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ALGARVE INFORMATIVO 12 de agosto, 2017

A «VIAGEM INTERIOR» DE TELMA VERÍSSIMO FESTIVAL DO MARISCO | PIRATAS «INVADIRAM» OLHÃO | FESTA DA RIA FORMOSA 1 ALGARVE INFORMATIVO #120 PROCISSÃO DA NOSSA SENHORA DOS NAVEGANTES | ORÇAMENTOS PARTICIPATIVOS


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CONTEÚDOS ARTIGOS 16 - Festa da Ria Formosa de Faro 22 - Festival do Marisco de Olhão 32 - Nelson Dias fala dos Orçamentos Participativos 42 - Nossa Senhora dos Navegantes 54 - Viagem Interior de Telma Veríssimo 66 - Piratas «invadiram» Olhão 84 - Atualidade

OPINIÃO 74 - Daniel Pina 76 - Paulo Bernardo 78 - Mirian Tavares 80 - Adília César

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REPORTAGEM

FESTA DA RIA FORMOSA ESGOTOU LARGO DE SÃO FRANCISCO Texto:

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Largo de São Francisco, em Faro, voltou a transformarse num gigantesco restaurante a céu-aberto para se degustar os melhores frutos da Ria Formosa, mas também outras especialidades regionais confecionadas à base das receitas e tradições do concelho de Faro. Falamos da 24.ª Festa da Ria Formosa, organizada pela Vivmar – Associação dos Viveiristas e Mariscadores da Ria Formosa, que ALGARVE INFORMATIVO #120

Fotografia: decorreu de 27 de julho a 6 de agosto e que levou muitas dezenas de milhares de visitantes ao centro histórico da capital algarvia. O certame gastronómico com entrada gratuita tem vindo a crescer de ano para ano, sempre com o apoio da Câmara Municipal de Faro, e a edição de 2017 superou novamente as expetativas de todos, com o recinto muito bem composto de algarvios e turistas 16


nacionais e estrangeiros. “O tempo ajudou, houve bastante gente a passar todas as noites pelo Largo de São Francisco para jantar em família e o mais gratificante é que saem satisfeitas da Festa da Ria Formosa e com vontade de regressar no próximo ano. A Vivmar está de parabéns por esta organização, que exige uma logística tremenda e um cuidado enorme, mas as 13 bancas que estiveram presentes têm uma grande experiência e serviram produtos de elevadíssima qualidade”, destacou Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro. Mais do que uma festa, estamos na presença de uma montra do melhor que a Ria Formosa tem para oferecer em termos gastronómicos e de um momento importante para a economia destes homens e mulheres do mar. E, olhando para a multidão humana que nos rodeava, o Largo de São Francisco é um destino obrigatório para quem está na região nesta altura do ano. “O mais difícil é mesmo escolher o que comer. Há camarões para todos os gostos, as ameijoas são tratadas de formas diferentes nos vários restaurantes, assim como o nosso lingueirão, o arroz de marisco e a açorda. Os olhos comem primeiro que a boca, por isso, há pessoas que vão diretas a uma banca e nem olham 17

para as outras, para não se perderem”, observa o edil farense, com um sorriso de satisfação face ao sucesso deste festival. Um festival onde o marisco é, sem dúvida, o ator principal e a música funciona como um complemento, motivo pelo qual a Vivmar não investe em cartazes com artistas demasiado ALGARVE INFORMATIVO #120


ATUALIDADE mariscos da Ria Formosa, o lingueirão, o berbigão, a ameijoa, são trabalhados por pescadores e viveiristas com receitas e formas de cozinhar que aprenderam com os pais e avós. Muitas destas famílias vivem e consomem do mar, portanto, há aqui um tratamento gastronómico ancestral”, sublinha Rogério Bacalhau.

caros. “A música faz o ambiente, ajuda a animar as cerca de 10 mil pessoas que passam por aqui todas as noites, mas elas vêm para comer, não propriamente para assistir a um concerto deste ou daquele artista”, confirma o autarca, acrescentando que os chefes de cozinha são os próprios homens do mar. “Os ALGARVE INFORMATIVO #120

Assumindo-se como um dos principais cartazes turísticos do Verão de Faro, a Festa da Ria Formosa contribui fortemente para o aumento da notoriedade do concelho, pelo que a intenção da autarquia, e da organização, é continuar a introduzir melhoramentos. “Há três anos aumentouse o recinto e os restaurantes mudaram de lugar e, em 2018, é natural que haja mais algumas alterações no espaço, para proporcionar melhores condições a quem nos visita. São eventos que trazem muita gente de fora, mas que também dão bastante satisfação a quem cá vive”, termina Rogério Bacalhau . 18


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REPORTAGEM

Foto: Adilson Vicente/CMO

FESTIVAL DO MARISCO DE OLHÃO COMEÇOU COM MEGA ENCHENTE Texto:

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32.º Festival do Marisco de Olhão começou da melhor forma, no dia 10 de agosto, com uma extraordinária moldura humana, fosse para provar os deliciosos frutos da Ria Formosa, fosse para assistir ao concerto do artista da noite, nada mais, nada menos, que o híper mediático Tony Carreira. A iniciativa da Câmara Municipal de Olhão, organizada pela Empresa Municipal Fesnima, voltou a ALGARVE INFORMATIVO #120

Fotografia: ter um cartaz musical de eleição, seguindo-se Richie Campbell (11 de agosto), D.A.M.A. (12 de agosto), Diogo Piçarra convida Jimmy P (13 de agosto), Nelson Freitas (14 de agosto) e Seu Jorge (15 de agosto). Apesar da excelência do cartaz, os preços de entrada no recinto instalado no Jardim Pescador Olhanense eram perfeitamente acessíveis, 9 euros nos 22


dias 10 e 15 e seis euros nos restantes dias. Juntese a isso o facto de as crianças até aos seis anos não pagarem entrada e, para os jovens entre os sete e os 12 anos, o bilhete ter 50 por cento de desconto, e facilmente se compreendia as imensas famílias que muito cedo começaram a encher as mesas. Havia ainda a novidade do Bilhete Festival, para os seis dias do evento, que podia ser adquirido a um preço mais económico, 36 euros para adultos e 18 euros para as crianças. Assumindo-se como um dos principais cartazes turísticos de Olhão e do Algarve, o Festival do Marisco é um ponto de visita obrigatório, tanto para os algarvios como para os muitos turistas que em agosto se encontram na região, com o objetivo de se deliciarem com o marisco mais fresco, confecionado no momento e como só os olhanenses sabem, com o maravilhoso cenário da Ria Formosa como pano de fundo. Os camarões grelhados, as sapateiras, o arroz de marisco, as paellas, as lagostas, os lavagantes, as amêijoas ou as ostras 23

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Foto: Adilson Vicente/CMO

continuam a fazer crescer água na boca aos visitantes do Festival. A inauguração oficial do 32.º Festival do Marisco de Olhão teve como convidado de honra o PrimeiroMinistro António Costa, que se fez acompanhar pela Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, pelo Ministro-Adjunto Eduardo Cabrita, e pelo Secretário de Estado das Pescas, José Apolinário .

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ENTREVISTA

“ORÇAMENTOS PARTICIPATIVOS DEMONSTRAM QUE AS PESSOAS QUEREM FAZER PARTE DAS SOLUÇÕES”, AFIRMA NELSON DIAS Está a decorrer o período de votação das propostas da primeira edição do Orçamento Participativo de Portugal, ao mesmo tempo que vão sendo também conhecidos os vencedores dos Orçamentos Participativos de diversos municípios algarvios. Entretanto, os Orçamentos Participativos já chegaram também a mais de 600 escolas do terceiro ciclo, demonstrando que esta ferramenta não é uma mera moda, mas sim um excelente meio de promover a cidadania ativa e de envolver as pessoas na tomada de decisões de nível local, regional e nacional. Texto:

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elson Dias tem trabalhado de perto com os Orçamentos Participativos praticamente desde que eles foram implementados em Portugal, há cerca de 15 anos, verificando que o processo tem vindo a crescer de forma mais significativa neste último mandato autárquico (2013-2017). “Disparou, completamente, em termos numéricos e de abrangência territorial, mas ainda são processos frágeis. Estando Portugal em período eleitoral, há que aguardar para perceber qual vai ser a intenção dos novos eleitos, porque tudo isto depende da vontade política de cada autarca. De qualquer modo, o nível de consistência que se alcançou ao longo destes últimos quatro anos é bastante positivo, ao ponto de, em alguns concelhos, ser já muito difícil a quem for eleito cancelar o processo”, analisa o consultor e antigo presidente da Associação In Loco. Recorde-se que, de 2001 a 2009, os Orçamentos Participativos (OP) eram essencialmente consultivos, ou seja, não era dado poder efetivo de decisão aos cidadãos, e estes rapidamente demonstraram a sua não concordância com o modelo. “Não criava confiança junto das pessoas, era mais do mesmo, portanto, não participavam. Percebeu-se que os processos deliberativos, sim, eram sustentáveis, daí que, no mandato de 2009 a 2013, a maior parte dos OP mudasse de figurino e os resultados não se fizeram esperar. Os autarcas compreenderam que precisavam adotar uma nova forma de governação, mais próxima dos cidadãos, para conseguir ganhar a sua confiança”, refere o entrevistado, lembrando os elevados ALGARVE INFORMATIVO #120

Nelson Dias numa ação na Colômbia

indicadores de desconfiança existentes em Portugal. “As pessoas, hoje, querem sobretudo software, e não apenas hardware, obras de betão. E querem fazer parte da solução, querem ter voz, querem dar a sua opinião, umas vezes mais positiva, outras mais negativa. Mesmo aqueles cujos projetos não saem vencedores dos OP reconhecem que é uma boa ferramenta, até fundamental para reconstruir a confiança no poder político”, salienta. Nelson Dias avisa, contudo, que os OP, por si só, não fazem milagres, devendo estar inseridos num conjunto de políticas e numa forma diferente de governar. E não foi fácil, no início, para 32


os autarcas abrirem mão de parte do seu poder e de uma parcela do orçamento dos seus municípios, recorda. “Tinham os seus programas eleitorais para executar, muitos deles inflacionados e impossíveis de cumprir. Pelo meio tivemos toda a crise financeira e das finanças públicas, que dificultou ainda mais a concretização de programas que eram inflacionados. Havia muito receio por parte dos eleitos que esse dinheiro pudesse ser tomado por grupos de interesses, que também existem e fazem o seu trabalho quando não existem OP. Nos OP, as pessoas estão a tentar resolver problemas dos seus bairros, freguesias ou concelhos, são interesses saudáveis, transparentes e públicos”, entende. 33

O certo é que praticamente desapareceram os OP consultivos, o que significa que os autarcas estão dispostos a abrir mão de uma parte dos seus orçamentos e essa fatia tem vindo a aumentar gradualmente. “Em alguns casos são orçamentos simbólicos, como os cerca de 60 OP que envolveram crianças e jovens e que, ao longo destes anos, decidiram aproximadamente cinco milhões de euros. No global, foram aplicados 90 milhões de euros em projetos decididos pelos cidadãos e, em algumas autarquias, a percentagem do valor afeto ao OP já ultrapassa os dois dígitos do bolo total. O ano passado, em Cascais, a Câmara ALGARVE INFORMATIVO #120


Municipal alocou quatro milhões de euros a esta ferramenta, praticamente 18 por cento do investimento. É dinheiro!”, revela Nelson Dias, acrescentando que, à medida que a dotação financeira dos OP vai aumentando, o mesmo sucede com o número de participantes e com a própria responsabilidade do processo. “Em paralelo, os autarcas percebem que existe bom senso nas escolhas das pessoas, não há elefantes brancos com os OP”.

Não há elefantes brancos, antes pelo contrário, os cidadãos não pedem grandes infraestruturas, preferem obras que

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incrementem a sua qualidade de vida no dia-a-dia. Mais do que isso, alguns destes pequenos investimentos estão a modificar mentalidades e a levar a que os eleitos introduzam, nas suas políticas, um conjunto de matérias que não eram da sua preocupação. “Os OP provocaram uma inversão de prioridades e mesmo alguns projetos que não saem vencedores são aproveitados pelas autarquias, que os financiam com os seus orçamentos normais. Em Lisboa, numa década foram recebidas mais de seis mil propostas, é o melhor barómetro que uma câmara municipal pode ter para verificar o que as pessoas realmente desejam. Há 10 anos, por exemplo, as ciclovias eram praticamente inexistentes em Lisboa e, hoje, são mais de 200 quilómetros de ciclovias dentro da cidade”, destaca o entrevistado, relatando outro caso: “Lisboa tinha, há oito, nove anos, um canil/gatil para recolher os animais abandonados e abatê-los. Por iniciativa cidadã foi colocada uma providência cautelar, devido às péssimas condições que esse equipamento possuía, e pela política que representava. Em simultâneo, um grupo de cidadãos apresentou um projeto de OP de reestruturação e ampliação do canil/gatil para passar a ser um espaço de acolhimento, tratamento e adoção. Hoje, deixou de haver abate no canil/gatil municipal”, salienta Nelson Dias. Outra mudança de política verificou-se em Águeda, nomeadamente em relação às pessoas com deficiência, existindo um atendimento ao munícipe com tradução em língua gestual, o mesmo 34


O Orçamento Participativo no México

acontecendo numa série de eventos públicos. Curiosamente, esta crescente adesão da população aos OP contrasta com o aumento da abstenção das mesmas pessoas na hora de eleger os seus governantes, seja ao nível nacional ou local. “Em 2002, havia cerca de 40 por cento de abstenção eleitoral, que subiu para 47 por cento em 2013. Em 2017, em todos os OP que decorreram em Portugal, estiveram em votação pública mais de mil projetos, nos quais votaram cerca de 400 mil pessoas. Os portugueses estão a dedicar mais tempo à sua participação naquilo em que acreditam, em que controlam o resultado final. O voto nas eleições tem sido mais desvalorizado porque as pessoas consideram que, votar ou não votar, não muda nada, que é um falso poder”, indica Nelson Dias. “O ano passado, em Lisboa, votaram 51 mil pessoas no OP e nenhum presidente de 35

junta teve tantos votos. Em Cascais, foram 58 mil pessoas, mais do que todos os partidos eleitos com representação na câmara. É um fenómeno que deixou de ser uma curiosidade, tem resultados efetivos e é impossível ficar-lhe indiferente”. Face ao sucesso alcançado pelos OP ao nível autárquico, o governo de António Costa decidiu avançar para a escala nacional, depois de ter sido um dos principais impulsionadores desta ferramenta enquanto esteve à frente da Câmara Municipal de Lisboa. “Somos o primeiro país do mundo a fazer isto e somos também o país, a nível mundial, com maior percentagem de municípios que já fizeram ou estão a fazer OP, na ordem dos 46 por cento. Criou-se um ambiente muito favorável para a multiplicação dos processos de âmbito ALGARVE INFORMATIVO #120


Iniciativa conduzida em Moçambique

nacional, porque temos o Orçamento Participativo Portugal com uma dotação de três milhões de euros, vai arrancar brevemente o Orçamento Participativo Jovem Nacional, com uma fatia de 300 mil euros para os jovens até aos 30 anos, e está a decorrer o Orçamento Participativo das Escolas, com a particularidade de este ser obrigatório nas escolas do terceiro ciclo”, aponta o entrevistado.

Os OP chegam, então, às escolas para tentar inverter a tendência dos jovens cada vez se alhearem mais da ação política e da participação ativa na sociedade, concorda Nelson Dias. “É um investimento na cidadania, porque todos os indicadores comprovam a falta de interesse e o afastamento progressivo dos jovens da vida política do país, dos municípios e das ALGARVE INFORMATIVO #120

freguesias. Isso deve-se a uma cultura democrática que foi instituída, ao longo de anos, que não formou as pessoas para a cidadania, para a democracia e para a participação. Entendeu-se isso como um dado adquirido, mas nada nesta vida está assegurado. Mesmo a democracia é frágil”, alerta o consultor, defendendo que boas e más ideias se têm em qualquer idade. “A partir dos 18 anos somos eleitores, mas antes disso já somos cidadãos. Estive agora na Colômbia, onde acompanhei o arranque de um processo-piloto a nível regional, e fiquei impressionado com o nível de consistência, de opinião, de saber-estar, de falar em público, de jovens dos 10 aos 16 anos, da sua capacidade crítica de olhar para mundo. Ser jovem não é estar numa sala de espera até ter 18 anos, altura em que pode começar a pensar, a avaliar e a votar”, enfatiza.

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Nelson Dias fala ainda de uma cultura moderna demasiado individualista e materialista, onde se pensa mais naquilo que se possui do que naquilo que se pode fazer ou partilhar com os outros. “Criar sentido de comunidade numa sociedade que funciona desta maneira é muito difícil e tenho assistido a casos de OP onde esta mentalidade está a mudar, ainda que de um modo bastante embrionário. Há jovens que entram num OP com um projeto para si e para os seus amigos e, depois de debater com os outros participantes, mudam de opinião, reconhecem que há outras propostas melhores e mais importantes. É possível alterar esta realidade, mas há que investir nisso, não podemos ficar à espera que as coisas se modifiquem por elas próprias”, aconselha. Precisamente para não ficar à espera de ver como as coisas corriam nas escolas, o governo optou por tornar a participação obrigatória nos mais de 600 estabelecimentos de ensino envolvidos no OP e Nelson Dias pensa que o processo terá corrido melhor nos municípios onde já existiam anteriormente os outros modelos. “Onde não há sensibilidade ou historial prévio na matéria, é possível que os resultados não sejam tão positivos, mas há que seguir em frente. Por muitos erros que se possam cometer, estes processos têm que ser acarinhados”, entende. Cautelas houve, igualmente, no OP de âmbito nacional, com algumas vozes a criticarem as áreas de intervenção escolhidas e o montante afeto. “O que interessa é perceber se a metodologia funciona e onde se pode melhor, havendo já o compromisso dado pelo Primeiro37

Ministro de que, na próxima edição, haverá mais dinheiro”. E porque Nelson Dias tinha acabado de chegar da Colômbia e do México, quisemos saber como está Portugal em termos de OP, comparativamente com o que se faz lá fora? “Penso que estamos bem, somos uma referência para muitos países e temos recebido várias comitivas internacionais que querem observar os nossos modelos no terreno. Cerca de 30 autarcas eleitos na Suécia estiveram cá em maio para conhecerem as nossas experiências de OP, tratandose de um regime democrático muito mais consolidado e rico que o nosso. Em julho, foi a vez de uma comitiva da Rússia e do Banco Mundial”, revela o entrevistado. “O caso português é exemplar, mesmo não sendo perfeito, e muitas autarquias têm investido para inovar nesta matéria. Em Valongo, por exemplo, fez-se um OP para funcionários do município, para que escolhessem um projeto que melhorasse as suas condições de trabalho. A cultura centralista do «quero, posso e mando» é cada vez mais retrógrada, os cidadãos não estão disponíveis para isso e cada vez menos eleitos se prestam a esse papel. Há uma cultura em emergência nas autarquias portuguesas de maior abertura e participação e de perceber que partilhar poder não é perder poder, antes pelo contrário, reforça-se a sua legitimidade. Ao mesmo tempo reconhece-se que, do lado da sociedade, também há bomsenso e capacidade de pensar o bem coletivo, e não apenas grupos de interesses e lógicas individuais” .

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REPORTAGEM

CULATRENSES PRESTARAM HOMENAGEM A NOSSA SENHORA DOS NAVEGANTES Texto:

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odos os anos a história se repete e, no primeiro domingo de agosto, as gentes da Ilha da Culatra prestam homenagem a Nossa Senhora dos Navegantes. Este ano não foi exceção e, por isso, no dia 6 de agosto, o Clube União Culatrense voltou a dinamizar um programa bastante diversificado de onde desponta, como é natural, a procissão em honra da sua padroeira. Inúmeros barcos voltaram a ser engalanados com bandeiras de mil e uma cores para acompanhar a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes por mar, até Olhão, ao encontro da Nossa Senhora do Rosário, a padroeira de Olhão. Posto isto, deu-se início à procissão por mar com as embarcações que transportam as imagens de ambas as Senhoras, de um lado a do Rosário, do outro a dos Navegantes, rodeadas por barcos de todos os tamanhos pertencentes aos residentes na ilha, que dão mostras da sua fé e devoção com sonoras preces e vivas às Santas. De regresso à Ilha da Culatra, tem lugar a eucaristia solene na Capela Nossa Senhora dos Navegantes e nova procissão, desta vez em terra, pelas principais ruas da ilha. O ritual religioso termina, como é tradição, com o sermão e o regresso de Nossa Senhora do Rosário a Olhão. Enquanto isso, na Culatra, a festa continua pela noite dentro, porque assim o merece a Nossa Senhora dos Navegantes .

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ENTREVISTA

«VIAGEM INTERIOR» ALERTA PARA OS PERIGOS DA DESERTIFICAÇÃO E DESPOVOAMENTO Foi inaugurada, no dia 4 de agosto, a exposição «Viagem Interior», de Telma Veríssimo, um documentário sobre a desertificação e despovoamento no Algarve que ficará patente, até final do mês, nas sedes da CCDR e IPDJ de Faro. Ao todo, são 67 painéis com fotografias que captam de imediato a atenção do público, apoiadas por textos que alertam para esta realidade que está a tomar conta do interior da região algarvia. Texto:

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s edifícios-mãe da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve e do Instituto Português do Desporto e Juventude do Algarve acolhem, até 29 de agosto, a exposição «Viagem Interior», da fotógrafa Telma Veríssimo. Promovido pela Associação Bons Ofícios com o alto patrocínio da Assembleia da República, o documentário fotográfico incide sobre a desertificação e despovoamento no Algarve, uma realidade a que muitos ainda permanecem alheios. Nos tempos modernos, é impossível impedir a fuga para o litoral à procura de melhores condições de vida, do mesmo modo que o envelhecimento da ALGARVE INFORMATIVO #120

população e o desaparecimento de serviços essenciais nas povoações mais pequenas são difíceis de inverter. O resultado deste cenário é o abandono gradual das terras e a negligência das zonas florestais, mas também o desaparecimento de conhecimentos ancestrais e de tradições locais. Este ciclo tem-se intensificado nas últimas décadas e motivou Telma Veríssimo a embarcar no projeto «Viagem Interior», que propõe uma reflexão sobre as dificuldades atuais do Algarve menos conhecido, daquele mais afastado da costa. “A ideia surgiu depois de ler uma notícia que afirmava que, daqui a algumas décadas, vai haver deserto no Algarve, e que me recordou outra notícia, de há 20 anos, que alertava para o mesmo perigo. É um assunto do qual não se fala muito. As pessoas concebem o despovoamento 54


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mas, quando se fala de desertificação, ficam logo de pé atrás, parece que isso só se passa no Sahara”, comenta Telma Veríssimo, poucos minutos antes da inauguração da exposição no IPDJ, em Faro. Da ideia para a prática foi uma questão de “meter o nariz no terreno”, de procurar evidências dessa desertificação e despovoamento, dois fenómenos intimamente ligados e que não acontecem apenas no interior do Algarve, no barrocal ou na serra, como se possa imaginar à partida. “Vila do Bispo, por exemplo, também sofre desses problemas, apesar de ser junto ao mar, mas o interior é, de facto, mais preocupante. Está todo a ficar mais ALGARVE INFORMATIVO #120

empobrecido em termos de pessoas e de recursos naturais”, avisa a entrevistada, que procurou registar imagens que preservassem a memória de um mundo que está a desaparecer. “Na exposição vemos fotografias de muitas pessoas idosas que, quando morrerem, já ninguém viverá como elas viveram até aqui. São tradições e hábitos que se estão a extinguir”. No documentário fotográfico observamse igualmente alguns esforços para contrariar esta tendência, de pessoas que insistem em permanecer na serra, em viver junto à natureza e às suas origens. Algumas destas pessoas já Telma Veríssimo conhecia, outras, encontrou-as por acaso durante as suas deambulações 56


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Francisco Serra, presidente da CCDR Algarve, Afonso Dias, da Associação Bons Ofícios, Custódio Moreno, Diretor Regional do IPDJ de Faro, Telma Veríssimo e Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro

pelo interior, que se iniciaram em meados de 2016. “Comecei a tirar as fotos em setembro e a recolha demorou cerca de seis meses, procurar situações, ir aos sítios, falar com as pessoas. Depois, seguiu-se a seleção das fotografias mais representativas, escolher textos para contar pequenas histórias e montar a exposição”, relata Telma Veríssimo. A exposição é, porém, apenas o primeiro passo deste projeto, que inclui igualmente um sítio da internet (www.viageminterior.pt) onde as fotos ficarão disponíveis à distância de um clique e o lançamento de um livro, que deverá estar concluído no final de 2017. “As fotos estão agrupadas em painéis ALGARVE INFORMATIVO #120

para contar histórias ou descrever cenas do quotidiano de outros tempos, como o lavar a roupa em tanques de pedras ou os abrigos de animais”, refere, acrescentando que o projeto contou com o apoio das autarquias de Alcoutim, Aljezur, Castro Marim, Loulé e São Brás de Alportel, da freguesia de Odeleite, da Associação Odiana, da «Natural.pt», do Programa «365 Algarve», da Assembleia da República, da Direção Regional de Cultura do Algarve, do Turismo do Algarve e da empresa «Águas do Algarve». Entretanto, «Viagem Interior» passou por vários pontos antes de chegar a Faro, nomeadamente Alcoutim, Odeleite, São Brás de Alportel, Querença, Aljezur, para 58


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além da Assembleia da República, rumando depois a São Bartolomeu de Messines (setembro), a Lisboa, à Associação 25 de abril (outubro) e a Santarém, já em 2018. “Os primeiros locais foram escolhidos em função do apoio concedido pelo «365 Algarve» e, como aborda o interior, levei a exposição a terras onde andei a tirar fotografias. Lisboa e Faro também faziam sentido, mas ela pode estar patente em qualquer sítio”, adianta Telma Veríssimo, indicando que o site deverá ficar online ainda durante o mês de agosto. Depois, é reunir apoios e paginar o livro, mas mais projetos não faltam à fotógrafa profissional. “Gostava de fazer mais alguma coisa sobre todas estas tradições e saberes que se estão a perder, porque ALGARVE INFORMATIVO #120

as gerações mais novas não fazem a mínima ideia de como os seus antepassados viviam. As pessoas têm aquela ideia nostálgica de que voltam à terra e encontram tudo da mesma forma como deixaram, mas isso não é verdade. O número de artesãos é cada vez menor e é raro encontrar-se jovens envolvidos com estas artes e ofícios. Há montes que estão completamente vazios, autênticos desertos humanos, com casas típicas em ruínas e terras abandonadas. Claro que são problemas complicados de resolver, há a questão do que é público ou privado, de quem é que pode intervir em cada sítio mas, quando alguém olhar para aquilo com olhos de ver, já é tarde demais”, desabafa Telma Veríssimo .

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PIRATAS VOLTARAM A «INVADIR» OLHÃO Texto:

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lhão voltou a ser palco, de 1 a 4 de agosto, do Festival Pirata, que envolveu a zona ribeirinha no quotidiano pirata, povoado por personagens de época que ainda hoje ocupam um lugar especial no imaginário do público. A organização manteve a aposta num evento diferenciado e que já vai na sua terceira edição, com animação, fogo, lutas, dramatizações, música e dança. O festival decorreu todas as noites entre as 17h e as 24h, com um mercado pirata frente aos mercados, animação por toda a baixa e, a terminar cada dia, um espetáculo frente ao caíque Bom Sucesso. O Festival Pirata de Olhão foi uma iniciativa da Câmara Municipal de Olhão e da empresa municipal Fesnima, organizada em parceria com a Companhia de Teatro Viv’arte .

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OPINIÃO Costa e Carreira foram reis do marisco Daniel Pina (Jornalista)

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Festival do Marisco de Olhão inaugurou esta quinta-feira, mas os frutos da Ria Formosa quase que foram eclipsados pelo Primeiro-Ministro António Costa e pelo cantor Tony Carreira. Ainda as portas do recinto, localizado no Jardim Pescador Olhanense, não tinham aberto e já eram longas as filas de pessoas com vontade de entrar, muitas delas emigrantes em França, desejosas de ouvir os sucessos de um dos mais populares cantores românticos deste cantinho à beira-mar plantado. Entretanto, lá para os lados da Câmara Municipal, também se iam juntando algumas pessoas, não para ouvir as cantigas de Tony Carreira, mas para dizer de suas verdades a António Costa, cuja chegada estava programada para os Paços do Concelho. Uns empunhavam firmemente cartazes de cartão com palavras de ordem contra as restrições da apanha de bivalves e contra as demolições de casas nas Ilhas Barreiras. Curiosamente, disse quem vive no concelho há largos anos, nenhuma dessas pessoas residia nas Ilhas Barreiras, mas enfim... Outros, mais profissionais na matéria, até porque tinham pelas costas a malta do Bloco de Esquerda, protestavam contra as Portagens na Via do Infante, com faixas mais vistosas, até um megafone traziam para fazerem ouvir as suas queixas alto e bom som. Posicionados em frente à câmara municipal, posaram para as fotos dos jornalistas da imprensa regional mas, sobretudo, para as fotos que eles próprios tiravam uns aos outros. Depois, é só uma questão de escrever um texto todo bonitinho, com as reivindicações da moda e as acusações da praxe, e publicar tudo no Facebook, para mostrar que cumpriram com a sua missão. Na hora da verdade, não houve grandes protestos, porque estava muito calor para correrias e gritarias, e o mais importante estava feito, ou seja, tirar umas fotos todos alinhadinhos e despejar tudo nas redes sociais, porque assim são as manifestações dos tempos modernos.

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Diga-se de passagem que o próprio PrimeiroMinistro fintou toda a gente, os protestantes facebookianos, os jornalistas, os autarcas, os secretários de estado, os deputados, que o aguardavam pacientemente junto à Câmara Municipal. A arruada começou, sim, junto aos Mercados Municipais, com António Costa à frente de uma comitiva que incluía a Ministra do Mar e o Ministro-Adjunto, os dois Secretários de Estado algarvios – Pescas e Florestas – os autarcas socialistas da região, os nossos representantes na Assembleia da República, ninguém faltou do partido rosa. É a maravilha dos períodos eleitorais, toda a gente quer ser vista ao lado de quem está no poder, excetuando aqueles que, entretanto, decidiram mudar de partido para também puderem ir a votos, causando, assim, alguns embaraços protocolares. Mas o ambiente era de festa e ninguém se preocupa em demasia com esses pormenores. Quem critica o governo por isto e por aquilo, ao ver o Primeiro-Ministro a poucos metros de distância, logo se desmancha em sorrisos e beijinhos e pede para tirar uma selfie com o governante. António Costa, que tinha estado reunido durante a tarde, em Tavira, com o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, vestiu o fato de político popularucho e posou para as fotos, deu beijinhos às crianças e , no final da procissão, lá arranjou tempo para comer o marisco da Ria Formosa. E foi isso mesmo que disse aos jornalistas, estava ali para comer marisco, não para responder a perguntar incómodas sobre a Carris e demais temas quentes da atualidade. Umas horas depois, entrou em cena o outro protagonista da noite, Tony Carreira, já as fãs que enchiam por completo o recinto em frente ao palco estavam doidas de ansiedade. E assim se passou um típico final de tarde do Verão algarvio, com política, música e petiscos à mistura. Sobre os problemas sérios do dia-a-dia, logo se fala em setembro .

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OPINIÃO XPTOGate Paulo Bernardo (Empresário)

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os últimos tempos tem-se falado primeiro do «Galp Gate» e depois do «Huawei Gate», mas podia também ser «Cisco Gate» ou «Microsoft Gate» ou um «XPTO Gate» que também servia. Todas, mas todas, as empresas têm oferecido viagens aos mais variados eventos e visitas às suas sedes em locais interessantes. Quando comecei a viver um pouco a vida pública, passei a entender o funcionamento destas realidades. Participei em apenas uma visita deste tipo e facilmente compreendi a lógica e à primeira caem todos. Vamos ver como funciona: um convite é recebido de uma forma totalmente inocente, no meu caso, as viagens e alojamento foram pagos por nós, tivemos um seminário, almoço e jantar pago por quem convidou. Tudo normal, o comercial, antes da visita, diz que vão também as pessoas X e Y, o que ainda torna tudo mais credível e honesto. Até aqui não me parece nada errado, existiu partilha de custos, assisti a um seminário e convivemos com pessoas com os mesmos interesses durante o almoço e jantar. Por isso, parte do escândalo dos «Gates» surge por inveja de quem não foi convidado. Contudo, por detrás desta história - e por isso me afastei de tais procedimentos sérios – vem a parte perigosa. E dessa ainda não vi nada escrito, pois ainda estamos no lado do invejoso e não do lado do investigador.

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O perigo começa quando a relação estabelecida durante esses eventos abre portas menos honestas para o negócio e se criam truques para se poder comprar o produto X ou Z. Assim, o verdadeiro «Gate» está na seguinte investigação: será que as pessoas que tinham poderes de decisão fizeram algum contrato com a empresa X em detrimento da empresa Y? Será que as pessoas que foram ao local H deram informação privilegiada para se elaborar um caderno de encargos que só falta vir lá a marca do produto, porque o resto está tudo? Será que o caderno de encargos não foi feito pelas empresas que vendem o próprio produto? Isto sim é crime e o Ministério Público devia investigar. Não é boa política apagar este assunto atirando areia para os olhos dos portugueses e apelando à inveja coletiva de quem não recebeu a borla para ir ao evento X ou Y. Investigue-se e, se calhar, irão surgir muitas surpresas. E a investigação é muito fácil, basta cruzar quem foi e o que aconteceu depois com a relação com quem convidou. O que digo não é ficção, é a realidade, é a forma das grandes empresas atuarem, pois muitas valem mais que o PIB de bastantes países. Assim é muito mais fácil queimar alguém que estava a fazer um bom trabalho, em detrimento de investigar os verdadeiros mamões. O resto é apenas fogo-devista para fazer esquecer o importante. Deixem-se de invejas e procurem o essencial .

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OPINIÃO

Histórias de amor com final infeliz Mirian Tavares (Professora)

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ensei em escrever um livro de contos. Iria se chamar «Más histórias de amor com final infeliz». Não seriam histórias trágicas, pois no amor, mesmo quando trágico, há um lado cómico, sobretudo quando já não estamos mergulhados na história, quando olhamos para trás e conseguimos rir de nós mesmos. Não seria tampouco uma autobiografia, mas um conjunto de fragmentos de histórias ouvidas aqui e ali. Tenho o mau hábito de ouvir, mesmo as histórias que não são destinadas aos meus ouvidos enquanto espero na fila do supermercado, ou sentada no comboio… As pessoas falam alto ao telefone, ou mesmo entre si, esquecem-se, muitas vezes, de que não estão em casa ou são mesmo mal-educadas e tomam qualquer espaço como se fosse seu. As boas histórias de amor nem sempre começam bem, ao contrário das más, que principiam da melhor forma. Nas comédias românticas, quando tudo começa bem, sabemos logo que qualquer tragédia, pequena ou grande, vai acontecer para que o filme dure duas horas. Ninguém aguenta assistir a duas horas de felicidade plena – precisamos que o plot nos forneça luta, desencontros, descaminhos, para que possamos, ao fim, sentirmos com as personagens o gozo da superação: agora sim! A felicidade não me caiu do céu, lutei para

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conseguir, portanto é minha por merecimento (o que era uma ideia bastante cristã e hoje faz parte das bíblias do neocapitalismo meritocrático). Uma das minhas histórias seria sobre estes tipos de amor, cinematográfico. Um casal que se conhece e que logo se reconhece: feitos um para o outro. Nas primeiras cenas tudo parece tão bem que, como nos filmes, tem de acontecer uma pequena ou grande tragédia. Mas o meu conto seria mais como um filme europeu, de arte, com direito a diálogos sofisticados e meios tons. Com direito a traições filosóficas, em que ele recorre à ideia de perdão em Kierkegaard para justificar um novo amor. E ela, que já tinha superado a sua fase depressiva de filósofos do norte-da-Europa e apesar de se sentir mais ligada às correntes pósmodernistas, que defendem a fragmentação do ser e a ideia de não-lugar, manda o kierkegaardiano para um lugar bem conhecido e segue a sua vida. Encontra um camionista que não lê filosofia, com as mãos tão ásperas, que nunca mais ela precisará depilar as pernas, o que é uma grande economia, nos tempos que correm. Até que o camionista decide ser pintor. Mas esta já seria uma outra história. E o livro ainda está por escrever .

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OPINIÃO As minhas leituras (que não são de Verão) Adília César (Escritora) “Ler para distrair pode destruir o seu pensamento crítico”.

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endo em conta uma perspectiva muito pessoal, não consigo conceber a leitura como mero entretenimento. Quando leio estou atenta ao contexto e potencialidades pedagógicas do texto: contacto, análise, compreensão, dedução, conclusão, aprendizagem. As dúvidas que por vezes ficam são motivadoras de outras leituras complementares ou até releituras da mesma obra. E porque tenho necessidades diferentes, leio vários livros ao mesmo tempo. Confuso? Não. Tal como mudamos as nossas máscaras sociais perante o convívio com diferentes pares ou parceiros sociais, assim alteramos o nosso registo mental para o adequar à actividade intelectual do momento. Apresento-vos, assim, as minhas leituras actuais: «A criança e a Vida» (1960) é uma colectânea de textos escritos por crianças e apresentados por Maria Rosa Colaço, na altura professora primária de um grupo de quarenta e cinco alunos de várias idades, que vinham dos barcos ancorados do cais e de um bairro da lata de Lisboa. Nas palavras de MRC, “eram sementes da mais autêntica liberdade e não sabiam nada de preconceitos, nem de palavras, nem de coisa nenhuma”. O director da escola chamou-lhes «a escória». Ainda assim, estes meninos difíceis conseguiram a proeza de experimentar a Poesia. Meninos pequenos que escreviam como gente grande. O livro pode ter múltiplas leituras, mas a sua preciosidade vem do facto de provocar no adulto a redescoberta da infância que é capaz de ver beleza e simplicidade no sofrimento, no medo e na miséria. Pureza que renasce em cada verso, como Victor Barroca Moreira, de 9 anos, definiu: “o amor é um pássaro verde num campo azul no alto da madrugada”. «O que Vemos quando Lemos» (2014) é um ensaio de Peter Mendelsund, director de arte da Alfred A. Knopf, uma das mais conceituadas editoras norteamericanas. Este livro-objecto pode resumir-se como sendo uma fenomenologia da leitura com recurso a ilustrações: o que vemos quando lemos, além das palavras numa página, e o que imaginamos nas nossas mentes? O leitor é convidado a reflectir através de um

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jogo exímio de afirmações e ilustrações, o qual se pode considerar como um «código» de acesso a uma nova espécie de linguagem que ultrapassa o significado das palavras e das ideias contidas nas frases elaboradas pelos escritores. O autor propõe uma série de exercícios/análises, explicitando os seus pontos de vista de acordo com imagens surgidas das leituras de obras. Consegue a proeza de nos fazer estabelecer uma relação íntima com livros que ainda não lemos! Vejamos uma das primeiras reflexões do livro: “Quando lemos, estamos imersos. E, quanto mais imersos estamos, menos capacidade temos, no momento, de voltar a atenção das nossas mentes analíticas para a experiência em que estamos absorvidos. Deste modo, na verdade, quando discutimos a sensação de ler, é da memória de termos lido que estamos a falar”. «Grito» (1997) do escritor e poeta Rui Nunes ganhou em 1998 o Prémio APE. É um romance nu, cru, brutal e irremediável. Uma narrativa constantemente desconstruída através de um experimentalismo poético e gráfico que surpreende e nos projecta para dentro dessa voz peculiar. As suas personagens são fatalmente solitárias e sofredoras, e essa condição atinge o leitor. Os diálogos são autênticos estilhaços emocionais que nos causam desconforto e descontinuidade mental. É uma obra complexa que exige absoluta concentração, parecendo que “as palavras prolongam ainda mais a falta que pretendem apagar” (do discurso de Rui Nunes na cerimónia da entrega do prémio). Vejamos este excerto: “- Bebo, devagar, até à claridade, isto é, escrevo a solidão sobrevivente, e tenho vergonha destas palavras, quero dizer, se não tivesse bebido, elas não estariam escritas, assim, ei-las no céu limpo do isolamento. Só há um lugar para a solidão de cada um. O meu é esta casa, este esconso, estas águas-furtadas, este sótão, este último andar, de onde vejo o que me cega”. Como se vê, sou coerente com o que apregoo. Não leio para me distrair. Leio para pensar .

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AZULEJOS TRADICIONAIS SUBSTITUEM NÚMEROS DE POLÍCIA NA ZONA ANTIGA DE ALBUFEIRA

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té final de setembro serão afixados 73 novos azulejos tradicionais que irão substituir os números de polícia que se encontram deteriorados ou que simplesmente desapareceram na zona antiga da cidade de Albufeira. Esta é uma ação da Comissão Municipal de Toponímia, que desde 2015 atribuiu 100 novos topónimos, dos quais 35 foram propostos por Munícipes. Esta comissão é composta por técnicos do município e diversos consultores externos, e liderada pelo vereador Rogério Neto. Durante o seu mandato, a comissão reuniu várias vezes, para discussão e deliberação de propostas para atribuição de novos topónimos, alteração e retificação de nomes e oficialização dos mesmos. Das atribuições toponímicas deste ano, destacam-se dois antropónimos, aprovados por deliberação camarária de abril. É o caso de João Bita, que foi o primeiro abastecedor de água ao município, ainda em carro de tração animal e que é homenageado deste modo, dando o seu nome à primeira rua que nasce no acesso ao Moinho do Cerro do Malpique: “É uma homenagem a João Bita, porque é o acesso que faz a ligação entre a parte mais cosmopolita e este moinho, situado num dos pontos panorâmicos mais interessantes da cidade e que em breve será mais uma atração quer para os turistas, quer para a ALGARVE INFORMATIVO #120

população local. É uma rua que remete para a memória, pois era por ali que pessoas iam moer os cereais e traziam as farinhas para casa e por ali andou, provavelmente, João Bita a levar água a casa das pessoa e ao moinho”, explica Rogério Neto Outro antropónimo é o de Álvaro Bila, um albufeirense cuja vida foi dedicada à música. Álvaro Bila estudou música e esteve vários anos a integrar a Banda do Exército, tendo participado do filme «A canção de Lisboa». Quando regressou a Albufeira, foi mestre das Bandas de Albufeira, de Paderne e da Guia. Na autarquia participou como secretário da junta de freguesia de Albufeira, alternando esta função com a de regedor .

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PINE CLIFFS RESORT COMEMOROU BODAS DE PRATA AO SOM DE UB 40

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oi ao som dos UB40 e com a maior enchente de sempre que o Pine Cliffs, a Luxury Collection Resort, soprou as suas 25 velas. No dia 4 de agosto, foram muitos os que se quiseram juntar a esta importante celebração, que ocorreu durante a 20.ª Summer Gala do Pine Cliffs Resort. Apresentado por Vanda Miranda, a animadora da M80, o evento teve como ponto alto o concerto dos UB40, que deram um concerto único, tocando os seus êxitos tão bem conhecidos do público. Não faltaram «Red Red Wine», «Can’t Help Falling in Love» ou «I Got You Babe», que puseram todos a dançar. “O Pine Cliffs é mais do que um resort, é um espaço de lifestyle e, durante estes 25 anos contribuímos para a qualificação da oferta do Algarve”, considerou Thomas Schoen, Diretor Geral do Pine Cliffs Resort. 83

Por sua vez, Carlos Leal, diretor-geral da United Investments Portugal, proprietária do Pine Cliffs Resort, assumiu que a Summer Gala é sempre um evento muito importante para o grupo, mas este ano, com a comemoração dos 25 anos, foi ainda mais especial. “Foi importante receber no resort algumas das pessoas mais importantes que nos acompanharam durante o nosso percurso e que contribuíram para tornar o Pine Cliffs um dos melhores Resorts de luxo de Portugal e da Europa”, frisou. A Summer Gala do Pine Cliffs Resort continua a ser um dos pontos altos da animação cultural do Verão algarvio e foram já muitos os artistas internacionais que lhe deram brilho, casos de Joe Cocker, George Benson, Bryan Ferry, Lionel Richie, Michael Bolton, Kool & The Gang e, mais recentemente, Ne-Yo, Leona Lewis e Aloe Blacc.

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JOVENS DE ALCOUTIM COM ACESSO À ESCOLA VIRTUAL DA PORTO EDITORA

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Município de Alcoutim deliberou conceder gratuitamente licenças da «Escola Virtual», da Porto Editora, a todos os alunos do Agrupamento de escolas de Alcoutim, num total de 142 alunos do 1.º ao 3.º ciclo. A Escola Virtual é uma plataforma online de apoio educativo, que disponibiliza recursos educativos digitais, desde os níveis do 1.º ao 12.º ano (ensino regular ou profissional). O serviço de suporte às aulas regulares permite realizar um reforço das matérias lecionadas e tirar dúvidas, através de aulas interativas, assim como a realização

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de pequenos testes para avaliarem os seus conhecimentos. Os principais benefícios e funcionalidades da plataforma são: acesso a testes de avaliação das aprendizagens, com resultados automáticos; identificação dos tópicos que os alunos dominam e aqueles que deverão estudar melhor; recomendação de aulas interativas e atividades em função dos resultados individuais de cada estudante; acesso a relatórios sobre o desempenho dos alunos nas tarefas efetuadas na plataforma; possibilidade de análise da evolução da turma por tópicos de cada disciplina; atribuição de trabalhos através de um processo simples e intuitivo; 84


comunicação com as turmas ou individualmente com cada aluno. A licença permite o acesso ilimitado aos recursos, onde são disponibilizados os conteúdos educativos digitais, bem como os manuais escolares (Porto Editora, Areal

Editores e Raiz Editora), em formato digital. A Escola Virtual faculta ainda um conjunto de dicionários que permitem acompanhar as mudanças inerentes ao acordo ortográfico e facilitam o estudo das Línguas Estrangeiras.

VILA ADENTRO E PÉ DE COPOS EM DESTAQUE NA IX ROTA DE TAPAS ESTRELLA DAMM

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á são conhecidas as tapas vencedoras da 9.ª edição da Rota de Tapas, da Estrella Damm, que se realizou em maio e junho. De um total de 110 tapas em quatro cidades, o júri e o público votaram e elegeram as melhores tapas. «Meet us ao Carmo» em Lisboa, «Cantinho das Zezas» no Porto, «Dona Petisca» em Braga e «Vila Adentro» em Faro foram as tapas eleitas pelos consumidores. O júri elegeu «Tapas Bucho» em Lisboa, «SOS» no Porto, 85

«Restaurante Diana» em Braga e «Pé de Copos – Restobar» em Faro. A Rota de Tapas arrancou a 12 de maio em Faro e a 18 do mesmo mês em lisboa, Porto e Braga, tendo terminado a 4 de junho. A Rota de Tapas teve início em 2013, apenas em Lisboa e ao longo dos anos foi alargando território a norte do país, atendendo à crescente adesão por parte dos portugueses. Este ano a Rota de Tapas chegou à capital algarvia Faro, juntando-se assim às cidades de Lisboa, Porto e Braga . ALGARVE INFORMATIVO #120


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ESCUTEIROS DE FERRAGUDO E DO PARCHAL PARTICIPARAM NO 23.º ACAMPAMENTO NACIONAL DO CNE

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ando seguimento ao apoio que tem prestado à juventude do Concelho, a Câmara Municipal de Lagoa cedeu o transporte para que 120 jovens de dois Agrupamentos – Escuteiros Marítimos 413 de Ferragudo e Escuteiros 1256 do Parchal – pudessem participar no ACANAC 2017, que se realizou no Campo Nacional de Atividades Escutistas, em Idanha-a-Nova, de 31 de julho a 6 de agosto. O ACANAC é o acampamento nacional do Corpo Nacional de Escutas

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que tem lugar, normalmente, de quatro em quatro anos, tendo o primeiro decorrido durante nove dias em Aljubarrota, em 1926. Desde então já se realizaram 22 acampamentos nacionais, os dois últimos no Campo Nacional de Atividades Escutistas de Idanha-a-Nova. O 23.º, que teve o lema «Abraça o Futuro», recebeu cerca de 22 mil escuteiros e quatro mil adultos voluntários portugueses e oriundos de Espanha, França, Irlanda, Israel, Luxemburgo, Reino Unido, Suécia e São Tomé e Príncipe .

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LAGOA PRESTOU HOMENAGEM AO PADRE JOSÉ JOAQUIM NUNES

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ealizou-se, no dia 30 de julho, a cerimónia comemorativa das Bodas de Ouro Sacerdotais do Padre José Joaquim Nunes, Pároco de Lagoa, com Celebração Eucarística na Igreja Matriz de Lagoa, pelas 12h. Com a presença do Bispo do Algarve, D. Manuel Neto Quintas e de outros Padres da região, a Igreja Matriz de Lagoa estava repleta de público, entre representantes das entidades locais, Escuteiros dos Agrupamentos do Concelho, amigos, familiares e leigos de várias comunidades, que assistiram com emoção à liturgia associada à efeméride, presidida pelo Padre José Joaquim Nunes.

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Um dos momentos altos, após a celebração eucarística, foi o descerramento de uma placa alusiva à efeméride, colocada na sacristia da Igreja Matriz. Depois, em clima de festa decorreu, no restaurante da FATACIL, um almoço convívio com 225 participantes, onde compareceram, para além do Bispo do Algarve, colegas e familiares, o Presidente da Câmara de Lagoa, Francisco Martins, o Presidente da Assembleia Municipal de Lagoa, Águas da Cruz, o Presidente da União das Freguesias de Lagoa e Carvoeiro, Joaquim João, e restantes membros do executivo municipal e, em representação dos Bombeiros Voluntários de Lagoa, o Comandante Vítor Rio . ALGARVE INFORMATIVO #120


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SÃO BRÁS INVESTE NA REQUALIFICAÇÃO DA ESTRADA MUNICIPAL 514

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Estrada Municipal 514, desde o cruzamento da Mesquita com o Desbarato até à povoação de João Cavaleiro, está a ser alvo de obras de beneficiação que têm um prazo de execução de três meses. Este é o último troço desta via até ao limite do Concelho de São Brás de Alportel, na sua ligação a Olhão e à Via do Infante, que carece de renovação, apresentando zonas degradas e com abatimentos nas bermas. Para a recuperação deste troço, de 2,22 quilómetros, a autarquia vai investir 157 mil e 430,56 euros, considerando tratarALGARVE INFORMATIVO #120

se de uma obra estruturante e promotora do desenvolvimento económico e que cria melhores condições de segurança e acesso à área empresarial existente ao longo daquela estrada municipal, assim como para todo o Concelho de São Brás de Alportel. Os trabalhos em execução consistem em fresagem e saneamento das zonas degradadas, a reperfilagem da estrada, a execução de valetas em betão, melhoria das serventias e acessos, melhorias na sinalização horizontal, enchimento de bermas e pavimentação geral .

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VICE-CÔNSUL DO REINO UNIDO VISITOU SÃO BRÁS DE ALPORTEL

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ão Brás de Alportel recebeu a visita do Vice-cônsul do Reino Unido, Clive Jewell, no dia 2 de agosto, com as diversas atividades desenvolvidas pelo município e o plano de ação na prevenção dos incêndios a serem alguns dos temas de conversa, num concelho onde a comunidade britânica é a mais expressiva de todas as estrangeiras residentes no território. O Vice-cônsul foi recebido pelo Presidente da Câmara Municipal, Vítor Guerreiro, acompanhado pela VicePresidente, Marlene Guerreiro, e pelo Provedor do Residente Estrangeiro no município, Alexandre Barcia.

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São regulares as visitas e reuniões realizadas no município por membros da diplomacia britânica, num reforço constante das boas relações institucionais com a Embaixada do Reino Unido em Portugal. Para a autarquia são-brasense, esta proximidade é fundamental, para a plena integração da comunidade britânica no concelho, objetivo muito desejado e que tem vindo a ser cumprido, com uma cada vez mais ativa participação na vida social e cultural são-brasense. Esta integração é, de acordo com o executivo camarário, fundamental para o desenvolvimento económico, social e cultural da comunidade que se pretende cada vez mais inclusiva .

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DESIGNER OUTLET ALGARVE ABRE NO OUTONO

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Algarve prepara-se para descobrir o maior outlet da região sul com a abertura do novo Designer Outlet Algarve, agendada para o Outono de 2017. O projeto gerido pela austríaca ROS - Retail Outlet Shopping instala-se em Loulé com 110 lojas, numa área de 17 mil metros quadrados construída em duas fases, que permite aos visitantes desfrutar de grandes marcas premium com descontos permanentes até 70 por cento, sobre o preço de venda recomendado durante todo o ano. Especializada em conceitos inovadores em centros outlet e com mais de 20 anos de experiência no setor, a ROS - Retail Outlet Shopping reconhece no Algarve a localização ideal e privilegiada para o seu primeiro projeto em Portugal. O Designer Outlet Algarve inclui uma combinação de categorias baseada na experiência internacional, oferecendo 50 por cento de marcas de design e moda. Os segmentos de desporto, sapatos e acessórios, utensílios domésticos e roupa de criança irão assegurar uma combinação equilibrada. Considerada uma região de referência

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para o turismo nacional e internacional, o novo projeto da ROS - Retail Outlet Shopping ambiciona reforçar a dinamização do Algarve durante todo o ano, com objetivo de lutar contra a sazonalidade, através do acesso permanente às melhores marcas de vestuário e lifestyle, num espaço inspirado na região. O conceito de Outlet Village, a céu aberto, convida a fazer compras ao ar livre para desfrutar do melhor que a região tem para oferecer. Inspirado numa arquitetura regional típica, o Designer Outlet Algarve incorpora elementos regionais, modernos e típicos de uma forma inovadora, à imagem do que é verdadeiramente o Algarve. A equipa de gestão do Designer Outlet Algarve tem como objetivo dar vida à região através de ações realizadas no centro durante todo o ano, oferecendo campanhas e eventos atrativos.

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A partir do Outono, em Loulé, o novo Designer Outlet Algarve conclui o novo complexo comercial do Grupo IKEA, integrado com o MAR Shopping Algarve e

loja IKEA, um projeto que representou um investimento global de 200 milhões de euros e a criação de três mil postos de trabalho na região .

ALGARVE NOMEADO PARA «MELHOR REGIÃO DE TURISMO NACIONAL»

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Algarve está novamente nomeado na categoria de «Melhor Região de Turismo Nacional» dos Publituris Portugal Travel Awards, considerados os óscares do turismo nacional. Nesta iniciativa, que pretende distinguir os melhores agentes do setor do Turismo em Portugal, a região algarvia está representada em grande peso com 20 nomeações no total. As votações decorrem até dia 11 de setembro. Depois de vencer a edição de 2016, a Região de Turismo do Algarve volta a estar na corrida para os Publituris Portugal Travel Awards, no ano em que o destino algarvio já registou perto de seis milhões de dormidas (só até maio). No conjunto, nesta edição dos prémios o Algarve conta com 20 nomeações em diversas categorias. Na de «Melhor Hotel Resort», seis dos sete nomeados são algarvios: o Cascade Wellness & Lifestyle Resort, o Epic SANA Algarve, o Monte Santo Resort, o The Lake Resort, o Vila 91

Vita Parc Resort & Spa e o Vilalara Thalassa Resort. Na categoria «Melhor Hotel de Praia», a região está representada pelo Bela Vista Hotel & Spa, o Martinhal Sagres Beach Family Resort Hotel, o Suites Alba Resort & Spa, o Vila Galé Lagos e o Vila Joya. À conquista do galardão de «Melhor Hotel Cinco Estrelas» está o Conrad Algarve; para o «Melhor Hotel de Três Estrelas» o Dom José Beach Hotel; e para o «Melhor Hotel MICE» o Salgados Palace. Concorrem na categoria «Melhor Campo de Golfe»: o Monte Rei, o The Old Course, o Onyria Palmares, a Quinta do Lago Norte e o Vale do Lobo Royal . ALGARVE INFORMATIVO #120


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JOANA SCHENKER ARRASOU NO EUROPEU DE BODYBOARD NA COSTA NOVA

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ova edição da MISS ACTIVO CUP, nova vitória de Joana Schenker que, na Costa Nova, leva quatro triunfos consecutivos a contar para o Campeonato Europeu de Bodyboard feminino, a que junta três no Nacional. A tricampeã europeia em título entrou da melhor forma na competição, colocando-se, logo na abertura, na liderança do ranking. Recorde-se que, sempre que venceu a Miss Activo Cup, a atleta de Sagres sagrou-se campeã europeia e o domínio de Joana Schenker foi mais do que evidente na prova ilhavense. De facto, às três melhores ondas da competição (9.00, 8.67 e 8.00 pontos), Joana Schenker juntou os três melhores scores (15.50, 14.00 e 13.75 pontos). Aliás, a final, apesar das condições difíceis, com a Nortada a começar a fazer-se sentir intensamente, foi bastante disputada e até renhida, com Joana Schenker a colocar-se na frente logo à primeira onda, mas com a bodyboarder da Nazaré Teresa Almeida a responder forte e de pronto. No entanto, as pontuações não chegaram para beliscar a liderança e a vitória da algarvia. No final, Joana Schenker somou 15.50 pontos (8.67 e 6.83), o melhor score do ALGARVE INFORMATIVO #120

campeonato, enquanto Teresa Almeida averbou 13.10 pontos (6.60 e 6.50). “Estou muito feliz por alcançar o meu objetivo. É uma vitória boa no Europeu e é importante ganhar a primeira prova. Este é o meu quarto vitória na Costa Nova para o Europeu e, quando venho para cá, já venho com pressão. Houve um bom nível de surf e luta, o mar na final estava difícil, com vento e corrente fortes, mas havia ondas com potencial e tanto eu como a Teresa conseguimos apanhá-las”, analisa Joana Schenker, agradecendo ainda aos patrocinadores, designadamente Município de Vila do Bispo, Sagres Sem Álcool e Fundação do Desporto, Surf Planet, Science Bodyboards e Reeflex wetsuits. “Quero também agradecer o apoio do meu clube, a Associação Bodyboard de Sagres e ao meu treinador Francisco Pinheiro”, concluiu a tricampeã europeia de bodyboard . 92


POSTOS DE SAÚDE DE PRAIA DO ALGARVE EFETUARAM MAIS DE 2400 ATENDIMENTOS EM JULHO

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oram realizados, em julho, um total de 2413 atendimentos nos 32 Postos de Saúde de Praia, disponibilizados ao longo da costa algarvia pela Administração Regional de Saúde do Algarve, em colaboração com a Cruz Vermelha Portuguesa, no âmbito do Plano de Verão 2017. Destes, 1315 atendimentos foram para tratamentos e suturas, 378 deveram-se a picadas de peixe-aranha e insetos, 437 contemplaram medições de pressão arterial, 109 foram para administrar injeções e 143 para realizar testes de Glicemia, tendo sido registados durante este período 31 encaminhamentos para outras unidades de saúde.

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Durante o mês de julho, cerca de 66,8 por cento dos cidadãos atendidos nos Postos de Saúde de Praia não são residentes na Região do Algarve (50,8 por cento são residentes noutras regiões do país e 16 por cento são estrangeiros) e os restantes 33,2 por cento são residentes no distrito de Faro, percentagens que se justificam dado o elevado número de turistas, nacionais e estrangeiros, que se encontram na região algarvia nesta época do ano. Os Postos de Saúde de Praia com maior número de atendimentos em julho foram os de Armação de Pera, Ilha da Culatra e Ilha da Armona. Os Postos de Saúde de Praia, com o horário de atendimento entre as 10h e as 19h, têm como objetivo de assegurar cuidados de saúde de enfermagem e dar resposta a situações clínicas que possam ser tratadas no local, ou, em caso de necessidade, encaminhar o utente para uma unidade de saúde mais adequada e irão manter-se em funcionamento até 17 de setembro .

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DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 5852 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Telma Veríssimo

A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista regional generalista, pluralista, independente e vocacionada para a divulgação das boas práticas e histórias positivas que têm lugar na região do Algarve. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista independente de quaisquer poderes políticos, económicos, sociais, religiosos ou culturais, defendendo esse espírito de independência também em relação aos seus próprios anunciantes e colaboradores. A ALGARVE INFORMATIVO promove o acesso livre dos seus leitores à informação e defende ativamente a liberdade de expressão. A ALGARVE INFORMATIVO defende igualmente as causas da cidadania, das liberdades fundamentais e da democracia, de um ambiente saudável e sustentável, da língua portuguesa, do incitamento à participação da sociedade civil na resolução dos problemas da comunidade, concedendo voz a todas as correntes, nunca perdendo nem renunciando à capacidade de crítica. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelos princípios da deontologia dos jornalistas e da ética profissional, pelo que afirma que quaisquer leis limitadoras da liberdade de expressão terão sempre a firme oposição desta revista e dos seus profissionais. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista feita por jornalistas profissionais e não um simples recetáculo de notas de imprensa e informações oficiais, optando preferencialmente por entrevistas e reportagens da sua própria responsabilidade, mesmo que, para tal, incorra em custos acrescidos de produção dos seus conteúdos. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelo princípio da objetividade e da independência no que diz respeito aos seus conteúdos noticiosos em todos os suportes. As suas notícias narram, relacionam e analisam os factos, para cujo apuramento serão ouvidas as diversas partes envolvidas. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista tolerante e aberta a todas as opiniões, embora se reserve o direito de não publicar opiniões que considere ofensivas. A opinião publicada será sempre assinada por quem a produz, sejam jornalistas da Algarve Informativo ou colunistas externos.

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