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Como Dom Bosco, com os jovens, celebrar a vida!


Editorial..................................................................... 3

Boletim Salesiano Moçambique Segundo Semestre. 2016 ANO XVI nº 65 Propriedade da Visitadoria Maria Auxiliadora Depósito legal: 01530/INLD/98

Sonho uma Família Salesiana com coração missionário............................................................... 4

Director Miguel Angel Delgado Herrera

Em tempos de incerteza surge a Sociedade Salesiana................................................................... 6

Coordenadora e Editora Elvira Freitas - MTb 2939 csvisitadoriamoz@gmail.com

"Como em Dom Bosco, também o BS Moçambique nasce da determinação de um homem”..................................................................... 8

Equipe de Redação Miguel Angel Delgado Herrera Elvira Freitas Luís António Amiranda Jaqueline Oecksler Calderón Langa (ISDB) Artigos dessa edição Ángel Fernandez Artime Rogélio Arenal Manuel Leal Gomes Fotos dessa edição Elvira Freitas, Luís António Amiranda, Marco Biaggi, Jaqueline Oecksler Calderón Langa, Zebedeu Félix Navurula Capa e Contracapa Dionísio Massinga Agências de notícias infoANS Rádio Vaticano Ecclesia Revisão Ir. Joaquim Gomes Maquetação Adolfo Jeremias Fernando Langa Redação/Impressão Av. Da Namaacha, parcela 498 - Bairro Luís Cabral Maputo - Moçambique +258-21404074 +258-821716573 +258-849283597 www.boletimsalesiano.org.mz O Boletim Salesiano reserva-se o direito de condensar/ editar as matérias enviadas como colaboração. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da revista, sendo de total responsabilidade de seus autores

Inspectoria São João Bosco: 25 anos de missão em Moçambique.................................................... 10 Núncio Apostólico fala sobre a Alegria do Amor nas comemorações do aniversário......................12 Quando a história se faz presente só há motivos a comemorar ......................................................... 14 Salesianos celebram aniversário de serviços em prol da salvação dos jovens ................................. 16 Missão de S. José de Lhanguene: história de tempos e pessoas ................................................. 18 "Destaque do ano são graduações da 1ª turma de licenciatura " .......................................................... 20 Os sete sapatos sujos .......................................... 22 Tu aceitas ser um instrumento da misericórdia de Deus? ...................................................................... 24 "Escolas Salesianas de Moçambique são referências no Bosco Tech de África”.................. 26 Oratórios reúne dezenas de crianças em Lhanguene ............................................................. 27 Qual é a tua riqueza? ........................................... 28 "15ª CIVAM destaca animação e governo da missão salesiana em África”................................. 29 Jovens em caminho com Jesus ............................ 30 Assembleia dos SSCC elege conselho para triênio 2017-2019 .............................................................. 31


‘Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom!’

iz um ditado popular que a caminhada começa com o primeiro passo. Pois, em relação ao Boletim Salesiano, podemos dizer que neste 2016 demos três grandes passos. É pouco sabemos disso, mas ainda estamos acertando o passo ao ritmo da caminhada. Longa caminhada que começou com a determinação de não deixar que o BS soçobrasse em meio às mudanças enfrentadas pelos Salesianos em Moçambique nos últimos tempos. Primeiro passo. Outro desafios foi reunir uma equipa de redacção que desse continuidade aos trabalhos iniciados em 1992, quando saiu a primeira edição moçambicana. Conseguimos. Ao longo do ano se formou uma equipa séria e empenhada em levar adiante esse legado de Dom Bosco. Equipa que representa também o compromisso de continuidade do projecto de comunicação social da Visitadoria Maria Auxiliadora. Segundo passo. Por fim, superamos muitos obstáculos e entregamos agora aos leitores uma edição histórica e repleta de comemorações. Suas páginas contêm a história da presença Salesiana em São José de Lhanguene, que em fevereiro completou 60 anos; os dez anos do Instituto Superior Dom Bosco (ISDB); os dez anos de criação da Visitadoria Maria Auxiliadora. Como toda festa acontece sempre com a reunião da família, essa edição não poderia deixar de contemplar as Filhas de Maria Auxiliadora, cujo jubileu de prata de sua Inspectoria em Moçambique será comemorado em Janeiro de 2017. Nem os Salesianos Cooperadores, que realizaram sua assembleia anual no mês de Outubro, com eleição

do novo Conselho. Em sua historicidade celebrativa, essa edição não poderia deixar de homenagear quem por tanto tempo esteve à frente do Boletim Salesiano: Pe. J. Adolfo Vieira, por cujas mãos a revista nasceu. Residindo em Angola há oito anos, Pe. Adolfo conversou com a reportagem no Pós Noviciado do Palanca (Luanda), onde é responsável pela formação dos Pós Noviços. Como vêem, estamos no caminho certo e motivos não faltam para comemorar; motivos não faltam para continuar a caminhada em 2017, mesmo com os muitos desafios que se nos apresentam; motivos não faltam para dar graças a Deus, Pai de Misericórdia.

Elvira Freitas Editora do Boletim Salesiano


Sonho uma Família Salesiana com A MENSAGEM DO REITOR-MOR

Pe. Ángel Fernández Artime

147ª Expedição Missionária proclama que o Senhor continua a amar a Humanidade que criou e que nós, Família Salesiana, nos sentimos cumulados da Ternura de Deus de um modo especial. Este cúmulo de amor tem de “transbordar” em volta de nós e requer uma resposta de exigente fidelidade Uma vez mais, Valdocco viveu a radiosa e comovente jornada da partida dos novos missionários. No dia 11 de novembro de 1875, Dom Bosco enviava os seus primeiros missionários para a Patagónia (Argentina). Era a mí t i ca “ Pr i m e i ra E xp ed i ç ão Missionária” capitaneada pelo jovem e corajoso João Cagliero. Como bem sabemos, Dom Bosco, desde jovem, acalentou o sonho de ser missionário. O padre Cafasso, acompanhando-o no

seu discernimento vocacional, “barrou-lhe” o caminho, dizendolhe que não devia partir para as missões. No dia 25 de setembro deste ano, celebrei a partida de 43 missionários, religiosos e leigos, para a Expedição Missionário número 147. Porque o sonho “secreto” de Dom Bosco nunca sofreu interrupção, nem sequer durante as duas trágicas guerras mundiais. Desta vez, dezoito jovens salesianos, dezassete Filhas de Maria Auxiliadora deixam pátria e afetos e partem rumo aos mais variados pontos do globo. A eles se juntam sete jovens (seis ra p ar i g a s e u m ra p az ) q ue prestarão serviço civil e missionário por um ano. Naturalmente, as religiosas e os religiosos, ao invés, fizeram a escolha “para sempre”. O seu é o dom da vida, para permanecer com os pobres, com as pessoas que se sentam abandonadas, com os outros irmãos e irmãs salesianos em tempos difíceis, como membros da Igreja, porque Deus permanece ao lado dos seus filhos que sofrem. Este gesto fala. Proclama que o Senhor continua a amar a Humanidade que criou e amou e que nós, Família Salesiana, nos sentimos cumulados da Ternura de Deus de um modo especial. Precisamente este cúmulo de amor tem de “transbordar” em volta de nós e requer uma resposta de exigente fidelidade. Por isso disse aos nossos missionários que o meu sonho de uma Família Salesiana missionária tem quatro “pétalas”.

1.SER MISSIONÁRIOS DE HUMANIDADE Não somos missionários no mundo para fazer qualquer conquista. Somo-lo para compartilhar a vida com as pessoas que nos acolhem; somolo para servir, quaisquer que sejam as circunstâncias e as situações. Damos de comer aos que têm fome e de beber aos que têm sede porque é bom fazê-lo, sejam quais forem as consequências. O beato Paulo VI, no fim do Concílio Vaticano II, repisava que a doutrina conciliar se tinha orientado numa única direção: “Servir o homem. O homem em toda a sua condição, em todas as suas enfermidades, em todas as suas necessidades”. Como eu disse na Basílica de Turim: «Sois enviados a servir os homens e as mulheres que encontrardes no vosso caminho, na sua diversidade, nas suas riquezas culturais e ancestrais, nos seus sonhos, angústias e esperanças. Deveis levar a vossa própria riqueza de humanidade, aquela q ue rec eb es t es d as vos s a s famílias e culturas e a interior que alimentastes diariamente na vossa relação confiante com o Senhor Jesus». 2.SER MISSIONÁRIOS DE MISERICÓRDIA E DE FRATERNIDADE A segunda pétala do meu sonho missionário é a consequência da primeira, como disse aos que partiam: «Porque missionários de humanidade, convido-vos também a ser missionários de misericórdia e de fraternidade.


m coração missionário A segunda pétala do meu sonho missionário é a consequência da primeira, como disse aos que partiam: «Porque missionários de humanidade, convido-vos também a ser missionários de misericórdia e de fraternidade. Hoje o mundo sofre por toda a parte. Encontrareis guerras, d i v i s õ e s , p ob rez a ext re m a , refugiados, famintos, doentes, a ba n don ad o s. E nc o nt ra re is também discursos de racismo e xenofobia, mas vós levais uma

pessoa humana, do respeito pela vida e pela criação. O mundo de hoje precisa tanto de fraternidade e de amor!» 3.SER MISSIONÁRIOS PARA OS ÚLTIMOS Ser missionário salesiano hoje significa ter olhos e coração para o s úl t i m o s e o s p e q u en os . Recomendei-o aos que partiam: «Recomendo-v os de todo o coração: tende os olhos bem abertos para os ver e para os ver de frente, tende o coração e os

Primeira expedição missionária Salesiana que partiu para a Patagónia em 11-11-1875

mensagem de paz e de desenvolvimento, de perdão e de fraternidade. E não só como um discurso ou uma prédica, mas na vossa própria vida, na vossa própria vida quotidiana, no vosso testemunho. Não pode haver “neutralidade” salesiana perante os sofrimentos do nosso povo, perante as situações de sofrimento e de carências de todo o tipo. As nossas respostas devem s er da da s o ma is d epres s a possível, procurando acompanhar a vida das pessoas e buscando as soluções possíveis juntamente com elas. E a nossa res p os ta s erá s em pre a d o Evangelho, da dignidade da

braços abertos para os receber, tende coragem de lhes dar toda a vossa vida. Como Dom Bosco podeis estar próximos de todos, mas o vosso coração deverá estar sempre com os últimos e a vossa vida, sempre para os últimos. Convido-vos a abrir o vosso coração a tantas pessoas que vivem em situação de precariedade e de sofrimento, para estar próximos dos que não têm voz, para fazer valer a justiça que merecem, para curar as feridas da vida com a fraternidade e a solidariedade, e para estar longe daquela indiferença que, além de não ajudar, humilha. E com os últimos, nunca esqueçais que os ajudamos nas

suas necessidades de todo o tipo, mas que aprendemos de Dom Bosco a nunca omitir o anúncio da Boa Nova de Jesus que nos fala do Deus Bom e Misericordioso que é nosso Pai. Dom Bosco era, acima de tudo, um sacerdote com o coração repleto de Deus, com um coração de educador que procurava sempre suscitar nos seus rapazes o sentido de Deus e a confiança n’Ele». 4.SER MISSIONÁRIOS PORQUE DISCÍPULOS Nunca podemos esquecer que a raiz e a força do nosso ser missionários vem do ser discípulos. Somos essencialmente discípulos missionários, membros de uma comunidade crente que toma a sério o mandamento de Jesus de ensinar em seu nome e de fazer com que todas as nações possam conhecer o Deus Misericordioso e Fiel que ama cada um dos seus filhos e as suas filhas na terra. Somos também herdeiros de uma tradição mais que centenária da nossa Família Salesiana. Sede corajosos anunciadores da incomensurável misericórdia e gratuidade da parte de Deus, manifestada sobretudo aos mais pobres e necessitados. Maria, Mestra e Auxílio, Mãe de Misericórdia, vos acompanhe todos os dias e em todos os passos. Aprendei d’Ela a estar atentos às necessidades do povo pob re, dos rap azes e das raparigas e dos jovens mais pobres que, estou certo, levais no vosso coração e aprendei d’Ela a louvar a Deus pelas maravilhas que faz em todos os cantos da terra, em todas as culturas e nações.


Em tempos de incerteza su Por Ir. Luís Antônio Amiranda entre muitas coisas que Dom Bosco fez e realizou, dentre as muitas obras e monumentos que edificou no seu tempo, existe uma que se destaca bastante. Não podemos dizer que é a mais importante, pois todas tem o seu valor. A edificação da Sociedade Salesiana aparece e acaba sendo o monumento vivo e depois continuador do carisma. Num determinado momento, várias pessoas começaram a ficar muito preocupa dos com a continuidade da obra que Dom Bosco estava realizando. Era um trabalho extremamente importante para toda a sociedade de Turim. Os colaboradores mais próximos de Dom Bosco apareciam sempre com esta pergunta: “Depois que Dom Bosco morrer, o que será desta obra?”. Alguns políticos, mesmo anticlericais também tinham a m e s m a p re o c u p a ç ã o e a t é chegaram a inquirir Dom Bosco. O Senhor Bispo de Turim e até o Papa, em conversa com Dom Bosco, chegaram a perguntar o que aconteceria com o trabalho com os meninos, quando ele deixasse de viver. Sem dúvida esta era uma das ideias que assaltava sempre os pensamentos de Dom Bosco. E ele foi dando alguns passos, e buscando algumas soluções. Desde que começou a trabalhar com os meninos e jovens de Turim, sempre esteve cercado de pessoas que o ajudavam, tanto com o trabalho de contato, educação, acompanhamento dos meninos, e financeiramente.

Eram alguns sacerdotes, alguns professores, alguns nobres da sociedade Turinesa, algumas senhoras, e podemos destacar aqui a mãe do Senhor Bispo e até alguns dos jovens que estavam

Santiago Bellia, José Buzzetti e Carlos Gastini. O interesse de Dom Bosco por estes jovens, como grupo, poderia sugerir que estava à procura de “ajudantes” entre os meninos mais

Representação da Colle Don Bosco, anexa a Basílica de Auxiliadora, em Turim

mais tempo e se mostravam disponíveis para ajudar seus colegas. Dom Bosco percebeu que poderia montar uma espécie de associação com pessoas externas, com alguns sacerdotes, alguns profissionais liberais, professores, mães de família, para ajudá-lo. Mas todos eles tinham suas ocupações e tinham pouco tempo para esta obra. E também, devido a ideias políticas e ideológicas, num determinado momento muitos se distanciaram do oratório, gerando uma crise profunda. Alguns se mantiveram firmes e até hoje temos a grande Família Salesiana, que coopera com as obras espalhadas pelo mundo. Já em 1849, Dom Bosco “escolhe quatro meninos com a finalidade de dar-lhes tratamento especial e ensinar-lhes latim: Felix Reviglio,

prometedores, numa data muito precoce como 1849. Somente Buzetti chegou a ser Salesiano.” Enquanto se reunia e buscava formar bem estes rapazes, vai fazendo pedidos ao Sr. Arcebispo e ao Papa para se erigir uma Associação, uma Congregação, mas com um formato diferente do que acontecia na época. Sua ideia primeira, era formar uma congregação com externos e internos. Isso foi impossível e então acabaram surgindo duas realidades de uma mesma família: os Consagrados Salesianos (com o nome de Sociedade de São Francisco de Sales) e a grande Família Salesiana. Para estes quatro rapazes, Dom Bosco pede autorização para que possam receber a batina, fato que aconteceu no ano de 1851 na


urge a Sociedade Salesiana Capela Pinardi. Outro grupo foi formado na noite do dia 5 de Junho de 1852: “Dom Bosco reuniu um grupo escolhido de jovens para uma conferência, quando decidiram rezar todos os domingos as “sete alegrias de Maria”, até ao primeiro sábado do ano seguinte. Era um grupo de 15 jovens. De e n t r e e l e s permaneceram fiéis e estarão entre os fundadores, em 1859: Rua, Cagliero, Fra nc és ia, Ange lo Sávio, Buzzetti e Rocchietti. Aos poucos Dom Bosco vai sentindo que pode contar com es tes jov ens e v ai fazendo experiência de grupos. Em 26 de Janeiro de 1854, se faz uma reunião de Dom Bosco com quatro jovens: Cagliero, Rocchietti, Artiglia e Rua, com o propósito de fazer, com a ajuda do Senhor e de São Francisco de S a l e s , u m a ex p e r i ê n c i a d e exercício prático da caridade com o próximo, para mais tarde se chegar a uma promessa e depois, se possível e conveniente, convertê-la em voto ao Senhor. Desde aquela noite chamou-se de Salesianos os que se propuseram a este exercício”. No ano de 1847, Dom Bosco teve uma marcante e definitiva conversa com o Ministro Urbano Ratazzi, que sugeriu fundar um tipo de sociedade, sem qualquer referência a uma congregação religiosa, que poderia ser legalmente viável. E Dom Bosco

leva isso em frente e resolve fundar uma congregação onde os membros mantêm todos os seus direitos civis. Para isso teve algumas audiências com o Sr. Bispo e com Sua Santidade o Papa da época. Foi uma longa jornada. “Em 9 de Dezembro de 1859, numa reunião com o seleto grupo de 22 jovens que estava cultivando, Dom Bosco propôs formalmente a criação de uma sociedade religiosa e convidou os que desejassem fazer parte da mesma a encontrar-se novamente no dia 18 de Dezembro. A reunião de 18 de Dezembro de 1859 marca o nascimento da Sociedade Salesiana. Eis a lista dos nomes das pessoas que participaram desta reunião que deu início à Sociedade: Dom Bosco, sacerdote Vitório Alasonatti, os clérigos Angelo Sávio – diácono-, Miguel Rua – subdiácono-, joâo Cagliero, João Batista Francésia, Francisco Provera, Carlos Ghivarello, José L az z ero , J oã o B o nett i, J oã o Anfossi, Luís Marcelino, Francisco Cerrutti, Celesltino Durando, Segundo Pettiva, Antonio ar José Bongiovanni, e o jovem Luís Chiapale, todos com o único escopo de promover e conservar o espirito de verdadeira caridade que se requer na obra dos oratórios para a juventude abandonada e periclitante, a qual nestes tempos calamitosos é de mil maneiras seduzida, com o prejuízo da sociedade e precipitada na impiedade e na irreligião.” (retirado da Ata) A partir desta reunião, Dom Bosco travou uma luta com muitas idas a Roma e


Como em Dom Bosco, também o BS Moçambique nasce da determinação de um homem Elvira Freitas, SSCC le tem a fala mansa, um o lh ar sereno e es t á sempre calmo. Ele é Pe. José Adolfo Vieira, com quem tive o primeiro contacto pelo livro “Os Salesianos em Moçambique”, do qual ele é um dos autores. Li o livro em menos de três dia s. D ep ois s oube também que a ele é atribuída a paternidade do Boletim Salesiano de Moçambique. Tudo para querer conhecê-lo, custasse o que custasse. Com o passar do tempo, fui mergulhando na história de Moçambique e dos Salesianos. Braçadas e mais braçadas sobre o BS. Quanto mais buscava informações sobre a revista, mais aumentava minha curiosidade sobre esse intelectual português. Até que um ano e meio após minha chegada às terras de Ngungunhana fui a Angola e tive a oportunidade de o conhecer pessoalmente. Não posso dizer que ficamos amigos, porque nosso contacto foi breve. Só posso dizer que minhaadmiração por ele aumentou. Nos breves dias em que estive em Luanda, caminhamos pelos jardins do Instituto Superior Dom Bosco (ISDB) e conversamos um pouco sobre o BS e sobre ele próprio. Sobre o BS, Pe. Adolfo contou q u e o n a sc i m en t o s e d e u praticamente da necessidade de integrar a presença Salesiana com a comunidade em Moçambique. “Estávamos numa é po ca em qu e a p re se nç a

salesiana se expandia e foi quando surgiu também o m ov i m e n t o d o s S a l e s i a n o s Cooperadores. Havia muitos a m ig os d o s S a les i an os n as paróquias e achamos por bem f a z e r c o n h e c e r a p re s en ç a salesiana, particularmente no sul, mas também no norte, porque havia lá as Filhas de Maria Auxiliadora”. Foi assim o parto do BS, a revista dinâmica que espelhava a p re s e n ç a S a l e s i a n a e m Moçambique. E para que o BS crescesse saudável e forte, Pe. Adolfo contava com uma equipa fiel de colaboradores. Artigos, traduções, revisão d e t ex t o s , n o t í c i a s d a Congregação e da Igreja eram enviados pela equipa. “Ao princípio, aproveitava o conteúdo de um livrinho que tinha escrito sobre a primeira Casa Salesiana na Ilha de Moçambique. É verde que não foi muito complicado chegar ao fim de dois meses [a revista era bimestral ] já com a edição preparada. Era eu mesmo quem datilografava e fazia as vezes de fotógrafo”. Como nem tudo são flores, havia também os problemas e o maior deles, para Pe. Adolfo, era c onciliar o tempo, pois el e desempenhava inúmeras funções. Professor no Instituto Superior, Director da Missão de São José de Lhanguene, Secretário na Nunciatura Apostólica e Pároco se somavam ao cargo de Director do BS. “Mas a gente aproveitando bem e não

havendo distrações o tempo rende muito.

Acima a edição zero do BS produzida por Pe. Henrique Paunero; abaixo a edição nº 1, já sob a direcção de Pe. Adolfo Vieira

Quando não se tem muito o que fazer, o tempo passa e não fazemos nada”. A edição zero do BS – exac t am en te c omo est á no


experidente – saiu nos meses de Agosto e Setembro de 1998, sendo preparada pelo Pe. Henrique Baca Paunero. A edição número 1 – Novembro e D ez e m b ro – j á s a i u c o m a chancela do Pe. Adolfo. Também a s e g u n d a , a t e rc e i ra e a s seguintes, até a edição número 39. Provisoriamente, Pe. Manuel Leal assumiu as edições 40 e 41. A partir do ano 2008, Pe. Rogélio Arenal imprimiu sua marca no Boletim Salesiano, das edições 43 a 61. Pe. Miguel A. Delgado assumiu o BS na edição 63. A mudança para Angola Voltando à conversa com Pe. Adolfo, ainda passeando pelos jardins do ISDB, percebi que ele já não queria falar mais sobre o BS. O assunto mudou para suas idas ao Brasil, onde vive uma de suas irmãs, para suas aulas de Filosofia como professor na Universidade Católica, enfim para o novo tempo em Angola. Perguntei como acontecera a mudança para Angola. “Eu vinha justamente da Nunciatura, quando o Pe. Leal [Manuel Leal, então Delegado da Delegação Salesiana de Moçambique] me chamou e perguntou à queima-roupa se eu q u e r i a v i r p a ra A ng ol a . E u respondi: espera um bocadinho.

Subi ao quarto e passados dez minutos desci e disse: vou. Pronto, em dois meses já estava cá, sem conhecer nenhum dos Salesianos. Só aqueles mais novos que tinham feito lá [em Moçambique] o Noviciado”. Já lá se vão dez anos desde que Pe. Adolfo chegou a Angola e 47 de quando desembarcou em África, pois em Moçambique ele viveu 37 anos. Nem a vinda para Moçambique ou a mudança para Angoa foram opções dele. Angola foi a pedido da Inspectoria de lá, que necessitava de um formador no Pós-noviciado. Como ele tinha a experiência de vários anos como professor no Seminário Maior e no Instituto Superior Maria Mãe da África (ISMMA), acabou sendo transferido para lá. Ta m b é m s u a i d a p a r a Moçambique se deu por acaso. Ele se preparava para ir ao encontro dos pais que estavam no Brasil para os funerais de uma de suas irmãs, quando recebeu a carta do Delegado Salesiano em Moçambique, Pe. Geraldo (não se lembrou do apelido), pedindo a presença de um padre jovem para tomar conta da direcção espiritual no Colégio Dom Bosco (atual Universidade Pedagógica, Unidade de Lhanguene). Pronto.

Ele aceitou o convite. Mas, manteve a viagem ao Brasil. Em terras brasileiras, Pe. Adolfo ficou dois meses e depois seguiu para Moçambique, onde deveria ficar três anos. “Aconteceu que três ou quatro anos depois veio a Independência e com ela a Revolução e a maioria dos padres teve que abandonar o país. Chegamos a ter mais de 70 sa lesianos em Moçambique. Entretanto, tinham-me pedido para ficar Director do colégio e Delegado ao mesmo tempo e como o Capitão do barco é o último a sair fui ficando. Tempos d i f í c e i s . E ra m u i t a c h a c i n a , mortandade nas estradas. Tinha nascido um país terrível na África. Foi esse Moçambique que conheci. Mas, ao fim as coisas começaram a melhorar, o país foi crescendo e fiquei Delegado até 1988”. A conversa começou a ficar difícil. Pe. Adolfo estava emocionado com todas aquelas lembranças e fui procurando uma forma de encerrar a entrevista. Perguntei o que guardava de Moçambique. Com um olhar bastante melancólico respondeu: “um misto de coisas agradáveis e outras desagradáveis. O senhor voltaria para lá?, insisti. “Não. Deixemos as coisas como estão”.


Inspectoria São João Bosco: 25

Ir. Zvonka com crianças de uma das obras Salesianas em Moçambique

Por Ir. Zvonka Mikec o p ró x i m o 2 4 d e Janeiro de 2017 as Filhas de Maria Auxiliadora de Moçambique celebrarão os 25 a n o s d a ex i s t ê n c i a d e s u a Inspectoria. A história da presença das FMA em Moçam bique c ome ço u bem antes, no ano de 1952, quando cá chegaram as primeiras religiosas. A história foi-se construindo com muito ardor apostólico e com mu i t a s a n t id a de d a s i r mãs pioneiras. Foi assim que, depois de 40 anos da presença nesta terra moçambicana, a semente cresceu numa planta e começou a dar frutos. As superioras perceberam a vitalidade da planta e constituiram a Inspectoria S. João Bosco, incluindo as seis casas de Moçambique, com 35 irmãs e sete noviças, e três casas em Angola, com 12 irmãs. Como primeira Provincial foi nomeada a Ir. Giuseppina Pescarini, que até então era missionária em Angola,

mas já com experiências missionárias vividas no Congo. Os dois países, naquela altura ainda viviam em guerra e os desafios eram muitos. Chegar às comunidades, sonhar um trabalho missionário, promover às vocações, incarnar o carisma… No acto da erecção da Inspectoria, que aconteceu a 24 de Janeiro de 1992 em Namaacha, estiveram presentes as irmãs e as formandas. Com um misto da terra de Angola e de Moçambique, e o “fermento” da terra de Mornese, nasceu a segunda Inspectoria da África. Para segunda Provincial foi nomeada Ir. Lucilia Teixeira, que continuou a animar as presenças em Angola e Moçambique. Depois de 12 anos de trabalho conjunto entre Moçambique e Angola, a presença das FMA em Angola cresceu: nasceram as vocações, abriram-se duas novas presenças e em 2004 foi erigida a Visitadoria Rainha da Paz, com sede em Luanda. Em Moçambique foi nomeada em 2004 a primeira Provincial

Moçambicana, Ir. Ivone de Jesus Grachane, e em seguida, depois de seis anos, a Ir. Paula Cristina Langa. A actual Inspectora é Ir. Zvonka Mikec, que também já foi missionária em Angola. A presença das FMA em Moçambique foi crescendo, e assim foram abertas outras presenças: a Casa de Acolhimento Dom Bosco, no Infulene, em 1992; o Colégio Maria Auxiliadora em Namaacha, em 1998; a Com uni da de Beata Eus ébia Palomino, em Nampula, em 1999; a Casa Beata Laura Vicuña, em Moatize, em 2002; o Centro Laura Vicuña em Inharrime, em 2004; e a Comunidade S. Francisco de Sales, em Nacala, em 2010.

Noviças FMA na Casa São João Bosco, do Noviciado

A vitalidade da missão e o testemunho alegre de consagração das primeiras irmãs foi tal que suscitou muitas vocações. Assim, hoje, a Inspectoria conta com 38 irmãs e quatro noviças moçambicanas. Destas, duas missionárias Ad Gentes: Ir. Julieta João, em Turim,


anos de missão em Moçambique na Itália, e Ir. Lúcia José Nhantumbo, na Tunísia. Actualmente a vida e missão das FMA em Moçambique quer ser uma presença missionária de esperança e de alegria, pois é assim que nos convida a ser o nosso último Capítulo Geral XXIII. Nas realidades onde estamos inseridas, procuramos dar uma resposta aos desafios do tempo. Em Namaacha – Colégio, no Jardim, em Nacala, em Pemba, no Chiúre e em Moatize oferecemos a educação para cerca de 1.200 crianças, nas escolinhas. Nas outras presenças trabalhamos com cerca de 10 mil alunos, entre escolas primárias completas e secundárias. Algumas irmãs

da Namaacha

trabalham também nas escolas católicas diocesanas e na universidade católica. Não podemos esquecer a nossa entrega e dedicação com as me ni n a s i n t e r n a s n o s d oi s i n t e r n a t o s de N a m a a c h a e Inharrime, onde ac olhemos crianças e adolescentes em

Filhas de Maria Auxiliadora junto com a Inspectora Provincial, Ir. Zvonka Mikec

situação de risco ou difícil, por causa de desagregação familiar, de pobreza material, de doença… A nossa missão não acaba por aqui, pois o que é típico do nosso carisma não pode faltar numa casa salesiana: o oratório - centro juvenil, e a evangelização explícita por meio de catequese organizada nas paróquias e centros. No início deste ano de 2016 tivemos a visita da nossa Madre Geral, Ir. Yvonne Reungoat, que nos animou no nosso ser Filhas de Maria Auxiliadora e impulsionou o nosso espírito missionário que caraterizou a missão de Dom Bosco e de Madre Ma z z a rell o e p o de v i v ifi c ar também as nossas comunidades. Somos convidadas a “alargar o olhar ”, ler os desafios como apelos de Deus, abrir-nos à mudança de mentalidade para poder actuar hoje a conversão pastoral. Como filhas de sonhadores (Dom Bosco e Madre Mazzarello),

as opções e as ecolhas a assinalar o caminho nos próximos anos deveriam nascer do grande sonho de Deus para o nosso Instituto. Os jovens que participaram do nosso Capitulo Geral em Roma pediram-nos para “evangelizar sobretudo com a vida, de nos preocupar com a vida dos jovens, de escutá-los, acolhêlos, estar com eles, gostar do que eles gostam, estudar a linguagem deles, para comprender a sua vida, e não ter medo.” Convidaram-nos ainda a “redescobrir o valor da colaboração com os Salesianos, não só ao nível das actividades e da pastoral, mas também ao nível da construção da grande casa da Família Salesiana, em rede com as comunidades educativas, sinal de uma comunhão criativa de que tanto precisamos na sociedade e na Igreja.” Queremos assumir este convite dos jovens e torná-lo realidade também aqui, na nossa terra da missão.


10 Anos da Visitadoria Maria Auxiliadora

Núncio Apostólico fala sobre a Alegria do Elvira Freitas, SSCC Visitadoria Maria Auxiliadora está c omp letan do neste 2016 dez anos de d es v i n c ul a çã o d a Prov í nc i a Salesiana de Portugal. E para celebrar a data – 19 de Agosto de 2006, quando foi erigida canonicamente – algumas solenidades estão acontecendo este ano, sendo que a principal delas foi a visita que o Núncio Apostólico em Moçambique, Dom Edgar Peña Parra, fez à sede provincial dia 01 de Novembro, onde proferiu palestra para os diretores das presenças salesianas no país e os delegados inspetoriais. Acompanhado do secretário da Nunciatura, Monsenhor Cristiano Antonietti, Dom Edgar refletiu sobre a exortação apostólica póssinodal Amoris Laetitia (Alegia do Amor) , do Papa Francisco.

Presentes também as Filhas de Maria Auxiliadora Ir. Zvonka MiKec, inspetora da Inspetoria São João Bosco, e a viceinspetora, Ir. Carolina Ilda. Iniciando sua explanação, o Núncio lembrou que a exortação, por ser fruto de dois sínodos, ganha ainda mais importância e aumenta os desafios da Igreja. “São incalculáveis as forças que contém a família: ajuda recíproca, relações que crescem, ação educativa, partilha das alegrias e das dificuldades. 'A família é o lugar onde se vive a alegria do amor, principalmente', diz o documento”. “Há tantos sinais que falam da crise do matrimônio, mas não obstante tudo, o desejo de família permanece vivo, em especial entre os jovens”. Dom Edgar citou a entrevista que o Papa Francisco deu aos jornalistas em sua viagem de

volta a Roma, após a viagem à Geórgia, na Europa Oriental, no início do mês de Outubro. “Ele falou de uma 'guerra mundial contra a fa mília e contra o matrimônio', com duras críticas à teoria de gênero. Para o Papa, o que está em causa é que as escolas apresentam às crianças uma colonização ideológica sobre os temas de identidade sexual contra as coisas naturais”. A Igreja, prosseguiu o Núncio Apostólico em Moçambique, entre as grandes insturições deste mundo e do século XXI, é uma das poucas instutições que estão empenhadas em trabalhar em prol da família. “Se olharmos para uma das instituições globalizadas, as Nações Unidas, vemos que ela praticamente já mudou a linguagem. Já não temos mais o pai, a mãe, os pais, os filhos, o esposo, a esposa. Hoje se fala em partner, companheiro”.

Dom Edgar fala sobre os ataques que as famílias vêm sofrendo nos meios de comunicação social, em sua palestra para os Salesianos


o Amor nas comemorações do aniversário

Dom Edgar ainda trouxe à reflexão dados da Conferência Episcopal da África e Madagascar (SECAM), cuja 17ª Assembleia Plenária, realizada em Julho em Luanda, Angola, e teve justamente como tema "A família na África ontem, hoje e amanhã: à luz do Evangelho". A Assembleia aponta a participação dos meios de comunicação social entre as influências mais nocivas às famílias. Por fim, o Núncio apresentou o documento elaborado pela Conferência Episcopal Argentina, que corrobora a exortação apostólia no que diz respeito aos quatro aspectos sacramentais do matrimônio: a indissolubilidade, a unidade, a fidelidade e a procriação. Após a palestra, Dom Edgar abençou a imagem de Nossa Senhora Auxiliadora doada ao Instituto Superior Dom Bosco (ISDB) pelo Vigério do Reitor-mor, Pe. Francisco Cereda, e participou do almoço oferecido pela Casa Dom Bosco, sede da Visitadoria Salesiana de Moçambique.


10 Anos da Visitadoria Maria Auxiliadora

Quando a história se faz presen Por Pe. Marco Biaggi idas partilhadas são vidas enriquecidas. É assim que podemos perceber a relação dos Salesianos com Moçambique. Vários elementos destas histórias se confundem. Os destinatários são os mesmos, pois quando se trata da juventude pobre e marginalizada, os salesianos se sentem comprometidos. Durante todo este tempo em Moçambique a op ç ão fu n d am e nt a l f o i e continua a ser pelos mais empobrecidos. Hoje, todas as o br a s s a l es i a n a s e s t ã o e m ambientes populares justamente para promover a ascensão social e humana dos jovens. Atuamos na evangelização em geral e na educação especial voltada para o mundo do trabalho. Para conhecer essa bela história missionária salesiana podemos recorrer ao livro Os Salesianos em Moçambique, de Amador Anjos e José Adolfo Vieira, Província Portuguesa da S o c ie da de S a le s i a n a , 2 0 08. Dentre os fatos ali registados, vamos destacar alguns. No ano de 1877 foi criada a Escola de Artes e Ofícios da ilha de Moçambique pelo então governador-geral, Francisco Maria da Cunha, para oferecer ensino profissional e educação moral a jovens nativos. Porém, um documento oficial referente aos anos 1899/1900, assinado por A.M. Gaspar de Vasconcelos, afirmava: “Dizia-se por aí sem rebuço que este prestimoso

estabelecimento de educação e ensino profissional era uma 'escola de vícios, de desmoralização e de vadiagem'.” Já em 1896, ano em que a direção e a administração da Escola de Artes e Ofícios foram transferidas para a prelazia, o prelado de Mo ç a mb iq ue, D o m A nto n i o Barroso, escreveu ao Pe. Miguel Rua, Superior-Geral da Congregação Salesiana, pedindo a presença dos Salesianos em Moçambique. Em 1898 foi assinada uma convenção entre Pe. Rua e Dom Antonio Barroso que tratava da vinda dos Salesianos para este território, para orientarem a Escola de Artes e Ofícios. Em 1901, a responsabilidade completa da escola foi transferida para a prelazia. O bispo apelava aos Salesianos para assumirem tal tarefa. Mas, as negociações se prolongariam até o ano 1906, q u a n do o n ovo p rel a do d e Moçambique, Dom Francisco Ferreira da Silva, obteve de Dom Rua a promessa de enviar o pessoal necessário. No dia 07 de Março de 1907 chegaram os Salesianos à Ilha de Moçambique. Eram dois italianos (Pe. João Barilari e o Ir. Salvador de Pascale) e dois portugueses (Pe. Alfredo Queiroz e Ir. Antonio Machado). Em meados de Setembro de 1909 os salesianos abriram uma nova missão em Mochélia/Lunga com a intenç ão de eva ngelizar a população e criar uma escola agrícola, que poderia até ajudar na manutenção da Escola de Artes e Ofícios da Ilha.


nte só há motivos a comemorar Mas, por causa da revolução republicana (Outubro de 1910) na Metrópole, que atingiu também Moçambique, as instituições da Igreja foram gravemente feridas. No dia 10 de Outubro de 1913, os Salesianos tiveram que deixar Moçambique. Assim dizia a carta de Dom

Manuel Prudêncio e o Tirocinante Fernando José Vilela de Matos) no Instituto Mouzinho de Albuquerque, da Namaacha. Em Janeiro de 1956 assumiram a Paróquia-Missão de São José de Lhanguene. Em 1967, o Colégio Dom Bosco iniciou suas atividades. Em 1975, os

S ale s ia no s ti ve ra m temporariamente que assumir várias paróquias na Capital. Em 1982, o governo devolveu o Lar e as Escolas da Paróquia e doou quatro moradias para ampliar a Casa Dom Bosco, então Sede da Delegação. Em 1983, reassumiram a Paróquia-Missão

Primeira sede da Visitadoria, quando ainda era ligada à Inspectoria de Portugal, como Delegação

Francisco Ferreira da Silva ao então Superior-Geral, Pe. Paulo Albera: “A saída dos filhos do venerável Dom Bosco [causoume] a mais viva mágoa que se pode sentir [...]. Nunca esquecerei os bons serviços que em Moçambique prestaram”. O retorno dos Salesianos a Moçambique dar-se-ia, após inúmeras solicitações das autoridades eclesiais, no dia 17 de Setembro de 1952, com a entrada de sete Salesianos (Pe. Carlos Reis, Pe. Francisco Leite Pereira, Pe. Miguel Barros, Ir. Matias Lourenço, Ir. Francisco Pires, Ir.

Salesianos aceitaram a ParóquiaMissão de São João Baptista, de Moatize, na província de Tete. Após a Independência Nacional, com a Lei das Nacionalizações, os Salesianos tiveram que sair de suas obras. Vários voltaram para suas terras de origem. Ficou em Moçambique um pequeno grupo. A Casa Dom Bosco, localizada próximo à Paróquia de São José, tornou-se a sede da Delegação Salesiana. O Colégio Dom Bosco não foi mais retomado. A Paróquia de São José, em Maputo, continuou sempre com a Congrega çã o. Por fa lta de religiosos nas comunidades os

São João Baptista, em Moatize. Em 1985 abriram o Noviciado na Missão de Catembe e em 1987, o Aspirantado, em Maputo. Em 1993 a Escola Profissional de Moamba foi confiada aos Salesianos. No ano de 1995, o Noviciado foi transferido para Namaacha. Em 1996, o Aspirantado se transferiu para a Matola. A Escola Profissional Dom Bosco, em Matundo, Tete, foi inaugurada em 2001. Em Inharrime, província de Inhambane, a Escola Profissional São Domingos Sávio abriu suas portas em 2002.


10 Anos da Visitadoria Maria Auxiliadora

Salesianos celebram aniversário de se Por Pe. Marco Biaggi m a lon ga hi stór ia construída com sacrifícios e grandes desafios foi o que a Delegação Salesiana, pertencente à Província Salesiana de Portugal, acumulou até transformar-se em Visitadoria “Maria Auxiliadora” de Moçambique. A data exata da transformação: 19 de Agosto de 2006, por ocasião de sua ereção canónica. O Status quo: protagonista de sua história. Na ocasião da mudança, eram 52 os Salesianos de 11 nacionalidades (23 Moçambicanos). Tomou posse como primeiro Superior, o Pe. Manuel Leal. Neste ato, esteve presente, representando o Reitormor dos Salesianos, o Pe. Francis Alencherry, que na ocasião era Cons elhei ro Gera l para as Missões e para a Região ÁfricaMadagascar. A partir de então a nova Visitadoria assume inteiramente a responsabilidade das obras que integram a presença salesiana no País. Esta transformação foi entendida como “sinal visível de que o carisma que o Espírito Santo deu à Igreja na pessoa de S. João Bosco está solidamente implantado no País. E é sinal

também de que os Salesianos de Moçambique, pelo seu número, pela sua formação e pela qualidade das suas obras estão a p t o s a a s s u m i r a responsabilidade de garantir a fidelidade ao espírito do fundador, de continuar a enriquecer a missão salesiana em prol dos jovens mais pobres e necessitados e de trabalhar pela promoção e evangelização das classes populares”. (BS n° 38, p. 7). Um agradecimento especial se deve ao Pe. Valentin de Pablo, Regional para África-Madagascar de 2002 a 2006, que veio a falecer na madrugada do Domingo de Páscoa, e que muito contribuiu para que a Delegação fosse elevada a Visitadoria. Todos também sentimos uma profunda gratidão pela Província Portuguesa de Santo António, a Província-mãe, que garantiu recursos humanos, financeiros, pastorais e fraternos para a vinda e permanência dos Salesianos a Moçambique. Até aos dias de hoje a Província Portuguesa continua manifestando sua fraternidade e generosidade com apoio de pessoal e de recursos financeiros. A presença e guia de Maria Auxiliadora, protetora da Visitadoria, se faz sentir desde os inícios dos trabalhos salesianos neste país. A opção da Visitadoria

em dar preferência aos jovens mais empobrecidos e marginalizados da sociedade atrai de Deus as bênçãos para todas as suas realizações. A Providência Divina não deixa de s e ma ni f es tar em to do s os momentos críticos da vida da Visitadoria. Isto nos ajuda a acreditar cada vez mais que este não é um “projeto humano, mas iniciativa de Deus” (C 1). Na ocasião da ereção canónica, o Pe. Alencherry afirmava “que uma Província não é apenas uma realidade jurídica. É, acima de tudo, uma comunidade espiritual que impele todos os irmãos para o testemunho total, pa ra a santidade... A Visitadoria consiste essencialmente no conjunto de irmãos que a compõem; na verdade, o seu crescimento depende da qualidade e da disponibilidade dos Salesianos para a realização da missão”. Nestes 10 anos de história da Visitadoria muitos fatos positivos aconteceram. As obras se solidificaram. Surgiram o Instituto Superior Dom Bosco (ISDB) e a nova Sede da Visitadoria. Muitos educadores para o mundo profissional foram formados. Alguns trabalhos foram redimensionados. Novas fre ntes mis sionárias f oram


assumidas. Irmãos foram enviados a se especializar na Europa e outros continentes. Novos missionários vieram para trabalhar nesta messe. Voluntários apareceram para partilhar seus conhecimentos e experiências em todas as obras.

Documentos foram elaborados. Formação, catequese e retiros ajudaram no crescimento espiritual dos irmãos e dos destinatários. A Família Salesiana se expandiu. Parcerias com muitos colaboradores foram seladas e

realizadas. Investimentos financeiros foram feitos nas atividades educativas e pastorais das obras. Inúmeros destinatários foram beneficiados. Tantas graças e bênçãos de Deus foram recebidas. Devemos ter a humildade de reconhecer

erviços em prol da salvação dos jovens

t a m b é m nossos pecados e experimentar a Misericórdia de Deus que celebramos especialmente neste ano. Há um sentimento de gratidão por todos os que “gastaram” e “gastam” sua vida neste projeto salesiano. Deus, que não se deixa vencer em generosidade, fará o devido pagamento a cada um. O presente da Visitadoria é de grande alegria, serenidade e confiança em Deus e em todos aqueles que acreditam nesta obra. Hoje somos oito comunidades atendendo um número muito grande de jovens, adolescentes e crianças e suas famílias. Continuamos a acolher constantemente voluntários que se apresentam para trabalhar generosamente em nossas obras.

Sentimos uma paz muito grande por tudo o que se procura fazer com amor e gratidão. Que Dom Bosco continue nos inspirando a cada momento a realizar tudo que Deus espera que façamos para o bem dos nossos queridos destinatários. Somos desafiados a ver o futuro com uma esperança muito grande. Nossos maiores desafios, c onform e noss as reflexões , documentos e o último Capítulo Inspetorial, podem ser resumidos em quatro pontos: consistência qualitativa e quantitativa de nossas comunidades salesianas; animação e apoio à Pastoral Juvenil; incentivo maior à Pastoral Vocacional; conquista da autosustentabilidade financeira. Isto vai exigir um redesenho

de nossas presenças, conforme desejo de nossos superiores. Vamos arregaçar as mangas, trabalhar intensamente, rezar e viver nossa vocação da melhor forma possível, procurando em tudo a santa vontade de Deus. O futuro, que está nas mãos de Deus, está a se despontar cada dia mais bonito e abençoado. C o n ti n u a m o s a p e rc eb e r a presença de Maria em nosso meio. Que Ela continue fazendo tudo por nós e através de nós. Parabéns a todos os que participam deste belo projeto de Deus! Muitos anos de vida à Visitadoria Maria Auxiliadora, que chega ao décimo aniversário consciente de que tem muitos desafios pela frente, mas sabendo também ter vencido outros tantos!


Missão de S. José de Lhanguene Por Pe. Manuel Leal Gomes «Paróquia Missão» de S. José de Lhanguene, naquele tempo “Maxanguene”, foi criada por D. António Barroso a 21 de Junho de 1892 Foi primeiro pároco desta Missão Paróquia o Padre Augusto Soares Pinheiro que teve como vigário paroquial o Padre José da Cruz. A primeira cape la a ser con str uída f oi dedicada a S. Francisco Xavier. Esta capela distava 4 Km da cidade, foi construída pelo Padre António Dias Simões. Pelo que dá a entender um Relatório de 1942, abrangia um vasto território que se estendia até à Matola, Namaacha e em outra direcção, pelo menos até Bobole. Na paróquia existem os registos de baptismo desde o ano 1891, onde se podem consultar as origens dos que eram baptizados. A pri meira escola a se r construída começou a funcionar a 3 de Fevereiro de 1893 com 23 a l u n o s . A pe s a r d a s m u i t a s dificuldades que surgiram, entre elas o facto de o governo provincial ter extinto a Missão em 6 de Novembro de 1895, foram criadas as oficinas de alfaiataria, sapataria e tipografia. Outras oficinas surgiram mais tarde para a promoção dos jovens. Em 1900 construiu-se uma igreja para substituir a pequena e frágil capela existente. Anos mais tarde construiu-se um internato para atender os alunos que vinham de mais longe e para acolher os mais desfavorecidos. Em 1911, segundo o mesmo Relatório já a

Missão possuía quatro escolas no interior, não diz em que lugares, e na sede da Missão “possuía uma residência missionária, parte em alvenaria e parte em madeira e zinco; uma Igreja em madeira e zinco; uma escola em alvenaria; uma pequena casa de alvenaria, que se destinava às religiosas, e mais umas pequenas construções”. Em 1935 inaugurase a actual igreja. No dia 1 de Janeiro de 1956 o Senhor Cardeal Dom Teodósio Gouveia, entregou a direcção desta Paróquia Missão à Congregação Salesiana, sendo seu primeiro pároco, o Padre Manuel Geraldo Gonçalves e vice pároco o P. Estanislau Lobaza, acompanhados pelo irmão Francisco Oliveira. A entrega da Missão aos salesianos tinha, entre outros objectivos, não apenas a melhoraria das oficinas existentes, mas concretizar o sonho de criar uma moderna Escola Profissional na Missão, como sonhava D. Teodósio. A escola primária da Missão continuou a aumentar o número de alunos, chegando a aproximadamente a 3.000, nos anos 1962 a 1967 divididos, naquele tempo entre a escola feminina e a escola masculina. A catequese e a sua organização na sede da paróquia, nas escolas da Missão sempre ocupou um lugar d es ta qu e, na q ua l ta mb ém tiveram um papel importante as irmãs Franciscanas Hospitaleiras. Estas ocupavam-se também do Hospital, no qual tinham implantado uma comunidade. Ti v era m t a m b ém u m p a p el importante e floresceram as

organizações ou grupos laicais, c omo a L egi ão de Ma ria , o Escutismo, o Apostolado de Oração, as Conferências Vicentinas, a Acção Católica, a Cruzada Eucarística, os Casais e os grupos da Família Salesiana, S a l e si a n o s Coo p e ra d o res e Antigos Alunos. Em 1975, com a Independência do País, as escolas foram nacionalizadas, ficando a acção dos Salesianos reduzida somente ao trabalho pastoral na igreja. Surgem nesta altura iniciativas de tipo social, tais como os cursos de promoção para a mulher, corte e

costura e dactilografia. Em 1993 foi devolvido o Lar de rapazes S. José que teve que ser reabilitado. Em 1994, foi-nos entregue a escola, totalmente degradada, pelo que necessitou duma total reabilitação e ampliação de salas de aula. En t ret ant o , ti n h am su rgi d o também, no ano de 1995 com relançamento do ensino profissional, os cursos intensivos de serralharia mecânica, electricidade e carpintaria e informática, para além dos cursos de corte e costura e dactilografia já mencionados. No ano de 2002 a escola amplia o seu nível e transforma-se em Escola Comercial, começando a


e: história de tempos e pessoas leccionar cursos de contabilidade geral. Nos dias de hoje a Missão de S. José de Lhanguene apresenta-se c om o s s e us s e ct o res b e m definidos e até reconhecidos oficialmente. A Paróquia A paróquia abrange os Bairros de Chamanculo “C”, onde se situa a sede paroquial e Luis Cabral, onde se encontra uma comunidade com a sua capela que se tornou pequena para o número de fiéis e por isso se iniciou a construção de um espaço maior. Ao todo a paróquia

tem 26 Núcleos divididos entre a sede e a comunidade, mas o grande trabalho continua a ser, como em outros tempos, a Catequese com um numeroso grupo de catequisandos desde as crianças até aos jovens e adultos confiados a cerca de 60 c at equ is tas . Não f a lt am os numerosos grupos de jovens adolescentes e crianças e o Oratório dominical ou diário durante as férias com o grupo de cerca de 30 animadores. Não podemos esquecer os grupos de leigos empenhados, quer dos diversos Ministérios como o da Liturgia, Pastoral Caritativo Social, da Família, Administração e Movimentos Laicais, como as Legionárias e os grupos da

Família Salesiana, ADMA, S al es ian o s Co o pe rad ores e Antigos Alunos. Lar de São José O Lar é uma realidade que esteve presente quase desde os inícios da paróquia e ainda hoje conserva a mesma característica: acolher adolescentes em dificuldade, seja pela orfandade seja pela pobreza. Este ano de 2016 são acolhidos 64 internos, sendo 12 órfãos de ambos os pais, 21 órfãos de pai, dois órfãos de mãe, 24 de famílias carenciadas e muitas vezes separadas e quato considerados abandonados. A estes a Missão oferece o alojamento, a alimentação e os estudos. Centro Profissional Como ficou descrito, a Missão sempre teve a preocupação de oferecer ofertas para preparar para a vida com o ensino profissional. Nestes últimos anos esta oferta consolidou-se ainda mais com o reconhecimento do Centro de Formação Profissional de S. José por parte do Ministério do Trabalho, oferecendo as especialidades de Soldadura, Electr icidad e I nst al ado ra , Electricidade Industrial, energia Fotovoltaica e Controle Digital, além de Corte Costura e Informática. Existe a perspectiva d e o f er e c er o u t ra s especialidades, sobretudo a de Refrigeração. Os cursos são de 5 meses mas o Centro tem oferecido também cursos de curta duração. Este ano, 2016, em cada turno teve uma frequência de cerca de 60 alunos. Escolas A Es cola s emp re estev e

p re s e n t e n a M i s s ã o , a n t e s dividida em Escola Masculina e Feminina. Hoje existe a Escola Primária Completa, com os seus três turnos e cuja gestão está entregue às Irmãs Hospitaleiras e a Escola Comercial que oferece o curso Básico de Contabilidade com cerca de 500 alunos. Por exigência do mercado e das tra ns formaç ões do si st ema educativo em Moçambique, espera-se que dentro em breve esta Escola Comercial passe a Instituo Comercial que oferece mais competências para a inserção directa no mercado de trabalho. Desde o início da Missão os seus responsáveis foram criando e re n ov a nd o a s e s tr u t u ra s necessárias para responder aos desafios. Após a independência e com as nacionalizações a Missão deixou de ter Hospital e as casas do Bairro da Missão deixaram de estar ao serviço da Missão, mas melhoraram-se e renovaram-se as estruturas escolares, com espaços para sala de informática, biblioteca e pavilhão desportivo; cresceram e estruturaram-se os espaços para o Centro Profissional e o Lar foi renovado. Tudo isto constitui um s i g n ifi c a t iv o p a t r i m ó n i o a o serviço da Missão que constantemente necessita de ser mantido e adaptado às novas realidades pastorais e educativas que hoje mais do que nunca estão em rápidas transformações. Missão significa movimento; sair ao encontro, partir e buscar novas fronteiras. Esse é e será o grande desafio da Missão de S. José de Lhanguene.


Da esquerda para a direita Pe. José Rajoy, Pe. Francisco Pescador, Dom Chimoio, Gilberto Botas, Álvaro Alabart, Pe. Marco Biaggi e Sérgio Pinto

Festa dos 10 Anos

Destaque do ano são graduações da 1ª turma de licenciatura

Por Jaqueline O. Calderón Langa á dez anos, o Instituto Superior Dom Bosco (ISDB) decidiu abrir suas portas para a oferta formativa, que significou a abertura de inúmeras oportunidades de envolvimento com a formação superior. No decorrer desta trajectória muitas foram as conquistas perpetuadas pela instituição. A conquista mais recente e que marcou os dez anos da instituição decorreu na manhã do dia 11 de Novembro com a graduação da primeira turma de licenciados. A cerimónia teve também momentos culturais de dança e canto coral, formado por estudantes do Instituto.

Estiveram presentes à cerimónia de graduação centenas de pessoas entre convidados, comunidade académica, estudantes e seus familiares. A cerimónia acompanhou o protocolo de convidados. Presidiram a mesa de honra, o assessor do Ministro da Ciência e Tecnologia, Ensino Superior e Técnico Profissional, Gilberto Botas; o Arcebispo de Maputo, Dom Francisco Chimoio; o Embaixador da Espanha, Álvaro Alabart, o Provincial Salesiano em Moçambique, Pe. Marco Biaggi; o Director da Justiça da Cidade de Maputo, Sérgio Pinto; o Director Geral do ISDB, Pe. Francisco Pescador Hervás; e o primeiro director do ISDB, Pe. José Angel

Rajoy Troitiño. Abrindo a cerimónia, Dom Chimoio, deu a bênção aos presentes, em especial aos graduados por ultrapassarem mais esta etapa de suas vidas. Nas palavras de abertura do evento o Director Geral do ISDB, P e . F ra nc i s co , encorajou os graduados a continuarem sua trajectória de aprendizagem e a compartilhar o que aprenderem com aqueles que estão à sua volta.


De acordo com o Arcebispo, o mercado de trabalho necessita de p rofi ss i o na is d e q ua li d a d e, comprometidos com a justiça, a paz e o bem-estar da comunidade. “Não tenham medo, enfrent em os desa fios com honestidade e com olhar puro. Façam bem o bem, e não pretendam a agradar a todos, mas a D eu s, q u e so nd a os corações e conhece a rectidão da vossa intenção. Ele inspirará a arte educativa em vocês”. Também o Embaixador da Espanha descreveu que os mais de dez anos de acompanhamento e apoio do ensino técnico profissional em Moçambique abriram inúmeras possibilidades de desenvolvimento para o país. Enfatizou que “o ISDB é uma peça fundamental no ensino técnico de Moçambique e apoiar instituições que se preocupam com o desenvolvimento dos jovens é muito importante para seu crescimento”. Os 228 licenciados – 58 em Manutenção Industrial, 85 em Ciências da Administração e 85 em Hotelaria e Turismo – também mostraram sua gratidão ao Instituto, descrevendo o quanto o Sistema Preventivo de Dom Bosco lhes inspirou a abraçar a causa

educativa do ensino técnicoprofissional com qualidade e c om pro m e t i m e n t o si n c e ro . Anunciaram a todos que “e s t a m o s c i en te s d e q u e a graduação não se esgota pela cerimónia em si, ela deverá repercutir sobre os nossos actos no futuro através daquilo com que todos nós hoje nos

permanente. Ser professor é fazer viver a liberdade, a paz, a justiça e construir um futuro com criatividade, cultivar e incentivar a ciência, o patriotismo, a cidadania e o amor ao próximo”. Os profess ores do ISDB encorajaram os estudantes a prosseguirem na formação, pois a mesma deve ser contínua. E ainda

Representantes de instituições parceiras do ISDB em homenagem simbólica na cerimónia de graduação

comprometemos”. Em seu juramento, após o recebimento dos diplomas, os graduados disseram em coro que, “ser professor é ser o farol que ilumina a sociedade, desenvolver o saber fazer, o saber ser e o saber conviver. É dar em cada momento o seu saber com amor, humanismo, presença e diálogo

mais: “onde quer que estejam a exercer sua actividade p rofi ss io na l, fa ç am- n a c om h o ne s t i d a d e , c o m p et ên c i a , vontade incessante de aprender, re s p e i t o i n c o n d i c i o n a l a o s colegas e por cada pessoa que cruza o seu caminho”.


Por Dc Benedito Simone omos pedir emprestado o nosso título, «Os sete sapatos sujos», a uma oração de sapiência de Mia Couto: «Não podemos entrar na modernidade com o actual fardo de preconceitos. À porta da modernidade precisamos de nos descalçar. Eu contei sete sapatos sujos que necessitamos de deixar na soleira da porta dos tempos novos. Haverá muitos. Mas eu tinha que escolher e sete é um número mágico». Número mágico! De facto, na Bíblia o número sete dá-nos a idéia de perfeição. Fora do mundo bíblico são várias as listas que se apresentam em número de sete: os sacramentos da Igreja Católica, as notas musicais, os dias da semana, as maravilhas do mundo, etc. Perguntando-me sobre «Os sete sapatos sujos» que aqui iria apresentar, eles apareceram-me em número superior a sete. Eu também tive que escolher. 1. Procurar um sucesso fácil e imediato Diariamente somos invadidos com anúncios publicitários que procuram nos convencer que só seremos felizes se comprarmos um determinado produto ou se p a g a r m o s um d e t er m i n a d o serviço. São inúmeras as vezes que ouvimos dizer mais ou menos isto: «é tão fácil..., basta...» ou «agora já ficou mais fácil..., é só...». Infelizmente, é na mais bela e mais importante construção, a construção das nossas próprias vidas, que procuramos facilidades. Esquecemo-nos que

as boas coisas da vida são difícies d e c o nqu i sta r . E la s exi gem paciência, dedicação, trabalho árduo e disciplina. Precisamos de nos descalçar da procura do sucesso fácil, dos resultados imediatos, sem trabalho nem esforço! 2. Contentar-se com o mínimo esforço A escola deve preparar homens e mulheres para responder positivamente aos desafios do mundo do trabalho e da nossa sociedade. Porém, na minha óptica, ainda é preocupante a mentalidade minimalista. Alguns querem produzir muito, mas trabalhando muito pouco; e outros, trabalham muito pouco e c o m o , o bv i a m e n t e , n ã o s e contentam com o muito pouco que produzem, então, para essas pessoas, todos os meios ilícitos e ilegais são bons para ao menos alcançar o mínino e até mesmo aparentar o excelente. Porém, o excelente não se aparenta; ou se é, ou não se é. Como seria bom, se ao passar o comboio do futuro, nós jovens estivéssemos na estação, já pre pa ra dos para seguir em frente. É duro dizê-lo, mas não poucas vezes, o comboio do futuro só passa uma e única vez. Aquele que o perde, perde-o para sempre. Para alguns, perdê-lo, chamam-no de má sorte, mas eu associo-me aos que preferem chamá-lo de oportunidade mal aproveitada. Precisamos de nos descalçar do ócio, da preguiça e do menor esforço! 3. Uma vida sem compromissos Talvez seja fácil comprometer-

se, mas permanecer fiel aos compromissos tomados, não é tarefa fácil. Basta olhar para os diversos e diferentes exemplos do nosso quotidiano. Não vou citar, nem a título ilustrativo, alguns desses exemplos, porque o risco de omitir é enorme. Prefiro

omitir para ser sincero! Como é penoso ver uma pessoa incapaz de se comprometer, mas também é igualmente triste ver uma pessoa que não honra os seus compromissos. Como seria bom se nós jovens fôssemos comprometidos com a vida! Não comprometido egoísticamente com a minha própria vida, mas comprometido com a minha vida e com a dos outros. Precisamos de nos descalçar do medo de sujar as mãos, o medo de nos comprometer com a vida!


4. Procurar uma falsa liberdade To d o s n ó s j á fi z e m o s experiência e sabemos o quanto é sufocante e desesperante viver sem liberdade, mesmo no que diz respeito às liberdades mais elementares. A liberdade é uma condição muito importante para

que possamos nos expandir e nos realizar como pessoas humanas. É importante ter claro que a liberdade é muito diferente de libertinagem. A liberdade não pode existir onde não há responsabilidade. Quando afirmamos que somos livres de fazer isto ou aquilo, não devemos perder de vista que também, e ao mesmo tempo, somos responsáveis nisto ou naquilo que fazemos. É falsa toda a liberdade sem

responsabilidade. Não devemos perder de vista que a vida é um d o m g r a t u i t o q u e carinhosamente nos foi dado por Deus. Precisamos cuidar dela e precisamos valorizá-la. Precisamos de nos descalçar da falsa liberdade de viver a vida! 5. Procurar uma falsa felicidade Talvez uma das maiores procuras do ser humano, em toda a história, é a proc ura da felicidade. A procura da nossa felicidade e a dos outros. O homem e a mulher, podemos dizer, têm constantemente sede e fome de ser felizes. Nesta procura da felicidade também existe o risco de procurar uma falsa felicidade. Aquela felicidade que não preenche o coração, mas pelo contrário deixa um enorme vazio, grandes amarguras e feridas incuráveis, tanto para nós como para os outros. Sem dúvidas, a verdadeira felicidade é aquela que nos é dada por Deus. Só Ele pode preencher, como se deve, os nossos corações. Precisamos de nos descalçar das falsas felicidades que por vezes se nos são apresentadas dissimuladas como boas receitas, em pacotinhos bem ornamen tados por fo ra e envenenados e minados por dentro! 6. Conformar-se com a realidade Acredito que há dois extremos que precisamos evitar: por um lado, ser muito críticos e limitarnos em fazer críticas; e, por outro lado, simplesmente conformarse com a realidade. Mesmo se a crítica e o conformar-se não são

palavras antónimas, constituem dois extremos que precisamos evitar. Muitas vezes os homens não são inocentes do rumo que a história vai tomando; portanto eles são responsáveis pela sua possível mudança. Eles são os agentes activos indispensáveis para uma boa orientação desse rumo. Na vida nunca devemos abdicar d o s n o s s o s s o n h o s . N un c a devemos dizer que basta de sonhar, porque a vida humana é um sonho, e quando deixamos de s onha r , dei xam os de viv er , perdemos o gosto de viver. Precisamos de nos descalçar do conformismo, do «desisto porque já não aguento mais»! 7. Uma vida sem Deus Como é realmente controverso que a consciência da existência de Deus também possa estar a criar nas pessoas uma forte repulsa de Deus. Não queremos que Deus interfira nas nossas vidas, porque Ele, que é Amor e Misericórdia, também é exigente. Ele nos aponta para o Seu exemplo na Cruz. Quando lemos a história da salvação, nela encontramos que o povo de Deus é muitas vezes infiel, mas Deus é Aquele que permanece fiel. Deus quer estar ao nosso lado, não como um juiz severo, mas como uma Pessoa que nos ama. Ninguém nos conhece melhor que Deus, e a Ele se aplica com justeza a máxima: «entender tudo é perdoar tudo». Precisamos de nos descalçar da vida sem horizonte e sem Deus, porque só Deus nos basta!


Tu aceitas ser um instrumen

Por Ir. Ofélia Ramos Macuaia, FHIC

É

“ n e c e s s á r i o s er m o s generosas para com Deus que tão generoso tem sido para connosco” (Beata Maria Clara) A cada instante Deus chama cada pessoa para ser seu instrumento de misericórdia. Este ano de graç a em que Papa Francisco consagrou como o ano Santo de Misericórdia, ele confiou os seus filhos e colegas no sacerdócio para serem ministros da misericórdia de Deus Pai. Na verdade, Deus é rico de misericórdia! Se não fosse a sua ternura, misericórdia, amor, tu e

eu, não estaríamos neste mundo. Desta feita convido-te, meu prezado jovem, para que repenses a tua vida, a tua maneira de ser e estar com muita profundidade! Não tenhas medo! Entra devagarinho no teu coração, e fala a sós com Deus; aí encontrarás paz, serenidade e alegria de viver. Deus, na Sua infinita bondade, em alguns casos serve-se das pessoas e objetos que nós muito gostamos para nos mostrar o c a min ho d a pe r f e i çã o e da santidade. Contudo passo a rescrever uma experiência vivida e doada do Pe. Honório,

Jovens do Internoviciado da Namaacha, exemplos de resposta ao chamado vocacional de Deus

Dehoniano, que trabalhou muito na Província da Zambézia. Foi pároco da Sé Catedral de Santo António do Gurué, responsável da pastoral vocacional, mestre de noviços e superior regional da sua congregação, cargo que o Pe. Honório exerceu até à sua páscoa para a casa do Pai. O saudoso Pe. Honório dizia: “Deus chamou-me por meio dum amigo seminarista de cabelos vermelhos que gostava muito de jogar futebol. Eu era um pequeno pastor de gado, era duma família muito humilde e cristã, e como não bastasse gostava muito de jogar a bola. A minha bola era feita de trapos e de palha. Quando o gado estivesse repousando, os meus amigos e eu ficávamos a jogar; era o nosso divertimento. Um dia fui até ao seminário, a convite do meu amigo, para jogar. Vocês não imaginam como fiquei! Muito entusiasmado e contente, e naquele dia até dormi sem tomar banho, por ter jogado com a bola dos padres e seminaristas! Devido à bola e ao convite do


nto da misericórdia de Deus?

meu amigo de cabelos vermelhos, pouco a pouco, Deus foi trabalhando o meu coração! Depois dos estudos primários e secundários entrei no seminário, fiz o propedêutico, filosofia, teologia e finalmente fui ordenado sacerdote do Sagrado Coração de Jesus, mais conhecido por Dehonianos (fundador Leon Dehon). E ao meu amigo, Deus mostrou-lhe outro caminho”. Portanto, Deus chamou aquele que Ele quis para a Sua missão. E a chamada de Deus aconteceu para o Pe. Honório, através de uma mediação humana, com objectivo de fazer parte da Igreja, mas numa missão concretamente específica. Neste contexto podemos dizer que a experiência vocacional é feita juntamente com os outros que Deus coloca a nossa frente. Nesta experiência de vida e entrega, Deus exige que saiamos de nós mesmos, para colocarmos a nossa existência nos desígnios de Deus ao serviço dos outros. O sair de nós mesmos não pode

ser entendido como um desprezo da própria vida, do próprio sentir, da própria humanidade, mas sim deve ser um sair em busca de uma vida em abundância e colocando tudo de si, á disposição de Deus e do seu Reino. Por isso que o Papa Francisco na sua mensagem aos jovens vocacionados dizia: “exorto a todos os jovens a assumirem as suas responsabilidades no cuidado o discernimento vocacional” (Alegria do Evangelho nº 107). Prezado leitor! Quem quer consagrar-se a Deus, e quem já se consagrou, o caminho é único:

estar sempre disponível para o serviço da Igreja; sempre pronto a servir a Igreja onde esta tiver necessidade! Assim o fez o Pe. Honório, que tanto trabalhou para o crescimento da Igreja no nosso País, que pela misericórdia de Deus, descanse na paz do Senhor! Hoje termino com uma bênção que Francisco deu aos seus i r m ã o s t i ra d o n o l i v ro d o s Números: “o Senhor te abençoe e te guarde. O Senhor te mostre sua face e tenha misericórdia de ti. O Senhor volva para ti seu rosto e te dê a Paz”! (São Francisco de Assis).

Pré noviços da turma de 2015 na Moamba, em momento de recreação


Escolas Salesianas de Moçambique são referências no Bosco Tech de África

Elias Arnaldo Chivale ntre os dias 0 e 07 de Outubro realizou-se um workshop em Antananarivo, capital de Madagáscar, que teve como lema: “Emponderar o treinamento Vocacional Salesiano em África ou mesmo o debate sobre o Desenvolvimento do Ensino Técnico Profissional e Vocacional da África e Madagáscar”. Os trabalhos foram divididos em dois grupos, nomeadamente. O primeiro grupo, a equipa da Don Bosco Tech Africa, teve como principal objectivo debater os pontos que irão compor o Plano Estratégico da região para os próximos cinco anos (2017-2021). Durante estes dias, esta reuniu-se, debateu os objectivos para o quinquénio e os possíveis resultados. Os resultados dos trabalhos em grupos serão apresentados aos provinciais de toda a África para aprovação. No outro grupo estava a equipa dos responsavéis dos Departamentos de Escola Empresa e Responsáveis das Oficinas de Planificação e Desenvolvimento de todas as Inspectorias de África. Esta

equipa tinha como objectivo desenhar o perfil dos escritórios ou departamentos que têm como missão orientar os alunos antes e durante a formação nas Escolas e Centros de Formação Profissional de Dom Bosco na África e alocar estágios prifissionais e trabalhos aos alunos em fase de conclusão e os que já concluíram os estudos. Os trabalhos iniciaram-se com a apresentação das experiências de algumas províncias sobre o processo de orientação e aconselhamentos dos alunos antes e durante a formação; boas expênciências práticas sobre a qualidade de formação de algumas escolas e centros de fo rma ção ; e o proc ess o d e t ran si ç ão d a es c ol a pa ra o trabalho. No que concerne à orientação e aconselhamento, Moçambique destacou-se por ser um dos poucos, senão o único, país que orienta e aconselha raparigas, através dos depa rtamentos de Género existentes em todas as Escolas de Formação Profissional. Este exemplo, consta como um dos objectivos e recomendações do perfil desejado para as Escolas e Centros de Formação Profissional e Vocacional de África. O encontro terminou em plenária, com a apresentacção dos resultados alcançados pelos dois grupos. A Equipa de Moçambique foi representada pelo Ecónomo Inspectoraial, Pe. José Angel Rajoy, e pelo membro do Escritório de Desenvolvimento de Visitadoria Maria Auxiliadora, Elias Arnaldo Chivale.


Oratórios reúne dezenas de crianças em Lhanguene

Por Luís Antônio Amiranda o dia 25 de Setembro de 2016 aconteceu nas dependências da Paróquia São José de Lhanguene – que abrange O Centro de Formação Profissional, a Escola Comercial, o Internato São José e a comunidade Salesiana – o Encontro dos O ra t ó r io s d a re g i ã o s ul da Visitadoria Maria Auxiliadora, com a participação de mais de cem crianças e adolescentes, guiados por dirigentes leigos e coordenados por coadjutores e padres Salesianos. O Oratório é sem dúvida nenhuma a principal obra de Dom Bosco. O grande sonho de Dom B os co se realiz a nos oratórios. Sabe-se que o Oratorio é a “Casa que acolhe, a Paroquia que evangeliza, a Escola que educa para a vida, o pátio que

integra…” Às 9 horas, os Salesianos da Comunidade São José estavam acolhendo a todos os grupos que chegavam. Eram oratorianos de Moamba, de Matola, da Comunidade Beata Anuarite e também os da casa. Para cada grupo foi destinada uma sala para guardarem seus materiais e depois seguiu-se para a igreja, onde aconteceu a celebração eucarística, presidida pelo Provincial Salesiano em Moçambique, Pe. Marco Biaggi. Após a missa todos se dirigiram ao Ginásio Poliesportivo, onde houve uma sessão de Aeróbica para a melhor integração de todos. Terminada a Aeróbica deu-se início à gincana, com a distribuição de prêmios. Com o término da Gincana, cada grupo pôde desfrutar do almoço que cada um trouxe e foi compartilhado, enriquecido por um lanche oferecido pela Comunidade São José. Após o almoço houve uma sessão cultural, com apresentação de números artísticos por diversos grupos. O Vice-inspector, Pe. Francisco Pescador encerou o encontro com uma oração. Ao final, ficou um gosto de quero mais e a ideia de que no próximo ano a animação será multiplicada. Dom Bosco e Maria Auxiliadora, com certeza aplaudiram no céu mais esta iniciativa da Visitadoria.


Qual éé aa tua tua riqueza? riqueza?

J

Por Pe. Miguel A. D. Herrera

á notaste que à tua volta há muitas pessoas que estão mais preocupadas com o “ter” do que com o “ser”? Jesus contou a história de um homem que era muito rico, tinha construído vários celeiros e tinha-os enchido com bastantes materiais. Quando já não tinha mais nada que fazer perguntou para si mesmo: o que farei agora da minha vida? Então ele pensou consigo: ah! Vou construir mais celeiros e ficar ainda mais rico. Naquele mesmo

Deus não se preocupa se tu és rico ou pobre, feio ou bonito, se possuis muitos bens ou não; o que tira o sono de Deus, o que realmente deixa Deus preocupado é saber que tipo de pessoa te estás tornando, porque o teu caráter é a única coisa que levarás para o céu. Em tempos passados havia uma música que dizia, mais ou menos assim: “meu pai não anda muito bem, está um pouco adoentado; mas eu me lembro que num dia de sol, quando os dois íamos até ao

instante veio uma voz do céu que lhe disse: “tolo!... Hoje te pedirão a tua alma! Tudo o que construíste, para quem ficará? (Lc 12,16-21) Certa ocasião alguém perguntou ao Dalai Lama o que mais admirava do universo. A resposta dele foi: “a coisa que eu mais admiro do universo é o ser humano. Porquê? Perguntaram. E ele respondeu assim: “Porque o ser humano é assim: gasta toda a sua saúde tentando ganhar dinheiro, e quando finalmente tem dinheiro, gasta-o todo, tentando recuperar de volta a sua saúde. Ele vive como se nunca fosse morrer e morre sem ter realmente vivido. Ele preocupa-se tanto pelo futuro que se esquece de viver o presente, sem entender que é o presente que constrói o seu futuro”.

mercado, ele meteu a mão ao bolso e tirou dez centavos dizendo: vai comprar um rebuçado filho! No caminho de volta para casa, com aquele rebuçado na minha mão, senti como se tivesse tudo: carinho e afeição. Então virei-me para o meu pai e perguntei: pai, nós somos ricos? Ele sorriu, abanou a cabeça e simplesmente me disse: a vida é como o dinheiro, filho; tu gastas, gastas, gastas até um dia acabar, mas a vida não vale, nem sequer um centavo, se não tens família, amigos e um lar. Agora, enquanto podes, dá aos outros o teu amor, sem preço, porque não poderás levar o teu dinheiro quando deixares este mundo”. Há muita gente demasiado preocupada com ter, com conseguir, com ganhar,… Esquecem-se que, o mais importante da vida é amar. Que tu aprendas a amar hoje, porque isso é mesmo o mais importante.


15ª CIVAM destaca animação e governo da missão salesiana em África Por Pe. Marco Biaggi os dias 17 a 23 de Outubro reuniram-se em Lagos, Nigéria, os 12 Inspetores, cinco Delegados e o Secretário da Região África Madagascar, liderados pelo Regional, Pe. A mé r ic o C h a q u i ss e, p a ra a realização da 15ª Conferência das Inspetorias e Visitadorias da Região África-Madagascar

de Vida Consagrada Salesiana e dos Projetos de Vida Comunitária. Cada inspetor pôde apresentar a própria realidade inspetorial, falar como ocorreu o Capítulo Inspetorial na sua circunscrição e quais foram os fatos relevantes do ano em sua Inspetoria. O Pe. Basañes fez questão de recordar que o Reitor-mor insistiu para que a África não se esqueça de sua internacionalidade e

Juvenil. Os temas da Comissão Regional de Comunicação Social foram apresentados pelo Pe. José Elegbede, Inspetor da África Ocidental Francófona (AFO). O Pe. George Tharaniyil apresentou as informações sobre o projeto Don Bosco Tech África (DBTA). Além de outros assuntos, tratou-se também da Visita de Conjunto da Região que acontecerá entre nos dias 20 e 24

(CIVAM). Estiveram presentes também o Conselheiro Geral para as Missões, Pe. Guillermo Basañes, e o responsável pelo projeto Don Bosco Tech Africa, Pe. George Tharaniyil. Os destaques das conversações foram a animação e governo da missão salesiana em todo o Continente. Com a presença do Pe. Basañes foi possível aprofundar o tema das Missões ad gentes. O Regional, numa de suas falas, destacou a importância do Projeto Pessoal

interculturalidade. Estimulou o crescimento da solidariedade entre as inspetorias e com a Congregação. Lembrou também que na CIVAM 50% dos inspetores são missionários ad gentes. A Comissão Regional de Formação enviou seus assuntos, que foram abordados pelo Pe. Gianni Rolandi, Inspetor da África Est (AFE). Por sua vez, o Pe. François Dufour, Inspetor da África Meridional (AFM), apres ent ou os as s unt os da Comissão Regional da Pastoral

de Fevereiro de 2018, em Nairóbi. Tudo ocorreu num clima de grande fraternidade e foi oportunidade para se fazer a troca de experiências entre os participantes. Vários eventos comuns foram programados e vários assuntos de interesses envolvendo grupos de Inspetorias foram tratados e encaminhados. Assim a missão salesiana no Continente pôde ser ainda mais reforçada nesta ocasião de intensos trabalhos e de alegre convivência fraterna.


Jovens em caminho com Jesus Por Pe. Rogélio Arenal, SDB

(Fim do artigo)

ó com Jesus, em Jesus e por Jesus poderemos realizar um caminho que seja realmente significativo e decissivo para as

Seferino Namuncurá, Miguel Magone, Miguel Rua, Felipe Rinaldi, Maria Mazzarello, Eusebia Palomino... e tantos jovens mais. Eis algumas fórmulas –não químicas nem físicas – de Dom Bosco para caminhar com Jesus: 'Os meus amigos serão Jesus e Maria'. Esta é a parte fundamental da fórmula: descobrir nos Evangelhos e na oração pessoal, na Eucaristia e no Sacramento da Misericordia (Perdão) quanto Jesus está dentro de nós para nos amar.

nossas vidas 'Tudo isto é muito bonito –podeis dizer –, mas como, onde, quando posso encontrar Jesus para caminhar com Ele e Ele acompanhar-me no meu camino jovem de cada dia? Olhai, queridos jovens, é mais simples do que parece. Dom Bosco assim nos ensinou e alguns jovens que viveram com Dom B osc o expe r imen ta ram, e a fórmula deu certo: tornaram-se grandes amigos de Jesus: Domingos Sávio, Laura Vicunha,

E não só, quis também que a sua Mãe, aquela que chamamos de Auxiliadora, estivesse também ao nosso lado. Se conservamos estes dois elementos fundamentales, o resto da fórmula é muito fácil. Estar sempre alegres. Se Cristo me ama e me salva, porque vou estar triste? Cumprir com os deveres de cada dia. Se Jesus me acompanha na minha vida, com Ele tenho aquela força de fazer as coisas bem feitas, sendo responsável. E as faço por amor a Jesus! Com o amor de Jesus! Unido ao amor de Jesus! Para amar os outros! Queridos jovens, por agora basta com esta reflexão. Acompanho-vos com a oração e a amizade em Jesus, pois mesmo que não vos conheça fisicamente, em Jesus estamos sempre juntos! Se quereis escrever para partilhar ou para consultar alguma coisa escrevei-me ao meu email (rarella57@gmail.com). Que Jesus vos abençõe e sintais que Ele está dentro de vós! Um abraço amigo.


Assembleia dos SSCC elege conselho para triênio 2017-2019

Por Elvira Freitas SSCC om a participação de cerca de 50 pessoas, entre compromissadas e em formação, realizou-se no dia 09 de Outubro, nas dependência do Noviciado Sagrado Coração de Jesus, na Namaacha, a Assembleia Anual dos Salesianos Cooperadores. O encontro contou com representantes dos centros Dom Bosco, São Domingos Sávio – Jardim, Mamãe Margarida – Namaacha, e começou com a Eucaristia, na capela do Colégio Maria Auxiliadora, das FMA, presidida pelo Pe. António Tallón. Após a missa, todos se dirigiram ao Noviciado, onde Pe. Tallón fez uma palestra cujo tema foi “A espiritualidade conjugal e familiar”, com base na exortação

apostólica pós-sinodal “A Alegria do Amor”, do Papa Francisco. Em s ua ex p l a n a ç ã o , P e . Ta l l ón destacou a situação das famílias de Maputo e sobre como elas se encaixam na exortação do Papa, principalmente enquanto referências para os jovens. Terminada a palestra Pe. Rafael Estêvão, Delegado Provincial para a Família Salesiana, orientou a formação de grupos para que cada um debatesse questões relacionadas ao tema “A aventura do Espírito Santo no testemunho do caminho de vida interior e espiritual do SSCC”, testemunho do SSCC António Gonzalez, que já vinha sendo estudado pelos grupos ao longo da preparação para a assembleia. Terminados as discussões em

grupos, houve uma pausa para o almoço. Os trabalhos foram retomados na parte da tarde com a eleição do novo conselho para o triênio 2017-2019. Os nomes aprovados foram: Amaral Simeão e Argentina da Silva, da Paróquia São José de Lhanguene, Joaquim Filipe, da Comunidade Maria Auxiliadora – ligada à Paróquia Bom Pastor, do Jardim; Ana da Conceição Cumbane, da Paróquia Bom Bastor, e Violeta Guivanga, da Namaacha. A escolha dos cargos deverá ser feita de forma consensual entre eles. A assembleia encerrou-se com o corte do bolo e uma homenagem prestada pela comunidade – padres e noviços do Noviciado da Namaacha – aos aos Salesianos Cooperadores.


“Temos um longo elenco de santas e santos que em várias épocas levaram instrução aos mais carentes. Mas pensamos em Dom Bosco, em São João Bosco, que com aqueles meninos de rua, com o oratório e, depois com as escolas de ofícios preparava para o trabalho. Estes pioneiros da instrução souberam restituir dignidade a muitas pessoas”. (Papa Francisco)


Boletim Salesiano nº 65 2016