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nova em folha outubro 2019 A Equipa Ana Raquel Alves Francisco Nunes Rita Serpa Tatiana Matos Redacção

Edição Gráfica

Ana Raquel Alves António Fortunato Cristiane Bruschini David Henrique C. Belga Diogo Santos Francisco Mendes Francisco Nunes Inês Leal Jernej João Martins Mariana Furtado Maria Teresa da Costa Pessoa Rita Serpa Sara Margarida Francisco Tatiana Matos Tereza Tencheva Tomás Girão Ana Raquel Alves Joana Freitas Francisco Nunes Rita Serpa Tatiana Matos

NOTA Gostas de escrever? Queres ver as tuas reviews, receitas, bitaites, histórias, crónicas, etc.. num jornal d@s estudantes para @s estudantes? Envia-nos as tuas propostas até ao dia 30 de cada mês e participa nas nossas edições mensais! Ficamos à tua espera!

Jornal NOVA em Folha | Edição de Outubro 2019 Impressão: 250 cópias | Distribuição mensal e gratuita novaemfolha.ae@fcsh.unl.pt

FICHA TÉCNICA

@novaemfolha.ae


NOTA A ado(p)ção do acordo ortográfico em vigor é uma decisão individual pel@s membros da equipa, redacção e colaborador@s .

ESTE JORNAL É IMPRESSO EM PAPEL 100% RECICLADO.


agenda aefcsh NOVEMBRO

NA

NOVA

FCSH

4a7 semana do desporto

5 jornadas saúde mental no ensino superior: tema depressão

6 rastreios médicos - diabetes, hipertensão e obesidade

15 gaming day: torneio de magic

18 a 22 galeria artística da aefcsh

20 tribuna pública

21 festa isto era para ser um torneio de magic (entrada 3

/ no dia 5

fica atent@ às redes sociais da ae para não perderes nenhum evento! @aefcsh.unl

@aefcsh.nova

€)


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NOVA EM FOLHA

NOTÍCIAS

novidades fcsh Festa de aniversário da nova fcsh Dia 13 de novembro realizar-se-á, em Campolide, a festa de aniversário da NOVA FCSH com começo marcado para as 15 horas. Todos os alunos, antigos alunos, estudantes e funcionários estão convidados, sob o mote de Uma NOVA visão do Futuro, inspirados na obra de Almada Negreiros e na sua visão futurista, a participar. Aline Frazão, cantora, compositora e também antiga aluna, dará um concerto numa festa que contará com a distinção de Fernando Rosas como primeiro Professor Emérito da faculdade. Serão ainda entregues medalhas aos funcionários que completam 25 e 40 anos de serviço, distinguidos os melhores alunos de cada ciclo de estudos referente ao ano letivo transato e ainda revelados os vencedores do Prémio Melhor Ideia de Negócio 2019 e do Prémio de Internacionalização de Investigação Científica NOVA FCSH/Santander.

bolsas de estudo NOVA FCSH Até 29 de novembro estão abertas as candidaturas a bolsas destinadas ao incentivo aos estudos para alunos dos três ciclos da NOVA FCSH que enfrentem dificuldades financeiras. Para mais informações, consulta https://fcsh.unl.pt/media/noticias/des taques/bolsas-de-estudo-nova-fcshcandidaturas-abertas

lembrete Pedro Gomes vence concurso com investigação sobre a imprensa pós 25 de Abril e a sua relação com as lutas políticas de 1975 A obra resulta da sua dissertação de doutoramento em História, concluída na NOVA FCSH, que aborda, no “período de transição da ditadura para a democracia em Portugal, a relevância dos órgãos de comunicação social”.

Entrega no balcão da AEFCSH os teus isqueiros, escovas de dentes, tampas de plástico, rolhas de cortiça e pilhas usadas! Contribui para a reutilização dos materiais, para o não-desperdício e para uma comunidade estudantil mais consciente!

Antigo aluno do Departamento de Ciências da Comunicação distinguido pela obra literária 'Ascensão da Água' O poeta e escritor Samuel Pimenta é o vencedor da 31.ª edição do Prémio Literário Cidade de Almada – Poesia, com o livro Ascensão da Água. Além da literatura, dedica-se à espiritualidade e é ativista pelos direitos LGBTI+, pelos direitos humanos e pelos direitos da Terra.

Faculdade mais verde - NOVA FCSH recebe a bandeira de ”Eco-Escola 2018/2019” em Guimarães A NOVA FCSH foi distinguida pelas boas práticas ambientais, uma vez que alcançou os objetivos do programa Eco Escolas da Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE), graças a iniciativas como a instalação de ecocinzeiros, copos reutilizáveis e promoção da reciclagem por parte da AEFCSH e ainda pelas recolhas de beatas pelo campus. O objetivo é a faculdade tornar-se cada vez mais sustentável e mais consciente para a necessidade do uso de recursos de forma regrada.

falta alguma coisa? envia as informativas edição!

tuas propostas para a próxima


E AS NOVIDADES JÁ CHEGARAM À CANTINA! BEBIDAS VEGETAIS DE ARROZ E AMÊNDOA

PÃO SEM GLÚTEN

FIAMBRE VEGETAL

HÚMUS

PALITOS DE CENOURA


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NOVA EM FOLHA

outubro em resumo 6 de outubro - eleições legislativas PS sai vencedor com 36% dos votos, embora sem maioria absoluta, enquanto o PSD obtém o pior resultado dos últimos 20 anos. São três os novos partidos que entram na AR.

13 de outubro - retirada militar Trump ordena a retirada de militares americanos da zona norte da Síria. Turquia tira partido da situação e inicia ofensiva sobre a região controlada por milícias curdas, desprotegidas pela retirada americana.

14 de outubro - penas prisionais São conhecidas as penas de prisão dos responsáveis pela declaração unilateral de independência catalã em 2017, condenados por crime de sedição. Políticos presos ou presos políticos?

18 de outubro - protestos internacionais Vaga de protestos internacionais ganha força à imagem do que já vinha a acontecer em Hong Kong. Subida do preço dos transportes públicos no Chile e taxa sobre a utilização do Whatsapp no Líbano, estão na origem de manifestações que contestam agora os seus próprios regimes. A 25 de outubro ganham igualmente força os protestos no Iraque.

21 de outubro - brexit É aprovado pela primeira vez um acordo para o Brexit na Câmara dos Comuns, mas Boris Johnson vê-se obrigado a pedir um adiamento votado pela mesma câmara. A 24 de outubro são convocadas eleições antecipadas para o mês de dezembro.

22 de outubro - novo governo Tomada de posse dos 230 deputados da nova legislatura e reeleição de Ferro Rodrigues como Presidente da Assembleia da República.

26 de outubro - ISIS É anunciada a morte do líder do ISIS, Abu Bakr al-Baghdadi, que comete suicídio durante uma operação de captura conduzida pelos EUA.

31 de outubro - no-brexit day No-Brexit Day: A data do Brexit estava marcada mas, apesar dos esforços de Boris Johnson, ainda não foi desta que o Reino Unido saiu da União Europeia.

NOTÍCIAS


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NOVA EM FOLHA

por uma mudança em/nas condições A AEFCSH SEMPRE REJEITOU O RJIES E O REGIME FUNDACIONAL. Dentro deste quadro legal, os estudantes descobrirem os contornos de um plano de redefinição imobiliária da sua universidade e a venda das instalações da sua faculdade através de notícias de jornal é aceitável. Os órgãos de governo da NOVA não precisam de consultar os seus estudantes e trabalhadores para decidirem o nosso futuro. Para além disso, este plano vê a SBE como o modelo a replicar nas outras unidades orgânicas. Opomo-nos a esta visão porque: Não aceitamos que sejam entidades privadas a tomar decisões sobre o que se passa dentro das nossas faculdades, mas sim a comunidade que nela estuda e trabalha; Queremos serviços como os de alimentação e alojamento, virados para a satisfação das necessidades dos estudantes e não a funcionar segundo uma lógica empresarial; Rejeitamos a elitização dos ciclos de estudo mais elevados. Se o valor da propina de licenciatura em Portugal afasta muitos jovens do Ensino Superior, aqueles praticados nos restantes ciclos são incomportáveis para a generalidade dos estudantes portugueses; Os estudantes internacionais e em mobilidade não podem ser vistos como fontes de receita e a identidade das faculdades reduzida à habilidade dos seus departamentos de comunicação e marketing em tornálas atrativas.  A comunidade da FCSH tem de ser ouvida neste processo. Ninguém conhece o campus da Avenida de Berna como nós e temos de ser nós a decidir aquilo que queremos que seja o nosso campus em Campolide.  Sem a certeza de que este plano se materializará no futuro, não passando portanto de isso mesmo - um plano, exigimos a definição de prazos claros para cada fase do processo e uma comunicação e tomada de decisão abertas e transparentes. Se o nosso futuro é a Mudança então queremos uma Mudança em Condições!

Estudar na FCSH é conviver diariamente com limitações estruturais e com barreiras que nenhum estudante deveria ter de superar. Uma faculdade gerida com uma visão economicista onde quem acaba por pagar, de uma maneira ou de outra, são os estudantes não faz justiça ao modelo de Ensino Superior que a nossa Constituição consagra. Desde 2014 o preço da Refeição Social aumentou 35 cêntimos, acompanhando sempre o preço máximo permitido por lei. A qualidade do serviço prestado não tem seguido o mesmo rumo. Exigimos uma cantina que garanta condições de segurança alimentar e higiene e um serviço de alimentação apropriado. A diminuição do valor de propina das licenciaturas foi positivo, mas refletiu-se no aumento do valor das propinas de mestrado. Também as taxas e emolumentos continuam a pesar na carteira dos estudantes. As necessidades orçamentais da faculdade devem ser colmatadas pelas verbas do Estado e não por captura de receitas junto dos estudantes. Permanecem limitações estruturais: salas sem condições (falta de espaço e lugares sentados, inexistência de climatização e impermeabilização); falta de espaços de estudo e de uma biblioteca com características adequadas às necessidades dos estudantes. Numa faculdade, é essencial que existam espaços para estudar.  Para além destas, o acesso a outros elementos que existem na faculdade e que são de vital importância para o percurso académico dos estudantes continua restrito e limitado. Sejam eles os elementos bibliográficos, os instrumentos musicais ou multimédia, entre outros. A democracia no ensino e na faculdade passa também pela disponibilização dos recursos para a comunidade. O alojamento continua a ser o problema mais gritante para os estudantes dos grandes centros urbanos, principalmente em Lisboa, onde estão reféns dos interesses do mercado imobiliário privado e da especulação que lhe é inerente. É urgente uma solução que garanta a todos os estudantes que necessitem, camas na rede de residências pública do Estado - algo que é possível concretizar no processo de mudança para Campolide. A identidade da FCSH está associada ao campus da Avenida de Berna, mas não a dissociamos também do seu passado e presente de mobilização e contestação por mais e melhores condições. A mudança para Campolide, ainda que incerta é projetada no futuro. No entanto, a Mudança nas Condições é a certeza que precisamos no presente. Por uma faculdade para os estudantes.


20 DE NOVEMBRO 13H30 | ESPLANADA

tRIBUNA pÚBLICA VEM VEM DAR DAR A A TUA TUA OPINIÃO OPINIÃO SOBRE SOBRE A A MUDANÇA MUDANÇA DE DE CAMPUS CAMPUS DA DA FCSH FCSH

CAMPANHA CAMPANHA POR POR UMA UMA MUDANÇA MUDANÇA EM EM CONDIÇÕES CONDIÇÕES


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NOVA EM FOLHA

o outono MARIA TERESA DA COSTA PESSOA

A passagem de uma estação para a outra quer-se silenciosa. Dia após dia, esperamos que o tempo nos dê sinais desta mudança, como se aos poucos, se fosse destapando um segredo que, embora já conheçamos, demoramos a aceitar. As cores mantêm-se as mesmas. O amarelo do sol e da areia da praia desbota para as folhas torradas que descem da copa das árvores e se deitam num chão já cansado. O azul do mar divide-se em infinitas poças de água que pulverizam todas as ruas de todas as cidades, transformando as suas estradas em espelhos que refletem este período de transição. As correntes do oceano ganham asas e voam. Cantam pela noite fora. Agitam a escuridão. Nisto, surge a primeira rajada de vento, as primeiras folhas perdidas, a primeira nuvem cinzenta, as primeiras gotas de chuva, as janelas embaciadas, o cheiro a terra molhada que invade lentamente as madrugadas. Sem darmos conta, pomos de lado os sapatos arejados que durante o verão correram montes e vales, e passamos a sair de casa de casaco na mão que, inconscientemente, ainda recusamos vestir. Os coloridos chapéus de sol vão sendo substituídos pelos de chuva. As toalhas de praia pelos lenços e encharpes. O calor da rua refugia-se do frio e foge para dentro de casa. É então que acordamos no primeiro dia de outono, sem perceber ao certo como ali mergulhamos e como é que já estamos tão afastados da costa. Hoje choveu pela primeira vez desde que aqui cheguei. Hoje acordei numa cidade diferente. As pessoas são as mesmas, mas a luz e a história que cantam são outras. E isso basta para que sinta que um novo mundo acabou de despertar.

CRÓNICAS


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CRÓNICAS

de três meses para três anos RITA SERPA Hoje foi um daqueles dias em que reparei que o meu reflexo tinha mudado subtilmente, desde a última vez que tinha olhado para ele com atenção. Onde outrora havia uma reunião de borbulhas, há agora duas subtis rugas deitadas no meio da minha testa. Estava eu a sair do autocarro quando ouvi, por entre o barulho das portas a fechar, duas velhinhas a comentar “a tshirt branca da caloira universitária que saiu”. Claro, que a minha primeira reação foi olhar à volta para perceber de quem estavam a falar. Mas não tinha saído mais ninguém naquela paragem, para além de mim. E foi no reflexo da janela do autocarro que me apercebi que era de mim, e das duas rugazinhas na minha testa, que elas estavam a falar. Só então entendi que duas palavras estranhas, que outrora utilizava para descrever "os grandes", definiam-me agora a mim. Como é que há três meses atrás estava confortavelmente sentada na minha secretária a dormir nas aulas de Português, e agora durmo em aulas de História das Ideias Políticas? Três meses nem são um bebé! Se nem um bebé se faz em três meses, como é que a minha definição muda nesse tempo? Lembro-me de estudar para os exames, de esperar pelas notas... De um breve suspiro ao preencher a candidatura e pumba: Estou a sair de casa para ir almoçar com os meus amigos, antes de mais um dia de aulas na universidade. Três meses não deviam passar mais devagar? Comecei a subir a rua e, mesmo antes de chegar à tasca do costume, já conseguia ouvir os seus risos. É a primeira vez em duas semanas que vejo os meus amigos “do secundário”, e as saudades já começavam a apertar. Apressei-me a entrar. E antes de acabar de cumprimentar todas aquelas caras, que estava habituada a ver diariamente há uns meses atrás, já tinha o meu estômago a babar-se com o cheiro a cachorros quentes que pairava no ar. Enquanto cada um faz o seu pedido ao balcão, não consigo parar de imaginar como é que a rapariga de três anos sentada despreocupadamente com os seus pais nos vê. Eu já fui aquela rapariga. Talvez tenha até olhado idolatradamente para uma data de caloiros a discutir se o ketchup é ou não melhor que a maionese. Mas agora só vejo um bando de totós que não sabem que o ketchup é efetivamente melhor. E não sei como é que isso aconteceu, como é que toda a misticidade desapareceu e eu deixei de ser a rapariga de três anos e passei a ser “grande”. Com os cachorros quentes numa mão, e as cervejas na outra, sentamo-nos na relva. Dou uma mordidela no meu cachorro com ketchup… mas o sabor é diferente. Melhor. E é então que me apercebo de que tinha trocado o meu cachorro com o da Sofia, orgulhosa defensora da maionese.

E ao trocarmos de novo os cachorros quentes, não consigo deixar de lhe dar razão: a maionese é melhor. Depressa a conversa se desvia do debate do costume e nada parece ter mudado, exceto o facto de que agora cada um fala das suas praxes e da sua universidade, em vez de falarmos todos sobre a mesma escola. Entre cada batata, rimo-nos ao lembrar de todas as incertezas que tínhamos há três meses atrás, sobre o caminho que queríamos seguir e o curso que haveríamos de tirar. E talvez a rapariguinha de três anos não reparasse, mas eu consigo ver que em algumas caras, há risos mais forçados que outros. Sobre alguns, o medo e a indecisão ainda paira sobre cada golo de cerveja. Esses ainda não têm nenhuma t-shirt e aguardam impacientemente que a segunda fase lhes dê uma oportunidade para tal, enquanto outros preferem guardar a sua t-shirt na mochila até terem a certeza de que a escolha foi acertada. Eu, apesar de ter a minha t-shirt orgulhosamente vestida, aind\a não consigo saborear a minha cerveja como deve ser. Em alguns golos, ainda me questiono se este curso me poderá sustentar, não só em termos económicos, mas também a níveis de satisfação pessoal. Afinal, quando hoje acordei, não sabia que tinha duas rugas na testa e que  a maionese ficava efetivamente melhor no cachorro quente do que o ketchup. Como é que é possível ter a certeza de que escolhi o melhor caminho para mim? Por muito improvável que o seja, é difícil evitar pensar que talvez este curso seja ketchup, e que haja por aí uma maionese escondida numa universidade qualquer. Esta é a verdade, por de trás de muitos golos de cerveja. A incerteza de nunca conseguirmos ser felizes e independentes. O medo de que não haja emprego para todos. Felizmente, alguém se levanta e vai comprar gelados. E com os gelados, vem uma brisa divertida que cheira a churrascos, a festas de receção ao caloiro e a praxes. E de repente, o gelado parece disfarçar a subtil amargura de alguns golos de cerveja. O sabor a manga convence-me de que vou ter de experimentar, sem ter grandes certezas de nada, exceto de que para os golos de cerveja mais amargos há de haver sempre um gelado ao virar da esquina. Depois de umas rodadas de sueca em honra dos velhos tempos, despedimo-nos e seguimos cada um o seu caminho para as nossas novas “casas”. E é a pensar nesta casa, que me parecia tão intimidante há três meses atrás, que me encho de força para subir os próximos três degraus.


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ARTIGOS

A ERA DO VERDE DIOGO SANTOS

Que o ambiente é um tema que está na moda, isso toda a gente já o sabe… Mas será que sabem que está relacionado com a área da política? Mais, estarão a par das manifestações estudantis atuais? E o que fazem vocês pelo meio ambiente? Querem ler a opinião de um jovem aluno de CPRI sobre o tema? Sim? Então aqui vamos… Em primeiro lugar, relativamente às manifestações estudantis que nos últimos tempos se têm vindo a desencadear nas mais diversas partes do mundo (em parte por influência da jovem sueca Greta Thunberg), penso que são absolutamente importantes para pressionar os governos mundiais. A opinião pública é e sempre foi, um instrumento de pressão aos governos, tal como podemos ver no exemplo dado pelas sufragistas ao longo dos séculos XIX e XX. Desse modo, penso que seja importante a mobilização coletiva por parte dos mais diversos meios da sociedade, de modo a que se passe a olhar para o meio ambiente como algo vital para a existência humana. Afinal, sem ele, a vida humana nunca poderá existir. O meio ambiente é a nossa casa logo, por esse mesmo motivo, cabe-nos a nós evitar as mais diversas situações que o possam colocar em risco. Assim não é surpreendente que o tema ambiental se encontre também bastante relacionado com política, mais até do que a maioria das pessoas pensa… Na verdade, os problemas ambientais podem ser debatidos e resolvidos em parte pelas estruturas governamentais de um país. O Estado tem o dever de incluir estas preocupações nas agendas nacionais, tal como as organizações mundiais que  as colocam na sua agenda mundial, como a ONU. No entanto, mais do que manifestações estudantis, acho que mais relevante ainda é a ação! A ampulheta já começou a contar os nossos dias… E é por essa mesma razão que não podemos perder mais tempo a debater e a falar (apesar de ser importante em certas situações)! Devemos passar à concretização, à ação e à atuação em situações que possam salvar o planeta.

Para piorar as circunstâncias, a posição de alguns líderes políticos atuais não facilita e nem sequer auxilia, o bom funcionamento da nossa casa. Posições como as de Trump, Bolsonaro e de outros grandes senhores, apenas ajudam a denegrir e a manchar o planeta Terra. Prova disso mesmo, foi quando Donald Trump rompeu com os Acordos de Paris em 2016; ou até mesmo quando neste ano de 2019 Jair Bolsonaro recusou persistentemente o auxílio de outros países para combater os incêndios na Amazónia. Enquanto o ambiente for alvo de interesses políticoeconómicos, nunca vamos conseguir vencer esta corrida contra as alterações climáticas. Somente se cada país fizer os possíveis para alterar significativamente o modo de perspetivar e lidar com esta eminente urgência climática é que será possível para  as futuras gerações viver num local sustentável, equilibrado, limpo e verde!  Assim, o posicionamento destes Estados face a este problema transnacional (sim, disse bem!   Este problema atravessa as fronteiras de um país, não dizendo respeito a um só!) tem de mudar urgentemente, pois o tempo está a terminar… Em conclusão, a questão ambiental, precisa de abranger os mais variados setores da sociedade atual e não se circunscrever, na sua maioria, aos mais jovens. É importante tomar consciência deste assunto, para que juntos possamos minimizá-lo o mais possível, neste mundo em que os interesses políticos e económicos, o orgulho e a ganância falam mais alto do que a nossa sobrevivência…


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ARTIGOS

AS MÃOS E O ESTÔMAGO JOÃO MARTINS Menenius Agrippa talvez seja um nome tão desconhecido como o meu próprio; não mais reproduzido que pelas poucas bocas que o têm por familiar, nem mais lembrado senão por aqueles que o conhecem com alguma intimidade. Contudo, pertence a um homem, antigo, romano, talvez o primeiro defensor documentado da centralização estatal. A República estava ainda no alvorecer quando o seu cônsul Menenius Agrippa se viu a braços com a secessão da plebe, primeiro de muitos conflitos entre a aristocracia senatorial romana e as massas que labutavam nas suas herdades - o povo estava em greve, em protesto contra os patrícios, proprietários ociosos, jogadores da arena política, detentores dos direitos civis (e das regalias económicas, claro está). O povo queria mudanças. E teve-as - modelou-se, afinal, o ofício de tribuno da plebe. Mas não lhe custaram apenas uns dias de salário e o incómodo de vir a Roma expor o seu caso, essas pequenas, mas revolucionárias, concessões aristocráticas; foi-lhe também cobrado o sermão de Menenius, aquele que ficou para a História como o das mãos e do estômago. Brevemente, o cônsul dirigiu-se aos proletários, equiparando a sociedade aos seus corpos. Disse-lhes: Vós, que tendes mãos, pés, cabeça, estômago, sois capaz de imaginar que podeis sobreviver sem algum deles? O vosso corpo é um só e cada órgão, cada membro, não poderá nunca renegar outro órgão, outro membro desse corpo uno. As mãos dão alimento ao estômago; o estômago distribui-o pelo corpo. Se as mãos, por não serem estômago, afirmarem “não sou corpo”, depressa ficarão sem energia, porque recusaram alimentar o estômago, logo, o corpo. Da mesma forma, o estômago não pode alienar-se das mãos, sob o risco de perder o seu provento, e o corpo definhar. Assim ficavam estabelecidas as funções vitais, e indissociáveis, de cada parte do mesmo organismo. As mãos - a plebe - nutrem o estômago - os patrícios. O trabalho duns mantém a capacidade dos outros, que os governam, e têm de prestar às suas necessidades. Porém, nunca as mãos se poderão revoltar com sucesso se abolirem o estômago. E é nesta legitimação do poder como responsabilidade de um escol, que reside a tese centralizadora de Menenius - o Estado é assegurado pelos cidadãos, que o financiam, e tem para com eles a função de redistribuir os bens e serviços que estes, com as suas mãos, fabricam.

Ora, cada cidadão, cada plebeu, cada homem, tem, como o corpo social, um estômago. E espera-se que seja o Estado a provê-lo do alimento que necessita para sobreviver. Quem, além da História Clássica e da Filosofia, tomar interesse na Biologia, facilmente se deparará com esta evidência. E com uma outra, uma consequência inevitável e, acima de tudo, inegável daquela: cada cidadão, cada plebeu, cada homem, tem um estômago idêntico; e para o alimentar não precisam uns de nacos e outros de migalhas. Precisam cada um da sua fatia de pão. Talvez uns com mais côdea, mas a nenhum pode faltar o miolo. Como pode então ser, e isto é também uma verdade evidente, que haja cidadãos que parecem requerer toda a produção diária de uma padaria, enquanto outros homens, seus semelhantes, não conseguem arranjar senão a carcaça dura e carcomida que sobrou da última fornada? Não se trata de comparar o que cada um ajudou a cozer, ou a levedar, mas do que cada um precisa, em nome da sua vida, do produto final. É um caso de estômagos, não de mãos (que também as têm todos, mas só uns lhes dão verdadeiro uso). É uma questão simples e interessada: como pode ser que uns precisem tanto das suas mãos, que as tenham de calejar e ferir para mal receberem o sustento do seu aparentemente diminuto estômago; e outros, de mãos suaves e hidratadas, necessitem de devorar banquetes sucessivos para saciarem a tirânica fome das suas barrigas?… Não considero que seja minha obrigação dar uma resposta definitiva, aqui, já. Considero, pelo contrário, que devo terminar a minha reflexão, acrescentando somente um pensamento final (fruto nem das mãos nem do estômago, mas da cabeça): se a todos coube o mesmo corpo, como ser iguais se de nenhum depende o seu próprio corpo?


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ARTIGOS

SEJA FEITA A VOSSA VONTADE CRISTIANE BRUSCHINI

Sempre ouvi dizer que temos de fazer a vontade de Deus e, eventualmente também eu comecei a dizer "Senhor, seja feita a vossa vontade!", sem pensar muito no verdadeiro significado disso. Até hoje. Afinal qual é de facto a vontade de Deus? Como estudiosa de Literatura, sempre tive interesse em  escritos de diferentes culturas, porém nunca tinha mergulhado no tal livro conhecido por "Palavra de Deus". Ao tentar extrair algo desse livro escrito por diversos autores, pude perceber que em toda a obra, independente dos livros, dos tempos e dos autores, a vontade de Deus é a mesma: Ser adorado! Sim, ser adorado!  Ele, o Deus todo poderoso, criou o homem à sua imagem e semelhança (ele é lindo, porque também nós o somos) para instituir o seu reino na Terra e mostrar-se de uma maneira concreta. Esta é a história por trás da nossa existência. Quando parei para ler e refletir sobre a Palavra de Deus, percebi a grandeza do criador e o quão pequeno o mundo é diante da sua magnitude: Quem, pois, mediu o mar no côncavo da mão, quem com o alqueire mediu a matéria terrestre, pesou as montanhas ao gancho, e as colinas à balança? (Isaías 40, 12)  Muitas das frases nos livros contidos neste "manual", iniciam-se dizendo: "E o Senhor disse!". Sim! Por muito surpreendente que seja, o mundo foi construído por meio da PALAVRA! Sendo apaixonada pelas letras, ouvir a voz de Deus por intermédio "da sua Palavra" é fascinante. Ler os seus feitos e ver o seu poder, teve um impacto  sobrenatural em mim. Um Deus que tem o controlo de tudo, que tudo vê e tudo sabe. Tanto poder! Um Deus criador, livre de todo o mal, inteiramente santo, que se faz conhecer por meio da sua literatura e que em cada linha nos convida a fazer a sua vontade, pois ela é boa, perfeita e agradável. Tendo lido este magnífico livro, voltei mais uma vez a refletir sobre a controversa vontade de Deus. E tu? Sabes qual é a vontade Dele para ti?


ISTO ERA PARA SER UM TORNEIO DE MAGIC 21 de novembro • 18h entrada: 3 * *5

no dia


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perco-me TEREZA TENCHEVA Os pensamentos que tenho e as lágrimas que em mim vivem, toda aquela ansiedade, o medo e o que as pessoas sabem, mas nunca dizem... E eu estou exausta, talvez perdida no final da tarde, no fundo da garrafa, no fumo do tabaco, que fumo e me sufoca menos que o passado, que me mata, mas vive mais que o futuro... E nunca serei aquilo que queres... eu perco-me nas tuas palavras vazias, nas emoções que escondes, ou não tens, no que nunca dizes, mas querias... Não quero ser uma obrigação, pois tu não me deves nada, quando quiseres podes partir do meu coração sem bilhete de volta. E eu estarei aqui, mas não sou obrigada... E não sou cientista, nem arquiteta, não te consigo construir uma casa, nem falar de ciências exatas. Só sei escrever, não sou nada mais que uma poeta, mas não sei bem para quem escrevo, pois os meus poemas não têm destinatário e nunca chegam a lado nenhum. As palavras nascem e morrem em mim, nelas cabem o que tenho medo de dizer, o que não me deixa dormir, o que nunca ninguém soube entender. E eu sou vazia, tal como as tuas palavras e eu não quero...não queria, mas nunca serei aquilo que tu precisavas...

POEMAS


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POEMAS

I, "Mios Phoemas" SARA MARGARIDA FRANCISCO

És tu o álcool que queima o meu ser, o tabaco que aquece os meus pulmões,  a droga que dá alucinações  e o amor que faz endoidecer.    Desejo que o tempo possa parar  para o meu relógio uma pausa fazer,  para os ponteiros pararem de se mover,  para ter mais tempo para te apreciar.    Nem filha de sábios nem de ignorantes,  com nada igual no mundo te pareces...  És pois obra de grandes pensantes.    Sem ti tudo seria tão ruim!  Tornas simples palavras elegantes...  Oh... Sem ti o que seria de mim?

TOMÁS GIRÃO

A melhor qualidade do ser humano é ser imperfeito. Pois nada é humano sem dor no peito…


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ARTIGOS

VEJAM BEM, A NEOLISIPO FOI A VILA DE REI! ANTÓNIO FORTUNATO, FRANCISCO MENDES, INÊS LEAL, JERNEJ, MARIANA FURTADO • NEOLISIPO “Na Tuna NeOlisipo fazem-se muito boas amizades. As pessoas são simpáticas e acolhedoras. Assim que fui ao primeiro ensaio, fiquei logo motivada e, por isso, insisti em ir ao segundo, ao terceiro, ao quarto… e a todos os que se seguiram! No curto espaço de 3 semanas, pessoas que não conhecia de lado nenhum tornaram-se próximas, amigas, companhia nos intervalos da faculdade… E só tenho a agradecer à Tuna por isso; por toda a diversidade que nos apresenta, mantendo sempre um sentimento de inclusão na diferença. Somos membros vindos de todos os cursos, de mestrados, e até “outsiders” que já abandonaram a faculdade. Isto faz com que sejamos uma grande família mais ou menos funcional. E é enorme a quantidade de coisas que se aprende em contacto com estas pessoas. Desde tudo, a nada de jeito." - Mariana Furtado Este é o testemunho de uma das integrantes da Real Tuna

“O 1º dia começou com a partida do autocarro da rede

Académica NeOlisipo, um sentimento transcendente a todos

expresso, em Sete Rios, que eu quase perdi. Tudo começou

nós, estudantes que integram tunas, neste tão vasto

quando, ao apanhar o Bolt, que partia de minha casa e me

contexto universitário.

levaria até lá, me deparei com um trânsito terrível, pior que o

Esta afeição motiva a criação de eventos como o Tunicoto –

habitual. O autocarro partiria às 19h e eu cheguei à paragem às

uma oportunidade de reunir estudantes dos mais distintos

19h15. Como é natural, o autocarro já lá não estava, e tive de ir

locais e interesses académicos, com o intuito de partilhar o

a correr, com o bandolim, com a mala, com o traje, avenida

carinho pela música, e de criar memórias que nos unem uma

acima para apanhar o autocarro que, para minha sorte, estava

vida inteira.

preso no trânsito.

O XXI Tunicoto, realizado de 11 a 12 de outubro em Vila de

Foi a minha salvação, pois ainda me lembro de estar ao telefone

Rei, reuniu a Real Tuna Académica NeOlisipo (Faculdade de

com um dos tunos, a dizer-lhe “Se vires um parolo, a correr com

Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de

um telemóvel, uma mala, um bandolim e de capa às costas, sou

Lisboa), a Higiatuna (Escola Superior de Saúde de Leiria), e a

eu”.

tuna anfitriã, a Villa d’el Rei Tuna (Tuna Académica do

Entretanto, lá consegui apanhar o autocarro e, apesar de

Concelho de Vila de Rei).

chegar cansado e suado, senti-me aliviado, pois já estava a ver

Estes dois dias foram, para alguns integrantes da NeOlisipo,

“a minha vida a andar para trás” – já me tinha mentalizado que

a primeira vivência num encontro de Tunas – e mesmo para

iria perder o autocarro." - António Fortunato

aqueles que já contavam com a experiência de outros encontros,

este

não

os

deixou

menos

ansiosos

e

entusiasmados! Foi nesta escondida e encantadora localidade que vivemos as mais diversas aventuras – neste texto, queremos partilhar e relembrar algumas delas. A aventura começou com o desespero de tentar não perder o autocarro na sexta-feira, ao final do dia (ou tentar fazer com que alguém não o perdesse):

Chegados à vila, fomos bem recebidos pelos nossos simpáticos guias que nos deram as indicações dos locais onde guardar os nossos instrumentos, e onde iríamos dormir. No 1º dia, tínhamos duas músicas prontas para tocar na “Noite de Serenatas”, que se realizou ao ar livre. O encontro iniciou-se no Largo do Mercado Municipal, por volta das 22h00. O cansaço das várias horas de viagem e o medo de que acontecesse alguma desgraça no decorrer da atuação refletiam-se nas nossas trocas de olhares.


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Porém, a confiança uns nos outros provou sobrepor-se a estes percalços. As músicas preparadas intitulavam-se “Olhos Negros” e “Lisboa não é a cidade perfeita”. A atuação terminou com o magíster da NeOlisipo a agarrar gentilmente na mão da nossa guia, enquanto a serenata Olhos Negros ecoava ao fundo. A noite prolongou-se com um pequeno convívio entre tunas no café da vila. O convívio decorreu num café relativamente banal, mas tinha uma gerência que, para além de ter bom gosto musical, era de extrema simpatia. "Deixaram-me inclusive servir imperiais ao pessoal da nossa tuna e emprestaram-me a coluna portátil deles para meter a música que quisesse, e, claro, sem pensar minimamente, meti logo “Killing in the name” dos Rage Against the Machine. Até fizemos um “mosh pit” que juntou algum pessoal da nossa tuna!” - António Fortunato De madrugada já cansados, embora “alegres”, regressamos aos nossos dormitórios, no entanto, houve quem se tivesse perdido no caminho… Porém, essa história fica para outra ocasião. Claro que também aconteceram coisas engraçadas no nosso dormitório improvisado: “Vejam bem que, às 6h da manhã, estava eu a correr num pavilhão, onde íamos dormir, atrás de um rapaz, o Jorge. Isto aconteceu porque ele estava a fugir com a minha almofada que, por acaso, ia ser um peluche – o António – a mascote da tuna. Isto aconteceu porque o Jorge insistia e teimava que: “O António não é almofada de ninguém!”. Mas foi. E foi o que me impediu de ficar com um torcicolo por dormir no chão.” - Martiana Furtado Dia 12 chegou rápido, e com ele, instalou-se a ansiedade. Foi na sequência de um almoço e de um jantar caloroso – e de um teste de som que nos deixou com voltas na barriga – que se acomodou a hora de subir ao palco do Auditório Municipal. A entrada no palco foi rápida e animada; ao som de uma música cativante dos anos 80, os componentes da RTAN instalaram-se em palco. O nervosismo sentia-se no nosso íntimo, contudo, não era hora para incertezas. A NeOlisipo demonstrou em palco tudo o que havia ensaiado de coração! E aquele calorzinho do pequeno auditório, o burburinho da plateia, os acordes que saíram ao lado e o ar de êxtase quando sentíamos que uma música tinha sido bem recebida, são integrantes eternos de memórias que nos metem um sorriso na cara e que concedem sentido a tudo isto.  Depois deste inesquecível momento, a segunda noite passada na vila presenteou-nos com um programa organizado pela tuna anfitriã, na forma de uma festa muito parecida com os arraiais de verão, organizados tradicionalmente por esse país fora. Apesar de não se enquadrar muito nas atividades noturnas normalmente levadas a cabo por uma tuna, esta autêntica festa de aldeia acabou por ser muito divertida, não por causa

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do DJ que obstinadamente insistia em passar vezes sem conta os grandes hits do pimba de rua, mas pelo ânimo demonstrado pelos membros da NeOlisipo – que subiu a palco e se encarregou de dançar, cantar e usufruir de estados de espírito menos sóbrios, sempre com o intuito de aproveitar o auge do momento! Para terminar, não podemos deixar de partilhar uma das nossas histórias favoritas – um dos nossos recentes integrantes, um aluno esloveno, decidiu visitar o Rio Zêzere, tornando-se, assim, numa lenda: “The dark night was slowly disappearing. The sound of the local DJ was replaced by the bird’s singing. I was packing all the necessary things into a supermarket bag (true slavic way): bathing trunks, towel, litter of water and a candy bar. This time I actually told some people that I was escaping for some time. I hit the road, which was still moving a bit. When I left the dusty forest road behind me I lift my thumb and tried my luck. First car was approaching. There were still echoes in my head: “you won’t get a ride… it’s hard to hitchhike in Portugal…”. The car stopped. I was explaining a lot of things to the man who picked me up. I hope he understood some of my broken portuguese. Even though he drove me a few kilometres further from his home, I still had to walk quite a bit. But my destination was so close! I needed to carry on. Finally, I reached Zezere river. Since I am not used to empty villages and eucalyptus trees, these gave me a strange apocalyptic feeling. When I woke up in the river, a noise of the two fishermen and their boat reminded me where I was. The way back to Vila de Rei was tiring. The cars didn't stop, so I walked a few kilometres, but the soft road was inviting me to rest. When I was in the middle of the road, Antonio called. He said that I should be back as quick as possible, so I had to do some intense hitchhiking. I stopped walking, sat down and waited for the cars. A car with 6/3* brazilians stopped. They drove me to my destination. The photos of the trip don't exist (anymore). Maybe somebody will find them someday, but until then my trip is only a legend.” - Jernej *Actually there were 3 brazilians, but the legend says 6.


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QUEM QUER LIDAR COM ANDRÉ VENTURA? FRANCISCO NUNES

Provavelmente um dos grandes desafios da próxima legislatura assenta na forma como os partidos, particularmente uma certa esquerda, responderão a André Ventura. É necessário um equilíbrio ténue que não ceda nem ao branqueamento e normalização da sua visão populista, nem à excessiva mediatização pela via fácil do mero insulto e da acusação. Há uma parte da direita que não vê grandes perigos na chegada do extremismo à Assembleia da República. Considera-o equivalente ao lado oposto do espectro partidário, afirmando até que uma aliança com o mesmo não é descartável. Ora esta recetividade despreocupada tem tudo para abrir caminho ao populismo na decorrência normal da vida política portuguesa. Logo, é a normalização de uma visão deturpada e violenta da justiça e de um discurso de ódio falacioso e baseado em generalizações vazias. Contudo, um problema tão ou mais perigoso se coloca - a reação da esquerda e dos chamados “partidos do sistema” ao deputado do Chega. Uma abordagem simplista, sobranceira e de contraposição pouco sustentada, por outras palavras, o mero “Fascista! Fascista!” baseado na exclusão ativa do debate, tentando retirar-lhe a legitimidade que detém efetivamente pela sua eleição democrática, pode desencadear um rude contragolpe para aqueles que a adotarem. Nada fará aumentar tanto a popularidade de André Ventura como a possibilidade de vitimização - pela exclusão que enfrenta - e a possibilidade de uma consolidação da persona heróica anti-sistema, contra o politicamente correto, que diz as verdades que os outros não querem dizer. São estes dois gumes da mesma faca com os quais teremos de aprender a lidar ao longo dos próximos quatro anos. Alcançar ou não este equilíbrio irá definir se esta se trata de uma estadia de curto prazo da extrema direita no parlamento, ou se nas próximas legislativas, acordaremos na madrugada do dia seguinte com mais deputados do Chega no hemiciclo.


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RECOLHA DE LIXO DO NEG ANA RAQUEL ALVES

No passado dia 17 de Setembro, por iniciativa do Núcleo de Estudantes de Geografia como parte do projeto Integra-te, os novos alunos da licenciatura de Geografia e Planeamento Regional deslocaram-se até à praia de Carcavelos para uma série de atividades, incluindo uma limpeza à zona costeira. Com o apoio da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e da Ocean Hope, em cerca de uma hora, foram recolhidos 27 quilos de lixo por cerca de 50 estudantes. Além disso, foram realizados vários jogos entre os demais alunos para estes se darem a conhecer entre si e se sentirem bem-vindos naquela que será a sua casa durante os próximos 3 anos. A Presidente do Núcleo de Estudantes de Geografia, Rebeca Seromenho, deu o seu feedback sobre a atividade: “Quando pensámos sobre o evento, visto ser a segunda edição do Integra-te, não tivemos dúvidas de que teria uma boa adesão, principalmente dos mais recentes alunos do curso. No final acabou por ser uma grande surpresa! Cada vez mais é  importante alertar para este tipo de questões, principalmente vindo de alunos de Geografia e Planeamento Regional, que estão em constante contacto com estatísticas alarmantes e com a própria realidade. Uma atividade tanto de convívio como de voluntariado que sem dúvida voltaremos a repetir!” A ideia foi tão bem recebida pelos alunos de 1º ano de GPR que deixaram uma mensagem para o NEG:  Neste dia muito agradável, todos puderam conviver e, através de todos os jogos e da limpeza da praia, vários sorrisos foram gerados resultando na excelente integração dos caloiros. Foi algo muito diferente e inovador pelo que resultaram deste dia muitas amizades, conquistas e sucesso! Um muito obrigada ao NEG,  Os caloiros de Geografia e Planeamento Regional Assim, esta atividade teve um impacto extremamente positivo na comunidade estudantil. A NOVA FCSH, com todas as campanhas ecológicas da Associação de Estudantes, preza-se por ser um dos campus mais ecológicos e inovadores da cidade de Lisboa.


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UMA AVENTURA BIZARRA EM VILA DE REI DAVID HENRIQUE C. BELGA • NEOLISIPO

Dei por mim sozinho à noite, nas extremidades de uma terra desconhecida e apenas com uma ideia de para onde era suposto ir. Passara já algum tempo, talvez umas horas, desde que vira outro membro da NeOlisipo. Quando saímos do Café Império já éramos poucos, restando apenas aqueles que quiseram aproveitar a noite até à sua última gota âmbar. Mas algures no caminho, o grupo foi-se fragmentando conforme o passo de cada um mas, assumi eu, todos com o mesmo destino em mente: o local onde era suposto passarmos a noite, ou, como se tornava cada vez mais aparente, uma última paragem para abastecimento antes de lá chegar.

“És privilegiado!” Disseram, “És o único NeOlisipiano a ver este sítio!”. Estou a parafrasear, claro; a minha memória não é perfeita e, de facto, a palavra “NeOlisipo”, e por consequência as suas variantes, provou-se demasiado bizarra para ser verbalizada pela maior parte dos não-membros. Não obstante, terão dito algo do género. O sítio em questão era um armazém cheio de canastras de cerveja, pilhas incontáveis delas, e nós (entenda-se, eu e alguns dos da terra, que ali me guiaram) éramos não mais de meia dúzia. Para quem está a franzirse com a noção de beber cerveja directa da canastra: não se preocupem, havia um frigorífico a servir de intermediário. A bebida e a conversa fluíram, ainda passeei mais uma vez pela Vila (em virtude de uma visita a uma pastelaria/padaria local pouco frutífera, pois ainda não havia nada preparado), e acabaram por me levar de carro ao suposto local onde era suposto as tunas visitantes passarem a noite. Deixaram-me diante de uma escola, aparentemente numa ponta da localidade, cujo pavilhão desportivo estava aberto e com uma luz acesa, apesar de estar completamente silencioso. Deixaram-me com a indicação “É por essa porta aberta, donde vem a luz.". Dei por mim sozinho à noite, nas extremidades de uma terra desconhecida, mas ao menos tinha uma ideia de para onde era suposto ir. Segui a luz, que ao entrar no Pavilhão, verifiquei ser a única acesa. Ia eu a explorar o edifício quando  vi, para meu grande espanto, uma mulher a segurar uma luz, seguida de outras mulheres, em direcção a um corredor, qual procissão obscura. “Pessoas!”, pensei, e fui rapidamente em direção a elas. A que segurava a lanterna olhou para mim e disse  “A tua casa de banho é daquele lado”, apontando para a entrada de um balneário, dirigindo-se seguidamente para o do lado oposto. Foi aí que olhei na direção de onde elas tinham vindo e, na escura expansão do pavilhão vi vários corpos em repouso, espalhados pela área destinada à atividade física. Tinha chegado ao meu destino.


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RECEITAS

quiche de cogumelos e espinafres

ana raquel alves

ingredientes 300g de espinafres frescos 4 ovos 1 embalagem de cogumelos Queijo mozzarela (ou outro tipo de queijo) Azeite Sal e pimenta q.b.

preparação 1. Numa frigideira, salteia os cogumelos com um pouco de azeite durante cerca de 5 minutos. Posteriormente, retira os cogumelos da frigideira e guarda-os num recipiente. 2. Na mesma frigideira, cozinha os espinafres cerca de 3 minutos com um pouco de água. 3. Numa taça, bate os ovos, junta os espinafres e  os cogumelos e adiciona o queijo, o sal e a pimenta. 4. Distribui a mistura numa forma de  cupcakes  e leva ao forno, préaquecido a 190ºC, durante 20 a 25 minutos. 5. Deixa tudo arrefecer antes de desenformar.

baba de camelo ana raquel alves

ingredientes 7 ovos; 1 lata de leite condensado cozido; 1\2 pacote de bolacha maria (opcional);

preparação 1. Separa as gemas das claras e bate as claras em castelo. 2. Num recipiente bate bem as gemas e o leite condensado, até se formar uma mistura homogénea. 3. Posteriormente, adiciona as claras em castelo à mistura e envolve-as lentamente com uma colher de pau. 4. Por fim, leva a mistura ao frigorífico. Se quiseres cortar um pouco o sabor doce, adiciona bolacha maria triturada por cima, no final.


NOVA em Folha o jornal da aefcsh. Podes enviar as tuas propostas para a edição de Novembro até dia 30! envia p/ novaemfolha.ae@fcsh.unl.pt Textos, poemas, críticas, bitaites, reviews, notícias, receitas, entre outras palavras!

NOVA em Folha um jornal feito pel@s estudantes para @s estudantes


para passares o tempo...

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1. Centra-se na descrição da língua portuguesa e nas modalidades da sua utilização como meio de comunicação e de perceção da realidade cultural e social envolvente. 2. Ciência que tem por objetivo o estudo da superfície terrestre e a distribuição espacial de fenómenos significativos na paisagem. 3. Envolve a recolha, seleção e interpretação de informação proveniente de investigação documental e de campo nos domínios musicológicos e a aquisição de competências para comunicar informação, ideias e aspetos de prática musical a diferentes públicos. 4. Ciência que tem como objeto o estudo sobre o ser humano e a humanidade abrangendo todas as suas dimensões. 5. Centra-se nas línguas europeias de maior difusão e nas suas culturas e literaturas. 6. Significa literalmente «amor pela sabedoria». 7. Ciência humana que estuda o comportamento humano em função do meio e os processos que interligam os indivíduos.

8. Ciência que estuda o ser humano e sua ação no tempo e no espaço concomitantemente à análise de processos e eventos ocorridos no passado. 9. Estuda as particularidades da riqueza cultural e patrimonial da Humanidade, aliado à compreensão dos valores históricos e artísticos próprios de cada comunidade. 10. Envolve o estudo de sistemas de organização humana, que tentem assegurar segurança, justiça e direitos civis, e as relações entre si. 11. Ciência que interpreta o significado de um texto numa língua e a produção de um novo texto em outra língua com sentido equivalente. 12. É a ciência que estuda as culturas e os modos de vida das diferentes sociedades humanas a partir da análise de objetos materiais. 13. Área de formação interdisciplinar em expressão cultural portuguesa, facultando o seu relacionamento com outras áreas de estudo, culturais ou linguísticas. 14. Ciência que significa "ação de participar".

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NOVA em Folha | Outubro 2019  

A edição de Outubro do jornal NOVA em Folha da AEFCSH já está disponível! Com uma nova imagem, linha gráfica e rubricas, esta edição conta c...

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