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SUÍNOS&CIA - REVISTA TÉCNICA DA SUINOCULTURA

ANO VII - Nº 42/2012


Editorial Passadas as festas de final de ano e as férias de janeiro, Suínos & Cia. entra em 2012 abordando assuntos como índice de conversão, medicamentos no controle de doenças, ecologia de doenças infecciosas e muitos outros, de relevante interesse para toda a cadeia da suinocultura brasileira. Mais uma vez o Prof. Dr. Antonio Palomo Yagüe colabora com a revista abordando os fatores de influência no índice de conversão suína. Ele faz uma reflexão sobre a reunião realizada em Omaha, Nebraska (EUA), em novembro de 2011, durante o International Conference on Feed Efficiency in Swine. Com o custo elevado das rações, é preciso redobrar os esforços para melhorar a eficácia alimentar dos suínos, e o índice de conversão pode levar, em muitas ocasiões, a erros, caso não seja padronizado corretamente. Em outro artigo, Ton Kramer escreve sobre os medicamentos e medicações no controle de doenças entéricas pós-desmame. De acordo com ele, a suinocultura brasileira passou por grandes transformações nos últimos 40 anos, fazendo com que o país se tornasse referência na produção de suínos. Com isto, os desafios sanitários cresceram proporcionalmente. Já Fábio Vannucci e Daniel Linhares dão uma visão global sobre as técnicas de diagnóstico aplicadas no controle e erradicação de doenças infecciosas em suínos. Na seção Sumários, você poderá conferir a avaliação bacteriológica e micológica do sêmen de cachaços em uma central de alta sanidade, a avaliação da sensibilidade de agentes bacterianos frente a antimicrobianos em suínos com infecções respiratórias e a otimização das práticas de desinfecção e seu impacto na produtividade de granjas. Estes e outros assuntos estão nas próximas páginas de Suínos & Cia. Boa leitura!


Índice 6

Entrevista

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Produção

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Produção

28

Sanidade

42

Sanidade

48

Sumários de Pesquisa

56

Dicas de Manejo

60

Divirta-se

Dr. Miquel Collell Surinyach Índice de Conversão Alimentar: revisão dos principais fatores que o influenciam Impacto do melhoramento genético na cadeia agroindustrial da suinocultura brasileira Medicamentos e medicações no controle de doenças entéricas pós-desmame Ecologia de doenças infecciosas aplicada no diagnóstico, controle e erradicação de doenças em suínos - Parte II

Encontre as palavras Jogo dos 7 erros Teste seus conhecimentos Assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F)


Expediente Revista Técnica da Suinocultura A Revista Suínos&Cia é destinada a médicosveterinários, zootecnistas, produtores e demais profissionais que atuam na área de suinocultura. Contém artigos técnicocientíficos e editorias instrutivas, apresentados por especialistas do Brasil e do mundo.

Editora Técnica Maria Nazaré Lisboa CRMV-SP 03906

Consultoria Técnica Adriana Cássia Pereira CRMV - SP 18.577 Edison de Almeida CRMV - SP 3045 Mirela Caroline Zadra CRMV - SP 29.539

Jornalista Responsável Paulo Viarti MTB.: 26.493

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Foto: Pen Ar Lan - Brasil

A reprodução parcial ou total de reportagens e artigos será permitida apenas com a autorização por escrito dos editores.


Entrevista A importância da área de Recursos Humanos na moderna suinocultura Suínos&Cia - Poderia nos fazer uma breve análise da área de gestão de recursos humanos na suinocultura?

Miquel Collell Surinyach O médico-veterinário e especialista em recursos humanos Miquel Collell Surinyach aposta na formação continuada e defende o envolvimento e a participação dos colaboradores nos resultados de produção para atrair profissionais mais qualificados. Desta forma, pode-se competir com diferentes mercados, pois, a cada dia, aumentam as opções de trabalho. Manter as pessoas motivadas e capacitadas, com plano de carreira, é uma das melhores estratégias para diminuir a reposição e fixar as pessoas nessa dinâmica atividade que é a suinocultura. Miquel Collell Surinyach é graduado em Medicina Veterinária pela Universidade Autônoma de Barcelona (UAB), professor associado do Departamento de Patologia e Produção da Faculdade de Veterinária da UAB e professor de mestrado de universidades nas regiões de Lleida, Barcelona e Zaragoza (Espanha). Sócio-fundador das duas principais páginas da web da Espanha em suinocultura (3tres3 e animales), também colabora com o desenvolvimento do projeto global da escola Sus-Scrofa, formando profissionais em diferentes níveis para atender ao mercado de produção suína. Participou da organização científica de Europorc e fundou a Marco e Collell Assessoria em Suínos, empresa na qual trabalha atualmente. Nesta entrevista, Collell defende a formação contínua dos colaboradores de granjas, garantindo que são eles que realmente fazem a diferença, compara o consultor ao médico da família, ou seja, alguém que trata absolutamente de tudo, sem ser, na maioria das vezes, especialista em nada, não acredita em futuro no qual as máquinas passem a manejar animais e aposta no diálogo para que as pessoas possam trabalhar motivadas e orgulhosas de apresentar seus próprios resultados.

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Dr. Miquel - Atualmente, nos encontramos em um momento afortunado em termos de recursos humanos (RH), considerando, como afortunados, aqueles momentos nos quais já existe certa consciência social. Hoje não é tão difícil encontrar gente para trabalhar nesta área, como há alguns anos, e as pessoas já não querem tanto abandonar esse tipo de trabalho, como faziam no passado. Na Espanha, por exemplo, em termos de RH, o trabalho por si só é uma motivação. A maior dificuldade é manter um pouco da alegria em um ambiente no qual predomina o pessimismo quando há crises que, atualmente, são cada vez mais frequentes.

Suínos&Cia - Uma das maneiras de capacitar profissionais é implementar a educação continuada. Como desenvolver este processo ou aperfeiçoá-lo na suinocultura? Dr. Miquel - A formação contínua é uma ferramenta básica. Gosto de citar como exemplo o trecho de um poema de um autor espanhol, García Lorca, que diz o seguinte: caminhante, não há caminho; o caminho se faz ao andar; ao andar se faz o caminho; e ao olhar para trás, se vê a trilha na qual nunca se voltará a pisar. Eu entendo a formação como sendo um caminho, e não um destino. Gosto de ver a educação exatamente como o caminhante em questão, para quem a formação ajudará a delinear parte do caminho. Assim deve ser também nas nossas vidas, e a melhor estratégia consiste em considerá-la como um processo contínuo, não como algo final.

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Entrevista Suínos&Cia - Quais as inovações mais recentes ocorridas na área de gestão de pessoas? Dr. Miquel - Concordo que na última década houve inúmeras mudanças na área de Recursos Humanos. Tenho uma série de palestras que gosto de repassar e, em algumas delas, é possível recordar que a Espanha passou por uma terrível crise em 1992. Na época era difícil encontrar trabalho e havia um percentual muito alto de desemprego, com perspectivas de queda nesta taxa nos anos seguintes. Analisando outras palestras, relativas a um período posterior de dez anos, deparamonos com previsões de que o percentual de desemprego subiria novamente. Então, é curioso ver como esses processos são cíclicos e como o desemprego marca tendências na área de recursos humanos.

Suínos&Cia - A substituição de mão de obra por máquinas ocorre em vários setores da economia mundial. Qual sua opinião sobre este fato, cada dia mais frequente? Dr. Miquel - Não acredito em um futuro no qual as máquinas passem a manejar animais. Graças a Deus, este processo exige sensibilidade, além de um sentido que não há como descrever e que dificilmente poderia ser ensinado a uma máquina. Apesar de ser um entusiasta e grande fã da eletrônica, francamente, vejo um futuro difícil nesse sentido. Nunca uma máquina chegaria a substituir um homem para lidar com os animais.

tância. Um exemplo clássico e atual são os times de futebol e os seus jogadores, alguns deles milionários, pois recebem incentivos proporcionais à importância de cada competição, em final de campeonato, Copa do Mundo. Vencer um Mundial gera prestígio, que é um incentivo não econômico, mas o que faz realmente diferença é aquele milhãozinho a mais que cada jogador receberá. Funciona igual comigo ou com qualquer profissional. Afinal, somos humanos e gostamos de conquistas. Quanto ao salário, sempre defendi que o funcionário de granja pode ganhar muito mais, porém, o importante é o retorno que ele pode oferecer à empresa.

Suínos&Cia - Do ponto de vista financeiro, como estão os salários e os incentivos das pessoas que trabalham em granjas?

Analisar a relação custo/benefício, como

Dr. Miquel - Quando falo de incentivos, sempre considero os econômicos e os não econômicos. Estes últimos são importantes, mas deixando de lado certos conceitos, na verdade, todo mundo gosta de dinheiro. Ele não deve ser o único motivo pelo qual se vive, mas não se pode esquecer-se de sua impor-

rios entre granjas que podem variar dentro

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em qualquer negócio, sempre é e será mais adequado. Ainda há muito a fazer, pois existem grandes diferenças de saládo custo de produção de 8% a 12%. Creio que pode haver uma tendência de equilíbrio nos custos de produção nos diferentes países, devido à globalização. O que realmente fará a diferença é como esse montante será repartido entre os funcionários que trabalham nas granjas.

Suínos&Cia - Em sua opinião, pode-se formar um líder ou se trata de uma característica individual? Dr. Miquel - Há muita teoria a respeito deste assunto, mas, definitivamente, um líder nasce com essa característica; é uma coisa natural. Acredito muito nesse tipo de pessoa e considero importante identificá-lo. Dentro de um grupo, ele se destaca, e todos o proclamam como líder. É possível formar e ensinar algumas coisas a uma pessoa, na tentativa de transformá-la em um líder, mas certas coisas não se ensinam.

Suínos&Cia - Atualmente, as granjas apresentam jornadas de trabalho semelhantes a outros segmentos? Dr. Miquel - Creio que, no passado, os grandes erros que cometíamos na produção de suínos eram os plantões de finais de semana e as negociações com férias, nas quais o funcionário recebia um salário a mais e seguia trabalhando. Dessa forma, trabalhava-se com a carga horária corrida, sem descanso. No entanto, atualmente, graças à evolução dos recursos como formação de equipes, descrições Suínos & Cia

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Entrevista elementos motivadores. São procedimentos que deveriam fazer parte da própria agenda de trabalho.

Suínos&Cia - Acredita que se pode obter sucesso ao implantar um plano de carreira na suinocultura?

das rotinas de trabalho e bons planejamentos de horário, podemos nos dar ao luxo de trabalhar com uma variedade de pessoas em uma granja, realizando tarefas de modo sincronizado, o que possibilita férias, folgas e qualidade de vida e mantém as pessoas muito mais motivadas e atraídas a permanecerem neste segmento.

número de coberturas nos fins de semana. Um bom planejamento de tarefas pode ajudar a solucionar este problema, além de garantir que as pessoas não tenham de trabalhar todos os sábados e domingos e possam programar folgas a cada dois trabalhados ou, no mínimo, um final de semana por mês.

Suínos&Cia - Tratando-se de uma atividade na qual se trabalha com vidas e são necessários muitos cuidados diários, como enfrentar o problema de folgas nos finais de semana?

Suínos&Cia - Como motivar as pessoas, fazendo com que elas sempre trabalhem satisfeitas?

Dr. Miquel - Essa pergunta levanta uma questão muito importante. Como enfrentar um final de semana de trabalho? Não se pode negar que isso seja um problema; na verdade, muito malsolucionado em algumas ocasiões. Exemplos não faltam, tais como obrigar todo mundo a trabalhar, sem contar com a possibilidade de introduzir um sistema de turnos; fazer com que todos trabalhem nesses dias, em vez de reservar atividades mais suaves para os fins de semana. Por experiência, vivenciei granjas nas quais se desmamava ou se praticava um grande Suínos & Cia

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Dr. Miquel - O ponto mais importante é entender que todos nós somos pessoas. Nem sempre acredito nos planejamentos de hipermotivação de pessoal, aqueles que enfatizam que todos devem estar sempre trabalhando, às vezes exageradamente, no sentido de reafirmar que “nós somos uma equipe” e “como nós somos bons”. Acho que uma equipe tem de ser formada naturalmente, não pode ser artificial. Não quero dizer, com isso, que não se devam utilizar ferramentas que nos ajudem a motivar as pessoas, mas sim, que devemos fazer isso de modo natural. Motivar as pessoas significa identificar os elementos desmotivadores, retirá-los a tempo e implantar, também a tempo,

Dr. Miquel - É evidente a importância da planificação de uma carreira. Se não oferecermos a um funcionário uma perspectiva de crescimento ou de fazer algo melhor dentro da empresa, acabaremos por gerar uma grande frustração. É preciso mostrar para todos os funcionários, logo na primeira entrevista realizada, as possibilidades de crescimento, de uma maneira muito clara. É muito importante que as pessoas possam evoluir, por exemplo, de uma atividade inicial, como auxiliar, e cheguem a gerente de algum setor de granja ou até mesmo de um sistema de produção. Posso citar, como exemplo, uma pessoa que se tornou diretora do Banco Popular, mas que começou servindo café aos membros da diretoria. Ter hoje um cargo importante em uma empresa na qual se começou a trabalhar servindo cafezinho, além de ser motivo de orgulho, indica que ela faculta aos seus funcionários a possibilidade de crescer.

Suínos&Cia - Como o consultor, na área de suinocultura, deverá desempenhar sua função nos próximos anos e quais as oportunidades e desafios a serem enfrentados? Dr. Miquel - Um consultor dessa área, e não me refiro apenas à consultoria de RH, precisa ser um super-homem. Se considerarmos o suinocultor como sendo um super-homem, o consultor terá de ser dez vezes mais poderoso que ele, devendo conhecer praticamente tudo o que esteja relacionado à atividade. Podemos comparar o consultor ao médico da família, ou seja, alguém que trata absolutamente de tudo, sem ser especialista em nada. Um bom consultor precisa ser interessado em diversos assuntos, ler muito e saber lidar com as pessoas no sentido de lhes direcionar perguntas para obter delas as informações que necessita. Ano VII - nº 42/2012


Entrevista Suínos&Cia - Quais mudanças devem ser feitas na suinocultura para atrair novos funcionários? Dr. Miquel - Gostaria de dizer que as perguntas formuladas até então estão muito interessantes. É a primeira vez que participo de uma entrevista com esse nível de perguntas, por isso, agradeço e os felicito pelo trabalho. Voltando à pergunta, para atrair novos funcionários, o esforço que precisa ser feito, e isso já foi empiricamente comprovado, dependerá da taxa de desemprego da população, ou seja, mais desemprego significará menos esforço, enquanto menos desemprego demandará mais esforço. Atualmente, em países ou regiões que estão diante de uma situação de alto desemprego não é difícil conseguir gente. Porém, para atrair ainda mais pessoas, necessitamos, primeiramente, estudar os nossos concorrentes. E quem são eles? Não são as outras granjas de suínos, mas sim as empresas que oferecem algum outro tipo de trabalho na região onde se localiza a nossa granja. Se a granja está localizada em uma área onde há indústrias, agricultura e hotéis, temos de estudar o que eles oferecem, nos adaptar e fazer com que o trabalho que oferecemos pareça interessante.

Suínos&Cia - Existem poucas pessoas capacitadas para trabalhar nesta área e, hoje, há mais oferta que demanda de mão de obra. Como resolver esta questão?

tão, sejam de difusão municipal, estadual e até nacional, além dos mais atuais, como a internet, que traz uma possibilidade de atração bastante abrangente.

Dr. Miquel - Há muitos anos trabalho nesse setor e tive a sorte de fazer seleções nas quais havia mais oferta de mão de obra do que a demanda. Trata-se, na verdade, de um autêntico luxo. Já cheguei a selecionar 300 pessoas para apenas dez postos de trabalho. Foi bom e, ao mesmo tempo, ruim, pois tive de descartar muita gente boa, que eu gostaria de ter aproveitado em minha equipe. Mas a pergunta não é bem essa, e sim, como fazer. Por meio da aplicação de uma série de critérios, além da realização de uma entrevista pessoal, na qual se dedica o mesmo tempo a cada entrevistado para serem explorados temas importantes, como formação, dinâmica de equipe e grau de aproximação junto aos suínos. A partir daí, é só escolher os novos funcionários. Em função do tipo de trabalho solicitado, ou do tipo de pessoa procurada, pode-se utilizar um meio ou outro de comunicação. É importante sempre lançar mão dos mais usados para o setor/perfil em ques-

Suínos&Cia - Sabemos que é pouco comum veterinário se dedicar à área de recursos humanos. Que fatores o motivaram a ingressar nesta área? Dr. Miquel - O meu caso é interessante e deve ter começado provavelmente em 1994. Na época eu trabalhava como veterinário e cheguei à conclusão do quão importante era conversar com as pessoas, além do que, se você não tivesse o suinocultor ao seu lado, poderia ter as melhores teorias do mundo que não chegaria a lugar algum. Em minha própria granja, percebi a atitude do meu pai para com o nosso funcionário: sempre muito diálogo e procurando fazer com que ele trabalhasse satisfeito, na tentativa de conscientizá-lo de que seria possível transformar um trabalho artesanal em algo mais industrial. Foi provavelmente nesse ponto que nasceu o meu interesse pela área de RH.

Suínos&Cia - Para aqueles que se ocupam com as pessoas durante tanto tempo, deve ter havido algumas que lhe serviram de exemplo. Gostaria de deixar uma mensagem de agradecimento àquelas que cooperaram ou colaboraram com o seu êxito profissional? Dr. Miquel - A lista de pessoas a agradecer seria tão grande que eu não me atreveria a escrevê-la. Tem gente que, evidentemente, me marcou muito, e outras que conheci pouco, mas admirei muito. Talvez Peter English seja um bom exemplo neste caso. Gosto de aprender a partir do contato com qualquer pessoa: do meu próprio sócio, passando pelo criador que conheci e com quem trabalhei hoje de manhã, até o empresário mais refinado. Deixo a mensagem de que se nós temos duas orelhas e uma boca, devemos escutar duas vezes e falar uma vez só. Escutar mais do que falar é muito importante na área de RH e nos ajudará a aprender.

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Produção Índice de Conversão Alimentar: revisão dos principais fatores que o influenciam Introdução Entendemos como Índice de Conversão (IC) a quantidade de ração (em kg) necessária para repor um quilo de peso vivo. E como Eficácia Alimentar (EA), o ganho de uma unidade de peso com base nos quilos de ração necessários para o mesmo objetivo. Também lidamos com outro termo, que é o consumo residual de ração, o qual equivale ao diferencial entre o consumo de ração observado e o esperado. Considerando que na Espanha, atualmente, o custo da alimentação em granjas de suínos representa, no caso de suínos brancos, pouco mais de 70% do custo total de produção, este parâmetro tem um valor econômico essencial. Devemos adicionar o fato de que o IC mais significativo, em termos de custo computado, deriva-se do IC global, o qual inclui não só o obtido nas fases

de leitões e engorda, mas que também leva em conta o consumo total de ração das reprodutoras. Desse modo, e considerando que o consumo anual de ração de reprodutoras (reposição, gestantes, lactantes e cachaços) apresenta margens bastante homogêneas, podemos comprovar que o IC global do nosso efetivo será muito influenciado pela produção total de kg por fêmea reprodutora por ano, o que está diretamente correlacionado com a produtividade numérica das porcas e a sanidade, nas fases de leitões e engorda. Neste artigo, quero refletir sobre as principais conclusões da reunião realizada em Omaha, Nebraska (EUA), nos dias 8 e 9 de novembro de 2011, durante o International Conference on Feed Efficiency in Swine, sobre o tema em questão, considerando algumas observações próprias já editadas. O custo elevado das rações nos leva a redobrar os esforços relativos à

Prof. Dr. Antonio Palomo Yagüe Diretor da Divisão de Suinocultura SETNA NUTRICIÓN – InVivo NSA antoniopalomo@setna.com

necessidade de melhorar a EA de nossos suínos. O aumento do valor das rações de aproximadamente 40% a partir do final de 2007 também fez crescer o custo de produção. Nos EUA, a alimentação dos suínos correspondia de 62% a 69% do custo de produção, entre março de 2009 e agosto de 2011. O IC, como tal, pode nos induzir a erros em muitas ocasiões, já que é preciso padronizá-lo corretamente, levando em conta os pesos inicial e final dos suínos, o ganho médio de peso diário, a mortalidade, o incremento do peso e os níveis de nutrientes da ração, principalmente a energia e os aminoácidos. Também é muito importante considerar que, em cada caso e em sistemas de produção múltiplos, devemos levar em conta o fator fluxo de animais e a origem deles em cada unidade de leitões e engorda na hora de analisar com rigor o referido índice de produção. Em condições comerciais temos um desvio-padrão elevado, derivado dos múltiplos fatores que o influenciam. Por esse motivo devemos conhecer não só a média do nosso sistema produtivo, mas também o referido desvio-padrão. Há muitas equações que fixam um IC padronizado, mas, se me permitem, gostaria de utilizar uma que considero precisa: Índice de conversão ajustado = Índice de conversão observado + (50 – peso de entrada) x 0,005 + (250 – peso vivo no abate) x 0,005

O custo final da produção pode ser avaliado e baseado no valor recebido pela venda com base no índice de conversão obtido no peso vivo

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O IC pode ser obtido com base no peso vivo do suíno ou da carcaça em kg, dependendo das condições praticadas na venda dos animais. Assim, podemos conhecer com mais precisão nosso custo final de produção, com base no valor recebido pela venda final. Ano VII - nº 42/2012


Produção teína no organismo, sendo esta maior no caso dos machos, em comparação com as fêmeas. Deste modo, devemos otimizar a ingestão de aminoácidos pelo suíno com base na resposta marginal e na análise do custo-benefício relativo aos níveis incorporados por eles, o que será condicionado por: • Avaliação dos ingredientes de forma precisa, em termos de conteúdo de aminoácidos digestíveis; • Disponibilidade química, tanto da lisina quanto do restante dos aminoácidos essenciais, nas relações precisas.

Os problemas sanitários determinam uma redução significativa da deposição de proteínas, comprometendo assim o desempenho do animal condições ambientais e sanitárias.

Bases nutricionais Quando analisamos o IC do ponto de vista da formulação das rações, são dois os nutrientes principais que devemos levar em consideração: • Proteína – aminoácidos

• Necessidades de manutenção: 36 mg/ kg de peso metabólico;

• Energia

• Deposição proteica: 12 g de lisina para cada 100 g de deposição proteica.

A - PROTEÍNA  A deposição proteica está diretamente correlacionada com a EA. Para cada 10% de incremento na proteína bruta, estima-se melhora de 5% a 6% na EA. Por isso devemos conhecer, primeiro, a capacidade de deposição proteica dos nossos suínos e o valor da carcaça deles, no abatedouro, para podermos determinar os padrões da referida deposição proteica e fixar os níveis de aminoácidos da dieta de modo preciso. Temos que levar em conta também que os aumentos na ingestão de proteína estão associados a um aumento nas perdas de energía por meio do calor e via urina. Na utilização de aminoácidos, a deposição proteica é influenciada principalmente por: • Suíno: genótipo e estado fisiológico (coeficiente de variação superior a 10%); • Ambiente: Suínos & Cia

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composição

Como princípio de requerimentos de aminoácidos para suínos de engorda tomamos por base a lisina (sobre a qual há um número sem fim de trabalhos na literatura), podendo, então, considerar a seguinte referência:

da

dieta,

Neste ponto é muito importante nos aprofundarmos um pouco mais no metabolismo global dos aminoácidos, já que, além dessas duas considerações, ocorrem perdas endógenas basais no nível digestivo, além de perdas nos pelos e na pele e aquelas derivadas do catabolismo aminoacídico, pela contribuição na excreção de nitrogênio pela urina (estas contribuem com até uns 25% das perdas fisiológicas). As fermentações entéricas aumentam as perdas de treonina, sem influir nas perdas de lisina. O estímulo do sistema imunológico por problemas sanitários determina uma redução da deposição de proteínas e um aumento nos requerimentos de metionina e cisteína. O aumento da ingestão energética pelo suíno reduz o catabolismo dos aminoácidos. A limitação de lisina reduz a deposição proteica e a EA, além de aumentar a relação de deposição de gordura/pro-

B - ENERGIA  A energia é o constituinte da dieta que mais impacta em termos de custo. Os princípios básicos energéticos usados para determinar o seu nível de inclusão em uma dieta para suínos de engorda baseiam-se na cobertura das necessidades, tanto de manutenção como de produção. Em condições práticas, do total de energia ingerido pelo suíno, ocorre uma distribuição percentual nas seguintes proporções: 1- Manutenção

34%

2- Ganho proteico

20%

3- Ganho de gordura 46% É bem conhecido o impacto da energia nos parâmetros de produção, de tal forma que um aumento na mesma determina um acréscimo na deposição de proteína (variável entre machos e fêmeas) e uma redução no índice de conversão. Normalmente, quando aumentamos os níveis de energia da ração, ela aumenta de preço. Esse aumento gera um custo maior do kg reposto por suíno e do custo de produção. Não é menos correto o fato de que quando baixamos os níveis de energia da ração, os suínos permanecem mais tempo na engorda, o que implica em uma menor taxa de ocupação e rotação, com menos suínos terminados por ano e por instalação. Assim, a pergunta nos surge quando temos de tomar a decisão correta de balancear a quantidade precisa de energia na dieta com a melhor relação entre o custo dela e por kg de suíno enviado ao abatedouro (ROI custo da ração/custo do Ano VII - nº 42/2012


Produção produção de calor e mudanças de comportamento no consumo. A hipertermia leva a uma redução do consumo de energia e a um aumento das perdas por evaporação, o que também modifica o comportamento de consumo dos suínos. A redução do consumo determina um aumento na relação entre a energia de manutenção e a energia ingerida, o que promove a piora da EA.

O índice de conversão alimentar deve ser analisado considerando os pilares da produção tais como: meio ambiente, manejo, genética, sanidade, resposta imune e tecnologias de fabricação suíno). Por isso devemos conhecer a correlação real entre a concentração energética da dieta e a sua eficácia em termos de quilocalorias por kg de peso ganho. Para tanto, podemos nos guiar pela correlação existente entre a densidade energética e o consumo voluntário de ração na prática das granjas comerciais, além de poder aplicar a correlação entre a concentração energética e os dias para o abate. Os valores energéticos recomendados em diferentes fontes da literatura são apenas orientativos, estando em constante revisão e estudo. Neste ano está prevista a publicação das novas tabelas do NRC 2012. É muito importante ter a segurança de que o valor da energia que formulamos seja real; para tanto, considero críticos os seguintes pontos: • Atenção especial aos programas de controle de qualidade de nossas matérias-primas; • Fixar os valores de energia com precisão nas matrizes de cálculo, com base nas matérias-primas em uso x valores médios de tabelas; • Há fatores dietéticos que influenciam na digestibilidade e na absorção das diferentes fontes de energia (amido, gordura, proteína e fibra); • Fatores animais (genética, sexo, ambiente, sanidade) que determinam como a energia ingerida será utilizada, uma vez absorvida. Ano VII - nº 42/2012

Fatores de incidência Quando analisamos o parâmetro IC, devemos considerar muito particulamente os seguintes pilares da produção: A. Meio ambiente B. Medidas de manejo C. Manejo da ração D. Genética E. Sanidade F. Resposta imune G. Tecnologia de fabricação

A - MEIO AMBIENTE  a termorregulação é a função orgânica que faz interagir a temperatura corporal com o equilíbrio entre a produção de calor e as perdas corporais (balanço entre produção e perda de calor). O estresse ambiental está direta e indiretamente correlacionado com a redução nos parâmetros produtivos, já que incrementa as necessidades de ingestão de energia, assim como os requerimentos. A quantificação dos efeitos derivados da temperatura sobre o IC deve levar em conta vários fatores de variação, como as instalações, o peso vivo e o potencial de crescimento dos suínos. As respostas dos suínos ao estresse térmico são reguladas por três respostas orgânicas: anatômica, fisiológica e de comportamento. A hipotermia dá lugar ao aumento de consumo de energia, com aumento da

As altas temperaturas também influenciam na qualidade final da carcaça, de modo que se passamos de 20ºC a 30ºC, aumenta em 6% o conteúdo magro dela e se reduz em 3,5% o seu conteúdo de lípidios. Nestas condições, a modificação da origem do conteúdo energético (menos hidratos de carbono e mais gorduras) estimulará o consumo final de energia. Também têm sido vistos efeitos positivos ao se incrementar o conteúdo vitamínico – mineral das dietas, assim como a quantidade e a qualidade da água de bebida e a redução do nível de proteína bruta (reduz a produção de calor endógeno). Existe a dúvida de que as linhagens atuais, de alta produtividade, tenham maior susceptibilidade à termorregulação. A variabilidade genética da tolerância à temperatura é bem conhecida, já que a produção de calor metabólico e as perdas de calor são diferentes.

B - MEDIDAS DE MANEJO  a medida típica da EA é a quantidade de ração necessária para aumentar uma unidade de ganho de peso. Tal como havíamos comentado anteriormente e com base no método adotado para a cobrança dos suínos, deve ser ajustada com base no peso vivo ou da carcaça. Quero destacar alguns ítens a considerar nestas medidas:  Densidade de suínos, tanto em creches como na fase de engorda, pode afetar a EA na fase de crescimento e na terminação;  Retirar de 10% a 20% dos suínos de maior peso de cada baia e enviá-los para abate favorece a EA de todo o plantel, sendo esta uma ação mais destacada quando se trabalha com densidades mais elevadas;  O racionamento pontual, de uma a três vezes por semana, como prática em engordas sem restrição alimentar, reduz o ganho médio de peso diario, mas não afeta o IC; Suínos & Cia

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Produção o tamanho de partícula ou tipo de granulado, tem um impacto considerável na conversão. Rações peletizadas com mais de 20% esfarelado penalizam também a conversão. Ao mesmo tempo, a correlação do tipo de comedouro com a apresentação da ração (farelada ou peletizada) deve ser levada em conta para um ótimo aproveitamento dela;  Períodos de jejum superiores a 24 horas podem penalizar também a EA. Neste ítem, quero fazer um breve comentário sobre a presença da alimentação líquida como sistema para otimizar o IC, devido principalmente a:

A eficiência alimentar da porca durante a gestação é fundamental para obter melhor índice do peso ao nascimento  O peso ao nascimento é um dos fatores determinantes da melhor EA na fase de engorda; por isso devemos cuidar da base genética e da alimentação da porca em gestação para obter esse efeito;  Agrupar os suínos, tanto no desmame como na engorda, por sexo e tamanho (pequenos, médios e grandes), traz um efeito positivo sobre o IC;  Verificações de manejo diárias que se devem realizar para otimizar o IC por esta via: o Disponibilidade de água o Distribuição idônea de alimento nos comedouros

nos, sendo 50% a formulação, e os outros 25%, a tecnologia de fabricação. Dentro deste ítem, são vários os pontos a considerar para otimizar a EA, principalmente:  Determinar o consumo de cada um dos tipos de ração por suíno, assim como o momento de mudança de cada uma delas;  Ajustar os comedouros ao peso dos animais, evitando a todo custo os desperdícios, os quais se estimam em até 5%. O tipo e o desenho do comedouro podem influenciar o IC;  A qualidade da ração farelada, segundo

• Maior flexibilidade para ajustar os níveis de nutrientes e consumos de ração em cada uma das fases, segundo a idade e pesos dos suínos; • Possibilidade de racionamento a partir dos momentos de consumo em excesso, baseado nas necessidades e no potencial de crescimento; • Evitar perdas de ração no próprio sistema e aproveitar melhor a matéria seca residual; • Redução da prevalência e da gravidade de certos transtornos digestivos, tanto infecciosos como metabólicos, devido a uma melhor saúde digestiva; • Ajustar as curvas de consumo às de crescimento; • Melhora da ação de certas enzimas (fitases, xilanases, beta-glucanases).

o Qualidade do ar em geral e no nível dos suínos o Correlação de peso com dias de permanência e consumos estimados o A preparação das cargas é essencial para se ter lotes homogêneos e evitar descontos no abatedouro, enquanto a menor dispersão de pesos nos leva a ter médias melhores no IC o As más condições de transporte (densidade, etc.) e o descarregamento dos suínos também podem nos penalizar na EA por perdas de rendimento.

C - MANEJO DA RAÇÃO  como regra prática, o êxito de um programa de nutrição dependerá de 20% a 25% de como será feito o arraçoamento dos suíSuínos & Cia

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O manejo da uniformização durante a fase de creche por tamanho pequeno, médio e grande proporciona um efeito positivo sobre o índice de conversão

Ano VII - nº 42/2012


Produção D - GENÉTICA

 a seleção genética para melhoria do IC vem sendo realizada já há algum tempo em algumas linhagens genéticas, tendo sido obtido um progresso de 0,027 unidade por cada geração. É importante que nos asseguremos que este parâmetro esteja fixado em nossos suínos, particularmente nas linhas macho. E, para tanto, devemos ter o compromisso da empresa de genética provedora de nossos reprodutores. A forma de melhorar o IC, em síntese, concentra-se na melhoria do ganho médio de peso diário, com um consumo médio diário menor e com base no aumento da deposição de carne magra, reduzindo a quantidade de gordura, a produção de calor e as necessidades para manutenção. A grande vantagem é que cada um desses elementos está sob controle. Atualmente, os trabalhos de seleção realizados para melhorar a EA nos suínos baseiam-se no consumo residual de ração. Trata-se de um projeto que começou em 1999, levando em consideração os requerimentos de energia de manutenção e crescimento, parâmetro este que responde à seleção e possui herdabilidade moderada. As linhagens genéticas com elevado consumo de alimento residual têm maior consumo e peso em uma idade definida, enquanto as de baixo consumo residual têm menor quantidade de gordura dorsal, maior percentual de lombo e menos gordura intramuscular, além de um menor consumo diário. As linhagens genéticas de baixo consumo de alimento

residual demonstram melhor EA em função de – entre outros fatores – terem cerca de 4% menos de peso em seu conteúdo digestivo. Estes suínos apresentam um consumo maior por fração de tempo, com um número menor de visitas diárias ao comedouro.

F - RESPOSTA IMUNE  a ativação do

sistema imunológico nos suínos reduz a deposição proteica com os mesmos níveis de aminoácidos, de modo a: • Ativar o eixo hipófise – hipotálamo – hipófise; • Aumentar o catabolismo hormonal;

E - SANIDADE  a influência da saúde sobre a EA se dá, principalmente, por meio de dois efeitos:

• Inibir a síntese de proteína muscular esquelética;

• Efeito direto a partir da mortalidade, havendo mais impacto quanto maior for o peso das baixas pelo consumo de alimento ingerido;

• Aumentar a síntese de proteína de fase água.

• Efeito indireto sobre o crescimento e a deposição de tecido magro, não só nos casos de infecções que determinem quadros agudos de doença, mas também nos quadros crônicos ou subclínicos, cujos efeitos reais podem ser vistos por meio de: o efeito sobre o consumo de ração; o menores requerimentos de aminoácidos, particularmente de lisina; o efeito sobre a EA devido a mudanças na composição do ganho de peso diário – redução da deposição de proteínas sobre a de lipidios. O impacto sobre o IC, por sua vez, depende do tipo e da dose de exposição aos patógenos, além da fase de produção envolvida.

• Aumentar a degradação de proteína muscular esquelética;

O sistema imunológico sente a pressão patógena ambiental e se ativa, o que provoca redução do consumo de alimento como mecanismo de defesa imunitária. Também reduz a capacidade para a secreção de proteína muscular (regulada pela miostatina), determinando uma diminuição da EA. O efeito metabólico do sistema imunológico é adaptativo. São vários os mecanismos conhecidos, nos quais a alimentação afeta a imunidade. Seguem alguns exemplos: a) Manutenção de células do sistema imunológico: praticamente todos os nutrientes. A deficiência de algum ou vários deles reduzirá a capacidade de resposta imune; b) Modificação da resposta a patógenos: energia, ácidos graxos de cadeia longa e vitaminas A, D, E; c) Influência no equilíbrio da flora microbiana: probióticos e fibra; d) Estímulo do sistema imunológico: prebióticos – MOS.

G - TECNOLOGIA DE FABRICAÇÃO  os programas de alimentação, juntamente com os seus manejos específicos e aliados à otimização dos sistemas de fabricação de rações, são essenciais para a obtenção de uma melhor EA, tal como vimos anteriormente. Dentro deste item, é necessário considerar ao menos os seguintes fatores: • Otimizar os controles de qualidade dos alimentos industrializados;

A eficiência alimentar é influenciada diretamente com relação à pressão do sistema imunológico, afetando assim a deposição de proteína muscular

Ano VII - nº 42/2012

• Reduzir o tamanho das partículas até a obtenção do melhor retorno ao investimento em termos de custos de produção de ração (trabalho, energia, Suínos & Cia

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Produção FATORES DE INCIDÊNCIA

FATORES

VARIÁVEIS

QUANTIFICAÇÃO

GENÉTICA

Linhagens Magras Linhagens Gordas Fêmea-Finalizador

Muito condicionado pelo peso no abate

50g - 300g

AMBIENTE

Verão / Inverno Ventilação / Gases

Variabilidade anual - Sinérgico

50g - 200g

SEXO

Macho / Fêmea Inteiro/Castrado/Imunocastrado

Peso no abate e nº de rações frente a castrados físicos

100g - 300g 350g

VARIAÇÃO DE PESOS

Peso de entrada, peso de saída e incremento no peso

Pesos mínimos e máximos - desvios

50g - 250g

Tipo chupeta e de fluxo

Sinérgico a outros fatores

50g - 150g

*COMEDOURO

Tipo e espaço

Apresentação ração/manejo

100g - 200g

*DENSIDADE

Peso e tamanho do lote

Segundo o tipo de piso

25g - 200g

*VAZIO SANITÁRIO

Tempo - Higiene

Tudo dentro – Tudo fora estrito

50g - 100g

MANEJO *BEBEDOURO

*MOVIMENTOS E MISTURAS

Ordem social

Segundo pesos e idade

50g - 150g

*TRATAMENTOS

Antibioticoterapia Doses - tempos de aplicação

Associado a problemas patológicos

20g - 150g

*ÁGUA

Qualidade físico -química e microbiológica

Palatabilidade

25g - 100g

*GRANULADA / FARELADA

Tamanho da partícula

Potabilidade

50g - 150g

ALIMENTAÇÃO

*ESFARELADOS

Seleção e perdas de ração

Dureza-Durabilidade

100 g - 200g

*PAPINHA/SECA

Alimentação líquida

Agrava problemas respiratórios

50g - 100g

*MISTURADA

Dispersão

Relacionada a perdas de ração

25g - 100g

*RAÇÕES POR FASES

Múltiplas fases

Controle de qualidade do misturador

50g - 200g

*MICOTOXINAS

Segundo o tipo e o nível das mesmas

Criação de modelos para granjas/suínos

20g - 100g

*ENERGIA

Aumento da % de gordura

Digestibilidade Ração e desperdício

+1% = - 2%

*PROTEÍNA

Deficiência de aminoácidos sulfurosos

Tipo e qualidade da gordura segundo as necessidades

- 1% = - 1% a 3%

*FIBRA

Aumento da % de fibra

Relação níveis de energia e digestibilidade de aminoácidos

*VITAMINAS

Deficiências

Qualidade e níveis de incorporação

*MORBIDADE

A partir de 20%

*MORTALIDADE

Segundo o peso das baixas

*CRÔNICOS

Tratados sem curar Atrasados-Refugos

SANIDADE

manutenção, kg produzidos por hora). Essa questão também influi na eficácia e na qualidade da granulação, características da mistura de ingredientes e facilidade de distribuição da ração; • Conteúdo final de matéria seca na ração, tanto farelada como granulada. Um ponto de umidade reduz 40 kcal EM/kg entre 87% e 88%; • Conteúdo real de energia das rações, segundo os níveis de gordura incluídos com relação aos níveis de matéria seca; • Homogeneidade da mistura de parSuínos & Cia

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Dificilmente quantificável Segundo patologia e apresentação

tículas. Parâmetros de coeficiente de variação inferiores a 12% determinam melhoras no IC; • Qualidade do grânulo, tanto em dureza como em durabilidade, assim como com relação ao tamanho e seu comprimento. Os níveis de esfarelados nas rações granuladas que superem os 15% darão lugar a uma perda na EA. Por isso é preciso otimizar a formulação, com base no tipo de ração a granular, sistemas de resfriamento, condicionador, tamanho de partícula, condições de granulação (temperatura, pressão,

50g - 300g

umidade), especificações da fórmula e transportadores.

Aplicações práticas Neste item e de forma breve, montamos um quadro com os diferentes fatores que influenciam o IC, o que nos permitirá realizar uma verificação de todos os pontos críticos que precisam ser revisados na granja, no momento necessário, e para determinar o nosso parâmetro dentro da análise dos objetivos financeiros e de produção. Ano VII - nº 42/2012


Produção Impacto do melhoramento genético na cadeia agroindustrial da suinocultura brasileira Esther Ramalho Afonso 2 estherafonso@gmail.com

Introdução Segundo Coser (2010), a agricultura moderna nasceu há aproximadamente 200 anos, quando, até então, era caracterizada pelo intenso uso de mão de obra e baixa tecnologia e produtividade. Mas ao longo dos anos sofreu grandes transformações, resultando em uma atividade econômica moderna, tecnificada e integrada ao setor industrial. Tais mudanças provocaram alterações irreversíveis na estrutura econômica da agropecuária, com impactos sociais profundos e também com aumento significativo na capacidade de produção de alimentos. Os avanços tecnológicos, ganhos de produtividade, aumento nas escalas de produção e, mais recentemente, a significativa influência do ambiente organizacional e institucional e também do comportamento dos consumidores, são as mudanças mais notáveis ao longo desses anos. Para se ter uma visão sistêmica das atividades relacionadas à agropecuária, recorre-se ao conceito de agribusiness, com origem na escola americana de Administração de Harvard. Por sua vez, a definição de Sistema Agroindustrial (SAG) refere–se a um recorte feito em um determinado produto dentro do agribusiness ou agronegócio, e inclui todas as fases de produção, dos insumos até o consumidor final (Saab et al., 2009). As tecnologias utilizadas nas diferentes fases de produção do SAG podem ser adquiridas ou copiadas, e a falta de acesso por alguns produtores, seja por insuficiência de recursos ou de escala, pode prejudicar sua participação e inserção no mercado. Conhecer o consumidor e o que esse deseja, e repassar essa informação a toda à cadeia, com a finalidade de identificar as mudanças, internalizar a informação, renegociar contratos, reestruturar a coordenação do SAG (Saab, 1999; Suínos & Cia

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Luiz Antonio Vitagliano 3 Lúcio Francelino Araújo 4 Augusto Hauber Gameiro 5 1, 4 FZEA/USP 1, 2, 3, 5 FMVZ/USP - Pirassununga Zilbersztajn, 1995) e, ainda, minimizar os custos de transação podem trazer vantagens competitivas importantes. A intensificação tecnológica na produção de suínos, associada aos ganhos de escala entre as agroindústrias e a redução da capacidade ociosa, tende a levar à maior eficiência produtiva e maior rentabilidade das agroindústrias e dos suinocultores. O melhoramento genético suíno é um segmento fundamental para a compreensão dessa dinâmica, pois atende tanto aos interesses dos criadores, como da agroindústria e principalmente dos consumidores. Portanto, o objetivo do artigo é: i) descrever o processo de evolução tecnológica por meio do melhoramento genético de suínos, como resposta à demanda do mercado; e ii) analisar os seus impactos no sistema, como mudanças nas relações entre os agentes, na importância do ambiente organizacional e institucional e nos custos de transação.

A suinocultura no mundo e Brasil No mundo, a produção de proteínas de origem animal evoluiu consideravelmente durante o século XX, em virtude das novas técnicas de produção e impulsionada pelo aumento da renda per capita dos consumidores. Segundo dados da FAO (2009), nos países desenvolvidos o consumo médio de carnes supera os 80 kg/hab./ano, em contrapartida, nos países em desenvolvimento não passam de 28 kg de consumo. Espera-se um forte crescimento no consumo de carnes, principalmente nos países em desenvolvimento e com taxas de crescimento da renda per capita elevada, como China, Índia, Brasil, México, África do Sul, entre outros (Coser, 2010). No âmbito mundial, observa-se que a carne suína é a proteína de origem animal mais produzida e consumida e

Claudia Cassimira Silva 1 ccassimira@yahoo.com.br

deverá acompanhar o crescimento na demanda mundial por carnes. O Brasil se apresenta como um competidor de destaque devido à grande capacidade de produção de grãos para ração, o clima favorável, a disponibilidade de água e a grande extensão territorial para aproveitamento dos efluentes. Esse conjunto de vantagens proporciona ao país um potencial que poucos conseguem reunir. A possibilidade de crescimento da suinocultura brasileira teve como base a inovação tecnológica nas áreas de genética, sanidade, nutrição e manejo, bem como a mudança significativa na organização da atividade e seu avanço para novas regiões (Coser, 2010). Porém, para continuar a expressar grande potencial competidor e de inserção no mercado de carnes, o Brasil precisa se atentar a aspectos como a segurança dos alimentos, o bem-estar animal, a rastreabilidade e a proteção ao meio-ambiente, fatores que estão ganhando dimensão na produção de alimentos. No que se refere aos processos de gestão, tecnologia e demanda por mão de obra qualificada, as granjas suínas se assemelham a unidades industriais. Assim, a produção animal é pensada a partir da lógica da indústria de transformação, altamente dependente de insumos industrial e influenciada pelo horizonte temporal. Desta forma, a produção suinícola passou a ser coordenada majoritariamente pelas agroindustriais, baseadas em contratos e também nas estruturas hierárquicas. Nesse caso, os contratos de integração de suínos é a denominação mais utilizada para o sistema de coordenação da produção e tem como base o acordo formal entre produtores de suínos e agroindústrias. Utilizandose da teoria da Nova Economia Institucional, esse sistema é classificado como uma forma híbrida, também denominada simplesmente de “governança contratual” (Coser, 2010), a qual tem crescido ao longo dos anos no Brasil. Ano VII - nº 42/2012


Produção A evolução tecnológica na suinocultura A evolução tecnológica da suinocultura no Brasil atinge a cadeia produtiva como um todo, da genética à gestão de negócios, incluindo, ainda, as áreas de nutrição, instalação, sanidade e manejo. E envolve criadores, processadores, distribuidores e consumidores, portanto, afetam as transações e, consequentemente, seus custos. Proporciona, com isso, ganhos de produtividade, entrada de novos agentes, aumento nas escalas de produção e mudanças no ambiente organizacional e institucional. Mas qual o marco inicial desta evolução genética na suinocultura e que a configura como uma atividade altamente produtiva e competitiva no cenário mundial? Tem-se que os primeiros suínos introduzidos na América foram trazidos por Cristovão Colombo em 1493, e no Brasil, em 1532, por Martim Afonso de Souza (SEBRAE, 2008). Esses animais, além de fornecerem carne, tinham gordura para o preparo e a conservação dos alimentos. Neste último caso, o uso de refrigeradores ainda não era existente e/ou difundido, e desta forma o suíno atendia não só as necessidades proteicoenergético da alimentação, como também, por muitos anos, resolveu o problema de conservação de carnes de comunidades inteiras nas diversas regiões do país que não tinham acesso a eletricidade. Naquele período, e até meados do século passado, os criadores eram independentes, com rebanho de pequeno porte, pouco afeitos a parcerias, sendo raros os vínculos legais entre criadores e processadores, e o suíno era abatido aos seis meses de idade, com 50% de banha no aproveitamento final. Sua alimentação era baseada no milho, restos da lavoura e de alimentos humanos. Os problemas sanitários, a baixa produtividade e os preços baixos eram a realidade predominante na suinocultura até então (ABCS, 2011). Mas com a chegada e a difusão das companhias elétricas no país, parte de sua necessidade como fornecedor de banha seria dispensado como conservante de alimentos, sendo totalmente dispensável com a chegada de grandes produtores e companhias multinacionais de óleo nos anos de 1950. Investiu-se fortemente no convencimento dos consumidores de que a banha suína e a gordura animal eram prejudiciais à saúde e, por isso, deveriam Ano VII - nº 42/2012

ser evitadas e substituídas pelos óleos vegetais, surgindo, assim, um novo perfil de consumo de carne suína no país, que desejaria menos gordura e mais carne. Geraram-se duas opções: as raças comumente usadas deveriam ser aprimoradas ou substituídas. Essa última foi a escolhida pela qual a suinocultura brasileira optou, trazendo novas raças para o país e que até hoje fazem parte da constituição genética do plantel (ABCS, 2011). Até a chegada de animais que propiciaram o melhoramento genético do rebanho suíno brasileiro, a suinocultura era caracterizada, predominantemente, por uma criação de subsistência. Não havia uma indústria de insumos, visto que o animal alimentava-se de restos da lavoura ou “lavagem”, e não havia até então o papel do Estado configurando um ambiente institucional formal, uma vez que não estimulava pesquisas na área e não tinha papel regulador e controlador, pois não havia comercialização expressiva da carne suína, e por esse mesmo motivo, também não havia desenvolvimento do ambiente organizacional. É importante lembrar que a modernização da agricultura brasileira foi induzida pelo processo de industrialização do país, ou seja, pela política econômica do governo entre 1950 e 1970, que favoreceu a indústria em detrimento da agricultura e acelerou o êxodo rural. Três políticas foram determinantes no processo de modernização da agricultura nesse período: 1) crédito subsidiado, principalmente para a compra de fertilizantes e maquinaria; 2) estabelecimento de serviços públicos de extensão rural entre 1950 e 1970; 3) forte investimento em pesquisa

e educação em ciências agrárias, com a criação da Embrapa em 1973, e de cursos de pós-graduação (Alves et al., 2005). Mas só foi na década de 1970 que chegaram empresas norte-americanas e europeias oferecendo o melhor material genético disponível no mercado internacional (Rohenkohl; Martinelli Jr, 2009). A entrada de novas linhagens e de empresas internacionais de melhoramento genético no país resultou em melhorias no rebanho, e para expressar o máximo potencial produtivo necessitava de avanços em outras frentes como a nutrição, o manejo e a sanidade, dando mais aspecto comercial e econômico à atividade que era praticada informalmente. Proporcionou, então, o melhor gerenciamento da granja que induziu a ocorrência de dois fenômenos: a especialização e a adoção sistemática de novas tecnologias. Ambos possibilitaram e possibilitam investimentos no desenvolvimento e produção de insumos de alta qualidade, ainda objetivando atender ao requerimento de todos os segmentos da cadeia de carne suína (Figura 1). O uso cada vez mais intenso de material genético de alta qualidade para produção de suínos decorre da percepção de que a qualidade genética limita o potencial de transformação da nutrição e de outros insumos em carne suína (Moura, 2010). Alguns outros aspectos revolucionaram o mercado brasileiro de material genético de suínos, como a tipificação de carcaças, aliada à estabilização econômica do Brasil e a intensificação do processo de globalização da economia, estimulando os programas de genética em curso no país, bem como abrindo espaço para a entrada

Figura 1. Evolução do Sistema Agroindustrial da Carne Suína

Fonte: Autores

Suínos & Cia

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Produção Figura 2. Estrutura Piramidal do sistema de produção de suínos

Fonte: Autores

de um número significativo de empresas especializadas, que trouxeram de seus países de origem uma genética moderna e competitiva (Fávero; Figueiredo, 2009). A criação de suínos industriais contém alta densidade tecnológica embutida nas raças produzidas pelas empresas de inovação genética. Estas constituem um segmento altamente oligopolizado, em função dos altos custos envolvidos em pesquisa e desenvolvimento (IPARDES, 2002). No plano econômico, tem-se a constituição de um mercado internacionalizado, composto fundamentalmente por empresas multinacionais importantes na área de melhoramento genético. Nos anos de 1980, o mercado de melhoramento genético suíno teve sua expansão principalmente devido às empresas europeias, tais como PIC, JSR, NPD, Dalland, Pen Ar Lan, Dan Bred, entre outras. Ainda generalizou-se naquela época a inseminação artificial e acrescentou-se o uso de programas estatísticos informatizados. Já a década de 1990 é marcada pelo início do uso da genética molecular e pela referência do padrão sanitário elevado nas granjas de criação. A genética molecular propiciou um novo método, mais preciso, para a previsão de desempenho produtivo de animais quanto às características de baixa herdabilidade, mas de importância socioeconômica (Rohenkohl; Martinelli Jr, 2009). Atualmente, o mercado brasileiro tem como maiores empresas no segmento de genética suína, por ordem decrescente: Agroceres PIC®, Dan Bread®, Topics® ou Dalland®, Genetic Pork®, Pen Ar Lan®. Segundo Rohenkohl; Martinell Jr., 2009, a representação das relações em rede para a troca de informação e o compartilhamento de conhecimento entre agentes que caracterizam a pesquisa, o desenvolvimento de produto e de processo e a adaptação deste transcende fronteiras nacionais, em função da presença de importantes empresas multinacionais no segmento. Suínos & Cia

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O sistema de produção de suínos apresenta estrutura piramidal, na qual se encontram em seu ápice as granjas-núcleos, onde são realizados os programas de melhoramento (testes e seleção), cujo material genético selecionado é repassado para o estrato inferior representado pelos rebanhos multiplicadores, que o multiplica por meio de cruzamentos, para então chegar aos rebanhos comerciais, nos quais são produzidos os suínos para abate (Embrapa, 2010)(Figura 2). Nas granjas-núcleo estão os animais representantes das principais raças puras suínas e que possuem as características intrínsecas de cada uma, e por isso são animais de alto valor financeiro, uma vez que fornecerão material genético para as granjas multiplicadoras. As granjasnúcleo ficam localizadas na Europa e/ou Estados Unidos e são representadas por poucas empresas devido à necessidade de alto investimento no aprimoramento das raças. Já as granjas multiplicadoras estão distribuídas nos continentes a fim de garantir a proximidade com as granjas comerciais e, consequentemente, atender às especificidades de dado mercado regional. As granjas multiplicadoras realizarão os cruzamentos entre os representantes das raças (bisavôs) selecionados pelas granjas-núcleo, dando origem às linhagens genéticas (avôs) que reunirão as características de interesse pelas granjas comerciais (matrizes) como demanda o mercado consumidor final. A quantidade de granja multiplicadora é grande devido à necessidade de atendimento dos diferen-

tes mercados regionais existentes e suas peculiaridades; o investimento financeiro é alto, uma vez que necessita de pesquisas para identificar os cruzamentos e atender à demanda de mercado. As granjas comerciais, por sua vez, adquirem o produto dos cruzamentos realizados pela multiplicadora (reprodutores híbridos ou linhagens) que melhor atendam às necessidades do seu mercado consumidor. Mas qual é a demanda do mercado consumidor e o que essas empresas de melhoramento genético precisam atender? De modo geral, as atenções têm se concentrado em três pontos principais: redução da gordura, melhoria da eficiência alimentar e favorecimento do crescimento do tecido magro para maximizar o desempenho dos suínos em terminação e na qualidade de carcaça (Tabela 1) (Embrapa, 2010). Portanto, procurar atender tanto aos anseios do mercado consumidor que deseja uma carne mais saudável quanto dos produtores e da agroindústria com o melhor desempenho e rendimento dos animais.

Indústria de Insumos e o Ambiente Institucional A introdução da ração balanceada, com o intuito de viabilizar o maior potencial genético dos animais, oportunizou o aparecimento das indústrias de insumos de ração. A chegada das empresas produtoras e fabricantes de óleos vegetais, especialmente de soja, fizeram com que houvesse produção de resíduos, como o farelo de soja, extremamente rico em proteína e ótimo para a alimentação animal, surgindo, então, um ingrediente amplamente utilizado na alimentação de aves e suínos. Mais tarde, outros ingredientes foram sendo identificados, estudados e utilizados na alimentação animal, como os aminoácidos, as enzimas, os probióticos, prebióticos, promotores de crescimento e outros que culminaram nas rações balanceadas. E essas propiciaram avanços importantes na conversão alimentar e nos ganhos de peso, reduzindo significativamente a ida-

Tabela 1. O melhoramento genético na produção de suínos Suínos Leitões terminados fêmea/ano

Anos 70

Anos 90

%

15-16

22-24

46

Idade aos 100 kg PV

180

150

17

Conversão Alimentar

3,5

2,6

26

Rendimento de carne magra

<48

55

15

Fonte: Adaptado da Embrapa (2010)

Ano VII - nº 42/2012


Produção de de abate dos animais (ABCS, 2011). O uso de medicamentos e o controle das doenças, o surgimento de novos equipamentos e instalações também permitiram os animais expressarem seus potências produtivos e, consequentemente, garantiram maior produtividade ao sistema, além de segurança, fornecimento em quantidade e qualidade de carne desejáveis aos diferentes agentes que compõem o SAG da carne suína. O desenvolvimento tecnológico ocasionado principalmente por meio do melhoramento genético desencadeou o processo de avanços na suinocultura nacional e propiciou sua evolução, mas ao mesmo tempo gerou a interdependência crescente entre as áreas envolvidas na produção de suínos, resultando, consequentemente, na maior dependência do suinocultor em relação aos outros agentes que compõem o SAG da carne suína. A inovação tecnológica tem como consequência a maior dependência do suinocultor em relação à indústria de insumos. Se não houver acesso a ela, correrá o risco de obter menor rentabilidade e produtividade e produzir carcaças fora do padrão da agroindústria e dos consumidores, logo, terá dificuldades de inserção comercial. Em um mercado cada vez mais competitivo e globalizado, ações e atitudes, a produtividade, custo e eficiência se impõem como regras básicas para sobreviver. Portanto, para ajustar-se a esse contexto, não deve haver espaço para comportamentos passivos e/ou simplesmente de resposta ex post às mudanças nas condições de mercado e de concorrência (IPARDES, 2002). Observa-se, após a introdução das raças melhoradas na suinocultura e toda a revolução com o surgimento da indústria de insumos, uma maior participação do ambiente institucional, iniciada com a própria criação da Embrapa, em 1973, e a crescente atuação da inspeção sanitária (federal, estadual e municipal), sistemas de financiamento e legislação ambiental. Mas a atuação do Estado ainda não é o ideal quando comparada com outros países de destaque na suinocultura, visto que no agronegócio brasileiro, o investimento em pesquisa e desenvolvimento ainda é pequeno, sendo que o setor público investe 0,6% do PIB (Produto Interno Bruto), e as empresas privadas 0,4%, percentual menor do que ocorre em empresas privadas como na Coreia (1,9%) e nos Estados Unidos (1,8%). A produção científica nacional cresce 8% ao ano e a formação Ano VII - nº 42/2012

de doutores evolui a 14%, mas a taxa de inovação tecnológica na indústria brasileira não chega a 1% ao ano (Kawabata, 2008). Mas mesmo com dados tão modestos, ressalta-se o engajamento dos pesquisadores da Embrapa Suínos e Aves, que mesmo com investimentos longe do ideal, têm contribuído enormemente para a evolução da avicultura e suinocultura brasileira, principalmente no que diz respeito à acessibilidade da inovação tecnológica por parte do produtor rural. Assim, no Brasil, essa função de desenvolvimento científico por parte do Estado encontra-se aquém do necessário, ficando, na sua maioria, sob a responsabilidade das empresas privadas. Diferentemente de diversos países, em que instituições públicas de pesquisa e empresas privadas estão engajadas em programas conjuntos de melhoramento genético, bem como de outros segmentos fornecedores de insumos da indústria suinícola (Rohenkohl; Martinell Jr., 2009). O país precisa de ações integradas, contínuas e duradouras que devem envolver o ambiente institucional e organizacional, por meio dos poderes executivo, legislativo e judiciário, das universidades, das instituições científicas e tecnológicas e das empresas privadas (Scolari, 2006).

Estrutura de Governança e o Ambiente Organizacional Devido a todas as mudanças tecnológicas e sua adoção por parte dos produtores, tem-se que a cadeia produtiva da suinocultura no Brasil apresenta um dos melhores desempenhos econômicos no cenário internacional. Tal fato deve-se às estratégias empresariais e aos avanços tecnológicos e organizacionais incorporados ao longo das últimas décadas. A alta competitividade apresentada pelo Brasil no cenário internacional tem sido viabilizada pelas mudanças estruturais de produção, como aumento de escala, especialização e tecnificação. Tendências relacionadas à crescente integração com a estrutura industrial de abate e processamento, e desta forma, contribuindo para o crescimento do rebanho e aumento da produtividade (Miele, 2007). Um fator que evidencia essa evolução, e até mesmo alavancado pela maior participação das agroindústrias no processo de produção pelo sistema de integração, é a diminuição constante da atividade de subsistência substituída pela produção

industrial (Figura 3), demonstrando claramente o uso crescente de tecnologias de produção, maior profissionalismo no setor e maiores preocupações com a qualidade do produto em toda a cadeia, condição necessária para obtenção de um produto final de qualidade e segurança alimentar (Saab et al., 2009). Os dados apresentados permitem inferir que ainda há no Brasil um segmento de baixa produtividade, mas que se encontra em constante diminuição. Em geral, o sistema de criação mais comum é o de ciclo completo (CC), no qual cobertura, gestação, maternidade, creche, recria e terminação são etapas realizadas na mesma propriedade (IPARDES, 2002), sendo o sistema mais adotado pelos produtores independentes (Figura 4). Mas esse sistema tem sido substituído pela produção em múltiplos sítios em virtude da necessidade de especialização crescente da atividade, também como resposta à maior proximidade da produção a agroindústria via sistema de integração. O aumento na escala de produção das granjas de suínos é um dos fatores que proporcionou a subdivisão das atividades entre mais de um produtor, sendo bastante difundida a produção em três sítios, em que a primeira fase é denominada de Unidade de Produção de Leitões (UPL); a fase seguinte é denominada de Unidade de Creche (UC); e a última, de Unidade de Terminação (UT). Observa-se na Figura 4 uma diminuição de 66% no número de estabelecimentos de ciclo completo, aumento de 0,2% nos de unidades produtoras de leitão e de 17% nos de terminação, no Estado de Santa Catarina, entre 2001 a 2005.. Esse é o reflexo da necessidade crescente da melhor gestão financeira da atividade para garantir produtividade e rentabilidade, e a especialização das atividades proporciona tais fatores. A garantia no suprimento de matéria-prima em quantidade, qualidade e regularidade para o abastecimento da agroindústria e a necessidade de maior segurança na comercialização para os produtores foram determinantes para o avanço de sistemas que permitam maior interação entre diferentes elos de uma mesma cadeia. Dentro das diferentes possibilidades existentes, os contratos de integração de suínos se destacaram, proporcionando melhor coordenação entre a produção e o mercado, e possibilitaram um rápido crescimento da atividade. Se antes havia a predominância do sistema Suínos & Cia

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Produção Figura 3. Produção de carne suína no Brasil (mil toneladas) ESTADOS/ANO

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

VAR 10/09

PRODUÇÃO INDUSTRIAL (MIL TONELADAS) RS

383,3

416,7

465,6

481,4

528,4

585,9

588,7

0,48

SC

586,9

619,0

732,6

754,3

724,3

751,7

746,9

-0,63

PR

376,1

389,6

430,8

437,2

444,3

487,9

478,4

-1,94

SP

171,2

168,1

170,0

176,6

147,0

147,4

156,0

5,78

MG

213,1

251,8

314,9

335,5

348,1

375,0

397,1

5,88

MS

67,4

71,7

68,5

70,2

70,9

80,5

102,1

26,74

MT

79,1

104,7

111,5

116,2

140,0

152,3

156,1

2,48

GO

97,2

108,7

115,1

121,1

127,0

137,6

147,7

7,35

1.974,3

2.130,4

2.408,8

2.492,4

2.529,9

2.718,3

2.772,9

2,01

OUTROS ESTADOS

SUBTOTAL

159,1

116,7

122,0

151,1

154,1

154,4

172,6

11,76

TOTAL INDUSTRIAL

2.133,4

2.247,0

2.530,9

2.643,6

2.684,0

2.872,7

2.945,4

2,53

SUBSISTÊNCIA BRASIL

487,9

462,2

412,3

354,0

342,4

317,3

317,2

-0,02

2.621,3

2.709,3

2.943,1

2.997,6

3.026,4

3.190,0

3.262,7

2,28

Fonte: Abipecs, Sips, Sindicatos RS e PR, Embrapa (2010)

de produção independente, cada vez mais este dá lugar ao sistema de integração no qual a agroindústria coordena o setor, com a finalidade de reduzir custos, desde o fornecimento de insumos ao produtor até a comercialização do produto final. Na integração vertical é possível a remuneração dos criadores de acordo com a qualidade do animal, o que se torna um atrativo para que os produtores prefiram comercializar junto às empresas integradoras e um estímulo a investir mais intensamente em tecnologia. O segundo sistema de comercialização, praticado pelos produtores independentes, ocorre no mercado aberto (spot), no qual o preço é determinado pela oferta e demanda (IPARDES, 2002). A produção independente, apesar de maiores retornos financeiros, apresenta maiores riscos, com necessidade de grande quantidade de capital de giro e maior necessidade de planejamento de longo prazo (Coser, 2010). Para esse grupo, as maiores dificuldades referem-se ao acesso ao crédito e a questões pertinentes à tributação federal. Já os integrados e cooperados, por possuírem vínculos contratuais diretos ou indiretos com empresas integradoras e cooperativas de produtores, não sofrem tributação direta sobre alguns insumos (IPARDES, 2002). Mas, se o contrato de integração garante a comercialização, facilita o acesso aos pacotes tecnológicos e confere maior segurança aos produtores, por que ainda há produtores independentes na atividade? A resposta a esta questão poderia Suínos & Cia

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gerar uma longa discussão, mas de forma resumida há algumas considerações que podem ser feitas. A primeira é a existência de melhor remuneração pelo suíno terminado, já que os produtores independentes possuem o ciclo completo e negociariam diretamente com o abatedouro. A localização é outro fator determinante, visto que os produtores independentes, em sua maioria, estão localizados nos Estados de São Paulo e Minas Gerais, e os de integração, no Sul e Centro-Oeste do país, onde estão localizadas as grandes plantas processadoras das agroindustriais e responsáveis pelos contratos. Acrescenta-se o fato da própria estrutura fundiária, em que as

propriedades de Minas Gerais e São Paulo são maiores do que aquelas do sul, o que favorece manter a criação de ciclo completo, além da consorciação da suinocultura com outras atividades que favorecem sua viabilização, como a bovinocultura. Quanto a essa questão fundiária, exceção se faz ao Centro Oeste, já que há grandes propriedades, mas ressalta-se a falta de tradição na atividade e que seria melhor orientada pela integração. Esses são apenas alguns itens que podem justificar a permanência do produtor independente na atividade. Em outras palavras, coexistem no SAG formas distintas de governança.

Figura 4. Estabelecimentos por sistema de produção em Santa Catarina

Fonte: Adaptado de Miele (2007)

Ano VII - nº 42/2012


Produção

Especificidade dos ativos

Quadro 1 – Alinhamento dos Contratos Incerteza Baixa Mercado

Média

Alta

Mercado

Mercado

Média

Contrato

Contrato Integração Contrato Integração Vertical Vertical

Alta

Contrato

Contrato Integração Vertical

Integração Vertical

Fonte: Brickley et al., (1997)

A utilização da governança contratual tem na suinocultura um referencial de mais de 50 anos de experiência. O sistema de integração foi iniciado a partir de acordos tácitos entre produtores de suínos e pequenos frigoríficos regionais. Ao longo dos anos, os contratos de integração de suínos se tornaram acordos complexos, que coordenam diversos aspectos da produção. Na suinocultura há presença de ativos de alta especificidade, associados à necessidade de investimentos de longo prazo para realização da transação. Essas são características que sugerem como melhor estrutura de governança a integração. Tem-se que os suínos para o abate possuem especificidade de localização, temporal, de ativos físicos e dedicados. Ressalta-se, também, a frequência das transações elevadas que envolvem animais e insumos, além de assistência técnica e estrutura logística, ou seja, possui muitas variáveis e que podem gerar incertezas (Coser, 2010). Quando a especificidade dos ativos é alta, como existente na atividade suinícola, os custos associados ao rompimento contratual serão altos, logo, a hierarquia seria a forma mais eficiente de governança (Azevedo, 2000) (Quadro 1). A formação dos contratos de integração de suínos ocorre de maneira similar, em que as empresas integradoras, de modo geral, responsabilizam-se em fornecer os animais de reprodução, com definição do material genético a ser utilizado, os insumos com padronização do que deve ser empregado na produção, a assistência técnica, que acompanha todo o processo produtivo, e o transporte dos animais e, em alguns casos, também dos insumos. Observa-se, portanto, que quanto mais integrada é a cadeia, mais a inovação se apresenta por meio de “pacotes tecnológicos” (Bonacelli et al., 2000). Os produtores, por sua vez, são responsáveis pelas instalações e equipamentos, com as devidas manutenções e alterações necessárias, água e energia elétrica, mão de obra e a gestão ambiental da atividade. Em síntese, os contratos de comodato de Suínos & Cia

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animais e insumos impõem uma barreira à saída muito maior que os contratos de mútuo ou compra e venda, já que sua rescisão por qualquer motivo implicará na devolução de todos os animais e insumos à empresa integradora (Coser, 2010).

Agroindústria processadora A suinocultura no Brasil atualmente é caracterizada por dois grandes grupos de empresas. O primeiro é formado por pequenas e médias unidades de abate e/ou processamento, com atuação circunscrita ao território nacional e/ou regional. O segundo é formado pelas grandes agroindústrias, que são poucas e grandes empresas frigoríficas normalmente operando com sistemas de integração, responsáveis por aproximadamente 40% do rebanho total e por 87% do abate inspecionado nacional. Essas empresas possuem processos de produção compatíveis com o moderno paradigma tecnológico mundial, mais desenvolvido em função do controle mais rígido por parte da indústria, e competem eficientemente no mercado nacional e mundial, com alto volume de produção de embutidos e produtos industrializados de maior valor agregado (IPARDES, 2002). O melhoramento genético, como ferramenta inovadora, permite o melhor rendimento de carcaça a ser processado pela agroindústria, facilitando a manipulação e a elaboração dos produtos processados. A produção de embutidos (presunto, linguiça e outros) e industrializados da carne suína é uma importante estratégia de concorrência utilizada pelas agroindústrias, ou seja, a diferenciação, e por meio dela tornar os produtos de uma empresa diferentes dos seus concorrentes na mente do consumidor. A cadeia produtiva de suínos é bem organizada, com boa coordenação das agroindústrias, que tem cada vez mais se desenvolvido, equiparando-se às dos países desenvolvidos (Saab et al, 2009). A competitividade de uma firma

pode ser avaliada pela capacidade de ganhar e preservar parcelas de mercado. Para tanto, se faz necessário maximizar as economias de escala, de escopo (combinar na mesma planta mais de um produto e/ou serviço) e de transação (redução dos custos de negociação) (Faveret Filho; Siffert Filho, 1998). Com relação às estratégias de preço e produto, as firmas devem levar em consideração seus rivais atuais e potenciais, as possibilidades de coordenação oligopolista, as preferências do consumidor e os preceitos legais que regulam os negócios. Na presença de elevadas economias de escala e/ou escopo, estruturas concentradas são consistentes com a eficiência produtiva, isto é, para atingir escala e diversificação que minimizam custos de produção e distribuição, o número de firmas no mercado deve ser pequeno, podendo, então, afirmar que o oligopólio é uma estrutura eficiente de mercado (fusões no setor) (Farina, 2000) (Tabela 2), e é este o modelo que tem se observado no setor cárneo. Observa-se por meio do cálculo da Razão de Concentração (CR4) e também pelo cálculo do Índice de HerfindahlHirschman (HH) o aumento da concentração entre as empresas agroindustriais e integradoras do setor. O oligopólio, por sua vez, não implica na ausência de rivalidade, pois a concorrência entre poucos e grandes é, às vezes, mais intensa do que em mercados de estrutura competitiva, especialmente quando se trata de concorrência extrapreço (por exemplo, marca) (Farina, 2000).

Varejo e Atacado Com relação à distribuição e varejo da carne suína pode dar-se na forma in natura, ou seja, carcaça, que será resfriada e desossada no ponto de venda, ou em cortes já embalados e prontos para a venda. A rede varejista distribuidora de carne suína, assim como acontece com as outras carnes, é constituída fundamentalmente de supermercados e açougues, em que os últimos vêm perdendo espaço na distribuição do produto. Por outro lado, os super e hipermercados vêm construindo alianças estratégicas com frigoríficos, visando a diminuir custos ao longo da cadeia (IPARDES, 2002). O melhoramento genético permitiu a melhor aparência dos cortes suínos, com a menor deposição da capa de gordura e maior porcentagem da carne, os torAno VII - nº 42/2012


Produção Tabela 2. Principais empresas frigoríficas atuantes no mercado em 2007 e 2009 Empresas 2007

Empresas 2009

Sadia

Brasil Foods3

Perdigão1

Aurora

Aurora

Marfrig

Alibem

Alibem

Seara2

Riosulense

Riosulense

Doux Frangosul

Doux Frangosul

Sudcoop/Frimesa

Eleva

Outras

Sudcoop/Frimesa Mabella Outras CR4

46,64%

57,21%

HH

1.793,53

2.431,12

1. Perdigão assumiu o controle acionário da Eleva e, posteriormente, fundiu-se com a Sadia, criando a empresa Brasil Foods. 2. Marfrig assumiu o controle das empresas Mabella e Seara. 3. Nova denominação da empresa Perdigão após a fusão com a empresa Sadia Fonte: Adpatado Coser (2010)

nando-os atrativos para os consumidores e facilitando a comercialização em pontos de venda, como os supermercados.

Consumidores Apesar da grade evolução que o suíno sofreu nos últimos anos com redução de gordura e aumento de carne magra, visualiza-se ainda o seu baixo consumo no Brasil, devido à preocupação com a relação entre a ingestão de gorduras e problemas coronários e outros danos a saúde, além dos altos preços praticados pelo varejo (IPARDES, 2002). (Figura 5). Para satisfazer o consumidor ain-

da são necessários esforços de todos os agentes do SAG de suínos, devendo atender em qualidade e preço, fato que pode ser facilitado pelo sistema de integração. Como já citado, a suinocultura busca, por meio do melhoramento genético e outras ferramentas, tornar seus produtos com menor deposição de gordura e maior proporção de carne magra, mas ainda precisa derrubar lendas e crendices, para que desta forma aumente a participação no mercado interno de carnes e, consequentemente, aumente o consumo per capita brasileiro. Ainda há a questão ambiental, por meio da concepção da sustentabilidade (demanda dos consumidores em países

Figura 5. Consumo per capita de carne suína em países selecionados (Kg/hab./ano)

Fonte: Adaptado Coser (2010)

Ano VII - nº 42/2012

importadores mais desenvolvidos), pois a suinocultura é uma das maiores fontes poluidoras dos mananciais de água. Esperase que no futuro o consumidor demande não apenas carne mais saudável e segura, como também ambientalmente correta. Todavia, a redução do poder poluente de acordo com a legislação ambiental requer investimentos, normalmente acima da capacidade financeira do produtor, destacando que a maioria dos contratos de integração atribui este problema a ser solucionado pelo suinocultor integrado (IPARDES, 2002). O Estado deve estudar formas de tornar as práticas ambientais viáveis economicamente para o setor, dentre elas o próprio melhoramento genético pode ser uma ferramenta potencial com a seleção de animais que apresentem melhor aproveitamento da alimentação, entre outras, como a nutrição, manejo e ambiência.

Considerações Finais A modernização da suinocultura, impulsionada pelo melhoramento genético do rebanho, ao mesmo tempo em que permitiu o aumento substancial da quantidade de carne e redução da gordura na carcaça também ocasionou maior dependência dos suinocultores em relação a outros agentes que compõem o SAG, como as indústrias de insumos (venda dos pacotes tecnológicos) e das agroindústrias (que impõem os pacotes tecnológicos a serem incorporados). Ressalta-se, ainda, que o melhoramento genético não é estático: está em constante aprimoramento e, juntamente com sua evolução, exige o avanço de todas as outras áreas envolvidas na produção de suínos (nutrição, sanidade, manejo, mão de obra e instalações), que resultará na interdependência crescente entre estes setores. As mudanças no ambiente organizacional, com a concentração empresarial por parte das agroindústrias, no ambiente institucional, com regras mais rígidas de produção em relação aos aspectos ambientais, sociais e de segurança dos alimentos, e o aumento das exigências dos consumidores externos e internos são fatores que aumentaram e aumentarão a complexidade da relação entre os agentes do SAG da carne suína, caminhando para o aumento da adoção do sistema de integração e maior coordenação do setor pela agroindústria e competição entre elas. Suínos & Cia

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Produção Referências Bibliográficas 1. ABCS. Associação Brasileira dos Criadores de Suínos. Disponível em: http://www.abcs.org.br/ em 28/03/2011. 2. Abipecs. Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína. Relatório Anual de 2009. Disponível em <http://www.abipecs.org.br/pt/relatorios.html> em 29/03/2011. 3. Alves, E., Contini, E. Hainzelin, E. Transformações da agricultura brasileira e pesquisa agropecuária. Cadernos de Ciência & Tecnologia, Brasília, v. 22, n. 1, p. 37-51, jan./abr. 2005. 4. Bonacelli, M. B., Salles-Filho, S.; Ramos-Filho, L. O., Souza, F. Formação e articulação de cadeias produtivas e cadeias inovativas na agropecuária da América Latina e do Caribe: O financiamento da pesquisa em C&T - A cadeia citrícola brasileira. Versão Preliminar. Campinas, DPCT/IICA, 2000. 5. BRICKLEY, J.A.; SMITH, I.; ZIMMERMAN, W. Managerial economics and organizational architecture. Dubuque: Irwin McGraw-Hill, 1997. 6. Coase,R.H. 1937. The Nature of the Firm. 4 Economica N.S. 386-405. 7. Coase,R.H.1960. The Problem of Social Cost. 3, Journal of Law and Economics.1-44 8. Coser, F.J. Contrato de integração de suínos: formatos, conteúdos e deficiências da estrutura de governança predominante na suinocultura brasileira. 2010. 160 f. Dissertação (Mestrado). Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária/ Universidade de Brasília, Brasília. 9. EMBRAPA Evolução Genética, Disponível em:<HTTP://www.cnpsa.embrapa.br/down.php?tipo=artigos&cod_ artigo=193>. Acesso em 08/09/10. 10. FARINA, E. M. N. Q. Organização Industrial no Agribusiness. In: Zylbersztajn, D. e Neves, M. F. (Orgs.). Economia e Gestão dos Negócios Agroalimentares. Ed. Pioneira: São Paulo, p. 39-57, 2000. 11. Fávero, J.A.; Figueiredo, E.A.P.; Evolução do melhoramento genético de suínos no Brasil. Revista Ceres, Jul/ Ago 2009. 12. FAO. Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação. Disponível em: http://www.fao.org 13. FAOSTAT. Acesso em 26 de agosto de 2009. 14. IPARDES. Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social. Análise da competitividade da cadeia agroindustrial de carne suína no Estado do Paraná: sumário executivo / Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social, Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade e Grupo de Estudos e Pesquisas Agroindustriais da UFSCAR. – Curitiba, 2002. 54 p. 15. Kawabata, C.Y.; Inovações Tecnológicas na Agroindústria da carne: estudo de caso. Revista Acadêmica de Ciências Agrárias e Ambientais, Curitiba, v. 6, n. 4, p. 529-532, out./dez. 2008 16. MIELE, M. Cadeia produtiva da carne suína no Brasil. Embrapa Suínos e Aves, Concórdia, SC, Brasil. 2007. 17. Moura, S.C. Produção de suínos a baixo custo, impacto do potencial genético de reprodutores na rentabilidade da suinocultura moderna. Disponível em: <http://www.pecnordeste.com.br/pec2008/pdf/sui/SandroCardosodeMoura.pdf>. Acesso em 10/06/2010. 18. Rohenkohl, J. E., Martinell Jr, O. Dinâmica Tecnológica e Ambiente Seletivo em Genética de Suínos. Revista Brasileira de Inovação, Rio de Janeiro (RJ), 8 (2), p.403-435, julho/dezembro 2009. 19. Saab, M.S.B.L.M. Valor percebido pelo consumidor - um estudo de atributos da carne bovina. 1999. Dissertação de Mestrado - FEA/USP. Departamento de Administração, São Paulo, 1999. 20. SAAB, M.S.M.; NEVES, M.F.; CLÁUDIO, L.D.G. O desafio da coordenação e seus impactos sobre a competitividade de cadeias e sistemas agroindustriais. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 38, p.412-422, 2009. 21. SEBRAE. Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. <http://www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/BDS. nsf/E700C099069CC7A8832574DC004BECAE/$File/NT000390A6.pdf>. Acesso em 30/03/2011. 22. Scolari, D. D. G. O atraso na inovação tecnológica no agronegócio. Disponível em: <http://www.portaldoagronegocio. com.br/conteudo.php?id=23252>. Acesso em: 01 jul. 2006. 23. Zylbersztajn, D. Estruturas de governança e coordenação do agribusiness : uma aplicação da nova economia das instituições. 1995. Tese (Livre-docência), Departamento de Administração, FEA/USP, São Paulo, 1995.

Suínos & Cia

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Ano VII - nº 42/2012


Sanidade Medicamentos e medicações no controle de doenças entéricas pós-desmame

Ton Kramer Médico-veterinário Gerente Comercial de Suínos tk.contato@gmail.com

Introdução Nos últimos 40 anos, a suinocultura brasileira passou por grandes transformações. Manejo, instalações, nutrição, genética e sanidade evoluíram de tal forma que há alguns anos o Brasil tornou-se referência na produção de suínos. Com o aumento da própria produção e da produtividade, os desafios sanitários cresceram proporcionalmente, resultado da intensificação e da concentração da produção em determinadas regiões do país. Decorrente disso e da busca inconstante pelos melhores resultados zootécnicos e financeiros, o uso de promotores de crescimento e aditivos alimentares passou a ser rotineiro. O início dos anos 2000 foi marcado pelos crescentes casos de circovirose e das doenças associadas. Durante esse período, entre as diversas medidas de manejo adotadas no intuito de minimizar os prejuízos, como os reconhecidos 20 Pontos de Madec, o uso de programas medicamentosos, alternando pulsos antibióticos com períodos de uso contínuo, foi uma estratégia positiva no sentido de frear o impacto negativo da síndrome. Com o advento das diversas opções de vacinas contra a circovirose e a melhoria nas práticas de manejo, os desafios sanitários diminuíram e, por consequência, o uso dos programas medicamentosos. No entanto, ao longo de todo esse período, a pressão econômica promoveu alguns abusos no uso de medicamentos, especialmente antibióticos, que, por vezes, foram utilizados em subdosagens por períodos menores ao prescrito pelo médico-veterinário ou recomendado pelo Suínos & Cia

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A eleição do medicamento ou programa medicamentoso vai depender do agente etiológico envolvido e a fase que acomete o animal laboratório farmacêutico, ou, ainda, pelo uso de drogas-padrão como matériaprima. Do outro lado da cadeia de produção, o consumidor passou a ser cada vez mais exigente. Da mesma forma, e uma vez que o Brasil passou a ser um importante exportador de carne suína, os países

importadores passaram a ser mais exigentes. Como resultado disto, restrições foram impostas ao uso de medicamentos. Some-se a isso, ainda, uma preocupação cada vez maior da área médica no que diz respeito às resistências bacterianas e as discussões ainda inconclusivas da importância que a produção animal tem neste

Tabela 1 - Princípios ativos de uso limitado e a legislação relacionada Princípio Ativo Penicilina, tetraciclinas, sulfonamidas sistêmicas Avoparcina Arsenicais e antimoniais

Legislação Portaria 193, 12/05/1998 Ofício Circular DFPA 047/98 Portaria 31, 29/01/2002

Cloranfenicol e Nitrofuranos

IN 09, 27/06/2003

Olaquindox

IN 11, 24/11/2004

Carbadox

IN 35, 14/11/2005

Violeta Genciana

IN 34, 13/09/2007 Fonte: Ministério da Agricultura

Ano VII - nº 42/2012


Sanidade Tabela 2 - Objetivos do uso de tratamentos antibióticos na produção animal Animal: objetivos clínicos e epidemiológicos

Produtor: objetivos financeiros

Consumidor: objetivos de saúde pública

Tratar ou controlar a doença ou infecção:

Manter o resultado financeiro da produção:

Assegurar que o consumidor terá produtos saudáveis:

- sem efeitos adversos - sem risco de recorrência ou contágio - evitando a disseminação a outras propriedades - evitando o desenvolvimento de resistência bacteriana processo, decorrente do uso dos aditivos alimentares melhoradores de desempenho. Em 1986, o Ministério da Agricultura brasileiro lançou o Plano Nacional de Controle de Resíduos (Portaria n° 51, de 6 de fevereiro de 1986). Como resultado deste plano, em 1999 foram lançados os Programas de Controle de Resíduos em Carne (Portaria n° 42, de 20 de dezembro de 1999). Paralelamente, foi restringido ao longo dos anos o uso de alguns princípios ativos, relacionados na Tabela 1. Mais recentemente, outras instruções normativas foram publicadas no sentido de normatizar e regular a importação, fabricação, comercialização e uso de medicamentos, sendo:  Instrução Normativa nº 13, de 30 de novembro de 2004: aprova o regulamento técnico sobre aditivos para produtos destinados à alimentação animal;

- limitando as perdas diretas (mortalidade) e indiretas (perda de desempenho e condenação de carcaça) - mantendo as condições de produção na propriedade

continuidade do uso como aditivo melhorador de desempenho por preocupações relacionadas à saúde pública” (Ofício nº 087/2011/DFIP, de 10 de maio de 2011), especialmente, em relação à segurança toxicológica, os princípios ativos clorexidina, halquinol, e em relação ao desenvolvimento de resistência bacteriana, os princípios ativos espiramicina, eritromicina, tiamulina, lincomicina e colistina. Todas essas ações têm como intuito ou consequência:  Definir os princípios ativos passíveis de uso em medicina veterinária e que não resultem em possível resistência bacteriana a medicamentos de uso na medicina humana;

- em termos de qualidade microbiológica e de resíduos - que não resultem em transmissão de patógenos resistentes  Garantir origem, qualidade e destino dos aditivos e medicamentos utilizados na produção animal;  Valorizar o profissional da área médica veterinária no sentido de prescrever e recomendar o uso de medicamentos com base em um diagnóstico;  Diferenciar o uso dos antibióticos como terapêuticos e aditivos melhoradores de desempenho.

Princípios gerais no uso de antibióticos O uso de um antibiótico na produção animal tem objetivos que vão além do simples tratamento de uma infecção ou desafio bacteriano (Tabela 2).

 Instrução Normativa nº 65, de 21 de novembro de 2006: aprova os procedimentos para a fabricação e o emprego de rações, suplementos, premixes, núcleos ou concentrados com medicamentos para os animais de produção;  Instrução Normativa nº 04, de 23 de fevereiro de 2007: aprova o regulamento técnico sobre as condições higiênico-sanitárias e de boas práticas de fabricação para estabelecimentos fabricantes de produtos destinados à alimentação animal e o roteiro de inspeção;  Instrução Normativa SDA nº 29, de 14 de junho de 2007: aprova os procedimentos para a importação de produtos destinados à alimentação animal; Além disso, está em discussão o Relatório Técnico do Grupo de Trabalho instituído pela Portaria SDA nº 428, de 10 de dezembro de 2009, que “sugere desAno VII - nº 42/2012

Figura 1 - Princípios da escolha do antibiótico

Suínos & Cia

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Sanidade Tabela 3 - Antimicrobianos utilizados em suínos Grupo farmacológico

Aminoglicosídeos

Ação em Grampositivos

Ação

Princípio ativo

Bactericida

Apramicina (oral) Espectinomicina Gentamicina Neomicina (oral)

+

Ação em Gramnegativos

Os princípios ativos e seus usos ++ O termo antibiótico (do grego anti = contra e bio = vida) foi inicialmente empregado para definir substâncias químicas produzidas por microrganismos que têm a capacidade de, em pequenas doses, inibir o crescimento ou destruir microrganismos causadores de doenças. Posteriormente, houve necessidade de ampliar este conceito, pois se tornou possível obtê-los por síntese laboratorial parcial (antibióticos semissintéticos ou biossintéticos) ou total (sintobióticos) (SPINOSA et al, 2005).

Beta-lactâmicos

Bactericida

Amoxicilina Cefalosporinas Penicilinas

++

++

Lincosamidas

Bacteriostática

Lincomicina

+

+-

Fenicóis

Bacteriostática

Florfenicol

++

+-

Bacteriostática 1

Aivlosin Eritromicina Espiramicina Josamicina Leucomicina Tiamulina Tilmicosina Tilosina Tulatromicina

++

+

Bactericida

Bacitracina de Zinco Colistina

++ -

++

Quinolonas

Bactericida

Ciprofloxacina Enrofloxacina Norfloxacina

+

++

Sulfas

Bacteriostática Bactericida

Sulfonamidas Sulfa + Trimetoprim

++

++

 Ação biológica

Tetraciclinas

Bacteriostática

Clortetraciclina Doxiciclina Oxitetraciclina

+

+

 Mecanismo de ação

Macrolídeos e Diterpenos

Polipeptídeos

Legenda: ++ Sensibilidade normal; + Sensibilidade moderada; + - Sensibilidade variável; 1 Os antibióticos do grupo dos macrolídeos têm ação bactericida em doses elevadas.

Os antibióticos podem ser classificados segundo:  Estrutura química / Grupo farmacológico  Origem / Síntese

 Espectro de ação

A Tabela 3 relaciona os principais antibióticos utilizados na suinocultura brasileira e sua classificação.

A escolha de um medicamento ou programa medicamentoso depende das informações disponíveis no momento. No entanto, devem-se levar em consideração os aspectos da Figura 1.

lote, quando houver a expectativa de que outros animais possam desenvolver a infecção. O objetivo deste tipo de tratamento é eliminar o microrganismo causador da infecção, seja de manifestação clínica, subclínica ou assintomática.

Os tratamentos antibióticos

O tratamento profilático (ou preventivo), por sua vez, é normalmente utilizado quando há uma grande probabilidade da infecção bacteriana no lote, e o tratamento terapêutico, por sua vez, no caso da manifestação clínica, é difícil ou de custo mais elevado.

Considerando que o sucesso do tratamento antibiótico é uma consequência da relação “Animal - Bactéria - Princípio ativo” (Figura 2), quando da escolha de um antibiótico ou associação de antibióticos, deve-se preferencialmente conhecer o agente etiológico da doença. Quando isso não é possível, a escolha do medicamento a ser utilizado deve considerar o quadro clínico, achados de necropsia, epidemiológicos e laboratoriais, localização do processo infeccioso e idade dos animais acometidos.

Em uma visão médica, os tratamentos terapêuticos deveriam ser os de preferência, especialmente aqueles direcionados especificamente aos animais acometidos pela infecção. Isto porque o uso preventivo é o primeiro passo para o uso sistemático, prática que pode ser negativa, uma vez que pode levar ao desenvol-

É importante ressaltar que os antibióticos nunca eliminam a população bacteriana em sua totalidade: o crescimento bacteriano é simplesmente interrompido (efeito bacteriostático) ou a população bacteriana é reduzida a um nível mínimo (efeito bactericida). É sempre o sistema imune do indivíduo que promove a com-

Estando determinados os contextos clínico, econômico e sanitário e tendo o diagnóstico definido, pode-se estabelecer o tratamento a ser realizado. De maneira geral, os tratamentos antibióticos podem ser diferenciados em terapêutico (ou curativo) e profilático (ou preventivo). Um tratamento antibiótico terapêutico é normalmente administrado para um grupo de animais que apresentem os sinais clínicos da doença, ou em todo o Suínos & Cia

30

vimento de resistência bacteriana e é normalmente implementado para compensar um mau manejo sanitário da granja.

Ano VII - nº 42/2012


Sanidade vias de administração de medicamentos são injetáveis, via ração e água de bebida, de acordo com o desafio apresentado, uma via terá preferência em relação às demais. A Tabela 6 faz um comparativo entre as vantagens e desvantagens de cada via.

Figura 2 - Tríade de envolvidos no tratamento medicamentoso pleta eliminação da população bacteriana. A análise da atividade antibacteriana deve considerar, em um primeiro momento, o espectro de ação do medicamento e a concentração inibitória mínima (CIM) para a bactéria que se quer combater. Na sequência, é necessário compreender as características farmacocinéticas: o perfil farmacocinético para o tipo de processo infeccioso e a CIM do antibiótico nos tecidos, uma vez que cada princípio ativo e tecido tem um comportamento diferente (Figura 4 e Tabelas 4 e 5). Quando um antibiótico é administrado em um animal, a concentração do princípio ativo alcançada depende da far-

macocinética (metabolismo do animal). Os processos de absorção, distribuição e eliminação determinam o perfil farmacocinético de um antibiótico (Figura 3). Para agir nos órgãos-alvo, o antibiótico deve ingressar na circulação (absorção) para então ser transferido pelo corpo (distribuição). Uma vez na circulação, o comportamento do antibiótico é o mesmo, independentemente da via de administração. No entanto, a via de administração tem relação direta para o tempo que o medicamento leva para alcançar a concentração máxima no órgão-alvo. Considerando que na suinocultura as principais

Não há uma via de administração de medicamentos única e ideal. Para cada infecção, uma via de administração será preferencial. Devem ser considerados, para tanto, os recursos disponíveis, tanto de mão de obra quanto equipamento, e as condições clínica dos animais. Além disso, independentemente da via de administração utilizada para o tratamento, é fundamental que as doses recomendas pelo fabricante do medicamento ou pela literatura científica sejam respeitadas. O termo dosagem refere-se não somente à dose diária individual de cada produto (normalmente expressa em mg de princípio ativo/kg de peso corporal), mas também ao regime de administração (duração do tratamento e intervalo entre as aplicações). A dosagem utilizada de um antibiótico deve ser suficiente para reduzir a população bacteriana de tal forma que o sistema imune possa agir no sentido de eliminar a infecção. De acordo com a farmacologia clássica, a dosagem ideal é aquela que garante uma concentração nos tecidos mantém-se superior à CIM da bactéria, durante todo o período de tratamento. Em casos em que há necessidade de um tratamento com antibióticos de ação bactericida, os objetivos de concentração são muito mais altos que a CIM, devendo superar a concentração bactericida mínima (CBM).

Tabela 4 - Comparação farmacocinética de antibióticos fornecidos via ração Princípio ativo

Dose (mg/kg PC)

Inclusão na ração (ppm)

Cmax (mg/ml)

C constante (mg/ml)

Concentração pulmonar (mg/ml)

Concentração no cólon (mg/ml)

Tiamulina

11

220

<0,3

<0,3

1,99

8,05

Tilmicosina

19,4

400

0,039

0,039

1,69 7,19 (macrófago)

-

Tilosina

5,5

110

<loq

<loq

<0,05

50*

Lincomicina

11

220

0,14

0,14

1,13

101

Espectinomicina

2,2

44

-

-

-

17 a 50

Clortetraciclina

18

364

0,35

0,25

0,55

-

Oxitetraciclina

18

364

0,2

0,08

0,1

-

Doxiciclina

13,3

250

1,5

-

1,7

Legenda: <loq: menor que o limite de quantificação

Ano VII - nº 42/2012

Fonte: adaptado de BURCH (2003)

Suínos & Cia

31


Ingelvac MycoFLEX® FLEX Eficácia Segurança Conveniência no controle da Pneumonia Enzoótica

ÚNICA DOSE 1ml Dose única

Boehringer Ingelheim, a especialista em vacinas de dose única.


BENEFÍCIOS Dose única Rápido estabelecimento da imunidade Proteção até o abate Menor volume de aplicação Menor reação vacinal Menor estresse dos animais Facilidade de aplicação Redução de mão de obra Otimização no manejo Suporte técnico especializado

A escolha mundial de vacinas para suínos.


Sanidade Tabela 5 - Concentração de lincomicina (mg/ml) no conteúdo intestinal fornecido via ração em diferentes inclusões Órgão

Lincomicina 110 ppm Concentração (mg/ml)

Lincomicina 220 ppm

s

%

Concentração (mg/ml)

s

%

Ração

110

-

100

220

-

100

Estômago

5,15

4,95

5,2

9,86

6,85

4,5

Duodeno

5,90

4,97

5,4

7,18

6,40

3,3

Jejuno

13,71

9,90

12,5

14,48

9,36

6,6

Íleo

47,82

21,20

42,9

25,05

10,97

11,4

Cólon

34,51

15,28

31,4

101,01

24,64

45,9 Fonte: BURCH (2003)

A dosagem indicada pelo laboratório farmacêutico normalmente corresponde com aquela que é efetiva para o tratamento indicado e aprovada pelos órgãos reguladores competentes. No entanto, essa dosagem não pode ser fixa, pelas diversas razões relacionadas com a farmacologia.

O médico-veterinário deve ser capaz de adaptar a dosagem, se necessário, com base nas informações e dados disponíveis: CIM, concentração nos tecidos, modo de ação dose ou tempo-dependente, disponibilidade de princípios ativos, etc. Outro ponto fundamental a ser

considerado no que diz respeito às dosagens tem a ver com a administração do medicamento, principalmente via ração, quando normalmente as indicações estão descritas em ppm, ou seja, relacionadas com a inclusão do produto na ração, sem levar em consideração a variação de consumo ao longo da vida do animal. A Tabela 7 mostra a dose diária e a inclusão na ração recomendada para um medicamento, como a tiamulina, cuja dose é 10 mg/kg, e com uma apresentação comercial a 80%.

Combinação de antibióticos A combinação de antibióticos tem como objetivo aumentar a atividade antibiótica dos princípios ativos quando comparados aos mesmos se usados individualmente, pela sinergia entre eles ou pelo aumento do espectro de ação. Figura 3 - Perfil farmacocinético de um antibiótico administrado por diferentes vias

Além disso, a associação de antibióticos pode ter a finalidade de evitar a possibilidade de resistência ou para atingir diferentes locais de infecção. É importante analisar o efeito da combinação antes de empregá-la. Os efeitos da associação podem ser:  Sinérgica: quando ocorre a potencialização do efeito esperado dos medicamentos. Nesse caso, o efeito final é maior do que a soma dos efeitos de cada antibiótico;  Antagônico: quando o efeito obtido é menor do que o esperado para cada um dos antibióticos ou, ainda, há efeito tóxico;

Figura 4 - Concentração de tiamulina no plasma, pulmão e cólon, após a aplicação injetável na dose de 15 mg/kg de peso corporal (McKELLAR, 1993, citado por BURCH, 2003)

Suínos & Cia

34

 Indiferente: quando o efeito dos antibióticos é independente, como se cada Ano VII - nº 42/2012


Sanidade Tabela 6 - Vantagens e desvantagens das diferentes vias de administração de medicamentos Via de administração

Vantagens

Desvantagens

Injetável

• Rápido efeito • Grande gama de medicamentos disponível • A facilidade de identificação dos animais medicados reduz o risco de resíduos • Tratamento específico aos indivíduos doentes

• Trabalhoso quando há necessidade de se medicar muitos animais • Estressante para animais e equipe de trabalho • O local da aplicação pode apresentar abscesso, com consequente condenação da carcaça • Material utilizado deve ter descarte apropriado • Agulhas quebradas podem contaminar a carcaça

Via ração

• Adequado para prevenção de doenças • Permite o tratamento de um grande número de animais

• Menor efetividade no tratamento de animais doentes, em função da redução de consumo • Alto risco de resíduos • Resposta mais lenta, especialmente quando se considera o manejo da ração

• Fácil administração • Grande número de animais pode ser tratado rapidamente • Adequado para prevenção e controle de doenças • Baixo custo de manutenção dos equipamentos depois de instalados • Flexibilidade do equipamento para vários usos

• Custo adicional de instalação de medicamentos • Há possibilidade de desperdício de medicamentos • O custo de medicamentos solúveis pode ser maior que produtos para uso via ração • Animais saudáveis podem consumir o medicamento • Animais doentes podem não consumir o medicamento • Tubulações e bebedouros podem entupir em caso de baixa solubilidade do produto ou não limpeza das linhas de fornecimento de água • O sistema de fornecimento de água pode não ser adequado para a administração de medicamentos

Via água de bebida

Fonte: TAYLOR, ROESE e BREWSTER (2006)

Tabela 7 - Dose diária e inclusão na ração de suínos de um medicamento com indicação de 10 mg/kg e produto comercial com concentração de 80% Dose Diária

Inclusão na Ração

Idade (dias)

Peso (kg)

Consumo de ração (kg/dia)

Princípio (mg/dia)

Produto (mg/dia)

Princípio (ppm)

Produto (g/ton)

28

8,3

0,2

73

91

308

384

35

11,2

0,5

99

123

205

257

42

14,2

0,7

125

156

187

234

49

17,8

0,9

157

196

177

222

56

21,7

1,1

191

239

172

215

63

26,0

1,3

228

285

179

224

70

31,0

1,4

273

341

193

241

77

34,5

1,6

304

380

191

238

84

39,5

1,8

348

435

199

248

91

44,5

1,9

392

490

205

256

98

50,5

2,1

444

556

210

263

105

57,0

2,3

502

627

216

270

112

64,0

2,4

563

704

232

290

119

71,0

2,5

625

781

249

311

126

77,5

2,6

682

853

261

326

133

83,5

2,7

735

919

272

340

140

90,0

2,8

792

990

288

360

147

97,0

2,8

854

1.067

305

381

154

103,5

2,9

911

1.139

320

399

Legenda: Princípio = princípio ativo; Produto = produto comercial

Ano VII - nº 42/2012

Suínos & Cia

35


Sanidade dados obtidos por esta análise. O antibiograma tem relevância no processo de escolha de um tratamento antibiótico quando:  O tempo gasto para a execução do exame laboratorial e a obtenção do resultado é compatível com a evolução da doença;  O exame laboratorial reflete a situação do campo.

Figura 5 - Possíveis efeitos da associação de antibióticos (SMITH e JAWETZ, 1972) um deles estivesse sendo utilizado isoladamente.

glicosídeos, colistina e fluoroquinolonas): normalmente indiferença;

As regras gerais de associação de antibióticos foram descritas por JAWETZ (1967), e são ainda válidas - Figura 5 (normalmente, a associação entre antibióticos bacteriostáticos e bactericidas está relacionada à fase do crescimento bacteriano - Figura 6):

 Combinação de um antibiótico bacteriostático com um bactericida cuja ação se dá na fase exponencial/de multiplicação (beta-lactâmicos): normalmente antagonismo.

 Combinação de dois antibióticos bactericidas: pode ter uma ação sinérgica; é frequentemente indiferente;  Combinação de dois antibióticos bacteriostáticos: normalmente indiferente;  Combinação de um antibiótico bacteriostático com um bactericida cuja ação se dá na fase lag/de latência (amino-

É importante ressaltar que estas regras têm exceções relacionadas aos microrganismos e aos órgãos acometidos.

Antibiogramas como ferramenta de escolha do melhor tratamento Embora o conceito e a técnica da realização de antibiogramas sejam bastante simples, observam-se no dia a dia dificuldades na interpretação e uso dos

Para tanto, a amostra de material utilizada para a realização do antibiograma deve ser patologicamente representativa, compatível com a história clínica da doença e sem fatores que possam interferir negativamente no resultado do exame. A Tabela 8 mostra os casos de discrepância entre os resultados laboratoriais e a realidade a campo.

Resistência bacteriana Define-se como resistência bacteriana a situação em que é impossível obter-se a CIM. A consequência disto é a falha no tratamento. No entanto, não necessariamente a falha no tratamento seja sinônimo de resistência bacteriana. O desenvolvimento de resistência bacteriana, além de determinar menor eficácia da droga, também representa um potencial de risco à saúde pública, uma vez que o contato dos homens com os animais pode aumentar a ocorrência de resistência da microbiota desta espécie (BONGERS et al, 1995, citado por BACCARO et al, 2002). A resistência bacteriana pode ser:  Intrínseca ou Natural: quando a bactéria é naturalmente resistente a determinado princípio ativo;

Figura 6 - Padrão de crescimento bacteriano em um sistema fechado

Suínos & Cia

36

 Adquirida: quando a bactéria sofre uma mutação genética, que a permite sobreviver ou resistir na presença de uma concentração de antibiótico superior ao usual. Essa mutação pode ser resultado de uma alteração cromossômica ou extracromossômica (plasmídeo ou transposon); Ano VII - nº 42/2012


Sanidade Tabela 8 - Casos de discrepância entre os resultados laboratoriais e a situação a campo Caso

1. Isolamento de uma bactéria não relacionada diretamente com a situação observada a campo

2. O tratamento antibiótico falha, mesmo com resultado laboratorial indicando sensibilidade

Situação

Possível razão

A. Bactéria de difícil isolamento

• Técnica laboratorial deficiente • Amostras coletadas em situação não ideal

B. Início da doença

• A população bacteriana ainda não está estabelecida na granja, e o exame laboratorial foi realizado antes da efetiva manifestação da doença

C. A bactéria isolada não está agindo independentemente

• Presença de outros agentes • Necessidade de exames complementares ou especiais

A. A bactéria isolada é o agente causador da doença

Problemas na implementação do tratamento • Via de administração incompatível com a necessidade de resposta • Problemas relacionados com a administração do tratamento (qualidade de mistura, diluição, interferentes, equipamento, etc.) • Tratamento prescrito em dosagem insuficiente, não considerando peso e consumo

B. A bactéria isolada não é significativa e não é o agente causador da doença

• Técnica laboratorial deficiente • Início da manifestação da doença • Houve algum tratamento anterior?

C. Antibiograma incorreto A. A bactéria isolada não é significativa e não é o agente 3. O tratamento antibiótico teve causador da doença êxito, mesmo com um resultado laboratorial indicando B. A bactéria isolada é o agente resistência causador da doença

• Técnica laboratorial deficiente • Técnica laboratorial deficiente • Início da manifestação da doença • Houve algum tratamento anterior? Apesar do resultado do antibiograma indicar resistência ou baixa sensibilidade, bons níveis de difusão ou a dosagem utilizada possibilitaram um resultado in vivo melhor do que o testado in vitro Fonte: adaptado de BALLOY (1996), citado por MOGENET e FEDIDA (1994?)

 Fenotípica ou Antibiotípica: quando uma cepa bacteriana é resistente a um grupo antibiótico. A ocorrência de resistência bacteriana está relacionada com a prática rotineira de administração de tratamentos antibióticos via oral, especialmente quando em subdosagens ou por períodos menores do que o recomendado. Além disso, mudanças frequentes de moléculas, sem a avaliação da sensibilidade bacteriana, ou, ainda, a mistura de diferentes antibióticos e a subdosagem são excelentes meios de promover o desenvolvimento da resistência bacteriana. As subdosagens resultam em concentrações baixas do princípio ativo no organismo do animal, que não são suficientes para inibir ou promover a eliminação bacteriana. Essa prática é bastante comum, especialmente quando não são considerados o peso e o consumo dos animais que estão sendo tratados (Tabela 7) e, muitas vezes, está relacionada com o alto custo do medicamento utilizado. O controle do desenvolvimento de resistência está relacionado com o uso Ano VII - nº 42/2012

Tabela 9 - Prevalência das diarreias por idade Fase

Idade (dias)

Patógeno

0–5

Escherichia coli TGE Clostridium spp Diarréia nutricional (Rotavírus) (Isospora)

6 – 21

Isospora Rotavírus E. coli (Strongyloides) (Cryptosporidium)

21 – 60

E. coli Rotavírus Cryptosporidium PCV2 (Coronavírus)

60 – 100

Brachyspira Lawsonia E. coli Salmonella PCV2

100 - Abate

Brachyspira Lawsonia Salmonella PCV2

Maternidade

Creche

Recria

Terminação

Legenda: ( ) = pouca importância ou pouco prevalente na idade; PCV2 = circovírus suíno tipo 2; TGE = gastroenterite transmissível Fonte: ZLOTOWSKI, DRIEMEIER e BARCELLOS (2008)

Suínos & Cia

37


Sanidade diarreias dos suínos e a fase em que ocorrem mais frequentemente.

Tabela 10 - Frequência de resistência das amostras de E. coli em relação aos antimicrobianos testados, SP, 2001 Antimicrobiano

Frequência de resistência (%)

Antimicrobiano

Frequência de resistência (%)

Ampicilina

86,8

Gentamicina

86,3

Kanamicina

88,6

Neomicina

57,3

Ceftiofur

0,16

Norfloxacina

92,0

Cloranfenicol

96,8

Oxitetraciclina

96,7

Enrofloxacina

19,0

Penicilina

80,0

Estreptomicina

96,4

Sulfadiazina + Trimetoprim

87,4

Flumequina

59,3 Fonte: BACCARO et al, 2002

racional de medicamentos e a implementação de medidas efetivas de melhoria da situação sanitária da granja.

Os principais desafios entéricos na fase de creche

Neste sentido, são ferramentas para o controle do desenvolvimento da resistência o controle sanitário da granja, com exames bacteriológicos rotineiros e a análise dos riscos clínico e epidemiológico, bem como melhorias nas práticas de limpeza e desinfecção e a adoção de programas vacinais.

As doenças entéricas representam um problema importante na suinocultura tecnificada, devido às grandes perdas econômicas associadas com estas patologias. Os problemas decorrentes das diarreias em suínos são consequências dos gastos com antibióticos, aumento da mortalidade, necessidade de manejo, cuidados com os animais doentes e conversão alimentar inadequada (ZLOTOWSKI et al, 2008).

Quando da adoção de tratamentos antibióticos, eles devem ser rápidos, a fim de limitar o desenvolvimento bacteriano, respeitando doses e tempo de administração de cada princípio ativo.

A Tabela 9 apresenta as causas de

Tabela 11 - Gêneros e espécies bacterianas identificadas em amostras de material entérico obtidas por meio de necropsias de 1.107 suínos com sinais clínicos de diarreia nas fases de maternidade, creche e terminação, SC, 2007 Número de diagnósticos e frequência (%) Agente diagnosticado

Maternidade (1 - 25 dias)

Creche (26 - 65 dias)

Terminação (66 - 160 dias)

297 (76)

177 (53,6)

104 (26,9)

Salmonella spp.

-

24 (7,3)

42 (10,9)

Clostridium spp.

17 (4,3)

5 (1,5)

11 (2,8)

Brachyspira hyodesynteriae

-

11 (3,3)

23 (6)

B. pilosicoli

-

29 (8,8)

34 (8,8)

Lawsonia intracelularis

-

2 (0,6)

29 (7,5)

Enterobacter spp.

26 (6,6)

20 (6,1)

16 (4,1)

Pseudomonas spp.

10 (2,6)

13 (3,9)

-

-

-

26 (6,7)

E. coli

B. pilosicoli + L. intracelularis + E. coli

-

23 (7)

43 (11,1)

Clostridium spp. + E. coli

6 (1,5)

3 (0,9)

-

Diagnóstico inconclusivo

35 (9)

23 (7)

41 (10,6)

391 (100)

330 (100)

B. Pilosicoli + E. coli

Total

386 (100) Fonte: MENIN (2008)

Suínos & Cia

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Especificamente na fase de creche, a E. coli mantém como um importante agente causador de enterite. Sua infecção é de difícil controle devido à elevada capacidade deste agente em desenvolver e disseminar mecanismos de resistência aos antimicrobianos utilizados no tratamento da doença. BACCARO et al (2002), estudando 600 amostras de E. coli isoladas de fezes de 100 leitões lactentes, com diarreia e idade variando entre 5 e 30 dias, demonstraram que todas as amostras estudadas apresentaram resistência a pelo menos 5 dos 13 antimicrobianos testados. A Tabela 10 mostra a frequência de resistência observada nesse trabalho. MENIN et al (2008) determinaram os agentes bacterianos associados com ocorrência de diarreias em suínos, em diferentes faixas etárias, em Santa Catarina (Tabela 11), e também verificaram o perfil de resistência de E. coli e Salmonella spp. frente aos principais antimicrobianos utilizados em granjas de suínos (Tabela 12). A Tabela 13 relaciona doses preconizadas e absorção média de alguns antimicrobianos. Independentemente da fase e, como já mencionado anteriormente, as medidas de controle, tratamento e prevenção de doenças devem estar relacionadas com o uso racional dos antibióticos, associadas às boas práticas de limpeza e desinfecção, programas de vacinação adequados aos desafios da granja e monitoramentos frequentes do status sanitários da granja.

Possíveis causas de falha no tratamento antibiótico A função do médico-veterinário na assistência à granja não pode se limitar somente à prescrição do tratamento. Cabe a ele, também, determinar possíveis causas do insucesso do tratamento. Apesar de muitas vezes atribuir-se a culpa da falha no tratamento antibiótico à resistência Ano VII - nº 42/2012


Sanidade Tabela 12 - Frequência de resistência in vitro a antimicrobianos de 349 cepas de E. coli e 64 cepas de Salmonella spp., isoladas de material entérico de suínos das fases de maternidade, creche, recria e terminação, com sinais clínicos de diarreia, SC, 2007 Etiologia bacteriana Princípio ativo testado

E. coli Frequência de resistência (%)

Salmonella spp. Frequência de resistência (%)

Amoxicilina

81

4,8

Ceftiofur

57,4

22,1

Colistina

69,3

11,6

Doxiciclina

77,6

23

Enrofloxacina

68,2

6,9

Gentamicina

62,7

3,5

Lincomicina

76,1

27,7

Neomicina

55

6,2

Norfloxacina

83,3

39,3

Oxitetraciclina

94

77

Tetraciclina

89,5

42,1

 Diagnóstico incorreto ou incompleto

sas que devem ser consideradas.

o Erros relacionados à etiologia

Entre as possíveis causas que

da doença: causa não infec-

levam ao insucesso de um tratamento

ciosa, outro agente infeccioso,

antibiótico, estão incluídas:

etiologia multifatorial;

Tabela 13 - Doses recomendadas e absorção média de alguns antimicrobianos, quando fornecidos via oral ou na ração de suínos Princípio ativo

Dose (mg/kg)

Absorção média (%)

Amoxicilina

20

39 - 80

Ciprofloxacina

5

53

Clortetraciclina

40

11 - 28

Colistina

50 ppm

0

Doxiciclina

7 - 26

40 - 50

Enrofloxacina

10

85

Espiramicina

56

24 - 60 (jejum)

Florfenicol

NR

88

Lincomicina

33

41 - 73 (jejum)

Neomicina

15

0

Norfloxacina

5

36 - 51

Oxitetraciclina

45

3 - 4,8

Penicilina G

52

45

Sulfadiazina

39

87

Tiamulina

9 - 50

>90

Tilmicosina

20

NR

Tilosina

6 - 50

NR

Trimetoprim

8

87

Valnemulina

3 - 12

Legenda: NR = não determinado

Ano VII - nº 42/2012

 Implementação incorreta do tratamento antibiótico o Erro de dosagem; o Instabilidade do tratamento; o Problemas de mistura ou solubilização do medicamento; o Consumo insuficiente.  Ineficácia do antibiótico no animal

Fonte: MENIN (2008)

bacteriana, há várias outras possíveis cau-

o Interpretação incorreta do antibiograma (Tabela 8).

>90 Fonte: BARCELLOS et al (2007); BURCH (2003)

o Antibiótico não indicado para o microrganismo; o Iteração medicamentosa; o O antibiótico não atinge o órgão-alvo; o CIM muito alta e/ou concentração do antibiótico muito baixa; o Imunossupressão. As causas de falha nos tratamentos podem estar relacionadas com questões clínicas, bacteriológicas e até econômicas. É fundamental que o médico-veterinário e os profissionais envolvidos estejam atentos a possíveis causas de insucesso nos tratamentos

Conclusão O uso de antibióticos na produção animal sofrerá cada vez mais pressão da opinião pública, exigindo que órgãos como o Ministério da Agricultura sejam mais exigentes no sentido de limitar e controlar o uso deste tipo de medicamento. Além disso, a própria pressão decorrente da resistência bacteriana exigirá mais critério no uso de programas antibióticos por parte de médicos-veterinários, produtores e empresas. No entanto, o uso dos antimicrobianos sempre existirá e será necessário para garantir o sucesso na produção animal. Por tanto, o uso racional de antibióticos, vacinas, programas de limpeza e vacinação e controles sanitários fazem-se cada vez mais necessários e indispensáveis. Suínos & Cia

39


Sanidade

Referências bibliográficas 1. ALDOUS, J. G. Towards more

8. GUNNISON, J. B. et al. Studies on

de diferentes faixas etárias e perfil

effective use of antibiotics. Canadian

antibiotic synergism and antago-

de resistência a antimicrobianos de

Family Physician, Apr 1969

nism: the effect in vitro of combi-

cepas de Escherichia coli e Salmo-

nations of antibiotics on bacteria of

nella spp. Ciência Rural, Santa Maria,

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Suínos & Cia

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Sanidade Ecologia de doenças infecciosas aplicada no diagnóstico, controle e erradicação de doenças em suínos Fabio Vannucci 1, 2, 4 vannu008@umn.edu

Médico-veterinário 1 Doutorando da Universidade de Minnesota 2 MBA em Gestão Empresarial 3 Mestre em Patologia Animal - UFMG 4

Daniel Linhares 1, 2, 3 linha005@umn.edu

Parte II: Visão global de técnicas de diagnóstico aplicadas no controle e erradicação de doenças infecciosas em suínos Introdução A aplicação de teorias evolutivas na trasmissão de doenças infecciosas em suínos foi discutida na Parte I desta série de artigos. Neste, serão revisados e discutidos conceitos e aplicações gerais de técnicas de diagnóstico em níveis individual e de rebanho. Além disso, monitoramento sanitário baseado em seriados testes de diagnósticos serão discutidos no sentido de avaliar a presença de específicos patógenos no rebanho. O terceiro artigo desta série será uma revisão sobre estratégias de controle e erradicação de doenças infec-

ciosas na suinocultura moderna. Considerando a complexidade da ecologia e transmissão do vírus da Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos (PRRSv) e a vasta literatura disponível relacionada ao controle e erradicação tanto em nível de granja quanto regional [1-4], usaremos PRRSv como modelo para exemplificar as diferentes estratégias utilizadas. Como PRRSv é exótico na suinocultura brasileira, seguem algumas informações-chave sobre o patógeno [5]. PRRVs é um vírus RNA de fita simples que se replica, inicialmente, em macró-

fagos pulmonares. Entre todos os vírus conhecidos no momento, incluindo HIV e Influenza, PRRSv tem sido relatado como o mais mutagênico [6, 7]. Possui 10 ORFs (open reading frames), sendo o ORF 5 relativamente variável e os ORF 6 e 7 conservados entre isolados. PRRSv causa infecção aguda marcada por viremia de 1 a 6 semanas pós infecção, seguida por uma fase persistente de aproximadamente 6 meses em tecidos linfóides. O vírus pode persistir infeccioso por semanas em temperaturas ambientais de 4ºC; dias, em 22ºC; e minutos, em 56ºC. Tem sido demonstrado que PRRSv pode ser transmitido via sêmen, transplacentária, contato direto, aerossóis e por diversos contatos indiretos. Esta combinação de fatores faz de PRRSv um agente infeccioso de difícil eliminação de sistemas de produção. Contudo, diversas fontes têm reportado a eliminação do agente. Um exemplo clássico é o Chile, país que teve a suinocultura nacional unificada para eliminar PRRSv [8]. Após o exemplo chileno, há diversas outras regiões na América do Norte unificadas para conseguir o mesmo [4]. O presente artigo não revisará detalhadamente cada técnica de diagnóstico, mas discutirá o uso e a aplicação das mesmas em programas de controle e erradicação de agentes infecciosos na suinocultura.

1. Avaliação clínica A avaliação clínica é de fundamental importância para verificar a prevalência dos sinais e sintomas clínicos associados ao agente etiológico

Suínos & Cia

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Um dos pilares comuns para programas de controle e erradicação de doenças é iniciar o projeto quando a pressão de Ano VII - nº 42/2012


Sanidade ser cuidadosamente interpretado caso não haja alterações patológicas específicas ou indicativas relacionadas ao microrganismo em questão.

N

a ausência de evidências macroscópicas e histopatológicas, o simples isolamento de um patógeno deve ser interpretado com cautela. A interpretação equivocada afeta diretamente a eficiência da intervenção terapêutica ou preventiva a ser adotada. A sorologia é uma ferramenta de suma importância para detectar os anticorpos circulantes no sangue, avaliando assim se os animais foram expostos ou não a determinado agente infecção no sistema de produção de suínos estiver reduzida ao máximo. Portanto, o diagnóstico clinico é de extrema importância para auxílio na determinação do nível de sinais e sintomas clínicos associados ao agente etiológico em questão. Como discutiremos no próximo artigo, intervenções terapêuticas podem ser usadas para controle inicial do surto, e o diagnóstico clínico é usado para avaliação da eficácia de tais intervenções. Diagnóstico clínico na suinocultura inclui visualização geral do comportamento e estado físico dos animais, pautado pela avaliação concomitante dos parâmetros de produção, incluindo números sobre mortalidade, conversão alimentar e outros indicadores de performance de crescimento.

O

exame clínico do rebanho é a primeira e não a última etapa do processo de diagnóstico. A experiência clínica do veterinário deve ser demonstrada pela inclusão de uma lista de diagnóstico diferencial e não pelo estabelecimento do diagnóstico definitivo no momento da visita.

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2. Avaliação anatomopatológica Os sinais clínicos manifestados durante um desafio sanitário na granja não são unicamente específicos de um determinado patógeno. Desta forma, uma série de possibilidades deve ser incluída no diagnóstico diferencial após a avaliação clínica do rebanho, embora algumas intervenções terapêuticas emergenciais sejam adotadas apenas com base no exame clínico do rebanho. A avaliação anatomopatológica dos animais afetados é fundamental para direcionar estratégias de controle do surto. Umas das primeiras e mais importantes funções do exame anatomopatológico são a caracterização e a diferenciação dos agentes primários e secundários envolvidos no surto. A seleção dos animais afetados, acompanhada da necropsia completa e coleta de material para exame histopatológico, é de crucial importância. Um trabalho em parceria com laboratório veterinário é recomendado para realização de diagnóstico preciso. É fundamental o envio de amostras certas para o laboratório. Por exemplo, no caso de PRRSv, sabe-se que o vírus replica-se inicialmente em macrófagos pulmonares e logo se estabelece em tecidos linfoides. Portanto, os tecidos de eleição para diagnóstico laboratorial incluem pulmão, tonsilas e linfonodos sistêmicos. No caso do diagnóstico bacteriológico, o simples isolamento de um patógeno deve

3. Sorologia Técnicas sorológicas são disponíveis para diagnóstico e monitoramento sanitário do rebanho. Em geral, os testes sorológicos são para detecção de anticorpos circulantes no sangue específicos do patógeno em questão. Portanto, testes sorológicos são fundamentais para determinar se o rebanho foi infectado por determinado patógeno. Infecções recentes podem justificar resultados falso-negativos pela ausência de resposta imunológica (produção de anticorpo específico a ser detectado no sangue) nos animais infectados. A sensibilidade do teste escolhido deve ser conhecida, a priori, do monitoramento sanitário para realização do cálculo adequado do número necessário de amostras a serem coletadas. Duas questões-chave devem ser entendidas antes da escolha do teste sorológico: dinâmica de formação (tempo e espaço) do anticorpo, sendo detectado pelo teste e sensibilidade do teste usado. A especificidade, obviamente, também é de importância. Testes com baixa especificidade resultam em resultados falso-positivos. Exemplos de testes sorológicos para PRRSv são ELISA (enzyme-linked immunoabsorbent assay), IFA (indirect fluorescent antibody) e IPMA (immuno peroxidase monolayer assay). A prova de ELISA possui sensibilidade superior e especificidade inferior aos demais. O custo do ELISA é aproximadamente 10x maior do que o do IPMA e IFA. Contudo, ELISA é automatizado e menos dependente de experiência na leitura e definição Suínos & Cia

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Sanidade dos resultados (positivo ou negativo), por isso, laboratórios podem realizar centenas de testes (padronizados) por dia. IPMA e IFA demoram mais tempo para leitura, requerem indivíduo experiente para leitura das placas e, portanto, laboratórios conseguem processar apenas dezenas de testes por dia. Amostras usadas para avaliação de anticorpos anti-PRRSv são o soro sanguíneo e (recentemente) os fluidos orais.

A

combinação entre dois testes sorológicos, sendo o primeiro com maior grau de sensibilidade para realizar uma triagem dos animais positivos e o segundo com um alto grau de especificidade, para confirmar os animais previamente positivos, tem sido importante no monitoramento sanitário do rebanho. Considerando o (relativamente) baixo custo e alto grau de confiança em termos de rebanho, sorologias são amplamente utilizadas para fins de monitoramento de patógenos específicos em rebanhos livres de tais organismos. A frequência do monitoramento, bem como o número de amostras obtidas, é determinada pela severidade ou importância da infecção do rebanho monitorado para as granjas de certa forma “conectadas” com tal rebanho.

o peso molecular do produto amplificado. No caso de PRRSv, testes de PCR são baseados na detecção de segmentos conservados de RNA (ORFs 6 e/ou 7). Testes clássicos de PCRs são qualitativos (resultado positivo ou negativo). Contudo, os mais modernos são quantitativos (PCR em tempo real, ou simplesmente PCR quantitativo), abreviados como qPCR. Neste caso, o resultado é baseado no número de cópias de determinado gene ou região do genoma por mililitros (de sangue) ou gramas (de fezes), dependendo da amostra utilizada. Para PRRSv, o resultado é demonstrado como cópias de RNA de PRRSv por ml da amostra analisada, que pode ser extrapolado para número de partículas virais/ml. É importante ressaltar que como técnicas de PCR detectam ácidos nucléicos (e não patógenos íntegros), resultados de PCR não indicam se o patógeno em questão estava viável ou não na amostra. Em determinados casos, dado sobre viabilidade do patógeno é irrelevante, já em outros é de crucial importância saber não somente se o patógeno esta viável, mas o quanto virulento este era na amostra avaliada (discutiremos métodos de quantificar patógenos na próxima seção deste artigo). Considerando o alto grau de sensibilidade e especificidade de PCR e o baixo volume requerido de amostras para realização do teste (alguns microlitros),

este é amplamente utilizado para monitoramento de novas infecções de PRRSv em rebanhos. Em caso de PRRSv, é de crucial importância a detecção precoce da infecção (evitando-se, assim, a disseminação para outras granjas). Portanto, quando economicamente viável, o PCR é preferível sobre sorologias para detecção precoce da infecção por PRRSv, já que animais tornam-se PCR positivos dentro de 24h pós infecção, enquanto pode-se levar de 1 a 2 semanas para soroconversão. Algumas centrais de inseminação na América do Norte coletam amostra sanguínea de cachaços no dia da coleta de sêmen, que só é liberado para uso após o resultado (no mesmo dia) de PCR para PRRSv. Causas comuns de resultado falsonegativo em PCR: amostra avaliada não representativa (ex. coleta de amostra de animal não infectado ou coleta de tecido em que o vírus não se replica), nível de infecção abaixo do limite de detecção da técnica, erro laboratorial no processo de amostras e mutação de PRRSv na região do genoma em que o PCR é focado. Causa comum de resultado falso-positivo em PCR: contaminação cruzada no laboratório com controles positivos (PCR é altamente sensível). Assim como a avaliação clínica e anatomopatológica, os resultados de testes moleculares devem ser associados e integrados às outras observações previamente discutidas.

4. Diagnóstico molecular Marcadores moleculares, sobretudo ácidos nucleicos (RNA ou DNA) específicos para determinados patógenos, têm sido cada vez mais utilizados na identificação de agentes infecciosos importantes na suinocultura. A reação em cadeia de polimerase (PCR) detecta e amplifica uma região conservada específica no genoma de um patógeno, que pode ser demonstrada em um gel de eletroforese conforme Suínos & Cia

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A técnica de PCR, detecta e amplifica uma região específica no genoma do patógeno, que é demonstrada em gel através do peso molecular que foi amplificado

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Sanidade Isolamento /crescimento O isolamento e/ou crescimento do agente patogênico em laboratório é um dos métodos considerados “goldstandard”, afinal, é a “prova” definitiva da associação do patógeno com a lesão e/ou sinais clínicos. A pergunta-chave, seguindo o isolamento, é sobre causa ou consequência: o patógeno em questão, de fato, causou a doença, é apenas um agente secundário (oportunista) ou um microbiano comensal? Normalmente, o agente patogênico isolado/cultivado é, em seguida, titulado ou quantificado (quadro abaixo), seja por meio de diluições seriadas ou técnicas moleculares. A quantificação da amostra pode representar grau de infecciosidade (exemplo.: PRRSv com 104 TCID50/ml) ou número geral de organismos (viáveis ou não) na amostra (exemplo: 108 cópias genômicas de PRRSv/ml). Obviamente, caso a intenção seja para quantificar grau de infecciosidade (medição da capacidade do organismo de se multiplicar e/ou crescer), cuidados adicionais na hora da coleta e envio das amostras ao laboratório devem ser tomados, incluindo uso de meios de cultura apropriados para o patógeno em questão e envio de amostras em temperatura ideal para conservação da viabilidade do microrganismo em questão.

Exemplos de formas de representação de resultados quantitativos de agentes patogênicos:

Por grau de infecciosidade TCID50/ml CFU/ml Unidades hemaglutinantes (HA)

Por número geral de organismos Cópias genômicas/ml Partículas de patógeno/ml

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Tipificação (epidemiologia molecular) Com o advento da biologia molecular, tem-se emergido nas últimas décadas um campo novo, chamado “epidemiologia molecular”, que, basicamente, é o uso de informações moleculares para investigações epidemiológicas. No campo de sanidade de suínos, análises de epidemiologia molecular com PRRSv têm sido comuns nos últimos anos. Gradualmente, estas ferramentas têm sido aplicadas a outros patógenos, como Mycoplasma hyopneumoniae e Lawsonia intracellularis. Tais análises têm mostrado evidência de que microrganismos não são clonais, ou seja, podem existir diversas “subpopulações” nas granjas [9]. Sistemas de produção ou mesmo suínos (individualmente) podem ser infectados com mais de um isolado de diferentes agentes [10]. Com o passar do tempo, normalmente, isolados “dominantes” prevalecem sobre os demais por meio da seleção natural. De qualquer forma, pressões do hospedeiro (ex.: nível de imunidade) ou do ambiente (ex.: mudanças de temperatura) podem induzir nova pressão de seleção sobre microrganismos, alterando a subpopulação dominante circulante na granja (detalhes sobre este tema foram discutidos na Parte I desta série de artigos). A caracterização a nível molecular de um patógeno previamente identificado tem sido o primeiro passo para a condução de análises epidemiológicas. No exemplo de PRRSv, isso se dá pelo sequenciamento (há diferentes métodos para tal) dos ± 600 pares de base do ORF 5 do genoma viral. Posteriormente, neste caso, as sequências obtidas dos isolados são “alinhadas” e sua “distância genética” é estimada por meio de softwares de bioinformática especializados. Alternativamente, em análises menos sofisticadas, usam-se enzimas de restrição para segmentar o ORF5 viral em 3 regiões distintas. Neste caso, o resultado é o RFLP, como, por exemplo, isolado com padrão 1-8-4, 1-18-2 ou 1-26-2, etc. Análises, no caso do método RFLP, são feitas por meio de comparação dos padrões de corte dos diferentes isolados. Diferentes organismos possuem diferentes formas de tipificação/subtipificação. Análises de epidemiologia molecular têm sido cada vez mais comuns na suinocultura devido à exatidão e riqueza

dos resultados. Tais ferramentas podem ser usadas tanto para fins de pesquisa (ex.: evolução de patógenos) quanto práticos, no campo (ex.: auxilio na determinação de origem de infecções, determinação de sucesso de programas de controle e/ou erradicação de patógenos).

Alternativas e tendências Em determinadas circunstâncias não é viável (motivos práticos e/ou econômicos) a coleta e envio da amostra ideal para o laboratório veterinário de referência. Alternativas interessantes neste contexto têm sido adotadas nos últimos anos na suinocultura, sobretudo na América no Norte. Zimmerman e colaboradores têm demonstrado, nos últimos quatro anos, a praticidade e a confiabilidade do uso de fluidos orais para teste molecular (por PCR) e sorológico (por ELISA) para monitoramento da infecção por PRRSv em suínos [11-15]. Fluidos orais são obtidos facilmente por meio de cordas de algodão penduradas nas baias – ao morderem/explorarem as cordas, suínos as encharcam com fluidos orais, que são ricos em anticorpos e antígenos de determinados patógenos. Outros pesquisadores e laboratórios veterinários têm adaptado tal método para detecção de outros agentes patogênicos. Além do mais, sistemas de produção norte-americanos têm utilizado, com frequência, a coleta de amostras ambientais (ex.: em carretas de transporte de suínos ou mesmo em botas, luvas e outros fômites) para teste molecular (PCR) de PRRSv [16, 17]. Esta prática pode ser utilizada com maior frequência no Brasil, sobretudo em programas de biosseguridade. Na área de armazenagem e/ou no envio de amostra para diagnóstico molecular, estudos recentes utilizando cartões FTA (papel filtro) para armazenamento de amostras (sangue, soro sanguíneo e/ ou impregnação de tecidos linfóides) para posterior teste molecular de PRRSv têm sido realizados [18-20]. Tais cartões contêm químicos que inativam vírus e bactérias e preservam ácidos nucleicos (DNA/RNA) presentes na amostra. Desta forma, cartões contendo amostras podem ser enviados ao laboratório à temperatura ambiente em envelope comum. Nos Estados Unidos, o USDA os reconhece como “non-biohazard”, ou seja, como material Suínos & Cia

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Sanidade sem risco biológico. Cartões FTA são, portanto, uma alternativa para o armazenamento de amostras coletadas em locais remotos para posterior realização de testes moleculares. O nível de tecnificação associado aos diversos tipos de intervenções terapêuticas e preventivas aplicadas na suinocultura moderna tem remodelado a apresentação clínica de diversas enfermidades. Em muitos casos, infecções subclínicas são determinantes na redução da produtividade do rebanho, que, a médio e longo prazos, será refletida em significantes perdas ecônomicas. Neste sentido, o papel do veterinário vai além do simples

diagnóstico clínico e coleta de amostras. O histórico produtivo da granja deve estar associado a parâmetros sanitários do rebanho para que infecções subclínicas manifestadas em fases específicas da produção (ex. redução no peso de leitões desmamados ou variabilidade de peso ao final da terminação) sejam precocemente identificadas. Neste contexto, tem sido uma tendência a seleção e coleta de amostras de animais sem sinais clínicos evidentes, mas com reduzido ganho de peso. Nestes casos, a avaliação anatomo-histopatológica deve ser mais criteriosa, assim como a sua associação com diagnóstico moleculares.

O sucesso de programas de controle e erradicação de doenças depende diretamente de um diagnóstico preciso, confiável e atual. Diferentes técnicas e métodos compõem o arsenal do produtor e do veterinário. A comunicação profissional entre o veterinário e o laboratório de diagnóstico é imprescindivel na identificação correta do patógeno e/ou no monitoramento sanitário do sistema produtivo. Neste sentido, as técnicas discutidas no presente artigo podem ser utilizadas para um diagnóstico pontual e/ou para uso em um programa de monitoria sanitária.

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Conclusões

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Suínos & Cia

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Eficaz Rapidamente absorvido pelo trato gastrointestinal de suínos. Uma vez absorvido, concentra-se preferencialmente no trato respiratório, controlando as infecções no foco, especialmente aquelas causadas por microplasma. Seguro Formulado com Tiamulina na concentração de 45%, um antibiótico bacteriostático, exclusivamente utilizado em Medicina Veterinária. Previne o desenvolvimento de resistência cruzada a outros antibióticos usados em Medicina Humana. INDICAÇÕES: É indicado no controle de infecções, tais como: Suínos: — — — —

Infecções respiratórias: pleuropneumonia (Actinobacillus Pleuropneumoniae); Pneumonia enzoótica (Mycoplasma Hyopneumoniae); Pneumonias (Pasteurella SP, Haemophilus Parasuis e Sterptococcus SPP); Infecções gastrintestinais : DISENTERIA (Corynebacterium SP, Serpulina Hyodysenteriae), ILEÍTE (Lawsonia Intracellularis), COLITE (Serpulina Pilosicoli); Artrite (Mycoplasma Hyosynoviae e Mycoplasma Hyorhinis).

PERÍODO DE CARÊNCIA: Não destinar ao abate para consumo humano os animais antes de decorridos 10 dias após o ultimo tratamento.

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ASconteceu umários de Pesquisa Avaliação bacteriológica e micológica do sêmen de cachaços em uma central de alta sanidade

U

m dos fatores que afetam a qualidade do sêmen é a contaminação por microrganismos, devido ao efeito espermicida. O ejaculado, geralmente, não está livre de microrganismos e são várias as fontes de contaminação, podendo ser estas de origem animal e não animal. A utilização de antimicrobianos nos diluentes para sêmen tem contribuído na redução da contaminação, melhorando a qualidade do mesmo. Os objetivos do estudo conduzido por V.J. Bello; G..J.P.; D.R.Ramos e M.M. Mendes (FMVZ – Buap, México) foram quantificar a carga de microrganismos nos ejaculados, comparando-a com a do sêmen diluído, e determinar se os mesmos se encontram dentro das recomendações para doses seminais de qualidade, ou seja, zero UFC a 48 horas pós-diluição (ALTHOUSE, 2011) (2), 10 UFC por mL, (PALLÁS, 2011) (5) e menos que 300 UFC/mL (DAHMANI et al, 2011) (3); determinar o efeito da contaminação microbiológica sobre os valores mínimos requeridos pelos parâmetros de motilidade (>78%) e percentual de formas anormais (<25%) e identificar os microrganismos presentes nas amostras de ejaculado e sêmen diluído.

Método Foi coletado, ao acaso e pelo método da luva dupla, o ejaculado de

dez cachaços comerciais em produção, da linhagem PB-410 (PIC). Foi tomada, de cada um dos cachaços, uma amostra de 5 mL de ejaculado sem tratar e de 5 mL de sêmen diluído ao acaso, com dois diluídores comerciais para as contagens bacteriológicas e micológicas. As análises foram realizadas às 24 horas pós-coleta e pós-diluição, respectivamente. Para a identificação bacteriológica, cada amostra de ejaculado foi semeada diretamente (em duplicata) em agar sangue. Um grupo foi incubado a 37ºC, em aerobiose e o outro grupo em anaerobiose, com a utilização do sistema Gaspack® e em uma atmosfera de CO2 a 5%, durante 48 horas. A identificação bacteriológica foi realizada com provas bioquímicas convencionais e a identificação de fungos e leveduras, por exame microscópico. Para a análise estatística foram calculadas as frequências relativas das contagens e dos microrganismos isolados. Os parâmetros avaliados foram percentuais de motilidade inicial, final e de formas anormais.

Quadro 1. Microrganismos isolados no ejaculado (n=10) e no sêmen diluído (n=10).

48 48

Microrganismo

Ejaculado

%

Sêmen diluído

%

E. hafniae

3

30

0

0

E. agglomerans

1

10

0

0

P. mirabilis

6

60

0

0

Streptococcus sp

8

80

7

70

Fusarium sp

5

50

0

0

Leveduras

8

80

10

100

Suínos & Cia Suínos & Cia

Resultados Foram encontrados 90% dos ejaculados contaminados por bactérias, com uma média de 3,4 x105 UFC/mL. 70% deles apresentou contaminação por leveduras, com uma média de 4 x106 UFC/ mL. 40% deles apresentou carga de fungos, com uma média de 9 x102 UFC/mL. Foram considerados como patógenos não primários alguns gêneros bacterianos que apresentaram média entre 104 e 105 UFC/mL, em ejaculados (1). Quanto a leveduras e fungos, não foram encontrados relatos sobre seu efeito no ejaculado e sua presença pode ter sido devida a uma contaminação de origem não animal (1). Foi observada no sêmen diluído com os diluentes X-cell e VSP, uma redução na contaminação por bactérias da ordem de 0,02%; por leveduras, da ordem 0,6% e por fungos, de 0,0%. Isso significa que o sêmen diluído se encontrava dentro das recomendações para preparar doses seminais de qualidade (2, 3 ,5). Esses resultados se correlacionam com os parâmetros principais de qualidade obtidos na Central, onde observamos que 90% das amostras apresentaram percentuais de motilidade inicial e final aceitáveis (> 78%) e que 80% delas apresentaram menos de 25% de formas anormais. Os microrganismos isolados nas amostras são apresentados no Quadro 1. Nos ejaculados se identificou, com maior frequência, Streptococcus sp (80%) e leveduras (80%). No sêmen Ano VI - nº 36/2010 Ano VII - nº 42/2012


Aconteceu

Ano VI - nº 36/2010

Suínos & Cia

49


Sumários de Pesquisa diluído predominou o mesmo padrão, sendo Streptococcus sp e leveduras os isolamentos mais frequentes (70 e 100%, respectivamente). Estes achados diferem de outro trabalho publicado, no qual a frequência de isolamentos de bactérias gram negativas foi maior 4. Os autores concluíram que amostras de ejaculados obtidas não estavam livres de microrganismos, apresentando uma contaminação natural, tanto de ori-

gem animal, como não animal. Contudo, os diluentes utilizados neste trabalho reduziram a contaminação a níveis recomendáveis, tendo sido obtidas doses seminais de qualidade.

Referências: 1. ALTHOUSE, G. C.; LU, K. G. Theriogenology v.15. n. 63. p.573-584. 2005.

2. ALTHOUSE, G. C.; Comunicación vía Internet. 2011. 3. DAHMANI, Y. et al. AASV Conference proceedings. p. 391-392. 2011. 4. DAHMANI, Y. et al. IPVS Congress proceedings. p. 69. 2010. 5. PALLÁS, A. R. T. Comunicación personal. Kubus. 2011.

Avaliação da sensibilidade de agentes bacterianos frente a antimicrobianos em suínos com infecções respiratórias

A

s doenças respiratórias dos suínos têm sido estudadas e discutidas há bastante tempo. A avaliação da eficiência de antimicrobianos no controle das afecções respiratórias tem por objetivo diminuir a extensão e a severidade das lesões e melhorar o desempenho dos animais. Para isso, é necessário que a droga chegue ativa e em concentrações adequadas, atuando sobre as bactérias patogênicas. O objetivo do estudo conduzido por B.A.G. Maciel e colaboradores (Escola de Medicina Veterinária de Minas Gerais – UFMG) foi avaliar a sensibilidade dos agentes bacterianos frente aos principais antibióticos utilizados na prevenção do complexo de doenças respiratórias.

foram eleitas pelo laboratório, de acordo com bases farmacológicas específicas para doenças respiratórias dos suínos, mais utilizadas no campo. A leitura foi realizada após 24 horas de incubação a 37º C e consistiu na mensuração do tamanho do halo de inibição. As culturas testadas foram classificadas como resistente, intermediário ou sensível.

Resultados Método Foi testada a sensibilidade para as bactérias A. pleuropneumoniae, Bordetella bronchiseptica, Haemophilus parasuis, Pasteurella multocida A ou D, Streptococcus suis isoladas no laboratório IPEVE no período de 2007 à 2010. Os agentes isolados foram submetidos ao antibiograma pelo método de KirbyBauer (1). As drogas utilizadas no teste Suínos & Cia

50

Os resultados de sensibilidade aos antimicrobianos estão sumariados no quadro 01. Em relação ao Actinobacillus pleuropneumoniae a maior sensibilidade foi obtida para o Florfenicol 97,01% e o Ceftiofur sódico 94,81%. A Bordetella bronchiseptica apresentou sensibilidade de 92,66% ao Florfenicol e 89,87% à Ciprofloxacin. O Haemophilus parasuis obteve 95,65% de sensibilidade à Tiamu-

lina, 95,41% ao Ceftiofur sódico e 92,72% ao Florfenicol. As Pasteurella multocida tipo A e D apresentaram maior sensibilidade frente ao Ceftiofur sódico 94,49% e ao Florfenicol 94,26. O Streptococcus suis apresentou 95,69% de sensibilidade à amoxicilina e 94,02% de sensibilidade ao Florfenicol. Os resultados encontrados são semelhantes aos encontrados em estudo de Silva et al. (2005), que demonstrou sensibilidade 92,45% do A. pleuropneumoniae para Florfenicol. Reis (2000) e Silva et al. (2005) apresentaram respectivamente 96,70% e 94,34% de sensibilidade ao Florfenicol frente à Bordetella bronchiseptica. A sensibilidade da Pasteurella multocida tipo A e D frente ao Ceftiofur sódico foram superiores quando comparada ao estudo de Borowski et al. (2002) que relatou 70,83%. É importante ressaltar que apesar da alta sensibilidade frente aos antimicrobianos modernos, o uso inadequado pode gerar resistência Ano VII - nº 42/2012


Sumários de Pesquisa e alterações na microbiota normal dos animais, evidenciando, assim, a importância do uso do antibiograma como rotina, para medicação correta.

Conclusões: Os autores concluíram que o Florfenicol foi o antimicrobiano de maior sensibilidade em vitro, com sensi-

bilidade superior a 92% para Actinobacillus pleuropneumoniae, Bordetella bronchiseptica, Haemophilus parasuis, Pasteurella multocida A ou D e Streptococcus suis, seguido por Ceftiofur sódico e Ciprofloxacin que demonstraram sensibilidade superior a 91% e 87% respectivamente, em três dos quatro agentes testados.

Quadro 1 - Sensibilidade à antimicrobianos e principais agentes bacterianos do trato respiratório dos suínos. Período 2007 à 2010. Actinobacillus pleuropneumoniae

Agentes Antibióticos

S

Bordetella bronchiseptica

Haemophilus parasuis

Pasteurella multocida Tipo A e D

Streptococcus suis

Total

S

Total

S

Total

S

Total

S

Total

Amoxicilina

136 (88,89%)

153

64 (26,56%)

241

199 (91,71%)

217

587 (89,76%)

654

244 (95,69%)

255

Ceftiofur sódico

146 (94,81%)

154

50 (20,83%)

240

208 (95,41%)

218

617 (94,49%)

653

231 (91,30%)

253

Cefalexina

34 (68,00%)

50

14 (13,21%)

106

62 (55,86%)

111

138 (58,97%)

234

50 (72,46%)

69

Ciprofloxacin

137 (90,00%)

152

213 (89,97%)

237

192 (89,30%)

215

563 (87,56%)

643

165 (65,74%)

251

Clortetraciclina

50 (56,82%)

88

94 (63,95%)

147

120 (81,08%)

148

278 (71,65%)

388

33 (22,45%)

147

Doxiciclina

134 (88,74%)

151

192 (80,00%)

240

204 (94,88%)

215

575 (89,15%)

645

124 (50,20%)

247

Enrofloxacin

129 (86,58%)

149

153 (68,92%)

222

167 (80,29%)

208

497 (81,88%)

607

159 (65,16%)

244

Eritromicina

48 (47,06%)

102

51 (38,35%)

133

88 (79,28%)

111

223 (52,22%)

427

44 (23,78%)

185

Espectinomicina

42 (85,71%)

49

19 (18,63%)

102

92 (87,62%)

105

190 (88,79%)

214

56 (82,35%)

68

Florfenicol

130 (97,01%)

134

202 (92,66%)

218

191 (92,72%)

206

558 (94,26%)

592

220 (94,02%)

234

Fosfomicina

47 (87,04%)

54

12 (17,14%)

70

41 (87,23%)

47

182 (78,79%)

231

60 (80,00%)

75

Gentamicina

57 (81,43%)

70

75 (89,29%)

84

56 (87,50%)

64

192 (78,37%)

245

59 (58,42%)

101

Josamicina

82 (83,67%)

98

39 (23,49%)

166

141 (81,50%)

173

347 (79,95%)

434

77 (41,62%)

185

Lincomicina

26 (16,88%)

154

15 (6,22%)

241

104 (47,71%)

218

100 (15,38%)

650

74 (29,13%)

254

Norfloxacin Nicotinato

134 (87,58%)

153

173 (73,00%)

237

181 (83,80%)

216

560 (86,55%)

647

135 (53,15%)

254

Penicilina

119 (78,29%)

152

27 (11,34%)

238

191 (88,02%)

217

530 (82,55%)

642

207 (82,80%)

250

Sulfadiazina + Trimetropim

122 (80,79%)

151

32 (13,68%)

234

127 (59,91%)

212

412 (64,48%)

639

141 (56,40%)

250

Tetraciclina

40 (49,38%)

81

83 (76,85%)

108

74 (87,06%)

85

233 (71,04%)

328

27 (19,01%)

142

Tiamulin

51 (92,73%)

55

15 (22,06%)

68

66 (95,65%)

69

199 (85,04%)

234

95 (79,17%)

120

Tilmicosin

118 (85,51%)

138

144 (69,90%)

206

165 (91,16%)

181

498 (85,42%)

583

39 (16,25%)

240

Tulatromicina

69 (88,46%)

78

111 (85,38%)

130

114 (89,06%)

128

272 (87,46%)

311

14 (26,42%)

53

*S - Sensibilidade

Ano VII - nº 42/2012

Suínos & Cia

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Sumários de Pesquisa

Otimização das práticas de desinfecção e seu impacto na produtividade

N

a produção intensiva de qualquer espécie de criação animal, um dos maiores riscos é a alta incidência de doenças, tanto próprias como oportunistas e relacionadas com as espécies com as quais se esteja trabalhando. Dentro da criação intensiva de animais para produção de carne, um dos maiores desembolsos econômicos corresponde ao uso de antibióticos e vacinas para o combate de doenças. Contudo, a prevenção através da desinfecção reduz drasticamente o uso de medicamentos e, consequentemente, o desenvolvimento de resistência dos patógenos aos mesmos. Um dos métodos mais eficazes para reduzir a transmissão de doenças é a desinfecção das superfícies e instalações,

com as quais os animais têm contato. Isso ocorre porque muitas das doenças podem ser transmitidas por contato com resíduos próprios do sistema de produção, como secreções respiratórias, fezes ou pelos. O maior inconveniente do uso de desinfetantes na presença dos animais é a alta toxicidade de alguns deles, para muitas das espécies de produção. Apesar disso, trata-se de um procedimento necessário, já que muitos microrganismos patógenos são resistentes a condições ambientais inaptas ao seu desenvolvimento. Contudo, o uso de desinfetantes ao qual se refere o presente estudo não apresenta efeitos nocivos, já que o produto é altamente eficaz em baixas doses, o pH que se apresenta na diluição é neutro e a mistura, nessa diluição, é quase inodora. Neste estudo optou-se pelos desinfetantes de origem fenólica, cujo princípio ativo é muito comum na natureza, não só em madeira, corantes e tintas orgânicas, senão também em subprodutos metabólicos do corpo humano. Uma boa mistura é aquela que combina as vantagens dos ingredientes ativos fenólicos p-clorometacresol e o-fenilfenol (boa eficácia bactericida e fungicida, especialmente com contaminações de elevada carga de material orgânico, como sangue e/ou proteínas), com as do glutaraldeído (ampla eficácia viricida, inclusive contra

Anexo A. Quadro 1. Identificação dos locais de onde foram coletadas as amostras. Identificação do local

Número de Amostras

Cidade e Estado

Data da Visita

Granja A

15

Torreón, Coahuila

07/07/2010

Granja B

28

Torreón, Coahuila

21/07/2010

Granja C

16

Tepatitlán, Jalisco

12/08/2010

Granja D

7

Tepatitlán, Jalisco

03/09/2010

Granja E

7

Tepatitlán, Jalisco

07/10/2010

Granja F

8

Torreón, Coahuila

17/11/2010

Granja G

10

Tepatitlán, Jalisco

17/01/2011

Granja H

10

Amecameca, Edo de México

27/01/2011

Granja I

10

Torreón, Coahuila

03/02/2011

Granja J

10

Torreón, Coahuila

10/02/2011

Granja K

18

Torreón, Coahuila

22/02/2011

Granja L

6

Torreón, Coahuila

03/03/2011

Granja M

15

Tlalquiltenango, Morelos

10/03/2011

Granja N

18

Torreón, Coahuila

31/03/2011

Total de Granjas: 14

Total de Amostras: 178

Total de Regiões: 4 Estados

Tempo de Estudo: 9 meses

Suínos & Cia

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vírus não envelopados) [8, 3]. Os objetivos desse trabalho conduzido por M.R.PérezHernándes (Lab. de Microbiologia de LANXESS S.A.- MÉXICO) foram: • Desenvolver uma metodologia para a avaliação dos possíveis pontos críticos de contato em superfícies, nos processos de criação, engorda e produção em granjas de suínos e aves e instalações para bovinocultura. • Avaliar o impacto da aplicação da mistura sinérgica de Clorocresol, Ortofenilfenol e Glutaraldeído nos possíveis pontos críticos encontrados e sua eficácia na diminuição da carga de fungos, bactérias e leveduras. • Em longo prazo, avaliar se a aplicação da mistura implica na diminuição das doenças relacionadas com microrganismos, assim como no uso de antibióticos (e, por consequência, na taxa de mortalidade dos locais de produção). • Se estes efeitos tidos como positivos se verificarem, então se evidenciará uma otimização econômica na produção dos suínos.

Método Para a avaliação da contaminação microbiana nos pontos de contato de superfícies com os animais em produção, foram utilizadas placas Petrifilm™, previamente hidratadas com água estéril em ambiente estéril. As amostras coletadas foram acondicionadas nas placas Petrifilm™, previamente hidratadas e com agar específico para coleta e contagem, tanto de bactérias (AC) como de fungos e leveduras (YM). Estas amostras foram tomadas de pontos de contato direto distintos, em diferentes instalações e granjas. Placas Petrifilm™ foram colocadas em contato direto com a parte ripada do piso, baias, comedouros, bebedouros, paredes e instalações de engorda. Então, estas placas foram guardadas e refrigeradas, para serem posteriormente trasladadas. Em seguida foram realizadas diferentes jornadas de desinfecção, nos mesmos setores de onde as amostras foram coletadas e com o desinfetante que estava sendo avaliado (desinfetante a 0,5% e Ano VII - nº 42/2012


Sumários de Pesquisa desinfetante a l3,0%). Após, no mínimo, 30 minutos e até uma hora de contato, foram tomadas amostras, da forma descrita anteriormente, para a avaliação do efeito microbicida. Posteriormente, as amostras foram guardadas, refrigeradas e enviadas ao laboratório, para posterior análise. Uma vez chegando ao laboratório a informação contida nas amostras coletadas foi processada e incubada, em tempos e temperaturas específicas para promover o desenvolvimento de microrganismos. Para concluir, foi realizada a contagem e o registro fotográfico das placas. Após a obtenção dos resultados foi realizada uma comparação entre as médias de presença de microrganismos nas placas, antes e depois da desinfecção.

Resultados Ao avaliar a tabela de resultados pode-se observar claramente que todas as placas apresentam uma grande diminuição de carga microbiana. Por exemplo, no caso da Granja E, onde a média de contaminação é > 300 UFC/cm2 antes da realização da desinfecção, se reduz a uma média de 26 UFC/cm2, chegando ao Grau 2 de desinfecção, o qual implica em uma redução de 99,96%. Obtendo, em média, alguns resultados – dentro do critério de avaliação adotado – de Grau 4 (crescimento incontável) antes de se realizar a desinfecção e de Grau 2 depois da realização da desinfecção, é evidente que o desinfetante elimina uma combinação de Grau 4 de microbiota, presente nos processos de produção normais em uma granja ou instalação equivalente. Em avaliações posteriores realizadas em propriedades que haviam instalado um programa de biosseguridade contínuo – o qual inclui a desinfecção com o produto avaliado – observou-se que 5 a 15% das granjas para suínos e aves e instalações para bovinos diminuiu o uso de medicação não preventiva (antibióticos) [1]. Faltaria avaliar o percentual desta diminuição, granja por granja. Do mesmo modo observou-se que, nas granjas avaliadas, a mortalidade – associada somente ao contágio de doenças relacionadas com a densidade populacional – diminuiu em 10% quando se adotou uma rotina de desinfecção com produtos de amplo Ano VII - nº 42/2012

Anexo B. Quadro 2. Resultados. AMOSTRAGEM DE MICROORGANISMOS Média de Contagem de Microorganismos Antes de Desinfecção

Posterior a Desinfecção

% de Redução de bactérias

15

Grau 4

37,5 UFC/cm2

99,99%

99,97%

2

Granja B

28

Grau 4

58,7 UFC/cm2

99,94%

99,91%

2

Granja C

16

Grau 4

134,12 UFC/cm2

99,99%

99,78%

3

Granja D

7

Grau 4

134 UFC/cm2

99,99%

99,98%

3

Granja E

7

Grau 4

26 UFC/cm

2

99,97%

99,96%

2

Granja F

8

Grau 4

12 UFC/cm2

99,98%

99,94%

2

Granja G

10

Grau 4

131 UFC/cm2

99,99%

99,99%

3

Granja H

10

Grau 4

144 UFC/cm

2

99,85%

99,97%

3

Granja I

10

Grau 4

111 UFC/cm

2

99,88%

99,81%

3

Granja J

10

Grau 4

101 UFC/cm2

99,99%

99,99%

3

Granja K

18

Grau 4

97 UFC/cm2

99,90%

99,93%

2

Granja L

6

Grau 4

31 UFC/cm

2

99,96%

99,90%

2

Granja M

15

Grau 4

88 UFC/cm

2

99,99%

99,99%

2

Granja N

18

Grau 4

154 UFC/cm2

99,84%

99,88%

3

Instalação

Nº de Amostras

Granja A

% de Grau de Redução Desinfecção de fungos Final e leveduras

Procedimentos relativos às análises Todas as amostras foram inoculadas, tanto em meio seletivo para desenvolvimento de fungos e leveduras como para desenvolvimento de bactérias. As amostras foram identificadas com números duplicados, um para cada tipo de meio, e os resultados, relatados de acordo com o meio no qual foram inoculadas, sendo AC (Aerobic Count) relativo ao crescimento de bactérias e YM (Yeast and Mold) relativo ao crescimento de fungos e leveduras. Posteriormente aos períodos estabelecidos para a incubação, os resultados foram lidos e interpretados de acordo com o seguinte critério interno [5, 8]: Grau 0 (zero): Sem crescimento Grau 1: 1 a 9 UFC/cm2 * Grau 2: 10 a 99 UFC/cm2 Grau 3: 100 a 300 UFC/cm2 Grau 4: crescimento contínuo, não sendo possível distinguir cada colônia separadamente. *: UFC/cm² = Unidade Formadora de Colônia por cm2 de amostra. Este critério baseou-se na quantidade média de microrganismos encontrada em uma superfície, a qual deve possuir alguma inocuidade, para que se considere a contagem com baixa ou alta carga microbiológica. Esta classificação leva em conta, quando Grau 1, conter < 102 UFC/cm2 presentes na placa; e quando Grau 4, conter > 108 UFC/cm2 presentes na placa. Depois dos resultados obtidos foi realizada a medida da presença média de microrganismos nas placas antes e após a desinfecção.

Suínos & Cia

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Sumários de Pesquisa

Figura 1. Placa da grade do piso, antes da desinfecção, tomada por altíssima concentração bacteriana.

Figura 2. Placa da grade do piso, depois da desinfecção, com redução significativa de bactérias.

Figura 3. Placa da parede do comedouro, antes da desinfecção, com presença incontável de fungos e leveduras.

Figura 4. Placa da parede do comedouro, depois da desinfecção, com redução drástica de fungos e leveduras.

Figura 5. Placa da parede do bebedouro, antes da desinfecção, com presença incontável de fungos e leveduras.

Figura 6. Placa da parede do bebedouro, depois da desinfecção, com alta redução de fungos e leveduras.

Figura 7. Placa do bebedouro, antes da desinfecção, com presença incontável de bactérias.

Figura 8. Placa do bebedouro, depois da desinfecção, com alta redução de bactérias.

espectro, como o que foi avaliado neste estudo [1]. E por último observou-se que, em algumas granjas que usam o produto avaliado na desinfecção, se obteve de 5 a 10% de melhoria na qualidade do produto final, já que a saúde geral das espécies em produção não foi tão afetada (como no caso das granjas onde só foi feito o processo de lavagem, sem a aplicação de desinfetantes*.)

Conclusão De todas as amostras analisadas, um alto percentual se encontrava com uma carga microbiana acima do Grau 4, muito mais além do nível máximo de 300 UFC/cm2. Estas amostragens, tomadas antes da realização da jornada de desinfecção com o produto avaliado, foram feitas tanto após a lavagem das instalações, como em meio aos processos de produção, dependendo da granja ou propriedade em Suínos & Cia

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questão. Depois das aplicações do desinfetante e do tempo de secagem do mesmo, foi realizada uma tomada de amostras nos mesmos locais, tendo sido então avaliado o efeito do uso de desinfetante sobre a carga microbiana.

Registro Fotográfico Fotografias comparativas de amostras de diferentes granjas e estações de criação de bovinos foram tiradas, após os períodos pertinentes de incubação. As placas à esquerda (Figuras 1, 3, 5 e 7) foram inoculadas antes da jornada de desinfecção e depois das jornadas de lavagem. As placas à direita (Figuras 2, 4, 6 e 8) foram tomadas no mesmo local, porém, 30 minutos após a aplicação do desinfetante. Todas as amostras foram tomadas nos processos de limpeza geral, antes do ingresso de novos animais nas estações de produção.

Referências 1. RUTALA, et al. Guideline for Disinfection and Sterilization in Veterinary Healthcare Facilities. 2008; 2. FELHABER, K. et al. Higiene Veterinaria de Los Alimentos. 1999; 3. MARCH, J. Advanced Organic Chemistry. 1985; 4. PAULUS, W. Directory of Microbiocides for the Protecction of Materials. 2005; 5. GERHARZ T. Higiene Plant Audit LANXESS GMBH. 2004; 6. Norma Oficial Mexicana NMX-BB040SCFI-1999. 1999; 7. Ley de Sanidad Animal - DOF-25-072007. 2007; 8. www.protectedbypreventol.com Por: Paulo Silveira psouzadasilveira@gmail.com Ano VII - nº 42/2012


Dicas de Manejo Falha Lactacional Também denominada por alguns autores de Síndrome da Deslaxia, ocorre em qualquer situação que possa comprometer a saúde da porca e interferir na ótima produção de leite. São diferentes fatores que dão origem ao problema.

Produção de leite Para haver adequada produção de leite, é preciso existir formação anatomofisiológica do aparelho mamário, composto de mama e mamilo, os quais devem ser estimulados pelos recémnascidos desde o momento do parto, seguindo por toda a lactação e em todas as ordens de parição.

Principais causas de falhas lactacionais As principais causas de falhas lactacionais estão associadas aos diferentes fatores, como demonstra o organograma ao lado:

Suínos & Cia

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Dicas de Manejo

Edema mamário Falha na produção de leite juntamente com excesso de líquido no tecido da glândula mamaria, causa a diminuição da quantidade e qualidade do colostro (primeiro alimento do recém nascido). A consequência pode ser fome e inanição, além de comprometer a imunidade dos leitões.

Principais causas de edema mamário • Comprometimento na qualidade e disponibilidade da água de bebida; • Falta de fibra; • Inadequado manejo nutricional (antes dos 90 dias de gestação e na fase pré-parto); • Constipação; • Falta de exercicio; • Estresse (condições ambientais e primíparas por excitação).

Hipoplasia mamária Falta desenvolvimento do úbere. As mamas são pequenas, com insuficiente tecido mamário, podendo ocorrer junto com ptose (perda de sustentação da mama), principalmente em fêmeas mais velhas depois de 6 - 7 partos.

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Dicas de Manejo Principais causas da Hipoplasia mamária • Falta de água; • Idade da primeira cobertura; • Falta de estímulo; • Genética; • Micotoxina (Zearalenona); • Déficit hormonal; • Manejo alimentar; • Elevada carga parasitária; • Causas individuais.

Mastite Inflamação da glândula mamária ocasionada devido ao acúmulo de leite concentrado na mama pela falta de sucção ou remoção. Acontece com maior frequência na fase pósparto, principalmente em primíparas. A mastite pode ocorrer em uma ou mais glândulas mamárias, e as características são mamas vermelhas, endurecidas, doloridas e quentes, que desencadeiam agalaxia.

Principais causas da Mastite • Falta e má qualidade da água; • Causas endócrinas; • Genética (limitações fisiológicas para produção de leite); • Nutrição inadequada; • Falta de higiene; • Falta de conforto devido às condições ambientais; • Ambiente contaminado; • Falhas no fluxo de produção (inadequado programa de sanitização).

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Dicas de Manejo Metrite Trata-se de uma inflamação aguda ou crônica do endométrio, camada muscular do útero, causada por ferimentos ou obstrução do útero. Pode ser causada por abortos, partos distócicos ou prolongados e por meio de via sexual quando o acasalamento é por monta natural. Frequentemente, caracteriza-se pela presença de corrimento em abundância, via genital (vulvovaginal), de coloração amarelada ou achocolatada, que pode ser apresentado durante e alguns dias depois da cobertura e também após o parto. Tendo como consequências: falhas reprodutivas e lactacional. As falhas reprodutivas como aborto, retorno de cio irregular e parto prematuro. E falha lactacional através de mastite dando origem a síndrome MMA (Metrite, Mastite e Agalaxia).

Principais causas da Metrite • Aborto; • Partos prolongados; • Partos distócicos; • Retenção de membranas fetais; • Cervicite; • Vaginite; • Cistite; • Nefrite e pielonefrite; • Mastite.

Estresse calórico Temperatura ambiente acima de 28°C pode levar a quadros de estresse térmico e comprometer a produção de leite. A temperatura ambiente ideal para produção de leite em porcas é entre 18°C a 22°C. Altas temperaturas produzem estresse, perda de apetite, dificuldade respiratória, presença de fêmeas ofegantes e cansadas. Nesse caso, a medida mais recomendada é diminuir a temperatura ambiente promovendo conforto para as fêmeas de maternidade.

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Divirta-se Encontre as palavras No diagrama ao lado seguem as principais tarefas que devem ser aplicadas para se obter sucesso com as pessoas que compõem a equipe de produção na suinocultura. Vamos encontrá-las? • SELECIONAR • MOTIVAR • ORGANIZAR • PROMOVER • INCENTIVAR • ENSINAR • COMUNICAR • APOIAR • COBRAR • REMUNERAR

S M A I S I D A F T G S H N J T K R L O M Y M E X R O V R G

S S P F R S N F Q D W L G D R D T D F R S M Z F E S N L F R

D C O G T S J R G T I R T R R T E Y C U E I N O T D Q Q C T

F D I O Q Q I T V A S M X N L G V R B B L R X L Y F O O V Y

A F A H A E O C I Y T K R J E H O N C H E I T L R G M K C H

H G R X X L W Q A N H H B N J U K R L C C O J I B U F O Z N

J A B D C T B U K B J B S D B J B N S B I B G K N J E J D B

K H H S C E I W E B L I C M D L R H E E O V P I V K E F E T

L O Y Q R S G D J R N G Y W F L G Y W F N G C J S L R H A I

P R O M O V E R G A P Y U S G P Y U S G A A H I C O T T C R

Q S J I O D O F R H O T J Z H O T J Z H R T U H H O T G Q A

O F P P I W F O D J I F M X J I F M X J I F O O J I O B A E

W O I E Z R C I O M U C K A M U C K A M U C I T M U Y F L I

E Z W I U Y X Y C N Y X I Q N Y X I Q N Y X E G N C O C I W

R D H R N T D O H K T D O W K T D O W K T D K R L G U D N A

O M E F X B B O M L R R L A L R R L A L R R L F L R E L C D

T L T Y P R G V I P E E P S P E E P S P E E P I P O I S E O

A B P F A E T I E O W S P D O W S P D O W S R D B G O I N C

Y N O R F Q O L Q I Q Z O E I Q Z O E I Q Z E E I R O A T H

R V I C B G A E N U Z A I R U Z A I R U Z A M R G Z T O I A

U J D F U X N L I D X Q L F J X Q L F J X X U A J M P L V T

C C K M T C W H U I U W K C K C W K C I E W N C R Q O K A O

S M C O O I F U C L U K E J H V A J X H L I E N X F L J R S

L X U Z N T Z U A H B I F Z G B Z U Z G Z U R I G B F U O G

O N N A D W I N A F L X Y K F N X N A A N U A H A R O E A F

R Z M Q S R S V Q C M N M T F M S M R C R A R I C M B M C C

L O B W D L W B A D K S H A T M R I E N W A Q I A T Z B W D

D R T T R Y I U A R H E H E X P L H E X O E H E X A D H E X

O D Y D S O D Y D S V D Y D C T L F B O R F D H R O N Y D S

K S O D S F L G O H D O R F Z K C T S Z K C T F Z K C E F Z

Jogo dos 7 erros

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Divirta-se

Teste seus conhecimentos Caso Clínico Em janeiro, na maternidade de uma granja com 850 matrizes, localizada no interior de São Paulo, ocorreu alta mortalidade na mesma leitegada algumas horas depois do nascimento. A mortalidade atingiu 30%, e os leitões sobreviventes apresentavam lesões na pele, semelhantes a pequenos arranhões produzidos por brigas, como demonstradas nas figuras ao lado. Nesse caso, qual é o seu diagnóstico? a) Hipoglicemia b) Anemia ferropriva c) Trombocitopenia púrpura d) Erisipela suína e) Processo septicêmico

Assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F) Trombocitopenia púrpura: (

) Doença autoimune, que se caracteriza por uma redução gradual de plaquetas no sangue, provavelmente porque certos anticorpos anormais as destroem

(

) O resultado é um aumento da tendência a hemorragias

(

) Afeta leitões depois da ingestão do colostro, apresentando um quadro de hemorragia, tendo, como consequência, a trombocitopenia (redução de plaquetas circulantes)

(

) O recomendado é que assim que o quadro clínico for detectado, deve-se transferir imediatamente os leitões para que outra mãe os adote, para que o problema não persista

(

) Se os leitões permanecerem com a mesma mãe, pode ocorrer mortalidade total dos recémnascidos

(

) Como medida de controle, deve-se identificar a cobertura e evitar repetir o mesmo macho no próximo acasalamento dessa fêmea

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Divirta-se

Encontre as palavras S M A I S I D A F T G S H N J T K R L O M Y M E X R O V R G

S S P F R S N F Q D W L G D R D T D F R S M Z F E S N L F R

D C O G T S J R G T I R T R R T E Y C U E I N O T D Q Q C T

F D I O Q Q I T V A S M X N L G V R B B L R X L Y F O O V Y

A F A H A E O C I Y T K R J E H O N C H E I T L R G M K C H

H G R X X L W Q A N H H B N J U K R L C C O J I B U F O Z N

J A B D C T B U K B J B S D B J B N S B I B G K N J E J D B

K H H S C E I W E B L I C M D L R H E E O V P I V K E F E T

L O Y Q R S G D J R N G Y W F L G Y W F N G C J S L R H A I

P R O M O V E R G A P Y U S G P Y U S G A A H I C O T T C R

Q S J I O D O F R H O T J Z H O T J Z H R T U H H O T G Q A

O F P P I W F O D J I F M X J I F M X J I F O O J I O B A E

W O I E Z R C I O M U C K A M U C K A M U C I T M U Y F L I

E Z W I U Y X Y C N Y X I Q N Y X I Q N Y X E G N C O C I W

R D H R N T D O H K T D O W K T D O W K T D K R L G U D N A

O M E F X B B O M L R R L A L R R L A L R R L F L R E L C D

T L T Y P R G V I P E E P S P E E P S P E E P I P O I S E O

A B P F A E T I E O W S P D O W S P D O W S R D B G O I N C

Y N O R F Q O L Q I Q Z O E I Q Z O E I Q Z E E I R O A T H

R V I C B G A E N U Z A I R U Z A I R U Z A M R G Z T O I A

U J D F U X N L I D X Q L F J X Q L F J X X U A J M P L V T

C C K M T C W H U I U W K C K C W K C I E W N C R Q O K A O

S M C O O I F U C L U K E J H V A J X H L I E N X F L J R S

Jogo dos 7 erros L X U Z N T Z U A H B I F Z G B Z U Z G Z U R I G B F U O G

O N N A D W I N A F L X Y K F N X N A A N U A H A R O E A F

R Z M Q S R S V Q C M N M T F M S M R C R A R I C M B M C C

L O B W D L W B A D K S H A T M R I E N W A Q I A T Z B W D

D R T T R Y I U A R H E H E X P L H E X O E H E X A D H E X

O D Y D S O D Y D S V D Y D C T L F B O R F D H R O N Y D S

K S O D S F L G O H D O R F Z K C T S Z K C T F Z K C E F Z

Teste seus conhecimentos Em janeiro, na maternidade de uma granja com 850 matrizes, localizada no interior de São Paulo, ocorreu alta mortalidade na mesma leitegada algumas horas depois do nascimento. A mortalidade atingiu 30%, e os leitões sobreviventes apresentavam lesões na pele, semelhantes a pequenos arranhões produzidos por brigas, como demonstradas nas figuras ao lado. Nesse caso, qual é o seu diagnóstico? a) Hipoglicemia b) Anemia ferropriva c) Trombocitopenia púrpura d) Erisipela suína e) Processo septicêmico Suínos & Cia

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Verdadeiro (V) ou Falso (F) Trombocitopenia púrpura: ( V ) Doença autoimune, que se caracteriza por uma redução gradual de plaquetas no sangue, provavelmente... ( V ) O resultado é um aumento da tendência a hemorragias ( V ) Afeta leitões depois da ingestão do colostro, apresentando um quadro de hemorragia, tendo, ... ( V ) O recomendado é que assim que o quadro clínico for detectado, deve-se transferir imediatamente os... ( V ) Se os leitões permanecerem com a mesma mãe, pode ocorrer mortalidade total dos recém-nascidos ( V ) Como medida de controle, deve-se identificar a cobertura e evitar repetir o mesmo macho no... Ano VII - nº 42/2012


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Edição 42 da revista suinos e cia

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