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SUÍNOS&CIA - REVISTA TÉCNICA DA SUINOCULTURA

ANO VI - Nº 30/2009


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©Copyright - Laboratórios Pfizer Ltda. 2009 - Todos os direitos reservados.

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Editorial Capacitar para crescer As primeiras providências das empresas diante de uma crise são cortar custos e congelar investimentos. As medidas, unânimes, costumam parecer efetivas, em um curto prazo. Mas, as consequencias dos cortes podem ser sentidas quando a situação é amenizar, e surge a seguinte dúvida: Como e onde atuar de modo a não comprometer a capacidade de recuperação da companhia na hora que o furacão passar? Neste momento entram as ações dos gestores, com base em estratégias que preservem a área que agrega mais valor ao negócio, as pessoas. Dados divulgados no início do ano pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelaram que o emprego na indústria teve a maior queda em oito anos. A recessão econômica diminuiu os investimentos e também a produção, o que ocasionou o desemprego. Na agroindústria a realidade tem sido diferente, pois não se tem como tomar a decisão de simplesmente reduzir a produtividade e consequentemente a mão-de-obra. Somente através do recurso humano é que se consegue disseminar o conceito de sustentabilidade e tornar a empresa mais responsável e rentável. Entretanto, para que se consiga incorporar o conceito de sustentabilidade é preciso envolver o maior número possível de adeptos, e o segredo para isto é investir em capacitação. Por meio dessas ações se consegue deixar claro quais são as medidas fundamentais para manter o negócio. O controle de custo de produção nunca esteve fora de moda, porém nesses períodos delicados fica ainda mais acentuado. Mesmo com o controle, eventualmente necessário, podemos verificar que hoje as empresas que mais crescem no mundo decretam alguns programas como intocáveis no momento de redução de custos, são aqueles considerados ‘peças-chave’ para a produção. Entre estas ‘peças-chave’ encontramos o programa de manutenção e capacitação dos colaboradores. As empresas que investem na atualização de seus profissionais creditam que o custo adicional nessa linha será pequeno frente ao resultado no futuro. Encontrar soluções eficientes e criativas para lidar com a crise, com um olho no fechamento do mês, e outro no futuro, cabe a cada gestor considerar a particularidade de seu negócio e de seu mercado. Cada companhia faz suas escolhas para superar os momentos de tensão, mas há uma jogada que é comum a todas: continuar investindo em pessoas que são elas fundamental para permanência e competitividade da atividade. Neste momento em que a dúvida embasa a razão, é essencial saber gerenciar esta incerteza e minimizar os efeitos desse sentimento sobre o ambiente interno, pois a crise, essa também, assim como a incerteza, vai passar. Boa Leitura As editoras


Índice

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Entrevista Caio Abércio da Silva

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Manejo Manejo na maternidade: fator crítico para o desempenho futuro do leitão.

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Reprodução Atualização do comportamento materno da fêmea suína na maternidade

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Diagnóstico Diagnóstico de doenças de suínos: Ferramentas e Interpretações

40

Sumários de Pesquisa

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Jogo Rápido

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Dicas de Manejo

54

Divirta-se Encontre as palavras Jogo dos 7 erros Teste seus conhecimentos


Expediente Revista Técnica da Suinocultura A Revista Suínos&Cia é destinada a médicos veterinário, zootecnista, produtores e demais profissionais que atuam na área de suinocultura. Contém artigos técnico-científicos e editorias instrutivas, apresentados por especialistas do Brasil e do mundo.

Editora Técnica Maria Nazaré Lisboa CRMV-SP 03906

Consultoria Técnica Adriana Cássia Pereira CRMV - SP 18.577 Deborah Gerda de Geus CRMV - SP 22.464 Edison de Almeida CRMV - SP 3045

Jornalista Responsável Francielly Thaís Hirata MTB 7739

Projeto Gráfico e Editoração Dsigns Editoração e Comunicação dsigns@dsigns.com.br

Ilustrações Roque de Ávila Júnior

Departamento Cormercial Kellilucy da Silva comercial@suinosecia.com.br

Atendimento ao Cliente Adriana Cássia Pereira adriana@suinosecia.com.br

Assinaturas Anuais Brasil: R$ 120,00 Exterior: R$ 160,00 Liria Santos assinatura@suinosecia.com.br

Impressão Silvamarts

Administração, Redação e Publicação Rua Felipe dos Santos, 50 Jardim Guanabara CEP 13073-270 - Campinas - SP Tels.: (19) 3243-8868 / 3241-6259 suinosecia@suinosecia.com.br www.suinosecia.com.br A reprodução parcial ou total de reportagens e artigos será permitida apenas com a autorização por escrito dos editores.


Entrevista Suínos&Cia – Comente sobre sua formação profissional, e atuação como docente na universidade.

Destaque:

Caio Abércio da Silva Médico Veterinário, doutor e professor em Nutrição e Alimentação Animal. Tem sua historia marcada como formador de talentos para suinocultura e uma experiência de 23 anos de carreira. Se sente realizado profissionalmente e confessa que atua na área por verdadeira paixão e prazer pela suinocultura. O Dr. Caio assim conhecido pelos seus alunos é formado pela UEL (Universidade Estadual de Londrina – Paraná) desde 1986. Prosseguiu seus estudos com especialização em Produção Animal, realizou mestrado em Ciência dos Alimentos, Doutorado em Zootecnia e em seguida Pós-doutorado. Desde sua formação, trabalhou com assistência técnica na área de produção de suínos, o que lhe garantiu maior segurança para atuar como docente da Universidade Estadual de Londrina. Atualmente é responsável pela disciplina de Suinocultura para os cursos de graduação em Zootecnia, Medicina Veterinária e Agronomia, além de fazer parte da equipe de docentes do Programa de Mestrado e Doutorado em Ciência Animal da mesma universidade, ministrando aulas e orientado alunos. Também é diretor da Fazenda Escola da UEL e vice-diretor do Centro de Ciências Agrárias da Universidade. Participa ativamente das pesquisas da universidade coordenando grupos de estudos que contribui para o desenvolvimento e a evolução técnica da suinocultura. Sua linha de pesquisa está associada à nutrição animal, resultando de trabalhos voltados a avaliação da alimentação com relação à qualidade da carne e gordura do suíno. Nosso entrevistado de destaque trás uma trajetória de vida que conta com a experiência de ter participado da formação de vários profissionais que hoje atuam na suinocultura além de trabalhos publicados. Acredita na missão de formador de talentos e segue com o propósito de contribuir na capacitação de novos profissionais e desenvolver pesquisa que possam contribuir para o desenvolvimento da suinocultura nacional.

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Dr. Caio - Sou formado em 1986 em Medicina Veterinária pela UEL, com especialização em Produção Animal pela Universidade Federal de Lavras (1989), mestrado em Ciências dos Alimentos pela Universidade Estadual de Londrina (1993), doutorado pela Universidade Estadual Paulista-Jaboticabal (2000) e pós-doutorado pela Universidade Autônoma de Barcelona (2007). Iniciei minha carreira em uma empresa de genética em 1986, seguindo para a Cooperativa Agropecuária Rolandia em 1987 e a partir de 1988 ingressei como docente na Universidade Estadual de Londrina. Estou vinculado atualmente ao Departamento de Zootecnia do Centro de Ciências Agrárias, sendo responsável pela disciplina de Suinocultura para os cursos de graduação em Zootecnia, Medicina Veterinária e Agronomia. Na pós-graduação participo do corpo docente do Programa de Mestrado e Doutorado em Ciência Animal, orientando pós-graduandos e ministrando as disciplinas Suinocultura Intensiva e Nutrição de Suínos. Também como pesquisador do CNPq, coordeno um grupo de pesquisa (NEPROCAR) que, composto pelos pós-graduandos, alunos de iniciação científica, estagiários e professores, desenvolve os trabalhos que assumimos. Neste grupo focamos nossas linhas de pesquisa de caráter básico e aplicado, recorrendo a parcerias com empresas privadas e buscando linhas de crédito público. As relações de trabalho têm sido ampliadas, sendo que atualmente temos parcerias com instituições nacionais (EMBRAPA - Centro Nacional de Pesquisa de Soja) e internacionais, Universidad Autônoma de Barcelona, e INRA (Toulouse-França), com constante troca de recursos humanos. À parte do ensino e da pesquisa ainda exerço atividades administrativas na instituição, ocupando hoje o cargo de diretor da Fazenda Escola. Suínos&Cia – A suinocultura busca uma nutrição eficaz e rentável. Como é possível aliar a alta qualidade alimentar a um programa nutricional viabilizando o custo de produção sem perder produtividade? Dr. Caio - O primeiro passo para o estabelecimento de uma alta eficiência nutricional e de rentabilidade do segmento é identificar as reais demandas da granja, as efetivas exigências da genética dos animais. Atender com fidelidade estas demandas consiste em um raciocínio matemático mesclado aos conceitos de nutrição, bioquímica e fisiologia. Neste sentido, ingredientes

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Entrevista clássicos, como o milho e o farelo de soja, devem, portanto, ser frequentemente avaliados, garantindo uma formulação sem déficits ou excessos. O milho, principalmente, guarda variações composicionais bastante amplas. Também a presença de micotoxinas é um elemento muito negativo que deve merecer atenção. Os ingredientes alternativos devem ser conhecidos com profundidade. Os níveis nutricionais podem não corresponder completamente à qualidade do ingrediente que se deseja usar. Muitos componentes interagem entre si, determinando aproveitamentos variáveis dos nutrientes. As pesquisas constituem a base destas informações, que somadas às experiências de campo definem com mais segurança como podemos utilizar um determinado produto. Neste aspecto, uma dieta mais barata pode não representar necessariamente uma redução de custo da ração. Suínos&Cia – Na nutrição do suíno o custo da alimentação é variável. Quais são os principais fatores que o determinam? Dr. Caio - Algumas granjas que tem a mesma genética, manejos similares e rações semelhantes, apresentam

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custos variáveis de alimentação. Isto é um fato muito interessante. As diferenças decorrem do aproveitamento distinto das rações ou de taxas de conversão alimentar diferentes entre si. As razões passam pelo status sanitário da granja, pelo grau de desperdício de ração, pela qualidade do armazenamento destas ou dos ingredientes que a compõem, principalmente quanto à presença de micotoxinas, da atuação dos funcionários comprometidos com o correto manejo alimentar, etc. Desprezadas estas causas, voltamos ao não cumprimento efetivo das necessidades nutricionais dos animais, que dão margem ao incremento dos custos com a alimentação. Suínos&Cia – Como o suinocultor pode adequar um planejamento alimentar da suinocultura para possibilitar mais lucros? Dr. Caio - Os custos com a alimentação do suíno terminado, considerando também os gastos com a alimentação das matrizes, são bastante variáveis. Aspectos relacionados com a eficiência do sistema (índices de produtividade), ao peso de abate e ao tipo de material utilizado na elaboração das rações respondem como principais fatores respon-

sáveis por essas diferenças. Diante destas considerações, pode-se ter custos de alimentação oscilando entre 60% a 80%. O Brasil, entretanto, diferente dos países da comunidade européia e da América do Norte, tem um custo de produção com a alimentação proporcionalmente menor. Todavia, um fato deve ser destacado, o custo da alimentação tem demonstrado um crescimento em todos os paises. A valorização real das commodities nestes últimos anos é a principal responsável por este quadro. Suínos&Cia – Em suas pesquisas realizou trabalho sobre a utilização de subprodutos da agroindústria na alimentação animal. Quais são os mais indicados para a nutrição do suíno que geram maior vantagem custo-benefício? Dr. Caio - Os co-produtos que avaliamos e que apontam atrativos econômicos para participar da formulação das rações têm características específicas, sendo indicados pontualmente para algumas fases. O farelo de gérmen de milho desengordurado, um produto resultante da industrialização do milho, pode participar das rações de suínos em fase de crescimento e terminação sob níveis de inclusão de até 40%, sem prejuízos nos índices de desempenho e de carcaça. Nas fases de gestação e lactação os produtos resultantes da extração do óleo do girassol na indústria do biodiesel, a torta e o farelo de girassol, podem participar em até 20% das rações para estas categorias sem repercussões negativas nos parâmetros reprodutivos e no escore corporal das matrizes. Em um nível prático, observamos também bons resultados com o uso do farelo de canola nas rações para suínos em fase de crescimento e engorda. No entanto, como os custos destes ingredientes sofrem variações ao longo do ano, toda intenção de uso deve ser precedida por uma análise de viabilidade econômica. Suínos & Cia

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Entrevista Suínos&Cia – Qual a equivalência mínima entre o custo da alimentação e o preço do suíno para que o produtor equilibre os gastos de produção com os de venda? Em épocas de crise, como é possível aproximar esses números sem comprometer os resultados? Dr. Caio - Uma forma rápida para identificar se o custo de produção está sendo coberto pela venda do terminado pode ser obtida pelo conhecimento da conversão alimentar média deste e do custo deste consumo por quilograma de peso vivo ganho. Via de regra, os custos desta relação não deverão ser maiores que 70% do valor de venda do quilo do suíno (base peso vivo) para indicar equilíbrio do setor. Manter a qualidade da dieta é um fato que deve ser considerado. A dimensão de eventuais erros na tentativa de minimizar os prejuízos de uma crise, reduzindo a qualidade das rações, é muito grande. Contrariando as expectativas, alguns aditivos, como os repartidores de energia, podem ajudar nestes momentos. Dentro do possível, os abates tardios, com mais de 100 kg de peso vivo, devem ser evitados. A utilização da restrição alimentar, quando permitida sua execução pelas características da granja (comedouros e modelo de baias apropriados para adoção do manejo), pode ser uma ferramenta, pois favorece a conversão alimentar. O uso de produtos alternativos ao milho e ao farelo de soja deve ser tratado com critério, pois seus preços guardam proporção com os insumos tradicionais e comumente não correspondem em eficiência a estes, gerando conversões piores que podem agravar as perdas. Suínos&Cia – Poderia descrever de forma resumida, o que pensa de como a nutrição pode colaborar na preservação ambiental?

Suínos&Cia – A nutrição deve assegurar o equilíbrio de nutrientes para o bem-estar animal. Em casos de excessos ou escassez quais as consequências para a saúde e produção do suíno?

Dr. Caio - A nutrição representa uma importante ferramenta para a mini-

Dr. Caio - A alimentação/nutrição pode sim afetar as características re-

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mização dos danos ambientais. A redução qualitativamente e quantitativamente da capacidade poluente do dejeto suíno pode ser obtida por ações conjuntas da nutrição/alimentação. Neste sentido, destaca-se a adequação das dietas segundo o conceito de proteína ideal, a utilização de programas de alimentação multifases (sendo oportunamente a nutrição também diferenciada entre sexos), a restrição alimentar na engorda, o uso de minerais orgânicos e de complexos enzimáticos, entre outros. Dentro dessas linhas, nosso grupo de pesquisa tem trabalhado com a avaliação da redução quantitativa e melhora qualitativa dos efluentes por meio da restrição alimentar e do uso de fitase e de complexos enzimáticos. Um resultado muito interessante que observamos em uma tese de mestrado, foi o efeito positivo do melhoramento genético sobre as características de digestibilidade (com destaque ao fósforo) e sobre a produção de fezes.

lacionadas ao bem-estar do suíno. Procedimentos comuns de manejo como a restrição alimentar para gestantes ou a ração com ingredientes que, principalmente para lactantes, podem determinar maior incremento calórico, trazem desconforto. Assim, estas linhas têm sido muito pesquisadas ultimamente, ou seja, alimentos que garantam atendimento das exigências nutricionais sem riscos de perdas energéticas, e alimentação mais generosa para as gestantes, comumente através da veiculação de mais fibra a dieta. Também existem estudos que compreendem nossa linha de pesquisa e que deveremos colocar em prática brevemente, que envolve a utilização de elevadas concentrações de triptofano na dieta, um aminoácido que tem relação com a produção de serotonina, um hormônio associado com a sensação de bem-estar. Suínos&Cia – A alimentação durante a gestação também é fator fundamental para determinar o peso da leitegada no nascimento? De que maneira a nutrição nessa fase resulta em melhoria desse resultado? Dr. Caio - O papel da nutrição da matriz em gestação sobre a melhora do peso ao nascer da leitegada guarda significativa relação. O parâmetro pode Ano VI - nº 30/2009


Entrevista ser melhorado pelo incremento de ração e/ou nutrientes no final do período de gestação. No entanto, as informações sobre este procedimento devem avançar ainda muito. Alguns grupos de pesquisa têm dispensado esforços na identificação mais objetiva de quais nutrientes efetivamente têm relação com o peso ao nascer. Neste sentido, destacam-se os estudos com a inclusão de alguns aminoácidos específicos que, ou atuam na melhora da disponibilização do aporte nutricional ao feto, ou agem diretamente no seu desenvolvimento. Creio que a gestação é uma fase muito longa e com muitas peculiaridades para receber uma nutrição sem um reconhecimento destas especificações. Quanto à melhora do perfil muscular do recém-nascido, em uma linha de pesquisa que conduzimos, verificamos resultados bastante interessantes, com incremento de 7% no número de células musculares, quando submetemos as matrizes à ingestão de um repartidor de energia durante uma fase restrita da gestação. Os resultados, embora preliminares, foram repetidos numa escala maior e voltaram a ser animadores. Esta metodologia, entretanto, não apontou melhora no peso ao nascer, um problema sério, em evidência atualmente. Suínos&Cia – Quando a alimentação pode ser prejudicial para a produção e reprodução? Dr. Caio - A alimentação inadequada pode naturalmente comprometer os índices produtivos e reprodutivos. A nutrição/alimentação quando não está fidelizada com as exigências demandadas, por falhas na formulação decorrentes do não conhecimento pleno das características nutricionais dos ingredientes utilizados, ou da presença de contaminantes como as micotoxinas - um fato bastante comum atualmente - entre outros fatores, determinam perdas, que num extremo podem ser bastante significativas. Os ajustes nutricionais são muito rigorosos. Falhas neste sentido têm grandes repercussões negativas. Suínos & Cia

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Suínos&Cia – Como pesquisador no tema, poderia nos falar sobre qual a relação da nutrição com a atividade enzimática intestinal. Qual a influência das dietas alimentares com os problemas entéricos de leitões? Dr. Caio - A nutrição correta do leitão no pré-desmame e nas primeiras semanas após o desmame é um dos principais recursos condicionadores da maturidade fisiológica e enzimática intestinal. Conciliar uma adequação ao perfil enzimático, paralela a uma estimulação, preparando o leitão para o desmame, é complexo e exige rações com produtos de alta digestibilidade - plasma desidratado, por exemplo -, palatáveis e com substratos específicos às enzimas que o leitão dispõe (substitutos lácteos). Recursos como a peletização e a extrusão (menos comum), também melhoram o perfil enzimático do leitão e o aproveitamento da dieta. Neste contexto, é desejável que as rações sejam atrativas e garantam, juntamente com um adequado manejo (fracionamento dos tratos e até umidificaçao da ração), um elevado consumo. O desenvolvimento enzimático é substrato específico e substrato dependente. Portanto, não atender este requisito significa, por parte da nutrição, promover ações depreciativas no

trato, não compatíveis com o aproveitamento do alimento, desequilibrando num nível osmótico, de pH e espoliativo, o trato digestório, gerando os quadros entéricos principalmente no pós-desmame. Suínos&Cia – O consumo de ração varia de acordo com a temperatura ambiente. As necessidades nutricionais sofrem alguma alteração? Como a alimentação deve ser planejada nos diferentes períodos? Dr. Caio - O consumo de ração está diretamente relacionado com as variações na temperatura durante o ano. Este quadro é mais crítico para situações de calor, atingindo principalmente animais em fase de crescimento e terminação, que estão mais sujeitos à vulnerabilidade de suas instalações ao controle térmico, e às matrizes em lactação, que dependem ao longo do ano de consumos elevados para corresponder à elevada produção de leite, ao crescimento e à manutenção. Contudo, do ponto de vista de exigências, não há uma mudança nos valores determinados pelo efeito temperatura. As exigências nutricionais para as características zootécnicas de interesse se mantêm, no entanto, pelas alterações no

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Entrevista consumo e nos gastos metabólicos para ajuste da temperatura corporal (dissipação e geração de calor), os nutrientes são desviados do fim desejado. No nível de formulação das dietas, os ajustes para garantir consumos adequados de ração devem ser feitos recorrendo à correção da concentração energética/nutricional da mesma (normalmente aumentado a concentração de nutrientes) e através da incorporação de fontes que determinam baixo incremento calórico. Recursos como o uso de edulcorantes ou palatabilizantes para promover maior consumo destas categorias também podem ser uma ferramenta, porém, os benefícios são menos consistentes. Especificamente para porcas lactantes, as ações de manejo como o fracionamento da dieta (fornecimento várias vezes ao dia), umidificaçao da ração, tratos noturnos, entre outros, são muito positivas. Suínos&Cia – Quais os recentes avanços na relação de alimentação balanceada, quantidade e qualidade de carne e gordura? Dr. Caio - A carne suína tem como característica uma alta relação de ácidos graxos polinsaturados e elevada concentração de ferro.Também é uma carne que sofre uma alta industrialização. Estes aspectos contribuem para a sua maior oxidação com repercussões negativas nas características tecnológicas, sensoriais e de segurança alimentar, pois alguns produtos nocivos resultam desta oxidação. Assim, foram avaliadas estratégias para minimizar estes efeitos, sendo obtidos resultados bastante positivos com a inclusão de vitamina E na ração de animais em fase de terminação (>200ppm), com a preservação da oxidação lipídica da carne fresca e do presunto curado. Nesta mesma linha, obtivemos também ótimos resultados com o uso do farelo de gérmen de milho desengordurado, um ingrediente que contém alta concentração de ácido fítico, um potente antioxidante natural, que adiAno VI - nº 30/2009

cionado na ração de terminados durante 30 dias no nível de 40% determinou um efeito significativo na preservação da oxidação lipídica da carne. Através do uso de subprodutos resultantes da indústria de biodiesel, com destaque à torta gorda de girassol, foi observada uma alteração no perfil dos ácidos graxos da gordura intramuscular do carne suína. Contrastando ao aumento do risco da oxidação, o incremento obtido da razão de ácidos graxos polinsaturados na carne é bem visto, uma vez que representa para o consumidor um produto com baixo risco para o sistema circulatório. Suínos&Cia – Quanto à medicação via água comparada com a via ração? Em seu ponto de vista, quais são as suas principais vantagens e desvantagens? Dr. Caio - A medicação via água vem ganhando maior espaço na suinocultura nacional e mundial. Atualmente dispomos de mais produtos específicos para este processo, os solúveis, ampliando as oportunidades para adoção desta metodologia. Comparando com a medicação tradicional, via ração, o sistema tem vantagens principalmente nos casos onde há depleção do consumo de alimento, questão esta muito associada aos quadros sanitários e às temperaturas elevadas da

granja (estresse térmico). Não obstante, principalmente nos acometimentos patológicos, o consumo de água pode apresentar também importante redução. Ao mesmo tempo, a medicação via água exige adequações da rede de distribuição, como a independência do sistema para atender um setor, ou uma fase ou uma baia. Aspectos ligados à qualidade da água devem ser revistos, pois interações negativas de alguns princípios ativos com a consequente queda da sua eficiência podem ocorrer diante de pHs inadequados ou da presença de determinados minerais em níveis elevados. Finalmente, os bebedouros devem ser regulados visando reduzir desperdícios, um risco que gera perdas do princípio ativo e de poluição ambiental. Efetivamente a medicação via água pode representar uma alternativa para casos específicos e que oportunize meios para sua utilização. Suínos&Cia – Qual sua opinião sobre o acesso de informação e atualizações da suinocultura pelos profissionais da área? As inovações e estudos teóricos chegam de maneira na prática no campo? Dr. Caio - O acesso às informações geradas nas instituições de ensino e de pesquisa tem sido cada vez mais efetivo e intenso. A aproximação da in-

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Entrevista dústria com as universidades, a expansão dos cursos de pós-graduação e o retorno dos profissionais da indústria e do campo às instituições para o desenvolvimento de um mestrado ou doutorado, têm facilitado muito este tipo de troca. Também os veículos como a internet e a atenção das empresas privadas com relação aos aspectos técnicos, ajudam a divulgar os resultados das pesquisas. No nível da pesquisa básica, a motivação da investigação de técnicas, recursos, materiais ou produtos advém dos gargalos observados e vividos nas granjas ou de questões que estão em evidência pelas tendências temporais. Na linha das pesquisas aplicadas, de forma direta, o esforço está dirigido para atender os problemas cotidianos enfrentados pela cadeia, sendo estas investigações muito demandadas nos trabalhos desenvolvidos pelas instituições. Neste sentido, tivemos o privilégio de, através da pesquisa, identificar e certificar alguns procedimentos que hoje estão sendo utilizados, caracterizando uma transferência direta das informações para os profissionais do setor. Suínos&Cia – Como professor acadêmico e conhecedor da realidade de campo, o senhor considera que as pesquisas das universidades auxiliam a evolução da suinocultura brasileira? Dr. Caio - Temos plena convicção de que as pesquisas auxiliam na evolução da suinocultura. Talvez esta cadeia represente um dos melhores exemplos demandadores de tecnologia. Não há suinocultura sem tecnologia. Não há evolução sem tecnologia. Embora muitas empresas privadas sejam geradoras de informação, raramente o fazem sem uma relação com as instituições de pesquisa e universidades. No entanto, estes últimos órgãos ainda detêm a maior parte das investigações realizadas no mundo. Suínos & Cia

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Suínos&Cia – Na sua atual vida profissional qual a sua maior dedicação na atualidade e o que vale a pena resumir no que se refere a seu destaque profissional? Dr. Caio - Muito precocemente iniciei minha carreira profissional na Universidade Estadual de Londrina. Havia previamente trabalhado com suínos na iniciativa privada por dois anos, um tempo que considero pequeno para o estabelecimento de um nível de experiência suficiente para atender à nobre missão da docência. Atento a este fato e com uma constante auto-cobrança, mas também por oportunidade e prazer, segui por mais oito anos conduzindo, paralelamente, a atividade de assistência técnica a granjas da região norte do Paraná e a docência. Foi uma fase importante de crescimento técnico e prático. Neste intervalo, por conta da carreira universitária, fiz o mestrado e o doutorado. A relação com a assistência técnica abriu espaço para uma aproximação para trabalhos com as empresas de nutrição e produtos veterinários de saúde animal. Tenho, neste sentido, procurado preservar e ampliar este casamento. Acho importante estreitar a relação da academia com o mercado, pois há um sinergismo com repercussões positivas para todos, além de oportunizar informações mais atualizadas e aplicadas aos nossos alunos. A minha realização profissional está atrelada aos meus alunos e às pesquisas que desenvolvemos. Tenho orgulho de ter aproximadamente uma centena de alunos trabalhando na suinocultura (guardo um registro com o nome de quase todos) e, atualmente, em torno de duas dezenas na pós-graduação, como estagiários ou na iniciação cientifica. Muitos ex-alunos interagem com nossa equipe ainda, sendo precursores e motivadores de parcerias com empresas e instituições que trabalhamos. Sou assim, muito feliz profissionalmente.

Suínos&Cia – Falando de sua profissão, houve algum fato que marcou e vale a pena ser lembrado? Dr. Caio - Uma marca que carrego foi por ocasião do meu ingresso profissional no mercado. Embora tenha tido alguma experiência nos estágios em granjas durante a graduação, o impacto de chegar numa grande empresa de melhoramento genético de suínos, com alta tecnologia e muito bem estruturada, foi marcante. Comecei a compreender melhor a dimensão da área que abracei e a responsabilidade do técnico nos resultados. Senti que efetivamente estava participando da maior cadeia de produção de proteína animal do mundo. Suínos&Cia – Durante toda a sua formação e atuação, pessoas importantes, ou instituições ajudaram a fazer sua história. Gostaria de fazer algum agradecimento? Dr. Caio - Com 23 anos nós de formação, foram muitas as pessoas importantes nessa trajetória. Recordo de tanta gente! Lembro-me dos funcionários das granjas que estagiei, dos profissionais das empresas que passei, dos professores e orientadores que tive na pós-graduação. Dos mais simples funcionários aos mais renomados profissionais. Devo muito aos suinocultores que convivi e que ainda interajo. Aos alunos que ajudei a formar, estagiário e pós-graduandos que me retroalimenta com suas experiências, sou muito grato. Aos parceiros da iniciativa privada, que se encontram cada dia mais próximos, tenho que registrar meu agradecimento. Posso me considerar abençoado, pois convivi e convivo com muitas pessoas que acrescentaram e acrescentam algo na minha formação. Ano VI - nº 30/2009


Manejo Manejo na maternidade: fator crítico para o desempenho futuro do leitão. Introdução A suinocultura brasileira tem vivido muitas transformações nos últimos anos, principalmente relacionadas à profissionalização, o que gerou uma maior visão empresarial sobre a atividade, independentemente da escala de produção. Durante muito tempo, os setores da granja foram tratados como partes isoladas de um todo, principalmente em sistemas de múltiplos sítios onde uma parcela dos suinocultores tornou-se produtora de leitões (vendidos desmamados ou na saída de creche) e outra parcela de produtores tornou-se terminadora desses suínos. Pelo fato de passar por vários donos antes de chegar ao abate, muitas vezes tratou-se produção de suínos com a errônea idéia de que os resultados da maternidade, creche e terminação não teriam correlação ou seriam independentes. Ao longo do tempo, muitos

Nesse contexto em que a qualidade do leitão desmamado (Figura 1) está direta e positivamente relacionada com o desempenho nas fases subsequentes, incontestavelmente o bom andamento da maternidade torna-se fator decisivo sobre o resultado financeiro de qualquer sistema de produção. Investimentos em melhoria de manejo, treinamento de equipes, implementação de novas técnicas e produtos, levando em consideração o retorno sobre o investimento, devem fazer parte do dia-a-dia do suinocultor que deseja se manter na atividade.

Autores

Resultados

Cooper et al., 2001

Para cada 1 kg adicional no desmame, agrega-se 1,9 kg na saída de creche (56 dias) e 4,2 Kg adicionais ao abate.

Integrall, 2008

Para cada 1 kg adicional no desmame, agrega-se 2,12 kg na saída de creche (61 dias) e projeta-se 5,3 kg adicionais ao abate.

Cole & Valey, 2001

Leitões desmamados com 4,1 a 5,6 kg requerem oito dias a mais para atingirem peso ao abate do que os leitões desmamados com 6,9 a 8,6 kg.

Azain et al., 1996

Leitões desmamados com 4,5 kg requerem 12 dias a mais para atingirem peso de abate do que os leitões desmamados com 6,8 kg.

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trabalhos têm provado de forma consistente que existe um efeito multiplicador amplificado entre os pesos de saída de cada fase, ou seja, há uma relação positiva entre o peso ao desmame e a eficiência de crescimento dos suínos nas fases subsequentes (creche e terminação), diminuindo o tempo para atingir o peso de abate por meio da melhora do ganho de peso diário e conversão alimentar.

Djane Dallanora Médica Veterinária MSc. Integrall Soluções em Produção Animal djane@integrall.org

O papel do fator humano na qualidade do leitão: A suinocultura é uma atividade altamente dependente do fator humano e está diretamente relacionada com a eficiência da mão-de-obra envolvida. O aumento do número de leitões nascidos/parto tem sido considerado como o grande divisor de água entre as granjas. Apenas as unidades de produção onde há pessoal com afinidade e perfil para o setor, padronização de rotina, treinamentos periódicos das equipes e boas condições de trabalho e instalações conseguem transformar o aumento do número de leitões nascidos em aumento do número de leitões desmamados. De nada adianta apresentarmos resultados de prolificidade acima de 13 nascidos vivos, se continuarmos desmamando entre 10 e 11 leitões com qualidade questionável. Diante dessa situação, serão discutidos os pontos críticos do manejo com os leitões desde o nascimento até o desmame, apontando o considerado correto e crucial para maximizar o número de leitões desmamados, com bom peso relativo à idade, uniformidade e com alto nível de proteção passiva e ativa.

O sucesso da maternidade inicia no manejo gestacional: O peso ao nascimento interfeAno VI - nº 30/2009


Manejo a ser decisivos sobre a qualidade do leitão desmamado. Inicialmente, a maternidade deve oferecer as condições adequadas de ambiente e instalações para que o leitão possa realizar sua principal atividade nesse período: a mamada. Isso inclui principalmente espaço físico, higiene, temperatura ambiente, umidade e qualidade de piso. Asseguradas essas condições, o atendimento efetivo de 100% dos partos por funcionário capacitado passa a ser a prioridade, principalmente em granjas de alta prolificidade. O parteiro deve assegurar a realização das seguintes tarefas: Figura 1 – Leitões lactentes próximo ao momento da desmama – bom número de desmamados, qualidade e uniformidade.

re diretamente sobre a taxa de mortalidade dos leitões na maternidade. Leitões com baixo peso ao nascimento têm menores reservas energéticas, vigor reduzido, menor capacidade de mamar o colostro adequadamente. Possuem ainda perfil sorológico e sanitário distintos, menor número de fibras musculares e menor potencial de massa muscular, menor altura das vilosidades intestinais, menor potencial de ganho de peso diário e aumento dos dias necessários até o abate. Além disso, quanto maior o percentual de leitões de baixa viabilidade no sistema, maior será a necessidade de trabalho adicional para cuidar desses leitões e maiores serão os riscos de perdas. Por isso, um bom trabalho para aumentar o número de leitões desmamados inicia na redução do número de leitões nascidos leves. Além da genética, uma importante e acessível ferramenta é a manipulação nutricional da dieta da fêmea suína durante a gestação. As principais observações no momento da formulação da dieta de gestação e da definição da quantidade de alimento a ser fornecida a cada Ano VI - nº 30/2009

fêmea gestante são o peso corporal e o número de fetos a serem nutridos (média histórica individual de nascidos totais). A variabilidade de peso e de prolificidade dentro do plantel é muito grande e é possível influenciar o peso do leitão ao nascimento através do tratamento individualizado da fêmea gestante, gerando reduções de até 50% no número de nascidos com baixa viabilidade. Sob o ponto de vista sanitário, durante a gestação também são aplicadas vacinas com o objetivo da transmissão da imunidade passiva por meio do colostro aos leitões. A adoção de um protocolo adequado à situação sanitária do sistema, seguida da conservação e aplicação correta da vacina são fundamentais para que o colostro dessas fêmeas contenha a imunidade necessária.

O manejo do leitão e sua interferência na qualidade do desmamado: A partir do momento do nascimento, existe uma sequência de manejos que são realizados e que passam

• Atendimento ao neonato: Imediatamente após o nascimento, deve-se proceder a secagem do leitão (Figura 2). Independentemente do material que for utilizado para esse procedimento (pó secante, papel toalha ou serragem), deve-se considerar que não seja contaminado, seja absorvente e não machuque o corpo do leitão. Esse procedimento visa desobstruir as vias respiratórias, ativar os sistemas circulatório e respiratório, reduzir a perda de calor corporal do leitão e consumo extra das reservas de energia, evitando os estados de hipotermia e letargia, permitindo que o leitão tenha condições físicas e energia para a mamada do colostro. O próximo passo é a amarração, corte e assepsia do cordão umbilical. Utilizando um cordão de algodão embebido em solução desinfetante, o cordão umbilical deve ser amarrado a 3 cm de sua inserção no abdômen, cortado e desinfetado através de imersão até sua base em solução desinfetante (Figura 3). Esse procedimento é um importante ponto de risco na maternidade, pois o cordão umbilical é uma porta de entrada potencial para infecções bacterianas. As principais consequências da reaSuínos & Cia

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Manejo lização inadequada desse manejo são infecções como onfalites, abscessos nos órgãos internos, artrites e septicemia, levando à diminuição do ganho de peso na maternidade, refugagem e, possivelmente, à morte de leitões lactentes. Imediatamente após esse procedimento inicial, o leitão deve ser acompanhado na sua primeira mamada.

ção da mortalidade por esmagamento e diminuição do estresse térmico. Para que o leitão identifique esse local como abrigo, ele precisa atender algumas exigências: ter espaço suficiente, temperatura na zona de conforto térmico para a idade, iluminação, ambiente limpo e seco.

• Corte de cauda (caudectomia):

• Acompanhamento da primeira mamada:

O corte do último terço da cauda é um manejo realizado como prevenção ao canibalismo nas A imunidade da mafases de crescimento. Dutriz, seja ela adquirida ao rante esse procedimento longo da vida com a expoexiste a exposição de veias, sição natural aos patógenos artérias e nervos, já que a ambientais, ou por meio da cauda é a porção final da vacinação na fase de gescoluna vertebral. O ideal tação, somente será transé realizar no primeiro dia ferida aos leitões através de vida com um aparelho da ingestão do colostro nas que permita cortar e cauprimeiras horas de vida. terizar ao mesmo tempo, Figura 2 e 3 – Manejos de atendimento ao neonato – secagem com papel A ingestão de co- toalha e desinfecção do umbigo. pois previne hemorragias lostro precisa ocorrer unie promove cicatrização formemente na leitegada para que ser fechados no escamoteador, man- mais rápida. A caudectomia pode ser não exista a formação de subpopula- tendo no máximo dez leitões maman- a porta de entrada para bactérias que ções com menor grau de imunidade. do. Desta forma evita-se disputa por poderão produzir abscessos na coluna O acompanhamento individual dos tetas e garante-se uma melhor inges- vertebral, artrites e septicemias, proleitões para assegurar que a inges- tão de colostro em 100% dos leitões. movendo refugagem e mortalidade. tão do colostro seja realizada é uma Essa atividade também deve ser realidas atividades obrigatórias durante o zada nos partos que ocorrem à noite. • Desgaste dos dentes: parto (Figura 4). Nas granjas de alta A indução dos partos para o período prolificidade, torna-se necessária a diurno é uma sugestão que ajuda a reAtualmente, o protocolo de intervenção para garantir a ingestão solver boa parte dessa questão. desgaste de dentes tem sido bastante adequada por todos os leitões até as variável entre granjas. Podemos enprimeiras seis horas pós-parto. O idecontrar locais onde são desgastados os al é marcar com um pincel os leitões • Treinamento do leitão para o uso dentes de 100% das leitegadas, outros que foram acompanhados e já ingeri- do escamoteador: desgastam apenas nas leitegadas onde ram o colostro adequadamente (Figuexiste evidência de briga e lesões e ra 5). É importante ressaltar, que os O leitão deve ser treinado para outros aboliram completamente esse leitões não devem ser marcados por permanecer dentro do escamoteador manejo. A recomendação atual é que ordem de nascimento e sim por inges- nos momentos em que não estiver os dentes sejam desgastados com apatão assegurada de colostro. Na sequ- mamando. Desenvolver esse hábito relho adequado (Figura 6) e que esse ência do parto, os marcados poderão no leitão é fundamental para a redu- procedimento jamais seja realizado

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Manejo antes da primeira mamada, evitando assim interferência na ingestão do colostro. O procedimento deve ser realizado com muita atenção, pois dentes com pontas, com exposição da polpa dentária, cortes na gengiva, língua e lábios provocam dor e reduzem as mamadas, prejudicando gravemente o desenvolvimento do leitão e seu peso na desmama, o que promove refugagem e mortalidade, além de serem uma porta de entrada para formação de abscessos locais e até mesmo infecções generalizadas.

• Aplicação de ferro: A necessidade de suplementação de ferro em leitões criados em confinamento já é bem conhecida e estudada. As consequências da não suplementação estão relacionadas à anorexia, redução da taxa de crescimento, leve taquipnéia e maior predisposição ao aparecimento de doenças como diarréia neonatal e pneumonias (redução da resistência orgânica). O aumento da taxa de mortalidade é inevitável, podendo chegar até a 60% dos leitões afetados. As fontes de ferro suplementares podem ser injetáveis e via oral. No procedimento injetável, cuidados de higiene devem ser preconizados, pois o resultado pode ser a formação de abscessos, infecções localizadas e complicações como a septicemia. Além disso, pode ocorrer refluxo no local da aplicação ocasionando subdosagem.

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• Uniformização das leitegadas pós-parto: Obrigatoriamente, é preciso garantir a ingestão uniforme de colostro de todas as leitegadas antes de iniciar o processo de uniformização das leitegadas entre as porcas. Recentemente, algumas mudanças no método tradicional de uniformização têm sido realizadas, preconizando uma menor movimentação de leitões. A uniformização é realizada retirando da fêmea apenas os leitões excedentes em relação ao número de tetas e as exceções em relação ao tamanho predominante da leitegada. Esse manejo proporciona uma menor mistura de animais, consequentemente redução na ocor-

rência de brigas e melhora a uniformidade no momento da desmama.

• Aplicação de injetáveis: Todos os procedimentos de aplicação de produtos injetáveis devem obedecer a condições de utilização de seringas e agulhas limpas, em condições de uso e no tamanho adequado para a idade do leitão. As agulhas devem ser trocadas a cada 10-15 animais. Casos em que esses procedimentos não são respeitados existem riscos de formação de abscessos, diminuição da absorção do produto aplicado e consequentemente, redução do efeito do produto. Os principais manejos de aplicação de injetáveis na maternidade são:

• Aplicação de antimicrobianos no primeiro dia de vida:

Figura 4 e 5 – Acompanhamento da primeira mamada e leitões que já mamaram o colostro, marcados e fechados no escamoteador.

Esse procedimento bastante difundido na suinocultura pode ser uma alternativa útil em situações especiais como períodos de vazio sanitário reduzido na maternidade, surtos de problemas sanitários na primeira semana (diarréia, artrite, onfalite), falhas no esquema de vacinação do plantel de reprodução (principalmente relacionado à diarréia por E. coli) ou instalações que predisponham ao aparecimento de infecções (piso abrasivo predispondo ao aparecimento de artrite). O manejo mais difundido é aplicação de um antimicrobiano de longa ação com espectro específico para a situação que precisa ser controlada.

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Manejo

Figura 6 – Desgaste de dentes.

• Medicações injetáveis durante a lactação: É fundamental que os leitões sejam inspecionados diariamente para verificar o aparecimento de sinais clínicos de doenças e início imediato de tratamento específico durante todo o período de lactação. Esse procedimento evita perdas com o agravamento das doenças e diminui a refugagem por problemas sanitários. O funcionário que realiza essa função precisa ser treinado e ter habilidade para identificação rápida e tratamento adequado das enfermidades.

• Vacinações: Atualmente, alguns protocolos vacinais preconizam a aplicação da vacina ainda na maternidade.

• Manejo com leitões de baixo peso: Os leitões leves ao nasciSuínos & Cia

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mento possuem uma menor capacidade de competição dentro da leitegada e maior susceptibilidade a problemas sanitários com alto risco de morte. Existem algumas recomendações que podem ser seguidas para aumentar a chance de sobrevivência e de crescimento desses animais, porém deve-se sempre buscar a solução para diminuir o percentual de leitões de baixo peso ao nascimento. O ponto inicial para determinar quais os procedimentos que devem ser adotados é fazer a distinção entre leitões com baixo peso ao nascimento e leitões fracos (incapazes de mamar por conta própria). O segundo ponto é avaliar se existe viabilidade de manutenção desses leitões ou se a eliminação é a alternativa mais adequada. Feitas essas observações, o manejo com leitões pequenos consiste basicamente em fornecer fontes adicionais de energia e mantê-los em ambiente limpo, seco e aquecido, até que apresentem condições de mamarem normalmente. Recomenda-se não realizar o desgaste dos dentes para diminuir o estresse, colocação de escamoteadores móveis e aquecidos, onde os leitões de baixo peso e fracos sejam alimentados até adquirirem energia para mamar por conta própria (manejo do caixote) e fornecimento de fontes de energia suplementares como glicose 5% via intraperitoneal, polivitamínicos injetáveis e orais, óleos vegetais via oral e o fornecimento de leite proveniente de um banco de leite. É preciso condicionar os leitões a mamarem também na fêmea, caso contrário, os leitões assumirão o banco de leite como sua única fonte de alimentação.

• Castração: A castração dos machos é um procedimento cirúrgico realizado ainda na primeira semana de vida, pois existe menor risco de hemorragias e infecções, além da cicatrização ser mais rápida. Os animais que serão castrados deverão ser examinados para a presença de hérnias inguinais, mono ou criptorquidismo. O procedimento mais comum é a realização de um corte longitudinal na bolsa escrotal sobre cada testículo e extirpação dos mesmos juntamente com o cordão espermático (ductos e vasos sanguíneos). Não é recomendado o uso de sprays repelentes, pois promovem irritação e ardência. Produtos cicatrizantes de aplicação local podem ser utilizados. Cortes horizontais não são recomendados, pois facilitam o acúmulo de sujeira e infecção do local. A higiene da maternidade, dos instrumentos e do operador é o fator determinante sobre a ocorrência de infecções pós-castração, as quais resultam em formação de abscessos locais, podendo ser agravadas para septicemias, refugagem e morte. Recentemente tem sido implantada no Brasil a castração imunológica, na qual não há necessidade de intervenção cirúrgica dos leitões.

Considerações finais O adequado manejo de lactação permite a expressão de todo o potencial de crescimento do leitão. Com cuidados simples e diários, é possível assegurar a manutenção da saúde dos leitões durante a lactação, evitando a refugagem, eliminação e mortalidade. Com baixa ocorrência de doenças e bom manejo ambiental consegue-se desmamar leitões com bom peso relacionado à idade, uniformes e aptos a seguir na fase de creche com bom desempenho. Ano VI - nº 30/2009


Sumários de Pesquisa

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Reprodução Atualização do comportamento materno da fêmea suína na maternidade Introdução A maioria dos sistemas de produção, especialmente os intensivos e semiintensivos, tem alterado drasticamente a interação dos suínos com o seu ambiente físico e social. O ambiente físico encontra-se reduzido, em termos de espaço e falta de substratos que estimulem o suíno a explorar o seu meio, bloqueando muitos de seus atos de motivação para desenvolver as condutas e padrões de locomoção, descanso, cuidado corporal e cuidados maternais próprios da espécie, que lhe permitam levar a bom termo a leitegada parida. O suíno, da mesma forma que outros animais de produção criados em granjas, é um animal social que mostra in-

terações frequentes com outros membros de sua espécie; o comportamento materno forma parte da conduta social e inclui tanto interações afetivas entre a mãe e as crias, como comportamentos para estabelecer territorialidade. Estudos recentes indicam que há uma grande variabilidade na mortalidade dos leitões, entre porcas distintas e as diferenças individuais na conduta materna podem explicar parte dessa variação. Na sequência, abordaremos cada uma das condutas da porca na maternidade.

Conduta materna

Marilú Alonso Spilsbury marilu@correo.xoc.uam.mx

doméstica mantida em condições de pastagem, forma parte de uma conduta com sequências bem definidas, que incluem isolamento e busca de um local para aninhar, construção do ninho, parto, ocupação do ninho, integração social, defesa da leitegada e desmame(84, estudos

(84, 47)

47)

. Diversos

mostram que, se as porcas

não conseguem realizar a maioria destes comportamentos, seu rendimento produtivo e suas condições de vida serão limitados. Por outro lado, do ponto de vista zootécnico, a conduta materna é importante, pois determina de alguma forma a

O comportamento materno da porca selvagem, assim como o da porca

mortalidade e o crescimento dos leitões. Cerca de 15% dos leitões nascidos vivos morrem antes do desmame(18, 57) e 70% a 80% dessas mortes são atribuídas direta ou indiretamente à conduta da porca.

Comportamento pré-parto: construção do ninho Vinte quatro horas antes que aconteça o parto, as porcas mantidas em condições extensivas de pastagem mostram uma conduta de construção de ninho(23, 46)

. Já as porcas com movimentação res-

trita, seja por estarem enjauladas ou mantidas lado a lado, não apresentam esse comportamento, o que produz sinais de desconforto(38, 52, 86) e frustração(17), mesmo No período que antecede o parto as porcas criadas em sistema intensivo apresentam alguns sinais de conduta re-dirigidas de construção de ninho, como arranhar o piso.

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que se induza o animal a realizar condutas dirigidas aos substratos, como mordida de barras e o ato de arranhar o piso com uma Ano VI - nº 30/2009


Reprodução das patas dianteiras(35, 37, 39, 45, 51, 53, 59, 76). Estas condutas têm sido interpretadas como condutas re-dirigidas de construção. As porcas mantidas em sistema de pastagem caminham uma distância tão pequena (como uns 50 m), ou tão distante (como uns 7 km) e constroem vários ninhos rudimentares antes de selecionar o local definitivo, onde escavam uma cova, geralmente de 10 cm. de profundidade por 1,5 m. de largura e depositam uma cama, a partir de pasto e ramos de árvores. Os ninhos são construídos geralmente no sentido contrário ao dos ventos dominantes, numa colina para visualização do predador e com barreiras naturais para proteção. Como regra geral, esta conduta de construção de ninho acontece entre três e 7 horas antes do parto. É mediada pelo sistema endócrino, através de um decrés-

Os leitões de baixo peso passam mais tempo nas tetas da mãe e, portanto, correm mais riscos de serem esmagados, daí a importância de provê-los com um microclima que satisfaça suas necessidades de calor.

cimo nos níveis plasmáticos de progesterona e elevação dos níveis de prolactina e prostaglandina (PGF2α), no da anterior ao parto . A porca permanece no ninho, (07)

com sua leitegada, por pelo menos dois dias. Os ninhos são defendidos de outras porcas adultas, para evitar esmagamentos, os quais poderiam incrementar até quatro vezes a mortalidade dos leitões(71). Em condições de confinamento em cela parideira a conduta de construção de ninho será frustrada, restando o único vestígio que é o ato de arranhar o piso; nesse caso as porcas se apresentarão inquietas a partir de 48 horas antes do parto. A construção do ninho é induzida por fatores endógenos, já mencionados,

É interessante disponibilizar um ninho para as porcas, uma vez que ele tem varias funções importantes, particularmente para a leitegada: proporciona um esconderijo para os leitões, protegendoos dos predadores; provê abrigo contra as intempéries(06, 08); oferece proteção mecânica (amortecedora) para evitar que os leitões sejam esmagados pela porca; diminui a duração do parto, resultando numa menor taxa de natimortos(27); ajuda a manter os vínculos mãe - recém-nascido(48), importante no estabelecimento da ordem de escolha das tetas.

Parto

que incluem a prostaglandina (PGF2α) e a prolactina, que estimula a condu-

Normalmente o parto das porcas

ta característica de fuçar. Um exemplo de

ocorre no período tarde-noite, estando as

estímulo externo seria a cama, ou seja, o

mesmas numa posição de decúbito lateral

substrato ou material coletado para o ni-

e tem a duração de duas a quatro horas.

nho, o qual faz com que a fêmea arranhe o

As primíparas podem parir em uma hora e

piso com uma das patas dianteiras e carre-

meia e as porcas mais velhas, entre duas e

gue os substratos com a boca, para serem

4 horas; a duração do parto varia conside-

(19)

acomodados no ninho . Ao contrário do

ravelmente de acordo com o tamanho da

que se imaginaria, se lhe oferecermos um

leitegada. Este período se prolonga se a

ninho já pré-fabricado, a conduta de cons-

porca for molestada, o que pode ocasionar

trução de ninho aumenta, não diminui(49).

estresse agudo, o qual induz a inibição da

(25)

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secreção de ocitocina, mediada por opiáceos endógenos(53). De acordo com Castrén et al. (1993) existe uma correlação positiva entre o pico sanguíneo de ocitocina na porca e a duração do parto, efeito corroborado por nosso grupo de investigadores, em diversas ocasiões(60, 66, 67, 68). A duração do parto tem correlação negativa com os níveis periféricos de ocitocina na fêmea(07). Vários autores(08, 20) sugerem que o parto é mais prolongado em porcas confinadas (enjauladas) do que em fêmeas alojadas em sistemas de pastagem(09) ou em baias. Os partos prolongados estão associados a ambientes onde não há estímulos para os animais, ocasionando desordens de comportamento(52, 86), um aumento na taxa de natimortos(52, 63, 64, 65, 66,67, 80, 86) e uma pré-disposição a problemas de anóxia, gerando leitões mais fracos(76). Com respeito à duração do parto, intervalo entre leitões, presença de natimortos e viabilidade do neonato, nossa equipe de pesquisa tem desenvolvido investigações básicas e aplicadas, com o uso de ocitocina(62), hormônio que a nosso ver, é utilizado inapropriadamente, ocasionando distocia nas porcas mantidas em Suínos & Cia

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Reprodução baias(09) e mais natimortos nos partos de porcas enjauladas(60). No início do século, Straw et al. (2000) descobriu que 8,2% dos suinocultores associados, nos EUA, administravam ocitocina rotineiramente em todas as porcas parturientes, daí a necessidade de entender melhor a atuação dessa substância útero-tônica nessa fase. De acordo com Phillips et al. (2000), as porcas têm uma preferência por parir e alojar-se em um piso aquecido, durante os três primeiros dias pós-parto. Esta preferência explica, em parte, por que as porcas alojadas ao ar livre selecionam um ambiente confortável para suas leitegadas e por que procuram evitar pisos de metal, no momento do parto(74). A conduta materna caracteriza-se por três estados importantes(53): 1) Calma. Devido à diminuição do cortisol, caracteriza-se pelo cuidado da porca ao se deitar, para evitar esmagar os leitões; 2) Proteção da leitegada. Resposta aos grunhidos dos leitões e à aproximação do funcionário às crias; 3) Amamentação. Se a porca não está confinada, ela come sua placenta em sinal de defesa contra os predadores. Cabe observar aqui que a porca é a única fêmea ungulada, além da camela, que não lambe suas crias no nascimento, daí a recomendação de atender ao parto e secar os leitões, para que não percam calor por evaporação. Ao nascer, os leitões podem se apresentar apneicos por cinco ou 10 segundos, começando a respirar em seguida; nascem com os olhos abertos e são capazes de caminhar imediatamente; os primeiros ao nascer são mais lentos em buscar a teta, os que nascem depois, aparentemente respondem às vozes de seus companheiros de leitegada e buscam a teta muito mais rapidamente. A maioria mama nos primeiros 30 minutos depois de nascer(40). São atraídos pelo cheiro e vocalizações maternas, assim como pela direção dos pelos da porca(77). Amontoam-se junto com seus companheiros de leitegada para conservar calor(69). Dan Weary et al. (1996), no Canadá, descobriram que os Suínos & Cia

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leitões de baixo peso passam mais tempo nas tetas da mãe e, portanto, correm mais riscos de serem esmagados, daí a importância de prove-los com um microclima que satisfaça suas necessidades de calor.

Lactação Já há quatro décadas, McBride (1963) havia estudado o estabelecimento da ordem de escolha das tetas, o que normalmente ocorre entre 24 e 48 horas após o nascimento dos leitões. Parece mentira que um descobrimento de tanto tempo atrás ainda não seja utilizado apropriadamente hoje em dia, nas maternidades, pois como veremos mais adiante, trata-se de um fator importante no remanejamento de leitões. A ordem de escolha das tetas consiste na aquisição e adoção de uma mesma teta ao longo de toda a lactação, ainda que alguns leitões possam adquirir duas, dependendo da disponibilidade de tetas funcionais por parte da fêmea. Uma vez estabelecida a ordem das tetas, os leitões participam de uma série de eventos complexos de comportamento e fisiologia (para uma revisão a respeito, consultar o trabalho de Rushen e Fraser, 1989).

A fase de amamentação causa liberação de opiáceos, o que torna as porcas menos reativas a estímulos dolorosos. Esses opiáceos estimulam a liberação de prolactina e somatotropina(78). Aproximadamente 10 horas depois do nascimento do primeiro leitão, o aleitamento torna-se cíclico(54), passando a ocorrer a cada 45 minutos. Durante os primeiros dois dias a porca inicia todos os aleitamentos. Daí em diante os leitões iniciam, pelo menos, a metade dos episódios de amamentação. Em condições de pastagem, no sétimo dia de lactação os leitões abandonam o ninho e a porca se reúne com o resto do lote ao redor do nono dia; os leitões dormem no ninho comunal. A amamentação realizada pela porca doméstica, assim como também pela selvagem, forma parte de uma conduta com sequências bem definidas, que incluem: um pré-massageamento das tetas, o qual permite aos membros da leitegada ocupar suas posições(33) e a baixa do leite, que se caracteriza por vir acompanhada de um grunhido rítmico da porca(34, 90), que sincroniza outras porcas e o restante da leitegada, em concomitância com o pico de oxitocina para a liberação do leite(29). Este episódio tem uma dura-

Durante os primeiros dois dias após parto, a porca inicia todos os aleitamentos, após estes, os leitões iniciam pelo menos a metade dos episódios de amamentação.

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Reprodução ção de dez a vinte segundos(33) e durante o mesmo se dão os movimentos rápidos da mandíbula dos leitões. A amamentação se encerra com a pós-massagem das tetas, a qual dura vários minutos (até quinze), até que os leitões durmam ou a porca os interrompa(34, 47); esta fase tem a função de marcar as tetas para facilitar o estabelecimento da ordem de escolha das mesmas(56), promover a comunicação do leitão com a mãe(04) e ajustar a produção de leite de acordo com os requerimentos individuais do leitão(05). O ato de massagear as tetas da porca lactante, especialmente as da região anterior, induz a fêmea a repousar e grunhir(30). Cerca de 40% das amamentações não são bem sucedidas, mesmo com a baixa do leite, ainda que a porca exponha suas tetas grunhindo ritimadamente e os leitões as massageiem de forma vigorosa(9, 22, 31, 44, 61). Estas amamentações sem êxito ocorrem em todas as porcas (diferentes linhagens de porca doméstica e javalis) e em todos os sistemas de alojamento (pastagem, jaulas, baias), o que significa ser esta uma conduta normal dos suídeos. Uma vez estabelecida a lactação, as amamentações ocorrem em intervalos que variam de 29 a 96 minutos(10, 13, 14, 21, 50) . Conforme os leitões vão crescendo, a duração das amamentações vai sendo reduzida(47, 50), de tal forma que na ocasião do desmame já não há mais as 20 mamadas diárias, mas sim apenas a metade ou um terço delas. Dois ou três dias após o parto as porcas entram em cio; trata-se, entretanto, de um cio não fértil devido à interferência ocasionada pela amamentação na ovulação das mesmas. Não obstante, vários autores têm afirmado que, se fosse dada uma oportunidade às porcas lactantes, através da retirada parcial da leitegada, poderia ocorrer um cio lactacional fértil; este cio, caso fosse atendido pela monta direta do cachaço(55, 87), encurtaria o período de dias não produtivos(61). Voltando ao assunto da lactação, Suínos & Cia

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a descida do leite é muito curta, durando apenas de 10 a 20 segundos(33). O leitão necessita de 20 segundos para consumir os 20 a 30 g de leite que são produzidos por cada teta funcional(03). Um leitão que, constantemente, perca só um segundo no início da mamada perderá de 5 a 19% do seu consumo diário de leite(78). Isso ainda sem considerar a presença dos leitões denominados “chupins” (em homenagem à ave que parasita outros ninhos), que “fingem estar dormindo” enquanto escutam as vocalizações ritmadas da mãe, mas correm para mamar com o restante da leitegada. Devido ao fato das porcas serem altamente toleráveis a leitões estranhos, é relativamente fácil doar leitões a fêmeas nutrizes, sempre e quando elas tenham tetas disponíveis e o manejo seja realizado durante os primeiros dois dias depois do parto, quando a ordem de escolha das tetas ainda não estiver estabelecida. Em condições de confinamento total observase que os leitões doados depois de uma semana de vida causam problemas no estabelecimento da hierarquia, provocando interrupções na amamentação e redução no ganho de peso(42); além disso, algumas vezes são agredidos pela porca que os adotou(41).

Condutas anômalas

de barras, mastigação vazia, manipulação de correntes (caso estejam penduradas e à disposição das porcas) e manipulação excessiva dos bebedouros(13). Sugere-se que estas condutas tenham um papel importante no enfrentamento do animal perante situações estressantes já que, como se comentou, existe a questão da liberação dos opiáceos endógenos, talvez para auto narcotizar-se(26).

Infanticídio De acordo com Hrdy (1979), o infanticídio materno não implica somente em abuso físico, por exemplo, mordidas agressivas ou matança, mas também inclui a falha nas atitudes maternas e o descaso com o neonato. Sob essa perspectiva, o esmagamento pela mãe deveria ser visto como uma falha, ou melhor, como a falta de desejo de proteger a leitegada(12). Essa conduta agressiva junto às leitegadas pode ser vista tanto nas fêmeas domésticas como nas selvagens. As porcas apresentam diferentes estilos e padrões de conduta, sendo as mais inquietas, aquelas que costumam atacar seus leitões(01,

36)

.

Nesse sentido, recentemente na Noruega, Andersen et al. (2005) descobriram que as porcas que não esmagam nenhum de seus leitões têm um estilo de “mães protetoras”, apresentando as seguintes características:

Estereótipos

realizam mais atividades de construção de ninho; respondem com maior rapidez às

Os animais mantidos em ambientes confinados mostram padrões de conduta que são expressos de maneira repetitiva e estereotipada (Dantzer, 1986). Os estereótipos na área de etologia são catalogados como condutas repetitivas sem nenhuma função óbvia; entretanto, sabe-se que após condutas deste tipo o animal libera opiáceos endógenos que atuam como “auto narcotizantes”, o que de alguma forma acalma o animal que as executa.

chamadas dos leitões relacionadas a situa-

Os estereótipos mais comuns apresentados pelas porcas são: mordida

condutas descritas ao longo do presente

ções de estresse; promovem mais contatos com o focinho, uma vez iniciada a fase de vocalizações; dão mais “focinhadas” nos leitões, durante as mudanças de postura; revelam-se menos inquietas quando os leitões são retirados de sua vista e, nos manejos que implicam em agrupamentos, durante a gestação, evitam mais os conflitos em comparação àquelas porcas que costumam esmagar seus leitões. Daí a importância de se reconhecer cada uma das artigo. Ano VI - nº 30/2009


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Diagnóstico Diagnóstico de doenças de suínos: Ferramentas e Interpretações

Alejandro Ramirez M. Veterinário Iowa State University ramireza@iastate.edu

O objetivo deste artigo é enfatizar pontos importantes no uso de ferramentas de diagnóstico. É importante recordar porque são coletadas amostras, o que é que as provas nos dizem e – do mesmo modo – o que é que elas não nos dizem, com a finalidade de nos prepararmos melhor para interpretar os resultados.

Porque coletar amostras? Um dos pontos mais críticos é lembrar que a amostragem não deve ser feita, caso não haja um plano de como utilizar os resultados. O objetivo sempre deve ser que a amostragem indique a direção. Neste caso, devem ser feitos planos para ambos os resultados (positivos ou negativos). Preferencialmente, seria desejável que tivesse isso por escrito, antecipado e aprovado por todos aqueles interessados. Por exemplo, é comum se analisar uma amostragem de fêmeas de reposição na entrada da área de isolamento, com a idéia de comprovar que não tem anticorpos contra PRRS (Síndrome Reprodutiva e Respiratória Suína). Isso tem um enfoque sanitário de não introduzir animais positivos no rebanho, podendo ser justificado apenas se forem tomadas medidas específicas caso os resultados sejam Suínos & Cia

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Para melhor interpretação dos resultados das amostras, é imprescindível definir o tipo de prova e selecionar adequadamente os animais para a coleta dos mesmos.

positivos (sendo que a expectativa é que sejam negativos). O tempo para tomar este tipo de decisão é antes que aconteça, quando todos os participantes no processo estão pensando em todas as opções e ainda não há pressão para se tomar uma decisão imediata. Isso dá tempo para discutir todas as consequências de cada decisão. Uma vez que todos estejam de acordo, isso facilita a futura implementação do programa de biossegurança.

depender da pergunta a responder. As marrãs estão infectadas com PRRS (detectar a doença)? Deve-se vacinar contra ileíte ou tratar (determinar a prevalência)? Qual o momento adequado para vacinar os suínos de crescimento contra a influenza (definir o tempo de infecção)? O protocolo da amostragem é determinado pela

A meta da amostragem determina como será feita, definindo a frequência, o número e as etapas de produção do enfoque. Tudo isso vai

O que se procura?

meta?

Basicamente as provas podem Ano VI - nº 30/2009


Diagnóstico ser classificadas em dois tipos. As provas de anticorpos e as provas de antígeno.

Gráfico 2

As provas de ELISA (Enzyme Linked Immunosorbent Assay / análise imuno-enzimática), SN (Serum Neutralization / soro-neutralização), CF (Complement Fixation / fixação de complemento) e HI (Hemaglutination inhibition / inibição da hemaglutinação), são os tipos mais comuns para a detecção de anticorpos. Quanto às provas mais comuns para a detecção de antígenos, temos o PCR (Polymerase Chain Reaction / reação de cadeia da polimerase), o sequenciamento genético, o cultivo ou isolamento viral, a IFA (Immuno Fluorescent Antibody Test / prova de anticorpos imuno-flourescentes) e a IHC (Immunohistochemical Test / prova imuno-histoquímica). É obrigação dos médicos veterinários estarem cientes de todas estas provas, além daquelas novas que estarão disponíveis no futuro. Mantendo comunicação frequente com o labora-

tório de diagnóstico, há a oportunidade de fazer a prova disponível mais adequada.

O que dizem as provas? É interessante recordar que a resposta de anticorpos contra antíge-

Figura 1

nos celulares pode ser classificada em quatro fases, como ilustrado na figura 01. Neste caso, a fase LAG é definida como o período compreendido entre a exposição do animal ao antígeno e o início da produção de anticorpos. Segue-se a fase LOG, onde há um incremento muito rápido (logarítmico) dos anticorpos. Esta fase de incremento logarítmico culmina com a fase PLATEAU, a qual é seguida pela fase DECLÍNEO, que é quando o nível de anticorpos circulantes começa a declinar. Estas mesmas fases ocorrem na resposta de anticorpos após a segunda dose (ou dose de reforço), como demonstrado no gráfico 2. A diferença é que, na segunda resposta, a produção de anticorpos é mais rápida e os valores obtidos são maiores. Também é importante lembrar que em uma população, nem todos os animais se encontram ao mesmo tempo na mesma fase. O gráfico 3 ajuda

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Sumários de Pesquisa

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Sumários de Pesquisa

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Diagnóstico predicativo negativo (VPN), por meio do qual é preciso saber quão real é o resultado negativo.

Gráfico 3

Com base na tabela 01, é possível calcular os valores predicativos do seguinte modo: Valor predicativo positivo VPP = A / (A + B) Valor predicativo negativo VPN = C / (C + D) É considerado que o valor lacionada à capacidade da prova em identificar corretamente um caso positivo, dentre um grupo de amostras sabidamente positivas. Já a especificidade diagnóstica é a capacidade da prova em identificar corretamente uma amostra negativa dentre um grupo de amostras sabidamente negativas. Em ambos os casos, buscam-se provas que tenham resultados 100% corretos. Ocorre que, usualmente, estas duas características trabalham uma contra a outra. O que equivale a dizer que, ao melhorar a especificidade de uma prova, piora sua sensibilidade.

a identificar visualmente a quantidade de casos novos, além do total de casos, que ocorrem em um ponto específico de um surto infeccioso presente em uma recria de 1.000 suínos: Ainda que de modo apenas demonstrativo, este gráfico ajuda a entender a importância do tempo na identificação de um novo surto. Usualmente é difícil identificar a causa do surto em sua fase inicial, já que há muito poucos animais infectados, o que torna mais complicado a seleção dos mesmos para a amostragem. Depois de duas ou três semanas a mais, é mais fácil realizar uma amostragem ao acaso.

O problema é que, no campo, não sabemos o status real do animal e, portanto, não sabemos a sensibilidade ou especificidade da prova. Na realidade as decisões são embasadas no que se chama o valor predicativo da prova. Sito significa que o valor predicativo positivo (VPP) da prova indica qual é a probabilidade de que um resultado positivo seja realmente positivo. O mesmo se diz de um valor

As provas são 100% exatas? Ao fazer provas diagnósticas, os laboratórios costumam dar detalhes da sensibilidade e especificidade diagnóstica de cada prova. No caso da sensibilidade diagnóstica, está reTabela 1

é dependente da prevalência. Sabese que a prevalência de uma doença varia entre populações, consequentemente, o valor predicativo das provas irá variar entre populações. As tabelas 2a e 2b representam duas populações de 10.000 animais, onde se manteve a mesma sensibilidade e especificidade de uma prova (99,5 e 98,5 respectivamente) e onde mudou apenas a prevalência de 10% para 1%: Quando a infecção é rara (prevalência muito baixa) pode-se dizer que há maior probabilidade de um resultado positivo ser, na realidade, um resultado falso. No exemplo anterior, com uma prevalência de 1% pode-se dizer que há apenas uns 40% de probabilidade de que o resultado seja real e uns 60% de probabilidade de que seja um resultado falso positivo. O que recorda que os resultados de provas nunca são 100% corretos.

Estado da doença Positiva (+)

Negativa (-)

Prova positiva (+)

A

B

Prova negativa (-)

C

D

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predicativo, seja positivo ou negativo,

Como são estabelecidos os limites? Suínos & Cia

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Diagnóstico Tabela 2a

Tabela 2b

10% prevalência

Infeção Positiva

Infeção Negativa

Prova Positiva

995 (TP)

135 (FP)

995 + 135

Prova Negativa

5 (FN)

8865 (TN)

8865 + 5

prevalência

Infeção Positiva

Infeção Negativa

VPP 0,88

Prova Positiva

99,5 (TP)

148,5 (FP)

99,5 + 148,5

VPN 0,999

Prova Negativa

0,5 (FN)

9751,5 (TN)

9751,5 + 0,5

1% 995 8865

995

8865

99,5

9751,5

995 + 5

8865 + 35

99,5 + 0,5

9751,5 + 148,5

Sensibilidade

Especificidade

Sensibilidade

Especificidade

99,5

98,5

99,5

98,5

O ideal é que, ao realizar a lei-

Tempo oportuno

tura dos resultados das provas, fosse estabelecido um ponto limite para separar os resultados positivos dos negativos. Também é ideal agrupar todos os resultados positivos à direita (ou à esquerda, dependendo da prova) e que todos os resultados negativos à esquerda (ou à direita) deste ponto estabelecido. Infelizmente, na prática há variação suficiente de resultados a ponto de – ainda que sejam poucos – alguns resultados de ambos os grupos (positivos e negativos) cruzarem o limite. Por esta razão há um grupo pequeno de resultados que serão classificados de modo inadequado, simplesmente com base no ponto limite selecionado. Por exemplo, no ELISA para PRRS ficou estabelecido que o ponto limite fosse o valor de 0,400. Por definição, estabeleceu-se então que todo resultado igual ou maior que

A ênfase é sobre a resposta imune de cada animal, a qual varia com o tempo. Por exemplo, no caso da PRRS, primeiro é encontrado o vírus circulando e depois de 10 ou 14 dias encontram-se os anticorpos. Os anticorpos IgM são os primeiros a aparecer, seguidos pelos IgG. O tipo de componente a ser encontrado (antígeno, IgM, e/ou IgG) vai depender do ponto onde se inicia a amostragem. Muitas vezes, com apenas um resultado sorológico não é possível determinar em que fase da resposta imune se encontra a população. Por esta razão, para se definir melhor a fase da resposta imune dos animais e – com esse resultado – estabelecer com maior certeza o estado do surto da doença, é comum a necessidade de coletar uma série (mais de uma) de amostras.

0,400 é classificado como positivo e todo valor menor é negativo. Será que, na realidade, há muita diferença

O que mais é preciso saber?

entre um valor de 0,399 (negativo) e um valor de 0,400 (positivo)? Isso alerta o fato dos pontos limite não serem assim tão exatos. Suínos & Cia

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Na avaliação dos resultados de um diagnóstico é preciso ter acesso a informações adicionais pertinentes,

99,5 9751,5

VPP 0,40 VPN 0,999

tais como o nível de proteção por anticorpos maternais. O uso de vacinas inativadas em fêmeas, ou nos animais que compõem a amostragem, pode resultar em valores positivos para anticorpos, mas não devem gerar resultados positivos relativos a antígenos. Já o uso de vacinas vivas modificadas pode resultar em valores positivos, tanto para anticorpos quanto para antígenos. Para que se possa resolver essas complicações diagnósticas relativas ao uso de vacinas, é importante não esquecer da utilização de animais sentinelas. Identificar animais negativos e não vaciná-los, transformaos em sentinelas. Ao misturar esses animais com os grupos de onde fará a amostragem, é preciso monitorar estes sentinelas periodicamente.

Outras provas Há uma variedade de outras provas que é possível utilizar, em termos de diagnóstico. O isolamento viral tem a desvantagem de ser uma prova lenta, especialmente naqueles casos negativos, onde é preciso esperar vários dias antes de sua confirmação como tal. O cultivo bacteriano é Ano VI - nº 30/2009


Diagnóstico usualmente mais rápido, requerendo

do vírus. Por exemplo: usualmente

grupo (plantel, lote, etc.); Segundo, o

apenas 24 ou 48 horas de cultivo. Ou-

é obtida a sequência ORF5 do vírus

limite mínimo de detecção (05, 10 ou

tro problema com relação ao cultivo

da PRRS, o que resulta na sequência

20%) e finalmente, a probabilidade

viral, é que ele requer uma antecipa-

de apenas 600 bases, entre as mais de

ção relativa ao tipo de vírus com o

15.000 bases do vírus completo. As

de detecção (usualmente 90 ou 90%).

qual está sendo usado, uma vez que

sequências ajudam a interpretar a epi-

cada agente viral demanda um meio

demiologia viral, auxiliando a estabe-

de cultura específico.

lecer sua possível origem. A sequên-

O uso da sequenciação de organismos está se tornando frequente, embora seja um processo demorado (duas a quatro semanas), caro (US$150,00) e de interpretação ainda não muito clara. Na maioria dos casos só se obtém uma sequência de parte

cia NÃO informa sobre a similaridade imunológica viral e, portanto, não

Conhecendo estes três valores usamse os livros de textos, folhas de cálculo ou um programa de computador específico para a obtenção do número desejado.

serve para indicar qual cepa ou vacina

Se o objetivo for obter uma

funcionará melhor contra o agente em

amostragem populacional com, pelo

questão. Os dendogramas são úteis

menos, 10% de prevalência da doença

apenas para agrupar cepas com pos-

e a pretensão for 95% de confiança de

sibilidade de origens similares, não

que será encontrado, pelo menos, um

implicando, porém, em proteção.

animal positivo no grupo, usualmente será necessária uma amostragem de

A possibilidade da necropsia

30 animais, ao acaso. Isso se refere a uma amostragem de 95 – 10, resultan-

Um tipo de prova diagnóstica que se pode fazer todos os dias é a necropsia. Havendo a oportunidade é possível aproveitar, pois uma necropsia fornece informações que poderão ajudar a concluir o diagnóstico relativo à possível causa do surto. É importante seguir sempre os mesmos passos durante a necropsia, para poder iden-

amostragem populacional com, pelo menos, 05% de prevalência da doença e com 95% de confiança de que será encontrado, pelo menos, um animal positivo no grupo, usualmente será necessária uma amostragem de 60 animais, ao acaso. Isso se refere a

ta de amostras de tecidos apropriados

uma amostragem de 95 – 05, resul-

incrementa a possibilidade de fazer

tando em 60 animais.

tório de diagnóstico em questão poderá identificar o antígeno no mesmo local onde se concentra o dano histológico, confirmando assim a causa e o seu efeito (diagnóstico definitivo).

Coleta de sangue

Ano VI - nº 30/2009

Se o objetivo for obter uma

tificar as condições anormais. A cole-

um diagnóstico definitivo. O labora-

As amostras utilizadas para auxílio de diagnóstico devem ser enviadas corretamente, para que o processamento do material seja realizado em tempo hábil garantindo assim a qualidade e precisão dos resultados.

do em 30 animais.

A amostragem de 14 animais assegura 95% de confiança de que será encontrado, pelo menos, um animal positivo sempre e quando a doença tiver uma prevalência de, ao menos, 20%. Já a amostragem de 10 animais assegura 90% de confiança de que será encontrado, pelo menos,

Para calcular o tamanho da

um animal positivo sempre e quando

amostra é necessário saber três coi-

a doença tiver uma prevalência de, ao

sas: primeiro, o número de animais do

menos, 25%. Suínos & Cia

37


Diagnóstico Amostragem de tecidos Os dados seguintes servem como guia para a coleta de amostras dos tecidos mais utilizados na investigação de casos gerais, na suinocultura:

Aborto suíno • Cérebro: ½ a fresco, ½ fixado em formol; • Coração: ½ a fresco, ½ fixado em formol; • Rins: um a fresco, um fixado em formol; • Fígado: ½ a fresco, corte de 0,5 cm fixado em formol; • Pulmão: um lado a fresco, vários pedaços de 0,5 cm fixados em formol; • Umbigo: pedaços de 1 cm. de áreas hemorrágicas fixados em formol; • Conteúdo estomacal: 3 mL por suíno; • Fluido torácico: 2 mL/suíno, a fresco, podendo-se juntar amostras por lote; • Placenta: uma parte a fresco, três partes fixadas em formol.

Doenças do sistema nervoso central (SNC) suíno • Hisopo Meningeo e/ou líquido cefalorraquidiano: Deverá ser obtido antes de remover o cérebro; • Cérebro: ½ a fresco/refrigerado, ½ fixado em formol;

Suínos & Cia

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• Medula espinhal: várias peças de 10 cm a fresco, várias secções de 1,5 cm – de 4 a 5 níveis diferentes – fixadas em formol; • Baço: a fresco/refrigerado e fixado em formol; • Tonsilas: ½ a fresco/refrigerada, ½ fixada em formol; • Íleo: duas peças de 10 cm a fresco, 4 peças de 1,0 cm fixadas em formol.

Enterite suína – leitões A amostragem ideal seria de vários leitões doentes, em estado agudo e sem tratamento.

• Colon e ceco: órgãos inteiros ou dois segmentos de 10 cm do colon espiral a fresco/refrigerados, quatro peças de 1,0 cm fixadas em formol; • Intestino com lesões: cortes de 10 a 15 cm a fresco/refrigerados, vários cortes de 1,0 cm fixados em formol; • Fezes: 10 mL a fresco/refrigerados; • Nódulos linfáticos mesentéricos: a fresco e fixados em formol; • Fígado: ¼ do órgão a fresco, três cortes fixados em formol; • Estômago: examinar e enviar caso haja lesões.

• Colon e ceco: órgão inteiro a fresco/refrigerado, várias peças de 1,0 cm fixadas em formol;

Pneumonia suína

• Íleo: dois segmentos de 10 a15 cm a fresco/refrigerados, quatro peças de 1,0 cm fixadas em formol;

• Cérebro: ½ a fresco/refrigerado, ½ fixado em formol; • Trato respiratório superior:

• Jejuno: dois segmentos de 10 a 15 cm a fresco/refrigerados, quatro peças de 1,0 cm fixadas em formol;

- Esfregaço (swab) de cornetos

• Secções intestinais com lesões macroscópicas: segmentos de 10 a 15 cm a fresco, peças de 1,0 cm fixadas em formol;

• Pulmão:

• Fezes: 10 ml a fresco/refrigeradas, origem ceco/colon.

- Um lado inteiro a fresco, sem perfurações ou uma porção de ±10 cm³ com lesões

Enterite suína – desmame e crescimento

- Cinco cortes de 1,0 cm fixados em formol .

• Íleo e jejuno: dois cortes de 10 cm a fresco/refrigerados, quatro cortes de 1,0 cm fixados em formol;

- Esfregaço (swab) de brônquios - Cornetos fixados em formol - Lavado de fluido brônquioalveolar, caso necessário o isolamento viral para PRRS

- Nódulo linfático tráqueobronquial: ½ a fresco, ½ fixado em formol • Tonsilas: - ½ a fresco, ½ fixadas em formol

Ano VI - nº 30/2009


Sumários de Pesquisa Adenomiose no útero da fêmea suína e seu impacto na fertilidade A porca é um animal altamente prolífico, mas, possui inconvenientes caracterizados pela alta mortalidade embrionária, grande variação nos pesos ao nascer e rebanhos com baixa taxa de concepção. Estes problemas parecem aumentar após a 4ª ou 6ª parições. Os estudos que procuraram explicar esse problema geralmente focaram-se sobre a integridade do embrião ou nas doenças infecciosas. Em poucos estudos foi avaliado o impacto da placenta como causa de variabilidade reprodutiva. Tem sido descrita a presença da adenomiose no útero, coletada aleatoriamente em abatedouros, em porcas descartadas. A adenomiose uterina é caracterizada pela localização distópica (fora de lugar) de glândulas e estroma endometrial por entre os feixes musculares do miométrio, sendo considerada um crescimento celular benigno e relativamente incomum em fêmeas domésticas. O estudo realizado por Thorup e colaboradores (Proceedings of the 19th IPVS Congress, 2006, Denmark) examinou a ocorrência de adenomiose no útero de porcas e seu impacto no desenvolvimento dos fetos em diferentes ordens de parto.

o número de corpos lúteos e ambos os cornos uterinos foram abertos para um exame macroscópico. Todos os embriões foram examinados e medidos seu comprimento. O epitélio uterino subjacente aos embriões anormais, áreas sem embriões e áreas de endométrio com superfície anormal foram coletadas para exame histológico. Como controle foi coletada uma amostra subjacente a um embrião normal no corno uterino contra lateral. As células epiteliais foram coradas imunohistoquimicamente com anticorpos anticitoqueratina. Os dados foram testados em um modelo logístico.

Resultados: Método: Foram incluídas no estudo 80 porcas desmamadas de uma estação de pesquisa. As porcas eram sorologicamente livres de PRRS e vacinadas anualmente para Parvovirus e Erisipela. As porcas foram inseminadas recebendo duas doses de sêmen heteroespérmico de cachaços Duroc, após o início do reflexo de tolerância. Aos 29 dias após a inseminação todas as porcas foram abatidas e o trato reprodutivo foi colhido. Foi contado Suínos & Cia

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Houve uma correlação significativa entre ordem de parto e frequência de adenomiose, e uma tendência para mais adenomiose no tecido uterino subjacente a embriões pequenos ou mortos. A frequência de adenomiose foi a mesma tanto nas amostras controle (41%) como nas amostras coletadas em áreas vazias (40%), sob vesículas embrionárias (30%), e em tecidos necróticos (53%). Assim, a adenomiose não parece estar envolvida na ocorrência desses problemas

durante o início da prenhez. É interessante que a ocorrência de adenomiose parece aumentar com a ordem de parto, assim como a variação no peso ao nascer, enquanto diminui o peso ao nascimento. A ocorrência de embriões menores do que o normal foi correlacionada com a adenomiose (64%). Esses embriões poderiam vir a morrer mais tarde (reabsorvidos ou mumificados) ou nascerem fracos. Foi observada adenomiose em um grande número de porcas gestantes 29 dias após a inseminação e esta ocorrência de adenomiose pode estar ligada ao nascimento de leitões fracos. Os autores concluíram que a ocorrência de adenomiose em porcas parece influenciar a capacidade reprodutiva na porca, da mesma forma que acontece em humanos.

Micotoxinas: Efeito da Fumonisina B1 sobre a função testicular de cachaços jovens Existem muitos relatos sobre o efeito de Fusarium micotoxinas nas taxas de crescimento e no metabolismo de animais de produção, mas, poucos estudos têm sido dediAno VI - nº 30/2009


Sumários de Pesquisa cados aos efeitos das micotoxinas do Fusarium sobre a reprodução. Entretanto, muitos dos ingredientes para formulação de rações, contêm micotoxinas, que são consideradas prejudiciais para a reprodução. Por exemplo, toxinas com efeito estrogênico, têm sido consideradas como impeditivas à reprodução. As micotoxinas são metabólitos secundários estruturalmente distintos do fungo que se desenvolve em uma variedade de dietas consumidas pelos animais e pelo homem, respectivamente. As síndromes toxicológicas clínicas provocadas pela ingestão de montantes moderadamente altos de micotoxinas têm sido bem caracterizadas. O efeito varia desde mortalidade aguda até crescimento retardado e uma reduzida eficiência reprodutiva. O Fusarium Verticillioides (Sacc.) Niremberg é um dos fungos mais prevalentes associados com a base da dieta de humanos e animais, tal como milho, e produz micotoxinas incluindo as novas micotoxinas, fumonisinas. Foram relatados até o momento seis análogos de fumonisina. A fumonisina B1 (FB1) é a maior fumonisina produzida em cultura, bem como naturalmente ocorrendo no milho e em rações baseadas em milho, e tem sido associada com o risco aumentado de câncer do esôfago em humanos que consomem milho contaminado. O efeito carcinogênico e a hepatotoxicidade como os efeitos no consumo e no ganho de peso, provocados pela presença de fumonisina em rações animais, têm sido bem documentados. Entretanto, o interesse nessas áreas teve maior importância do que os efeitos da fumonisina na eficiência reprodutiva dos animais. Foi relatada a ocorrência de degeneração testicular e parada da espermatogênese com a concomitante queda na taxa e na eficiência da produção de espermatozóides em ratos injetados com microdoses de aflatoxina B1. Tendo isto em conta, juntamente com o fato que a quantificação da capacidade de produção de esperma Ano VI - nº 30/2009

permite a avaliação da eficiência da espermatogênese em machos destinados a propósitos reprodutivos, um estudo conduzido por Gbore, F.A. e Egbunike, G.N. (Animal Reproduction Science 105 (2008) 392–397) foi desenhado para investigar o efeito do consumo crônico de dietas contendo FB1 sobre a produção espermática e potencial de armazenamento no epidídimo, em suínos em crescimento.

Método: Vinte e quatro cachaços LargeWhite recém-desmamados , foram utilizados para avaliar o efeito da adição de fumonisina B1 na dieta (FB1), sobre as reservas espermáticas e produção em machos púberes. Os animais foram distribuídos ao acaso nas 4 dietas contendo 0.2, 5.0, 10.0, e 15.0 mg FB1/kg, constituindo o controle, dietas 1, 2 e 3, respectivamente, em um experimento que durou seis meses.

Resultados: A adição de fumonisina acima de 5.0 mg/kg na dieta reduziu as reservas epididimárias e testiculares de

espermatozóides, bem como a produção diária de espermatozóides por cachaço. As reservas caudais totais dos animais nas dietas 2 e 3 foram cerca de 70% das reservas no grupo controle. A produção diária de espermatozóides dos animais na dieta controle e na dieta 1 foram significativamente maiores do que nos tratamentos 2 e 3. O estudo revelou que os machos jovens, desde a idade prépubere, destinados à reprodução, não devem ser expostos à FB1 na dieta, em níveis maiores do que 5 mg/kg, para não suprimir a produção espermática e o desempenho reprodutivo.

Micotoxinas: Efeito das micotoxinas do Fusarium sobre a produção de esteróides nas células granulosas suínas As micotoxinas são metabólitos secundários produzidos por fungos e contaminam uma grande variedade de grãos e rações por todo o mundo. Os cereais do hemisfério norte, na maioria, estão contaminados pelas espécies de Fusarium, um grupo de fungos produtores de micotoxinas. O Trichothecenes, como o deoxynivalenol (DON), a zeara-

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Sumários de Pesquisa lenona e a fumonisina são as mais importantes micotoxinas do Fungo Fusarium e têm sido implicadas com o baixo desempenho e a reprodução nos suínos. O metabolismo da zearalenona, no seu maior metabólito, in vitro, zeralenol (ZEA) parece aumentar a toxidade nos suínos. O papel dessas micotoxinas como causadores de transtornos endócrinos tem sido reconhecido. Por exemplo, o zearalenol influencia a esteroidogênesis das células granulosas (CG), cultivadas in vitro, de suínos, bovinos, humanos e gatos. Também, o intervalo desmama-cio aumenta quando as porcas são alimentadas com rações contendo 10 ppm ZEA e as marrãs sexualmente imaturas que ingerem zearalenona apresentam sintomas clínicos de estro (ex: avermelhamento e edema de vulva) sem reflexo de imobilidade. Outra das principais micotoxinas do Fusarium, DON, influencia negativamente o estabelecimento da prenhez no suíno, em parte, devido a sua capacidade de inibir a maturação do ovócito. Portanto, a exposição às micotoxinas que alteram a produção de hormônios esteróides das CG (células granulosas) também altera o desenvolvimento do ovócito, a ovulação, as funções do trato reprodutivo e o estabelecimento da prenhez. Diferentemente da zearalenona que é metabolizada em ZEA, o DON é absorvido intacto pelo estômago do suíno. Aparentemente, nenhum estudo avaliou os efeitos diretos do DON ou suas combinações com o ZEA sobre as funções das células granulosas. Muito pouca informação está disponível elucidando a interação de micotoxinas sobre o ovário e, em particular, sobre a esteroidogênesis e proliferação das CG (células granulosas). O objetivo do estudo conduzido por Ranzenigo, G. e colaboradores (Animal Reproduction Science 107 (2008) 115–130), foi determinar se o ZEA e o DON são capazes de impedir a função reprodutiva no suíno, via efeitos sobre a proliferação Suínos & Cia

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das CG (células granulosas), esteroidogênesis e expressão gênica, e determinar se a presença combinada dessas micotoxinas pode ter um efeito mais forte na função das CG (células granulosas), do que essas micotoxina isoladamente.

Método: Para avaliar os efeitos de duas micotoxinas, DON e ZEA, sobre a proliferação de células granulosas suínas (CG) (células granulosas), esteroidogênesis e expressão gênica, as células granulosas de pequenos folículos (1-5 mm) foram cultivadas por dois dias em soro fetal bovino a 5% e em um meio contendo soro suíno 5%, seguido por mais dois dias em meio livre de soro contendo o controle (sem micotoxina) ou com micotoxinas (em várias doses/ combinações).

Resultados: Ambos DON e ZEA apresentaram efeitos bifásicos na produção de estradiol induzida por IGF-I, aumentando a produção de estradiol em menores doses e inibindo-a em doses maiores. O zearalenol a 3000

ng/mL aumentou a produção de progesterona induzida pelo IGF-I e em 30 ng/mL e 300 ng/mL foi sem efeito, mas estas doses de ZEA aumentaram a produção de progesterona induzida pelo FSH. O DON inibiu a produção de progesterona a 100 ng/mL e a 1000 ng/mL, mas a 10 ng/mL foi sem efeito. O tratamento concomitante com ZEA teve pouco efeito na dose resposta do DON. Este aumentou o número de células IGF-I induzidas, a 10 ng/mL e a 100 ng/mL e inibiu o número de células a 1000 ng/mL, enquanto o ZEA não apresentou efeito no número de CG (células granulosas). Somente o tratamento combinado com DON e ZEA aumentou a proliferação de células soro-induzidas. Os autores concluíram que as micotoxinas possuem efeitos diretos dose-dependente, sobre a proliferação das células granulosas, assim como sobre a esteroidogênesis e expressão gênica. Esses efeitos diretos sobre o ovário podem ser um mecanismo pelo qual a contaminação das micotoxinas do Fusarium nas rações impacta no desempenho reprodutivo nos suínos. Por: Paulo Silveira psouzadasilveira@gmail.com Ano VI - nº 30/2009


Manejo

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Jogo Rápido Dra. Adriana Pereira pergunta: Vamos avaliar como se encontra seus conhecimentos frente ao sistema imunológico? O sistema imunológico do suíno é composto de inúmeras reações fisiológicas que são de fundamental importância para conferir proteção frente às diversas doenças, sendo denominada imunização. Esta prática tem como objetivo aumentar a resistência do indivíduo e/ou populações contra infecções. Pode ser administrada por meio de vacina, soros e mesmo colostro. Avalie no questionário abaixo seus conhecimentos frente ao sistema imunológico?

1 – A imunidade (proteção) pode ser mais bem adquirida de que maneira: A) através da aplicação do ferro B) vacinação C) leite 2 – Imunidade passiva é adquirida como: A) através da vacinação

5 – Como é composta a vacina inativada: A) composta por microrganismos vivos que induz a imunidade celular. B) composta por microrganismos mortos que induz a imunidade humoral. C) composta por microrganismos mortos, e não tem capacidade de se multiplicarem.

B) através da placenta C) através do colostro somente 3 – A imunidade ativa confere: A) proteção por longos períodos (anos) B) proteção durante 15 dias

6 – Qual a função dos linfócitos:

A) produção de anticorpos e destruição de células infectadas B) coordenação da resposta imune C) destruição somente de bactérias

C) proteção por uma semana 4 – Como é composta a vacina viva atenuada. A) é composta de microrganismos mortos que se multiplica no organismo do animal estimulando o sistema imunológico.

A) defesa frente às doenças virais B) produção de imunidade frente à vacinação C) combate aos microrganismos e produção de anticorpos 10 – Onde são produzidos os linfócitos: A) linfonodo B) baço C) medula óssea 11 – Os Linfócitos são as principais células responsáveis pela resposta imune. Os linfócitos do tipo T são responsáveis: A) resposta imunológica frente a vírus e fungos

A) linfócitos

B) resposta frente a bactérias

B) neutrófilos

C) resposta imunológica frente a vírus, fungos e tumores. ) E linfócitos b (bactérias e toxinas).

C) eosinófilos

B) é composta por microrganismos vivos (enfraquecidos), que se multiplicam no hospedeiro sensibilizando o sistema imunológico.

8 – Em infecções parasitarias qual a primeira célula de defesa a ser detectada:

12 – Os linfócitos B são responsáveis por quais reações:

C) microrganismos mortos que não se multiplicam no organismo do hospedeiro.

A) mastocitos

B) resposta frente a bactérias e toxinas

B) macrófagos

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7 – Quando o suíno é acometido por doença bacteriana, qual a primeira célula de defesa a ser detectada?

9 – Qual a função dos leucócitos (também conhecidos com células brancas):

C) eosinófilos

A) resposta imune para vírus C) resposta imunológica frente a bactérias Ano VI - nº 30/2009


Jogo Rápido Questão

A

B

C

1

0

3

2

2

0

3

-1

3

3

0

0

4

0

3

1

5

0

3

2

6

3

1

-1

7

0

3

-1

8

3

1

0

9

3

0

0

10

0

-1

3

11

2

0

3

12

2

0

3

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Se você fez mais de 25 pontos!

Se atingiu uma pontuação menor que 25 pontos

Parabéns!

Certamente pode melhorar e tentar compreender o que ocorre com o sistema de defesa do suíno frente aos constantes desafios. Procure estudar mais um pouco sobre imunologia! Apenas através da leitura se adquire conhecimento. Existe no mercado uma enorme quantidade de trabalhos e referencias sobre o assunto. Conhecer a respeito do sistema imunológico certamente lhe ajudara a compreender o processo imunológico e assim definir qual a melhor imunização para manter a saúde dos animais dentro de uma população. Mesmo conhecendo o assunto, procure sempre um complemento através do medico veterinário.

Seu conhecimento frente à base da imunologia certamente auxiliam nas decisões de como manter e preservar a saúde de seu plantel. Certamente suas decisões estão baseadas em que saúde representa investimento.

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Dicas de Manejo A suinocultura é uma atividade que tem crescido bastante nas ultimas décadas, principalmente pelo melhoramento genético, nutrição, manejo e sanidade. Com este rápido crescimento no sentido de melhorar a eficiência de produção, algumas observações são de fundamental importância para diminuir as perdas econômicas e otimizar os índices produtivos. Uma importante causa de perda econômica no sistema de produção é a mastite. Sendo um processo inflamatório que afeta a glândula mamária, com conseqüente alteração de seu produto de secreção, agalaxia ou hipogalaxia é observada em fêmeas principalmente no período de 12 a 72 horas após o parto, podendo ser clinica ou sub-clínica. Vamos verificar abaixo quais são as dicas de manejo que podem auxiliar na detecção da mastite, para que medidas sejam tomadas antes mesmo do processo infeccioso se instalar.

A seleção da fêmea de reposição com aparelho mamário de boa conformação tanto mamas e mamilos é de fundamental importância, pois determinará a futura capacidade produção de leite.

Na presença de qualquer indicador clínico da fêmea pós parto como falta de apetite, inquietude se recomenda realizar um exame clinico verificando temperatura corporal e integridade do complexo mamário.

Suínos & Cia

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Dicas de Manejo Observar constantemente os recém nascidos, se há procura constante de tetas, estimulam a glândula mamaria e permanecem chiando são indicadores de fome.

Ficar atento aos índices de mortalidade e refugagem nas primeiras horas de vida os mesmos podem revelar precocemente a diminuição da produção de leite ou mesmo quadros clínicos de agalactia.

Realizar a inspeção através da palpação da glândula, tetas e linfonodos inguinais. Observar também se existe a presença de nódulos ou abscessos. Suínos & Cia

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Dicas de Manejo Durante a palpação verificar a presença de edema, rubor e sensibilidade a dor.

Comprimir a teta para verificação da produção láctea e a presença de estrias de muco /ou sangue. Coletar por volta de 3 - 5 mL de leite em frasco estéril após a assepsia e encaminhar refrigerado ao laboratório para exame bacteriológico.

Nos casos de tetas e mamas afuncionais como também mama hipoplásica, imediatamente durante o parto devem ser isoladas através de um tampão de esparadrapo para evitar que os leitões selecionem esse tipo de teta que em um breve período de tempo os tornam refugos se elegem esse tipo de teta ou mama.

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Dicas de Manejo Uma das medidas utilizadas no controle de mastite é o manejo de desgaste da ponta dos dentes dos leitões que machucam ou ferem a mama e o mamilo. Verificar se existe presença de ferimentos ou mesmo se a fêmea encontra dificuldade para amamentar. Nesses casos poderá existir incidência de lesões na superfície da glândula e canal do teto.

Manter as instalações sempre limpas, ração e água de boa qualidade com fácil acesso estimula o consumo. A nutrição adequada durante todo o período de lactação e fundamental para uma boa produção de leite e consequentemente determina o peso da leitegada.

É fundamental que todos os leitões mamem em suas próprias mães. Excesso de movimentos e transferências entre leitegadas comprometem o desenvolvimento do aparelho mamário e prejudica a produção de leite devido à falta de estimulo. As consequencias são perdas de mama e mamilo comprometendo a atual e a próxima lactação. Suínos & Cia

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Vamos encontrar no diagrama abaixo os termos utilizados na imunologia. • Antígeno • Anticorpo • Citoquinas • Imunoglobulinas • Interferon • Células • Macrófagos • Linfócitos • Neutrófilos • Interleucina • Imunidade

S M V R G A M V R T P P O S I O U U E Y M Y M E X R O V R G

S A F F R S N F Q D W L G D R D T D F R S M Z F E S N L F R

D C D G T S J R G T I N T E R L E U C I N A N O T D J I G T

F R I O Y Q I T V A Z M X N L S V R B É N R X L Y F I N V Y

A Ó G H F P O C I N T E R F E R O N C H L I E L R G U F C H

H F B X O L H Q R N H H B X N H A B X N M U C A N K H Ó Z N

J A B D B T B E K B J B N D B J B N D B J B L K B J I C D B

K G H S G E V W A B L N C M D L R H E V K V V A V K X I E V

L O Y Q A Z G O J F L G Y W F L G Y W F L G A J S L G T A F

P S U C H D Y R G G P Y U S G P Y U S G P Y N I C O A O C H

Q S J W I D O E O H O T J Z H O T J Z H O T T H H O V S S H

O F M P I W F T D J I F M X J I F M X J I F Í O J I F B L J

W G K E M R C I O M U C K A M U C K A M U C G T M U R K D M

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T E T Y G I E V I P E E P S P E E P S P E E O I P E V D G O

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Y Z O E O Q F L Q I Q Z O E I Q Z O E I Q Z O A I E N S I H

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I A N T I C O R P O V T J X H V A J X H M D J N U F L J K S

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O D Y D S O D Y D S V D Y D C T L O B O R F D H R O D Y D S

K C T H A J A K H L D O R F Z K C T S Z K C T F Z K C E F Z

Jogo dos 7 erros

Encontre as palavras

Divirta-se

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Ano VI - nº 30/2009


Divirta-se

Teste seus conhecimentos Cerca de 2/3 da superfície terrestre é dominada por vastos oceanos, porém somente 0,007% dessa água é doce, encontrada em rios, lagos e na atmosfera de fácil acesso para o consumo humano. O Brasil é um país privilegiado, possuindo a maior reserva de água doce da Terra, ou seja, 12% do total mundial, distribuída de forma desuniforme no território nacional. Embasado nestes fatos, teste seus conhecimentos sobre a importância da água na sua produção suína.

Marque (V) para verdadeiro e (F) para falso.

1 - ( ) Uma fêmea em lactação é a categoria que exige o maior consumo de água dentro da produção, tendo uma necessidade diária de 40 a 50 litros de água; 2 - ( ) Um bebedouro com vazamento lento tenderá ter um desperdício de 1.000 litros em média por mês; 3 - ( ) Uma gestação de 100 gaiolas, considerando apenas a ingestão de água das fêmeas, tem um consumo mensal de 20.000 litros; 4 - ( ) A chupeta do leitão deve ter uma vazão de 0,5 litros por minuto; 5 - ( ) O consumo de água interfere no desenvolvimento dos animais; 6 - ( ) Um vazamento contínuo em um ponto da granja representa um gasto excessivo de 6.500 litros de água por mês; 7 - ( ) 85% das granjas possuem abastecimento de mananciais superficiais e 15% de poços artesianos; 8 - ( ) Estudos demonstram que os leitões desmamados levam em média 25 horas para achar o bebedouro; 9 - ( ) A proporção correta é de 30 cevados para uma chupeta; 10 - ( ) Uma alternativa para os produtores poupar a água é realizar a captação da água de chuva para a lavagem das instalações; 11 - ( ) Independente da fonte de abastecimento que se utiliza na granja, é necessário o pedido do uso da água junto ao órgão ambiental.

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Divirta-se

Encontre as palavras S M V R G A M V R T P P O S I O U U E Y M Y M E X R O V R G

S A F F R S N F Q D W L G D R D T D F R S M Z F E S N L F R

D C D G T S J R G T I N T E R L E U C I N A N O T D J I G T

F R I O Y Q I T V A Z M X N L S V R B É N R X L Y F I N V Y

A Ó G H F P O C I N T E R F E R O N C H L I E L R G U F C H

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J A B D B T B E K B J B N D B J B N D B J B L K B J I C D B

K G H S G E V W A B L N C M D L R H E V K V V A V K X I E V

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P S U C H D Y R G G P Y U S G P Y U S G P Y N I C O A O C H

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T E T Y G I E V I P E E P S P E E P S P E E O I P E V D G O

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U Q S F U X N L D E X Q L F J X Q L F J X T L T J M O L J T

C W K M L C W H U K U W K C K C W K C I C W R C R Q Y K L O

I A N T I C O R P O V T J X H V A J X H M D J N U F L J K S

L D U Z N A Z U A H B Z R Z G B Z U Z G S U H I G B F U O G

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R S M Q S R S H Q C M N M Q F M S M H C J A M I C M B M C C

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D R T T R Y I U A M H E H E X P L H E X P E H E X A D H E X

O D Y D S O D Y D S V D Y D C T L O B O R F D H R O D Y D S

Jogo dos 7 erros

K C T H A J A K H L D O R F Z K C T S Z K C T F Z K C E F Z

Teste seus conhecimentos 1 - ( V ) Uma fêmea em lactação é a categoria que exige o maior consumo de água dentro da produção, tendo uma necessidade diária de 40 a 50 litros de água; 2 - ( F ) Um bebedouro com vazamento lento tenderá ter um desperdício de 1.000 litros em média por mês; 3 - ( F ) Uma gestação de 100 gaiolas, considerando apenas a ingestão de água das fêmeas, tem um consumo mensal de 20.000 litros; 4 - ( V ) A chupeta do leitão deve ter uma vazão de 0,5 litros por minuto; 5 - ( V ) O consumo de água interfere no desenvolvimento dos animais; 6 - ( V ) Um vazamento contínuo em um ponto da granja representa um gasto excessivo de 6.500 litros de água por mês; 7 - ( V ) 85% das granjas possuem abastecimento de mananciais superficiais e 15% de poços artesianos; 8 - ( V ) Estudos demonstram que os leitões desmamados levam em média 25 horas para achar o bebedouro; 9 - ( F ) A proporção correta é de 30 cevados para uma chupeta; 10 - ( V ) Uma alternativa para os produtores poupar a água é realizar a captação da água de chuva para a lavagem das instalações; 11 - ( V ) Independente da fonte de abastecimento que se utiliza na granja, é necessário o pedido do uso da água junto ao órgão ambiental. Suínos & Cia

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SUÍNOS&CIA - REVISTA TÉCNICA DA SUINOCULTURA ANO VI - Nº 30/2009 ero 1 em proteção tra Pneumonia Enzoótica. SEU PATRIMÔNIO. Confie nos re...

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