

EDITORIAL
Gil Torquato Presidente da Abranet
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Gil Torquato Presidente da Abranet
O ANO DE 2025 foi de muitas transformações e 2026 chega com muitas oportunidades. No ano em que a Abranet completa 30 anos, já definimos as prioridades estratégicas para atuar em defesa dos nossos associados. São elas: Segurança digital, Ampliação da conectividade, Políticas públicas e Regulação, Inovação tecnológica e Governança da internet. Estes temas – tão caros a quem vive de tecnologia – são essenciais e terão nossa atenção em todos os canais de comunicação de que dispomos com o governo, parlamentares, empresas e sociedade. Também estamos acompanhando de perto, é claro, a regulamentação dos datacenters.
A Revista Abranet desta edição mostra um pouco do cenário que se desenha para o novo ano.
O mercado de meios de pagamentos teve em 2025 um ano ímpar. O Pix, meio de pagamento que se tornou o preferido do cidadão brasileiro, completou cinco anos enfrentando a ação dos hackers. A reação foi imediata: sai um pouco de cena a competição e entra o foco em ações de segurança. A escolha foi dar solidez ao ecossistema para viabilizar inovações e garantir as mudanças já conquistadas.
O tema foi debatido em um evento realizado pela Abranet no fim de 2025 e é matéria de capa nesta edição. O debate, que contou com a participação do Banco Central, deixou claro que é momento de olhar o risco e pôs em evidência a necessidade de garantir a confiança entre todos os elos da cadeia. Leitura obrigatória para quem


entende o papel dos meios de pagamentos no desenvolvimento do segmento financeiro no Brasil. Também no final do ano, o CGI.br divulgou um raio-x detalhado do mercado de provimento de internet no País. Ficou patente que não basta mais só prover conectividade. A pesquisa TIC Provedores 2024 apontou a existência de quase 22 mil empresas de acesso à internet em atividade formal no Brasil e mostrou que mais do que nunca é preciso olhar para novos serviços e diversificar a atuação. Computação em nuvem, transmissão de TV via IP e provimento de soluções de internet das coisas são essenciais para que os provedores tenham rentabilidade e encarem a consolidação que está em curso. A pesquisa completa está disponível em reportagem especial.
A Inteligência Artificial foi a estrela do mercado, claro. Mas, a exemplo do que aconteceu no advento da internet comercial, há questionamentos. Será que estamos à porta de uma bolha de IA, diante de tantos investimentos bilionários na tecnologia? A Revista Abranet ouviu empresários e publica análise do BTG Pactual sobre o assunto. Para 2026, continuam problemas que se arrastam há anos, como a crise do uso dos postes. São oito anos de debates para desespero de todos os atores do mercado à mercê de decisões caso a caso por prefeitos e magistrados. Que o ano novo traga, enfim, uma saída que atenda a tantos interesses distintos. Boa leitura e muitos bons negócios neste novo ano!
05 | ABRANET RESPONDE
A Reforma Tributária entrou em testes em 2026. Tenho prazo para me adaptar ou haverá multa imediata?


PRESIDENTE Gil Torquato
VICE-PRESIDENTE Jesaias Arruda
MEIOS DE PAGAMENTO

Em 2025, ano em que o Pix completou cinco anos e o Drex foi suspenso, a evolução regulatória da indústria financeira, mais precisamente dos meios de pagamento, passou a ter um novo norte: a segurança. A Abranet colabora a partir da atuação de seus associados e participando de fóruns técnicos para estabelecer mecanismos mínimos de segurança no mercado.
Existe uma bolha da IA? Relatório do BTG Pactual aponta que a inteligência artificial generativa é de longo prazo e não uma bolha. Empresários têm visões pragmáticas sobre o tema, que mobiliza especialistas de tecnologia e de finanças de todo o mundo. 12 |
15 | GESTÃO 06 |

Centralizar ou distribuir, eis a questão. Funcionamento da internet requer equilíbrio, ressalta Demi Getschko, diretor-presidente do NIC.br, na abertura do IX Fórum 19.
Mais serviços e mais qualidade. A pesquisa TIC
Provedores 2024 aponta que há quase 12 mil empresas de provimento à internet no Brasil. Também evidencia a consolidação no setor e mostra que o foco está na oferta de serviços e na qualidade do atendimento ao cliente.
22 | INFRAESTRUTURA

Postes: crise eterna de uma solução que nunca chega. Discussões entre Anatel e Aneel para uma nova regra conjunta chegam ao oitavo ano, para desespero de todos os atores do mercado à mercê de decisões caso a caso por prefeitos e magistrados.
24 | PANORAMA
Quem usa a internet no Brasil – como e para quê. Pesquisa TIC Domicílios 2025 aponta para redução da desigualdade no acesso à internet, mas lacuna entre as classes sociais ainda é gritante.
28 | OPINIÃO
Must watch 2026
Por Yassuki Takano, Sócio-fundador da BTSI (Business & Technology Solution & Implementation), foi diretor de Consulting Services na Logicalis e consultor na Roland Berger. Formado pelo ITA em Engenharia Mecânica Aeronáutica, com Mestrado Profissional em Adm. (MPA) pela FGV e especialização em Liderança em Empresas de Serviços Profissionais pela Harvard Business School. Tem mais de 25 anos de experiência em consultoria.
30 | CONEXÃO
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Acerto de contas para dívidas federais. Bloqueio de bets ilegais Em alta: internet por satélite de baixa órbita. Hackers do Bem abre 25 mil novas vagas.
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EMPRESAS E MICROEMPREENDEDORES que emitem documentos fiscais eletrônicos terão um período extra para se ajustarem às exigências da Reforma Tributária sobre o consumo. A Receita Federal e o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS) publicaram ato conjunto no final de dezembro determinando que não haverá aplicação de multas ou penalidades pela ausência de preenchimento dos campos da CBS e do IBS nas notas fiscais eletrônicas nos três primeiros meses após a publicação dos regulamentos.
Na prática, a medida cria uma janela de adaptação que pode chegar a até quatro meses, pois a obrigatoriedade passa a valer no primeiro dia do quarto mês seguinte à publicação da parte comum dos regulamentos dos novos tributos. A fase de transição começou no início de 2026, com a apuração dos impostos de modo educativo e informativo, sem recolhimento efetivo.
Conforme o ato conjunto, até o primeiro dia do quarto mês seguinte à publicação dos regulamentos:
• Não serão aplicadas penalidades pela falta de registro dos campos da CBS e do IBS nos documentos fiscais eletrônicos;
• Será considerado cumprido o requisito necessário para a dispensa do recolhimento dos novos tributos;
• A apuração da CBS e do IBS em 2026 terá caráter apenas informativo, sem efeitos financeiros, desde que as obrigações acessórias sejam cumpridas.
Com isso, as notas fiscais não serão rejeitadas automaticamente caso os campos da CBS e do IBS não estejam preenchidos durante o período de tolerância. A Receita Federal esclareceu ainda que o início da exigência dependerá da data de publicação dos regulamentos.
A Receita Federal e o CGIBS reforçaram que todo o ano de 2026 será voltado a uma fase educativa e orientadora, com testes, ajustes de sistemas e validação de informações. Durante esse período:
• Não haverá recolhimento efetivo de CBS e IBS;
• A apuração será utilizada apenas para simulações e aprendizado;
• O foco será dar segurança jurídica a empresas, contadores e administrações públicas.
Segundo os órgãos, a diretriz consolida o caráter educativo de 2026, permitindo que os contribuintes ajustem gradualmente seus sistemas e rotinas fiscais ao novo modelo. Em 2026, as empresas e os microempreendedores deverão destacar nas notas fiscais 0,9% de CBS e 0,1% de IBS. Os valores destacados serão deduzidos dos demais tributos sobre o consumo, conforme previsto na transição. •
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Em 2025, ano em que o Pix completou cinco anos e o Drex foi suspenso, a evolução regulatória da indústria financeira, mais precisamente dos meios de pagamento, passou a ter um novo norte: a segurança. A Abranet colabora a partir da atuação de seus associados e participando de fóruns técnicos para estabelecer mecanismos mínimos de segurança no mercado.
“O PÊNDULO do Banco Central do Brasil, que estava do lado da competição, agora pende para o lado da segurança”, resumiu Felipe Comparsi, consultor do Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro (Decem) do BC, ao debater a retrospectiva regulatória em evento promovido pela Abranet no escritório do Pinheiro Neto Advogados. Em outras palavras: durante dez anos, o Banco Central concentrou-se na competição, conseguindo desenvolver o mercado de pagamentos e promover

a inclusão financeira. Recentemente, o foco foi transferido para a segurança. Carol Conway, presidente do Conselho Consultivo da Abranet, complementou que a preocupação é olhar o risco, a rastreabilidade e a solidez do sistema como um todo, “para que tenhamos certeza de poder confiar no próximo elo da cadeia.”
Ficou claro para os debatedores que o movimento do BC vai na direção de exigir controles e segurança internos. “O movimento agora é outro e é muito mais conservador. A

gente percebe aqui no escritório que alguns pedidos, por exemplo, de SCD [Sociedade de Crédito Direto] querendo virar banco têm sido negados pelo governo. O Banco Central quer melhorias e controles e todo mundo tem que se conscientizar. Faz parte do processo, do freio de arrumação”, ponderou Bruno Balduccini, sócio do Pinheiro Neto Advogados.
Sobre o papel da Abranet nesse contexto, Conway destacou a colaboração dos associados de tecnologia, telecom, setor financeiro e datacen-


“O
Banco Central quer melhorias e controles e todo mundo tem que se conscientizar. Faz parte do processo, do freio de arrumação.”
Bruno Balduccini Sócio do Pinheiro Neto Advogados

“É indispensável haver normas primando pelo equilíbrio entre segurança e inovação de mercado.”
Lucas Alves Freire
Procurador-geral-adjunto do Banco Central
“O pêndulo do Banco Central do Brasil, que estava do lado da competição, agora pende para o lado da segurança.”
Felipe Comparsi Consultor do Decem do BC

“É preciso olhar para todos os elos e também para a questão da engenharia social, das contas laranja, e enfrentar esse elo do usuário e o elo das redes.”
Carol Conway Presidente do Conselho da Abranet

ter e a atuação externa da associação, com a liderança no fórum técnico das entidades do setor de pagamentos. “Isso nos permite atuar em rede e estabelecer mecanismos mínimos de governança para trabalhar na resiliência do mercado como um todo e na interpretação das regras, que são muitas ”, apontou.
Com o Banco Central aprimorando as regras de segurança cibernética da rede de conexão do sistema financeiro nacional, a Abranet também tem colocado o tema como prioridade. “Segurança é um tema que afeta todo o mercado. Mais de 50% dos episódios visam a atacar os bancos tradicionais. A outra metade, bancos nativos digitais. Um estudo da Ernst & Young mostra que a maior parte das vulnerabilidades vem dos usuários e por meio da engenharia social”, disse.
Para manter a resiliência e a segurança do sistema, é preciso primar por redes seguras – e isso envolve todos os atores. “É preciso olhar para todos os elos e também para a questão da engenharia social, das contas laranja, e enfrentar esse elo do usuário e o elo das redes”, assinalou Conway.
Lucas Alves Freire, procurador-geral-adjunto do Banco Central, reiterou que “é indispensável haver normas primando pelo equilíbrio entre segurança e inovação de mercado.” Ele citou como exemplos o aumento dos requisitos e controles para o credenciamento de Provedor de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTI), limites para Pix/ TED, nova metodologia de capital mínimo e autorização para instituições de pagamento (IPs) iniciarem prestação de serviços. •
Lei nº 12.865/2013
• Competência ao BCB de regulação, autorização, supervisão e vigilância de APs e IPs (Arrangements and Payment Institutions)
• Princípios: solidez e eficiência, confiabilidade, qualidade e segurança dos serviços de pagamento

Circular nº 3.682/2013
• Instituidores devem gerenciar os riscos de seus arranjos
• Regulamentos devem prever os riscos e seus mecanismos de gerenciamento
Circular nº 3.765/2015
• Gestão centralizada de riscos pelo IAP (Instant PaymentArrangement)
• Liquidação das transações em sistema neutro e autorizado pelo BCB em grade única
Circular nº 3.886/2018
• Estabelece critérios de análise dos pedidos de autorização de funcionamento dos arranjos, entre eles, a robustez dos mecanismos de gerenciamento de riscos
A entrada em vigor do sistema de pagamento instantâneo foi uma grande revolução no Brasil. Renato Dias de Brito Gomes, que até dezembro do ano passado ocupava o cargo de diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, faz um balanço da operação.
A CHEGADA DO PIX em novembro de 2020 provocou uma verdadeira revolução no sistema financeiro brasileiro. Transações em tempo real – e sem custo – levaram à bancarização de milhões de pessoas. Mudou a vida de todo mundo, do pequeno comerciante e da dona de casa às empresas de todos os portes. “Tem sido uma trajetória de muito sucesso, de muita entrega para a população. Quando foi lançado, em novembro de 2020,
o Pix estava confinado a transferências instantâneas entre pessoas e a pagamentos com o código QR. Nos anos seguintes, houve uma expansão de funcionalidades”, disse Renato Dias de Brito Gomes, cujo mandato de diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC se encerrou em 31 de dezembro de 2025, ao participar de bate-papo ao vivo sobre os cinco anos do Pix. Brito Gomes enumerou os avan-

ços: o Pix Cobrança, que faz as vezes do boleto, em muitos casos; o Pix Saque e o Pix Troco, que permitem que as pessoas saquem dinheiro em estabelecimentos comerciais; o Pix Agendado, para agendamento de transferência de valor constante e com periodicidade. Houve também, durante essa trajetória, uma grande integração com o open finance, que tem se materializado, de maneira mais explícita, na possibilidade de se iniciar paga-
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Autorização dos Arranjos/2020
Resolução BCB nº 150/2021
Resolução BCB nº 52/2025
• Mais transparência e segurança para o ecossistema de arranjos de pagamento Lei nº 14.031/2020
• Garante o fluxo de liquidação das transações, através da obrigação de repasse dos recursos aos participantes subsequentes da cadeia de liquidação até alcançarem o usuário final recebedor

• Os regulamentos dos arranjos são aprovados considerando a aprovação da Lei 14.031
• O parecer avaliava que haveria necessidade de ajustes futuros no GR (Gerenciamento de Riscos) dos arranjos
mentos. A promessa é dinamizar o comércio via celular e o comércio eletrônico em geral. Em 2025, foram lançados ainda o Pix por Aproximação e o PIX Automático, este último trazendo o débito automático para o mundo do pagamento instantâneo, e a evolução do mecanismo especial de devolução, o MED 2.0.
Ao longo dos anos, o crescimento do Pix foi notável. Saltou de 9,4 bilhões de transações e R$ 5 trilhões movimentados em 2021 para 63 bilhões de transações e R$ 26,4 trilhões em 2024. “O Pix substituiu o dinheiro em espécie, e isso foi bom, essencialmente, para todos os atores envolvidos no sistema de pagamentos no Brasil. A logística de distribuição do dinheiro é muito custosa”, apontou Gomes. O volume de 1 bilhão de saques no terceiro trimestre de 2020 foi reduzido, no terceiro trimestre de 2024, para 660 milhões, 35% menor.
Um elemento importante foi
• Políticas e estratégias para GR e para o monitoramento dos participantes.
• Compatibilidade da estrutura de GR com os serviços prestados.
• Delegação do monitoramento do Sub (Subadquirente) ao Credenciador (Adquirente)
incluir no sistema novas pessoas, sendo o Pix um forte instrumento de bancarização. “Muita gente não usava a conta bancária que tinha ou usava só muito superficialmente, recebendo o salário e já sacando tudo. Depois que o Pix surgiu, todo mundo percebeu que podia realizar pagamentos pelo celular e com tanta conveniência que as pessoas deixaram de sacar o salário no dia do recebimento e passaram de fato a usar suas contas de pagamento”, detalhou.
Isso permitiu às instituições ter novos clientes e também conhecer a vida financeira das pessoas que já eram correntistas, possibilitando o oferecimento de investimentos, seguros ou crédito. Com as tarifas de serviços de pagamento passando a ser menos importantes para a indústria, as instituições financeiras focaram em produtos.
“Para as instituições financeiras, o Pix acabou sendo uma grande oportunidade. Teve a redução de
custo da distribuição do dinheiro e teve, vamos dizer assim, aumento da fatia de clientes, do consumo deles. Obviamente, o Pix também trouxe muita concorrência ao sistema de pagamento”, ponderou Gomes. As transações em dinheiro foram substituídas pelo Pix, mas como fica o futuro dos meios de pagamento no Brasil? Segundo o BC, um dos efeitos de o Pix incluir muita gente no sistema financeiro foi estimular o uso do cartão. Tanto que houve uma expansão de cartões de crédito, principalmente em um segmento da população que antes não os detinha. Além disso, a modalidade Pix Automático está substituindo o boleto.
“A ideia principal é que o PIX, por ser essa infraestrutura pública, dá igualdade de condições a todos os participantes do sistema de pagamento brasileiro e permite ao País dar um salto de eficiência.”
Uma das consequências foi o
crescimento de usuários ativos nas fintechs, de quase 5.000%. Entre os bancos incumbentes, houve aumento na casa de 80%. No fim de 2025, eram quase 170 milhões de adultos e 20 milhões de empresas usando Pix. “O Pix tornou-se uma ferramenta de cidadania econômica por trazer todo mundo para dentro do sistema.”
O Pix também foi uma ferramenta de formalização de negócios
informais, sendo a opção dos estabelecimentos comerciais. A digitalização no recebimento de pagamentos estimulou a formalização.
O BC aponta que a tarifa paga para receber por Pix gira em torno de 0,3%, bem menor que a do cartão de débito, que, em média, está em 1,2%. E, dependendo do segmento das PJ, as instituições nem cobram. “Houve margem de entrada dos in -


formais na formalidade, mas o Pix também ajudou muito os lojistas que já atuavam como uma pessoa jurídica formalizada, porque reduziu muito os custos de pagamento”, finalizou Gomes.
A entrada do Pix por Aproximação promete aquecer ainda mais o segmento, pois se apresenta como uma alternativa confortável para o consumidor e barata para o lojista. •
APÓS QUATRO ANOS de desenvolvimento, o Banco Central decidiu, no fim de 2025, desligar a infraestrutura blockchain que sustentou o projeto Drex nas duas primeiras fases do Real Digital. O BC estava usando, para o Drex, a plataforma de rede de registro distribuído (DLT) Hyperledger Besu.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, explicou ao jornal Valor Econômico que a tecnologia adotada pelo Drex não se mostrou viável para ‘tokenizar’ depósitos e ativos. O BC deu um passo para trás e explicou que não se trata de levar a cabo uma moeda digital de banco central (CBDC) tradicional, mas uma infraestrutura para permitir contratos inteligentes.
Nesse sentido, o projeto brasileiro iria mais na ideia de tokenização de depósitos, ativos financeiros e ativos da economia real. A plataforma
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funcionaria para validar e certificar os ativos de forma segura, líquida e simples. Ao Valor Econômico, Galípolo foi otimista ao dizer que sua sensação é que, a partir de agora, chegará mais rápido a possibilidade de utilizar a infraestrutura do Drex. Wagner Martin, vice-presidente de relações institucionais da Veritran e mentor do Laboratório de Inovações Financeiras Tecnológicas (Lift Lab) do Banco Central, disse que, em vez de usar blockchain, o BC focará na reconciliação de gravames. “É o momento de ser mais pragmático. Para poder garantir uma transação segura de um processo que dispara automático, acontece sozinho e é imparável, é preciso muita segurança”, afirmou. De fato, quando estava prestes a ser iniciada a segunda fase de testes do Drex, o consenso era de que a moeda digital brasileira ainda precisava
superar o desafio da privacidade em um ambiente programável.
Wagner Martin detalhou que a estrutura da plataforma do Drex tem a capacidade de centralizar todos os gravames – registro de restrição financeira, garantias que acabam alienando bens, como veículos ou casas. Na opinião do executivo, o Banco Central optou por resolver o problema de conciliação, liquidação e de velocidade, em uma base onde tem tudo, para depois interligar isso à blockchain para automatizar.
Para Martin, o BC não descartou o uso de DLT, mas postergou a adesão à tecnologia. “O que eles fizeram aqui foi o seguinte: vamos aproveitar enquanto não temos a segurança que desejamos dentro da automatização da transação e vamos nos centrar na plataforma de centralizador de liquidação, porque ela já ajuda”, afirmou. •

Instituição de Pagamento (IP)
As resoluções BCB nºs 494 e 495 de 2025 atualizaram as regras de constituição, funcionamento e autorização das instituições de pagamento (IP), modernizando o processo de autorização, criando janela de regulação para players já atuantes e reforçando requisitos de governança, capital e estrutura física.
Provedor de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTI)
As resoluções BCB números 496/2025, 497/2025 e 501/2025 reforçaram a segurança do acesso à Rede do Sistema Financeiro Nacional (RSFN) via Provedor de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTI), estabeleceram regras de credenciamento e limites de valor para Pix e transferência eletrônica (TED) e fortaleceram os controles de prevenção a fraudes em serviços de pagamento. Os objetivos são aumentar a resiliência operacional, reduzir os riscos de segurança e proteger o usuário final.
Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs)
Três resoluções do Banco Central regularam as Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs). A 519/2025 organizou os processos de autorização para as PSAVs, corretoras e distribuidoras; a 520/2025 definiu as sociedades PSAV, as modalidades e as atividades permitidas; e a 521/2025 incluiu determinadas operações com criptomoedas no mercado de câmbio.
A Resolução Conjunta 14 e a resolução BCB 517/2025 dispõem sobre a metodologia e os procedimentos a serem observados pelas instituições reguladas pelo Banco Central para apuração do limite mínimo de capital social integralizado e de patrimônio líquido. O capital deixa de ser calculado por tipo de instituição e passa a ser calculado baseado nas atividades efetivamente exercidas.
A Resolução BCB 506/2025 e as Instruções
Normativas BCB 666/2025, 667/2025 e 669/2025 dispõem sobre limites, segurança, governança e requisitos operacionais para Pix e transferências. Reforçaram as obrigações de governança, segurança e conformidade dos participantes do Pix, com a possibilidade de suspensão e exclusão em caso de falhas graves e exigiram maiores requisitos de segurança para PSTIs, incluindo segregação de ambiente, auditorias e gestão de riscos.
Portabilidade - Lei 15.252/2025
Trata-se de um novo marco legal de proteção ao usuário de serviços financeiros, garantindo a portabilidade automática de salário, sem nova autorização a cada emprego. Também permite débito automático entre contras de diferentes instituições, entre outros pontos.
A Resolução Conjunta 15/2025 alterou a Resolução Conjunta 1/2020 que dispõe sobre a implementação de open finance, trazendo uma atualização do regime para incluir portabilidade de crédito e ampliar o escopo de dados e serviços compartilháveis.
Banking as-a-service
A Resolução Conjunta 16/2025 instituiu o marco regulatório do banking as-a-service, definindo obrigações, responsabilidades e limites para a oferta de serviços financeiros por meio da infraestrutura de instituições autorizadas.
Nomenclatura institucional
A Resolução Conjunta 17/2025 reorganizou o uso de denominações pelas instituições autorizadas, restringindo termos que possam induzir os usuários a erro sobre a natureza dos serviços e o escopo perante o BC. Incluiu a proibição a instituições não-bancárias de usar termos como banco, bank ou variantes.
TECNOLOGIA


Roberta Prescott
Relatório do BTG Pactual aponta que a inteligência artificial generativa é de longo prazo e não uma bolha. Empresários têm visões pragmáticas sobre o tema, que mobiliza especialistas de tecnologia e de finanças de todo o mundo.
A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL dominou as conversas em 2025, como tem sido desde a ascensão do ChatGPT e dos lançamentos subsequentes de diversos modelos de IA generativa. Com tantas empresas e especialistas falando sobre a IA, é recorrente o debate sobre se estamos ou não diante de uma bolha, assim como foi no passado com o advento da internet.
Em dezembro, relatório feito pelo time de pesquisa do BTG Pactual apontou que a tendência à adoção da IA pode ser considerada menos um exagero e mais um início de ciclo. O documento listou 16 razões pelas quais a IA é tecnologia de longo prazo, e não uma bolha (confira o box “Sem bolha”, nas páginas 13 e 14)
O relatório do BTG Pactual concluiu que o segmento da IA combina ganhos reais de produtividade, demanda crescente, retorno econômico mensurável e adoção ainda no início. Segundo os especialistas do banco de investimentos, esses fatores, somados, indicam que a tecnologia está apenas começando a mostrar seu impacto.
Para o fundador e presidente do Conselho de Administração da gestora de ativos SPX Capital, Rogério Xavier, não existe retorno para a quantidade de investimentos que estão sendo feitos em inteligência artificial. “Individual-
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mente, acho que uma dessas companhias – que eu não sei qual, mas tenderia a achar que vai ser a Google – será a vencedora pelo lado americano. Não acho que tem bolha, mas um valuation muito alto que precisa passar por correção”, afirmou Xavier em entrevista ao vivo para o podcast Cafezinho com Luciana Seabra. A SPX administra R$ 42 bilhões de patrimônio e tem escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro, Londres, Nova York, Cascais, Singapura e breve em Abu Dhabi.
Xavier disse que, quando se olha para o agregado de tudo, não se vê retorno para o tamanho do investimento. Por isso, em algum momento, os modelos de negócios serão discutidos. “As empresas hoje são intensivas em capital, energia, ativos físicos, datacenters, warehouses Mudou o negócio, o business dessas companhias. Antigamente, elas vendiam anúncios nas suas plataformas, vendiam softwares. Agora, estão botando satélite no espaço com datacenters para usar a temperatura da estratosfera para esfriar o cluster e para pegar luz solar e painéis para gerar energia. Olha o custo disso”, justificou.
“O grande vencedor disso vai ser a China. Na comparação entre os países, a China tem um custo de capital mais barato que os Estados Unidos. Não é à toa que o que o Trump
“Não acho que tem bolha, mas um valuation muito alto que precisa passar por correção”
Rogério Xavier
Presidente do Conselho de Administração da SPX Capital
“O mercado superou o hype da IA e vive agora uma fase de consolidação”
Marco Stefanini
Fundador e CEO global do Grupo Stefanini


[presidente dos EUA] fica batendo no FED [Federal Reserve System]; ele quer juro mais baixo, porque o juro na China é perto de zero e subsidiado e, nos EUA, está perto de 4% e não é subsidiado. E tem a geração de energia. A China, nos próximos cinco anos, vai colocar 3,2 terawatts no mercado e os EUA, na melhor das hipóteses, 400 GW”, explicou.
Isso significa que a China, cujo modelo de distribuição de energia é centralizado, terá um potencial de energia praticamente dez vezes maior que o dos Estados Unidos, com seu modelo descentralizado. Além disso, o fundador da SPX ressaltou o fato de que a China vem reduzindo a lacuna em relação à potência intelectual.
Mas, então, por que a China, na visão de Xavier, não vai ganhar essa guerra? “Porque o Ocidente vai boicotar da mesma maneira que boicotou a Huawei. Vai proibir que nós ocidentais usemos, por exemplo, o DeepSeek ou o Alibaba. Então, o que vai acontecer é que vão ter dois blocos”, apontou.
Isso não significa que a China não vai ganhar dinheiro. “Ela vai ganhar e vai ser dominante na Ásia. No Ocidente vão ficar companhias, mas elas vão ser menos rentáveis. Na minha avaliação, elas vão passar por um processo de reavaliação dos seus múltiplos, de valuations. Elas vão
Em 16 pontos, BTG aponta porque não há bolha de IA

1. Ganhos de produtividade (IA) A média das estimativas que tentam medir o impacto da IA na produtividade converge em torno de aproximadamente 1,3%.
2. ROI em investimentos em IA
Capex de US$ 1,2 trilhão por ano em infraestrutura de IA (projeções do Dell’Oro Group) gera uma base líquida de PP&E [Property,Plant and Equipment] de US$ 2,4 trilhões que, com um ROIC [Return on InvestedCapital] de 20%, requer aproximadamente US$ 1,68 trilhão de produção econômica anual (US$ 1,2 trilhão de D&A [Depreciation & Amortization] + US$ 480 bilhões de ROI), equivalente a cerca de 5% da folha de pagamento global de mão de obra qualificada, 3% da folha de pagamento total e 5% do EBIT [Earnings Before Interest and Taxes] global ou, assumindo margens de 50%, perto de US$ 3,4 trilhões de receita (3% das receitas das empresas listadas).
3. Margens estruturalmente mais altas
A margem operacional das 10 maiores empresas do S&P 500 é de aproximadamente 39% atualmente, contra cerca de 25% em 1999, e a margem líquida é de 32% atualmente, contra 17% em 1999.
4. Forte geração de caixa
A mediana das empresas do S&P 500 ainda apresenta um yield de fluxo de caixa livre de 3,5%, quase três vezes o nível de 1,2% de 2000-2001.
5. Múltiplos ainda abaixo das bolhas anteriores
Apesar da recente expansão de múltiplos, o índice é negociado a cerca de 29-30x, contra cerca de 44x no pico de 1999 e cerca de 89x em 2000.
6. Líderes de mercado mais baratos
As quatro empresas líderes na era .com eram negociadas a uma média de 52x os lucros; hoje, líderes comparáveis são negociados a 30x.
quebrar? Não acho que vai ter uma quebradeira do setor de inteligência artificial.”
Com relação à demanda por chips, o fundador da SPX destacou o papel da Nvidia. “Quando a gente fala da Nvidia, pode-se discutir o valor eixo da empresa, mas não acho que a demanda por chips vai diminuir. É exponencial esse negócio; não vai parar. O preço muda, mas a quantidade sobe.”
Marco Stefanini, fundador e CEO global do Grupo Stefanini, defende que a inteligência artificial vai transformar a sociedade. Ele diz ter uma visão mais pragmática e avalia que os anos de 2023 e 2024 foram de experimentação em inteligência artificial generativa, enquanto em 2025 houve uma aceleração de projetos. O cenário que vislumbra é de uma adoção muito forte a partir de 2026 e 2027.
O lançamento do ChatGPT popularizou a IA. O mercado assiste a uma competição orientada por dados e as empresas estão buscando parceiros e integradores estratégicos para navegar nesse mundo. Também aumentou a pressão por eficiência. Tudo isso no bojo da IA. De acordo com Stefanini, “o mercado superou o hype da IA e vive agora uma fase de consolidação, com diversas oportunidades para escalar ofertas personalizadas e de alto valor agregado.”
Desse ponto de vista, para ele, IA não vive uma bolha. Pelo menos, não no que tange a aplicação de negócios.
“Eu divido a IA em três grandes partes: LLMs [Large Language Models], infraestrutura e aplicação de negócios, que é aplicar a IA e onde estamos. Não são projetos de bilhões de reais, são projetos tangíveis”, diz.
A leitura é que alguns projetos ou mesmo a avaliação de algumas companhias estejam sobrevalorizados, mas a inteligência artificial generativa, enquanto solução, não.
“A internet teve bolha e alguns não sobreviveram, mas a internet segue”, ponderou, assinalando que o maior hype está nos grandes modelos de linguagem com foco em experiências B2C, grandes valuations e foco em atividades individuais. Na área de infraestrutura, também se tem visto investimento bilionário em datacenters e uma corrida por capacidade e energia.
Já a IA aplicada a processos reais das empresas, com foco na eficiência e produtividade, apresenta resultados mensuráveis e é contextualizada para cada cliente, buscando a transformação prática no dia a dia. •
7. Capex financiado internamente
46% da geração de caixa foi alocada para Capex, contra 75% em 2001 e uma média histórica de 52% desde 1991.
8. Alavancagem mais baixa
A dívida líquida/Ebitda é significativamente mais baixa entre as 10 maiores: média de -0,3x em dez/25(caixa líquido), contra +0,6x em média de 1997 a 2000.
9. Hyperscalers com demanda robusta Google e Microsoft relataram um crescimento de cerca de 46% e 50%, respectivamente, na carteira de pedidos no último trimestre. A depreciação dos chips permanece estável em cerca de 5 anos, e as GPUs [Graphics Processing Units] lançadas em 2020 (por exemplo, NVIDIA A100) ainda são amplamente utilizadas em datacenter.
10. Tecnologia tem espaço para melhorar O aumento do poder de computação impulsiona o aumento das capacidades: o recente lançamento do Gemini 3 pela Google, que apresentou melhorias significativas em raciocínio, inteligência e capacidades de agentes, mostra que a escala das leis de pré-treinamento permanece praticamente intacta.
11. Mercado de ações com IPOs ainda deprimido 56 negócios atualmente contra 511 no pico da bolha “.com”, mostrando que o mercado tem pouco apetite pelo risco no momento.
12. Sentimento frágil O Índice de pessimismo e otimismo da CNN [Fear & Greed Index] permanece em extremo pessimismo.
13. Pesquisa do BofA (gestores profissionais) 54% afirmam que estamos em uma bolha (contra 42% em Set/25), sugerindo que a visão de “bolha” já é consenso, o que, paradoxalmente, reduz a probabilidade de uma bolha clássica.
14. Índice AAII Bull/Bear Ainda em território negativo.
15. Capex/PIB em perspectiva histórica 1,3% hoje, bem abaixo de outros ciclos: ferrovias (6%), eletrificação (4%) e o complexo militar da Guerra Fria (3%).
16. Taxas de juros em queda Apoiam teses de longo prazo, sustentando múltiplos e o valor presente de fluxos de caixa mais distantes.
14 abranet.org.br fevereiro-abril 2026

Funcionamento da internet requer equilíbrio, ressalta Demi Getschko, diretor-presidente do NIC.br, na abertura do IX Fórum 19.
“EXISTE NA INFORMÁTICA, na computação e na sociedade em geral um movimento de gangorra: uma hora, você centraliza tudo e, em outra, você distribui tudo. Eu acho importante manter isso equilibrado; nem uma centralização generalizada e nem uma distribuição que, às vezes, gera um trabalho excessivo, porque é difícil controlar algo que é extremamente distribuído. Mas a internet nasceu assim”, avaliou Demi Getschko, diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), em seu discurso na abertura do IX Fórum 19, realizado em dezembro.
Getschko destacou a necessidade de ser um sistema autônomo para participar de um ponto de troca de tráfego (IX, na sigla em inglês para Internet Exchange), ao mesmo tempo que ponderou que IX não é um recurso crítico, podendo sair do ar e a internet permanecer, já que a função dele não é fazer a conexão à internet. É, portanto, uma forma de o sistema autônomo aumentar a eficiência, a resistência e a resiliência à rede, além de melhorar os custos.
“É melhorar algo que existe por meio da colaboração, do voluntarismo de trocar tráfego, evidentemente, com regras próprias”, disse. “De alguma forma, é o espírito da internet permanecendo, e a gente espera que ele continue e resista às tendências ora de centralização excessiva, ora de distribuição, que acontecem em todos os lugares”, seguiu Getschko.
O Brasil fechou 2025 com 10.508 mil alocações de sis-

“É o espírito da internet permanecendo, e a gente espera que ele continue e resista às tendências ora de centralização excessiva, ora de distribuição, que acontecem em todos os lugares.”
Demi Getschko Diretor-presidente do NIC.br
• 190 pontos de presença (PIX)
• 493 equipamentos de rede (+61)
• 146 sistemas DWDM (+10)
• 87 DCIs (-6)
• 389 interfaces 400ZR no core de São Paulo (+111)
• 168 servidores (+3)
• 4.983 portas de participantes (+211)
• 1G – 239 (-216)
• 10G – 2.902 (+172)
• 100G – 1.795 (+253)
• 400G – 47 (+23)






Veja a íntegra do evento em https://youtu.be/7J0WdcSRaxw
temas autônomos (ASNs), mantendo uma média de 260 novos a cada ano. Do total de ASNs, 98% contam com alocação de bloco IPv6 – lembrando que os endereços IPv4 se esgotaram na região em 2020. “O primeiro passo foi dado; já tem alocação. Tem de colocar em uso”, disse Ricardo Patara, gerente de Recursos de Numeração do NIC.br.
Patara explicou que as organizações solicitantes de ASN estão também fazendo requisição para IPv6. Das entidades ASN que têm alocações IPv6, 66,1% fazem parte da categoria ‘micro’ (pequenos e médios provedores de internet) e 96,4% deles contam com IPv6. “Grande parte dos provedores de internet que atende usuários brasileiros já está preparada para IPv6”, resumiu.
Com relação ao tráfego, o pico de 2025 no Brasil – até meados de dezembro – havia sido de 46,6 Tb/s, um aumento de 24% sobre o ano anterior. Em São Paulo, o pico foi de 30,4 Tb/s (+19%).
O ano de 2026 é marcado pela realização de mais uma Copa do Mundo de Futebol, organizada pela Fifa. É uma época de grande volume de tráfego, principalmente, com as transmissões ao vivo pela internet ganhando força frente à televisão tradicional. Com os horários dos jogos coincidindo com o horário comercial no Brasil, a expectativa é de aumento de tráfego originado pelos principais provedores de streaming de vídeo.
“Essas empresas já estão se preparando para a Copa do Mundo, solicitando aumento de capacidade em alguns lugares. Vamos preparar as localidades do IX.br para que suportem eventuais aumentos de tráfego durante a Copa do Mundo e recomendamos aos provedores de acesso à internet, assim como às empresas que ofertam transporte entre PTTs [Pontos de Troca de Tráfego], que se preparem também”, destacou Julio Sirota, gerente de Infraestrutura do IX.br do NIC.br.
O objetivo é substituir os equipamentos de rede dos pontos de interconexão (PIX) centrais nos meses de abril e maio de 2026, disponibilizando capacidade para eventuais aumentos de demanda na interligação com os demais PIXs. A instalação de novos equipamentos de rede com suporte a 800G nos maiores PIXs, assim como a substituição de transceivers 400ZR por 800ZR, será iniciada após a Copa do Mundo.

O novo datacenter do NIC.br, que estava previsto para 2026, foi adiado para 2027 devido a entraves burocráticos que não permitiram, segundo a entidade, avançar com as obras em 2025. Atualmente o NIC.br tem dois datacenters na cidade de São Paulo. O NIC-NU fica na Av. das Nações Unidas (Marginal Pinheiros) em um edifício comercial e o NIC-JD está próximo à ponte João Dias, a cerca de 10 km do NIC-NU. O novo datacenter será construído em Santana de
A OpenCDN, iniciativa do CGI.br e do NIC.br que visa ao desenvolvimento regional da internet e dos PTTs locais, descentralizando a infraestrutura para melhorar a distribuição de conteúdo no País, contava com seis localidades no fim de 2025.
As OpenCDNs têm a infraestrutura provida pelo NIC. br (racks, energia, conectividade etc.) em datacenters que abrigam os PTTs do IX.br. É uma iniciativa sem fins lucrativos. As CDNs instalam seus servidores de cache nessa infraestrutura, aproximando seu conteúdo dos usuários e melhorando a qualidade de entrega. Já os ISPs que participam do IX.br na localidade e aderem à OpenCDN passam a ter acesso direto a esse conteúdo localmente, otimizando seus custos.
Parnaíba, distante 30 km do NIC-NU, com o objetivo de substituí-lo. Com isso, as rotas dos PIX que chegam ao NIC-NU deverão ser substituídas por rotas para o NIC-SP. Os participantes que chegam com fibra apagada no NIC-NU deverão se preparar para migrar para o NIC-JD ou para o NIC-SP e as empresas de telecom que trabalham com conectividade em fibra óptica podem se preparar para chegar ao NIC-SP para conectar PIX e outras empresas presentes no novo datacenter. •
Onde estão:
IX.br Salvador
Início em junho de 2018
• Azion, CDNTV, Google, Globo, Meta (em instalação) Microsoft e Netflix
IX.br Manaus
Início em dezembro de 2020
• Akamai, Cloudflare, Google, Globo, Meta, Microsoft e Netflix
IX.br Brasília
Início em janeiro de 2021
• Cloudflare, Google, Microsoft e Netflix
O tráfego é trocado diretamente no IX.br, sem a necessidade de percorrer longas e custosas rotas, e os custos operacionais para manter essa infraestrutura são rateados entre todos os participantes. Os participantes cadastrados entre as categorias de consumo de 100 Mbps até 1.000 Mbps têm isenção da taxa de rateio e aqueles que estão nas categorias a partir de 1.250 Mbps pagam apenas o que exceder os 1.000 Mbps.
Para 2026, estão em análise novas localidades em Campo Grande; Vitória; Londrina/Maringá; Cascavel/Foz do Iguaçu; e Maceió, Natal, João Pessoa, Campina Grande como extensão do Recife. Além das seis localidades, há três OpenCDN Hubs operando com infraestrutura reduzida.
IX.br Recife
Início em fevereiro de 2023
• CDNTV, Meta, Microsoft e Netflix
IX.br Belo Horizonte
Início em fevereiro de 2023
• Akamai, CDNTV, Google, Meta (em instalação), Microsoft e Netflix
IX.br Belém
Início em setembro de 2025
• Microsoft e Netflix

A pesquisa TIC Provedores 2024 aponta que há quase 12 mil empresas de provimento à internet no Brasil. Também evidencia a consolidação no setor e mostra que o foco está na oferta de serviços e na qualidade do atendimento ao cliente.
MICROS E DE PEQUENO porte, concentradas no Sudeste e Nordeste, com maior diversificação de serviços e infraestrutura própria: este é o resumo das empresas provedoras de acesso à internet no Brasil, de acordo com a TIC Provedores 2024, divulgada em dezembro de 2025. O estudo faz o mapeamento e a caracterização do setor no País. Em sua 6ª edição, a pesquisa, conduzida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), departamento do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), registra que continua a tendência iniciada no ano anterior, com estabilidade no total de empresas em atividade e evidências de consolidação.
Se antes o modelo de negócios de sucesso do provedor era caracterizado por levar uma primeira conectividade a localidades com pouco interesse econômico, agora é necessário ir além, dando atenção a parâmetros de qualidade da conexão e oferecimento de pacotes de serviços mais diversos aos clientes.
Houve um salto no número de ISPs, passando de 3.092 em 2017 para 11.630 em 2022, patamar que fica estabilizado em 2024, com 11.854 empresas, a maior parte delas localizada no Sudeste (4.165) e Nordeste (3.784). A quantidade está em linha com a estimativa da Agência Nacional de

Telecomunicações. No segundo trimestre de 2025, a Anatel, em seu Relatório de Monitoramento da Competição, apontou 11.951 empresas autorizadas.
Ao apresentar os números da pesquisa, Leonardo Melo Lins, coordenador da TIC Provedores, ressaltou que são levadas em conta empresas que efetivamente operam no mercado de provimento, já que é possível ter a licença de SCM [Serviço de Comunicação Multimídia] e não atuar,
Empresas provedoras, por tipo de serviço oferecido (2017 - 2024)
Total de empresas provedoras (%)
Cetic.br
Fonte: Cetic.br
https://www.cetic.br/pt/pesquisa/provedores/

de fato, como ISP. Sobre a consolidação do setor, Lins explicou que a pesquisa não tem dados de fusões e aquisições, mas disse que, em uma análise histórica de 2017 até 2024, é possível observar uma trajetória de desaceleração no número de provedores de internet no mercado.
“É um novo momento, mas que mantém a característica clássica de serem micro e pequenas empresas”, assinalou. “Vemos um novo momento entre 2022 e 2024, com os provedores de internet começando a diversificar os serviços: computação em nuvem, transmissão de TV via IP, provimento de soluções de internet das coisas. A diversificação de serviços é algo muito discutido como alternativa frente ao crescimento mais lento do mercado, o que fazer neste momento de menos crescimento”, completou Lins.
Em relação ao porte dos provedores, a pesquisa apresenta pouca mudança na comparação com 2022. Contudo, em um horizonte maior, desde 2020, é possível verificar que os ISPs ganharam musculatura e robustez. Em 2024, 45% dos respondentes afirmaram ser microempresas; 39%, pequenas; 10%, médias; e 2%, grandes. Dois anos antes os percentuais eram, respectivamente, de 46%, 39%, 8% e 2%. Na comparação com 2020, nota-se uma retração das microempresas (que antes representavam 56%), um leve aumento das pequenas (eram 37%) e um crescimento maior das médias (que equivaliam a 5%).
Segue estável também a quantidade de localidades nas quais o provedor atua. Em 24, 41% das empresas relata-

Veja o PDF da pesquisa TIC Provedores 2024
https://cetic.br/media/analises/ lancamento_pesquisa_tic_ provedores_2024.pdf

Veja a apresentação em vídeo dos resultados da pesquisa TIC Provedores 2024
https://www.youtube.com/ live/8h1LOPIpXS4?t=12357s
ram atuar em apenas um e 40% em dois a cinco municípios, contra 40% e 42% em 2022 e 47% e 42% em 2020.
Do total de empresas provedoras, 66% delas tinham clientes em áreas rurais em 2024. Trata-se de um indicador novo na pesquisa. No recorte por tamanho, 76% tanto das grandes quanto das médias têm usuários rurais, contra 62% das micro e 68% das pequenas. Por região, 80% das empresas do Sul têm clientes em áreas rurais – no Norte e Nordeste são 64%; 62% no Sudeste e 68% do Centro-Oeste.
Olhando exclusivamente para empresas do setor agropecuário, 67% dos ISPs que atendem à área rural disseram prestar serviço a esse nicho: são 73% das localizadas no Sul e 77% no Centro-Oeste. A maioria é ISP de grande (80%) ou de médio porte (76%).
Outro destaque foi o aumento do provimento de telefonia IP, passando de 16%, em 2020, para 23%, em 2022, e chegando a 35%, em 2024. Na mesma linha, os serviços de segurança aumentaram de 19% para 24% e para 32%, respectivamente, nos mesmos anos. A transmissão de TV via protocolo IP passou de 20%, em 2022, para 32% em 2024 – em 2020, não foi contabilizada. Serviços de aplicações, internet das coisas e computação em nuvem também ganharam corpo, sendo ofertados por 13%, 34% e 12%, respectivamente. Provimento de rede Wi-Fi com suporte está presente em 90% dos ISPs.
Segundo Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br, a pesquisa identificou que o cenário de expansão acelerada do número de empresas deu lugar a um aumento na com-
Empresas provedoras, por tipo de tecnologia oferecida aos clientes (2020-2024)
Total de empresas provedoras (%)

petição por qualidade e na agregação de valor. “Se antes o foco estava principalmente em ampliar a base de clientes, hoje a atuação dos provedores se orienta pela diferenciação e pela capacidade de oferecer melhores serviços aos usuários”, analisou Barbosa.
Na mesma linha, Leonardo Lins ponderou que o mercado chegou a um patamar em que apenas uma oferta de conexão deixou de ser suficiente – e as empresas agora buscam prover uma melhor experiência ao usuário, o que impulsiona a diversificação dos serviços e investimentos em infraestruturas mais robustas, como a adoção do IPv6 e a participação no IX.br, projeto do NIC.br que tem aju-
Assim como na TIC Provedores 2022, a de 2024 também revelou que, na comparação com outros segmentos do setor privado, o mercado de provimento de internet está à frente quando o assunto é proteção de dados. “Os provedores de internet estão mais adequados à LGPD que as empresas ouvidas na pesquisa TIC Empresas, talvez porque lidem bastante com dados pessoais”, destacou Lins.
Segundo a TIC Provedores 2024, 42% dos provedores tinham uma área ou pessoa dedicada à proteção de dados, dois pontos percentuais a mais que em 2022, o que indica estabilidade. Mas acima dos 25% e dos 23% da pesquisa TIC Empresas de 2023 e 2021, respectivamente.
O recurso é mais presente nas grandes empresas (85%)
20 abranet.org.br fevereiro-abril 2026
Fonte: Cetic.br
https://www.cetic.br/pt/pesquisa/provedores/
dado a aprimorar a velocidade, eficiência, resiliência da internet e a reduzir custos para provedores e usuários.
Fibra ótica continua sendo a infraestrutura mais oferecida aos clientes, com seu uso por 97% dos ISPs – eram 95% em 2022 e 89% em 2020. Chama atenção o avanço do serviço de operadora móvel virtual (MVNO), que passou de 4% para 8% em dois anos.
No que diz respeito à infraestrutura, o percentual (60%) de empresas que operam apenas por meio de infraestrutura própria se manteve entre 2022 e 2024, uma
do que entre as micro (37%) e pequenas empresas (42%), indicando um desafio de conformidade para organizações de menor porte. As grandes empresas também são as que mais fazem reuniões para tratar especificamente do tema de proteção de dados pessoais: 86%, contra 66% do total. Ainda assim, o percentual de ISPs é superior aos 35% das corporações ouvidas na TIC Empresas 2023.
Entre os provedores com estruturas específicas para lidar com a proteção de dados pessoais, 78% afirmaram que o pessoal responsável pelo tema era oriundo da área de tecnologia da informação, seguido pelo setor administrativo (66%). Os percentuais seguem padrão observado em 2022.
A adequação à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais se torna cada vez mais crucial para as empresas, tanto do ponto de vista legal quanto na relação do provedor com seus clientes. Legalmente, é necessário cumprir os requisitos da
redução perto dos 70% de 2020. Também permaneceu o montante (37%) daquelas que prestam serviços tanto por meio de infraestrutura própria quanto de terceiros.
Entre as empresas, 52% delas disseram possuir torres de transmissão, sendo a maioria no Centro-Oeste (69%) e no Sul (65%) e de médio (68%) ou grande (62%) portes. Do total, 15% dos ISPs afirmaram usar torres de terceiros, principalmente, as grandes empresas (35%) e as localizadas no Norte (19%).
Com relação à rede neutra, 40% das empresas afirmaram que oferecem acesso por meio de terceiros, percentual que se manteve estável entre 2022 e 2024. As do Centro-Oeste (51%) e de portes grande (52%) e médio (47%) são as que mais utilizam provimento de acesso aos clientes por meio de rede neutra.
Ainda com relação à infraestrutura da internet, a oferta de IPv6 aos clientes cresceu, sendo disponibilizada por 72% dos provedores em 2024, um avanço frente aos 64% de 2022 e aos 40% de 2020. Em 2024, os principais impeditivos para a ativação do IPv6 eram alto custo do investimento (13%), dificuldades em criar plano de ativação (13%), falta de equipamentos apropriados (13%), falta de pessoal capacitado (11%), ausência de IPv6 entre os fornecedores (10%) e falta de interesse ou de conhecimento (9%).
“Vimos uma mudança bem importante na proporção
lei, que é fiscalizada e acompanhada pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
A preocupação com segurança também é patente, até porque os provedores podem ser vítimas e meios para diversos tipos de ataques cibernéticos. Em 2024, 70% dos ISPs utilizaram a equipe de operação da rede para tratamento dos casos de abuso ou incidentes de segurança – em linha com os 69% de 2022 e bem acima dos 45% de 2020.
Já 57% dos provedores – mesmo montante de 2022 –buscaram internalizar essa expertise, mantendo uma pessoa ou equipe exclusivamente dedicada ao tratamento de casos de abusos ou incidentes de segurança. E metade afirmou ter contratado um consultor externo para lidar com abuso ou incidentes de segurança. De maneira geral, os percentuais são estáveis em relação a 2022, mas estão acima dos registrados em 2020.
de provedores de internet que entregam em IPv6 para clientes. Perguntamos se entregam, mas não para quantos clientes. São provedores de internet buscando qualificar cada vez mais seu serviço. Vimos também que as dificuldades para o IPv6 estão diminuindo ao longo do tempo”, explicou Lins.
A participação no IX.br [Brasil Internet Exchange], maior conjunto de Pontos de Troca de Tráfego Internet [PTT] do mundo, foi informada por 34% das empresas, que apontaram a melhora da qualidade dos serviços de internet (34%) e o acesso a redes de distribuição de conteúdo (28%) como principais motivos para a adesão. De acordo com os resultados da TIC Provedores 2024, os motivos que fazem as empresas provedoras buscarem o IX.br estão relacionados com as características que trazem vantagem competitiva em comparação às empresas que não estão.
Para 34% dos provedores que participam do IX.br, a presença na iniciativa diz respeito à melhora da qualidade dos serviços de internet. Já 32% afirmaram que o motivo para participação é a melhora da organização do tráfego de internet local. E 28% dos provedores que estão no IX.br afirmaram que o motivo é o acesso a CDN (do inglês Content Delivery Network), iniciativa crucial para centralizar os principais conteúdos acessados pelos usuários de internet, tais como os serviços de videochamada e streaming. •
Em 2024, também houve um aumento na percepção sobre ataques de negação de serviço (DDoS), que foram mencionados por 30% das empresas em 2024 contra 23% em 2022. A elevação foi especialmente notada na região Nordeste, onde as declarações de ataques sofridos avançaram de 14% para 25% na comparação entre os dois anos. Das que sofreram ataques, 21% continuaram operando, mas com lentidão maior para os clientes; 10% pararam completamente algum serviço e 1% sofreu extorsão, com pedido de pagamento para parar o ataque.
Para Lins, os dados evidenciam que, à medida que o mercado amadurece, a sofisticação das ameaças aumenta. O coordenador da pesquisa destacou ser fundamental que especialmente as micro e pequenas empresas invistam em estruturas de segurança, de proteção de dados e na capacitação de suas equipes para proteger suas redes e clientes.
INFRAESTRUTURA


Luis Osvaldo Grossmann
Discussões entre Anatel e Aneel para uma nova regra conjunta chegam ao oitavo ano, para desespero de todos os atores do mercado à mercê de decisões caso a caso por prefeitos e magistrados.
A
CRISE DOS POSTES completou mais um ano sem solução, apesar de se tratar de um elemento essencial para a conectividade. Para provedores regionais, que dependem da infraestrutura do setor elétrico para expandir redes de fibra óptica, o cenário se tornou um obstáculo estratégico e financeiro que ameaça a competitividade do mercado e a própria continuidade de pequenas operações. O setor defende uma ação coordenada para colocar ordem em uma infraestrutura que, por falta de regras claras, fiscalização e alinhamento institucional, se transformou em um passivo técnico, econômico e jurídico.
Segundo as prestadoras de serviços de telecomunicações, o que antes parecia um problema crônico agora se tornou emergencial. O setor reclama de preços divergentes, concorrência desleal e ocupações irregulares enquanto a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) seguem sem convergência regulatória. Uma parte envolvida defende que a figura do operador da infraestrutura, o chamado posteiro, precisa ser definida com clareza. Entidades representativas do mercado apontam para um cenário de desespero que já levou prefeitos a cortarem cabos manualmente.
Ao longo deste ano se completam oito anos de discussões entre telecom e elétricas, quando, lá em 2018, as duas agências reguladoras setoriais entenderam que a
norma estabelecida quatro anos antes, em 2014, não surtira efeito. Para azedar o clima, enquanto as agências não chegam a um entendimento, o Judiciário toma decisões que afetam diretamente o mercado.
No apagar das luzes de 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve decisão que obriga a distribuidora local em Porto Alegre (Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica - CEEE) a organizar cabos e apresentar um plano de saneamento da infraestrutura, sob pena de multa diária. A concessionária alegou desequilíbrio financeiro e transferiu a responsabilidade às empresas de telecom, mas o STJ considerou que normas da própria Aneel atribuem ao detentor do poste a gestão do compartilhamento. O caso expõe um risco que preocupa provedores: diante da paralisia regulatória, prefeitos e tribunais tendem a impor soluções unilaterais, sem considerar impactos operacionais e de custo.
Esse clima de urgência coincidiu com o avanço regulatório mais aguardado dos últimos anos. Dois anos após a aprovação inicial na Anatel, a Agência Nacional de Energia Elétrica concluiu sua própria versão da resolução que disciplinará o compartilhamento dos postes. O texto aprovado pela Aneel não replica integralmente o que havia sido
pactuado antes na agência de telecom e isso exigirá uma nova rodada de negociações.
A divergência central envolve o modelo de exploração comercial dos pontos de fixação. Enquanto a Anatel previa a cessão compulsória sempre que houvesse interessado, a Aneel estabelece que a distribuidora poderá escolher entre explorar diretamente os postes ou ceder a atividade a um terceiro, mediante chamamento público.
A cessão só será obrigatória se houver desempenho inadequado, abuso de mercado ou necessidade de garantir interesse público. Até que uma nova metodologia seja aprovada para a tarifa dos pontos, prevalecerá o preço de referência de R$ 5,84 atualizado pelo IPCA, aplicável de outubro de 2025 em diante. Caso a própria distribuidora explore o serviço, o valor será dividido entre os ocupantes do ponto. Se a exploração for delegada a um terceiro, o agente poderá cobrar a tarifa cheia de cada ocupante, algo que melhora a atratividade econômica para eventuais operadores.
As distribuidoras terão 90 dias, após a publicação da norma conjunta, para informar se pretendem explorar diretamente os postes ou optar pela cessão. Em paralelo, o plano de regularização da infraestrutura seguirá priorizando entre 10 e 15 milhões de postes considerados críticos. As empresas terão 120 dias para informar os pontos de fixação utilizados e permitir a identificação de cabos irregulares que deverão ser removidos. Apesar de algumas concessões, o setor elétrico manteve dispositivo de modicidade tarifária, que destina parte da receita do compartilhamento para redução da tarifa de energia, o que desagrada às teles.

distribuidoras. O grupo defende que o preço final deve ser calculado exclusivamente com base em custos incrementais e que o reordenamento físico deve ser pago por quem produziu a desorganização, evitando punir empresas regulares e adimplentes.
Os atritos, além de econômicos, também evoluíram para o contencioso jurídico. A Procuradoria Federal Especializada da Anatel (PFE – Anatel) defendia que a cessão compulsória precisava ser automática, mas a Advocacia-Geral da União apoiou a interpretação da Aneel, afirmando que o decreto que instituiu o modelo não cria obrigação compulsória, salvo em casos específicos justificados pelo interesse público.
Com isso, a Anatel terá de reexaminar sua posição e complementar o processo, o que amplia o calendário de tramitação da resolução conjunta. Para o setor, a decisão da AGU foi interpretada como um recado claro de que a modelagem econômica deverá preservar o equilíbrio financeiro do setor elétrico, argumento citado repetidamente pela Aneel.
Ao mesmo tempo técnica, institucional e econômica, a questão dos postes é um freio estrutural à digitalização brasileira.
Mesmo com avanços pontuais, entidades que representam tanto grandes operadoras quanto provedores regionais se posicionaram publicamente classificando o resultado como preocupante. Segundo essas entidades, a proposta preserva desequilíbrios econômicos históricos e ignora premissas essenciais para uma regulação sustentável.
As associações argumentam que o setor já desembolsa mais de R$ 3 bilhões anuais pelo uso dos postes, valores que não seguem metodologia de custos e, segundo afirmam, refletem o exercício de poder monopolista das
Em paralelo à disputa institucional, a Anatel iniciou a coleta obrigatória de informações sobre contratos de compartilhamento. Todas as prestadoras de banda larga, independentemente do porte, terão até o início de março de 2026 para informar os dados, o que permitirá à agência construir um cadastro nacional de provedores regulares. A iniciativa é vista como um passo importante para a identificação de irregularidades e para a ordenação da infraestrutura, mas também como um sinal de que as empresas informais ou clandestinas serão alvo de maior escrutínio. Para o provedor regional, que hoje disputa espaço com players formais, informais e clandestinos nos mesmos postes, o que está em jogo transcende o preço de fixação. Trata-se de garantir previsibilidade regulatória, neutralidade competitiva, segurança pública e um ambiente que permita financiar expansão de fibra óptica até o interior do País. A crise dos postes, ao mesmo tempo técnica, institucional e econômica, tornou-se um freio estrutural à digitalização brasileira. Para quem opera internet, o relógio já está avançado. A limpeza dos postes, prometida há mais de uma década, não pode esperar mais 25 meses entre uma resolução e outra. •

Pesquisa TIC Domicílios 2025 aponta para redução da desigualdade no acesso à internet, mas lacuna entre as classes sociais ainda é gritante.
ENTRE as classes sociais dos domicílios com acesso à internet teve uma redução drástica em dez anos. Em 2015, 99% das casas da classe A acessavam a internet, contra apenas 16% das casas das classes D e E; em 2025, o porcentual do extrato social mais baixo passou para 73% – e a classe A subiu para 100%. Significa que em uma década a diferença de 83 pontos porcentuais (pp) caiu para 27 pp. Mas a lacuna entre as classes continua grande. Em 2024, os domicílios D e E com internet representavam 68%, seis pontos a menos que no ano seguinte. No total, os lares com acesso à internet saltaram de 51% do total, em 2015, para 86% em 2025, com um avanço de três pontos porcentuais no último ano.
Os dados fazem parte da 21ª edição da TIC Domicílios 2025, pesquisa realizada anualmente desde 2005 e que
cumpre papel relevante no debate sobre a inclusão digital no Brasil, além de gerar insumos para a monitoração das políticas públicas. O estudo revela uma rápida adoção da tecnologia de inteligência artificial generativa, cenário no qual também se observam disparidades na apropriação de ferramentas de IA entre perfis de renda e escolaridade.
A TIC Domicílios 2025, elaborada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), foi divulgada em dezembro de 2025. A amostra contou com 27.177 domicílios e 24.535 indivíduos respondentes, um universo maior que em edições anteriores, o que permitiu a publicação de resultados por unidades federativas e por

região metropolitana.
A diferença entre as classes sociais vem sendo reduzida, mas há uma lacuna importante a superar, aponta Fabio Storino, coordenador da TIC Domicílios. Isso fica ainda mais claro ao se analisarem os dados de tipo de conexão predominante, presença do computador e o impacto que o fim do pacote de dados móveis tem no acesso à internet.

Entre domicílios da classe A, 95% contam com fibra ótica ou cabo, enquanto na classe C são 75% e nas D e E, 60%. Há de se pontuar, contudo, o aumento nas conexões por fibra ótica ou cabo de 11 pp nas classes D e E e de 7 pp na C. Do total de domicílios conectados, 11% tinham a rede móvel como principal conexão em 2025, menos que os 15% de 2024.
A presença do computador, seja ele de mesa, portátil ou tablet, talvez seja a face mais clara dessa desigualdade. “Encontramos diferenças relevantes entre áreas urbana e rural e também por classe social”, aponta Storino. Na classe A, 97% dos lares têm computador, um porcentual que despenca para 10% nas classes D e E. Na prática, se entre os domicílios com computador 69% dos usuários de internet fizeram uso dele, naqueles sem computador foram apenas 8%.
“A pesquisa vem mostrando, há vários anos, que o aproveitamento da internet e das tecnologias por meio de múltiplos dispositivos para
uso da internet é mais rico e diverso.”
Fabio Storino
Coordenador da TIC Domicílios
“Embora o computador possa estar presente nas escolas e empresas, a presença dele nos domicílios é importante para acessar a internet. A pesquisa vem mostrando, há vários anos, que o aproveitamento da internet e das tecnologias por meio de múltiplos dispositivos para uso da internet é mais rico e diverso; por isso, é importante olhar para os dispositivos”, ressalta o coordenador da TIC Domicílios.
A qualidade do acesso à internet está diretamente ligada ao dispositivo usado. Quase dois terços dos usuários de internet (65%) utilizam exclusivamente por telefone celular, e isso representa aumento de cinco pontos porcentuais em relação a 2024. Houve aumentos estatisticamente significativos também entre os homens (+10 pp) e os pretos (+17 pp). “Quando olhamos indicadores de qualidade de acesso, as diferenças entre população branca e parda e também pelo grau de instrução se evidenciam”, destaca Storino.
O coordenador acrescenta que não basta o usuário ven-

cer a barreira da não conexão; aspectos relativos à conexão, como a qualidade do acesso e o dispositivo, importam na percepção dos benefícios do uso da internet. Nesse sentido, a conectividade significativa engloba a acessibilidade financeira – custo da conexão domiciliar e plano de celular –, o acesso a dispositivos, considerando os dispositivos per capita, se há computador no domicílio e o uso diversificado de aparelhos; a qualidade da conexão, incluindo o tipo de conexão domiciliar e a velocidade dela; e o ambiente de uso, como a frequência e locais diversificados.
“Enquanto temos 85% da população sendo usuária de internet, ou seja, que venceu a barreira de estar conectada, apenas 20% está na faixa mais alta das condições de qualidade de acesso. A boa notícia é que tem diminuído a proporção que está na faixa mais baixa de conectividade significativa e a má notícia é que, entre as faixas mais altas, o cenário é de estabilidade”, pondera Storino.
De acordo com a pesquisa, 86% da população urbana e 77% da rural é usuária da internet, totalizando 157 milhões de usuários de internet em 2025. Mas incluindo os usuários de internet no telefone celular e aqueles de aplicações que necessitam de conexão à internet, o número chega a 163 milhões (88%) no conceito ampliado.
Destes, 65% acessam a internet exclusivamente pelo telefone celular.
Nesse cenário, a disparidade entre classes é ainda maior. Enquanto apenas 5% dos usuários da classe A acessam a internet unicamente pelo plano de dados, o porcentual sobe para 67% na classe C e 87% nas classes D e E. Por isso, o fim dos planos de dados tem impacto tão negativo: 64 milhões de indivíduos afirmaram que o pacote de dados de seu plano de celular acabou pelo menos uma vez nos últimos três meses. E mais: 20% dos usuários da Região Norte só conseguiram usar alguns dos aplicativos que costumavam usar e 24% em áreas rurais e na Região Norte não conseguiram usar nenhum dos aplicativos. •

Veja o PDF com os principais resultados da pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação nos domicílios brasileiros: TIC Domicílios 2025 https://cetic.br/media/analises/tic_domicilios_2025_principais_resultados.pdf

O que as pessoas fazem online? Entre as principais atividades realizadas na internet, entre 2023 e 2025, 92% dos brasileiros mandaram mensagens instantâneas, 81% usaram redes sociais, 80% conversaram por chamada de voz ou vídeo, 71% assistiram a vídeos, programas, filmes ou séries, 38% jogaram, 33% ouviram podcasts, 75% fizeram Pix e 62% compartilharam conteúdo como textos, imagens ou vídeos.
Além disso, 19% dos usuários de internet (o equivalente a 30 milhões de brasileiros com dez anos ou mais) realizaram algum tipo de aposta online. A prática é mais comum entre homens (25%) do que entre mulheres (14%), especialmente em apostas

Veja a apresentação em vídeo dos principais resultados da pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação nos domicílios brasileiros: TIC Domicílios 2025 https://youtu.be/WQoVMec3fC8
esportivas (12% e 2%, respectivamente). Do total, 8% dos usuários de internet realizaram aposta em cassino online, 7% pagaram para participar de alguma rifa digital ou de sorteio divulgado em uma rede social ou em aplicativo de mensagem, e igual proporção fez aposta esportiva por sites ou aplicativos, ou aposta em loteria federal.
No que se refere ao governo eletrônico, 71% dos usuários de internet com 16 anos ou mais utilizaram serviços públicos digitais. Pela primeira vez a pesquisa mediu o uso específico da plataforma gov.br, que foi acessada por 56% dos usuários nessa faixa etária, seja para realizar um serviço para si (49%), para terceiros (18%) ou pedindo ajuda de outra pessoa (12%).
O número é alto: 32% dos indivíduos que acessam a internet já usaram a inteligência artificial generativa (IAG), o que equivale, em números absolutos, a cerca de 50 milhões de pessoas com dez anos ou mais. A predominância de usuários de IAG está na classe A (69%) e com ensino superior completo, caindo para 16% nas classes D e E.
Pela primeira vez a TIC Domicílios incluiu perguntas sobre o uso de ferramentas de IA. Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br, explica que, à medida que a IA ganha relevância em diferentes esferas da vida cotidiana, a desigualdade na apropriação dessa ferramenta entre os diferentes extratos de renda das classes sociais e escolaridade torna-se um elemento que chama a atenção.
Dos que declararam adotar ferramentas de inteligência artificial generativa, 84% disseram que foi para fins pessoais, 53%, para pesquisa ou trabalho escolar/faculdade e 50% para uso profissional ou de trabalho – considerando múltiplas respostas.
O levantamento mostra o impacto na educação: 86% dos estudantes de escolas ou universidades recorreram à IA para fazer pesquisas ou trabalhos acadêmicos. Entre os que não utilizaram IA, a falta de habilidade foi um motivo mais frequente entre os que possuem até o Ensino Fundamental (65%), reforçando
a desigualdade no acesso e uso de tecnologias, que pode criar um ciclo de exclusão.
“As maiores proporções estão entre fins pessoais, mas não entramos nos tipos de uso (buscas, gerar meme, terapia… ). As pessoas com maior grau de instrução tendem a estar em ocupações mais digitalizadas e fazem mais uso de IA para trabalho. O alerta ou observação que fazemos é que as diferenças podem mostrar que a IA está sendo apropriada de maneira diferente por diferentes extratos da população e pode ter impactos a outras desigualdades”, diz Fabio Storino, coordenador da TIC Domicílios.
Um exemplo é adotar inteligência artificial generativa como instrumento de estudo, o que pode colocar a pessoa que saiba usar em vantagem.
Com relação aos motivos para não terem usado inteligência artificial generativa, a falta de habilidade e falta de conhecimento foram motivos citados por 65% e 63% daqueles com Ensino Fundamental, respectivamente. No geral, 76% das pessoas atribuíram à falta de interesse ou necessidade; 63% a preocupações com segurança ou privacidade; 58% por falta de habilidade para usar esse tipo de ferramenta; e 52% ao desconhecimento da existência desse tipo de ferramenta.

Fonte: CGI.br. (2025). Pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação nos domicílios brasileiros: TIC Domicílios 2025.
Yassuki Takano
Sócio-fundador da BTSI (Business & Technology Solution & Implementation), foi diretor de Consulting Services na Logicalis e consultor na Roland Berger. Formado pelo ITA em Engenharia Mecânica Aeronáutica, com Mestrado Profissional em Adm. (MPA) pela FGV e especialização em Liderança em Empresas de Serviços Profissionais pela Harvard Business School. Tem mais de 25 anos de experiência em consultoria.
2025 FOI UM ANO intenso, tendo na AI destaque incontestável. E o que esperar para 2026? Quais os hot topics a acompanhar e trabalhar?
Compartilho temas que vou manter no radar em 2026: assuntos que já monitorava e outros que devem ganhar atenção. Com AI como ponto de partida, abri três perspectivas:
• Cadeia de valor
• Assuntos sinérgicos
• Gestão da transformação
Selecionei temas da cadeia de valor de AI: aplicações, datacenters (DCs), conectividade, energia e terras raras. Aplicações. Abro em 4 componentes:
• Agentic AI – grandes expectativas na exploração de soluções além da IA generativa, com aplicações de negócios mais especializadas.
• Value creation – tenho uma dúvida persistente em relação à habilidade de as empresas extraírem resultados de negócios com a tecnologia. Independentemente de qual seja, a habilidade de trabalhar o binômio business & technology sempre foi um desafio para a criação de valor.
• Big techs – o volume financeiro movimentado é tamanho que cria uma camada de mercado desacoplada do core das soluções em si. Expectativas infladas, especulação e grandes apostas (a favor ou contra). Já vimos esse filme antes.
• Geopolítca – AI ganhou espaço na agenda dos principais líderes globais (EUA x China, resumidamente). Isso pode ser positivo para incentivos, mas aumenta a exposição do mercado a decisões não relacionadas às soluções propriamente ditas.

DCs. O Brasil detém um conjunto de características que o torna atraente para investimentos em datacenters (DCs). Movimentos recentes alimentam expectativas por grandes oportunidades, mas (além da complexidade natural da tomada de decisão) elas estão também amarradas ao mesmo cabo de guerra geopolítico.
Conectividade. O mercado de telecom é muito dinâmico. Seja com temas como 6G (embora ainda não tenha visto toda a potencialidade prometida do 5G), satélites LEO (Low Earth Orbit), consolidações do mercado e o conhecido desafio de agregar valor aos serviços (e reposicionar empresas de infraestrutura como prestadoras de serviço), continuaremos com uma agenda intensa.
Energia. Recurso sempre importante, principalmente para DCs, mas originalmente considerado como mais um tópico de infraestrutura, o aumento de demanda alçou o tema a um patamar mais estratégico. É interessante mitigar descasamentos de timings de investimento (em relação aos deployments dos DCs), evitando gaps como tem acontecido no mercado americano.
Terras raras . Já era um assunto no radar, mas ganhou atenção redobrada. Terras raras são insumos críticos para o mercado de tecnologia e de equipamentos elétricos. O Brasil possui a segunda maior reserva no mundo, atrás só da China, embora com uma capacidade limitada de refino – grande fornecedor de commodities (não são exatamente commodities ), com baixo nível de agregação de valor – já vimos esse filme também. Ousaria dizer que petróleo está para a industrialização assim como as terras raras para o digital. O cenário de interesses geopolíticos e uma posição exposta como fornecedor merecem acompanhamento.
abranet.org.br
fevereiro-abril 2026

Listo aqui assuntos adjacentes à cadeia de valor de AI que merecem atenção.
Robótica avançada. Assistimos a um avanço espantoso, com destaque para os robôs humanoides. A fusão entre os robôs e AI amplia o leque das “profissões ameaçadas” pela tecnologia. Mesmo ocupações mais físicas fora das listas de AI passam a ser consideradas. Começam inclusive a surgir discussões sobre a revisão do modelo econômico tradicional, da troca de trabalho por remuneração, a renda básica universal. Distante? Talvez. Mas, pela complexidade, o desenho da solução também deve ser igualmente trabalhoso.
Quantum computing. O quantum computing redesenha a lógica de processamento computacional, destravando novos potenciais em temas como logística, ciência de materiais e gestão climática. Ponto de atenção: essa mesma capacidade coloca em xeque as abordagens atuais de segurança de dados – é necessário revisitar as soluções de cybersegurança desde já.
Brain-computer integration. Assunto que acompanho há tempos. Empresas como a Neuralink (Elon Musk) vêm desenvolvendo soluções que conectam chips a neurônios, possibilitando trocas de comandos e informações entre cérebro e computador. A tecnologia vem avançando e já estão sendo feitos testes pré-comerciais em humanos.
Moral e ética digitais. AI, robôs humanoides e integração cérebro-computador. Estamos mergulhando em uma nova realidade, digna de filmes de ficção científica. Os conceitos de consciência, humanidade e verdade se liquefazem, sem conseguirmos acompanhar na mesma velocidade. É excitante e ao mesmo tempo amedrontador.
Hype? Por fim, trago a necessidade de calibrar a atenção e investimentos nos temas. Já assistimos a vários hypes que não decolaram – ou por implantações falhas, ou por serem apostas em tecnologias milagrosas que evaporaram tão rapidamente quanto surgiram.
O gráfico abaixo mostra um estudo de vários anos que possibilitou avaliarmos o quanto CIOs esperavam que IoT fosse se tornar importante em 3 a 5 anos e o quanto se tornou quando esses 3 a 5 anos chegaram (ex. 2016-2020, 2017-2021, e assim por diante). Seja por “brinquedos novos” (ex. ESG, AI), seja por estabilização da tecnologia (business as usual) ou, no pior dos casos, fracassos, os hypes (mesmo quando bem-sucedidos) perdem a atenção sensivelmente.
Dois pontos de atenção nesse processo:
• Entender como a tecnologia vai gerar valor (business & technology – novas receitas? customer experience? eficiência?) – esse é o principal gap, seja qual for a tecnologia a implantar
• Trabalhar o change management – a resistência à mudança é um potencial sabotador de iniciativas de transformação – seja por medo, desconhecimento ou imaturidade.
O desenrolar dos temas promete um ano muito intenso em desenvolvimento, transformações e oportunidades. A tecnologia tornou-se realmente uma pauta estratégica e permeia as mais diversas agendas. Façam uma boa jornada!!! •

PROVEDORES DE INTERNET (ISPs) de pequeno porte, pessoas físicas e microempresas têm até 30 de abril para aderir à renegociação de eventual dívida com a Anatel e demais autarquias federais, conforme as regras de edital publicado pela Advocacia-Geral da União (AGU) em 4 de novembro de 2025. A renegociação é válida exclusivamente para débitos de até 60 salários-mínimos, desde que tenham sido inscritos em dívida ativa até 1º de novembro de 2024.
A adesão ao programa de descontos deve ser feita de forma digital, por meio do portal Resolve Dívidas AGU. O sistema identifica automaticamente os débitos elegíveis. Não é possível incluir débitos que já estejam parcelados, com exigibilidade suspensa ou garantidos judicialmente. •
O MERCADO DE conectividade espacial deve atingir um novo patamar de densidade nos próximos meses. Isso porque o número de satélites em órbita baixa (LEO na sigla em inglês) deve saltar para um intervalo entre 15 mil e 18 mil unidades até o final deste ano. A previsão está no relatório TMT Predictions 2026, da consultoria Deloitte.
De acordo com o relatório, esse crescimento tem a ver com a consolidação de cinco grandes constelações globais. Dentro desse grupo está a Starlink, que recebeu na semana passada autorização nos Estados Unidos para operação de 7,5 mil satélites adicionais. Há ainda o Project Kuiper (Amazon LEO), cuja meta é ter 1,6 mil satélites operando até o final de 2026. As outras três constelações citadas pela Deloitte que devem impulsionar esse aumento são chinesas ainda pouco comentadas no Ocidente: Guowang, Honghu-3 e G60/SpaceSail. •

NO PRIMEIRO ANO de mercado regulado para apostas de quota fixa no Brasil, a Anatel bloqueou mais de 25 mil sites ilegais, em parceria com a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda. Segundo o balanço, as 79 empresas autorizadas relataram que 25,2 milhões de brasileiros fizeram apostas ao longo do ano. A Subsecretaria de Monitoramento e Fiscalização da SPA registrou 132 processos envolvendo 133 casas de apostas. O Ministério da Fazenda ampliou o monitoramento de instituições financeiras e de pagamento para inviabilizar as operações das empresas não autorizadas. Até dezembro, 54 instituições reportaram 1.255 comunicações envolvendo 1.687 pessoas com indícios de transferência de recursos para bets ilegais, o que resultou no encerramento de 550 contas bancárias. •
O PROGRAMA Hackers do Bem abre 25 mil novas vagas para os cursos de Nivelamento e Básico. A iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), executada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), amplia o acesso à formação em cibersegurança e reforça a estratégia de qualificar profissionais para atender à crescente demanda do mercado brasileiro. A ampliação das vagas ocorre em um cenário de forte demanda por profissionais da área. No Brasil, a situação também chama a atenção: dados da Fortinet indicam que o país precisa de cerca de 750 mil profissionais de segurança cibernética, enquanto a ISC² alerta para um déficit de 140 mil especialistas apenas neste ano. Totalmente gratuito, o programa é destinado a qualquer pessoa que pretenda seguir carreira na área, desde que estejam cursando ou que já tenham concluído o Ensino Médio. Não há limite de idade ou necessidade de conhecimento prévio em segurança da informação. •
30 abranet.org.br fevereiro-abril 2026

