
crescimento real próximo de 20 por cento ao longo deste meio século.
conjuntural, mas sim o retrato de uma estagnação estrutural.
Este resultado é economicamente revelador e socialmente inquietante, já que em cinco décadas marcadas pela integração europeia, pelo crescimento do PIB, pela modernização das infraestruturas e pela transformação tecnológica da economia, o ganho real das classes mais desfavorecidas foi marginal, pelo que, para quem vive do salário mínimo nacional, o progresso económico agregado traduziu-se apenas numa melhoria muito limitada do poder de compra. Isto não é um fenómeno
A comparação com Espanha torna este diagnóstico ainda mais claro. Em 1974, o salário mínimo nacional espanhol, convertido para euros, situava-se em torno de 40,6 euros mensais, o que aplicando o coeficiente de desvalorização da moeda espanhola entre 1974 e 2025, estimado em cerca de 17 (www.officialdata.org), o valor real equivalente aproxima-se de 695 euros mensais a preços atuais. Ou seja, em termos de poder de compra, Portugal e
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Espanha partiam de níveis muito semelhantes no início da década de 1970. A diferença surge na trajetória posterior, visto que em 2025, o salário mínimo espanhol é de cerca de 1.184 euros mensais. Comparando com valores reais de Portugal na mesma data temporal, o ganho espanhol desde 1974 ultrapassa os 480 euros, enquanto em Portugal não chega a 140 euros. Espanha não só preservou o poder de compra do salário mínimo nacional, como o reforçou de forma clara e sustentada, ao passo que Portugal se limitou a uma progressão real modesta, insuficiente para alterar de forma significativa a condição económica dos trabalhadores de menores rendimentos. Este contraste não pode ser explicado apenas por diferenças de produtividade pontuais ou por decisões salariais recentes, mas reflete escolhas estruturais distintas, uma maior capacidade de crescimento económico, melhor transmissão do crescimento para os salários mais baixos e uma política de rendimentos que, ao longo do tempo, conseguiu ir além da simples reposição inflacionária. A análise em valores reais desmonta duas narrativas recorrentes. A primeira é a ideia de que o salário mínimo “aumentou imenso” desde 1974: aumentou nominalmente, mas o ganho real em Portugal foi reduzido e lento. A segunda é a noção de que nunca se viveu tão bem com o salário mínimo. Em termos históricos comparados, essa afirmação é frágil porque o poder de compra atual é apenas ligeiramente superior ao de há 50 anos e claramente ALGARVE INFORMATIVO #508
inferior ao progresso observado noutros países relativamente comparáveis e com ponto de partida semelhante. A conclusão é clara: o salário mínimo nacional em Portugal subiu em termos reais desde 1974, mas subiu pouco, tão pouco que, quando observado numa perspetiva de longo prazo, revela uma estagnação financeira e social persistente das classes mais desfavorecidas. Meio século para ganhar pouco mais de uma centena de euros reais não é sinal de convergência nem de progresso social robusto; é o retrato de um modelo económico que cresceu, mas que falhou em transformar crescimento em melhoria significativa das condições de vida de quem vive do trabalho menos qualificado e podemos afirmar que falhou numa distribuição mais justa da riqueza criada nos últimos 50 anos no país. É hora de construir uma economia e uma sociedade onde o crescimento chegue a quem trabalha ou meio século de estagnação social continuará a repetirse. Pensem nisto. Nota: Este artigo de opinião apenas reflete a opinião pessoal e técnica do Autor e não a opinião ou posição das entidades com quem colabora ou trabalha.
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, Um livro: de João B. Ventura (The Poets and Dragons Society, 2025) Ana Isabel Soares, professora que acontece quando um amante de livros – além do mais, bibliotecário profissional – assenta e oferece a quem as quiser ler as memórias que guarda de uma cidade tão literária como Paris? Refazem-se percursos mnemónicos, relembram-se passeios, ruas que se guardavam no lampejo de um pensamento e se glorificam na luminosidade multiplicada por cada uma das leituras. Na mente de cada leitor das lembranças que João B. Ventura recolhe e fez publicar em O Flâneur de Paris, revive a cidade e as suas esquinas, os passeantes com que se cruzou nos anos 70 ou que imaginou a habitá-la cem anos antes. “A rua conduz o flâneur a um tempo já desaparecido”, escreveu Walter Benjamin em Passagenwerk, o monumento a Paris que construía e deixou por terminar (a versão em língua portuguesa é de João Barrento). Prosseguia: “Para ele [para o flâneur], qualquer rua é íngreme. Desce [...] até um passado que pode ser tanto mais atraente quanto menos for seu, privado” (p. 544 da edição da Assírio e Alvim). Ventura (ventura de quem lê) tem a generosidade de transformar em coletivo aquilo que começou por ser o seu ALGARVE INFORMATIVO #508
passeio privado pelas ruas parisienses – o passeio literal, caminhado sobre les pavés da cidade-Luz, e o metafórico, aquele que lhe viajava pelo pensamento na recordação dos versos dos poetas (como Charles Baudelaire, como Paul Verlaine) ou em episódios das vidas de outros escritores (mais sombrios, como o de Paul Celan, ou mais festivos, como na imagem que convoca de Julia Kristeva e Philippe Sollers a dançar na praça da Bastilha ao som da Carmagnole (celebrando a reeleição de François Miterrand). É uma bela leitura, esta, para fazer nos dias em que as livrarias parisienses (se) vão encerrando, em que grande parte dos passeantes da Paris de hoje voltam o olhar para a montra dos seus próprios aparelhos eletrónicos e passam ao lado dos espelhos que são os altos vidros das lojas dentro das passages, olho crítico que foi de uma certa sociedade que se entendia, que se revia e analisava. Os estilhaços do presente são demasiados para oferecer uma imagem única, um entendimento sereno; o ruído é poderoso. A cidade, porém, parece resistir – o passeio do venturoso flâneur nestas páginas, que se leem com o fôlego de uma tour aprazível, dá a ver um vislumbre, nostálgico, é certo, da Paris de ontem, ou do passeante que a lembra como se continuasse lá. 26
Foto: Vasco Célio
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«Mar a Fado», uma ode portimonense Júlio Ferreira, inconformado encartado Natal em Portimão e no mundo, e, entre luzes cintilantes, Fatias Douradas e Bacalhau, o coração da cidade pulsa com histórias, memórias e risos das crianças nesta época de esperança. Abri com muita emoção a minha prenda antecipada logo no dia 11, dia da cidade, que trouxe consigo centenas de elogios, milhares de visualizações e, em vez de ouro, mirra e incenso, os três reis mag(r)os: Júlio, Rúben e Paulo trouxeram generosas doses de memória, emoção e alma.
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Estes, ao contrário dos outros como os três reis há dois mil e vinte e cinco anos. Não seguiram nenhuma estrela. Perseguem um propósito muito mais humilde: celebrar Portimão, guardar a memória da cidade e partilhar a sua essência através do projeto «Mar a Fado», um gesto cultural que é também declaração de amor à cidade, às suas gentes e à sua memória viva. Amo esta cidade como se ama alguém difícil: que falha, que irrita, que por vezes desilude, mas que chama sempre de volta. Há amores que não se explicam… sustentam se. Portimão é esse amor resistente, salgado, feito de cicatrizes bonitas.
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O «Mar a Fado» nasce exatamente daí. Um jogo de palavras com «marafado» (expressão popular algarvia que significa traquinas, esperto, danado, mas de bom coração), evocando ao mesmo tempo o mar e o fado, símbolos profundos da alma portuguesa e algarvia. É o nome perfeito: tem som, alma, humor e verdade; um projeto coletivo, partilhado por três pessoas que, cada uma à sua maneira, sentem por Portimão o mesmo amor inquieto, exigente e profundamente fiel. Não de um conceito importado nem de uma ideia académica, mas daquilo que somos enquanto gente, enquanto cidade. Nasce da memória, da vivência e do receio silencioso de deixarmos de nos reconhecer. O «Mar a Fado» não se faz para impressionar. Faz-se para reconhecer. Acontece nos lugares onde Portimão ainda respira sem filtros, longe do postal ilustrado, perto da verdade. Lugares onde a cidade se olha ao espelho e ainda se identifica. As pessoas que dão corpo a este projeto não se inventam. Carregam Portimão na pele, na fala, no silêncio. São gente que aprendeu cedo que tradição não é peça de museu: é matéria viva, que se adapta, mas não abdica da alma. Entre essas figuras-símbolo está Joaquim Oliveira, e, com ele, ecoa o espírito do «Marafado», homem feito de sal, vento e teimosia. Como o marafado enfrentou o mar, Joaquim e a sua família 30
dignidade silenciosa do seu declínio. Ali está o trabalho duro, a ligação ao mar, o orgulho sem alarde e a capacidade rara de resistir sem perder identidade. Não é nostalgia: é reconhecimento. Porque ao falar de Joaquim Oliveira falase de milhares que fizeram a cidade crescer, que a sustentaram quando o brilho se apagou e que continuam a habitá-la com a mesma inteireza. Portimão foi, durante décadas, uma cidade moldada pelo som das fábricas conserveiras. Pelo ritmo dos turnos, pelo cheiro intenso do peixe, pelo cansaço honesto que se levava para casa ao fim do dia. Famílias inteiras, como a de Joaquim Oliveira, viveram desse ciclo duro e digno, onde o mar era sustento e a fábrica enfrentaram as ondas da vida conserveira, construindo e sustentando Portimão com coragem, trabalho e amor profundo pela cidade. Personagem onde cabe, inteira, a essência de ser portimonense. Em Joaquim e na sua família cruza-se a memória dos tempos áureos da indústria conserveira com a 31
era escola de vida. A indústria conserveira não deu apenas trabalho: deu identidade. Criou comunidade, criou solidariedade, criou um modo muito próprio de estar no mundo. Quando o setor entrou em declínio, não foi apenas a economia que ALGARVE INFORMATIVO #508
sofreu, foi a autoestima de uma cidade inteira. Fecharam-se fábricas, calaram-se máquinas, mas a memória persistiu. O «Mar a Fado» nasce também desse silêncio posterior. Desse espaço vazio que ficou quando o progresso seguiu outros rumos e deixou para trás quem sempre esteve. «Mar a Fado» é lembrar. Lembrar é resistir. E resistir, em Portimão, sempre foi uma forma de amor. Ao dar voz a estas histórias, o «Mar a Fado» não romantiza o duríssimo e muitas vezes cruel passado de Portimão: olha-o de frente e honra-o. Porque só quem respeita o que custou viver consegue amar verdadeiramente o que hoje existe. E ao fazê-lo, devolve à cidade um pedaço essencial da sua alma, aquele que nunca deveria ter sido silenciado, muito menos esquecido. E há humor, porque em Portimão nunca se sobreviveu sem ele. Um humor cúmplice, de quem conhece o peso da vida e aprendeu a enfrentá-lo sem baixar a cabeça. Ri-se da dificuldade, da burocracia, das promessas vãs, da própria cidade. Não por desrespeito, mas por pertença. Porque só quem ama verdadeiramente a sua terra se permite rir com ela. Esse humor caminha lado a lado com a memória. O «Mar a Fado» recorda ruas, rostos e vozes que marcaram Portimão ao longo da nossa existência coletiva, gente simples, lugares aparentemente anónimos, mas fundamentais para a identidade da cidade. Ao evocá-los, devolve-lhes dignidade e presença. O «Mar a Fado» sorri também da modernidade apressada, dos projetos sem raiz, das modas que chegam cheias de entusiasmo e partem ALGARVE INFORMATIVO #508
sem deixar rasto. Sorri porque sabe que Portimão já viu muito passar, e apesar de tudo, permaneceu. Este não é apenas um programa cultural. É também o encontro de três olhares portimonenses que recusam deixar a cidade reduzir-se a cenário: três vozes diferentes, unidas pela mesma urgência de preservar a memória, a identidade e a dignidade cultural de Portimão. É um gesto de resistência afetiva. Uma afirmação clara de que a identidade não se decreta, constrói-se. Ser portimonense não é um slogan, é um percurso. O «Mar a Fado» é a cidade a cantar-se a si própria, sem pedir licença. Com verdade, com memória e com sal. Enquanto Portimão tiver quem a cante assim, com humor, com coragem e com amor, continuará viva. E enquanto houver quem escreva, cante e pense a cidade com esta entrega, este programa continuará a regressar, mês após mês, para lembrar que Portimão não é apenas um lugar: é uma pertença. Talvez ferida, talvez injustiçada, mas viva. E enquanto o MAR murmurar segredos e o FADO emoção, há de pulsar em cada peito, o nome de PORTIMÃO.
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Bloqueio Paulo Neves, «ilhéu», mas nenhum homem é uma ilha á nos tinham criado o estigma sobre os imigrantes, tentaram acrescentar o estigma sobre os trabalhadores grevistas, os outros trabalhadores no direito a trabalhar e os patrões. Agora somos confrontados acerca dos pobres, na sua utilização dos serviços públicos e já estamos a criar o estigma sobre a composição «desequilibrada» do Tribunal Constitucional. Tudo isto num repente e durante a campanha eleitoral para Presidente da República, para a condicionar. Entre almoços secretos transformados em acordos e «prendas de Natal», andamos num virote de desconfiança a que se acrescentam promessas que não eram sobre a duplicação de remunerações mínimas e médias, mas como desejos para novo ano. É o poder e a sua manipulação. E, no final, «é só fumaça», mas que deixa marcas e condicionam a nossa vida em comunidade e a (des)confiança acelerada na política. Estou mesmo em crer que os próximos três meses vão ser marcados pela recuperação da já usada ideia sobre as «Forças de Bloqueio» (normal, também ALGARVE INFORMATIVO #508
depois da adaptação do slogan «deixemme trabalhar»). Porque o PS, no parlamento, não aceitará substituir-se ao CH como muleta para fazer avançar o que já parou, ou porque o novo PR tem que ser da fação, ou porque o Tribunal Constitucional cumpre, em excesso, o seu trabalho de fazer cumprir a CRP em vigor. Tudo Forças de Bloqueio em mira. Infelizmente (na minha perspetiva), depois de se comemorarem os 50 anos do 25 de abril de 74, Portugal passou a ter, por vontade popular, uma maioria parlamentar de direita, que é suficiente para fazer, sozinha, a revisão constitucional no ano (2026) em que se comemorará os 50 anos sobre a sua aprovação (1976). E, para tanto, já não bastava essa maioria de direita, mas agora temos os seus candidatos a Presidente da República que, ou desejam a sua revisão profunda, uns, ou outro, que lhe basta manter no essencial um artigo que não se altere, desinteressando-se de um tema fundamental que não domina de todo. Preocupa-me tantas possibilidades de desequilíbrio neste barco, que parece adornar excessivamente e de repente, onde estamos todos embarcados.
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Estamos a sentir este ambiente social e, no entanto, os sinais da economia, dizem, são melhores que nunca. Não há razões para antecipar uma crise política e há milhões para investir. Tudo parecia conjugar-se para que se desanuviasse algo que se pretende, afinal, adensar. Alguns dos responsáveis governativos não estão bem e isso faz-se notar, nas respetivas áreas que tutelam, na sua comunicação e nos factos que se tentam criar para os distrair. É o poder. No entanto, ainda estamos seis meses passados sobre a sua investidura. Um sinal preocupante, nada expectável porque nem era tema, é o anúncio do impasse, a prolongar, sobre a Regionalização Administrativa. Pretende-se, já afinal, governamentalizar as nomeações para as CCDRs e, para distrair, anunciar o aumentar de competências para os municípios, aumentando a competição pelas verbas (que o Governo decidirá) e as discrepâncias da qualidade de vida dos cidadãos e das comunidades de vizinhança em função do código postal de residência de cada um. Sim, o planeamento de recursos e investimentos de nível regional é tema crucial ao desenvolvimento de todos. Compreendo os argumentos populistas, mas prefiro a racionalidade e a experiência destes 50 anos. 35
Não é por culpa das regiões administrativas, que não existiram, que persistem problemas de coesão entre regiões e intra regionalmente. Não é por culpa das regiões administrativas, que não existiram, que se afirma o tema da corrupção e das decisões do poder central cada vez mais afirmativo e opaco. Não é por culpa das regiões que há tentativa de dividir mais o que está unido. Os defensores das regiões administrativas e os atores do poder local não foram nem são forças de bloqueio. A quem interessa fomentar a divisão (para reinar)? Quem desconfia dos cidadãos? Há que cumprir-se a Constituição. ALGARVE INFORMATIVO #508
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«Juntos fazemos a nossa cidade» deu o mote para as comemorações do 101.º aniversário de elevação de Portimão a cidade Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina o ano em que Portimão assinala 101 anos de elevação a cidade, o Município celebrou as pessoas que, todos os dias, a constroem, cuidam, inspiram e reinventam. Por isso, entre 5 e 13 de dezembro, o programa comemorativo integrou momentos oficiais, propostas culturais e desportivas, além de múltiplas ALGARVE INFORMATIVO #508
iniciativas dinamizadas pelo movimento associativo, promovendo uma participação alargada nas comemorações deste marco da identidade e da história locais. O Dia da Cidade, assinalado a 11 de dezembro, arrancou, no Largo 1.º de Maio, com o Hastear da Bandeira, momento que contou com a participação da Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Portimão, da Sociedade Filarmónica 38
Portimonense, da Sociedade Columbófila, bem como de forças de segurança e demais entidades locais. A Sessão Solene do Dia da Cidade foi o ponto alto destas comemorações, um momento por excelência para afirmar o 39
papel central das pessoas na construção de Portimão, que principiou com a intervenção institucional do presidente da Assembleia Municipal, Carlos Café, seguindo-se diversos testemunhos que refletem a diversidade humana de ALGARVE INFORMATIVO #508
Portimão, a cargo de José Maria Batista Correia (sócio n.º 1 e honorário do Boa Esperança Atlético Portimonense e sócio n.º 1 e fundador da Sociedade Filarmónica Portimonense), Mahomed Americano (médico cirurgião), Meinke Flesseman (artista plástica estrangeira residente em Portimão), Kluayver da Silva Queiroz, Júlio César dos Santos e Carinha Silva Semedo (autores do projeto vencedor do 1.º Orçamento Participativo Jovem Portimão 2024-2025, intitulado Feira Suprime Culinária & Cultural) e Eva Pereira (aluna mentora da turma do 8.º C da EBS Bemposta), intercalados por momentos musicais pelas mãos de Vasco Ramalho (vibrafone e MalletStation), Tuniko Goulart (Violão 7 Cordas), Gustavo Gonçalves (Bateria) e Gabriel de Rose (Voz). ALGARVE INFORMATIVO #508
A cerimónia terminou com o discurso do presidente da Câmara Municipal de Portimão, Álvaro Bila, que começou, inevitavelmente, por recordar Manuel Teixeira Gomes, não apenas por ter assinado — como Presidente da República — o decreto de 11 de dezembro de 1924 que deu o estatuto de cidade a Portimão, “mas pela sua vida exemplar como diplomata, como escritor incomparável e como humanista inteiro”. “A sua postura serena, o desapego perante as vicissitudes do poder e a sua busca incansável pela Verdade continuam a ser um exemplo permanente de ética republicana e de serviço público. Mas há um passado mais recente que também nos convoca: o dos cidadãos anónimos. Porque as cidades não são feitas apenas de pedra ou de betão, são feitas de gente. São o 40
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espelho da generosidade, da intervenção cívica e da força das suas gentes. Por isso, quisemos trazer hoje a este palco precisamente isso: cidadãs e cidadãos de Portimão que, todos os dias, constroem esta comunidade com o seu trabalho, com o seu voluntariado, com o seu talento ou simplesmente com a sua presença firme e solidária. A eles, o nosso reconhecimento eterno”, declarou o edil portimonense. Dois meses passados depois das últimas eleições autárquicas, Álvaro Bila lembrou que o momento trouxe novos protagonistas e novos equilíbrios políticos para o ciclo 2025/2029 e afirmou que “nestes primeiros passos assistimos a algo que muito me orgulha: uma verdadeira demonstração de maturidade democrática”. “Vi eleitos de cores políticas diferentes sentaremALGARVE INFORMATIVO #508
se à mesma mesa, olharem-se nos olhos e colocarem Portimão acima de tudo. Vi propostas melhorarem com contributos vindos da oposição. Vi mãos dadas onde, noutros tempos, só havia punhos cerrados. A todos esses eleitos — da maioria e da oposição — deixo o meu reconhecimento público, sincero e profundo”, apontou, agradecendo “por terem colocado os interesses de Portimão acima dos interesses pessoais ou partidários”. Uma postura que, para Álvaro Bila, é sinónimo de grandeza, “porque as pessoas não têm cor política, a falta de habitação não pergunta pelo cartão de militante, a espera por um médico de família não pergunta pelo sentido de voto”. “As vias, as escolas, as oportunidades, não se distribuem por ideologia. São desafios de uma cidade 42
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inteira, e só uma cidade inteira, unida, os pode resolver. O que vimos nestes primeiros dias não é apenas bonito, é essencial”, considera o autarca, que deixou a garantia de que a porta do seu gabinete estará sempre aberta, o telefone sempre ligado e a vontade de ouvir sempre maior do que a vontade de falar. “Porque o caminho que os portimonenses esperam de nós é este: diálogo genuíno, consensos reais e compreensão profunda. E é o caminho que vamos seguir, sem desvios, sem recuos, sem medo”. Mais do que simples palavras, Álvaro Bila referiu que o executivo camarário aceitou, por exemplo, a criação de um grupo de trabalho para estudar a implementação da Polícia Municipal. “Não era proposta do nosso programa, mas chegou pelas outras forças ALGARVE INFORMATIVO #508
políticas e nós dissemos sim. Porque a segurança dos portimonenses não tem dono, tem de ser de todos. Preparámos uma proposta de redução geral dos impostos municipais — IMI, IMT, derrama — que em breve será votada na Assembleia Municipal. Uma medida que alivia famílias e empresas e que só é possível com diálogo e contributos de todas as forças políticas. Vamos apresentar o novo regimento da Assembleia e da Câmara Municipal, que permitirá finalmente a transmissão em direto de todas as reuniões. Mais transparência. Mais participação. Mais democracia aberta. E já estamos a elaborar as bases do Orçamento e do Plano Plurianual de Investimentos de 2026, integrando sugestões de todos os partidos. Porque o dinheiro dos portimonenses deve ser gerido com responsabilidade, e com o contributo 44
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de todos”, defende Álvaro Bila. “Quando oposição propõe e o executivo melhora; quando o executivo apresenta e a oposição aperfeiçoa, quem ganha é sempre o cidadão que todos os dias constrói esta cidade, e é assim que vai continuar a ser. Porque os problemas não esperam por ciclos eleitorais, e Portimão não pode esperar mais. A esperança que depositaram em nós tem de se transformar em obras, em respostas e em futuro. Porque Portimão merece”, salientou. Para Álvaro Bila, 101 anos depois da sua criação, Portimão está mais viva, mais ambiciosa e mais exigente, e precisa de um rumo claro, coletivo e visível. “Precisa de máquinas na rua, de projetos no terreno e de soluções à vista. Nos ALGARVE INFORMATIVO #508
próximos quatro anos teremos desafios, e a autarquia tem de ser exemplo de transparência, eficiência e confiança. Precisamos de concursos abertos, empreitadas adjudicadas, prazos definidos e obras a avançar. Queremos construir 1.000 fogos habitacionais até 2029. Garantir vagas em creches para todas as crianças. Abrir novas escolas. Ter mais médicos de família. Requalificar a Zona Ribeirinha, o Largo Gil Eanes e a Praia da Rocha. Criar novos parques urbanos e novas ciclovias. E, acima de tudo, lançar a primeira pedra do Campus Universitário do Barranco do Rodrigo — o maior investimento de sempre no futuro dos nossos jovens”, adiantou, acrescentando que “Portimão não quer ser apenas cidade de verão, quer ser cidade de 12 46
meses”. “Cidade de conhecimento, inovação e emprego qualificado. Cidade onde os nossos filhos e netos possam ficar, crescer e ser felizes”. Num dia de reconhecimentos, Álvaro Bila agradeceu aos pescadores que ainda saem de madrugada, aos comerciantes que todos os dias abrem portas, aos professores, aos funcionários públicos, aos voluntários, às associações, aos clubes, às IPSS e a cada portimonense que nunca virou costas à sua terra. “E há um agradecimento que não pode esperar. Em 2026, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Portimão completa 100 anos de coragem, de gente que larga tudo para salvar tudo, 100 anos de «nós vamos», mesmo quando a noite é escura ou o fogo é grande. E queremos celebrar este centenário com respostas
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à altura: a nova autoescada de grande porte — contrato já assinado, investimento de dois milhões de euros, começará a ser construída em 2026; novos veículos de socorro e desencarceramento já estão adquiridos e a caminho; reforços em equipamentos, proteção e formação estão garantidos; e avançaremos com o estatuto social dos bombeiros: apoio às famílias, habitação, saúde, dignidade”, assumiu o presidente da Câmara Municipal de Portimão. “Portimão não é só um ponto no mapa, é um estado de alma. É gente que acredita, que trabalha, que não desiste. Por isso, no dia em que a nossa cidade faz 101 anos, que venham muitos mais anos de coragem, de união e de orgulho. E que nunca ninguém duvide: Portimão não espera pelo futuro — Portimão faz o futuro”, concluiu Álvaro Bila.
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Boliqueime celebrou o Natal com Mercadinho e animação para toda a família Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina Junta de Freguesia de Boliqueime organizou, no dia 13 de dezembro, mais um mercadinho repleto de atividades, comércio local e muita animação. O Adro da Igreja Paroquial de Boliqueime foi novamente o palco escolhido para esta iniciativa que encantou miúdos e graúdos, com uma diversificada oferta de produtos artesanais, doces e comidas tradicionais e ALGARVE INFORMATIVO #508
uma programação pensada para toda a família. Os visitantes desfrutaram de atividades dedicadas às crianças, incluindo jogos e pinturas faciais, e acompanharam a animação proporcionada por coletividades locais e artistas da região. O momento mais aguardado foi, como se adivinha, a chegada do Pai Natal, que entregou lembranças e tirou fotos com os mais pequenos. O Mercadinho de Natal de Boliqueime é uma iniciativa da Junta de Freguesia, com o apoio das associações, artesãos e comércio local. 50
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Águas do Algarve inaugurou Infraestruturas de Elevação e Adução de ApR da ETAR de Quinta do Lago Texto: Daniel Pina| Fotografia: Águas do Algarve Águas do Algarve inaugurou, no dia 6 de dezembro, a empreitada de execução de Infraestruturas de Elevação e Adução de ApR da ETAR de Quinta do Lago, numa cerimónia que contou com a presença da Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, do Presidente da APA, Pimenta Machado, do Presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto, e de Luísa Branco, vogal do Conselho de Administração da ALGARVE INFORMATIVO #508
Águas de Portugal, entre outras entidades. A Águas do Algarve, S.A. é a detentora da concessão para a exploração e gestão do Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água e de Saneamento do Algarve, que abrange todos os 16 concelhos algarvios. O território é servido por um conjunto vasto de infraestruturas modernas e eficientes, que garantem um fornecimento contínuo de água potável e a gestão de águas residuais, respeitando as melhores práticas ambientais e operacionais. Ora, 60
num contexto global de crescentes desafios ambientais, os Projetos PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) das Águas do Algarve surgem como resposta estratégica para garantir a gestão sustentável dos recursos hídricos. Com foco na preservação dos recursos, na adaptação às alterações climáticas e na promoção do acesso justo à água, esta iniciativa alinha-se com os objetivos da União Europeia, impulsionando o desenvolvimento socioeconómico e ambiental da região do Algarve. No que respeita ao investimento sob a responsabilidade da Águas do Algarve, S.A., este inscreve-se na dimensão Resiliência, e decorre do contrato de financiamento RE-C09-i01.04 designado por «Plano Regional de Eficiência Hídrica
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do Algarve: SM4 – Promover a utilização de Água Residual Tratada». A implementação desta medida permitirá incrementar o uso de ApR de 1,4 para 8 hm3/ano. Este investimento pretende contribuir para responder à condição de escassez que assola o Algarve, com tendência para agravamento face aos efeitos das alterações climáticas, o que obriga à adoção de um vasto conjunto de medidas e investimentos que permitam a continuação e diversificação do desenvolvimento da atividade económica na região, garantindo o bem-estar das populações. Está enquadrado com o Plano Regional de Eficiência Hídrica do Algarve (PREHA), e tem como objetivo dar resposta à escassez hídrica no
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Algarve, através do controlo e gestão integrada dos consumos e das disponibilidades hídricas, procurando um equilíbrio entre as necessidades e as disponibilidades. Neste âmbito foi integrada na génese do investimento a medida SM4– Promover a utilização de Água Residual Tratada (ApR), na qual se insere a empreitada de execução de infraestruturas de elevação e adução de ApR da ETAR de Quinta de Lago, que englobou a reabilitação da lagoa de água residual tratada, com 1.280 metros cúbicos de capacidade, que tem como função regularizar as flutuações de afluência ao longo do dia e assegurar o tempo de contacto entre o efluente tratado e o hipoclorito de sódio, de modo a garantir a eficiência do processo de ALGARVE INFORMATIVO #508
desinfeção e a produção de ApR de classe B. Após desinfeção, a ApR é elevada para o sistema adutor a partir da estação elevatória existente que alberga três novos conjuntos de grupos eletrobomba. Foi construída uma nova conduta elevatória adutora em PEAD até ao ponto de entrega de Pinheiros Altos numa extensão de aproximada 720 metros. A partir da conduta elevatória de reutilização que já existia foi implantado um troço de conduta elevatória adutora até ao ponto de entrega da Quinta do Lago (Norte e Sul)/Infraquinta, materializada em tubagem de PEAD DN200, com cerca de 30 metros de extensão. Foi também executado um novo troço de conduta adutora elevatória da derivação para o ponto de entrega de São Lourenço, igualmente em tubo PEAD 62
DN200, com aproximadamente 90 metros de extensão. A empreitada englobou ainda a implementação de cinco pontos de entrega ao longo do sistema de adução: Pinheiros Altos, Quinta do Lago, Infraquinta, São Lourenço e Bovis Lakeside. Com este investimento, estima-se que o volume anual de ApR produzido na ETAR da Quinta do Lago seja de 2 milhões de metros cúbicos. A empreitada passou pela adaptação da lagoa de efluente tratado existente na ETAR da Quinta do Lago, onde foi instalado um sistema de tratamento complementar de modo a assegurar a produção de água Classe B para posterior reutilização na rega de áreas verdes. A lagoa de regularização de ApR passou a servir, simultaneamente, o propósito de regularização de caudal e de assegurar o
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tempo de contacto entre o efluente tratado e o hipoclorito de sódio, garantindo assim a eficiência do processo de desinfeção. Por forma a obviar curto-circuitos hidráulicos e ocorrência de zonas mortas na lagoa, foram instalados septos deflectores, executados com separadores de betão pré-fabricados, assegurando também o tempo de contacto necessário e potenciar a eficiência do processo de desinfeção. Uma vez que houve a necessidade de intervencionar a lagoa, foi também realizada a substituição integral do sistema de impermeabilização, através da instalação de georede em PEAD envolvido por dois geotêxteis e geomembrana em PEAD. Foi ainda executada a reformulação do descarregador de superfície da lagoa, através da subida das paredes laterais
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existentes da obra de descarga, para instalação de uma comporta descarregadora de cota ajustável, que servirá como descarga de emergência do sistema. A produção de ApR Classe B realizar-seá através do doseamento de hipoclorito de sódio, com recurso a injeção direta na tubagem afluente à lagoa de regularização de caudais. Foi construída uma bacia de retenção em betão armado para colocação do reservatório que detém o hipoclorito de sódio, sendo este construído em PEAD com capacidade para 10 metros cúbicos. A injeção de hipoclorito de sódio é feita através de uma ligação à conduta que atravessa o compartimento seco da câmara de medição de caudal, onde estão instalados o caudalímetro eletromagnético e uma válvula de seccionamento do tipo guilhotina. ALGARVE INFORMATIVO #508
Foi construída uma câmara de medição de caudal e de desinfeção, tricompartimentada enterrada e executada em betão armado, a qual intercetou a tubagem existente proveniente do tratamento terciário que conduz o efluente tratado para a lagoa. Por forma a garantir assim o contínuo funcionamento da instalação durante a execução dos trabalhos de remodelação da lagoa, foi previamente construída uma câmara de bypass, onde foi intercetada a tubagem do tratamento terciário, sendo este conduzido diretamente para o interior da Estação Elevatória. O primeiro compartimento serve como uma câmara de receção de efluente tratado, proveniente do tratamento terciário, dotado de comporta descarregadora de cota ajustável, que permitirá, em caso de necessidade, fazer 64
bypass à lagoa de regularização de ApR e conduzir efluente tratado para o meio recetor. O segundo compartimento consiste numa câmara de manobras, onde foi instalado um caudalímetro eletromagnético flangeado DN400 e uma válvula de seccionamento do tipo guilhotina DN400 PN6, que permitirá, em caso de necessidade, isolar a lagoa de regularização de ApR e enviar o efluente tratado não clorado para o meio receptor. O terceiro compartimento assegura a permanência do caudalímetro electromagnético em secção cheia (afogado), por forma a minimizar erros de medição.
circuitos hidráulicos. Foram instalados três novos conjuntos de eletrobombas no interior do atual edifício da estação elevatória que irão abastecer os pontos de entrega Pinheiros Altos, São Lourenço/Infraquinta e Quinta do Lago (Norte e Sul)/Infraquinta/Bovis Lakeside.
A empreitada abrangeu a remodelação da estação elevatória de ApR existente na ETAR da Quinta do Lago, tendo sido realizada a substituição integral dos equipamentos eletromecânicos e
Foi implantada uma nova conduta elevatória adutora para alimentação do ponto de entrega de Pinheiros Altos, constituída por tubagens em Polietileno de Alta Densidade DN200, com uma
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Os novos circuitos hidráulicos instalados foram em tubagens de aço inoxidável AISI 314, sendo os acessórios hidráulicos em ferro fundido dúctil. Foi também instalado um novo reservatório hidropneumático de 1000 L, por forma a solucionar os problemas originados pela ocorrência de depressões.
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extensão aproximada de 720 metros. A conduta adutora inicia-se na estação elevatória seguindo pelo recinto da ETAR da Quinta do Lago, no sentido OesteEste, até ao atravessamento da Ribeira de Gondra, fazendo o atravessamento da linha de água e entrando nos terrenos do campo de golfe de Pinheiros Altos, seguindo em paralelo com os caminhos de circulação do campo até ao seu término no ponto de entrega construído. O atravessamento da linha de água foi executado com recurso a uma travessia por perfuração horizontal dirigida, numa extensão de 60 metros, eliminando os impactos no meio ambiente inerentes a travessias de linhas de água e permitindo uma execução mais rápida da empreitada. Ao longo do seu percurso, a conduta foi dotada de duas descargas de fundo e uma ventosa.
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Foi executada uma nova derivação e implementado um novo troço de conduta adutora elevatória para o ponto de entrega de São Lourenço, materializada em tubagens de Polietileno de Alta Densidade DN200, com cerca de 90 metros de extensão. A derivação para o ponto de entrega de São Lourenço foi substituída por uma nova câmara de válvulas, construída em elementos de betão pré-fabricados, onde foi também substituída a ventosa. A conduta adutora inicia-se na câmara de válvulas, localizada na rua Tejo, onde foi intersetada a conduta existente e instalada uma ventosa. A conduta segue posteriormente em direção à rua Lis, terminando no novo ponto de entrega de São Lourenço.
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A empreitada implantou também um troço de conduta elevatória adutora para o ponto de entrega da Quinta do Lago (Norte e Sul)/Infraquinta, a partir da conduta elevatória de reutilização existente, constituída por tubagens em Polietileno de Alta Densidade DN200, com uma extensão aproximada de 30 metros. A conduta adutora inicia-se na intersecção com a conduta existente, seguindo posteriormente por terrenos ajardinados até ao novo ponto de entrega de Quinta do Lago (Norte e Sul)/Infraquinta. Os Pontos de Entrega têm como objetivo a o controlo e operação de entrega de água no destino pretendido. É nestes pontos que é efetuado o controlo dos parâmetros quantitativos e qualitativos, de forma a garantir as 67
condições exigidas para a água de Classe B. Na presente empreitada foram implementados cinco Pontos de Entrega, com o equipamento para o controlo e quantificação dos caudais, a instalar em edifício próprio, nomeadamente: Pinheiros Altos, São Lourenço, Quinta do Lago (Norte e Sul)/Infraquinta; Bovis Lakeside. Os edifícios/câmaras dos pontos de entrega integram de todas as instalações de comando, controlo e automação associadas ao funcionamento dos equipamentos, incluindo toda a rede de comunicações para automação entre os pontos de entrega, tratamento adicional e estação elevatória de ApR, automação local da ETAR Quinta do Lago e o novo SCADA de supervisão. O valor total do investimento foi de 2,8 milhões de euros. ALGARVE INFORMATIVO #508
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Joana Santos: uma história de superação e inspiração A judoca farense Joana Santos conquistou, em Tóquio, a sua terceira medalha de ouro em Jogos Surdolímpicos, repetindo o feito de Taipé’2009 e Caxias do Sul’2022. A auxiliar de educação, licenciada em design de comunicação, abraçou o desporto ainda jovem e garante que nada teria sido possível sem o apoio incondicional da família e do seu treinador de sempre, Júlio Marcelino. Aos 35 anos, não pensa em desistir, porque o judo é uma paixão, e porque sente que é uma inspiração para os jovens atletas não desistirem diante de limitações.
Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina ortugal voltou a estar representado ao mais alto nível nos Jogos Surdolímpicos Tóquio 2025, que decorreram, entre 15 e 26 de novembro, na capital ALGARVE INFORMATIVO #508
nipónica, juntando cerca de 3 mil atletas com deficiência auditiva, provenientes de cerca de 80 países e a competir em 21 modalidades. Ao todo foram 13 atletas portugueses de 5 modalidades e, entre eles, estava a farense Joana Santos, que se sagrou campeã surdolímpica pela 70
Joana Santos com o marido Helder Gomes e os filhos 71
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terceira vez, revalidando o título na categoria de -57 quilos e somando a sua quinta medalha em Jogos Surdolímpicos. A atleta do Judo Clube do Algarve de 35 anos suplantou a turca Buse Tiras no combate decisivo, depois de já ter vencido a coreana Eunji Seo, por ippon, e a venezuelana Mayerlyn Barreto Rodriguez, no ponto de ouro. Foi, assim, a terceira medalha de ouro em Jogos Surdolímpicos para Joana Santos, depois de Taipé’2009 e Caxias do Sul’2022, às quais soma ainda a prata em Sófia’2013 e o bronze em Samsun’2017. E pensar que, no início, foi para o ballet que Joana Santos entrou ainda criança, porque os pais cedo manifestaram a vontade da filha ter atividades extracurriculares e que levasse uma vida o mais normal possível, apesar de ser surda. “Ao fim de dois anos percebi que não queria ser bailarina, ALGARVE INFORMATIVO #508
sentia falta de mais energia e intensidade. Tinha o vício de trabalhar o corpo todo, aquela força bruta, e fascinava-me a mudança das cores dos cintos. Era tudo aquilo que eu queria”, conta a auxiliar de educação da Escola E.B. 2, 3 Santo António, em Faro. Assim começou esta caminhada há cerca de 26 anos e, à medida que Joana ia ganhando mais medalhas, mais a paixão pelo judo se intensificava, mais a motivação para vencer as adversidades era maior, sempre ao serviço do Judo Clube do Algarve e com o treinador Júlio Marcelino. “Já está quase com 70 anos e continua ao meu lado, acho que só se reforma quando eu terminar a minha carreira”, diz, com um sorriso. E como é que foi chegar a casa e dizer aos pais que queria ir para o judo, perguntamos. “Os meus pais sempre aceitaram as minhas 72
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Joana Santos e o treinador JúlioINFORMATIVO Marcelino ALGARVE #508
decisões e disseram imediatamente que sim. Aliás, para eles, não era uma opção eu ficar em casa sem fazer nada. Sabiam que, através do desporto, eu podia ter mais independência, e foi isso que aconteceu, fui ganhando mais autonomia à medida que ia crescendo. O ballet não era de todo a minha praia, nem sequer conseguia transpirar, andava ali de um lado para o outro. Eu era mais dinâmica, precisava de um desporto com mais agressividade”, recorda. A entrada para o Judo Clube do Algarve foi pacífica, Joana Santos nem sequer pensou se seria difícil comunicar com o treinador e com os colegas, queria era participar, independentemente de ter uma limitação. “Sentia, claro, que os ouvintes olhavam para mim, desperteilhes logo muita curiosidade por ser ALGARVE INFORMATIVO #508
surda, mas depois ficavam a pensar se era forte ou fraca. Com o tempo, perceberam que eu era tão forte como eles. Para mim, foi logo extraordinário”, conta a entrevistada. “Senti sempre que as pessoas tinham uma grande sensibilidade para falar comigo, que queriam que eu me integrasse no grupo. Comecei com jovens da mesma idade, de 9 e 10 anos, mas muitos deles não queriam seguir carreira no judo e eu, com o tempo, passei a integrar outros grupos que queriam realmente avançar mais”. Joana Santos abraçou o judo de corpo e alma, começou a participar em competições nacionais e a conquistar medalhas e quaisquer dúvidas que existissem se poderia ter sucesso nesta exigente modalidade, desvaneceram-se ao fim de alguns anos. “Se eu não tivesse 74
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ganho tantas competições, se calhar teria desistido, as vitórias deram-me alento para continuar. Mas nunca senti dificuldades na ligação com o meu treinador por ser surda, porque o judo é muito visual. Eu observava a técnica nos outros, põe a mão aqui, põe a mão ali, conseguia ver tudo. Se calhar os ouvintes, se não estiverem com total atenção, não conseguem acompanhar. O meu input era inteiramente visual, nada me distraia e, ao princípio, comunicava com o treinador através de códigos. Com os anos, ele tornou-se uma figura paterna, chorava comigo, ficava feliz comigo, ficava tão contente com as minhas medalhas, mas sendo sempre muito exigente. Foi bastante sofrido, nunca facilitou por ser uma menina surda, e a verdade é que cheguei onde estou no judo por causa dele”, assume. ALGARVE INFORMATIVO #508
“Devo tudo aos meus pais” A pergunta da praxe, como foi a primeira prova, o pavilhão em frenesim total, os gritos de apoio, as faixas dos clubes, uma parafernália de cores e sons… e Joana sem nada conseguir ouvir. Um cenário a que depressa se habituou, garante a farense. “Eu olho para a pessoa que está à minha frente no tatami, tudo o resto desaparece. Nas pausas olho exclusivamente para o meu treinador, nada mais existe. Em competições com ouvintes há muitas distrações. Claro que gostava de poder ouvir as mensagens de incentivo do público, da família, dos amigos, dos colegas, mas a verdade é que nunca ouvi. Para mim foi sempre silêncio… e assim não me distraio, não me desconcentro, estou completamente 76
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focada na minha adversária. Cheguei a usar próteses auditivas quando era mais nova, mas desisti, o meu ganho de atenção é muito maior no silêncio”, frisa.
superior, e as bolsas de estudo que obtive foram um apoio importante para seguir essa caminhada. Tirei o diploma, comecei a trabalhar, mas nunca larguei o judo”, relata a entrevistada.
Conciliar os treinos com a escola acabou por não ser demasiado complicado, era tudo perto e as competições eram ao fimde-semana. A vivência tornou-se mais difícil de gerir quando Joana Santos entrou para a universidade para tirar a licenciatura em Design de Comunicação, ainda para mais era a única aluna surda do curso, “mas nunca consegui desistir do judo”. “Quando terminei o 12.º ano, a minha mãe disse-me que gostava que eu fosse para a universidade tirar um curso para me ajudar no futuro. Ainda pensei em seguir o judo exclusivamente, mas os meus pais aconselharam-lhe a ter um curso
A bolsa que recebe do Comité Paralímpico de Portugal tem sido outro apoio fundamental para ajudar a atleta farense no seu percurso e, quando conquista medalhas em competições oficiais, recebe igualmente um prémio monetário. “Sem essas ajudas financeiras, seria mais difícil manter-me nas competições”, reconhece, lembrando que tem dois filhos. “Devo tudo aos meus pais. Ajudaram-me desde o início: primeiro quando era menina e estava a começar; depois enquanto estudava, treinava e competia; depois, quando fui mãe, tomando conta dos meus filhos quando
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ia para as provas. E, nas provas no estrangeiro, preciso ir mais cedo para descansar e adaptar-me ao ambiente”, esclarece. “As rotinas e os horários são muito rigorosos, tenho que ir dormir a determinadas horas, fazer certas dietas, e estar afastada dos meus filhos”. O marido e os filhos não escondem o orgulho no sucesso de Joana Santos, ALGARVE INFORMATIVO #508
apesar do mais velho, ao princípio, achar que era muito chato a mãe ir treinar quase todos os dias. “De repente, ganho a medalha de ouro e ele agora já tem idade suficiente (7 anos) para perceber o que isso significa, o que são as Olimpíadas. Ao mais novo (2 anos), não posso dizer que vou treinar, tenho que sair de fininho, para não ficar a chorar”, conta, confessando que já tentou motivar o mais velho para ir para o judo e a 80
que querem ir para o judo. “Quando chego aos treinos, elas olham para mim, veem que ganhei uma medalha de ouro e que sou surda. É importante que me vejam todos os dias a treinar e que percebam que isto é rotina, é prática, é disciplina. Evoluir como desportista também é representar o clube e ter orgulho nisso. Não nos podemos desleixar se queremos chegar a algum lado”, avisa a campeã surdolímpica. “Já é um orgulho participar em campeonatos nacionais, numa competição olímpica então ainda é um orgulho maior. Estamos ali a representar a Federação, a defender as cores de Portugal, e somos vistas como atletas iguais aos outros todos. Já estagiei com a Telma Monteiro e com a Patrícia Sampaio, estar na federação é um privilégio”, aponta.
resposta foi um «não» perentório. “Já me viu cair tantas vezes no tatami e, se calhar, pensa que estou a sofrer. Gostava muito que ele seguisse os meus passos, mas tenho que respeitar a decisão dele”. O filho não quer percorrer o mesmo caminho, mas Joana tem consciência de que é um exemplo, um modelo, uma fonte de inspiração para muitas raparigas 81
Joana Santos não nega que o futebol continua a ser o desporto-rei, o principal foco de atenções, mas não se pode queixar de falta de reconhecimento, foi recebida na Câmara Municipal de Faro e pelo próprio Presidente da República. E os farenses sabem que têm uma campeã olímpica no judo. “Mesmo quando vou a provas de ouvintes, os mais pequenos reconhecem-me logo, tentam comunicar comigo, pedem-me autógrafos. É importante que percebam que os surdos não têm nenhuma limitação, que existe uma comunicação diferente, mas que isso não tem que ser impeditivo para se fazer coisas. Nós pertencemos à mesma sociedade e somos tão competentes como os ouvintes. Se tivermos disciplina e rigor, somos tão bons como os atletas ouvintes”, garante. ALGARVE INFORMATIVO #508
Quanto ao futuro, aos 35 anos, terão sido estes os últimos Jogos Surdolímpicos de Joana Santos? “Ainda estou muito indecisa. Em Tóquio, o meu objetivo era ganhar até chegar à final e depois logo se veria. Agora, olho para a minha medalha, para o meu ouro, e não me é fácil pensar que vou desistir. Estou, de facto, bastante cansada. Foram muitos meses de trabalho, estou exausta, agora temos o Campeonato da Europa e ainda nem sei se vou participar. Acho que sim, quero continuar a ganhar. Depois, largar o judo nunca, porque a minha experiência também conta, não é? Tenho a certeza de que poderei ALGARVE INFORMATIVO #508
ajudar os meus colegas mais novos, trabalhar com as crianças. Ser treinadora não sei, mas participar nas atividades do clube e da federação, isso sim, com certeza. Porque adoro o meu clube e o judo, fazem parte da minha história de vida”, salienta, de olhos brilhantes, antes de deixar um conselho, como atleta e como mãe, aos mais jovens. “Desistir nunca, tenham ou não limitações, lutem para mostrar que são capazes”. O Algarve Informativo agradece a ajuda imprescindível da tradutora de Língua Gestual Portuguesa Leonor Paulino para a realização desta entrevista. 82
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Carlos Campaniço escreveu uma verdadeira odisseia sobre a luta pela sobrevivência do povo rural «A Cinco Palmos dos Olhos» é o oitavo romance de Carlos Campaniço, desta feita sobre a vida no Alentejo pós-25 de Abril, nomeadamente a luta pela sobrevivência do povo rural. O autor alentejano, radicado em Olhão há cerca de 30 anos, reflete sobre a sua herança cultural e as dificuldades enfrentadas pelas comunidades, incluindo o analfabetismo e a desigualdade. Um livro que é descrito como uma autêntica odisseia humana, retratando emoções universais que vão além do contexto histórico específico. Porque, apesar de várias obras de Carlos Campaniço estarem centradas no Alentejo, abordam temas humanos que ressoam amplamente, num romance que marca também o término de um ciclo literário dedicado à região que o viu nascer.
Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina arlos Campaniço nasceu na aldeia de Safara, no concelho de Moura, Alentejo. Ali viveu até ingressar na universidade para cursar Línguas e Literaturas Modernas, sendo também mestre em Culturas Árabe e Islâmica e o Mediterrâneo. Há cerca de 30 anos que vive no Algarve, mais concretamente em Olhão, onde é programador artístico. Os livros surgiram com naturalidade, tendo oito romances e um ensaio histórico publicados, os últimos cinco já sob a chancela da Casa das Letras do Grupo LeYa, designadamente, «Os Demónios de Álvaro Cobra», «Mal Nascer», «As Viúvas de Dom Rufia», «Velhos Lobos» e agora «A Cinco Palmos dos Olhos». Ao todo, foram seis livros dedicados ao «seu» Alentejo, num longo ALGARVE INFORMATIVO #508
percurso de narrador a querer contar os tempos do século passado, a luta pela sobrevivência do povo alentejano, que começou precisamente pela obra «Molinos». “Inspirei-me grosso modo na aldeia de onde sou natural e acabei por dedicar seis livros a retratar a vivência rural alentejana, as suas comunidades, a luta de classes, todo o imaginário coletivo e popular. Este é o fim de ciclo, um número considerável de livros focados numa região e numa época, mas que não são livros de continuidade, antes pelo contrário, são livros até bastante distintos entre si. É um remate desta minha tentativa de compreender o que se passou e, ao mesmo tempo, de demonstrar e explicar aquilo que se passou”, refere o entrevistado. Seis livros que incluem também um pouco das suas vivências de criança e adolescente, antes de rumar à universidade, das histórias que ouviu dos 86
pais e avós. “Sou herdeiro de uma comunidade, região e família e retive memórias fortes sobre esse tempo. O que se passou naquela altura foi muito revoltante e injusto. Não havia escravatura, mas havia uma grande servidão. Foi um período extremamente penoso, houve gente que calçou as primeiras botas, os primeiros sapatos, quando foi para a tropa. Havia crianças com fome, o analfabetismo era uma coisa incomensurável, havia medo e falta de emprego, não existam cuidados de 87
saúde nem segurança social”, recorda. “É quase como se fosse uma odisseia de um povo a lutar pela sobrevivência. Os meus livros não são políticos, nem sociológicos, nem historiográficos, são romances com uma localização específica, o Alentejo, mas acabei por retratar a humanidade em geral. O medo, as agruras, a fome, as alegrias, a raiva, são sentimentos humanos que não têm latitude, portanto, o facto de eu me cingir ao Alentejo, não torna as histórias apenas alentejanas. São histórias de como os seres humanos se ALGARVE INFORMATIVO #508
comportam perante outros seres humanos”, salienta Carlos Campaniço. Ora, «A Cinco Palmos dos Olhos» centra-se no período do fim da Guerra Colonial e no pós-25 de Abril, um período riquíssimo para um ficcionista, entende o escritor. “Para o ficcionista, o seu grande combustível são os sentimentos, as conjunturas e as pequenas histórias, mais até do que as grandes histórias. E, neste período, é muito ténue a linha entre a euforia e o desânimo total, entre o medo e a alegria e o contentamento”, descreve. “Naqueles dois, três anos a seguir ao 25 de Abril, uns já perceberam que não se vão cumprir todos aqueles ideais de revolução, outros ainda vivem efusivamente a revolução, outros estão em desânimo porque constatam que a revolução não se vai cumprir conforme ALGARVE INFORMATIVO #508
eles pensavam. Os que perdem estão com medo e mágoas, estão revoltados, mas, ao mesmo tempo, parece que vêm tempos que os animam. Há aqui toda uma mistura que se reflete nas próprias personagens do livro, que não são lineares, o tempo vai moldando os seus comportamentos”. Carlos Campaniço reforça, entretanto, que «A Cinco Palmos dos Olhos» não é um livro historiográfico, ou seja, não pretende resgatar nem reescrever a história. “O dia-a-dia das personagens, a sua lufa lufa, é de tal maneira intensa, que a história daquele período acaba por ser secundarizada. Os acontecimentos eram, de facto, enormes, transformadores, agitadores, mas o bulício daquela aldeia e o enredo entre as personagens, as suas características e histórias individuais, 88
acabam por suplantar a própria história e acontecimentos de então”, considera o entrevistado.
“Incomodam-me todas as injustiças” Perante esta descrição, percebe-se que «A Cinco Palmos dos Olhos» é um livro para todos, é uma obra universal sobre uma comunidade, sobre pessoas, sobre valores e características humanas. “Parte desta história poder-se-ia passar no Polo Norte ou nos Trópicos. É uma história que, embora tenha uma data e geografias específicas, não se baliza apenas ao Alentejo”, confirma, indicando que não teve que recorrer a nenhum estudo adicional para a sua elaboração. “Tentei ser rigoroso nalgumas datas para a história ser mais credível, mas não tive propriamente um período de investigação, até porque eu sou contemporâneo. A história começa em 1977 e termina muito próximo do ano 2000 e o meu maior auxílio foi, de facto, a memória. Nasci no Alentejo, quis contar nestes seis livros a odisseia pela sobrevivência de um povo rural, em que a terra era de muito poucos, o resto trabalhava sazonalmente e passava grandes períodos de fome, porque me incomodam todas as injustiças, haver bastança de um lado e miséria do outro, e hoje encara-se isso com alguma naturalidade. É esta inquietação, esta literatura de denúncia, que eu tento resgatar, e continuarei a escrever sobre outros temas que falarão certamente desta nossa condição humana”, antevê.
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Certo é que, quando escreveu «Molinos», em 2007, não lhe passava pela cabeça dedicar seis livros ao Alentejo e ao seu povo, muito menos escrever 9 livros. “Achava que seria muito difícil ter este percurso, trabalhar com a Maria do Rosário Pedreira, uma das grandes figuras da edição nacional, estar na LeYa, um dos dois grandes grupos editoriais de Portugal. Queria simplesmente contar uma história e, por isso, comecei pelo princípio, que foi escrever um livro. O resto veio por acréscimo”, reconhece Carlos Campaniço, sublinhando que as histórias iam surgindo e ele ia escrevendo livros. “Chegou, entretanto, um momento de viragem, para não me tornar repetitivo e porque há outros desafios. Os meus livros até são, do ponto de vista estilístico e estrutural, de rutura entre si. Nunca há uma continuidade, apenas fiz coincidir aquela geografia, no início até por uma questão de conforto pessoal, porque percebia como é que eram aqueles ciclos, a gastronomia, os comportamentos, o humor. No primeiro livro não precisei de inventar muito, bastou-me apenas recordar e contar com detalhe, explorar o pormenor”. Atenção aos pormenores e uma profusão de detalhes que são já uma característica da escrita de Carlos Campaniço, de modo que haja até quem descreva «A Cinco Palmos dos Olhos» como «uma escrita sensorial». “Se eu conseguir ter esse efeito, acho que é muito bom, porque o que nos interessa é ter o leitor embalado, que acredite na história e que não perceba que está a ler ficção. Se, de facto, consegue cheirar, ALGARVE INFORMATIVO #508
pressentir, sentir, quase viver a história, isso é gratificante para qualquer escritor”, considera o entrevistado, reforçando que ser autor, no século XXI, não é tarefa fácil. “Escritores que vivam apenas da escrita são muito poucos, e para alguns a coisa nem é famosa. Eu não sou escritor a tempo inteiro, trabalho, tenho filhos, vejo futebol, bebo umas cervejas com os amigos no café, e depois há uma parte do dia em que a leitura e a escrita tomam conta de mim e tenho ali a minha distração, o meu hobby. Não me revejo a estar o dia todo a escrever, a editar um livro ou dois por ano, a ter a obrigação de cumprir prazos e outras exigências. Escrevo sem quaisquer balizas temporais nem temáticas, depois os livros são revistos, a editora aconselha alterações, mas é uma liberdade absoluta”, descreve o alentejano. “Viver apenas da escrita é uma monocultura, viver só para aquilo, e eu sou muito diversificado nos meus gostos. A literatura é bastante importante para mim, é uma das partes mais visíveis de mim, mas eu tenho outros gostos e hobbies, uma diversidade de paixões que se perderiam se fosse escritor a tempo inteiro”, acredita. Tal não significa que não encare a escrita com absoluto rigor e exigência, aliás, 2/3 do tempo é para ler, reler, rever e corrigir. “Há uma primeira lavra, e depois há um processo de burilar em cima dessa escrita. Os prazos castram muito, acho que a escrita tem que ser pensada antes, mas também após. O texto tem que ser trabalhado e eu tenho tempo para fazer isso tudo. E, em termos profissionais, também faço uma ALGARVE INFORMATIVO #508
coisa que me agrada bastante”, afirma o programador artístico e cultural. “Não me acho um desgraçadinho por ter um trabalho e só nos tempos livres é que consigo escrever, pelo contrário, faço uma coisa diariamente que gosto e consigo completar isso com uma paixão formidável e com outras coisas também. A socialização com os amigos, ver uma futebolada, beber uma cerveja, estar com a família, o campo, a praia, 90
há tanta coisa que se pode fazer. Aquele indivíduo mórbido que passa os dias no escuro a escrever, não é um fato que me serve”, garante, com um sorriso.
“Parece que ter conhecimento é uma afronta” Carlos Campaniço é um homem da cultura, das letras, cresceu numa altura 91
em que as nossas portas para outros mundos eram os livros. Como é que vê esta nova geração que lê tão pouco e que passa os dias agarrada aos telemóveis, às consolas de jogos, aos streamings e tiktoks. “Antes de aparecerem as novas tecnologias, todos sabíamos das vantagens que havia em ler: o aumento do vocabulário, melhor desempenho escrito noutras áreas, até do ponto de vista recreativo e cognitivo. Era ALGARVE INFORMATIVO #508
aconselhável que se lesse. Hoje, vivemos tempos muito críticos e é, de facto, difícil competir com todas estas novas tecnologias. Novas tecnologias que já moldaram o cérebro para o imediatismo e para os estímulos rápidos. Tem que ser um vídeo, mas tem que ser um vídeo curto. Portanto, estar a ler uma história, levar 15 dias ou um mês para saber o fim do livro, eles não têm paciência”, observa Carlos Campaniço. “Hoje, parece que ter conhecimento sobre determinada matéria é uma afronta, o que tem alguma lógica é igualarmo-nos todos por baixo. Esperemos que seja uma moda passageira, as escolas já estão a tomar medidas proibindo o uso dos telemóveis, há países que, inclusive, proíbem o acesso às redes sociais até determinada idade. Mas falta fazer mais”, defende. “Penso que os alunos desde cedo deviam ter duas disciplinas, uma de língua portuguesa e outra de literatura portuguesa. Parece-me completamente aberrante que crianças da pré-escola e primeiro ciclo tenham logo inglês, porque, como é uma língua tão fácil de aprender, podia ficar para outro ciclo qualquer. Esse espaço podia ser ocupado com a literatura, estimular os miúdos para ler mais cedo. Isso só valorizava a nossa língua e literatura e acredito que os resultados podiam ser muito melhores do ponto de vista escolástico, e para combater esta nossa menor propensão para a leitura”. Está visto que Carlos Campaniço escreve porque gosta, não a pensar nos resultados comerciais, na fama. E, por isso mesmo, tendo «A Cinco Palmos dos Olhos» sido publicado há poucos meses, ALGARVE INFORMATIVO #508
a verdade é que já tem outro livro terminado há quase um ano. “De uma temática e geografia completamente diferentes, mas acaba por não estar desligado deste último, porque escrevi sobre a condição humana, uma matéria-prima que dá para sempre”, sublinha. “Continuo com estímulo para a escrita e para a leitura, tenho uma relação umbilical com os livros, dá-me tanto prazer ler como escrever. Quero ocupar o tempo recreativamente, com muita exigência e qualidade, mais uma vez andando eu em contraciclo, porque, hoje em dia, a literatura é bastante simplificada. Pensa-se que o leitor é muito tontinho, um contágio da literatura anglo-saxónica, que é mais linear. Eu tento que os meus livros tenham conteúdo literário, que haja literariedade, uma sugestão linguística e literária, que a linguagem seja ela própria um motivo de apreço e uma forma de prender as pessoas ao livro. E isso não é propriamente comum nos dias que correm”, lamenta. O próximo livro está concluído, Carlos Campaniço ainda não quer desvendar muito sobre ele, mas acredita que não dará origem a sequelas. “O objetivo é continuar a escrever e, neste momento, ainda não tenho o esqueleto para uma nova história. Os livros são produtos que precisam de cura e depois é que são comercializados. É um processo bom, porque há um desligamento entre o término do livro e a sua revisão final e, quando voltamos a ele, vemos o livro com outros olhos e corrigimos algumas coisas”, assume. “O que me confrange mais é ler-se cada vez menos, é haver menos espaço para a verdadeira 92
literatura. Toda a gente hoje escreve um livro, há uma miscelânea entre o que é um autor e um escritor. Como é que cozinha? Como é que não cozinha? Como é que defende pênaltis? Se forem figuras públicas, aquilo vende logo. Há cada vez menos crítica literária, há cada vez menos espaço comercial nas montras, nas estantes. Isso incomoda93
me porque vamos perder qualidades, vamos entrar pelo campo do facilitismo, dos livros que se leem em dois ou três dias”, declara. “Passamos os olhos pelos livros, quando acaba o livro não fica nada, e essa literatura está a ocupar muito espaço mediático e nas livrarias”, conclui, preocupado. ALGARVE INFORMATIVO #508
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JOÃO BAIÃO ESGOTO MUNICIPAL MARIA B EM OLHÃO, COM «B
Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina
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OU AUDITÓRIO BARROSO, BAIÃO D’OXIGÉNIO»
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os dias 28 e 29 de novembro, o Auditório Municipal Maria Barroso, em Olhão, esgotou as três sessões de «Baião D’Oxigénio», o novo espetáculo de João Baião, inovador, cheio de música, humor e energia contagiante. Desta feita, o público é convidado a espreitar os bastidores da criação artística, num divertido e inesperado processo de casting para encontrar os novos bailarinos do próximo grande projeto do conhecido humorista e apresentador de televisão. Entre passos de dança e coreografias, João Baião vai partilhando com os candidatos – e com o público – as suas ideias para o espetáculo que tem em ALGARVE INFORMATIVO #508
mente. Cada ideia ganha vida no palco, transformando-se em quadros surpreendentes e hilariantes, como se o espetáculo já estivesse a acontecer. Do teatro musical à comédia, da dança contemporânea ao delírio mais improvável, trata-se de uma viagem única pela mente criativa de João Baião, um verdadeiro espetáculo dentro do espetáculo, onde realidade e imaginação se misturam para criar momentos mágicos, cheios de emoção e gargalhadas. Mais um fantástico espetáculo com o talento e a energia inconfundíveis de João Baião e da sua companheira de muitas aventuras teatrais, a atriz Cristina Oliveira, muito bem acompanhados por talentosos cantores e bailarinos.
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TEATRO ANÁLISE DE LOU «A FÁBRICA» NO CINET Texto: Daniel Pina| Fotografia: Jorge Gomes
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ULÉ APRESENTOU TEATRO LOULETANO
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Cineteatro Louletano assistiu, no dia 13 de dezembro, à mais recente produção do TAL – Teatro Análise de Loulé da Casa da Cultura de Loulé, intitulada «A Fábrica». Num futuro distópico, os trabalhadores de «A Fábrica» estão presos a uma rotina implacável, onde o trabalho consome todo o seu tempo e não há espaço para reflexão ou fuga. A estabilidade do sistema começa a ser ameaçada quando um dos operários não aparece para trabalhar e falhas nas tarefas diárias começam a acontecer. A ordem, antes invisível, começa a ruir e o sistema, que parecia sólido, revela-se vulnerável. É então que uma pessoa do exterior chega para anunciar que a revolução já ALGARVE INFORMATIVO #508
está em curso, convidando os trabalhadores a juntarem-se ao movimento. Este convite força-os a confrontar a possibilidade de uma mudança radical e a questionar até que ponto estão dispostos a lutar pela sua liberdade e dignidade. À medida que a peça se desenrola, os trabalhadores vêem-se forçados a tomar decisões difíceis. A luta entre a segurança da rotina e o risco da mudança torna-se cada vez mais evidente, e cada um terá de decidir se está pronto para abandonar o sistema que sempre conheceu ou se vai continuar preso à sua condição. Com Texto e Encenação de Rui Raposo, «A Fábrica» é interpretada por Maria Farinho, Rui Raposo, António Pinto, João Santos, Milene Alves Maria, Natalya Demina, Daisy Varela, Julieta Estibeira e Arminda Raposo. A peça foi contemplada pela Bolsa de Apoio ao Teatro – Cineteatro Louletano / Câmara Municipal 124
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