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Edição 39 • julho | agosto | setembro • 2021

FEIJÃO PÓS GEADA ALTERA PLANEJAMENTO DE SAFRAS Colheita da batatadoce sofre atraso por adversidades

Embrapa descobre nova praga que afeta pastagens


JUNTOS SOMO

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Todos os dias o sol nasce e renasce para novas oportunidades no campo. E nestes mais de 22.600 dias de história, a Coopermota sempre esteve junto ao cooperado para prosperar. Afinal, juntos somos mais fortes.

S MAIS FORTES


RETRATAR DIFICULDADES E SUCESSOS É com prazer que publicamos a 39ª edição da revista O Campo, trazendo a você um pouco mais de informações sobre o meio agrícola, suas inovações, particularidades, dificuldades e sucessos. Nesta revista, o leitor irá acompanhar alguns desdobramentos da queima de plantas ocasionada pelas geadas, ocorridas entre julho e agosto, bem como as consequências de mercado que as perdas devem trazer às culturas. Retratamos a necessidade de reorganização de planejamento entre os produtores de feijão, os quais tiveram que realizar até dois replantios por terem tido a lavoura atingida pela geada. Entre os bananicultores, certamente, o principal reflexo será o aumento de preços no mercado consumidor devido à baixa oferta do produto, a partir de meados de outubro. A geada afetou em cheio os bananais de Palmital e agora o que se espera é a recuperação das plantas, prevista para ocorrer somente no mês de fevereiro. Já nas lavouras de batata-doce da região de Quatá, alguns produtores ainda obtiveram algum proveito, pois conseguiram oferecer o tubérculo ao mercado, quando a maioria teve a finalização da sua safra atrasada pela queima da área folear das ramas. Acompanhamos a colheita de uma destas propriedades que se favoreceu neste momento, a qual vinha obtendo a produtividade de 3.500 quilos de batata por alqueire, o que é considerado uma excelente produção. Para além dos efeitos das geadas, a revista O Campo também traz informações sobre algumas culturas de inverno que podem ser cultivadas como opção de rotação de cultura ou mesmo como cobertura vegetal, como é o caso do sorgo e da aveia branca, respectivamente. Entre os pecuaristas, no entanto, a preocupação se volta para além das pastagens secas, como consequência da estiagem e os efeitos da geada. Uma nova praga foi detectada pela Embrapa na região do Mato Grosso do Sul, em Campo Grande. Trata-se de uma nova cochonilha que deixa o pasto seco, a exemplo do que ocorre com as geadas. A praga ainda não chegou em nossa região, mas já deixa os pecuaristas de gado e leite atentos quanto à necessidade de novos manejos e recomendações de tratos culturais. Lembramos mais uma vez da participação da Coopermota no Campeonato Cordeiro Paulista, realizado pela Aspaco, em parceria com a Unesp. A ração Dieta Total é base única da alimentação dos animais mantidos em confinamento, os quais têm o desenvolvimento de terminação e qualidade de carcaça avaliados por pesquisadores. Os resultados são animadores. O leitor poderá também acompanhar as informações sobre a adesão da Coopermota ao Mercado Livre de energia, o que ocorre desde 2019 e vem representando economia superior a 30% ao mês, no comparativo com ao modelo tradicional de consumo, vinculado às distribuidoras regionais. Além disso, nas receitas Candú, o sabor do preparo da tilápia à mineira vai encantar aquele que experimentar a nossa sugestão de preparo dos filés congelados de tilápia, comercializados pela cooperativa em nossas lojas e conveniências. “Deguste” todas as reportagens e artigos presentes nesta edição. Para sugestões, críticas e dúvidas, escreva para nós. Envie-nos um email para ocampo@coopermota.com.br. Aproveite.

Boa leitura!

Vanessa Zandonade Editora e Analista de Comunicação

Expediente EDIÇÃO, REPORTAGENS, FOTOS E REVISÃO Vanessa Zandonade (MTB 43 463/SP) ARTE, DIAGRAMAÇÃO E FINALIZAÇÃO José Carricondo NovaMCP Comunicação IMPRESSÃO Magraf

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ANÚNCIOS Departamento de Comunicação Coopermota 18 3341 9436 / 18 9 9163 0985 REPRESENTANTE COMERCIAL Agromídia - São Paulo Guerreiro Agromarketing - Maringá REVISTA O CAMPO Av. da Saudade, 85 Cândido Mota - SP ocampo@coopermota.com.br


Olhar Cooperativo

ESPERANÇAS RENOVADAS MESMO NAS ADVERSIDADES Os agricultores da área de abrangência da Coopermota, assim como de várias partes do país, passaram por períodos de muita insegurança nesses meses de julho e agosto, com a comprovação das previsões de geadas sucessivas sobre suas plantações de milho, as quais estavam em fase de maturação. Vivemos situações de adversidades climáticas que há muitos anos não se viam, acumulando efeitos danosos nas lavouras, seja pela longa estiagem verificada entre maio e junho, ou pelo frio intenso nos meses seguintes, o que levou os produtores a acenderem a luz vermelha da preocupação sobre essa safra de inverno. Os resultados foram variáveis, porém com perdas em todas as realidades, sejam elas mais acentuadas ou não. Mesmo com os preços favoráveis para a comercialização das produções obtidas, o cenário se mostrou incerto. Contudo, o agricultor conhece o perfil do seu negócio e sabe que o risco acompanha as expectativas de rentabilidade das produções agrícolas. Ele tem em seu interior a fibra de sempre recomeçar, deixar para trás as adversidades vividas e trazer esperanças renovadas para a nova safra que se aproxima. Sabemos que as incertezas climáticas continuarão, assim como também temos consciência de que o viés econômico/político influencia nas ações voltadas ao setor. Citamos isso, devido ao fato de que passamos por um momento de polêmicas em âmbito nacional e esperamos que não haja impactos negativos na agricultura, devido a possíveis desdobramentos ligados a fatores políticos. A Coopermota segue, no entanto, investindo e acreditando no potencial do Vale Paranapanema, sua primeira área de atuação, como também de todas as outras regiões onde está instalada, seja no interior de São Paulo ou norte do Paraná. Continuamos otimistas quanto aos resultados entregues pela agricultura à toda a população brasileira, sendo parte importante do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Essa visão positiva sobre a nossa realidade, tem nos impulsionado a continuar crescendo cada vez mais. Prova disso é a melhor estruturação que estamos proporcionando a algumas de nossas unidades, assim como criando novas frentes de atuação para a cooperativa, as quais devem se concretizar muito em breve. A Coopermota acredita no potencial da agricultura e de seus cooperados. Juntos somos mais fortes!!!

Edson Valmir Fadel Presidente da Coopermota

Sumário

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Replantios do feijão alteram cronograma anual de safra

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Banana deve ficar mais cara em meados de outubro

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Colheita da batatadoce sofre atraso por adversidade climática

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Sorgo é opção para diversificar culturas

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Aveia branca é indicada como rotação de cultura e tem bom mercado

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Nova cochonilha de pastagem é descoberta pela Embrapa

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Campeonato testa eficiência da ração Dieta Total Coopermota

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Mercado livre de energia gera mais de 30% de economia

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Pastos possuem diferentes propriedades para vacas leiteiras

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Artigo: como melhorar a qualidade do solo

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Receita Candú: tilápia à mineira

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Artigo Embrapa: cuidados na entressafra da soja

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Mais Soja: Ganhadores da região oeste/SP julho | agosto | setembro 2021

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Capa

FEIJÃO

Planejamento de safras alterado

A cultura do feijão tem se mostrado muito rentável, porém é permeada por riscos no que se refere ao frio e as consequentes geadas

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A área plantada com feijão tem acompanhado a expansão das áreas com pivô de irrigação

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epois de um longo período com tempo seco e quente, o frio chegou forte na região de abrangência da Coopermota, com o registro de três geadas sequenciais entre 30 de junho e 30 de julho, as quais afetaram a realidade de diferentes lavouras. As quedas bruscas de temperatura atingiram as propriedades destas localidades de uma forma bastante generalizada. Conforme dados da estação meteorológica Imeteopro, instalada no Campo de Difusão da Coopermota em parceria com a Adama, em Cândido Mota, na madrugada do dia 30 de junho, as temperaturas chegaram a 0,04°C. Já no dia 19 de julho, os termômetros registraram a temperatura de -2,12°C, tendo a terceira onda da massa de ar frio nos dias 29 e 30 de julho, chegando a -1,33°C e -2,13°C, respectivamente. Estas três ocorrências de adversidades climáticas trouxeram consequências para diferentes culturas, afetando as lavouras de feijão, que começavam a emergir ou aguardavam pela germinação das sementes cultivadas há pouco tempo, variando de uma propriedade para outra. Em muitos casos, o replantio do feijão foi a alternativa para manter a cultura, já que as geadas queimaram as plantas quando ainda estavam bastante novas. É o que relata o produtor e agrônomo da Coopermota, João Franciscatti. “A primeira matou 50% do que a gente tinha plantado. Tínhamos danos parciais na cultura, mas decidimos deixar o feijão mesmo assim. Na sequência, veio outra geada, que acabou de matar o resto. Depois disso tivemos que replantar e agora o feijão está emergindo de novo”, relata. Já para Oscar Knupel, o atraso de emergência das plantas devido ao período com temperaturas mais amenas o ajudou a não ter perdas com o feijão. Ele plantou antes da geada e quando as temperaturas caíram drasticamente elas ainda não tinham nascido. Em outros casos, no entanto, como o da família Vasques, o replantio foi realizado duas vezes, já que as plantas estavam suscetíveis à requeima nas duas geadas. A necessidade de replantio do feijão interferiu diretamente na programação dos produtores para as safras de 2021 e 2022, devido às alterações de apro-


veitamento das janelas de plantio das culturas subsequentes (soja e milho). Franciscatti comenta que com o aumento de pivô na região, as áreas de feijão estão aumentando na mesma proporção. No entanto, enfatiza que a cultura é bastante desafiadora. “O problema é a janela de plantio: se você deixar para plantar o feijão muito tarde para fugir da geada, fica tarde para plantar a soja, o que também atrasa o milho de segunda safra. Então os produtores preferem antecipar um pouco este plantio de feijão, arriscando pegar uma geada, para não atrasar tanto a soja, assim como também não atrasar o milho. Só que tem risco. Ano passado a gente não teve problema. Veio um frio, mas acabou não geando. Já neste ano, o frio intenso pegou a cultura em cheio”, destaca. O feijão é uma cultura com ciclo de desenvolvimento bastante rápido. Franciscatti realizou o primeiro cultivo no dia 07 de julho, com expectativa de bom aproveitamento da janela de plantio, contudo, com as geadas e o replantio, o seu cronograma

foi alterado em cerca de um mês. Ele destaca que os prejuízos causados pela geada não estão exatamente focados no custo de replantio, mas sim, nas alterações de planejamento que terá que realizar. “Aumentou só o custo da semente mesmo. A gente não tinha feito nada de cobertura, então o nosso custo aumentou aproximadamente 10%. Não é um prejuízo imediato tão significativo. Os prejuízos estão mesmo na alteração da janela de plantio da soja, que foi jogada um pouco mais para frente. A programação de soja e milho que tínhamos definido teve que ser mudada. Já mudei o cultivar de soja e já mudei também o híbrido que eu vou plantar na segunda safra. Felizmente ainda não tínhamos comprado nada, porque eu deixei isso em aberto, para saber o que ia acontecer e então comprar os insumos. Agora, a gente decidiu optar por um material de milho com ciclo mais rápido e um cultivar de soja mais precoce também”, cita.

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Área de feijão O total de área plantada com feijão tem aumentado na região de Cândido Mota nos últimos três anos. A ampliação de abrangência segue a expansão das áreas de pivô, estimadas entre 300 e 400 hectares. Destas, quase todos estão com feijão. “O preço está muito bom e vantajoso, o que tem influenciado positivamente na decisão de plantio, mesmo com os riscos inerentes à cultura”, avalia o agrônomo. O manejo do feijão não difere muito dos tratos culturais que são utilizados na soja, o que facilita o acesso à assistência técnica. “O manejo de adubação é igual, o manejo fitossanitário está voltado praticamente para o controle das mesmas pragas e as doenças também são muito próximas, no que se refere aos fungicidas, então não muda muito. O que talvez seja um pouco diferente é a questão da adubação, pois o feijão exige a adubação nitrogenada e a soja não”, explica. Quantos aos equipamentos de tratos culturais, plantio e colheita, praticamente não há diferenciação entre a soja e o feijão. “A plantadeira e o pulverizador são os mesmos, assim como a colheitadeira também é a mesma, sendo necessária apenas a implantação de um kit de adaptação para alterar a rotação do motor na colheita”, diz. A partir da instalação dos equipamentos de irrigação nas propriedades, os produtores conseguem viabilizar o que se chama de terceira safra anual. Na verdade, são cinco safras em dois anos, tendo o feijão irrigado como terceira cultura. Nesta divisão, planta-se a soja de 20 de setembro a 15 de outubro; o milho entre o final de janeiro até 20 de fevereiro e o feijão em julho. A comercialização dos grãos é realizada por meio de “comerciantes”, caracterizados por empresas ou produtores que compram o feijão diretamente da roça e o vendem no Ceasa, em São Paulo. Além disso, também existem os empacotadores que atuam na região, embalando o produto em indústrias instaladas em cidades como Santa Cruz do Rio Pardo e Salto Grande, por exemplo. Franciscatti comenta que, sem irrigação, dificilmente é possível viabilizar a terceira safra do ano, com o feijão. “No sequeiro, ele precisa substituir o milho safrinha e não ser mais uma safra do ano, tendo o plantio entre fevereiro e março. Contudo, com o atual preço de milho, os produtores preferem mesmo manter o milho como opção de inverno”, destaca. Entretanto, o agrônomo alerta que as áreas de cultivo de feijão devem ser mantidas com a cultura no período máximo de três safras, sendo necessária a rotação de cultura na sequência. Isso porque, se o feijão for mantido na área por um período mais longo do que este, estará sujeito a conviver com muitas doenças, como a antracnose, o mofo branco e várias outras. “Então, depois de três safras, o ideal é colocar outra cultura e esperar um ano para voltar com o feijão. Como é uma cultura muito rápida ela é muito sensível a tudo, frio, calor, praga, doença...”, enfatiza.

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QUEIMA DOS BANANAIS

Bananas mais caras como consequência das geadas Os produtores esperam pela rebrota das plantas e por um retorno de produção para fevereiro de 2022, mesmo assim, com carga reduzida

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ogo após as geadas, o que se via eram bananais secos, totalmente queimados pelas baixas temperaturas. Para a região de Palmital, as geadas de junho e julho trouxeram um cenário desesperador para boa parte dos bananicultores. Com a queima das plantas ocasionada pelo gelo, em muitos casos, o corte dos cachos para a colheita dos frutos deu lugar ao corte dos bananais, restando apenas aqueles que resistiram à intempérie climática. Muitos bananais foram picados em pequenos pedaços mantidos ao chão para se decomporem e servirem como matéria orgânica. Depois dos estragos constatados, restaram alguns cachos que estavam protegidos, ensacados. Neste momento, os produtores esperam pela rebrota das plantas e por um retorno de produção para fevereiro de 2022, mesmo assim, com carga reduzida. O diretor da Cooperativa Palmitalense dos Bananicultores (Coopaban), Vanderson Alves, comenta que a maioria das plantações foram destruídas, tendo localidades com perda total. Ele explica que alguns produtores tinham seguro, outros estavam para renovar o contrato que já havia vencido e, portanto, estavam desprotegidos, outros não tinham nenhuma garantia

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de produção contratada. “É complicada a situação. Agora, o que estamos prevendo é um aumento no preço de comercialização da banana, provavelmente, para outubro. No entanto, não acreditamos que a valorização do quilo não chegue aos patamares que vivemos no ano passado”, estima. Neste ano, a falta de produto no mercado será em decorrência dos estragos causados pelas geadas que se estenderam por grande parte do Sul e Sudeste do país. No entanto, Vanderson lembra que as ventanias do ano passado na região de Santa Catarina já haviam afetado a produção da banana, levando a um preço de custo ao produtor superior a R$ 3,00, enquanto que atualmente o valor do quilo está a R$ 1,80, aproximadamente. “A realidade atual é de retração no mercado consumidor. Estamos com baixíssima procura nos produtos que não são essenciais. Os efeitos da pandemia, com elevação da inflação e estagnação nos salários estão fazendo com que os consumidores deixem de comprar. Somado a isso, estes estragos causados pela geada devem impactar o nosso mercado. O resultado disso tudo será problemas para os produtores rurais”, lamenta.


Esta estimativa de elevação dos preços parece já estar sendo percebida nas comercializações da banana no principal centro do estado de São Paulo, na Ceagesp. O aumento do valor pago pelo quilo da banana chegou a 7% na comparação com o mês anterior. Conforme dados divulgados pelo Cepea/Hortifruti, o mês de agosto registrou altas consecutivas tanto no quilo da banana nanica quanto da prata. Os consultores destas instituições afirmam que o clima foi o principal fator de influência desta oscilação. “A nanica de primeira qualidade foi vendida na média de R$ 1,70/kg no Vale

do Ribeira (SP) na parcial do mês (1° a 20/08), valor 23% superior ao mesmo período do mês anterior. Já a prata anã de primeira qualidade aumentou 39% na mesma comparação, sendo comercializada por R$ 1,74/kg no Norte de Minas Gerais. Para as próximas semanas, produtores acreditam que a oferta de nanica e de prata ainda estarão controladas na maioria das regiões produtoras, o que pode favorecer novos reajustes de preços, a depender da aceitação do mercado”, destacam analistas do portal Hortifruti em boletim semanal divulgado em seu site.

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BATATA-DOCE

Ramas queimadas por geada e atraso na finalização Para as lavouras mais novas, os efeitos ainda não podem ser calculados, porém estima-se que possa haver redução de produtividade, aumento de custos e quebra de rentabilidade devido a variação de preços do tubérculo. julho | agosto | setembro 2021

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assadas algumas semanas da geada que atingiu toda área de abrangência de atuação da Coopermota, o aspecto das lavouras de batata-doce plantadas na região de Quatá e Paraguaçu Paulista é de queima de grande parte da área folear destas plantas. Algumas propriedades foram atingidas com as batatas ainda não finalizadas, enquanto outras puderam ter o ciclo concluído, mesmo com as folhas queimadas, já que estavam mais adiantadas em seu desenvolvimento. Nas propriedades em que as batatas ainda estavam em fase de captação de nutrientes para a sua finalização, a colheita foi atrasada em pelo menos 40 dias. Esta realidade de atraso na colheita de algumas propriedades que começavam a se preparar para a colheita, favoreceu, de alguma forma, aqueles que já estavam com a lavoura mais adiantada. Com menos oferta do produto no mercado e boa produção sendo retirada dos talhões, a perspectiva é de boa lucratividade nesta safra para estes produtores. O preço atual de R$ 35,00 a caixa já tem perspectiva de chegar ao patamar de R$ 40,00 no curto prazo. Na propriedade de Marcelo Bizinotti e Rodolfo Bedin, no bairro Água do Fogo, em Quatá, a produção de 3.500 caixas por alqueire empolga os produtores. Eles são tradicionais produtores de mandioca e produtores de gado de corte, porém nesta safra que optaram por investir na cultura da batata. Até o momento, afirmam ter aprovado a escolha.

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Já para as lavouras mais novas, os efeitos ainda não podem ser calculados, porém estima-se que possa haver redução de produtividade, aumento de custos e quebra de rentabilidade, já que com o atraso de 40 dias, a realidade comercial da caixa da batata pode variar bastante em relação aos bons preços praticados atualmente. A agrônoma da Coopermota, Unidade de Paraguaçu Paulista, Luciane Custódio, explica que com as folhas queimadas a planta precisa de um tempo para se recuperar e concluir o seu ciclo de desenvolvimento, o que justifica o atraso na finalização das batatas em cerca de 40 dias, podendo chegar até a dois meses, dependendo da situação da lavoura. “Com as folhas, e até em alguns casos, as ramas deterioradas pela queimada da geada, a planta canaliza os seus nutrientes para a recuperação da sua área folear. Com isso, a planta deixa de liberar energias ao tubérculo e as dirige para a emissão de novas folhas. Isso pode implicar em redução de produtividade. Além disso, para haver esta recuperação das folhas, o produtor precisa recorrer ao uso de insumos e irrigação para auxiliar a batata a se recuperar, resultando em aumento de custo de produção”, explica. Outro fator citado pela agrônoma é o tempo de retorno da lavoura, que será expandido.


Batata-doce em alta na região de Paraguaçu Paulista

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área de batata-doce cultivada na região de Paraguaçu Paulista e Quatá tem sido ampliada nos últimos anos. Há algumas safras, os produtores desta região têm obtido produtividades que resultam em lucratividades bastante compensatória. Tal fato é creditado pela agrônoma Luciane Custódio, ao equilíbrio encontrado no manejo das plantas e na utilização dos insumos corretos para a cultura da batata-doce, além de um acompanhamento técnico constante da plantação. Contudo, o preço da caixa da batata-doce varia bastante no mercado. Um dos produtores entrevistados pela revista O Campo, ainda em 2019 já reclamava que o mercado considera ideal a batata-doce em tamanho mediano e paga mais por produtos deste porte. “Agora (junho de 2019) que estamos com uma mercadoria boa, a gente consegue vender a caixa por R$ 15,00 e até R$ 17,00, mas já chegou a R$ 30,00, em outras safras. Em contrapartida, se você tem uma mercadoria fraca, não consegue mais de R$ 8,00 ou R$10,00.

Nestas condições, se o preço estiver abaixo de R$ 10,00 a venda não cobre nem o nosso custo”, compara. O preço de comercialização praticado entre 2019 e agora, em 2021, demonstra a variação do valor pago pela caixa deste tubérculo, já que para os próximos meses estimase o valor de R$ 40,00 para a mesma quantidade do produto. A agrônoma explica que a batata exige uma atenção especial em todo o processo de desenvolvimento da planta, com cuidados especiais desde a escolha das ramas e a análise do solo, até aos insumos utilizados como o calcário, o gesso e outros. Custódio explica que os produtores da região têm optado pelo uso de inseticidas fisiológicos preventivo, o que tem contribuído para o controle da lagarta, uma das pragas que trazem preocupações aos produtores. Além disso, ela cita também a viabilidade do uso dos fertilizantes hidrossolúveis, que contribuem para a obtenção de batatas com coloração acentuada, o que favorece a sua comercialização.

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SORGO

Diversificar com cultura mais tolerante ao estresse hídrico Trata-se de uma cultura com bom potencial produtivo e com custo mais baixo em comparação com o milho.

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le é indicado como cultura de inverno de forma a diversificar os plantios e reduzir riscos deste período sujeito à estiagens e geadas. Enquanto o milho necessita de aproximadamente 600 litros de água em todo o seu ciclo para conclusão de seu desenvolvimento, é possível colher grãos de uma lavoura de sorgo que tenha recebido 300 litros de água do plantio à colheita. É indicado para regiões que não têm bem definido o regime de chuvas nas estações do ano ou onde o solo ainda está em fase de construção de sua fertilidade. “O que é preciso ser deixada de lado é a informação errônea de que a cultura do sorgo não é exigente. Ele é tão exigente quanto o milho, porém, tolera mais a estiagem. Trata-se de uma cultura com bom potencial produtivo e com custo mais baixo em comparação com o milho”, afirma Norivaldo Cardoso, representante técnico de uma das parceiras da Coopermota que comercializa insumos para a cultura do sorgo. O agrônomo da Coopermota, Lucas Napoleão, explica que tem havido uma expansão considerável do sorgo na nossa região, principalmente nas áreas onde não tenha sido possível cultivar o milho safrinha

por estar com a terra disponível somente depois da janela de plantio desta cultura. “Antes da adesão dos produtores ao sorgo, estas áreas onde havia ficado tarde para o plantio do milho ficavam paradas. Então, os produtores vêm aderindo ao sorgo e conseguindo lucrar também nesta safra de inverno. Desta forma, estamos trazendo mais uma rentabilidade ao produtor. Todavia, é importante lembrar que os tratos recomendados para o sorgo são os mesmos que seriam dedicados ao milho. É preciso fazer uma boa dessecação e cuidar quanto ao controle de pragas e doenças, principalmente as pragas que afetam a fase inicial da cultura, que é quando a sua estrutura está sendo definida e é a partir desta realidade que teremos o resultado com a cultura ao final do ciclo”, destaca. Para enfatizar a maior tolerância do sorgo ao estresse hídrico, Napoleão cita a padrão das lavouras de sorgo frente às dificuldades climáticas enfrentadas na região. “O estresse hídrico foi muito severo e o que a gente vê são lavouras de sorgo com uma padronização muito boa, com boa produção de grãos”, diz.

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Perfil do sorgo nas adversidades

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sorgo é capaz de resistir bastante às adversidades climáticas como calor, falta de água e outras. Além disso, ele também é uma boa opção para ser utilizado na integração lavoura-pecuária, agregando às produções de ovinos, bovinos e de grãos. O sorgo também pode ser usado para formação de palhada, como forragem, como renovação de solo e de pasto. “O cereal dá dois cortes. Aqui ele servirá para produção de silagem e na alimentação do gado a pasto, com a sua rebrota”, diz o agrônomo.

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Outra opção de plantio do sorgo é como antecessor da lavoura de soja. Isso porque é uma cultura que agrega ao solo mais matéria orgânica, auxiliando na sua conservação, mantendo por mais tempo a umidade e melhorando a fertilidade. Seu enraizamento profundo consegue retirar nutrientes que a oleaginosa não obtém por conta de sua raiz mais superficial em relação ao sorgo. Com a decomposição de sua palha, deixa no solo nutrientes que a soja utilizará.



AVEIA BRANCA

Rotação de cultura e comercialização

A adoção da Aveia Branca na região tem variado de acordo com as condições de plantio do milho de segunda safra; é cultura que serve como cobertura verde e também para a comercialização do grão para a indústria alimentícia e de ração animal

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poucos centímetros do solo as raízes vão crescendo em diversas ramificações, em uma espécie de cabeleira, abrindo sulcos no solo que favorecem a sua descompactação. A planta lembra muito o trigo, mais comum como cultura de inverno nestas regiões. No entanto, estamos falando da Aveia Branca. É uma opção ao produtor para a rotação de culturas e cobertura vegetal, como também uma alternativa como cultura comercial. A Aveia Branca possui ciclo produtivo de 120 dias, podendo ser colhida para a comercialização dos grãos em empresas que a destinam para a alimentação animal, em haras e outros estabelecimentos variados. Outra alternativa é utilizar a sua massa residual para a cobertura vegetal do solo. De acordo com dados do departamento técnico da Coopermota, a aveia branca tem característica ótima para ser utilizada como cobertura vegetal, já que sua palhada demora mais para se decompor e contribui de forma valiosa para a diversificação da vida biológica do solo. A aveia ainda possui um mercado secundário na região, oferecendo, porém, grandes benefícios ao solo como rotação de cultura. Conforme dados do setor de comercialização da cooperativa, normalmente a aveia é comercializada a R$ 0,50 o quilo, podendo chegar a uma produção de cinco mil quilos por hectare. Além disso, possui um menor custo de produção em relação ao milho. Em contrapartida, o seu plantio depende do uso de uma plantadeira específica, já que a adaptação de equipamentos destinados a outras culturas costuma apresentar perdas ao produtor. A aveia, entretanto, possui maior tolerância à estiagem, sendo necessários menores índices de chuva para o seu desenvolvimento. No plantio, o distanciamento de 17 centímetros por linha garante uma população ideal em torno de 14 a 15 plantas por metro linear. Segundo dados da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), a aveia branca tem ganhado importância devido ao interesse de indústrias que utilizam o grão para a produção de produtos alimentícios, embora tenham maior destaque de produção na região Centro Sul do Brasil. “Adotando tecnologias

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adequadas e posicionamento correto dos cultivares adaptados para as diferentes regiões é possível obter boas produtividades de grãos, além de diversos benefícios para os sistemas de produção diversificados em função da boa produção e persistência da palhada”, afirma especialista da SNA, em entrevista publicada no site da instituição. Consultores do setor técnico da Coopermota destacam é preciso avaliar qual a cultura mais indicada

para o solo e cada propriedade, definindo a opção que trará os benefícios que aquele solo necessita. Também é extremamente importante que o produtor considere a melhor variedade àquela região, tendo em vista todo o manejo e cuidados que deverão ser adotados no decorrer do desenvolvimento de seu ciclo. Entre as possibilidades de rotação de cultura, além da aveia branca, destacam-se a crotalária, o nabo forrageiro, a aveia preta, entre outras.

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NOVA PRAGA

Pastagens secas por ação de nova cochonilha A praga foi detectada até o momento na região de Mato Grosso do Sul e ainda não há controle químico ou biológico recomendado para ela.

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cenário é de um pasto totalmente seco em toda a extensão do piquete. As condições do capim inviabilizam a pastagem do gado e prejudicam o negócio pecuário. Contudo, embora muitos pastos estejam desta forma em decorrência das três geadas registradas na região entre julho e agosto, neste caso, o agente causador dos danos é uma nova cochonilha encontrada em pastagens de Campo Grande, a Duplachionaspis divergens, a qual ainda não foi batizada por um nome comum. Ela causa estragos semelhantes ao que já ocorreu décadas atrás com outra cochonilha, a qual já tem controle assegurado por meios biológicos. Trata-se de uma praga que foi relatada no Brasil pela primeira vez em agosto de 2018 e vem sendo acompanhada por pesquisadores da Embrapa e outras instituições de pesquisa. Entretanto, ainda não há controle químico e nem manejo definido para seu controle. Em divulgação da Embrapa, a agrônoma e doutora em entomologia agrícola, Fabrícia Zimermann Vilela Torres, explica que a praga foi detectada inicialmente em uma área experimental da Embrapa, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, tendo posteriormente sido relatada por produtores de outras localidades e regiões do país. A praga já era conhecida na cultura da cana-de-açúcar, com incidências em estufa experimental, mas em pastos ainda não havia relatos. “A cochonilha tem uma reprodução muito rápida e os danos são rapidamente percebidos na pastagem. O capim fica amarelado e seco, evoluindo para a sua total infestação em pouco tempo”, diz.

Zimermann relata que a primeira ocorrência foi verificada em época seca, mas a cochonilha continuou ativa mesmo no tempo chuvoso. Sua incidência normalmente ocorre em capim com sobra de pasto, causada por falha de manejo. Nestes casos, a agrônoma afirma que a praga tem atacado mais. “Dá a impressão de que ela tem mais facilidade nestas circunstâncias por conta das folhas que sobram. Inicialmente verificamos a praga em um capim específico, mas agora ela tem atacado qualquer tipo de gramínea plantado na área. Estamos trabalhando neste momento para ver se há alguma preferência nos hábitos de desenvolvimento dela e ver o que pode ser feito para o seu controle”, comenta. Estudos publicados por outros países já determinaram alguns parâmetros quanto ao ciclo desta nova cochonilha. Conforme publicações, o ciclo de vida desta praga dura cerca de 40 dias, sendo oito dias na fase embrionária (no ovo), 30 na fase de ninfa e uma fase adulta bem mais curta, que dura de dois a três dias. Ela é capaz de produzir muitas gerações durante o ano se o seu ciclo não for interrompido. Cada fêmea produz cerca de 130 ovos. Assim que a ninfa sai do ovo ela procura um local para se fixar, onde suga a seiva da planta. Com isso, a folha fica amarelada ao redor de onde a praga se fixou e, posteriormente, a seca totalmente. Seus efeitos são semelhantes aos efeitos de uma seca muito severa. As folhas ficam com coloração amarelada e às vezes também adquire tons roxeados, acompanhados de pontos brancos. A praga começa a atacar em uma ou outra touceira e logo toda a plantação está afetada. Não é por reboleira”, explica.

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Infestações já detectadas

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m todo o mundo, esta praga já tem evidências em 18 espécies de gramíneas, mas na região, até o momento foi detectada em híbridos de braquiária, no Ipyporã, também na Brachiária decumbens, conhecida como Braquiarinha, e em outros cultivares como o Bizantha, também no Panicum e no Capim Elefante. A princípio não parece ser uma praga muito seletiva e vem infestando diferentes tipos de capim. “Não se trata da, já conhecida, cochonilha dos capins. Muitos já me perguntaram. Esta que já conhecemos é a Antonina graminis e é controlada por meio biológico. Desta forma, a Antonina já não causa mais prejuízos aos pecuaristas desde a década de 1960. Esta nova cochonilha não se assemelha morfologicamente à Antonina. Não dá para confundir. A primeira fica nas folhas, é bem menor. Esta fica nos nós das plantas e no coleto também”, comenta. A cochonilha Antonina, já conhecida pelos pecuaristas, foi detectada no Brasil em 1944, na Bahia; em 1964, no Pará; e em 1966, no estado de São Paulo. Assim como a Antonina, esta nova cochonilha produz uma cera branca, porém sua cera é mais arredondada. O corpo dela é meio amarelado e dificilmente pode ser visto a olho nu. O que o produtor consegue enxergar é mesmo a cera branca deixada pela praga para proteger os ovos depositados pelas fêmeas sobre a planta. Trata-se de uma praga com capacidade de

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procriação muito grande. É possível haver várias gerações dela na infestação da mesma lavoura, o que dificulta a observação e também o acompanhamento do desenvolvimento da praga. Muitas fêmeas ficam no mesmo espaço e às vezes tomam conta da folha nos seus dois lados, nos pecíolos, caules e até no bacheiro da planta. “Ainda não há recomendação de controle eficiente. Precisa haver estudo de controle químico, porque ainda não há produtos registrados. Precisamos estudar a eficiência, de repente, de um mesmo produto que já seja usado para outras pragas e que talvez também possa ser usado para ela. Estamos analisando cultivares que possam ser resistentes à Duplachionaspis divergens”, explica. Zimermann alerta aos pecuaristas que ao olhar de longe, os efeitos da ação desta cochonilha podem ser confundidos com uma deficiência nutricional. Mas ao observar melhor e bem de perto, é possível perceber a praga. “Estamos recebendo relatos dos produtores que detectam a praga em suas pastagens. É importante que a gente receba estes dados para estudarmos e conseguirmos encontrar mais solução a eficiente. Todos os relatos podem ser encaminhados para o SAC da Embrapa. Novas pragas têm surgido nestes últimos anos então a gente não pode fechar os olhos e considerar só aquelas que já existem”, convoca.


Pragas mais comuns na região

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mbora a Duplachionaspis divergens já esteja presente em algumas localidades do Brasil, ainda não há evidências dela na área de abrangência da Coopermota. O gestor da Unidade de Negócios da Coopermota de Teodoro Sampaio, Ivair Mariano da Silva, um dos municípios com maior atuação da pecuária, comenta que atualmente, a lagarta e a cigarrinha são as pragas que trazem maiores preocupações aos agricultores que atuam com gado leiteiro e de corte. “Um bom manejo é muito importante para mantermos a produção das pastagens em boas condições nutricionais ao gado. Atuamos de olho nas pragas atuais, porém não deixamos de ficar atento às possíveis ameaças, como esta citada na matéria, de forma a atuar em parceria com o produtor e obter bons resultados almejados por ele”, diz. Na infestação da mesma lavoura, o que dificulta a observação e também o acompanhamento do desenvolvimento da praga. Muitas fêmeas ficam no mesmo espaço e às vezes tomam conta da folha nos seus dois lados, nos pecíolos, caules e até no bacheiro

da planta. “Ainda não há recomendação de controle eficiente. Precisa haver estudo de controle químico, porque ainda não há produtos registrados. Precisamos estudar a eficiência, de repente, de um mesmo produto que é usado para outras pragas também possa ser usado para ela. Também estamos analisando cultivares que possam ser resistentes à Duplachionaspis divergens”, explica. Zimermann alerta aos pecuaristas que ao olhar de longe, os efeitos da ação desta cochonilha podem ser confundidos com uma deficiência nutricional. Mas ao observar melhor e bem de perto, é possível perceber a praga. “Estamos recebendo relatos dos produtores que detectam a praga em suas pastagens. É importante que a gente receba estes dados para estudarmos e conseguirmos encontrar mais solução mais eficiente. Todos os relatos podem ser encaminhados para o SAC da Embrapa. Novas pragas têm surgido nestes últimos anos então a gente não pode fechar os olhos e considerar só aquelas que já existiam”, convoca.

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AGORA NAS LOJAS COOPERMOTA, VOCÊ ENCONTRA AS RAÇÕES DUPET EM EMBALAGENS DE 1KG.


DIETA TOTAL X CONFINAMENTO

Nutrição que contribui para o desempenho comercial A linha de nutrição animal para cordeiros confinados da Coopermota é testada com resultados comprovados em campeonato realizado pela Associação Paulista de Criadores de Ovinos (Aspaco)

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entenas de cordeiros são confinados em um espaço delimitado de pesquisa junto à Universidade Estadual Paulista – Unesp/Botucatu, com rígidas ações de higiene e sanidade, sendo alimentados com nutrição especifica de confinamento pelo período de três meses. Os resultados do consumo desta ração, bem como de outros componentes no manejo de cordeiros, vêm sendo analisados pela equipe técnica do Campeonato Cordeiro Paulista realizado anualmente pela Associação Paulista de Criadores de Ovinos (Aspaco).

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A Coopermota participa deste campeonato há onze edições, desde 2011, oferecendo o alimento de maneira integral aos animais. O envolvimento da cooperativa nesta iniciativa traz dados de resultados importantes de comprovação do potencial dos animais, frente ao consumo desta linha de nutrição exclusiva da Coopermota. Em alguns casos, a engorda diária dos animais chega a ser de quase 600 gramas entre uma pesagem e outra. Em entrevista para a revista O Campo, o criador Bruno Garcia Moreira, ressalta que o campeonato deve servir de parâmetro para criadores, já que é um balizador no que se refere ao desenvolvimento


de diversas raças, em regime de confinamento. Cita que o evento dá visibilidade àquilo que está dando resultado em termos de manejo dos cordeiros em confinamento. O bom desempenho de engorda e qualidade da carne facilita a sua inserção no mercado consumidor, a partir dos dados obtidos no campeonato. Para a conferência dos resultados, ao final dos três meses os cordeiros são abatidos para que haja a análise de qualidade de suas carcaças. Cada produtor concorre com três animais, de diferentes raças, entre elas a Sulffok, Ille de France e Dorper, em cruzas variadas. Mais de 100 cordeiros de ovinocultores do estado de São Paulo participam do campeonato. Em pesagens de edições anteriores, alguns cordeiros chegaram a ter um

ganho de peso em torno de oito quilos, no período de quinze dias. Entre os nutrientes que compõem a ração Dieta Total, da Coopermota, utilizada no campeonato, está o cloreto de amônio, o que tem trazido bons resultados no equilíbrio do organismo dos animais submetidos a uma alimentação exclusiva com esta ração no confinamento. A partir do consumo deste elemento, os cordeiros não desenvolvem cálculos renais, comuns a esta espécie. O médico veterinário e gestor da Fábrica de Rações da Coopermota, José Antônio Pereira, alerta que a adoção de uma nutrição com desequilíbrio no que se refere às necessidades do animal, com baixo índice de cloreto, por exemplo, pode acarretar na incidência de

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cálculos renais em qualquer fase da vida do animal, não só na terminação. Um dos métodos sugeridos na prevenção contra a chamada urolitíase, doença renal citada, citada pelo veterinário da Coopermota, é a ingestão de substâncias que contribuem para a “acidificação da urina”, considerado por pesquisadores como uma das formas mais eficientes e baratas para a sanidade dos animais no que se refere ao tema. Em sua tese de doutorado, Danilo Ferreira e outros, abordam os efeitos do Cloreto de Amônio na alimentação de ovinos confinados. A assunto foi tema do artigo produzido pelos pesquisadores membros da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Botucatu, em parceria com o departamento de Clínicas Veterinárias, da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Segundo eles, “o cloreto de amônio induz acidose e diurese transitória por ser absorvido pelo trato gastrointestinal e convertido no fígado em ureia e ácido clorídrico (HCl), pela ornitina. O HCl age com um doador de H+, provocando acidose metabólica. O H+ é excretado diretamente pelos túbulos renais para evitar a acidemia, produzindo urina ácida, ou se combina com o HCO3- para formar ácido carbônico, que se dissocia em água (H2O) e dióxido de carbono (CO2). O CO2 é então eliminado pela expiração pulmonar, restando o Cl- e a ureia, que provocam diurese osmótica, com o Cl- sendo excretado como um sal juntamente com o sódio (Na+) e volume equivalente de água”, consta na pesquisa. Tais evidências de equilíbrio alimentar foram comprovadas durante este campeonato da Aspaco, que na edição 2021 está com inscrições abertas. O evento promove evidências de produtos utilizados na alimentação e sanidade dos animais que contribuem para o melhor acabamento dos cordeiros e para a redução dos índices de problemas de saúde, de uma forma geral.

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Históricos do campeonato

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Campeonato Cordeiro Paulista surgiu em 1991, em formato ainda diverso em relação ao atual. No início da década de 1990 a criação de cordeiros ainda estava fortemente centrada na produção de lã e a carne era considerada apenas um subproduto. Porém, a crise mundial causada por excesso de estoque do produto, aliada à uma grande oferta de produtos industrializados de sintéticos, impulsionou mudanças no setor brasileiro de criação de cordeiros. A partir de então, a carne passou a ser também observada e manejada de forma a trazer rendimentos aos criadores. Nesta nova vertente de atuação do mercado, a Associação Paulista de Criadores de Ovinos (Aspaco) passou a incentivar a seleção de rebanhos mais homogêneos e com qualidade de carcaça. Já em 2002, o concurso de raças passou a adotar as conformidades do Campeonato Cordeiro Paulista propriamente dito, com maior dinamismo entre suas regras em disputa. Desde esta primeira edição do campeonato, a competição passou a adotar duas etapas de disputa, sendo uma delas de avaliação quanto ao ganho de peso dos animais e outra de análise de carcaças. Em 2004, a iniciativa passou a ser um evento oficial do estado de São Paulo e em 2005, incluiu também a avaliação da compacidade da carcaça, da compacidade da perna e da pontuação de gordura. O diretor da Aspaco, Márcio Armando Gomes de Oliveira, salienta que o campeonato “se firma como um modelo de atuação na etapa final da produção de cordeiros, divulgando o método pioneiro de recria e acabamento em confinamento”. Destaca que a iniciativa “gera produtos altamente específicos, como carnes de cordeiros com denominação de origem e qualidade”.

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CONSUMIDOR ESPECIAL

Energia de fontes renováveis para o funcionamento dos silos Pelo menos 80% de toda a energia consumida pelos silos da Coopermota vêm de fontes renováveis, sejam elas solar, eólica, de biomassa ou de pequenas centrais hidrelétricas.

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entenas de quilowatts são necessários para mover os motores elétricos das estruturas das unidades armazenadoras de grãos, com gastos que se estendem desde o recebimento e a secagem, até a armazenagem da produção recebida dos produtores rurais, entre outras etapas existentes nesse sistema. A eficiência energética desses silos armazenadores, portanto, se mostra crucial para os bons resultados de uma cooperativa. Neste sentido, unir as possibilidades de redução de custos com a adoção do consumo proveniente de fontes renováveis para a geração de energia, tem sido a prática adotada pela gestão da Coopermota, na compra de pelo menos 80% de toda a energia utilizada nos seus silos. Para isso, tem investido, desde 2019, no Mercado Livre de Energia Elétrica, estabelecendo a compra direta deste bem de consumo, junto a unidades geradoras de fontes renováveis, sejam elas solar, eólica, de biomassa ou de pequenas centrais hidrelétricas. Com esta prática, além de incentivar as fontes alternativas de produção, a cooperativa tem obtido a economia média mensal de 36,37% na sua conta de energia. Somente os silos

que não se enquadram nos critérios de inclusão no sistema do Mercado Livre mantém outros mecanismos de redução de gastos de energia, o que justifica não ter 100% dos silos da cooperativa neste sistema. O engenheiro eletricista e de segurança do trabalho que atua na Coopermota, Sérgio Vasconcelos, explica que o modelo do Mercado Livre de energia possibilita alguns benefícios à cooperativa. “O primeiro benefício que a gente cita neste modelo de compra de energia é a economia que o sistema proporciona, tendo ainda taxas de gestão baixíssimas. Um segundo benefício que podemos destacar é o caráter de sustentabilidade que ele possui. Neste sistema, a Coopermota compra energia de fontes renováveis, a chamada energia verde, o que garante a renovação deste bem de consumo e o incentivo a um modelo mais sustentável. Destacamos também a flexibilidade econômica proporcionada, já que cooperativa customiza a sua demanda, escolhendo de quem quer comprar e com o poder de negociação sobre o preço. Nesta linha, pode contratar a energia que vai consumir para um, dois, três e até cinco anos.

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Também tem a previsibilidade, pois devido ao fato de ser um contrato fixo, tem como fazer a gestão deste setor de maneira mais fácil, tendo em vista que sabe exatamente o consumo atual e quanto vai consumir daqui a cinco anos, assim como pode já ter a dimensão do o quanto vai pagar”, enfatiza. . Esta realidade ocorre em um período de estiagem prolongada, baixos níveis dos reservatórios das usinas hidrelétricas e a e a consequente situação de atenção na operação do Sistema Interligado Nacional. Para os consumidores vinculados às distribuidoras regionais, os chamados consumidores cativos, que seria a grande maioria da população, desde 01 de setembro

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de 2021, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou a criação da bandeira “de escassez hídrica”, que determina a cobrança de R$ 14,20 para cada 100 kwh consumidos. Desta forma, a conta de energia elétrica deste grupo ficará consideravelmente mais cara. Esta situação, no entanto, não vai afetar os consumidores que participam do chamado Mercado Livre de energia, como é o caso da Coopermota, onde a negociação é realizada de forma direta entre a geradora e o consumidor, sem sofrer as taxações das bandeiras instituídas pelo governo. “No caso, os clientes que têm contratação já firmada de curto, médio ou longo prazo, este patamar não vai influenciar”, explica o engenheiro.


Regulamentação do Mercado Livre

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s primeiras regras para a implantação do Mercado Livre de comercialização de energia foram definidas no Brasil em 1995, por meio da lei nº 9.704. Já em 1999, foi dado início à aplicação desta legislação, com um número crescente de participantes deste sistema no mercado de energia. Atualmente, ele representa cerca de 32% de toda a carga do setor elétrico nacional, conforme dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Podem se beneficiar deste sistema, empresas de médio e grande porte, desde grandes fábricas e indústrias até a lojas, hotéis, escolas e condomínios, desde que estes se enquadrem nos critérios de consumo e perfil para adesão ao sistema. Dados divulgados pela Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACEEL) destacam que enquanto a tarifa média de energia das distribuidoras é de R$ 279,00 por cada MWh consumido,

no sistema do mercado livre esse valor é de R$ 160,00 por cada MWh. O percentual de variação entre os dois sistemas seria, portanto, de 57%, o que pode variar de acordo com as especificidades de cada empresa, tais como localização, perfil de carga e segmento. A legislação do setor continua sendo regulada pelo governo conforme surgem as demandas. Em dezembro de 2019, uma portaria do Ministério de Minas e Energia alterou, com previsão de redução gradativa anual, os patamares de consumo para a inclusão das empresas neste sistema. Conforme determina a legislação aprovada, desde janeiro de 2021, o requisito mínimo de consumo de energia para aderir ao Mercado Livre de comercialização é de 1.500kw. Já a partir de janeiro do ano que vem, este consumo mínimo cai para 1.000kw e, em 2023, para 500kw.

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Pastos para vaca de leite não são todos iguais Para melhor rendimento das fêmeas é importante respeitar o seu momento reprodutivo, oferecendo pastagem específica para suprir todas as suas necessidades nutricionais. Por Assessoria Soesp

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Brasil tem boa parte de seu rebanho leiteiro mantido em sistemas de criação extensivo, sendo o pasto a única fonte de alimento para as vacas, em muitas ocasiões. Nos últimos anos, o uso de pastagens para produzir leite ganhou maior relevância entre pecuaristas pelo fato de ser um método mais rentável diante da alta de outros insumos utilizados na alimentação. Mas, para que traga benefícios, a pastagem deve ser cuidadosamente escolhida, levando em conta a produtividade e as necessidades da forragem, mas sem se esquecer das exigências e particularidades das suas categorias produtivas da pecuária de leite. “Cerca de 70% dos custos com a pecuária leiteira

estão relacionados à alimentação dos animais, por isso é importante saber quais os tipos de capim que melhor se adequam às condições climáticas regionais, ao volume de produtividade e que supram as necessidades energéticas, de vitaminas, proteínas e minerais do rebanho”, diz a engenheira agrônoma, Andreza Cruz. Diante disso, fica a questão: qual é o melhor pasto para a vaca de leite tomando como base sua categoria produtiva? De acordo com a especialista, a escolha da cultivar deve se basear nas características climáticas da propriedade, solo e na categoria produtiva. “Especificamente para o último aspecto, o manejo nutricional deve ser estabelecido de acordo com cada uma das etapas de vida do animal, tais como vacas em lactação; vacas secas; bezerras e novilhas”, acrescenta.

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Bezerras As bezerras, por exemplo, devem receber tratamento específico e uma pastagem de excelente qualidade, principalmente porque estão na fase de crescimento e desenvolvimento, além de representarem o futuro da produção. Neste caso, elas devem ser colocadas em uma pastagem que tenha um capim mais mole e com pouco talo, sem perigo de danos físicos com talos, caracterizado por elevados teores de proteína, baixos teores de fibra, boa digestão e boa aceitação: Panicum Massai, Panicum BRS Tamani, Brachiaria BRS Piatã e Brachiaria Marandu.

“O BRS Tamani seria a melhor opção, pela mais alta qualidade e porte baixo, poucos talos, porém ele é mais exigente em fertilidade, além de diminuir mais a produção em época de seca, diferente dos capins Piatã e Marandu, que são mais adaptados nesse quesito”, diz a engenheira agrônoma. “Vale reforçar que, assim como ocorre com os bezerros de corte, tanto a Brachiaria decumbens quanto a Brachiaria humidicola não devem ser utilizadas para bezerras leiteiras, pois são capins hospedeiros do fungo Pithomyces chartarum, causador de casos de fotossensibilização”, completa.

Vacas em lactação Já as vacas em lactação precisam estar nas melhores pastagens, pois serão elas as verdadeiras produtoras de leite e bezerras, ou seja, quanto melhor for o pasto para ela, em produção, melhor será a qualidade e o volume do produto (leite e matrizes). Neste caso, algumas indicações de capins são: Panicum maximum BRS Quênia e o Panicum maximum BRS Zuri. Segundo a técnica em sementes da Soesp, essas duas opções são interessantes pois têm maior potencial de acúmulo de proteína com alta produtividade, o que está diretamente ligado a qualidade do leite, gerando melhores resultados. “Somente o cuidado é com o manejo, principalmente o Zuri ou Mombaça, que podem facilmente passar da altura ideal de entrada (70 e 85 cm respectivamente) e formar talos, podendo causar danos aos animais e diminuir a eficiência de

pastejo. O Quênia já não tem esse problema, pois produz bem menos talos, portanto, seu manejo é facilitado, porém é importante reforçar que o capim passado trará desuniformidade à pastagem e, consequentemente, menos lucros para o bolso do produtor”, afirma. Ela acrescenta ainda que Piatã e Marandu também apresentam bom potencial para a produção de leite, podendo suportar uma boa lotação de vacas no período seco, sendo uma opção para esse período que os Panicuns não respondem tão bem. “Caso haja a oportunidade de fazer uma irrigação na área de Panicum spp eles irão responder muito bem enquanto tiver temperaturas altas, caso a região tenha um frio intenso em algum período, a irrigação não será eficiente, tendo que ser bem planejada para maior retorno do investimento”, diz a engenheira agrônoma.

Vacas secas Por fim, quando comparadas às vacas em lactação, as secas têm 1,5 a 2 vezes menos exigências nutricionais, pois estão em um momento de descanso e recuperação. Assim, caso haja a necessidade de priorizar alguma categoria, elas podem ficar no final da fila, fazendo o repasse na pastagem, por exemplo.

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Neste período, é ideal que a vaca não perca nem ganhe peso em excesso, estando pronta para a próxima lactação. “Algumas opções são pastos de Brachiaria spp. ou Massai, que têm relativamente menor qualidade nutricional, lembrando que todos os pastos têm que estar adaptados a todo o sistema e não somente à categoria animal”, finaliza a profissional.



Saiba como melhorar a qualidade do solo Para melhor rendimento das fêmeas é importante respeitar o seu momento reprodutivo, oferecendo pastagem específica para suprir todas as suas necessidades nutricionais.

Por Milene Barbosa de Souza

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m solo bem tratado é também mais rico. Sendo o solo a base essencial para boas produções agrícolas, é de fundamental importância cuidar dele e de toda a biodiversidade que ele sustenta. “Uma colher de chá de solo pode ter uma quantidade maior de organismos do que o planeta Terra tem de pessoas”. É o que cita o pesquisador George Brown no relatório da FAO intitulado: Estado do Conhecimento da Biodiversidade do Solo. Algumas práticas agrícolas possuem potencial de reduzir ou até mesmo limitar o crescimento da microbiota benéfica do solo, provocando situações de desarmonia que afetam diretamente a oferta e a absorção dos recursos necessários à sobrevivência e melhoria do potencial produtivo dos cultivos. Ou seja, nem sempre oferecer os elementos nutricionais e água

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proporcionará o sucesso de uma determinada cultura. Para manter a estabilidade e o equilíbrio do solo, dentre várias práticas, há a opção de se utilizar soluções naturais compostas por substâncias extraídas de bioprocessos que auxiliam na promoção de melhorias no solo, e tornam o ambiente mais saudável e adequado para o desenvolvimento e ação das raízes das plantas. Cada vez mais tem sido empregadas tecnologias que atuam na capacidade do solo de suprir as necessidades das plantas. Utilizar fontes orgânicas energéticas, que possuam composição nutricional balanceada, com elementos como nitrogênio, fósforo e potássio traz melhorias no desenvolvimento das plantas, aumento da mineralização e disponibilização de nutrientes, além da potencialização do efeito priming, que consiste em pré-condicionar o meio para que a decomposição de matéria orgânica seja mais efetiva e, consequentemente,


haja melhor disponibilização de nutrientes para a planta. Em muitos casos já existe material orgânico no solo, entretanto, não mineralizado. Com foco apenas na nutrição mineral das plantas, corre-se o risco de aplicar adubos em excesso. Essa prática pode ocasionar um acúmulo de nutrientes no solo. Este acúmulo pode gerar diversos problemas, tais como: adsorção (indisponibilizando), lixiviação (perda e contaminação de lençóis freáticos), ou ainda absorção em excesso

pelas plantas, o que gera perdas por fitotoxidez. Em resumo, o desperdício de fertilizantes gera impacto ambiental e perdas de investimentos. Auxiliar o solo de maneira mais natural possível, através por exemplo, do favorecimento de desenvolvimento de microrganismos decompositores e solubilizadores, pode ser uma ótima saída para se garantir altas produções ao passo que se mantém os solos saudáveis e agricultáveis por muito mais tempo.

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ENTRESSAFRA DA SOJA

Manejo de plantas daninhas para o sucesso produtivo As plantas daninhas podem ser hospedeiras de pragas, agentes causadores de doenças e nematoides, além de dificultar a operação de colheita ou mesmo, depreciar a qualidade final do produto colhido, causando, assim, perdas na rentabilidade final do processo de produção.

Por Amélio Dall’Agnol pesquisador da Embrapa Soja

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ma boa safra de soja começa na entressafra. É nesta etapa do processo produtivo que os produtores precisam estar alertas para evitar o aumento da infestação de plantas daninhas passíveis de prejudicar a cultura de soja semeada na sequência. Um dos principais mecanismos de disseminação das plantas daninhas, em especial as anuais, é a alta produção

de sementes. Estimativas de bancos de sementes de plantas daninhas no solo, em áreas agrícolas de diversos cultivos na Inglaterra, Estados Unidos e França mostraram números médios variando de 4.120 a 49.800 sementes por metro quadrado, com grandes diferenças entre amostras. As plantas daninhas afetam a produção agrícola

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devido, principalmente, às interferências negativas impostas pela competição por água, nutrientes, luz e efeitos alelopáticos. Além disso, as plantas daninhas podem ser hospedeiras de pragas, agentes causadores de doenças e nematoides, além de dificultar a operação de colheita ou mesmo, depreciar a qualidade final do produto colhido, causando, assim, perdas na rentabilidade final do processo de produção. Segundo a Embrapa, normalmente ocorre a multiplicação de plantas daninhas no período de entressafra da soja, especialmente quando o solo fica em pousio no inverno e as plantas daninhas se multiplicam, via produção de sementes. Na região subtropical do Brasil o pousio pode coincidir com o outono, mas a estratégia é a mesma, ou seja, não deixar as infestantes produzir sementes. Entre os métodos utilizados para controlar as infestantes na entressafra estão o controle cultural, o mecânico e o químico, sendo este último o mais utilizado. Dentre estes métodos, deve ser dado destaque

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para o controle cultural, que é baseado no cultivo de espécies de inverno para formação de abundante palhada como a aveia, o azevém e o trigo no Sul e o milheto e a braquiária, consorciada ou não com o milho de segunda safra no Paraná, São Paulo e CentroOeste. A cobertura morta tem possibilitado a redução no uso de herbicidas em semeadura direta, pois diminui a emergência das plantas daninhas entre 60% a 90%, quando comparado com áreas não cultivadas na entressafra. O manejo adequado das plantas daninhas na cultura da soja tem se tornado mais difícil a cada ano. Novos casos de resistência são relatados com frequência, inclusive de plantas daninhas resistentes a mais de um mecanismo de ação de herbicidas, já assombra o Brasil. A Embrapa ressalta que é preciso investir na rotação dos mecanismos de ação dos herbicidas para prevenir e ou eliminar problemas de plantas tolerantes e/ou resistentes aos herbicidas. A utilização continuada de um mesmo herbicida modifica a flora daninha, com


grande propensão de selecionar populações tolerantes e/ou resistentes ao produto utilizado. Na fase anterior ao estabelecimento do sistema plantio direto (SPD), o pousio figurava como uma estratégia de controle das plantas daninhas, uma vez que o processo de produção de soja convencional

eliminava as invasoras via aração e gradagem previamente ao estabelecimento das culturas. Mas, estudos recentes indicam que os cultivos de entressafra são mais eficientes na supressão das plantas daninhas do que o pousio.

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O estabelecimento do SPD foi uma dádiva para os agricultores brasileiros. Além de reduzir drasticamente a erosão, ele antecipa a semeadura da soja após os cultivos de inverno e seus restos culturais amenizam a incidência dos raios solares e reduzem o impacto das gotas de chuva sobre os agregados do solo. Também, reduz os custos no estabelecimento das lavouras e pode auxiliar no controle da matocompetição. A rotação de cultivos, um dos pilares do SPD, ainda é pouco praticada pela maioria dos agricultores, embora cientes de que a abundância de cobertura morta no solo, que ela proporciona, é uma estratégia eficaz na redução do banco de sementes das infestantes. A produção de abundante palhada constitui-se na âncora dos planos de manejo, integrando os métodos de prevenção com os métodos de controle (os culturais, físicos, biológicos e químicos). A bem da verdade, a maioria dos agricultores restringe a prática do plantio direto à eliminação do arado e da grade e ao uso intensivo de herbicidas na pré-semeadura. Planta daninha é toda e qualquer planta que ocorre onde não é desejada.

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