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Editorial Nesta edição, a Suínos & Cia comemora seu aniversário. São dez anos na mídia da suinocultura, com 50 exemplares, contribuindo com informações técnicas, aprendizado e diversões pedagógicas. Confira, nas próximas páginas, os diversos temas abordados que podem ajudar na elaboração de seu planejamento para o ano que se inicia. Neste exemplar, pode-se contemplar as recentes informações técnicas abordadas no último Leman Conference (Minnesota - EUA), que, possivelmente, serão pertinentes para reforçar a adoção das devidas medidas de biosseguridade nas granjas no que se refere a controle e prevenção de doenças. Atualmente, muitos países de expressão em produção suína enfrentam problemas com a Diarreia Epidêmica Suína, conhecida como PED (Porcine Epidemic Diarrhea), que se trata de uma doença produzida por um vírus RNA, da família Coronaviridae e gênero Coronavirus, com diâmetro de 130 µm e estrutura interna opaca e desconhecida, sensível ao éter e clorofórmio. Apresenta-se estável a pH entre 5 e 9 e em temperatura de 4°C, e a pH entre 6,5 e 7,5 e em temperatura de 37°C. Inicialmente foi identificado na Europa (Reino Unido, 1971) em suínos de engorda com quadros esporádicos, nos meses de inverno, e reapareceu em 2013 na Ásia (Coreia, China, Japão, Filipinas e Tailândia), assim como nos Estados Unidos, provocando diarreia aquosa sem sangue, vômitos e desidratação em leitões lactantes com menos de quatro semanas de vida e produzindo elevada morbilidade e mortalidade. Durante as décadas de 80 e 90, a PDE foi prevalente na Europa (Bélgica, Reino Unido, Alemanha, França, Holanda, Suíça, República Tcheca e Hungria, além da Itália, em 2006). Os quadros na Ásia são mais graves do que os que aconteceram na Europa. No Japão, entre setembro de 1993 e junho de 1994, morreram 14 mil leitões (30% a 100% de mortalidade). Nas porcas reprodutoras ocorre redução de apetite e diminuição da produção de leite. Entre 1992/93, na Coreia, 56,3% de todos os casos de diarreia foram atribuídos à PED, e em 90% estavam envolvidos leitões de menos de 10 dias de vida. Nesse caso, considera-se endêmico. As lesões se concentram no intestino delgado, que aparece distendido e com conteúdo amarelo, leite sem digerir, parede da mucosa intestinal muito fina e vilosidades atrofiadas. Quando essa doença entra pela primeira vez em uma granja pode-se observar 100% de mortalidade em leitões lactantes. Portanto, prevenir, adotando adequadas medidas de biosseguridade, sempre é e será a melhor estratégia. Lembrando que a saúde é o maior tesouro, o qual sempre se deve assegurar. Boa leitura Maria Nazaré Simões Lisboa


Índice 6

Entrevista

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Sanidade

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Sanidade

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Reprodução

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Economia

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Índice de Volumes

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Sumários de Pesquisa

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Jogo Rápido

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Revisão Técnica

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Recursos Humanos

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Dicas de Manejo

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Divirta-se

Maria Nazaré Simões Lisboa Atualidades em transtornos digestivos na fase de crescimento Listeriose em suínos e saúde pública Uso de altrenogest na sincronização de fêmeas nulíparas 5ª Jornada da SIP Consultores Indicadores técnicos e econômicos após o bem-estrar

Dra. Nazaré Lisboa pergunta: Sua granja encontra-se preparada para otimização de recursos? Allen D’ Leman Swine Conference St. Paul – Minnesota/EUA “Ciência - Soluções Orientadas” A história do leitão que morreu esmagado O poder e a importância da paciência Vamos conhecer alguns dos principais sinais clínicos característicos de doenças que acometem suínos em crescimento Encontre as palavras Jogo dos 7 erros Caso clínico Teste seus conhecimentos


Expediente Revista Técnica da Suinocultura A Revista Suínos & Cia é destinada a médicosveterinários, zootecnistas, produtores e demais profissionais que atuam na área de suinocultura. Contém artigos técnicocientíficos e editorias instrutivas, apresentados por especialistas do Brasil e do mundo.

Editora Técnica Maria Nazaré Lisboa CRMV-SP 03906

Consultoria Técnica Adriana Cássia Pereira CRMV - SP 18.577 Edison de Almeida CRMV - SP 3045 Mirela Caroline Zadra CRMV - SP 29.539

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Foto (Diego Gebert) Fazenda Buriti – Primavera do Leste – MT

A reprodução parcial ou total de reportagens e artigos será permitida apenas com a autorização por escrito dos editores.


Entrevista Suínos & Cia comemora dez anos de participação na mídia da suinocultura brasileira A Suínos & Cia completa 10 anos de participação na mídia da suinocultura brasileira. São 50 revistas que, ao longo desses anos, vêm contribuindo com informações técnicas para os diferentes segmentos que compõem o sistema de produção suína. Nessa entrevista, a editora técnica Maria Nazaré Simões Lisboa faz uma breve análise do importante papel desempenhado pela Suínos & Cia na suinocultura do país.

Maria Nazaré Simões Lisboa S&C: Como é fazer parte dessa história?

Graduada em Medicina Veterinária pela Universidade

MN: É ter a certeza de dever cumprido, acreditar na educação continuada, contribuir com a transferência da informação e melhorar a qualidade da comunicação nesse segmento.

Federal Rural de Pernambuco. Mestre em Patologia e Produção Suína pela Universidade Autônoma de Barcelona. Médica-veterinária responsável pela Consuitec (empresa de consultoria técnica em suinocultura) e pelo Centro de Patologia Animal - Laboratório CEPPA (Diagnóstico em Patologia Suína) e Editora Técnica da Revista Suínos e Cia. É consultora internacional e palestrante nas áreas de Sanidade, Reprodução, Gestão e Recursos Humanos.

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S&C: O que é mais gratificante ao exercer o cargo de editora técnica da revista? MN: Abrir horizontes, formando e consolidando o conhecimento técnico e pessoal. Poder ter contato com os melhores especialistas da suinocultura mundial e formar uma rede de referências para troca de conhecimentos. Porém, concluir cada edição da revista é uma das maiores realizações que pude contemplar em minha vida profissional.

S&C: O que a revista lhe oferece de experiência de vida? MN: Primeiramente, o aprendizado de trabalho em equipe. Acreditar que se pode sonhar e realizar esses sonhos, desde que exista propósito e projeto. Conseguir colocar em prática a arte feminina de se fazer várias coisas ao mesmo tempo com qualidade, principalmente quando se ama o que faz. Como também ter a certeza de que o trabalho dignifica e nos fortalece como ser humano.

"Com a constante evolução da comunicação, criamos o site e colocamos a revista on-line, a qual passou a ter maior repercussão, principalmente em nível internacional" S&C: Pode resumir como foi a trajetória desses dez anos? MN:

No

início,

idealizamos

uma revista técnica de reprodução, em seguida, pela própria demanda, decidimos que também poderíamos abordar temas de diferentes segmentos que envolvem a produção e a sanidade suína. Com a constante evolução da comunicação, criamos o site e colocamos a revista on-line, a qual passou a ter maior repercussão, principalmente em nível internacional. Quando analisamos este período de dez anos, perAno X - nº 50/2014


Entrevista cebemos que a cada edição nos organizamos melhor e que a revista está consolidada no meio, proporcionando, cada vez mais, melhores parcerias.

"Nossa meta é conservar a qualidade técnica dos trabalhos e atualizar o visual da nova revista para que ela fique mais bonita e possa ser ainda mais apreciada pelos nossos leitores e patrocinadores" S&C: Como se capta trabalhos e patrocinadores para cada edição? MN: Com relação aos trabalhos técnicos, a maioria é de amigos ou colegas que, pela própria atividade, nos possibilitam o constante convivo. Criamos algumas editorias personalizadas, como é o caso das do Dr. Paulo Silveira, que reporta o sumário de pesquisa, e do Dr. Antonio Palomo, que sempre resume os principais importantes congressos e eventos técnicos da suinocultura que ocorrem pelo mundo. Criamos um elo entre a amizade que nos une e aprendemos a repartir nossos sonhos e ideais. Assim, formamos uma rede para publicar o que aprendemos. Hoje, percebo que a revista é apoio para publicação de muitos colegas, que têm prazer de compartilhar seus conhecimentos. Quanto aos patrocinadores, primeiramente, meu eterno agradecimento pela parceria que nos unem, graças à nossa credibilidade dentro da mídia da suinocultura. Sem dúvida, a parceria é um elo Ano X - nº 50/2014

favorável de apoio a cada edição, havendo beneficio para os dois lados.

S&C: Como agradeceria esses dez anos de revista? MN: Primeiramente, agradeço a Deus por chegarmos a escrever essa história; aos nossos patrocinadores por acreditarem nesse projeto, permitindo que essa parceria resultasse nesse maravilhoso trabalho; a todos os nossos colegas que nos enviam suas publicações cientificas; às pessoas que no passado se dedicaram e participaram desse projeto; aos que fazem parte no presente momento por todo esse esforço que resulta na realização de cada revista editorada e, em especial, aos nossos leitores, que são nosso maior estímulo. Finalmente, por ter tido a oportunidade de aprender que jamais conseguiremos rea-

“A Suínos & Cia sempre nos traz importantes e atualizadas informações da suinocultura brasileira e mundial e é uma importante ferramenta disponível para quem quer se manter atualizado, em busca de novas oportunidades e horizontes dentro desta atividade de grande relevância no agronegócio brasileiro que é a suinocultura”. Dirceu Zotti Gerente de Produção Cooperativa Agroindustrial Lar

lizar um projeto como esse sem pessoas comprometidas, formando uma equipe coesa e integrada. Assim, o mais importante é ter muito a agradecer por poder fazer parte desse maravilhoso projeto.

S&C: Quais os planos para o futuro? MN: Tudo novo, de novo. Para nós, essa é uma nova década que se inicia. Nossa meta é conservar a qualidade técnica dos trabalhos e atualizar o visual da nossa nova revista para que ela fique mais bonita e possa ser ainda mais apreciada pelos nossos leitores e patrocinadores.

“Parabéns a Nazaré e a toda a equipe da Suínos & Cia pelos 10 anos de informação técnica aos seus parceiros, nossos colaboradores e a todos os interessados na moderna suinocultura brasileira. Nossos cumprimentos pela coragem e determinação em manter uma revista tão importante, com informações boas e corretas, pelo enorme trabalho em fazer circulá-las e, principalmente, por conseguir patrocínio para todas as edições. Só pessoas determinadas conseguem grandes feitos. Continue assim, que a suinocultura agradece. Grande abraço”. Velci Luiz Kaefer Diretor do Grupo Globoaves

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Entrevista

“Há 10 anos a revista Suínos & Cia destaca-se na mídia especializada nacional pelas escolhas acertadas de temas e especialistas, e em muito elevou o nível de discussão dos temas mais importantes da nossa suinocultura. Parabéns a Suínos & Cia., muitos anos de vida”. Mário Pires Diretor Técnico/Comercial DB Genética Suína

“Primeiramente, a revista Suínos & Cia tem prestado um trabalho à comunidade suinícola sem precedentes. Em segundo lugar, a Nazaré tem coragem de publicar uma revista de conteúdo técnico e bimestral. Sem dúvida, sei das dificuldades, e por isto sito tua perspicácia. Nesses 10 anos da revista, creio que eu próprio recebi centenas de informações relevantes e de grande praticidade lendo os maravilhosos textos nela expressos. A preocupação com a informação escrita numa revista deste nível é da mais alta relevância, e imagino o trabalho que deves ter ao revisar os conteúdos. Ao mesmo tempo, ao lê-los, como muda para melhor a cabeça do revisor. Portanto, você, responsável pela edição da publicação, é detentora de uma po-

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“Em países como o nosso, ainda em busca de um lugar efetivo na escala mundial, um dos fatores extremamente preponderantes é a aquisição de conhecimentos, ou seja, de cultura. Este aspecto, dentro da nossa conjuntura científica e econômica, é ainda um item bastante carente. Basta conferir o lugar pouco expressivo em que nos encontramos no que tange a publicações técnico-científicas e que, com toda a certeza, reflete o índice educacional em geral, começando com a educação elementar, que, por sua vez, deixa muito a desejar. Dentro do nosso âmbito, muito especificamente a suinocultura, entendo que os níveis de informações compartilhadas ainda têm muito a melhorar, de modo que para o profissional de campo, toda a informação bem direcionada é bemvinda. Nesse aspecto, observo que a Suínos & Cia vem cumprindo uma das suas missões, ou seja, expor temas técnicos, de independentes fontes, ao veterinário, ao técnico em geral e ao produtor, procurando sem-

sição de vanguarda dentro deste capítulo da suinocultura, até pelo simples fato de tudo o que ali está escrito ter o teu aval. A revista Suínos & Cia tem sido livro de cabeceira de muitos técnicos a campo, principalmente os que gostam de inovação, pulando etapas até o momento intransponíveis e melhorando todos os tipos de manejo e técnicas adotadas. Nós, da MigPLUS, gostamos muito do conteúdo da revista e estamos aqui desejando nossos parabéns pelos 10 anos desta publicação, torcendo para que continue nos premiando com textos que ajudam a melhorar a suinocultura brasileira. Continuo a ter no meu arquivo, numa das primeiras publicações da revista, a história do leitão esmagado, que uso e abuso nos treinamen-

pre divulgar textos confiáveis e de importância reconhecida. Esse papel da revista é extremamente válido e a qualifica como uma fonte importante de informações e de influência no preparo do técnico. Com ela, a mídia específica se vê mais qualificada. Parabéns a Suínos & Cia pelos 10 anos de contribuição”. Edson Luiz Bordin Gerente de Serviços Técnicos da Merial Saúde Animal Ltda.

tos que ministro dentro das granjas. Parabéns e abraços de toda a nossa equipe”. Flauri Ademir Migliavacca Diretor- técnico da Mig-PLUS Agroindustrial Ltda.

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Sanidade Atualidades em transtornos digestivos na fase de crescimento

Roberto M. C. Guedes Escola de Veterinária da UFMG guedesufmg@gmail.com

Introdução Dentre os transtornos digestivos relevantes para a fase de crescimento, os aspectos mais importantes que vêm acontecendo nos últimos tempos estão relacionados aos crescentes casos de disenteria suína na América do Norte e Brasil, potencial importância de roedores na transmissão da Lawsonia intracellularis e crescente número de casos de salmonelose sistêmica. O objetivo deste manuscrito é descrever brevemente estes pontos, no intuito de divulgá-los.

Reemergência da disenteria suína Brachyspiras sp são anaeróbias de crescimento fastidioso, que crescem bem a 42ºC. Em geral, as colônias podem ser visualizadas a partir de 72 horas, mas em determinados casos, pode ser necessária a incubação por até 10 dias em meios seletivos. A Brachyspira hyodysenteriae, em ágar sangue, produz forte hemólise, e a Brachyspira pilosicoli é fracamente hemolítica. O gênero Brachyspira possui sete espécies reconhecidas, sendo elas a B. hyodysenteriae, B. pilosicoli, B. intermedia, B. innocens, B. murdochii, B. alvinipulli e B. aalborgi. Com exceção das duas últimas, as demais são encontradas no intestino de suínos. Nos últimos anos, bactérias do gênero Brachyspira têm ganhado destaque na produção suína mundial, devido à reemergência de casos clínicos principalmente relacionados à disenteria suína. Recentemente, na Suécia, Rasbacket al. (2007) isolaram uma cepa patogênica em suínos que diferia geneticamente de todas as outras espécies já relatadas e sugeriram como uma nova espécie, a B. suanatina. O quadro clínico anatomopatológico e caSuínos & Cia

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Dentre os transtornos digestivos relevantes na fase de crescimento, crescem os casos de disenteria suína

racterísticas de crescimento in vitro foram idênticos ao da B. hyodysenteriae, mas a PCR, usando primers específicos para esta bactéria, resultou negativa. Estes achados demonstram a necessidade do isolamento e caracterização detalhada de isolados de Brachyspira para a identificação e o reconhecimento de novas cepas patogênicas. Embora a disenteria suína tenha estado ausente de rebanhos suínos norte-americanos nos últimos 20 anos, inúmeros surtos desta enfermidade têm sido reportados nos Estados Unidos e Canadá, além de apresentações mais leves e crônicas relacionadas com colite catarral. Este resurgimento de enfermidades causadas por espiroquetas tem sido acompanhado de inúmeras pesquisas e identificação de novas espécies patogênicas de Brachyspira em suínos, nomeadas temporariamente como “Novel Strong Hemolytic–Brachyspira” (NSH-Brachyspira), e mais recentemente caracterizada e chamada de B. hampsonii,

em homenagem ao Dr. David Hampson, da Austrália (Chanderet al, 2012). Burroughet al (2012) demonstrou que também cepas fortemente hemolíticas de B. intermedia causavam casos clínicopatológicos semelhantes aos de disenteria suína. No Brasil, esta patologia já foi relatada em alguns Estados, como Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, em 1978, 1984, 1985, 1995 e 1999. Em geral, esses registros da doença eram comunicações de casos individuais ou descrições de técnicas de diagnóstico ou controle (Barcellos et. al., 2010). Entre os anos de 2008 e 2009, foi realizado um estudo de prevalência de enteropatógenos em suínos de recria e terminação em 46 rebanhos no Estado de Minas Gerais. Neste estudo não foi detectado nenhum caso positivo para B. hyodysenteriae, e apenas dois rebanhos foram positivos para B. pilosicoli (Viott et al, 2012). Entretanto, de 2010 até a preAno X - nº 50/2014


Sanidade sente data, foram detectados inúmeros novos surtos de disenteria suína, em Minas Gerais (3), Mato Grosso (1), São Paulo (2), Santa Catarina (vários) e Paraná (2), refletindo um aumento preocupante de casos dessa enfermidade (Roberto M. C. Guedes, dados não publicados). Importante mencionar as diferenças epidemiológicas dos surtos em Santa Catarina e os demais. Os relatos no Paraná, Mato Grosso, São Paulo e dois em Minas Gerais foram detectados isoladamente em 2010 e 2011, sem nenhuma ligação direta entre eles, com exceção para os dois casos em Minas Gerais, os quais havia histórico de transferência de animais entre uma granja positiva e a outra que se contaminou. Já nos surtos em Santa Catarina, todos parecem estar relacionados à contaminação de uma granja multiplicadora terceirizada no oeste catarinense, que forneceu fêmeas de reposição clinicamente sadias, mas infectadas, para várias Unidades de Produção de Leitões (UPLs) de diferentes empresas de integração. A manifestação clínica foi inicialmente detectada nas marrãs entregues e, posteriormente, também na granja de origem destas fêmeas. Situações de contaminação de granjas por agentes infecciosos importantes, com histórico semelhante, não são raras, dada à condição estressante da movimentação e troca de dieta de animais entregues, o que sucita uma aceleração do período de incubação e início da manifestação clínica em animais

Colite catarral hemorrágica em suíno causada por Brachyspira hyodysenteriae (Disenteria Suína)

transportados e alojados. Não é conhecida até o momento a fonte de infecção desta granja multiplicadora. Unidades que receberam marrãs infectadas que possuíam quarentena tiveram suas perdas minimizadas, mas, infelizmente, este cenário foi exceção e não regra. Consequentemente, apesar das empresas contaminadas não serem muito numerosas, estas representam pirâmides muito grandes de produção, constituída por grande número de unidades e animais.

Epidemiologia da enteropatia proliferativa A enteropatia proliferativa (EP) é uma doença largamente difundida em propriedades produtoras de suínos de todo o mundo, com prevalências variando de 30% até 100%. Apesar de ser mais frequentemente descrita em suínos, equinos e hamsters, a doença já foi relatada em várias espécies, incluindo cobaia, rato, furão, raposa, cão, coelho, avestruz, macaco-rhesus, camundongo, bovino, porco espinho e girafa. A transmissão da doença é orofecal, e a eliminação da bactéria nas fezes de suínos foi inicialmente detectada com uma semana pós-infecção e durou, de forma intermitente, por até 12 semanas. Suínos que apresentam a forma subclínica da doença não manifestam sintomas de diarreia, mas são fontes importantes de infecção para o resto do rebanho.

A enteropatia proliferativa (EP) é uma doença largamente difundida em propriedades produtoras de suínos de todo o mundo, com prevalências variando de 30% até 100%

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Nosso grupo de pesquisa (Viottet al, 2012) demonstrou que ratos e camundongos experimentalmente infectados eliminaram a bactéria nas fezes durante 14 a 21 dias, provando que estes roedores são potenciais fontes de infecção. Collins et al (2011) demonstrou a presença da L. intracellularis em membranas mucosas intestinais de roedores provenientes de propriedades produtoras de suínos por Suínos & Cia

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Sanidade Isolamento bacteriano tem identificado culturas puras de Salmonella enterica, cujo sorovar ainda está sob avaliação. A maior suspeita é de que se trate de S. Choleraesuis. Lesões intestinais ou não foram observadas ou não relatadas. Quadros clínicos semelhantes são frequentemente observados nos Estados Unidos e estão sempre associados com a infecção pelo sorovar Choleraesuis.

Considerações finais

Pneumonia intersticial hemorrágica por Salmonella Choleraesuis

meio da técnica de “nested PCR”. Além disto, este mesmo estudo demonstrou que rebanhos de suínos que passavam por surtos de EP apresentavam, percentualmente, um maior número de roedores eliminando L. intracellularis nas fezes, e em maior quantidade. Estes achados sugerem uma possível relação direta entre a positividade de suínos e roedores em granjas. Outro aspecto interessante sobre EP foi recentemente publicado pelo grupo dinamarquês, que, utilizando PCR quantitativo associado à avaliação macroscópica e histológica de lesões, além da quantificação do nível de infecção por meio de imuno-histoquímica, propôs um ponto de corte de 105 organismos de L. intracellularis por grama de fezes, como indicativo de infecção e lesões significativas que justificariam interferência medicamentosa no lote afetado.

Salmonelose sistêmica Vem sendo diagnosticado número crescente de casos de salmonelose sistêmica, cuja principal sintomatologia clínica tem sido um quadro de transtorno respiratório compatível com pneumonia. Lesões cutâneas circulatórias, localizadas nas orelhas, cauda e focinho, não têm sido observadas. As lesões macroscópicas estão restritas aos linfonodos torácicos e aos pulmões. Os pulmões apresentam-se Suínos & Cia

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difusamente hemorrágicos, com intenso edema intersticial e não colapsados. Os linfonodos estão aumentados de volume, intensamente congestos e hemorrágicos. Histologicamente, nos pulmões observase uma pneumonia intersticial neutrofílica hemorrágica aguda difusa intensa, e nos linfonodos, uma linfandenite neutrofílica necro-hemorrágica multifocal a difusa.

Atualmente, a enfermidade entérica de maior impacto no Brasil é a disenteria suína, principalmente motivado pelos surtos de 2012 e o grande número de granjas contaminadas. Com isto, a preocupação de produtores de granjas negativas é evidente, bem como de empresas de genética. A maior e dura lição que está sendo aprendida é a importância com biosseguridade, relacionada à quarentena, cercas periféricas, banho e troca de roupas. Os novos casos de salmonelose sistêmica são um alerta para a possibilidade de este agente estar associado a quadros clínicos respiratórios.

Referências 1. Barcellos, D.E.S.N.; Souza, R. F.; Oliveira Filho, J.X; Borowski, S.M. Diarreias causadas pela infecção com Brachyspira spp. em suínos. Acta Scientiae Veterinariae UFRGS. Impresso, 38, p. 229-245, 2010.

4. Collins, A.M. et al. Colonisation and shedding of Lawsoniaintracellularisinexperimentally inoculated rodents and in wild rodents in pig farms.Veterinary Microbiology, v.150, n.3-4, p.384-388, 2011.

2. Burrough, E; Erin Strait, E; Kinyon, J; Bower, L; Madson, D; Schwartz, K; Frana, T; Songer, J.G. Comparison of atypical Brachyspira spp. clinical isolates and classic strains in a mouse model of swine dysentery. Veterinary Microbiology, 2012.

5. Råsbäck, T; Jansson, D.S; Johansson, K.; Fellström C. A novel enteropathogenic, strongly haemolyticspirochaete isolated from pig and mallard, provisionally designated ‘Brachyspirasuanatina’sp. nov.Environmental Microbiology.9(4), p. 983– 991, 2007.

3. Chandler, Y; Primus, A; Oliveira, S.; Gebhart, C.J. Phenotypic and molecular characterization of a novel strongly hemolytic Brachyspira species, provisionally designated ‘’ Brachyspirahampsonii ‘’. Journal of Veterinary. Diagnostic.Investigation. 24(5), p. 903-910 ,2012.

6. Viott, A.M.; França, S.A.; Vannucci, F.A.; Cruz Jr, E.C.C.; Costa, M.C.; Gebhart, C.J.; Guedes, R.M.C. Infection of sparrows (Passer domesticus) and different mice strains with Lawsonia intracellularis. Pesquisa Veterinária Brasileira, 33(3):372-378, 2013

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Sanidade Listeriose em suínos e saúde pública Listeria monocytogenes é uma bactéria aparentemente patogênica para o homem, tendo um potencial zoonótico bem definido. Também é considerada um contaminante ambiental, portanto, importante para a saúde pública. O isolamento desse agente é quase sempre difícil, mas segundo a regra ISO 11290-1 {Microbiology of food and animal feeding stuffs Método horizontal para a identificação e numeração - parte 1: método de relevação (AMENDMENT 1: variação do meio de cultura e teste hemolítico e inclusão de dados de precisão)} é uma boa base para a inicialização dos métodos no campo veterinário, mesmo que tenha sido estudados no setor alimentar (foto 1). São conhecidos 13 sorotipos de L. monocytogenes, mas três (1/2a,1/2b e 4b) são responsáveis por grande parte dos casos de listeriose, com o 4b sendo o mais prevalente.

Listeriose nos animais

à rotação apresentada pelo animal, que se apoia na parte posterior e ‘roda’, enquanto depressão, anorexia, inclinação da cabeça e paralisia facial unilateral são sintomas secundários. Nestas espécies, é relativamente rara a forma septicêmica, que normalmente se desenvolve nos neonatos com depressão, inapetência, febre e morte. O aborto é do tipo tardio, depois do 7º mês nos bovinos e após 12 semanas nos ovinos.

Listeria monocytogenes na indústria suína Listeria monocytogenes já foi repetidamente isolada do conteúdo intestinal de todas as idades do ciclo de produção dos suínos, mas estes são portadores, principalmente assintomáticos, do agente, e algumas vezes eliminadores. Na fase de engorda é frequente encontrar o agente nas tonsilas, mas nenhuma evidência a torna suspeita ao exame clínico (foto 2).

Vittorio Sala Departamento de Ciências Veterinárias e Saúde Pública - Universidade de Milão vittorio.sala@unimi.it

Se as zoonoses de origem alimentar são consideradas de risco em países industrializados, a indústria suinícola tem todas as características para representar maior amplificação da patologia, principalmente em zonas de maior consumo de carne suína. Em uma pesquisa bacteriológica realizada na Alemanha, em 2009, a L. monocytogenes foi isolada em 32% das tonsilas e em 4% das fezes de suínos abatidos regularmente, enquanto as granjas de proveniência apresentaram positividade igual a 46%. Por isso, os suínos, apesar de não manifestarem clinicamente a doença, são um reservatório ideal para a difusão da infecção na cadeia alimentar, como já demonstrado em vários estudos que relacionam a infecção em granja com a qualidade sanitária da carcaça. Na bibliografia, a positividade bacteriológica dos suínos identificada nos animais portadores e/ou eliminadores é variável, mas os níveis de umidade do alimento utilizado têm um papel essencial.

Podem ser infectados por Listeria monocytogenes os mamíferos, aves, peixes e crustáceos. Em todas as espécies, os surtos epidêmicos são esporádicos, e o decurso é subclínico na maioria das infecções, mas são estas mesmas características que deixam menos evidentes os problemas e mais difíceis de serem identificados. A principal fonte de infecção é a forragem conservada, mas também a contaminação ambiental tem um papel importante, consistindo uma passagem epidemiologicamente importante. A silagem é a matéria-prima mais frequentemente contaminada, enquanto os animais infectados podem adquirir o agente patogênico por contato direto, especialmente durante o parto. Encefalite e aborto, nos bovinos e pequenos ruminantes, são as formas clínicas mais observadas. A forma neural é conhecida como circling disease, devido Suínos & Cia

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Foto 1: Listeria monocytogenes: coloração em Gram

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Sanidade Estudos mostram que o índice de infecção é de 2% em animais alimentados com ração seca, e de 25% a 50% em animais alimentados com ração líquida, com maior contaminação fecal da pavimentação e das paredes das baias. O sistema de distribuição da alimentação pode ser lavado depois de cada arraçoamento, e a água de lavagem acaba sendo misturada com resíduos de ração até o arraçoamento seguinte, favorecendo a criação de biofilme que contém L. monocytogenes. Obviamente, esta água de lavagem normalmente faz parte do arraçoamento seguinte, difundindo a infecção em vários grupos de suínos. Existe um problema derivado do impacto econômico da circulação de Listeria sobre a eficiência da cadeia alimentar, principalmente tratando-se da exportação de tais produtos. A infecção dos animais, a contaminação da carcaça e do ambiente de manipulação da carne e o consumo de produtos contaminados geram a difusão zoonótica. A localização nas carcaças coincide com a evisceração, especialmente durante a remoção do trato intestinal, que se rompe facilmente. Outra possibilidade menos importante e frequente é a difusão de L. monocytogenes na caldeira de água quente na qual os suínos são mergulhados para a remoção dos pelos e que pode ser contaminada por fezes de suínos recémabatidos. Alguns pesquisadores sugerem que o jejum antes do abate, rotina em vários abatedouros, poderia favorecer a multiplicação da Listeria, principalmente na localização extraintestinal, como nas tonsilas e língua, como consequência de estresse intenso. Nas mesmas condições, ou em forma intermitente, após o estresse, as bactérias são eliminadas durante o transporte e durante a permanência no abatedouro antes do abate, contaminando outros animais conviventes, nos quais a bactéria pode chegar à traqueia, língua, esôfago, pulmões, rins e fígado por ingestão ou mesmo por meio das vias aéreas. Em estudos conduzidos por amostragens diretas feitas na linha de produção, o agente patogênico foi identificado em 1,6% de tecidos de suínos recém-abatidos, 8,8% dos intestinos e 4,8% na carne moída recém-preparada. L. monocytogenes está presente em todas as fases de manipulação da carne suína fresca, com crescente e preocupante prevalência, desde o abatedouro à Ano X - nº 50/2014

Foto 2: Acúmulo de fezes nas instalações de engorda favorece a contaminação ambiental, disseminando o agente

elaboração de carnes confeccionadas. O agente adere sobre as superfícies inertes devido à sua conformação e ao tipo de superfície, em presença de biofilme, matriz constituída da flora polibacteriana em crescimento. Uma vez que a população de bactérias se estabelece, torna-se difícil a sua remoção. A sua matriz impede a ação de desinfetantes, protegendo o agente residente e constituindo, de fato, uma fonte contínua de contaminação. No caso da L. monocytogenes, nem todos os sorotipos são capazes de sobreviver no biofilme, servindo como base para a formação da matriz. Por exemplo, o sorotipo 1/2c tem maior capacidade de adesão, em relação a outros sorotipos, ao aço inoxidável. Este fato aumenta a sua permanência e a possibilidade de adquirir resistência aos desinfetantes utilizados. A comparação dos isolamentos realizados a partir de amostras de carne suína e da superfície de trabalho com PFGE mostra, com clareza, que a contaminação ambiental provém da carne crua durante a manipulação e que, nestas condições, clones bacterianos residentes podem persistir por mais de um ano no ambiente e por três anos nos aparelhos (moinho por exemplo), apesar das operações rotineiras de limpeza e desinfecção. É também certo que o resfriamento e o processo de desossamento são operações que ajudam a contaminação de origem ambiental. Nos estabelecimentos de confecção de produtos finais existe um processo de seleção

natural da Listeria, em que cada estabelecimento tem os próprios genótipos que se consolidam no tempo por características e persistência. A presença de genótipos idênticos na carne crua no ambiente e no produto final é a prova da capacidade de adaptação dos clones bacterianos. De fato, os mesmos tipos foram demonstrados em estabelecimentos posicionados em localidades diferentes no território. Alguns genótipos são amplamente distribuídos na natureza e, portanto, facilmente reintroduzidos nos estabelecimentos por meio de matériaprima de manipulação. Na carne suína encontram-se, principalmente, os sorotipos 1/2a, b e c, enquanto a infecção destes agentes no homem é normalmente referida aos dois primeiros sorotipos citados, com a mesma prevalência nos estabelecimentos de manipulação e confecção. Na França foram sinalizados nos estabelecimentos de produção de embutidos o sorotipo 4b, nunca isolado antes nos abatedouros ou estabelecimentos de manipulação. Este dado foi relevante para a saúde pública porque foi tido como responsável por grande parte dos surtos franceses. A persistência das cepas torna-se concreta por meio de diferentes estratégias de sobrevivência e multiplicação. A mais simples é aquela que se baseia na frequência das entradas de matériasprimas. Como alternativa, outras cepas têm a especial capacidade de colonização (exemplo: maior capacidade de adesão às Suínos & Cia

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Sanidade superfícies). As facas e os instrumentos de corte são frequentemente envolvidos. Em outros casos, as cepas são selecionadas por maior resistência aos desinfetantes ou à sobrevivência no biofilme. Para todos os agentes patogênicos de tipo food borne, como no caso da L. monocytogenes, a negligência da cura pessoal dos operadores foi identificada como fator de amplificação da infecção. O problema está claramente em todas as passagens da cadeia até a casa do consumidor final.

Listeriose no homem Na população humana, a exposição a um agente patogênico de origem alimentar tem efeitos variáveis, e a incidência da doença é multifatorial. Entre estes, os principais são a virulência do agente, a dose de infecção (número de bactérias ingeridas) e o estado de saúde e imunitário do hospedeiro. O risco de zoonose alimentar relacionado à L. monocytogenes surgiu somente nos anos 80, com a publicação de surtos, evidentemente correlacionados com o consumo de alimentos contaminados. Hoje o papel deste agente é primário nas chamadas Food-borne diseases e se qualifica como risco importante para a saúde pública, principalmente pelas mudanças ocorridas na cadeia suinícola. O uso da refrigeração, as mudanças de hábitos alimentares e os sistemas de conservação dos alimentos (sejam prontos, cozidos ou pré-cozidos) fizeram com que o risco aumentasse. Para a conservação de alimentos cozidos, a não manutenção da cadeia no frio, da produção ao consumidor, é a única garantia. Segundo indicações mais recentes, para induzir um infecção de Listeria no homem são necessários 1000UFC/grama de alimento. Como consequência, em alguns países foram realizados estudos detalhados sobre os níveis de tolerância nos alimentos transformados, partindo da hipótese que o risco de listeriose se reduz quando o nível de contaminação é inferior a 100 UFC/grama. O limite se aplica a produtos alimentares que não oferecem possibilidade de multiplicação de L. monocytogenes. A tolerância zero vale para produtos alimentares nos quais a multiplicação bacteriana é possível e que tenham uma conservação prolongada. Os Estados Unidos são uma exceção, onde há tolerância zero (ausência total do agente Suínos & Cia

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Foto 3: A infecção por L. monocytogenes, via contaminação alimentar, alcança a barreira intestinal, atravessa-a e depois é disseminada para o cérebro e a placenta

em 25 gramas de produto). A validade do teste que prevê a contagem bacteriana é ainda um tema em discussão, porque a distribuição das células bacterianas e, portanto da UFC, não é uniforme, considerando o produto como um todo. Portanto, amostragens feitas em pontos diferentes podem dar resultados diferentes. Em alguns países, a autoridade sanitária estabeleceu que a ausência total de L. monocytogenes, em certos tipos de alimento, é um requisito excessivamente custoso e sem efeitos positivos sobre a saúde pública. De fato, apesar dos esforços econômicos da indústria alimentar nos últimos anos, os surtos de listeriose de origem alimentar não diminuíram. A L. monocytogenes é, portanto, para todos os efeitos, um agente patogênico oportunista que se difunde no meio agroalimentar e não é quantificável, senão de maneira aproximada. No momento, é certa a sua presença no ambiente e na preparação de carnes de origem suína. Afeta, principalmente, pessoas imunodepressivas de outras doenças (HIV, cirrose hepática) ou em situações fisiologicamente críticas (gravidez, período neonatal, idosos). A taxa de mortalidade é sempre elevada, até 75% dos casos acima descritos. Os produtos de origem suína, derivados do leite e os preparados de peixe foram identificados como principais fontes de contágio. As formas clínicas de listeriose no homem podem ser classificadas em invasivas e não invasivas. No primeiro caso, depois de uma infecção entérica inicial, seguem-se difusão linfo-hematógena e

localização em locais corporais normalmente estéreis, como o útero ou o sistema nervoso central. A mortalidade é sistematicamente elevada (20% a 30%), e as sequelas que invalidam o indivíduo, muito frequentes na forma neural, não são exatamente quantificáveis. A listeriose não invasiva, conhecida como gastroenterite listerial, é decisivamente menos frequente e se apresenta em forma diarreica, com febre e dores de cabeça e musculares. É geralmente consequência do contágio de indivíduos em bom estado de saúde, mas a pouca especificidade dos sintomas e a evolução, quase sempre benigna, dificultam o diagnóstico. Ainda mais raras são as formas oculares. Entre estas, a conjuntivite é a mais frequente, seguida da ceratite, endoftalmite e corioretinite aguda. As últimas duas são potencialmente devastadoras e podem causar a perda de visão. A endoftalmite da Listeria é o resultado da difusão linfohematógena do agente e representa 2% das formas oculares. Os mais afetados são os indivíduos imunodepressivos ou com doenças crônicas, como Diabetes mellitus ou insuficiência renal.

Perspectivas da saúde pública veterinária A legislação europeia de saúde animal dedica particular atenção às doenças transmissíveis ao homem a partir de produtos de origem alimentar, que são submetidas ao controle da Ano X - nº 50/2014


Sanidade Sanidade Pública Veterinária. No Livro Branco sobre a Segurança Alimentar, a Comissão Europeia realizou uma revisão radical das regras comunitárias sobre a segurança e higiene dos alimentos, pela qual os operadores do setor alimentar, qualquer que seja o seu papel na cadeia, devem assumir plena responsabilidade no que diz respeito à salubridade tanto na manipulação quanto na produção. As novas regras compreendem, harmonizam e simplificam os requisitos higiênicos detalhados e complexos, anteriormente presentes em muitas Diretivas do Conselho Europeu, que tratavam as matérias-primas de origem animal, seus derivados e a comercialização. A inovação mais importante consiste em uma única e transparente política de higiene alimentar na perspectiva de uma cadeia from the farm to the fork, aplicável a todos os alimentos e operadores, associados a instrumentos eficazes na gestão da segurança, em grau de contrastar possíveis problemas da cadeia alimentar. Foram revisados os critérios microbiológicos e estabelecidos novos e importantes critérios de intervenção. O Regulamento Comunitário 2073/2005 dita os protocolos operativos para as toxiinfecções alimentares da Salmonella spp, Listeria monocytogenes, Enterobacter sakazakii, toxinas estafilocócicas e, em alguns casos, para a histamina. Estes critérios são aplicáveis aos produtos comercializados dentro do período de conservação. Além disso, são regulamentadas as regras de higiene para uma correta gestão dos processos produtivos. Os riscos biológicos para a saúde de toda a população derivam da exposição a vírus, bactérias, fungos e toxinas associadas. A União Europeia se esforça em garantir elevados níveis de proteção de saúde e reduzir ao mínimo o risco de exposição a agentes biológicos nocivos, por meio de uma estratégia coordenada e global de higiene alimentar para garantir a segurança biológica dos alimentos. O Centro Europeu para a prevenção e controle das doenças (CEPCM), com sede em Estocolmo, tem a função de avaliar os riscos causados pelos agentes biológicos e aconselhar a UE quanto a possíveis respostas a tais riscos. Para as doenças transmissíveis por meio do alimento, o centro controla a troca de in-

formação entre os estados-membros e a Comissão Europeia, por meio de instrumentos informatizados, a fim de consentir um alarme rápido e uma intervenção imediata. O risco é, de fato, uma estimativa de probabilidades e gravidades dos efeitos negativos de um alimento sobre a saúde de uma população exposta. Observando o impacto na saúde pública, o controle tecnológico, as implicações econômicas e tudo o que pode ser considerado socialmente razoável na vida cotidiana, estabelece -se o nível de risco aceitável. Por exemplo, se em um país, os casos de listeriose no homem são estáveis, entre 0,4 e 0,8 para cada 1.000 habitantes por ano, e todas as tentativas de redução não obti-

veram sucesso, esta passa a ser a base de risco aceitável, e cada aumento dos casos clínicos é indicador de maior exposição ao contágio. Portanto, a política de segurança alimentar é o resultado da avaliação qualitativa e quantitativa das situações em não conformidade. E as decisões adotadas indicam as ações preventivas a serem aplicadas na linha de transformação, inspeção, estocagem, distribuição e consumo. Para obter um consenso de toda a cadeia produtiva, a intervenção deve se basear em pareceres técnicos especializados da cadeia suinícola e na disponibilidade da indústria em contribuir efetivamente, devendo ser de acordo com as exigências do consumidor.

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Este trabalho foi publicado na Revista SUMMA Animali da Reddito - Nº 07 - Setembro 2013.

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Reprodução Uso de altrenogest na sincronização de fêmeas nulíparas

Rafael T. Pallás Alonso Diretor-técnico para Serviços Veterinários da Kubus S.A. Madri - Espanha rtpallas@gmail.com

Introdução Nos atuais modernos sistemas de produção e com o tipo de fêmea suína que se trabalha na maioria das granjas, a taxa anual de reposição encontra-se entre 40% e 50% da população total de fêmeas. Isto significa que, de forma contínua, a estrutura populacional adequada, em qualquer granja, será entre 22% e 25% de fêmeas nulíparas, como demonstrado no gráfico 1. Sem dúvida, este alto número de fêmeas nulíparas presentes no plantel chama atenção da importância, tanto técnica como econômica, que tem as futuras reprodutoras para se obter alta produtividade e adequado programa de gestão em uma suinocultura industrial. As fêmeas de reposição em um sistema de produção suína podem ser adquiridas principalmente de duas formas: autorrenovação e aquisição externa. 1. Autorrenovação: neste sistema, as futuras reprodutoras são produzidas na própria granja, a partir de uma pirâmide genética interna, e elas são selecionadas entre 40 e 60 Kg, mediante determinados procedimentos: programa sanitário, alimentação e manejo reprodutivo. 2. Aquisição externa: neste sistema, as futuras reprodutoras são adquiridas de uma

Nos atuais sistemas de produção suína, o plantel de nuliparas encontra-se entre 22% e 25% o que dá ideia da alta importância, tanto técnica como econômica, que tem as futuras reprodutoras

outra unidade, provavelmente proveniente de unidades dos fornecedores de programa genético, ao decorrer do ano, uma ou várias vezes. Seja qual for o sistema pelo qual as porcas chegam à granja, devem estar prontas para ser cobertas em certos mo-

Gráfico 1. Distribuição de fêmeas por ordem de parto em uma população suína

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mentos que, necessariamente, têm de coincidir com os lotes de cobertura, sejam semanais ou de semanas concentradas. Em outras ocasiões, temos de fazer com que o grupo de nulíparas esteja preparado exatamente para uma determinada data na qual se espera maior eliminação de porcas em descarte, as quais devem ser substituídas por novas fêmeas para não baixar a quota de coberturas. De acordo com Martinat-Botteé e Signoret, na chegada das fêmeas para a quarentena ou diretamente para a granja, 73% delas (fêmeas de reposição) apresentam cio por efeitos do estresse e do agrupamento. No entanto, no próximo ciclo, mais de 85% manifestarão um cio disperso, distribuído ao longo de todo o mês, não havendo nenhuma chance de sincronizá-las e formar um grupo para ser coberto por monta natural, já que não há uma ciclicidade adequada, pois a duração do ciclo em porcas nulíparas é muito variável, podendo durar entre 17 e 25 dias. Ano X - nº 50/2014


Reprodução

Gráfico 2. Ao suspender o uso do produto, depois de fornecido durante 18 dias consecutivos, retira-se o progestágeno. O crescimento folicular reinicia-se aparecendo um cio sincronizado entre 4 e 6 dias após interrupção do tratamento

Conhecer o momento em que as fêmeas de reposição entrarão em cio é de fundamental importância, pois permitirá que sejamos muito mais eficientes com relação à programação e ao uso das instalações de gestação e maternidade, proporcionando também uma grande oportunidade para a introdução das fêmeas nos grupos de cobertura de fêmeas desmamadas.

Algo que deve ser deixado bem claro, pois muitas vezes causa problemas ou mal-entendidos entre os usuários, é que o altrenogest não faz com que a fêmea entre em cio, mas sim impede a entrada dela no cio durante a sua administração, voltando a porca a ciclar normalmente uma vez suprimida a utilização do produto.

De modo geral e, como objetivo da granja, 85% das nulíparas devem ser cobertas de forma agrupada em um período de tempo não superior a cinco dias. Se deixarmos a natureza atuar livremente, como exemplificado anteriormente, será praticamente impossível alcançar esse objetivo, motivo pelo qual devemos lançar mão de ferramentas externas, como o uso de altrenogest.

Como se deve utilizar o altrenogest em fêmeas nulíparas?

O que é o altrenogest? Trata-se de um progestágeno ativo pela via oral, que tem uma ação similar à da progesterona natural, ou seja, impede que a fêmea entre em cio, uma vez administrado de forma oral; suprime o ciclo estral e elimina os sinais do cio e da ovulação. Uma vez interrompida a sua administração, a liberação natural dos hormônios é reiniciada – GnRH por parte do hipotálamo e, consequentemente, FSH e LH por parte da hipófise –, o que fará com que as fêmeas voltem a ciclar, perfeitamente sincronizadas. Ano X - nº 50/2014

O agrupamento das coberturas de nulíparas, dentro de cada um dos lotes de produção, é a finalidade mais comum da utilização do altrenogest. Seu uso em nulíparas vai depender do fato de conhecermos ou não a data do seu ciclo anterior, pois uma das premissas ​​para a ação correta do produto é que a fêmea já tenha ciclado anteriormente, ou seja, tenha tido pelo menos um cio anterior ao tratamento.

Quando se desconhece a data do ciclo anterior Esta pode ser a situação mais habitual nas granjas e, neste caso, a recomendação é de aplicação do produto por 18 dias seguidos, à razão de 20 mg de altrenogest/dia. Os 18 dias de tratamento explicam-se pela duração da fase luteal da fêmea suína, que é de, aproximadamente, 16 dias e durante a qual ocorre a presença natural de progesterona. Fornecendo o

produto durante 18 dias, asseguramo-nos de que, independentemente do momento do ciclo em que esteja a porca no início do tratamento, ao retirarmos o progestágeno, não haverá fêmeas com a progesterona natural circulante, o que impediria que elas entrassem em cio junto com as suas companheiras (gráfico 2). Esta ação evita a maturação dos folículos no ovário, de modo que ao suspender a administração, o crescimento folicular reinicia-se, aparecendo um cio sincronizado entre 4 e 6 dias depois da interrupção do tratamento. Se o início da administração do altrenogest coincide com algum ponto da fase folicular, o crescimento dos folículos é interrompido, havendo, inclusive, uma regressão dos folículos grandes (> 20 a 25mm), chegando a não haver ovulação, de forma que o único progestágeno presente durante esse tempo será o altrenogest, que, quando removido 18 dias depois, produzirá uma nova onda de crescimento folicular e um novo cio. Há um grande número de trabalhos a favor desse tipo de tratamento, por exemplo, Martinat-Botté, em 1989, 1990 e 1995; Rhodes et AL, em 1991; Estienne, em 2001; Estienne e Harper, em 2002; e Horsley et al, em 2004. Resumindo todos eles, podemos dizer que o uso do altrenogest durante 18 dias permite que até 96% das fêmeas entrem em cio aos 7 dias após a sua retirada e 80% delas entrem em cio entre o 5º e o 6º dia após a interrupção do tratamento. Suínos & Cia

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Reprodução Tabela 1: Efeito positivo da sincronização com altrenogest sobre a prolificidade Nascidos Totais altrenogest

Controle

Fonte

15,4 ± 0,3

14,3 ± 0,3

Martinat-Botté, 1995

16,6 ± 1,7

15,1 ± 1,2

Soede,2004

Tabela 2: Comparação entre granjas que usam ou não o altrenogest, com relação à produtividade numérica (2003). a ≠ b (diferença significativa, p < 0,05) Meissonnier y cols., 2003 c/ altrenogest

s/ altrenogest

48

59

Nº de granjas Nascidos totais/leitegada

13,8

13,6

Desmamados/leitegada

a

10,80

10,55b

Desmamados/porca/ano

26,21a

25,52b

Intervalo entre partos

150,6

150,9

Tabela 3: Resultados em granjas francesas que usam ou não altrenogest. Efeito sobre a prolificidade. a ≠ b (diferença significativa, p < 0,05). Meissonnier e cols., 2003 Número de Granjas

Nascidos Totais 1º parto

Partos de 2 a 9

a

C/ altrenogest

15

12,8

13,6a

S/ altrenogest

17

11,8b

13,1b

Também ocorre que, após a sincronização com o altrenogest, a produtividade das fêmeas melhora: taxa superior de ovulação (Knight et al, 1996; MartinatBotté et al, 1990), aumento do tamanho da leitegada (Soede, 2004; MartinatBotté et al, 1995; Varley, 1983) e maior taxa de nascimentos (Martinat-Botté et al, 1995) - ver a tabela 1.

O uso de altrenogest não nos livra de trabalhar com o macho rufião para incrementar o estímulo à fêmea. O mais recomendável, e o que dá melhores resultados (maior percentual de fêmeas sincronizadas), é iniciar a estimulação com vários machos distintos, duas vezes por dia, durante 15 minutos, a partir do dia da retirada do produto.

Podemos aumentar ainda mais esse efeito de sincronização se, no dia seguinte ao da retirada do altrenogest, as fêmeas receberem uma dose de PG 600® (combinação de gonadotrofinas, 400 UI de PMSG + 200 UI de HCG). Segundo os trabalhos de Horsley et al, com essa prática (altrenogest mais o PG 600®), a taxa de ovulação aumentou de 14,8 para 17,5 (p = 0,07), o intervalo entre a injeção dos produtos e o início do cio foi reduzido de 110,9 horas para 98,4 horas (p < 0,01) e o tempo entre a injeção dos produtos e a ovulação passou de 141,9 para 128,6 horas (p < 0,01), não tendo sido afetados outros parâmetros, tais como a duração do ciclo estral, o intervalo entre o início do cio e a ovulação e o período da ovulação. Há um trabalho interessante, de Meissonnier e colaboradores, apresentado no IPVS de Copenhague, em 2006, que compara os resultados produtivos e reprodutivos de dois grupos de granjas francesas: aquelas que utilizam sistematicamente a sincronização com altrenogest e as que não o fazem. Os resultados que mais chamam a atenção podem ser vistos na tabela 2. Como se observa, o grupo de granjas que utiliza altrenogest tem uma prolificidade superior, correspondente a 0,20 leitão por leitegada, e uma produtividade numérica superior de 0,69 leitão desmamado a mais por porca por ano, comparado às granjas que não o utilizam. Em outro trabalho dos mesmos autores, em que foi feita uma comparação com um número menor destes dois tipos de granjas, foram encontradas diferenças estatisticamente significativas quanto à prolificidade, tanto em primíparas como no restante das fêmeas (tabela 3). Além disso, foi observado um efeito positivo sobre o número de leitões desmamados, de forma que as granjas que sincronizam com altrenogest desmamam significativamente mais leitões que aquelas que não o fazem, efeito este que é notado em todos, em cada um dos partos, como mostra o gráfico 3.

Gráfico 3. Influência do uso de altrenogest sobre o nº de leitões desmamados pelo nº de partos, em granjas francesas Meissonnier e cols., 2003

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Este efeito positivo sobre o número de leitões desmamados não é só devido à maior taxa de leitões nascidos, mas também pela possibilidade da realização de um manejo mais adequado durante a fase de maternidade, já que o número de partos “acessórios” à banda de produção diminui consideravelmente. Ano X - nº 50/2014


Reprodução Isso facilita as adoções (leitões mais homogêneos por idade) e o manejo posterior em sistemas “todos dentro, todos fora”, o que no final traduz-se em menor mortalidade nessas fases. Gráfico 4. Fases do ciclo estral da porca

Quando se conhece a data do ciclo anterior Evidentemente, se conhecemos a data exata em que as fêmeas entraram em cio, o tratamento com altrenogest pode ser encurtado consideravelmente, administrando o produto entre 3 e 18 dias, de

acordo com o momento em que desejamos que as porcas entrem em cio. O segredo para o êxito desse tipo de tratamento é iniciá-lo sempre que haja a presença de progesterona natural. Desse modo poderemos alongar de forma artificial a fase luteal, tantos dias quanto queiramos, mas,

para isso, é imprescindível ter com clareza o número de dias de cada fase do ciclo estral da fêmea (gráfico 4). Este tipo de administração corresponde ao que costumamos chamar de “tratamentos curtos com altrenogest”. Vejamos alguns exemplos:

• Se as nulíparas entram no cio de forma natural, na semana 1, logicamente entrarão de novo na semana 4; porém, se quisermos cobri-las na semana 5, então teremos de fazer aplicações de altrenogest durante 11 dias, como demonstrado no quadro seguinte: segunda

terça

quarta

quinta

sexta

sábado

domingo

Semana 1

CIO

CIO

CIO

Progesterona Natural

Progesterona Natural

Progesterona Natural

Progesterona Natural

Semana 2

Progesterona Natural

Progesterona Natural

Progesterona Natural

Progesterona Natural

Progesterona Natural

Progesterona Natural

Progesterona Natural

Semana 3

Altrenogest

Altrenogest

Altrenogest

Altrenogest

Altrenogest

Altrenogest

Altrenogest

Semana 4

Altrenogest

Altrenogest

Altrenogest

Altrenogest

Semana 5

CIO

CIO

CIO

• Se, por outro lado, quisermos cobri-las na semana 6, então será preciso aplicar altrenogest durante 18 dias, como vemos no quadro seguinte: segunda

terça

quarta

quinta

sexta

sábado

domingo

Progesterona Natural

Progesterona Natural

Progesterona Natural

Semana 1

CIO

CIO

CIO

Progesterona Natural

Semana 2

Progesterona Natural

Progesterona Natural

Progesterona Natural

Progesterona Natural

Progesterona Natural

Progesterona Natural

Progesterona Natural

Semana 3

Altrenogest

Altrenogest

Altrenogest

Altrenogest

Altrenogest

Altrenogest

Altrenogest

Altrenogest

Altrenogest

Altrenogest

Semana 4

Altrenogest

Altrenogest

Altrenogest

Altrenogest

Semana 5

Altrenogest

Altrenogest

Altrenogest

Altrenogest

Semana 6

CIO

CIO

CIO

Para cobri-las na semana 4 ou 7, deveremos deixar que repitam o cio uma ou duas vezes e de forma natural, pois a grande maioria das fêmeas entraria por si só na semana de produção desejada.

• Não suspender o tratamento em nenhum dos dias. Para que ele seja eficaz, todas as fêmeas devem ingerir sua dose diária de altrenogest, sem que haja algum dia vazio entre o período de administração;

Recomendações práticas para o uso do altrenogest em fêmeas nulíparas

• Administrar o produto sobre uma pequena porção de alimento, ou diretamente na boca da fêmea, assegurandose de que cada uma delas ingira diariamente a quantidade necessária de altrenogest. Se o administramos sobre uma pequena quantidade de ração, devemos aguardar até que a fêmea tenha ingerido toda a porção oferecida, para

• Estar seguro de que as fêmeas estejam ciclando, ou seja, que tenham já manifestado algum cio, antes de começar a usar o produto; Ano X - nº 50/2014

depois complementar com o restante da ração que falta; • Em minha experiência pessoal tenho visto que, para evitar erros, é melhor administrar o produto todos os dias, na mesma hora e pela mesma pessoa. Inclusive, ajuda bastante a elaboração de planilha simples (sugestão: Excel) para cada uma das porcas, na qual são anotadas a data e a hora de cada administração, evitando falhas no fornecimento ou administrações em dobro; • Sempre que possível, começar a fornecer o produto às segundas-feiras, já que, desta forma, transcorridos 18 dias, Suínos & Cia

23


Reprodução mados mais homogêneos; • Permite a mudança para sistemas de produção em bandas; • Melhor aproveitamento das instalações da granja, principalmente das áreas de gestação e partos; • Devido ao agrupamento, possibilidade de dedicar dias específicos do pessoal para determinadas tarefas, como desmames, coberturas ou atenção aos partos; • Facilita os manejos de produção “todos dentro, todos fora”; • Aumento da fertilidade e da prolificidade; Altrenogest aplicado sobre uma pequena quantidade de ração

o último dia de aplicação será em uma quinta-feira. Desse modo, as porcas entrarão em cio no início da semana seguinte, justamente nos dias de cobertura do restante das fêmeas dessa banda de produção; • Em complemento à utilização de altrenogest, recomenda-se realizar um flushing de alimentação, começando no 9º dia de aplicação até o dia da entrada em cio. Dessa forma, melhoram-se os resultados de prolificidade e o peso da leitegada.

agrupar os cios das nulíparas, podemos enumerar as seguintes vantagens: • Incorporação programada das nulíparas aos grupos ou bandas de produção; • Disponibilidade de maior número de fêmeas de reposição em ótimas condições para serem cobertas; • Ao se reprovar menor número de fêmeas de reposição, as necessidades desse tipo de animais são reduzidas;

Vantagens da utilização de altrenogest nas fêmeas nulíparas

• Diminuição do número de dias não produtivos na granja. Este ponto é de particular importância, uma vez que o custo de cada dia não produtivo está estimado entre € 1,50 e € 2,00;

Considerando unicamente a capacidade do altrenogest para regular e

• Melhor programação de coberturas ou inseminações e, portanto, de partos e desmames, obtendo-se leitões desma-

• Geração de maior sociabilização das fêmeas ao manejá-las diariamente, durante os 18 dias da aplicação do produto. Isso facilita, posteriormente, a implantação de outros manejos junto às fêmeas.

Bibliografia 1. MARTINAT-BOTTÉ et al. Synchronization of oestrus in gilts with Altrenogest. Effects on ovulation and foetal survival. Anima Repro Scien. v. 39. p. 267-274. 1995. 2. MARTINAT-BOTTÉ et al. Control of oestrus in gilts II. Synchronization of oestrus with a progestagen, Altrenogest (Regumate™): Effects on fertility and litter size. Anima Repro Scien. v. 22. p. 227-233. 1990. 3. MEISSONNIER et al. Value of Altrenogest, a progestagen for managing pig reproduction in French breeding units. IPVS Congress 19. Proceedings… v. 2; p. 515. 2006. 4. SOEDE et al. Follicle development during luteal phase and Altrenogest treatment in pigs. IPVS Congress 18. Proccedings… 2004. 5. ESTIENNE, A. Newly available tool for synchronization of estrus in swine. Livest Updat. 2003. 6. RHODES et al. Flushing and Altrenogest affect litter traits in gilts. Journ Anima Repro Scien. v. 69. p. 34-40. 1991.

Grupo de nulíparas em espera, aptas a serem cobertas

Suínos & Cia

24

7. HORSLEY et al. Effect of PG 600™ on the timing of ovulation in gilts treated with Altrenogest. Journ Anima Scien. v. 83. n. 7. p. 1690-95. 2005. Ano X - nº 50/2014


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Economia 5ª Jornada da SIP Consultores Indicadores técnicos e econômicos após o bem-estrar Introdução

População de porcas da EUR 27 (da 1ª cobertura à saída para o abatedouro - não nulíparas)

SIP é um grupo de gestão econômica para suinocultura e gado de leite sediado na Espanha. Sua base de dados contempla 670.000 matrizes e 13 milhões de suínos, a maioria abatidos na Espanha e também na Itália e Portugal.

Evolução técnico-econômica, de 2009 a 2011 Produção mundial em 2011 = 110 milhões de toneladas (aumento de 5%) PORCENTAGEM MUNDIAL (%)

ORDEM OBSERVAÇÕES

CHINA

46

1º - aumento de 8%

EUA

9

2º - estável

ALEMANHA

5

3,1

BRASIL

3

VIETNÃ

3

RÚSSIA

2

FRANÇA

2

CANADÁ

2

PAÍS PRODUTOR

Antonio Palomo Yagüe SETNA NUTRICIÓN-INVIVO NSA antoniopalomo@setna.com

ESPANHA

PAÍS

PORCENTAGEM DE PORCAS DO TOTAL

EVOLUÇÃO 2010/2012

ESPANHA

18

2.042.000

ALEMANHA

17

DINAMARCA

9

FRANÇA

9

POLÔNIA

9

HOLANDA

8

ITÁLIA

5

Queda de 24%

Queda de 14%

Total

11.100.000 de porcas

Exportações (Espanha 2012 = 40% da produção) • Europeias extracomunitárias: 3.124 milhões de ton - 14% da produção (cresceu 22% com relação a 2008) • Espanholas extracomunitárias: aumentando. Correspondem a 25% • Espanholas intracomunitárias: estáveis. Correspondem a 75%

Custos de produção anuais – evolução Custos de produção anuais – evolução

Produção Europeia em 2012 PERCENTUAL DO TOTAL (%)

EVOLUÇÃO

ALEMANHA

25

Crescimento desde 2006; agora estável

ESPANHA

16

Ligeiro crescimento

FRANÇA

9

Queda na produção

DINAMARCA

7

Queda na produção

ITÁLIA

7

Estável

HOLANDA

6

Ligeiro crescimento

PAÍS

Suínos & Cia

26

Período

2009

2010

2011

2012

1º sem. 2013

ct* €/kg PV**

103,4

104,9

118,6

122,8

128,0

*centavos

** peso vivo

ITEM

CUSTO/SUÍNO (ct €/kg)

PORCENTUAL DE CUSTO RELATIVO

RAÇÃO

94,5

74%

ALOJAMENTO + MANEJO

26,0

20%

RESTANTE (SANIDADE + REPRODUÇÃO)

7,5

6%

Ano X - nº 50/2014


Economia A partir de 2009 o preço da ração subiu € 106,00/ton e foi o item que mais pesou no custo de produção.

ct €/kg PV

ESP

DK

FR

AL

NL

Preço Lonja*

133

152

145

171

161

Preço vivo ajustado

133

116

111

135

128

Preço líquido de venda

128

124

123

131

126

25,3

Preço de venda médio 2008/2012

113

107

109

115

111

7,1%

Custo de produção

124

127

127

141

132

Margem econômica

+ 4%

- 3%

- 4%

- 10%

- 6%

Médias 2008/2012

- 5%

- 10%

- 8%

- 16

- 12%

CONCEITO

2006

2009

2010

2011

2012

1º SEM 2013

ÍNDICE DE CONVERSÃO

3,00

2,98

2,90

2,88

2,83

2,80

PRODUTIVIDADE leitões/porca/ano

22,9

23,7

24,0

24,6

24,7

MORTALIDADE creche + engorda

9,7%

8,2%

7,5%

7,0%

7,1%

O preço de venda em euros, frente aos € 137,00 do 1º semestre de 2013, foi de € 133,40 em 2012, o que, retirando os 6 ct €/kg referentes a gastos e descontos no frigorífico (com a mesma evolução desde 2009), corresponde a um preço líquido recebido de € 135,20/kg de peso vivo. Essa ocorrência implica em um benefício, na Espanha, da ordem de 5 ct €/kg em 2012 e de 1,5 ct €/kg vivo no primeiro semestre de 2013.

Informe Interpig 2012 Na Espanha (ESP) temos o melhor custo de produção, com o maior preço de venda da Europa {França (FR), Alemanha (AL), Países Baixos, Bélgica, Dinamarca (DK), Áustria, Grã Bretanha, Holanda (NL), Itália, Grécia, República Checa}. Foi feito um comparativo entre Dinamarca, França, Alemanha e Holanda (EUR 4), as quais – junto com a Espanha – somam 62% do total da EUR 27.

ESP

DK

FR

AL

NL

EUR 27

População 2.042.000 1.028 de porcas

968

1.870

914

11.110.000

Evolução 2010/2012

- 7%

- 3%

- 6%

- 3%

- 8%

Evolução 2007/2012

- 16%

- 6% - 12% - 13%

- 1%

- 25%

- 3%

Os resultados de 2012 na EUR 4 e comparativos com a Espanha são:

*Site para busca de referência de preços (www.hoyagro.es/lonja-agropecuaria-de-extremadura)

Os itens de custos comparativos de 2012 e na EUR 4 são:

ct€/kg PV

ESP

DK

FR

AL

NL

Ração Aloj + Gest Sanidade Reprodução

88 29 5 2

80 42 3 1

80 41 3 3

88 46 5 2

81 45 3 2

Custo de produção 2012

124

127

127

141

132

Custo médio 2008/2012

117

117

116

131

123

Pessoal Amort + Fin Outros

7 13 9

11 17 14

12 18 11

11 21 14

11 16 18

Média 2008/2012

31

42

40

50

47

Se fizermos referência à evolução dos preços das rações em 2012: ct€/kg PV

Produção de suínos MMT

3.466

Evolução 2010/2012

+ 3%

Evolução 2007/2012

+ 1%

1.604 1 957 5.459 1.332 21.918.000 - 4%

- 3%

0

+ 3%

- 11% - 14% + 10% + 3%

0 - 4%

(kg)

ESP

DK

FR

AL

NL

Peso no desmame

5,9

7,1

6,9

7.5

7,6

Peso na engorda

18

32

31

30

25

Peso no abate

108

107

117

121

116

Ano X - nº 50/2014

Custo da ração

ESP

DK

FR

AL

NL

88

80

80

88

81

Média 2008/2012

79

70

70

73

70

Preço da ração

306

282

274

302

302

Média 2008/2012

269

247

238

249

254

Diferença 2012

-16

-24

-32

-4

-5

Diferença 2008/2012

-22

-22

-31

-20

-15

IC* Global 2012

2,86

2,83

2,90

2,90

2,70

IC Média 2008/2012

2,93

2,82

2.93

2,95

2,77

Diferença IC 2012 - g

-30

-33

39

30

-164

Média 2008/2012

-61

-106

-3

20

-156

* Índice de conversão. Obs.: a cada € 3,00/ton de ração, o custo de produção aumenta uma média de 1 ct €/kg

Suínos & Cia

27


Economia Quanto à evolução da produtividade das porcas na EUR 4: ESP

DK

FR

AL

NL

Desmamados

ct€/kg PV

10,5

13,0

11,4

11,4

12,0

Desm/porca/ano

24,8

29,6

26,6

26,6

28,3

Média 2008/2012

24,2

28,2

26,2

24,8

27,6

Mortalidade total

7,5%

6,3%

5,7%

5,6%

4,6%

Total de leitões

3,4%

2,9%

2,3%

3,0%

2,2%

Engorda

4,1%

3,4%

3,5%

2,6%

2,4%

Mortalidade 2008/2012

7,8%

6,5%

5,7%

5,9%

4,4%

Obs.: a cada 1% a menos de mortalidade, reduz-se o custo em € 1,00/suíno No nível global dos custos, a diferença frente ao grupo EUR 4 é favorável para a Espanha, sendo maior em 2012 do que no período 2008/2012. Isso avaliza o nosso sistema produtivo como competitivo, havendo a necessidade de manter atenção constante sobre a eficiência produtiva para se buscar a rentabilidade.

em instalações reformadas e adaptadas (208). O sistema mais eficiente – no referido estudo – foi o de estações eletrônicas; e o pior, o de comedouros individuais, havendo uma diferença de custo da ordem de € 1,20/leitão, diferença essa superior em granjas novas, frente às reformadas.

Repercussão econômica da PRRS (Síndrome Respiratória e Reprodutiva Suína) Entre as 247 granjas, 87% são positivas, sendo 71% delas estáveis e 16% instáveis. Considerando que apresentam quadro clínico da doença à razão de 25% ao ano, podemos considerar que a cada quatro anos teremos esse tipo de problema nessas granjas. Apenas 13% das granjas são negativas, havendo uma elevada variabilidade. Foi realizada uma comparação da produção de 2011 com a de 2012 (ano em que a doença se manifestou). As perdas estimadas por quadro clínico totalizaram € 3,86/leitão produzido, com uma amplitude de € 1,7 a 5,4/leitão. Do montante inicial, € 1,7 vem das mães e € 1,4 dos leitões de creche, com base nos seguintes conceitos:

Sistemas para alimentação de matrizes – 1º semestre de 2013 Foi realizada uma análise, no primeiro semestre de 2013, em 247 granjas e 245.000 reprodutoras, após a entrada em vigor da normativa de bem-estar animal, em 1º de janeiro de 2013 (RD 1135/2002, de 31 de outubro). O objetivo foi comparar os resultados produtivos de diferentes sistemas de alimentação de porcas em grupo, tanto em instalações recém-construídas (139) quanto ESTAÇÃO LIVRE SEMI- COMEDOUROS OUTROS ELETRÔNICA ACESSO BOX INDIVIDUAIS Granjas

39

30

148

8

22

Nº de porcas

1 332

1 074

920

756

714

CA*

2,40

2,38

2,35

2,35

2,25

DV**

11,1

10,7

10,7

10,8

10,8

LCA***

26,7

25,5

25,1

25,1

24,8

Ração/ porca/ ano

1 157

1 151

1 120

1 191

1 126

Ração do leitão

43,9

45,6

44,8

47,8

46,7

Custo da ração do leitão

13,3

13,9

13,6

14,5

14,2

*Conversão alimentar; **Desmamados vivos; ***Leitões/porca/ ano

Suínos & Cia

28

MORTALILEIT/ PARTOS/ NASLEITÃO FÁRDADE NA DESM/ PORCA/ CIDOS DESMAMACOS LACTAPORCA/ ANO VIVOS MADO ÇÃO ANO MÃES

LEITÃO

+€ 2,72

+€ 0,23

- 0,06

- 0,28

+ 2,4

baixas

ganho índice de médio conversão diário

+ 0,80

- 13,65 g

- 0,53

- 1,9

+ 0,06

Manejo de rações de creche Estudo realizado em 98 granjas. As empresas vêm utilizando de 3 a 4 tipos de ração diferentes nessa etapa. São consideradas rações iniciais as que superam o preço de € 0,58/kg. Entre 2009 e 2010 o consumo das referidas reações era de 4 kg/leitão. A tendência atual é de reduzir esse consumo, sem guardar qualquer relação com o peso menor no desmame, tampouco com fatores técnicos (GMD, IC, Mortalidade). Foram comparados programas de menos de 2 quilos, de 2 a 5 quilos e de mais de 5 quilos de ração por leitão, sem que houvesse diferenças na produção. Houve sim menor diferença no custo, uma média de € 0,05/kg (€ 1,22 vs € 1,17/kg entre o maior e o menor). Granjas com leitões recém-desmamados pesando mais de 6,5 quilos apresentaram resultados técnicos mais eficientes.

Ano X - nº 50/2014


Economia a. Índice de conversão: 80g superior no primeiro semestre do

Custo de alojamento e manejo - 2012

ano, comparado ao segundo. Os fechamentos de lotes no

Estudo realizado em 75 granjas (UPLs) pertencentes a 44 empresas que produzem leitões de 18 kg, com uma população média de 1.250 porcas em produção por granja. A equação de custos global corresponde a: 73% (ração) + 4% (terapêuticos) + 2% (reprodução) + 21% (gastos com manejo e instalações).

verão são piores do que os fechamentos de inverno, levando a uma perda média de € 1,06/suíno; b. Mortalidade superior nos primeiros cinco meses do ano, o que supõe um impacto negativo de € 0,06/suíno; c. Peso no abate menor de julho a setembro, o que eleva o custo final em € 0,53/suíno.

Pessoal Energ. Manut. Dejet. Amort. Financ. Rest. 21%

39

15

8

3

22

4

10

€ 14,5

5,6

2,2

1,1

0,4

3,1

0,6

1,4

Como evoluíram os melhores em 2012? Informe comparativo baseado na média e no desvio

Sazonalidade de fatores técnicos de produção

padrão. As 15% das melhores e mais eficientes granjas foram

Estudo realizado entre 2010 e 2012, analisando 301 granjas convencionais (ciclo completo) contendo matrizes e 3,7 milhões de suínos de engorda/ano, com relação aos efeitos da climatologia sobre a produção: 1) No setor de reprodutoras foram relatadas perdas avaliadas em € 0,5/leitão produzido, com base na penalização dos seguintes parâmetros: a. Consumo de ração baixo em julho, agosto e setembro (1.050 kg/ano vs 1.124 kg/ano), além de um sobreconsumo em fevereiro e março; b. Leitegadas desmamadas com tamanho reduzido entre outubro e fevereiro, em função da perda de produção leiteira em agosto/setembro; c. Infertilidade e anestros no verão, o que reduziu o número de partos/porca/ano em 0,1 ponto (2,3 vs 2,4); d. Mortalidade de porcas da ordem de 7,9% (média) em todo o período, chegando a um pico de 10,5% em julho.

esquerda da curva de Gauss, têm um custo de produção € 7,8

2) Nos setores de engorda foram relatadas perdas sazonais avaliadas em € 1,65/suíno, acumuladas em função de resultados ruins de:

nomeadas como T15. Essas granjas, que se localizam na lateral mais barato/suíno, na média. A média dos custos, em 2012, situou-se em € 1,23 ± 0,05/kg, sendo T15 o grupo de produtores que obteve um custo inferior a € 1,18/kg vivo. Os principais fatores analisados, de forma comparativa, entre o total de clientes da consultoria SIP e o grupo T15 foram: • Distribuição geográfica: não há diferenças entre as áreas norte, central e sul; • Tamanho da empresa: melhor nas grandes do que nas pequenas; • Tamanho da granja: melhor naquelas com mais de 750 porcas; • Sistema de produção: melhor nas granjas próprias do que nas integradas; • Peso do leitão: melhor quanto maior é o seu peso no desmame e na entrada da engorda. Os principais pontos fortes apontados nas mais eficientes foram: • Consumo de ração: possuem 100 gramas melhor de conversão (€ 2,5/suíno); • Produtividade por porca: têm 1,4 leitão a mais/ano (€ 1,5/suíno); • Mortalidade acumulada na transição e na engorda 2,1% menor (€ 1,0/suíno), sendo de 5,8% vs 7,1% na transição e de 3% vs 3,8% na engorda; • Alojamentos e manejo: têm um aproveitamento maior das instalações, o que lhes confere um benefício de € 1,6/suíno. Quanto ao índice de conversão, as diferenças estão ficando menores entre o conjunto de granjas e o grupo T15, mantendo-se as diferenças relativas à melhora na produtividade/porca e à mortalidade em creche + engorda ao longo dos anos.

Ano X - nº 50/2014

Suínos & Cia

29


Índice de Volumes Índice dos Volumes IX e X Números de 40 a 49 O Índice dos Volumes IX e X referente às edições de números 40 a 49 da Suínos & Cia compreende mais de 100 títulos. Para facilitar a localização, os artigos estão divididos em matérias técnicas e outras, ordenados por editoria, autor/autores, título, volume, número, ano e páginas.

Entrevista

Reportagem

PIÑEIRO, Carlos - Tecnologia da informação na Suinocultura – Ano VII – n° 40, 2011, pp. 6 – 9.

6º Suinter comemora sucesso e reúne participantes de 9 países - Ano VII – n° 40, 2011, pp. 36 – 41.

LISBOA, Nazaré - Kubus e Consuitec promovem intercâmbio tecnológico aos seus parceiros e clientes – Ano VII – n° 41, 2011, pp. 6 - 10.

Selo Suíno Paulista: A excelência da suinocultura – Ano VII – n° 41, 2011, pp. 46 - 49.

COLLELL, Miquel – A importância da área de Recursos Humanos na moderna suinocultura – Ano VII – n° 42, 2011, pp. 06 - 09.

Reprodução

BARCELLOS, David – A literatura na área da suinocultura – Ano VII, n° 43, 2012, pp. 06 - 07. YAGUE, P. Antonio – Nutrição de fêmeas de alta prolificidade – Ano VII, n° 44, 2012, pp. 06-12. LISBOA, Nazaré – Intercâmbio entre Brasil e China – Ano VII, n° 45, 2012, pp. 06-08. LINHARES, Daniel – Sanidade em foco – Ano VIII, n° 46, 2013, pp. 06-08. LISBOA, Nazaré - Solução inteligente: treinamento em foco – Ano VIII, n° 47, 2013, pp. 06-08. COLLELL, Miquel - Manejo em bandas – Ano VIII, n° 47, 2013, pp. 40-41. HORNEDO, Alberto - As novidades do 23° IPVS - Ano VIII, n° 48, 2013, pp. 0608. VALENTINI, Rubens - Tecnologia a serviço da suinocultura - Ano VIII, n° 49, 2013, pp. 06-09.

PALLÁS, T. Rafael - Condições ambientais e instalações: influência sobre a saúde do cachaço e a qualidade seminal - Ano VII – n° 40, 2011, pp. 10 – 18. PALLÁS, T. Rafael - Causas de anestro e cio silencioso na fêmea suína – Ano VII, n° 44, 2012, pp. 19-25. BARZETTI, Claudia; GUSMARA, Cláudia - Manejo da saúde do reprodutor suíno e sua importância na sanidade do plantel – Ano VII, n° 45, 2012, pp. 1014. FREITAS, M. Rovério - Estratégias para desempenho reprodutivo diferenciado Ano VIII, n° 48, 2013, pp. 20-27. PALLÁS, T. Rafael - Adaptação de fêmeas nulíparas - Ano VIII, n° 49, 2013, pp. 18-25.

Sustentabilidade PIÑEIRO, Carlos - As novas tecnologias de informação e suas aplicações na produção de suínos: fundamentos para um futuro imediato - Ano VII – n° 40, 2011, pp. 20 – 26.


Índice de Volumes Sanidade LINHARES, Daniel; VANNUCCI, Fábio - Experimentos controlados de campo: necessidades e princípios - Ano VII – n° 40, 2011, pp. 28 – 32. LINHARES, Daniel; VANNUCCI, Fábio - Ecologia de doenças infecciosas aplicada no diagnóstico, controle e erradicação de doenças em suínos – Ano VII – n° 41, 2011, pp. 20 - 24. GOTTSCHALK, Marcelo - Atualização sobre Actinobacillus pleuropneumoniae (App) – Ano VII – n° 41, 2011, pp. 25 28. DOMINGUES, Paulo - Desinfecção e Desinfetantes – Ano VII – n° 41, 2011, pp. 30 - 37. KRAMER, Ton - Medicamentos e medicações no controle de doenças entéricas pós-desmame – Ano VII – n° 42, 2011, pp. 28 - 40. VANNUCCI, Fábio; LINHARES, Daniel - Ecologia de doenças infecciosas aplicada no diagnóstico, controle e erradicação de doenças em suínos - Parte II – Ano VII – n° 42, 2011, pp. 42 - 46. VANNUCCI, Fábio; LINHARES, Daniel - Ecologia de doenças infecciosas aplicada no diagnóstico, controle e erradicação de doenças em suínos – Ano VII, n° 43, 2012, pp. 14-20. ZIMMERMAN, Jeffrey - Monitorando doenças infecciosas em plantéis de suínos por meio de amostras de fluidos orais – Ano VII, n° 44, 2012, pp. 26-31. GOTTSCHALK, Marcelo - Actinobacillus pleuropneumoniae: um patógeno ainda atual – Ano VII, n° 45, 2012, pp. 27-35. MUSELLA, Chiara; SALA, Vittorio

- Necrose auricular em suínos: um problema cada vez mais frequente – Ano VIII, n° 46, 2013, pp. 14-17. CLAVIJO, J. Maria; ROVIRA, Albert - Atualização sobre a infecção por Mycoplasma hyorhinis em suínos – Ano VIII, n° 47, 2013, pp. 26-28. DONIN, G. Daiane - Enterovírus suíno: qual a situação deste patógeno nos rebanhos suínos? – Ano VIII, n° 47, 2013, pp. 30-38. MARQUES, Brenda - Influência do canibalismo de cauda no ganho de peso, lesões e condenações no abate de suínos em terminação - Ano VIII, n° 49, 2013, pp. 44-54.

Economia NETO, J.C. Gomes - Traduzindo a longevidade da porca em Números – Ano VII – n° 41, 2011, pp. 12 - 18.

Produção YAGUE, P. Antonio - Índice de Conversão Alimentar: revisão dos principais fatores que o influenciam – Ano VII – n° 42, 2011, pp. 10 - 16. AFONSO, Esther; SILVA, C. Cláudia Impacto do melhoramento genético na cadeia agroindustrial da suinocultura brasileira – Ano VII – n° 42, 2011, pp. 18 - 26. PIÑEIRO, Carlos; LISBOA, Nazaré - Leitões de baixo peso e nascidos de primíparas: uma combinação muito perigosa – Ano VIII, n° 46, 2013, pp. 2426.

PIÑEIRO, Carlos ; LISBOA, Nazaré - Leitões de baixo peso e nascidos de porcas jovens: uma combinação muito perigosa - Parte (II) – Ano VIII, n° 47, 2013, pp. 23-25. PIÑEIRO, Carlos; LISBOA, Nazaré - Leitões de baixo peso e nascidos de porcas jovens: uma combinação muito perigosa - Parte (III) - Ano VIII, n° 48, 2013, pp. 18-19.

Manejo KRAMER, Ton - Problemas locomotores e o impacto sobre a longevidade da fêmea – Ano VII, n° 43, 2012, pp. 08-13. CARR, John - Como formar lotes de suínos semanais na direção do lucro – Ano VII, n° 44, 2012, pp. 14-18. PIÑEIRO, Carlos - Estratégia para otimização de recursos: Manejo em banda – Ano VIII, n° 47, 2013, pp. 10-17.

Nutrição AFONSO, Esther - Importância da nutrição para a matriz suína – Ano VII, n° 45, 2012, pp. 16-26. BONTEMPO, Valentino - Proteína da batata pode melhorar a fertilidade e a prolificidade na espécie suína – Ano VIII, n° 47, 2013, pp. 18-22. YAGUE, P. Antonio - Alimentação: líquida x seca - Ano VIII, n° 48, 2013, pp. 13-17. SALUM, Gabriel - Requerimentos nutricionais de animais em crescimento e terminação - estratégias para otimização de resultados - Ano VIII, n° 49, 2013, pp. 27-43.


Índice de Volumes Recursos Humanos GALINA, Lucina - Treinamento: otimizando a sobrevivência dos leitões de creche – Ano VIII, n° 46, 2013, pp. 1012. GONÇALVES, Márcio; PIVA, José Henrique - Experiência e realidade norteamericanas na otimização dos recursos humanos em granjas de suínos - Ano VIII, n° 49, 2013, pp. 10-16.

YAGUE, P. Antonio - Allen D´Leman Swine Conference - St. Paul - Minnesota/ EUA – Ano VIII, n° 46, 2013, pp. 28-37. YAGUE, P. Antonio - Resumo da 45ª Jornada de Pesquisa Suína – Ano VIII, n° 47, 2013, pp. 46-54.

MARINS, Luiz - O desafio de ser simplesmente elegante - Ano VII – n° 40, 2011, pp. 42.

YAGUE, P. Antonio - Propostas de práticas de campo inspiradoras - Ano VIII, n° 48, 2013, pp. 32-43.

Mensagem - Ano VII – n° 41, 2011, pp. 61.

Dicas de Manejo

MARINS, Luiz - É possível reter talentos? – Ano VII, n° 43, 2012, pp. 40.

Transporte dos animais na fase de préabate - Ano VII – n° 40, 2011, pp. 48 – 51.

MARINS, Luiz - Exigente, porém, gentil – Ano VII, n° 45, 2012, pp. 63.

Falha lactacional - Ano VII – n° 42, 2011, pp. 56 - 59.

Pare de carregar a mala dos outros – Ano VIII, n° 46, 2013, pp. 52.

Principais dicas de manejo que auxiliam na otimização de mão de obra em granjas de suínos – Ano VII, n° 43, 2012, pp. 5053.

Diagnóstico MAZZONI, Claudio Lavagem broncoalveolar (BAL) em suínos: confronto de duas técnicas e novas propostas para uma utilização concreta no campo – Ano VIII, n° 46, 2013, pp. 1923. ZIMMERMAN, Silvia - Uso e interpretação de resultados sorológicos Ano VIII, n° 48, 2013, pp. 10-12.

Revisão Técnica

PALLÁS, T. Rafael; LISBOA, Nazaré - Transporte das doses de sêmen suíno – Ano VII, n° 44, 2012, pp. 50-54. LISBOA, Nazaré; PALLÁS, T. Rafael Treinamento do macho jovem – Ano VIII, n° 46, 2013, pp. 42-46. Biosseguridade - Ano VIII, n° 48, 2013, pp. 44-48. Conhecendo o suíno para melhor interpretar os sinais clínicos que indicam situações de normalidade - Ano VIII, n° 49, 2013, pp. 62-66.

Aconteceu

YAGUE, P. Antonio - Resumo da 43ª AASV (Associação Americana de Veterinários Especialistas em Suínos) – Ano VII, n° 43, 2012, pp. 22-33.

Fazenda Brasil, cliente SOMA Suínos, recebe treinamento sobre gestão de pessoas e política motivacional no ambiente de trabalho – Ano VII – n° 41, 2011, pp. 63.

Suínos & Cia

Curso de Atualização em Reprodução Suína – Ano VII – n° 41, 2011, pp. 62.

Shaping the future: suinocultura em debate – Ano VII, n° 43, 2012, pp. 48. Prejuízos

gerados

respiratórias na suinocultura são analisados durante ciclo de palestras promovido pela Boehringer Ingelheim – Ano VII, n° 44, 2012, pp. 56-57. Consuitec e Faculdade de Jaguariúna promovem Curso de Necropsia em Suínos – Ano VII, n° 45, 2012, pp. 64. Confira uma das maiores feiras de suínos, realizada na Alemanha, na qual técnicos da Consuitec marcaram presença – Ano VII, n° 45, 2012, pp. 66-68. Diretor técnico global de suínos da MSD Saúde Animal ensinou sobre como manejar pessoas na atual suinocultura frente à modernidade e seus constantes desafios – Ano VIII, n° 47, 2013, pp. 58. Desenvolvimento de equipes e retenção de talentos – Ano VIII, n° 47, 2013, pp. 59.

Jogo Rápido Dr. Miquel Collel pergunta: Sua granja realiza adequado manejo dos animais terminados nas fases de transporte e préabate? - Ano VII – n° 40, 2011, pp. 44 – 45.

Curiosidades Curiosidades da raça MANGALICA – Ano VII – n° 41, 2011, pp. 64 - 67.

Informe Publicitário Hipra Saúde Animal – Ano VII, n° 43, 2012, pp. 42 - 43. Suinocultura abaixo de zero: profissionais brasileiros conhecem modelo de produção canadense – Ano VII, n° 43, 2012, pp. 4446. Segunda edição do livro “Doenças dos Suínos” foi lançada durante PorkExpo 2012 – Ano VII, n° 45, 2012, pp. 62.

YAGUE, P. Antonio - Allen D´Leman Swine Conference - St. Paul - Minnesota/ EUA – Ano VII – n° 41, 2011, pp. 5260.

YAGUE, P. Antonio - Resumo do 4º Simpósio da Associação Europeia de Gestão da Saúde de Suínos, realizado em Bruges – Ano VII, n° 44, 2012, pp. 3342.

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YAGUE, P. Antonio - Resumo do 22º Congresso da Associação Internacional de Veterinários Especialistas em Suínos (IPVS) – Ano VII, n° 45, 2012, pp. 3650.

pelas

doenças

Hospital-Escola da FAJ é referência nacional em atendimento veterinário – Ano VIII, n° 46, 2013, pp. 50. Novo sistema de classificação de reprodutores Agroceres PIC – CBV Max – Ano VIII, n° 46, 2013, pp. 53. Ceva lança no mercado novo conceito de vacina para controle de Pneumonia Enzoótica causada por Mycoplasma hyopneumoniae - Ano VIII, n° 49, 2013, pp. 67. Ano X - nº 50/2014


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Sumários de Pesquisa A termografia infravermelha apresenta resultados promissores na avaliação da temperatura corporal de porcas O monitoramento contínuo da temperatura corporal de uma porca dentro da maternidade continua a ser uma questão de grande importância. Manter as porcas saudáveis é importante não só para o alto desempenho, mas também para o bem-estar animal. A febre é o mais precoce e um dos principais sinais clínicos de muitas doenças, como, por exemplo, o complexo MMA. Em média, são requeridos 15 segundos para medir a temperatura retal (RT) de uma porca. Portanto, um método sem contato iria economizar tempo e reduzir o estresse dos animais.

Método O estudo foi realizado em um rebanho de ciclo completo. Foram utilizadas 45 fêmeas multíparas Large White x

mamárias geraram resultados aceitáveis, porém, menos práticos. A variação média da diferença entre as temperaturas com termômetro retal e IRT em todos os locais (4,21°C) foi significativamente maior do que a variação da diferença média entre a

Estudos anteriores mediram a temperatura da superfície corporal em suínos em vários sítios anatômicos (olho, glândula mamária, atrás da orelha, vulva e parte interna da orelha), com uma câmera de infravermelho (IRC), e concluíram que a termografia infravermelha permite medições de rotina da temperatura corporal, que podem ser utilizadas para a detecção precoce de doenças.

Landrace alemãs, com diferentes ordens

vez ao dia durante quatro dias, em quatro

A variabilidade deve ser pequena

O objetivo deste estudo conduzido por Mariana Schimidt e colaboradores foi investigar a possibilidade de substituir a medição da temperatura corporal com termômetro retal digital por técnicas com infravermelho e determinar se é possível registrar as mudanças de temperatura corporal em oito sítios anatômicos das porcas, utilizando uma câmara infravermelha (IRC - sigla em inglês) ou um termômetro infravermelho (IRT - sigla em inglês) Department of Engineering for Livestock Management, Leibniz-Institute for Agricultural Engineering, Potsdam, Germany (Journal of Swine Health and Production - Volume 21, n.4, 2013).

dos locais previamente selecionados. O

para detectar mudanças na temperatura da

termômetro digital retal foi também utili-

superfície corporal no caso das monitorias

zado como medida “padrão ouro”.

de longo prazo. Portanto, o IRT é mais útil

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A termografia infravermelha permite medições de rotina da temperatura corporal, que podem ser utilizadas para a detecção precoce de doenças

de parto (de 1-9). As fêmeas foram controladas entre o 3º dia antes do parto e o 7º depois do parto. Na fase 1 do estudo foram medidas as temperaturas corporais de 15 porcas com IRC e IRT, em oito locais anatômicos, duas vezes ao dia durante quatro dias, enquanto na fase 2 foram medidas temperaturas corporais de 30 porcas, uma

temperatura com termômetro retal e IRC (6,67°C). De acordo com os autores, nas condições deste estudo, o olho e a parte de trás da orelha são os locais mais promissores para aplicação prática dos métodos de infravermelho para medir a temperatura corporal em porcas.

que o IRC, pois nas condições deste estu-

Resultados e conclusão

do, a variabilidade foi menor para o IRT. Usando as técnicas de infraver-

Dentre os diferentes sítios onde se mediu a temperatura, o olho (área próxima ao canto medial e lateral) e a par-

melho investigadas, medições únicas de temperatura corporal não são apropriadas para detectar febre em suínos.

te atrás das orelhas (entre a transição do

Segundo os resultados deste estu-

pavilhão da orelha e a borda posterior da

do, o uso de infravermelho para o contro-

pele do músculo do pescoço) foram locais

le de temperatura contínua em porcas (nas

mais promissores em termos de viabilida-

quais as mudanças de temperatura são

de para a medição da temperatura corpo-

mais importantes do que os valores pon-

ral por IRC e IRT. A vulva e as glândulas

tuais) parece ser uma técnica promissora. Ano X - nº 50/2014


Sumários de Pesquisa Custos de uma infecção por Mycoplasma numa população suína sem contato anterior com o agente O Mycoplasma hyopneumoniae (M. hyo) permanece um patógeno ubiquitário na população suína em todo o mundo, especialmente em países com uma grande indústria suinícola. Este artigo de Tom Gillespie (Allen D. Leman Swine Conference, 2013, p.52) estima os efeitos econômicos de desempenho reduzido devido a uma infecção por M. hyo em uma criação comercial de fluxo “farrow to finish” nos Estados Unidos.

Método Em um sistema intensivo de produção suína com 2.200 matrizes, sem contato anterior com o M. hyo, com fluxo de leitões no sistema “farrow to finish”, localizada no cinturão de milho leste dos Estados Unidos, foi diagnosticada com M. hyo em março de 2010. PCRs individuais executadas a partir de swabs nasais para Mycoplasma hyopneumoniae, vírus da PRRS e vírus da SIV foram usadas para determinar os resultados positivos para M. hyo e resultados negativos para o vírus da SIV e PRRS. Os dados de produção foram avaliados comparando o desempenho antes e depois do surto de M. hyo. Os parâmetros incluíram ganho médio diário (GMD), eficiência alimentar (EA) e o valor econômico para dias extras de arraçoamento (sobrecarga de custos). A análise econômica foi feita com os seguintes pressupostos de avaliação: custo médio de alimentação de US$ 239,42/terminado, receitas médias de animais de mercado de US$ 130, custos indiretos dos dias de arraçoamento de US$ 0,10 por dia e manutenção de custo para alimentação devido a mais dias no arraçoamento de US$ 2,49 kg por dia. O peso médio inicial no alojamento dos suínos foi 22,7 kg, e o peso médio de mercado foi de 115,7 kg. Para os três parâmetros medidos, os dados foram distribuídos normalmente. O Teste T, de Student, foi utilizado para a análise e resultados e considerado significativo se P< 0,05. Ano X - nº 50/2014

PCRs individuais executadas a partir de swabs nasais para Mycoplasma hyopneumoniae

Tabela 1. Parâmetros médios de desempenho pré e pós um surto de M. hyo GMD

Conversão alimentar (EA)

Consumo médio diário

Período indene

1,99a

2,58

5,11

Pós-infecção

1,86

2,71

5,05

b

Valores ab em colunas com letras diferentes são significativamente diferentes

Resultados O surto de M. hyo impactou significativamente o ganho de peso diário GMD (P< 0.021). O consumo médio diário (P= 0,74) e a eficiência alimentar (P= 0.07) foram reduzidos numericamente, mas as diferenças entre os dois períodos não alcançaram significado estatístico com base na amostra estudada (tabela 1). A análise econômica revelou uma perda combinada de US$ 7,92 por animal de mercado na fase de surto. A maioria do impacto de custo deveu-se a ganhos mais lentos (7,2 dias mais tempo para o peso de mercado). Os custos de tratamento, a taxa de mortalidade e os descartes não foram incluídos neste estudo.

Discussão e conclusões O M. hyo e a pneumonia associada com uma infecção continuam sendo uma preocupação para a indústria suína em todo o mundo. Os sinais clínicos associados numa população, sem contato anterior, infectada com M. hyo são expressos como um desafio respiratório.

Os sinais clínicos incluem (mas não estão limitados) tosse, aparência magra, febre, dificuldade respiratória e aumento da mortalidade, caso oportunos tratamentos não sejam realizados. As coinfecções com outros patógenos primários e secundários irão complicar o diagnóstico e aumentar os custos associados com tratamentos. Neste sistema de produção indene (sem contato anterior) para o M. hyo e o vírus da PRRS, um surto agudo ocorreu em março de 2010 e foi clinicamente expresso por meio de doença respiratória nos animais em idade de terminação, associada a um desempenho reduzido de crescimento. Apesar de terapias antibióticas (usando animais individuais e tratamentos em massa) terem sido utilizadas para controlar a mortalidade e reduzir a ocorrência de animais abaixo do valor de mercado, ainda assim ocorreu diminuição significativa no crescimento. Este artigo ilustra o que custa um patógeno distribuído em todo o mundo quando uma infecção ocorre em uma população suína indene. Programas de biosseguridade podem usar estes dados econômicos para mostrar por que é necessário esforço para limitar a entrada de um patógeno importante como o M. hyo. Suínos & Cia

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Sumários de Pesquisa Dinâmica do vírus Influenza A em aerossóis provenientes de granjas suinícolas O principal objetivo de uma interessante pesquisa conduzida por NeiraRamirez, V. e colaboradores foi caracterizar a presença de aerossóis com vírus da Influenza A, provenientes de instalações comerciais de suínos durante surtos de gripe ao longo de certo período. Um objetivo adicional foi avaliar a relação entre a gravidade dos sinais clínicos e a detecção do vírus da Influenza A (IAV - sigla em inglês) em aerossóis (Swine Disease Eradication Center, College of Veterinary Medicine, University of Minnesota,USA Allen D. Leman Swine Conference, 2013, p.214). O vírus da influenza A clinicamente provoca letargia, espirros e tosse em suínos; no entanto, a infecção subclínica também é possível de ocorrer. A transmissão deste vírus ocorre principalmente pelo contato direto e por aerossóis. O IAV foi detectado e isolado em amostras de ar de locais com suínos infectados experimentalmente com e sem imunidade. O IAV também foi identificado em aerossóis em condições de campo, mas a duração dos bioaerossóis do vírus ao longo do tempo ainda não foi relatada.

Método Cinco rebanhos suínos com gripe aguda como sinal clínico foram identificados com base na comunicação do veterinário local. Após a confirmação diagnóstica da infecção pelo vírus da Influenza A, cada rebanho foi visitado cada 3 a 7 dias até que o vírus não pudesse ser detectado em testes de fluidos orais. Durante a primeira visita, duas baias de suínos foram convenientemente selecionadas e avaliadas em subsequentes visitas de acompanhamento. Em cada visita, uma amostra de Suínos & Cia

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Em cada visita, uma amostra de fluido oral e outra de ar foram coletadas em cada baia

fluido oral e outra de ar foram coletadas em cada baia. E duas amostras contra o vento e outras duas na direção do vento também foram coletadas a cerca de 50 m do alojamento. Coletores ciclônicos foram usados para coletar amostras de ar (Midwest MicroTek). A técnica de PCR em tempo real para o vírus da Influenza A foi utilizada em todas as amostras, e o isolamento do vírus foi tentado nas amostras positivas ou suspeitas. Avaliações clínicas da saúde dos suínos, incluindo escores de tosse e espirros, foram registradas durante cada visita. As granjas foram visitadas até 42 dias após o relato do aparecimento de sinais clínicos no rebanho.

Resultados A amostragem ocorreu entre outubro de 2012 e maio de 2013. Ao todo, 35 visitas às granjas foram conduzidas. Em 33 delas, o IAV foi detectado, pelo menos, numa amostra. Trinta e três (47%) amostras de ar coletadas dentro das instalações foram positivas para o IAV por PCR e 8 (11%) suspeitas. Em 22 visitas (63%), foi detectado RNA do IAV em pelo menos uma amostra de ar, e o IAV foi detectado em todas as granjas do estudo. Todas as amostras contra e a favor do vento foram negativas, exceto em uma amostra na qual

o RNA do IAV foi detectado na direção do vento. Entre 59 amostras de fluidos orais, 49 (70%) foram positivas para IAV e 10 (14%) suspeitas. Houve uma associação positiva entre a detecção do IAV em amostras de ar e fluidos orais. O IAV geralmente foi detectado no ar por 10 a 13 dias após o relato do aparecimento de sinais clínicos em suínos, com exceção de um rebanho no qual o IAV só foi detectado durante a primeira visita. Em dois rebanhos, amostras de ar testadas negativas 16 dias após o início dos sinais clínicos voltaram a apresentar positividade novamente aos 22 dias. Em uma granja, o IAV foi detectado aos 42 dias após o aparecimento dos sintomas. Testes adicionais serão necessários para determinar se a detecção posterior foi devida à mesma cepa de vírus detectada anteriormente. O IAV foi isolado de amostras de ar e fluído oral em todos os rebanhos, com exceção de uma granja na qual amostras de IAV não puderam ser recuperadas do ar. As análises preliminares não mostraram uma relação entre a presença do IAV em aerossóis e a gravidade dos sinais clínicos nos suínos. Na opinião dos autores, os resultados indicam que o IAV pode estar presente em aerossóis nas instalações de produção de suínos por um período prolongado de tempo. Ano X - nº 50/2014


Jogo Rápido Dra. Nazaré Lisboa pergunta: Sua granja encontra-se preparada para otimização de recursos? 1. Como se encontra o sistema de automação da alimentação nas diferentes fases de produção? a) 25% b) 75% c) 100% d) < de 25% 2. Quanto às condições de limpeza diária, existe piso autolimpante? a) 25% b) 50% c) 75% d) < 25% 3. Na sua empresa, há quantas matrizes por funcionário? a) 100 -120 b) 150 c) >180 d) <100

4. Os manejos, como cobertura, parto, desmame estão em dias diferenciados? a) Algumas semanas sim, outras não b) Apenas coincidem partos e coberturas c) Trabalhamos com atividades programadas e separadas para otimizar mão de obra. d) Este item não é considerado. 5. Como se formam os lotes de cobertura da semana na sua granja? a) Insemina-se o número de fêmeas disponíveis da semana e, se necessário, desmamam-se mais fêmeas para completar o lote. b) Inseminam-se as desmamadas, retorno de cio e marrãs. c) Inseminam-se as fêmeas desmamadas e marrãs previamente programadas, respeitando a necessidade de cada lote da semana.

d) Não existe um programa consistente de preparação de marrãs. 6. Com programa de coberturas semanais ou de 20 lotes, quantos desmames se faz por semana? a) Todos os dias b) Duas vezes por semana c) Uma vez por semana d) Não existe um programa constante de desmame com previa programação. 7. Existe um programa eficaz e consistente quanto à preparação de marrãs e sincronização de cio? a) Às vezes b) Apenas quando necessário c) Sempre trabalha-se com 23% a 25% de nulíparas no plantel para reposição, com programa de direcionamento aos lotes, adequada preparação e sincronização. d) Existe aquisição de marrãs, mas não se trabalha com padrão. 8. Quantas horas cada funcionário trabalha semanalmente? a) Mais de 44 horas b) 44 horas mais hora extra c) 40 horas d) 50 horas 9. Os funcionários destinados ao manejo realizam tarefas distintas da produção, como manutenção ou outras funções que não estejam ligadas aos animais? a) Raramente b) Com frequência

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Ano VIII - nº 49/2013


Jogo Rápido c) Os funcionários de manejo trabalham apenas com os animais. Manutenção se faz com pessoas especializadas e contratadas para este fim. d) Não existe diferença de funções, fazse o que tem de ser feito. 10. Existe programa de incentivos para os funcionários e participação nos resultados? a) Foi implantado e permanece o mesmo sistema a mais de 5 anos. b) Não existe, apenas salários e horas extras são pagos c) Existe, e a cada ano é reavaliado junto com líderes e equipe. d) O que se faz é um pagamento de comissão mensal, com resultado acumulado de três meses em cima do salário, segundo a produtividade. 11. Existe modernização no sistema de produção para otimizar manejo, instalações e mão de obra? a) Encontra-se em projeto, porém, depende do mercado.

b) Existe um orçamento de verba para investimentos neste setor. c) Modernização sempre em instalações para poder melhorar a eficiência de todo o sistema d) Primeiro reduzimos a mão de obra e, em seguida, adotamos estratégias de melhorias de instalações.

12. Existe revisão de processos e procedimentos com o objetivo de otimizar recursos? a) Ainda não. b) Apenas quando necessário. c) Sempre mede-se e avalia os processos para otimizar tempo e prioridades. d) Vamos implantar futuramente.

Pontuação: Conte quantas vezes repetiu-se a mesma letra nas suas respostas. Se em suas respostas houve mais de oito letras (C): Parabéns! Certamente sua empresa encontra-se competitiva e atualizada segundo as exigências dos atuais sistemas de produção. Investir em automação, modernizar e adequar instalações garantem melhor aproveitamento da mão de obra e, consequentemente uma atividade bem mais competitiva. Siga nesse caminho que o resultado sempre é e será promissor, mantendo-o na suinocultura de forma sustentável.

Se nessa avaliação suas respostas não chegaram a sete letras (C): Indica situação de cuidado e alerta, com necessidade de revisar processos, orçamentos e investimentos. Hoje, os salários representam um custo considerável exigindo produtividade e otimização de funções. Mas nunca é tarde, avalie tempo e o movimento das pessoas juntamente com suas funções e estabeleça por onde começar. Certamente encontrará oportunidades de inovar seu sistema e se manter nessa dinâmica atividade que é a suinocultura.

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Revisão Técnica Allen D’ Leman Swine Conference St. Paul – Minnesota/EUA “Ciência - Soluções Orientadas” Introdução O objetivo deste artigo é traduzir, de forma direta e prática, as principais conclusões da Conferência sobre Suinocultura organizada pela Universidade de Minnesota, por meio de seu departamento de educação continuada, e realizada em homenagem ao médico-veterinário Allen D. Leman (1944 - 1992) que morreu ainda jovem, aos 48 anos, praticando esporte após uma reunião científica na França, e que se caracterizava, entre outras coisas e na opinião de muitos de seus alunos, por sua paixão, carisma, qualidade pessoal, pró-atividade e inspiração pela boa ciência e pela boa prática, além de sua atenção aos custos de produção, sendo considerado um líder na profissão de veterinário dedicado à espécie suína. Nesta 40ª edição participaram 650 veterinários especialistas em suínos, em sua grande maioria, norte-americanos, e um destacado número de colegas, vindos dos EUA, Canadá, Brasil, México, China e Japão. O programa estava centralizado

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em cinco seminários prévios, realizados durante o final de semana, três palestras magistrais, quatro intervenções pontuais e 96 conferências, somado a uma ampla sessão de 59 posters, dentre os quais um comitê de três pessoas selecionou quatro para apresentação oral. A primeira palestra magistral versou sobre a diarreia epidêmica suína, devido ao interesse científico e às graves perdas econômicas que ela vem causando, tanto nos EUA como na Ásia. Para estruturar esse resumo que preparei, agrupei o seu conteúdo em dez seções, iniciando cada referência pelo nome do primeiro autor de cada um dos trabalhos, como segue:

• Diarreia epidêmica • Síndrome Respiratória e Reprodutiva Suína (PRRS) • Gripe suína • Circovírus suíno ou PCV2 • Mycoplasma spp • Haemophilus parasuis • Brachyspira spp • Manejo • Nutrição • Assuntos diversos

Prof. Dr. Antonio Palomo Yagüe Diretor da Divisão de Suinocultura SETNA NUTRICION SA – InVivo NSA antoniopalomo@setna.com

Diarreia epidêmica suína SONG, D.  Doença produzida por um vírus RNA da família Coronavírus, identificado na Europa (Reino Unido, 1971) em suínos de engorda com quadros esporádicos nos meses de inverno e que reapareceu em 2013 na Ásia (Coreia, China, Japão, Filipinas e Tailândia), assim como nos Estados Unidos, provocando uma diarreia aquosa sem traços de sangue, vômitos e desidratação em leitões lactentes com menos de quatro semanas de idade, com alta morbidade e mortalidade. Durante os anos 1980 e 1990, a diarreia epidêmica suína (DES) foi prevalente na Europa (Bélgica, RU, Alemanha, França, Holanda, Suíça, República Tcheca, Hungria e Itália em 2006). Os quadros asiáticos da doença são mais graves do que os ocorridos na Europa. No Japão, entre setembro de 1993 e junho de 1994 morreram 14.000 leitões (30% a 100% de mortalidade), enquanto as reprodutoras manifestavam somente uma redução no apetite e na produção leiteira. 56,3% de todos os casos de diarreia ocorridos na Coreia, entre 1992 e 1993, foram atribuídos à DES, e 90% deles correspondiam a leitões com menos de 10 dias de idade. Essa situação foi considerada endêmica. As lesões concentravam-se no intestino delgado, que se apresentava distendido, com o seu conteúdo amarelado e a presença de leite não digerido. A parede da mucosa intestinal era muito fina e as vilosidades estavam atrofiadas. Quando a doença entra pela primeira vez na granja, podemos observar até 100% de mortalidade dos leitões lactentes. O vírus do gênero Coronavírus tem 130 nm de diâmetro e uma estrutura interna opaca e desconhecida, é sensível a éter e clorofórmio, estável no pH entre 5 e 9 a 4ºC e no pH entre 6,5 e 7,5 a 37ºC. Ano X - nº 50/2014


Revisão Técnica Não tem atividade hemaglutinante, nem efeito citopático. O referido vírus tem quatro proteínas estruturais: • S (spike, em inglês, ou espigão): dividese em S1 e S2 e estimula a indução de anticorpos neutralizantes; • E (envoltório); • M (membrana): atua na indução do alfa-interferon; • N (núcleo-capsídeo): atua na indução da imunidade celular. Além disso, este coronavírus se divide em três grupos: G1, G2 e G3 (com três subgrupos), o que sugere a existência de diversidade genética. As cepas chinesas são próximas, geneticamente, entre si e diferentes das cepas vacinais existentes, bem como das cepas europeias. O vírus se propaga por via oral durante as primeiras fases da diarreia, havendo um período de incubação de 1 a 2 dias, um período de excreção de 7 a 11 dias e uma resposta imune entre 7 e 14 dias pós-infecção. O vírus é de difícil cultivo “in vitro”. Sua transmissão é muito rápida, sendo detectado também no ar, por meio de PCR. Para o diagnóstico é preciso identificar o vírus no laboratório, a partir de animais vivos, na fase aguda da diarréia, tomando-se amostras de intestino delgado (10 cm a 20 cm). As técnicas analíticas sensíveis utilizadas são: • Imunofluorescência; • Imuno-histoquímica; • Microscopia eletrônica; • ELISA: a presença de anticorpos no soro nem sempre está correlacionada à proteção, provando apenas que o referido animal esteve em contato com o vírus entérico; • PCR em tempo real, a partir de tecido fixado com formalina. A concentração de IgA no colostro é a melhor medida de proteção frente às infecções pelo vírus da diarreia epidêmica, sendo, inclusive, melhor que os títulos de soroneutralização, que servem para avaliar o estado da granja frente à infecção. O grau de proteção dependerá do título de anticorpos passado da mãe aos leitões. As IgG e IgM são menos resistentes à degradação proteolítica no trato digestivo e têm maior habilidade para neutralizar o vírus. São muitas as vacinas desenvolviAno X - nº 50/2014

das para o controle da doença na China, mas não na Europa, devido ao seu pouco interesse econômico até o momento. São comercializadas vacinas atenuadas para reprodutoras, tanto injetáveis como orais, sendo as segundas mais eficazes (Filipinas, 2011), reduzindo a gravidade e a duração da diarreia, assim como o tempo de excreção viral. A exposição dos animais a conteúdos intestinais no pré-parto e na reposição de fêmeas, durante uma semana, é considerada um tratamento de segurança questionável.

Síndrome Respiratória e Reprodutiva Suína (PRRS) LINHARES, D.  O fechamento de granjas durante 210 dias é uma estratégia usada na suinocultura norte-americana para o controle e a eliminação do vírus da PRRS em granjas de reprodutoras infectadas. A referida síndrome costuma se manifestar após a entrada massiva de fêmeas de reposição na granja e o impedimento temporário da entrada delas, mais a vacinação das que já ingressaram com uma vacina viva modificada ou outro procedimento que as ponha em contato com o vírus de campo (o uso da primeira opção é mais interessante, por seu menor impacto sobre a produção) controlam o problema. O autor demonstrou ainda que as granjas assistidas por veterinários clínicos conseguem cumprir melhor as práticas de manejo, recobrando os índices produtivos após um

surto da doença mais rapidamente do que as que não contam com esse tipo de assessoria. Assim, o fechamento das granjas, nesses termos, associado às boas práticas de manejo, é sinérgico na resolução de um surto da doença devido ao vírus da PRRS, que, segundo o autor, pode levar a perdas da ordem de US$ 13,52/suíno (2013). JOHNSON, C.  Explica o conceito de como o tempo pode estabilizar ou tornar negativo o plantel de uma granja de reprodutoras, com o objetivo de produzir leitões desmamados negativos (TTPTTS) baseado no fato de que durante 90 dias os referidos leitões serão negativos para a prova do PCR, realizada a partir de amostras de soro (antígeno). A estabilidade não está correlacionada com a negatividade nesse estudo, e a mortalidade pós-desmame em leitões é um dos principais indicadores da circulação do vírus e da positividade em leitões no desmame. Determina, ainda, como as granjas com mais de um surto por ano devem conduzir um programa de controle, enquanto que aquelas com menos de um surto a cada três anos podem adotar a erradicação como criadora de valor de rentabilidade. Para esse programa de controle prescrevese a vacinação das marrãs de reposição, e para a erradicação, a introdução de marrãs negativas. NEREM , J.  A clínica veterinária Pipestone tem protocolado os programas de controle e eliminação do víSuínos & Cia

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Revisão Técnica Influenza suína ALLERSON, M.  Em um estudo de prevalência realizado nos EUA, 91% das granjas de engorda amostradas foram positivas durante os dois anos de duração da pesquisa. Os leitões desmamados foram identificados como subpopulações importantes do vírus da gripe e como base de sua transmissão. Estudo realizado em 52 granjas de reprodutoras, em 5 Estados diferentes, a partir de 5.160 exsudatos nasais (em pools de 3 a 1720 amostras), determinaram, por PCR em tempo real, 22% de positivos ou suspeitos e 42% de granjas positivas.

rus da PRRS (PRRSv) com base na exposição do plantel reprodutor ao vírus, por meio da imunização e do impedimento da entrada de novos animais (o que permitiria a renovação da população suscetível), destacando o seguinte em seu programa de fechamento de granjas: • Isolamento de 250 dias aplicado às marrãs vindas de fora; • Semana 1 a 16: impedimento da entrada de novas fêmeas, exposição ao vírus, homogeneização; • Semana 17 a 36: restrição de movimentação nas salas de parto, sacrifício de animais virêmicos, estritas medidas de limpeza, lavagem, secagem, desinfecção, vazio sanitário, mudanças de agulhas, roupa; • Controles mensais: PCR em fluidos orais ou em soro de leitões e marrãs de reposição. WAYNE, S.  A informação sobre a sequência da ORF5 é usada normalmente para saber se o vírus que circula na granja é o mesmo do surto anterior ou se é novo, além de representar uma ajuda na compreensão da epidemiologia e da circulação dele em nosso sistema de produção ou região. A sequência e o fluxo de circulação dos suínos na granja devem ser bem controlados e perfeitamente definidos. A possibilidade de transmissão por via aérea é amplificada pela movimentação dos suínos na engorda e dos leitões nos sistemas de múltiplos sítios. Os meios de comuniSuínos & Cia

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cação e as boas práticas de produção entre suinocultores e veterinários, portanto, são essenciais para esse tipo de controle. MURTAUGH, M.  Para confirmar se dois vírus são diferentes partese do princípio de que a sequenciação da ORF5 apresente diferenças significativas de, pelo menos, 2%. Alguns autores consideram essas diferenças a partir de 4% ou 5%. O importante é saber se o vírus da granja em questão é novo ou residente, especialmente em granjas positivas, em novos surtos e nas marrãs que vêm de fora (outra origem). GABLER, N.  As infecções pelo PRRSv não só provocam a redução do ganho médio diário, como também o consumo diário de ração (de 7% a 15%) e o coeficiente de digestibilidade total e aparente da matéria seca (de 3% a 5%), causando diminuição da conversão alimentar do suíno na fase de engorda ao reduzir a deposição de tecido magro. As vacinas vivas modificadas contra a PRRS têm a capacidade de se replicar no organismo do animal após a sua aplicação, e a eliminação do vírus no meio ambiente traz como consequência um risco de infecção para os animais negativos, especialmente as porcas gestantes. As infecções conjuntas do vírus da PRRS e do vírus da gripe são comuns nas granjas norte-americanas, o que causa agravamento nos quadros clínicos.

DIAZ, A.  O vírus influenza A é muito dinâmico em engordas endemicamente infectadas, sendo os leitões infectados no desmame e o nível da imunidade maternal os parâmetros que têm um papel essencial na manutenção e no desenvolvimento de novas infecções. ANDERSON, T.  A Organização Mundial da Saúde (OMS-WHO) realizou um estudo filogenético e analisou a sequência antigênica do vírus da gripe A para desenvolver uma vacina antigripal para humanos. Além disso, compilou os resultados das provas de inibição da hemaglutinação realizadas em mais de 100 países, de forma sequencial, com o objetivo de selecionar as cepas para uma vacina multivalente. Nos EUA, o USDA (Ministério da Agricultura norte-americano) está concluindo um estudo, iniciado em 2009, que contemplou a coleta de amostras em granjas de 25 Estados para detectar os três subtipos de vírus (H1N1, H1N2 e H3N2) e já observou que nos últimos quatro anos aumentou a prevalência do H1N1 e baixou a do H3N2 (atualmente: H1N1 = 37,4% e H1N2 = 36,8%). Há uma influência estacional, com um primeiro pico no início de setembro e durante novembro, e um segundo pico em fevereiro e março. http://usda.mannlib.cornell.edu VINCENT, A.  Entre 1997 e 1998 o vírus H3N2 foi endêmico nos EUA. O USDA analisou a filogenética das cepas dos vírus da gripe em suínos, entre 2009 e 2012, o que revelou mudanças na dinâmica populacional dos três vírus circulantes locais: H1N1, H3N2 e H1N2. O genótipo 1 é o mais frequentemente deAno X - nº 50/2014


Revisão Técnica tectado nos suínos. Não foi observado nenhum incremento aparente na virulência. As vacinas para suínos geram uma limitação dos sintomas clínicos, porém, não são efetivas na neutralização da infecção, nem da sua transmissão. www.cdc.gov/flu/swineflu/ variant-cases-us.htm

remia é considerável na maioria dos casos e, nesse sentido, a aplicação da vacina em futuras reprodutoras, antes da primeira inseminação, vem se generalizando. O soro oriundo do cordão umbilical é um bom indicador do estado de proteção dos leitões ao nascer, frente ao PCV-2.

CONNOR, J.  90,6% dos suínos de engorda da região centro-oeste norte-americana revelaram-se positivos para a gripe em um estudo realizado durante dois anos. Os leitões recém-nascidos têm um papel essencial na transmissão do referido vírus. A experiência do autor, nesse trabalho, consistiu em aplicar duas doses massais de vacina em todo o plantel de reprodutoras, o que reduziu a circulação viral na granja, sem, contudo, eliminar o vírus.

Mycoplasma spp

PCV-2 O uso generalizado da vacina contra o PCV-2 é muito eficaz no controle da síndrome de refugagem associada ao circovírus, mas não elimina o agente das granjas. Os anticorpos estão presentes na maioria delas, ainda que em níveis claramente inferiores aos do vírus. O uso de diferentes vacinas, tanto monovalentes como combinadas com o Mycoplasma hyopneumoniae, tem se mostrado eficaz, em vários trabalhos, independentemente, inclusive, da presença de anticorpos maternais. A redução da vi-

GUILLESPIE, T.  Avaliou a perda econômica originada em granjas limpas por uma infecção devida ao Mycoplasma hyopneumoniae, com base na redução do crescimento (+7,2 dias para o abate) e do índice de conversão (130 g), o que equivale a US$ 7,92/suíno enviado ao abatedouro, sem incluir mortes, refugos, nem medicação. Os valores usados nos cálculos foram ração a US$ 239,40/ton; preço de venda a US$ 130,00/suíno de 115,7 kg; custo/dia de permanência na engorda de US$ 0,10/suíno. PIETERS, M.  Os efeitos negativos causados por essas bactérias na criação de suínos não são apenas a pneumonia e a queda nos parâmetros de produção, atribuídos ao próprio microrganismo patogênico, mas também a predisposição a outros agentes infecciosos respiratórios secundários de origem viral e bacteriana. A detecção precisa de infecções precoces é essencial para a definição do programa de controle (por meio de fluidos orais, esfregaços de traqueia e lavagem traqueo-

bronquial). A prova de ELISA, aplicada em amostras de soro de forma contínua (IDEXX, Oxoid e BioChek) em granjas negativas é uma técnica eficaz, embora apresente limitações em granjas positivas por produzir falso-positivos e também devido aos erros relativos ao momento da infecção. O primer positivo, por PCR, é obtido cinco dias após a infecção por meio de esfregaços nasais, de laringe ou lavagem, enquanto que os primeiros anticorpos específicos – em infecções experimentais – são detectados entre 21 e 28 dias pós-infecção (muito semelhante, em todas as três técnicas de ELISA citadas). O maior percentual de positivos foi obtido em material coletado entre os dias 5 e 28 pós-infecção, por meio de esfregaços de laringe. Fluidos orais são menos sensíveis para a detecção precoce de anticorpos (< 21 dias), incrementando-se a partir do 28º dia pós-infecção. PROBST, S.  Mycoplasma hyosinoviae causa artrites em suínos de engorda devido à inflamação que provoca no tecido intra-articular e ao consequente incremento de volume do fluido articular, por acúmulo de líquido seroso, fibrinoso, purulento, macrofágico e/ou linfo-plástico, levando à sinovite e à tenosinovite. No laboratório da Universidade Estatal de Iowa, os isolamentos de Mycoplasma spp passaram de 17% das amostras recebidas entre 2003 e 2010 para 37% entre 2010 e 2012. Um dos principais grupos de risco para esse tipo de infecção são as futuras reprodutoras, entre as quais ocorre uma elevada taxa de descarte, trazendo um risco potencial de contágio à granja de reprodutoras. Uma só articulação podal pode ser afetada (ou, inclusive, as quatro) em vários níveis, sem que se altere a mobilidade dos animais. Há pesquisas sendo realizadas, visando ao controle da doença, a partir da adição de clortetraciclina na ração, a 4 mg/kg em um programa de pulsos e de lincomicina a 100 g/ton, durante 3 a 8 semanas, na entrada das marrãs e por meio de pulsos, às 11 e 15 semanas da entrada, com resultados positivos.

Haemophilus parasuis MACEDO, N.  Esta bactéria gram-negativa coloniza com frequência a mucosa do trato respiratório superior do suíno. Ano X - nº 50/2014

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Revisão Técnica O uso de medicamentos impede a colonização no desmame, fazendo com que a doença se transfira para o final da fase de creche. A bactéria interage com o sistema imunológico em diferentes níveis, tanto na imunidade inata como na específica. Estudos recentes demonstram sua suscetibilidade à fagocitose por macrófagos alveolares (os isolamentos em leitões se mostram resistentes à fagocitose, enquanto que as cepas nasais não virulentas são fagocitadas, in vitro). O nível de anticorpos maternais em leitões deverá modular o tempo e o nível de colonização pela bactéria. O desenvolvimento de uma resposta imune protetora pode ser retardado por fatores que interferem com a colonização bacteriana. Os leitões nascidos de mães vacinadas têm níveis de anticorpos significativamente maiores depois do desmame e são colonizados mais tarde que os leitões de mães não vacinadas. A redução da quantidade de Haemophilus parasuis na cavidade nasal e nas tonsilas deve ajudar no controle da doença, durante as fases mais suscetíveis, como no período do desmame.

Brachyspira spp MIRAJKAR. N.  A Brachyspira hyodysenteriae é a responsável pela disenteria hemorrágica, caracterizada por uma diarreia mucosa que acomete suínos nas fases de crescimento, terminação e reprodução. Sua presença clínica havia desaparecido nos EUA, em 1990, mas reapareceu e vem causando problemas, com alta prevalência de diagnóstico desde 2006. Recentemente foi identificada uma nova espécie, a Brachyspira hampsonii, que tem alta sensibilidade às concentrações inibitórias mínimas (MIC) de lincomicina, tilosina, tilvalosina e baixa sensibilidade à tiamulina, valnemulina e carbadox. A seleção das doses corretas de antibióticos desempenha papel essencial na eliminação desses patógenos.

Manejo WULF, K.  Os programas de segurança eficazes, desenvolvidos para funcionários de granjas, devem ser mensuráveis, simples, fáceis de compreender e aplicar, com base na formação e no bem-estar das pessoas. É nossa obrigação, como produtores e veterinários, promover bom ambiente de trabalho, que, com toda a certeza, resultará em maior rendimento produtivo: “a prevenção é sempre melhor do que a reação”. Imunocastração: comparada à castração cirúrgica, melhora o índice de conversão dos machos, a homogeneidade dos suínos no abate e a composição corporal, o que dá lugar a um benefício de US$ 5,32/suíno nas condições de produção dos EUA, onde duas doses do imunobiológico em questão custam US$ 5,00/suíno.

Nutrição DE JONG, J.  As matériasprimas fibrosas têm menor conteúdo energético em comparação com os cereais, o que reduz a densidade da ração e também o crescimento do suíno, aumentando, assim, o seu período de permanência na granja. Este estudo referese à influência da redução do tamanho das partículas da ração, da qualidade do granulado e até a que ponto compensa o seu custo, particularmente com relação à vantagem da inclusão de resíduos sólidos da produção de álcool a partir de cereais (dried distillers grains with solubles ou DDGS) na formulação, resíduos de trigo e casquinha de soja.

É necessário utilizar o índice de eficiência calórica para correlacionar os piores dados de produção (ganho médio de peso diário, índice de conversão alimentar) com o custo de produção via alimentação, assim como o custo do tempo de permanência na granja. A redução do tamanho de partículas em dietas à base de milho (600 micras) e fibrosas, em rações de leitões fareladas, reduz os índices produtivos, particularmente devido ao menor consumo dela, devido à sua pior palatabilidade. Em rações granuladas, a pior objeção relativa ao consumo é observada nos produtos com elevada dureza. Em suínos de engorda, as rações fibrosas com tamanho pequeno de partícula (< 700 micras) aceleram o tempo de passagem pelo trato digestório e reduzem a sua digestibilidade, levando a uma piora na eficiência calórica. Nesta fase, a granulação da ração atenua parcialmente esse efeito. KNAUER, M.T.  Os principais benefícios da granulação são facilitar a manipulação da ração, reduzir a segregação de ingredientes e as perdas de ração e incrementar a densidade dela. Os fatores que afetam a qualidade do granulado, com base no índice de dureza do grão (PDI), são: • Composição da dieta (40%): trigo melhor do que milho; mais proteína = maior PDI; menos fibra = maior PDI; mais fibra = menor PDI. • Tamanho de partícula (20%): menor tamanho de partícula = maior PDI. • Temperatura do condicionador (20%). • Mistura de ingredientes (15%). • Resfriamento (5%).

LOWER, A.  As principais vias de entrada na granja são os animais de reposição, roupas, água de bebida e roedores. Medidas rigorosas de biosseguridade, como vazios sanitários e controle de roedores, são prática obrigatória no controle da doença. A tiamulina tem efeito positivo quando administrada a mais de 2 mg/g de conteúdo fecal (colon), tanto por meio da ração como da água de bebida. Suínos & Cia

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Revisão Técnica A presença de grânulos finos no produto final granulado piora o índice de converção em, pelo menos, 100 g (3% com 25% a 35% e com até 50% de grânulos finos) podendo chegar a 200 g de penalização, segundo diferentes trabalhos. Foram concluídos diferentes testes, na Unidade Experimental (fábrica de rações) construída na Universidade Estadual da Carolina do Norte, com tamanhos distintos de partículas de DDGS (650 e 450 micras) e de farinha de soja (1.000 e 450 micras), em rações para suínos entre 27 kg e 123 kg de peso vivo, havendo melhora no PDI daquelas de tamanho menor de partícula em ambos os casos. Em todos os testes, o controle da incidência de úlceras gastroesofágicas, ao se reduzir o tamanho das partículas, foi perceptivo. ROJAS, D.J.  Recomenda-se que o milho seja moído com granulometria entre 640 e 650 micras (melhor digestibilidade da energia). A tendência para aumentar a digestibilidade dos aminoácidos na farinha de soja é reduzir o tamanho da partícula. A concentração de fósforo nas fezes é reduzida linearmente

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com o aumento do tamanho das partículas do milho, sem diferenças consideráveis ​​na absorção dele e sem alteração na digestibilidade dos aminoácidos. No caso dos DDGS não há variações nem no fósforo, nem nos aminoácidos, na redução do tamanho das partículas. Já um tamanho de partícula maior, no milho, reflete uma redução no rendimento da carcaça. GIESTING, D.  Faz uma revisão dos fatores principais destinados a melhorar a sanidade e os dados de produção de leitões, desde os 20 a 30 dias de idade, a qual, de forma resumida, indica atenção especial a: • Idade do desmame dos leitões e desvios dentro da mesma faixa; • Fornecimento de alimentação pré-inicial o quanto antes, durante a lactação (7 a 10 dias de idade); • Tamanho do grupo e o agrupamento de leitões por pesos; • Número de bebedouros (1 para cada 10 a 12 leitões) e bocas de comedouro suficientes, além da altura de ambos; • Evitar o estresse ambiental (temperatura, umidade, correntes de ar) e social;

• Projeto adequado das rações pré-iniciais e iniciais: • Alta digestibilidade de aminoácidos e energia, lactose; • Elevada palatabilidade (medicações em excesso, misturas antagônicas, fatores antinutricionais, micotoxinas); • Fontes de proteínas críticas (farinha de plasma); • Conservar a flora digestiva e a imunidade entérica (probióticos, prebióticos, ácidos orgânicos, óleos essenciais, antioxidantes); • Baixos níveis de fibra insolúvel. FITZSIMMONS, M.  Historicamente, as dietas para suínos de engorda são projetadas para obter maior deposição de tecido magro na carcaça. Devemos levar em conta os fatores de estresse ambientais e as dinâmicas sanitárias que influenciam no consumo e na capacidade de deposição de proteína. A modulação dos níveis de aminoácidos, dependendo do estado sanitário, é essencial para a obtenção dos melhores resultados.

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Revisão Técnica MADSON, D.  O osso é uma estrutura dinâmica e de remodelação contínua, mesmo quando terminou de crescer. 99% do cálcio do organismo está armazenado nos ossos. Para a sua correta absorção é essencial que haja níveis adequados de vitamina D disponíveis. Os mecanismos básicos das doenças metabólicas dos ossos são a absorção inadequada de cálcio, fósforo e vitamina D3, bem como o equilíbrio cálcio/fósforo (2:1) incorreto. A riquetsiose e a osteomalácia são doenças associadas aos animais adultos. A primeira centra-se no crescimento ósseo, e a segunda no osso maduro e na remodelação dos tecidos. A osteoporose tem sua base na redução da massa óssea, apesar da sua estrutura normal, e tem sua origem na redução do cálcio na dieta, na baixa ingestão de calorias e na perda excessiva de cálcio durante a lactação ou no aumento da exposição a fatores de estresse que afetam sua absorção. A osteodistrofia fibrinosa é causada pela produção excessiva de hormônio da paratireoide, associada a problemas renais ou ao equilíbrio Ca/P inadequado (perda renal excessiva). Os sinais clínicos das doenças ósseas metabólicas dependem da idade dos suínos, do mecanismo específico envolvido e da magnitude e duração do problema. A deficiência de vitamina A leva à perda do apetite e à presença de pelagem áspera, sendo mais frequente em suínos com 4 a 6 semanas de idade. O desequilíbrio crônico de nutrientes pode levar a manifestações clínicas agudas. Os sinais de hipocalcemia, além de fraturas ósseas, são dificuldade de locomoção, tetania e espasmos musculares, tremores e calo ósseo na porção distal das costelas. O diagnóstico, associado aos sinais clínicos, se realiza com base em: • Níveis sorológicos de cálcio, fósforo e vitamina D, embora os níveis normais não excluam o problema; • Níveis hepáticos de cálcio e fósforo não têm boa correlação; • Alterações microscópicas nos ossos são mais específicas; • Densidade óssea e cinzas totais na segunda costela; • Níveis séricos de fosfatase alcalina baixos: deficiência de vitamina D; • Análise rotineira das rações, levandose em conta a possível degradação da vitamina D nelas. Suínos & Cia

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CRENSHAN, T.D.  Os ossos são constituídos por 45% de água, 10% de gorduras e 45% de minerais, dos quais 25% são inorgânicos e 20% orgânicos. A quantidade de água e de gordura varia com a idade do suíno, o tipo de osso e os nutrientes ingeridos. O percentual de cinzas é maior em suínos adultos do que em leitões, mas, independentemente, do teor de cinzas, o conteúdo de cálcio e fósforo mantém-se constante. A porção inorgânica das cinzas contém 38% a 40% de cálcio e 17% a 19% de fósforo, numa proporção de 2,1:1, juntamente com pequenas quantidades de magnésio, sódio, potássio, cloro e traços de minerais. O cobre é um cofator para a enzima lisil-oxidase e está envolvido na formação de colágeno. O manganês é um cofator para a glicosil-transferase, responsável pela formação da matriz extracelular. O zinco é um cofator para a fosfatase alcalina e para as colagenases, envolvidas no equilíbrio osteoblastos/osteoclastos, na formação óssea. O ferro é um cofator para a lisina e prolina-hidroxilase, envolvidas na transferência de colágeno. A integridade óssea é afetada por ambos, materiais de origem orgânica ou inorgânicos. A matriz óssea é composta, de forma primária, por fibrilas de colágeno arranjadas em uma estrutura helicoidal. As técnicas histológicas, gravimetria, procedimentos mecânicos e scanner de DXA, são procedimentos necessários para o diagnóstico preciso destes problemas metabólicos ósseos. URRIOLA, P.  O fósforo é o terceiro elemento mais caro na formulação das rações. O cálcio tem apenas propriedades metabólicas reguladoras, enquanto que o fósforo tem funções estruturais, sendo um componente dos fosfolipídeos. O cálcio é absorvido no intestino delgado de forma ativa transcelular e passiva paracelular, favorecido pela vitamina D. Além disso, a vitamina D tem outras funções não estruturais, como a regulação das células do sistema imunológico. Apenas suínos transgênicos têm fitase na saliva. A digestibilidade do fósforo é expressa como aparente, padronizada e total, de acordo com a NRC- 2012. Uma unidade internacional (UI) de vitamina D equivale a uma atividade biológica de 0,025 ug de colecalciferol (vitamina D3). Há muitos fatores que podem afetar a dis-

ponibilidade e/ou a degradação da vitamina D3, como já se sabe: os altos níveis de umidade, a intensidade da luz, o calor, o pH, a presença de agentes antioxidantes e as fontes de minerais inorgânicos com antagonismos.

Assuntos diversos DAVIES, P.  Expõe com perspectiva mundial a importância das resistências à meticilina pelo Staphylococcus aureus associadas a animais de produção (do inglês, methicillin resistant Staphylococcus aureus ou MRSA). Para ele, conhecer bem a ecologia e o potencial de risco ocupacional da bactéria são os pontos-chave, tanto em humanos como em suínos. Em 2004 começou na Holanda o interesse pelo assunto na suinocultura e, desde então, foi descrita somente uma morte em humanos por essa causa, em nível mundial, e nenhuma nos EUA associada ao suíno. Estudos holandeses relatam casos de pessoas que se colonizaram (culturas nasais positivas), mas não manifestaram a doença. Na França, o primeiro caso trágico de infecção por ST398 MRSA ocorreu com uma garota que não havia tido contato com granjas. Foram publicados 83 artigos científicos contendo informações associadas ao ST398 MRSA em casos clínicos de humanos. Estima-se uma incidência anual de 0,25 infecção clínica para cada 100 mil pessoas, as quais produzem lesões cutâneas superficiais (impetigo) e amidalites. CULHANE, M.  Para que o diagnóstico laboratorial tenha valor é necessário empregar técnicas de diagnóstico apropriadas, utilizar amostras cuidadosamente selecionadas e encaminhá-las devidamente ao laboratório. É preciso haver também uma correta interpretação dos resultados. A seleção das amostras para o número e tipo de animais é essencial: na fase aguda da doença, os animais não devem ter sido tratados com antibióticos, por qualquer via. Na fase crônica, é possível isolar apenas agentes secundários oportunistas e observar lesões regenerativas. A observação correta e a anamnese devem incluir o histórico clínico e os dados de produção. Os resultados devem ser discutidos com a mente aberta, em um processo indutivo com raciocínio dedutivo. Ano X - nº 50/2014


Revisão Técnica Os erros mais conhecidos no diagnóstico laboratorial classificam-se em três grupos: a) Fase pré-analítica: durante a coleta de amostras, com base no número de animais por fase, amostragem precisa, conservação e forma de envio (centrifugação, temperatura, refrigeração, congelamento, fixação com formalina). Aqui ocorrem 68% dos erros; b) Fase analítica: erros de técnicas, pipetagem, interferência de fibrina, hemólise, falhas de equipamentos, numeração/identificação das amostras e transcrições errôneas. É fundamental trabalhar com técnicas de diagnóstico credenciadas, assim como o pessoal do laboratório, além de validar as primeiras provas. Nessa fase ocorre de 13% a 32% dos erros; c) Fase pós-analítica: falhas na emissão dos resultados, identificação das técnicas, suas sensibilidades e interpretações (pontos de corte/ relações). Nessa fase acumula-se apenas 18% dos erros. STRICKER, A.  Descreve a metodologia para pesquisar doenças que afetam o sistema nervoso central, em leitões no pós-desmame. Parte das observações clínicas (sintomas neurológicos, ataxia, pedalagem, incoordenação, movimentos rotacionais), seguido da necrópsia dele, na fase aguda (órgãos toráxicos, abdominais, cérebro), e os classifica em dois grupos básicos: • Causa infecciosa: Streptococcus suis - meningite, Escherichia coli - doença do edema e Haemophilus parasuis - meningoencefalite; • Causas não infecciosas: intoxicações por sal, toxinfecções por ionóforos, organofosforados, deficiências nutricionais (vitamina A). MADSON, D.  O cérebro é o responsável pelo comportamento, movimentos voluntários e pela consciência; de modo que, qualquer dano nele implica em tremores, hiperestesia e ataques (meningites, tóxicos e virais). Os danos no cerebelo implicam em incoordenação, alterações posturais, ataxia e déficit de propriocepção. Os danos medulares incluem a rigidez ou flacidez muscular e a incoordenação. Em todos esses casos a necropsia é obrigatória, e o autor sugere a seguinte classificação: a) Septicemia bacteriana: Streptococcus suis, Haemophilus parasuis e Mycoplasma hyorhinis; b) Doenças virais: PRRS, PCV-2, enterovírus (encefalite e meningo- encefalite); c) Toxinas: STx2e - doença do edema (necrose neuronal); d) Nutricional: intoxicação por sal, vitaminas A e D, micotoxinas ou deficiências de cálcio, assim como desequilíbrio Ca/P; e) Traumas. Segundo a causa que se suspeita deve-se tomar uma amostra ou outra para o diagnóstico: soro, sangue, cérebro, medula dorsal, músculo, coração, ossos, articulações, ração e água. Ano X - nº 50/2014

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Recursos Humanos A vontade de compartilhar ideias e reflexões é o que leva algumas pessoas a elaborem histórias, verdadeiras ou fictícias. Foi com esse pensamento que o gerente de Produção da Fazenda Água Branca (na época), Alesandro José de Morais, escreveu a História do Leitão que Morreu Esmagado. O resultado foi um sucesso. Existia na granja um histórico de aumento na mortalidade de leitões recém nascidos. Todos os colaboradores prometiam melhorar na próxima semana. No entanto, nada acontecia e os resultados seguiam com o mesmo padrão. Em uma das reuniões habituais, Alesandro apresentou sua proposta pra equipe contando sua história. O principal objetivo era conscientizar e comover os funcionários sobre os acontecimentos e motivá-los a solucionar o problema. A proposta atingiu seu objetivo: a mortalidade diminuiu. Os funcionários se mostraram comovidos com a história e passaram a ter mais atenção tanto com as porcas, quanto com os leitões. Confira !

A história do leitão que morreu esmagado Nasci muito bem, perfeito, éramos 12 irmãos. Nossa principal divergência era brigar pela melhor teta. A que consegui, no início havia bastante leite, mais com o passar do tempo foi diminuindo e passei a sentir fome. Meus irmãos cresciam, engordavam e até brilhavam. Eu? Nem tanto. Comecei a emagrecer, minhas costelinhas a aparecer e minhas pernas se sentiam muito fracas. Fiquei sabendo que, quando isso acontece na maternidade, existe uma pessoa chamada de materneiros, que é responsável pelo local onde estou. Sua função: separar os que estão fracos e com fome para oferecer alimento e, consequentemente nos ajudar a crescer e chegar até o desmame. Pensei: acho que serei transferido de lugar. Terei outros irmãos e uma mãe adotiva que chamam de “mãe de leite”. Aí sim terei uma boa teta, com muito leite e, certamente, me recuperarei. Quando ela passava, eu tentava chamar sua atenção para dizer que sentia muita fome. Olhava para o rosto dela, mas ela estava ali só fisicamente. Seu pensamento estava distante, ora na novela das oito ou mesmo no que ia preparar para o jantar. Mas, eu ainda tinha muitas esperanças, pois tem um outro rapaz que passa recolhendo os fracos e doentes para medicá-los. Tenho confiança que ele vai me ver, já que é o responsável em recuperar os doentes e oferecer alimento aos que tem fome. Mas, passou e não me viu. Acho que alguém o chamou, parece que era uma emergência ou essa tal de prioriSuínos & Cia

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dade. Mais uma vez fui abandonado. A cada dia me tornava mais fraco, sentia muita fome, minhas pernas não tinham força para caminhar, sentia inveja dos meus irmãos que já estavam grandes e, certamente chegaram ao desmame. Eu não era nem a metade deles! Hoje colocaram um comedouro com um pó gostoso e cheiroso que eles chamam de ração. Quando me alimento com esse pozinho, me sinto bem, minhas pernas ficam mais fortes. Já consigo caminhar melhor, vou comer sempre para me recuperar. O problema é que quando começo a consumir essa ração não posso mais parar. Tenho que tê-la sempre limpa e fresca, senão sinto fome. Entretanto colocam muita ração nesse comedouro, tanto que, não conseguimos comer nem em uma semana e acaba estragando. Quando como ração estragada fico com cólicas, dor de barriga e diarreia. Sinto muito frio, acho que vou me aquecer na minha casinha, deve estar quente e sequinha. Demorei, mas cheguei. Que decepção! Está tudo sujo, úmido e frio. E agora, o que vou fazer? Estou muito fraco, com dor e sentindo muito frio. Ah lembrei da minha mãe que está quentinha, vou me aquecer ao seu lado. Nela poderei me esquentar. Nossa! Minha mãe está agitada, aqui deve estar calor. Ela levantou, brincou com a água, se refrescou. Opa, ela vai deitar. Espere, estou aqui! Pare! Pare! Vou correr... Não tenho forças. Vou gritar, mas não consigo. Acabou!

Morri ou me deixaram morrer? A veterinária chegou, eles me apresentaram e contaram minha história. Falaram que eu havia morrido por estar fraco e que os outros morreram da mesma forma. Pediram que ela realizasse uma tal de necropsia. Quando me abriu, viu que há dias não me alimentava, tinha estômago e os intestinos totalmente vazios. Morri de fraqueza por fome. Meu consolo? É que posso servir de exemplo para que eles observem melhor e não deixem que os outros morram dessa forma.

Nasci dia 30/03/05 e morri dia 13/04/05 (com apenas 15 dias e 2 Kg). Segundo Alessandro, o ser humano é emotivo e facilmente cultiva amor pelos animais. Por isso, praticar ações com foco emocional pode ser uma ótima estratégia. As pessoas se conscientizam que bons tratos melhoram relações e, consequentemente os resultados serão positivos. O importante é que nossa história melhorou os índices da maternidade: reduziu a mortalidade e melhorou o peso ao desmame. Os resultados tem sido consistentes e existe mais atenção e dedicação com os leitões recém nascidos. Alesandro José de Morais Fazenda Brasil Ano X - nº 50/2014


Recursos Humanos

O poder e a importância da paciência

Nunca como nos dias de hoje a virtude da paciência andou tão em alta. Tudo corre e deve correr. O tempo urge. Os compromissos se multiplicam. O excesso de informação nos faz ter a sensação de sermos eternos atrasados - no tempo, no espaço, na vida. Perdemos a noção de tempo da natureza, de que as coisas devem nascer e crescer. De que a semente leva tempo para germinar. A planta precisa de tempo para crescer. O fruto tem um tempo certo para amadurecer. Queremos tudo já! Para ontem! Empresários querem que seus negócios dêem resultado em poucos meses. Funcionários desejam ser promovidos com poucas semanas de emprego. Clientes querem o produto entregue em poucas horas após o pedido. E se tudo não correr na velocidade que imaginamos... “perdemos a paciência!”. Perdemos aquela que já estava perdida em nossa consciência ingênua (e pouco crítica) há muito tempo. Na verdade, a sociedade e o homem contemporâneos estão perdendo a paciência. Com a virtude da paciência perdida, o homem se torna um ser estressado, à mercê de suas emoções explosivas. Não sabendo esperar o fruto amadurecer,

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come-o amargo, pois não estava pronto para ser consumido com o sabor do açúcar que só o tempo é capaz de dar. Saber dar tempo ao tempo é sabedoria de poucos. Ter a paciência histórica de dar tempo ao tempo, para ver suas ações converteremse em resultados, é sabedoria de poucos. Manter-se, pacientemente, no foco, até que o mercado reconheça sua empresa e seus valores, é sabedoria de poucos empreendedores - os de sucesso! Saber esperar a tempestade passar para continuar caminhando no rumo certo é sabedoria de poucos. A paciência é irmã gêmea da sabedoria. A paciência é o solo fértil onde a sabedoria germina. Sabedoria sem paciência é tão ilusória como será sempre vil a paciência sem sabedoria. Mas, como são gêmeas, a maior sabedoria está justamente na paciência. A paciência é a própria sabedoria no tempo. É saber o tempo de semear, de colher, de ser para alguém. Aquele alguém sereno que sabe o que quer e para onde vai porque sabe esperar o momento certo de ir. Pense nisso. Sucesso! Por Luiz Marins

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Dicas de Manejo Vamos conhecer alguns dos principais sinais clínicos característicos de doenças que acometem suínos em crescimento Doença: Meningoencefalite estreptocócica Agente: Streptococcus suis Sinais clínicos: Febre, prostração, sinais nervosos como movimento de pedalar, artrite

Artrite e movimentos de pedalar (nervoso)

Doença: Epidermite Exudativa Agente: Staphylococcus hyicus Sinal clínico: Pele escura, úmida e engrossada

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Dicas de Manejo Doença: Complexo Respiratório Suíno (CRS) Agentes primários: Vírus (PRRS, Influenza, Circovírus, Aujeszky) bactérias (Mycoplasma hyopneumoniae e Actinubacillus pleupneumoniae) Agentes secundários: Bactérias (Pasteurella multocida, Streptococus suis, Haemophylus parasuis) Sinais clínicos: Tosse, respiração intercortada, cianose, presença de secreção nasal

Desuniformidade do lote

Animais amontoados, sentem frio, perdem peso, apresentam atraso no crescimento, magros e desidratados

Cianose de orelhas, respiração intercortada e secreção nasal

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Dicas de Manejo Doença: Enterite Agente: Bactérias (Lawsonia intracellularis, Brachispira hyodysenteriae e Brachispira pilosicoli) Sinal clínico: Diarreia

Doença: Circovirose suína Agente: Vírus (Circovírus) Sinais clínicos: Aumento de refugos no lote, diarreia, dermatite

Doença: Erisipela Suína Agente: Bactéria (Erysipelothrix rhusiopathiae) Sinais clínicos: Febre alta (42°C),aumento de mortalidade, lesões cutâneas em forma de diamante

Autores: Alberto Stephano e Maria Nazaré Lisboa

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Divirta-se ENCONTRE AS PALAVRAS No diagrama ao lado, vamos encontrar quais os principais inimigos dos leitões que podem levá-los a doenças, refugagem e morte.

Frio Calor Alterações de temperatura Amônia Movimentos Transferências Doenças Micotoxinas Correntes de ar Estresse

S M A I S I D A F T G S H N J T K R L O M Y M E X R O V R G

N S F F R S N F Q D W L G D R D T D F R S M Z F E S N L F R

D C D G T S J R G T I R T R R T E Y C A L O R O T D Q Q G T

F O I O Q Q I T V A S M X N L G V R B B N R X L Y F A N V Y

A R G H A E O C M Y T R A N S F E R Ê N C I A S R G L K C H

H R B X X L W Ô A N H H B X J U K R L C M O J I B T T O Z N

J E B D C T N U K B J B N D B J B N S B W B G K B J E J D B

K N H S C I I W E B L N C M D L R H E E K V P F V K R F E T

L T Y Q A S G D S R L G Y W F L G Y W F L G B J S L A H A I

P E U C O D Y L T G P Y U S G P Y U S G P Y H I C O Ç T C R

Q S J I O D O F R H O T J Z H O T J Z H O T U H H O Õ G Q A

O D P P I W F O E J I F M X J I F M X J I F O O J I E B A E

W E I E Z R C I S M U C K A M U C K A M U C I T M U S F L I

E A W I U Y X Y S N Y X I Q N Y X I Q N Y X E G N C D C I W

R R H R N T D L E K T D O W K T D O W K T D K R L G E D R A

O M E F X B S O M L R R L A L R R L A L R R L F L R T L A D

T L O Y P I G V I P E E P S P E E P S P E E P I P O E S D O

A B P V L E T I E O W S P D O W S P D O W S M D B G M I I C

Y N O E I Q O L Q I Q Z O E I Q Z O E I Q Z O E I S P A U H

R V I C B M A E N U Z A I R U Z A I R U Z E J R H Z E O T A

U J D F U X E L I D X Q L F J X Q L F J N X E T J M R L X T

C C K M T C W N U I U W K C K C W K C Ç E W O C R Q A K L O

S M C O D I F U T L U K E J H V A J A H L D W N X F T J K S

L X U Z N A Z U A O B I F Z G B Z S Z G S U H I G B U U O G

O N N A D W X N A F S X Y K F N X N A D N U F H A R R E A F

R Z M Q S R S H Q C M N M T F M S M H C R A R I C M A M C C

L O B W D L W B C D K S H A T M R I E N W A I I A T Z B W D

D R T T R Y I U A M I C O T O X I N A S O E O E X A D H E X

O D Y D S O D Y D S V D Y D C T L F B O R F D H R O N Y D S

K S O D S F L G O H D O R F Z K C T S Z K C T F Z K C E F Z

JOGO DOS 7 ERROS

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Divirta-se

CASO CLÍNICO Em visita técnica a uma granja no interior de São Paulo, de 2.500 matrizes, havia no setor de creche mais de 300 leitões com cegueira. Eles foram desmamados aos 21 dias de vida e, no momento, estavam com aproximadamente uma semana de desmame. Não havia febre nem tosse. Porém, observavam-se inquietude, frequentes espirros, animais azulados e cegos. Na presença desses indicadores, qual o seu diagnóstico? ( ( ( ( (

) Deficiência de vitamina A ) Meningite por Streptococcus ) Irritação ocular por inadequada condição ambiental, como alta concentração de gases ) Irritação ocular por Epidermite Exudativa causada por Staphylococcus hyicus ) Falha de manejo causada por erro de funcionário, que não estava devidamente capacitado. Para amenizar o problema instalado de epidermite exudativa, pulverizou os leitões com inadequada concentração de violeta genciana.

TESTE SEUS CONHECIMENTOS 1. Como demonstra a foto ao lado, o animal apresenta cianose de orelhas e dificuldade respiratória. Em visita à granja com presença desses sinais clinicos, qual o protocolo de procedimentos? Colocar em ordem numérica a sequência das medidas que devem ser adotadas na presente situação. ( ( (

( ( (

) Separar e transferir o animal doente para uma área com conforto (limpa, seca e com cama). ) Oferecer água de bebida diretamente na boca do animal. ) Ajudar para que coma, se pode preparar um bolo formado de ração e agua, em seguida grudar o pequeno bolo de ração diretamente no céu da boca do animal para garantir que o mesmo se alimente. ) Identificar o animal. ) Medir a temperatura corporal. ) Aplicar antibiótico e anti-inflamatório.

2. As alternativas abaixo referem-se a vantagens e desvantagens da medicação parenteral (injetável). Assinalar as vantagens (V) e desvantagens (D). ( ( ( ( ( ( (

) É o método de eleição para aplicação individual quando se trata de um surto agudo, como App, Salmonella, Hps, S. suis e Erisipela. ) Aplica-se rápido a dose adequada nos animais doentes. ) Efeito rápido e efetivo. ) Pode-se usar dosagem adequada de rápida absorção, com produtos específicos ou combinações como Penicilinas, Ceftiofur, Oxitetraciclinas, Tylosina, Lincomicina, Eritromicina, Enrofloxacina, entre outros. ) Requer manejo. ) Pode produzir mais estresse nos animais. ) Ser necessário a troca de agulha de animal para animal para evitar transmissão de doenças.

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Divirta-se - Respostas

ENCONTRE AS PALAVRAS S M A I S I D A F T G S H N J T K R L O M Y M E X R O V R G

N S F F R S N F Q D W L G D R D T D F R S M Z F E S N L F R

D C D G T S J R G T I R T R R T E Y C A L O R O T D Q Q G T

F O I O Q Q I T V A S M X N L G V R B B N R X L Y F A N V Y

A R G H A E O C M Y T R A N S F E R Ê N C I A S R G L K C H

H R B X X L W Ô A N H H B X J U K R L C M O J I B T T O Z N

J E B D C T N U K B J B N D B J B N S B W B G K B J E J D B

K N H S C I I W E B L N C M D L R H E E K V P F V K R F E T

L T Y Q A S G D S R L G Y W F L G Y W F L G B J S L A H A I

P E U C O D Y L T G P Y U S G P Y U S G P Y H I C O Ç T C R

Q S J I O D O F R H O T J Z H O T J Z H O T U H H O Õ G Q A

O D P P I W F O E J I F M X J I F M X J I F O O J I E B A E

W E I E Z R C I S M U C K A M U C K A M U C I T M U S F L I

E A W I U Y X Y S N Y X I Q N Y X I Q N Y X E G N C D C I W

R R H R N T D L E K T D O W K T D O W K T D K R L G E D R A

O M E F X B S O M L R R L A L R R L A L R R L F L R T L A D

T L O Y P I G V I P E E P S P E E P S P E E P I P O E S D O

A B P V L E T I E O W S P D O W S P D O W S M D B G M I I C

Y N O E I Q O L Q I Q Z O E I Q Z O E I Q Z O E I S P A U H

R V I C B M A E N U Z A I R U Z A I R U Z E J R H Z E O T A

U J D F U X E L I D X Q L F J X Q L F J N X E T J M R L X T

C C K M T C W N U I U W K C K C W K C Ç E W O C R Q A K L O

JOGO DOS 7 ERROS

S M C O D I F U T L U K E J H V A J A H L D W N X F T J K S

L X U Z N A Z U A O B I F Z G B Z S Z G S U H I G B U U O G

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D R T T R Y I U A M I C O T O X I N A S O E O E X A D H E X

O D Y D S O D Y D S V D Y D C T L F B O R F D H R O N Y D S

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CASO CLÍNICO Em uma visita técnica a uma granja no interior de São Paulo, de 2.500 matrizes, havia no setor de creche mais de 300 leitões com cegueira. Eles foram desmamados aos 21 dias de vida e, no momento, estavam com aproximadamente uma semana pós-desmame.(...) ( ( (

) Deficiência de vitamina A ) Meningite por Streptococcus ) Irritação ocular por inadequada condição ambiental, como alta concentração de gases ( ) Irritação ocular por Epidermite Exudativa causada por Staphylococcus hyicus ( X ) Falha de manejo causada por erro de funcionário, que não estava devidamente capacitado, pulverizando os leitões com inadequada concentração de violeta genciana para amenizar o problema de Epidermite Exudativa na creche

TESTE SEUS CONHECIMENTOS 1. Como demonstra a foto abaixo, o animal (...) ( ( ( ( ( (

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) Separar e transferir o animal doente para uma (...) ) Oferecer água de bebida diretamente na boca (...) ) Ajudar para que coma, se pode preparar um (...) ) Identificar o animal. ) Medir a temperatura corporal. ) Aplicar antibiótico e anti-inflamatório.

2. As alternativas abaixo referem-se a vantagens (...) ( ( ( ( ( ( ( Suínos & Cia

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V V V V D D D

) É o método de eleição para aplicação individual (...) ) Aplica-se rápido a dose adequada nos animais (...) ) Efeito rápido e efetivo. ) Pode-se usar dosagem adequada de rápida (...) ) Requer manejo. ) Pode produzir mais estresse nos animais. ) Ser necessário a troca de agulha de animal (...) Ano X - nº 50/2014


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