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Editorial

Super Porca: Presente realidade na suinocultura

N

a maioria das granjas, historicamente, a suinocultura convive com a realidade de obter em seus rebanhos fêmeas de alta produtividade, cujo objetivo é produzir o máximo de leitões por porca/ ano. As empresas de genéticas fornecem, por meio de seus manuais e procedimentos, as principais informações de como identificar, manejar, alimentar e preservar seus animais para maximizar o potencial genético desses nobres animais de reposição. Nesta edição, a Suínos & Cia traz aos seus leitores na seção de Reprodução, preciosas informações de dados consistentes de como localizar e potencializar o valor das fêmeas de alta performance, as quais se denominam Superporcas®, que são aquelas capazes de produzir 15 ou mais leitões nascidos vivos desde o primeiro parto.

Vamos conhecer um pouco mais sobre essa história: Em 2012 a equipe Pigchamp Pro Europa e o professor Yuzo Koketsu, da Universidade de Meiji (Japão), iniciaram um trabalho cujo objetivo foi identificar as Superporcas® nos planteis das granjas e como multiplicar essa categoria de fêmeas nos rebanhos. Em 2015 conclui-se o estudo com uma prestigiosa publicação na revista Journal of Animal Science. Os resultados do estudo confirmaram que as Superporcas® estão presentes em todas as granjas, seja em maiores ou menores números em determinada população. Porém, quando as encontramos, devese imediatamente identificá-las e mimá-las de forma muito especial. Da mesma forma, recomenda-se oferecer ferramentas e condições para que se possa multiplica-las e preservá-las cada vez mais na população. Por meio da análise de dados obtidos nos relatórios de desempenho reprodutivo, pode-se identificar a existência de fêmeas que apresentam maior capacidade produtiva quando comparadas a outras do próprio plantel ou mesmo de outros rebanhos. Porém, por várias razões, alguns plantéis possuem mais Superporcas® do que outros. Afinal, quais são essas razões? Nas próximas páginas dessa edição pode-se contemplar uma completa publicação com todas essas respostas, as quais facilmente serão aplicadas no dia a dia de sua granja. Confira e boa leitura! As editoras


Índice

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Sanidade

PRRS, PED, PCV2 e SIV: como podemos melhorar o nosso apoio técnico à suinocultura?

12 Maternidade

Como otimizar a produção de colostro e leite de reprodutoras suínas

18 Sanidade

Suporte laboratorial ao diagnóstico e ao monitoramento sanitário em suinocultura – Parte I

28 Reprodução

Super Porcas: uma subpopulação de elite nos planteis de reprodutoras

28

Capa

Reprodução

Super Porcas: uma subpopulação de elite nos planteis de reprodutoras

Revista Técnica da Suinocultura

&cia

SUÍNOS

A Revista Suínos&Cia é destinada a médicos-veterinários, zootecnistas, produtores e demais profissionais que atuam na área de suinocultura. Contém artigos técnicocientíficos e editorias instrutivas, apresentados por especialistas do Brasil e do mundo.


40 Revisão Técnica

7º Simpósio Internacional de Doenças Emergentes e Reemergentes dos Suínos

58 Sumários de Pesquisa 62 Recursos Humanos

O trem da vida: que bonita reflexão!

64 Informe Publicitário

Uma única inseminação durante o estro em fêmeas suínas: possibilidade ou realidade?

66 Divirta-se

Encontre as palavras Jogo dos 7 erros Teste seus conhecimentos

68 Caso Clínico

Avaliação do Inativador de Micotoxinas DETOXA PLUS® em suínos nas fases reprodutiva e de crescimento/terminação

Editora Técnica Maria Nazaré Lisboa CRMV-SP 03906 Consultoria Técnica Adriana Cássia Pereira CRMV - SP 18.577 Edison de Almeida CRMV - SP 3045 Mirela Caroline Zadra CRMV - SP 29.539

Ilustrações Roque de Ávila Júnior Departamento Comercial Mirela Caroline Zadra dtecnico@consuitec.com.br Jornalista Responsável Paulo Viarti MTB.: 26.493

Projeto Gráfico e Editoração Dsigns Comunicação dsigns@uol.com.br

Atendimento ao Cliente Mirela Caroline Zadra dtecnico@consuitec.com.br

Impressão Gráfica Silva Marts

Assinaturas Anuais Brasil: R$ 160,00 Exterior: R$ 180,00 Mirela Caroline Zadra dtecnico@consuitec.com.br

Administração, Redação e Publicação Av. Fausto Pietrobom, 760 - Jd. Planalto Paulínia - SP - CEP 13.145-189 Tel: (19) 3844-0443 / (19) 3844-0580

Foto da capa cedida por Carlos Piñeiro A reprodução parcial ou total de reportagens e artigos será permitida apenas com a autorização por escrito dos editores.


Sanidade

PRRS, PED, PCV2 e SIV: como podemos melhorar o nosso apoio técnico à suinocultura? Laura Batista, MV, PhD Diretora da Batista & Associados laurabatistagarcia@gmail.com

Introdução

“I

nsanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. Albert Einstein

Globalização, o aumento da circulação de pessoas, suínos, suprimentos e alimentos representam riscos crescentes para a suinocultura. Exemplos dessa afirmação são as perdas econômicas e o impacto social provocados pela propagação da diarreia epidêmica suína (PED), da síndrome respiratória e reprodutiva dos suínos (PRRS), da gripe suína (SIV) e do circovírus suíno (PCV2). Estas perdas incluem, entre outros, o impacto financeiro causado pelo aumento da mortalidade, a diminuição dos desempenhos reprodutivo e produtivo, o aumento significativo de doenças secundárias e o uso de drogas e vacinas, assim como o custo adicional com diagnósticos e as mudanças e/ ou melhorias na biosseguridade. Lidar com estas situações tem sido um desafio na nossa profissão e nos faz refletir sobre como poderemos melhorar nosso apoio técnico aos suinocultores e, no geral, à suinocultura. É imperativo que asseguremos a todos os envolvidos nesta indústria que entendam como:

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• Uma doença entra na granja; • Uma granja desenvolve um plano/ferramentas para reduzir o risco de contaminação por doenças; • Proprietários e veterinários podem responder rapidamente a um desafio sanitário importante; • Fazer para diagnosticar prontamente uma nova doença; • Comunicar a sua presença a vizinhos, veterinários e autoridades; • Desenvolver ferramentas/planos para conter a disseminação da doença na vizinhança/região e no país; • O que é uma doença emergente? • O que é segurança alimentar? Suínos&Cia | nº 56/2016

Viajar ao redor do mundo e prestar consultoria em diferentes países que antes de 2013 eram, e alguns ainda permanecem, livres de algumas das doenças acima mencionadas fez-me refletir sobre quais seriam meus procedimentos “não-negociáveis” para evitar o caos contínuo em nossa indústria. Para minha surpresa e informação, hoje não há muito mais o que inventar. Acredito que nós, como empresa, tenhamos falhado na aplicação das ferramentas que nos foram fornecidas para garantir uma suinocultura saudável e mais produtiva. Então, onde temos falhado como profissionais, na aplicação da pesquisa e da tecnologia disponíveis, a fim de apoiar tecnicamente nossos produtores? I. Biosseguridade A prevenção da propagação de doenças entre e dentro de populações de suínos é um componente crítico do programa de controle sanitário de uma granja. A biosseguridade pode ser definida como “o conjunto de medidas tomadas para proteger os rebanhos da introdução de qualquer novo patógeno infeccioso”. Mesmo sem a eliminação total dos riscos, um bom programa de biosseguridade e manejo pode ajudar imensamente o plantel a proteger o seu estado de saúde. Isto, naturalmente, inclui o controle


Sanidade

das rotas externas e internas de transmissão de patógenos, bem como algumas medidas de biosseguridade e manejo, para impedi-las. Manter as viroses fora da granja representa uma tarefa desafiadora para a suinocultura moderna. Assim sendo, é importante a adoção de um aplicativo padrão de protocolos de biosseguridade fortes o suficiente para limitar as transferências de patógenos pelas vias vertical, horizontal, mecânica e por aerossol. As etapas envolvidas compreendem a criação de “check-lists” de biosseguridade para as granjas, incluindo, entre outras medidas:

• Uso de equipamentos e ferramentas específicos da área;

• A identificação dos riscos;

• Treinamento contínuo da mão de obra;

• A aplicação de protocolos/planos;

• Auditorias de biosseguridade.

• Fluxo unidirecional em toda a granja; • “All in/all out” (tudo dentro/tudo fora) rigoroso em todos os setores da granja; • Monitoria da estabilidade da granja, quando puder utilizar um teste específico e eficaz; • Criação e uma sólida imunidade populacional, quando puder utilizar uma vacina eficaz; • Análise de risco constante para identificar áreas de oportunidade;

• O treinamento e a educação contínua; • Além das auditorias e testes junto à mão de obra da granja. Isso é fácil de dizer, mas difícil de respeitar e manter constantemente; especialmente em certos sistemas de produção e abordagens culturais específicas. Pessoas e objetos inanimados Para evitar a transmissão mecânica, a prevenção da doença deve ser focada nas pessoas e no material que entra na granja (fômites). Pessoas e objetos inamimados, como: sapatos, roupas, materiais e equipamentos, podem atuar como vetores mecânicos e carrear e/ou transmitir vírus. Essa consideração é vital para a implementação de um protocolo de biosseguridade relativo à entrada de pessoas na granja. Cada vez mais, instalações novas e adaptadas para suínos incluem uma sala de desinfecção, a qual permite a fumigação dos materiais recebidos. O uso de macacões descartáveis e botas de borracha e a aplicação do método de remessa “bag-in-a-box” impedem, de modo eficiente, a transmissão de patógenos.

Da mesma forma, em instalações em que falta biosseguridade em determinados grupos, os suínos mais velhos e suas secreções podem ser uma fonte de infecção para os suínos jovens. Portanto, subpopulações de suínos infectadas e não infectadas desempenham um papel muito importante na persistência da infecção, em granjas e na região. Meios de transporte

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Veículos também podem carrear muitos patógenos. A maioria dos vírus é apenas moderadamente resistente à degradação ambiental. Pesquisadores demonstraram que certos veículos de transporte, contaminados com determinados vírus, podem transmitir a infecção para suínos-sentinela.

Movimentação dos suínos Estratégias para reduzir a circulação viral: • Aclimatação adequada das marrãs; • Boa imunidade colostral; • Uso da técnica Mc Rebel™ (metodologia para redução da propagação do vírus da PRRS) na maternidade; • Desmamar leitões negativos; • Redução/eliminação do desafio viral para leitões e animais em fase de creche;

Figura 1. Exemplo de movimentação de suínos em uma área de produção Mondaca E. et al., 2010 nº 56/2016 | Suínos&Cia


Sanidade

Um tratamento eficaz para eliminar vírus de um veículo consiste em uma combinação da remoção do resíduo mais grosso, lavagem, desinfecção e secagem; então, por que não implementar esta técnica em todas as granjas e abatedouros? Além disso, deve-se providenciar um local a uma boa distância da granja, para colocar suínos mortos, a fim de evitar que os caminhões que venham coletar essas carcaças tenham aproximações da granja. Por essa mesma razão, veículos que tenham seus destinos à granja para retirar animais vivos deverão ser esvaziados, limpos e desinfetados. Compreendendo a importância do isolamento do local e da transmissão por aerossóis A possibilidade da transmissão de vários desses vírus por meio de aerossóis tem aumentado também a controvérsia sobre esse tipo de contágio durante esses últimos anos. No entanto, muitos deles são agora reconhecidos como sendo transmitidos por meio dessa via. Vários sistemas de filtragem foram desenvolvidos para proteger granjas de suínos contra este modo de transmissão, e nós devemos considerá-los mais a sério, como uma opção para proteger nossos animais. II. Estudos, práticas epidemiológicas e adoção de programas regionais para controle da biosseguridade

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Enquanto os veterinários têm desenvolvido uma variedade de estratégias para controlar e eliminar doenças de rebanhos suínos, o risco de reinfecção continua alto, mesmo com as melhores práticas atuais de manejo e biosseguridade. Tem sido demonstrado repetidas vezes que as falhas

recorrentes nos procedimentos de controle e eliminação e a facilidade com que as doenças são transmitidas de um rebanho para outro sugerem a necessidade de uma abordagem regional sobre o assunto. A compreensão dos padrões, causas e efeitos dessas doenças certamente reduzirá o seu impacto. Um requisito básico para entender as mudanças na distribuição local, regional ou global de uma doença e/ou os riscos envolvidos é o acesso em tempo real a informações atualizadas, o que proporcionará um alerta sobre os fatores potencialmente associados a ela. Desenvolver e/ ou utilizar mais sistemas de vigilância para controlar uma doença em nível regional é fundamental para a suinocultura. Esta informação permitiria um controle em áreas de alta prevalência e de elevada densidade de suínos, enquanto a eliminação seria viável em áreas de baixa prevalência e de baixa densidade de suínos. Para que esta abordagem seja bem-sucedida, precisamos mudar vários paradigmas. Em primeiro lugar, aprender a trabalhar juntos, como uma equipe, a fim de alcançar um objetivo comum: • Identificar todas as instalações de suínos da área; • Identificar atividades relacionadas à suinocultura na área; • Classificar os locais de criação de suínos de acordo com os seus status sanitários; • Projetar planos de controle/estratégias; • Concentrar-se em projetos individuais para combinar com os regionais já existentes. III. Programas contínuos de monitoria e diagnóstico Monitoria contínua de doenças, diagnóstico e vigilância são necessários para alcançar: • Detecção precoce de surtos da doença; • Confirmação da presença ou da ausência de uma doença específica na propriedade/região; • Definição de subpopulações; • Definição de fatores de risco associados à propagação da doença; • Planejamento e definição de prioridades; • Avaliação de intervenções;

Figura 2. Exemplo de identificação de áreas de criação de suínos em um programa de vigilância sanitária Mondaca E. et al., 2010 Suínos&Cia | nº 56/2016

• Alocação de recursos. A vigilância ativa tem sido amplamente criticada por sua intensidade de custos e de trabalho.


Sanidade

No entanto, deve-se ressaltar que ela permite a detecção precoce de surtos, o que facilita a estimativa de propagação da doença na granja/região, permitindo o estabelecimento de estratégias de controle precoces e eficazes. A vigilância pode ajudar, ainda, fornecendo informações para uma tomada de decisões inteligentes e mais econômicas, antes que a doença se espalhe pela região/Estado/ país. Os componentes essenciais para um programa de monitoria são: • O tamanho da amostra, sempre dependente da prevalência, do intervalo de confiança e da margem de erro; • O tipo de amostras a serem coletadas (ex.: soro sanguíneo, fluidos orais, coletas ambientais, aerossóis, etc.); • A análise de todos os dados coletados para obter informação da área sob controle; • O estabelecimento de mecanismos para relatar os resultados a todos os participantes do grupo; • Planos de ação para melhorar o trabalho estabelecido e, portanto, o controle da doença-alvo. No entanto, o avanço desses programas não será bem-sucedido se o esclarecimento do(s) motivo(s) para a coleta de informação/diferentes tipos de amostras, a utilização, a gestão e a análise dos dados (contínua e confidencial) não forem mantidos. Finalmente, espera-se a ocorrência de benefícios diretos, como a melhora da saúde/produção e do retorno sobre o investimento, e indiretos, tais quais a redução de infecções colaterais; um melhor conhecimento da área e a redução dos riscos de infecção; o desenvolvimento dos funcionários; a percepção por parte da indústria e o reforço da comunicação entre o grupo de trabalho.

genoma do vírus da PRRS (PRRSv). Em consequência disso, o aparecimento de variantes do PRRSv com novas composições genéticas aumenta a probabilidade de variação, tanto viral quanto das doenças provocadas por eles (características, meios e facilidade de transmissão, mudanças na permissividade celular, especificidade, capacidade de persistência e de escapar de imunidade vacinal)”11. Assim sendo, analisemos então o dendrograma (figura 3). V. Comunicação e trabalho em rede Redes (networks) entre a comunidade veterinária suína deveriam ser tão comuns como o Facebook, o Twitter ou o LinkedIn; porém, não são. Estas redes deveriam combinar dados de campo com comunicações, oriundas dos veterinários especialistas em suínos, o que ajudaria a lidar com as questões de sanidade da espécie ao redor do mundo. Algumas dessas redes já existem (entre elas, http://www.swinehealth.ca/CSHIN.php e http: // bioportal. ucdavis.edu/). Mas como elas funcionam? • Elas coletam dados sobre sanidade suína;

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• Os dados são coletados e analisados diariamente; • A informação é adicionada por veterinários e especialistas em suínos;

Duas considerações finais: um bom laboratório de diagnóstico e um excelente profissional para interpretar os resultados (com excepcional habilidade de comunicação) são essenciais para o sucesso de um programa de monitoria. IV. Estudo e entendimento de biologia molecular e, o mais importante, sua aplicação em nossa rotina diária Vamos ler a afirmação seguinte: “Hoje, a variação nos sinais clínicos e a aparição emergente de novas síndromes, entre as doenças virais, são devidas, em parte, a mudanças no

Figura 3. Dendrograma referência Murtaugh, M., 2010 nº 56/2016 | Suínos&Cia


Sanidade

• São informações sobre doenças e como controlá-las; • As informações são compartilhadas entre veterinários; • Os veterinários e as associações das indústrias usam as informações para ajudar os produtores a lidar com as doenças; • Veterinários especialistas em suínos realizam encontros regulares, via internet, para rever e identificar novos desafios sanitários;

1. BOUTIN, R. Saint Hyaci. p 57-81. 2001

• Os relatórios gerados nesses encontros são enviados a todos os veterinários especialistas em suínos, mantendo-os informados a respeito de mudanças no status sanitário e como lidar com elas.

3. DEE, S. A. et al. Vet Res. v 40. n 4. p 39. 2009

• São produzidos mapas de vigilância sanitária em tempo real; • Os alertas também podem ser enviados em tempo real; • Toda informação é mantida sob sigilo. No meu ponto de vista, a PED nos mostrou que, se não quebrarmos o status atual e os paradigmas existentes, será quase impossível proteger os plantéis de suínos das doenças emergentes, ajudar os veterinários a resolver problemas relativos a elas e ajudar a indústria da carne suína a manter os mercados atuais e acessar novos mercados. Acho que defendi com muita clareza meu ponto de vista. Conclusões Não existe apenas uma estratégia que seja bem-sucedida no controle de todas essas doenças virais e emergentes. Entretanto, temos muitas respostas e opções que, por algum motivo, optamos por não usar. Recentemente, a experiência provou que os programas regionais de controle de área são a resposta para o controle futuro e a possível eliminação de doenças. As estratégias para conSuínos&Cia | nº 56/2016

Referências

• Os veterinários participantes preenchem um formulário, descrevendo os problemas encontrados recentemente;

• A rede também é uma forma de se comunicar rapidamente, sempre que algo incomum e importante é observado por um veterinário ou laboratório; 10

trole viral e as situações específicas por granjas e regiões são muito variáveis, o que torna imperativo que profissionais, mesmo os experientes, produtores, técnicos em diagnóstico e pesquisadores continuem a expandir seus conhecimentos objetivamente, se comunicar e trocar informações entre si para melhorar o controle e, eventualmente, eliminar estas doenças de alto impacto econômico e financeiro.

2. CORZO, C. et al. Vir Res. v 154. p 185192. 2010

4. DEE, S. A. et al. Can Jour Vet Res. v 68. n 1 p 19-26. 2004 5. DEE, S. A. et al. Can Jour Vet Res. v 70. n 3. p 168-175. 2006 6. DEE, S. A. et al. Can Jour Vet Res. v 70. n 1. p 28-33. 2006 7. DEE, S. A. et al. Can Jour Vet Res. v 68. n 3. p 208-214. 2004 8. DEE, S. A. et al. Can Jour Vet Res. v 68. n 2. p 128-133. 2004 9. HOLTKAMP, D. J. et al. Jour Swin Healt Prod. v 21. n 2. p 72-84. 2013 10. MONDACA, E. et al. Jour Swin Healt Prod. v 22. n 2. p 84-87. 2014 11. MURTAUGH, M. et al. Jour Swin Healt Prod. v 10. n 1. p 15-21. 2001 12. OTAKE, S. et al. Jour Swin Healt Prod. v 10. n 2. p 59-65. 2002 13. PITKIN, A. et al. SDEC - Univ of Minn. 2009 14. PITKIN, A. et al. Vet Micro. v 136. p 1-7. 2009 15. PEREZ, A. ISVEE. v 421. 2012 16. POHL, S. In: A D Leman Swine Conf. Proceedings ... p 86-88. 2007 17. VINCENT A. Adv Virus Res. v 72. p 127154. 2008 18. YESKE, P. Intl Pig Vet Soc. Proceedings ... v 11. p 63-65. 2012 19. WOO, P. Jour Virol. p 3995-4008. 2012


Maternidade

Como otimizar a produção de colostro e leite de reprodutoras suínas Valentino Bontempo, Giovanni Savoini e Vittorio dell’Orto Departamento de Ciências Veterinárias para a Saúde, Produção Animal e Segurança Alimentar, Universidade de Milão

D

urante as últimas duas décadas, a seleção genética suína foi dirigida principalmente para o melhoramento da prolificidade das porcas e para um maior percentual de massa muscular em lugar de gordura. Como resultado, observa-se um aumento médio de 2 a 4 leitões por parto (14-16 leitões nascidos vivos) na maior parte dos principais dos países produtores de suínos. Todavia, houve consequências negativas como resultado da seleção de linhas com maior prolificidade e de linhas genéticas “magras”, como por exemplo o aumento da mortalidade em maternidade, com exceções na Dinamarca (tabela 1). O colostro e o leite são elementos fundamentais para a sobrevivência dos leitões após o nascimento e para o crescimento até o desmame. Por exemplo, a mortalidade neonatal é maior nos primeiros três dias de vida e é, como se sabe, relacionada a um menor consumo de colostro (o risco de “esmagados” é decisivamente mais elevado para os leitões mais fracos, que ingerem menos colostro nas primeiras horas (Le Dividich et al.2005; Edwards, 2002), do mesmo modo uma insuficiente absorção de leite reduz o peso dos leitões ao desmame, condicionando negativamente o crescimento sucessivo (Miller et al,2012; Cabrera et al.2010).

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Neste artigo analisaremos os fatores ambientais e nutricionais associados à matriz e seus leitões que podem influenciar na produção de colostro e leite.

Colostro, leite de transição e leite maduro Como bem sabido, o colostro e o leite são diferentes por duração da secreção e composição. A produção de colostro inicia-se já antes do parto e é caracterizada por um alto teor de imunoglobulinas, que se reduzem rapidamente nas horas seguintes ao parto (tabela 2). Além disso, diferentemente do leite, o colostro apresenta menor concentração de lactose e lipídeos (tabela 3). As secreções mamárias mudam gradualmente: o colostro é a secreção mamária ingerida pelo leitão até 24 horas depois do parto; o leite de transição é aquele produzido até quatro dias depois do parto; e o leite maduro, a partir de dez dias depois do parto. Papel do colostro Além de garantir a imunidade passiva, por meio da absorção de IgG (imunidade sistêmica) e de IgA (proteção da mucosa intestinal), nas primeiras 3 a 4 semanas, o colostro assume papel essencial no fornecimento de energia para a termorregulação. Diferentemente de outras espécies, o leitão, de fato, pode contar com pouquíssima reserva energética própria (glicogênio hepático e muscular e tecido adiposo marrom) que se estingue de 12 a 17 horas após o nascimento, na ausência de ingestão de colostro (Theil et al.2011). Além disso, o colostro, como o leite, também representa uma fonte de moléculas bioativas, com propriedades

Tabela 1. Índices zootécnicos da produção suinícola nos países da UE DK

NL

FR

DE

SP

GB

IT

Partos, porca/ano

2,32

2,36

2,34

2,34

2,35

2,26

2,25

N° de nascidos vivos/parto

15,60

13,80

13,20

13,30

11,96

11,54

11,67

Mortalidade em maternidade, %

11,8

13,0

13,9

14,6

11,9

12,6

11,1

N° de leitões desmamados/porca

31,94

28,33

26,72

26,58

24,77

22,80

23,35

Ganho de peso diário em gramas/d

967

795

789

780

689

822

640

ICA

2,70

2,60

2,81

2,85

2,61

2,72

3,68

Peso ao abate kg

107,2

116,4

116,6

120,9

108,0

102,7

165,5

(British Pig Executive, 2014) Suínos&Cia | nº 56/2016


Maternidade

imunológicas (peptídeos imunomodulantes), antiinfeccivas (lactoferrina, lactoperoxidase, lisozimas), e funções essenciais para o desenvolvimento do recém-nascido (IGF-I e IGF-II), cujas influências protetivas se refletem no estado de saúde do leitão também em idade adulta (Del’Orto et al.2009). Fatores que influenciam a produção de colostro Apesar do notável interesse sobre o colostro, poucos estudos foram realizados com a finalidade de avaliar os fatores que influenciam a sua produção. Isto devido também à ausência de métodos diretos de avaliação disponíveis. Segundo alguns autores que adotaram equações estimativas, a produção de colostro poderia variar da 3,3 a 3,7 kg, mas com possíveis e amplas variações de 1 a 6 kg (Devillers et al.2007). Em todo caso, o crescimento dos leitões até 7 dias de vida é fortemente condicionado à absorção de colostro nas primeiras 24 horas pós-parto. Entre os fatores que estimulam a produção de colostro estão o peso e o número de leitões no parto e também a vitalidade do leitão, mesmo que provavelmente em modo menos evidente. Segundo uma pesquisa conduzida por Devillers et al, nel 2004, a produção de colostro por parte da porca, que é limitada, poderia ser inferior em relação à quantidade potencial de absorção por parte dos leitões. Estes autores, em confronto entre grupos de leitões alimentados artificialmente com colostro com grupos de leitões alimentados diretamente da porca nas primeiras 24 horas, mostraram uma ingestão superior de colostro por parte dos leitões alimentados artificialmente. Sobre a importância de uma correta ingestão de colostro, vale a pena citar o estudo de Marion et al.2004, os quais administraram em leitões desmamados com 7 dias de vida um concentrado magro de colostro bovino (0,65 gramas por kg de peso vivo) ou de 5 gramas/kg/pv ao dia de rhIGF-1 (IGF-1 humana recombinante) junto a uma dieta comum. Eles observaram que com a suplementação do colostro houve aumento significativo do aumento dos vilos

Tabela 2. Conteúdo de imunoglobulinas no colostro e no leite Colostro

Leite

Intervalo de tempo do início do parto 0h

24 h

7d

IgG, mg/ml

51,9

10,4

--

--

IgA, mg/ml

11,9

4,8

2,2

4,1

21 d

(Loisel et al., 2013) intestinais (tabela 4) e um aumento, seja seguido da administração de colostro ou de IGF-I, da concentração plasmática de IGF-1 em relação ao controle (figura 1). Outros fatores que influenciam a produção de colostro são idade da porca, pois matrizes ao 2° ou 3° partos produzem mais colostro (4,3 kg) em relação às primíparas (3,4 kg) ou porcas de 4° ou mais partos (3,6 kg) (Devillers et al.2004), e o desenvolvimento mamário, cujos estudos ainda são escassos, mas chamam mais uma vez a atenção a importância do crescimento da marrã e da fase de gestação (Farmer e Hurley,2015). Com relação aos efeitos da alimentação, poucas são as informações relativas à influência dela sobre a produção de colostro. Flummer e Theil (2012), integrando a dieta de porcas em gestação com 2,5 gr/d com cálcio do 108º dia ao parto, observaram um aumento de peso dos leitões durante a fase colostral (132 x 76 gr). É possível, todavia, que a maior ingestão de colostro dos leitões das porcas tratadas contribua à maior vitalidade dos leitões ao nascimento, já que a integração com cálcio poderia ter consentido uma melhor contração uterina da musculatura lisa do útero, com redução da fase expulsória e, então, de menor risco de hipoxia, resultando em maior vitalidade ao nascimento (Bontempo et al.2015).

13

O efeito mais importante, entretanto, é o da componente fibrosa, administrada durante a gestação e que produz efeitos positivos para a produção de colostro. Estes efeitos, porém, podem depender do tipo de fibra utilizada. Theil et al. (2014a) demonstraram, por meio da técnica

Tabela 3. Características químicas do colostro, leite de transição e leite maduro da porca Colostro Intervalo de tempo do início do parto

0h

12 h

Leite de transição 24 h

Leite maduro

36 h

3d

17 d

9,1

9,8

8,2

Composição química, g/100 g Lipídeos

5,1

5,3

6,9

Proteínas

17,7

12,2

8,6

7,3

6,1

4,7

Lactose

3,5

4,0

4,4

4,6

4,8

5,1

Substância seca

27,3

22,4

20,6

21,4

21,2

18,9

Calorias, kJ/100 g

260

276

346

435

468

409 nº 56/2016 | Suínos&Cia


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Fatores que influenciam a produção de leite 1. Genética, número de leitões por parto A produção de leite é naturalmente o fator limitante para o crescimento dos leitões até o desmame, tanto é que a administração de leite artificial como suplemento do leite materno determina um aumento do peso dos leitões (Miller et al.2012). Por outro lado, o peso ao desmame influencia positivamente o crescimento nas fases sucessivas (Cabrera et al.2012). Se formos avaliar a produção de leite no contesto da porca hiperprolífica, presente no mercado hoje, é ainda maior a importância em considerar todos os fatores que possam influenciar a sua produção, de modo que se possa individualizar as melhores estratégias possíveis para o aumento da produção láctea. de Deutério, um maior consumo de colostro por parte dos leitões nascidos de porcas alimentadas por quase toda a gestação com dietas com elevados teores de fibra (32-36%), obtidos com resíduos de pectina ou com polpa de beterraba, em relação aos leitões nascidos de porcas que recebiam uma dieta controle (13% FB) ou de porcas que recebiam dieta com 40% de FB (proveniente de resíduos de batata).

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Ao contrário, Loisel et al.(2013) não observaram diferenças na produção de colostro em porcas alimentadas com diferentes níveis de fibra durante a gestação. Todavia, os autores observaram maior ingestão do colostro por parte dos leitões pequenos nascidos das porcas que haviam recebido a dieta com elevados teores de fibra durante a gestação. Estes resultados colocam em evidência o papel da alimentação para a produção de colostro. Mesmo que ainda não se saiba qual fase da gestação é a mais crítica na “colostrogenese”, é importante salientar que o uso de uma só dieta durante toda a gestação não pode ser suficiente para garantir as várias exigências da porca “moderna” (Bontempo et el.2015). Tabela 4. Administração de colostro bovino a leitães desmamados a 7 dias de vida: medidas morfométricas do intestino Controle

Colostro

IGF-1

Altura dos vilos, µm Duodeno

463b

592a

465b

Jejuno

547

569

562

Profundidade das criptas, µm Duodeno

129

115

117

Jejuno

119

116

107

a,b

P< 0,05

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(Marion et al., 2002)

Certamente a genética é uma peça importante. Deixando de lado as raças chinesas que notoriamente produzem mais leite, existem diferenças relevantes entre as linhas genéticas europeias (Landrace e Large White) que produzem mais leite em relação a raças com maior tendência a desenvolver massa muscular (Duroc, Pietrain). O coeficiente de hereditariedade para a produção de leite da porca é igual a 0,27, mas aumenta a 0,40 e a 0,29, respectivamente, considerando o número de mamas e mamilos funcionais, o que explica o impacto positivo da seleção genética que elevou a produção média de leite de 5 a 6 kg (Elsey,1971) para 10 a 12 kg (De Oliveira Junior et al.2011; King e Eason, 1998). A correlação entre a genética e a produção de leite da porca é confirmada pela pesquisa de Noble et al.2002, os quais, inserindo um gene bovino que codifica a expressão da alfa-lactoalbumina no genoma da porca observaram um aumento de 50% de alfa-lactoalbumina e um aumento da 13% a 23% da produção de leite nos dias 3, 6 e 9 pós-parto. Como observado para o colostro, a produção de leite também é influenciada pela idade da porca, sendo maior nas pluríparas de 2° a 4° partos em relação às primíparas e porcas mais velhas. Um fator importantíssimo é o número de leitões nascidos vivos, pois a produção de leite é proporcional ao número de leitões lactantes (Auldist et al.;1998; Toner et al.1996), mas é necessário precisar que quanto maior o número de leitões menor a ingestão diária individual. Portanto, é fundamental um bom programa de parto em função da capacidade produtiva das porcas. Também o peso dos leitões e a sua vitalidade são relevantes para uma boa estimulação à liberação de leite, especialmente nos primeiros dias depois do parto.


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2. Alimentação Além dos efeitos devido ao ambiente (temperatura e umidade) e das medidas adotadas com a finalidade de garantir o bem-estar animal, certamente importantes, um papel essencial que assegura a potencialidade da porca de produzir leite é a alimentação. É importante enfatizar que somente os experimentos realizados com drástica redução de nutrientes (de difícil aplicação prática) evidenciaram diferenças significativas em termos de produção de leite. Ao contrário, desequilíbrios nutricionais menos evidentes, porém mais facilmente observados em campo, não parecem determinar consequências negativas (Theil et al.2004). As causas destes desequilíbrios menos evidentes podem ser devidas à intensa mobilização corporal em razão de uma dieta não adequada, à dificuldade de medir a quantidade de leite produzido, ao potencial genético extremamente variável, aos números de leitões por parto, à categoria de parto e à condição corporal das porcas. Em particular, é necessário evidenciar a capacidade de compensação da falta de nutrientes com maior mobilização corporal. De fato, Quisnel et al. 2015, analisando indiretamente a produção de leite por meio da performance de crescimento dos leitões, não observaram limitação de desenvolvimento dos leitões até a 3ª semana de vida. As diferenças ficam consistentes depois da 3ª semana de vida, quando os leitões aumentam notadamente de peso. Todavia, é necessário observar que uma mobilização das reservas lipídicas e proteicas se de um lado consegue superar a insuficiência nutricional, do outro leva a consequências negativas sobre a atividade reprodutiva seguinte (aumento do intervalo desmame-cio) e a fertilidade de modo geral. Do ponto de vista prático, a estratégia alimentar atualmente mais eficaz, que permite a expressão do próprio potencial genético, é ligada ao

programa alimentar. É oportuno iniciar com uma curva alimentar que depois do parto adote um certo racionamento para evitar sobrecargas do aparelho intestinal, que podem favorecer fermentações anômalas, e continuar aumentando gradativamente e progressivamente a quantidade da ração, atingindo os níveis máximos de ingestão aos 10 dias de lactação, quando as exigências nutricionais dos leitões aumentam fortemente. Além do controle do arraçoamento, recorda-se o controle da condição corporal, que após o pico lactacional parece exercer um papel importante e que se associa ao consumo neste período (Hansen et al.2012). Um excesso de condição corporal (BCS> 3.5) ao parto comporta de fato uma elevada mobilização das reservas corporais (gorduras e aminoácidos) durante a lactação, com maiores riscos de mastites/metrites, além de excessiva perda de peso com repercussão negativa na vida reprodutiva depois do desmame. Por outro lado, é vital que a porca mobilize uma certa quantidade de reservas próprias para não comprometer a produção de leite na última fase da lactação, quando as exigências dos leitões são muito elevadas. Para se obter um bom resultado, além de administrar uma dieta balanceada e favorecer um bom consumo de alimento, é importante que a porca não chegue ao parto muito magra (<3) e que a perda de peso durante a lactação não seja superior a 15-20 kg.

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Conclusão Resumindo, é evidente que vários fatores combinados são implicados na estimativa da produção de colostro e de leite da porca e das atuais linhas genéticas hiperprolíficas. É indispensável oferecer as mais eficazes estratégias de gestão alimentar possíveis para melhorar ainda mais a performance esperada. Particular atenção deve ser dada à nutrição das marrãs, de modo a garantir o máximo desenvolvimento mamário e, consequentemente, maior produção de colostro e leite já ao primeiro parto. nº 56/2016 | Suínos&Cia


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7. Devillers N., Van Milgen J., Prunier A. Le Dividich J. Variability of colostrum intake in pigs. Animal. 2004; vol. 1: pp. 1033-1041. 8. Edwards S.A. Perinatal mortality in the pig: environmental or physiological solutions? Livestock Production Science. 2002; vol. 78: pp. 3-12. 9. Elsey F.W.H. Nutrition and Lactation in the sow. In: (Falconer I.R., Ed.) Lactation, Buttherworths, London, UK. 1971: pp: 339-411. 10. Farmer C., Hurley Mammary development. In (C. Farmer Ed.) The gestating and lactating sow. Wageningen Academic Publishers, Wageningen, The Netherlands. 2015: pp. 73-94. 11. Flummer C., Theil P.K. Effect of 􀀀-hydroxy 􀀀-methyl butyrate supplementation of sows in late gestation and lactation on sow production of colostrum and milk and piglet performance. Journal of Animal Science. 2012; vol. 90: pp. 372-374. 12. Hansen A.V., Lauridsen C., S., Sørensen M.T., Bach Knudsen K.E., Theil P.K. Effects of nutrient supply, plasma metabolites and nutritional status of sows during transition on performance in the following lactation. Journal of Animal Science. 2012; vol. 90: pp. 466-480. Suínos&Cia | nº 56/2016

13. King R.H., Eason P.J. The effect of bodyweight of sows on the response to dietary lysine during lactation. Journal of Animal Science. 1998; vol. 76, n. 1: pp. 162. 14. Le Dividich J., Rooke J.A., Herpin P. Review: nutritional and immunological importance of colostrum for the the newborn pig. Journal of Agricultural Science. 2005; vol. 143: pp. 469485. 15. Loisel F., Farmer C., Ramaekers P, Quesnel H. Effects of high fiber intake during late pregnancy on sow physiology, colostrum production and piglet performance. Journal of Animal Science. 2013; vol. 91: pp. 5269-5279. 16. Marion J. et al., 2002. La supplémentation de l’aliment de sevrage en un extrait de colostrum bovin augmente la hauteur des villosités dans le duodénum chez le porcelet sevré. In: 36èmes Journées de la Recherche Porcine, 3-5 Février 2004, Paris. Paris: Ed. ITP - INRA, 103108. 17. Miller Y.J., Collins A.M., Smits R.J., Thompson P.C., Holyoake P.K. Providing supplemental milk to piglets preweaning improves the growth but not survival of gilt progeny compared with sow progeny. Journal of Animal Science. 2012; vol. 90: pp. 5078-5085. 18. Theil P.K., Flummer C., Hurley W.L., Kristensen N.B., Labouriau R.L., Sørensen M.T., Mechanistic model to predict colostrum intake based on deuterium oxide dilution technique data and impact of gestation and prefarrowing diets on piglet intake and sow yield of colostrum. Journal of Animals Science. 2014a; vol. 92: pp. 5507-5519. 19. Theil P.K., Lauridsen C., Quesnel H. Neonatal piglet survival: impact of sow nutrition around parturition on foetal glycogen deposition, and production and composition of colostrum and transient milk. Animal. 2014b; vol. 8: pp. 1021-1030. 20. Theil P.K., Cordero G., Henckel P., Puggaard L., Oksbjerg N., Sørensen M.T. Effects of gestation and transition diets, piglet birth weight, and fasting time on depletion of glycogen pools in liver and 3 muscles of newborn piglets. Journal of Animal Science. 2011; vol. 89: pp. 1805-1816. 21. Theil P.K., Jørgensen H., Jakobsen K. Energy and protein metabolism in pregnant sows fed two levels of dietary fat. Livestock Production Science. 2004; vol. 89: pp. 265-276. 22. Toner M.S., King R.H., Dunshea F.R., Dove H., Atwood C.S. The effect of exogenous somatotropin on lactation performance of first-litter sows. Journal of Animal Science. 1996; vol. 74: pp. 167-172.


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Suporte laboratorial ao diagnóstico e ao monitoramento sanitário em suinocultura Parte I Edson Luiz Bordin Médico-veterinário – Patologista edson.bordin@outlook.com

Introdução

A

relação doença e produtividade é bastante conhecida, com a primeira interferindo de sobremaneira na segunda, chegando a afetar negativamente as receitas econômicas, por vezes, de forma irreversível. Isso pode ocorrer em função de mortalidade, que pode ser altíssima em alguns casos, como na PED; e também devido à baixa eficiência na conversão alimentar, elevada taxa de refugos e altos índices de condenações ao abate, além de custo com medicamentos, etc. As doenças agudas, assim como as crônicas, requerem diagnóstico preciso e a tomada efetiva de medidas de controle. Por outro lado, as doenças subagudas são de detecção mais difícil, muitas vezes apenas diagnosticadas ou suspeitadas pelas alterações produtivas que determinam. Normalmente, as maiores preocupações técnicas se confinam à prevenção, ao diagnóstico e ao controle das doenças agudas, mas o mercado começa a detectar uma ameaça econômica bastante significante também nas formas subagudas das doenças, incluindo a PVCAD (Doenças associadas ao Circovirus Suíno Tipo 2), e a SIV (Vírus da Influenza Suina).

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Como é comum ocorrer algum equívoco de semântica nas definições de algumas situações pertinentes às enfermidades em si, convém revisar algumas terminologias.

Infecção por agentes endêmicos como Mycoplasma hyopneumoniae, Actinobacillus pleuropneumoniae, Circovírus Suíno Tipo 2, Parvovírus Suíno, é um evento comum. É a presença do patógeno sem relação obrigatória com a emergência de doenças. Infecção não significa doença, e a pura detecção do agente patogênico não tem necessariamente valor diagnóstico. Doença, essencialmente, é um desvio de estrutura ou função com todo efeito consequente que acarreta. Doença clínica é quando a doença é reconhecida pelos sinais, lesões, etc. A doença é reconhecida em uma população quando um ou mais indivíduos apresentam sinais clínicos. Infecção subclínica é frequente a partir de uma flora endêmica, porém sem que ocorra alteração que classifique essa interação como doença. Doença subclínica ocorre quando as alterações que advêm do relacionamento agente agressor e organismo não são facilmente observadas. Assim não há impacto facilmente detectável ou que se traduza em sinais clínicos ou alteração de estrutura. No entanto, tal ocorrência pode ser passível de confirmação laboratorial ou por meio de minuciosa observação dos resultados zootécnicos. Importante fixar que: “O diagnóstico de uma doença é diferente da confirmação de infecção. Assim, a soroconversão ou o isolamento de um patógeno não são necessariamente diagnósticos de uma condição de doença. O diagnóstico de doença clínica sempre exige a confirmação de um desvio do normal, quer funcional ou estrutural”. O impacto de uma doença clínica é facilmente mensurável. Talvez o maior desafio neste caso seja caracterizar se o problema é individual ou espelha uma situação de plantel.

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Evidentemente, os outros indicadores de produção desempenham um importante indicador nesse aspecto. Por exemplo, animais apresentando lesões atribuíveis macroscopicamente a uma dada doença podem retratar apenas uma situação individual, mesmo porque as medidas preventivas tomadas não são certamente 100% eficazes. Em termos gerais, no caso de doença de plantel, empiricamente, a confirmação exige que pelo menos 50% dos animais avaliados necroscopicamente exibam lesões e tenham confirmação diagnóstica laboratorial. Também deve haver uma elevação de mortalidade superior a 50% à média dos últimos três lotes. O status de vacinação não interfere no método de diagnóstico, notadamente quando o agente é endêmico. A vacinação normalmente afeta a dinâmica do patógeno; a resposta imune; a expressão de virulência, como os níveis de exposição ao patógeno; ou a sua taxa de contaminação. Para alguns agentes, a vacinação não determina uma imunidade que o exclua totalmente (PCV-2 e M. hyopneumoniae, por exemplo), ou seja, a vacinação não evita a infecção, mas sim diminui a expressão da doença. I. Questões diagnósticas que mais preocupam os veterinários de campo A) Que teste diagnóstico é o mais apropriado? Ele está disponível no país? B) Que tipo e quantas amostras clínicas são necessárias e como remetê-las? C) Que exame laboratorial requerer? D) Como devem ser utilizados os resultados, considerando-se que os laudos laboratoriais já disponibilizem a interpretação ou direcionem o veterinário para tal? II. A necropsia A seleção dos indivíduos a serem necropsiados é de fundamental importância, e desse grupo devem, obrigatoriamente, constar animais que mostrem sinais clínicos; ou seja, estejam comprometidos clinicamente. Independentemente da categoria animal avaliada, além dos índices zootécnicos, o estudo do comportamento do lote, condições das instalações e lotações, fornecimento de água e ração, ventilação, calefação, consumo de água, qualidade das matérias-primas e da ração, tipo de piso, etc., podem fornecer substancial auxílio quanto à natureza do problema em investigação.

Os métodos de avaliação necroscópicas variam com o médico-veterinário ou especialista e sua experiência. O importante é que o veterinário tenha condições básicas para essa prática, pela importância dela ao estudo do problema e também pelo grau de exposição a patógenos que esse procedimento acarreta ao técnico. Entre fazer uma necropsia em condições insatisfatória e não fazê-la, é preferível que se decline do ato, pois nessas condições pouco há a acrescentar. Devem-se também evitar as necropsias parciais porque há grande risco de se perderem informações relevantes ao diagnóstico. Exemplo: na presença de alterações locomotoras, algumas vezes o veterinário concentra-se demasiadamente no sistema específico em busca de lesões que justificariam o sinal clínico, como patologias articulares, e em outras não avalia o SNC (Sistema Nervoso Central) em que, muitas vezes, reside a gênese do sintoma (exemplo: meningoencefalite purulenta por cocos). Depois dessas e outras informações, o primeiro aspecto a considerar tão logo tenhamos feito a seleção para a necropsia, com o sacrifício mais adequado possível, dentro do praticado pela legislação de bem estar-animal, é o exame cadavérico, que deve ser avaliado conforme descrito abaixo: 19

1) Situação da pelagem (pelos opacos, sem brilho). 2) Lesões cutâneas (vermelhidão, edema, crostas, pústulas e pápulas). 3) Descarga nasal (exsudação, hemorragias e desvios anatômicos)? 4) Presença de ulcerações na mucosa bucal, lingual? 5) Há coluna dorsal preponderante? 6) Há evidência de sangue na região perineal? 7) Há edema articular? 8) Como se apresentam os cascos e tecidos limítrofes? 9) Há fezes aderidas evidenciando diarreia? 10) Há necrose de ponta de orelha? Para a necropsia, é importante lembrar a necessidade de uma boa faca de ponta curva, preferencialmente; ao menos uma pinça, do tipo “dente de rato”; uma tesoura; um enterotomo; uma machadinha pequena ou serra; pedaços de barbante ou assemelhado para usar como ligante; frascos para coleta, além de algumas seringas, agulhas e swabs, solução de formol, meio de cultivo básico para isolamento, e, evidentemente, luvas, muita água e um bom local plano para o cadáver. nº 56/2016 | Suínos&Cia


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Figura 1: Instrumentos para necropsia Objetivando ilustrar devidamente os procedimentos necroscópicos por categoria animal, foram selecionadas fotos do procedimento conforme abaixo. III. Coleta de material e submissão de amostras para fins diagnósticos

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a necropsia. Esse tipo de tecido rapidamente entra em autólise post mortem. F) Tecidos de um único animal podem ser acondicionados em um único frasco. G) No caso de envio de material fresco para avaliação bacteriológica, convém separar amostras de tecidos nervoso e linfático e de órgãos torácico e abdominais, além de exsudatos. Convém não misturar amostras de diferentes suínos para a bacteriologia não coletar se os animais estiverem em tratamento com antibiótico. Evidentemente, para coleta de material visando à bacteriologia, os frascos onde elas serão acondicionadas devem ser estéreis. Convém flambar a superfície do órgão antes de imergir o swab. Após a coleta, conservar em gelo. H) Material para sorologia deve ser enviado também conservado em gelo. Nesse caso, coletar ao menos 10ml de sangue, que não deve ser acondicionado a nenhum anticoagulante. Deve-se dessorar o sangue deixando a amostra coletada de uma a duas horas no ambiente. Transferir o soro ao refrigerador e, uma hora depois, acondicioná-lo devidamente para envio em tubo eppendorf ao laboratório. I) No caso de coleta de secreção oral por meio do uso de cordas, esse fluído deve ser congelado de imediato para evitar a ação enzimática da Coleta de Fluído Oral

Abaixo estão algumas informações básicas, mas de importância fundamental no âmbito de coleta de material e que devem ser seguidas para a devida qualificação da avaliação laboratorial. A) Fixação: Os cortes de órgãos para envio à histopatologia não devem ter espessura superior a 2cm para facilitar a fixação adequada. B) Sempre utilizar solução tamponada de formalina a 10%. Ver fórmula a seguir: Material Sol. formalina 40% Fosfato monobásico de Sódio Fosfato Dissódico Anidro

Fórmula

FTN*

100ml em 100ml 900ml de água 4g 6,5g

*FTN (Formol Tamponado Neutro)

C) Não adicionar cortes de tecidos congelados em solução formalina. O congelamento do tecido afeta a morfologia celular pela formação de cristais e ruptura da célula. D) Usar ao menos uma proporção de 10 partes de formalina por uma parte de tecido. E) O primeiro material a ser fixado são os cortes de intestino, devendo ser acondicionados em formol em, no máximo, 15 minutos após Suínos&Cia | nº 56/2016

Figuras 4a-4d: Como coletar amostras de fluido oral (Fonte: John Prickett, John Johnson, K-J Yoon, Lorraine Hoffman, Jeff Zimmerman- Iowa State University, veterinary diagnostic Lab.)


Sanidade Fases da Necrópsia: Leitão

a

b

c

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e

f

g

h

i

Figuras 2a-2i: Exemplos das fases da necropsia – leitão Fonte: Swine Disease - Diagnostic Manual Newport Laboratories - USA (Imagens: f, g, h); Suínos & Cia (Imagens: a, b, c, d, e, i)

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Sanidade saliva sobre o agente ou os anticorpos. A prática de uso de secreção oral vem se tornando crescente e substitui a punção venosa. Requer uma corda apropriada de algodão ou mescla de algodão e nylon, que é suspensa sobre o galpão por 30 minutos, permitindo-se a mastigação dela por parte dos animais. Normalmente, usase uma corda por aproximadamente 20-30 animais. Transcorridos os 30 minutos, usando-se luvas, realiza-se a expressão manual das pontas das cordas, e o material que flui, ou seja, o fluído oral, é acondicionado em frascos plásticos e congelado para envio ao laboratório. Atualmente, é possível quantificar alguns vírus por

PCR (Reação de Cadeia pela Polimerase) ou mesmo titular anticorpos. Entre os patógenos para os quais já há validação, temos o agente da PRRS (Síndrome Respiratória e Reprodutiva Suína), o PCV -2, o M. hyopneumoniae, e a Influenza. Essa prática tende a aumentar pela facilidade operacional que possui, embora nem todos os laboratórios de diagnósticos a realizem nesse momento. J) Todo o material deve ser bem embalado e nele devem acompanhar as descrições necroscópicas e as suspeitas do veterinário intervencionista. As tabelas selecionadas e adaptadas que

Fases da Necrópsia: Animais Adultos

a

b

c

d

e

f

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Figuras 3a-3l: Exemplos das fases da necropsia - animais adultos (Newport Laboratories, MN) Suínos&Cia | nº 56/2016


Sanidade seguem caracterizam as provas laboratoriais disponíveis em países de suinocultura tecnificada, bem como os tecidos selecionados para coleta, além dos tipos de exames e suas relações com os patógenos. São, a rigor, informações de suporte laboratorial de diagnóstico, notadamente de situações clínicas, e não devem ser confundidas com as ações que se indicam para monitoramento sanitário, embora as práticas laboratoriais possam coincidir. Evidentemente existem provas indubitáveis de valor imediato em termos de diagnóstico, que são as de eleição, e as provas consideradas somente complementares. Por exemplo, no caso da circovirose suína (PCVDA), o diagnóstico exige

g

que se preencha certos critérios, que incluem a histopatologia em conjunto com a detecção de antígenos ou IHC (imuno-histoquímica), ou então a ISH (hibridização in situ), que avalia ácidos nucléicos virais, ou a pesquisa de corpos de inclusão basófilos intracitoplasmáticos, que retrata a presença de proteínas capsídicas elaboradas pela célula infectada sob a influência do genoma viral, especificamente o ORF 2. Já o PCRq e a sorologia não apresentam valores de diagnósticos nesses casos, embora sejam auxiliares importantes em outras determinações, como veremos posteriormente.

h 23

i

j

k

l

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Tabela 1: Distúrbios Respiratórios em Suínos – Coleta de Espécimes (Tabelas adaptadas de Dr. Marie Gramer et al) Seleção de animais – 3 suínos eutanaziados com sinais típicos, afetados agudamente e não tratados (se disponíveis) ou 3 suínos recém-mortos. Submissão de amostras – Embale e identifique individualmente. Distúrbios Respiratórios em Suínos TECIDO/AMOSTRA

FRESCO (refrigerado – não congelado)

Soro

FIXADO (formalina a 10% tamponada)

5 a 10 ml

Swabs

Mucosa nasal profunda

Corneto nasal

Corte transversal do focinho

Seção transversal com 1cm de espessura

Pulmão

6 x 6 x 6cm – 2 espécimes por suíno com vias aéreas visíveis

3 espécimes por suíno, a partir das áreas afetadas com lesões sugestivas (2 x 2 x 2 cm)

Gânglios

Mandibular, esternal, traqueobrônquico, mesentérico e inguinal superficial

Mandibular, esternal, traqueobrônquico, mesentérico e inguinal superficial

Tonsila

½

½

Coração

Fragmentos de 4 x 4 x 4cm

2 x 2 x 1cm incluindo ventrículos direito e esquerdo e septo

Fígado

Fragmentos de 4 x 4 x 4cm

2 x 2 x 0,5cm

Rim

Metade de um rim

Fragmento de 2 cm, através do centro

Baço

Fragmento de no mínimo 5cm

Fragmento de 2 cm

Obs: As amostras devem incluir áreas de lesão, se houver.

24

Tabela 2: Distúrbios Respiratórios em Suínos – Procedimentos Laboratoriais Agente etiológico/Doença Actinobacillus pleuropneumoniae

Procedimentos Laboratoriais Histologia, Bacteriologia, e sorotipagem

Actinobacillus suis

Histologia, Bacteriologia

Arcanobacterium pyogenes

Histologia, Bacteriologia

Ascaris suum– larvas migrans

Histologia

Bordetella bronchiseptica

Histologia

Citomegalovírus (rinite por corpos de inclusão) Escherichia coli Pneumonia por corpo estranho (poeira) Haemophilus parasuis

Histologia, PCR Histologia, Bacteriologia Histologia Histologia, Bacteriologia, PCR

Mycoplasma hyopneumoniae

Histologia, PCR, Sorologia

Pasteurella multocida

Histologia, Bacteriologia

Coronavírus respiratório suíno PRRSV

Histologia, Sorologia (PCR) Histologia, PCR, VI, sorologia, IHC, seqüenciamento genético

PRV (Aujeszky)

Histologia, Tonsila, sorologia

Salmonella spp

Histologia, Bacteriologia, IHC

Streptococcus suis Vírus da gripe suína Circovírus suíno Tipo 2

Histologia, Bacteriologia Histologia, PCR, VI, IHC, imunoensaio (DirectigenTM), seqüenciamento genético, sorologia Histologia, PCRq, IHC, ISH

IHC – Imunohistoquímica; ISH – Hibridização in situ; PCRq – Reação de Cadeia pela Polimerase – Real time; IV – Isolamento Viral

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Tabela 3: Diarreia Suína (do nascimento a quatro semanas de idade) – Coleta de Espécimes Seleção de animais – 3 suínos eutanaziados com sinais típicos, afetados agudamente e não tratados (se disponíveis)ou 3 suínos recém-mortos. Submissão de amostras – Embale e identifique individualmente as espécimes dos suínos. Diarreia Suína TECIDO/AMOSTRA

FRESCO (refrigerado – não congelado)

Soro

FIXADO (formalina a 10% tamponada)

5 a 10 ml

Cérebro

Corte o cérebro longitudinalmente pela metade, um pouco fora da linha média. Submeta a metade maior fresca/ refrigerada

Fixe a metade menor em fragmentos em formalina

Tonsila

½

½

Pulmão

Fragmentos de 5 x 5 x 5cm

Fragmentos de 2 x 2 x 1cm

Fígado

Fragmentos de 4 x 4 x 4cm

Fragmentos de 2 x 2 x 0,5cm

Rim

Metade de um rim

Fragmento de 2 cm, incluindo o córtex e medula

Baço

Fragmento de 5cm

Fragmento de 2cm

Jejuno

Segmento de 10cm

2 seções, com 2cm de comprimento, fechadas

Íleo

Segmento de 10cm

1 seção, com 2cm de comprimento, fechada

Gânglio inteiro

Fragmentos de 1cm a 2cm

Aproximadamente ¼ a ½ do cólon ensacado separadamente do intestino delgado

2 seções, com 5cm de comprimento, fechadas

Gânglio mesentérico Cólon espiral Conteúdo fluído do ceco ou cólon OBS:

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5ml em recipiente à prova de vazamento

1. Para melhor preservação, fixe o intestino dentro de 15 minutos a partir da morte. 2. As amostras devem incluir áreas de lesão, se houver.

Tabela 4: Diarreia Suína (nascimento a quatro semanas de idade) – Procedimentos Laboratoriais Agente etiológico

Procedimentos Laboratoriais

Coccidia

Histologia, parasitologia

Clostridium difficile

Histologia, ELISA para toxina em fezes, Bacteriologia.*

Clostridium perfringens

Histologia, Bacteriologia (anaeróbico), PCR para genes de toxina

Cryptosporidium

Histologia, parasitologia

Enterococcus durans

Histologia, Bacteriologia

Escherichia coli

Histologia, Bacteriologia, FA, PCR para genes de toxina e fímbria

PRRSV (leitões nascidos fracos, com diarréia)

Histologia, PCR

Rotavírus

Histologia, ME, IHC, ELISA

Salmonella spp

Histologia, Bacteriologia, IHC, sorotipagem

TGEV (Vírus da Gastroenterite Transmissível)

Histologia, EM, IHC, PCR

PED (Vírus da Diarreia Epidêmica)

Histologia, IHC, PCR, sorologia

*A cultura bacteriana de Clostridium difficile necessita de condições especiais. Por favor, ligue para o laboratório antes da submissão. IHC – Imunohistoquímica; PCR - Reação de Cadeia pela Polimerase; ME – Isolamento Viral)

nº 56/2016 | Suínos&Cia


Sanidade

Tabela 5: Diarreia Suína (de um mês de idade a mais) – Coleta de Espécimes Seleção de animais – 3 suínos eutanaziados com sinais típicos, afetados agudamente e não tratados (se disponíveis) ou 3 suínos recém-mortos. Submissão de amostras – Embale e identifique individualmente as espécimes dos suínos. Diarreia Suína TECIDO/AMOSTRA

FRESCO (refrigerado – não congelado) FIXADO (formalina a 10% tamponada)

Soro

5 a 10 ml

Cérebro

Corte o cérebro longitudinalmente pela metade, um pouco fora da linha média. Submeta a metade maior fresca/refrigerada

Fixe a metade menor em formalina em fragmentos de 2 cm

Tonsila

½

½

Pulmão

Fragmentos de 5 x 5 x 5cm

Fragmentos de 2 x 2 x 1cm

Fígado

Fragmento de 8 x 8 x 4cm

Fragmentos de 2 x 2 x 0,5cm

Rim

Metade de um rim

Fragmento de 2,0cm, incluindo o córtex e medula

Baço

Fragmento de 10cm

Fragmento de 2 cm

Jejuno

Segmento de 15cm

2 seções, com 2cm de comprimento, fechadas

Íleo

Segmento de 15cm

2 seções, com 2cm de comprimento, fechadas

Gânglio inteiro

Fragmentos de 2cm de espessura

2 segmentos de 10cm (ensacados separadamente do intestino delgado)

2 seções, com 2cm de comprimento, fechadas

Gânglio mesentérico Cólon espiral

26

Conteúdo fluído do ceco ou cólon OBS:

10ml em recipiente à prova de vazamento

1. Para melhor preservação, fixe o intestino dentro de 15 minutos a partir da morte. 2. As amostras devem incluir áreas de lesão, se houver. 3. Examine a camada esofágica do estômago quanto a úlceras. 4. Examine o cólon e o reto, grosseiramente, quanto a Trichuris suis.

Tabela 6: Diarreia Suína (um mês de idade a mais) – Procedimentos Laboratoriais Agente etiológico Brachyspira spp Coccidia

Procedimentos Laboratoriais Histologia, PCR, microscopia de campo escuro, Bacteriologia Histologia, parasitologia

Cryptosporidium

Histologia

Escherichia coli

Histologia, Bacteriologia, FA, PCR

Giardia sp Lawsonia intracellularis Rotavírus Salmonella spp Qualidade da água/sulfatos TGEV (Vírus da Gastroenterite Transmissível) Yersinia spp

Parasitologia Histologia, PCR, IHC, sorologia Histologia, ME, IHC Histologia, Bacteriologia Análise da água Histologia, IHC, ME Histologia, Bacteriologia

IHC – Imunohistoquímica; PCR – Reação de Cadeia pela Polimerase; ME – Microscopia eletrônica Suínos&Cia | nº 56/2016


Sanidade

Tabela 7: Distúrbios Neurológicos em Suínos – Coleta de Espécimes Seleção de animais – 3 suínos eutanaziados com sinais típicos, afetados agudamente e não tratados (se disponíveis) ou 3 suínos recém-mortos. Submissão de amostras – Embale e identifique individualmente as espécimes dos suínos. Distúrbios Neurológicos em Suínos TECIDO/AMOSTRA

FRESCO (refrigerado – não congelado)

Soro

FIXADO (formalina a 10% tamponada)

5ml

Fluido cérebro-espinhal

2ml se indicado

Swabs de: 1) meninges 2) cérebro

1) Swab de meninges imediatamente após exposição 2) Mergulhe o swab através de um hemisfério cerebral em um ventrículo lateral (flambar antes)

Cérebro

Corte o cérebro longitudinalmente pela metade, um pouco fora da linha média. Submeta a metade maior fresca/refrigerada

Fixe vários segmentos de 2cm da metade menor em formalina

Se os sinais clínicos forem indicativos, submeta um fragmento de 5cm do cordão cérvico-torácico e lombossacral

Se os sinais clínicos forem indicativos, submeta um fragmento de 5cm do cordão cérvico-torácico e lombossacral

½ do esternal, traqueobrônquico, mandibular, inguinal superficial e mesentérico

½ do esternal, traqueobrônquico, mandibular, inguinal superficial e mesentérico

Tonsila

½

½

Pulmão

Fragmentos de 5 x 5 x 5cm. Para cada lesão macroscópica diferente, submeta uma área de espécime de 0,3cm de diâmetro que inclua brônquio. Se as lesões macroscópicas forem semelhantes em várias faces, submeta dois espécimes

Seções de 2 x 2 x 1cm (2 ou 3) – inclua lesões macro, se houver

Medula espinhal

Gânglios

Pleura ou pericárdio

27

Swabs ou fluído, se indicado

Coração

Fragmentos de 4 x 4 x 4cm

Seção de 2 x 2 x 1cm

Fígado

Fragmentos de 4 x 4 x 4cm

2 x 2 x 0,5cm

Rim

Metade de um rim

Fragmento de 2 cm, incluindo o córtex e medula

Baço

Fragmento de 5cm

Fragmento de 2 cm

Jejuno

Segmento de 10cm

2 seções, com 2cm de comprimento

Íleo

Segmento de 10cm

1 seção, com 2cm de comprimento

Tabela 8: Distúrbios Neurológicos em Suínos – Procedimentos Laboratoriais Agente etiológico/Doença

Procedimentos Laboratoriais

1. Meningite por Haemophilus parasuis

Histologia, Bacteriologia., PCR

2. Meningite por Streptococcus suis

Histologia, Bacteriologia.

3. Doença do edema/enterite por Escherichia coli F18

Histologia, íleo (Bacteriologia), PCR

4. Meningite por Escherichia coli

Histologia, Bacteriologia.

5. PRRSV (Síndrome Respiratória e Reprodutiva Suína)

Histologia, VI, PCR, Sorologia

6. Privação de água (“toxicidade do sal”)

Histologia, toxicologia (NA do SNC)

7. PRV(Aujeszky)

Histologia, FA na tonsila, VI

8. Enterovírus pólio-encefalomielite (Teschen/Talfan)

Histologia (Cord), VI

9. Vírus da encefalomielite hemaglutinante

Histologia, VI

10. Arcanobacterium pyogenes

Histologia, Bacteriologia.

11. Toxicidade do arsênio

Histologia, toxicologia (fígado)

12. Toxicidade do selênio

Histologia, toxicologia (fígado)

VI – Isolamento Viral; PCR – Reação de Cadeia pela Polimerase nº 56/2016 | Suínos&Cia


Reprodução

Super Porcas: uma subpopulação de elite nos planteis de reprodutoras Carlos Piñeiro, MV Diretor PigCHAMP Pro Europa SL pigchamp@pigchamp-pro.com

Resumo

N

ossos objetivos foram: 1) comparar o desempenho reprodutivo e a vida produtiva em grupos de porcas por meio do número de leitões nascidos vivos (LNV) no 1º parto e 2) analisar os fatores associados a um número maior de LNV no 1º parto. Analisamos 476.816 registros de partos e 109.373 registros de vida produtiva de porcas, em 125 rebanhos, entre 2008 e 2010. As porcas foram classificadas em quatro grupos com base no 10º, 50º e 90º percentual (cada um dos 100 grupos iguais, nos quais uma população pode ser dividida de acordo com a distribuição de valores de uma variável em particular) de LNV no 1º parto, da seguinte maneira: 7 leitões ou menos, 8 a 11 leitões, 12 a 14 leitões e 15 leitões ou mais.

28

Os dados foram submetidos a modelos lineares generalizados. Como desempenho reprodutivo por parto, as porcas que tiveram 15 ou mais LNV no 1º parto tiveram de 0,5 a 1,8 LNV a mais em qualquer parto posterior, em comparação aos outros três grupos (P <0,05). Além disso, elas apresentaram taxas de parto de 2,8 a 5,4% mais elevadas nos partos de 1 a 3, em comparação com porcas que tiveram 7 LNV ou menos (P<0,05). No entanto, não houve diferença entre o LNV dos grupos de porcas com relação ao intervalo desmame-primeira cobertura em nenhum parto (P ≥0,37). Com relação ao desempenho na vida produtiva, porcas que tiveram 15 ou mais LNV no 1º parto produziram de 4,4 a 26,1 LNV a mais, em comparação àquelas que tiveram 14 ou menos LNV (P <0,05). Além disso, as porcas que tiveram 14 LNV ou menos no 1º parto e cuja 1ª Suínos&Cia | nº 56/2016

cobertura deu-se aos 229 dias de idade (25º percentual) ou mais cedo, tiveram de 2,9 a 3,3 LNV a mais na vida produtiva, em comparação àquelas cuja primeira cobertura ocorreu aos 278 dias de idade (75º percentual) ou mais tarde (P <0,05). Os fatores associados a um LNV reduzido no 1º parto foram as coberturas realizadas durante o verão e a idade da 1ª cobertura (IPC), reduzida em marrãs (P<0,05), mas sem a ocorrência de resserviços (P =0,34). Além disso, houve uma interação em dois sentidos, entre o mês de cobertura dos grupos e a IPC, para o LNV no 1º parto (P <0,05); o LNV no 1º parto de porcas fecundadas de julho a dezembro teve um aumento não linear de 0,3 a 0,4 leitões, quando a IPC foi elevada de 200 para 310 dias de idade (P <0,05). No entanto, o mesmo aumento da IPC não teve efeito significativo sobre o LNV de porcas cobertas entre janeiro e junho (P≥0,17). Em conclusão, a ocorrência de um LNV elevado no 1º parto pode ser um indicativo de que uma porca terá alto desempenho reprodutivo e uma longa vida produtiva.


Reprodução

Além disso, os dados indicam que o limite superior da IPC, para o período de julho a dezembro, deve ser de 278 dias de idade. Palavras-chave: dados consecutivos, desempenho ao longo da vida, 1º parto, leitões nascidos vivos

Introdução Há uma variação relativamente grande no desempenho reprodutivo entre as porcas, mesmo que elas sejam criadas na mesma granja (Iida e Koketsu, 2014). A avaliação do desempenho das porcas, particularmente no caso de baixa produção, é necessária para que quando os produtores tenham que tomar decisões sobre quais delas serão mantidas ou descartadas, possam prever quais as que terão alto desempenho durante a vida produtiva. Uma de nossas publicações informou que o número total de leitões nascidos vivos (LNV) no 1º e no 2º partos é uma das medidas apropriadas para se estimar a fertilidade durante a vida produtiva (Sasaki et al., 2011). Ao mesmo tempo, um estudo recente realizado nos EUA informou que as porcas que tiveram um alto LNV no 1º parto tendiam a mantê-lo mais alto em todos os partos, comparativamente a porcas com menor número de LNV (Pinilla et al., 2014). Portanto, temos a hipótese de que porcas altamente férteis podem ser reveladas por meio do LNV de seu 1º parto. No entanto, nenhum estudo examinou porcas com alto LNV no 1º parto, com o objetivo de avaliar outros índices de desempenho, entre eles a taxa de parição. Igualmente, não há relatos sobre a interação entre o LNV no 1º parto e a idade da primeira cobertura em marrãs, com relação ao desempenho ao longo da vida produtiva, mesmo considerando estes dois fatores associados à longevidade da porca (Hoge e Bates, 2011). A idade da 1ª cobertura e a relação entre coberturas e as estações do ano estão associadas ao LNV no 1º parto (Iida e Koketsu, 2014). Mesmo que um estudo recomende a 1ª cobertura entre 200 e 220 dias de idade para maximizar a rentabilidade da vida produtiva (Schukken et al., 1994), poucos estudos têm quantificado a interação entre a idade da 1ª cobertura e a sua realização em diferentes períodos do ano, ou a determinação da melhor idade para a 1ª cobertura por temporadas de acasalamento, no sentido de maximizar o LNV no 1º parto. Portanto, nossos objetivos foram: 1) comparar, por análise do LNV no 1º parto, o desempenho reprodutivo por meio dos partos e o desempenho da vida produtiva em diferentes grupos

de porcas; 2) quantificar o desempenho durante a vida produtiva, considerando a interação entre os valores de LNV por grupo e a idade da 1ª cobertura e 3) examinar as interações entre as idades da 1ª cobertura e a época do ano para realizá-las, associadas a um maior LNV no 1º parto. Materiais e Métodos

29

A aprovação do Comitê para Cuidados e Uso de Animais não foi obtida neste estudo porque as informações foram coletadas a partir de um banco de dados já existente. O referido banco de dados foi criado da seguinte forma: desde 1998, a todos os suinocultores nos países designados ao uso do software PigChamp™ (PigChamp, Ames, IA) foi solicitado o envio de seus arquivos de dados, cada vez que era feita a renovação de seus contratos de manutenção anuais. Dados de granjas e desempenho reprodutivo Os dados foram coletados de 125 granjas, de um total de 160 localizadas no sul da Europa, as quais têm um acordo com a empresa de consultoria PigChamp™Pro Europa S.L. (Segóvia, Espanha). Das granjas fornecedoras dos dados, 98 são espanholas, 23 portuguesas e 4 italianas. As propriedades utilizam ventilação natural ou mecânica em suas instalações de reprodução, gestação e nas salas de parto. As dietas de lactação e gestação são formuladas a partir de cereais (cevada, trigo, milho) e farelo de soja. Todas as granjas praticam inseminação artificial, dupla ou tripla durante o período de cio das porcas. nº 56/2016 | Suínos&Cia


Reprodução

As fêmeas de reposição são compradas de empresas de melhoramento genético ou produzidas nas próprias granjas por meio de programas de multiplicação internos. Os referidos dados também foram utilizados em um outro estudo sobre ocorrências de aborto (Iida et al., 2014). Os dados para as medições foram obtidos das próprias 125 granjas; o tamanho médio das granjas e a mudança no referido tamanho foram de 706 matrizes (81 a 3.222 marrãs e porcas) e 14,4%(de -44,2 para 412,8%), respectivamente. O tamanho da propriedade foi calculado pelo inventário médio inicial (janeiro de 2008) e final (junho de 2013) das fêmeas. A mudança no tamanho também foi calculada pela fórmula: [(inventário final das fêmeas - inventário inicial das fêmeas)]/ (inventário inicial fêmea×100). Os dados de quatro granjas que tiveram 500% ou mais de mudança em seu tamanho (tamanho inicial: de 1 a 20 matrizes) foram considerados como valores ausentes. Um valor ausente significa que nenhum valor de dados foi armazenado na base de dados para uma observação particular de uma variável. Dados de desempenho reprodutivo e critérios de exclusão

30

Os registros da vida das porcas entre 2008 e 2010 foram extraídos do sistema PigChamp™. Estas porcas foram cobertas de janeiro de 2008 a junho de 2013. Quando os dados foram coletados, 5.600 (4,4%) das 128.534 porcas ainda não tinham sido removidas e, assim sendo, foram excluídas. Os dados excluídos também incluíram os registros de marrãs removidas antes do 1º parto (9.011) e de porcas com registros de partos incompletos ao longo da vida produtiva (1.659). Mais registros de porcas foram excluídos, caso os dados de parto corres-

pondessem a qualquer um dos seguintes critérios: duração da gestação menor ou iguala 104 dias; ou de 126 dias ou mais (1.280 porcas; Sasaki e Koketsu, 2007); número total de leitões nascidos = 0 ou = 26 leitões ou mais (413 porcas; Lundgren et al., 2010); intervalo desmame/primeiro cio = 61 dias ou mais longo (1.198 porcas; Marois et al., 2000). Também foram omitidos registros de porcas a partir do 7º parto (57.673 registros de parto). Assim, os dados finais incluíram os registros de 476.816 partos e de 109.373 registros de vida de porcas que tinham parido pelo menos uma vez. No presente estudo não foram utilizados os registros de porcas com 7 partos ou mais porque um grande número delas foi abatido antes, voluntariamente (Sasaki e Koketsu, 2011). Além disso, os seguintes registros não foram também considerados: dados de porcas com a idade da 1ª cobertura correspondente a 159 dias ou mais cedo; idem com relação a 401 dias de idade ou mais tarde (Hoving et al., 2011); dados de porcas com 135 ou mais leitões desmamados ao longo da vida [(a média + 3) × (o desvio padrão)]; Bloemhof et al., 2013) e quaisquer registros de partos com 19 leitões desmamados ou mais [(a média + 3) × (o desvio padrão)]. Definições e categorias O LNV anual ao longo da vida produtiva, que é uma medida da eficiência do tempo de vida, foi calculado como “LNV total da vida produtiva, dividido pelos dias de vida produtiva do plantel reprodutivo, multiplicado por 365 dias”. O LNV total da vida produtiva foi definido como sendo o total de LNV no tempo de vida de uma porca; o total de leitões desmamados na vida produtiva também, e os dias produtivos do plantel de reprodução foram definidos como sendo o número de dias a partir da data em que as porcas foram cobertas pela 1ª vez, até a sua remoção. O desempenho reprodutivo também incluiu LNV, leitões desmamados, intervalo desmame-primeira cobertura e taxa de parição. A taxa de parição foi definida como sendo “o número de porcas paridas dividido pelo número de porcas cobertas primeiro no parto correspondente”. As porcas foram classificadas em quatro grupos, com base no 10o , 50o e 90o percentual (por definição, cada um dos 100 grupos iguais, nos quais uma população pode ser dividida de acordo com a distribuição de valores de uma variável em particular) do LNV no 1º parto. Os grupos foram assim divididos: 7 leitões ou menos, 8 a 11 leitões,12 a 14 leitões e 15 leitões ou mais.

Suínos&Cia | nº 56/2016


Reprodução

Os registros de parto foram divididos em dois grupos, com base no número total de coberturas em qualquer parto: cobertas apenas uma vez e cobertas duas ou mais vezes. Três grupos correspondentes à idade da marrã na 1ª cobertura foram montados com base nos 25o e 75o percentual da referida idade: 229 dias de idade ou mais cedo; 230 a 277 dias de idade e 278 dias de idade ou mais tarde. Análise estatística Toda a análise estatística foi realizada utilizando o programa SAS (SAS Inst. Inc., Cary, NC). Foram criados três modelos estatísticos. Os modelos 1 e 2 foram aplicados para examinar as respectivas associações entre grupos de porcas com base no LNV do 1º parto e qualquer outro desempenho reprodutivo, por meio de paridade ou desempenho da vida produtiva. O modelo 3 foi construído a fim de analisar os fatores de risco associados ao LNV no 1º parto. Para resultados contínuos foram utilizados modelos de efeitos mistos lineares, com a finalidade de explicar a aglomeração de porcas em uma granja (MIXED, demonstração aleatória) ou a correlação entre medidas repetidas na mesma porca (MIXED, demonstração repetida). Um modelo de equações de estimação generalizadas (GEE) também foi aplicado para analisar uma porca, seja ela parida ou não (1 ou 0), usando o procedimento GENMOD com uma função de ligação logit e uma distribuição de erro binomial. O modelo GEE permite apenas um nível de agrupamento. Por conseguinte, com base numa análise preliminar utilizando o procedimento VARCOMP, que mostrou que a granja contribuiu muito pouco com a variância total (1,5%), ficou decidido usar o agrupamento de resultados intraporcas e ignorar o agrupamento intragranja (Schukken et al., 2003). A comparação múltipla de Pairwise foi realizada utilizando o teste de Tukey-Kramer. Além disso, uma transformação de raiz quadrada foi usada para a obtenção de uma distribuição normal no intervalo desmame-primeira cobertura. O modelo 1 incluiu os seguintes fatores como efeitos fixos: os quatro grupos, a paridade e a interação entre esses fatores. Quando o LNV foi analisado, os seguintes fatores foram usados ​​como efeitos fixos: número de grupos de cobertura, ano de entrada e quatro grupos trimestrais de coberturas mensais (janeiro a março, abril a junho, julho a setembro e outubro a dezembro). Os fatores categorizados foram colocados em um modelo usando uma série de variáveis ​​binárias. Para os modelos de

análise do intervalo desmame-primeira cobertura, intervalo e taxa de parto, os efeitos fixos foram o ano de entrada e os quatro grupos trimestrais de partos mensais (janeiro a março, abril a junho, julho a setembro e outubro a dezembro). O modelo 2, para o desempenho da vida produtiva, incluiu os seguintes fatores como efeitos fixos: os grupos de LNV por porca, a idade da marrã na primeira cobertura, a interação entre esses dois fatores, o ano de entrada no plantel e os grupos trimestrais de entradas mensais. O modelo 3 incluiu a idade da marrã na primeira cobertura, o número de coberturas por grupos, os grupos trimestrais de coberturas mensais, as possíveis interações biológicas de duas vias entre esses fatores e o ano de entrada no plantel.

31

Todos os modelos estatísticos incluíram o tamanho da propriedade e as mudanças no tamanho dela como variáveis ​​contínuas, considerando também o país de localização da granja como uma variável categórica. Além disso, todos os modelos, exceto o GEE, incluíram a granja como uma interceptação aleatória. Complementando, uma estrutura de covariância auto-repressiva de 1ª ordem foi aplicada para o desempenho reprodutivo por meio de paridade. Usando a estrutura de covariância, foram calculados os coeficientes de correlação para o desempenho reprodutivo entre quaisquer duas paridades adjacentes. Correlação intraclasse O coeficiente de correlação intraclasse (ICC) foi calculado pela equação seguinte para avaliar a variação do LNV no 1º parto, o que poderia ser exnº 56/2016 | Suínos&Cia


Reprodução

plicado pela granja e também pela variação no LNV por meio de paridade, a qual pode ser explicada pelo efeito de porca (Dohoo et al. ,2009): ICC (registros individuais dentro da mesma granja) = σv2/(σv2 + σε2) e ICC (registros individuais da mesma porca) = (σv2 + σu2)/(σv2+ σu2 + σε2), na qual σv2 é a variância entre granjas, σu2 é a variância entre porcas e σε2 é a variância no nível de registro individual. Resultados Estatísticas descritivas relativas ao tempo de vida produtiva e ao desempenho reprodutivo são apresentadas na tabela 1. A tabela 2 mostra as comparações de desempenho reprodutivo ao longo dos partos entre os quatro grupos de porcas categorizados pelo seu LNV no 1º parto. As porcas com 15 ou mais LNV no 1º parto apresentaram de 0,5 a 1,8 LNV a mais em qualquer parto posterior, em comparação aos outros três grupos (P <0,05). Além disso, elas também tiveram mais de 0,2 a 1,5 leitões desmamados e uma taxa de parto de 2,8% a 5,4% mais elevada nos partos de 1 a 3, em comparação àquelas que pariram 7 ou menos LNV (P <0,05).

32

No entanto, não houve diferenças entre os grupos de porcas caracterizados pelo LNV, para leitões desmamados no 4º ou no 5º partos (P ≥ 0,98) ou para a taxa de parição no 4º parto ou em partos superiores (P ≥ 0,10); tampouco houve diferença no intervalo desmame-primeira cobertura em qualquer parto (P ≥ 0,37). As correlações entre dois partos adjacentes quaisquer em uma porca, para LNV, leitões desmamados, intervalo desmame-primeira cobertura e taxas de parto foram de 0,15 - 0,12 - 0,09 e 0,03, respectivamente. Além disso, o ICC para LNV entre os registros individuais da mesma porca foi de 17,6%. Houve interações de duas vias entre os grupos de porcas categorizados pelo LNV e a idade da marrã para a primeira cobertura para grupos de desempenho da vida útil produtiva (P <0,05; tabela 3). Para matrizes com 14 ou menos LNV no 1º parto, aquelas cobertas pela primeira vez aos 229 dias de idade ou mais cedo tiveram de 2,9 a 3,3 mais LNV durante a vida produtiva, de 0,3 a 0,6 LNV a mais durante a vida produtiva anualizada, de 2,2 a 2,9 mais leitões desmamados na vida produtiva e de 0,2 a 0,3 partos a mais no momento do descarte, em comparação com as porcas cuja primeira cobertura ocorreu aos 278 dias de idade ou mais tarde (P <0,05). No entanto, para as porcas com 15 ou mais LNV no 1º parto, não houve tais diferenças de desempenho durante a vida produtiva entre os grupos de marrãs com idades distintas na 1ª cobertura (P ≥0,72).

Tabela 1. Tempo de vida produtiva e dados reprodutivos de 109.373 porcas paridas em 125 granjas Intervalo n

Medições

Média ± EPM

Mínimo

Máximo

Desempenho na vida produtiva Descarte no parto nº

109.373

4,9 ± 0,01

01

13

96.989

255,1 ± 0,14

160

400

Vida reprodutiva do plantel, dias

109.373

748,5 ± 1,06

106

2.094

Leitões nasc vivos vida produtiva

109.373

58,0 ± 0,10

00

202

Leitões nasc vivos anualizados

109.373

27,2 ± 0,02

00

61

109.259

50,6 ± 0,08

00

134

Idade marrã 1ª cobertura, dias

1

Leitões desmam vida produtiva

1

Desempenho reprodutivo Ordem de parto

476.816

3,1 ± 0,01

01

06

Nº de coberturas

476.816

1,1 ± 0,01

01

10

Nº leitões nascidos vivos

476.816

11,9 ± 0,01

00

25

Nº leitões desmamados

470.177

10,3 ± 0,01

00

18

Intervalo desmame/1ª cobertura

432.347

6,3 ± 0,01

00

60

Taxa de parição, %

432.347

86,3 ± 0,05

2

Os demais registros (109.373 – n) não foram considerados.

1

Os demais registros (476.816 – n) não foram considerados.

2

Suínos&Cia | nº 56/2016

EPM = erro padrão da média.


Reprodução

Tabela 2. Comparações de desempenho reprodutivo em partos consecutivos, entre os quatro grupos categorizados por leitões nascidos vivos no 1º parto1, 2 Leitões nascidos vivos nos grupos de porcas de 1º parto

n3

Partos consecutivos 1

2

3

4

5

6

Leitões nascidos vivos 07 ou menos

12 889

5,1 ± 0,09dz

10,8 ± 0,09dy

11,5 ± 0,09dwx

11,7 ± 0,09dv

11,7 ± 0,09dvw

11,5 ± 0,09dx

08 a 11

41 795

9,9 ± 0,08cz

11,3 ± 0,08cy

11,9 ± 0,08cw

12,0 ± 0,08cv

11,9 ± 0,09cw

11,6 ± 0,09cx

12 a 14

40 607

12,7 ± 0,08bv

11,9 ± 0,08bz

12,5 ± 0,08bw

12,5 ± 0,08bw

12,3 ± 0,09bx

12,0 ± 0,09by

15 ou mais

14 082

15,6 ± 0,09av

12,6 ± 0,09ay

13,1 ± 0,09aw

13,1 ± 0,09aw

12,9 ± 0,09ax

12,5 ± 0,09ay

Leitões desmamados 07 ou menos

12 720

8,8 ± 0,11dy

10,0 ± 0,11cv

10,0 ± 0,11bvw

10,0 ± 0,11v

9,9 ± 0,11w

9,7 ± 0,11bx

08 a 11

41 258

9,9 ± 0,11cy

10,1 ± 0,11bv

10,1 ± 0,11av

10,1 ± 0,11w

9,9 ± 0,11x

9,8 ± 0,11abz

12 a 14

39 991

10,3 ± 0,11bv

10,2 ± 0,11av

10,2 ± 0,11aw

10,1 ± 0,11x

9,9 ± 0,11y

9,8 ± 0,11az

15 ou mais

13 884

10,4 ± 0,11av

10,3 ± 0,11av

10,2 ± 0,11aw

10,1 ± 0,11x

9,9 ± 0,11y

9,7 ± 0,11abz

Taxa de parição, % 07 ou menos

11 300

79,8 ± 0,40cw

83,8 ± 0,40cv

84,5 ± 0,42cv

85,0 ± 0,46v

84,6 ± 0,52v

84,1 ± 0,65v

08 a 11

39085

82,0 ± 0,22bw

86,1 ± 0,21bv

85,7 ± 0,22bcvw

85,7 ± 0,24vw

85,4 ± 0,26vw

84,6 ± 0,32w

12 a 14

38 294

84,1 ± 0,21ax

87,0 ± 0,20abv

86,5 ± 0,21abvw

86,4 ± 0,23vw

85,5 ± 0,26w

85,6 ± 0,31w

15 ou mais

13 246

85,2 ± 0,32ax

87,8 ± 0,31av

87,3 ± 0,34avw

86,9 ± 0,37vwx

85,8 ± 0,42wx

84,8 ± 0,51x

a–d: Diferentes expoentes dentro de uma coluna representam diferenças significativas nas médias(P < 0,05). v–z: Diferentes expoentes dentro de uma linha representam diferenças significativas nas médias (P < 0,05). 1: Médias e erros padrão (SE, na sigla em inglês) foram estimados usando modelos mistos. 2: Intervalo desmame-primeira cobertura não é mostrado na tabela porque não foram encontradas diferenças entre os grupos de porcas em qualquer dos partos. 3n: representa o nº inicial de porcas.

Além disso, em todos os grupos de marrãs com idades distintas na 1ª cobertura, porcas com 15 ou mais LNV no 1º parto tiveram de 4,4 a 26,1 mais LNV durante a vida produtiva e de 2,9 a 11,7 mais LNV na anualização dela, em comparação às porcas com 14 LNV ou menos (P <0,05). Não houve, entretanto, diferenças entre os grupos de porcas caracterizados pelo LNV para leitões desmamados no 4º e no 5º partos (P ≥0,98) ou para a taxa de parição no 4º parto ou parto superior (P≥0,10) ou para o intervalo desmameprimeira cobertura em qualquer parto (P ≥0,37). As correlações entre quaisquer duas paridades adjacentes para LNV em uma porca, leitões desmamados, intervalos desmame-primeira cobertura e as taxas de parto foram de 0,15 - 0,12 - 0,09 e 0,03, respectivamente. Além disso, o ICC para LNV entre os registros individuais de uma mesma porca foi de 17,6%. Houve interações de 2 vias entre os grupos de porcas caracterizados pelo LNV e a idade da marrã na 1ª cobertura no estudo relativo ao desempenho na vida produtiva (p <0,05; Tabela 3). Para matrizes com 14 LNV ou menos no 1º parto, as porcas cobertas pela 1ª vez aos 229 dias de idade ou mais cedo tiveram de 2,9 a 3,3 mais LNV du-

rante a vida produtiva, de 0,3 a 0,6 LNV a mais na vida produtiva anualizada, de 2,2 a 2,9 leitões desmamados a mais e de 0,2 a 0,3 mais partos no momento do descarte, em comparação aos grupos de porcas cobertas pela 1ª vez aos 278 dias de idade ou mais tarde (P <0,05). No entanto, para as porcas com 15 ou mais LNV no 1º parto não houve tais diferenças de desempenho, durante a vida produtiva de marrãs com qualquer idade na 1ª cobertura (P ≥0,72). Além disso, em todos os grupos de marrãs com qualquer idade na 1ª cobertura, porcas com 15 ou mais LNV no 1º parto tiveram de 4,4 a 26,1 LNV a mais na vida produtiva e de 2,9 a 11,7 mais LNV na situação anterior anualizada, em comparação com as porcas de 14 LNV ou menos (P <0,05). Além disso, porcas com 12 ou mais LNV no 1º parto adicionaram 0,6 a 0,8 partos a mais até o momento do descarte, em comparação com porcas de 7 LNV ou mais ao longo dos intervalos de idade das marrãs na 1ª cobertura (P <0,05). Números de LNV mais elevados no 1º parto foram associados à maior idade das marrãs na 1ª cobertura e a granjas maiores (P <0,05), mas não com ocorrências de resserviço ou mudanças na dimensão da granja (P ≥ 0,06; tabela 4). nº 56/2016 | Suínos&Cia

33


Reprodução

Tabela 3. Comparações de desempenho durante a vida produtiva entre os quatro grupos caracterizados por leitões nascidos vivos no 1º parto e os três grupos de marrãs com idades distintas na 1ª cobertura1 Idade da marrã na 1ª cobertura

Grupos de porcas destacando leitões nascidos vivos no 1º parto 07 ou menos

08 a 11

12 a 14

15 ou mais 3.093

Nº de porcas na 1ª parição 229 dias ou mais nova

2.815

9.382

9.065

230 a 277 dias

5.626

18.142

18.098

6.172

278 dias ou mais velha

2.793

9.112

9.024

3.667

Nascidos vivos durante a vida produtiva 229 dias ou mais nova

43,3 ± 1,42ay

54,9 ± 1,33ax

61,8 ± 1,33aw

66,2 ± 1,42v

230 a 277 dias

41,6 ± 1,34aby

54,7 ± 1,29ax

60,9 ± 1,29aw

66,8 ± 1,33v

278 dias ou mais velha

40,0 ± 1,40by

51,8 ± 1,31bx

58,9 ± 1,31bw

66,0 ± 1,37v

Nascidos vivos durante a vida produtiva anualizados 229 dias ou mais nova

20,4 ± 0,32ay

25,5 ± 0,31ax

28,5 ± 0,31aw

31,4 ± 0,32v

230 a 277 dias 278 dias ou mais velha

20,1 ± 0,31aby

25,5 ± 0,31ax

28,4 ± 0,31abw

31,4 ± 0,31v

19,8 ± 0,32by

25,1 ± 0,31bx

28,1 ± 0,31bw

31,5 ± 0,32v

Desmamados durante a vida produtiva 229 dias ou mais nova

43,4 ± 1,29ax

49,6 ± 1,22aw

52,2 ± 1,22av

51,7 ± 1,29v

230 a 277 dias

41,8 ± 1,23abx

49,5 ± 1,19aw

51,5 ± 1,19av

52,3 ± 1,22v

278 dias ou mais velha

40,5 ± 1,28bx

46,9 ± 1,21bw

49,9 ± 1,21bv

51,5 ± 1,25v

5,1 ± 0,11av

5,0 ± 0,12vw

Parição no momento do descarte

34

229 dias ou mais nova

4,4 ± 0,12ax

4,9 ± 0,11aw

230 a 277 dias

4,2 ± 0,11abx

4,8 ± 0,11aw

5,0 ± 0,11av

5,0 ± 0,11v

278 dias ou mais velha

4,1 ± 0,12bx

4,6 ± 0,11bw

4,8 ± 0,11bv

4,9 ± 0,11v

a, b: Diferentes expoentes dentro de uma coluna representam diferenças significativas nas médias (P < 0,05). v–y: Diferentes expoentes dentro de uma linha representam diferenças significativas nas médias (P < 0,05). 1: Médias e erros padrão (SE, na sigla em inglês) foram estimados usando modelos mistos.

Figura 1. Linha de predição de leitões nascidos vivos no 1º parto com a mudança de tamanho da propriedade (as linhas pontilhadas mostram intervalos de confiança de 95%, que foram definidos como a média ± 1,96 × SE) Suínos&Cia | nº 56/2016

Além disso, as porcas cobertas entre janeiro e junho e entre outubro e dezembro apresentaram 0,13 e 0,09 LNV a mais no 1º parto, respectivamente, em comparação àquelas cobertas entre julho e setembro. Nos modelos estatísticos, o efeito granja aleatória na interceptação explicou apenas 6,1% da variância total para o LNV no 1º parto (tabela 4). Como o tamanho da propriedade aumentou de 180 para 1.300 marrãs e porcas (10o ao 90o percentual), o LNV no 1º parto aumentou linearmente em 0,3 suínos (p <0,05; fig. 1). Além disso, houve uma interação de duas vias entre os grupos cobertos no mês e as idades das marrãs na 1ª cobertura para o LNV no 1º parto (P <0,05). O LNV no 1º parto de porcas fecundadas de julho a setembro e de outubro a dezembro teve um aumento não linear de 0,3 e 0,4 leitões, respectivamente, quando a idade da marrã na 1ª cobertura aumentou de 200 para 310 dias (P <0,05; Fig. 2). No entanto, esse mesmo aumento de idade da marrã na 1ª cobertura não teve efeito significativo sobre o LNV de porcas fecundadas entre janeiro e junho (P ≥ 0,17).


Reprodução

Tabela 4. Estimativas de efeitos fixos e variância do efeito aleatório incluídas no modelo final de regressão linear para os leitões nascidos vivos no 1º parto Estimativas (±SE)

Valor de P

Constante

10,916928 (0,194939)

< 0,01

Idade da marrã na 1ª cobertura, dias

0,000819 (0,000561)

0,14

Idade da marrã na 1ª cobertura ao quadrado

–0,000008 (0,000005)

0,11

Re-serviço (repetição de cobertura)

–0,031436 (0,032904)

Efeitos fixos1 e variância

Grupos cobertos por mês Janeiro a Março

0,0

Abril a Junho

–0,000868 (0,028499)

Julho a Setembro

–0,133524 (0,029104)

Outubro a Dezembro

–0,039992 (0,028434)

Grupos cobertos por mês × Idade da marrã na 1ª cobertura Janeiro a Março

0,34 < 0,01

< 0,01 0,0

Abril a Junho

–0,000001 (0,000652)

Julho a Setembro

0,001672 (0,000682)

Outubro a Dezembro

0,002942 (0,000661)

Tamanho da granja, marrãs e porcas

0,000267 (0,000127)

0,04

Mudança no tamanho da granja, %

0,002775 (0,001464)

0,06

Variância interceptada nonível da granja

0,63 (0,08)

Variância interceptada no nível da fêmea

9,56 (0,04)

ICC (registros dentro da mesma granja), % 2

: País e ano de entrada não são mostrados na tabela.

1

6,1 SE (na sigla em inglês) = erros padrão.

: ICC = coeficiente de correlação intraclasse.

35

2

Discussão Neste estudo, a alta constante do LNV ao longo dos partos e a elevada taxa de parição nos partos de 1 a 3, nas porcas que tiveram um alto LNV no 1º parto, confirmam que essa situação (LNV no 1º parto) é um indicador útil na ajuda aos produtores para identificar porcas altamente férteis numa fase inicial. Além disso, o fato de que houve uma correlação relativamente mais elevada entre partos adjacentes para o LNV, do que para a taxa de parição, indica que o LNV pode ser melhor prospectado por meio do LNV do1º parto, em vez da taxa de parição. Da mesma forma, a alta constante do LNV em todos os partos e a elevada longevidade das fêmeas com alto LNV no 1º parto resultou nestas porcas com um LNV mais elevado ao longo da vida produtiva, em comparação com as porcas que tiveram um LNV baixo no 1º parto. Nosso estudo demonstrou que não há diferença entre os grupos de porcas caracterizados pelo LNV, considerando o intervalo desmame-primeira cobertura, que é um dia não produtivo, e esta situação sugere que não houve efeito negativo no aumento de LNV no 1º parto, no primeiro ciclo estral após o desmame.

Figura 2. Linhas de predição dos leitões nascidos vivos no 1º parto para porcas que foram cobertas pela 1ª vez com diferentes idades e em diferentes épocas do ano. As linhas previstas de leitões nascidos vivos no 1º parto para porcas cobertas entre janeiro e junho não são mostradas porque o teste de Wald falhou ao rejeitar a hipótese nula de que os coeficientes de regressão de idade na primeira cobertura e a idade na primeira cobertura ao quadrado correspondessem a termos que, para as porcas, foram simultaneamente iguais a zero (P ≥0,17) nº 56/2016 | Suínos&Cia


Reprodução

Nos grupos de porcas com 14 LNV ou menos no 1º parto, as porcas cobertas pela 1ª vez com idade mais alta demonstraram ter menor tempo de vida produtiva do que aquelas cobertas pela 1ª vez com idade inferior, mesmo que esse acasalamento mais tardio estivesse associado às porcas com LNV mais alto no 1º parto. Esta contradição pode ser explicada pelo fato de que porcas cobertas pela 1ª vez com idade mais avançada sejam susceptíveis a se tornar porcas de baixa eficiência, com o resultado de um aumento no seu descarte devido a falhas reprodutivas (Takanashi e Koketsu, 2011). Nessa situação, portanto, elas têm menor longevidade do que porcas cobertas primeiro em idades mais baixas (Knauer et al., 2010; Patterson et al., 2010).

A falta de qualquer efeito negativo pode provavelmente ser explicada pelo fato de que os mecanismos e a genética relacionados com o intervalo desmame-primeira cobertura e o fato de haver um maior número de LNV serão diferentes; o intervalo desmame-primeira cobertura está fortemente relacionada à secreção de LH, por meio do eixo hipotalâmico-hipofisário-gonadal das porcas (Koketsu et al., 1996). Além disso, o LNV no 1º parto não foi claramente associado com o número de leitões desmamados no parto 2 ou em partos posteriores. Este resultado pode ser explicado pelas práticas de crossfostering (leitões atrasados transferidos) e pela mortalidade pré-desmame. A maior mortalidade foi considerada como estando associada a um LNV mais alto e à ordem de parto das porcas (Koketsu et al., 2006). No que diz respeito à promoção de práticas, os produtores, muitas vezes, fazem porcas menos prolíficas fomentarem leitões extra de porcas altamente prolíficas (Usui e Koketsu, 2013).

36

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No entanto, nossos resultados mostraram que as porcas com 15 ou mais LNV no 1º parto tiveram alto desempenho constante ao longo da vida produtiva, independentemente da idade da primeira cobertura. Estas parecem ser porcas intrinsecamente férteis, havendo a possibilidade dessas porcas férteis serem uma exceção, cujos ciclos estrais antes do 1º parto foram deliberadamente ignorados pelos produtores para manter a produção estável. Este é o primeiro estudo publicado sobre a interação entre a idade da marrã na época da primeira cobertura e a estação do acasalamento para fêmeas caracterizadas pelo LNV no 1º parto. Marrãs cobertas durante o verão ou no início do outono parecem ter seu crescimento prejudicado devido ao estresse térmico. Um estudo anterior mostrou que as marrãs criadas de abril a outubro tinham baixa taxa de crescimento e a puberdade atrasada, em comparação com aquelas de outubro a abril (Christenson, 1981). Assim, os produtores devem usar marrãs bem amadurecidas para o acasalamento, entre julho e dezembro. No entanto, considerando o baixo desempenho na vida produtiva de porcas que foram marrãs com idade superior, na 1ª cobertura, os dados sugerem que 278 dias deve ser o limite máximo da idade para a primeira cobertura durante este período nas granjas estudadas. Enquanto isso, não houve tal associação no inverno e na primavera, o que nos faz recomendar a cobertura das fêmeas o mais rapidamente possível durante esse período. Além disso, a associação entre a maior dimensão das propriedades e um aumento no LNV pode ser explicada pela hipótese de que haveria uma melhora genética mais rápida e um sistema de produção mais eficaz em granjas maiores, em comparação com as pequenas propriedades.


Reprodução

Finalmente, os 17,6% do ICC no LNV para registros individuais da mesma porca, no presente estudo, pode ser explicado pela variação do LNV entre os registros dos partos. Tal variação pode ser devida a diferenças nas práticas de manejo entre os registros de partos distintos. Isto indica a importância da observação das práticas de manejo adequadas em cada parto, tais como o aumento da ingestão de ração na fase de lactação (Koketsu e Dial, 1997), o momento ideal para a cobertura (Kaneko et al., 2013) e a redução de pressões ambientais. Além disso, no presente estudo, a baixa relativa do ICC no LNV do 1º parto para a variância da granja indica que houve poucos efeitos inexplicáveis na mesma com relação ao LNV. Existem algumas limitações que devem ser observadas na interpretação dos resultados do presente estudo. Este foi um estudo observacional realizado com a utilização de dados de explorações comerciais. A sanidade da granja, a nutrição, os genótipos e os índices de fertilidade dos machos a serviço não foram levados em conta nas análises. No entanto, mesmo com essas limitações, esta pesquisa fornece informações valiosas sobre o efeito do LNV no 1º parto na produtividade e na eficiência reprodutiva da vida produtiva das porcas para os produtores de suínos e veterinários. Concluindo, o LNV no 1º parto pode ser usado para prever quais porcas serão altamente prolíficas. Além disso, a idade limite superior de marrãs (leitoas) para a primeira cobertura, do verão para o outono (na UE), pode ser, no máximo, de 278 dias, pois qualquer atraso nessa primeira cobertura não melhoraria o desempenho da porca ao longo da sua vida produtiva. Além disso, porcas com menor número de LNV no 1º parto não devem ser prontamente descartadas, contanto que não manifestem falhas reprodutivas, porque a análise econômica indicou que o lucro líquido de suas vidas produtivas não seria obtido até o 3º parto (Lucia et al., 2000; Stalder et al., 2003; Sasaki et al., 2012). De fato, há poucas ocorrências em granjas comerciais relativas ao descarte de porcas de poucos partos devido a leitegadas de tamanho reduzido (Engblom et al., 2007; Sasaki e Koketsu, 2008). No entanto, os custos de oportunidade específicos de cada país que adiam a reposição das porcas também devem ser considerados, a fim de tomar decisões sobre manter ou não uma porca com LNV reduzido.

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having high lifetime efficiency and high longevity associated with herd productivity in commercial herds. Lives. Sci. v. 118. p.140–146. doi:10.1016/j. livsci.2007.12.029. 2008. 21. SASAKI, Y. & KOKETSU, Y. Reproductive profile and lifetime efficiency of female pigs by culling reason in highperforming commercial breeding herds. Jour. Swine Healt. Prod. v. 19. p.284–291. 2011. 22. SASAKI, Y.; MCTAGGART, I.; KOKETSU, Y. Assessment of lifetime economic returns of sows by parity of culled sows in commercial breeding herds. Jour. Vet. Epide. v. 16 p. 37–45. doi:10.2743/ jve.16.37. 2012. 23. SASAKI, Y.; SAITO, H.; SHIMOMURA, A.; KOKETSU, Y. Consecutive reproductive performance after parity 2 and lifetime performance in sows that had reduced pigs born alive from parity 1 to 2 in Japanese commercial herds. Lives. Sci. v. 139. p. 252–257. doi:10.1016/j. livsci.2011.01.017. 2011. 24. SCHUKKEN, Y. H.; BUURMAN, J.; HUIRNE, R. B.; WILLEMSE, A. H.; VERNOOY, J. C.; VAN DEN BROEK, J.; VERHEIJDEN, J. H. Evaluation of optimal age at first conception in gilts from data collected in commercial swine herds. Jour. Anim. Sci. v. 72. p. 1387–1392. 1994. 25. SCHUKKEN, Y. H.; GROHN, Y. T.; MCDERMOTT, B.; MCDERMOTT, J. J. Analysis of correlated discrete observations: Background, examples and solutions. Prev. Vet. Med. v. 59 p. 223–240. doi:10.1016/S01675877(03)00101-6. 2003. 26. STALDER, K. J.; LACY, R. C.; CROSS, T. L.; CONATSER, G. E. Financial impact of average parity of culled females in a breed-to-wean swine operation using replacement gilt net present value analysis. Jour. Swine Healt. Prod. v. 11. p. 69–74. 2003. 27. TAKANASHI, A. & KOKETSU, Y. Factors associated with sows having low lifetime efficiency in commercial herds. Jour. Vet. Epide. v. 15. p.10–14. doi:10.2743/jve.15.10. 2011. 28. USUI, S. & KOKETSU, Y. Effect of increased number of pigs weaned compared to pigs born alive on sows’ subsequent reproductive performance in Japanese commercial breeding herds. Jour. Vet. Epide. v. 17. p. 36–43. doi:10.2743/jve.17.36. 2013.


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7º Simpósio Internacional de Doenças Emergentes e Reemergentes dos Suínos 21 a 24 de junho de 2015 – Kyoto (Japão) Antonio Palomo Yagüe Diretor da Divisão de Suinocultura SETNA NUTRICION – INZO antoniopalomo@setna.com

Introdução

E

ste simpósio sobre doenças emergentes e reemergentes nos suínos (ISERPD), em sua sétima edição, é realizado a cada quatro anos. A primeira edição ocorreu em Minneapolis (EUA), em 1991, havendo uma segunda no ano seguinte e no mesmo local (para efeito simbólico, ambas são o 1º Simpósio). Em seguida, a segunda edição foi realizada em 1995 na cidade de Copenhagen (Dinamarca). A terceira ocorreu em 1999 na cidade de Ploufragan (França), a quarta em 2003, em Roma (Itália), a quinta na Cracóvia (Polônia) e a sexta edição em Barcelona (Espanha). Desta vez, foi realizada no Centro Internacional de Conferências de Kyoto (Japão), local onde o Protocolo de Quioto foi assinado em 11 de dezembro de 1997, havendo a participação de 800 profissionais de 30 países. O simpósio contou com 29 empresas ligadas ao setor suinícola, a título de patrocinadores, e foi apoiado pela Organização Internacional de Saúde Animal (OIE). O slogan do mesmo foi “A colaboração global no controle das doenças dos suínos emergentes e reemergentes: da Ásia em direção ao mundo”.

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Ordem das apresentações técnicas Houve 257 contribuições científicas, organizadas como segue: yy nove conferências magistrais, 11 dissertações curriculares e 46 apresentações orais. Gostaria de enfatizar as apresentações de nossos colegas oradores convidados: Dr. Joaquím Segales, que discorreu sobre o tema principal do simpósio, com a palestra “Emerging and Evolution of Pig Diseases ... What’s Next”; Dra. Montse Torremorell, com a apresentação sobre gripe suína “Dinamics of Influenza Transmition in Swine Farms and Options for Control”; e Dra. Marisa Arias, com o trabalho sobre peste suína africana “African Swine Fever: a Global Vision of the Currente Challenge”. yy 191 posters. Dentro das apresentações orais, 78% referiam-se a vírus e 22% a bactérias, com a seguinte distribuição: Assunto

Número de trabalhos

Diarreia Epidêmica Suína

13

Síndrome Respiratória e Reprodutiva Suína

9

Circovírus Suíno

4

Influenza Suína

4

Febre Aftosa

3

Peste Suína Africana

3

Pneumonia Enzoótica

3

Disenteria Suína

2

Enterotoxemia Suína

2

Ileíte Suína

1

Pleuropneumonia Suína

1

Quanto aos 191 posters apresentados, a distribuição relativa a processos virais e bacterianos também foi muito semelhante, com 78% deles versando sobre vírus, 20% sobre bactérias e 2% sobre postos de trabalho e manejo nutricional. Mais precisamente, a relação dos posters apresentados é a seguinte: Suínos&Cia | nº 56/2016


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Assunto

Número de trabalhos

Síndrome Respiratória e Reprodutiva Suína

45

Diarreia Epidêmica Suína

42

Circovírus Suíno

32

Pneumonia Enzoótica

13

Influenza Suína

8

Colibacilose Suína

6

Peste Suína Africana e Peste Suína Clássica

6

Pleuropneumonia Suína

5

Ileíte Suína

4

Erisipela Suína

3

Encefalite Hemorrágica Suína

3

Disenteria Hemorrágica Suína

2

Doença de Glässer

2

Febre Aftosa

2

Salmonelose Suína

1

Estreptococcias Suínas

1

Campylobacter Suíno

1

Torque Teno Vírus Suíno

1

Produção de suínos no Japão yy O número de matrizes passou de 80 para 170 por granja, de 2000 a 2014; yy O plantel é de 900.000 fêmeas, que produzem 16.772.000 suínos terminados/ano; yy O consumo per capita é de 11,5 kg; yy Os suínos são abatidos com 112 kg de peso vivo; yy Os dados de produção em 2014, relativos a 148 granjas, são: ◦◦ produtividade média de 23,4 leitões desmamados/porca/ano e de 21,7 abatidos/ porca/ano; ◦◦ peso médio de carcaça de 75,7 kg (+ ou 0,5 kg); ◦◦ mortalidade média, do desmame ao abate, de 5,87%; ◦◦ ganho médio de peso diário, do desmame ao abate, de 623 gramas. Os pontos críticos principais da produção nipônica de suínos são: 1. Cuidado com a sanidade e o meio ambiente 2. Excelente biosseguridade 3. Produção segregada 4. Segregação por idades  5. Sistema “todos dentro/todos fora” entre e intra instalações é obrigatório 6. Redução e uso responsável de antibióticos 

7. Detecção precoce de sintomas de doenças ZHICHUN, J. - A Suinocultura na China yyOs preços de mercado e os lucros sofreram forte turbulência recentemente, o que forçou a reestruturação do negócio, deixando muitos pequenos produtores fora dele e levando a suinocultura para a industrialização e a integração. yyA análise da competitividade econômica e do custo de oportunidade é fundamental na produção de suínos para se entender as mudanças a serem realizadas e as perspectivas da indústria chinesa. A volatilidade do preço dos suínos vivos e da carne suína e o grande número de pequenas granjas e abatedouros dificultam essa análise. yyO governo, em 2015, criou um programa para promover a carne suína. O custo de oportunidade do capital investido nas granjas de suínos da China é extremamente favorável, em comparação a investimentos em outros setores do passado. yyEstá sendo incentivada a localização de granjas próximas aos centros de consumo (custos de transporte reduzidos) e em regiões competitivas (preço do terreno, facilidade para tratamento de água e resíduos, proximidade a regiões portuárias). Em uma economia de escala, ambas as gestões produtiva e financeira, as quais melhoram a eficiência do negócio, são prioritárias. Para atenuar o custo do capital investido, muitas empresas integram os leitões desmamados e na saída para a engorda, fornecendo ao integrado a ração e os serviços sanitários e comprando a sua produção. VALLAT, B. (www.oie.int)

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yy A demanda global por alimentos está aumentando, e considerando que em 2050 haverá mais de 1 bilhão de pessoas no mundo, a necessidade de proteína animal deverá aumentar em 50%. yy A globalização responde aos cinco Ts: comércio (Trade); viagem (Travel); transporte (Transport); turismo (Tourism) e terrorismo (Terrorism). As alterações climáticas e sociológicas terão um grande impacto. yy 60% dos patógenos humanos são zoonóticos e 75% das doenças emergentes também. 80% dos agentes infecciosos utilizados para fins terroristas também são zoonóticos. yy Os veterinários estão na divisa da proteção da saúde humana. Os benefícios do controle das patologias animais refletem na conservação dos alimentos, no acesso aos mercados, na redução da pobreza e na proteção das economias. O impacto dessas doenças leva à perda da produção de tais produtos de origem animal, a qual se estima em 20%. yy As principais mudanças nas quais estamos engajados incluem os aspectos jurídicos, o serviço público, o meio ambiente, o bem-estar animal, a nº 56/2016 | Suínos&Cia


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Declaração final do Protocolo de Kyoto resistência antimicrobiana, a educação e a profissão de veterinário. yy A OIE estabeleceu a sua base de operações em Paris, em 1924, com 180 Estados membros, concentrando suas ações em animais vivos, produtos de origem animal, segurança desses produtos, normas internacionais, códigos terrestres (controles-padrão de doenças, segurança nos transportes internacionais) e manuais sobre padrões de diagnóstico, métodos laboratoriais e vacinas. yy Foi criado o Sistema Global de Informações para a Saúde Animal (WAHIS, na sigla em inglês), com base no surgimento de novas doenças, novos patógenos ou alterações na apresentação de agentes já conhecidos. Este sistema opera on-line nos 180 países onde existe um sistema de alerta precoce, por meio de um mecanismo de relatórios semestrais sobre o controle das diferentes patologias incluídas e um banco de dados de atividades anuais, com o slogan “Proteja os animais, preservando o nosso futuro”. yy A lista de doenças de suínos relatadas pela OIE 2014 foram doença de Aujeszky, brucelose, cisticercose, febre aftosa, peste suína africana (PSA), peste suína clássica (PSC) e triquinelose. Como novas doenças emergentes em 2015 aparecem também a diarreia epidêmica suína, a gastroenterite transmissível e a gripe suína. Estão em fase de desenvolvimento, protocolos e normas internacionais relativos ao vírus da síndrome respiratória e reprodutiva suína (PRRS, na sigla em inglês). O Japão foi declarado livre de peste suína clássica em maio de 2015. yy Os elementos-chave para que os serviços veterinários sejam eficientes centralizam-se nos seguintes pontos: yyDetecção e notificação precoce para uma rápida resposta;

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Suínos&Cia | nº 56/2016

yyAlianças e acordos entre setores públicos e privados; yyCapacidade para implementar medidas de biossegurança; yyVacinas apropriadas, quando o seu uso for necessário; yyMecanismos de compensação para os suinocultores; yyMedidas de ação nacionais coordenadas; yyProgramas de educação e investigação; yy A resistência aos antimicrobianos estão se tornando uma preocupação global, tanto no setor da produção como no de práticas veterinárias. Estão sendo desenvolvidos protocolos-padrão na OIE/FAO/OMS, nos quais veterinários buscam a solução do problema. yy No futuro surgirão novas doenças derivadas de alterações climáticas e dos ecossistemas de agentes infecciosos, da globalização dos transportes, do tráfego de pessoas e turistas, dos processos migratórios, do bioterrorismo, das resistências antimicrobianas, das demandas sociais por proteína, do tráfico de animais. SEGALÉS, J. yy As doenças unifatoriais são reduzidas no contexto global (doença de Aujeszky, febre aftosa, peste suína clássica, peste suína africana). As parasitoses seguem a mesma tendência, e as doenças multifatoriais (síndromes) permanecem constantes. As doenças emergentes evoluem na forma de picos. yy Uma definição para doença emergente é aquela que afirma que a incidência dela aumenta significativamente quando introduzida pela primeira vez em uma nova população de hospedeiros; ou quando se trata de uma doença que já existia e que reaparece, como resultado de mudanças epidemiológicas ao longo do tempo (adaptação microbiana/gripe suína; mudanças na susceptibilidade do hospedeiro/vírus da doença de Aujeszky ou ADV, hospedeiro/circovírus suíno ou PCV2, hospedeiro/vírus da PRRS; mudanças demográficas; transportes; desenvolvimento econômico; bioterrorismo, alterações climáticas/existência anterior dela, ou de outras espécies, no ambiente). yy O termo ONE HEALTH baseia-se nos 12 princípios de Manhattan, integrando os aspectos de comunicação, colaboração e coordenação entre a saúde pública, saúde animal e outras comunidades para prevenir, detectar e controlar as doenças. Parte da base de diferenciação entre processos endêmicos e epidêmicos, bem como dos programas de eliminação e controle, com base na proporção da reprodutibilidade (Ro). yy Desde 1985 até hoje, o número de suínos transportados vivos e de carne suína transportada aumentou em 260% e 178%, respectivamente. Durante este período vários foram os agentes emergentes e reemergentes em suínos, como o vírus


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da PRRS, o PCV2, o vírus da PSC, da PSA, da gripe suína, da diarreia epidêmica suína, o vírus Nipah, o vírus Bungowannaansl, o vírus Menengle, o vírus da hepatite E, os retrovírus, torovírus e sapovírus. yy A classificação etiológica de algumas doenças é, em alguns casos, um processo longo e na maioria deles, multifatorial. A simples presença do agente não indica necessariamente a manifestação da doença. No futuro, a ciência denominada metagenômica nos ajudará a identificar alguns agentes e a esclarecer a origem de algumas patologias. yy A via exata de entrada de um agente patogênico é, muitas vezes, desconhecida. Por isso, o sequenciamento dele ajudará a conhecer sua origem, mas não a conhecer com exatidão o modo de introdução. yy Os vírus RNA têm maior capacidade de mutar, em comparação com os vírus DNA. E as bactérias, com seus mecanismos de resistência, são mais complicadas de combater. yy Entre 1985 e 2010 foram identificados de dois a três novos agentes patogênicos para suínos e humanos, a cada ano. Diarreia epidêmica suína (DEP, na sigla em espanhol) - vírus RNA yy SALF, L. J.  Nos EUA, em abril de 2013, o alpha-coronavírus − agente da DEP − emerge matando 1% da população local de suínos (8 milhões de leitões). Disseminou-se em 34 Estados em um curto espaço de tempo. Este vírus RNA causa mortalidade em leitões, que varia de 50% a 100% com sintomas clínicos de diarreia, febre, vômitos e desidratação. Provoca uma atrofia grave nas vilosidades intestinais, a qual é tanto maior quanto menor for o leitão. A cinética das células epiteliais é dependente da idade, e a replicação viral também é maior quanto menores forem os leitões. A dose infectante para leitões de um a seis meses de idade é 104 vezes mais elevada do que a dose necessária para infectar leitões com menos de três semanas de idade. A mortalidade é maior nos leitões com menos de sete dias de idade (100%) em comparação com leitões de 8 a 14 dias de idade (50% a 100%). A imunidade colostral frente à IgG é a dominante, sendo a imunidade lactogênica sistêmica eficaz contra a IgA (doenças entéricas). A imunidade lactogênica passiva, no caso do vírus da DEP, é crítica para a proteção dos leitões recém-nascidos. Por exemplo, as vacinas contra a gastroenterite transmissível (TGE, na sigla em inglês) aplicadas em porcas soronegativas, induzem a imunidade passiva: as vacinas vivas orais estimulam a produção de IgA no leite, promovendo uma boa proteção para os leitões. Para uma proteção adequada é necessário estimular a produção de IgA nos níveis digestivo e das glândulas mamárias. A presença de anticorpos no soro das porcas não significa proteção para os leitões lactentes. Portanto, a estratégia

para evitar quadros epidêmicos de DEP seria vacinar porcas em gestação não infectadas, por via oral, duas semanas antes do parto. As vacinas disponíveis atualmente são injetáveis e têm efeito positivo quando aplicadas em porcas já infectadas. As vacinas conjugadas estimulam a produção de IgA no nível digestivo e nas células de memória do baço. O USDA já aprovou duas vacinas com cepas norte-americanas, a Han Harris™ (vacina de subunidade) e a da Zoetis™ (vacina inativada). As dúvidas a respeito destas vacinas são a duração da imunidade passiva; a dose viral a ser aplicada nas marrãs de reposição e nos diferentes estágios de gestação, para induzir a produção de IgA no leite; e os métodos de atenuação delas, para manter a estabilidade e estimular a proteção no trato digestivo das porcas sem causar a doença, enquanto induz também uma imunidade lactogênica correta (maior conhecimento sobre a biologia do vírus da DEP). As vacinas atuais são mais eficazes em porcas soropositivas e controlam melhor os processos epidêmicos do que os endêmicos. São vários os fatores que afetam o grau de imunidade materna, entre eles o estado sanitário de porcas e leitões, o manejo, o estado imunológico global, os fatores de estresse ambientais.

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O autor fotografado com uma gueixa no ISERP/2015 nº 56/2016 | Suínos&Cia


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yy MURTAUGH, M.  Os picos dos focos − nos EUA − concentraram-se em abril de 2013, de setembro de 2013 a julho de 2014 e de março a maio ​​de 2015, tendo como resultado um aumento de mais de 13% nestes períodos sobre o custo dos produtos derivados de carne suína, repassado aos consumidores. Foram descritos quadros clínicos de média e alta virulências, que duraram 12, 6 e 7 semanas, respectivamente, resultando em perdas de 2, 6 e 1,5 leitões/porca/ano. A exposição ao vírus pela via oral gera uma produção de IgA na lâmina própria do intestino, superior à produzida pelo baço. Os níveis de anticorpos frente à IgG, monitorados por ELISA no soro, colostro e leite apresentam grande variação. Os anticorpos séricos neutralizantes surgem às nove semanas após a exposição. Os títulos de anticorpos neutralizantes são variáveis também ​​durante a lactação, sendo essenciais para a proteção dos leitões. A duração da imunidade nas porcas previamente expostas ao vírus foi de até quatro meses nos casos de reexposição. Estima-se que a imunidade materna proteja os leitões durante cerca de sete meses. O vírus é eliminado pelas porcas infectadas durante quatro semanas, devendo-se considerar que mesmo porcas sem sinais clínicos possam excretar o vírus. Em granjas livres, o uso de vacinas inativadas aumenta os níveis de anticorpos neutralizantes no colostro, mas não no leite. Nas granjas que adotam a vacinação, os títulos de anticorpos neutralizantes no colostro aumentam, sendo variáveis no leite. As células de memória precisam ser apresentadas novamente ao antígeno para serem ativadas e promoverem a secreção de anticorpos. É necessário aumentar o conhecimento sobre os mecanismos de produção e regulação de anticorpos lactogênicos.

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yy KOKAKRIT POONSUK  Os anticorpos passivos suprimem a resposta imune humoral con-

Centro Internacional de Conferências de Kyoto Suínos&Cia | nº 56/2016

tra as infecções pelo vírus, não protegendo os leitões, consequentemente. Os leitões que recebem leite com altos níveis de IgA excretam menos vírus nas fezes e têm mais chances de sobrevivência. yy AYAHO MIYAZAKI  No Japão, os primeiros casos de DEP ocorreram em 1982 (seis casos), em seguida em 1994 (uma onda de quadros epidêmicos, com milhares de leitões mortos) e em 1996 (80.000 leitões lactentes mortos). Mais recentemente, em outubro de 2013, surgiram casos novos, com um incremento entre dezembro de 2013 e março de 2014 (817 focos e 400.000 leitões lactentes mortos). A doença tem sido reproduzida experimentalmente em suínos de engorda, utilizando-se uma cepa norte-americana (OKN-1/2013), em doses altas e baixas. Foram observadas variações individuais, tanto em termos de gravidade como de transmissão do vírus, sendo a sua disseminação favorável durante as quatro semanas posteriores ao início dos sintomas clínicos. yy WANG, Q.  Em inoculações experimentais, 100% dos leitões apresentaram diarreia − de mediana a severa − entre um e três dias pós-infecção, e a mortalidade incidiu entre 0% e 75% das leitegadas. O pico de excreção viral, nas fezes, ocorreu também entre um e três dias pósinfecção, reduzindo-se em seguida, mas mantendo picos transitórios. A proteção cruzada se deu em apenas 19% dos leitões e na terceira semana pósinoculação. yy ALONSO, C.  A principal fonte de transmissão do vírus da DEP é a fecal-oral, seguida pela movimentação dos animais, o transporte e a ingestão de alimentos contaminados. Em estudos experimentais com leitões infectados de sete semanas de idade − oriundos de oito granjas distintas − foram tomadas amostras de ar, as quais foram analisadas pela prova do RT-PCR quantitativo. O vírus foi encontrado nelas, um a três dias após a inoculação, estando distribuído − em grandes quantidades − em vários tamanhos de partículas de ar, o que os levou a concluir que os quadros clínicos estão relacionados com a prevalência de ventos dominantes para distâncias de até 20 km. yy JIANQIANG ZHANG  Foram classificadas 108 cepas do vírus da DEP, nos EUA, com 836 sequências S1 distintas e procedentes de 545 diferentes quadros clínicos (25 Estados, entre 2013 e 2015). Existem diferenças fundamentais entre os nucleotídeos da porção S1 do vírus, o que faz com que as cepas norte-americanas tenham uma similaridade de 98,6% a 99,2% e tenham diversidade genética dentro de cada grupo e entre os grupos. Há duas cepas virais predominantes circulando nos EUA. A variante do protótipo é a menos virulenta, produzindo sintomas clínicos mais suaves, menor


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excreção, lesões clínicas e histopatológicas menos graves e menor positividade imuno-histoquímica. Seus níveis de viremia são semelhantes, e ambas as cepas promovem proteção cruzada, in vitro (há estudos em curso para demonstrar essa característica in vivo). Os testes de ELISA detectam anticorpos em diferentes níveis, relativos às duas cepas. E os testes de diagnóstico destinados a detectar diferentes níveis de anticorpos contra o vírus da DEP são a imunofluorescência, o ELISA e a neutralização viral. yy TOHRU SUZUKI  Entre 2007 e 2012 não foram relatados, no Japão, casos clínicos de diarreia epidêmica suína. Em 1º de outubro de 2013 a doença reemergiu depois de sete anos, com dois casos e mais quatro outros, entre novembro e dezembro. Em fevereiro de 2014 a doença se espalhou pelas regiões central e norte do país, afetando 837 granjas e 1.330.000 suínos. 409.000 vieram a óbito nessa ocasião, e a doença diminuiu sua incidência em julho de 2014, voltando a crescer gradualmente de outubro de 2014 até os dias de hoje. Dois outros tipos semelhantes de cepas virais foram detectados, não havendo diferenças antigênicas em comparação às cepas isoladas em décadas passadas e atualmente. Essa situação sugere que as cepas isoladas nos anos 70 derivam de uma origem comum. yy N´GUYEN VAN DREP  O primeiro relato de DEP no Japão refere-se a 1982. Em seguida, entre 1993 e 2000, o vírus tornou-se pandêmico, com 73,7% das amostras coletadas em mais de 90% das granjas reagindo positivamente. A maioria dos isolamentos de vírus da DEP atuais estão muito próximos das cepas isoladas nos EUA e de novas cepas da Coreia do Sul. Estas novas cepas, no entanto, são diferentes das antigas linhagens domésticas do Japão e das duas cepas vacinais existentes no país. A prevalência dos isolados no Japão, recentemente, sugerem a introdução de novas cepas por via marítima, o que explicaria as graves manifestações clínicas reemergentes em granjas vacinadas. yy CHIA-YI CHANG  Em Taiwan têm sido descritos casos de DEP desde dezembro de 2013. Antes de outubro de 2013, apenas dois casos haviam sido relatados (fevereiro de 2007 e junho de 2013). Um estudo local realizado em 2014 revelou 72,2% das granjas como sendo positivas (uma nova cepa de alta virulência e origem desconhecida), com mortalidades na faixa de 100% (leitões com menos de sete dias de idade) e de 50% (leitões com 8 a 14 dias de idade). O vírus da DEP é eliminado pelas fezes durante os nove dias posteriores à infecção, sendo os anticorpos séricos detectados aos oito dias pós-infecção. yy LESLEY BOWER  Detectou circulação viral − no nível populacional − em fluidos orais, o

A principal fonte de transmissão do vírus da DEP é a fecal-oral, seguida pela movimentação dos animais, o transporte e a ingestão de alimentos contaminados que significa a exposição ao vírus ou ao antígeno viral. O nível de vírus detectado em fluidos orais é menor que o nível detectado nas fezes. yy ROOGER MAIN  No Laboratório de Diagnóstico da Iowa State University (EUA), em 2014, foram registrados cerca de 75 mil casos de doenças entéricas, dos quais 75% de origem suína. Neste Estado (Iowa) entram 525 mil suínos por semana, provenientes de outros Estados, e esse número vem crescendo. Quando surgiu a DEP, em maio de 2013, a disseminação entre as regiões foi muito rápida, causando perdas estimadas da ordem de dois a três leitões/porca/ano. As principais medidas de controle da doença baseiam-se no cumprimento das medidas de biossegurança convencionais. A gravidade dela depende da idade dos animais em produção, por onde começam os sintomas clínicos na granja. Por exemplo, em porcas com menos de 30 dias de gestação, a gravidade da infecção é alta. Os principais fatores de risco são combatidos por meio das boas normas de higiene, do fechamento da granja a visitas externas, do estabelecimento de barreiras sanitárias, da adoção do sistema “todos dentro/todos fora”, da ingestão correta de colostro pelos leitões, do estabelecimento de boas práticas de adoção/distribuição de leitões e de normas adequadas de manejo. A infecção viral por doses mais elevadas promove uma imunidade superior nos leitões recém-nascidos. A recirculação do vírus da DEP dentro de uma mesma sala, ou entre diferentes salas de parto − no caso de dose infectante baixa −, diminui o tempo de infecção.

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yy SCOTT DEE  Na empresa Pipestone Farms, entre maio e dezembro de 2013, duas granjas comerciais foram infectadas. Em janeiro de 2014, um grande número de granjas de matrizes foi innº 56/2016 | Suínos&Cia


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no Japão sobre o espaço-tempo como hipótese de fator associado à disseminação viral, em regiões de alta densidade suína, demonstrou que a movimentação de animais por rodovias é o principal fator de risco como fonte de infecção.

Templo Kiyomizu-dera em Kyoto fectado, incluindo aquelas com sistemas de filtragem de ar. A suspeita da contaminação recaiu sobre o pó ambiental das fábricas de ração próprias, o que levou a uma tentativa de estabelecer uma correlação entre granja e fábrica. A sobrevivência do vírus na ração pronta é de 21 dias a 4°C e de sete dias sob condições de variação noite/dia (4°C a 20°C). As matérias-primas das quais se isolou a maior quantidade de vírus foram a farinha de soja, os resíduos de destilagem de álcool a partir de cereais (DDGS, na sigla em inglês), a farinha de carne e osso, o cloreto de colina e a DL-metionina; e os níveis mais baixos de contaminação foram obtidos dos cereais a granel e do pré-mix vitaminico-mineral. Alguns outros ingredientes promovem e outros inibem a sobrevivência do vírus. A hipótese da situação que atingiu as granjas baseou-se na equação: contaminação + fabricação + veículos = infecção.

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yy TELLIO O´SULLIVAN  O primeiro caso clínico no Canadá ocorreu em 22 de janeiro de 2014 em uma granja de ciclo completo de Ontário. A partir daí surgiram inúmeros casos, os quais foram associados a uma empresa de ração onde a presença do vírus foi detectada por PCR em uma farinha de plasma suíno de seu estoque. A indução experimental da doença com a referida farinha de plasma foi negativa, não mostrando haver, portanto nenhuma relação direta entre os fatos. Mesmo assim, tudo indica que a exposição contínua ao plasma suíno pulverizado (spray dried) aumenta significativamente a chance de desenvolver quadros clínicos de DEP, com base na demonstração da correlação dose/resposta. Os sintomas clínicos não estavam relacionados com os veículos de transporte, de acordo com seus estudos, sendo possível que outros fatores possam ter contribuído a esmo na propagação do vírus entre granjas. yy KOHEI MAKITA  Um estudo realizado Suínos&Cia | nº 56/2016

yy NI LUBOL  A DEP surgiu na Tailândia no final de 2007, associada com uma cepa de origem chinesa e não norte-americana, a qual possuía duas variantes, denominadas clássica e nova. Após seis a sete meses surgiram vários casos de reinfecções, com menor mortalidade. Nos surtos epidêmicos a mortalidade variou de 80% a 90%, enquanto nas infecções endêmicas só chegou a 20% a 30%. Quadros de diarreia em reprodutoras foram observados apenas nos surtos epidêmicos. A introdução precoce de marrãs de reposição, a segregação de partos, a prática do feedback (estímulo à imunidade dos animais por meio de exposição a material contaminado) e o despovoamento parcial de leitões lactentes ajudaram a reduzir a incidência da doença. A administração de certos probióticos às reprodutoras melhora o desempenho reprodutivo e reduz a mortalidade de leitões desmamados em granjas tanto vacinadas como não vacinadas contra a DEP. Essas práticas estimulam a secreção de IgA, IgG e anticorpos neutralizantes, aumentando também o volume da produção de leite e a concentração proteica dele. Os níveis séricos de IgG em porcas infectadas, na 12ª semana posterior à contaminação não são constantes, enquanto que os níveis de IgA no leite são uniformes. Os quadros clínicos de DEP aumentam drasticamente a mortalidade dos leitões lactentes, afetando também de modo negativo − em certos casos − a prolificidade e a fertilidade das porcas infectadas. As coinfecções entre o vírus da DEP e o vírus da PRRS aumentam o risco de transmissão horizontal. E também exacerbam os sintomas clínicos e lesões digestivas em leitões (redução das vilosidades intestinais e aumento do tamanho das criptas). O diagnóstico por imuno-histoquímica é mais sensível para amostras coletadas do íleo do que do jejuno, sendo suficiente coletá-las de três leitões doentes, em granjas clinicamente infectadas. A prova do PCR, a partir de amostras de fezes de suínos doentes, também é uma técnica de diagnóstico eficaz. Os suínos do tipo mini-pigs mostraram-se sensíveis ao vírus da DEP em infecções experimentais, sofrendo uma severa atrofia de vilosidades intestinais, perda de peso e manifestando diarreia amarelada característica. As vacinas comerciais no EUA são eficazes para reprodutoras previamente infectadas, no que diz respeito à mortalidade de leitões lactentes. Não costumam causar reações adversas, tampouco problemas reprodutivos após sua aplicação,


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tanto em marrãs antes da primeira inseminação como em porcas prenhes. As cepas surgidas em Taiwan, em 2013, e que causaram elevada morbidade e mortalidade, são filogeneticamente mais próximas às cepas norte-americanas, chinesas e canadenses. A duração média dos quadros de DEP no Japão é de 46 dias (13 a 89 dias). Aqui a variante INDEL, norte- americana, aparece com menor patogenicidade do que as cepas epidêmicas, causando diarreias sem mortalidade. Um estudo japonês descreve a relação entre os caminhões de transporte de suínos ao abatedouro e as granjas infectadas. Na China, em 2010, surgiu uma cepa de alta virulência que provocou a morte de um milhão de leitões. O primeiro caso de DEP relatado na Ucrânia aconteceu no verão de 2014, tendo início em uma sala de partos e caracterizado por um quadro de diarreia profusa e vômitos, algumas horas após o nascimento. Sua origem foi uma cepa filogeneticamente próxima das norte-americanas, chinesas e coreanas. No México, o primeiro caso de DEP foi confirmado em 30 de julho de 2013, infectando 16 Estados e provocando perdas da ordem de 2,37 a 4,87 leitões por porca/ano. O delta coronavírus suíno (PDCoV, na sigla em inglês) foi introduzido pela primeira vez no Japão em 2012, e nos EUA, em 2014, associado à doença entérica em todas as fases da produção, com menor gravidade do que a DEP e a gastrenterite transmissível (TGE, na sigla em inglês). Mesmo assim, chegou a provocar de 16% a 20% de mortalidade e a reduzir em 10% o ganho médio de peso diário. A técnica de RT-PCR, do laboratório IDEXX™, diferencia estes três vírus. Síndrome respiratória e reprodutiva suína (PRRS, na sigla em inglês) - vírus RNA yy HANCHUN YANG  O vírus da PRRS é considerado endêmico em muitos países. Os quadros clínicos emergem e reemergem como novas cepas, aumentando sua virulência e patogenicidade. Um exemplo é o que aconteceu na China em 2006, com a doença expandindo-se para o sul com alta morbidade e mortalidade em todas as fases de produção. Estudos mostram que as proteínas não estruturais 9 (NSP-9) e 10 (NSP-10) codificam regiões da ORF1b, responsáveis ​​pela replicação viral, o que contribui para o aumento da patogenicidade e da virulência, especialmente em leitões. Isto se deve ao maior tropismo da cepa chinesa HP-PRRSv pelas células do pulmão, mecanismo de escape imunitário e modulação das defesas imunológicas, assim como às infecções bacterianas secundárias. Têm sido usadas vacinas vivas atenuadas, seguras para porcas prenhes e leitões, que conferem boa proteção, ainda que as granjas tenham grandes

problemas clínicos e surtos esporádicos, associados ao mal uso delas. Além disso, ocorrem quadros da doença devidos à cepa NADC-30, importada dos EUA por meio de marrãs futuras reprodutoras. yy JULIO ÁLVARES  Existem dúvidas sobre quais seriam as estratégias de controle mais rentáveis, tanto no nível da granja quanto no nível regional. Tem sido sugerida uma distribuição heterogênea dos fatores que favorecem a propagação da doença, bem como uma complexa associação entre a doença, os hospedeiros e as estratégias de manejo implementadas em larga escala. O uso de modelos estocásticos assinala como a virulência das cepas e o tamanho da granja, combinados com o despovoamento delas ou com procedimentos de adaptação − quarentena de nulíparas e um plano contínuo de vacinação adequado. São as estratégias mais eficazes de controle para uma estabilização precoce do vírus da PRRS nas granjas. As provas moleculares estabelecem a relação epidemiológica entre duas cepas (> 5% do genoma = diferentes; < 2% do genoma = similares) para explicar se os focos reincidentes da doença em uma granja endêmica são devidos à cepa existente ou a uma nova cepa do vírus da PRRS. yy POLSON, D.  Vírus da família Arteriviridae, altamente variável. A transmissão tanto direta como indireta tem sido demonstrada experimentalmente. Estudos realizados com modelos multiníveis espaço-tempo têm mostrado diferenças genéticas entre locais distintos, muito condicionadas pela circulação dos suínos entre eles. Há uma pequena associação entre a distância genética e a distância espaço-tempo, sugerindo a disseminação do vírus entre granjas dentro da mesma área (transmissão por aerossóis).

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yy PHAM, T.T.H.  No Vietnã se produz três

Jardim típico em Kyoto nº 56/2016 | Suínos&Cia


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milhões de toneladas de carne suína, o que corresponde a 74% do total da carne no país, onde o vírus da PRRS é endêmico desde 2007, quando apareceu uma cepa altamente patogênica. Perdas econômicas estimadas com quadros agudos da doença variam de € 25,00 a 30,00/suíno. As perdas devidas à febre aftosa, no mesmo país, são de € 17,00 a 27,00/suíno. As perdas econômicas devido à problemas reprodutivos são maiores do que as causadas por problemas respiratórios. yy OKUMURA, H.  O vírus da PRRS, no Japão, foi identificado pela primeira vez em 1993. Entre os planos de controle está a introdução de reprodutoras negativas em granjas positivas, a aclimatação adequada e a adaptação de, pelo menos, dois meses com vacinação, já que o despovoamento lá não é viável. O vírus é excretado na urina nos 15 dias pós-infecção, nos 35 dias nas fezes e nos 56 dias na saliva. yy DEE, S.  A utilização de vacinas vivas modificadas em suínos de engorda infectados reduz a duração da excreção do vírus de campo, tanto em sentinelas como via aerossóis, reduzindo o risco de transmissão entre granjas em áreas de alta densidade populacional. Para avaliar o status frente à PRRS é conveniente combinar a sorologia, tanto por ELISA quanto por PCR, além de observar os sinais clínicos no ambiente da granja. yy KRISTENSEN, C.S.  O vírus da PRRS é endêmico na Dinamarca e mais de 50% das granjas estão infectadas (www.spf-sus.dk), estimando-se perdas anuais da ordem de 15 milhões de euros. Circulam por lá os sorotipos 1 e 2, com a duração da viremia em animais vacinados com vacinas de sorotipo 1/europeias, similar à duração da viremia nos suínos vacinados com vacinas de sorotipo 2/

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Estação de Kyoto e terminal de ônibus Suínos&Cia | nº 56/2016

norte-americanas. Não há proteção cruzada contra a cepa atípica BOR59. As cepas vacinais permanecem na granja após cessado o processo de vacinação. A proteção conferida pelas vacinas frente às cepas heterólogas é altamente variável. A replicação viral leva à imuno-modulação do hospedeiro, provocando quebras nas respostas imune inata e adaptativa, além de permitir a persistência do vírus nos macrófagos dos tecidos. As perdas econômicas causadas por quadros agudos da doença, na Dinamarca, variam de € 27,00 a 67,00/porca/ano e de € 0,70 a 4,00/leitão desmamado, com um montante médio de € 0,50/suíno abatido. O custo da infecção por PRRS nos EUA, em leitões, corresponde a US$ 1,78 a 3,92/cabeça, com um incremento da mortalidade da ordem de 1,5 a 1,88 pontos, um aumento no índice de conversão de 40 gramas e perdas no crescimento da ordem de 4,5 a 22,7 gramas/dia. Muitas das cepas variantes do vírus PRRS, no Vietnã, são variantes de alta patogenicidade das cepas norte-americanas e muito próximas das cepas chinesas. A partir de 2013 e até os dias de hoje há muitos quadros clínicos em granjas vacinadas. O diagnóstico por RT-PCR, baseado no gene usp2 costuma dar falso negativo pela grande variação genética do referido gene. Na Ásia, observa-se a recombinação entre isolamentos de cepas endêmicas e emergentes, o que explica a dinâmica e a evolução dos quadros clínicos causados pelo vírus da PRRS. A diferente capacidade de induzir citocinas, atribuída a cepas distintas do vírus da PRRS, explicaria as variações no grau das lesões microscópicas provocadas por elas. A vacinação dos suínos de engorda com vacinas vivas reduz o impacto das infecções e tem efeito positivo sobre a mortalidade, o ganho médio de peso diário e a conversão alimentar, de acordo com vários estudos. A recirculação viral nos leitões desmamados pode afetar a eficácia das vacinas contra o PCV2. As vacinas inativadas têm menor risco de reversão da virulência e também são menos imunogênicas que as vacinas vivas atenuadas. A aplicação intradérmica da vacina Porcilis™ PRRS na região perianal, em reprodutoras de reposição, induz uma resposta imune similar à da vacinação realizada na base da orelha. A administração intradérmica da vacina Unistrain™ PRRS confere níveis elevados de imunidade celular, superiores aos conferidos pela aplicação intramuscular, devido à geração de uma maior resposta ao efeito memória. O uso do tartarato de tilvalosina a 200 ppm reduz a replicação viral nos macrófagos, in vitro. A concentração de aminoácidos no plasma de suínos infectados pelo vírus da PRRS modificase com a redução dos níveis de treonina e triptofano, o que se deve levar em conta na formulação das dietas dos mesmos.


Influenza ou gripe suína - vírus RNA yy VAN REETH, K.  Os vírus da gripe suína são da família Orthomyxoviridae e são predominantemente do tipo A, possuindo a mesma estrutura básica dos que afetam outras muitas espécies. Existem diferenças importantes entre os vírus da gripe interespécies e também entre os diferentes subtipos que circulam na mesma espécie. Há dois tipos de glicoproteínas na superfície viral (HA: hemaglutinina e NA: neuraminidase). Após a exposição ao vírus, o hospedeiro gera anticorpos contra estas duas glicoproteínas, essenciais para combater a infecção e/ou proteger contra infecções futuras. A HA predomina sobre a NA, uma vez que media a primeira barreira frente à infecção e os anticorpos gerados contra ela são chamados de anticorpos neutralizantes. São conhecidas 16 HAs e 9 NAs, antigenicamente distintas, e suas diferentes combinações determinam o subtipo viral. Os vírus da gripe humana e suína não são 100% idênticos. Os principais hospedeiros do vírus influenza A são as aves domésticas e selvagens, os seres humanos, os suínos, os cavalos, as focas, as martas, os cães e os gatos. São conhecidos movimentos e deslocamentos antigênicos derivados de pequenas mutações nos genes que codificam HA e NA, que fazem com que o vírus escape dos anticorpos gerados previamente contra o vírus da gripe, iludindo os mecanismos de defesa. Pior ainda é quando dois vírus diferentes infectam o mesmo hospedeiro simultaneamente. A população humana era indene − do ponto de vista imunológico − aos vírus aviários, o que levou às pandemias: de H2N2, em 1956, e de H3N2, em 1968. Desvios antigênicos ocorrem continuamente nos vírus da gripe humana e, em menor intensidade, nos da gripe suína, em que são mais comuns as recombinações. Nos últimos cem anos tem-se conhecimento de quatro pandemias: 1918/H1N1, 1957/H2N2, 1968/H3N2 e 2009/H1N1. Nas três primeiras, os vírus são oriundos, supostamente, de aves selvagens. Não está claro se a de 1918 infectou primeiro pessoas ou suínos. Nas de 1957 e 1968 nunca foi confirmada a infecção de suínos. São necessárias muitas alterações genéticas nestes vírus para que eles se repliquem e se propaguem entre humanos, cuja natureza das alterações são em grande parte desconhecidas. Os vírus asiáticos aviares H5N1 e H7N9 têm causado mortalidade em pessoas imunologicamente indenes a H5 e H7. Inversamente, os vírus H1 e H3 causam quadros clínicos leves e, grande parte da população, têm uma proteção cruzada contra eles, dependendo da natureza viral e da idade das pessoas. Em alguns casos, os vírus da gripe suína estão filogeneticamente mais próximos dos vírus humanos do que os das aves. Por isso que, em teoria, podem cruzar a barreira interespécie e se adaptarem aos humanos. Nas pessoas, dois subtipos do


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A vacinação dos suínos de engorda com vacinas vivas reduz o impacto das infecções e tem efeito positivo sobre a mortalidade, o ganho médio de peso diário e a conversão alimentar vírus influenza A circulam durante o tempo frio (de outubro a março, no hemisfério norte, e de abril a setembro, no hemisfério sul). Ambos os vírus são H3N2, de 1968 e H1N1, de 2009. Em suínos, a influenza não tem um padrão ocasional, e a situação epidemiológica é muito mais complicada. O vírus H1N1, H3N2 e H1N2 são enzoóticos, em muitas localidades e as suas características antigênicas e genéticas variam muito entre países e continentes. O vírus H3N2, norte-americano, é chamado de “cruzamento triplo” por serem seus genes de superfície humanos, e os seus genes nucleares de origem humana/suína/aviar. Desde 1990, várias linhas genéticas de vírus da gripe H1 e H3 coexistem em populações de suínos na Europa e na América do Norte. A pandemia de H1N1 de 2009 continha o vírus clássico H1 suíno, de modo que somente as pessoas nascidas antes de 1940 tinham sido previamente expostos a ele.

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yy TORREMORELL, M.  Doença caracterizada pela alta morbidade e baixa mortalidade, crescimento reduzido, maior heterogeneidade dos pesos de abate, anorexia, febre, tosse, espirros, corrimento nasal e letargia. A primeira referência de sintomas respiratórios causados pelo vírus influenza em suínos, nos EUA, foi em 1918 (Koen), permanecendo assim até 1998. Os vírus atuais são recombinações de cepas humanas e aviárias difíceis de controlar. As rotas mais comuns de propagação são os aerossóis (partículas em suspensão > 2,1 nm) e o contato direto com secreções de indivíduos infectados ou instrumentos contaminados. Não se transmite pela via seminal nem pelo consumo de carne suína. É comum a contaminação da água com fezes de aves. O vírus da gripe é detectado em amostras de ar provenientes de granjas infectadas. A contaminação em feiras e mercados Suínos&Cia | nº 56/2016

não é incomum, assim como no caso de granjas suinícolas próximas de granjas de perus. Os suínos podem se tornar infectados em todas as idades e fases de produção. A prevalência da infecção em granjas de matrizes, segundo diferentes estudos, é muito elevada (83% no Canadá, 90% na UE - Alemanha, Bélgica, Espanha). A prevalência em suínos de engorda é de 2% a 4%, em diferentes estudos. Individualmente, as infecções pelo vírus da gripe em suínos têm uma duração média de 5 a 7 dias, enquanto que numa população o vírus pode ser mantido por longos períodos de tempo (de semanas a anos). Este fato é influenciado por fatores como a entrada de novos animais na granja, que pode gerar subpopulações e mudanças no nível imunológico. Granjas endemicamente infectadas são comuns, estando claro nos dias de hoje, também, a existência de muitas granjas subclinicamente infectadas. O vírus é encontrado em ambas as situações: granjas vacinadas ou não e também em animais sem nenhum sintoma clínico. A presença do vírus em cada localidade é dinâmica, podendo haver a coexistência de vírus residentes e de novos vírus. Estas granjas infectadas endemicamente são os reservatórios virais que podem infectar outros suínos, outras espécies animais e até mesmo pessoas. Os leitões recém-nascidos são importantes reservatórios do vírus para a sua manutenção em granjas de reprodução e para a introdução do vírus nos suínos de engorda. A ocorrência de uma imunidade parcial e a cocirculação de múltiplas cepas são fatores que afetam a persistência do vírus da gripe em populações de suínos, tanto no tempo como no espaço. Leitões lactentes e porcas jovens de reposição desempenham um papel importante na manutenção e na transmissão do vírus da gripe em populações de suínos, além de formar subpopulações que têm papel importante na diversidade viral ao longo do tempo. As infecções pelo vírus da gripe em granjas de reprodução são dinâmicas, e a prevalência viral em granjas de engorda endemicamente infectadas muda significativamente − de semana a semana − de acordo com estudos brasileiros e norte-americanos. As coinfecções mais comuns com o vírus da gripe são a síndrome respiratória e reprodutiva suína e a pneumonia enzoótica, situações em que a mortalidade e os refugos aumentam e o crescimento dos suínos se potencializa de forma negativa. Estes problemas se agravam mais ou menos, dependendo da idade dos animais afetados. A resposta imune entre indivíduos é variável. A imunidade celular está menos estudada que a humoral, no caso do vírus da gripe. As vacinas inativadas induzem uma proteção tanto celular como humoral nos suínos de engorda. Em populações de suínos endenes, a transmissão viral é intermitente, e os animais com 90 dias de idade mostram-se mais sensíveis à infecção, sendo esta a idade ideal para o isolamento do


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vírus (estudo japonês). O vírus da gripe surgiu, na suinocultura da Noruega, em 2009 passado a ser endêmico desde então. Com apresentações subclínicas (H1N1pdm09) causando baixa morbidade e poucos sinais clínicos, especialmente em suínos de engorda, a infecção local caracteriza-se pela redução na taxa de conversão diária e piora no lucro médio, sendo mais grave em suínos infectados em idades mais precoces. Estudo realizado no Vietnã, por meio de sorologia em abatedouros, isolou os vírus H1N1, H3N2 e H1N2 com elevada prevalência, picos na primavera e, praticamente, ausência no verão. Circovirose suína - vírus DNA yy TUIJA KEKARAINEN  A presença do vírus é essencial, mas não suficiente para que haja um quadro clínico típico de circovirose, com afinamento e redução no crescimento dos animais e aumento dos gânglios linfáticos inguinais superficiais. Suínos assintomáticos desenvolvem uma resposta humoral e celular específica que reduz a circulação viral, mas que leva a sintomas de depleição linfoide, aumento da contagem de monócitos e macrófagos e expressão alterada de citocinas (imuno-supressão) e os torna susceptíveis a infecções oportunistas. O PCV2 pode regular a secreção da interleucina (IFN-Ganma), mas não o faz com relação à secreção da interlucina 10 (IL-10). A determinação do nível de anticorpos neutralizantes na terceira semana pós-infecção fornece uma medida aparente da resposta imune dos animais. A secreção de células IFN-Ganma coincide com a redução do título viral, o que indica a importância da imunidade celular para o controle da infecção. A circulação de variantes genéticas do PCV2 (PCV2a, PCV2b) identificada na Espanha é variável entre granjas, vacinadas ou não. yy TANJA OPRIESSNIG  As vacinas contra a circovirose são consideradas eficazes em nível global, e hoje a maioria das granjas é vacinada, com a presença de alguns suínos infectados subclinicamente. O diagnóstico tem mudado ao longo do tempo. A sorologia vem ganhando importância no estudo e na avaliação da exposição ao vírus. Com base em estudos de filogenia, o PCV2 é subdividido em quatro sorotipos: PCV2a, PCV2b, PCV2c e PCV2d. O PCV2a predominou até o ano 2000, a partir de quando se estabeleceu o PCV2b. O PCV2c só foi identificado em amostras da Dinamarca, e o PCV2d está ganhando importância recentemente, isolado de granjas com suspeita de falhas vacinais, com maior prevalência na Ásia e nos EUA e mais patogênica do que as cepas tradicionais (1998 - Suíça). Este grupo, por sua vez, está subdividido em PCV2d-1 e PCV2d-2. O PCV2d, nos EUA, refere-se a suínos não vacinados e a coinfecções com o vírus da PRRS, chegando a causar mortalidade de 71,4%.

Os níveis de viremia no soro e nas fezes de suínos infectados pelo PCV2d são maiores com relação ao PCV2b. As vacinas baseadas no PCV2a protegem também contra o PCV2d. A transmissão vertical (leitões positivos para o PCV2 no momento do nascimento) pode ser demonstrada por meio da técnica de RT-PCR realizada com amostras de soro de cordão umbilical (PUC, na sigla em inglês), colostro (1 ml a 3 ml) e tecidos fetais. PUC é mais sensível que o colostro em granjas com elevada prevalência, mas não nas de baixa prevalência. Por isso recomendase o primeiro em granjas das quais não sabemos a condição real. Leitões de mães vacinadas têm níveis mais altos de células T reativas contra o PCV2, em comparação aos de mães não vacinadas, o que resulta no aumento da expressão do gene IFNGanma. Leitões vacinados com vacinas conjugadas com Mycoplasma hyopneumoniae têm geralmente menor carga viral em órgãos linfoides, maior resposta de anticorpos, menor percentual de lesões pulmonares e morbidade/mortalidade reduzidas. A natureza do adjuvante, nas vacinas, pode afetar a estabilidade delas, bem como exacerbar reações locais ou sistêmicas pós-vacinais. A vacinação contra o PCV2 reduz a viremia, assim como as variações de carga viral de cada suíno e o nível de replicação do vírus quando o sistema imunológico está ativado − momento no qual podem se desenvolver os sinais clínicos da doença e das coinfecções. Os macrófagos desempenham um papel crucial na imunidade inata e na regulação imunitária. Diferentes testes realizados com as vacinas CircoFLEX™ e Porcilis™ PCV, na China, deram como resultado um melhor crescimento em suínos de

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Os leitões recém-nascidos são importantes reservatórios do vírus para a sua manutenção em granjas de reprodução e para a introdução do vírus nos suínos de engorda nº 56/2016 | Suínos&Cia


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engorda vacinados (de 17 a 26 gramas) e de cinco a sete dias a menos para atingir o peso de abate. A combinação de vacinas PCV2 + MYC, de ambas as empresas, no trabalho apresentado, revelou parâmetros zootécnicos ainda mais elevados (ganhos diários de mais de 35 gramas). Estudos com as vacinas Circovac™ e CircoFlex™, aplicadas em reprodutoras, revelaram, em alguns dos trabalhos, melhoria nos índices reprodutivos (fertilidade, leitões nascidos totais, leitões nascidos vivos). O prepúcio dos cachaços é um local de replicação do PCV2, como também são as placas de Peyer do intestino, os testículos, o epidídimo e as vesículas seminais, o que reforça a sua transmissão por meio do sêmen. A vacina Porcilis™ PCV2 promoveu uma duração de imunidade de 23 semanas em um estudo realizado na Espanha (Cooperativa Caspe). Esse resultado levou à obtenção de retorno sobre o investimento (ROI, na sigla em inglês) da ordem de 3,5 com base, principalmente, no maior crescimento dos suínos entre a 18ª e a 24ª semanas de idade (mais de 32 g/dia). Na 10ª semana de idade não houve diferenças na mortalidade nem tampouco nos pesos dos diferentes lotes. Suínos infectados subclinicamente e vacinados não apresentam resposta positiva no Teste de Hipersensibilidade Retardada (DTH – do laboratório Merial). A vacina Circovac™ estimulou a produção de um número elevado de células PCV específicas (IFN-ganma), em leitões vacinados, de forma rápida e prolongada. As infecções concorrentes com o PCV2 reduzem a eficácia da vacinação de leitões contra a peste suína clássica (PPC, na sigla em espanhol).

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Leitões de mães vacinadas têm níveis mais altos de células T reativas contra o PCV2, em comparação aos de mães não vacinadas Suínos&Cia | nº 56/2016

Um trabalho realizado na Ásia demonstrou não haver interferência da vacina CircoFlex™ com a vacina contra PPC. Um estudo do CReSA, realizado em 42 granjas (localizadas na Espanha, Alemanha, Áustria, França, Itália, Polônia e Reino Unido) com 688 soros de suínos vacinados contra o PCV2 que não tinham nenhum sintoma clínico, apontou 88% das granjas como positivas (por PCR) e 43,8% dos soros também. O PCV2b foi identificado em 46% das granjas, o PCV2d em 43% e o PCV2a em 14%. Em pelo menos 11% das granjas foram identificados ao menos dois sorotipos. Torque Teno Sus vírus (TTSuV2, na sigla em inglês), DNA vírus da família Anelloviridae, é tido como um cofator da doença associada ao circovírus suíno (PCVAD) e produz uma lesão linfoide semelhante à depleição linfoide/inflamação granulomatosa causadas pelo PCV2. Esta situação sugere que o TTSuV2 possa ter um efeito patogênico direto nos suínos. Peste suína africana - vírus DNA yy PEJSAK, Z.  A peste suína africana (ASF, na sigla em inglês) foi descoberta no Quênia por Montgomery em 1921 por meio da transmissão do vírus de javalis africanos para suínos domésticos. Ela permaneceu no local até 1957, disseminandose, posteriormente, de Angola para Lisboa e daí para o resto do continente em 1960. Persistiu até 1995, e 1999 em Portugal e na Espanha, respectivamente. Nas ilhas da Sardenha (Itália), o vírus ainda circula desde 1982 até os dias atuais. A partir de 1960 e até 1980 houve focos de ASF na Holanda, Bélgica, França, Itália e Malta. E entre 1970 e 1980, na República Dominicana, em Cuba, no Haiti e no Brasil. Desde 2007 a forma endêmica da doença ainda persiste na África e na Sardenha. Em 6 de julho de 2007 começou uma pandemia em Poti (Geórgia/leste europeu), tendo como ponto de entrada o porto marítimo local. Nesse mesmo ano houve casos esporádicos na Armênia, Azerbaijão, Rússia e Irã. O laboratório de referência da OIE (Organização Internacional de Epizootias) está em Pirbright/Reino Unido e, assim, o vírus persiste na região do Cáucaso (Ucrânia e Belarus) e na Federação da Rússia, onde cerca de 700 casos foram descritos até março de 2015. Em janeiro de 2014, o vírus cruzou a fronteira da União Europeia, chegando à Lituânia (58 casos, um deles em uma exploração intensiva de suínos), à Letônia (177 casos) e à Estônia (65 casos, nenhum eles em suínos domésticos). Na Polônia, a partir de fevereiro de 2014 e até março de 2015, foram relados 57 casos e três focos da doença − a maioria deles em javalis − mortos na fronteira com a Bielorrússia, dentro de um raio de 20 km. A distância entre o primeiro e o último focos não supera 30 km. Os picos de prevalência ocorreram em julho e em janeiro. A densidade de


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mais de dois javalis/km2 favorece a propagação do vírus. Atualmente 99,5% do território polaco está livre da peste suína africana. yy ARIAS, M.  Vírus da família Asfarviridae, gênero Asfavirus que afeta suínos de todas as idades, tanto domésticos como selvagens. O porco selvagem africano é resistente à doença, e os ornitodoros (espécie de carrapato) agem como vetores biológicos e reservatórios virais. A ASF não afeta os seres humanos e não existem vacinas contra a doença. Seu período de incubação é de quatro a cinco dias, nos casos agudos, os quais provocam alterações hemorrágicas congestivas, com sintomas digestivos e respiratórios e uma elevada mortalidade. A ASF deve ser diferenciada da peste suína clássica, erisipela e septicemia, sendo essencial o diagnóstico laboratorial. A doença é endêmica em mais de 20 países africanos e na Sardenha, bem como no centro e no sul da Federação Russa, com apresentações subagudas (mortalidade de 30% a 80%), crônicas e subclínicas. A detecção e a remoção de portadores soropositivos é a base para programas de controle e erradicação. A detecção viral posterior à infecção, em animais vivos, só é possível no caso do estabelecimento de uma viremia estável, situação esta mais comum em cepas de alta patogenicidade. A doença crônica, causada por cepas de baixa virulência, pode ser detectada por meio da identificação de anticorpos específicos contra o vírus (anticorpos monoclonais específicos para diferentes epítopos da proteína vp72). Em animais vivos, o sangue é o material mais apreciado para a detecção do vírus, por meio de PCR ou imunofluorescência direta, de dois a quatro dias pós-infecção. Em suínos mortos recomenda-se tomar amostras do baço, fígado e nódulos linfáticos, analisando-as também ​​por PCR. A detecção de anticorpos contra a proteína p30, por ELISA, tanto a partir de soro como de fluidos orais, revelou-se também eficaz para o diagnóstico da doença, de acordo com alguns trabalhos. O teste ELISA indireto, baseado em três proteínas recombinantes, é o método comercial mais específico e sensível para a detecção de anticorpos em ambos, suínos domésticos e javalis. As amostras podem ser obtidas diretamente do soro sanguíneo, ou por meio de papel-filtro e sucos de carne. Febre aftosa suína - vírus RNA yy KING, D.  Família Picornaviridae, gênero Aphthovirus. Os sorotipos e variantes virais, em nível mundial, são dinâmicos. Mencionados os quadros clínicos do Reino Unido, em 2001 e 2007, e o da Bulgária em 2011. A análise genômica dos referidos vírus é realizada por meio da prova do PCR amplificada. yy HYUNG LE, W.  O primeiro caso de febre aftosa na Coreia foi descrito em 1911, com fo-

O prepúcio dos cachaços é um local de replicação do PCV2, o que reforça a sua transmissão por meio do sêmen cos esporádicos no norte, até a sua erradicação em 1974. Desde o ano 2000 foram relatados 15 casos nesse mesmo ano (em três províncias distintas e em bovinos); mais um caso em um bezerro e outros 15 em suínos, em 2002; e outros 200 casos, entre suínos e bovinos, em 2010, infectando 3,4 milhões de animais e causando perdas no valor de US$ 3 bilhões. A partir de 25 de dezembro de 2010 foi adotada a vacinação em massa nas áreas afetadas, o que interrompeu os surtos em duas a três semanas, tendo elas sido declaradas livres em maio de 2014. Em julho e agosto de 2014 reapareceram novos casos e, a partir de dezembro de 2014, foram identificados mais de 360 novos focos de febre aftosa. A transmissão horizontal do vírus da febre aftosa entre animais da mesma espécie ocorre mais facilmente do que de bezerros para suínos. Há sete sorotipos diferentes: O, A, C, Ásia 1, SAT1, SAT2 e SAT3. Tanto a infecção como a vacinação induzem a formação de anticorpos, mas apenas a medição de proteínas não estruturais permite diferenciar animais vacinados de infectados. Foi desenvolvido na França um teste de ELISA competitivo específico (IDvet™). Tais anticorpos frente a proteínas não estruturais, em amostras de soro e plasma de ovinos, caprinos, bovinos e suínos, têm uma especificidade de 99,4%. No sul da África foram identificados os sorotipos 1 a 3, e a doença é endêmica no território do deserto do Sahara. As vacinas inativadas (SATU SAU) demonstraram promover uma proteção viral completa e uma proteção clínica parcial.

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Pneumonia enzoótica (Mycoplasma hyopneumoniae) yy MAES, D.  As pesquisas atuais têm focalizado a importância da diversidade das nº 56/2016 | Suínos&Cia


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Em animais vivos, o sangue é o material mais apreciado para a detecção do vírus da Peste Suína Clássica, por meio de PCR ou imunofluorescência direta, de dois a quatro dias pós-infecção diferentes cepas de Mycoplasma hyopneumoniae (M. hyo), os mecanismos de interação patógeno/ hospedeiro e o desenvolvimento de novas vacinas que ofereçam melhor proteção do que as inativadas atuais. Em infecções mistas do Complexo de Doenças Respiratórias dos Suínos (CRP, na sigla em espanhol), onde estão comumente envolvidos os vírus da PRRS, Influenza e algumas bactérias (Actinobacillus pleuropneumoniae, Pasteurella multocida e Bordetella bronchiseptica) é essencial que se faça um diagnóstico preciso para delinear um protocolo de tratamento ou prevenção adequado e econômico. A propagação lenta do M. hyo e sua capacidade de ser excretado por longos períodos de tempo podem resultar em subpopulações nas granjas de reprodutoras, perpetuando a infecção e promovendo a instabilidade local contra a pneumonia enzoótica. A consequência final é a colonização dos leitões lactentes. A prevalência do M. hyo em suínos desmamados varia ao longo do tempo, nas granjas e entre elas. Especial atenção deve ser dada às subpopulações em marrãs de reposição recém-incorporadas às granjas. Por meio da técnica do RT-PCR (PCR em tempo real) foram analisados esxudatos tráqueobronquiais coletados de 43 granjas, na Espanha. Os resultados mostraram maior prevalência nos leitões desmamados na primavera (abril), com menor prevalência em julho. Outro estudo foi realizado na Espanha pelo laboratório Elanco, em 48.778 suínos de uma empresa que não vacinava contra a pneumonia enzoótica. Testados como positivos para o M. hyo e classificados no abatedouro com base no grau de lesão pulmonar (3, 4 e 5), foi concluído que entre os suínos de baixa a alta prevalência de lesões havia uma diferença no ganho médio de peso diário da ordem de 38 g. Com relação à taxa de conver-

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Suínos&Cia | nº 56/2016

são, a diferença foi de 70g, e a variação relativa à mortalidade foi de 0,78% e 1,21%, respectivamente. O gasto terapêutico em ambos os grupos foi de € 0,52 e € 0,79/suíno, respectivamente, e neste estudo o custo relativo à presença do M. hyo nas granjas infectadas foi de € 2,70/suíno. O Mycoplasma hyopneumoniae é endêmico na Coreia, onde pratica-se sistematicamente a vacinação dos leitões, realiza-se a aclimatação das fêmeas de reposição e se observa medidas estritas de biosseguridade. Foi realizado um estudo na Hungria em 493.878 suínos de engorda, número este que corresponde a 25% do total de suínos abatidos no local. Por meio do programa Res Pig Farm Audit Tool, entre abril de 2011 e o final de 2014, concluiu-se que predominavam no CRP os patógenos PCV2, Actinobacillus pleuropneumoniae e Mycoplasma hyopneumoniae. Os casos mais graves, que tiveram sua incidência aumentada durante o período do estudo, foram acompanhados pelo vírus da PRRS. A vacinação intradérmica com IDAL, em duas granjas da região de Murcia/Espanha, demonstrou a sua segurança e eficácia promovendo maior ganho de peso médio diário e melhor conversão alimentar, em comparação com a vacinação intramuscular. Não houve diferença nos graus de lesão pulmonar nem tampouco em todas as vantagens de biosseguridade, bem-estar, riscos sanitários e condenações de abatedouros que bem conhecemos. Com relação ao tratamento de quadros de pneumonia enzoótica associados à rinite atrófica no Brasil, um dos agentes envolvidos no processo, a Bordetella bronchiseptica, mostrou-se altamente sensível à enrofloxacina, seguindo em ordem decrescente à clortetraciclina, tulatromicina, gentamicina, oxitetraciclina, neomicina e florfenicol. Os antibióticos do grupo dos betalactâmicos foram os menos eficazes em função da alta resistência do referido agente a eles. Pleuropneumonia (Actinobacillus pleuropneumoniae ou App) yy MAES, D.  Diferentes sorotipos têm virulências distintas, dependendo de sua origem geográfica. Inclusive, os mesmos sorotipos podem apresentar virulência diferente, causando problemas em uma granja e ausência de sintomas clínicos em outra. O diagnóstico real, nesses casos, baseiase na sorologia por ELISA para identificar porcas subclínicas por meio da análise das toxinas APX. São conhecidos, até o momento, 15 sorotipos diferentes de APP. O teste de hemaglutinação indireta é um dos métodos sorológicos mais sensíveis e específicos para este tipo de análise. É possível também detectar anticorpos frente à toxina ApxIV em fluidos orais, por meio da prova de PCR, sete dias após a infecção. Esse procedimento serve para identificar a presença de animais portadores em


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granjas, resultantes de infecções crônicas. Esta toxina é específica do Actinobacillus pleuropneumoniae e se expressa em todos os serotipos. No Japão, o sorotipo 2 é o que se isola predominantemente, seguido do 1 e do 5. As vacinas utilizadas têm efeito limitado. A sensibilidade aos antibióticos é variável, segundo os sorotipos envolvidos. No Brasil é considerada uma patologia emergente. A antibioticoterapia é eficaz nos suínos já afetados clinicamente, apenas nas fases iniciais da doença, momento em que se pode reduzir a mortalidade e prevenir sua disseminação. Os antibióticos mais sensíveis, atualmente aqui, são o ceftiofur, a gentamicina, a tilmicosina e a tulatromicina. Disenteria hemorrágica yy HAMPSON, D.  No início dos anos 70, a bactéria anaeróbia hemolítica Brachispira hyodisenteriae foi descoberta como sendo a causa de casos graves de colite muco-hemorrágica ulcerativa em suínos de crescimento e terminação em nível mundial. Nos anos seguintes, outras espiroquetas foram identificadas. Entre elas a Brachispira innocens, que não causa nenhuma doença em suínos; a Brachispira pilosicoli, patógeno entérico em suínos altamente hemolítico; a Brachispira suanatina, na Escandinávia, em suínos e patos; e a Brachispira hampsoni, a partir de 2007 nos EUA, causando condições muito semelhantes às da B. hyodysenteriae, tendo sido também isolada no Canadá e na Espanha, em aves aquáticas. Técnicas melhoradas de diagnóstico por PCR e cultivo dos agentes em questão tornaram possíveis a diferenciação entre eles. Os estudos realizados em espécies distintas da Brachispira demonstram novas e multirresistências a antibióticos em nível internacional. A hemólise é um indicador de quadros clínicos em potencial de disenteria. Ela é mais sensível que a identificação molecular por PCR nas fezes, que é a técnica de determinação rotineira da infecção pela B. hyodisenteriae. A doença tem sido reproduzida experimentalmente por meio da inoculação de cepas de B. suanatina e B. hampsonii para demonstrar sua patogenicidade potencial. No Japão os tratamentos com tiamulina a 300 ppm durante sete dias resultam eficazes, associados às medidas estritas de biossegurança. A avilamicina a 83 ppm demonstra ser eficaz frente aos quadros clínicos de disenteria hemorrágica causados por B. hyodisenteriae.

um deles, envolvendo análise sorológica de amostras coletadas em 96 granjas, pelos métodos de ELISA e IFA, 100% das propriedades e 98% dos suínos foram positivos, indicando um alto porcentual de ileíte subclínica. Sua transmissão é fecal-oral e, apesar de não haver sintomas digestivos, a conversão alimentar e o ganho médio de peso diário são penalizados. Sua prevalência no Reino Unido e na Irlanda é de 95,83% das granjas. A maior excreção do referido agente ocorre nos grupos de leitões com 12 a 14 semanas de idade, diminuindo cerca de 50% no mês posterior. Começa a ser excretado a partir da 6ª e a 8ª semanas, havendo um aumento significativo entre a 9ª e a 11ª semanas. Suínos infectados podem eliminar as bactérias durante longos períodos de tempo. A excreção fecal da L. intracellularis antecede a soro-conversão. Na Coreia do Sul, desde 2011, quando foi proibido o uso de antibióticos promotores de crescimento na alimentação animal, a incidência de Ileíte clínica aumentou. Testes realizados com a vacina Enterisol™ Ileitis mostraram melhora da uniformidade dos suínos no abate, aumento da eficiência alimentar de 0,10 a 0,13 pontos e redução de 8 a 16 dias para se atingir o peso de abate, com um ROI de 7,0 a 8,2. Colibacilose 55

As diarreias pós-desmame causadas por cepas de Escherichia coli entero-toxigênicas ETEC são desencadeadas por uma ou várias toxinas (LT, STA, STB), assim como por suas adesinas (a F4, comumente chamada de K88 e a F18). Estudo realizado pelo laboratório Elanco, em 280 granjas na Bélgica, França, Holanda e Itália, reve-

Ileíte suína yy A Lawsonia intracellularis é uma bactéria intracelular obrigatória, difícil de ser isolada por meios de cultura. No Japão, os estudos epidemiológicos relativos a esse agente não são claros. Em

Em infecções mistas do Complexo de Doenças Respiratórias dos Suínos é essencial que se faça um diagnóstico preciso para delinear um protocolo de tratamento ou prevenção adequado e econômico nº 56/2016 | Suínos&Cia


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infecções por E.coli ETEC no pós-desmame, caracterizadas por diarreia. A presença dos probióticos reduz o número de enterobactérias nas fezes, aumentando o número de Lactobacillus. Além disso, o peso das vilosidades do intestino delgado de leitões e porcas que comem probióticos é maior. Outras patologias

A transmissão da ileíte suína é fecal-oral e, apesar de não haver sintomas digestivos, a conversão alimentar e o ganho médio de peso diário são penalizados lou uma prevalência de 35,7% para a F4 e de 25,8% para a F18. A prevalência das toxinas foi de 28,8% para LT; de 31,1% para Sta; de 54,8% para STb e de 8% para Stx2e. Tanto o consumo de ração como o ganho médio de peso diário foram adversamente afetados por tal diarreia, especialmente na primeira semana de apresentação dela. No Brasil, os casos de doença do edema em leitões desmamados, causados por cepas de E. coli que produzem a toxina STx2e, têm ampla difusão. Muitas destas cepas demonstram resistência múltipla a antibióticos, sendo Ceftiofur o agente antimicrobiano mais sensível. As vacinas específicas contra a referida doença demonstram ser eficazes para o controle dela. A administração de probióticos na dieta de porcas e leitões ajuda a prevenir a incidência de

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Tanto o consumo de ração como o ganho médio de peso diário foram adversamente afetados pela Colibacilose Suínos&Cia | nº 56/2016

yy CLOSTRIDIUM DIFFICILE  Bactéria Gram+ responsável pela colite pseudo-membranosa em humanos e diarreia associada ao uso irresponsável de antibióticos. Em suínos é mais frequentemente isolado em leitões do que em adultos, mesmo naqueles saudáveis e sem quaisquer sinais clínicos. Num estudo conduzido entre 2002 e 2005, no Japão, em leitões, nenhum dos ribotipos isolados por PCR foi idêntico àqueles isolados em humanos com sintomas clínicos (ribotipo 078). yy ERYSIPELOTHRIX RHUSIOPATHIAE  A vacinação é essencial para a prevenção dos sinais clínicos, no caso da erisipela, infecção causada pelo agente em questão. Os anticorpos maternais podem interferir com aqueles derivados da vacinação. As vacinas inativadas e as de subunidades são menos afetadas pelos referidos anticorpos maternais, em comparação com as vacinas atenuadas. yy HAEMOPHILUS PARASUIS  O principal agente responsável pela poliserosite, em Taiwan, é o Haemophilus parasuis (57,7%), seguido do Streptococcus suis. O primeiro tem alta correlação com infecções causadas pelo vírus da PRRS. yy ENCEFALITE HEMAGLUTINANTE POR CORONAVÍRUS (vírus RNA)  Vírus neurotrófico que afeta leitões com menos de três semanas de idade, descrito na Ásia e na Argentina. Neste segundo país, estudo realizado em 2012 indicou a presença de anticorpos, detectados pelo teste de Imunofluorescência Indireta, em 31% a 89% dos suínos. A imunidade passiva persiste por dez semanas e meia. yy VÍRUS DA ENCEFALITE JAPONESA (vírus RNA)  Família Flaviviridae, transmite-se pela picada de mosquitos, endêmico na Ásia − desde a Índia até o norte e o oeste do Pacífico, infectando cerca de 70 mil pessoas/ano. Os pássaros são os hospedeiros naturais. A infecção em suínos ocorre por contato direto. Em humanos afeta, sobretudo, as crianças. No terceiro dia pós-infecção, o vírus é detectado na neocortex cerebral, coincidindo com sua detecção no soro e podendo permanecer nas tonsilas por longos períodos. O vírus atravessa a barreira sanguínea cerebral.


Sumários de Pesquisa

A inseminação pós-cervical não afeta o desempenho reprodutivo de porcas primíparas

A

s fêmeas primíparas representam uma grande percentagem (~20%) de matrizes num rebanho suíno, e o seu desempenho reprodutivo possui um grande impacto na produtividade da granja. Vários estudos foram realizados em fêmeas multíparas comparando as inseminações tradicional e pós-cervical (IAPC) ou avaliando diferentes concentrações de espermatozoides quando se utiliza a inseminação pós-cervical. Desde os primeiros experimentos com a deposição de sêmen utilizando endoscopia, cateteres flexíveis e, finalmente, pipetas específicas para IAPC, o sucesso para introdução do cateter no trato genital de porcas multíparas excedeu 90%. Entretanto, o contratempo é maior com fêmeas primíparas porque ocorre um grau de dificuldade de média a alta quando se introduz o cateter de IAPC em mais de 45% dos casos. Existe uma falta de informação relativa aos resultados de reprodução da IAPC em porcas primíparas porque poucos experimentos foram realizados envolvendo essa ordem de parição, e não como um objetivo primário. A maioria dos experimentos com IAPC envolve fêmeas multíparas ou um baixo número de primíparas. Embora a IAPC, comparada com a IAC, não comprometa o desempenho reprodutivo de porcas multíparas, alguns estudos reportaram resultados insatisfatórios com fêmeas primíparas. A informação disponível não é conclusiva sobre a possibilidade de utilizar IAPC em primíparas sem queda do desempenho reprodutivo, principalmente devido à dificuldade de aplicação da técnica. Esse estudo conduzido por Sbardella e colaboradores (Reprod Dom Anim 49, 59–64, 2014) objetivou avaliar a possibilidade de aplicar a IAPC em porcas primíparas avaliando

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Suínos&Cia | nº 56/2016

o grau de dificuldade para inserção do cateter, a ocorrência de refluxo e de sangramento e também o desempenho reprodutivo comparado com a inseminação tradicional.

Método O estudo avaliou o desempenho reprodutivo de porcas primíparas submetidas à inseminação pós-cervical (IAPC), comparada com a inseminação cervical (IAC). A dificuldade com a introdução do cateter, a ocorrência de sangramento ou refluxo de sêmen durante a inseminação e o refluxo de volume ou espermatozoides até 60 minutos após a inseminação também foram avaliados. As porcas foram distribuídas em dois tratamentos de forma homogênea, de acordo com a perda de peso corporal durante a lactação, duração da lactação, leitões desmamados, intervalo desmama-cio e nascidos totais na parição precedente. Os tratamentos foram: IAPC (n= 165) com 1,5 bilhão de espermatozoides (1,5 x 109) em 45 ml (2,4 ± 0,04 doses/porca) e IAC (n= 165) com 3,0 x 109 de espermatozoides em 90 ml (2,5 ± 0,04 doses /porca). Durante a IAPC as porcas foram inseminadas na ausência do cachaço. Ultrassonografias em tempo real foram realizadas no início do estro, imediatamente anterior à primeira inseminação e 24h após a inseminação.

Resultados Não houve diferença (P> 0,05) entre os tratamentos quanto à taxa de parto (91.5% vs. 89.1%) e tamanho de leitegada (12.5 vs. 11.9 leitões nascidos), respectivamente, para porcas com IAPC e IAC. Foi possível a passagem bem-sucedida do cateter intrauterino em todas as inseminações para 86,8 % das porcas (165/190) inicialmente alocadas para o tratamento com IAPC. Dificuldades na introdução do cateter em pelo menos uma inseminação não afetaram o desempenho reprodutivo das porcas com IAPC (P > 0.05). Sangramentos durante a inseminação não afetaram (P> 0,05) a taxa de partos em ambos os tratamentos, mas o tamanho da leitegada foi reduzido nas porcas com IAC e IAPC (P < 0.06). A percentagem de espermatozoides presentes no refluxo dentro de 1h após a inseminação foi maior nas porcas com IAC do que com IAPC (P < 0.01). O estudo concluiu que mais de 85% das porcas primíparas puderam ser inseminadas com sucesso utilizando IAPC, com doses contendo 1,5 x109 espermatozoides, na ausência do cachaço durante a inseminação, sem prejudicar o desempenho reprodutivo.


Sumários de Pesquisa

Análise da mortalidade de porcas em rebanhos espanhóis

O

presente artigo publicado por Palomo, A. e colaboradores (IPVS Congress, 2014) analisa a mortalidade de matrizes, sem contabilizar os sacrifícios, num estudo de campo realizado durante cinco anos (2009 – 2013) em rebanhos espanhóis. As perdas econômicas provocadas diretamente pela mortalidade de fêmeas são estimadas em cerca de 285 e 350 €, associadas aos altos custos de reposição e oportunidade. O atingimento das metas de rebanho está vinculado à disponibilidade de porcas desmamadas, leitoas e porcas eventuais. A perda de porcas não é previsível e quebra a escala semanal de parições e, em consequência, todo o manejo do rebanho.

Método A mortalidade de porcas foi estudada durante cinco anos (de janeiro de 2009 a dezembro de 2013) utilizando bases de dados mantidas nas granjas espanholas. No estudo experimental foi coletado um total de 196.852 registros de matrizes de nove diferentes regiões da Espanha. As fêmeas suínas pertenciam a sete diferentes linhagens genéticas comerciais. O tamanho das granjas variou de 145 até 5.000 porcas, com uma média de 658 matrizes por granja.

Resultados Neste estudo espanhol a taxa de mortalidade anual de matrizes foi de 7,26 ± 4,12%. A taxa de mortalidade aumentou 1% em períodos de 20012005 até 2009-2013. Os autores enfatizam que foi encontrada uma larga variação na mortalidade Ordem de parto

de fêmeas entre rebanhos, indo desde 1,78% até 18,7%, aumentando na época de verão julho, agosto e setembro. Na tabela abaixo são apresentados os dados do trabalho de campo, agrupados por causa mortis e estágio do ciclo produtivo.

Discussão e conclusão Essa pesquisa de cinco anos apurou taxas anuais de mortalidade de 7,26 ± 4,12%, correspondendo a taxas similares de outros países europeus, Canadá e Estados Unidos, e os autores consideram que a mortalidade de porcas é um problema da produção de suínos de caráter global. As causas mais comuns de morte conhecidas nas granjas espanholas são morte súbita, desordens metabólicas e do esqueleto, úlceras gástricas e infecção urinária. As primeiras cinco causas representam 60,06% do total de mortes e 81,34% do total de mortes conhecidas. Em adição, mais de 35,10% das mortes de porcas estão concentradas em mortes súbitas (19,75%) e problemas metabólicos (15,35%). A terceira causa mais importante para se ter em conta são as desordens do esqueleto (13,50%), seguida de perto por problemas metabólicos e bem acima das úlceras gástricas (6,40%) e infecções urinárias (5,60%). Os autores enfatizam o fato de que um quarto das mortes provém de causas desconhecidas. Relacionado com a ordem de partos, os autores destacam que duas em cada três mortes de porcas desse estudo são de fêmeas de primeiro e segundo partos (somatório de 61,90%: 37,20% OP1 e 24,70% OP2).

6º+

x-

Morte súbita

8.10

4.20

2.40

2.20

1.60

1.25

19,75

Problemas metabólicos

5.40

3,80

1.35

1.40

1,50

1,90

15,35

Problemas de esqueleto

5.20

4.10

1.40

0.30

0.45

2,05

13,50

Úlcera gástrica

2.40

2.10

1.50

0.20

0.10

0,10

6,40

Infecção urinária

1.70

1.30

1.00

0.40

0.40

0.80

5,60

Desordens digestivas

2.00

1.20

1.10

0.30

0.10

0.0

4,70

Desordens respiratórias

1.40

1.10

1.00

0.00

0.00

0.00

3,50

Acidentes

1.20

0.80

0.50

0.40

0.10

0.20

3,20

Problemas de parto

1,70

0.50

0.20

0.00

0.00

0,10

2,50

Não sabido

8.10

5.60

3.20

2.50

2.30

3.80

25,50

Taxa média

37.20

24.70

13.65

7.70

6.55

10.20

100

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nº 56/2016 | Suínos&Cia


Sumários de Pesquisa

Interesse de uma segunda desinfecção por ultradifusão para otimizar a desinfecção das instalações de suínos

A

utilização de uma desinfecção terminal para melhorar a qualidade geral do protocolo de limpeza-desinfecção e limitar o risco de persistência de patógenos, como salmonela, é comum em criações de aves. Em criações de suínos, estudos anteriores demonstraram recontaminação da sala durante a fase de vazio sanitário e redução da contaminação bacteriana após a aplicação de uma segunda desinfecção (líquida ou por nebulização). Sendo a umidade um dos fatores que condicionam a persistência de germes patógenos, o objetivo deste novo estudo conduzido por Isabelle Corrégé e colaboradores (47a journées de la recherche porcine, 2015) foi avaliar a aplicação de uma desinfecção por via seca, a ultradifusão, sobre o resultado final da desinfecção e sobre a destruição de germes patógenos específicos.

Método 60 Em duas salas de maternidade, foi aplicado um protocolo de limpeza e desinfecção global, incluindo limpeza úmida automatizada de 30 minutos, aplicação de detergente, lavagem de préfossas, lavagem e desinfecção de superfícies por aplicação da espuma. A secagem com-

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pleta da sala foi feita por ventilação a 100% (vazão máxima) durante 4 dias, seguida por um aquecimento por meio de um aquecedor aerotérmico por 1 dia (a 30°C) e ventilação a 30%. Após a secagem completa das salas (controladas pelo monitoramento da umidade relativa) foi realizada uma segunda desinfecção utilizando o método de ultradifusão, que permite a dispersão de substâncias ativas por via aérea. Ela foi aplicada 5 dias após o fim da desinfecção inicial. Um desinfetante bactericida e fungicida (Fumagri ® HA) à base de ácido hidroxiacético foi usado à taxa de 1 g/m3. A eficácia da desinfecção da superfície foi avaliada pela contagem do número total de bactérias em placas de Petri, em dez amostras de sítios, antes e depois da ultradifusão. Ao mesmo tempo, a avaliação da eficiência do processo contra patógenos específicos (salmonelas, estafilococos e estreptococos) foi realizada por meio da utilização de discos de aço carreadores de germes, sob um protocolo de teste em conformidade com o padrão francês (AFNOR NFT72281), recomendado para medir a eficácia de desinfecção por via aérea.

Resultados Os resultados para contagem total de bactérias em placas de Petri sugerem uma melhoria na desinfecção final (60% das amostras tinham menos colônias bacterianas após a segunda desinfecção), mas alguma incerteza permanece sobre o nível deste ganho devido ao baixo nível inicial de contaminação (antes de qualquer desinfecção). Os autores concluíram que o método de teste microbiológico confirmou, em condições de campo, a eficácia do processo de desinfecção global aplicado neste caso para diminuir o número dos três tipos de microrganismos patogênicos considerados, com uma redução de contaminação superior a 2 log.


COMO CONSTRUIR O FUTURO DA SUINOCULTURA? Com esse objetivo em mente, e acompanhando os enormes desafios da nossa realidade, a Agroceres PIC estará dedicando o seu próximo Seminário Internacional a um único grande propósito: o fortalecimento do suinocultor e da suinocultura brasileira. Conectar o presente e o futuro, para discutir ferramentas e oportunidades que impulsionem a uma suinocultura mais eficiente, rentável e de respostas sempre melhores às demandas dos mercados e da sociedade. Nomes importantes da suinocultura, tecnologia e economia debatendo junto com você. Participe!

14 a 16 de setembro de 2016 Club Med Rio das Pedras - Mangaratiba/RJ Informações e inscrições com Gabriela Beloto, (19) 3526.8605 - gabriela.beloto@agroceres.com

www.agrocerespic.com.br

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Recursos Humanos

O trem da vida: que bonita reflexão!

A

vida é como uma viagem num trem, com suas estações, suas mudanças de curso, seus acidentes. Ao nascermos, pegamos o trem e nos encontramos com nossos pais. Acreditamos que sempre viajarão ao nosso lado, mas, em alguma estação, eles descem e nos deixam sós na viagem. Da mesma forma, outras pessoas pegarão o trem e nos serão significativas: nossos irmãos, amigos, filhos e até mesmo o amor da nossa vida. Muitos descerão e deixarão um vazio permanente, outros passarão tão despercebidos que nem nos damos conta que eles desocuparam seus assentos. Esta viagem estará cheia de alegrias, tristezas, fantasias, esperas e despedidas.

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O êxito consiste em ter uma boa relação com todos os passageiros, dando o melhor de nós. O grande mistério para todos é que não sabemos em qual estação desceremos. Por isso, devemos viver da melhor maneira, amar, perdoar, oferecer o melhor de nós. Assim, quando chegar o momento de desembarcar, e o nosso assento estiver vazio, vamos deixar bonitas lembranças aos que continuam viajando no trem da vida! Desejo a você que a viagem em seu trem seja melhor a cada dia, com muito sucesso e amor. Ah! E lhe agradeço por ser passageiro do meu trem. Papa Francisco


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Uma única inseminação durante o estro em fêmeas suínas: possibilidade ou realidade? Rafael Ulguim, PhD Elanco Saúde Animal ulguim@elanco.com

Introdução

A

fêmea suína caracteriza-se por apresentar um estro longo, com ovulação ocorrendo, em média, no início de seu terço final, podendo variar de 8h a 72h após o início do estro [1,2]. Essa variabilidade exige a realização de várias inseminações durante o estro para que ao menos uma possa ser aplicada o mais próximo da ovulação. Estudos mostraram que melhores resultados de fertilidade são obtidos quando a inseminação é realizada até 24 horas antes da ovulação em fêmeas suínas [3,4]. Essa informação permitiu a estruturação de protocolos de inseminação com maior intervalo entre a realização das doses de sêmen, otimizando o manejo e a mão de obra nas granjas. A inserção da inseminação pós-cervical no sistema produtivo também possibilitou otimizações importantes em relação ao uso de machos geneticamente superiores e ao tempo de realização do manejo de inseminação.

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Utilização da Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF)

Os principais hormônios utilizados para a indução da ovulação em suínos são análagos de GnRH (triptorelina, buserelina, gonadorelina) e gonadotrofinas (hCG e pLH). O momento de aplicação do hormônio varia em função do protocolo de IATF, podendo ser baseado na detecção do estro ou na data de desmame. Os protocolos baseados na data do desmame são os mais práticos de serem utilizados e proporcionam maior otimização no processo produtivo. Nesses, a aplicação hormonal e o momento de realização da inseminação são definidos na data de desmame. Dentre esses protocolos, o uso da buserelina é indicado para aplicação intramuscular do produto em porcas 86 ± 3h após o desmame, com realização da inseminação 30-33h após a indução da ovulação somente nas fêmeas em estro nesse momento [5]. Diferentemente do anterior, o protocolo com o uso da triptorelina indica a aplicação intravaginal (forma de gel) do indutor da ovulação 96 ± 2h após o desmame, com realização da inseminação 22-24h após a indução da ovulação em 100% das fêmeas desmamadas [6].

A técnica pode ser utilizada em primíparas e multíparas desmamadas, no entanto, particularidades nos protocolos hormonais devem ser

No protocolo com servou-se uma taxa de com o uso de uma única do realizadas múltiplas

Embora avanços importantes tenham sido observados no manejo reprodutivo, o uso de múltiplas inseminações (2 a 3) durante o estro ainda é necessário em função da alta variabilidade do momento da ovulação. Estratégias hormonais têm sido propostas para sincronização da ovulação e redução da variabilidade deste evento. A maior previsibilidade do momento da ovulação permite a realização de uma única inseminação artificial em tempo fixo (IATF) em momento predefinido. A utilização desta ferramenta de manejo traz uma série de benefícios ao sistema que serão abordados neste artigo.

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consideradas de acordo com a categoria da fêmea. Marrãs necessitam de ferramentas hormonais para sincronizar o estro e, posteriormente, o uso de hormônios para sincronizar a ovulação, o que restringe o uso da IATF nesta categoria em função da complexidade do protocolo de sincronização do estro e ovulação. Matrizes desmamadas possuem o estro sincronizado a partir do desmame, o que permite a utilização de somente um indutor de ovulação para a sincronização da ovulação, facilitando o uso dessa tecnologia. Desta forma, a evolução nos protocolos de sincronização da ovulação em fêmeas desmamadas proporcionou que a tecnologia passasse de uma possibilidade para uma realidade aplicável ao sistema produtivo.

a buserelina obparto de 84,5% IATF e 87% quaninseminações [5].


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Com a triptorelina,as taxas de parto foram de 84% e 89,8% quando utilizadas uma única IATF e múltiplas inseminações, respectivamente [6]. No entanto, como nesse protocolo 100% das fêmeas desmamadas são inseminadas em até 7 dias pós desmame, é mais apropriado considerar na comparação o número de fêmeas paridas em relação as desmamadas (taxa de parição das fêmeas desmamadas). Nesse caso, os resultados mostram que a taxa de parição das fêmeas desmamadas foi de 84% quando aplicada a triptorelina, com a realização de uma única IATF, e 82,8% quando utilizadas múltiplas inseminações [6]. O total de nascidos não é afetado pelo uso de uma única IATF nos diferentes protocolos [5,6]. No protocolo com a triptorelina existe a tendência de aumentar o número de leitões nascidos para cada 100 fêmeas selecionadas para cobertura em função da maior taxa de parição das fêmeas desmamadas [6]. Benefícios do uso de uma única Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) O uso da IATF possibilita benefícios em diferentes etapas do processo produtivo. A realização de uma única dose de sêmen/fêmea/estro permite a otimização de mão de obra no setor de gestação pela concentração das inseminações em um único dia e maior previsibilidade do número de fêmeas a serem inseminadas na semana. Além disso, o número de doses pode ser definido com maior acurácia, reduzindo o desperdício das doses de sêmen. Com a redução no número de inseminações, há maior otimização de machos geneticamente superiores, maior organização e redução no fluxo de produção de doses nas centrais de inseminação e melhor logística de distribuição das doses de sêmen para as granjas. Como consequência da maior proporção de fêmeas inseminadas em um único dia, há a tendência de concentração dos partos favorecendo a organização do manejo para melhorar o atendimento dos leitões neonatos, reduzir a variabilidade da idade e melhorar a uniformidade e peso dos leitões ao desmame. Os resultados da melhor performance dos leitões na maternidade é refletida no desempenho de creche. Além disso, a otimização no uso de machos geneticamente superiores traz melhorias no ganho de peso e conversão alimentar dos animais na fase de recria e terminação. Considerações finais Uma única inseminação artificial em tempo fixo tem sido utilizada na rotina da reprodução em

unidades de produção suína na América do Norte, sendo também disponível para aplicação no mercado brasileiro. O uso desta tecnologia representa o próximo passo em direção à maior otimização dos programas de inseminação artificial e do sistema produtivo de suínos. Referências 1. Heck, et al. Determinação do momento da ovulação em porcas de granjas comerciais via diagnóstico ultrasonográfico transcutâneo. In: Anais do 8º Congresso Brasileiro de Veterinários Especialistas em Suínos (Foz do Iguaçi, Brasil),333-34, 1997. 2. Uemoto, D.A. Comportamento estral e desempenho reprodutivo de leitoas submetidas à inseminação artificial em diferentes intervalos pré-ovulatórios. 96f. Porto Alegre-RS. Dissertação (Mestrado em Ciências Veterinárias) – Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1999.

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3. Kemp, B. & Soede, N.M. Consequences of variation in intervlas from insemination to ovulation on fertilization in pigs. Journal of Reproduction and Fertility. 52, 79-89, 1997. 4. Bortolozzo, et al. Influence of time of insemination relative to ovulation and frequency of insemination on gilt fertility. Theriogenology. 64, 1956-62, 2005. 5. Driancourt, et al. Induction of an LH surge and ovulation by buserelin (as Receptal) allows breeding of weaned sows with a single fixed-time insemination. Theriogenology. 80, 39199, 2013. 6. Webel, et al. Sow reproductive performance using Triptorelin Gel and fixed-time AI in commercial swine farms. In: 23rd International Pig Veterinary Society Congress. p.136, 2014. 2014. nº 56/2016 | Suínos&Cia


Divirta-se

Encontre as palavras Adotar medidas de biosseguridade, sem dúvida, é a melhor estratégia para diminuir os riscos de introduzir agentes causadores de doenças em um plantel. Essas medidas funcionam integradas e requerem muita disciplina. Entre as medidas da biosseguridade faz-se necessário realizar controles de diferentes fatores que possam carrear ou transmitir doenças a uma população suína, o que certamente trará desconforto aos animais, perda de desempenho e, consequentemente, perdas econômicas. No diagrama ao lado vamos encontrar as palavras dos principais itens que devem ser controlados para evitar e/ou diminuir os riscos de introduzir doenças em um rebanho.

Aerossóis Água Alimentos Animais Baratas Cadáveres Fezes Moscas Mosquitos Pássaros Pessoas Ração Roedores Veículos

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Jogo dos 7 erros

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Divirta-se

Teste seus conhecimentos A biosseguridade refere-se ao conjunto de normas e medidas que visam a preservar a saúde do rebanho, diminuir qualquer tipo de riscos, assegurar e prevenir doenças. Sem dúvida, quando se aplicam todas as medidas em sua amplitude e essência, são praticados o conceito e a base da medicina preventiva. Nas alternativas abaixo, teste seus conhecimentos quanto às medidas que envolvem a biosseguridade. ( ) Biosseguridade é um conjunto de procedimentos técnicos imprescindíveis que visam, de formas direta e indireta, prevenir, diminuir ou mesmo controlar os desafios gerados na produção de animais frente aos agentes patogênicos que possam ter impacto na produtividade destes rebanhos e/ou na saúde dos consumidores de produtos. Este conjunto de procedimentos e normas denomina-se Programa de Biosseguridade. ( ) As granjas de suínos, independentemente do tamanho, localização e situação sanitária, devem estabelecer rigorosamente as medidas de biosseguridade, que abrangem um conjunto de normas e medidas cujo objetivo visa a reduzir os riscos de entrada e/ou saída de agentes causadores de doenças em um plantel ou estabelecimento. (

) São funções do veterinário facilitar o reconhecimento precoce de doenças e infecções, promover a profilaxia para a eliminação de doenças e manter medidas profiláticas para rebanhos livres de doenças endêmicas e/ou livres daquelas que já foram erradicadas.

(

) As normas de biosseguridade tornam-se necessárias devido ao grande incremento que a indústria de produção intensiva obteve nos últimos anos para suprir a maior demanda de proteína animal, maximizando a produtividade e minimizando perdas decorrentes de doenças e infecções quando estabelecidas.

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Assinalar com um (X) as alternativas abaixo, as quais são os pontos críticos de entrada e saída de agentes de doenças de um sistema de produção suína: (

) Fonte de infecção é o hospedeiro vertebrado que elimina o patógeno para o meio exterior e pode ser o doente, portador e reservatório.

(

) Via de eliminação é o meio de acesso do patógeno ao meio exterior, como secreções, excreções, sangue, descamações e restos placentários.

(

) Via de transmissão é o meio do patógeno acessar o novo hospedeiro por meio dos contágios direto e indireto (fômites, ar, poeira, equipamentos, roupas, pessoas), produtos de reprodução (sêmen), transplacentária, vetores (insetos, roedores, animais silvestres, pássaros), alimentos, água e solo.

(

) Porta de entrada é o local de acesso do patógeno: mucosas genital, respiratória e digestiva, pele, cicatriz umbilical e ferimentos.

(

) Suscetível é o animal passível de ser infectado e depende da idade, raça e do sexo.

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Caso Clínico

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Caso Clínico

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Divirta-se

Encontre as palavras

Teste seus conhecimentos A biosseguridade refere-se ao conjunto de normas e medidas que visam a preservar a saúde do rebanho, diminuir qualquer tipo de riscos, assegurar e prevenir doenças. Sem dúvida, quando se aplicam todas as medidas em sua amplitude e essência, são praticados o conceito e a base da medicina preventiva. Nas alternativas abaixo, teste seus conhecimentos quanto às medidas que envolvem a biosseguridade. ( V ) Biosseguridade é um conjunto de procedimentos técnicos imprescindíveis que visam, de formas direta e indireta, prevenir, diminuir ou mesmo controlar os desafios gerados na produção de (...) ( V ) As granjas de suínos, independentemente do tamanho, localização e situação sanitária, devem estabelecer rigorosamente as medidas de biosseguridade, que abrangem um conjunto (...)

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Jogo dos 7 erros

( V ) São funções do veterinário facilitar o reconhecimento precoce de doenças e infecções, promover a profilaxia para a eliminação de doenças e manter medidas profiláticas para (...) ( V ) As normas de biosseguridade tornam-se necessárias devido ao grande incremento que a indústria de produção intensiva obteve nos últimos anos para suprir a maior demanda de (...) Assinalar com um (X) as alternativas abaixo, as quais são os pontos críticos de entrada e saída de agentes de doenças de um sistema de produção suína: ( X ) Fonte de infecção é o hospedeiro vertebrado que elimina o patógeno para o meio exterior e pode ser o doente, portador e reservatório. ( X ) Via de eliminação é o meio de acesso do patógeno ao meio exterior, como secreções, excreções, sangue, descamações e restos placentários. ( X ) Via de transmissão é o meio do patógeno acessar o novo hospedeiro por meio dos contágios direto e indireto (fômites, ar, poeira, equipamentos (...) ( X ) Porta de entrada é o local de acesso do patógeno: mucosas genital, respiratória e digestiva, pele, cicatriz umbilical e ferimentos. ( X ) Suscetível é o animal passível de ser infectado e depende da idade, raça e do sexo.

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Edição 56 da Revista Suínos & Cia.

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