JORNAL MARTIM-PESCADOR 176

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MARÇO/ABRIL 2022 • Número 176 • Ano XVIII • Tiragem 3.000 exemplares

www. jornalmartimpescador.com.br

PEIXE NOSSO DE CADA DIA O pescador Antonio Benedito Germano remenda sua rede no sítio Cachoeira em Guarujá. Pág. 8 FOTO: LÉO HUBER/SEICOM SV

Luciano Bibiano Silva dos Santos captura um belo robalo no Canal de Bertioga. Pág. 8

Alves Samanta dos Santos de s, nto Sa s do el bri e Ga am rar Ilha Diana, celeb abril. matrimônio dia 30 de 8 Pág.

Joel e Igor, companheiros de pesca. Pág. 7

O escultor Ricardo Santos, o Rick, entalha o peixe em madeira. Pág.6

Festival indígena em São Vicente chegou para ficar. Pág. 3

O pintor e escultor Marcelo Brasil em seu ateliê em São Sebastião. Pág. 7


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DEFESOS Camarão camarãorosa (Farfantepenaeus paulensis, F. brasiliensis e F. subtilis, sete-barbas Xiphopenaeus kroyeri), branco (Litopenaeus schmitti), Santana ou vermelho (Pleoticus muelleri) e barba-ruça (Artemesia longinaris)- de 1 de março a 31 de maio. Lagosta vermelha (Panulirus argus), lagosta verde (Panulirus laevicauda) e lagosta pintada (Panulirus echinatus) de 1/11/2021 a 30/04/2022. Pargo (Lutjanus purpureus)15/12 a 30/4/2022

Áreas de exclusão A menos de 1 MN (emalhe motorizado)- S/SE permanente A menos de 1,5 MN (arrasto) – SP- >10 ABpermanente Moratórias Cherne-poveiro (Polyprion americanus) 06/10/2015 a 6/10/2023 (Portaria Interministerial no 14) Mero (Epinephelus itajara) 06/10/2015 a 06/10/2023 (Portaria Interministerial no 13) Tubarão-raposa (Alopias superciliosus)- tempo indeterminado Tubarão galha-branca (Carcharinus longimanus)tempo indeterminado Raia manta (família Mobulidae) - tempo indeterminado Marlim-azul ou agulhãonegro (Makaira nigricans)tempo indeterminado Marlim-branco ou agulhão-branco (Tetrapturus albidus) – tempo indeterminado EXPEDIENTE www.jornalmartimpescador.com.br

PORTARIA SAP/MAPA Nº 656, DE 30 DE MARÇO DE 2022 (Resumo da Portaria SAP/MAPA. Leia na íntegra em legislação www. jornalmartimpescador.com.br) No Mar Territorial e na Zona Econômica Exclusiva no Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul Art. 2º Fica estabelecido o período de defeso de 28 de janeiro a 30 de abril para os camarões-rosa (Penaeus paulensis, Penaeus brasiliensis e Penaeus subtilis), sete-barbas (Xiphopenaeus kroyeri), branco (Penaeus schmitti), santana ou vermelho (Pleoticus muelleri) e barba-ruça (Artemesia longinaris) no Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. § 1º Excepcionalmente, para o ano de 2022 o período de defeso será de 1º de março a 31 de maio. § 2º No período de defeso fica permitido o desembarque das espécies de camarões de que trata o caput até o dia 30 de janeiro de cada ano. § 3º No período de defeso fica permitida a pesca do camarão-branco (Penaeus subtilis) desde que não seja realizada por arrasto com tração motorizada. Dos Petrechos Art. 4º A pesca do camarão sete-barbas (Xiphopenaeus kroyeri) deverá ser realizada com rede de arrasto de porta com comprimento máximo de 12 (doze) metros, com tralha su-

perior (flutuadores) e com malha mínima de 24 (vinte e quatro) milímetros, sendo medida entre nós opostos da malha esticada, inclusive no ensacador. Parágrafo Único. Cada embarcação de pesca autorizada a capturar o camarão sete-barbas (Xiphopenaeus Kroyeri) poderá transportar até duas redes de pesca. Art. 5º Ficam permitidos o uso dos seguintes

petrechos, com seus respectivos tamanhos de malha medidos entre nós opostos da malha esticada, na pesca do camarão-rosa (Penaeus paulensis, Penaeus brasiliensis e Penaeus subtilis) e do camarão-branco (Penaeus schmitti): I - rede de aviãozinho, de saco e tarrafa, com malha mínima de 25 (vinte e cinco) milímetros; II - rede de caceio, com

malha mínima de 45 (quarenta e cinco) milímetros; e III - redes de arrasto, com malha mínima de 30 (trinta) milímetros. Seção III Do tamanho mínimo de captura Art. 6º Fica definido o tamanho mínimo de captura de 90 (noventa) milímetros de comprimento total para o camarão-rosa (Penaeus paulensis, Penaeus brasi-

liensis e Penaeus subtilis) e o camarão-branco (Penaeus schmitti). § 1º Fica definido como comprimento total a distância entre a extremidade do rostro e a ponta do telson, conforme Anexo I. § 2º Fica permitida a captura de até 10 (dez) por cento sobre o peso total de camarões por cruzeiro de pesca com tamanho inferior ao estabelecido no caput.

PAT de São Vicente oferece oportunidades de emprego Interessados podem acessar vagas disponíveis pelo aplicativo Sine Fácil ou através do site empregabrasil.mte. gov.br/ O Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) da Cidade divulga oportunidades de emprego em diferentes segmentos profissionais. O atendimento é sempre de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, de forma presencial nas unidades Área Insular (Avenida Presidente Wilson, 1.126 – Itararé) unidade Área Continental (Avenida Ulisses Guimarães, 211 – Jardim Rio Branco). Telefone: (13) 3467-7372. É necessário que o candidato leve RG, CPF, carteira de trabalho e comprovante de residência.

Órgão Oficial da Federação de Pescadores do Estado de São Paulo Presidente Tsuneo Okida

Para quem quer mais agilidade, é possível acessar as vagas disponíveis pelo aplicativo Sine Fácil (em celulares com sistema Android) ou por meio de cadastro pelo Portal do Ministério do Trabalho – Emprega Brasil, por meio do link https://empregabrasil. mte.gov.br/ Confira as vagas 4 vagas – Operador de vendas (PCD). Requisitos: Ensino médio completo; morador de São Vicente 8 vagas – Motorista de ônibus rodoviário. Requisitos: Ensino fundamental completo; Experiência comprovada em carteira; Residir em São Vicente, Praia Grande, Santos, Cubatão ou Guarujá; CNH D ou E

Av. Dino Bueno, 114 Santos - SP CEP: 11030-350 Fone: (013) 3261-2992

curso de transporte coletivo. 1 vaga – Operador de máquinas fixas, em geral. Requisitos: Ensino médio completo; Experiência comprovada em carteira; Residir em São Vicente, Santos ou Cubatão; CNH D. 1 vaga – Borracheiro. Requisitos: Ensino fundamental completo; ser ativo (a) e receptivo (a); Experiência comprovada em carteira; Residir em São Vicente, Praia Grande, Santos, Cubatão ou Guarujá; CNH B. 1 vaga – Soldador. Requisitos: Ensino fundamental completo; Experiência comprovada em carteira; Residir em São Vicente, Praia Grande, Santos ou Cubatão. 1 vaga - Pintor de automóveis. Requisitos: Ensino fundamental

completo; Experiência comprovada em carteira; Residir em São Vicente, Praia Grande ou Santos. 1 vaga - Cozinheiro geral. Requisitos: Ensino fundamental completo; Experiência comprovada em carteira; Residir em São Vicente. 1 vaga - Copeiro de lanchonete. Requisitos: Ensino fundamental completo; Experiência comprovada em carteira; Residir em São Vicente; Experiência em Lanches e Porções. 1 vaga - Mestre em obras. Requisitos: Ensino médio completo; Experiência comprovada em carteira; Residir em São Vicente, Praia Grande, Santos, Cubatão ou Guarujá; CNH B Fonte: Secretaria de Imprensa e Comunicação Social de São Vicente

Jornalista responsável: Christina Amorim MTb: 10.678/SP christinamorim@gmail.com Fotos e ilustração: Christina Amorim; Diagramação: cassiobueno.com.br; Projeto gráfico: Isabela Carrari - icarrari@gmail.com - Impressão: Diário do Litoral: Fone.: (013) 3307-2601 Os artigos e reportagens assinados não refletem necessariamente a opinião do jornal ou da colônia


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Festival do Indígena de São Vicente: um evento que chega para ficar “A cultura guarani permanece viva, mantendo a espiritualidade, a crença e ensinando as crianças a respeitar a natureza, o ser humano e os animais”, afirmou o cacique Ronildo da aldeia de Paranapuã de São Vicente. A declaração foi feita durante o I Festival Indígena do município que aconteceu dias 19 e 20 de abril. “Essa é a nossa missão. Minha mensagem é para que olhem mais pela preservação da natureza, pois todos nós dependemos dela para a nossa sobrevivência e para um futuro próspero”, acrescentou Ronildo. Organizador do evento, o diretor da Confraria Jovem do IHG-SV, Elias Júlio Ferreira, fez um balanço sobre a edição inaugural, idealizada para marcar a memória do vicentino. “É um momento de rememorar a luta dos povos que viviam muito antes do chamado ‘descobrimento do Brasil’.

Pois é lembrando do passando e trabalhando no presente que teremos um futuro melhor”, afirmou Elias. “Devemos, acima de tudo, mostrar que este povo tem, sim, o direito de determinar seu próprio destino. Foi muito emocionante ver a criançada das escolas, os munícipes que estiveram no festival interagindo, pintando seus rostos e conhecendo de perto, no cotidiano da cidade, a arte, gastronomia, e esportes típicos da Aldeia do Paranapuã”. O evento aconteceu nas dependências do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente (IHG-SV, na Rua Frei Gaspar, 280 – Centro), com atividades diversas, como rodas de conversa, esportes, exposição de artesanato e oficinas culturais. O festival recebeu os três núcleos indígenas da Aldeia do Paranapuã. realização da Confraria Jovem do

FOTO: LÉO HUBER/SEICOM SV

Mais de 300 pessoas participaram dos dois dias de atividades

Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente, em parceria com a Prefeitura de São Vicente, com o apoio de variados setores da sociedade civil organizada e do poder público, entre os quais organização não governamental Alfa e Ômega, Coral

Mborai Mirim, Coral Mensageiro, Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (CMDCA), Secretaria de Educação (Seduc), Secretaria de Turismo (Setur) e Secretaria de Cultura, Esportes e Cidadania (Secec), dentre outros colaboradores e

voluntários. Toda a solenidade pode ser conferida pelo link https://fb.watch/ cyM8LjNk_2/ Fonte: Secretaria de Imprensa e Comunicação Social de São Vicente

Guia Caiçara de Gastronomia e Artesanato Projeto Vida Caiçara de Turismo Comunitário- Passeios de barco no mangue com café da manhã e refeição caiçara com frutos do mar. Para garantir o passeio é necessário agendar com dois dias de antecedência. A Patrícia, responsável pela cozinha, explica que o menu inclui marisco lambe-lambe, filé de peixe ao molho de camarão, pi-

rão, sobremesa e suco. Pessoas interessadas em passeios para avistagem de pássaros também poderão fazer boas fotos durante o passeio no mangue. Contato: (13) 97408.3130 (Elisa)/ Patrícia Santos (13) 997418690. Bar e Restaurante da Ilha - Ilha Diana- Terezinha serve os almoços nos fins de semana, com visita agendada pelo telefone: (13) 98122.0681. No cardápio, camarão na moranga, marisco lambe-lambe, peixe azul-marinho, peixe assado, entre outros. Contato: Instagram: terezinhalima80/facebook: Terezinha Lima/ (13) 98122.0681. Rancho do Pedrinho-especializado em frutos do mar, incluindo peixes, marisco, caranguejo, camarão e lula. Endereço: 14,5 km Rodovia Ariovaldo Almeida Vianna SP61 antiga estrada Guarujá-Bertioga (bairro de Cachoeira-Guarujá). Aberto das 10h da manhã até 18h30. Contato: (13) 98150.8561 ou 3305.2001. Restaurante “O Caiçara” em PeruíbeFrutos do mar variados. Também atende no sistema “Frite seu peixe na hora”, comprando o peixe de sua preferência no mercado e levando para fritar no restaurante. Eliana Diniz, que prepara os deliciosos pratos, também vende artesanatos feitos com escamas de peixe no local. Tel: (13) 99625.6744/99734.4076 (Eliana) – Ao lado do Mer-

cado de Peixes de Peruíbe. TBC Caruara/MUDECOM (Associação de Mulheres da Área Continental de Santos). Receptivo no bairro de Caruara na área continental de Santos, com moradoras. Almoço com comida típica caiçara, arroz com taioba, parati espalmado e salada. Passeio opcional e roda de conversa. O grupo também produz uma grande variedade de artesanato caiçara. Contato: (13)99786.7490 (Lygia Mesquita)/(13) 99751.7484 (Sandra Assumpção)/ (3466.6905) Caiçara Expedições. Tudo do Mar-casquinhas de siri caiçaras-Casquinhas de camarão, casquinhas mistas e casquinhas de bacalhau congeladas. É só levar ao microondas por dois minutos e estão prontas para comer! Contato: (13) 99719.6003/(13)98154.1773 (Rocha). Entregas em domicílio. Peixe de Varal- Angélica Souza – peixe salgado curado ao sol, alimentos orgânicos e veganos. Instagram: peixedevaral/ (12) 99706.2578. Defumado Caiçara- Jefferson Maraschi resgatou a tradição do peixe defumado caiçara de Cananeia. Contato: Instagram: defumadocaicara. Whatsapp: (13) 98202.7594. Arte Nossa - Artesãos locais vendem diferentes artes em: bambu, tricô, crochê, macramê, cimento, retalhos e esculturas em madeira. Segundo o escultor Ricardo Santos o grupo é composto de 16 artesãos. A loja de

artesanato funciona de segunda a sábado das 10h às 17h. Rodovia Rio-Santos km 226, ao lado da Nunes Bambu. Contato: @bambununes/ (13) 3317.7244. Nunes Bambu - executa trabalhos com cerca de 50 tipos de bambu para produzir mais de 500 tipos de produto, através de cultura sustentável e consciência ecológica. Contato: @bambununes/(13) 3317.7244. Hélio ART Na Parede- Hélio Paulo Machado retrata em telas e murais as belezas do bairro de Cachoeira, em Guarujá. Contato: (13) 982325747/ Instagram: webradiosantacruzfm Ateliê Marcelo Brasil- O artista produz esculturas em madeira, óleo sobre tela, placas artísticas e comerciais. Contatos podem ser feitos por: marcelobrasilu5@gmail.com/ whatsapp (12)99198.5867/ tel:(12)3892.5362/ www.facebook.com/marcelo.brasil.90/ Instagram : _marcelo_artesanato _ Canjerê Arte em Madeira - O artesão Zé Marques produz miniaturas de oratórios, santos e esculturas em lápis. Informações: Facebook: Canjerê artesanato/Instagram: duzemarx 2018/ canjerê_ / whatsapp: (041) 8523.7205 Tarrafas, e agulhas de madeira ou bambu para tecer - O pescador Luciano Bibiano faz tarrafas e redes artesanais para pesca ou decoração de ambientes. Sob encomenda. Contato: (13) 98216.4204 (Sidnei).


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COLUNA Com 300 participantes no pelotão, DP World Santos marca seu retorno aos 10km Tribuna FM em 2022 Após dois anos fora da maior corrida de rua da Baixada Santista, terminal forma pelotão expressivo e doará 300 latas de leite em pó para instituições assistenciais

Foto de 2019

A DP World Santos, celebra a “reestreia” nos 10km Tribuna FM após um período crítico da pandemia de Covid-19. O terminal está entre os três maiores pelotões da prova, com 300 representantes que estão se preparando para corrida. A companhia fornece 100% do valor das inscrições dos integrantes, mediante a doação de uma lata de leite em pó. Todo o alimento arrecadado será entregue para instituições assistenciais da cidade de Santos, como parte do Programa de Voluntariado realizado pelo terminal. Além disso, durante mais de um mês, os inscritos puderam participar de treinos gratuitos, conduzidos por uma consultoria especializada, oferecidos pela empresa na praia do Gonzaga. A participação nos 10 KM Tribuna FM já está no calendário oficial

de eventos da DP World Santos e é um dos momentos mais esperados no ano pelos integrantes. O terminal participa da corrida desde 2012, e há alguns anos já figura entre os maiores pelotões da prova. A DP World Santos é uma grande incentivadora do esporte na região, sendo uma das empresas que mais

contribui com projetos por meio do PROMIFAE (Programa Municipal de Incentivo Fiscal de Apoio ao Esporte). Desde 2015, já foram investidos cerca de R$ 4 milhões em projetos patrocinados em mais de 50 projetos em modalidades como ginástica artística, canoagem, futebol, crossfit, entre outros.

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Angélica dá diferentes sabores aos peixes com mistura de temperos O coentro de folha larga é um dos principais ingredientes da culinária caiçara. Aqui, Angélica de Souza vai além e mostra uma variedade de temperos que podem realçar o sabor do pescado. Nascida em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, faz questão de preservar as tradições caiçaras, como o peixe salgado curado ao sol, que ela desenvolve de forma comercial na sua microempresa Peixe de Varal. Segue aqui uma lista com diferentes maneiras de temperar o peixe. Saiba mais em: Facebook.com/peixedevaral Instagram: @ peixedevaral/Fone:(12) 99706.2578 Tempero 1 Utilize manjericão, sálvia, tomilho e sálvia a gosto. Você só vai precisar bater as ervas no liquidificador com um pouco de azeite. Passe esse tempero no peixe e reserve na geladeira por algumas horas antes de fazer a sua receita. Tempero 2 Para um peixe inteiro, você vai precisar misturar 50 ml de azeite, 2 dentes de alho amassados, 1 xícara de vinho branco seco e 3 colheres (sopa) de cheiro-verde picadinho. Espalhe a misture sobre e dentro do peixe. Deixe reservado na geladeira por 1 hora antes de preparar o peixe. Tempero 3 Essa mistura só tem 3 ingredientes: 1/3 de xícara de sal grosso, 1 colher (sopa) de gengibre em pó e coentro picadinho a gosto. Bata num pilão ou no liquidificador e use para temperar peixes que serão cozidos, grelhados, fritos ou assados. Tempero 4 Misture tomilho, sal, cebola, pimenta-do-reino e alecrim a gosto. Bata num pilão, acrescente azeite e passe no peixe. Deixe descansando na geladeira para que o tempero incorpore no peixe. Tempero 5 Você vai precisar de um dente de alho, 1/2 cebola, salsinha e cebolinha a gosto, 5 folhas de manjericão, suco de 2 limões, pimenta-do-reino em pó a gosto e suco de 2 limões. Bata no liquidificador ou no processador. Passe o tempero nos peixes e deixe na geladeira para pegar gosto.


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Páscoa em Cachoeira Ovos de Páscoa fizeram a alegria de crianças no sítio Cachoeira, em Guarujá, no dia 15 de abril. “Entregamos os ovos de casa em casa para evitar aglomeração e preservar a saúde de nossos filhos”, afirmou Sidnei Bibiano, secretário da Associação de Moradores e Amigos de Cachoeira-AMAC que realizou o evento. “Aqui, às margens do canal de Bertioga, vivem nossas comunidades tradicionais caiçaras”, acrescentou. A ação visou as famílias de ribeirinhos da região, chamada de Rabo do Dragão. Tudo foi possível graças à Associação, aos moradores e aos amigos da comunidade que contribuíram para que o coelhinho chegasse ao bairro.

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A arte de Ricardo: em comunhão com a natureza Pedaços de madeira se transformam em pássaros, peixes e barcos de todos os tamanhos. Os maiores retratam onças, tubarões e até bicho-preguiça! Nas mãos do escultor Álvaro Ricardo Santos, o Rick, tudo é possível. A habilidade vem de nascença, mas a arte foi ensinada pelo tio Carlos Francisco, natural de Ubatuba, pescador, construtor de canoa de um pau só e de miniaturas

de barcos. “Aprendi com meu tio a trabalhar na madeira, usando enxó, formões e facão”, explica Rick. Hoje, o escultor, nascido em Santos, mora em Bertioga e expõe seus trabalhos na Arte Nossa na Rodovia Rio-Santos km 226. Whatsapp: (13)99711.4185/ 99799.9392/ ricksantos1221@gmail.com Instagram: rickbertiogaescultor

O sítio Icanhema e a luta contra a escravidão Na semana em que comemoramos o histórico 13 de maio em nosso calendário nacional, é importante darmos visibilidade aos lugares e personalidades que serviram como verdadeiros baluartes do movimento abolicionista na baixada santista. Afinal, muito se é comentado sobre a importância do quilombo do Jabaquara na luta pela liberdade africana em nosso litoral, mas outros redutos, ainda que de menores proporções, também tiveram seu papel na resistência contra a escravidão. O sítio Icanhema, ou Canhema, já citado em pesquisas dos historiadores Francisco Martins dos Santos e Wilma Therezinha Fernandes de Andrade, localizado na porção oeste da Ilha de Santo Amaro, município de Guarujá, já aparecia em mapas do século XVIII próximo à Fortaleza de Santo Amaro. No início dos anos oitocentos, o terreno pertencia à Ana Luiza da Silva, irmã do capitão-mor de Santos, sendo que nesta época o sítio era cultivado por 15 pessoas escravizadas, que se dedicavam à produção de arroz, farinha de mandioca, aguardente e café. Em 1821 a proprietária transferiu o sítio ao seu sobrinho João Baptista da Silva Bueno, que daria continuidade ao perfil escravocrata que a família possuía. Mas o curioso é que o mesmo solo que, em tempos passados, foi arado por mão de obra escrava, no último quartel do século XIX, seria um espaço de refúgio para aqueles

que conseguiam escapar do sistema escravagista. Desta forma o sítio, agora pertencente a Geraldo Leite da Fonseca, receberia escravos fugidos, e ali eles passariam a ser sustentados por ele. Em uma época onde o movimento abolicionista em Santos ainda era recente, era comum que algumas propriedades da região acobertassem homens e mulheres que se livravam da vida árdua no cárcere. Geraldo Leite da Fonseca, mesmo que tenha sido neto de Theodoro Menezes de Forjáz, outro escravagista da ilha de Santo Amaro, fazia parte de uma juventude com pensamento renovado e libertário. Ele, junto a outros nomes da mocidade santista, foi um dos responsáveis, em 1882, pela criação do quilombo do Jabaquara, cujo acesso se dava

pelas terras de sua família na vila de Santos. E com a inauguração de um espaço único onde os negros conseguiram autonomia e condições de reprodução de suas manifestações culturais, os outros locais, que outrora serviram de abrigo temporário aos africanos foragidos, logo perderam sua razão de ser. Até o início do século passado, Geraldo permaneceria sendo proprietário de terras em Santo Amaro, anunciando orgulhosamente nos jornais a venda da caninha “Matto Grosso” produzida nas terras de seu falecido avô, Mas, diferentemente dos tempos antigos, a aguardente fabricada na ilha agora era feita por mãos livres. Wendel Alexsander Dalitesi Costa - Historiador e Genealogista da @legado.pesquisa

Eduardo e a arte de observar pássaros Avistar e fotografar pássaros se tornou uma das mais fascinantes atividades para biólogo Eduardo Pimenta, professor da Universidade Veiga de Almeida-UVA-Campus Cabo Frio-RJ. Cadastrado no Wikaves desde 2018, já registrou no site fotos de 2371 aves de 315 espécies. Morando em Cabo Frio tem oportunidade de fotografar a abundante fauna local. Ao viajar, não perde oportunidade de visitar novos locais, como Ilha Diana, na área continental de Santos. Ali, numa viagem de barco pelo mangue, teve oportunidade de fotografar interessantes espécies, como o guará-vermelho.

O biólogo Eduardo

Um guará-vermelho


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Cuidados ao comprar peixes frescos (parte 2)

Augusto Pérez Montano Médico Veterinário, membro da Comissão de Aquicultura do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo

Na edição anterior demos início ao artigo falando sobre conservação do pescado, que damos continuidade agora. Assim, frisamos que quanto mais frio o pescado for mantido, mais lento é o crescimento das bactérias o que garante a qualidade e a segurança para o consumidor. Segundo a legislação brasileira (Decreto no 9.013, de 29/03/2017 – RIISPOA MAPA) as seguintes características devem ser observadas

em peixes: - superfície do corpo limpa, com relativo brilho metálico e reflexos multicores próprios da espécie, sem qualquer pigmentação estranha; - olhos claros, vivos, brilhantes, luzentes, convexos, transparentes, ocupando toda a cavidade orbitária; - brânquias róseas ou vermelhas, úmidas e brilhantes com odor natural, próprio e suave; - abdômen com forma normal, firme, não deixando impressão duradoura à pressão dos dedos; - escamas brilhantes, bem aderentes à pele, e nadadeiras apresentando certa resistência aos movimentos provocados; - carne firme, consistência elástica, da cor própria da espécie, não deixando impressão duradoura à pressão dos dedos, como citado para o abdômen; - ânus fechado; - odor próprio, característico da espécie. O pescado deve ser o último item a ser comprado no dia de compras a fim de conservar esse alimento por mais tempo. Após a compra, colocar o peixe embrulhado em bolsa térmica com gelo limpo para manter temperatura de frio, de preferência eviscerado para aumentar o tempo de validade. Em caso de o peixe estar inteiro a evisceração deve ser imediata ao chegar em casa, lavando bem em água corrente para retirada das sujidades e colocar em um recipiente limpo seco e bem fechado na primeira prateleira da geladeira até a hora de usar. Este tempo deve ser de no máximo dois dias, este tempo pode ser prorrogado por mais dias se for armazenado no freezer. Porém vários fatores concorrem para diminuir esse tempo: o cuidado após a captura, a exposição do produto a venda, a manipulação, o cuidado caseiro, a variação da temperatura que foi submetido durante todo o processo e o grau de limpeza e higiene dos utensílios utilizados. Outro fator que colabora na durabilidade do produto é a organização, limpeza e higienização das bancas e manipuladores. Por outro lado, as pessoas não devem tocar nos peixes e quando necessário devem fazer uso de luvas limpas e descartá-las em seguida, em local apropriado. É de suma importância não conversar próximo ao local onde estão depositados os peixes, pois as gotículas de saliva podem contaminar o alimento. Os mesmos procedimentos levados em consideração para o peixe fresco podem ser estendidos aos peixes salgados e secos como por exemplo o bacalhau.

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Joel, criando novas gerações de pesca Joel Alves dos Santos, além de pescar, sempre gostou de ensinar essa arte aos interessados e assim formar novos pescadores. Um deles é Igor Antônio, que aprendeu muitas dicas com ele. Um dia, pescando em Praia Grande, viu que Igor observava com interesse, e se propôs a ensiná-lo. Depois que o rapaz fisgou um pampo, a amizade dos dois estava selada. Associado da Colônia de Pescadores Z-4 de São Vicente, Joel levou o amigo lá para obter sua documentação. Hoje saem de barco para pescar tainhas e outros peixes em alto-mar. “Gosto de incentivar, já ensinei bastante gente para essa prática não morrer”, conclui Joel.

Igor e Joel, amizade na pesca

A voz caiçara de Marcelo em telas, poemas e esculturas Ser caiçara é conhecer o tempo/é pescar sem desperdiçar/é amar o mar e a mata atlântica trecho do poema “Ser caiçara” de Marcelo Brasil Marcelo Brasil abraça todas as artes. Nascido no ano de 1969 em São Sebastião no litoral norte de São Paulo, faz entalhes e esculturas em madeira, poesias, pinturas em tela e trabalha como arte-educador. Sua vocação para a arte nasceu cedo. “Desde pequeno gostei de pintar”, conta. “Aos 15 anos comprei meus primeiros formões e fui criando minha técnica própria”, explica. Depois de formado, começou a fazer entalhes em madeira na Praia de Juquei, em São Sebastião. Em 2000 abriu junto com sua esposa Rosangela, hoje falecida, o Ateliê Marcelo Brasil voltado à valorização da cultura caiçara, diversidade da Mata Atlântica e vida marinha. Além de exposições de seus trabalhos, dá aulas de arte desde 1997 em escolas de São Sebastião. Através de suas obras despertou nos alunos um olhar crítico da arte contemporânea. Dentro do resgate de cultura destaca em suas poesias e placas os dizeres caiçaras que estão se perdendo. Marcelo trabalha sob encomenda, e envia seus trabalhos via Correio. Suas obras vão desde esculturas a placas decorativas e também comerciais. Contatos podem ser feitos por: marcelobrasilu5@gmail.com/ whatsapp (12)99198.5867/ tel:(12)3892.5362/www.facebook.com/marcelo. brasil.90/ Instagram : _marcelo_artesanato _

Marcelo em seu ateliê em São Sebastião

Marcelo preza pelos dizeres tradicionais das comunidades caiçaras


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Cachoeira Um bairro tranquilo de Guarujá, Sítio Cachoeira preza pelo nome devido a abundância das águas que jorram de suas nascentes. Ali os pescadores artesanais buscam o peixe nas águas do Canal de Bertioga e vivem em comunhão com a natureza. Muitos preservam os modos tradicionais de pescar, de fazer e remendar de redes e de preparar os pratos típicos caiçaras. Para quem quiser conhecer um pouco desse sossego, é só parar no Rancho do Pedrinho, restaurante à beira da antiga estrada Guarujá-Bertioga no Km 14,5.

Antônio Benedito Germano, 77 anos, segue pescando da maneira que aprendeu com seu pai Germano. Também conhecido pelo apelido de Mariano, nasceu em Vicente de Carvalho, e hoje mora no Sítio Cachoeira. Além de pescar, remenda suas redes como aprendeu com o pai. “Pesco de tudo”, diz com orgulho.

Uma arte aprendida com o pai

Orlando Gomes Machado, 64 anos, nasceu no Sítio São Pedro, em Guarujá. É tesoureiro da Associação de Moradores e Amigos de Cachoeira AMAC, fundada em março de 2020.

Luciano Bibiano Silva dos Santos

Manhãs caiçaras

Orlando Machado é tesoureiro da AMAC

O pescador Luciano Bibiano dos Santos segue sempre seu ritual de pesca pelas manhãs. Arruma sua tralha para pescar no canal de Bertioga. De seu quintal caiçara, no bairro de Cachoeira em Guarujá, ajeita sua rede e sai para, com sorte, pegar belos robalos. Sua vida é pegar os peixes e fazer redes e tarrafas, que ele também comercializa. Essa região é chamada de Rabo do Dragão, pois o contorno da Ilha de Santo Amaro, onde fica o Guarujá, tem a semelhança desse animal mitológico. Ali, às margens do canal de Bertioga vivem comunidades tradicionais caiçaras, ribeirinhos de famílias de pescadores. Os moradores preservam a natureza, porque sabem que é dali que se tira o pão de cada dia do artesanal.

Orlando Machado e Sidnei Bibiano da AMAC e Hélio Machado do Rancho do Pedrinho.

O Rancho do Pedrinho

Quem chegar no Rancho do Pedrinho logo vai ser recebido pelo sorriso da Maiara, que desde os 10 anos de idade é uma das responsáveis pelo bom atendimento do restaurante. Hoje, aos 28 anos, a neta do Pedrinho Marcelino, fundador do estabelecimento, junto ao pai, Márcio de Oliveira, administram o local, depois que Pedrinho se aposentou. Localizado no bairro de Cachoeira, em Guarujá, é rodeado de verde, canto de pássaros e o delicioso som da água jorrando. Ali, é possível encontrar uma grande variedade de frutos do mar: marisco, caranguejo, peixes, camarão, lula. O Rancho do Pedrinho fica aberto das 10h da manhã até 18h30. Telefone: (13) 981508561 ou (13)33052001. Endereço: 14,5 km Rodovia Ariovaldo Almeida Vianna SP-61- antiga estrada Guarujá-Bertioga.

Dona Odete Loureiro nasceu em 1951, no Iriri, e começou sua vida trabalhando em bananal. Mais tarde aprendeu a catar marisco no mangue com a mãe Maria, e também com o Dalmo, dono de restaurante homônimo. Até 5 anos atrás ia pegar marisco remando, uma vida de muito trabakho e coragem. “Agora os filhos me deram um motor para o barco, e aí vou eu, Deus e minha tribo, Lucia, Jaqueline, Manoela”, conta. Filha foi uma vez só e disse, “isso não é pra mim”.

As pinturas de Hélio Machado enfeitam o Rancho do Pedrinho

Marisco, fornecido pela dona Odete, feito à vinagrete

Maiara Hermenegildo de Oliveira

Os noivos Samanta e Gabriel ao lado dos pais da noiva, Patrícia e Xilico, comemoram o matrimônio.