REVISTA ALGARVE INFORMATIVO #505

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ALGARVE INFORMATIVO

29 de novembro, 2025

IBÉRIA DA PERIPÉCIA TEATRO

ÍNDICE

Fábio Jesuíno (pág. 16)

Sílvia Quinteiro (pág. 20)

Paulo Neves (pág. 24)

Entrevista a Luís Encarnação (pág. 30)

The Great World Race em Altura (pág. 42)

«Entre Pratos e Vinhos» em Almancil (pág. 54)

«Ibéria» da Peripécia Teatro no Teatro Lethes (pág. 66)

«O céu não lhes responde» da EsTeEstação Teatral no IPDJ (pág. 84)

«Dançar em Azul» no Cineteatro Louletano (pág. 96)

Festival Pedra Dura em Lagos (pág. 112)

Web Summit 2025: 10 anos da festa da inovação tecnológica

Fábio Jesuíno, empresário

Web Summit 2025 transcende um mero evento de tecnologia, é uma celebração do futuro que assinala uma década de sucesso em Portugal.

Ao reunir mentes brilhantes de todo o mundo, converte-se num palco vibrante onde ideias revolucionárias ganham forma, movidas por uma contagiante energia empreendedora. A edição deste ano não só espelha as tendências globais, como inspira novas formas de pensar e criar, consolidando o papel central da tecnologia na construção do futuro.

É sempre muito motivante participar na Web Summit. É uma experiência única, carregada de energia empreendedora, especialmente para quem, como eu, trabalha na área das startups, do empreendedorismo e do digital. Continua a ser a maior conferência de tecnologia e inovação do mundo e, na minha opinião, também uma das mais bem organizadas.

A edição de 2025 da Web Summit em Lisboa voltou a transformar a cidade no grande palco mundial da inovação tecnológica, reunindo um recorde de 71 mil e 386 participantes de 157 países, incluindo 1.857 investidores de 86 nações (um aumento de 74 por cento face ao ano anterior) e 2 mil e 725 startups de 108

países, com forte ênfase na inteligência artificial e na ambição de Portugal se posicionar como potência global em IA.

Um dos grandes momentos deste ano, na minha opinião, foi o anúncio de que Portugal acaba de conquistar um lugar de ainda maior relevo no panorama tecnológico mundial. A Microsoft confirmou um investimento histórico, superior a 10 mil milhões de dólares, na criação de uma infraestrutura de inteligência artificial em Sines, reforçando o papel do país como um dos principais polos europeus da próxima geração de inovação digital.

A Inteligência Artificial voltou a ser o grande destaque, mostrando que deixou de ser apenas uma promessa de futuro, para se afirmar como uma ferramenta prática e omnipresente, marcando a transição para a era da «IA Agêntica» (sistemas de IA que atuam de forma autónoma, mas dentro de limites previamente definidos).

O evento destacou como a tecnologia está a evoluir de assistentes passivos para agentes autónomos capazes de antecipar necessidades e tomar decisões em tempo real, uma mudança que promete revolucionar a interação entre humanos e máquinas.

Para além da inovação técnica, o debate central focou-se na responsabilidade e na adoção humana. Figuras como Brad Smith,

da Microsoft, alertaram que o verdadeiro diferencial não estará apenas na infraestrutura, mas na rapidez e ética com que sociedades e empresas integram estas ferramentas, sublinhando a urgência de combater a exclusão digital. Setores industriais também ganharam protagonismo, demonstrando como a fusão entre gémeos digitais e IA está a transformar radicalmente a produção global, consolidando a ideia de que a tecnologia entrou numa fase de maturidade e aplicação real.

A vencedora do pitch deste ano voltou a ser uma startup portuguesa, a Granter, apoiada pela Fábrica de Unicórnios de Lisboa. A empresa conquistou o Pitch da Web Summit 2025 com uma solução de IA que simplifica o acesso ao financiamento público e às candidaturas a fundos

europeus. Fundada em 2023, apresenta-se como o primeiro agente de IA focado em financiamento público a nível mundial, já tendo apoiado a submissão de mais de 20 milhões de euros em candidaturas e contando com clientes de referência como a Marinha Portuguesa, a SONAE, o Grupo Fidelidade e a Fundação Champalimaud. A startup levantou recentemente 400 mil euros e pretende captar 1,5 milhões de euros até ao final do ano, reforçando a ambição de acelerar a expansão internacional.

Mais do que um evento, a Web Summit é uma vibrante comunidade global de empreendedores. Aqui, o networking, o debate e a partilha de conhecimento fluem naturalmente, cruzando todas as áreas onde o digital já é indispensável.

Como ler um artigo científico: um guia prático (ou quase)

stou eu no sofá, enroscada numa manta polar, chá fumegante na mão, lareira a estalar — a fazer o que qualquer utilizador das redes sociais faz por estes dias: espreitar as vidas alheias — quando, entre as imagens ternurentas de uma família feliz, com pijamas a condizer, a enfeitar a árvore de Natal e as de uma influencer a sugerir visuais perfeitos para a grande noite, me surge no feed um post com um esquema intitulado: Como escrever um artigo científico.

Na última semana de novembro, senhores. Com dezembro ali ao virar da esquina! Por esta altura, as pessoas normais só querem saber se as luzes do ano passado ainda funcionam, se já é socialmente aceitável pôr a coroa na porta e onde encontrar musgo para o presépio.

Quem diabo tem uma vida tão triste, ao ponto de desperdiçar os dias mais encantadores do ano a desenhar esquemazinhos com setinhas e quadradinhos para que os investigadores não se percam?

E, pior ainda: quem é que está preocupado em escrever artigos científicos nesta altura? Se é o vosso caso — e se planeiam mesmo usar um desses

esquemas — deixo-vos uma dica em forma de pergunta: Já viram algum grande investigador assinar esses rabiscos que supostamente ensinam outros a escrever? Acham mesmo que quem sabe tem tempo — ou paciência — para andar por aí a distribuir prendinhas metodológicas em modo Pai Natal académico? Vamos lá ser sérios.

E o mais deprimente é haver quem siga religiosamente estas instruções. Pobres almas. O resultado? Milhares, milhões de sequências de frases produzidas por duendes obedientes: alinhadas, impecavelmente pontuadinhas (valha-nos a Inteligência Artificial). É certo que às vezes o conteúdo… mas como recusar as receitas preciosas que lhes entram pelo monitor? Conselhos tão certeiros e infalíveis como os das cartomantes que, a partir de um T0 muito bem localizado onde Judas perdeu as botas, garantem saber como ganhar a lotaria; ou os dos iluminados autores de livros de autoajuda que mal conseguem sair da cama, mas ensinam a meio mundo como despertar o seu «potencial infinito».

Quanto a receitas para escrever artigos, estamos, portanto, conversados. A grande questão por resolver — e à qual ainda ninguém dedicou a devida e urgente atenção — é saber como ler estas pérolas da sabedoria moderna, estes frutos

gloriosos da Academia. Uma missão hercúlea, mas alguém tem de a assumir. Eis, pois, o meu modesto contributo, com o rigor que a matéria exige. Ou, pelo menos, com o mesmo rigor, labor e seriedade que sustentam mais de 90 por cento destas irrepreensíveis e absolutamente fiáveis fontes de conhecimento.

Dispenso os esquemas e avanço diretamente para os tópicos. Fica tudo mais explicadinho.

1. Título: Ler sempre para ter uma ideia do assunto tratado. Em princípio, andará lá por perto.

2. Autores: Um só? É um mártir. Dois? O primeiro escreveu, o segundo (hierarquicamente superior) achou por bem assinar também. Três ou mais? É o caos: orientadores, editores, diretores de departamento, outros chefes (que como é sabido, são sempre mais do que os índios), respetivos familiares e amigos… pura lotaria.

3.Resumo: Não ler. É uma espécie de trailer concebido para garantir aos mais curiosos que o artigo é a última bolacha do pacote.

4. Introdução: Trata-se do resumo em versão alargada e mais adjetivada. Podem passar adiante sem culpa.

5. Metodologia: Serve, na maioria dos casos, para ajudar o autor a atingir o número de caracteres exigido pela revista. Ignorem.

6. Estudo de caso: Ler o título para perceber qual foi o objeto de estudo. Se parecer absurdo, desnecessário, ou francamente tolo… o melhor é confiar na intuição. Costuma estar certa.

7. Conclusão: Chama-se conclusão, mas é, na verdade, um resumo um pouco mais alargado. Se o tema do artigo vos interessar mesmo, estes são os dois parágrafos a ler.

Posto isto, e confiando numa estatística feita cá por casa — somos quatro, mas podíamos ser quarenta mil que tenho a certeza de que o resultado seria o mesmo — lembro que apenas 10 por cento dos artigos merecem ser lidos de fio a pavio. Uns mais brilhantes que outros, claro. Mas, ainda assim, trabalhos sérios.

Guardem, pois, o vosso tempo para estes. Escapem a longas horas de sofrimento desnecessário. E, já agora, não se esqueçam de que, enquanto vocês se martirizam com leituras inúteis, há quem esteja confortavelmente instalado a embrulhar presentes, a fazer laços com fitas coloridas, e a provar o primeiro bolorei da época.

Façam como eles: deixem os artigos em paz e entreguem-se ao espírito natalício!

Pare, escute, olhe – atenção, 2026 vem aí
Paulo Neves, «ilhéu», mas nenhum homem é uma ilha

expressão, em título, adaptada da sinalética das passagens de nível dos Caminhos de Ferro pretende, desde logo, chamar a atenção que o Algarve, em 2026, poderá começar a viver uma revolução nos transportes, considerando a introdução do material circulante em modo elétrico, por toda a linha regional do Sul que já ficou preparada para o efeito.

Os transportes, a seguir ao problema da habitação, será, com a qualidade do emprego e a saúde, o fator determinante para a qualidade de vida dos cidadãos na região.

E, pelo menos nos transportes, poderemos ter um enorme avanço positivo se, associado ao modo elétrico e qualidade das carruagens, cada um dos municípios e a AMAL, enquanto autoridade regional do sector, fizerem integrar a renovação das respetivas concessões rodoviárias entre si em termos de horários e frequências, para aumento das acessibilidades, viabilizando a opção pública para a preferência da solução pendular casa-trabalho-casa dos nossos trabalhadores.

Também se espera que, em 2026, haja a conclusão das condições para lançar o

concurso do modo ligeiro de superfície, ou metro bus, no centro mais populoso da região entre os residentes de Olhão, Faro e Loulé, integrando a Universidade e ainda o Aeroporto.

Boas notícias, portanto.

Também na saúde, estou certo que, em meados de 2026, será submetido ao Tribunal de Contas o processo para a autorização do Novo Hospital Central do Algarve, para a seguir se tramitar o respetivo concurso público internacional, mais lá para a frente e em 2028 se poder, havendo concorrentes e não havendo impugnações que o façam tardar mais, fazer a consignação e, portanto, iniciar-se a obra. Verdade que, previsivelmente, só deverá iniciar a atividade depois de 2031, mas será um fator determinante para captar profissionais de saúde para a região.

Pois «as paredes não tratam das pessoas» e compreenderemos isso da pior maneira, até lá e mais além, atendendo ao massivo abandono previstos dos lugares de prestação de cuidados de saúde, considerando o desinteresse crescente pelo stresse no SNS, pelo incentivo à utilização da oferta privada em concertação com a idade de reforma e mais, sobretudo, com a possibilidade de não aderir ao serviço de urgência, que motiva a maior preocupação na região… e sugiro que se

dê a maior prioridade nos recursos e regeneração dos espaços, assim como na integração de cuidados com a modernização nos atendimentos primários.

Olhar com muita atenção, que pode mesmo piorar muito. Basta que acabe o atual voluntarismo da adesão dos profissionais que já estão desobrigados às urgências.

Na área da habitação, 2026 vai ser o ano do tira-teimas. Claro que não vão estar disponíveis já muitos mais fogos, além dos (comparativamente) poucos apoiados pelo PRR (até final de 2026) mas, ou serão lançados já os concursos públicos para, nos anos seguintes haver uma enorme produção e entrega de fogos a custos controlados, ou as promessas massivas vão soçobrar. Falhando o Governo, no seu vaticínio, de mais de 100 mil casas até 2030 e assim também os municípios.

obra, nem cumprir com os preços acessíveis em tempo.

Neste caso antecipo o maior dos receios. Não por ser pessimista, mas «não precisa tirar um curso» para se chegar à conclusão de que, mesmo havendo terrenos e havendo financiamento para tanta obra, não vamos conseguir mão de

Atentemos que o volume de obras públicas, para cumprimento do PRR, nas mais diversas frentes e áreas de novos equipamentos e infraestruturas e, ainda depois, a realização dos Programas Operacionais dos financiamentos UE 2030 (que poderão ser concluídos até dois anos depois), vão criar um maior aquecimento no mercado da construção e stresse acrescido às já reduzidas capacidades de resposta empresariais do setor nacional.

Sim, teremos mesmo que inovar nos métodos e soluções construtivas disponíveis e já, ou vai correr mal contra todos nós. E não será por falta de vontade política. Como alguém dizia - «É da vida». Antecipemos medidas, em 2026, no sentido necessário ou será tarde e perderemos, também e outra vez, mais financiamentos (neste caso do BEI).

A maior surpresa poderá ser, apesar das dificuldades de alojamento que tudo condiciona, o continuado crescimento regional do sistema de investigação e desenvolvimento (I&D). Sim, olhem o que se vem passando de há anos a esta parte de forma sustentada e surpreendente que motiva esperança na qualidade produtiva, na melhoria do emprego, na captação de quadros, e, portanto, na imagem regional, com impacto, não só na sua diversificação, mas também na qualidade do setor do turismo que se vem verificando.

A inovação, a introdução de tecnologias limpas e o cuidado com os impactos e racionalidade nas soluções de desempenho nos usos da água, na rega, nas relvas e utilizações de materiais e seus desenvolvimentos, assim como as novas ofertas de produtos de vanguarda para a alimentação, cosmética, farmácia, na biotecnologia e na saúde, como na investigação científica de base, está a provocar um fervilhar de soluções, de relação com as empresas e atração de investimentos, assim como no mercado de patentes futuras fantástica.

Sim, os fundos comunitários estão a ser bem alocados e utilizados. Sim, há aqui um novo ambiente.

Jovens adultos cada mais bem preparados, exigentes e focados serão o salto de futuro que a região muito precisa, mesmo se algumas das vezes não tiverem sucesso e em todas as ações o sentido do risco, o empreendorismo, darão lugar à nova tentativa e ao progresso.

Claro que se vai notar uma alteração da participação e na cidadania. Eventualmente com inicial maior individualismo ou menor sentido comunitário, certamente com maior exigência e sentido critico.

Faz parte, acostumemo-nos e adaptemo-nos, porque o que vier virá por bem.

Claro que no contexto internacional, que tanto nos impacta e aos quase 8 milhões de turistas que recebemos/ano e também à disponibilidade de capital e aos investidores, podemos influenciar pouco (além da segurança e paz interna), mas pode ser que não corra pior, pois já estamos «em modo de aflição» nos conflitos e na desregulação/instabilidade dos mercados. Muitos já vaticinam nova crise, recessão etc., mas já vamos percebendo que os ciclos cada vez vão sendo mais curtos e rápidos. Mas afastemos os pensamentos do que não controlamos.

Vai ser mais um novo ano, desafiante. Vamos a isso.

“Lagoa é uma referência, um motivo de orgulho, na cultura, desporto, educação e ação social”, enaltece

Luís Encarnação

uís Encarnação tomou posse, no dia 31 de outubro, como presidente da Câmara Municipal de Lagoa, na qual tem maioria no executivo, para o quadriénio 2025-2029, com o PS a ter igualmente maioria na Assembleia Municipal. E no caderno de encargos constam importantes investimentos na

habitação, na reabilitação das condutas de fornecimento de água ao concelho e na requalificação do espaço público, entre outros.

Os desafios são muitos, mas o cenário não amedronta Luís Encarnação, antes pelo contrário, “é uma forma de continuamos a pensar no concelho no presente e a projetá-lo para o futuro”. “Na Câmara, na Assembleia Municipal,

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

nas Freguesias, estão reunidas as condições para trabalharmos em prol de Lagoa e dos Lagoenses e, no fundo, é para isso que existe o poder local. É para isso que as pessoas votam e é isso que os munícipes esperam de nós, que trabalhemos para promover, desenvolver e tornar cada vez melhor o nosso território e esse é o nosso compromisso. Iniciamos um caminho em 2021 e é esse trilho que pretendemos continuar a percorrer, sempre atentos aos novos desafios que surgem no dia-a-dia”, declarou o presidente de câmara em início de conversa.

De facto, recuando até 2021, o executivo de Luís Encarnação definiu dois desígnios, a habitação e a água, e, nesta última área, já foram substituídas três condutas adutoras, construiu-se o Reservatório das Sesmarias, e outras obras foram concretizadas ou estão em andamento. “As condutas estavam obsoletas, sem condições, perdíamos imensa água, isto numa região onde a falta de água é um problema estrutural”, observa o entrevistado. “Construir habitação para os lagoenses é outra prioridade, aproveitando o PRR, mas a nossa Estratégia Local de Habitação não é apenas o 1.º Direito. Não construímos somente habitação social, mas também habitação a custos controlados, em particular para os jovens, e depois há que aproveitar a dinâmica dos privados, trabalhando com vários parceiros para que possam também construir habitação a preços acessíveis”, explica. “Lagoa tem a particularidade de ser muito apetecível para os interesses imobiliários, mas é

preciso construir habitação a um preço a que os lagoenses, os algarvios, consigam comprar. Claro que vivemos do turismo, e no curto e médio prazo não vamos encontrar outra atividade que nos permita não depender só do turismo, mas é preciso haver um equilíbrio entre a habitação que se constrói para fins turísticos – unidades hoteleiras ou alojamento local – e aquela que se constrói para habitação permanente dos cidadãos, dos residentes. Os lagoenses têm que ser a parte mais importante desta equação”, defende.

Um equilíbrio que, na hora da verdade, nem sempre é fácil de alcançar, até porque a procura é enorme, há projetos que estão contemplados pelo PRR, outros pelo Algarve 2030, os meios financeiros das autarquias não são infinitos e os próprios empreiteiros não têm capacidade para assumir todos os contratos. “É um cenário conturbado em que todos os municípios concorrem entre si e a falta de mão-de-obra também já começa a ser um problema estrutural no nosso país. Ao mesmo tempo, temos excesso de burocracia e uma grande dificuldade, às vezes, em perceber, em distinguir, o que é essencial do que é acessório. No concelho de Lagoa temos, neste momento, 43 habitações em construção em PRR, no âmbito do programa 1.º Direito. Dessas, 36 estão distribuídas por 3 lotes em Porches e, no máximo até maio do próximo ano, vamos entregar as casas aos lagoenses que precisam. E há mais 7 em construção em Lagoa, com prazo até junho de 2026”, indica Luís Encarnação.

“A custos controlados estamos a finalizar o projeto para Porches para podermos em breve lançar o procedimento. A ideia é contrairmos um financiamento junto da banca, construir entre 60 a 70 fogos, reservar cerca de 20 por cento para arrendamento acessível e alienar os restantes. Espero fazer o negócio no primeiro trimestre de 2026, já com o novo orçamento aprovado, para a aquisição de um terreno no Calvário, seguindo-se depois os projetos de arquitetura, especialidades e loteamento para construirmos mais 40 fogos, também para habitação acessível, custos controlados. Em Ferragudo pretendemos recuperar dois terrenos no Bairro Arade que são propriedade da autarquia e que estavam cedidos a outras entidades, para também aí construir habitação. Em paralelo, estamos a alterar a Unidade de Planeamento 1, que vai de Ferragudo ao Calvário, para que seja possível construir mais habitação”

Construir habitação em Lagoa, Ferragudo, Parchal e Calvário é, sem dúvida, uma prioridade para a equipa de Luís Encarnação para se fixar jovens, professores, profissionais de saúde, forças de segurança, e aos 43 fogos no âmbito do 1.º Direito juntam-se mais 12 casas que a Câmara Municipal está a recuperar. “Precisamos reduzir o número de famílias que não tem uma habitação digna para viver, seja pelo 1.º Direito, seja a custos controlados, a preços inferiores aos praticados pelo mercado, e há que criar condições igualmente para atrair determinados profissionais que Lagoa, e o Algarve,

precisam. Vamos disponibilizar uma bolsa que privilegie, dentro do regulamento existente, essas classes profissionais”, confirma o edil.

A disponibilidade de terrenos era tema, entretanto, para uma conversa específica, face aos muitos constrangimentos existentes. “Grande parte das áreas urbanas do Algarve não se podem expandir. Percebemos todos que há uma enorme carência de habitação na região, no país, no mundo, e depois temos leis que criam entraves à construção de habitação para as pessoas. Isso, no fundo, está a favorecer a especulação imobiliária. Num concelho como Lagoa, que tem uma forte apetência turística, é fácil perceber que é muito mais interessante para um investidor adquirir um terreno para construir habitação de luxo para a classe alta”, observa Luís Encarnação. “Em Lagoa estamos empenhadíssimos em procurar o equilíbrio entre as necessidades das pessoas e as questões ambientais e de ordenamento do território. É óbvio que há que criar oferta turística, mas temos que olhar também para o outro lado da balança, onde é que os lagoenses vão viver? A lei de reclassificação do uso dos solos era interessante, podia permitir que houvesse uma expansão da área urbana, mas tem uma série de limitações que, na prática, a tornam numa lei inócua. Conheço muito poucos projetos de habitação, habitação para os residentes, a custos acessíveis, que tenham avançado graças a essa lei que foi aprovada e que tanta celeuma e contestação originou. Na hora da verdade, essa lei nem veio incentivar a

especulação imobiliária, nem veio ajudar as pessoas que precisam das casas”.

Aposta no turismo desportivo, de natureza e no enoturismo

Os investimentos em torno do abastecimento da água têm sido visíveis um pouco por todo o concelho de Lagoa, até pela natureza e dimensão das obras, com Luís Encarnação a confessar que estas “são daquelas intervenções que nenhum autarca gosta de fazer quando está na parte final do seu mandato” “Foi das decisões mais difíceis que tive que tomar, juntamente com o meu executivo no anterior mandato, investir uma parte substancial do nosso orçamento nessa pasta, mas grande

parte desse investimento foi aprovado em termos de PRR e, felizmente, esse dinheiro já está a entrar na autarquia. O Reservatório das Sesmarias é um bom exemplo, uma obra de 2 milhões de euros, fundamental para o futuro do concelho, que iniciamos com fundos próprios. Depois, tivemos 60 por cento desse montante financiado pelo PRR e os restantes 40 por cento pelo Fundo Ambiental. Quem lá passa, se calhar, diz que é uma obra de muito mau gosto, as outras até estão enterradas, longe dos olhares das pessoas, mas são obras que precisavam ser feitas, apesar do muito dinheiro que envolvem”, assume o entrevistado.

Luís Encarnação revela que, em 2013, o nível de perda de água no Concelho de Lagoa andava próximo dos 50 por cento,

ou seja, metade da água que era comprada às Águas do Algarve perdia-se na rede ou não era faturada. “A água é essencial à vida e, no Algarve, a sua escassez já se tornou um problema estrutural, deixou de ser conjuntural. É verdade que a natureza foi muito generosa com o Algarve nos últimos dois anos hídricos, recompensou o esforço que estávamos a fazer, e isso permitiu-nos recuperar as nossas reservas de água – com as últimas chuvas provavelmente ultrapassamos os 70 por cento. Isso dá-nos uma margem de manobra para mais dois anos e espero que não haja nenhum retrocesso em projetos essenciais para a nossa região como a dessalinizadora, a tomada de água do Pomarão e outros modelos que é necessário

implementarmos para termos mais fontes de água”, declara o autarca, lembrando que a economia algarvia depende essencialmente da agricultura e do turismo e estes setores, como é óbvio, não sobrevivem sem água.

Por falar em desenvolvimento económico, Lagoa continua a viver quase exclusivamente do turismo, mas o vinho, a gastronomia, o enoturismo, têm dado fortes contributos no passado recente. “É uma preocupação de Lagoa diversificar a nossa base económica, mas essa questão tem que ser supermunicipal. Não há nenhum concelho que possa criar per si uma outra alternativa de desenvolvimento económico, é um trabalho que está a ser feito pela CCDR Algarve, pela AMAL, pela Universidade

do Algarve. Enquanto essa alternativa não existir, temos que continuar a trabalhar no turismo, porque é isso que cria riqueza no nosso território, que gera emprego e bem-estar, que faz com que as pessoas escolham Lagoa para viver, trabalhar e visitar”, afirma Luís Encarnação.

Ora, o «sol e praia» está perfeitamente consolidado e está em construção o quarto – e último – campo de golfe no concelho, porque Luís Encarnação entende que um território com 88 quilómetros quadrados fica muito bem servido com quatro campos de golfe.

“Temos vindo a apostar bastante no turismo ativo e desportivo e ainda no passado fim-de-semana organizamos os Campeonatos Nacionais de CortaMato, que encheram o concelho de Lagoa em pleno mês de novembro com mais de mil pessoas, entre atletas, técnicos, dirigentes, famílias. Daqui a algumas semanas vamos ter o Campeonato Europeu de Corta-Mato, organizado em parceria com a Federação Portuguesa de Atletismo, quase 2 mil pessoas que vão ficar apaixonadas pelas nossas praias, gastronomia e vinhos”, destaca. “Depois, vão estar milhares de pessoas de toda a Europa a assistir à prova pela televisão, a ver imagens do concelho, que certamente ficarão com curiosidade para visitar este território. E, quando olho, por exemplo, para a zona húmida das Alagoas Brancas, não é só uma questão de preservar aquele habitat, mas é também uma oportunidade para apostarmos no birdwatching” .

Em foco tem estado, sem dúvida, a produção vitivinícola no concelho de Lagoa, uma tradição quase milenar neste território, mas que, nas últimas décadas, tem ganho um fulgor acrescido e atraído mais e mais investidores. “Temos que aproveitar isso. Hoje, quando se fala de vinho no Algarve, pensa-se logo em Lagoa. Os vinhos de Lagoa foram para o Ultramar, andavam nos aviões da TAP, corriam o mundo, somos uma referência em matéria vitivinícola. Em 2016, quando fomos Cidade do Vinho, tínhamos 3 produtores, agora somos 12”, compara Luís Encarnação. “Pequenos produtores que apostam muito no enoturismo e isso é uma grande vantagem, porque, ao trazerem o consumidor até à porta da sua adega, estão a eliminar dois ou três intermediários. Lagoa preside à Associação dos Municípios Portugueses do Vinho, as próximas eleições são no dia 3 de dezembro e só vai uma lista a votos, portanto, vamos continuar bastante focados neste setor. Numa garrafa de vinho não há só sumo de uva com um determinado teor alcoólico, há cultura, tradição, o estilo de vida do sul da Europa, a Dieta Mediterrânica. O nosso território alia as praias, o bom clima, as horas de sol, os percursos e viagens pela costa, os campos de golfe, a excelência das unidades hoteleiras, à gastronomia e aos vinhos de excelência. Será graças a todas estas experiências que o Algarve vai continuar a crescer do ponto de vista turístico e só podemos distribuir riqueza se primeiro a criarmos”.

Requalificar e construir mais escolas neste mandato

Das condições naturais a conversa vira para as infraestruturas construídas, nomeadamente equipamentos desportivos e culturais, estabelecimentos de ensino e espaços de saúde. Luís Encarnação responde que, a par das já referidas áreas da habitação, água e dinâmica económica, há outras primordiais que nunca foram esquecidas. “Chegamos aqui em 2013 e, com muita humildade, não viemos descobrir a pólvora. Lagoa já era um concelho que trabalhava muito bem no desporto, no apoio à educação, na cultura, na ação social. Entendemos, porém, que nalgumas coisas era possível fazer melhor, noutras era necessário fazer uma restruturação e noutras era mesmo preciso mudar”, frisa o presidente da Câmara Municipal de Lagoa. E voltou a chamar a atenção para a importância que é acolher o Europeu de Corta-Mato. “Nos últimos três anos tive a oportunidade, a convite da Federação Portuguesa de Atletismo e da European Athletics, de visitar as últimas três edições do Europeu para prepararmos precisamente a prova de dezembro. Turim (2022) são quase 1 milhão de habitantes, Bruxelas (2023) é quase 1 milhão e 200 mil habitantes, Antália, no sul da Turquia (2024), quase 1 milhão e 400 mil habitantes. E agora, Lagoa, 24 mil habitantes. Este é um bom exemplo da aposta que o Município faz no desporto, com uma estratégia muito bem definida que assenta em três eixos: desporto para todos, desporto de competição e «Lagoa acolhe grandes

eventos». O desporto é importante para criar bem-estar na nossa população, mas também para ser um fator de dinamização económica”, sublinha.

Na vertente cultural, Luís Encarnação recorda diversos eventos-âncora que foram criados nos últimos anos, como o Lagoa Wine Show, o Carvoeiro Black and White, o Mercado de Culturas à Luz das Velas, o Festival Internacional de Guitarras, o Festival da Juventude. “Na educação, não precisávamos da descentralização de competências para trabalhar de forma muito próxima com as nossas escolas. Ficamos, sim, com mais responsabilidades e será uma das áreas em que vamos ter que investir neste mandato, com a requalificação da Escola Básica Jacinto Correia e da Escola Secundária ESPAMOL, que estão dentro do plano do governo enquanto obras muito urgentes. Mas temos também que construir mais uma escola primária em Porches para dar resposta às novas famílias que ali se vão instalar, assim como o Centro Escolar da Mexilhoeira da Carregação. É uma obra prioritaríssima, porque já vão começando a faltar salas de aulas em Lagoa”, adianta.

Já no plano da ação social, salta à vista o projeto da ADR Quinta de São Pedro, a Vila D’ADR, que deverá ser inaugurada em abril ou maio de 2026, com capacidade para 70 utentes. A requalificação da Santa Casa da Misericórdia de Lagoa já está concluída, vai avançar o apoio domiciliário e vai igualmente fornecer refeições comunitárias. “Estamos também a apoiar o Centro Popular de Lagoa e há a

perspetiva de se construir um outro lar em Porches. Hoje, uma família lagoense sente uma enorme dificuldade em encontrar um lugar para colocar um pai ou avô. A saúde é outra pasta fundamental e, no início de 2026, vamos arrancar com a requalificação do Centro de Saúde de Lagoa e trabalhar na Extensão de Saúde do Parchal, construindo uma nova instalação que esperamos que seja a sede da nova Unidade de Saúde Familiar para apoiar a zona poente do nosso concelho, para cobrir o Parchal, Estômbar e Mexilhoeira da Carregação. São áreas que têm uma população envelhecida, precisam de cuidados de saúde primários e não é aceitável, nos dias em que hoje vivemos, que em determinados dias não esteja disponível um médico de família ou uma enfermeira para tratar os lagoenses que não têm condições, nem monetárias, nem logísticas, para irem a outro centro de saúde”, desabafa Luís Encarnação.

O «faroeste» do Benagil, a segurança no Carvoeiro e as redes sociais

Lagoa está bem, mas pode estar ainda melhor, porque tem potencial para isso. O problema é que as necessidades da população são tantas, e surgem a um ritmo tão rápido, que os autarcas quase não têm tempo para projetar o território a 10, 15 ou 20 anos. Como é lidar com este cenário no dia-a-dia? “É, realmente, uma panóplia de desafios que se colocam a Lagoa e temos obrigatoriamente que responder a eles, mas são questões para as quais é

necessário um forte investimento. Queremos continuar a requalificar o espaço público e as acessibilidades, construir mais estacionamento em Carvoeiro, Ferragudo e na própria cidade de Lagoa. A 16 de janeiro vamos inaugurar o Parque Urbano do Parchal, antes disso será provavelmente inaugurado o Parque Urbano da Mexilhoeira, e queremos avançar para o Parque Urbano de Lagoa, junto à Escola Básica Jacinto Correia. O silo de estacionamento do Carvoeiro terá que estar obrigatoriamente no orçamento do próximo ano, com a requalificação do Mercado Municipal, e vamos retomar o silo de estacionamento de Ferragudo. E na cidade de Lagoa também será necessário mais estacionamento”, aponta o entrevistado.

Um dos principais desafios, porém, para Luís Encarnação, prende-se com a gestão da área litoral, admite. “A minha maior dor de cabeça enquanto Presidente da Câmara de Lagoa é o que é que eu faço com o Praia da Marinha e com o Benagil. Como é que eu resolvo aquele «faroeste». São matérias de muita complexidade, constituíram-se grupos de trabalho, aprovaram-se regulamentos, há legislação feita sobre a Praia do Benagil, mas não se resolve o problema. Continuamos a ter uma visitação excessiva de uma área que não tem capacidade para acolher tanta gente. A Praia da Marinha e a Praia do Benagil vão continuar a ser uma preocupação para este mandato, assim como a segurança na Praia de Carvoeiro, a maior sala de visitas do concelho”, diz o entrevistado. “Até ao

final do ano, princípio de 2026, vamos ter videovigilância no Carvoeiro, um projeto-piloto para depois se expandir a outras áreas do concelho. Temos cinco agentes na Polícia Municipal, mais outros cinco em formação, mas é difícil contratar efetivos para virem ganhar 860 euros, o valor que podemos pagar a um assistente operacional. Precisamos reforçar a segurança, o sentido de cidadania, ordenar o trânsito, a forma como vivemos a cidade”.

Desafios e mais desafios, dores de cabeça que nunca mais acabam, portanto, ser autarca é estar com «sentido de missão» ao serviço da população, concorda Luís Encarnação. “É com esse espírito que eu e a minha equipa aqui estamos para um novo mandato, com o compromisso de

continuarmos sempre a trabalhar em prol da nossa terra, procurando fazer o melhor para transformar Lagoa num território bom para viver, trabalhar e visitar”, garante. “Hoje é muito difícil corresponder às expectativas que as pessoas têm de nós, mas um concelho, uma comunidade, faz-se com a participação de todos. Há muitas formas de alertar e contribuir para o bem-estar da comunidade, não é preciso ir para as redes sociais simplesmente fazer críticas. Há vários mecanismos, ferramentas e meios para se comunicar com a câmara municipal e «nada cai em saco roto». Há sempre alguém que vai ler e fazer uma avaliação, todas as ocorrências chegam ao presidente, para se resolver as coisas prontamente”, assegura Luís Encarnação.

Altura representou a Europa na competição internacional

The

Great World Race

etapa europeia da maior e mais difícil maratona do mundo, intitulada

The Great World Race, decorreu pela primeira vez em Portugal, no dia 19 de novembro, na localidade de Altura, com cerca de 70 atletas de várias idades e nacionalidades.

O vencedor na categoria masculina da maratona foi o norte-americano Ryan Fleming, que fez a prova em pouco mais

de três horas e nove minutos, enquanto, na categoria feminina, o primeiro lugar foi entregue a Roma Puisiene, da Lituânia, com um tempo superior a três horas e trinta e nove minutos. Já na meiamaratona, o grande vencedor foi o irlandês Michael McDermott com um pouco mais de uma hora e quarenta e três minutos, sendo que, na categoria feminina, o primeiro lugar foi ocupado pela norte-americana Ellie Romnes, com pouco mais de duas horas e vinte e seis minutos. Um dos momentos mais marcantes desta etapa foi a participação

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Município de Castro Marim

das crianças das escolas do concelho de Castro Marim, que através da sua energia e animação transmitiram um apoio único aos atletas que estavam em competição, que se iniciou com a interpretação do Hino Nacional pela cantora Nádia Catarro.

Esta competição, composta por 7 maratonas, disputadas durante 7 dias nos 7 continentes do planeta Terra, colocou Altura, Castro Marim, o Algarve e Portugal em destaque a nível nacional, europeu e internacional. Os atletas começaram a prova na Cidade do Cabo (África), seguindo para a Antártida (Wolf’s Fang), passando pela Oceânia (Perth) e Ásia (Abu Dhabi), até chegarem a Altura, onde foram recebidos por um clima único, uma mistura de paisagens

naturais e urbanas, os areais algarvios e as tradições de Castro Marim como o sal e a flor de sal.

Esta é uma prova considerada como exigente e difícil para todos os atletas, que têm de se superar a si próprios, aos diferentes climas que enfrentam e aos vários locais escolhidos, cada um com a sua especificidade e características, ao longo de 42 quilómetros, o que torna esta iniciativa única a nível mundial. Estes atletas, a bordo de um avião que se torna num autêntico hotel para descansar o máximo de tempo possível antes da próxima prova, seguiram posteriormente para a América Latina (Cartagena) e para a América do Norte (Miami), onde termina a competição, que tem um valor de inscrição de cerca de 50 mil dólares.

Entre os atletas inscritos destacou-se Christian Brown Johnson, que aproveitou a sua participação nestas sete maratonas para tentar bater o recorde do livro do Guiness ao percorrer 50 quilómetros em cada continente, com o objetivo de sensibilizar para a causa da doença de Parkinson, suportado pela Fundação

Michael J. Fox, fundada pelo ator que interpreta um dos protagonistas do filme «Regresso ao Futuro».

A prova em Altura, que regressa no próximo ano, foi organizada pela Ice Cap Adventures, em parceria com o Município de Castro Marim e com o apoio do Clube Recreativo Alturense.

«Entre Pratos e Vinhos» passou pela Taberna by Lucia Ribeiro em Almancil

Comissão

Vitivinícola do Algarve promoveu, de 15 de outubro a 30 de novembro, a terceira edição do «Entre Pratos e Vinhos», iniciativa que convidou restaurantes e hotéis a valorizar a gastronomia e os vinhos locais. Nesse sentido, os restaurantes apresentaram menus exclusivos que harmonizavam pratos regionais com vinhos certificados do Algarve, enquanto os hotéis eram recomendados como sugestões de

estadia, reforçando o conceito «Comer, Beber e Ficar». O objetivo era dar visibilidade aos estabelecimentos participantes e promover a riqueza enogastronómica da região, num périplo que passou, no dia 19 de novembro, pela Taberna by Lucia Ribeiro, em Almancil, em mais um momento que celebrou a união perfeita entre sabores, tradição e identidade, neste caso com um Camarão à Taberna com texturas de abóbora, acompanhado pelo vinho Quinta da Pedragosa Branco, de Lagos, do produtor Rocim.

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

Formada em Gestão Internacional, em Londres, Lucia Ribeiro acabou por mudar de vida e dedicou-se à cozinha, tendo frequentado o Le Cordon Bleu e trabalhado com chefs com estrela Michelin. Em 2023 fez o soft opening de um restaurante em nome próprio em Almancil, o Taberna by Lucia Ribeiro (antigo Poço d’Almancil), e o conceito servido à mesa pela armacenense é o da comida tradicional algarvia… com um twist. “Sempre sem esquecer os produtos e sabores da região, inovo nas técnicas usadas e não descuro a apresentação. O menu, que varia ao longo do ano consoante as épocas, aproxima a serra e o mar enquanto promove a partilha”, descreveu a anfitriã deste evento, num restaurante cuja carta de vinhos tem mais de 80 referências, de norte a sul, passando pelas ilhas, e maioritariamente nacionais.

Um dos parceiros principais do «Entre Pratos e Vinhos» é o Município de Lagoa, daí não se ter estranhado a presença do próprio edil lagoense, Luís Encarnação, no almoço. “O vinho é um produto identitário de Lagoa, está milenarmente ligado ao nosso território, e nós acreditamos imenso no potencial deste produto endógeno. É um produto que ajuda a promover o nosso concelho, a trazer gente, sobretudo na época baixa. Trabalhamos muito o enoturismo porque, para quem aprecia o vinho e a gastronomia, não existe época alta ou baixa. Portanto, há aqui um forte potencial para nos ajudar a mitigar o problema da sazonalidade”, declarou Luís Encarnação. “Quem visita Lagoa, frequenta as nossas belas praias, prova a nossa gastronomia e

vinhos, tudo isto em total segurança e recebido de braços abertos pelas nossas gentes, dificilmente nos esquecerá na altura de decidir o próximo destino de férias, porque partiu de Lagoa, e do Algarve, com uma experiência rica. Esse é um dos motivos para o Município de Lagoa colaborar desde a primeira hora com a Comissão Vitivinícola do Algarve”, acrescentou.

Luís Encarnação reforçou que os Vinhos do Algarve têm excelente qualidade, como atestam as boas classificações obtidas em provas cegas e concursos internacionais. E acrescenta que o enoturismo continua a crescer de forma considerável no concelho de Lagoa. “Quintas que também criam espaços de alojamento e de degustação, onde podem harmonizar a gastronomia algarvia com os vinhos que produzem,

com destaque para a nossa casta rainha, a negra mole. É um caminho que começamos a trilhar em 2016, quando Lagoa foi Cidade do Vinho, que criou raízes e que continua a dar frutos”, enaltece o edil lagoense, que está feliz por cada vez mais se encontrarem vinhos algarvios na restauração e hotelaria, mas também na grande superfície, onde já é recorrente encontrar-se locais específicos para as

referências da região. “Os produtores acreditaram, os autarcas apoiaram no âmbito das suas competências e, claro, uma palavra especial para a antiga Direção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve, agora integrada na CCDR Algarve, e para a Comissão Vitivinícola do Algarve. Já ultrapassamos a barreira dos 60 produtores, com pequenas produções, é verdade, mas com uma forte preocupação na qualidade e nas experiências. E o reflexo disso é que, ao contrário do que acontece noutras regiões, no Algarve não se acumulam stocks, os nossos produtores

conseguem escoar os seus vinhos muitas vezes, como se costuma dizer, à porta da adega. Isso é uma mais-valia enorme e um incentivo para os produtores para que possam continuar a crescer, porque, se calhar, ainda temos muita área para cultivar vinho no Algarve”, frisou Luís Encarnação.

Algarve não sofre com a crise no mercado do vinho

Um dos convidados desta iniciativa do «Entre Pratos e Vinhos» no Taberna by Lucia Ribeiro foi precisamente Pedro

Valadas Monteiro, vice-presidente da CCDR Algarve, que prontamente admitiu que, há 20 anos, ninguém imaginaria o salto qualitativo que os vinhos do Algarve dariam. “A região estava completamente desprestigiada em termos de produção vinícola, era associada a um vinho de muito má qualidade. Agora, apesar de ser a segunda região vitivinícola mais pequena do país, tem conseguido trilhar um caminho de sucesso assinalável, fruto do empenho dos produtores, de um enorme

profissionalismo e inovação e de um grande trabalho ao nível da enologia”, enaltece. “E fruto também de um casamento cada vez mais perfeito com aquilo que são os pontos fortes desta região, nomeadamente com o turismo, o alojamento, a gastronomia, através do enoturismo. Há que louvar o trabalho que tem vindo a ser feito por várias entidades, quer públicas, como privadas, hoje tivemos aqui mais um evento da Comissão Vitivinícola do Algarve, e temos que felicitar a Sara Silva pelo constante trabalho realizado

em termos de divulgação, do puxar, do inovar. A CCDR Algarve tem também um contributo importante, por via da gestão dos fundos comunitários, nomeadamente através do Programa Operacional Regional e dos próprios fundos que são geridos pelo Ministério da Agricultura”.

Pedro Valadas Monteiro lembra que o Algarve continua a afirmar-se na vertente dos hortofrutícolas, nomeadamente da laranja e dos frutos vermelhos, mas o vinho assume um papel cada vez mais importante. O que não significa que já se tenha ultrapassado por completo o preconceito da hotelaria, restauração e grande distribuição, reconhece. “Há aqui logo uma questão de volume. Temos ao nosso lado uma região que é um colosso

em termos de produção, o Alentejo, e outras que também têm grandes volumes de produção, e que começaram muito antes este trabalho de marketing, de divulgação, de profissionalização. Mas o Algarve, apesar de ser uma região pequena, tem-se conseguido, pouco a pouco, ir desligando dessa má imagem que tinha”, aponta o vice-presidente da CCDR Algarve.

As pequenas quantidades produzidas são, de facto, um handicap na hora de se tentar conquistar outros canais e Pedro Valadas Monteiro dá o exemplo da exportação, onde o Algarve tem uma séria dificuldade porque é necessária escala e volume. “No próprio turismo, as centrais de compras estão localizadas

noutras zonas do país e trabalha-se em grandes volumes, muitas vezes com produtos indiferenciados. Apesar disso tudo, hoje em dia, 70 por cento do vinho do Algarve é escoado na própria região. Isso significa que há quem compra e reflete igualmente um trabalho interessante de divulgação desses operadores. Eventos como este são importantes porque chamam a atenção dos restaurantes para o facto do vinho, ele próprio, poder ser um fator de diferenciação, juntamente com a nossa gastronomia. Cada vez mais temos um turista que, para além do Sol e Praia, deseja experiências, e isso inclui a possibilidade de se poder vivenciar ou degustar um produto típico como o vinho algarvio. E somos das poucas regiões que têm uma casta autóctone, a negra mole, que, quando bem trabalhada, encaixa muito bem na tendência do mercado de buscar vinhos mais leves, com menor teor alcoólico”, frisa o dirigente.

Pedro Valadas Monteiro não tem, por isso, dúvidas nenhumas de que o Algarve já é reconhecido como uma região que sabe fazer bons vinhos e, olhando para a própria crise que o mercado do vinho está a sofrer, o Algarve está a passar relativamente incólume a ela. “Por outro lado, continuamos a ser a região onde é melhor pago o preço da uva por quilo ao produtor e também a que tem a maior cotação média em termos do escoamento dos seus vinhos. E isso é fruto de muito trabalho realizado ao longo dos últimos anos e de todas as parcerias que foram nascendo entre várias entidades e os produtores”, destaca.

Aposta do Algarve é nos vinhos premium

No final desta sessão do «Entre Pratos e Vinhos» no Taberna by Lucia Ribeiro, Sara Silva, presidente da Comissão Vitivinícola do Algarve, não escondia a satisfação por ver o evento a crescer, numa terceira edição que contou com cerca de 20 aderentes e que, neste ano, já incluiu a rubrica do «ficar», ou seja, promovia também a vertente do alojamento com alguma componente vínica. “Os restaurantes vão aderindo mais a este evento no qual não têm quaisquer custos e que também os promove numa altura mais baixa em termos de turismo. Da parte dos vinhos, claro que há também o interesse de se potenciar as vendas nesta época”, aponta.

Sara Silva recorda que todos os produtores que queiram plantar na região têm que se candidatar a direitos de plantação a nível nacional, algo que acontece sempre no início de cada ano, e em 2025 verificou-se um decréscimo no cômputo geral, ainda que menos sentido na região algarvia. “Mesmo assim, todos os direitos no Algarve foram concedidos, para cerca de 70 hectares de vinha, e todos eles vão ser concretizados efetivamente. A maioria eram produtores já existentes, mas continuam a surgir novos, e em locais não tão tradicionais, como em Vilamoura ou nas zonas limítrofes de Aljezur e Vila do Bispo. São pequenas produções de 3 a 4 hectares, mas às vezes chegam produtores de maior

dimensão, provenientes de outras regiões e que se querem instalar no Algarve”, descreve. “Em 2017 éramos cerca de 30 produtores, passados oito anos, estamos com 60 produtores. Cada ano aparecem 4 ou 5 novos projetos e a perspetiva é desse número ir aumentando de forma gradual e com um foco imenso na parte qualitativa. O nosso posicionamento é de vinhos premium, há toda uma seleção que é feita na parte produtiva com foco na qualidade, e isso não se coaduna com grandes volumes. Depois, o vinho não é um produto estandardizado, dependemos obviamente da natureza,

e há anos mais ou menos produtivos. Em 2024 atingimos a marca recorde dos 2 milhões de litros, este ano vai ficar eventualmente 15 por cento abaixo desse número, mas a natureza é mesmo assim. Um ano dá mais, outro ano dá menos, mas o mais importante é que os 60 produtores existentes estão efetivamente ativos, ou seja, têm vinhas a produzir e a gerar vinhos que são colocados no mercado. Se calhar, há 15 anos, tínhamos na ordem dos 25 produtores, mas a maior parte deles não colocava vinhos ativamente no mercado”, concluiu Sara Silva.

«IBÉRIA» DA PERIPÉCIA PARODIOU 1.000 ANOS ENTRE PORTUGAL E

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

PERIPÉCIA TEATRO ANOS DE HISTÓRIAS ESPANHA

cidade de Faro voltou a acolher, de 6 a 9 de novembro, o MOMI – Festival Internacional de Teatro Físico –Algarve 2025, certame da responsabilidade do JAT – Janela Aberta

Teatro de Miguel Martins Pessoa e Diana Bernedo que se tem vindo a afirmar como um dos mais relevantes palcos para a criação contemporânea em Portugal.

No dia 8, mais uma lotação esgotada no Teatro Lethes para assistir ao Peripécia

Teatro, uma cooperativa cultural sem fins lucrativos, fundada em 2004 e sediada na aldeia de Coêdo, em Vila Real, que assume a arte como espaço de encontro e transformação social, desenvolvendo criações originais com base na interpretação e circulação por contextos diversos – da praça pública ao palco internacional. Já apresentou o seu

trabalho em Portugal, Espanha, Brasil, França, Cabo Verde e Argentina e, desta feita, trouxe até à capital algarvia «Ibéria», uma comédia teatral irreverente, com humor e crítica social, que atravessa mil anos de histórias e estórias entre Portugal e Espanha.

A emblemática criação de José Carlos Garcia assinala os 20 anos da Peripécia Teatro, revisitando o espetáculo que a lançou/catapultou em 2004. Três atores dos dois lados da fronteira (Ángel Fragua, Noelia Dominguez e Sérgio Agostinho) sobem ao palco com música ao vivo (Bruno Mazeda), transformando o espaço cénico num lugar de riso, memória e reflexão. Uma viagem teatral que celebra as afinidades e tensões da Península Ibérica, entre fronteiras, absurdos e cumplicidades, onde a leveza do riso convida à profundidade do pensamento. Teatro de rua e de sala, elevado a arte –com assinatura de um coletivo reconhecido internacionalmente.

«O CÉU NÃO LHES RESPONDE» DA ESTE

ESTAÇÃO TEATRAL EMOCIONOU PÚBLICO DO MOMI

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

cidade de Faro voltou a acolher, de 6 a 9 de novembro, o MOMI – Festival Internacional de Teatro Físico –Algarve 2025, certame da responsabilidade do JAT – Janela Aberta Teatro de Miguel Martins Pessoa e Diana Bernedo que se tem vindo a afirmar como um dos mais relevantes palcos para a criação contemporânea em Portugal.

No dia 8, o auditório do Instituto Português do Desporto e Juventude encheu para assistir a «O céu não lhes responde» da EsTe – Estação Teatral,

companhia sedeada no Fundão e que nasceu, em 2004, da iniciativa de um coletivo de profissionais que identificava a premência de um projeto que dotasse uma região isolada com ações consequentes e que transcendessem a natureza de «Companhia de reportório» ou de «sala de espetáculos». As suas criações partem dos ensinamentos de ferramentas como a máscara, na inspiração em teatros tradicionais/populares, pela prática dos contadores de histórias, tendo uma perspetiva da encenação como elemento central, onde o texto é contemporâneo do ensaio.

«O céu não lhes responde» relata-nos, através do corpo, do gesto, das emoções, da simplicidade e do jogo cénico, o percurso de duas personagens em busca de uma oportunidade. “Ninguém deixa a sua terra de ânimo leve, mas noutro país é possível recomeçar. Alcançar as necessidades mais básicas pode ser extremamente difícil, a barreira da língua, o choque cultural e a desconfiança de quem os acolhe fazem com que chegar não signifique o fim da jornada”, descreve o encenador Tiago Poiares. Mas Saeed e Narine, magistralmente interpretados por

Samuel Querido e Joana Poejo, não desistem, procuram trabalho, procuram retribuir e integrar-se num país diferente. Um país que por vezes julga que a escolha foi deles e onde, por vezes, o céu não lhes responde.

O espetáculo foi criado a partir do projeto de mediação de públicos VERFAZER, desenvolvido com escolas do 1.º ciclo do concelho do Fundão no ano letivo 2021/22, e emocionou a plateia que, completamente rendida, não poupou aplausos à dupla de atores no final da peça.

DANÇA CONTEMPORÂNEA

LOULETANO SENSIBILIZOU

DA PRÓSTATA E TESTICULAR

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Jorge Gomes

CONTEMPORÂNEA NO CINETEATRO

SENSIBILIZOU

PARA O CANCRO TESTICULAR

Associação

Oncológica do Algarve organizou uma vez mais o espetáculo «Danç ar em Azul», no dia 9 de novembro, no Cineteatro Louletano, em coorganização com o Município de Loulé e com o grupo de dança Contemporâneo Fusion. A iniciativa inseriu-se no movimento internacional «Novembro Azul» de prevenção e consciencialização para o cancro da próstata e testicular e

constituiu um alerta para a importância do diagnóstico precoce. Além disso, o evento teve o objetivo de angariar fundos para a causa de luta contra o cancro e apoio ao doente oncológico e familiares.

Numa tarde muito animada, os elementos do Contemporâneo Fusion subiram ao palco de azul, lado a lado com bailarinos profissionais de outros grupos de dança convidados do Algarve e de Lisboa, que prontamente abraçaram esta causa.

FESTIVAL PEDRA DURA ENCANTAR E A CRIAR

Texto: Daniel Pina| Fotografia: João Catarino / Catherina Cardoso

DURA VOLTOU A PÚBLICOS EM LAGOS

Pedra Dura –Festival de Dança do Algarve regressou, de 4 a 9 de novembro, a vários espaços da cidade de Lagos, com uma programação que reuniu dança, cinema, música, oficinas e masterclasses. Na sua quarta edição, o certame convidou à pausa, à escuta e à resistência, com propostas que refletiram sobre o corpo, o coletivo e a urgência de habitar o tempo presente.

A programação contou com as estreias nacionais de Igor e Moreno, que apresentaram «Idiot-Syncrasy», uma performance de dança que usa o salto –tanto literal como metafórico – para explorar a ideia de preservar, cuidar e ter esperança; Dag Taeldeman & Andrew

Van Ostade mergulharam numa experiência de dança e música percussiva em «BodyBodyBodyBody»; «Fantasie Minor», de Marco da Silva Ferreira, foi uma performance dueto com Chloé Robidoux e Anka Postic que cruzou a dança urbana e música clássica, num jogo de força e fragilidade coreografado como um ritual de passagem; e «Crying Cycle 2», de Daniel Matos & João Catarino, uma vídeo-dança, que explorou o desapego, a repetição e o desejo de recomeço através de um corpo que chora nos olhos de outras pessoas. A edição deste ano celebrou ainda os dez anos da criação de Amélia Bentes, «Sem Chão Sem Fim», com a recriação da obra que marcou o seu percurso artístico.

Também sobre corpo e espaço, Marta Cerqueira trouxe «Over Our Heads», uma instalação coreográfica onde a audiência

era convidada a brincar, explorar e criar, tornando-se parte ativa da obra. Ainda no campo das criações nacionais, Inês Sybille & Malvin Monteiro apresentaram «O Nosso Lakou Digital», uma performance que evoca o espírito do lakou haitiano como espaço de resistência e memória, num diálogo pancaribenho entre corpos diaspóricos e arquivos fragmentados. Esta apresentação seguiu-se ao lançamento do jornal Coreia que destacou, na edição #13, diferentes formas de pensar o corpo, o gesto e o mundo, incluindo a tradução do manifesto do Pavilhão da Palestina na Bienal de Arte de Veneza (2024).

«Escola para Mutantes: Práticas de Estudos e Desejos», uma masterclass

orientada por Bernardo Chatillon, surgiu como um espaço-laboratório de criação coletiva. A partir do cruzamento entre movimento, escrita e oralidade, convidou participantes a uma prática intuitiva, entre o individual e o coletivo, a presença e a experimentação. O encontro entre dança e corpo estendeu-se ao cinema com a exibição de «Rebento», de João Sanchez. Em diálogo com a história da dança contemporânea, o festival apresentou ainda dois emblemáticos filmes de Thierry De Mey, em torno da coreógrafa Anne Teresa De Keersmaeker: «Fase» e «Rosas danst Rosas». Foi a evocar a importância de comunidade, encontro e da dança que a programação deste ano contou com apresentação do Rancho Folclórico e Etnográfico de

Odiáxere, com DJ sets de Von-Cente, Guillotina e GuerreiroGalante e o concerto de Sara Pissarro, «A Cave, A Rat, A Landscape».

Em 2025, o festival renovou a parceria com o Centro de Ciência Viva de Lagos e contou com a atividade de Observação de Estrelas e uma Oficina de Impressão em 3D. Esta edição assistiu também à inauguração de uma nova exposição no âmbito do CenDDA – Centro de Documentação de Dança do Algarve, ligada à ideia de intimidade.

O Pedra Dura tem direção artística de Daniel Matos e Joana Flor Duarte e é uma coprodução da Cama – Associação Cultural e do Município de Lagos.

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