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ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DOS ENFERMEIROS OBSTETRAS

Encontro Nacional da Associação Portuguesa dos Enfermeiros Obstetras XVIII Encontro Nacional & 2º Congresso Internacional da APEO

Livro de Resumos

Lisboa Março de 2017


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ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DOS ENFERMEIROS OBSTETRAS Encontro Nacional da Associação Portuguesa dos Enfermeiros Obstetras XVIII Encontro Nacional & 2º Congresso Internacional APEO

Livro de Resumos Autor: Associação Portuguesa dos Enfermeiros Obstetras Título: Encontro Nacional da Associação Portuguesa dos Enfermeiros Obstetras: XVIII Encontro Nacional & 2º Congresso Internacional APEO - Livro de Resumos Editor: Associação Portuguesa dos Enfermeiros Obstetras Serviço de Obstetrícia - 5º Piso, Hospital Garcia de Orta Av. Torrado da Silva - Pragal 2805-267 ALMADA Telefone: 918492122 Diretora: Dolores Silva Sardo Coordenadores: Manuela Ferreira João José de Sousa Franco Local: Almada, Portugal Suporte – CD-ROM e on-line Ano: 2017 (2ª edição) URL: http://www.apeobstetras.com E-Mail-mail: apeo.portugal@gmail.com ISBN: 978-989-97008-2-6

Lisboa Março de 2017 2


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INDICE 0 - INTRODUÇÃO .............................................................................................. 5 1 - PROGRAMA ................................................................................................. 6 2 - RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ............................................................. 8 O CUIDAR OBSTÉTRICO BASEADO NA EVIDÊNCIA: SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA EM ESTUDANTES DO ENSINO SUPERIOR ................................... 10 O CUIDAR OBSTÉTRICO BASEADO NA EVIDÊNCIA. EMPODERAMENTO DA GRÁVIDA: MATERNIDADE VS MEDO DO PARTO ............................................ 12 O CUIDAR OBSTÉTRICO BASEADO NA EVIDÊNCIA. O CUIDAR OBSTÉTRICO BASEADO NA EVIDÊNCIA. PARTO NORMAL/NATURAL ASSISTIDO: PROJETO PARA ASSISTÊNCIA EM MEIO INTRA-HOSPITALAR........ 14 O CUIDAR OBSTÉTRICO BASEADO NA EVIDÊNCIA: O CUIDAR OBSTÉTRICO BASEADO NA EVIDÊNCIA: DETERMINANTES DO AJUSTAMENTO CONJUGAL DA PUÉRPERA........................................................... 16 PARTO NA ÁGUA: PRÁTICA SEGURA VS RESULTADOS EM SAÚDE. RESULTADOS DE UMA PRÁTICA NO SERVIÇO DA MULHER NO HSB, SETÚBAL .................................................................................................................. 18 PARTO NA ÁGUA: PRÁTICA SEGURA VS RESULTADOS EM SAÚDE. INTERVENÇÃO DO MOVIMENTO PARTO NA ÁGUA EM PORTUGAL .................... 19 ABORDAGENS CLÍNICAS EM OBSTETRÍCIA: ABORDAGENS CLÍNICAS EM OBSTETRÍCIA: PARTO PÉLVICO ............................................................................. 22 ABORDAGENS CLÍNICAS EM OBSTETRÍCIA: ABORDAGENS CLÍNICAS EM OBSTETRÍCIA: RISCO OBSTÉTRICO E SEGURANÇA NA SALA DE PARTOS ....... 24 VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA: DIFERENTES OLHARES. VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA: DIFERENTES OLHARES. COMO PROMOVER A PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES E DA COMUNIDADE NA ELIMINAÇÃO DA VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA ......................................................................................... 25 VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA: DIFERENTES OLHARES. VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA: DIFERENTES OLHARES. VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA E OS MEDIA ....................................................................................................................... 27

3 - RESUMO DAS COMUNICAÇÕES LIVRES ................................................ 31 O EXERCÍCIO DA PARENTALIDADE DE CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS ................................................................................................................. 32 DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS PARENTAIS PARA O DESENVOLVIMENTO LITERÁTICO DA CRIANÇA ................................................... 34 INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM À MULHER SUBMETIDA A CIRURGIA PARA O TRATAMENTO DA INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO (NÍVEIS DE EVIDÊNCIA ............................................................................................. 36 CENTROS DE NASCIMENTO GERIDOS POR EESMO/PARTEIRAS: NECESSÁRIOS À “NORMALIZAÇÃO” DO PARTO ................................................... 38 4


CUIDADO PERINEAL NO PARTO NORMAL: DA HISTÓRIA À EVIDÊNCIA ............. 40 A IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO NA ÁREA DA SEXUALIDADE EM ENFERMAGEM .......................................................................................................... 42

A PREFERÊNCIA DA VIA DE PARTO .................................................................. 44 FATORES QUE INFLUENCIAM O CASAL NA TOMADA DE DECISÃO E DURAÇÃO NO ALEITAMENTO MATERNO ......................................................... 45 A MULHER SUBMETIDA À PRÁTICA DA MUTILAÇÃO GENITAL FEMININA: INTERVENÇÕES DO ENFERMEIRO OBSTETRA ..................................................... 47 CONTRIBUTOS DA VISITA DOMICILIÁRIA DE ENFERMAGEM OBSTÉTRICA NO SUCESSO DO ALEITAMENTO MATERNO E ANSIEDADE ESTADO ................. 49 PRÁTICA CLÍNICA DO EESMO NA CONDUÇÃO DE CIRCULAR CERVICAL DO CORDÃO UMBILICAL .......................................................................................... 51 O CONHECIMENTO DAS GRÁVIDAS SOBRE O PROCESSO DE PARTO .............. 53 KIT “CUIDAR DA PARENTALIDADE PARTILHADA”: UMA FERRAMENTA DE TRABALHO PARA OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE ................................................ 55 EXPERIÊNCIA DO PAI DURANTE O TRABALHO DE PARTO E PARTO: CONTRIBUTOS DE UM CURSO DE PREPARAÇÃO PARA O NASCIMENTO ......... 56

BARREIRAS NO ACESSO DOS JOVENS ADULTOS AOS CUIDADOS DE SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA .......................................................... 58 4 - RESUMO DOS POSTERS .......................................................................... 60 NASCER NA MATERNIDADE BISSAYA BARRETO: O CONTACTO PELE A PELE NO BLOCO OPERATÓRIO .................................................................................. MUTILAÇÃO GENITAL FEMININA EM PORTUGAL E NO MUNDO: FATORES DETERMINANTES ..................................................................................................... 63 CONTATO PELE A PELE NA PRIMEIRA HORA PÓS-PARTO ................................. 65 REBOZO: UMA FORMA DE ABRAÇAR O PARTO NATURAL ................................... 67 PROMOÇÃO DA PARTICIPAÇÃO ATIVA DA MULHER DURANTE O TRABALHO DE PARTO ............................................................................................. 69

5 - COMISSÕES ................................................................................................. 73 PRESIDENTE DO ENCONTRO ................................................................................. 73 COMISSÃO ORGANIZADORA ................................................................................... 73 COMISSÃOCIENTÍFICA ............................................................................................. 73

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0 - INTRODUÇÃO

Associação Portuguesa dos Enfermeiros Obstetras está mais uma vez a cumprir o seu desígnio de promover a Enfermagem Obstétrica, com a publicação do Livro de Resumos do XVIII Encontro Nacional & 2º Congresso Internacional da APEO, a decorrer dias 9 e 10 Abril 2015, em Lisboa. Com esta publicação, procura-se perpetuar as diferentes intervenções apresentadas neste evento e, em simultâneo, criar um instrumento de divulgação científica que permita aos profissionais da área da saúde sexual e reprodutiva, principalmente aos enfermeiros especialistas, a sua consulta para debate e problematização dos temas abordados. Neste documento, compilámos 30 resumos de comunicações (9 comunicações em mesas-redondas, 15 comunicações livres e 6 pósteres), maioritariamente proferidos por enfermeiros especialistas de saúde materna e obstétrica. Retratam a investigação feita, não só em contexto académico como, em contexto clínico, para aprofundar o conhecimento propiciador de cuidados de excelência, com vista a uma prática autónoma. Este livro inclui o programa do Encontro Nacional & 2º Congresso Internacional da APEO e está organizado em três partes: a primeira corresponde aos resumos das comunicações, a segunda e terceira parte aos resumos das comunicações livres e dos pósteres respetivamente. Queremos que seja uma obra viva capaz de enriquecimento científico, tecnológico e profissional. Desejamos que o seu conteúdo seja uma referência para fazer progredir a investigação e a intervenção na área da saúde sexual e reprodutiva. Ao finalizar, agradecemos a todos os que contribuíram para a produção e registo deste evento que, com a sua presença, o tornaram memorável. A Presidente do XVIII Encontro Nacional & 2º Congresso Internacional da APEO

Dolores Silva Sardo11

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EEESMO, Professora Adjunta da Escola Superior de Enfermagem do Porto

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1 - PROGRAMA XVIII ENCONTRO NACIONAL & 2º CONGRESSO INTERNACIONAL APEO Auditório Alto dos Moinhos, Lisboa, 9 e 10 Abril 2015 PROGRAMA

9 de abril de 2015

9:00 – Comunicações Livres e Posteres Moderador: Alexandra Amaral, EESMO, CHSJ-EPE, Porto, APEO 10:00 – O cuidar obstétrico baseado na evidência Moderador: Manuela Ferreira, EESMO, ESS-IPV, Viseu, APEO  Saúde sexual e reprodutiva no ensino superior. Paula Nelas, PhD, EESMO, ESS-IPV, Viseu  Empoderamento da grávida: maternidade vs medo do parto. Daniela Silva, EESMO, Coimbra  Parto Normal/Natural Assistido: Projeto para a Assistência em Meio Intra-Hospitalar. Maria João Marques, EESMO, HESE-EPE, Évora  Determinantes do ajustamento conjugal da puérpera. Sara Esteves, EESMO, CHBV, EPE- HIDP, Aveiro 11:00 - Café 11:15 – Conferência Inaugural “Women have a fundamental right to competent midwifery care” Frances Day-Stirk, Presidente da ICM 11:30 - Sessão de Abertura 12:00 - Workshop Analgesia inalatória: A utilização da mistura gasosa de protóxido e oxigénio no contexto obstétrico 13:00 – Almoço livre 14:30 – Eficacia de una intervención telemática en la atención al pos parto. Gloria Seguranyes Guillot, PhD, matrona, professora, Universidade de Barcelona, SP Moderador: Arminda Pinheiro, EESMO, ESE-UM, Braga, APEO 15:00 – Parto na água: prática segura vs resultados em saúde Moderador: João Franco, EESMO, ESEnfC, Coimbra, APEO  Uma prática baseada na evidência. Cristina Costa, Obstetra, CONSULPED, Setúbal  Resultados de uma prática. Elisabete Santos & Carmen Segurado, EESMOs, CHSHSB, Setúbal  Orientação para a prática. Vitor Varela, ESMO, Presidente da Mesa do Colégio da Especialidade de ESMO da Ordem dos Enfermeiros.  Intervenção do Movimento Parto na Água em Portugal. Ines Anjo, Associação Mães de Água  Water Birth Safety Initiative, Adam Tobias, UK 16:40 – Comunicações Livres e Posteres Moderadora: Benvinda Bento, EESMO, CHS-HSB, Setúbal, APEO

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XVIII ENCONTRO NACIONAL & 2º CONGRESSO INTERNACIONAL APEO Auditório Alto dos Moinhos, Lisboa, 9 e 10 Abril 2015 PROGRAMA

10 de abril de 2015

9:00 - Comunicações Livres e Pósteres Moderadora: Otília Zangão, EESMO, ESESJD-UE, Évora, APEO 9:30 - Preparar o nascimento Moderadora: Rosália Marques, EESMO, HGO, Almada, APEO  Risco obstétrico. Inês Nunes, médica interna da especialidade de obstetrícia, CHSJEPE, Porto  Gravidez a termo e indução do parto: conceitos e indicações clínicas. Ana Campos, obstetra, CHLC-MAC, Lisboa  Versão cefálica externa. Ester Casal, Obstetra HGO, Almada 

Parto pélvico. Antónia Santos, obstetra, HGO, Almada.

11:20 - Café 11:30 – Conferencia de Encerramento “La educación de parteras y enfermeras obstetricas en Europa: implicaciones para el desarrollo de un modelo de atención” Gloria Seguranyes, PhD, Matrona, Professora, Universidade de Barcelona, SP 11:50 - Comunicações Livres e Pósteres Moderadora: Manuela Pastor, EESMO, HGO, Almada, APEO 13:00 - Almoço livre 14:30 - Violência Obstétrica: diferentes olhares Moderador: Dolores Sardo, EESMO, ESEP, Porto, APEO  Refletir sobre abusos e desrespeito nas práticas obstétricas. Maria Neto, ESMO, professora ESEnfC, Coimbra  Pelos direitos das mulheres na violência obstétrica. Teresa Séria, presidente da Associação Portuguesa de Mulheres Juristas (a confirmar)  Como promover a participação das mulheres e da comunidade na eliminação da violência obstétrica. Sara do Vale, presidente da Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto  A violência obstétrica e os media. Rita Ferreira, jornalista. 16:15 - Entrega de Prémios 16:30 - Sessão de encerramento

Apoio científico: Direção Geral da Saúde

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2 - RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES

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O CUIDAR OBSTÉTRICO BASEADO NA EVIDÊNCIA: SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA EM ESTUDANTES DO ENSINO SUPERIOR Paula Nelas21 Enquadramento: Com a entrada no mundo universitário os jovens relacionam-se, no âmbito da sexualidade, tendo em consideração o background de significados, tabus, crenças, moral e religião que transportam do meio familiar e social no qual se desenvolveram. Este processo de adaptação, pode durar dias ou meses, dependendo dos aspetos mencionados. As relações íntimas que se desenvolvem, podendo ser de amizade ou namoro, proporcionam laços que conferem segurança emocional, uma vez que está presente o distanciamento das relações parentais. Neste contexto, a experiência académica proporciona a procura de novas sensações do prazer, da experimentação, assim como de atitudes face à sexualidade não habituais, que sobressaem pela força do estilo de vida emergente. Objetivos: Identificar as motivações dos estudantes universitários para terem ou não terem sexo e analisar a influência das variáveis sociodemográficas e sexuais nessa motivação. Material e Métodos: Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo, analitico e correlacional, com uma amostra de 323 estudantes do ensino superior, com idades compreendidas entre os 19 e os 28 anos (média=20.68, dp=2.54). O instrumento de colheita de dados foi o questionário, com a primeira parte destinada à caraterização da amostra (dados sociodemográficos, e caraterização sexual). A segunda parte inclui a escala de atitudes sexuais (Alferes, 1999); atitudes face à contraceção (Reis, 2006), satisfação com o relacionamento sexual (Ribeiro & Raimundo, 2005) e a motivação para fazer ou não fazer sexo (Leal & Maroco, 2010). Resultados: O sexo masculino escolhe como interlocutor o pai, tende a ter relações sexuais mais precoces, não usa preservativo porque a parceiro usa outro contracetivo, são mais permissivos face ao sexo ocasional, sem compromisso e sexo não convencional. O sexo feminino escolhe como interlocutor sobre a sexualidade a mãe. Os jovens que namoram e com experiência sexual são mais permissivos face ao sexo ocasional, sem compromisso e sexo não convencional. Os jovens que têm como interlocutor sobre a sexualidade a mãe são menos permissivos face ao sexo ocasional, sem compromisso e sexo não convencional. Os jovens com conhecimentos sobre os métodos contracetivos têm uma atitude positiva face aos métodos contracetivos. A satisfação sexual dos estudantes que namoram e que têm experiência sexual é mais elevada. O sexo masculino, apresenta como dimensões da motivação para ter relações sexuais o Hedonismo e Saúde e a Interdependência 1

Professora Adjunta, PhD, EESMO, ESS do IPV, Viseu. Portugal

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relacional. Os jovens com idades superiores a 22 anos apresentam motivação relacionada com o Hedonismo e Saúde. Os motivos apresentados, quando o interlocutor sobre sexualidade é a mãe, estão associados ao Hedonismo e Saúde e à Interdependência relacional. Quando o interlocutor é o pai, encontramos os domínios da motivação relacionados com o Hedonismo e Saúde e o Conservadorismo. Os jovens sem experiência sexual estão menos motivados para ter sexo por Medo e por Conservadorismo. Os jovens que utilizam contraceção, apresentam motivação para ter sexo relacionada ao Hedonismo e Saúde e não motivação para ter sexo associada ao Conservadorismo. As dimensões Medo e o Conservadorismo permitem uma melhor Atitude face à Contraceção. Conclusão: O sexo, idade, o interlocutor sobre a sexualidade, a experiência sexual, a contraceção, as atitudes sexuais e atitude face a contraceção influenciam os motivos para a ter relações sexuais.

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O CUIDAR OBSTÉTRICO BASEADO NA EVIDÊNCIA: EMPODERAMENTO DA GRÁVIDA: MATERNIDADE VS MEDO DO PARTO Daniela Silva31 Enquadramento: À gravidez associam-se grandes transformações físicas e psicossociais, este é um período repleto de sentimentos ambíguos, dúvidas e receios, que determinam a constituição da maternidade. Ou seja, no decurso dos trimestres da gravidez, a mulher deve adquirir conhecimentos e experiências que lhe confiram autonomia, competência e poder para efetuar escolhas que influenciam a sua saúde. Fatores sociodemográficos, obstétricos e psicossociais, parecem influenciar a independência, autoeficácia e poder de decisão da grávida, portanto, a sua capacitação para o parto e maternidade, a qual se vai desenvolvendo até ao términus da gravidez. No âmbito das variáveis psicossociais, destacamos a pertinência do medo do parto, sentimento vivido com frequência no final da gravidez e momento do parto, e desenvolvido de acordo com as experiências prévias ou expectativas criadas pela mulher, procurando perceber qual a relação entre este fator e o empowerment da grávida no terceiro trimestre. Objetivos: Identificar as variáveis sociodemográficas e de contexto obstétrico que afetam o empowerment da grávida no último trimestre da gestação; Determinar a influência do medo do parto no empowerment da grávida. Métodos: Estudo não experimental, transversal, quantitativo, descritivo e correlacional com amostra não probabilística por conveniência (n=235). Colheita de dados realizada com aplicação de um instrumento composto, entre outros, pelo questionário sociodemográfico e de dados obstétricos, pela Escala da expectativa do parto – versão A (Wijma e Wijma, 2005), que avalia o medo do parto, e pela Escala do empowerment da grávida (Kameda e Shimada, 2008), a grávidas no terceiro trimestre. O estudo incluiu a validação da Escala da expectativa do parto (versão A). Resultados: A amostra foi constituída por grávidas com idades compreendidas entre os 19 e os 47 anos, tendo a maioria até 35 anos de idade (75,74%), sendo a média de idades, aproximadamente 32 anos. A maioria dos elementos era casada ou estava a viver em união de facto (67,66%) e tinha formação académica superior (48,08%). Relativamente aos dados obstétricos, a maioria das participantes eram nulíparas (56,3%), porém, estava grávida pela segunda vez (54,5%). Em 77,4% dos casos, a gravidez foi planeada e em 96,2% das situações, era uma gravidez desejada. 69,8%

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EEESMO, Coimbra, Portugal.

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das grávidas realizavam a sua vigilância de saúde apenas na maternidade, e 73,2% não frequentava cursos de preparação para o parto. Verificou-se que o empowerment da grávida é influenciado, nas suas dimensões, pela experiência de gravidez (t =3,615; p <0,001) e parto anterior (t=-2,913; p<0,01). No que respeita à análise do medo do parto como uma das variáveis psicossociais, verificou-se que o empowerment da grávida é determinado pelos sentimentos positivos no trabalho de parto (t=-2,834; p=0,005). Constatando-se diferenças estatisticamente significativas nas dimensões do empowerment, Autoeficácia (t=-2,022; p=0,044), Imagem futura (t=-2,055; p=0,041) e Apoio e garantias dos outros (t=-3,857; p=0,000). A dimensão Autoestima parece ser, igualmente, determinada pelos sentimentos no trabalho de parto (t=-3,072; p=0,002). Por outro lado, verificamos que os sentimentos negativos no trabalho de parto influenciam a Autoestima (t=2,101; p=0,037). Do mesmo modo, os sentimentos de pânico determinam o valor global do empowerment (t=2,312; p=0,022) e as suas dimensões, Imagem futura (t=3,681; p=0,000) e Alegria de uma adição à família (t=2,920; p=0,004). Conclusões: A mulher grávida, que deseja ser mãe, torna-se cada vez mais preparada para tal, contudo, o medo do parto e os receios perante a adoção deste novo papel, influenciam o seu nível de empowerment. As expectativas positivas e negativas perante o parto, no final da gravidez, determinam o empowerment da grávida. Pela forma de cotação da escala, verificou-se que, quanto menores os sentimentos positivos, menor o empowerment da grávida. Por outro lado, o empowerment é superior, quanto maior a referência a sentimentos negativos perante o parto. A ambiguidade de sentimentos perante o parto, que se surge com a aproximação do final da gravidez, influencia o empowerment da mulher grávida, isto é, a sua preparação, autonomia, capacidade de intervenção/decisão no parto e para ser mãe. Independentemente da mulher grávida sentir expectativas negativas ou positivas perante o parto, estas vão influenciar a sua preparação, autonomia, poder e capacidade de decisão, para um dos momentos mais preponderantes da sua vida que é o nascimento do seu filho. O enfermeiro é o profissional de referência para um cuidado empoderador, o qual transmite informação, confiança, autonomia e poder para a tomada de decisão, capacitando a mulher para o parto e maternidade, contribuindo para o aumento de sentimentos/expectativas positivas. Palavras-chave: Empowerment na grávida, Medo do parto

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O CUIDAR OBSTÉTRICO BASEADO NA EVIDÊNCIA. PARTO NORMAL/NATURAL ASSISTIDO: PROJETO PARA ASSISTÊNCIA EM MEIO INTRA-HOSPITALAR Maria João Marques41 INTRODUÇÂO A morbi-mortalidade materna e neonatal diminuíram significativamente dado o desenvolvimento técnico/científico que deteta complicações no ciclo gravídicopuerperal. Contudo observa-se atualmente, que os cuidados durante o nascimento normal tornaram-se idênticos aos cuidados nos partos complicados (WHO, 1996). As evidências científicas demonstram que a fisiologia do parto necessita ser respeitada, facto defendido pela OMS em 1996 (WHO, 1996). Num esforço iniciado em 1985 com a Declaração de Fortaleza, a OMS publica o Manual “Care in normal Birth”. Neste modelo, domina uma perspetiva menos interventiva do profissional e mais pró-ativa da mulher. Movimentos internacionais apoiam Centros de Parto Normal, Casas de Parto e em Portugal, na iniciativa Confraria das Parteiras e a Associação dos Enfermeiros Obstetras. Os centros de parto normal integrados em instituição hospitalar apresentam menor medicalização e crescente probabilidade de parto espontâneo, de satisfação materna, de aleitamento materno exclusivo, sem aumento de risco para as mães e crianças (Hodnett, Downe & Walsh, 2012). Define-se o Parto Normal/Natural assistido ou sem qualquer intervenção, como o parto de início espontâneo, de baixo risco no início, mantendo-se assim até ao nascimento, no qual a criança nasce espontaneamente, em apresentação cefálica de vértice, entre as 37 e as 42 semanas completas de gravidez. Depois do parto, a mãe e o bebé apresentamse em boa condição (OE & APEO, 2012). Objetivo: preparar a criação de espaço de nascimento para implementar a assistência ao parto normal. Planeou-se o espaço físico, elaborou-se um manual de boas práticas para os profissionais de Saúde Materna e Obstetrícia, um cartaz e um guia informativo para as parturientes. METODOLOGIA Estudo descritivo. Fez-se o diagnóstico de situação à luz das orientações da OMS em amostra de 21 EESMOG e 125 parturientes. O projeto foi autorizado pela comissão de ética da instituição. Questionário aplicado às parturientes cerca das 12 horas pósparto. Dados recolhidos de setembro 2013 a março 2014 tendo ocorrido 416 partos. 1

EEESMO, Bloco de Partos do HGO, Almada, Portugal.

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No estudo foram excluídas as cesarianas eletivas [n=98; 23,55%] e amostra de parturientes refere-se a 83 (66.4%) de casos de parto normal/vaginal, 31 (24.8%) casos de parto por fórceps/ventosa e 11 (8.8%) casos de cesariana. RESULTADOS Os resultados permitiram verificar que são realizadas práticas recomendadas e não recomendadas pela OMS. De forma geral, as EESMOG carecem de formação atualizada nas posições alternativas de conforto, nas medidas não farmacológicas, entre outras. As parturientes necessitam implicar-se ativamente no nascimento. Procurou-se uma assistência personalizada à mulher como centro deste processo (Kitzinger, 2004). Face aos resultados, realça-se a importância da assistência qualificada como fator necessário num serviço de qualidade, no sentido das expectativas dos beneficiários. É fundamental estabelecer limites, respeitar o tempo, desejos e expectativas durante o acompanhamento do parto (Cruz, 2010). É indispensável ocorrerem mudanças no desenvolvimento de competências, bem como disponibilização de informação às parturientes. CONCLUSÕES Com este projeto reconhecem-se ganhos e prevêem-se oportunidades de respeitar o direito à informação e decisão esclarecida na medida da oferta de cuidados através do novo modelo assistencial na Instituição. Será necessário fortalecer a autonomia dos EESMOG, a segurança e confiança face ao previsto legal nas suas atividades. De facto a EESMOG acompanha a mulher e família no nascimento, sendo reconhecida por várias organizações mundiais. Palavras-chave: Assistência em Enfermagem, parto normal, parto natural, saúde materna, obstetrícia.

REFERÊNCIAS Cruz (2010). Parto Natural. COREN SP- Conselho Regional de Enfermagem. Brasil. Hodnett, E. D., Downe, S., & Walsh, D. (2012). Alternative versus conventional institutional settings for birth. Cochrane Database of Systematic Review. Kitzinger, S. (2004). El nuevo, Gran Libro del Embarazo y del Parto, alternativas y retos. Barcelona: Ediciones Médici. Koogan. OE & APEO (2012). Pelo direito ao parto normal – uma visão partilhada. Lisboa. World Health Organization (1996). Care in Normal Birth: a practical guide. Geneva: Department of Reproductive Health & Research

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O CUIDAR OBSTÉTRICO BASEADO NA EVIDÊNCIA: DETERMINANTES DO AJUSTAMENTO CONJUGAL DA PUÉRPERA Sara Esteves51 A evolução da ciência e da técnica acarretou grandes transformações no modo de nascer e parir. A episiotomia é um dos procedimentos cirúrgicos mais frequente no mundo, sendo um dos únicos que é realizado sem o prévio consentimento informado da parturiente (Costa e Souza, 2009). Ao se falar em qualidade de cuidados prestados em Obstetrícia, torna-se inevitável abordar as taxas de episiotomia nas Maternidades em Portugal. Segundo o relatório emitido pela European Perinatal Health Report (2010), Portugal está entre os países europeus que mais recorre à episiotomia, com uma taxa a rondar os 73%. O mesmo relatório faz referência à grande discrepância nas taxas em toda a Europa, que vão desde os 5% na Dinamarca aos 75% no Chipre. Apesar das atuais recomendações sobre a realização da episiotomia seletiva, a frequência continua elevada, não existindo na literatura consenso sobre qual será a frequência aceitável nas Maternidades. Nos estudos referenciados por Borges, Serrano e Pereira (2003), a incidência de episiotomia restritiva/seletiva ronda os 30%, sugerindo que este é o valor a recomendar. Carvalho (2010) refere que a taxa aceitável deveria rondar os 20 %. A Organização Mundial de Saúde (OMS, 1996) por sua vez, reduz este valor para os 10%. No sentido de garantir a segurança e qualidade dos cuidados, é objetivo estratégico da Ordem dos Enfermeiros (OE), reduzir o número de episiotomias praticadas pelo enfermeiro especialista de saúde materna e obstétrica (EESMO) em todas as parturientes com parto eutócico, tendo como meta reduzir em 10% as atuais taxas. Na Maternidade Bissaya Barreto (MBB), a equipa de Enfermagem de Obstetrícia (Sala de Partos, UMMF e Urgência) tem como objetivo melhorar os indicadores em linha com o preconizado pela OE. Foi criado um grupo de trabalho que começou por fazer um estudo retrospetivo (2011, 2012), para conhecer a realidade sobre as taxas de episiotomia praticadas pelos EESMO na MBB. Os valores encontrados foram de 46,5% em 2011 e 51,8% em 2012. Diferenciou-se ainda a taxa de episiotomia entre multíparas e primíparas, 34,4% (2011), 37,2% (2012) e 63,4% (2011) e 71,9% (2012) respetivamente. Perante os resultados partiu-se para a realização de uma pesquisa alargada sobre a temática, com o objetivo de ampliar a formação a toda a equipa para melhorar as taxas de episiotomia praticadas, com adoção de medidas que promovam a integridade do períneo. A preparação do períneo antes do parto é uma das medidas adotadas na 1

EEESMO, CHBV, EPE- HIDP, Aveiro, Portugal.

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nossa Maternidade, conseguido com o ensino da massagem do períneo a partir das 35 semanas nas Aulas de Preparação para o Parto. Nos últimos anos têm sido descritas intervenções baseadas na evidência científica, tais como calor no períneo e a posição vertical no trabalho de parto, a manobra de Ritgen modificada e o evitar puxos dirigidos, com o objetivo de manter a integridade perineal (Borges, Serrano e Pereira, 2003; Oliveira, 2007; Silveira e Riesco, 2009; Costa e Sousa, 2009; Pereira e Pinto, 2011). Ao EESMO é exigido a restruturação das suas práticas, mudando a conduta, com base nas evidências científicas que comprovam as vantagens da episiotomia seletiva. Não havendo consenso quanto às indicações sobre quando realizar, o seu uso deve ser ponderado e decidido caso a caso, adotando medidas de proteção do períneo. Esta conduta é um importante instrumento para a melhoria da qualidade e para a humanização do parto.

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PARTO NA ÁGUA: PRÁTICA SEGURA VS RESULTADOS EM SAÚDE. RESULTADOS DE UMA PRÁTICA NO SERVIÇO DA MULHER NO HSB, SETÚBAL Elisabete Santos6, Carmen Segurado7 & Vítor Varela89 A imersão e parto na água é uma metodologia de promoção de parto natural, na gravidez de baixo risco, adaptada desde 2009 com o objetivo de dar resposta às espectativas e necessidades das utentes. Este projeto nasceu da necessidade de implementar um modelo assistencial, que ofereça às utentes que o desejem uma experiencia diferente e gratificante, no âmbito do parto normal. Assim como a adoção de práticas assistenciais que reduzam a instrumentalização e medicalização do Parto. As mulheres procuram cada vez mais os locais e os profissionais com práticas adequadas às suas necessidades, e que respeitem o direito á sua autonomia e opções relativamente ao parto. Esta é uma metodologia segura com resultados favoráveis para a mulher e RN de acordo com a evidência cientifica mais recente de Cochrane, sobre o nascimento na água. Os benefícios da imersão e parto na água foram verificados em todas as utentes que utilizaram esta metodologia de condução de TP, em que se verificam ao nível da satisfação das mulheres, na duração do TP, sem ocorrência de efeitos adversos neonatais.

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EESMOs, CHS-HSB, Setúbal, Portugal EESMOs, CHS-HSB, Setúbal, Portugal 7 Enfermeiro Chefe do CHS-HSB, Presidente do Colégio de Especialidade de ESMO da OE, Setúbal, Portugal 7

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PARTO NA ÁGUA: PRÁTICA SEGURA VS RESULTADOS SAÚDE.INTERVENÇÃO DO MOVIMENTO PARTO NA ÁGUA PORTUGAL

EM EM

Inês Anjo101 O Movimento Parto na Água em Portugal surgiu em Junho de 2014, quando um grupo de mulheres percebeu que o Projeto de Parto na água, disponível deste 2009 e implementado pela equipa de Enfermeiros Especialista em Enfermagem de Saúde Materna e Obstetrícia (EEESMO) do Hospital de São Bernardo em Setúbal, estava em risco de fechar. Hoje o Movimento é seguido por mais de 5400 pessoas. Quem são estas pessoas? Mães que tiveram parto na água em Setúbal, outras mães que recorreram à água em partos domiciliares, mães que desejavam ter parto na água, mas não o conseguiram fazer, mulheres grávidas e homens que após a notícia da suspensão do parto na Água, se juntaram com o objetivo de que esta metodologia esteja disponível não só em Setúbal como também noutros Centros Hospitalares em Portugal. Este movimento cívico tem objetivos muito claros e a sua intervenção tem como base algumas constatações que remetem para o estado atual da Obstetrícia em Portugal. - É urgente resgatar os direitos das mulheres na escolha, autonomia e decisão sobre o seu corpo na hora do parto. - É urgente envolver os cidadãos nas decisões relativas ao parto e nascimento, para que o exercício da cidadania promova desejáveis mudanças na assistência obstétrica nos serviços de saúde. - É urgente informar e disponibilizar evidência científica de qualidade para que os casais realizem escolhas conscientes, assim como dar destaque a boas práticas como é o caso do projeto de PA que existia no hospital de São Bernardo - Setúbal. O que já fizemos? Foi criada a Petição pela Manutenção dos partos na água no Hospital de São Bernardo e a extensão desta opção a outros hospitais públicos, com mais de 4800 assinaturas! No dia 5 de Março a petição foi defendida na Assembleia da República (AR) e neste momento esperamos que o relatório final seja entregue à Presidente da AR. Neste relatório irão constar as propostas e diligências julgadas necessárias relativamente a esta questão, e ele será apreciado em plenário. Desde a cessação do serviço de Parto na água, este grupo cívico conseguiu reunir com o Conselho de Administração do Centro Hospitalar em Setúbal (dia 22 de

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Associação Mães de Água, Portugal.

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Setembro de 2014), e a 6 de Dezembro de 2014 com a Diretora de Serviço de obstetrícia e com o Enfermeiro-Chefe. Contudo, até hoje, a situação não se alterou, e não foi possível mais nenhuma grávida recorrer à imersão e/ou parto na água naquele serviço. Temos recebido correspondência de mulheres que veem negada a possibilidade de utilizar a imersão e parto na água como forma de promover um parto normal, num Hospital público onde antes essa realidade era possível e representava uma mais-valia no Serviço Nacional de Saúde, ficando desta forma o seu direito de escolha mais limitado e a realidade do princípio de autonomia incompleta. No nosso entender, um sistema de cuidados de saúde materna deve ser capaz de antecipar e apoiar as diferentes dimensões das necessidades e escolhas no que envolve a gravidez e nascimento, e apoiar essas necessidades com respeito e sem julgamento. Promover a saúde no âmbito da obstetrícia, hoje em dia, é mais do que ter uma mãe e bebés vivos! As mulheres grávidas têm o direito de serem iguais em dignidade, de serem livres para procurar e receber informações, tomar decisões, de não sofrerem discriminações e de usufruírem do mais alto padrão de saúde física e mental. Num estudo realizado no Hospital de Setúbal sobre Parto na água, as mulheres ou casais afirmaram altos níveis de satisfação com a experiência de parto, o que sabemos poder refletir uma autoconfiança materna mais sólida e determinante no decorrer do pós-parto, diminuindo o risco de depressão pós-parto, bem como dificuldades no estabelecimento da vinculação e amamentação. Este movimento está determinado em alterar o panorama nacional no que respeita à introdução desta metodologia em Hospitais da rede pública como uma alternativa efetiva que proporciona essa vivência positiva e segura, com excelentes resultados no que respeita aos indicadores de saúde materno-fetais. Para terminar deixo um desafio a cada profissional de saúde aqui presente: - Como vê o papel da mulher no parto? Tem uma escuta ativa no exercício das suas funções? Já tentou melhorar algo no seu serviço? Como se sente quando uma mulher/casal lhe agradece pelo seu trabalho? Como se sente quando vê uma mulher perdida e com medo de parir? O que faz? Será que empoderar mulheres é um trabalho difícil? O que já fez para promover os direitos humanos das mulheres na gravidez e no parto? Ficam as perguntas para reflexão e termino reforçando que para nós, Movimento Parto na água em Portugal, as famílias merecem o melhor! E devem poder ter acesso a 20


alternativas terapêuticas não-farmacológicas de alívio da dor, e poder ter um parto fisiológico com assistência de profissionais competentes, que respeitem as suas opções.

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ABORDAGENS CLÍNICAS EM OBSTETRÍCIA: PARTO PÉLVICO Antónia Santos 111 A apresentação pélvica ocorre em 3-4 % de todas as gestações de termo, sendo mais frequente antes do termo (20% às 28 semanas). A persistência da apresentação pélvica pode estar associada a diversos fatores, nomeadamente, anomalias uterinas, anomalias do feto, do volume de líquido amniótico, da localização placentar ou apenas devida ao acaso. Uma percentagem considerável da mortalidade e morbilidade relacionadas à apresentação pélvica, é devida a fatores associados, sendo os mais importantes a prematuridade, as malformações congénitas, os acidentes pascentares e do cordão e o trauma do parto. A escolha da via de parto, nas mulheres com feto de termo em apresentação pélvica, é um dos maiores desafios na obstetrícia moderna. Após a publicação, em 2000 por Hannah ME et al, do maior estudo internacional, randomizado, em Obstetrícia, o Term Breech Trial (TBT), a cesariana foi adotada, na maioria dos países, como forma mais segura de parto. Este estudo demonstrou que a mortalidade perinatal e neonatal e a morbilidade neonatal grave estavam significativamente diminuídas no grupo em que foi realizada cesariana eletiva, relativamente ao grupo em que foi realizado parto vaginal planeado. Como consequência, a taxa de cesariana subiu drasticamente em todos os Países que adotaram essa medida. Nos Estados Unidos da América, em 2 anos passou de 50%, para 86.9%. Ao longo dos últimos anos vários estudos vieram revelar limitações do TBT e os próprios autores do estudo vieram posteriormente demonstrar, no seguimento a 2 anos, que não existem diferenças, no que diz respeito a morte ou atraso no desenvolvimento psicomotor, entre as crianças nascidas de parto vaginal e de cesariana. Aquilo que se observa é que, independentemente da forma do parto, a apresentação pélvica parece estar associada a aumento do risco de subsequente incapacidade/deficiência. Isto parece sugerir que a incapacidade de adotar a apresentação cefálica pode ser, em alguns casos, um marcador fetal de incapacidade. Apesar da controvérsia, presentemente a maior parte dos Colégios Internacionais de Ginecologia e Obstetrícia (ACOG-US, SOGC-Canadá, RCOG-GB) recomenda que a decisão da via de parto deve depender da experiência e constituição das equipas Médicas e de Enfermagem na sala de partos, concretamente, da experiência dos Obstetras em parto pélvico via vaginal, da presença de Anestesiologista, de 1

Médica, Assistente Graduada de Ginecologia e Obstetrícia, HGO, Almada, Portugal.

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Neonatalogista e de Enfermeiros Especialistas. Por outro lado, é obrigatório que existam critérios bem definidos e protocolados para esse tipo de parto e ainda que, após informação dos riscos associados, a grávida dê o seu consentimento escrito.

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ABORDAGENS CLÍNICAS EM OBSTETRÍCIA: RISCO OBSTÉTRICO E

SEGURANÇA NA SALA DE PARTOS Inês Nunes121 Com a melhoria dos cuidados de saúde obstétricos verificado nas últimas décadas em países industrializados, as expectativas da sociedade sobre um bom desfecho materno e fetal são cada vez maiores. O trabalho de parto é um período relativamente instável, em que a situação clínica se pode alterar muito rapidamente e sem aviso prévio. A segurança na sala de partos é um pilar fundamental da qualidade dos cuidados obstétricos. Em situações de emergência obstétrica é necessário que a equipa de profissionais de saúde atue pronta e eficazmente. Nestas situações, o tempo que medeia entre a sua ocorrência e as intervenções realizadas para a corrigir, pode significar a diferença entre um desfecho materno-fetal normal ou profundamente adverso. Para a promoção da excelência na resposta às emergências obstétricas é necessária a aquisição de conhecimentos, o treino de habilidades técnicas e a promoção do trabalho de equipa entre os profissionais de saúde. As auditorias regulares ao trabalho na sala de partos, com análise dos eventos de risco ocorridos e a revisão da adesão a protocolos são fundamentais para a implementação de uma cultura de segurança visando a melhoria dos cuidados de saúde, sem julgamentos ou acusações individuais. A organização de cursos sobre temas específicos nesta área e o treino multiprofissional regular em simuladores são as ferramentas mais utilizadas para a promoção destes objetivos.

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Médica, Centro Hospitalar de São João, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

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VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA: DIFERENTES OLHARES. COMO PROMOVER A PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES E DA COMUNIDADE NA ELIMINAÇÃO DA VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA Sara Vale131 Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto é uma associação sem fins lucrativos que foi pensada com o intuito de criar uma ponte de diálogo e entendimento entre os casais grávidos, e os profissionais de saúde, com base nos Direitos Humanos. A APDMGP lançou um questionário online intitulado “Experiências de Parto em Portugal nos últimos 3 anos”, ao qual responderam 3342 mulheres. Para além de respostas quantitativas, as questionadas puderam escrever relatos da sua experiência. As respostas que nos chegaram, vão desde exemplos maravilhosos de profissionais de saúde encorajadores, positivos, com sensibilidade e compaixão a mulheres que se queixam de terem sido gozadas, humilhadas, e que viram as suas preferências negadas de forma agressiva . O número avassalador de respostas que este questionário recebeu, no espaço dos dois meses que esteve disponível, leva-nos a pensar que realmente as mulheres sentem necessidade de exprimir aquilo pelo que passaram, contar a sua história e de sentir que o que têm a dizer importa. É necessário criar plataformas de feedback para encorajar os casais a falarem. Não só do que correu mal, como o que correu bem. Muitas mulheres citaram médicos, hospitais e esta ou aquela enfermeira que consideram terem sido fundamentais para que a sua história de parto fosse positiva. É preciso ouvir as histórias positivas e divulgá-las, estas encorajam, dão esperança às grávidas e ajudam-nas a compreender que é possível terem uma experiência de parto satisfatória. Da mesma forma, este feedback encoraja os profissionais de saúde a estarem mais permeáveis às necessidades das pacientes. A forma como a mulher é tratada no seu parto, é algo de que ela se vai lembrar durante toda a vida. Quando corre mal, esta pode sentir que o seu corpo falhou, que não esteve à altura, e afetar a sua auto-estima, a sua ligação com o seu bebé e mesmo com o seu parceiro. Atualmente em Portugal, as mulheres que preferem partos menos intervencionistas e mais fisiológicos “esbarram” consecutivamente com procedimentos hospitalares, coação e abuso por parte de muitos profissionais. Os seus planos de preferência de parto são ignorados, refutados e em alguns casos, ridicularizados.

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Presidente da Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto, Portugal.

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O medo parece ser o traço comum a todas as histórias negativas que nos chegaram. Medo sentido pelas mulheres e também medo que os próprios profissionais parecem sentir e que leva ao aumento de uma prática defensiva, onde a mulher e a sua família se tornam potenciais oponentes dos que prestam cuidados de saúde. Ao mesmo tempo, a gestão deste "risco" que é o parto, e a obrigatoriedade de seguir procedimentos nos serviços maternos, faz com que se dê prioridade a preencher papelada e notas em vez do foco estar nas mulheres que estão ali, a dar á luz. No entanto todas as evidências demonstram que compaixão e respeito mútuo melhoram o moral e a eficiência daqueles que trabalham nos serviços maternos, e a satisfação das parturientes e suas famílias. A gravidez e o parto são acontecimentos importantes na vida de qualquer mulher e da sua família, mas representa ao mesmo tempo uma altura de grande vulnerabilidade. Geralmente quando se fala de segurança no trabalho de parto, fala-se meramente de segurança física, da sobrevivência daquela mãe e daquele bebé. A segurança durante a gravidez e parto deve incluir valores para além da prevenção da mortalidade materno-fetal. Deve incluir respeito pelos direitos da mulher enquanto ser humano, respeito pela sua autonomia, dignidade, sentimentos, escolhas e preferências. Seria muito fácil simplesmente apontar o dedo aos profissionais de saúde e dizer que são os culpados da violência obstétrica a que as mulheres são sujeitas. Mas a questão a nosso ver é mais profunda. O sistema também não cria condições para estes poderem dar cuidados verdadeiramente personalizados às suas grávidas. Tanto os médicos como os enfermeiros devem ser ouvidos e encorajados a prestar cuidados com sensibilidade, compaixão e adaptabilidade. As coisas podem mudar e podem melhorar. É preciso criar condições para tal. Abrir os canais de comunicação. Quanto mais se focar na qualidade das relações entre os profissionais de saúde e as parturientes, mais o melhor dos dois “lados” pode vir ao de cima. E a qualidade das relações afeta diretamente os resultados do parto e a satisfação de mulheres e profissionais. Atrevo-me a dizer que há vontade para tal, e o facto de termos sido convidados a estar aqui hoje a falar destas questões é um excelente indicador desse facto.

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VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA: DIFERENTES OLHARES . VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA

E OS MEDIA Rita Ferreira141 Uma busca rápida no Google denuncia o que todos nesta sala devem saber. Pouco ou nada se fala sobre violência obstétrica em Portugal. E nos órgãos de comunicação social, os únicos casos que de vez em quando aparecem são aqueles que, de tão graves, levaram a situações em que a saúde de mães e filhos ficou comprometida ou levou à morte. Em 2011, a Revista Pais&Filhos publicou um texto sob o título: quando o toque é abuso obstétrico. Não houve, até hoje, que eu tenha encontrado, um trabalho sobre o tema em geral. Mea culpa, ainda não fiz nenhum, mas já esteve mais longe. E por que razão não se fala mais no assunto? Todos os jornalistas têm amigos, amigas, amigas de amigas, que passaram por situações de violência durante o parto. Mas talvez a palavra “violência” ponha muita gente na defensiva. Mas bateram-lhe? Foi violada? A palavra é dura e quem passou por estas situações sabe que ela é bem aplicada, mas quem está de fora nem sempre julga assim. Juntando os dois termos, violência obstétrica, a reação de quem a ouve pode ainda ser pior: mas estás a falar de obstetras que praticam atos violentos? E aqui começa uma parte do problema, quando um jornalista quer trabalhar um tema. Primeiro, tem de considerar que é um tema importante e para isso há uma série de informação que tem de ter. Com redações cada vez menores em número de gente, com cada um a ter de fazer cada vez mais coisas em menos tempo, tudo o que não é óbvio, claro e direto corre o risco de ficar pelo caminho. A não ser que o New York Times ou o The Guardian façam qualquer coisa e isso invada as redes sociais, que são agora grande fonte de informação para jornalistas que abandonaram a rua e fazem do Facebook o espelho da sociedade onde vivem. Depois, o tema gravidez e parto é em si uma matéria muito sensível, que divide muitas mulheres que neste momento “dominam” em número as redações. Principalmente se são mulheres que já tiveram filhos. Todas se sentem um pouco donas da verdade no que respeita aos partos e essa verdade advém das suas experiências. E a experiência dos jornalistas é exatamente a mesma das mulheres que não são jornalistas. Ou têm um conhecimento muito aprofundado sobre o tema, estudando a evidência científica, as experiências dos outros países, ou são como a maioria: quando algo corre mal a primeira coisa que perguntam é – por que não foi feita uma cesariana? Nunca perguntando: o que é que aconteceu antes para termos chegado àquele ponto?

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Jornalista, Portugal.

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Podemos refutar este argumento, questionando: mas se ouvem relatos de pessoas que foram mal tratadas, ou verbalmente, ou deixadas sozinhas, ou sujeitas a toques por uma turma inteira de internos, por que não os denunciam? Vamos então supor que este tema chega às mãos de um jornalista interessado em expor e trabalhar o assunto. E vamos supor que o seu editor e o seu diretor concordam que é um bom tema para tratar. A questão deixa de se colocar deste lado em que me encontro e passa para o lado em que vocês se encontram. Porque para trabalhar, o jornalista precisa de matéria e precisa de pessoas que falem sobre o problema. Muito bem, a OMS fala do assunto, ótimo. Há uma Associação que trata da questão em causa. Excelente. Vamos então continuar. Casos. Não serão difíceis de encontrar. Não será difícil conseguir falar com três, quatro, mulheres que passaram por situações complicadas. Até aqui tudo bem. Depois começarão os problemas. As mulheres identificam-se? Dizem onde aconteceu tal abuso? E se o fizerem, vão explicar que o auxiliar x, ou o enfermeiro y, ou o obstetra z fizeram isto e aquilo? A pergunta seguinte vai ser: apresentou queixa? Porque essa é a resposta que os jornalistas vão com certeza obter quando fizerem o contraditório e falarem com o auxiliar x, com o enfermeiro y e com o médico z. Ainda irão falar com o administrador da instituição de saúde que amavelmente dirá: a mim não me chegou nada. O jornalista continua. E pensa: se estes abusos acontecem, outras pessoas terão de os presenciar. Acreditamos que a maioria dos profissionais são bons profissionais. E acreditamos que dos bons há-de haver quem queira denunciar determinadas situações. E então começa a tentar ouvir quem trabalha na área. E aí verá o que acontece. A minha experiência diz-me que não vai ter grande sorte. De todas as vezes que tratei temas de gravidez e parto – sob outros ângulos - ouvi histórias inacreditáveis por parte de todos os que trabalham na área em Portugal. Desde enfermeiros a médicos. Situações que eu conheço porque eles me contaram. Situações em relação às quais nada posso fazer porque tudo me é dito em off e não há provas! E acreditem que muitas delas são de arrepiar cabelos. Bom, vocês devem saber... Como já estou perto do final, queria resumir o problema. É preciso mais informação a chegar diretamente aos jornalistas, é preciso que as mães e os pais se queixem formalmente, é preciso que quem está nas instituições não tenha medo de denunciar maus profissionais. É preciso que todos e cada um de nós pense que um bebé saudável não apaga tudo o que muitas mulheres passaram neste país, num dos

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momentos mais importantes da sua vida, que devia ter sido vivido com respeito, com consciência, com informação e com apoio.

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RESUMO DAS COMUNICAÇÕES LIVRES

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O EXERCÍCIO DA PARENTALIDADE DE CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS Maria Clara Roquette Viana 151 9 de abril 2015 às 09:00 h Parentalidade é um acontecimento relevante que ocorre no ciclo vital familiar. É reconhecido pelas famílias o que mudou e a forma como as relações e as circunstâncias estão diferentes. É uma transição complexa que requer interiorização e aprendizagem de novos conhecimentos, aquisição de novas habilidades, alteração do comportamento, mudanças na definição de cada um no contexto social. Com o nascimento de uma criança diferente/deficiente, as fases do desenvolvimento podem sofrer influências no processo de adaptação da família à deficiência. Este momento confronta a expectativa dos pais/família, remetendo-os para uma situação de instabilidade, geradora de crise. Além das crises de transição naturais da família, esta precisa lidar com as peculiaridades, características e evolução da deficiência. Assim, reconhecemos a necessidade dos enfermeiros conhecerem as condições emocionais dos pais, lidando com a realidade de cada família, para ir ao encontro das suas necessidades enquanto pessoas, pressupondo um conhecimento do fenómeno na perspectiva dos sujeitos que a experimentam e na interação com os profissionais que a promovem, numa acção baseada no respeito pela individualidade e subjetividade entre o cuidador e a pessoa cuidada. Objetivo: Conhecer o descrito na literatura sobre o processo do exercício da parentalidade de crianças com necessidades especiais. Materiais e Métodos: Revisão da Literatura por pesquisa eletrónica nas bases de dados EBSCO, ISI web of Knowledge, PUBMED e Google Académico; Descritores: Parenthood, Parenting, Transition, Disability e Disabled Children, nos repositórios de três universidades portuguesas (UL, UCP e UP). Pesquisa entre junho e dezembro de 2014. Conclusão: Evidencia-se a parentalidade como um processo complexo que requer mecanismos de adaptação e estratégias de aprendizagem. Os enfermeiros são privilegiados por estabelecer interações com os pais, em práticas orientadas facilitadoras da aprendizagem de competências para uma integração positiva das transições vivenciadas num processo de capacitação. Porém, estes podem apresentar diferentes atitudes perante a “deficiência”, nem sempre facilitadoras, principalmente numa situação tão especial como o nascimento de um filho com necessidades especiais. A pesquisa evidencia que não apenas a família tem dificuldade em lidar emocionalmente com a deficiência, também a maioria dos enfermeiros não se 1

EEESMO, Assistente do 2º triénio, ICBAS-UCP, Porto Portugal.

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encontram preparados para enfrentar o diagnóstico e a transmissão aos pais, precisando adquirir e desenvolver competências, para ajudar as famílias a reconhecer as suas forças e potencialidades, fragilidades e necessidades. Ao reconhecerem o seu papel junto das crianças, precisam apoia-las e capacita-las para poderem cuidar do seu filho da melhor maneira respeitando os seus limites e dificuldades. Bibliografia: CAVALCANTE, F. – Pessoas muito especiais: a construção social do portador de deficiência e reinvenção da família . Tese de Doutoramento apresentada à Escola Nacional de Saúde Pública em 2002. GRONITA, J. – O anúncio da deficiência da criança e suas implicações familiares e psicológicas. Lisboa: Instituto Nacional para a Reabilitação, 2008. 163 p. LEMES, L; BARBOSA, M. A. – Comunicando à mãe o nascimento do filho com deficiência. [Em linha]. Acta Paul. Enfermagem. Campo Grande 20 (4) (2007), p. 441 – 445 [consult. em 2010 – 5] Disponível em: http:/www.scielo.br.

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DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS PARENTAIS PARA O DESENVOLVIMENTO LITERÁTICO DA CRIANÇA Ana Maria V. S. de Resende161 9 de abril de 2015 às 09:00 h Introdução: Reconhecendo-se atualmente que a literacia não se inicia apenas com a escolaridade obrigatória, mas sim, logo a partir dos primeiros contactos da criança com o material escrito, e que família é a primeira cuidadora da criança, torna-se necessário que os profissionais de saúde promovam o mais precocemente possível, práticas de literacia familiar que conduzam ao desenvolvimento da literacia emergente, percursora do desenvolvimento literático da criança. Neste sentido, os Cuidados de Saúde Primários numa abordagem centrada na família, são por excelência, o local mais adequado para o desenvolvimento de competências parentais, conducentes ao desenvolvimento de práticas de literacia familiar promotoras do desenvolvimento da literático da criança. Objetivo: Definir conceitos teóricos acerca de literacia emergente e práticas de literacia familiar que permitam a construção de um quadro concetual sobre a temática em causa. Materiais e Métodos: Revisão da literatura centrada nos conceitos subjacentes à literacia familiar e sua relação com a aprendizagem da literacia, em bases de dados eletrónicas de investigação e produção científica via ISI Web of Knowledge (Web of Science TM Core Collection; Current Contents Connect®; Derwent Innovations Index SM; MEDLINE®; SciELO Citation Index), Ebsco Host (CINAHL Plus with Full Text; MEDLINE with Full Text; Nursing and Allied Health Collection; Cochrane Plus Collection; MedicLatina; PsycINFO, Academic Search Complete) e ELSEVIER (Scopus). Selecionou-se como descritores: literacia emergente, literacia familiar, programas, práticas e desenvolvimento infantil. Resultados: A literatura evidencia que a exposição precoce da criança a práticas literácticas no contexto familiar é um fator preditivo positivo para o desenvolvimento da literacia emergente percursora do seu desenvolvimento literático e consequentemente, para o desenvolvimento integral da criança. Reconhecendo o Plano Nacional de Saúde 2012-2016 que a educação para a saúde é uma ferramenta estratégica para a promoção e ganhos em saúde, os Cuidados de Saúde Primários, que acompanham a pessoa ao longo do ciclo vital, numa abordagem centrada na família, são por excelência, um contexto adequado para a promoção de estratégias promotoras de práticas de literacia familiar conducentes à literacia emergente.

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EEEC, Professor Assistente, ICS - UCP, Lisboa, Portugal.

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Conclusão: Os enfermeiros enquanto promotores de saúde, são interlocutores privilegiados no âmbito das suas intervenções autónomas para a promoção de práticas de literacia familiar, no acompanhamento continuado que fazem às crianças/famílias que têm sob a sua responsabilidade. Neste sentido, a investigação parece apontar ser relevante a construção de um programa de promoção de práticas de literacia familiar, conducentes ao desenvolvimento da literacia emergente, de modo a contribuir enquanto estratégia de educação para a saúde, para o desenvolvimento literático e integral da criança. Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde; Competências Parentais; Desenvolvimento Infantil; Enfermagem; Educação em Saúde; Literacia emergente, Práticas de Literacia Familiar.

Referências bibliográficas: 2011-2016., Gabinete Técnico do Plano Nacional de Saúde 2011-2016 (2010). Documento Estratégico do PNS. http://www.acs.min-saude.pt/pns2011-2016/files/2010/07/Documento-Estrategico-PNS-2011-2016.pdf. [Online] Alto Comissariado da Saúde. , 2010. [Citação: 12 de Maio de 2011.] Mata, L. Literacia Familiar. Porto : Porto Editora, 2006.

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INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM À MULHER SUBMETIDA A CIRURGIA PARA O TRATAMENTO DA INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO (NÍVEIS DE EVIDÊNCIA) Maria José O .Santos 171 Maria Augusta P. Lopes, Anabela Martins P. Figueiredo 9 de abril de 2015 às 16:40 h Introdução: A incontinência urinária (IU) é um problema de saúde pública com grande impacto na vida das mulheres, família e sociedade, associado ainda a elevados custos para o sistema nacional de saúde. Dados de uma meta-análise, apontam para uma prevalência de 30% de algum grau de incontinência urinária na mulher (Mascarenhas, 2011). Dos diferentes tipos de IU, a incontinência urinária de esforço (IUE) é a forma mais prevalente na mulher e a que mais beneficiou com a evolução observada nas opções de tratamento. Quando falham as estratégias conservadoras, como mudanças no estilo de vida, treino muscular do pavimento pélvico e terapias comportamentais, o tratamento cirúrgico desempenha um papel importante (Novara et al., 2010), sendo identificada como a cirurgia mais frequentemente realizada em mulheres. Objetivos e Metodologia: O objetivo desta revisão é obter uma sistematização das intervenções de enfermagem indicadas no cuidado às mulheres submetidas a cirurgia para o tratamento da IUE, baseada na pesquisa de artigos científicos e nos níveis de evidência recomendados pelos organismos internacionais de referência na área (International Continence Society, 2009; European Association of Urology Nurses, 2010; European Association of Urology, 2015; National Institute for Healthy and Care Excellence, 2013). Resultados: As novas técnicas cirúrgicas para o tratamento da IUE que envolvem a restauração do suporte médio uretral através do uso de uma fita (midurethral sling) têm sido o tratamento de escolha, revelando elevados índices de cura. Entre outras vantagens, destacam-se a possibilidade do uso de anestesia local, uma taxa reduzida de complicações, uma diminuição do tempo de internamento hospitalar, uma eficácia duradoura e um regresso mais rápido das mulheres às suas atividades de vida diária. Conclusões: O desenvolvimento de um tratamento mais efetivo da IUE, como é o caso das cirurgias minimamente invasivas, tem permitido reduzir o impacto que este problema tem na qualidade de vida das mulheres. O reconhecimento dos ganhos em saúde que daqui advém devem estar presentes no planeamento e intervenção enfermagem, nomeadamente nos serviços de internamento hospitalar, onde a realização destas cirurgias tem vindo a aumentar significativamente. E, embora muitos dos cuidados sejam comuns a outras cirurgias, existem novos conhecimentos e 1

EEESMO, Professora Adjunta - UTAD, Vila Real, Portugal.

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orientações específicas que devem ser divulgados como contributo para uma prática de enfermagem baseada na evidência. Bibliografia Mascarenhas, T. (2011). Disfunções do Pavimento Pélvico: Incontinência urinária e prolapso dos órgãos pélvicos. [online] Disponível em http://www.fspog.com/fotos/editor2/cap_30.pdf; Novara, G., Artibani, W., Barber, M.D., Chapple, C.R., Costantini, E., Ficarra, V., Hilton, P., Nilsson, C.G.,…Waltregny, D. (2010). Updated Systematic Review and Meta-Analysis of the Comparative Data on Colposuspensions, Pubovaginal Slings, and Midurethral Tapes in the Surgical Treatment of Female Stress Urinary Incontinence. European Urology 58, 2 1 8 – 2 3 8; Lucas, M.G., Bedretdinova, D., Berghmans L.C., Bosch J.L.H.R., Burkhard, F.C., Cruz, Pickard, R.S. (2015). Guidelines in Urinary Incontinence. European Association of Urology. National Institute for Health and Care Excellence (2013). Urinary Incontinence in Women. The Management of Urinary Incontinence in Women. NICE Clinical Guidelines, 171.

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CENTROS DE NASCIMENTO GERIDOS POR EESMO/PARTEIRAS: NECESSÁRIOS À “NORMALIZAÇÃO” DO PARTO Susana Alexandra Sorribas Santos181, Sofia Inês Borges Rodrigues 9 de abril de 2015 às 16:40 h Introdução As "midwifery-led care units" são centros de nascimento, onde os EESMO/parteiras trabalham em parceria com as mulheres e onde as necessidades destas são ouvidas e respeitadas. Estas unidades podem ser independentes (“Freestanding midwife-led unit”) ou estar adstritas a uma Maternidade/Hospital (“Alongside units”). Os centros de nascimento são unidades de baixa intervenção destinadas ao atendimento de grávidas com gestações normais e de baixo risco, e são locais que as mulheres procuram; estas unidades estão disponíveis em vários países europeus como o Reino Unido e os países nórdicos. Com a consciência de uma longa caminhada pela frente, esta comunicação tem a intenção de demonstrar as vantagens da criação deste tipo de unidades, bem como propor a criação de projetos que tornem possível a sua execução a médio prazo, em contexto nacional. Pequenos passos são necessários para percorrer longas distâncias. Metodologia Procedemos à sistematização dos resultados obstétricos dos centros de nascimento geridos por parteiras, através de uma revisão dos mais recentes artigos científicos sobre a temática. Foram utilizados os decritores “birth center”, “midwifery”, “maternal outcomes” e “neonatal outcomes” e o operador Booleano AND, no sistema “Descoberta UP” (da Universidade do Porto) o qual inclui as seguintes bases de dados: Academic Search Complete, CINAHL, PubMed, SciELO, Scopus, UpToDate e Web of Science; na Cochrane Database of Systematic Reviews foram utilizados os descritores “midwifery” e “models”. Foram considerados elegíveis os artigos disponíveis em texto integral, produzidos nos últimos cinco anos, em língua portuguesa, inglesa ou espanhola. A pesquisa eletrónica foi efetuada nos meses de Dezembro 2014 e Janeiro 2015. Resultados Após aplicação dos critérios de inclusão foram selecionados 15 artigos. Da revisão de literatura conclui-se que, no contexto da promoção do parto normal e envolvimento da mulher no seu processo de gravidez saudável, os centros de nascimento proporcionam um tipo de assistência que: é segura, promove os melhores resultados 1

EESMO, CHS-EPE - Setúbal, Portugal.

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em saúde materna e neonatal (morbi-mortalidade), vai ao encontro das expectativas das utentes, evidencia equidade e adequação dos recursos humanos e técnicos, é baseada em evidência comprovada em contextos internacionais e reflete a melhor relação custo-benefício. Conclusões A criação de unidades de baixa intervenção para assistência a partos fisiológicos reúne em si o potencial para satisfazer as necessidades vivenciadas pelas mulheres portuguesas, respeitando as premissas de qualidade e segurança no atendimento. Os profissionais de saúde devem reduzir variações aleatórias e melhorar as atividades, por um processo padronizado, cujos resultados podem ser medidos em termos de resultados maternos; os recém-nascidos e crianças constituem um dos grupos de população mais fracos - para melhorar os seus resultados em saúde é, portanto, mandatório que sejam tomados todos os esforços para obter um cuidado seguro, eficaz, eficiente e centrado na mulher. Portugal tem recursos científicos, humanos, técnicos e estratégicos que permitem a obtenção de excelentes resultados maternos e neonatais. Acreditamos que o nosso país pode mudar e melhorar os resultados neonatais e a satisfação materna; cremos que a criação de centros de nascimento seja uma boa opção para os nossos decisores, num curto espaço de tempo: comparando a realidade portuguesa com a evidência internacional, este projeto será certamente um sucesso.

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CUIDADO PERINEAL NO PARTO NORMAL: DA HISTÓRIA À EVIDÊNCIA Sofia Inês Borges Rodrigues191; Manuela Néné 9 de maio de 2015 às 16:40 h Introdução O objetivo primordial da assistência ao parto normal é conseguir uma mãe e um recém-nascido saudável, com o menor nível possível de intervenção compatível com a segurança, sendo que deverá existir sempre um motivo válido para interferir no processo natural de parir/nascer. A episiotomia foi implementada como prática comum na assistência ao parto vaginal, há centenas de anos, sem qualquer suporte científico. Atualmente existem divergências no cuidado perineal intraparto prestado por EESMO/Parteira, as quais se tornam claras em discussões técnicas sobre a temática, pelo que consideramos pertinente a divulgação da evidência e a normalização de padrões e de indicadores assistenciais. Metodologia Procedeu-se à sistematização do conhecimento através da realização de duas revisões sistemáticas da literatura (as quais integrarão a tese de doutoramento em desenvolvimento), através da formulação de duas questões científicas estruturadas (PICO): 1.ª questão: "Qual a evolução histórica da prática de episiotomia por Parteiras?" 2.ª questão: “Em relação ao EESMO/Parteira, quais as intervenções no âmbito do cuidado perineal intraparto que diminuem o risco de trauma perineal grave na parturiente?” Foram definidos os descritores e operadores booleanos a utilizar, sendo que a pesquisa para a primeira questão científica decorreu nos meses de Dezembro 2014 e Janeiro 2015 (atualização da original, desenvolvida em Dezembro 2012/Janeiro 2013) e para a segunda questão científica a pesquisa eletrónica foi desenvolvida em Fevereiro e Março 2014 e atualizada em Janeiro 2015, nos motores de busca EBSCO e “Descoberta UP” (da Universidade do Porto) – o qual inclui as seguintes bases de dados: Academic Search Complete, CINAHL, PubMed, SciELO, Scopus, UpToDate e Web of Science. Consideraram-se elegíveis os artigos produzidos desde 2010, disponíveis em texto integral e cujo abstract se encontre em língua inglesa, portuguesa ou espanhola.

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EEESMO, CHS-EPE, Setúbal, Portugal.

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Resultados Após a aplicação dos critérios de inclusão, foi selecionado um total de 20 artigos científicos para a primeira revisão sistemática da literatura e de 16 para a segunda, respetivamente. Dos artigos analisados emergem fatores tais como a hospitalização do parto e o aparecimento da figura masculina na assistência ao parto que se revelaram determinantes históricos na alteração do modelo de cuidado perineal, e o cuidado prestado por EESMO/Parteira sofreu alterações, passando de um modelo social (de cuidar) a um modelo cirúrgico. A literatura mais recente evidencia que na atualidade os fatores mais determinantes são os modelos formativos intervencionistas, o medo de “prejudicar ou fazer mal” e as perspetivas clínicas não consistentes com as orientações e evidências contemporâneas. Conclusões Historicamente, parece ter existido uma confluência de fatores que favoreceram o desenvolvimento de um modelo de cuidar cirúrgico, gerando uma mudança de paradigma assistencial à parturiente, em que a episiotomia se assumiu como uma “consequência trivial”. Na atualidade os fatores que influenciam as formas de cuidado perineal intraparto, prestado por EESMO, são complexos e afetam as taxas de episiotomia nas unidades obstétricas em todo o mundo. A produção científica atual sugere que a episiotomia não cumpre o seu grande objetivo – o qual terá originado a sua prática há centenas de anos – prevenção de trauma perineal, sendo recomendado o seu uso restrito assim como o investimento em estratégias educacionais e práxicas.

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A IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO NA ÁREA DA SEXUALIDADE EM ENFERMAGEM Dora Carteiro201; Manuela Néné 9 de maio de 2015 às 16:40 h A sexualidade é transversal a todas as idades, pois cada indivíduo tem o direito de usufruir de um ótimo estado de saúde sexual ao longo da vida. Uma temática atual, pertinente e desafiante presente no quotidiano de todos os enfermeiros, como uma área de intervenção, mas nem sempre traduzida na prática de cuidados de enfermagem, pelo que a sua discussão e reflexão carecem de especial atenção. Divulgar informação sobre a abordagem da sexualidade nos cuidados de enfermagem contribui para que os enfermeiros e as entidades formativas valorizem a necessidade de formação nesta área para a promoção de um cuidado holístico. Objetivo: Analisar a importância da formação na área da sexualidade em enfermagem na promoção de um cuidado holístico. Materiais e métodos: Revisão da literatura, nas bases de dados eletrónicas EBSCO e RCAAP, entre 2009 e 2014 com os descritores: sexualidade e enfermagem. Critérios de inclusão: artigos de livre acesso, em full text, nos idiomas inglês, português. Foram considerados no final 27 estudos. Considerações finais: A abordagem da sexualidade na prática de cuidados de enfermagem implica sensibilidade para observar e avaliar a comunicação corporal, identificar constrangimentos, medos, ansiedades, reações à abordagem e avaliar possíveis questões não explícitas. Os aspetos sexuais são culturalmente tidos como íntimos e privados devendo o enfermeiro respeitar a iniciativa e o direito dos indivíduos não se exporem. O desenvolvimento de competências nesta área contribui para que o enfermeiro aborde a sexualidade, com segurança, sem a tornar um assunto interdito, silenciado ou invisível. A abordagem deve ser abrangente incluindo as perceções do corpo, o prazer e os valores afetivos. A reduzida formação específica em sexualidade pode limitar a intervenção de enfermagem no contexto real de cuidados, no entanto, refletir sobre a prática é, por si só, um exercício formativo que poderá promover a mudança. Pretende-se que os enfermeiros invistam neste tema aproveitando a formação em serviço e o ensino pós-graduado. Por outro lado, os planos de estudo devem refletir a sexualidade humana durante ciclo de vida nos cuidados de enfermagem de forma explícita e consistente. A formação é elemento crucial nesta dinâmica, contribuindo para um cuidado de enfermagem holístico que integre a

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EEESMO, UCSP Charneca do Lumiar - Aces Lisboa Norte, Lisboa Portugal.

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sexualidade na sua intervenção, tendo em conta o impacto que as práticas sexuais podem ter na saúde global dos indivíduos. Bibliografia: ASTBURY-WARD, E. - A questionnaire survey of the provision of training in human sexuality in schools of nursing in the UK, Sexual and Relationship Therapy, vol. 26, nº 3, (2011) August, p.254–70. [consult.8 março 2015]; BRÁS, M.; AZEREDO, Z.; NOBRE, J.; SILVA, T. - Formação sobre sexualidade dos enfermeiros dos cuidados de saúde primários: Estudo de factores a ela associados, Servir. Vol. 57, nº1 (2009), Jan/Abril, p. 28-36. [consult.8 março 2015]; COSTA, L.; COELHO, E. - Nursing and Sexuality: Integrative Review of papers published by the Latin-American Journal of Nursing and Brazilian Journal of Nursing, Revista Latino Am. Enfermagem; vol.19, nº3 (2011) Maio/Junho, p.631-9. [consult.8 março 2015]; ORDEM DOS ENFERMEIROS - Regulamento das Competências Específicas do Enfermeiro Especialista em Saúde Materna, Obstétrica e Ginecológica. Lisboa; (2010). [consult.15 março 2015]; ORDEM DOS ENFERMEIROS - Regulamento das Competências Comuns do Enfermeiro Especialista. Lisboa; (2010). [consult.15 março 2015].

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A PREFERÊNCIA DA VIA DE PARTO Cláudia Milhinho1 9 de abril de 2015 às 16:40 h Introdução e objetivo: os determinantes para a escolha da via de parto em mulheres grávidas não são claros e provavelmente são influenciados por múltiplos fatores. Propusemo-nos avaliar a preferência da via de parto numa população de grávidas de baixo risco e os determinantes para essa escolha. Metodologia: estudo prospetivo, transversal. Entre Outubro de 2010 e Outubro de 2011, aplicámos um questionário a uma população de grávidas de baixo risco, às 3435 semanas. Recolhemos dados sobre características sócio-economicas, história obstétrica anterior, a preferência da via de parto e as razões para a escolha da via de parto. Conclusão: das 608 mulheres que responderam, 59 (9,7%) escolheram uma cesariana. Terem tido uma cesariana na primeira gravidez (OR 7,03; 95%CI 3,7713,11) e ser a sua primeira gravidez (OR 2,51 95%CI 1,43-4,39) está associado com um forte desejo de uma cesariana como a via de parto. O medo da dor num parto vaginal e uma experiência satisfatória numa cesariana anterior foram as razões mais apontadas. Concluímos que numa população de grávidas de baixo risco existe um pequeno número de mulheres que deseja uma parto por cesariana. Palavras-chave: cesariana, cesariana a pedido, autonomia.

Bibliografia: AYRES DE CAMPOS, Diogo et. al. – Medidas para reduzir a taxa de cesarianas na região Norte de Portugal. [Em linha]. Porto: CPRTC da ARS Norte, I.P. [Consult. 30 Out. 2010]. Disponível em WWW:<URL: http://portal.arsnorte.minsaude.pt/portal/page/portal/ARSNorte/Conte%C3%BAdos/GRP/Ficheiros/Cesarianas/Relatorio_Taxas_Ces arianas. pdf FUGLENES, Dorthe; AAS, Eline; BOTTEN, Grete et. al. - Why do some pregnant women prefer cesarean? The influence of parity, deliveries experience and fear. Am J Obstet Gynecol. [Em linha]. 205:45e (2011),1-9. [Consult. 2 Set. 2010]. Disponível em WWW:<URL: http://www.ajog.org/article/S0002-9378%2811%29003814/pdfSummary>. FENWICK, Jennifer; STAFF, Lyne; GAMBLE, Jenny et. al. - Why do women request caesarean section in a normal healthy first pregnancy? Midwifery. [Em linha]. 26:4 (2010), 394-400. [Consult. 2 Set. 2010]. Disponível em WWW:<URL: http://www.midwiferyjournal.com/article/S0266-6138(08)00104-6/abstract>. KARLSTRÖM, A; NYSTED, A; JOHANSSON, M; et. al. - Behind the myth – few women prefer caesarean section in the absence of medical or obstetrical factors. Midwifery [Em linha]. 27:5 (2011), 620-7. [Consult. 2 Set. 2010]. Disponível em WWW:<URL: http://www.midwiferyjournal.com/article/S0266-6138(10)00071-9/pdf> .

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FATORES QUE INFLUENCIAM O CASAL NA TOMADA DE DECISÃO E DURAÇÃO NO ALEITAMENTO MATERNO Sandra R.Fernandes 1 Ana-Bela Jesus R. Caetano 10 de abril de 2015 às 09:00 h O aleitamento materno (AM) é uma estratégia de vínculo e nutrição para a criança, recomendado como exclusivo nos primeiros 6 meses de vida. A convicção de que é o melhor alimento para a criança é defendida por várias organizações de saúde, como a Organização Mundial de Saúde e o Fundo de Nações Unidas para a Infância, em busca da redução da morbimortalidade infantil. A proteção, a promoção e o apoio do AM têm sido estratégias mundialmente relevantes, para melhorar as condições de saúde das crianças. Apesar da sua elevada prevalência após o parto, constata-se uma elevada taxa de abandono logo nos primeiros meses de idade da criança (Silva, 2013). O AM depende de fatores que podem influenciar positiva ou negativamente o seu sucesso (Carandina, Faleiros, Trezza, 2006). Os objetivos deste estudo consistem em identificar os fatores que influenciam o casal na tomada de decisão no AM e conhecer os fatores associados à duração do AM. Os critérios de inclusão: artigos disponíveis gratuitamente em texto integral, em língua portuguesa, português do brasil, inglês, publicados entre os anos de 2005 a 2013 com presença de pelo menos a palavra-chave “AM” ou “amamentação” no seu título. Os critérios de exclusão foram os artigos em que as mães e/ou os recém-nascidos apresentavam patologias, recém-nascidos pré-termo e artigos que só incluíssem um fator específico que influenciasse o AM. Descritores utilizados: AM AND pai; AM AND enfermagem; AM AND fatores; AM AND fatores AND amamentação. Existem fatores relacionados com a tomada de decisão dos casais para iniciarem o AM entre os quais: os conhecimentos do casal sobre AM, apoio do companheiro e família, intenção da mãe para amamentar, experiência prévia, a idade materna, estado civil, a escolaridade, o nível socioecónomico, paridade, intervenção dos profissionais de saúde, as políticas de saúde em vigor no país e a práticas dos cuidados de saúde. Relativamente à duração do AM são vários os fatores que influenciam, como por exemplo, a decisão do casal em amamentar, o apoio do pai/companheiro e família na continuidade da amamentação, a idade materna, estado civil, a escolaridade, o nível socioecónomico, paridade, género do RN, perceção da mãe quanto à quantidade de leite, colocação do RN à mama precocemente, o uso ou não de chupetas, a política de saúde e prática dos cuidados e especialmente a intervenção do enfermeiro

Bibliografia 45


DIREÇÃO GERAL DE SAÚDE. - Plano Nacional de Saúde 2012 – 2016 - Objetivo para o Sistema de Saúde Promover Contextos Favoráveis à Saúde ao Longo do Ciclo de Vida. [Em linha]. Portugal. 2012. [Consult. 12 mai. 2014]. Disponível em WWW: <URL:http://pns.dgs.pt/files/2012/02/99_4_2_Contextos-saud%C3%A1veis-ao-longoda-vida_2013_01_173.pdf LAMOUNIER, Joel, A; PIAZZALUNGA, Cleise, R. C.; - A paternidade e a sua influencia no AM. [Em linha]. São Paulo. 2009. [Consult. 6 de maio de 2014]. Disponível em WWW: <http://www.pediatriasaopaulo.usp.br/upload/pdf/1290.pdf>. PISACANE, Alfredo; CONTINISIO, Grazia Isabella; ALDINUCCI, Maria; D'AMORA, Stefania; CONTINISIO, Paola. - A controlled trial of the father's role in breastfeeding promotion. [Em linha]. Pediatrics. 2005. [Consult. 06 de maio de 2014] Disponível em WWW:<URL:http://pediatrics.aappublications.org/content/116/4/e494.full.pdf+html>. RAMALHO, Anabela. - Manual para redacção de estudos e projectos de revisão sistemática com e sem metanálise: estrutura funções e utilização na investigação em enfermagem. Coimbra: Formasau- Formação e Saúde. 2005.

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A MULHER SUBMETIDA À PRÁTICA DA MUTILAÇÃO GENITAL FEMININA: INTERVENÇÕES DO ENFERMEIRO OBSTETRA Manuela Néné1; Dora Carteiro; Sandra Cota; Cristina Castanho; Luís Miranda; & Carla Barroso 10 de abril de 2015 às 09:00 h Introdução: Mundialmente as organizações, nomeadamente a OMS, a UNESCO e a UNICEF manifestam estratégias de consciencialização e de erradicação desta prática. Numa sociedade multiétnica os enfermeiros obstetras são confrontados com um número crescente de mulheres provenientes de países onde a prática da MGF é uma realidade (2,4). Assim torna-se pertinente a sensibilização sobre a temática numa vertente multidisciplinar, criando espaços facilitadores à discussão do tema, nos cuidados de saúde primários e hospitalares. Objetivos: Identificar as intervenções do enfermeiro obstetra na prática de cuidados à mulher submetida à MGF. Materiais e métodos: Reflexão sobre a prática de cuidados. Revisão da Literatura, em Bases de Dados Eletrónicas CINAHL, MEDLINE, PUBMED, Web of Science e RCAAP, entre 2010 e 2015. Na pesquisa foram utilizados os seguintes descritores: (mutilação genital feminina or corte genital or excisão), intervenções de enfermagem e enfermeiros obstetras. Foram encontrados 12 artigos. Critérios de inclusão: artigos de livre acesso, em full text nos idiomas inglês, português e espanhol. Considerações finais: O enfermeiro obstetra é um dos profissionais de saúde que assume um papel preponderante no cuidado à mulher ao longo do ciclo vital. Assim, desde o cuidado pré-concecional ao cuidado à mulher grávida ou à puérpera, este pode ser confrontado com a presença de MGF. A intervenção de enfermagem dirigese no âmbito da prevenção, bem como na deteção de complicações e/ou sequelas desta prática (1, 5). Como elemento dinamizador da formação, o enfermeiro obstetra pode investir nesta área face a à necessidade de formação identificada. O conhecimento sobre o envolvimento cultural e religioso, bem como a definição, classificação, epidemiologia e considerações antropológico-legais, constituem ferramentas para uma intervenção multidisciplinar fundamentada na prevenção e promoção da saúde para as mulheres com MGF (2-5). As complicações associadas interferem não só na gravidez, mas também no parto, pelo que o enfermeiro obstetra além da identificação e referenciação, tem uma intervenção 1 1 EEESMO, Professora Coordenadora da ESS-CVP, Lisboa, Portugal. 47


específica no âmbito da disfibulação. A MGF existe e é uma realidade no nosso país, no entanto começa agora a identificar-se a dimensão deste problema em Portugal, podendo estes profissionais terem um papel fulcral no processo. Bibliografia: IAVAZZO, C.; SARDI, T. GKEGKES, I. - Female Genital Mutilation and infection: a systematic review of the clinical evidence, Arch Gynecol. Obst; vol.287, nº6 (2013), p.1137 - 49. [consult.6 março 2015]. doi: 10.1007/s00404-0122708-5; ABDULCADIR, J.; RODRIGUEZ, M.; SAY, L. - Research gaps in the care of women with female genital mutilation: an analysis. Bjog; vol.122, (2011), p.294 – 303. [consult.6 março 2015] ; ABDULCADIR, J.; MARGAIRAZ, C.; BOULVAIN, M.; IRION, O. - Care of women with female genital mutilation/cutting, Journal Article, Review, (2012); [consult.6 março 2015] doi: 10.4414/smw.2010.13137; BARRETO, S.; CUNHA, V.; VICENTE, L.; CAMPOS, A. - Female Genital Mutilation: Knowledge from Health Professionals. Acta Obstet Ginecol Port; vol.7, nº 2 (2013), p.89-94. [consult.13 março 2015]; OMS et al. Eliminação da Mutilação Genital Feminina: Declaração Conjunta OHCHR, ONUSIDA, PNUD, UNECA, UNESCO, UNFPA, ACNUR, UNICEF, UNIFEM, OMS, (2008),[consult.13março2015].Disponível:http://www.who.int/eportuguese/publications/mutilacao.pdf.

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CONTRIBUTOS DA VISITA DOMICILIÁRIA DE ENFERMAGEM OBSTÉTRICA NO SUCESSO DO ALEITAMENTO MATERNO E ANSIEDADE ESTADO Carla Augusta Gonçalves Ribas211 10 de abril de 2015 às 09:00 h Introdução: A importância da iniciação e a manutenção do aleitamento materno exclusivo encontra-se documentada por várias entidades nacionais e internacionais, pois os ganhos que se lhe associam justificam o investimento na sua promoção (MINISTÉRIO DA SAÚDE E OBSERVATÓRIO DO ALEITAMENTO MATERNO, 2012). A ansiedade e a depressão são comuns durante a gravidez e após o parto revelando consequências prejudiciais para a mulher e para o desenvolvimento da criança (CAMACHO, et al. 2006; CONDE E FIGUEIREDO, 2005; COSTA E REIS, 2011). Objetivos: Este estudo teve como objetivo analisar o contributo da visita domiciliária da enfermeira especialista em saúde materna, obstétrica e ginecológica, no sucesso do aleitamento materno e na ansiedade estado em primíparas. Metodologia: Estudo pré-experimental, realizado numa amostra de 20 primíparas com ansiedade traço≥40, que frequentaram curso de preparação para o parto e parentalidade distribuídas em dois grupos: experimental e controlo. A variável independente foi a visita domiciliária da enfermeira especialista realizada entre o quarto e o oitavo dias do pós-parto. As variáveis dependentes foram o sucesso em aleitamento materno, onde se considerou a sua duração aos três meses de vida da criança, a gestão de intercorrências mamárias e a satisfação com o aleitamento materno; e a saúde mental da mulher, onde se considerou a ansiedade estado. A colheita de dados ocorreu ao terceiro mês do pós-parto através de questionário, da Maternal Breastfeeding Evaluation Scalede Leff (1994) e do State-Trait Anxiety Inventoryde Spielberg, Gorsuch e Lushene (1970). Resultados: A prevalência de aleitamento materno exclusivo e de aleitamento materno predominante aos três meses de vida da criança foi de 55% e 15%. A gestão de intercorrências mamárias ocorreu, para a maioria das mulheres, com a enfermeira especialista. A satisfação com o aleitamento materno foi elevada. A ansiedade estado das primíparas foi em média de 34,95 ±7,99. Entre os grupos não se registaram diferenças estatisticamente significativas, pelo que não se verificaram efeitos decorrentes da intervenção. Conclusões: O sucesso em aleitamento materno e a gestão da ansiedade são processos complexos, que derivam das dimensões biopsicossociais das mulheres,

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EEESMO, Mestre em ESMO, UCC Caminha, USL de Alto Minho, Caminha, Portugal.

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criança e famílias. A enfermeira especialista foi reconhecida como o profissional de saúde de primeira linha na gestão das intercorrências mamárias. A visita domiciliária não teve efeitos, no entanto não se observaram efeitos negativos. A intervenção dos enfermeiros deverá conjugar as dimensões biopsicossociais e desenhar-se ao longo do ciclo gravídico-puerperal. Bibliografia: CAMACHO, Renata. S. [et al] - Transtornos psiquiátricos na gestação e no puerpério: classificação, diagnóstico e tratamento. Revista Psiquiatria Clínica. São Paulo. Vol. 33, Nº 2 (2006), p. 92-102. CONDE, Ana; FIGUEIREDO, Bárbara - Ansiedade na gravidez: implicações para a saúde e desenvolvimento do bebé e mecanismos neurofisiológicos envolvidos. Acta Pediátrica Portuguesa. Lisboa. ISSN 0873-9781. Vol. 36, Nº 1 (2005), p.1-32. COSTA, Cassilda; REIS, Constança H.- Perturbações psiquiátricas do pós-parto: implicações na amamentação. Acta Pediátrica Portuguesa. Lisboa. ISSN 0873 -9781. Vol. 42, Nº 4 (2011), p. 177-181. MINISTÉRIO DA SAÚDE; OBSERVATÓRIO DO ALEITAMENTO MATERNO. Registo do Aleitamento Materno. Relatório de Julho de 2010 a Junho de 2011. Lisboa: Direção Geral da Saúde e Mamamater, 2012.

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PRÁTICA CLÍNICA DO EESMO NA CONDUÇÃO DE CIRCULAR CERVICAL DO CORDÃO UMBILICAL Susana Alexandra Sorribas Santos221 ; Sofia Inês Borges Rodrigues 10 de abril de 2015 às 09:00 h Introdução A presença de circulares cervicais do cordão umbilical é uma ocorrência muito comum durante o parto, estimando-se em cerca de 30%. O domínio do conhecimento acerca da constituição do cordão umbilical, da fisiologia da circulação feto-placentária e da fisiologia da transição neonatal, é fundamental para o EESMO, no sentido de adequar o juízo e atuação clínica ao maior benefício para o recém-nascido, baseando-se nos dados da evidência científica mais atual. Estão amplamente comprovados os benefícios do clampeamento fisiológico do cordão umbilical, no entanto a presença de circulares cervicais está relacionada com o aumento da incidência do clampeamento precoce. O objetivo desta revisão é produzir conhecimento sobre as vantagens do clampeamento fisiológico do cordão umbilical e inferir sobre as indicações e vantagens/desvantagens das várias alternativas da prática clínica na condução das circulares cervicais do cordão umbilical. Metodologia Procedemos à sistematização do conhecimento sobre condução clínica das circulares do cordão umbilical, durante o parto, através de uma revisão dos mais recentes artigos científicos sobre esta temática. Foram utilizados os descritores “nuchal cord”, “cord clamping” e “Somersault maneuver”, assim como os operadores Booleanos AND e OR, no sistema “Descoberta UP” (da Universidade do Porto) o qual inclui as seguintes bases de dados: Academic Search Complete, CINAHL, PubMed, SciELO, Scopus, UpToDate e Web of Science; na Cochrane Database of Systematic Reviews foi utilizado o descritor “cord clamping”. Foram considerados elegíveis os artigos disponíveis em texto integral, produzidos nos últimos cinco anos, em língua portuguesa, inglesa ou espanhola. A pesquisa eletrónica foi efetuada nos meses de Dezembro 2014 e Janeiro 2015. Resultados Após aplicação dos critérios de inclusão foram selecionados 8 artigos. Da revisão de literatura conclui-se que:

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EEESMO, Bloco de Partos da CHS-EPE, Setúbal, Portugal.

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a presença de circulares cervicais está associada a maior incidência de clampeamento precoce do cordão umbilical.

perante uma circular cervical as opções de condução clínica são: (1) clampeamento e corte, (2) redução da circular e (3) manobra Somersault.

a opção a tomar será sempre a que preserve, com segurança, a integridade e não compressão do cordão umbilical.

Conclusões O clampeamento tardio do cordão umbilical é benéfico para o recém-nascido e a conduta recomendada é aquela que evite a compressão do cordão umbilical associada ao corte e clampeamento tardio. A redução das circulares cervicais é a manobra mais simples, no entanto, só é segura na presença de circulares largas. Nos casos em que as circulares se apresentam justas, ou apertadas, ou na presença de múltiplas circulares, a decisão clínica para a prática recai sobre a manobra de Somersault.

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O CONHECIMENTO DAS GRÁVIDAS SOBRE O PROCESSO DE PARTO Ana Paula Prata Amaro de Sousa231 10 de abril de 2015 às 11:50 h Introdução: O conhecimento sobre o processo de parto é considerado como essencial para a obtenção de uma experiência de parto mais positiva, uma melhor gestão da dor e para a diminuição do medo e da ansiedade relacionados com o parto. O desconhecido induz medo e ansiedade e um aumento da perceção dolorosa, torna a mulher inativa, dificulta a tomada de decisão e promove a relação de agência. É consensual aos autores relacionados com a preparação para o parto (Dick-Read, 1933; Lamaze, 1951; Bradley, 1965; ICEA, 1990; Nancy Bardacke, 1998, entre outros), que o conhecimento é fundamental para que a mulher possa desenvolver capacidades de controlo e determinação (Pereira, Fernandes, Tavares, & Fernandes, 2011) e possuir a força necessária para tomar decisões (Kameda & Shimada, 2008). Objetivo: Identificar o conhecimento das grávidas sobre o processo de parto Metodologia: O estudo teve como população alvo todas as mulheres grávidas que frequentavam as consultas de obstetrícia de uma instituição da região Norte de Portugal. Amostra não probabilística, por conveniência, composta por 246 grávidas, com 20 anos ou mais, com 28 ou mais semanas de gestação. Todas as participantes assinaram um documento de consentimento informado. A recolha de dados decorreu entre janeiro de 2011 e setembro de 2012, e foi efetuada com recurso a uma entrevista semiestruturada. Conclusão: A maioria das inquiridas mencionou ter um conhecimento geral sobre o trabalho de parto, referindo saber sobre sinais e sintomas de início do trabalho de parto, analgesia epidural e sobre vinculação. Mencionaram não ter conhecimento sobre: anatomofisiologia do trabalho de parto, competência para parir, complicações que podem surgir durante o trabalho de parto e métodos não farmacológicos de alívio da dor. Estes resultados podem explicar o grande número de pedidos de analgesia epidural, a manutenção das intervenções de rotina no trabalho de parto e a alta taxa de cesariana que se verifica nas nossas instituições. Um pobre conhecimento sobre o processo de parto, sobre os eventos que podem ocorrer no seu decurso e sobre os métodos não-farmacológicos de alívio da dor faz com que a mulher fique refém de práticas centradas num modelo de intervenção biomédico, cujos procedimentos invasivos a levam à perda de autonomia e de participação no processo de parto. No planeamento das sessões de preparação para o parto os ESMO devem ter em conta o conhecimento prévio da grávida/casal, de forma 1

EEESMO, Professor Adjunta da ESEP, Porto, Portugal.

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a identificar as suas necessidades e, assim, a adaptar o conteúdo e o tipo de informação a transmitir nas sessões, só desta forma poderá oferecer cuidados de enfermagem de qualidade. Bibliografia: PEREIRA, C., FERNANDES, L., TAVARES, M., & FERNANDES, O. - Empowerment: Modelo de capacitação para uma nova filosofia de cuidados. Nursing. Vol. 23, n.º267 (2011), p. 8-15. KAMEDA, Y., & SHIMADA, K. - Development of an empowerment scale for pregnant women. Journal of Tsuruma Health Science Society Kanazawa University. Vol. 32, n.º1 (2008), p. 39-48. Disponível em: WWW<URL: http://hdl.handle.net/2297/10997>

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KIT “CUIDAR DA PARENTALIDADE PARTILHADA”: UMA FERRAMENTA DE TRABALHO PARA OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE Fernanda Maria Gomes da Costa Teixeira Marques 241 10 de abril de 2015 às 11:50 h Investigação-ação, cofinanciada pela FCT, POPH e QREN, resultante da relação protocolada entre a SEIES e a ESS/IPS, instituições inquietadas com a necessidade de tornar mais ágil a sensib ilização

de

pais

e

mães

para

a

licença

da

coparentalidade, na promoção da igualdade de género, assim como no encorajamento dos/as profissionais de saúde (principalmente enfermeiros), a constituírem-se seus sensibilizadores. Desta forma concebeu-se um projeto que visasse “Cuidar a Parentalidade Partilhada”, que encaminhasse as pessoas para o usufruto da licença parental partilhada, envolvendo homens e mulheres, a partir dos serviços especializados na área da saúde. O ACES A é o contexto de Cuidados de Saúde Primários que tem coautoria na pesquisa e acolheu os estudantes de enfermagem do 3º ano do 11º e 12º CLE desde o estudo exploratório até à construção e validação do Kit “Cuidar a Coparentalidade”, que resultou numa ferramenta de trabalho dos profissionais de saúde que têm a mulher e o homem, pais ou futuros pais, como público-alvo das suas intervenções cuidativas. Procedeu-se à apresentação deste projeto à OE, no colégio da especialidade de SMO e à DGS na divisão da Saúde Sexual e Reprodutiva. O lançamento do Kit decorreu no dia 27 de novembro na Casa da Baía, em Setúbal. Palavras-chave: Parentalidade; Coparentalidade; Cuidar; Enfermagem; Licença Parental; Igualdade de Género.

1

EEESMO, Professor Adjunto, ESS-IPS, Setúbal, Portugal

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EXPERIÊNCIA DO PAI DURANTE O TRABALHO DE PARTO E PARTO: CONTRIBUTOS DE UM CURSO DE PREPARAÇÃO PARA O NASCIMENTO Júlia Maria das N. Carvalho251 Eunice Maria G. Mota; Susana Patrícia R. Correia 10 de abril de 2015 às 11:50 h Introdução A gravidez e o nascimento, apesar de serem considerados estados e eventos fisiológicos da mulher, a maior parte dos homens sentem-se profundamente envolvidos nestes, desempenhando assim um papel mais proactivo. Os cursos de Preparação Para o Nascimento (CPN) vem dar um incremento à participação da figura paterna em todos os momentos que antecedem o nascimento do bebé. Apesar de as primeiras experiencias nesta área se centrarem nas necessidades da mulher e do bebé, progressivamente tem-se verificado uma mudança de paradigma promovendo o enfoque nas necessidades dos pais. Assim os cursos de preparação para o parto e para a parentalidade vem possibilitar aos pais viver esta nova etapa das suas vidas de uma forma mais tranquila e confiante, particularmente no momento do nascimento. A investigação é desta forma fundamental para compreender a experiência dos pais sobre o nascimento, e entender se as aulas de Preparação para o Parto afetam a sua experiência, influenciam o seu bem-estar emocional e a vinculação ao bebé após o nascimento mesmo (Greenhalgh, Slade, & Spiby, 2000). Objetivos Partindo deste pressuposto surgiu a ideia de realizar um estudo dirigido aos pais que participaram num Curso de Preparação para o Nascimento. Esta investigação teve como objetivo - Conhecer de que forma a frequência de um CPN favoreceu a experiencia do pai durante o trabalho de parto e parto; - Conhecer os contributos de um CPN, nas competências parentais no decorrer do trabalho de parto e parto. Metodologia Tratou-se de um estudo de carácter exploratório descritivo e de natureza qualitativa, sendo a colheita de informação realizada numa maternidade central da região centro de Portugal. O guião da entrevista foi concretizado tendo por base o objetivo do estudo e a revisão da literatura efetuada para a realização do mesmo. Cada entrevista teve a duração média de 20 minutos, tendo sido realizada cerca de 30 minutos após o nascimento, direcionada aos pais que presenciaram o trabalho de parto e parto de suas companheiras. A análise dos dados foi realizada de forma intuitiva e interpretativa, de forma a se obter o conhecimento do fenómeno em estudo, tendo sido identificados os principais significados.

1

EEESMO, Professora Adjunta da ESEnfC, Coimbra, Portugal

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Foram realizadas 11 entrevistas a pais que frequentaram um Curso de Preparação Para o Nascimento, tendo cada participante sido informado e esclarecido acerca do objetivo da entrevista, e participado de forma livre, consentida e anónima. Conclusão Após a realização da análise das entrevistas foi necessário realizar o agrupamento de conceitos similares, de forma a codifica-los, para desta forma facilitar a sua análise. Foram organizadas cinco categorias descritivas da experiência e respetivas subcategorias, sendo elas: conhecimentos sobre o trabalho de parto, apoio à mulher durante o trabalho de parto, mudanças na conjugalidade, vinculação ao bebé e sentimentos experienciados. Do estudo realizado conclui-se que a participação paterna na gravidez e no parto têm efeitos benéficos na evolução do trabalho de parto e nascimento, relação mãe-paibebé, bem como a nível da conjugalidade. Bibliografia Greenhalgh, R., Slade, P., & Spiby, H. (2000). Fathers`Coping Style, Antenatal Preparation, and Experiences of Labour and the postpartum. Birth , pp. 177-184. Nohueina, J. F., & Ferreira, M. (2012). O envolvimento do pai na gravidez/parto e a ligação emocional com o bebé. (Portuguese). Revista De Enfermagem Referência, (8), 57-66.

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BARREIRAS NO ACESSO DOS JOVENS ADULTOS AOS CUIDADOS DE SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA Maria José de Oliveira Santos261 ; Maria Manuela Conceição Ferreira 10 de abril de 2015 às 11:50 h Introdução: Uma estratégia fundamental na promoção da saúde global dos jovens, inclui a existência de serviços apropriados, economicamente acessíveis e integrados (Silva & Meneses, 2010). Contudo continuam a existir barreias no acesso aos serviços e cuidados de saúde reprodutiva por parte dos jovens, relacionados com a insuficiência de serviços específicos, rigidez de horários, localização inadequada, barreiras administrativas, financeiras, sociais, culturais e mesmo religiosas (Vilar, 2012). O presente estudo pretende caraterizar os comportamentos de procura dos serviços de SSR por parte dos estudantes do ensino superior e identificar barreiras no acesso a estes serviços. Metodologia: Foi realizado um descritivo, correlacional, transversal de natureza quantitativa, numa não aleatória de 1946 estudantes (64% são raparigas e 36 % são rapazes), de uma universidade do Norte do país. Na recolha de dados foi utilizado

um

questionário

de

autopreenchimento

para

caracterização

sociodemográfica, dos comportamentos sexuais, práticas de vigilância de saúde e tipo de acesso aos serviços. O questionário foi aplicado em sala de aula a todos os estudantes que aceitaram participar no estudo, depois de terem conhecimento dos seus objetivos e asseguradas as questões de anonimato e confidencialidade. O estudo foi autorizado pela Comissão de Ética da Universidade. Os dados foram analisados por estatística descritiva e inferencial (Qui-Quadrado), com um nível de significância p≤ 0,05. Resultados: Os participantes apresentam uma idade média de 21 anos, 82,2,% teve relações sexuais no último ano e utilizou contraceção (96,1%). A maioria (72,6%) refere que nunca realizou o teste do VIH e apenas 66,9% das raparigas foram vacinadas contra o HPV. Uma elevada percentagem (69,9%), nunca recorreu aos serviços de SSR, mas as raparigas procuram mais os serviços de SSR que os rapazes (p≤0,001). Ambos os géneros procuram preferencialmente o centro de saúde (70,6%), para a realização de citologia (27,1%), aquisição de contracetivos (56,5%) e aconselhamento sobre contraceção (48,6%). As dificuldades no acesso aos serviços de SSR são relacionadas com os horários (10,8%) e localização pouco convenientes (4,0%) e demora na marcação da consulta (8,7%). Para aumentar a utilização dos serviços de SSR os estudantes propõem como estratégias, uma maior divulgação 1

EEESMOProfessora Adjunta da UTAD - ESEVR, Vila Real, Portugal

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destes serviços (70,6%), a garantia da confidencialidade e anonimato (23,4%) e a transmissão de informação nesta área de forma mais inovadora (21,3%). Conclusões Os enfermeiros especialistas em saúde materna obstétrica e ginecológica podem ter um papel fundamental na promoção da SSR, não só pela divulgação dos serviços existentes no contexto universitário uma vez que a sua procura ainda é limitada, mas também pela sensibilização dos estudantes, em particular dos rapazes, para a importância da vigilância da SSR. Para diminuir as barreiras no acesso aos serviços de SSR, os serviços devem estar localizados no campus universitário com horários mais alargados e os profissionais de saúde devem ser capazes de assegurar o anonimato e confidencialidade e transmitir informação com recurso a estratégias mais interativas, tais como o cinema, teatro, debate e novas tecnologias. Bibliografia Vilar, D. (2012). Projeto Sexual Awareness for Europe (SAFE II). Associação para o Planeamento da Família. Silva, M. & Meneses, R. F. (2010). Educação para a Saúde e Atitudes Sexuais de Estudantes Universitários.

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RESUMO DOS POSTERS

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NASCER NA MATERNIDADE BISSAYA BARRETO: O CONTACTO PELE A PELE NO BLOCO OPERATÓRIO Mónica S. A. Henriques271; Carla M. R. Macedo; Paula M. V. Amado 9 de abril de 2015 às 09:00 h

Introdução: A Maternidade Bissaya Barreto (MBB) é reconhecida como “Hospital Amigo dos Bebés” desde 2007, pela UNICEF, procurando uma melhoria contínua nas práticas conducentes à promoção do aleitamento materno. Procurando dar resposta ao 4.º passo da iniciativa, o Bloco Operatório de Obstetrícia iniciou a realização do contacto pele a pele mãe-recém-nascido na cesariana em Março de 2013. Sabe-se que o contato precoce pele-a-pele tem uma influência positiva na interação entre a mãe e o recém-nascido (RN) após o parto vaginal, pela estimulação sensorial como o toque, o calor e o odor maternos (PUIG; SGUASSERO, 2007). Contudo, segundo VELANDIA et al. (2010) a cesariana está associada, na maioria das situações, ao atraso na interação mãe-bebé. Vários estudos têm sido realizados com vista a demonstrar os efeitos do contato precoce pele-a-pele na iniciação e manutenção do aleitamento materno exclusivo, no controlo da temperatura corporal pelo RN, o seu efeito analgésico na realização de procedimentos dolorosos (como a administração de vitamina K), na estabilização fisiológica do bebé e no sentimento de competência por parte dos pais (MARÍN GABRIEL et al., 2010; SANTOS, 2011). Neste sentido, importa-nos aferir que resultados advêm do contacto pele a pele realizado nas cesarianas no nosso Bloco Operatório para as mães e bebés. Objetivos: Avaliar a satisfação das mães com o contacto pele a pele na cesariana. Identificar se há relação entre a realização deste procedimento e a manutenção do aleitamento exclusivo nos primeiros meses de vida. Metodologia: Aplicação de um questionário, desenvolvido pelo grupo de trabalho do contacto pele a pele, via telefone, às mães com cesariana realizada há, pelo menos, 3 meses, que tenham realizado contacto pele a pele. Conclusão: Apresentação de dados conclusivos resultantes da aplicação do questionário. Bibliografia: BERGMAN, Nils – What is Skin-to-Skin Contact? [Em linha]. Dez. 2011. [Consult. 17 Out. 2012]. Disponível na Internet:<URL:http://www.skintoskin contact.com/what-is-ssc.aspx>; MARÍN GABRIEL, MA [et al.] – Randomized controlled trial of early skin-to-skin contact: effects on the mother and the newborn. Acta Pædiatrica. N.º 99 (2010). ISSN 0803–5253. p. 1630–1634; ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE; FUNDO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A INFÂNCIA – Iniciativa Hospital Amigo da Criança: revista, atualizada e ampliada para o cuidado integrado. Módulo 4: autoavaliação e monitoramento do hospital. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2010. 92 p.; 1

EEESMO, UCS Personalizados de Anadia III, ACES Baixo Vouga, Anadia, Portugal.

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PUIG, G; SGUASSERO, Y. – Early skin-to-skin contact for mothers and their healthy newborn infants. RHL - The WHO Reproductive Health Library [Em linha]. 2007. [Consult. 17 Mar. 2015]. Disponível na Internet:<URL:http://apps. who.int/rhl/newborn/gpcom/en/index.html>. 6p.; SANTOS, A. – A importância do contato precoce pele-a-pele entre mãe e bebé. CHBA: Portimão, 2011. 13 p.; SOBEL, Howard L. [et al.] – Immediate newborn care practices delay thermoregulation and breastfeeding initiation. Acta Pædiatrica. n.º 100 (2011). ISSN 0803–5253. p. 1127–1133; VELANDIA, Marianne [et al.] - Onset of Vocal Interaction Between Parents and Newborns in Skin-to-Skin Contact Immediately After Elective Cesarean Section. Birth. Vol. 37, n.º 3 (Set. 2010). p.192–201.

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MUTILAÇÃO GENITAL FEMININA EM PORTUGAL E NO MUNDO: FATORES DETERMINANTES Manuela Néné1; Dora Carteiro; Carla Barroso; Luís Miranda; Cristina Castanho; & Sandra Cota 10 de abril de 2015 às 09:00 h Introdução: A mutilação genital feminina (MGF) inclui procedimentos que envolvem a remoção parcial ou total dos órgãos genitais femininos externos, bem como outras lesões que modificam a sua anatomia, por razões não-terapêuticas. A nível mundial esta tradição é comum em 28 Países Africanos, alguns países do Médio Oriente, bem como em muitas comunidades migrantes na Europa e nos Estados Unidos, sendo que cerca de 130 milhões de meninas e mulheres são atingidas por este flagelo (4,5). Anualmente, cerca de três milhões de meninas correm o risco de MGF (5). As organizações a nível mundial, tais como a OMS, a UNESCO e a UNICEF têm manifestado as suas críticas, sensibilizando o Mundo para a consciencialização desta prática e recomendando estratégias de erradicação. Portugal é considerado pela OMS um país de risco, tendo em conta que recebe pessoas procedentes de países onde esta prática é comum. Objetivo: Identificar quais os fatores determinantes para a prática da MGF. Materiais e métodos: Revisão da Literatura, em Bases de Dados Eletrónicas CINAHL, MEDLINE, PUBMED, Web of Science e RCAAP, entre 2010 a 2015. Foram utilizados os descritores: (mutilação genital feminina or corte or excisão), direitos humanos; diversidade cultural e profissionais de saúde. Critérios de inclusão: artigos de livre acesso, em full text, nos idiomas inglês, português e espanhol. Foram considerados no final 5 estudos. Considerações finais: A prática da MGF é baseada em motivos culturais, trazendo na maioria das vezes consequências nefastas para a saúde da mulher, mais concretamente ao nível psicológico e da sexualidade (1-4). Enquadra-se numa perspetiva sociocultural e religiosa que condiciona a mulher no modo como pensa, vive e é reconhecida na sociedade (4,5). Erradicar a MGF não pode ser entendível como procedimento obrigatório, mas sim alcançada através de um diálogo intercultural que permita às comunidades perceberem que esta prática não é benéfica e que as suas crenças não são totalmente corretas. Paralelamente é importante clarificar que o facto de estarem a abdicar de uma prática cultural, não estão a descaracterizar ou a abdicar da sua cultura como um todo (2,3-5). No sentido de melhorar as medidas de promoção da saúde para as mulheres com MGF devem os profissionais de saúde

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avançar numa assistência multidisciplinar, onde os fatores comunicacionais e preventivos são uma preocupação fulcral. Bibliografia: IAVAZZO, C.; SARDI, T. GKEGKES, I. - Female Genital Mutilation and infection: a systematic review of the clinical evidence, Arch Gynecol. Obst; vol.287, nº6 (2013), p.1137 - 49. [consult.6 março 2015]. doi: 10.1007/s00404-0122708-5; ABDULCADIR, J.; RODRIGUEZ, M.; SAY, L. - Research gaps in the care of women with female genital mutilation: an analysis. Bjog; vol.122, (2011), p.294 – 303. [consult.6 março 2015] ; ABDULCADIR, J.; MARGAIRAZ, C.; BOULVAIN, M.; IRION, O. - Care of women with female genital mutilation/cutting, Journal Article, Review, (2012); [consult.6 março 2015] doi: 10.4414/smw.2010.13137; BARRETO, S.; CUNHA, V.; VICENTE, L.; CAMPOS, A. - Female Genital Mutilation: Knowledge from Health Professionals. Acta Obstet Ginecol Port; vol.7, nº 2 (2013), p.89-94. [consult.13 março 2015]; OMS et al. Eliminação da Mutilação Genital Feminina: Declaração Conjunta OHCHR, ONUSIDA, PNUD, UNECA, UNESCO, UNFPA, ACNUR, UNICEF, UNIFEM, OMS, (2008),[consult.13março2015].Disponível:http://www.who.int/eportuguese/publications/mutilacao.pdf;

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CONTATO PELE A PELE NA PRIMEIRA HORA PÓS-PARTO Andreia Sofia N. Bolito281; Júlia Maria das N. Carvalho; Ana Isabel H. Correia 10 de abril de 2015 às 09:00 h Introdução As primeiras horas de vida são momentos cruciais para a interação mãe-filho, deste modo a promoção do contacto pele a pele (CPP) deve ser uma aposta cada vez maior dos enfermeiros especialistas em saúde materna e obstetrícia. O CPP é uma prática segura e de baixo custo que pode ser aplicado nas salas de partos das maternidades tendo associados vários benefícios quer para o recém-nascido (RN) quer maternos. Vários estudos demonstram que ao realizar-se o CPP, existe uma significativa diminuição nos mecanismos de perda de calor do RN, mantendo este a sua temperatura dentro dos valores normais, estáveis e muitas vezes acima dos valores apresentados por RN’s vestidos e/ou envoltos numa manta (Bystrova, et al 2003). Objetivos - Identificar os benefícios maternos da realização do CPP na primeira hora pós-parto. - Identificar os benefícios para o RN da realização do CPP na primeira hora pós-parto. Metodologia A metodologia utilizada para a elaboração deste trabalho foi a revisão da literatura, tendo por base a pesquisa em bases de dados científicas de vários artigos sobre a temática em estudo. Resultados Os estudos consultados, demonstram que a ligação mãe-filho é estimulada sendo este vínculo estabelecido mais facilmente. A mulher sente-se mais realizada e menos ansiosa e stressada, quando pratica o CPP. Esta prática leva a que o RN interaja mais facilmente com a mãe e que a primeira mamada ocorra mais precocemente e com menos complicações. Além disso, a investigação mostra-nos que as mães amamentam exclusivamente durante mais tempo. A nível hormonal, este contacto influencia a produção de hormonas como a ocitocina e a prolactina necessárias no pós-parto imediato e mediato. A prática do CPP pode ser efetuada quer no decorrer do parto vaginal, quer nos casos de cesariana com algesia epidural, onde a mãe permanece acordada, podendo usufruir deste contato com o seu bebé. O pai que muitas vezes está presente durante o parto, também pode realizar CPP, quando a situação clinica da mãe não permite.

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Estudante de ESMO, Cirurgia A - CHUC, Coimbra, Portugal.

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Conclusão A evidência científica sobre o exercício das boas práticas em sala de partos, onde incluímos o CPP existe e deve ser considerada pelos profissionais de saúde. Sugerese por isso que esta sensibilização seja alargada a toda a equipe multidisciplinar promovendo o diálogo entre todos os profissionais que assistem a parturiente e o recém-nascido, nesta fase particular de suas vidas. O CPP e a amamentação são estratégias importantes que exigem dedicação da equipe para as estimular. Há necessidade do reconhecimento do potencial destas praticas pela equipe de forma a poder implementá-las, promovendo desta forma ganhos em saúde importantes para os pais e para o recém-nascido. O CPP é uma prática onde a Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstetrícia pode intervir positivamente, promovendo a realização deste na primeira hora de vida do RN. Bibliografia -Bystrova, K. et al (2003). Skin-to-skin contact may reduce negative consequences of "the stress of being born": a study on temperature in newborn infants, subjected to different ward routines in St. Petersburg. Acta Paediatrica (Oslo, Norway: 1992), 92(3), 320-326. - Nahidi, F., Tavafian, S. S., Haidarzade, M., & Hajizadeh, E. (2014). Opinions of the Midwives about Enabling Factors of Skin-To- Skin Contact Immediately after Birth: A Descriptive Study. Journal Of Family & Reproductive Health, 8(3), 107-112.

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REBOZO: UMA FORMA DE ABRAÇAR O PARTO NATURAL Rosa Patrícia M.Pereira 291; Ilda Maria F.Tereso; Marta Alexandra da C. A. Vareiro 10 de abril de 2015 às 09:00 h

Introdução Ao longo da gravidez, são grandes as modificações que ocorrem no corpo da mulher, sendo o parto o culminar destas. Como EESMO, cabe a nós encontrar estratégias que possam minimizar os desconfortos provocados por estas mudanças, bem como trabalhar com a dor durante o trabalho de parto (TP) e parto (Vanderlaan, 2014). O Rebozo, surge então, como uma ferramenta transversal, ou seja, esta pode ser usada durante a gravidez, TP e pós-parto (Keijzer e Tuyl, 2010; Sotelo e Vinaver, 2001). A finalidade desta técnica consiste em (Keijzer e Tuyl, 2010): promover o relaxamento do assoalho pélvico; efeito positivo no TP; promover um efeito agradável; auxiliar a parturiente nos esforços expulsivos; recuperação pósparto e embalar o bebé. O nosso primeiro contacto com o Rebozo foi durante a especialidade. Desde logo, foi algo que despertou o nosso interesse e como tal, desde então temos aprofundado o nosso conhecimento e aperfeiçoado a nossa técnica, introduzindo o Rebozo na nossa prática profissional. Objetivos Os objetivos deste poster, são: 

Dar a conhecer a técnica – Rebozo no alívio dos desconfortos na Gravidez; trabalhar com a dor no TP; promover a recuperação pós-parto; embalar o bebé.

Refletir sobre vantagens da aplicação do Rebozo;

Incentivar a aplicação do Rebozo no contexto da prática.

Metodologia Como metodologia recorremos a uma revisão da literatura, utilizando como motores de busca: Google Scholar e EBSCO. Contudo, constatámos que esta 1

EEESMO, Centro Hospitalar Póvoa de Varzim, Portugal.

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é escassa. Como tal, baseamos a elaboração deste poster no livro intitulado The Rebozo Technique: Unfolded e em alguns artigos. Conclusão Atualmente, como detentoras do conhecimento desta técnica sentimos a obrigação de partilhá-lo, no sentindo de podermos proporcionar várias escolhas ao casal durante a vivência da maternidade/paternidade, reconhecendo todas as suas vantagens. Bibliografia KEIJZER, Mirjam e VAN TUYL, Thea – The Rebozo Technique: Unfolded. Copyright, 2010. ISBN 978-90-811202-3-4; MUZA, Sharon - Using a Rebozo in Pregnancy and Birth for Comfort and Promoting Progress [Em Linha]. About. [Consult. 13 Mar. 2015] Disponível em WWW:<URL:http://pregnancy.about.com/od/productsforlabor/ss/Using-ARebozo-In-Pregnancy-And-Birth-For-Comfort-And-Promoting-Progress.htm>; SHILLING, Teri, ROMANO, Amy M. e DIFRANCO, Joyce T. - Care Practice #2: Freedom of Movement Throughout Labor. The Journal of Perinatal Education [Em linha]. Vol. 16, nº 3 (2007), pp. 21-24. [Consult. 14 Mar. 2015]. Disponível na internet: <URL: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1948086/pdf/JPE160021.pdf>. ISSN 1058-1243; SOTELO, Irene e VINAVER, Naolí - The Rebozo: A transcription of the rebozo workshop given by Doña Irene Sotelo and Naolí Vinaver [Em Linha]. USA: Midwifery Today. [Consult. 14 Mar. 2015] Disponível em WWW:<URL: http://www.midwiferytoday.com/articles/transcript.asp>; TULLY, Kathleen e SCHOENFELDER, Kelly - Rebozo Sifting [Em Linha]. USA: Spinning Babies [Consult. 13 Mar. 2015] Disponível em WWW:<URL: http://spinningbabies.com/techniques/activities-for-fetal-positioning/rebozosifting>; VANDERLAAN, Jennifer - Labor Tool [Em Linha]. USA: Birthing Naturally. [Consult. 14 Mar. 2015] Disponível em WWW:<URL: http://www.birthingnaturally.net/about/contact.html>

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PROMOÇÃO DA PARTICIPAÇÃO ATIVA DA MULHER DURANTE O TRABALHO DE PARTO Raquel Cajão301 10 de abril de 2015 às 17:00 h Introdução Segundo a Ordem dos Enfermeiros (OE) o enfermeiro especialista de saúde materna, obstétrica e ginecológica (EESMO) é o enfermeiro com um conhecimento aprofundado num domínio específico de enfermagem, tendo em conta as respostas humanas aos processos de vida e aos problemas de saúde, que demonstram níveis elevados de julgamento clínico e tomada de decisão, traduzido num conjunto de competências especializadas relativas a um campo de intervenção. (Regulamento N.º122/2011, 2011). Na obra “Assistência ao parto natural: guia prático”, divulgado pela OMS (Organização Mundial de Saúde, 1996, p. 1), refere-se que nas últimas décadas “vimos uma rápida expansão no desenvolvimento e uso de uma variedade de práticas desenhadas para iniciar, corrigir a dinâmica, acelerar, regular ou monitorar o processo fisiológico do parto, com o objetivo de obter melhores resultados de mães e recém-nascidos, e algumas vezes para racionalizar e otimizar padrões de trabalho, no caso do parto hospitalar. Em países desenvolvidos onde essas atividades se generalizaram, questiona-se cada vez mais se esses altos níveis de intervenção são valiosos ou desejáveis.” Consequentemente poderá dizer-se que em muitos casos a mulher passou a ter um papel passivo, decorrente do aumento substancial de tecnologia e de intervenções realizadas de forma rotineira e muitas vezes desnecessária com algumas consequências nefastas para a mulher/ bebé e para a própria sociedade – “em mulheres de baixo risco (…) o uso rotineiro e desnecessário de intervenções altera o curso fisiológico do parto e pode desencadear uma cascata de eventos (…) Neste processo o aumento do nível de complexidade do procedimento está associado ao aumento do risco decorrente dele, quer para a mãe quer para o filho”. (APEO, FAME,2009, p.15). Com o aparecimento dos fórceps obstétricos e com consequente mudança da posição da mulher no TP, de vertical para horizontal, para facilitar o uso destes e de outras intervenções, observamos o inicio da mudança do significado do parto de um processo natural, que decorre maioritariamente no seio familiar, para uma perspetiva do parto como uma doença/ possível problema, onde sinais do TP e partilhas da Mulher são preteridos (Kitzinger, 1996) e opta-se por intervenções centradas em interesses particulares 1

dos

profissionais

que

tem

por

consequência

a

alteração

do

Estudante de ESMO, Portugal.

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comportamento da Mulher, retirando-lhe o seu poder em parir e afetando irremediavelmente o mecanismo do parto (Leitão, 2010). Uma vez que, a Mulher é o foco dos cuidados do EESMO, é da responsabilidade deste empoderá-la e promover a sua participação em todos os acontecimentos relacionados com o parto (Leitão, 2010). Segundo a OE (Ordem dos Enfermeiros, 2010, p.2) a Mulher é um ser social e único, com dignidade própria e direito em autodeterminar-se, em inter-relação com os conviventes significativos e com o ambiente no qual vive e se desenvolve. Por isto, deve ser respeitada como uma pessoa no seu todo, considerando-se o seu desejo e vontade para e no seu parto, (Regulamento nº 127/ 2011) e devendo-se proporcionar um ambiente seguro, de confiança e favorável para dar resposta a todas as suas dúvidas e necessidades (Swanson, 1991). As práticas obstétricas, segundo a APEO e FAME (Associação Portuguesa dos Enfermeiros Obstetras e Federación de Asociaciones de Matronas de Espana, 2009, p. 15) “incluem o respeito pelo processo fisiológico e dinâmica própria de cada nascimento, nos quais as intervenções devem ser cuidadosas, evitando-se excessos e utilizando-se

criteriosamente

os

recursos

tecnológicos

disponíveis”.

A

ICM

(International Confederation of Midwifes, 2011) refere que é da competência do EESMO, otimizar a prestação de cuidados, integrando-se do e no mundo da mulher, ajudando-a na descoberta do seu corpo, das suas emoções e na construção do seu projeto de vida. Nas práticas demonstradas úteis e estimuladas pela OMS (1996) é preconizado a liberdade de movimentos e posições durante o TP. Diversos estudos mostram que fisiologicamente a mãe e o filho beneficiam quando a mulher se mantém em movimento durante o trabalho de parto (Kitzinger, 1984, Mamede, et al, 2007). De acordo com o estudo realizado por Graham, et al (2011) as mulheres preferem liberdade de movimentos durante o TP em vez de permanecerem em repouso no leito. Também Lawrence et al (2005) nos diz que as mulheres deverão ser apoiadas a adquirir a posição que lhes for mais confortável na 1ª fase do TP. Muitas mulheres ao relatarem o seu trabalho de parto mostram frustração por não terem participado de forma ativa, participativa e inteira (Harper, 1994). A Liberdade de Movimentos e Posicionamento no 1º e 2º estádio do TP é uma estratégia que promove a participação ativa da Mulher (Leitão, 2010, p.32). Embora haja a advertência da OMS e de inúmera literatura acerca da liberdade de movimentos e posicionamentos durante o 1º e 2º estádio do TP, este tema é ainda desacreditado por muitos profissionais de saúde, sendo assim necessário incentivar a sua prática. Objetivos 70


Desenvolvi este poster com o objetivo de contribuir para o incentivo da prática da liberdade de movimentos e posicionamentos no 1º e 2º estádio do trabalho de parto pelo EESMO, como uma medida de promoção da participação ativa da Mulher no seu parto. Metodologia Para reunir informação para o estudo acerca do estado de arte do tema e realização do poster, realizei uma Revisão Integrada da Literatura, esquematizada em quadro: Quadro1. Questão orientadora (segundo a mnemónica PICO), palavras-chave, critérios de inclusão e exclusão e horizonte temporal orientadores da pesquisa.

P E R G U N T A P I C O

Quais os benefícios(O), para a parturiente(P), da liberdade de movimentos e posicionamentos durante o trabalho de parto(I)?

PALAVRAS CHAVE (DESCRITORES) Critérios de Inclusão Estratégia de busca Critérios de exclusão

Horizonte temporal Bases de dados

EESMO, Parto (birthing positions, midwifery) Artigos escritos em português, inglês, espanhol e francês.

consulta

2000- 2014 Plataforma Ebscohost: Cinahl, Cochrane e Medline Literatura Cinzenta (Google Académico, Livros, Revista

Conclusão É meu desejo, ao desenvolver este poster, contribuir para o aumento da qualidade dos cuidados materno fetais em Portugal. Acredito que é importante respeitar a essência de enfermagem – cuidar o outro, individuo único – seguindo uma conduta ética que respeita direitos, crenças, valores e cultura, ao mesmo tempo que caminhamos lado a lado com os avanços tecnológicos. “No modelo intervencionista de assistência obstétrica, ainda existente em Portugal, a mulher torna-se o objeto da ação, perdendo o controlo e a decisão sobre o próprio processo do parto e nascimento. A autonomia da mulher no momento do parto esta associada à sua participação nas decisões no que ao parto diz respeito, depois de devidamente informada das evidências científicas disponíveis para indicação da melhor conduta na sua situação específica... é importante encontrar novas formas que possibilitem à mulher um maior controlo sobre o próprio parto, com direito à opção fundamentada e escolha informada” (APEO, 2009, p. 16). Considero assim que a liberdade de movimentos e posicionamentos durante o TP é uma forma privilegiada de promover um melhor processo, vivência e resultado deste aspeto crucial da vida humana que é o Trabalho de Parto. Bibliografia APEO & FAME (2009). Iniciativa Parto Normal - Documento de Consenso. Camarate: Lusociência – Edições Técnicas e Científicas, Lda. Benner, P. (2001). De Iniciado a Perito. Coimbra. Quarteto Editora.

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5 - COMISSÕES

PRESIDENTE DO ENCONTRO Dolores Silva Sardo -ESEP, Porto

Comissão Científica Manuela Ferreira, ESS-IPV, Viseu (Presidente) Arminda Pinheiro, ESE-UM - Braga João Franco, ESEnfC, Coimbra Otília Zangão. ESESJD-UE - Évora

Comissão Organizadora Alexandra Amaral, CHSJ - Porto (Presidente) Rosália Marques, HGO - Almada Benvinda Bento, CHS - HSB – Setúbal Manuela Pastor, HGO – Almada

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e-book do XVIII Encontro Nacional da APEO - 2015  

XVIII Encontro Nacional & 2º Congresso Internacional APEO - Livro de resumos Lisboa 9 e 10 de abril de 2015

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