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Editorial

C

omprovadamente, na suinocultura, uma das características que marcam a eficiência e a viabilidade da atividade é a especialização do sistema de produção. Quando se define qual o objetivo do processo e à medida que os produtores se especializam cada vez mais na produção de leitões ou em diferentes segmentos, como produção de reprodutores, marrãs e animais de crescimento, os números produtivos tornam-se cada vez mais desafiadores para se encontrar um ponto de equilíbrio entre a produtividade e a viabilidade econômica. Entre os diferentes sistemas de produção, a maioria encontra-se destinada à fase final do processo produtivo de crescimento e terminação. Essas fases são consideradas complexas, sujeitas a muitas variáveis, e comumente detêm grandes dimensões. Portanto, há um elevado número de animais envolvidos, alto consumo de ração e grandes

transformações nos índices de desempenho, embora as margens econômicas ainda se mantenham bastante variáveis em razão dos diferentes padrões de eficiência produtiva e custos de produção que se obtêm em diferentes sistemas. Em condições comerciais, o custo médio de um leitão desmamado entre 6 kg e 7 kg de peso vivo é de aproximadamente 25% do custo de um suíno terminado de 100 kg de peso vivo. No entanto, na fase de creche, quando o leitão atinge aproximadamente 20 kg de peso vivo, é contabilizado um custo de 13% em relação ao custo do terminado, restando, portanto, 62% de custo para os animais de crescimento/terminação. Porém, a maior fração do custo de todas as fases, sem dúvida, refere-se à alimentação, que corresponde a 66% do custo de produção. Já as fases de crescimento e terminação representam cerca de 78% do custo total de produção. Apesar da importância econômica da fase de crescimento, ainda existem poucos estudos, a campo, voltados para quantificar o impacto real dos diferentes fatores que contribuem para o custo de produção do animal terminado. Infelizmente, ainda há menos informação quando se refere ao bem-estar desses animais. Portanto, nessa edição abordamos temas que envolvem a fase de crescimento, que, sem dúvida, fará a diferença na viabilidade econômica no que se refere à tomada de decisões para se obter maior eficiência em um sistema de produção suína. Boa leitura! As editoras


Índice

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Nutrição

Atitudes que antecedem a uma creche de sucesso

10 Sanidade

Suporte laboratorial ao diagnóstico e ao monitoramento sanitário em suinocultura Parte II

20 Crescimento e Terminação

Influência dos fatores de produção em suínos de crescimento

30 Revisão Técnica

Resumo da 47ª Reunião Anual da Associação Norte-americana de Veterinários Especialistas em Suínos (AASV)

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Capa

Crescimento e Terminação Influência dos fatores de produção em suínos de crescimento

Revista Técnica da Suinocultura

&cia

SUÍNOS

A Revista Suínos&Cia é destinada a médicos-veterinários, zootecnistas, produtores e demais profissionais que atuam na área de suinocultura. Contém artigos técnicocientíficos e editorias instrutivas, apresentados por especialistas do Brasil e do mundo.


42 Sumários de Pesquisa 48 Recursos Humanos A vida é uma dança...

50 Informe Publicitário

Inovação tecnológica em aditivos nutricionais para a suinocultura Inovação tecnológica em vacinas para a suinocultura

54 Dicas de Manejo Manejo de Vacinação

60 Divirta-se

Encontre as palavras Jogo dos 7 erros Teste seus conhecimentos Ligue as colunas Liga-ponto

Editora Técnica Maria Nazaré Lisboa CRMV-SP 03906 Consultoria Técnica Adriana Cássia Pereira CRMV - SP 18.577 Edison de Almeida CRMV - SP 3045 Mirela Caroline Zadra CRMV - SP 29.539

Ilustrações Roque de Ávila Júnior Departamento Comercial Mirela Caroline Zadra dtecnico@consuitec.com.br Jornalista Responsável Paulo Viarti MTB.: 26.493

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Administração, Redação e Publicação Av. Fausto Pietrobom, 760 - Jd. Planalto Paulínia - SP - CEP 13.145-189 Tel: (19) 3844-0443 / (19) 3844-0580

Foto da capa cedida por Carlos Piñeiro A reprodução parcial ou total de reportagens e artigos será permitida apenas com a autorização por escrito dos editores.


Nutrição

Atitudes que antecedem a uma creche de sucesso

A

David Gavioli Médico-veterinário e Doutorando Supervisor Técnico Comercial em Suínos - De Heus DGavioli@deheus.com

fase de aleitamento dos suínos, assim como em outras espécies, é de suma importância para um bom desenvolvimento do animal, e na suinocultura intensiva esse momento tem se tornado cada vez mais rápido e dinâmico, pois em boas condições, um leitão tende a aumentar em mais de quatro vezes o seu peso em apenas 21 dias de idade. Certamente, um leitão recém-desmamado, ainda que tenha quadruplicado seu peso na fase anterior, ainda apresenta, fisiologicamente, sistema digestório imaturo, o que torna difícil a utilização adequada do alimento fornecido no pós-desmame. Com a mudança nutricional do leite para uma alimentação sólida, o trânsito intestinal do leitão fica mais lento ou pode até mesmo ser paralisado por um jejum mais prolongado, levando a um aumento do pH estomacal e permitindo que bactérias tenham oportunidade de se fixar no epitélio intestinal com maior facilidade. Já as partículas de alimento não digeridas no lúmen intestinal servem de substrato para o crescimento bacteriano

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indesejável. Os leitões que mantêm um consumo constante durante essa transição alimentar tendem a atingir níveis mais baixos de pH estomacal, o que ajuda a eliminar microrganismos patógenos e protegês-lo contra possíveis infecções entéricas, favorecendo também a ação de enzimas proteolíticas [01, 08 e 09]. Nas primeiras 24 horas após o desmame, também ocorrem alterações funcionais e estruturais no intestino delgado, que compreendem a diminuição na altura dos vilos e a redução da atividade específica de enzimas digestivas e absortiva dos leitões [02], dando condições necessárias para a colonização de bactérias residentes ou ingeridas [03], podendo causar diarreias no período pósdesmame. Como se não bastasse, a saída dos leitões da maternidade para a creche ocorre de uma maneira Suínos&Cia | nº 57/2016


Nutrição

leitão para o desmame e o recebimento de uma dieta seca [06]. Para se obter melhor desempenho na creche e, consequentemente, ao longo de toda a cadeia produtiva do suíno, tornase indispensável a adoção de um programa efetivo de alimentação. O consumo de uma dieta de alta qualidade durante o período de amamentação estimula o início do consumo de ração, bem como o crescimento no pós-desmame em geral [07].

abrupta e envolve inúmeros fatores estressantes, como deixar a companhia da porca, a socialização com um novo grupo e os possíveis desafios sanitários. Portanto, diante de todos esses desafios, algumas ações são necessárias para tentar minimizar os efeitos negativos que possam vir a prejudicar o desempenho dos leitões.

Consumo diário (g)

Estudos apontam que o suprimento ininterrupto de alimento favorece a preservação da mucosa intestinal no período logo após o desmame. A atenção com uma alimentação, ainda na maternidade, pode estimular o desenvolvimento do sistema digestivo, induzindo o aumento na secreção de enzimas digestivas e ácido clorídrico no estômago [04 e 05] e preparando melhor o organismo do

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O ideal é que os leitões consigam ingerir e utilizar adequadamente os nutrientes fornecidos pela ração o quanto antes, ou seja, desde a maternidade, para minimizar ao máximo os efeitos de um desmame precoce. Quanto mais cedo o leitão desenvolver e aprimorar sua produção endógena de enzimas para digerir os ingredientes da dieta, melhor será o seu desempenho [08]. Com a utilização de um adequado programa nutricional, pode-se obter um incremento de cerca de 50% no consumo de ração total da maternidade, favorecendo uma melhor adaptação dos animais à introdução de um novo alimento na creche (Gráfico 01).

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O alimento torna-se protagonista na creche ao considerarmos que é uma das principais alterações que ocorrem na vida do leitão, portanto, a utilização de matérias-primas de alta digestibilidade e de boa palatabilidade na produção dessas rações Consumo diário na maternidade de acordo com a idade de é fundamental para otifornecimento de ração mizar a ingestão desses 47 alimentos pelos leitões. 42 A indústria de nutrição 38 procura unir tecnologia 30 30 e inovação para superar 24 os desafios pertinentes 21 18 à produção suinícola, 15 13 11 levando ao campo solu9 7 5 ções práticas que podem 4 1 1 3 2 1 2 2 0 0 0 0 0 0 0 fazer a diferença. 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 Idade do leitão (dias) Aos 5 dias

Aos 14 dias

Gráfico 01. Consumo diário (g) na maternidade de acordo com a idade (dias) de fornecimento de ração Fonte: Pesquisa de Heus B 162

Animais fisiologicamente mais bempreparados para creche tornam-se mais aptos a consumir alimento

nº 57/2016 | Suínos&Cia


Nutrição

Referências bibliográficas

Consumo Acumulado (Kg)

Consumo acumulado nos primeiros sete dias

1,217 0,964 0,735

0,037 0,014 1

0,200 0,067 2

0,367 0,179 3

0,538

0,929

0,702

0,485

0,304 4

5

6

7

MÉDIA

Dias

Ac FI Trial

Ac FI Control

Gráfico 02. Consumo acumulado nos primeiros sete dias Fonte: Pesquisa de Heus RS 161 desde as primeiras horas pós-desmame e podem atingir um consumo três vezes maior nos primeiros dias da fase, quando comparados com leitões não habituados ao alimento (Gráfico 02.). Esse comportamento gera maiores taxas de ganho de peso médio, melhorando o desempenho dos leitões nas fases subsequentes. Alguns manejos ainda podem potencializar o consumo na creche, como, por exemplo, o fornecimento de ração realizado de maneira frequente e em menores quantidades, visando desenvolver um comportamento alimentar no leitão, dando a ele sempre uma ração limpa e mantendo suas características de odor e sabor adequados, além de minimizar o desperdício. O período de tempo após o desmame para o início do consumo de ração também está diretamente relacionado ao consumo de água, por isso, o acesso à água limpa e de boa qualidade para os leitões também é importante.

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As estratégias utilizadas com a intenção de melhorar o consumo de alimento na fase de creche justificam-se pela maior taxa de crescimento, melhor conversão alimentar e redução da mortalidade pós-desmame. Desmame com pesos mais elevados, melhora nas condições de alojamento com adequada temperatura ambiente também são indispensáveis para o sucesso de produção na fase. Portanto, considerando todos os desafios impostos aos leitões durante esse período de transição, é fundamental a escolha da estratégia nutricional adequada, com atenção especial à saúde intestinal e à ingestão de água e alimento de forma contínua, o mais rápido possível após o desmame, garantindo, assim, melhor desempenho desses animais ao longo de toda a vida produtiva. Suínos&Cia | nº 57/2016

1. Kenworthy R. & Allen W.D. 1966. Influence of diet and bacteria on small intestinal morphology, with special reference to early weaning and Escherichia coli. Studies with germfree and gnotobiotic pigs. Journal of Comparative Pathology. 76: 291-296. 2. Donzele J., Abreu M.L.T. & Hannas M.I. 2002. Recentes avanços na nutrição de leitões. In: Anais do Simpósio sobre Manejo e Nutrição de Aves e Suínos e Tecnologia da Produção de Rações (Campinas, Brasil). pp.103-161. 3. Pestova M.I., Clift R.E., Vickers R.J., Franklin M.A. &Mathew A.G. 2000. Effect of weaning and dietary galactose supplementation on digesta glycoproteins in pigs. Journal of the Science of Food and Agriculture. 80: 1918–1924. 4. SHIELDS, R.G., EKSTRAM, K.Z., MAHAN, D. 1980. Effect of weaning age and feeding method on digestive enzyme development in swine from birth to ten weeks. J. Anim. Sci., 50(2):257-265. 5. EFIRD, C.R, ARMSTRONG, W.D., HERMAN, L.D. 1982. The development of digestive capacity in young pigs: Effects of age and weaning system. J. Anim. Sci., 55(6):1380-1387. 6. PLUSKE, J.R., WILLIANS, I.H., AHERNE, F.X. 1994. Nutrition of the neonatal pig. [S.l.: sn] 7. BRUININX, E.M.A.M.; BINNENDIJK, G.P.; VAN DER PEET-SCHWERING, C.M.C.; SCHRAMA, J.W.; DEN HARTOG, L.A.; EVERTS, H.; BEYNEN, A.C. Effect of creep feed consumption on individual feed intake characteristics and performance of group-housed weanling pigs. Journal of Animal Science. v.80, p.1413-1418, 2002. 8. PUPPA, J.M.R. Saúde intestinal dos leitões: o papel de alguns agentes reguladores. Anais... Simpósio Brasil Sul de Suinocultura, Chapecó, Santa Catarina, Concórdia: Embrapa Suínos e Aves, 129p, 2008. 9. SANTOS,L. S. et al; Fisiologia digestiva e nutrição pós desmame em leitões. NutriTime Revista Eletrônica Vol. 13, Nº 01, jan/fev de 2016.


Leitões saudáveis produzem melhor

De Heus: dedicação e conhecimento na creche Cuidados nutricionais certos na fase inicial potencializam o desenvolvimento do leitão pelo resto da vida. A De Heus desenvolve programas nutricionais com características únicas para as fases iniciais, que proporcionam grande vigor aos leitões e BNMSQHATDLO@Q@RTODQ@QNRCDR@jNR de saúde que costumam ocorrer nesses períodos. A nutrição De Heus é um dos pilares para crescimento do leitão pois, além de produtos de alta qualidade física e funcional, dedica uma atenção total para seu plantel, com serviço de diagnóstico das necessidades nutricionais do sistema de produção, personalização das dietas e acompanhamento contínuo do consumo e desenvolvimento dos animais. De Heus é a melhor escolha para TL@BQDBGDENQSDDDjBHDMSD


Sanidade

Suporte laboratorial ao diagnóstico e ao monitoramento sanitário em suinocultura Parte II Edson Luiz Bordin Médico-veterinário – Patologista edson.bordin@outlook.com

Introdução a primeira parte do trabalho, foi mencionada a importância da histórica clínica e coleta de material para auxilio de diagnóstico das doenças que comprometem os dados produtivos no sistema de produção. Nesta segunda parte, vamos abordar com acuidade as espécies ideais para auxilio de diagnóstico para os problemas reprodutivos e nervosos, bem como uma revisão sobre a resposta imunológica por meio da utilização do soroperfil.

Obs: Se houver fetos mumificados, submeta nove múmias, sendo três menores, três médios e três maiores. Caso os fetos não possam ser enviados imediatamente ao laboratório, o congelamento deles é aceitável. 2. Soro de porcas (5ml) – Na tentativa de diagnóstico de PRRSV, o soro é melhor coletado quando as porcas estão agudamente afetadas (3 a 7 dias sem alimentação e febris). As porcas geralmente não se encontram virêmicas no momento do aborto.

Para fetos abortados: coleta de espécimes

Aborto de suínos: procedimentos laboratoriais

Tabela 1: Aborto de suínos

1. Histopatologia

N 10

Espécimes ideais (refrigeradas) 1. Três fetos e placentas intactos de cada uma das leitegadas afetadas ou paridades diferentes – inclua o feto mais recente. Tabela 1 - Aborto de suínos – espécimes alternativos TECIDO/ AMOSTRA Cabeças

FRESCO (refrigerado – não congelado)

FIXADO (formalina a 10% tamponada)

3

Fluido torácico

2ml

Conteúdo estomacal

3ml

Pulmão

3

3 amostras: 1 x 1 x 1 cm

Coração

3

3 amostras: 1 x 1 x 1 cm

Fígado

3

3 amostras: 1 x 1 x 1 cm

Rim

3

3 amostras: 1 x 1 x 1 cm

Baço

3

3 amostras: 1 x 1 x 1 cm

Placenta

3

3 amostras: 3 x 3 cm

Gânglios Inguinais Superficiais

3

Múmias (intactas, se disponíveis)

9 (veja acima)

3 amostras

Obs: É aceitável reunir tecidos de múltiplos fetos.

Suínos&Cia | nº 57/2016

2. Cultura bacteriana a. Pulmão b. Conteúdo estomacal c. A placenta pode ser enviada na tentativa de cultura, se a mesma estiver fresca e não contaminada com fezes 3. Imunologia a. Fluido torácico – IgG/IgM 4. Sorologia (soro de porcas) a. Leptospira sp b. Parvovírus c. PRRSV d. Outros, conforme solicitado 5. PCR a. PRRSV e PCV-2 - Soro de porcas - Tecidos fetais: pulmão, timo, gânglio, coração, rim, cérebro e baço b. Parvovírus - Pulmões de fetos mumificados 6. Imuno-histoquímica (IHC) a. Leptospira sp - Rim, miocárdio de feto mumificado


Sanidade

7. Toxicologia a. Carboxihemoglobina (para exposição ao monóxido de carbono) - Sangue cardíaco fetal Tabela 2: Septicemia Bacteriana em Suínos: coleta de espécimes Seleção de animais­ – Três suínos eutanaziados com sinais típicos, afetados agudamente e não tratados (se disponíveis) ou três suínos recémmortos. Submissão de amostras – Embale e identifique individualmente as espécimes dos suínos. As bactérias que são comumente associadas com septicemia em suínos são Actinobacillus suis, Erysipelothrix rhusiopathiae, E. coli, Haemophilus parasuis, Leptospira sp., Salmonella spp. e Streptococcus suis. Um grande número da causas de morte súbita é consequência de lesões causadas pelas doenças em geral. Outras são devidas a situações gerais de manejo ou por ectopias viscerais, como as torções que atualmente são frequentemente observadas. Nesse caso, a ectopia visceral intestinal é observada de imediato. Seleção de animais­ – Três suínos recentemente mortos. Submissão de amostras – Embale e identifique individualmente as espécimes dos suínos. Tecidos fixados em formalina Conforme para doenças respiratórias e entéricas Espécimes frescas Conforme para doenças respiratórias e entéricas Obs: Tenha atenção especial com a posição dos intestinos in situ. Examine a raiz do mesentério quanto à torção parcial ou completa.

Tabela 2 - Septicemia em suínos TECIDO/AMOSTRA

FRESCO (refrigerado – não congelado)

Soro

5ml

Sangue total

3ml em EDTA

Swabs

Cérebro, epicárdio, articulações (tecido periarticular incluindo sinovial)

FIXADO (formalina a 10% tamponada)

Cérebro Pulmão

6 x 6 x 6 cm – 2 seções por suíno com vias aéreas visíveis

3 fragmentos por suíno, a partir das áreas afetadas (2 x 2 x 1 cm)

Coração

Fragmentos de 4 x 4 x 4cm

2 x 2 x 1 cm incluindo ventrículos direito e esquerdo e septo

Fígado

Fragmentos de 4 x 4 x 4cm

2 x 2 x 0,5 cm

Rim

Metade de um rim

Fragmento de 2,0 cm através do centro

Baço

Fragmento de 5 cm

Gânglios

Mandibular, esternal, traqueobrônquico, mesentérico e inguinal superficial

Mandibular, esternal, traqueobrônquico, mesentérico e inguinal superficial

Íleo

Segmento de 10 cm

Segmento de 2 cm

Obs: 1. As amostras devem incluir áreas de lesão, se houver. 2. Os suínos que morrerem devido a alguma infecção bacteriana podem apresentar meningite aguda, mas sem lesões torácicas macros ou viscerais abdominais.

Em um suíno normal, o intestino grosso (ceco e cólon espiral) deve estar no lado esquerdo, e o intestino delgado (jejuno), no lado direito. Obs: Se houver suspeita de falha de ventilação, a coleta de sangue em EDTA (tubos com tampa roxa) de animais afetados, vivos, deve ser submetida à carboxihemoglobina, em uma tentativa de se confirmar a exposição a altos níveis de monóxido de carbono. O restante dos gases venenosos não pode ser detectado rotineiramente em tecidos de animais mortos. A submissão de animais com suspeita de terem sido mortos devido à falha de ventilação geralmente é feita para descartar qualquer outra causa de morte súbita, como septicemia, torção intestinal, etc. Trata-se de recomendação técnica, mas raríssima em nosso meio. Doença do Coração em Amora – Suínos

Figura 1. Coleta de líquido cefalorraquidiano / SNC

Seleção de animais­– Três suínos eutanaziados com sinais típicos, afetados agudamente e não tratados (se disponíveis) ou três suínos recém-mortos nº 57/2016 | Suínos&Cia

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Sanidade

Submissão de amostras – Embale e identifique individualmente as espécimes dos suínos. Tecidos fixados em formalina 1. Coração – inclua áreas do miocárdio com hemorragia macro (corte em toda a espessura da parede) 2. Pulmão – (2 x 2 x 1 cm) 3. Fígado – (2 x 2 x 0,5 cm) Espécimes frescas 1. Fígado (4 x 4 x 4 cm) – bacteriológico, toxicologia (Vit. E e Selênio) 2. Pulmão (4 x 4 x 4 cm) – bacteriológico Outras considerações: Veja morte súbita Definhamento ou refugagem Seleção de animais­ – Três suínos eutanasiados com sinais típicos, afetados agudamente e não tratados (se disponíveis) ou três suínos recémmortos Submissão de amostras – Embale e identifique individualmente as espécimes dos suínos. Tecidos fixados em formalina Conforme para doenças respiratórias e entéricas Espécimes frescas Conforme para doenças respiratórias e entéricas

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Considerações adicionais: 1. Sangue total não coagulado (sangue EDTA) para CBC, morfologia RBC 2. Soro para perfil químico 3. Fígado para traço mineral e análise de vitamina E 4. Duodeno com pâncreas Obs: Examine o estômago quanto a úlceras da porção esofágica. Nem toda refugagem é patológica, e sendo, nem toda é necessariamente PCVDA. Suínos – Distúrbios Cutâneos Seleção de amostra ante-mortem 1. Raspagem da pele das áreas afetadas (aquelas com crostas, pústulas, bolhas, vermelhidão ou edema) de diversos suínos. 2. Swabs de lesões cutâneas de diversos suínos. Seleção de animais­ – Três suínos eutanaziados com sinais típicos, afetados agudamente e não tratados (se disponíveis) ou três suínos recémmortos Suínos&Cia | nº 57/2016

Submissão de amostras – Embale e identifique individualmente as espécimes dos suínos. Seleção de amostra post-mortem Tecidos fixados em formalina 1. Diversos pedaços de pele (2 x 2 cm), incluindo a pele normal, além das bordas das lesões 2. Outros órgãos com lesões macro Espécimes frescas 1. Pele – diversos pedaços (3 x 3 cm) (Obs: contaminando-se com fezes, limpe e seque antes de submeter) 2. Fígado – (4 x 4 x 4 cm) – para toxicologia, inclusive zinco 3. Gânglios superficiais drenando as áreas cutâneas afetadas 4. Rins, pulmões 5. Outros órgãos com lesões macro Obs: Se houver suspeita de sarna, inclua o canal auditivo externo por meio de um corte na orelha e submissão. Obs: Se a reclamação for de “orelhas roxas”, siga as orientações de submissão para septicemias. Obs: Considere as possíveis doenças de animais exóticos em casos com vesículas envolvendo a boca, nariz ou patas, importantes em algumas viroses vesiculares. Artropatia Suína Seleção de animais­ – Três suínos eutanaziados com sinais típicos, afetados agudamente e não tratados (se disponíveis) ou três suínos recémmortos Submissão de amostras – Embale e identifique individualmente as espécimes dos suínos. Seleção de amostras ante-mortem 1. Sangue total em EDTA 2. Soro 3. Líquido articular Seleção de amostra post-mortem 1. Suínos pequenos: Deixe as articulações intactas (limpe bem a pele antes de colocar em sacos). 2. Suínos maiores: a. Swabs de articulação – Dois swabs por articulação. b. Membrana sinovial – Submeta os fragmentos, tanto refrigerados (não congelados) quanto em formalina. c. Ossos afetados – submeta refrigerados d. Cordão espinhal – se sinais clínicos indicarem mau funcionamento do cordão espi-


Sanidade

nhal, submeta segmentos de 5cm refrigerados (não congelados) e em formalina do cordão cérvico-torácico e lombossacral. Obs: Verifique se há ruptura de costela. Examine as superfícies articulares. Se não houver qualquer nível de lesão articular, como exsudações diversas, convém se ater ao SNC. Monitoramento sorológico (presença de patógenos e de anticorpos) Uma prática de uso ainda incipiente e cada vez mais demandante refere-se à avaliação de rotina do perfil sorológico puramente preventiva em um plantel. Por vezes também aplicam-se esses perfis para a avaliação do programa sanitário, vacinal e metafilático em uso. A rigor, não se observa na literatura uma indicação padrão ou que se aplique em todas as condições. As informações tendem a ser mais genéricas. Em termos mais gerais, para as condições da América Latina, as monitorias são, hoje, usadas para avaliação de carga de PCV-2, anticorpos para PRRS, PCV-2 e Myco e SIV, e em casos mais específicos, App, PPV e leptospira, embora para esses últimos a sorologia seja mais utilizada para fins diagnósticos, e no caso da leptospira, usualmente requer pareamento. Em alguns países também incluem-se a Brucelose, a PSC e a doença de Aujeszky nessa listagem. A sorologia não apresenta em si um valor absoluto, mas é importante nas monitorias e é fator complementar a outras observações, como o PCRq, por exemplo.

A monitoria sorológica por meio de amostragem estratificada, principalmente, pode ser útil para se estabelecer a dinâmica dos patógenos circulantes, de acordo com o fluxo de animais nos vários estágios da produção (Barcellos; 2009). Desse modo, por meio da demonstração dos títulos de anticorpos detectados, ou da quantificação do agente, pode ser obtida informação vital sobre a dinâmica de determinado patógeno no plantel avaliado. A figura 5 abaixo retrata um quadro de avaliação de anticorpos para PCV2, com os respectivos títulos em momentos distintos, em plantéis de marrãs em uma grande operação comercial na Europa. Observa-se uma variação de títulos entre baixo a moderado, ou seja, quanto mais perto de 1,5 Log10 for o título, menos exposto ao vírus foi o animal e mais susceptível ele será, ou então está em fase de viremia alta com mais de 107 de carga viral, e eventual doença, já que na PCVDA há realmente pouca titulação em contraste com a quantificação de vírus. O exemplo incluso presta-se a avaliar os níveis de contaminação do plantel a partir da vida produtiva dessas fêmeas. O ideal, no entanto, seria que o PCRq “corresse” em paralelo. Na figura abaixo pode-se constatar uma grande variação de anticorpos, que é muito comum em planteis não vacinados. Essa heterogeneidade ocorre também em fêmeas e faz com que os leitões, da mesma forma, demostrem similaridade de variabilidade após a ingestão de colostro, sendo pouco neutralizantes. Com a vacinação de fêmeas ocorre homogeneidade, e a absorção de anticorpos passivos é maior. A vacinação de leitões também produz essa homogeneidade.

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Figura 5 - Dr. Joisel François

nº 57/2016 | Suínos&Cia


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Figura 6 - Dr. Joisel François

Considerando hipoteticamente uma granja sem problemas clínicos com vacinação, o padrão sorológico compatível é o expressado. Uso essencial da sorologia em suinocultura Prática importante como já comentado, e seu uso vem tendo basicamente os objetivos abaixo listados.

Na figura acima observa-se que os animais vacinados expressaram altos níveis de anticorpos que, paulatinamente, até por volta da semana 4, caíram a níveis menores, porém protetores. Isso deveu-se, provavelmente, à diminuição da viremia. Posteriormente, com o contato com o vírus, novamente o mecanismo de memória imunológica reencetou o aumento de título. Os animais NV+, ou seja, inoculados, acabaram se beneficiando da menor excreção viral do grupo vacinado, e os animais NV-, ou seja, não inoculados com o vírus, reagiram à agressão viral ambiental com produção de anticorpos. Nenhum dos grupos de controle registrou grande diferença com o grupo vacinado, embora, em termos de doença clínica, o grupo vacinado registrou importante proteção contra mortalidade.

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1) Avaliar programas de vacinação 2) Definir o melhor momento para a aplicação de vacinas 3) Determinar a prevalência ou incidência de doenças 4) Determinar a distribuição do patógeno nos distintos grupos etários 5) Monitorar o status sanitário de animais em quarentena Breve revisão sobre a natureza dos anticorpos São produtos proteicos dos plasmócitos que se diferenciaram a partir das células B, as quais ou contataram diretamente o patógeno ou foram estimulados por células linfoides da linhagem T (CD4 principalmente). Esses linfócitos, por sua vez, foram devidamente estimulados pelas células apresentadoras de antígenos em nível dos gânglios linfáticos, conhecidas como células dendríticas, em função de sua morfologia, e que são de dupla origem. Essas células, a rigor, macrófagos teciduais, desempenham papel importante por contatar e englobar agentes

Figura 7: Barreiras químicas e físicas

Fonte: Anne Goubier, DVM, PhD, PxBiosolutions Suínos&Cia | nº 57/2016


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patogênicos que vencem as barreiras mecânicas e atingem tecidos mais profundos. São também denominadas de APCs, ou seja, células apresentadoras de antígenos. Possuem pontos de aderência ou receptores de agentes patogênicos, basicamente receptores tipo “heparinsulfatan” que, com outros receptores de membrana, desempenham papel importante na endocitose dessas partículas biológicas por parte das células dendríticas. A sequência do processo requer ativação e clonagem de células posteriormente envolvidas dentro do processo imune, notadamente as linfocíticas, e envolve uma série de substâncias ativas, mediadoras proteicas de funções variadas, como as interleucinas, que participam do processo imune-inflamatório. Alguns desses elementos, produtos de linfócitos estimulados e de células dendríticas, no decurso da PCVDA são indiretamente responsáveis pela imunossupressão, como a IL- 10, enquanto outros estimulam resposta inflamatória com liberação de outras citocinas e geração de reações de hipersensibilidade retardada, envolvendo-se na própria patogenia da doença. A título de complemento, o PCV2 reduz consideravelmente também o IFN, o IL-1, IL-2, IL-4, IL-8, havendo variabilidade quanto à disposição desses elementos intermediários em nível de sangue e de tecido (Segalés; 2001). Outro patógeno que interfere no sistema imune é o Mycoplasma hyopneumoniae, o qual também leva ao processo inflamatório que o caracteriza pela produção de ao menos três tipos de modulinas que levam à síntese de citoquinas pró-inflamatórias. Isso caracteriza a lesão típica da pneumonia enzoótica suína com hepatizações

distintas do parênquima pulmonar anterior (ver adiante). Os anticorpos resultam ser produtos finais desse complexo de reação imune que se inicia com o englobamento e a decodificação proteica do antígeno e culmina com a produção dessas globulinas, as quais podem ser basicamente de três tipos: IgG, IgM e IgA. O IgM atinge o pico mais rapidamente e desaparece na mesma cronologia. Já o IgG aparece mais tardiamente, aumenta lentamente e permanece por longo tempo no soro. No momento em que se avalia uma titulação, em uma prova de ELISA, por exemplo, é difícil intuir qual a categoria de anticorpos que prevalece, exceto em animais lactantes no início de vida, já que o anticorpo que prevalece no colostro é o IgG de origem passiva, seguido em concentração pelo IgA e o IgM. Em mg/ ml, em torno de 30, 10 e 3, respectivamente. Já no leite essas concentrações mudam, prevalecendo o IgA (até 7 mg/ml), seguido por IgG (até 2 mg/ml) e, finalmente, o IgM, com aproximadamente 1 mg/ ml de leite. Um teste positivo pode retratar infecção prévia, recente, vacinação prévia ou mesmo infecções cruzadas. Um teste negativo pode não significar ausência de infecção, isso em função da sensibilidade do método que somente permite avaliação após um determinado título (linha de corte). Em alguns casos, um teste negativo pode significar que não houve ainda tempo para seroconversão, lembrando que o micoplasma suíno, por exemplo, é tido como convertor lento, de modo que a influência do tipo de patógeno nesse aspecto também é importante.

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Figura 8: Mensageiros entre imunidade inata e adaptativa: células dendríticas

Fonte: Anne Goubier, DVM, PhD, PxBiosolutions nº 57/2016 | Suínos&Cia


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Eficiência de alguns testes sorológicos na detecção dos anticorpos (Barcellos, 2009)

Considerações sobre um protocolo de monitoramento prático

Aglutinação

Conforme já comentado, vamos agora abordar um protocolo de conduta básica com o objetivo de acompanhamento sorológico de um plantel. Essa abordagem é pessoal, sugestiva e retrata ações praticadas por anos de validação a campo. Trata-se de uma tentativa de adaptação do método Cohort, originalmente longitudinal e sequencial usado para averiguar a evolução dos patógenos dentro do rebanho. Não é usado com fins diagnósticos.

IgM (+++)

IgG (+)

IgM (+++)

IgG (+)

viral

IgM (++)

IgG (+)

Precipitação

IgM (+)

IgG (+++)

HI

IgM (+)

IgG (+)

ELISA

IgM (+)

IgG (+)

IFA

IgM (+)

IgG (+)

Fixação de complemento Neutralização

Obs: Não há teste 100 % sensível ou 100% específico. Dessas provas, as mais rotineiras são as que usam a técnica ELISA, que basicamente nada define quanto ao tipo de anticorpo que prevalece. Testes que especificam o tipo de anticorpo não fazem parte da rotina.

Historicamente existem alguns pontos considerados críticos na sorologia, agrupados por Barcellos e Yury (2007). Evidentemente essas possibilidades de interferência devem ser minimizadas ao máximo.

Breve consideração sobre o PCRq

2 - Falta de programação dos testes;

Quantifica a presença do agente patogênico por meio de técnicas de biologia molecular, ao contrário do PCR simples, que apenas detecta molecularmente o agente patogênico. É um teste bastante útil, notadamente no caso de estudo da dinâmica do PCV-2, já que se trata de um vírus onipresente, o qual está sempre em contato com o suíno, e dele exigindo resposta adaptativa.

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Nas práticas de monitoria sanitária, o ICB da Unesp-Botucatu (SP) relaciona a quantificação do vírus com o potencial de desafio e virulência da seguinte forma: Valor Log / mL / amostra: Negativo: Indetectável, ausência de viremia (menos de que 104) Até 1: Carga viral muito baixa, sem comprometimento do sistema imune (cerca de 105) De 1 a 2: Carga viral baixa, pode haver comprometimento imune (acima de 105) De 2 a 3: Carga viral média com comprometimento imune e perdas zootécnicas (107) Acima de 3: Presença de doença clínica e linfopeniaperiférica (acima de 107) Suínos&Cia | nº 57/2016

Especificações

1 - Amostras hemolisadas; 3 - Falta de padronização de técnicas; 4 - Curta validade dos reagentes dos Kits; 5 - Escolha equivocada dos testes; 6 - Dificuldade de interpretação minimizada desde que o laboratório confira o devido suporte, daí a importância da escolha adequada dele. Procedimento sugerido Requer a coleta de 20 amostras de sangue por categoria, 10 ml por animal, sendo elas mantidas em ambiente para dessorar, posteriormente acondicionadas em refrigerador e enviadas conservadas. Eventualmente podem ser congeladas e, mais eventualmente ainda, pode-se agrupar os soros em amostras globais que reúnam até cinco amostras individuais. Vale ressaltar que há alguma controvérsia quanto à eficiência dessa prática além da vantagem econômica. A) Coleta em fêmeas 1) Marrãs na chegada à unidade de produção: amostrar na medida em que são selecionadas (coleta de sangue visando PCRq para PCV-2 , ELISA para anticorpos PCV-2, PRRS, SIV e Myco, leptospira). Material para isolamento bacteriano, como swabs de tonsila para bactérias respiratórias, como o App, por exemplo, também pode ser obtido nesse momento, havendo necessidade.


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2) Porcas no periparto: mesma amostragem, mesmo objetivo, com a coleta sendo feita no mínimo com 21 dias antes do parto. Nessa categoria já se pode adicionar o PPV (Parvovirus ) dentro da avaliação sorológica. Obs: Esse processo visa à avaliação laboratorial em momentos distintos do manejo reprodutivo, envolvendo as categorias disponíveis no momento do início do programa. Outras práticas, como coleta de fezes para averiguar carga de parasitos e raspados cutâneos para avaliar a presença do ácaro da sarna, também podem ser utilizadas devidamente. B) Coleta em leitões (ênfase no PCV-2) 1) Coletar 10ml de sangue de 10 leitões, ao desmame, para PCV-2 (PCRq e anticorpos) e Myco (anticorpos). Adicionalmente necropsiar outros três leitões e coletar gânglios linfáticos inguinais, mesenteriais e mediastinais em formol a 10%, além de fragmentos de baço, de 2cm (destino desse material, histopatologia e IHC, para evidência de eventuais lesões por PCV-2 e nível de tinção na IHC). 2) Saída da creche, coletar o mesmo material e com os mesmos objetivos. Necropsiar adicionalmente três animais com a mesma recomendação de coleta dos anteriores. 3) Fase mediana da engorda: coletar sangue com o mesmo objetivo. Nessa fase não haverá necropsia ou coleta de tecido linfoide.

4) Fase final de engorda: nessa fase pode-se substituir a coleta de sangue pelo uso das “cordas” com coleta de fluído oral, conforme descrito. Obs: A avaliação histopatológica e a IHC de material coletado em leitões pode ser particularmente útil, como única opção, quando não há condições de se proceder com sorologia e muito menos PCRq. Nesse caso, pode-se avaliar o desafio por PCV-2 pelas lesões linfoides características e IHC. Na figura abaixo observam-se resultados de avaliação sorológica de suínos em distintos momentos quando se registra, entre outras informações, o momento de infecção do lote que ocorre ao nível da 8ª semana após a queda dos anticorpos maternais. Comparação dos títulos em IgG e IgM de animais em doença clínica e animais sem doença. Em média, os níveis de anticorpos estão baixos nos animais doentes pelo efeito imunossupressor. ATENÇÃO 1) Ao laboratório cabe expressar os títulos de anticorpos obtidos com as sorologias, o método utilizado e o significado dos valores de titulações. Também é de responsabilidade do laboratório caracterizar a quantificação de patógeno expressa pela PCRq, e, no caso de histopatologia, descrever as lesões, a gravidade delas e o nível de positividade na IHC.

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Figura 9: Interpretação gráfica de ambas imunoglobulinas registradas (IgG e IgM) de todas as categorias estudadas

Fonte: Serological Profiles of Porcine Circovírus Infection in Romanian Swine Herds (D. Cadar, et al., 2009) nº 57/2016 | Suínos&Cia


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Figura 10: Interpretação gráfica de ambas imunoglobulinas registradas (IgG e IgM) em suínos com PMWS/PDNS e suínos saudáveis com 10 a 12 semanas de idade

Fonte: Serological Profiles of Porcine Circovirus Infection in Romanian Swine Herds (D. Cadar, et al., 2009) 2) No programa proposto, foram caracterizados os agentes patogênicos de relevância, no entanto, a necessidade de incluir outros patógenos fica a critério do veterinário sanitarista. 3) É importante, antes de se implementar o programa, conhecer em detalhes os programas vacinais em uso.

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4) Selecionar a mão de obra necessária para o manejo conveniente das etapas previstas. Algumas considerações adicionais quanto ao Mycoplasma hyopneumoniae É o agente mais difícil para interpretação de dados laboratoriais, já que há inúmeros fatores intervenientes, a começar pelo tipo do teste e seu grau de sensibilidade. A identificação pelo PCR e/ ou pela imuno-histoquímica (IHC) apenas retrata a presença do patógeno. A histopatologia, com a hiperplasia do sistema BAlt em nível peribronquiale a intensa infiltração neutrofílica alveolar têm importância apenas relativa, embora com inegável frequência ocorra na pneumonia enzoótica. A sorologia por ELISA, frequentemente usada, não pode ser considerada uma prova definitiva, já que o início de detecção de anticorpos varia de semanas a “nunca”. Basicamente a sorologia é positiva, ou se espera que seja, com aproximadamente uma ou mais semanas após os sintomas (tosse) e lesões. A infecção dos leitões dá-se pelo contato com a mãe e também a quanto de anticorpo passivo eles estão exposto. Há evidências de que o micoplasma Suínos&Cia | nº 57/2016

induz a produção, por parte dos macrófagos, de altos níveis de citocinas pró-inflamatórias, como a IL 1, IL 6, IL 8, FNT e outras. Hoje sabe-se que essas proteínas afetam o ganho de peso. A vacinação tende a aumentar o título, mas o contato com o agente também o faz, e por vezes até de forma mais abrupta. Em suma, uma consorciação de dados laboratoriais, com a presença de sintomas indicativos de tosse não produtiva (importante proceder com o índice de tosse), títulos altos de anticorpos e uma patologia pulmonar típica ao abate, pode ser utilizada como critério aproximado para se ter uma ideia aproximada do momento da infecção, que se constitui, na verdade, um perene desafio ao sanitarista. Muitas das chamadas falhas de vacinação, na verdade, retratam apenas um equívoco do momento desse manejo. A vacinação pela maioria das citações é mais factível de ser aos 21 dias de idade, notadamente pela influência dos anticorpos maternais que ocorre antes desse período. Convém lembrar que as lesões da doença não são perenes e patognomônicas e dentro de aproximadamente 16 semanas tendem a solucionar. Patologia de abate - algumas considerações Trata-se de importante método auxiliar de monitoramento, imprescindível na prática sanitária moderna. Os suínos e suas principais doenças facultam essa possibilidade pela praticidade e pelo tempo relativamente longo de resolução das alte-


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rações morfológicas motivadas pelas doenças. Em sua imensa maioria, essas patologias são fundamentalmente inflamatórias e exsudativas, tendendo a agudas/subagudas, ou crônicas, dependendo do momento em que se registra a infecção e a reação orgânica ao processo. Por exemplo, desvios faciais característicos da rinite atrófica, notadamente com desvio septal, não tendem a indicar agressão recente. Pneumonias em hepatizações vermelhas agudas tendem a indicar agressão relativamente nova. Aderência fibrótica de pleura em cavidade costal é lesão de natureza mais prolongada, de meses, e gênese não recente. Segundo Morés (2000), a monitoria patológica de lesões de suínos ao abate tem os seguintes objetivos: • Identificar doenças subclínicas no rebanho; • Estimar a prevalência e quantificar a gravidade de lesões que representam manifestações patológicas das doenças; • Monitorar granjas, notadamente de reprodutores, para reduzir os riscos de disseminação; • Definir prioridades de ações; • Identificar fatores de riscos.

1) Conhecer as patologias das doenças a monitorar; 2) Conhecer os períodos de resolução natural das lesões; 3) Fazer a devida amostragem, usando de tabela apropriada; 4) Interferir o mínimo com o funcionamento da indústria no momento da avaliação; 5) Idealmente trabalhar com levantamentos de, no máximo, duas ocorrências em investigação; 6) No máximo 3 avaliações por ano de uma dada patologia é suficiente. Cronologia de regressão das lesões (adaptado de Pointon) 8 a 16 semanas

2) Rinite atrófica progressiva 4 a 5 meses 3) Pleuropneumonia

10 a 12 semanas

4) Pleurisia

8 a 12 semanas

5) Ileite

6) Sarna sarcóptica- grau 3

A metodologia completa para a implementação do programa está disponível no software ProAPA, por meio da Embrapa Suínos e Aves, já de uso consagrado. Uma mesma abordagem, por meio de dispositivo similar, pode ser obtida em consulta ao autor da presente revisão, que pode disponibilizar o PMA (programa de monitoria de abate), desenvolvido em 2012, e que também inclui orientação de coleta estatística para procedimento da avaliação. Como conclusão, é muito importante a combinação da monitoria sorológica com a monitoria de abate. São instrumentos fundamentais ao veterinário em sua tentativa de controle das principais ocorrências sanitárias na suinocultura industrial.

Referências bibliográficas

Os aspectos ou requerimentos fundamentais são:

1) Pneumonia enzoótica

Os diversos índices de doenças podem ser auferidos com a implantação correta do programa de monitoramento de abate. Existem algumas metodologias já consagradas de uso nesse trabalho, e o importante é que os índices de lesões são graduados por sua severidade. As patologias mais frequentemente monitoradas ao abate são o IPP, ou seja, o índice de pneumonia, e o IRA, o índice de rinite atrófica.

4 a 6 semanas 5 semanas

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1. Barcellos; D; 2009: Uso de perfis sorológicos e bacteriológicos em suinocultura. Acta ScientiaeVeterinariae. 37 (Supl 1). 2. Sobestiansky, J; Barcellos, D; 2007: Doenças dos Suínos. Cânone Editorial, Goiânia. 3. Morés, Nelson; 2000: Avaliação Patológica de Suínos no Abate. EmbrapaCNPSA. Concórdia. 4. Gramer, M; 2005: A guide to Porcine Sample Submission and Diagnostic Tests-Veterinary Diagnostic Laboratory. Minnesota, USA. 5. Schwartz, K; 2009: Diagnosing clinical disease and subclinical infections in a vaccinated population. Pre-AASV BI Health Seminar. 6. Segales, J; 2006: Circovirosis porcina: como diagnosticarla y controlarla? Cuadernos de Campo Ivomec. MerialSaúde Animal. 7. Krakowka, S; 2003: The pathogenesis of PCV2 infection and PMWS. White Book Merial Animal Health. 1st APVSSeoul –Korea. nº 57/2016 | Suínos&Cia


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Influência dos fatores de produção em suínos de crescimento Silva, C.A.1*, Agostini, P.S. 2, Gasa, J. 2 Universidade Estadual de Londrina/Depto. Zootecnia/Londrina, PR. e-mail: casilva@uel.br 2 Universidad Autônoma de Barcelona, SNiBA, Depto. de Ciencia Animal y Alimentos/Espanha 1

Introdução

H

á décadas, a carne suína é a proteína animal mais consumida no mundo, apresentando, nos últimos 10 anos, um crescimento próximo a 20%. No Brasil, o segmento tem grande importância social, com expressiva participação na economia do país. Em 2013, foram abatidas, no país, segundo o IBGE, 36,6 milhões de cabeças (EBC, 2014), representando mais 3,4 milhões de toneladas de carne (ABIPECS, 2014), números que colocam o Brasil na quarta posição mundial como produtor e como um dos principais exportadores (RIBEIRO, 2012; ABPA, 2014). Produzir carne suína em quantidade e qualidade, dentro de um modelo viável economicamente e aliado às demandas ambientais, às questões trabalhistas e de bem-estar animal, constitui um desafio para o país. Estes aspectos, se otimizados, representam a garantia da competitividade do sistema frente ao consumo interno e às expectativas de ampliação do mercado externo, viabilizando a atividade. Assim, o sistema deve rever continuamente seus padrões de produção com programas de gestão e regras claras para o sistema sanitário. Estes conceitos produtivos não representam somente uma questão ética, mas também de eficiência, que associa aspectos ambientais e construtivos, de manejo, de nutrição e alimentação, genéticos, entre outros.

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“A velocidade das mudanças na suinocultura nacional apresenta-se expressiva, provando seu dinamismo e sendo atribuída, principalmente, ao progresso genético.” Suínos&Cia | nº 57/2016

A velocidade das mudanças na suinocultura nacional apresenta-se expressiva, provando seu dinamismo e sendo esta atribuída, principalmente, ao progresso genético, ao suporte nutricional e técnico, mas também à prevalência cada vez maior de grandes complexos suinícolas que, em substituição aos pequenos suinocultores, impõem seu poder de investimento, cujas respostas são os melhores índices em relação àqueles mais limitados de recursos. Neste cenário, estão em ordem de expansão as integrações verticais, as cooperativas e os grandes suinocultores independentes. Como aspectos vinculados aos novos investimentos, seguem a automação dos sistemas de alimentação (existem também alguns investimentos recentes em sistemas de automação para ração líquida), a climatização ambiental, a especialização da produção, a padronização dos modelos dentro das integrações e cooperativas (por exemplo, terminadores com instalações cada vez mais semelhantes) e a tentativa de redução da mão de obra nas granjas. Quanto às questões de alojamento, não há efetivamente no país um modelo ainda bem estabelecido e aceito consensualmente que contemple uma relação ótima de custo benefício e que harmonize as questões relacionadas com o bem-estar animal, que para as fases destinadas à engorda, no Brasil, ainda estão num nível de discussão bastante incipiente. Estes novos modelos de organização que se estabelecem (cooperativas e integrações) favorecem e determinam benefícios pela economia de escala que se desenha e facilitam a adoção dos procedimentos de biosseguridade, que são cruciais. Todavia, o complexo suinícola do país ainda convive, mesmo num quadro em que o modelo de organização torna-se cada vez mais empresarial e vinculado à indústria, com diferenças importantes de procedimentos, estrutura, manejo e programas alimentares e nutricionais. Comprovadamente, na suinocultura, uma das características que tangenciam a eficiência e a viabilidade do sistema é a especialização da atividade. Quando há uma definição neste sentido, como produtores especializados na produção de


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leitões; ou como crecheiros, realizando a fase intermediária do sistema; ou dedicando-se à parte final, às fases de crescimento/terminação; os números produtivos tornam-se cada vez melhores. No segmento, a maioria dos produtores está envolvida com as fases finais do processo produtivo, que são as etapas de crescimento e de terminação. Essas fases são consideradas complexas, sujeitas a muitas variáveis e comumente detêm grandes dimensões. Há, portanto, um elevado número de animais envolvidos, alto consumo de ração e grandes transformações nos índices de desempenho, embora as margens econômicas ainda mantenham-se bastante variáveis, dada os diferentes padrões de eficiência e custos presentes. Em condições comerciais brasileiras, o custo médio de um leitão desmamado com 6 kg de peso vivo é de aproximadamente 25% do custo de um suíno terminado com 100 kg de peso vivo. Na fase de creche, quando o leitão atinge em torno de 20 kg de peso vivo, é contabilizado um custo de 13% em relação ao custo do terminado, restando, portanto, 62% de custo para os animais em fases de crescimento/terminação. A maior fração do custo total (para todas as fases) é a despesa com a alimentação (66%), sendo que para as fases de crescimento/terminação esta representa cerca de 78% do custo total. Apesar da importância econômica das fases de crescimento e terminação, existem poucos estudos em condições brasileiras voltados para quantificar o impacto real dos vários fatores de produção sobre estas etapas, com menos informação ainda quanto às questões relacionadas com o bem-estar dos animais. Um estudo bastante completo envolvendo aproximadamente 20% do plantel de suínos em fases de crescimento e engorda na Espanha foi conduzido por Agostini et al. (2013), apontando resultados importantes para nortear ações imediatas de manejo e alimentação/nutrição e ações futuras de cunhos genético e ambiental. Via de regra, os principais fatores relacionados com as taxas de produção de suínos de crescimento são bem conhecidos (LOSINGER de 1998, CLINE e RICHERT, 2001; QUILES e FERVIA, 2008), destacando os aspectos genéticos, os alimentos, a nutrição empregada, as condições de alojamento e o estado sanitário. Estudos que relacionam esses parâmetros entre si, especialmente a genética com a nutrição, a alimentação (GISPERT et al, 2007;. LATORRE et al, 2004, NIEMI et al, 2010.) e o estado sanitário (MARTINEZ et al., 2009), são escassos, sendo ainda mais limitados aqueles que relacionam os índices produtivos com as condições das instalações e dos equipamentos envolvidos (OLIVEIRA et al., 2009). Em relação à genética, os esforços dispensados pelo melhoramento priorizam para os animais que participam das fases de engorda características de interesse para o produtor e para os

O custo médio de um leitão desmamado de 6 kg de peso vivo é de aproximadamente 25% do custo de um suíno terminado mercados processador e consumidor, como ganho de peso, conversão alimentar e parâmetros de carcaça e carnes (PIETERSE et al, 2000;.CORRÊA et al, 2006). A genética está diretamente relacionada com o desempenho zootécnico, o potencial de deposição de tecido magro e o baixo consumo de ração, além de definir o tipo comercial a ser produzido e, consequentemente, o peso ideal para o abate. Neste sentido, no país estão presentes as principais empresas de genética mundiais, que naturalmente têm produtos com distintas potencialidades que, por sua vez, refletem nos resultados zootécnicos e econômicos das granjas/empresas. Quanto à alimentação, um dos fatores mais críticos em termos de custo, existem muitas questões envolvidas na sua participação sobre a eficiência das fases, destacando primariamente a composição das rações e seus valores nutricionais. Outros fatores, como o número de rações utilizadas em cada fase ou o momento em que ocorrem as trocas delas (HAN et al., 2000), ou ainda se existe uma conduta de oferta de rações distintas para animais de diferentes gêneros (machos inteiros, fêmeas e machos castrados) (HILL et al., 2007), também são relevantes. Pesa igualmente nesta questão a forma física da ração, se farelada, peletizada ou granulada (MÖßELER et al., 2010), e a alimentação líquida (MISSOTTEN et al., 2010), prática ainda em desenvolvimento em algumas granjas brasileiras. Em um contexto mais amplo, quando se trata do tema alimentação/nutrição, não deve ser negligenciada a água, principalmente em relação à origem e à característica físico-química e biológica e se ela sofre algum tipo de tratamento antes de ser consumida. Finalmente, uma outra característica distinta, mas associada com a alimentação/nutrição, é o uso de aditivos e/ou antimicrobianos e a frequência de sua utilização nas granjas.

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A água de bebida não deve ser negligenciada, principalmente em relação à origem e às características físico-químicas e biológicas Quanto às condições e às características das instalações, há uma consciência de que o tema corresponde a um dos conjuntos de fatores menos estudados. No entanto, pode se tornar o fatorchave, especialmente se estes aspectos ou fatores tiverem relação também com o bem-estar dos suínos. Neste sentido, destacam-se a densidade dispensada aos animais, as condições térmicas do ambiente (associada com a idade do edifício, que muitas vezes não foi desenhado sob conceitos ou orientações técnicas), o uso da ventilação (natural ou artificial) como recurso para controlar a temperatura e a troca de gases das instalações (NOBLET et al. 2001), mas também outros fatores, como o tipo de piso e os modelos de comedouros e bebedouros. Finalmente, deve-se levar em conta os fatores relacionados diretamente com o estado de saúde dos animais como um dos elementos de maior impacto, que também estão associados fortemente com o bem-estar. Assim, é importante reconhecer quais são as enfermidades presentes na exploração e definir um plano adequado de controle (vacinação e a escolha e frequência de uso de antimicrobianos, por exemplo).

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“A avaliação contínua de um conjunto de informações convenientemente colhidas, tratadas e analisadas, com modelos/sistemas de gestão técnica e econômica, auxilia nas tomadas de decisão” Suínos&Cia | nº 57/2016

Em um estudo realizado por De Lange (1999), o autor quantificou nas condições comerciais canadenses o efeito de diferentes fatores de produção sobre o custo por ano para cada terminado. Como esperado, o genótipo (com diferenças baseadas na capacidade de determinar maior ou menor deposição de tecido magro) definiu uma diferença de até US$ 17, e a variação do peso de abate entre US$ 7 a US$ 9. No entanto, o estudo também indicou outros fatores importantes, como o desperdício de ração (que implicou em custos da ordem de US$ 5 a valores superiores a US$ 10), a prática da alimentação multifases (definindo custos entre US$ 3 e mais de US$ 5), a segregação dos gêneros (em torno de US$ 3) e o estado sanitário (em torno de US$ 10, ainda que em condições muito precárias possa atingir mais de US$20). Neste sentido, considerando a diversidade de fatores presentes que se relacionam com o desempenho e a viabilidade de uma granja ou empresa, uma avaliação contínua de um conjunto de informações convenientemente colhidas, tratadas e analisadas, com modelos/sistemas de gestão técnica e econômica, auxilia nas tomadas de decisão, otimizando os recursos disponíveis nestas unidades. Todavia, apesar dos programas de gestão técnica serem utilizados para controlar este histórico produtivo, que resume o desenvolvimento dos parâmetros técnicos e econômicos experimentados, estes podem não traduzir ou identificar as distorções do complexo. Assim, para atender este propósito devese realizar uma abordagem que comtemple um grande número de informações sobre os índices de produção e os meios e condições de produção de um grupo representativo de explorações agropecuárias, seguido por um estudo que estabeleça relações estatísticas que permitam a interpretação deste universo de dados, atribuindo pesos a cada característica e/ou às suas interações com os principais índices de produção. Nos últimos anos tem sido observado um número crescente de estudos que utilizam modelos matemáticos para avaliar e demonstrar o efeito de uma ou mais características dentro de uma área de interesse particular, incluindo o setor agropecuário. Estes modelos têm como principal objetivo representar de forma simplificada uma realidade que, do ponto de vista matemático, é compreendido como a descrição de um objeto ou de um fenômeno real por meio da utilização da predição e/ou da explicação de um fator de interesse (VILLALBA, 2000). Assim, a utilização da modelagem tem permitido que pesquisadores em sistemas agropecuários desenvolvam conceitos, métodos e ferramentas para dirigir a atividade como um todo (GIBON et al., 1999). De acordo com Dent et al. (1995), o próprio processo de construção do modelo contribui para melhor compreensão e descrição de um determinado sistema.


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Uma das principais vantagens da utilização de modelos matemáticos dentro de um sistema é a capacidade de se trabalhar com muitos fatores, fatos, variáveis, parâmetros e entidades, bem como sua capacidade de discernir as possíveis interações entre estes pontos, difíceis de serem observados e mensurados na realidade. Na literatura, são diversos os estudos que utilizam os modelos empíricos para, por meio do uso da regressão linear e não-linear, prever o efeito de diferentes fatores que afetam o desempenho produtivo de suínos destinados ao abate (LOSINGER, 1998; MAES et al., 2000, 2004; LARRIESTRA et al., 2005; OLIVEIRA et al., 2007, 2009), a prevalência de doenças (KEESSEN et al., 2011;. FABLET et al., 2012; .. VICO et al., 2012), a digestibilidade dos nutrientes (BELL; KEITH, 1989; KEMME et al., 1997;. MCCANN et al., 2006) e o consumo voluntário de ração (TSARAS et al., 1998;. YOOSUK et al., 2011). No entanto, para a utilização dos modelos desenvolvidos dentro de um contexto prático é necessário demonstrar que estes apresentem um nível aceitável de confiança para esta predição. Segundo Whiting (1997), a validação de um modelo é uma das etapas mais importantes e, ao mesmo tempo, mais difíceis no âmbito da modelagem. A validação pode ser efetivada de diferentes maneiras (RODRIGUEZ PÉREZ, 2004): a) interna – permite a validação cruzada mediante a partição da própria base de dados utilizada para o desenvolvimento do modelo, tendo como objetivo determinar se o modelo pode descrever suficientemente os dados experimentais; b) externa – são utilizados dados novos procedentes da mesma população na qual foi desenvolvido um determinado modelo ou, ainda, utilizados dados procedentes de uma população distinta, com o objetivo de quantificar a predição matemática do modelo testado com dados experimentais novos.

As unidades de crescimento e terminação representam as fases da suinocultura cujos custos são mais representativos

As diferentes validações permitirão obter conclusões a respeito da validade e da aplicabilidade dos modelos. Os modelos matemáticos corretamente validados correspondem a excelentes instrumentos para prever índices de produção e quantificar objetivamente os principais fatores de produção, sendo uma ferramenta muito útil para facilitar as tomadas de decisão. Material e métodos Como exemplo de um estudo desenvolvido com este arranjo, 216 granjas de crescimento/terminação, localizadas no estado do Paraná, vinculadas a quatro cooperativas, totalizando 1.532 lotes e 1.025.380 animais, foram submetidas a uma avaliação com o objetivo de identificar e quantificar os efeitos dos principais fatores de produção relacionados aos parâmetros de desempenho por meio do uso de modelos matemáticos. O trabalho seguiu as experiências desenvolvidas por Agostini (2013) e Agostini et al. (2013ab), sendo avaliados o histórico produtivo referentes aos lotes alojados entre 2010 e 2012. As variáveis de interesse zootécnico e os fatores de produção definidos para a coleta foram oriundos de informações obtidas de trabalhos técnicos e científicos publicados recentemente e da experiência da equipe proponente e dos técnicos das empresas participantes. Foi contemplado, neste sentido, um conjunto de variáveis ​​definidas como “independentes” (Xi) e outras como “dependentes” (Yi). Quanto às variáveis independentes, foram avaliadas as variáveis contínuas (por exemplo, peso de entrada, peso de saída e duração do período de crescimento e terminação) e as variáveis discretas ou categóricas (perfil genético empregado, tipo de comedouro, modelo de bebedouro, sistema de ventilação adotado, etc.). Dentro das variáveis​​dependentes foram utilizadas as variáveis contínuas (consumo diário de ração e conversão alimentar); e as variáveis independentes (pesosde entrada e saída), utilizadas no modelo do consumo diário de ração. No modelo da conversão alimentar foram utilizadas as variáveis independentes (peso entrada e saída e duração da engorda). As análises estatísticas contemplaram, numa primeira etapa do trabalho, uma análise exploratória descritiva, e nas etapas seguintes a regressão univariada e multivariada, definindo os modelos matemáticos propriamente ditos. Na análise exploratória, os dados foram submetidos à análise descritiva univariada e bivariada. Para o desenvolvimento dos modelos, cada lote foi considerado uma unidade experimental. A análise descritiva das variáveis ​​contínuas foi realizada por meio de medidas de tendência central (média e mediana) e de dispersão (desvio padrão, quartis e amplitude) (Tabela 1). Avaliações estatísticas descritivas foram realizadas para as variáveis contínuas e categóricas, sendo analisadas suas distribuições (Tabela 2).

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Crescimento e Terminação

Na segunda fase, um modelo de regressão univariada foi utilizado, no qual cada variável foi incluída como um único efeito fixo, e as variáveis que apresentaram P≤0,20 foram selecionadas para a utilização na análise multivariada. Correlações de Pearson e Spearman foram realizadas entre as variáveis ​​independentes no modelo multivariado para evitar multicolinearidade entre as variáveis contínuas e os problemas de confusão entre as variáveis ​​categóricas. Quando duas variáveis ​​apresentaram um coeficiente de correlação alto (valor absoluto ≥ 0,60), apenas uma foi usada na análise multivariada, sendo esta definida pela comparação dos valores de P na análise univariada, além de sua relevância biológica em relação à variável dependente. Posteriormente, todas as variáveis independentes selecionadas na análise univariada foram submetidas ao procedimento, onde todos os fatores com P<0,05 foram mantidos no modelo multivariado final. Testes para avaliação dos efeitos fixos foram baseados no teste de F com os graus de liberdade do denominador, sendo aproximados pelo procedimento de Satterthwaite. Interações significativas (P<0,05) entre as variáveis​​ no modelo multivariado foram testadas e incluídas. Após a montagem dos modelos para cada variável dependente, os resíduos foram plotados contra os valores previstos para verificar a homogeneidade das variâncias e a presença de outliers. Todos os fatores com P<0,05 no modelo final foram considerados estatisticamente significantes para uma dada variável dependente.

24

Resultados e discussão Os resultados descritivos das variáveis contínuas de interesse zootécnico e das variáveis categóricas estão demonstrados nas Tabelas 1 e 2, respectivamente. Nas Tabelas 3 e 4 estão descritos, respectivamente, os modelos matemáticos para os parâmetros consumo diário de ração e conversão alimentar, de acordo com as variáveis relacionadas.

Para ambos os parâmetros, os lotes com baias menores determinaram menor consumo diário de ração e geraram melhor conversão alimentar, respectivamente, da ordem de 3,4 e 4,1 pontos (Tabelas 2 e 4). Quanto aos comedouros, os modelos automáticos, embora mais práticos, reduziram o consumo de ração (-2,6 pontos) e pioraram a conversão alimentar (+2,6 pontos) em relação aos demais modelos (sendo o basculante o modelo mais comum). A presença de lâmina d’água, apesar de ser positiva para a manutenção da limpeza da baia, gerou aumento do consumo de ração da ordem de 1,7 ponto. Outra questão importante envolve a origem dos animais destinados à engorda, na qual aqueles provenientes de UPLs apresentaram maior consumo (1,3 ponto) e melhor conversão (1,3 ponto), provavelmente devido à condição da uniformidade e à saúde. A separação dos grupos pelo sexo reduziu o consumo e melhorou a conversão em 2,1 pontos para os machos castrados e em 4,9 pontos para as fêmeas, em relação aos lotes mistos. Outro ponto com tendência a exercer efeitos sobre o parâmetro foi a utilização de cinco rações em relação aos lotes tratados com quatro ou menos rações. O primeiro favoreceu a conversão alimentar em mais de 5,2 pontos, provando a importância de se adequar as formulações às demandas nutricionais nas fases. Quanto à variável peso de entrada, quanto mais elevado, maior será o consumo e pior será a conversão alimentar. Para cada quilograma a mais há um aumento de 7 g no consumo diário de ração e um aumento de 0,03 para a conversão. Também para a conversão alimentar, animais mais pesados na saída de terminação determinam melhora do parâmetro, sendo que para cada quilograma a mais, o índice mostra-se 0,012 melhor, contrário à duração da engorda, na qual é observada uma piora de 0,015 para cada dia a mais de alojamento.

Tabela 1. Descrição dos valores das variáveis contínuas de interesse zootécnico Variáveis

Número lotes

Médias

Desvio Padrão

Mínimo

Máximo

Peso entrada (kg)

1.533

22,65

1,42

15,61

27,65

Número suínos por lote entrada

1.533

668,87

340,06

102,00

2393,00

Peso de saída (kg)

1.533

116,75

5,01

98,81

137,81

Duração da engorda (dias)

1.533

107,39

4,15

93,00

120,00

Número suínos saída

1.533

652,87

328,53

98,00

2316,00

Consumo total ração/ suíno (kg)

1.532

229,78

12,94

181,47

280,68

Consumo diário ração (kg)

1.532

2,14

0,10

1,82

2,50

Ganho total peso / suíno (kg)

1.533

94,10

5,03

75,69

113,26

Ganho de peso diário (kg)

1.533

0,88

0,05

0,72

1,03

Índice de conversão

1.532

2,45

0,12

2,13

2,86

Mortalidade (%)

1.531

2,24

1,31

0,00

10,69

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Crescimento e Terminação

Tabela 2. Variáveis categóricas obtidas e suas frequências (em relação ao número de lotes estudados) e percentual de participação nas cooperativas Variáveis

Categorias

Semestre de entrada

Verão/Outono (49,6%), Inverno/Primavera (50,4%)

Capacidade animal

< 500 (14,0%), > 500 (86,0%),

N° barracões

Um (54,2%), Dois ou mais (45,8%)

Tempo construção

< 5 Anos (38,2%), > 5 Anos (61,8%)

Reforma das instalações

Sim (19.6%), Não (81,4%)

N° suínos por baia

< 20 (55,6%), > 20 (44,4%)

Material construção

Alvenaria (89,6%), Madeira e Misto (10,4%)

Comedouro

Outros (25,2%), Automático Cônico (74,8%),

Bebedouro

Chupeta (89,6%), Outros (10,4%)

Origem água

Não tratada (67,3%), Tratada (32,7%)

Material tubulações

Mangueira (2,0%), Tubo PVC (79,6%), Misto (18,4)

Telhado

Argila (92,8%), Amianto (2,1%), Zinco (5,1%)

Separação baias

Madeira e misto (37,2%), Alvenaria (62,8%)

Piso

Madeira (0,9%), Alvenaria (99,1%)

Lâmina d’água

Sim (83,9%), Não (16,1%)

Caixa de retenção de dejetos

Sim (70,2%), Não (29,8%)

Esterqueira

Sim (99,6%), Não (0,4%)

Luz elétrica

Sim (100%)

Ventiladores

Sim (94,1%), Não (5,9%)

Exaustores

Não (100%)

Umidificadores

Sim (32,2%), Não (77,8%)

Composteira

Sim (98,4%), Não (1,6%)

Árvores nas laterais barracão

Sim (68,2%), Não (31,8%)

Agricultura próxima da granja

Sim (78,4%), Não (21,6%)

Posição relação sol

Diagonal (22,3%), Contrária (26,2%), Paralela (51,5%)

N° rações usadas

Quatro ou < (23,2%), Cinco ou > (76,8%)

Ração diferenciada por sexo

Não (100%)

Forma física da ração

Peletizada (99,6%), Mista (0,4%)

Choque com antibióticos

Sim (56,5%), Não (43,5%)

Via de uso antibióticos

Ração (23,1%), Água (76,9%)

Programas utilizados

Ractopamina (0,5%), Imunocastração/Racto (99,5%)

Mão de obra

Não familiar (24,5%), Familiar (75,5%)

Raças utilizadas

LW / LD / PI (100%)

N° genéticas

< 4 (65,0%), 4 ou > (35,0%)

Lotes sexados

Sim (58,3%), Não (41,7%)

Separação sexo nas baias

Sim (76,6%), Não (23,4%)

Sexos terminados

Castrados (26,8%), Fêmeas (23,8%), Mistos (49,4%)

Origem dos suínos

UPL (71,0%), Multiplicadores (29,0%)

Ileíte, Pneumonia Enzootica, Meningite, Pasteurela

Sim (100%)

Erisipela

Sim (45,6%), Não (54,4%)

Glasser

Sim (58,3%), Não (41,7%)

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Crescimento e Terminação

Tabela 3. Modelo matemático para o parâmetro consumo diário de ração, de acordo com as variáveis relacionadas Fator

Nível

Estimativa

Erro Padrão

Pr > |t|

0,7631

0,05888

<0,0001

< 20

-0,03455

0,007512

<0,0001

> 20

0

.

.

Outros

-0,02637

0,007392

0,0004

Automático cônico

0

.

.

Não tratada (poço, rio, mina)

0,005524

0,006848

0,4208

Tratada

0

.

.

Sim

0,01761

0,009326

0,0604

Não

0

.

.

UPLs

0,01331

0,005684

0,0194

Multiplicadores

0

.

.

Castrados

-0,01188

0,005008

0,0178

Fêmeas

-0,0406

0,005168

<0,0001

Mistos

0

.

.

<4

0,03396

0,03917

0,5453

4 ou mais

0

.

.

Peso entrada

0,007261

0,00138

<.0,0001

Peso saída

0,01033

0,000382

<0,0001

Interseção Número suínos / baia Comedouro Origem da água Lâmina d’água nas baias Origem dos animais

Sexo dos terminados

Número de genéticas

26

Tabela 4. Modelo matemático para o parâmetro conversão alimentar, de acordo com as variáveis relacionadas Fator

Nível

Estimativa

Erro padrão

Pr > |t|

1,5878

0,07511

<0,0001

< 20

-0,04103

0,008019

<0,0001

> 20

0

.

.

Alvenaria

-0,02542

0,01104

0,0227

Outros (madeira e misto)

0

.

.

Outros

-0,02622

0,008004

0,0012

Automático cônico

0

.

.

UPLs

-0,0129

0,006511

0,0494

Multiplicadores

0

.

.

Castrados

-0,02078

0,005545

0,0002

Fêmeas

-0,04887

0,005703

<0,0001

Mistos

0

.

.

4 ou menos

0,05193

0,01339

0,1469

5

0

.

.

Peso entrada

0,03062

0,001541

<0,0001

Peso saída

-0,01202

0,000465

<0,0001

Duração engorda

0,01525

0,00061

<0,0001

Interseção Número suínos / baia Material de construção Comedouro Origem dos animais

Sexo dos terminados

Número de rações

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Crescimento e Terminação

Conclusões As unidades de crescimento e terminação representam as fases da suinocultura cujos custos são mais representativos. A diversidade de estruturas físicas e de equipamentos e procedimentos de manejo, alimentação, nutrição e condutas sanitárias aplicadas é imensa, e um conhecimento menos empírico da ação destes fatores sobre os índices de produção é bem visualizado e explicado mediante o uso de modelos matemáticos.

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Esta ferramenta, contudo, deve ser regularmente posta em uso, renovada, dada à dinâmica e mudanças pela qual o setor passa, sendo esta fundamental para o diagnóstico da interação dos fatores de produção sobre uma granja ou empresa, norteando ações objetivas para correção e incremento dos índices zootécnicos e de economia. O conhecimento deste cenário, de maneira mais objetiva e científica, permitirá que as expansões das unidades em granjas ou empresas sejam apoiadas nestes fundamentos, reduzindo os riscos de erros.

tion, 2 ed., CRC Press., Boca Raton, Florida., 2001, 548p. 9. CORREA, J.A.; FAUCITANO, L.; LAFOREST, J.P.; RIVEST, J.; MARCOUX, M.; GARIE´PY, C. Effects of slaughter weight on carcass composition and meat quality in pigs of two different growth rates. Meat Science, v.72, p. 91–99, 2006. 10. DE LANGE, K. Feeding growingfinishing pigs for profit -main concepts and new opportunities. Advances in pork production, v.10, p.123-144, 1999. 11. DENT, J.B.; EDWARDS J.G. & MCGREGOR, M.J. Simulation of ecological, social and economic factors in agricultural systems. Agricultural Systems, 49, 337-351, 1995. 12. EBC Agencia Brasil. I IBGE: abates de bovinos, de suínos e de frango são recordes em 2013. Disponível em: <http://agenciabrasil.ebc.com.br/ economia/noticia/2014-03/ibge-abates-de-bovinos-suinos-e-franco-saorecordes-em-2013>. Acesso em: 03 de julho de 2014. 13. FABLET, C.;DORENLOR, V.; EONO, F.; EVENO, E.; JOLLY, J.P.; PORTIER, F.; 14. GIBON, A.; SIBBALD, A.R. & THOMAS, C. Improved sustainability in livestock systems, a challenge for animal production science – Introduction. Livestock Production Science, 61, 107-110, 1999. 15. GISPERT, M.; FONT, I.; FURNOLS, G.I.L.M.; VELARDE, A.; DIESTRE, A.;CARRIO´N, D.; SOSNICKI, A.A.; PLASTOW, G.S. Relationships between carcass quality parameters and genetic types. Meat Science, v.77, p.397–404, 2007. 16. HAN, I.K.; LEE J.H.; KIM, J.H.; KIM, Y.G.; KIM, J.D.; PAIK, I.K. Application of phase feeding in swine production. Journal of Applied Animal Research, v.17, p.2756, 2000. 17. HILL, G.M.; BAIDO, S.K.; CROMWELL,

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Resumo da 47ª Reunião Anual da Associação Norte-americana de Veterinários Especialistas em Suínos (AASV) 27 de fevereiro a 1º de março de 2016 – New Orleans (Louisiana)/EUA

“De pé sobre os ombros de gigantes: colaboração e trabalho em equipe”

Antonio Palomo Yagüe Diretor da Divisão de Suinocultura SETNA NUTRICION – INZO antoniopalomo@setna.com

Resumo

N

a tentativa de apresentar as ideias principais discutidas na reunião anual da AASV, realizada em março, em New Orleans, Estado da Louisiana, nos EUA, ordenamos os itens e desenvolvemos os primeiros conceitos a serem postos em prática em nossa atividade diária da produção de suínos. Os temas deste resumo são os seguintes: • Itens gerais • Diarreia epidêmica por coronavírus • Vírus da PRRS (Síndrome Respiratória e Reprodutiva Suína)

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• Circovírus suíno do tipo 2 • Vírus da influenza suína • Mycoplasma spp • Actinobacillus pleuropneumoniae • Brachispira spp • Lawsonia intracellularis • Escherichia coli • Salmonella spp • Streptococcus spp • Miscelânea • Manejo e Bem-estar • Nutrição

Grande Geração, nascida entre 1910 e 1925, os Tradicionalistas (1923 a 1944), os Baby Boomers (1945 a 1964), a Geração X (1961 a 1981), a Geração do Milênio (1975 a 1995) e a Geração Z (1995 a 2015). Diarreia Epidêmica Suína por Coronavírus (vírus RNA)  www.aavs.org/pedvwww.pork.org/PED

• Reprodução Geral PEGGY ANNE HAWINS  Em 1991, na Universidade Estadual de Iowa, 45% dos estudantes de veterinária eram mulheres. Em 2005, dos 1.269 membros da AASV, 170 eram mulheres, e em 2015, entre os seus 1.325 membros havia 294 mulheres. No endereço http://www.humanmetrics.com/ personality/type podemos ver os tipos de personalidade dos diferentes profissionais: a Suínos&Cia | nº 57/2016

• Trata-se de um vírus RNA, da Ordem Nidoviridae – Família Coronavírus – Gênero Alphacoronavírus, que tem um diâmetro médio de 95 a 150 nm, de cadeia simples, pleomórfico e envelopado, com estrutura genômica e replicação muito similares às de outras espécies animais e às da espécie humana. O vírus, que é composto por sete ORFs (openreading frames, estruturas responsáveis pela sequência decodificadora), as quais codificam quatro proteínas estruturais (S, E, M e N), é muito infeccioso já na potência de


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porca/ano, sendo necessário um período de 15 a 20 semanas para retornarem à sua produção anterior e 28 semanas (de 7 a 64) para se estabilizarem. • A infecção de leitões no desmame leva à redução no crescimento e à excreção fecal durante 24 dias pós-infecção, sendo possível a reinfecção e a disseminação do agente a partir dos dejetos. • Sua transmissão via aerossóis por meio de partículas de diferentes tamanhos está bem demonstrada, até a uma distância de 16 km (PCR). A transmissão rápida, por meio de suínos infectados e transportes contaminados, é garantida. Em 2014 igualmente demonstrou-se a transmissão por meio de matérias-primas, rações contaminadas e caminhões de transporte Autor na entrada do Palácio de Congressos de New Orleans de ração. O vírus pode sobreviver por sete dias em rações se103. A virulência dos vírus isolados em diferentes cas e por 28 dias em rações úmidas, armazenadas países e continentes, durante os 30 anos em que à temperatura ambiente. A dose mínima infectante calculada foi de 5,6 x10 TCID50/ml (Ct = 37). O foram observados os quadros clínicos da doença, uso de produtos higienizantes nas rações (formalfoi similar e apresentou o mínimo de dispersão deídos, ácido propiônico) diminui a presença do vígenética. Este vírus não têm nenhuma implicação rus. A sobrevivênciaviral em matérias-primas (soja, na saúde humana. DDGS ou resíduos de destilados a partir de sólidos, • O vírus foi detectado pela primeira vez proteínas plasmáticas, aminoácidos, milho, cloreto nos EUA em abril de 2013, havendo duas cepas gede colina) é comum e depende das condições de arneticamente distintas circulando ao mesmo temmazenagem, ambiente e temperatura. Deve-se lepo nas granjas de suínos: US PEDV e S-INDEL. Ainvar em conta também a possibilidade da presença da que a patogenicidade viral fosse dependente da do vírus nos envases (sacos, embalagens). Outros idade, a segunda cepa era menos patogênica para trabalhos realizados, relativos às condições térmileitões com cinco dias de idade. A cepa US PEDV cas standard de fabricação de rações granuladas, foi encontrada em maior quantidade nas fezes de abaixo dos 68°C e com posterior acondicionando leitões com três semanas de idade. Já a excreção a 54°C, resulta eficaz na inativação do vírusquanda cepa S-INDEL ocorreu em maior quantidade doele se encontra tanto em baixas como em altas nas fezes de leitões com sete semanas de idade. concentrações, sem causar sintomas clínicos nem A primeira gerou proteção cruzada frente às duas lesões em leitões com dez dias de idade. O uso de em questão, em leitões desmamados, enquanto ácidos graxos de cadeia média, óleos essenciais e que a segunda foi melhor somente frente a cepas formaldeído tem se mostrado efetivo no combahomólogas, tendo desempenho parcial frente às te à infecção viral (Feed Safety Research Center – heterólogas. FSRC/Universidade do Estado do Kansas). • No primeiro ano morreram 8 milhões de • O vírus é detectado em fezes e fluidos suínos nos EUA, o que causou perdas econômicas orais aos seis dias pós-exposição. Os níveis de IgG da ordem de US$ 900 milhões a US$ 1,8 bilhão. e de IgA são detectados no soro, fezes e fluidos Esse impacto atingiu 60% das granjas de matrizes orais aos 14 dias posteriores à infecção, sendo o norte-americanas, levando a uma perda global espico da IgG no 13º dia, e o da IgA no 27º dia (esta timada, entre maio de 2013 e maio de 2014, de segunda presente em maior quantidade, tanto nos 12,5 milhões de suínos a serem abatidos (11% fluidos orais − com pico no 97º dia –, quanto nas da produção total). O vírus reapareceu na China, Japão, Coreia do Sul, Filipinas, Tailândia, Vietnã, fezes − com pico no 41º dia). Os anticorpos em porCanadá, México, Alemanha, Bélgica, França e Porcas infectadas são detectados até os cinco meses tugal. 996 granjas (2,53 milhões de matrizes) que posteriores ao quadro clínico, por meio de provas participaram de um projeto voluntário, em Minnede ELISA e IFA, e a excreção fecal cessa às seis sesota, tiveram perdas médias de 2,6 a 4,7 leitões/ manas posteriores a ele.

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• Nos EUA estão disponíveis duas vacinas comerciais inativadas (Zoetis™ e Harris™ Vaccines) que promovem boa resposta imune em porcas frente a IgA e IgG, quando utilizadas em granjas previamente à exposição, não induzindo, porém, um nível satisfatório de IgA nos leitões nascidos. É preciso continuar trabalhando para conhecer o mecanismo molecular de atenuação viral. Ao se vacinar fêmeas de reposição ou porcas já em produção previamente infectadas, os títulos de anticorpos neutralizantes IgG e IgA detectados são superiores aos das nulíparas. • No Canadá, a prevalência da doença foi reduzida consideravelmente, de modo que metade das granjas infectadas eliminou o problema por meio da criação de imunidade, e a reinfecção tem sido prevenida por meio do incremento dos protocolos de biosseguridade, limpeza e desinfecção. • Os sistemas de limpeza, lavagem com detergente e desinfecção de veículos são eficazes no que diz respeito à redução do risco de transmissão da doença. Recomenda-se a lavagem com água quente. Síndrome Respiratória e Reprodutiva Suína (vírus RNA)  www.cvs.umn.edu/sdec/SwineDiseases/PRRSv/ index.htm 32

• A suinocultura norte-americana perde, por ano, US$ 664 milhõespor causa do vírus da Síndrome Respiratória e Reprodutiva Suína (SRRS – PRRS), com um acumulado chegando a US$ 1 bilhão nesses últimos 20 anos de problemas. Os EUA produzem 65,4 milhões de suínos/ano, em cerca de 63.000 granjas. • Na primavera de 2014 ressurgiu uma cepa de alta virulência nos EUA, caracterizada como 1-7-4 RFLP, provocando perdas reprodutivas de 10% a 20% anuais, mortalidade de leitões de 40% a 100% e mortalidade na engorda entre 10% e 50%, tanto na Carolina do Norte quanto em outros Estados. Em suínos para abate estima-se perdas da ordem de US$ 2,87/animal. • Sua transmissão por via aérea, por meio de diferentes tamanhos de partículas, está bem estabelecida, especialmente associada com partículas grandes (bioaerossóis). O número de granjas com filtros de ar multiplicou-se por dez nos EUA, entre 2005 e 2015; e a amplitude da incidência de PRRS nelas vai de 0 a 17%. • A implementação de programas regionais de controle está dando seus frutos, de tal forma que a incidência da PRRS decresce significativamente quanto maior é a participação e menor é a densidade de animais. Durante os primeiros quatro anos do programa SHMP (Swine Health Monitoring Project), que começou em 2011, o nível da incidência semanal baixou durante a primavera Suínos&Cia | nº 57/2016

e o verão e subiu durante o outono e o inverno (o SHMP contempla 735 granjas de 24 empresas e 1,99 milhão de porcas, atualmente). Nos quadros agudos de PRRS estima-se perdas de 3,57 leitões desmamados/porca/ano, derivados de um número de nascidos vivos 54,3% menor, associados a um incremento na mortalidade na lactação de 39,1% e de 1,1% no número de leitegadas (± 5,5%). A média de semanas para recuperar a produtividade da granja é de 20 (de 16 a 26). • O diagnóstico por meio de fluidos orais permite identificar, de forma sensível, tanto o vírus quanto os anticorpos correspondentes. A frequência na tomada de amostras é tão ou até mais importante do que o seu próprio tamanho (períodos de duas semanas). Esse procedimento nos permite detectar uma soroconversão precoce, interessante para identificar grupos de leitões negativos, particularmente em sistemas de criação de três fases. O vírus pode ser detectado em tecido linfoide até os 225 dias pós-infecção. • Melhorar a biosseguridade das granjas não só reduz o risco da manifestação clínica da doença nelas, como também diminui a possibilidade de disseminação de doenças entre as granjas próximas. Em qualquer surto de PRRS que ocorra em granjas, implementar medidas de manejo − para não ser redundante − é importante para mitigar as perdas em consequência da doença. Essas medidas incluem a aplicação rigorosa do sistema tudo dentro-tudo fora, a desinfecção e a secagem das salas de parto entre lotes e a adoção de pedilúvios na entrada das salas. • Limitar a circulação do vírus para estabilizar as granjas de matrizes é uma medida-chave na epidemiologia viral com relação às porcas. A circulação do vírus entre os leitões, no pós-desmame, está relacionada com os problemas que ocorrem com as reprodutoras, de tal forma que quando se maneja a fase do pós-desmame em condições de fluxo contínuo e as porcas estão estáveis, a circulação viral a partir da 9ª/10ª semanas de idade é mínima. O vírus persiste durante longos períodos de tempo nos animais, após a infecção. • Existe, basicamente, dois tipos de vacinas contra a PRRS: as que contêm o vírus vivo modificado ou atenuado (MLV) e as vacinas inativadas (INV) ou produzidas a partir de um vírus morto (KV). O uso delas, em condições adequadas, proporciona melhora nos resultados de ganho médio diário, mortalidade, excreção viral, viremia e pressão de infecção, além da redução das lesões pulmonares. Os suínos vacinados comportam-se como ELISA positivos e também poderão excretar o vírus vacinal durante períodos de tempo variáveis, de acordo com o tipo de vacina utilizada, granjas, etc. • Há uma nova geração de vacinas vivas para aplicação intranasal (Aptimmune™) que induzem a resposta imune (IgA) nas mucosas das glândulas salivares e do trato respiratório superior/ inferior (G16X PRRSv vaccine™).


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• Foi desenvolvida uma tecnologia denominada MJPRRS Grouping™, que permite classificar e diferenciar cepas do vírus da PRRS com base nas suas diferentes propriedades físicas, identificando sua sequência de aminoácidos em ORF5. São 25 grupos, o que permite identificar os movimentos dos vírus e suas possíveis fontes de origem para estabelecer programas de controle, tanto regionais quanto sistêmicos e também nas granjas. • As coinfecções PRRSv/PCV2 são frequentes e afetam gravemente o crescimento dos leitões e de animais em outras fases. Circovírus Suíno - PCV2 (vírus DNA)  • A presença de quadros subclínicos de circovirose é frequente. As cepas não patogênicas de PCV1 têm baixa prevalência em granjas, enquanto as cepas de PCV2 são altamente prevalentes. A coinfecção mais comumente observada é a PCV2 + PRRSv + Mycoplasma hyopneumoniae (MYC). • As vacinas disponíveis atualmente poderão ser muito eficazes no controle da doença, dependendo da imunidade induzida por elas. Quando não há soroconversão (por ELISA) após a vacinação e se detecta viremia (PCV2) por meio de par, o esquema de vacinação deverá ser revisado. É possível estabelecer uma correlação correta entre o BioChek™ ELISA e o teste IPMA para se analisar a soroconversão depois da vacinação, os títulos de anticorpos maternais e o momento da infecção viral. A prova do qPCR para o PCV2 é utilizada para analisar a presença e a quantidade viral. Uma das causas possíveis de redução na eficácia das vacinas é a aparição de novas cepas, como a mutante chinesa PCV2. • A apresentação clínica típica do quadro infeccioso concentra-se no final da fase de creche e no princípio da engorda, podendo haver sinais clínicos já nas primeiras fases dos leitões recémdesmamados devido ao fato de estarem ativamente infectados antes do desmame. Essa situação provoca uma redução na eficácia das vacinas. A aplicação de vacinas nas fêmeas de reposição, antes da primeira inseminação, permite-nos baixar a prevalência viral nas granjas. • O uso de vacinas conjuntas PCV2 + MYC também mostra-se eficaz em várias situações, tanto com uma quanto com duas doses. Não obstante, é possível que os leitões não fiquem protegidos, individualmente, frente ao vírus e apresentem sintomas clínicos, situação esta derivada de problemas de imunossupressão, coinfecções, cronicidade frente a cepas virais não patogênicas ou falhas vacinais. • Os novos adjuvantes das vacinas (óleo em água e polímeros poliacrílicos) proporcionam uma resposta imune mais adequada e reduzem as reações locais e sistêmicas, buscando um equilíbrio entre estabilidade, eficácia e segurança.

• A transmissão vertical do PCV2 já está descrita e a quantificação do DNA viral pode ser realizada nos cordões umbilicais (PUCS) dos leitões ao nascer (desejável de 3 a 5 cordões da mesma placenta/porca, sendo maior a sensibilidade nos pools de três do que de cinco PUCS). Vírus da Gripe (vírus RNA)  • O vírus Influenza (IV) codifica, pelo menos, 12 proteínas virais. Entre 1998 e 2013 foram caracterizados três grupos antigênicos do vírus H3N2 circulantes nos EUA. O suíno é um dos hospedeiros necessários à evolução desse vírus, o qual pode infectar múltiplas espécies animais. Desde 2012 novos vírus H3 têm sido identificados em humanos de forma estacional, sendo muito próximos, filogeneticamente, ao H3N2 que circulou em 2010/2011 e ao H1N1pdm09, da pandemia de 2009. Estes vírus humanos podem infectar os suínos de modo eficaz, causando uma pneumonia moderada e podendo ser transmitidos por via aérea (mais patogênico o H3N1 do que o H3N2, considerando o nível de viremia pulmonar). Em dezembro de 2014, a avicultura norte-americana sofreu um surto severo de gripe, pela cepa H5N2, o qual se prolongou até a primavera de 2015. Só no Estado de Minnesota foram sacrificados mais de 9 milhões de aves, tendo sido afetadas muitas mais no Meio Oeste norte-americano (50 milhões de frangos, 7,5 milhões de perus e 42 milhões de galinhas). Sua rápida disseminação sugere grande potencial de transmissão aérea. • O vírus Influenza A infecta muitas espécies animais (aves, suínos, equinos, cães, felinos, mamíferos marinhos e morcegos hematófagos) e humanos. A estacionalidade viral, na espécie suína e no Meio Oeste norte-americano, concentra-se na primavera e no outono, enquanto que nas pessoas vai desde o outono até a primavera (épocas frias). Já foi demonstrado mais de uma vez que os vírus adaptados em aves replicam-se muito pouco em suínos. Especulava-se, desde 1800, sobre a transmissão da cepa H3N8 de humanos a cavalos. Uma variante desta cepa foi identificada em 2004 como causa de gripe em cães. A cepa H3N2 canina asiática provocou casos de gripe em áreas urbanas dos EUA, na primavera de 2015, derivada da cepa aviária e capaz de ser transmitida de cão para cão. • Têm sido observadas diferenças na eficácia da proteção cruzada conferida pelas vacinas, sejam as inativadas em óleo/água ou as vivas atenuadas. Nos EUA, utilizam-se vacinas autógenas, diante de evidências epidemiológicas, para prevenir ou reduzir a morbidade e a disseminação do vírus da gripe. Os aminoácidos da proteína viral, responsáveis pela reação antigênica cruzada do H3 norte-americano, estão localizados nas posições 145 – 155 – 156 – 158 – 159 e 189, o que permite identificar o possível número de variantes genéticas virais para incluí-las em vacinas polivalentes.

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• São muitos os programas de vacinação testados com resultados variáveis, os quais incluem a aplicação da vacina no futuro plantel de reprodutores e vacinações em massa combinadas com vacinação pré-parto, tanto com vacinas comerciais quanto autógenas. O uso de vacinas reduz o coeficiente de detecção viral dos leitões no desmame sem que haja diferenças significativas entre as vacinas. O tempo médio de infecção pós-desmame é de uma semana e meia, e a duração da infecção é de 1,6 semana, o que determina baixos níveis de anticorpos maternais no momento do desmame em leitões de mães vacinadas. • O vírus é capaz de se evadir do sistema imunológico, incluindo as defesas criadas pelas vacinas comerciais. As vacinas autógenas são utilizadas, então, para prover proteção frente aos vírus que “enganam” o referido sistema. Trabalhos recentes também têm demonstrado que as vacinas inativadas podem causar uma exacerbação dos problemas respiratórios associados a elas. Além disso, a presença de anticorpos maternais pode interferir com as referidas vacinas quando sua utilização for próxima ao momento do desmame. • Em grupos de leitões, a presença conjunta do PRRSv e do MYC é frequente, e as infecções pela bactéria predispõem os suínos à infecção pelo

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Banner com mensagem da Associação Norte-Americana de Veterinários Especialistas em Suínos (AASV) Suínos&Cia | nº 57/2016

vírus, dando lugar às referidas coinfecções e a uma maior duração do quadro clínico ao induzir a pneumonia. O uso de vacinas combinadas em granjasproblema mostrou melhoras significativas no peso dos suínos às 12 semanas de idade e no momento do abate. • Os leitões, no momento do desmame, são peças-chave para a manutenção do vírus da gripe A nas granjas de reprodutores, assim como na transmissão viral entre leitões desmamados e suínos de engorda. • O nível viral detectado em leitões lactentes, por meio da análise dos fluidos orais e exsudatos nasais, por PCR, é alternativa para se conhecer o status sanitário de granjas endêmicas. Para aumentar a sensibilidade das técnicas, é importante tomar amostras de leitões infectados de forma aguda. O tempo de armazenagem das amostras e o método adotado para transportá-las ao laboratório podem influir na acuracidade da técnica (degradação do ácido nucleico viral = falsos negativos). Mycoplasmas spp  • Mycoplasma hyopneumoniae (MYC) causa perdas em suínos de engorda que vão de US$ 4,00 a US$ 7,30/animal (atraso no crescimento, alta morbidade, refugos, mortalidade e custo adicional com tratamentos). • Foi proposta uma classificação de granjas, segundo o status delas com relação ao MYC, em quatro categorias: o Positiva instável (I): sintomas clínicos e detecção do agente no trato respiratório de leitões ao desmame. O plantel é sorologicamente positivo. o Positiva estável (II): nenhum sintoma clínico nas granjas de reprodutores nem lesões pulmonares. Baixa prevalência em leitões ao desmame (< 10%) nos últimos 90 dias. As porcas são sorologicamente positivas. o Provisionalmente negativa (III): nenhum sintoma clínico associado nem detecção do agente. A população de reprodutoras, porém, é sorologicamente positiva, e os leitões são negativos já há 90 dias. o Negativa (IV): as reprodutoras não mostram nenhum sintoma clínico, e o agente não é detectado em nenhuma população de suínos, sendo igualmente soronegativa. • Os sintomas clínicos são tosse não produtiva, que se exacerba com o exercício físico, febre, anorexia e dispneia. Na necrópsia ou na inspeção pós-abate encontram-se lesões macroscópicas caracterizadas por hepatização de diferentes lóbulos pulmonares. O exame histológico revela lesões microscópicas nos níveis peribronquial e perivascular, com fluido seroso nos alvéolos e presença de


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macrófagos e neutrófilos (não específica, podendo ser compatível com processos virais). A detecção do MYC em animais vivos é complicada durante as primeiras fases da infecção. Existe uma correlação positiva entre a presença da bactéria no trato respiratório superior de leitões desmamados e o grau de lesões pulmonares no abatedouro. A entrada de marrãs de reposição nas granjas representa uma fase crítica para a estabilidade delas com relação ao MYC. Quando se expõe marrãs negativas a animais positivos, a contaminação é pouco uniforme, sendo necessário um longo período de convivência entre porcas negativas com positivas para que as primeiras cheguem a se infectar. • O MYC é transmitido por contato direto, persistindo por até sete meses pós-infecção, sendo que um percentual elevado de animais infectados pode se tornar portador crônico, capaz de infectar animais suscetíveis. A transmissão por aerossóis está bem documentada até a distância 9,2 km. A relação de transmissão estimada e a probabilidade de infecção esperada são, respectivamente, de 1,28 suíno por semana e 0,6, com base em um modelo de simulação em condições experimentais. É necessário uma média de seis porcas excretoras, dentro de um grupo de dez marrãs negativas, durante um período de quatro semanas, para conseguir que todas se infectem. Assim, nos programas de aclimatação de primíparas, devemos levar em consideração o tamanho dos grupos e a idade em que começamos a exposição. • O uso de amostras tomadas por meio de swabs laríngeos tem se revelado bastante eficaz quando elas são analisadas por meio de técnicas de PCR e utilizando modelos estocásticos. Parecem ser, inclusive, mais sensíveis do que os exsudatos nasais e os lavados traqueo-bronquiais. Outras técnicas de diagnóstico utilizadas são a imuno-histoquímica, os anticorpos fluorescentes e a hibridação in situ. A sorologia e o PCR em Tempo Real (RT-PCR) de exsudatos laríngeos somente correlacionam-se durante a fase aguda da infecção, o que indica que a sorologia não seja um bom indicador da eliminação do MYC. Do mesmo modo que apenas o índice de tosses é um indicador pobre do estado de eliminação do agente, particularmente a partir dos 125 dias posteriores à exposição (infecções na fase crônica). Isso indica que a excreção do MYC ocorre mais durante a fase aguda da infecção, declinando, posteriormente, durante a fase crônica. A prevalência também varia consideravelmente entre as salas de partos, o que sugere haver fatores intragranja que atuam sobre a epidemiologia do agente. • Os protocolos de eliminação do MYC em granjas de suínos contemplam quatro grandes ações, sendo que muitas das pirâmides genéticas da espécie, nos EUA, são livres da bactéria: o Despovoamento e repopulação: com a ressalva de perda da produtividade durante bastante tempo; o Fechamento da granja durante 240 dias;

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o Programa de medicação global, sem fechar a granja; o Mudança no fluxo, com segregação de partos. • O Mycoplasma hyosinoviae é um patógeno muito dinâmico que causa artrite nos suínos de 3 a 5 meses de idade (> 10 semanas), já o Mycoplasma hyorhinis causa poliserosites e artrites em leitões de 3 a 10 semanas de idade (< 10 semanas). Ambos estão envolvidos, cada dia mais, nos casos de artrite e/ou sinovite (ISU VDL 37% em 2010). As técnicas de diagnóstico baseiam-se no PCR e no cultivo dos agentes. Serão necessários mais estudos para se conhecer os períodos de excreção de ambas as bactérias em suínos infectados, bem como sua dinâmica de transmissão. Supõe-se que a duração do Mycoplasma hyorhinis seja mais prolongada do que a do Mycoplasma hyopneumoniae. • O fosfato de tilmicosina foi aprovado, nos EUA, na primavera de 2014 para o controle da Pasteurella multocida e do Haemophilus parasuis, tendo sido demonstrada também a sua eficácia in vitro frente ao Mycoplasma hyopneumoniae, na dose de 200 ppm via água de bebida, durante cinco dias (redução de lesões pulmonares). Actinobacillus pleuropneumoniae (APP)  • Bactéria que provoca pleuropneumonia necrótica e fibrino-hemorrágica. • Sua prevenção e controle passam pela monitoria sorológica, por meio de técnicas ELISA (IDDEXX™ Laboratories e Swinecheck Mix-APP™) que detectam anticorpos específicos dos diferentes antígenos, incluindo as cadeias longas de polissacarídeos (LPS), polissacarídeos capsulares (CP) e exotoxinas Apx (Apx I, II, III, IV), tanto em soros como em fluidos orais. Algumas publicações sugerem que os ELISA que atuam baseados na detecção de anticorpos de ApxIV, em fluidos orais, podem ser eficazes na monitoria populacional frente ao APP. Brachispira spp Howard Dunne Memorial Lecture (Harding, John) • A disenteria hemorrágica (DE) é uma doença reemergente na América do Norte em suínos de engorda, associada a uma moderada/ severa diarreia mucoide ou muco-hemorrágica e à tiflocolite (inflamação do ceco/cólon). Responsável por perdas estimadas em US$ 7,00 a US$ 16,00/ suíno e associada à sua morbidade, mortalidade, custo terapêutico e perda de parâmetros zootécnicos, a DE foi descrita em sua forma clínica pela primeira vez em 1921. Foi reconhecida como consequência da ação de um agente infeccioso, a espiroqueta Treponema hyodisenteriae (hoje Brachispira hyodisenteriae), a partir de 1971, e diagnosticada na América do Norte pela primeira


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vez nos anos 90. A ausência de sintomas clínicos não pode ser interpretada como ausência da bactéria nos suínos, uma vez que há muitas cepas não virulentas. O Laboratório de Diagnóstico Veterinário da Universidade Estadual de Iowa vem relatando o ressurgimento de cepas de Brachispira spp desde meados de 2000. No final de 2009 foram identificados dois casos no Canadá (Saskatchewan University) em granjas separadas por 200 km e em uma região sem outras granjas em um raio de 5 km. As cepas isoladas foram sequenciadas por PCR, tendo sido encontrada uma nova cepa, a qual denominaram Brachispira sp Sask30446. Dois anos mais tarde, ainda no Canadá, foi anunciada a existência da Brachispira hampsonii. Foi Burrough quem reproduziu a doença experimentalmente em ratos e suínos, tanto por meio do subtipo I quanto do subtipo II. Em 2011, na Universidade de Minnesota, foi relatada a existência de uma nova cepa, muito hemolítica e associada à diarreia hemorrágica. Até esta data, a doença causada pela B. hampsonii subtipo II ainda não havia sido relatada em suínos fora da América do Norte (ao contrário do subtipo I, em dois casos comunicados na Europa). Essa referida bactéria foi isolada em aves aquáticas Mallard e em gansos Graylagna Espanha e em gansos Lesser Snowno ártico canadense. • Foi publicado um ensaio no qual sugerese que as cepas não patogênicas não revertem a virulência. O teste foi realizado com quatro grupos (GG I – GG III, com material isolado de suínos e aves aquáticas da América do Norte e da Europa; GG II, somente com material isolado na América do Norte, subtipo II; GG IV, somente com material isolado de aves aquáticas, na Espanha). • As técnicas de diagnóstico concentram-se em cultivos e PCR a partir de amostras de fezes, swabs retais ou tecido do cólon de suínos afetados (fixado em formalina para hibridação com fluorescência in situ, tanto para B. hyodisenteriae quanto para B. hampsonii). • Nos tratamentos são utilizados antibióticos aos quais os agentes são sensíveis, como a tiamulina, a tilvalosina, a lincomicina, a tilosina e a salinomicina (EUA: carbadox). As sensibilidades são variáveis e demandam muito trabalho nos laboratórios, os quais não costumam ter esses princípios ativos na sua rotina (ainda não estandartizados entre os laboratórios). Dietas com baixos níveis de polissacarídeos não amiláceos e amidos resistentes promovem certa proteção frente à disenteria hemorrágica, não sendo ainda bem conhecido esse mecanismo de ação intrínseco (preferível cereais como arroz, milho e sorgo, do que trigo e cevada). Aponta-seque o uso de DDGS (resíduos de destilados alcoólicos a partir de sólidos) em dietas de suínos, nos EUA, possa estar coincidindo com a reemergência dos quadros clínicos de disenteria hemorrágica. As épocas frias do ano são mais um fator de risco para a incidência da diarreia muco-

hemorrágica, que consiste em um tipo de diarreia por má absorção, com perdas de sódio e cloro no sangue, não sendo ainda bem conhecido como o referido quadro afeta o mecanismo de transporte de ions, sendo esse um dos objetivos desse grupo de trabalho. • Na Universidade de Saskatchewan, em outubro de 2009, teve início um programa de pesquisa multidisciplinar englobando cinco grupos de laboratórios, com foco em diagnóstico microbiológico e molecular (RT-PCR), ecologia bacteriana (isolada em todas as fases da produção, exceto em leitões lactentes), microbiologia bacteriana propriamente dita (30% dos isolados não puderam ser identificados) e fisiopatologia (colaborações com México, Brasil e Europa, estandartização de provas laboratoriais com três modelos de sentinelas e desenvolvimento de vacinas − atenuadas, avirulentas, bacterinas e de subunidades − como uma prioridade para estes grupos de pesquisa). http:// teamscience.nih.gov Lawsonia intracellularis (ileíte)  • A Lawsonia intracellularis é uma bactéria intracelular obrigatória que infecta as células epiteliais do intestino provocando um aumento da proliferação de células imaturas nas criptas, o que pode levar à manifestação de quadros clínicos crônicos − medianos ou severos − e que está presente em 94% das granjas norte-americanas. As perdas estimadas, devido à ileíte, variam de US$ 2,73 a US$ 19,79/suíno. • O uso de vacinas no momento do desmame atua como um paliativo para o problema, tanto as de uso oral quanto as injetáveis recémaprovadas (Enterisol Ileitis™ e Porcilis Ileitis™). A vacinação reduz o tempo de excreção, a replicação bacteriana no intestino e o grau de lesões macro e microscópicas, melhorando os parâmetros zootécnicos e conferindo imunidade por um período de até cinco meses pós-vacinação.

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Escherichia coli  • A colibacilose enterotoxigênica (ETEC) é a maior causa de patologias entéricas em suínos, apresentando-se de duas formas: o Diarreia neonatal: K88; o Diarreia pós-desmame: K88 (F4) e F18. O uso da vacina oral, com a cepa F4 viva não patogênica, sete dias antes do dia crítico, na dosagem de 2 ml e com uma janela antibiótica de três dias − antes e após sua aplicação −resulta eficaz frente a problemas com a referida cepa, reduzindo a incidência de diarreia, a mortalidade e os tratamentos com antibióticos. Outras fímbrias associadas à diarreia pós-desmame, muito menos frequentes, são a F5 (K99), a F6 (987P) e a F7 (F41). nº 57/2016 | Suínos&Cia


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• A idade do desmame está bem documentada como sendo um fator de risco importante, de tal modo que em leitões desmamados aos 16 vs 20 dias a incidência e a gravidade do problema são muito superiores quanto mais jovem for o animal. • Na diarreia posterior ao desmame o uso de avilamicina a 73 g/ton mostrou-se eficaz na redução do desenvolvimento das fímbrias, prevenindo, assim, o ataque aos enterócitos. Também foi demonstrada a eficácia da neomicina. • A inclusão de probióticos na dieta, como reguladores da flora entérica e mediadores da resposta imune, ajuda a reduzir a incidência e a gravidade dos quadros clínicos de diarreia por Escherichia coli, tanto em suas apresentações agudas quanto nas subagudas e crônicas (morbidade, mortalidade, leitões tratados, refugos, crescimento). Têm sido apresentados ensaios concretos nesse sentido com o Lactobacillus acidophilus. Salmonella spp  • Salmonella entérica, sorotipo Typhimurium (sorogrupo B) e Salmonella cholerasuis (sorogrupo C1) são bactérias prevalentes que causam enterite e entero-colite em suínos de engorda, nos EUA. A via de contágio é a oro-fecal e sua excreção aumenta em períodos de estresse. Os sintomas clínicos da doença dependem da virulência das cepas, da dose infectante e da resistência da população exposta. O uso de vacinas atenuadas reduz a excreção esporádica do agente nas fezes, sem chegar a eliminar a infecção (em infecções experimentais, entre 2 e 6 semanas posteriores ao contágio).

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• Em quadros clínicos de colibacilose pósdesmame, há ocasiões em que a Salmonella spp atua como agente secundário, podendo, como sabemos, atuar também como agente primário. • Em granjas com alta presença de roedores o risco do contágio por salmonelas aumenta. • Os suínos podem atuar como portadores assintomáticos dos agentes em questão. Na excreção da bactéria influem os fatores de manejo durante a fase posterior ao desmame, o estado sanitário do plantel, o programa de biosseguridade e a composição das rações. Um exemplo seriam as dietas de leitões de menor digestibilidade, com baixo custo (milho/soja vs trigo/plasma), as quais podem tornar os animais mais vulneráveis aos problemas sanitários devido a alterações em sua flora digestiva. Um ensaio realizado nesse sentido mostrou que o grupo alimentado com a formulação alternativa tem 2,6 vezes mais chances de excretar a Salmonella. Streptococcus spp  • A mortalidade pelas infecções causadas por Streptococcus suis é mais comum entre três e cinco semanas pós-desmame. As principais manifestações são as meningites agudas, as poliartrites e as poliserosites, a broncopneumonia e as mortes súbitas. As porcas excretam múltiplos sorotipos de S. suis em suas secreções vaginais, os quais são transferidos à pele e à cavidade bucal dos leitões no momento do nascimento. • O uso de ceftiofur sódico em porcas, anteriormente ao parto (5 mg/kg de peso, no 114º dia), reduz significativamente o número de leitões positivos no nascimento, a mortalidade no pósdesmame e o número de leitões tratados por estarem infectados com o Streptococcus suis. Miscelânea  • Pestivírus: os sintomas clínicos da “doença dos tremores” (mioclonia congênita ou CT) são reconhecidos há 100 anos (Kinsley, 1922, nos EUA – Payen & Fournier, 1934, na França, Hindmarsch, 1937, na Austrália) como quadros esporádicos em leitões recém-nascidos e com diferentes graus de gravidade. O agente em questão é um vírus RNA que impacta no sistema nervoso centralpor meio de um mecanismo ainda desconhecido. Classificado como um pestivírus, é próximo dos pestivírus que acometem os morcegos hematófagos chineses. Sua detecção se dá por meio de PCR, em amostras de soro, exsudatos nasais, fezes, cérebro, cerebelo, espinha dorsal, fígado, gânglios mesentéricos e tráqueo-bronquiais, timo, coração e baço, além do sangue do cordão umbilical.

O autor na Plaza de España de New Orleans Suínos&Cia | nº 57/2016

• Senecavírus A (picornavírus – RNA): desde meados de 2015, nos EUA, tem sido observado um elevado percentual de granjas com lesões cau-


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sadas pelo referido vírus, resultando em vesículas no nariz ou na boca, bem como em úlceras interdigitais e na banda coronária de suínos de engorda, com elevada morbidade (80%) e baixa mortalidade. Esse vírus pode ser isolado por meio de RT-PCR em amostras de tonsilas, fluidos vesiculares, exsudatos nasais, retais e soro, durante a fase aguda da doença. • Complexo respiratório suíno: o custo médio dessa doença está estimado em US$ 10,00/ suíno. A aplicação de tulatromicina em porcas, anteriormente ao parto, reduz a excreção de M. hyopneumoniae e, consequentemente, diminui a contaminação dos leitões pelas porcas. Esse antimicrobiano comporta-se como bacteriostático em baixas concentrações e como bactericida em altas, atuando por meio da interrupção da síntese proteica bacteriana. Esta situação supõe que a colonização dos leitões pelo MYC diminui no desmame, trazendo consequências positivas para as fases posteriores de produção. Foram relatados novos ensaios, tratando as porcas três dias antes do parto e sete dias depois, com o objetivo de reduzir também a colonização pelo Actinobacillus suis e o Mycoplasma hyorhinis nos leitões no momento do desmame. • Haemophilus parasuis: a maioria dos casos de mortalidade por esta bactéria concentra-se entre 4 e 6 semanas posteriormente ao desmame. As vacinas inativadas provocam uma resposta imune humoral, representada pela produção de anticorpos IgG e IgM. Há vacinas comerciais para uso intramuscular e intranasal, nos EUA, com distintos graus de eficácia. As intranasais são menos susceptíveis à interferência dos anticorpos maternais. • Erysipelothrix rhusiopathiae: responsável por abortos, problemas locomotores e mortes súbitas em suínos. A presença do DNA bacteriano pode ser detectada em fluidos orais até sete dias posteriores à infecção, ainda que a sua excreção seja geralmente intermitente. lsso supõe que sua detecção por PCR, em fluidos orais e fezes, não seja totalmente segura. • Rotavírus: detectado em leitões depois do desmame tão somente em processos digestivos provocados pelo vírus da diarreia epidêmica, enquanto o coronavírus é detectado em todas as idades. O rotavírus B é detectado em leitões de 11 a 22 dias de idade, e o rotavírus A e C, em leitões de 11 a 60 dias de idade, de acordo com um estudo realizado em Indiana. Nas granjas orgânicas de produção extensiva, no Missouri/EUA, os principais agentes infecciosos prevalentes foram a Lawsonia intracellularis, a Escherichia coli, o rotavírus e os parasitas internos. • Struve Labs International Inc: desde 1962 produz suínos nascidos por cesarianae que não ingerem colostro (CDCD pigs). Eles são utilizados para estudos de sanidades animal e humana e fornecimento de válvulas cardíacas, pele, ligamentos e transplantes de órgãos.

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Monumento em lembrança ao furacão Katrina, que assolou a cidade há 11 anos Manejo – Bem-estar • Más condições de bem-estar podem ser observadas pelo grau de lesões na pele, problemas nas patas e alterações na condição corporal. Na Universidade da Pennsylvania estão sendo estudadas as correlações entre agressões e as vias cognitivas de porcas gestantes (saúde fisiológica). Em diferentes linhas genéticas não foram encontradas diferenças significativas, em termos de comportamento social, na hora do alojamento em grupos de gestação (Tamworth-Danbred). • Nos EUA não se usa analgesia para cortes de cauda nem para castração, ao contrário de grande parte da Europa. A aplicação de lidocaína na forma de spray tem sido estudada com o objetivo de diminuir a dor. • Foi comparada a saúde digestiva de leitões desmamados aos 16 dias vs 28 dias de idade, observando-se que os mais jovens têm mais defeitos na barreira gastrintestinal (aumento da permenº 57/2016 | Suínos&Cia


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abilidade intestinal, aumento das células M e da função de defesa) e mudanças no sistema imunológico inato, o que predispõe uma resposta intestinal exacerbada diante de fatores como estresse, entre outros. • Sistemas de auditoria de granjas: www. pork.org/common-industry-audit. • Protocolos de biosseguridade para granjas: www.pic.com/biosecurity. • Tecnologia holandesa de sensores para granjas com o objetivo de monitorar contínua e automaticamente as condições ambientais, combinada com medições de bem-estar animal mediante software integrado epor meio de câmeras para visão a distância (iFarming – granjas inteligentes – e Fancom’s &YeNamic System– monitores para suínos) para melhorar os parâmetros produtivos (cálculos de peso, índices de tosse e volume e dinâmica de consumo de água e de ração) e monitorar a intensidade de luz e os erros no funcionamento de equipamentos. • A mortalidade de suínos durante o transporte ao abatedouro, nosEUA, varia de 0,2% a 0,3%. Nutrição  • As xilanases são utilizadas na indústria de rações há quase duas décadas, incrementando a digestibilidade de dietas ricas em arabinoxilanos (trigo, arroz) ao reduzir a viscosidade típica desses alimentos e permitir maior contato dos sais biliares e a amilase com as partículas de ração, estimulando o equilíbrio positivo entre a flora saprófita e a patogênica, o que lhes confere uma relação com a saúde digestiva. Melhoram a digestão da gordura e do amido, ao mesmo tempo em que reduzem a circulação do fator de necrose tumoral (TNF - alfa), uma das citocinas consideradas como marcadores inflamatórios. Nas provas realizadas com suínos tem sido demonstrada melhora no ganho médio de peso diário e no índice de conversão alimentar, em 50% dos caos. Em nove estudos revisados houve redução da mortalidade nos suínos desde o desmame até o acabamento, em uma faixa de 14,5% a 47,6%, tanto em granjas com altos quanto em baixos níveis sanitários.

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• As vitaminas lipossolúveis A, D e E são nutrientes essenciais em todas as fases de produção, sendo fundamentais nas funções imunitária e muscular. As formas injetáveis são melhor absorvidas do que as orais. Os leitões ao nascer têm baixas reservas destas vitaminas, dependendo da transferênciadelas via colostro e leite, que também são pobres, particularmente, em vitamina D. Após o desmame, as reservas de vitamina E caem drasticamente. O fluido ovariano folicular contém cerca de Suínos&Cia | nº 57/2016

quatro vezes mais ácidos graxos polinsaturados do que o soro, por isso o uso destas vitaminas lipossolúveis aumenta sua proteção contra a oxidação. A aplicação injetável destas três vitaminas, antes do nascimento (dia 107) e no momento do desmame, melhora a duração do parto, a qualidade e a uniformidade dos embriões eo nível delas nos leitões lactentes ediminui a incidência da “doença do coração de amora”, não havendo incremento no número de leitões nascidos vivos. • A administração de uma dose de ferro adicional de 200 mg (gleptoferron) por via intramuscular, às duas semanas de idade dos leitões, incrementa os níveis de hemoglobina neles, sem que sejam observadas diferenças significativas em seus parâmetros zootécnicos (ganho médio de peso diário). As deficiências de vitamina E determinam uma redução na absorção do ferro. Os níveis baixos ou altos de ferro na ração, em leitões desmamados aos 21 dias de idade, podem alterar a função de barreira e a morfologia intestinal em função da indução de processos inflamatórios no intestino, dando origem a alterações na integridade dele. • As rações com tamanho de partícula inferior a 600 micras fazem comque aumente o número de suínos com úlceras gastro-esofágicas na engorda tanto comas rações fareladas quanto as granuladas. Rações fareladas à base de milho, com tamanhos de partícula inferior a 600 micras, fazem com que leitões desmamados e suínos de engorda reduzam o consumo, o que afeta o crescimento, embora não altere a eficiência alimentar, além de prejudicar a fluidez da ração nos silos e tubulações. • A inclusão de altos níveis de aminoácidos sintéticos com baixos níveis de proteína bruta, nas rações de suínos de engorda, reduz a retenção de energia, ao mesmo tempo que diminui o pH da digestão, reduzindo também a sobrevivência de certos patógenos no trato gastrintestinal, diminuindo os metabólitos tóxicos e, portanto, melhorando a saúde intestinal. • Os suínos machos imunocastrados, em comparação aos castrados cirurgicamente, ao atingirem 130 kg de peso vivo apresentam melhora de 10% no ganho médio de peso diário eno índice de conversão alimentar. Os níveis recomendados de lisina e fósforo variam com relação aos dois grupos, sendo recomendada a alimentação por separação de sexos, com as fêmeas inteiras. • A sociedade tem uma percepção negativa do uso de antibióticos na produção animal, tanto na Europa quanto nos EUA, o que tornará a utilização de agentes antimicrobianos mais limitada no futuro. Se levarmos em conta que as reprodutoras podem transferir resistências a antibióticos por meio do leite para os leitões lactentes, além de alterar sua flora microbiana, devemos trabalhar no


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sentido de otimizar as defesas dos animais frente aos processos infecciosos, tanto a imunidade inata local quanto as defesas sistêmicas. A microflora da superfície mucosa tem papel importante na regulação dos referidos mecanismos imunitários, por meio de uma ação conjunta entre o sistema imunológico, o sistema nervoso e a microbiota. O desenvolvimento da flora microbiana dos leitões, já na fase de lactação, condicionará sua evolução na fase de engorda. • Em janeiro de 2017 será publicada a nova regulamentação do uso de antibióticos em granjas e em rações pelo FDA (Food and Drug Administration/EUA) com base no uso responsável de antimicrobianos, que tem como diretriz a guia 209, de 2010, e a guia 213, de dezembro de 2013, àqual se adiciona a diretiva final de rações de junho de 2015 (Veterinary Feed Directive ou VDF): www.globalvetlink.com; www.fda.gov/AnimalVeterinary/ DevelopmentApprovalProcess/ucm449019.htm; https://ebusiness.avma.org/files/productdownloads/extralabel_brochure.pdf e www.cdc.gov/drugresistance/pdf/ar-threats-2013-508.pdf. Reprodução  • A seleção de linhas maternas por prolificidade tem sido uma constante, representando,

entre 2009 e 2014, um incremento de 0,14 leitão por ano nos EUA, com uma média de nascidos totais de 13,5 em 2014, havendo uma correlação negativa entre o tamanho da leitegada e o peso dos leitões ao nascer. Em um total de 91.905 leitões pesados ao nascer, foi encontrada uma correlação significativa entre a sobrevivência, tanto na fase de lactação quanto na fase posterior ao desmame (para cada 100 g a mais de peso a sobrevivência na fase de lactação aumentou 4,3% e no pós-desmame 0,5%. • Em um trabalho realizado na Europa, estimou-se que o peso limite, abaixo do qual o leitão está em risco de sobrevivência é de 1,13 kg, quando o seu peso médio é de 1,46 kg em uma leitegada de 13,1 nascidos vivos e 14,3 nascidos totais (178 leitegadas em três granjas). • Foi exposto um caso de impacto negativo sobre o potencial reprodutivo de uma granja ao se empregar um lubrificante para inseminação artificial tóxico para os espermatozoides, com efeito imediato observado sobre a supressão da motilidade. • Foram estudados o efeito da agitação e a posição das doses de sêmen armazenadas durante dez dias, não tendo sido encontradas diferenças na qualidade dele,apenas ligeiras diferenças quando se conserva na horizontal frente à conservação na vertical.

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Determinação da soroprevalência e sorotipificação frente ao Actinobacillus pleuropneumoniae (App) Dra. Maria Nazaré T. S. Lisboa Médica-veterinária e consultora do Laboratório Ceppa e da Consuitec nazare@consuitec.com.br

Introdução

A

Pleuropneumonia suína é uma doença respiratória que tem como agente etiológico o Actinobacillus pleuropneumoniae (App) e acomete animais principalmente na fase de crescimento. Segundo Gottschalk (2012), é uma doença contagiosa distribuída nos principais países produtores de suínos,causandoperdas econômicas significativas. Os sorotipos identificados por meio da sorologia são 15 e se diferem pelos fatores de virulência. Os sorotipos 1, 5, 9 e 11 estão associados a manifestações mais graves da doença, causando lesões pulmonares severas e incremento da mortalidade. Os sorotipos, 2, 4, 6 e 8, apesar de menos patogênicos, também têm capacidade de causar perdas econômicas mais brandas. Já os sorotipos 3, 7 e 12 são significativamente os menos virulentos. O objetivo do presente trabalho foi avaliar a resposta da conversão sorológica em suínos nas diferentes fases de produção, em sistema de produção intensiva com ou sem sinais clínicos respiratórios, além de atualizar o conhecimento sobre os diferentes sorotipos envolvidos em alguns plantéis da suinocultura brasileira.

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Material e métodos Em uma das granjas de reprodutores que fornecia animais de reposição para um grupo de granjas comerciais, em 2011,em exames sorológicos de rotinahouve positividade de anticorpos

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para App, porém sem presença de sinais clínicos. Decidiu-se, então, realizar rastreabilidade em todos os plantéis do sistema que recebiam animais de reposição da origem para constatar se havia positividade do agente e presença de sinais clínicos, como também confirmar e sorotipificar os diferentes sorotipos que poderiam estar envolvidos. No presente trabalho, mediante o resultado positivo na sorologia, foram analisados um total de 120 amostras de sangue coletadas de 2011 a 2013, de quatro granjas comerciais localizadas em distintas regiões de produção suína e com diferentes sistemas de produção, sendo a granja 1 localizada em Minas Gerais, a 2 em Mato Grosso do Sul, a 3 em São Paulo, todas com sistema de multissítios, e a granja 4 em Mato Grosso, com ciclo fechado. Nas quatro granjas houve confirmação sorológica para App e presença de sinais clínico de pleuropneumonia. Nas presentes granjas havia mortalidade na fase de crescimento/terminação entre 3% e 5% e índice de pleurisia entre 2% e 3%.A distribuição do número de amostras para exames sorológicos foi estabelecida por meio da instrução da normativa 19, segundo o MAPA. Dessa forma, foram determinados quatro grupos de granjas emanimais da reprodução (56 amostras de sangue por granja) e na fase de crescimento (70 amostras). O método utilizado para sorologia foi ELISA (Enzyme Linked Imnusobent Assay), por meio do


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kit da Apx IV (IDEXX - Laboratories Inc. EUA). Para sorotipificação, os sorosforam enviados para o Laboratório de Sorologia Suína da Escola de Medicina Veterinária da Universidade de Montreal, no Canadá, que utilizou os Kits Swinechek App 5a, 5b, Swinechek App 4, 7 e Swinechek App 3, 6 e 8, Swinechek App 2 e Swinechek App, 1, 9, 11, Swinechek, 12, 13 e 14, todos da Biovet Inc. (Canadá). Para conhecer os sorotipos, foi selecionada a granja 3, que havia apresentado positividade pela prova de ELISA – ApxIV (IDEXX). Estas amostras foram analisadas mediante o Kit Multi App da Biovet – Swinechek, e as amostras positivas foram selecionadas e processadas mediante o Kit Swinechek. As amostras que apresentaram densidade ótica ≥ 0,40 foram consideradas e classificadas como positivas para o sorogrupo analisado. Resultados e discussão Abaixo, a tabela 1 demonstra a porcentagem de amostras positivas na sorologia para Actinobacillus pleuropneumoniea. Os animais de

reprodução apresentaram menor prevalência positiva entre as marrãs e nas fêmea de 1 e 2 partos (60%) quando comparadas às fêmeas de outros partos (4 a 7 partos ou mais), observando-se 100% de positividade em fêmeas com mais de 3 partos. Nos animais na fase de crescimento observa-se uma diminuição da soroprevalência desde 80%, observado com 3 semanas de vida, até desaparecer entre 18 e 21 semanas de vida. No gráfico 1 pode-se observar uma diminuição da positivida-

Tabela 1

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Ordem de Parto Granjas

Primíparas

1 a 2 partos

3 a 4 partos

5 a 6 partos

>= 7 partos

Positivas (%)

Positivas (%)

Positivas (%)

Positivas (%)

Positivas (%)

MG 1 SC

10 (1/10) c

60 (6/10) b

100 (10/10)

100 (10/10)

100 (10/10)

MS 2 CA

80 (8/10) ab

100 (10/10) a

100 (10/10)

100 (10/10)

100 (10/10)

SP 3 SP

50 (5/10) bc

100 (10/10) a

100 (10/10)

100 (10/10)

100 (10/10)

MT 4 BT

100 (10/10) a

100 (10/10) a

100 (10/10)

100 (10/10)

100 (10/10)

240

360

400

400

400

B

A

A

A

A

TOTAL Análise estatística

As médias seguidas de letras maiúsculas nas linhas (diferença entre a ordem de parto) e de letras minúsculas na coluna (diferença nos Estados) diferem entre si pelo Teste de Tukey a 5% Tabela 2 Idade dos leitões e suínos em crescimento Granjas

3 semanas

7 semanas

10 semanas

12 semanas

15 semanas

18 semanas

21 semanas

Positivas (%) Positivas (%) Positivas (%) Positivas (%) Positivas (%) Positivas (%)

Positivas (%)

MG 1 SC

70 (7/10)

70 (7/10) ab 20 (2/10) ab

50 (5/10) a

0 (0/10)

0 (0/10)

0 (0/10)

MS 2 CA

100 (10/10)

80 (8/10) a

60 (6/10) a

20 (2/10) ab

.

0 (0/10)

.

SP 3 SP

70 (7/10)

20 (2/10) b

0 (0/10) b

.

0 (0/10)

0 (0/10)

.

MT 4 BT

80 (8/10)

50 (5/10) ab

0 (0/10) b

0 (0/10) b

20 (2/10)

0 (0/10)

20 (2/10)

320

220

80

70

20

0

20

A

B

C

C

C

C

C

TOTAL Análise estatística

As médias seguidas de letras maiúsculas nas linhas (diferença entre a idade dos animais) e letras minúsculas na coluna (diferença entre os Estados) diferem entre si pelo Teste de Tukey a 5% nº 57/2016 | Suínos&Cia


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de após 12 semanas. Como a imunidade passiva desaparece entre 2 a 8 semanas, possivelmente pode haver uma baixa infecção no final do desmame devido a algum desafio de manejo que desaparece com 15 semanas de vida. No entanto, diminui a positividade na fase final de crescimento. Na granja 4, de ciclo fechado, os animais apresentam positividade de 15 a 21 semanas de vida, demonstrando que pode haver influência da dinâmica de infecção devido ao sistema de produção de fluxo contínuo. Entre as granjas de reprodutores que fornecem animais de reposição (machos e avós) para todas as granjas testadas no presente trabalho, das 60 amostras enviadas ao laboratório no Canadá (Swinechek), 15 foram positivas para os sorotipos 3, 6, 8 e 15. Das 60 amostras de diferentes animais por fase de crescimento (linha) da granja 3, oito foram positivas para os sorotipos 3, 6, 8 e 15 (positivos em 6 amostras) e para os sorotipos 4 e 7 (somente 2 amostras positivas), demonstrando baixa prevalência. Conclusão Conclui-se que a sorologia foi positiva frente ao App nas granjas testadas com ou sem sintomatologia respiratória, sobretudo nos plantéis de animais de reprodução. Os resultados compreendidos entre o período de 2011 e 2013 não apresentaram variáveis consideradas quanto aos sorotipos já assinalados no Brasil, mesmo apresentando neste último exame sorológico ossorotipos 4 e 7. O soroperfil indica que existe uma transmissão ativa do patógeno, especialmente nas granjas manejadas em múltiplos sítios. Também ficou evi-

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denciado que a presença do sorotipo 3 em uma das granjas avaliadas por ausência de sinais clínicos pode ser um sorotipode baixa patogenicidade. Finalmente, podemos concluir que a sorologia pode ser uma importante ferramenta para controlar a entrada de animais positivos nos plantéis livres de Actinobacillus pleuropneumoniae (App). Referências bibliográficas 1. GOTTSCHALK, M. Actinobacillus pleuropneumoniae: an old but still relevant swine pathogen in the XXI century. 22nd International Pig Veterinary Society Congress – Jun 10-13, p. 26-31, 2012. 2. GOTTSCHALK, M. et al. Actinobacillosis. In: KARRIKER, L. et al. (editors), Diseases of Swine, 10th edition, Wiley Publishers, Hoboken, NJ (in press). 2012. 3. GOTTSCHALK, M. Actinobacillus pleuropneumoniae: um patógeno ainda atual. (Revista Técnica Suínos e Cia, n° 45, p. 27-35, 2012). 4. GOTTSCHALK, M. et al. Actinobacillosis. In: KARRIKER, L. et al. (editors), Diseases of Swine, 10th edition, Wiley Publishers, Hoboken, NJ (in press). 2012. 5. Kuchiishi S.; FÁVERO, M. B. B.; PIFFER, I. A. Sorotipos de Actinobacillus pleuropneumoniae isolados no Brasil de 1993 a 2006. Acta Scientiae Veterinariae. 35(1): 79-82, 2007.

Estudo comparativo sobre o desempenho zootécnico e parâmetros sanguíneos de suínos em fase de creche recebendo colina vegetal e cloreto de colina Andréa M. L. Ribeiro1; Alexandre M. Kessler1, Marcos S. Ceron1, Erica T. Grecco2 1. Universidade Federal do Rio Grande do Sul – DZO 2. Technofeed – LTDA erica.grecco@technofeed.com.br aribeiro@ufrgs.br Introdução

A

colina pode ser classificada como uma vitamina do complexo B, sem, entretanto, possuir as características clássicas deste grupo. Possui função estrutural, formando os fosfolipídios das membranas celulares, e participa de funções metabólicas por ser precursora do neurotransmissor acetilcolina e doadora de grupos metil (CH3).

Suínos&Cia | nº 57/2016

A deficiência de colina em leitões causa falta de coordenação dos movimentos, pouca rigidez nas articulações, fígado gorduroso e oclusão glomerular renal. A dieta deficiente em colina reduz o ganho de peso, a contagem de células vermelhas, o hematócrito e a concentração de hemoglobina e aumenta a fosfatase alcalina. O fígado e rins exibem infiltração gordurosa (NRC, 2012).


Sumários de Pesquisa

Tabela 1. Descrição dos tratamentos do experimento Tratamentos

Descrição

1

Dieta basal sem suplementação de colina (controle negativo)

2

Dieta basal com suplementação de 119 mg kg-1 de colina vegetal

3

Dieta basal com suplementação de 238 mg kg-1 de colina vegetal

4

Dieta basal com suplementação de 300 mg kg-1 de colina, via cloreto de colina

5

Dieta basal com suplementação de 600 mg kg-1 de colina, via cloreto de colina

Poucos estudos foram realizados com níveis dietéticos de colina para suínos. Russett et al (1979) relatam efeito positivo da suplementação dietética de colina. De acordo com o NRC (2012), marrãs e porcas em gestação alimentadas com ração contendo farelo de soja e 434 gramas a 880 gramas de colina/t apresentaram maior número de leitões nascidos vivos e desmamados, sendo que as porcas melhoraram a taxa de concepção. O NRC (2012) recomenda de 0,6 a 0,3 kg/t; e 1,25 a 1,00 kg/t de colina para suínos de 5 kg a 135 kg de peso vivo e na fase de gestação/lactação, respectivamente. Para McDowell (2000), a síntese endógena não atende às necessidades de colina daqueles animais selecionados geneticamente para o rápido crescimento, necessitando, portanto, da suplementação dietética. Tradicionalmente, a suplementação de colina nas rações ocorre via cloreto de colina, um produto sintético de concentração que varia de 50% a 75% (Farina, 2014), atingindo até 25% de veículo inerte na sua composição final. Na forma de pó, é altamente higroscópico, característica esta que acelera as perdas de vitaminas no premix e causa transtornos operacionais na fábrica de rações. Segundo McDowell (2000), o cloreto de colina líquido é corrosivo, exigindo equipamento especial para armazenagem e dosagem no misturador.

Tabela 2. Composição e nível nutricional calculado da dieta basal Ingredientes

Dieta basal

Arroz, %

40,00

Milho, %

27,04

Farelo de soja 45, %

14,00

Glúten de milho, %

10,92

Proteína isolada de soja, %

1,40

Óleo de soja, %

2,19

L-Lisina.HCl, %

0,69

L-Treonina, %

0,13

L-Triptofano, %

0,03

Fosfato bicálcico, %

1,86

Calcário, %

1,04

Sal, %

0,53

Premix mineral, %

0,09

Premix vitamínico, %

0,05

45

Composição calculada Matéria seca, %

88,64

Energia metabolizável, Mcal kg-1

3.400

Proteína bruta, %

20,00

Fibra bruta, %

2,22

A absorção de colina no intestino acontece no jejuno e íleo por um mecanismo carreador dependente de energia e sódio. Somente 1/3 da ingestão de colina parece ser absorvida, sendo o restante metabolizado pelos microrganismos no intestino em trimetilamina, um componente lipotropicamente inativo que é depositado na carne e no ovo, ou excretada via urina em aproximadamente 6 a 12 horas após o consumo (Leeson & Summers, 2001; McDowell, 2000). Por outro lado, o consumo equivalente de colina na forma de fosfatidilcolina produz pouca trimetilamina, e um longo período é necessário para que a ela seja detectada via urina (Leeson & Summers, 2001).

Gordura, %

4,51

Cálcio, %

0,80

Fósforo disponível, %

0,45

Fósforo total, %

0,64

Sódio, %

0,23

Cloro, %

0,34

Potássio, %

0,42

Lisina, %

1,29

Lisina digestível, %

1,23

Metionina, %

0,40

Metionina digestível, %

0,33

Treonina, %

0,81

Com o avanço do uso de extratos herbais na nutrição animal, pesquisadores têm dado atenção especial àquelas plantas ricas em vitaminas conjugadas. Diante desta proposta, a colina vegetal é composta à base de plantas

Treonina digestível, %

0,75

Triptofano, %

0,22

Triptofano digestível, %

0,20

Colina, mg kg-1

668,87 nº 57/2016 | Suínos&Cia


Sumários de Pesquisa

Tabela 3. Desempenho zootécnico e parâmetros sanguíneos de leitões em fase de creche, dos 34 aos 54 dias de idade Variáveis

Colina vegetal

Cloreto de colina

EP

P

15,7

0,98

0,99

1,14

1,22

0,13

0,67

0,80

0,75

0,81

0,06

0,11

1,44

1,50

1,51

1,50

0,16

0,93

40,9

40,1

38,3

40,3

39,4

2,17

0,41

HB, g dL-1

13,4

13,1

12,7

13,3

13,0

0,79

0,62

FA, U L-1

993b

811a

890ab

759a

820a

138

0,06

0 mg/kg

119 mg/kg

238 mg/kg

300 mg/kg

600 mg/kg

PV IN, kg

15,5

15,7

15,6

15,7

CR, kg d-1

1,11

1,18

1,19

GDP, kg d-1

0,74

0,82

CA

1,49

HT, %

PV IN: peso vivo inicial; CR: consumo de ração; GPD:ganho de peso diário; CA: conversão alimentar; HT: hematócrito; HB: hemoglobina; FA: fosfatase alcalina; d: dia; EP: erro padrão; P: probabilidade não tóxicas das espécies Trachyspermum ammi, Citrullus colocynthis, Achyranthes aspera e Azadirachta indica, contendo uma fonte natural de colina esterificada (fosfatidilcolina) e componente bioativos de efeito lipotrópicos e tônico para o fígado (Chatterjee & Misra, 2004). A presença de traços de cromo de origem orgânica e ácido linoleico na colina vegetal tem o propósito de ajudar no metabolismo lipídico com consequente dispersão da gordura hepática. O objetivo desta pesquisa foi determinar a bioeficiência da colina vegetal em relação ao cloreto de colina sobre o desempenho zootécnico e parâmetros sanguíneos de suínos na fase de creche.

46

Equipe de experimento e Technofeed Suínos&Cia | nº 57/2016

Material e métodos O experimento foi realizado no Laboratório de Ensino Zootécnico (LEZO) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Foram utilizados 30 leitões com peso vivo médio de 15,6 kg. Os animais foram alojados individualmente em gaiolas metabólicas no período de 34 a 54 dias de idade, utilizando o delineamento experimental em blocos ao acaso, sendo o peso inicial utilizado como critério de bloco. No período pré-experimental de 5 dias, os animais receberam uma dieta de baixo teor de colina (669 mg kg-1) e de metionina digestível (0,33%) com o objetivo de reduzir as reservas corporais de colina. Foram avaliados 5 tratamentos (Tabela 1) com 6 repetições de um animal por unidade experimental. Os animais consumiram uma dieta isonutritiva (NRC, 2012), exceto para colina (Tabela 2). Semanalmente, os animais foram pesados para obtenção do consumo de ração, ganho de peso e conversão alimentar. No final do período experimental, os animais foram submetidos a um jejum de 12 horas para as análises sanguíneas de hematócrito, hemoglobina e fosfatase alcalina. Os dados de desempenho e parâmetros sanguíneos foram analisados com auxílio do programa estatístico Statgraphics Plus. As variáveis foram submetidas ao procedimento GLM (General Linear Models). Com probabilidades (P) menores que 0,1 (10%), realizou-se o teste de comparação de médias, sendo considerados significativos os valores de P iguais ou menores a 5%. Para valores de P menores que 0,2 foram realizados contrastes (basal X colina vegetal, basal X cloreto de colina), análise de regressão linear e comparação das retas de regressão para cada fonte de colina. Na presença de F significativo, as médias foram comparadas pelo teste LSD.


Sumários de Pesquisa

Resultado e Discussão Não houve diferença significativa para as respostas de desempenho zootécnico referentes ao consumo diário de ração e conversão alimentar (Tabela 3). Entretanto, para o ganho de peso (P<0,11), efetuou-se a análise de contrastes (0,0 mg kg-1 de colina) X (119 mg kg-1 + 238 mg kg-1 de colina vegetal), observando-se um efeito positivo da suplementação com vegetal sobre o ganho de peso (P<0,05). Esse resultado coincide com os relatos de Leeson & Summers (2001) e McDowell (1989), indicando que o cloreto de colina pode ser metabolizado pela flora intestinal, formando a trimetilamina, um componente liprotopicamente inativo, perdendo sua eficiência no animal. Diferentemente, a colina vegetal, por ser um aditivo composto por fosfatidilcolina natural, produz pouca trimetilamina (Leeson & Summers, 2001), disponibilizando maior teor de colina sérica para suportar o crescimento dos animais. Não foi observada diferença significativa nos parâmetros sanguíneos, hematócrito e hemoglobina. No entanto, houve diferença significativa para fosfatase alcalina. A inclusão de 119 mg kg-1 de colina vegetal e os dois níveis de cloreto de colina reduziram a concentração de fosfatase alcalina no sangue. Resultados semelhantes foram observados por Russett et al. (1979). A maior concentração de fosfatase alcalina no tratamento sem inclusão de colina na dieta é um indício de deficiência de colina para o animal. A deficiência de colina causa danos à estrutura das membranas das células do fígado, permitindo a liberação da fosfatase alcalina na corrente sanguínea. Pela análise de regressão, houve efeito linear no ganho de peso para a colina vegetal (P<0,031) e cloreto de colina (P<0,096). A inclinação da reta (Figura 1)foi maior para a colina vegetal (P<0,091). Na comparação do ganho de peso diário, a relação da inclinação da retadas regressões demonstrou que 1 unidade de colina vegetal foi equivalente a 3,3 unidades de colina via cloreto. O valor encontrado nesta pesquisa foi próximo da bioequivalência de 2,5 obtida em frangos de corte, em um experimento conduzido no mesmo laboratório. Conclusão A inclinação da reta de regressão para ganho de peso diário dos suínos alimentados com colina vegetal apresentou maior efeito quando comparada ao cloreto de colina, indicando que 1 unidade de colina vegetal equivale a 3,3 unidades de colina suprida pelo cloreto de colina. O fornecimento de 119 mg kg-1 de colina vegetal ofereceu o melhor resultado das variáveis estudadas para suínos em fase de creche.

Figura 1. Equação de regressão da colina vegetal e cloreto de colina para ganho de peso total por dia (GDP Tot) Colina vegetal GDP Tot = 0,747014 + 0,00030049 x colina vegetal (mg kg-1), (P<0,031). Cloreto de Colina GDP Tot = 0,747014 + 0,0000905278 x cloreto de colina (mg kg-1), (P<0,096).

Referências Bibliográficas 47

1. Chatterjee, S., Misra, S.K. Efficacy of herbal Biocholine in controlling faty liver syndrome in commercial broilers in high metabolic energy diet. Phytomedica, v.5, p. 37 a 39, 2004. 2. Farina, G. Desempenho de frangos de corte suplementados com diferentes fontes e níveis de colina na dieta. Dissertação de mestrado, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil, 2014, p. 83. 3. McDowell, L.R. Vitamins in animal and human nutrition. 2nd ed. Iowa State University Press, 2000.793p. 4. NRC. Nutrientrequirements of swine. v.11, Washington: National academy, 2012. 400p. 5. Russett, J. C.; Krider, J. L.; Cline, T. R.; Underwood, L. B. Choline Requirement of Young Swine. Journal of Animal Science, v.48, p. 1366-1373, 1979. 6. Leeson, S., Summers, J.D. Scott’s Nutrition of the chicken, 4th edition, Department of Animal & Poultry Science, University of Guelph, Guelph, Ontario, Canada, 2001, 591 p. nº 57/2016 | Suínos&Cia


Recursos Humanos

A vida é uma dança...

Q

uando uma porta se fecha, outra se abre; quando um caminho termina, outro começa... nada é estático no Universo, tudo se move sem parar e tudo se transforma sempre para melhor. Habitue-se a pensar desta forma: tudo que chega é bom, tudo que parte também. É a dança da vida... dance-a da forma como ela se apresentar, sem apego ou resistência. Não se apavore com as doenças... elas são despertadores, têm a missão de nos acordar. De outra forma permaneceríamos distraídos com as seduções do mundo material, esquecidos do que viemos fazer neste planeta. O universo nos mandou aqui para coisas mais importantes do que comer, dormir, pagar contas... Viemos para realizar o Divino em nós. Toda inércia é um desserviço à obra divina. Há um mundo a ser transformado, seu papel é contribuir para deixá-lo melhor do que você o encontrou. Recursos para isso você tem, só falta a vontade de servir a Deus servindo aos homens. Não diga que as pessoas são difíceis e que convivência entre seres humanos é impossível. Todos estão se esforçando para cumprir bem a missão que lhes foi confiada. Se você já anda mais firme, tenha paciência com os seus companheiros de jornada. Embora os caminhos sejam diferentes, estamos todos seguindo na mesma direção, em busca da mesma luz.

48

Suínos&Cia | nº 57/2016

E sempre que a impaciência ameaçar a sua boa vontade com o caminhar de um semelhante, faça o exercício da compaixão. Ele vai ajudá-lo a perceber que na verdade ninguém está atrapalhando o seu caminho nem querendo lhe fazer nenhum mal, está apenas tentando ser feliz, assim como você. Quando nos colocamos no lugar do outro, algo muito mágico acontece dentro de nós: o coração se abre, a generosidade se instala dentro dele e nasce a partir daí uma enorme compreensão acerca do propósito maior da existência, que é a prática do amor. Quando olhamos uma pessoa com os olhos do coração, percebemos o parentesco de nossas almas. Somos uma só energia.Juntos, formamos um imenso tecido de luz... Não existem as distâncias físicas. A Física Quântica já provou que é tudo uma ilusão. Estamos interligados por fios invisíveis que nos conectam ao Criador da vida. A minha tristeza contamina o bem-estar do meu vizinho, assim como a minha alegria entusiasma alguém do outro lado do mundo. É impossível ferir alguém sem ser ferido também, lembre-se disso. O exercício diário da compaixão faz de nós seres humanos de primeira classe. André Luiz Zanoli


Informe Publicitário

Inovação tecnológica em aditivos nutricionais para a suinocultura Erica Grecco Coordenadora Técnica da Technofeed erica.grecco@technofeed.com.br

A

Technofeed, empresa suíço-brasileira

desempenho zootécnico. “Nossa colina natural não

constituída por especialistas em nu-

é higroscópica, não é convertida em trimetilamina

trição animal, traz ao mercado novas

e não tem interações com outras vitaminas e/ou

tecnologias em aditivos nutricionais, além de dis-

medicamentos do premix, além de possibilitar

ponibilizar ferramentas e serviços que possibilitam

menor espaço de armazenagem e na formulação.

a obtenção de melhores resultados zootécnicos e

E, claro, é fonte natural de colina, na forma

financeiros.

bioativa”, afirma a zootecnista MSc Erica Grecco,

Uma dessas inovações é o aditivo nutricional

50

Suínos&Cia | nº 57/2016

coordenadora técnica da Technofeed.

Biocholine Powder, um aditivo nutricional produzido

A colina é considerada um nutriente impor-

a partir de plantas selecionadas com alto conteúdo

tante para os animais. Sua ausência na ração pode

de colina na forma esterificada (fosfatidilcolina) e

manifestar deficiências, como redução no ganho

de alta biodisponibilidade quando comparada ao

de peso devido ao mal funcionamento do fígado e

cloreto de colina. Biocholine Powder é um aditivo

dos rins que apresentam infiltrado gorduroso, afe-

nutricional natural desenvolvido por especialistas

tando o metabolismo de nutrientes importantes.

para suprir a exigência de colina dos animais.

Ela é classificada como uma vitamina do complexo

O mix de plantas destinado para a produção da

B, porém não satisfaz totalmente a definição estri-

Biocholine Powder oferece também componentes

ta de uma vitamina. Ao contrário das vitaminas do

bioativos que podem agir diretamente no

complexo B, pode ser sintetizada no fígado, sendo

organismo dos animais, beneficiando o seu

exigida pelos animais em maiores quantidades e


Informe Publicitário

funcionando como um constituinte estrutural, e

Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com-

não como uma coenzima. A colina tem importan-

parando cloreto de colina com Biocholine Powder,

tes funções no organismo, como a participação na

e vimos o grande potencial do produto, principal-

formação da acetilcolina, um importante neuro-

mente para ganho de peso diário em leitões, um

transmissor, e faz parte da estrutura da fosfatidil-

aumento de 8,9%. Nesse mesmo trabalho, obser-

colina, forma biodisponível em que se apresenta

vamos que a concentração de fosfatase alcalina

no organismo. Além disso, atua como doador de

sanguínea reduziu-se com a dieta de Biocholine

grupamentos metílicos, depois de oxidada à beta-

Powder, enquanto que na dieta sem inclusão de

ína.

colina, a concentração foi maior. Ou seja, compro“O mais usual é a inclusão de cloreto de co-

vamos a bioeficácia da Biocholine Powder na sui-

lina, como fonte de colina. Entretanto, como sabe-

nocultura com a conclusão da matriz nutricional

mos, o cloreto de colina pó é higroscópico e pode

por bioequivalência, comparado com outra fonte

ser convertido em trimetilamina (TMA) pelos mi-

de colina conhecida”, analisa Erica.

crorganismos intestinais do animal. Quando mistu-

A zootecnista ainda ressalta que com o uso

rado ao premix, acelera a destruição de vitaminas.

de Biocholine Powder é possível ter mais espaço

O cloreto de colina líquido é corrosivo, exigindo

de fórmula, reduzindo o custo. E para a fábrica de

equipamento especial para armazenagem e dosi-

ração, há redução dos custos de estoque e de frete

ficação no misturador. Já a colina líquida, atenção

por volume de ração produzida. “Nosso grande di-

especial deve ser dada ao coeficiente de mistura

ferencial é a substituição total do cloreto de colina

da ração. Outra desvantagem do uso de cloreto de

sintético (pó ou líquido). E a maior biodisponibi-

colina é a sua absorção ineficiente no trato gas-

lidade para o metabolismo animal. Sabemos que

trointestinal dos animais. Aproximadamente 2/3

a deficiência de colina em leitões causa piora na

dessa colina é convertida pelas bactérias intesti-

coordenação dos movimentos, pouca rigidez nas

nais em TMA”, comenta Erica.

articulações, fígado gorduroso e oclusão glomeru-

Pensando em dietas de alto valor energéti-

lar renal. A dieta deficiente em colina reduz o ga-

co, o fígado necessita de maior metabolização de

nho de peso, a contagem de células vermelhas, o

gordura, podendo acarretar em sobrecarga ou até

hematócrito e a concentração de hemoglobina e

mesmo desenvolver a síndrome do fígado gordu-

aumenta a fosfatase alcalina. Já o fígado e rins exi-

roso. Para as dietas de leitões e porcas em lactação

bem infiltração gordurosa”, justifica Erica.

que normalmente utilizam alta energia, a colina

Sobre o que esperar de produtos e inova-

desempenha papel importante na metabolização

ções da Technofeed para um futuro, a zootecnista

da gordura. “Como a Biocholine Powder é a for-

reforça que a Technofeed é uma empresa tecno-

ma bioativa da colina, ela é absorvida rapidamente

lógica e de inovações, sempre evoluindo e acom-

pela mucosa intestinal, não sendo sujeita ao meta-

panhando as exigências de mercado. “Nossa área

bolismo microbiano do intestino. Já para a fábrica

de P&D na Suíça é formada por especialistas bio-

de ração, exclui-se problemas de higroscopicidade,

químicos e farmacêuticos com anos de experiência

entupimento de bicos e erros de dosagens/esto-

em nutrição vitamínica e funcional. Eles possuem

que. Como benefício ao nosso produto, ressalto o

vasto conhecimento sobre os produtos validados

menor espaço de estocagem e não agressiva para

nas universidades brasileiras, levando inovações

o manipulador da fábrica de rações, além de ter

aos especialistas de nutrição no Brasil. No meu

aspecto vegetal e ser ambientalmente correta, Eco

ponto de vista, os resultados são sempre voltados

Friendly”, explica Erica.

para o incremento da produtividade e o bem-estar

De acordo com ela, não há nenhuma restri-

dos animais, com menor impacto do meio ambien-

ção de uso, pois a Biocholine Powder está na forma

te. Também buscamos sempre a parceria com os

esterificada (protegida). “Nossas pesquisas zootéc-

produtores, que constantemente procuram nossos

nicas demonstram resultados satisfatórios com o

serviços e apoio. É isso o que a Technofeed ofere-

uso. Conduzimos uma pesquisa com leitões, na

ce, o retorno ao produtor”.

51

nº 57/2016 | Suínos&Cia


Informe Publicitário

Inovação tecnológica em vacinas para a suinocultura

A

MSD é uma das empresas do mercado de vacinas que mais dedicam parte de seu faturamento para investimentos em pesquisas em saúde animal, razão pela qual sempre inova, com produtos diferenciados que agregam valor na preservação e manutenção da saúde de indivíduos e populações. Nesta entrevista, o médico-veterinário Robson Gomes, gerente de produtos da Unidade de Suinocultura da MSD, explica a inovação do sistema IDAL.

O que é o sistema IDAL®? O IDAL® é um moderno sistema para vacinação de suínos, que permite a aplicação de vacinas pela via intradérmica sem usar agulhas. O dispositivo IDAL® é um aplicador eletrônico e totalmente portátil, capaz de depositar, de ma-

52

Robson Gomes Gerente de produtos – Suinocultura - MSD Saúde Animal robson.gomes@merck.com

neira adequada, o antígeno vacinal dentro da pele do suíno. O antígeno depositado na pele encontra células de defesa, como as dendríticas (DC) ali localizadas, que vão desencadear a resposta imune de forma rápida e eficaz.

Quais vacinas estão disponíveis no mercado e são aplicadas por via intradérmica, sem o uso de agulhas? Duas vacinas especialmente desenvolvidas pela MSD Saúde Animal para aplicação com o Sistema IDAL® estão disponíveis no mercado brasileiro. A Porcilis® PCV ID é uma vacina de subunidade inativada contendo a proteína ORF2 de circovírus suíno tipo 2. O produto é indicado para imunização ativa de suínos para reduzir a viremia, a carga viral em órgãos e tecidos linfoides e a excreção do circovírus suíno tipo 2. Já a Porcilis® M1 ID é uma vacina inativa indicada para imunização de suínos, promovendo redução de lesões pulmonares devido à infecção causada pelo Mycoplasma hyopneumoniae. Ambas possuem características especiais para aplicação por via intradérmica e são administradas em baixas dosagens, dose única de apenas 0,2 ml.

O que o sistema IDAL® proporciona de melhorias no manejo? O dispositivo IDAL traz diversos benefícios para os animais e os operadores. O aplicador é eletrônico, portátil e permite a aplicação em diversos pontos do animal, tornando o processo prático e fácil para o operador, sem a necessidade do uso de agulhas, diminuindo o risco de aplicação acidental e quebra de agulhas no animal. A dose é carregada automaticamen-

Suínos&Cia | nº 57/2016


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te, evitando erros de dosificação, e o sistema eletrônico registra o número de doses aplicadas, o que colabora para a gestão do processo de vacinação. A resposta imune é rápida e eficaz, e os primeiros anticorpos vacinais são identificados apenas 5 dias após a aplicação. O mesmo programa de vacina pode ser aplicado tanto em situação de controle quanto de desafio? A vacinação intradérmica é um avanço nos processos de imunização de animais. O IDAL® é o mais moderno e inovador sistema de vacinação do mercado brasileiro. Pesquisas apontam que os resultados são iguais ou superiores ao sistema convencional (IM). Com o sistema IDAL® é mais fácil aplicar o melhor protocolo, seja qual for a idade que a vacina deva ser administrada, de acordo com a necessidade identificada na granja ou sistema de produção.A vacinação intradérmica é uma alternativa para as vacinas aplicadas pela via intramuscular. A MSD possui um portfólio completo de soluções para se adequar às necessidades dos produtores. Quando ocorreu o lançamento do sistema de vacinação intradérmica? O sistema IDAL® e as vacinas Porcilis® PCV ID e Porcilis® M1 ID foram lançadas oficialmente em 26 de julho deste ano, em São Paulo. Qual a relação com o bem-estar animal? O sistema IDAL® é livre de agulhas, o que reduz o nível de dor e estresse que a vacinação pode provocar nos animais.O IDAL é um avanço em termos de bem-estar animal quando comparado ao método convencional (IM).

Poderia deixar uma dica sobre o que podemos esperar de produtos e inovações da MSD em um futuro próximo? A MSD Saúde Animal investe em soluções viáveis para os desafios de hoje e do futuro. A empresa possui uma estrutura global especializada e mantém altos níveis de investimento em pesquisa e desenvolvimento de novas soluções.Só em 2016 tivemos lançamento de três produtos.Novas tecnologias surgem por meio da inovação da MSD Saúde Animal para ajudar o setor a superar os desafios, como restrição do uso de antibióticos, melhoria para o bem-estar dos animais e melhoria na produtividade e sanidade. Cada vez mais o produtor tem buscado parcerias consistentes que levam inovações em termos de serviço, apoio e também produtos, e é isso que buscamos em nossos relacionamentos comerciais. Sobre a MSD Saúde Animal A MSD é a líder mundial em assistência à saúde, trabalhando para ajudar o mundo a viver bem.  A MSD Animal Health, conhecida como Merck Animal Health nos Estados Unidos e Canadá, e como MSD Saúde Animal no Brasil, é a unidade de negócios global de saúde animal da MSD. Por meio do seu compromisso com a Ciência para Animais mais Saudáveis™, a MSD Saúde Animal oferece aos veterinários, fazendeiros, proprietários de animais de estimação e governos a mais ampla variedade de produtos farmacêuticos veterinários, vacinas e soluções e serviços de gerenciamento de saúde. A MSD Saúde Animal se dedica a preservar e melhorar a saúde, o bem-estar e o desempenho dos animais, investindo extensivamente em recursos de pesquisa e desenvolvimento amplos e dinâmicos e em uma rede de suprimentos global e moderna. A MSD Saúde Animal está presente em mais de 50 países, enquanto seus produtos estão disponíveis em 150 mercados.

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nº 57/2016 | Suínos&Cia


Dicas de Manejo

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Manejo de Vacinação

a produção de suínos, um adequado protocolo de vacinação tem os objetivos de prevenir e controlar doenças, promover a saúde, proporcionar o bem-estar animal e, consequentemente, evitar o risco do impacto econômico causado pela presença de doenças quando estabelecidas em um rebanho. Porém, além de praticar um adequado protocolo do uso de vacinas, alguns manejos básicos devem ser adotados. Infelizmente, quando ocorrem falhas no manejo, compromete-se todo o programa de imunização, colocando em risco a preservação e a saúde dos animais. Confira, abaixo, a dica de manejo com um conjunto de práticas e medidas que, quando adotadas na rotina da granja, certamente proporcionarão êxito no programa de vacinação.

Vacinação Para obter êxito no programa de vacinação faz-se necessário conhecer as vacinas, programa, dose, via de aplicação e fase de vida dos animais que a receberão, além de efetuar o manejo adequadamente.

O que é vacinação? • Processo pelo qual são utilizadas vacinas, que são fundamentais para proteger um organismo e populações contra agentes causadores de doenças.

O que é uma vacina? • Substância composta por vírus ou bactérias, ou parte deles, mortos ou enfraquecidos, conhecidos como antígenos.

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• Ao ser introduzida no organismo, a vacina provoca uma reação do sistema imunológico, promovendo a produção de anticorpos (leucócitos) frente a esses microrganismos. Dessa forma, a vacina prepara o organismo para que, em caso de infecção por um determinado agente patogênico, o sistema de defesa possa agir com força e imediatamente, impedindo que a doença se instale ou apareça de forma branda, sem muita agressividade.

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Por que aplicar uma vacina?

O que faz a vacina?

• Para que o organismo possa criar imunidade por meio da produção de anticorpos contra agentes que causam doenças.

• Estimula o sistema imune a preparar as defesas humoral (anticorpos) ou celular (células). Humoral – anticorpos

Celular – células


Dicas de Manejo

O que é imunidade? • Resistência (proteção) natural ou adquirida de um ser vivo contra um agente infeccioso ou tóxico. • Imunidade Natural: pele, lágrima e secreções do estomago. • Imunidade Adquirida: colostro / vacina.

A base de uma boa vacinação

• Para a obtenção de uma excelente resposta vacinal, além da utilização de produtos de qualidade, é fundamental preocupar-se com os padrões empregados antes e durante os processos de vacinação. • É o exército do bem, tem que ser preparado antes, treinado, capacitado. • Manejos, administração e planejamento ajudam a garantir uma vacinação segura e eficaz.

O que se esperar de uma boa vacinação?

• Que sejam potentes para desenvolver imunidade e garantir resistência do animal frente à doença. • Suficientemente fracas para não infectarem o organismo nem causarem doença grave ou efeitos colaterais.

Cuidados essenciais para uma boa vacinação Conservação da vacina

• As vacinas devem ser conservadas em conservadoras ou geladeira própria, a temperatura de 2°C a 8°C. • Monitorar a temperatura interna da geladeira de vacina duas vezes ao dia e notificar em uma ficha ou agenda. • Sempre verificar e notificar, em ficha de controle, o número da partida, lote e validade.

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• A geladeira de vacina deve ser utilizada apenas para conservá-las. Jamais colocar nela qualquer tipo de alimentos ou objetos. Dessa forma, evitará ser aberta e fechada desnecessariamente, o que pode ocasionar oscilação de temperatura. • É necessária a limpeza interna da conservadora de vacinas a cada duas semanas, com manutenção periódica de controle de qualidade.

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Cuidados pré-vacinação • Calcular previamente o número de animais e também o de doses que serão necessárias antes de retirá-las da geladeira de conservação para efetuar o programa de vacinação. • Preparar todo o material a ser usado no procedimento: (caixa, gelo, agulhas, seringas, pistolas, luvas, protetores - Equipamento de Proteção Individual - e material de contenção, para realização do processo. • Aferir a pistola com o volume a ser injetado por animal, respeitando a dose orientada pelo fornecedor ou médico-veterinário responsável. • Conferir a dose por ml, por animal, e o número de animais que serão vacinados para retirar somente os frascos a serem utilizados. • Jamais voltar as vacinas ou sobras para a geladeira. • Calcular o número e o tamanho de agulhas que serão necessárias.

Materiais para uso no manejo de vacinação

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Uso de equipamentos de segurança • Para garantir proteção e segurança aos vacinadores durante o manejo, alguns EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) são necessários para realizar a imunização, como avental, luvas, óculos e protetor auricular. Estes devem estar sempre em bom estado de conservação para desempenho da sua real função.

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Dicas de Manejo

Transporte da vacina • As vacinas devem ser transportadas em caixas isotérmicas protegidas de luz solar e devidamente organizadas.

Como proceder a aplicação da vacina? • Antes de utilizar seringas e aplicadores como pistolas, deve-se revisar o controle de qualidade. • Sempre utilizar uma agulha para retirar o produto e outra para aplicar. • Verificar se existe recomendação do fornecedor da vacina e se é necessário agitar o produto antes de usar. Se assim for, respeitar a indicação. • Estabelecer como será feita a contenção dos animais: lacinho para animais adultos ou marrãs e, no caso de leitões, sempre pegar e segurá-los pelo dorso (jamais deve segurá-los pelas patinhas e/ou orelhas). Pode ocasionar traumatismos e ter consequências desastrosas que podem comprometer a saúde dos animais, como fraturas nas articulações, luxação e otohematoma (orelha concha - cheia de sangue). • Sempre segurar o animal com apoio da cabeça para evitar movimentos bruscos, com consequentes acidentes.

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• Quando em baias grandes de creches, os animais devem ser separados (tábua de manejo) para a realização da vacinação. Evitar o amontoamento deles. • Durante a vacinação, os animais devem sofrer o mínimo de estresse. A contenção e o manejo devem ser cuidadosas. • Observar a orientação da bula com relação à via e ao local de aplicação. • Utilizar agulhas descartáveis conforme o tamanho do animal. Agulhas inadequadas podem ocasionar sangramentos e/ou refluxos.

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Dicas de Manejo

Tamanho de agulhas

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• Via de aplicação: Intramuscular (pescoço, superior da coxa). Subcutânea (flanco ou pele atrás da orelha). Intradérmica (pescoço, superfície interna da coxa, lateral da vulva).

IM: Intramuscular; SC: Subcutânea; ID: intradérmica.

Leitão: Aplicação Intramuscular no pescoço

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Matriz: aplicação intramuscular no pescoço

Matriz: aplicação intramuscular no posterior


Dicas de Manejo

Leitão: aplicação intradérmica no pescoço

Matriz: aplicação intradérmica ao lado da vulva

Cuidados pós-vacinação • Não agitar os animais. • Evitar transferências de instalação. • Manter água e ração disponíveis. • Realizar a higienização dos aplicadores e descarte de agulhas/seringas utilizadas.

Qual o destino do material depois de usado? • Lixo adequado e direcionado. 59

De que depende o controle sanitário de uma população suína? • Controlar fatores de risco. • Praticar em toda sua essência medidas de biosseguridade. • Controlar procedimentos operacionais. • Mensurar e analisar resultados. • Importância de se fazer a vacina para produzir imunidade. “Compreender que realmente a vacina não é apenas uma injeção” “Vacinar o organismo adequadamente é promover a saúde de indivíduos e rebanhos”

Brenda Marques e Maria Nazaré T. S. Lisboa

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Divirta-se

Encontre as palavras O custo com alimentação na produção suína representa de 70% a 75%. À medida que os custos com matériasprimas aumentam, é maior o desafio para a sobrevivência financeira no sistema de produção suína, havendo necessidade do máximo de eficiência no índice de conversão alimentar. No diagrama abaixo, vamos encontrar as principais matérias-primas que compõem a ração de suínos na fase de crescimento.

Milho moído Sorgo Farelo de Soja Farelo de Trigo Sal Aminoácidos Vitaminas Minerais Farinha de carne 60

Fosfato bicálcico

Jogo dos 7 erros

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Divirta-se

Teste seus conhecimentos Em relação à micotoxicose em suínos, assinalar as alternativas com verdadeiro (V) ou falso (F): (

) Frequentemente, as micotoxicoses manifestam-se como doença aguda, culminando com a morte dos animais.

(

) Métodos terapêuticos apresentam alta eficiência no sentido de diminuir o impacto das intoxicações.

(

) Medidas preventivas, amplamente empregadas, apresentam boa eficácia e bom custo-benefício, sendo extremamente favorável.

(

) As principais micotoxinas que afetam os suínos são alatoxinas, zealenona, ocratoxina, fumonisinas e tricotecenos.

(

) Aproximadamente 90% das intoxicações são crônicas e não apresentam sinais clínicos específicos, podendo ser facilmente confundidas com desnutrição, deficiência de manejo ou outras doenças crônicas que implicam na diminuição da produtividade dos animais.

(

) Com frequência, as micotoxicoses manifestam-se como doença aguda, causando a morte dos animais.

(

) Métodos terapêuticos apresentam baixa eficiência no sentido de diminuir o impacto das intoxicações.

(

) Medidas preventivas, amplamente empregadas, apresentam boa eficácia e custo-benefício extremamente favorável.

Ligue as colunas

Liga-ponto

As micotoxinas são metabólitos secundários

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produzidos por diversos fungos filamentosos presentes na natureza e encontrados nos substratos alimentares que compõem o alimento dos suínos. O aparecimento de sinais de intoxicação está intimamente relacionado à dose e ao tempo de consumo de cada toxina. Aproximadamente 90% das intoxicações são crônicas e não apresentam sinais clínicos específicos, podendo ser facilmente confundidos com desnutrição, deficiência de manejo ou outras doenças crônicas que implicam na diminuição da produtividade. Vamos enumerar a primeira coluna de acordo com a segunda, relacionando a micotoxina e o órgão de eleição na espécie suína. 1. Rins

(

) Aflatoxinas

2. Pulmão

(

) Zearalenona

3. Sistema Digestivo

(

) Ocratoxina A

4. Sistema Respiratório

(

) Fumonisina

5. Fígado

(

) Tricotecenos

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Divirta-se

Encontre as palavras

Teste seus conhecimentos ( F ) Frequentemente, as micotoxicoses manifestam-se como doença aguda, ... ( F ) Métodos terapêuticos apresentam alta eficiência no sentido de diminuir o impacto das ... ( V ) Medidas preventivas, amplamente empregadas, apresentam boa eficácia e bom custo-benefício, ... ( V ) As principais micotoxinas que afetam os suínos são alatoxinas, zealenona, ocratoxina, ... ( V ) Aproximadamente 90% das intoxicações são crônicas e não apresentam sinais clínicos ... ( F ) Com frequência, as micotoxicoses manifestam-se como doença aguda, ... ( V ) Métodos terapêuticos apresentam baixa eficiência no sentido de diminuir o impacto ... ( V ) Medidas preventivas, amplamente empregadas, apresentam boa eficácia e custo-benefício ...

Ligue as colunas 62

Jogo dos 7 erros

1. Rins

( 5 ) Aflatoxinas

2. Pulmão

( 4 ) Zearalenona

3. Sistema Digestivo

( 1 ) Ocratoxina A

4. Sistema Respiratório

( 4 ) Fumonisina

5. Fígado

( 3 ) Tricotecenos

Liga-ponto

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Revista Suínos & Cia Edição 57  

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