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associação brasileira de internet

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ano VII . edição 26 . nov-dez 2018 / jan 2019

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editorial Eduardo Parajo Presidente da Abranet

Por um 2019 de muitos e prósperos negócios! O ano que está acabando foi marcante para o Brasil e para as empresas de internet e pequenos prestadores de serviços de telecomunicações, responsáveis pela expansão da banda larga fixa no País. Investimentos, em que pese o cenário econômico e político, aconteceram ao longo de 2018 e quilômetros de fibra óptica foram ativados, levando a inclusão digital e social a diversos municípios. Revisar o passado, cuidar do presente e olhar o futuro. Este é um dos temas do estudo patrocinado pela Abranet que fez um raio X do segmento das pequenas prestadoras de telecomunicações e conectividade internet no Brasil. O levantamento – que está detalhado nesta edição – traz números expressivos, mostra que há um universo díspar e atesta que não se pode classificar todas as prestadoras de uma única maneira. Entender como as startups estão desvendando o mercado nacional foi o mote do Futurenet, evento promovido pela Abranet durante o Futurecom, maior evento de tecnologia da América Latina, que aconteceu de 15 a 18 de outubro em São Paulo. O Futurenet foi um espaço para debater as tendências do mercado e as formas de vencer os

desafios da ampliação da infraestrutura de telecomunicações. Também se discutiu como agregar valor à internet, que é commodity, com novos serviços e modelos de negócios. O compartilhamento de experiências foi um marco do Futurenet, que evidenciou que o segmento precisa aderir à economia digital. E em se tratando de mundo digital, uma reportagem especial mostra que todas as empresas precisam desde já trabalhar para se adequarem à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), sancionada em agosto e que entra em vigor no primeiro trimestre de 2020. O próximo ano começa com a posse do presidente Jair Bolsonaro. Que a nova gestão compreenda o papel da internet para fomentar políticas capazes de incentivar as startups, as empresas de internet e quem mais queira investir para construir o desenvolvimento do Brasil. O ano de 2018 foi marcante também para a Abranet, que completou 22 anos de atividade em defesa do mercado de internet. Tomo licença para, com o desenho lúdico do meu filho Bernardo, desejar muitos anos de vida à entidade e agradecer o convívio com os associados. Boas Festas e Feliz Ano Novo! abranet.org.br novembro - dezembro 2018 / janeiro 2019

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ÍNdiCe 05 | aBraNet reSPoNde como as empresas de internet devem agir para contratar terceirizados, quais os cuidados e quais os deveres a serem cumpridos? Renato Custodio, advogado, e José Janone Junior, diretor-financeiro do Seinesp, respondem.

coNselho editorial Eduardo Parajo parajo@abranet.org.br

José Janone Junior janone.jr@abranet.org.br

Eduardo neger

neger@abranet.org.br

06 | CaPa

Quem são as EMPRESAS DE INTERNET no Brasil Estudo da Abranet revela a existência de um universo díspar entre os prestadores, o que impõe desafios à regulamentação mínima necessária para manter o mercado estruturado e o limite aceitável para a sobrevivência das empresas.

GerÊNcia eXecUtiva Roseli Ruiz Vazquez gerente@abranet.org.br

ProJeto, ProdUçÃo e ediçÃo

Editora convergência digital editora@convergenciadigital.com.br Tel: 011-3045-3481 direçÃo editorial

10 | reGUlaMeNtaÇÃo LGPd: melhor não deixar para a última hora. A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais afeta todas as empresas, independentemente do porte. Por isto, o quanto antes todas começarem a se adequar, melhor.

ana Paula Lobo

analobo@convergenciadigital.com.br

Luiz queiroz

queiroz@convergenciadigital.com.br editora-cheFe

14 | teCNoloGia Endereços IPv4 acabam em janeiro de 2020 na américa Latina. No Brasil, a adesão das organizações ao IPv6 aumentou consideravelmente, conforme dados do NIC.br. Cerca de 30% dos usuários de Internet já usam o protocolo mais novo, lançado há dez anos.

ana Paula Lobo

analobo@convergenciadigital.com.br ediçÃo

bia alvim

bia.alvim@pebcomunicacao.com rePortaGeM / redaçÃo

Roberta Prescott

prescottroberta@gmail.com

16 | eSPeCial

Luis Osvaldo Grossmann

com olhos no futuro. Inovação e compartilhamento de experiências foram marcos no evento, que também mostrou que o segmento deve aderir à economia digital.

ediçÃo de arte e diaGraMaçÃo

ruivo@convergenciadigital.com.br

Pedro costa

pedro@convergenciadigital.com.br iMPressÃo

Gráfica Pigma

26 | CoNeXÃo alternativa submarina no País. Leonardo Euler é o novo presidente da Anatel. Marcos Pontes é nomeado ministro da ciência e tecnologia. Pico de tráfego de 6 terabits. Fusões e aquisições no radar. Metade da população brasileira ouve música e assiste a vídeos pela internet. esocial: novo leiaute em janeiro de 2019. Abranet vai ao STF defender o Marco Civil.

30 | oPiNiÃo . Por PaUlo eXel, diretor de operação da Yoctoo como será o futuro do trabalho? Empresas e profissionais terão de se adaptar às novas regras impostas pela transformação digital. O novo modelo terá, porém, uma medida antiga: direitos e deveres para ambos os lados.

Rua da Quitanda, 96 / Cj.31 - Centro - São Paulo / SP CEP: 01012-010 Fone: (11) 3078-3866 www.abranet.org.br facebook.com/abranetoficial Linkedin.com/abranet @abranet_brasil Youtube.com/AbranetBrasil

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aBraNet reSPoNde tem uma dúvida? Quer que um especialista da Associação Brasileira de internet responda? escreva para o Abranet responde. o e-mail é abranetresponde@abranet.org.br

como contrAtAr terceiriZAdos? Como as empresas de internet devem agir para contratar terceirizados, quais os cuidados e quais os deveres a serem cumpridos? Renato Custodio, sócio da Custodio e Bissetti Advogados Associados, e José Janone Junior, diretor-financeiro do Sindicato das Empresas de Internet do Estado de São Paulo (Seinesp), respondem. Os EsPEcIaLIstas acreditam que as empresas de internet que, eventualmente, tenham ações em tramitação que discutam a licitude da terceirização se beneficiarão diretamente com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que declarou a inconstitucionalidade da súmula número 331 do Tribunal Superior do Trabalho, que considerava ilegal a terceirização da atividade-fim. Para as demais, tanto o entendimento do STF quanto a Lei número 13.429/2017 indicam a permissão da ampla terceirização, incluindo-se a atividade-fim. “Assim, as empresas deverão avaliar seus quadros internos e estratégias para apurar o que pode ser vantajoso com a terceirização”, recomendam. Na prática, muda o fato de que as empresas de internet poderão se valer de empresas de terceirização para o fornecimento de sua mão de obra, de forma que poderão se concentrar na atividade que exercem, deixando a organização do pessoal para outras firmas. “Essas empresas de terceirização, normalmente, prestam serviços especializados e com mais eficiência que as empresas em geral.” Antes de adotar a terceirização da atividade-fim, as empresas de internet devem ter em mente que, ao se valer de

classiFicados aBraNet

trabalhadores terceirizados, são subsidiariamente responsáveis pelas obrigações trabalhistas. “Assim, é extremamente importante que as empresas de internet contratem somente empresas de terceirização idôneas e que fiscalizem mensalmente o rigoroso cumprimento das leis trabalhistas, exigindo a apresentação da folha de pagamento, controle de jornada e guias de quitação do FGTS e do INSS”, alertam. Com a decisão do Supremo, as empresas já podem começar a contratação de terceirizados, mas precisam observar que o empregado direto de uma empresa não poderá se tornar terceirizado pelo período de 18 meses a contar do seu desligamento. Além disso, devem observar uma série de obrigações legais. O Seinesp recomenda que as empresas tenham extremo cuidado em contratar empresas idôneas e fiscalizar o cumprimento das normas trabalhistas. “Deverá ser observado o constante do artigo 4º. da Lei no. 6.019, no sentido de que as empresas poderão estabelecer, se assim entenderem, que os empregados da contratada farão jus a salário equivalente ao pago aos empregados da contratante, além de outros direitos não previstos na Lei, o que inclui a aplicação da convenção coletiva de trabalho da tomadora de serviços”.

Serviço gratuito da Abranet destinado aos Provedores de Internet, associados ou não, que desejam vender ou comprar equipamentos. O objetivo é fomentar um canal de negociação. Saiba mais em http://classificados.abranet.org.br

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CaPa

Luis Osvaldo Grossmann

QUEM SÃO AS EMPRESAS DE INTERNET NO BRASIL Estudo da Abranet revela a existência de um universo díspar entre os prestadores, o que impõe desafios à regulamentação mínima necessária para manter o mercado estruturado e o limite aceitável para a sobrevivência das empresas O cREscIMEntO dos acessos à internet no Brasil é puxado pelo que se convencionou chamar de ‘pequenas prestadoras’. No linguajar da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), isso significou até agora aquelas empresas com menos de 50 mil clientes. Esse conceito, no entanto, está mudando para considerar ‘pequenas’ todas as que detenham menos de 5% do mercado, o que em números atuais implica 1,5 milhão de acessos. Mas qualquer

que seja o conceito adotado, uma realidade se impõe: trata-se de um universo com diferenças grandes demais para ser abarcado por um único critério. O alarme foi soado pela Abranet, que, convidada pela Anatel para discutir esse segmento específico, apresentou um retrato detalhado. Ao destrinchar o mercado, a Abranet mostrou que dos 6.043 prestadores de Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) com registro na Anatel, 1.369 não têm qualquer acesso, 1.132 somam no máximo 100 clientes, enquanto outros 1.622 somam de 100 a 500 conexões. Ou seja, no mundo dos pequenos provedores, 68% atendem no máximo 500 clientes. Outros 29%, ou 1.747 deles, contam até 5 mil acessos. Vale dizer que 97% dos pequenos estão aí, com no máximo 5 mil clientes.

“O primeiro desafio é entender do que estamos falando quando se trata das prestadoras de pequeno porte. Não tem como classificar todas da mesma maneira.” edMUNdo MataraZZo Consultor da abranet 06

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de melhor qualidade.” “Vemos empresas que trabalham com Vistos no conjunto, parecem ser micromercados, microrregiões. Quando faos empreendedores que carregam o merlamos de uma empresa que tem 50 acessos, é cado de provimento de conexões à internet alguém que está num pedaço de bairro, pode no Brasil. Mas o retrato detalhado revela que ser até em um único prédio. São tipicamena maioria deles são prestadores de telecomute operações de nicho totalmente dependennicações na última milha, revendedores de sertes dos grandes fornecedores. Dificilmente seviços de outras poucas empresas. Algo que ajuda rão elas que vão construir backhaul ou redes de a entender porque a interligação fibra óptica”, adverte o consultor de sistemas autônomos, essência da Abranet Edmundo Matarazzo, da própria internet, permanece responsável pelo perfil do setor Retrato oficial centralizada nos grandes centros e apresentado à Anatel. Sem qualquer acesso 1.369 no Sudeste brasileiro. E porque o São negócios de oportunidade. custo de conectar clientes a pontos “O que leva esses empreendedores Até 100 clientes 1.132 de troca de tráfego é tema tão caro a atuarem com telecomunicações é De 100 a 500 conexões 1.622 ao segmento. a identificação de nichos. Na maioAté 5 mil acessos 1.747 Isso dá nova luz ao que é tratado ria são empresas de TI ou internet, De 5 a 50 mil conexões 158 monoliticamente pela agência. As que por alguma razão resolvem Mais de 50 mil acessos 15 nuances acabam disfarçadas pelas colocar também infraestrutura de Total 6.043 imprecisões das bases oficiais. A telecomunicações, estimuladas por Fonte: Abranet começar na constatação de que das enxergarem nichos onde o suporte mais de 6 mil empresas de SCM do à venda de banda larga não existe. É muito comum regiões dentro de uma cidade em que o País apenas umas 4 mil efetivamente alimentam o SICI, ou serviço tem velocidades muito baixas, 1 Mbps, 2 Mbps. E Sistema de Coleta de Informações, da Anatel. E é a partir isso acaba gerando essa oportunidade de oferta de serviço daí que a agência indica que, das 30,5 milhões de conexões abranet.org.br novembro - dezembro 2018 / janeiro 2019

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provedores de conexão é maior do que a indicada pelos números oficiais. A barreira dos 50 mil clientes, a partir da qual são disparadas exigências regulatórias, e um razoável nível de amadorismo na gestão seriam causa para substancial subnotificação dos números. Pesquisas do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) como TIC Domicílios, TIC Empresas e TIC Governo sugerem que 61% dos domicílios brasileiros têm internet fixa, e não 44% como calcula a Anatel. Isso indica que as conexões fixas do País estariam mais próximas de 42 milhões do que daqueles 30,5 milhões registrados pela agência reguladora. Ou seja, cerca de 11 milhões de acessos não estariam contabilizados. Com eles, os ‘pequenos’ reuniriam cerca de 17,5 milhões de clientes – ou 41% do mercado total do Serviço de Comunicação Multimídia. O que os dados da Anatel revelam com segurança é

No mundo dos pequenos provedores, 68% atendem no máximo 500 clientes. Outros 29%, ou 1.747 deles, contam até 5 mil acessos. Vale dizer que 97% dos pequenos estão com no máximo 5 mil clientes. fixas à internet no País, 5,6 milhões estão com prestadores com menos de 50 mil clientes. Portanto, aquela conclusão de que os pequenos prestadores detêm 18,4% do total. Bem acima dos números oficiais Mas como discutido durante o seminário Conecta Brasil, promovido pela agência, o cruzamento desses dados com outros levantamentos, especialmente do Comitê Gestor da Internet, além de projeções de provedores de conteúdo como Google ou Netflix, sugerem que a presença dos pequenos

Novo conceito de PPP passa a valer para todos os serviços A Anatel passou a adotar efetivamente um novo conceito de prestadora de pequeno porte (PPP). Pela regra, são PPPs as empresas que detenham menos de 5% dos acessos em cada mercado. No caso da telefonia fixa, 1,9 milhão de clientes. Na TV paga, 890 mil. E no Serviço de Comunicação Multimídia, que abarca o provimento de internet fixa, 1,5 milhão, considerando-se os 30,5 milhões de acessos atualmente registrados. “Como de cada 10 novos acessos de banda larga, oito são de pequenos, o conceito uniformizado do que é prestadora de pequeno porte permite a esses competidores terem uma garantia de tratamento que dará a eles muito mais capacidade de competitividade para enfrentarem as grandes operadoras, garantindo maior competição no mercado, com consequente maior qualidade e menores preços praticados”, festejou o então presidente da Anatel, Juarez Quadros, no momento da aprovação da norma. O novo conceito foi incluído na revisão das metas de

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competição, aprovadas ainda em julho pela Anatel. Mas não tinha sido ainda efetivamente incorporado porque diferentes regulamentos da agência, como os que tratam dos índices de qualidade ou das relações com os consumidores, ainda mantinham o critério anterior, pelo qual ‘pequenas’ eram aquelas prestadoras com menos de 50 mil clientes. Isso mudou em 1º de novembro, com a aprovação de uma norma que unifica o novo conceito em todos os regulamentos da Anatel. Às pequenas são dispensadas várias obrigações regulatórias, como o custeio da medição de indicadores de qualidade, a oferta de call center 24 horas por dia, ou mesmo manter a instalação de lojas físicas para atendimento presencial. A transferência de controle dessas empresas também é restrita à anuência da Superintendência de Competição, sem necessidade de aprovação pelo Conselho Diretor. Na prática, todas as prestadoras passam a ser ‘pequenas’, com exceção dos grupos Telefônica/Vivo, Claro/Net, Tim, Oi e Sky”.


que os pequenos puxam o mercado de provimento internet no País. Ao longo de 2017, eles foram responsáveis por dois terços dos novos acessos. Em 2018, o ritmo ficou ainda maior, com mais de sete de cada 10 novos clientes associados ao segmento. Mas o que a Abranet consegue demonstrar é que essa dinâmica está concentrada na fatia dos pequenos que conseguiu superar as dificuldades iniciais e alcançar uma escala razoavelmente confortável para a expansão. “Esse é um segmento que evolui com dificuldade. Quanto mais aproxima dos 5 mil, fica mais difícil. São operadoras que tendem a tentar sobreviver no mercado, mas não têm porte ou recursos para se manter em uma operação muito sofisticada. O que podemos chamar de casos de sucesso são aquelas que têm entre 5 mil e 50 mil acessos. Mas elas representam apenas 158 empresas. É, no entanto, o grupo que a Anatel tem que tomar cuidado de não atingir muito fortemente com a regulação”, destaca o consultor Edmundo Matarazzo.

Ou seja, esse é o estrato que cresce mais vigorosamente dentro do variado universo dos celebrados pequenos. O alerta é para que a agência perceba que dentro do caldeirão do ‘prestador de pequeno porte’, como é a nova nomenclatura regulatória, há um universo de disparidades. “O primeiro desafio é entender do que estamos falando quando se trata das prestadoras de pequeno porte. Não tem como classificar todas da mesma maneira”, diz Matarazzo. Do universo dos provedores de SCM, a conta é que apenas 15 empresas têm mais de 50 mil acessos (0,25% do total) e apenas 4 somam mais de 1 milhão – e aqui já entram as grandes do mercado, como Net, Telefônica ou Oi. Parte do alerta diz respeito àquele cuidado que a Abranet entende necessário com o grupo que hoje reúne não mais de 158 provedores. “O mercado começa a falar de consolidações, de se apropriar dos benefícios daqueles que já desbravaram pedaços que não estavam desbravados. Então, o que pode acontecer é consolidar e esse número de 158 ficar ainda menor nessa fatia de mercado”, destaca o consultor da Abranet.

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reGUlaMeNtaÇÃo

Roberta Prescott

lGPd:

MelHor não deiXar Para a ÚltiMa Hora A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais afeta todas as empresas, independentemente do porte. Por isto, o quanto antes todas começarem a se adequar, melhor.

sancIOnada EM agosto de 2018, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) entra em vigor no primeiro trimestre de 2020. O novo marco legal impacta as empresas que, independentemente do porte, estejam de alguma forma envolvidas com o tratamento e armazenamento desse tipo de informação. Por isso, é necessário que, até lá, todas se adequem às novas regras. Professor de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Marcelo Chiavassa explica que as exigências da LGPD valem igualmente para as pequenas e médias empresas, tanto públicas quanto privadas. “A LGPD aplica-se a toda e qualquer empresa que realize operação de coleta e tratamento de dados pessoais (digitais ou não)”, afirma. “Critérios como tamanho, ramo de atividade, dentre outros, poderão ser levados em consideração em caso de análise do sistema de proteção de dados pessoais, na medida em que não é razoável exigir de uma empresa pequena um sistema de segurança comparável com o das gigantes do setor. Ain-

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o QUe FaZer? Todas as empresas que processam dados pessoais deverão estar em conformidade com a LGPD. Para atendimento às exigências da nova lei, as condições a seguir devem ser aplicadas ao tratamento das informações pessoais: resPeitar os reQUisitos de trataMeNto - eXeMPlos:

• Consentimento do proprietário para coleta das informações • Cumprimento de obrigação legal ou regulatória por parte de quem está coletando as informações resPeitar os direitos dos titUlares - eXeMPlos:

• Confirmação da existência de tratamento das informações • Possibilidade de correção das informações coletadas • Portabilidade das informações • Revogação do consentimento • Eliminação das informações pessoais mediante solicitação do proprietário estaBelecer coNtroles e GoverNaNça - eXeMPlos:

• Segurança no sigilo das informações pessoais • Comunicação de incidentes que envolvam dados pessoais • Limitação ao uso de dados pessoais sensíveis • Nomeação de um responsável na empresa pela governança das informações pessoais Fonte: Deloitte


da assim, ela deverá demonstrar ter um sistema de segurança compatível com suas operações”, detalha Chiavassa. A conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais pode ser altamente custosa para as pequenas e médias empresas no Brasil, explica a advogada Karin Klempp Franco, especialista em Direito Digital e Sigilo da Informação no escritório de advocacia BTLAW. Para Karin, a ausência de gradação quanto ao porte traz risco e pode criar distorções quanto à facilidade de entrada e manutenção de empresas de menor porte nos mercados que façam uso intensivo de dados. Na opinião dela, setores que atuam, por exemplo, com comércio eletrônico e aplicativos de serviços devem ser os mais afetados. Mas Karin sinaliza que haverá impactos profundos também em outros setores, como o financeiro, de saúde, de segurança e de recursos humanos. A advogada lembra que, em regra, esses setores já estavam sob normas esparsas de proteção de dados, como aquelas contidas no Marco Civil da Internet, no Código de Defesa do Consumidor e nas leis relativas a sigilo bancário e profissional. ”A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais cria novas obrigações e intensifica a responsabilidade das empresas que já possuíam alguma regulamentação”, acrescenta. Hora das providências A LGPD traz um rol de direitos do titular dos dados pessoais, tais como direito de acesso aos dados pessoais; de correção de dados incompletos ou desatualizados; de eliminação dos dados pessoais que a empresa tiver em seu banco de dados; e de portabilidade dos dados pessoais

”A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais cria novas obrigações e intensifica a responsabilidade das empresas que já possuíam alguma regulamentação.” Karin Klempp Franco Advogada especialista em Direito Digital e Sigilo da Informação no escritório de advocacia BTLAW

“A LGPD aplica-se a toda e qualquer empresa que realize operação de coleta e tratamento de dados pessoais (digitais ou não).” Marcelo Chiavassa Professor de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie para outra empresa. As empresas terão de criar canais de comunicação com a sociedade, a fim de que os titulares dos dados pessoais possam exercitar esses direitos de maneira satisfatória e segura. O primeiro passo é conhecer bem a nova lei. A equipe deve fazer cursos de formação para melhor compreender os tópicos que exigem maior cautela dentro da organização. “Há necessidade de revisão do processo organizativo dos dados e também aferição do grau de segurança desses dados. Sem esses dois pilares, as empresas não estarão em conformidade”, diz Viviane Nóbrega Maldonado, Of Counsel no Antas da Cunha Ecija, de Portugal, e, de 1993 a 2018, Juíza de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Os empresários deverão estar atentos à forma pela qual ocorre o tratamento de dados pessoais no âmbito de suas empresas, sendo imprescindível conhecer também as bases legais e os direitos que poderão ser exercidos pelo titular de dados. “O ajuste às novas regras passa pelo amplo conhecimento jurídico dessa legislação específica, e sua implementação deverá ser feita em conjunto com o setor de TI das empresas e em colaboração com as demais áreas”, alerta Viviane. Todas as empresas, pequenas ou grandes, deverão estar atentas às novas regras. “De forma geral, deverão ser revistos os tratamentos existentes, eliminando desde logo os dados que não ostentem base legal, na forma do artigo 7º da lei. É muito importante que as empresas, ainda que pequenas, observem também se tratam dados sensíveis, pois para eles há regras específicas”, explica Viviane. “Está prevista ainda a nomeação de um encarregado do tratamento de dados pessoais, que se responsabiliza por adequar os processos da empresa à nova lei. A futura Autoridade Nacional de Proteção de Dados, entretanto, poderá dispensar essa nomeação de acordo com a natureza e o porte da empresa ou o abranet.org.br novembro - dezembro 2018 / janeiro 2019

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eXeMPlo eUroPeU A LGPD é bastante similar ao GDPR (General Data Protection Regulation, ou regulamento geral sobre proteção de dados) europeu, que passou a ter vigência plena em 25 de maio de 2018. Trata-se de um sistema complexo, que traz novos conceitos, princípios e regras. Viviane Nóbrega Maldonado, Of Counsel na Antas da Cunha Ecija, de Portugal, explica que, caso seja seguido o exemplo europeu, o intuito da lei não será multar. “Essa sanção só ocorrerá em hipóteses muito específicas. As empresas brasileiras estão receosas, mas não há razão para pânico. Há

“O ajuste às novas regras passa pelo amplo conhecimento jurídico dessa legislação específica.” viviaNe NÓBreGa MaldoNado of Counsel no antas da Cunha ecija, de Portugal volume de tratamentos”, acrescenta. A advogada Karin Klempp Franco diz que, neste primeiro momento, o mais importante é que as empresas aprendam a identificar os dados pessoais e lembra que isso pode não estar óbvio de pronto, especialmente, quando a coleta de dados ocorre de forma analógica, como nas listas de presença ou cadastros de portaria. Depois da identificação, é preciso entender os tipos de dados utilizados pela empresa, bem como o propósito de seu uso e a forma como eles são coletados, armazenados e processados. Depois da correta implantação, há a necessidade de monitoramento contínuo da observância dos princípios previstos na lei, com a constante atualização dos sistemas de segurança a fim de reduzir-se ao máximo o risco de incidentes. De acordo com Viviane, “pode parecer uma tarefa árdua, e isso ocorre porque a lei realmente vem para alterar toda a lógica do que até então se conhecia em termos de proteção de dados. Os colaboradores das empresas, independentemente de suas áreas, devem estar atentos às suas responsabilidades nessas questões.” Ela orienta: “É preciso mudar o mindset. Com isso, o processo, em sua continuidade, torna-se natural e passa a integrar a rotina regular das empresas.”

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tempo suficiente para a implementação se as empresas começarem a se informar desde logo”, diz. Para a especialista, a importância da LGPD é enorme, pois coloca o Brasil em conformidade com o padrão internacional sobre a matéria. “Sem a lei, o País sequer poderia receber dados de outras jurisdições, pois não seria considerado seguro. A LGPD está em perfeita sintonia com o GDPR e é até mesmo mais branda e menos restritiva”, compara. “Na União Europeia, as empresas encontraram mais dificuldades para compliance. Aqui, a lei colocou como fundamentos o desenvolvimento econômico e tecnológico, bem como a inovação, o que lá não existe. Além disso, há uma quantidade bem maior de bases legais na lei brasileira. Não há risco, portanto, de engessamento do setor em razão da lei”, explica.

Marcelo Farias, sócio da área de Cybersecurity da Deloitte, e Marcia Ogawa, sócia-líder da Deloitte para o setor de Telecomunicações, Mídia e Tecnologia, resumem que as empresas precisam passar por duas etapas. Na primeira, que chamam de “gap analysis & roadmap”, devem avaliar o cenário atual, identificando os requisitos que estão estabelecidos e quais necessitam ser melhorados ou implementados. Na segunda, devem fazer a adequação aos requisitos da lei, implantando os controles que não foram identificados na primeira fase. “O custo irá variar conforme o volume e nível de sigilo das informações tratadas. Por exemplo, uma empresa de e-commerce certamente coleta um maior volume de informações de seus clientes do que uma fornecedora de serviços B2B. O custo de adequação à LGPD será maior no primeiro caso”, analisam. Determinar o plano estratégico para atuar com a privacidade de dados, estabelecer o modelo de gestão para dar continuidade ao plano estratégico, incluindo a elaboração de políticas, procedimentos, processos e controles tecnológicos para lidar com os dados pessoais e sensíveis, e responder a incidentes relacionados com o vazamento destes dados são as

“O custo [da adequação à LGPD] irá variar conforme o volume e nível de sigilo das informações tratadas.” Marcelo Farias Sócio da área de Cybersecurity da deloitte

Marcia oGaWa Sócia-líder da deloitte para o setor de telecomunicações, Mídia e tecnologia


“As empresas com uma boa maturidade em suas práticas de segurança e governança da informação devem precisar de investimento menor que empresas com baixa maturidade.” BrUNo cavalhero diretor da área de Segurança Cibernética da Kroll recomendações de Bruno Cavalhero, diretor da área de Segurança Cibernética da Kroll. “De acordo com a nossa experiência, com a correta orientação, os custos de adequação com a LGPD são praticamente os mesmos que as organizações teriam para implementar práticas de segurança adequadas aos desafios atuais de proteção da informação. Desta forma, é possível prever que empresas com uma boa maturidade em suas práticas de segurança e governança da informação devem precisar de investimento consideravelmente menor que empresas com baixa maturidade”, aponta. Cavalhero diz que as empresas devem lidar com muita atenção com o consentimento dos usuários para coletar seus dados pessoais, destacando qual o propósito relacionado com este uso; com a permissão do controle dos titulares dos dados para retificar, cancelar ou até solicitar a exclusão dessas informações; e com o estabelecimento de um processo rápido e transparente para confirmar o vazamento dos dados e notificar os seus clientes. “É importante destacar o alto impacto financeiro em caso de descumprimento da lei (2% do faturamento da empresa, limitado, no total, a R$ 50 milhões)”, destaca. impactos paRa as empResas de inteRnet Os provedores de acesso e de aplicações na internet já trabalhavam com algumas regras de proteção de dados pessoais previstas no Marco Civil da Internet e no decreto 8.771/2016, que regulamenta o Marco Civil. Marcelo Chiavassa, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, explica que essas empresas terão de se adaptar ao novo regramento, mas não começarão do zero. “Nem por isso, contudo, o trabalho será mais simples. O foco será a criação de canais de atendimento satisfatório com os titulares dos dados pessoais

e a criação de regras de integridade e de governança”, diz. Já os serviços de datacenter, acrescenta Chiavassa, vão precisar seguir regras de segurança a serem passadas pelas empresas que realizam a operação de coleta e tratamento de dados pessoais, principalmente a fim de garantir a proteção da sua base de dados. “Especialmente em relação a eles, será necessário demonstrar a segurança adequada do datacenter em relação aos dados ali armazenados.” O impacto da LGPD para as empresas que provêm serviços de internet, como acesso, serviços de datacenter, links etc., está relacionado à grande quantidade de dados, por isso, é mandatório que façam a correta adequação. “Além disso, elas normalmente transferem e recebem dados internacionalmente, pelo que deverão conhecer os protocolos previstos para essa espécie de operação. Para esses fins, as empresas precisam saber como elas próprias devem ser enquadradas perante a lei, ou seja, se estão atuando como controlador ou operador”, aponta Viviane Nóbrega Maldonado, Of Counsel na Antas da Cunha Ecija, de Portugal. Marcia Ogawa e Marcelo Farias, da Deloitte, lembram que as organizações com fornecedores que armazenam informações pessoais de seus clientes serão obrigadas a alterar os contratos firmados, exigindo que eles estejam em conformidade com a lei, gerando responsabilidade compartilhada. As empresas também devem se preocupar em garantir a maior segurança possível na proteção do banco de dados. “Isto inclui sistemas de proteção a ataques, testes que visem a garantir a segurança do sistema e uma equipe de TI bem treinada e competente. Ademais, devem elaborar mecanismos de integridade (boas práticas e governança) que permitam aos colaboradores a tomada de decisões em caso de problemas e falhas de segurança”, relata Marcelo Chiavassa, da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “Eventual falha de segurança que acarrete no vazamento dos dados deve ser prontamente comunicada à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ainda não criada) e ao titular dos dados pessoais vazados”, alerta. Ele acrescenta que o vazamento de dados pessoais pode acarretar indenização por danos morais e materiais às pessoas lesadas, e, ainda, sanção administrativa por parte da Autoridade Nacional de Proteção de Dados e de outros órgãos de proteção a interesses difusos e coletivos, como Ministério Público, Procon, entre outros. abranet.org.br novembro - dezembro 2018 / janeiro 2019

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teCNoloGia

endereços

Roberta Prescott

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acabaM eM Janeiro de 2020 na aMÉrica latina No Brasil, a adesão das organizações ao IPv6 aumentou consideravelmente, conforme dados do NIC.br. Cerca de 30% dos usuários de Internet já usam o protocolo mais novo, lançado há dez anos. O EsGOtaMEntO dos endereços IPv4, ainda que tenha ganho uma breve sobrevida, está na iminência de ocorrer. A estimativa é que isto se dê em janeiro de 2020, um pouco depois da previsão anterior, que apontava para o fim de 2019. O adiamento deveu-se à devolução e à recuperação de endereços, conforme explicou Ricardo Patara, gerente de Recursos de Numeração Internet no Registro.br, durante evento de comemoração dos dez anos do IPv6, realizado em outubro, em São Paulo. Os endereços IPv4 têm um espaço finito, com conjuntos numéricos de 32 bits e possibilidade de endereçar até 4 bilhões de dispositivos. Já o IPv6, apesar de também ser um endereçamento finito, compõe-se de conjuntos numéricos de 128 bits, aumentando significativamente a quantidade para 18 quintilhões de dispositivos/redes. As estimativas do NIC.br (Núcleo de Informa-

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ção e Coordenação do Ponto BR) são que 93% das organizações com ASN (Número de Sistema Autônomo , na sigla em inglês) possuam IPv6. “A porcentagem de utilização de IPv6 frente ao IPv4 no Brasil era, até meados de 2015, muita baixa, mas aumentou consideravelmente”, disse Patara, explicando que o avanço se deu após iniciativas diretas do NIC.br, que tiveram impacto a partir de meados de 2015 e proporcionaram uma curva intensa de crescimento. Hoje, a distribuição de IPv4 se dá apenas para novos entrantes na América Latina e no Caribe. As fases de esgotamento foram feitas com base nos endereços livres e, atualmente, existem mais ou menos 2,8 milhões de endereços desocupados. No ritmo que está hoje, os endereços IPv4 se esgotam em janeiro de 2020, não sendo mais possível obtê-los depois disto. O estoque do LACNIC (Registro de Endereçamento da Internet para a América Latina e o Caribe) acabou aumentando, segundo Patara, devido às devoluções de endereços. Se o estoque crescer, a data de janeiro de 2020 pode, inclusive, ser postergada. O Brasil está bem posicionado em comparação com outros países, com aproximadamente 30% dos usuários de Internet utilizando IPv6, de acordo com dados da iniciativa IPv6.br. Para Demi Getschko, presidente do NIC.br, a implantação do IPv6 no Brasil é um bom exemplo de colaboração entre prove-


dores de acesso e conteúdo, usuários, instituições de governo e outros atores importantes. “Essa união é fundamental para progredirmos nesse novo ambiente a que a Internet das Coisas vai nos levar. Precisamos que o IPv6 esteja plenamente disseminado”, disse. esfoRÇo paRa implantaÇÃo “Houve um esforço grande por parte das empresas de internet para implantação de IPv6 nas redes”, destacou o presidente da Abranet, Eduardo Parajo. Ele enfatizou ainda que falta conhecimento por parte do usuário e alertou que o término de IPv4 tem forte impacto para o segmento de games. Eduardo Morales, analista de Projetos e Desenvolvimento do NIC.br, informou que muitos provedores relataram problemas com jogos online. De um lado, a maioria dos jogos mais famosos não possui suporte a IPv6, exige uma boa conectividade e necessidade de várias portas. Do outro lado, apenas novos provedores de internet podem receber IPv4, a maioria usa CGNAT (Carrier Grade NAT) e muitos não sabem quantas portas deixam para cada usuário. “A solução mais simples é usar IPv6. É mais rápido do que o IPv4, permite conexão fim a fim e cada usuário tem seu endereço IP. Mas os dois lados precisam implantá-lo”, ponderou Morales. “O NIC.br tem feito esforço com associações para que o IPv6 esteja disponível para o usuário final, mas temos o problema que muitos games não suportam IPv6”, disse. “A indústria tem investido forte para chegar à casa do cliente com fibra ótica; as grandes operadoras também têm feito este movimento. Mas, se o game não suporta IPv6, não adianta a gente colocar”, explicou Parajo. Para o presidente da Abranet, é fundamental buscar alternativas e informação para passar pela fase de transição e enquanto os jogos não estiverem totalmente em IPv6. “E faço um apelo para o usuário: não adianta brigar com outro game atacando a rede, sofremos com esta brincadeira.”

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O evento em comemoração aos dez anos do protocolo reuniu representantes de provedores de acesso e conteúdo, de universidades, empresas, consultores e profissionais para debater os avanços da adoção do IPv6 no Brasil e os desafios atuais e futuros que envolvem temas como a Internet das Coisas (IoT na sigla em inglês) e um possível futuro desligamento do IPv4. De acordo com Antonio M. Moreiras, gerente de Projetos e Desenvolvimento do NIC.br, a primeira ação da entidade para divulgar e incentivar a adoção da versão 6 do protocolo Internet foi em 2008, com o lançamento do site IPv6.br. “Quando discutimos as vantagens da transição para IPv6, algumas delas estão relacionadas aos conceitos básicos da internet, que é uma rede ‘ponta-a-ponta’, ou seja, uma rede em que origem e destino conversam diretamente”, comentou Demi Getschko, presidente do NIC.br, tratando especialmente do uso de NAT (Network Address Translation), solução provisória adotada por empresas para compartilhar os IPs na versão 4 entre diversos usuários simultâneos, para protelar o esgotamento. Em resgate histórico sobre os dez anos da iniciativa, a equipe do IPv6.br lembrou os cursos presenciais e de educação a distância (EaD), palestras, produção de vídeos didáticos, publicação de livro sobre o tema, além da realização de eventos como a ‘Semana IPv6’, ‘IPv6 no Café da Manhã’, seis edições do Fórum Brasileiro de IPv6 e de reuniões com associações de provedores, operadoras de telecomunicações e órgãos de Governo, entre outros atores. No total, cerca de 5.500 alunos que operam em redes de diferentes tamanhos no Brasil foram treinados em cursos presenciais pelo NIC.br, nas cinco regiões do País. “O custo de formação de mão de obra sempre foi uma parte importante do investimento de implantação do IPv6. Decidimos que seria uma área essencial para atuar e já treinamos uma porcentagem significativa dos AS (Autonomous System)”, reforçou Moreiras. Já o módulo de Educação a Distância (EaD) possui 5 mil alunos inscritos, com emissão de 660 certificados.

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eSPeCial FUtUreNet 2018

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COM OLHOS NO

FUTURO EM MaIs uMa EdIÇÃO do Futurenet – realizado no primeiro dia do Futurecom, maior evento de transformação digital, tecnologia e telecomunicações da América Latina –, a Associação Brasileira de Internet (Abranet) inovou ao levar diversas startups para mostrar as tendências mais recentes e ao debater diferentes caminhos para vencer os desafios da ampliação da infraestrutura de telecom no Brasil. Entender o que as startups estão fazendo é importante para as empresas de internet que querem permanecer

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relevantes no mercado. Este foi o propósito da Abranet ao elaborar a agenda deste ano de seu evento institucional, o Futurenet. As startups vêm aportando novidades ao setor e apontando novas possibilidades de negócios, agregando valor à internet, que é commodity, e cuja grande vantagem está no que se pode criar em cima dela. “O objetivo foi despertar o interesse das empresas de internet para descobrirem possibilidades de negócios, de parcerias e de inovação para elas. Foi o que buscamos quando colocamos startups no Futurenet”, destacou

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Eduardo Parajo, presidente da Abranet. Além das startups, o Futurenet também apresentou opções de compartilhamento de infraestrutura de fibra ótica. “Sabemos que existe problema grave nos postes com os compartilhamentos. Tivemos um painel bem interessante sobre microdutos e microfibras, que entendemos que podem ser alternativas”, disse Parajo, acrescentando que no Brasil os cabos têm poucas fibras comparativamente a outros países. Diante do congestionamento da infraestrutura aérea, é urgente discutir soluções para acelerar o ordenamento das redes de telecomunicações que são suporte para as atividades de internet. Nesse cenário, dutos e cabos ópticos miniaturizados, enterrados em microvalas, estão despontando como a alternativa mais viável para a organização e a expansão das redes de telecomunicações nas cidades em que a infraestrutura convencional está saturada. O debate no Futurenet buscou mostrar as oportunidades e os desafios que existem na miniaturização de cabos e dutos. Acompanhe nas páginas a seguir como foi o Futurenet 2018, realizado em 15 de outubro.

Veja a entrevista: https://bit.ly/2018futurenet01

“O objetivo foi despertar o interesse das empresas de internet para descobrirem, nas startups, possibilidades de negócios, de parcerias e de inovação para elas.” edUardo ParaJo Presidente da abranet

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CELEIRO DE NOVAS IDEIAS O FutuREnEt foi um celeiro de ideias inovadoras. Ao longo da manhã, diversas startups apresentaram propostas de novos negócios e soluções em transporte, mobilidade, agronegócio e infraestrutura, tendo a internet como motor. Com quatro anos de existência, a Nama, empresa de soluções de inteligência artificial (IA) ligadas à experiência do cliente, já conta com casos de sucesso, como a adoção de chatbot pelo PoupaTempo e Magazine Luiza. No Futurenet, Rafael Venturacci a, líder de Produto na Nama, explicou como a empresa expandiu seu portfólio de soluções de atendimento por robôs para proporcionar a compreensão de toda a jornada do cliente. “A ideia é que a inteligência artificial não substitua o ser humano, mas o empodere para ter trabalho mais estratégico e menos operacional”, afirmou Venturacci durante entrevista em vídeo. O conceito de chatbot vem evoluindo e teve seu boom em 2017, quando as grandes empresas começaram a adotá-lo. “O chatbot tem de ser cada vez mais inteligente, senão não vai se diferenciar no mercado. Precisamos usar IA em prol da resolução de problemas”, ressaltou. a

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Veja a entrevista: https://bit.ly/2018futurenet02

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Outra startup em expansão é o aplicativo Ubra (União da Brasilândia) que, após ser expandido para outras regiões da periferia de São Paulo, passou a se chamar Jaubra. O criador da plataforma, Alvimar da Silva b, era motorista de aplicativo quando identificou a demanda reprimida de atendimento por transporte na Brasilândia, na Zona Norte da capital paulista. Com um ano e meio de existência, o aplicativo Jaubra já recebeu capital semente e, recentemente, ganhou uma bolsa do VAI TEC - Programa de Valorização de Iniciativas Tecnológicas, da prefeitura de São Paulo. Hoje, contabiliza 50 carros atendendo União da Brasilândia e tem uma central de atendimento em sua residência com três atendentes. “Com a bolsa do VAI TEC, estamos montando um novo call center para melhor atender a população da região.” Ainda em fase de amadurecimento, a Yellow, a startup por trás das bicicletas amarelas que começaram a se espalhar na cidade de São Paulo, tem desafios a serem superados. “O smartphone hoje tem bastante penetração, então, praticamente qualquer um pode ter o aplicativo, mas conseguir acessar uma boa internet é um problema, b

Veja a entrevista: https://bit.ly/2018futurenet03

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Veja a entrevista: https://bit.ly/2018futurenet04

e tem um problema ainda maior que é acessar meios de pagamentos”, disse Caio Franco c, líder da Área Legal e Regulatória da Yellow. No primeiro mês de operação, a Yellow registrou 156 mil usos de bicicleta. Agora, a startup quer colocar para pedalar as pessoas que não têm conta em banco e nem cartão. Para que elas possam usar a plataforma, a empresa criou a Yellow Pay, uma rede física, como bancas de jornais, que recebem o dinheiro e convertem em crédito Yellow. O aumento do número de startups que prometem melhorar a mobilidade urbana, como a Jaubra e a Yellow, tem a ver com a abertura das cidades para receber este tipo de inovação. Ao redor do mundo, o uso da tecnologia está mudando o modelo de transporte e a própria cultura da mobilidade urbana. Sergio Avelleda d, diretor Global de Mobilidade Urbana da WRI Brasil, explicou que, ao abrir seus dados, as cidades contribuem D

Veja a entrevista: https://bit.ly/2018futurenet05

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Veja a entrevista: https:///bit.ly/2018futurenet06

para o desenvolvimento de soluções de transporte. “Os órgãos públicos precisam abrir e compartilhar os dados. São Paulo fez isto, e lá é possível pegar os dados e desenvolver o aplicativo que quiser”, enfatizou. Avelleda exemplificou que, na capital paulista, o fato de os ônibus contarem com GPS e de os dados serem abertos possibilitou o surgimento de uma série de aplicativos e serviços. “[Com os dados abertos], várias empresas podem criar em condições de igualdade. E aí temos toda a criatividade, empreendedorismo e capacidade do setor privado valendo-se de dados públicos para melhorar a qualidade do serviço e o acesso a ele”, afirmou. Na área de logística, a Cheap2ship oferece uma solução de redução de custos na contratação de frete internacional ao estimular a competição entre fornecedores, conforme explicou o fundador da plataforma, Jociano Motta e. De acordo com ele, as empresas que adotam a ferramenta conseguem diminuir os custos entre 5% e 15%, usando os fornecedores que já contratavam. Motta contou que a ideia veio da observação do mercado na época em que ele trabalhava em um agente de carga brasileiro. A Cheap2ship, que hoje conta com 300 clientes, recebeu investimentos de investidor-anjo e hoje está em uma plataforma de aceleração. Na área da saúde, foi apresentada uma startup que ajuda os pacientes a agendarem consultas médicas. Diabético, Felipe Miranda Costa f, CEO e CTO da Cloudia, enfrentava dificuldades para marcar regularmente consultas com abranet.org.br novembro - dezembro 2018 / janeiro 2019

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Veja a entrevista: https://bit.ly/2018futurenet07

endocrinologista. Ao observar que este não era um problema apenas seu, o empreendedor decidiu criar um aplicativo que gerenciasse a marcação de consultas. Daí nasceu o Cloudia. mediaÇÃo As empresas que buscam se conectar a startups tiveram a chance de conhecer o Radar de Startups, que faz curadoria de startups e intermediação entre as novas

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Veja a entrevista: https://bit.ly/2018futurenet08

firmas com companhias que buscam seus serviços. Alexandre Oliveira Gera g, CEO da GeraValor, apresentou o case durante o Futurenet. Gera detalhou o funcionamento da Radar de Startups e contou como chegou à ideia. “Quem quer inovar hoje ou o faz dentro de casa ou vai atrás de startups, mas há desafios para encontrá-las”, disse. “Temos hoje cerca de 500 startups qualificadas na nossa base, mais umas 300 em fase de qualificação e

O IMPACTO DO CONHECIMENTO Veja a entrevista: https://bit.ly/2018futurenet11

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Hoje em dia, não é mais possível menosprezar o impacto das tecnologias, da informação e do conhecimento no processo formativo. Em entrevista em vídeo, Giovani de Paula, coordenador de Pós-Graduação na Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), falou do papel da universidade no cenário atual de formação de startups e mão de obra para o setor de TI.

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Veja a entrevista: https://bit.ly/2018futurenet09

robôs que ficam vasculhando a internet”, acrescentou. O Futurenet também mostrou exemplo de empresa que vem trabalhando com startups. A Brink’s aproximouse das startups em busca de soluções na área de segurança. “Estamos continuamente buscando inovação, e a inovação interna é morosa, lenta e conflita com o dia a dia. Precisávamos de uma forma de acelerar”, explicou Cristiano Venturella h, gerente de Novos Negócios e Marketing da Brink’s.

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Veja a entrevista: https://bit.ly/2018futurenet10

Falando para as startups, Fabio Pagani i, presidente da Unicamp Ventures, assinalou que para conseguirem se desenvolver elas precisam de conhecimento em gestão, administração e recursos humanos. Pagani explicou que há startups hoje de todos os perfis e, em comum, a forte presença e investimento em tecnologia. Também falou sobre as dificuldades que as empresas encontram na hora de inovar. “O empreendedor tem o brilho nos olhos e pode se perder em algumas barreiras de burocracia.”

SÃO PAULO DIGITALIZA MAPAS A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo tem um grupo de trabalho que busca solução para que o agricultor que mora na zona rural tenha atendimento básico dos serviços públicos. Por meio do uso de mapas das regiões, oriundos de diversas fontes, o governo está consolidando tudo e fazendo um mapa único para roteirizar o melhor caminho para atender o morador rural. “Estamos digitalizando os caminhos de SP”, disse o assessor Caique Paes de Barros.

Veja a entrevista: https://bit.ly/2018futurenet12

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SEGURANÇA E AUMENTO DE CAPACIDADE EM 2018, foi registrado um aumento nos ataques de DDoS (sigla em inglês para Distributed Denial of Service, ou ataque distribuído de negação de serviço), e esta tendência não deve regredir, apontou Matheus Cadori Nogueira j, da Technobox. “Os ataques DDoS têm crescido. O motivo principal é a falha em dispositivos como roteadores, que, se não são atualizados constantemente, podem gerar exploits”, disse Nogueira, acrescentando que não há perspectiva de redução. Segundo o especialista, os ataques vêm de diferentes fontes e com diversas motivações; e também ocorrem devido a brigas entre as próprias empresas. “No meio dos provedores, são disputas comerciais, financeiras.” Manter antivírus e antimalware sempre atualizados nas máquinas é uma forma de tentar mitigar os ataques. Além disto, as empresas de internet precisam manter softwares atualizados, monitorar constantemente as redes e investigar sempre que observar algum comportamento estranho. As empresas de internet podem melhorar a segurança tomando alguns cuidados no tráfego que sai das suas redes. De acordo com Gilberto Zorello k, coordenador de Projetos do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), elas devem j

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Veja a entrevista: https://bit.ly/2018futurenet13

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fazer medições do tráfego regularmente, observando, principalmente, os anúncios que saem da rede e se o endereço de origem não é falsificado. “Os provedores precisam configurar os equipamentos que estão nas residências de forma correta, sem deixar portas abertas que deixem os clientes vulneráveis”, disse, ao dar dicas de como mitigar os riscos. O ano de 2019 será, na visão de Eduardo Pszczol l, da Akamai Technologies, o ano da segurança. O executivo relatou que empresas de internet têm procurado a fornecedora em busca de aperfeiçoar esta área e apontou que a tendência é o DNS como serviço (DNS é a sigla para Domain Name System, ou sistema de nomes de domínios). Segundo ele, DNS como serviço é uma solução para que provedores e operadoras possam transformar o DNS de custo em receita, oferecendo para seus assinantes ofertas de valor agregado, como segurança, controle parental e filtros usando o DNS como camada de habilitação. De acordo com Pszczol, algumas empresas de internet de médio porte já usam a solução de DNS como serviço, outras estão em fase de implantação e algumas operadoras de grande porte estão testando. k

Veja a entrevista: https://bit.ly/2018futurenet14

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Ele também explicou que não há proteção única, mas que a camada de segurança na nuvem tem se mostrado mais ágil e independe de o usuário ter o antivírus atualizado. Outra tendência apontada pelos especialistas durante o Futurenet foi o fato de o crescimento exponencial do tráfego de banda larga e a necessidade por bandas maiores estarem demandando soluções de transmissão ótica DWDM (sigla para l

Veja a entrevista: https://bit.ly/2018futurenet15

Dense Wavelength Division Multiplexing, ou multiplexação densa por divisão de comprimento de onda). “São vários pontos de luz que vão transmitir os dados para aumentar – e muito – a capacidade de banda”, explicou Marcelo Sena m, gerente de Desenvolvimento de Negócios e Vendas na Tejas. Para ele, as soluções DWDM já estão sendo aplicadas pelas operadoras, e as empresas de internet de menor porte estão começando a adotar. m

Veja a entrevista: https://bit.ly/2018futurenet16

TECNOLOGIA NO AGRONEGÓCIO Conectividade é um dos entraves no agronegócio, que ainda enfrenta a falta de energia. “Quando nos referimos a conectividade em lugares próximos a grandes centros é uma situação, mas, quando se fala em conectividade dali a 200 quilômetros, é outra”, relatou Rogério Cavalcante, cofundador da Sintecsys. A empresa desenvolveu um sistema para detecção automática de focos de incêndios em áreas de plantio de cana. “A tecnologia tem de garantir que se produza mais devastando menos”, resumiu.

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SUPERLOTAÇÃO DOS POSTES cOM O cREscIMEntO cada vez maior do tráfego de internet, aumenta a necessidade de fibra ótica, mas a infraestrutura atual de telecomunicações pode não ser suficiente da maneira que está, com redes aéreas – e por vezes subterrâneas – superlotadas. Por isto, as microtecnologias vêm se apresentando como uma alternativa para o ordenamento e expansão das redes de internet. O problema é que no Brasil ainda se usam cabos com capacidade para poucas fibras. “No mundo todo, há uma tendência de compactação, de redução do diâmetro dos cabos que abrigam as fibras e de aumento da quantidade de fibras por cabo”, ressaltou Marco Antonio Scocco, gerente de Engenharia da Sterlite Tech. O uso de dutos e cabos ópticos miniaturizados, enterrados em microvalas, vem se mostrando uma alternativa com custo menor e potencial para resolver o congestionamento das redes aéreas. A tecnologia consiste na instalação de microcabos ópticos por sopramento em microdutos. Os microdutos podem ser, por exemplo, implantados em microvalas. Uma grande ferramenta semelhante a uma maquita corta o solo, a instalação é feita, e tudo é fechado rapidamente. Uma das vantagens é a possibilidade de ter um número muito maior de microcabos compartilhados. n

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Veja a entrevista: https://bit.ly/2018futurenet18

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Há dutos com capacidade, por exemplo, de compartilhar mais de 2 mil microcabos. Ao que tudo indica, as microtecnologias são uma tendência mundial e vieram para ficar, mas, no Brasil, ainda é preciso treinar e qualificar mão de obra. Conforme explicou Evelyn Vieira n, engenheira de Vendas na Duraline, os microdutos são necessários porque atendem às demandas dos microcabos, uma vez que eles não possuem proteção mecânica. “Como os microcabos não têm a proteção mecânica e a proteção de capa, os microdutos fazem a acomodação e suprem a necessidade de aumento de fibra ótica”, disse. A engenheira aposta que a expansão das redes de fibra ótica se dará pelos microdutos. As valas convencionais são largas e eram usadas até hoje porque não havia nenhuma outra tecnologia, afirmou Gilberto Giassetti o, da Porto Seguro Cortes e Furos. “Agora está sendo introduzida no Brasil a microvala, que é uma vala bem mais estreita, com 20 milímetros de largura e 400 milímetros de profundidade.” As microvalas aparecem como alternativa para instalar cabos em lugares onde as redes atuais, aéreas e terrestres, estão saturadas. “Elas vão ao encontro de resolver a questão do espaço e interferem pouco no dia a dia do local onde estão sendo instaladas”, enfatizou Giassetti. o

Veja a entrevista: https://bit.ly/2018futurenet19

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TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: É HORA DE DESACELERAR

Veja a entrevista: https://bit.ly/2018futurenet22

Para inovar, é preciso desacelerar; parar e observar melhor as coisas, defendeu Thierry Cintra Marcondes, líder de Transformação digital na L’Oréal Brasil, em entrevista em vídeo.

FOCO EM MVNO E IOT Há MuItas OPORtunIdadEs para operadoras móveis virtuais (MVNOs, sigla para Mobile Virtual Network Operator) no Brasil, principalmente para aquelas focadas em nichos de mercado. “Foi o que aconteceu na Europa”, destacou Bruno Ajuz p, vicepresidente de Marketing da Telecall. “Se entrar na briga de commodity, você morre”, advertiu, ao comentar sobre como as MVNOs devem operar. Para ele, as empresas de internet poderiam atuar de forma bem-sucedida como MVNOs incorporando o serviço de mobilidade, com a telefonia celular, ao portfólio. Segundo ele, a Telecall já tem “conversas avançadas” com ISPs, principalmente, na região Nordeste. p

Veja a entrevista: https://bit.ly/2018futurenet20

Já Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês) é uma tendência de oportunidade mais consolidada. Para Marcelo Angione q, líder de Soluções de Negócios da Kathrein, IoT é, sim, o futuro. Atualmente, conforme assinalou, existem algumas soluções de conectividade, muitas de hardware e parâmetros sendo medidos e controlados, mas ainda é um estágio inicial. “Para ser usada de forma massiva e profissional, precisa ainda de uns três, quatro anos de desenvolvimento”, disse. Montar um ecossistema para Internet das Coisas requer um investimento grande para se ter todos os elementos necessários, como hardware, software e conectividade. q

Veja a entrevista: https://bit.ly/2018futurenet21

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Alternativa submarina no País Brasil vive uma nova era com a ativação de vários cabos submarinos a estratégia da Angola Cables de lançar o South Atlantic sacs, MOnEt, tannat, Júnior, Malbec, Sail, Cable System (SACS), que é considerado pela empresa Seabras-1 e Ellalink: esses são os cabos submarinos que a mais rápida ligação entre África e as Américas, com começaram a operar no Brasil ou estão programados para entrar em funcionamento no curto prazo. Com isso, baixa latência e uma rota mais direta. De Luanda, as empresas de internet têm acesso a rotas alternativas o cabo vai se conectar ao WAC, que passa por 11 de conectividade – e algumas inéditas, como a que liga países da costa africana e três europeus. “Mais que Fortaleza a Luanda, em Angola –, propiciando redução ligar América Latina à África, é ligar também a Ásia de custo, aumento da capacidade de transmissão de dados por meio do SAFE, cabo que conecta África do Sul, e melhoria na qualidade do acesso à informação. Maurícia, Índia e Malásia”, completa Mendes. A expansão da rede também suporta o crescimento A proliferação de cabos proporciona rotas mais curtas, do tráfego, respondendo à demanda natural decorrente fazendo com que se ganhem milissegundos, ou seja, da explosão de vídeos e maior utilização de serviços redução de latência. Mundialmente, estima-se que perto baseados na internet. A ampliação da variedade de de 300 cabos transitam 99% dos pacotes de dados das cabos conectando o Brasil pode ser analisada como algo telecomunicações. Para Percival Henriques, conselheiro natural. Artur Mendes, diretor Comercial e de Marketing do CGI.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil), falar (COO) da Angola Cables, explica que os cabos têm vida de cabos submarinos é falar de uma infraestrutura útil de aproximadamente 20 anos. essencial para a internet. Para ele, o fato de existirem Dados da consultoria Teleco apontam que, entre os 58 mil sistemas autônomos no mundo deixa evidente a cabos em operação há mais tempo, estão o Américas necessidade dos cabos submarinos para acessar essas II, que entrou em operação em setembro de 2000, redes. No Brasil, segundo ele, a dependência de cabos interligando Fortaleza/CE aos Estados Unidos; o Atlantis passou a ser mitigada a partir da eficiência dos pontos 2, que liga o Brasil (de Natal/RN até o Rio de Janeiro/ de troca de tráfego, já que “algo como 70% do tráfego RJ) à Europa, África e América do Sul e também data internet é resolvido dentro do próprio País graças a essa do ano 2000; o SAM 1, um anel óptico que circunda as infraestrutura mantida pelo CGI.br e NIC.br.” Américas por meio dos oceanos Atlântico e Pacífico e entrou em operação em fevereiro de 2001; o SAC, que está em operação via BRasil comercial desde o início de 2001 interligando Novos cabos que estão passando pelo País os principais países das Américas do Sul, ellalink – Santos/SP e Fortaleza/CE a Cabo Verde, Madeira e Lisboa Central e Norte (Brasil, Argentina, Chile, Peru, Júnior – Praia Grande/SP ao Rio de Janeiro/RJ Panamá e EUA); e o Globenet, que entrou malbec – Rio de Janeiro/RJ e São Paulo/SP a Buenos Aires, Argentina em operação comercial no início de 2001 e monet – Boca Raton, EUA, a Fortaleza e depois Praia Grande/SP passa pelos Estados Unidos, Ilhas Bermudas, sacs – Fortaleza/CE a Luanda, Angola Venezuela e Brasil. sail – Fortaleza/CE a Kribi, Camarões “Quando fazemos o modelo de negócios seabras-1 – São Paulo/SP a Nova York, EUA para zonas de crescimento, há três grandes que se destacam: África, Ásia e América tannat – São Paulo/SP a Maldonado, Uruguai Latina, nesta ordem”, diz Mendes, explicando

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Leonardo Euler é o novo presidente da Anatel O PREsIdEntE da República, Michel Temer, nomeou o até então conselheiro Leonardo Euler de Morais para o cargo de presidente do Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Euler de Morais tem mandato até 4 de novembro de 2021. É o primeiro servidor de carreira da agência a ser nomeado presidente.

Marcos Pontes é nomeado ministro da Ciência e Tecnologia

Pico de tráfego de 6 terabits

O astROnauta Marcos Pontes, primeiro brasileiro a ir ao Espaço Sideral, em 2006, foi nomeado ministro da Ciência e Tecnologia pelo novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. Pontes aceitou o convite e, em entrevistas, destacou que é preciso reforçar a conexão da pasta com a Educação. Ainda de acordo com Pontes, a pesquisa também precisa de investimentos fortes, assim como a promoção da carreira de pesquisador. “É importante demais em qualquer país, e a gente não vê a promoção dessa carreira aqui no Brasil”, pontuou, citando ainda a intenção de apostar em inovação e ações nacionais e internacionais, sem entrar, porém, em detalhes da estratégia. Em entrevista concedida ao site da Abranet, em 2017, quando fez uma palestra na convenção da entidade, na Bahia, Pontes falou sobre a necessidade de uma Ciência forte para criar um desenvolvimento sustentável e econômico. À época, deixou claro que o Brasil precisava ter desenvolvimento de ideias dentro de casa e, mais ainda, transformá-las em ações.

Os 30 POntOs do Internet Exchange (IX. BR) administrados pelo NIC.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR) registraram em setembro último um pico de 6 terabits, sendo que 80% desse volume de dados foi relativo ao IX de São Paulo. A informação foi dada por Antonio Galvão de Rezende Filho, do time de Engenharia do NIC.br, durante o Congresso Brasileiro de Data Centers e Infraestrutura Cloud, realizado no início de novembro. “O volume de tráfego de dados vem crescendo 80% ao ano e de forma acentuada nos grandes centros”, ressaltou Rezende Filho. De acordo como presidente da Abranet, Eduardo Parajo, nos últimos quatro anos os provedores e as pequenas prestadoras investiram muito em conectividade, optando por fibra óptica e FTTX. O executivo sustentou que o pico de tráfego de 6 terabits é apenas a “ponta do iceberg” – visão compartilhada por Célio Mello, gerente de Produtos e Projetos Estratégicos da Eletronet. “Trata-se de um movimento irreversível, pois há uma mudança de comportamento em curso, com o usuário de internet hiperconectado, sempre no modo on”, pontuou.

Até o fechamento desta edição, não estava definida a situação da pasta das Comunicações: se será integrada ao Ministério da Ciência e Tecnologia ou incorporada ao Ministério da Economia, sob o comando de Paulo Guedes.

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Fusões e aquisições no radar MOVIMEntOs dE fusão e aquisição (M&As, na sigla em inglês) vão acontecer no mercado de telecomunicações. “Em vez de M&A entre empresas, será em infraestrutura. Não é a grande comprando a pequena, mas comprando a infraestrutura”, explicou Valder Nogueira, diretor da área de Tecnologia, Mídia e Telecomunicações do Santander Brasil, ao participar do XI Seminário TelComp 2018. “O tema ficou mais patente no dia a dia de quem olha o setor depois da derrocada da Oi e quando o governo percebeu que banda larga é o novo Bolsa Família. As teles começaram a avaliar suas bases de ativos e houve o empurrão para mudar a

eSocial: novo leiaute em janeiro de 2019 tOdO cuIdadO é pouco para o novo regime, e a Receita Federal orienta para uma situação relevante: como uma empresa deve proceder para enviar ao eSocial as informações de um empregado ou de um TSVE (trabalhador sem vínculo de emprego) que teve o CPF alterado pela Receita Federal. (https://portal.esocial.gov.br/manuais/notaorientativa-012-2018-alteracao-de-cpf.pdf). A instituição adverte em nota técnica que “o CPF é chave, e é necessária a vinculação entre o CPF antigo e o novo.” Por esta razão, orienta a Receita Federal, apesar de tratar-se de um dado pessoal do trabalhador, essa alteração não pode ser feita através de um evento S-2205 - Alteração de Dados Cadastrais. O procedimento descrito nessa nota técnica estará disponível a partir de 21 de janeiro de 2019, com a entrada em produção da versão 2.5 do leiaute do eSocial.

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regulamentação”, disse Nogueira. Somado a isto, os players regionais apareceram no radar por estarem capturando clientes em locais aonde as grandes não chegavam e, principalmente, porque ganharam clientes levando infraestrutura onde não existia. Essa conjuntura, sustentou o diretor do Santander, criou um ambiente propício para parcerias ou M&As entre as telcos, com as prestadoras de menor porte sendo alvo de fusão ou aquisição por meio de troca de ações. “Vai ter consolidação das pequenas que estão recebendo aporte de private equity, mas elas precisam trabalhar a governança”, advertiu Valder Nogueira. Ainda segundo sua análise, os fundos de investimentos e as grandes operadoras estão à procura dos melhores players independentes de fibra ótica, que, por sua vez, podem vir a se consolidar entre si, criando ‘campeões regionais de infraestrutura’.

Músicas e vídeos Os sERVIÇOs de streaming apresentam tendência de crescimento entre usuários de internet. Dados inéditos da pesquisa TIC Domicílios 2017 apontam que metade (50%) da população brasileira ouve músicas pela internet e a mesma proporção assiste a vídeos, programas, filmes ou séries online. Um terço (29%) ouve música pela internet todos os dias, sendo que a frequência diária é mais comum entre os mais novos: 55% dos jovens de 16 a 24 anos têm esse hábito. Enquanto predomina o hábito de ouvir música pela web diariamente, a frequência semanal ou diária é mais comum para filmes (27%) e séries (21%). Pagar para acessar tais conteúdos é uma prática menos presente entre a população brasileira, chegando a 10% para filmes e séries e 5% para músicas. Acesse a TIC Domicílios 2017 na íntegra e reveja a série histórica: http://cetic.br/. Leia a publicação (http://cetic.br/pesquisa/domicilios/ publicacoes) e compare a evolução dos indicadores a partir da visualização de dados disponível em http://data.cetic.br/cetic/explore?idPesquisa=TIC_DOM.


Abranet vai ao STF defender o Marco Civil a assOcIaÇÃO Brasileira de Internet (Abranet) pediu ao Supremo Tribunal Federal para ingressar na ação movida pelo Facebook, na qual a rede social recorre de uma decisão da Justiça de São Paulo que determinou o pagamento de uma indenização pela não remoção de um perfil a partir de um requerimento extrajudicial, antes da decisão judicial. É a 13ª entidade a pleitear manifestação na causa, expressamente pelo impacto multiplicador da decisão sobre o assunto – o próprio STF já estabeleceu que o processo terá repercussão geral, sendo, portanto, entendimento para casos similares em todo o País. “A decisão desta Corte Constitucional não produzirá efeitos somente entre os litigantes, mas influenciará, acima de tudo, todos os demais usuários da internet brasileira que possam ter restringidos tanto seu direito à liberdade de expressão quanto o seu direito à informação, ambos garantidos pela Constituição Federal”, lembrou a Abranet na petição. Trata-se de um processo instaurado a partir da queixa de uma mulher em São Paulo que descobriu um perfil falso em seu nome no Facebook, usado para ofender terceiros. Além de buscar decisão da Justiça para remover o conteúdo, também exigiu indenização de R$ 10 mil. A primeira decisão determinou a exclusão do perfil, mas negou o valor indenizatório, pelo entendimento de que o Facebook cumpriu a sentença judicial. Mas em recurso da autora, o TJSP entendeu que a indenização era cabível, pois a rede social deveria ter removido o perfil falso a partir da notificação extrajudicial. O caso foi levado ao Supremo para defender a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/14), que prevê que, em se tratando de remoção de conteúdo, os provedores só serão responsabilizados se descumprirem decisão judicial – ao contrário do que decidiu o TJSP. “Ao estabelecer esse regime, o legislador tinha como

“A decisão desta Corte Constitucional não produzirá efeitos somente entre os litigantes, mas influenciará, acima de tudo, todos os demais usuários da internet brasileira que possam ter restringidos tanto seu direito à liberdade de expressão quanto o seu direito à informação, ambos garantidos pela Constituição Federal.” escopo impedir que os provedores de aplicações de internet, para evitar futuras ações indenizatórias, optassem pela remoção de quaisquer conteúdos questionados. Essa postura dos provedores, motivada pelo risco econômico, incentivaria a censura privada, resultando em evidente desvalorização das liberdades de expressão e de informação na internet”, pontuou a Abranet ao STF. A consequência, como apontou a Abranet, seria nociva. “Os provedores, para evitar o risco de indenizações futuras, passariam a remover, senão todo, a maioria de qualquer conteúdo questionado em sua plataforma. Da mesma forma, optar pela adoção de um regime de responsabilidade objetiva das mesmas empresas as empurraria para o desenvolvimento de filtros e outras formas de controle no seu ambiente virtual que não apenas se mostram ainda ineficazes, como também implicam investimento incompatível com os recursos de grande parte das empresas que atuam no ecossistema de provedores de aplicações na internet.”

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oPiNiÃo Paulo Exel diretor de operação da Yoctoo, empresa especializada em recrutamento de profissionais, tem certificação em coaching

como serÁ o Futuro do trABALHo? Empresas e profissionais terão de se adaptar às novas regras impostas pela transformação digital. O novo modelo terá, porém, uma medida antiga: direitos e deveres para ambos os lados. HIstORIcaMEntE, a tecnologia sempre transformou as empresas, seja pela adoção de novos processos e modelos de produção, seja pela automação de funções operacionais. O que vemos agora é que as mudanças irão chegar às relações de trabalho e, ao que tudo indica, o futuro do trabalho será guiado por projetos. Apesar de parecer algo novo, o trabalho por projeto é algo usado há bastante tempo no mercado de marketing, publicidade e, principalmente, tecnologia. Ele consiste no modelo em que a contratação de profissionais é feita por tempo determinado, tendo como referência o projeto que precisa ser desenvolvido, as competências e experiências de cada integrante que irá compor os times e levando em consideração as fases de início, meio e fim. Mesmo parecendo um cenário distante, é possível que as relações de trabalho migrem para esse modelo, que tende a crescer muito nos próximos anos. Isso porque contratar os profissionais de acordo com a demanda, vinculados a projetos, é uma excelente forma de gerenciar os recursos (humanos e financeiros), além de proporcionar flexibilidade para manter a equipe sempre atualizada com conhecimento. Do ponto de vista das empresas, contratar por demanda significa manter o recurso sempre ativo, diminuindo o risco de ociosidade nas equipes. Uma vez que o profissional é contratado para entregar determinada solução, ou implantar

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um projeto específico, é possível estimar uma quantidade de horas que irá empregar e quanto isso custará. Mesmo que alterações sejam feitas ao longo do tempo, e o projeto atrase por inúmeros fatores, é muito mais fácil mensurar o ROI (Retorno sobre Investimento) de cada iniciativa. A previsibilidade no orçamento é talvez uma das maiores vantagens para a empresa, já que em uma gestão de projetos é possível planejar os recursos que serão destinados e prever se o investimento valerá a pena. No entanto, é necessário destacar o contraponto. Ao terminar um projeto, se a empresa não tiver uma boa governança, é possível que a história e o conhecimento gerado ao longo do processo sejam perdidos junto com a saída dos profissionais. Os erros e acertos do percurso em cada trabalho são valiosos para a história corporativa, já que essa se constrói ao longo das entregas que realiza. Do ponto de vista da carreira, essa mudança será muito interessante por trazer mais autonomia para os profissionais. Veremos grandes mudanças, inclusive para as áreas de recrutamento, já que o currículo não estará mais baseado em empresas onde cada um trabalhou, mas no tipo de projetos de que cada candidato participou, nos resultados que foram entregues e como o profissional apresenta o próprio portfólio de experiências. Cada profissional terá de gerenciar seu próprio negócio, incluindo desde alimentar um pipeline de clientes, gestão financeira, entregas, até metas e resultados. É claro que entre as desvantagens está nossa cultura de relação trabalhista e de construção de carreira que, mesmo com todas as mudanças propostas pela revolução digital, ainda é muito baseada em crescimento hierárquico e no pensamento cartesiano de ficar anos dentro da mesma empresa. Vencer essa barreira é algo que precisa ser conquistado tanto por parte das empresas quanto por parte dos profissionais.

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