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Editorial

Por que otimizar é uma palavra constante em qualquer sistema de produção na atualidade? Vamos entender o que ela significa na sua essência: “otimizar ou otimização é o processo pelo qual se determina o maior valor de uma grandeza”. É tornar algo muito mais do que bom, simplesmente ótimo. Assim, a otimização é aplicada em todos os sentidos, principalmente quando se refere à programa de gestão, independentemente do que esteja sendo abordado. Quando se busca eficiência, imediatamente relaciona-se a otimização de recursos e de processos. Requerer mais qualidade e produtividade significa otimizar cada tarefa e função que envolva resultados. As empresas que otimizam seus recursos, sejam eles humanos, materiais ou financeiros, certamente conseguem mais facilmente adequar seus custos e reter talentos. A busca pelo uso racional do potencial produtivo pode ser muito bem auxiliada por uma abordagem sistêmica e estratégica dos recursos existentes. A suinocultura encontra-se em uma boa fase para adotar a otimização, e quando houver restrição de recursos, o fruto de hoje poderá ser a capacidade de superação do amanhã. Preencher as possíveis lacunas das grandes oportunidades, em cada segmento, certamente o fará mais competitivo. Portanto, vamos otimizar. Boa leitura. As editoras


Índice 6

Entrevista

10

Recursos Humanos

18

Reprodução

27

Nutrição

44

Sanidade

56

Sumários de Pesquisa

62

Dicas de Manejo

67

Informe Publicitário

68

Divirta-se

Rubens Valentini Experiência e realidade norteamericanas na otimização dos recursos humanos em granjas de suínos Adaptação de fêmeas nulíparas Requerimentos nutricionais de animais em crescimento e terminação - estratégias para otimização de resultados Influência do canibalismo de cauda no ganho de peso, lesões e condenações no abate de suínos em terminação

Conhecendo o suíno para melhor interpretar os sinais clínicos que indicam situações de normalidade

Encontre as palavras Qual o seu diagnóstico? Jogo dos 7 erros Teste seus conhecimentos


Expediente Revista Técnica da Suinocultura A Revista Suínos & Cia é destinada a médicosveterinários, zootecnistas, produtores e demais profissionais que atuam na área de suinocultura. Contém artigos técnicocientíficos e editorias instrutivas, apresentados por especialistas do Brasil e do mundo.

Editora Técnica Maria Nazaré Lisboa CRMV-SP 03906

Consultoria Técnica Adriana Cássia Pereira CRMV - SP 18.577 Edison de Almeida CRMV - SP 3045 Mirela Caroline Zadra CRMV - SP 29.539

Jornalista Responsável Paulo Viarti MTB.: 26.493

Projeto Gráfico e Editoração Dsigns Comunicação - dsigns@uol.com.br

Ilustrações Roque de Ávila Júnior

Departamento Comercial Kellilucy da Silva marketing@consuitec.com.br

Atendimento ao Cliente Mirela Zadra dtecnico@consuitec.com.br

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Impressão Gráfica Silva Marts

Administração, Redação e Publicação Av. Fausto Pietrobom, 760 Jd. Planalto - Paulínia/SP CEP 13.145-189 Tel: (19) 3844-0443/ (19) 3844-0580

Foto (Diego Gebert) Fazenda Buriti – Primavera do Leste – MT

A reprodução parcial ou total de reportagens e artigos será permitida apenas com a autorização por escrito dos editores.


Entrevista

Tecnologia a serviço da suinocultura

Rubens Valentini Engenheiro

agrônomo

graduado pela Esalq, em 1968, Rubens Valentini tornou-se agricultor no Distrito Federal em 1980 e, seis anos depois, passou a se dedicar à suinocultura. Doutor pela USP e PhD pela Purdue University, foi professor do Departamento de Economia Rural da Esalq, assessor do Ministro da Agricultura Alysson Paulinelli, diretor-geral do Instituto de Economia Agrícola da Secretaria da Agricultura de São Paulo e

Produtor e Ex- Presidente da ABCS o Sr. Rubens Valentini foi um dos pioneiros a adotar o sistema de bem estar animal na sua suinocultura que sem duvida agrega o beneficio de controle de dados que interessa ao suinocultor. Confira nessa entrevista sua trajetória e experiência no assunto S&C: Sendo pioneiro no Brasil ao implantar o modelo de bem-estar animal em sua suinocultura, quais fatores o levaram a adotar este sistema?

S&C: Como surgiu a ideia de implantar este chip nas fêmeas?

RV: Entre outros, a possibilidade

leitura visual ou por equipamentos, como

de permitir que as porcas passassem sua gestação em ambiente livre de grades. Realmente isso me seduzia. Mas isso só foi possível depois que se desenvolveu, a custos acessíveis, o sistema de alimenta-

entre 2005 e 2009. Ao longo de sua carreira profissional, também foi diretor e consultor de empresas no setor privado e de agências internacionais, como IICA e FAO, e é diretor da Infoporc Brasil Ltda.

Suínos & Cia

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ciente de identificação, pois prescinde de no caso do código de barras. Inclusive o cadastramento de entrada das porcas nas baias coletivas é feito automaticamente, com a passagem das porcas pela máquina.

ção com controle eletrônico. A gestação coletiva, que na Europa começou como

S&C: Como funciona o sistema?

uma imposição legal, traz, hoje, vanta-

RV: No caso das porcas em gesta-

gens econômicas e de manejo que anulam

ção coletiva, existe a máquina de alimen-

completamente os preconceitos existentes

tação que, por meio de controle eletrôni-

com relação ao método. E os resultados

co, tem sensores que leem o chip da porca

zootécnicos são superiores aos obtidos

e ‘perguntam’ ao computador quanto de

nas gestações convencionais.

Presidente da ABCS (Associação Brasileira de Criadores de Suínos)

RV: O chip é a maneira mais efi-

alimento deve ser liberado para aquela porca específica. Quando ela entra na má-

S&C: Como são identificadas as porcas no sistema de gestação coletiva?

quina, a porta de trás se fecha, e a porca

RV: Por meio de um chip. Segun-

ração é feita em pequenas porções suces-

come com tranquilidade. A liberação da

do normativa internacional, ele deve ter

sivas até o total determinado pelo admi-

15 dígitos para garantir que não haverá

nistrador do sistema. Caso ocorra sobra de

possíveis repetições. Esse chip, também

alimento, como uma pequena porção, em

conhecido como transponder, é implan-

prazo previamente definido, a máquina

tado na orelha do animal e registrado no

automaticamente recolhe o cocho, abre-se

computador, associado ao brinco alfanu-

a porta dianteira para sua saída e a de trás

mérico. A partir daí, todos os dados de in-

se abre novamente para a entrada de outro

teresse são armazenados no computador.

animal. A quantidade remanescente fica Ano VIII - nº 49/2013


Entrevista disponível para a porca até o fechamento do dia, não se acumulando, porém, para o dia subsequente.

S&C: Existe limite de acesso das porcas aos comedouros? RV: As porcas podem entrar na máquina quantas vezes quiserem, mas, uma vez consumida a ração pré-determinada, nada mais lhe será fornecido.

S&C: Pode-se programar nesse sistema outras tarefas de manejo? RV: Sem dúvida, o chip é útil também para que se programe a máquina para

Granja ECO - BEA

executar ações específicas para determi-

as leitoas que serão incorporadas ao plan-

máquina eletrônica, mais estreita que a

tel passam, primeiro, por cerca de quatro

convencional, para aprender a comer em

semanas de treinamento. A primeira eta-

porções sucessivas. Depois de mais duas

pa, que dura aproximadamente duas se-

semanas, os animais estão prontos para a

manas, é feita com as marrãs sem chip,

etapa de cobertura, que é feita em gaiolas

em máquinas ‘tontas’, que não possuem

convencionais. E quando chega a hora de

nada eletrônico, são apenas corredores

serem transferidas para a gestação coleti-

nadas porcas, segundo sua agenda de programação, como, por exemplo, identificar quem serão os animais que necessitam ser vacinados, selecionar fêmeas que devem ir para a maternidade, separar porcas que tenham perdido o brinco, etc.

dotados com as mesmas portas de entrada

S&C: Como foi o processo de treinamento e manejo das fêmeas no início da implantação do sistema?

e saída, com bebedouro e cocho à vontade

RV: O treinamento das porcas é,

do corredor, empurrando as portas para

sem dúvida, uma etapa fundamental para

entrada e saída. Cumprida essa etapa,

o bom funcionamento do sistema. Todas

as marrãs são chipadas e passam para a

va, elas jamais se esquecem dos hábitos adquiridos durante o treinamento.

lá dentro. Essa etapa tem a finalidade de acostumar os animais com a ração dentro

S&C: Na sua suinocultura, atualmente, todo o plantel possui o sistema de chip? RV: Há tempos nós temos uma granja com 2.500 matrizes criadas em sistema convencional, em gaiolas. Em meados de 2010, iniciamos uma ampliação com mais 1.350 fêmeas sob esse sistema de gestação coletiva. Nessa granja, que chamamos de ECO-BEA, 100% do plantel é chipado.

S&C: O custo para implantação deste sistema é mais elevado quando comparado com o tradicional, em gaiolas? RV: Apenas o chip custa, aproximadamente, R$ 7,00 mas sua utilização só faz sentido com a adoção de sistemas automatizados, com controle eletrônico. Gerente Marco Aurélio realizando o treinamento com as marrãs

Ano VIII - nº 49/2013

O sistema de alimentação por controSuínos & Cia

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Entrevista Índice

ECO-BEA

MIUNÇA

Taxa de parição %

93,29

90,51

Nascidos totais

15,92

15,50

Nascidos vivos

14,31

13,77

Peso de nascimento

1,41

1,48

%< 1,0 kg no nasc.

2,01

5,85

Desm. porca/ano (23dd)

32,18

30,36

le eletrônico exige uma área de 10% a 12% maior, quando comparado ao sistema tradicional em que se utiliza gestação em gaiolas, Mas, atualmente, o custo do

S&C: Quando se refere à melhoria de resultados do sistema, quando comparados ao tradicional, poderia citar sua experiência?

o sistema seja adequadamente equipado com máquinas de alimentação de controle eletrônico.

S&C: Apesar dos custos mais elevados do sistema, os benefícios obtidos são significativos. Dessa forma, pensa em expandilo em breve? RV: Os dados acima são expressivos. E ainda temos muito que caminhar para explorar todos os recursos do siste-

RV: Claro que sim, essa afirma-

ma. Além da nutrição individualizada nas

ção se faz pelos três anos de operação

quantidades para cada porca, as máquinas

do sistema anexo à nossa gestação con-

possuem dois microdosadores que per-

vencional. A possibilidade de controlar

mitem, a qualquer tempo, a inclusão de

individualmente e em detalhes a nutri-

porções de 20g e 80g na dieta de porcas

ção das porcas gestantes, vivendo co-

S&C: Qual seria sua sugestão para expandir esta ideia, fazendo com que outras granjas passem a adotar o sistema?

selecionadas por período de gestação,

letivamente, resulta em leitegadas mais

ordem de parição, genética, etc. Estamos

homogêneas e pesadas. E as preocupa-

desenvolvendo variações nutricionais,

ções com perdas de prenhez, abortos e

com a inclusão de aminoácidos essenciais

RV: Além de automatizar o siste-

reabsorções embrionárias são infundadas. A nossa ECO-BEA, a poucos metros

e outros ingredientes, que acreditamos

ma de alimentação, que contribui com melhoras na otimização de recursos, os chips

de nossa granja convencional Miunça,

são úteis para outros controles na granja,

trabalha com a mesma genética DB, mes-

com grande acurácia e economia de tem-

ma nutrição e mesmo pessoal. Na tabela

po e mão de obra. Por exemplo, seringas

acima, podemos conferir os resultados.

dotadas de comunicação com computador

São dados relevantes de desempenho de

podem registrar, automaticamente, todos

gestação que, por si mesmos, desmistifi-

os medicamentos injetados, garantindo a

cam quaisquer argumentos contrários à

total rastreabilidade dos tratamentos.

gestação coletiva. Com a ressalva de que

investimento desse sistema é muito próximo do dispendido com o convencional, quando contabilizamos gaiolas, cochos, ‘drops’, bebedouros, etc.

que serão positivas na melhoria do peso de nascimento, bem como em outras características dos leitões e na longevidade das porcas. Dessa forma, sem dúvida, pensamos em difundir e aumentar o número de granjas com o sistema, na medida do possível.

S&C: Você acredita que o rumo da suinocultura brasileira, no que se refere a bemestar animal, será o mesmo adotado na Europa a partir deste ano? RV: Tenho plena convicção de que a gestação coletiva com alimentação controlada eletronicamente se consolidará nos novos projetos brasileiros e nos países de expressão em produção suína. Independentemente dos aspectos éticos de bem-estar, que, com certeza, se farão cada vez mais presentes. As vantagens quanto ao manejo, resultados econômicos e atração de mão de obra são razões que beneficiam este sistema sobre o convencional,

Colaborador realizando a reposiçao do brinco

Suínos & Cia

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de gestação em gaiolas. Ano VIII - nº 49/2013


Entrevista S&C: Qual a eficiência deste sistema em relação à mão de obra e facilidade no manejo? RV: O manejo fica extremamente simplificado, pois o bom desenho das instalações praticamente elimina as atividades de limpeza de baias, e o tempo dos colaboradores pode ficar inteiramente dedicado à observação dos animais, com intervenções apenas pontuais. A docilidade das porcas permite o contato sem estresse com os animais, inclusive para vacinações e inoculação de medicamentos. A seleção se faz pelas próprias máquinas, reduzindo-se a procura por animais individuais

Sistema de alimentação

em raríssimas ocasiões, como aquela em

foi tranquilíssima. Wilson, o novo gerente

putador indica a baia em que ela está, e a

S&C: O sistema realmente oferece inúmeras vantagens. E quais são as desvantagens?

procura se faz com um terminal de mão.

RV: Desvantagens? Sinceramen-

priedade de nossos parceiros espanhóis

Por outro lado, o sistema, pelo uso intensi-

te não vejo nenhuma, a não ser a de que

da Infoporc, e voltou dominando perfei-

o sistema é perfeito para granjas novas,

tamente o sistema. O treinamento que ele

mas apresenta problemas na adequação

deu ao nosso pessoal foi simples, rápido e

de granjas velhas. Os problemas estão as-

efetivo. E o mesmo tem se verificado nas

sociados aos pisos que exigem mudanças

granjas para as quais estamos fornecendo

significativas.

projeto e máquinas Schauer, as mesmas

que algum deles deixa de comer por dois dias consecutivos. E, nesses casos, o com-

vo de eletrônica e informática, atrai jovens que, de outra forma, não se interessariam pela suinocultura. Isso ajuda a desmistificar a atividade e a torna mais atraente, reduzindo os problemas de oferta de mão de

por pessoa, viabilizando a hora produtiva por funcionário.

nas na granja Albessa Ramadera, de pro-

que usamos, e treinando o pessoal, com a

obra. E, quantitativamente, há substancial aumento do número de animais tratados

operacional, fez estágio de quatro sema-

S&C: Como foi a adaptação da equipe com o novo sistema adotado? RV: A adaptação do nosso pessoal

mesma facilidade e aproveitamento.

S&C: Agradecemos sua maravilhosa participação e abrimos espaço para que nos deixe uma mensagem. RV: Quero dizer aos colegas suinocultores que se dispam dos preconceitos quanto ao sistema e o considerem seriamente em seus novos projetos. E, se pudermos ser úteis na discussão de planos de investimento, por favor, entrem em contato e venham nos visitar. Teremos grande satisfação em mostrar o que fazemos. Estamos operando desde dezembro de 2010, e nossas instalações e dados estão à disposição para ajudar a esclarecer o que, porventura, ainda haja de dúvidas infundadas. Meus sinceros agradecimen-

Gerente do Sitio I, Marco Aurélio no posto de comando (PC), com vista para o galpão de gestação coletiva

Ano VIII - nº 49/2013

tos pela oportunidade. Suínos & Cia

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Recursos Humanos Experiência e realidade norte-americanas na otimização dos recursos humanos em granjas de suínos Márcio Gonçalves Doutorando – Kansas State University, Manhattan, KS – USA marcio@k-state.edu Ao longo das últimas duas décadas e meia, a suinocultura americana passou por grandes transformações e desafios, os quais forçaram a atividade a buscar cada vez mais a eficiência por meio da aplicação de novas tecnologias e novos métodos de trabalho. Antigamente, buscava-se otimizar custos apenas com a ração, por corresponder 70% do custo de produção dos suínos até o abate. Com a altíssima competitividade que encontramos hoje, otimizar outros custos de menor percentual na fatia se faz extremamente importante. A mão de obra participa de 12% a 16% dos custos de uma granja produtora de leitões (não incluindo os custos de creche e terminação). Portanto, participando de U$4,75 a U$5,50 no custo do leitão desmamado. A habilidade de inovar, associada à disponibilidade de recursos,tem sido fator importante para fazer da atividade uma das mais competitivas em âmbito mundial.

Gráfico 1. Market share de produção de carne suína nos EUA, por Estados (USDA, 2011)

Suínos & Cia

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José Henrique Piva Technical Services – PIC Global, Hendersonville, TN – USA jose.piva@genusplc.com

“Não podemos fazer o trabalho de hoje com os métodos de ontem e sermos a empresa do amanhã” (Anônimo) Dificuldades como escassez de mão de obra, legislação, instabilidade de preços e mercado, doenças com alto impacto econômico (por exemplo, a síndrome reprodutiva e respiratória dos suínos) e bem-estar animal, são desafios que forçam a atividade a aumentar a velocidade de adoção de novas tecnologias de produção e novas formas de comercialização. A produção de suínos americana passou de uma atividade altamente familiar e pulverizada em muitas propriedades e estados para uma concentrada dentro de grandes empresas, distribuídas basicamente em alguns estados. Esta situação gerou grandes mudanças tanto na estrutura física das granjas como na forma de trabalhar e de administrar a atividade. Atualmente, os quatro estados com maior número de matrizes controlam mais de 61% delas (gráfico 1), fazendo com que, nestes estados, a mão de obra capacitada seja limitada e gerando, assim, certa disputa entre as diferentes granjas. No que diz respeito à consolidação da indústria, os dez maiores produtores (tabela 1) mantêm mais de 41% das matrizes – sendo que a maioria destes produtores está presente em mais de um Estado. Desta forma, a produção deixou

de ser mais uma atividade da família americana para ser uma atividade de negócio, controlado por empresas que, muitas vezes, também participam de todo o processo da cadeia da carne suína. Em uma mudança estratégica, as empresas começaram a enviar seus animais de creche e terminação (gráfico 2) para as regiões onde têm alta produção de grãos e frigoríficos (Iowa e Minnesota, por exemplo). Desta maneira, com a maior densidade de animais de terminação nesta região, a produção de suínos livres da Síndrome Reprodutiva e Respiratória se tornou um desafio muito grande. Portanto, algumas empresas preferiram manter suas granjas produtoras de leitões nas regiões com menor densidade de suínos de terminação, primeiro na Carolina do Norte e, nos últimos cinco anos, em Illinois. Com isto em vista, a disputa por mão de obra para trabalhar nas granjas produtoras de suínos nestes Estados está entre as maiores dos EUA. Esta nova realidade fez com que ocorressem mudanças drásticas dentro e fora do negócio. Em questão de duas décadas, por diferentes razões, as granjas deixaram de ser de ciclo completo para se tornar um modelo mais profissionalizado, padronizado e focado em uma determinada fase do processo da produção, criando, assim, o modelo atual de rebanho grande de matrizes, completamente separado das outras fases (creche e terminação). Estas mudanças forçaram a criar e disciplinar protocolos e processos de trabalho. Assim, muitos produtores deixaram de ser independentes e passaram a fazer parte dos sistemas de produção, participando de uma determinada fase do processo (por exemplo, integrar-se a um sistema de produção para fazer somente a fase de creche e ou terminação ou, em muitos casos, passaram a trabalhar como funcionários das empresas). Ano VIII - nº 49/2013


55/Brands

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Recursos Humanos Tabela 1 . Dez maiores produtores de suínos nos Estados Unidos Empresa

Modelo de produção*

Número de matrizes

Smithfield

Integrador

835.000

Triumph

Integrador

377.000

Seaboard

Integrador

215.000

TML

Independente

192.000

Prestage

Independente

165.000

Iowa Select

Independente

160.000

Pipestone Systems

Independente

140.000

Cargill Pork

Integrador

125.000

Elm Creek

Independente

123.000

AMVC

Independente

82.000

* Independente: refere-se a empresas que não possuem frigoríficos Esta mudança fez com que muitos dos antigos produtores, que eram pouco competitivos, tivessem dificuldades para se adaptar a uma forma diferente de trabalhar dentro dos sistemas de produção. Todas estas mudanças, associadas à necessidade de mão de obra treinada para preencher as oportunidades criadas, passaram a gerar alta rotatividade de pessoal, que, na época mais crítica, em certas empresas ou granjas, chegou a ser supe-

rior a 100% ao ano. Esta nova realidade traumática para muitos produtores abriu as portas para que entrasse no circuito a mão de obra vinda de outras regiões, principalmente de países latinos, gerando, de certa forma, dificuldades de comunicação e ajustes culturais. Diante desta conjuntura,as granjas passaram a viver desafios e, em certo momento, muitas não eram tão produtivas como poderiam ser. Mas a partir de

mudanças na forma de trabalhar, tanto dentro como fora das granjas, da adoção de novas tecnologias, da modificação na remuneração, da sistematização e motivação dos funcionários e de treinamento mais dirigido, a mão de obra passou a ser mais estável e produtiva.

Aspectos relacionados ao tamanho das granjas Mais de 60% dos leitões produzidos (figura 3) em granjas americanas são oriundos de granjas que têm mais de 2.400 matrizes e que, na sua grande maioria, foram construídas nas últimas trêsdécadas. Portanto, algumas delas foram construídas ainda quando a inseminação artificial não era uma rotina nas granjas, e a produtividade, muito inferior aos dias atuais. O gráfico 4 ilustra a redução do número de granjas de matrizes de 1991 a 2011. De 2009 para 2010, o número total de granjas de matrizes apresentou uma redução de 2%. Houve uma redução no número de granjas abaixo de 200 matrizes (-1,6%), de 200 a 999 (-7,7%), de 1.000 a 1.999 (-7,1%) e de 2.000 a 3.999 matrizes (-1,4%). O único tamanho de granja que demonstrou um modesto aumento foi o de granjas com mais de 4.000 matrizes (0,6%). Para diminuir custos, com o aumento da competitividade e diminuição da margem de lucro, a indústria de produção de suínos foi forçada a aumentar a escala de produção, com menor número de granjas e com matrizes por granja (gráfico 5). As expectativas de produção atuais e os métodos de trabalho são diferentes de cinco ou dez anos atrás, portanto, as necessidade de mão de obra e a alocação dela são diferentes do passado (tabela 2). A maioria das granjas recebe ração produzida em fábricas localizadas na região (não fazem parte da granja) e sêmen produzido em centrais de inseminação artificial externas.

Gráfico 2. Percentual de matrizes e suínos abatidos nos Estados com maior produção de 1990 a 2010 (USDA, 2011)

Suínos & Cia

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Como norma geral, a maioria dos funcionários mora em povoados próximos às granjas, sendo estes entre 10 km e 50 km (com raras exceções moram na granja), mas há casos em que os funcionários moram a mais de 100 km de distância e dirigem até a granja por conta própria. Como norma, cada funcionário é responsável pela sua alimentação e transporte. Ano VIII - nº 49/2013


Recursos Humanos Em nível de sítio 1 (unidades produtoras de leitões), granjas grandes (acima de 4.000 fêmeas) com bom nível de tecnificação e produtividade têm como meta desmamar mais de 10.000 leitões por funcionário por ano (tabela 3). Mas, como regra, é comum encontrar granjas com 9.000 leitões desmamados por funcionário. Granjas de alto desempenho chegam a mais de 11.000 leitões desmamados por funcionário por ano. Cada funcionário trabalha entre 44h e 46h semanais (horas extras são limitadas). Como cada granja possui características específicas em relação ao seu fluxo e instalações, a relação de matrizes por funcionário é variável (como norma, o mais comum são de 300 a 350 fêmeas por funcionário). No entanto, no quadro 4 é exposta a relação de matrizes por funcionário encontrada, normalmente, em granjas americanas, de acordo com o tamanho de cada uma delas. Na sua grande maioria, as granjas têm uma equipe de trabalho responsável por todas as rotinas diárias e semanais, que envolvem basicamente leitoas e matrizes na gestação e na maternidade. Esta equipe é formada por dois setores (sendo um setor para leitoas, cobertura e gestação, e outro para a maternidade), e cada um tem suas responsabilidades e tarefas, mas trabalham de comum acordo e buscam auxílio mútuo, principalmente nos finais de semana, quando somente 35% dos funcionários trabalham. Assim, uma granja de 2.500 fêmeas, com oito funcionários na folha de pagamento, possui somente três nos finais de semana. No primeiro ano de trabalho, eles têm direito a cinco dias úteis de férias. À medida que o funcionário fica mais tempo na empresa, seus benefícios aumentam gradativamente. A contratação e a manutenção de funcionários com experiência em granjas de suínos são pontos importantes para uma equipe eficiente. O horário de trabalho não é fixo e varia em cada empresa. Como regra geral, na maioria delas, os funcionários iniciam a jornada às 6h ou 7h e finalizam às 15h. Nos finais de semana, a rotina de trabalho pode iniciar entre 5h30 e 6h, estando, na maioria das vezes, com todas as tarefas concluídas por volta das 12h. Embora exista uma disciplina de horário definida, a grande maioria das granjas trabalha na forma de tarefa, ou seja, se as rotinas do dia estiverem concluídas, os funcionários poderão sair mais cedo, mas, se Ano VIII - nº 49/2013

Gráfico 3. Suínos abatidos nos Estados Unidos de acordo com o tamanho de granja de matrizes (USDA, 2009)

Gráfico 4. Evolução da quantidade de granjas de matrizes de acordo com o tamanho (USDA, 2011; Plain, 2011)

Gráfico 5. Evolução da quantidade de granjas de matrizes e do tamanho das granjas (USDA, 2011)

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Recursos Humanos Tabela 2. Mudanças realizadas para atingir uma adequada eficiência de uso da mão de obra 

Granjas maiores e mais concentradas;

Identificação de cio e inseminação uma vez por dia (2,1 IA/fêmea);

Dieta única na gestação;

Sistema automatizado para cortina e arraçoamento na gestação;

Alimentação automatizada na maternidade;

Eliminação de desgaste/corte de dentes e umbigo;

Parição em lotes em granjas menores;

Menor rotatividade de pessoal – mais consistênciae disciplina;

Funcionários mais proativos para executar as rotinas;

Mínima transferência de leitões na maternidade;

Uso de salas de espera (salas de creche) para leitões desmamados;

Alojamento de creche/terminação/wean-to-finish mais rápido – maiores granjas de produção de leitões;

Mínima separação por tamanho no alojamento na creche ou nas unidades de wean-to-finish (apenas separação dos leitões pequenos);

Descarte mais proativo de fêmeas de risco – por exemplo, fêmeas velhas, que abortaram, retornaram ao estro mais de uma vez ou que foram identificadas vazias;

Diagnóstico de prenhez com ultrassom aos 28-35 dias, e não seguir passando o macho até o final da gestação;

Troca de água das canaletas deixou de ser feita;

Ripados mais abertos, permitindo fluxo mais favorável das fezes;

Diagnóstico de cio: uso de robô (boar bot) para deslocamento do macho (foto 6);

Programa de treinamento – Procedimento Operacional Padrão (POP);

Células de resfriamento (colmeia/pad cooling);

Tarefas e rotinas de trabalho tornaram-se mais consistentes e repetitivas;

Uso do sistema wean-to-finish;

Uso de uma espécie de carro (com rodas e motor com fio de aço) para facilitar a remoção de reprodutores mortos;

Carrinho de manejo de leitões (foto 7): é um carro de plástico em que é realizado o processamento dos leitões ao 3º dia de vida por um ou dois funcionários (aplicação de ferro, tatuagem, corte de cauda e castração);

Inseminação pós-cervical, exceto em leitoas (foto 8);

Diagnóstico de cio simplificado: os funcionários não montam na região lombar de cada fêmea, como é feito tradicionalmente no Brasil. Eles caminham por trás das fêmeas, realizando pressão lombar com as mãos, sem entrar na gaiola.

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por alguma razão o trabalho não estiver completo ou houver algum imprevisto, seguem por mais tempo. O período para almoço é de 30 minutos a 1 hora. Na estrutura de pessoal das granjas com até 4.000 matrizes é comum ter um gerente que também exerce a função de chefe de um dos setores (podendo ser de maternidade ou gestação). Em granjas maiores, normalmente, a equipe de supervisão é composta pelo gerente e por dois chefes de setor, sendo que nelas o gerente exerce uma função menos operacional e mais administrativa. Por razões diversas, muitos funcionários preferem fazer o trabalho operacional, ao invés do administrativo, não tendo ambição por atingir o cargo de supervisor ou gerente. Dentro da estrutura de pessoal, 60% a 65% trabalham na área de maternidade, e os demais, na área de leitoas, cobertura e gestação, sendo que mais de 40% das horas pagas na maternidade são dedicadas à atenção ao leitão, do nascimento até o terceiro ou quarto dia de vida. Na área de gestação, mais de 50% do tempo é dedicado à identificação de cio e ao processo de inseminação. A confirmação de prenhez é uma tarefa realizada semanalmente e de forma disciplinada (algumas granjas realizam a confirmação de prenhez duas vezes – 4ª e 6ª semanas de gestação). Isto facilita o manejo, visto que não existe a necessidade de realizar o diagnóstico de cio com macho em fêmeas em uma fase mais avançada da gestação para verificar se há repetições de cio. Embora as prioridades das granjas possam ser diferentes, existe um consenso entre as empresas que se deve reduzir a perda de leitões (natimortos e mortalidade pré-desmame), e a maioria dos produtores está disposta a investir mais, tanto em mão de obra, na metodologia de trabalho, quanto em novas tecnologias e/ou equipamentos. Assim, muitas granjas grandes estão criando um segundo turno de trabalho (conhecido como 24/7) para atenção ao parto e aos leitões nas primeiras 24 horas de vida, prática, esta, quase impossível de ser considerada há alguns anos. Aspectos relacionados à formatação e ao desenho da granja são de extrema importância para facilitar a otimização da mão de obra. Uma granja de 5 mil a 6 mil matrizes nos EUA possui, em geral, 2 barracões (1 de maternidade e 1 de gestação e desenvolvimento de leitoas). Ano VIII - nº 49/2013


Recursos Humanos Protocolos e disciplina de trabalho Embora a maioria das granjas ofereça certa flexibilidade na forma de trabalhar e na execução das rotinas diárias, todas seguem protocolos de manejos definidos e acordados com a empresa. Em relação aos protocolos, é comum terem o que é conhecido como “não negociável” e devem ser seguidos dentro dos parâmetros definidos pela empresa ou pelo encarregado. Neste ponto, principalmente as áreas de bem-estar animal, manutenção, segurança do trabalho e biossegurança são obrigadas a segui-los

Produtividade das granjas

de manejo, é fortemente dirigido à área de bem-estar animal, uso de medicamentos e segurança de trabalho. Todo funcionário, obrigatoriamente, deve fazer o curso da INFORPORC. Algumas empresas americanas possuem vídeos com explicações detalhadas de cada manejo, e ao final, realizam uma prova em que o funcionário deve atingir uma pontuação mínima, caso contrário deve refazê-la. Além disso, existe um número mínimo de horas que um novo funcionário deve acompanhar outro mais experiente (normalmente o supervisor do setor ou gerente da granja) em cada atividade. Dessa forma, é realizado um acompanhamento por meio de uma planilha com a lista de atividades e número de horas para serem cumpridas.

Foto 6. Robô para auxiliar no diagnóstico de cio e inseminações

De uma forma bastante marcada, ganhos de produtividade anuais são comuns, bem como uma política de bônus para os funcionários, normalmente, paga a cada três meses para aqueles com mais de seis meses de empresa e que têm alto nível de assiduidade. Na tabela 5, são expostas as metas atuais de produção.

Rotatividade de pessoal Reter funcionários treinados é uma prioridade das empresas que, na sua maioria, reconhecem como um custo a perda de um funcionário treinado. Em geral, empresas que buscam alto desempenho trabalham com rotatividade anual menor que 30%. Como estratégias para atingir as metas de rotatividade anual, algumas empresas telefonam no 7º, 14º e 30º dias após o início do trabalho do novo funcionário e realizam uma série de perguntas para verificar a satisfação dele. Deve ser fornecido um feedback para cada novo funcionário no final do 1º, 2º e 6º meses de trabalho, e após este período, anualmente. Treinamentos bi ou trimestrais para os gerentes e supervisores sobre o tema de “liderança e gestão” também são ferramentas importantes nesta abordagem.

Foto 7. Carro de manejo de leitões

Treinamento dos funcionários Normalmente, todos os funcionários passam por um período de treinamento e recebem o manual da empresa com os procedimentos operacionais padrões, nos quais o foco, além da área Ano VIII - nº 49/2013

Foto 8. Inseminação pós-cervical em porcas

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Recursos Humanos Tabela 3. Metas de produção em cincoáreas Aspecto

Critério

Meta PIC

Nível de intervenção

Mão de obra

Leitões desmamados por funcionário por ano

> 9,000

< 8,000

Manejo alimentar

Kg de ração por leitão desmamado

< 36

>40

Nutrição

EM em Mcal por leitão desmamado

<115

> 130

Instalações

Leitões desmamados por gaiola de maternidade por ano

> 160

< 140

Genética

Leitões desmamados ao longo da vida da fêmea

10. Ter e seguir protocolos de trabalho, mas dar oportunidade à criatividade;

> 60

< 50

11. Fazer o trabalho certo desde a primeira vez e de forma eficiente;

Tabela 4. Típica relação de matrizes por funcionário, de acordo com o tamanho da granja Tamanho da granja (no de matrizes)

Matrizes por funcionário

Até 2.400

250 a 300 :1

2.400 a 4.000

300 a 350:1

4.000 a 6.000

350 a 450:1

Tabela 5. Metas atuais de produção Indicador

Meta

Média nascidos totais

> 14,5

Média nascidos vivos

> 13,4

Média desmamados

> 12,4

Consistência

Ausência de queda em OP 2

Taxa de retenção

> 75% leitoas cobertas retidas até OP 3

Tendências da indústria de Passos e pontos importantes produção de suínos que impactam a serem considerados para otimização da mão de obra na gestão dos recursos humanos Com as novas expectativas do consumidor, muitas novas granjas estão sendo construídas com o sistema de baias coletivas a partir dos 35 dias de gestação, o qual exige um trabalho diferenciado. Na realidade atual, muitas granjas trabalham dentro de um limite de mão de obra. Mas adotando novas tecnologias e novos métodos de trabalho é bastante provável que a tendência seja que cada uma busque atingir o máximo desempenho, com o mínimo de recursos. Para tal, é importante saber onde estamos e aonde cada granja poderá chegar em termos de eficiência. Suínos & Cia

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6. Manter as rotinas simples e buscar a praticidade;

1. Medir e conhecer onde cada granja está e como o trabalho está sendo feito; só podemos melhorar aquilo que medimos; 2. Definir as prioridades em termos de rotinas diária e semanal e focar no que é necessário; 3. Revisar com a equipe tudo o que foi mudado ao longo dos últimos anos, como o tempo que antes era gasto em certas atividades que deixaram de fazer parte da rotina de trabalho;

7. Ter pessoas experientes, responsáveis e motivadas e estimular a criatividade. 8. Ter instalações e equipamentos funcionais, que permitam eficiência de trabalho; 9. Fazer o trabalho de equipe e evitar individualismo ou segregação entre áreas;

12. Ter um sistema de bônus trimestral para toda a equipe, porém, penalizando funcionários que tiveram faltas não justificadas ou mais de três faltas justificadas; 13. Pensar em granjas e barracões maiores: granjas acima de 2.500 fêmeas, e barracões com mais de 1.000 fêmeas; 14. Desenhar as granjas com layout adequado, que facilite o fluxo dos animais e dos funcionários, e evitar distâncias desnecessárias entre galpões; 15. Inovar, buscar novas tecnologias e adotá-las rapidamente.

Considerações finais A experiência da indústria americana na otimização de mão de obra deixa claro que é possível realizar um processo semelhante no Brasil, mas, para isto, o layout dos projetos, equipamentos, conceitos, legislação trabalhista, remuneração e forma de trabalhar são aspectos que devem ser revistos. Além de sermos eficientes nas atividades da rotina de trabalho das granjas, produzindo mais com menos, temos de ser eficazes, selecionando com precisão as tarefas que, de fato, devem e necessitam ser realizadas na rotina da granja para um ótimo retorno financeiro e bem-estar dos animais.

Referências bibliográficas

4. Executar um projeto-piloto; reconhecer que os funcionários têm de se adaptar;

1. USDA Report. Hogs and Pigs, 2009.

5. Quebrar os paradigmas de que certas tarefas não podem ser feitas de forma diferente do passado;

3. Plain, R. State of pork industry. University of Missouri. 2011.

2. USDA Report. Hogs and Pigs, 2011.

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Reprodução Adaptação de fêmeas nulíparas

Rafael T. Pallás Alonso Diretor-técnico para Serviços Veterinários da KUBUS S.A. Madri – Espanha rtpallas@gmail.com

Introdução Nos sistemas atuais de produção e com o tipo de fêmeas suínas com os quais trabalhamos, a taxa de reposição anual de uma granja varia entre 40% e 50% do total de suas fêmeas. Isso significa que, de forma contínua e com uma estrutura de recenseamento adequada, em qualquer granja, de 22% a 25% das porcas serão nulíparas (gráfico 1). Este valor nos dá uma ideia da alta importância, tanto do ponto de vista técnico como econômico, das futuras reprodutoras na boa gestão de uma granja. As fêmeas de reposição podem ser obtidas de duas formas principais: - Autorrenovação: por meio da produção delas dentro da própria granja, a partir de uma pirâmide genética interna, de modo a preparar as leitoas para serem futuras reprodutoras desde os 40 kg a 60 kg de peso, pela realização de certos procedimentos especiais: programa sanitário, alimentação, manejo, etc. Este sistema é adotado principalmente nas grandes granjas em função do baixo risco sanitário, mesmo considerando um ganho genético um pouco menor, o qual virá somente por meio do sêmen. Geralmente, uma pirâmide genética interna precisa de um número de bisavós e avós igual a 2% e 8% do número total de fêmeas em produção, respectivamente. Ou seja, aproximadamente 10% das fêmeas da granja serão avós e bisavós. - Aquisição externa: neste sistema, as fêmeas são adquiridas de uma empresa de genética ao longo do ano, uma ou várias vezes. Este sistema, ainda que Suínos & Cia

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Gráfico 1

proporcione um rápido avanço genético, traz um risco sanitário maior, sendo, por isso, usado somente em granjas pequenas. Sua utilização contempla a realização de um cálculo correto do número de fêmeas a entrar em cada lote. -

de um maior risco sanitário envolvido, é importante lembrar que as leitegadas procedentes de primíparas crescem menos que as de multíparas; - Taxa de eliminação nos 3 primeiros ciclos não maior do que 25%, segundo a Tabela 1;

Objetivos

- Assegurar que as nulíparas tenham um crescimento, desde o nascimento até

O primeiro deles, o qual precisa ser bem claro, é que uma primípara bem manejada é a porca mais produtiva da granja, e caso não seja assim, deveria ser.

a cobertura, de 650 g/dia a 770 g/dia,

Os objetivos marcantes da renovação do plantel podem ser resumidos nos seguintes pontos:

ser descartadas e maiores problemas

- Não superar os 50% de taxa de renovação anual: além do aumento do custo e

puberdade e expressar um desenvolvi-

ou seja, um crescimento moderado, já que as fêmeas mais gordas no momento da seleção têm maior possibilidade de de aprumo. Por outro lado, as fêmeas magras costumam atrasar a entrada na mento reprodutivo ruim.

Tabela 1

Taxa de Permanência

Nulíparas entradas na zona de cobertura

100%

Nulíparas de primeiro parto

92%

Nulíparas de segundo parto

85%

Nulíparas de terceiro parto

75%

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Reprodução - O estímulo ao primeiro cio deve ocorrer próximo dos 160 dias de idade, assim o cio fecundante (3º ou 4º) será entre os 220 e 250 dias, com um peso corporal entre 140 kg e 160 kg; - O ganho de peso, desde a cobertura até o primeiro parto, deve ser de 38 kg a 45 kg. Dessa forma, o peso no primeiro parto ficará entre 180 kg e 190 kg. Como referência, uma fêmea adulta ganha de 22 kg a 24 kg da cobertura ao parto; - Ainda que haja muitas variações entre raças e linhas genéticas, no momento da cobertura, a fêmea deve ter uma espessura de toucinho dorsal, no ponto P2, entre 16 mm e 18 mm. Espessuras maiores não costumam agregar nada a mais; - 80% das futuras reprodutoras devem entrar em cio dentro dos 28 primeiros dias, desde o início da estimulação com o macho; - 85% das nulíparas já ciclando devem ser cobertas de forma agrupada, em um período de tempo não superior aos 5 dias. Para alcançar estes objetivos devemos proporcionar às fêmeas condições mínimas de alojamento, as quais estão resumidas a seguir:

trabalhado, ao realizar as reposições, é decidir o número de fêmeas que devemos introduzir por lote. Esse número, sem dúvida, vai depender da taxa anual de renovação local. Para simplificar, podemos aplicar a seguinte fórmula:

Nº de primíparas por lote = Nº de coberturas por lote – Nº de porcas a desmamar – Nº de porcas a descartar – Nº de porcas repetidas + 10% Os 10% adicionados correspondem ao percentual de renovação das fêmeas, as quais começamos a estimular sem contar, entretanto, que ciclem. Em condições normais esse número deveria ser inferior a 10%. Simplificando, o número de coberturas de primíparas por lote seria de 16% a 20% do total de acasalamentos; entre 16% e 18% quando a taxa de renovação anual é de cerca de 40% a 45% e entre 18 e 20% quando a renovação anual situa-se entre 45% e 50%. Assim, por exemplo, se uma granja trabalha com grupos de cobertura semanais de 60 fêmeas, toda semana haverá uma introdução de cerca de 10 novas fêmeas.

As estratégias seguintes, adotadas em uma granja para a adaptação das fêmeas de reposição, podem ser divididas em: - Estratégias nutricionais; - Estratégias sanitárias; - Estratégias reprodutivas.

Estratégias nutricionais A marrã de reposição, no momento da cobertura, deve ser um animal com 17 mm a 19 mm de espessura de toucinho dorsal na altura de P2 e também com elevada taxa de ovulação, a fim de manter um nível adequado de produção desde o primeiro parto. Para se obter uma fêmea com estas características é necessário que, na criação de futuros reprodutores, utilize-se um plano nutricional específico que permita um desenvolvimento músculo-esquelético adequado e a boa maturação dos ovários, o que resultará em uma elevada taxa de ovulação. Além disso, o estado nutricional adequado das fêmeas de reposição vai favorecer o desenvolvimento de uma resposta imune completa e a correta manifestação de suas características reprodutivas.

- Espaço útil por nulípara em grupo: de 1,5 m2 a 2 m2; - Temperatura crítica inferior: 16º C (piso de concreto) e 11º C (piso coberto com palha); - Temperatura habitual: de 18º C a 20º C; - Ventilação por nulípara: mínima de 23 m3/hora e máxima de 120 m3/hora; - Espaço livre para comedouro: 40 cm (mínimo); - Fluxo de água / número / altura dos bebedouros: de 1,5 litros a 2,0 litros por minuto / 1 bebedouro para cada 8 fêmeas / 0,7 m desde o piso; - Iluminação: 16 horas de luz/dia, com intensidade de 300 lux sobre a cabeça do animal. Um dos primeiros pontos a ser Ano VIII - nº 49/2013

Bebedouro e comedouro conjugados

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Reprodução Quando as marrãs são criadas na própria granja, até aos 40 kg a 45 kg de peso vivo, é possível alimentá-las com as rações-padrão do plantel. No entanto, entre os 45 kg e 110 kg de peso vivo, este tipo de fêmea necessita de uma alimentação especial e diferenciada, com uma concentração de minerais mais alta e um nível de lisina em torno de 0,9%, o que proporcionará um crescimento moderado neste período, de cerca de 720 g/dia. Aos 110 kg de peso vivo e a cobertura, as nulíparas devem já estar na fase de adaptação à granja, e isso abre um leque de possibilidades com relação às rações a utilizar, dependendo das instalações, do equipamento utilizado, da localização da unidade de quarentena e da adaptação. Assim, há granjas onde se continua nessa fase com a ração de renovação, enquanto em outras, fornecem-se rações de lactação e/ou de renovação. O objetivo desse programa é fazer com que a fêmea tenha um ritmo de crescimento moderado, uns 650 a 770 g/dia, desde o nascimento até à monta. Este crescimento está correlacionado com o tamanho da leitegada no primeiro parto, de forma que, até certo nível, os maiores crescimentos correspondem às maiores prolificidades, já que crescimentos diários acima dos 770 g não adicionam leitões. É importante controlar para que não haja fêmeas com excessivo peso corporal, já que elas costumam apresentar mais problemas locomotores, maior taxa de descarte e maior incidência da síndrome do 2º parto. No geral, as nulíparas deveriam receber sua primeira cobertura com um peso entre 140 kg e 160 kg, com bom estado de carne e idade aproximada de 8 a 9 meses. Quanto ao manejo da alimentação, as nulíparas, quando criadas soltas, deveriam ser alimentadas ab libitum. Se receberem ração controlada, 12 a 14 dias antes da data prevista da cobertura, deve-se realizar um flushing alimentar, incrementando essa quantidade até chegar aos 3 kg/ dia e mudando o tipo de ração para lacSuínos & Cia

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Nulíparas alojadas em uma unidade de alimentação de aprendizagem

tação. Se as fêmeas forem alimentadas à vontade, este flushing não faria sentido, e o procedimento durante esses 12 a 14 dias poderia ser, no máximo, mudar essa ração que está sendo fornecida por uma do tipo lactação. Nunca podemos nos esquecer da água, a qual deve estar sempre disponível em bebedouros do tipo chupeta ou equivalentes, que proporcionem um fluxo mínimo de 1,5 a 2 litros por minuto. Quando as reprodutoras estiverem alojadas em grupo, se deve proporcionar, no mínimo, um bebedouro para cada 8 fêmeas. A altura deles, a partir do piso, não deve ser maior do que 0,7 m. Se as fêmeas forem alojadas em gaiolas individuais, devemos lhes dar tempo suficiente (3 semanas, melhor do que 2) para que se adaptem a este novo sistema e aprendam a comer corretamente. É sempre melhor que a instalação disponha de chupetas individuais, em vez de canaleta com água corrente, e, se não houver comedouros individuais, será preciso dar um tempo para que as primíparas acabem de comer antes de liberar a água (1 hora), já que elas são menos vorazes e comem mais lentamente (a água arrasta a ração para as próximas fêmeas, não permitindo que as nulíparas consumam a quantidade que necessitam).

Com a nova lei do bem-estar animal, aplicável em toda a União Europeia desde 1o de janeiro de 2013, muitas das granjas instalaram unidades de alimentação eletrônica com microchip, o que, para as fêmeas primíparas, significa um novo nível de estresse e nos obriga a estar seguros de que estas fêmeas novas estejam perfeitamente treinadas para se alimentarem nestas unidades. Como norma geral, a fêmea demora uns 15 dias para tornar a comer a totalidade de sua ração diária, por isso, esse deve ser o tempo mínimo de duração da adaptação a este sistema de alimentação.

Estratégias sanitárias Uma das estratégias-chave no manejo das nulíparas é a que diz respeito à sanidade. Com relação a elas, surge uma série de discrepâncias e discussões, já que não existe uma única forma de adaptar as fêmeas, mas sim várias e múltiplas possibilidades. Os objetivos básicos da adaptação sanitária são os seguintes: - Reduzir o risco relacionado à entrada de animais; - Evitar a introdução de novas doenças; Ano VIII - nº 49/2013


Reprodução - Evitar a desestabilização do equilíbrio sanitário da granja; - Conseguir a maximização da expressão do potencial genético dos animais introduzidos; - Assegurar que os animais introduzidos sejam expostos aos agentes infecciosos enzoóticos da granja, antes de entrarem em produção; - Evitar uma exposição brusca, o que poderia provocar a doença. A primeira coisa a considerar é que cada combinação “granja de origem/granja de destino” é única; por isso, devemos estabelecer uma estratégia diferente para cada caso, dependendo do nível sanitário e da condição de ambas as granjas. Não há uma norma estabelecida sobre qual deveria ser o local e a duração do período de quarentena, já que esta variará segundo a doença contra a qual queremos proteger os animais ingressantes. Assim, por exemplo, para a síndrome respiratória e reprodutiva suína (PRRS) deveríamos fazer uma adaptação longa, de mais de 8 semanas e num local separado por pelo menos 1 km da granja de destino. Entretanto, para saber se os animais estariam livres de disenteria hemorrágica (Brachyspira hyodysenteriae), só seriam necessários 21 dias. Outro fator a considerar seria o tamanho da propriedade, já que as granjas grandes necessitam de distâncias maiores devido ao maior tamanho dos lotes de fêmeas a serem formados. A frequência na entrada dos animais também precisará ser considerada. De pouco servirá alongar o período de isolamento se as entradas de animais forem mensais, já que nesse caso haverá sobreposição de lotes distintos, havendo redução em vez de aumento da segurança. Todo processo de adaptação sanitária deve ser composto por 3 fases ou etapas, claramente diferenciadas: - Primeira fase: quarentena e isolamento; - Segunda fase: contato com os microrganismos da granja; - Terceira fase: resfriamento.

Primeira fase – quarentena e isolamento: O primeiro passo para proteger uma granja de novas infecções consiste em conhecer com exatidão o seu estado sanitário atual. Essa informação é imprescindível para a tomada de decisão a respeito da origem da fonte de reposição e do programa de adaptação adequados para a granja. Há várias formas de se conhecer o estado sanitário: Ano VIII - nº 49/2013

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Reprodução A alimentação durante esta primeira fase deve ser à base de ração especial para reposição, que atenda a todas as necessidades deste tipo de animal. Também é possível prevenir infecções secundárias não desejadas mediante o uso de antibióticos bacteriostáticos ou medicação na forma de pulsos. Medicação mais duradoura e à base de antibióticos bactericidas controla melhor as infecções secundárias, porém, reduz a resposta imunológica, atrasando o aparecimento dos problemas. A duração desse período de quarentena e isolamento deve ser de 2 a 3 semanas.

Geralmente 21 dias devem ser suficientes para a fase do contato com os agentes infecciosos da granja, principalmente quando os animais conseguem manter contato direto “focinho com focinho”

- Histórico: proporciona informação sobre os problemas que a granja já vivenciou, as medicações, os programas de vacinação, entre outros aspectos; - Sorologia: permite saber se já houve contato com certos agentes infecciosos; - Monitorias de abate: útil para detectar, por exemplo, lesões de pneumonia enzoótica ou de pleuropneumonia ou para a detecção da presença de verminoses; - Introdução de sentinelas: algumas doenças como a disenteria suína, a gastroenterite infecciosa (TGE) e a pleuropneumonia podem ser difíceis de comprovar caso não exista um bom histórico da granja. A introdução de um pequeno número de suínos livres de doenças (sentinelas) na criação permitirá observar neles sinais clínicos e lesões, podendo, inclusive, realizar isolamentos de agentes que dificilmente seriam obtidos a partir de outros animais que já possuam suas defesas bem desenvolvidas. Esta primeira fase, do isolamento, é necessária para que os animais superem o estresse da viagem e a mudança de alojamento, o que resultará em melhor resposta imunitária posterior. Além disso, durante esse tempo, as fêmeas se acliSuínos & Cia

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matam às novas instalações, sistemas de alimentação e alimentos, assim como ao novo grupo de animais. Durante essa fase é importante desparasitar todas as fêmeas recém-chegadas, procedimento que, inclusive, deve ser realizado antes do início do programa vacinal ou antes de iniciar o contato com o material presente na granja. A razão para esse procedimento é que os animais parasitados respondem pior, do ponto de vista imunitário.

Segunda fase – contato com os agentes infecciosos da granja: Todo o processo de adaptação deve assegurar o contato dos animais ingressantes com os agentes infecciosos enzoóticos da granja. Para tanto, o método mais seguro e confiável consiste no uso de vacinas comerciais, muito úteis no controle da parvovirose, rinite atrófica, doença de Aujeszky e erisipela. No entanto, para outras doenças, quer porque não existam vacinas ou porque o seu desempenho seja muito variável, é necessário fazer essa

Utilização do catéter milimetrado auxília avaliar o desenvolvimento do aparelho genital

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Reprodução bidas em soro diluído que contenha o vírus da PRRS específico da granja. Este protocolo está atualmente em estudo como alternativa para a adaptação frente à PRRS. A duração do contato dependerá da quantidade do agente patógeno presente no material infectante e do volume de material utilizado. Em geral, 21 dias deveriam ser suficientes quando se tratam de animais que conseguem manter contato direto “focinho com focinho” com as fêmeas de reposição. Para tanto, as divisões entre as baias teriam de ser vazadas ou ripadas e não compactas. O ideal seria trabalhar com lotes de 10 a 20 animais.

Gráfico 2. Pinilla & Piva, 2009. N = 2.853

adaptação utilizando material da própria granja que contenha o agente infeccioso contra o qual se quer imunizar. Nesse caso, habitualmente utiliza-se: - Porcas velhas ou cachaços: efetivos para a imunização frente à pneumonia enzoótica, rinite atrófica, doença de Glasser, entre outras. - Leitões com 20 kg de peso vivo: recomendável para a PRRS. Esses leitões devem estar virêmicos e, para este tipo de controle, é indispensável a determinação do perfil sorológico da granja, identificando a idade mais adequada deles. Em alguns casos é necessário potencializar a eliminação do vírus mediante a aplicação de corticosteroides;

- Fêmeas do lote anterior ao das nulíparas ingressantes: nos sistemas de produção em 3 sítios não há leitões nem suínos de engorda disponíveis para infectar as primíparas. Neste caso, o material que mais recentemente sofrer uma infecção será o último grupo de primíparas, sendo, por isso, recomendável deixar algumas delas do lote anterior para que infectem o lote seguinte; - Soro de leitões infectados: deverá ser analisado e, constatada a presença do vírus, avaliado quanto à concentração para ser aplicado na quantidade adequada ou conservado para utilização posterior; - Fluidos orais: cordas de algodão embe-

Terceira fase – resfriamento: Todo processo de adaptação deve proteger a granja da desestabilização do seu estado sanitário, porque sempre é preciso levar em conta os períodos de excreção do agente frente ao qual queremos nos proteger. Essa situação é particularmente importante no caso da PRRS devido ao seu longo período de excreção viral (de 4 a 6 semanas e, em alguns casos, até 3 meses), sobretudo quando ingressam fêmeas de reposição negativas em granjas PRRS positivas. A razão deste período de resfriamento é a prevenção de recirculações, evitando introduzir animais virêmicos no fluxo de produção da granja. Isso implica no alongamento do período de adaptação para que os ingressantes possam entrar em contato com o restante dos animais da granja, até estarmos seguros de que a excreção dos patógenos tenha cessado totalmente. Assim, no caso da PRSS, será necessário um período de adaptação mínimo de 9 semanas ou, melhor e mais seguro, de 12 semanas: - 1 semana de aclimatação e isolamento; - 2 a 3 semanas de contato com animais;

Gráfico 3. PigChamp Pro Europa: 47.425 primeiros partos, entre 1º de janeiro de 2005 e 31 de dezembro de 2009

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- 6 a 9 semanas de resfriamento, antes da introdução definitiva. Suínos & Cia

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Reprodução - O contato direto das nulíparas com o macho reduz em até uns 10% os dias não produtivos; - Repassar o cio com um macho e estimular a fêmea com pressão sobre o lombo, até desencadear o reflexo de imobilidade (15 a 20 segundos); - Introduzir o macho do repasse na baia das nulíparas que ainda não tenham demonstrado cio, para que haja contato físico; - Registrar a data de entrada em cio de todas as fêmeas.

A adaptação da primípara finaliza-se após o seu primeiro desmame

Não se deve esquecer que os cachaços são elementos importantes dentro da granja e, por isso, não podem ser excluídos destes protocolos de adaptação, já que, de outra maneira, estaríamos comprometendo a manutenção do estado sanitário da criação.

Estratégias reprodutivas A evolução das diferentes linhas genéticas no sentido da produção de animais muito mais magros e com melhores índices de conversão, crescimento, etc., fez com que a aparição da puberdade se tornasse mais tardia. Essa situação nos obriga a orientar o suinocultor no sentido de adiar o momento da primeira cobertura. Ainda que cada linha genética tenha o seu momento, no geral, o início do contato com o macho deveria ser entre os 160 e 180 dias de idade da nulípara. Desse modo, a cobertura efetiva deveria ser realizada em torno dos 235 a 240 dias nas fêmeas que já houvessem ciclado pelo menos duas vezes. Estes ciclos prévios à cobertura são importantes, já que a cada um deles o aparelho genital da fêmea se desenvolve e aumenta. Isso faz com que ela chegue à primeira cobertura com um Suínos & Cia

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útero de maior tamanho, no qual é possível alojar um número maior de leitões e, por sua vez, obter leitegadas mais numerosas no primeiro parto. Uma forma fácil de avaliar o desenvolvimento do aparelho genital da nulípara consiste na utilização de um catéter milimetrado que, uma vez introduzido e fixado na cérvix, nos fornece a leitura da longitude vaginal. Isso nos da uma ideia do nível de desenvolvimento do aparelho genital, do seu grau de maturação e do desenvolvimento sexual da nulípara. Segundo trabalhos de Santiago Martín Rillo (1999), as diferenças entre as fêmeas com pouco e grande desenvolvimento genital chegam até aos 2,7 leitões, no primeiro parto. Os pontos-chave para uma boa estimulação da nulípara com o macho são os seguintes: - Formação de grupos de 6 a 10 fêmeas alojadas em baias coletivas, e não em gaiolas; - Machos adultos com mais de 10 meses de idade, boa libido e que não tenham tamanho muito avantajado; - Contatos de 15 a 20 minutos por sessão, duas vezes ao dia (manhã e tarde); - Rotação ou mudança de machos (1 macho para cada 5 fêmeas);

Desse modo, mais de 85% das nulíparas deverão ter manifestado algum cio antes dos 195 dias de idade. As fêmeas que não responderem prontamente à exposição ao macho dentro das primeiras 6 semanas sugerem ter uma vida reprodutiva muito limitada em comparação com aquelas que começaram a ciclar durante o período de contato com ele. Naquelas fêmeas que ainda não tenham entrado em cio, pode-se tentar um estímulo por meio da provocação de um estresse moderado; fazer um reagrupamento, uma mudança de baia (ou, inclusive, de prédio); ou até fazê-las passear em liberdade, não sendo aconselhável priválas de alimento durante longos períodos (e muito menos, de água), recomendando-se sempre uma utilização moderada e racional de hormônios (combinação de hormônios gonadotrópicos: 400 UI de PMSG + 200 UI de HCG (gonadotrofina coriônica humana)), já que no geral as fêmeas induzidas têm pior fertilidade (da ordem de um leitão a menos por parto). Por tudo isso, o mais racional é praticar uma boa política de descarte, eliminando as fêmeas anéstricas e aquelas que ciclam e, em seguida, deixar de fazê-lo. Não se recomenda manter as fêmeas na granja quando estas não apresentem cio dentro de um período de 6 semanas após a exposição a machos distintos. Uma prática muito interessante consiste em investigar, no abatedouro, os aparelhos genitais dos descartes, atividade que pode trazer muita informação sobre o que está ocorrendo realmente na granja. Ano VIII - nº 49/2013


Reprodução Uma vez que tenhamos as nulíparas ciclando, é preciso transferi-las o mais breve possível para a faixa de controle de coberturas. A partir daí, elas serão cobertas quando atinjem o peso e a idade adequados. O momento de transferi-las para as gaiolas é importante, pois, além de significar um forte estresse, há também a questão da adaptação a um novo sistema de alimentação, o que faz com que elas não comam o que deveriam durante este período, com o risco de resultar em menor produtividade. Este período de adaptação não deveria ser menor do que 15 dias (muito melhor se forem 3 semanas). Uma forma fácil de realizá-lo seria mover as nulíparas para as gaiolas no cio anterior ao que pretendemos cobri-las, de forma que uma vez nas gaiolas e nesse cio prévio, podemos implementar a aplicação de plasma seminal sintético ou sêmen morto. A fêmea que passar por este manejo não ficará prenha e poderá ser inseminada, já totalmente adaptada, 21 dias depois. Com relação a este manejo, vale citar um interessante trabalho de Pinilla e Piva (gráfico 2), no qual se estudou o efeito do número de dias de engaiolamento prévio à primeira cobertura e onde claramente se vê um declínio nos resultados produtivos do primeiro parto, quando as fêmeas são transferidas antes dos 18 dias anteriores à primeira inseminação. Durante estes dias de adaptação à gaiola há que proporcionar a máxima tranquilidade possível aos animais, evitando vaciná-los, desparasitar, tatuar ou realizar qualquer outro procedimento estressante. Assim, o ideal seria que o programa de vacinação estivesse concluído antes dos 6 meses de idade e, pelo menos, 3 semanas antes da cobertura efetiva. Todas estas práticas têm a finalidade de maximizar o número de leitões obtidos por ocasião do primeiro parto, já que não devemos nos esquecer que o tamanho da leitegada do primeiro ciclo influencia em toda a vida produtiva da fêmea, como demonstra a figura seguinte (gráfico 3), obtido a partir da análise da base de dados do PigChamp Pro Europa, no qual se estuda o efeito do Ano VIII - nº 49/2013

tamanho da leitegada no primeiro parto sobre a prolificidade dos partos de toda a vida produtiva destas mesmas fêmeas. Como a adaptação da primípara termina após o seu primeiro desmame, não podemos encerrar sem fazer algumas considerações relativas à sua lactação. É recomendável que ela seja alguns dias mais longa que a de uma porca multípara, já que o processo de involução uterina, que nas fêmeas adultas dura cerca de um mês, nas porcas primíparas é mais lento e demanda uns dias a mais até que o útero recupere o seu tamanho normal e seja capaz de acolher uma nova inseminação e, se houver lugar, uma nova prenhez. Se ao alongar a lactação percebermos problemas devido à perda de condição corporal nessas fêmeas, o que podemos fazer é desmamar os seus leitões aos 21 dias de idade e substituí-los por uma outra leitegada com o mesmo número desmamado e que seja uns dois dias mais nova, em termos de idade. Não é recomendável colocar leitões atrasados nas primíparas. Desse modo, elas não emagrecerão durante esses dias extras, já que os novos leitões são menores do que os que elas acabaram de desmamar, demandando menos leite. Outra recomendação diz respeito a forçar que as primíparas tenham, na lactação, o maior número possível de leitões para que o tecido mamário não se atrofie e, assim, possamos dispor de um maior número de tetas funcionais nas lactações seguintes. Para terminar, podemos nos fazer a seguinte pergunta: como podemos saber se a adaptação das primíparas foi correta? A certeza de que teremos feito uma boa adaptação virá se: - Não ocorrerem sintomas de doenças; - A granja não tenha se desestabilizado, em termos sanitários; - Mantivermos a taxa de renovação anual abaixo de 50%; - Houver uma taxa de permanência de, no mínimo, 75% no 3o parto; - A fertilidade das primíparas for igual ou superior à média da granja;

- Cobrirmos pelo menos 88% das primíparas desmamadas, dentro dos 7 dias pós-desmame; - Não houver incidência de síndrome SMEDI no 2º parto; - A mortalidade pré e pós-desmame dos leitões procedentes de primíparas for similar ou ligeiramente superior à da média dos outros partos, já que não devemos nos esquecer que os leitões de primíparas são uns 200 g menores, o que se traduz em uma média de 400 g a menos no desmame por leitão.

Bibliografia 1. MESONERO, J. A.; MARTÍNEZ, C. Las nulíparas como motor de producción: introducción y manejo. Suis n. 27. p. 12-14. 2006. 2. PIVA, J. H. Aspectos más importantes en la preparación de cerdas de alta productividad. Avances v. II. p. 61-69. 2004. 3. AUNSIAM, S. et al. The use of virus soaked rope to acclimate gilts with PRRS virus. IPVS Congress. 22. v. 15. p. 369. Proceedings… 2012. 4. TORREMORELL, M. Gilt introduction in PRRSv. A. D. Leman Swine Conference. v. 29. p. 82-83. Proceedings… 2002. 5. MARCO, E. Adaptación sanitaria de la nulípara. Porcicultura.com. 2010. 6. PINILLA, J. C. et al. Manejo de la hembra de reemplazo. Boletín PIC v. 2. p. 30-39. 2011. 7. MARCUELLO, E. Manejo de Nulíparas: aplicación del sistema danés. Anaporc v. 3. n. 28. 2006. 8. GONZÁLEZ, J. M. et al. Desarrollo y aclimatación de nulíparas. Puntos clave de la productividad de las pirámides porcinas I y II. Anaporc p. 18-22 y 16-20. 2011.

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Reprodução

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Nutrição Requerimentos nutricionais de animais em crescimento e terminação - estratégias para otimização de resultados Introdução As recomendações nutricionais para suínos podem ser encontradas em várias tabelas internacionais (AEC-Tables, 1987; Feedstuffs (Baker et. al., 2000); NRC, 1998; NRC 2012) e em referências nacionais, como as tabelas brasileiras para aves e suínos (Rostagno et al. 2011). Na grande maioria dessas tabelas internacionais e nacionais, as exigências são estabelecidas de acordo com o potencial de ganho de carne magra e o sexo. Todas as tabelas existentes podem e devem ser utilizadas como guias, lembrando que variações relativamente amplas devem existir em razão de novas linhagens e híbridos comerciais altamente especializados para a produção de carne, disponíveis no mercado (Miyada, 1996).

Diferentes fatores, como genótipo, sexo, idade, saúde, ambiente, concentração de energia, nível proteico, perfil de aminoácidos das rações experimentais, densidade populacional, temperatura e nível de doenças, contribuem para as variações observadas nos resultados dos trabalhos quanto à estimativa da exigência nutricional dos suínos (NRC, 1998; Fontes, 1999; Fraga, 2001). Além disso, Hahn et al. (1995) citam que outros fatores podem afetar a estimativa da exigência dos nutrientes, como biodisponibilidade, parâmetro avaliado, frequência da alimentação e método estatístico utilizado. Esta revisão tem como objetivo descrever os principais fatores que interferem na exigência dos suínos, sendo abordados os principais nutrientes e tendo como referência a lisina.

Para cada categoria de animais é necessário avaliar os requerimentos exigidos na fase, maximizando, assim, a eficiencia alimentar

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Salum, G. M.1,2 Souza, L. P. O.3,4 Fontes D. 5 1 Mestre em Nutrição Animal 2 Gerente de Nutrição de Suínos - Vaccinar 3 Doutoranda em Nutrição Animal 4 Especialista em Nutrição de Suínos - Vaccinar 5 Professor do Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG gabriel.salum@vaccinar.com.br

Interação das exigências de lisina e sexo O estabelecimento de exigências nutricionais de acordo com a categoria sexual (machos inteiros, fêmeas, machos castrados e machos imunocastrados) se faz necessário devido a esses diferentes grupos sexuais apresentarem desempenhos e características de carcaças diferenciados. Segundo Hansen e Lewis (1993), considerando que entre sexos existem diferenças no consumo, na taxa e na eficiência de crescimento, as exigências de lisina devem ser estabelecidas por categoria animal. Revisando a literatura, Quiniou et al. (1999) afirmaram que machos inteiros depositam maior quantidade de proteína corporal, seguidos pelas fêmeas e, por último, por machos castrados. De acordo com Hahn et al. (1995), fêmeas são mais eficientes na deposição de proteína quando comparadas com os machos castrados, em função das diferenças no apetite e na partição de nutrientes para o ganho de peso (relação tecido muscular/tecido adiposo). Muitos estudos ainda precisam ser realizados para esclarecer melhor a interação entre exigência de lisina e sexo. As exigências de lisina de fêmeas suínas para maximizar as taxas e a eficiência de ganho são maiores do que as de machos castrados (Cromwell et al., 1993), além de apresentarem carcaça de superior qualidade comercial. Segundo Bellaver e Viola (1997), essas diferenças são resultantes de mudanças endócrinas ocorridas durante todo o desenvolvimento sexual. Suínos & Cia

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Nutrição Segundo Abreu et al. (2004), suínos machos castrados, comparados às fêmeas, exigem menor nível de lisina nas dietas por apresentar maior ganho de peso, consumo de ração, pior conversão alimentar e menor taxa de deposição de proteína na carcaça, Fontes et al. (2005) avaliaram níveis de lisina para leitoas selecionadas geneticamente para deposição de carne magra na carcaça, dos 30 kg aos 60 kg, e concluíram que o nível de 1,16% de lisina total, ou 1,05% de lisina digestível verdadeira, proporcionou melhor desempenho, correspondendo aos consumos estimados de lisina total e digestível de 21,77% e 19,72 g/dia, respectivamente, enquanto que o nível de 1,04% de lisina total, ou 0,93% de lisina digestível verdadeira, proporciona a melhor taxa de deposição de proteína na carcaça. Posteriormente, Abreu et al. (2007), ao avaliarem níveis de lisina digestível para suínos machos castrados de alto potencial genético para deposição de carne magra na carcaça, dos 30 kg aos 60 kg, concluíram que os melhores resultados de conversão alimentar e de deposição de proteína na carcaça foram proporcionados pelo nível de 1,10% de lisina digestível, o que corresponde ao consumo de lisina digestível de 21,94 g/dia (3,43 g de lisina digestível/ Mcal de EM). Existem poucas informações disponíveis a respeito de exigências nutricionais de machos inteiros, submetidos aos programas de imunocastração. Dunshea (2010) afirma que é bastante razoável supor que as exigências sejam semelhantes às de machos inteiros não submetidos à imunocastração, pelo menos, até duas semanas após a segunda vacinação, uma vez que tanto o ganho de massa magra e consumo de ração são semelhantes até duas semanas após a vacinação. Embora isto contraste com os achados de Tonietti (2008), em que foi observado equiparação do consumo em relação aos castrados logo após a primeira vacinação. Pauly et al. (2009) compararam o desempenho de crescimento e características de carcaça de machos castrados, imunocastrados e animais inteiros e encontraram nos animais imunocastrados consumo de ração e conversão alimentar semelhantes aos valores apresentados por machos inteiros, sendo estes menores que os encontrados nos machos castrados, Suínos & Cia

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Figura 1. Ganho de peso corporal em razão da idade

indicando melhor eficiência no aproveitamento de nutrientes. Além disso, observaram ganho de peso diário superior dos imunocastrados em relação aos machos castrados cirurgicamente, demonstrado, principalmente, no período final da fase de terminação. Animais imunocastrados também apresentaram maior teor de carne magra na carcaça, menor porcentagem de gordura subcutânea e menor espessura de toucinho em relação aos animais castrados cirurgicamente. A criação e adoção de estratégias de manejo diferenciadas por sexo, portanto, permite maximizar o potencial dos diferentes sexos e fases de criação, o que pode resultar em vantagens econômicas aos produtores. Dessa forma, faz-se necessário avaliar as necessidades nutricionais, principalmente de lisina, para animais de cada sexo e de acordo com o seu potencial genético para produção de carne magra na carcaça, uma vez que os estudos apontam, consistentemente, diferenças entre desempenho e requerimentos dos machos inteiros, fêmeas e machos castrados. Em termos práticos será fundamental a análise de viabilidade em relação à disponibilidade de instalações, logística de animais e rações.

Interação das exigências de lisina e idade O crescimento dos suínos resulta

Adaptado: Whittemore (1998)

de uma série de processos biológicos, sendo que o genótipo do animal determina o nível máximo em que estes processos ocorrem. Por outro lado, fatores como ambiente, nutrição e sanidade influenciam a expressão deste potencial, interagindo com o genótipo, o sexo e o peso dos animais (Donzele et al., 2001). Segundo Close (1994), o crescimento pode resultar somente do consumo de nutrientes pelo animal por meio da alimentação, porém, sabe-se que existem grandes diferenças na habilidade dos animais para crescimento e conversão eficiente dos nutrientes em ganho de carcaça. O crescimento representa, principalmente, deposição de carne e gordura no organismo e, em termos de eficiência, visa a maximizar o ganho de carne e minimizar o ganho de gordura. O modelo de curva sigmoide é o mais aceito para explicar o crescimento dos suínos em função da idade (Figura 1). Este fato está relacionado à capacidade do animal de depositar, principalmente, proteínas e lipídeos. Fases de aceleração e desaceleração, unidas por um período de crescimento linear, antecedem um platô à maturidade (Donzele et al., 2001). De acordo com Ellis (1998) e Schinckel (2001), a taxa de deposição de carne magra de suínos em crescimento é curvilínea, sendo baixa nos pesos mais leves e aumentando até um platô máximo, para, em seguida, declinar rapidamente. Ano VIII - nº 49/2013


Nutrição animais poderão efetivamente expressar (Williams, 1998). Dentre essas variáveis não genéticas, o padrão sanitário é uma das mais decisivas para a otimização do desempenho zootécnico alcançado com um determinado genótipo. Na ocorrência de doenças infecciosas, os processos inflamatórios desencadeados podem resultar em diminuição no ganho de peso e na eficiência alimentar (Van Heutgen T al., 1994).

O processo de estimulação do sistema imunológico exige uma demanda metabólica maior, direcionando, assim, a energia para a sintese de citocinas

O momento em que a deposição de gordura torna-se excessiva é altamente relacionado ao genótipo, sexo e nutrição. Animais de menor aptidão para produção de carne magra atingem mais cedo esse ponto em relação aos animais melhorados (De Lange et al., 1995). Segundo Kessler (1998), o rendimento máximo de tecido magro é basicamente determinado pelo perfil genético/ hormonal e pela adequação nutricional. Os suínos depositam proteína na carcaça em razão do consumo de energia até o máximo que o potencial genético permite, quando atingem o platô, indicando que a ingestão de energia limita a deposição proteica (Bikker e Bosh, 1996). Assim, quando o limite genético de deposição de músculos é atingido, o consumo de energia, em excesso, irá promover a deposição de gordura na carcaça (Bellaver; Viola, 1997). Com o aumento da idade, o animal passa a depositar menos proteína e mais gordura e, consequentemente, suas exigências nutricionais mudam. À medida que o suíno cresce, sua exigência em porcentagem de lisina na dieta diminui (Hahn et al., 1995). Segundo Coelho et al. (1987), o efeito do sexo não é importante durante a fase inicial (15 a 30 Kg) dos suínos. Tal constatação corrobora o relato de Fuller (1988) e Libal et al. (2001), segundo o qual as diferenças sexuais sobre o desempenho não são evidenciadas antes dos 50 kg, e sim a parAno VIII - nº 48/2013

tir dos 70 kg. De acordo com Pupa et al. (2002), as evidências do efeito do sexo sobre as exigências nutricionais de suínos só aparecerão a partir dos 30 kg. As proporções das exigências de alguns aminoácidos como a metionina + cistina, a treonina e o triptofano são maiores para a mantença do que para crescimento. Relacionando as exigências de lisina com os outros aminoácidos, vários trabalhos constataram que a exigência de lisina e as relações entre a lisina e os aminoácidos treonina, metionina+cistina e triptofano podem variar de acordo com a faixa de peso dos suínos (Baker, 1996). A variação na exigência de lisina para machos inteiros, dos 15 kg aos 30 kg, não foi verificada por Moretto (1998). Sendo assim, ao se determinar a exigência de lisina para suínos devemos levar em consideração a idade do animal.

Interação das exigências de aminoácidos e status sanitário O desempenho animal resulta de uma complexa interação de processos biológicos. Esses processos são regulados pela conjunção de fatores genéticos e ambientais que intermedeiam o metabolismo. Fatores ambientais, tais como condições térmicas, manejo nutricional e padrão sanitário, irão definir qual a proporção do potencial genético que os

Um dos fenômenos de grande importância que ocorre durante a resposta imune é o redirecionamento de nutrientes para atender à demanda de combate ao estímulo antigênico (Dee, 1999). Diversos nutrientes são mobilizados e deixam de atender funções produtivas anabólicas (deposição de proteína muscular, produção de leite) para atender à demanda sinalizada pelo sistema imune. O efeito pirogênico (febre), por exemplo, faz com que ocorra um aumento de 10% a 15% na taxa metabólica basal para cada 1oC de elevação na temperatura corporal. Essas mudanças metabólicas, mediadas pelas citocinas, fazem com que a glicose seja mobilizada em tecidos periféricos e direcionada para os sítios de geração da resposta imune. Além da mobilização de glicose, diversos outros eventos ocorrem para atender à demanda metabólica da resposta imune. Aminoácidos são mobilizados para a síntese aumentada de citocinas, imunoglobulinas, células de defesa, proteínas de fase aguda e outras demandas proteicas da resposta imune. Além disso, há um aumento na taxa de desaminação de aminoácidos para a produção de substrato suficiente para a gliconeogênese, visando a atender a maior demanda por carboidratos de fácil utilização e, assim, suprir a necessidade energética do sistema imune ativado (Shurson e Johnston, 1998). Além dos efeitos sobre o consumo voluntário, estão comprovadas diversas interferências das citocinas sobre outros sistemas fisiológicos, levando ao catabolismo muscular (proteólise), aumento na gliconeogênese, incremento da síntese hepática de proteínas de fase aguda, aumento na excreção de nitrogênio, inibição na síntese de hormônios anabólicos pela adeno-hipófise, entre muitos outros. Essa amplitude de ações interativas, mediadas pela rede citocínica, auxilia na compreensão dos mecanismos pelos quais os animais doentes têm seu desempenho Suínos & Cia

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Nutrição Tabela 1. Interações entre lisina dietética, grau de ativação do sistema imune (ASI), desempenho e deposição de proteína e gordura na carcaça de suínos, dos 6 kg aos 27 kg Níveis de lisina na dieta (%)

Consumo de ração (g/dia) Ganho de peso (g/dia) Eficiência alimentar (g/Kg) Deposição de proteína (g/d) Deposição de gordura (g/d)

0,6

0,9

1,2

1,5

1

” ASI

896

1025

1052

1002

“ ASI

889

954

889

911

” ASI

400

556

644

663

“ ASI

357

495

510

504

” ASI

445

544

613

662

“ ASI

395

522

581

565

” ASI

47,6

77,8

100,7

110,8

“ ASI

40,3

67,3

80,3

79,4

” ASI

106,6

101,7

86,4

79,3

“ ASI

97,3

90

69

71

Onde: ” ou “ ASI (baixa ou alta ativação crônica do sistema imune) Fonte: adaptado de Williams et al. (1997a) 1

negativamente afetado (Kelley T al, 1993; Webel T al, 1997).

LISINA

A ativação do sistema imune leva a uma redução no consumo voluntário de alimento. Além da redução no consumo, também há os efeitos das citocinas sobre outros segmentos do metabolismo animal. Dentre esses efeitos citocínicos, destaca-se a partição de nutrientes. O redirecionamento de diversos nutrientes para atender à demanda imunológica pode alterar direta ou indiretamente as exigências nutricionais dos suínos (Shurson e Johnston, 1998).

Os experimentos que avaliam impactos da ativação imune, geralmente o fazem por meio da indução de um estímulo antigênico agudo. A ativação crônica, todavia, reproduz mais fielmente as condições práticas de criação de suínos. Uma série de ensaios (Williams et al. 1997a, Williams et al. 1997b, Williams et al. 1997c) obtiveram diversas informações relativas ao impacto da ativação crônica do sistema imune sobre a composição do crescimento, exigências nutricionais de aminoácidos e características de carcaça em suínos, dos 6 kg aos 112 kg de peso vivo. Nesses ensaios, a ativação crônica reproduziu condições comerciais de produção, e o impacto no sistema imune foi efetivamente medido por meio das concentrações séricas de AGP (proteína hepática de fase aguda) e da análise das populações linfocitárias no sangue. Diversos níveis de lisina foram avaliados nos grupos com alta ou baixa ativação crônica do sistema imune. Foi também avaliada a deposição de proteína e gordura corporais, bem como a eficiência de utilização da energia metabolizável dietética para o depósito desses dois nutrientes. A tabela 1 ilustra o impacto da ativação imune no desempenho de suínos, dos 6 kg aos 27 Kg de peso vivo, submetidos a diferentes níveis de lisina (Williams et al.,1997a).

A composição em aminoácidos difere sensivelmente entre proteínas teciduais e aquelas ligadas a outras funções biológicas. Dessa forma, as exigências não irão se alterar de forma similar para os diferentes aminoácidos essenciais. Isso se explica pelo fato de a rede citocínica ser capaz de afetar anabolicamente alguns tecidos, como o fígado, enquanto em outros, como o músculo, promove o catabolismo. A lisina, por exemplo, é um componente majoritário de proteínas da musculatura (6,5 a 7,0%), mas é relativamente menos importante em proteínas com funções biológicas de manutenção (2,4%). Já com os aminoácidos sulfurados ocorre exatamente o contrário. Logo, aminoácidos como lisina e metionina irão ter seus requerimentos afetados sempre de forma distinta (Stahly, 1998). Suínos & Cia

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Observou-se efeito significativo da ativação imune sobre o ganho de peso diário e a eficiência alimentar (p<0,01), sendo que também foi significativo o efeito sobre o consumo de ração (p<0,09). Houve interação significativa entre os níveis de lisina e de ativação do sistema imune sobre o ganho de peso (p<0,01) e a eficiência alimentar (p<0,07). Essa interação entre sistema imune e nível de lisina evidencia que animais com alta ou baixa ativação crônica do sistema imune reagem diferentemente a níveis crescentes de lisina. Os suínos com baixa ativação crônica responderam positivamente a maiores níveis de lisina (1,50% de lisina, com ingestão diária de 14,7 g) do que aqueles necessários para maximizar a resposta zootécnica dos suínos com alta ativação imune crônica (1,20% de lisina, com 8,8g de ingestão diária). Esse resultado, juntamente com os dados de composição do ganho de peso (deposição de proteína, lipídeos e outros nutrientes), permitiu concluir sobre uma maior exigência nutricional de lisina dos suínos com baixa ativação imune e que isso ocorreu em função de maior potencial intrínseco de deposição proteica desse grupo em relação aos suínos de alta resposta imune. A ação da rede citocínica desencadeada pela ativação do sistema imune é o principal fator determinante do catabolismo observado no tecido muscular (Dritz et al., 1996; Webel et al., 1997; Williams et al., 1997a, b, c; Baker et al., 1999). Esse catabolismo muscular libera aminoácidos para a síntese acelerada de proteínas de fase aguda e de outros componentes da resposta imune. Analisando um determinado genótipo e sexo, a ativação imunológica reduz a capacidade de deposição proteica na carcaça. Como a exigência dietética de aminoácidos é fruto do potencial de deposição proteica diária, conclui-se que a ativação imune reduz as exigências de ingestão diária de alguns desses aminoácidos, como a lisina (Baker et al., 1999). Na tabela 2, são sumarizados os dados obtidos por Willians et al. (1997a,b,c) de eficiência alimentar e da estimativa de exigência de lisina (g/dia) para a máxima eficiência alimentar de suínos de diferentes pesos corporais e com baixo e alto graus de ativação do sistema imunológico. Ano VIII - nº 49/2013


Nutrição Entretanto, ainda é comum a prática de incrementar os níveis de lisina ou proteína dietética em situações de estresse imunológico. Fica cada vez mais evidente que essa prática pode representar desperdício de recursos, uma vez que esses animais estão impedidos de responder a esses aumentos pelo efeito citocínico (Baker e Johnson, 1999). Por outro lado, está claro também que animais de alto padrão sanitário (baixa ativação do sistema imune) terão exigências maiores de determinados nutrientes para poder maximizar a expressão de seu potencial genético (Williams, 1998).

Outros aminoácidos Aminoácidos sulfurados: são majoritários nas proteínas associadas às funções de manutenção, nas quais representam 4,9%, e minoritários nas proteínas musculares, nas quais representam aproximadamente 1,6%. Logo, ao contrário da lisina, as exigências dos aminoácidos sulfurados tendem a ser mais elevadas em animais estimulados imunologicamente. Entretanto, a magnitude de alteração dessas exigências tende a ser menor para os aminoácidos sulfurados (Stahly, 1998). A observação de que a ótima relação entre aminoácidos sulfurados e lisina digestível é menor em animais com baixa ativação do sistema imune suportam essa hipótese. Segundo Obled (2004), os requerimentos de aminoácidos sulfurados, particularmente cisteína, aumentam durante as enfermidades. Malmezat et al. (2000) demonstraram que a síntese de cisteína a partir de metionina em ratos aumentou aproximadamente 2,7 vezes dois dias após uma infecção. A cisteína é utilizada para a síntese de proteína de fase aguda e, principalmente, para a síntese de glutationa, quantitativamente o antioxidante intracelular mais abundante, tendo vários papéis importantes e sendo de vital importância na proteção contra o desenvolvimento do estresse oxidativo que acompanha os estados inflamatórios (Le Floc`h et al., 2004; Obled, 2004). Jahoor et al. (1995) demonstraram que suínos infectados com turpentina e alimentados com dietas deficientes em proteínas foram incapazes de manter a concentração de glutationa. A redução do catabolismo de cisteína e o aumento da transulfuração de cisteína, a partir de metionina, provavelmente ajudam a preservar a disponibilidade de cisAno VIII - nº 48/2013

teína para a síntese de glutationa (Malmezat et al. 2000). Treonina: é um dos aminoácidos mais abundantes nas imunoglobulinas. Suínos em crescimento alimentados com dietas deficientes em treonina e submetidos à injeção de albumina sérica bovina apresentaram menor concentração plasmática total ou específica de Ig G (Defa et al., 1999). Além disso, um adequado nível de treonina é fundamental para produção de mucina e manutenção das funções intestinais dos leitões, demonstrando que a treonina está envolvida na manutenção da integridade de defesas inespecíficas da parede intestinal (Ball et al. 1999, citado por Le Floc`h et al., 2004). Triptofano: suínos acometidos por diferentes doenças ou estados inflamatórios apresentam a concentração plasmática de triptofano diminuída, sugerindo um aumento da utilização desse aminoácido nessas situações (Melchior et al. 2002). Triptofano é degradado em kineurina pela ação da enzima indoleamina 2,3-dioxigenase (IDO) que é ativada por citocinas inflamatórias (Le Floc`h et al., 2004). Melchior et al. (2002) demonstraram que após uma indução de uma inflamação do pulmão, a concentração plasmática de triptofano declinou por 10 dias, embora essas concentrações permanecessem constantes nos animais do grupo controle. Os autores sugerem que, em suínos, as exigências de triptofano podem estar aumentadas durante a estimulação do sistema imune e que as exigências desse aminoácido para a síntese de proteína de fase aguda é elevada. Arginina: animais estimulados imunologicamente podem ter suas necessidades de arginina aumentadas. Duas rotas do metabolismo da arginina são identificadas e conhecidas por ter efeitos imunomodulatórios diretos. A primeira, na qual arginina é convertida à ureia e ornitina, gerando poliaminas, que parecem ter papel-chave na divisão celular, síntese de DNA e regulação do ciclo celular. A segunda, correspondente à síntese de óxido nítrico, induzida por uma variedade de estímulos inflamatórios, como as endotoxinas bacterianas e IFN-γ. Essa rota é essencial para a atividade citotóxica de macrófagos e também estimula a vasodilatação local, favorecendo reparação tecidual. (Le Floc`h et al., 2004).

Glutamina: doenças severas estão associadas com a diminuição do pool de glutamina muscular e aumento de seu fluxo plasmático, sugerindo que o requerimento de glutamina aumenta nos estados catabólicos. Realmente um dos importantes papéis da glutamina é o transporte de nitrogênio dos tecidos periféricos até as vísceras. A glutamina é a principal fonte de nitrogênio utilizada na síntese de ureia no fígado. Em suínos com endotoxemia induzida por injeção de LPS resulta em aumento do efluxo de glutamina do músculo e intestino e captação de glutamina pelo fígado e baço (Bruins et al. (2000). A utilização de glutamina e a consequente produção de ATP é alta em linfócitos e macrófagos, consistindo numa importante fonte de energia para essas células. Além disso, o nitrogênio amínico da glutamina é utilizado para a síntese de nucleotídeos. Isso pode explicar as altas necessidades de glutamina em células que se proliferam rapidamente, como as do sistema imune e das mucosas intestinais (Newsholme, 2001). Glutamina provém nitrogênio para a formação de glucosaminas, GTP e NAD, que são importantes precursores para a provisão de energia e para a síntese de macromoléculas com mucinas e glicoproteínas. Glutamina também é um precursor para a síntese de glutationa, um importante agente antioxidante intracelular. Aminoácidos aromáticos: além do triptofano, a maioria das proteínas de fase aguda é rica em aminoácidos aromáticos (fenilalanina e tirosina). Durante o processo inflamatório, as concentrações de proteína de fase aguda podem aumentar de 2 a 100 vezes, dependendo da proteína e da espécie animal. Por exemplo, em suínos injetados com tupertina, a concentração plasmática de fibrinogênio aumentou em 30 % (Jahoor et al. 1999). Dessa maneira, o aumento da síntese de proteína pode requerer uma grande quantidade de fenilalanina, tirosina e triptofano. Não somente o desempenho zootécnico de suínos, mas também suas exigências nutricionais específicas são comprovadamente influenciadas pelo impacto metabólico da ativação do sistema imune. Sendo assim, o nível de ativação imunológica deveria ser levado em conta quando da definição de estratégias nutricionais ótimas para um dado rebanho, tal qual o genótipo e o sexo dos animais a serem alimentados. A inclusão de mais essa variáSuínos & Cia

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Nutrição Tabela 2. Impacto da ativação do sistema imune sobre a eficiência alimentar e sobre a estimativa de exigência de lisina (g/dia) para maximizar a eficiência alimentar em suínos de diferentes pesos corporais Peso Corporal (kg) 7 25 32 60 88 102

ASI

Eficiência alimentar (kg/kg)

Exigência de lisina (g/dia)

Baixa

0,958

7,9

Alta

0,686

5,7

Baixa

0,587

18,8

Alta

0,500

15,6

Baixa

0,537

17,1

Alta

0,434

14,1

Baixa

0,390

21,9

Alta

0,333

16,1

Baixa

0,315

19,9

Alta

0,288

16,8

Baixa

0,297

19,3

Alta

0,250

16,1

Fonte: adaptado de Willians (1998)

27,8 17,0 17,5 26,5 15,6 16,6 20,2

vel no planejamento nutricional, todavia, ainda depende de pesquisas adicionais e de maior compreensão sobre a biologia das citocinas.

para a síntese de tecido magro tem maior requerimento de lisina disponível por kcal de energia digestível do que linhagens de menor capacidade de deposição de tecido magro (PUPA et al., 2001).

Interação das exigências de lisina e genótipo

O potencial de produção de carne dos animais começa a ser definido ainda na fase pré-natal, influenciado por fatores genéticos e de meio ambiente durante o desenvolvimento embrionário. Esse potencial é caracterizado pelo número de fibras musculares formado na miogenesis pré-natal e pelo grau de hipertrofia dessas fibras no pós-natal. (Fávero e Bellaver, 2001) Rehfeldt et.al. (2000) citam em seu trabalho que as estimativas de herdabilidade para número de fibras musculares situam-se, em sua maioria, entre 0,20 e 0,50, caracterizando uma influência genética relativamente importante, porém, uma significativa e decisiva parcela ambiental no desenvolvimento muscular dos animais. Por essa razão, a produção de carne, produto final buscado pela exploração comercial de suínos, depende não só do material genético utilizado, mas também e de forma expressiva das condições em que se desenvolve a gestação dos animais e das influências ambientais a que são submetidos do pós-natal até o abate.

As características genéticas dos suínos têm mudado significativamente nas últimas décadas. A suinocultura moderna trabalha com linhagens que são especializadas para deposição de tecido magro na carcaça, oferecidas por diferentes empresas. A utilização de suínos híbridos comerciais, de alto potencial genético, é importante para obtenção de progênies que apresentam carcaças magras e com maior quantidade de carne. Pesquisas demonstram que suínos de diferentes sexos e provenientes de diferentes grupos genéticos não possuem a mesma capacidade de deposição de carne e gordura, sendo que o aumento no nível de proteína na ração acarreta maior acúmulo de tecido muscular e menor deposição de gordura na carcaça (WAGNER et al., 1999). Assim, suínos com alta taxa de ganho proteico exigem maior consumo de aminoácidos, principalmente lisina, para que possam exteriorizar todo o seu potencial genético (NOGUERIA et al., 2001). Linhagem com alta capacidade Suínos & Cia

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Média

Alteração nas exigências (%)

Segundo descrito por Schinkel e Richert (2001), são três os conceitos básicos de crescimento dos suínos. O primeiro explicita que o crescimento em carne

aumenta depois dos 18 kg de peso vivo, alcança um limite superior (plateau) e depois diminui. Esse conceito está representado no gráfico 1 que ilustra o ganho em carne de machos castrados de três distintos genótipos. Pode-se observar que o ponto de inflexão do ganho em carne do genótipo com maior potencial de deposição de carne é bem superior ao dos genótipos com médio e baixo potenciais, caracterizando nitidamente as diferenças que podem ser observadas entre raças e/ou linhas. Em outras palavras, os genótipos com alta capacidade de deposição de carne atingem a máxima deposição de proteína com maior peso e mantêm taxas mais altas de deposição de proteína até pesos mais elevados. Essas diferenças podem ser observadas também, com menor intensidade, entre animais de uma mesma raça ou linha, o que explica, de certa forma, a falta de uniformidade muitas vezes observada nos produtos de uma determinada genética, especialmente em novas linhas quando a frequência gênica ainda não está totalmente estabilizada. O segundo conceito deixa claro que na medida em que aumenta o consumo de alimentos, ocorre uma resposta linear na taxa de crescimento de carne e gordura (gráfico 2). Observa-se no gráfico 2 que o crescimento em carne evolui com o aumento do consumo de energia, até atingir um máximo (plateau), representado pelo potencial de deposição de carne de cada genótipo. A partir daí, toda a energia que exceder ao potencial máximo de crescimento em carne será utilizada para deposição de gordura. Dessa forma, fica caracterizada a importância de se conhecer o verdadeiro potencial de cada genótipo na produção de carne, adequando à nutrição para que esse potencial possa ser explorado economicamente em sua totalidade. Outro aspecto importante é o consumo de alimentos, pois está diretamente relacionado com o de energia e, por consequência, com a deposição de tecidos. Considerando-se o caso mais comum, ou seja, de alimentação à vontade, genótipos com alto potencial de produção de carne, porém, com baixa ingestão de alimento, devem receber uma dieta mais concentrada em energia, a fim de não prejudicar a taxa de deposição de carne. O oposto também deve ser considerado, ou seja, Ano VIII - nº 49/2013


Nutrição

Gráfico 1. Curvas de crescimento em carne de genótipos com alto, médio e baixo potenciais de deposição de carne Fonte: adaptado de Schinkel e Richert (2001)

genótipos com baixo potencial de produção de carne e com alta ingestão de alimento devem receber uma dieta menos energética a fim de não depositar gordura em excesso. O terceiro conceito caracteriza que a deposição de gordura necessita substancialmente de mais energia do que a deposição de carne. Vários estudos têm mostrado que a demanda de energia para produzir gordura é de três a quatro vezes maior do que a necessária para produzir carne. Por essa razão, linhas com alto potencial de deposição de carne necessitam de menos energia para alcançar o mesmo crescimento em carne, comparativamente às linhas com médio e baixo potenciais. A título de exemplo, a tabela 3 mostra o ganho em carne e gordura de linhas com alto e baixo crescimento em carne. Observa-se que as linhas com baixo crescimento em carne tiveram um consumo 7% superior e uma conversão alimentar 15% inferior às linhas de alto crescimento, o que representa um reflexo de menor ganho em carne (25%) e maior ganho em gordura (18%) das linhas de baixo potencial. Existem grandes variações na eficiência de deposição de carne entre as raças ou populações genéticas de suínos. Fêmeas suínas com genótipos para deposição de tecido magro diferentes apresentam exigências diferenciadas Ano VIII - nº 48/2013

de lisina. Avaliando níveis de lisina para leitoas dos 15 kg aos 30 kg, Souza (1997) obteve melhores respostas de desempenho nos níveis de 0,84% e 0,74% de lisina total e digestível, respectivamente, para animais de baixo potencial genético. Moretto (1998) trabalhou com animais de médio potencial genético e obteve valores para a exigência de lisina total e digestível, respectivamente de 1,08 %e 0,96%. Valores inferiores aos encontrados por FONTES et al. (2000), que trabalharam com animais de alto potencial genético e obtiveram os valores de 1,36% e 1,26% de lisina total e digestível, respectivamente.

utilizando-se rações com níveis crescentes (0,8; 1,0; 1,2 e 1,4%) de lisina total (NL). Os níveis de metionina+cistina, treonina e triptofano foram ajustados seguindo o conceito de proteína ideal. O experimento consistiu em um ensaio de desempenho envolvendo 64 animais, sendo 32 animais do grupo genético comum (GGC), com peso inicial médio de 15,9 ± 1,4 Kg, e 32 animais do grupo genético melhorado (GGM), com peso inicial médio de 14,8 ± 1,0 Kg. Os níveis crescentes de lisina proporcionaram redução do consumo diário de ração para os animais do GGC e melhora da conversão alimentar para os animais do GGM. Os dados do experimento indicaram que a exigência de lisina total para os animais do GGC é de, no máximo, 0,8%, e para animais do GGM, 1,1%. Animais com maior capacidade genética para deposição de carne magra exibem sua maior produção quando níveis mais altos de proteína e/ou aminoácidos estão presentes na ração, quando comparados aos animais de menor potencial de deposição (Miyada, 1996). Suínos de grupos genéticos melhorados possuem maior exigência de lisina, ou seja, atingem seu máximo potencial de desenvolvimento em pesos mais elevados do que animais de grupos genéticos de médio/inferior desempenho.

Interação das exigências de lisina e aditivos Ractopamina

Em trabalhos feitos com animais em fase de crescimento, os resultados também foram influenciados pelo genótipo do animal. SOUZA (1997) obteve os melhores resultados de desempenho no nível de 0,70% de lisina digestível para leitoas de baixo potencial genético. DONZELE et al. (1994) trabalharam com animais de médio potencial genético e encontraram melhores resultados com 0,90% de lisina digestível para os animais. Já FONTES et al. (2000) e KILL et al. (2000) encontraram 1,02% de lisina digestível para animais de alto potencial genético.

A ractopamina (RAC) é classificada como uma fenetanolamina, que tem a atividade de agonista β-adrenérgico e demonstrado ser capaz de melhorar o desempenho dos animais e as características de carcaça por meio do aumento do percentual de carne magra quando oferecida na fase final de terminação (Zagury, 2002). É definida como repartidora de nutrientes e apresenta características químicas e atividades semelhantes às de hormônios, interferindo no metabolismo animal e desviando nutrientes para funções zootecnicamente desejáveis (Rutz et al., 1998).

Fraga (2002) conduziu um experimento com o objetivo de determinar a exigência de lisina para suínos na fase inicial (15,3 kg – 30,1 kg de peso vivo),

O uso da ractopamina é uma alternativa para se obter carcaças de melhor qualidade e, consequentemente, proporcionar aumento na produtividade (maior Suínos & Cia

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Nutrição produção de quilos de carne por porca por ano). Entretanto, para que seu uso proporcione efeitos desejáveis, ajustes nutricionais são necessários, uma vez que é esperado que os suínos alimentados com RAC apresentem maior taxa de deposição proteica, exigindo, consequentemente, maior quantidade de aminoácidos na dieta. A maior necessidade de proteína bruta nas dietas para os animais tratados com ractopamina, sugerida por Xiao et al. (1999) e Zagury (2002), determina um aumento nos níveis de aminoácidos, principalmente da lisina , por ser considerado um aminoácido essencial e o primeiro limitante em rações à base de milho e farelo de soja para suínos. Xiao et al. (1999) trabalharam com dois níveis de lisina (16,25 e 24,75g/ dia) e a suplementação de 20 ppm de RAC para suínos em terminação, observaram maior ganho de peso e maior proporção de carne magra nos suínos que se alimentaram da dieta contendo o maior nível de lisina quando comparados aos animais do grupo-controle. Do mesmo modo, Mitchell et al. (1991) trabalharam com 20ppm de RAC e dois níveis de lisina (0,81 e 1,22%) para suínos em terminação e verificaram melhorias no desempenho e de qualidade de carcaça nos animais que consumiram 1,22% de lisina, demonstrando que níveis superiores de aminoácidos são necessários quando se utiliza a RAC para que se tenham respostas significativas de desempenho e de qualidade de carcaça. Apple et al. (2004) avaliaram três níveis de lisina (15,1, 21,0 e 27,6) e dois de energia (3,3 e 3,48 Mcal) na dieta de suínos em terminação e observaram efeito linear crescente do nível de lisina sobre o ganho de peso, eficiência alimentar e área de olho de lombo e redução da espessura de toucinho na altura da décima costela. Segundo Schinckel et al. (2003), a porcentagem de lisina na proteína depositada por suínos consumindo ração

Gráfico 2. Comportamento da deposição de carne e gordura em genótipos com alto e baixo/médio potenciais de deposição de carne Fonte: adaptado de Schinkel e Richert (2001)

suplementada com ractopamina aumenta de 6,80% para 7,15%. Pérez et al. (2006) estudaram o efeito da interação da lisina (0,95; 1,05 e 1,15% lisina total) e ractopamina (0 e 10 ppm) sobre as características de carcaça. Estes autores observaram menor ET na altura da 10ª costela quando utilizaram 1,15% de lisina total e 10 ppm de ractopamina, observando um efeito sinérgico. Este resultado está de acordo com Dunshea et al. (1993), Crome et al. (1996),Schinckel et al. (2003) e Marinho et al. (2007a), que também estudaram a interação de dois níveis de lisina digestível (0,67 e 0,87%) e ractopamina (0 e 5 ppm) e observaram que o efeito da ractopamina sobre a profundidade de lombo de suínos machos castrados é maior em dietas contendo 0,87% de lisina disgestível. Com base nestes resultados, é de se esperar que os níveis de lisina possam limitar a ação da ractopamina, principal-

mente em animais selecionados para alta deposição de carne, pois esta é diretamente responsável pela síntese proteica e consequente deposição de tecido muscular. Entretanto, o excesso de lisina também pode limitar os efeitos benéficos promovidos pelos agonistas β-adrenérgicos, pois poderá ocorrer competição pelos sítios de absorção e catabolismo destes aminoácidos em excesso em detrimento do aumento da síntese proteica.

Cromo O cromo sob forma de complexos orgânicos vem sendo testado na última década com relação à sua efetividade na melhoria da carcaça, aumentado a relação carne/gordura. Entre os vários experimentos conduzidos, destaca-se o de Renteria e

Tabela 3. Média de desempenho de três genótipos de alto crescimento e quatro genótipos de baixo crescimento em carne Tipo genético

Ganho médio de peso diário (g/dia)

Consumo (g/dia)

Ganho em carne (g/dia)

Ganho em gordura (g/dia)

Conversão alimentar (1:)

Alto crescimento em carne

985

2433

371

277

2,47

Baixo crescimento em carne

917

2606

297

327

2,84

Fonte: adaptado de Schinkel e Richert (2001).

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Nutrição Cuarón (1998), os quais avaliaram 558 suínos em crescimento e terminação com 200 ppb de picolinato de Cr, não encontrando efeitos no desempenho. Em relação às carcaças, os animais apresentaram diminuição (P<0,01) da espessura de toucinho de 3,14 cm para 2,95 cm. O Cr aumentou o colesterol e melhorou a função da insulina. A área de olho de lombo (AOL) aumentou de 28,6 cm para 31,4 cm2 (P<0,02). Um achado importante foi a interação do Cr suplementar com o peso de abate (P<0,03), sendo o efeito do Cr evidente apenas nos pesos altos de abate. Esses dados são suportados por Lien et al. (2001) e Xi Gang et al. (2001). Os últimos autores mostraram acentuada melhoria na porcentagem de carne (7,58%) e área de olho de lombo (15,55 %) e diminuição de espessura de toucinho (10,90%), sendo todas essas, diferenças significativas (P<0,05). A análise do hormônio lipase sensitivo revelou-se 79,58% mais ativo (p < 0,05), e as atividades da isocitrato desidrogenase e da malato desidrogenase decresceram (P<0,05) 15,06% e 54,53%, respectivamente, no grupo tratado com Cr. A controvérsia estabelece-se quando o trabalho de Mooney e Cromwell (1999) indicaram que 200 ppm de picolinato de Cr não modifica a composição das carcaças de suínos de 21 kg a 104 kg de peso. Diferentes fontes de Cr foram avaliadas por Ward et al. (1995), incluindo Cr-cloreto, Cr-acetato, Cr-oxalacetato, Crnicotinato, Cr-nicotinato-Gly-glutamato e Cr-picolinato, dos 18 kg até o abate. Não foram observadas diferenças entre as fontes em relação às características de carcaça dos animais. Uma das explicações para efeitos diferenciados é o que foi indicado por Lemme et al. (2000), que sugeriu que a disponibilidade de energia na dieta é um dos fatores na eficácia do Cr em reduzir a gordura das carcaças. Também o que foi proposto por Renteria e Cuarón (1998) deve ser levado em consideração, que é a interação do Cr com o peso de abate. Animais mais pesados e com maior deposição de gordura têm chances de ser beneficiados com níveis elevados de Cr suplementar. Em adição a isso, deve-se observar que a categoria de animais usados por esses autores é de alta deposição de gordura na carcaça Ano VIII - nº 48/2013

A utilização de ractopamina é uma alternativa para obter carcaça de melhor qualidade, portanto, são necessários ajustes nutricionais para uma maior taxa de deposição proteica

(espessura de toucinho de 3, 14cm), o que também estimula o efeito do Cr como melhorador da carcaça.

Carnitina A carnitina é um cofator derivado do metabolismo da lisina e serve para o transporte dos ácidos graxos de cadeia longa na membrana mitocondrial. A molécula de cadeia longa acil-coA liga-se à carnitina para compor a acil-carnitina, sendo que a deficiência de carnitina pode prejudicar a beta-oxidação dos ácidos graxos de cadeia longa. A L-carnitina tem sido usada em concentrações de 50 ppm a 1000 ppm em dietas de leitões ao desmame, condicionando melhoria nas taxas de ganho de peso, eficiência alimentar e redução de lipídios na carcaça (Owen et al. 1996). Essas diferenças têm por base melhorias na digestibilidade dos nutrientes (Cho et al. 1999a, Cho et al. 1999b), sendo que o maior nível energético melhorou a eficiência, mas não o ganho de peso com a carnitina (Piva et al. 1999). Esse efeito não é muito claro em animais de terminação, porém, Bonomi (1995) propôs que a suplementação de 300 ppm de DL-carnitina para suínos abatidos com 160 kg permite aumento de ganho de peso (10,5%), eficiência alimentar (12,8%), rendimento de carcaça (7,2%) e aumento geral dos músculos na carcaça. Segundo o autor, isso se deve ao efeito favorável da carnitina no metabolismo lipídico.

Fatores que afetam o consumo O consumo de alimentos é influenciado por um grande número de fatores, entre os quais se agrupam os fisiológicos, como os mecanismos neurais e hormonais, ligados aos sentidos (olfato e gosto); os ambientais, como a temperatura, a umidade ambiental, o movimento e a qualidade do ar, a lotação animal, os tipos de comedouros e as formas físicas de ração; e, por fim, os dietéticos, como o nível adequado de nutrientes, a densidade energética da dieta, os antibióticos, flavorizantes, o processamento e digestibilidade dos ingredientes e a quantidade e qualidade da água (segundo várias fontes citadas no NRC, 1998). No sistema atual de produção de suínos, a alimentação à vontade é a mais utilizada, pois se busca o rápido crescimento. Entretanto, com o advento da classificação de carcaças, é possível manejar a nutrição dos suínos de modo a obter melhoria das carcaças, com redução de gordura e dos custos de alimentação, utilizando-se do arraçoamento controlado ou restritivo. Em geral, os suínos em crescimento e terminação, consumindo ração à vontade, compensam a quantidade de acordo com o nível de energia da dieta. Uma vez que as exigências nutricionais dos animais foram determinadas com alimentação à vontade, quando se realiza a Suínos & Cia

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Nutrição prática da restrição alimentar, deve-se observar a relação de aminoácidos (AA) com energia para que não ocorram perdas na deposição de proteína sob a forma de músculos. Segundo o NRC (1998), o custo energético para deposição de proteína é de 10,6 Mcal de EM/kg, e para a gordura, 12,5 Mcal de EM/kg. Embora os valores não sejam muito diferentes, há muito maior necessidade energética para depositar gordura, pois essa representa de 80% a 95% do peso depositado como gordura, enquanto que a proteína representa de 20% a 23% do tecido muscular depositado. Então, quando o limite genético de deposição de músculos é atingido, o consumo em excesso irá promover a deposição de gordura na carcaça. Portanto, a alimentação controlada visa a adequar o consumo de energia, de forma que ela não seja deficiente para o máximo ganho em músculos ou em excesso, provocando aumento de gordura nas carcaças.

Temperatura Fatores como ambiente térmico também podem afetar as exigências nutricionais dos animais, prejudicando o seu desempenho. Em situação de estresse por calor, os animais reduzem o consumo de ração na tentativa de diminuir o incremento calórico gerado pela digestão, reduzindo, dessa forma, o ganho de peso diário. Assim, a utilização de aminoácidos sintéticos pode reduzir o incremento calórico, já que há um alto gasto energético da proteína bruta nos processos de digestão, absorção e deposição proteica. Este relato foi comprovado por Kerr et al (2003), no qual observaram que suínos mantidos em altas temperaturas (330 C) reduziram o consumo e a eficiência alimentar, sendo o efeito mais pronunciado nas dietas com maiores níveis de proteína bruta (16,0%). Neste mesmo trabalho, os autores observaram que a redução da proteína bruta para 12%, juntamente com a adição de aminoácidos sintéticos como a lisina, a metionina, a treonina e o triptofano, resultou no aumento da eficiência alimentar. Sabe-se que o consumo voluntário de alimentos é influenciado pela concentração de energia na dieta e que os suínos alimentados com dieta com baixa energia consomem mais alimento. A ingestão voluntária de alimento é sensível Suínos & Cia

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Com a seleção e a classificação de carcaças, a alimentação à vontade deve ser controlada ou restritiva, objetivando, assim, a deposição de gordura desejável

a mudanças estacionais, em particular à temperatura ambiente. Segundo Verstegen e Close (1994), a retenção de energia, proteína e gordura é afetada pelas condições ambientais, indicando que a composição da carcaça pode ser alterada. Temperaturas ambientais acima da temperatura crítica superior reduzirão significativamente o consumo voluntário de alimentos, com subsequente menor ganho e normalmente reduzida eficiência alimentar (Jensen, 1991). Acredita-se que a ingestão de nutriente per si pode estar tendo o efeito principal na composição de carcaça ao abate. O período de estresse por calor pode reduzir a ingestão alimentar e tem um impacto no metabolismo de energia e de proteína, e consequentemente na distribuição de gordura corporal. Primeiro, o estresse por calor aumentará a exigência de mantença, quando comparado à temperatura de conforto térmico, visto que mais energia é gasta pelos suínos para eliminar calor, principalmente pelo aumento na frequência respiratória. Isto significa que menos energia está disponível para crescimento. A temperatura ambiente e o consumo de energia claramente influenciam a quantidade e a distribuição de gordura e proteína no corpo dos suínos em crescimento, o que foi confirmado por Dauncey e Ingram (1983), que observaram mais gordura depositada em animais mantidos

sob condições de ambiente quente ou sob altos consumos de energia. Nutrição, clima e instalações influenciam a distribuição de gordura corporal de acordo com o balanço energético do suíno. Se os suínos são criados sob estresse de calor, irão depositar a maior parte da gordura internamente e menor parte nos depósitos subcutâneos. A exposição de animais a temperaturas elevadas leva também à redução do peso de órgãos (Dauncey et al., 1993), o que pode ser um reflexo do efeito da temperatura sobre o consumo de alimentos. Os suínos em crescimento-terminação são particularmente suscetíveis à alta temperatura em razão de sua baixa temperatura crítica evaporativa (Black et al., 1999). Quando expostos à alta temperatura ambiental, a capacidade desses animais em dissipar calor para o ambiente é limitada, o que torna a redução da ingestão de alimentos um dos mecanismos para diminuir a quantidade de calor a ser dissipado (Ferguson e Gous, 1997; Quiniou et al., 2000b). Estudos têm evidenciado que a digestão de proteína aumenta a produção de calor do animal (Le Bellego et al., 2001) e que a redução do incremento calórico tem resultado em melhora no desempenho de suínos expostos à alta temperatura (Stahly et al., 1979; Sathly e Cromwell, 1979). Considerando que dietas com menor teor de proteína têm Ano VIII - nº 49/2013


Nutrição

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Nutrição baixo incremento calórico, sua utilização em ambiente de alta temperatura poderia, então, amenizar as consequências do estresse por calor na ingestão voluntária de alimentos pelos suínos (Quiniou et al., 2000a).

Densidade de animal/baia Em um experimento realizado por Silva et al. (2009), no qual avaliaram os efeitos do número de animais por unidade experimental (2 ou 20 animais) e do tipo de comedouro (linear semiautomático sem umidificador de ração e semiautomático conjugado com bebedouros) sobre as exigências nutricionais e as características de carcaça de suínos dos 60 kg aos 95 kg, observaram que não ocorreu interação significativa entre níveis de lisina, tipo de comedouro e número de animais na unidade experimental para os consumos de ração e de lisina, o ganho de peso e a conversão alimentar. Nas unidades experimentais com dois suínos, ocorrem diferenças no desempenho, com maior ganho de peso e melhor conversão alimentar, mas nenhuma alteração significativa nos consumos de ração e lisina. Hyun e Ellis (2002) avaliaram o padrão de consumo de suínos mantidos em grupos de 2, 4, 8 e 12 animais por baia e não observaram variação de desempenho, porém, verificaram que o padrão de consumo foi significativamente modificado, pois o número de visitas diminuiu e o tempo por visita ao comedouro aumentou com o número de animais por baia. Em contrapartida, estudos realizados por Ferguson e Lavers (2000) e Ferguson et al. (2001) constataram que animais mantidos individualmente tiveram consumo de ração diário superior ao daqueles mantidos em grupos de 7 ou 13 animais por baia. Diferem ainda dos observados por Gonyou e Stricklin (1998), que verificaram redução significativa no consumo diário de ração quando compararam animais mantidos em grupos de 7 e 10 ou grupos de 3 e 5 animais/baia e também observaram redução significativa no ganho de peso dos animais alojados em densidades de 7 ou 10 animais/baia em comparação aos alojados em densidades de 3 ou 5 animais/baia. Suínos & Cia

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O estresse pelo calor reduz a ingestão alimentar e tem impacto no metabolismo da energia e proteína, consequentemente, na distribuíção da gordura corporal

O comprometimento do ganho de peso de suínos em terminação alojados em maiores grupos por baia também foi verificado por Ferguson et al. (2001), Ferguson e Lavers (2000) e Hyun e Ellis (2002). No trabalho realizado por Silva et al. (2009), os animais alojados em densidade de dois por unidade experimental apresentaram melhor conversão alimentar em comparação àqueles alojados em densidade de 20 por baia. Melhores resultados de conversão alimentar em suínos alojados em grupos menores na fase de terminação também foram verificados por Vansickle (2001), Edmonds et al. (1998) e Chapple (1993). Estudando o efeito do tamanho do grupo (10, 20, 40 e 80 suínos/baia) sobre o desempenho dos animais, com padronização de espaço, Schmolke e Gonyou (2000) verificaram que nenhum dos parâmetros avaliados foi influenciado pelo número de animais por baia e concluíram que os suínos são eficientes em manter o desempenho quando se mantém a área recomendada por animal. Street e Gonyou (2008) constataram que a redução do espaço por animal (0,78 m2 × 0,52 m2), e não o tamanho do grupo (18 × 108 animais), foi o fator determinante para a redução do desempenho dos suínos em crescimento e terminação. Assim, a piora no desempenho dos animais alojados em grupos maiores pode estar relacionada à menor área dis-

ponível por animal em comparação ao alojamento em grupos menores, pois, de acordo com Paterson e Pearce (1991), a piora na eficiência alimentar e a redução do crescimento com o estresse crônico são um mecanismo pelo qual os suínos suportam elevadas densidades de criação.

Forma física da dieta De acordo com Pond e Maner (1976), uma grande quantidade de alimentos tem baixo valor nutritivo pelas propriedades físicas originais (dureza da casca ou da epiderme), ou pela composição química que reduz a digestibilidade (fatores antinutricionais do grão de soja). A digestibilidade e aceitabilidade podem ser aumentadas por meio de tratamentos específicos, como aquecimento, moagem, desidratação, extração de óleos e granulação, melhorando a utilização desses alimentos pelos suínos. Há muito anos, estudos como o de Zert (1969) mostravam que a digestibilidade da ração aumenta com o aumento de moagem. Uma melhor eficiência alimentar, à medida que diminui o tamanho das partículas dos alimentos, é citada por Fahrenhoiz (1990), para o qual a digestibilidade dos nutrientes melhora ao diminuir o tamanho das partículas, devido, provavelmente, ao aumento da superfície, permitindo maior atividade das enzimas digestivas. Ano VIII - nº 49/2013


Nutrição Tabela 4. Comparação entre rações fareladas e peletizadas Referências

Peso dos suínos (kg)

Número de animais

Comitê sobre nutrição de suínos – 42 nrc (1969)

20 a 91

Hanke et al. (1972)

Ração farelada

Ração peletizada

Ganho de peso diário média (g)

Ganho / consumo

Ganho de peso diário média (g)

Ganho / consumo

556

770

0,31

780

0,32

58 a 99

379

750

0,29

800

0,31

Baird (1973)

15 a 100

120

690

0,27

720

0,29

Tribble et al. (1975)

29 a 100

192

660

0,26

680

0,29

Harris et al. (1979)

70 a 100

98

610

0,26

660

0,28

Tribble et al. (1979)

59 a 98

144

620

0,24

700

0,27

Skoch et al. (1983)

49 a 98

60

770

0,32

840

0,34

Wondra et al. (1995)

55 a 115

160

960

0,29

1

0,31

Fonte: Adaptado de Araújo et at. (2004) A peletização aumenta a palatabilidade da ração pelo efeito do cozimento que os nutrientes são submetidos, e além deste fator, o animal tem um dispêndio menor de energia para a ingestão do alimento, já que o pelete é mais denso do que uma ração farelada, concentrando maior quantidade de nutrientes dentro de um mesmo volume de ração ingerido. Este fator é o principal motivo da melhora da conversão alimentar da dieta quando comparada à forma farelada, somando-se à melhor digestibilidade dos nutrientes. Além disso, o processo de peletização permite que o amido, que é a principal fonte energética de uma dieta vegetal, gelatinize e, com isso, proporcione um incremento energético nas rações peletizadas.

Conforme demonstrado na tabela 4, diferentes autores observaram melhores ganho de peso e relação ganho/consumo quando comparado o fornecimento de ração peletizada e farelada.

produtos da industrialização da cana de açúcar, leitelho ou leite de soja. Gonyou e Lou (2000) trabalharam com diferentes tipos de comedouros adaptados ao fornecimento de ração líquida, com um ou mais espaços e presença ou ausência de bebedouro no interior, compararam as dietas secas e líquidas (na proporção de 1:1, água/ração) para suínos em crescimento e terminação e obtiveram significativo aumento no consumo diário de ração (em torno de 6%), no ganho de peso diário (em torno de 5%), diminuição do tempo gasto para ingestão do alimento em 17%, além de redução da frequência alimentar em 39% nos tratamentos com a dieta líquida. Canibe e Jensen (2003) não encontraram diferença significativa no ganho diário de peso e na conversão alimentar de suínos em fase de crescimento que receberam ração seca e dieta líquida não fermentada. Contudo, o consumo diário de ração foi maior para os suínos alimentados com dieta líquida não fermentada. Por sua vez, Liptrap e Hogberg (1991) observaram aumento da taxa de ganho de 0,8% e ganho por unidade de alimento consumido de 5,9% com dietas líquidas fornecidas à vontade, quando comparadas com as dietas secas.

Além das rações peletizadas e fareladas tem se visto o uso de alimentação líquida como uma alternativa visando à redução de custo e aproveitamentos de ingredientes alternativos, como o soro de leite, resíduos da produção de álcool a partir de cereais, subprodutos úmidos da indústria de cervejaria, resíduo úmido da indústria de processamento da soja, sub-

Dentre as vantagens para se adotar a alimentação líquida para suínos estão o menor desperdício de ração, o maior consumo de alimento, o custo final da alimentação, melhoria da digestibilidade dos nutrientes, diminuição do custo de produção, melhor desempenho dos animais e ambiente mais saudável pela redução de pó (Gadd, 1999). Porém, o uso da

Na tabela 4 é demonstrado um compilado com os resultados de pesquisa de diversos autores, comparando o efeito no ganho de peso médio diário e a eficiência no ganho de peso de suínos em diferentes fases.

Ano VIII - nº 48/2013

ração líquida nos sistemas de produção de suínos no Brasil ainda é restrito, em virtude do elevado custo dos equipamentos; da necessidade de ajuste das exigências nutricionais com o consumo de ração, que muitas vezes requer a adoção de sistemas de alimentação restritos e de adaptação à temperatura; de decantação e mistura inadequada dos ingredientes devido às diferenças de densidade; falta de treinamento no manejo e na solução de problemas com os equipamentos e falta de estabilidade no fornecimento de energia elétrica às propriedades (Stringhini et al., 2006).

Tipos de comedouros Os tipos de comedouros desenhados para fornecer rações seca, úmida, à vontade ou restrita são de grande importância na produção de suínos, pois se relacionam diretamente com o consumo e desperdício de alimentos (Nogueira et al. 2005). Na busca de um comedouro ideal para suínos do crescimento ao abate (25kg a 120kg de peso vivo) devem ser levados em conta os aspectos referentes às perdas de ração no comedouro, à produção de dejetos, ao desempenho animal e ao custo do comedouro e de operação deles. As perdas de ração no comedouro elevam o custo da produção suína e mascaram a quantidade de alimento consumido, pois o desperdício não é subtraído do consumo. Além disso, as perdas somam-se aos dejetos, aumentando a quantidade de efluentes/kg de suíno produzido. Suínos & Cia

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Nutrição A alimentação líquida tem se destacado como ferramenta para promover a utilização de subprodutos, reduzindo custos e/ou para permitir a implantação de curvas controladas de consumo, melhorando a eficiência alimentar. Além disso, tem ganhado importância no contexto da automação, uma vez que os recursos humanos estão cada vez mais escassos. Contudo, mais pesquisas precisam ser feitas em relação à influência do tipo de comedouro sobre as exigências nutricionais de suínos.

Considerações finais Vários são os fatores que interferem nas exigências nutricionais dos

suínos, dentre eles genótipo, sexo, idade, status sanitário, utilização de aditivos e fatores que alteram o consumo de ração. Ao buscar referências, seja nas tabelas internacionais, nacionais ou nos próprios manuais nutricionais divulgados pelas empresas de genética, é fundamental atentar para esses fatores, que muitas vezes explicam as diferenças dos requerimentos encontrados na literatura.

zação de ferramentas que possibilitem a implantação do conceito de nutrição de precisão torna-se fundamental, principalmente nas engordas, responsáveis pelo maior volume de ração. Nesse contexto é indispensável fortalecer a capacidade analítica da situação para propor a solução de melhor retorno econômico para o sistema.

Torna-se, portanto, de grande importância o planejamento do programa nutricional a ser utilizado, customizando as soluções para cada sistema de produção, independentemente do tamanho ou nicho de mercado no qual está inserido. Considerando o grande impacto da nutrição sobre os custos de produção e a grande competitividade do setor, a utili-

Por fim, para garantir o sucesso de um Programa Nutricional de Precisão, além das exigências dos animais, é indispensável o aprofundamento no conhecimento sobre as matérias-primas a serem utilizadas, além do planejamento e padronização dos processos fabris e logísticos envolvidos, reduzindo a disparidade ente a dieta outrora formulada e aquela que efetivamente chega aos cochos dos animais.

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Ano VIII - nº 49/2013


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Sanidade Influência do canibalismo de cauda no ganho de peso, lesões e condenações no abate de suínos em terminação

Brenda Maria F. P. P. Marques 1 Mari L. Bernardi 2 Carolini F. Coelho 1 Mirian Almeida 1 Oscar E. Morales 1 Tiago J. Mores 1 Sandra M. Borowski 3 David E. S. N. Barcellos 1 1. Setor de Suínos da Faculdade de Veterinária – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) 2. Departamento de Zootecnia - Faculdade de Agronomia 3. Lab. de Patologia Suína – Centro de Pesquisa Veterinária Desidério Finamor brenda.maria.marques@merck.com

Introdução A caudofagia está entre os comportamentos anormais mais frequentes em suínos, embora suas causas ainda não estejam bem determinadas. Além do impacto negativo sobre o bem-estar animal (Breuer et al., 2005), a associação da caudofagia com infecções secundárias e a perda da condição corporal podem resultar em prejuízos econômicos substanciais (Kritas & Morrison, 2007). No estudo de Wallgren & Lindahl (1996), a caudofagia prejudica significativamente o crescimento dos animais, não só durante

o período das lesões ativas na cauda, mas também nos períodos posteriores que se estendem até a idade de abate. Nos matadouros, abscessos, lesões pulmonares e condenações de carcaça podem estar associados com a mordedura da cauda ou canibalismo (Kritas & Morrison, 2007). Na Irlanda, Huey (1996) mostrou que a cauda mordida foi a causa de infecções presentes em 19,9% das carcaças com abscesso único e em 61,7% das carcaças com mais de um abscesso. No Brasil, das 34.194 carcaças condenadas pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF), 727 (2,1%) foram devido à

mordedura da cauda (Braga et al., 2006). Informações sobre caudofagia são encontradas principalmente em estudos sobre fatores de risco e relatórios de matadouros (Moinard et al., 2003; Kritas & Morrison, 2007). Os dados sobre canibalismo, considerando apenas as observações de abate (e não levando em conta a forma como o problema ocorreu no campo), podem ser bastante imprecisos porque os suínos, cujas lesões se curam antes do abate, podem ser incorretamente considerados como não tendo sido previamente mordidos. Os dados sobre a evolução da doença nos grupos afetados, o impacto da ocorrência do problema sobre o ganho de peso e a mortalidade no campo, assim como a sua influência sobre a qualidade da carcaça, também não são considerados. O objetivo do presente estudo foi avaliar a associação de caudofagia com o estado de saúde e o desempenho de suínos vivos na fase de terminação. Além disso, esses animais foram acompanhados por meio do abate ​​para verificar o impacto delas sobre lesões e condenações no abatedouro.

Local e instalações

A caudofagia prejudica o crescimento animal não só durante a fase ativa das lesões mas, nos períodos mais tardios que se estendem até o abate

Suínos & Cia

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Quatro unidades de terminação localizadas na região do vale do Taquari, no Rio Grande do Sul, com casos ativos da caudofagia, foram incluídas nesse estudo. Antes de iniciá-lo, ficou decidido que os rebanhos a serem avaliados deveriam pertencer à mesma empresa e que os suinocultores deveriam informar aos Ano VIII - nº 49/2013


Sanidade Tabela 1. Idade, peso e número de suínos com lesões de mordedura de cauda em quatro granjas da região Sul do Brasil Granja 1 CONT

Granja 2

CAN

CONT

Granja 3

CAN

CONT

Granja 4

CAN

CONT

N de suínos no plantel

330

380

400

635

Histórico de mordedura

Sim

Não

Não

Sim

Prevalência (%)

9,2

3,0

5,0

8,0

No de suínos no estudo

58

o

29

22

11

40

20

88

CAN

44

Idade inicial (dias)

94,8 ± 1,6 93,9 ± 2,5 94,2 ± 2,2 95,4 ± 3,3 81,5 ± 2,3 80,3 ± 3,6 75,6 ± 1,1 76,0 ± 1,5

Peso inicial (kg)

49,8 ± 0,9 49,4 ± 1,3 44,7 ± 1,1 45,3 ± 1,6 32,2 ± 0,9 31,8 ± 1,4 31,6 ± 0,4 31,8 ± 0,6

Tamanho da cauda (cm)

11,5 ± 0,3a

Idade do abate (dias)

165,8 ± 1,7

164,9 ± 2,4

166,2 ± 1,3

167,4 ± 3,2

172,5 ± 2,4

171,3 ± 3,4

170,6 ± 1,1

171,0 ± 1,5

Suínos tratados - lesões de cauda

-

16

-

8

-

11

-

31

Suínos tratados - outras causas

0

7

1

2

0

5

4

15

3,9 ± 0,3b 8,8 ± 0,4a 3,3 ± 0,3b 9,5 ± 0,3a 5,0 ± 0,5b 9,0 ± 0,2a 5,1 ± 0,3b

a e b: indicam diferença significativa entre os grupos controle (CONT) e caudas mordidas (CAN), em cada granja (P<0,05). Suínos tratados - lesões de cauda: corresponde àqueles com lesões severas (escore 3) nas granjas 1, 2 e 3; na granja 4, além dos suínos com lesões severas, 50% dos animais com lesões moderadas (escore 2) também foram tratados com ampicilina (10mg/kg) e dexametasona (0,025mg/kg) durante 3 a 5 dias. Suínos tratados - outras causas: inclui problemas locomotores, respiratórios, diarreias e meningites. pesquisadores a presença de – pelo menos – dez suínos com lesões de cauda para serem acompanhados. As unidades de terminação participantes deveriam adotar o mesmo tipo de manejo geral e as mesmas rotinas de limpeza e ter seus alimentos produzidos pela mesma fábrica de rações. Considerando o tipo de manejo alimentar, a construção, o delineamento das baias, o controle ambiental e o tamanho dos rebanhos, as propriedades escolhidas podem ser consideradas como típicas do sistema de produção de suínos adotado nos três Estados da região sul do Brasil, responsáveis por cerca de 50% da suinocultura nacional. Todas as granjas em questão adotam o sistema de manejo do tipo “all in – all out”, sendo as instalações submetidas à ventilação natural, por meio da operação manual de cortinas. Em cada granja, todos os suínos – provenientes de um mesmo rebanho – foram tratados de acordo com as normas da empresa integradora. As baias eram compostas por piso sólido, um terço ripado na sua extremidade traseira, o qual era mecanicamente Ano VIII - nº 49/2013

limpo duas vezes ao dia. Não foi adotado nenhum tipo de material como cama, mas uma a duas correntes foram penduradas por baia, a título de entretenimento ambiental para os animais. A densidade variou de 17 a 30 suínos/baia, e o espaço disponível variou, em média, de 0,9 m2 a 1,0 m2/suíno alojado. A ração peletizada foi manualmente oferecida três vezes ao

dia. O espaço para alimentação variou de 23 cm a 30 cm/suíno. Machos castrados foram mantidos na granja 1 e fêmeas nas granjas 2 e 3, enquanto que na granja 4 foram avaliados juntos machos castrados e fêmeas. Durante o experimento, o manejo de rotina e/ou os tratamentos adotados em cada granja não foram alterados. A recomendação da Companhia

Figura 1. Sistema de avaliação das lesões de mordedura de cauda por escore: 0 = nenhuma lesão, cauda normal; 1 = lesão discreta, com perda superficial de tecido epitelial; 2 = lesão moderada, com até 50% de comprometimento ou perda; 3 = lesão severa, com mais de 50% de comprometimento ou perda total da cauda; 4 = regressão da lesão.

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Sanidade Integradora era de tratar os animais com lesões mais graves. Como o pessoal das granjas não sabia, de antemão, a pontuação que os suínos receberiam, em alguns casos, animais com lesões moderadas também foram tratados (como no caso de 50% dos suínos com escore de lesão 2, na granja 4. Os casos graves de mordedura de cauda e problemas de locomoção foram tratados com ampicilina (10mg/kg) e dexametasona (0,025 mg/kg) durante 3 a 5 dias. Unguento em forma de spray foi aplicado em todos os suínos com a cauda mordida. Doenças respiratórias secundárias foram tratadas com ceftiofur (1 a 3 mg/kg) durante 3 dias, e diarreias com enrofloxacina (2,5 mg/kg) ou tiamulina (10 a 15 mg/kg) por 3 a 5 dias. A idade e o peso dos suínos, no início e no final do estudo, são mostrados na tabela 1. Todos os animais que morreram durante o período experimental foram registrados e, sempre que possível, necropsiados pelos pesquisadores. As visitas às granjas foram realizadas por uma equipe de pesquisadores, assegurando-se sempre de ser a mesma pessoa responsável pela coordenação das atividades, coleta de dados e realização de exames clínicos.

Animais e avaliações Os suínos incluídos no estudo tinham genética semelhante (PIC® Camborough 25) e haviam sido submetidos à rotina do corte de dois terços da cauda aos três dias de idade. Para cada animal que apresentava a cauda mordida (canibalismo = CAN) foram selecionados dois animais controle (CONT), com peso, sexo, idade e origem semelhantes; ficando, assim estabelecido, um trio de suínos. Foram utilizados dois suínos-controle, ​​porque um ou ambos poderia(m) ser mordido(s) durante o período experimental, não podendo – nesse caso – ser considerados animais-controle. Os suínoscontrole foram aleatoriamente escolhidos entre os animais das baias localizadas de cada lado do corredor central. Suínos CAN e CONT foram identificados com diferentes etiquetas coloridas e alojados em suas baias originais, excetuando-se aqueles severamente afetados, os quais Suínos & Cia

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Figura 2. Percentual de animais afetados de acordo com o escore de lesão da mordedura de cauda, em cada avaliação. Escores de lesões: 1. lesão discreta, com perda superficial de tecido epitelial; 2. lesão moderada, com até 50% de comprometimento ou perda; 3. lesão severa, com mais de 50% de comprometimento ou perda total da cauda; 4. regressão da lesão. Dentro de cada granja, os percentuais de suínos com lesões cicatrizadas (escore 4) foram comparados entre as três avaliações realizadas após o início do estudo; os valores seguidos por letras diferentes são estatisticamente diferentes (P < 0,05).

Ano VIII - nº 49/2013


Sanidade foram transferidos para baias-hospital com o intuito de melhorar seu bemestar e evitar que eles fossem mordidos novamente. Após o estabelecimento dos trios, os novos casos de canibalismo não foram levados em conta para as análises. Durante o período de avaliação, nove animais do grupo CONT adquiriram lesões de caudofagia. Ficou decidida a exclusão da análise estatística dos trios contendo suínos-controle que tivessem sido mordidos. Os suínos pertencentes aos grupos CONT e CAN, que foram mantidos na análise, foram apresentados na tabela 1. O estudo foi dividido em dois estágios: o primeiro teve lugar na granja, e o segundo no abatedouro. Durante o primeiro estágio, os seguintes parâmetros foram avaliados: a) Desempenho “in vivo”: dependendo da idade dos animais, quando o canibalismo foi diagnosticado eles tiveram o seu peso aferido quatro vezes nas granjas 1 e 2 e cinco vezes nas granjas 3 e 4. Os intervalos entre as primeiras medições de peso foram de 19 a 21 dias, e o último intervalo foi de 29 a 33 dias. b) Classificação das lesões: a cada visita, as caudas foram examinadas visualmente (sempre pelo mesmo avaliador) e pontuadas de acordo com uma escala

de lesões (figura 1). Apenas os animais com lesões ativas, ou seja, com escores de 1 a 3, foram incluídos no grupo CAN. c) Outras avaliações: a cada pesagem, os suínos ​​eram clinicamente examinados, à procura de distúrbios locomotores e respiratórios, bem como para detectar a presença de nódulos e/ou abscessos na cauda e na região posterior do corpo. Problemas de locomoção foram reconhecidos na presença de claudicação, lesões de casco e inchaço nas articulações. Os animais afetados foram submetidos a análises adicionais, como descrito por Schulze (1980). Estes exames consistiam na inspeção de animais em pé e em movimento, seguidos por exame visual e palpação. Problemas respiratórios foram diagnosticados pela análise de espirros, tosse e dispneia, de acordo com Sobestiansky & Barcellos (2007). Durante a segunda fase deste estudo, o abate dos animais em experimento foi acompanhado. Todos foram abatidos no mesmo matadouro e, dentro de cada propriedade, tanto os suínos CONT como os CAN foram abatidos com a mesma idade. No abatedouro, os animais foram submetidos a uma verificação por meio de métodos e critérios normalmente usados ​​em fri-

goríficos brasileiros (Sobestiansky et al., 2007). A idade de abate está descrita na tabela 1. Uma pessoa ficou responsável pelo registro do número da etiqueta e da sequência de entrada na linha de abate, enquanto outra identificava os órgãos com o número correspondente, na sequência do processamento. Na linha de miudezas, os pulmões foram colocados em sacos plásticos para posterior análise do tipo e extensão das lesões (pneumonia, abscessos e pleurites). Casos de artrite foram detectados por inspeção visual externa e pela abertura das articulações. Os casos positivos foram definidos levando-se em consideração alterações do fluido da articulação, cápsula e cartilagem articular. Foram registrados os suínos que tiveram suas carcaças condenadas, bem como os que apresentaram lesões nelas (pleurites, abscessos, entre outras). Foram considerados os critérios de condenação e classificação estabelecidos pelo SIF (Serviço de Inspeção Federal, do MAPA): carne não destinada à exportação, carne destinada à produção de embutidos, carne destinada à salga e/ou a outro tipo de preservação (correspondentes à condenação parcial) ou carne destinada a processamento (correspondente à condenação de carcaça inteira). Em pulmões e carcaças com abscessos, fragmentos de tecidos foram coletados assepticamente – na zona de transição entre as áreas afetadas e normais – e encaminhados para exame bacteriológico. As amostras foram refrigeradas entre 4°C e 8°C e processadas, o mais tardar, 96 horas após a coleta. Foram utilizadas técnicas de rotina nos testes bacteriológicos, como descrito por Barrow & Feltham (1999).

Análise estatística

Além da lesão macroscópica na cauda, outras observações foram realizadas com relação a distúrbios locomotores e respiratórios nos animais avaliados

Ano VIII - nº 49/2013

Todas as análises estatísticas foram realizadas utilizando o programa Statistical Analysis System, versão 9.1.3 (SAS 2005), e um nível de significância de 5% foi utilizado para comparações. A distribuição da frequência dos suínos no grupo CAN, de acordo com o escore de lesão de cauda, ​​foi obtida utilizando o procedimento FREQ. Dentro de cada granja foram comparados percentuais de suínos Suínos & Cia

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Sanidade Tabela 2. Ganho de peso médio diário (kg) de acordo com o escore inicial de lesões na cauda durante a fase de terminação de suínos, em quatro granjas da região Sul do Brasil (LS means ± SEM*) Locais

Escores de lesões de cauda 0

1–2

3

Granja 1

1,05 ± 0,02ª

1,01 ± 0,04ab

0,96 ± 0,03b

Granja 2

1,02 ± 0,03

0,98 ± 0,08

1,07 ± 0,05

Granja 3

1,08 ± 0,02a

1,13 ± 0,04a

0,97 ± 0,04b

Granja 4

0,86 ± 0,01

0,92 ± 0,03

0,86 ± 0,03

* LS means + SEM = mínimos quadrados + erro padrão da média. Escores de lesões de cauda: 0 = nenhuma lesão, cauda normal; 1 = lesão discreta, com perda superficial do tecido epitelial; 2 = lesão moderada, com até 50% de comprometimento ou perda; 3 = lesão severa, com mais de 50% de comprometimento ou perda total da cauda. Letras a e b na mesma coluna indica diferença significativa (P < 0,05) entre os escores de lesões de cauda com lesões cicatrizadas (escore 4), entre avaliações, com qui-quadrado ou teste exato de Fisher. A taxa de mortalidade foi analisada com o teste exato de Fisher. O ganho de peso médio diário (GPMD) foi analisado como uma medida repetida, com o procedimento MIXED, incluindo efeitos fixos da granja, escore de lesão da cauda, momento da pesagem e a interação entre esses fatores. As médias foram comparadas pelo teste de Tukey-Kramer no nível de significância de 5%. A possível associação de mordeduras de cauda observadas durante o período de engorda, com a ocorrência de lesões antes do abate, foi analisada com modelos de regressão logística (procedimentos de logística). Apenas os novos casos de nódulos/abscessos, problemas locomotores e distúrbios respiratórios observados durante o período de avaliação foram levados em consideração para realizar a comparação entre os escores de lesões devido à mordedura de cauda. Os resultados de várias avaliações foram combinados, e a ocorrência de novos casos foi considerada positiva quando a lesão foi detectada em pelo menos uma das análises realizadas. Como não houve novos casos de lesões na granja 2, ela não foi incluída nesta análise. A possível associação entre os escores de lesão de cauda com a presença de lesões no momento do abate, bem como com a condenação de Suínos & Cia

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carcaça (parcial ou total), foi analisada utilizando modelos de regressão logística (procedimentos de logística), incluindo o efeito das granjas e dos escores de lesão de cauda. No entanto, os modelos para a artrite após o abate e para a condenação total de carcaças foram executados sem a inclusão dos dados relativos à granja 2, porque nela não foram observados esses eventos. Quando os dados de abate foram analisados​​, dez suínos que perderam as suas etiquetas de identificação e oito que morreram na granja foram excluídos, res-

tando um total de 294 suínos, sendo 93 do grupo CAN e 201 do grupo CONT.

Resultados Durante o período de observação, três em cada quatro granjas não mostraram qualquer número específico ou significativo de casos das principais doenças que geralmente afetam os suínos neste estágio de crescimento, nas granjas da região Sul do Brasil (diarreia, pneumonia, infecção por PCV2 e meningite estreptocócica). Formas mais leves de diarreia estavam presentes, afetando de um a três animais em não mais do que 5% das baias. Tosses e espirros ficaram abaixo de 10% e de 15%, respectivamente, em avaliações por contagem (Sobestiansky & Barcellos, 2007). Usando este sistema de monitoramento, a classificação obtida foi de “bom nível de sanidade”. Todos os lotes foram vacinados contra a infecção por PCV2 e não foram observados sintomas significativos dessa doença. O quarto plantel (granja 3) apresentou status similar com relação às doenças descritas acima, mas apresentou mortalidade ativa por meningite estreptocócica em oito animais, em um total de 400 (2%). No abatedouro, os lotes avalia-

A redução no ganho de peso em suínos afetados com canibalismo na cauda é devido ao desconforto causado, estresse e infecções secundárias

Ano VIII - nº 49/2013


Sanidade Tabela 3. Lesões observadas antes e após o abate, de acordo com o escore inicial de lesões na cauda durante a fase de terminação de suínos, em quatro granjas da região Sul do Brasil Lesões

Escore de lesões de cauda*

Suínos com lesões (%)

Razão de probabilidades

Intervalo de confiança

Valor de P

Anteriores ao abate1 Desordens locomotoras

Nódulos e/ou abscessos

Problemas respiratórios

0 (n = 186)

3 (1,6)

1,0

-

-

1 – 2 (n = 44)

1 (2,3)

1,4

0,07 – 11,4

0,765

3 (n = 49)

12 (24,5)

19,8

5,9 – 90,0

< 0,0001

0 (n = 186)

2 (1,1)

1,0

-

-

1 – 2 (n = 44)

4 (9,1)

9,2

1,7 – 68,0

0,012

3 (n = 49)

11 (22,4)

26,6

6,8 – 176,7

< 0,0001

0 (n = 186)

6 (3,2)

1,0

-

-

1 – 2 (n = 44)

1(2,3)

0,7

0,03 – 4,1

0,721

3 (n = 49)

4 (8,2)

2,8

0,7 – 10,3

0,128

Após o abate

2

Abscessos

Lesões pulmonares**

Artrites* *

Outras lesões***

0 (n = 201)

3 (1,5)

1,0

-

-

1 – 2 (n = 41)

9 (21,9)

18,6

5,2 – 87,1

< 0,0001

3 (n = 52)

17 (32,7)

32,1

10,1 – 142,5

< 0,0001

0 (n = 201)

7 (3,5)

1,0

-

-

1 – 2 (n = 41)

8 (19,5)

6,7

2,3 – 20,4

0,0005

3 (n = 52)

15 (28,8)

11,2

4,4 – 31,2

< 0,0001

0 (n = 201)

1 (0,6)

1,0

-

-

3 (n = 52)

4 (9,1)

17,8

2,5 – 353,0

0,011

0 (n = 201)

25 (12,4)

1,0

-

-

1 – 2 (n = 41)

6 (14,6)

1,2

0,5 – 3,2

0,70

3 (n = 52)

12(23,1)

2.1

1,0 – 4,6

0,06

* Escores de lesões de cauda: 0 = nenhuma lesão, cauda normal; 1 = lesão discreta, com perda superficial do tecido epitelial; 2 = lesão moderada, com até 50% de comprometimento ou perda; 3 = lesão severa, com mais de 50% de comprometimento ou perda total da cauda. 1 Correspondentes a novos casos de lesões observados nas granjas 1, 3 e 4; dados relativos à granja 2 não foram incluídos nessa análise porque não foram observadas novas lesões durante o período avaliado. 2 Dez suínos que perderam seus brincos de identificação e oito suínos que morreram nas granjas não foram incluídos nessa análise. ** Referem-se a pleurites e a abscessos pulmonares. * * Com o objetivo de estimar a probabilidade máxima e para que o modelo seja válido, os dados relativos aos suínos da granja 2 e os dados dos suínos com escores 1 e 2 não foram incluídos na análise, pois, nesses casos, a artrite não foi observada. *** Incluídas aqui as lesões em linfonodos mesentéricos e pericardites. dos apresentaram pneumonia, mas não em nível significativo. A prevalência das mordeduras de cauda em cada granja e o tamanho médio das caudas dos suínos dos grupos CONT e CAN são apresentados na tabela 1. Na figura 2, é possível observar a evolução da pontuação da caudofagia nos suínos CAN, durante as quatro avaliações realizadas. Em todas as granjas, a cura das lesões de mordedura de cauda (escore 4) foi observada entre 95% e 100% dos animais, na terceira avaliação. Entre os Suínos & Cia

50

suínos com lesões de canibalismo, apenas dois não tinham apresentado cura das lesões até o abate. Houve efeito significativo (P < 0,05) da interação entre a granja e a pontuação da lesão de cauda, no GPMD (tabela 2). O menor GMD foi observado nos suínos com lesões mais graves de mordeduras de cauda (escore 3), em comparação com os animais sem lesões na cauda (pontuação 0), nas granjas 1 e 3, mas não nas granjas 2 e 4. Foram observados novos casos de doenças respiratórias, abscessos e dificuldades de

locomoção apenas nas granjas 1, 3 e 4. No início do estudo, esses problemas não estavam presentes nos suínos do grupo CONT, enquanto no grupo CAN havia, respectivamente nestas granjas, 1, 1 e 4 animais com distúrbios respiratórios, abscessos e dificuldades de locomoção. O efeito da granja não foi significativo (P > 0,05) no modelo utilizado para investigar a associação da mordedura de cauda com a ocorrência de novos casos de problemas clínicos. Suínos com escore 3 tiveram maior chance de apresentar transAno VIII - nº 49/2013


Sanidade Tabela 4. Condenações de carcaças de acordo com o escore inicial de lesões na cauda durante a fase de terminação de suínos, em quatro granjas da região Sul do Brasil Condenação de carcaças Parcial + total**

Parcial***

Total* **

Escores de lesões na cauda*

Condenação (%)

Razão de probabilidades

Intervalo de confiança

Valor de P

0 (n = 201)

21 (10,4)

1,0

-

-

1 – 2 (n = 41)

15 (36,6)

4,9

2,2 – 10,8

< 0,0001

3 (n = 52)

27 (51,9)

9,3

4,6 – 19,1

< 0,0001

0 (n = 201)

20 (9,9)

1,0

-

-

1 – 2 (n = 41)

13 (31,7)

4,2

1,8 – 9,4

0,0005

3 (n = 52)

23 (44,2)

7,2

3,5 – 14,9

< 0,0001

0 (n = 201)

1 (0,6)

1,0

-

-

1 – 2 (n = 41)

2 (5,3)

9,9

0,9 – 216,0

0,064

3 (n = 52)

4 (9,1)

17,8

2,5 – 353,0

0,011

* Escores de lesões de cauda: 0 = nenhuma lesão, cauda normal; 1 = lesão discreta, com perda superficial do tecido epitelial; 2 = lesão moderada, com até 50% de comprometimento ou perda; 3 = lesão severa, com mais de 50% de comprometimento ou perda total da cauda. ** Dez suínos que perderam seus brincos de identificação e oito suínos que morreram nas granjas não foram incluídos nessa análise. *** Condenações correspondentes à carne enviada para processamento, embutidos e carne inadequada para exportação. * ** Dados relativos à granja 2 não foram incluídos nessa análise, pois nenhum suíno sofreu condenação total nessa unidade. tornos de locomoção do que os animais do grupo CONT, e tanto aqueles com escores 1 e 2 quanto os de escore 3 tiveram maiores chances de apresentar nódulos/abscessos do que os suínos do grupo CONT (P < 0,05; tabela 3). Não houve associação (P > 0,05) dos escores de lesão de cauda com a ocorrência de doenças respiratórias. Paresia posterior ou outros problemas graves de locomoção foram diagnosticados em dez animais do grupo CAN, e não houve casos no grupo CONT. Respeitando os princípios do bem-estar animal, estes suínos severamente afetados foram transferidos para baias-hospital e, entre eles, quatro foram recuperados, três tornaram-se permanentemente claudicantes e três foram submetidos à eutanásia por razões humanitárias, pois apresentavam lesões graves e irreversíveis. O exame post mortem destes três suínos revelou artrite severa e abscessos multifocais na região dos membros posteriores. Um animal também apresentou abscessos pulmonares, e outro, abscessos localizados na região torácica da coluna vertebral. Levando-se em conta os cinco animais mortos e os três sacrificados, a taxa de mortalidade no grupo CAN (5,8%: 6/104) foi maior (P < 0,05) do que no grupo CONT (1,0%: 2/208). Os quatro casos de abscessos Ano VIII - nº 49/2013

pulmonares e os 26 de pleurite foram agrupados e considerados como lesões de pulmões. O efeito da granja não foi significativo (P > 0,05), e a ocorrência de abscessos, artrites e lesões pulmonares foi associada ao resultado das lesões de cauda (P < 0,05; tabela 3). O efeito da granja não foi significativo (P > 0,05) no modelo usado para investigar a associação dos escores de lesões de cauda e a condenação de carcaça. Animais com lesões de escores 1, 2 e 3 apresentaram maiores chances de ter suas carcaças condenadas, em comparação com animais sem lesões da cauda (tabela 4). De modo global, 21,4% (63/294) das carcaças foram condenadas, sendo 19% de condenações parciais e 2,4% totais. Suínos do grupo CAN foram responsáveis por 66,7% (42/63) das condenações. Abscessos foram diagnosticados em 32 carcaças (29 animais abatidos e três necropsias), sendo 17 deles localizados na coluna vertebral, sete no tecido subcutâneo da região inguinal, cinco nos pulmões, quatro na região lateral superficial da carcaça e dois na cauda. Em três animais do grupo CAN foram encontrados abscessos simultaneamente em duas áreas: coluna vertebral e pulmões; e outros dois tinham

abscessos na cauda e na região inguinal. O exame bacteriológico realizado em 23 amostras de abscessos mostrou que dez (43,5%) foram positivas para Streptococcus spp, três (13%) tanto para Streptococcus spp quanto para Arcanobacterium spp, dois (8,7%) para Arcanobacterium spp, dois (8,7%) para Pasteurella multocida tipo A capsular, cinco (21,7%) apresentaram flora bacteriana mista e um (4,3%) foi negativo.

Discussão Valores de prevalência observados no campo são superiores à prevalência previamente relatada em estudos realizados no abatedouro (Hunter et al., 1.999; Hunter et al., 2001). As carcaças dos animais sem evidência de caudofagia no momento do abate podem ser condenadas, como foi observado no presente estudo, e o serviço de inspeção pode não associar esse fato com a mordedura de cauda. No coletivo, essas observações mostram que os valores de prevalência de caudofagia encontrados nos abatedouros estão, provavelmente, subestimando a prevalência no campo. Dependendo da idade dos suínos em que ocorrem as lesões, pode já haver a cura delas no momento do abate, como foi observado no presente Suínos & Cia

51


Sanidade estudo. Esta evolução favorável indica que as medidas de controle aplicadas, tais como o tratamento dos animais, foram adequadas para promover a cicatrização da lesão da cauda. Além disso, o fato da caudofagia ter sido diagnosticada relativamente cedo, ou seja, entre 70 e 95 dias antes do abate, pode ter contribuído para o desaparecimento quase total de lesões ativas, quando os animais foram enviados para o abate. A taxa mais elevada de condenação de carcaças quando da presença de lesões de mordedura de cauda também foi observada em um estudo anterior (Kritas & Morrison, 2007). O fato do risco de condenação da carcaça ter aumentado com a gravidade da lesão da cauda também está de acordo com os resultados de outros estudos (Braga et al. 2006, Walker & Bilkei 2006). De acordo com as normas do SIF (Brasil, 1995), não permitir a exportação, adicionar preservantes, enviar para a salsicharia e retalhar as carcaças corresponde, respectivamente, a 23%, 35%, 57% e 99% das perdas econômicas no valor delas. Entre os 93 animais (tabela 4) com lesões na cauda, ​​as carcaças de 29, 5, 2 e 6 suínos, respectivamente, foram encaminhadas para as categorias de mercado interno (produto final não exportável), preservação, salsicharia e retalhação. Multiplicando-se o número de carcaças pela perda estimada correspondente, houve uma perda de 15,5 carcaças entre os 93 animais com lesões de caudofagia diagnosticados no campo. Em outras palavras, para cada cinco suínos com diagnóstico de canibalismo haveria uma perda de 0,8 carcaça. O efeito negativo da maior gravidade da lesão na cauda frente ao GPMD, observada em duas das quatro propriedades avaliadas, confirma a observação de Wallgren & Lindahl (1996) de que o ganho de peso foi 25% inferior em animais gravemente mordidos do que nos suínos sem lesões na cauda. Em outro estudo, dez animais com mordeduras graves apresentaram circunferência torácica mais estreita do que aqueles com lesões moderadas ou nenhuma lesão na cauda (Kritas & Morrison, 2004). Suínos & Cia

52

Mesmo no sistema de produção ao ar livre, os suínos severamente mordidos foram significativamente mais leves no momento do abate do que os não mordidos (Walker & Bilkei 2006). Durante o curso de doenças infecciosas, os processos inflamatórios podem reduzir o ganho de peso médio diário e a conversão alimentar (Van Heutgen et al. 1994). Citocinas inflamatórias secretadas por células mieloides, em animais doentes, podem afetar diretamente o ganho de peso e também influenciar indiretamente e reduzir o consumo voluntário de ração. Além disso, várias outras alterações fisiológicas podem reduzir o ganho de peso, tais como o aumento da secreção hormonal catabólica (por exemplo, glicocorticoides), a gliconeogênese, a síntese hepática de proteínas de fase aguda e a excreção de nitrogênio, bem como inibir a síntese hormonal anabólica pela adenohipófise (Kelley et al. 1993; Webel et al 1997). Nos suínos que sofrem canibalismo, Heinonen et al (2010) encontraram níveis mais elevados de proteínas de fase aguda, em comparação a animais sem lesões, sugerindo que a disseminação sistêmica de bactérias e/ou toxinas bacterianas provavelmente resulta na maior produção de mediadores inflamatórios e em uma resposta sistêmica mais forte do que no caso de uma simples lesão tecidual localizada. A redução no ganho de peso em suínos afetados por causa da mordida pode ser explicada por fatores tais como o desconforto causado pelas lesões, estresse, ocorrência de infecções secundárias e, possivelmente, menor consumo de ração. Não foi possível medir o consumo de alimento durante o período experimental, o que impediu a determinação de uma possível relação entre a caudofagia e a conversão alimentar. Mesmo que o peso de abate não esteja sempre comprometido, não significa que não haverá prejuízos econômicos, já que estes podem estar relacionados com a mortalidade, o maior uso de drogas e o aumento do trabalho, além dos prejuízos evidentes por maior condenação de carcaça.

O canibalismo causou a morte ou o sacrifício de alguns animais durante a fase de terminação, o que foi representativo, porque 75% (/68) dos animais que morreram tinham lesões de mordedura na cauda, o que está de acordo com o estudo de Kritas & Morrison (2004), pelo qual entre 60% a 70% dos suínos que morreram durante um surto de canibalismo tiveram lesões na cauda. Além da repercussão negativa no crescimento, a mortalidade também é responsável ​​pelas perdas econômicas durante um surto de canibalismo. Além disso, uma vez que todos os animais do grupo CAN tenham sido medicados anteriormente, o custo adicional dessa medicação também tem de ser levada em conta. No momento do abate, o elevado número de lesões nas carcaças dos animais mordidos e a associação significativa entre as lesões na cauda e a presença de pleurites e abscessos, independentemente da gravidade das lesões na cauda, ​​estão de acordo também com os dados de Kritas & Morrison (2007). A maior ocorrência de abscessos na coluna vertebral (48,6%) corroborou com os resultados de Huey (1996). Os principais agentes isolados dos abscessos (Streptococcus spp e Arcanobacterium pyogenes) também foram os microrganismos mais frequentemente isolados em outros estudos (Huey 1996, Martinez et al., 2007). A presença de Pasteurella multocida em 8,7% das lesões pulmonares provavelmente não está relacionada com as caudas mordidas, pois este agente coloniza o trato respiratório por via aerógena, o oposto do caso do Streptococcus spp e do Arcanobacterium spp, que podem penetrar no corpo pelas lesões da cauda e se espalhar por via sistêmica, por meio da circulação sanguínea. De acordo com Huey (1996), a evolução dos abscessos na coluna vertebral pode levar várias semanas ou mesmo meses, enquanto que as lesões originais já podem estar curadas no momento do abate, explicando a presença deles sem que haja ainda lesões ativas na superfície externa da cauda. Ano VIII - nº 49/2013


Sanidade Uma cauda ferida é uma importante via de entrada para diferentes bactérias, que causam infecções secundárias, e microrganismos, que se espalham por meio dos vasos linfáticos (Dyce et al., 2010), fluido cérebro-espinal (Huey, 1996) e, principalmente, pela via hematogênica (Getty & Ghoshal, 1967).

pulmão é um dos órgãos mais facilmente afetados, o que explica as pneumonias por embolia bacteriana, abscessos pulmonares e pleurisias. Isso pode ser um indicativo da causa dos tratamentos com antimicrobianos utilizados e as medidas de controle tomadas nem sempre evitarem a disseminação bacteriana, a partir dos focos iniciais nas lesões de cauda. A severa perda de tecidos e a necrose nessa região, além da sua contaminação fecal considerável devido à pequena distância do reto, poderiam explicar também porque as complicações nesse tipo de infecção são tão frequentes.

O fluxo abundante de sangue na cauda permite o fácil acesso das bactérias à veia colateral cutânea, que entra no canal vertebral entre a segunda e terceira vértebras sacras (Getty & Goshal, 1967), explicando a presença frequente de abscessos na coluna vertebral. As bactérias podem ser transportadas para outros órgãos, pela corrente sanguínea, o que pode explicar o fato de os animais com lesões graves na cauda terem maiores chances de apresentar episódios de artrite do que aqueles sem lesões na cauda, corroborando com outros estudos (Martinez et al., 2007). Devido à abundância local de pequenos capilares, o

Conclusões

da carcaça. Condenação de carcaça em suínos com lesões na cauda já cicatrizadas salienta a importância de considerar o diagnóstico no campo acompanhado da inspeção da carcaça no abate, em estudos delineados para avaliar esta condição. Além de causar aumento da mortalidade, a caudofagia foi associada às desordens de locomoção e à presença de abscessos na coluna vertebral, na região inguinal e nos pulmões. Um menor aumento no peso dos animais, em duas das quatro granjas avaliadas, também foi associado à caudofagia.

Agradecimento

A evolução clínica das lesões devido a mordeduras na cauda foi favorável, e a maioria dos animais apresentou as lesões já cicatrizadas no momento do abate. No entanto, a cauda mordida foi associada a um aumento na condenação

Este estudo foi financiado com bolsas de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq – Processo no 578376/2008-3).

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Ano VIII - nº 49/2013

Suínos & Cia

53 Grupo Agro | Av Irmãos Piccoli, 338 - Centro - Tangará - SC | CEP: 89642-000 - marina@grupoagro.com.br | 49 3532.1408 Grupo Agro | Av Irmãos Piccoli, 338 - Centro - Tangará - SC | CEP: 89642-000 - marina@grupoagro.com.br | 49 3532.1408


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Anim. Sci. v. 75, p.1514-1520. 1997. Ano VIII - nº 49/2013


Sumários de Pesquisa Desidratação por retenção de sódio em leitões recém-nascidos secundária à deficiência de lactação A hipernatremia é um desequilíbrio na concentração de sódio sérico que se encontra em excesso. Em leitões, a hipernatremia é induzida pela sobrecarga aguda de sódio juntamente com um déficit de volume de líquido, levando à desidratação. O artigo apresentado por Mihály Kertészi e colaboradores durante o encontro anual da AASV, 2013 (American Association of Swine Veterinarians) documentou resultados clínico-patológicos de um estudo sobre desidratação de leitões por retenção de sódio, secundária a casos de porcas com deficiência de lactação. A pesquisa teve como objetivo avaliar o nível de sódio sérico e a apresentação clínico-patológica, em leitões de 1 a 3 dias de idade, filhos de porcas selecionadas com lactação insuficiente. O termo lactação insuficiente refere-se a diversas situações de deficiên-cias, como a falha parcial de lactação, relactação (produção de leite após cessar ou cair esta produção), baixa produção de leite e inadequada frequência de sucção, e pode ser diagnosticada pela avaliação vi-

sual dos leitões e do comportamento da porca na amamentação. São bem documentados em leitões o aumento da absorção de sódio no intestino e a significativa reabsorção de sódio nos rins (retenção de sódio) nos primeiros dias de vida. A concentração de sódio no colostro e leite das porcas é quase o dobro, fisiologicamente, nos primeiros três dias após o parto, em comparação com estágios subsequentes. A desidratação hipernatrêmica é uma condição potencialmente letal e pode causar edema cerebral, hemorragia intracraniana e gangrena periférica.

Método Os níveis de sódio no soro de 62 leitões de cinco porcas com insuficiência de lactação entre 24 e 48 horas após a parição foram determinados por meio de fotômetro de chama (EFOX 5053 – Eppendorf). Todos os leitões foram examinados clinicamente. Também houve o registro do tempo de perfusão (preenchimento) capilar (CRT), que foi comparado com os resultados de laboratório. O tempo de perfusão/preenchimento capilar é uma indicação comum de desidratação. O critério para diagnóstico laboratorial de hipernatremia foi: >149 mmol/L.

Resultados 52 leitões (84%) provaram ser hipernatrêmicos dentre 62 nascidos de cinco porcas. 13 leitões (25%)

Figura 1. Duas formas de necrose de cauda: A) gangrena úmida; B) necrose seca

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estavam com diarreia (mediana da concentração sérica de sódio: 155 mmol/L, numa escala de 150 a 175). Os sinais clínicos neste grupo não foram específicos, incluindo letargia. Alguns deles estavam alerta e com fome, outros moderadamente desidratados, com olhos afundados. O CRT foi ≤ 3 segundos. Em 39 leitões (68%) ocorreu um CRT maior que 3 segundos. 31 leitões (60%) estavam sem diarreia (mediana de concentração sérica de sódio: 168 mmol/L, numa escala de 160 a 180). Foi possível diagnosticar uma reduzida turgidez da pele, letargia, irritabilidade e deterioração aguda. Neste grupo ocorreram seis leitões (12%) com uma típica necrose de cauda. A figura 1 apresenta duas formas de necrose de cauda: A, com gangrena úmida, e B, com necrose seca. Oito leitões (15%) apresentaram sintomas neurológicos, torcicolo e convulsões (mediana de concentração sérica de sódio: 181 mmol/L, numa escala de 168 a 193). A histologia do cérebro de 5 leitões apresentou encefalopatia hemorrágica, trombose, necrose e infiltrado eosinofílico perivascular. Segundo os autores, uma precisa observação clínica e uma abordagem fisiopatológica podem auxiliar a conhecer mais sobre as causas das altas taxas de morbidade e mortalidade de leitões no período crítico logo após o nascimento.

Conclusão A ocorrência de desidratação hipernatrêmica em leitões recém-nascidos ou leitões lactentes, secundária à insuficiência de lactação, é provavelmente subestimada e pode contribuir para os casos de esmagamento de leitões pela porca. Existem alguns sinais para ajudar no diagnóstico da desidratação por hipernatremia: comportamento de amamentação da porca e leitões, letargia, irritabilidade dos leitões e CRT maior que 3 segundos. Ano VIII - nº 49/2013


Sumários de Pesquisa Qualidade da água e seus efeitos na produção de suínos Um estudo publicado na forma de relato de caso sobre a questão da qualidade da água para consumo dos suínos foi apresentado por Steven Stone (DVM) e colaboradores (Fairmont Veterinary Climic, Minnesota) durante o encontro anual da AASV, 2013 (American Association of Swine Veterinarians). Os autores salientam o papel da água como nutriente e a importância dela receber atenção dos técnicos e produtores em contraposição ao fato de ser frequentemente negligenciada.

Observações sobre a qualidade da água Ao observarmos suínos em uma baia, devemos olhar a cor do teto e das paredes, sendo que a maioria dos alojamentos tem ou teve teto e paredes brancos. Se a cor é agora um rústico laranja, os animais recebem água com significativa presença de ferro. Observe a cor do interior das tubulações; elas são, muitas vezes, pretas ou laranjas. A cor preta nos diz que há ferro e/ou manganês na água. Já a cor laranja é um indicador da presença de ferro. Se o alojamento tem bebedores no chão, olhe nos cantos da concha e veja se existe um lodo preto, que é um sinal da presença de manganês. O cheiro da água, muitas vezes, pode estar longe de um padrão de boa qualidade. A causa mais comum de odor na água são as bactérias. A cor da água também deve ser avaliada por meio da colocação dela em um becker de plástico transparente. As amostras devem ser comparadas entre diferentes salas em um galpão de suínos. A diferença entre as salas pode ser notável. Ano VIII - nº 49/2013

Análise da água

Cultura da água

Uma análise da água deve ser feita para determinar sua dureza, conteúdo em minerais, pH e sólidos. Isto estabelece uma referência para a qualidade dela em geral, num dado momento. Recomendações não devem ser feitas olhando apenas uma análise, pois os valores mudam. Costuma ser observado que níveis de ferro de fontes de água subterrânea alteramse significativamente durante algumas ocasiões, como derretimento da neve, chuva ou até mesmo condições de seca. Os níveis podem variar mais de oito vezes. Por exemplo, o nível de ferro da água da creche pode mudar de 1 ppm para 8 ppm em amostras colhidas com seis meses de intervalo. Flutuações comuns nos níveis de ferro variam de 4 ppm a 8 ppm. Os níveis comuns para os constituintes da água no sul Minnesota estão resumidos na tabela 1. A mensagem para guardar é que a água sofre alterações. Pode ser necessário mais do que uma análise para obter um diagnóstico completo da água de uma granja.

A água deve ser submetida à cultura para verificar a presença de contaminação bacteriana. Várias amostras devem ser colhidas, e os locais recomendados são tão próximo quanto possível do poço (do tanque de pressão ou hidrante próximo ao prédio de alojamento dos animais) e ao final da rede de água em cada sala do galpão de alojamento dos animais. Os locais privilegiados para a amostragem da rede hidráulica incluem os bicos de gotejador usados para leitões na fase inicial. Cuidados devem ser tomados para a obtenção de uma amostra limpa. Deve-se limpar o ponto de coleta de poeira e detritos e deixar a água correr por alguns segundos. É importante considerar que é necessário colher a água que os suínos estão realmente bebendo. A água pode ser recolhida em qualquer recipiente limpo. Nossa experiência é que ele não necessita ser estéril. A maioria da água submetida à cultura é coletada em pequenos frascos ou em sacos de Whirl-Pak (Nasço Fort Atkinson, WI). Uma vez no laboratório, o culSuínos & Cia

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Sumários de Pesquisa tivo da água é muito simples. Usando uma haste flexível de algodão estéril, mergulhe-o na amostra de água, semeando-o em uma placa de ágar sangue. Incubar e ler a placa entre 24h e 48h. Os resultados podem ser avaliados de maneiras diferentes. Por exemplo, contar o número de colônias de crescimento mais leve ou registrar como moderado, pesado ou muito pesado quando existirem muitas colônias para ser contadas. Geralmente as colônias não são identificadas, já que na maior parte do tempo isto não tem importância, a menos que haja crescimento puro. Assim como na análise de composição da água, é necessária mais do que uma cultura. As bactérias que vivem em redes de distribuição de água não se disseminam constantemente, denominadas difusoras intermitentes, nem elas se difundem em níveis consistentes. Isto pode explicar o porquê do desempenho inconsistente dos leitões, observado durante períodos diferentes de creche.

Biofilme Biofilme é o acúmulo de lodo, bactérias, minerais e material orgânico de sua fonte de água, junto com qualquer outro medicamento ou vacina que foi veiculado por meio de sua rede de distribuição de água. Isto é onde as bactérias e vírus vivem e de onde intermitentemente se difundem e é um mecanismo de sobrevivência para esses patógenos. O biofilme pode se acumular em suas redes de água em menos de dois dias. Com a maioria das instalações tendo mais de cinco anos de idade, não só o biofilme permite a sobrevivência bacteriana, mas também pode reduzir significativamente o fluxo de água. É altamente recomendado cortar certos canos de água e abrir e ver quanto biofilme existe em sua rede hidráulica. Suínos & Cia

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Tabela 1. Níveis comuns para os constituintes da água no sul de Minnesota, EUA Constituinte Nitrato (ppm) pH

Média

Mínimo

Máximo

0,05

0,01

0,66

7,06

6,53

7,53

Condutividade (uS/cm2)

1436,90

554,00

2770,00

Cálcio (ppm)

175,61

61,10

342,00

Magnésio (ppm)

55,60

22,40

111,95

Sódio (ppm)

65,24

4,90

238,00

Ferro (ppm)

2,49

0,02

22,00

Manganês (ppm)

0,43

0,07

1,80

Dureza (gr/ga)

39,11

14,30

74,50

Cloro (ppm)

3,94

0,10

24,70

505,38

18,00

364,00

TDS* (ppm)

826,65

364,00

1753,00

Coliformes

34/112

Sulfato (ppm)

Limpeza da rede hidráulica A limpeza da tubulação remove as crostas e detritos acumulados (biofilme) na rede hidráulica. Existem vários produtos que podem ser usados, por exemplo, ácido e misturas de peróxido de hidrogênio, como Peraside (Preserve International, Memphis, TN), UltraKleen (Sterilex Corporation, Hunt Valley, MD) e Proxy Clean (Proxy Clean Products, McKinney, TX). Cada produto tem instruções separadas para o uso adequado. O ideal é ter os prédios vazios quando se procede a limpeza da rede. Isto permite o uso de uma solução mais forte que limpará o encanamento mais rápido. Normalmente, estes encanamentos só precisam ser limpos uma vez, dependendo de quanto biofilme estava presente. Em granjas mais antigas, com encanamentos correndo no subsolo para múltiplas instalações, a rede pode precisar de limpeza várias vezes por ano. Estes produtos eficientemente retiram o biofilme. É importante complementar com um produto de manutenção após a limpeza da rede. A experiência demonstrou que, após a limpeza da rede, o biofilme é aberto e pode haver mais bactérias sendo

lançadas na água. Produtos de manutenção, utilizados continuamente, não só ajudam a manter os canos limpos, mas também ajudam a prevenir o futuro acúmulo de biofilme.

Desinfecção da água Existem dois tipos de desinfecção: primária e secundária. Desinfecção primária é tratar a água da fonte (poço). Desinfecção secundária é tratar a água nas redes de água. A desinfecção primária é mais cara e requer mais tempo de contato para os produtos químicos agirem, e ainda mais capacidade de armazenamento. A desinfecção secundária é muito mais fácil e menos dispendiosa. Atinge as bactérias e vírus nas redes de água e, em teoria, ao nível de bebedouros de água, embora não comprovado. As tecnologias de desinfetantes usadas hoje incluem cloro, cloreto de sódio, dióxido de cloro, ácido, peróxido de hidrogênio e ozônio. A água sanitária custa pouco, é um bom oxidante e está mais bem estudada e documentada e melhor compreendida. Também ajuda a reduzir a quantidade de dióxido de cloro necessário quando injetada previamente. Há sabor e problemas de Ano VIII - nº 49/2013


Sumários de Pesquisa odor se os níveis de cloro são maiores do que 5 ppm. O dióxido de cloro tem uma ação mais prolongada em redes de água e funciona melhor em um ambiente sujo, como os bebedouros em concha ou chupeta. Ele deve ser gerado a partir do cloreto de sódio, no próprio local, pois o dióxido de cloro é um gás. Na prática, o dióxido é bactericida, enquanto o cloreto de sódio é bacteriostático.

Redução do pH Os ácidos atuam para baixar o pH da água. Eles trabalham em sinergia com o dióxido de cloro. A experiência tem mostrado que um pH mais baixo melhora a saúde intestinal. Existem algumas evidências de que os suínos preferem água com um pH mais baixo, como pode ser visto com outros medicamentos ácidos, como

Ano VIII - nº 49/2013

aspirina e soluções de eletrólitos. A água com um pH mais baixo também pode ajudar a melhorar a eficiência alimentar.

ram resolvidos, o que reduziu drasticamente os custos com medicação e melhorou o desempenho dos leitões. O custo com medicação por animal em 2009 foi 0,57 por suíno.

Sistemas de água em creches

Com o sistema de água instalado, o custo com medicação por leitão foi reduzido para US$ 0,21 em 2010 e US$ 0,11 em 2011. A água não foi o único fator contribuinte, mas desempenhou um papel importante na melhoria dos retornos econômicos nesta creche. O custo inicial deste primeiro sistema de água foi cerca de US$ 3.000. Rastreamos o custo da mudança de produtos (MaxKlor e Dina-O-Might) em dois sistemas de creche com o custo de cada leitão ficando entre US$ 0,06 e US$ 0,07. Foi apresentado um estudo de creche na reunião da AASV, 2012, utilizando esses dois produtos, em que foi observada melhoria do desenvolvimento

No final de 2009, foi instalado nosso primeiro sistema de água em uma creche de 4.000 leitões devido a desafios com diarreia crônica. Instalou-se um filtro de cartucho (Parker Hannafin, Tell, IN) e MaxKlor (dióxido de cloro estabilizado 5%) usado, como o desinfetante, e o Dyne-O-Might, como o ácido (Preserve Internacional, Memphis, TN). Utilizou-se o Sterilex, limpador de encanamentos, para livrar os canos do biofilme. Uma vez que o sistema entrou em funcionamento, ele eliminou coliformes na água e reduziu o ferro de 8 ppm para 4 ppm. Os problemas de diarreia fo-

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Sumários de Pesquisa (ADG e FE) dos leitões em face de um surto de E.Coli F-18. Foram utilizados quatro tratamentos, sendo aferido o peso por baia para os diferentes tratamentos. Um deles, limpando a rede hidráulica com dióxido de cloro e ácido, e outro, limpando a rede apenas com dióxido de cloro, foram estatisticamente superiores ao tratamento que utilizou apenas limpeza da rede hidráulica e ao controle que não aplicava nenhuma medida de intervenção.

Sistemas de água para matrizes Uma granja de matrizes, localizada nas proximidades, com uma creche de 4.000 leitões, possuía uma similar má qualidade da água, e foi instalado um sistema de filtro de areia em 2010. Este sistema melhorado de filtração retirou a maioria do ferro e do manganês da água, enquanto promovia mais desinfecção primária junto com desinfecção secundária. A água é dinâmica e pode mudar com frequência. Os animais preferem o mesmo alimento e a mesma água, todos os dias, e se a qualidade deles muda, haverá menor consumo de ração e desempenho reduzido. Subsequentes culturas de rotina da água tratada mostraram o controle de coliformes. Ao longo dos anos de 2010 e 2011 esta granja teve os melhores dados de desempenho, como, por exemplo, um leitão a mais no total de nascidos (14,1 vs. 13,1), um leitão a mais desmamado porca/ano (11,5 vs. 10,5) e menor mortalidade pré-desmame (11,4% vs. 13,1%). A água limpa e desinfetada contribuiu para a melhoria no desempenho, no entanto, outros fatores também foram importantes, como a restrição de novas introduções de vírus da PRRS, fluxo de leitoas e alimentação melhorada. Durante este Suínos & Cia

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lapso de tempo, o resistente vírus da PRRS havia mutado duas vezes, entre 1% e 2 % cada vez. O tratamento da água pode ter ajudado na redução dos sinais clínicos dessas mudanças. Uma teoria é que a água tratada pode reduzir a quantidade total de vírus circulando no alojamento, especialmente nos bebedouros em calha na gestação. O sistema de filtro de areia custa entre US$ 50 mil e US$ 60 mil, com o custo do produto por suíno de US$ 0,18 a US$ 0,33, dependendo da fonte de água. Este sistema em particular usa água sanitária, dióxido de cloro e ácido.

Sistemas de água na terminação Tendo observado sucesso em creches, atualmente está em andamento a instalação de sistemas de filtro de areia em galpões de terminação e também em sistemas “wean to finish” (desmamar para terminar). Manter a qualidade da água tão constante quanto possível reduz a variabilidade e pode contribuir para um desempenho sustentado. É importante eliminar os coliformes e o biofilme nas redes de água existentes. Duran-

te uma pesquisa com tratamento de água para grupos de suínos de engorda, lado a lado, observou-se maior eficiência alimentar pela adição de ácido na água tratada com dióxido de cloro. No entanto, o custo do ácido não era econômico devido à quantidade de fatores de tamponamento na água que consomem o ácido. O custo de um sistema de filtro de areia para terminações é de US$ 6 mil a US$ 8 mil. O custo dos produtos em suínos de 20,4 kg a 122,4 kg foi de US$ 0,14 por animal, incluindo água sanitária e dióxido de cloro usado durante todo o período de acabamento, além do ácido usado somente para as primeiras quatro semanas.

Discussão Globalmente, a qualidade melhorada da água beneficiou grandemente o desempenho dos suínos. O maior impacto foi anotado nas creches. Reduzindo a diarreia e a contaminação bacteriana da água, observaram-se diferenças significativas em desempenho com leitões, fechando a fase de creche 2,4 kg mais pesados, em média. Isto também resultou em custos de produção extremamente Ano VIII - nº 49/2013


Sumários de Pesquisa reduzidos, por meio de aumento na eficiência alimentar e medicamentos limitados. Granjas de matrizes têm relatado também a diminuição da prevalência de diarreia em leitões recémnascidos. Mais ensaios para a fase de terminação devem ser conduzidos para determinar o custo-benefício de desempenho. Independentemente do status de doença, alimentação ou ventilação, o tratamento da água tem permitido a oferta de uma consistente qualidade dela aos suínos e eliminado a variabilidade neste importante nutriente.

Transmissão indireta do vírus da Influenza A em duas diferentes configurações de biosseguridade As viroses do tipo influenza são causas comuns e disseminadas de doenças respiratórias nas populações de suínos, transmitidas pelo contato direto entre os suínos. Entretanto, existe pouca informação disponível a respeito das taxas de transmissão do vírus da Influenza A via diferentes rotas. Esta informação é fundamental para a avaliação do valor de diferentes medidas de intervenção. Enquanto é sabido que a transmissão direta do vírus da gripe é um importante meio de transmissão em suínos, rotas indiretas, tais como fômites e aerossóis, não foram estudadas em detalhe. Rotas indiretas têm sido consideradas possíveis em surtos de campo do vírus da gripe em situações em que outras rotas mais comuns (por exemplo, suínos infectados) foram descartadas. Além disso, estudos experimentais têm demonstrado que a transmissão do vírus da gripe pode ocorrer por meio de fômites e aerosAno VIII - nº 49/2013

sóis em outras espécies. O objetivo do estudo conduzido por Matt Allerson e colaboradores (College of Veterinary Medicine, University of Minnesota), apresentado no encontro anual da AASV - 2013, foi avaliar o papel de fômites na transmissão do vírus da gripe entre populações suínas, separadas por dois diferentes esquemas de biosseguridade.

de um período de cinco dias. O status de infecção de vírus da gripe dos suínos foi determinado diariamente por meio de swabs nasais, testados por RRT-PCR. Dos fômites também foram colhidos swabs, testados por meio de RRT-PCR após o contato com suínos infectados no grupo sentinela sem medidas de biosseguridade e no outro grupo repetição, precedido pelas medidas de biosseguridade.

Método Trinta e cinco suínos negativos para o vírus da influenza foram alocados em um entre quatro grupos experimentais: 10 suínos foram alocados ao grupo infectado (Inf); 10 suínos (2 repetições de 5 animais) foram alocados ao grupo sentinela de baixa biosseguridade (LB); 10 suínos (2 repetições de 5 animais) foram alocados ao grupo sentinela de alta biosseguridade (HB) e 5 suínos foram atribuídos ao grupo controle negativo (NC). Todas as repetições foram alojadas em salas separadas nas instalações de isolamento animal da Universidade de Minnesota. Oito dos 10 suínos no grupo infectado foram desafiados com um vírus de gripe H1N1 (1 ml via intratraqueal e por via intranasal). Trinta e seis horas após a inoculação dos animais do grupo infectado houve o deslocamento de pessoal, a fim de movimentar vestuário e equipamento de proteção pessoal (EPI), potencialmente infeccioso, para as salas dos animais sentinelas. Após o contato com o grupo infectado, o pessoal deslocou-se para o grupo HB depois de mudar de roupa/EPI, além de lavar as mãos e rosto. Em contraste, o pessoal deslocou-se diretamente do grupo infectado para o de baixa biosseguridade (LB), sem medidas de prevenção. Nove eventos de movimento do grupo de suínos infectado para os grupos sentinela em cada repetição/sentinela ocorreram ao longo

Resultados Todos os suínos inoculados experimentalmente (88) estavam infectados com o vírus da gripe, e todos os controles submetidos ao contato direto foram infectados (22) em consequência deste tipo de exposição direta aos suínos infectados. Além disso, amostras de ar foram positivas para o vírus da gripe em três dos cinco dias de exposição. O RNA do vírus da gripe foi detectado em uma baixa proporção de amostras de fômites. Todos os suínos do grupo controle negativo e as réplicas restantes dos grupos sentinelas LB e HB permaneceram negativos para o vírus via RRT-PCR e soronegativos por meio de ELISA. Este estudo fornece evidência de que fômites podem estar contaminados com o vírus da gripe após interação com suínos infectados, o vírus da gripe pode ser transmitido por meio de fômites para os grupos não contíguos de animais sentinela e os suínos sentinelas podem ser infectados com vírus da gripe após a contaminação e o transporte de fômites pelo pessoal em serviço. Além disso, a adição de medidas de biosseguridade (como lavagem de mãos e rosto, troca de roupa) não impediu a transmissão em uma das duas repetições. Este estudo destaca a necessidade de focar em rotas indiretas, bem como rotas diretas de transmissão do vírus da gripe no campo. Suínos & Cia

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Dicas de Manejo Conhecendo o suíno para melhor interpretar os sinais clínicos que indicam situações de anormalidade Ao nascimento

Temperatura corporal = 39ºC Frequência respiratória = 40 a 50 movimentos por minuto Frequência de pulso = 200 a 250 batimentos por minuto

Durante a lactação

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Temperatura corporal = 39,2ºC Frequência respiratória = 30 a 40 movimentos por minuto Frequência de pulso = 80 a 110 batimentos por minuto

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Dicas de Manejo

Ao desmame

Temperatura corporal = 39,3ºC Frequência respiratória = 25 a 40 movimentos por minuto Frequência de pulso = 80 a 110 batimentos por minuto

Entre 25 kg a 45 kg de peso

Ano VIII - nº 49/2013

Temperatura corporal = 39ºC Frequência respiratória = 30 a 40 movimentos por minuto Frequência de pulso = 80 a 90 batimentos por minuto

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Dicas de Manejo

Entre 45 kg a 90 kg de peso

Marrã

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Temperatura corporal = 38,8ºC Frequência respiratória = 30 a 40 movimentos por minuto Frequência de pulso = 75 a 85 batimentos por minuto

Temperatura corporal = 38,8ºC Frequencia respiratória = 30 - 40 movimentos respiratórios por minuto Frequencia de pulso = 75 - 85 batimentos por minuto

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Dicas de Manejo

Porca gestante

Porca durante o parto

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Temperatura corporal = 38,6ºC Frequência respiratória = 15 a 20 movimentos por minuto Frequência de pulso = 70 a 80 batimentos por minuto

Temperatura corporal = 39ºC a 40ºC Frequência respiratória = 40 a 50 movimentos por minuto Frequência de pulso = 80 a 100 batimentos por minuto

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Dicas de Manejo

Porca durante a lactação

Cachaço

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Temperatura corporal = 39,1ºC Frequência respiratória = 20 a 30 movimentos por minuto Frequência de pulso = 70 a 80 batimentos por minuto

Temperatura corporal = 38,6ºC Frequência respiratória = 15 a 20 movimentos por minuto Frequência de pulso = 70 a 80 batimentos por minuto

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Informe Publicitário Ceva lança no mercado novo conceito de vacina para controle de Pneumonia Enzoótica causada pelo Mycoplasma hyopneumoniae A nova vacina da Ceva, Hyogen, é recomendada para os leitões saudáveis, com idade de 21 dias, em dose única de 2 ml e por aplicação intramuscular. Seu conceito foi baseado em recentes pesquisas que demonstram existir diferenças significativas de indução de imunidade entre amostras de baixa, média e alta patogenicidades de Mycoplasma hyopneumoniae. O desenvolvimento da Hyogen se deu por meio do histórico técnico da Ceva, que identificou no seu laboratório de pesquisa, nos Estados Unidos, uma cepa de campo de alta patogenicidade, a qual permite uma resposta imune robusta quando se observam casos com graves quadros clínicos (Cepa Mh USA – BA 2940). Dessa forma, a Hyogen confere uma rápida indução de imunidade já a

Willian Costa, gerente técnico da Ceva Brasil, Cherlla Romero - Gerente da Unidade de negócio da Ceva Brasil e Roman Krejeci, gerente técnico Corporativo

partir de 15 dias após a administração da vacina e um prolongado período de proteção por mais de 200 dias de idade, conforme dados dos trabalhos científicos já realizados. Assim, pode-se conferir uma adequada proteção contra a infecção por Mycoplasma hyopneumoniae em todas as fases da produção suína. Pode-se esperar que com uma correta vacinação, aos 21 dias de idade, com mais 15 dias de indução do sistema imune, o suíno esteja apto a responder ao desafio que lhe é apresentando, obtendo melhor performance. A resposta também pode ser comprovada por meio da diminuição de lesões pulmonares quando avaliadas macroscopicamente no acompanhamento de abate. Além destes efeitos, observados lote a lote, o uso contínuo da

Hyogen proporciona redução da circulação do agente pelo rebanho, ocasionando considerável ganho adicional no controle do Mycoplasma hyopneumoniae. Sem dúvida, a gravidade da infecção por Mycoplasma hyopneumoniae pode ser medida indiretamente por índices zootécnicos na fase de crescimento (ganho de peso, conversão alimentar), seguindo até o abate, por meio de avaliação clínica dos animais e, principalmente, lesões pulmonares no frigorífico (broncopneumonia – lesões de consolidação pulmonar). A Ceva disponibiliza aos especialistas e técnicos da área uma exclusiva ferramenta de avaliação, o Ceva Lung Program, um aplicativo para tablet que permite a avaliação de abate e também a apresentação dos resultados de desempenho na importante fase de crescimento.

Consuitec e Suiaves realizaram a 1ª Jornada Técnica de Reprodução, em Lucas de Rio Verde (MT) Em um ambiente muito agradável, Consuitec e Suiaves realizaram a 1ª Jornada Técnica de Reprodução, em Lucas de Rio Verde (MT), que reuniu mais de 80 participantes, que puderam acompanhar muitas informações técnicas, e três importantes palestrantes, Nazaré Lisboa (médica-veterinária - Consuitec - Brasil), Cesar Feronato (médico-veterinário - MSD - Brasil) e Rafael Pallás (médico-veterinário - Kubus - Espanha). “O curso cumpriu seu objetivo, com esclarecimento de dúvidas, troca de informações e renovação de conhecimento”, analisa Maria Nazaré Lisboa, palestrante e organizadora do evento. Os temas abordados foram Preparação de Marrãs, Biosseguridade, Manejo Reprodutivo, Otimização de Recursos na Reprodução e Avanços na Reprodução. Confira nossa programação de cursos no site: www.consuitec.com.br. Ano VIII - nº 49/2013

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Divirta-se ENCONTRE AS PALAVRAS Vamos encontrar no diagrama ao lado as características que são fundamentais para a otimização de recursos humanos na produção de suínos.

Automação Disciplina Equipe Fluxo Instalação Liderança Organização Planejamento Recursos Treinamento

S M A I S I D A F T G S H N J T K R L O M Y M E X R O V R G

N S F F R S N F L D W L G D R D T D F I S M Z F E S N L F R

D C D G T S J R U T I R T R R T E Y C U D I N O T D Q Q G T

F D I O Q Q I T X A S M X N L G V R B B N E X L Y F O N V Y

A F G H A E O C O Y T K R J E H O N C H L I R L R G W K C H

H G B X X L W Q A N H H B X J U K R L C M O J A B T F O Z N

J A B D C T B U K B J B N D B J B N S B W B G K N J E J D B

K H H S C E I T E B L N C M D L R H E E K V P F V Ç E F E T

L O Y Q Q S G R J R L G Y W F L G Y W F L P B J S L A H A I

P J U U O D Y E G G P Y U S G P Y U S G P L H I C O T T C R

Q S I I O D O I O H O T J Z H O T J Z H O A U H H O T G Q A

O P P P I W F N D J I F M X J I F M X J I N O O J I O B A E

E O I E Z R C A O M U C K A M U C K A M U E I T M U Y F U I

E Z W I U Y X M T N Y X I Q N Y X I Q N Y J E G N C O C T W

R D H R N T D E H K T D O W K T D O W K T A K R L G U D O A

O M E F X B S N M L R R L A L R R L A L R M L F L R E L M D

T L T Y P I G T I P E E P S P E E P S P E E P I P O I S A O

A B P F L E T O E O W S P D O W S P D O W N C D B G O I Ç C

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QUAL O SEU DIAGNÓSTICO? Na figura abaixo um dos leitões aparece com claudicação de um dos membros posteriores. Em visita ao setor de creche quando presente esse tipo de problema qual seu diagnóstico?

a) Artrite possivelmente causada por Haemophilus parasuis b) Problemas de piso que leva a lesões de cascos. c) Artrite possivelmente causada por Streptococcus suis d) Traumatismo ocasionado por falhas de manejo com consequente infecção por bactérias secundárias.

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Ano VIII - nº 49/2013


Divirta-se

JOGO DOS 7 ERROS

TESTE SEUS CONHECIMENTOS Vamos verificar seu conhecimento quanto à imunologia assinalando as alternativas abaixo verdadeiras (V) ou falsas (F): (

) Macrófagos são células residentes em diferentes tecidos cuja principal função é a fagocitar e destruir corpos estranhos no organismo

(

) Leucócitos são células brancas presentes no sangue e nos tecidos.

(

) A transferência de anticorpos maternos para o recém-nascido ocorre através do colostro.

(

) A composição de uma vacina ocorre quando se associa adjuvante e antígeno.

(

) A placenta da porca permite a transferência de anticorpos para os leitões durante a gestação.

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Divirta-se - Respostas

ENCONTRE AS PALAVRAS S M A I S I D A F T G S H N J T K R L O M Y M E X R O V R G

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QUAL O SEU DIAGNÓSTICO? Na figura abaixo um dos leitões aparece com claudicação de um dos membros posteriores. Em visita ao setor de creche quando presente esse tipo de problema qual seu diagnóstico? a) Artrite possivelmente causada por Haemophilus parasuis b) Problemas de piso que leva a lesões de cascos. c) Artrite possivelmente causada por Streptococcus suis d) Traumatismo ocasionado por falhas de manejo com consequente infecção por bactérias secundárias.

TESTE SEUS CONHECIMENTOS Vamos verificar seu conhecimento quanto à imunologia assinalando as alternativas abaixo verdadeiras (V) ou falsas (F): ( V ) Macrófagos são células residentes em diferentes tecidos cuja principal função é a fagocitar e destruir corpos estranhos no organismo ( V ) Leucócitos são células brancas presentes no sangue e nos tecidos. ( V ) A transferência de anticorpos maternos para o recém-nascido ocorre através do colostro. ( V ) A composição de uma vacina ocorre quando se associa adjuvante e antígeno. ( F ) A placenta da porca permite a transferência de anticorpos para os leitões durante a gestação.

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