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ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DOS ENFERMEIROS OBSTETRAS

Encontro Nacional da Associação Portuguesa dos Enfermeiros Obstetras XIX Encontro Nacional & 3º Congresso Internacional da APEO

Livro de Resumos

Porto Maio de 2016


ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DOS ENFERMEIROS OBSTETRAS Encontro Nacional da Associação Portuguesa dos Enfermeiros Obstetras XIX Encontro Nacional & 3º Congresso Internacional APEO

Livro de Resumos Autor: Associação Portuguesa dos Enfermeiros Obstetras Título: Encontro Nacional da Associação Portuguesa dos Enfermeiros Obstetras: XIX Encontro Nacional & 3º Congresso Internacional APEO - Livro de Resumos Editor: Associação Portuguesa dos Enfermeiros Obstetras Serviço de Obstetrícia - 5º Piso, Hospital Garcia de Orta Av. Torrado da Silva - Pragal 2805-267 ALMADA Telefone: 918492122 Diretora: Dolores Silva Sardo Coordenador: João José de Sousa Franco Local: Almada, Portugal Suporte – CD-ROM e on-line Ano: 2016 URL: http://www.apeobstetras.com E-Mail-mail: apeo.portugal@gmail.com ISBN: 978-989-97008-2-6

Porto Maio de 2016 1


INDICE INTRODUÇÃO.................................................................................................... 4 1 - PROGRAMA ................................................................................................. 5 2 - RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ............................................................. 7 PROGRAMA NACIONAL PARA A VIGILÂNCIA DA GRAVIDEZ DE BAIXO RISCO – O QUE TRAZ DE NOVO? ............................................................................. 8 ENFERMEIRO OBSTETRA E ENFERMEIRO DE FAMÍLIA ......................................... 9 ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL ÀS GRÁVIDAS DE BAIXO RISCO DO ACES ALMADA-SEIXAL PELO ENFERMEIRO ESPECIALISTA EM ENFERMAGEM DE SAÚDE MATERNA E OBSTÉTRICA (EE-ESMO)................................................. 11 MUSICOTERAPIA E CANTO PRÉ-NATAL NA PREPARAÇÃO DO PARTO .............. 13 UTILIZAÇÃO DA HIPNOTERAPIA NA GRAVIDEZ E PARTO .................................... 15 ENVOLVIMENTO EMOCIONAL E PRESTAÇÃO DE CUIDADOS AO BEBÉ NO PARTO ....................................................................................................................... 17 ALTERAÇÕES EMOCIONAIS NA GRAVIDEZ, PARTO E PÓS-PARTO .................... 18 PUERPÉRIO. OLHAR AS COMPETÊNCIAS DO EE-ESMO E ALTERAÇÕES EMOCIONAIS NO PÓS-PARTO ........................................................................... 19

3 - RESUMO DAS COMUNICAÇÕES LIVRES ....................................................... 22 PARTO VAGINAL APÓS CESARIANA ....................................................................... 23 VIVÊNCIAS DA GRAVIDEZ, PASSADA NUM HOSPITAL! ........................................ 25 BENEFÍCIOS DO PROJETO DE PREPARAÇÃO PARA PARTO E PARENTALIDADE BEM-ME-QUER LEÇA DA PALMEIRA ........................................ 28 GESTÃO DE MÁS NOTÍCIAS - PAPEL DO ENFERMEIRO ESPECIALISTA EM SAÚDE MATERNA E OBSTETRÍCIA ......................................................................... 30 SEGURANÇA DO DOENTE EM OBSTETRÍCIA ........................................................ 32 PARTO EM CASA: PERIGO OU DESAFIO PARA O ENFERMEIRO ESPECIALISTA EM ENFERMAGEM DE SAÚDE MATERNA E OBSTÉTRICA?........ 35 PELA PRESENÇA DE ACOMPANHANTE NA CESARIANA PROGRAMADA NOS HOSPITAIS DO SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE – HISTÓRIA DE UMA PETIÇÃO .................................................................................................................... 40 CUIDADOS DE ENFERMAGEM NO PÓS PARTO: ÓTICA PARENTAL .................... 42 INCIDÊNCIA DA INFEÇÃO NO COTO UMBILICAL, NA PÓS – ALTA HOSPITALAR, EM RECÉM-NASCIDOS SUBMETIDOS AO PROCEDIMENTO: LIMPEZA DO COTO COM ÁGUA E SABÃO .............................................................. 44 PREVALÊNCIA DO ALEITAMENTO MATERNO EM MULHERES COM ESCLEROSE MÚLTIPLA ........................................................................................... 46 UTILIZAÇÃO DA BOLA DE NASCIMENTO EM GRÁVIDAS EM TRABALHO DE PARTO NO HOSPITAL DA LUZ ........................................................................... 48 2


A PRÁTICA DO PELE A PELE NOS PARTOS POR CESARIANA EM 2015 ............. 51 CONTEXTOS, EXPERIÊNCIAS E SIGNIFICADOS EM TORNO DA PRESENÇA DO HOMEM (PAI) NO PARTO: REALIDADES E DESAFIOS .................................. 53

4 - RESUMO DOS POSTERS .................................................................................... 55 O TOQUE - O SENTIDO MAIS IMPORTANTE ...................................................... 56 UM CURSO DE INTERVENÇÃO PARENTAL: SATISFAÇÃO DOS PAIS ................. 58 COMUNICAÇÃO DE MÁS NOTÍCIAS A PAIS DE RECÉM-NASCIDOS ESTRATÉGIAS UTILIZADAS PELOS ENFERMEIROS .......................................... 61 DEAMBULAÇÃO E POSIÇÕES VERTICAIS NO PRIMEIRO ESTÁDIO DO TRABALHO DE PARTO: REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA ..................... 63 UTILIZAÇÃO DA ÁGUA DURANTE O TRABALHO DE PARTO E O PARTO: UMA REALIDADE EM PORTUGAL ...................................................................... 66 QUE TÉCNICA USAR NOS CUIDADOS AO CORDÃO UMBILICAL DO RECÉMNASCIDO ........................................................................................................... 68 ALTERAÇÕES PSICOEMOCIONAIS DO PUERPÉRIO: EFEITOS DA AUTOESTIMA NA ANSIEDADE ........................................................................... 70

5 - COMISSÕES5 - COMISSÕES ....................................................................... 72 PRESIDENTE DO ENCONTRO ................................................................................. 72 COMISSÃO ORGANIZADORA................................................................................... 72 COMISSÃOCIENTÍFICA............................................................................................. 72

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INTRODUÇÃO A Associação Portuguesa dos Enfermeiros Obstetras tem como missão e desígnio promover o desenvolvimento da Enfermagem Obstétrica nos seus dezanove anos de vida associativa, por isso publica o Livro de Resumos do XIX Encontro Nacional & 3º Congresso Internacional da APEO, a decorrer dias 6 e 7 de maio de 2016, no Porto. Com a realização deste Encontro queremos promover a discussão inter e transdisciplinar das práticas na área da saúde sexual e reprodutiva, que retratem o conhecimento cientifico produzido, nacional e internacional, pelos enfermeiros especialistas de saúde materna e obstétrica/matronas/midwives. No seu programa reunimos investigadores e peritos de renome para trocar experiências e ideias que ajudem a melhorar e a reforçar a investigação produzida na área. Com esta publicação, procura-se registar as diferentes intervenções apresentadas e, em simultâneo, criar um instrumento de divulgação científica que permita aos profissionais da área da saúde sexual e reprodutiva, principalmente aos enfermeiros especialistas, a sua consulta para debate e problematização dos temas abordados. Neste documento, compilámos 28 resumos de comunicações (8 comunicações em mesas-redondas, 13 comunicações livres e 8 pósteres), maioritariamente proferidos por enfermeiros especialistas de saúde materna e obstétrica. Retratam a investigação atual, em contexto académico e clínico, capaz de gerar cuidados de excelência e seguros, com vista a uma prática autónoma. Este livro inclui o programa do Encontro Nacional & 3º Congresso Internacional da APEO e está organizado em três partes: a primeira corresponde aos resumos das comunicações, a segunda e terceira parte aos resumos das comunicações livres e dos pósteres respetivamente. Acreditamos que a publicação desta obra ajuda a enriquecer o âmbito científico, tecnológico e profissional. Queremos que o seu conteúdo seja uma referência para fazer progredir a investigação e sirva de guia aos profissionais. Ao finalizar, agradecemos a todos os que contribuíram para a produção e registo deste evento que, com a sua presença, o tornaram notável. A Presidente do XIX Encontro Nacional & 3º Congresso Internacional da APEO

Dolores Silva Sardo11

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EE-ESMO, Professora Adjunta da Escola Superior de Enfermagem do Porto, Presidente da APEO

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1 - PROGRAMA XIX ENCONTRO NACIONAL & 3º CONGRESSO INTERNACIONAL APEO Auditório Casa de Saúde da Boavista, Porto, 6 e 7 maio 2016 PROGRAMA 6 de maio de 2016

9:00 – Comunicações Livres e Posteres Moderadora: Alexandra Paes do Amaral, EE-ESMO, CHSJ-EPE, Porto, APEO 10:00 – Conferencia Inaugural Safe care is personalized care / Cuidado seguro é cuidado personalizado Christine McCourt. PhD, Midwife, Professora na School of Health Sciences da City University London 10:40 - Assistência pré-natal nos cuidados de saúde primários Moderadora: Arminda Pinheiro, EE-ESMO, ESSE-UM, APEO  Programa Nacional de Vigilância Pré-natal: que inovação? Elsa Mota, Técnica Superior de Saúde na Divisão de Saúde Sexual, Reprodutiva, Infantil e Juvenil, Direção Geral de Saúde  Intervenção do EE-ESMO: diferentes modelos de organização Adelaide Órfão, EE-ESMO, USF de S. João do Estoril/ ACES de Cascais Isabel Dias & Cláudia Guerreiro, EEs-ESMO, ACES Almada-Seixal.  Proyecto de intervención de las matronas en la atención primaria: qué resultados? Gemma Falguera Puig. Presidenta Associació Catalana de Llevadores

12:00 - Sessão de Abertura 12:20 – Comunicações livres Moderadora: Catarina Silva. EE-ESMO, CMIN, Porto, APEO 14:30 - Comunicações livres Moderadora: Isabel Silva. EE-ESMO, ESSCVP, Lisboa, APEO 15:00 - Parto Moderadora: Rosália Marques. EE-ESMO, HGO, Almada, APEO  Novas orientações da FIGO sobre monitorização fetal no intraparto. Diogo Ayres de Campos, Obstetra e Professor FMUP, Porto  Musicoterapia e canto pré-natal. Eduarda Carvalho, Psicóloga  Utilização da hipnoterapia na gravidez e parto. Gisélia Machado, EE-ESMO, Hipnoterapeuta  Choosing a Place of Birth: a reality in UK / Escolhas de locais de nascimento: uma realidade UK. Christine McCourt. PhD, Midwife, Professora na School of Health Sciences da City University London. 16:40 – 18:10 - Workshop Hipnoterapia – uma intervenção do ESMO 5


XIX ENCONTRO NACIONAL & 3º CONGRESSO INTERNACIONAL APEO Auditório Casa de Saúde da Boavista, Porto, 6 e 7 maio 2016 PROGRAMA 7 de maio de 2016

9:00 - Comunicações livres Moderadora: Benvinda Bento, EE-ESMO, CHS-HSB, Setúbal, APEO 11:00 - Puerpério Moderadora: Otília Zangão, EE-ESMO, ESESJD-UE, Évora, APEO  Vinculação vs tipo de parto. Barbara Figueiredo, psicóloga e professora na FPCE - UMinho  Alterações emocionais na gravidez, parto e pós-parto: Olhar do psicólogo. Inês Vinagre, psicóloga  Olhar as competências do EE-ESMO e alterações emocionais no pós-parto. Graça Lima, EE-ESMO, MAC, Lisboa 12:00 - Conferencia Encerramento Internet, un instrumento para que las matronas realizen atención en la salud sexual y reproductiva en jovenes. Gemma Falguera Puig.PHD, Presidenta Associació Catalana de Llevadores 12:30 - Comunicações livres Moderadora: Emília Coutinho, PhD, EE-ESMO, ESSV-IPV, Viseu, APEO 14:30 – Espaço Empresa Moderadora: Manuela Pastor, EE-ESMO, HGO, Almada, APEO 15:00 - O Enfermeiro Especialista de Saúde Materna e Obstétrica (EE-ESMO) no sistema de saúde. Moderadora: Dolores Sardo, EE-ESMO, ESEP, Porto, APEO  Orientações estratégicas para o fortalecimento das competências do EE-ESMO no sistema saúde. Adalberto Campos, Ministro da Saúde.  Estratégias dinamizadoras para promover a autonomia profissional. Vítor Varela, Presidente do Colégio da Especialidade de Enfermagem de Saúde Materna. 16:15 - Entrega de Prémios 16:30 - Sessão de encerramento

Apoio científico: Direção Geral da Saúde

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2 - RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES

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PROGRAMA NACIONAL PARA A VIGILÂNCIA DA GRAVIDEZ DE BAIXO RISCO – O QUE TRAZ DE NOVO? Elsa Mota21

O Programa Nacional para a Vigilância da Gravidez de Baixo Risco, publicado em Dezembro de 2015, pretende disponibilizar informação atualizada, congregar documentos e conhecimento produzidos nos últimos anos nesta área, quer a nível nacional, quer internacional. Constitui-se como um instrumento prático e de fácil consulta nas intervenções diárias dos profissionais que vigiam mulheres ao longo do seu ciclo reprodutivo. Neste documento, o conceito de vigilância pré-natal é alargado e inclusivo (quando é esse o caso) do Pai, ou de outras pessoas significativas, bem como da diversidade sociocultural e das pessoas com necessidades especiais. A gravidez insere-se no ciclo de vida da mulher. A sua vigilância assume-se como um conjunto alargado de intervenções, a iniciar na consulta pré-concecional e a finalizar na consulta de puerpério, numa perspetiva da continuidade de cuidados e entre os diferentes níveis do cuidar. Deve ser conceptualizada como momento do ciclo de vida em que se cruzam fatores individuais, grupais e transgeracionais do ponto de vista somático, psicológico e cultural. Nessa medida é entendida também como uma possibilidade de intervenção que ultrapassa os ganhos associados ao seu desfecho, nomeadamente na modificação dos hábitos e comportamentos que se prolongam ao longo do ciclo de vida da mulher, da criança e de todo o agregado familiar. O processo de vivência de uma gravidez é único e individualizado. Como tal, os cuidados centramse nas necessidades de cada mulher, par, família, que devem ser considerados parceiros nas decisões e intervenções necessárias.

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Técnica Superior de Saúde na Divisão de Saúde Sexual, Reprodutiva, Infantil e Juvenil, Direção Geral de Saúde.

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ENFERMEIRO OBSTETRA E ENFERMEIRO DE FAMÍLIA Adelaide Órfão31

A figura do Enfermeiro de Família num contexto de equipa multiprofissional de saúde da pessoa e da família, em coordenação com o respetivo médico de família é algo inovador a nível nacional e internacional. As equipas multiprofissionais das Unidades de Saúde Familiar (USF), em Portugal, caracterizam-se, por terem uma dimensão, entre 20 e 30 elementos com 5 a 8 médicos de família e um número equivalente de enfermeiros de família que prestam cuidados de saúde ao longo de todo o ciclo de vida. Na sua maioria têm sido constituídos grupos de mico equipas fixas do binómio 1médico /1enfermeiro para cada lista de cerca de 700 agregados familiares. No entanto são de evitar modelos únicos, uniformes e rígidos, limitativos e empobrecedores do aproveito máximo possível das competências, recursos e oportunidades existentes em cada USF. Na avaliação externa do plano nacional de saúde 2004-2010 está também plasmada a importância de se colmatarem lacunas nas políticas, nomeadamente na qualidade dos cuidados de saúde e na segurança dos doentes, com abordagens integradas. O projeto enfermeiro de família é um dos cinco projetos estratégicos estruturantes do desenvolvimento e desempenho da USF S. João do Estoril. Considerando que em conformidade com a OE (…) “o enfermeiro especialista em saúde familiar é gestor e organizador de recursos com vista ao máximo de autonomia (...) para cada família a referencia e o suporte (...) o elo entre a família e outros profissionais de saúde e os recursos da comunidade como garante da equidade no acesso aos cuidados de saúde e mais especificamente aos de enfermagem.” Considerando que o “EE-ESMO é o enfermeiro de referencia para todas as mulheres a vivenciar processos de saúde doença no âmbito da saúde sexual e reprodutiva, e portanto o enfermeiro responsável por estabelecer, em parceria com cada mulher, um plano individual de cuidados de enfermagem especializados. É responsável pelos cuidados que presta(…) estando habilitado a detetar complicações, a aplicar medidas de emergência e ao encaminhamento das situações que devem beneficiar de outros níveis de cuidados.” (OE | Parecer nº 012/2011) Considerando que para operacionalizar esta ação transformativa em cuidados de saúde primários (CSP), a Ordem dos Enfermeiros (OE) propõe a aplicação do Modelo 1

EE-ESMO, IBCLC, USF S. João do Estoril, ACES Cascais, Portugal.

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Dinâmico de Avaliação e Intervenção Familiar (MDAIF) Considerando que o MDAIF consiste na avaliação sistemática das famílias no seu contexto estrutural; (genograma, tipo de família, ecomapa, classe social, condições de habitação, sistema de abastecimento e ambiente biológico); no seu desenvolvimento (satisfação conjugal, planeamento familiar, adaptação a gravidez e papel parental em famílias com filhos pequenos, com filhos na escola, com filhos adolescentes, com filhos adultos) e na sua funcionalidade (processo familiar em relação a comunicação, papeis familiares, coesão e adaptação, solução de problemas e papel do prestador de cuidados). Propusemo-nos desenvolver um modelo conceptual e prático do perfil e ação do enfermeiro de família, em contexto de equipa multiprofissional, multicompetente. A cada enfermeiro de família compete fazer a aplicação sistemática do MDAIF, modelo cientifico de avaliação e intervenção familiar capaz de quantificar ganhos em saúde, sensíveis aos cuidados de enfermagem, e produzir indicadores de processo (prevalência);

indicadores

de

resultado

(ganhos

em

saúde);

indicadores

epidemiológicos (diagnostico por lugares). Esta abordagem permite respostas criteriosas e equitativas no cuidado às pessoas, família e população e evita abordagens normativas cegamente igualitárias, habitualmente inadequadas e desperdiçadoras de tempo e de outros recursos; reforça a coesão e capacidade de impacto da equipa; permite e desenvolve um modelo de ação aberto, flexível e adaptável à diversidade e variabilidade de situações que podem surgir; reforça o conceito e a atuação prática de “equipa de saúde de proximidade de cada pessoa e família” – o centro é cada pessoa e cada família e não o médico nem o enfermeiro de família. Permite otimizar as competências profissionais específicas e especializadas existentes na equipa da USF; promove a intervenção baseada na evidencia; a excelência de cuidados e respeita a legislação em vigor aplicável. Acredita-se que os contextos geodemográficos e particularidades de cada comunidade hão-de determinar, de modo adaptativo e flexível, a organização do trabalho nestas equipas e o otimizar da adequação, acessibilidade, efetividade, eficiência, segurança e qualidade dos cuidados prestados. É previsível que a proporção de enfermeiros de família/médicos de família passe progressivamente para 1,2 a 1,3 ao longo dos próximos 5 anos, tendo em conta a crescente importância, qualificação e abrangência que os CSP e concretamente os enfermeiros irão assumir num futuro próximo, como componente central e essencial de todo o SNS e sistema de saúde.

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ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL ÀS GRÁVIDAS DE BAIXO RISCO DO ACES ALMADA-SEIXAL PELO ENFERMEIRO ESPECIALISTA EM ENFERMAGEM DE SAÚDE MATERNA E OBSTÉTRICA (EE-ESMO) Isabel Dias41 , Cláudia Guerreiro 2

Projeto na área da saúde materna e obstétrica no ACES Almada-Seixal, tendo como objetivo Assegurar o acesso à assistência pré-natal, às grávidas de baixo risco. Na população alvo, mulheres grávidas saudáveis (baixo risco pré-natal) do ACES AlmadaSeixal (ACES AS). Face a uma realidade divulgada de carência de recursos assistenciais em algumas Unidades Funcionais do ACES Almada-Seixal, um grupo de EEE-ESMO da UNIDADE I (ACES Almada-Seixal e HGO), apresentou a 3 de Fevereiro de 2015, uma proposta de trabalho conjunta e concertada, ao Conselho Clínico do ACES Almada-Seixal, à Unidade Coordenadora Funcional da Unidade I e ao Grupo de Formação Ação “Partilhar para Cuidar”. Daí resultou a aprovação do projeto e o início das respetivas e necessárias reuniões de planeamento e operacionalização, bem como uma dedicada e atenta operação de charme e de envolvimento dos profissionais de saúde das equipas multidisciplinares, antes da sua implementação. Atualmente, em fase de implementação de experiência-piloto numa Unidade Funcional (UF) do ACES Almada-Seixal (USF Costa do Mar), seguir-se-á uma segunda fase, de avaliação da experiência piloto e replicação do projeto noutras UF do mesmo ACES. Tem por base, os Planos Estratégicos Nacionais e Locais de Saúde, assim como o Plano de desempenho do ACES AS, o enquadramento legal da atuação do EEEESMO e estudos nacionais e internacionais nesta área. O modelo assistencial adotado, é o preconizado pela Direção Geral de Saúde (DGS) – Programa Nacional para a Vigilância da Gravidez de Baixo Risco – comportando a realização de oito consultas, tendo em conta o tempo de gestação, estruturadas em: consulta de vigilância da gravidez programada (primeira vez e de seguimento), consulta sem marcação prévia (de oportunidade), consulta de referenciação ao Hospital Garcia de Orta e consulta de puerpério. A assistência às mulheres grávidas de baixo risco, é da responsabilidade prioritária do EEE-ESMO (se, sem médico de família) e

compartilhada com a microequipa de

família (quando tenham médico de família e enfermeiro de família atribuído).

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EE-ESMO, UCC de Almada, Portugal. EE-ESMO, UCC do Seixal, Portugal.

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Na fase experimental foram assistidas 23 mulheres grávidas e/ou casais, todas sem médico de família, tendo–se iniciado a aplicação do inquérito de satisfação. Foram realizadas 89 consultas, sendo que 21 no primeiro trimestre e as restantes de seguimento e 1 de puerpério. Foram classificadas como de médio-alto risco e consequentemente referenciadas para HGO 8 grávidas (risco psicossocial, ingestão de medicação potencialmente teratogénica,, apresentação pélvica e restrição de crescimento intrauterino, líquido amniótico aumentado, dilatação pielocalicial bilateral do feto, ausência de batimentos cardíacos fetais, HTA crónica e homoglobinopatia do casal). E foram ainda realizadas 21 colpocitologias. Atualmente está em curso a aplicação de um questionário de satisfação a todas as puérperas assistidas na gravidez pelo EEE-ESMO, a aguardar resultados.

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MUSICOTERAPIA E CANTO PRÉ-NATAL NA PREPARAÇÃO DO PARTO Maria Eduarda Carvalho51

O aparecimento da música está biologicamente determinado e associado com a origem ontogenética da vida humana. O ambiente sonoro intrauterino é caracterizado por uma experiência de ritmicidade, ressonância e vibração acústica. A voz materna é percecionada pelo feto em virtude da maturação neurológica do córtex auditivo, a partir das 32/36 semanas de gestação. O reconhecimento da voz materna pelo recémnascido evidencia a existência de uma memória pré-natal. Os efeitos terapêuticos da música referenciados pela prática da musicoterapia apontam para benefícios no bem-estar físico e psicológico e na qualidade de vida humana de várias populações durante todo o ciclo vital humano. Tais observações têm suscitado interesse por parte dos profissionais da saúde, havendo progressivamente a preocupação de tais práticas se fazerem acompanhar pela observação de indicadores biológicos de modo a encontrarem uma evidência científica acerca dos reais efeitos terapêuticos da música. Embora o envolvimento dos profissionais da saúde tenha contribuído para a identificação de indicadores de evidência científica, não menos importante será a identificação dos fatores determinantes acerca dos efeitos terapêuticos da música. Grande parte dos estudos publicados apresentam falta de rigor acerca da natureza do material musical selecionado. Neste sentido, importa esclarecer que a música não tem efeitos terapêuticos por si mesma, estando o seu impacto influenciado por fatores pessoais acerca da identidade sonora e musical de cada indivíduo. Há, igualmente a necessidade de uma maior prudência acerca dos riscos de sobre estimulação acústica do feto, bem como a orientação de medidas adequadas no processo de aconselhamento na escolha de reportório musical no acompanhamento do trabalho de parto. A musicoterapia aplicada na gravidez e na preparação para o parto e para o nascimento assume-se como medida complementar nos cuidados prestados durante a gravidez, parto e pós-parto, com benefícios no bem-estar físico e psicológico da mulher e do casal e na qualidade de vida e promoção da intencionalidade comunicativa e da criatividade. De forma mais específica, a musicoterapia em perinatalidade tem como objetivos: 1- benefícios físicos (melhor consciência corporal); 2-benefícios psicológicos (expressão emocional, bonding parental, controlo da ansiedade, competências de escuta empática e de atenção conjunta). A musicoterapia faz uso de métodos recetivos através da escuta musical e de métodos ativos através

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Psicóloga, Investigadora Pos-Doc no CESEM-FCSH-UNL, Portugal.

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de ações musicais (improvisação musical, trabalho de voz e movimento, canções, etc.). Para além da musicoterapia, o canto pré-natal, enquanto prática baseada na Escola da Psicofonia, fundada em França nos anos 60 tem ganho uma progressiva expansão em outros Países, como Espanha, Bélgica, Tunísia e mais recentemente Portugal. Apesar da referência a benefícios do canto pré-natal no bem-estar da gravidez, na vinculação pré-natal e na qualidade do parto, há necessidade destas praticas serem sustentadas

pela

investigação

empírica,

contribuindo

para

isso

indicadores

psicofisiológicos para confirmar o impacto esperado. Em virtude da evidência científica acerca do impacto da voz cantada na diminuição do cortisol e no aumento de oxitocina em diversas populações estudadas, o uso da voz cantada (improvisação, voz e movimento, canções) e das vocalizações no trabalho de parto ocupam, neste contexto, um lugar importante, procurando benefícios ao nível fisiológico (controlo da respiração, musculatura do diafragma e do períneo), psicológico (bem- estar emocional, foco da atenção no parto) e social (rede social de pares e aumento da sensibilidade empática no contacto interpessoal). A autora abordará os fundamentos da musicoterapia e do canto pré-natal destacando igualmente a referência a determinados indicadores psicofisiológicos que poderão contribuir para a evidência científica dos benefícios apontados pela musicoterapia e pelo canto pré-natal no contexto da perinatalidade. A exposição verbal será complementada pelo visionamento de um vídeo acerca de um grupo de canto prénatal, integrado num projeto-piloto aberto à comunidade implementado recentemente no Laboratório de Música e Comunicação da Infância (LAMCI) da FCSH-UNL.

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UTILIZAÇÃO DA HIPNOTERAPIA NA GRAVIDEZ E PARTO Gisélia Machado61

A hipnose recorre à indução de um estado modificado de consciência que não envolve o sono apesar do seu nome derivar do deus grego do sono – Hipnos. A pessoa sob hipnose predispõe-se à receção de sugestões diretas, ideias metafóricas e visualizações, este estado pode ser autoinduzido (auto-hipnose) ou com a ajuda de um hipnoterapeuta (hetero-hipnose). Apesar de apenas mais recentemente se ter começado a ouvir falar da hipnose na gravidez, existe registo do uso da hipnose já no séc. XXXa.C. com práticas sacerdotais dos antigos egípcios. A hipnose pode ser aplicada a múltiplos aspetos da saúde da mulher e da sua família ao longo de todo o seu ciclo de vida, em especial na gravidez e no parto (técnicas de hipnoparto ou hypnobirthing). Estas técnicas podem ajudar na sensação de bem-estar da mulher, na sua autoconfiança e a diminuir o risco de depressão pós-parto. A hipnose pode ser utilizada na gravidez como forma de melhorar a circulação fetoplacentar com registo de melhoria nos valores de resistência da artéria uterina associada à estabilização dos valores da tensão arterial e da frequência cardíaca da mulher e nos casos de risco de parto pré-termo associado a elevados níveis de stress psicossocial a hipnose pode ter excelentes resultados, diminuição em cerca de 7% de nascimento de pré-termos nas grávidas que participaram. Segundo Reinhard et al (2009) as grávidas foram treinadas em auto-hipnose e como tal ficaram autónomas para a sua utilização. Neste mesmo estudo foi percetível que as gravidas que faziam auto-hipnose tiveram uma acentuada diminuição no consumo de tabaco. A revisão bibliográfica feita por Madden, K. (2012) utilizando a base de dados da Cochrane expôs que muitos estudos sobre hipnose no parto têm um baixo número de participantes, mas que indicam que o uso da hipnose contribui para diminuir a intensidade da dor no parto, diminuir a duração do trabalho de parto a partir dos 5cm de dilatação e até mesmo diminuir o tempo de internamento no pós-parto. De acordo com o estudo de Abbasi et al (2009) as mulheres que utilizaram a auto-hipnose no parto descrevem os seus sentimentos em relação à experiencia com a hipnose como uma sensação de alivio e consolo, autoconfiança, satisfação, ausência de sofrimento relativamente a dores no trabalho de parto, conseguir alterar a sensação de dor para a de pressão, diminuição do medo do parto, ausência de ansiedade e da sensação de estar dorida, em paralelo sentiam-se mais concentradas no trabalho de parto, com melhor perceção das fases do trabalho de parto e do funcionamento dos seus

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EE-ESMO, Hipnoterapeuta, Portugal.

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músculos. Estas mulheres consideraram esta experiencia como muito satisfatória comparada com as suas experiencias anteriores. Quando a hipnose é aplicada em gravidas adolescentes segundo Martin et al (2001) tem efeitos positivos diminuindo as complicações no parto, as intervenções cirúrgicas e a permanência no hospital. As vantagens do uso da hipnose na gravidez com vista a preparar a mulher para utilizar a auto-hipnose no parto tem inúmeras vantagens, Werner et al (2013) evidencia a redução dos níveis de medo do parto e da via deste e Cyna et al (2004) evidencia vários estudos que comprovam que as mulheres que usam hipnose no trabalho de parto referem níveis inferiores de dor, existindo uma diminuição do uso de opioides e outros fármacos na analgesia no parto. Neste mesmo sentido também Brown e Hammond (2007) demonstraram nos seus estudos uma diminuição significativa do uso de anestésicos e analgésicos, bem como o uso de hipnose para parar o trabalho de parto, sendo que as grávidas que usam auto-hipnose têm tendencialmente gravidezes mais longas e níveis de satisfação do parto mais elevados. Com todos estes dados científicos não podemos mais negligenciar na nossa prática a utilização da hipnose, esta pode ser transmitida à grávida na gravidez como parte do curso de preparação para a parentalidade e que lhe confere competências para usar a auto-hipnose ou pode ser aplicada pelo EE-ESMO com a mulher no hospital, sendo importante salientar que 20 minutos podem fazer uma grande diferença. Bibliografia Abbasi, M., et al (2009). The effect of hypnosis on pain relief during labor and childbirth in Iranian pregnant women. International Journal Of Clinical & Experimental Hypnosis, 57(2), 174-183 10p. Brown, D., & Hammond, D. (2007). Evidence-based clinical hypnosis for obstetrics, labor and delivery, and preterm labor. International Journal Of Clinical & Experimental Hypnosis, 55(3), 355-371 17p. Cyna, A. M., et al (2004). Hypnosis for pain relief in labour and childbirth: a systematic review. BJA: The British Journal Of Anaesthesia, 93(4), 505-511 7p. doi:bja/aeh225 Madden, K. (2012). Hypnosis for pain management during labour and childbirth. Cochrane Database Of Systematic Reviews, (11), doi:10.1002/14651858.CD009356.pub2 Martin, A. A.et al (2001). The Effects of Hypnosis on the Labor Processes and Birth Outcomes of Pregnant Adolescents. Journal Of Family Practice, 50(5), 441-443. Reinhard, J.,et al (2009). Preterm labour and clinical hypnosis. Contemporary Hypnosis (John Wiley & Sons, Inc.), 26(4), 187-193 7p. doi:10.1002/ch.387 Werner, A.et al (2013). Antenatal Hypnosis Training and Childbirth Experience: A Randomized Controlled Trial. Birth: Issues In Perinatal Care, 40(4), 272-280 9p. doi:10.1111/birt.12071

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ENVOLVIMENTO EMOCIONAL E PRESTAÇÃO DE CUIDADOS AO BEBÉ NO PARTO Bárbara Figueiredo71

Esta comunicação procura contribuir para uma melhor compreensão da forma como é vivida a experiência de parto pela mãe e pelo o pai. Recorrendo aos contributos da reflexão conceptual e da investigação empírica, a experiência de parto é descrita, em particular no que se refere ao envolvimento emocional e à prestação de cuidados pelos pais ao bebé.

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Psicóloga e Professora na FPCE - UMinho, Portugal.

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ALTERAÇÕES EMOCIONAIS NA GRAVIDEZ, PARTO E PÓS-PARTO Inês Vinagre 81

A gravidez, o parto e o puerpério são frequentemente associados a um “estado de graça”, um período de tranquilidade e bem-estar. No entanto, tanto a literatura científica como a experiência clínica têm revelado resultados contraditórios. Esta comunicação pretende abordar os fatores que se associam ao aparecimento de alterações emocionais durante estes períodos que interferem significativamente com a funcionalidade e impedem uma vivência adaptativa da transição para a parentalidade. Se por um lado, as alterações emocionais podem introduzir risco no ajustamento psicossocial, também o suporte psicossocial pode prevenir e alterar trajetórias desadaptativas, conduzindo ao desenvolvimento individual e à consolidação de relações interpessoais. Numa perspetiva desenvolvimental, podemos conceber esta fase como um processo de adaptação que implica necessariamente ajustes físicos e emocionais, que requerem dos futuros pais competências psicológicas. Apresentamos como proposta de prevenção uma abordagem complementar à preparação para o parto, um programa de preparação para a transição para a parentalidade, essencialmente assente num modelo de psicoeducação e intervenção em grupo. As sessões planeadas permitem um espaço e um tempo de apoio em grupo, nas quais são identificados os fatores de vulnerabilidade e protetores da emergência de psicopatologia, como um ponto de partida para a prevenção da sua evolução para quadros depressivos ou ansiosos. São apresentadas e desenvolvidas competências para a identificação e diferenciação emocional, dinamizadas com um objetivo iminentemente preventivo, de sensibilização e suporte parental, estruturado e delimitado no tempo, identificar e encontrar estratégias de reajustamento social e psico-afectivo que possam prevenir situações problemáticas. Procuramos demonstrar a função e necessidade de todas as emoções, apresentação a aceitação e o compromisso com a mudança, como promotores de resiliência e flexibilidade psicológicas, essenciais para uma parentalidade consciente e adaptada às necessidades de todos, bebé, crianças, pais, família e comunid

1

Psicóloga, Portugal.

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PUERPÉRIO. OLHAR AS COMPETÊNCIAS DO EE-ESMO E ALTERAÇÕES EMOCIONAIS NO PÓS-PARTO Graça Lima91

O ser humano busca, ao longo da sua vida, o bem-estar, o equilíbrio, a saúde assumindo, esta busca, significados diferentes em função da individualidade de cada ser em permanente relação dinâmica com o meio envolvente. O EE-ESMOG, enquanto sujeito promotor da saúde e do bem-estar da Mulher, inserida na Família e na Comunidade, assume a responsabilidade de lhe assegurar cuidados de excelência, ao longo do seu ciclo de vida, indo ao encontro das suas reais necessidades e expetativas, que emergem da concretização do seu projeto de vida. O EE-ESMOG detém reconhecimento legal para o exercício da sua atividade, competências específicas reguladas e aprendidas, uma prática cada vez mais baseada na evidência e orientada para a produção de conhecimento e experiência em permanente construção. Nascendo da necessidade da atenção especializada à Mulher, integra a equipa multidisciplinar (EM), da qual a Mulher faz parte. Tal, induz a necessidade de a entender como parceira dos cuidados, o centro decisor da sua saúde e vida, ser ativo, dinâmico, com autonomia no seu processo de cuidados. Sendo o EE-ESMOG, o elo de ligação entre a Mulher e a EM, na sua essência reside a relação de confiança que estabelece, que emerge da proximidade inerente à natureza dos seus cuidados, o trabalho de parceria fundamentado no respeito pelo outro, a orientação informativa, prática e emocional, a defesa da tomada de decisão esclarecida e práticas que fomentem a aquisição de competências. Concetualizar e viver a prática de cuidados, com base na filosofia de cuidados centrados na Mulher, permite que as necessidades individuais norteiem a prática, contrariamente àquela orientada para momentos isolados, de ação vertical e paternalista, que compromete a qualidade, a satisfação, a continuidade e os ganhos em saúde. Entender a prática de cuidados centrados na Mulher significa que o planeamento familiar, a gravidez, o trabalho de parto, o parto, o puerpério, a saúde/doença ginecológica e o climatério necessitam de atenção e investimento equilibrados. Cada um destes momentos comporta exigências específicas que requerem profissionais treinados e com competências diferenciadas. Nesta perspetiva, o entendimento da Mulher-Puérpera como ser vivido, que vive consigo e com os outros, com necessidades específicas, integradas no seu ciclo de 1

EE-ESMO, MAC, Lisboa, Portugal.

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vida, surge da transição de paradigma e da construção da identidade subjacente à assistência integral, por parte do EE-ESMOG. Quando nasce uma criança, nasce também uma Mulher-Mãe-Cuidadora em permanente construção, que precisa ser cuidada. O puerpério reveste-se da recuperação pós-parto, do ponto de vista fisiológico, mas também de profundas alterações emocionais, relacionais, sociais e económicas que exigem da puérpera um reajuste na forma de se entender como mulher e do casal, enquanto sujeitosparceiros, com responsabilidades partilhadas, com compreensão e aceitação de novos papéis. A vulnerabilidade, a que a Mulher-Puérpera está sujeita, pode comprometer o seu bem-estar emocional, o que pressupõe cuidados de referência e de proximidade sustentados na interdependência do apoio emocional, informativo e prático e na permanente articulação entre as necessidades identificadas e os recursos a disponibilizar, de forma a facilitar a integração de um novo ser na família, a vinculação segura, a transição para a parentalidade positiva, um começo de vida saudável para um ser humano que inicia o seu próprio ciclo de vida. O puerpério deve ser protegido pelo EE-ESMOG, para que a sua vivência seja saudável e ajustada. Sendo um período crítico, reativo e de transição na vida familiar, pela inerência de dificuldades práticas, fragilidades, ambivalências, inseguranças, alterações da dinâmica do casal, da imagem corporal, do padrão de sono, repouso e alimentar, da gestão de expetativas, acrescidos pela perda da família alargada e pela total dependência do recém-nascido (RN) de um dador de cuidados, de segurança, de afeto e de alimento. Trabalhar com e para a Mulher-Puérpera significa fomentar o empoderamento, trabalhando a aceitação de fragilidades e motivando o desenvolvimento de potencialidades, significa capacitar a Mulher para o auto cuidado, para a amamentação (se desejo da mulher) e a Família para se auto cuidar e cuidar o RN. Significa incentivar a tomada de decisão esclarecida, promover o bem-estar emocional, dar suporte às dificuldades de natureza prática e identificar, referenciando, as situações que estão para além da área de atuação do EE-ESMOG e, nestas circunstâncias, manter o acompanhamento e a monitorização necessários. A transição da filosofia de cuidados centrados na Mulher, da conceção para a prática de cuidados, exige esforços concertados de inúmeros atores. Exige políticas de saúde centradas na Mulher, a construção da identidade do EE-ESMOG, a sistematização do conhecimento produzido, com vista a uma prática consistente, baseada na evidência e que traduza a mudança de paradigma, exige o respeito, o afeto e o empoderamento dos pares mas, acima de tudo, que a Mulher, a Família e a Comunidade conheçam o

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EE-ESMOG, o que representa e o que pode oferecer. O EE-ESMOG reflete o que acredita e o outro recebe a dimens達o desse reflexo.

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3 - RESUMO DAS COMUNICAÇÕES LIVRES

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PARTO VAGINAL APÓS CESARIANA MARINHO, Susana 101 ; GUEDES, Ana; COSTA, Carla; ALÇADA, Inês; RIBEIRO, Ana; BULCÃO, Emília 6 de maio de 2016 às 09:00 h

Introdução: O aumento das taxas de cesarianas em Portugal por vezes está relacionado com a ideia de que “uma vez cesariana sempre cesariana”, o que leva muitas mulheres a solicitarem/programarem uma segunda cesariana, sem serem explorados os benefícios e os riscos das alternativas. Neste âmbito realizou-se uma pesquisa sobre a realização do Parto vaginal após Cesariana comparativamente com a realização de uma nova Cesariana, porque no contexto da prática, ainda surgem dúvidas quer na informação dada pelo Enfermeiro Especialista de Saúde Materna quer na tomada de decisão por parte da mulher. Objetivo Este trabalho tem como objetivo obter evidências científicas acerca da informação que o Enfermeiro Especialista de Saúde Materna deve dar à mulher, de forma a possibilitar a tomada de decisão consciente e informada, por parte desta, no que respeita à possibilidade de realização de um parto vaginal após uma cesariana, quando comparado com uma nova cesariana eletiva. Metodologia A metodologia adotada baseou-se numa pesquisa exaustiva através do motor de busca EBSCOhost nas bases de dados eletrónicas, nomeadamente na Cochrane Library. Resultados Após a pesquisa realizada e a análise de vários artigos, obtivemos como resultados os critérios para realização de Cesariana após Cesariana prévia, os critérios de inclusão para realização de Parto Vaginal após Cesariana e ainda possíveis candidatas para realização de Parto Vaginal. Finalmente as últimas Guidelines comparam os riscos e benefícios do parto vaginal após cesariana versus nova cesariana após cesariana prévia identificando os benefícios do Parto Vaginal após Cesariana, os benefícios da Cesariana após Cesariana prévia, os riscos do Parto Vaginal após Cesariana e por último os riscos de nova Cesariana após Cesariana prévia. Conclusão A cesariana eletiva de repetição e o parto vaginal após cesariana são opções válidas após uma cesariana prévia. Contudo a evidência demonstra que o parto vaginal após

1

EE-ESMO, Escola Superior de Enfermagem do Porto, Portugal.

23


cesariana é uma opção razoável e segura para a maioria das mulheres com cesariana prévia, quando estão reunidos todos os critérios de inclusão, quer inerentes à mulher, quer ao nível dos recursos económicos ou humanos disponíveis. Palavras-chave: Parto vaginal, Cesariana, riscos e benefícios Bibliografia: DODD J., e. a. (2013). Planned elective repeat caesarean section versus planned vaginal birth for women with a previous caesarean birth ( Review ). vol.10, nº12. (D. o. Review, Ed.) GINECOLOGISTS., R. C. (2015). Birth after previous cesarean birth. nº45 . Green-top guideline. GYNECOLOGISTS, A. C. (s.d.). Vaginal birth after previous cesarean delivery. Pratice Buleetin, Clinical Management Guidelines for Obstetricians. HASHIMA J., G. J. (2007). Vaginal birth after cesarean: a prenatal scoring tool. vol.196, nº5 . Elsevier. LYDON-ROCHELLE M., C. A. (2010). Birth After Previous Cesarean Delivery: Short-Term Maternal Outcomes. vol.34, nº4. . Elsevier.

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VIVÊNCIAS DA GRAVIDEZ, PASSADA NUM HOSPITAL! MONTEIRO, Maria João111 6 de maio de 2016 às 09:00 h

A gravidez caracteriza-se por inúmeras alterações/adaptações físicas e emocionais que requerem uma vigilância adequada. A gravidez de alto risco é definida como uma gravidez com risco aumentado de anomalias fetais, ameaça significativa para o feto, para a mulher ou para ambos. Estas

grávidas

encontram-se

perante

a

impossibilidade

de

se

prepararem

adequadamente para a maternidade, quer pela componente psicofisiológica, quer pelas adaptações físicas resultantes da patologia/complicação associada, quer mesmo relativamente à organização e reestruturação da dinâmica familiar e dos recursos necessários. Este estudo resultou da reflexão pessoal dos cuidados ministrados às gravidas internadas, e da forma adequada de assistir às mesmas. O estudo teve como meta atingir os seguintes objetivos: compreender as experiências/vivências das mulheres com gestação de alto risco durante o período de internamento; identificar os fatores que influenciam positiva ou negativamente as vivências na gravidez de alto risco; identificar as necessidades de cuidados de enfermagem relativos à grávida, durante o período de internamento. Para a consecução destes objetivos e no sentido de responder ao objeto de estudo “vivências das mulheres com gravidez de alto risco sujeitas a internamento”, os pressupostos teóricos que sustentaram a investigação são: gravidez e maternidade, gravidez de alto risco, vivências e sentimentos associados à gravidez de alto risca e a abordagem ao modelo de Callista Roy. A realização desta investigação teve por base o paradigma qualitativo, tratando-se de um estudo exploratório-descritivo, sendo a amostra selecionada por conveniência, constituída por nove mulheres. Como instrumento de recolha de dados foi utilizada a entrevista semi- estruturada. A interpretação dos dados teve em consideração a análise de conteúdo, tendo subjacente os pressupostos de Bardin (2009). Da análise e interpretação dos dados emergiram as principais categorias: sentimentos associados ao internamento por gravidez de alto risco; expectativas associadas à gravidez

de

alto

risco;

conhecimento

sobre

gravidez

de

alto

-

risco

e

experiências/vivências durante o internamento. 1

EE-ESMO, Centro Hospitalar S. João, Porto, Portugal.

25


Os resultados do estudo permitiram compreender o processo de vida das mulheres que enfrentam uma gravidez de risco com necessidade de internamento evidenciando profundas vulnerabilidades nesta transição. Conclui-se que o internamento da mulher por gravidez de alto risco foi percebido como muito difícil, mas as mulheres apesar de demonstrarem intenso sofrimento perante as situações vivenciadas, mostraram mecanismos de adaptação ao ambiente hospitalar. A participação neste Encontro da APEO, tem como objectivo principal a divulgação junto da comunidade científica nacional e internacional, de um trabalho científico, inédito em Portugal, e que pretende estimular a mudança de comportamentos na assistência integral à mulher grávida, e também lançar pontes para futuros trabalhos de investigação nesta área. Palavras-chave: Gravidez e maternidade, gravidez de alto risco, vivências e sentimentos associados à gravidez de alto risco, modelo de adaptação. Referências Bibliográficas BARDIN, Laurence – Análise de Conteúdo. Edição Revista e Actualizada. Lisboa: Edições 70, 2009. BOBAK, I. ; LOWDERMILK, D. ; JENSEN, M. – Enfermagem na Maternidade. Quarta edição. Loures: Lusociência, 1999. BOGDAN, R.; BIKLEN, S. – Investigação Qualitativa em educação – uma introdução à teoria e aos métodos. Porto: Porto editora, 1991. CANAVARRO, Maria Cristina – Psicologia da Gravidez e da Maternidade. Coimbra: Quarteto, 2001. COLMAN, L. L.; COLMAN, A. D. – Gavidez: Experiência Psicológica. Lisboa: Edições Colibri, 1991. DOURADO, Viviani Guilherme – Gravidez de alto risco: a vida e a morte entre os significados da gestação. Dissertação de mestrado em enfermagem. Maringá: Universidade Estadual de MaringáDepartamento de Enfermagem, 2005. DRIESSNACK, Martha; [et al] – Revisão dos desenhos de pesquisa relevantes para a enfermagem: part 2: Desenhos de pesquisa qualitativa. Rev Latino-am Enfermagem. Brasil: 2007 Julho – Agosto; 15(4) FIGUEIREDO, B.; [et al] – Versão Portuguesa do Maternal Adjustment and maternal Attitudes (MAMA). Psicologia, Saúde e doenças. Portugal: 2004; 5(1), p. 31-51. FORTIN, Narie-Fabienne – Fundamentos e etapas do processo de investigação. Loures: Lusodidacta, 2009. MENDES, I. M.: Ligação Materno-fetal. Coimbra: Quarteto, 2002. MELEIS, A. I.; [et al] – Experiencing Transitions: Na Emerging Middle-Range Theory. Adv Nursing Science. 2000; 23(1), p. 12-28 OLIVEIRA, Vírginia Junqueira – Vivenciando a gravidez de alto risco: entre a luz e a escuridãol. Dissertação de Mestrado. Belo Horizonte: Escola de Enfermagem da UFMG, 2008. QUEVEDO, Michele Peixoto – Experiências, percepções e significados da maternidade para mulheres com gestação de alto risco. Tese de Doutoramento em Saúde Pública. São Paulo. Universidade de São Paulo, Faculdade de Saúde Pública, 2010.

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BENEFÍCIOS DO PROJETO DE PREPARAÇÃO PARA PARTO E PARENTALIDADE BEM-ME-QUER LEÇA DA PALMEIRA FERREIRA, Isabel Maria Fonseca121 VARELA, Joana Reis de Ventura Pereira 6 de maio de 2016 às 09:00 h

Estudos de investigação revelam diversos benefícios da realização de cursos de preparação para o parto e parentalidade (Carla Morais, 2012; Isabel Neves, 2012; Olga Pousa, 2012; Juan Galiano, Miguel Rodríguez, 2014; Daniela Neves Silva, 2014). A presente comunicação livre tem como finalidade refletir sobre a eficácia do Projeto de Preparação para Parto e Parentalidade Bem-Me-Quer Leça da Palmeira (BMQLP) na promoção do empowerment das grávidas, na aquisição de conhecimentos no âmbito do exercício da parentalidade e do parto e na promoção da amamentação exclusiva após o parto Para avaliar o nível de empowerment foi solicitado a cada uma das grávidas o preenchimento do questionário de empowerment da grávida (Clara Aires, 2012), em entrevista individual, antes e após a participação no projeto. Para verificar a média de conhecimentos no âmbito do exercício do papel parental e do parto, foram realizadas entrevistas individuais antes e após a a participação no projeto, guiadas por um questionário de avaliação de necessidades com critérios de diagnóstico previamente definidos. Para verificar a taxa de amamentação exclusiva aos 4 e aos 6 meses de idade, foram realizadas entrevistas telefónicas a todas as mães de crianças com idades compreendidas entre os 6 e os 12 meses, inscritas nas unidades de saúde abrangidas pela intervenção da UCC Leça da Palmeira. Os dados foram analisados estatisticamente utilizando o SPSS. A análise de dados de 2013, 2014 e 2015 revela que a média do nível de empowerment das grávidas é superior após as sessões (95,67 > 91,16) sendo esta diferença estatisticamente significativa.A mesma amostra revela ainda que a média de conhecimentos no âmbito do exercício da parentalidade e do parto é superior após a participação no projeto, verificando-se que para todos os itens avaliados essa diferença é estatisticamente significativa. Verificou-se ainda que mulheres que aderiram ao projeto tiveram taxas superiores de amamentação exclusiva e amamentaram até mais tarde, verificando-se diferenças

1

EE-ESMO, ULSM - UCC Leça da Palmeira, Portugal.

28


estatisticamente significativas para uma amostra de 70% de crianças nascidas em 2013 e 2014. Concluindo, o projeto BMQLP mostrou-se eficaz no aumento no nível de empowerment das grávidas, na aquisição de conhecimentos no âmbito do exercício da parentalidade e do parto e na promoção da amamentação exclusiva até aos 4 e até aos 6 meses de idade. Palavras Chave: Empowerment, Amamentação, Parentalidade, Preparação Pré-Natal Bibliografia MORAIS, Carla (2012) Influência da preparação para o parto na perceção dos cuidados culturais das puérperas da região norte de Portugal. Tese de Mestrado, Instituto Politécnico de Viseu AIRES, Clara (2012) Estudo das propriedades métricas da Empowerment Scale for Pregnant Women para o Contexto Português. Tese de Mestrado – ESEP SILVA, Daniela Neves (2014) Empowerment da grávida: fatores de capacitação para a maternidade. Tese de Mestrado, Instituto Politécnico de Viseu NEVES, Isabel (2012) Preparação para o parto – expectativas/vivências de um grupo de mulheres. Tese de Mestrado, Escola Superior de Enfermagem do Porto - ESEP GALIANO, Juan; Rodríguez, Miguel (2014) Contribución de la educación maternal a la salud maternoinfantil - Revisión bibliográfica. Matronas Prof.; 15(4): 137-141 POUSA, Olga (2012) Saberes e competências do pai, com preparação para o parto, durante o trabalho de parto e parto : contributos para a prática de enfermagem. Tese de Mestrado – ESEP

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GESTÃO DE MÁS NOTÍCIAS - PAPEL DO ENFERMEIRO ESPECIALISTA EM SAÚDE MATERNA E OBSTETRÍCIA TORQUATO, Rute Nascimento.131 6 de maio de 2016 às 12:30 h

As relações interpessoais fazem parte do quotidiano dos profissionais de saúde numa lógica de atendimento de qualidade. Questões comunicacionais emergem com mais evidência na situação de má notícia, sendo que toda a informação que afeta negativamente as expetativas e perspetivas futuras da utente/família destruindo esperanças e sonhos e com potencial para provocar uma mudança negativa na vida dos mesmos, é percebida como uma má notícia. O Enfermeiro Especialista em Saúde Materna e Obstetrícia está envolvido nos processos fisiológicos no ciclo de vida da mulher, tendo competência para prevenir, detetar e integrar respostas terapêuticas em processos patológicos e processos de vida disfuncionais para o mesmo público-alvo. A gestão de más notícias é um destes processos. Os enfermeiros devem gerir estes momentos recorrendo à utilização de estratégias comunicacionais para prestar cuidados de excelência. A comunicação é uma arma terapêutica essencial que permite acesso ao princípio da autonomia, à confiança mútua, à informação que a utente/família necessitam para serem ajudados e ajudarem-se a si próprios, pelo que se considera importante analisar a problemática da gestão de más notícias na área obstétrica. O Protocolo SPIKES é constituído por seis passos, sendo que cada letra do acrónimo representa uma fase da sequência, que se desenrola desde a preparação do ambiente até ao plano estratégico de novas intervenções. A descrição de um protocolo de ajuda na gestão da informação desfavorável fornece método e diminuição da ansiedade para ambas as partes na partilha de informação. Em

enfermagem

especializada

torna-se

imperativo

o

desenvolvimento

de

comportamentos comunicacionais capazes de desencadear relações interpessoais de qualidade e reduzir o risco de respostas destrutivas. Consciente que o Enfermeiro Especialista em Saúde Materna e Obstetrícia tem responsabilidades e ferramentas comunicacionais disponíveis para uma conduta mais eficaz e humanizada, foram traçados os seguintes objetivos: Sensibilizar os enfermeiros

para

a

importância

da

competência

comunicacional

junto

da

mulher/família em idade fértil, a vivenciar intercorrências no seu projeto de saúde e dar a conhecer estratégias de intervenção em situação gestão de más notícias na área

1

EE-SMO, Bloco de Partos, Hospital de Cascais, Portugal.

30


ginecológica/obstétrica, com enfoque no Protocolo SPIKES. Para dar resposta aos objetivos traçados utilizou-se a metodologia de projeto. Em conclusão, o modelo comunicacional apresentado constitui um excelente guia orientador para a realização de uma atividade tão complexa quanto obrigatória. Poder analisar e estudar o protocolo citado constitui uma mais-valia para um exercício profissional responsável, determinado e consciente das dificuldades que rodeiam o processo comunicacional. O treino recorrente de estratégias comunicacionais é uma medida importante no estabelecimento da relação terapêutica. Palavras-chave: Más notícias, enfermeiro, SPIKES Bibliografia Baile. SPIKES – A six-step protocol for delivering bad news. TO (online). 2000. Lino. Uso do protocolo SPIKES no ensino de habilidades em transmissão de más notícias. RBED (online). 2011. Pereira M. Comunicação de más notícias e gestão do luto. Coimbra: Edições Formasau; 2008. Pereira. Comunicação de Más Notícias: Revisão Sistemática de Literatura. REUFPE (online).2013. Rolim L. Perdas e luto na gravidez e puerpério. In: Canavarro M, Psicologia da Gravidez e da Maternidade (2ªed.). Coimbra: Quarteto Editora, 2006. P.255-296. Warnock. Breaking bad news: issues relating to nursing practice. NS (online). 2014.

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SEGURANÇA DO DOENTE EM OBSTETRÍCIA ZANGÃO, Maria Otília.141 6 de maio de 2016 às 12:30 h

A segurança do doente é uma temática na ordem do dia nas nossas unidades de saúde. Tal facto pode ser comprovado com o aumento do interesse em ter uma acreditação por uma entidade idónea. A segurança da doente em Obstetrícia é um assunto um pouco menos expresso, por tal facto propusemo-nos compreender a importância da segurança da doente em obstetrícia a nível da literatura científica. Realizámos uma revisão sistemática da literatura nas bases de dados: MEDLINE with Full Text; MedicLatina; CINAHL Plus with Full Text; Academic Search Complete; BIREME/OPAS/OMS - Biblioteca Virtual em Saúde; Scielo e no Portal Proqualis. Definimos critérios de inclusão e obtivemos 6 artigos. Utilizámos o Software Alceste 2010 e o Software Iramuteq versão 0.7 para realizar a análise dos artigos através do qual obtivemos cinco classes. Verificámos que a segurança da doente em obstetrícia está relacionada com a dotação do número de enfermeiros em cada unidade de saúde, com a qualidade dos cuidados prestados e aqui é dada importância às grandes unidades, ou seja, unidades onde são praticados mais partos e onde a experiencia é maior para situações mais complexas. Também para a qualidade e segurança dos cuidados é tida em conta o ambiente terapêutico da unidade de cuidados, assim como a utilização de instrumentos que ajudem na verificação dos cuidados prestados de forma a prevenir complicações. Verificámos que são realizados procedimentos de forma rotineira como a realização de cesarianas e episiotomias. Esperamos alertar para praticas que poderão ser facilitadoras de cuidados de qualidade e com segurança para as mulheres nesse momento tão importante das suas vidas, nomeadamente a utilização do partograma e da Checklist de Parto Seguro. Palavras-chave: segurança, qualidade, práticas, obstetrícia Referencias Bibliográficas Agência Nacional de Vigilância Sanitária (2011). Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde. Boletim Informativo. 1 (1): Jan-Jul. Brasília. Acedido em 29/11/2015, disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/f72c20804863a1d88cc88d2bd5b3ccf0/BOLETIM+I.PDF?MO D=AJPERES

1

EE-ESMO, Universidade de Évora/Escola Superior de Enfermagem S. João de Deus, Portugal.

32


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PARTO EM CASA: PERIGO OU DESAFIO PARA O ENFERMEIRO ESPECIALISTA EM ENFERMAGEM DE SAÚDE MATERNA E OBSTÉTRICA? ROCHA, Sónia Barbosa.151 6 de maio de 2016 às 14:30 h

Introdução: Nos últimos anos crescem os relatos de insatisfação no que concerne à assistência obstétrica nomeadamente no parto, ao mesmo tempo aumenta a procura pelo parto em casa. Neste momento, em Portugal, estima-se que 1% dos partos ocorre no domicílio, e muito se tem discutido entre profissionais de saúde (com ordem dos enfermeiros a favor e ordem dos médicos absolutamente contra) e na comunicação social, sobre a segurança neste contexto. Hoje temos mulheres mais saudáveis antes e durante a gravidez, mulheres que se cuidam e cuja gravidez é vigiada atentamente, temos profissionais (EESMO) com formação diferenciada, temos uma excelente rede de transporte em caso de emergência nomeadamente nos centros urbanos, temos hospitais altamente diferenciados para uma resposta eficiente em caso de emergência, será o parto em casa atualmente em Portugal um desafio ou um perigo para o Enfº EESMO? Desenvolvimento: O Parto em casa é uma realidade e uma opção em alguns países europeus nomeadamente no Norte da Europa, comparando as taxas de mortalidade materna e neonatal de alguns destes países com Portugal, percebemos com orgulho que estamos entre os melhores, no entanto não podemos considerar a diferença muito significativa. É fácil perceber também que a evolução foi semelhante em todos (refletindo provavelmente as mudanças sociais ao longo dos últimos anos), sendo que Portugal apresentava inicialmente

quase o dobro da taxa da maioria dos países

associando-se possivelmente às diferenças sociais entre Portugal e os restantes países europeus. Efetuando uma revisão da literatura, identificamos algumas revisões sistemáticas (2010 – 2014) sobre a segurança do parto em casa. Todas apontam para a segurança do parto em casa para a mãe mas levantam sérias questões na segurança do recémnascido. No entanto, lendo com mais atenção é interessante perceber que na revisão sistemática de 2012 os autores concluíram que quando a grávida era assistida por

1

EE-ESMO, USF Cristelo/ARS Norte, Portugal.

35


enfermeiros obstetras os resultados neonatais eram semelhantes aos partos em ambiente hospitalar. No estudo de 2014, com quase 17000 partos, os autores concluem que nos partos em casa ocorreram altas taxas de partos fisiológicos e taxas de intervenção mais baixas sem aumento de acontecimentos adversos. Ainda no estudo de 2013, os autores concluem que não se consegue afirmar que deve ser recomendado o parto no hospital em detrimento do parto em casa. Em 2013, em nova revisão, concluem que mulheres de baixo risco com parto planeado em casa, assistido por parteiras/EESMO apresentam menor taxa de morbilidade, e no caso de multíparas as diferenças são ainda mais notórias. Em Portugal, entre 2009 e 04/2016, um grupo de EESMOs, no qual me incluo, trabalhando de forma independente, acompanhou na gravidez um total 93 grávidas, sendo que desta amostra 41 mulheres intencionavam ter o seu filho em casa e 25 intencionavam ter o seu filho num hospital publico. Em ambas as amostras excluímos situações de indução, cesarianas eletivas por indicação clínica, partos prematuros e na amostra das mulheres que intencionavam ter o seu filho em hospital publico excluímos também uma mulher que teve parto em casa não planeado e as mulheres que intencionavam partos com analgesia. Assim tivemos uma amostra de 50 mulheres que intencionavam parto 100% natural das quais 33 planeavam parto em casa (76% núliparas) e 17 parto num hospital público (82% nulíparas). Comparando ambas as amostras relativamente ao tipo de parto obtido pelas mulheres, verifica-se que 78% das mulheres que planearam parto em casa, obtiveram partos naturais ou eutócicos sem epidural comparativamente a 53% das mulheres que planearam parto no hospital público. Mesmo nas que não obtiveram parto natural ou eutócico sem epidural a cesariana foi mais prevalente em mulheres que planearam parto hospitalar. Das mulheres que planearam parto em casa, 9 foram transferidas durante o trabalho de parto, na maioria das vezes por trabalho de parto prolongado e sem emergência propriamente dita, e mesmo neste grupo apenas 2 tiveram o seu filho por cesariana. Em todas as situações de transferência não ocorreu qualquer complicação major materna ou neonatal. Nas 23 que efetivamente pariram em casa, 12 pariram na água, e apenas uma mulher foi transferida após o parto por retenção placentar. Todos os bebés nasceram com apgar 8 a 10 ao primeiro minuto. A posição adotada no período expulsivo nas 14 mulheres com parto vaginal no hospital foi litotomia enquanto que nas mulheres que pariram em casa foi variável e nunca em litotomia. Comparando as 23 mulheres que pariram em casa com as 14 mulheres que desejavam parto natural e tiveram parto vaginal no hospital público 36


relativamente ao trauma perineal verificamos que em casa 78% das mulheres que pariram em casa tiveram o seu períneo íntegro ou com uma pequena laceração grau I, comparativamente a apenas 7% de lacerações grau I no hospital e sem períneos íntegros. Relativamente à satisfação com a experiência de parto é notório o elevado nível de satisfação nas mulheres que planearam parto em casa e em especial as que concretizaram o seu desejo, comparativamente às mulheres que desejavam parto natural no hospital Será apenas o local de parto que promove a segurança? Sem dúvida que todos os animais e em especial os mamíferos, escolhem o local, construindo o seu “ninho” onde ocorre o nascimento das suas crias, e quando algo interfere no “ninho” a probabilidade de a mãe e/ou a cria não sobreviverem aumenta. Nos humanos, não é diferente...a mulher precisa do seu ninho, mas também de se sentir segura! Assim, a continuidade de cuidados presente quando se fala de parto em casa é fundamental. O modelo de cuidados associado ao sucesso do parto em casa é o Midwifery Model of Care,. Em 2014 e 2015, em duas revisões sistemáticas concluiu-se que mulheres cuidadas neste modelo são menos propensas a internamento na gravidez e menos propensas a intervenção durante o parto, ocorrendo portanto maior número de partos vaginais espontâneos e fisiológicos com maior índice de satisfação materna. A continuidade de cuidados no “midwifery model of care” é imprescindível para o sucesso. Neste modelo, em detrimento do profissional é a mulher que durante todo o ciclo gravídico-puerperal, incluindo o seu RN, tem o protagonismo. O ciclo gravidicopuerperal é entendido como um evento fisiológico, sem necessidade de intervenção excepto se a homeostasia fica comprometida (modelo salutogénico). O EESMO avalia não só a mulher, mas também toda a dinâmica familiar, com o pai do bebé/companheiro, restante família e sociedade. Ainda neste modelo, salienta-se que o EESMO deve ser o profissional de referencia para a grávida constituindo-se elo de ligação com outros profissionais e/ou instituições de saúde. Os resultados apresentado do trabalho desenvolvido por este grupo de EESMOs, no qual me incluo, teve por base o midwifery model of care, no entanto com algumas limitações, nomeadamente pelo facto de a maioria das mulheres iniciarem o acompanhamento apenas no 2º ou 3º trimestre e manterem acompanhamento médico em simultâneo. Conclusão Hoje sabe-se que a fisiologia inata de mães e bebés contribui não só para o sucesso no parto, na adaptação do recém-nascido à vida extra-uterina, mas também na 37


parentalidade e consequentemente nas relações familiares. A evidência científica até ao momento não consegue provar que o parto em casa não deve ser uma opção válida, pelo contrário, demonstra que ocorrem substancialmente maior número de partos fisiológicos, sendo as mulheres sujeitas a muito maior taxa de intervenção a nível hospitalar sem que isso garanta maior saúde. Intervenções como cardiotocografia contínua e epidural estão já associadas a maior probabilidade de parto cirúrgico ou instrumentado, com as suas consequências na amamentação e ligação mãe-filho para além dos riscos na saúde física e emocional da mulher e criança. Neste contexto, o Enfermeiro ESMO, apoiando a opção da mulher pelo parto em casa, assistindo num modelo de continuidade cuidados poderá contribuir para um maior número de partos fisiológicos, com maior satisfação materna e familiar sem aumento de acontecimentos adversos . Palavras Chave: Parto em casa, continuidade de cuidados, enfermeiro esmo Referências Bibliográficas ALFIREVIC Z, Devane D, Gyte GML. Continuous cardiotocography (CTG) as a form of electronic fetal monitoring (EFM) for fetal assessment during labour. Cochrane Database of Systematic Reviews 2013, Issue

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PELA PRESENÇA DE ACOMPANHANTE NA CESARIANA PROGRAMADA NOS HOSPITAIS DO SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE – HISTÓRIA DE UMA PETIÇÃO TORGAL, Ana Lúcia.161 6 de maio de 2016 às 14:30 h

Desenvolvimento A filosofia de cuidados dos enfermeiros especialistas em enfermagem de saúde materna e obstétrica (EESMO) assenta num modelo de assistência que se realiza, sempre, em parceria com a mulher e com o recurso à evidência científica. Este tipo de modelo assistencial assegura que: A mulher é parceira igualitária no planeamento e prestação de cuidados; É sensível às necessidades individuais de cada um; e, dá prioridade às escolhas informadas relativamente à prestação de cuidados. Este modelo pressupõe que o EESMO, na sua prática assistencial, capacite as mulheres para que haja lugar a escolhas informadas, assumindo um papel de seu defensor, permitindo-lhe tomar as suas próprias decisões e apoiando-a nas suas escolhas. A História da Petição “Pela presença de acompanhante na cesariana programada nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde” inicia-se quando uma mulher grávida capacitada, que frequenta o Curso de Preparação para o Nascimento e Parentalidade do ACES de Lisboa Ocidental e Oeiras solicita apoio técnico da autora desta Reflexão para a elaboração de texto para publicar on-line no site das petições. O documento, tornado público a 6 de maio de 2015, solicita que “ com a brevidade possível, sejam asseguradas condições (…), permitindo a presença de acompanhante nas cesarianas programadas (…), em todas as Unidades do Serviço Nacional de Saúde onde nascem crianças.” Após as 1000 assinaturas necessárias o teor da petição é analisado pelo grupo parlamentar da saúde a 18 de junho de 2015 que considera haver os requisitos formais de tramitação exigidos por Lei, bem como o objectivo da petição estar devidamente fundamentado e os subscritores correctamente identificados. Neste âmbito a autora desta reflexão é convidada a estar presente na discussão da Petição e organiza comitiva de casais e outros profissionais de saúde para estarem presente na audição. A 30 de junho de 2015 a Petição atinge as 4000 assinaturas e é apreciada em Plenário da Assembleia da República a 6 de janeiro de 2016. Da apreciação realizada 1

EE-ESMO, ACES Lisboa Ocidental e Oeiras, UCC Saúdar, Portugal.

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todos os grupos parlamentares concordaram com o teor da Petição e neste âmbito surgem dois projetos de Lei e um Projeto de Resolução que foram apresentados e votados a 4 de fevereiro de 2016. Foi aprovado o projecto de resolução apresentado pelo Partido Socialista que defende a regulamentação do direito de acompanhamento da mulher grávida em todas as fases do trabalho de parto. Conclusão A 11 de Fevereiro de 2015 a Comissão Nacional da Saúde Materna da Criança e do Adolescente, da qual a autora desta Reflexão também faz parte, é convidada a pronunciar-se acerca da Petição e é pedida a sua colaboração para, em Parceria com a Direcção-Geral da Saúde, elaborar um Projeto de Portaria que Regulamenta a presença do pai ou outro acompanhante em bloco operatório em situações de cesariana. Aguarda-se publicação em Diário da República. Solicita-se a todos os EESMO´s que, no exercício das suas funções cumpram e façam cumprir o desejo de mais de 4000 peticionários. A humanização do parto diz também respeito ao que se passa durante uma cesariana, em que a presença de alguém significativo pode contribuir para minimizar o impacte negativo que esta cirurgia pode ter junto da parturiente e permite assegurar igualdade de oportunidades no exercício de um ato de paternidade interessada, responsável e solidária. Palavras-Chave: Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica; Cesariana; Petição; Acompanhante.

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CUIDADOS DE ENFERMAGEM NO PÓS PARTO: ÓTICA PARENTAL SILVA, Catarina 171 7 de maio de 2016 às 09:00 h

Introdução: O nascimento do primeiro filho é um acontecimento que altera definitivamente a vida dos progenitores. Pais e mães reestruturam e integram novos papéis, num processo que, habitualmente é facilitado por ajudas externas, nas quais se inclui o enfermeiro de saúde materna e obstetrícia. Assim, identificar as necessidades de cuidados que os progenitores consideram indispensáveis para ultrapassarem as potenciais dificuldades com que se deparam na vivência deste processo desenvolvimental, inerente ao nascimento do primeiro filho, denominado por transição para a parentalidade é imprescindível para o sucesso da prática dos cuidados e produção de ganhos em saúde. Objetivo Compreender as necessidades de cuidados de Enfermagem, sentidas pelas mães e pelos pais, durante a transição para a parentalidade, no internamento após o nascimento do primeiro filho, por parto eutócico, quando a díade mãe-filho não apresenta problemas de saúde nem fatores de risco associados. Método Trata-se de uma investigação que se enquadra no paradigma qualitativo, na qual participaram 26 progenitores – treze pais e treze mães. Como estratégia de colheita de dados recorreu-se à entrevista semiestruturada, cujas respostas foram dissecadas à luz da análise de conteúdo, categorizando as unidades de registo. Resultados A análise dos dados permitiu identificar três dimensões - experiência da parentalidade nas primeiras 48 horas pós-parto, necessidades de cuidados de Enfermagem e uma perspectiva parental acerca do papel do enfermeiro, das quais emergiram as seguintes categorias: características do processo de transição maternal e paternal, aquisição de competências parentais, vigilância de saúde da mulher, parceria nos cuidados, suporte emocional e as competências técnico-científicas e relacionais do enfermeiro, mais valorizadas pelos pais.

1

EE-ESMO, Centro Materno Infantil do Norte, Porto, Portugal.

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Conclusões A realização deste estudo permite concluir que a transição para a parentalidade, no período das 48 horas pós-parto, é uma fase de intensas transformações, sentimentos, aprendizagens e abertura aos cuidados prestados pela equipa de Enfermagem. Pais e mães esperam destes profissionais de saúde a adopção de estratégias que lhes permitam sentirem-se confiantes, elucidados e capazes de cuidar dos seus filhos. Assim, identificar as necessidades de cuidados dos pais, disponibilizar Informação concordante, bem como criar um espaço de abertura comunicacional suficiente, para que possam expor e analisar as preocupações demonstradas, parece fortalecer o sentimento de auto-confiança no papel a desempenhar. Palavras-chave: necessidades parentais, transição para parentalidade, cuidados de Enfermagem no pós-parto eutócico. Referências bibliográficas Cheng, C., Fowles, E. R., & Walker, L. O. (2006). Postpartum Maternal Health Care in the United States: a critical review. Journal of Perinatal Education, 15 (3), p. 34-42. doi: 10.1624/105812406X119002 Direcção Geral da Saúde (2012). Plano Nacional da Saúde 2012/2016 – Nascer com Saúde. Bruno Ferreira, B., Veríssimo, M., Santos,A. J., Fernandes, C., & Cardoso, J. (2011). Escala de Sentimento de Competência Parental: Análise confirmatória do modelo de medida numa amostra de pais portugueses. Laboratório de Psicologia, 9 (2), 147-155. doi: 10.14417/lp.630 Meleis, A. I. (2007). Theoretical nursing: Development & progress (4th ed.). Philadelphia, USA: Lippincott Williams & Wilkins.Mendes, I. M. (2007). Ajustamento materno e paterno: Experiências vivenciadas pelos pais no pós-parto (Tese de Doutoramento). Universidade do Porto, Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Porto, Portugal.Oommen, H., Rantanen, A., Kaunonen, M., Tarkka, M., & Salonen, A. (2011). Social support provided to Finnish mothers and fathers by nursing professionals in the postnatal ward. Midwifery, 27(5), 754-761. doi: 10.1016/j.midw.2010.06.017 Silva, C. S. (2012). Transição para a Parentalidade: Necessidade de cuidados de enfermagem no pósparto eutócico (Tese de Mestrado). Escola Superior de Enfermagem do Porto, Porto, Portugal.

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INCIDÊNCIA DA INFEÇÃO NO COTO UMBILICAL, NA PÓS – ALTA HOSPITALAR, EM RECÉM-NASCIDOS SUBMETIDOS AO PROCEDIMENTO: LIMPEZA DO COTO COM ÁGUA E SABÃO MENDES, Graziela Maria1 SEQUEIRA, Albina Rosa, LOPES, Marta Susana 7 de maio de 2016 às 09:00 h

Introdução Todos os anos, em média, quatro milhões de mortes neonatais ocorrem em todo o mundo. Mais de 99% destas mortes, ocorrem em países subdesenvolvidos e quase metade destas crianças morrem de infeção. As infeções do coto umbilical estão entre as principais causas de mortalidade neonatal (OMS, 2008). Esta realidade justifica que se continue a estudar esta temática, com vista, não só a descrever as práticas existentes no cuidado ao coto umbilical do recém-nascido, como também, para expor a prática mais eficaz. Para dar resposta à questão de investigação, “Qual a Incidência das Infeções doCoto Umbilical, nos Recém-nascidos submetidos à limpeza do mesmo com água e sabão?”, o grupo de investigação sentiu a necessidade de realizar uma revisão integrativa da literatura. Objetivos 1. Avaliar a incidência das infeções no coto umbilical em recém-nascidos submetidos a limpeza do mesmo com água e sabão. 2.Avaliar o tempo médio de mumificação do coto umbilical, nos recém-nascidos submetidos à limpeza do mesmo com água e sabão. 3.Comparar as duas variáveis (a incidência da infeção e o tempo médio de mumificação), em recém-nascidos submetidos à limpeza do coto com água e sabão versus com antissépticos/antimicrobianos. Metodologia Trata-se de um estudo de enfoque quantitativo, exploratório, retrospetivo, comparativo e transversal. O estudo desenrola-se a partir de uma amostra, não probabilística e acidental, constituída por 300 puérperas/recém - nascidos inscritos nas unidades de saúde pertencentes ao ACES Espinho/Gaia.

Conclusão

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Da aplicação do instrumento de colheita de dados e análise do mesmo, concluiu-se que a prevalência de infeção é de 0,67%, ou seja, dois cotos infetados na amostra. Estes, foram limpos com água e sabão e a sua queda ocorreu mais tarde que os cotos saudáveis. Verificou-se que o número de casos com infeção é muito reduzido (0,67%), o que não permite extrapolar para outras populações o resultado da amostra. O fato de número de infeções ser quase insignificante na amostra, permite concluir que não há uma associação entre a limpeza do coto com água e sabão e o aumento do número de infeções. Nesse sentido, considera-se que a opção pela limpeza com a água e sabão é um procedimento seguro. Este estudo permitiu ainda, concluir que, quando o coto umbilical foi limpo com água e sabão a sua queda verificou-se mais cedo do que quando foi limpo com álcool (dois dias em termos de mediana). A análise comparativa entre a idade da puérpera e o tipo de limpeza efetuado ao coto umbilical, revelou que a limpeza com água e sabão é realizada por mulheres mais novas. Palavras Chave: Recém-Nascidos; Coto umbilical; limpeza com água e sabão Referências Bibliográficas Aghamohammadi, A.; Zafarii, M.; Moslemi, L.. Comparing the Effect of Topical Application of Human Milk and Dry Cord Care on Umbilical Cord Separation Time in Healthy Newborn Infants. Iranian Journal of Pediatrics. Vol. 22, nº 2, 2012, , pp. 155-162. Barreiros, L. L.; Nogueira , N. B.; Conceição, M. A., Cardoso, W.M., Romeiro, T. Q.; Covas, María del Carmen. [et al.]. Higiene del cordón umbilical con alcohol comparado con secado natural y baño antes de su caída, en recién nacidos de término: ensayo clínico controlado aleatorizado. Arch Argent Pediatr. Vol.109, nº 4, 2011, pp. 305-313 / 305. Dorfey, E. S. - Cuidados de Enfermagem ao Recém-Nascido: Uma Revisão Literária. In WebArtigos.com. [Consult. 16 jan. 2013] Lowdermilk, D.; Perry, S. - Enfermagem na Maternidade. 7ª Edição. Loures: Lusodidacta, 2008.

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PREVALÊNCIA DO ALEITAMENTO MATERNO EM MULHERES COM ESCLEROSE MÚLTIPLA LEAL, Daniela Miriam 181 ; COUTINHO, Emília de Carvalho; DUARTE, João Carvalho 7 de maio de 2016 às 09:00 h

A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença crónica, desmielinizante e progressiva do Sistema Nervoso Central, considerada como a causa mais comum de incapacidade em adultos jovens. Em Portugal, estima-se que existam cerca de 5000 doentes com EM. Assim como na maioria das doenças autoimunes, as primeiras manifestações desta patologia surgem pelos 20-40 anos, durante a idade fértil, sendo duas vezes mais prevalecente nas mulheres que nos homens. Desconhecendo-se o impacto da gravidez na Esclerose temia-se que a mesma desencadeasse um aumento da progressão de incapacidade neurológica na mulher. O primeiro grande estudo do mundo, nesta área, com 269 mulheres, evidenciou que a gravidez reduziu em 70% a taxa de surto no terceiro trimestre de gravidez, contudo o mesmo não acontecia nos primeiros três meses no período pós-parto (Vukusic, 2004). Não existiam estudos que clarificassem se a mulher com EM poderia amamentar sem com isso acarretar riscos para si e para a criança. A investigação mais robusta e mais recentemente publicada, demonstrou que as mulheres com Esclerose Múltipla que amamentam em exclusivo durante dois meses têm um risco menor de recidiva da doença nos seis meses após o parto, comparativamente com as mulheres que não amamentam exclusivamente (Hellwing, 2015). Desconhecendo-se a realidade portuguesa o presente estudo, de âmbito nacional, teve como objetivo avaliar a prevalência do aleitamento materno em mulheres com Esclerose Múltipla em Portugal. A amostra foi constituída por 39 mulheres com Esclerose Múltipla que tinham tido pelo menos um filho após o diagnóstico. Recorreuse a protocolo de colheita de dados online. Observou-se que 22 (56%) mulheres amamentaram pelo menos uma vez. Quando questionadas sobre a duração do aleitamento materno, 9 (23%) mulheres referiram ter amamentado entre 3 a 6 meses. Contudo, o motivo apresentado pela maioria das mulheres que acabou por administrar suplemento (leite artificial) foi o facto do leite materno ser insuficiente para alimentar o seu bebé. Foram também questionadas se tinham apresentado algum surto nos primeiros 24 meses após o parto, sendo que 24 (61,5%) mulheres responderam que não e 15 (38,5%) referiram que sim. 1

EE-ESMO, Adecco MS, Portugal.

46


As

mulheres,

na

sua

grande

maioria

(87,2%),

afirmaram

ter

recebido

informação/formação sobre aleitamento materno. A maior fonte de informação referida foram os ensinos realizados pelo enfermeiro (71,4%). Avaliando a informação que lhes foi prestada sobre aleitamento materno durante a gravidez, a maioria 17 (43,6%) refere que foi esclarecedora, compreensível, correta e útil. Em suma, evidenciou-se que em Portugal, algumas mulheres com EM acabam por optar pelo aleitamento materno havendo contudo um número significativo que o não faz. Palavras-chave: aleitamento materno; esclerose múltipla Referências Bibliográficas Dias, J., Sobral, M. (2013). Esclerose Múltipla e Gravidez. Acta Obstet Ginecol Port, 7(4), 293-297. Hellwig, K., Rockhoff, M., Herbstritt, S., Borisow, N., Haghikia, A., Elias-Hamp, B., … Langer-Gould, A. (2015). Exclusive Breastfeeding and Effect on Postpartum Multiple Sclerosis Relapses. JAMA Neurology, 72(10), 1132-1138. doi: 10.1001/jamaneurol.2015.1806 Pedrosa, R., (2010). Introdução à Esclerose Múltipla. Lisboa: Grupo de Estudos de Esclerose Múltipla. Vukusic, S., Hutchinson, M., Hours, M.,Moreau, T., Cortinovis-Tourniaire, P., Adeleine, P. (2004). Pregnancy and multiple sclerosis (the PRIMS study): clinical predictors of post-partum relapse. Brain, 127, 1353-1360. doi: 10.1093/brain/awh152

47


UTILIZAÇÃO DA BOLA DE NASCIMENTO EM GRÁVIDAS EM TRABALHO DE PARTO NO HOSPITAL DA LUZ VIEIRA, Helena Salvado 191 ; PRATES, Maria Antónia. 7 de maio de 2016 às 09:00 h

O projeto de utilização da bola de nascimento em trabalho de parto surgiu como um investimento dos enfermeiros especialistas de saúde materna e obstétrica (EESMO) do Bloco de Partos (BP) do Hospital da Luz (HL) no âmbito do conceito pelo direito ao parto normal defendido pelo Colégio da Especialidade de EESMO da Ordem dos Enfermeiros (OE, 2012) ao definir que o nascimento é um processo fisiológico, no qual só se deve intervir para corrigir desvios da normalidade e os profissionais que nele participam funcionam como um garante de um ambiente de confiança e segurança, em que a mulher em trabalho de parto (TP) toma decisões esclarecidas. Com o desenvolvimento da sociedade o parto passou a ser hospitalizado de forma a diminuir a morbi-mortalidade materna e perinatal, sendo entendido como uma forma de prestar uma melhor assistência. A realidade do HL não é diferente recorrendo-se a todos os meios e técnicas avançadas capazes de proporcionar uma experiência de gravidez e parto em segurança. No HL o parto é da responsabilidade médica o que induz a ideia de um parto pouco participado por parte da grávida/casal e, como tal, mais interventivo por parte da equipa de saúde. Contudo, o EESMO tem uma intervenção fundamental, sendo responsável pela vigilância e acompanhamento da grávida/casal em trabalho de parto. O BP do HL, dispõe de uma equipa de EESMO motivada e empenhada em promover o parto normal, de acordo com as recomendações da OMS, indo de encontro às preferências da mulher e do casal que nos procura. Por outro lado, o crescente interesse demonstrado pelas nossas clientes em ter uma participação ativa no TP e parto motivou a equipa a desenvolver estratégias capazes de promover não só, a satisfação da grávida/casal no momento do nascimento mas, também, a melhoria contínua da assistência durante o trabalho de parto e parto. Baseado numa conduta de apoio ao parto normal, no HL são disponibilizados vários recursos, nomeadamente a liberdade de movimentos, a deambulação, o apoio contínuo e utilização de bola de nascimento (BN). Vários estudos demonstram os benefícios da utilização da BN no controlo da dor em TP, contudo, a sua utilização no BP não pretende substituir ou excluir os métodos farmacológicos, mas sim complementá-los e ir ao encontro das solicitações da grávida/casal.

1

EE-ESMO, Bloco de Partos/Hospital da Luz, Lisboa, Portugal.

48


O projeto “Utilização da Bola de Nascimento” surge com o objetivo não só de promover a mobilidade e a verticalidade das grávidas em TP mas também de avaliar a satisfação das grávidas com a sua utilização A informação foi recolhida através do registo em processo clínico e da aplicação de um questionário. O regulamento dos padrões de qualidade dos cuidados especializados em enfermagem de saúde materna, obstétrica e ginecológica, visa obter os mais elevados níveis de satisfação, através do respeito pelas expectativas relacionadas com o TP, o estabelecimento de uma relação terapêutica com a cliente e o empenho do enfermeiro para capacitar a tomada de decisão e a ação (OE, 2011). Este projeto encontra-se implementado na BP desde o início do ano de 2014 tendo participado no I Concurso Padrões de Qualidade dos Cuidados de Enfermagem da Secção Regional Sul da Ordem dos Enfermeiros. Os resultados obtidos permitem, atualmente, obter dados concretos relativamente à taxa de utilização da BN no HL assim como o nível de satisfação alcançado pelas grávidas que a utilizaram. Palavras chave: Trabalho de parto; Bola de Nascimento; Satisfação Bibliografia American Psych ological Association (2010). Publication manual of the American Psychological Association (6th Ed.). Washington, DC: APA. Albers, L. et al. (1997). The relationship of ambulation in labor to operative delivery. J Nurse Midwifery; 42 (1), 4 - 8. Bio, E., Bittar, R.E., & Zugaib, M. (2006). Influência da mobilidade materna a duração da fase ativa do trabalho de parto. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, 28 (11), 671- 679. doi.org/10.1590/S0100-72032006001100007 Bobak, I., Jensen M., & Lowdermil, D. (1999). Enfermagem na Maternidade. (4ª ed.). Lusociência, Lisboa. Calais-German, B. (2009). Parir en movimento. La Libre de Marzo. Espanha. Carrière, B. (1998). The Swiss Ball: Theory, Basic Exercises and Clinical Application. New York , USA: Springer. Cerqueira, J. M. (n.d.). Análise da Humanização da Assistência em enfermagem no Parto. Recuperado de corenpr.org.br/artigos/ARTIGOibpex.doc Fenwick, J., Hauck, Y., Downie, J., & Butt, J. (2005). The childbirth expectations of a selected cohort of Western

Australia

women.

Midwifery,

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And

Family

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(1),

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doi:10.1016/j.midw.2004.07.001 Livingston, Connie (2005). The Birth Ball Source Book. A Guide For Parents and Healh Care Professionals. Ohio, USA:Nuova Vita Publishing. Lopes, T. C. (2000). Bola do nascimento: uma opção de conforto durante o trabalho de parto. In Resumo de International Conference on the Humanization of Childbirth. Fortaleza, Brasil:JICA. Mamede, F., Mamede, M., & Dotto, L. (2007). Reflexões sobre a deambulação e posição materna no trabalho de parto e parto. Esc Anna Nery R Enferm, 11 (2), 331 - 336. Mamede, F.V. (2005). O efeito da deambulação na fase ativa do trabalho de Parto (Tese de Doutoramento). Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Brasil.

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Ministério da Saúde. Direção Geral de Saúde (2003). A Dor como 5º sinal vital. Registo sistemático da intensidade da Dor: Circular Normativa. Lisboa, Portugal:DGS. Oliveira, L. L., Bonilha, A.L., & Telles, J.M., (2012). Indicações e repercussões do uso da bola obstétrica para mulheres e enfermeiras. Cienc Cuid Saude, 11(3), 573-580. doi: 10.4025/cienccuidsaude. v11i3.17657 Ordem dos Enfermeiros. (2005). CIPE: Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (Versão 1). Geneve, Swtizerland: ICN. Ordem dos Enfermeiros. (2011). Regulamento dos Padrões de Qualidade dos cuidados especializados em Enfermagem de Saúde Materna, Obstétrica e Ginecológica. Lisboa, Portugal:OE. Ordem dos Enfermeiros. (2012). Pelo direito ao parto normal: uma visão partilhada. Lisboa. Portugal:OE. Ordem dos Enfermeiros. (2007). Resumo Mínimo de Dados e Core de Indicadores de Enfermagem para o Repositório

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A PRÁTICA DO PELE A PELE NOS PARTOS POR CESARIANA EM 2015 HENRIQUES, Mónica Sofia201 ; SILVA, Daniela Neves; AMADO, Paula 7 de maio de 2016 às 12:30 h

Introdução Com vista à redução da morbilidade/ mortalidade da criança foram desenvolvidas políticas que fomentam a prática do AM, nomeadamente em 1991/92, foi criada pela UNICEF e Organização Mundial de Saúde, a Iniciativa Hospital Amigo da Criança. A Maternidade Bissaya Barreto (MBB) é reconhecida como “Hospital Amigo dos Bebés” desde 2007, pela UNICEF, procurando uma melhoria contínua nas práticas conducentes à promoção do AM, nomeadamente o cumprimento dos 10 passos para o sucesso do AM. O 4.º passo, faz referência à importância de: “Ajudar as mães a iniciar o AM na primeira meia hora após o nascimento”. De acordo com a OMS e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (2010, p.19), este passo é interpretado como “Colocar os bebés em contato direto com a mãe logo após o parto por pelo menos uma hora e incentivar a mãe a identificar se o bebé está pronto para ser amamentado, oferecendo ajuda, se necessário”. As primeiras 2 horas após o nascimento, ‘período sensível’, são o momento ótimo para o início da amamentação, o bebé começa a demonstrar comportamentos de procura como os movimentos da boca, dos lábios, a atividade mão-boca e sons vocais. (MAHMOUD, JAMAL E KHAN, 2011). Se atendermos ao que MATOS et al., (2010) refere, não há nenhuma razão que impeça a grande maioria dos bebés saudáveis de estabelecer CPP com a mãe logo após o nascimento e ao exposto por VELANDIA et al., (2010) de que a cesariana está associada, na maioria das situações, ao atraso na interação mãe-bebé, importa refletir: porque não realizar o CPP em situação de parto por cesariana? Procurando dar resposta ao 4º passo para o sucesso da amamentação e com o objetivo de promover o CPP nas cesarianas, o BO de Obstetrícia iniciou a realização desta prática em 2013. Objetivos Conhecer a percentagem de CPP nas cesarianas no ano de 2015; Identificar os constrangimentos à realização do CPP; Encontrar estratégias para aumentar a percentagem de CPP. 1

EE-ESMO, BO, MBB, Coimbra, Portugal

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Metodologia Os momentos de CPP foram documentados, através de registo sistematizado numa base de dados. Para tratamento de dados foi usado o Microsoft Office Excel. Resultados A percentagem de CPP nas cesarianas aumentou se compararmos o ano de 2014 com o de 2015, de 55% para 61%, respetivamente. Os motivos da não realização do CPP nas cesarianas com critérios de inclusão, foram os constrangimentos da equipa de enfermagem, cirúrgica e pediátrica. Conclusão Face aos resultados, podemos concluir que o aumento da prevalência de realização do CPP está dependente de uma maior sensibilização dos profissionais de saúde. Estes têm um papel primordial nesta prática, podendo facilitar, ao colocar o RN em contacto com o peito despido da mãe logo após o nascimento, ou dificultar, desrespeitando os mecanismos de adaptação à vida extra uterina do bebé e a evidência científica do AM e vinculação. Palavras-chave: Contacto pele a pele (CPP); cesariana; aleitamento materno (AM) Referências bibliográficas: MAHMOOD, I; JAMAL, M.; KHAN, N. – Effect of Mother-Infant Early Skin-to-Skin Contact on Breastfeeding Status: A Randomized Controlled Trial. Journal of the College of Physicians and Surgeons. Pakistan, 2011. Vol. 21 (10): 601-605. MATOS, Thaís Alves [et al.] – Contato pele a pele entre mãe e filho: significados para as mães e contribuições para a enfermagem. Revista brasileira de enfermagem. [Em linha]. Vol. 63, n.º 6 (2010), p.998-1004.

[Consult.

17

Out.

2012].

Disponível

em

:URL:http://www.

http://www.scielo.br/pdf/reben/v63n6/20.pdf ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE; FUNDO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A INFÂNCIA – Iniciativa Hospital Amigo da Criança: revista, atualizada e ampliada para o cuidado integrado. Módulo 4: autoavaliação e monitoramento do hospital. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2010. 92 p. VELANDIA, Marianne [et al.] - Onset of Vocal Interaction Between Parents and Newborns in Skin-to-Skin Contact Immediately After Elective Cesarean Section. Birth. Vol. 37, n.º 3 (Set. 2010). p.192–201.

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CONTEXTOS, EXPERIÊNCIAS E SIGNIFICADOS EM TORNO DA PRESENÇA DO HOMEM (PAI) NO PARTO: REALIDADES E DESAFIOS COSTA, Rosalina Pisco211 BILO, Helena; SILVA, Helena Martins; MARRAFA, Sara; & PARALTA, Vânia 7 de maio de 2016 às 12:30 h

Em Portugal, desde 1985 que é atribuído à mulher grávida o direito a ser acompanhada durante o trabalho de parto pelo futuro pai (Lei n.º 14/85, de 6 de julho). Ainda assim, não são todos os pais (homens) que assistem ao nascimento dos (seus) filhos. Outras vezes, tão-pouco qualquer outra pessoa significativa assegura o acompanhamento à parturiente nas várias fases do trabalho de parto. Argumentos diversos, imputados ora a indisponibilidades da parte do pai, ora a indisponibilidades logísticas dos estabelecimentos de saúde e imposições derivadas de procedimentos específicos e protocolos terapêuticos estabelecidos, nomeadamente aquando da realização de cesarianas impedem, na prática, que muitos homens assistam ao nascimento dos seus filhos. Do ponto de vista científico, escasseiam, no entanto, estudos que permitam conhecer esta realidade no nosso país. Ancorada em trabalho desenvolvido no âmbito da unidade curricular “Sociologia e Antropologia da Família” [9541] do Curso de Mestrado em Profissional de Enfermagem em Saúde Materna e Obstetrícia na Escola Superior de Enfermagem São João de Deus da Universidade de Évora, esta comunicação visa contribuir para colmatar esta lacuna, explorando justamente os contextos, experiências e significados associados à presença do homem (pai) no parto. Metodologicamente, partimos da análise dos dados recolhidos através de um inquérito por questionário, auto-administrado, aplicado por via electrónica através da plataforma LimeSurvey® a homens e mulheres que foram pais na sequência de um parto realizado numa instituição de saúde (pública ou privada) em Portugal, entre 2010 e 2016. Os dados foram depois submetidos a procedimentos de análise quantitativa e qualitativa de conteúdo e discutidos por referência à literatura sociológica, assim como a vários estudos anteriores desenvolvidos no quadro da pesquisa médica e de enfermagem. Como conclusão, (des)constroem-se ideias feitas e mitos apoiados em velhas e novas masculinidades em torno da presença do homem (pai) no parto e lançam-se desafios à sociedade em geral, e ao sistema de saúde em particular, para que veja na participação do homem-pai no parto um exercício pleno de parentalidade ajustado à realidade social do século XXI. Palavras-chave: Género; Homem; Masculinidades; Maternidade; Pai; Parto.

1

Universidade de Évora, Escola de Ciências Sociais, Departamento de Sociologia & CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade, Portugal.

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Referências: Miller, T. (2010). Making sense of fatherhood: Men constructing and practicing gender. Cambridge: Cambridge University Press. Wall, K., Aboim, S. & Cunha, V. (2010). A Vida Familiar no Masculino: Negociando Velha e Novas Masculinidades. Lisboa: CITE. Wall, K., Atalaia, S., Leitão, M. & Marinho, S. (2013). Relatório 2012 – Observatório das Famílias e das Politicas de Família. Lisboa: Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

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4 - RESUMO DOS POSTERS

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O TOQUE - O SENTIDO MAIS IMPORTANTE POUSA, Olga Maria 221; MADUREIRA, Cristina Susana 6 de maio de 2016 às 09:00 h

Introdução: O toque é o primeiro sentido a desenvolver-se in útero, entre as 6 e as 9 semanas de gestação, e é o último sentido a deixar-nos quando morremos. É o nosso maior órgão e a ligação mais importante que o homem possui com o mundo. Nesse sentido, a necessidade de estimulação dérmica existe ao longo de toda a vida, nós podemos viver sem ver, ouvir ou falar, mas não podemos viver sem estimulação táctil. E é durante os três primeiros anos de vida que o toque estimula mais eficazmente o desenvolvimento do ser humano. Desenvolvimento: A massagem é um procedimento terapêutico muito antigo, sendo considerado até um dos mais antigos da humanidade. Utilizar o toque durante a gravidez e realizar a massagem logo após o nascimento é a continuação do estabelecimento de uma relação e contacto íntimo entre a mãe/pai e o seu bebé. Esta é também uma forma de comunicar e de promover o seu bom desenvolvimento. A massagem é muito fácil de integrar nos cuidados quotidianos ao bebé e esta tornase um momento muito especial na sua rotina diária. Os benefícios da massagem não se limitam só ao nível fisiológico, esta aumenta o vínculo pais/bebés permitindo uma base de confiança, segurança e de aceitação emocional importante para o desenvolvimento positivo da personalidade do bebé. Os quatro benefícios globais da massagem são: estimular; interagir; relaxar e aliviar. Numerosos estudos em animais de laboratório permitiram demonstrar que a estimulação táctil é muito importante para promover o crescimento físico, bem como a adaptação saudável das emoções e do comportamento. Hammet (1992), Montagu (1986), Harlow (1985) Tiffany Field verificou que a estimulação precoce e sistemática dada pelas mães, pode potenciar o desenvolvimento de crianças prematuras. Neste estudo o grupo de bebés prematuros sujeitos à massagem aumentaram em média mais 47% de peso e tiveram alta 6 dias mais cedo do hospital.

1

EE-ESMO, ACES Porto Ocidental - USF Garcia de Orta - Porto, Portugal.

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Conclusão: Nas aula práticas de massagem infantil desenvolvidas na nossa USF constatamos que os bebés ficam mais calmos, tem sonos mais profundos e reduzem muito os desconfortos abdominais. “Acredito que os bebés são seres humanos conscientes que merecem respeito, carinho e calor, e acima de tudo, um coração atento. Quando ouvimos os nossos bebés com os nossos corações, descobrimos tudo aquilo que quisermos saber.” Palavras-chave: Toque, Massagem, Relaxamento Bibliografia: BOBAK, I. – “Enfermagem na Maternidade”. Loures, 4ª edição, Lusociência, 1999. MCCLURE, Vimala – “Manual for Infant Massage Instructors.” Associação Internacional de Massagem Infantil, 2008. PERRY, Lowdermilk – “Enfermagem na Maternidade.” Loures, 7ª edição, Lusodidacta, 2006.

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UM CURSO DE INTERVENÇÃO PARENTAL: SATISFAÇÃO DOS PAIS CARVALHO, Júlia Maria231; CAETANO, Ana-Bela; SILVA, Teresa Maria. 6 de maio de 2016 às 09:00 h

Introdução Tornar-se pai e mãe é uma das tarefas mais importantes do ciclo vital, e um dos papéis mais desafiadores para os casais. Com a maternidade/paternidade as suas vidas assumem uma nova configuração, onde as duas pessoas continuarão a viver a sua conjugalidade com uma nova tarefa ao nível da parentalidade, que é ser pai e mãe. Com este curso de intervenção parental pretendemos potenciar todos os desafios de forma positiva e simultaneamente promover o empowerment dos casais. Objectivos Como objetivo geral pretendeu-se, conhecer o grau de satisfação de uma amostra de casais participantes num curso de intervenção parental no âmbito do projeto de extensão à comunidade da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC). Como objetivos específicos pretendeu-se: - Conhecer a satisfação do pai após frequência de um curso de intervenção parental; - Conhecer a satisfação da mãe após frequência de um curso de intervenção parental - Determinar a influência das variáveis sociodemográficas na satisfação dos pais. Metodologia Trata-se de um estudo de natureza analítico e descritivo. A recolha de dados foi realizada no final do curso, tendo sido utilizado um questionário autopreenchido, constituído por duas partes, a caracterização socio demográfica e a avaliação da satisfação das figuras parentais. Neste foram avaliados itens como o funcionamento, os conteúdos temáticos, o grupo, as mudanças que gera, os dinamizadores e a opinião geral sobre o curso. Estes itens foram avaliados através de uma escala de Likert que oscila entre nada (1), e totalmente satisfeito (5). Os pais participaram num curso de “Recuperação Pós-Parto e Cuidados ao Bebé”, que decorreu em 2015 e constou de 10 sessões semanais, onde foram abordadas diferentes temáticas relacionadas com os cuidados ao bebé e com a recuperação pós parto e ainda questões sobre a parentalidade. Fizeram parte deste estudo 16 pais, que autorizaram previamente o uso dos dados para fins de investigação, através do preenchimento do consentimento informado.

1

EE-ESMO, Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, Coimbra, Portugal.

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Resultados Participaram neste curso 16 pais, dos quais 56.3 % (9) eram mães e 43.8% (7) pais (figura paterna). A idade dos pais variou entre os 26 e os 36 anos. Como habilitações literárias tinham o ensino universitário ou equivalente e o ensino secundário, respetivamente com 33.3% e 66%. A situação profissional dos pais, na sua maioria trabalhavam por conta de outrem (73.3%), enquanto 13.3% estava desempregada. Ainda 14 dos participantes encontravam-se em regime de casado ou em união de facto (87.5%). Dos pais com ensino universitário, 33.3% ficaram muito satisfeitos e 66.7% totalmente satisfeitos. Todos os pais com ensino secundário referiram estar totalmente satisfeitos Quanto ao género verificámos que 30% das mães, ficaram muito satisfeitas, enquanto 70% das mesmas, totalmente satisfeitas. Em relação aos pais, verificámos que 83.3% estavam totalmente satisfeitos e 16.7% muito satisfeitos. Relativamente ao funcionamento do curso, verificámos que ambos os pais se encontraram totalmente satisfeitos. Quanto aos conteúdos programáticos e à satisfação com o grupo, 60% e 70% respetivamente das mães e a totalidade dos pais referiram estar totalmente satisfeitas. Em relação à satisfação com os dinamizadores, 90% das mães e 83.3% dos pais referiram estar totalmente satisfeitos. Verificámos que não foram descritos pelos pais níveis de satisfação inferiores a “Muito satisfeito”. Conclusões Os participantes desta intervenção foram maioritariamente as mães o que demonstra dificuldades na disponibilidade paterna em estar presente neste tipo de iniciativas. Os cursos de recuperação pós-parto e cuidados ao recém-nascido, são cada vez mais importantes para promover o desenvolvimento de competências nos pais para o cuidado ao bebé e para a recuperação funcional da mãe. A satisfação com este programa foi elevada, tendo os pais relatado experiências positivas, nomeadamente na criação de laços com outros pais, com as mesmas dúvidas, as mesmas inseguranças, permitindo uma partilha de experiências benéfica para todos. Ao mesmo tempo promoveu o empowerment dos casais. A opinião geral dos pais relativamente à frequência do curso, foi de ter sido muito importante a sua participação e uma mais valia para a construção da sua identidade enquanto pais. Palavras chave: Intervenção parental; Satisfação; Pais; Bebés.

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Bibliografia Ferreira, B., Veríssimo, M., Santos, A. J., Fernandes, C., & Cardoso, J. P. (2011). Escala de Sentimento de Competência Parental: Análise confirmatória do modelo de medida numa amostra de pais portugueses. Laboratório de Psicologia, 9, 147-155. Renkert, S., & Nutbeam, D. (2001). Opportunities to improve maternal health literacy through antenatal education: an exploratory study. Health Promotion International, 16(4), 381-388. Mendes, M. J. (2014). Participação dos pais nos Cursos de Preparação para a Parentalidade (Doctoral dissertation).

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COMUNICAÇÃO DE MÁS NOTÍCIAS A PAIS DE RECÉM-NASCIDOS ESTRATÉGIAS UTILIZADAS PELOS ENFERMEIROS JORGE, Patrícia Falcão241; LOPES, Mónica Torres; AFONSO, Sofia Rodrigues; ROCHA, Graça Moraes 6 de maio de 2016 às 12:30 h

Na prática de cuidados de enfermagem, a comunicação de más notícias envolve uma complexidade de variáveis decorrentes da sua elevada carga emocional. Comunicar é o ato de produzir e receber mensagens por meio da linguagem (verbal e/ou não verbal), é compreender e compartilhar mensagens com a consciência que este intercâmbio exerce influência no comportamento das pessoas envolvidas. Os pais dos recém-nascidos com alterações na saúde e bem-estar, deverão ser alvo de um suporte comunicacional adequado, requerendo por parte dos enfermeiros estratégias que minimizem a angústia desse momento. Pretende-se conhecer as estratégias utilizadas pelos enfermeiros para a comunicação de más-notícias aos pais de recémnascidos. Esta revisão sistemática da literatura surge da convicção de que através da investigação podemos encontrar novas respostas para a problemática. Foram identificados e analisados 6 artigos à luz do método PICo, incluindo publicações de 2010 a 2015, nas bases de dados Medline, Cinahl e Scielo.Os resultados revelam que não existem protocolos generalizados havendo necessidade de rever e problematizar esta temática, fornecendo formação específica aos enfermeiros. Conclui-se que o desenvolvimento de habilidades comunicacionais é considerado essencial na formação dos enfermeiros para garantir melhores cuidados de saúde aos recémnascidos e seus pais. Palavras-chave: Enfermeiros, comunicação, más-notícias, estratégias, pais de recémnascidos. Bibliografia: BARLEM, E.L.; FREITAS, B.H.; BARLEM, J.G.; RAMOS, A.M., OLIVEIRA, A.C.; PIEXAK, D.R. Communication of difficult news in a neonatal intensive care unit [Portuguese]. Journal of Nursing UFPE / Revista de Enfermagem UFPE. 8(7) 2014. ISSN 1853-1859 COELHO, M. T.; SEQUEIRA, C. - Comunicação terapêutica em enfermagem: Como a caracterizam os enfermeiros. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental. ISSN 1647-2160. n.º 11 (2014) p. 31-38. COIMBRA, Silva C.; Ribeiro de Paula G.; Ayres Veronez Peixoto M.; Souza de Oliveira N.; Ferreira Santos L.; Almeida Cavalcante Oliveira L. - Nursing care to families of newborns in neonatal intensive care unit: an integrative review. Ciência, Cuidado E Saúde. 12(4) 2013. ISSN 804-812 COSCIA A.; BERTINO E.; TONETTO P.; GIULIANI F.; VARALDA A.; FABRIS C.; et al. -Communicative

1

Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa, Área Científica de Enfermagem, Lisboa, Portugal.

61


strategies in a neonatal intensive care unit. Journal Of Maternal-Fetal & Neonatal Medicine. 2010. ISSN 2311-13. JANVIER, A.; LANTOS, J. - Ethics and etiquette in neonatal intensive care. JAMA Pediatrics. 168(9) 2014. ISSN 857-858 ORZALESI, M.; AITE, L. - Communication with parents in neonatal intensive care. Journal Of MaternalFetal & Neonatal Medicine. 2011. ISSN 24135-137 PEREIRA, M. A. - Comunicação de más notícias e gestão do luto. Coimbra: Formasau. 2008 SILVA, M. J. - O Poder da comunicação na Enfermagem. Artigo escrito por Enfermeiros. Ordem dos Enfermeiros.

Abril

(2014)

[Citado

2015

Nov

9].

Disponível

em:

http://www.ordemenfermeiros.pt/sites/madeira/informacao/Documents/Artigos%20Enfermeiros/O%20Po der%20da%20Comunicação%20na%20Enfermagem%2020Enfermeira%20Maria%20José%20Silva%20 Enf%20Especialista%20SMO.pdf

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DEAMBULAÇÃO E POSIÇÕES VERTICAIS NO PRIMEIRO ESTÁDIO DO TRABALHO DE PARTO: REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA FERRÃO, Ana Cristina251; ZANGÃO, Maria Otília. 6 de maio de 2016 às 14:30 h

Introdução A livre movimentação e a posição vertical assumida pela parturiente têm vindo a ganhar destaque na assistência à humanização dos cuidados de enfermagem no Trabalho de Parto, assegurando o respeito pela individualidade de cada mulher, promovendo o conforto materno, através de técnicas de alívio da dor mais naturais e menos invasivas e proporcionando uma maior satisfação da mulher perante a vivência desse acontecimento tão marcante e mobilizador na sua vida. Objetivo Analisar na literatura publicada, entre janeiro de 2007 e dezembro de 2015, as evidências científicas sobre os benefícios da deambulação e das posições verticais no Primeiro Estádio do Trabalho de Parto, enquanto estratégia promovida pela Enfermeira de Saúde Materna e Obstétrica que cuida da mulher em Trabalho de Parto. Metodologia Tratou-se de uma revisão sistemática da literatura, com artigos pesquisados em bases de dados selecionadas nas plataformas b-On e EBSCOhost, a partir dos descritores em língua inglesa: first stage of labour/labor, ambulation, upright positions, benefits e midwife/midwives. Foram encontrados 93 artigos, cuja seleção se realizou mediante critérios de inclusão e exclusão. Resultados A amostra final constituiu-se de 14 estudos, incluindo 5 revisões sistemáticas da literatura, 1 revisão narrativa, 5 estudos controlados randomizados, 2 estudos experimentais e 1 estudo de coorte. A maioria dos estudos analisados tiveram como objetivo demonstrar a influência que a deambulação associada às posições verticais assume perante determinadas variáveis, nomeadamente a duração do primeiro estádio do trabalho de parto; o uso de ocitócicos ou de outras manobras para acelerar o trabalho de parto; a dor; o recurso a analgesia epidural ou a opiáceos; a rotação espontânea da cabeça fetal; o tipo de parto; a realização de episiotomia/ocorrência de traumatismo perineal; a satisfação materna e o bem-estar fetal/neonatal. Estes 1

EEESMO, Urgência Obstétrica e Ginecológica do Centro Hospitalar Barreiro-Montijo, EPE - Barreiro, Portugal.

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estudos demonstraram, de forma quase unânime, que a livre movimentação associada à posição vertical confere um conjunto de efeitos benéficos, designadamente na progressão do primeiro estádio do trabalho de parto, na diminuição da dor e aumento da satisfação materna, na qualidade das contrações uterinas e na circulação maternofetal, comparativamente à posição de litotomia dorsal. Conclusões Foram inúmeros os benefícios sobre a deambulação e a adoção de posições verticais no Primeiro Estádio do Trabalho de Parto, a nível das variáveis referidas. Contudo, em alguns estudos, nem todas as variáveis apresentaram inferência estatística significativa, quando sujeitas a comparação entre o grupo alvo da intervenção (deambulação e posição vertical) e o grupo de controlo. A mulher deve movimentar-se e adotar a posição que lhe seja mais confortável, evitando permanecer na posição dorsal, por longos períodos, durante o Primeiro Estádio do Trabalho de Parto. O importante é que a mulher tenha direito de escolha quanto à liberdade de movimentos no decurso do Trabalho de Parto, devendo ser informada e esclarecida pela enfermeira que a assiste, sobre os benefícios desta intervenção. Palavras-chave/descritores em ciências da saúde: Deambulação Precoce; Modalidades de Posição; Trabalho de Parto; Enfermeira Obstetra. Bibliografia: Baker, K. (2010, Agosto). Midwives should support Women to mobilize during labour. British Journal of Midwifery, 18 (8), 492-497. Gizzo, S.; Di Gangi, S.; Noventa, M.; Bacile, V.; Zambon, A.; & Nardelli, G. B. (2014, Maio). Women’s Choice of Positions during Labour: Return to the Past or a Modern Way to Give Birth? A Cohort Study in Italy. Biomed Research International. Kripke, C. (2010). Upright vs Recumbent Maternal Position during First Stage of Labour. American Family Physician, 81 (3), 285-286. Kumud.; Rana, A. K.; & Chopra, S. (2013, Janeiro). Effect of upright positions on the duration of first stage of labour among nuliparous mothers. Nursing and Midwifery Research Journal, 9 (1), 10-18. Lawrence, A.; Lewis, L.; Hofmeyr, GJ.; & Styles. C. (2013). Maternal Positions and Mobility during First Stage Labour (Review). Cochrane Database Reviews. Issue 10. Mamede, F. V.; Gomes, F. A.; Almeida, A. M.; Panobianco, M. S.; & Nakano, A. M. S. (2007). O Efeito da Deambulação na Duração da Fase Ativa do Trabalho de Parto. Revista de Enfermagem Escola Anna Nery, 11 (3), 466-471. Martin, C. J. H.; & Martin, C. R. (2013). A Narrative Review of maternal Physical Activity during Labour and its Effects upon length of First Stage. Journal Complementary Therapies in Clinical Practice, 19, 44-49. Miquelutti, M. A.; Cecatti, J. G.; & Makuch, M. Y. (2007, Outubro-Dezembro). Upright Position during the First Stage of Labor: a randomised controlled trial. Acta Obstetricia e Gynecologica, 86 553-558. Miquelutti, M. A.; Cecatti, J. G.; Morais, S. S.; & Makuch, M. Y. (2009). The Vertical Position during Labor: Pain and Satisfaction. Revista Brasileira Saúde Materno-Infantil, 9 (4), 393-398. Ondeck, M. (2014). Healthy Birth Practice

2: Walk, Move Around, and Change Positions Throughout

Labor. The Journal of Perinatal Education, 23 (4), 188-193.

64


Prabhakar, D.; George, L. S.; & Karkada, S. (2015, Janeiro-Março). Effectiveness of Ambulation during First Stage of Labour, on the Outcome of Labour among Primigravid Women in Selected Hospitals of Palakkad District, Kerala. International Journal of Nursing Education, 7 (1), 1-6. Priddis, H.; Dahlen, H.; & Schmied, V. (2012). What are the facilitators, inhibitors, and implications of Birth Positioning? A Review of the Literature. Women and Birth, 25, 100-106. Regaya, L. B.; Fatnassi, R.; Khlifi, A.; Fékih, M.; Kebaili, S.; Soltan, K.; Khairi.; & Hidar, S. (2010). Intérêt de la déambulation au cours du travail obstétrical: Étude Prospective Randomisée de 200 cas. Journal de Gynécologie Obstétrique et Biologie de la Reproduction, 39, 656-662. Wilson, M. J. A.; MacArthur, C.; Cooper, G. M.; & Shennan, A. (2009). Ambulation in Labour and Delivery Mode: a randomised controlled trial of High-dose vs mobile epidural analgesia. Journal of the Association of Anaesthesists of Great Britain and Ireland, 64, 266-272.

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UTILIZAÇÃO DA ÁGUA DURANTE O TRABALHO DE PARTO E O PARTO: UMA REALIDADE EM PORTUGAL FERREIRA, Isabel Maria Fonseca 261 ; VARELA, Joana Reis de Ventura Pereira; ROCHA, Sónia Barbosa; FARIA, Joana Patrícia Castro. 7 de maio de 2016 às 09:00 h

Existe ao nível internacional evidência científica que comprova a segurança e os benefícios da utilização da água durante o trabalho de parto e parto, verificando-se: 

Taxas mais elevadas de partos espontâneos vaginais e um decréscimo do número de cesarianas (Chaichian et al, 2009; Henderson, 2014, cit. por Dekker, R. 2).

Diminuição ou eliminação do uso de episiotomia (Harper, B., 2000; Dekker, R., 2014). Alguns estudos revelaram taxas de laceração perineal de 1º e 2º grau mais elevadas nas mulheres que pariram na água (Otigbah et al. 2000; Geissbuehler et al. 2004; Zanetti-Daellenbach et al. 2007; Chaichian, Akhlaghi et al. 2009; Mollamahmutoglu et al. 2012, cit. por Dekker, R, 2014), enquanto outros não encontraram diferença (Burns 2001; Thoeni et al. 2005; Menakaya

Maior probabilidade de períneo integro após o parto (Otigbah et al. 2000; Burns 2001; Geissbuehler et al. 2004; Thoeni et al. 2005, cit. por Dekker, R., 2014). Um estudo, no entanto, realizado em 2013 (Menakaya et al., 2013) não identificou diferenças a este nível.

Experiência de parto na água referida pelas mulheres como “muito aprazível” ou “muito agradável e gratificante” (Harper, B. 2000; Dekker, R. 2014). Num estudo

(Torkamani et al. 2010) 72,3% das mulheres declararam que com

certeza voltariam a escolher este método, enquanto que apenas 8,7% das mulheres que parira em terra escolheriam voltar a parir do mesmo modo. 

Apgar ao 5º minuto de vida igual ou melhor do que o de bebés nascidos em terra (Otigbah et al. 2000; Zanetti-Daellenbach et al. 2007; Chaichian et al. 2009; Pagano et al. 2010, cit. por. Dekker, R. 2014; Mollamahmutoglu, et al. 2012; Menakaya, et al. 2013).

A apresentação deste trabalho tem como objetivo analisar os resultados obtidos na assistência, em Portugal, ao parto na água ou com imersão na água durante o trabalho de parto por uma equipa de enfermeiras especialistas em saúde materna e obstétrica (EESMO), independentes, num modelo de continuidade de cuidados Midwifery Model of Care, comparando-os com os resultados revelados pela evidência científica publicada nos últimos anos neste contexto.

1

Gimnográvida , Poto, Portugal.

66


A amostra é constituída por mulheres que foram acompanhadas por esta equipa entre 2009 e 2016 e tiveram a intenção de usufruir da utilização da água durante o trabalho de parto A recolha da informação foi obtida através dos registos dos cuidados realizados, num modelo uniformizado de registo e os dados foram analisados no Microsoft Excel. Os resultados obtidos comprovam que, em concordância com a evidência científica internacional, a utilização da água durante o trabalho de parto e parto parece ser uma opção realista, segura e que pode acrescentar benefícios para as mulheres portuguesas que assim o pretendam. Palavras-chave: Imersão na água, Parto na água, Trauma perineal, Satisfação Pessoal Bibliografia DEKKER, R. (2014). “Evidence on the safety of waterbirth”. [em linha] Evidence Based Birth. http://evidencebasedbirth.com/waterbirth/ HARPER, B. (2000). “Waterbirth Basics: From Newborn Breathing to Hospital Protocols”. Midwifery Today Magazine. Summer 2000. MENAKAYA, U. [et al.] (2013). “A retrospective comparison of water birth and conventional vaginal birth among women deemed to be low risk in a secondary level hospital in Australia.” Women Birth 26(2): 114-118 MOLLAMAHMUTOGLU, L. [et al.] (2012). “The effects of immersion in water on labor, birth and newborn and comparison with epidural analgesia and conventional vaginal delivery.” J Turk Ger Gynecol Assoc 13(1): 45-49. TORKAMANI, S. A., KANGANI, F. [et al.] (2010). “The effects of delivery in water on duration of delivery and pain compared with normal delivery.” Pakistani Journal of Medical Science 26(3): 551-555.

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QUE TÉCNICA USAR NOS CUIDADOS AO CORDÃO UMBILICAL DO RECÉM-NASCIDO CORREIA, Teresa Gomes 271; PIRES, Catarina Martins 7 de maio de 2016 às 09:00 h

Introdução O Enfermeiro Especialista de Saúde Materna, Obstétrica e Ginecológica possui competências com responsabilidade em diversas áreas de atividade. É durante o puerpério que o Enfermeiro cuida do recém-nascido de forma a promover o bem-estar e potenciar a sua saúde, incluindo os cuidados ao coto umbilical. Estes cuidados foram, ao longo dos anos, sofrendo alterações significativas devido ao impacto das infeções do coto umbilical na mortalidade neonatal. Parece existirem diferentes práticas nos cuidados ao coto umbilical do recém-nascido, que se caraterizam pela não uniformização e nem sempre baseadas em evidência científica. Na prestação de cuidados surgem, às vezes, dúvidas e questões problemáticas. A primeira premissa para sanar estas questões, da forma mais eficaz e eticamente correta, baseia-se no recurso à evidência, sendo a prática baseada na evidência a mais amplamente aceite e deverá ser praticada. Objetivos O objetivo deste estudo é identificar a melhor prática de Enfermagem para os cuidados ao coto umbilical do recém-nascido baseada na melhor evidência científica. Metodologia Revisão

sistemática

da

literatura

com

metodologia

Population,

Intervention,

Comparasion, Outcome (PICO) a partir de artigos científicos indexados à plataforma Web of Science nos últimos dez anos. Foram selecionados 67 artigos, através dos descritores: newborn, infant, neonate,umbilical cord, dry care, antiseptics, solutes, infection e separation time. Foram definidos os seguintes critérios de inclusão: artigos publicados em português, espanhol e inglês; texto integral; amostra dos estudos incluir recém-nascido; incluir a técnica dry care e/ou a aplicação de solutos nos cuidados ao coto umbilical. Após aplicação dos critérios, resultaram 15 artigos para análise. Foi realizada a análise crítica, a extração e a síntese dos dados dos artigos por dois revisores.

1

Instituto Politécnico de Bragança- Escola Superior de Saúde , Portugal.

68


Resultados Do total dos 15 estudos analisados, mais de 50% evidenciam que a técnica dry care reduz o tempo de queda do coto umbilical, quando comparado com a aplicação de solutos. O tempo médio de queda do cordão foi significativamente menor no grupo dry care (4,78 dias) em comparação com o grupo limpeza única com clorohexidina (6,90 dias) e limpeza múltipla com clorohexidina (7,49 dias). Aplicando a técnica dry care, a queda do coto umbilical ocorreu ao 6º dia em comparação com o uso de álcool a 70ºem que a queda do cordão foi ao 7º dia, (p <0,001). Os resultados deste estudo demonstram que a técnica dry care reduz o risco de infeção, quando comparado com a aplicação de solutos. A técnica dry care não potencia o risco de infeção relativamente ao uso de antissépticos. É adequado optar pela aplicação de antissépticos em locais ou regiões com alta taxa de incidência de infeção ou mortalidade neonatal, onde o parto ainda não seja limpo. A aplicação da tecnica dry care por reduzir o tempo de queda do cordão, em relação aos solutos, deve ser a opção em locais sem risco acrescido de infeção. Contudo, em locais com elevado risco de onfalite e mortalidade neonatal deve considerar-se a Clorohexidina como a escolha mais recomendada pelo seu poder antimicrobiano. Conclusão Tendo em conta os resultados deste estudo, sugere-se a opção pela técnica dry care, de forma a diminuir o tempo de queda e o risco de infeção nos cuidados ao coto umbilical do recém-nascido. As evidências deste estudo dão suporte à reflexão acerca da nossa atuação diária, de forma a atingirem-se cuidados de qualidade e uniformizados.

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ALTERAÇÕES PSICOEMOCIONAIS DO PUERPÉRIO: EFEITOS DA AUTOESTIMA NA ANSIEDADE TOIPA, Catarina Alexandra 281; FERREIRA, Manuela Maria; DUARTE, João Carvalho. 7 de maio de 2016 às 09:00 h

Introdução No puerpério, a mulher depara-se com um conjunto de alterações que operam ao nível biológico, psicológico e social, que a confrontam com a necessidade de viver adaptações constantes e que a tornam mais vulnerável ao desequilíbrio psicológico e emocional. As alterações psicoemocionais do puerpério são decorrentes do designado Blues pósparto, fenómeno intercultural, de prevalência elevada, de carácter benigno e transitório, que ocorre em mulheres saudáveis. A avaliação da autoestima da puérpera é fundamental para identificar o risco de vir a desenvolver estas alterações. Objetivos Identificar as alterações ao nível da ansiedade na puérpera, entre a 4ª e a 6ª semana o pós-parto; Avaliar a influência da autoestima na ansiedade da puérpera. Metodologia Estudo quantitativo, correlacional e explicativo, no qual participaram 175 puérperas saudáveis. O instrumento de recolha de dados incluiu um questionário relativo à caracterização sociodemográfica, informação contextual ao parto e amamentação e duas escalas – Escala de Autoestima de Rosenberg e Escala de Avaliação das Alterações Psicoemocionais do Puerpério. Resultados As puérperas estudadas apresentaram uma média de 31,21 anos de idade, oscilando entre os 17 e os 47 anos. A maioria da amostra residia em zona urbana (54,9%), afirmou ter companheiro(92,6%), possuir o ensino superior completo (38,9%) e estar ativa profissionalmente(70,3%). Relativamente à ansiedade, verificou-se que as puérperas com idade ≤ a 34 anos apresentaram valores médios de ansiedade (χ=2,48; ±0,08) superiores às puérperas com idade ≥ a 35 anos(χ=2,44; ±0,13).

1

USF Lusitana - ACeS Dão Lafões, Portugal.

70


Em relação ao nível global de autoestima, verificámos que a média nas puérperas com idade ≤ a 34 anos foi de 25,29(±2.58) e nas puérperas com idade ≥ a 35 anos foi de 25,51(±2.50). Verificou-se que a autoestima negativa é preditora da ansiedade no puerpério (p=0,001), na medida em que quanto maior for o score nos itens negativos da autoestima, maior a o sentimento de ansiedade na puérpera. Conclusão O processo de ajustamento à maternidade é considerado um evento normativo e esperado para a família comum, mas que pode implicar uma sobrecarga emocional, mesmo para as mães mais bem adaptadas do ponto de vista psicológico. As

puérperas

que

manifestarem

níveis

mais

prolongados

de

alterações

psicoemocionais encontram-se em maior risco de desenvolver perturbações de humor mais graves(Sousa & Leal, 2010). Os resultados demonstraram que a autoestima da puérpera é uma variável preditora da ansiedade, na medida em que valores mais elevados nos itens negativos da escala da autoestima, apresentam maior alteração ao nível da ansiedade. Assim, torna-se essencial a implementação de programas de promoção de saúde da puérpera, através de estratégias que permitam avaliar identificar atempadamente o risco de desenvolver níveis elevados de alterações psicoemocionais. Os enfermeiros são considerados profissionais de excelência pela relação terapêutica que conseguem estabelecer com a mulher ao longo do ciclo gravídico-puerperal. Palavras-chave: puerpério, alterações psicoemocionais, autoestima, ansiedade. Bibliografia: Sousa, V., & Leal, I. (2010). Escala de avaliação das alterações psicoemocionais do puerpério (EAAPP). In I. Leal, & Maroco, Avaliação em sexualidade e parentalidade, (pp. 103-115). Porto: Legis Editora.

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5 - COMISSÕES

PRESIDENTE DO ENCONTRO Dolores Silva Sardo, ESEP - Porto

COMISSÃO CIENTÍFICA Arminda Pinheiro, ESE-UM – Braga Dolores Silva Sardo, ESEP - Porto Emília Coutinho, ESS-IPVC - Viseu Isabel S. Silva, ESSCVP - Lisboa João Franco, ESEnfC - Coimbra Otília Zangão, ESESJD-UE - Évora

COMISSÃO ORGANIZADORA Rosália Marques, HGO - Almada Alexandra Paes do Amaral, CHSJ - Porto Benvinda Bento, CHS - HSB – Setúbal Catarina Silva, CMIN - Porto Manuela Pastor, HGO – Almada Patrícia Souto, CHPV-VC - Póvoa do Varzim Sónia Tojinha, ULSLA - Santiago do Cacém

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e-book do XIX Encontro Nacional da APEO - 2016  

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