Page 1

#102

ALGARVE INFORMATIVO 8 de abril, 2017

ANTÓNIO ZAMBUJO CANTA CHICO BUARQUE EM FARO FOOD SYMPHONY | SYN.TROPIA DENI VARGUES À CONQUISTA DO EVEREST MG SNOWTRIP 2017

#102 ALGARVE INFORMATIVO

1


2 ALGARVE #102 INFORMATIVO


#102 ALGARVE INFORMATIVO

3


4 ALGARVE #102 INFORMATIVO


#102 ALGARVE INFORMATIVO

5


CONTEÚDOS ARTIGOS 10 - António Zambujo 16 - Food Symphony 24 - Deni Vargues 32 - Casa do Povo do Concelho de Olhão 38 - SYN.Tropia 46- MG Snowtrip 2017 72 - Primavera em Tavira 76 - Atualidade

OPINIÃO

46

10

38 6 ALGARVE #102 INFORMATIVO

8 - Daniel Pina 58 - Paulo Cunha 60 - Paulo Bernardo 62 - Miriam Tavares 64 - Cristiano Cabrita 66 - Fábio Jesuíno 68 - Vico Ughetto 70 - António Manuel Ribeiro

16

24


#102 ALGARVE INFORMATIVO

7


OPINIÃO O regresso das 7 maravilhas! Outra vez?!! Daniel Pina

A

ssim de repente, quase sem se dar por elas, ei que voltaram as triunfantes 7 Maravilhas de Portugal e eu que pensava que o filão tinha secado depois de terem sido eleitas as melhores sete praias do país, em 2012. Mas não, a organização do concurso lá se lembrou de uma nova variante, agora em formato «Aldeias» e já são conhecidas as 49 préfinalistas, sete por cada uma das sete categorias, porque isto é um assunto sério de marketing, tem que bater tudo certo. Como sempre gostei dos livros, filmes e programas de aventura à laia do Indiana Jones e da Lara Croft, acompanhava com algum interesse este tema quando era miúdo e já na altura havia várias listas das ditas maravilhas, dependendo do organismo internacional que a elaborava. Assim, havia as Sete Maravilhas do Mundo Antigo (Jardins Suspensos da Babilónia, Pirâmides de Gizé, Estátua de Zeus, Templo de Artémis, Mausoléu de Halicarnasso, Colosso de Rodes e o Farol de Alexandria), as Sete Maravilhas da Era Medieval (Stonehenge, Coliseu de Roma, Catacumbas de Kom el Shoqafa, Torre de Porcelana de Nanquim, Muralha da China, Torre de Pisa e a Basílica de Santa Sofia) e as Sete Maravilhas dos Tempos Modernos (Grande Muralha da China, Taj Mahal, Cristo Redentor, Migração do Serengueti, Ilhas Galápagos, Grand Canyon e Machu Picchu) Entretanto, mudou o milénio, entramos no século XXI e as cabecinhas pensadoras constataram que as «velhinhas» sete maravilhas já não atraiam tantos turistas como antigamente e que era preciso uma lufada de ar fresco. O mundo também já não era o mesmo e havia novas potências que gostavam de figurar na preciosa lista, e assim se decidiu eleger as novas Sete Maravilhas, no dia 7 de Julho de 2007, designadamente a Muralha da China, a cidade de Petra (Jordânia), o Cristo Redentor (Brasil), as ruinas de Machu Picchu (Perú) e de Chichén Itzá (México), o Coliseu de Roma (Itália) e o Taj Mahal (India). Na altura, a gala de eleição realizou-se em Lisboa e a RTP aproveitou a embalagem para se escolherem igualmente as Sete Maravilhas de Portugal e, concorde-se ou não, os vencedores foram o Castelo de Guimarães, Castelo de Óbidos, Mosteiro de Alcobaça, Mosteiro da Batalha, Mosteiro dos Jerónimos, Palácio

8 ALGARVE #102 INFORMATIVO

Nacional da Pena e Torre de Belém. O problema é que os portugueses não saber parar e, como na altura não havia austeridade, começou a organizar-se um concurso todo os anos. Primeiro foram as «Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo» - Fortaleza de Diu (Índia), Basílica do Bom Jesus (Goa, Índia), Convento de S. Francisco de Assis da Penitência em Ouro Preto e o Convento de S. Francisco da Ordem Terceira em Salvador da Baía, Fortaleza de Mazagão (Marrocos), Cidade Velha de Santiago (Cabo Verde), Igreja de São Paulo (Macau). Depois as «Sete Maravilhas Naturais» Floresta Laurissilva, Parque Nacional da Peneda-Gerês, Grutas de Mira de Aire, Lagoa das Sete Cidades, Portinho da Arrábida, Ria Formosa, Paisagem Vulcânica do Pico. Depois, as «Sete Maravilhas da Gastronomia» - Alheira de Mirandela, Queijo da Serra da Estrela, Caldo Verde, Arroz de Marisco, Sardinha Assada, Leitão da Bairrada e Pastel de Belém. Em 2012, chegou a vez de eleger as sete melhores praias do país e, curiosamente, algumas praias algarvias que todos os anos figuram entre as melhores da Europa e do Mundo, nem sequer fizeram parte do lote das 21 finalistas, se calhar porque as câmaras municipais não tiveram dinheiro para gastar em candidaturas, pois vivia-se o pico da crise. Votos para aqui, votos para acolá, decidiu-se que as 7 Maravilhas – Praias de Portugal eram a Praia do Porto Santo, a Praia de Vila Nova de Milfontes, a Praia de Odeceixe, a Lagoa do Fogo, a Praia da Zambujeira do Mar e a Albufeira do Azibo. Cinco anos volvidos, cá temos nova edição das 7 Maravilhas de Portugal, agora toca a selecionar as melhores aldeias portuguesas e, como a crise já passou, puxou-se pela cabeça para se inventar sete categorias – Rurais, Ribeirinhas, Remotas, em Áreas Protegidas, Monumento, de Mar e Autênticas – com sete finalistas em cada uma, para perfazer o simpático número de 49 finalistas. O Algarve até nem se pode queixar, temos seis aldeias no lote final, a saber Paderne, Cachopo, Bordeira, Ferragudo, Estoi e Alte. Agora, toca a votar até dia 20 de agosto, altura em que são escolhidas as 14 finalistas, para depois se seguirem mais duas semanas de votos até se conhecerem as grandes vencedoras, a 3 de setembro .


#102 ALGARVE INFORMATIVO

9


ENTREVISTA

10 ALGARVE #102 INFORMATIVO


ANTÓNIO ZAMBUJO canta CHICO BUARQUE em Faro Texto:

Fotografia:

António Zambujo proporcionou um dos melhores concertos da edição de 2016 do Festival F, com milhares de pessoas a cantarem os seus temas no recinto das Muralhas de Faro. No próximo dia 15 de abril, o alentejano está de regresso à capital algarvia, desta vez num espaço mais intimista, o Teatro das Figuras, e para uma noite diferente, num tributo especial a Chico Buarque.

#102 ALGARVE INFORMATIVO

11


A

ntónio Zambujo lançou, em 2016, o seu sétimo álbum de estúdio, um trabalho especial, «Até Pensei Que Fosse Minha», onde interpreta temas de Chico Buarque com o seu cunho pessoal. Após o lançamento, a tournée começou em terras brasileiras, nomeadamente no Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo, e o disco saltou, de imediato, para o top 10. De regresso a Portugal, a digressão já incluiu três concertos esgotados no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian e tem datas marcadas para os Coliseus do Porto e Lisboa, mas também na Espanha, França e Reino Unido. Antes disso, porém, António Zambujo ruma ao Algarve, para um concerto no dia 15 de abril, no Teatro das Figuras, em Faro, a que se segue outro, a 27 de maio, no Centro de Congressos do Arade, em Lagoa. “Serão duas noites inteiramente dedicadas ao Chico Buarque. A música brasileira tem uma influência muito grande em tudo aquilo que eu faço enquanto artista e o Chico Buarque é uma pessoa, um cantor e um compositor que sempre admirei, daí querer prestar-lhe uma humilde homenagem”, conta o entrevistado, reconhecendo que fazer a seleção final dos temas a incluir em «Até Pensei que Fosse Minha» foi uma tarefa bastante complicada. “Com tantos anos de carreira e de coisas boas, o mais difícil foi resumir isso tudo a um disco. Aliás, podia ter feito vários discos que teria ficado plenamente satisfeito com todas as escolhas”, garante. Um projeto que contou com uma forte participação do próprio Chico Buarque,

12 ALGARVE #102 INFORMATIVO

para surpresa de António Zambujo, admite, com um sorriso. “Quando fazemos um disco para homenagear um músico, não temos intenção de andar a chatear o senhor ou a dar-lhe trabalho, mas ele quis envolver-se diretamente. Canta numa música e ajudou-me bastante na parte da pré-produção. Nada como estar com o criador para


tirar algumas dúvidas que iam aparecendo no caminho”, destaca, acrescentando que, como é óbvio, não se trata de um típico disco de covers. “Em todas as músicas há uma apropriação da minha parte para tentar recriá-las com o meu estilo pessoal. Para fazer igual ao Chico, já chega o que ele fez e que é insuperável”.

Esta visão pessoal da obra de Chico Buarque tem sido, entretanto, muito bem recebida pelo público e pela crítica, de tal modo que o disco tem estado no Top 10 desde o seu lançamento e os concertos registam, invariavelmente, lotação esgotada, como é o caso do espetáculo de dia 15 de abril, no Teatro #102 ALGARVE INFORMATIVO

13


das Figuras. “A aceitação tem sido fantástico, o que me deixa muito contente, claro”, indica, ao mesmo tempo que reconhece que este tipo de concerto não se adapta a todos os recintos. “A partir de junho voltamos a tocar em espaços ao ar livre, com as minhas músicas, como temos feito nestes últimos anos”. Grandes festivais e feiras que ainda são uma experiência recente para António Zambujo, confessa, o que não o impede de desfrutar imenso quando está em cima do palco. “A adaptação não foi fácil, porque a nossa música encaixa-se melhor em locais mais intimistas, em espaços fechados. Quando fazemos música, o processo 14 ALGARVE #102 INFORMATIVO

criativo é sempre um pouco egoísta, compomos de acordo com o que mais gostamos. Ao mesmo tempo, temos a esperança de que haja mais pessoas que se identifiquem com o nosso produto e, felizmente, cada vez vejo mais público a assistir aos nossos espetáculos”, observa o alentejano, satisfeito por agradar a portugueses de várias gerações, dos mais novos aos mais seniores. “Gosto de perceber as diferentes reações na assistência, porque cada um prefere mais esta ou aquela música. O importante é que as pessoas lá estejam, vou ao Algarve com muito gosto e espero que apreciem o que tenho para lhes mostrar” .


#102 ALGARVE INFORMATIVO

15


REPORTAGEM

FOOD SYMPHONY Quando a comida gourmet e a música clássica se juntam à mesa… Texto:

16 ALGARVE #102 INFORMATIVO

Fotografia:


#102 ALGARVE INFORMATIVO

17


Maestro Rui Pinheiro a conduzir a Orquestra Clรกssica do Sul

Osvalde Silva, Chef Executive do Conrad Algarve

18 ALGARVE #102 INFORMATIVO


N

a noite de 31 de março, o Algarve Informativo aceitou o convite da direção do Conrad Algarve para um serão cultural diferente, uma «Food Symphony» resultante de uma parceria entre a Orquestra Clássica do Sul e esta unidade hoteleira de cinco estrelas localizada na Quinta do Lago. Não se tratava, porém, de um espetáculo normal, daqueles em que se janta tranquilamente e, só no final da refeição, é que começa a música. Neste evento inovador, o objetivo era proporcionar uma experiência sensorial em que o paladar e a audição estivessem lado a lado, numa viagem por cinco países europeus onde a degustação gastronómica do Chef Osvalde Silva e a música clássica dirigida pelo Maestro Rui Pinheiro caminharam de mãos-dadas. Portugal, Itália, Alemanha, França e Áustria inspiraram, então, as melodias e os sabores que encantaram uma sala completamente cheia de hóspedes do Conrad Algarve, mas também com muitos residentes estrangeiros na zona, nomeadamente Quinta do Lago e Vale do Lobo, já espetadores assíduos dos eventos promovidos por um dos hotéis de luxo mais premiados do país. A abrir a refeição, Ostra da Ria Formosa com Abacaxi assado dos Açores e biqueirão, enquanto se escutava atentamente «Noite de Verão no Rio», de Frederick Delius. De seguida, foi a vez de Linguini nero com camarão, tomate e alcaparras, ao som de «Saltarello» da Sinfonia N.º 4 «Italiana» de Felix Mendelssohn.

A meio da fantástica experiência gastronómica, e musical, um Sorvete de Ruibarbo, com a Orquestra Clássica do Sul a interpretar «Allegretto Grazioso» da Sinfonia N.º 2 de Johannes Brahms. Depois, um Lombo de Charolais com batata gratin e molho Bordalês e as melodias «Overture», «Menuet» e «Gavotte» de «Masques et Bergamasques» de Gabriel Fauré, antes de terminar com «Apfelstrudel» com gelado de baunilha e as «Vozes da Primavera» de Johann Strauss, e um café musicado com «Festa Portuguesa» de G. Vinter. Os vinhos, como é óbvio, foram escolhidos a dedo para complementar toda a experiência, com o Branco Fossil (Lisboa 2015), o Tinto Luís Pato Colheita Selecionada (Bairrada 2013) e o Porto Taylors (L.B.V. 2011). No final, a opinião era unânime, uma noite soberba, o melhor da gastronomia e da música clássica juntos numa «Food Symphony» que também deixou encantada a diretora do Conrad Algarve, Katharina Schlaipfer. “A Orquestra Clássica do Sul tinha vontade de fazer um concerto que envolvesse de perto a vertente gastronómica e ficamos muito contentes por terem entrado em contato connosco. Depois, o Chef Osvalde Silva criou o menu para fazermos esta viagem por cinco países e os nossos hóspedes estavam ansiosos pela experiência. Já tínhamos organizado um evento com a Orquestra em torno dos vinhos, agora foi com comida e é natural que façamos mais

#102 ALGARVE INFORMATIVO

19


alguma coisa nos próximos tempos”, referiu a alemã, de sorrisos nos lábios. Antes do evento ter começado, já Rui Pinheiro tinha deixado antever que a noite seria, de facto, especial, onde a música não seria um simples acompanhamento do jantar. “Quisemos criar uma experiência única em que a cada prato correspondesse uma peça de música e que fossem degustados em conjunto. Para além do paladar, do cheiro, do impacto visual dos pratos, queríamos puxar pela audição, desafiar todos os sentidos”, explicou o Maestro da Orquestra Clássica do Sul. “Tentamos perceber a essência de cada um dos pratos elaborados pelo Chef Osvalde Silva e escolher uma peça de música que combinasse. Espero que seja algo para repetir no futuro, encarar a gastronomia como uma arte à qual se junta uma outra, a música”. Sem mãos a medir andava, como se adivinha, o Chef Osvalde Silva e sua equipa, porque não era fácil preparar cinco pratos ilustrativos dos cinco países escolhidos para esta viagem gastronómica e musical. “Iniciamos com uma entrada a representar Portugal, nomeadamente a Ria Formosa;

20 ALGARVE #102 INFORMATIVO


Katharina Schlaipfer, Diretora-Geral do Conrad Algarve, e Ricardo Afonso, Diretor de Marketing do Conrad Algarve

Emorita Silva e Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve

#102 ALGARVE INFORMATIVO

21


seguimos para uma pasta italiana com camarão da costa algarvia; vamos até à Alemanha para um sorvete de ruibarbo, que corta os sabores anteriores. Para prato principal, rumamos para França e concluímos com uma sobremesa austríaca modificada em massa folhada”, descreveu, em traços gerais, o menu, que demorou alguns meses a ser imaginado e preparado. Quem não faltou a esta «Food Symphony» foi Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve, que enalteceu igualmente o regresso do Festival Internacional de Música do Algarve após alguns anos de interrupção. “Estamos numa unidade hoteleira de referência a nível mundial e a comida gourmet é outra oferta de qualidade

22 ALGARVE #102 INFORMATIVO

superior que o Algarve tem para proporcionar aos seus visitantes. Boa música, excelente gastronomia, em sintonia perfeita, estamos todos de parabéns com este evento”, salientou o dirigente, lembrando outros programas semelhantes dinamizados através do Programa «365 Algarve». “Temos o «Jazz nas Adegas», o «Fado & Wine», esta «Food Symphony», com produtos da região e a nossa identidade cultural a afirmar-se cada vez mais. É um sinal forte de que estamos a recuperar as nossas tradições e saberes para que os turistas usufruam de experiências e emoções diferentes. Se cada um, no público e no privado, fizer o que tem de fazer, temos todas as condições para caminhar para a sustentabilidade da região”, terminou Desidério Silva .


#102 ALGARVE INFORMATIVO

23


ENTREVISTA

24 ALGARVE #102 INFORMATIVO


DENI VARGUES UM CONTABILISTA À CONQUISTA DO EVEREST Enquanto milhares de colegas andam de volta do cálculo do IRS, IVA, Segurança Social, Retenção na Fonte e afins, Deni Vargues vai concretizar um sonho de infância, a escalada do Monte Everest. Praticante de caminhadas há muitos anos, o contabilista tem passado os últimos meses numa intensa preparação para um dos maiores desafios de qualquer apaixonado pela natureza e por desportos de aventura, numa expedição onde terá por guia o consagrado alpinista João Garcia. Texto:

Fotografia:

A

caminho dos 44 anos, Deni Varques nasceu na Austrália, mas veio para Portugal logo aos sete anos, tendo-se fixado, primeiro em Benafim, depois em Loulé, e é desta cidade que vai todos os dias para a Quinta do Lago, a correr ou de bicicleta, para exercer a sua profissão de contabilista no Ria Park Hotel. As caminhadas de autonomia são uma paixão antiga, aliás, tinha acabado de passar #102 ALGARVE INFORMATIVO

25


um fim-de-semana a percorrer a Serra de Monchique, mais uma etapa da preparação para a escalada do Monte Everest, sonho que começou a ganhar contornos mais firmes há três ou quatro anos. “Era para ir sozinho, mas a ideia não agradava muito à minha família, com medo que me acontecesse alguma coisa e eu ficasse perdido no meio do nada. Entrei então em contato com malta de Lisboa e formou-se um grupo para atacar o Everest, queremos ir até aos cinco mil e 600 metros”, conta Deni Vargues. A partida está marcada já para dia 19 de abril, numa aventura que contempla 14 dias de caminhada, mais cinco dias passados em viagens de avião, de Lisboa para Londres, Deli e Katmandu. “O meu principal receio é a «doença da montanha», por causa das dificuldades que há para respirar àquela altitude, daí ter começado a treinar com uma máscara de oxigénio há três ou quatro meses. É um problema que acontece com alguma regularidade em grupos organizados, porque há um objetivo definido para alcançar em cada dia de escalada e, às vezes, uma pessoa não quer ficar para trás e ultrapassa os seus limites. Os sintomas são dores de cabeça e má disposição e, como ninguém gosta de dar parte fraca, ignora os avisos do corpo”, explica o entrevistado. Com o movimento a aumentar bastante na região algarvia, ainda mais em altura da Páscoa, Deni Vargues enaltece a compreensão e apoio dos seus superiores e colegas do Ria Park Hotel, revelando que estas expedições só se podem realizar nesta altura do ano ou, mais tarde, entre outubro e dezembro, por serem meses 26 ALGARVE #102 INFORMATIVO

onde as temperaturas não são tão baixas (de três a 25º negativos) e por as condições climatéricas serem mais estáveis. A acompanhar o grupo não poderiam ter um guia mais experiente, nada mais, nada menos, que o conceituado alpinista João Garcia. “Sou o único algarvio do grupo e não sei se o resto do pessoal tem alguma experiência ou se também se vão estrear no Everest. O João enviou-me


uma lista com o material para levar e conselhos para me ir preparando”, indica. Material que, como se adivinha, tem que ser criteriosamente selecionado, não só pelas restrições de peso que pode levar nos aviões até Katmandu (23 quilos no porão e mais cinco junto ao assento), que depois baixa para os 15 quilos na última etapa por ar, por se tratar de um avião mais pequeno, mas também pelo próprio

peso que cada um pode carregar às costas. “Só podemos levar três ou quatro quilos e o sherpa transporta, no máximo, 10 quilos, porque está mais habituado àquela altitude. O essencial é a roupa, porque começamos com menos peças vestidas e, à medida que vamos subindo, vamos acrescentando mais camadas de vestuário. No regresso é o processo inverso”, refere. “A alimentação vai ser à base de vegetais e #102 ALGARVE INFORMATIVO

27


arroz e vamos pernoitar nas cabanas que se encontram ao longo do percurso, umas com melhores condições do que outras”.

A par da exigência física e mental, escalar o Monte Everest também implica um esforço financeiro considerável, com o orçamento a variar consoante uma pessoa vá sozinha, siga de Lisboa num grupo organizado ou contrate uma empresa especializada já no Nepal. A opção acabou por recair em integrar o grupo liderado por João Garcia, um dos ídolos de Deni Vargues, com um custo que se aproxima dos três mil euros. “Apoios financeiros de entidades nem tentei arranjar, sei que é muito difícil. As minhas férias normalmente envolvem aventuras em autonomia, onde não gasto dinheiro com estadia ou alimentação, para agora conseguir concretizar este sonho”, frisa. “É uma experiência que fica para a vida, vale a pena o esforço”. A contar os dias para a partida, a preparação tem sido, como referido, intensa, caminhadas com muitas subidas e descidas, sempre com a máscara de oxigénio, para se preparar para as condições que vai encontrar no Monte Everest. “É normal ter dores de cabeça naquela altitude, por isso, faz-se uma aclimatização, sobe-se 600 metros de acumulado por dia e volta-se para baixo. É uma subida lenta, mas há pessoas que não se adaptam e esse é o meu principal medo, não conseguir chegar aos 5.600 28 ALGARVE #102 INFORMATIVO

metros”, admite, motivo pelo qual depressa adquiriu a tal máscara de oxigénio. “No início foi extremamente difícil, faltava-me sempre ar nas subidas, agora já aguento. Fui à Serra Mulhacén, o ponto mais alto da Península Ibérica com quase 3.500 metros, e correu tudo bem. Este fim-de-semana subi a Serra de Monchique, com mais peso nas costas e sem máscara. As subidas não me incomodam, o problema é estar habituado a viver ao nível do mar, com muito oxigénio. No Everest, se os sintomas aparecerem, ou voltamos para trás, ou avançamos e corremos o risco de ter um problema grave de saúde”. No pico da sua condição física, o desporto faz parte da vida de Deni Vargues quase desde que nasceu, todos os dias corre ou anda de bicicleta e há uns anos participou num triatlo Iron Man, constituído por três mil e 800 metros a nadar, 180 quilómetros de bicicleta e 42 quilómetros de corrida. A alimentação é, como se adivinha, muito saudável, mas fez algumas mudanças nos últimos meses para aumentar a quantidade de glóbulos vermelhos no corpo. “Passei a ingerir produtos com mais ferro – iscas, laranjas, lentilhas – para transportar melhor o oxigénio para o cérebro, porque a «doença da montanha» pode dar a qualquer pessoa, mesmo que pratique bastante desporto”, aponta. “Estou consciente dos perigos e, se tiver dores de cabeça durante dois ou três dias, não arrisco. Ou volto logo para trás ou fico naquele patamar à espera que o grupo regresse, porque os outros não podem parar quando algum elemento fica impedido de continuar” .


#102 ALGARVE INFORMATIVO

29


30 ALGARVE #102 INFORMATIVO


#102 ALGARVE INFORMATIVO

31


REPORTAGEM

CASA DO POVO DO CONCELHO DE OLHÃO FESTEJOU 83.º ANIVERSÁRIO A Casa do Povo do Concelho de Olhão assinalou, no dia 28 de março, o seu 83.º aniversário e o Algarve Informativo esteve à conversa com o presidente da direção Joaquim Fernandes, para conhecer os novos projetos da instituição, mas também as duras batalhas que se travam no dia-a-dia do associativismo em Portugal. Texto:

32 ALGARVE #102 INFORMATIVO

Fotografia:


N

o passado dia 28 de março, a Casa do Povo do Concelho de Olhão soprou as velas de mais um bolo de anos, o 83.º de uma história dividida em dois momentos perfeitamente definidos. O primeiro decorreu da iniciativa do Estado Novo para construir as Casas do Povo para dar resposta às necessidades do Mundo Rural, do ponto de vista médico e assistencial. Seguiu-se, depois, uma travessia de duas décadas em que a instituição foi perdendo fulgor, quase remetida às suas quatro paredes, até terem sido eleitos, há 10 anos, novos corpos sociais, cuja direção é encabeçada por Joaquim Fernandes. “Numa fase inicial desenvolvemos um intendo trabalho de recuperação do edifício, que é um património arquitetónico de enorme importância. Depois, como não fazia

sentido termos uma sede que fosse um espaço museológico, procuramos criar atividades para atrair mais sócios”, referiu Joaquim Fernandes, momentos depois do içar das bandeiras da instituição, numa cerimónia que contou com a presença da Vereadora da Câmara Municipal de Olhão, Gracinda Rendeiro, bem como de Margarida Flores, Diretora Distrital da Segurança Social de Faro. Hoje, são mais de 20 as atividades regulares dinamizadas pela Casa do Povo do Concelho de Olhão, muitas delas englobadas na Universidade Sénior, que têm envolvido, nos últimos nove anos, cerca de dois mil e 200 sócios. “É um case study, uma situação, se calhar, única em Portugal. A vila de Moncarapacho terá, porventura, mil habitantes, portanto, é raro haver um

Gracinda Rendeiro, vereadora da Câmara Municipal de Olhão, Joaquim Fernandes, presidente da Direção da Casa do Povo do Concelho de Olhão, e Margarida Flores, Diretora Distrital da Segurança Social de Faro #102 ALGARVE INFORMATIVO

33


crescimento tão grande e rápido nestas circunstâncias”, considera Joaquim Fernandes. “Quem desejar utilizar as nossas valências tem que ser sócio, mas nada seria possível sem o trabalho voluntário generoso de muitas pessoas. Há que valorizar a dedicação e empenho destes homens e mulheres, dos chamados carolas”, acrescentou. Com um orçamento anual na ordem dos 100 mil euros, Joaquim Fernandes explica que 13 por cento das verbas provém do Instituto do Emprego e Formação Profissional e 6 por cento chegam da autarquia de Olhão. Mediante um protocolo com o Banco Alimentar Contra a Fome do Algarve são distribuídos cerca de 30 mil euros em produtos alimentares a 150 famílias carenciadas, devidamente sinalizadas pela Segurança Social. “Uma fatia importante do nosso orçamento advém de donativos, à volta de 32 mil euros por ano, ao passo que a quotização representa apenas 10 por cento do total de receitas”, revela o entrevistado. 34 ALGARVE #102 INFORMATIVO

Olhando para as atividades, praticamente todas são desenvolvidas no edifício sede da Casa do Povo, com exceção do futsal e da escalada ao Cerro de São Miguel, uma tradição antiga que se recuperou há alguns anos e que regista a adesão de centenas de participantes. “Temos um grande carinho para que haja um rejuvenescer das iniciativas populares, ainda mais numa região que aposta fortemente no turismo. São as nossas diferenças positivas que atraem pessoas”, defende, lembrando que foi também aquando da sua passagem pela presidência do Futebol Clube de Bias que se voltaram a dinamizar os «Maios» no concelho de Olhão. “Há uma série de atividades em que reunimos a população local com a comunidade estrangeira que reside no concelho. Temos cerca de 300 sócios de outras nacionalidades a utilizar com regularidade as instalações da Casa do Povo, que vêm aqui praticar o Pilates, a


dança escocesa, a sevilhana, aprender o português, francês e inglês, a história de Portugal, saúde, biologia, cultura geral. São pessoas com um determinado poder económico e bastante solidárias, que valorizam o nosso trabalho”, destaca Joaquim Fernandes. Neste cenário, as Casas do Povo não podem continuar a funcionar à moda antiga, como no tempo do Estado Novo, e o entrevistado dá um conselho que pode simplificar muito a tarefa dos dirigentes associativos: “Leiam os estatutos! O propósito de uma associação é criar sócios e dar resposta aos seus anseios. Há alguns que ficam contentes simplesmente a beber um café, jogar cartas ou matraquilhos. Há outros que são mais exigentes e que nos obrigam a ser mais dinâmicos”, observa. “Vamos criando atividades à medida que vão surgindo as oportunidades e de acordo com as solicitações dos associados”.

Não parar, enquanto houver energia e vontade, é a receita de sucesso na Casa do Povo do Concelho de Olhão, mas o dia-a-dia também depende dos protocolos que sejam celebrados com o poder central e local. “Temos um sonho que está no terreno e cujo projeto de arquitetura está para aprovação na Câmara Municipal, depois da Segurança Social já ter dado o seu aval. Falo de um Centro de Atividades Ocupacionais mais vocacionado para pessoas com dificuldades cognitivas e que pretende conferir-lhes algumas capacidades e autonomias, para o seu próprio desenvolvimento pessoal e autoestima, e para desempenharem tarefas no mercado laboral”, adianta Joaquim Fernandes. “Estamos convictos que, logo que abram as candidaturas ao Portugal 2020, o projeto estará totalmente aprovado, pois só com fundos comunitários é que poderemos avançar” .

Planta do projeto de ampliação para incorporar o Centro de Atividades Ocupacionais, o grande sonho da Casa do Povo do Concelho de Olhão #102 ALGARVE INFORMATIVO

35


36 ALGARVE #102 INFORMATIVO


#102 ALGARVE INFORMATIVO

37


REPORTAGEM

SYN.Tropia: Um concerto de dança para todas as audições Texto:

38 ALGARVE #102 INFORMATIVO

Fotografia:


#102 ALGARVE INFORMATIVO

39


O

programa do Festival Som Riscado descrevia «SYN.Tropia» como um concerto-dança para surdos e outras audições, numa coprodução do Cine-Teatro Louletano, do Centro de Estudos de Ovar e do Teatro de São Luiz que pretendia ir muito para além dos espetáculos sonoros a que estamos habituados a assistir. A conceção e interpretação são da responsabilidade de Yola Pinto (bailarina e coreógrafa) e Simão Costa (pianista e compositor), que desde 2011 têm trabalhado juntos na pesquisa em volta do som e das várias formas como pode ser escutado. “É um projeto que decorre do C_Vib, que esteve na edição de 2016 do Som Riscado, onde quatro esculturas sonoras exploravam, de uma forma bastante interativa, os percursos físicos do som, a relação do toque com a perceção sonora. Temos tido a sorte de 40 ALGARVE #102 INFORMATIVO

nos cruzarmos com programadores culturais que acreditam francamente neste tipo de trabalho – às vezes sem se saber bem onde vão dar estas pesquisas e investigações – como é o caso do Paulo Pires, da Susana Duarte e da Fátima Alçada”, destaca Yola Pinto, depois de terminada a primeira sessão do dia 5 de abril. O espetáculo utiliza, então, informações que provêm do som mas que não chegam através do ar, mas sim pelo tato e pela visão, traduzindo-se na fusão de duas realidades performáticas, a dança e o som, com sons graves para serem percecionados pelas pessoas surdas. “A ideia é tratarmos todos equitativamente nas suas diferenças e não deixamos de fora as pessoas que ouvem, embora o espetáculo remeta, claramente e desde o início da sua


criação e pesquisa, para o paradigma de quem não ouve. Trabalhamos com o polo de Lisboa da Associação Portuguesa de Surdos, que nos acolheu com muito entusiasmo e simpatia, e há bastante para aprender com eles”, refere Simão Costa. “Temos o hábito de separar os sentidos, colocar cada um na sua gaveta, mas há diversos estudos recentes de neurologia e neurofisiologia que dizem que não é bem assim que as coisas funcionam. Há uma interinfluência muito maior dos cinco sentidos do que aquilo que acreditamos”, reforça o compositor. Do conceito à prática, «SYN.Tropia» não tem um enredo propriamente dito, antes, sim, uma segmentação dramatúrgica mais ligada às formalidades da música, ou seja, é um espetáculo dividido em sete faixas, ecossistemas.

#102 ALGARVE INFORMATIVO

41


“Esta ligação entre a sintropia, que significa juntos na mesma direção, na mesma forma, e o seu oposto, a entropia, que personifica a desorganização do sistema, é explorada por estímulos visuais, objetos, luzes, desenhos, movimentos, tudo o que provoque o som”, adianta Yola Pinto. Depois, em palco, a dupla desfruta dos muitos meses de pesquisa e trabalho árduo. “Por mais enfase que possamos dar à dinâmica do processo, subir ao palco é o momento de apresentação dos resultados. Há muitos pormenores a desenvolver para além da performance, porque estamos também a dirigir todo o projeto, e valemo-nos da experiência acumulada e da escolha dos tempos e segmentação para que tudo corra bem”, acrescenta Simão Costa. Quando entra o público, a dupla sabe bem o que tem que fazer, mas não entra

42 ALGARVE #102 INFORMATIVO

simplesmente em piloto-automático, porque cada espetáculo encerra os seus próprios mistérios. “Dado o nível de detalhe exigido, reservamos uma boa parte da nossa energia para o momento da interpretação. Estamos em constante escuta e diálogo com o público, caminhamos juntos, há uma grande disponibilidade para encaixarmos as suas reações no espetáculo. O público é a última peça do puzzle, que convidamos para se sentar, connosco, numa plateia cheia de dispositivos estáticos”, sublinha Yola Pinto. Simão Costa lembra, entretanto, que a natureza é, em muitos casos, sintrópica, produz mais energia do que utiliza. “Pensamos que o dispêndio de energia tem um desperdício, uma componente que é incontrolável, andamos sempre numa dinâmica de esforço. Contudo, na natureza,


apanhamos boleia de sistemas mais abrangentes. Neste espetáculo, definimos dinâmicas de improvisação, mas estruturadas, mudando os tempos em função da reação do público”, descreve o músico. “Se as dinâmicas de jogo se estabelecerem de forma favorável, há secções que crescem. Quando as pessoas não estão tão disponíveis, cumpre os objetivos a que se propôs e seguimos para a «faixa» seguinte. É um concerto de dança onde exploramos e evidenciamos a maneira como o som tem impacto no corpo”, concluem Yola Pinto e Simão Costa, antes de começarem a preparar o espetáculo do início da tarde . #102 ALGARVE INFORMATIVO

43


44 ALGARVE #102 INFORMATIVO


#102 ALGARVE INFORMATIVO

45


REPORTAGEM

MG SNOWTRIP 2017 DO ALGARVE PARA OS ALPES Texto:

46 ALGARVE #102 INFORMATIVO

Fotografia:


#102 ALGARVE INFORMATIVO

47


A

experiência da alta montanha é algo que aqui pelo Algarve parece exótico para a maior parte de nós. No entanto, temos boas razões para que isso assim não seja. Primeiro, porque temos a montanha mais alta da Península Ibérica a «apenas» cinco horas de distância – a Sierra Nevada – com os seus 3.480 metros no pico mais alto. Segundo, porque a presença do aeroporto na capital algarvia nos dá acesso direto a vários destinos nos Alpes, e cada vez mais as companhias «low-cost» voam também durante o Inverno a preços extremamente acessíveis. E, em terceiro, porque a oferta de pacotes de férias de Inverno para todos os gostos (e bolsas) é muita. Pessoalmente, adoro a montanha, seja para descer ou para subir, de Inverno ou de Verão. E foi no sentido de partilhar estas emoções fantásticas nos picos nevados que me juntei à equipa da MG Snowtrip. Este grupo de apaixonados pela neve oferece um programa único e muito interessante a quem se quer aventurar nos Alpes: um curso de ski e snowboard com instrutores portugueses, festas, campeonatos, jogos e refeições - tudo incluído no preço base. Acima de tudo, vive-se um ambiente fantástico e quase familiar, o que acaba por ser a principal razão e propósito de qualquer viagem: passar o melhor tempo possível a fazer o que se gosta. 48 ALGARVE #102 INFORMATIVO


Descer fora de pista pela floresta é uma sensação única. João Saraiva entre as árvores dos Alpes Franceses

#102 ALGARVE INFORMATIVO

49


Dito isto, há muito mais para além da montanha do que aquilo que se vive numa semana a esquiar ou a fazer snowboard. Tive o privilégio de me dedicar aos ambientes Alpinos de forma mais permanente (com o projeto «The Perfect Winter», por exemplo) mas acabo por voltar sempre a esta viagem com muito gosto, já que, apesar de tudo, é com os velhos amigos que se vivem melhor as grandes emoções, seja na montanha, no mar ou em qualquer envolvência.

A estância onde a MG assentou arraiais nos últimos anos é o domínio La Fôret Blanche, com duas vilas principais onde os turistas se podem instalar: Vars, muito conhecida pelos seus snowparks e ambiente mais «radical»; e Risoul, com uma vertente mais familiar e de grupo. Foi nesta encosta que se alojaram os mais de 200 participantes da MG Snowtrip. Entre as duas vilas há mais de 180 quilómetros de pistas a descobrir, bem como encostas e vales fantásticos para descidas fora de pista. As manhãs desta viagem foram ocupadas com as aulas dos vários níveis de ski e snowboard. Aprender as técnicas para começar ou 50 ALGARVE #102 INFORMATIVO


#102 ALGARVE INFORMATIVO

51


Foram mais de duas centenas de participantes que aproveitaram a neve ao máximo na MG Snowtrip 2017

progredir nas modalidades com estes conhecedores da montanha é, sem dúvida, um dos pontos altos da semana - são muitos anos de experiência, transmitida em português e com toda a segurança. As tardes foram de ocupação livre, para desfrutar da neve com a família ou conhecer a vasta região esquiável, em pista, fora dela ou ainda nos vários snowparks de classe mundial de Vars. Aliás, é sempre fantástico ver a evolução dos snowboarders portugueses que participam nesta viagem. Este ano contámos não só com a presença de alguns dos melhores praticantes nacionais, que marcaram o snowpark com manobras espetaculares, como também do fotógrafo profissional Joe Mann (Got it Freestyle Shootings), que efetuou o registo em vídeo e fotográfico da MG Snowtrip 2017.

Houve também lugar a várias festas de final de tarde a cargo deste que vos escreve que, para não variar, foram um sucesso entre os turistas portugueses e não só. Afinal, nada como chegar das pistas e ser recebido com boa música e ambiente de festa numa esplanada com vista para os Alpes. 52 ALGARVE #102 INFORMATIVO


#102 ALGARVE INFORMATIVO

53


54 ALGARVE #102 INFORMATIVO


Diversão e boa música não faltaram com DJ Sir Aiva nos eventos aprés-ski

As descidas no snowpark serviram de treino aos atletas para o campeonato MG, que se realizou no Park noturno de Risoul. Foi montado um sistema de som e luz e preparou-se um churrasco para espetadores e participantes. Apesar da neve e do frio que resolveram aparecer nesta noite, o campeonato disputou-se com um nível muito alto - e só não chegou ao fim porque, já na segunda ronda, aconteceu um blackout que deixou o recinto (e não só) às escuras! Ainda assim, o churrasco continuou num ambiente bem português com entremeada e febras, e regado com muita... boa disposição. A entrega dos prémios teve lugar numa festa com lotação esgotada no clube Annapurna, em Risoul, na última noite, e foi aqui que foram conhecidos os vencedores da competição: Carolina Gaspar levou a melhor nas meninas, Nuno Dias ganhou na categoria «Rookies», enquanto que Robinson Weiske foi o grande vencedor na categoria «Profissionais». Os troféus (feitos à mão pelo «shaper» da Freshlines Snowboards, Hugo Caçola) e o prize-money de 500 euros foram distribuídos pelas várias categorias e a festa continuou rija pela noite fora. Dormir? Ninguém se preocupou muito com isso... Até para o ano MG Snowtrip! . #102 ALGARVE INFORMATIVO

55


56 ALGARVE #102 INFORMATIVO


#102 ALGARVE INFORMATIVO

57


OPINIÃO

«Gostos» à parte Paulo Cunha

C

ontactaram-me, por mais de uma vez, questionando a minha disponibilidade para fazer crítica discográfica, bem como crítica a espetáculos musicais realizados no Algarve, ao que respondi que muito me honravam tais convites, mas entendia não me sentir bem a avaliar publicamente a criatividade e o labor dos meus pares. Até porque: “Quem sou eu para colocar em causa a criação e a prestação artística dos outros?...”! Por isso sempre adotei uma postura de apreciação em relação ao que me foi dado a «ouver». Tão simples: se me «tocou» e me agradou, seja por que razão for, terei todo o prazer em partilhar a satisfação que tal manifestação musical me provocou; se, pelo contrário, a obra em análise não me provocou qualquer reação, tentarei perceber a razão pela qual a mesma «nada me disse». Se ainda assim me for solicitada uma «apreciação pública», fá-lo-ei valorizando os seus aspetos positivos, porque tê-losá por certo! Em última análise, tento preservar duas características que muito prezo – o positivismo e a independência! Vivemos tempos em que a certificação dada por outrem é cada vez mais importante na escolha seja do que for. A opinião alheia condiciona e direciona a nossa sem que disso, aparentemente, demos conta. Sem aconselhamento prévio, vemo-nos muitas vezes em situações em que a hesitação e a insegurança substituem a ação esperada, desejada e consentânea com a nossa forma de ser e de estar na vida. Colocando nas mãos de outros a decisão sobre aspetos que condicionam a nossa existência, permitimos que «ditadores» por nós criados ditem tendências, modas, comportamentos e decisões. São eles, no fundo, os verdadeiros detentores do poder, pois decidem o que (para o bem e para o mal) iremos consumir! Sabemos hoje que, através da proliferação e massificação dos meios de promoção e de divulgação ao nosso dispor, o facto de alguém ser muito «gostado» nas redes sociais, obter boas

58 ALGARVE #102 INFORMATIVO

críticas por parte dos fazedores de opinião, aparecer nas revistas, ser falado, comentado e tocado repetidamente na TV, nas Rádio e na Internet é o caminho certo para orientar o gosto dos consumidores. Caminhos planificados e construídos em concelhos de administração de grandes multinacionais, onde em cima da mesa estão dossiers com os vários «estudos de mercado» previamente encomendados. Hoje, seja em que setor produtivo for, já pouco acontece por acaso, daí a importância dos «selos de garantia» colocados por determinados opinadores e críticos. Instalados em sítios estratégicos e possuidores de seguidores incondicionais que os veneram e replicam até à exaustão, têm nas suas mãos o poder de fazer e desfazer produtos e produtores em função das críticas que, no alto do seu pedestal, proferem. Num destes dias tive a oportunidade de constatar o que atrás escrevi, quando vi imensos jovens ainda de tenra idade (muitos dos quais meus alunos) num concerto de um excelente músico algarvio. Perguntei-lhes então qual a razão que os tinha motivado a ir com os pais àquele concerto e não a outros… A resposta não se fez esperar: “… porque aquele artista passava a toda a hora nas rádios que ouviam! Ah… e os seus vídeos no youtube eram «altamente» produzidos!”. Desengane-se pois quem pensa que é totalmente imune, equidistante e independente da opinião dos outros em relação ao que consome. Antes pelo contrário! Experimentem levar os mais novos do vosso agregado familiar às compras e verão a importância das «marcas» e dos «selos de garantia» de determinados produtos, devidamente certificados pela quantidade de vezes que passaram nos anúncios das várias «caixas e caixinhas» às quais têm acesso. São cada vez menos os que estão «out of the box» e isso preocupa-me, pois lá dentro tudo é manipulável. «Gostos» com sabor a desgosto! .


#102 ALGARVE INFORMATIVO

59


OPINIÃO

Assédio, Joelhada, Loureiro e Justiça Paulo Bernardo

E

sta semana surgiram duas notícias tristes que me chocaram ambas pela primitividade dos comportamentos do sexo masculino. Uma associada ao ator José Mayer, que atualmente encarna a personagem Tião Bezerra na novela «Lei do Amor», em exibição na SIC. José Mayer foi acusado de assédio sexual a uma colega de profissão, a imprensa ainda tenta diminuir a gravidade da situação, dizendo que era uma figurinista, fosse o que fosse, era uma mulher. Às vezes parece que é moralmente menos grave quando o assédio é feito por uma subordinada. O famoso ator começou por negar, como também é apanágio destas personagens nojentas, contudo, a sociedade atual, mais informada, não deixou passar em branco a história. O movimento com o slogan original «mexeu com uma, mexeu com todas» juntou um grupo grande de mulheres, que relataram as suas experiências e pressionaram a Globo para obrigar o ator José Mayer a assumir a culpa. Numa carta de fino corte, tentou «afogar o peixe», como se diz em França, indicando que estava profundamente arrependido e que não iria repetir a graça. Como homem, sinto-me perfeitamente nauseado com estes comportamentos e pergunto em que século vivemos? No entanto, não é só no Brasil, por aqui acontece o mesmo e não é pouco comum ouvir dizer que teve uma promoção na horizontal. Um comportamento machista que não aceita que as mulheres têm os mesmos direitos e as mesmas competências que os homens. Cabe a todos os homens com eles no sítio assumirem esta mudança, não admitindo que estes comportamentos surjam à sua volta. Joelhada pode rimar com assédio, mas não é na situação que aqui quero relatar. Num jogo de

60 ALGARVE #102 INFORMATIVO

futebol, um jogador agrediu o árbitro com uma joelhada, mais uma vez, em que século estamos? Como é possível acontecer num jogo quase entre amigos este tipo de comportamento? Felizmente, mais uma vez a época atual não deixou passar o caso em branco, ficou filmado, talvez se não existisse filme, não teria sido notícia. Diz o agressor que não se lembra, pode ser possível, não ponho isso em causa, mas com o currículo que tem, é difícil acreditar. Todavia, não é o julgamento de uma pessoa que me interessa, pois eventualmente, num mau momento, todos podemos errar. O que me preocupa é como é possível existirem atletas assim no futebol em Portugal, e todos saberem os seus comportamentos e julgarem normais. Mas quem sou eu para julgar este atleta e os comportamentos do seu clube, pois o exemplo que a nossa justiça dá é uma vergonha. Esta semana, o caso Dias Loureiro foi escandaloso. Mais uma vez, quem sou eu para julgar o homem, mas não se pode ter uma justiça que queima em lume brando os cidadãos de Portugal. Não pode ser! Todos os problemas e comportamentos que atrás referi acontecem pela falta de caráter dos homens mas, acima de tudo, por causa de uma justiça que não funciona, que é lenta, que liberta a informação que deveria ser segredo, que lança suspeitas a seu belo prazer. Assim não vamos lá, não podemos ser um país moderno com uma justiça arcaica e de má-fé .


#102 ALGARVE INFORMATIVO

61


OPINIÃO

Da memória Mirian Tavares Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto Esse eterno levantar-se depois de cada queda Essa busca de equilíbrio no fio da navalha Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo Infantil de ter pequenas coragens. Vinícius de Moraes

N

o meu aniversário, de há uns anos, ganhei de presente o livro do Umberto Eco, «A Misteriosa Chama da Rainha Loana». Nele, um livreiro perde a memória de tudo à sua volta e só se lembra daquilo que leu. E através das bandas desenhadas, dos cromos, da publicidade e de outras obras consideradas mais nobres, vai recompondo a sua memória e a si mesmo. Em cada história, cada imagem, cada fragmento que lhe chega as mãos através dos seus velhos cadernos escolares, dos livros que colecionou, da casa antiga que o viu crescer, reencontra a história do país e de si mesmo, lembra-se do que lhe apraz e também de muita coisa que preferia esquecer. Mas a memória, esta coisa que não dominamos, é matreira e seleciona, regida por uma intenção qualquer que nos escapa, coisas que fomos nós e que nos compuseram, coisas que vivemos e que queríamos esquecer, coisas que adorávamos lembrar e que de repente, sabe-se lá porque, subitamente nos acomete, como uma síncope às 5h da manhã: uma memória, ou fragmento de algo que já nem sabíamos ter vivido. Eu, por exemplo, lembro-me de uma crónica que li há muitos anos, do Carlos Heitor Cony, que falava da decisão do seu pai de largar tudo e de ir criar galinhas. Coisa que muita gente ameaça e nunca faz. E que não correu lá muito bem, esta história das galinhas. Ele, por certo, escreveu crónicas melhores, mas é desta que me lembro sempre. Como do conto sobre o papagaio de Kierkegaard, do Luís Fernando Veríssimo. Nunca consigo reproduzir bem a história, que é engraçadíssima, mas a ideia de um papagaio que 62 ALGARVE #102 INFORMATIVO

quase faz a cozinheira se matar é impagável. Lembro-me também do papel amarelo que enrolava os rebuçados que adorava comer na mais tenra infância. Não é tão poético, como o papel azul da maçã, que o Caetano Veloso cantou, mas é uma memória que traz cor a um passado que jaz, há muito, e do qual trago apenas fragmentos: cores, cheiros… Um dia estava a desembrulhar uma camisa e, de repente, dei por mim a pensar na minha infância. Estranha associação, pode parecer à partida. Mas lembrei-me de que adorava ir, depois das aulas, à loja de pronto-a-vestir do pai da minha melhor amiga. Ver as camisas nas caixas, algumas com tampa transparente, os alfinetes e as dobras. Sempre que podia, levava para casa os alfinetes, os papelões que protegiam o colarinho e os punhos. Minha mãe me perguntava para que é que eu queria aquelas coisas inúteis. Para nada, claro, em breve estariam no lixo. Mas gostava de tê-las comigo um bocado, como outras pequenas coisas que gostava de ver e que também, cumprida a sua função, não serviam para nada. Como a memória das camisas nas suas caixas de tampa transparente. No entanto, a memória das camisas, faz com que reencontre a minha mãe, a cidade onde nasci, a amiga que já nem sei por onde anda. Através destas coisas inúteis, reencontro-me a mim mesma, como a personagem do Eco. E assim nos construímos. E assim não nos perdemos de nós .


#102 ALGARVE INFORMATIVO

63


OPINIÃO Faro/Albufeira; a política portuguesa; a «linha vermelha» na Síria Cristiano Cabrita

R

Segundo o Portugal City Brand Ranking/2017, elaborado pela Bloom Consulting, Faro e Albufeira estão de parabéns. A capital algarvia foi considerada a melhor cidade do Algarve para viver e investir e Albufeira destacou-se enquanto cidade a visitar. Devo confessar que não fiquei surpreendido com estes resultados. Quanto a Faro, o ano passado tive a oportunidade de escrever nas páginas do Algarve Informativo que a cidade estava diferente, muito diferente, para melhor. E, menos de um ano depois, este estudo deu-me razão. Verdade seja dita que este resultado é fruto (apenas e só) do excelente trabalho de Rogério Bacalhau e da sua equipa (a cidade subiu em todas as variáveis, desde 2014). Quanto a Albufeira, minha terra natal, os resultados também não surpreendem. Enquanto «Capital do Turismo», a cidade é uma referência internacional, sendo, a seguir a Faro, a melhor cidade do Algarve para investir e, a seguir a Faro e Portimão, a melhor cidade para viver. Ou seja, posiciona-se no top 3 do Algarve. Aqui também tem sido importante o trabalho desenvolvido por Carlos Silva e Sousa à frente dos destinos da autarquia. Fundamentalmente, quem beneficia com estes indicadores são os munícipes destes dois concelhos porquanto vêm aumentar a sua qualidade de vida, potenciando ao mesmo tempo a sua atividade económica, seja ela qual for.

«peso pesado» na política portuguesa, devidamente reconhecido pelos seus pares. Ele sabe-o. E Assunção Cristas, que estava presente, também o sabe. Veremos até quando é Portas fica afastado dos destinos do CDS/PP. Por outro lado, António Costa tem andado numa cruzada desenfreada contra Jeroen Dijsselbloem. A estratégia é clara por parte do Primeiro-Ministro. Colocar Mário Centeno na órbitra do Banco Central Europeu quando sair do Governo (sim, Centeno sairá, é apenas uma questão de tempo). Até lá, é gritar o mais veementemente possível para ver se alguém da família socialista o ouve (e o apoia). O Congresso do PSD já mexe. Na quinta-feira, Pedro Passos Coelho foi peremtório. Não se demite, seja qual for o resultado dos social-democratas nas próximas eleições autárquicas. Assim sendo, o contar de espingardas já se iniciou com algumas estratégias de comunicação mais ou menos encapuzadas. Do meu ponto de vista, vão surgir os seguintes nomes no próximo Congresso: Pedro Duarte; Paulo Rangel, Rui Rio e….Pedro Santana Lopes. Aliás, o exprimeiro-ministro tem feito um trabalho sublime em termos de comunicação. Só os mais desatentos é que que ainda não repararam. A questão é que, mesmo assim, Passos Coelho continua a ter muita força dentro do Partido. Aliás, a sua entrevista à SIC demonstrou que não vai abdicar da liderança do Partido tão facilmente.

NACIONAL

INTERNACIONAL

EGIONAL

As últimas duas semanas têm sido interessantes para quem acompanha a política em Portugal. No dia 27 de março, no âmbito de um almoço-palestra organizado pelo Centro de Estudos Europeus (dirigido por Durão Barroso) do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica, Paulo Portas lançou um conjunto de desafios à plateia. O ex. Vice-PrimeiroMinistro falou de globalização, de diretas e de primárias, entre outros temas já amplamente escalpelizados. O que me chamou à atenção não foi isso. Ou melhor, não foi só isso. Foi o facto de Portas ainda ser um

64 ALGARVE #102 INFORMATIVO

Em agosto de 2012, Barack Obama traçou a «linha vermelha» para o conflito Sírio ao colocar o uso de armas químicas como o limite para uma eventual intervenção militar por parte da comunidade internacional. Entretanto, esta linha foi ignorada por Bashar al-Assad após os ataques químicos nos arredores de Damasco, no Verão de 2013. Esta terçafeira, o mesmo voltou a acontecer, agora em Khan Sheikhun. Donald Trump, contra todas as expectativas, inverteu a política de Obama. É, do meu ponto de vista, um passo importante para assumir a posição hegemónica dos EUA face aos seus concorrentes mais diretos, entre os quais a Rússia .


#102 ALGARVE INFORMATIVO

65


OPINIÃO A importância do Marketing Digital no Turismo Fábio Jesuíno

O

turismo tem crescido em Portugal nos últimos anos, destacando-se como um dos principais sectores de atividade económica. O nosso país tem sido mencionado em publicações internacionais como um destino de eleição pelas suas características únicas, o que contribuiu para um aumento do investimento e das exportações. As grandes cadeias hoteleiras e destinos turísticos realizam de forma permanente grandes investimentos em Marketing Digital, tornando este o seu principal meio de comunicação, algo cada vez mais presente também nas empresas mais pequenas, turismo rural, alojamento local e restaurantes. Esta tendência está relacionada com o facto das pessoas utilizarem as pesquisas da internet e nas redes sociais para planearem as suas próprias viagens, sem recurso a Agências de Viagens tradicionais.

66 ALGARVE #102 INFORMATIVO

Grande parte das empresas do sector do turismo tem web site e presença ativa nas redes sociais mas, tendo em conta o panorama atual, existe um enorme fluxo de informação e muito ruído, sendo cada vez mais importante marcar a diferença face à concorrência e, dessa forma, alcançar um patamar de destaque. Por esse motivo, é muito importante que as empresas do sector tenham bem definida uma estratégia de Marketing Digital na sua atividade, pois este é um fator determinante para o seu sucesso . (CEO da 3WX Digital Creative Agency)


#102 ALGARVE INFORMATIVO

67


OPINIÃO

Números claros como água Vico Ughetto

E

m relação às modas costuma-se dizer que elas se repetem. No percurso de vida, ouvese amiúde a expressão “não regresses a um local onde já foste feliz”. Mas o que é que isto tem a ver com vinhos? - dirá o leitor destas linhas iniciais. Em boa verdade nada, mas, porém, tem algo a ver com o autor, e permitam-me fazer aqui uma pequena introdução, pois trata-se da minha primeira crónica no Algarve Informativo e ao mesmo tempo um regresso à crítica e análise dos néctares e das eventuais comezainas que tão bem os acompanham (ou vice-versa consoante a preferência). Esse regresso (apenas na escrita, dado que as provas nunca ficaram de lado) tem especial requinte por ter começado nestas lides na revista Algarve Mais, num convite do seu diretor e mentor: João Pina. Ora o regresso ocorre agora por convite do filho Daniel Pina, registando-se assim o lado cósmico que assinalei no início da crónica, que é o de as situações se repetirem, ou de pelo menos se assemelharem. E sobre o vinho? Nada? Bem, uma vez que ainda estamos no início do ano, para as apresentações de novos vinhos da colheita 2016, resolvi apresentar alguns factos relacionados com a produção e consumo de vinho, isto para se ter uma noção global do setor. Apesar de comummente os portugueses considerarem o país uma grande região de vinhos, convém ter uma noção real do adjetivo grande. Em termos de ranking, o país com maior produção é a Itália (48.869 hl) seguido de perto pela França e depois pela Espanha (47.373 e 36.600 respetivamente). Portugal surge apenas na 11ª posição. Mesmo assim é autossuficiente, apresentando um superavit de mais 15 por cento face ao consumo interno (dados informa D&B). 68 ALGARVE #102 INFORMATIVO

Precisamos, portanto, exportar vinho e fazemo-lo sobretudo para a Europa, com mais de 65 por cento do total, sendo a França, e curiosamente a Espanha, a liderar as importações, seguida de muito perto pela Alemanha e Reino Unido. Estes são dados de 2016 mas, ao olharmos para 2015, vemos que houve um país em destaque fora da Europa. Nesse ano, Angola chegou a liderar, tendo caído para mais de metade do consumo em hectolitros em 2016, não se prevendo retoma para 2017 (dados Viniportugal). Segundo a D&B os vinhos DOP (Denominação de Origem Protegida) correspondem a 70 por cento das exportações, com o vinho do Porto a assumir um papel de destaque, ao ser responsável por 43 por cento do valor. Estas exportações são necessárias para o setor e beneficiam Portugal, tendo em 2016 sido o décimo produto mais vendido, e o quarto a registar maior saldo positivo na balança comercial (dados INE). Apesar do saldo estar a crescer, o volume de vinho que sai para o exterior tem vindo a diminuir, mas com a valorização do produto, temos menos vinho, mas mais caro, a sair de Portugal. Aliás, este registo de redução no consumo anual verifica-se também por cá, tendo, desde os anos 90, vindo a diminuir dos 60 até aos 47 litros/hab. Falando de hábitos de consumo, ocupamos o 12.º posto no consumo mundial de vinho, e se perguntar qual o país com maior consumo? Será que o leitor chega lá? São os EUA que detêm o cetro, com 13 por cento do consumo mundial, seguidos de perto pela França. Porém, o interessante de avaliar aqui, nos dados do Instituto da Vinha e do Vinho, é a evolução


registada de 2000 até 2015. Os EUA cresceram 46 por cento (daí agora ocuparem o 1.º posto), mas as maiores evoluções vieram da Rússia e do Canadá, com mais de 80 por cento de crescimento. Voltando à velha Europa, os países com tradição de vinho diminuíram de forma continuada o consumo. É o caso de Itália, França e Espanha, com Portugal a contrariar a tendência com 4,5 por cento de crescimento em 15 anos. As campanhas têm tido ciclos variáveis de produção, afetadas pelas variações climáticas nos últimos tempos. Na última campanha registou-se uma queda de 20 por cento face à anterior de 2015/2016, parte também explicável pela redução da área de vinha plantada em quase 5 por cento. (dados IVV, IP). Apesar de este ser um negócio rentável, é extremamente competitivo e fortemente dependente da exportação, que por vezes está sujeita a oscilações que podem colocar ameaçar previsões de longo prazo (caso de Angola e possível efeito Brexit nas importações do RU?). Mas, o que ainda se observa de forma notória, é que o preço do vinho em Portugal continua a ser

muito atrativo e simpático, estando por vezes equiparado à água, o que não deixa de ser estranho face aos investimentos associados na sua transformação. Contudo, se considerarmos que o vinho produz-se e a água não, talvez se possa compreender os preços . (Enófilo e gastrónomo)

#102 ALGARVE INFORMATIVO

69


OPINIÃO

Gatos, cães e ratos António Manuel Ribeiro

O

uve-se a propósito ou sem qualquer pingo de justeza a frase, “portam-se pior que os animais”. Não. É erro de análise, é defeito cultural que a tradição inculcou. O reino dos animais é equilibrado, mesmo quando nos parece feroz. Os ratos, com a chegada da Primavera, andam vorazes por alimento – têm crias para alimentar. Os gatos, que governam os espaços do jardim à volta da casa tratam do assunto, equilibram a espécie, caçam, divertem-se com a presa até ela morrer – o mesmo acontece às lagartixas que deslizam sobre os muros – e depois de morta oferecem ao da casa, sobre a relva ou no tapete, os despojos sem vida. Faço de coveiro com uma pequena pá. As gatas estão grávidas, em fim de tempo e algumas não suportam proximidades na hora da comida, barafustam, a pata de unhas afiadas erguese e a líder come sozinha enquanto as outras aguardam. É um equilíbrio que amanhã será desfeito, surge uma nova líder – será do cheiro que exalam? – e a primazia ao jantar muda. Observo, vivem os seus próprios equilíbrios. Fora do muro os cães farejam, latem sem poderem entrar e correr atrás dos gatos e quebrá-los em fanicos como já vi. Os gatos, mais velozes, sobem pelas árvores mas depois não sabem descer. Um dia, eu e um vizinho tivemos de chamar os bombeiros – a gata miava a sete ou oito metros de altura e não sabia como descer. Acabou depois atropelada pelos ases que saem da praia e correm para o acidente na rotunda – se travam a tempo têm a esplanada dos caracóis e a concorrente dos petiscos à mercê: em dia de futebol grande nascem carros na rua onde vivo e silêncio e sossego na estrada durante noventa minutos e descontos. Os gatos agradecem. São equilíbrios entre as espécies, essa fantástica beleza que é observar a natureza e não intervir seguindo as nossas crenças limitadas e a visão que nos incha o ego. Erdogan, o presidente turco, vai continuando a «purificar» a sua noção de estado dócil – esta

70 ALGARVE #102 INFORMATIVO

semana mais uma fornada de juízes seguiram para o desemprego, destituídos das suas funções. O Direito é cada vez mais um conceito plasticínico, moldado para servir os que detêm o poder, leia-se as armas. Jim Morrison, que foi um romântico num tempo incerto, escreveu um dia, na canção «Five To One», que “Eles tinham as armas/Mas nós temos os números”. Naqueles anos, final da década de 1960, havia flores no cabelo e manifestações sentadas (sitin) contra a guerra do Vietname nas principais cidades americanas. Essa malta, que, se não morreu ou flipou sob o peso dos ácidos, é hoje quem nos dirige, passaram de hippies a yuppies, fundaram e governam (ainda) as grandes empresas que nos mantêm entretidos – o smartphone é mais inteligente que uma boa parte das pessoas que o utiliza, ocupadas e esquecidas que o mundo real existe fora da ponta do funil electrónico. A propósito do Direito, Nicolás Maduro, esse símbolo da revolução marxista (estive quase para escrever «marchista»), aquele que chegou ao poder e encantou as massas porque teve uma visão de Hugo Chavez ao lado de Jesus, governa um dos países mais ricos em petróleo mas não consegue distribuir pão ao seu povo. Tentou ilegalizar a Assembleia da «sua» República através de uma ordem do Supremo Tribunal venezuelano – melhor será impossível? Na prática, o golpe passava por impedir a decisão do povo, certa ou errada é algo que compete aos da Venezuela. A plasticina «democrática» continua a ser estrafegada por quem fala em nome do povo – oh, povo, dás para tanto que não passas de povo para canhão. Um disco: a luxuosa edição do primeiro LP dos Doors, originalmente editado em 1967 pela Elektra Records. É numerada, calhou-me a n.º 246. Inclui o LP original em som mono, três CD com a mistura do LP original em estéreo (remasterizado), outro em mono e o terceiro ao vivo no Clube Matrix (7 de Março de 1967), e ainda dois libretos com notas e fotos. Para coleccionadores .


#102 ALGARVE INFORMATIVO

71


72 ALGARVE #102 INFORMATIVO


#102 ALGARVE INFORMATIVO

73


ATUALIDADE

Ana Paula Martins, vice-presidente da Câmara Municipal de Tavira, Jorge Botelho, presidente da Câmara Municipal de Tavira, e Jorge Queiroz, chefe da Divisão de Cultura da Câmara Municipal de Tavira

PRIMAVERA EM TAVIRA VIVE-SE AO SABOR DA CULTURA Texto:

E

Fotografia:

stá de regresso o «Viva a Primavera», programa cultural dinamizado pela Câmara Municipal de Tavira, entre abril e junho, com a colaboração estreita das associações culturais do concelho e que pretende estimular e valorizar a criatividade da comunidade, a iniciativa das organizações, as práticas culturais e o aparecimento de novos talentos artísticos. Música, poesia, teatro, cinema e a «V Mostra da Primavera» integram uma 74 ALGARVE #102 INFORMATIVO

agenda que se pretende agregadora de conhecimentos e que envolve a cidade e as freguesias, valorizando a herança de um país com mais de oito séculos de existência e convidando à renovação e inovação contidas nas formas expressivas da contemporaneidade. Depois do sucesso do ano de estreia, a segunda edição apresenta um programa bastante diversificado, envolvendo cerca


de duas dezenas de associações locais, de modo que os próximos meses serão, de facto, riquíssimos em cultura. “Não nos podemos esquecer que, para além do «Viva a Primavera» temos este ano também o «365 Algarve», promovido pelo Ministério da Cultura e pela Secretaria de Estado do Turismo, bem como a programação regular da própria autarquia”, frisou Jorge Botelho, presidente da Câmara Municipal de Tavira. “Em 2016, o programa versou muito sobre a vertente musical, este ano, juntamos outras componentes da vida artística e de reflexão cultural. Queremos que haja, em Tavira, sempre alguma coisa para fazer em matéria cultural, bem como partilhar um universo comum de criação e apresentação de espetáculos com as nossas associações, para mostrar a riqueza da nossa massa crítica”. Oferta cultural dirigida para os residentes e para os milhares de turistas que visitam o concelho ao longo de todo o ano, com o orçamento da segunda edição do «Viva a Primavera» a subir perto de 40 por cento em relação ao ano transato, para os 70 mil euros. Um valor que já foi atribuído e pago às associações, para que possam realizar o seu trabalho com total segurança. “O programa vai do Equinócio da Primavera até ao Solstício de Verão e tem a ver com as festividades cíclicas e com os ritmos da própria natureza. Saímos mais na Primavera e Verão, durante o Outono e Inverno estamos mais recolhidos em casa”, começou por dizer Jorge Queiroz, chefe da Divisão de Cultura da Câmara Municipal de Tavira e diretor do Museu Municipal de Tavira, indicando que foram convidadas para participar todas as associações culturais do concelho. “Nota-

se um salto qualitativo no trabalho dos criadores e dos artistas e a estimulação da criatividade e o aparecimento de novos talentos são outros objetivos do programa”, acrescentou. Tavira respira cultura, disso não tem dúvida Jorge Botelho, adiantando que o intuito é replicar na Primavera o enorme sucesso que se regista durante o Verão. E mesmo sem haver números concretos do número de pessoas que participaram nas iniciativas da primeira edição do «Viva a Primavera», a verdade é que a maior parte dos eventos teve sempre lotação praticamente esgotada. “Este ano esperamos ter ainda mais pessoas, porque a oferta é maior, e o impacto financeiro para o município é bastante grande. Atraímos muita gente para os espetáculos, que se realizam, normalmente, ao final da tarde, início da noite, e conseguimos fidelizar visitantes que comem nos nossos restaurantes e ficam a dormir nos nossos hotéis. Para além do clima, da qualidade de vida, do património arquitetónico e da Dieta Mediterrânica, há uma aposta cultural que cativa os turistas”, garante o presidente da Câmara Municipal de Tavira. Ocupar os residentes e visitantes com propostas de qualidade é uma das prioridades do executivo municipal e, até à data, os eventos têm-se dirigido para públicos mais reduzidos, nas igrejas e nas sedes das associações. “Em muitas iniciativas temos que recusar pessoas porque já não cabem no interior dos espaços”, evidencia Jorge Botelho, uma situação que deverá mudar quando estiver concluída a reabilitação do #102 ALGARVE INFORMATIVO

75


ATUALIDADE

Teatro António Pinheiro, dando assim lugar a um moderno Cine-Teatro António Pinheiro. “Tavira é o único concelho do Algarve que não tem um espaço coberto em condições, uma sala de espetáculos de grande dimensão. A abertura do concurso público internacional já foi autorizada em reunião de câmara, temos meios financeiros disponíveis para tal, numa obra que custará quase cinco milhões de euros e que deverá ter também apoios comunitários. Até agora temos conseguido realizar grandes eventos durante o Verão, a céu aberto, daqui a três anos, o mesmo acontecerá no Inverno”, antevê o edil tavirense. Melhores índices financeiros da autarquia que possibilitaram também um maior 76 ALGARVE #102 INFORMATIVO

orçamento para a segunda edição do «Viva a Primavera», confirmou Jorge Botelho. “Havendo mais qualidade das propostas apresentadas pelas associações locais, aumentou igualmente a responsabilidade da câmara para tentar concretizá-las a todas. Para nós, a cultura é um polo essencial da atratividade do concelho, a par da gastronomia, da paisagem, da Ria Formosa e de uma cidade que tem resistido à pressão urbanística. Tavira é uma cidade verdadeiramente autêntica e estamos a adicionar-lhe uma perspetiva cultural para os prazeres e sentidos dos munícipes e dos visitantes” .


#102 ALGARVE INFORMATIVO

77


ATUALIDADE

TURISMO, TRANSPORTE AÉREO E CONHECIMENTO DISCUTIDOS EM FARO Texto:

A

Fotografia:

pesar do Turismo ser uma das principais atividades económicas da região, não existem iniciativas regulares que promovam a sua análise, discussão e estudo. Com vista a colmatar esta lacuna, a CCDR Algarve organizou um seminário sob o tema «Turismo, Transporte e Distribuição na Era do Conhecimento», reunindo, num programa ambicioso, representantes do Turismo de Portugal e do Algarve, responsáveis hoteleiros, ficando a representação dos transportes a cargo da ANA Aeroportos. 78 ALGARVE #102 INFORMATIVO

O foco do evento esteve na apresentação do estudo e relatório sobre «Turismo e Transporte Aéreo em Portugal» efetuada pelo autor Sérgio Palma Brito, e que viria a deixar muitas interrogações sobre as atuais políticas de promoção turística, ao colocar em perspetiva alguns números e factos sobre dados turísticos. Sérgio Palma Brito é, no mínimo, controverso ao defender o alojamento não classificado como sendo uma mais-valia para o


Algarve. Neste tópico, o autor vai até mais longe ao considerar pejorativa a sua classificação de «camas paralelas» ou de «alojamento clandestino» pois, para ele, representam o investimento feito por muitas famílias (mais de 100 mil segundo o estudo realizado) tendo em vista um rendimento futuro, estando com isto comprometidas com o desenvolvimento turístico da região. Outro dos tópicos controversos defendidos por Sérgio Palma Brito foi o de considerar que o Algarve apresenta um elevado risco de estagnação no crescimento turístico por falta de atratividade que destinos como Lisboa e Porto possuem. Na segunda parte das apresentações, Mário Ferreira, do grupo Nau Hotels, mostrou de forma concreta todo o knowhow tecnológico e de gestão que atualmente é necessário para gerir de forma eficaz e produtiva as dormidas. Disso

é exemplo todo o controlo de preços – ajustados por departamento especializado cinco vezes ao dia – que monitoriza em tempo real não só a procura, como a concorrência, cruzando tudo com taxas de ocupação e previsões. A par de tudo isto existe a gestão considerada essencial nos dias de hoje, e que passa pela miríade de plataformas de distribuição eletrónica existentes (Booking, Expedia, TripAdvisor, etc.) possível de agregar numa só interface, graças ao «channel manager», um software especializado para este fim. O diretor da United Investments, Carlos Leal, que no Algarve detém o emblemático resort Pine Cliffs, destacou uma vez mais a fragilidade da região na época baixa e o perigo de se deixar inebriar pelo atual momento de ouro do crescimento turístico e com isto negligenciar a continuidade do trabalho

Sérgio Palma Brito, autor do estudo «Turismo e Transporte Aéreo em Portugal» #102 ALGARVE INFORMATIVO

79


ATUALIDADE

Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve e Francisco Serra, presidente da CCDR/Algarve

de investimento no destino. Outro dos aspetos muito reforçado por Carlos Leal e prontamente cimentado por Mário Ferreira, foi a dificuldade de encontrar mão-de-obra qualificada no setor hoteleiro, grande parte ausente no estrangeiro devido às melhores condições de vida, o que pode colocar em perigo o crescimento hoteleiro já a curto prazo.

80 ALGARVE #102 INFORMATIVO

A fechar o seminário, Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve, salientou a necessidade das entidades governamentais reforçarem o apoio à região para que esta possa competir e comunicar de forma eficaz e global junto dos atuais e potenciais mercados turísticos da região .


#102 ALGARVE INFORMATIVO

81


ATUALIDADE

TURISTAS AVALIAM ALGARVE DE FORMA POSITIVA E MAIORIA QUER REGRESSAR RAPIDAMENTE

O

Algarve é avaliado de forma positiva por 98 por cento dos turistas que visitaram o destino em 2016, sendo a praia, o clima, a gastronomia e as pessoas os principais atributos que justificam a satisfação dos visitantes. A maioria tem intenção de regressar à região logo que possível e mais de 90 por cento garantem que a recomendarão nos seus círculos mais próximos. Estas são algumas das conclusões do estudo «O perfil do turista que visita o Algarve», que visa perceber a essência do turismo na região e que foi apresentado, no dia 6 de abril, na sede da Região de Turismo do Algarve, em Faro. A avaliação positiva do destino Algarve é transversal aos vários perfis de turista, sejam eles tradicionais ou residenciais, alojados em qualquer uma das diferentes zonas da região e viajando dentro ou fora da época alta. Esta satisfação, combinada com um custo considerado acessível (69 por cento), justifica a afinidade dos visitantes com a região. Em termos percentuais, 95 por cento dos turistas tradicionais que estiveram no Algarve no último ano têm a intenção de recomendar o destino aos seus amigos e familiares, valor que sobe para 96 por cento entre os turistas residenciais. Dentro deste último grupo, 80 por cento têm intenção de voltar a passar férias na região num futuro próximo, enquanto entre os turistas tradicionais 66 por cento querem regressar assim que puderem. Um regresso quase certo e níveis de satisfação elevados sugerem que mais de três quartos dos turistas são fiéis ao destino. O estudo foi encomendado pela Região de Turismo do Algarve e realizado pela Universidade do Algarve, sob a coordenação científica e técnica dos professores Antónia Correia e Paulo Águas, com o objetivo de conhecer e compreender as características, preferências e comportamentos dos turistas que visitaram o Algarve em 2016. A 82 ALGARVE #102 INFORMATIVO

amostra total abrangeu 4205 inquéritos, realizados em dois períodos: o primeiro, no período de julho a agosto, representativo da época alta do turismo na região, e o segundo no período de setembro a outubro. Tendo em conta as diferentes realidades turísticas da região, foram inquiridos dois tipos diferentes de visitantes: o turista tradicional (aquele que utiliza as formas de alojamento tradicionais) e o turista residencial (todos os que se alojam em casa própria, casa de familiares e amigos e os que recorrem a arrendamentos privados). A excelência do destino justifica também a afinidade demonstrada pelos turistas com a região e as emoções positivas que o Algarve despoleta. “Visitar o Algarve diz muito sobre quem sou”, “Sinto-me muito apegado ao Algarve” e “Eu sinto que o Algarve é parte de mim” são, por ordem de importância, as três expressões que melhor espelham esta afinidade. Embora seja mais profunda entre os turistas residenciais, a afinidade é igualmente significativa entre os turistas tradicionais. Uns e outros constituemse como excelentes embaixadores do Algarve. Por períodos, são os turistas que viajam em julho/agosto que maior afinidade revelam com o destino. De acordo com os dados revelados pelo estudo, os turistas residenciais permanecem, em média, 12,6 dias no Algarve, sendo que a grande maioria já conhecia a região (87 por cento), local que visitam pelo menos uma vez por ano (49 por cento), partilhando as suas férias nas redes sociais (48 por cento). Para além da casa própria, utilizam também o arrendamento privado (47 por cento) que é reservado maioritariamente online (61 por cento), no Booking.com (23 por cento) ou no AirBnb (28 por cento), sugerindo que cada vez


mais o alojamento local ganha consistência e quota de mercado. Os turistas tradicionais, por seu turno, alojam-se maioritariamente em hotéis (53 por cento) ou resorts (34 por cento) por 8,9 dias. Uma procura maioritariamente estrangeira (79 por cento) justifica a deslocação por via área (68 por cento). Também estes turistas são habituais na região (74 por cento), ainda que com uma cadência de visita menor (39 por cento fazem-no uma vez por ano e 33 por cento ocasionalmente). O turismo tradicional é sobretudo proveniente de Portugal (21 por cento), Reino Unido (25 por cento) e Alemanha (11 por cento), enquanto o turismo residencial alberga nacionais (42 por cento), britânicos (19 por cento) e franceses (8 por cento). Em termos económicos, cada visitante faz um gasto médio de 136 euros por dia, gerando uma receita estimada de 1400 euros por turista. No caso dos turistas residenciais, férias, reforma e investimento são os três principais fatores a justificar a decisão de fixar a base de férias no sul do país, contribuindo de forma decisiva para o impacte económico do turismo na região que registou um fluxo de dormidas superior a 18,1 milhões em 2016 (face a 16,6 milhões em 2015).

No que diz respeito à dispersão territorial, Albufeira (42 por cento), Loulé (12 por cento) e Portimão (12 por cento) são os municípios preferidos pelos turistas tradicionais, assumindo-se como os grandes polos turísticos da região. O turista residencial, por sua vez, espalha-se por uma franja maior do sul do país, uma vez que para além dos três concelhos citados, que concentram 50 por cento destes turistas, Faro (7 por cento), Lagos (8 por cento), Silves (7 por cento) e Tavira (7 por cento) são igualmente bastante procurados. Mais do que apenas caracterizar de forma generalista os turistas, a partir dos tradicionais critérios sociodemográficos e logística de viagem, o estudo encomendado pela Região de Turismo do Algarve, com mais de 170 páginas, procede a uma extensa segmentação de mercado assente em critérios motivacionais, psicográficos, e de satisfação e lealdade para com o destino. O resultado final é um retrato fiel e expressivo dos diferentes segmentos turísticos, permitindo traçar as implicações estratégicas para o futuro da competitividade da região enquanto principal destino turístico do país .

#102 ALGARVE INFORMATIVO

83


ATUALIDADE

ALCOUTIM VAI TER ILUMINAÇÃO PÚBLICA MAIS EFICIENTE

O

Município de Alcoutim e a EDP Distribuição assinaram um protocolo para a progressiva substituição da atual tecnologia da iluminação pública pela tecnologia LED. O que se pretende é introduzir a luminária LED como material de uso corrente na iluminação pública, ao abrigo dos atuais contratos municipais de concessão de distribuição de energia elétrica. A tecnologia LED tem evoluído significativamente nos últimos anos, tornando-se mais madura a nível técnico, com grandes repercussões ao nível da diversidade de oferta e da redução de preços. Numa perspetiva económica, a tecnologia LED é hoje claramente mais interessante do que a tecnologia de vapor de sódio de alta pressão (VSAP), em particular devido à sua superior eficiência energética. Com base nestes pressupostos, a autarquia e a EDP Distribuição entenderam como oportuno que as partes acordassem na revisão do Anexo I ao 84 ALGARVE #102 INFORMATIVO

Contrato Tipo de Concessão. Nos termos do Protocolo, será dada prioridade à criação de novas redes de iluminação pública, na substituição de luminárias de vapor de mercúrio e equipamentos obsoletos. Assim, as novas redes de iluminação pública serão já com luminárias LED e será feita a substituição de luminárias de vapor de mercúrio e equipamentos obsoletos ou em mau estado de conservação. Toda a conservação, reparações e reforços das redes, continuam a ser asseguradas pela EDP Distribuição. Esta iniciativa permite reforçar a aposta na eficiência energética e na gestão inteligente das redes, com manifesta melhoria na qualidade de serviço. As medidas a adotar não só terão impacto na área ambiental, como permitirão uma maior economia de custos .


PONTAL DA CARRAPATEIRA VAI TER MUSEU VIVO

O

Pontal da Carrapateira é um ponto de referência na Costa Vicentina, cujo património cultural e natural, importa conhecer e divulgar, contribuindo para a sua preservação. O Museu Vivo consubstancia-se num percurso interpretativo circular que pretende criar sinergias entre o território e o Museu do Mar e da Terra, permitindo aos visitantes vivenciar, em contacto direto, os valores naturais, culturais e geológicos deste território ímpar, incentivando os visitantes a sair do Museu e a visitar o Pontal da Carrapateira ou, após a visita ao Pontal, visitarem o Museu. Este percurso – Museu Vivo, materializa-se com a integração de dois painéis de boas vindas junto à Praia do Amado e junto à Praia da Bordeira, bem como com painéis informativos em forma de letras do abecedário a instalar junto de pontos de interesse na Aldeia e no Pontal, através dos quais o visitante poderá obter informação interpretativa

da paisagem e do local a dois níveis de leitura: Informação sucinta inscrita nas letras/Totens – Leitura rápida e esclarecedora; Informação mais aprofundada alojada no sitio da internet do Município com acesso através de QR CODE incrustado na Letra/Totem – Imagens, vídeos, localizações georreferenciadas, contactos, etc.. Trata-se de um investimento de 157 mil e 768 euros, assegurado em 70 por cento através do Algarve 2020 e em 30 por cento pela Sociedade Polis Litoral Sudoeste. O projeto foi apresentado publicamente no dia 3 de abril e recolheu os pareceres favoráveis de todas as entidades, seguindo agora para concurso público. Atendendo à proximidade do Verão, foi opinião unânime das entidades envolvidas que apenas será executado a partir de 15 de setembro .

#102 ALGARVE INFORMATIVO

85


ATUALIDADE

FARO NAS 10 MELHORES CIDADES PORTUGUESAS EM INVESTIMENTO, TURISMO E TALENTO

F

aro volta a ser um dos municípios em alta no Portugal City Brand Ranking 2016, uma iniciativa da Bloom Consulting, merecendo mesmo uma nota de destaque da consultora pelo regresso do concelho ao Top 10 nacional, com uma subida de quatro posições, graças à melhoria da prestação na vertente Turismo e Negócios. Consolidando a liderança no Algarve, onde se mantém desde a primeira edição, em 2014, Faro obtém o 9.º lugar entre os 308 municípios portugueses, de acordo com a sua performance nas vertentes de Investimento (Negócios), Turismo (Visitar) e Talento (Viver). Nesta 4ª edição do estudo, Lisboa lidera mais uma vez o ranking nacional, seguida pelo Porto e Cascais, que substitui Braga no «pódio» nacional. O restante Top 10 é constituído pelos concelhos de Coimbra, Sintra, Funchal, Oeiras, Faro e Setúbal. 86 ALGARVE #102 INFORMATIVO

Para elaborar este ranking, a Bloom Consulting cruza dados estatísticos que já existem, como a população, a percentagem de criação de novas empresas ou as dormidas por habitante, com as pesquisas que são feitas na internet sobre todos os 308 municípios portugueses. Essa avaliação, apelidada de Digital Demand, é a procura online que cada município regista. Foram analisadas 51 milhões de pesquisas através do estudo de 26 principais termos de pesquisa (brandtags), em cinco línguas – entre esses termos estão «compras», «alojamento» ou «praia». A essas duas dimensões junta-se ainda o desempenho de cada município na internet, quer no seu site institucional, quer nas redes sociais .


AUTARQUIA DE LAGOA INVESTIU 60 MIL EUROS EM JARDIM NA MEXILHOEIRA DA CARREGAÇÃO

P

reocupando-se com os cidadãos de idade avançada que precisam de locais de confraternização, a Câmara Municipal de Lagoa procura responder com pequenas intervenções que permitam dotar o concelho de equipamentos de lazer e convívio. Nesse sentido, numa área ajardinada que apresentava alguma degradação, no largo da Praceta da Ermida (entre as Ruas de Santo António e Visconde de Lagoa), na Mexilhoeira da Carregação, a autarquia levou a efeito obras de requalificação, no montante de 60

mil euros, que embelezaram o espaço e o tornaram mais acessível aos seus utilizadores. Para além do reforço dos muros de suporte em pedra da bordeira e o acesso rampeado em calçada branca, este espaço ajardinado passou a contar com bancos, rodeados de relva e uma zona para a prática da Petanca, em pó de pedra com delimitação em lancil de calcário, tudo enquadrado por novas árvores (oliveiras e plátanos) e outros arbustos e herbáceas, que ajudarão a amenizar os dias de calor .

#102 ALGARVE INFORMATIVO

87


ATUALIDADE

LOULÉ PROMOVE ATIVIDADES NA ROCHA DA PENA E FONTE DA BENÉMOLA

E

ntre os meses de abril e outubro, a Câmara Municipal de Loulé, entidade gestora das Paisagens Protegidas Locais da Rocha da Pena e da Fonte Benémola, está a promover um conjunto de iniciativas, no sentido de valorizar e divulgar os valores naturais e culturais destas Áreas Protegidas. Para tal, a Autarquia estabeleceu uma parceria com a empresa GeoWalks & Talks - Geoturismo no Algarve, aderente à marca Natural.PT, e a Associação ALMARGEM – Associação de Defesa do Património Cultural e Ambiental do Algarve. As atividades promovidas são diversificadas e incluem desde a realização de oficinas para a

88 ALGARVE #102 INFORMATIVO

observação e identificação de orquídeas silvestres, de aves e de animais noctívagos, até à realização de percursos interpretativos sobre o património natural (flora, fauna, geologia, água), histórico e cultural das Paisagens Protegidas Locais da Rocha da Pena e da Fonte Benémola. São dirigidas ao público em geral e decorrem aos fins-de-semana (8 e 9 e 22 e 23 de abril, 21 e 28 de maio, 3 de junho, 10, 17 e 24 de setembro e 1 de outubro). Todas as atividades são gratuitas mas é necessário realizar inscrição através do preenchimento do formulário que está disponível através da hiperligação https://goo.gl/cwqdNK .


MUNICÍPIO DE VILA DO BISPO ENTREGOU VIATURA À GNR

C

om o intuito de reforçar a segurança de pessoas e bens, residentes e visitantes, a Câmara Municipal de Vila do Bispo entregou uma viatura ligeira à Guarda Nacional Republicana da localidade. O protocolo de cedência do veículo foi assinado, no dia 4 de abril, pelo Presidente da Câmara Municipal, Adelino Soares, e pelo Comandante do Comando Territorial de Faro, Tenente-Coronel José Palhau, numa cerimónia presidida pela Secretária de Estado Adjunta e da Administração Interna, Isabel Oneto. A viatura, propriedade do Município, representa um investimento superior a 50 mil euros, e foi cedida, a título gratuito, no âmbito da colaboração entre a autarquia e a GNR, no sentido de garantir todas as condições de operacionalidade, às forças de segurança, no desempenho da sua missão.

Com este protocolo, o município suporta ainda os custos com o seguro e as despesas de manutenção, na certeza de que estas não representarão um acréscimo nas despesas do Estado com as forças de segurança. O presente acordo tem a duração de cinco anos e é renovável por períodos de dois anos, se nenhuma das partes declarar o contrário. Um exemplo que o edil vila-bispense acredita que será replicado por outros municípios da região e do país. “É importante que os municípios, apesar de não ser da sua competência, compreendam a importância destes investimentos para a operacionalidade das forças de segurança, bem como para sensibilizar o Governo no reforço deste tipo de meios”, frisou Adelino Soares . #102 ALGARVE INFORMATIVO

89


ATUALIDADE

VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO GANHA EQUIPA DE CICLISMO DE ESTRADA

V

ila Real de Santo António já tem um novo clube de ciclismo de estrada. O projeto é liderado pelo atleta Amaro Antunes, natural do município, e surge com o objetivo de apostar na formação das camadas jovens, sendo prioridade a constituição de uma escola. Para já, a equipa arranca com o plantel sénior na vertente de ciclismo de competição amador, que terá, nesta fase inicial, cerca de uma dezena de corredores, estando já agendada a sua participação em diversas provas. O município de Vila Real de Santo António será um dos patrocinadores e impulsionadores do Clube de Ciclismo Amaro Antunes, que pretende reativar a modalidade no concelho e dar resposta ao elevado número de praticantes. Nesta época, o plantel sénior participará em diversas competições, entre granfondos e

90 ALGARVE #102 INFORMATIVO

contrarrelógios por equipas, estando o foco principal na Taça do Algarve de Ciclismo, que integra cinco provas, pontuáveis para a classificação geral deste troféu. “A constituição deste projeto é o resultado de um sonho antigo que, graças à colaboração e ao emprenho de vários amigos e patrocinadores, se tornou possível”, explicou Amaro Antunes, presidente do clube. Na sessão de apresentação realizada no dia 31 de março, Conceição Cabrita, vicepresidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, considerou que a criação deste novo clube devolve o ciclismo de estrada ao concelho, “enquanto a escola de formação semeará os frutos para desenvolver a modalidade e mostrar que o desporto está bem vivo entre nós” .


EMBAIXADORA DE MOÇAMBIQUE VISITOU FARO

O

Concelho de Faro foi palco, no dia 6 de abril, da primeira visita oficial ao Algarve da Embaixadora de Moçambique em Portugal, Fernanda Lichale, que se fez acompanhar pelo Cônsul Geral, Geraldo Saranga. Com o objetivo de auscultar a comunidade moçambicana no concelho e ao mesmo tempo encontrar formas de aprofundar o relacionamento existente entre as forças vivas locais e as diferentes comunidades moçambicanas, a visita começou com uma reunião com o presidente Rogério Bacalhau e restante executivo da Câmara Municipal de Faro. Num segundo momento, teve lugar uma iniciativa de convívio com a comunidade moçambicana do concelho, que contou com um significativo número de participantes que assim puderam intervir de forma ativa nesta visita da Embaixadora. O período da tarde ficou marcado por uma reunião na Reitoria da Universidade do

Algarve, onde se procuraram criar as bases para o estabelecimento de um programa de intercâmbio com alunos moçambicanos, reforçando desta forma as boas relações que o município mantém com os PALOP’s e, em especial, com as cidades com as quais estabeleceram acordos no âmbito das relações internacionais da autarquia: Maxixe, cidade irmã de Faro desde 2000 e Nampula, com a qual foi estabelecido um protocolo de colaboração em 2015. Com esta iniciativa, Faro procura reforçar a sua vocação de cidade do mundo e ponto de encontro das mais variadas comunidades, que ali encontram o acolhimento necessário para se estabelecerem e se tornarem mais-valias, emprestando cultura, vivências e experiência na construção de um concelho mais rico e multicultural .

#102 ALGARVE INFORMATIVO

91


ATUALIDADE

LOULÉ RECEBE OS NACIONAIS DE TODO-O-TERRENO

D

epois do sucesso dos dois últimos anos, Loulé mantém a aposta no desporto motorizado e volta a acolher os campeonatos nacionais de Todo-o-Terreno, servindo de centro nevrálgico a uma prova que passará pelos trilhos dos municípios do Algarve e do Baixo Alentejo, de 13 a 15 de abril. A Baja de Loulé marca o arranque do campeonato nacional de TT em automóveis, com o aparecimento de novos projetos e viaturas, com garantia de qualidade e competitividade no terreno. Já a competição sob a alçada da Federação de Motociclismo vai na sua terceira ronda. Com motos e quads, sempre muito rápidos a abrirem as etapas, as atenções centram-se nos buggys, este ano designados SSV, a categoria que foi caracterizada recentemente como «melhor campeonato de TT europeu», aumentando a sua expressividade e número de adeptos. A prova algarvia começa na quinta-feira, 13 de abril, com as verificações documentais e técnicas que decorrem na Zona Industrial de Loulé. Com esquema de prova restruturado, na Sexta-Feira 92 ALGARVE #102 INFORMATIVO

Santa, a baja começa pela manhã com o prólogo na zona do Canil, nas imediações de Loulé. A partir das 13h terá lugar o primeiro sector seletivo, com 80 quilómetros, com início na Aldeia de Ameixial e final em Barranco do Velho. Mantendo a aposta na proximidade com o público, o Parque Fechado terá lugar na Av. José da Costa Mealha e o Parque de Assistência situa-se em pleno coração da cidade, permitindo acompanhar de perto o trabalho das equipas. Para sábado disputam-se mais dois sectores seletivos, entre o triângulo Cortelha-AmeixialMartim Longo, com mais de 200 quilómetros contra o cronómetro. Com um percurso bastante rolante, com bom piso e características muito similares a troços de rali, vai de encontro às expectativas dos participantes que elogiaram os traçados usados nas últimas temporadas. O evento encerra pelas 15h de sábado, no pódio instalado na Av. José das Costa Mealha, em Loulé, com a entrega de prémios aos vencedores .


#102 ALGARVE INFORMATIVO

93


94 ALGARVE #102 INFORMATIVO


#102 ALGARVE INFORMATIVO

95


96 ALGARVE #102 INFORMATIVO


#102 ALGARVE INFORMATIVO

97


DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 5852 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Tiago Cação

A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista regional generalista, pluralista, independente e vocacionada para a divulgação das boas práticas e histórias positivas que têm lugar na região do Algarve. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista independente de quaisquer poderes políticos, económicos, sociais, religiosos ou culturais, defendendo esse espírito de independência também em relação aos seus próprios anunciantes e colaboradores. A ALGARVE INFORMATIVO promove o acesso livre dos seus leitores à informação e defende ativamente a liberdade de expressão. A ALGARVE INFORMATIVO defende igualmente as causas da cidadania, das liberdades fundamentais e da democracia, de um ambiente saudável e sustentável, da língua portuguesa, do incitamento à participação da sociedade civil na resolução dos problemas da comunidade, concedendo voz a todas as correntes, nunca perdendo nem renunciando à capacidade de crítica. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelos princípios da deontologia dos jornalistas e da ética profissional, pelo que afirma que quaisquer leis limitadoras da liberdade de expressão terão sempre a firme oposição desta revista e dos seus profissionais. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista feita por jornalistas profissionais e não um simples recetáculo de notas de imprensa e informações oficiais, optando preferencialmente por entrevistas e reportagens da sua própria responsabilidade, mesmo que, para tal, incorra em custos acrescidos de produção dos seus conteúdos. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelo princípio da objetividade e da independência no que diz respeito aos seus conteúdos noticiosos em todos os suportes. As suas notícias narram, relacionam e analisam os factos, para cujo apuramento serão ouvidas as diversas partes envolvidas. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista tolerante e aberta a todas as opiniões, embora se reserve o direito de não publicar opiniões que considere ofensivas. A opinião publicada será sempre assinada por quem a produz, sejam jornalistas da Algarve Informativo ou colunistas externos.

98 ALGARVE #102 INFORMATIVO


#102 ALGARVE INFORMATIVO

99


100ALGARVE #102 INFORMATIVO

ALGARVE INFORMATIVO #102  
ALGARVE INFORMATIVO #102  

Revista semanal de http://algarveinformativo.blogspot.pt/