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SUÍNOS&CIA - REVISTA TÉCNICA DA SUINOCULTURA

ANO VIII - Nº 47/2013


Editorial Solução inteligente: treinamento em foco A decisão de muitas empresas, diante de momentos difíceis, é reduzir custos e congelar investimentos. As medidas, unânimes, costumam parecer efetivas em um curto prazo. Mas as consequências de determinados tipos de cortes podem ser sentidas quando a situação amenizar e ocorrer a virada. Portanto, surge a seguinte pergunta: como e onde atuar de modo a não comprometer a capacidade de recuperação da empresa? Difícil missão dos gestores para a tomada de decisão, que devem atuar de forma estratégica na preservação da área que mais agrega valor à empresa, que, sem dúvida, é a de gestão de pessoas. E são elas que fazem a diferença. Nas empresas, jamais estiveram tão presentes quanto nos tempos atuais o crescimento da economia e a globalização, temas que têm como regra produzir cada vez mais e com maior competitividade. Na suinocultura, a realidade é a mesma, pois ela vive constante cenário de instabilidade por variações nos custos de produção e pela incerteza de garantia dos preços de venda do produto final. Torna-se difícil tomar a decisão de simplesmente reduzir a produtividade e a mão de obra simplesmente por sabermos que qualquer decisão nessas áreas é implementada a curto prazo, mas as causas e consequências se contemplam a médio e/ou a longo prazos. Assim, para se manter na atividade em um patamar contínuo de responsabilidade e rentabilidade, é e sempre será por meio do recurso humano que se conseguirá disseminar o conceito de padronização, competitividade e sustentabilidade. Entretanto, para se conseguir incorporar o conceito de equipe é preciso envolver o maior número possível de adeptos em um mesmo

foco, no qual todos buscam o mesmo objetivo, sendo ele motivador e envolvente. E qual será o segredo para formar uma equipe coesa e sólida? Investir em treinamento e no desenvolvimento de habilidades das pessoas. Apenas por meio dessas ações é possível saber quais são as medidas fundamentais para manter a competitividade e o equilíbrio. O controle de custo de produção nunca esteve fora de moda, porém, nesses períodos delicados, ele fica ainda mais evidente. Mesmo com o controle, eventualmente necessário, as empresas que mais crescem no mundo mantêm incorporados alguns programas que são intocáveis no momento de redução de custos. Evidentemente são aqueles considerados ‘peças-chave’ para a produção, como o programa de retenção e capacitação das pessoas envolvidas em todo o processo. As empresas que investem na contínua atualização de seus profissionais acreditam que o custo adicional nessa linha será pequeno frente ao resultado no futuro. Dessa forma, a capacitação de seus colaboradores é investimento, jamais um custo. Encontrar soluções eficientes e criativas para lidar com momentos de turbulência, com um olho no fechamento do mês e outro no futuro, cabe a cada gestor, considerando, claro, a particularidade de cada negócio e do mercado. Cada empresa faz as suas escolhas para superar os momentos de tensão. Mas o que é comum a todas que seguem crescendo com sucesso e sustentação? A resposta é simples: seguir investindo nas pessoas, considerando que elas são as peças fundamentais para o desenvolvimento, permanência e competitividade, principalmente em se tratando dessa dinâmica atividade que é a suinocultura. Boa Leitura.


Índice 6

Entrevista

10

Manejo

18

Nutrição

23

Produção

26

Sanidade

30

Sanidade

40

Entrevista

42

Sumários de Pesquisa

46

Revisão Técnica

56

Divirta-se

58

Aconteceu

59

Aconteceu

Nazaré Lisboa Estratégia para otimização de recursos: Manejo em banda Proteína da batata pode melhorar a fertilidade e a prolificidade na espécie suína Leitões de baixo peso e nascidos de porcas jovens: uma combinação muito perigosa - Parte (II) Atualização sobre a infecção por Mycoplasma hyorhinis em suínos Enterovírus suíno: qual a situação deste patógeno nos rebanhos suínos? Especialista em programas que visam a desenvolver talentos e manter funcionários motivados, o médico-veterinário Miquel Collell conta como obter melhor aproveitamento da mão de obra pelo sistema de manejo em bandas

Resumo da 45ª Jornada de Pesquisa Suína Encontre as palavras Jogo dos 7 erros Relacione Teste seus conhecimentos Diretor técnico global de suínos da MSD Saúde Animal ensinou sobre como manejar pessoas na atual suinocultura frente à modernidade e seus constantes desafios Desenvolvimento de equipes e retenção de talentos


Expediente Revista Técnica da Suinocultura A Revista Suínos&Cia é destinada a médicosveterinários, zootecnistas, produtores e demais profissionais que atuam na área de suinocultura. Contém artigos técnicocientíficos e editorias instrutivas, apresentados por especialistas do Brasil e do mundo.

Editora Técnica Maria Nazaré Lisboa CRMV-SP 03906

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Central de Inseminação Artificial - Globosuínos - Toledo - PR

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Entrevista Solução inteligente: treinamento em foco Este será o tema da 7ª edição do Suinter, que acontecerá entre 19 e 21 de junho, em Foz do Iguaçu

Idealizado em 2005, o Suinter (Simpósio Internacional de Produção Suína), que acontece a cada dois anos, vem crescendo e se fortalecendo por meio de sua base técnica e científica, sendo apontado como um dos melhores eventos da suinocultura.

Nazaré Lisboa

A comissão organizadora tem como foco surpreender sempre a cada edição, de forma inovadora e consistente, seus patrocinadores e participantes. O Suinter busca os mais modernos conceitos da ciência para sua aplicação prática, desde os mais simples ao mais sofisticado sistema de produção suína. Tudo isso em uma excelente estrutura na maravilhosa, acolhedora e agradável Foz de Iguaçu, no Paraná. O programa científico e o formato do evento vêm sendo, há mais de um ano, cuidadosamente discutido entre diversos

Dra. Darra Johnson

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Nesta edição do Suinter, a Dra. Darra Johnson mostrará como o setor de Recursos Humanos de uma empresa norte-americana vem sendo um parceiro estratégico junto à área de produção. Ela abordará algumas iniciativas-chave para melhorar o negócio, desenvolver gerentes e engajar funcionários. Trata-se de uma apresentação prática, realizada por uma profissional de Recursos Humanos que passa 50% do tempo dela nos locais de trabalho em granjas. Já a Dra. Lucina Galina trará informações atualizadas sobre o Mycoplasma

especialistas da suinocultura nacional e internacional, que, nesse trabalho de equipe, marcaram a história do Suinter, com nomes de grande expressão da suinocultura mundial. A expectativa para este ano é reunir um público ainda maior e seleto, vindo das diferentes regiões do Brasil e também de outros países. O público-alvo do Suinter são profissionais especialistas em suínos: produtores, veterinários, agrônomos, zootecnistas, técnicos agropecuários, gestores e todos os profissionais que se dedicam e estão envolvidos diretamente com a produção suína em todas as áreas de atuação. Nesta entrevista, a presidente do 7° Suinter, Maria Nazaré Simões Lisboa, fala sobre as propostas e as novidades desse importante evento técnico da suinocultura, que acontecerá em junho.

hyopneumoniae e o PCV2 e compartilhará ideias sobre como o treinamento afeta a produtividade dos suínos e o bem-estar deles. Lucina vem trabalhando na área de doenças respiratórias, primeiro como pesquisadora, enquanto fazia seu doutorado na Universidade de Minnesota, e mais tarde no campo, com veterinários e produtores norte-americanos. Mais recentemente, ela esteve envolvida em grandes estudos a campo para avaliar o impacto dos programas de formação de tratadores, pois são eles que implementam muitas das recomendações veterinárias.

Dra. Lucina Galina

Ano VIII - nº 47/2013


Entrevista

Ano VI - nº 36/2010

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Entrevista S&C - Primeiramente, por que a chamada “Solução inteligente: treinamento em foco”, aliás, muito atual e sugestiva, para esta 7ª edição do Suinter? Nazaré Lisboa - Concordo plenamente que fomos muito felizes com a chamada desta 7ª edição, abordando o tema “Solução inteligente: treinamento em foco”, que, atualmente, é a base para manter uma suinocultura competitiva e consistente. S&C - Por que Foz do Iguaçu foi escolhida para sediar a 7ª edição do Suinter? Nazaré Lisboa - Uma de minhas características é trabalhar em equipe, ouvir as pessoas e procurar atendê-las dentro de suas expectativas. Ao terminar uma edição sempre pedimos a colaboração dos participantes para indicar seu grau de satisfação. Tivemos 88% de solicitação e indicação para manter o simpósio em Foz do Iguaçu. Essa foi a razão de optarmos, mais uma vez, pela maravilhosa cidade de Foz do Iguaçu. Confesso que também tenho muito orgulho das cataratas, e poder demonstrá-las tanto aos brasileiros de outras regiões quanto aos amigos de outros países, sem dúvida, nos permite desabrochar certa vaidade de sermos brasileiros. Não é verdade?

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S&C - Por que a data do simpósio permanece em junho? Nazaré Lisboa - O simpósio já criou sua marca nesse mês. Afinal, apenas a primeira edição foi em maio, e as demais sempre ocorreram em junho. Como se trata de um período em que se pode avaliar como foi a primeira metade do ano e tentar prever como será o semestre seguinte e o próximo ano, é um período estratégico para esse segmento. Além disso, as cataratas ficam lindas e deslumbrantes após o período das águas, e o frio no Paraná sempre é muito bem-vindo.

S&C - Qual será o destaque do evento? Nazaré Lisboa - Sem dúvida, as pessoas e o local. Porém, tecnicamente falando, teremos um destaque na área de Recursos Humanos, que serão os sistemas de produção industrial de suínos visando à valorização das pessoas. Também haverá dicas de como produzir suínos quando as margens são reduzidas, aplicando conhecimento e criatividade, inovação em diagnóstico e oportunidades que existem na atividade quando se reúnem conhecimento e praticidade à sanidade, manejo, reprodução, genética e nutrição.

S&C - Como foi planejado o programa do Suinter? Nazaré Lisboa - Como a própria chamada sugere, vamos aprimorar nossos conhecimentos em ciência e sua aplicabilidade por meio do treinamento, que é a base de tudo. Também teremos tempo com os palestrantes para esclarecer dúvidas. Hoje, conhecimento e comunicação estão disponíveis a todo instante nos modernos meios de comunicação, e podermos estar reunidos é uma grande oportunidade para trocar experiências vivenciadas no dia a dia.

S&C - Qual é a sua mensagem para atrair os participantes? Nazaré Lisboa - Um lugar precioso, com temas da atualidade para serem aplicados imediatamente na empresa, com o objetivo de se manter competitiva. Uma estrutura incrível, em uma linda cidade, e, simplesmente, um evento memorável. Assim será mais uma vez o Suinter 2013, que, por meio de uma solução inteligente, colocará o treinamento em foco.

Ano VIII - nº 47/2013


Manejo Estratégia para otimização de recursos: Manejo em banda

Já há alguns anos e com o objetivo de tentar melhorar a eficiência produtiva das granjas, começou a implementação – em algumas delas – do que se denominou de manejo através do sistema de bandas. O objetivo desse tipo de manejo é planejar os principais eventos produtivos de produção suína (coberturas, partos, desmames) de modo distinto daquele tradicional, o qual se realiza coberturas e desmame em todos os dias da semana. O que se busca com isso é a possibilidade de se trabalhar com lotes de animais que apresentem o mesmo estado fisiológico, agrupando os procedimentos e aplicando o conceito “todos dentro – todos fora”. Neste artigo faremos uma análise desse tipo de manejo.

Tipos de bandas As bandas são classificadas segundo o número de semanas de intervalo entre um grupo de coberturas e outro. O que se usa tradicionalmente – hoje em dia ainda bastante difundido – é o sistema de bandas de 1 semana (que considera coberturas, partos e desmames da mesma semana), conhecido como sistema contínuo. A partir dele foram desenvolvidas opções distintas, como os manejos em bandas de 01, 02, 03, 04 e até 05 semanas, compreendidas em três dias de cobertura para se obter três dias de partos distribuindo as distintas funções de parto e cobertura para que não coincidam a concentração desses importantes manejos nos mesmos

Carlos Piñeiro Diretor PigCHAMP Pro Europa carlos.pineiro@pigchamp-pro.com

Opção 1 MEB 1s

Opção 2 MEB 2s

Opção 3 MEB 3s

Opção 4 MEB 4s

Opção 5 MEB 5s

Duração do ciclo (semanas)

20

20

21

20

20

Intervalo entre bandas (semanas)

1

2

3

4

5

Nº de lotes

20

10

7

5

4

Tabela 01. Como se pode observar, a única distribuição que força a duração da lactação em 28 dias é o manejo em bandas de três semanas (MEB 3s)

dias e da mesma forma evitando que os mesmos ocorram em fim de semana.

O que é um lote ou banda? É um grupo de porcas que se encontram em estado produtivo similar (desmamadas no mesmo dia, cobertas em dias próximos e parindo com poucos dias de diferença).

Como se calcula o número de lotes ou bandas em uma granja? O número de lotes presentes em uma granja depende de dois aspectos: • Da duração do ciclo reprodutivo das porcas; • Do intervalo de tempo entre as bandas.

a. Duração do ciclo reprodutivo da porca A duração do ciclo reprodutivo é a soma do intervalo desmame-cio + a duração da gestação + a duração da lactação,

ou seja, 5 dias + 114 dias + 21 a 28 dias. Portanto, a duração do ciclo oscila entre 20 semanas (quando se desmama aos 21 dias) e 21 semanas (quando se desmama aos 28 dias).

b. Intervalo de tempo entre as bandas O intervalo de tempo entre as bandas é o número de dias transcorridos para que se repita o mesmo evento produtivo (intervalo entre dois grupos de partos, coberturas ou desmames consecutivos). Como já mencionado, pode ser de 01 semana, 02 semanas, 03 semanas, 04 semanas, 05 semanas. O número de lotes se obtém dividindo a duração do ciclo pelo intervalo entre as bandas, expresso em semanas. O número de lotes deve ser um número inteiro, ou seja, sem decimais. Portanto, a duração do ciclo e, consequentemente, da lactação é forçada para se conseguir um número exato. A tabela 01 seguinte mostra o cálculo do número de lotes, segundo os diferentes tipos de manejo:

Quadro 1 TIPOS DE BANDA

SEMANA 1

SEMANA 2

SEMANA 3

SEMANA 4

SEMANA 5

SEMANA 6

BANDA DE 1 SEMANA

C/P/D

C/P/D

C/P/D

C/P/D

C/P/D

C/P/D

BANDA DE 2 SEMANAS

Desmame

C/P

Desmame

C/P

Desmame

C/P

BANDA DE 3 SEMANAS

Desmame

Cobertura

Parto

Desmame

Cobertura

Parto

BANDA DE 4 SEMANAS

Desmame

C/P

BANDA DE 5 SEMANAS

Desmame

Cobertura

Desmame Parto

C/P Desmame

C: Cobertura; P: Parto; D: Desmame.

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Ano VIII - nº 47/2013


Manejo Quadro 2 SEMANA 1 2ª

Coberturas

SEMANA 2 6ª

Desmame

S

D

Partos

SEMANA 3

Coberturas

Desmame

S

D

Partos

• Existência de salas-coringa, principalmente no setor de partos, para coberturas fora do sistema de banda adotado.

Distribuição do trabalho Como já mencionado, uma das melhorias que está sendo buscada por meio do manejo pelo sistema de bandas é o agrupamento dos trabalhos, de tal forma que a cada semana seja possível concentrar os recursos da granja em um determinado tipo de procedimento. No sistema de manejo contínuo clássico, a cada semana são produzidos na granja, em dias distintos, tanto coberturas como partos e desmames, enquanto que quando se maneja a granja pelo sistema de bandas, os trabalhos vão se agrupando em semanas distintas. No quadro 01, mostramos uma distribuíção dos principais trabalhos semanais a serem realizados, segundo o tipo de banda. Como se pode observar, o manejo em bandas de 3 semanas é o que melhor distribui as tarefas principais, já que permite dedicar uma semana para cada um dos três eventos produtivos mais importantes para as porcas (cobertura, parto e desmame). Os manejos em bandas de mais de 3 semanas resultam em semanas vazias. Porém, logicamente, nestas semanas o pessoal da granja dedica-se a outras tarefas (movimentação dos animais, limpeza, etc.). A escolha de que tipo de banda usar em cada granja dependerá da:

Coberturas

Desmame

S

D

Partos

haver necessidade de ajuste ou reformas em sua estrutura atual. Como já comentamos, com o manejo semanal em bandas há coberturas, partos e desmames acontecendo dentro da mesma semana. Uma distribuição padrão dos eventos, ao longo dos dias e nesse tipo de manejo, seria conforme descrito na quadro 02. Com o MEB 3s as coberturas são realizadas em uma semana, na outra serão os partos e na outra, o desmame. A distribuição mais comum desses eventos, ao longo dos diferentes dias da semana, é a seguinte: Assim, nos dias coloridos (no quadro 03) concentram-se os trabalhos relativos a esses eventos, reservando-se os demais para as outras tarefas da granja (movimentação de animais, limpeza, atenção às maternidades, vacinações, tratamentos, etc.).

No presente trabalho vale a pena salientar que dependendo do sistema, fluxo de produção e objetivo se pode adotar o manejo em bandas que melhor se adapta a condições de cada empresa. Por exemplo pode ocorrer distintos objetivos como apenas separar as importantes tarefas como parto e cobertura em diferentes dias da semana mantendo manejo semanal de 20 a 21 bandas porém, concentrando as coberturas em três dias para evitar partos fins de semana quando a unidade mantém no seu sistema de produção coberturas, partos, e desmame na mesma semana para produção de lote que será formado nas creches e terminação o preenchimento completo dessas instalações sendo possível a pratica do manejo tudo dentro / tudo fora. Como exemplo vamos demonstrar o manejo em bandas de 3 semanas é o que melhor distribui os trabalhos ao longo delas. Trata-se do manejo que mais facilita a manutenção do sistema de bandas, já que as repetições cíclicas permitem que a porca passe de uma banda de cobertura para outra. Por isso é o tipo de manejo mais disseminado, especialmente na Europa, onde as lactações tendem a ser cada vez mais longas (de fato, a legislação vai por este caminho). Sendo assim, o restante deste artigo se centralizará nesse tipo de manejo.

Para realizar o cálculo de salas necessárias para cada fase, no sistema MEB 3s, é preciso conhecer os dias de permanência dos animais em cada fase, somar com os de vazio sanitário e dividi-los pelo intervalo entre bandas (21 dias): Nº de salas = (dias de permanência + dias de vazio sanitário)/intervalo entre bandas

• Estrutura da granja, em termos de locais disponíveis para gestação, partos, desmames e engordas (sua distribuição e nº de salas);

Manejo em bandas de 3 semanas

Cálculo de salas de maternidade

1. Cálculo do espaço /nº de salas

• Planificação do trabalho a ser realizado;

O primeiro passo a ser tomado para decidir pela mudança do manejo do tipo contínuo para o manejo em bandas de três semanas seria o cálculo do espaço e do número de salas necessárias para o funcionamento adequado da granja em questão nesse sistema (bandas), podendo

A situação ideal seria que as porcas entrassem na maternidade uma semana antes do parto e permanecessem durante 28 dias em lactação e que a lavagem, desinfecção mais o vazio sanitário durassem 7 dias. Então:

• Duração pretendida para o período de lactação;

• Fertilidade da granja (no caso da prática do MEB 3s, as repetições cíclicas serão produzidas na banda seguinte, o que permitirá que apenas saiam das bandas as repetições acíclicas);

Cálculos do número de salas necessárias no sistema MEB 3s

Nº de salas de maternidade = (7 + 28 + 7)/21 = 2 salas de maternidade

Quadro 3 SEMANA 1 2ª

Coberturas

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SEMANA 2 6ª

S

D

5ª Partos

SEMANA 3 6ª

S

D

S

D

Desmame

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Manejo Na maternidade sempre será interessante ter uma pequena sala-coringa para alojar as porcas que venham a parir fora do sistema de bandas.

Cálculo de espaço na gestação O número de lotes do setor de gestação será o resultado da operação: número total de lotes ou bandas da granja menos o número de lotes relativos aos partos mais 1 (lote com o qual devemos contar para realizar o desmame), ou seja: Espaço relativo a lotes na gestação = nº de lotes totais - nº de lotes dos partos + 1 Espaço relativo a lotes na gestação = 7 - 2 + 1 = 6 lotes em gestação • 2 lotes na zona de cobertura/controle: aqui se realiza a cobertura e se movimenta os animais, uma vez concluída a implantação embrionária, entre 35 e 40 dias de gestação. • 4 lotes na zona de gestação confirmada: quando se realiza o cálculo do espaço necessário na gestação, deve-se considerar que um lote de cobertura será maior que um de partos. Por exemplo, se a fertilidade da granja é de 85%, o lote de gestação deveria ter uns 15% a mais de animais que no de partos. É importante contar com este incremento, especialmente nos locais destinados à zona de cobertura/controle. Além disso, é preciso considerar também o espaço ocupado pelas porcas em anestro e a adaptação das nulíparas, que deverão entrar em produção. Daí a necessidade de se dispor de espaço extra para estes animais em cobertura/controle.

Cálculo do espaço necessário na creche, engorda e terminação São várias as opções, dependendo das diversas formas de organização das fases, que vão do desmame à venda de terminados ao matadouro. A fórmula será sempre: nº de dias de permanência na sala + nº de dias de limpeza mais vazio sanitário, dividido entre o nº de dias entre bandas. Desse cálculo sairá o nº de salas necessário para manter cada lote de animais (grupo de animais com a mesma idade) em uma sala distinta, já que a intenção é não misturar animais de lotes diferentes na mesma sala. Suínos & Cia

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No setor de gestação se deve calcular e considerar o espaço ocupado pelas nulíparas que deverão entrar em produção

1. Mantemos os leitões na creche até os 63 dias de idade e depois os transferimos para o setor de engorda/terminação até os 180 dias de idade: Nº de salas de desmame = (63 - 28) + 7 / 21 = 2 salas de desmame Nº de salas de terminação = (180 – 63) + 7 / 21 = 6 salas de terminação 2. Mantemos os leitões nos setores de creche/engorda, do desmame até os 84 dias de idade, e depois os transferimos para uma terminação até os 180 dias de idade: Nº de salas de desmame = (84 - 28) + 7 / 21 = 3 salas de desmame Nº de salas de terminação = (180 – 84) + 7 / 21 = 5 salas de terminação 3. Mantemos os leitões na creche até os 63 dias de idade, em seguida em uma engorda até os 100 dias de idade e depois os transferimos a uma terminação até os 180 dias de idade: Nº de salas de desmame = (63 - 28) + 7 / 21 = 2 salas de desmame Nº de salas de engorda = (100 - 63) + 7 / 21 = 2,1 salas de engorda Nº de salas de terminação = (180 – 100) + 7 / 21 = 4,14 salas de terminação

Uma vez calculado o nº de salas que deveriam ter os distintos setores da granja, o passo seguinte seria calcular o nº de espaços que deveriam ter as referidas salas. Para calcular o tamanho dos lotes, teríamos que dividir o nº médio de porcas produtivas da granja pelo nº de bandas (que no caso de MEB 3s são 7, conforme já calculado). Como exemplo, para uma granja com uma média de 500 porcas produtivas, o tamanho médio da banda seria de 500/7, ou seja, 71 a 72 porcas. Aqui é preciso levar em conta, como já foi dito anteriormente, que uma banda de cobertura é maior que uma de partos (sendo a diferença a taxa de partos). Então, é preciso considerar que a banda de cobertura terá mais de 72 porcas, e a de partos, menos. Quanto ao tamanho das salas dos setores de creche/engorda, o cálculo pode ser feito multiplicando-se o nº de porcas desmamadas por lote pela produtividade (média de desmamados/porca) da granja.

2. Vantagens e inconvenientes do MEB 3s O passo seguinte seria estabelecer valores às vantagens e aos inconvenientes que têm o sistema MEB 3s, em comparação com o manejo contínuo tradicional.

Vantagens • Quanto maior o número de partos, maior é a possibilidade de se realizar combinações entre as porcas nas 48 horas subsequentes; Ano VIII - nº 47/2013


Manejo

Figura 1. Árvore de produtividade comparativa (bandas/não bandas) em 2009, com grupos de 25 mil porcas (Fonte: PigCHAMP pro Europa, S.L.)

• O desmame aos 28 dias é vantajoso para o leitão, que atinge de 2 kg a 2,5 kg de peso a mais, com uma melhora de rendimento consequente na creche na engorda/terminação. Além disso, a porca também tem melhor involução uterina e, consequentemente, maior prolificidade no ciclo seguinte (principalmente as primíparas);

nhamos sempre indivíduos em vantagem imunológica (momento em que a imunidade passiva colostral decai, mas ainda não há imunidade ativa suficientemente desenvolvida no organismo), o que representa uma barreira intransponível para muitas patologias. Do mesmo modo, a transmissão de doenças nos setores de creche e engorda/terminação fica dificultada;

• As repetições cíclicas, estando sincronizadas no mesmo intervalo das bandas, simplesmente fazem com que as porcas passem de uma banda de cobertura à outra; • Melhora do controle sanitário: a separação por idades traz grandes benefícios produtivos ao agrupar suínos da mesma faixa etária, evitando que teQuadro 4

Ano 2009

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

ID - 1ªC

6,3

15,4

13,2

13,5

12,5

10,3

8,8

8,0

7,3

8,0

7,3

6,2

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Suínos & Cia

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Manejo que os partos se agrupam e há mais possibilidades de manejo dos leitões. Esta árvore representa uma tendência geral, pois, como já foi comentado, o rendimento depende muito das condições específicas de cada granja.

4. Processo de mudança Por último, é preciso avaliar o custo da mudança do manejo contínuo tradicional para o MEB 3s. Para isso, vamos mostrar um exemplo concreto de uma granja que realizou o referido processo:

• Melhora da eficácia dos tratamentos; • Facilidade da aplicação do vazio sanitário pela manutenção do esquema “todos dentro-todos fora”; • Ao se alternar uma semana para coberturas, outra para partos e outra para desmame, a organização do trabalho fica facilitada, pois o pessoal mais eficiente para atuar em cada fase estará sempre à disposição;

• É muito importante a entrada de nulíparas em cada uma das bandas, por isso é necessário ter um bom controle do cio e sincronizar as porcas por meio da utilização de hormônios;

• Em se tratando de reprodutoras, a economia estimada de pessoal é da ordem de 0,5 pessoa para cada 400 porcas;

• As porcas em anestro e as repetições acíclicas devem ser inseminadas fora do sistema de bandas;

• Aproveitam-se as instalações antigas;

• Amplificação dos erros.

• Multiplica-se o número de leitões que saem de cada lote de porca (x3), o que otimiza os desmames e as engordas, com um número menor de idades distintas; • Lotes de animais maiores são uma vantagem para comercialização, já que a homogeneidade passa a ser também muito maior.

Inconvenientes • Sendo maior a duração da lactação, a proporção entre partos e gestação modifica-se de 20/80 para 30/70, o que encarece a construção (as instalações de maternidade são mais caras que as da gestação); • No caso da adaptação de granjas já existentes e com menor duração da fase de lactação, é necessário alterar as estatísticas ou construir salas de maternidade; • Subutilização das instalações, com menor número de rotações por salas; • Lactações com 28 dias de duração encurtam o índice de partos/porca/ano; Suínos & Cia

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• Ao se inseminar uma semana sim e outras duas não, altera-se o abastecimento de sêmen. Devemos nos assegurar de que a Central que nos abastece possa ajustar-se a essa demanda;

3. Melhora o rendimento das reprodutoras? A próxima pergunta a ser feita, para avaliar a possível mudança para MEB 3s, seria saber se o desempenho dos nossos animais vai melhorar com a mudança do manejo. Já comentamos as prováveis melhorias nos setores de creche e engorda/terminação (menor incidência de patologias, desmame de animais de mais idade, grupos mais homogêneos). Quanto à produtividade das porcas (leitões desmamados/porca/ano), os dados são muito heterogêneos, e a mudança em si não influi diretamente sobre a possível melhora ou piora, dependendo muito de cada situação em particular. Como parâmetro, mostramos a seguir o resultado comparativo de dois grupos de granjas europeias, em 2009. Como se pode ver, o número de leitegadas/porca/ano é menor no grupo de manejo em bandas devido ao fato da duração da lactação ser maior. Por outro lado, o rendimento na maternidade melhora, já

4.1. Custo do processo de mudança de manejo O parâmetro mais afetado ao se adotar o manejo pelo sistema de bandas é o intervalo desmame - 1ª cobertura (ID1ªC) devido à necessidade de se atrasar os cios das porcas desmamadas durante duas semanas, até acumular todas as coberturas a cada 21 dias. O processo de mudança para o sistema de bandas dura, aproximadamente, 5 meses e meio (até que a primeira banda coberta seja coberta novamente). O quadro 04 a seguir nos dá uma ideia de como varia o ID-1ªC de uma granja durante o referido processo de transição: A mudança para o sistema de bandas aconteceu entre fevereiro e julho. Durante este período, o ID-1ªC médio foi de 12,3 dias. Se levarmos em conta que no mesmo período do ano anterior o referido intervalo foi de 5,9 dias, o incremento foi de 6,4 dias não produtivos (DNP) por cada 1ª cobertura pós-desmame. A granja tem uma média de 375 porcas produtivas e cobre cerca de 75 porcas desmamadas por mês. Então, o nº de DNP extra acumulado foi: 6,4 DNP × 6 meses × 75 porcas = 2 880 DNP. Outro parâmetro afetado por essa mudança é o da população da granja, que normalmente reduz-se ligeiramente para dar espaço às porcas cujo cio vai se atrasando. Neste caso, a população só precisou ser reduzida em 10 porcas durante o processo, recuperando-se em seguida. A perda da produção dessas 10 porcas durante seis meses traduz-se em: 10 porcas × 22,3 desmamados/porca/ano × (6 meses/12 meses) = 111 leitões. Os demais parâmetros da granja (taxa de partos, prolificidade, etc.) não foram afetados. Ano VIII - nº 47/2013


Manejo

4.2. Variação da eficácia reprodutiva após a mudança Para ver o impacto da troca para o sistema de bandas sobre a produtividade numérica da granja foram comparadas as árvores de produtividade dos 12 meses imediatamente anteriores e posteriores à mudança: A granja aumentou sua produtividade em 0,7 leitão/porca/ano. Não houve nenhuma mudança (nem genética, populacional, de manejo ou de pessoal), o que indica que a melhora observada em ambos os setores foi devida ao melhor aproveitamento do trabalho produzido pelo manejo em bandas. Também há que considerar o fato da granja, antes da mudança, já ter uma duração de lactação elevada, o que levou a um baixo incremento desse paAno VIII - nº 47/2013

râmetro. E o incremento no nº de leitões desmamados foi: 0,7 leitões/porca/ano × 375 porcas = 262 leitões desmamados a mais por ano.

5. Estudo econômico Se estabelecermos um valor de € 3,00 para cada dia não produtivo (custo médio em 2012) e de € 29,00 para cada leitão desmamado (preço médio atual), teremos: • Custo da mudança para o manejo pelo sistema de bandas: • DNP: 2 880 DNP × € 3,00/DNP = € 8 640,00 • Diminuição da população: 111 leitões a menos × € 29,00/leitão = € 3 219,00 • Custo total: € 8 640,00 + € 3 219,00 = € 11 859,00 • Benefício pelo incremento em nº de

desmamados: 262 leitões × € 29,00/leitão = € 7 598,00/ano, ou seja, € 633,00/ mês. Portanto, considerando-se estritamente a valorização econômica das mudanças em termos de produtividade das reprodutoras (quer dizer, sem considerar aspectos como o uso de progestágenos ou o efeito sobre as engordas/terminações), esta granja concretamente amortizaria o custo da mudança para o manejo pelo sistema em bandas em 19 meses. Resumindo, a possível amortização do custo relativo às reprodutoras, derivado do processo de mudança para o manejo pelo sistema em bandas, dependerá de uma eventual melhora na eficácia reprodutiva da granja, e o prazo de amortização dependerá do nível da referida melhora. Suínos & Cia

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Nutrição Proteína da batata pode melhorar a fertilidade e a prolificidade na espécie suína Introdução O descobrimento nos alimentos de moléculas funcionais com atividade extranutricional abriu uma oportunidade à alimentação, não somente com fins de nutrição, mas também ao aporte de substâncias para melhorar o estado de saúde do homem e dos animais. Entre estas moléculas bioativas de particular importância e interesse, algumas são de tipo proteico. Os peptídeos ou proteínas bioativas são substâncias que têm função moduladora, regulando alguns processos metabólicos por meio da ligação com receptores celulares. Alguns apresentam propriedades imunológicas e antibióticas, outras podem influenciar a atividade reprodutiva, reduzindo problemas sanitários e melhorando os resultados zootécnicos. Tais componentes poderiam ter uma potencialidade de utilização como nutracêuticos para melhorar a saúde, seja em relação à presença deles nos alimentos, seja como aditivos na alimentação.

Valentino Bontempo Giovenni Savoini Vittorio dell’Orto Departamento de Medicina Veterinária de Saúde, Produção Animal e Segurança Alimentar da Universidade de Torino summa@pointvet.it

se formam durante a digestão a partir da ação de proteases intestinais. Enfim, pode ocorrer uma suplementação com a ação de proteases específicas pelo fato de em alguns alimentos estar presente uma proteína especifica que pode gerar peptídeos bioativos. Em alguns casos, os peptídeos bioativos podem se originar depois da absorção de peptídeos produzidos após a digestão, na mucosa intestinal. Resumindo, pode haver peptídeos gerados por ações de enzimas proteolíticas exógenas, presentes no próprio alimento ou gerados por via endógena, ligados à ação das proteases gastrointestinais.

1. Peptídeos do leite Desde muito tempo é conhecido o efeito positivo da caseína e de seus derivados hidrolisados na performance de

crescimento dos leitões9. No estudo de Yong Jiu et al. (2006) foi observado um efeito dos hidrolisados de caseína no desenvolvimento do trato gastrointestinal de leitões recém-nascidos. Os alimentados com leite bovino e hidrolisados de caseína apresentavam maior desenvolvimento do estômago e do intestino delgado e diferenças na morfologia intestinal, com altura das vilosidades intestinais e profundidade das criptas duodenais significativamente superiores. Em leitões recém-nascidos com retardo de crescimento intrauterino, o uso de hidrolisados de caseína estimulou a proliferação das células epiteliais intestinais e melhoraram sua funcionalidade, com um aumento da atividade total da maltase intestinal5. A ótima digestibilidade e o valor biológico das proteínas do leite não são, todavia, suficientes para explicar alguns aspectos do valor funcional a elas

Peptídeos bioativos Os peptídeos bioativos podem agir como tais ou em associação com outros peptídeos e se formam depois da ação de uma protease sobre as proteínas presentes nos alimentos. Em alguns deles, as proteases podem estar presentes naturalmente, como, por exemplo, no leite, em que vários peptídeos bioativos se formam após a hidrólise de uma protease endógena derivada do plasma (plasmina). Outros peptídeos podem agir a nível gastrointestinal devido à propriedade proteolítica de determinados microrganismos, outros Suínos & Cia

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Os peptídeos são substancias com função imunomoduladora que apresentam propriedades imunológicas e antibióticas que podem influenciar a redução dos problemas sanitários

Ano VIII - nº 47/2013


Nutrição xos níveis de suplementação (300mg/dia) e um com elevados níveis de suplementação (600mg/dia). A produção de aníons superóxidos da parte de monócitos, macrófagos e neutrófilos hemáticos, obtidos por amostras de sangue efetuadas nos dias 7, 14 e 21 do período de prova, aumentou segundo o nível de suplementação.

2. Peptídeos de proteínas de batata

Figura 1 – Secreção e modo de ação do IFG-1 resultante do efeito dos peptídeos da proteína de batata

atribuídas, como o papel antibiótico e de melhoramento da resposta imunológica. Recentemente foi demonstrado que tais aspectos podem ser atribuídos às atividades biológicas de alguns peptídeos presentes em forma latente no leite7. Os peptídeos bioativos podem ser gerados da hidrólise das maiores proteínas do leite, todavia, duas áreas especiais da caseína (resíduos aminoacídicos 60-70 e 191-202) representam “zona estratégica” de “clivagem” enzimático, que permite obter vários peptídeos com propriedades multifuncionais.

Chronopoulou et al. (2006) demonstraram um aumento da produção de aníons superóxidos da parte de macrófagos e neutrófilos isolados de leitões ao desmame, fundamentais para a ação citotóxica no confronto com agentes patogênicos, após um tratamento com peptídeos da caseína. Politis e Chronopoulou (2008) testaram, in vivo, o efeito destes peptídeos sobre a atividade das células fagocitárias em 27 leitões na primeira fase pós-desmame, subdividindo-os em três grupos experimentais: um grupo controle (nenhuma suplementação), outro com bai-

Outras proteínas vegetais podem gerar peptídeos bioativos com efeitos potenciais sobre a saúde e a performance dos animais. São bem conhecidas as propriedades nutricionais da proteína de batata, principalmente nas primeiras fases de vida dos leitões. Antes de tudo, o teor proteico é muito elevado e próximo a 75%, enquanto o espectro aminoacídico, ao contrario de outras fontes proteicas vegetais, apresenta um bom valor biológico e é particularmente rico em lisina. Mesmo outros aminoácidos (à exceção dos sulfurados) estão presentes com bons níveis também em termos de digestibilidade ileal, evidenciando o ótimo conteúdo de aminoácidos ramificados, sobretudo de valina3. Mas além destas propriedades nutricionais, outros efeitos benéficos parecem ser provenientes de peptídeos derivados da fermentação industrial da proteína de batata. A secreção dos fatores de crescimento “insulin-like” (IGF-1) da parte das células hepáticas é influenciada por vários aspectos ligados, principalmente, à ativação do sistema imunológico. Mesmo um estresse de temperatura ou uma situação de balanço energético negativo podem determinar uma redução da sensibilidade dos receptores do hormônio do crescimento (GH), provocando redução dos níveis de IGF-1 correlacionados. Tal redução de sensibilidade é o resultado da supressão da expressão de genes codificantes do GHr (Figura 1).

Suinetti

Figura 3 – Incremento sérico do IGF-1 em leitões que receberam peptídeos de batata próximo ao desmame

Ano VIII - nº 47/2013

Em leitões recém-nascidos é normal observar, especialmente naqueles de baixo peso, um estado de balanço energético negativo, com sucessivo retardo do Suínos & Cia

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Nutrição lular, consiste na capacidade de inibir a morte programada (apoptose) de algumas células. Uma possível explicação para a redução da mortalidade neonatal após a subministração de proteínas de batata fermentadas poderia ser a maior vitalidade dos leitões, que seriam, em maior grau, capazes de ingerir colostro nas primeiras horas de vida e, consequentemente, obter maior aporte de imunoglobulinas maternas, resultando em melhor crescimento.

Porcas

Figura 2 – Determinação do aumento de IGF-1 no sangue de leitões recém-nascidos que receberam nos primeiros dias de vida proteína de batata fermentada

crescimento e poucas possibilidades de sobrevivência. Sabe-se que depois do nascimento, as IGF-1 exercem um papel fundamental na regulação do crescimento.

com diferenças ainda mais marcantes em leitões de peso inferior a 1,2 kg (Figura 2), e redução da mortalidade neonatal (25%)10.

Estudos recentes demonstraram como os peptídeos derivados da proteína da batata podem exercer benefícios na produção de IGF-1 em leitões recém-nascidos. A subministração de proteínas de batata fermentadas a leitões logo após o nascimento determinou aumento de 44% de IGF-1 no soro, respeito ao controle,

A mortalidade neonatal é fortemente influenciada pelo peso ao nascer e poderia ser correlacionada à reduzida concentração plasmática de IGF-1, que condiciona muitas das funções celulares com efeitos reguladores do metabolismo. Outra ação das IGF-1, complementar ao efeito de estimulação da proliferação ce-

Como já se sabe, durante a lactação, as porcas também se encontram em estado de balanço energético negativo, ou seja, nem sempre o consumo de alimento é suficiente para satisfazer às necessidades, principalmente no que se refere à linha genética, particularmente as prolíficas e com elevada produção lactífera. Um alto número de leitões por porca, associado a um insuficiente consumo de alimento, reduz a produção de leite, piorando a performance de crescimento da leitegada, e é causa de excessivo depauperamento das reservas adiposas ao final da lactação, que resulta em maior intervalo desmame-cio e maior mortalidade embrionária na prenhez seguinte. Uma possível intervenção para reduzir os efeitos negativos do balanço energético negativo, e então melhorar os parâmetros reprodutivos, é representada pela técnica de “flushing”, ou seja, a administração de uma dieta mais energética na fase pós-desmame até o aparecimento do estro. Tal método, todavia, é mais eficaz nas primíparas. Mais recentemente foram evidenciados efeitos interessantes após a administração de peptídeos bioativos derivados da fermentação de proteínas de batata11. Estes peptídeos influenciam positivamente os níveis séricos de IGF-1 em porcas, com efeitos positivos sobra a reprodução.

Figura 4 – Incremento no número de nascidos no parto subsequente após a adminstração de peptídeos de batata

Suínos & Cia

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É reconhecido que os fatores de liberação das gonadotropinas (GnRH) são fundamentais para a regulação do sistema reprodutivo. O GnRH estimula a secreção do hormônio luteinizante(LH) e do hormônio folículo estimulante (FSH), ambos essenciais para a funcionalidade das gônadas. Ano VIII - nº 47/2013


Nutrição Qualquer alteração do equilíbrio deste sistema é responsável pelo aumento do intervalo desmame-cio e redução da fertilidade e do anestro. Dados obtidos em diversas espécies animais demonstram efeitos estimuladores e sinérgicos do hormônio somatotrófico (GH) e das IGF-1 sobre a liberação de GnRH e das gonadotropinas LH e FSH, além de agir sobre os receptores das células da camada granulomatosa do ovário. Além de tudo isso, um estudo in vitro evidenciou os efeitos positivos de IGF-1 sobre a maturação dos oócitos e sobre o desenvolvimento embrionário antes da implantação uterina. Como recordado antes, a secreção de IGF-1 de parte das células hepáticas pode ser influenciada por vários fatores, como a ativação do sistema imunológico de agentes microbianos, estresse por calor e estado de balanço energético negativo, que reduzem a sensibilidade dos receptores ao hormônio somatrotófico, com consequente redução dos níveis séricos de IGF-1. Esta hipótese confirma, portanto, o papel das IGF-1 sobre a fertilidade e a atividade reprodutiva das porcas. Uma primeira prova conduzida em porcas em lactação, alimentadas com peptídeos obtidos da fermentação industrial de proteínas de batata, produziu um aumento de até três vezes superior dos níveis séricos de IGF-1 (Figura 3), respeito ao controle. Uma segunda prova, com a finalidade de verificar os efeitos da administração dos peptídeos bioativos sobre os parâmetros reprodutivos, evidenciou um aumento da prolificidade (0,76 leitão a mais por parto) e do número de nascidos vivos (0,66 a mais aos partos seguintes), sem diferença no que diz respeito ao peso dos leitões ao nascimento (Figura 3). Tais resultados sobre o papel de IGF-1 como sinalizador da interação do metabolismo e da atividade ovárica são confirmados por pesquisas feitas em vacas de leite, nas quais se demonstrou uma correlação negativa entre os fatores de crescimento “insulin-like” e o intervalo parto-atividade ovárica 2,6.

Conclusões Os conhecimentos científicos evidenciaram no curso dos anos um papel funcional de alguns alimentos, além das Suínos & Cia

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próprias propriedades nutricionais devido à presença de diversos componentes bioativos. Tais substâncias demonstraram efeitos positivos à saúde dos animais, sugerindo a realização de novos produtos alimentares “fit to purpose”, cujos papéis se diferenciam e se integram aqueles estreitamente nutricionais dos grupos alimentares. Os peptídeos bioativos representaram um promissor campo de pesquisas pelas possibilidades aplicativas em alimentação animal. Um significativo número de publicações demonstrou a eficácia de tais peptídeos em guiar e modular a resposta

imunológica em sede intestinal do neonato até a maturação total1, ou influenciando positivamente a atividade reprodutiva das porcas. Tais resultados servirão de fundamentos para saber a variação de concentração destas substâncias durante a lactação, as possíveis interações e sua avaliação em uma matriz à base de leite, que poderão sugerir um uso estratégico em função da fase fisiológica, idade do desmame, características da dieta utilizada e condição sanitária da granja, com o fim de suportar o desenvolvimento do sistema imunológico e da saúde dos animais nas várias fases do ciclo.

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Govoni Kindahl balance, plasma

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Ano VIII - nº 47/2013


Produção Leitões de baixo peso e nascidos de porcas jovens: uma combinação muito perigosa Parte (II) Carlos Piñeiro Maria Nazaré T. Lisboa Diretor PigCHAMP Pro Europa Médica-veterinária - Consuitec carlos.pineiro@pigchamp-pro.com

Introdução No artigo anterior explicamos a importância crescente da desigualdade das leitegadas na genética atual, cuja prolificidade parece ser superior à sua capacidade de aumentar a prole, e como as mesmas se

nazare@consuitec.com.br

e costumam vir a óbito durante as tran-

sivelmente devido à melhora na atenção

sições. A Figura 1 mostra como a MPD

a ele, mantendo-se estáveis, porém, as da

estava distribuída durante um período

primeira semana e as da segunda semana

de 12 meses e o seu comportamento ao

em diante.

longo dele nas granjas da base de dados

Esta falta de viabilidade tem ori-

do PigChamp Pro Europe, S.L. analisadas

gem multifatorial, e entre estes fatores

durante o referido período.

estão:

veem influenciadas pela ordem de partos

É interessante notar como mais

1. A linhagem genética, embora

da porca. Agora, iremos detalhar alguns

da metade das mortes ocorrem além do

não seja normalmente um problema modi-

desses fatores e como manejá-los.

terceiro dia e até 25% delas a partir da

ficável no nosso dia a dia (a genética é

Os leitões pequenos e de baixa

segunda semana, estando muitos dos

escolhida, geralmente, por outras razões),

viabilidade são um problema crescente

casos relacionados com leitões pouco

deve ser levada em consideração na hora

e de alto custo na indústria de hoje, uma

viáveis, que morrem ​​nos dias seguintes

de selecionar animais capazes de trans-

vez que representam uma das principais

ao parto. Ao longo dos meses, só tendem

mitir mais robustez e resistência (e pode

causas de mortalidade na fase do pré-

a diminuir as mortes relacionadas com

haver diferenças muito significativas entre

desmame (MPD), têm baixo desempenho

o periparto (< de 2 dias de idade), pos-

eles). Geralmente, as linhas derivadas

Gráfico 1. Distribuição da mortalidade* de setembro/2011 a outubro/2012 (PigCHAMP Pro Europe, S.L.) * Baseada em 293.262 leitões mortos

Ano VIII - nº 47/2013

Suínos & Cia

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Produção longada, o que debilita enormemente os leitões e os torna menos viáveis ​​(TrujilloOrtega, 2006). Os níveis elevados de lactato produzidos devido a essa situação estão fortemente correlacionados às mortalidades mais elevadas. Para alguns autores, essa causa é tão importante quanto o peso ao nascer (Herpin, 1995), uma vez que diminui a ingestão de colostro e a termorregulação. É bom lembrar que o sinal mais evidente de sofrimento fetal é a presença de leitões manchados com mecônio ao nascer b. Evitar temperaturas menores Foto 1. O sinal mais evidente de sofrimento fetal é a presença de leitões manchados com mecônio ao nascer

que 34º C para o leitão nos primeiros dias

de Large White e Pietrain costumam ter

(Burkey et al, 2008), em comparação às lei-

após o parto, já que essa situação o obriga

menor vitalidade que as outras menos pre-

tegadas de multíparas. No pós-desmame,

a mobilizar suas escassas reservas. A

sentes, derivadas de Duroc ou Hampshire.

elas também são mais suscetíveis, com

perda de temperatura após o parto é notá-

2. A nutrição inadequada durante

taxas mais altas de uso de medicamentos

vel, mas se auxiliarmos e secarmos o lei-

a gestação, especialmente no seu terço

e de mortalidade (Holyoake, 2006). Uma

tão ela será muito menor, sendo mantida

final, é um fator de importância cada vez

das razões que contribuem para isso é a

muito mais facilmente (Morales, 2010) –

mais crescente, especialmente nos sis-

menor concentração de IgG no colostro

ver Foto 2 e Gráfico 2.

temas de porcas alojadas em grupos nos

(Cabrera et al 2012), o que aumenta ainda

quais nem sempre podemos garantir que

mais os riscos para os leitões.

Essa perda de temperatura também atrasa a primeira ingestão de colos-

cada uma delas coma a quantidade cor-

Fatores do periparto a considerar:

tro, o que retroalimenta negativamente a

reta. Certificar-se de que as porcas este-

a. Evitar o sofrimento fetal por

situação de perda de energia e de menor

jam comendo a quantidade esperada deve

hipóxia, tanto intermitente como pro-

ingestão por parte do leitão. Devemos

ser uma constante (por meio de sistemas de alimentação com microchip ou por controle visual do estado de carne delas, em sistemas manuais) para evitar o risco de leitegadas com baixo peso e mais desiguais que o desejável. Recordemos que a desigualdade, por si só, é capaz de gerar maior mortalidade, em adição à existência ou não de baixo peso (Cáceres, 2001). 3. Além disso, a progenie de primíparas apresenta baixo peso ao nascer (Tantasuparuk et al, 2001) e no desmame Suínos & Cia

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Foto 2. Perda de temperatura em leitão sem secar, após o parto (em verde) Fonte: PigCHAMP Pro Europa S.L.

Ano VIII - nº 47/2013




Produção

  

 

 

lembrar tambĂŠm que a capacidade dos lei-

â&#x20AC;˘ Separar a placenta rapidamente;

tĂľes para a gliconeogĂŞnese ĂŠ limitada, e o

â&#x20AC;˘ AjudĂĄ-los a encontrar rapidamente o

risco de eles entrarem em hipoglicemia e morrer Ê muito maior (Svendsen, 1986). Estes sintomas podem ser confundidos com os de doenças infecciosas do sistema nervoso. Portanto, para diminuir os problemas de viabilidade, particularmente em leitþes de baixo peso relacionados com o periparto, devemos:

aparelho mamĂĄrio; â&#x20AC;˘ Colocar, pelo menos, uma fonte de suplemento prĂłximo da parte posterior da porca; â&#x20AC;˘ Administrar suplementos energĂŠticos e IgGs (geralmente de outras espĂŠcies). A interpretação conjunta da literatura a esse respeito sugere que, geralmente, nĂŁo ĂŠ factĂ­vel em termos econĂ´mi-

â&#x20AC;˘ Induzir, supervisionar e controlar cui-

cos a criação de leitþes com peso inferior

dadosamente a duração do parto. Temos

a 900 gramas, a nĂŁo ser em granjas espe-

de ter cuidado especial com as induçþes

cializadas, com alto nĂ­vel sanitĂĄrio e bom

precoces porque as gestaçþes estão se

manejo, geralmente com a finalidade de

estendendo por mais tempo (pouco

comercializĂĄ-los como tostones (para res-

mais de um dia, segundo o PigChamp

taurante - cochinillo de Segovia).

Pro Europa S.L.) e, em geral, os padrĂľes

Estes leitĂľes de baixo peso e via-

tradicionais de sincronização â&#x20AC;&#x201C; que nĂŁo

bilidade reduzida sĂŁo mais magros no des-

contemplam esta extensĂŁo â&#x20AC;&#x201C; tĂŞm sido

mame e parecem ter um sistema digestivo

mantidos;

menos ativo (Cranwell, 1997), encarando,

â&#x20AC;˘ Assistir, de modo especial, aos leitĂľes de maior risco: - os de baixo peso

assim, a fase de transição em condiçþes

                

              

 

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        !   

 

No prĂłximo artigo, parte III, explicaremos em detalhes o rendimento produ-

- os nascidos no final

tivo e sanitĂĄrio esperado para eles.

 

   

      

de clara desvantagem.

- os nascidos de primĂ­paras

Ano VIII - nÂş 47/2013



Gråfico 2. Evolução da temperatura em leitþes secados ou não, após o parto Fonte: PigCHAMP Pro Europa S.L.

SuĂ­nos & Cia

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Sanidade Atualização sobre a infecção por Mycoplasma hyorhinis em suínos Doença sistêmica causada pelo Mycoplasma hyorhinis Nos últimos anos tem havido um interesse renovado com relação ao Mycoplasma hyorhinis como uma das principais causas das poliserosites e artrites em leitões pós-desmamados1. Esta bactéria foi descrita pela primeira vez em 1955 e é comumente encontrada em granjas de suínos, anexa ao trato respiratório superior desses animais2. Embora seja um comensal, o M. hyorhinis pode causar doença sistêmica grave. Os mecanismos que permitem a esse agente patogênico chegar à via sistêmica e desencadear essas doenças ainda não são totalmente compreendidos; no entanto, acredita-se que as diferenças entre cepas, infecções concomitantes e determinadas condições ambientais promovam o desenvolvimento delas. Os sinais clínicos relatados incluem febre, dispneia, claudicação e re-

lutância em se movimentar. As principais lesões causadas pelo M. hyorhinis incluem poliserosites e artrites, principalmente em animais entre 3 e 15 semanas de idade. Estas lesões têm sido extensivamente reproduzidas em inoculações experimentais3. Lesões agudas são caracterizadas por pleurite, pericardite fibrinosa e peritonite. Lesões crônicas são caracterizadas por aderências de pleura e pericárdio4. Nos suínos em terminação, o M. hyorhinis é responsável, principalmente, por artrites que afetam mais comumente as patas traseiras. As articulações podem conter maiores quantidades de fluidos e de fibrina, com a membrana sinovial espessada e avermelhada. Macroscopicamente e microscopicamente as lesões são idênticas àquelas causadas pelo Haemophilus parasuis (doença de Glasser), sendo necessária a realização do teste de PCR ou a tentativa de isolamento bacteriano, a fim de diagnosticar corretamente a etiologia da doença e determinar o tratamento com um antibiótico apropriado.

Maria Jose Clavijo e Albert Rovira Veterinary Population Medicine, College of Veterinary Medicine, University of Minnesota, St Paul, MN, USA clavi005@umn.edu

Aproximadamente 55% e 12% dos casos de poliserosites e artrites, respectivamente, analisados em 2010, no Laboratório de Diagnóstico Veterinário da Universidade de Minnesota (UMN-VDL), foram positivos para o M. hyorhinis, por meio da prova do PCR5. Estes dados revelam o impacto deste patógeno no pós-desmame, em termos de morbidade e mortalidade. O papel do M. hyorhinis como uma das causas de pneumonia não está completamente esclarecido; no entanto, vários estudos têm isolado ou detectado o referido agente mais frequentemente a partir de pulmões com pneumonia – em comparação com pulmões normais. A inoculação experimental de suínos gnotobióticos, combinada com técnicas de indução de estresse, resultou em lesões leves de pneumonia. Aproximadamente 45% dos pulmões que deram entrada no UMN-VDL resultaram positivos para o M. hyorhinis, por PCR, embora pareça que esse agente desempenhe apenas um papel secundário nos casos de pneumonia.

Diagnóstico do M. hyorhinis

Laminite pós-desmame é um sinal clínico frequentemente observado na doença sistêmica causada pelo M. hyorhinis

Suínos & Cia

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A detecção do M. hyorhinis é relativamente simples e vai depender do objetivo da investigação. Se o propósito for rastrear a dinâmica de colonização da granja pelo agente, seria apropriado fazer coletas seriadas de fluidos orais e swabs nasais e orofaríngeos dos suínos, do desmame ao abate. O número de amostras e a frequência das coletas irão determinar a sensibilidade do protocolo de vigilância com relação à doença. É importante lembrar que a detecção do M. hyorhinis, em qualquer destas amostras, não é indicativa de doença, uma vez que se trata de uma bactéria comensal do trato respiratório superior do suíno. A compreensão da dinâmica da colonização é essencial para determinar o tempo ideal para o tratamento Ano VIII - nº 47/2013


Sanidade O isolamento do M. hyorhinis em caldo de Hayflick modificado e em meios sólidos pode ser alcançado em um curto período de tempo. As colônias podem ser observadas nos meios sólidos, cerca de 4 a 15 dias após a inoculação6. Atualmente não existem testes imunológicos comercialmente disponíveis para o M. hyorhinis. Vários protocolos de PCR relativos ao seu DNA têm sido publicados; no entanto, eles não são capazes de quantificar o DNA bacteriano em uma amostra e têm sido, principalmente, desenvolvidos para a detecção do agente em cultivo celular, uma vez que o M. hyorhinis trata-se de um contaminante celular comum7, 8, 9.

Dinâmica da infecção do M. hyorhinis em rebanhos comerciais de suínos

Lesões de poliserosite observadas na doença sistêmica devida ao M. hyorhinis

com antibióticos ou a implementação de um programa de vacinação. Por outro lado, se o objetivo for determinar a causa da poliserosite ou artrite pelo M. hyorhinis, deve-se enviar ao laboratório amostras de tecido ou swabs feitas a partir de lesões da pleura, pericárdio ou peritônio, nas quais a presença do agente não é considerada normal. Tecidos

de articulações ou líquido sinovial devem ser coletados a partir de casos de artrite. Devem ser colhidas amostras de suínos na fase aguda das doenças e que não tenham sido submetidas a tratamento com antibióticos. Todas as amostras devem ser refrigeradas e rapidamente enviadas ao laboratório de diagnóstico para processamento.

Impregnação da saliva na corda de algodão para deposição de fluídos orais para detecção do M. hyorhinis

Ano VIII - nº 47/2013

Aspectos gerais da infecção causada pelo M. hyorhinis têm sido relatados, mas pouca pesquisa tem sido gerada nas áreas de ecologia e epidemiologia. Esta informação é vital para o delineamento efetivo da monitoria e do controle dos protocolos relativos ao problema. Para começar a gerar as informações necessárias, nosso grupo vem desenvolvendo um PCR em tempo real10, que será utilizado como ferramenta para o entendimento do padrão de colonização e da apresentação clínica do M. hyorhinis em rebanhos suínos infectados. Em um estudo transversal realizado observou-se que a prevalência do M. hyorhinis na colonização nasal em dois rebanhos clinicamente afetados foi baixa em fêmeas (média de 7%) e em leitões lactentes (8%) e alta em suínos na fase de creche (98%). Em contraste, em um rebanho sem a doença causada pelo M. hyorhinis, não foram identificadas porcas colonizadas, e os níveis gerais de colonização nos suínos foram muito baixos até a última semana na creche. Nesse mesmo estudo observou-se uma tendência interessante, sugerindo um efeito da paridade na probabilidade de colonização das porcas. As fêmeas mais jovens (partos 1 e 2) foram mais propensas a ser positivas do que as porcas mais velhas (parto 3 e mais velhas)11. Posteriormente, tendências semelhantes foram observadas em um estudo longitudinal prospectivo realizado em dois rebanhos comerciais. Suínos & Cia

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Sanidade o M. hyorhinis pode ser detectado na superfície da orofaringe, foram coletadas amostras de fluidos orais. Em ambos os estudos, os resultados das provas de PCR, a partir de fluidos orais, pareceram estar correlacionados com os observados a partir de swabs nasais12.

Considerações finais

Coleta de secreção nasal, por meio de swabs, em leitões de creche para detecção do M. hyorhinis

A prevalência da colonização nasal em porcas e leitões lactentes foi relativamente baixa em comparação com a alta proporção de colonização nasal no pós-desmame. A maioria dos suínos tornou-se rapidamente colonizada entre 3 e 4 semanas de idade. Essa rápida colonização pode ter

sido devida à mistura de leitões de origens distintas na creche, ao declínio da imunidade materna, à remoção dos tratamentos com antibióticos ou a uma combinação de todos estes fatores. No entanto, o efeito de paridade não ficou evidente nesses dois rebanhos. Além disso, uma vez que

O M. hyorhinis é um habitante comum da cavidade nasal dos suínos. No entanto, nem todos esses animais são colonizados em uma população e nem todos se colonizam ao mesmo tempo. Nós presumimos que os poucos leitões colonizados no desmame sejam os responsáveis ​​pela transmissão do agente após essa fase. A utilização de fluidos orais para a detecção do M. hyorhinis parece ser uma ferramenta útil no controle da dinâmica da infecção em um rebanho, facilitando, ainda, a distribuição do tratamento com antibióticos e/ou a implantação da vacinação. No entanto, é necessária uma validação adicional para a detecção de M. hyorhinis nos fluidos orais. O conhecimento da dinâmica da infecção dentro do rebanho vai permitir a implementação de melhores estratégias de controle naqueles infectados.

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ffin-embedded tissues from pigs with polyserositis. Canad Journ Vet Resear v. 76, p.195-200. 2012 11. CLAVIJO, M.J.; ROVIRA, A.; OLIVEIRA, S. Development of a quantitative PCR assay for the detection of Mycoplasma hyorhinis in clinical samples. In: American Association of Veterinary Laboratory Diagnosticians Meeting. 53. Proceedings… Minnesota, MN. 2010

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12. CLAVIJO, M.J.; ROVIRA, A.; MURRAY, D.; OLIVEIRA, S. Mycoplasma hyorhinis: Epidemiology of infection in endemically infected farms. In: Annual Meeting of the American Association of Swine Veterinarians. 40. Proceedings… Phoenix, AR. 2011

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Sanidade Enterovírus suíno: qual a situação deste patógeno nos rebanhos suínos?

Daiane Güllich Donin 1* Raquel de Arruda Leme 1 Geraldo Camilo Alberton 2 Alice F. Alfieri 1 Amauri A. Alfieri 3 1 Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Ciência Animal – Universidade Estadual de Londrina 2 Doutor pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, especialista em Sanidade Suína, professor associado do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Paraná, Palotina 3 Doutor pela Fundação Oswaldo Cruz, especialista em Virologia, professor associado do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Londrina * Autora para correspondência - e-mail: dds@ufpr.br

Introdução Na suinocultura tecnificada, a ciência, a tecnologia e a produção encontram condições de caminhar lado a lado. Nestas condições foi possível observar a emergência de diversos patógenos, ou potenciais patógenos, que de um momento para o outro passaram a ter papel relevante na cadeia suinícola. Este fato foi observado devido ao controle e/ou erradicação de algumas doenças que possibilitaram que outras infecções encontrassem

condições favoráveis para a ocorrência da interação entre suínos, microrganismo e meio ambiente. Paralelamente, a difusão de técnicas moleculares de diagnóstico permitiu a ampliação dos conhecimentos sobre os patógenos e possibilitou maior precisão no monitoramento sanitário dos rebanhos. Neste contexto, o maior conhecimento dos agentes patogênicos e a sua relação com os suínos é primordial para prevenir prejuízos aos sistemas de produção em situações de emergência ou reemergência dos patógenos. Porém, mesmo

com os avanços obtidos na suinocultura, as características epidemiológicas da infecção por alguns patógenos, como os enterovírus, ainda não foram esclarecidas. Com isso, as formas de participação desses microrganismos impactando a cadeia produtiva suinícola são desconhecidas. Essa situação pode representar risco à produção de suínos, principalmente se considerarmos as complexas interações passíveis de ocorrer entre os patógenos tradicionais, emergentes e reemergentes. O termo enterovírus suíno (PEVs – porcine enterovirus) foi inicialmente introduzido para designar um grupo de vírus pertencente à família Picornaviridae (Figura 1), relatado como responsável por uma síndrome reprodutiva conhecida pela sigla SMEDI que está associada com natimortos (S), fetos mumificados (M), mortes embrionárias (ED) e infertilidade (I) (ROEHE; BRITO, 2007). O PEV é também relacionado com desordens neurológicas, reprodutivas e por lesões de pele nos suínos (KRUMBHOLZ et al. 2003). Devido à grande disseminação das infecções pelos enterovírus nos suínos sem a ocorrência de quadros clínicos característicos, em muitos rebanhos, as infecções subclínicas por estes vírus podem ser responsáveis por interferência nos parâmetros produtivos e, consequentemente, por perdas econômicas. Atualmente, estima-se que mesmo sendo este grupo viral ubíquo e presente na maioria dos rebanhos comerciais de

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Sanidade suínos, não haja problemas sanitários relativos à presença de enterovírus nos rebanhos. No entanto, a presença de cepas virais aparentemente não patogênicas de alguns enterovírus, em concomitância com casos de doenças imunossupressoras, como a circovirose suína, pode resultar em infecção do sistema nervoso central (SNC) (SALLES et al., 2011; TAKAHASHI et al., 2008).

Alteração na nomenclatura do enterovírus suíno e características virais Inicialmente, os enterovírus suínos foram classificados como pertencentes a um único gênero, denominado Enterovirus, pertencente à família Picornaviridae. Atualmente, com base em características biológicas dos vírus, como crescimento em cultivo celular e tipo de efeito citopático em cultura de células, e em análises moleculares da sequência genômica (HYYPIA et al., 1997), os enterovírus suínos foram reclassificados como espécies pertencentes a três gêneros virais distintos: Teschovirus, Sapelovirus e Enterovirus (Figura 2). Os enterovírus suínos tipos 1 a 7 e 11 e 13 foram reclassificados como teschovírus suíno (PTV). O enterovírus suíno 8, antigo enterovírus suíno A, é atualmente classificado como sapelovírus suíno (PSV). Os enterovírus 9 e 10 foram reclassificados como enterovírus suíno B (PEV-B) (ICTV, 2012) (Figura 3). Visando a facilitar a compreensão, no presente artigo, os aspectos comuns destes gêneros serão apresentados denominando-os genericamente de enterovírus suíno. Em situações em que se tratar de especialidades de cada um, será feita a indicação do gênero. Os enterovírus suínos são vírus não envelopados e com genoma constituído por RNA fita simples de polaridade positiva. A replicação do RNA dos enterovírus ocorre no citoplasma celular, sendo mediada por enzimas RNA polimerase Ano VIII - nº 47/2013

Filogenia da família Picornaviridae, com representação de 15 dos 17 gêneros que fazem parte desta família atualmente. Os gêneros de importância para os suínos estão destacados com setas

dependente de RNA, o que faz com que apresentem taxas de mutações elevadas (SALLES et al., 2011).

Epidemiologia e potencial patogênico do enterovírus suíno nos rebanhos Os PEVs foram inicialmente relacionados à síndrome SMEDI, que se manifesta em porcas gestantes, determinando a ocorrência de fetos mumificados, morte embrionária, nascimento de leitões mortos e infertilidade (Figura 4). Assim como na parvovirose suína, estas desordens reprodutivas normalmente não são acompanhadas por sinais clínicos nas leitoas ou porcas. Atualmente, são poucos os estudos relacionados à síndrome SMEDI bem como à sua etiologia. Com isso, pouco se conhece sobre a participa-

ção dos enterovírus suínos nessa síndrome reprodutiva. Embora a maioria das infecções seja assintomática, os PEVs têm sido associados com uma variedade de condições clínicas, incluindo polioencefalomielite, desordens reprodutivas em fêmeas, doenças entéricas e pneumonia (ALEXANDERSEN et al., 2012). O único hospedeiro natural conhecido para o PEV são os suínos, e uma das razões para a sua ampla distribuição nos rebanhos avaliados é a eficiente transmissão entre os animais, sendo a infecção mais frequente por via fecal-oral. A transmissão indireta por fômites e a transmissão vertical deste patógeno são extremamente prováveis de ocorrer visto que os vírus são relativamente resistentes no ambiente e podem estar associados à infecção no trato reprodutivo dos machos. Infecções endêmicas com vários Suínos & Cia

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Sanidade Nomenclatura atual dos enterovírus de importância para os suínos Denominação atual

Sigla

Denominação anterior

Teschovírus suíno

PTV

Enterovírus 1 a 7 e 11 a 13

Sapelovírus suíno

PSV

Enterovírus 8

PEV-G

Enterovírus 9 e 10

Enterovírus suíno G (outrora denominado Enterovírus suíno B)

sorotipos de PEV-B, PTV e PSV podem, usualmente, ser demonstradas em rebanhos convencionais e são, provavelmente, mantidas em grupos de leitões desmamados. A infecção é frequentemente adquirida por leitões em idade de desmame, quando diminuem os títulos de anticorpos maternais e leitões de diferentes leitegadas são misturados, e persiste por ao menos algumas semanas. No entanto, leitões de qualquer idade são amplamente susceptíveis à infecção com um vírus pertencente a um sorotipo ao qual eles não haviam sido previamente expostos. Infecções naturais ocorrem por ingestão dos vírus, sendo que a replicação inicial ocorre nas tonsilas e no trato intestinal. O intestino grosso e o íleo são infectados com maior frequência do que a parte superior do intestino delgado, não se conhecendo claramente quais células no intestino suportam a replicação viral. Entretanto, por analogia com experimentos conduzidos com poliovírus, é provável que o tecido reticuloendotelial da lâmina

própria do intestino esteja envolvido (RACANIELLO, 2006). Com frequência, as infecções com cepas virulentas de PEV-B, PTV e PSV são seguidas de viremia. Entretanto, este evento é menos frequente quando as infecções são ocasionadas por cepas virais menos virulentas, que podem determinar o desenvolvimento de infecções do sistema nervoso central (SNC). Inicialmente, uma cepa virulenta do PTV-1 foi associada com encefalomielite não supurativa altamente fatal em suínos (Doença de Teschen), responsável por consideráveis perdas econômicas para a suinocultura europeia entre 1930 e 1950. Na sequência, a severidade da polioencefalomielite diminuiu, e a cepa altamente virulenta de Teschen passou a ser identificada com menor frequência, sendo observado o aumento da ocorrência de uma cepa menos virulenta denominada Talfan (ALEXANDERSEN et al., 2012; LA ROSA et al., 2006; YAMADA et al., 2007).

Também é possível que o útero gravídico seja infectado por disseminação do vírus mediante viremia, visto que infecções embrionárias e fetais foram demonstradas em leitoas após inoculação nasal ou oral com enterovírus. A inoculação intranasal do vírus pode ocasionar infecção experimental do pulmão, porém, a importância da inalação natural do vírus por aerossóis não é conhecida. É provável que em infecções singulares os enterovírus raramente causem sinais clínicos de doenças respiratórias, embora alguns estudos indiquem algum grau de tropismo destes vírus pelo pulmão, sendo a pneumonia produzida usualmente subclínica. Em leitões inoculados por via parenteral com PEV, a infecção intestinal ocorre rapidamente, sendo as infecções extraintestinais relativamente transitórias. As infecções no intestino grosso podem persistir por várias semanas, porém, sem destruição epitelial, já que esta não é uma característica destas infecções. A transmissão fecal-oral é frequente, uma vez que os animais infectados com PTVs, PSVs e PEV-Bs eliminam o vírus, tornando-se importantes fontes de infecção por meio da contaminação da água e do ambiente (JIMÉNEZ-CLAVERO et al., 2003). Sapelovírus suínos (PSV) têm sido associados com a síndrome SMEDI e a diarreia (ALEXANDERSEN et al., 2012) (Figura 5), assim como podem estar associados a desordens neurológicas, falhas reprodutivas e pneumonia. Os animais que se recuperam da infecção excretam o vírus e representam importante fonte de infecção para os demais (SOZZI et al., 2010). Enterovírus B foram, originalmente, isolados de lesões de pele atípicas e de fezes de suínos assintomáticos, porém, o papel destes vírus como patógenos entéricos causando diarreia é discutível.

Inicialmente, os enterovírus suínos foram relacionados à síndrome reprodutiva, associada com mortalidade embrionária, fetos mumificados, natimortos e infertilidade (SMEDI)

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Recentemente, os teschovírus foram reclassificados em 13 sorotipos associados, com uma variedade de condições clínicas, incluindo polioencefalomielite, desordens reprodutivas nas fêmeas, doenças entéricas e pneumonia (CANOGÓMEZ et al., 2011; ALEXANDERSEN et al., 2012; BOROS et al., 2012a). Ano VIII - nº 47/2013


Sanidade presença de infecção ativa por esse vírus nos rebanhos suínos. A identificação do PTV em órgãos linfoides indica a entrada do vírus por meio da mucosa intestinal. Já a presença do vírus em órgãos viscerais indica viremia, e a sua identificação no sistema nervoso central indica passagem por meio da barreira hematoencefálica (CHIU et al., 2012). Estas afirmações se baseiam na patogenia dos enterovírus que são transmitidos, principalmente, pela via fecal-oral, seguida de uma replicação primária nas tonsilas e trato intestinal, com posterior viremia e, caso haja a passagem pela barreira hematoencefálica, contaminação do SNC (ALEXANDERSEN et al., 2012). Quadro clínico de diarreia em leitões pode estar associado à infecção por enterovírus suíno

Diagnóstico de PTV, PSV e PEV-B Técnicas moleculares, tais como a reação em cadeia da polimerase (PCR), que se baseiam na detecção de regiões altamente conservadas do genoma viral, têm sido amplamente empregadas para a detecção de vírus entéricos em amostras ambientais. Desde que adequadamente padronizados, os métodos de PCR oferecem várias vantagens na detecção de microrganismos entéricos por sua alta sensibilidade e especificidade, bem como rapidez na execução do teste (GRIFFIN et al., 2003). Outra vantagem da PCR é a possibilidade de diferenciação de espécies virais por meio da utilização de diferentes oligonucleotídeos iniciadores (primers) específicos ou de métodos complementares, como a clivagem do fragmento amplificado com enzimas de restrição (FONG; LIPP, 2005), ou então pela determinação de sequência de nucleotídeos do fragmento genômico amplificado. Para a detecção de vírus por PCR, as seguintes etapas devem ser realizadas: extração do DNA, realização da reação da polimerase em cadeia para a amplificação de um fragmento específico do genoma viral e, por fim, a análise do produto amplificado Ano VIII - nº 47/2013

na PCR por meio de eletroforese em gel de agarose (CHEN; HSU; WAN, 2008). Em se tratando de um vírus com genoma constituído por RNA, uma etapa antecedente à PCR é necessária, que consta da transcrição reversa, fundamental para a síntese de cDNA a partir do RNA viral. Com o objetivo de aumentar a sensibilidade, ou até mesmo para a detecção simultânea de diferentes espécies virais, foram desenvolvidas variações nas técnicas convencionais de PCR, tais como a nested-PCR e a multiplex-PCR, respectivamente. Atualmente, visando não apenas a identificar um vírus presente em uma amostra biológica, mas de, simultaneamente, quantificar a carga viral, o uso da técnica denominada PCR em tempo real (real time-PCR) tem sido intensificado (RAJTAR et al., 2008). Chiu et al. (2012) descreveram que em se tratando de PTV, a técnica de nested-PCR apresenta maior taxa de detecção (96,7%) do que a RT-PCR convencional (70%). Linfonodos mesentéricos (próximos ao íleo) e porções do jejuno e cólon intestinal são os órgãos nos quais a probabilidade de identificação deste agente é maior. A identificação de PTV no intestino ou em material fecal é indicativa da

Lesões histopatológicas são difíceis de serem correlacionadas com a infecção com PTV. A presença deste agente viral (PTV-6, 7 e 11) apresentou ligeira correlação com atrofia de vilosidades intestinais em um estudo realizado em Taiwan com leitões refugos, com idade entre 4 e 8 semanas, em rebanhos comerciais coinfectados com os agentes virais e bacterianos que comumente infectam os suínos (CHIU et al., 2012). Com relação ao SNC, encefalite não supurativa na porção caudal do cérebro apresentou correlação ligeiramente significativa (p=0,054) com PTVs, porém, a maior taxa de detecção destes vírus ocorreu na região cranial e média do cérebro. Esse achado demonstra a importância da via hematógena no processo de invasão viral, bem como a infecção intranasal, seguida por transporte retrógrado ao longo do nervo olfatório. Porém, a presença de PTV nestes locais não apresentou correlação significativa com lesões histológicas, o que sugere a baixa virulência do PTV ou complicações por outros patógenos.

Situação epidemiológica atual da infecção por teschovírus suíno em rebanhos suínos Epidemias de PTV-1 ocorreram em Taiwan (2000 e 2004) quando os Suínos & Cia

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Sanidade animais exibiram sinais neurológicos e diarreia, semelhante ao que ocorreu na doença de Talfan. Os agentes isolados em associação ao PTV-1 foram patógenos comuns dos suínos, como circovírus suíno tipo 2 e vírus da síndrome reprodutiva e respiratória suína, refletindo o caráter de infecções múltiplas (coinfecções) no campo (HUANG et al., 2012). Desde 2004, PTVs têm sido isolados mais frequentemente, variando de 20,6% a 33% por rebanho, apresentando-se como o primeiro ou o segundo agente viral mais comumente isolado em suínos abatidos em Taiwan (HUANG et al., 2009), sugerindo o caráter endêmico da infecção por esse agente. Além disso, recombinações genéticas podem ocorrer entre as cepas de enterovírus suínos circulantes em um mesmo rebanho. Recentemente, REN et al. (2012), ao analisarem cepas de enterovírus identificadas na China, identificaram um novo sorotipo, intermediário entre os já conhecidos. Cano-Gómes et al. (2011) identificaram o PTV-12 em suínos domésticos na Espanha, e Boros et al. (2012)a,o PTV-13 em suínos selvagens na Hungria.

Situação epidemiológica atual da infecção por sapelovírus suíno em rebanhos suínos Recentemente, pela primeira vez, o PSV foi descrito como agente causador de diarreia aguda, dificuldade respiratória e poliencefalomielite em suínos na China (LAN et al., 2011). Neste país, surtos de diarreia severa têm sido observados em leitões lactentes desde dezembro de 2010, e os agentes etiológicos relacionados a estes eventos não têm sido confirmados até o momento. Apesar de vários patógenos terem sido detectados nas amostras fecais oriundas dos animais com diarreia, Chen et al., (2012) isolaram uma estirpe de PSV de amostras fecais oriundas destes surtos e determinaram a sequencia genômica completa desta cepa. Suínos & Cia

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Fetos mumificados são frequentes dentre as desordens reprodutivas de origem desconhecida e podem estar relacionadas à infecção com enterovírus suíno

Situação epidemiológica atual da infecção por enterovírus suino B em rebanhos suínos Na Coreia, PEV-B foi isolado em uma fazenda comercial de leitões lactentes que não apresentavam sinais clínicos de diarreia ou lesões de pele no momento da colheita das amostras, e a sequencia genômica completa foi determinada, mostrando grande similaridade com a amostra isolada na Hungria (MOON et al., 2012). Na China, Yang et al., (2013) observaram alta prevalência de PEV-B em amostras fecais obtidas de animais saudáveis, sendo os animais entre 10 a 15 semanas os que apresentaram maior frequência de positividade. Estes autores sugerem grande disseminação de PEV-B na população suína da China e ao fazerem a infecção experimental com a cepa de PEV-B isolada em leitões de duas semanas de idade, observaram paralisia flácida dos membros posteriores.

Estudos relacionados a mais de um gênero de PEV Estudo recente realizado na República Tcheca demonstrou que PTV, PSV e PEV-B ocorrem comumente em rebanhos

de suínos domésticos, com prevalência similar nas fazendas de suínos selvagens, sugerindo a possibilidade de transmissão entre suínos selvagens e domésticos (PRODELALOVÁ, 2012). Neste estudo, foi observada maior prevalência de PEV-B tanto em suínos domésticos quanto selvagens, seguida por PTV e PSV. Na maioria dos casos, os animais estavam infectados simultaneamente com dois ou até mesmo os três vírus pesquisados, sendo que a infecção foi mais frequente em animais após o desmame e em idade de abate (PRODELALOVÁ, 2012). Informação semelhante foi observada por Sozzi et al., (2010), na Itália, que verificaram um total de 55 cepas de RNA vírus em 40 amostras fecais testadas. A maior identificação foi de PTV (34 amostras), seguida por PSV (14 amostras) e, por último, PEV-B (7 amostras). Estes resultados demonstram que infecções mistas com dois vírus foi observada nos animais, sendo a associação PSV + PTV a mais comum (11 casos), e a associação PSV + PEV-B de igual ocorrência à associação PTV + PEV-B (2 casos cada). Na Espanha, Pina-Pedrero et al. (2012) (dados não publicados), utilizando amostras de fezes de porcas e leitões de diferentes idades, empregaram a técnica de Nested-PCR para investigar a presença Ano VIII - nº 47/2013


Sanidade de PEV-B e PSV, sendo observada a excreção de PEV-B com prevalência variando de 2,3% a 82,4% nos diferentes rebanhos incluídos no estudo. Esses mesmos autores obsevaram ainda maior taxa de excreção viral em fezes de animais com idade superior a 3 semanas (prevalência média maior que 66%). O estudo demonstrou também a baixa prevalência da infecção com o PSV, uma vez que apenas um dos seis rebanhos incluídos no experimento foi positivo para esse vírus. Na Hungria, Boros, Pankovics e Reuter, (2011), por meio da identificação do RNA em material fecal, caracterizaram um novo enterovírus em suínos domésticos. O vírus não foi identificado em amostras sanguíneas, indicando ausência de viremia deste patógeno. Porém, contrariamente ao estudo realizado na República Tcheca, observou-se alta frequência do vírus em animais jovens (leitões de 10 dias de idade) e nenhum isolamento em animais adultos, o que sugere um ciclo de infecção relativamente curto para este agente. Boros et al., (2012)b identificaram alta incidência de PEV na Hungria (50%) em leitões de suínos selvagens com idade entre 6 e 8 semanas que não apresentavam sinais clínicos durante a coleta. Posteriormente, o genoma completo do PEV destes animais foi caracterizado, concluindo-se que circulava nestes animais um novo genótipo de PEV (BOROS et. al., 2012b), o que sugere circulação endêmica de PEVs entre os suínos selvagens. Na Suíça, Handke et al., (2012), ao pesquisarem as causas de desordens reprodutivas em fêmeas que apresentavam fetos mumificados, aborto, natimortos e leitões nascidos fracos, após o início da epizootia da síndrome da refugagem multissistêmica, observaram que, dentre outras causas, enterovírus/teschovírus, que foram ligeiramente estudados nos casos de etiologia desconhecida, apresentaram uma prevalência de 11%, tendo sido a primeira identificação destes agentes em tecido fetal na Suíça (Figura 6). Ano VIII - nº 47/2013

Na Hungria e na China, em 2011 e 2012, dois novos enterovírus suínos oriundos de amostras fecais foram identificados. Por meio do sequenciamento do genoma completo, esses enterovírus suínos apresentaram-se semelhantes às cepas de PEV9 e PEV10 (LAN et al., 2011; REN et al., 2012).

Considerações finais Os PEVs constituem um grupo viral ainda pouco estudado, provavelmente pelas complicadas posições taxonômicas dos integrantes do gênero. Até 2011 havia apenas duas sequências genômicas completas de PEVs disponibilizadas em bases públicas de dados. Dessa forma, o conhecimento sobre a prevalência e a epidemiologia molecular dos PEV-B, PTV e PSV nos suínos domésticos ainda é escasso. Estes estudos recentes realizados na Europa e na Ásia evidenciaram ampla distribuição geográfica dos PEVs em suínos. No Brasil, não há informações sobre a distribuição dos PEVs nos rebanhos suinícolas e tão pouco de seu papel como agente primário ou mesmo secundário em situações de casos clínicos. A identificação e a caracterização de cepas de PEV a partir de diferentes regiões geográficas são importantes para a compreensão da epidemiologia, a distribuição mundial do vírus e a sua heterogeneidade, bem como para conhecimento de sua associação com infecções sintomáticas em suínos e do comportamento das infecções (sintomáticas x assintomáticas) em situações de coinfecção com outros agentes virais, particularmente aqueles com potencial imunodepressor. Além disso, a ocorrência frequente de mutações pontuais nos enterovírus, que podem gerar cepas virais com maior potencial patogênico, justifica o monitoramento das cepas virais circulantes em uma região ou até mesmo em rebanhos específicos.

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Entrevista Manejo em bandas Especialista em programas que visam a desenvolver talentos e manter funcionários motivados, o médico-veterinário Miquel Collell conta como obter melhor aproveitamento da mão de obra pelo sistema de manejo em bandas

Miquel Collell O Dr. Miquel Collell, médico-veterinário especialista em Recursos Humanos, tem sua trajetória voltada à implantação de programas que visam a desenvolver talentos e manter funcionários motivados, utilizando a organização dos sistemas de produção e preservando a saúde dos animais para obter o máximo de produtividade. Confira na entrevista abaixo as dicas de Collell para melhor aproveitamento da mão de obra, recorrendo ao manejo em bandas.

S&C: Pela sua experiência, como o manejo em bandas pode otimizar a mão de obra mais qualificada? Miquel Collell: Em minha opinião, é essencial, primeiramente, entender o que significa manejo em bandas. Muita gente acredita que ele ocorre apenas quando há partos a cada duas ou três semanas, mas não é o correto. Para se trabalhar bem em uma granja temos de tê-la organizada em bandas mesmo a cada semana, e isso significa ter todas as fêmeas daquela banda parindo, desmamando e cobrindo de uma só vez. Apenas dessa forma permitese trabalhar com o conceito de fluxo e manejo tudo dentro/tudo fora. Sem dúvida, esse é o manejo essencial em um sistema moderno de suinocultura. S&C: O manejo em bandas ou lote a cada semana, com formação baseada em três dias de cobertura para obter partos também

em três dias, pode ser uma boa estratégia para diminuir a mortalidade de leitões nos primeiros dias de vida? Miquel Collell: Sem dúvida. A porca moderna é uma fêmea que cada vez nos dá mais leitões e possui as tetas que tem. Isso é fato. Assim, é essencial termos uma boa estratégia de transferências de leitões e consumo de colostro, mas isso apenas se consegue de forma adequada, obtendo-se maior quantidade de partos no mesmo dia. S&C: Como o manejo em bandas pode contribuir para a sanidade do plantel? Miquel Collell: De uma maneira tremenda, obtendo-se animais das mesmas origem e idade. Básico e essencial quando se trata de saúde e medicina preventiva. Podemos recordar a quantidade de resfriados que se tem com crianças em casa quando elas iniciam a vida escolar. Se tivermos esta visão no sistema de produção de suínos, aconteceria o mesmo com os leitões quando desmamam e estão constantemente com indivíduos de origem e idade diferentes. Por outro lado, também pode nos ajudar a cumprir com o objetivo essencial no controle de doenças, que é a pratica do manejo tudo dentro/tudo fora. S&C: O senhor acredita que tarefas como inseminação artificial, assistência ao parto e cuidados com os recém-nascidos exigem habilidades e características semelhantes dos funcionários que trabalham nessas áreas? Miquel Collell: Cada tarefa necessita de habilidades diferentes. Por isso, é muito importante ter pessoas treinadas em diferentes áreas. Porém, não podemos esquecer a habilidade natural que é necessária para realizar essas distintas funções, sendo muito importante identificar esses

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Entrevista talentos e mantê-los motivados em funções produtivas, respeitando a habilidade individual e o perfil da função que os profissionais possam exercer. S&C: O tamanho da granja, em relação ao plantel de animais de reprodução, poderá limitar a indicação do manejo em bandas? Miquel Collell: De forma alguma. Como falei no início desta entrevista, existe muita confusão do que é o manejo em bandas. As granjas podem e devem se ajustar a manejos organizados que permitam otimizar seus recursos, independentemente do seu tamanho. Em granjas com tarefas e rotinas fragmentadas, que ocorrem a cada dia, torna-se impossível ajustar seus fluxos e otimizar recursos. Hoje só de pensar em trabalhar em uma granja sem sistema de bandas, sinto-me morto apenas de falar. Enfim, é necessário ter animais agrupados em determinados padrões, não importando o tamanho da granja, seja ela com 100 ou 100.000 matrizes. Sendo a saúde o maior tesouro do plantel, devemos preservá-la, a começar pela formação dos lotes de leitões, que devem ter as mesmas origem e idade. S&C: Quando não indicaria o manejo em bandas? Miquel Collell: Acredito que ajustaria a pergunta respondendo que o manejo em bandas é essencial sempre que se queira ter a granja competitiva e adaptada à realidade de produção mundial. S&C: Quais seriam as principais vantagens do manejo em bandas? Miquel Collell: As vantagens são muitas e podem proporcionar rentabilidade em até 200% em alguns casos. Para cada real investido, obtenho dois como beneficio. Evidentemente, estes são casos mais extremos, quando há um sistema deficiente de produção. Em minha opinião, a

maior vantagem de um sistema de produção é ter organização no fluxo e possível prática de medicina preventiva. S&C: Qual seria o maior desafio para se colocar em funcionamento o sistema de manejo em bandas? Miquel Collell: Em primeiro lugar, é mais fácil entender a necessidade de se ter a granja organizada. No meu entender, se não tenho a granja organizada em bandas, é ela que me leva, e não eu que a levo. S&C: Você acredita em organização e otimização de recursos sem que seja aplicada a organização das coberturas por meio do manejo em bandas? Miquel Collell: Absolutamente, agrupar trabalhos sempre será a forma de otimizá-los. S&C: Em granjas com mais de 3.000 matrizes, é possível que elas desmamem apenas uma vez por semana? Miquel Collell: Depende da granja e do sistema que se tenha para conseguir um fluxo e poder aplicá-lo ao manejo tudo dentro/tudo fora. Não se pode responder corretamente a essa pergunta sem conhecer a foto global do sistema. S&C: Quando recomendaria dois ou mais desmames na mesma semana em uma mesma granja? Miquel Collell: Diria o mesmo que disse anteriormente: depende do sistema. Um conceito importante é que se

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deve considerar que a sala de maternidade seja ocupada e esvaziada no mesmo dia, que se possa encher e esvaziar uma sala de creche e ocorra o mesmo na de terminação. Dessa forma, pergunte ao próprio sistema, e ele responderá que será de acordo com as instalações e o fluxo da granja. S&C: O senhor acredita que o manejo de nulíparas tenha de ser diferenciado quando se adota o manejo em bandas? Miquel Collell: Absolutamente, apenas não se pode esquecer que as marrãs sempre requerem um tratamento diferenciado. S&C: Qual a melhor estratégia, depois de adotado a técnica de manejo em bandas, para reter talentos? Miquel Collell: Eu diria que seja qual for o sistema para reter talentos, temos de considerar muitas coisas, tais como formação contínua, ambiente de trabalho, exigir o que foi ensinado, regras claras, salários, prêmios, qualidade de vida, sentir-se como parte da equipe. São tantas coisas, porém, depende do sistema e do grau de envolvimento. S&C: Qual a sua principal mensagem quando existe a necessidade de se otimizar recursos em um sistema de produção e por onde começar? Miquel Collell: Pensando, pois pensar é uma coisa que fazemos pouco. Isso é um fato. Por que fazemos o que fazemos? E como estamos fazendo o básico? Suínos & Cia

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Sumários de Pesquisa Nova diarreia suína neonatal I. Resultado clínico em um rebanho afetado Uma nova diarreia neonatal (NNPD, sigla em inglês), de origem desconhecida, tem afetado leitões globalmente durante a última década. O estudo conduzido por Wallgren, P. & Merza, M., da Universidade de Uppsala, na Suécia (IPVS, 2012, p.75), documenta os resultados clínicos da diarreia neonatal em um rebanho afetado pela NNPD. Método: O estudo foi conduzido em uma granja produtora de leitões que foi afetada pela diarreia neonatal, de origem desconhecida, há um ano. O início da doença foi súbito, com alta morbidade, em um grupo de parição, e o rebanho tem estado afetado pela NNPD desde então. Nenhum antibiótico foi adicionado à ração, mas os leitões afetados pela NNPD foram medicados individualmente. O rebanho foi uma granja-satélite de matrizes onde 72 porcas parem a cada oito semanas, em um sistema de produção segregado por idade. A ordem de parição de 31 porcas que pariram dentro de três dias, em

um grupo de parto, foi registrada. Os leitões destas porcas foram acompanhados cuidadosamente com relação à diarreia, diariamente, durante a primeira semana de vida. Também foram monitoradas a mortalidade e o ganho de peso dos leitões Resultados: Como demonstrado na tabela 1, a NNPD foi registrada em todas as leitegadas paridas por leitoas, e o número de leitões afetados cessou a partir de então, sem nenhuma incidência nas lei-

Tabela 1. Incidência de NNPD relacionada à ordem de parto Ordem de parto

N° leitegadas

Leitões c/ NNPD / leitegada

Leitegadas afetadas

1

5

8,6 ± 3,1

100%

2

6

4,0 ± 4,8

67%

3

3

6,7 ± 5,8

67%

4

3

0

0

5

5

0,6 ± 1,3

20%

6

3

3,7 ± 5,5

67%

7-8

6

2,3 ± 3,9

50%

Tabela 2. Produtividade de leitegadas ou não pela NNPD Saudáveis (n=14)

Signif.

OP

4,8 ± 1,8

3,2 ± 2,4

NS

Nascidos vivos

13,1 ± 1,5

14,0 ± 1,5

NS

Desmamados c/5 semanas

10,1 ± 1,8

10,8 ± 1,9

NS

Vivos c/ 11 semanas

10,1 ± 1,8

10,6 ± 2,0

NS

0

7,1 ± 5,4

p<0,001

Diarreia semana 1 (n)

0,5 ± 1,9

8,7 ± 5,6

p<0,001

Peso c/ 5 semanas (kg)

10,5 ± 1,0

9,6 ± 0,9

p<0,05

Peso c/11 semanas (kg)

23,9 ± 3,0

21,6 ± 2,8

p<0,05

Diarreia dia 1

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NNPD (n-17)

(n)

tegadas de porcas de ordem de parto 4. No dia do nascimento a diarreia foi registrada em 17 dentre 31 leitegadas estudadas. Não ocorreu uma mortalidade grande de leitões, mas aqueles de leitegadas afetadas pela NNPD foram mais leves ao desmame e também com a idade de 11 semanas (Tabela 2). Discussão: A NNPD não aumentou a mortalidade de leitões, provavelmente devido à medicação imediata quando diagnosticada a diarreia. Apesar disso, uma redução de peso foi observada nas leitegadas afetadas pela NNPD, o que enfatiza a importância da doença. Quando o estudo foi conduzido, a penicilina G foi usada com sucesso para tratar leitões com NNPD, mas alguns meses mais tarde a granja foi forçada a mudar para o princípio ativo a base de Sulfa + Trimetoprim. Como as duas drogas possuem diferentes espectros antimicrobianos, esta observação sugere que os tratamentos mais dificultam a aceleração das infecções secundárias do que combatem a NNPD. Todas as leitegadas paridas por leitoas foram afetadas pela NNPD, mas a doença foi registrada apenas em uma entre oito leitegadas produzidas pelas porcas de quarta ou quinta ordens de parto. Assim, os resultados indicam que as porcas, com a idade, desenvolvem imunidade contra o agente causal da NNPD e a transferem à sua prole via colostro. Entretanto, como a incidência da NNPD voltou a crescer nas leitegadas de fêmeas mais velhas (Tabela 1.), a proteção colostral parece não estar assegurada ao longo do tempo. Ano VIII - nº 47/2013


Sumários de Pesquisa Nova diarreia suína neonatal - aspectos etiológicos II. Aspectos da etiologia Pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia (Wallgren, P. e colaboradores, IPVS, 2012, p.76), investigaram o papel da E. coli em leitões afetados por uma nova diarreia neonatal suína (NNPD, sigla em inglês). Esta doença tem afetado leitões globalmente durante a última década. Como a E. coli é um importante microrganismo associado com a diarreia neonatal, o papel da E. coli foi investigado em leitões com diarreia em uma granja afetada pela NNPD. Método: O estudo foi realizado em uma granja afetada por um ano, por uma diarreia neonatal, de origem desconhecida, na qual os animais afetados foram medicados de forma individual, sem medicação no alimento. A observação foi realizada nas leitegadas de 31 porcas de um grupo de parição que pariram durante três dias. Foram analisadas amostras fecais de 23 leitões clinicamente diagnosticados com NNPD no dia do nascimento, bem como de 11 leitões aparentemente sadios, no mesmo dia, para analisar e comparar a flora por E. coli. Todas as amostras foram coletadas antes que qualquer tratamento medicamentoso fosse iniciado. A flora fecal de E. coli foi analisada bioquimicamente, utilizando o sistema de placa de pheny, e a diversidade da flora foi definida em cada leitão. Depois, as floras de leitões com diarreia foram comparadas com de leitões aparentemente sadios. Resultados: Foi possível observar como foi elevada a diversidade da flora fecal de E. coli, tanto nos leitões sadios

como nos afetados pela NNPD. No total foram identificados oito clones dominantes diferentes de E. coli nos 11 leitões sadios e 17 nos 23 leitões afetados pela NNPD. Um destes 17 clones foi definido como OX46, um sorotipo não oficial de E. coli, que foi diagnosticado na Suécia desde os anos 70. Os 76 clones restantes não pertenciam a nenhum sorotipo incluído na placa. Tão pouco a placa identificou qualquer sorotipo específico em cinco dos oito clones dominantes procedentes dos leitões sadios. Discussão: A diversidade da flora dos leitões com diarreia induzida por E. coli seria muito baixa devido ao impacto da cepa causal, a qual dominaria a flora intestinal. Portanto, os resultados obtidos sugerem que a E. coli não é a responsável pela NNPD, conforme também já concluído previamente. Este resultado se viu reforçado pela falta de um clone comum dominante de E. Coli nos 23 leitões diagnosticados com NNPD. Os autores

Tabela 1. Diversidade da flora de E. coli no dia do nascimento em leitões sadios ou afetados pela NNPD. Ela também apresenta o número de clones dominantes de E. coli identificados, bem como os sorotipos dos clones Sadios (n=11)

NNPD (n=23)

Índice de diversidade

0,67 ± 0,30

0,83 ± 0,26

Clones dominantes

8

17

O8 e O141

2/8

-

Serotipagem dos clones O157

1/8

-

OX46

-

1/17

O?

5/8

16/17

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NS

suspeitam de uma possível etiologia viral para esta síndrome, na qual um agente já foi reconhecido, e trabalhos estão em progresso para estabelecer a correlação entre ele e a síndrome em questão.

Sêmen suíno congelado: qual o intervalo ideal entre duas inseminações? Na inseminação artificial de suínos, embora existam algumas vantagens para o uso de sêmen congelado, estas são, muitas vezes, ofuscadas por limitações como uma variável taxa de prenhez e menor tamanho de leitegada. Este problema tem sido atribuído ao tempo de vida encurtado de sêmen congelado in vivo, ou seja, após ser depositado no trato genital da fêmea. Os resultados de fertilidade no momento da inseminação em relação à ovulação estabeleceram que inseminações ocorrendo mais próximo do momento da ovulação resultam em maior incidência de fertilização. Devido ao tempo de vida encurtado do sêmen congelado, o horário de inseminação em relação ao momento da ovulação é importante para maximizar a taxa de prenhez e o tamanho da leitegada. No entanto, este resultado é, muitas vezes, difícil de conseguir devido à grande variação no intervalo entre o início do estro e a ovulação. Pesquisas anteriores indicaram que a ovulação ocorre entre 32h e 48h após o aparecimento do cio em porcas e entre 30h e 40h após o início do estro em marrãs.

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Sumários de Pesquisa Uma incerteza que existe em um sistema de múltiplas inseminações com sêmen congelado é o efeito do intervalo de espaçamento entre elas sobre o resultado em geral da taxa de prenhez e o tamanho da leitegada, bem como o efeito de fertilidade de cada uma das doses aplicadas por fêmea inseminada. Isso se torna uma importante questão ao considerar que uma resposta imune ocorre após cada inseminação, resultando em um afluxo maciço de leucócitos no lúmen do útero para remover espermatozoides danificados ou mortos. Há mais destes espermatozoides inseminados com o uso de sêmen descongelado (FTS), e intervalos de inseminação mais próximos são necessários para compensar o reduzido tempo de vida do esperma. O objetivo desta pesquisa conduzida por Jennifer M. Ringwelski e colaboradores, do Departamento de Ciência Animal da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos (Animal Reproduction Science, v.137, p.197-204, 2013), foi testar os efeitos da IA com sêmen congelado em intervalos de 4, 8 ou 16h entre inseminações em relação ao intervalo estroovulação para determinar seu efeito sobre o estabelecimento de prenhez, tamanho de leitegada e proporção de fetos fecundados por cada inseminação. Método: O sêmen de 11 cachaços foi coletado e congelado em palhetas de 0,5 mL com 1,4 × 109 cells/mL. O momento do estro foi sincronizado em marrãs (n=191), usando Regumate ®, e elas foram distribuídas para os seguintes tratamentos: (1) IA em um intervalo de 4h (34h e 38h); (2) IA em um intervalo de 8h (30h e 38h); ou (3) IA em um intervalo de 16h (22h e 38 h). A ultrassonografia foi realizada para determinar o momento da ovulação. Em cada tratamento, a primeira e a segunda IA foram de machos exclusivos (únicos) para permitir a identificação de paternidade, usando marcadores microssatélites (teste de DNA). Cada reprodutor

foi representado na primeira e/ou segunda inseminação. As leitoas receberam uma IA com 2 × 109 espermatozoides de sêmen descongelado em 80 mL de diluente. A taxa de parição e o tamanho da leitegada foram avaliados no momento do abate, no 33º dia depois da IA. Resultados: O intervalo entre as inseminações afetou a taxa de prenhez com os intervalos de IA de 8h (80%) e 16h (75%) obtendo-se maiores taxas do que o intervalo de 4h (55%) (Tabela 1). O intervalo de início do estro-ovulação (IEO) também afetou a taxa de prenhez, sendo maior para leitoas que tiveram ovulações por volta de 36h (85%) em comparação com aquelas que tiveram ovulações em torno de 24h (55%) e de 60h (47%), mas não diferiram daquelas que tiveram ovulações em torno de 48h (74%). O total de fetos (10,7), número de fetos normais (10.2) e sobrevivência embrionária (70,4) não foram afetados pelo intervalo entre as inseminações ou intervalo de início do estro-ovulação. Houve uma interação do tratamento (intervalo entre IA) com o IEO (P< 0,05). Leitoas inseminadas em intervalos

Tabela 1. Médias de quadrados mínimos para taxa de prenhez e fetos normais saudáveis e dados de sobrevivência de embriões em resposta a diferentes intervalos entre inseminações ocorridas em intervalos de 4, 8 ou 16h usando 2x 109 espermatozoides suínos congelados Intervalo entre IA

Taxa de prenhez

Total fetos / leitegada

N° fetos nor- Sobrevivência mais/leitegada embrionária

4h

58

55,4 %

9,8 ± 0,7

9.5 ± 0.7

66.0 ± 5.2

8h

55

80,0 %

10.8 ± 0.6

10.4 ± 0.6

70.2 ± 4.4

16h

60

75,9 %

11.2 ± 0.6

10.5 ± 0.6

73.9 ± 4.4

Diferentes subscritos (x e y) dentro da coluna são diferentes (p<0,05) a) Inseminações para cada tratamento ocorreram nos seguintes horários: 4h (34h e 38 h), 8h (30h e 38 h ou intervalos de16h (22h e 38h).

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de 8h ou 16h, com 36h ou 48h de intervalo estro-ovulação, mostraram alterações, com um desequilíbrio na proporção da fecundação pela segunda IA. Ou seja, no caso das inseminações com intervalo de 8h, quando a ovulação girou ao redor de 36h, a 2ª IA resultou em uma proporção de leitões correspondente a 37% da leitegada vs. 62% quando a ovulação ocorreu ao redor de 48h. No caso das inseminações intervaladas em 16h, quando a ovulação ocorreu ao redor de 36h, a 2ª IA resultou em proporção de 25,8% da leitegada vs. 73% quando a ovulação com ocorreu ao redor de 48h. Leitoas inseminadas em um intervalo de 4h não apresentaram essas alterações, ou seja, com proporções de prole gerada sempre semelhante para a 2ª inseminação (nos casos de ovulação ao redor de 36h, a 2ª IA resultou em proporção de 53% da leitegada vs. 46% nos casos de ovulação com 48h). Os resultados deste estudo indicam que o intervalo entre as inseminações e o momento da ovulação afeta a taxa de prenhez, mas não o tamanho da leitegada. Porém, interagem para afetar a proporção progênie fecundada pela segunda inseminação. Segundo os autores, ficou claro, a partir destes dados, que o espaçamento ótimo entre inseminações é importante para a fertilidade e depende do intervalo entre o início do estro-ovulação. Quando se usam duas inseminações com sêmen congelado, um intervalo de 8h a 16h entre inseminações resulta em maiores taxas de prenhez com tamanho de leitegada aceitável quando a ovulação ocorre dentro de uma faixa normal para leitoas (33h a 42h). Ano VIII - nº 47/2013

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Pentágono

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Revisão Técnica Resumo da 45ª Jornada de Pesquisa Suína Neste artigo, o Dr. Antonio Palomo Yagüe relata os principais pontos debatidos durante a 45ª Jornada de Pesquisa Suína, que foi realizada em Paris, na França, entre 5 e 6 de fevereiro deste ano.

Economia e sociologia • RAMONET, Y.  Com base em um estudo realizado em 11 granjas produtoras de suínos, foi desenvolvido um modelo para avaliar o custo das instalações, levando-se em conta os custos atuais das construções e a depreciação pelo tempo e pelo uso. O custo por suíno foi baseado nos valores das fundações, paredes, pisos, telhados, eletricidade, hidráulica e equipamentos interiores. O coeficiente de depreciação depende da construção, da renovação anual e também do coeficiente de uso baseado na qualidade das instalações presentes. • LEGENDRE, V.  O impacto do custo da mão de obra sobre a produção aumentou nesses últimos anos, na maioria dos países europeus, sendo maior em uns do que em outros devido às regras relativas aos trabalhadores estrangeiros (mais rígidas na França do que na Alemanha e na Espanha). No caso da primeira, de 40% a 60% dos custos de abate de suínos em frigoríficos correspondem à mão de obra (6 a 12 centavos de €/kg de carcaça); e nas fábricas de embutidos e cortes nobres estima-se esse custo entre 35% e 45%.

granjas, as maiores são mais eficientes do que as pequenas (244 vs 142 porcas), chegando a haver até seis leitões de diferença por porca em produção/ano, entre as melhores e as piores. O gasto terapêutico varia de € 85,00 a € 122,00/porca/ano. • PICRON, P.  Os três pilares de sustentabilidade da produção de suínos, na Bélgica, estão concentrados na redução do impacto ao meio ambiente, na resposta às necessidades da sociedade – consumidores e produtores – e na viabilidade econômica. • HEBEL, P.  Estudo realizado sobre a evolução dos hábitos de consumo de carne determinou que os trabalhadores braçais (trabalho físico) e agrícolas são os que a consomem mais. Nos últimos 30 anos o consumo de carne aumentou até chegar ao consumo atual, consequência de um “efeito geracional”, uma vez que os jovens preferem alimentos processados​​

Antonio Palomo Yagüe Diretor da Divisão de Suinocultura SETNA NUTRICION SA – INZO antoniopalomo@setna.com

e do tipo fast-food, em função das mudanças em seus estilos de vida e sua gestão de tempo (a demanda por serviços relacionados com os alimentos teve uma redução de 20% entre 1997 e 2007). Os homens consomem carne 1,4 vezes mais do que as mulheres, e as pessoas com idade entre 55 e 64 anos consomem cerca de 15% a mais do que as de 15 a 24 anos. O que influencia prioritariamente essa situação são a saúde e o bem-estar animal. • TREGARO, Y.  A Duma (uma das Câmaras que compõem o sistema legislativo russo) concluiu o processo de adesão do país à Organização Mundial do Comércio em julho de 2012. Entre 1990 e 1997 a produção de carne suína na Rússia diminuiu 55%, após o desmantelamento do Estado comunista. No setor agrícola, a produção de suínos representa 9%, terceiro maior produto após cereais e leite. Sua autossuficiência vem crescendo na última década e tem por objetivo estar concluída até 2020.

• ROGUET, C.  20% das granjas que melhor produzem, na França, – entre 2.742 propriedades que têm margem padronizada de benefícios – possuem os melhores dados de produção (considerando significativamente todos os critérios), mas não os melhores níveis para cada critério separadamente. As melhores empresas de 2010 correspondem às melhores de 2000, e os pontos fortes delas estão em seus custos fixos, no seu bom nível técnico, na melhora da eficiência de seus dados de produção, na margem de lucro por quilo produzido e no seu status econômico saudável. Considerando-se o tamanho das Suínos & Cia

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Revisão Técnica Neste período, a UE e o Brasil foram os primeiros provedores de carne suína para o mercado russo, com 354 mil e 390 mil toneladas em 2005 e 2011, respectivamente, o que representou 20% e 50% das importações totais. Os russos consomem, atualmente, 23 quilos de carne suína/habitante, dos quais 16,5 kg correspondem à produção local. Os primeiros seis grupos industriais do setor de carne suína, na Rússia, são Miratorg, Agro-Belogorie, Cherkizovo, Prodo, Rusagro e Agrário Sibyrian. Somente o Miratorg produziu 270 mil toneladas em 2012, e essa situação pode contribuir para o aumento da volatilização dos preços dos grãos nos países europeus. • AUDRY, A.  Cada país europeu adota um sistema diferente de identificação de suínos para os seus programas de rastreabilidade. Alguns usam como base a localização da granja, outros numeram os leitões no desmame, o que leva a certas complicações da gestão das informações. O princípio da identificação para o movimento de animais, entretanto, concentrase nos conceitos de saúde e bem-estar animal. • ANTOINE, E.  Ciclos de preços refletem a adaptação da produção à demanda. As mudanças sazonais nos preços dos suínos vêm mudando gradualmente, ao longo dos anos, sendo semelhante à evolução dos preços dos lombos e presuntos, enquanto que as diferenças em termos de vísceras e outros produtos foram significativas. • PABOEUF, F.  Comparou os custos de produção de porcas alojadas em grupos, em diferentes sistemas, concluindo que eles são mais elevados em porcas mantidas em palha (+ 12 centavos de €/kg de carcaça) do que naquelas mantidas em piso ripado (devido aos custos mais elevados do trabalho com o estrume). • AUBRY, A.  Os custos de produção variam amplamente, em 30 granjas analisadas localizadas na região da Bretanha, devido à volatilidade dos preços de venda. Essa situação determina que os produtores locais conheçam com precisão os seus custos de produção para entender o seu posicionamento no mercado. BDPORC é o banco de dados nacional francês, que contém a identificação de todas as granjas e da movimentação de animais entre elas. Não há correlação entre esses dados e os do censo GTE, o que Ano VIII - nº 47/2013

os leva a suspeitar que não são declaradas 100% das propriedades (estima-se este índice em 81%).

corporal. Não obstante, em sistemas com racionamento, devemos levar em consideração a redução no ganho médio de peso diário.

Bem-estar, reprodução e conduta

• PRUNIER, A.  Na União Europeia prevê-se o abandono voluntário de castração cirúrgica de leitões a partir de 2018. Machos inteiros são mais agressivos do que os castrados, e a incidência de lesões de pele é um bom parâmetro para a avaliação de tal comportamento. Existem diferenças significativas entre as linhagens genéticas, que são menores em suínos Pietrain do que em mestiços.

• HEUGEBAERT, S.  Comparou o efeito do número de tratos diários no comportamento e nos resultados produtivos de porcas prenhes. O fornecimento da ração de uma única vez, ao invés de duas etapas, manteve as porcas deitadas por mais tempo (40% delas com um só trato vs 33% delas com dois tratos). Essa diferença foi maior no caso de porcas alojadas em piso ripado. Os estereótipos são mais elevados nas fêmeas que consomem ração apenas uma vez por dia (53% vs 44%). O ganho de peso durante a gestação foi maior (47,3 kg vs 41,7 kg) e houve menor deposição de gordura subcutânea (2,3 mm vs 3,0 mm) em porcas prenhas que comeram apenas uma vez ao dia em comparação com aquelas que se alimentaram duas vezes. Os resultados produtivos e o consumo de ração durante a fase de gestação não foram afetados pelo fato de as porcas terem sido alimentadas uma ou duas vezes ao dia. • QUINIOU, N.  A alimentação ad libitum (à vontade) de machos inteiros nos permite conhecer o seu potencial de crescimento máximo. Nos sistemas nos quais se pratica o racionamento pode haver redução dos níveis de androsteroana, da taxa de conversão e da composição

• COURBOULAY, V.  Observou um aumento significativo nos parâmetros sociais negativos (agressão, caudofagia, batidas com a cabeça) em suínos de engorda alimentados com restrição, em comparação à alimentação ad libitum, tanto com alimentos sólidos quanto líquidos. Nos suínos Pietrain puros, esse aumento foi superior, em comparação ao cruzamento Duroc x Pietrain. Em outro trabalho foram observadas diferenças significativas no tempo necessário – para diferentes funcionários – para deslocar porcas da gestação à sala de partos, porcas desmamadas ao local destinado às coberturas e suínos de engorda entre salas distintas, o que reflete a diferença na qualidade da gestão dos recursos humanos. • TALLET, C.  A interação dos suínos com as pessoas, no momento de movê-los entre salas ou durante o carregamento, é influenciada pelo método de castração. Suínos & Cia

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Revisão Técnica Suínos inteiros e imunocastrados têm um comportamento semelhante de atenção frente ao homem, sendo um pouco mais reativos do que os suínos castrados cirurgicamente. Isso resulta na redução do tempo para o carregamento no primeiro caso, frente ao segundo (conceito de manejo de suínos). • BADOUARD, B.  Em um estudo realizado com 20.139 porcas abatidas, originárias de 168 granjas com diferentes sistemas de alimentação, alojamento em grupos e tipos de piso, ficou concluído que o manejo das futuras reprodutoras tem um impacto prioritário na eliminação das causas dos descartes de porcas nos dois primeiros ciclos reprodutivos. As principais causas de eliminação, neste estudo, foram a falha reprodutiva (32%), idade/porcas velhas (28%) e problemas de maternidade (6,1%) e locomotores (12,7%). • BOULOT, S.  A síndrome do segundo parto penaliza os parâmetros reprodutivos nos ciclos subsequentes e reduz a longevidade das fêmeas. De um total de 812 granjas e de mais de 42 mil primíparas, foram analisados a fertilidade na primeira inseminação (< 85%), o tamanho da leitegada (- 2 leitões) e o intervalo desmame/cio (> 7 dias). Em 80% das propriedades, pelo menos um destes três parâmetros foi encontrado, sendo mais frequentes a menor fertilidade e o maior intervalo desmame/cio. Em 21% das granjas encontraram-se, conjuntamente, infertilidade, anestros e leitegadas de tamanho menor.

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• CHARNECA, R.  Comparou a ingestão de colostro e a mortalidade em 52 porcas após o nascimento de leitegadas, baseado na uniformidade de peso dos leitões ao nascer. Porcas com leitões de peso mais homogêneo produzem mais colostro, o que leva a uma tendência positiva para um consumo mais homogêneo de colostro por parte desses leitões, em comparação com os mais heterogêneos. A mortalidade na lactação é menor nos leitões mais homogêneos. • FERCHAUD, S.  O uso de leitões jovens (< 1 ano), a sazonalidade, as porcas de primeiro ciclo, a idade do sêmen na primeira inseminação, o dia da primeira inseminação e a genética do cachaço são fatores determinantes que afetam tanto a fertilidade quanto o tamanho da leitegada. Esse estudo foi realizado com 304 cachaços e 5.011 ejaculados.

Q-Porkchains • BONNEAU, M.  Trata-se de um projeto de investigação europeu voltado para a cadeia sustentável de produção de suínos (www.q-porkchains.org), implantado entre janeiro de 2007 e junho de 2012, em 20 países e com 62 parceiros, coordenado pela Universidade de Copenhague, com um montante de € 20 milhões, dos quais € 15 milhões foram provenientes da Comissão Europeia. O objetivo do projeto foi o de contribuir para o desenvolvimen-

to da inovação, integridade e sustentabilidade da produção de derivados de carne suína de alta qualidade, com base nas demandas e expectativas dos consumidores de diferentes países. O projeto produziu e difundiu novos conhecimentos a partir das exigências dos consumidores, da sustentabilidade dos sistemas de produção e dos sistemas de processamento de produtos, bem como da cadeia de manuseio e determinação das medidas de qualidade. O conjunto de conhecimentos está integrado a um modelo www.qpc-models.dk. O projeto resume-se em cinco pontos-base, nos moldes de uma primeira abordagem multidisciplinar, explorando os parâmetros de diversidade, maior durabilidade, qualidade de gestão e, no final, as plataformas de computação web (além das duas mencionadas, dispõe ainda da de treinamento, www.porktraining.org; de uma instrumental, www.tgxnet.no/qpc-cPDT; e de uma para a indústria, www.q-industry.org/porkchains). Os sistemas de sustentabilidade são avaliados com base nas variáveis ​​de bemestar animal, sanidade, recursos genéticos, ambiente, segurança sanitária dos produtos, qualidade de carcaça, economia e condições de trabalho, dos quais se obtém um índice de sustentabilidade global. O projeto revelou conflitos de interesse entre os parâmetros econômicos e os de bem-estar animal. • ARNAU, J.  Os produtos alimentícios processados em muitos países europeus contribuem com cerca de 20% do sódio ingerido na dieta humana (produtos derivados de carne, 26,16%; pão, 19,06%; lácteos: 15,6%). O valor máximo recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para a ingestão de sal é de 5 g/pessoa/dia. Assim, a indústria está interessada em reduzir o teor de sal dos produtos derivados da carne tanto para atender à demanda dos consumidores quanto das autoridades de saúde. Para tanto está se considerando a aplicação da tecnologia QDS (“Quick Dry Slice” ou corte de secagem rápida), em combinação com a utilização de sais de potássio (KCl) e cloreto de cálcio (CaCl2), em vez de cloreto de sódio (NaCl). Para se aplicar essa técnica é necessário saber a duração exata do período de salga dos presuntos frescos, baseado no seu teor de gordura (parâmetro crucial) e utilizando a tecnologia de raios X e de indução eletromagnética: www.metalquimia.com. Ano VIII - nº 47/2013


Revisão Técnica cimento dos animais nem na qualidade das carcaças. Em compensação, notou um nível mais elevado de amoníaco, menor nível de metano e odores mais pronunciados, além dos suínos se apresentarem mais sujos, com menos palha, quando ela era trocada apenas a cada duas semanas.

Alimentação

• PENNAMEN, F.  O grupo Glon-Sanders desenvolveu o WIKIPORC, sistema de informação baseado em um portal da web original para otimizar as atividades entre os participantes com relação à sanidade, qualidade e resultados técnicos e econômicos dos suínos fornecedores de matéria-prima. Incluem os resultados de abate, análises laboratoriais, índices técnicos, indicadores econômicos, relatórios veterinários, prescrições de medicamentos e estado de saúde do plantel em tempo real, assim como recomendações para otimizar o manejo da granja.

Meio ambiente • FLORENCE, F.  O uso de aminoácidos sintéticos reduz o teor de proteína bruta das rações e a excreção de nitrogênio nos dejetos, o que diminui a eutrofização do solo, mantendo constantes os parâmetros de produção. A redução do impacto ambiental é estimada em 20%. • QUIDEAU, P.  O componente líquido dos dejetos é fonte de metano (CH4), que contribui para o aquecimento global. A remoção precoce dos dejetos das lagoas e sua submissão à digestão anaeróbica permitem reduzir este impacto, além de aproveitar a energia liberada na forma de biogás. O potencial de produção de metano por um suíno de engorda (de 30 a 115 kg de peso corporal) é de 10,8 Nm3. Nos meses de verão, a produção de amoníaco chega a ser incrementada duas veAno VIII - nº 47/2013

zes, em comparação com os meses frios. Parte do nitrogênio eliminado nos dejetos é preservada durante a digestão anaeróbica mesófila, e uma porção do nitrogênio orgânico é convertido em amônia. O efeito da digestão anaeróbica é ótimo, a um pH entre 7,2 e 8,2. • LEVASSEUR, P.  Apresentou um projeto para reduzir as emissões de gases de efeito estufa nas granjas de suínos por meio de uma pequena unidade de digestão anaeróbica construída em uma granja de 200 matrizes em ciclo completo. Uma propriedade desse porte produz o equivalente a 800 toneladas de CO2 por ano, sendo 42% proveniente do interior das baias, 33% do armazenamento externo e 10% da dispersão. O investimento não é rentável em função do seu alto custo e do valor da energia produzida. • LAGADEC, S.  Comparou níveis de diferentes gases em salas de engorda, em duas situações distintas: quando os dejetos são mantidos no fosso abaixo dos animais e quando se elimina cada um dos gases por meio de um sistema de extração de ar. A concentração dos gases foi inferior na segunda situação (28% vs 31% de amoníaco, 8% vs 80% de óxido nitroso e 11% vs 39% de metano). • GUINGAND, N.  Testou a redução da quantidade de palha de cama no setor de engorda (de 90 kg/suíno para 60 kg/suíno), não tendo observado nenhuma variação no desempenho do cres-

• GLOAGUEN, M.  Realizou dois testes para comparar o efeito da redução de proteína bruta em dietas para leitões desmamados na fase inicial (10 a 20 kg de peso vivo ou PV) sobre a retenção de nitrogênio e os parâmetros de produção. Foram testadas seis dietas com os níveis de proteína bruta (PB) variando de 19,7% a 12,7% e mantendo o equilíbrio dos ácidos aminados (lisina, metionina-cistina, treonina, triptofano, valina, isoleucina, histidina e leucina). Os parâmetros zootécnicos não foram afetados entre 17,6% e 13,5% de PB. Entre 19,6% e 16,8% de PB não houve variação na retenção de nitrogênio, e sua excreção foi reduzida em 29%. Quando se reduziram os níveis de proteína bruta de 14% para 12,7%, diminuiu a retenção de nitrogênio. Assim, utilizando valina, leucina, isoleucina, histidina e fenilalanina sintéticas, foi possível baixar em 4 pontos o nível de proteína bruta nas rações iniciais para leitões, sem afetar os parâmetros de produção. As dietas tinham um balanço eletrolítico de 180 mEq/kg. • CLOUTIER, L.  Observou em suínos entre 20 e 110 kg PV sua capacidade de crescimento compensatório frente a restrições distintas de lisina (cerca de 30% a menos) em três fases (um, dois ou os todos três períodos). A diminuição das suplementações de lisina não afeta a retenção de gordura corporal. Neste estudo, a carência de lisina resultou em uma diminuição do consumo diário médio de 10%; do ganho de peso de 25% e da eficiência alimentar de 15% durante o período de duração da restrição de lisina. • QUINIOU, N.  Simulou o efeito de diferentes estratégias nutricionais sobre os parâmetros zootécnicos e a variabilidade delas na população, em um universo de 2 mil suínos virtuais, por meio do uso do InraPorc, com um peso final de 115 kg PV (equação Gompertz para o peso e função gama para o consumo diário). Suínos & Cia

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Revisão Técnica Testou os níveis de lisina (- 10% e + 35% com relação às recomendações), obtendo o máximo de deposição de proteína com + 30%, o que também é acompanhado por um aumento na excreção de nitrogênio nos dejetos e pelas variações no peso da população. O preço da nutrição determina o programa otimizado de pesos, devendo correlacioná-lo com o aumento nos níveis de nutrientes para estimar o ótimo crescimento econômico que, de acordo com este estudo, está entre 15% e 25%. • JOANNOPOULOS, E.  A concentração ótima de nutrientes na ração diminui à medida que cresce o suíno. Comparando três fases de produção, no setor de engorda (25 a 50, 50 a 90, 90 a 130 kg PV) foi mantido um nível de energia fixa (14,2 MJ de energia digestível ou ED/kg), havendo redução do custo da ração (- 5,2%) e aumento da excreção de fósforo e nitrogênio de 10,8% e 7,4%, respectivamente. O objetivo final foi reduzir o custo da alimentação por unidade produzida para minimizar o custo da ração consumida/suíno. • SIMONGIOVANNI, A.  Conduziu uma meta-análise de 87 estudos, entre 1968 e 2012, em suínos de engorda (25 a 120 kg), usando um modelo planocurvilíneo, a fim de estimar a resposta em diferentes proporções de triptofano/lisina digestíveis. O valor médio ótimo para o ganho médio de peso diário foi de 21%, para o consumo médio diário foi de 20% e para o índice de conversão alimentar foi de 21%.

aumenta de 20% para 27% na proporção histidina/lisina digestível, determinando uma relação de 32% nesse estudo. A recomendação dada para a relação leucina/ lisina digestível é de 102%. • CALLAU, P.  Apresentou um estudo sobre o valor nutritivo do concentrado de proteína de alfafa (> 20%) na dieta de suínos de engorda por meio de três ensaios com 10 machos castrados (média de 69 quilos de PV), com um nível de racionamento equivalente a 3,5% dos seus pesos e considerando 87% de matéria seca na ração, mais o mínimo de 70 a 75 gramas de matéria seca ingerida por quilo de peso metabólico. A digestibilidade fecal da proteína foi de 81,5%; da lisina foi de 82%; da gordura foi de 39,7% e do valor energético 64,9%, comparado com a farinha de soja. • OWUSU, A.  Polissacarídeos não-amiláceos, derivados do trigo e da cevada, são compostos, em sua maioria, por arabinoxilanos e beta-glucanos, respectivamente. Para minimizar os efeitos indesejáveis ​​de fibras solúveis e insolúveis, o uso de carbohidrases exógenas é uma prática generalizada na dieta de suínos em crescimento. A comparação de dois produtos comerciais que as combinam, versus um controle, mostra melhora no ganho médio de peso diário de 8,8% com foco na melhora do consumo na fase final da engorda, possivelmente devido à melhora no tempo de passagem do alimento e da maior disponibilidade e digestibilidade dos nutrientes.

• ROYER, E.  O cádmio se acumula nos rins dos suínos alimentados com rações ricas no referido mineral (0,54 a 0,72 mg/Kg), consumidas por tempo prolongado. A suplementação da vitamina C (700 a 1000 mg/Kg) limita o acúmulo do cádmio. Uma redução nos níveis de cobre e a inclusão de fitases também favorecem a redução do referido acúmulo renal. • CHARVE, J.  A palatabilidade das rações para leitões e a variabilidade delas, após a adição de glutamato monosódico, melhora com um prévio treinamento do que com a adição de sacarose (teste de dupla escolha). • LOISEL, F.  Comparou a inclusão de dois diferentes níveis de fibra bruta (3,3 e 7,9% FB) durante os últimos nove dias de gestação, em 31 marrãs. As dietas foram formuladas a partir de milho, trigo e soja, acrescentando-se casca de soja, polpa de beterraba, farelo de trigo e girassol para alcançar os níveis de fibra desejados. Os níveis de fibra não influenciaram na concentração da prolactina no plasma, no sangue e nem no colostro produzido. Também não houve influência sobre a ingestão média de colostro por leitão, mesmo com os menores ingerindo o colostro de porcas com dietas ricas em fibra bruta. Os níveis de IgA foram mais elevados nas fêmeas que ingeriram altos níveis de fibra, e a mortalidade dos leitões foi menor. Não foi observada nenhuma diferença no peso dos leitões ao desmame em ambos os grupos de marrãs.

• VAN MILGEN, J.  A L-metionina é obtida por fermentação, e a DLmetionina por síntese química. A metionina é incorporada na proteína muscular e está envolvida em reações de metilação, além de, como aminoácido sulfúrico, ser utilizada na síntese da cisteína. Foi feita uma comparação entre leitões com cinco semanas de idade, incorporando ambas as fontes em níveis de 0,29% na dieta, tendose obtido um nível máximo de consumo de ração, ganho de peso diário e conversão alimentar, sem que se tenha notado diferenças de eficácia entre as duas metioninas. • GLOAGUEN, M.  Nos leitões em fase inicial (10 a 20 kg PV), o consumo médio diário e o ganho médio de peso aumentam quando a relação passa dos 20% para os 30%, e o índice de conversão alimentar diminui quando a relação Suínos & Cia

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Revisão Técnica • QUESNEL, H.  A variação intraparto do peso dos leitões ao nascer está aumentando nas porcas hiperprolíficas. Há uma correlação positiva entre a heterogeneidade fenotípica e genotípica da leitegada e a mortalidade neonatal. Esta heterogeneidade é expressa a partir do desenvolvimento embrionário. A dextrose contribui como estimulante da secreção de insulina e de IGF-I, hormônios envolvidos no desenvolvimento e na maturação folicular. A arginina é um precursor de óxido nítrico e das poliaminas que promovem a angiogênese nos estados iniciais de gestação. Foi testada a inclusão de dextrose, a 190 g/dia durante a semana que antecede a inseminação, e de arginina, a 25,5 g/dia a partir do 77º dia de gestação até o nascimento, chegando-se à conclusão de que ambos os tratamentos não afetaram o número total de leitões nascidos nem o de nascidos vivos. O coeficiente de variação do peso ao nascimento foi mais baixo em ambos os grupos em relação ao controle, e o desempenho do crescimento dos leitões durante o aleitamento não mostrou nenhuma diferença entre grupos. Concluiu-se que o efeito da arginina, frente a diferentes pesos de leitões ao nascimento, depende do tamanho da leitegada (> 16 leitões) e do manejo das porcas. • LANDEAU, E.  A inclusão de manano-oligossacarídeos específicos da levedura Saccharomyces cerevisiae (MOS) na ração de porcas gestantes, a partir do 30º dia pós-inseminação (até 4 ou 5 g/dia) até os 90 dias de gestação, melhorou o peso individual dos leitões ao nascer em 4,3% (1.422g vs 1.361g) com a diminuição do número de leitões com peso inferior a 1 quilo (11,6 vs 15,6%) e uma maior porcentagem de leitões com mais de 1,6 kg (27,3 vs 23,0%), não tendo sido observada nenhuma significância estatística com relação ao coeficiente de variação correspondente ao peso de nascimento. • SAMSON, A.  Na granja experimental CRF/Québec, da INZO, foram testadas três diferentes curvas de potência em 340 porcas gestantes (entre 1 e 10 partos), sendo analisada a cinética dos resultados de porcas em produção submetidas a uma alimentação de 9,2 MJ de EM e 135 gramas de proteína bruta por quilo (plano constante: 2,8 kg/porca/dia; plano linear: 2,5 a 3,2 kg/ porca/dia, do começo ao fim da gestação; plano em U: 4,2 a 4 kg/porca/ dia no primeiro, segundo e terceiro meses Suínos & Cia

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e no último mês de gestação). O menor consumo de ração de lactação foi relativo ao plano U, com 0,4kg/dia, e o peso dos leitões no desmame aos 21dias, deste programa, tendeu a ser mais baixo, em comparação com os outros dois (- 340 g). O nível de toucinho dorsal, determinado pela Vetko + no 28º dia de gestação, no plano em U (+ 1,2 mm), foi mais baixo entre os dias 28 e 84, o que sugere uma insuficiência nutricional. O peso das matrizes no desmame não foi afetado, nem a taxa de natalidade total, os nascimentos, o no de natimortos, o peso da leitegada ao nascer, a data do desmame e a mortalidade dos leitões lactantes. • GAUDRÉ, D.  O racionamento da alimentação de leitões, da ordem de 25% do consumo voluntário após o desmame aos 28 dias, durante duas semanas, possibilita reduzir a utilização de antibióticos e o risco digestivo sem que se observe uma redução do ganho de peso médio diário e os coeficientes de variação de peso aumentem. • GAUDRÉ, D.  Subprodutos de panificação precisam estar bem tabulados com relação ao seu valor nutricional (90% de matéria seca, 11% de proteína bruta, 2,1% de lisina bruta, 9% de gordura bruta e 39% de amido, com especial atenção para os níveis de sódio, que podem limitar a sua utilização), a fim de substituir parcialmente o acréscimo de custo das dietas à base de trigo. O valor energético atribuído é de 12 MJ/kg de matéria seca. Como ponto favorável, houve melhora na palatabilidade do alimento (+ 5%) e, portanto, melhorou o ganho médio de peso diário no mesmo percentual. • QUEMENEUR, D.  A capacidade de retenção de água (SWC) é definida como o volume, em mL, ocupado por um grama de matéria seca em contacto com a água após seis horas contínuas. No pós-desmame de leitões, rações com um SWC intermediário são mais consumidas (por exemplo, pela incorporação de polpa de beterraba). O ganho médio de peso diário é proporcional, e a taxa de conversão aliementar não se altera. • GAUDRÉ, D.  Dietas concentradas em energia melhoram o ganho médio de peso diário, aumentando o teor de gordura das carcaças e reduzindo a taxa de consumo expresso em kcal ingeridas/kg de ganho. A correlação de fósforo

digerível com a energia, em rações de engorda (0,22 e 0,18 g de Pdig/MJ de EM), não provoca qualquer diferença nos parâmetros de produção nem na qualidade da carcaça. A otimização da mineralização é obtida com aportes de cálcio e fósforo superiores aos utilizados para maximizar os parâmetros de produção em suínos de engorda. • SAMSON, A.  Em um estudo conduzido na fazenda experimental da INZO Aisne/França, com 108 suínos de engorda, foi determinada a influência do tamanho da partícula e a origem do carbonato de cálcio sobre o valor nutricional das dietas. Cálcio em demasia na dieta favoreceu a redução na disponibilidade do fósforo, podendo levar a problemas de mineralização óssea e à degradação do desempenho do crescimento. Foram usadas dietas isofosfóricas baseadas em milho, cevada, trigo, soja, colza e grânulos. As diferenças na digestibilidade do cálcio, nas cinco formas testadas de carbonato de cálcio, é que levam a mudanças na digestibilidade do fósforo e nos parâmetros zootécnicos (ganho médio de peso diário e conversão alimentar). O aumento na granulometria do carbonato de cálcio está associado ao incremento na digestibilidade do cálcio. • LE FLOC´H, N.  Em suínos de engorda foi comparado o efeito do sexo (machos inteiros, cirurgicamente castrados e imunocastrados), alimentados com uma ração padrão (16,5% de PB - 0,84% Lisdig e 9.670 kJ/kg) fornecida à vontade, por meio da determinação das concentrações plasmáticas de glicose, ureia, insulina e aminoácidos. Os suínos inteiros têm concentrações de aminoácidos (lisina, leucina, metionina e treonina) superiores, em comparação aos cirurgicamente castrados. Há diferenças nos níveis de insulina entre os grupos, e a glicose diminui nos imunocastrados, nos quais o metabolismo de proteínas se manteve mais próximo ao dos machos inteiros do que ao dos cirurgicamente castrados.

Genética e qualidade • LARZUL, C.  Na Comunidade Europeia, o abandono voluntário da castração cirúrgica dos machos está marcada para 2018. Os níveis de testosterona no plasma de animais de genéticas distintas é variável dentro de um curto Ano VIII - nº 47/2013


Revisão Técnica intervalo. O teor de androsterona (esteroide produzido pelos testículos) e de testosterona aumentam quanto maior for o peso de abate. Os níveis de escatol no toucinho dorsal têm pouco efeito correspondente à concentração de testosterona, variando mais entre genéticas diferentes e entre lotes de animais da mesma genética (resíduo produzido pela flora digestiva). Os níveis de detecção de escatol são de 0,03 µg/g, e os de androsterona, 0,24 µ/g. Em nível global, os machos puros têm um teor de androsterona, testosterona e escatol menor que o de machos inteiros cruzados. O efeito da idade do abate sobre o conteúdo destes três princípios varia entre as diferentes genéticas. • BIDANEL, J.P.  Existe uma correlação genética significativa entre o ganho médio de peso diário e a espessura de toucinho dorsal com o número de células sanguíneas de linhagem vermelha, plaquetas, imunoglobulinas A e M e interleucinas IL-6 e IL-12. Há também uma correlação genética positiva entre o ganho médio de peso diário e todos os outros parâmetros, exceto as plaquetas e as interleucinas IL-6 e IL-12. A correlação genética é negativa entre a espessura de toucinho dorsal e todos os outros parâmetros, exceto plaquetas e células de linhagem vermelha. • VINCENT, A.  Os critérios de seleção de suínos com menor consumo residual permite a redução de gordura na carcaça, melhora a conversão alimentar e diminui a deterioração da qualidade da carne. Ficou determinado que nesses suínos a expressão de genes em vários tecidos (músculo, gordura e fígado) modifica-se com maior metabolismo da energia contida nas mitocôndrias e menor catabolismo de aminoácidos no fígado. • LABRUNE, Y.  A empresa ADN desenvolveu, a partir de 2001, uma nova linha genética de porcas (Douchan), que é 25% Meishan, 25% Landrace francesa e 50% Large White, buscando um equilíbrio entre os parâmetros reprodutivos, de crescimento e qualidade de carcaça. • TERENINA, E.  O eixo adrenocortical tem um papel essencial na maturação fetal e influi na sobrevivência genética dos leitões. É o sistema nervoso autônomo que tem um papel crucial no Ano VIII - nº 47/2013

ajuste metabólico dos leitões ao nascer. As porcas Meishan têm uma elevada hiperatividade no eixo adrenocortical, ao contrário das porcas Large White. • VAUTIER, A.  A adição de extratos naturais à ração, tais como o chá verde a 300 ppm, tem propriedades antioxidantes e pode ser equivalentes aos antioxidantes sintéticos (vitamina E a 200 ppm) com relação aos parâmetros de qualidade da carne (pH 1, pH 24h, coloração) e desempenho (ganho médio de peso diário, consumo médio diário, conversão alimentar, percentual de carne magra). Neste ensaio, no qual o extrato da linhaça foi incorporado nas dietas como pró-oxidante, a oxidação dos lipídios foi reduzida com a vitamina E, mas não com o chá verde. • MAIGNEL, L.  No Centro de Desenvolvimento da Suinocultura de Quebec (CDPQ), no Canadá, foram dedicados muitos anos de trabalho no desenvolvimento de uma metodologia para determinar a gordura intramuscular de suínos vivos, por meio da técnica do ultrassom. Os resultados têm sido bemsucedidos tanto na determinação do conteúdo de gordura em lombos quanto, mais recentemente, em presuntos (músculos bíceps femorais, semitendinoso e semimembranoso). A correlação entre o animal vivo e a carcaça, no tocante à gordura intramuscular nesses três músculos, varia de 0,35 a 0,59. Isso determina a capacidade de selecionar suínos que apresentem

altos níveis de gordura intramuscular em lombos e baixos em presuntos. Os estudos concentraram-se, principalmente, em machos Duroc.

Saúde animal • CORRÉGE, I.  Realizou uma análise retrospectiva sobre as estratégias de controle da salmonela na indústria da carne suína. Para todos os especialistas, a redução da prevalência das salmonelas na carne suína e seus derivados requer a implementação de medidas preventivas ao longo da cadeia alimentar, a partir de fábricas de ração, granjas, do abate, do transporte e das plantas de processamento. As infecções por Salmonella enteritidis vêm sendo reduzidas, e as por Salmonella typhimurium vêm crescendo, bem como a aparição de novos sorotipos, o que dificulta ainda mais o controle. Também novos casos foram detectados em produtos salgados, e há resistência a antibióticos (S. typhimurium DT 104). Na França, de todas as toxinfecções por salmonela, somente de 5% a 26% são provenientes de suínos. São declarados cerca de 12 mil casos anualmente, sendo ela o segundo agente infeccioso após o Staphylococcus aureus. Na Europa, entre 10% e 20% dos casos são atribuídos aos suínos, e os custos da salmonelose humana correspondem a 86,1 milhões de euros. Na estimativa dos EUA, o custo atribuível à indústria da carne suína situa-se entre Suínos & Cia

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Revisão Técnica US$ 100 e 300 milhões. Todas as espécies de animais domésticos e silvestres são susceptíveis a albergar a salmonela e, por sua vez, excretá-la no meio ambiente (solo, água, pasto). Sua sobrevivência no meio externo é muito elevada, podendo se conservar por anos em excrementos secos e por até 120 dias na água doce. A maioria dos sorotipos é onipresente, sendo todos patogênicos potencialmente, tanto para animais como para humanos – um total de cerca de 2.500 espécies. O principal reservatório, de todas elas, é o trato intestinal. A excreção da salmonela é intermitente. A detecção de anticorpos demonstra apenas uma possível exposição anterior à bactéria (sorologia), sendo a bacteriologia o método direto de detecção de sua presença real. Por isso devemos tomar todos os cuidados e consultar os dados da literatura sobre a prevalência delas em reprodutores, na engorda e no abate. Na Europa, as matérias-primas destinadas à ração com maior risco de contaminação por salmonela são as tortas de oleaginosas, as proteínas de origem animal, os subprodutos de cereais, os grãos de soja e o cacau. Entre 2007 e 2012, a proporção de alimentos compostos completos para suínos, contaminados, manteve-se estável entre 0,5% e 0,7%. As principais formas de reduzir a presença da salmonela em granjas de suínos, por meio de alimentos, baseiam-se em três pontos: 1) composição dos alimentos: cevada em alta proporção em relação ao trigo, uso de polpa de beterraba, soro de leite, ácidos orgânicos, probióticos e prebióticos; 2) apresentação da ração: farelada com menor risco do que a granulada, moído grosso é melhor do que fino, tratamento térmico final; 3) distribuição da ração: alimentos líquidos, ração molhada em menor proporção do que seca. • FABLET, C.  Em um estudo/pesquisa transversal realizado em 143 granjas de ciclo completo no oeste da França, foram determinados fatores não infecciosos ligados à presença de pneumonia (69,1%) e pleurite (14,4%), em suínos de engorda. O grau de pneumonia foi maior nas terminações maiores e com concentração superior de gases, particularmente C02. Os fatores associados a um aumento da presença de pleurite nos animais foram as correntes de ar nas salas de leitões desmamados, a falta de vazio sanitário e a realização de procedimentos cirúrgicos (castração) tardios em leitões. Suínos & Cia

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Em cerca de 125 granjas conclui-se que os principais agentes infecciosos responsáveis ​​pelos quadros de pneumonia e pleurites foram o Mycoplasma hyopneumoniae, o Actinobacillus pleuropneumoniae, o circovírus suíno e os vírus da influenza e da síndrome respiratório-reprodutiva suína (PRRS). • HÉMONIC, A.  Monitorar a utilização de antibióticos é essencial para estabelecer uma política correta de resistência a eles. Em 2011, na França, foi criado o plano nacional para redução dos riscos de resistência a antibióticos na medicina veterinária com o objetivo de reduzir em 25% o uso deles, em cinco anos. Medicamentos na forma de pré-misturas, via ração, são hoje os mais utilizados (44%), seguidos dos injetáveis (32%) e das demais apresentações (24%). Os tratamentos destinados às porcas são apenas 1%, em comparação com 37%, 54% e 8% deles para leitões, leitões após o desmame e suínos de engorda, respectivamente. As famílias de antibióticos mais frequentemente utilizadas são os polipeptídeos (32%), os penicilânicos (21%) e as tetraciclinas (13%). Cefalosporinas e fluoroquinolonas de terceira e quarta geração representam apenas 5% e 3% dos tratamentos com antibióticos. • ROSE, N.  Realizou um estudo longitudinal, em três granjas, para determinar as características epidemiológicas das infecções recorrentes causadas pelo vírus da gripe A. Os principais subtipos do vírus, na Grã Bretanha, são o H1av N1 e o N1hu N2. As manifestações clínicas ocorrem em idades constantes entre granjas, com um incremento nos episódios de tosse e espirros, apatia, anorexia, hipertermia e retardo de crescimento. A cocirculação viral na própria granja é frequente nas creches, sendo, muitas vezes, associada com desordens digestivas. Foi determinada uma grande variabilidade na dinâmica da infecção entre as granjas. A duração estimada da excreção viral é de 6 a 10,4 dias. Leitões nascidos de porcas com títulos de anticorpos elevados (obtidos por inibição de hemaglutinação) e infectados precocemente, na presença de imunidade passiva, são os que, preferencialmente, soroconvertem após a infecção pelo vírus. Infecções simultâneas com o vírus da PRRS provocam um agravamento dos sintomas.

• GUILLOU, D.  A ingestão de leveduras vivas por meio das rações de gestação e lactação (Saccharomyces cerevisiae CNCM I-1079 a 2x109 UFC/Kg) permite reduzir de modo notável a gravidade das diarreias neonatais nos leitões. O papel das endotoxinas na interferência junto ao sistema endócrino é crucial na etiologia da síndrome de disgalaxia pós-parto (PDS), associada ao aumento das referidas diarreias neonatais. Esta levedura, por seu efeito sobre a microflora, atua como barreira intestinal frente às referidas endotoxinas. • CORRÉGÉ, I.  Comparou lesões por rinite atrófica progressiva, obtidas pelo corte transversal de focinhos de suínos no nível do 10 dente pré-molar superior. As imagens foram feitas por tomografia computadorizada em 203 suínos, no abatedouro, tendo sido obtido um coeficiente de correlação Spearman, da ordem de 0,89. • MARCHAND, D.  A suplementação de leveduras vivas na ração de leitões desmamados (Saccharomyces cerevisiae CNCM I-4407 a 5x1010 CFU/ Kg) permite reduzir de modo notável a gravidade das diarreias dos leitões e o consequente uso de antibióticos para o seu controle. • APPER-BOSSARD, E.  A nutrição peri-parto é um fator de influência na sobrevivência dos leitões, com base no desenvolvimento da imunidade. A inclusão de fruto-oligossacarídeos na dieta das porcas, nas últimas quatro semanas antes do parto e durante a fase de lactação, aumenta a qualidade do colostro (IgA, TGFB1) e a maturação do sistema imune intestinal dos leitões lactantes, levando a uma melhor resposta à vacinação e melhorando o peso deles no desmame. • VYT, P.  O Mycobacterium avium causa linfoadenite granulomatosa, possibilitando a eliminação de partes da carcaça no abatedouro pelo serviço de inspeção. Em estudo realizado na Bélgica, entre agosto de 2010 e setembro de 2011, 16.211 carcaças de suínos obtiveram 0,53% de casos positivos em dois abatedouros. Outros estudos nesse sentido, levados a cabo em outros países, revelaram prevalências de 0,2% (EUA) e 0,5% (Países Baixos). Ano VIII - nº 47/2013


Divirta-se ENCONTRE AS PALAVRAS Dentre as unidades de produção de suínos, as granjas, normalmente por homenagem, localização ou tradição, possuem um nome que caracteriza a propriedade. No diagrama ao lado vamos encontrar os diferentes nomes das granjas da suinocultura brasileira.

Água Branca Barra Preta Buriti Califórnia Campo Alegre Filomena Globosuínos Penalva

Santa Clara São Francisco Santa Paula São Domingos Sobral Toledo União Xamego

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D R T R R Y I U A M H E H E X P L H E X O E H G X A D H E X

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JOGO DOS 7 ERROS

Respostas na página 60 Suínos & Cia

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Divirta-se

RELACIONE Vamos relacionar abaixo o material reciclável de acordo com sua característica no local adequado.

TESTE SEUS CONHECIMENTOS Em uma visita técnica a um sistema de produção especificamente na fase de crescimento/terminação pode-se observar lotes desuniformes com mais de 20% dos animais do mesmo grupo apresentando baixo desempenho, alguns pálidos, presença de diarreia e tosse com respiração intercostal. Durante a necropsia, constata-se a presença de úlcera gástrica, entre outras lesões, e pneumonia com presença de muco nos brônquios, caracterizando processo de complicações bacterianas. Baseado nesses sinais clínicos e nas lesões observadas na necrópsia, qual o seu diagnóstico clínico? a) Parvovirose b) Gastroenterite Transmissível c) Peste Suína Clássica d) Circovirose e) Doença de Aujeszky Respostas na página 60 Ano VIII - nº 47/2013

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Aconteceu Diretor técnico global de suínos da MSD Saúde Animal ensina como manejar pessoas na atual suinocultura frente à modernidade e seus constantes desafios Nos dias 20 e 21 de março acon-

O curso reuniu diferentes profis-

Merck. A MSD Saúde Animal oferece a

teceu o Curso de Gestão em Suinocultura,

sionais que lidam com Recursos Humanos

veterinários, fazendeiros, proprietários de

em Campinas, promovido pela Consuitec,

na suinocultura brasileira e foi idealizado

animais de estimação e governos a mais

com o patrocínio da MSD Saúde Animal e

para atender às necessidades dos gestores

ampla variedade de produtos farmacêu-

apoio da Distribuidora Suiaves. O Diretor

do segmento que coordenam e lideram pessoas e necessitam de conhecimentos e

ticos veterinários, vacinas e soluções e

Técnico Global de Suínos da MSD Saúde Animal, Miquel Collell, veio ao Brasil

troca de informações.

para ministrar o módulo “Como manejar pessoas na atual suinocultura frente à

serviços de gerenciamento de saúde. A MSD Saúde Animal se dedica a preservar e melhorar a saúde, o bem estar e o

Sobre a MSD Saúde Animal

modernidade e seus constantes desafios”.

desempenho dos animais, investindo extensivamente em recursos de pesquisa

Em sua palestra, Collell explicou

Hoje a Merck (conhecida como

e desenvolvimento amplos e dinâmicos

a importância das pessoas nas granjas,

MSD fora dos Estados Unidos e do

e em uma rede de suprimentos global e

como organizá-las, suas responsabilida-

Canadá) é a líder mundial em assistência

des, como selecionar e atraí-las para tra-

moderna. A MSD Saúde Animal está

à saúde, trabalhando para ajudar o mundo

balhar nesses locais, plano de formação,

presente em mais de 50 países, enquanto

a viver bem. A MSD Animal Health,

motivação e como valorizá-las. “Quando

conhecida no Brasil como MSD Saúde

seus produtos estão disponíveis em 150

falamos em Recursos Humanos, preci-

Animal e nos Estados Unidos e Canadá

samos lembrar que não somos Recursos,

como Merck Animal Health, é a unidade

mas, sim, Humanos”, brincou.

de negócios global de saúde animal da

mercados. Para mais informações, visite: www.msd-saude-animal.com.br. Fonte: Assessoria de Imprensa MSD

Miquel Collell, Diretor-técnico Global de Suínos da MSD Saúde Animal, ministra palestra sobre “Como manejar pessoas na atual suinocultura frente à modernidade e seus constantes desafios”

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MER-A


Aconteceu

Desenvolvimento de equipes e retenção de talentos Durante o curso de Gestão em Suinocultura, promovido pela Consuitec em 21 de março, no Hotel Nacional Inn, em Campinas (SP), o professor José Waldo Camurça, abordou a importância do desenvolvimento de equipes e da retenção de talentos dentro de uma empresa, por meio da inovação, capacitação e avaliação dos propósitos e desenvolvimento de processos.

Patrocínio:

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MER-AN-RV-CIRCOVAC-21X14.indd 1

4/15/13 5:50 PM


Divirta-se

ENCONTRE AS PALAVRAS S M A I S A N T A C L A R A J T K R L O M Y M E X R O V R G

S S F F R S N F Q D W L G D R D T D F R S M Z F E S N L F R

D C D G T S J R G T I L T R R T E Y C U N I N O T D Q Q G T

F A I O Q Q I T V A O M X N S G V R B B N R X L Y F S N V Y

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H P B X X L W Q O N H H B X J U O R L C A L I F Ó R N I A N

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K A H S C E U W E B L N C M D L R H O E K V P F V K A F E T

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TESTE SEUS CONHECIMENTOS L X A Z N A Ã U T H B I F Z G B A R R A P R E T A B F X O A

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Em uma visita técnica a um sistema de produção especificamente na fase de crescimento/terminação pode-se observar lotes desuniformes com mais de 20% dos animais do mesmo grupo apresentando baixo desempenho, alguns pálidos, presença de diarreia e tosse com respiração intercostal.Durante a necropsia,constatase a presença de úlcera gástrica, entre outras lesões, e pneumonia com presença de muco nos brônquios, caracterizando processo de complicações bacterianas. Baseado nesses sinais clínicos e nas lesões observadas na necrópsia, qual o seu diagnóstico clínico? a) Parvovirose b) Gastroenterite Transmissível c) Peste Suína Clássica d) Circovirose e) Doença de Aujeszky

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Ano VIII - nº 47/2013


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