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The Portuguese-American Monthly Magazine in the US

Aug 2009 • vol. III • nº 18 • $3

Eratoxica

Grupo de MA ganha o Lusavox no voto popular

JESSICA GOMES

Luso-descendente faz carreira internacional e pode ser a próxima super-modelo

SOLIDARIEDADE

A pequena Alice precisa da nossa ajuda

Eleições: José Cesário (PSD) e Renato Leal (PS) candidatos pelo círculo onde votam os portugueses dos EUA Judite de Sousa e Fernando Seara impressionados com a comunidade portuguesa de New Jersey

LuciAna abreu Actriz quer viver e fazer carreira nos EUA


vol. II • nº 18 • jul/AUG 2009

The Portuguese-American Magazine in the United States

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Neste número: 4 – EM FOCO – Eleições para a Assembleia Legislativa são a 27 de Setembro; José Cesário e Renato Leal são os candidatos da Emigração por Fora da Europa. 5 – FALATÓRIO 6 – ACTUAL Instabilidade volta à TAP com sindicatos a marcarem duas greves para Agosto e Setembro 8 – MÚSICA – Primeiras gravações de Amália nos Estados Unidos reeditadas em CD e vinil 10 – EFEMÉRIDES – Passarola de Bartolomeu de Gusmão agitou Lisboa há 30 anos 11 – POLÍTICA – Marc Pacheco ainda pode ser Embaixador dos EUA em Lisboa; quando a primeira juiza do Supremo Tribunal de origem hispana toma posse, lembramos o juiz de origem portuguesa, Benjamin Cardozo 17 – VIAGENS – O “bacalhau” à Sagres comido a bordo 25, 31 – COMUNIDADES – Pauleta e Berta Cabral nas Festas do Espírito Santo; Portugueses distinguidos pela State House de MA 32 – PORTUGAL – Chaves investe milhões

Luciana ABREu Actriz e cantora quer viver e fazer carreira nos EUA

20 - ERATOXICA: grupo de MA ganha o voto popular do concurso LUSAVOX

Secções 24 – RUMORES DA DIÁSPORA – Norberto Ávila, por Diniz Borges 27 – CRÓNICA DOS AÇORES – por Alzira Silva 28 – NA MARGEM de CÁ – Águas de Março, por Lélia Nunes 32 – EGEMÉRIDES – lembrando os 25 anos da medalha de Ouro de Carlos Lopes 35 – DA AMÉRICA e das COMUNIDADES – as crónicas da Califónria, por Diniz Borges 37 – DESPORTO – A Liga portuguesa é a rentável nas transefrências 38 – SAÚDE – Exercício físico reduz risco de Alzherimers 39 – LIVROS – por Duarte Barcelos 41 – ENGLISH – Saudade, by António Simões 42 –HUMOR

7 – JESSICA GOMES: Luso-descendente a caminho de ser a próxima super-modelo

9 - a ALICE precisa da nossa solidariedade

1 - JUDITE SOUSA e FERNANDO SEARA: encantados com a comunidade portuguesa de New Jersey


EM FOCO The Portuguese-American Monthly Magazine in the USA www.ComunidadesUSA.com

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José Cesário (PSD) e Renato Leal (PS) são os candidatos pelo círculo da Emigracão Eleições legislativas são a 27 de Setembro; emigrantes recenseados nos Consulados podem votar por correpondência

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s dois maiores partidos políticos apresentaram já os seus candidatos pelos Círculos da Emigração (Europa e Fora da Europa) com vista às próximas eleições legislativas que têm lugar a 27 de Setembro. Se tudo correr como é tradição, apenas o PSD e o PS deverão eleger deputados por estes círculos, que têm direito a 4 lugares (2 pela Europa e 2 por Fora da Europa) no Parlamento. Na actual legislatura o PSD tem 3 deputados e o PS um, eleito pelo círculo da Europa. Nestas eleições, o PS decidiu apostar em gente conhecida e assim Paulo Pisco, pela Europa, e Renato Leal, por Fora da Europa, encabeçam as listas socialistas, que incluem ainda candidatos da França, Alemanha, Suíça, Brasil, Macau e Venezuela. Paulo Pisco, 48 anos, graduado em Estudos Europeus na Universidade Livre de Bruxelas, é director do Departamento Internacional e de Comunidades do Partido Socialista (PS). Segue-se Lurdes Rodrigues, residente em Paris e actualmente a desempenhar funções na missão da OCDE. Aos lugares de suplentes, candidatam-se a socióloga Dora Mourinho, da Alemanha, e o dirigente sindical residente na Suíça Carlos Ferreira. A lista do PS pelo Círculo Fora da Europa é encabeçada pelo actual deputado eleito pelos Açores, Renato Leal, 56 anos, professor reformado. Deputado à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores entre 1998 e 2005, Renato Leal foi ainda presidente da Câmara Municipal da Horta. O empresário e membro do Conselho das Comunidades em Santos, Brasil, José Duarte ocupa o segundo lugar da lista por fora da Europa, onde os socialistas nunca conseguiram eleger dois deputados. Aos lugares de suplentes concorrem Maria das Dores Faria, que reside na Venezuela, e o jornalista José Rocha Diniz, de Macau. Quanto ao PSD, volta a apostar em José Cesário pelo círculo de Fora da Europa e Carlos Gonçalves pela Europa, os dois actuais deputados do partido eleitos por estes círculos,

como cabeças de lista. Na Europa o segundo nome é Manuel Ferreira e Fora da Europa é Carlos Páscoa Gonçalves.

Deputados pela Emigração são os campeões de faltas do Parlamento Os deputados eleitos pelos círculos da Emigração foram os campeões de faltas no Parlamento na legislatura que agora termina. Carlos Páscoa Gonçalves e José Cesário, os dois deputados do PSD eleitos pelo círculo da Emigração de Fora da Europa, estão entre os cinco (todos do PSD) que deram mais de uma centena de faltas. O deputado mais faltoso ao longo dos cerca de quatro anos e meio desta legislatura, em que se realizaram mais de 460 reuniões plenárias na Assembleia da República, foi o social-democrata Carlos Páscoa Gonçalves. Carlos Páscoa Gonçalves deu 146 faltas e justificou-as todas, 141 com trabalho político e uma com motivo de força maior. As restantes quatro aparecem nos registos como justificadas, mas sem especificação do motivo. O segundo deputado com mais faltas foi José Cesário, do PSD, também eleito pelo círculo de Fora da Europa, surgindo com 140 faltas registadas, 124 por trabalho político, uma por doença e 15 justificadas sem motivo especificado. Mas a socialista Maria Carrilo, eleita pelo círculo da Emigração da Europa, também não lhes fica atrás, por deu 103 faltas no total, 69 por trabalho político, 23 por doença e 11 justificadas sem motivo especificado. É sabido que estes deputados devem deslocar-se até junto das comunidades para auscultar os seus problemas com vista à apresentação no plenário de perguntas ao governo e propostas de lei. Mas com tantas faltas, é caso para perguntar: como é isso possível?


... a falar é que a gente se (des)entende

FALATÓRIO

Uma página politicamente (in)correcta onde as opiniões e afirmações expressas não coincidem necessariamente com as dos proprietários e editores da revista

Restos mortais de Jorge de Sena trasladados para Portugal

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Ministério da Cultura de Portugal anunciou que os restos mortais do escritor Jorge de Sena serão trasladados «na primeira quinzena de Setembro» de Santa Barbara, na Califórnia, para o cemitério dos Prazeres, em Lisboa. A trasladação tinha sido anunciada em meados de Junho, sem mais pormenores, pelo ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, durante a cerimónia de doação do espólio do poeta de «Arte de Música» à Biblioteca Nacional. Poeta, ficcionista, dramaturgo, crítico e ensaísta, um dos vultos maiores da cultura portuguesa do século XX, Jorge de Sena nasceu em Lisboa em 1919 e faleceu em 1978 nos Estados Unidos, onde viveu exilado desde 1965 e leccionou, como catedrático, Literaturas Portuguesa e Brasileira e Literatura Comparada. Sena foi um grande crítico

da sociedade portuguesa e da forma como ela tratava os emigrantes, chegando a escrever que todos os portugueses deveriam emigrar pelo menos seis meses durante a sua vida. Por isso ocorre-nos uma questão: e alguém se lembrou de perguntar o escritor se ele estava interessado em mudar-se para Portugal?

Pela nossa saúde...

A

s nossas comunidades portuguesas nos Estados Unidos são capazes de muitos empreendimentos, já o provaram. Clubes, associações, igrejas, campanhas de solidariedade para mandar dinheiro para Portugal e ajudar numa tragédia, a construir um muro de um cemitério, uma capela, um lar de idosos, enfim. Nos Estados Unidos orgulham-se das suas grandes associações, com sedes ricas e, algumas até, sumptuosas, onde cada direcção que chega tenta mostrar que é capaz de fazer melhor que a anterior fazendo obra ou deixando dinheiro na conta bancária. Ele é festas aos santos populares com milhares de pessoas a dançar e a beber, dias de Portugal a abarrotar de comida e música pimba, festas da matança do porco, do Dia da Mãe, do Pai e do Avô e do Espírito Santo e tudo o mais que os leitores sabem. Depois é, em alguns casos, a rivalidade entre regiões de Portugal (tão típica da nossa gente!) que quer mostrar ComunidadesUSA

ao vizinho que a sede do seu clube é melhor do que a dele, e a capa da rainha e o desfile e... Só que, com tanta energia e dinamismo empreendedor custa a crer que nenhum destes clubes ou instituições se tenha lembrado de criar um fundo monetário para auxiliar um compatriota que, de uma hora para a outra, fruto de uma desgraça, precisa de uns milhares de dólares urgentemente, digamos de um dia para o outro. A gente bate a tanta porta e a resposta é sempre a mesma: o dinheiro é dos sócios e mais a mais não é essa a nossa função. Pois. Só na área onde vivemos aconteceram meia dúzia de casos nos últimos dois anos em que, não fora o auxílio de particulares ou de uma associação cujo nome que não divulgaremos para já, as pessoas em causa teriam morrido à espera de ajuda. Recentemente voltou a acontecer: um compatriota precisou de alguns milhares de dólares para acudir a despesas inesperada de saúde. Nenhum clube ou organização portuguesa se mostrou disponível para ajudar com a quantia precisa, ou porque não tinham, ou porque não é essa a sua função. Quando será? August 2009

E o burro sou eu?

€ 6.687

Valor do combustível gasto em 2007 por uma das viaturas da administração da RTP. Este montante é superior ao salário de um ano de um trabalhador português que recebe salário mínimo (5.642€).

€ 1.395 milhões

recebeu a RTP entre 2003 e 2008 dos contribuintes portugueses, o que corresponde a €248 por cada português

€ 1.099 milhões € 445

era o passivo da RTP em 2007

Valor que cada português deu à RTP de 2003 a 2008 entre contribuições fiscais e valores do passivo acumulado da empresa 5


Instabilidade volta à TAP

Sindicatos ameaçam com greve e denunciam compra de carros pelos admnistradores •Greve marcada para 28 e 29 de Agosto e 11 e 12 de Setembro • Cada dia de greve pode custar € 5 milhões •Administração já admite rever salários A TAP parece ter voltado aos tempos conturbados da instabilidade laboral com os sindicatos a ameaçarem greves para Agosto e Setembro que, segundo a companhia, poderão causar 5 milhões de euros diários de prejuízo se forem avante. Em causa estão aumentos salariais que os trabalhadores querem ver implantados, pois há mais de dois anos que não há actualizações de ordenados. A administração da TAP anunciara que ainda não era a altura de mexer nos salários, pois a companhia registou prejuízos de muitos milhões este ano, consequência da crise económica mundial que motivou uam redução no tráfego aéreo, mas os sindicatos acusam os directores de esbanjarem e dão o exemplo da viaturas recentemente adquiridas. Cinco sindicatos que representam trabalhadores da TAP denunciaram a compra de 42 novos automóveis para directores da transportadora, dias depois da administração da empresa ter informado que não estão reunidas condições para fazer revisões salariais.

Num comunicado conjunto, a que a agência Lusa teve acesso, os sindicatos apontam a compra de "42 novos carros para directores [da TAP]" como "mais um exemplo digno de realce de medidas de contenção de custos". Contactada pela Lusa, fonte oficial da TAP disse que foram adquiridas 30 viaturas, que vieram substituir automóveis "que já tinham muitos anos", tendo a substituição sido feita com "ganhos para a empresa". Os automóveis em causa, acrescentou a fonte oficial da companhia aérea, "são para quadros da empresa que têm no seu contrato de trabalho o fornecimento de viatura". No comunicado, os cinco sindicatos citam a carta que o presidente-executivo da TAP, Fernando Pinto, lhes enviou na semana passada na qual diz que actualmente "não estão reunidas condições para uma negociação [salarial] profícua". As estruturas sindicais recordam que os rendimentos declarados por Fernando Pinto em 2008 totalizaram "816 mil euros,

Fernando Pinto, admnistrador da TAP, desmente sindicatos •Não foram comprados nenhum carros, apenas estendido o ‘lease’ de 30, e não 42 • Administração nunca recebeu aumentos salariais desde que tomou posse • O salário de Fernando Pinto foi reduzido em 40% Entretanto, o administrador da TAP, Fernando Pinto, desmentiu os sindicatos afirmando que a empresa não comprou nenhuns automóveis para a administração, apenas estendeu o contrato no fim do “lease” de 4 anos e apenas em 30, e não 42 conforme foi referido pelo sindicato. Quanto aos aumentos dos salários da administração, Fernando Pinto disse que esta administração não só “nunca teve qualquer aumento salarial durante o seu contrato”, como ComunidadesUSA

o seu salário lhe foi reduzido em cerca de 40 por cento. Fernando Pinto disse também estranhar esta greve numa altura em que a aviação civil atravessa a maior crise de sempre e quando a administração estava ainda a negociar com os sindicatos. Afirmou ainda que esta não é altura de fazer greve, mas sim procurar a forma de salvar a empresa. August 2009

Os números da TAP Prejuízos 1º semestre de 2008: 154,9 milhões 1º semestre de 2009:

72,4 milhões

GAstos em combustível 1º semestre de 2008: 312,2 milhões 1º semestre de 2009:

157,6 milhões

duplicando os de 2007", e que as despesas com salários dos membros dos órgãos sociais do grupo TAP ascenderam a "3,88 milhões" de euros em 2008,"mais de 17 por cento em relação a 2007". A fonte oficial da TAP disse que a administração da companhia "não fechou a porta em definitivo" a uma revisão salarial este ano. "O que foi comunicado aos sindicatos foi que, de momento, não estão reunidas condições para uma negociação profícua e que, havendo sinais que a permitam, a empresa admite analisar condições salariais, o que pode acontecer no último trimestre", disse a mesma fonte, realçando que "que os mecanismos de progressão automática conduzem, durante o ano de 2009, a aumentos bastante superiores à taxa de inflação". No mesmo documento, os cinco sindicatos dizem que a compra da brasileira VEM (actual TAP Manutenção e Engenharia Brasil) serviu "apenas para encobrir prejuízos". "Os seis milhões de euros que a ME [Manutenção e Engenharia] da TAP teve de lucro neste primeiro semestre já foram comidos pelos treze milhões de euros de prejuízo da VEM", escrevem. Sobre os números avançados pelas estruturas sindicais, fonte oficial da TAP disse que "são da responsabilidade dos sindicatos", adiantando que "as contas serão apresentadas na altura devida". O comunicado é subscrito pelos sindicatos dos Técnicos de Handling de Aeroportos (STHA), dos Trabalhadores de Aviação e Aeroportos (SITAVA), das Indústrias Metalúrgicas e Afins (SIMA), Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC) e dos Quadros da Aviação Comercial (SQAC). A TAP encerrou o primeiro semestre do ano com prejuízos de 72,4 milhões de euros, um valor que compara com as perdas de 154,9 milhões de euros registadas em igual período de 2008. 6


Jessica Gomes Luso-descendente é super-modelo em New York A

modelo de origem portuguesa Jessica Gomes (mãe de Singapura e pai de Portugal), continua a fazer sensação em New York.

ex-emigrante em França que um dia decidiu conhecer a Austrália e lá se perdeu de amores por uma turista de Hong Kong. Da relação nasceu Jessica Gomes, uma “maria-rapaz” que se estreou na televisão australiana na série “Bush Patrol” com apenas 17 anos. Daí passou à passarele, desfilando com desfiles locais onde acabaria por ser descoberta por um agente e fotógrafos de moda que a levaram ao estrelato.

No “Swinsuit Edition” da Sports Illustrated.

Depois de ter posado no catálogo da Victoria Secretste ano voltou a ser estrela do tórrido calendário da Sport Illustrated mas a sua presença é habitual nas capas de revistas da moda vestindo roupa da Adidas, Gap, Hush Puppies ou DKNY ou produtos da Motorola, por exemplo. Actualmente é a cara da campanha da Estee Lauder no perfume o “Unforgivable Woman”, por exemplo, Jessica é considerada uma modelo de “look” exótico por causa da sua ascendência: filha de mãe asiática e pai português de Braga, ComunidadesUSA

A jovem Jessica diz que gosta muito de moda, mas também de fotografia, música e dança e que por isos ambiciona uma carreira no cinema de Hollywood. Para já fez um curso de representação da escola Stella Adler e continua a filmar sereis para a televisão na Ásia. Jessica Gomes já esteve em Portugal, concretamente durante o Euro 2004 onde teve oportunidade de conhecer a terra do pai e praticamente todo o país de norte a sul, além dos avós, claro.

A sua beleza exótica fê-la capar de revistas como a Vogue Australia, Glamour, Teen Vogue e estrela no catalogo da Victoria Secret. Descoberta a vocação, Jessica muda-se então para New York aos 20 anos, o passo lógico na carreira de uma modelo internacional, onde hoje é já considerada uma “supermodel” e a sucessora de nomes como Tyra Banks ou Heidi Klum, por exemplo. “É linda, sensual, natural. Tem uma beleza única e exótica. Acredito profundamente que vai ser uma grande estrela”, diz Diane Smith, editora do “Swinsuit Edition” da Sports Illustrated. Jessica disse recentemente numa entrevista que em criança era muito hiperactiva e que queria ser bailarina, mas foi por causa da mãe, que a pôs numa academia de modelos, que ingressou no mundo da moda. Ela diz que a fama chegou depois de ter feito o primeiro calendário da Sports Illustrated e o anúncio do Bikini Phone da LG. August 2009

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Primeiro LP de Amália editado nos EUA vai ser reeditado em CD e vinil Disco foi editado em 1954 pela Angel Records dos EUA

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primeiro álbum de Amália Rodrigues, editado nos Estados Unidos em 1954, será reeditado em vinil, numa edição limitada de 500 exemplares, pela Companhia Nacional

de Música (CNM). O LP, gravado em 78 rotações, intitula-se "Amália Rodrigues sings fado from Portugal and flamenco from Spain", e é composto por quatro faixas cantadas em português e outras tantas em espanhol. Nesta altura Amália cantava no Clube La Vie en Rose, em Nova Iorque, onde fazia cartaz com Marlene Dietrich e Edith Piaf. Nuno Rodrigues, da CNM, sublinhou o facto de se tratar "de um LP concebido como tal e não uma mera compilação de discos de 78 rotações", tanto mais que só no ano seguinte Frank Sinatra editaria o seu

Clemente regressa com novo CD “Sinto Amor no Ar” C

lemente lançou recentemente mais um trabalho discográfico que teve a gentileza de apresentar à revista ComunidadesUSA através da nossa colaboradora Glória de Melo. Trata-se de “Sinto Amor”, um CD com 16 temas que marca também os 35 anos de carreira deste artista que dá sempre prazer ouvir. Natural de Setúbal, Clemente é um dos veteranos artistas populares que já faz parte do património das nossas comunidades mas que nos surpreende em cada novo trabalho, capaz de mudar de tema mas nunca abdicando da boa disposição e alegria das suas canções, sempre bem interpretadas com a voz característica que é a sua imagem de marca. Clemente é um cantor que, nota-se bem, gosta de cantar e fá-lo sempre com a honestidade e a simplicidade dos grandes artistas. É por isso que ainda cá anda, 35 anos depois, com público sempre renovado que nunca lhe renega aplausos. Na América do Norte (Estados Unidos e Canadá), Clemente tem um público fiel nas primeiras gerações de emigrantes, mas também soube captar as outras, segunda e terceiras, para este estilo de música que continua a ganhar adeptos. Com discos de Prata, Ouro e Platina, CleComunidadesUSA

mente é, quer se goste ou não do seu estilo, uma referência na história da música popular portuguesa. Quem não se lembra de “Vais Partir”, fruto da colaboração com António Sala no já saudoso ano de 1980, um verdadeiro hino da nossa emigração, ou "Canção Dos Teus Cabelos" e "Amore Mio"? Em “Sinto Amor no Ar” Clemente interpreta temas populares ao estilo da música de dança, despretensiosa mas alegre, e faz ainda um dueto com Alexandra (“Tu, Só Tu”); canta também um tema açoriano (“Nove Ilhas, Dez Amores”). August 2009

primeiro álbum conceptual. O LP editado pela Angel Records, inclui "Uma casa portuguesa", "Lisboa não sejas francesa", "Fado da Saudade", "Coimbra", e, em espanhol, "Tani", "No tires indiré", "Dolce cascabelles", "Lé ré lé (Zambre del sacromonte)". Dos temas em português ressalta "Coimbra" que Alberto Ribeiro interpreta no filme "Capas Negras", que co-protagoniza com Amália Rodrigues.

No programa de Eddie Fisher

A fadista tornaria este tema internacionalmente conhecido, tendo interpretado em 1953, uma versão em inglês, "April in Portugal", no programa televisivo "Coca-Cola Time" de Eddie Fisher. Dois outros temas eram do teatro, "Lisboa não sejas francesa" da opereta "Invasão", que Amália interpretara em Lisboa, no Teatro Apolo, e "Uma casa portuguesa", uma criação de Maria da Conceição, que tinha sido um êxito numa revista em Moçambique. Nesta gravação Amália Rodrigues é acompanhada à guitarra portuguesa por Jaime Santos e à viola por Santos Moreira. A edição em CD reproduz estas mesmas faixas remasterizadas e ainda quatro faixas bónus, gravadas por Amália no ano seguinte, também para a Angel Records. As quatro faixas bónus são "Solidão (Canção do mar)", "Antigamente", "Fallaste Corazón" e "Por un amor", que integraram o LP "Amália of Portugal", em que a intérprete foi acompanhada por Domingos Camarinha (guitarra portuguesa) e Santos Moreira (viola). No Estados Unidos Amália pisou os mais importantes palcos, entre eles, o Carnegie Hall, Lincoln Center e o Hollywood Bowl. 8


SOLIDARIEDADE

Menina que sofre de paralisia cerebral precisa da ajuda da comunidade para pagar tratamento na Flórida O leitor pode ajudar com uma contribuição numa conta bancária ou directamente para a clínica onde vai ser feito o tratamento Conta do BES: NIB 0007 0000 00722396831 23

U

ma menina portuguesa chamada Alice, residente em Gondomar, precisa da ajuda da nossa comunidade para custear as despesas com os tratamentos que vai fazer numa clínica da Florida. A Alice tem 6 anos e sofre de paralisia cerebral o que lhe dificulta a mobilidade e a impede de fazer as coisas simples que qualquer criança da sua idade faz, como andar ou falar, por exemplo. Os pais, pessoas de parcos recursos, têm tentado tudo para melhorar a vida da sua filha recorrendo aos tratamentos médicos e à fisioterapia existentes em Portugal, mas foram aconselhados a procurar, como última esperança, a clínica Therapies4kids, na Florida. Trata-se de uma instituição conceituada que oferece tratamentos para crianças nestas circunstâncias com resultados visíveis, mas que implicam um grande investimento monetário por exigirem cuidados continuados (de três a seis meses, com planos de tratamentos em casa a longo prazo). A revista ComunidadesUSA contactou o director da clínica, na Florida, que nos falou do caso da pequena Alice e se mostrou esperançado em poder ajudá-la na recuperação de algumas capacidades motoras se for seguido o tratamento que a clínica prescreve, isto é, de três meses no mínimo. Só que esse tratamento está fora do alcance financeiro dos pais e não é suportado pela Segurança Social portuguesa, pelo que foi lançada uma campanha de solidariedade na imprensa para ajudar a custear as despesas. A nossa revista confirmou a veracidade da campanha e do estado de saúde da menina, pelo que todos os donativos pode ser feitos para a conta bancária do BES com o NIB 0007 0000 00722396831 23, ou directamente (tax deductible) para a clínica na Flórida. Esta é uma das poucas clínicas do género no mundo, orientada exclusivamente para o tratamento de crianças com paralisia cerebral. Usa terapêutica inovadora que combina vários métodos num só tratamento diário e constante. Se o leitor quiser saber mais acerca da situação clínica da peque-

A Alice na cadeira que lhe permite movimentar-se

na Alice contacte o pai, Ezequeiel Moreira, através do telefone 011-351-91-372-3558 ou a clínica Therapies4kids através do telefone 954-907-6783 e fale com Eileen de Oliveira.

Compatriota em situação difícil Outro compatriota que precisa da nossa solidariedade é Rogério Lopes, da Mealhada, Portugal. Um grupo de amigos residentes nos Estados Unidos lançou recentemente uma campanha de angariação de fundos para ajudar a pagar as despesas de sobrevivência do Rogério, que vive paralisado numa cadeira de rodas há 20 anos, vítima de um acidente. Para tal está marcada uma festa para o dia 18 de

Outubro no restaurante Palácio Europa, 278 New York Ave, Newark, New Jersey. Segundo o grupo de amigos, o Rogério era até aqui tratado pela sogra que também adoeceu e ficou incapacitada, pelo que não pode tratar mais do genro. Para mais informações contacte os telefones (973) 344-4855 (Maria Amorim), (908) 688-4107 (Aníbal Malheiro).

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August 2009

A página na Internet da clínica Therapies4kids, de Fort Lauderdale, na Flórida, e New Jersey

ComunidadesUSA


EFEMÉRIDES

Bartolomeu de Gusmão inventou a ‘Passarola’ há 300 anos Ficou conhecido como o ‘Padre Voador’

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artolomeu de Gusmão agitou há 300 anos a pacatez da sociedade lisboeta com experiências pioneiras no domínio da Física, que interessaram e divertiram a corte mas foram alvo da chacota popular.O “padre voador”, como lhe chamava o povo, inventou os aeróstatos, ao lançar pela primeira vez balões de ar quente, quando tinha apenas 24 anos.Apesar de rudimentar, o lançamento dos balões marcou a primeira ascensão de um objecto mais pesado do que o ar e precedeu em 74 anos o primeiro voo em balão tripulado pelos

Bartolomeu de Gusmão

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franceses Pilâtre de Rozier e marquês de Arlandes, assinalou à Lusa Isabel Malaquias, do Centro de Estudos de História e Filosofia da CiênA célebre Passarola de Gusmão cia e da Técnica da Universidade de Aveiro. tramarinos, socorrer praças sitiadas, descobrir Como recorda o físico e poeta Rómulo de as regiões próximas dos pólos e resolver o Carvalho no seu livro “História dos Balões”, problema das longitudes. Bartolomeu construiu o engenho com arames, A Biblioteca Geral da Universidade de papel grosso e madeira Coimbra guarda um manifesto de Bartolomeu fina e “serviu-se do fogo sobre o invento, tal como uma cópia da petição para os fazer subir”, inspi- que dirigiu a D. João V para lhe ser concedido rado na elevação de uma o privilégio de só ele poder “fabricar instrubola de sabão por efeito mentos para voar”. de uma fonte de calor. Segundo as crónicas, à primeira tentativa As experiências de- a Passarola “não subiu mais que 20 palmos no correram em Agosto de ar antes de arder”, o que fez de Bartolomeu um 1709, na Sala das Embai- alvo da chacota popular. xadas da Casa da Índia, Onze anos depois das experiências, Bartosituada no que é hoje o lomeu doutorou-se em Cânones pela UniversiTerreiro do Paço, e foram dade de Coimbra e foi incluído por D. João V apoiadas por D. João V, nos primeiros 50 sócios da então criada Real que a elas assistiu, jun- Academia Portuguesa de História. Em 1722 foi tamente com a rainha, nomeado fidalgo capelão da Coroa Real. os infantes e o marquês Bartolomeu de Gusmão nasceu em Dede Fontes, protector do zembro de 1685 em Santos, no Brasil, então jovem cientista. território português. Foi aluno do SemináBartolomeu enume- rio Jesuíta de Belém, na Baía, ingressou na rou as vantagens do seu Companhia de Jesus, esteve de 1701 a 1705 invento “para andar pelo em Lisboa, para onde veio definitivamente ar da mesma sorte que em 1708. pela terra e pelo mar”, Nos últimos anos de vida ter-se-á envolvitanto para as comunica- do “num processo escandaloso que incluía o ções, como para a guerra rei, um irmão deste, as suas amantes, freiras, e o comércio. bruxas e alcoviteiras, mais o Tribunal da O projecto previa a Inquisição, obrigando-o a fugir de Portugal”, possibilidade de criar clandestinamente, de acordo com o referido um instrumento que per- livro de Rómulo de Carvalho. mitisse mandar avisos a Bartolomeu pretendia ir para Paris, mas territórios longínquos, adoeceu em Toledo, Espanha, onde viria a transportar produtos ul- falecer a 19 de Novembro de 1724. August 2009

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Marc Pacheco ainda pode ser o embaixador dos EUA em Lisboa Administração Obama não indicou ainda o sucessor de Stephensen

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arc Pacheco, o senador de origem portuguesa de Massachusetts disse estar “pronto” para servir o seu país e a administração Obama no caso de ser nomeado embaixador dos Estados Unidos em Lisboa. O senador estadual disse que desempenhar o cargo de embaixador em Portugal seria uma “honra tremenda”, mas ressalvou que isso não está nas suas mãos. O nome de Marc Pacheco, um dos lusoeleitos do Congresso do Estado de Massachusetts, tem sido apontado com um dos possíveis candidatos àquele cargo pelas suas ligações aos Açores, à comunidade portuguesa nos Estados Unidos e ao conhecimento que tem da política portuguesa. “Não tenho a mínima ideia quem a administração Obama vai escolher, mas seja quem for o nomeado para ser o futuro embaixador em Lisboa, tenho a certeza ele vai fazer um bom trabalho pelo país”, disse. A comunidade portuguesa nos Estados Unidos, particularmente a residente na Nova Inglaterra, enviou nos últimos meses centenas de cartas ao Presidente Barack Obama propondo o nome de Marc Pacheco para novo embaixador dos EUA em Lisboa. A comunidade via com bons olhos a nomeação de um luso-americano para este cargo, pois podia daí tirar dividendos políticos, mas nos últimos anos a tendência das administrações

Juís Rapoza de novo em Timor-Leste O juiz Phillip Rapoza vai voltar a Timor Leste no âmbito de uma missão internacional. O 
Juiz presidente do Tribunal de Apelos do estado de Massachusetts, Rapoza 
lidera uma comissão internacional de juristas que vai proceder à avaliação do 
sistema judicial de Timor Leste.
 A atenção dos magistrados incidirá na promotoria de justiça, defensores 
públicos e privados e sistema prisional. Finda a visita, os magistrados farão 
as suas recomendações em relatório a apresentar às Nações Unidas ComunidadesUSA

norte-americanas tem sido nomear colaboradores, geralmente apoiantes das campanhas eleitorais, em vez de políticos ou diplomatas de carreira. Sobre esse apoio, Marc Pacheco disse ter ficado “impressionado com o movimento espontâneo” da comunidade luso-americana em torno do seu nome, o que demonstra claramente que ela quer alguém de ascendência portuguesa neste cargo. “No entanto, é importante entendermos que embora fosse maravilhoso que isso acontecesse, não podemos esquecer que é igualmente importante ter no cargo alguém que, independentemente da sua ascendência, tenha uma boa relação com os líderes locais e faça um bom trabalho representando os Estados Unidos em Portugal”, reiterou. “A comunidade portuguesa nos Estados Unidos pode ficar ciente de que sendo ou não nomeado eu continuarei a minha relação com Portugal e o trabalho ao nível da cooperação e dos programas de benefício mútuo”, assegurou Marc Pacheco. “Vamos ver o que acontece, mas claro que respeito as decisões do Presidente Obama, do vice-presidente (Joe) Biden e da secretária de Estado Hillary Clinton, que eu conheço bem”,

e às 
autoridades timorenses. Phillip Rapoza conhece bem Timor 
Leste. Entre 2003 e 2005, pediu licença sem vencimento no Tribunal de MA para presidir ao tribunal especial das Nações UniPhillip Rapoza das que julgou 
os crimes de guerra cometidos durante a luta dos timorenses pela 
independência. August 2009

Marc Pacheco

acrescentou o senador estadual. Quem gostaria também de ver Marc Pacheco como próximo embaixador dos Estados Unidos em Lisboa é João de Vallera, o embaixador de Portugal em Washington. Embora ressalvando que não se poder pronunciar sobre “o que será a escolha soberana do Estado americano relativamente ao seu representante em Portugal”, o embaixador disse que, pessoalmente, teria muito gosto em ver um luso-americano a ocupar esse lugar. “É sempre um prazer para nós um lusoamericano ocupar um cargo de destaque, seja ele embaixador em Portugal ou na Alemanha seja em qualquer lugar”, disse João de Vallera. Marc Pacheco conta também com o apoio dos membros do Portuguese American Legislative Caucus na Assembleia estadual de Massachusetts, grupo formado pelos sete legisladores luso-americanos - António Cabral, Kevin Aguiar, John Quinn, Viriato de Macedo, John Fernandes, Jeffrey Perry e Michael Rodrigues. Em Fevereiro, estes luso-eleitos enviaram também uma carta a Obama, salientando o “longo e distinto historial de serviço aos EUA a nível local, estadual, nacional e internacional” de Marc Pacheco. 11


Quando a primeira juiza hispânica se prepara para tomar posse...

Supremo Tribunal também já teve juíz de origem portuguesa

N

uma altura em que a primeira juíza hispânica, Sonia Sotomayor (de ascendência porto-riquenha), se prepara para tomar posse no Supremo tribunal dos Estados Unidos, lembramos que os Estados Unidos já tiveram um juiz no Supremo de origem portuguesa. Trata-se de Benjamim Nathan Cardozo (24 de Maio 1870 – 9 de Julho 1938) que serviu seis anos no Supremo Tribunal. Cardozo nasceu em New York filho de Rebecca Washington e Albert Jacob cardozo, neto de Sara Seixas e Isaac Mndes Seixas Nathan e de Ellen Hart e Michael Cardozo, judeus sefardistas portugueses pertencentes à Congregação Sefardita Israel, em Manhattan, New York. Os seus antepassados emigraram de Inglaterra para os Estados Unidos e eram descendentes de judeus sefarditas portugueses que deixaram Portugal e se refugiaram na Holanda no tempo de Inquisição. A família, po-

rém, sempre se identificou como sefardita portuguesa descendente dos chamados marranos (em castelhano), os judeus “encobertos” (cristãos novos em Portugal) que se “converteram “ ao cristianismo em Portugal para não serem perseguidos e expulsos. Benjamim Cardozo estudou na universidade de Columbia e foi juiz do Tribunal de Apelos de New York durante vários anos, eleito com o apoio dos partidos Democrata e Republicano antes de ser nomeado para o Supremo pelo presidente Herbert Hoover em 1932 e a sua nomeação aprovada por unanimidade pelo Senado. Como juiz em New York, Cardozo marcou definitivamente o sistema judicial sendo autor de vários livros que ainda hoje são actuais.

O que são judeus sefarditas? O termo judeu sefardita é usado para referir os descendentes de judeus originários principalmente de Portugal e Espanha, ou seja, da Península Ibérica. A palavra tem origem na denominação hebraica para designar a Península Ibérica (sefarad). Estes judeus fugiram da perseguição que a inquisição em Espanha, A sinagoga portuguesa de Amesterdão e depois em Portugal, lhes moveu, tendo-se refugiado em vários países. A maioria dos judeus portugueses fugiu para a Holanda, onde fundaram uma sinagoga em Amesterdão, e depois para os Estados Unidos, para New York e Newport, Rhode Island, onde ainda hoje as marcas da sua presença são bem visíveis. ComunidadesUSA

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Benjamim Cardozo

Recentemente, a questão de sua etnicidade veio de novo à discussão com a nomeação de Sonia Sottomayor, que a National Association of Latino Elected Officials, ou a Associação de Advogados Hispanos diz ser a primeira hispana no Supremo Tribunal. Curioso serem os hispanos dos Estados Unidos a não querem desta vez que os portugueses sejam identificados como hispanos, quando geralmente é o contrário, ou seja, são os portugueses que dizem não serem hispanos. Do que não há dúvida é que Cardozo era descendente de judeus sefarditas portugueses.

Sonia Sotomayor, a primeira hispana no Supremo Tribunal dos EUA 13


A jornalista e directora-adjunta da RTP esteve em New Jersey e falou à ComunidadesUSA

Judite de Sousa ‘É muito emocionante percebermos que há esta ligação tão forte (com Portugal) que sobrevive à passagem dos tempos’

em Newark numa cerimónia integrada nas comemorações do Dia de Portugal. Nesta visita o casal teve a oportunidade de contactar com várias comunidades portuguesas da zona de Newark e sentir um pouco do pulsar da portugalidade que aqui se vive, sobretudo por alturas do Dia de Portugal. A revista ComunidadesUSA falou com ambos sobre essa experiência. Aqui fica o registo dessa conversa.

A portugalidade da comunidade Qual é a sensação de estar tão longe de Portugal a viver esta portugalidade tão intensa? Esta é a primeira vez que estou nesta comunidade portuguesa de New Jersey e é muito interessante perceber que as pessoas apesar de estarem há muitos anos fora de Portugal, e outros já terem nascido cá, mantém este sentimento tão forte e de ligação às suas origens. Acho isto muito bonito e é muito emocionante percebermos que há esta ligação tão forte que sobrevive à passagem dos tempos e que é, enfim, comemorada desta forma tão nobre como é o Dia de Portugal.

A diáspora e a imprensa de Portugal

Judite de Sousa falando à ComunidadesUSA

António Oliveira (texto) e Cândido Mesquita (fotos) A conhecida jornalista e directora-adjunta da Direcção de Informação da RTP, Judite

de Sousa, esteve recentemente em New Jersey acompanhando o seu marido, Fernando Seara, presidente da Câmara Municipal de Sintra, convidado de honra do Cônsul de Portugal

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Na diáspora por vezes temos a sensação que os órgãos de comunicação social portugueses só dão destaque às comunidades quando acontece qualquer coisa muito boa ou muito má. Como jornalista, e como directora com responsabilidades na Informação da RTP, o que é que tem a dizer sobre isso? Acho que não. Quem está fora acha que os seus problemas são sempre os mais importantes, mas temos que perceber que isso faz parte da ordem natural da coisas, quer dizer, a vida nacional é uma vida tão cheia de acontecimentos que não há espaço para se conseguir falar simultaneamente dos problemas nacionais nas suas várias dimensões, e simultaneamente conseguirmos falar de tudo aquilo que acontece com a diáspora portuguesa. Isso não tem nada a ver com não se querer ou estar-se distante, ou não se perceber. Tem a ver apenas com uma impossibilidade, humana, técnico-espacial e temporal, portanto temos que encarar isso com normalidade e naturalidade. Como nos Estados Unidos os órgãos de comunicação social americanos também privilegiam naturalmente os seus assuntos nacionais e não podem, porque não há espaço para isso, dar tanta

ComunidadesUSA


relevância conforme gostariam aos problemas e às realizações das comunidades americanas espalhadas pelo mundo. Não há aqui nada do outro mundo, é preciso perceber as coisas.

Emigrantes na Grande Entrevista? Pretende levar ao seu programa da Grande Entrevista também emigrantes? Ou gostaria de realizar algo semelhante também para a diáspora? No âmbito do meu programa não, porque é um programa de entrevista nacional, digamos que o meu auditório são os 10 milhões de portugueses que vivem em Portugal preferencialmente. Agora podemos é fazer um programa especial de debate, porque as comunidades portuguesas têm elementos, não há uma pessoa que se destaque, seria injusto olharmos para a diáspora e encontrarmos uma lógica de singularidade, porque a diáspora em si mesma é um conjunto de realizações de muita gente. E por isso vejo esse tipo de iniciativa acontecer mais numa perspectiva de um programa alargado, como de resto nós já tivemos na RTP durante muitos anos o programa Portugal no Coração. Faz mais sentido dar projecção e visibilidade num programa com essas características, em que podem ser trazidos a estúdios vários elementos e não apenas um em particular, do que num programa como o meu que é um programa muito voltado para as questões nacionais e que privilegia sobretudo o jornalismo político.

Varrer o chão se for preciso A Grande Entrevista vai continuar ou tem outros projectos? Enquanto eu tiver vida e saúde vai continuar. Este é o género de programas que mais gosta de fazer? Eu gosto de fazer tudo aquilo que é possível fazer no jornalismo. Eu sou jornalista há trinta anos, nunca fui outra cosa na vida e este é o meu mundo. A minha realização como profissional e como pessoa são as notícias, portanto não gosto apenas de uma coisa no jornalismo, mas gosto de tudo. Comecei a trabalhar aos dezoito anos e o jornalismo faz parte do meu sangue, do meu ADN. Nos últimos anos dediquei-me à entrevista e é para aí que tenho convergido os meus esforços, mas faço tudo aquilo que for necessário fazer. Até pegar na vassoura e varrer o chão se for preciso.

Seara impressionado com o ‘envolvimento cívico, social e político dos luso-descendentes nas diferentes iniciativas da comunidade’ O presidente da câmara de Sintra e comentador desportivo foi o convidado de honra do Consulado nas comemorações do Dia de Portugal em NJ

Fernando Seara com a sua esposa, a jornalista Judite de Sousa

Qual é a sua primeira impressão destes contactos com as comunidades portuguesas de Elizabeth e Newark? O que mais me impressionou aqui na zona de Elizabeth, New Jersey, foi o envolvimento cívico, social e político dos luso-descendentes nas diferentes iniciativas da comunidade. É gente nova que está envolvida, não esquecendo as origens portuguesas, com a realidade associativa, com sentido cívico da participação e da cidadania e mantendo a língua portuguesa como elo de ligação entre eles, sem esquecer a terra onde estão, o sítio onde vivem e necessariamente os diferentes mecanismos culturais que aqui existem. O que mais me emocionou foi esse sentimento de uma geração nova se comprometer, e por isso a vemos aqui ao fim da tarde cantando A Portuguesa, emocionando-se com a portugalidade, pois sente-se bem nos momentos de reconhecimento. Penso que foi isso, a consciência do nosso envolvimento e do envolvimento deles no tecido da comunidade onde vivem, o que mais me impressionou. Nota que aqui há um sentir da portugalidade mais intenso do que em Portugal em relação ao Dia de Portugal? Claro, quem está longe sente mais a memó-

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ria, a tradição. Quem está longe sente a terra e os sabores; quem está perto nem percebe a terra nem os sabores. Quem está do lado de cá tem a memória da história; quem está do lado de lá por vezes não tem consciência das responsabilidades da história e da memória. Quando estamos aqui no Dia de Portugal sabenos bem comer bacalhau. Do lado de lá no Dia de Portugal não se percebe o sentimento do bacalhau na memória. Nós sentimos mais Portugal longe do que perto. Mas aqui o que evidencio mais é o envolvimento de uma nova geração no mecanismo cívico, político, social e até religioso das nossas comunidades. Contactou com os “mayors” desta área, onde as câmaras têm alguns vereadores de origem portuguesa Desses contactos vai sair algum tipo de colaboração com a câmara de Sintra? Equacionámos com o mayor de Elizabeth ponderar um protocolo de geminação entre Elizabeth e Sintra. Vamos estudar isso. E para terminar: acha que Jorge de Jesus é o melhor treinador para o Benfica? Eu acho que o Jesus é treinador para o Benfica, mas não é o Menino Jesus.

ComunidadesUSA


Café Bakery Majestic (703) 330-4447 Mais do que um Café Morais Plaza • Manassas, Virginia


Na passagem do navio português mais emigrante pelos EUA

A bordo da Sagres… ele* é de facto o "Rei"… por Glória de Mello (Newark, NJ) A Sagres (o navio Sagres, mas para o Comandante Proença Mendes, ela – “barca” - é feminina, por isso deve dizer-se a Sagres e não o Sagres…), esteve ancorada em Nova York nas celebrações do Dia da Independência dos EUA, e antes de partir para a regata até Boston. Estivémos em duas recepções: Uma a convite do AICEP e Turismo de Portugal em Nova York, e outra a convite do Senhor Embaixador de Portugal em Washington. Foi talvez a quarta ou a quinta vez que estive a bordo da Sagres, e fico sempre deslumbrada, não só com a forma impecável como se encontra o navio, em termos de manutenção, mas sobretudo com a "arte de bem receber a toda a prova": A cortesia, a delicadeza no trato, a educação, a paciência, o visível prazer de receberem a bordo não só altos dignitários de outros países, mas os compatriotas emigrantes ou entidades oficiais. Sempre com um sorriso, e com um comentário ou informações atempadas, apropriadas e requintadas. O actual Comandante tem todas as características acima mencionadas, e ainda o charme de ser jovem, estar permanentemente a sorrir e ter um sentido de humor muito especial. E é claro que a sua equipa é o refleO célebre “Bacalhau  da Sagres xo do Comandante. Mas desde o primeiro dia que me falavam dum "outro": Que não estava na primeira Recepção, mas que certamente viria à Recepção da Embaixada, que eu não ia resistir, e ia ficar com água na boca, as senhoras "muito bem" diziam que era "UÓPTIMO", que não havia no mundo outro assim, apesar de haver outros "quase tão bons como ele" . Pensei que estavam a exagerar, mas consultámos a simpática médica de bordo, e o Imediato, e todos confirmavam a informação que eu tinha recebido: eu não lhe conseguiria resistir… ComunidadesUSA

A espera do “Bacalhau  da Sagres “  ou “ Ar e Mar”  Gloria de Melo e Ana Paula Coelho da TAP com o Comandante da Sagres Proença Mendes

“Este bacalhau da Sagres, é, de facto, o melhor bacalhau com espargos e espinafres, que jamais comi”. Dei-lhe a nota máxima: 100 valores!

Então, no dia aprazado, cheguei à Recepção para a comunidade portuguesa da Costa leste, oferecida pela Embaixada de Portugal, e em surdina, especialmente as senhoras, deambulavam pelo estupendo navio, impecavelmente decorado com bandeiras, com a música de fundo da Mariza, com aqueles anjos brancos a servirem-nos iguarias deliciosas, mas todos (banqueiros, funcionárias da TAP, comerciantes, dirigentes comunitários, artistas, poetas, escritores, e mesmo as entidades oficiais) interrrogavam-se e perguntavam: mas quando é que ele chega??? E de súbito, a minha colega da TAP, Ana Paula Coelho, com um enorme sorriso e brilho no olhar veio anunciar-me: " Glória: Já aqui está!". Eu olhei-o, olhos nos olhos, "dum lado, do outro e de frente", com o ar desconfiado dos Melos (estava um pouco verde… certamente do cansaço e das voltas que o obrigaram a dar; também tinha um créme branco, talvez para protegê-lo do calor…), consegui sentir-lhe o perfume muito especial, aproximei os meus lábios dele, e, de facto, não resisti, e eu e a Paula exclamámos ao mesmo tempo: "Este bacalhau da Sagres, é, de facto, o melhor bacalhau com espargos e espinafres, que jamais comi". Dei-lhe a nota máxima: 100 valores! E brindámos aos nossos anfitriões, ao Comandante Proença Mendes, ao Embaixador de Portugal João de Vallera, à tripulação…. (e ao bacalhau da Sagres ) . * “O bacalhau à Sagres…”

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Instituição sólida em franco crescimento...Transferências GRÁTIS. Soluções para emigrantes e não residentes

O Banif – Banco Internacional do Funchal, também está presente junto das comunidades portuguesas nos EUA, através do Banif Açores, Inc. Para mais informação consulte o escritório próximo de si...

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1645 Pleasant Street Fall River, MA 02723 Tel: 508-673-5881


“Pela sua grandeza, a nossa comunidade merece uma maior representação política não só a nível de Estado, mas também a nível federal, onde infelizmente ainda não temos um representante luso-descendente”

Tony Cabral considera que comunidade portuguesa deveria ter mais representação política no estado de Massachusetts

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ony Cabral, um dos luso-eleitos do Massachusetts, considera que os números da comunidade portuguesa neste Estado “merecem uma maior representação” política. Em declarações à LUSA em Boston, Tony Cabral disse que a representação política, cívica e judicial da comunidade portuguesa no Estado de Massachusetts tem que ser “maior e mais forte”, pois o número de cidadãos de origem portuguesa aqui residentes assim o justifica. “Pela sua grandeza, a nossa comunidade merece uma maior representação política não só a nível de Estado, mas também a nível federal, onde infelizmente ainda não temos um representante luso-descendente”, disse o congressista. ComunidadesUSA

Cabral mostrou-se, no entanto, optimista, acreditando que dentro de pouco tempo a comunidade lusa do Massachusetts vai poder eleger também o seu congressista federal, à semelhança do que já acontece com a comunidade portuguesa da Califórnia. “A comunidade portuguesa de hoje é muito mais activa e participante, muito mais envolvida no dia-a-dia da sua comunidade e é devido a essa participação que o número de luso-eleitos vai crescendo”, disse à Lusa. Tony Cabral acrescentou que o facto de hoje haver seis congressistas e um senador de origem portuguesa na Legislatura de Massachusetts se deve a “um trabalho colectivo e ao mesmo tempo de indivíduos que com o seu trabalho e participação tem ajudado tornar a comunidade muito mais forte politicamente”. August 2009

Por isso o congressista estadual considera que a eleição de um Congressista de ascendência lusa pelo Estado do Massachusetts é inevitável, embora demore o seu tempo. “Isto é um processo que leva muitos anos, como acontece com qualquer comunidade emigrante, é um processo evolutivo que não acontece de um dia para o outro”, disse. Nesse processo, Cabral considera ser muito importante que se comemore o Dia de Portugal na Assembleia estadual e se distingam lusoamericanos de valor, o que contribui para dar visibilidade à comunidade portuguesa. “É uma oportunidade de celebrar as nossas raízes e os nossos sucessos aqui, no Estado onde vivemos, e salientar aqueles que servem de exemplo a todos nós para seguirmos cada vez mais unidos e sempre em frente”, disse. Tony Cabral é um dos luso-eleitos “veteranos” no Estado de Massachusetts, representando o distrito eleitoral de New Bedford pelo partido Democrata na Assembleia estadual desde 1991. 19


Os Eratoxica com o cantor Pedro Abrunhosa, membro do júri

Eratoxica, grupo de Massachusetts, venceu LUSAVOX no voto popular e recebeu cheque de 5000 euros • Vencedor do LUSAVOX 09 foi Tiago Teixeira, da Inglaterra • Grupo luso-americano foi o escolhido pelo público

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grupo luso-americano de Woburn, MA, Eratoxica, foi o vencedor da escolha popular (votação do público através da Internet) da terceira edição dos Prémios Lusavox, iniciativa da Secretaria de Estado das Comunidades cujo objectivo é dar a conhecer os talentos musicais dos luso-descendentes de todo o mundo. O grande vencedor da edição de 2009 foi Tiago Teixeira, um luso-descendente residente em Londres, Inglaterra, com o tema

“Fé e Esperança”. O prémio é a gravação de um CD. Quanto aos Eratoxica receberam um cheque de 5.000 Euros. Nesta edição foi ainda seleccionado para a final um outro grupo dos Estados Unidos, o Duo feminino DeZire & NPG. Os Eratoxica, grupo de Woburn, MA, é uma banda rock criada em Janeiro de 2002 que toca música original e temas de autores portugueses. É composta por cinco músicos:

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Bethanie (vocalista), Zack (tecldos), Mike (tambores), Sérgio (violas) e Cris (baixo). Em 2004 gravaram o seu primeiro disco intitulado “Eratoxica” e deslocaram-se aos Açores onde actuaram na ilha do Pico na primeira parte dos legendários “Whithesnake”, de David Coverdale, ex-vocalista dos Deep Purple. Sendo uma banda rock o seu espaço preferido é o palco e os concertos ao vivo, onde consegue transmitir uma energia e um som contagiante. O estilo levou-os a actuar na Califórnia e na maior parte da comunidades portuguesas da costa leste, em festas como o Dia de Portugal que atraem al(conclui na página seguinte)

ComunidadesUSA


Os Eratoxica no final da actuação na final do Lusavox

guns milhares de pessoas. Tocaram também com os “Xutos e Pontapés” e os “Santos Pecadores’ durante a recente deslocação destas bandas portuguesa à América do Norte. A par disso o grupo faz o circuito normal de clubes. Em 2007 os Eratoxica lançaram novo CD, desta vez cantado em inglês, intitulado “On So Deep”, e em 2008 o álbum “Ao Vivo”, que reúne algumas das suas canções mais conhecida e populares que o público reclama nos seus concertos, como a interpretação do fado “Povo que Lavas no Rio”, de Amália Rodrigues, ou o energético “Amanhã de Manhã”, tema das Doce, ou “Óculos de Sol”, músicas aqui “vestidas” numa versão rock muito ao estilo dos Eratoxica. O grupo, que se auto-caracteriza como banda alternativa/pop/rock, assenta num estilo de rock mais “hard”, onde pontificam o som da guitarra eléctrica e um ritmo marcado pelo bater forte da bateria, mas a sua imagem de marca é sem dúvida a voz de Bethani, capaz de transformar um fado como “Nosso Fado”, ou um tema popular como “Todos Me Querem” numa música forte de “rock and roll” que apela à juventude de uma forma irresistível. A par disso, e à boa maneira das bandas de hard rock”, não falta as baladas, onde a voz de Betahnie mais se destaca. Para saber mais dos Eratoxica vá à sua página na Internet em www.eratoxica.com. Ou contacte o telefone (978) 808-9418. ComunidadesUSA

“We were very proud to represent our culture” Tell us about the experience of performing in Portugal and to the world wide via RTPi? There were many sensations we felt as a group, performing in Portugal, in front of the whole world via RTP but the biggest was immense pride, pride that we have grown so much as a band, and continue to do so every day. We were also very proud to represent our culture and show that we have not forgotten the language of our ancestors and that Portuguese is alive and lives on in all of us. It was an unforgettable experience, one that we will always have fond memories of. Did you expect to win the contest? We knew that there would be two winners one grand prize, with a recording as the reward, and a second prize, the 5000 euros. We definitely knew that no matter what "going" meant we were winners, the contacts and friendships we made signify "winning" actually coming home with a prize just made it that much better. You can never think that it's "in the bag" as they say, you just have to take things step by step and perform as we have performed many times in the past, there was so much talent there but everyone of those people on that stage won, because many people witnessed the performance, both in the convention center and in the comforts of their own homes. We were honored to have been allowed to touch people so intimately in their homes. August 2009

Do the other participants identified themselves with Portuguese culture like you do in your music? Yes, the other groups all spoke and identified with our culture, some were better communicators than others but you have to remember we are all from different parts of the world, and just to know that the Portuguese culture and music whether traditional, or non-traditional is alive and kicking. It was interesting to see that all over the world there are Rancho Focloricos, Fado, Rock, Rap, Hip Hop, Pop, the list goes on and on, but it is wonderful to be able to communicate in Portuguese as well as English, French, Spanish, German, the list goes on and on. Tell us about your projects. Rest Assured Eratoxica always has something up our sleeve, we are currently working on a couple of projects which will probably surface next year but our favorite aspect of recording and writing is the element of surprise, so I guess you will have to wait and see. As you know we just released a our latest project entitled "Nada Mais" this is a 5 Track EP which includes a bonus DVD, the DVD focuses on the everyday writing, and recording process, and give our fans a little window into the world of Eratoxica, it and all our other projects are available online and on our website www. eratoxica.com. 21


Luciana Abreu

Actriz quer viver e fazer carreira nos EUA Em entrevista à ComunidadesUSA, a Flor Valente de “Floribela” diz que quer mudar-se para os Estados Unidos onde dizer ser muito acarinhada

fotos ComunidadesUSA

L

uciana Abreu, a actriz que se popularizou no papel de Floribela, disse à nossa revista que quer fazer carreira nos Estados Unidos como actriz e cantora. A actriz, que regressou aos Estados Unidos este ano para voltar participar nas festas do Dia de Portugal em Newark, New Jersey, a convite da Fundação Bernardino Coutinho (em 2006 foi a rainha da Grande Parada), cantou o hino de Portugal na Festa da Amizade e espalhou ternura e encanto por todo o lado onde passou. Newark deve ser um dos sítios onde Luciana Abreu tem mais fans e admiradores e ela mesma o reconhece e aprecia, devolvendo o carinho a todos. “Fico tão feliz que às vezes nem tenho palavras para explicar o que eu sinto”, disse à ComunidadesUSA a propósito dos mimos e da ternura com que era presenteada todos os dias em que saía à rua em Newark. “É uma alegria grande saber que gostam de mim aqui, passar nas ruas e ser abraçada, pedirem beijinhos e fotografias, autógrafos...”, diz Luciana. “Para mim é muito bom ter este carinho do público, mesmo que não seja dentro de Portugal, e sitio-me mais portuguesa se calhar aqui do que lá, pois parece que as pessoas acolhem mais e dão mais valor às tradições. É diferente, não sei explicar”, diz sobre a experiência que sentiu pela segunda vez nos Estados Unidos no seio da comunidade portuguesa de New Jersey. “Não quero com isso dizer que as pes22

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soas em Portugal não dão valor às tradições, mas aqui sente-se muito esse carinho e esses valores e princípios portugueses e eu sinto-me muito bem aqui”, explica. “Por isso quero vir morar para cá, só que ainda não posso, mas mal possa, venho”, diz. Luciana Abreu não quis revelar os projectos que tem para fazer carreira nos Estados Unidos, ou se já tem alguma oferta de trabalho, mas fez questão de reafirmar que a decisão está tomada. “Estou decidida, sei que é muito difícil, mas estou decidida”, diz, acrescentando que “quando há possibilidades nada é impossível”. “Os sonhos levam ao futuro e eu sou muito sonhadora”, acrescenta. “Não tenho limite nos meus sonhos”. Mas, até dar o salto para os “states”, a actriz vai trabalhando em Portugal no programa Lucy, que apresenta na SIC, e na novela “Paixão Fatal’, a estrear na mesma estação em Setembro. Na calha da actriz, cantora e apresentadora estão muitos projectos, mas ela diz-nos que não poder ainda revelar por questões contratuais:

“Vêm aí muitas surpresas, mas não posso ainda anunciar”. Mas se entretanto lhe surgir um convite da comunidade portuguesa, ela faz as malas e vem de novo aos Estados Unidos com prazer: “Venho sempre com muito agrado e sinto-me muito lisonjeada e feliz por vir cá para receber carinho”. A actriz aproveitou ainda para deixar aos leitores da ComunidadeUSA uma mensagem: “Quero agradecer por me fazerem sentir tão feliz e tão acarinhada e que me continuem a apoiar sempre porque eu preciso do vosso carinho para continuar onde estou, pois é muito difícil ouvir e ver muita coisa neste mundo, é preciso ter força, garra e coragem”. Luciana Abreu referia-se, julgamos, às constantes perseguições que a chamada imprensa “cor de rosa” lhe move, levantando boatos sobre a sua vida pessoal e amorosa.

No Dia de Portugal de Newark 2009

Uma carreira fulgurante Luciana Abreu é natural de Massarelas, Vila Nova de Gaia, e tornou-se figura pública graças ao show “Ídolos”, da SIC, por participar no Festival Eurovisão da Canção de 2005 integrada no duo 2B e mais recentemente na novela Floribela. Foi graças a esta novela que a Luciana se tornou conhecida nas comunidades, com grande destaque para os Estados Unidos. A sua estreia no mundo do espectáculo iniciou-se aos 14 anos ao vencer o programa “Cantigas da Rua”, em 2002. Seguiram-se participações em pequenos papéis no teatro e musicais até que em 2004 foi seleccionada para os “Ídolos” chegando à semi-final. As suas interpretações de “Povo que Lavas no Rio”, “I Will Surivive” ou “Sympathy for the Devil” projectaram-na para a ribalta. Em 2005 surgiu o Festival Eurovisão, mas o facto de não ter sido apurada para a final lançaram num período de relativa obscuridade. Até

que chegou a novela Floribela, uma história da Cinderela dos nossos dias. Luciana foi seleccionada para o papel principal – Flor Valente – e a sua vida mudou para sempre. Com Bernardino Coutinho no Dia de Portugal 2009 Em 2007 foi capa da revista já 3 discos de platina interpretando temas Caras e logo de seguida foi seleccionada para da novela Floribela, nomeadamente em apresentar o programa Lucy, da SIC, um 2006 (“Floribela” e “Floribela: o Melhor do programa para jovens onde Luciana canta Natal”), e em 2007 (“Floribela 2”). e dança. Em 2008 e 2009 foi considerada a A sua página na Internet, em www.luciamulher mais “sexy” portuguesa pelos leitores naabreu.pt, é um exemplo da nova imagem da revista masculina FHM. da actriz, repleta de tecnologia, bom gosto e Com cantora, Luciana Abreu conquistou profissionalismo.

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Página de Artes & Letras

RUMORES DA DIÁSPORA

No Mais Profundo das Águas, de Norberto Ávila, ou a expressão de uma escrita literária por Victor Rui Dores Não é impunemente que se é dramaturgo, tradutor, poeta e romancista. Observador infatigável dotado de discernimento crítico, a viver em permanente desassossego criativo, Norberto Ávila reinventa uma contínua e continuada necessidade de expressão literária, escrevendo com mestria narrativa e imaginação verbal. É conhecido o seu intenso e obstinado trabalho oficinal, ele que é autor do apuro formal, da exigência estética, da preocupação estilística. Há, efectivamente, uma qualidade literária que escreve Norberto Ávila, qualidade literária essa que perpassa toda a sua obra dramatúrgica, que inclui 29 títulos e traduções em 16 idiomas. Aliás, as suas peças são elas próprias um belíssimo exercício literário. Embora um texto teatral tenha como objectivo maior a sua representação, o que é facto é que cada peça de Norberto Ávila se lê com o mesmo prazer com que se lê um romance. Estamos perante uma escrita requintada, engenhosa e eivada de uma fina ironia, apanágio de quem escreve comédias de enganos e sátiras sócio políticas… Norberto Ávila domina a carpintaria literária tão bem como o faz com a carpintaria teatral. Os seus romances Frente à Cortina de Enganos e A Paixão Segundo João Mateus são precisamente a transposição de uma linguagem dramatúrgica para um discurso de ficção narrativa. Isto é, o autor transformou duas peças de teatro em dois romances, ainda inéditos. De um escritor diz-se sempre que o seu

Norberto Ávila

melhor livro é aquele que ainda não escreveu. Até ver, No Mais Profundo das Águas (Salamandra, 1998), que aquando da sua publicação passou completamente despercebido entre nós, é o melhor romance de Norberto Ávila. Através de um narrador omnipresente e omnisciente, esta obra lança olhares sobre o poeta filósofo Antero Tarquínio de Quental e à Geração de 70, e é, por assim dizer, uma viagem histórica, social e cultural pelo século XIX português e europeu. Acima de tudo, o livro traça um retrato profundamente humano de Antero, esse “génio que era um santo”, no dizer de Eça de Queiroz. Não se trata, porém, de uma biografia romanceada, já que Norberto Ávila renunciou à cronologia, optando por bem conseguidas elipses e analepses (digo, “flashbacks”), o que empresta a este livro grandes potencialidades cinematográficas. Estamos na presença de uma biografia literária, um relato minucioso da época de Antero, da sua vida nas ilhas, em Portugal e no estrangeiro, bem como das personalidades com quem conviveu, havendo a destacar a íntima amizade que manteve com o historiador Oliveira Martins. Ao ler este livro entramos na intimidade de “figuras de alto coturno” e que, de igual modo, ajudaram MARGEM CREPUSCULAR a construir o século XIX português: a Tsuneo Matsumoto Eça de Queiroz, Guerra Junqueiro, Um discreto rumor. Gotejam as palavras no limiar da noite pressentida. João de Deus, Batalha Reis, GerVirás tu, Poesia, ansiada mensageira, mano Meireles, Alberto Sampaio, num voo de gaivota, no quebrar duma vaga? Teófilo Braga, José Fontana, Bulhão Demora-se o crepúsculo um instantinho mais, Pato, Adolfo Coelho (o primeiro até que esta criança tenha dito, português a ter a coragem de prena linguagem de conchas alinhadas, o que tem a dizer. conizar a separação do Estado e da (Tal como eu o faço com as palavras.) Com pouco se entretém esta criança. Igreja), Salomão Sáragga, entre tanE da mínima coisa faz o poeta o seu canto. tos outros nomes que questionaram

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Coordenação do Instituto Açor-Americano Direcção de Diniz Borges (CA)

Em poucas palavras Em Poucas Palavras Estes rumores são dedicados a um escritor açoriano. É que este ano o dramaturgo, poeta e escritor Norberto Ávila celebra 50 anos de vida literária. Aliás, celebramos todos nós. Tive o privilégio de conhecer Norberto Ávila há vários anos, através do nosso saudoso amigo, o poeta Emanuel Félix. Já conhecia a sua obra, tendo lido várias das suas peças de teatro. Gosto da poesia e da ficção narrativa de Norberto Ávila. É uma referência nas letras dos Açores, nas letras do mundo da língua portuguesa. Para celebrar os 50 anos de vida literária de Norberto Ávila o nosso amigo, colaborador desta página de artes e letras e distinto poeta Victor Rui Dores escreveu um texto sobre o romance No Mais Profundo das Águas. Parabéns Norberto Ávila! Um abraço DIniz Borges

Portugal e entreviram a direcção definitiva do pensamento europeu. Aqui também se evocam e convocam nomes como Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco, Júlio Dinis, Bordalo Pinheiro, Columbano, António Feliciano de Castilho, Joaquim de Vasconcelos, Carolina Michaelis. E aqui se recordam autores estrangeiros indissociáveis da Geração de 70: Flaubert, Proudhon, Victor Hugo, entre outros. Há também figuras obscurantistas, gente conservadora da tradição e do passado: Basílio de Sousa Pinto, o tenebroso reitor da Universiconclui na página seguinte

ComunidadesUSA


Pauleta e Berta Cabral nas Festas do Espírito Santo de Fall River Berta Cabral, presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, S. Miguel, é a convidada de honra das Grandes Festas do Espírito Santo da Nova Inglaterra, que se realizam em Fall River de 27 a 31 de Agosto próximos. Ponta Delgada é cidade irmã de Fall River, cidade que possui uma réplica das Portas da Cidade, um dos atractivos Pauleta do mapa turístico da urbe de MA. O ex-jogador de futebol e ídolo da nossa selecção, Pauleta, será o convidado de honra do Bodo de Leite, esperando-se, por isso, milhares de pessoas para assistir ao cortejo etnográfico, já que o ex-jogador é um fenómeno de popularidade nas nossas comunidades, sobretudo as de origem açoriana. As Festas do Espírito Santo de Fall River são Berta Cabral as maiores festas do género que se realizam fora dos Açores atraindo anualmente forasteiros de todos os estados onde residem comunidades portuguesas, do Canadá e dos Açores.

Rumores da Diáspora

Seabra’s Marisqueira

A tradição continua! • A casa da verdadeira cozinha portuguesa e do marisco em New Jersey

Conclusão da página anterior)

dade de Coimbra, “inimigo de estimação” de Antero; o marquês Ávila e Bolama, que assinou a portaria que mandava encerrar definitivamente as Conferências Democráticas… Mas, ainda e sempre, é a figura de Antero que prevalece, um homem que, durante os 49 anos que viveu, ousou sonhar uma nova forma de sociedade para o nosso país. “Portugal ou se reformará política, intelectual e moralmente, ou deixará de existir”, escreveu ele no dia 26 de Janeiro de 1890, no jornal “A Província”. Palavras de uma brutal actualidade! No Mais Profundo das Águas traça ainda importantes retratos de gente açoriana que privou de perto com Antero: José Bensaúde, Afonso Chaves, Carlos Machado, Tavares Carreiro, Montalverne de Sequeira, entre outros. A celebrar este ano 50 anos de actividade literária, Norberto Ávila escreve bem e descreve ainda melhor. Os relatos que nos faz referentes às peripécias que envolveram as Conferências do Casino são de antologia. E inesquecíveis são as páginas dedicadas ao suicídio de Antero. Estamos perante um livro (universal e intemporal) com grande poder evocativo e boa capacidade expressiva que o leitor mais distraído ainda vai a tempo de ler. O açoriano Norberto Ávila não é só um dramaturgo consagrado, dentro e fora de Portugal, é também um ficcionista de grande qualidade literária. Por conseguinte, estejamos atentos a este autor que ajuda a engrandecer a língua portuguesa. ComunidadesUSA

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ComunidadesUSA


Crónica dos Açores

Liberdade e Respeito

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olaborar na revista ComunidadesUSA é um privilégio que até agora me esteve vedado. As minhas funções na direcção regional das Comunidades não me permitiam ir além das leituras escolhidas – poucas, confesso –, porque a espiral de trabalho que criei foi tão vertiginosa que absorvia todo o tempo e deixava outros prazeres em espera por uns anos; a leitura e a escrita foram dois deles. Ainda assim, lia a ComunidadesUSA por constituir uma referência para quem trabalhava pelas e para as comunidades açorianas (no sentido lato) radicadas no exterior. Agora que sigo um caminho diferente de serviço aos Açores é o momento certo de retomar o gosto jornalístico da escrita e a troca, através dela, de informação, ideias e reflexões, com milhares de migrantes. Agradeço ao editor António Oliveira o convite para esta participação e felicito este projecto pelo muito conhecimento que tem dado ao mundo português do mundo português. É comum falar-se na diáspora como quem fala de jornalismo ou de futebol: cada um tem a sua opinião e cada um sabe exactamente o que o outro, o que está do lado de lá, devia ou não dizer ou fazer. É saudável ter opiniões. O que não é saudável – nem mesmo aceitável – é que se pense que a nossa opinião é a melhor ou a única. O tempo em que os iluminados da diáspora ditavam as regras e faziam funcionar as técnicas de persuasão de grupo está moribundo. Hoje cada um – como eu dizia – tem o seu pensamento e não hesita em levá-lo a debate democrático nem deve temer sujeitar-se a vê-lo derrotado por outro mais abrangente ou mais condizente com a evolução social. Falar em abrangência e em evolução é também falar em maiorias e minorias. Nos Estados Unidos da América, há muito que se fala acerca delas. A história do país assim o determinou. Procuraram-se soluções para esbater impactos eventualmente duros entre diferentes culturas, tentaram-se respostas de sobrevivência. Em Portugal, há pouco mais de ComunidadesUSA

três décadas percebemos que nós não éramos só nós. Como afirmava Cláudio Torres, numa excelente conferência, “nós somos eles” – os africanos que estão do outro lado do mar – (falava-se do Sul de Portugal Continental), “e eles são nós”. Mais recentemente entendemos igualmente que temos muito a enriquecer como seres humanos e como grupo cultural se nos abrirmos a outras realidades, a outros pensamentos, a outras minorias. E digo “outras”, porque, se estivermos a falar no contexto europeu ou americano ou africano, somos uma minoria, e se estivermos a limitar-nos às fronteiras do nosso país, ou de uma região,

então devemos estudar o que é a maioria e o que são as minorias, culturalmente falando, e sem o espectro das geografias políticas e económicas. Assim, seria um exercício interessante, ao invés de nos concentrarmos, por comodidade, em maiorias e minorias no modelo tradicional, optarmos por uma classificação mais aberta, considerando cada grupo uma minoria, facilitando igualmente a compreensão da teoria dos vasos comunicantes da interculturalidade que se veio opor à metáfora do mosaico do multiculturalismo, onde, grosso modo, cada peça tem o seu espaço, mas não recebe outras cores nem outras formas enquanto fixada naquela geografia cultural. Se partirmos então deste sentido – voltando à legitimidade de cada opinião –, deparamos com a necessidade de, numa plataforma igualitária, valorizar cada diferença e banir a palavra tolerância do nosso dicionário cultural, August 2009

ALZIRA SILVA (Faial, Açores)

substituindo-a por respeito. E sendo o respeito a base da paz, a convivência entre os povos, entre todas as minorias, far-se-á naturalmente livre de preconceitos e de tolerâncias, que mais não fazem do que salientar a supremacia de uma sobre a outra. O mundo está em permanente evolução. A verdade de hoje – mesmo a científica, outrora considerada inabalável – é negada ou destronada amanhã, surgindo em seu lugar uma nova teoria. A exigência quotidiana que nos desafia é a de mantermos uma plasticidade que, não negando as nossas convicções nem sufocando o nosso desassossego, encontre sempre espaço para novas premissas, novas descobertas, novos rumos, novas inquietações. A compreensão da nossa capacidade de intervir passa pela actualização constante e pelo diálogo com todas as parcelas componentes da sociedade e com as que parece viverem ou quererem viver à sua margem. Também elas ocupam o seu espaço, têm a sua influência, têm direito à sua opinião tanto quanto à sua liberdade e ao respeito de todos. Já diziam os nossos avós: “viver não custa; custa é saber viver.” No momento histórico em que o valor da palavra selada com um aperto de mão se submete ao reconhecimento da assinatura digital, não é possível viver como dantes. Perdemos e ganhamos, comandados pelo nosso livre arbítrio, como em toda a evolução da história da humanidade. A grande diferença é que hoje estamos todos mais próximos, pelo que o respeito não tem de ser exercido apenas no seio da família ou da vizinhança, mas em cada comunidade, nos diferentes mundos de todas as diásporas e de todas as minorias do planeta Terra, no interior de cada ser humano. (alziraserpasilva@gmail.com) 27


A crónica do Brasil

NA MARGEM

DE CÁ

Águas de Março “São as águas de março fechando o verão É a promessa de vida no teu coração au, edra, im, inho esto, oco, ouco, inho aco, idro, ida, ol, oite, orte, aço, zol São as águas de março fechando o verão É a promessa de vida no teu coração” Tom Jobim A pele morena, bronzeada do sol de verão vai perdendo a tonalidade dourada neste junho outonal que avança com dias luminosos e de azul tão límpido sem uma única nuvem a turvar a abóboda celeste. É o que chamamos de “veranico” e que neste ano atravessou maio e junho intercalado com uma semana de muito frio e geada. Na pele guardo o sabor das águas de março, do marzão da Jaguaruna, “a Jaguá” ou a Praia do Arroio Corrente, lá no sul do estado, quase na fronteira com o Rio Grande do Sul. É para lá que vamos quando chega o verão, não sem antes responder aos amigos as mesmas perguntas ano após ano: Deixar a Ilha no verão? Trocar “Floripa”, por aquela praia de água gelada de doer os ossos, de mar grosso? De areia fina a surrar as pernas quando o vento sul chega pra valer?! E ainda enfrentar o trânsito caótico da BR101... Mas afinal, o que tem essa Jaguaruna de tão bom, que tanto te atrai? Podia até responder que é por uma questão de opção, de não querer ficar na Ilha para onde meio Brasil e milhares de “gringos” vêm passar suas férias ou “vacaciones” como falam “los hermanos” do Prata e ter que disputar palmo a palmo cada metro de praia depois de amargar engarrafamentos quilométricos. Tudo fica excessivamente lotado, cheio, abundante, para onde quer que se vá. Tem dia, que sair de casa para ir à praia é como partir para uma aventura sem saber o que vai encontrar pela frente. O astral da Ilha é demais! Reconheço. As noites, então, nem é bom comentar. Noites cálidas, brisa gostosa, viradas madrugadas adentro em baladas animadíssimas que fazem a cabeça da galera e já começa em janeiro com o Planeta

* Texto escrito em português do Brasil, onde vive a autora

Atlântida e o infalível show de Ivete Sangalo. Uma turma “sarada” que de manhã se manda a pentear a crista das ondas e equilibrar-se nas pranchas de surf enquanto da praia, meia-lua repleta de uma moçada bonita, em minúsculos biquínis, deixando à mostra corpos dourados, bumbuns certinhos, sob medida, estiradas na areia acompanham os volteios da “rapazze” no mar. Manhãs banhadas de beleza sem par e ocasos de tirar o fôlego como o que se avista do alto do morro da Lagoa da Conceição. Aliás, nesses dias, raras serão às vezes em que não se encontrem grupos de turistas, ruidosos, ávidos para admirar o nosso cartão postal ao lado de namorados que trocam beijos apaixonados, suspiros silenciosos, numa linguagem só sua, seja no derramado sol poente de etérea luminosidade, seja no nascer de um novo dia como se ali estivessem para conferir aquarelas do Criador. Muito antes deles, os viajantes da esperança, nossos pioneiros açorianos do século XVIII se sentiram recompensados, depois da longa e adversa travessia atlântica, ao descortinar este panorama que o escritor-ilhéu, de ascendência açoriana, Virgílio Várzea descreve em “Santa Catarina - A Ilha” (1900):“ O espetáculo é aí nascente de um esplendor soberano – um no mar ,de onde o astro se levanta,abrindo escamas de ouro fulgente na crista azulada das ondas; outro em terra, pelas encostas e cômoros, em que a luz bate de cheio(...) E à proporção que o sol galga a altura,paisagem e marinha em redor – ganham a acentuação e firmeza de seus exatos contornos e doces e soberbas nuances. Vê-se então,sob a igualdade serena da luz,na sua majestade e grandeza,este recanto de terras e águas que é dos mais belos do mundo.” (edição de 1984:92). Não é uma questão de opção e muito menos de trocar a Ilha por Jaguaruna. Desta vez, até o Carnaval que gosto tanto, deixei para trás. Não assisti a Copa Lord, descer do Morro da Caixa, com o samba-enredo “Canopus,a Estrela de Alexandria brilhando por Santa Catarina”, contando a história da mártir Catarina que dá nome a Ilha e ao estado desde 1526. Não estava na passarela “Nêgo Quirido” quando o espocar de focos de artifício, desde o Morro do Mocotó,

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por Lélia Pereira da Silva Nunes*, lha de Santa Catarina, Brasil iluminou a noite e levantou o povo nas arquibancadas anunciando o desfile da minha escola “Protegidos da Princesa” e o arraso da bateria nota 10 em meteórica passagem. Não vi a estréia da mais nova escola de samba de Florianópolis, a “União da Ilha da Magia” com o enredo “A Lagoa dos meus Sonhos” cantou as belezas da Lagoa, trouxe a festa e a corte do Divino para o asfalto contando que “a açoriana imigração é um orgulho da nossa tradição”. Muito menos, testemunhei como fez bonito na larga Avenida Paulo Fontes, a escola de samba mirim “Mensageiros da Alegria,” apresentando o enredo “Pensando no Amanhã... Saiba ser Criança Hoje”, quase 1200 componentes, além de comissão de frente, cinco casais de mestresala e porta-bandeira. Formada por crianças e adolescentes nascidas e criadas num meio social adverso, na pobre comunidade do Maciço do Morro da Cruz, a escola passou trazendo com muita garra o samba no pé, o ritmo quente do batuque de sua bateria e nas mãos, nas cores amarela, azul e branca, a bandeira da alegria contagiante da sua juventude tão cheia de esperança na simplicidade de sua fantasia e na riqueza de seus sonhos. Um projeto social lindo que nasceu com o apoio da escola de samba Mangueira do Rio de Janeiro, o projeto “Mangueira do Amanhã” (Instituto Cartola) e vem sendo executado em parceria com as escolas de samba da Ilha. Uma folia que vai além do Carnaval, que se prolonga por todo o ano com a realização de oficinas educativas de música, dança, artes, aulas de informática e acompanhamento escolar. Isto é que é sambar com gosto e alma. Sambar o Amanhã! Florianópolis enterrava a “tristeza” e o clima de alegria tomava conta da cidade fantasiada de Carmen Miranda em homenagem ao centenário de nascimento da pequena notável, a portuguesa de coração verde-amarelo, que com (conclui na página seguinte)

ComunidadesUSA


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seu jeito único de cantar notabilizou a alegria do samba como identidade cultural do brasileiro. A sua imagem radiosa, reproduzida em grandes estandartes, parecia ganhar vida ao toque do vento sul e, em requebros sensuais, cantava revirando os olhos: “Tá-hi! Eu fiz tudo/Pra você gostar de mim/Ó meu bem/Não faz assim comigo não/Você tem, você tem/Que me dar seu coração...” a famosa composição do mineiro Joubert de Carvalho consagrada no carnaval de 1930 e ainda hoje tão popular. Eu segui para Jaguaruna naquela manhã de março em que se enterrava a tristeza e com ela todos os problemas que afligem o cotidiano, o desamor, as dores do corpo e da alma que hipotecam a nosso bem viver e se libertava a alegria para vivê-la intensamente até o romper da quarta-feira de cinzas. “Seus filhos erravam cegos pelo continente,/levavam pedras feito penitentes/Erguendo estranhas catedrais./E um dia, afinal, tinham o direito a uma alegria fugaz/Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval,” falam os versos de “Vai Passar” de Chico Buarque de Holanda, uma receita de permanente esperança. O que me prende à Jaguaruna é tão somente uma questão de amor. Um marzão verde de doer à vista, uma longa faixa de areia branquinha, que se estende por quilômetros, forma sua belíssima praia de ondas gigantes de alva renda a bailarem a coreografia do ir e vir sem conta. Dunas movediças, cômoros imensos, colossais, recebem o sol de cheio, malhando de amarelo-ocre as areias num bordado matizado entremeado pela vegetação rasteira com roxas “flores de chuva”. No seu regaço, entalhada, a enorme lagoa de água doce, tesouro escondido da natureza, nascente do arroio que serpenteia as dunas formando a cachoeira – “o chuveirão” – e vai se lançar ao mar numa desembocadura definida pelas marés e o correr do vento. Daí o nome: Arroio Corrente. “É pau, é pedra, é o fim do caminho/ É um resto de toco, um pouco sozinho/ É um caco de vidro é a vida, é o sol/É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol”... Esta é a minha praia e foi de meus antecestrais açorianos do lado materno: mãe, avó, bisavó, trisavó, tataravó..., todas eram “Luizas” (Ávila, Oliveira, Cardoso e Machado) nascidas em Laguna e no vale do Rio Tubarão (como eu), seus antepassados nasceram nos Açores e aqui se estabeleceram em sesmarias, em meados do século XVIII, oriundos das ilhas Terceira, São ComunidadesUSA

Jorge e Pico. É a Jaguaruna, no litoral sul do cabo de Santa Marta, uma terra de pescadores e agricultores. Gente simples que conhece o bater das ondas, o zunir do vento, o caminhar das nuvens, que tem uma rede no olhar. Reflexo fascinante de um caleidoscópio a reviver sensações, a desvendar momentos e histórias comuns vividas naqueles trinta e sete quilômetros e meio de praia, a espuma do oceano. Foi ali defronte que, na tarde de 15 de julho de 1839, Giuseppe Garibaldi naufragou o Rio Pardo, o capitânia da flotilha, nos traiçoeiros parcéis da praia do Arroio Corrente. Perdera um dos fantásticos navios da frota garibaldina que dez dias antes, puxados por cem juntas de bois, atravessara pastos,campos e lombas numa ousada estratégia para furar o bloqueio dos navios imperiais e alcançar o oceano. Por estas areias caminharam as tropas farroupilhas que tomaram a vila da Laguna, proclamando a República Catharinense ou Juliana como ficou conhecida. Por este mar, navegou Garibaldi até Laguna e no cenário da revolução conheceu a Ana Maria de Jesus Ribeiro, Aninha do Bentão, a Anita Garibaldi –mulher amante e guerreira, companheira de todas as lutas. Pois, o marzão da Jaguaruna também é um marco na história de Anita e Giuseppe Garibaldi. É a sua memória a me embalar os passos por uma Jaguaruna do passado que sobrevive nos usos e costumes do presente como a doçura da mesa dos inocentes, a mítica coberta d`alma, a malhação de Judas,o carnaval, o entrudo e a Festa do Divino Espírito Santo a sua maior tradição. Nada se compara as águas de março fechando o verão. Água quente, febre terçã envolvendo o corpo, o mar da Jaguaruna. Mar é água. Ora manso, sereno, silencioso. Verde esmeralda, azul ametista, azul profundo, cinzento, azul chumbo, azul róseo no sol poente, é da cor que o meu olhar o encontra e se perde no infinito, na linha do horizonte. Mar é água salgada, água benta pelos orixás. É saudade doída! É a lágrima escorrida na cara da mulher ajoelhada na areia molhada acompanhando o bailado das flores brancas ofertadas à rainha das águas – Odô-féyabá! Iemanjá – implorando que proteja o seu homem navegante, que o devolva e deixe o seu coração bater forte abrigado no porto seguro de seu peito. O ano se esvai no carrossel do tempo. Muito logo, as águas geladas de junho, tocadas pelo vento sul, que seguem bordando de espumas a August 2009

larga praia, voltarão a ser águas de março. “É o pé, é o chão, é a marcha estradeira/ Passarinho na mão, pedra de atiradeira/ É uma ave no céu, é uma ave no chão/É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão...” Vou querer estar na Jaguaruna, outra vez, fechando o verão, me sentindo a dona da praia, no sol do meio dia, “quando toda praia fecha para o almoço” e fico, literalmente, sozinha na extensão de areia e mar, para o norte e sul, acompanhando o voo inquieto de um bando de quero-quero e a dança de pequenas garças brancas flanando suaves até mergulharem ligeiras, bicando a água e garantindo a sobrevivência. Então,posso compreender o sentimento de encantamento do escritor Othon d’Eça, há sessenta anos atrás, ao escrever a crônica “Jaguaruna, 1949,” curvado ante a beleza desse infinito momento. “Multidões de pequenos pássaros cor de cinza levantam o vôo, espalham-se, e logo se juntam; sobem e descem em leque, sobre o mar, dando a impressão de grandes tarrafas; depois, levadas pelo vento, tomam rumo sul e se perdem entre as altas névoas frementes...” Quero caminhar ao crepúsculo, em dias de muito vento e flutuar sob a força da nuvem branca de areia fina, seca, a se mover ligeira, fustigando as pernas e impulsionando os meus passos ao encontro da maré. Avançar mar adentro a tempo de testemunhar o sol se esconder, derramando-se em centelhas luminosas, tingindo o céu e as madeixas das ondas em muitos tons de púrpura, seu lume se apagar por detrás dos cômoros sombreando a terra e o mar. Ao longe, o contorno do corpo feminino qual uma garça em sépia, riscada de luz, coleta “maçambique” – o pão do dia seguinte, enquanto o ronco do caminhão transportando o barco de pesca e o alegre vozerio dos pescadores encerram o dia e no silêncio da noite a lua toma seu lugar no céu de estrelas. Para além de tudo que foi dito, tenho saudade da terra e do mar da Jaguaruna como na canção caboverdiana Bêjo di Sodade (B.Leza): “Nha terra ê quêl piquinino/È Cabo Verde, quêl quê di meu/Terra que na mar parcê minino/È fidjo d'oceano/È fidjo di céu Terra di nha mãe/ Terra di nha cretch”. Saudade das águas de março! Nota: texto construído sob a inspiração da letra de Águas de Março, de Tom Jobim, imortalizada por Elis Regina. www.youtube. com/watch?v=srfP2JlH6l 30


COMUNIDADES

Emigrantes portugueses e luso-descendentes distinguidos pela State House de MA

de Portugal. Este prémio visa distinguir portugueses e luso-americanos que se tenha distinguido na promoção da língua e cultura portuguesas nas suas zonas e este ano os recipientes foram Pedro Amaral, Edward Correia, John Correia, Al Dias, Dimas Espinola, Alfredo Farnco, Carl Garcia, Larry Abreu Jacques, David Raymondo, Lurdes Melo, Elizabeth Rodrigues, Walter Sousa, Mark Sylvia, Arlindo do Val e Ildeberto Ramalho. Ildeberto Ramalho é uma das figuras bem conhecidas da comunidade portuguesa da área de Peabody, cidade onde vive com a família. É natural de Angra do Heroísmo, Terceira, e foi professor em Portugal atém emigrar para os Estados Unidos, em 1979. Aqui tem desempenhado a sua actividade profissional e trabalhado para a comunidade portuguesa, nomeadamente como professor e director pedagógico da escola de língua Portuguesa de Peabody.

Em defesa da cultura e língua portuguesas

Ildeberto Ramalho

Vários membros da comunidade portuguesa de Massachusetts foram distinguidos

NY: Moses Agency com mais serviços A Moses Travel, propriedade do nosso assinante Moisés Ascensão Saraiva, de Yonkers, NY, foi recentemente nomeada agente geral da companhia de seguros The Hartford. Com esta representação, a agência permite aos seus clientes obterem seguros com prémios bastante competitivos, relacionados com a parte privada (Personal Lines) e comercial (Small Business ). A companhia The Hartford foi fundada há 200 anos e encontra-se numa fase de desenvol-

este ano com o Portuguese Heritage Award da State House de MA por altura do Dia

vimento crescente, bastante competitiva e com excelente préstimo de serviços, com padrões de crescimento superiores à media das companhias seguradoras, fracturando anualmente $22.7 mil milhões em receitas. Classificada de “A.M. Melhor A + Nível Superior” emprega mais de 30.000 funcionários e possui um valor de capital superior a $259 biliões. Moisés Ascensão Saraiva, agente e representante de várias companhias de seguros, disse sentir-se muito ”orgulhoso e agradecido” pela recente nomeação. A Moses Travel fica no 93-95 Ashburton Avenue, Yonkers, NY 10701-3105, Tel: 1-877227-5541; www.mosesusa.com

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Ildeberto Ramalho foi também coordenador e co-coordenador de vários Encontros de Professores de Língua e Cultura Portuguesas nos Estados Unidos e nos Açores, membro da comissão organizadora da Semana dos Açores em Peabody, tesoureiro do Portuguese Americanas for Higher Education, membro da comissão organizadora do Dia de Portugal, entre outras iniciativas. Está também ligado a várias associações comunitárias lacais, nomeadamente à Igreja Nossa Senhora de Fátima, Banda Filarmónica Recreativa Portuguesa, Irmandade do Divino Espírito Santo e é membro do Green Peabody Committee. Ildeberto Ramalho é casado com Conceição Maria e tem duas filhas e quatro netos. É pessoa estimada na comunidade e conhecida pelas suas capacidades profissionais e qualidades humanas, sempre pronto e disposto a ajudar o próximo e a colaborar em prol da comunidade. Tem sido um acérrimo defensor dos valores da portugalidade e especialmente da sua cultura açoriana nesta zona da Nova Inglaterra. O prémio não poderia ter ido para melhores mãos. Parabéns!

ComunidadesUSA


“Chaves Monumental” é um projecto que prevê o investimento de 4,6 milhões de euros no centro histórico da cidade

Chaves: câmara anuncia Museu da Termas e quer ser património mundial

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Câmara de Chaves anunciou a construção do Museu das Termas Romanas, inserido no projecto "Chaves Monumental"

que prevê um investimento de 4,8 milhões de euros no centro histórico desta cidade que a autarquia quer elevar a Património Mundial

Resort sénio e lar de ‘luxo’ para a Terceira Idade abre em Outubro em Chaves

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m “Resort Sénior” abre em Outubro, em Chaves, com uma oferta de serviços de alta qualidade, nomeadamente hidroterapia e biblioteca, para os idosos do concelho, anunciou a Santa Casa da Misericórdia local. Esta residência conta com o apoio da Flavicórdia, empresa constituída por um grupo de empresários locais. Hernâni Teixeira, responsável pela Flavicórdia, referiu que o projecto é dirigido sobretudo “à classe média alta” e aposta numa “qualidade superior com assistência médica e de enfermagem permanente” “Neste “resort”, os utentes vão ter muitas actividades de tempos livres, acesso a biblioteca ou podem ainda fazer hidroterapia (fisioterapia no meio aquático)”, disse. Hernâni Teixeira salientou ainda que o equipamento será “um dos mais privilegiados em Portugal”. A Câmara de Chaves apoia o projecto e assumirá a construção dos acessos à Fonte do Leite. No mesmo local, a Santa Casa da Misericórdia de Chaves está a construir uma unidade de cuidados continuados com 30 camas, 15

das quais darão resposta a internamentos de média duração e reabilitação e as restantes 15 para longa duração e manutenção. O provedor da Misericórdia de Chaves, Nuno dos Santos Rodrigues, referiu que este equipamento, que entra em funcionamento até Outubro, vai colmatar uma lacuna no concelho. “São muitas as situações de pessoas que têm de ser transferidas para os concelhos vizinhos de Ribeira de Pena, Murça, Vila Real ou Sabrosa, o que dificulta o apoio dos familiares e a sua recuperação propriamente dita”, salientou. O objectivo é, segundo o provedor, prestar cuidados de convalescença a doentes crónicos e pessoas em situação de dependência, permitindo aos utentes recuperarem a autonomia para as actividades da vida diária e reduzirem o seu grau de dependência, dando assim resposta à sobrelotação dos hospitais. Segundo a mesms fonte, os dois equipamentos representam um investimento de 2,5 milhões de euros e vão dar emprego a cerca de 60 pessoas.

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da Humanidade. A Câmara de Chaves apresentou no Verão do ano passado a candidatura da cidade a Património Mundial da Humanidade, pelo seu património cultural e histórico, essencialmente legado pelos romanos que construíram a ponte e as termas descobertas em 2008. Apenas no ano passado foi reconhecida a existência de um balneário termal romano, em Chaves, descoberto no decorrer de escavações arqueológicas realizadas no largo do Arrabalde. Este balneário já foi alvo de uma candidatura a monumento nacional. O processo está nas mãos do Governo português e, até 2011, a autarquia quer "arrumar" o centro histórico para garantir a classificação por parte da UNESCO. Em curso estão três projectos de regeneração urbana, num investimento total de 26 milhões de euros. No âmbito do projecto "Chaves Monumental", o autarca destacou a construção do Museu das Termas Romanas sob as ruínas do balneário termal, possibilitando a visita das mesmas e de outras peças descobertas naquela zona como moedas ou peças de adorno. O museu implica um investimento de 1,2 milhões de euros. No âmbito do "Chaves Monumental" vai ainda ser criado um núcleo de investigação do Gabinete de Arqueologia da Câmara de Chaves, será elaborado um Plano Director de Intervenções Arqueológicas e proceder-se-á à execução de escavações na zona do Arrabalde, Quarteirão da Adega do Faustino e Cine-Teatro. Será ainda efectuada a musealização da cintura amuralhada de Chaves e a reabilitação do castelo, baluarte e instalação do centro interpretativo das muralhas. Com vista à divulgação e promoção do património arquitectónico vai realizar-se um congresso internacional subordinado ao tema "Cidades Termais Romanas". Os três projectos de regeneração urbana juntam-se à construção da Fundação Nadir Afonso (nove milhões de euros) e aos vários monumentos nacionais e de interesse histórico existentes na cidade, desde a ponte romana, as termas de Chaves, o castelo, as muralhas medievais e os fortes de São Francisco e de São Neutel. "Tudo isto junto permite-nos pensar que reunimos todas as condições para a nossa cidade ser classificada como Património Mundial da Humanidade", concluiu o autarca.

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Carlos Lopes

Medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Los Angeles foi há 25 anos Vencido, mas não convencido: Carlos Lopes saiu do Estádio Olímpico de Montreal, nos Jogos Olímpicos de 1976, com a medalha de prata na prova dos 10 000 metros, perdendo nos metros finais para o finlandês Lasse Viren, mas com o "sonho" a continuar vivo. Prometeu voltar, à procura do ouro olímpico que então "deixou escapar" nos metros finais para Viren - não o fez em Moscovo'80, por lesão, mas em 1984, em Los Angeles, ganhou a maratona de forma fantástica, com grande avanço e estabelecendo um recorde olímpico que perdurou por 24 anos, até Pequim2008. Há 25 anos, o dia 12 de Agosto (madrugada do dia 13, em Lisboa), entrava para a história do Desporto português como a data da primeira medalha de ouro em Jogos Olímpicos, um feito que só mais três igualaram: Rosa Mota, Fernanda Ribeiro e Nélson

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Évora. Tudo ficou claro, recorda hoje Carlos Lopes, a partir dessa derrota de 1976, que lhe deu alento e motivação acrescida. "Essa derrota ensinou-me imenso, deu-me outras garantias para o futuro, tirei proveito dela. Vencido mas não convencido, e ainda hoje não estou convencido". "Oito anos depois consegui ser medalha de ouro olímpico, entretanto fiz uma 'travessia no deserto', por causa das lesões nos tendões de Aquiles, quando me deram quase como com a carreira terminada", relembra o primeiro campeão português, que entre 1978 e 1982 praticamente não correu a alto nível, por sucessivas lesões. Mas Lopes ultrapassou mesmo esses problemas e voltou, melhor que nunca. "Eu era uma pessoa de convicções e sabia que não era ali que acabava. Valeu a pena esperar três anos para retomar a minha actividade e aquilo que gostava de fazer", recorda. Falhada a ida a Moscovo'80, que Lopes afirma que não iria boicotar, se estivesse em condições de competir, "apontou baterias" para a maratona, por razões estratégicas, apesar de em 1983 ser o segundo melhor do Mundo... logo atrás de Fernando Mamede. Sentia que tinha mais hipóteses na maratona, e não foi difícil convencer o seu treinador, o lendário professor Moniz Pereira, que passava a ter duas fortes hipóteses de medalhas, com Lopes e Mamede, então recordista mundial dos 10 000 metros. "Desde 1981 que a minha convicção era a maratona. Em 10 000 metros, com atletas muito rápidos na parte final, eu sabia que ia ter imensas dificuldades em ser campeão olímpico", assegura. Lopes não se desviou do plano "a longo prazo" e desde 1981 que foi "acrescentando" August 2009

km nos treinos. Primeiro 25, depois 37 km "andei mais de um ano a fazer experiências" - para então em 1983 "treinar forte", depois de "conhecer bem a distância". "No ano dos Jogos estava na melhor forma de sempre", refere, ele que em Março de 1984 deslumbrou nos Campeonatos do Mundo de Corta Mato (o seu segundo de três triunfos) e que em 1983 batera o recorde europeu da maratona, em Roterdão, na primeira vez que completou a distância. Pelo meio, bateu recordes pessoais nos 5000 e 10 000 metros (na casa dos 13.16 e 27.17 minutos), o que lhe dava mais alento. "Quando entrei na maratona sabia que era o melhor em 5000 e 10 000 que os meus adversários", explica. Das semanas que antecederam Los Angeles'84 recorda dois episódios "curiosos", ainda em Lisboa: o ter sido atropelado em pleno treino, perto do estádio da Luz, e a ironia e boa-disposição de Mário Soares, então Primeiro-ministro, que lhe respondeu a uma "provocação" com outra, ainda maior. Dezasseis dias antes da prova, o "acidente estúpido" por um triz não o afastou dos Jogos. "Vinha a fazer um teste de 15 km e quando dei por mim estava a fazer três cambalhotas no ar... Um acidente um bocado estúpido, uma ultrapassagem pela direita sem ver quem é que está a passar na estrada... curiosamente de um candidato a presidente 33


do Sporting, o comandante Lobato de Faria", relembra. "Quando me levantei e vi que não tinha nada partido pensei que 'ainda não era desta' e que tudo se vai normalizar", acrescenta Lopes, que ficou "miraculosamente" incólume do embate com o Mercedes, que até ficou com os vidros estilhaçados. Para o campeão, só dores ligeiras. Na tradicional despedida da missão olímpica em São Bento, dias antes, Lopes mantinha o bom humor e a descontracção proverbial, mesmo perante uma figura como Mário Soares. Propositadamente guardada para o fim, depois dos cumprimentos e já nas despedidas, a pergunta dirigida ao líder do executivo de então: "Se eu ganhar uma medalha, não tenho direito a um churascozinho de cabrito, aqui no vosso quintal?", apontando para o jardim de São Bento. Lopes recorda a resposta de Soares: "Você tem uma lata do caneco, mas olhe... traga lá a medalha que não é um cabrito, é um boi". Promessa feita e promessa cumpri-

da, após o regresso triunfal de Los Angeles. No dia 12 de Agosto, ganhava de forma fulgurante a "prova rainha" do atletismo, com 2:09.21 horas, deixando o irlandês John Tracy a mais de meio minuto, depois de uma arrancada demolidora a cinco quilómetros do fim. "Eu levava uma prova pré-definida, que saiu na perfeição, quando chegou aos 37 km decidi arriscar, foi o momento certo, em que os adversários não reagiram...e quando dei por mim estava dentro do estádio, com 90 mil pessoas a aplaudir pela primeira vez na história uma grande medalha para o país e para o povo português", afirma, com orgulho. Um dia em que acordou "muito bem disposto", sempre com a convicção da vitória e sempre mais calmo do que os que o rodeavam: "Quarenta minutos antes da prova o Moniz Pereira é que estava nervoso. Olhou para mim, que estava com uma cara tão descontraída, pega-me no braço e tira-me a pulsação.., e não acreditou. '46, como é possível, este gajo parece que vai para uma festa'..."

Carlos Lopes tinha, então, 37 anos. Irrealista era pensar que ainda podia fazer mais um ciclo olímpico, até Seul. No entanto, ainda teve tempo para, em 2005, ser campeão mundial de crosse pela terceira vez, e para bater o recorde do Mundo do Maratona, em Roterdão de novo. Mas para a história, mais que tudo, fica aquela corrida "louca" de Los Angeles, há 25 anos, em que se desembaraçou de todos os adversários, um a um, entrando pela porta grande para a galeria dos maiores atletas de sempre

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DA AMÉRICA E DAS COMUNIDADES

por DINIZ BORGES (na Califórnia)

Do orçamento da Califórnia ao racismo na sociedade americana A América deu um grande passo ao eleger o seu primeiro presidente afro-americano. Mas não sejamos ingénuos, a eleição de Barack Obama para o cargo mais importante do país, não resolveu os séculos de racismo e discriminação que as minorias, particularmente os descendentes de africanos, têm sofrido Press como tendo dito: “estas são reduções muito feias, mas tive que as fazer porque sou a única pessoa em Sacramento com a coragem e a responsabilidade para as fazer.” Sim, senhor! Há muito que já sabíamos que o governador tinha essa coragem, eliminar serviços que ajudam os mais vulneráveis da nossa sociedade. Grande homem! Os seres humanos agora são “responsáveis” quando têm a coragem de salivar nos mais vulneráveis. Mas o governador tem razão: esta foi uma acção muito feia. E nós ficamos uma sociedade mais feia por aceitarmos, caladamente, estas medidas do governador da Califórnia.

Henry Gates

Pois é, a Califórnia tem um novo orçamento geral do estado. Este ano levou menos tempo do que no ano transacto. Em pleno verão, no fim do último mês de Julho, ambas as Câmaras legislativas, a Assembleia e o Senado, aprovaram um orçamento e enviaram-no para o governado Schwarzenegger, que por sua vez já tinha concordado em promulgá-lo. E fê-lo, cumpriu a sua promessa, ao mesmo tempo que reduziu programas essenciais para os mais marginais da nossa sociedade. Para poupar 656 milhões de dólares, dum orçamento na ordem de 85 biliões de dólares, o governador republicano retirou fundos para apoiar as crianças pobres que recebem apoio governamental (80 milhões), reduziu os programas que ajudam as pessoas no sistema de saúde para as populações mais carentes, o Medi-Cal (61 milhões), reduziu os programas de saúde ligados à prevenção e ao tratamento da SIDA (52 milhões), devastou um programa que apoia o seguro de saúde para crianças carenciadas (61 milhões), e removeu mais de 6,2 milhões dos fundos destinados aos parques estaduais, entre outros. O governador foi citado pela Associated ComunidadesUSA

A notícia percorreu o mundo! Um célebre professor afro-americano da prestigiosa universidade Harvard, Henry Louis Gates, foi preso por um polícia branco. O incidente acabou por ser amplamente noticiado, daí que todo o mundo saberá a história. O presidente Barack Obama, na última pergunta feita durante uma conferência de imprensa sobre a reformulação do sistema de saúde nos EUA, respondeu à interrogação da jornalista falando da triste trajectória que os EUA têm percorrido em questões de racismo e descriminação. Na sua resposta e para descrever as acções abusivas do agente de segurança utilizou o vocábulo, estúpido. Ou seja: que o departamento da polícia de Cambridge tinha actuado “estupidamente”. Como também todo o mundo sabe,

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por DINIZ BORGES

foi o pior que o presidente pudesse ter feito. É que caiu o Carmo e a Trindade. Teria sido melhor, para a sua popularidade, que tivesse começado uma guerra que acabasse por matar milhares de pessoas. Se o tivesse feito não tinha sido vítima de tanto ostracismo… bem, este presidente talvez fosse. Não desejo reflectir sobre o caso de racismo, porque só quem quer ver o mundo com lentes cor-de-rosa é que poderá indicar que o nefasto racismo não esteve presente. Mais, o racismo é um problema que as sociedades modernas, incluindo os EUA têm que o debater, seriamente. Enquanto não o fizerem e lançarem sementes, verdadeiramente justas, nas novas populações, teremos sempre que viver com esta praga. A América deu um grande passo ao eleger o seu primeiro presidente afro-americano. Mas não sejamos ingénuos, a eleição de Barack Obama para o cargo mais importante do país, não resolveu os séculos de racismo e discriminação que as minorias, particularmente os descendentes de africanos, têm sofrido. Desejo sim, reflectir as palavras “actuar estupidamente.” É que vieram à ribalta todos os direitistas americanos (que ainda são muitos, infelizmente) e o próprio sindicato da polícia, afirmar que o presidente tinha dito que todos os polícias eram estúpidos, que o presidente não tinha respeito pelas autoridades, que deveria pedir desculpa a todos os polícias vivos e mortos. Retirando o elemento fanático da direita americana, particularmente a extrema direita, não deixa de ser curioso como todo o mundo se levantou para criticar o presidente. Aliás, poder-se-á perguntar: será que se fosse um presidente branco a fazer tais afirmações, o assalto da comunicação social teria sido tão severo? Ai como racismo é tão subtil. Mas não vou reflectir o racismo. Daí que voltando à frase do presidente, pelo menos que agora se sabe mais alguns detalhes, foi, (Conclui na página seguinte) 35


indubitavelmente, uma frase correcta. Foi isso mesmo, o policia actuou estupidamente. Acontece! Todos nós fazemos actos estúpidos nas nossas vidas. Agora o que é demais é pedir-se, como fez o sindicato de policias (e eu sou um defensor dos sindicatos e das pessoas terem o direito de se sindicalizarem, com filiação e activismo no sindicato de professores da Califórnia) que houvesse uma mea culpa presidencial a todos os agentes de segurança e que os policias não eram “estúpidos.” Que não há polícias “estúpidos.” Quando não se quer ouvir é pior do que ser-se surdo. O presidente americano nunca disse que os policias eram todos estúpidos. Porém que não sejamos assim tão surrealistas ao ponto de não acreditarmos que não existem policias estúpidos. Claro que existem! Como há professores estúpidos, engenheiros estúpidos, jornalistas estúpidos, padres estúpidos, empresários estúpidos e políticos estúpidos. Mais, em todas as profissões há momentos em que se age estupidamente. Aliás, após a divulgação de alguns subsequente relatórios sabe-se que o polícia mais do que agir “estupidamente” agiu maliciosamente. O que é

muito mais grave! Falando em estúpidos: há um senhor analista que esteve uns anos na rede televisiva CNN e que agora está na barulheira FOX, chamado Glen Beck que vive à custa de falar mal do progresso humano e que numa conversa fiada com outros “entertainers” daquela rede televisiva, para além de chamar o presidente de racista, disse este disparate: “o presidente para além de não gostar dos brancos tem um grande ódio pela cultura branca.” Claro que se esqueceu que o presidente é filho duma mãe branca, de quem fala com grande ternura; que foi criado por uns avós brancos que adorava e que sempre teve vários amigos brancos. O problema não é o Sr. Beck dizer este despautério, o problema é que há muitos Becks por aí. Alguns, infelizmente, na nossa comunidade de origem portuguesa. Mais, o que é isso de cultura branca? Essa é tão caricata, tão eurocentrista, como quando ouço: “a raça portuguesa”. Pois, são estas imbecilidades que, infelizmente, circulam na nossa sociedade, e que facilmente se transformam em ódio, porque ainda não aprendemos a viver com as diferenças dos outros.

Um aditamento sobre o qual também devem saber. A senhora que fez a chamada telefónica para a polícia, e que nunca disse às entidades que os dois homens eram negros, como ela afirmou e como comprova a gravação do 911, é, segundo as notícias, de origem portuguesa. Daí estas duas breves observações: primeiro, não deixa de ser curioso que no relatório do sargento Crawley, foi dito que uma das razões que o levou a suspeitar que o Doutor Gates (que tem 59 anos e usa uma bengala, e estava dentro da sua própria casa) poderia ser o ladrão, é que a nossa Lúcia tinha afirmado no telefonema que tinha visto dois homens negros. Mentira! Como posteriormente afirmou a nossa Lúcia, e como se pode confirmar na gravação, ela nunca declarou a cor da pele dos “supostos” intrusos, e apenas disse que um tinha aspecto de “hispânico”, porque o policia, ao telefone, insistiu em que ela descrevesse os indivíduos. Segundo, a mesma notícia que revelava a identidade e etnicidade da nossa Lúcia, dizia que ela nem era branca, “era de descendência portuguesa com a pele cor de azeitona.” Claro que não há racismo em nada disto!

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DESPORTO

Lisandro Lopez: 24 milhões € para o Lyon

Liga portuguesa é o campeonato europeu com mais lucro na transacção de jogadores Luís Garoupa, da Agência Lusa

O

campeonato português exibe, para já, o maior saldo positivo, de todas as ligas europeias, na compra e venda de futebolistas a clubes estrangeiros, durante a pré-temporada, com um balanço de cerca de 31 milhões de euros. Com o mercado das transferências a terminar no final de Agosto, Portugal é o país que mais lucro apresenta na transacção de jogadores com equipas de outras ligas, muito por "culpa" do FC Porto, enquanto a Espanha é o país com a balança comercial mais desequilibrada, principalmente devido à "veia" gastadora do Real Madrid. Desde da reabertura do mercado, o campeonato luso já somou 78 milhões de euros na transferência de futebolistas para o estrangeiro, valor que os "dragões" contribuíram com 84 por cento (65 milhões), e gastou perto de 47 milhões em novas "caras", com destaque para os investimentos do Benfica (23 milhões) e dos "dragões" (19 milhões). O FC Porto, que "despachou" Lisandro Lopez (24 milhões, Lyon), Lucho Gonzalez (18 milhões, Marselha) e Cissokho (15 milhões, Lyon), é mesmo o terceiro clube europeu que mais dinheiro recebeu pela vendas de jogadores, sendo apenas batido pelo Manchester United (103 milhões) e AC Milan (80 milhões). Na luta dos "grandes", o Benfica contribuiu com três milhões e meio de euros, com saída ComunidadesUSA

de 45 milhões euros. Do lado oposto, o campeonato espanhol aparece com um balanço pesado de perto -300 milhões de euros, montante esse resultado das contratações "galácticas" do Real Madrid, mas que também teve a contribuição do FC Barcelona. O clube merengue gastou mais de 240 milhões de euros em reforços e transformou Cristiano Ronaldo no futebolista mais caro da história, ao pagar 94 milhões ao Manchester United pela sua aquisição, além de ter gasto 65 milhões em Kaká, 35 milhões em Benzema e 30 milhões em Xabi Alonso. Apesar de não querer demonstrar o poderio financeiro do eterno rival, o FC Barcelona completou um negócio avaliado em 66 milhões de euros para obter o sueco Zlatan Ibrahimovic, o que fez elevar o montante de compras de jogadores em Espanha para os 400 milhões, amortizados por perto de 100 milhões obtidos em vendas.

do grego Katsouranis para o Hamburgo, e apostou forte nas aquisições de Ramires (sete milhões e meio), Javi G arc i a ( s e te milhões) e Saviola (cinco milhões), enquanto o Sporting não cedeu qualquer jogador e apenas contratou MaLucho Gonzalez: 18 milhões € para o Marselha tias Fernandez (três milhões e Compras e vendas das ligas europeias (€ euros) meio). País Compras Vendas Saldo Além dos três principais clubes portugueses, o Nacional da Madeira ajudou igualmente Portugal 47.335 78.280 + 30.945 a balança comercial da Liga, com a saída do Holanda 30.210 55.250 + 25.040 brasileiro Nené para o Cagliari, por quatro miSérvia 1.445 19.675 + 18.230 lhões de euros, assim como o Sporting de Braga Bélgica 3.525 10.600 + 7.075 que "encheu" os cofres com a transferência de Roménia 7.506 12.520 + 5.014 Luís Aguiar para o Dínamo de Moscovo, por França 194.200 171.125 - 23.075 três milhões. Os números colocam a liga portuguesa Inglaterra 296.540 271.400 - 25.140 com o balanço mais positivo de todos os Itália 384.455 329.230 - 55.225 campeonatos europeus, à frente da Holanda Alemanha 161.100 106.255 - 54.745 (25 milhões) e Sérvia (18 milhões), e é apenas Espanha 398.350 104.135 -294.215 batida pela Argentina, que já arrecadou perto August 2009

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SAÚDE

Alzheimer: risco pode ser reduzido com exercício físico e dieta mediterrânica Aparentemente, quanto maior o desempenho em termos de exercício físico e dieta, mais baixo é o risco de Alzheimer", afirma o autor do estudo O exercício físico e a dieta mediterrânica podem, quando associados, reduzir até 60 por cento o risco da doença de Alzheimer, segundo um novo estudo hoje por uma revista médica norte-americana. Estudos anteriores tinham já salientado, mas separadamente, os efeitos benéficos da actividade física e da dieta na redução do risco de contrair aquela doença neurodegenerativa, sendo este o primeiro a explorar a associação dos dois comportamentos. "Muitas vezes, as pessoas que fazem exercício físico seguem também dietas saudáveis e vice-versa. Quisemos saber qual dos dois comportamentos implica menos riscos e se a junção dos dois os reduz ainda mais", afirmou o principal autor do trabalho, Nikos Scarmeas, professor de neurologia clínica no Centro Médico da Universidade de Columbia, em Nova Iorque. O trabalho - publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) envolveu uma amostra multiétnica de 1880 residentes no norte de Manhattan (Nova Iorque), com 77 anos de média de idade. Foram inquiridos sobre os seus níveis de actividade física e hábitos alimentares, e seguidos para escrutinar quais deles desenvolveram Alzheimer nos cinco anos e meio seguintes. De acordo com as respostas sobre o exercício físico, os participantes foram divididos em três categorias: actividade vigorosa (jogging, por exemplo), moderada (caminhada, ciclismo) ou leve (golfe, jardinagem). Quanto à comida, as respostas foram classificadas em nove categorias alimentares que, em conjunto, compõem uma dieta de tipo mediterrânico. Esta dieta caracteriza-se em termos gerais por um elevado consumo de peixe, vegetais, legumes, fruta, cereais e ácidos gordos monoinsaturados, relativamente poucos produtos lácteos, carne e gorduras saturadas, e consumo moderado de álcool.

Esta dieta caracteriza-se em termos gerais por um elevado consumo de peixe, vegetais, legumes, fruta, cereais e ácidos gordos monoinsaturados, relativamente poucos produtos lácteos, carne e gorduras saturadas, e consumo moderado de álcool. O estudo constatou uma redução de 33 por cento no risco de Alzheimer nos indivíduos fisicamente activos e de 40 por cento nos seguidores da dieta mediterrânica. Foi observada ainda uma redução gradual de até 60 por cento do risco nos que praticavam muito exercício físico e tinham hábitos alimentares saudáveis. "Aparentemente, quanto maior o desempenho em termos de exercício físico e dieta, mais baixo é o risco de Alzheimer", afirma o autor, acrescentando que até os mais baixos níveis de actividade física parecem estar associados a um efeito protector contra a doença. No seu entendimento, "a conclusão é importante porque mostra que as pessoas podem ser capazes de alterar o seu risco de desenvolver Alzheimer se mudarem o estilo de vida através da dieta e do exercício". Adverte todavia que se trata de um estudo epidemiológico, observacional, e que só um ensaio clínico poderá fornecer informação adicional para ajudar a esclarecer o papel desses comportamentos e revelar outros factores que possam também contribuir. "Sabemos que parte da doença de Alzheimer está relacionada com alterações genéticas", afirmou. "Mas é possível que alterações não genéticas, como estilo de vida e o comportamento, afectem também a saúde do cérebro e o risco de desenvolver doenças cerebrais, como Alzheimer, talvez em combinação com a predisposição genética".

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Vinho tinto também é bom para prevenir infecções Uma equipa de cientistas da universidade escocesa de Glasgow anunciou ter descoberto que um anti-oxidante que existe em grandes quantidades no vinho tinto previne infecções que podem degenerar em septicémias (infecções generalizadas do corpo). Este antioxidante, o resveratrol, encontra-se na pele das graínhas da uva e em muito maior quantidade no vinho tinto do que no vinho branco. Também já lhe foram atribuídos outros benefícios para a saúde: prevenir a formação de coágulos e combater o cancro. Numa experiência com dois grupos expostos a um potente agente de infecção, a equipa de cientistas descobriu que o grupo que não tinha feito um tratamento prévio à base de resveratrol desenvolveu uma reacção grave semelhante a uma septicémia, que pode causar falha generalizada dos órgãos e a morte. Por outro lado, o grupo que recebeu doses de resveratrol não desenvolveu qualquer tipo de infecção. Segundo os investigadores, o resveratrol impede a formação de duas enzimas que têm um papel fulcral no desenvolvimento de inflamações graves, a sphingosine kinase e a phospholipase D. "Doenças inflamatórias severas como a septicémia são muito difíceis de tratar e muita gente morre por falta de tratamento", explicou o médico Alirio Melendez, um dos cientistas da equipa da universidade de Glasgow. "Ainda por cima, muitas pessoas que sobrevivem a uma septicémia saem dela com uma péssima qualidade de vida devido aos danos causados pela infecção aos diversos órgãos internos. O objectivo último do nosso estudo era o de identificar uma nova terapia para ajudar no tratamento de doenças inflamatórias severas", explicou. Esta descoberta foi publicada no jornal da Federação das Sociedades Americanas de Biologia Experimental. "O potêncial terapêutico do vinho tinto estava engarrafado desde há milhares de anos e agora os cientistas descobriram os segredos, identificaram a forma como a acção do resveratrol pode gerar novos tratamentos contra infecções mortais", disse o director do FESAB.

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LIVROS

Tony: a New England Boyood Um fascinante livro de Charles Félix por Duarte Barcelos (investigador da ilha da Madeira) Foi lançado recentemente pelo “Center for Portuguese Studies and Culture, da UMass Dartmouth”, inserido na série ‘Portuguese in the Americas Series’, o último livro de Charles Reis Felix, um prolífico escritor luso-descendente natural de New Bedford. Tony: A New England Boyhood é uma obra de 276 páginas, que apresenta na capa uma foto de um rapaz, da autoria de Lewis Hines, um fotógrafo que se notabilizou na Nova Inglaterra, nas primeiras décadas do séc. XX, ao documentar as condições de trabalho das fábricas têxteis, e que denunciou, através da fotografia, o trabalho infantil nelas existentes. Este livro é o terceiro deste autor lusoamericano em que aflora as suas memórias da sua infância e juventude passadas na cidade baleeira em plena Depressão. Na sua obra ficcional Charles Felix utiliza o nome de Gaw para a designar e escolheu ainda nomes fictícios para as ruas e diferentes sítios desta cidade do Estado de Massachusetts. O enfoque principal deste livro recai sobre a personagem Tony Alfama, um filho de emigrantes portugueses, cujo pai já havia falecido. Vive apenas acompanhado pela sua mãe, que através do trabalho como costureira consegue pôr comida na mesa para os dois. Tony: A New England Boyhood é claramente um romance de formação, onde se observa o percurso evolutivo da personagem principal através da sua adolescência e ainda o alicerçar da sua personalidade. Devido ao seu estilo criativo, a escrita de Charles Felix é bastante fluida e emocionante, o que faz com que o leitor devore página atrás de página, acompanhando as aventuras e desventuras de Tony Alfama. No primeiro capítulo desta obra vemos a personagem principal a tentar enquadrar-se no grupo da sua rua, mas a integração é tudo menos pacífica, sendo apenas tolerada pelos outros, apenas com o intuito de fazerem dele o seu bobo da corte e a vítima das suas ComunidadesUSA

piadas de mau gosto, ao que não estará estranho o facto dele ser de origem portuguesa, e logo visto como diferente. Mas esta fase da sua vida muda quando conhece Lommy, um rapaz da sua idade, a partir do segundo capítulo. Sendo esta uma nova fase da sua vida, estes rapazes tornam-se inseparáveis na sua vida e ainda no plano ficcional, pois esta profunda amizade e cumplicidade desenrolase ao longo de cinco capítulos. Apesar de não terem praticamente nenhum dinheiro conseguem viver mil e uma peripécia e aventuras, tentando encontrar diferentes maneiras de se divertirem. Segundo a nossa modesta opinião, esta amizade entre dois jovens apenas encontra paralelo, na literatura norte-americana, nas figuras de Tom Sawyer e Huckleberry Finn. Tony e Lommy têm em comum o facto de serem oriundos de diferentes etnias e filhos de emigrantes, o que fez com que enfrentassem problemas em comum na sua vivência diária numa cidade onde existiam algumas barreiras entre as diferentes classes e entre estas e os emigrantes. Apercebemonos disto através das suas descrições da Avenue em que num lado existiam as lojas e estabelecimentos chiques, destinadas a um August 2009

O enfoque principal deste livro recai sobre a personagem Tony Alfama, um filho de emigrantes portugueses, cujo pai já havia falecido. Vive apenas acompanhado pela sua mãe, que através do trabalho como costureira consegue pôr comida na mesa para os dois. segmento da população mais favorecida da cidade, e no outro as lojas, bares e estabelecimentos destinados aos pobres, aos desempregados, e aos emigrantes. A personagem Tony Alfama representa um pouco o próprio Charles Felix, e a sua vivência poderia ter sido a do próprio autor. As descrições que são feitas da cidade de Gaw só poderão ter sido feitas por alguém que tivesse vivido na pele a difícil vivência da Grande Depressão. Apercebemo-nos disso através das referências aos desempregados que se arrastavam languidamente pelas ruas, sem destino certo, ou que enchiam os bares, tentando afogar o desalento com álcool, aos indigentes que caminhavam pelas ruas, tentando sobreviver com o que pudessem apanhar, ao aspecto algo lúgubre de uma cidade que conhecera uma pujança económica que mudara por completo com o encerramento de muitas fábricas têxteis e sua consequente mudança para o sul. A descrição das vicissitudes do jovem Tony Alfama, as dúvidas e incertezas com que se defronta ao longo da sua adolescência afiguram-se-nos como sendo tão vívidas e realistas e iguais às enfrentadas por muitos jovens, mesmo nos tempos que correm. Merece especial referência o capítulo ‘Growing Up’, em que a jovem personagem descobre a sua sexualidade e desencadeia uma ávida procura por conhecimento acerca do sexo oposto e tudo o que com ele se relaciona. O texto deste capítulo poderá eventualmente chocar algumas mentalidades mais conservadoras, mas é o risco que o autor correu corre quando quis imprimir uma grande dose de realismo ao mesmo. Com o fim da frequência escolar de Tony, a personagem defronta-se com o principal dilema da sua vida: encontrar trabalho. (Conclui na página seguinte) 39


Enquanto que para o seu amigo Lommy isso não constituíra um problema, visto ter-se empregado no restaurante do pai, Tony teve que gastar as solas dos sapatos à procura de um primeiro emprego, o que não foi nada fácil, devido à conjuntura então existente, mas por fim o seu objectivo principal foi conseguido, fruto da sua perseverança e procura incessante. No último capítulo do livro merece um especial destaque a conversa entre Tony e o Senhor Caldeira, sendo que este último expressa a sua mágoa pelo facto das suas filhas se terem americanizado e não seguirem os mesmos padrões de vida que ele outrora tanto prezou e seguiu. Este conflito de gerações marca com uma certa tristeza o fim de uma era, o declínio, em certo modo, das tradições portuguesas, face ao estímulo da vida americana, mais estimulante, apelativa e ligada ao consumo desenfreado. Na figura da mãe de Tony, que nesta obra surge com mais incidência no primeiro e últimos capítulos, sendo uma personagem quase inexistente no miolo da obra, podemos ver alguns traços de um certo portuguesismo, pois a mesma é retratada como tendo alguns hábitos tão característicos das nossas gentes. Através da leitura de Tony: A New England Boyhood podemos constatar a existência de linha comum com as duas obras anteriores do mesmo autor relacionadas com a cidade de New Bedford: Through a Portagee Gate e Da Gama, Cary Grant and the Election of 1934. Através de todos estes livros, o autor traça um retrato sociológico da comunidade portuguesa, que antevemos que um dia será devidamente estudado por académicos que aqui encontrarão um campo fértil a explorar. E no caso deste último livro de Charles Félix, que consideramos como tendo um final aberto, entrevemos a possibilidade da existência de uma sequela para o mesmo, pois o leitor fica com o ávido desejo de saber mais acerca do percurso de Tony Alfama, com o qual estabeleceu um certo grau de cumplicidade através da leitura desta obra. Indo para além do plano ficcional, este livro constitui-se como um documento importante para caracterizar uma época na medida em que ao longo das suas páginas encontramos um manancial de informação dispersa, implícita e explícita, que alude às dificuldades sentidas por toda uma geração ComunidadesUSA

The author: Charles Felix Reis Charles Reis Felix was born in New Bedford, Massachusetts, one of four children of Portuguese immigrant parents. He attended local public schools and graduated from New Bedford High School in 1941. He studied at the University of Michigan from 1941-43, at which time he was drafted into the US Army. After the war he received his B.A. in history from Stanford University, and became an elementary school teacher. He is married, with two grown children, and lives with his wife Barbara in a cabin among the redwoods of Northern California. Felix's other publications include Crossing the Sauer (Burford Books, 2002), a bestselling account of his experience as a combat infantryman in WWII; Through a Portagee Gate (University of Massachusetts Dartmouth, 2004), a remarkably honest self-portrait and an endearing tribute to the author's father, a Portuguese immigrant cobbler who came to America in 1915; and Da Gama, Cary Grant, and the Election of 1934 (University of Massachusetts Dartmouth, 2005), the story of an election for mayor in a Massachusetts mill town in 1934 as seen through the eyes of a ten-year-old Portuguese boy. (from Portuguese in the Americas Series, Center for Portuguese Studies, UMass)

quando a economia da cidade baleeira mergulhou a pique com o encerramento das fábricas têxteis. Louvamos o empenho e o arrojo criativo de Charles Reis Felix em legar-nos mais uma obra de inegável interesse e ainda a aposta do “Center for Portuguese Studies and Culture” da UMass Dartmouth em trazer à luz do dia esta obra fascinante. Terminamos este breve comentário recomendando vivamente a leitura do livro Tony: A New England Boyhood, que poderá ser adquirido pela módica quantia de 20 dólares através do próprio centro de estudos que o editou. Os pedidos poderão ainda ser feitos através do telefone (508) 999 8255 ou do e-mail greis@ umassd.edu. August 2009

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A palavra “Saudades” Oh What a Beautiful Felling* Well my friends consider us very lucky. We have a term in our culture that is unique. ANTÓNIO SIMÕES

We know that language and culture are inter-related. Each culture has its own nuances and in many instances these nuances can not be fully translated from one language to another. For us, it is the term “saudades”. I have seen some translations such as “to belong for” or “to miss someone or something;” but these translations do not capture the cultural essence of the emotional meanings of the word. That is why when I think of “SAUDADES” and try to explain it to my American friends, I am in many ways lost for words. It is a term so culturally powerful that it is the essence of the Portuguese experience. For example when I say, “tenho saudades de Portugal,” it doesn’t just translate to “I miss Portugal.” When I say in English “I miss Portugal” it becomes a literal translation and does not capture the rest of my emotional make up of “tenho saudades de Portugal.” In Portuguese this “simple” phrase creates complex memories from my childhood, family, food, way of life, music, my education in Coimbra, playing clarinet “na Tuna Académica,” my relatives who are no longer alive, João António, Maria Manuela and so on. There are so many names, memories and events. As immigrants, and sons and daughters of immigrants, this term has a profound meaning. I think that many of us begin this process of “saudades” the minute we arrive in a foreign land that is not Portugal. This feeling is NOT a rejection of a new life, on the contrary. The literature and research suggest that most Portuguese immigrants adapt to new experiences and learn a new language in the country they have adopted to live and work. Here in the United States, most us ComunidadesUSA

integrate in the American experience and are proud to become American citizens. Still, we can feel and say “tenho muito saudades de Portugal.” I know an individual who left Portugal at the age of 23. First, he spend some time in Angola and India. In his early thirties, he decided to come and live in the United States. As he became more involved with his new culture, he became a fan of the Boston Bruins and the Boston Red Sox. His Sundays were occupied with sports either at home

or at the ballpark. He finally became an American Citizen and voted every November in the local and national elections. Still at home, everything was Portuguese. He only spoke Portuguese and made sure that his children maintained the Portuguese traditions. He did not forget Benfica or Sporting. He made sure he had cable TV to get the Portuguese channels and keep in touch with his native culture. He never wanted to be called an immigrant. He considered himself a Portuguese just living outside the Portuguese geographical area. When he saved some money, he bought some real estate in Oporto. I always thought why was he doing this? He lives here in the United States and August 2009

his ties to Portugal were now minimal. Well, I was in for a surprise. Yes, he had “saudades de Portugal.” This feeling was so powerful that he and his wife knew that it was real and cultural. He would share his feelings with many of his contemporaries and stated that after his retirement he would return to Portugal. Although he would maintain his house in the United States so he could visit his children and grandchildren, his “nest” was in Portugal. One day he told me that he and his wife were finally returning to Portugal. I was curious and asked him why he was returning. His response was simple and direct. “America is a great place. My children are grown and are educated and have a good life. But now when it rains, I can turn around and go back to sleep. When I get up, I want to see the lovely Serra da Estrela. I want to eat some figs from the tree. I want to see my old friends. When I want to see my children and grandchildren, it is simple. I can go to Lisbon and take a plane to the United States.” I was still curious and said: “But João, what about the Red Sox, the hockey games, your friends and family here in the United States?” João’s response was powerful. “António, don’t you know that we are blessed and cursed with the term saudades. It is our destiny. It is our poison and at th same time it is our medicine that cures all sickness. It replaces depression, anxiety, sadness, and all of the negative emotion s. It is a great feeling. Of course, I will have “saudades” of this country, my family andmany of my friends are here. But what can I do? We are who we are.” I responded in a simple way. “Pois é.” The conversation was over. I also shared his feeling of the term “saudade.” Well my friends consider us very lucky. We have a term in our culture that is unique. As I heard once in a Portuguese song, who ever invented this term must have cried. *Revised manuscript previously published 41


Passatempos

HUMOR Vespa

A mãe, ao ver a filha de 10 anos voltar da pescaria com o pai, com o rosto todo inchado, fica indignada: — Minha filha, o que aconteceu? — Foi uma vespa, mama... — Ela picou-te? —  Não deu tempo... o papa matou-a com o remo!

Os amigos dos Homens

O marido passou toda a noite fora de casa. Na manhã seguinte explicou à mulher que tinha dormido em casa do seu melhor amigo. A esposa telefonou então para 10 dos melhores amigos do marido. Cinco deles confirmaram que ele tinha passado lá a noite. Os restantes 5, para lá de confirmarem que ele passou lá a noite, garantem que ele ainda lá está em casa.

Rapidez

Um caracol ia a atravessar a estrada e foi atropelado por uma tartaruga. Quando acordou nas urgências do hospital perguntaram-lhe o que é que lhe tinha acontecido: — Como é que quer que eu saiba?! Foi tudo tão depressa!

Ofícios

— Quanto é a consulta, doutor? — São 500 euros. — Quinhentos? Não tem um desconto para um colega de profissão? — O senhor também é médico? — Não, eu também sou ladrão!

Paão com manteiga

P: Sabes o que a manteiga diz para o pão quente? R: Quando passo por ti derreto-me.

Palavras Cruzadas

por Jim Rainho

HORIZONTAIS 1 - O primeiro a arvorar em Lisboa a bandeira nacional depois da restauração em 1640. (3 palavras); 7 - Sede de conselho em Faro. Sitio turístico à beira do Atlântico.; 9 - Famosa e pitoresca ilha da baia de Guanabara, Brasil. Muito cantada pelos poetas.; 10 - Romance histórico de Camilo Castelo Branco, fundado sobre factos da vida do médico português, Brás Luís de Abreu. (3 palavras); 11 - Livro de Onésimo Teotónio Almeida. Publicado em 1983. (2 palavras) VERTICAIS 1 - Grupo de jovens fidalgos que se formou para auxiliar D. João I na defesa de Portugal contra Castela. Cobriu-se de glória na batalha de Aljubarrota. Comandava-a Mem Rodrigues de Vasconcelos. (3 palavras); 2 -Vocalista português que cantou em português na cena do casamento no filme Mystic Pizza. (2 palavras); 3 Espécie de circo para briga de galos. Especialmente usada no Brasil; 4 Invenção de Pedro Nunes, matemático português. Instrumento de matemática, para medir com a máxima exactidão as fracções de uma divisão numa escala graduada..; 5 - Em que ilha de Cabo Verde chamam o pico da ilha ‘tope da coroa’? (2 palavras); 6 - Antigo actor cómico de revistas e cinema. Em filmes tal como’‘Pátio das Cantigas’, ‘Menina da Rádio’, etc. 8 - Cidade no estado de São Paulo, Brasil.

Dicionário do cão

esposa do cão- cãopanheira filho do cão - cãochorro padrinho do cão - cãopadre primo do cão - cãobrito matrimónio do cão - cãosamento luta do cão - cãobate arma do cão - cãonivete música do cão - cãoção luz do cão - cãodeeiro roupa do cão - cãomisa cão da russia- cãomunista cão sem coragem - cãobarde carro do cão - cãomião rua do cão - cãominho cão que faz música - cãopositor

Dominós s Substituia as quatro peças de dominós em branco pelas de cor que se encontram em baixo, de modo que o tal da soma de todas as linhas, colunas e das duas diagonias princpais seja o mesmo.

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ComunidadesUSA #18  

Edição nº 18 da revista ComunidadesUSA

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