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ALGARVE INFORMATIVO 27 de dezembro, 2025
1À CONVERSA COM LUÍSA CONDUTO | MARIA DA CONCEIÇÃO FESTEJOU 113.º ANIVERSÁRIO | FESTIVAL ALGARVE INFORMATIVO #509 EMERSIVO
MUNICÍPIO DE OLHÃO INAUGUROU PARQUE RIBEIRINHO POENTE E RENATURALIZOU AS TAPADAS | DE ROSE | JONAS
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Os GNR festejaram os 45 anos de existência com um estrondoso concerto no Cineteatro Louletano 3
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ÍNDICE Mirian Tavares (pág. 16) Fábio Jesuíno (pág. 20) João Ministro (pág. 24) Sílvia Quinteiro (pág. 28) Tomada de posse da reitora da Universidade do Algarve (pág. 32) Olhão inaugurou Parque Ribeirinho Poente e renaturalizou Tapadas (pág. 46) Festival Emersivo em Faro (pág. 56) Maria da Conceição festejou 113.º aniversário (pág. 66) Entrevista a Luísa Conduto (pág. 74) «Maça d’Adão» de Jonas no Cineteatro Louletano (pág. 90) De Rose no Choque Frontal ao Vivo (pág. 104)
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Do amor Mirian Tavares, professora Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. Carta de São Paulo aos Coríntios 13:1 Natal de um ano que passou, para mim, numa velocidade de cruzeiro. Parece que o Natal foi ontem, o filho estava aqui, e passamos juntos, como passamos juntos quase todos os natais. Fala-se que o Natal é um tempo, ou deveria ser, de amor. O que não se fala é sobre o que se entende, atualmente, quando se fala de amor. São Paulo, na Carta aos Coríntios, versículo 13:11, escreve: “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino”. Esta não é uma boa tradução, porque é dura, falta-lhe poesia. Mas diz-nos de nós, de quando somos crianças e de quando passamos a ver o mundo com olhos de adulto – talvez o mundo não mude, mas muda a nossa perspectiva. Muda a nossa experiência, aumentam as nossas memórias, diminuem as certezas. Como disse Santo Agostinho, “o tempo, se não me perguntam eu sei”. Eu sei do amor, se não me perguntam. Sei do que sinto, sinto quando sentem, acredito, cegamente, na sua capacidade de nos agarrar pelas mãos, de nos dar colo. Digo “cegamente” porque todo o ato de fé é um ato cego – acreditamos naquilo que
É
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não vemos, mas que queremos ver. O amor é qualquer coisa de macio, de acolhedor. O amor é o colo da mãe, mesmo quando a mãe já não está. É o que nos faz sentir confortáveis, acarinhados e protegidos. É o que nos faz sentir em casa. O filho disse que eu era a sua casa. Foi a mais bela declaração de amor que já recebi. Mas estou sempre a recebê-las, das amigas, das pessoas a quem amo e que me amam de volta, através de pequenos gestos, de uma mão que nos afaga, de um sorriso, de um abraço, de uma mensagem a dizer: estou aqui. Porque queremos isso do amor: que ele esteja sempre. Perder um amor é enfrentar-se com o real, é sentir a angústia profunda – um animal feroz que nos come por dentro. Para nossa felicidade, ou sorte, não existe apenas um amor. Há uma infinidade de hipóteses, há uma rede tecida de carinho, há um colo quente no fim do túnel ou no fundo do poço. Não sei se para todos, mas, como é Natal, espero que o amor habite em cada um de nós. Que seja infinito e que perdure, mesmo à distância, mesmo que sair de casa seja uma necessidade, mesmo que o colo seja outro ou vários. O amor, apesar de tudo, e depois de tudo, é aquilo que fica. 16
Foto: Isa Mestre
“4 O amor é paciente, prestante é o amor: não inveja, não fanfarrona, não se incha de vaidade; 5 não é indecoroso, não procura as coisas que são do interesse dele; não se irrita nem contabiliza o mal que lhe é feito; 6 não se alegra com a injustiça, mas alegra-se pela verdade. 7 Tudo aguenta, tudo confia, tudo espera, tudo suporta”. 17
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As tendências de marketing digital para 2026 Fábio Jesuíno, empresário marketing digital está em uma transformação acelerada, impulsionada por avanços tecnológicos contínuos, mudanças profundas no comportamento do consumidor e desafios globais que redefinem estratégias, métricas e canais de atuação. Considero que os próximos anos vão ser verdadeiramente «loucos» na área do marketing digital. Há uma incerteza real sobre o rumo do setor, não porque o marketing esteja a perder relevância, mas porque está a mudar mais depressa do que nunca, empurrado por novas plataformas, formatos e hábitos de consumo cada vez mais imprevisíveis. A cada trimestre surgem novas regras do jogo, da privacidade aos algoritmos, e as marcas vão ter de aprender a adaptar-se em tempo quase real. Ao mesmo tempo, estamos a assistir a uma implementação massiva da inteligência artificial nos processos de trabalho. A IA vai acelerar tarefas, automatizar decisões, otimizar campanhas e até ajudar a produzir conteúdo, tornando equipas mais rápidas e eficientes. Mas essa velocidade também traz desafios tecnológicos e estratégicos, dependência de ferramentas, uniformização de mensagens, excesso de conteúdo «correto» mas vazio, e a necessidade de reforçar a ética, a transparência e a confiança. ALGARVE INFORMATIVO #509
Ainda assim, há uma coisa que considero certa, a criatividade nunca poderá ser totalmente substituída por algoritmos. A criatividade humana é o que dá intenção, sensibilidade e significado às ideias, é o que transforma produtos em experiências e marcas em relações. É no olhar humano que nasce a originalidade, a coragem de fazer diferente e a capacidade de tocar pessoas de forma genuína, mesmo num mundo cada vez mais automatizado. Pesquisa conversacional e AEO (Otimização para Motores de Resposta) A forma como os utilizadores pesquisam está a mudar radicalmente de palavraschave fragmentadas para conversas naturais com assistentes de IA. Em vez do SEO tradicional, a prioridade para 2026 é a Otimização para Motores de Resposta (AEO), onde o objetivo é ser a resposta direta e confiável citada por plataformas de inteligência artificial. Renascimento da Autenticidade Humana Num cenário cada vez mais saturado por conteúdos produzidos por IA, o toque humano afirma-se como o principal fator de diferenciação. Os consumidores passarão a procurar ativamente marcas que evidenciem curadoria humana, bastidores autênticos e valores éticos claros, rejeitando conteúdos que soem artificiais ou excessivamente automatizados. A 20
abordagem mais eficaz será um modelo «híbrido»: recorrer à IA para ganhar eficiência operacional, sem nunca abdicar de uma voz de marca genuína e de relações verdadeiramente humanas com o cliente. Omnicanalidade Real (Phygital) A fronteira entre o online e o offline desvanece-se por completo, graças a uma integração fluida de dados entre a loja física e o ecossistema digital. O foco passa a ser uma experiência verdadeiramente unificada, em que o cliente é reconhecido e acompanhado em qualquer canal, permitindo que interações online (como ver um produto no Instagram) orientem o atendimento na loja física e que a experiência presencial alimente, de forma inteligente, a comunicação digital. 21
No próximo ano, fazer marketing digital é saber orquestrar tecnologia, dados e humanidade de forma inteligente. As marcas que irão destacar-se não serão necessariamente as que tiverem mais recursos, mas sim as que conseguirem alinhar três elementos, serem encontradas nas novas formas de pesquisa, construírem relações autênticas num contexto saturado por IA e oferecerem uma experiência contínua entre o mundo físico e o digital. Mais do que seguir modas, o desafio estará em fazer escolhas estratégicas, usar a inteligência artificial como alavanca e não como muleta, colocar a criatividade no centro das decisões. Quem conseguir combinar eficiência tecnológica com profundidade humana não só acompanhará as tendências de 2026, como estará melhor preparado para tudo o que vier a seguir. ALGARVE INFORMATIVO #509
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Novo ano, velhos problemas João Ministro, empresário e engenheiro do ambiente chegar ao final de mais um ano, assalta-nos um sentimento de frustração, resignação até, pelo que foram mais 12 meses de arrastamento de velhos problemas na região e no país. Pode parecer algo dramático e, porventura, exagerado, mas olhando em retrospectiva para 2025, é francamente confrangedor a inércia governativa face aos pequenos e grandes desafios da actualidade. Pressão costeira Após tudo o que já se disse e escreveu acerca de ordenamento do território e da necessidade em gerir meticulosamente a orla costeira, é com perplexidade que somos confrontados com a recente decisão da Câmara Municipal de Silves em autorizar (mais) um empreendimento turístico em Armação de Pera, junto à praia e em cima de arribas arenosas. Um projecto da década de 70, envolto num novelo de enredos e «estranhas» decisões governamentais, recebeu há semanas permissão municipal para instalar um hotel com 250 quartos, estacionamento e cave, piscinas interior e exterior, na única zona costeira daquela vila onde ainda havia umas réstias de falésias. Escusado dizer que este projecto, sob a famosa chancela dos ALGARVE INFORMATIVO #509
«direitos adquiridos», indo contra todos os princípios de boa gestão territorial, obteve os devidos pareceres favoráveis para a sua implantação. Casas amovíveis Sobre isto, já muita tinta correu e os resultados estão à vista. Milhares de casas amovíveis, cabanas e contentores existem instalados em zonas rurais e de sensibilidade ecológica, sem qualquer controlo ou licenciamento. Há casos escandalosamente gritantes e outros sensíveis do ponto de vista social. Mas nada acontece e como tal continuam a proliferar. As denúncias avolumam-se, mas caem no esquecimento e na inoperância das instituições. A situação é bastante grave e está prestes a chegar a um ponto de não retorno – se é que já não chegou –, com consequências imprevisíveis, incluindo de segurança pública. Basta lembrar o incêndio ocorrido este ano no Barão de S. João, em Lagos, no qual arderam dezenas de «casas» dessa natureza. Coesão territorial Continuamos sem uma estratégia clara – nem uma vontade expressa, diga-se – em tentar colmatar os problemas de falta de coesão territorial. O interior continua a definhar, a despovoar-se e o litoral a encher e a massificar-se. Ao mesmo tempo que celebramos os dados do 24
continuam desprotegidas e a gestão dos espaços naturais é uma miragem. Os atropelos são constantes e pouco se consegue mudar. Mas temos, por outro lado, uma estratégia nacional, planos de co-gestão ou compromissos europeus assumidos com metas especificas a atingir até 2030...
turismo no Algarve e os recordes de afluência à região, temos municípios onde as crianças têm de despender várias horas por dia em deslocações para chegar às escolas de concelhos vizinhos por não as terem no seu. Aljezur, Monchique, Vila do Bispo e Alcoutim são disso exemplos. Num terço do território português, sobretudo as regiões do interior, os jovens têm de se deslocar mais de 40 quilómetros para irem à escola – nalguns casos mais de 100 quilómetros. Como refere um recente estudo desenvolvido pelo jornal Expresso e o laboratório de dados Nova Cidade, da NOVA IMS, as dificuldades de acessibilidade a escolas em numerosos concelhos do país, especialmente do interior, está a ajudar a «matar» essas terras.
Tudo isto é, no mínimo, paradoxal. Ao mesmo tempo a que assistimos ao arrastar destas e outras situações, somos regularmente informados e avisados por especialistas e estudos técnicos que apontam caminhos completamente diferentes. O recentemente publicado «Relatório do Estado das Regiões e dos Municípios», produzido pelo Comité das Regiões Europeu (CR), identifica como uma das suas principais conclusões a necessidade em que as cidades e as regiões façam investimentos de larga escala na adaptação climática, especialmente, em soluções baseadas na natureza. Também ali se exigem políticas específicas para manter serviços e oportunidades locais nos territórios rurais, como forma de contrariar os fortes declínios populacionais sentidos e criar alguma esperança de desenvolvimento para os mesmos. Ora, nada mais longe da realidade em que vivemos.
Conservação da Natureza Este é um «velho» recorrente tema, cujos problemas associados irão continuar por muito tempo, ainda que não faltem os discursos de conveniência ou os acordos internacionais para os resolver. Continuamos sem uma decisão sobre a futura (?) reserva natural da Lagoa dos Salgados. As áreas protegidas 25
E assim passam os anos, sem uma perspectiva de mudança no horizonte. Mas a esperança não morre. Estamos numa época fértil para esse sentimento e há que o preservar. Posto isto, é com sinceros votos de boas festas que me despeço e que renovemos a esperança para um 2026 mais sustentável e, já agora, mais pacífico e harmonioso. ALGARVE INFORMATIVO #509
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Inventário dos dias felizes Sílvia Quinteiro, professora
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onheci o Pedro no Algarve, em 1966, e, depois disso… ah, depois foi um turbilhão. Amor à primeira vista. Nunca mais parámos de nos ver. Diziam que era um amor de verão, mas enganaram-se: casámos em 1968, numa tarde de agosto, no aniversário do nosso encontro. Desejámos intensamente o primeiro filho. Nasceu o João. Um bebé lindo. No ano seguinte, veio a Maria e completou a família. Tem estrelas nos olhos, a nossa menina. Fomos felizes. Muito, muito felizes.
ensinar. Nunca quis outra coisa. Ainda agora tenho antigos alunos que me vêm cá visitar, veja lá. O meu marido gabavame a paciência. Era engenheiro. Vivíamos bem. Até ele partir, coitadinho. Que Deus o tenha em descanso.
— A senhora é algarvia, D. Isabel? — perguntei.
— Mariana. Sou voluntária, aqui no Centro.
— Sou. Mas o Pedro era daqui e ficámos cá por causa do trabalho dele. Quando nos aposentámos, voltámos para Quarteira. Foram bons tempos: à beiramar, sol, céu azul, calor… Aproveitámos bem. Os filhos e os netos iam lá muitas vezes. Dava para ir matando as saudades. Ajudámos a criá-los. São cinco. Uma casa cheia, sabe?
— Sou o Artur. Sobrinho-neto. A tia Isabel nunca teve filhos. Sou eu que a venho buscar para passar o Natal.
— Foi sempre dona de casa? — questionei, percebendo a felicidade que aquelas memórias lhe traziam.
— Sim, disse.
— Não, não. Cuidava deles, claro. Mas fui professora toda a vida. Adorava ALGARVE INFORMATIVO #509
Bateram à porta. Um homem, com cerca de trinta anos, espreitou pela abertura, deixando ver apenas parte do rosto. — Entre — disse — É o neto? Ela disseme que estava à sua espera. Estou só a fazer-lhe companhia. Estendi-lhe a mão:
— Nunca teve filhos? — perguntei, incrédula. — Não. Mas ela disse-lhe que tinha, não foi?
— E contou-lhe toda a história da vida com o Pedro, que conheceu no Algarve, o casamento, os meninos… que era professora e que o «tio» era engenheiro? 28
de forma tão serena… era difícil acreditar que pudesse ser inventada. — Que triste — murmurei, olhando para ela — perder a memória…
Assenti. Ele suspirou. — E deixe-me adivinhar: disse-lhe que a Mariana era um anjo e que a fazia lembrar a mãe dela.
— Não. Nem pense nisso. A tia Isabel está no seu perfeito juízo. E não é uma mulher triste. É uma mulher prática. Apenas decidiu que não ia acabar os dias agarrada a recordações que a magoam. E então escolheu viver com outras memórias. As que gostaria de ter tido. Um rapaz que conheceu na adolescência e com quem gostaria de ter namorado e casado. Os meninos que criou como se fossem seus e que ainda a visitam regularmente.
— Sim — respondi, atónita. Por entre um leve sorriso, explicou-me que a mãe da tia Isabel a espancava. Era alcoólica e expulsara as filhas adolescentes de casa. Ambas sobreviveram como criadas de uma família abastada do Porto. A mãe dele casou e saiu de lá aos dezoito anos, mas a tia ficou até à morte dos patrões: uma professora e um engenheiro, que tinham um filho e uma filha. Fiquei boquiaberta. A história narrada era tão completa e cheia de detalhes. Tinha-a contado com tanta naturalidade e 29
Aproximou-se da velha senhora, estendeu-lhe a mão e disse: — Está pronta, avó? Venho buscá-la. A D. Isabel levantou-se devagar, deu-lhe o braço e caminhou até à porta com o sorriso de quem vive numa história que finalmente lhe pertence. — Não lhe disse que o meu neto era um belo rapaz? É a carinha do meu Pedro. Feliz Natal, menina. — Feliz Natal! — retribuí. ALGARVE INFORMATIVO #509
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Nova reitora da Universidade do Algarve quer reforçar sustentabilidade, inclusão e investigação com projeção global Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina e Universidade do Algarve lexandra Teodósio é a primeira mulher a assumir a liderança da Universidade do Algarve e apresentou, no discurso de tomada de posse como reitora, uma visão estratégica para o mandato intitulada «Horizonte 2030», ALGARVE INFORMATIVO #509
com o objetivo de transformar a UAlg num referencial de sustentabilidade, inclusão e investigação com projeção global. A cerimónia decorreu no Dia da Universidade, assinalando o 46.º aniversário da instituição, a 17 de dezembro. Na sua intervenção, a nova reitora destacou, em primeiro lugar, o reforço de 32
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um modelo de ensino-aprendizagem mais sustentável, assente na inovação pedagógica. Em paralelo, sublinhou a necessidade de promover investigação transdisciplinar, centrada em ecossistemas estratégicos como a economia azul e a abordagem One Health. Nesse contexto, reconheceu o legado dos reitores anteriores – com destaque para Paulo Águas e Manuel Gomes Guerreiro – e lançou à comunidade académica o desafio de uma mobilização coletiva para responder aos principais constrangimentos da região, nomeadamente os desafios demográficos e as limitações de financiamento. Neste enquadramento, a reitora adverte que, apesar dos avanços na internacionalização e na investigação, a UAlg continua limitada por 35
constrangimentos de financiamento associados ao estatuto do Algarve como região em transição, que reduz o cofinanciamento para 60 por cento (face a 85 por cento noutras regiões). A Universidade, garante Alexandra Teodósio, vai insistir junto do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) obtenção dos 40 por cento em falta para infraestruturas estratégicas, como residências universitárias, garantindo quartos de qualidade para estudantes bolseiros e a quota de 50 por cento no PRR. Em paralelo, acrescenta, prevê-se inovar na gestão das residências, rentabilizando períodos de baixa ocupação com iniciativas como Escolas de Verão, Programas Intensivos Mistos (BIPs) e parcerias regionais. Também o presidente do Conselho Geral da UAlg, Álvaro Beleza, através do ALGARVE INFORMATIVO #509
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seu discurso, enquadrou a tomada de posse como o início de um novo ciclo institucional, descrevendo-a como um «ponto de viragem», por ser a primeira vez que a Universidade é liderada por uma mulher. Além disso, sublinhou o significado deste marco como sinal de maturidade institucional e como mensagem inspiradora para toda a comunidade académica, reafirmando que talento, competência e visão devem ser o critério central. No mesmo alinhamento, foi destacada a sustentabilidade como a ideia estruturante do novo mandato, assumida não como conceito abstrato, mas como critério de decisão e estratégia transversal. A visão apresentada aponta, assim, para uma UAlg capaz de ser referência “para a região e a partir da região”, articulando impacto científico e responsabilidade, formação orientada para desafios interdisciplinares e colaboração ativa com autarquias, 37
empresas, organizações sociais e demais parceiros. O reitor cessante, Paulo Águas, despediu-se afirmando sentir a “missão cumprida” e sublinhando que, apesar de “nem tudo” ter sido possível, as decisões foram tomadas com “sentido institucional” e “transparência”. No balanço dos dois mandatos iniciados em 2017, destacou o aumento de 40 por cento no número de estudantes e de 50 por cento nos diplomados, bem como o crescimento das receitas, com a receita cobrada em 2025 a ultrapassar, pela primeira vez, os 100 milhões de euros. A terminar desejou os maiores sucessos a Alexandra Teodósio, “a primeira reitora” da UAlg e, simultaneamente, “a primeira aluna” a assumir o cargo, num “novo ciclo” que, referiu, traz desafios e energia para “reinventar caminhos”, encerrando com a frase: “As pessoas passam, as instituições permanecem”. ALGARVE INFORMATIVO #509
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Em representação dos funcionários não docentes, Nataliya Butenko salientou o papel dos técnicos e administrativos como “motor silencioso” da UAlg – a presença que acolhe, liga pessoas e serviços, garante o funcionamento diário e reforça a inclusão – defendendo, além disso, que o bem-estar e o autocuidado são essenciais para uma universidade mais coesa, empática e resiliente. Já o presidente da Associação Académica da UAlg, Tomás Silva, alertou para o subfinanciamento do Ensino Superior, que penaliza, em particular, as universidades descentralizadas, comprometendo condições essenciais para a permanência e o sucesso académico. Para o dirigente estudantil, “não é possível falar seriamente de coesão territorial enquanto as instituições de Ensino Superior fora dos grandes centros continuarem a ser 39
chamadas a cumprir missões acrescidas sem o financiamento adequado”. Por fim, em representação dos docentes e enquanto professor emérito, Adelino Canário sublinhou que a UAlg só continuará a afirmar-se se for aberta ao mundo, se apoiar de forma mais justa os estudantes – em especial os mais carenciados e os internacionais – e se reforçar a ciência e o ensino experimental, valorizando e motivando o corpo docente para garantir qualidade, inovação e impacto na região e no país. Alertou ainda que, para isso, “é necessário investir mais em ciência”: “Portugal investe abaixo da média europeia e o Algarve investe 3 a 4 vezes menos do que a média das restantes regiões do país, sendo que a demografia e o baixo investimento crónico podem pôr em risco a qualidade ALGARVE INFORMATIVO #509
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do ensino, a atração de estudantes e talentos e, consequentemente, a economia”, avisou. Em linha com a tradição do Dia da Universidade, a cerimónia foi igualmente dedicada ao reconhecimento do mérito e da carreira. Deste modo, o programa incluiu a entrega de medalhas e diplomas aos funcionários que completaram 25 anos de serviço, num gesto de reconhecimento pela dedicação e contributo para a construção e afirmação da instituição. Seguiu-se a entrega do Prémio Universidade do Algarve aos diplomados com mérito no ano letivo de 2023/2024, distinguindo os melhores estudantes e o seu desempenho académico de excelência. A sessão contemplou ainda a apresentação dos novos doutores da UAlg, sublinhando a importância da 41
formação avançada e da investigação desenvolvida na Universidade, bem como a renovação da massa crítica ao serviço da ciência e da região. No domínio da investigação e da comunicação de ciência, foram igualmente atribuídos o Prémio 3MT-UAlg e o Prémio Investigador UAlg, que valorizam a capacidade de síntese e divulgação científica, assim como a qualidade e o impacto da produção científica realizada na instituição. Houve, também, um momento dedicado ao agradecimento aos funcionários e docentes aposentados em 2025, reconhecendo publicamente o percurso e o compromisso de quem contribuiu, ao longo de anos, para o crescimento da UAlg. A cerimónia contou, por último, com dois momentos musicais, conferindo uma nota de celebração cultural ao Dia da Universidade e intercalando os momentos protocolares. ALGARVE INFORMATIVO #509
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Parque Ribeirinho Olhão Poente foi prenda de Natal antecipada Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina Município de Olhão inaugurou, no dia 22 de dezembro, o Parque Ribeirinho Olhão Poente, bem como as obras de renaturalização das Tapadas, assim se concluindo uma ligação da frente ribeirinha até às salinas de quase 4 quilómetros de extensão e que agora está ao dispor das famílias olhanenses. “Fazia falta concluir esta ligação. Passávamos por uma área que estava muito degradada, que não estava requalificada, e assim ganhamos uma ALGARVE INFORMATIVO #509
nova zona de fruição pública no concelho de Olhão, para os nossos munícipes, para os nossos jovens e suas famílias, e também para quem nos visita”, declarou Ricardo Veia Calé, presidente da Câmara Municipal de Olhão. Ora, a norte do Parque Ribeirinho Olhão Poente localizam-se as antigas instalações das oficinas municipais, o canil e os estaleiros da Ambiolhão, sendo que o canil foi, entretanto, transferido para o novo CROA – Centro de Recolha Oficial de Animais de Olhão e as oficinas da autarquia também já foram dali 46
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retiradas. “Falta somente tirar as oficinas da Ambiolhão e já hoje foi aprovada, em reunião de câmara, a empreitada para a requalificação final da Avenida 5 de Outubro, desde a rotunda do cavalo-marinho até à rotunda da entrada da cidade, não apenas da rede viária, mas também da rede pedonal e da envolvente paisagística”, revelou o edil. “Vamos privilegiar a utilização pedonal, inclusive com uma grande artéria central para a prática desportiva. Com isto demonstramos que estamos cada vez mais dedicados em fazer uma boa requalificação do espaço público, para que seja cada vez mais aprazível construir família e viver neste grande condomínio que é o concelho de Olhão”, reforçou.
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Aberto oficialmente o Parque Ribeirinho Olhão Poente, procedeu-se à inauguração da requalificação das Tapadas, num desafio conjunto do Município de Olhão e do Parque Natural da Ria Formosa que nasceu do empenho do anterior edil olhanense António Miguel Pina, agora presidente da Câmara Municipal de Faro. “Era uma vontade de longa data do nosso anterior presidente, foi pensada e desenhada por ele, e, em parceria com o Parque Natural, fomos construindo, ao longo dos anos, a solução que aqui poderia ficar”, destacou Ricardo Veia Calé. “Semana a semana, cada vez que tentávamos aplicar uma nova estratégia de intervenção, encontrávamos novos desafios. Como resultado final do empenho e dedicação de todas as partes envolvidas, Olhão deixou de ter uma zona degradada e de 48
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utilização um pouco duvidosa e ganhou uma zona bastante bonita, onde dá vontade passear. De certeza que Olhão vai passar a ter o melhor por-do-sol do mundo, com a Ria Formosa logo à nossa frente e com a maré a subir e descer ao longo do dia”, afirmou o autarca. “Temos grandes projetos para este espaço, incluindo um festival de jazz já em 2026 que vai ser uma referência a nível regional e nacional”, desvendou. A requalificação das Tapadas implicou um investimento na ordem dos 800 mil euros, ao passo que o Parque Ribeirinho Olhão Poente custou cerca de 1 milhão e 100 mil euros. Ou seja, cerca de 2 milhões de euros, com uma parte a chegar do Algarve 2030, indicou Ricardo Veia Calé. “Antigamente havia aqui muitas zonas escondidas, pouco iluminadas, que ALGARVE INFORMATIVO #509
causavam alguma insegurança às pessoas que faziam esta marcha pedonal em direção às salinas. Agora, com este espaço tão agradável, o movimento de famílias será muito maior, com várias zonas de estar e de lazer. Quanto à finalização da requalificação da Avenida 5 de Outubro, o objetivo é lançar o concurso já em janeiro de 2026, para uma empreitada de 2,3 milhões de euros com um prazo estimado de conclusão de 18 meses. Da BelaOlhão à Avenida 16 de julho já foi requalificada, assim como a zona entre o Grupo Naval de Olhão e o Real Marina Hotel, ficava por fazer o troço até à entrada da cidade. Ficaremos com uma das frentes ribeirinhas de maior dimensão do Algarve”, salienta o presidente da Câmara Municipal de Olhão. 50
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Emersivo conclui viagem cultural pelo país e anuncia regresso em 2026 Texto: Daniel Pina| Fotografia: Festival Emersivo/Mafalda Castro/Rebeca Fernandes Emersivo — Festival Itinerante de Cultura Emergente encerrou, de 6 a 8 de dezembro, o seu primeiro ciclo de cultura itinerante. Na última paragem, o festival inundou o IPDJ, em Faro, de um intenso e diverso programa cultural de música, performance e poesia que envolveu artistas das mais diversas geografias e influências numa partilha simbiótica da arte emergente. ALGARVE INFORMATIVO #509
Organizado pela associação A Tal Emersa e com produção da Epopeia Group, o festival consolidou a sua natureza itinerante com a chegada à capital algarvia depois das paragens anteriores em Louro (Vila Nova de Famalicão) e Vila Ruiva (Cuba). Nesta terceira paragem, o festival contou com a participação de Daphné Chenel, André Louro, Tomás., Kilavra, Hugo Costa, Jacaréu, FeMa, Sara Martins, Luís Ene, Marta Lima, Ana Tereza, Bárbara Pina, David Garcez, Tiago Marcos, Recante, JUG e Mirage People. 56
A par da programação artística, o festival acolheu ainda a tertúlia «Entidades públicas como agentes de disseminação cultural» no dia 6, que, moderada por Luís Caracinha (produtor do festival), contou com a participação de Elsa Cavaco (CCDR Algarve), Marco Lopes (Museu Municipal de Faro), Dália Paulo (Câmara Municipal de Loulé), Custódio Moreno (Câmara Municipal de Olhão) e Bruno Inácio (Câmara Municipal de Faro). No dia 7, a tertúlia moderada por Susana Monteiro (Radialista e Apresentadora) incidiu sobre a temática «O papel da comunicação social na educação de público» e contou com o contributo de Júlio Ferreira e Ricardo Coelho (Alvor FM) e Pedro Duarte (Jornalista e Radialista). No dia 8 de dezembro, a conversa debruçou-se sobre o tema 57
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«Emoção vs Razão na produção cultural» e numa conversa conduzida por Bruno Oliveira (Programador Cultural), contou com o testemunho de Luís Vicente (ACTA e Teatro Lethes), Célia Trindade (Atelier do Movimento), Fúlvia Almeida (ArQuente), Fernando Júdice (República 14), Pedro Bartilotti (Ginásio Clube de Faro) e Pedro Brandão (Algarve ao Vivo). Com este encerramento de ciclo em Faro, o Emersivo assume-se, não apenas como palco para criação emergente, mas também como plataforma de encontro, experimentação e diálogo cultural, reforçando a presença das pequenas e médias cidades no mapa da cultura contemporânea ALGARVE INFORMATIVO #509
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portuguesa. “O festival nasceu de uma premissa, que soava a utopia, de levar artistas emergentes de norte a sul do país cruzando as suas visões e influências numa celebração do novo, longe dos grandes centros culturais do país e sem seguir o caminho convencional de financiamentos”, explica a organização. “Deixamos uma salva de palmas a todas e todos que saíram de casa para irem à procura do desconhecido, um público que sempre soube acolher e que se deixou emocionar durante cada espetáculo”, acrescenta. O festival Emersivo regressa em 2026, anunciando já uma das paragens que fará no próximo ciclo. Assim, nos dias 22 e 23 de maio, o festival regressa ao Louro em Vila Nova de Famalicão para uma edição que promete mais talento e muitas novidades.
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Maria da Conceição, a portuguesa que soma mais primaveras, celebrou 113.º aniversário Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina ão Brás de Alportel viveu um momento simbólico e profundamente inspirador no dia 22 de dezembro, com a celebração dos 113 anos de Maria da Conceição, a mulher mais idosa de Portugal. A comemoração teve lugar no Lar de Terceira Idade da Santa Casa da Misericórdia, onde reside.
de dezembro de 1912, dois anos antes da fundação do concelho de São Brás de Alportel. É um testemunho vivo de mais de um século de história, tendo atravessado profundas transformações sociais, culturais e económicas em Portugal e no mundo. Na instituição onde vive, é afetuosamente tratada por «Rainha», conquistando todos com o seu espírito sereno, a sua lucidez e as memórias cheias de sabedoria que partilha.
Conhecida carinhosamente por «tiamenina», Maria da Conceição nasceu a 22 ALGARVE INFORMATIVO #509
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A super-centenária já tinha sido homenageada na Festa dos Centenários, uma iniciativa promovida pelo Município de São Brás de Alportel e pela Santa Casa
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da Misericórdia, e voltou a estar rodeado, nesta tarde especial, pelos principais responsáveis autárquicos do concelho e por muitos amigos da instituição.
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“Não estamos cá para vender promessas que não conseguimos cumprir”, avisa Luísa Conduto A habitação é um dos desafios mais prementes para a nova presidente da Câmara Municipal de Silves, Luísa Conduto, que lamenta a falta de recursos para dar resposta a uma situação cuja responsabilidade principal é do governo central. A edil critica, por isso, a propaganda que se fez sobre soluções habitacionais que depois não se concretizaram e frisa que a revisão do Plano Diretor Municipal é uma oportunidade para melhorar todo este cenário. Mas muito mais há para fazer no maior concelho do Algarve, que se estende da serra ao mar, da educação à saúde, da dinamização económica à cultural.
Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina uísa Conduto assumiu as funções de Presidente da Câmara Municipal de Silves há quase três meses, numa «casa» que conhece bem, uma vez que pertenceu aos três ALGARVE INFORMATIVO #509
anteriores executivos liderados por Rosa Palma. Contudo, se não há surpresas em termos de pastas e dossiers, a CDU deixou de ter maioria na Câmara Municipal, portanto, avizinham-se quatro anos de grandes desafios e de constante negociação para se alcançarem 74
consensos. “Realmente, não há novidades para nós enquanto executivo, porque é um executivo de continuidade de conhecimento, e com uma energia renovada para o próximo mandato. Ficámos os três com os mesmos pelouros que tínhamos, acrescidos dos restantes que eram do quarto elemento. Não será um mandato fácil e, enquanto executivo sem maioria, o que nos compete é ter capacidade de diálogo com os nossos opositores… e não quero crer que nenhum deles esteja cá para ir contra aquilo que for melhor para a população”, começou por dizer a nova edil silvense. Luísa Conduto foi a votos com um programa eleitoral e com compromissos com a população que pretende cumprir e espera agora encontrar uma oposição construtiva, “para que possamos trabalhar todos em conjunto, enquanto executivo municipal, para o melhor para o concelho”. E a habitação é, sem dúvida, um tema premente no país e em toda a Europa. “Deixou de ser um problema exclusivo de um concelho ou região e, não tentando sacudir as culpas, a habitação é uma competência que compete ao Estado Central e que não pode ser, à partida, apenas um desígnio de um concelho. Se assim for, deixamos cair por terra aquilo que é a coesão territorial e social”, avisa Luísa Conduto. “Não é um problema que deva ser resolvido pelo executivo A ou B e pela sua capacidade económica, é necessária uma política de habitação a nível central. A verdade é que, nos últimos anos, fez-se muita propaganda daquilo que é a resolução das questões 75
da habitação, mas, na prática, a realidade é outra. Até nós, executivo, somos munícipes, temos família, somos membros de uma comunidade. Não trazemos a nossa família para a política, mas obviamente que também sentimos os problemas da comunidade e a falta de habitação é algo que nos afeta a todos, desde os mais novos aos mais velhos. Com as pensões que temos em Portugal, é impossível para um idoso alugar uma casa, tal como é impossível para um jovem conseguir adquirir ou alugar uma casa no início da sua vida profissional”. A presidente da Câmara Municipal de Silves lembra que o parque habitacional público em Portugal corresponde a apenas 0,2 por cento da habitação disponível e que, “quando se pensou, com a velha máxima, que o mercado regularia e resolveria a situação, está à vista qual é que foi o resultado”. No que toca à Estratégia Local de Habitação, Silves até foi dos primeiros municípios da região a concluí-la, corria o ano de 2018. “Quando saiu a primeira legislação do 1.º Direito, e havendo realmente situações para resolver no imediato no concelho, fizemos uma estratégia sem na altura termos grande conhecimento sobre a matéria. Em fevereiro de 2019 aprovamos uma estratégia modesta e logo aí começaram os problemas, porque, supostamente, tínhamos dinheiro, mas na verdade não tínhamos dinheiro, e nem todos os municípios têm capacidade financeira para avançar com esses investimentos. Precisamos de uma política de habitação que seja exequível e que não se limite à propaganda feita pelo governo. O certo ALGARVE INFORMATIVO #509
é que os municípios que construíram as casas a contar com o financiamento prometido pelo governo, agora estão endividados”, sublinha a entrevistada. Em Silves, reviu-se então a Estratégia Local de Habitação inicialmente desenhada e que se limitava a 15 fogos, passando a contemplar a aquisição de 50 fogos, “e não queríamos repetir o que se fez com os antigos bairros sociais, onde se descurou a inclusão e a vivência das cidades”. “Tínhamos muitas casas abandonadas e a nossa visão era adquiri-las, requalificá-las e colocá-las no mercado a condições mais acessíveis à população, num total de 70 fogos. Também estava contemplada na nossa estratégia a construção de 40 fogos a custos controlados, mas isso não foi aprovado na altura pelo IHRU e ficamos sem o respetivo financiamento do PRR. No final, o PRR apenas nos financiou a 100 por cento 2 dos fogos que adquirimos, todos os outros foram financiados a 40 por cento no âmbito do 1.º Direito”, revela Luísa Conduto. Apesar disso, o executivo camarário pretende concretizar a Estratégia Local de Habitação que foi aprovada, está em procedimento a reabilitação de fogos e a vontade, agora, é avançar-se, mediante as possibilidades financeiras, para a construção. “Mas só o faremos, obviamente, se tivermos da parte do Governo a garantia de recebermos essa verba. Não estamos cá para vender promessas que não conseguimos cumprir e, se não houver compromisso por parte do Governo para essa construção, dificilmente a poderemos fazer”, alerta a entrevistada. ALGARVE INFORMATIVO #509
A habitação é um direito constitucional, o governo prometeu construir 26 mil casas, a população criou expetativas, mas Luísa Conduto até acha que não se mudaram as regras a meio do jogo, “o que mudou foi a conversa”. “No dia em que nós empenharmos todo o orçamento de uma Câmara Municipal na habitação, todas as outras competências que estão na nossa 76
alçada, e que são um direito a que as populações têm para a melhoria das suas condições, ficarão para trás. Precisamos ter muita atenção com os compromissos que assumimos com a população, para que depois não sejamos mais uns a defraudar as suas expectativas. E a alteração da lei do uso dos solos, é bom que se perceba que não foi feita para as autarquias poderem resolver a carência de 77
habitação, ou sequer para os particulares resolverem os seus problemas, mas sim para quem tem capacidade para construir grandes empreendimentos”, dispara, sem meias palavras. Ora, no Concelho de Silves estão 160 agregados familiares inscritos em situação de carência, o que, comparativamente com outros ALGARVE INFORMATIVO #509
concelhos, não é um número assim tão mau, “mas claro que isso não nos alegra, basta existir um agregado familiar a necessitar de habitação para ser problemático”. “O nosso compromisso é realmente não deixar passar nenhuma oportunidade que nos permita dar resposta às situações e ainda temos alguns solos na cidade para utilizar para construção de habitação. É algo que está contemplado na revisão do nosso PDM que queremos ALGARVE INFORMATIVO #509
fazer a partir de janeiro de 2026, mas é um instrumento que não está apenas sob alçada do município, antes pelo contrário, existe uma série de entidades que têm que dar os seus pareceres. A maior parte dos municípios do Algarve tem um PDM que vem de 1995, acho que somos o único concelho onde irá entrar em revisão já em 2026, mas convém esclarecer que não é possível construir em todo o lado, por uma questão das infraestruturas que são 78
necessárias para que exista habitação, como eletricidade, esgotos e água. Temos aqui uma oportunidade com a revisão e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance”, garante Luísa Conduto.
Um concelho dinâmico da serra ao mar Silves é, conforme referido, o maior concelho do Algarve, estendendo-se 79
desde a serra, na fronteira com o Alentejo, até ao mar, e durante muito tempo foi realmente Armação de Pera a «galinha dos ovos de ouro» da autarquia, graças ao boom turístico e imobiliário que conheceu. A Câmara Municipal tem, porém, trabalhado muito nos últimos anos para revitalizar todo o concelho através de diversos planos de pormenor e outros mecanismos de ordenamento do território, e assim ajudar a promover um crescimento económico mais harmonioso do interior ao litoral. “De facto, nos últimos 12 anos, este concelho de parado não tem nada. Temos Áreas de Reabilitação Urbana ativas em todas as freguesias, à exceção de Armação de Pera, e na cidade de Silves os resultados têm sido evidentes. Os incentivos que a Câmara Municipal dá ajudam a que as pessoas possam reabilitar as suas casas, já para não falar em todos os planos de pormenor que se encontram em desenvolvimento, e que, na maioria das vezes, as pessoas realmente não acompanham”, aponta a entrevistada. “A nossa Divisão de Ordenamento do Território, que tem sido gerido ao longo destes anos pelo vereador Maxime Sousa Bispo, atualmente vicepresidente, tem feito um trabalho espetacular. Estamos mais focados nesta matéria devido ao desordenamento que anteriormente existia, não apenas no Concelho de Silves, mas em todo o país, e principalmente na orla costeira, e temos feito aquilo que está ao nosso alcance. A dinâmica que se tem instalado nos últimos anos no nosso concelho tem sido mais do que visível a quem estiver interessado no assunto, disso não há a menor dúvida, e um ALGARVE INFORMATIVO #509
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desses exemplos é a Fábrica do Inglês. Durante muito tempo achou-se que dali não sairia nada e a realidade é que tivemos alguém que olhou para a cidade e para o concelho como um investimento apetecível”, destaca Luísa Conduto. “Mas existem muitos mais exemplos, aliás, os planos de pormenor que estão em execução nascem de propostas de promotores que estão interessados em investir em terrenos que são seus, de forma estruturada e ordenada, atempadamente e com o devido planeamento, para que não se verifique o tal desordenamento que durante anos assolou o nosso país. Olhamos para o nosso litoral e apercebemo-nos facilmente de todo esse mau ordenamento que aconteceu e, agora, enquanto autarcas, precisamos tentar minimizar o que está feito. Não podemos destruir, obviamente, e fazer de novo, mas, dentro das nossas possibilidades, há que tentar que os investimentos futuros sejam o mais ordenados possível”, defende. E numa região que há muito debate a necessidade da diversificação da base económica, Silves tem sabido trilhar esse caminho, pois não é apenas o Sol e Mar de Armação de Pera que gera receitas, mas também a agricultura, a laranja e os vinhos, as tradições, a história, a gastronomia, os campos do golfe e a pesca, os hotéis e o alojamento local. “É verdade, o nosso concelho é realmente extraordinário da serra ao mar, conseguimos agregar múltiplas atividades. Somos um concelho predominantemente agrícola, porque os nossos agricultores têm-se adaptado 81
às novas tendências e formas de produção. Temos um tecido agrícola que tem tratado os nossos produtos de forma profissional; temos as tradições do interior e do litoral; temos uma cidade de Silves famosa pelo seu património histórico e com cinco monumentos nacionais. Temos o Mar e o Sol, mas também a pesca, num território que recentemente recebeu o selo da UNESCO para o Geoparque Algarvensis, constituído pelos concelhos de Loulé, Silves e Albufeira”, salienta Luísa Conduto. “O processo teve início em Loulé, que a seguir convidou Silves e Albufeira, três câmaras municipais de três partidos diferentes, o que demonstra que os autarcas cada vez mais trabalham em conjunto, em parceria, com vista ao desenvolvimento dos seus territórios. O Algarve só se deve orgulhar de conseguirmos mais um geoparque da UNESCO, graças aos técnicos que trabalharam neste dossier e aos autarcas Vítor Aleixo, Rosa Palma e José Carlos Rolo que, à data, acreditaram que era possível, que já terminaram os seus mandatos, mas deixaram as suas sementes em cada um dos concelhos para que continuemos a trabalhar nesse sentido”, enaltece a edil. Realce igualmente para o Parque Natural Marinho da Pedra do Valado, que veio valorizar o recife que se encontra na baía de Armação de Pera, mas que também não se limita ao Concelho de Silves, abarcando ainda os concelhos de Albufeira e Lagoa. “Para além da preservação da natureza e da fauna marinha, implica também a valorização da nossa pesca e dos nossos pescadores. O parque não impede a ALGARVE INFORMATIVO #509
pesca, estamos, aliás, a garantir que essa maternidade de peixe possa produzir de forma natural e a assegurar, por essa via, um melhor pescado do que aquele que existia”, esclarece. “Muitas vezes, quando se fala em reservas ou parques, pensa-se logo em restrições, mas há uma conjugação daquilo que é preservação com aquilo que é promover a sustentabilidade da nossa pesca e daqueles que podem valorizar esta atividade tão nobre e que nos caracteriza a todos nós portugueses. Neste momento, o que está a faltar é a regulamentação deste parque, e esperemos que o nosso governo possa olhar de uma outra forma, quer para esta reserva, como para a outra que continua em standby, a Reserva da Lagoa dos Salgados”, apela Luísa Conduto. “O anterior Governo tinha realmente este dossier em mãos e fez força para que este parque visse a luz do dia, infelizmente, não estamos a verificar o mesmo empenho por parte do atual Governo”. Está, assim, comprovado, que o concelho de Silves está bem vivo, desde a serra ao mar, com projetos emblemáticos que podem contribuir de forma decisiva para o crescimento harmonioso e sustentável do território. Mas a presidente da Câmara Municipal de Silves chama a atenção para a necessidade da população «vestir a camisola» destes três parques e reservas, que se sintam parte deles. “Estas valorizações só fazem sentido se a própria população as puder incorporar, só assim é que veremos efeitos práticos destes dossiers”.
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Os problemas advindos da transferência de competências Dos projetos que fazem sorrir os responsáveis autárquicos passamos para áreas mais complicadas, a saúde e educação, com Luísa Conduto a assumir que “a transferência de competências não passa de uma transferência de 82
encargos e de ódios”. “Aquilo que mais uma vez compete ao Estado, passou-se para as autarquias, que têm que responder perante a população sobre praticamente tudo o que diz respeito a essas áreas. A Câmara Municipal de Silves até à data não assinou a transferência de competências da saúde, porque, ao contrário da 83
educação e da ação social – onde não havia hipótese de dizer «não», foram transferidas por Decreto-Lei – na saúde tínhamos oportunidade de assinar ou não os autos de transferência. Ora, não concordando com esse auto de transferência, não o assinámos”, afirma. “As transferências de competências devem ser negociadas caso a caso, ALGARVE INFORMATIVO #509
porque somos concelhos distintos e cada realidade é diferente. É verdade que ao longo destes anos houve algumas conquistas por parte da Associação Nacional de Municípios Portugueses, mas foram pequenas alterações que, na globalidade da questão, não fazem a diferença. Os municípios continuam a ter encargos muito superiores às verbas que nos são transferidas pelo Governo, basta ver como está o nosso parque escolar, com escolas construídas há 50 anos e que nunca foram alvo de nenhuma requalificação. Como é óbvi0, a população mais uma vez cria expetativas e, se agora é a Câmara Municipal que é responsável, é à nossa porta que vão bater a fazer exigências”. Enquanto o cenário não se alterar, a Câmara Municipal de Silves não aceitará ALGARVE INFORMATIVO #509
a transferência de competências na área da saúde, mas Luísa Conduto esclarece que, mesmo se isso se concretizasse, a autarquia não teria possibilidade de resolver a falta de médicos ou enfermeiros no território. “O que passa para a Câmara, tal como se verificou nas escolas, é a manutenção dos espaços e os encargos com o pessoal auxiliar. Não seriam as autarquias a gerir os centros de saúde, tal como não somos nós que gerimos as escolas. Nós seriamos responsáveis pela manutenção dos centros de saúde, pela aquisição de equipamentos de gestão corrente, não os equipamentos médicos, e pelos encargos com os operacionais”, explica. “Eu não me importo se for atendida num centro de saúde que tenha cadeiras menos confortáveis, preciso é de médicos. Com a transferência de competências 84
da educação, as pessoas acham que é tudo responsabilidade da câmara, quando nós apenas somos responsáveis pela aquisição dos bens alimentares e de limpeza, e por fazer a manutenção, mas há escolas onde não se resolvem os problemas com obras do dia-a-dia. Quem contrata professores é o Ministério da Educação, assim como quem contrata médicos e enfermeiro é o Ministério da Saúde”, esclarece. Luísa Conduto não fecha a porta à transferência de competências, desde que seja feita com os adequados meios financeiros, “e certamente que teremos capacidade para fazer melhor do que o governo, porque estamos mais próximos da população”. “No entanto, se deixarmos as coisas andarem conforme as disponibilidades financeiras de cada autarquia, não existe a tal coesão territorial e social que todos defendemos. Silves não é igual a Lagoa, Albufeira ou Portimão, todos temos especificidades próprias”, frisa. Apesar disso, Silves tem conseguido reabilitar o parque escolar do concelho, nomeadamente ao nível das E.B. 2,3, mas lembra que quem definiu quais seriam as escolas com maior prioridade para ser intervencionadas foi o Ministério da Educação. “Temos sentido dificuldades na concretização dos projetos porque o país está todo em obras, temos um PRR a terminar e o mercado não está a conseguir responder aos concursos que lançamos, muitos ficam vazios. Há duas escolas no concelho consideradas «muito urgentes», a primeira prioridade era a Garcia Domingues, em Silves, estamos a trabalhar no projeto há mais de um ano e em mais uns meses estará 85
em condições de ser concluído. Agora, o que não está em condições é precisamente a verba que nos está atribuída para a sua requalificação. O que estava previsto inicialmente eram 4 milhões de euros, mas olhando para o projeto da requalificação que tem estado a ser desenvolvido, nunca será menos de 10 milhões de euros, portanto, quem é que vai financiar o resto? Estamos a falar de escolas com 50 anos em que sairia mais barato deitálas abaixo e construir de novo. Mas não, estamos a trabalhar sobre uma estrutura com muitos anos que tem que ser adaptada às exigências atuais e à legislação em vigor, o que nos traz bastantes constrangimentos. E de onde vem o resto do dinheiro”, questiona mais uma vez Luísa Conduto. A verdade é que, seja nas escolas, ou nos centros de saúde, o Município de Silves procura estar sempre do lado da solução e fez o seu trabalho, de modo que, neste momento, está pronta para avançar a requalificação do Centro de Saúde de Alcantarilha e do Centro de Saúde de São Bartolomeu de Messines, e o Centro de Saúde de São Marcos da Serra vai ser deslocalizado para outro espaço. “O Centro de Saúde de Silves é o mais problemático, porque, ao contrário dos outros, não foi contemplado pelo governo no PRR nem em nenhuma outra fonte de financiamento. O projeto está entregue na Câmara, está pronto para ser lançado o concurso, falta o financiamento, e o montante previsto para esta obra supera os 1,2 milhões de euros”. ALGARVE INFORMATIVO #509
Um novo pavilhão desportivo sim, equipamentos culturais para já não No início da conversa, Luísa Conduto falou de um executivo de continuidade, mas com uma energia renovada. Assim sendo, o que tem sido bem feito é continuar, como é óbvio, mas de certeza que quererá fazer coisas novas, imprimir o seu cunho pessoal, ainda que os três vereadores permanentes do executivo já fizessem parte da equipa liderada por Rosa Palma. “Aqui não haverá sonhos da Luísa, mas sim da Luísa, do Maxime e do Tiago, porque pretendemos continuar a ser uma verdadeira equipa. Nos últimos 12 anos fomos uma equipa a trabalhar em prol do concelho e é assim que será no futuro”, responde a entrevistada. “E não somos apenas três, da mesma forma que, antes, não eramos apenas quatro, é sempre um coletivo. Temos mais de 20 obras a decorrer, mais de 40 projetos em carteira, uns já com concursos públicos lançados, outros em condições de avançar para concurso, trabalho não falta. O concelho nunca esteve parado, nem nunca tivemos obras feitas a pensar no período de campanha eleitoral. A realidade é essa, era visível, aliás, não há executivo nenhum que consiga ter sucesso se resolver só trabalhar no último ano a pensar nas eleições”, salienta a edil silvense. Obras no terreno são, portanto, muitas, e que não se fazem num ano, mas sim em dois ou três. Luísa Conduto admite, no entanto, a vontade de se avançar para um patamar superior. “Continuaremos a ALGARVE INFORMATIVO #509
falar do passado, porque só conseguimos viver e projetar o futuro quando temos presente o que foi o passado. Não nos podemos esquecer que, durante oito anos, pagamos muitas dívidas e, de certa forma, restabelecemos a credibilidade da Câmara Municipal de Silves e equilibramos as finanças. No último mandato conseguimos avançar com várias obras e projetos e, agora sim, achamos que podemos avançar para outros desígnios a que a população e o próprio concelho aspiram”, declara, falando em concreto da construção de um pavilhão desportivo multiusos que permita também acolher eventos culturais. “Não digo que seja uma realidade concreta no final deste mandato, mas queremos que tudo esteja encaminhado nos próximos quatro anos. Estamos agora a negociar o local para a sua instalação e só depois de termos o terreno é que poderemos avançar para a fase de projeto. Será uma grande obra para a cidade de Silves, mas há projetos para o concelho todo. Felizmente voltamos a ter oito freguesias e continuaremos a trabalhar em parceria com todas elas”, garante. No plano cultural, existem outros equipamentos que o executivo gostaria de criar, porque em algumas freguesias é complicado acolher determinados espetáculos. “Noutras, as associações e instituições das localidades têm espaços adequados a esses eventos e as coisas têm funcionado. Os equipamentos, como sabemos, têm custos elevados e temos que saber dosear os investimentos. Quando cá chegamos, o Teatro Mascarenhas 86
Gregório não funcionava, hoje está em pleno funcionamento, mas é verdade que temos que continuar a trabalhar no nosso público. A oferta cultural que temos tido ao longo destes anos sofreu um salto muito grande, mas há sempre mais a fazer e a melhorar. Fazer aqui um compromisso de construir novos equipamentos culturais será difícil, não está nos nossos planos imediatos, mas claro que tudo faremos para que a população continue a aceder à cultura”, frisa Luísa Contudo, recordando que “um povo sem cultura certamente não é um povo na sua plenitude”. “Vamos continuar a lutar para que a cultura possa fazer parte da vida de todos, de uma forma ou de outra, nas suas várias vertentes. Infelizmente, a cultura é sempre o parente pobre, fica sempre 87
para último, e isso depois também se nota em termos de educação”, desabafa. Em final de conversa, Luísa Conduto volta a pedir uma oposição que pense primeiro na população e depois nos partidos. “Embora tenhamos todos ideologias diferentes, formas de estar e de pensamento distintas, o objetivo é o mesmo, o bem da população. Não compete só ao executivo falar, também compete ouvir, é isso que a democracia deve ser. A CDU, quando chegou à Câmara Municipal de Silves, em 2013, também não tinha maioria, foi assim que a população decidiu em outubro, e é dessa forma que vamos trabalhar, sempre a pensar no melhor para o concelho”, assegura. ALGARVE INFORMATIVO #509
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CINETEATRO LOUL COM NOVO TRAB Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina
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açã d’Adão» é o novo álbum do compositor, autor, coreógrafo e fadista Jonas, um projeto que, em tempos de conflito e intolerância, celebra toda a riqueza cultural presente nas sonoridades do Fado. Numa viagem sonora que navega por entre influências gitanas, ibéricas, mouriscas e afrobrasileiras, entre outras, este Fado chegou ao Cineteatro Louletano, no dia 19 de dezembro, em toda a sua mundividência, um Fado que vai beber às suas origens e resgata a dança extinta do Fado Batido.
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Partindo do primeiro capítulo bíblico – Génesis – todo ele ligado à criação, «Maçã d’Adão» recupera, também, a dimensão mística do fado, no sagrado e no profano, e abraça uma ideia de destino, de roda da fortuna e de oráculos, como a leitura das mãos, os búzios ou o tarô. Este é o segundo disco do cantautor Jonas, um projeto único que reconstrói, reinterpreta e projeta dimensões do Fado que se foram perdendo ao longo do tempo. Num concerto eletrizante que fez as delícias do público, Jonas fez-se acompanhar em palco por Bernardo Romão, Hélder Machado, Fernando Queiroz, Lewis Seivwright, Tiago Valentim e Yami Aloelela.
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DE ROSE ENCERROU O AN AO VIVO EM PROGRAMA Texto: Vera Lisa Cipriano Fotografia: Vera Lisa Cipriano
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NO NO CHOQUE FRONTAL ESPECIAL DE NATAL
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programa Choque Frontal ao Vivo, da rádio Alvor FM, despediu-se de 2025, no dia 18 de dezembro, com uma edição especial de Natal que teve como convidado o músico De Rose. A gravação teve lugar no TEMPO – Teatro Municipal de Portimão, cujo pequeno auditório voltou a encher-se para uma noite de música e partilha. Perante uma plateia entusiasta, o artista conduziu o público por várias histórias e momentos marcantes do seu percurso, passando pela sua participação no The Voice Portugal e pelos temas que integraram bandas sonoras de telenovelas. O ponto alto da noite foi, no entanto, a apresentação ao vivo e em estreia de várias novas composições originais, entre as quais «Flutua», «Amiga da Joana», «Cristóvão Colombo», «Conto de Fadas», «Nosso Canto», «Maluco» e
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«Produto Nacional». A atuação ficou ainda marcada por uma versão rock com espírito natalício de «Chico Fininho», clássico de Rui Veloso, que conquistou de imediato o público presente. Em palco, De Rose contou com a cumplicidade musical de Gustavo Gonçalves, na bateria, e Pedro Barroso, no baixo, numa formação que garantiu intensidade e dinâmica ao espetáculo. O programa incluiu também a participação do enólogo Cláudio Correia, representante dos vinhos da Herdade do Rocim, que no final da emissão convidou os presentes a uma prova de vinhos. O momento de convívio foi complementado por salgados e doces típicos da época natalícia, gentilmente oferecidos pelas Pastelarias Delícias. O Choque Frontal ao Vivo regressa em 2026 com novas edições, prometendo continuar a dar palco à música, a outras expressões artísticas e a muitas histórias para partilhar com o público.
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