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Revigorada Explosão de alegria marca ingresso de novos estudantes

Dados apontam melhora da Instituição

A UFPB implantará novo Centro de Reabilitação Funcional

Programas e convênios possibilitam estudo no exterior


Editorial Completamos um ano dirigindo os destinos da Universidade Federal da Paraíba. Antes de qualquer coisa, desejo que todos saibam o quanto me honra assumir essa posição de liderança da comunidade de uma Instituição a quem eu dediquei o melhor de minha vida e dos meus esforços profissionais e acadêmicos. A UFPB sempre foi a minha vida, desde que aqui entrei pela primeira vez numa sala de aula como estudante, e aqui permaneci para seguir minha carreira de professora e administradora. Por isso, quando assumimos a reitoria da UFPB há um ano, pela vontade soberana dos professores, técnicoadministrativos e estudantes, estava tomada por imensa alegria, mas também preocupada com os imensos desafios que tínhamos pela frente.E todos que comigo assumiram esse trabalho o fizeram sem que conhecessem minimamente a situação em que encontraríamos a UFPB, porque, como todos sabem, a atual gestão se iniciou sem nenhuma transição. Fui nomeada numa terça, dia 13 de novembro, e tomei posse numa sexta, 19 de novembro. Mas, não havia o que fazer. Era, como diz o adágio popular, trocar o pneu com o carro em movimento. E assim o fizemos, enfrentando todos os percalços que se pode imaginar. O primeiro desafio foi superar a acomodação administrativa e fazer a UFPB respirar novos ares. Era mais do que preciso descentralizar a gestão, dividindo poderes, responsabilidades e recursos com diretores de centro e com toda a comunidade. Criamos novos mecanismos e novos critérios para a divisão e aplicação do orçamento. Instituímos o programa Universidade Participativa, que envolveu a comunidade dos centros na definição de prioridades de investimentos. Determinamos o fim de toda e qualquer discriminação política e estabelecemos critérios impessoais na relação administrativa com os Diretores de Centro, pondo fim às odiosas discriminações a que eu mesma fui vítima. Ao longo do ano, fomos aperfeiçoando os mecanismos de diálogo com as representações da comunidade, colocando a negociação como instrumento de superação e possíveis diferenças e conflitos. Pretendemos manter esse caminho. Mesmo em meio às dificuldades de um ano difícil, fomos capazes de colher frutos desse trabalho integrativo entre a administração central e a comunidade universitária. A instituição, por exemplo, melhorou na avaliação realizada, este ano, pelo Ministério da Educação: avançamos do conceito 3 para o 4 numa escala que vai a 5. Também conquistamos o primeiro lugar no país em número de propostas aprovadas com recursos financeiros do PROEXT, quando conseguimos aprovar 89% das propostas enviadas ao MEC, que resultou numa captação de R$ 4.982 milhões em recursos para o trabalho na extensão. No campo da pesquisa, conquistamos o primeiro lugar no Nordeste e o quinto no país na aprovação de recursos no CT-Infra. O feito permitirá ampliar nossa infraestrutura com recursos na ordem de R$ 9.603 milhões. Esses são exemplos de avanços que pretendemos aprofundar para reconduzir a UFPB à condição de excelência que seu tamanho, importância social e qualificação que seus servidores exigem. Ainda há muitos desafios a serem superados e vencidos. Mas, temos tudo para creditar que estamos no caminho certo. Contamos com a dedicação, o esforço e o apoio da comunidade da UFPB para continuarmos avançando. Que 2014 seja melhor do que foi 2013 para a UFPB. Margareth Diniz Reitora UFPB

edição nº 04


SUMÁRIO

Administração Reitora: Margareth De Fátima Formiga Melo Diniz Vice-Reitor:

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Trotes e ritos de iniciação

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Universidade sediará Centro de reabilitação

Clivaldo Silva

8

Administração visa melhorias na Biblioteca Central

Pró-Reitoria de Assistência e Promoção ao Estudante (PRAPE):

10 Hospital Universitário instala novos equipamentos de radiologia

Eduardo Ramalho Rabenhorst Pró-Reitoria de Administração (PRA):

Thompson de Oliveira Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (PRAC): Orlando Vilar Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (PROGEP):

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Fórum Universitário

12 Programas e convênios possibilitam ao estudante estudar no exterior

Francisco Ramalho

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Assuntos comunitários

Pró-Reitoria de Graduação (PRG):

16

Dados apontam para uma UFPB revigorada

Ariane Sá

18 Ações de apoio garantem permanência de estudantes na Instituição

Pró-Reitoria de Planejamento (PROPLAN): Marcelo Sobral Pró-Reitoria de Pós Graduação (PRPG): Isac de Medeiros Prefeitura Universitária (PU):

19 Serviço de Atenção à Saúde atendeu 2 mil pessoas em 2013 20

Sérgio Alonso

ano

Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI):

21

Pedro Jácome

Pantentes: Pedidos de registros dobram em um

PRPG amplia oferta de vagas e cursos de PósGraduação

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Expediente Editor Derval Golzio Redatores/Estagiários Luan Matias Peter Shelton Rômulo Jefferson Wallison Costa PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Thales Lima CONTATO ufpbemrevista@gmail.com facebook.com/ufpbemrevista UFPB em revista está vinculada a Assessoria de Comunicação da Universidade Federal da Paraíba. João Pessoa - PB Novembro - 2013

Universidade Participativa destina recursos para investimentos em Centros da UFPB

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PSTV facilita transferência de alunos entre Universidades

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Bit Week

26

Espaço urbano é tema de evento

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Concertos Internacionais

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Curso de Direito obtém nota máxima no Enade

30

Pesquisa traça perfil dos estudantes

32

PRG cria ações de incentivo e melhorias na graduação

33

Livro Paraíba Potiguara

34

Matizes da Sexualidade

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II Semana Afro-Paraibana


Trotes e ritos de iniciação

Explosão de alegria marca ingresso de novos estudantes Por: Derval Golzio

Os ritos de passagem ou de iniciação marcam, desde muito, a existência humana. Em muitos deles é possível perceber o olhar assustado ou de reprovação que uma cultura exerce sobre outra. Assim também funciona com os trotes universitários. Há quem perceba na forma e no modo da celebração de entrada no mundo universitário uma explosão de alegria, de uma etapa vencida e mesmo como entrada definitiva ao mundo dos adultos. Mas, esses ritos também enfrentam, muitas vezes, o olhar enviesado e cheio de desconfiança, comum entre adultos. Quase sempre os ritos de passagem ou de ingresso no mundo universitário são marcados pela pintura “quase tribal” em que os iniciados são submetidos. Rostos e corpos pintados, empanados – após lambuzados de ovos – dão a tônica e conferem às universidades a marca da revigoração. Lembram, em muitos casos, as passagens experimentais das crianças ao exercerem suas potencialidades de desenhistas rupestres nas pareces e portas das residências em que habitam, em livros e mesmo em seus corpos. No geral, as canetas e peças de maquiagem esquecidas por pais, mães, familiares e amigos em lugares de fácil acesso, são os instrumentos que marcam os espaços, encantam alguns (que

por muito tempo guardam os sinais da travessura) e aborrecem os mais sisudos. Nos ritos de passagem universitários, mais conhecidos como trotes, as travessuras possuem muita semelhança com os exercitados por quase todas as crianças que tiveram a oportunidade de estrear desenhos irreconhecíveis e formas pós-modernas de pintura nas paredes de salas e quartos, com o batom e canetas dos pais. As formas e os modos dos ritos são diferenciados,. Mas, em todos, a celebra-

ção está diretamente ligada a uma período de superação (Enem, vestibular ou afins) e a entrada no “mundo dos adultos e responsáveis”, independente da localidade regional onde se processa. O trote de iniciação os iguala. Por algum momento eles não são os integrantes da classe A ou E, (embora as universidades, por razões decorrentes das desigualdades de oportunidades estejam povoadas com mais intensidade com is integrantes da primeira classe). No momento em que se proces-


Nem todos os que ingressam participam das atividades. Os mais adultos e os mais tímidos preferem ficar de fora. Alguns assustados. Outros, já adultos, veem no ato um momento de infantilidade. Para esses, o mais recomendado, embora nem sempre aconteça, é manter o respeito pela abstinência comemorativa. Os excessos devem ser evitados e condenados. Vale a alegria e o reconhecimento às diferenças.

outras formas de processamento. Recentemente, o trote tem recebido orientações “politicamente corretas”. É o caso do trote verde, iniciado pela equipe de gestão ambiental da Instituição. Nele, os estudantes que ingressam na universidade são chamados a participar do plantio de árvores no interior do próprio Campus.

A forma diferente, embora traga consigo alegria mais contida, refletem uma importante forma de contribuição para a manutenção do espaço do campus arborizado. As constantes construções de novos espaços de sala de aula e laboratórios têm contribuído para a derrubada de árvores e a preocupação com o replantio representa uma ótima forma de iniciação. Foto: Nayane Maia

sam os ritos de iniciação eles, sem exceções, são estudantes vencedores, prenhe de sonhos. O rito, a festa os aproxima. Em muitas são estabelecidas amizades duradouras que juntam estes adolescentes por anos e os acompanham até a velhice. Algumas celebrações conjugais também tem início na celebração. Algumas para toda a vida. Outras infinitamente, enquanto dura.

Na UFPB como em muitas universidades espalhadas pelo Brasil os ritos de iniciação são uma explosão de alegria. Refletem o ciclo natural da vida acadêmica, onde os que saem ou passam a uma nova fase, cedem espaço para os sedentos de saber. Que sejam bem vindos ao “novo mundo”. As desilusões, os percalços, as dificuldades fazem parte da caminhada. Passado o ritual de iniciação, estudar, conhecer.

Outras Formas Os rituais de iniciação do estudante universitário têm adquirido

Trote Ecológico: estudantes de Comunicação no replantio de árvores no Campus I


Maquete produzida pelos engenheiros/arquitetos da Prefeitura Universitária

Universidade sediará Centro de reabilitação funcional Por: Wallyson Costa

A UFPB, em parceria com o Hospital Sarah Kubitschek, implantará em seu Campus I um novo Centro de Reabilitação Funcional. De acordo com a Reitora Margareth Diniz, “é histórico, e uma conquista ímpar para o estado e para a região, para saúde e para a sociedade. Agora o Hospital Universitário contará com um serviço completo de ortopedia e traumatologia, que não temos até então”, relata. Ainda Segundo Margareth, o centro virá em boa hora e terá suma importância para toda a Paraíba, já que será o primeiro no estado com essa funcionali6 

  UFPB em revista

dade. Em um futuro próximo, o centro permitirá a realização de procedimentos extremamente necessários e que, no geral, fogem do alcance da população por serem de alto custo, e pela falta de acesso nos hospitais da rede pública. Dados disponibilizados pelo IBGE dão conta que, na Paraíba, existem mais de um milhão de portadores de algum tipo de deficiência, e essa já é uma demanda que o centro de reabilitação da UFPB terá que lidar a partir da sua inauguração, já que, atualmente, todo paciente que necessita de atendimento des-


1 ano de gestão

se porte teria que se deslocar a Recife ou Fortaleza. Diniz ressalta que “Recife possui a AACD, Salvador e Fortaleza também possuem centros Sarah, é uma grande conquista para nós, e fará toda a diferença”. Para o Centro de Reabilitação, a perspectiva é que a licitação seja feita ainda em 2013, e que já no início de 2014 comece a construção e aquisição dos equipamentos. Em 2015 já se espera que o centro esteja funcionando e recebendo pacientes. Também dentro do projeto, está a criação do serviço de neurocirurgia no HU. Esta é uma tentativa de voltar com os serviços de média e alta complexidade no Hospital Universitário. A função de comandar esse novo atendimento será do Professor Ronald Lucena, que há 15 anos se dedica a área. Segundo Ronald, “O HU tem grande tradição na assistência a comunidade paraibana, porém infelizmente nos últimos anos estava fazendo muito mais assistência elementar do que assistência especializada. Esta é uma retomada do caráter de alta complexidade”, afirma. Lucena revela a expectativa de iniciar o serviço de neurocirurgia do HU já em 2014, a depender apenas do início do funcionamento da Ebserh no hospital. “Hoje o grande problema do HU é o déficit de pessoal, e a autonomia pra comprar equipamentos. Se instalando a Ebserh ficará mais fácil de suprir os recursos humanos. Pra se ter uma ideia estima-se que serão mil funcionários, entre médicos, enfermeiros, nutricionistas, pra colocar o HU em pleno vapor”.

Emenda Parlamentar A construção desse centro teve inicio a partir de emenda do Senador Vital do Rêgo e da Deputada Federal Nilda Gondim, que resultou na obtenção de um recurso inicial de R$5 milhões para o projeto. Esse recurso será utilizado inicialmente para construção do prédio que abrigará o centro, e para compra dos primeiros equipamentos.

UFPB em revista 

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1 ano de gestão

Administração visa melhorias na Biblioteca Central Por: Peter Shelton

Apesar dos problemas e reclamações enfrentados nos últimos anos, a Biblioteca Central da UFPB planeja uma reestruturação nas instalações e na renovação do seu acervo. As aquisições de livros estão ganhando mais importância. Atualmente, além da Biblioteca Central, existem as bibliotecas setoriais, que vem ganhando especial atenção nos últimos anos, conforme atesta Suely Pessoa: “Os livros que estamos comprando nos últimos anos se direcionam às bibliotecas setoriais. É necessária a aquisição de novos livros. A Biblioteca Central executa a compra, mas não decide o que vai comprar. As responsáveis pelas esco8 

  UFPB em revista

lhas são as bibliotecas setoriais.” Somente em 2013, foram investidos mais de 1 milhão de reais na aquisição de livros, principalmente para os novos cursos. A proposta da gestão da reitora Margareth Diniz é aumentar esse orçamento. Devido à excessiva umidade e pelas infiltrações existentes fizeram com que muitas estantes, apesar de novas, já estejam deterioradas pela ferrugem. A diretora do sistema de bibliotecas declarou que existe um projeto para a aquisição de novas estantes para a sessão de periódicos: “Existe a proposta para adquirir estantes deslizantes, já que é um setor restrito aos funcionários. O espaço seria reduzido em um terço


1 ano de gestão

Segundo Suely Pessoa, diretora do sistema de bibliotecas da UFPB, o projeto de reorganização está sendo viabilizado e que reparos pontuais estão sendo feitos aos poucos: “Temos um projeto de reestruturação da Biblioteca Central, os serviços estão sendo feitos em partes, mas reconhecemos que muito precisa ser feito. O telhado, do segundo andar, que deu infiltração já foi consertado.” A diretora ainda reconheceu outros problemas estruturais, como o problema técnico que fez com que o elevador, que tinha 32 anos de funcionamento, ficasse sem funcionar. “O antigo elevador deixou de funcionar e outros dois elevadores já foram providenciados: um para a comunidade acadêmica, que já está em funcionamento e outro para o uso dos funcionários, que está em fase de acabamento.”

títulos ainda está em inglês, mas o Ebrary possui um sistema de acessibilidade. Segundo Suely Pessoa, o funcionamento é simples e o cadastro pode ser efetuado no site da instituição: “É como se fosse uma biblioteca de verdade, o usuário faz um cadastro no site da biblioteca e pode pegar um e-book emprestado e colocar na estante virtual durante o período do empréstimo”.

Fotos: Wallyson Costa

e elas vão evitar a umidade e os fungos. Infelizmente não existem condições para a maior parte do acervo, pela falta de mobilidade dessas estantes.”

De acordo com Pessoa, existe um projeto para a climatização dos setores e salas de aula da Biblioteca Central, mas que sua implantação não é fácil: “Temos um projeto de mudar toda a fiação elétrica e em relação à climatização, já veio equipe de técnicos da prefeitura para fazer medições no local. O prédio é de pergolado, a climatização é difícil e só podemos climatizar setores fechados.” Ainda segundo a diretora, não há previsão para o começo das obras.

Biblioteca virtual Desde 2011, a Biblioteca Central dispõe de um acervo com e-books, disponibilizados para a comunidade acadêmica. Foram disponibilizados mais de 85 mil títulos através do Ebrary, base de livros eletrônicos da Pro-Quest. A maioria dos

Atualização do acervo é uma das metas prioritárias


1 ano de gestão

Hospital Universitário instala novos equipamentos de radiologia Por: Peter Shelton

Após longo período estacionado nos corredores do Hospital Universitário Lauro Wanderley os equipamentos de ressonância magnética, dois mamógrafos, um tomógrafo e dois raios-x teleguiados serão efetivamente instalados. Vencidas as etapas necessárias para a reestruturação dos espaços, o pleno funcionamento está previsto para abril de 2014. Para a diretora administrativa do HU, Rovênia Ximenes os equipamentos são de extrema importância e vão beneficiar muitos usuários do Sistema Único de Saúde (Sus) com a disponibilização de 150 exames por dia. A falta de infraestrutura do prédio para a instalação dos equipamentos prejudicaram e atrasaram sobremaneira a sua instalação. De acordo com Rovênia, os equipamentos chegaram em janeiro de 2012, mas o HU não tinha a estrutura necessária para receber esses equipamentos. “Tivemos que procurar como realizar os projetos para que fosse realizada a instalação dos instrumentos de radiologia. Ainda em 2012, tivemos contato com o então reitor Rômulo Polari, com a Prefeitura Universitária e passamos todo o ano tentando conseguir a realização desses projetos com-

Foto: Rômulo Jefferson

plementares”, lembrou. Segundo Ximenes, após a posse da atual reitora, Margareth Diniz, o projeto da instalação das novas máquinas de radiologia foi retomado e a licitação foi realizada, tendo sido concluída em outubro. “Em 17 de outubro assinamos o contrato e pudemos dar inicio às obras para a readequação do ambulatório” atesta a diretora administrativa do HU. Entre as obras que serão realizadas no local, está a implantação de uma rede elétrica exclusiva para os novos equipamentos, uma rede hidráulica e um importante sistema de climatização. De acordo com a Rovênia Ximenes, a previsão é que os novos equipamentos estejam em funcionamento em 180 dias e que as dificuldades na implantação do projeto se deram em função da complexidade na instalação dos novos instrumentos. “Por isso tantas dificuldades na realização do projeto. Haviam adaptações específicas para a instalação desses equipamentos, mas, o mais importante, depois de tantos atropelos, é almejar para que em seis meses os equipamentos estejam disponiveis para a população.”


1 ano de gestão

Fórum Universitário Presença de Cristovam Buarque encerra agenda de 2013

foto: Geraldo Magela - Agência Senado

Por: Rômulo Jefferson

Federalização do Ensino é o tema do debate proposto por Buarque

A participação do senador Cristovam Buarque marcará a realização da sexta conferência do Fórum Universitário que acontecerá no dia dois de dezembro. O debate irá abordar a problemática do ensino no Brasil, especificamente a federalização do ensino médio e fundamental das escolas públicas, projeto do senador. No mesmo dia, será realizada a cerimônia que concederá a Cristovam Buarque, o título de Dr. Honoris Causa, encaminhado pelo Centro de Educação da UFPB e proposto pelo professor Wil-

son Aragão, ocasião em que terá encerramento a programação do ano de 2013 do fórum, retomado após seis anos de inatividade. Para o coordenador do fórum, professor Iedo Fontes, a manutenção das conferências tem grande importância para a sociedade e a Instituição, destacando a notoriedade que a imprensa tem dado a cada conferencista que participa do fórum. “O fórum deixou de ser realizado entre seis e oito anos. Foi proposta de campanha da reitora Margareth Diniz e nós conseguimos fazer com que o fórum funcionasse. O destaque recebido mostra que o fórum não deveria ter sido desativado, porque é uma instância importante e a Paraíba precisa discutir temas de interesse geral. Nós estamos rompendo com essa muralha criada entre a sociedade e a instituição”. Outras cinco conferências do fórum foram realizadas em 2013, uma média de uma a cada dois meses. Os temas abordados são de interesse de toda sociedade e os mais variados. Como saúde, que teve a presença do Dr. Miguel Nicolelis, Marcos Formiga, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Dr. José de Siqueira e a conferência que abordou as tendências das novas tecnologias para os próximos 25 anos. A programação para 2014 já está sendo pensada, mas só será divulgada a partir de fevereiro. A tendência, já que é um ano de campanha eleitoral, é fazer debates com os presidenciáveis, ou pelo menos o vice deles, a ser realizados como em 2013, a cada dois meses, encerrando o ano com pelo menos seis conferências. UFPB em revista 

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Conhecimento sem fronteiras Programas e convênios possibilitam ao estudante estudar no exterior Por: Wallyson Costa

A possibilidade de estudar fora do país possui histórico bastante recente e está diretamente ligado ao salto econômico vivenciado pelo país. Na última década, o Brasil tem apresentado um crescimento econômico que não se via desde os “Planos de Metas”, de Juscelino Kubitschek. Porém, agora, com uma diferença que surpreende economistas: crescimento com inclusão de renda.

surpreendentes, mas depois de comprar eletrodomésticos, financiar a casa própria e comprar um carro novo, essas famílias agora estão ‘ganhando o mundo’.

Atualmente, famílias e o próprio governo perceberam que, para haver um crescimento mais sólido na economia familiar, é necessário um investimento em educação. Desde 2003, quando se iniciou o governo do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, mais de 42 milhões de brasileiros ascenderam da pobreza para a classe média (com renda per capita entre R$291 e R$1.019). Os números de elevação de classe da população brasileira, por si só, já seriam Ilustrações: Thales Lima

UFPB oferece variedade de oportunidades para Intercâmbio de estudantes A UFPB oferece várias oportunidades para que seus discentes estudem no exterior através de várias modalidades de intercâmbio. Dessa forma a oportunidade de fazer parte da graduação ou pósgraduação fora do Brasil se torna mais presente na vida acadêmica do universitário, seja através de incentivos e programas do Gover-

no Federal ou mesmo de convênios entre instituições. Para os estudantes que pretendem obter incentivos e realizar parte de seu curso em outro país por até um ano (graduação) e dois anos (pós-graduação), existem programas como o Ciência sem Fronteiras, do Governo Federal que busca promover a consolida-

ção, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. A iniciativa é fruto de esforço conjunto dos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação (MEC), por meio de suas


respectivas instituições de fomento – CNPq e Capes –, e Secretarias de Ensino Superior e de Ensino Tecnológico do MEC. O projeto prevê a utilização de até 101 mil bolsas em quatro anos para promover intercâmbio. Tem como objetivo possibilitar aos alunos de graduação e pós-graduação a realização de estágio no exterior, com a finalidade de man-

ter contato com sistemas educacionais competitivos em relação à tecnologia e inovação. Além disso, busca atrair pesquisadores do exterior que queiram se fixar no Brasil ou estabelecer parcerias com os pesquisadores brasileiros nas áreas prioritárias definidas no Programa, bem como criar oportunidade para que pesquisadores de empresas recebam treinamento

especializado no exterior. No Ciências sem Fronteiras, o aluno recebe apoio financeiro para compra das passagens, material escolar, despesas para se instalar no outro país e ainda uma bolsa mensal para gastos com alimentação, transporte e etc. Essa última pode chegar a quase R$ 2.000 dependendo do país e do valor da moeda local.

UFPB sem fronteiras O Ciências sem Fronteiras se tornou, recentemente, a forma mais conhecida para se conseguir uma bolsa de intercâmbio em Universidades Federais. O programa do Governo Federal funciona na UFPB através de uma coordenadoria própria ligada a Pró Reitoria de Pós-Graduação. Dentro da Universidade existem também outras maneiras de se conseguir bolsas para o exterior.

cadastro para diversos países. No ano de 2013 foram disponibilizados três editais, e no total, 176 cadastros foram homologados. Segundo o Professor Isac Medeiros, Pró-Reitor de Pós-Graduação, para o aluno ser homologado tem que obedecer a certos critérios internos da Universidade, e o principal deles seria ter um Coeficiente de Rendimento Escolar (CRE) acima de sete.

As bolsas do Ciências sem Fronteiras chegam à UFPB através da Capes e CNPq e são regidas através de editais. Em cada edital são oferecidas possibilidades de

Após a homologação pela UFPB, todo o processo de seleção é passado para a Capes e CNPq. Ainda de acordo com o professor Isac, o programa Ciências

sem Fronteiras na UFPB já mandou 184 alunos para o exterior, sendo 82% alunos de graduação e 18% de pós-graduação. Grande maioria dos discentes que obteve bolsa, até o momento, é aluno dos cursos de engenharia, mas que também conta com alunos de outras áreas. Para Isac o intercâmbio do Ciências sem Fronteiras enriquece o ponto de vista institucional tanto para o aluno quanto para a UFPB.

Como fazer? As inscrições para o ciências sem fronteiras estão abertas até o dia 29 de novembro. No edital, disponível no site (www.cienciasemfronteiras.gov.br), foram disponibilizadas vagas para os Estados Unidos, Alemanha, França, Itália, Suécia, Noruega, Irlanda, China, Hungria, Japão e Áustria.

dato deve cumprir os seguintes requisitos:

Após a inscrição, feita através do próprio site, o processo de homologação será realizado pelas coordenadorias Institucionais do programa, que funcionam ligados a cada Universidade participante. Na UFPB a coordenação funciona no 2º andar do prédio da reitoria.

Ter sido classificado com nota do Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM - com no mínimo 600 pontos considerando os testes aplicados a partir de 2009;

Para participar do Ciências sem Fronteiras o candi-

Ser brasileiro ou naturalizado; Estar regularmente matriculado em instituição de ensino superior no Brasil em cursos relacionados às áreas prioritárias do Ciência sem Fronteiras;

Possuir bom desempenho acadêmico; Ter concluído no mínimo 20% e no máximo 90% do currículo previsto para o curso de graduação.


Santander Universidades A Assessoria para Assuntos Internacionais coordena bolsas oferecidas pelo banco Santander para que alunos da UFPB possam fazer parte da graduação ou pós-graduação em Universidades de várias partes do mundo. Há duas modalidades de bolsa de estudos que são oferecidas anualmente pelo banco Santander. A primeira delas é a Ibero-americana, onde são oferecidas cinco bolsas para alunos de graduação, com o valor de três mil euros. A UFPB nos dois últimos anos as tem destinado ao México. Duas das bolsas são para a Universidade Autônoma Metropolitana do México e as outras três os alunos podem escolher qualquer uma das Universidades mexicanas que participam do programa. Outro programa vigente já na sua 4ª edição, e que pela primeira vez a UFPB está participando, é a Bolsa Fórmula. Ela é disponibilizada não somente para alunos de graduação, mas também para os de pós-graduação, e é especialmente destinada para alunos carentes ou de baixa renda. O valor do auxílio é de cinco mil euros, cobrindo também as despesas com passagem do aluno bolsista. Destas, são oferecidas duas bolsas, sendo feita a distribuição de uma para graduação e uma para pós-graduação. Para elas não se impõe destino determinado, os alunos podem ir para qualquer

Universidade que esteja ligada ao programa. O Professor José Antônio Rodrigues, coordenador da Assessoria para Assuntos Internacionais afirma que para a seleção dos bolsistas, primeiramente, é feito o lançamento do edital no qual são estabelecidas as regras. “No programa Ibero-americano nós temos apenas a exigência que o aluno tenha um CRE igual ou acima de sete. Como nós contamos com cinco bolsas temos que dividir entre todos os centros. Então apresentamos um edital, no qual procuramos classificar os alunos de acordo com os centros. Uma vez separados os alunos que tiverem o maior CRE por centro, vamos para a segunda etapa onde ordenamos os alunos do maior para o menor CRE. Obviamente as bolsas irão para os cinco primeiros. Os dois primeiros poderão escolher entre a Universidade Autônoma Metropolitana do México ou outra de sua escolha, à medida que forem ocupadas as vagas da UAM irão ser disponibilizadas apenas as outras para os alunos que forem sobrando.” Para as bolsas oferecidas pelo Santander, o estudante deve procurar a Assessoria para Assuntos internacionais, no 3º andar da Reitoria da UFPB, ou checar o site da mesma (http://www.ufpb.br/aai/), onde se encontram todos os editais disponíveis para as bolsas, e toda a documentação necessária para inscrição.

Existem ainda outros projetos de ONGs que tem como objetivo o intercâmbio entre alunos universitários, sejam eles graduandos, mestrandos ou doutorandos. . Fundação Carolina: http://www.fundacioncarolina.es/ . Erasmus Mundus: http://erasmusmundusnobrasil.webs.com/ . Fundação Estudar: http://www.estudar.org.br/?idioma=1 . Fullbright Brasil: http://www.fulbright.org.br/ . Instituto Ling: http://www.institutoling.org.br/ . American Association of University Women: http://www.aauw.org/ . Amcham Brasil: http://www.amcham.com.br/ . Harvard Business School Program: http://www.hbs.edu/ . Organization of American States: http://www.oas.org/en/default.asp . The Rotary Foundation: http://www.rotary.org/en/Pages/ridefault.aspx


1 ano de gestão

Assuntos Comunitários

Convênios com Prefeituras ampliam presença da UFPB na sociedade Foto: Rômulo Jefferson

Por: Rômulo Jefferson

disso, um outro convênio firmado com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), totaliza o montante de 206.000,00 dividido entre festivais de cinema, exposições de fotografias e o projeto Empreendedorismo SEBRAE. O professor Lincoln Eloi, assessor técnico da Prac, explica que os convênios com as prefeituras não estabelecem orçamentos específicos. A UFPB oferece, por meio de agenda que ainda será formulada para 2014, uma série de atividades que já são desenvolvidas por bolsistas e participantes de projetos da instituição para as cidades e, em contrapartida, os municípios oferecem estadia, alimentação e transporte para ocasiões em que a universidade não tenha veículos disponíveis. Para Eloi, “essa é uma oportunidade para a instituição estar onde ela ainda não chegou,” já que também deverão ser desenvolvidas atividades que ofereçam suporte às escolas desses municípios através da Pró-reitoria de Graduação, entre outras.

Lincoln Eloi, um dos responsáveis pelos convênios

A UFPB, através da Pró-reitoria de Assuntos Comunitários (PRAC), criou o programa de extensão “UFPB no seu município,” visando aumentar a representação do seu papel social. Pelo menos nove parcerias já foram firmadas com prefeituras e oito estão em processo de finalização. Cabe destacar que a extensão da Universidade Federal da Paraíba arrebatou o 1º lugar no país em número de propostas de extensão classificadas com recursos financeiros. A parceria firmada com as prefeituras visa oferecer à comunidade atividades como cursos, oficinas, palestras, treinamentos, workshops. Como por exemplo, o Encontro Estadual de Contadores de Histórias e o Festival de Cinema de Barra de Camaratuba. Além

Ainda sobre extensão, a instituição foi a que mais aprovou programas e projetos nacionalmente no Programa de Extensão Universitária 2014, também do Ministério da Educação. Foram aprovadas no total 48 propostas, sendo 27 programas e 21 projetos, representando um total de financiamento de R$ 4.982.325,70, 45,5% a mais que 2013. Já o Programa Novos Talentos, obteve duas propostas contempladas e um total de financiamento de 400.000,00.

Prefeituras que já assinaram convênio com a UFPB: Cabedelo - Arara - Areia - Solânea - Câmara Municipal de Bananeiras - Casserengue Bananeiras - Itapororoca - Guarabira

UFPB em revista 

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1 ano de gestão

Dados apontam para uma UFPB revigorada Por: Derval Golzio

“Eu vos dei as raízes. Outros vos darão asas... e o selo da perpetuidade” (José Américo de Almeida)

A UFPB, em 2013, obteve importantes avanços nos campos do ensino, da pesquisa e da extensão. Para que as melhorias ocorressem, a correção de rumos teve fundamental importância. Os resultados são visíveis: a instituição, por exemplo, galgou o conceito 4 na avaliação do Ministério da Educação. O significado desta melhoria é mais bem compreendido ao analisar que dentro de uma escala de cinco pontos percebemos que saímos do mediano conceito 3 e agora integramos uma faixa qualificativa acima da média.

Foto: Luan Matias

Conceito 4 Avaliação dos técnicos do Ministério da Educação, realizada ainda no primeiro semestre de 2013, conferiu à UFPB conceito 4 (numa escala de 0 a 5) no conceito da UFPB: salto qualitativo, quando é sabido que até 2012 a Instituição não ultrapassava o mediano conceito 3 nas avaliações.

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  UFPB em revista

Iniciação Científica

1.594 Bolsas

R$ 400

Aumento expressivo na concessão de número de Bolsas de Iniciação Científica, de 44,4%, com recursos da instituição. Em 2012 foram ofertadas 347 e em 2013, 501 bolsas. Somando-se as bolsas que integram a cota do CNPq a UFPB chegou a mil bolsas de Iniciação Científica.

Duplicação do número de bolsistas (Estágio, Prolicen, Monitoria e Promeb) concedidas em comparação a 2012 demonstram a preocupação com o aprendizado e ampliam a permanência dos estudantes até final do Curso. Até 2012 as bolsas contemplavam 762 estudanttes.

Unificação do valor básico pago para as várias modalidades de bolsa (estágio, monitoria, extensão, etc.) como o do Programa de Iniciação Científica. A diferença nos valores minimizou a evasão dos bolsista de outros projetos em função da melhor remuneração do Pibic.


1 ano de gestão

O resultado da avaliação do Mec é importante pelo reconhecimento da UFPB no contexto externo. Mas é ainda mais importante pelos efeitos que produzem internamente: a alta estima por parte da comunidade universitária em ter seus esforços reconhecidos. De acordo com a reitora Margareth Diniz, a elevação de conceito deve ser creditada aos professores, funcionários técnicos administrativos e ao corpo discente. Margareth Diniz aponta o trabalho cooperativo e o caráter inquieto e realizador da comunidade universitária como fundamentais no processo evolutivo da universidade. Para ela, o caráter colaborativo entre a administração e a comunidade universitária deve sobressair e suplantar personalismos. “Se há méritos a ser creditados aos gestores que assumiram os rumos administrativos da UFPB eles devem ser creditados a compreensão de que a gestão em solitário não avança rumos às melhorias ansiadas, mas ao crédito que depositamos nos segmentos que compõem a comunidade universitária e a cooperação”, pondera. A colaboração e o caráter inquieto e integrado com a sociedade em que está inserida levou a universidade ao primeiro lugar no país em número de propostas aprovadas com recursos financeiros (PROEXT/ SESU/MEC), potencializando as ações da UFPB.

Ao todo foram 31 programas e 32 projetos aprovados num total de 70 enviados (89% de aprovação). Deste total de 63 aprovações 27 programas e 21 projetos resultaram num total de R$ 4.982 milhões em recursos para a execução. Para além da nova metodologia empregada para aprovação dos projetos em nível local a serem enviados para a disputa nacional, é importante registrar o acolhimento e a determinação da comunidade. A metodologia possibilitou que os projetos e programas mais robustos e integrados às aspirações e necessidades de ações por parte da universidade. “No entanto, é fundamental registrar o empenho dos elaboradores dos projetos para que a nossa Instituição galgasse mais esse índice histórico” reforçou a reitora. Outro dado importante para registro, e que mostra um melhor posicionamento da UFPB no cenário nacional, diz respeito a aprovação de recursos através de Chamada Pública do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI)/Fundação de Apoio à Pesquisa, Ensino e Extensão (FINEP)/CT-Infra. A Universidade Federal da Paraíba obteve a primeira colocação no ranking da região Nordeste e a quinta colocação em nível nacional com recursos na ordem de R$ 9.603 milhões.

Mais Extensão

CT-Infra

RU Campus IV

Mais Segurança

Ao todo foram 31 programas e 32 projetos aprovados num total de 70 enviados (89% de aprovação). Deste total de 63 aprovações 27 programas e 21 projetos resultaram num total de R$ 4.982 milhões em recursos para a execução. A UFPB está, hoje, mais integrada a sociedade.

Através de Chamada Pública do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI)/Fundação de Apoio à Pesquisa, Ensino e Extensão (FINEP)/CT-Infra, a UFPB obteve a 1ª colocação no ranking da região NE e a 5ª colocação nacional com recursos de R$ 9.603 milhões.

A abertura do Restaurante Universitário do Campus IV (Rio Tinto e Mamanguape) supriu uma das carências mais sentidas pelo corpo discente. O RU instalado em Rio Tinto (que deveria ter sido entregue desde 2011) fornece refeições para os alunos dos cursos de Mamanguape

Com recomendações da Comissão criada pelo Consuni (que avaliou e propôs medidas de segurança para a Instituição), a adminsitração investirá R$ 3,9 milhões na aquisição e instalação de câmeras e central de monitoramento. O investimento busca bem- estar da comunidade.

UFPB em revista 

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1 ano de gestão

PRAPE Ações de apoio garantem permanência de estudantes na Instituição Por: Rômulo Jefferson

Foto: Rômulo Jefferson

pedagogia, biblioteconomia e psicopedagogia.

Ampliação no número de comensais integra ações da PRAPE

A redução da taxa de evasão dos estudantes da UFPB (apenas cerca de 40 em 100 concluem os cursos de graduação) tem sido uma preocupação da Pró-reitoria de Assistência ao Estudante (Prape). Ela é responsável por criar condições favoráveis para a permanência de estudantes na instituição. Nesse sentido, a Prape expandiu, em 2013, o número de vagas nas residências e restaurantes universitários, aumentou os investimentos em passagens (aéreas e terrestres) para participação de estudantes em eventos acadêmicos e criou os Grupos de Trabalho (GTs) para garantir a acessibilidade dos estudantes com deficiência e o projeto para construção do seu Centro de Inclusão e Acessibilidade, além da efetivação da Política de Acessibilidade e Inclusão da UFPB. Através da Bolsa Apoiador, programa que designa um estudante para dar apoio ao aluno portador de deficiência, a UFPB atende 300 pessoas, em 2012 eram apenas 22. Ainda sobre acessibilidade, foram criadas 20 vagas para os Grupos de Trabalho, responsáveis por fomentar na instituição a política de inclusão e acessibilidade. Os GTs têm participação de bolsistas dos cursos de arquitetura, terapia ocupacional, 18 

  UFPB em revista

O programa Estudante Convênio de Graduação (PEC-G) da UFPB ao Auxílio Financeiro Projeto MEC/PREMISAES assiste 38 alunos, sendo 20 bolsistas, que busca aumentar o intercâmbio científico e cultural entre o Brasil e outros países, em especial os africanos. Com a finalidade de inserir melhor os alunos estrangeiros que chegam à instituição, foi disponibilizado um estagiário em língua portuguesa para auxiliá-los. Também no tocante a assistência saúde e na ampliação da oferta de vagas para comensais no restaurante Universitário a Prape investiu significativamente. Os atendimentos odontológicos, realizados no Serviço de Atenção à Saúde (SAS), aumentaram de 1.300 em 2012 para 2.000 em 2013. O restaurante universitário do campus I (João Pessoa) registrou 3.600 comensais ativos no período de 2013.1, sendo oferecidas diariamente 2.500 refeições/almoço e 1.100 refeições/jantar. O investimento em gêneros alimentícios para todos os campi passou de R$ 5,3 milhões em 2012, para RS 6,4 milhões em 2013. Do ponto de vista dos investimentos financeiros, foram gastos RS 110 mil com combustível para o ônibus/serviços que atendeu mais de 2.700 alunos e R$ 55 mil com diárias para os estudantes. A compra de passagens aéreas e terrestres atendeu em 2013 mais de 50 alunos, em 2012 foram apenas 20. Por fim, o Programa Bolsa Permanência já atende 278 (50 indígenas) estudantes dos cursos de medicina, fisioterapia, farmácia e engenharia mecânica. Em relação a auxílio moradia e alimentação, a Prape mantém em funcionamento o restaurante e a residência universitária de Rio Tinto. Em Mamanguape, onde esses serviços ainda não funcionam, são pagas 350 bolsas alimentação no valor de 180,00 e 50 bolsas moradia no valor de 380,00.


Foto: Luan Matias

Serviço de Atenção à Saúde atendeu 2 mil pessoas em 2013 Por: Peter Shelton

O SAS (Serviço de Atenção à Saúde), vinculado ao CCS (Centro de Ciências da Saúde), prestou, em 2013, dois mil atendimentos, sendo mil consultas médicas e outras mil odontógicas. Atualmente, são mais de três mil pessoas cadastradas, sendo mil somente este ano. A clínica oferece várias especialidades médicas para a comunidade acadêmica, incluindo os prestadores de serviço terceirizados. Segundo Virgínia Siqueira a finalidade da clínica é prestar um serviço de qualidade: “O SAS é um serviço de atenção à saúde para a comunidade universitária e foi iniciativa minha e da professora Margareth Diniz, quando ainda era diretora do CCS.” Atualmente o SAS oferece atendimento médico em cardiologia, dermatologia, otorrinolaringologia, clínica médica e gastroenterologia. Conforme a diretora, quando o paciente necessita de uma especialidade médica que não é oferecida pelo serviço ou algum exame, a pessoa é encaminhada para o Hospital Universitário, que presta todo o suporte para a clínica. Segundo Virgínia Siqueira, o SAS passará a ser o CRAS [Centro de Referência de Atenção à Saúde], sendo órgão suplementar vinculado à reitoria e que terá toda a estrutura necessária para atender toda a comunidade universitária: “Queremos transformar o SAS em centro de referência na atenção à saúde. O projeto já está pronto para ser avaliado pelo Consuni (Conselho Universitário)”. Se aprovado, serviço contará com várias especialidades médicas como neurologia, ginecologia, urologia e pediatria. Além disso, o CRAS contará

com toda a estrutura disponível para a realização de exames e cirurgias de pequena e média complexidade como raio-X, ultrassonografia, eletrocardiograma, suturas e curativos. Além do atendimento médico tradicional, o CRAS irá oferecer o serviço médico complementar, conhecido como práticas integrativas: “Vamos disponibilizar as práticas alternativas como homeopatia, acupuntura, o reiki e a ioga” reitera. Outras duas especialidades que serão ofertadas pelo CRAS: o centro de atenção à saúde mental, que irá contar com psicólogos e psiquiatras no tratamento do vício em drogas e demais doenças mentais e as cirurgias bucomaxilofaciais, que permitirá a implantação de aparelhos e implantes dentários, bastando ao paciente se responsabilizar pela compra do implante. Para a diretora do SAS, o serviço oferecido ainda contará com projetos na área de pesquisa e ensino. “É um projeto muito ousado, pois além de dar assistência à comunidade universitária será um campo de ensino e pesquisa, cursos de treinamento, cursos de especialização e mestrado profissional.” Para o pleno funcionamento do serviço, será necessária a construção de um novo prédio com três andares e que será construído no estacionamento do departamento de Educação Física, como atesta a diretora: “Estamos em uma estrutura muito limitada, utilizamos o mesmo espaço desde 2010, planejávamos nos mudar para um prédio de 200 metros quadrados, ao lado da residência universitária, mas ele ainda é pequeno para o SAS, que precisará de um prédio ainda maior”. UFPB em revista 

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1 ano de gestão

PATENTES

Pedidos de registros dobram em um ano Por: Rômulo Jefferson

A Universidade Federal da Paraíba dobrou as requisições de patentes, passando de dez para 20 pedidos no período compreendido entre 2012 e 2013. Os resultados seguem a tendência de outras instituições, mas especificamente para a UFPB esse aumento em 100 por cento nos pedidos de registro de patentes é expressivo, se considerado o período de cinco anos atrás (2008) só houve duas requisições por parte da Instituição.O número de pedidos de patentes para pesquisadores da UFPB vem crescendo todos os anos. Atualmente, das 20 patentes, 12 já foram depositadas e oito estão em tramitação. Elas são do tipo Patente de Invenção (P.I.), mas existem ainda outros tipos de patentes em andamento, uma do tipo Modelo de Utilidade (M.U.) e três do tipo Programa (programa de computador). As áreas são variadas, mas em sua maioria pertencem aos fármacos, química medicinal, engenharia e petroquímica. Isaac Medeiros ressalta ainda a participação de pesquisadores da UFPB em patentes de instituições no exterior, como o Massachusetts Institute of Technology (MIT).

também é importante. E hoje a própria avaliação da pós-graduação contempla a produção de patentes. Eu acredito que definitivamente a Instituição acordou para essa cultura”. Também está em processo de criação a Agência de Inovação da UFPB, ela servirá para orientar e acompanhar melhor os pesquisadores que desejam patentear seus produtos e atender melhor a demanda de novos pedidos. “Isso mostra o potencial que nossa universidade tem de criar produtos que tenham uma utilização forte pela sociedade e que são dignas de registro como patente de invenção”, finaliza Isaac Medeiros.

De acordo com o Pró-reitor da Pós-graduação, Isaac Medeiros, esses resultados se devem a uma série de fatores. A lei de inovação e a política de incentivo ao pesquisador por parte da UFPB. A lei de inovação, que não existia até recentemente dificultava o processo já que os pesquisadores não tinham como saber ao certo como proceder. “Os pesquisadores depositavam a patente em escritório particular, o que foi proibido depois da criação da lei”, diz Isaac. Outro ponto que tem sido determinante para a mudança de cenário na UFPB é a política de incentivo ao pesquisador. “A gente tem mostrado a importância de publicar, mas a patente 20 

  UFPB em revista

Ilustração: Thales Lima


1 ano de gestão

PRPG amplia oferta de vagas e cursos de Pós-Graduação Por: Peter Shelton

Em 2013, a UFPB ampliou a oferta de cursos e vagas para os programas de pós-graduação. Foram criados oito novos cursos, sendo dois em associação com outras instituições de ensino. Segundo Elizete Ventura, pró-reitora adjunta da pós-graduação, existe uma preocupação da atual gestão em melhorar a qualidade da estrutura ofertada: “Ainda estamos esperando a avaliação trienal da CAPES, mas já temos uma ideia do desempenho dos nossos cursos, que melhorou bastante. Maior prova disso é que os cursos que foram criados recentemente, já estão com conceito quatro, dentro de uma escala que vai de zero a sete.” Dentre os cursos criados estão os doutorados em arquitetura e urbanismo, em música e em ciências da nutrição, os mestrados acadêmicos em energias renováveis, neurociência cognitiva e comportamento, além do mestrado profissional em economia do

setor público. Segundo a pró-reitora adjunta, todo o processo de criação de um curso de pós-graduação é submetido à CAPES e que é necessário uma demanda para o surgimento desse curso: “os cursos se organizam e submetem a proposta de apreciação à CAPES, que faz a avaliação interna e decide pela aprovação daquele curso.” Outra iniciativa da Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PRPG), que vem ganhando destaque é o Programa de Qualificação Institucional, que tem como principal objetivo ampliar o número de servidores, professores e técnico-administrativos, com a qualificação nos níveis de mestrado e doutorado. O programa de pós-graduação que aderir ao projeto receberá cinco mil reais por cada servidor ingressante, que deverá ser destinado ao custeio das atividades de pesquisa desenvolvidas pelo servidor.

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UFPB em revista 

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1 ano de gestão

Universidade Participativa destina recursos para investimentos em Centros da UFPB Por: Wallyson Costa

Foto: Nayane Maia

mandas, e planejavam os investimentos”.

Gustavo Tavares coordenador do Universidade Participativa

O Programa Universidade Participativa (UP) já destinou mais de cinco milhões de reais para investimentos nos centros da UFPB. Esses são os dados do orçamento que revelam os recursos disponibilizados aos centros, através do programa, para investimento em compra de equipamentos, montagem de laboratórios, redes de internet, ou qualquer outro gasto necessário para o centro. Segundo Gustavo Tavares, Coordenador do UP, o programa é importante, pois os centros tem liberdade para investir de acordo com suas necessidades. Após sete reuniões pelos centros entre todos os campi da UPPB, análise das prioridades e adequação ao orçamento a ideia é descentralizar e democratizar a aplicação dos recursos para custeio. Gustavo conta que “fizemos uma pesquisa de opinião com os centros onde as pessoas, fossem professores, técnicos ou estudantes elegiam prioridades, e então, fazíamos relatórios que eram encaminhados aos centros, que analisavam as de-

22 

  UFPB em revista

Tavares revela que os centros sempre tiveram um orçamento pré-estabelecido que diz respeito ao custeio (compra de material de manutenção) e ao capital (compra de equipamentos). Ele salienta que a maior parte do recurso é para custeio, e pequena parte é usado para investimento em equipamento. Com o Universidade Participativa, foi disponibilizado pela Reitoria 100% do recurso para capital, além do montante relativo a custeio, onde cada centro dispõe desse valor para investir como ele achar necessário. Gustavo Tavares ressalta a importância do programa, revelando que “os investimentos foram destinados aos centros para que eles pudessem investir sem intervenção direta da Reitoria”. Ele explica que a participação da Reitoria ocorre apenas quando o centro solicita a compra do equipamento, e então é feito o pregão/licitação, onde é realizada a compra. Ele pontifica que no ano de 2014 ocorrerão as primeiras audiências públicas, onde serão prestadas contas de todo o investimento feito através do programa Universidade Participativa. Reitoria garante democratização dos recursos CENTRO

PDI

U. PARTICIPATIVA

CCEN

700.000,00

700.000,00

CT

510.000,00

510.000,00

CTDR CCJ

55.000,00 105.000,00

55.000,00 105.000,00 55.000,00

CBIOTEC

55.000,00

CEAR

55.000,00

55.000,00

CI

80.000,00

80.000,00

CCA CCTA

400.000,00 230.000,00

400.000,00 230.000,00

CCM CCS

300.000,00 780.000,00

300.000,00 780.000,00

CE

250.000,00

250.000,00

CCSA

300.000,00

300.000,00

CCHSA CCAE

270.000,00 400.000,00

270.000,00 400.000,00

CCHLA

630.000,00

630.000,00

Valores em Reais


1 ano de gestão

PSTV facilita transferência de alunos entre Universidades Por: Wallyson Costa

inclusive, depois de seis anos, também abriram vagas no curso de medicina. No entanto, uma das preocupações que vem ocorrendo no PSTV é a quantidade de alunos que podem vir no primeiro semestre, ocasionando um incremento no número de alunos em sala de aula. Ilustração: Thales Lima

Após a passagem pelos sistemas de ingressos (até então vestibulares/Enem) e já no início de cada período letivo, várias universidades disponibilizam novas vagas paras seus cursos de graduação. Elas são provenientes da desistência ou repetência de alunos. Na UFPB, o Processo Seletivo de Transferência Voluntária (PSTV) funciona através da Coordenação de Escolaridade (Codesc), que faz um levantamento das vagas abertas em cada curso, e então realiza seleção para preenchimento dessas vagas. O levantamento anual das vagas remanescentes é feito pela Codesc junto às coordenadorias de cada curso. As informações sobre a quantidade de alunos que foram transferidos, que desistiram ou se atrasaram repetindo disciplinas são verificadas e, em seguida, é

aberto um edital possibilitando que alunos de outras instituições podem concorrer a integrar os cursos da UFPB. Podem participar do PSTV os alunos que estejam cursando o terceiro ou quarto período em uma instituição de ensino superior, naquele mesmo curso no qual ele queira tentar a vaga para a outra instituição, e que já tenha passado pelas disciplinas básicas do curso. Ariane Sá, Pró Reitora de Graduação salienta que essa é uma forma de justamente poupar aquelas primeiras turmas dos cursos, que é justamente onde se tem as salas mais cheias. De acordo com Ariane, o processo de Transferência Voluntária para 2013 ocorreu com normalidade. Ela relata que, neste ano, a abertura das vagas ocorreu para todos os cursos da UFPB, e que

Ariane ressalta que “se é transferência, você obviamente já vai ter cumprido uma parte da carga horária. Então não é necessário que coloquemos todos que passaram direto no primeiro semestre, onde entram os calouros e as turmas já estão completas. Isso é uma das maiores reclamações dos professores, e com razão, por isso temos tido esse cuidado, colocar a partir do quarto semestre”. Essa foi a situação que ocorreu com Isabella Oliveira, estudante do curso de Engenharia de Materiais, que veio da UFCG, e conseguiu vaga no semestre 2013.2. Ela relata que o PSTV foi de grande ajuda, pois precisava vir morar em João Pessoa, e essa foi uma maneira mais fácil de continuar seu curso sem ter que passar por vestibular novamente. No entanto, ela revela ter tido problemas, pois já tinha cursado parte do curso, e quando chegou à UFPB, ao tentar pedir dispensa, encontrou dificuldades com professores e prazos. UFPB em revista 

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BIT WEEK

Evento marca Semana de Ciência, Tecnologia, Esporte, Arte e Cultura Por: Rômulo Jefferson

O Bit Week, evento que buscou aliar a geração de conhecimento com a prática e a diversão, marcou as atividades do Curso de Comunicação em Mídias Digitais no mesmo período (de 21 a 25/10) em que se realizava a Semana de Ciência, Tecnologia, Esporte, Arte e Cultura (Seciteac) da UFPB. Voltado para a área de comunicação e empreendedorismo, o Bit Week teve inscrições gratuitas e abertas ao público, que pôde assistir a palestras, workshops e mesas re-

dondas com a participação de professores da UFPB, de outras universidades, além de empreendedores. Os videojogos também tiveram uma participação importante, as salas onde foram realizados os campeonatos entre gamers garantiram a diversão. Dividido em eixos, o Bit Week trouxe atividades voltadas para a arte, criatividade, cibercultura, áudio, vídeos, web, design e empreendedorismo. A partir


Fotos: Rômulo Jefferson

da participação efetiva em três atividades realizadas, o inscrito teve direito ao certificado do evento. No final de cada dia os organizadores disponibilizaram uma sessão de filmes, a MostraDemid. A procura para inscrição do evento foi intensa e algumas atividades tiveram as inscrições encerradas em questão de minutos, a exemplo do workshop sobre vídeo, do estudante de Mídias Digitais Swami Marques. Organizado por mais de 30 pessoas, o Bit Week foi realizado na mesma semana da Semana de Ciência, Tecnologia, Esporte, Arte e Cultura (Seciteac). Para Layse Julyanne, uma das organizadoras do evento, essas datas foram escolhidas porque é um período em que as aulas são facultativas. Layse explica que a SECITEAC não oferece muitas opções para os interessados na área de comunicação e tecnologia, então

teve a ideia de fazer uma semana voltada para essa demanda, mas de uma forma diferente. “Nós esperamos inspirar, tanto o pessoal que já está no curso, como quem ainda não está. A gente não quer que as pessoas pensem que esse é um curso que você recebe o diploma e acabou. O que a gente quer é inspirar as pessoas a ter ideias, desenvolver, empreender”, observou Layse Juliane, uma das organizadoras do evento. A comissão organizadora faz planos para a 2ª edição do evento que será realizado em 2014. Esse ano a 1ª edição do Bit Week contou com o apoio da UFPB e algumas empresas privadas. Na próxima edição os organizadores esperam, com maior tempo de planejamento, trazer novas ideias, buscar novos apoios e claro, surpreender ainda mais.


Urbicentros

Espaço urbano é tema do evento Por: Wallyson Costa

O Urbicentros é um evento com base na arquitetura e retorna a João Pessoa em sua 4ª edição, trazendo uma proposta inovadora em sua fórmula para discutir as invisibilidades e contradições do espaço urbano com loco na cidade de João Pessoa. O evento, que acontece entre os dias 11 e 14 de dezembro busca através de apresentações, workshops e saraus culturais integrar e discutir ideias para levar os participantes a uma imersão na cidade. O poder da arquitetura em compor espaços inovadores e com boa usabilidade é notável em muitos ambientes. Esta edição do evento, está sendo trabalhada em três eixos. O primeiro trata das ocupações regulares ou irregulares, que se fazem presentes de forma invisível no cenário urbano, como vilas, cortiços, e ocupações, que serão representadas no centro histórico de João Pessoa. Já o segundo eixo tratará as estruturas arquitetônicas, trabalhando a arquitetura como objeto físico dentro do tema da invisibilidade. Por fim, o terceiro eixo tratará dos espaços públicos, abordando vários problemas na área central das 26 

  UFPB em revista

Camilla Coelho(esq.) e Conceição Paulino (dir.) organizadoras do evento

cidades, exemplificando com a cidade de João Pessoa. Nos três primeiros dias, no período da manhã, serão realizadas Palestras e Mesas redondas no auditório do Centro de Tecnologia da UFPB, contando com a presença dos convidados internacionais e nacionais. A partir do relato

de suas experiências contribuirão para a construção do debate sobre cada um dos eixos temáticos propostos. Segundo Conceição Paulino, uma das organizadoras do Urbicentros, essa integração é importante para saber se os problemas que acontecem aqui também acontecer em outros estados


Foto: Rômulo Jefferson

e cidades, e assim podem ser feitas correlações e convergências sobre os temas. A parte inovadora do evento ocorrerá a tarde, com a realização de workshops sobre as problemáticas e as potencialidades do centro histórico de João Pessoa. Na oportunidade os participan-

No turno da noite acontecem os saraus. Vídeos, apresentações cênicas, performances, encenações, intervenções e apresentações teatrais, de música e de dança, voltados para problemática de cada eixo serão apresentados. Os saraus estão programados para acontecer nas Praças Antenor Navarro e do Hotel Globo, no Largo XV de Novembro e no Porto do Capim, lugares que guardam forte relação com os eixos temáticos propostos pelo evento. Durante os três primeiros dias esse será o formato predominante. Sobre os saraus, Camila conta que “esse será um momento de união dessas informações e das pessoas produzindo esse pensamento”. No último dia de evento será realizado o sarau de comemoração da primeira turma formada pelo doutorado (Dinter). Coelho relata que o Urbicentros começou com o começo da turma de doutorado em 2010. “O primeiro evento foi

aqui, depois em Natal e na Bahia, e agora retorna para João Pessoa.”

Foto de fundo: Camila Cesar

tes serão convidados a se debruçarem, através de vivências, oficinas, travessias, e outras atividades, que permitam estabelecer pontos de referência, ideias, conceitos e sugestões para serem registradas e compartilhadas entre todos os participantes. Camila Coelho conta que esse é o diferencial. “Não é um evento comum com inúmeras apresentações de artigo e que fica por ali”, relata.

A pretensão dos organizadores é que os estudos apresentados no evento obtenham respaldo da prefeitura de João Pessoa, que estará presente no evento, tanto quanto moradores e movimentos sociais das áreas. Ela salienta que espera que esses espaços obtenham visibilidade, já que foram esquecidas com o passar do tempo. “Todo mundo estuda essas áreas, mas nada vai pra frente. Queremos mudar isso e mostrar que os centros antigos tem potencial.”, completa. A grande idealizadora e coordenadora do evento é a Professora Dra. Elisabetta Romano também coordenadora do Doutorado Interinstitucional (Dinter) e que faz parte dos Programas de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo UFPB e UFBA. A organização ainda conta com Camila Coelho, Mestranda em Arquitetura pela UFPB, e Conceição Paulino, Historiadora e Mestre em Arquitetura também pela UFPB. Um guia completo da programação do evento e nome dos participantes pode ser visto em:

www.ppgau.ufba.br/ URBICENTROS/2013/ facebook.com/ URBICENTROS4 UFPB em revista 

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PPGM encerra temporada 2013 de Concertos Internacionais Por: Wallyson Costa

Foto: Divulgação

sendo realizados de forma muito mais sistemática. Segundo Felipe Avellar de Aquino, violoncelista e um dos organizados do evento, “antes não tínhamos um espaço, e os eventos aconteciam de forma mais fragmentada, e sem tanta sequência. Com a abertura da sala conseguimos dar uma sequência bem mais consolidada a essa série de concertos”.

Albrecht Breuninger (esq.) e Ana Flávia Frazão (dir.)

As apresentações da violoncelista Natasha Farney, professora da State University of New York, e do pianista Durval Cesetti (dia 21/11), professor da UFRN e do violinista alemão Albrecht Breuninger, professor da Universidade de Karlshure, tocará com a pianista Ana Flávia Frazão (dia 28/11), da Universidade Federal de Goiás encerram a temporada 2013 da série Concertos Internacionais. As apresentações, que já contaram com outros seis eventos, além de 13 masterclasses, onde os discentes se apresentam e são avaliados pelo professor convidado, acontecem sa sala Radegundis Feitosa e são promovidas pelo Programa de Pós Graduação em Música (PPGM) da UFPB. Elas fazem parte de um projeto conjunto com a Pró Reitoria de Pós Graduação (PRPG), que viabiliza a vinda de intérpretes de instituições de ensino de outros países, para dessa forma estabelecer parcerias e intercâmbio artístico e acadêmico entre os docentes e discentes e suas instituições. Com a inauguração da sala Radegundis Feitosa no ano de 2013, os eventos de música na UFPB vem 28 

  UFPB em revista

De acordo com Aquino, em 2013 foi atingido o ápice da área de música na UFPB. Ele explica que nesse ano foi implantado o curso de Doutorado ao já existente Programa de Pós-graduação e representou um adendo a trajetória de 35 anos desde a implantação do curso de música na UFPB. “Agora estamos muito mais estruturados, com licenciatura e bacharelado em música, cursos sequenciais em música popular, programa de mestrado, e a implantação, nesse ano, do doutorado em música. Este é, muito provavelmente, o melhor momento que a área de música vivencia desde sua implantação”. Com relação à série de concertos, a expectativa é de ampliação no ano de 2014. A expectativa é que o número de apresentações na UFPB seja incrementado. Avellar revela que são mantidos os contatos com todos os professores que se apresentam na Institruição para fins de eventos futuros bem como para parcerias entre docentes e discentes. Ele revela que vários egressos da UFPB estão fazendo pós-graduação fora do Brasil, fruto dessa parceria. Além da série Concertos Internacionais, o PPGM promove concertos com integrantes do seu próprio corpo docente, impulsionando ainda mais a produção artística dentro da UFPB. No ano de 2014, o PPGM celebrará 10 anos de sua fundação, e pretende ampliar e desenvolver ainda mais a série de concertos.


Fotos: Luan Matias

Curso de Direito obtém nota máxima no Enade Por: Luan Matias

Os resultados obtidos recentemente pelos alunos do curso de Direito da Universidade Federal da Paraíba no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) são reflexo do excelente trabalho realizado na graduação. No exame da OAB, o curso foi o de melhor desempenho percentual no estado, com índice de 75% de aprovação. Já no Enade, realizado pelo Ministério da Educação, a conquista talvez seja ainda mais notória: nota cinco, conceito máximo.

Para ter uma noção do tamanho do feito, que já foi obtido em anos anteriores, nenhuma outra graduação da UFPB atingiu a nota em 2012. A qualidade das instalações, a qualificação do corpo docente e os constantes investimentos em melhorias são alguns dos aspectos que podem explicar os resultados. De fato estes são fatores essenciais. Mas há unanimidade quando se tenta compreender o maior motivo do diferencial do curso: o empenho dos alunos. E a dedicação dos discentes

começa desde muito cedo, já no ensino médio: ingressar na graduação em Direito, um dos cursos de maior e mais qualificada concorrência da UFPB, requer superar uma disputada seleção. Para Igor Maciel, aluno do 7º período e Presidente do Diretório Acadêmico, o alunado realmente merece destaque, embora prefira dividir os méritos com todos os que fazem parte do curso: “O trabalho conjunto entre a direção do centro, a coordenação e nós, estudantes, tem sido o motivo do sucesso”, revela.

Qualificação é o diferencial A Professora Maria Lígia Malta, coordenadora da graduação, também valoriza os alunos na obtenção dos expressivos resultados: “Eles são os grandes merecedores de qualquer elogio. As ótimas pontuações na OAB e no Enade são consequência da dedicação destas moças e rapazes. Atualmente temos alunos do 7º período que estão em processo de abreviação do curso por já terem sido aprovados em concursos de alto nível”, conta. A preparação dos alunos vai além do ambiente de sala de aula. Frequentes eventos e seminários contam com a presença de grandes nomes do Direito no Brasil. Os grupos de pesquisa e projetos de extensão têm crescido a cada semestre. Além disso, está em desenvolvimento uma revista da graduação, que deve incentivar ainda mais a produção acadêmica. “São diversas atividades complementares desenvolvidas em parceiras entre o Diretório Acadêmico e o Corpo Docente”,

relata Igor Maciel. Essas atividades e x t r a c u r r i c u l a re s propiciam experiências semelhantes à demanda encontrada no mercado de trabalho, o que tem aberto portas aos Prof. Maria Ligia Malta alunos: “Estamos em um momento onde não falta mão de obra e oportunidades, mas há pouca mão de obra qualificada. A área de Direito, como tantas outras, passa muito por isso. Qualificação é a palavra que diferencia os profissionais”, conclui a coordenadora Maria Ligia. UFPB em revista 

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1 ano de gestão

Pesquisa traça perfil dos estudantes e guiará ações de desenvolvimento Por: Rômulo Jefferson

Pesquisa coordenada na UFPB pela professora Edineide Jezine, com a participação de estudantes bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) e do Programa Bolsas de Licenciatura (Prolicen), traça o perfil do corpo discente da instituição a partir de dados fornecidos pela Comissão Própria de Vestibular (Coperve) de 2008 a 2012, período em que foi implantado o Reuni. A análise, que servirá para entender melhor o cenário atual da universidade e criar ações de desenvolvimento, faz parte da rede nacional Universitas/BR, coordenada por João Ferreira da UFG e do projeto do Oservatório da Educação (Obeduc), financiado pela Capes e dirigido por Deise Mancebo, da UFRJ. Os dados analisados trabalham com algumas variantes como sexo, idade, renda, ocupação e cor/ raça. Até 2012, a renda familiar de 40,9% dos estudantes que ingressaram na UFPB era de um a dois salários mínimos. Em 2008 essa faixa representava apenas 27,7% do alunado. Em relação a ocupação, 73,6% declararam que não exercem atividade remunerada, ante 26,4% que exerce algum tipo de atividade remunerada. Em 2008 os que não trabalhavam chegava a 80,9%, os outros 18,9% 30 

  UFPB em revista

exerciam alguma atividade remunerada. O sexo dos estudantes também foi pesquisado e ficou estabelecido que o cenário é de equilíbrio se forem considerados os dados da população paraibana de 2011, onde o número de mulheres era de 2.019 e de homens 1.817 mil. As mulheres representam na UFPB 52,9% e os homens 47,1%. A cor/raça que os próprios estudantes declararam em 2012 chegou a 45,7% parda, 38% branca (em 2008 eram 48,2%) 9,8% negra, 4,4% amarela e 1,6% indígena. A faixa etária mostra que a grande maioria dos estudantes entrou para a universidade na idade adequada (20 anos) estabelecida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Estudantes em idades de 16 a 20 anos representam 55,7% e de 21 a 25 anos, 25,5%. Se as duas faixas etárias forem agrupadas, elas representam 80%

dos ingressantes. A origem dos estudantes também foi pesquisada e mostra que 56,7% dos ingressantes são oriundos de escolas públicas, 34,8% de escolas particulares e 8,5% de outro estado da federação. Em 2008 o cenário era praticamente o inverso:

Ilustração: Thales Lima


1 ano de gestão Classificados no PSS por sexo 54,0% 52,9%

54% vinham de escolas particulares, contra 38,2% de escolas públicas. O nível de escolaridade do pai e da mãe dos estudantes também foi considerado. Entre os pais, 29,9% tem ensino fundamental incompleto, 25% ensino médio completo e 15,2% concluíram o ensino superior. Já entre as mães, 27,9% concluíram o ensino médio, 24,4% tem ensino fundamental incompleto e 20% ensino superior completo. Os dados também apontam a queda da opção “Trabalhando”, passando de 67,8% em 2008 para 59,3% em 2012. No mesmo período, foi registrado aumento da categoria “Outros”, o que pode indicar algum tipo de atividade informal. O mesmo ocorre com as mães dos estudantes, onde a categoria “Trabalhando” passa de 53,7% em 2008 para 45,1% em 2012. No mesmo período cresce a opção “Doméstico”. A pesquisa agora segue para sua segunda fase, onde serão considerados os dados fornecidos pelo Ministério da Educação para tentar estabelecer um perfil mais atual da instituição. Nessa etapa serão analisados os perfis dos estudantes que ingressam na UFPB a partir da implantação do Exame Nacional do Ensino Médio como forma de ingresso.

51,7%

51,4%

50,8% 49,2%

48,6%

48,3%

Feminino

47,1%

Masculino

46,0%

2008

2009

2010

2011

2012

Classificados no PSS por cor/raça

Classificados no PSS por faixa etária

Classificados no PSS por origem escolar

UFPB em revista 

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1 ano de gestão

PRG cria ações de incentivo e melhorias na graduação em 2013 Foto: Wallyson Costa

Por: Peter Shelton

Atual gestão da reitoria promoveu a valorização das monitorias

No ano de 2013, a PRG (Pró -Reitoria de Graduação) aumentou o valor e o número de bolsas dos programas acadêmicos. Os alunos que participam do Prolicen (Programa de Apoio às Licenciaturas) e ou da Monitoria e Estágio tiveram as suas bolsas reajustadas e equiparadas às bolsas do PIBIC. Segundo dados dos programas acadêmicos da PRG, o número de bolsistas na monitoria, aumentou de 366 em 2012 para 660 em 2013. Já em relação às bolsas de estágio, o número de beneficiados aumentou de 227 32 

  UFPB em revista

para 399 no mesmo período. A professora Eliane Ferraz, coordenadora do setor de Estágio e Monitoria da PRG, ressaltou o esforço da gestão da reitora Margareth Diniz em aprimorar a oferta de estágios e bolsas de monitoria: “O nosso balanço é positivo. A demanda de estágios vem crescendo e dando mais oportunidades aos estudantes. Em relação às bolsas de monitoria, elas tiveram um forte crescimento no número de vagas e por decisão da gestão da professora Margareth Diniz, elas tiveram aumento no valor” Além disso, a PRG promoveu a

implantação dos fóruns de coordenações e assessores de Graduação, com a finalidade de discutir e estabelecer políticas que beneficiem a comunidade acadêmica, estimulando ações que promovam a qualidade de ensino nos cursos e evitem a evasão dos estudantes da UFPB.

Outra importante ação desenvolvida pela Pró-Reitoria de Graduação foi a criação e a implantação do Programa de Melhoria da Educação Básica (Promeb), visando estabelecer uma política acadêmica para aprimorar ações que favoreçam o Ensino Básico de qualidade na Paraíba e a proporcionar a prática pedagógica aos estudantes universitários dos cursos de licenciatura. Para isso, a UFPB firmou um convênio com o Governo Estadual da Paraíba, através da Secretaria Estadual de Educação. A PRG ainda realizou a adesão total ao Sisu (Sistema de Seleção Unificado) do MEC, que utiliza as notas do Enem para a seleção de candidatos na UFPB.


Livro Paraíba Potiguara expõe a realidade dos índios no Litoral Norte Por: Peter Shelton

Escrito por Lusival Barcellos, professor do Centro de Ciências Aplicadas e Educação (CCAE) do Campus IV da UFPB, o livro Paraíba Potiguara expõe a realidade dos índios potiguaras na atualidade, através de 152 imagens fotográficas. “É um trabalho que mostra a realidade do povo potiguara, sua relação com a religião, como eles lidam com a natureza, o que fazem, como vivem, tudo isso através das imagens” relata o professor. Segundo o professor Lusival Barcellos, a sociedade concebe uma visão estereotipada do índio que mora numa oca, que tem cabelo liso e que vive isolado da sociedade, visão que não corresponde à realidade atual dos potiguaras. “A cultura é dinâmica e eles vem em um longo processo de integração com os nossos hábitos. Eles tem tudo o que existe no nosso cotidiano. O diferencial é a tradição cultural que é repassada a cada geração”, pondera.

Foto: Rômulo Jefferson

Atualmente existem no estado da Paraíba, 20 mil índios potiguaras em 33 aldeias distribuídas no litoral norte da Paraíba. Segundo o professor, dois territórios indígenas já foram demarcados e ocupam 34 mil hectares. Além disso um terceiro território em fase final de homologação. Segundo o professor, ainda existem conflitos enfrentados pelos indígenas na posse das terras: “Eles tem uma faixa de mil hectares ao Prof. Lusival Barcellos autor do livro.

norte do rio Camaratuba que eles pretendem integrar à reserva indígena. Essa é uma luta que faz parte de uma meta a ser cumprida”.

Perseguição e Resistência Apesar da importância cultural indígena, ainda existe um forte preconceito contra os potiguaras. Segundo o professor Barcellos, a perseguição sofrida pelos índios é ainda maior quando comparada aos negros: “O índio é muito perseguido. Muito mais que o negro. Ele chega na universidade e é questionado pelo seu modo de vida. O preconceito é tão grande que eles não se identificam como potiguaras.” A violência sofrida pelos índios vem da época do Brasil colonial e resultou numa tentativa de exterminar a cultura potiguara, uma das medidas adotada na época foi a proibição do idioma dos índios. Segundo o professor, muitos potiguaras foram mortos até meados do século XX, até mesmo por falar a própria língua ou ser assumir como índio. “Quem falasse qualquer palavra na língua potiguara, ele era morto, eliminado. Os indígenas não podiam realizar seus rituais. Eles não podiam se dizer índio, se eles declaravam como ‘caboclo velho’, foi um período de perseguição, onde foram impedidos de praticar a sua cultura de forma sangrenta durante anos a fio.” relata o professor Lusival Barcellos. Mesmo com toda a violência e a repressão sofrida ao longos dos anos, os indígenas procuram preservar a sua cultura e repassar às novas gerações. Os potiguaras foram marcados pela tradição oral, que é repassada dos mais velhos para as novas gerações. Segundo o professor, os indígenas possuem uma outra forma de sabedoria. “Eles escutam mais que do que falam. Eles podem aparentar ser desconfiados, mas é uma sabedoria pura, pois enquanto você está falando, eles estão te analisando e só assim eles começam uma interação”, pondera UFPB em revista 

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Matizes da Sexualidade

Palestras e exibição de vídeos marcaram discussão sobre tema Por: Rômulo Jefferson

A UFPB foi o local escolhido para realização, no dia nove de outubro, do Colóquio Nacional do Audiovisual, evento que faz parte da IV Mostra de Filmes Temáticos Matizes da Sexualidade e discute as questões da sexualidade nas peças audiovisuais. Organiza-

Foto: Rômulo Jefferson 34 

  UFPB em revista

do pelo professor Pedro Nunes, os trabalhos que foram apresentados integrarão a publicação acadêmica eletrônica, Matizes da Sexualidade. O evento procurou abordar os diferentes aspectos da sexualidade no contexto das mídias audiovi-

suais. Para isso, a partir das apresentações dos trabalhos, os organizadores do evento centraram a atenção desde o cinema à televisão, do vídeo à fotografia e da imprensa audiovisual de um modo geral. “A partir dessas narrativas audiovisuais, a gente vai encon-


trar essas diferentes dimensões da sexualidade que estão presentes na nossa vida, disse Pedro Nunes, coordenador do evento.

al. As questões de gênero, a vida e a morte, porque a sexualidade é inerente à condição humana, afirma Nunes.

Matizes da Sexualidade é voltado para análises do audiovisual, mas sem deixar, no entanto, de tocar e se preocupar com a questão da discriminação e violência ainda muito presentes na sociedade contra os homossexuais e as mulheres. Em especial, no estado da Paraíba, onde há um alto índice de violência. “Essa discussão vai desde a pedofilia até o abuso sexu-

Ainda firmado como o meio de comunicação mais importante, pelo menos no Brasil, a televisão também começa a dar sinais de mudanças para se adequar a uma nova realidade, ainda que tímida, como o receio de mostrar o beijo gay em rede nacional e os esteriótipos. “A gente sabe que a televisão hoje pouco a pouco vem ganhando na abordagem desse tema um diferencial, mas ainda são abordagens que precisam ser repensadas, reelaboradas, reexaminadas, recriadas. Porque essas abordagens ainda não contemplam as complexidades da realidade. A dinâmica, o que acontece de violência, de preconceito, de discriminação, é muito mais presente na vida real do que na encenação na televisão. Então essa questão da sexualidade vem sendo redimensionada e pouco a pouco resignificada,” finaliza.

O evento O evento teve duração de sete dias ( 7 a 13 de outubro) e foi dividido em duas partes: a primeira delas foi realizada na Usina Cultural Energisa e consistiu na apresentação de vários curtas, médias e longas-metragens sobre a temática da sexualidade. A segunda parte foi a programação acadêmica realizada na Universidade durante todo o dia nove, onde os pesquisadores convidados apresentaram suas pesquisas e realizaram debates com participação da plateia. Realizadas pela manhã na Sala Multimeios do Centro de Comu-

nicação, História, Letras e Artes (CCHLA), as apresentações iniciaram por Erotismos, Pornografias e Visualidades, coordenado pelo professor Junior Ratts, seguida pela análise do premiado filme “Eu não quero voltar sozinho’’, feita por Jandiara Soares e Pedro Nunes. Depois, foi a vez de Wesley Pereira abordar a época da pornochanchada e os filmes da boca do lixo paulistana, seguido de Plynio Thalison discorrendo sobre o cinema de Bruce Labruce. As questões inerentes aos gêneros foram abordadas nos trabalhos e teve início com ‘‘Desejo, esporte e distinção: marcadores culturais e biológicos na representação de cartão vermelho’’. Em seguida as palestras tiveram continuidade com ‘‘A representação da homossexualidade na televisão brasileira: uma análise dos personagens gays das telenovelas da Rede Globo’’; ‘‘Relações de gênero no filme Laranja Mecânica’’; ‘‘A piriguete ou periguete dentro das relações simbólicas sexuais: uma análise crítica da música Toda Gostosa”. Já no Auditório 412 do CCHLA, foram apresentados trabalhos que debatiam sobre os temas da Cultura Audiovisual Queer – Multiplicidades, Trânsitos e Transversalidades; Matizes da Sexualidade, Religiosidades e Audiovisuais; e Jornalismo Audiovisual e Representações da Sexualidade. UFPB em revista 

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NEABI realiza II Semana Afro-Paraibana

A intenção é estimular a reflexão sobre os direitos da população negra e indígena Fotos: Luan Matias

Por: Luan Matias

Grupo Caiana de Alagoa Grande se apresenta na Praça da Alegria

A Universidade Federal da Paraíba sediou, nos últimos dias 06 e 07 de novembro, a II Semana Afro -Paraibana: Comunidades Quilombolas e Indígenas e Narrativas Afro-Literárias. Na oportunidade, foram realizados debates, oficinas, exposição fotográfica, mostra de cinema e apresentações artísticas e culturais relativas ao tema. Idealizada pelo NEABI – Núcleo de Estudos Afro -Brasileiros e Indígenas da UFPB, a Semana Afro -Paraibana tem como principal objetivo propiciar trocas de conhecimento científico, incentivar a pesquisa e estimular reflexões acerca das relações humanas. “O principal intuito é a ampliação e consolida-

ção da cidadania e dos direitos da população negra e indígena no Brasil contemporâneo”, relata a professora Solange Rocha, uma das idealizadoras e responsáveis pelo evento.

Um dos momentos mais marcantes da programação foi a apresentação do grupo de Ciranda “Caiana é minha, é sua, é nossa”, de Alagoa Grande. Durante cerca de 40 minutos, o grupo chamou a atenção de um grande número de pessoas que passavam pela Praça da Alegria, no CCHLA. Segundo Totinha, zabumbeiro, líder e bisneto dos fundadores do grupo, o coco-de-roda, dançado por cirandeiras, é uma tradição passada por gerações em Caiana dos Crioulos, comunidade onde mais de 90% dos habitantes são de origem africana. A estudante do curso de Letras -Inglês, Polllyana Almeida, acompanhou parte da programação e citou a importância de valorizar culturas que costumam ficar às margens da maioria da sociedade: “Prestigiei uma exposição fotográfica sobre Quilombos na Paraíba e assisti toda a apresentação do grupo de Ciranda. Foi emocionante ver todas aquelas senhoras negras dançando e divulgando a cultura da região. Como não valorizar algo tão nosso? ”, indaga Pollyana.


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