Issuu on Google+

Exercício 2: Revisão da Literatura Problemática: As Redes Sociais e o Cyberbullying

Andreia Catarina G. M. das Neves, N.º: 217864 Licenciatura em Ciências da Comunicação Unidade Curricular: Metodologia das Ciências Sociais Professoras: Marina Pignatelli e Maria da Luz Ramos Ano Letivo: 2016/2017


O presente trabalho versa sobre a temática das redes sociais e do fenómeno do cyberbullying. A revisão da literatura foi concretizada, realizando-se em primeiro lugar, uma pesquisa no motor de busca Google Académico a partir de conceitos chave (redes sociais, cyberbullying e Portugal), sendo de seguida selecionados alguns artigos/teses que abordam a problemática escolhida. Uma vez escolhidos, os artigos/teses foram lidos criticamente. O cyberbullying é um conceito relativamente recente mas muito presente na sociedade de hoje, principalmente entre os jovens, que têm usado as redes sociais para difundir este modelo de violência. Até ao surgimento da Internet, entendia-se o conceito de comunidade, essencialmente, ligado ao espaço geográfico em que coabitavam um conjunto de indivíduos (Cardoso, 2011, p.5). Dado o seu crescimento, a Internet com todas as suas possibilidades de comunicação e de ligação surge como ferramenta fundamental, alteradora de rotinas e tradições, sobretudo entre os mais novos (Cardoso, 2011, p.2). Com a forte expansão da Internet nos anos 90, é de destacar o papel das redes sociais que têm por base a manutenção, na sua grande maioria, de relações no mundo virtual. Dados obtidos a partir do World Internet Project, realizado em 2010, que mostram que em Portugal 56, 4 por cento dos internautas têm perfil nas redes sociais online, revelam que o principal motivo para a utilização destes sites (apontado por 87, 6 por cento dos inquiridos) é possibilidade de manter contactos à distância (Cardoso, 2011, p.13). Isto significa que as razões pelas quais os utilizadores se encontrarem online nas redes sociais, são principalmente para manter o contacto com aqueles que se encontram separados por um espaço geográfico distinto, podendo ainda servir para construir novas amizades e conhecer pessoas diferentes. É de assinalar o facto de que grande parte dos utilizadores das redes sociais são indivíduos pertencentes a uma faixa etária mais jovem já que, enquanto ser eminentemente social, qualquer adolescente sente necessidade de estabelecer relações interpessoais e de conviver com grupos, com os mesmos interesses ou interesses distintos, em cenários cada vez mais diversificados (Figueiredo, 2015, p.110). É num contexto de crescimento desmedido da Internet e das redes sociais que recentemente se começa a falar no termo cyberbullying. O problema surge quando as redes sociais não são utilizadas de modo a atender o seu propósito e, quando usadas de forma errada têm providenciado contextos pouco regulados, nos quais perfis falsos 2 Andreia C. Neves


ou blogues anónimos têm sido criados para praticar agressão (Figueiredo, 2015, p.109). Torna-se ainda necessário acrescentar que os casos de cyberbullying, em parte, surgem porque as pessoas (adultos, jovens ou crianças) fazem má utilização das tecnologias da comunicação, já que as utilizam para, muitas vezes, encobrir a sua própria identidade em redes sociais e a partir daí fazerem e dizerem o que não são capazes de fazer ou dizer frontalmente, porque abusam da liberdade que estes meios possibilitam já que têm uma influência universal, ou para invadirem as vidas de outros e abusarem da privacidade, da sua ingenuidade e confiança (Novo, 2009, p.332). O que se entende com isto, é que as redes sociais não contam apenas com a boa utilização dos indivíduos que passa por manter relações de carácter mais positivo, ser geradora de oportunidades e até mesmo servir num contexto de activismo social. Têm portanto, por oposição, um lado negativo associado devido ao mau uso por parte dos utilizadores, do qual resulta esta nova forma de agressão. O cyberbullying torna-se uma realidade vivida por muitos jovens nos dias de hoje e tem ganho cada vez mais expressão, não podendo ser algo a ignorar-se. Há vários autores que têm estudado este fenómeno recente e na relação mantida com as redes sociais, que se destacam devido ao seu papel na propagação destas novas formas de abuso e violência, levadas a cabo no universo online. Conforme a perspectiva de Amado, Matos, Pessoa e Jager, o cyberbullying designa-se como uma nova expressão do bullying, enquanto agressão, ameaça e provocação de desconforto, premeditadas e repetidas, realizadas com recurso a dispositivos tecnológicos de comunicação, tais como o e-mail, o chat, o blogue, o telemóvel, etc., contra uma vítima de estatuto semelhante mas que tem dificuldade em defender-se (Amado, Matos, Pessoa & Jager, 2009, p.303). Cristina Novo, tece um parecer neste sentido, considerando o cyberbullying como todas as acções intencionais e repetidas, levadas a cabo por terceiros para molestar, humilhar, denegrir ou assediar um indivíduo usando recursos tecnológicos, como seja o caso do telemóvel ou da Internet (Novo, 2009. p.328). Na concretização do cyberbullying são utilizados os mais diversos recursos tecnológicos. Tão importante como ter em conta as diferentes expressões dos incidentes é identificar os diferentes tipos de meios com que se podem canalizar as mensagens prejudiciais e ofensivas (Amado, Matos, Pessoa & Jager, 2009, p. 310). Isto significa que qualquer meio tecnológico (telemóveis, computadores, tablets) ou 3 Andreia C. Neves


plataforma social (Facebook, Snapchat, blogues) podem ser usados de modo a concretizar as ofensas, das quais dificilmente se consegue identificar o autor devido ao anonimato conferido pela Internet. Ao contrário das formas mais tradicionais de violência, o cyberbullying assenta, não no domínio pela força física, mas noutras fontes de poder, associadas a competências e a outras vantagens no domínio das tecnologias, o que acrescenta novas facetas ao perfil dos agressores e das vítimas (Amado, Matos, Pessoa & Jager, 2009, p.304). É o carácter psicológico associado ao bullying no mundo virtual que pode atingir proporções assustadoras e tornar-se tanto ou mais prejudicial que outras formas de violência. Verifica-se que o cyberbullying atenta contra a saúde, a integridade psicológica e, em alguns casos, física da vítima (Figueiredo, 2015, p.115). Isto quer dizer que a vítima dos abusos pode, eventualmente, vir a sofrer danos emocionais e a desenvolver fragilidades que poderão chegar a ser irreversíveis, caso não sejam tomadas medidas no sentindo oposto, tendo em vista o bem-estar físico e psicológico da pessoa. Para além do cyberbullying ser gerador de problemas de saúde na vítima, as suas consequências são também amplificadas (Willard, 2005), uma vez que as agressões podem difundir-se facilmente e com enorme rapidez, e manter-se (…) infinitamente presentes no espaço virtual (Amado, Matos, Pessoa & Jager, 2009, p. 304), já que as redes sociais, em grande parte relacionados com o fenómeno da violência no mundo online, são caracterizadas pela rápida difusão de conteúdos, dado o grande número de partilhas entre utilizadores, em que dificilmente se consegue seguir o rastro até ao autor do crime, pois na maior parte das vezes o mesmo opta por permanecer em anonimato, para que não se saiba quem produziu comentários maldosos em relação a outra pessoa. Considera-se pois que o cyberbullying constitui uma problemática à escala mundial e é também uma realidade em Portugal (Simões et al., 2014), a qual tem aumentado (Figueiredo, 2015, p. 115). Com isto, entre as crianças e jovens portugueses, dos 9 aos 16 anos, os dados divulgados da participação de Portugal no estudo europeu Net Children Go Mobile (Simões et al., 2014), que compara os resultados de 2014 com os obtidos em 2010 no projeto EU Kids Online (Haddon et al., 2012), referem que a prevalência do cyberbullying passou de 7% (N = 502) para 10% (N = 511) (Figueiredo, 2015, p. 115 e 116). Embora os números representados no presente trabalho, pareçam ser pouco significativos, dada a pouca incidência deste 4 Andreia C. Neves


fenómeno em Portugal, isto não significa que seja algo menos preocupante do que em países que demonstram uma maior ocorrência do bullying virtual. Efetivamente os dados demonstram que os casos de cyberbullying cresceram em Portugal, sendo necessário tomar medidas no sentido de diminuir estes episódios de violência. Educar sobre a utilização segura da Internet em geral e sobre o fenómeno do cyberbullying em particular, deve ser encarado como um dever de famílias, da Escola e de toda a sociedade (Novo, 2009, p. 334). No contexto das abordagens eficazes ao problema do cyberbullying, os especialistas realçam ainda o papel da sociedade em geral, das autoridades políticas, dos fornecedores de serviços dos media e das empresas na área da comunicação, que podem também desempenhar um papel importante no combate a este problema (Amado, Matos, Pessoa & Jager, 2009, p.319). É essencial, de modo a enfrentar este fenómeno, que os fornecedores de serviços, tais como os administradores de páginas web, de redes sociais (e.g., Facebook; MySpace), ou de sites de partilha de conteúdos (e.g., You Tube; Flickr), (…) certificar (…) uma utilização segura e responsável dos seus serviços. Podem fazê-lo mediante diferentes estratégias, nomeadamente através da implementação de mecanismos de filtragem (Amado, Matos, Pessoa & Jager, 2009, p.319 e 320). Embora alguns autores concordem que deverá caber aos agentes acima descritos, sensibilizar os mais jovens de modo a serem prevenidos para a natureza do problema e as suas consequências, assim como fazer uma boa utilização das ferramentas que a Internet proporciona, os contornos deste fenómeno ainda não estão claramente definidos e a investigação neste domínio é ainda incipiente (Amado, Matos, Pessoa & Jager, 2009, p.319 e 305). Em modo de conclusão, Cristina Novo acredita que o efeito nefasto não está nas tecnologias da comunicação, nas redes sociais, na sua universalização, o efeito nefasto surge pela subversão das potencialidades destes meios e pela tentação em pô-los ao serviço de condutas inaceitáveis na sociedade real, mas tentadores quando o uso de falsas identidades está ao alcance de alguns clics (Novo, 2009. p.334). É difícil mudar e controlar o comportamento dos utilizadores nas redes sociais dada a dimensão da rede, pelo que o cyberbullying permanece um tema ainda em aberto e com questões por serem respondidas, sendo necessário levar a cabo uma consciencialização entre os mais jovens que deverão fazer das redes sociais, uma prática segura e livre de violência.

5 Andreia C. Neves


Bibliografia: 

Amado, J., Matos, A., Pessoa, T., & Jäger, T. (2009). Cyberbullying: um desafio

 

à investigação e à formação. Revista Interacções, 301p-326p. Cardoso, S. C. A. (2011). As redes sociais online, os jovens e a cidadania. Figueiredo, F. (2015). REDES SOCIAIS Um suporte para a prática do self-

cyberbullying. Novo, C. (2009). Bullying e as tecnologias da comunicação: do uso ao abuso. Revista Interacções, 327p-337p.

6 Andreia C. Neves


Revisão da Literatura