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BRASIL ENGENHARIA I ISSN 2675-7532 REVISTA BRASIL ENGENHARIA

Fundadores Apparício Saraiva de Oliveira Mello (1929-1998) Ivone Gouveia Pereira de Mello (1933-2007)

Rua Alice de Castro, 47 - Vila Mariana CEP 04015 040 - São Paulo - SP - Brasil Tel. (55 11) 5575 8155 (55 11) 5575 1069 E-mails: brasilengenharia@terra.com.br engenho@uol.com.br Número avulso: R$ 39,00 www.brasilengenharia.com

DIRETOR EDITORIAL RICARDO PEREIRA DE MELLO DIRETORA EXECUTIVA MARIA ADRIANA PEREIRA DE MELLO JUL/AGO/SET - 2021 - ANO 2 - N.º 04 BRASIL ENGENHARIA. Diretor Editorial: Ricardo Pereira de Mello. Diretora Comercial: Maria Adriana Pereira de Mello. CONSELHO EDITORIAL: Álvaro Rodrigues dos Santos, Apparício de Mello Neto, Frederico Bussinger, Luís Antônio Seraphim, Maria Adriana Pereira de Mello, Nestor Soares Tupinambá, Paulo Helene, Paulo Resende, Pedro Luis Dias Martins, Pedro Moreira, Peter Ludwig Alouche, Permínio Alves Maia de Amorim Neto, Regina Trombelli, Ricardo Pereira de Mello. ENGENHO EDITORA TÉCNICA. Diretor Editorial: Ricardo Pereira de Mello. Diretora Comercial: Maria Adriana Pereira de Mello. Redação / Reportagem: Regina Trombelli. Fotógrafo: Ricardo Martins. Editoração: Adriana Piedade / ZAF - Ateliê de Publicidade e André Siqueira / Via Papel. Gerente Administrativo: Leonardo de Mello Moreira. Criação e Arte: André Siqueira / Via Papel. Impressão e Acabamento: Meltingcolor Gráfica. REDAÇÃO, ADMINISTRAÇÃO E PUBLICIDADE: Engenho Editora Técnica Ltda. Rua Alice de Castro, 47 - Cep 04015 040 - São Paulo - SP - Brasil - Tels. (55 11) 5575 8155 - 5575 1069. Circulação nacional: A REVISTA BRASIL ENGENHARIA é distribuída a engenheiros brasileiros que desenvolvem atividades nas áreas de engenharia, projeto, construção e infraestrutura. A REVISTA BRASIL ENGENHARIA e a Engenho Editora Técnica não se responsabilizam por conceitos emitidos por seus colaboradores ou a precisão dos artigos publicados. Só os editores estão autorizados a comercializar as edições. Periodicidade: Trimestral.

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. NENHUMA PARTE DESTA PUBLICAÇÃO (TEXTOS, DADOS OU IMAGENS) PODE SER REPRODUZIDA, ARMAZENADA OU TRANSMITIDA, EM NENHUM FORMATO OU POR QUALQUER MEIO, SEM O CONSENTIMENTO PRÉVIO DA EDITORA OU DO CONSELHO EDITORIAL DA REVISTA BRASIL ENGENHARIA

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BRASIL ENGENHARIA / CONSTRUÇÃO

GIGANTE DA IMPERMEABILIZAÇÃO INVESTE EM STARTUPS

Alexandre Quinze, CEO da Trutec, impulsionadora de startups de soluções tecnológicas para construção

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BRASIL ENGENHARIA / ENTREVISTA

ADRIANO PIRES Diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) “A SEMELHANÇA ENTRE AS CRISES DE ENERGIA É QUE TODAS FORAM CAUSADAS POR FALTA DE ÁGUA NOS RESERVATÓRIOS”

Falta de diversidade na matriz energética e planejamento de longo prazo. Essas são as principais falhas que levaram o Brasil a enfrentar em 2021 mais uma crise de energia, na avaliação do economista Adriano Pires, sócio-fundador e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), com mais de 30 anos de experiência no setor de energia, sendo sua última participação no governo na Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP). Doutor em Economia Industrial pela Universidade Paris XIII e mestre em Planejamento Energético pela COPPE/UFRJ, Pires desenvolve atividades de pesquisa e ensino nas áreas de economia da regulação, economia da infraestrutura, aspectos legais e institucionais da concessão de serviços públicos e tarifas públicas.

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BRASIL ENGENHARIA / LIDERANÇA EM FOCO

VINÍCIUS MARCHESE Presidente do Crea-SP

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TRANSFORMAÇÃO DIGITAL E MAIS FISCALIZAÇÕES SÃO METAS DO CREA-SP

“Um dos nossos principais desafios é a continuidade da prestação de serviços relevantes para a sociedade, com uma fiscalização eficiente que resulte em mais profissionais habilitados à frente das atividades técnicas, com maior segurança para a população”, afirma o engenheiro Vinícius Marchese, que iniciou este ano seu segundo mandato consecutivo como presidente do Crea-SP. Maior conselho de fiscalização de exercício profissional da América Latina e um dos maiores do mundo, o Crea-SP tem hoje cerca de 350 000 profissionais e 95 000 empresas registradas. Anualmente, recebe cerca de 25 000 novos registros. O órgão tem a meta de alcançar 200 000 fiscalizações este ano. Até o início de agosto, já haviam ocorrido 105 000 ações, o que representa 95% do que foi realizado em todo o período de 2020.

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CAPA

CRISE HÍDRICA E O SETOR ELÉTRICO Fotos: Arquivo BRASIL ENGENHARIA e divulgacão Criação: André Siqueira / Via Papel

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CRISE HÍDRICA E O SETOR ELÉTRICO OS LADOS OPOSTOS DA MESMA MOEDA

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“Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza”. A letra da música de Jorge Ben Jor poderia ter sido escrita em homenagem às múltiplas possibilidades de geração de energia elétrica no Brasil. Afinal, aqui temos abundância de sol, vento, gás natural, água (apesar da seca atual) e até mesmo urânio – citando somente os mais populares. Também não faltam soluções de engenharia, locais ou trazidas de fora. E tem quem afirme que tão pouco falta dinheiro para investimento. Ou seja, poderíamos ter fontes diversas, intermitentes ou não, em maior equilíbrio e ainda privilegiar as de emissão zero de carbono, contribuindo para diminuir a crise climática mundial. Mas, apesar de ter uma das matrizes geradoras mais limpas do mundo, a pouca diversidade das fontes faz o Brasil correr risco de apagão de energia pela terceira vez em 20 anos, ao viver sua pior crise hídrica nos últimos 91 anos. Por que o país chegou, mais uma vez e em tão curto espaço de tempo, a um problema já conhecido?

COMPROMETIMENTOS ESTRUTURAIS DE EMPREENDIMENTOS INSTALADOS EM ORLAS MARÍTIMAS OU MARGENS DE RIOS Álvaro Rodrigues dos Santos

BRASIL ENGENHARIA SANEAMENTO / ARTIGO

ESTUDO DE CASO: A CONCESSÃO DA CASAL José Eduardo W. de A. Cavalcanti

CARTA DA BRASIL ENGENHARIA CARTAS ESPAÇO LEITOR BRASIL / RÁPIDAS CENAS DA VIDA CIÊNCIA & TALENTO ARTE & VINHO LIVROS TÉCNICOS PONTO DE VISTA WWW.BRASILENGENHARIA.COM WWW.BRASILENGENHARIA.COM

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BRASIL ENGENHARIA GEOLOGIA / ARTIGO

A MISSÃO DA BRASIL ENGENHARIA Promover e desenvolver a engenharia em benefício da qualidade de vida da sociedade. Executar esse objetivo com a divulgação de projetos e pesquisas de desenvolvimento e as conquistas dos profissionais do setor. Tem como meta: valorização da engenharia; promoção da qualidade e credibilidade dos engenheiros; prestação de serviços à sociedade; analisar e publicar manifestações dos engenheiros sobre políticas, programas e ações governamentais, e a melhor técnica de execução dos projetos. Nossas publicações estarão dirigidas para a comunidade em geral; para os órgãos públicos e organizações não governamentais; para as empresas do setor industrial, comercial e de serviços; para as empresas de engenharia, engenheiros e profissionais de nível superior em geral; para os institutos de pesquisas, escolas de engenharia, cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado; empreiteiras e projetistas; e infraestrutura em geral.

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CARTA DA BRASIL ENGENHARIA

À espera da reestruturação do setor elétrico

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e há um ponto convergente nas discussões sobre o sistema elétrico brasileiro é a necessidade de abertura do mercado de energia, que dará direito a todos os consumidores, industriais e residenciais, de escolher de onde comprar sua energia. O Projeto de Lei 414/2021, o Novo Marco do Setor Elétrico, trará a possibilidade de mudanças estruturais que resultarão em competitividade e oferta, conta mais barata, maior diversidade da matriz e da geração da energia limpa (vinda de fontes renováveis, especialmente a solar fotovoltaica, a eólica e depois a biomassa), geração de emprego, além de fartura na oferta, indispensável para um país que precisa se desenvolver e se recuperar de uma crise. O mercado livre de energia já é realidade nas maiores economias do mundo. A Europa iniciou esse processo em 2008. Na avaliação de especialistas, associações e do próprio governo, o projeto de lei – que aguarda tramitação na Câmara dos Deputados desde o primeiro trimestre do ano – trará a segurança jurídica que o setor precisa para atrair os investimentos necessários para ampliar a geração de energia.

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Para além das renováveis, as opções para geração de energia no Brasil sempre foram diversas. Do gás natural, petróleo, carvão mineral até a nuclear, são muitas opções, com seus prós e contras, a serem desenvolvidas para que o país não seja dependente das hidrelétricas e das variações climáticas. Mas não houve até hoje a estratégia, planejamento e ação necessárias para diversificar a matriz, priorizar as fontes com menor emissão de carbono (embora o país tenha uma das fontes mais limpas do mundo), paralelamente às que não são suscetíveis às condições climáticas. Nesse momento, com as crises hídrica, de energia e econômica, todos pagamos o preço da falta de previsibilidade e atitude dos governos, enquanto rezamos por chuva e para que a conta não suba mais. Se as medidas previstas para impulsionar o setor nos próximos 10 anos forem colocadas em prática, sem interrupções, como o novo marco, temos a esperança de não termos tão cedo que passar por tanta provação. A REDAÇÃO

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CARTAS A ECONOMIA QUE VEM DO SOL “Mais de um quarto da conta de luz residencial das famílias brasileiras refere-se ao chuveiro elétrico. Assim, substituí-lo representa significativa economia mensal, fator muito importante para o orçamento doméstico, em especial neste momento de redução da renda, desemprego e dificuldades provocadas pela Covid-19, bem como de pressão sobre as tarifas de eletricidade em decorrência da crise hídrica. A alternativa mais econômica, ambientalmente correta e capaz de proporcionar água quente com segurança e conforto é o aquecedor solar. Para instalar o novo equipamento, há, claro, um investimento inicial, cujo retorno financeiro é compensatório, em torno de 2 a 3 anos. Imaginem uma conta de energia elétrica mensal de cem reais. Deste total, 25 reais referem-se exclusivamente ao gasto com o chuveiro elétrico, fator que corrobora a pertinência de trocá-lo pelo calor que vem do Sol. É importante salientar que os coletores solares são completamente desconectados da rede elétrica, não gerando custos adicionais de medição. Os aquecedores solares de água são cerca de quatro vezes mais eficientes do que os painéis fotovoltaicos e atendem a aplicações residenciais de baixa até alta renda. São a alternativa mais eficaz para a redução expressiva do consumo nos chuveiros elétricos, que sobrecarregam muito o sistema no horário de ponta (entre 18 e 21 horas), representando mais de 7% de toda a eletricidade gasta no País e 37% no setor residencial neste horário, segundo dados do Balanço Energético Nacional da Empresa de Pesquisa Energética (EPE, 2020 e PPH, 2019). A tecnologia dos aquecedores solares de água está presente no Brasil há mais de 40 anos. É 100% nacional, gera empregos apenas no País e usa matérias-primas totalmente brasileiras. ‘Além disso, nosso parque fabril está preparado para atender a demandas bem mais elevadas, pois, em razão das

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recentes crises econômicas e paralisação dos programas habitacionais e de eficiência energética, sua ociosidade atual é de aproximadamente 55%’. As famílias brasileiras, além de reduzirem suas contas de luz, contribuirão muito para reduzir as ameaças de apagão e/ou de racionamento de energia, ao substituírem seus chuveiros elétricos. A eletricidade consumida por estes pode ser carreada para mover a indústria, a agricultura e os setores produtivos, o que também beneficia todas as pessoas, reduzindo os riscos de paralisação das empresas e aumento do desemprego. Os aquecedores solares são uma importante, barata e fundamental solução para garantir a segurança energética, pois promovem a eficiência, proporcionam redução da emissão de gases de efeito estufa e, portanto, dos efeitos relativos às mudanças climáticas. O aquecedor solar de água é o único eletrodoméstico que economiza energia, ante milhares de novos chuveiros elétricos, eletrodomésticos e eletroeletrônicos incorporados diariamente às residências, que aumentam de modo crescente a demanda atual de eletricidade. É um equipamento que faz bem ao bolso, ao País e ao meio ambiente.” Oscar de Mattos Presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Térmica (Abrasol) São Paulo - SP

SETOR DE ENERGIA ELÉTRICA: OPORTUNIDADE OU RISCO EM 2021? “O reajuste da bandeira tarifária vermelha 2, anunciado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), levou o mercado a revisar suas projeções para a inflação em 2021. As estimativas passaram a variar entre 6% e 6,71%, acima do teto da meta, que era de 5,25%. O acréscimo no valor da conta de luz será usado para bancar os custos com a

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maior utilização das usinas termoelétricas, em função da baixa recorde dos reser vatórios de água e do risco de um novo desabastecimento de energia no País. A taxa extra cobrada passou de 6,24 reais para 9,49 reais a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. O fato é que a crise hídrica que vem se instalando no País já reúne prejuízos, principalmente para as geradoras dependentes das hidrelétricas, que, sem água nos reser vatórios, terão de recorrer a preços elevados do mercado de curto prazo para honrar seus contratos de fornecimento. As distribuidoras, por sua vez, podem sofrer com a queda de consumo, maior inadimplência e, ainda, com furtos de energia, consequências dos aumentos da conta de luz em meio à crise. E isso já se traduz em perda de valor. Desde o alerta do governo de emergência hídrica, em 28 de maio, as empresas do segmento foram as que mais se desvalorizaram na Bolsa.

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As hidrelétricas já operavam com dificuldade em 2020. O fantasma do apagão só não apareceu à época porque, com a pandemia de Covid-19 e a economia desacelerada, o consumo também caiu. Mesmo com o risco de um apagão batendo à porta do Brasil, ainda é possível assegurar a retomada das atividades empresariais, sem solução de continuidade, mantendo a aceleração da nossa economia. Para isso, investir em grupos geradores, com o objetivo de garantir a autonomia energética e assegurar a disponibilidade do sistema de geração de energia, tornou-se imprescindível. Tanto que a Stemac, maior especialista nacional na fabricação e comercialização de grupos geradores, registrou um aumento de 35% em suas demandas nos últimos 60 dias. A procura se deve ao temor da falta de energia, nas prestadoras de serviços indispensáveis, como hospitais, supermercados e farmácias, além de empresas, shoppings, indústrias e até

condomínios residenciais, numa tentativa de evitar grandes transtornos. Nesse sentido, a empresa oferece soluções eficazes, seguras e imediatas, capazes de garantir energia 24h, sem interrupção, com uma relação custo-benefício compatível com o atual momento. No entanto, é importante que as pessoas também adotem um comportamento consciente e assumam o compromisso de evitar o desperdício de energia, revendo hábitos individuais e coletivos do dia a dia que contribuam para preser var água nos reser vatórios e para reduzir a geração termoelétrica. E, ainda, que o governo implemente uma campanha voluntária de economia, só assim poderemos diminuir o custo total da produção de energia. Por fim e não menos importante, vamos torcer para que chova. E muito!” Valdo Marques Vice-Presidente Executivo da Stemac Porto Alegre - RS

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CARTAS A POLUIÇAO NO MÉDIO TIETÊ “Na data de 29/08/2021 moradores de Salto, localizada a 100 km da Capital na região do Médio Tietê, despertaram abalados com tonalidade escura de lama na água do Rio Tietê que cruza o centro da cidade. Sabe-se que a tal lama é descarregada criminosamente pelo túnel de fundo da barragem de Pirapora, mediante operação de manejo de comporta sob a responsabilidade da EMAE. A construção do túnel, por ordem do então governador Fleury, cujo relatório de impacto ambiental jamais foi dado ao conhecimento às autoridades e ambientalistas das cidades ribeirinhas do interior, data de aproximadamente 1995, portanto 6 anos após a aprovação da Constituição do Estado de São Paulo de 1989. O artigo 208 da referida Carta Magna proibiu ações que resultassem em incrementos de poluição nos rios do Estado. A implantação desta obra, sob a complacência do CONSEMA – Conselho Estadual do Meio Ambiente e das entidades ambientalistas sediadas em São Paulo, desrespeitou a Constituição do Estado. De fato, era sabido que o objetivo do projeto era aumentar a descarga de enchentes do rio e arrastar o lodo venenoso acumulado no fundo do reservatório de Pirapora, de modo a transferir o débito ambiental para o Médio Tietê. A função do túnel era promover a sucção de resíduos venenosos sedimentados no fundo daquele reservatório e transferir tais poluentes para o Médio Tietê. O plano de Fleury tinha em vista atender ao clamor de um conjunto de interessados na higienização da Capital, que incluíam ambientalistas a serviço de empreendedores imobiliários na região do Rio Pinheiros e políticos ávidos por votos dos eleitores da Região Metropolitana. Desta forma, desde 1995, as águas do Tietê passaram a carrear a poluição de resíduos altamente venenosos, transferindo para as cidades ribeirinhas do Médio Tietê prejuízos à economia, meio ambiente, saúde da população no trecho de mais de 200 km desde Pirapora até a represa de Barra Bonita. Em 2014, governo Alckmin, após um evento de descarga dos poluentes para a jusante da barragem, ocorreu um evento de mortandade de peixes que alcançou 40 toneladas na cidade de Salto, sem que o desastre despertasse o clamor das entidades ambientalistas da Capital. Na oportunidade a Cetesb, após análise do

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fenômeno apontou a causa da mortandade de peixes como decorrente de lodos venenosos descarregados pelo túnel de fundo da barragem de Pirapora. Laudo Técnico elaborado pela Cetesb determinou que o Governo do Estado deveria dragar esse lodo, promover a contenção do mesmo em depósitos apropriados e executar tratamento até recuperá-lo. Em seguida aplicou multa pesada sobre a EMAE, responsável pela liberação do lodo. A Empresa se recusou a pagar, enquanto que os governantes que se seguiram a Alckmin preferiram retirar o lodo acumulado no fundo do Rio Pinheiros ao invés de retirá-los do reservatório de Pirapora, atendendo aos interesses imobiliários da região e planos eleitorais de políticos da Capital. Apesar da gravidade do problema, nenhuma das entidades que se intitulam como ambientalistas da Região Metropolitana de São Paulo, inclusive a mais conhecida delas a SOS Mata Atlântica, jamais se mobilizaram para denunciar os constantes acidentes no meio ambiente que se abatem sobre o interior. Em meados de 1995 o Governador Covas convocou uma Audiência Pública para acontecer na cidade de Tietê, sob a coordenação do então Secretário de Estado da Energia e Saneamento, com a presença de todos os Prefeitos das cidades do Médio Tietê, desde Pirapora até Barra Bonita. O objetivo do encontro era definir uma solução para a questão das enchentes, lixo sobrenadante, águas lamacentas exportadas pela Região Metropolitana de São Paulo, em face dos prejuízos suportados pelas cidades do interior. Na oportunidade também estavam presentes duas entidades ambientalistas, a SOS Mata Atlântica e o Instituto de Estudos Vale do Tietê (Inevat). Ao final da Audiência Pública de Tietê, ficou registrado em Ata do CONSEMA, que o Governo do Estado deveria instalar barreiras de lixo dentro do território da cidade de São Paulo, de modo a impedir a exportação para o Médio Tietê. O compromisso assumido em Audiência Pública que o Governo de São Paulo cumpriu. No presente momento a mesma SOS Mata Atlântica promove a instalação de uma barreira de lixos flutuantes exportados pela Região Metropolitana de São Paulo que deverá acumular o total anual avaliado em 25.000 toneladas de entulhos, sem qualquer debate com as comunidades ribeirinhas do Tietê. Ocorre que a obra em execução pela entidade constitui crime ambiental, de vez que a seção escolhida para a instalação da barreira, encontra-se na linha em que o rio estabelece limite entre as cidades de Itu e

de Salto, posicionada ao montante da corredeira no rio dentro do Parque das Lavras, área de incalculável valor ambiental e cultural. Neste caso a SOS Mata Atlântica precisa explicar para as comunidades ribeirinhas do Médio Tietê, a quem esta entidade presta seus serviços, que envergonham o movimento ambientalista do Estado de São Paulo.” Ismar Ferrari Coordenação técnica no Inevat Instituto de Estudos Vale do Tietê São Paulo - SP

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA BORDA: POSSIBILIDADES PARA O VIDEOMONITORAMENTO “Computação em borda significa mais capacidade para dispositivos conectados. Em um sistema de videomonitoramento, representa que mais ações podem ser realizadas nas próprias câmeras. O papel da inteligência artificial (IA), (aprendizado de máquina e aprendizado profundo) em vigilância por vídeo vem ganhando força, uma vez que podemos ‘ensinar’ nossas câmeras a serem mais intuitivas sobre o que filmam e analisam em tempo real. Por exemplo, o veículo na cena é um carro, ônibus ou caminhão? É um humano ou um animal próximo ao prédio? São essas sombras ou um objeto na estrada? Os avanços reduzem a necessidade do envolvimento humano na análise de dados e tomada de decisões. Em último caso, deve acelerar o tempo de resposta, o que poderá salvar vidas e fornecer informações valiosas que podem moldar o futuro dos edifícios, cidades e sistemas de transporte. Como podemos transformar a vigilância por vídeo? Atualmente, a maior parte das análises de imagens de câmeras de segurança na borda apenas mostram quando algo ou alguém está em movimento. Após essa análise inicial do sistema de gerenciamento de vídeo (VMS) em servidores centralizados, é preciso um ser humano para interpretar exatamente o que é o evento e se apresenta alguma ameaça ou risco à segurança. Para entender se um objeto é um veículo, um ser humano, um animal ou qualquer coisa, podemos ‘treinar’ um sistema de vídeo para detectar e classificar o objeto. A análise detectaria que um veículo acionou um alerta e com a WWW.BRASILENGENHARIA.COM

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tecnologia de aprendizado profundo (Deep Learning) inteligente poderíamos entrar em mais detalhes: que tipo de veículo é? Esta é uma área que pode causar problemas em potencial ou há perigo imediato? É um ônibus quebrado que pode colocar as pessoas em perigo durante o desembarque? Benefícios da análise na Borda. A maior precisão da análise de borda e a capacidade de distinguir entre várias classes de objetos reduzem a taxa de falsos positivos. Com isso, diminui também o tempo e os recursos para investigar falsos alarmes. De forma proativa, a análise de borda cria uma resposta mais apropriada e efetiva. Por exemplo, a execução de análises de IA na borda pode identificar objetos em uma rodovia e alertar os motoristas. Ainda assim, a capacidade de aprendizagem ajuda a distinguir entre um ser humano e um veículo, podendo ajudar a definir o nível de gravidade dos avisos emitidos aos motoristas. Se as câmeras avistassem alguém em perigo na estrada, poderiam ativar automaticamente e de maneira autônoma a sinalização para reduzir a velocidade do tráfego e alertar os serviços de emergência.

Com o tempo, os desenvolvedores por trás da análise são capazes de identificar tendências úteis para o planejamento e gerenciamento de tráfego, assim como para outras autoridades interessadas no comportamento e conservação de animais silvestres que possam atravessar a pista, por exemplo. Ser capaz de diferenciar o tipo de tráfego (pedestres, ciclistas, motoristas, veículos comerciais) fornece informações valiosas sobre tendências que colaboram com o trabalho dos engenheiros civis no planejamento das cidades inteligentes do futuro. Converta dados brutos em informações analíticas. Outro benefício importante da análise de borda é que o processo é realizado nas imagens de vídeo da mais alta qualidade, o mais próximo possível da fonte. Em um modelo tradicional, quando a análise ocorre em um servidor, o vídeo geralmente é compactado

antes de ser transferido, portanto, a análise é feita em vídeo de qualidade reduzida. Além disso, quando a análise é centralizada, ocorrendo em um servidor, quanto mais câmeras são adicionadas à solução, mais dados são transferidos, criando a necessidade de adicionar mais servidores para lidar com a análise. Implementar análises poderosas na extremidade significa que apenas as informações mais relevantes são enviadas pela rede, reduzindo o uso da largura de banda e de armazenamento.” Sergio Fukushima Gerente de Soluções da Axis Communications São Paulo - SP

Como contatar a BRASIL ENGENHARIA Comentários sobre o conteúdo editorial da BRASIL ENGENHARIA, sugestões e críticas devem ser encaminhadas para a redação: Rua Alice de Castro, 47 – CEP 04015 040 – São Paulo – SP – Fax (11) 5575 8155 ou 5575 1069 – ou por E-mail: engenho@uol.com.br

As cartas à redação devem trazer o nome, endereço e número da cédula de identidade do leitor, mesmo aquelas enviadas pela internet. Por questões de espaço e clareza a revista reserva-se o direito de resumir as cartas.

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ESPAÇO LEITOR O IMPACTO DA MINERAÇÃO NO MERCADO BRASILEIRO

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DANIEL PETTA*

mineração se faz presente em terras brasileiras desde a época da colonização. Para ser mais preciso, a busca por metais valiosos e pedras preciosas teve início no século XVII, marcando as primeiras atividades socioeconômicas do setor de mineração no país. Com a exploração mineral, o Brasil passou por sensíveis transformações econômicas e um novo polo econômico cresceu, principalmente no sudeste. Atualmente, as empresas de extração de minérios contribuem muito para a geração de empregos diretos e indiretos, além de terem uma participação expressiva no recolhimento de tributos. De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego, o setor de extração mineral iniciou o segundo semestre de 2019 com 173.642 trabalhadores e finalizou com 175.942, gerando 2.300 novos postos de trabalho. Já em 2020, apenas na cidade de Parauapebas, no Pará, foram registradas quase 7.600 novas contratações. Nesse contexto, esse número vem aumentando em todas as regiões onde existem empresas de extração. De acordo com o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), o setor de mineração representa hoje 5% do PIB brasileiro. No balanço do setor no ano de 2020, divulgado pelo instituto recentemente, foram recolhidos 66,2 bilhões de reais em impostos, encargos e taxas para o setor público, além de 6,08 bilhões de reais da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), o que resultou no total de impostos pagos da ordem de 72,2 bilhões de reais. Além disso, o setor faturou 208,9 bilhões de reais (excluindo-se petróleo e gás) em 2020, 36,2% a mais em relação a 2019. A organização ainda revelou que o segmento registrou alta de 95% no faturamento no primeiro trimestre de 2021 em comparação ao mesmo período de 2020. O relatório mostrou também que as exportações brasileiras alcançaram 12,3 bilhões de dólares. Já a arrecadação da CFEM chegou a 2,1 bilhões de reais, 17,6% menor que no trimestre anterior, e 103% superior ao mesmo período de 2020. Quando o assunto é investimento, o órgão estima que o setor mineral brasileiro pode receber cerca de 38 bilhões de dólares no período de 2021 a 2025.

DESENVOLVIMENTO DO BRASIL X DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA DE MINERAÇÃO Com o avanço da mineração no Brasil, a tecnologia também se desenvolveu e importantes invenções como a máquina à vapor, câmara de condensação, locomotiva, lâmpada de segurança e até mesmo a dinamite foram criadas para auxiliarem no trabalho realizado nas indústrias de mineração, otimizando os proces-

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sos extrativos e logísticos. E, até hoje, essas evoluções tecnológicas ocorrem em torno das mineradoras. De fato, o desenvolvimento da indústria de mineração trouxe e ainda traz inúmeros benefícios para o desenvolvimento do Brasil: geração de empregos, influência no PIB nacional, equilíbrio econômico, novas tecnologias industriais, entre outras vantagens. Porém, todos esses benefícios e crescimento exigem um custo, o qual na maior parte das vezes é pago pelo meio ambiente. A mineração, apesar de ser essencial para o desenvolvimento socioeconômico do país, apresenta grande potencial de impactos ambientais negativos quando realizada de maneira incorreta, seja na falta de planejamento ou na ausência de fiscalização. Desde a época colonial há históricos da degradação da paisagem, do desmatamento, da poluição e contaminação dos recursos hídricos, da poluição ambiental, contaminação e compactação do solo, redução da biodiversidade, entre outros fatores que afetam diretamente o meio ambiente. No entanto, atualmente o Brasil conta com diversos órgãos responsáveis por fiscalizar a atividade mineradora, bem como o cumprimento da legislação acerca da exploração dos recursos minerais, tais como o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Ministério de Minas e Energia (MME), o Serviço Geológico do Brasil e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O FUTURO DO MERCADO DE MINERAÇÃO O mercado de mineração é um dos principais focos para a economia brasileira. Pelo fato de serem consumidores promissores, as mineradoras são consideradas um dos setores com o maior mix de produtos vendidos ao mercado. As diferentes áreas existentes dentro de uma planta de mineração e a troca de experiência com cada uma delas fazem com que seja possível identificar novas oportunidades de aplicação para produtos e contribui no desenvolvimento de novas ferramentas para o segmento, movimentando dessa maneira o mercado industrial brasileiro. Apesar do cenário econômico desafiador que o mundo enfrenta com a pandemia, a indústria brasileira de mineração cresceu em 2020 e a expectativa neste ano é que as empresas brasileiras continuem investindo no crescimento extrativo e nas importações, uma vez que o próprio governo está se empenhando para conceder novas liberações de exploração. Dessa maneira, a tendência é que a indústria de mineração cause a cada ano mais impacto positivo no mercado brasileiro, contribuindo com o desenvolvimento tecnológico e socioeconômico do país. * Daniel Petta é gerente de Grandes Contas de Mineração e Siderurgia da Fluke do Brasil, companhia líder mundial em ferramentas de teste e medição presente em diversos segmentos da indústria www.brasilengenharia.com

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COMO A UFRGS IMPLANTOU O EMPREENDEDORISMO NA ESCOLA DE ENGENHARIA SIMONE RAMIRES* Escola de Engenharia (EE) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) atualmente possui aproximadamente 5 000 alunos de graduação e mais 2 200 alunos de pós-graduação, sendo importante destacar que o desafio de formar engenheiros empreendedores e inovadores na Escola de Engenharia (EE) da UFRGS surge desde o momento em que os calouros dos 13 cursos de Engenharia são inseridos na universidade e sendo desafiados a propor projetos de melhorias que tenham viés sustentável, abrangendo as esferas econômica, social e ambiental alinhadas aos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU. A UFRGS compreendeu seu papel como peça-chave e teve a percepção de que o desafio de formar engenheiros empreendedores e inovadores surge desde o momento em que os calouros são inseridos na universidade. Para isso, implementou o projeto “Desafio dos Calouros da Escola de Engenharia” – “Como tornar a UFRGS mais sustentável”, realizado pelo Núcleo de Ações Discentes (NADI) em parceria com o Instituto de Física e Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH), onde tem como objetivo desenvolver experiências vivenciais que permitam a construção de conhecimentos para fomentar a inovação, a criatividade e o espírito empreendedor nos alunos dos diferentes cursos de graduação da UFRGS, bem como suscitar o debate acerca das etapas para o empreendimento de um negócio, analisar os elementos influenciadores neste processo e discutir questões de posicionamento em mercados como, por exemplo, verificar o investimento inicial para iniciar o projeto e também o retorno. Além disso, o calouro desenvolve senso crítico, engajamento e identifica as lacunas de melhorias e/ou intervenções na universidade e desenvolve competências para gerir um projeto, ter responsabilidade social e associar inovação e empreendedorismo e o senso de pertencimento. Como resultado dessa proposta, foi possível observar o surgimento

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de vários projetos desde a sua primeira edição em 2017/1 até 2020/2 relacionados à sustentabilidade e melhoria das condições de infraestrutura da universidade, entre eles: “Árvore Solar na Escola de Engenharia, T.U: transporte universitário, Ciclo Camp: mobilidade no campus do Vale da UFRGS, Solis: energia renovável, Me Perdi: App para PcD, GURI: rotas interativas, CONSERTA UFRGS, Reliqua Biogás, Naturae Plastic, Fila Virtual: App para Restaurante Universitário, Contêineres como Espaço de Convivência na Universidade(AMEVIL), RyskTech: tecnologia em prol da segurança dos laboratórios da UFRGS, IluminaTchê: iluminação sustentável no Campus do Vale, Trote pelo Amanhã, Alta Scientia: Ensino Hibrido e Re-TEC”. Todos os projetos possuem mentores, alunos de graduação, pós-graduandos e alguns desses projetos foram contemplados com Bolsa de Empreendedorismo ofertado pela Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico (SEDETEC) vinculado a Pró-Reitoria de Inovação da Universidade, bolsas de iniciação científica, programa de extensão o que possibilita ao calouro colocar em prática o projeto idealizado. Importante destacar que no semestre 2020/1 e 2020/2 foi totalmente no modo virtual, denominado Ensino Remoto Emergencial (ERE) em virtude da pandemia. No período de junho a julho, foi organizado o Ciclo de Palestras Interconnect, quando são realizadas palestras e rodas de conversas com as mais diversas áreas, empresas e convidados, com temas como Inovação, Sustentabilidade, Diversidade, Oportunidades de Carreira, Trajetórias Profissionais e Cases de Grandes projetos. * Simone Ramires é engenheira civil, docente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, coordenadora do Núcleo de Ações Discentes - NADI/ EE, coordenadora do Projeto Acolhimento da Escola de Engenharia da UFRGS, ministra disciplina de Gestão Ambiental para Engenharia, Ciência, Tecnologia e Ambiente (CTA), atua nos projetos de pesquisa relacionados a gestão de resíduos sólidos, educação em engenharia, inovação e empreendedorismo, membro do Future Female Business School Programme (2021)

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BRASIL ENGENHARIA I co n s t r u ç ão

Gigante da impermeabilização investe em startups Vedacit expande sua atuação nos canteiros de obras por meio de uma nova empresa, a Trutec

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econhecida nos canteiros de obras de todos os tamanhos por seu produto para impermeabilização vendido em um balde amarelo, a Vedacit se expande por meio de uma nova empresa, a Trutec, que em nada lembra a poeira do local onde começou seu reinado há 85 anos. Pelo contrário, a Trutec nasceu para buscar soluções tecnológicas por meio da aceleração de startups que garantam que esse espaço seja mais limpo, ágil e sustentável. “É como ser o Google Play da construção. Quando o cliente entrar no hub da Trutec, ele vai escolher qual solução melhor se adequa à sua realidade e aí ele ativa ou desativa, como a gente usa no Google Play”, explica o engenheiro Alexandre Quinze, CEO da Trutec. A empresa é o primeiro hub com soluções que conectam startups para transformar a indústria da construção civil por meio da tecnologia. A Trutec foi iniciada em 2020, mas o processo de aceleração de startups começou no ano anterior. Nesse período, foram mais de 10, sendo que algumas já estão em comercialização e rendendo bons frutos. Quinze deu uma entrevista à BRASIL ENGENHARIA, quando contou como surgiu a necessidade de expansão por parte da Vedacit até a consolidação do modelo de negócio que resultou na abertura da Trutec. “Conseguimos levar para as startups a escala que muitas vezes lhes falta, além de ter base de cliente. Assim, esses negócios conseguem escala e a Trutec consegue levar inovação para o mercado”, afirma.

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DA VEDACIT A TRUTEC “O deficit de moradias no Brasil é de 7,7 milhões, segundo pesquisa da FGV (Fundação Getúlio Vargas) de 2017. Das moradias que existem, segundo o LabHabitação, em 2019, 11 milhões de moradias são inadequadas, com qualidade do ar dentro de casa pior que do lado de fora. Na maioria dos casos, 91% do deficit habitacional são de famílias com até três salários mínimos, segundo o IBGE, em 2018. Analisando esses números, vemos que o programa habitacional brasileiro ainda tem muito a percorrer para chegar nas famílias que são mais fragilizadas. E 54% dos resíduos do planeta são gerados pela construção civil, segundo a Fundação Ellen MacArthur. A Vedacit, quando encarou esses números, e a própria Trutec é uma reação a esses números, viu que era preciso fazer algo diferente. O nosso direito de existir enquanto Vedacit está questionado por esses números. Então, pensando estrategicamente, toda a equipe fez uma reflexão sobre o que seria a Vedacit em 2030, do que seriam os próximos 85 anos. E lançamos o desafio: o que será da Vedacit, do nosso direito de existir, nos próximos anos? E nós chegamos à conclusão de que temos que ir além do nicho da impermeabilização, que é onde somos conhecidos, e causarmos impacto em outros pontos no ciclo de vida de uma habitação. Também chegamos à conclusão, estrategicamente falando, que na Vedacit o relacionamento com o cliente termina quando entregamos o baldinho amarelo. E esse relacionamento, que é mais

pontual, tem que ser mais dinâmico, mais fluido, mais longínquo para podermos impactar mais os clientes e levar isso adiante. Foi aí que o nosso time teve a ideia de pesquisar o que é que estava acontecendo de novo na construção civil, especificamente sobre inovação tecnológica. E nós lançamos então um programa de inovação tecnológica chamado Vedacit Labs, em 2019, e já no primeiro ciclo aceleramos cinco startups de base tecnológica.” UMA NOVA EMPRESA “O primeiro ciclo de aceleração foi feito com a participação da Liga Ventures, que fez essa chamada pública para empreendedores que tinham como foco resolver problemas da construção civil. Durante a execução do programa, nosso time percebeu que não poderíamos misturar levar tecnologia para o mercado de construção civil como Vedacit. Não queríamos misturar nosso dia a dia de entregar produto, para um não prejudicar o outro. Foi aí que tivemos a ideia, no final de 2019, da Trutec, um local onde as startups pudessem vir, se conectar, acelerar, ganhar escala e levar o negócio para o mercado. Em 2020, criamos o ranking de soluções tecnológicas, como se fosse o Google da construção civil. Já tínhamos feito a aceleração de cinco startups em 2019, fizemos mais cinco em 2020 e durante esse ciclo de 2020 propusemos para a Vedacit criar a Trutec para atuar no ciclo de vida da construção, desde o nascimento de uma obra, passando pela cadeia de logística, supplier, varejo www.brasilengenharia.com

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ACELERAÇÃO DE STARTUPS “Das dez startups que nós aceleramos, duas estão em comercialização há algum tempo, voltadas para digitalização da documentação dentro do canteiro de obras. Uma delas, o empreendedor quis seguir a vida por conta própria; a outra, que compôs o portfólio da Trutec, faz a digitalização do varejo da construção civil. É o ConstruCode, uma plataforma de inteligência integrada de obras, que faz a conexão do ponto de venda com a indústria, e a gente consegue melhorar a visibilidade e a eficiência do sell out no varejo da construção civil. E, agora no meio do ano, duas outras soluções – uma foi acelerada dentro do nosso Lab e a outra não – foram lançadas e entraram em comercialização. Uma se chama Construct IN, de tecnologia de visão para o canteiro de obras. Basicamente, são câmeras que acompanham os capacetes e, com isso, é possível fazer medição à distância, economizando tempo e recursos financeiros, pois evita o deslocamento de fiscais para todas as obras. Por exemplo, nós temos um cliente, a Mineração Rio do Norte, com uma obra a dois dias de viagens da cidade de São Paulo, com necessidade de transporte de avião, barco e carro para fazer uma marcação de uma obra. Com essa solução, é só apertar o botão para ver a imagem. E tem uma outra solução, que não foi acelerada por nós, mas que vai entrar no nosso hub de tecnologia, que se chama Construf low. Essa solução faz a gestão de toda a comunicação entre o canteiro de obras, os escritórios de engenharia e os projetistas. Ela faz, basicamente, a comunicação e o f luwww.brasilengenharia.com

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xo de documentações, aprovações, todo o work f low, fazendo com que a informação chegue ao canteiro de obras com uma velocidade incrível. E acabamos de encerrar as inscrições para o 4° ciclo de aceleração. Temos dois ciclos de aceleração por ano e para se inscrever basta acessar o site da Trutec e o contato do Labs. Fora dos ciclos de aceleração, a empresa que achar que tem uma solução para um problema real do ciclo de construção e de gestão de propriedade, pode nos procurar também.” EFICIÊNCIA ENERGÉTICA “Temos total preocupação com a saúde e a sustentabilidade das edificações, que é a missão da Trutec. Temos um foco muito grande e o desejo de levar soluções para melhorar a expertise energética, tanto que uma das soluções que nós estamos acelerando em 2021 é para software e hardware para eficiência energética. Então, estamos investindo em uma empresa para levar essa solução para o mercado também. Às vezes, conversando com os donos de edifícios ou as próprias gestoras de edifícios, vimos situações como a necessidade de resfriar um hotel, por exemplo, que está com 20% de ocupação. Não precisaria gastar energia para resfriar o hotel inteiro, mas somente onde estão os seres humanos. Esse é um exemplo do que a gente coloca como problemática para a gestão energética.” ENGENHARIA NA ERA DA TECNOLOGIA “A tecnologia por si só é uma commoditie. O brilhantismo não está na tecnologia. A real inovação é a gente alinhar a engenharia – a cabeça do ser humano – o brilhantismo dessas pessoas da engenharia ou da arquitetura com o apoio da tecnologia e aí sim a gente consegue exponencializar as soluções para o canteiro de obras. Ao mesmo tempo, a engenharia, sem a utilização das ferramentas da tecnologia, vai avançar com certa dificuldade.”

Foto: Divulgação trutec

e cuidando dessa edificação até o pós-chave. Também pensando em eficiência energética, reutilização de recursos até o final de vida de uma edificação. E aí tivemos a ideia de fazer solução em forma de serviço para resolver os problemas de saúde e sustentabilidade das edificações no seu ciclo de vida.”

O engenheiro Alexandre Quinze é CEO da Trutec, impulsionadora de startups de soluções tecnológicas para construção

TECNOLOGIA NO CANTEIRO DE OBRAS “Em qualquer solução que a Trutec vai desenvolver, da porta para fora da empresa, somente vai simplicidade, porque nós colocamos uma solução no canteiro de obras, pensamos muito no hábito e em como as pessoas vão utilizá-la. Por exemplo, uma das nossas soluções, a ConstruCode, é embarcada dentro de um celular de um engenheiro, engenheira ou do mestre de obras, profissionais acostumados a utilizar o celular no seu dia a dia. O ConstruCode é um aplicativo muito simples, intuitivo. Basta apontar a câmera para um código QR e já é possível ter acesso à documentação da obra, atualizada, de forma muito fácil, sem ter que ficar navegando em sistemas e abrindo arquivos. É uma solução que evita desmanche, retrabalho e diminui geração de resíduos, desperdício, além de baratear e agilizar o processo. Sem falar na quantidade de papel que não é impresso, na quantidade de água que a gente salva. Só com essa solução da Trutec, são 157 000 projetos que deixaram de ser impressos.” BRASILengenharia 04/2021

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BRASIL / RÁPIDAS BRASIL ENGENHARIA I O PRIMEIRO AÇO LIVRE DE COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS DO MUNDO seja, foi 100% reduzido em hidrogênio, sem uso de carvão ou coque, com bons resultados. O aço agora está sendo entregue ao primeiro cliente, o Grupo Volvo. “O primeiro aço livre de combustíveis fósseis do mundo não é apenas um avanço para a SSAB, ele representa a prova de que é possível fazer a transição e reduzir significativamente a pegada de carbono global da indústria

RIO INDÚSTRIA

ENTRA EM OPERAÇÃO PLATAFORMA NO CAMPO DE SÉPIA

INSTALAÇÕES DO SUBMARINO NUCLEAR DA MARINHA SÃO REVELADAS

A Petrobras iniciou (23/08), a produção d e p e t r ó l e o e g á s n a t u ra l d o F P S O Carioca, primeiro sistema de produção definitivo instalado no campo de Sépia,

no pré-sal da Bacia de Santos. Com essa unidade, a Petrobras soma 22 plataformas em produção no pré-sal, que juntas já respondem por 70% da produção total da companhia. A plataforma, do tipo FPSO (unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de petróleo e gás), está localizada a aproximadamente 200 km da costa do estado do Rio de Janeiro, em profundidade de água de 2.200 metros. Com capacidade para processar diariamente até 180 000 barris de óleo e comprimir até 6 milhões de m³ de gás natural, o FPSO Carioca, unidade afretada junto à Modec, contribuirá para o crescimento previsto da produção da Petrobras.

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BUREAU VERITAS

EMPRESAS PÚBLICAS CERTIFICADAS PARA ATUAÇÃO NO NOVO MARCO LEGAL DO SANEAMENTO

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processo de desenvolvimento do país”, diz Rafael Perez, diretor executivo de Construção & Infraestrutura do Grupo Bureau Veritas. DIVULGAÇÃO

O Grupo Bureau Veritas, líder mundial em Teste, Inspeção e Certificação (TIC), certifica as empresas públicas de tratamento de água e esgoto de acordo com os novos critérios exigidos pelo decreto 10.710/2021 para companhias que queiram atuar de acordo com o Marco Legal do Saneamento. Grupo atesta as especificações que devem ser comprovadas até dezembro deste ano, mostrando a capacidade econômico-financeira e a viabilidade das metas de universalização até 2033. “A certificação garante a chegada de Saneamento Básico para a população com um serviço de qualidade. Trazemos a nossa experiência para contribuirmos com esse

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AGÊNCIA PETROBRAS (CRÉDITO: BRAM TITAN)

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siderúrgica. Esperamos que isso inspire outros a também quererem acelerar a transição verde”, disse Martin Lindqvist, presidente e CEO da SSAB.

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A Rio Indústria, associação de indústrias do Rio de Janeiro, visitou (26/08) o complexo naval de Itaguaí com a Marinha do Brasil. Em um encontro exclusivo, a comitiva com executivos de diversos setores industriais conheceu as instalações do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB). A experiência revelou as estruturas e os simuladores do Riachuelo, primeiro submarino dos quatro convencionais que estão sendo construídos, simultaneamente. Eles representam uma relevante conquista para a indústria e defesa nacionais em um projeto inédito e ousado. O mar é o caminho de 95% das exportações e importações e guarda cerca de 90% do petróleo nacional. Para proteger esse patrimônio natural e garantir a soberania brasileira no mar, a Marinha do Brasil investe na expansão da força naval. A concretização do programa fortalece, ainda, setores da indústria nacional de importância estratégica para o desenvolvimento econômico do país.

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A SSAB já produziu o primeiro aço livre de combustíveis fósseis do mundo e o entregou a um cliente. A entrega experimental é um passo importante no caminho para uma cadeia de valor totalmente livre de combustíveis fósseis para a produção de ferro e aço e um marco na parceria HYBRIT entre SSAB, LKAB e Vattenfall. Em julho, a SSAB Oxelösund laminou o primeiro aço produzido com a tecnologia HYBRIT, ou

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NOVO ESCRITÓRIO NO SENEGAL

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Com a aquisição da NileDutch, transportadora de contêineres especializada no mercado da África Ocidental, a Hapag-Lloyd poderá ampliar ainda mais seu crescimento no continente. A Hapag-Lloyd continua fortalecendo sua presença na África e, no começo de agosto, inaugurou mais um escritório, desta vez em Dacar, capital do Senegal. Na região, a empresa transporta, principalmente, nozes, peixes, algodão e minerais para fora do Senegal. As importações consistem principalmente em produtos químicos, alimentos e roupas. O país

está conectado à rede global da Hapag-Lloyd pelo serviço expresso semanal Dakar (DEX) com transbordo em Tânger. “O Senegal apresentou um crescimento econômico impressionante nos últimos anos e possui recursos naturais abundantes”, disse Dheeraj Bhatia, Diretor Executivo Sênior da Região do Oriente Médio na HapagLloyd. “Ao abrir nossos novos escritórios no Senegal, mostramos claramente nosso enorme compromisso com a África e perseguimos ainda mais nossas ambiciosas metas de crescimento no Senegal e em todo o continente.”

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TECNOLOGIA PIONEIRA UTILIZADA EM TELHAS

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A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA COMO FORMA DE REDUZIR IMPACTO E AUMENTAR SEGURANÇA NO PAÍS É preciso promover uma transição energética eficiente e adequada do uso do petróleo como principal combustível do planeta, por fontes de energia limpas e renováveis. Essa foi a avaliação de umas das sócias da Petres Energia, Renata Isfer, durante o seminário online “Energias Renováveis e Desenvolvimento”, do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).

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A B ra s i l i t , e m p re s a d o g r u p o S a i n t Gobain e referência em soluções para construção civil, registrou a patente da tecnologia utilizada nas Telhas To p c o m f o r t , o p r i m e i ro p ro d u t o d o segmento de coberturas da empresa com desenvolvimento próprio para garantia de uma melhor performance térmica. Dessa forma, a TopComfort promove uma redução de até 8ºC na temperatura dos ambientes internos. A marca, além disso, foi também a pioneira na criação da tecnologia CRFS - Cimento Reforçado com Fios Sintéticos - que definiu o início de um novo ciclo para todo o mercado produtor de coberturas de fibrocimento. “Essa patente é mais um resultado do t ra b a l h o c o n t í n u o d e i n o v a ç ã o q u e d e s e n v o l v e m o s n a B ra s i l i t . E s t a m o s contentes pelo registro da tecnologia e vamos seguir atentos às necessidades do mercado, sempre oferecendo soluções revolucionárias”, afirma Vinicius Araujo, diretor de Marketing da Saint-Gobain Produtos para Construção. BRASILENGENHARIA BRASILengenharia 04/2021

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EMPRESA LANÇA MARKETPLACE E REFORÇA PRESENÇA DO ARAME NO VAREJO BRASILEIRO

SUBESTAÇÃO DE ENERGIA TERÁ TECNOLOGIA DE REALIDADE AUMENTADA PARA INSPEÇÕES E OPERAÇÃO

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fábrica, mas também por meio de dois parceiros comerciais importantes neste início: o grupo Alvorada, um dos maiores distribuidores de produtos agropecuários do país, e a ArcelorMittal, uma de nossas acionistas”, afirma Ricardo Garcia, CEO da Belgo Bekaert. Estas parcerias possibilitam não só a entrega no local escolhido pelo consumidor, como também a retirada da compra em um local físico (conforme disponibilidade).

Equipamentos permitem redução de tempo nos atendimentos emergenciais, suporte especializado em tempo real e maior segurança na execução de atividades. A EDP, distribuidora de energia elétrica do Alto Tietê, Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo, acaba de incorporar mais uma tecnologia às suas subestações de energia: a gestão da manutenção e operação de ativos com uso de realidade aumentada. A primeira unidade a receber os novos equipamentos é a Estação de Distribuição de Energia Casa Branca, no município de Suzano. No dia 25 de agosto foi realizada uma visita à estação com a presença do prefeito, Rodrigo Ashiuchi, e da diretora da EDP, Cristiane Fernandes, para apresentação da nova tecnologia. A vistoria seguiu todos os protocolos sanitários vigentes de prevenção da Covid-19.

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A Belgo Bekaert, líder e referência brasileira na produção de arames de aço, lançou em 24 de agosto, sua loja online com entrega para todo o país. Com foco na oferta de produtos e soluções para o agronegócio, o lançamento da loja Belgo (www.lojabelgo. com.br) faz da empresa a única produtora de arames que oferece venda direta on-line para seus clientes finais. Na plataforma, serão oferecidos também produtos e soluções para cercamento urbano, construção civil e solda. A expectativa é que, em três anos, 5% do volume das vendas anuais destes segmentos sejam na modalidade online. “Queremos estar cada vez mais próximos do consumidor final, que já está habituado a multicanais de compra. Construímos um marketplace onde o cliente pode comprar produtos com a qualidade Belgo direto da

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USO DA METODOLOGIA BIM NA LINHA 6-LARANJA DO METRÔ DE SÃO PAULO

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Em outubro de 2020 a ACCIONA retomou a construção da Linha 6-Laranja de metrô de São Paulo, que é o maior projeto de infraestrutura público-privado (PPP) em desenvolvimento na América Latina e o maior em infraestrutura da história da companhia. Com evidentes benefícios para a população, a Linha 6-Laranja fará ligação entre as estações São Joaquim e Brasilândia, em um trecho de 15 km com 15 estações distribuídas ao longo da sua extensão. Conectando o centro da capital com o seu extremo noroeste e cruzando diversos bairros onde estão localizadas as principais universidades da cidade. A obra foi retomada com melhorias além da implementação de novos e mais eficientes métodos de trabalho que também auxiliam na otimização de processos. Uma destas melhorias é a utilização da metodologia BIM (Building Information Modeling). WWW.BRASILENGENHARIA.COM WWW.BRASILENGENHARIA.COM

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BRASIL PODE SER PROTAGONISTA NA TRANSFORMAÇÃO DO SETOR PARA A MOBILIDADE ELÉTRICA Um dos maiores mercados de veículos do mundo, o Brasil tem grande potencial de ser protagonista na transformação do setor para a mobilidade elétrica. Mas para não perder essa oportunidade, o país precisa ter diretrizes claras para nortear esse avanço para beneficiar governo, indústria e a sociedade como um todo. Essa foi a conclusão de executivos do mercado automotivo durante o painel “Mobilidade urbana: o futuro é elétrico” que ocorreu em 25 de agosto durante o Siemens Innovation Forum. Tendência em todo o mundo, a eletrificação dos veículos tem crescido no mercado brasileiro, mas a falta de infraestrutura voltada para o carregamento de carros, ônibus e caminhões é um dos principais desafios a ser superado para uma expansão mais rápida do segmento. Incentivos, limites em relação à produção de veículos a combustão e o aproveitamento da matriz.

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MERCADO DE VEÍCULOS PESADOS AQUECE AS VENDAS A empresa projeta crescimento de 20% para a unidade de solda em relação a 2020 com oportunidades na indústria 4.0, setor de veículos de carga, transporte coletivo e da linha amarela. A retomada da curva de crescimento da produção industrial está gerando reflexos positivos também no mercado de equipamentos. O cenário favorável para investimentos na automação e a retomada da produção de veículos pesados leva Fronius a expandir as vendas de soluções de soldagem para outros segmentos do mercado. “Estimamos um crescimento de 20% nas vendas em relação a 2020 e estamos trabalhando para isso”, afirma Claudio Sá, gerente de negócios da Unidade de Perfect Welding da Fronius do Brasil.

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MÁQUINAS OPERAM NA INFRAESTRUTURA DO PROJETO PIPA, MAIOR CONCESSÃO RODOVIÁRIA DO BRASIL

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FRONIUS

A CASE Construction Equipment, marca da CNH Industrial, por meio de sua concessionária Brasif, integra parte da frota de equipamentos pesados que operam as obras do Projeto PIPA - Corredor rodoviário Piracicaba-Panorama, considerada a maior concessão rodoviária do Brasil, com investimento estimado em até 3,8 bilhões de reais, de acordo com o Ministério de Infraestrutura do país. Com mais de 100 anos de história, a CASE emprega tradição e robustez na produtividade deste projeto, com uma frota de mais de 50 equipamentos pesados, que incluem retroescavadeiras, pás carregadeiras, escavadeiras e minicarregadeiras. “A linha de produtos CASE foi criada e desenvolvida sob os conceitos de qualidade e produtividade, por isso, ficamos satisfeitos em saber que todo esse potencial está sendo utilizado em um projeto histórico como este”, afirma Maurício Moraes, Gerente de Marketing da CASE para América do Sul.

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Adriano Pires

Diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE)

Falta de diversidade na matriz energética e planejamento de longo prazo. Essas são as principais falhas que levaram o Brasil a enfrentar em 2021 mais uma crise de energia, na avaliação do economista Adriano Pires, sócio-fundador e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), com mais de 30 anos de experiência no setor de energia, sendo sua última participação no governo na Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP). Doutor em Economia Industrial pela Universidade Paris XIII e mestre em Planejamento Energético pela COPPE/UFRJ, Pires desenvolve atividades de pesquisa e ensino nas áreas de economia da regulação, economia da infraestrutura, aspectos legais e institucionais da concessão de serviços públicos e tarifas públicas. Nessa entrevista à revista BRASIL ENGENHARIA, Pires ressalta a importância de todas as fontes de energia para o presente do país, mas chama a atenção para a funcionalidade das térmicas a gás natural para o momento atual, bem como da energia nuclear a médio prazo. “No curto prazo, tem que colocar as usinas com gás natural, porque gás natural é mais barato e mais limpo que óleo diesel, que é o combustível que a gente está usando agora”, pondera.

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país tenha uma das maiores reser vas mundiais de urânio. Pires analisa que energias não dependentes do clima, como as térmicas a gás natural e a energia nuclear na base da matriz energética, garantirão a eficiência que o Brasil precisa, sem riscos de apagão, com melhor administração da água dos reser vatórios, de fontes intermitentes e, assim, com maior eficiência energética e preços mais baixos. “Tem muita gente no Brasil que confunde térmica a gás com térmica à óleo. O gás também é fóssil, mas é muito mais limpo e barato que o óleo. O gás, por exemplo, nos Estados Unidos nos últimos anos ajudou muito a limpar a matriz elétrica americana porque foram substituídas as térmicas a car vão por térmicas a gás”, exemplifica o economista. Para ele, o Brasil poderia ter sofrido com mais crises de energia (foram três em 20 anos), se tivesse um ritmo contínuo de crescimento econômico no período. A situação atual, enfatiza, coloca o setor elétrico como um obstáculo à retomada do crescimento. “Eu acho que esse risco hídrico que o Brasil está vivendo vai prejudicar muito essa retomada”. E se não faltar energia, Pires afirma que de qualquer forma haverá prejuízo para o crescimento econômico em função do aumento na tarifa e da inf lação gerada pela alta de preços. O economista diz que o setor elétrico brasileiro viverá três meses tensos até o período de chuvas que começa em novembro e deve melhorar o nível dos reser vatórios das hidrelétricas. Acompanhe nas próximas páginas a entrevista completa da revista BRASIL ENGENHARIA com Adriano Pires.

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driano Pires é enfático ao afirmar que “não existe energia ruim” e defende que o Brasil precisa de uma matriz energética diversificada para garantir eficiência e a transição para fontes renováveis, como eólica, solar e biomassa. Embora a dependência brasileira das fontes hídricas já tenha caído de 90 % para 65% , Pires ressalta que as matrizes ainda são essencialmente dependentes do clima e intermitentes, sem uma base que garanta o fornecimento no caso de uma crise hídrica como a que o país atravessa. Essa dependência de fontes intermitentes e/ou sazonais, avalia, é consequência da falta de estratégia e planejamento ao longo dos governos. Ele cita como exemplo, o investimento e subsídios em energia eólica e solar, sem um planejamento de longo prazo. “Em 2009, a então presidente Dilma Rousseff cancelou um leilão de térmicas e transformou em um leilão exclusivo de eólica. Foi a primeira vez que teve um leilão exclusivo de eólica e o governo, dali para frente, começou a criar subsídios, incentivos para o crescimento da energia eólica e depois para a solar. Assim, continuamos com a matriz elétrica muito refém do clima”, relata. Para sustentar a base da matriz energética, Pires destaca a necessidade de fontes que não sejam intermitentes ou sazonais: as térmicas movidas a gás natural, para curto prazo, e a energia nuclear para um futuro próximo. “A energia nuclear é de baixo carbono e não contribui diretamente para as emissões de gases de efeito estufa”, esclarece. A energia que vem do urânio fornece cerca de 10 % da energia consumida no mundo. No Brasil, a participação é de menos de 2% , embora o

“A semelhança entre as crises de energia é que todas foram causadas por falta de água nos reservatórios”

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BRASIL ENGENHARIA - O Brasil corre Cardoso. Naquela ocasião, houve raciorisco de apagão de energia elétrica no namento porque 90% da energia gerada segundo semestre? no Brasil era com água. Houve, na époADRIANO PIRES - Olha, o risco é alto, ca, uma estiagem e não havia fonte para mas 100% (de certeza) a gente não pode substituir a água. Tanto que, para evitar falar. Corremos dois riscos hoje: um deum mal maior, na época se contratou les, chamamos de deficit de potência, as chamadas térmicas emergenciais que que seria um corte de carga de energia eram em balsas, com geradores a diesel, nos momentos de pico fontes muito caras, pode consumo; o outro luentes e ineficientes. “O governo seria deficit energético, Em 2003, quando o Lula incentivou fontes que é o racionamento (o então presidente Luiz propriamente dito, como Inácio Lula da Silva) intermitentes ocorreu em 2001 e 2002. entrou, até a segunda e renováveis, Hoje, o mais provável, se metade do primeiro goacontecer, é o deficit de Lula, o governo criando uma matriz verno potência. O racionamencomeçou a fazer leilões to, acho que a probabilide energia para aumendesequilibrada” dade é muito baixa. tar a quantidade de térmicas no sistema brasiBRASIL ENGENHARIA - Se ocorrer o deleiro porque eles tinham muito medo de ficit de potência, quais são os principais haver um racionamento no governo do prejuízos? PT, pois o governo do PT sabia muito ADRIANO PIRES - Se houver deficit de bem que um dos motivos que ajudaram potência, ocorre o corte de carga em a eleger o Lula em 2003 foi o apagão determinado período do dia, em deter(ocorrido no governo Fernando Henriminada região ou cidade e pode haver que Cardoso). uma instabilidade muito grande no forMas, em 2009 teve um evento, uma necimento. grande conferência ambiental em CoComo os reservatórios estão muito baipenhague (Conferência das Nações Unixos, com 30% da sua capacidade, sendo das sobre as Mudanças Climáticas de a projeção de agosto para 20% e a proje2009, a COP15, realizada em Copenhação de setembro para 10%, teremos três gue, na Dinamarca) e a Dilma (a então meses muito tensos no sistema elétripresidente Dilma Rousseff) foi lá e, para co brasileiro, que são agosto, setembro ela não sofrer aquela pressão do govere outubro, e quem sabe até a primeira no estar viabilizando muita térmica à quinzena de novembro porque a chuva óleo etc., ela cancelou, naquela época, começa a voltar nessa época. um leilão de térmicas no final de 2009 e transformou em um leilão exclusivo de BRASIL ENGENHARIA - Em 20 anos, eólica. Foi a primeira vez que teve um essa é a terceira vez que o Brasil passa leilão exclusivo de eólica e o governo, por situação semelhante no fornecidali para frente, começou a criar subsímento de energia elétrica. Por que isso dios, incentivos para o crescimento da ocorre? energia eólica e depois para a solar. ADRIANO PIRES - Falta de planejamenAssim, continuamos com a matriz eléto. Nós temos um problema que é sistêtrica muito refém do clima. Quando mico na matriz elétrica brasileira desde chegamos em 2014, houve outra crise 2001, no governo Fernando Henrique hídrica e só não teve um racionamento

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porque tinha as térmicas construídas no governo do Lula. Então, ligaram todas as térmicas, aumentaram a tarifa e conseguiram se safar do racionamento. Mas foi doloroso, 2014 e 2015 foi doloroso, paralisou a Hidrovia Tietê-Paraná por 16 meses. E um pouco antes, em 2013, a Dilma fez a Medida Provisória 179 para baixar a tarifa na canetada. E para cumprir a promessa de baixar a tarifa ela usou muita água do reservatório. De 2013 para cá, o regime de chuvas foi muito ruim e não teve muita chuva para voltar o reservatório num nível ótimo. E agora em 2021 está havendo mais uma crise. A semelhança de todas as crises de energia – 2001, 2014 e 2021 – é que todas foram causadas por falta de água nos reservatórios. Mesmo hoje, em que a energia não é mais 90% gerada com água, mas 65%. Mas, as outras fontes também são intermitentes. Tem um evento também importante, no primeiro governo do Lula: na época a Marina Silva era Ministra do Meio Ambiente e ela proibiu a construção de hidrelétricas com reservatórios. Essas hidrelétricas com reservatórios é que davam segurança de abastecimento, confiabilidade ao sistema. E só foi permitido daí para frente a hidrelétrica fio d’água, sem reservatório, mas essas hidrelétricas só geram quando chove. Então, o Brasil tem uma matriz elétrica hoje muito refém do clima. O governo abriu mão da confiabilidade e incentivou, na minha opinião de maneira excessiva, essas fontes intermitentes e renováveis. BRASIL ENGENHARIA - Mas isso é ruim? ADRIANO PIRES - Não é que isso seja ruim, mas isso criou uma matriz desequilibrada. Eu acho que toda fonte de energia tem qualidade, toda energia é boa; o ruim é não ter energia. Mas, eu acho que o desafio daqui para a frente, se a gente não quer que o gowww.brasilengenharia.com

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verno se sobressalte, como nos últimos anos, e esteja sempre rezando para chover, é criar uma matriz mais equilibrada. BRASIL ENGENHARIA - E como é essa matriz ideal? ADRIANO PIRES - No curto prazo, tem que colocar as usinas com gás natural, porque gás natural é mais barato e mais limpo que óleo diesel, que é o combustível que a gente está usando agora. E quando colocamos a térmica a gás natural rodando a 70% ou 80% do tempo, temos vários benefícios. O primeiro é gerenciar melhor a água do reservatório, que tem uso múltiplo hoje: serve para gerar energia, para irrigação, para saneamento, navegação, turismo e para a geração de energia. Então, quando começa a ter pouca água e usar essa água em energia elétrica, os demais usos são prejudicados, o que causa também muito problema na economia. Assim, a térmica na base gerenciaria melhor o reservatório. O segundo benefício é reduzir a volatilidade do preço da energia. Hoje, quando a ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) despacha a energia, despacha primeiro da hidrelétrica. Quando a hidrelétrica está vazia, ele despacha tudo, as baratas e as caras, então os preços vão lá em cima. O terceiro benefício é que poderia continuar expandindo a oferta da energia eólica e solar sem abrir mão da garantia de suprimento. Então, a térmica na base serviria como uma espécie de bateria virtual para a eólica e para a solar. O desafio que a gente tem é o de construir essa matriz mais equilibrada. Se não, qual o perigo? Por que não tivemos mais crises de energia ao longo desses vinte anos, não ocorreram outros racionamentos como o que ocorreu lá em 2001? Porque há 10 anos que a economia brasileira não cresce ou cresce abaixo de 1%. Segundo, São Pedro tem sido até camarada, tem mandado uma chuvinha. Só não foi camarada em 2014/2015 e não está sendo camarada agora em 2021. BRASIL ENGENHARIA - Por que o país não evoluiu nessas matrizes. Por lobby ou falta de planejamento? ADRIANO PIRES - Eu acho que é falta de planejamento. O governo se deixou levar muito por esse lobby ambiental, da eólica, da solar, como se o Brasil já não tivesse uma matriz limpa. O Brasil, por causa www.brasilengenharia.com

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BRASIL ENGENHARIA - Ainda tem como da água, talvez sempre tenha sido o país contornar essa crise no curto prazo? com a matriz mais limpa do mundo. ADRIANO PIRES - No curto prazo, teE acho que tem agentes da cadeia que mos três coisas a fazer. A primeira é o também se beneficiam com isso, por que o governo já está fazendo, que eu exemplo, comercializador de energia acho que já deveria ter começado em ganha dinheiro quando se tem muita março/abril, que é tarifa mais cara, banvolatilidade no preço, então também é deira vermelha nível II, que entrou a muito beneficiado, mas não é culpa do partir de primeiro de junho. E também comercializador. E também existe uma o PLD (Preço de Liquidação das Diferenmá vontade, uma lenda no Brasil com ças), o preço da energia transacionada esse negócio de térmica. bem alta no teto, que são os 530 reais o Tem muita gente no Brasil que confunde megawatts-hora (MWh), que é para você térmica a gás com térmica a óleo. O gás poder despachar todas as usinas não hitambém é fóssil, mas é muito mais limdráulicas. E a terceira coisa é rezar. po que o óleo. E é muito mais barato que o óleo. O gás, por exemplo, nos Estados BRASIL ENGENHARIA - E no médio Unidos nos últimos anos, ajudou muito a e longo prazo, há outros modelos de limpar a matriz elétrica americana porque geração viáveis? foram substituídas as térmicas a carvão ADRIANO PIRES - O cenário ideal é copor térmicas a gás. locar a térmica a gás, Então, o que a gente também tem que fazer “Na base, a térmica como eu já falei antes, e diversificar a matriz, no Brasil é aposentar serviria como uma pois quanto mais diessas térmicas a óleo. versificada é a matriz, Não aposentar no sentiespécie de bateria menor a chance de hado de desmontar todas as térmicas à óleo, tem virtual para a eólica ver falta de energia. Por exemplo, resíduo sólido, que deixar algumas para e para a solar” lixo, que já começa a alguma eventualidade. gerar energia no Brasil. Uma térmica a óleo não É ruim? Não, é ótimo. É o que eu falo, existe para ligar todo dia, para ligar dois, não existe energia ruim. O ruim é não três meses seguidos. Isso aí é uma anoter energia. malia, mas uma anomalia que acontece A tarifa de energia mais cara é porque no Brasil porque a gente tem esse desevocê não tem energia. Então, o que pode quilíbrio na matriz. Então, o setor eléacontecer? Corte de carga, que é bem trico hoje é refém de variáveis exógenas provável que aconteça no segundo sea ele. O clima, por exemplo, ninguém mestre e isso é péssimo. controla o clima e o clima está cada vez Nos Estados Unidos, na Europa não tem mais louco com essa questão de mudannobreak; nobreak é coisa de país onde a ça climática. qualidade da energia não é boa. E também pela questão do crescimento econômico porque se o crescimento BRASIL ENGENHARIA - Dentro deste econômico acontece, acaba atrapalhancenário qual o papel das hidrelétricas do o setor elétrico. Então é uma coisa no Brasil? muito doida, porque o setor elétrico não ADRIANO PIRES - Tem um papel imporpode ser um obstáculo à retomada do tante. Mas o que tinha que construir em crescimento. hidrelétrica no Brasil já foi feito. PodeAgora, os bancos estão anunciando uma ria fazer uma hidrelétrica na região do retomada do crescimento. Tem banco Amazonas, mas por questões ambientais falando em crescer mais de 5% e eu isso é muito difícil. A nível de hidrelétriacho que esse risco hídrico que o Brasil ca, o que ainda tem um potencial grande está vivendo vai prejudicar muito essa para ser feito é o que a gente chama de retomada. PCH, que são pequenas centrais hidreléPrimeiro, pode faltar energia. Seguntricas. Ali na região do centro-oeste tem do, mesmo que não falte energia, a um potencial grande para fazer isso. tarifa vai ficar muito cara esse ano Mas a tendência é que a importância inteiro. Então, essa tarifa cara vai da hidrelétrica reduza ainda mais na acabar aumentando a inf lação e inmatriz elétrica brasileira, como já vem f lação alta é uma dificuldade para a acontecendo. retomada de crescimento econômico. BRASILengenharia 04/2021

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BRASIL ENGENHARIA - E a energia ADRIANO PIRES - O mundo está finuclear? A participação desse mocando cada vez mais eletrificado. Nindelo no Brasil hoje é pequena e há guém vive hoje sem eletricidade. E a um receio sobre o uso desse modelo. eletricidade pode ser gerada de diversas ADRIANO PIRES - Sim. A energia nuformas e gerada pelo próprio consumiclear tem papel imdor, que é o que a gente portante na transição chama de setor de ge“Eu acho que toda energética, assim como ração distribuída. Em o gás natural, e é muito uma casa, você pode fonte de energia importante no combate ter os painéis solares e tem qualidade, à mudança climática. até mudar a sua rede Apesar de usar como toda energia é boa; se você começar a procombustível o urânio, duzir mais do que você o ruim é não ter diferente dos demais consome. fósseis, a energia nuclear O biogás, por exemplo, energia” é de baixo carbono e não também é uma tendêncontribui diretamente cia se for gerar para para as emissões de gases de efeito esuma fazenda, por exemplo, a própria tufa. Então, é uma fonte limpa frente às energia que ela consome. fósseis e tem um histórico de segurança favorável. É uma fonte que também não BRASIL ENGENHARIA - Quais os patem a questão da sazonalidade ou interrâmetros para decidir se você deve inmitência, como a eólica e a solar. vestir na geração própria? Agora em abril, quando foi realizado o ADRIANO PIRES - A questão é o vaLeaders’ Climate Summit, a Cúpula de lor da sua conta de luz. Se você invesLíderes sobre o Clima, convocada pelo te em um painel solar, tem que fazer a governo norte-americano, a energia conta do recurso disponível para fazer nuclear entrou em discussão pela sua esse investimento e quanto tempo vai contribuição para reduzir as emissões demorar para pagar aquele painel solar globais. abatendo da conta mensal. Nesse momento, não somente no Brasil, Hoje, por exemplo, o solar está cresmas mundialmente, a energia nuclear cendo no Brasil na geração distribupode contribuir pela redução de emisída, mas ele está crescendo de uma sões em prol do clima global, ao mesmo maneira distorcida porque lá atrás foi tempo em que garante a resiliência do feito um subsídio grande para o solar sistema elétrico, que dará suporte à ree ele continua hoje, quando você não tomada das economias pós-pandemia. precisa mais. Hoje, quando se coloca E o histórico de segurança da enerpainel solar na sua casa ou quando gia nuclear em comparação com os constrói uma fazenda solar para lemeios tradicionais de geração nos deivar para uma rede de supermercado xa tranquilos. Os projetos de reatores ou farmácia, se não paga a linha de nucleares atualmente disponíveis são transmissão, nem transporte, nem a baseados em tecnologias maduras e distribuição, nem determinados encomprovadas. cargos. Aí, na realidade, fica muito barato e há um pay back muito rápido BRASIL ENGENHARIA - E a produção do investimento. própria de energia? Também é uma Mas, por exemplo, eu que não tenho grande tendência. um painel solar na minha casa vou

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pagar muito mais caro a minha conta de luz. Então, esse subsídio hoje do solar é um subsídio que eu chamo de Robin Hood (um herói mítico inglês, um fora da lei que roubava da nobreza para dar aos pobres) às avessas porque é o pobre subsidiando o rico, porque pobre não tem dinheiro para investir em painel solar. BRASIL ENGENHARIA - Como a energia solar e a eólica são intermitentes, qual a solução para o melhor uso dessas energias na matriz brasileira? ADRIANO PIRES - Hoje, as baterias para armazenar essa energia são muito caras e nós somos um país pobre. E nossa tarifa de energia já é muito cara, então não dá para financiar bateria, por isso que a gente tem que ter uma transição com gás natural, onde o gás funcione como se fosse uma bateria virtual. O Brasil tem certa universalização no uso de energia, mas o consumo per capita ainda é muito baixo. Como o mundo tem ficado cada vez mais eletrificado, eu tenho colocado o seguinte: qual é hoje o objeto que você não consegue viver sem? A tomada. Não é o celular, não é o computador. Se você está hoje num aeroporto – que hoje está mais vazio por causa da pandemia, mas antes da pandemia você via muita gente procurando uma tomada para abastecer computador, celular, e não tinha para atender todo mundo. BRASIL ENGENHARIA - E qual sua opinião sobre a política atual do governo para a energia elétrica? ADRIANO PIRES - O governo atual errou no planejamento, como errou a Dilma, como errou o Temer. Agora, nesse momento ele está fazendo o que pode fazer mesmo, que é aumentar a tarifa e ligar tudo quanto é usina que não é hidráulica e rezar. Não tem muita opção. www.brasilengenharia.com

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Transformação digital e mais fiscalizações são metas do Crea-SP

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a transformação digital é outra grande frente do Crea-sP, que já conta com um novo site, mais dinâmico, responsivo e interativo, e um novo portal de serviços, com previsão de lançamento neste semestre, além de ter a tecnologia como grande aliada nas suas ações de fiscalização. “Considero que um dos maiores desafios é a transformação digital, pois começa de dentro, por parte das pessoas. É uma mudança que acontece a partir da maneira de pensar e o nosso propósito é transformar a cultura do Crea-sP, sempre apoiados nas novas ferramentas tecnológicas, entendendo as demandas e acompanhando a evolução dos setores profissionais”, analisa Marchese. segundo ele, essa transformação digital tem cinco vertentes: a gestão transparente e colaborativa, a fiscalização digital, serviços mais ágeis e inteligentes, a capacitação profissional e a conexão com empresas e governos. Recentemente, o órgão também firmou um protocolo de intenções com Ministério da Ciência, Tecnologia e inovação (MCTi) para incentivar a formação e capacitação de profissionais da área tecnológica em todo o estado de são Paulo. “Com isso, promoveremos iniciativas conjuntas para estimular a tecnologia e a inovação”, informa Marchese. FOTO: divulgaçãO

FOTO: divulgaçãO

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“um dos nossos principais desafios é a continuidade da prestação de serviços relevantes para a sociedade, com uma fiscalização eficiente que resulte em mais profissionais habilitados à frente das atividades técnicas, com maior segurança para a população”, afirma o engenheiro vinícius Marchese, que iniciou este ano seu segundo mandato consecutivo como presidente do Crea-sP (Conselho Regional de Engenharia e agronomia do estado de são Paulo). Maior conselho de fiscalização de exercício profissional da américa latina e um dos maiores do mundo, o Crea-sP tem hoje cerca de 350 000 profissionais e 95 000 empresas registradas. anualmente, recebe cerca de 25 000 novos registros. O órgão tem a meta de alcançar 200 000 fiscalizações este ano. até o início de agosto, já haviam ocorrido 105 000 ações, o que representa 95% do que foi realizado em todo o período de 2020. “Quando assumimos, o Conselho possuía baixos índices de fiscalização em comparação aos Creas de outros estados. Entendemos que, por se tratar de um conselho com mais de 350 000 profissionais registrados, precisávamos assumir a dianteira, tornando são Paulo uma referência”, informa Marchese em entrevista à revista BRASIL ENGENHARIA.

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lizada pelo Conselho impede que leigos ocupem posições que devem contar com profissionais habilitados e com a devida competência técnica. A seguir, confira e entrevista completa com o presidente do Crea-SP, Vinícius Marchese, graduado em engenharia de telecomunicações pela Universidade de Taubaté, com especializações em universidades como Mackenzie, Dublin Business School e Univesp. Com mais de 15 anos de carreira, atua no mercado de engenharia, construção civil e agronomia.

– O que os profissionais de engenharia devem esperar do mercado de trabalho? E o que o mercado espera desses profissionais?

“O mercado de trabalho exige muito mais do que se aprende na universidade. Por este motivo, é preciso que os profissionais da área tecnológica se especializem e estejam preparados para essa realidade. As habilidades técnicas, as hard skills, são as capacitações e formações essenciais para todos os profissionais. Porém, a exigência atual é muito maior, chegando às soft skills, que são outras aptidões indispensáveis aos profissionais e estão ligadas às capacidades pessoais. Essas soft skills não são identificadas em cursos, mas no dia a dia do trabalho, tratando-se da capacidade de liderança, ética, habilidades de comunicação, espírito de equipe e flexibilidade. É preciso desenvolver esse know-how para alcançar boas colocações no mercado.”

preendedores e discutindo a ética profissional. Nossa Comissão de Relações Públicas (CRP) também desenvolve um importante trabalho de apresentação do Conselho aos formandos da área tecnológica, por meio de palestras ministradas em instituições de ensino de todo o Estado. Além disso, também procuramos debater o futuro e o papel social das profissões abrangidas pelo Sistema Confea / Crea / Mútua.”

– E quais as ações voltadas para a inclusão, como de mulheres, pessoas com deficiência, negros e terceira idade? “Estamos avançando nesses temas, tão caros à sociedade, e que trazem uma importante diversidade para as ações desenvolvidas no âmbito do Conselho. O Crea-SP instalou recentemente o Comitê Gestor do Programa Mulher, que tem como objetivo desenvolver iniciativas para alcançar a equidade de gênero no Conselho. Outra iniciativa importante é o trabalho desenvolvido por nossa Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA) para a informação, sensibilização e capacitação dos profissionais da área tecnológica para atuarem corretamente e garantir a acessibilidade ao meio físico nos ambientes por eles produzidos, favorecendo o acesso da sociedade como um todo e em especial aqueles com deficiência ou mobilidade reduzida, o que inclui também os idosos.”

– O Crea-SP tem alguma ação voltada para os profissionais em início de carreira?

– Ao ser reeleito, no fim do ano passado, o senhor afirmou em uma entrevista que a sua prioridade era ouvir o profissional. Isso foi feito? Qual o resultado desse trabalho e o que está sendo feito a partir dessa iniciativa?

“O Crea-SP Jovem é o nosso braço no tocante aos profissionais em início de carreira e recém-formados. Trata-se de uma comissão permanente, criada para estreitar as relações do Conselho com os estudantes, contribuindo na formação dos futuros profissionais, apoiando movimentos em-

“Todas as nossas ações são pensadas a partir do profissional, ou seja, trazemos o profissional para o centro das nossas decisões. Nesse sentido, realizamos um workshop com a participação de profissionais convidados, para que pudessem contribuir com a elaboração do nosso novo portal

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Crea-SP tem a função de fiscalizar, controlar, orientar e aprimorar o exercício e as atividades profissionais nas várias modalidades da engenharia, agronomia e geociências, além das atividades dos tecnólogos. Os agentes fiscais do Conselho, lotados em doze regiões administrativas, realizam pesquisas internas e externas, além das diligências de rotina nas cidades onde atuam. Essas diligências são feitas em frota própria de veículos, equipados com tecnologia de monitoramento e processamento de dados de última geração. Nas diligências, são visitadas obras de empresas privadas ou de órgãos públicos, para verificação de responsabilidade técnica pelos serviços executados. Além de obras, são feitas visitas periódicas às próprias empresas da área tecnológica, geralmente para verificação da documentação de registro e de responsabilidade técnica. Segundo a legislação vigente, a responsabilidade técnica sobre obras e serviços nas áreas citadas só pode ser atribuída a profissionais habilitados com registro no órgão. Este ano, o Conselho foi ativo para barrar a tramitação de Proposta de Emenda à Constituição nº 108, de 2019, que pretendia transformar os conselhos profissionais em pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, que atuam em colaboração com o poder público, retirando seu poder e tornando facultativo o pagamento de anuidade. “Uma medida como essa tem um impacto negativo tanto para o profissional quanto para a sociedade, pois fragiliza um sistema criado para garantir a presença de profissionais habilitados para desempenhar atividades que são de caráter técnico”, afirma Marchese. Ele justifica que a fiscalização do exercício profissional rea-

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de serviços, que está em desenvolvimento. Também incluímos profissionais convidados em nossos comitês multidisciplinares, caso do recém-instalado Comitê para aprimoramento da fiscalização. Assim, conseguimos ter uma visão ampliada, agregando as opiniões de quem está lá na ponta e utiliza os nossos serviços. Além disso, é preciso destacar que em todas as vertentes o foco é o processo de transformação digital do Crea-SP, que visa revolucionar a nossa forma de trabalhar e prestar serviço para os profissionais e a sociedade. Temos cinco pilares da transformação digital: a gestão transparente e colaborativa, a fiscalização digital, serviços mais ágeis e inteligentes, a capacitação profissional e a conexão com empresas e governos. O portal de serviços faz parte desse amplo projeto, que é responsável também por entregas como o novo site do Conselho, a carteira profissional digital, a implantação do chatbot e a possibilidade de pagamentos via Pix. Em outra frente, investimos na ampliação e no acesso aos nossos canais de comunicação e atendimento, pontos que estão presentes em todas as nossas pesquisas. Há uma demanda enorme por um bom atendimento e acolhemos as percepções dos profissionais para melhorar nosso suporte nesse sentido. Recebemos um reforço importante com a contratação, por licitação, da empresa telefônica. Nossos atendimentos foram ampliados, tanto em horário quanto em número de atendentes, proporcionando mais agilidade e eficiência para o público. Teremos quatro fases de implantação até dezembro e entre as principais vantagens está a possibilidade de escalar os atendimentos não só em volume, mas também em canais. Além dos meios já utilizados pelo Conselho, como telefone, e-mail, chatbot (a Minerva já disponível em nosso site), chat humano e SMS, implementaremos também o atendimento por meio de WhatsApp e Telegram. Com essa solução robusta, solucionamos a demanda por atendimento, que aumentou consideravelmente na pandemia.”

– Quais as prioridades da sua nova gestão?

“Temos duas prioridades importantes que balizam nossas iniciativas: a fiscalização, razão de existir do Crea-SP, e a transformação digital do Conselho. Com a fiscalização, temos avançado em todo Estado ao adotar forças-tarefas, um modelo que deu certo e nos proporciona mais assertividade de ações ao www.brasilengenharia.com

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200 000 ações de fiscalização neste ano e estipular uma região ou atividade espeestamos confiantes de que a cumpriremos. cífica para atuação dos agentes fiscais. Desta forma, garantimos a presença de No sentido da transformação digital, profissionais habilitados para desempenhar temos feito uma série de entregas, entre atividades técnicas nas áreas das engenhaelas constam o lançamento de um novo rias, agronomia e geociências em todo essite, mais dinâmico, responsivo e interatitado de São Paulo. Isso representa uma salvo, a implementação da nova carteira provaguarda tanto para a empresa que contrata fissional digital, um documento que fica como para a sociedade, de que pessoas com disponível no celular dos profissionais, a devida competência atuao alcance de um toque. arão nesses segmentos, Também entregaremos o afastando leigos de ativinovo portal de serviços, “Temos prioridades dades que exigem a preque deve ser lançado agoimportantes que sença de um profissional ra no segundo semestre. registrado. E para o próE ainda há o encontro balizam nossas prio profissional, que tem dessas duas frentes: a fisiniciativas: a o respaldo de um Consecalização com a transforlho atuante.” mação digital, pois temos fiscalização e a buscado aliar a tecno– Quais os princitransformação logia às nossas ações de pais desafios do Creafiscalização, o que nos -SP hoje? digital” trouxe resultados consis“Creio que um dos tentes ao longo da nossa principais desafios seja a gestão no Crea-SP. Além de focarmos em continuidade da prestação de serviços releforças-tarefas, seguimos planejamenvantes para a sociedade, com uma fiscalitos anuais de fiscalização, realizados em zação eficiente que resulte em mais profisconjunto com as Câmaras Especializadas, sionais habilitados à frente das atividades responsáveis por dar um norte e apontar técnicas, o que representa mais segurança as prioridades para uma atuação mais para a população. Considero que um dos certeira da nossa Superintendência de maiores desafios é a transformação digital, Fiscalização. Contamos ainda com as Copois começa de dentro, por parte das pesmissões Auxiliares de Fiscalização (CAFs). soas. É uma mudança que acontece a partir Com essa integração de trabalho, conseda maneira de pensar e o nosso propósito guimos mapear, identificar e fiscalizar as é transformar a cultura do Crea-SP, sempre atividades técnicas, considerando as parapoiados nas novas ferramentas tecnológiticularidades de cada região do Estado ou cas, entendendo as demandas e acompasegmento profissional.” nhando a evolução dos setores profissionais. Outro grande desafio já citado aqui é so– Qual o balanço que o senhor faz bre a representatividade dos profissionais, da sua primeira gestão, de 2017/2020? para que passem a acompanhar as ações do “É um saldo positivo, sem perder de Crea-SP e participem mais ativamente do vista o que precisamos fazer. Mas, temos dia a dia do Conselho. Por exemplo, temos conquistas e iniciativas fundamentais iniciativas que auxiliam os profissionais em que têm se consolidado em nossa gestão. capacitação, com cursos realizados em parQuando assumimos, o Crea-SP possuía cerias com as associações, e até uma pósbaixos índices de fiscalização em compa-graduação feita em conjunto com a Unesp ração aos Creas de outros estados. Entene a Univesp, com foco em empreendedodemos que, por se tratar de um Conselho rismo e inovação. Nesse sentido, fornececom mais de 350 000 profissionais regismos as ferramentas necessárias para que trados, precisávamos assumir a dianteira, os profissionais continuem se atualizando tornando São Paulo uma referência. Cone se especializando, que são exigências do sidero que estamos cumprindo esse papel. mercado de trabalho.” Conseguimos alcançar importantes marcas, a exemplo das ações de fiscalização – O Ministério da Ciência, Tecnoloque registraram crescimento de 300% no gia e Inovação (MCTI) e o Crea-SP fizeperíodo de 2015 a 2020, com as implemenram um acordo de cooperação. Qual tações citadas anteriormente. Somente no a abrangência e o que ele significa na primeiro semestre de 2021 já efetivamos prática? 105 000 ações de fiscalização, o que repre“O protocolo de intenções firmado com senta 95% do que foi realizado em todo o o MCTI visa incentivar a formação e capaperíodo de 2020. A nossa meta é realizar citação de profissionais da área tecnológica BRASILengenharia 04/2021

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BRASIL ENGENHARIA I LIDER ANÇ A EM FOCO em todo o estado de São Paulo. Com isso, promoveremos iniciativas conjuntas para estimular a tecnologia e a inovação. A partir da celebração do protocolo, o Crea-SP e o MCTI empenham esforços para regular a cooperação técnica-científica nas áreas de atuação das engenharias, agronomia e geociências. Após a assinatura, passamos para uma segunda fase, que trata da elaboração de planos de trabalho para atender às disposições do acordo.”

– Quais os principais desafios da categoria diante da situação econômica e da desindustrialização do país?

“O desafio é imenso em todos os aspectos. O Brasil precisa de mais investimentos em tecnologia, inovação e ciência. Só assim poderemos fazer frente à crise econômica, que é mundial, e não está restrita ao nosso país. Contudo, os países desenvolvidos seguem reforçando os investimentos nessas áreas, de modo que conseguem um posicionamento a nível global, tendo um retorno positivo, ainda que a crise tenha se acentuado com a pandemia. Nós estamos na contramão desses exemplos. Entendo que um dos caminhos para revertermos o cenário de desindustrialização e da situação econômica atual é justamente aumentar os investimentos nessas áreas tão importantes, caso das engenharias, agronomia e geociências. Há preocupação em mudar esse cenário, a exemplo do protocolo de intenções firmado entre Crea-SP e MCTI para, justamente, estimular a formação e capacitação desses profissionais.”

– Qual a importância do profissional de engenharia  e do tecnólogo no mercado de trabalho, como eles se complementam?

– Qual o futuro do profissional de engenharia no Brasil? Há tendência de crescimento da necessidade de mão de obra, em que áreas da engenharia?

“Temos uma perspectiva otimista quanto ao futuro da engenharia em nosso país, especialmente com a chegada do 5G, que promete revolucionar os principais setores econômicos. São avanços que representam aumento da produtividade, melhoria contínua dos processos e redução de custos. Isso significa não só a abertura de portas para a inteligência artificial, para a robótica na saúde, na construção civil, no campo, mas também a melhoria da qualidade dos serviços e uma otimização dos custos. É uma tecnologia que traz aos nossos processos produtivos mais sustentabilidade, inteligência, eficiência e educação. E a engenharia é parte fundamental desse processo e será impactada em todas as suas áreas, uma vez que há uma gradativa demanda do mercado por profissionais da área tecnológica. Um estudo da consultoria McKinsey aponta que nosso país terá um gargalo de um milhão de profissionais de tecnologia até 2030. Esse deficit iminente é explicado quando olhamos para a formação da nossa mão de obra, pois formamos apenas um profissional de tecnologia para cada 11 advogados e administradores. Nos Estados Unidos e na China essa proporção

é de três a cinco advogados e administradores formados para cada engenheiro. Esse cenário se agrava, ainda, com a crise sanitária da Covid, que impacta diretamente a economia mundial. O processo de retomada demandará profissionais cada vez mais especializados e que possam fazer a diferença. Somos a principal engrenagem econômica do país. Nesse contexto, o Crea-SP cumpre o seu dever ao contribuir cada vez mais com a capacitação, desenvolvimento e valorização dos profissionais, investindo em parcerias com as instituições de ensino. A exemplo da já citada pós-graduação realizada em parceria com a Unesp e a Univesp. Da primeira turma, foram criadas 237 startups, que representam uma contribuição e avanço relevantes para o setor tecnológico.”

– Os profissionais de engenharia  estão preparados para atender às demandas da indústria 4.0?

“Uma das principais características do profissional 4.0 é a sua flexibilidade. A capacidade de adaptação às novidades tecnológicas, competências emocionais e uma formação multidisciplinar. Estas são aptidões fundamentais para a adequação a esse novo mercado. A engenharia é dinâmica, exigindo cada vez mais que os profissionais estejam inseridos nesse contexto de transformação. O maior impacto continua sendo a necessidade de atualização constante.”

– A categoria recebe a devida valorização? O que esperar do mercado de trabalho nos próximos anos?

“O mercado de trabalho está cada vez mais exigente, buscando profissionais extremamente especializados e que estejam em sintonia com as crescentes mudanças tecnológicas. O que percebemos é que os profissionais precisam se reciclar com uma maior frequência e nesse ponto, temos os cursos em parceria com instituições de en-

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“Essas categorias são de vital importância para o país, pois são necessárias em todos os setores e capazes de alavancar a produção e a economia. Por trás de tudo, há um profissional habilitado pelo

Crea-SP: da tecnologia empregada pelo agronegócio àquela utilizada para a construção e operação de uma aeronave. É inevitável que haja uma simbiose entre essas profissões, pois são complementares em diversos aspectos. Nos eixos tecnológicos, abrangem ambiente, controle e processos industriais, infraestrutura, produção alimentícia, produção industrial e recursos naturais – ou seja, não é possível separar as engenharias das atividades exercidas pelos tecnólogos.”

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sino e associações, conforme mencionado. Estamos comprometidos com a defesa dos profissionais, para que tenham condições dignas de trabalho, como fizemos agora com a mobilização de todo o Sistema Confea/Crea e Mútua para barrar o avanço da Medida Provisória nº 1.040/2021, que tramitava no Congresso Nacional. A MP revogava o Salário-Mínimo Profissional das Engenharias e da Agronomia, disposto na Lei 4.950-A/1966. Emitimos posicionamento contrário e iniciamos uma atuação contundente no Senado e na Câmara para que esse dispositivo fosse derrubado. Conquistamos essa importante vitória para os profissionais, em acordo firmado com o governo Federal. As justificativas técnicas do sistema já haviam sido acolhidas pelo Senado Federal e a vitória foi concretizada na Câmara com votação favorável aos profissionais da área tecnológica. Quem ganha com isso são os profissionais, valorizados em suas atuações e respaldados por um sistema unido e representativo em prol de suas categorias.”

– O presidente da República solicitou a retirada de tramitação da Proposta de Emenda Constitucional nº 108/2019 no Congresso Nacional. A proposta feita pelo próprio governo previa a transformação dos conselhos profissionais das entidades privadas e tornava facultativo o registro profissional de atividades regulamentadas. Qual seria o impacto de uma medida como essa para o profissional e para a sociedade? “Uma medida como essa tem um impacto negativo tanto para o profissional quanto para a sociedade, pois fragiliza um sistema criado para garantir a presença de profissionais habilitados para desempenhar atividades que são de caráter técnico. Sendo assim, tais atividades precisam ser realizadas por pessoas registradas em um Conselho. Desta forma, garantimos a proteção e preservação da vida. É de responsabilidade deste Conselho a fiscalização do exercício profissional para que leigos não ocupem posições que devem contar com tais profissionais habilitados e com a devida competência técnica. O Sistema Confea / Crea / Mútua atuou incansavelmente durante todas as etapas, participando de audiências públicas e com parlamentares para sensibilizá-los sobre a importância da manutenção da natureza jurídica dos conselhos profissionais como autarquias públicas.”

– O senhor se manifestou favorável

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a uma readequação do Sistema Confea/Crea e Mútua. Por que e o que já foi feito na sua atual gestão?

– Como é a relação do Crea-SP (um dos conselhos maiores do mundo) com as demais regionais no Brasil? Há uma relação de parceria, ações conjuntas?

“Há uma lacuna temporal que precisa ser superada, pois nossa legislação data “Temos contato direto com todos os das décadas de 1950 e 1960. Precisamos conselhos e trocamos experiências e inforatualizar essa legislação e já existe um tramações para melhorar a atuação em todo balho em conjunto com o Confea na busca o país. O objetivo é sempre fortalecer as por esse entendimento, categorias profissionais. para que possa beneficiar Tivemos, recentemente, “O Crea-SP e o todo o sistema. Precisaum reconhecimento immos adequar e revisar os portante durante o EnMCTI empenham nossos procedimentos. Os contro Nacional de Fisesforços para normativos não estão no calização (Enafisc) sobre mesmo tempo da sociedao modelo adotado de forregular a de, do mercado de trabaças-tarefas. O exemplo de lho e das próprias relações São Paulo foi apresentacooperação nas profissionais. Precisamos do aos demais Creas para áreas de atuação de mais dinamicidade para que a nossa metodologia que tenhamos mais efetivipudesse ser replicada em das engenharias” dade em nossas ações. outros Estados. Também Nosso objetivo é derecebemos a visita do senvolver esse trabalho conjunto de moderCrea do Espírito Santo, que buscava ennização, o que inclui a legislação. A intetender o nosso processo de transformação gração com todos os Creas é essencial para digital para implementar melhorias por lá. alcançarmos essas mudanças, que represenAssim, compartilhamos as nossas práticas tam uma desburocratização dos serviços, e o uso da tecnologia em nossas atividades assim começaremos a atender o profissional cotidianas.” de maneira mais eficiente.” – E com entidades de outros países?

– O senhor também manifestou a intenção de transformar o Crea-SP em uma plataforma de serviços? Como será essa plataforma? Qual sua importância?

“O nosso portal de serviços está em desenvolvimento e estamos empenhados em trazer os profissionais para colaborarem com esse processo. A importância é unificar todos os serviços disponibilizados pelo Crea-SP em um único local, de maneira mais acessível e intuitiva. Em março, tivemos um workshop para elaborar esse portal com a participação de profissionais convidados, como já explicado. Tivemos muitas ideias apresentadas, que foram tratadas com metodologias de mercado, levando em consideração a experiência do usuário, e depois encaminhadas ao setor de desenvolvimento. De lá, surgiu a implementação do Chatbot, a Minerva, que já está disponível em nosso site, para facilitar a interação com os profissionais. Com a validação do usuário, criamos um protótipo e em seguida, faremos o lançamento dessa plataforma, prevista para esse segundo semestre. O objetivo de utilizar essa metodologia multidisciplinar é justamente elaborar uma plataforma de serviços que atenda às necessidades dos usuários, melhorando a experiência de todos.”

Há uma troca em prol da categoria?

“As tratativas para acordos internacionais são capitaneadas pelo Confea, a exemplo do termo de reciprocidade firmado com a Ordem de Engenheiros de Portugal (OEP). Os engenheiros brasileiros podem obter registro na OEP apresentando apenas a sua carteira profissional e passaporte em uma unidade de atendimento do Crea. Não há necessidade de passar pelo processo de revalidação do diploma. Os moldes desse acordo podem ser replicados em outros países, pois o Confea está em negociação avançada com Angola e Cabo Verde para assinatura de um termo como esse. Outra iniciativa extremamente importante é com o Mercosul. Depois de décadas de debates, em junho deste ano foi consolidada a proposta de acordo base para os países fundadores do bloco – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Desta forma, serão promovidos acordos bilaterais para a atuação recíproca de profissionais da agrimensura, agronomia, arquitetura, geologia e engenharias. Os trabalhos devem ser fundamentados em acordos de trabalho válidos por dois anos, prorrogáveis por até dois anos. A expectativa é que esses acordos bilaterais sejam incrementados de forma similar ao termo de reciprocidade firmado com a OEP.” BRASILengenharia 04/2021

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CRISE HÍDRICA E O SETOR ELÉTRICO :

OS LADOS OPOSTOS D

Se a crise hídrica coloca o Brasil em suspense sobre a possibilidade de um apagão de energ pela aprovação do novo marco do setor e o crescimento dos investimentos em energ POR REGINA TROMBELLI

“Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza”. A letra da música de Jorge Ben Jor poderia ter sido escrita em homenagem às múltiplas possibilidades de geração de energia elétrica no Brasil. Afinal, aqui temos abundância de sol, vento, gás natural, água (apesar da seca atual) e até mesmo urânio – citando somente os mais populares. Também não faltam soluções de engenharia, locais ou trazidas de fora. E tem quem afirme que tão pouco falta dinheiro para investimento. Ou seja, poderíamos ter fontes diversas, intermitentes ou não, em maior equilíbrio e ainda privilegiar as de emissão zero de

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carbono, contribuindo para diminuir a crise climática mundial. Mas, apesar de ter uma das matrizes geradoras mais limpas do mundo, a pouca diversidade das fontes faz o Brasil correr risco de apagão de energia pela terceira vez em 20 anos, ao viver sua pior crise hídrica nos últimos 91 anos. Por que o país chegou, mais uma vez e em tão curto espaço de tempo, a um problema já conhecido? “Falta planejamento dos governos anteriores e do atual”, afirma Reginaldo Medeiros, presidente executivo da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia

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S DA MESMA MOEDA

ão de energia, desfalcando o bolso dos consumidores e prejudicando a economia, a espera os em energias renováveis mostram que o país ainda pode ser modelo para o mundo (Abraceel), bem como outros líderes e especialistas no setor, a exemplo do Adriano Pires, entrevistados nesta edição. O resultado dessa falta de planejamento, estratégia e ação já é sentida no bolso do brasileiro com a subida do preço do recurso. Em julho, a inflação acelerou 0,96%, sob efeito de reajustes da energia elétrica, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para 2022, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) projetou uma alta de 16,7% nas tarifas, que vai refletir no aumento de custos. “Energia está em todo produto e quanto

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mais barata for, melhor para a economia do país. Uma vez que a energia é cara para quem congela o frango, para quem cria o frango, a gente vai pagar o frango mais caro”, exemplifica Élcio Pasqualucci, coordenador do Grupo Técnico de Energia (GTE) da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi). Como reforçam os especialistas, executivos e diretores de entidades do setor entrevistados pela BRASIL ENGENHARIA nas próximas páginas, o risco de apagão e a energia cara são empecilhos ao crescimento econômico. Ao mesmo tempo, se a economia crescer, aumenta o risco de apagão ou racionamento.

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danças nos limites de transmissão defisíveis, outras têm sido tomadas como aunidos conforme procedimentos de rede”. mento do uso de energia elétrica proveniente de usinas termelétricas (movidas a partir da queima de gás, óleo diesel, MEDIDAS DO GOVERNO FEDERAL carvão, biomassa e fonte nuclear), que Christiano Vieira da Silva é engesão uma geração mais cara, cujo custo nheiro eletricista graduado pela Univeré repassado para o consumidor final. Em sidade Federal de Pernambuco (UFPE). alguns momentos, as térmicas têm geraDesde 24 de maio de 2021, lidera a Secredo até um terço da energia consumida taria de Energia Elétrica do Ministério de no país. Minas e Energia (MME), em substituição O Operador Nacional do Sistema Eléa Rodrigo Limp, que assumiu a presidêntrico (ONS) informa que em outubro do cia da Eletrobras. ano passado, diante da previsão da ocorAntes de ir para o MME, Christiano rência climática, o Vieira liderava a Sutema foi levado ao perintendência de Comitê de MonitoRegulação dos Serramento do Setor viços de Geração da Elétrico (CMSE), Agência Nacional que deliberou pelo de Energia Elétrica despacho das tér(ANEEL), posição micas alocáveis no que ocupava desSistema Interligado de janeiro de 2015. Nacional (SIN), sem Entre setembro e que haja vertimento novembro de 2020, de geração hídrica. deu sua contribuiEm nota técnica, ção atuando como o Operador Nacional diretor substituto da do Sistema Elétrico ANEEL. (ONS) fez projeções À frente da SEE, até novembro de Christiano Vieira 2021, fim do pe- Christiano Vieira da Silva, lidera a Secretaria tem participado ríodo seco e início de Energia Elétrica do Ministério de Minas e ativamente das do período úmido, Energia (MME) medidas para com dois cenários enfrentamento da e ambos afirmam que não há risco de situação de escassez hídrica que afeta os desabastecimento “embora o estudo inprincipais reservatórios das hidrelétricas dique que até o fim de 2021 a situação da região sudeste e centro-oeste do País, permanecerá sensível”. bem como das discussões relativas à As duas projeções, considerando o pemodernização do setor elétrico brasileiro. ríodo de julho a novembro de 2021, são: Nesta entrevista à BRASIL ENGENHA- “Na primeira simulação, a previsão RIA, ele enfatizou, ao detalhar as medidas de acionamento do parque termelétrico é para conter uma crise de energia, que o mais conservadora, não sendo considegoverno federal não trabalha com a hipóradas no planejamento todas as unidatese de racionamento. des indisponíveis – por motivos diversos - Quais os principais desafios para a como manutenção, falta de combustível geração de energia elétrica no Brasil? ou litígio. Nesta hipótese, há também fle“São os desafios associados à transixibilização dos limites de transmisção energética. O Brasil é um país líder são, novos pedidos de flexibilização para em termos de matriz elétrica limpa. Nossa as bacias de algumas usinas hidrelétrimatriz é cerca de 85% renovável. Estamos cas e a maximização do despacho térmico expandindo a participação das renováveis fora da ordem de mérito.” não hídricas. Essas fontes têm se torna- “No segundo cenário, teríamos do cada vez mais competitivas. Contudo uma maior participação das térmipara se ter uma operação segura é precas, considerando também a importaciso ter geração controlável, isto é, que ção de energia dos países vizinhos e não dependa das condições climáticas o despacho térmico fora da ordem de para produzir. Por isso a diversificação da mérito. Além disso, não haveria alteramatriz elétrica é tão importante. Ao mesções nas flexibilizações já em vigor e, mo tempo precisamos alocar os custos da também não estão contempladas muconfiabilidade proveniente dessa geração FOTO: DIVULGAÇÃO

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matriz elétrica brasileira mudou nos últimos anos, mas continua bastante dependente das hidrelétricas em 61%, segundo dados do Ministério das Minas e Energia (MME). Há 20 anos, essa participação era de 85%. O Plano Decenal de Expansão de Energia - PDE 2030 aponta para uma redução da participação da hidroeletricidade para 49%, bem como o aumento da participação das renováveis não hídricas. Atualmente, entre as fontes renováveis, a eólica já corresponde a 11% da capacidade instalada de geração; a fotovoltaica, 2%; e a biomassa, 8,7%, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Novas medidas já foram aprovadas desde o ano passado para impulsionar o setor de energia no Brasil, mas o Projeto de Lei 414/2021, já aprovada pelo Senado e aguardando votação na Câmara dos Deputados desde fevereiro, é o novo marco regulatório do setor, capaz de abrir o mercado, criar a portabilidade da conta de luz, gerar competitividade, baratear a tarifa e impulsionar investimentos. O ministro Bento Albuquerque (MME) já pediu publicamente que os deputados votem o projeto de lei. “Esse importante projeto de lei vai permitir que a gente tenha uma expansão equilibrada do mercado livre”, afirmou. O setor elétrico tem 2 tipos de contratação: o ACL (Ambiente de Contratação Livre) que permite a escolha do fornecedor e a negociação de condições contratuais, que é o foco da proposta citada; e o ACR (Ambiente de Contratação Regulada), no qual o consumidor compra energia diretamente das distribuidoras e no qual estão pequenas e médias empresas e a maioria dos consumidores residenciais. Com a aprovação do novo marco, o governo federal espera alcançar a modernização do setor elétrico brasileiro “a partir de pilares como a ampliação do mercado livre, a maior f lexibilidade setorial, a adequada alocação de custos e riscos e a racionalização dos incentivos”, como informa o engenheiro Christiano Vieira da Silva, secretário de Energia Elétrica do MME. A principal medida para enfrentamento de situações de escassez hídrica no longo prazo consiste na diversificação da matriz elétrica e na expansão da transmissão. Enquanto essas medidas não são pos-

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I N FR A E S TPE R CI U ETASULPE REACI METAU LO L 4 EGN 0Í ESARTNG IC OI AS controlável de modo isonômico entre todos os consumidores. Esse é um assunto presente na discussão sobre a separação de lastro e energia, no âmbito da modernização do setor elétrico. O PL 414/2021, especificamente, será o instrumento legal para endereçamento desse tema, que desencadeará mudanças mais amplas para os diversos segmentos do setor elétrico e para a sociedade.” - E para a estruturação do setor? “Após a sanção presidencial da lei 14.182/2021, que permite a capitalização da Eletrobras, destaco que o principal projeto do setor em discussão no parlamento é o PL 414/2021. Com a sua aprovação, de fato caminharemos para a modernização do setor elétrico brasileiro, a partir de pilares como (i) a ampliação do mercado livre; (ii) a maior flexibilidade setorial; (iii) a adequada alocação de custos e riscos; e (iv) a racionalização dos incentivos. São desafios que precisam ser endereçados, e serão refletidos, por exemplo, através da maior liberdade para contratação de energia para atendimento ao mercado regulado, aderência entre a formação de preço no mercado de energia e a operação do sistema elétrico, separação entre lastro e energia, dentre tantos outros. É preciso avançar na discussão sobre a ampliação do mercado livre e como se dará o planejamento da expansão da geração e da transmissão nesse contexto. Outra discussão importante diz respeito à operação do sistema com uma participação cada vez maior de recursos energéticos distribuídos e o papel da distribuidora de energia elétrica nesse cenário. Todas essas questões fazem parte do escopo da modernização do setor elétrico.” - O Brasil enfrenta sua terceira grande crise de energia/ hídrica em pouco mais de 20 anos, em função da dependência das hidrelétricas. Por que esse problema persiste? “Vemos um aumento de eventos extremos associados a mudanças climáticas no mundo. Vivemos uma conjuntura inédita em termos de hidrologia. Trata-se da pior af luência no histórico de 91 anos. Justamente por ter 85% da matriz elétrica renovável, o sistema elétrico brasileiro é naturalmente suscetível às variações nos padrões de temperatura, precipitação, vento e insolação que podem afetar a oferta de energia. A principal medida para enfrentamento de situações de escassez hídrica no longo prazo consiste na diversificação da matriz elétrica e WWW.BRASILENGENHARIA.COM

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zimos as vazões em usinas importantes na expansão da transmissão. Esse prodo sistema para preservar os estoques cesso de diversificação já está em curde água nos reservatórios de cabeceira. so. A participação da hidroeletricidade Alteramos as regras para importação de na matriz elétrica brasileira já foi muito energia e para a geração de usinas termais expressiva. Representava 85% da melétricas sem contrato com o objetivo capacidade instalada em 2001. Hoje corde facilitar a mobilização desses recursos responde à 61%. A matriz elétrica atual para atendimento à carga do sistema. é bem mais diversificada. Atualmente a Esses são apenas alguns exemplos de fonte eólica representa cerca de 11% da ações em curso. Outras estão em procescapacidade instalada de geração. O Plano so de finalização. Trabalhamos com um Decenal de Expansão de Energia - PDE cenário conservador para o planejamento 2030 aponta para uma redução da parda operação do sistema de modo a asseticipação da hidroeletricidade para 49%, gurar o atendimento à carga em qualquer bem como o aumento da participação hipótese. Não trabalhadas renováveis não hímos com a hipótese de dricas. Com relação à “A capitalização racionamento.” transmissão, tínhamos cerca de 70 000 km de - E para 2022? fortalecerá a redes de transmissão “Além das medidas capacidade de em 2001. Hoje temos conjunturais, há um mais do que o dobro, conjunto de medidas investimentos cerca de 165 000 km de caráter estrutural de rede. E não para por que também estão em da Eletrobras” aí. O PDE 2030 prevê curso e devem produzir o acréscimo de mais efeitos no médio prazo. 37 000 km ao longo de 10 anos. Uma Cito como exemplo os estudos para rerede de transmissão robusta assegura visão dos parâmetros de aversão a risco o escoamento da energia elétrica onde inseridos na cadeia de modelos computaquer que ela seja produzida para os locionais utilizados para o planejamento e cais de efetivo consumo.” programação da operação eletroenergética e para formação de preço no mercado - Quais as principais ações do governo de energia. Com essa revisão, será pospara lidar com a crise atual? O país consível indicar o acionamento de geração seguirá atravessar o ano mesmo sem falta termelétrica com mais antecedência, prede energia, mesmo em um cenário de cresservar mais água nos reservatórios e obter cimento? um menor custo total de geração para o “O Comitê de Monitoramento do Setor sistema. Essa nova parametrização terá Elétrico realiza o acompanhamento pervigência a partir de janeiro de 2022. Desmanente das condições de atendimento taco também o processo de revisão das eletroenergético. Também foi criada a garantias físicas das usinas hidrelétricas, Câmara de Regras Excepcionais para Gesque permitirá identificar a efetiva contritão Hidroenergética (CREG), com poder buição dessas usinas para o atendimento para estabelecer medidas emergenciais à carga do sistema levando em conta os para a otimização do uso dos recursos parâmetros técnicos mais atualizados, em hidroenergéticos e para o enfrentamento especial a hidrologia.” da atual situação de escassez hídrica, a fim de garantir a continuidade e segu- Como o atual governo desenha/ prorança do suprimento eletroenergético no jeta o modelo energético brasileiro? país. A CREG é composta pelos ministros “Encontra-se em curso um amplo de Minas e Energia, Economia, Infraesdebate sobre a modernização do setor trutura, Agricultura, Meio Ambiente e elétrico brasileiro. Esse movimento de Desenvolvimento Regional, sendo presimodernização vem no sentido de agredida pelo Ministro de Minas e Energia, gar a necessária visão de futuro na qual Bento Albuquerque. estejam todos contemplados em prol da Desde outubro de 2020, quando se maior eficiência do setor elétrico. Desconstatou o atraso na configuração da sa maneira, o aprimoramento de tecnoestação chuvosa, temos acionados gelogias de geração de energia elétrica, o ração termelétrica de modo antecipado desenvolvimento de novos arranjos de e importado energia dos países vizinhos mercado, além do empoderamento do sempre que possível com o objetivo de consumidor, adquirindo posição ativa em preservar água nos reservatórios. Redusuas escolhas, tem norteado de maneira BRASILENGENHARIA 04/2021

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ou parcial, de contratos de comercializapara o atendimento a 30 000 ligações, e ção de energia elétrica no ambiente reaguarda o levantamento detalhado, a ser gulado. Permite a contratação de geração realizado pelas distribuidoras, para a dena modalidade de reserva de capacidafinição das próximas metas.” de, com os custos rateados entre todos os consumidores do sistema interligado ENERGIA CARA nacional, sejam eles livres ou cativos, na O Brasil está diante da maior crise proporção do seu consumo líquido. energética dos últimos 91 anos, a populaPor sua vez, a aprovação da Lei ção sofre com alto custo do recurso, que 14.182/2021, referente à capitalização também se tornou um entrave à retomada da Eletrobras, também possibilitará imdo crescimento econômico. Este é o resuportante reduções nas tarifas dos conmo do cenário que a Associação Brasileira sumidores finais. Estima-se uma redução de Engenharia Industrial (Abemi) abortarifária total entre da na entrevista à 5% e 7%. Por fim, BRASIL ENGENHAdestacamos que o RIA. A Abemi é uma Ministério de Minas entidade civil que e Energia tem decongrega empresas senvolvido suas atide engenharia de vidades sempre pauprojeto, construção tado no aumento da civil, montagens competitividade e industriais, fabrida atratividade para cantes de equipanovos investimenmentos e manutos buscando custos tenção e logística. menores de geração O engenheiro e de transmissão, na e empresário Élcio redução dos encarPasqualucci, coorgos tarifários e no denador do Grupo aumento da eficiênTécnico de Energia cia do setor elétrico, Élcio Pasqualucci, engenheiro e empresário, (GTE) da entidade, em benefício de to- coordenador do Grupo Técnico de Energia acompanha de perdos os brasileiros.” (GTE) da Abemi to todos os acontecimentos no setor - Há metas e e destaca que a questão energética no projetos para redução do número de dopaís tem vários entraves, todos ligados a micílios sem luz? questões regulatória, além da instabilida“Atualmente, temos 448 000 domide política no Brasil. Pasqualucci destaca cílios e aproximadamente 2,24 milhões a questão da precificação dos diferentes de pessoas sem acesso à energia elétrica, tipos de energia como uma das questões localizados nos estados da região Norte, a ser resolvida. Bahia e Piauí. Desse total, 228 000 famí“Dentro da análise de risco, tem a lias se encontram em localidades passíveis questão de como vai ficar o pagamento de atendimento com extensão de rede de uma usina solar para a transmissora convencional, que estão programadas ou para a distribuidora de energia. Isso para serem atendidas pelo Programa Luz não está claro ainda, porque não foi repara Todos. Os contratos para execução solvida a questão”, exemplifica o coordedessas obras já foram autorizados e têm nador do GTE. previsão de execução até o final de 2022. A seguir, acompanhe os principais Outras 219 000 famílias se encontram em trechos da entrevista, na qual Pasqualucregiões remotas nos estados da Amazônia ci avalia o risco de um apagão de energia, Legal, cujo atendimento será feito pelo a Medida Provisória 1031/2021 (chamada Programa Mais Luz para a Amazônia, com MP da Eletrobrás) e outras medidas em a instalação de sistemas de geração solar andamento no país. off grid. As metas iniciais do Programa Luz para Todos em cada estado já foram SEGURANÇA LEGISLATIVA E REGUpublicadas pela ANEEL e cabe ao MME a LATÓRIA - “Para que tenhamos novas definição das metas e prazos de atendifontes geradoras e novos empreendimenmento. Para o Programa Mais Luz para tos, nós temos que ter segurança legislaa Amazônia, o Ministério já autorizou os tiva e regulatória para tanto. Esse é um contratos para o período de 2021/2022, FOTO: DIVULGAÇÃO

significativa as alterações normativas do setor. Ao final, esperamos potencializar ainda mais a atratividade em se investir no setor elétrico brasileiro, e que os aprimoramentos realizados se traduzam em menores custos aos consumidores de energia elétrica, em base sólida e transparente, fruto do trabalho construído ao longo dos últimos anos.” - Quais os benefícios que a desestatização da Eletrobras trará? Especialistas apontam que a medida traz riscos como a perda da soberania no setor, aumento da conta de luz entre outros. “A capitalização fortalecerá a capacidade de investimentos da Eletrobras em energia renovável e novas tecnologias, trazendo competitividade para a empresa, em linha com a modernização do setor elétrico e com a transição energética global. Não há riscos de perda da ‘soberania no setor’. A função do planejamento setorial continua com o Ministério de Minas e Energia na condição de Poder Concedente. A regulação e a fiscalização do setor elétrico encontram-se sob a competência da ANEEL. No que concerne aos usos múltiplos da água, a regulação e fiscalização é de responsabilidade da ANA. É importante lembrar que a maior parte dos investimentos no setor elétrico é de origem privada e que esse arcabouço regulatório é aplicado da mesma forma para empresas estatais e privadas. Dentre os benefícios esperados com o processo de capitalização, destacamos que cerca de 29 bilhões de reais serão destinados ao alívio da Conta de Desenvolvimento Energético em benefício dos consumidores. De igual modo, o excedente de Itaipu será utilizado para reduzir o impacto na tarifa dos consumidores cativos. Serão destinados 8,75 bilhões de reais para ações de revitalização de bacias hidrográficas e redução estrutural dos custos de geração na Amazônia Legal, com investimentos em geração limpa e renovável, abrangendo ações nas regiões norte, sudeste e nordeste.” - Como o governo pretende vencer o desafio de levar energia a um menor custo e a mais brasileiros? “A aprovação da Lei 14.120/2021 trouxe importantes medidas para a redução das tarifas de energia nos próximos anos. Há previsão de retirada gradual dos subsídios para geração oriunda de fontes de energia incentivadas. Estabelece a possibilidade de criação de mecanismos competitivos para a descontratação, total

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CR B AA PA S I L E N G E N H A R I A I C A PA grande problema. Temos a lei 14.120*, que abre para o governo ajudar na precificação dos atributos ambientais de cada fonte geradora. Por exemplo, se tivermos uma fonte de energia, uma usando carvão e a outra, biogás, como eu faço a comparação para que essas fontes consigam ser competitivas de maneira justa, considerando, por exemplo, todos os acordos que o Brasil tem na COP26? Isso é, tentando respeitar as regras ambientais, principalmente na geração de gás de efeito estufa, como fica a questão da precificação de todas essas fontes? Toda essa precificação está em andamento. E a situação regulatória legislativa impacta diretamente na decisão de investimento. É isso que mais preocupa. À Abemi e suas associadas, obviamente, interessa que haja projeto e obras, mas, acima de tudo, buscamos a competitividade, transparência e compliance. Visamos à competitividade da tarifa de energia para o usuário, seja doméstico ou industrial. E só vamos conseguir isso se tivermos transparência nas regras. Sem energia barata, a situação econômica do Brasil tende a piorar. Há interesse por parte dos técnicos do governo em resolver essas questões (de regulação), com certeza. O exemplo disso é o esforço que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) está realizando para sugerir ao Ministério das Minas e Energia uma série de regras, que vão precisar de

mente será sancionada pelo presidente regulação, que vai precisar que o MinistéJair Bolsonaro com os ‘jabutis’. Dentre rio regule ou passe para o legislativo criar eles, está a obrigatoriedade de construir a regulação completa para tal. termelétricas a gás natural – considerado O caminho dos agentes do setor é caum combustível de transição – em locais nalizar o que a gente chama de consenso muito distantes da fonte de gás natural do que é necessário para o país pela EPE, e do mercado consumidor. Num primeique é a responsável pelo planejamento ro momento, essa obrigatoriedade beneenergético do país. ficia o setor de engenharia porque será Eu vejo muita preocupação dos necessário construir usinas e gasodutos, técnicos, do ministério, da EPE, com isso. para levar o gás natural até elas, além de E há um caminho para ser colocado.” redes de transmissão, *A Lei 14.120, sanciopara distribuição de nada em março de 2021, “Estima-se uma energia. Mas, a médio entre outras regulamenredução tarifária prazo, este é um betações, altera regras do nefício transitório, que setor elétrico para contotal entre 5% não favorece o Brasil, ter tarifas, define compois precisamos reduzir pensações para seca, e 7% com a Lei o custo da energia para cobranças para consu14.182/2021” estimular a economia.” midores e reorganiza estatais do setor nuclear. A ENGENHARIA NO SETOR ELÉTRICO - “A engenharia, que é o nosso tópico, ELETROBRAS - “A MP da Eletrobras ela entra em tudo na questão energética. trouxe desconfiança no setor porque há O ambiente regulatório, de negócios, não uma série de interesses paroquiais que foé só uma questão legal ou econômica e ram colocados dentro de uma legislação financeira, esse tema é estratégico para para capitalização, inclusive capitalização o Brasil. Temos que ter fornecimento de da própria Eletrobras, que tem uma série energia competitiva, dentro dos parâmede reservatórios e que precisa de investitros de sustentabilidade, aos quais somos mento de capital. Aí aparece o que a imsignatários. prensa chamou de ‘jabuti’. E isso também Então, a nossa estratégia precisa da não colabora com o setor. engenharia em tudo, da prancheta, para A MP 1031/2021 foi aprovada na fazer projetos, da construção, no comisCâmara dos Deputados em 21 de junho, sionamento, na manutenção, na operacom 17 emendas do Senado, e possivel-

CONHEÇA OS DADOS DA ENERGIA EÓLICA DO BRASIL

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I N FR A E S TPE R CI U ETASULPE REACI METAU LO L 4 EGN 0Í ESARTNG IC OI AS ção, em tudo. E para isso a engenharia brasileira se prepara no que a gente chama de indústria 4.0, que inclui a engenharia e construção 4.0, que exige uma visão holística do empreendimento. A engenharia 4.0 entende o empreendimento como um todo. Vou dar um exemplo que normalmente não passa por nós engenheiros. O Brasil é muito rico em fontes geradoras de energia. Na comparação dessas fontes de energia, para a gente poder precificá-los, por exemplo, em relação ao crédito de carbono, ao mercado de carbono, a solução não é só modelo legal ou econômico, ela passa por modelos de engenharia, para poder entender o que são essas tecnologias e o futuro dessas tecnologias. A engenharia colabora nesses meios necessários para gente avançar de forma estruturada, científica, baseado na engenharia, para avançar nos modelos de negócios de energia no Brasil. A engenharia também absorve as famosas tecnologias. Na área de energia brasileira e mundial, costuma-se falar nos 3Ds: o primeiro é a descarbonização (ou a neutralidade de carbono); o segundo é descentralização (fontes de energias não só centralizadas, mas distribuídas. E o Brasil é rico nisso. Nós conseguimos gerar energia vegetal, de resíduo sólido, de palha, dentro do agronegócio); o terceiro e muito importante é a digitalização, porque a transformação digital entra na

engenharia 4.0, que ajuda a engenharia a ter essa visão holística. As fontes geradoras também estão se digitalizando e o setor elétrico também está se digitalizando, principalmente nesse caso da geração distribuída. Então, a digitalização entra em tudo. A engenharia é a responsável pela absorção e o uso dessas tecnologias desde o projeto até as condições de modelagem nos negócios. As empresas de engenharia industrial, de infraestrutura ou pesada, de engenharia para infraestrutura energética estão mobilizadas nessa modernização, usando novas ferramentas, discutindo os próximos passos. Vemos um grupo no Ministério das Minas e Energia discutindo as políticas de inovação e tecnologias junto com o governo. Então, essa mobilização das empresas é real, constante e necessária. A ideia das empresas de engenharia hoje é aumentar sua competitividade não só para atender os projetos brasileiros, mas para atender os estrangeiros, especialmente na América Latina. Essa modernização está sendo mobilizada tanto entre as empresas, através da Abemi, que tem 57 anos, como junto aos agentes públicos que colaboram nessa visão. A gente tem dificuldades políticas, polarizações, mas a posição das empresas de engenharia é cada vez mais clara: a gente quer competitividade no setor energético brasileiro, porque sem essa

competividade a gente não tem energia limpa, segura, barata, com qualidade para nossa economia.” MERCADO LIVRE E A VARIEDADE DE FONTES - “O mercado livre avançou bastante. Ele é o responsável por boa parte da geração de energia. Há uma série de medidas regulatórias para o mercado livre que tem avançado e permitido projetos de geração distribuída e algumas empresas fazerem programas próprios de energia chamando de energia sustentável, que é um apelido de marketing importante para empresas no Brasil, mas também mundiais, principalmente depois que o (Joe) Biden assumiu a presidência dos EUA. O Brasil tem essa vantagem de ter muito sol e muito vento, mas são intermitentes, então a segurança viria das termelétricas. O Brasil também tem muito gás do pré-sal. A ideia seria utilizar o gás associado do petróleo, que está sobrando, e usá-lo como fonte de transição. O gás da costa brasileira; não do Piauí, como estão querendo colocar. O grande consumidor é o sudeste. Quem está sofrendo mais é o sudeste por causa da seca. De uma maneira simples, a aposta é nessas fontes renováveis, com a segurança das termoelétricas.”

QUAL A PARTICIPAÇÃO DA ENERGIA EÓLICA NO BRASIL?

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AGRONEGÓCIO - “Há muitas outras fontes do agronegócio que na nossa opinião não estão sendo bem contempladas pelo planejamento do governo federal, por falta de melhor entendimento. Culturalmente, nossos técnicos da área não têm conhecimento suf iciente dessa potência nossa no agro em termos de geração de energia. Essa é mais uma barreira cultural e técnica que vai acabar sendo rompida. Está faltando uma visualização melhor de outras fontes energéticas, porque é muito importante.” CRISE HÍDRICA - “Se houver crescimento da economia, certamente vai faltar energia. Mas ouvindo os especialistas em hidrologia, vai depender desse gerenciamento de crise do governo. Existe um risco de faltar energia em alguns horários de pico. Existem maneiras de trabalhar com grandes consumidores para mudar horário de uso. Há coisas para serem feitas para evitar o apagão, o racionamento, mas realmente é difícil apostar, pois estamos no limite. Tudo está acontecendo no mundo em energia e o Brasil em uma crise. E a engenharia é fundamental para colaborar na solução de tudo isso. Inclusive na questão da falta de energia,

pode-se ter obras emergenciais para ajudar na questão da vazão e água, de atender alguma região por meio de obras emergenciais. Tudo emergencial é tudo obra cara. De qualquer forma, o nosso bolso vai ser afetado.”

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CR B AA PA S I L E N G E N H A R I A I C A PA vestir nisso e esperar retorno no longo prazo, fica obser vando esse vai e vem de instabilidade, inclusive política e as coisas atrasam. E atraso para a indústria é dramático. Tem muito projeto, tem muita coisa por vir e a gente precisa de uma certa estabilidade nesse país para as coisas andarem.”

O BOLSO DO CONSUMIDOR - “Uma vez que a energia é cara para quem conge- Reginaldo Medeiros, presidente la o frango, para executivo da Associação Brasileira dos RISCO BRASIL quem cria o fran- Comercializadores de Energia (Abraceel) - “Dinheiro tem, go, a gente vai sobrando até. O problema é a análise pagar o frango mais caro. Não é só de risco que há de se fazer com relaa conta de luz da nossa casa, quanção a isso. Dentro da análise de risdo formos ao supermercado, vamos co, tem a questão de como vai ficar o pagar de novo esse aumento. Isso é pagamento de uma usina solar para a inevitável. transmissora ou para a distribuidora É falta de planejamento dos gode energia. Isso não está claro ainda, vernos passados e atual, mas temos porque não foi resolvida a questão, que avançar e é nosso dever como ciestá sendo resolvida, deve ser resoldadão brigar por essa melhoria. vida. Há vários projetos grandes de A fonte de energia precisa pagar energia solar e eólica saindo no Brao fio, como chega a energia na ponsil. Mas quem tem dinheiro para in-

BENEFÍCIOS DA ENERGIA EÓLICA DO BRASIL

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I N FR A E S TPE R CI U ETASULPE REACI METAU LO L 4 EGN 0Í ESARTNG IC OI AS ta para o cliente doméstico, industrial. Isso não está resolvido. Há os diferentes lobbies trabalhando nisso, mas temos um bom tempo pela frente para resolvermos tudo. Os entraves são vários, mas todos ligados à questão regulatória e de instabilidade. Esses são os maiores. Os entraves de custos, de tecnologia de materiais estão sendo destravados no Brasil inteiro. Tem cada vez mais acesso a equipamentos muito melhores e eficientes, equipamentos mais modernos, desde a geração até a subsestação, nós temos acesso a tudo isso. Precisamos de planejamento e o ambiente de risco que vivemos no Brasil. A mensagem é: a engenharia é fundamental em todos os aspectos.”

ENERGIA LIVRE E O DESPACHO DAS TÉRMICAS A Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) é uma associação que defende a livre competição de mercado como instrumento de promoção da eficiência e segurança do abastecimento nas áreas de energia elétrica, etanol e gás natural, bem como de estímulo ao crescimento das negociações de créditos de carbono. Ela atua junto

à sociedade em geral, formadores de opinião, órgãos de governo e outras organizações nessa área. Em 2021, a atenção da Abraceel, assim como de boa parte do setor, se volta para a votação da PL 404/2021, que já passou pelo Senado e aguarda votação na Câmara dos Deputados desde fevereiro deste ano. A aprovação da PL dará a portabilidade da conta de luz, independente do consumo e valor, ao consumidor residencial ou industrial, a exemplo do que aconteceu com a portabilidade da conta de telefone em 1997 com a aprovação da Lei Geral das Telecomunicações. Para o setor, além de representar a alforria do consumidor, vai levar à abertura do mercado, trazendo mais investimentos, especialmente em fontes de energia alternativa, barateamento do recurso e melhora na economia do País. “É importante que haja uma abertura maior no mercado para que, a exemplo de outros países, os consumidores possam participar do mercado livre, como acontece nas maiores economias do mundo. Na Europa, Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, México, o consumidor, residencial inclusive, é totalmente livre

para escolher o seu fornecedor”, explica Reginaldo Medeiros, presidente executivo da Abraceel. A associação mostra, por meio de pesquisas, que o brasileiro quer poder escolher onde comprar sua energia e considera, hoje, o preço do recurso muito alto. Segundo pesquisa realizada pelo Datafolha em 2021, a cada 10 brasileiros, oito considera o preço da energia elétrica caro ou muito caro. A pesquisa também mostrou que 81% dos brasileiros desejam ter liberdade de escolher sua fornecedora de energia, sendo que a maioria trocaria o fornecedor pelo alto custo cobrado atualmente. Nessa entrevista, Medeiros avalia as condições da PL 404 e da crise hídrica, fala das vantagens da liberdade de escolha para o mercado e para o consumidor final. FALTOU PLANEJAMENTO PARA EVITAR A CRISE ATUAL? - “É uma discussão que passa muito ao largo, uma discussão técnica. Há uma percepção de que modelos computacionais que despacham as usinas e formam os preços não estão representando corretamente a situação eletroenergética no país porque representam uma situação em que

CAPACIDADE INSTALADA E NÚMERO DE PARQUES

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CR B AA PA S I L E N G E N H A R I A I C A PA É importante que haja uma abernós éramos muito mais hidrelétricas tura maior no mercado para que, a e menos renováveis e, mais além, tíexemplo de outros países, os consunhamos um volume de chuva maior midores possam participar do mercaque o que temos hoje. do livre, como acontece nas maiores Para entender a lógica da coneconomias do mundo. Na Europa, cepção desses modelos: é aproveitar Estados Unidos, Austrália, Nova Zeao máximo a água e as possibilidalândia, México, o consumidor resides de intercâmbio entre as regiões, dencial inclusive, é totalmente livre para que a gente aproveite ao máxipara escolher o seu fornecedor. É a mo a água para evitar o despacho de portabilidade da conta de luz. O setor térmica. Mas quando precisa despaelétrico não quer isso char térmica, deve porque ele está deiser a partir da mais “O setor elétrico tado no monopólio. cara para a mais banão quer isso Quem compra rata. energia para você é o Então, isso tudo (a abertura) governo. Ele faz leié representado por porque ele está lões públicos a partir modelos matemátidas declarações das cos, probabilístico deitado no distribuidoras, conque pega uma série trata essa energia de histórica de chuvas, monopólio” geradores. A distriuma série histórica buidora compra váde vazões. Então, rios contratos de diferentes geradopode ser que o modelo atual não esres e comercializadores e vende para teja representando muito bem o sisvocê. tema e tenda a esvaziar os reser vaAgora, o governo está comprando tórios. Essa é uma questão que está mal até agulha de hospital, quem dirá em audiência pública no Ministério energia para 86 milhões de lares bradas Minas e Energia nesse momensileiros. Com o mercado livre, você se to. E uma das alternativas que tem é livra do governo para vender energia mudar os parâmetros desse modelo, para você. para que despache as térmicas mais E quem vai vender energia para rapidamente do que é despachado o consumidor final? Mais de 1 500 hoje. Esse é um dilema do despacho empresas que atuam no mercado. Só das térmicas.” comercializadoras são 400. O restante é de geradores, que também atuam LIBERDADE DE ESCOLHA - “Hoje, parcialmente como comercializador. somente consumidores acima de 500 Esse é o mercado de energia do qual quilowatt-hora, que pagam uma fatura os grandes consumidores já participam. acima de 90 000 reais, tem acesso ao O que acontece hoje é que essa liberdamercado livre. Isso limita o mercado lide só é dada aos grandes consumires. E vre a 33% do mercado nacional.

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nós queremos que essa liberdade seja dada a todos os consumidores.” ECONOMIA - “Nos últimos 18 anos, as empresas que foram para o mercado livre e passaram a gerir sua própria energia tiveram uma economia de 30 % no preço, comparando com o de uma distribuidora. Outra vantagem: se você é um consumidor que tem uma preocupação grande com o futuro do planeta, você pode escolher pela energia renovável. Outro, que não tem essa consciência, que ele só tem a preocupação com o preço, pode escolher também. Outra questão é que com a pandemia as distribuidoras bateram na porta do governo e disseram: ‘Eu vou à falência, por favor, me arranja um empréstimo’. E quem vai pagar esse empréstimo é o consumidor. Daí eu pergunto: você preferia ter pago sua conta de luz com juros ou sem juros? Mas o consumidor comum não tem essa escolha. Quem fez a escolha foi o governo, que endividou a distribuidora.” VANTAGENS PARA O MERCADO “Para o mercado, o poder de escolha cria pressão competitiva para ter energia mais barata e tanto o consumidor residencial se beneficia, como quem produz. E energia está em todo produto e quanto mais barata for, melhor para a economia do país. Mercado livre é principalmente energia incentivada: eólica e solar e depois biomassa. Mas tem todo tipo de energia. Há muitos projetos para o mercado livre, com empresas de todos os tamanhos.”

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SEGURANÇA JURÍDICA TRARÁ INVESTIMENTO

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cussão na Câmara propõe a aberNeste sentido, o art. 16-C tura gradual do modelo comercial estabelece aos consumidores que de energia elétrica, ao permitir que migrarem para o mercado livre consumidores com carga inferior a a obrigação de pagar os custos 3.000 kw possam optar livremente remanescentes das operações pelo fornecedor. O novo dispositivo financeiras contratadas para determina que, decorridos 42 meatender à finalidade de modicises da sanção da lei, todos os condade tarifária, mediante encargo sumidores, independentemente da tarifário cobrado na proporção do carga ou tensão utilizada, estarão consumo de energia elétrica. O art. aptos a escolherem o fornecedor 16-D, por sua vez, impõe encargo de energia no mercado livre. tarifário a todos os consumidoO mercado livre consiste em Tadeu Barros, diretor do Centro res, na proporção do consumo de um ambiente no qual vendedores de Liderança Pública (CLP), energia elétrica, para a cobertura e compradores podem negociar afirma que setor elétrico precisa dos custos de sobrecontratação entre si o fornecimento de energia de segurança jurídica das distribuidoras, decorrentes elétrica, de acordo com as regras da possível migração massiva dos do setor. Por sua vez, o mercado tradicional de enerconsumidores cativos para o mercado livre. gia, que opera no ambiente de contratação regulada, O quarto tópico do PL 414/2021, que merece não prevê a possibilidade de o consumidor escolher atenção, encontra-se na separação entre lastro o fornecedor de energia. Hoje, esse fornecedor é nee energia elétrica. De acordo com a definição do cessariamente a empresa que detém a concessão da novo art. 3°, §5°, I, da Lei n° 10.848/2004, lastro é área onde se encontra o consumidor cativo. A mua contribuição de cada empreendimento ao providança proposta no projeto de lei, portanto, amplia mento de confiabilidade e adequabilidade sistêmias opções disponíveis ao consumidor e prioriza a ca. Em outras palavras, trata-se de uma garantia competitividade, o que estimula a redução de prede bom funcionamento do sistema elétrico, exigida ços e o aumento de eficiência dos fornecedores de pelo Ministério de Minas e Energia, a ser paga por energia elétrica. geradores, distribuidores e consumidores de enerDe acordo com a redação do projeto aprovado gia. Tais lastros, além de dar mais confiança ao no Senado, além disso, é prevista a redução dos subconsumidor, poderão facilitar obtenção de finansídios concedidos às empresas do setor elétrico, esticiamentos no setor financeiro privado. mados em 22 bilhões de reais em 2020. Fontes incenOcorre que, pelas regras atualmente vigentes, tivadas de energia, como eólica, solar, termelétricas à o lastro e a energia elétrica são negociados como base de biomassa e pequenas centrais hidrelétricas um produto unificado, o que pode resultar na preconsomem cerca de 3,6 bilhões de reais em subsídios cificação equivocada e gerar distorções graves. De atualmente, o que produz distorções significativas fato, os consumidores cativos, atendidos pelas dis[1]. A maior parcela desses valores é arcada por tribuidoras, arcam com a maior parcela dos custos consumidores que fazem uso do mercado regulado do lastro. O projeto, portanto, promove alterações de energia elétrica, responsável pelo atendimento da legislativas que visam ao reequilíbrio desse encarpopulação de baixa renda. A proposta em trâmite na go entre os consumidores dos mercados livre e Câmara dos Deputados, dessa maneira, visa à reduregulado. ção dessas distorções, por meio da substituição dos O quinto ponto prioritário do Novo Marco Resubsídios por mecanismo que valorize os benefícios gulatório do Setor Elétrico, presente no novo art. ambientais dos empreendimentos de fontes incen1°-A da Lei n° 12.783/2013, modifica o regramento tivadas de energia, conforme a redação dos novos de repartição da renda hidráulica, valor devolvido §§1°-C a 1°-F do art. 26, Lei n° 9.427/1996. pelas hidrelétricas aos consumidores do mercado Adicionalmente, os artigos 16-C e 16-D, acresregulado. O dispositivo criado pelo PL 414/2021 adcidos à Lei n° 9.074/1995 pelo Novo Marco Regulatómite a prorrogação dos contratos de concessão de rio do Setor Elétrico, permitem o compartilhamento, energia hidrelétrica, uma única vez, pelo prazo de entre as distribuidoras, dos custos com a migração até 30 anos, de forma a assegurar a continuidade, de consumidores para o mercado livre. A medida é a eficiência da prestação do serviço e a modicidasalutar, uma vez que a expansão do mercado livre e de tarifária. Nessa hipótese, dois terços da renda a consequente redução do mercado regulado devem hidráulica devem ser destinados à Conta de Desenocorrer de maneira equilibrada, a fim de se evitar que volvimento Energético (CDE), para a redução da os consumidores cativos subsidiem aqueles que optaconta de luz dos consumidores, e o outro terço, ao rem pelo mercado livre. Tesouro Nacional (art. 1°-A, §1°, I e II).” FOTO: DIVULGAÇÃO

O Centro de Liderança Pública (CLP) é uma organização suprapartidária que trabalha por um Estado Democrático de Direito que seja mais eficiente no uso de seus recursos e com respeito à coisa pública, buscando engajar a sociedade e desenvolver líderes públicos. Tadeu Barros, diretor da ONG, enfatiza dois pontos para o crescimento e melhoria do sistema elétrico no Brasil: a matriz energética diversa e sustentável e a abertura comercial desse mercado. Para Barros, o PL 414/2021, que representa um novo marco no setor de elétrico, vai trazer muitos benefícios para o país, como segurança jurídica e, portanto, maior tranquilidade para investimento em infraestrutura, gerando emprego e renda. “No novo marco, eu gero competitividade, abrindo o mercado de energia e fazendo com que o preço caia e a qualidade possa melhorar. Então, no fim do dia eu tenho melhores serviços para a população e serviços mais baratos porque eu estou gerando essa competição. Um grande exemplo que eu gosto de dar é que a abertura de mercado no setor elétrico deve gerar algo muito similar ao que a gente viu na década de 1990 com o serviço de telecomunicação, quando tivemos uma redução de custo e melhora na tecnologia. Nós podemos até achar que o nosso serviço de telecomunicação é ruim ainda, mas imagina comparar o serviço atual com o da década de 1990”, compara Barros. Outro ponto importante desse PL, destaca Barros, é a redução de subsídios para o setor elétrico, estimada em cerca de 22 bilhões de reais para um ano. “Nossa técnica fez algumas simulações do quanto essa economia em subsídios - e ao mesmo tempo o quanto o fomento ao crescimento da economia no setor elétrico geraria - e o resultado foi de mais ou menos um aumento de 0,5% do PIB até 2024. Esse aumento do PIB vem da combinação de redução de gastos do subsídio que o setor elétrico recebe, que são esses 22 bilhões de reais, mais o quanto a economia cresce ao gerar essa competição entre players e liberando o mercado”, avalia. Sem o PL, a inciativa privada não tem segurança para investir no país, acredita Barros. Formado em administração pública, ele já foi secretário especial do Governo de Alagoas, assessor especial do presidente do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e diretor em áreas de gestão do governo de Minas Gerais. O CLP publicou uma nota técnica sobre o novo marco do setor elétrico, onde analisa, entre outros fatores, os cinco dispositivos que considera de maior relevância no Novo Marco do Setor Elétrico: “A primeira prioridade a ser observada na discussão da matéria encontra-se no art. 16-A, acrescentado à Lei n° 9.074/1995. O projeto em dis-

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FONTES EÓLICAS E FOTOVOLTAICAS CRESCEM, MAS AQUÉM DA CAPACIDADE

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instabilidade jurídica e o baixo cresConsiderando o período de 2010 a 2020, cimento econômico são entraves esse número é de cerca de 37,3 bilhões de para que o mercado de energia eódólares. Os dados de investimento do setor lica e solar fotovoltaica no Brasil atinjam são calculados pela Bloomberg New Enerseu potencial com maior rapidez. “No caso gy Finance (BNEF). do Brasil, especificamente, o principal garA seguir, na entrevista à BRASIL ENgalo hoje não é uma questão do setor eóliGENHARIA, a presidente da ABEEólica fala co, mas da economia em geral, que precisa sobre o cenário da energia éolica no Brasil crescer para que haja mais contratação de e as perspectivas para o setor. energia”, destaca Elbia Gannoum, presi- Um dos maiores entraves para cresdente da Associação Brasileira de Energia cimento da energia eólica, assim como da Eólica (ABEEólica). solar, é a capacidade Desde 2019, a de armazenamento. energia eólica é a Quais as soluções já segunda fonte da que as baterias, por matriz elétrica braexemplo, ainda têm sileira. Em média, no custo inviável? ano passado, 9,97% “Um dos mode toda a geração delos que estão em injetada no Sistema discussão são os parInterligado Nacional ques híbridos, com veio de eólicas, senenergia eólica e solar do que elas já chegajuntas, por exemplo. ram a abastecer 17% De qualquer forma, o do País em momencusto da tecnologia tos de recorde nos de baterias também meses que fazem segue caindo.” parte do período - O que é neceschamado de “safra Elbia Gannoum, presidente da Associação sário para aumentar Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) dos ventos”. o investimento em “A energia eólica energia eólica no ainda possui muitas décadas de desenvolBrasil? Segurança jurídica, medidas que divimento e ótimas perspectivas de cresciminuam encargos, melhor regulação? mento”, acrescenta Gannoum. “O Brasil tem um dos melhores ventos O ano de 2020 encerrou com 4 bilhões do mundo e um potencial enorme. Conside dólares (20,6 bilhões de reais) investiderando que o Brasil ainda tem um baidos no setor eólico, representando 45% xo consumo de eletricidade per capita e o dos investimentos realizados em renovácrescimento estimado para o País, a enerveis (solar, eólica, biocombustíveis, biogia eólica ainda possui muitas décadas de massa e resíduos, PCHs e outros) no Brasil. desenvolvimento e ótimas perspectivas de

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crescimento. Sempre que falamos de contratações e do futuro da fonte eólica no Brasil, é importante reiterar esse conceito muito importante: nossa matriz elétrica tem a admirável qualidade de ser diversificada e assim deve continuar. Cada fonte tem seus méritos e precisamos de todas, especialmente se considerarmos que a expansão da matriz deve se dar majoritariamente por fontes renováveis. Do lado da energia eólica, o que podemos dizer é que a escolha de sua contratação faz sentido do ponto de vista técnico, social, ambiental e econômico, já que tem sido a mais competitiva nos últimos leilões. Não temos como saber quanto será contratado nos próximos leilões do mercado regulado, mas o futuro certamente é promissor para a fonte eólica. No caso do Brasil especificamente, o principal gargalo hoje não é uma questão do setor eólico, mas da economia em geral, que precisa crescer para que haja mais contratação de energia.” - Qual o futuro da energia do Brasil? Qual o futuro da energia eólica no Brasil? Quanto cresceu nos últimos anos e quanto deve crescer nos próximos? “O futuro da energia será necessariamente renovável e de baixo impacto, porque a crise climática se impõe. No caso do Brasil, podemos dizer que o potencial eólico atual em terra é mais de três vezes a necessidade de energia do país. Hoje, somando todas as fontes de energia (nuclear, hídrica, térmica, eólica e outras), a capacidade instalada do Brasil é da ordem de mais de 160 GW. De potencial eólico, temos estimados cerca de 800 GW. Isso não significa, no entanto, e é bom que se explique isso de forma clara, que o Brasil poderia ser inteiramente abastecido por energia eólica. Há que se considerar algo muito importante: a matriz de geração de eletricidade de um País deve ser diversificada entre as demais fontes de geração e a expansão da matriz tende a se dar por meio de fontes renováveis, dentre as quais está a eólica. A eólica vem crescendo nos últimos anos a taxa de, em média, 2 GWs por ano, mas esse número tem crescido. Um exemplo, quando comemoramos o Dia Mundial do Vento em 2020, estávamos em 16 GWs. Na mesma data, neste ano, estávamos com 19 GWs. Foram 3 GWs de nova capacidade instalada em um ano.” - Como os modelos energéticos alternativos do Brasil são vistos lá fora? Como o Brasil pode explorar esse conhecimento no exterior? WWW.BRASILENGENHARIA.COM

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TECNOLOGIA FOTOVOLTAICA PODE SER A NÚMERO 1 O setor solar fotovoltaico deve movimentar mais de 22 bilhões de reais de investimentos, o que gerará 144 000 empregos e trará uma arrecadação de 6,7 bilhões de reais para o poder público em 2021, segundo projeção da Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar). A expectativa é de que sejam 4,9 Gigawatts de potência adicionada, o que WWW.BRASILENGENHARIA.COM

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e imprescindível para a sociedade, como representa um crescimento de 68% em também é a energia elétrica. relação à capacidade instalada, que havia A matriz elétrica brasileira ainda é no início do ano. muito dependente do recurso hídrico, Até 2050, projetam analistas de merdas águas. Já foi mais dependente no cado, como a Bloomberg New Energy passado; nós chegamos, no início do ano Finance, essa tecnologia deve se tornar 2000, a ter uma dependência de 85% a número um em geração de energia eléde água para gerar energia elétrica. Isso trica no Brasil e na maioria dos países do já caiu para cerca de 60%, mas ainda é mundo. muito. Mais da metade da capacidade de O presidente executivo da Absolar, geração de energia elétrica do Brasil vem Rodrigo Sauaia, aborda na entrevista a de hidrelétricas. seguir como o seE nesse sentido, tor de energia solar diversificar é parte fotovoltaica pode importante da socontribuir com a lução porque ajuda economia do país, diminuir a depenespecialmente na dência da água para geração de empreproduzir energia gos e renda, e as elétrica e diminuir medidas necessárias o risco que essas para a atração de crises hídricas remais investimentos. presentam para a Uma das medinossa demanda, sudas esperadas é o primento da nossa Projeto de Lei 5829 população. de 2019, aprovado E é importante na Câmara dos que a diversificação Deputados em 18 de seja liderada pelas agosto. O assunto Rodrigo Sauaia, presidente executivo da fontes renováveis deve retornar agora Associação Brasileira de Energia Solar não hídricas, no para o governo fe- (Absolar) caso, que complederal e o Conselho mentam as hidrelétricas, ou seja, energia Nacional de Política Energética (CNPE) solar, energia eólica, biomassa, biogás. terá seis meses para definir as diretriEssas fontes renováveis são as mais comzes e, posteriormente, a Aneel deverá petitivas do país em comparação com apresentar em outros 18 meses o detafontes fósseis, que além de mais caras são lhamento da valoração dos benefícios também mais poluentes e levam impactos da mini e microgeração distribuída, base negativos não só no meio ambiente, mas para cálculo da compensação. na saúde das pessoas, o que acaba tam- A crise energética atual abrirá camibém levando maior pressão para o sistenho para a modernização e maior diverma de saúde brasileiro, trazendo custos sificação da matriz energética brasileira? para o sistema de saúde. Então, a diversiComo que a solar se beneficiará? ficação é fundamental. “O Brasil está vivendo a sua pior criA energia solar fotovoltaica deverá se hídrica desde o início dos registros de ser uma das protagonistas nessa diversichuvas, há 91 anos. Então, essa situação ficação porque é hoje a fonte renovável é preocupante e ela também sinaliza que mais competitiva do Brasil, além de ter a mudança no regime de chuvas não é a possibilidade de ser contratada pelo mais uma questão conjuntural, passou a governo via grandes leilões de energia, ser uma questão estrutural. para contratar as usinas de grande porte, As chuvas têm vindo de forma mais que a gente chama de geração centraliconcentrada, mais intensa, mas por um zada, mas também dado o papel de gemenor período do ano e isso aumenta a ração própria de energia solar, geração pressão sobre os recursos hídricos, que distribuída nos telhados, nas fachadas de tem utilidades múltiplas no país. Quer edificações e em pequenos terrenos, gedizer, para além da energia elétrica, o rerando energia elétrica com investimentos curso hídrico é usado para uso humano, diretos da população, investimento pripara irrigação, para criação animal, para vado, sem precisar de recurso público e atividades produtivas no comércio, na junto do local onde essa energia vai ser indústria. Ou seja, é um recurso essencial FOTO: DIVULGAÇÃO ABSOLAR

“Importante explicar que, em relação a outros países, o Brasil é um país que se destaca por já possuir uma matriz elétrica renovável, já que as hidroelétricas são grande parte da matriz. E no caso da eólica também já possuímos um importante destaque. Em 2020, o Brasil manteve a sétima posição no Ranking Mundial de capacidade eólica acumulada elaborado pelo GWEC (Global Wind Energy Council). No ranking que contabiliza especificamente a nova capacidade instalada no ano, o Brasil aparece em terceiro lugar, tendo instalado 2,3 GW de nova capacidade em 2020.” - Qual a expectativa sobre a regulamentação da eólica offshore e o que ela deve representar para o setor? “Quanto ao futuro, vale comentar que o Brasil ainda não tem energia eólica offshore, mas isso deve mudar num futuro próximo. Estamos vendo um importante movimento de agências governamentais se mobilizando para avançar nas regulamentações necessárias para que a energia eólica offshore avance no Brasil. A EPE, por exemplo, publicou um roadmap sobre o assunto. Essa publicação é muito importante, porque vem da agência governamental responsável pela pesquisa e planejamento do setor elétrico brasileiro e sinaliza um desejo importante do governo de trabalhar para que o vento offshore possa se desenvolver com segurança no Brasil. O IBAMA, responsável pela supervisão e regulamentação ambiental, tem trabalhado e se estruturado para atender pedidos de licenciamento para a eólica offshore há cerca de dois anos e já analisa mais de 40 pedidos de eólicas offshore. Acredito, portanto, que existe um grande potencial a ser explorado nessa área e sabemos que empresas e governo público estão se mobilizando para desenvolver esse setor que, na opinião da ABEEólica, é muito importante como uma das fronteiras da energia eólica no Brasil.”

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CR B AA PA S I L E N G E N H A R I A I C A PA consumida, o que ajuda e reduzir perdas, diminui a demanda sobre as linhas de transmissão e com isso traz mais eficiência e eficácia para o sistema elétrico brasileiro.” - Regulação e burocracia ainda são entraves para o investimento? Como vê essa questão no Brasil em comparação com outros países? “Para que o Brasil continue avançando e para acelerar essa diversificação renovável da sua matriz, é fundamental que nós tenhamos segurança jurídica e previsibilidade e aí entram dois conjuntos de ações importantes que precisam ser desenvolvidas pelos nossos tomadores de decisão, seja no governo federal, seja no congresso nacional, no legislativo também, em prol desse processo. O primeiro deles é o estabelecimento de um marco legal próprio para geração de energia limpa e renovável. Esse marco tramita hoje pelo projeto de lei 5829 de 2019, de autoria do deputado Silas Câmara e relatoria do deputado Lafayette de Andrada (o projeto foi aprovado em 18 de agosto, após a entrevista). E esse projeto de lei vai justamente estabelecer um marco estável, previsível, seguro para que o setor possa avançar, para que os consumidores tenham menor percepção de risco nos seus investimentos em geração própria de energia solar e tenham garantido o direito em lei de gerar e utilizar essa energia limpa e renovável com investimentos próprios e contribua, portanto, nesse processo com mais investimentos, geração de emprego e renda e também movimentação da economia, que traz mais arrecadação para o poder público. Então, é um círculo virtuoso que contribui para a resiliência da matriz elétrica brasileira com geração de pequeno porte, local e distribuída por todo o nosso país. Também contribui para o desenvolvimento econômico e social. Por isso, esse projeto de lei 5829, é um sinal importante para sociedade de um caminho de futuro para geração limpa, renovável, que diversifique a matriz elétrica e reduza os riscos da crise hídrica. E o segundo aspecto importante é justamente o governo, no seu planejamento, ampliar o protagonismo da energia solar fotovoltaica. Dado que ela é hoje a fonte mais competitiva do Brasil, é preciso que o governo também atualize o seu planejamento para ampliar a par-

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ticipação da fonte solar no crescimento não apenas grandes usinas solares, mas da matriz elétrica brasileira, trazendo também sistemas que podem ser instauma energia elétrica acessível, competilados nos telhados ou nas fachadas das tiva limpa e renovável para diversificar a edificações, aproveitando, portanto, uma matriz brasileira. Então, as ações junto área já construída, sem utilizar um mea leilões e melhorias de processos para tro quadrado sequer de solo disponível. conexão desses projetos é importante nas E pode também ser utilizada em cima de usinas de grande porte, e o marco legal superfícies de água. da geração distribuída é fundamental O mais comum, no caso de energia para o crescimento do setor.” solar fotovoltaica, e a gente já tem visto projetos desse tipo em desenvolvimento - Qual a perspectiva para o mercano Brasil, é o que nós do de energia solar no chamamos de energia Brasil para os próximos “A energia solar solar flutuante. São anos? flutuadores, estrutu“A Absolar fez profotovoltaica é a ras que boiam em cima jeções para 2021 para fonte renovável da água, e nas quais o crescimento do setor são instalados os equisolar fotovoltaico no mais competitiva pamentos fotovoltainosso país e a nossa cos. Essas estruturas expectativa é de que o do Brasil” podem ser colocadas setor movimente mais em cima de reservade 22 bilhões de reais tórios de hidrelétricas, onde existe uma de investimentos, o que gerará 144 000 grande sinergia porque já há toda uma empregos e trará uma arrecadação de 6,7 infraestrutura elétrica construída, uma bilhões de reais no ano de 2021 para o equipe que faz operação e manutenção poder público, somando todas as esferas da usina hidrelétrica e pode acompanhar de governo. Isso é um avanço importante também a operação e manutenção do sisem relação ao que o país tem hoje de potema fotovoltaico flutuante. Aí você tem tência instalada. Esse crescimento vai ser sinergias importantes. liderado pela geração própria de energia E o Brasil tem um potencial muito solar, essa geração distribuída, e pela grande para aproveitar a energia fotogeração centralizada, que são as usinas voltaica flutuante porque possui vários e de grande porte. Ao todo, no ano, nossa vastos reservatórios de hidrelétricas disexpectativa é de que sejam 4,9 gigawatts poníveis para receberem essa tecnologia. de potência adicionada, o que represenOutra aplicação é o uso desses sisteta um crescimento de 68% em relação à mas flutuantes em açudes, lagos de procapacidade instalada, que havia no início priedades rurais, gerando energia elétrido ano. É um avanço importante, portanca sem ocupar área agriculturável ou de to, para o mercado e para o setor. pastagem, de tal modo que você consiga Esse crescimento da geração própria aí ter uma eficiência produtiva da prode energia solar não está desacoplado dos priedade maior porque não precisa abrir desafios da pandemia, então, naturalmão dessas áreas de terreno. mente, este ano nós tivemos ainda refleTambém existem já projetos no xos e impactos importantes da pandemia mundo que começam a incorporar essa de Covid 19 e isso pode acabar por afetar tecnologia em lagos e no mar. Mas, haessa projeção de crescimento. Mesmo asbitualmente, é mais comum e fácil de sim o ano será um ano importante, em acompanhar, controlar, gerenciar esses que o setor solar fotovoltaico ajudará a sistemas em represas, lagos, açudes, em recuperação econômica sustentável do áreas mais internas de reservatórios híBrasil, atraindo investimentos, gerando dricos disponíveis.” empregos de qualidade. Ou seja, contribuindo para que o nosso país consiga, de - Quais os principais entraves hoje forma mais rápida e mais sólida, sair da para o crescimento da energia solar no tormenta da crise e já apontar para um Brasil? caminho de crescimento e retomada da “Outro aspecto importante. Um denossa economia.” safio que o setor tem e que precisa ser superado com o apoio das lideranças - No mercado offshore, o novo marco públicas é a questão tributária. Ainda regulatório terá que impacto? existe uma carga tributária muito ele“A energia solar fotovoltaica é muivada incidindo sobre as matérias primas to versátil e as suas aplicações incluem WWW.BRASILENGENHARIA.COM

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I N FR A E S TPE R CI U ETASULPE REACI METAU LO L 4 EGN 0Í ESARTNG IC OI AS tivamente trazer segurança ao mercado dos equipamentos fotovoltaicos, para as para a emissão de debêntures incentivaempresas que produzem equipamentos das para geração de energia distribuída. fotovoltaicos no Brasil. A carga tributária E outro ponto importante é justaem cima desses insumos é muito elevada, mente o maior uso dessa tecnologia em chega a 40%, 50%, enquanto em outros edificações públicas ou em programas países do mundo não há essa cobrança governamentais. Em edificações públie isso acaba prejudicando a competiticas, em especial escolas, universidades, vidade de fabricantes nacionais em compostos de saúde, hospitais, delegacias, paração com fabricantes internacionais. parques, museus, bibliotecas, que podeA solução para isso é o desenvolvimento riam fazer uso dessa tecnologia ajudande uma política industrial que apoie a do a reduzir os gastos nacionalização e a facom custeio com enerbricação em território “O Brasil tem um gia elétrica, pago pelo brasileiro de equipapoder público em todas mentos fotovoltaicos. dos melhores as instâncias, além da Essa é uma atribuição ventos do mundo incorporação dessas que o governo federal tecnologias em proprecisa desenvolver e um potencial gramas. Eu vou citar e que também pode dois programas, como avançar com o apoio enorme” exemplo, importantes do congresso nacional que podem se benefipor meio de uma políciar dessa tecnologia: os programas hatica industrial, política pública, voltada bitacionais, que constroem casas populapara essa área. res, e essas casas podem passar a receber Ainda na área tributária, existe um sistemas de energia solar fotovoltaica de desafio também que é a elevada carga fábrica, ou seja, no projeto e na construtributária incidindo sobre a energia que ção, o que ajudaria a aliviar o bolso das é comercializada ou que é compensada, famílias mais vulneráveis do nosso país, no caso da energia distribuída, e para diminuindo o peso da conta da energia isso a solução é a construção de um novo elétrica no dia a dia dessas famílias e liconvênio ICMS, um convênio tributário, berando recursos para que elas possam que seja autorizativo e por adesão (siginvestir em melhor alimentação, educanifica que os estados não são obrigados ção, saúde e outras áreas essenciais da a aderir, aderem aqueles que tiverem invida. teresse), trazendo para todo o Brasil as E outro seria nos programas de unimesmas condições que hoje são aplicaversalização ao acesso à energia elétridas no estado de Minas Gerais, que é o ca; levar energia elétrica às regiões mais único estado brasileiro hoje que tem uma remotas do nosso país com energia sosituação tributária bem equalizada para lar fotovoltaica, com sistemas de bateria o setor solar fotovoltaico. Isso faz muita quando é o caso, quando não há rede diferença para que a gente consiga dielétrica na região, de tal modo que as minuir o preço e o custo da energia sopessoas tenham acesso a esse insumo lar para consumidores, residências, para com qualidade, confiabilidade e de forma comércios, indústrias, para produtores competitiva, com sustentabilidade.” rurais, de tal modo a acelerar a adoção dessa tecnologia e democratizar o uso - Quais as principais vantagens no uso dessa tecnologia no nosso país. da energia solar em comparação a outras Outra área importante é o acesso a fontes renováveis? crédito, linhas de financiamento. O Bra“A energia solar fotovoltaica possui sil avançou no passado com a criação inúmeros benefícios e podemos citar os de várias linhas de financiamento por sociais, ambientais e os econômicos, além bancos públicos e privados, mas a gente dos benefícios estratégicos. É uma tecpercebe hoje que ainda existem desafios, nologia que atrai investimentos e ajuda por exemplo, na emissão de debêntures no desenvolvimento de uma nova cadeia incentivadas. Para projetos de geração de valor no nosso país de alta tecnologia, solar distribuída ainda existe incerteza e gerando muitos empregos de qualidade. insegurança com relação a isso e é preÉ a fonte que mais gera empregos no ciso, então, atualizar as portarias do Mimundo entre as fontes de energia renonistério das Minas e Energia que tratam vável. E pode contribuir de forma signido assunto para que a gente possa efeficante para gerar emprego e renda para WWW.BRASILENGENHARIA.COM

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os brasileiros. Nesse momento que estamos batendo recorde de desempregados, ter um setor que é uma locomotiva de geração de empregos é muito importante para o país. Segundo aspecto é que estamos falando de uma tecnologia que é limpa, sustentável, renovável, que não emite qualquer gás de efeito estufa nem poluentes durante a sua operação, que não faz uso de água. A energia solar utiliza o sol, que é um recurso abundante, disponível, gratuito, acessível em todo o Brasil. O Brasil tem um dos maiores potenciais do mundo para o uso dessa tecnologia, graças ao nosso sol de país tropical de alta intensidade. É também uma tecnologia muito versátil que pode ser aplicada desde produtos de bens de consumo, como uma calculadora solar, um carregador de celular, uma mochila que tem um sistema para carregar equipamentos eletrônicos e elétricos até um sistema em uma propriedade, em uma casa, em uma fazenda ou uma grande usina de geração de energia para milhares ou milhões de consumidores. Então, é muito versátil a tecnologia e modular, com sistemas pequeniníssimos até gigantes usinas. É uma tecnologia que opera de forma silenciosa, tem baixa manutenção, tem longa vida útil, são equipamentos com garantia de performance dos seus fabricantes de 25 anos ou mais, portanto, equipamentos feitos para durar. Existem equipamentos no mundo operando ininterruptamente há 30, 40 anos e os sistemas fotovoltaicos são, além de tudo, recicláveis. Temos que 96% de um módulo fotovoltaico pode ser reciclado, portando ao final da vida útil os equipamentos não viram lixo. Eles são matéria prima valiosa, que pode ser aproveitada para outros produtos e processos industriais. Também é de rápida implementação, como nós precisamos nesse momento de crise hídrica. Sistemas de pequeno porte instalados em casas ou empresas podem ser instalados em algumas semanas ou meses, considerando a parte burocrática. Em uma casa, por exemplo, a parte do equipamento, um dia é suficiente para instalar. Até 2050, a expectativa de analistas de mercado, como a Bloomberg New Energy Finance, é a de que essa tecnologia se torne a número um em geração de energia elétrica no nosso país e na maioria dos países do mundo.” BRASILENGENHARIA 04/2021

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BRASIL RETOMA INVESTIMENTO EM ENERGIA NUCLEAR

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expansão da geração nucleoelémente 2,6% do consumo de energia no trica no Brasil é inevitável, dada país e cerca de 40% do consumo do estado a necessidade que o país tem de do Rio de Janeiro. geração térmica de base, com baixíssima O governo também pretende retomar geração de gases de efeito estufa”, afirma o mapeamento de novas jazidas no país. o presidente da Eletronuclear, Leonan dos Atualmente, o Brasil ocupa a nona colocaSantos Guimarães. ção mundial nesse quesito. Guimarães, nesPara ele, a crita entrevista exse no setor elétrico clusiva à BRASIL poderia ser evitada ENGENHARIA, fala se o Brasil tivesse sobre a expansão da dado continuidade energia nuclear no aos investimentos Brasil, a crise hídriem energia nucleca e a participação ar, como a usina de do país no mercado Angra 3. “Se contásmundial de combussemos hoje com uma tíveis nucleares. Ele maior capacidade também comenta instalada de fonsobre as críticas ao tes de geração para projeto de Angra 3 e operação na base da a segurança no uso carga, estaríamos em de energia nuclear. condições de enfrenNascido no Rio tar essa mudança no de Janeiro em 1960, regime das chuvas.” Leonan dos Santos Guimarães, presidente Guimarães é graAs obras na Usina da Eletronuclear duado em Ciências de Angra 3 começaNavais pela Escola Naval e em Engenharia rão ainda este ano e a operação comercial Naval e Oceânica pela Politécnica da USP. em 2026. Mas, o Plano Nacional de EnerPossui mestrado em Engenharia Naval e gia (PNE) 2050, do Ministério das Minas Oceânica pela USP e mestrado em Engee Energia (MME), prevê o acréscimo de 8 nharia Nuclear pelo Institut National des GW a 10 GW nucleares na matriz elétrica Sciences et Techniques Nucléaires (INSTN) nos próximos 30 anos, além de Angra 3. da Universidade de Paris. O Brasil hoje conta com duas usinas em operação: Angra 1, de 640 MW de - A média de participação mundial da potência, e Angra 2, com 1 350 MW. Em energia nuclear na matriz energética é de 2020, ambas geraram mais de 14 milhões 16%. No Brasil, menos de 2%. Por quê? de MWh, o que equivale a aproximada“Devido às suas características geo-

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gráficas, o Brasil desenvolveu sua matriz elétrica majoritariamente a partir da hidreletricidade. No entanto, trata-se de um caso único no mundo. A maioria das nações precisou recorrer às termelétricas, especialmente o carvão, que ainda representa quase 40% da geração mundial. A energia nuclear se expandiu, principalmente, por conta das crises do petróleo nos anos 1970 e a consequente necessidade de se substituir a importação de combustíveis fósseis. No entanto, o potencial hidrelétrico do Brasil está se esgotando. O que resta está na região amazônica, o que representa obstáculos ambientais. A construção de usinas com amplos reservatórios de regulação plurianual no local ocasionaria a inundação de grandes áreas ocupadas por populações tradicionais, comprometendo, inclusive, a biodiversidade. Além disso, como as hidrelétricas dependem do regime de chuvas, é preciso ter outras fontes que possam complementá-las, especialmente no período seco do ano. Vale ressaltar ainda que o país passa por um momento de grave crise hídrica. Segundo dados divulgados pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), entre setembro de 2020 e março deste ano, as hidrelétricas do país receberam o menor volume de chuvas em 91 anos. Para não depender apenas da hidreletricidade, a matriz elétrica brasileira vem sendo diversificada. A entrada das energias eólica e solar tem sido importante, mas essas fontes são intermitentes e, por isso, não podem operar na base do sistema. Dessa forma, o Brasil vem ampliando cada vez mais a geração de térmicas movidas por combustíveis fósseis, que são poluentes. Durante a crise atual, toda as térmicas a óleo diesel e combustível – que, além de sujas, são extremamente caras – disponíveis estão sendo usadas. Nesse cenário, a energia nuclear tem um grande potencial. As usinas nucleares têm impacto ambiental mínimo. Elas não emitem gases responsáveis pelo efeito estufa ou que contribuam para a chuva ácida, nem material particulado poluente e não produzem cinzas, ao contrário das termelétricas movidas a combustíveis fósseis. Também não dependem de fatores climáticos para funcionar. Outro ponto relevante é que podem ser construídas próximas aos principais centros de consumo do país, o que contribui para evitar congestionamentos nas interligações entre os subsistemas. Além disso, o urânio é WWW.BRASILENGENHARIA.COM

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I N FR A E S TPE R CI U ETASULPE REACI METAU LO L 4 EGN 0Í ESARTNG IC OI AS “O Brasil hoje conta com duas usinas um combustível de baixo custo, uma vez em operação: Angra 1, de 640 MW de que as quantidades mundiais exploráveis potência, e Angra 2, com 1 350 MW. Em são muito grandes e não oferecem risco 2020, ambas geraram mais de 14 milhões de escassez em médio prazo. de MWh, o que equivale a aproximadaÉ importante destacar que, em 1975, mente 2,6% do consumo de energia no o Brasil assinou acordo nuclear com a país e cerca de 40% do consumo do esAlemanha, que previa a construção de tado do Rio de Janeiro. No ano passado, oito usinas nucleares. Ou seja, o governo Angra 2 gerou 9.448.896 MWh, alcançantinha planos de expandir o parque nuclear do fator de capacidade de 79,44%. Annacional, que, na época, contava apenas gra 1 também teve uma performance sigcom Angra 1 em operação. No entanto, o nificativa em 2020. A unidade produziu programa não foi para frente, porque o 4.603.623 MWh de energia elétrica bruta, país entrou em profunda crise econômica atingindo fator de capacidade de 81,26%. que culminou com a moratória da dívida Em 2019, a central externa nos anos 1980. nuclear de Angra teve Por conta disso, todos “A crise hídrica o melhor ano de sua os projetos de infraeshistória, com geração trutura foram paralisaseria mitigada se total de 16.128.826 dos, incluindo Angra 2, Angra 3 estivesse MWh. Isso seria sucuja construção já haficiente para atender, via começado, e Angra em operação” com sobra, o consumo 3, onde já haviam sido de um estado do porte feitos trabalhos de prede Pernambuco ou Goiás. Esse resultado paração do terreno, além da compra de veio na esteira do ótimo desempenho de parte dos equipamentos. A construção de cada unidade. Angra 1 bateu seu recorde Angra 2 foi retomada em 1995 e concluíde produção, gerando 5.546.164 MWh. da em 2000, sendo que a usina entrou Além disso, fechou o ano com fator de em operação comercial no início do ano capacidade de 98,21%, o maior das usiseguinte. Angra 3 começou a ser consnas brasileiras, levando em conta todas as truída em 2010, mas as obras foram pafontes de geração. Angra 2 também teve ralisadas em 2015, devido à interrupção uma performance digna de nota em 2019. da liberação de recursos financeiros pela A usina produziu 10.582.662 MWh, a sua Eletrobras. 8ª melhor marca. E operou com fator de A Eletronuclear vem trabalhando – com capacidade de 89,38%, ficando atrás apeapoio do governo federal e da Eletrobras – nas de Angra 1 nesse quesito entre as usipara reiniciar a construção da unidade, o nas brasileiras, mesmo tendo parado por que deve acontecer ainda neste ano.” cerca de um mês para reabastecimento de - A participação da energia nuclear na combustível.” matriz energética brasileira deve crescer? O que tem sido feito para isso? - O Brasil é um dos maiores produtores de urânio do mundo. Parece um contra“O Plano Nacional de Energia (PNE) ponto com a produção de energia nuclear 2050 prevê o acréscimo de 8 GW a 10 GW no Brasil. Por que isso ocorreu? nucleares na matriz elétrica nos próximos 30 anos. Isso não inclui Angra 3, que deve “O Brasil tem uma das maiores reserentrar em operação comercial em 2026. vas de urânio do mundo, mas não está enEntre 2008 e 2011, a Eletronuclear tre os maiores produtores. A construção realizou um estudo em todo o país, em de novas usinas nucleares seria um fator parceria com a Coppe/UFRJ, para identiimportante para alavancar a produção de ficar áreas aptas a receber novas usinas urânio no país, na medida em que aumennucleares. Foram identificados mais de 40 taria a demanda por combustível nuclear. que apresentam características favoráveis Na verdade, o investimento em novas usipara essa finalidade. Levando em conta o nas é fundamental para dar escala a toda PNE 2050, o Ministério de Minas e Enera cadeia produtiva do setor nuclear bragia (MME) pretende retomar esse trabasileiro. lho, que também contará com a particiMas a participação do Brasil no merpação da Empresa de Pesquisa Energética cado mundial de combustíveis nucleares (EPE). O estudo deve ser finalizado num é uma possibilidade que independe de prazo de 24 meses.” novas usinas: é uma questão de investimentos e decisão estratégica, já que existe - Qual a produção de energia nuclear uma demanda reprimida no mundo, e as hoje no Brasil? WWW.BRASILENGENHARIA.COM

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condições desse mercado são, atualmente, muito favoráveis ao vendedor. No futuro próximo, tendem a melhorar ainda mais, na medida em que a geração elétrica nuclear for sendo entendida como uma estratégia eficaz, eficiente e efetiva para a descarbonização da economia mundial. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o governo federal pretende retomar o mapeamento de novas jazidas no país. Atualmente, o Brasil ocupa a nona colocação mundial nesse quesito.” - O custo e tempo de investimento em uma usina é um empecilho? Há falta de planejamento a longo prazo nesse sentido? “O custo e o tempo de investimento não são empecilhos se forem devidamente considerados, e se o prazo de implantação do projeto for controlado por meio de uma gestão eficaz de riscos para cada empreendimento específico. O maior inimigo da viabilidade econômica de uma usina nuclear são os riscos associados ao prazo de construção. Todos os esforços modernos em gerenciamento de projetos e em tecnologias de construção estão voltados para observar esse prazo de construção, o que tem se mostrado bem-sucedido, à medida que vemos usinas nucleares sendo construídas dentro dos prazos de projeto, em especial na Ásia.” - A Eletronuclear realizou uma sessão pública para abertura de propostas de licitação para o plano de aceleração de Angra 3. Qual o tempo de reforma em Angra 3? O que falta ser construído/feito? “Em janeiro, a Eletrobras aprovou o descontingenciamento dos recursos necessários para a Eletronuclear publicar o edital de contratação da obra civil de Angra 3 no âmbito do plano de aceleração do caminho crítico da usina. O objetivo é adiantar algumas atividades de construção da unidade antes mesmo de a Eletronuclear contratar a empresa que finalizará a usina. O principal objetivo do plano é preservar a data prevista de entrada em operação da unidade, que é novembro de 2026. Esses recursos são provenientes do Adiantamento para Futuro Aumento de Capital (Afac) aprovado pela Eletrobras em julho do ano passado. Em 2020, a empresa liberou 1,052 bilhão de reais para a Eletronuclear. Para 2021, estão previstos 2,447 bilhões de reais adicionais, dos quais 850 milhões de reais já foram repassados. O montante total do Afac consta no Plano Diretor de Negócios e Gestão (PDNG) 2021-2025 da holding. A decisão da Eletrobras de conceder a Afac BRASILENGENHARIA 04/2021

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CR B AA PA S I L E N G E N H A R I A I C A PA à Eletronuclear veio na esteira da aprovação pelo Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (CPPI), em junho de 2020, do relatório de um comitê interministerial sobre o modelo de negócios para concluir Angra 3. O documento recomenda a contratação de uma empresa especializada por contrato de EPC – o que significa engenharia, gestão de compras e construção, na tradução do inglês – para terminar a obra, com base em avaliação independente feita pelo BNDES. Agora, o banco está fazendo o detalhamento do modelo selecionado pelo CPPI. O trabalho tem acompanhamento do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Isso ocorrerá paralelamente à execução do plano de aceleração do caminho crítico de Angra 3 por parte da Eletronuclear. O modelo que vem sendo trabalhado é o que foi aprovado pelo CPPI, com segregação de riscos entre um agente financiador e um parceiro epecista. Entre as principais medidas que constam no plano de aceleração está a conclusão da superestrutura de concreto do edifício do reator de Angra 3. Além disso, será feita uma parte importante da montagem eletromecânica, prevista na fase inicial do cronograma de retomada da obra, que inclui o fechamento da esfera de aço da contenção e a instalação da piscina de combustíveis usados, da ponte polar e do guindaste do semipórtico. Em sessão pública realizada em 23 de julho, a Eletronuclear declarou o consórcio composto por Ferreira Guedes, Matricial e ADtranz vencedor da licitação para contratar a empresa que retomará as obras de Angra 3 no âmbito do plano de aceleração. O lance vencedor foi de 292 milhões de reais, o que representa um deságio de aproximadamente 16% em relação ao valor de referência estabelecido pela Eletronuclear. O processo está agora na fase de recursos. A expectativa é que o primeiro concreto – marco importante da retomada das obras de Angra 3 – seja lançado ainda esse ano. Após a assinatura do contrato das obras civis que serão realizadas no âmbito do plano de aceleração, será feita, possivelmente no segundo semestre de 2022, a contratação de uma ou mais empresas via contrato de EPC para finalizar as obras civis e a montagem eletromecânica da usina. A preparação do edital será realizada pelo consórcio Angra Eurobras NES, contratado pelo BNDES. É importante frisar que Angra 3 não

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precisará sofrer nenhuma reforma. Desde reduzir os custos totais do Sistema Interque a construção da usina foi paralisada ligado Nacional (SIN), na medida em que em 2015, a Eletronuclear vem fazendo substituirá a energia mais cara de térmimanutenção de toda a estrutura que já foi cas a óleo diesel e combustível que hoje é construída. O mesmo vale para os equipafrequentemente despachada pelo Operamentos já comprados.” dor Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Vale lembrar que a capacidade total dessas - Especialistas críticos às obras de Antermelétricas está sendo utilizada no mogra 3 afirmam que o projeto é obsoleto, que mento, devido à crise hídrica severa pela usinas semelhantes na Alemanha foram dequal o país vem passando. Além disso, Ansativadas por risco e que o investimento é gra 3 vai gerar energia limpa, pois usinas alto demais para o benefício que vai gerar. nucleares não emitem gases responsáveis O que o senhor pensa dessas afirmações? As pelo efeito estufa, ao contrário das termetecnologias usadas em Angra 1, Angra 2 e létricas movidas a combustíveis fósseis. A Angra 3 são seguras? usina terá impacto am“Em primeiro lubiental mínimo. gar, Angra 3 não está “A expansão Outro ponto reobsoleta. Os equipalevante é sua proximentos já adquiridos da geração midade aos principais pela Eletronuclear são nucleoelétrica no centros de consumo do eletromecânicos, para país, o que contribuirá os quais não houve Brasil é inevitável” para evitar congestiograndes mudanças namentos nas interligatecnológicas. O granções entre os subsistemas. A construção de avanço ocorrido ao longo do tempo da unidade também é fundamental para foi na instrumentação e controle, que dar escala a toda a cadeia produtiva do em Angra 2 é analógica e em Angra 3 setor nuclear brasileiro, da produção de será digital. A empresa ainda vai adquicombustível à geração de energia. O emrir esse sistema, que se encontra em fase preendimento representará ainda a criaavançada de projeto. Também é imporção de cerca de 7 000 empregos diretos, tante frisar que as tecnologias utilizadas no pico da obra, além de um número muiem Angra 1 (reator de água pressurizato maior de empregos indiretos. A grande da, ou PWR, da Westinghouse) e Angra maioria será contratada na Costa Verde do 2 e 3 (PWR, Framatome) são muito seestado do Rio de Janeiro, o que será um guras. A maior prova disso é que, desde importante fator para movimentar a ecoo início da operação da central nuclear nomia da região.” de Angra – Angra 1 foi ligada pela primeira vez em 1982 –, nunca houve qual- Há outros projetos de novas usinas, quer incidente que colocasse em risco os com tecnologias mais atuais? Para quando? trabalhadores da Eletronuclear, a popu“A Eletronuclear entende que a exlação ou o meio ambiente. pansão da geração nucleoelétrica no BraAs usinas nucleares alemãs foram dessil é inevitável, dada a necessidade que o ligadas por uma decisão política da coalipaís tem de geração térmica de base, com zação governante. As plantas do país sembaixíssima geração de gases de efeito espre foram referência para o setor nuclear tufa. O Plano Nacional de Energia (PNE) e sempre estiveram entre as mais seguras, 2050 prevê cenários com a entrada de, eficientes e de maior geração do mundo. no mínimo, 8 GW de geração nuclear no A conclusão de Angra 3, que tem potênperíodo. Ainda não há uma definição socia de 1 405 MW, é importante por várias bre onde serão construídas as próximas razões. Para começar, a usina vai operar usinas. A Eletronuclear fez um estudo com alto grau de confiabilidade e ajudar a em todo o território nacional buscando garantir segurança de abastecimento para regiões com fatores técnicos adequados o sistema elétrico brasileiro. A geração da para abrigar essas unidades, mas a deciunidade será suficiente para atender cerca são final cabe ao Ministério de Minas e de 4,5 milhões de pessoas. Com a entrada Energia. Quanto à tecnologia, as nossas da unidade em operação, a energia gerada usinas em operação já incorporam as prinpela central nuclear de Angra passará a cipais atualizações do setor – da chamaser equivalente a, aproximadamente, 60% da geração III+ – em seus projetos. Novas do consumo do estado do Rio de Janeiusinas de grande porte não seriam fundaro e 3% do verificado no país. Angra 3 mentalmente diferentes das que já temos também vai diversificar a matriz elétrica e em operação, mas teriam diversas caracWWW.BRASILENGENHARIA.COM

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I N FR A E S TPE R CI U ETASULPE REACI METAU LO L 4 EGN 0Í ESARTNG IC OI AS busca as fontes renováveis e a emissão zero de carbono? “Como já mencionado, a energia nuclear tem um papel importantíssimo a cumprir, por ser uma fonte que não emite gases de efeito estufa e que gera energia firme, podendo operar na base dos sistemas elétricos. As fontes renováveis são importantes, mas não são suficientes. A hidreletricidade não está disponível ou tem potencial limitado na maioria dos países. Eólica e solar são intermitentes, ou seja, não estão disponíveis o tempo todo. Por isso, têm um baixo índice de aproveitamento. Dessa forma, não podem operar na base do sistema elétrico de nenhuma país. Também é importante destacar que a qualidade de vida de uma sociedade está diretamente ligada ao seu consumo de eletricidade per capita, que, no Brasil, está em torno de 2 300 KWh por habitante por ano, o que é muito baixo. Isso equivale à metade do consumo per capita de Portugal e a um terço do verificado na Espanha, por exemplo. Para alcançar o índice de consumo de Portugal, o país precisaria gerar o dobro da energia elétrica produzida atualmente. Isso pode ser alcançado de duas formas. Ou se dobra a capacidade instalada ou se investe, majoritariamente, em fontes com alto fator de capacidade, como a nuclear. Esse fator é a relação entre a energia efetivamente gerada dividida pela energia

que a planta geraria se funcionasse 100% do tempo. Quanto maior for o fator de capacidade média de um sistema, menor será a necessidade de potência instalada. Portanto, é vantajoso ter usinas com alto fator de capacidade.” - O Brasil passa por sua terceira crise hídrica com riscos à produção de energia elétrica em 20 anos. Isso poderia ter sido evitado? Como? “Sim. A crise hídrica que estamos atravessando seria em muito mitigada se Angra 3 já estivesse em operação. A usina deveria ter tido suas obras iniciadas imediatamente na sequência da conclusão de Angra 2, o que, infelizmente, não aconteceu. Durante muito tempo, o planejamento energético brasileiro considerou previsões nas quais as afluências hídricas retornariam às suas médias históricas, o que não ocorreu. A mudança no clima é um fato, e nosso sistema elétrico é intrinsicamente vulnerável a ela, devido ao grau muito elevado de renovabilidade de suas fontes de geração. A receita é ter geração térmica de base, que possibilite a entrada crescente de fontes renováveis variáveis, como eólica e solar. E, quando se fala em geração térmica de base, a principal candidata é a energia nuclear. Se contássemos hoje com uma maior capacidade instalada de fontes de geração para operação na base da carga, estaríamos em condições de enfrentar essa mudança no regime das chuvas.” FOTO: DIVULGAÇÃO

terísticas que proporcionariam segurança e produtividade ainda maiores do que é verificado nas atuais. - A exploração da energia nuclear é exclusiva do governo. O Brasil tem procurado parceiros para investimentos? “Como já mencionado, a Eletronuclear concluirá Angra 3 por meio da contratação de uma empresa especializada por meio de um contrato de EPC. Os principais atores internacionais da área nuclear já demonstraram interesse em participar da conclusão da usina. Quase todos já visitaram o sítio da unidade e assinaram Memorandos de Entendimento (MOU, em inglês) com a Eletronuclear para troca de informações sobre o empreendimento. O grupo é composto por Westinghouse (EUA), EDF (França), Rosatom (Rússia), CNNC e SNPTC (China). Essas companhias também participaram de uma consulta ao mercado, conhecida como market sounding, sobre a construção de Angra 3, realizada pela Eletronuclear em 2019. Vale frisar que, como se trataria de um contrato entre as partes, isso em nada interfere no monopólio que a União detém em relação à exploração da energia nuclear no país, o que está determinado na Constituição Federal. A Eletronuclear continuará sendo responsável pela construção e a operação de Angra 3.” - Na sua avaliação, qual o papel da energia nuclear em um mundo que

Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, complexo formado pelo conjunto das usinas nucleares Angra 1, Angra 2 e Angra 3

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CR B AA PA S I L E N G E N H A R I A I C A PA “A modernização das hidrelétricas de nosso Sistema Interligado Nacional é uma necessidade vital para manter a disponibilidade de geração. Temos investido em novas tecnologias digitais que trabalham no monitoramento e levantamento de dados sobre a operação das máquinas”, comenta Daniel Meniuk, diretor executivo da GE Gas Power América Latina. André Clark, general manager da Siemens Energ y Brasil, afirma que “o Brasil continuará a investir com grande sucesso, como tem sido nos últimos cinco anos, no seu sistema de transmissão e distribuição de energia. Com isso, continuaremos a sofisticar esse sistema, com mais controle e digitalização”.

NOVO PAPEL DAS HIDRELÉTRICAS

TECNOLOGIA GARANTE PRODUTIVIDADE NA GERAÇÃO

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da assim, longe de atingir o patamar de mpresas fabricantes de equipamenconsumo dos países desenvolvidos. tos e soluções tecnológicas para o O novo modelo de matriz energética setor de energia projetam crescique se desenha para o Brasil nas próximas mento diante da demanda do insumo décadas é diversie da diversidade de ficada, com maior fontes necessárias participação das repara uma matriz efinováveis, especialciente e com emissão mente das fontes baixa de carbono. intermitentes, como A demanda gloa eólica e a solar. E bal por energia elémesmo tendo na trica deve aumentar base fontes como 62% nos próximos 30 hidrelétricas, nucleanos, acrescentando ares ou térmicas a 1,5% de aumento de gás, por exemplo, a consumo por ano, de tecnologia se torna acordo com a Bloomcada vez mais preberg Energy Finance. sente para garantir No Brasil, de 2019 integração, produa 2030, o Plano Detividade, segurança cenal de Expansão de e estabilidade na Energia 2030 prevê geração, transmisum crescimento de Daniel Meniuk, diretor executivo da GE Gas são e também na 1,5% por ano no con- Power América Latina, é otimista quanto à armazenagem. sumo per capita. Ain- retomada das hidrelétricas no país

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Daniel Meniuk, diretor executivo da GE Gas Power América Latina, afirma que a empresa é otimista quanto à retomada das hidrelétricas no país, apesar da grave crise hídrica atual, e que ainda há muito a ser explorado nessa matriz. “É uma questão de tempo. Possuímos ainda um grande potencial a ser explorado, é uma energia limpa e sua tarifa acaba sendo bastante competitiva”, avalia. Para ele, o avanço da vacinação contra Covid-19 e a retomada do crescimento da economia deve reaquecer o mercado de pequenas centrais geradoras hidrelétricas. “Além disso, acreditamos que o Brasil ainda vai precisar de usinas reversíveis, ou Pumped Storage, mas é algo que não veremos no curto prazo, embora estejamos prontos para atender esta demanda”. A GE Gas Power América Latina tem soluções presentes em 30% de toda a geração de energia do país, tanto relacionadas à geração por meio de térmicas a gás natural, como pelo portfólio da GE Renewable Energ y, voltado para energias renováveis e também hidrelétricas, assim como armazenamento, transmissão e distribuição, além de ser viços digitais e sistemas híbridos renováveis. “Tudo isso nos posiciona de forma muito estratégica no mercado, ou seja, um mix de soluções complementares para apoiarmos nossos clientes diante dos objetivos de transição energética e descarbonização”. Na entrevista para BRASIL ENGENHARIA a seguir, Meniuk faz uma WWW.BRASILENGENHARIA.COM

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I N FR A E S TPE R CI U ETASULPE REACI METAU LO L 4 EGN 0Í ESARTNG IC OI AS transformação, de forma sustentável. no mundo. Oferecemos tecnologias Fazendo nossa lição de casa, assupara a geração de energia limpa, por mimos um compromisso na GE para meio das fontes hidrelétrica, eólica e zerarmos nossas emissões de carbono solar, bem como para o armazenamenaté 2030. Estamos já aplicando esse to, transmissão e distribuição, além de plano em três grandes pilares: geraser viços digitais e sistemas híbridos ção de energia, indústria e transporte. renováveis. Tudo isso nos posiciona de Fizemos uma série de forma muito estratéestudos e o plano já gica no mercado, ou “A digitalização está em prática, seja seja, um mix de socom os fornecedores luções complemené uma questão ou dentro de casa, tares para apoiarmos fundamental amparados pela nosnossos clientes diansa metodologia Lean, te dos objetivos de no controle que é focada na metransição energética lhoria contínua dos e descarbonização.” dos sistemas processos, reduzindo - Qual o peso que renováveis” a emissão de carbono o impacto ambiental e cortando custos nos tem nos negócios da processos. Essa meta empresa? da GE está focada em suas mais de “Essa é uma questão fundamental, 1 000 instalações pelo mundo, inpois a geração de energia está inticluindo fábricas, espaços de teste, demamente ligada à questão ambiental pósitos e escritórios. e essa combinação de energias renováveis com a energia gerada via gás - Quais as soluções que ela disponatural tem todo o potencial de acelenibiliza hoje, de energias renováveis e rar a redução de emissões no planeta. não renováveis? A GE mantém o foco Além disso, o fato de, a cada dia, a nos dois modelos? geração renovável aumentar sua par“Somos participantes importantes ticipação na matriz elétrica mundial, do setor e temos soluções completas traz novos desafios e demanda em para o mercado de energia, tanto relatermos de segurança e estabilidade do cionadas à geração por meio de térmisistema elétrico que, por sua vez, pode cas a gás natural, como pelo portfólio ser alcançada por meio da combinação da GE Renewable Energ y, um dos mais de fontes de geração, além de novas abrangentes em energias renováveis tecnologias que garantem maior produtividade e segurança ao sistema.” - Qual o impacto da tecnologia e das soluções digitais na matriz energética? “A digitalização, em várias frentes, ajuda na otimização no uso dos recursos naturais, no caso a energia, seja ela vinda da força das águas, do vento, do sol ou de outros combustíveis como o gás natural. Além da evolução natural das soluções, que tornam a geração, transmissão e distribuição mais eficientes, também há um aumento da segurança no suprimento de energia com a capacidade de interligação e evolução tecnológica de soluções f lexíveis que consigam lidar com uma matriz diversificada. Temos um pacote de tecnologias necessárias para a transformação do setor em direção a um futuro energético mais eficiente de ponta a ponta.” - A GE aposta na modernização da Produtos de alta tensão da GE Green Gas for Grid (g³) reduzem o potencial de aquecimento matriz hidrelétrica a partir de soluções global em mais de 99% FOTO: DIVULGAÇÃO

avaliação da situação energética no país e como a GE Gas Power atua no setor de geração e transmissão. - Como a GE vê o futuro da energia no Brasil e no mundo? “A GE acredita que a implantação acelerada e estratégica de energias renováveis de forma sustentável, por meio da transição energética e em busca da descarbonização, são parte essencial do futuro da energia. O crescimento das fontes renováveis, aliado com a segurança energética proporcionada pela geração a gás natural, por exemplo, são essenciais para mudarmos a trajetória das mudanças climáticas, permitindo reduções substanciais das emissões rapidamente e, ao mesmo tempo, continuando a fazer as tecnologias avançarem em direção à geração de energia com pouco ou quase zero carbono.” - Como as necessidades socioambientais pautam os negócios da empresa? “Precisamos sempre evoluir e nos adaptarmos às necessidades da sociedade como um todo. Hoje, é primordial assegurarmos que a preser vação do meio ambiente e a sustentabilidade sejam a base do nosso modelo de negócio. Para isso, desenvolvemos soluções tecnológicas, seguimos investindo em plataformas, ser viços e digitalização no sentido de viabilizarmos essa

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As primeiras turbinas eólicas com potência superior a 5MW do país, a Cypress

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- A GE tem previsão de novos investimentos em hidrelétricas? Quais modelos? Qual cenário vê para as hidrelétricas? “Somos otimistas quanto à retomada das grandes hidrelétricas e achamos que seja somente uma questão de tempo. O Brasil possui uma grande vocação para esta fonte, sendo a sua base de geração, a qual deve ser mantida na matriz energética. Possuímos ainda um grande potencial a ser explorado, é uma energia limpa e sua tarifa acaba sendo bastante competitiva. Ainda esGE Renewable Energy trabalhou no projeto peramos boas notícias com a retomade expansão da Usina Hidrelétrica de da dos leilões de energia por parte do Curuá-UMA, da Eletronorte, no Pará governo e, especialmente, a retomada do crescimento da economia que se da GE no Brasil? Há mercado crescente espera acontecer ainda este ano, na para este modelo de energia no Brasil? medida do avanço da vacinação contra “Do ponto de vista de gás, estaa Covid-19, possam reaquecer o mermos muito próximos dos clientes e cado de Pequenas Centrais Geradoras players do mercado, preparando-nos Hidrelétricas. Além disso, acreditamos para os próximos dois leilões neste que o Brasil ainda vai precisar de usiano. Estamos falando não só de novas nas reversíveis, ou Pumped Storage, plantas, mas também da nossa base mas é algo que não veremos no curto de clientes que têm usinas em opeprazo, embora esteração e querem mejamos prontos para lhorar a performan“Vejo com bons atender esta demance dos seus ativos. da. Há vários estudos A GE trabalha com olhos os próximos sendo realizados no seus clientes para o cinco a dez anos país, encabeçados que chamamos de pela EPE, e devem upgrades, que são no Brasil no setor surgir oportunidades novas tecnologias de no longo prazo. combustão e capacide energia” - Como a GE dividade de geração em de hoje seus investiplantas já existentes, mentos em energias renováveis? Vê a com o objetivo de ganhar competitivipossibilidade crescente de mais invesdade nesse próximo leilão. Então, são timentos nesse segmento? Quais invesessas as duas frentes de ação.” timentos deve fazer no Brasil no curto - Como vê a integração entre enerprazo? gias renováveis e não renováveis e “Por conta de nossa presença mascomo pode ser uma solução para o sesiva em energias renováveis no Brasil, tor e o meio ambiente? nossos investimentos no setor sempre “A maneira mais eficaz de garantir acompanham esse movimento. Estaa confiabilidade do sistema de energia mos presentes em cerca de 30% de e a segurança da energia é por meio toda a geração de energia no país e da complementariedade das fontes de seguimos modernizando nossas fágeração. Essa integração também é bricas e promovendo ações voltadas à fundamental para a transição energémetodologia Lean, focada em melhotica e a consequente descarbonização. ria contínua de nossos processos, seja Nenhuma forma de geração de enerno chão de fábrica ou nos escritórios. gia funciona sozinha em qualquer siCom isso, tornamos nossas operações tuação ou economia. Por exemplo, as mais eficientes e oferecemos soluções energias eólicas e solar são variáveis, que ajudam nossos clientes a tornarem mas não consomem combustível e não suas atividades de geração, transmisemitem CO2; a geração abastecida são e distribuição cada vez mais compor gás natural emite CO2, mas petitivas. é despachável (ou seja, tem uma - Sobre a energia a gás, qual o foco saída que pode ser prontamente FOTO: DIVULGAÇÃO

digitais? Como é a solução apresentada pela empresa para este modelo? “A modernização das hidrelétricas de nosso Sistema Interligado Nacional é uma necessidade vital para manter a disponibilidade de geração. Temos investido em novas tecnologias digitais que trabalham no monitoramento e levantamento de dados sobre a operação das máquinas. Essa solução proporciona uma melhor manutenção preventiva e, com isso, podemos contribuir para o aumento da disponibilidade e trazer mais benefícios, como identificar a melhor forma de aproveitar ao máximo o potencial de cada turbina, a fim de aumentar sua eficiência. Tudo isso traz mais competitividade para nossos clientes, inclusive temos algumas ofertas no mercado para essas soluções e esperamos assinar novos contratos em breve. Além dessa nova tecnologia, oferecemos um portfólio diversificado de soluções para atualizar as usinas, fornecendo sistemas de controle e proteção mais modernos que facilitam sua operação e manutenção. Também contribuímos com nossa expertise na evolução do design de engenharia, a fim de desenvolvermos máquinas melhores e mais eficientes para nossos clientes.”

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I N FR A E S TPE R CI U ETASULPE REACI METAU LO L 4 EGN 0Í ESARTNG IC OI AS controlada entre a capacidade máxima e a redução a zero) para ajudar a equilibrar a oferta e procura; a energia hidrelétrica muitas vezes exige uma porção considerável do solo, mas é zero carbono, renovável e despachável e pode fornecer armazenamento de energia de baixo custo e a longo prazo. Todas se complementam de alguma forma, cumprindo o objetivo comum de entregar energia confiável para os consumidores.” - A crise energética que se desenha hoje no Brasil já aconteceu pelo menos mais duas vezes nos últimos 20 anos. Como pode ser evitada? “Ainda há muita dependência das questões hidrológicas, mas o setor evoluiu muito com a chegada das novas fontes como a eólica e a solar, além da modernização do próprio parque hidrelétrico para melhor aproveitamento deste, e do térmico com projetos a gás natural, muito mais eficientes, baratos e f lexíveis. Devemos continuar trabalhando para que essa complementariedade exista e analisar oportunidades para inserir soluções como sistemas híbridos e armazenamento de energia para maior segurança e f lexibilidade do nosso sistema elétrico.” - O Brasil tem vantagens para o desenvolvimento de energias renováveis em relação a outros países? Como pode ser aproveitado em prol do país?

“Sim, há muitas especificidades no CO2 e garantir a confiabilidade. Para Brasil como a abundância hidrológica, citar apenas alguns exemplos, recenalém de termos ventos ideais para a temente, instalamos as primeiras turgeração eólica e incidência solar acibinas eólicas com potência superior a ma da média mundial para a geração 5MW do país, a Cypress. Elas já estão de energia solar. Nosso país tem uma operando na Bahia, gerando energia vocação natural para as energias reno complexo eólico Serra da Babilônováveis e a GE têm apoiado esse denia, da Rio Energ y. Outra inovação é senvolvimento desde o início de sua o nosso robô subaquático capaz de história em terras realizar uma inspebrasileiras, seja na ção entre as palhetas “Na indústria da construção de hido rotor de uma turdrelétricas, linhas de bina hidrelétrica, em energia elétrica, transmissão, parques menos de duas horas, o BIM reverbera eólicos e termelétrireduzindo em 95% cas a gás natural. Soos custos, os riscos em resultados mos responsáveis por da inspeção e o temcerca de 30% de toda po de interrupção expressivos” a energia gerada no das operações. Na Brasil e seguiremos o área de transmisnosso compromisso de fornecer enersão, expandimos nosso portfólio sem gia acessível, confiável e sustentável.” SF6 para incluir todos os principais níveis de alta tensão até 2025. Os - Pode citar alguns cases da empreprodutos de alta tensão da GE Green sa hoje, inclusive na geração de energia Gas for Grid (g³) reduzem o potena gás, e as soluções tecnológicas? cial de aquecimento global (GWP) em “As tecnologias digitais podem mais de 99% , oferecendo desempepermitir que a otimização da geração nho técnico comprovado. Também seja combinada com a otimização da somos responsáveis pelas primeiras rede e uma compreensão em tempo subestações digitais da América Latireal da demanda para habilitar um na, além de projetos como a ampliasistema que funcione perfeitamente ção do Complexo Parnaíba I, no Mapara múltiplas fontes de geração, uma ranhão, que conta com sete turbinas rede inteligente e uma demanda varipara a geração de energia a gás de ável, a fim de maximizar a eficiência classe F da GE.” do sistema, reduzir as emissões de

GE FARÁ MODERNIZAÇÃO DE SUBESTAÇÕES DA CHESF NO BRASIL A divisão de Grid Solutions da GE Renewable Energy fechou em julho seu maior contrato de serviços de modernização de rede na América Latina com a Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf), uma das maiores empresas de energia do Brasil. De acordo com o contrato, a GE realizará o retrofit (fornecimento de materiais e serviços para a substituição de equipamentos antigos) de seis subestações da Chesf localizadas nos estados de Alagoas, Bahia e Pernambuco, no nordeste do Brasil, com suas mais avançadas tecnologias de grid. O contrato prevê a substituição de cerca de 250 disjuntores e seccionadores, em operação há mais de 45 anos. Os engenheiros de campo certificados da GE serão responsáveis por oferecer uma estratégia para avaliação da condição dos ativos de alta tensão da Chesf, bem como pelo planejamento e priorização do processo de retrofit para propor a solução mais adequada sob os aspectos de custo e tempo.

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Segundo a Chesf, a troca desses equipamentos de níveis de tensão de 69kV, 230kV e 500kV proporcionará mais confiabilidade ao sistema de transmissão da Companhia, contribuindo para melhorar a qualidade e o acesso ao fornecimento de energia elétrica. Permitirá, ainda, que milhões de pessoas continuem tendo acesso à energia limpa e renovável no país, através dessas instalações que ajudam a transmitir energia das usinas hidrelétricas e parques eólicos localizados no Nordeste para o Sistema Interligado Nacional (SIN). “Temos a satisfação de apoiar a Chesf em seu compromisso de modernizar o seu sistema de transmissão nesta região. A equipe de Serviços da GE Grid Solutions traz mais do que apenas sua longa experiência em manutenção e substituição de equipamentos. Nossas mais novas tecnologias e soluções ajudarão a oferecer à Companhia mais flexibilidade operacional e maior competitividade”, disse Alexandre Ferrari, Líder Comercial

da GE Grid Solutions para a América Latina. O negócio fechado no primeiro trimestre de 2021, por meio de uma licitação pública, reforça o compromisso da divisão de Grid Solutions da GE Renewable Energy em oferecer as melhores condições à Chesf. Além da substituição de equipamentos, a GE oferecerá treinamento aos técnicos da Chesf e fornecerá kits de peças de reposição para cada tipo de equipamento. Todo o processo de retrofit, incluindo atividades adicionais, está previsto para ser concluído em 2025. A GE Grid Solutions oferece diversos produtos e soluções para subestações em todos os níveis de tensão (69kV - 550kV), sendo referência em todos os segmentos, como na indústria, distribuição, transmissão e geração de energia. Com um amplo portfólio, expertise e tecnologia de ponta, a empresa ajuda a inserir mais energia limpa, acessível e sustentável na rede elétrica no Brasil e no mundo.

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TECNOLOGIAS COM BASE NA DESCARBONIZAÇÃO E NA DIGITALIZAÇÃO

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Como exemplo, a empresa trabalha com executivo André Clark, general manager turbinas a gás, como as da família SGT, e a da Siemens Energy Brasil, considera que vapor, que já podem queimar hidrogênio e ser a grande pergunta a se fazer neste moagentes de descarbonização, apoiando a tranmento, em que o Brasil passa por uma reformusição energética. Além disso, grande parte do lação da sua matriz energética, é: “O que vamos nosso portfólio de equipamentos está atrelafazer com relação àquelas energias de ponta, do a soluções de análises de dados em tempo que quando chamadas estão disponíveis?” real, o que contribui Para ele, o gás para a competitividaterá um papel bastande de nossos clientes te relevante no futuro, e parceiros. mas acredita que o A seguir, a enaprofundamento destrevista completa da sa discussão também BRASIL ENGENHAocorrerá mais à frenRIA com André Clark. te. “O próprio modelo que faz o despacho - A crise enerprioritário de energias gética atual abrirá no Brasil precisa ser caminho para a modiscutido. Um exemdernização e maior diplo disso é o custo versificação da matriz da água estocada nos energética brasileira? reservatórios, que é “A crise energétivalorizado a zero. Porca atual é uma crise tanto, toda vez que de falta de água. Os temos que despachar regimes de chuvas, energia a prioridade é André Clark, general manager da Siemens que historicamente Energy Brasil uma hidrelétrica. Será enchiam os nossos que isso é correto, reservatórios, em esuma vez que a água tem que ser usada e repecial do Sudeste, onde temos 70% da nossa servada para outros fins, como agricultura e reserva de água, mudaram. O Brasil é profunconsumo próprio?”, questiona Clark. damente dependente desses regimes de chuA Siemens Energy Brasil tem um portfólio va para o fornecimento de energia e isso que de produtos, soluções e serviços que cobrem estamos vivenciando, certamente, é reflexo quase toda a cadeia de valor de energia, com das mudanças climáticas e da destruição flotecnologias baseadas em dois pilares: da desrestal, tanto do Cerrado quanto da Floresta carbonização e da digitalização. Amazônica.

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O que vem à frente é um repensar dessa matriz energética. As renováveis, tanto eólica quanto solar, continuarão crescendo a uma taxa muito grande, porque são economicamente competitivas. O Brasil é um dos produtores de custo marginal mais baixo de energia renovável no planeta e isso irá continuar. A grande pergunta é: O que vamos fazer com relação àquelas energias de ponta, que quando chamadas estão disponíveis? O que vislumbro é que o gás terá um papel bastante relevante à frente, mas essa discussão ainda está por vir. Hoje, o próprio modelo que faz o despacho prioritário de energias no Brasil precisa ser discutido. Um exemplo disso é o custo da água estocada nos reservatórios, que é valorizado a zero. Portanto, toda vez que temos que despachar energia a prioridade é uma hidrelétrica. Será que isso é correto, uma vez que a água tem que ser usada e reservada para outros fins, como agricultura e consumo próprio? Essa é uma grande questão, que com certeza irá acender muitos debates nos próximos anos.” - A Siemens Energy tem produtos e serviços em diferentes frentes, especialmente com novas tecnologias. Quais tecnologias vê como essenciais para a geração e uso de energia e o que a empresa tem desenvolvido nesse sentido? “Nossas tecnologias estão baseadas em dois pilares, o da descarbonização e da digitalização. Trabalhamos com turbinas a gás, como as da família SGT, e a vapor, que já podem queimar hidrogênio e ser agentes de descarbonização, apoiando a transição energética. Além disso, grande parte do nosso portfólio de equipamentos está atrelado a soluções de análises de dados em tempo real, o que contribui para a competitividade de nossos clientes e parceiros. Com apoio de pesquisas internas, desde 2011 estamos desenvolvendo o eletrolisador Silyzer, tecnologia criada para a geração de hidrogênio verde. A cada uma dessas versões, aprimoradas desde a década passada, a capacidade instalada aumentou 10 vezes em tamanho (da ordem de 0,1 MW em 2011, para 10 MW em 2018) e a tecnologia se tornou mais viável, pois sua capacidade de produção de gás e eficiência aumentaram. A nova geração em desenvolvimento, com lançamento previsto para 2023, contará com a capacidade instalada da ordem de 100 MW e prevê-se que a partir de 2030 sejam iniciadas as primeiras pesquisas em cooperação com a indústria química para uma geração de Silyzers posterior, da ordem de 1 000 MW.” - Regulação e burocracia ainda são entraves para o investimento? Como vê essa questão no Brasil em comparação com outros países? WWW.BRASILENGENHARIA.COM

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José Paiva, country managing director da Hitachi ABB Power Grids no Brasil “No setor de energia, a regulação é boa, forte e bastante consistente. O que o Brasil vive é um ambiente mais amplo de insegurança jurídica. Contratos que poderiam não ser judicializados vão até as cortes superiores e demoram muito tempo para gerar uma decisão. Acredito que o Brasil poderia se beneficiar de uma segurança jurídica maior e esse é um ponto fundamental à frente, de um país que precisa investir para recuperar a economia a sua infraestrutura no pós-Covid.” - Qual a perspectiva para o mercado de energia no Brasil para os próximos anos? Alguma matriz se destaca? “Minha visão sobre os próximos anos é extremamente positiva para o Brasil. Eu vejo um vasto crescimento das eólicas e solares, até pelo crescimento bastante acelerado do mercado livre. No Brasil estamos caminhando na direção da liberalização dos mercados de energia, e o mercado livre valoriza bastante as eólicas e as solares. Além disso, o Brasil continuará a investir com grande sucesso, como tem sido nos últimos cinco anos, no seu sistema de transmissão e distribuição de energia. Com isso, continuaremos a sofisticar esse sistema, com mais controle e digitalização. Como se isso não bastasse, no Brasil teremos ainda os leilões de 5G, que tem aplicação principal justamente na digitalização das infraestruturas. Por último, o pré-sal continuará sendo um ativo em franco desenvolvimento, não apenas com o óleo, mas com o gás associado, setor no qual veremos soluções importantes, em especial na região Sudeste. Dessa forma, vejo com muito bons olhos os próximos cinco a dez anos no Brasil no setor de energia. Temos muitos recursos naturais e excepcional qualidade para enfrentar essas novas realidades.” - Quais os principais projetos e investimentos no Brasil no momento? “Temos ótimas parcerias na região, em todos os nossos mercados de atuação, seja de geração e transmissão de energia, como também aplicações para clientes industriais. Um WWW.BRASILENGENHARIA.COM

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dos principais projetos é com a Braskem, que conta com a modernização do sistema termelétrico na unidade de Mauá (SP) e a instalação de uma unidade de cogeração movida a gás residual de processo com alto teor de hidrogênio, que envolve mais de meio bilhão de reais. Também estamos fornecendo o escopo completo de soluções para GNA I, no Porto do Açu (RJ) o maior parque termelétrico da América Latina. Nesse projeto, iremos também realizar a operação e manutenção da usina para ajudar a garantir confiabilidade, disponibilidade e desempenho.”

DESAFIO DE CARBONO NEUTRO A partir de outubro, a Hitachi ABB Power Grids passa a se chamar Hitachi Energy. A transição de nome reflete o ambiente energético em rápida evolução e a oportunidade de criar valor econômico, ambiental e social; e habilita a empresa a posicionar suas tecnologias pioneiras e digitais a atender a clientes futuros e já existentes, indo além da rede elétrica – abrindo uma variedade de oportunidades em áreas como mobilidade sustentável, vida inteligente e data centers. Combinando soluções e serviços digitais avançados, como o Hitachi Lumada, com uma plataforma energética construída com base em especialização e experiência única do domínio, a empresa está atendendo aos clientes e parceiros para cocriar soluções globais e solucionar o desafio global de um futuro inclusivo e equitativo neutro em carbono. José Paiva, country managing director da Hitachi ABB Power Grids no Brasil, concedeu a BRASIL ENGENHARIA uma entrevista em julho, logo após a empresa completar um ano e anunciar a mudança de nome. “Nós temos cerca de 1 250 funcionários no Brasil e atendemos o mercado de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, o mercado industrial de um mercado geral, mas também associados à geração e conexão à rede. Nós estamos sempre focados e associados à questão da energia elétrica”, explica Paiva. A empresa tem fábricas em São Paulo e em Santa Catarina. Acompanhe a seguir os principais pontos. ESTRATÉGIA DE REBRANDING - “Nós éramos uma divisão da ABB até um ano atrás e essa divisão foi vendida para o grupo Hitachi. Nós ainda permanecemos como uma joint venture, onde a Hitachi tem 80,1% de participação e a ABB se mantém com 19,9%. Temos quase 36 000 funcionários e todo esse grupo de pessoas saiu da ABB a um ano atrás e se tornou uma empresa independente, mas dentro de um grupo Hitachi.

A tendência é se consolidar cada vez mais. Somos líderes mundiais nas tecnologias associadas a redes elétricas. E aqui no Brasil também somos líderes. Temos mais de 100 anos no Brasil, participamos do desenvolvimento do sistema elétrico ao longo desse tempo. Na celebração de um ano dessa joint venture, nós anunciamos que a partir de outubro nós vamos mudar nosso nome que hoje é Hitachi ABB Power Grids para Hitachi Energy. A tendência é que a ABB venha a sair dessa joint venture. O acordo inicial que havia era de três anos; já se passou um ano e essa é a tendência.” CARBONO NEUTRO - “Existe uma mudança de estratégia no sentido que as redes elétricas estão mudando, então, com esse objetivo dos países e das empresas de em 2050 atingir uma situação de carbono neutro, é evidente que a estratégia da empresa agora é essa. Nós vemos que a participação dos renováveis vai ser muito maior, com esse objetivo de equilíbrio de carbono neutro, seja em 2030 ou em 2050. Nós estamos presentes nas hidrelétricas, na grande maioria delas nós temos sistemas de transmissão de corrente contínua que trazem energia a partir de Itaipu, do Rio Madeira, no Norte, para a região Sudeste, por exemplo. Nós estamos presentes deste lado, mas a nossa visão é de que para atingir essa nova situação de energia, a participação dos renováveis tem que ser muito maior do que é hoje e que, portanto, esse seria o primeiro pilar da espinha dorsal do sistema de energia. O segundo pilar que a gente vê, e é uma área que também atuamos e pretendemos atuar mais significativamente aqui no Brasil, é a questão do transporte elétrico. Então, vamos ter mais energia renovável no sistema, mais transporte elétrico. A expectativa é que mais de 60% do transporte seja elétrico até 2030, mas estamos falando principalmente do transporte coletivo, seja de ônibus ou caminhões.” CONFIANÇA NO MERCADO LIVRE “Nós tivemos um início bastante difícil no ano passado, mas ao final do ano, houve os leilões e o próprio mercado livre levou os negócios a terem um bom resultado no fim do ano passado. Ou seja, tivemos um crescimento em relação a 2019. Nós pretendemos continuar crescendo, não podemos te dar números específicos. Acreditamos que este ano as coisas estão caminhando positivamente até aqui. Este ano não estão previstos grandes leilões pelo governo, o que pode ter algum impacto nos BRASILENGENHARIA 04/2021

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INTERCONECÇÃO DO SISTEMA DE ENERGIA - “Vamos ter um sistema muito mais interligado no futuro, principalmente porque os sistemas de geração renováveis não são concentrados, como no caso das hidrelétricas, mas requer que o sistema esteja interligado, o que é um ponto positivo no sentido de evitar que flutuações eventuais na armazenagem de água acabem acarretando um problema de falta de energia em uma área específica do país. Ou seja, quanto mais interligado o sistema estiver, melhor nós vamos conseguir controlar o fluxo de energia que vem de uma e outra área de geração.” SUBESTAÇÂO DIGITAL - “O que a gente está vendo também é que com essa interligação e as características dos sistemas renováveis, que não são constantes como nas hidrelétricas, a digitalização é uma questão fundamental no controle desse sistema. Então, temos investido na digitalização, temos feito vários projetos com clientes. Temos os primeiros, como uma subestação digital para a Aneel de 500 kilowatts. Essa subestação digital, do ponto de vista da energia, não tem muita diferença de uma normal. O que ela tem de diferente é que para cada elemento da subestação, um transformador, um para-raio, um transformador de corrente etc., precisava trazer cabos para a sala de controle para monitorar esse negócio. Já a subestação digital tem fibras óticas percorrendo a planta propriamente dita onde estão os equipamentos. Todas essas informações – e é uma quantidade muito maior de

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EXPORTAÇÕES - “Uma parte do crescimento que a gente falou está associada à nossa capacidade de exportar transformadores, principalmente transformadores grandes. Temos tido sucesso na exportação dos transformadores para os Estados Unidos, por causa do preço do dólar. Exportamos para toda a América Latina e, mais recentemente, em função da sobrevalorização do dólar, uma parcela significativa da nossa capacidade de produção, dependendo da época, essa fábrica pode estar fornecendo 50% do que produz para os EUA.”

informação que você pode absorver hoje em dia pela facilidade dos sistemas de medição e dos instrumentos que estão acoplados a esses equipamentos – é captado na própria planta onde estão os equipamentos, o pátio da subestação, e depois tem a sala de controle com um número limitado de fibras óticas. Então, tem o benefício de diminuir a quantidade de material que você precisaria, dar uma condição no sistema de monitoramento mais rápido, além do próprio tamanho da subestação, que pode ficar menor. Você pode acomodar os equipamentos em um espaço menor e tem a velocidade de construção da subestação, não do ponto de vista civil, porque os equipamentos continuam sendo grandes, mas do ponto de vista das instalações elétricas tem muito benefício nesse sentido. De modo geral, com essas tecnologias digitais, fica muito mais fácil ao invés de fazer manutenção corretiva ou mesmo preventiva, utilizando os dados que estão disponíveis, porque a quantidade de dados que você pode ter a partir dessas tecnologias digitais é infinita, então, utilizando esses dados, você pode fazer a manutenção preditiva e nesse sentido, garantir primeiro que as falhas no sistema sejam muito menores, mas também que você possa estender mais a vida útil dos equipamentos, o que significa que fica mais barato.”

Fernanda Machado, especialista técnica Autodesk

O IMPACTO DO BIM NO SETOR DE ENERGIA ELÉTRICA Segundo os principais estudos de mercado promovidos por companhias como McKinsey&Company e PWC, há desafios estruturais na indústria de energia elétrica, voltados para o atendimento às restrições das políticas e regulações governamentais, iniciaFOTO: DIVULGAÇÃO

negócios do ano que vem, mas acreditamos que o mercado livre deve ajudar a manter o volume de negócios. Nas termelétricas a gás que estão sendo feitas, nós temos participação com a interconecção da termelétrica no sistema elétrico. Então, basicamente, a subestação elevadora da termelétrica para conexão com a rede, nós fazemos.”

Joyce Delatorre, especialista técnica da Autodesk

tivas de integração da matriz energética com fontes renováveis e a atualização e confiabilidade da infraestrutura existente. Nesse âmbito, novas tecnologias e soluções inerentes à Indústria 4.0 podem alavancar a transformação digital nas principais concessionárias de energia elétrica do país e em todo o seu ecossistema. Para Fernanda Machado, especialista técnica da Autodesk, entre as potenciais ações de digitalização que agregam valor para estas empresas, é relevante mencionar a otimização e o mapeamento de usinas e demais ativos pertencentes às áreas de geração, transmissão e distribuição, assim como a gestão de interferências em contexto, a manutenção preditiva e baseada em condições, a prevenção de interrupções e, finalmente, o alcance da eficiência operacional e de análises avançadas orientadas por dados. Na visão de Joyce Delatorre, também especialista técnica da Autodesk, a realidade mostra que há um caminho a ser percorrido que exige uma gestão de mudanças organizacional, uma vez que é observada a carência de um inventário da infraestrutura existente, as dificuldades de acesso às informações dos ativos, e um gap observado entre os ativos que já estão em operação e a inexistência de documentação digitalizada e atualizada. A Modelagem de Informação da Construção, mais conhecida como BIM, é a expressão atual que melhor traduz a transformação digital nos setores de Arquitetura, Engenharia e Construção (AEC). Como líder global em BIM, a Autodesk é o parceiro da indústria que ajuda as empresas a encontrarem melhores formas de trabalho e os melhores resultados para seus negócios e o mundo da construção. Na indústria da Energia Elétrica, o valor agregado da adoção do BIM – incluindo políticas, novos processos e tecnologias – tem reverberado em resultados expressivos nos seus diversos segmentos, endereçando os desafios mencionados e as necessidades de muWWW.BRASILENGENHARIA.COM

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I N FR A E S TPE R CI U ETASULPE REACI METAU LO L 4 EGN 0Í ESARTNG IC OI AS dança. O BIM se potencializa com a colaboração, coordenação e comunicação em nuvem. O aumento do uso e o valor para os clientes fica evidente, e já é observado nos casos de companhias internacionais e brasileiras, relata Joyce Delatorre. Por exemplo, em um projeto canadense de geração de energia hidrelétrica de 10,7 bilhões de dólares – que contempla como facilities uma barragem e uma estação geradora – o poder da nuvem e de soluções de modelagem de projetos de engenharia, além de simulações e análises de pré-construção, elevou o nível dos fluxos de trabalho de diversas companhias envolvidas. Onze escritórios de diferentes localidades utilizaram a Autodesk Construction Cloud para compartilhar documentos e modelos, realizar revisões, coordenar o projeto e monitorar alterações em tempo real. Os colaboradores passaram a economizar em torno de 20 horas semanais nessas atividades. Por outro lado, a Insole, uma clean-fintech brasileira que integra o Porto Digital no Recife, em Pernambuco, dobrou sua produtividade e apresentou uma impressionante redução de

50% no custo dos projetos, após automatizar seus processos de vistoria, análise de viabilidade, projeto executivo e acompanhamento de obras de instalações fotovoltaicas – para incentivar o mercado de geração solar distribuída. A adoção de processos scan-to-BIM e o uso de soluções de programação visual, como o Dynamo, foram fundamentais para garantir a fluidez da informação e a integração das diversas áreas de negócio da companhia. Em Medellín, na Colômbia, já no âmbito de projetos e obras de ativos de transmissão e distribuição, uma grande companhia trouxe a luz os desdobramentos da integração entre o seu Sistema de Informação Geográfica (GIS) e as soluções de projetos (BIM). A integração permitiu a redução de incertezas nos estágios iniciais de projeto, assim como a concepção rápida de soluções técnicas considerando restrições ambientais e de propriedade. Outra consideração foi a consolidação de informações entre operação, patrimônio e meio ambiente, que diante da automação GIS/BIM passou de 3 semanas de trabalho, diante da dispersão das fontes da companhia, para somente 1 dia.

Segundo Fernanda, outro caso impactante a ser citado é na área de desenvolvimento de projetos de subestações, onde apesar da complexidade das informações envolvidas, é possível notar um tempo de resposta no processo muito mais curto. Exemplo disso é relatado pela ESC Engenharia que, comparando dois empreendimentos equivalentes tecnicamente, constataram que a conclusão de layouts gerais foi até 22% mais rápido utilizando a metodologia BIM da Autodesk em comparação ao desenvolvimento em CAD. Eles verificaram também uma redução de 13% no desenvolvimento de detalhamentos gerados pela primeira vez e mais de 42% de redução de tempo após uso de um template elaborado para a criação de entregáveis. Portanto, esses casos demonstram que, embora ainda emergente, o uso de novas tecnologias em sinergia com o BIM tem explicitado retornos sobre o investimento significativos nos diversos segmentos de energia. Ademais, observa-se por meio dos esforços organizacionais de digitalização, subsídios necessários ao enfrentamento dos desafios estruturais típicos do setor.

GERENCIAMENTO E AUTOMAÇÃO DA ENERGIA NA INDÚSTRIA Felipe Figueiró* / Maria Fernanda Finamor**

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administrar os parâmetros técUm comparativo feito entre 110 países, ção no consumo superando níveis nicos e financeiros, a partir de elaborado pela Global Petrol Prices, mosobservados nos últimos 3 anos. indicadores e KPI’s de consumo tra que a energia no Brasil é a 37ª mais Na contra-mão da retomada e custo. Os preços de compra cara do mundo. Tal fato, associado à cresda demanda, tivemos a oferta dide energia devem ser constancente adoção de políticas de GHG (Green retamente impactada pela crise temente monitorados, de forma House Gases) pelas empresas, trouxeram hídrica que vem se configurando a manter uma estratégia de suholofotes ao insumo energia. nos últimos meses, resultado da primento segura e assertiva. pior estação chuvosa dos últimos O segmento industrial, por exemplo, O gerenciamento de energia 91 anos. Atualmente, estamos apresentou um aumento de consumo sugarante diversas vantagens à com o nível dos reservatórios do perior a 6,4% nos últimos 3 anos (consisistema em 40%, com a criação Maria Fernanda Finamor, gestão energética e ao desempederando 5 primeiros meses de 2021). No nho da organização. Entre elas de comitê específico para adoção gerente de Portfólio da mesmo período, observou-se um maior estão: Combate ao desperdíde medidas de mitigação a crise, Engie Soluções volume de migrações ao mercado livre cio, recebimento de alertas em com alternativas desde prograem nível de consumidores, resultando em casos de desvios, geração de dados para mas de resposta a demanda, até campanhas 150 migrações por mês, o maior número apoiar times locais na tomada de decisão, mais incisivas sobre uso consciente de água desde 2016, movidos pela busca de fontes acompanhamento do fator de potência e e energia. O custo, a partir da mais sustentáveis e econoa garantia de um melhor enquadramento necessidade de acionamento de mia na despesa de energia, da modalidade tarifária e demanda conusinas mais caras, também deve tida comumente como uma tratada. Este fator alinhado a automação, encarecer a conta de todos os condas três maiores despesas dos permite uma gestão ativa que resulta em sumidores. Saber trabalhar com consumidores. economia. Além da sustentabilidade, a seus recursos em momentos como O ano de 2020 foi de granredução dos custos com eletricidade pode este é essencial para uma melhora des impactos energéticos para contribuir para mais oportunidades de nena performance energética. todos os tipos de negócios, gócios e aumentar a vantagem competitiDevido a este cenário, o gerendesde comércio até grandes va, o que é crucial nos dias de hoje. ciamento e a automação da enerindústrias, impactados diregia se solidificam como uma das tamente pelas restrições para melhores soluções para auxiliar as evitar o aumento da crise sa* Felipe Figueiró, especialista de Portfólio equipes responsáveis nas indúsnitária do COVID-19. Já em Felipe Figueiró, da Engie Soluções especialista de Portfólio trias a otimizar o uso da energia 2021, contrariando diversas ** Maria Fernanda Finamor, gerente de da Engie Soluções com ferramentas que permitem projeções, observou-se elevaPortfólio da Engie Soluções

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FONTES SOLAR E EÓLICA IMPULSIONAM INDÚSTRIA

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abricante brasileira de pás utilizadas pecialmente nos Estados Unidos. Segundo em geradores de energia eólica, locao executivo, a empresa quer aproveitar o lizada no Complexo Industrial e Porplano do governo dos Estados Unidos, que tuário do Pecém, no Ceará, a Aeris Energy prevê implantar, até 2030, 30 gigawatts produziu em MW, no primeiro trimestre de em eólicas offshore - suficiente para abas2021, 96% a mais que o mesmo período do tecer cerca de 10 milhões de residências e ano passado. “Não divulgamos projeções eliminar 78 milhões de toneladas de dióxide resultados, mas podemos dizer que nesdo de carbono por ano. te ano bateremos novamente nosso recorde A atual expansão do parque fabril da de produção em MW equivalente”, informa Aeris já permite à empresa produzir pás de Bruno Lolli, diretor de Planejamento e de até 120 metros, o que a coloca em posição Relações com Investidores da Aeris Energy. de atender a esse segmento. Hoje, no merA empresa está bastante otimista com cado offshore esses equipamentos variam o potencial do mercado livre e as posside 105 metros a 115 metros. bilidades no Brasil e no exterior. “Há uma Segundo Lolli, hoje a Aeris exporta série de investimentos na construção de cerca de 30% das pás fabricadas no Brausinas eólicas para comercialização neste sil. No primeiro trimestre deste ano, os mercado, no qual as principais destinos indústrias podem nedas exportações das gociar diretamente pás produzidas pela contratos e preços Aeris foram Estados de energia. ConsideUnidos, Austrália e rando as oportunidaChile. des de crescimento nos mercados livre e LIDER ANÇ A EM regulado, esses emRASTREADORES preendimentos eóSOL ARES licos deverão repreA STI Norland, sentar uma expansão empresa espanhoanual de até 4GW em la especializada em potência instalada fabricação e fornena próxima década”, cimento de rastreaprojeta Lolli. dores solares para Fora do Brasil, a projetos de energia Aeris está focada na solar fotovoltaienergia offshore, es- Javier Reclusa Etayo, CEO da STI Norland ca, foi reconhecida

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como a principal fornecedora de trackers do Brasil e da América Latina. De acordo com o relatório mais recente “Global Solar PV Tracker Market Share 2021”, publicado pela consultoria britânica Wood Mackenzie, que traz os dados de mercado consolidados de 2020, a companhia passou de 39% da participação de mercado no país para um total de 70%, em 2020, liderando o ranking do Brasil pela segunda vez consecutiva. A condição se estende a todo o hemisfério sul, de acordo com o relatório. Já na América Latina, a STI Norland dobrou sua participação em relação ao ano anterior, elevando de 17%, em 2019, para 35% e alcançou a 5ª posição no ranking mundial das principais empresas do setor. “O último ano, sem dúvidas, foi um dos que mais enfrentamos desafios, em todo o mundo e em todos os aspectos, desde a pandemia em si, até a falta de matérias-primas, câmbio, economias e toda essa instabilidade. Claro que ficamos apreensivos com o que iria acontecer, mas desde o início desenhamos estratégias com o que estava ao nosso alcance e focamos em continuar com nossas entregas, dedicando tempo e atenção por completo para cada projeto. O resultado foi muito positivo e conseguimos atravessar esse ano superando nossas expectativas”, destaca Javier Reclusa Etayo, CEO da STI Norland. O Brasil foi destaque no relatório, que já leva em consideração as consequências de um ano em pandemia, ao contrário dos resultados do bloco América Latina como um todo, que viu uma redução de 2% nas demandas. O setor de rastreadores solares no país aumentou de 1 992 MW, em 2019, para 2 788 MW, em 2020, crescendo 40% na produção e venda deste tipo de energia, ainda que em pandemia. Com suas oito filiais pelo mundo, apenas no ano passado, a STI Norland foi responsável por fornecer 3 102 MW de seus equipamentos para usinas solares, excedendo o crescimento esperado. O aumento foi de 99% em relação ao ano anterior, durante o qual foram fornecidos 1 558 MW de rastreadores solares. Esses dados fizeram a empresa espanhola aumentar sua participação no mercado global e se tornar a quinta maior fabricante mundial de rastreadores solares.

PEDIDOS ATÉ 2023 A Vestas, empresa líder em energia sustentável, fabrica e instala diferentes modularizações de turbinas eólicas para atender à demanda futura de energia WWW.BRASILENGENHARIA.COM

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energia, gestão de eólica, tanto onshore quanto offshore. CRESCE PROCURA integridade de atiDiante das características dos ventos POR vos e atualização da brasileiros, os modelos de turbina V150, nas CERTIFICAÇÕES base com auditorias variações 4.2 e 4.5 MW, têm sido usados em A pandemia de em campo, testes de diferentes localidades. Tanto que a V150Covid-19 e a preoaceitação de fábrica 4.2 MW se consolidou como a turbina mais cupação em reduzir para validar se a dovendida de todos os tempos no país. as emissões de CO2 cumentação e perEm maio deste ano, a empresa ultramovimentaram as formance dos equipassou 5 GW em pedidos para esse modeempresas de cerpamentos e sistemas lo, o que significa mais de 1 200 unidades. tificações, como o estão de acordo com Em outubro de 2020, anunciou o Modo Bureau Veritas. “As as especificações de Potência Otimizado de 4.5 MW para a companhias que do cliente, além de V150-4.2 MW. Essa inovação faz parte da adotam critérios ESG diligenciamento faplataforma 4 MW, que já conta com dez atraem mais olhares. bril para minimizar anos de evolução a partir de uma tecnoloDe acordo com o espotenciais atrasos e gia já validada. Os primeiros modelos serão tudo Global Instituproblemas. instalados em 2022. tional Investor SurNa entrevista “Este tem sido um ótimo ano para nós. vey, 77% dos fundos Jonathan Colombo, gerente de Relações para BRASIL ENDestes mais de 5 GW em pedidos, ultradas seguradoras e Institucionais da Vestas Brasil GENHERIA a seguir, passamos em abril 2 GW de naceles da fundações, planejam Cunha detalha como V150-4.2 MW produzidas”, afirma Jonaaumentar seus invesé o trabalho do Bureau Veritas. than Colombo, gerente de Relações Institimentos em marcas que aderem a práticas tucionais da Vestas Brasil. - Quais são as principais certificações ESG, diretriz que se firmou no meio emAtualmente, a Vestas possui 5.5 GW que o grupo oferece direcionado para sistepresarial como um componente indispeninstalados ou em construção no país, o mas de gestão de energia? sável para qualquer estratégia”, segundo que inclui mais de 1 200 unidades da nos“Disponibilizamos diferentes certifiJosé Cunha, diretor de Certificação do sa principal turbina para o mercado local, cações, como ISO 9001, ISO 14000, ISO Bureau Veritas. a V150-4.2 MW, fabricada em Aquiraz 45001, ISO 50001, que garantem a legitiO grupo atua de forma completa para desde 2018. midade de todas as especificações e reauxiliar cada vez mais as empresas, como Além da unidade de fabricação em gulamentações internacionais. Além delas, as do setor de energia, em diferentes frenAquiraz, no Ceará, a empresa tem um Cenoferecemos também certificações direciotes. Com uma equipe multidisciplinar, tro de Serviços em Natal, no Rio Grande nadas para avaliações de documentações realizam análises de viabilidade de projedo Norte, e um escritório administrativo legais, análises de indicadores e verificatos com levantamento de todas as inforem São Paulo, onde são coordenadas as ções de relatórios de Sustentabilidade, mações e acompanhamento até a entrega operações de vendas, construção e servianalisando todas as medidas sustentáveis, final, controlando custos e prazos, além ços no país. como emissões de gases efeito estufa.” da avaliação e monitoramento de todas as As turbinas eólicas da Vestas no Brasil - A procura por certificações de gestão condições de segurança para garantir quaestão distribuídas nas cidades de Aquiraz, de energia, direcionadas para sustentabililidade na hora da execução. Trairí e Amontada, no Ceará, Campo Fordade, tem crescido? Quanto? Desde quando “Também inspecionamos equipamenmoso, Morro do Chapéu e Umburamas, na é possível ver esse crescimento? tos de alta e média tensão, supervisionaBahia e Mossoró e “As práticas sustentáveis é uma busca mos montagem de João Câmara no Rio que segue em expansão mundialmente e turbinas em campo, Grande do Norte, toas empresas estão se movimentando cada analisamos periodas em solo. vez mais para se adaptarem a essa nova dicamente se todas “Devido ao sudemanda que veio para ficar e que tornouas normas e regucesso de vendas da -se um diferencial no mercado. Essa preolamentações brasiV150-4.2 MW, até cupação com as medidas mais sustentáveis leiras estão sendo o momento temos já existe há alguns anos, mas é notável que cumpridas e avaliapedidos para sea chegada da pandemia acelerou muitos mos toda a rede de rem entregues pelo processos e aumentou a preocupação das fornecedores”, explimenos até 2023. empresas com a sociedade e com o meio ca Cunha. Aqui se incluem os ambiente. A tendência é que essas medidas O trabalho do primeiros pedidos se fortaleçam e ganhem cada vez mais esBureau Veritas ainpara o Modo de paço. No setor de energia, por exemplo, as da inclui apoio nas Potência Otimizado fontes ecologicamente corretas trazem operações comerde 4.5 MW para a economia às organizações, tem fácil instaciais, verificação de V150-4.2 MW, que lação, pode ser utilizada em qualquer local, medição para comtêm previsão de urbano ou rural, e ainda melhora a imabater as perdas não entrega para 2022”, José Cunha, diretor de Certificação do gem da empresa, fortalecendo a sua cultutécnicas, leitura e informa Colombo. Bureau Veritas ra sustentável, um diferencial em relação à entrega de contas de WWW.BRASILENGENHARIA.COM

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MERCADO DE MOTORES

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“O mercado brasileiro tem se mostrado bastante promissor, com crescente demanda e oportunidades”, avalia Isabela Starling Costa, gerente de Marketing da FPT Industrial para a América do

e contam com alterSul. A marca é Líder nadores de alta efiem powertrain e ciência, fornecendo fornecedora multienergia limpa, rá-power, com motopida, confiável, efires para diferentes ciente e com baixo missões, incluindo o custo de manutensegmento de geração ção e a já comprovade energia. Produz da durabilidade dos conjuntos geradomotores da marca da res completos (chaCNH Industrial. mados de Genset) e motores para geraARMAZENAMENTO dores (G-Drive), das DE ENERGIA famílias de motores FPT S8000, NEF, A Siemens, líder Cursor e F5. em soluções inteliComo parte de gentes de infraesuma extensa linha Isabela Starling Costa, gerente de trutura, fortaleceu customizável, para Marketing da FPT Industrial para a sua posição no geração standby América do Sul segmento de ener(emergência), potêngia distribuída em cia prime e potência parceria com a Micontínua, de 30 kVA a 700 kVA de pocropower-Comerc Energia S.A. A empretência e mais de 30 modelos, nas confisa disponibiliza aos clientes bateria para gurações aberta e cabinada, os geradores armazenamento como serviço (bSaaS), de energia da FPT podem ser utilizados que reduz os custos com eletricidade para nas mais diversas aplicações, onde houos clientes e fornece energia de reserva ver demanda de energia: desde hospitais, muito mais rápida e limpa do que os geshoppings center e edifícios residenciais a radores a diesel. A Siemens contribuirá canteiros de obras, indústrias, fazendas, com a Micropower-Comerc por meio de estaleiros navais e plataformas de petróleo. capital, engenharia, software customizaA FPT Industrial também fornece motores do, uma plataforma digital de operações, para geradores para outras marcas além de outras ferramentas e serviços conhecidas, como Himoinsa, Stemac, digitais. Não há a necessidade por parte Generac e Pramac. dos clientes de realizar investimentos em Somente na América do Sul, foram equipamentos e instalação, e o serviço é mais de 26 500 motores para geração de custeado pela economia gerada pelo arenergia produzidos pela FPT desde 2007. mazenamento de energia. Todos os modelos são produzidos no Brasil Grandes consumidores de eletricidade como lojas de varejo, shopping centers, hotéis e plantas industriais poderão reduzir significativamente os gastos com energia usando o armazenamento para substituir o consumo de energia nas horas de pico, momento em que os custos com eletricidade são maiores. Além disso, o serviço da Micropower-Comerc melhora a eficiência energética ao reduzir oscilações e evitar perdas causadas pelas interrupções da rede de distribuição. A Siemens poderá monitorar remotamente o serviço instalado por meio do recém-inaugurado MindSphere Application Center, em Jundiaí (SP). As ferramentas e serviços digitais da Siemens baseadas na plataforma IoT (internet das coisas na sigla em Inglês), MindSphere oferecem muitos benefícios aos provedores de soluções de geração distribuída. As ferramentas digitais baseadas no MindSphere serão aplicaFOTO: NEREU JÚNIOR / DIVULGAÇÃO FPT INDUSTRIAL

concorrência. Além de tudo isso, reduzem a emissão de CO2 e as consequentes mudanças climáticas que vêm impactando o meio ambiente, melhorando a qualidade de ar, dos alimentos e a saúde das pessoas. As companhias que adotam critérios ESG atraem mais olhares. De acordo com o estudo Global Institutional Investor Survey, 77% dos fundos das seguradoras e fundações, planejam aumentar seus investimentos em marcas que aderem a práticas ESG, diretriz que se firmou no meio empresarial como um componente indispensável para qualquer estratégia. Essa transformação também é bem-vista para o mercado competitivo. No mundo, 84% das empresas já se movimentam para aderir a esses critérios e estima-se em 36% o aumento de investimentos em marcas mais sustentáveis. De acordo com a WSJ, apenas no segundo trimestre deste ano, foram emitidos mais de 31 bilhões de dólares em títulos verdes, mais que a soma de todas as emissões dos anos anteriores. A tendência é a procura aumentar. No Bureau Veritas, por exemplo, criamos o BV ESG 360 para atender essa demanda. O serviço é uma solução completa que reconhece o cumprimento das práticas ESG para empresas de todos os setores e portes que desejam aderir a medidas mais sustentáveis e não sabem como ou por onde começar.”

Conjunto gerador (Genset) da FPT

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incentivar o uso de recursos renováveis das para otimizar as operações e gerenciano país. Grandes corporações fizeram das mento do sistema, assim como antecipar metas ambientais uma prioridade em suas as necessidades de manutenção ou melhoatividades. Vale ressaltar que a ativação rar o cronograma para maximizar a econoda bateria para gerar energia leva menos mia. O armazenamento instalado no local de 1 segundo em caso oferece ainda muitas de queda na rede de outras aplicações, “Empreendimentos distribuição, enquanto como abastecimento eólicos deverão um gerador a diesel esse de veículos elétricos, tempo fica entre 30 e 90 eficiência de energia e representar segundos.“ edifícios inteligentes. “O Brasil é rico em “O mercado braexpansão anual fontes renováveis e essa sileiro de hoje tem de até 4GW” é mais uma solução que baixa qualidade na visa aproveitar todo esse entrega de energia e potencial do país, que é um dos primeiros os grandes consumidores ficam suscetía investir nesse tipo de tecnologia. Tenho veis a flutuações e quedas na rede que certeza no sucesso dessa parceria com prejudicam seus negócios. A solução de a Siemens que trará muitos benefícios aos armazenamento da Micropower-Comerc nossos clientes, principalmente na redução e Siemens oferece não só benefícios diredos custos no consumo de energia”, afirma tos aos clientes, como também incentiva Marco Krapels, CEO da MPC. o uso de energia limpa pela sociedade em “Como o preço das baterias continua geral”, comenta Sergio Jacobsen, Vicecaindo, o armazenamento de energia dis-Presidente Sênior de Smart Infrastructutribuída se tornará a maior parte da nova re da Siemens Brasil. economia de energia. Isso já está aconte“Além de introduzir o conceito de arcendo em muitas partes do mundo como mazenamento de energia como prestação na Califórnia, Austrália e Alemanha, e essa de serviço (o que em Inglês é conhecido parceria entre Micropower-Comerc e Siepela sigla bSaaS), no mercado brasileiro, mens tornará essa tecnologia amplameno novo serviço reforça o uso de energia te disponível no Brasil”, diz Krapels. “Isso limpa no país já que o Brasil utiliza anualpermite que nossos clientes tenham um mente mais de 2 bilhões de litros de diesel backup maior, e nossos sistemas de bateria e derivados do petróleo para gerar eletricicontrolados por software geram economia dade. Com a implementação dos sistemas durante os horários de pico de consumo. de armazenamento, os clientes reduzirão Assim como os cavalos foram substituídos a emissão de CO2 e poluentes, além de WWW.BRASILENGENHARIA.COM

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pelos carros até 1920, os geradores a diesel serão substituídos pelas baterias inteligentes. O futuro será distribuído, e o armazenamento terá um papel fundamental nessa transformação”. Siemens Financial Services (SFS), braço de investimentos da Siemens, passa a deter uma participação de 20% da Micropower-Comerc. Esta transação representa o primeiro investimento no modelo “bSaaS” para a companhia, e posiciona a SFS para replicar globalmente os investimentos neste modelo de negócio. “Temos grandes expectativas de transformar o setor de recursos energéticos distribuídos no Brasil junto com a Micropower-Comerc. A agilidade do time da Micropower-Comerc na execução do plano de negócios, junto com a marca, softwares e recursos de dados da Siemens são uma combinação vencedora”, diz David Taff, Gerente Sênior de Investimento da SFS Brasil. McDonald’s hoje é um dos clientes no Brasil que já utilizam a solução da Micropower-Comerc. “Micropower-Comerc já instalou baterias de lítio-íon no Brasil incluindo um sistema em uma das nossas unidades em São Paulo“, afirma David Grinberg, Head de Comunicação do McDonalds’s Arcos Dourados. “O sistema da Micropower-Comerc nos permite reduzir os custos com energia e elimina a necessidade de ter um gerador a diesel diminuindo as emissões nocivas em nossa comunidade“. BRASILENGENHARIA 04/2021

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EÓLICA E SOLAR CONTINUARÃO A CRESCER NA PRÓXIMA DÉCADA

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O empreendimento está sendo consGrupo Intertechne começou com truído pela Andrade Gutierrez, contratada alguns engenheiros especialistas em pela Elera Renováveis, unidade do grupo barragens e usinas hidrelétricas e canadense Brookfield no Brasil, e em sua nesse segmento se manteve nos primeiros primeira fase terá 830 MW de capacida10 anos dos 34 que estão no mercado. de instalada. A Intertechne é responsável Com a desaceleração dos novos projepelo projeto executivo civil e elétrico da tos em hidrelétricas, diversificou sua atuausina solar fotovoltaica (UFV). O projeto ção até retornar à origem: projetos de geteve início em janeiro e a expectativa é ração de energia. Mas, desta vez, a eólica que comece a entrar em operação no iníe, especialmente, a fotovoltaica. cio de 2022, com a conclusão dos 20 par“Quase que naturalmente fomos obriques que compõem gados a nos preparar o complexo prevista para atuar em outras para 2023. fontes renováveis A área do Comde energia e há uns plexo Janaúba é de sete anos começa3 000 hectares (mais mos a nos dedicar de 2 700 campos de principalmente aos futebol). Nela, serão solares”, conta Pauinstalados mais de lo Akashi, CEO da 1,5 milhão de paiIntertechne, emprenéis solares e a obra sa de engenharia deve gerar 1 300 vacom sede em Curigas de emprego no tiba (PR), que parpico dos trabalhos. ticipa de alguns dos A Elera Renovámaiores projetos de veis informou que usinas fotovoltaicas apr ox imadame nte da América do Sul, 1GW do projeto já como o Complexo foi vendido no AmSolar de Janaúba, em biente de ContrataMinas Gerais. Paulo Akashi, CEO da Intertechne

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ção Livre (ACL). Os compradores são as grandes indústrias, no mercado regulado para as distribuidoras que repassam ao consumidor final ou o mercado livre, onde estão grandes consumidores, as grandes indústrias. Em projetos de implantação de usinas como o de Janaúba, a Intertechne desenvolve desde os estudos iniciais de identificação de áreas, medição de irradiação solar, definição de tecnologia, topologia, cobrindo toda a cadeia de estudos de viabilidade, até a execução para implantação, supervisão, encaminhamento de construção e operação. Para ajudar na redução de custos operacionais e gerar maior assertividade nos processos do projeto, os times da empresa utilizam a metodologia Building Information Modelling (BIM). Segundo Akashi, a Intertechne tem participado de aproximadamente 15 projetos fotovoltaicos, especialmente nos últimos dois anos, com o aquecimento do mercado. “São projetos entre 30 e 700 megawatts, mas a tendência são os projetos acima de 200 megawatts”, informa. Os desafios de implantação de complexos de energia, descreve o executivo, estão mais relacionados ao planejamento. “Talvez o maior desafio seja conciliar o arranjo do projeto com a logística e depois a operação do parque, supervisão de construção e, então, entrar em operação. Está muito mais relacionado ao planejamento, nunca deixando de olhar para como ele vai ser implantado, toda a logística, em função dos acessos, pela quantidade de contêineres”, explica.

MAIOR COMPETITIVIDADE E PREÇO ALAVANCAM SETOR A tendência do mercado de energia no médio prazo, de 5 a 10 anos, é de forte crescimento das fontes solar e eólica, avalia Akashi, impulsionadas pela competitividade de preço que ambas alcançaram com o desenvolvimento tecnológico que deram escala aos modelos, pela questão ambiental e pelo desenvolvimento que deve ocorrer com as baterias, barateando o armazenamento de energia nesse período. “Temos acompanhado essa questão das baterias porque elas vêm para resolver esse problema da intermitência dessas fontes. Ainda é muito caro armazenar grandes quantidades de energia. Mas, na medida em que se viabiliza, com a queda do custo, o uso das baterias acaba com o problema da intermitência e não desperdiça porque haverá, então, possibilidade de armazenar WWW.BRASILENGENHARIA.COM

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Norsk Solar, GDSolar e Órigo assinam acordo para a construção de 12 usinas fotovoltaicas no Brasil e despachar quando houver necessidade”. Embora na Intertechne o carro-chefe hoje seja a energia solar, a empresa também trabalha com as fontes eólica e hídrica. A empresa participa atualmente, por exemplo, da expansão da usina hidrelétrica binacional de Yacyretá, no Rio Paraná, entre a Argentina e o Paraguai. A obra consiste na construção de uma nova central hidrelétrica com três turbinas do tipo Kaplan, incrementando em 9% a potência atual. A ampliação, que teve início em junho de 2020, está prevista para ser finalizada em meados de 2024, quando a nova central contará com a potência instalada de 270 MW.

Parque eólico da Cemig em Parajuru, Ceará, tem 19 aerogeradores

ra de energia 100% renovável do país. A crise não afetou os planos da Elera, que vai investir quase 4 bilhões de reais em novos projetos hídricos, eólicos e solares até 2023 e seguem em busca de mais empreendimentos.

CEMIG VAI AUMENTAR GERAÇÂO E INVESTE EM MODELO HÍBRIDO

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) possui um parque gerador composto 100% de energia renovável, totalizando uma capacidade instalada de aproximadamente 6 GW. A Cemig GT, subsidiária da estatal, pre“No médio prazo, tende ampliar sua capacidade de geração MAIOR GERADORA o uso de baterias até 2025, aumentando DE ENERGIA vai acabar com em 1 GW a capacidade RENOVÁVEL instalada e diversificanDO PAÍS o problema da do a matriz energética, A Elera Renováveis com maior participação conta com 66 ativos no intermitência” das fontes solar e eólipaís, sendo 43 hidroeléca na carteira de ativos tricas, 19 parques eólida companhia, informa Carlos Henrique cos e 4 usinas de cogeração a biomossa. Afonso, gerente de Expansão da Geração Segundo a empresa, três usinas em esda Cemig. tágios avançados de construção: a PCH Os projetos de investimento em exFoz do Estrela (PR), de 29 MW, que será pansão hoje estão localizados em Minas concluída até o fim deste ano; o parque Gerais, local privilegiado para desenvolsolar Alex (CE), de 360 MWp, que deve ser vimento principalmente de usinas solaconcluído agora no segundo semestre; e res, mas também eólicos, e nos estados o parque solar Janaúba, de 1,2 GWp, com do Nordeste, para desenvolvimento de previsão de entrega em 2022 e com obras usinas eólicas. já iniciadas em janeiro deste ano. Os projetos de usinas solares de geração No total, a empresa está construindo centralizada estão em desenvolvimento e cerca de 1,6 GW de capacidade instalada, foram recebidos recentemente da Aneel os o que a levará a uma capacidade total de Despachos de Requerimento de Outorga mais de 3 GW nos próximos anos, o que (DROs) dos projetos UFV Boa Esperança pode consagrá-la como a maior gerado-

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(85MW), da UFV Jusante (70MW) e UFV Três Marias I (60MW), uma usina solar flutuante, pioneira no país, a ser instalada sobre o reservatório da UHE Três Marias. A usina solar flutuante deve ser instalada até o final de 2022, junto ao espelho d’água da hidrelétrica local e vai potencializar a geração de energia elétrica e solar. Com o modelo híbrido – fusão de duas fontes energéticas diferentes –, a CEMIG quer enfrentar os períodos de falta de chuva, como agora, recorrendo à energia solar. Hoje, as usinas da Cemig em operação estão localizadas na sua maioria em Minas Gerais, mas também nos Estados de Goiás, Espírito Santo, Santa Catarina e Ceará. A empresa possui dois parques eólicos localizados no Ceará: Parajuru, com 19 aerogeradores, e Volta do Rio, com 28, formando uma capacidade de geração de 70,8 MW.

12 NOVAS USINAS FOTOVOLTAICAS A Norsk Solar, empresa com sede em Oslo, Noruega, a GDSolar e a Órigo assinaram acordo para a construção de 12 usinas fotovoltaicas com capacidade de geração estimada de 37 MWp. O objetivo da Norsk Solar – que atua em mercados emergentes – é financiar, construir e desenvolver uma carteira de projetos de energia solar direcionada para os setores corporativo e industrial. “Este acordo é um passo natural no plano de negócios da Norsk Solar no Brasil e consolida nossa entrada nesse mercado. Nossa equipe tem feito um excelente trabalho visando clientes dentro do espaço corporativo e industrial (C&I). O objetivo

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Planta solar de Dracena com um total de 90 MW, no Estado de São Paulo é suprir a demanda por energia limpa, barata e com custo previsível. Este é o primeiro projeto de um pipeline de rápido crescimento e está alinhado com nossas ambições de crescimento na região”, disse Øyvind L. Vesterdal, CEO da Norsk Solar. O investimento inicial previsto para essa fase totaliza 150 milhões de reais e a maior parte das usinas será construída no Estado de Minas Gerais. O contrato possui prazo de 25 anos. “O mercado corporativo e industrial brasileiro de energia solar está em rápido crescimento e vemos um grande potencial para nossa proposta de valor. Com essa operação estabelecemos uma marca forte no Brasil e garantimos uma boa posição de entrada no mercado. Nossa ambição é nos tornarmos um dos principais produtores de energia solar para clientes da C&I no País nos próximos anos”, afirma Mauro Benedetti, Country Manager para o Brasil da Norsk Solar. O desenvolvimento da operação, a modelagem do negócio e a construção dos projetos é de responsabilidade da GDSolar, pioneira e líder no desenvolvimento de energia solar no Brasil. A sociedade com a GDSolar aumentará a reputação da Norsk Solar no mercado brasileiro e é um forte apoio ao posicionamento que a marca conquistou internacionalmente. “Aplicamos toda a nossa experiência para desenvolver esse modelo de negócio. Criamos a melhor e mais eficiente alternativa para que a nossa associação com a Norsk facilite a entrada da empresa no mercado solar brasileiro. Também vamos oferecer eficiência energética sustentável para que a Órigo amplie sua base de clientes. Dessa forma estamos antecipando o movimento

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As primeiras plantas fotovoltaicas da Total Eren no País, no município de Bom Jesus da Lapa, na Bahia

estão alinhados com as diretrizes de de retomada da economia previsto para investimento da plataforma de finano próximo ano. Considerando o cenário ciamento, a Nordic Impact Cooperation que o setor tradicional de energia sinaliza para 2022, construímos uma operação sob AS, estabelecidas pela Norsk Solar e medida para que nossos parceiros tenham Finnfund no início deste ano. uma vantagem competitiva no mercado de energia limpa”, afirma Alexandre Gomes, METAS AMBICIOSAS E CEO da GDSolar. INVESTIMENTO EM RENOVÁVEIS A terceira empresa envolvida na A TotalEnergies atua no Brasil desde operação é a Órigo Energia, pioneira no 1975 e aposta no potencial do País no setor brasileiro de geração distribuída setor de energia. Com o objetivo de ser compartilhada e que atende atualmente protagonista mundial na transição eneratravés da gestão de cooperativas mais gética, investe em uma matriz energética de 15 000 clientes, entre residências e diversificada, que abrange toda a cadeia pequenas empresas. de energia: petróleo e A companhia, que biocombustíveis, gás “Nossa ambição tem em seu quadro de natural, energias renoacionistas a TPG ART, váveis e eletricidade. é nos tornarmos MOV e Mitsui, é quem Na área de renováum dos principais vai distribuir e gerir a veis, possui, atualmenenergia das novas fate, projetos solares e produtores de zendas negociadas na eólicos em desenvolvioperação. “Essa enermento de cerca de 1GW energia solar” gia gerada será distrino Brasil. Além disso, buída como créditos a empresa informa que para os nossos clientes, em linha com o está ativamente procurando assinar PPAs nosso comprometimento de democratizar (Power Purchase Agreements - Contratos o acesso à energia limpa no Brasil, torde Compra de Energia), no contexto do nando-a acessível a todos, especialmente mercado livre de energia elétrica. aqueles que se encontram na base da piA ambição da TotalEnergies é zerar râmide social”, comenta o CEO da Órigo suas emissões líquidas até 2050, junto com Energia, Surya Mendonça, que complea sociedade, em sua produção e produtos ta: “A economia proporcionada por esse de energia usados por seus clientes. Em modelo de geração distribuída é bastante 2030, a empresa prevê, por exemplo, que significativa para as famílias, especialos produtos de petróleo serão responsáveis mente no momento desafiador que vivepor cerca de um terço de sua produção e mos em vários aspectos e em que o custo vendas de energia, e menos do que 20% da energia elétrica está em patamares até 2050, em comparação com 55% em elevados no país”. 2020. A empresa possui ainda a meta de Os projetos previstos nesse acordo ampliar sua capacidade bruta de geração WWW.BRASILENGENHARIA.COM

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I N FR A E S TPE R CI U ETASULPE REACI METAU LO L 4 EGN 0Í ESARTNG IC OI AS Os projetos vão ajudar a potencializar o Estado do Rio Grande do Norte como líder nacional na produção de geração por meio de ventos. A região possui mais de 150 parques instalados e cerca de 1 500 aerogeradores em operação, que alcançaram a capacidade instalada de cerca de 4,4 gigawatts de produção em 2020, segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). As primeiras plantas fotovoltaicas da Total Eren no País, BJL 11 e BJL 4, localizadas no município de Bom Jesus da Lapa, no Estado da Bahia, foram inaugu-

de energia a partir de renováveis de 35 GW em 2025 para 100 GW até 2030, planejando ser uma das cinco maiores produtoras de energia renovável em 10 anos. A Total Eren, dedicada às fontes eólica e solar, tem atualmente duas centrais eólicas, com cerca de 160 MW de capacidade instalada: os projetos Terra Santa (92,3 MW) e Maral (67,5 MW), localizados na cidade de Caiçara do Norte, no Estado do Rio Grande do Norte. A construção das duas centrais eólicas começou no fim de 2019, proporcionando uma diversificação e expansão na carteira de ativos da companhia no Brasil.

radas em 2018, com capacidade de 25 MW cada. Em 2019, a Total Eren também comissionou a planta solar de Dracena com um total de 90 MW no município de Dracena, no Estado de São Paulo. Em março de 2020, a Total Eren garantiu um financiamento de 280 milhões de reais para o projeto de Dracena emitindo debêntures de infraestrutura de longo prazo cuja maturidade excede 17 anos. A Kinea Investimentos adquiriu 100% das debêntures, com avaliação AAA local pela Fitch Ratings. O investimento total foi de 350 milhões de reais.

TS INFRA E TAC INOVAM COM MÉTODO CONSTRUTIVO EM LINHAS DE TRANSMISSÃO A qualidade de qualquer empreendimento é função da qualidade do processo e da qualidade do produto, e as obras de linhas de transmissão têm presença marcante neste contexto. Aqui, qualidade do processo compreende utilizar materiais e métodos construtivos inovadores, sustentáveis e socialmente positivos, visando à execução das obras sem percalços e à entrega das mesmas dentro dos prazos previstos. E qualidade do produto significa disponibilizar à sociedade um recurso operacional seguro, eficiente, concebido sob a melhor técnica de engenharia e implementado com a melhor utilização possível de recursos financeiros. Na realidade vivenciada pelo setor elétrico brasileiro, infelizmente não são novidade os atrasos na entrega em obras de linhas de transmissão. Somente no ano de 2020, cerca de um terço desses empreendimentos estavam inadimplentes com os prazos de entrega. Nesse contexto, acresce lembrar outro lamentável elenco de números e gráficos que acompanham o segmento, dentre os quais os mais impactantes são os constantes acidentes. No empenho contínuo de reverter tal situação, os empreendedores se desdobram em esforços para mitigar tais riscos, desenvolvendo sucessivas campanhas de conscientização em briefings, treinamentos, palestras etc. nas frentes de trabalho. Infelizmente, nem mesmo todos esses cuidados são suficientes para evitar acidentes ou incidentes, o que deixa clara a necessidade de se introduzir aprimoramentos que tragam maior segurança ao processo.

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FOTO: DIVULGAÇÃO

Fernando Cruz*, Paulo Benites**

Helicóptero transporta e posiciona módulos na montagem Motivados por este cenário, nós da TS Infra e TAC estamos trazendo ao mercado um inovador método construtivo para utilização em linhas de transmissão, utilizando uma plataforma sustentável onde empregamos tecnologia para o desenvolvimento de ferramentas de apoio construtivo para acoplamento (travas e balizadores) e de engenharia utilizados na montagem das torres. O método construtivo em tela se baseia numa logística customizada do projeto e compreende os seguintes procedimentos: - Desmembramento da torre em módulos; - Pré-montagem dos módulos no canteiro de obras; - Instalação das travas e dos balizadores nos módulos obedecendo a uma sequência lógica definida pelo Plano de Montagem; - Utilização de helicóptero para transportar os módulos do canteiro de obras ao local de montagem;

- Utilização de helicóptero para posicionar os módulos sucessivamente a partir das fundações, conforme definido no Plano de Montagem; - Utilização seletiva da equipe de montadores, minimizando sua interveniência no processo de montagem e os riscos associados. Esta solução integrada, que trazem maior eficiência, redução dos ciclos construtivos e menor impacto ambiental além de mais segurança para os times de campo. Temos plena convicção de que a inovação e a tecnologia são elementos primordiais para uma mudança de paradigmas neste setor.

* Fernando Cruz, presidente e CEO da TAC ** Paulo Benites, diretor comercial da TS Infraestrutura

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Comprometimentos estruturais de empreendimentos instalados em orlas marítimas ou margens de rios avanço da urbanização e da ocupação utilitária do território brasileiro tem multiplicado o número de empreendimentos instalados na orla marítima e em margens de rios, com destaque à expansão urbana propriamente dita, portos, píeres, complexos turísticos, dutos, obras viárias, cabeceiras de pontes. Nessa mesma proporção tem aumentado a frequência de graves eventos destrutivos associados à ação de elementos naturais da dinâmica geológica costeira e da dinâmica geológica f luvial sobre os referidos empreendimentos. No que se refere à orla marítima a ocorrência de fenômenos erosivos (recuo da linha de costa) ou progradativos (avanço da linha de costa) é geologicamente natural, devendo-se à interação de fatores continentais, como o aumento ou a redução do fornecimento de sedimentos, e de fatores marinhos, como alterações sazonais do nível do mar, mudanças na dinâmica de ventos, temperaturas e correntes marinhas etc. A possibilidade de um aumento do nível dos mares como consequência de processos de aquecimento global seria um potencializador trágico dos problemas descritos, mas essa eventualidade não é hoje considerada como seu atual fator causal. O único elemento novo atuante nessa complexidade de processos costeiros é a progressão da ação direta do próprio homem, especialmente através do incremento (processos erosivos e assoreadores continentais) ou da supressão do fornecimento de sedimentos (caso de barragens cujos reser vatórios retêm os sedimentos que normalmente seriam levados ao oceano). Em menor escala, mas importante localmente, as inter venções humanas na construção de obras marinhas, como diques, quebra-ondas, quebra-mares,

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Barra Nova (AL) – Cena comum no litoral nordestino.

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TRANSPORTE I ENGENHARIA espigões, também podem provocar, ao contrário, ou além de seus esperados objetivos benéficos, alterações de extremo risco para toda a orla próxima. Quanto às margens de rios obser va-se um acréscimo considerável de eventos destrutivos associados a fenômenos naturais, como é o caso das terras caídas na Bacia Amazônica, e a fenômenos induzidos por algum tipo de ação humana, como o aumento brusco de vazões decorrentes do maior e mais rápido aporte

de águas de chuva advindos da elevação do Coeficiente de Escoamento Superficial proporcionada pela expansão das cidades e pela extensão das áreas rurais def lorestadas, como também obras diretas que alteram substancialmente a dinâmica f luvial, a exemplo de barramentos, derrocamentos, alargamentos, retificações de curso, implantação de diques, eclusas etc. Em ambos os casos, ou seja, em orlas marítimas e margens f luviais, tem-se

percebido um fator comum nos eventos destrutivos que se repetem, a ausência ou a insuficiência da consideração de elementos da dinâmica costeira e/ou da dinâmica f luvial nos projetos dos empreendimentos afetados ou causadores. O caso do acidente da ciclovia Tim Maia, na cidade do Rio de Janeiro, onde o projeto não teve em devida conta os eventuais impactos de ondas de ressaca sob o tabuleiro da pista, simboliza perfeitamente o infelizmente corriqueiro deslize técnico de não consideração das referidas dinâmicas. A situação descrita aponta para a conveniência de duas providências. A primeira diz respeito à obrigatoriedade dos municípios litorâneos e ribeirinhos contarem em seu planejamento urbano com as determinações expressas em uma Carta Geotécnica municipal, que certamente delimitaria as faixas contíguas às orlas marítimas ou margens de rios que não possam ser de forma alguma ocupadas, assim como aquelas que possam ter algum tipo de ocupação desde que obedecidos certos critérios técnicos pré-def inidos. A segunda providência diz respeito à adoção de uma legislação que torne obrigatória para a aprovação de projetos de empreendimentos situados em orlas marítimas e margens de rios a apresentação de um parecer técnico elaborado por especialistas em dinâmica costeira ou dinâmica f luvial. Sobre essa última providência a referida legislação poderia, por exemplo, envolver empreendimentos situados em uma faixa de 200 metros contados a partir da linha (cota) def inida pela maré alta de sizígia, e no caso de margens f luviais, faixas de 50 metros contados a partir da linha def inida pelo nível mais alto de seu leito regular para cursos d’água de até 10 metros de largura, de 100 metros para cursos d’água entre 10 metros e 50 metros de largura, e de 200 metros para cursos d’água com mais de 50 metros de largura.

* Álvaro Rodrigues dos Santos é geólogo, exdiretor de Planejamento e Gestão do IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas, autor dos livros “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática”, “A Grande Barreira da Serra do Mar”, “Diálogos Geológicos”, “Cubatão”, “Enchentes e Deslizamentos: Causas e Soluções”, “Manual Básico para elaboração e uso da Carta Geotécnica”, “Cidades e Geologia” E-mail: santosalvaro@uol.com.br

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Estudo de caso: a concessão da CASAL

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JOSÉ EDUARDO W. DE A. CAVALCANTI* concessão parcial dos ser viços de saneamento da Região Metropolitana de Maceió (RMM), composta por 13 cidades, realizada pelo governo do estado de Alagoas, por delegação do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Maceió (poder concedente para este bloco de municípios), no último dia 29 de outubro por um período de 35 anos vencido pela BRK Ambiental constituiu no primeiro projeto licitado após a aprovação do novo Marco Legal do Saneamento (Lei 14.026 /2020). O processo foi conduzido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), dentro de um programa que visa a estruturação de projetos de saneamento, desde a fase de estudos até a efetivação do contrato, tendo por objetivo atrair a iniciativa privada para o setor. Anteriormente a esta parceria público-privada, foi promovido pela CONPESA em 2013 o maior contrato de PPP já assinado no Brasil. Trata-se do Programa Cidade Saneada, de Pernambuco, que busca elevar ao longo de 35 anos (período de duração do contrato), os índices de esgotamento sanitário nas 15 cidades na Região Metropolitana do Recife. Nesta PPP, vencida também pela BRK Ambiental, os investimentos estimados foram de 6,7 bilhões de reais, sendo 5,8 bilhões de reais do parceiro privado e 900 milhões de reais do parceiro público. Outro contrato em moldes similares firmado em meio à discussão no Congresso sobre o novo marco foi o de responsabilidade da CORSAN - Companhia Rio Grandense de Saneamento, mediante um leilão de PPP visando a operação e manutenção dos Sistemas de Esgotamento Sanitário, bem como a execução de obras de infraestrutura, ampliações e melhorias dos sistemas de esgotos das cidades da Região Metropolitana de Porto Alegre com investimentos estimados em 2,23 bilhões, dos quais 1,86 bilhão por

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Saneamento, atrair a iniciativa privada para o setor.

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TRANSPORTE I ENGENHARIA parte da AEGEA vencedora do certame por ter ofertado o menor valor de tarifa de esgoto faturado. A modelagem da concessão da CASAL reza que a estatal continue responsável pela produção de água tratada para os municípios da RMM, incluindo captação e tratamento, até a entrega à concessionária nos reser vatórios da rede enquanto o operador privado ficará responsável pela distribuição de água tratada até o usuário final e de todo o sistema de esgotamento sanitário, além de realizar obras de melhorias em todos os sistemas, inclusive o sistema que será operado pela CASAL. As 13 cidades que compõem a RMM, têm uma população estimada de 1,5 milhão de habitantes em sua área urbana (cerca de 50% da população de todo o Estado). São as seguintes: Atalaia, Barra de Santo Antônio, Barra de São Miguel, Coqueiro Seco, Maceió, Marechal Deodoro, Messias, Murici, Paripueira, Pilar, Rio Largo, Santa Luzia do Norte e Satuba, hoje operadas pela CASAL à exceção de Atalaia, Barra se Santo Antônio e Marechal Deodoro que são operadas por suas autarquias municipais de água e esgotos. Estes SAAEs deverão ser extintos e suas atividades e responsabilidades absor vidas pelo contratado, sendo que as tarifas hoje praticadas deverão ser ajustadas até atingir a tabela praticada pela CASAL nos próximos 5 anos. Há ainda uma peculiaridade nesta concessão representada por duas PPPs em andamento na Capital relativas a esgotamento sanitário: a primeira firmada com a SANAMA na modalidade de concessão administrativa visando a implantação, manutenção e operação do sistema de esgotos para 216 000 habitantes da Parte Alta de Maceió com prazo contratual de 30 anos. O contrato com a SANAMA será mantido até expirar recebendo dos usuários apenas a tarifa de água de acordo com o contrato de interdependência. A segunda, na modalidade de locação de ativos firmada com a SANEMA, com um prazo de 32 anos para implantação em alguns bairros de Maceió de um sistema de coleta e tratamento de esgotos beneficiando cerca de 130 000 pessoas. A BRK assumirá a operação quando as obras estiverem concluídas, recebendo dos usuários a tarifa de água e esgotos de acordo com o contrato de interdependência. Entretanto, a existência destes dois contratos, com obras já em andamento,

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implicará na redução das receitas totais, pois parte dela está comprometida para pagamento destas obrigações contratuais. A situação sanitária atual do Estado de Alagoas, segundo o SNIS, revela um quadro pouco animador. A CASAL com seus 1.024 funcionários (Dezembro/ 2018), atende 77 dos 102 municípios do Estado levando água a 55,1% dos habitantes e coletando esgotos de apenas 10,9% , excluídos os SAAEs. No Bloco Metropolitano, a população atendida com água, coleta e tratamento de esgotos é, respectivamente 88,4% , 29,2% e 27% . Estes percentuais tenderão a ser substancialmente ampliados com a colocação em operação dos sistemas contratados com a SANAMA e SANEMA, já citados anteriormente. A receita operacional total da Companhia é de 466,2 milhões de reais e o investimento realizado é de 27,7 milhões de reais. A tarifa média aplicada é de 5,41 reais/m³, constituindo-se da mais alta tarifa dentre os estados do Nordeste. MODELAGEM PROPOSTA As metas de universalização dos serviços de saneamento para os municípios da RMM propostas pela modelagem do BNDES são as seguintes: água 100 % em seis anos para todos os municípios e índice de perdas projetado de 25% em 20 anos; esgotos: 90 % (80 % em povoados) com prazos variando de 6 a 16 anos conforme o município. Maceió, por exemplo, seria contemplada com esta meta em um prazo de oito anos (percentual relativo à população composta pelos residentes em áreas urbanas e povoados acima de mil habitantes). Em conformidade com as premissas adotadas (data-base do modelo financeiro: 31/01/2019 e prazo do contrato de 35 anos), os investimentos projetados em base real (sem inf lação), na área de concessão (CAPEX), foram estimados pelo BNDES em 1.581.376.443,00 reais, sendo 896.629.605,00 reais para água e 684.746.838,00 reais para esgotos, enquanto os custos operacionais totais (OPEX), foram estimados em 11.882.271,00 de reais, dos quais 5.145.734,00 de reais (43,3%) destinados aos pagamentos da tarifa de água para a CASAL, estipulada em 1,59 reais/m³. As receitas (direta, indireta e financeira) foram calculadas com base em diversas premissas, dentre as quais os

consumos médios, as tarifas médias (residencial, social e não residencial) dos vários municípios, índices de inadimplência, resultando em uma receita total (35 anos), de 22,2 bilhões de reais, das quais 13,9 bilhões de reais para água e 8,3 bilhões de reais para esgotos. Com relação às premissas tributárias, o modelo adotado considerou como impostos indiretos, sob regime não-cumulativo, o PIS e o COFINS com alíquotas fixadas, respectivamente, em 1,65% e 7,60% . Como impostos diretos, levou-se em conta, considerando-se o regime de lucro real, Imposto de Renda de 15% acrescido de 10% daquilo que exceder 250 000 reais e a CSLL de 9% (Os custos e despesas com água tratada no atacado, energia elétrica, produtos químicos, manutenção do sistema, análises laboratoriais e disposição de lodo são passíveis de créditos tributários de PIS e COFINS. Da mesma forma, a despesa contábil com amortização do ativo intangível provenientes dos investimentos realizados também foram abatidos da base de cálculo). No que se refere as premissas de financiamento, considerou-se 70% do CAPEX total nos dez primeiros anos, com sistema de amortização SAC; carência de juros e amortização de dois anos; prazo de amortização de vinte anos após a carência e custo nominal da dívida com cesta de crédito composta de 50% de bancos públicos e 50% de debêntures. Dadas as premissas de financiamento, o nível médio de alavancagem ao longo de 35 anos será de 39,9% . O modelo resultou em uma margem de EBITDA média de 41,2% com uma TIR de 9,33% . O LEILÃO O Leilão, vencido pela empresa BRK Ambiental do grupo canadense Brookfield com um lance de 2,008 bilhões de reais (13.182% de ágio sobre o mínimo estipulado), representando o maior valor de outorga superando as ofertas de seis consórcios, foi realizado após adiamentos em função da pandemia e em meio a decisões judiciais em 30 de setembro de 2020 na Bolsa de Valores B3, em São Paulo, sendo o primeiro leilão realizado após a aprovação do novo Marco Regulatório do Saneamento. Em segundo lugar ficou o consórcio Jangada (formado por Iguá Saneamento

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BRASIL ENGENHARIA I SANEAMENTO e Sabesp), que ofereceu uma outorga de 1,48 bilhão de reais. Em terceiro, ficou o consórcio EQS (formado por Equatorial e Sonel), com proposta de 1,29 bilhão de reais. Na sequência, veio a oferta da AEGEA, de 1,21 bilhão de reais. O consórcio Águas de Pratag y fez proposta de 666 milhões de reais. Já o grupo Paraíso das Águas (formado por Avivo e Enops), ofereceu 450 milhões de reais. O lance mais baixo foi da Águas de Alagoas de 250,2 milhões de reais. Ressalte-se que o valor mínimo de outorga exigido pela modelagem do BNDES era de apenas 15,125 milhões de reais. Note-se que a Sabesp participou consorciada com empresa privada neste certame. REAÇÕES CORPORATIVAS O modelo apresentado pelo BNDES suscitou reações adversas de setores representados por entidades que reúnem as corporações de trabalhadores de companhias estaduais de saneamento, ser viços autônomos de água e esgotos municipais e de outros setores da sociedade civil que questionam o apetite das empresas privadas de se interessarem por municípios menores que, em consequência, acabarão por serem absor vidos pelas empresas públicas estaduais e pelas autarquias municipais sem o benefício do subsídio cruzado em que o superavit das cidades maiores financiam os ser viços nos municípios menores. Por outro lado, a iniciativa privada se anima em participar das licitações envolvendo concessões dos ser viços de água e esgotos que estão sendo licitadas por diversos municípios de pequeno e médio porte, além de comparecer aos grandes certames envolvendo PPP’s e concessões de regiões metropolitanas e grupamentos de cidades, como foram os casos de Recife, Porto Alegre, Cariacica, Mato Grosso do Sul e do bloco metropolitano de Maceió, dentre outras. A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária (Abes), importante associação do setor, manteve reser vas sobre o novo Marco Regulatório, tendo sérias restrições com relação à nova lei, defendendo até a derrubada dos vetos impostos pelo Governo, principalmente aquele que impede a prorrogação dos Contratos de Programa. Especificamente sobre o modelo de concessão adotado pela RMM, a Abes se manifestou da seguinte forma: “Uma primeira preocupação refere-se à qua-

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lidade das modelagens que embasam os processos. A licitação de modelagens por intermédio de pregões tem resultado em contratações com descontos escandalosamente altos, usualmente acima de 50% , inexequíveis para o cumprimento dos termos de referência propostos. A brutal redução de valor leva à virtual eliminação de ser viços de engenharia com o grau de detalhe que seria necessário...” Em contraposição, a Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Ser viços Públicos de Água e Esgoto (Abcon), grupo que congrega empresas ligadas direta ou indiretamente à cadeia produtiva do setor de saneamento básico se manifestou positivamente como segue: “(....) Além dos concretos resultados que serão ref letidos na vida dos alagoanos, o leilão realizado hoje mostra a real modernização do saneamento brasileiro. O certame contou com a participação de sete grupos sólidos, incluindo empresas públicas e privadas e agentes de outros setores da infraestrutura. Essa pluralidade concretiza a argumentação da atratividade do setor e da capacidade dos agentes e investidores de atuar no saneamento brasileiro (...)” “(...) Hoje, o mundo tem seus olhos direcionados para o saneamento brasileiro. É preciso comemorar e parabenizar todos os atores envolvidos nesse processo. O governo do Estado de Alagoas pela conduta visionária ao optar pelo caminho da competição, o BNDES pelo excelente trabalho desenvolvido, a BRK Ambiental e demais competidores pela ousadia e disposição de investir no setor (...)” EPÍLOGO Somente o tempo será capaz de revelar o sucesso ou insucesso destes e de outros empreendimentos cuja modelagem surgiu à luz do novo Marco Regulatório do Saneamento. O desafio é grande e muitas inter venções propostas no novo Marco ainda carecem de regulamentações e de um melhor entendimento. O êxito deste processo e dos que vão se seguir vai depender da capacidade do contrato de concessão controlar os fatores de riscos. Parece que no caso de Maceió, e também o do Rio de Janeiro, o risco da demanda não se encontra devidamente considerado. Não se sabe se a população carente vai ter condição de pagar pela prestação dos ser viços. De acordo com as avaliações feitas pela

equipe econômica da CASAL, a tarifa de 1,70 de real, referente à água produzida, não será suficiente para suportar os encargos que lhe serão correspondentes, em especial a energia elétrica e o necessário subsídio aos sistemas do interior, especialmente os coletivos. Por outro lado, tem-se o risco de que tenham êxito somente os blocos que são o “filé mignon” do negócio, enquanto aqueles considerados “ossos” sejam rejeitados pelo mercado. No caso de Maceió, este risco poderia ser controlado pela utilização dos recursos recebidos pela outorga para estruturar as duas PPPs para os demais blocos, com chances maiores de êxito. Entretanto, esta parece não ter sido a diretriz do Governo do Estado que domina o Conselho de Desenvolvimento da RMM e obteve carta branca do mesmo para utilizar como quiser os recursos da outorga. É provável que também alguns prefeitos prefiram utilizar estes recursos em outros setores ao invés de subsidiar a população do sertão e do agreste. Na verdade, obser vados os documentos do BNDES que def inem o prog rama, trata-se de um modelo de desestatização do setor de saneamento. Além disso, este modelo de privatização em que pese todo o cuidado na montagem da lei pode liquidar com o sistema de subsídios cruzados e o mico da prestação dos ser viços dos municípios inviáveis vai cair no colo dos governos estaduais e dos prefeitos. Esperamos que este Estudo de Caso focando a CASAL possa contribuir de alguma forma para ref lexão.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS [1] BNDES: Roadshow Concessão de Água e Esgotamento Sanitário da Região Metropolitana de Maceió (AL) 02/12/2019. [2] Agradecimento: O autor agradece as contribuições dos Engenheiros Ricardo de Castro Martins Vieira e Hugo Sergio de Oliveira.

* José Eduardo W. de A. Cavalcanti é engenheiro consultor, diretor da Divisão de Saneamento do Deinfra – Departamento de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e colaborador da BRASIL ENGENHARIA E-mail: cavalcanti@ambientaldobrasil.com.br

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CENAS DA VIDA

Localize o “outro”

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ivemos épocas difíceis. Rusgas, amizades desfeitas. Pessoas amigas de longa data ficam distantes. Por quê? Erramos? Antes ou agora? Talvez nenhuma das hipóteses seja válida. Talvez vivamos épocas tensas pela crise sanitária, crise econômica e rivalidades ideológicas turbinadas. Acrescente-se que o contexto já não era nada sereno. A ansiedade já fora chamada do mal do século XXI. Nesse caldeirão, contendo uma mistura fervente e apimentada, nos vimos repentinamente. Aliás, como tudo que acontece na era da IA (Inteligência Artificial), 5G, robôs que disputam nossos postos de trabalho e, pior, algoritmos plenos de soberba que dizem até o que nós mesmos não sabíamos! São medidos nossos olhares na TV, celulares e gravações ocultas dizem o que deveríamos comprar, o quê... etc. Cuidado, Smart TVs podem ser mais “smarts” para quem está gravando do que para nós, proprietários. E os robôs bombardeadores de fakenews, perversamente com inconfessáveis interesses? Esquecemos o primeiro dos mandamentos? Amar o próximo como a ti mesmo é o que se explicita nas redes sociais? Perdemos a confiança nas pessoas? Em estudo comparativo entre budismo, cristianismo, judaísmo e islamismo, Aldous Huxley em “A filosofia perene”, mostra que os eixos de todas essas religiões são comuns. E todas evidenciam em compartilhamento, em respeitar o próximo e por ele ter compaixão. Infelizmente, fora o cristão, sei apenas o mantra budista “Om padmia om”. Um cumprimento que significa “que o Deus que habita em você seja o mesmo que mora em mim”. Uma bela versão do “ama o próximo...”. Uma bela acolhida a um estranho que acabamos de conhecer. Mantras, hai-kais e parábolas vindas do oriente são interessantes porque conseguem sintetizar algo complexo, porquanto intangível, em uma breve estória. Uma delas que reflete bem esse momento aprendi num dos cursos que fiz no Japão em 1997. Um idoso professor, duas características das mais respeitadas no Japão (idade e docência junto com shoguns, samurais, artesãos e agricultores com agiotas em último lugar), proferia suas aulas usando as lendas e a cultura japonesa, principalmente usando contos budistas. Bom dizer que pouco tempo depois escrevi essa estória porquanto impressionado, ainda, com tantas outras que ouvi por lá. Crônica já publicada, portanto. Mas hoje ela é muito mais necessária que seja mostrada, tentando referenciá-la como inspiração para o nosso momento de difícil superação. E, também, porque mais de 20 anos se passaram. Apesar de ela ser tão eterna como a humanidade. Mas o professor, explicando a noção de cliente, tanto em nossa empresa como na vida onde ora somos clientes e ora somos fornecedores, mostrou a principal condição para conseguirmos exercer bem nosso ofício seja ele qual for e aonde estiver sendo efetuado. WWW.BRASILENGENHARIA.COM

Então “senta que lá vem NESTOR SOARES TUPINAMBÁ à estória!”. é engenheiro, mestre em urbanismo e Séculos atrás, o mais famoconsultor de transporte so samurai do Japão, Jun ShimaE-mail: nstupinamba@uol.com.br bukuro, caçava nas montanhas japonesas em pleno verão. Suava muito e, com sede, procurava regatos para tomar água. Nas altitudes montanhosas, os poucos encontrados estavam quase secos. Então, avistou as torres de um templo budista e dirigiu-se para lá. Tocou o sino e foi atendido por um menino. Explicou que estava com muita sede e queria tomar algo para acabar com a garganta seca. O menino, com firme olhar, curvou-se e saiu celeremente voltando com a cuia com um chá. O samurai tomou-o rapidamente e disse que ainda estava com sede. A cena se repete e o menino volta com outra cuia. Saciado, o samurai Shimabukuro disse que apreciou muito o chá e gostaria de, agora pausadamente, saboreá-lo. Vem então a terceira cuia. Numa troca de olhares, nosso guerreiro fita o menino enquanto degusta o chá. Terminando, pede à criança que chame o monge superior. Aparece então, cabelos brancos, o monge Kenzo Nakata, famoso por seus ensinamentos. Após as reverências (para samurais e monges curva-se o máximo 60º), Shimabukuro san se apresenta ao monge e conta que se sente cansado e que estaria no momento de escolher uma criança para sucedê-lo. E aponta para o menino. O monge diz que seria uma honra, mas, como o escolhera tão rapidamente? Da minha janela reconheci-o como o famoso guerreiro e observei-os, diz o religioso. Foram poucas palavras, como sabe que ele conseguirá sucedê-lo? O samurai lembra que uma das condições mais importantes para um guerreiro nobre é o conhecimento e o respeito pelo outro. Mesmo numa luta isso é levado em conta. É só ver como se olham fixamente ao início da contenda... E essa criança (Kenji Yamashita, que tornou-se um lendário samurai) rapidamente se colocou no meu lugar. A primeira cuia tinha chá frio pois eu iria tomá-lo rapidamente. A segunda cuia veio com o chá morno para que eu acabasse com a sede, mas, também, degustasse o chá. E a terceira veio com o chá bem quente, como se deve servi-lo. E para que eu o saboreasse lentamente. Ou seja, ele sentiu como eu estava, em cada momento e fez exatamente como eu o faria. Isso não é comum nas pessoas. Então não queria perder a oportunidade. Ele será meu sucessor! Em se tratando de sábios, o monge Nakata sensei concordou e, rapidamente, trouxe um simples embornal (como eu usava em Brotas, o emborná!) com os pertences do garoto. Sorrindo, se despediram. E o sagaz samurai, com o consentimento do não menos sagaz monge e o entendimento do inteligente menino viram aparecer um digno sucessor do samurai de jun Shimabukuro! Localizar o “outro” é conhecê-lo e entendê-lo. O que permite uma convivência respeitosa e afetuosa. Com recíprocos aprendizados. BRASILENGENHARIA 04/2021

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CIÊNCIA & TALENTO

Um cidadão do mundo no Metrô de São Paulo

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scolha um trabalho que você ame e não terá que trabalhar um único dia em sua vida”. A frase atribuída ao filósofo Confúcio (cerca de 500 anos a.C.), expressa a relação do engenheiro e consultor de transportes Peter Alouche com seu trabalho no Metrô de São Paulo, iniciado em 1972 e onde esteve até 2006. Nesse período, Alouche foi analista de projetos e assessor técnico, sendo responsável pelo sistema de energia, subestações elétricas e sistemas de proteção das linhas, além de participar da definição das tecnologias e projetos básicos de sistemas das linhas. Também foi coordenador dos testes de aceitação dos equipamentos da Linha 1, coordenador do Conselho de Desenvolvimento Tecnológico do Metrô e representante da Companhia na UITP (Union Internationale des Transports Publics) e do CoMET (que faz benchmarking dos metrôs mais importantes do mundo). Paralelamente, ministrou aulas na Universidade Mackenzie e na Fundação Armando Álvarez Penteado (FAAP) por quase 25 anos. Com a experiência adquirida e muito ainda a contribuir com o transporte sobre trilhos, ao sair do Metrô de São Paulo, Alouche se tornou consultor independente, o que o fez, estudar mais e se especializar em outros modos de transporte além do metrô, como VLT, monotrilho e aeromovel. Entre os muitos projetos em que já participou como consultor estão o Metrô do Panamá, os VLTs de Santos (SP) e de Goiânia (GO). “Meu sonho é participar um dia do Projeto de Trem de Alta Velocidade, o TAV, entre São Paulo e Rio de Janeiro. Mas acho que vou ter que esperar muito, quem sabe até a próxima reencarnação”, brinca o egípcio que chegou ao Brasil aos 14 anos de idade, estudou no Colégio São Luís (SP), se formou engenheiro eletricista no Mackenzie, fez pós-graduação para mestrado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e diversos cursos de tecnologia na Suíça e no Japão. Alouche, que tem sua história contada no cordel “A história de Peter Alouche ou A Miragem do Destino”, do poeta e cordelista cearense Antônio Klévisson Viana, não restringe seu conhecimento à área de engenharia. Também é formado em Literatura e Civilização Francesa pela Universidade de Nancy, na França. “Assim, divido meu tempo entre a tecnologia e a poesia”, baliza o engenheiro que hoje prepara dois livros: “O Caminho dos Trilhos”, sobre sua experiência no Metrô de São Paulo, e “O Cidadão do Mundo”. Neste, conta sua história de vida e a de sua família. WWW.BRASILENGENHARIA.COM

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O FUTURO DO MEPETER ALOUCHE TRÔ DE SÃO PAULO Consultor de transportes nas áreas da tecnologia. Trabalhou por 34 anos no Metrô de São Paulo e – Com 34 anos de foi professor universitário atividade profissional dedicada ao Metrô de São Paulo, o engenheiro Peter Alouche afirma que se preocupa com a condução desse empreendimento, fundado em 1968. Um dos motivos é o processo de concessão das linhas, dentro da política de privatização do Governo do Estado de São Paulo, que considerada aceleradas e “tira da Companhia do Metrô a continuidade do planejamento e controle da expansão da rede”. “No meu entender, só o Metrô estatal pode ditar a tecnologia e as especificações técnicas das linhas futuras, como também monitorar e controlar a qualidade de serviço das atuais linhas em concessão”, avalia. Alouche aponta, entre outras questões, que as concessões têm sido feitas sem que antes fosse criada uma agência reguladora independente e competente para garantir a qualidade de serviço estabelecido nos contratos de concessão. “Não há mais esses grandes debates com o setor metroferroviário e com a população, internos e externamente à Companhia, para a escolha de alternativas tecnológicas. Já há alguns anos, o Governo do Estado de São Paulo impõe a escolha de novas linhas e até as novas tecnologias a serem adotadas”, conta. Segundo Alouche, os monotrilhos das linhas 15-Prata e 17-Ouro são um exemplo dessa falta de independência do Metrô e a consequência disso “foi que a Linha 15-Prata começou a operar com muito atraso, e operou graças à competência e esforço dos técnicos do Metrô e graças à atitude construtiva da fornecedora”. Apesar das ressalvas na condução atual das decisões para o Metrô de São Paulo, Alouche lembra a importância do sistema para a população e como exemplo para outros metrôs no mundo. No período em que esteve na Companhia, foi coordenador de um projeto de “benchmarking de metrôs”, que nasceu na União Internacional dos Transportes Públicos (UITP), e permitiu o estudo das melhores práticas entre esse modelo de transporte em todo o mundo. “A grande crítica que se faz ao Metrô de São Paulo comparado com os grandes metrôs do mundo (Londres, Paris, Nova York, Madri, México, Tóquio, Seul, sem falar dos metrôs chineses), é a extensão da sua rede. Esta é uma limitação que não depende do Metrô em si, mas dos investimentos governamentais, que têm sido limitados”, afirma. Ainda assim, como ressalta, o Metrô de São Paulo é reconhecido nacional e internacionalmente pela sua modernidade e eficiência. No transporte público, foi um marco de qualidade no serviço oferecido a população.

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Abrindo a garrafa

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brir a garrafa arrolhada com cortiça é uma operação importante e até potencialmente perigosa, e é onde se inicia todo o prazer sensorial de bebermos o vinho. Até o início do século X VIII esse problema não existia. Os vinhos eram conser vados em tonéis de madeira, de onde eram retirados numa garrafa de vidro soprada à mão ou outro recipiente para serem levados até a mesa onde seriam consumidos. As garrafas de vidro sopradas são muito antigas, mas somente com o advento da tecnologia do vapor o vidro pode ser aquecido e as garrafas produzidas industrialmente, o que reduziu muito seu custo e permitiu seu uso em larga escala. Isto se deu lá pelo começo dos anos de 1700. Para abrir uma garrafa de vinho iniciamos pela retirada parcial ou total da cápsula, que tem a finalidade de proteger a rolha de pó e sujeira. Antigamente, as cápsulas eram feitas de chumbo, mas depois se descobriu que este material fazia mal para a saúde. Hoje elas são de estanho ou plástico. Os primeiros saca-rolhas, ainda em uso atualmente, são constituídos de apenas uma haste espiralada e um braço transversal onde colocamos nossa força e puxamos a rolha, com toda suavidade, para fora. Procure colocar a ponta exatamente no centro geométrico da rolha, o que muito ajuda na sua retirada e para mantê-la íntegra. A variedade hoje existente de saca-rolhas é imensa. Há aqueles constituídos por uma haste espiralada que terminam numa borboleta que acionamos no sentido contrário para sacar a rolha. São bons e eficientes, mas costumam quebrar rápido. Existem aqueles que têm duas pernas laterais, que à medida que inserimos a espiral na rolha vão se abrindo, e depois as fechamos na hora da retirada. Este tipo é ruim, e costuma quebrar a rolha, não sendo recomendado para o serviço profissional. O tipo mais usado pelo sommeliers é aquele chamado “amigo do garçom com duplo estágio”, ou seja, aquele saca-rolha mais tradicional com um único apoio lateral que nós apoiamos no gargalo para puxar a rolha para fora. Esse apoio lateral tem uma pequena reentrância, o que permite fazer a retirada em dois estágios. Este é a minha recomendação, pois é simples de carregar e de fácil manuseio. Escolha um cuja haste seja bem fina (diâmetro) e com passo pequeno entre as espirais, o que ajuda a não esfarelar a rolha. O maior pesadelo no serviço profissional do vinho é a quebra da rolha ou seu esfarelamento. Se a rolha quebrar pela metade, procure inserir a haste do saca-rolha contra a parede de vidro e puxá-la cuidadosamente com este apoio lateral. Se a rolha começar a esfarelar, o único recurso é utilizarmos um saca-rolha feito por duas lâminas laterais e paralelas, um objeto especialmente desenhado para essas

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(A história do saca-rolha) IVAN CARLOS REGINA é engenheiro do setor de transporte público, ocasiões. Agora, se o autor dos livros Vinho, o Melhor Amigo vinho já contiver fado Homem e Harmonizando Vinho&Comida relos da rolha, tereE-mail: ivanregina@terra.com.br mos que passá-lo por um filtro e levá-lo a um decanter, de onde será servido. Existem no mercado diversos tipos de filtros e decanters, mas no improviso até um filtro de café de papel ou um guardanapo de pano limpo podem servir. Existem saca-rolhas que injetam ar através de um êmbolo, forçando a rolha a subir. Este tipo não é recomendado, pois as garrafas, especialmente as chamadas “bocksbeutel”, em formato de cantil, como as usadas pelo vinho português Mateus, podem explodir. Alguns saca-rolhas são elétricos ou a pilha, como o popular “rabbit”, sendo uns de fácil utilização, mas ocupando um volume grande, o que dificulta seu transporte. São bons para uso doméstico, mas raramente são utilizados no serviço profissional. Existem algumas maneiras espetaculares de abrirmos vinhos sem a utilização de saca-rolhas, como a técnica da turquesa (espécie de alicate) que é aquecida no fogo e depois abraça o gargalo já resfriado, partindo-o imediatamente com uma leve torção de mão. Muito utilizado na abertura de grandes vinhos do Porto velhos, é necessário muito treinamento para se utilizar um método tão perigoso. As rolhas sintéticas seguem a mesma sequência já descrita, e a facilidade de abrir as rolhas do tipo “screw-cap” é uma de suas vantagens. Os espumantes são abertos colocando a garrafa apoiada na lateral do braço esquerdo, retirando-se a cápsula e o aramado, já com a garrafa a quarenta e cinco graus e voltada para uma região que não haja nem pessoas nem objetos, pois a saída de uma rolha com quatro atmosferas de pressão pode provocar bastante estrago. Vira-se a rolha num único sentido, sempre, evitando sua ruptura, e o objetivo é não fazer nenhum barulho, nem perder o gás de seu interior, exatamente o contrário do que fazem os leigos em festas de grande animação. Existe uma técnica de abrir a garrafa com um golpe de sabre, mas que pertence muito mais ao folclore do que à vida real, pois a probabilidade de se quebrar a garrafa é muito grande. Com o treino, você conseguirá abrir a garrafa sem agitar o líquido, este é o grande objetivo desta importante fase para bebermos os vinhos. Quanto menos se agita um vinho, especialmente se velho, melhor. Verta o conteúdo da garrafa com toda suavidade e carinho numa taça de cristal e sinta os delicados aromas exalando, prenunciando o inefável momento de sua degustação. Saúde!

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LIVROS TÉCNICOS KERZNER, Harold Gerenciamento de projetos: uma abordagem sistêmica para planejamento, Programação e Controle - 2ª edição. São Paulo - SP, Editora Blucher, 2015, 782p. Nesta obra clássica, tradução da décima primeira edição norte-americana, o Dr. Kerzner traz para o leitor o estado da arte do gerenciamento de projetos, alinhado com o PMIs PMBOK® Guide. Com a leitura desta obra, o profisional de gerenciamento de projetos e o estudante que se dedica a aprendê-lo, saberão como adotar uma metodologia de gerenciamento de projetos e utilizá-la constantemente, comprometer-se com o desenvolvimento de planos eficazes no início de cada projeto, fornecer aos executivos as informações voltadas para o patrocinador do projeto, focar nas entregas, cultivar a comunicação eficaz, a cooperação e a confiança para alcançar rápida maturidade em gerenciamento de projetos.

DOI, Christiane Mázur. Como aplicar derivadas e integrais: 105 Exemplos detalhadamente resolvidos. Rio de Janeiro - RJ, Editora Ciência Moderna, 2021, 332p. Esta obra é diferente de outros livros de Cálculo porque, em 105 exemplos resolvidos de modo muito detalhado, mostra como aplicar derivadas e integrais para a resolução de exercícios e problemas. Cada exemplo é uma conversa com o leitor: em linguagem simples e direta, há o “passo a passo” de todas as etapas envolvidas no desenvolvimento das soluções. É como se o livro “falasse” com quem está lendo por meio de três blocos: de revisão, de aplicações das derivadas e de aplicações das integrais.

SANTOS, Daniel Miranda dos. Projeto estrutural por bielas e tirantes. São Paulo - SP, Oficina de Textos, 2021, 128p. Os modelos de bielas e tirantes são úteis e muito mais interessantes para o dimensionamento de alguns elementos estruturais em concreto armado. Representam uma importante ferramenta para a análise do fluxo de forças e o detalhamento de estruturas de concreto e de regiões onde há variações geométricas ou concentrações de tensões. Após abordar os fundamentos da teoria da plasticidade intervenientes, o livro introduz o leitor ao modelo e analisa as propriedades dos materiais e a transferência de forças entre a armadura e o concreto. Completa ao mostrar a aplicação em elementos como vigas-parede, consolos, dentes Gerber e nós de pórtico. Amplamente ilustrado, com explicações passo a passo para os cálculos e exemplos aplicados. Projeto estrutural por bielas e tirantes é uma referência essencial para engenheiros estruturais. O autor, Daniel Miranda, é uma das principais referências no Brasil na aplicação do Modelo de Bielas e Tirantes.

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AMATO NETO, João; BARROS, Marcos Cesar Lopes; CAMPO-SILVA, Willerson Lucas. Economia circular, sistemas locais de produção e ecoparques industriais: princípios, modelos e casos (aplicações). São Paulo - SP, Editora Blucher, 2021, 204p. O livro foi realizado por um Centro de Excelência sobre “Redes de cooperação e gestão do conhecimento”, da Universidade de São Paulo (USP), e liderado pelo Prof. João Amato, com ampla e relevante experiência na Engenharia de Produção. A obra traz uma grande contribuição para a área, com casos práticos e detalhados conceide ecoparques industriais, embasados por uma concei tuação teórica de temas complementares e integrados. Esta obra, nos clama para expandirmos nossa visão de negócio e engenharia para o sistêmico, para a multi e transdisciplinariedade, para a cooperação, para a geração de valor, para o valor compartilhado, para o impacto positivo, para o longo prazo, para a integração, para maior diversidade, resiliência e efetividade.

ROMANEL, Celso. Mecânica dos solos: fluxo de água em solos saturados. Rio de Janeiro - RJ, Editora Ciência Moderna, 2021, 474p. Este livro apresenta uma visão compreensiva sobre o fluxo de água em solos saturados, cobrindo vários tópicos de interesse na engenharia geotécnica. Faz uma revisão de importantes contribuições de engenheiros e pesquisadores ao tema, com foco na aplicação e desenvolvimento dos conceitos teóricos por meio de um grande número de exercícios resolvidos e propostos ao final de cada um dos seis capítulos do livro: • Introdução ao fluxo permanente 1D; • Fluxo permanente 2D e métodos de solução da equação governante; • Técnicas de rebaixamento temporário do lençol freático; • Fluxo transiente em poços de bombeamento; • Teorias do adensamento; • Critérios para dimensionamento de filtros e drenos.

RODRIGUES, João Paulo Correia; OLIVEIRA, Rafael Luiz Galvão de. Dimensionamento de estruturas em situação de incêndio. São Paulo - SP, Oficina de Textos, 2021, 192p. A segurança contra incêndios é uma área complexa e de extrema importância para a Engenharia e a Arquitetura, mas com escasso material de estudo e consulta. Dimensionamento de estruturas em situação de incêndio vem ampliar o conhecimento e subsidiar projetos atualizados, tendo em vista a NBR 14323:2013, bem como a experiência europeia consolidada pelo Eurocode 2 e 3 (EN 1992-1-2 e 1993-1-2). A obra explica os conceitos básicos de segurança contra incêndios e o comportamento de estruturas de concreto, aço e madeira em situação de incêndio, apresentando seus métodos de dimensionamento e verificação. A obra traz exercícios didaticamente propostos e resolvidos, sendo uma leitura essencial para estudantes de Engenharia e Arquitetura, engenheiros, técnicos e projetistas.

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BORGES, Romes Antonio; QUEIROZ, Thiago Alves de. Matemática aplicada à indústria: problemas e métodos de solução.

São Paulo - SP, Editora Blucher, 2019, 250p. O crescente aumento dos cursos de Engenharia e demais ciências exatas aplicadas trazem grande contribuição ao meio industrial do país. Dentre esses cursos, citam-se os vários cursos de Matemática Industrial, Empresarial e Aplicada. Esta obra surge com o objetivo de levar ao leitor uma coletânea de artigos publicados no I Congresso Nacional de Matemática Aplicada à Indústria (CNMAI 2014). Os artigos selecionados para esta publicação vêm de uma seleta de pesquisas nas diversas áreas abordadas no evento, incluindo tópicos da dinâmica, fenômenos não lineares, mecatrônica, métodos numéricos, otimização linear e não linear, modelagem matemática e pesquisa operacional. Por esse motivo, a finalidade desta obra é também proporcionar uma maior integração entre pesquisadores que, assim, possam encontrar formas de aumentar a cooperação entre universidades e o setor produtivo industrial.

MARTINS, Eder Marinho. Um curso de cálculo II. Rio de Janeiro - RJ, Editora Ciência Moderna, 2021, 248p. Neste livro você irá estudar conceitos ligados a aplicações da integral, sequências e séries numéricas, superfícies no espaço e uma introdução a funções de várias variáveis (curvas de nível, limites, derivadas parciais, problemas de máximo e mínimo, multiplicadores de Lagrange). Os tópicos discutidos são, em geral, vistos num curso de Cálculo Diferencial e Integral II. Os exercícios propostos foram divididos em três categorias: de aquecimento (distribuídos ao longo das seções para familiarizar o leitor com o conteúdo abordado), gerais (ao final de cada capítulo) e teóricos. Todos os exercícios têm o objetivo de completar a teoria e são fundamentais para o melhor entendimento dos assuntos abordados.

RIBEIRO, Rômulo Castello Henriques. Exercícios de mecânica dos solos. São Paulo - SP, Oficina de Textos, 2021, 176p. Por que o estudante de Engenharia gosta de estudar resolvendo exercícios? Ao enfrentar a solução de um problema, a aplicação dos conceitos será posta à prova. O conhecimento é dominado quando o estudante aprende a aplicar os conceitos para resolver diferentes problemas reais. É isso que fará ao longo de sua vida profissional. Exercícios de Mecânica dos Solos traz por meio de seis capítulos 58 exercícios resolvidos para compreender a aplicação prática de conceitos teóricos da Mecânica dos Solos, como cálculo de tensões efetivas, tensões geradas por carregamentos externos, adensamento e previsões de recalque, fluxos em meios porosos, evolução de recalques com o tempo, estado de tensões e resistência ao cisalhamento. O autor se vale de seus vinte anos de experiência no ensino de Geotecnia para elaborar questões, de didática testada, relacionadas a projetos de fundações, contenções e aterros sobre solos moles, com ilustrações e explicações passo a passo sobre os cálculos envolvidos.

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SILVA, Carlos Antônio da; SILVA, Itavahn Alves da; CASTRO, Luiz Fernando Andrade de; TAVARES, Roberto Parreiras; SESHADRI, Varadarajan. Termodinâmica metalúrgica: balanços de energia, soluções e equilíbrio químico em sistemas metalúrgicos São Paulo - SP, Editora Blucher, 2018, 720p. Destinado a estudantes de Engenharia de Materiais, Mecânica e Metalúrgica, este livro trata da aplicação dos princípios da termodinâmica com o objetivo de se alcançar um melhor entendimento de processos de fabricação de metais e suas ligas. É baseado na ampla experiência de seus autores, que há décadas conduzem pesquisa e lecionam em áreas correlatas. Como o texto se concentra na aplicação de princípios, os autores pressupõem que o leitor já teve contato com o conteúdo da disciplina Termodinâmica.

MIOTTO, José Luiz Sustentabilidade nas edificações: um guia de boas práticas para projeto, produção e uso de edifícios ecoeficientes. Rio de Janeiro - RJ, Editora Ciência Moderna, 2021, 304p. Um guia de boas práticas para o projeto, produção e uso dos edifícios ecoeficientes” traz, em sua parte preliminar, conceitos e argumentos que norteiam as ações positivas (ou práticas) potencialmente transformadoras da realidade atual do setor, marcado por preocupantes e expressivos impactos ambientais. A segunda Unidade desta obra é enriquecida com a exposição de 89 proposições para as edificações ecoeficientes, consolidadas sob a forma de práticas e organizadas no formato de quadros, produzidos a partir de adaptação da ferramenta 5W2H. Com a meta de sistematizar as informações e descomplicar a consulta, as práticas estão compiladas nas seguintes etapas: (a) projeto; (b) especificação dos materiais e equipamentos; (c) construção do empreendimento; (d) uso e manutenção da edificação.

VALERIANO, Ricardo. Pontes. São Paulo - SP, Oficina de Textos, 2021, 336p. Esta obra apresenta o histórico de diferentes tipos de pontes e seus conceitos, são destacados os elementos de composição, sistemas estruturais, principais ações que atuam na superestrutura, forma e geometria e comportamento dos materiais, familiarizando o leitor para etapas mais abstratas: o cálculo de tensões e solicitações e do comportamento estrutural, as propriedades de seção transversal, o comportamento da viga sob flexão, linhas de influência, trem-tipo, protensão de vigas e análise no estado-limite. Ricamente ilustrado com centenas de desenhos originais e fotografias, Pontes traz um verdadeiro patrimônio de casos reais. Apresenta explicações didáticas com cálculos detalhados, facilitando ao leitor se apropriar desse conhecimento.

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PONTO DE VISTA

Cultura de inovação aliada às estratégias de negócio

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inovação sempre esteve presente no setor industrial. Mesmo antes desse termo existir. A manufatura, caseira no começo dos tempos, sempre foi inovadora. As tecnologias foram sendo embarcadas nas máquinas e a inteligência artificial foi aprimorando os processos e ser viços ao longo do desenvolvimento da engenharia. Com o cenário cada vez mais competitivo e globalizado, hoje a estratégia de inovação se tornou essencial para a sobrevivência dos negócios. Ao meu ver ela é, inclusive, obrigatória. E a pandemia aqueceu as discussões em diferentes frentes: nos serviços, na forma de fazer negócios, nos processos e nos produtos. Impulsionou o mercado e acelerou tendências tecnológicas, principalmente no que diz respeito à digitalização, servitização e conectividade. É interessante pensar que algumas mudanças, que demorariam anos para acontecer, se materializaram rapidamente. E vieram para ficar. Foi preciso mais inovação, agilidade e adaptabilidade para atender às demandas do mercado e dos clientes, garantindo a saúde e segurança de todos os envolvidos. Empresas que possuem a inovação em seu DNA e um mindset focado na flexibilidade para se adaptar ao novo saíram na frente. A inovação veio para multiplicar os avanços de P&D das empresas. O conceito, no entanto, engloba muito mais do que digitalização, servitização, automação e criação de produtos altamente tecnológicos e interativos – que, além de apresentarem ganho de produtividade e eficiência, contribuem para a diversidade, inclusão e sustentabilidade. Também envolve novos processos organizacionais, novas formas de competir e contribuir com o ambiente empresarial, novos processos, novas formas de atender as necessidades dos clientes e novos modelos de negócios diante de crise, como a atual. É totalmente relacionada à gestão de pessoas e se conecta com princípios que estimulam a diversidade e a inclusão nas empresas. A inovação é inclusiva, aumenta a taxa de sucesso, garante ganhos de competitividade, abre portas para novas oportunidades de negócios, impulsiona o crescimento macroeconômico e favorece a resiliência em momentos de crise. Na CNH Industrial o mindset voltado para inovação existe desde a criação da empresa, está no seu DNA e é parte importante da estratégia dos negócios. Mas essa jornada, com mudança cultural, não é algo que foi conquistado do dia para a noite. Muitas organizações querem ser mais inovadoras sem passar por toda transformação que isso envolve e exige. Elas mexem no organograma, criam áreas de inovação, esperam uma resposta imediata e um resultado automático. E isso é um mito! Todas essas mudanças, como as estruturais, são importantes, mas devem fazer parte de um conjunto de ações em formato 360º com o objetivo de criar um ambiente capaz de gerar

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inovação em todos os setores. VILMAR FISTAROL A inovação é uma jornada é presidente da CNH Industrial para América do Sul longa e contínua. É algo que deve ser construído e lapidado dia após dia, com a participação de todos – colaboradores, parceiros, fornecedores, acadêmicos, consumidores e até mesmo concorrentes, que também buscam novas soluções para produtos e serviços. São pequenas ações, pequenos processos que somados trazem um resultado. Costumo ressaltar a importância de se fazer inovação com propósito. Seu papel é gerar uma mudança no padrão de comportamento e/ou no portfólio, um valor para o negócio, é orientar investimentos, definir foco de pesquisas e novos desenvolvimentos a partir da demanda e das expectativas do mercado e claro, sempre com foco no cliente. Em inovação, a CNH Industrial busca melhorar a experiência do cliente, ou até mesmo antecipar um problema e solucioná-lo. Aqui trabalhamos com a cultura de open innovation, ou inovação colaborativa, valorizamos parcerias e as trocas de conhecimentos que elas trazem. Reconhecemos que a inovação é feita por pessoas, os verdadeiros agentes responsáveis pela tentativa e erro que gera o novo, que gera algo disruptivo. A cultura de inovação está muito relacionada à gestão de pessoas. É fazer com que elas acreditem, se envolvam e se sintam ouvidas. É motivá-las a irem além; é desafiá-las a quebrarem o padrão para trazer um benefício a mais para o cliente. Para fortalecer essa cultura, incentivamos diariamente os nossos colaboradores, de diferentes departamentos e níveis hierárquicos, a pensarem em iniciativas e a desenvolverem suas ideias. Trabalhamos com diferentes ações de promoção da cultura da inovação, para nossos públicos internos e externos, e criamos ambientes e rotinas de trabalho que estimulam o envolvimento de todos os colaboradores nos processos de inovação. Essa expertise tem feito a diferença no resultado dos nossos negócios e também no tempo de resposta ao momento que vivemos e às demandas do mercado. Hoje, é imprescindível que se perceba como as coisas se conectam: inovação, diversidade, sustentabilidade, experiência do cliente. Temas como esses têm ganhado força e espaço nas discussões da evolução da nossa indústria. O foco na diversidade e inclusão, por exemplo, tem estimulado e criado ainda mais oportunidades em inovação colaborativa, bem como contribui para o sucesso da nossa empresa. A troca entre diferentes culturas, nacionalidades, experiências, pontos de vistas e pensamentos gera novas ideias, agrega valor e aumenta a competitividade. A inovação não caminha sozinha. Deve estar presente em todas as frentes de atuação e influência da empresa. Nossa contribuição para o mundo está totalmente voltada para a inovação, em todas as suas formas.

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