Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

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da

Cantareira São Paulo

PLANO DE DESENVOLVIMENTO

TURÍSTICO



da

Cantareira São Paulo

PLANO DE DESENVOLVIMENTO

TURÍSTICO


Realização: Prefeitura de São Paulo Ricardo Nunes Prefeito de São Paulo Aline Cardoso Secretária de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo Armando de Almeida Pinto Junior Secretário Adjunto Equipe SMDET: Silvia Cibele Aparecida da Silva Coordenadora de Desenvolvimento Econômico Júlia da Motta Diretora de Departamento Técnico

Parque Estadual da Cantareira - Núcleo Pedra Grande © Marcelo Iha/SPTuris

Eliel Souza Guimarães Assessor I de Gabinete Michele Vicente Coordenadora de Desenvolvimento ao Turismo


Elaboração: São Paulo Turismo Ivan Budinski Presidente Gustavo Pires Chefe de Gabinete Coordenação Geral: Fernanda Ascar Diretora de Turismo Coordenação Técnica: Raquel Vettori Coordenadora de Turismo Equipe técnica: Analistas de Turismo: Adriana Omuro Amanda Valenciano Chefe de Equipe: Elen de Jesus Técnicos em Turismo: Adalberto Torres Caroline Braga Cláudio Pontífice Leonardo Caldeira Sandra Ferraggine Thamires de Moraes Estagiárias: Giulia Delbin Letícia Santos

Participação: Turismo 360 Marcela Pimenta Líder de Estratégia Isabela Sette Líder de Operações Mauro Coutinho Líder de Projetos Paula Valle Coordenadora Geral Natalia Cordeiro Consultora de Marketing Bárbara Martins Consultora de Turismo Conteúdo: Amanda Valenciano Raquel Vettori Turismo 360 Projeto gráfico: Amanda Valenciano Caroline Braga Rodrigo Torres (IABS) Ilustração/Diagramação: Amanda Valenciano Caroline Braga Freepik Mapas: Bárbara Martins Thamires de Moraes Revisão: Fernanda Ascar Leonardo Caldeira Marcelo Iha Raquel Vettori Thamires de Moraes


LISTA DE SIGLAS ADE SAMPA: Agência São Paulo de Desenvolvimento AMLURB: Autoridade Municipal de Limpeza Urbana APA: Área de Proteção Ambiental APP: Área de Preservação Permanente CADASTUR: Cadastro de Pessoas físicas e jurídicas que atuam no setor de turismo CEAGESP: Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo CeMaCAS: Centro de Manejo e Conservação de Animais Silvestres CET: Companhia de Engenharia de Tráfego CDHU: Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo CNC: Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo COMASP: Companhia Metropolitana de Águas de São Paulo COMTUR: Conselho Municipal de Turismo CONDEPHAAT: Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico CONPRESP: Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo CPTM: Companhia Paulista de Trens Metropolitanos EMAE: Empresa Metropolitana de Águas e Energia EMBRATUR: Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo FICA: Festival de Inverno da Cantareira FIPE: Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas FUNAI: Fundação Nacional do Índio GCM: Guarda Civil Metropolitana IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IDH: Índice de Desenvolvimento Humano IDH-M: Índice de Desenvolvimento Humano Municipal IFPPC: Instituto de Ferrovias e Preservação do Patrimônio Cultural INEP: Instituto Nacional dos Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira INSE: Índice do Nível Socioeconômico IPHAN: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional IPVS: Índice Paulista de Vulnerabilidade Social ISS: Imposto sobre Serviços ITR: Imposto Territorial Rural MEI: Microempreendedor Individual MTUR: Ministério do Turismo ODS: Objetivos de Desenvolvimento Sustentável OMS: Organização Mundial da Saúde OMT: Organização Mundial do Turismo ONG: Organização não Governamental ONU: Organização das Nações Unidas PDE: Plano Diretor Estratégico da Cidade de São Paulo


LISTA DE SIGLAS PDPA: Planos de Desenvolvimento e Proteção Ambiental PIB: Produto Interno Bruto PIU: Projeto de Intervenção Urbana PLATUM: Plano de Turismo Municipal PMMA: Plano Municipal da Mata Atlântica PMSB: Plano Municipal de Saneamento Básico PNMA: Política Nacional de Meio Ambiente PNRH: Política Nacional de Recursos Hídricos QR Code: Quick Response Code (Código de Resposta Rápida) RPPN: Reserva Particular do Patrimônio Natural SABESP: Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo SEADE: Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados SEBRAE: Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SECOM: Secretaria Especial de Comunicação Social SESC: Serviço Social do Comércio SETUR: Secretaria Estadual de Turismo SETUR: Secretaria Executiva de Turismo SIMA: Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo SISNAMA: Sistema Nacional do Meio Ambiente SIURB: Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras SMC: Secretaria Municipal da Cultura SMDET: Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo SMDU: Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano SMIT: Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia SMPED: Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência SMSU: Secretaria Municipal de Segurança Urbana SMSUB: Secretaria Municipal das Subprefeituras SMT: Secretaria Municipal de Mobilidade e Transporte SNIS: Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Spcine: Empresa de cinema e audiovisual de São Paulo SPTuris: São Paulo Turismo SSU: Secretaria de Segurança Urbana SVMA: Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente TCCA: Termo de Compromisso de Compensação Ambiental UC: Unidade de Conservação UNESCO: Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura WEF: World Economic Forum – Fórum Econômico Mundial WTTC: World Travel & Tourism Council – Conselho Mundial de Viagens e Turismo ZN: Zona Norte


LISTA DE figuras Figura 1 - Subprefeituras que compõem o Polo de Ecoturismo da Cantareira...........................12 Figura 2 - Locais de interesse turístico e distritos indutores..................................................................14 Figura 3 - Mapa de microempreendedores individuais em São Paulo...........................................56 Figura 4 - Índice Paulista de Vulnerabilidade Social..................................................................................59 Figura 5 - Áreas Verdes...............................................................................................................................................67 Figura 6 - Acesso ao Polo de Ecoturismo da Cantareira..........................................................................74 Figura 7 - Atrativos turísticos...................................................................................................................................83 Figura 8 - Recursos turísticos..................................................................................................................................86 Figura 9 - Serviços de hospedagem....................................................................................................................89 Figura 10 - Serviços de alimentação.....................................................................................................................92 Figura 11 - Espaços para eventos...........................................................................................................................95 Figura 12 - Equipamentos culturais......................................................................................................................96 Figura 13 - Espaços para recreação......................................................................................................................99 Figura 14 - Infraestrutura de apoio ao turismo.............................................................................................101 Figura 15 - Terras indígenas.....................................................................................................................................105 Figura 16 - Região de Caieiras, Mairiporã e Guarulhos.............................................................................123 Figura 17 - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.........................................................................165

LISTA DE gráficos Gráfico 1 - Empregos formais por distrito e setor.........................................................................................55 Gráfico 2 - Moradia em assentamentos precários.......................................................................................75 Gráfico 3 - Rede de esgoto........................................................................................................................................76 Gráfico 4 - Abastecimento de água....................................................................................................................77


LISTA DE tabelas Tabela 1 - População absoluta.................................................................................................................................58 Tabela 2 - Cobertura vegetal e área verde........................................................................................................64 Tabela 3 - Unidades de Conservação...................................................................................................................65 Tabela 4 - Parques municipais................................................................................................................................67 Tabela 5 - Espécies........................................................................................................................................................68 Tabela 6 - Vetores de pressão urbana.................................................................................................................70 Tabela 7 - Descarte de lixo........................................................................................................................................78 Tabela 8 - Atrativos turísticos...................................................................................................................................85 Tabela 9 - Recursos turísticos.................................................................................................................................87 Tabela 10 - Serviços de hospedagem...................................................................................................................91 Tabela 11 - Serviços de alimentação.....................................................................................................................93 Tabela 12 - Espaços para eventos...........................................................................................................................95 Tabela 13 - Equipamentos culturais.....................................................................................................................98 Tabela 14 - Espaços para recreação....................................................................................................................100 Tabela 15 - Infraestrutura de apoio ao turismo............................................................................................102 Tabela 16 - Síntese dos aspectos de produto e oferta do Vale dos Vinhedos............................143 Tabela 17 - Síntese dos aspectos de produto e oferta de Bonito-Serra da Bodoquena.......145 Tabela 18 - Síntese do estudo de benchmarking do Parque Nacional da Tijuca....................149 Tabela 19 - Síntese do estudo de benchmarking da LX Factory........................................................154 Tabela 20 - Síntese do estudo de benchmarking da Comuna de Ibitipoca...............................157


SUMÁRIO

Apresentação........................................................................................................................................12 Metodologia..........................................................................................................................................17 O turismo hoje....................................................................................................................................23 Os impactos do coronavírus no turismo mundial..................................................................26

Dez tendências globais para o turismo.........................................................................................28

A oportunidade do turismo de natureza e a cidade de São Paulo............................30

Conhecendo o Polo de Ecoturismo da Cantareira..............................................................35

Contextualização histórica......................................................................................................................36

Contextualização político-administrativa.....................................................................................45

Contextualização econômica................................................................................................................53

Contextualização social.............................................................................................................................56

Contextualização ambiental..................................................................................................................62

Contextualização estrutural...................................................................................................................72

Contextualização turística......................................................................................................................80

Presença indígena.........................................................................................................................104

Análise consolidada..................................................................................................................................106

O Turismo no Polo de Ecoturismo da Cantareira..............................................................109

O Turismo que acontece no Polo.......................................................................................................111

Quais tipos de turismo podem acontecer?................................................................................112

Quais são as forças competitivas?.....................................................................................................113

E os desafios?..................................................................................................................................................115


Quais aspectos do turismo precisam ser mais bem desenvolvidos?.......................119

Governança......................................................................................................................................................120

Integração regional....................................................................................................................................122

Posicionamento digital...........................................................................................................................126

Práticas sustentáveis.................................................................................................................................132

Comercialização............................................................................................................................................133 Inspirações...........................................................................................................................................139

Inspirações em gestão e destinos integrados...........................................................................141

Projetos inspiradores.................................................................................................................................146

Estratégias de desenvolvimento.................................................................................................161

Objetivos, programas e ações..............................................................................................................163

Objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU............................................................................165

Plano de ações....................................................................................................................................167

1. Programa de instituição e fortalecimento de governança.........................................................168

2. Programa de estudos, pesquisa e monitoramento..........................................................................169

3. Programa de formatação e aprimoramento do produto turístico......................................171

4. Programa de estruturação do território.......................................................................................................175

5. Programa de promoção e apoio à comercialização.........................................................................177

Prioridades..................................................................................................................................................................................180

Grandes ambições...............................................................................................................................................................182

Referências..........................................................................................................................................183


apresentação O Polo de Ecoturismo da Cantareira foi criado pela Lei Municipal nº 16.832/18, a partir da necessidade de elaborar instrumentos que promovam, de forma sustentável, a preservação e recuperação do meio ambiente, a geração de emprego e renda para a região, tendo como vetor de desenvolvimento a atividade turística. Nele, integram as subprefeituras Jaçanã/Tremembé, Santana/Tucuruvi, Casa Verde/Cachoeirinha, Freguesia do Ó/Brasilândia, Pirituba/Jaraguá, e Perus, compreendendo quase toda a zona Norte do município, com exceção da subprefeitura Vila Maria/Vila Guilherme. É nesse território, mas não limitado a ele, que estão localizados os Parques Estaduais da Cantareira e Alberto Löfgren, importantes remanescentes do bioma Mata Atlântica no Estado de São Paulo, e área de manancial produtora de água para abastecimento de parte da Região Metropolitana.

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Subprefeituras do Polo de Ecoturismo da Cantareira Outras Subprefeituras

Figura 1 - Subprefeituras que compõem o Polo de Ecoturismo da Cantareira - Elaboração própria


Trata-se de um território extremamente rico em recursos naturais e com atrativos turísticos consolidados, ainda que pouco utilizados, mas que sof re grande pressão urbana provocada pelo adensamento populacional e ocupação desordenada, com altos índices de vulnerabilidade social. A partir desse contexto, em 7 de fevereiro de 2018, foi publicada a Lei Municipal de criação do Polo, e deu-se início às movimentações para ordenamento do território e promoção do desenvolvimento por meio do turismo, com a reunião de representantes do poder público, empresários e sociedade civil em um grupo de trabalho informal, por iniciativa da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo. Em 2019, o Polo de Ecoturismo da Cantareira foi escolhido, junto com o Polo de Ecoturismo de Parelheiros e o Centro de São Paulo, como parte da rota turística estratégica “Capital e litoral Norte”, do Programa Investe Turismo, uma parceria do Ministério do Turismo, Embratur e Sebrae. O Investe Turismo é um programa que busca acelerar o desenvolvimento, aumentar a qualidade, a competitividade e gerar empregos em 30 Rotas Turísticas Estratégicas do Brasil, o que reforçou a necessidade de um estudo mais aprofundado da região, para direcionamento dos investimentos. Depois de reuniões, discussões e ativações, em 2020, a São Paulo Turismo – empresa pública de turismo e eventos da cidade de São Paulo – foi demandada pelas então Secretarias de Desenvolvimento Econômico e Trabalho e de Turismo para elaborar um estudo aprofundado do território e propor um plano de ações que permitisse promover o desenvolvimento turístico, social e econômico da região, condicionado à preservação e recuperação do meio ambiente. E assim nasceu este documento! O primeiro desafio encontrado foi compreender o que de fato é o Polo de Ecoturismo da Cantareira. Após inúmeras discussões e por diversos motivos, optou-se por não limitar o Polo a um perímetro restrito, dentro das áreas de abrangência estabelecida em lei. Contudo, deu-se maior ênfase

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Parque Jaraguá

no estudo – em especial no inventário de campo – aos distritos Tremembé 14

e Mandaqui, onde estão localizadas as entradas dos núcleos Pedra Grande e Engordador do Parque Estadual da Cantareira, o Horto Florestal e as estradas Santa Inês e da Roseira, definidos na Lei Municipal de criação do Polo como locais de interesse turístico.

Área do Mapa: da

Cantareira São Paulo

0

2,5

5km

Legenda: Estrada Santa Inês

Subprefeituras do Polo

Outras subprefeituras e distritos

Estrada da Roseira

Distritos do Polo

Municípios limítrofes

Locais de interesse turístico

Distritos Indutores do desenvolvimento turístico

Figura 2 - Locais de interesse turístico e distritos indutores - Elaboração própria


© José Cordeiro/SPTuris

Embora algumas informações foram atualizadas em agosto de 2021, um mês antes do lançamento oficial deste documento, os estudos aconteceram de fato entre os meses de outubro e dezembro de 2020 e foram limitados pelas restrições impostas pela pandemia do coronavírus. O inventário de campo, por vezes, foi prejudicado pela impossibilidade de visitação de espaços, sendo substituídos por contatos telefônicos; oficinas territoriais foram transformadas em entrevistas on-line; reuniões foram feitas de maneira remota. Após coleta de dados, análises, diagnóstico, compreensão de desafios e oportunidades, buscou-se propor estratégias claras e ações objetivas para dar um direcionamento dos esforços e investimentos na busca do objetivo almejado. Considerando a atual etapa de desenvolvimento do Polo de Ecoturismo da Cantareira como produto turístico, outros estudos serão necessários e o território deverá ser constantemente observado. O planejamento do turismo é dinâmico e deve ser constantemente revisado e atualizado. Esperamos que este documento seja um primeiro instrumento condutor para o desenvolvimento sustentável da região e que renda bons frutos para a cidade de São Paulo e seus moradores, em especial àqueles inseridos no território do Polo de Ecoturismo da Cantareira.

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Ferrovia Perus Pirapora


© José Cordeiro / SPTuris

METODOLOGIA


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

metodologia O processo de construção do Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira foi conduzido pela São Paulo Turismo, sob orientação da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo, buscando a maior participação e envolvimento da comunidade local, apesar das restrições em tempos de pandemia e isolamento social. Todo o conteúdo produzido foi subsidiado por estudos e investigações em fontes primárias e secundárias, além do diálogo com as principais lideranças do território. O trabalho foi elaborado por prof issionais de turismo, com especialização em diversas áreas de conhecimento. Em etapa prévia à elaboração deste documento, foi feito um trabalho de 18

reconhecimento do território, que envolveu levantamento de dados preliminares em ambiente virtual e visitas de inspeção. Compreendendo a área de estudo, ainda que de forma superf icial, foi elaborado um plano de trabalho com a delimitação do escopo do trabalho e aprovado em reunião virtual com as secretarias demandantes e lideranças da região. Para elaboração do Plano de Desenvolvimento Turístico, os estudos foram muito mais densos e aprofundados, e envolveu o levantamento de dados do território em fontes of iciais, a realização de visitas técnicas e elaboração de inventário da oferta turística com aplicação de formulário estruturado, entrevistas virtuais realizadas com lideranças do turismo e do território com aplicação de formulário semiestruturado, pesquisa com trade de vendas a partir de questionário estruturado em plataforma on-line, pesquisa de posicionamento on-line dos produtos e serviços do território, bem como do produto “Serra da Cantareira”, análise de tendências e oportunidades do mercado, levantamento de projetos e políticas públicas com impacto no território, entre outros.


© José Cordeiro/SPTuris

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Horto Florestal

Em paralelo, foi contratada uma empresa para pensar no território, considerando seu potencial de captação de investimentos: a Turismo 360. Os especialistas da empresa realizaram levantamentos de dados econômicos, sociais, ambientais e estruturais; identificaram, compilaram e analisaram a legislação pertinente ao desenvolvimento econômico e social do território, além das normas de proteção e conservação ambiental; e realizaram um estudo de benchmarking. A partir da análise e do cruzamento de todo esse volume de dados e informações, foi pensada a estratégia de desenvolvimento para o Polo de Ecoturismo da Cantareira, estruturada em programas, que agrupam as propostas com objetivos comuns. As propostas são oriundas dos técnicos da SPTuris, técnicos da Turismo 360, bem como das lideranças e pessoas entrevistadas durante todo o processo de elaboração do Plano. O resultado deste trabalho foi apresentado, discutido, ajustado, complementado e validado em oficina participativa realizada com os órgãos públicos envolvidos, e segue apresentado neste documento. As figuras apresentam a estratégia de construção do documento a partir dos principais estudos e levantamentos realizados:

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Etapas do plano de trabalho

Levantamento de dados preliminares Visitas de inspeção ao território Elaboração do Plano de Trabalho Apresentação e aprovação do Plano de Trabalho

Etapas do diagnóstico

Inventário em campo: 55 estabelecimentos inventariados

Visitas técnicas: 20 atrativos e equipamentos visitados

Levantamento de dados em fontes oficiais

Estudo de benchmarking

20 Estudo de legislações e políticas públicas

Entrevistas virtuais com lideranças do território: 35 pessoas entrevistadas

Diagnóstico

Análise de tendências e oportunidades do mercado

Pesquisa de posicionamento on-line

Pesquisa com trade de vendas: 26 agências pesquisadas

Etapas do plano de ações

Definição de estratégia Estruturação de programas Elaboração de propostas Oficina participativa com apresentação, discussão, ajustes, complemento e validação


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Complementam o documento, o Manual de Comunicação do Polo de Ecoturismo da Cantareira e o Relatório com enfoque na captação de investimentos: Manual de comunicação do Polo de Ecoturismo da Cantareira

da

Cantareira São Paulo

Manual de Comunicação 21

Relatório com enfoque na captação de investimentos

da

Cantareira São Paulo

LEVANTAMENTO COLETA E ANÁLISE DE DADOS EXISTENTES Elaboração de relatório com enfoque na captação de investimentos Realizador:

Parceiro executor:


Parque Estadual da Cantareira - Núcleo Engordador


© Marcelo Iha/SPTuris

O TURISMO HOJE


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o turismo hoje O turismo é um dos maiores setores econômicos e fenômeno social do mundo. Ao mesmo tempo em que a atividade cria empregos, impulsiona as exportações e gera prosperidade, o turismo permite a difusão das culturas e integração dos povos, contribui para o desenvolvimento social, humano e sustentável dos destinos. Dados do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, 2019) – pré-pandemia de Covid-19 – apontam o turismo como a quinta atividade de maior relevância econômica do planeta, considerando seu impacto global direto, indireto e induzido no PIB, respondendo por 10,3% do PIB mundial – equivalente a 8,9 trilhões de dólares – o que a coloca à frente de atividades tradicionais como a mineração, a agricultura e a indústria automobilística, e atrás apenas da construção civil, serviços financeiros, saúde e comércio varejista. 24

Enquanto em 2019 a economia global cresceu 2,5%, a economia de viagens e turismo cresceu 3,5%, mais que a economia global pelo nono ano consecutivo. Para se ter uma ideia da representatividade do setor turístico no mundo, a OMT estima que mais de 1,458 bilhão de pessoas realizaram viagens internacionais pelo mundo em 2019, gerando receitas superiores a US$ 1,478 trilhão e representando 6,8% do total de exportações mundiais de bens e serviços e 28,3% quando considerado apenas serviços. Ainda segundo o WTTC, um a cada dez empregos (direto, indireto e induzido) no mundo está ligado ao turismo, e nos últimos cinco anos, um a cada quatro empregos gerados é relacionado à atividade, somando 330 milhões de postos de trabalho. No Brasil, da mesma forma, o turismo apresenta números expressivos. Estudos do WTTC (2019) apontam que 7,7% do PIB nacional decorre das atividades de viagens e turismo, o que representa 140 bilhões de dólares. Apesar de um desenvolvimento um pouco menos acelerado impactado por fatores políticos e econômicos, o PIB turístico cresceu 3%


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em relação a 2018, 0,5% a menos que a média global, porém mais que a média de crescimento da economia brasileira como um todo, que cresceu 1,2% no ano. Em 2019, a atividade foi responsável por 7,9% do total de empregos no país, algo em torno de 7,407 milhões de postos. No contexto nacional, São Paulo é o principal destino turístico, com uma demanda estimada em 16,2 milhões de turistas em 2019 (Fipe), gerando uma receita estimada em quase R$ 13,460 bilhões. Quando comparada a outros destinos nacionais, é a primeira cidade na busca por turismo de negócios, eventos e convenções, segundo a pesquisa de Demanda Turística Internacional 2014-2018, do Ministério do Turismo, e a quinta no segmento de lazer, no qual vem ganhando projeção. Tamanha relevância econômica não tira da atividade o seu papel social. Por suas características, o turismo tem potencial para geração de empregos de forma dinâmica e responde rapidamente às mudanças e ao crescimento do mercado. Em especial, gera oportunidades de ingresso no mercado formal de trabalho para mulheres, jovens e pessoas de baixa escolaridade, muitas vezes tidos com menor potencial de empregabilidade.

© Marcelo Iha/SPTuris

Parque Estadual da Cantareira - Núcleo Pedra Grande

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A Organização das Nações Unidas reforça essa ideia ao afirmar que é a força econômica que faz com que o turismo tenha potencial para auxiliar, direta ou indiretamente, a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS, conjunto de metas criadas pelos Estados-Membros da ONU para promover um futuro mais sustentável para o mundo.

Os impactos do coronavírus no turismo mundial A pandemia do novo coronavírus impôs ao mundo uma situação sem precedentes. Os impactos sanitários, sociais e econômicos foram devastadores em praticamente todo o globo. O turismo, como uma atividade que implica necessariamente em deslocamento, ficou inviabilizada, uma vez que barrar a propagação do vírus significou barrar a circulação das pessoas. Assim, em meio à crise, o setor de turismo sofreu com as piores consequências.

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Em apenas 40 dias desde a declaração da Covid-19 como pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em março de 2020, o vírus provocou o fechamento de fronteiras em 100% dos destinos turísticos do mundo, levando o nível de atividade turística próximo a zero. Foram menos de quatro meses para o vírus se espalhar globalmente, desde o primeiro caso até a paralisação do turismo. Dados da Organização Mundial do Turismo (OMT) apontaram a retração de 74% do fluxo de turistas internacionais em 2020. Em números absolutos, entre 850 milhões e 1,1 bilhão de viagens internacionais deixaram de ser realizadas no período, com perdas de até US$ 1,2 trilhão em receita cambial turística e 120 milhões de empregos. No Brasil, a situação não foi diferente. Segundo o Ministério do Turismo, houve queda de 48% na receita cambial turística no acumulado de janeiro a setembro de 2020, comparado ao mesmo período de 2019. Foram 2,382 bilhões de dólares injetados na economia, contra 4,542 bilhões de dólares em 2019. Segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o turismo, como um dos setores mais afetados pela pandemia, perdeu cerca de 153 bilhões de reais e 446 mil empregos


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Parque Anhanguera © José Cordeiro/SPTuris

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formais até julho de 2020. A projeção da entidade é que o turismo retorne aos níveis pré-pandemia apenas na segunda metade de 2023. Em São Paulo, alguns indicadores confirmaram o impacto: quando comparado a 2019, no ano de 2020 a taxa de ocupação hoteleira sofreu queda de 53,1% e a movimentação de passagei­ros nacionais e internacionais nos aeroportos que servem a cidade (Guarulhos, Congonhas e Viracopos) recuou 55% do fluxo total. Já em 2021, percebe-se uma recuperação lenta e gradual, com o avanço da vacinação. Apesar do surgimento de novas variantes, que mostram que os protocolos sanitários devem permanecer. O Relatório de impactos da pandemia de Covid-19 na cidade de São Paulo – ano 2020, apresenta dez tendências para o turismo que vêm sendo observadas, e que devem perdurar pelo menos até que se tenha a imunização massiva da população:


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Dez tendências globais para o turismo

Viagens regionais A crise sanitária está fazendo com que as pessoas façam mais viagens, porém curtas, de até 300 km de suas residências, preferencialmente feitas de carro, seguidas por viagens de avião a destinos de até três horas de distância. Viagens mais longas estão sendo exceção, motivadas pela necessidade e não pelo desejo de prolongá-las.

Viagens em família Além das viagens regionais, a retomada tem se dado com viagens em família e com amigos, pelo desejo de reconexão gerado pelo período de insegurança e confinamento. 28

Queda no volume de turistas internacionais Apesar da atratividade que o Brasil possa ter em função da alta no dólar, barateando os custos de viagem para o turista estrangeiro, o país sai da pandemia com a imagem arranhada, tanto pela questão política, quanto pelos altos índices de contaminados e mortos.

Atividades ao ar livre O período de isolamento, aliado ao medo de contaminação, tem estimulado a busca por natureza e locais que ofereçam atividades ao ar livre. Os destinos devem se atentar a oportunidades de criação de produtos e serviços que conectem hobbies à paisagem, como trekking, observação de pássaros e fotografia de ambientes naturais. O turismo rural, o turismo de aventura e o ecoturismo ficam em alta.


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Flexibilidade O consumidor passa a dar mais atenção às políticas de alteração / cancelamento em suas contratações, ainda que isso possa significar um aumento nos custos. Estão em vantagem as empresas que oferecerem políticas mais flexíveis.

Segurança A segurança tem sido fundamental em vários aspectos. Protocolos de segurança sanitária devem ser seguidos à risca por todos os estabelecimentos turísticos. O mesmo ocorre nos destinos, que devem comunicar com clareza suas medidas de segurança e controle da doença.

Destinos sustentáveis Tendem a se destacar os destinos e estabelecimentos que se mostrem socioambientalmente responsáveis. Pequenas empresas e pequenos estabelecimentos tendem a ser valorizados.

Turismo de experiência A procura por destinos e estabelecimentos que permitam ser vivenciados fica em alta. Ainda que o turismo de experiência seja uma tendência já bastante antiga, ela é intensificada pelo momento, devendo estar presente em todas as etapas da viagem e não apenas como uma atração. Em relação às atividades, os viajantes devem buscar desde experiências radicais, que permitam o indivíduo “sentir-se vivo”, às experiências gastronômicas, de bem-estar e de enriquecimento pessoal, cultural e espiritual. A inovação deverá estar presente, pois o momento exige que todos saiam do “lugar-comum”.

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Turismo de luxo Pessoas habituadas a viajar para o exterior e que não tiveram impacto na renda em função da pandemia devem transferir o orçamento, ou parte dele, para viagens nacionais, possivelmente várias ao longo do ano. E viajando dentro do país, tendem a ser mais exigentes com o nível dos serviços contratados e das experiências desfrutadas no destino.

Digitalização do turismo A digitalização do turismo aparece em dois aspectos distintos, mas relacionados. O primeiro está ligado à presença digital do destino, produtos e serviços, com ênfase nas redes sociais. A forma e as ferramentas tecnológicas usadas para “vender o peixe” farão diferença 30

na escolha do destino, produto ou serviço. O segundo aspecto tem a ver com a digitalização dos processos, seja de comunicação, de reserva, de compra etc, que serão determinantes para a escolha do turista.

A oportunidade do turismo de natureza e a cidade de São Paulo Dentre os segmentos do setor, o turismo de natureza já era aquele que mais se destacava, mesmo antes da pandemia. Até 2019, a média do crescimento mundial do turismo nos dez anos anteriores foi de 5%, enquanto o turismo de natureza, modalidade do turismo de lazer com a realização de atividades em áreas verdes, cresceu de 15% a 25% ao ano, segundo a OMT, respondendo por 25% do mercado turístico mundial. O Brasil ainda explora muito pouco do seu potencial de turismo de natureza, excluindo a categoria “sol & praia”. Para se ter ideia, o parque nacional brasileiro com o maior volume de visitação em 2018 foi o da Tijuca, no Rio de Janeiro, com 2,757 milhões de visitantes (MTur), enquanto o Golden Gate Na-


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tional Recreation Area, em São Francisco, parque nacional mais visitado dos Estados Unidos, recebeu 15,2 milhões no mesmo período. Vale ressaltar que os Estados Unidos possuem 418 Parques Nacionais, 347 a mais que o Brasil. Em 2019, o Índice de Competitividade Turística do Fórum Econômico Mundial (WEF) posicionou o Brasil como segundo colocado – dentre os 136 países avaliados – na categoria “Recursos Naturais”. É preciso, portanto, transformar esses recursos em produtos e explorá-los de maneira sustentável. Mas recursos não nos faltam. Ainda não há dados que considerem os impactos da pandemia no segmento, mas as tendências apontam para o aumento da participação de mercado desse tipo de atividade. A procura pelo turismo em áreas verdes e abertas tem sido bastante observada como uma forma de “descompressão segura” do confinamento imposto pela quarentena em todo o mundo. O que já era tendência, portanto, foi acelerado pela pandemia e destinos que dispõem de oferta estruturada de ecoturismo e sem aglomerações, passam a ter vantagem em relação aos destinos que não as possuem, ou possuem, porém de forma desestruturada. Todavia, dispor da oferta não é o suficiente, já que o turista, neste momento, talvez não queira percorrer longas distâncias e sair da sua zona de segurança. É preciso dispor da oferta, mas estar próxima do mercado consumidor, além de observar aspectos como segurança, sustentabilidade e experiência. Nesse sentido, a cidade de São Paulo vive uma oportunidade ímpar! Assim como as grandes metrópoles globais, a capital paulista é marcada pela forte urbanização e pelas vastas opções de negócios, lazer e entretenimento. Centro econômico da América Latina, São Paulo é sede de algumas das maiores corporações globais e destino certo para os principais eventos de repercussão internacional. A agenda cultural é um espetáculo à parte. A cidade possui centenas de museus, teatros, salas de cinemas, bibliotecas, casas de espetáculos e centros culturais. Muitas vezes, povoa o imaginário como uma cidade cinza e de concreto. E é aí que São Paulo surpreende!

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Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Territórios nos extremos Norte e Sul da cidade formam os dois polos de ecoturismo, o de São Paulo (ao Sul) e o da Cantareira (ao Norte). Embora pouco conhecidos, são locais que preservam ares de cidade do interior. Ambos foram instituídos por lei e visam promover tanto a conservação da fauna e flora quanto a inclusão social por meio do turismo.

da

Cantareira São Paulo

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Parelheiros-Marsilac-Ilha do Bororé


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

O Polo de Ecoturismo de São Paulo, criado em 2014, é formado pelos distritos de Parelheiros e Marsilac e pela Ilha do Bororé. Somente as duas Áreas de Proteção Ambiental inseridas no Polo – Capivari-Monos e Bororé-Colônia – representam 1/5 do território paulistano, coberto por quilômetros de Mata Atlântica intocada, rios e cachoeiras de águas límpidas. A região é também um grande patrimônio histórico. Suas igrejas, templos, construções, moradias, cemitérios contam histórias das aventuras vividas por imigrantes, especialmente alemães e japoneses, que fizeram parte da colonização da capital paulista. Já o Polo de Ecoturismo da Cantareira, criado em 2018, ocupa área das subprefeituras Jaçanã/Tremembé, Casa Verde/Cachoeirinha, Santana/Tucuruvi, Freguesia do Ó/Brasilândia, Pirituba/Jaraguá e Perus e integra a Reserva da Biosfera do Cinturão da Verde da Cidade de São Paulo, título conferido pela UNESCO dentro do programa “O homem e a Biosfera”. Os cinturões da biosfera são “locais de apoio da ciência para a sustentabilidade”, que representam ecossistemas característicos da região onde se estabelece. Existem 669 reservas da biosfera no planeta, sendo sete delas em solo brasileiro. Além da Mata Atlântica, o Polo de Ecoturismo da Cantareira guarda remanescentes do patrimônio histórico do abastecimento de água de São Paulo, entre outras riquezas importantes. O grande diferencial desses dois territórios é que ambos possuem belezas naturais conservadas, ar f resco, e enorme potencial para o turismo de natureza em plena cidade de São Paulo. A metrópole com o maior poder de consumo da América Latina e o mais relevante polo emissor de turistas do Brasil, e que nesse momento de pandemia, encontra certas restrições para viajar.

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Pico do Jaraguá


CONHECENDO O POLO DE

© José Cordeiro/SPTuris

ECOTURISMO DA CANTAREIRA


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

CONHECENDO O POLO DE ECOTURISMO DA CANTAREIRA Contextualização histórica Antes da colonização do Brasil, a Serra da Cantareira já era um marco do planalto. Em função de sua altitude (entre 715 m e 1.215 m), era utilizada pelos indígenas como guia em suas caminhadas pela mata. Ao mesmo tempo que a formação constituía um obstáculo em sua transposição, servia como escudo de proteção. A partir da fundação da Vila de São Paulo por José de Anchieta em 1554, a zona Norte passou a servir de caminho dos tropeiros para o interior do es36

tado e do país, sendo que os primeiros registros sobre ela remetem a dois períodos: 1580, relatando a existência de uma fazenda de cana-de-açúcar, na região da Freguesia do Ó, de onde saíam bandeiras em busca de indígenas para escravização; e 1590, com a descoberta de ouro na região do Pico do Jaraguá, pelo bandeirante Afonso Sardinha. Nos séculos XVI e XVII, a cidade se manteve dentro dos limites do triângulo histórico, atuais Ruas Direita, XV de Novembro e São Bento, com pouco progresso e servindo de base para os tropeiros que vinham do interior com direção ao litoral e vice-versa. A zona Norte permanecia isolada, separada pelo Rio Tietê, e sua ocupação se restringia a algumas propriedades rurais. A Serra da Cantareira, assim como era para os indígenas, continuava servindo como referência de caminho, e destacava-se por conter muitas nascentes, que ofereciam água fresca a quem por ali passasse. A abundância das águas é uma hipótese para o surgimento do nome Cantareira. Cântaro era o nome dado aos jarros que armazenavam água e Cantareira era o local onde os jarros eram armazenados. A outra hipótese seria a corruptela de um vocábulo indígena Caá-haty-aì-yo-yré-yré (montes tesos,


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

uns atrás dos outros), termo difícil de ser entendido e pronunciado pelos portugueses, que o entenderam como Cantareira. No século XIX a economia cafeeira progride no Estado de São Paulo e no Brasil. Grandes fazendas se instalam em terras além Tietê, principalmente ao longo das atuais Estradas Santa Inês, Roseira e Sezefredo Fagundes. Na década de 1870, enquanto a zona Norte se restringia às fazendas, o triângulo histórico recebia mais habitantes e visitantes. Os barões do café e suas famílias desejavam consumir produtos vindos da Europa para conseguir status, fazendo circular uma quantidade maior de dinheiro naquela região, que acabou por se expandir além dos rios Anhangabaú e Tamanduateí. Com o crescimento da população, que em 1872 chegava a 31.385 habitantes, surgem novas necessidades, inclusive de abastecimento de água, que ainda era precário e insuficiente. Estudos são feitos para buscar novos mananciais, tendo como resultado duas possibilidades: as fontes do Pacaembu que, apesar de próximas, tinham pouca água, e as da Serra da Cantareira, de difícil acesso, mas com água em abundância. Em 1877 é criada a Companhia Cantareira de Águas e Esgotos, e iniciam-se as obras de dois reservatórios de acumulação no centro da cidade, com capacidade para abastecer o dobro da população da época. É nesse período que a demanda pelo escoamento da produção cafeeira e recebimento de material para a construção do Sistema Cantareira, deram início às primeiras obras de infraestrutura ferroviária, com forte presença na região Norte, como: a construção da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, em 1867, com a criação da Companhia The São Paulo Railway (que posteriormente viria a ser parte da CPTM); e o Tramway (trem de bitola estreita), ligando a Cantareira ao Pari (onde havia uma Estação da São Paulo Railway e ali chegariam a maior parte dos materiais para a construção do Sistema Cantareira). Essa ferrovia transportaria carga a partir de 1892. As fazendas prosperam na zona Norte e o crescente desmatamento provocado pela agricultura colocava em risco seus mananciais. A partir de 1890, o Governo do Estado de São Paulo deu início a um processo de desapropriação de fazendas no entorno da Serra, com o propósito de preservar as áreas de ma-

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nancial, criando no fim do século XIX a Reserva Florestal. Em 1893, desapropriou a Fazenda Engenho Pedra Branca, de cana-de-açúcar, criando em seu território o Horto Botânico (174 hectares), com a função de estudar e produzir mudas para o reflorestamento de toda a área. Em 1963, o Horto Botânico foi tombado pelo Condephaat e, em 1993, passou a se chamar Parque Estadual Alberto Löfgren, homenagem ao naturalista suíço que idealizou o espaço. Em 1890, a população da cidade atingiu 64.934 habitantes, ultrapassando a capacidade de abastecimento de água do Sistema Cantareira, sendo necessário sua ampliação. Para que isso acontecesse, em 1894 teve início a construção da Casa da Bomba (localizada onde hoje fica o Núcleo Engordador do Parque Estadual da Cantareira) e nela é instalado um sistema de captação de água, cuja bomba de construção inglesa era movida a vapor e a pressão era fornecida por uma caldeira alemã. A Casa da Bomba entrou em operação em 1909. A partir de 1912, as terras de grandes fazendas, que ainda se encontravam na 38

região, começaram a ser loteadas e a população adensada, mas a falta de ligação entre a zona Norte e o restante da cidade criava dificuldades, mantendo a região com caráter predominantemente rural. As únicas conexões com a "cidade” eram a São Paulo Railway, o Tramway Cantareira-Pari e a Ponte Grande, ponte em madeira construída em 1700, no local onde hoje é a ponte das Bandeiras. Enquanto no núcleo central melhorias urbanas como os primeiros bondes (movido à tração animal) e luz elétrica chegaram nos anos 1872 e 1905, a chegada desses avanços nas terras além do Tietê se deram na década de 1920 e fim da década de 1930, respectivamente. A produção e a exportação do café acabaram por dar impulso à industrialização da cidade e do estado. Em 1926, foi inaugurada em Perus, a Companhia Brasileira de Cimento Portland Perus S/A, onde anteriormente existia a Fábrica e a Usina de Pólvora. A fábrica de cal (já existente), junto com a de cimento, são responsáveis por prover esses materiais à cidade de São Paulo, outros estados do Brasil, e também para exportação. É nesse contexto, mas antes da inauguração da fábrica de cimento, que foi construída a Estrada de Ferro Perus Pirapora, inaugurada em 1914, para conectar as usinas de cal à São Paulo Railway, pela estação Perus.


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O café e a industrialização alavancavam o progresso de São Paulo, trazendo para ela novos moradores em busca de emprego e melhores condições de vida, através das migrações e imigrações. O aumento da população, que na segunda metade do século XX chegou a 2.198.096 habitantes, implicou na necessidade de mais moradias, encarecendo os terrenos mais centrais e empurrando as populações de baixa renda para as periferias. Algumas outras obras decorrentes do progresso foram feitas na zona Norte: a construção da Casa de Detenção de São Paulo (Carandiru) em 1920 e a construção do Aeroporto Campo de Marte em 1929. A construção de estradas para aumentar a conectividade de São Paulo também foi realizada, como a substituição da antiga estrada São Paulo – Campinas pela Rodovia Anhanguera em 1921 e, bem mais tarde, a Rodovia dos Bandeirantes, que veio para aliviar o trânsito da Anhanguera. Na década de 1960, já com 3.781.446 habitantes, mais uma crise hídrica se instala na cidade e o Governo, preocupado com a proteção dos mananciais, declarou, através da Lei no 6.884, de 1962, a Reserva Florestal como Parque Estadual da Cantareira e, anos mais tarde, como Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo. Em 1994, a região foi reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Mundial. Hoje, o Parque é formado por quatro núcleos (Águas Claras, Cabuçu, Engordador e Pedra Grande), que foram abertos à visitação pública. Para resolver o problema do abastecimento, iniciou-se em 1969 a construção do Sistema Cantareira de Abastecimento formado por seis represas: Paiva Castro, Águas Claras, Atibainha, Cachoeira, Jaguari e Jacareí, pela Estação Elevatória Santa Inês, que bombeia água para que ela vença a altitude da Serra da Cantareira e a Estação de Tratamento Guaraú, além de túneis e tubulações de transferência, sendo que as duas últimas represas (Jaguari e Jacareí) entram em operação em 1982. O crescimento da cidade continuou e o setor de eventos passou a ter destaque como indutor de negócios, culminando em 1970 com a inauguração do Parque Anhembi, um centro de eventos e exposições em Santana, trazendo para a cidade e para a região grandes eventos e muita valorização. Ainda nessa década houve a chegada do metrô, iniciou-se a verticalização, principalmente do bairro de Santana, e a região Norte como um todo se urbanizou. Alguns bairros passaram a ser de classe média alta e a população de baixa renda cada vez mais foi empurrada para

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a periferia, criando bolsões de alta densidade demográfica e pouca qualidade de vida. Pouco mais de 20 anos depois, em 1993, foi inaugurado o Expo Center Norte, outro centro de eventos e exposições, que colocou de vez a zona Norte como polo de eventos da cidade, dando projeção internacional a São Paulo nesse segmento. As mudanças continuaram. Apesar do avanço do desmatamento causado pela pressão urbana exercida ao redor das áreas verdes, provocado pelo crescente número de pessoas vivendo em situação adversa, algumas medidas importantes vêm sendo tomadas para reversão desse processo. A primeira, e mais importante, foi instituída pelo Plano Diretor Estratégico da Cidade de São Paulo (PDE), que restabeleceu, em 2014, a zona rural, seguido da Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo, de 2016, que disciplina as questões relacionadas ao solo, de acordo com o plano. Juntos, tem como um dos objetivos incentivar usos e atividades econômicas que sejam capazes de conciliar proteção ambiental com geração de emprego e renda, melhoria da qualidade de vida e redução da vulnerabilidade e exclusão socioambiental dos moradores. 40

O PDE prevê ainda a implantação do projeto Bordas da Cantareira, da Secretaria do Verde e Meio Ambiente, com foco na implantação de novos parques municipais na zona de amortecimento da Serra da Cantareira, configurando-se como barreiras ao avanço da ocupação urbana desordenada em direção à serra. O projeto prevê a criação de 11 parques, como mitigação aos impactos das obras do Rodoanel Mário Covas – Trecho Norte. No âmbito do turismo, a criação do Polo de Ecoturismo da Cantareira em 2018 foi um marco no território, trazendo um novo olhar para o turismo na zona Norte, além dos eventos. Tanto que o território passou a fazer parte dos objetivos estratégicos do Plano de Turismo Municipal – Platum 2019|2021, que prevê ações estruturadas especificamente para o fomento do turismo na área do Polo de Ecoturismo da Cantareira. A concessão da área de uso público do Parque Estadual da Cantareira e do Horto Florestal, prevista para o 2o semestre de 2021, também devem mudar a dinâmica do turismo nesses espaços e entorno, uma vez que os investimentos previstos na proteção e conservação das áreas protegidas, e na melhor prestação de serviços, tendem a tornar a experiência do visitante mais enriquecedora, estimulando o turismo.


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A conjunção desses e outros tantos esforços, dos diversos órgãos e instituições atuantes no território, devem trazer impactos positivos que contribuam significativamente para o alcance dos objetivos estratégicos previstos neste documento. • Linha do tempo Até ocupação Para os indígenas, a Serra da Cantareira era um obstáculo e uma proeuropeia teção, além de guia nas rotas que seguiam para o interior do estado. Século XVI

Os tropeiros passaram a utilizar a Serra da Cantareira como caminho para o interior do estado.

1554

São Paulo é fundada com a 1ª missa, no Pateo do Collegio.

1580

Estabelecida uma fazenda de cana-de-açúcar na região da atual Freguesia do Ó, de onde saíam bandeiras.

1590

É descoberto ouro na região do Pico do Jaraguá, explorado até o século XIX. Ainda hoje encontram-se cavas da época do garimpo.

Século XVII

Primeiros registros do bairro de Perus.

1700

É construída a primeira ponte de madeira sobre o Rio Tietê, onde hoje está a Ponte da Bandeiras. A população estimada da cidade é de 840 habitantes.

Século XVIII

A primeira estrutura de abastecimento público (chafariz) é construída pelos Franciscanos. Estabelecido o caminho para Minas Gerais pela Serra em direção a Atibaia. Algumas fazendas se estabelecem na região Norte: de café, na região de Pirituba; de café, chá e cereais, onde hoje é São Domingos e de café, na região do Jaraguá.

1702

Construção da residência rural que hoje é ocupada pelo Sítio Morrinhos.

1711

São Paulo é elevada à condição de cidade.

1720

Primeiros registros do caminho que viria a se tornar a Rodovia Anhanguera, no trecho entre São Paulo e Campinas.

1826

A população de São Paulo chega a 26.020 habitantes, composta basicamente por um núcleo central.

1852

Os aguadeiros buscavam água nos chafarizes que abasteciam a cidade, e a vendiam nas casas dos moradores. O crescimento da população demandou busca por novos mananciais. Os estudos apontaram como possíveis soluções as fontes do Pacaembu (com pouca água) e as águas da Serra da Cantareira (abundantes).

1867

Inaugurada a estrada de Ferro Santos-Jundiaí - São Paulo Railway, para escoamento da produção cafeeira com as estações Perus, Brás e Luz na cidade de São Paulo (atual Linha 7-Rubi da CPTM). O bairro de Perus é declarado independente do distrito de Nossa Senhora do Ó.

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Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

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1870

Nasce o bairro do Jaçanã, com o nome de Uroguapira.

1877

Criada a Companhia Cantareira de Águas e Esgotos, companhia privada, escolhida para resolver os problemas de abastecimento; as águas da Cantareira começam a ser usadas para abastecimento da cidade.

1881

O núcleo central de São Paulo passa a ser dotado de equipamentos coletivos, água, gás e coleta de esgoto. Inaugurado um centro de distribuição hídrica na Consolação, com água vinda da Cantareira, por tubulação. Fundada a Fábrica de Pólvora, em Perus.

1882

Casas e prédios começaram a ser ligados à rede distribuidora de água.

1885

Inaugurada a estação de trem de Pirituba da São Paulo Railway, dando origem ao bairro homônimo (atual estação Pirituba da CPTM).

1890

Com o crescimento da região, uma fazenda é loteada, dando origem ao bairro do Tremembé. A população de São Paulo chega a 64.934 habitantes. A partir desse ano, o Governo do Estado realiza a desapropriação de diversas fazendas no entorno da serra para preservação dos mananciais.

1891

Inaugurada a Estação Ferroviária de Taipas da São Paulo Railway (atual estação Jaraguá da CPTM).

1893

São Paulo contava com 130.755 habitantes. Iniciada a operação do Tramway da Cantareira. Cerca de 5 mil hectares de terra foram desapropriados na região da serra para construção de reservatórios. Todos os chafarizes da cidade são retirados.

1895

O Tramway da Cantareira começa a transportar passageiros em viagens de recreio aos domingos e feriados. Anos depois passou a transportar passageiros diariamente.

1896

Criado o Horto Botânico, atual Horto Florestal.

1898

É criado o distrito de Paz de Santana, mas o povoado já existia na área desde 1782.

1900

A população de São Paulo atinge 239.820 habitantes. Surgem os primeiros bondes elétricos na cidade.

1909

Entra em operação a Casa da Bomba, inaugurada em 1904.

1911

Criado o Serviço Florestal do Estado.

1912

Criação da Guarda Florestal, hoje Guarda Civil Metropolitana Ambiental.

1913

É loteado o "Sítio da Casa Verde", dando origem ao bairro Casa Verde.

1914

Inaugurada a Estrada de Ferro Perus Pirapora, para conectar as usinas de cal à São Paulo Railway, pela estação Perus.

1915

Construída a Ponte da Casa Verde, em madeira de lei, segunda ponte a interligar as duas margens do Rio Tietê.

1920

A população chega a 579.033 habitantes. Inaugurada a Casa de Detenção de São Paulo (Carandiru), com o nome de "Instituto de Regeneração".


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

1921

Inaugurada Estrada São Paulo-Campinas, dando início ao bairro Anhanguera.

1922

Chegada do bonde no bairro da Casa Verde, fazendo o trecho Vila Maria/Casa Verde, facilitando a mobilidade na região.

1926

Entra em operação a Companhia Brasileira de Cimento Portland Perus S/A, onde anteriormente estava Fábrica e Usina de Pólvora.

1929

Inaugurado o Aeroporto Campo de Marte, para ser utilizado pela aviação executiva e helicópteros.

1939

Durante a II Guerra Mundial, é iniciado na Serra o corte de lenha para abastecer a indústria do carvão, para consumo familiar e comércio.

Década de 1930

Começa a operação da Pedreira Anhanguera S.A – Empresa de Mineração Morro Grande.

1942

Inaugurada a Ponte das Bandeiras, de concreto, no lugar onde antes estava a "Ponte Grande" de madeira.

1946

A fazenda que ocupava a Brasilândia foi loteada, dando origem ao bairro de mesmo nome.

1948

É inaugurada a Rodovia Anhanguera com pista simples entre São Paulo e Jundiaí.

1949

A caldeira da Casa da Bomba sofre uma grande explosão e suas atividades são paralisadas. A Polícia Ambiental é instituída.

1960

A população de São Paulo chega a 3.781.446 e mais uma vez acarreta a crise de abastecimento. Instalada uma comissão para propor medidas, que cria o embrião para o futuro Sistema Produtor Cantareira.

1961

Criado o Parque Estadual do Jaraguá.

1962

Criado o Parque Estadual da Cantareira.

1963

O Horto Florestal passa a pertencer ao Governo do Estado e é batizado de Parque Estadual Alberto Löfgren.

1965

O Tramway Cantareira é desativado.

1968

Criação da COMASP - Cia Metropolitana de Águas de São Paulo, para tratar o abastecimento como assunto metropolitano, sucedida em 1973 pela SABESP. É tombado pelo Condephaat a Casa da Bomba, no Parque Estadual da Cantareira.

1970

A Estrada Santa Inês é asfaltada e realinhada. Inaugurado o Parque Anhembi.

1973

O Sistema Cantareira começa a entrar em operação.

1974

Inaugurada a Estação de Tratamento Guaraú.

1975

Início da operação do trecho Liberdade/Santana da linha Azul do Metrô, ainda sem a estação Sé. Sítio Morrinhos é tombado pelo Condephaat.

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Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

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1978

Inaugurada a Rodovia dos Bandeirantes.

1979

Criado o Parque Anhanguera.

1982

Inaugurado o Terminal Rodoviário do Tietê.

1983

Encerradas as atividades da Companhia Brasileira de Cimento Portland Perus.

1988

A Serra da Cantareira é tombada como Patrimônio Nacional pelo Iphan incorporando o Parque Estadual da Cantareira, o Parque Estadual do Juquery e o Parque Alberto Löfgren como Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Mata Atlântica.

1989

Inaugurado o Núcleo Pedra Grande do Parque Estadual da Cantareira.

1991

Inaugurado o Sambódromo do Anhembi.

1992

Inaugurado o Núcleo Engordador do Parque Estadual da Cantareira. O parque é tombado pelo Conpresp e pelo Condephaat.

1993

Inaugurado o Expo Center Norte. Criada a Divisão da Fauna Silvestre, com uma unidade no Parque Anhanguera (CeMaCAS - Centro de Manejo e Conservação de Animais Silvestres).

1994

A Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo é reconhecida pela UNESCO e declarada como Patrimônio da Humanidade.

2000

Inaugurado o Núcleo Águas Claras do Parque Estadual da Cantareira, em Mairiporã.

2003

Inaugurado o Parque da Juventude, construído onde antes estava o Complexo Penitenciário do Carandiru.

2008

Inaugurado o Núcleo Cabuçu, do Parque Estadual da Cantareira, em Guarulhos. Criado por Decreto o Parque Linear do Córrego do Bispo. Inaugurado o Sítio Morrinhos, como Centro de Arqueologia de São Paulo.

2009

Realizada a 1ª Edição do Festival de Inverno da Cantareira (FICA) no Horto Florestal.

2013

Iniciadas as obras de construção do Rodoanel Mário Covas - trecho Norte, com conclusão prevista para 2023. FUNAI delimita a Terra Indígena Jaraguá.

2014

São Paulo sofre a maior crise hídrica da história, sendo necessária a utilização do volume morto do sistema Cantareira e complementação de outros sistemas.

2017

Surto de febre amarela matou quase 80% da população de macacos bugios da Serra da Cantareira.

2018

Criação do Polo de Ecoturismo da Cantareira.


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Contextualização político-administrativa Desde 2002, a cidade de São Paulo está organizada administrativamente em subprefeituras, 32 no total, nas quais estão 96 distritos. No Polo de Ecoturismo da Cantareira estão 15 distritos, distribuídos em 6 subprefeituras. As subprefeituras são instâncias regionais da administração municipal, as quais têm entre suas atribuições: instituir mecanismos que democratizem a gestão pública e fortalecer as formas participativas que existam em âmbito regional; estabelecer formas articuladas de ação, planejamento e gestão com as subprefeituras e municípios limítrofes a partir das diretrizes governamentais para a política municipal de relações metropolitanas; atuar como indutoras de desenvolvimento local, implementando políticas públicas a partir das vocações regionais e dos interesses manifestos pela população, além de facilitar o acesso à transparência dos serviços públicos, tornando-os mais próximos dos cidadãos. Além das subprefeituras, as secretarias municipais e estaduais, os órgãos da administração indireta e de outras instituições públicas atuam no território, cada qual no seu segmento. Considerando a transversalidade característica da atividade turística, a atuação de todos os órgãos da administração impacta no turismo e devem ser observadas. Para compreender de que forma as políticas e ações dos órgãos públicos impactam na atividade turística no território, bem como de que forma o turismo pode aproveitar-se delas, apresentamos um compilado das principais identificadas. • Políticas Públicas Federais com impactos no território Política Federal

Descrição

Constituição Federal (1988)

Lei máxima do país. Três temas importantes constam na Constituição Federal: recursos hídricos, preservação do meio ambiente e as terras indígenas.

Código Florestal – Lei Federal nº 12.651/2012

Dispõe sobre a proteção da vegetação nativa. Destaca-se a proteção de um raio de 50 metros dos mananciais nas Áreas de Preservação Permanente (APPs).

Sistema Nacional de Unidades de Conservação – Lei Federal nº 9.985/2000

Regulamenta o art. 225, § 1o, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal, institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e dá outras providências. Nas Unidades de Conservação de “Proteção Integral”, admite-se apenas o uso indireto de seus recursos naturais.

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Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Estatuto do Índio - Lei Federal Garante a preservação da cultura indígena, bem como seus direitos. nº 6.001/1973 Política Nacional de Recursos Hídricos – Lei Federal nº 9.433/1997

Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal. A PNRH determina a elaboração de um Plano de Recursos Hídricos para cada bacia, sendo este considerado um plano diretor que orienta o desenvolvimento de cada território.

Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecaPolítica Nacional nismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Dentre os de Meio Ambiente objetivos da Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA) está a com– Lei Federal patibilização do desenvolvimento econômico-social com a preservanº 6.938/1981 ção da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico.

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Política Nacional de Saneamento – Lei Federal nº 11.445/2007

Estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico. Devem ser contemplados os seguintes serviços: abastecimento de água, esgotamento sanitário, gestão de resíduos sólidos, além da drenagem e manejo de águas pluviais.

Lei da Mata Atlântica – Lei Federal nº 11.428/2006

Prevê que sejam criados incentivos econômicos à proteção e ao uso sustentável do bioma e que cada município elabore seu respectivo Plano Municipal da Mata Atlântica (PMMA) para estruturar as ações de conservação e recuperação da vegetação nativa. O PMMA da cidade de São Paulo está integrado no Plano Diretor Estratégico (PDE) da cidade, sancionado em 2014.

Regulamenta os artigos 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretriEstatuto da Cidade zes gerais da política urbana e dá outras providências. Dentre suas diretrizes – Lei Federal estão: a garantia do direito a cidades sustentáveis, considerando aspectos nº 10.257/2001 tais como o direito à terra, ao saneamento ambiental, ao trabalho e ao lazer. Estatuto da Metrópole – Lei Federal nº 13.089/2001

Estabelece diretrizes para o compartilhamento de competências em relação às políticas de habitação, saneamento básico, mobilidade urbana e meio ambiente.

Imposto Territorial Rural (ITR) – Inciso VI do art. 153 da Constituição Federal e Lei Federal nº 9.393/1996

Estabelece o recolhimento do Imposto Territorial Rural em zonas rurais.

• Políticas Públicas Estaduais com impactos no território Política Estadual

Descrição

Lei de Mananciais Lei Estadual nº 9.866/1997

Dispõe sobre diretrizes e normas para a proteção e recuperação das bacias hidrográficas dos mananciais de interesse regional do Estado de São Paulo e dá outras providências. Estabelece que as áreas de mananciais são de interesse regional para o abastecimento e que, portanto, devem ser objeto de ações de proteção e recuperação. Cada manancial deve ser criado formalmente por lei específica e dentre os instrumentos de gestão serão elaborados os Planos de Desenvolvimento e Proteção Ambiental (PDPA) de cada território deste.


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Decreto nº 63.876/2018

Dispõe sobre a concessão da área de uso público do Parque Estadual da Cantareira, localizado nos municípios de São Paulo, Guarulhos, Mairiporã e Caieiras, e dá providências correlatas. Autorizada a abertura de licitação, nos termos da Lei Federal nº 8.666, de 21 de junho de 1993, e da Lei Estadual nº 16.260, de 29 de junho de 2016, na modalidade concorrência de âmbito nacional, para a concessão de uso da área de uso público do Parque Estadual da Cantareira (PEC) pela Secretaria do Meio Ambiente.

Programa Município VerdeAzul

Lançado em 2007, esse programa do governo estadual tem o propósito de medir e apoiar a eficiência da gestão ambiental com a descentralização e valorização da agenda ambiental nos municípios, estimulando e auxiliando as prefeituras na elaboração e execução de suas políticas públicas para o desenvolvimento sustentável.

Programa Nascentes

O programa de conservação de recursos hídricos otimiza o uso de investimentos públicos e privados para cumprimento de obrigações legais e para compensação de emissões de carbono ou redução de pegada hídrica. Em março de 2020 foram restaurados mais de 20.000 hectares. Esse programa pode representar um potencial de ações de intervenção que visem aumentar a proteção das nascentes existentes no território.

Criada em 2007, a operação é uma parceria do Governo do Estado e da Prefeitura para proteger, controlar e recuperar as áreas de mananOperação ciais. A atuação das ações está focada principalmente em áreas vulIntegrada Defesa neráveis, com a implantação de medidas para o controle de ocupação das Águas e expansão irregular, deliberadas por Comitês Gestores constituídos nas subprefeituras.

Plano de Manejo do Parque Estadual da Cantareira

A primeira versão do Plano de Manejo do Parque Estadual da Cantareira foi concluída em 1974 e foi atualizada em 2009 com participação dos setores públicos e privados, comunidade, ONGs e da imprensa. Nesse documento as informações foram sistematizadas para definir as diretrizes e ações para a melhoria contínua do parque e seu entorno. Destaque para a integração das ações de educação ambiental, do policiamento ostensivo da área, do ordenamento do uso do solo do entorno e integração nos processos de licenciamentos ambientais, da participação comunitária na gestão da área protegida e gestão compartilhada entre o público e o privado.

Plano de Manejo do Parque Estadual Alberto Löfgren – Horto Florestal

O Plano de Manejo do Parque Estadual Alberto Löfgren, aprovado no fim de 2012, analisou as características específicas dessa unidade de conservação de proteção integral em um centro urbano para definir seus objetivos, estabelecer o zoneamento e as normas que devem ser seguidas no uso da área e o manejo dos recursos naturais.

Plano de Manejo do Parque Estadual do Jaraguá

Elaborado como parte integrante do Termo de Compromisso de Compensação Ambiental (TCCA), no âmbito do licenciamento ambiental relativo à implantação do Rodoanel Mário Covas – Trecho Oeste. No Plano de Manejo do Parque Estadual da Cantareira, concluído e aprovado em setembro de 2010, estão as diretrizes, os objetivos e as ações definidas de acordo com as características do parque e de sua localização, considerando o uso público.

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Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

• Políticas Públicas Municipais com impactos no território Política Municipal

Descrição

Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo – PDE (2014)

O Plano Diretor, sancionado em 2014, traz diretrizes, estratégias e medidas para o desenvolvimento da cidade até 2030, buscando reforçar, entre outros pontos, o compromisso com a agenda ambiental, essencial para a qualidade de vida na cidade. Específico para o Polo de Ecoturismo da Cantareira, alguns pontos são destacados: a demarcação da Zona Rural, trazendo uma concepção multifuncional no meio rural, incluindo o ecoturismo; o Polo de Desenvolvimento Econômico Rural Sustentável (Seção V), o qual objetiva promover atividades econômicas, gerando emprego na zona rural, atentando-se sempre com a conservação ambiental e o uso sustentável; “promover o desenvolvimento sustentável da zona rural com o apoio à agricultura familiar, em especial a orgânica, e ao turismo sustentável, em especial de base comunitária” é um dos objetivos específicos da Política de Desenvolvimento Econômico Sustentável.

Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo – Lei Municipal nº 16.402/2016

A Lei Municipal nº16.402/2016 disciplina o parcelamento, o uso e a ocupação do solo no município de São Paulo, de acordo com o Plano Diretor Estratégico. Segundo o PDE, o Polo de Ecoturismo da Cantareira está localizado em zona urbana e zona rural concomitantemente. No território do Polo de Ecoturismo encontram-se diversos tipos de zonas, conforme estabelecido na lei. Considerando o propósito sustentável do Polo, destacam-se as Zonas Especiais de Preservação (ZEPs) e as Zonas Especiais de Proteção Ambiental (ZEPAMs), ambas ao Norte do território, e as Zonas de Preservação e Desenvolvimento Sustentável (ZPDSs) e a Zona Mista (ZM), sendo esta localizada na parte Sul do Polo. Ressaltam-se a possibilidade de implementar projetos de pagamentos por serviços ambientais nas ZEPAMs, a indicação de atividades de turismo nas ZPDSs e o ecoturismo nas ZEPs.

Plano Municipal de Saneamento (2019)

O Plano Municipal de Saneamento Básico de São Paulo (PMSB) foi elaborado em atendimento às disposições da Lei Federal nº 11.445/2007, regulamentada pelo Decreto Federal nº7.217/2010, que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico e define que os responsáveis por esses serviços sejam os municípios, garantindo que todos os serviços de saneamento (abastecimento de água potável, esgotamento sanitário, manejo de águas pluviais e gestão de resíduos sólidos) estejam efetivamente presentes na região.

Decreto Municipal nº 57.537/2016 – Instituição dos Planos Regionais das Subprefeituras

Regulamenta os artigos 344 a 346 da Lei nº 16.050/2014 – Plano Diretor Estratégico, instituindo os Planos Regionais das Subprefeituras. Os Planos Regionais das Subprefeituras são instrumentos de planejamento integrante do Sistema Municipal de Planejamento Urbano, indicando propostas de transformação almejadas no horizonte temporal do Plano Diretor Estratégico, bem como procedimentos de articulação para ajustes, detalhamento e execução destas propostas.

Plano de Turismo Municipal da Cidade de São Paulo (2019-2021)

Define a Política de Turismo da Cidade. O atual Plano de Turismo apresenta a consolidação da política pública do turismo de São Paulo de 2019 a 2021, com indicação de perspectivas até 2030, com metas e programas a serem desenvolvidas pela Secretaria Municipal de Turismo. Um dos objetivos estratégicos do Plano é fomentar o turismo no Polo de Ecoturismo da Cantareira, por meio de objetivos específicos e ações.

Programa Córrego Limpo

Criado em 2007, é uma parceria entre a Prefeitura de São Paulo e a Sabesp para recuperação de córregos urbanos, em que a Prefeitura fica encarregada de remover e reassentar as famílias que vivem em área de risco, além de implantar parques lineares e fiscalizar as ligações de esgoto; e a Sabesp executa obras de infraestrutura do sistema de esgoto. Considerando que o território do Polo de Ecoturismo é cortado por diversos córregos, alguns já contemplados pelo programa, é importante considerar ações de proteção desses cursos d’água, tendo como objetivo promover ações de saúde pública e saneamento que gerarão impactos na qualidade de vida da população local e aumento da atratividade às ações de turismo.

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Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

O Polo de Ecoturismo da Cantareira foi criado em 2018, em consonância com as diretrizes do Plano Diretor Estratégico de 2014. A criação do Polo Lei Municipal da Cantareira tem como objetivos: a conservação e recuperação ambiental; nº 16.832/2018 – o desenvolvimento econômico local, a partir da atividade turística sustenInstituição do Polo tável; e a sensibilização e a mobilização da comunidade. Conforme consta de Ecoturismo da na lei, os locais de interesse turístico no Polo de Ecoturismo da Cantareira, a princípio, são: Parque Estadual da Cantareira (Núcleos Pedra Grande e Cantareira Engordador), Parque Estadual Alberto Löfgren, a Estrada de Santa Inês e a Estrada da Roseira. Instituído no artigo 38 da Lei da Mata Atlântica (11.428), de dezembro de 2006, o Plano Municipal da Mata Atlântica (PMMA) é um instrumento lePlano Municipal gal que direciona e possibilita que os municípios atuem proativamente na conservação e recuperação da vegetação nativa da Mata Atlântica. O Plano de Conservação Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica do município e Recuperação de São Paulo, integrado ao Plano Diretor Estratégico (2014), foi desenvolvida Mata Atlântica do pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal do Verde e Meio Am– PMMA biente (SVMA), com o apoio das Secretarias Municipais de Desenvolvimento Urbano (SMDU) e das Subprefeituras (SMSUB), da Fundação SOS Mata Atlântica, do SESC e da Universidade Nove de Julho.

Lei Municipal nº 17.652/2021 – Instituição do Polo Cultural, Gastronômico e Turístico do Largo da Matriz de Nossa Senhora do Ó e entorno

A Criação do Polo Cultural, Gastronômico e Turístico do Largo da Matriz de Nossa Senhora do Ó coloca a região no mapa turístico da cidade de São Paulo e tem como objetivo incentivar o empreendedorismo local e a retomada econômica pós pandemia, bem como promover atividades de capacitação profissional nas áreas de cultura, gastronomia e turismo, visando a inclusão social. A nova legislação, ainda a ser regulamentada, atrairá investimentos na região por meio de programas como a Ade Sampa, Fundação Paulistana e outros parceiros da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo (SMDET).

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• Ações/projetos das Secretarias Estaduais com impactos no território Secretarias

Ação/Projeto

Projeto Horta Educativa São mais de 350 escolas paulistas participantes do projeto, incluindo escolas da zona Norte da capital, que também busca integrar os pais para incentivar toda a família a adotar hábitos saudáveis de alimentação. O curso Secretaria propicia aulas teóricas e práticas sobre o preparo do espaço onde a horta de Agricultura será instalada, além de palestras com nutricionistas e engenheiros, que e Abastecimento focam a importância de uma alimentação saudável. SP Orgânicos Projeto tem o objetivo de desenvolver a cadeia de produtos orgânicos no Estado de São Paulo, abrangendo os insumos, o processo produtivo, a logística e o consumo.

Secretaria da Pessoa com Deficiência

Promover acessibilidade nos Parques Estaduais Protocolo de Intenções assinado em 2019 entre a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SIMA), a Fundação Florestal (FF) e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD), para desenvolver projetos de acessibilidade nas Unidades de Conservação do Estado de São Paulo. No objetivo de tornar os parques estaduais mais acessíveis, a ação também prevê a capacitação para que os funcionários e os monitores possam realizar atendimento especializado para visitantes com deficiência e/ou mobilidade reduzida.


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Secretaria da Educação

Secretaria dos Transportes Metropolitanos

Projeto Lugares de Aprender Tem como objetivo promover o acesso de professores e alunos da rede pública estadual paulista de ensino a museus, centros culturais, institutos de arte e cultura e parques, como atividade articulada ao desenvolvimento do currículo. O Parque Estadual da Cantareira e o SESC Santana estão na lista. Expansão do transporte sobre trilhos Linha 6 – Laranja (em implantação) A Estação Brasilândia será uma das futuras estações do Metrô de São Paulo e pertencerá à Linha 6–Laranja, que atualmente se encontra com as obras paralisadas. Em sua primeira fase, com 15,9 quilômetros de extensão, a Linha 6 deverá interligar o bairro da Vila Brasilândia, na zona Norte, à Estação São Joaquim, da Linha 1–Azul. Posteriormente, a linha deverá interligar a Rodovia dos Bandeirantes ao bairro de Cidade Líder, na zona Leste. Linha 19 – Celeste (em implantação) A Linha 19-Celeste é um projeto do Metrô de São Paulo que em sua primeira fase ligará a região central de São Paulo, no Anhangabaú, até a cidade de Guarulhos, no Bosque Maia, contando com 15 estações em 19,4 km de extensão segundo o Projeto Funcional. Na zona Norte estarão localizadas as estações Jardim Brasil e Jardim Julieta.

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Secretaria de Turismo

Programa de Regionalização do Turismo Seguindo as diretrizes do Plano Nacional de Turismo, estabelecida pela Lei 11.771/2008, o Programa de Regionalização do Turismo trabalha a convergência e a interação de todas as ações desempenhadas pelo MTur com os estados, regiões e municípios brasileiros. Seu objetivo principal é o de apoiar a estruturação dos destinos, a gestão e a promoção do turismo no País. E a SETUR representa o MTur no estado de São Paulo. Programa de Crédito Turístico Busca promover o crescimento sustentável dos negócios voltados aos serviços de atendimento, acomodação e infraestrutura para turistas, além de projetos de melhoria da infraestrutura dos municípios, financiando obras que incrementem o acesso a equipamentos turísticos, projetos de iluminação pública, infraestrutura de praças e parques, entre outros.

• Ações/projetos das Secretarias Municipais com impactos no território Secretarias

Ação/Projeto

Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho SMDET/ ADE SAMPA

PROGRAMA TEIA - CEU JAÇANÃ O Programa TEIA da ADE SAMPA visa criar espaços de coworking públicos na cidade de São Paulo. São espaços de trabalho compartilhado com toda a infraestrutura necessária para que empreendedores possam desenvolver suas empresas e projetos em um ambiente propício e estimulante para a criação, desenvolvimento de projetos e de negócios, além de ativar as mais diferentes redes e públicos para o compartilhamento de conhecimento e diminuição das desigualdades sociais e culturais.

Secretaria de Governo Municipal - SGM

Concessão do Anhembi Concessão do Complexo Anhembi foi realizada pela São Paulo Turismo S.A. A licitação sob a modalidade concorrência para ampliação e modernização, com reforma, gestão, manutenção, operação e exploração do Complexo Anhembi, por 30 anos.


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Parques em implantação e em planejamento Casa Verde/ Cachoeirinha: • Em implantação: Linear do Córrego do Bispo e Sítio Morrinhos. • Em planejamento: Vila Ester (Sítio Niazi Chofi), Mata da rua dos Rodrigues e Clube Matarazzo. Freguesia do Ó/ Brasilândia: • Em implantação: Brasilândia, Linear Córrego Bananal Itaguaçu e Linear do Córrego do Bananal/Canivete Fase 2. • Em planejamento: Linear Córrego Bananal e Morro Grande. Jaçanã/ Tremembé: Secretaria • Em planejamento: Barrocada, Borda da Cantareira Núcleo Julião FaMunicipal do gundes, Engordador, Santa Maria Fase 1, Santa Maria Fase 2, TremembéVerde e do Meio Fonte Gioconda e Tremembé. Ambiente - SVMA • Em implantação: Linear Cabuçu de Cima e Linear Cabuçu de Cima Fase 2. Perus: • Em planejamento: Cavas de Ouro, Anhanguera Ciclovia de Perus, Aterro Bandeirantes e Linear Luta dos Queixadas. • Em implantação: Anhanguera Ampliação 1, Anhanguera Ampliação 2, Linear do Ribeirão Perus Fase 1, Linear do Ribeirão Perus Fase 2 e Linear do Ribeirão Perus Fase 3. Pirituba/ Jaraguá: • Em implantação: Borda Cantareira Núcleo Taipas, Brasilândia, Antônio Inocêncio de Souza, Jardim Santo Elias. Ligue os Pontos Tem o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável do território rural e aprimorar suas relações com o meio urbano a partir dos diversos pontos envolvidos na Cadeia da Agricultura. PIU (Projeto de Intervenção Urbana)

Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano - SMDU

PIU Anhembi (Em implantação): Entre outros objetivos, propiciar a modernização do Complexo, fortalecendo, assim, São Paulo na disputa com outras cidades do mundo por grandes eventos; socializar os ganhos de produção da cidade, por meio da recuperação da valorização imobiliária verificada no âmbito do PIU, além de viabilizar o desenvolvimento urbano prescrito no Plano Diretor Estratégico para esse território, observadas as vocações locais, a capacidade da infraestrutura e as demandas populacionais presentes. PIU Arco Tietê (Em andamento): Incrementar a oferta de empregos e o desenvolvimento econômico, por meio da direção de investimentos dos setores público e privado, além do uso de infraestrutura. Há também o interesse de minimizar os problemas ambientais do território, a partir da ampliação do sistema de controle de inundações e alagamentos, redução do efeito das ilhas de calor e aumento da oferta de espaços e áreas verdes públicas. Entre as subprefeituras da zona Norte envolvidas no projeto estão a da Freguesia do Ó, Casa Verde, Pirituba-Jaraguá, Santana e Limão. PIU Novo Entreposto de SP (Em implantação): O PIU é de proposição privada e estabelece os parâmetros de parcelamento, uso e ocupação do solo para Zonas de Ocupação Especial – ZOE localizadas no distrito de Perus. O projeto propõe a instalação de um novo entreposto na cidade de São Paulo, entre eles o novo CEAGESP, para redistribuir oportunidades de trabalho e corrigir distorções de crescimento urbano na região de Perus.

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Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Operação Defesa das Águas A Operação Defesa das Águas (criada em 2007) é um conjunto de medidas da Prefeitura de São Paulo e do Governo do Estado para proteger, controlar e recuperar as áreas de interesse público, ambientais e de mananciais. As ações são coordenadas por um grupo executivo composto por órSecretaria de gãos do Governo do Estado (Secretarias do Meio Ambiente, SaneaSegurança Urbana mento e Energia/Sabesp/EMAE, Habitação/CDHU e Segurança Públi- SSU ca) e da Prefeitura (Secretarias de Segurança Urbana, do Verde e Meio Ambiente, das Subprefeituras, da Habitação e do Governo). Em junho de 2009, essa atividade foi estendida também para as subprefeituras da região da Cantareira, na zona Norte: Casa Verde/ Cachoeirinha, Freguesia do Ó/Brasilândia, Jaçanã/Tremembé, Perus, Pirituba/Jaraguá e Santana/Tucuruvi Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia - SMIT

Expansão Wi-Fi São Paulo Wi-fi em lugares públicos de SP.

• Ações/projetos de outras instituições 52 Gestor

Descrição

Ministério do Turismo, EMBRATUR, SEBRAE

Programa Investe Turismo A iniciativa do Ministério do Turismo, em parceria com o Sebrae e Embratur, tem como objetivo principal a convergência de ações e investimentos do poder público e da iniciativa privada para acelerar o desenvolvimento da atividade turística em todo o território nacional. Trinta rotas de turismo vão receber recursos federais para se modernizar, criando potencial para incrementar o fluxo turístico. O Polo de Ecoturismo da Cantareira é uma das regiões beneficiadas na cidade de São Paulo.

Autonomia ZN

Coletivo que atua na zona Norte desenvolvendo a permacultura, a economia solidária, a comercialização de alimentos produzidos pela comunidade e a educação popular. Além de cuidar de um terreno florestal, atua na instalação de farmácias vivas, promove rodas de conversa e aulas de yoga. https://www.facebook.com/autonomia.zn

Instituto Center Norte

TRANSFORMA ZN O Instituto Center Norte é uma organização sem fins lucrativos criada pela Cidade Center Norte, cuja finalidade é ajudar a melhorar a qualidade de vida e a renda dos moradores da região da zona Norte de São Paulo. Desde 2002, o Instituto busca contribuir cada vez mais para o desenvolvimento pessoal e profissional da população, bem como para a implantação de soluções e inovações em ações sociais que visam tornar a zona Norte mais sustentável. Oferecem um quiosque solidário no Shopping Center Norte para venda de produtos dos artesãos da região.

Sesc-SP

Sesc Pirituba O Sesc-SP está em tratativas para a implantação de uma nova unidade, que deverá ocupar parte do terreno do Instituto Federal, além da área da antiga Casa de Nassau, em Pirituba.


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Contextualização econômica Para compreender a dinâmica econômica do território, foi feito um levantamento dos principais indicadores – renda média familiar mensal, remuneração média mensal do emprego formal, oferta de emprego formal, faixa de rendimento do emprego formal, faixa de rendimento do emprego formal, estabelecimentos e empregos no setor de serviços – e comparado com os indicadores do município. Em geral, os distritos que compõem o Polo de Ecoturismo da Cantareira apresentam taxas e percentuais econômicos abaixo da média de São Paulo, com exceção de Santana, que se destaca com os melhores índices entre os distritos analisados, e Casa Verde, com médias compatíveis com as da capital, conforme apresentado no quadro resumo abaixo:

Contextualização econômica

Subprefeitura

Distrito

Renda média familiar mensal

Remuneração média mensal do emprego formal

Jaçanã

Jaçanã / Tremembé

Tremembé* Mandaqui*

Santana / Tucuruvi

Santana Tucuruvi Cachoeirinha

Casa Verde / Cachoeirinha

Casa Verde Limão

Freguesia do Ó / Brasilândia

Brasilândia Freguesia do Ó Anhanguera

Perus / Anhanguera

Perus Jaraguá

Pirituba / Jaraguá

Pirituba São Domingos

*Distrito indutor

Abaixo da média de São Paulo Média de São Paulo Acima da média de São Paulo

Oferta do emprego formal

Faixa de rendimento do emprego formal (% da população com renda >5 salários mínimos

Estabelecimentos no setor de serviços

Empregos no setor de serviços

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Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

• Renda média familiar mensal Nos distritos que compõem o Polo de Ecoturismo da Cantareira, a renda média familiar mensal é mais baixa que a média da cidade de São Paulo (R$ 4.718), à exceção de três: Santana (R$ 6.386), Mandaqui (R$ 5.347) e Tucuruvi (R$ 5.002). As menores rendas estão concentradas em Perus, Brasilândia, Jaraguá e Anhanguera, que apresentam valores que não ultrapassam a média de R$ 3 mil. • Empregos formais Considerando a remuneração média mensal do salário formal, os distritos que compõem o Polo apresentam números inferiores à média registrada na capital (R$ 4.604), com exceção do distrito de São Domingos, cuja remuneração média é de R$ 6.997. Em locais como Brasilândia, Tucuruvi e Perus a remuneração média não atinge 50% do valor médio da cidade. Considerando o número de empregos formais na região, a soma, nos 54

distritos do Polo, corresponde a cerca de 8% do total de empregos formais do município, refletindo uma baixa oferta na região. Santana se destaca como o distrito com maior número de empregos formais, representando 1,85% do total de São Paulo. Perus e Anhanguera são os distritos com a menor oferta, ficando abaixo dos 0,2% em representatividade na cidade. Enquanto a taxa de oferta de emprego formal na cidade é de 4,80 para cada 10 habitantes em idade ativa, os distritos de São Domingos (9,25), Santana (7,86) e Casa Verde (4,85) registram índices superiores. No outro extremo, em Anhanguera, Tremembé, Brasilândia, Jaraguá e Perus a taxa de oferta do emprego formal não chega a 1 para cada 10 habitantes. Analisando a faixa de rendimento nos empregos formais, os distritos de Casa Verde, São Domingos, Cachoeirinha e Limão apresentam os maiores percentuais de empregos com salários acima de 5 salários-mínimos. Observa-se um grande percentual de trabalhos formais cujo salário vai de 1,01 a 3 salários-mínimos em todos os distritos, mas em especial em Brasilândia, Perus, Mandaqui e Jaçanã.


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

São Paulo Santana Tremembé Anhanguera São Domingos Tucuruvi Mandaqui Casa Verde Brasilândia Jaraguá Cachoeirinha Perus Jaçanã Pirituba Freguesia do Ó Limão

0

40%

20% Serviços

Comércio

60%

Indústria de transformação

80%

100%

Construção Civíl

Gráfico 1 - Empregos formais por distrito e setor (%) - Infocidade, Ministério do Trabalho e Emprego. Relação Anual de Informações Sociais (Rais), 2018.

• Estabelecimentos comerciais e de serviços Considerando o número de estabelecimentos nos distritos do Polo, observa-se uma predominância nos setores de serviços (46,8%) e comércio (39,1%). Já em relação ao número de empregos, mais da metade está concentrada em serviços, representando 52,3% do total, enquanto 29,1% estão inseridos no setor de comércio.

• Microempreendedor Individual Dados da Prefeitura de São Paulo indicam que a cidade possui ao todo 746 mil microempreendedores individuais. Apenas em 2019, a Prefeitura cadastrou 149 mil novos microempreendedores, representando um número 21,1% maior que o ano anterior. Os mapas abaixo apresentam a distribuição dos microempreendedores individuais pelo município e seu arranjo em relação à população de cada distrito. Considerando o número de MEIs absoluto, o distrito da Brasilândia se destaca com mais de 10 mil empresas abertas, seguido de Jaraguá, Pirituba, Freguesia do Ó, Cachoeirinha e Tremembé.

55


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Microempreendedores individuais por distrtitos municipais de São Paulo

Microempreendedores individuais em relação à população

Microempreendedores por habitante menos de 40 40 - 50 51 - 70

Total de microempreendedores < 2.500

71 - 100

mais de 100

2. 500 - 5. 000 5. 001 - 7. 500 7. 501 - 10.000 > 10.000

1 - Brás 2 - Pari 3 - Sé 4 - República 5 - Pinheiros 6 - Barra Funda

Figura 3 - Mapa de microempreendedores individuais em São Paulo Elaboração: SMDU/Geoinfo; SMDET, 2019.

56

• Desemprego A região Norte apresenta taxas altas na comparação com as outras regiões da cidade. Dados de 2018 apontam que a região Norte 2, localizada a Oeste da região Norte, apresentou taxa de desemprego de 18,2%. A parte Leste da região Norte registrou taxa de desemprego de 13,6%. Os dados reforçam a importância e a necessidade de políticas públicas específicas para a indução do desenvolvimento na região.

Contextualização social No contexto social, os indicadores dos distritos que compõem o Polo são mais positivos se comparados com os econômicos, com exceção do IDH-M. Por se tratar de uma região com muitos distritos com particularidades distintas, é de se esperar que as características sociais também apresentem diferenças. Novamente, Santana se destaca dos demais distritos com todos os indicadores acima da média municipal. Por outro lado, há vários distritos cujos dados são preocupantes e refletem uma


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

situação de alta vulnerabilidade social de parte considerável de suas populações. No aspecto social, foram analisados taxa de escolaridade, índice de desenvolvimento humano municipal (IDH-M), índice paulista de vulnerabilidade social (IPVS), segurança e equipamentos públicos de lazer e cultura.

Contextualização social

Subprefeitura

Distrito

Taxa de escolaridade (população não alfabetizada ou com fund I incompleto)

Taxa de escolaridade (ensino superior)

IDH-M

IPVS (% pop nos grupos 1 e 2)**

Segurança (proporção de roubo e furto em relação a São Paulo - referência 1,0%)

Equipamentos públicos de lazer e cultura

Jaçanã

Jaçanã / Tremembé

Tremembé* Mandaqui*

Santana / Tucuruvi

Santana Tucuruvi Cachoeirinha

Casa Verde / Cachoeirinha

Casa Verde Limão

Freguesia do Ó / Brasilândia

Brasilândia Freguesia do Ó Anhanguera

Perus / Anhanguera

Perus Jaraguá

Pirituba / Jaraguá

Pirituba São Domingos

*Distrito indutor **Baixíssima vulnerabilidade e vulnerabilidade muito baixa

Abaixo da média de São Paulo Média de São Paulo Acima da média de São Paulo

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Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

• População A população dos distritos que integram o Polo de Ecoturismo da Cantareira abriga 2.017.037 habitantes (projeção SEADE), o que representa 17% do total do município de São Paulo, e ocupa 17,82% do território da cidade, cerca de 26.890 km2. Distrito

Tx de crescimento

Densidade (pop/ha)

2000

2010

2020

2000/2010

2010/2020

2000

2010

10.434.252

11.253.503

11.869.660

0,76

0,53

69,1

74,6

Anhanguera

38.427

65.859

84.719

5,54

2,6

11,5

19,8

Brasilândia

247.328

264.918

281.977

0,69

0,63

117,8

126,2

Cachoeirinha

147.649

143.523

146.387

-0,28

0,2

111

107,9

Casa Verde

83.629

85.624

86.004

0,24

0,05

117,8

120,6

Freguesia do Ó

144.923

142.327

140.083

-0,18

-0,16

138

135,5

Jaçanã

91.809

94.609

96.054

0,3

0,15

117,7

121,3

Jaraguá

145.900

184.818

212.819

2,39

1,44

52,9

67

Limão

82.045

80.229

79.657

-0,22

-0,07

130,2

127,3

Mandaqui

103.113

107.580

109.228

0,42

0,16

78,7

82,1

Perus

70.689

80.187

89.310

1,27

1,08

29,58

33,55

Pirituba

161.796

167.931

171.232

0,37

0,2

94,6

98,2

Santana

124.654

118.797

113.253

-0,48

-0,48

98,9

94,3

São Domingos

82.834

84.843

86.403

0,24

0,18

82,8

84,8

Tremembé

163.803

197.258

223.553

1,88

1,27

29,1

35

Tucuruvi

99.368

98.438

96.358

-0,09

-0,21

110,4

109,4

São Paulo

58

População

Tabela 1 - População absoluta - Fundação SEADE, 2010

• Índice de Desenvolvimento Humano Municipal O IDH é uma medida global do desenvolvimento humano, composta por indicadores de três dimensões: longevidade, educação e renda. A aplicação deste método em escala municipal é conhecida como Índice de Desenvolvimento Humano Municipal – IDH -M, e possui algumas diferenças nas variáveis consideradas, adaptadas para as realidades municipais. Nas subprefeituras que integram o Polo, observa-se que apenas Santana/Tucuruvi ultrapassa a média de São Paulo (0,805), chegando a um índice de 0,869 em 2010. Perus e Freguesia do Ó/Brasilân-


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dia, apesar de contarem com os menores índices entre elas, apresentaram crescimento na comparação entre os anos de 2000 e 2010, revelando melhorias consideráveis neste indicador. • Índice Paulista de Vulnerabilidade Social O IPVS foi criado pela Fundação Seade para explicitar as desigualdades sociais, relacionando segregação espacial com pobreza. Os distritos de Santana, Tucuruvi, Mandaqui, Freguesia do Ó, Casa Verde e Limão destoam dos demais distritos da região estudada, na medida em que apresentam um percentual alto de famílias que estão nos grupos 1 e 2 (baixíssima vulnerabilidade e vulnerabilidade muito baixa). Por outro lado, distritos como Brasilândia, Perus, Anhanguera e Tremembé, apresentam dados preocupantes de vulnerabilidade social, com percentuais consideráveis de famílias concentradas nos grupos 5 e 6. O mapa a seguir apresenta a distribuição pelo município de São Paulo: 59

Billings e Guarapiranga Distritos

Grupos de vulnerabilidade

0

Sem classificação Muito baixa vulnerabilidade Baixa vulnerabilidade Baixa vulnerabilidade Media vulnerabilidade Alta vulnerabilidade Muito alta vulnerabilidade 4 8 12

Kilometers

Figura 4 - Índice Paulista de Vulnerabilidade Social - Fundação SEADE, 2010


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• Escolaridade Corroborando com os resultados do IDH-M, observa-se uma taxa de escolaridade baixa, principalmente nos distritos de Brasilândia (25,1%), Cachoeirinha (23,5%), Tremembé (23,0%), Anhanguera (22,6%), São Domingos (21,8%) e Perus (21,7%), com dados que superam a média de São Paulo (20,4%) em relação à população não alfabetizada ou com o fundamental I incompleto. Em contrapartida, outros distritos se destacam em relação à proporção da população com superior completo, como é o caso de Santana, Mandaqui, Tucuruvi, Casa Verde e Pirituba, cujas taxas para este índice superam a média de São Paulo. • Índice do Nível Socioeconômico das Escolas O INSE é um indicador disponibilizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP, construído a partir de dados relacionados à renda familiar, à posse de bens, à contratação de serviços de empregados domésticos pelas famí60

lias dos estudantes e ao nível de escolaridade dos pais ou responsáveis. Um dos destaques deste índice é o distrito de Santana, que supera a média de São Paulo, ficando na posição 11a no ranking dos distritos da cidade. Todos os outros distritos apresentam índices menores que a média municipal. • Segurança A Segurança Pública na região do Polo da Cantareira apresenta alguns dados preocupantes, que corroboram com os índices de vulnerabilidade social na região. Em relação ao número de estabelecimentos de segurança, a proporção, quando comparada com o total da cidade de São Paulo, é baixa. A soma das Delegacias de Polícia Civil localizadas nos distritos do Polo representa 10,7% do total da cidade, enquanto o número de unidades da Guarda Civil Metropolitana representa 14% do município. Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública de São Paulo, entre os delitos registrados pelas Delegacias Policiais, furto e roubo têm grande destaque entre as ocorrências dos distritos analisados. A


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Casa Verde lidera a quantidade de ocorrências de furto, registrando 3.686 ocorrências em 2019, seguida do Jaçanã (2.001), Jaraguá (1.576) e Perus (1.391). Entre as ocorrências de roubo registradas, destacam-se também os distritos de Jaraguá (2.191), Jaçanã (2.079) e Perus (1.926). A soma das ocorrências de furto dos distritos analisados representa 7,1% em relação ao total do município, em 2019, enquanto a soma das ocorrências de roubo representa 10,2% do total. • Saúde O território conta com 24 hospitais, entre públicos e privados, para atendimento à população em geral, bem como ao turista. A maior parte destes hospitais estão localizados nas subprefeituras de Santana-Tucuruvi (10) , Pirituba-Jaraguá (5) e Jaçanã-Tremembé (5). Considerando as unidades de atendimento médico e pronto atendimento da rede pública de saúde, a região conta com 3 prontossocorros, 4 ambulatórios de especialidades, 71 UBSs (Unidade Básica de Saúde), 20 AMAs (Assistência Médica Ambulatorial), entre outros. Estes atendem casos mais leves e oferecem serviços como: consultas médicas, inalações, injeções, curativos, vacinas, coleta de exames laboratoriais, tratamento odontológico e fornecimento de medicação básica.

© José Cordeiro/SPTuris

Chácara Frade

61


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• Equipamentos de lazer e cultura A oferta de equipamentos de lazer e cultura é fundamental para garantir a inclusão social e fornecer espaços de convivência, troca e aprendizado para a população. De maneira geral, observa-se carência de equipamentos de lazer, esporte e cultura públicos, que estejam à disposição da população, nos distritos que compõem o Polo. Nove dos 15 distritos que compõem o Polo possuem uma média igual ou menor à de São Paulo, de 2,1%, em relação ao número de equipamentos públicos de cultura (para cada cem mil habitantes). Quase todos os distritos do Polo possuem alguma oferta de equipamento público de esporte, com exceção de Perus e Mandaqui. Os distritos da Freguesia do Ó e São Domingos se destacam entre os distritos do Polo, superando em até três vezes a média de São Paulo, que é de 0,3 para cada dez mil habitantes. As ocupações culturais são fruto de uma iniciativa da Secretaria Muni62

cipal de Cultura juntamente com coletivos e movimentos culturais das periferias de São Paulo. Na região do Polo, apenas seis distritos apresentam alguma oferta deste tipo de equipamento, com destaque para os da Casa Verde e de Perus, que superam a média de São Paulo, apresentando índices de 2,3 equipamentos cada (para cada dez mil habitantes).

Contextualização ambiental Uma das características mais marcantes da região do Polo de Ecoturismo da Cantareira é a abundância de áreas verdes e unidades de proteção ambiental. Conta com um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica, e ainda abriga uma das maiores florestas urbana do mundo, no Parque Estadual da Cantareira. Essa abundância de áreas de verdes se reflete, por um lado, em bons níveis de cobertura vegetal por habitante, mas por outro lado, em uma forte pressão urbana, com invasões, desmatamento e assentamentos precários, especialmente nas regiões de amortecimento do Parque Estadual da Cantareira. Para a análise ambiental foi considerada principalmente a cobertura vegetal e a área verde das subprefeituras, que se destacam positivamente na maior parte do território.


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Contextualização ambiental Subprefeitura

Jaçanã / Tremembé

Distrito

Cobertura vegetal (m²/hab)

Área verde por habitante (referência OMS 12m²/hab)

Jaçanã Tremembé* Mandaqui*

Santana / Tucuruvi

Santana Tucuruvi Cachoeirinha

Casa Verde / Cachoeirinha

Casa Verde Limão

Freguesia do Ó / Brasilândia

Brasilândia

Perus / Anhanguera

Anhanguera

Freguesia do Ó

Perus Jaraguá

Pirituba / Jaraguá

Pirituba São Domingos

*Distrito indutor

Abaixo da média de São Paulo Média de São Paulo Acima da média de São Paulo

• Cobertura vegetal e áreas verdes A cobertura vegetal é considerada toda área permeável, com exceção das formações hídricas e solo permeável exposto. Ao analisar a cobertura vegetal, observa-se que a região Norte possui 151,59 km2 de área coberta, o que representa 50,5% do seu território. Para se ter uma ideia da importância deste percentual, a região Oeste conta com 30,8% de cobertura vegetal, enquanto nas regiões Leste e Centro essa proporção é de 24,3% e 16,4% respectivamente. Perus é a subprefeitura com maior cobertura vegetal do Polo, dispondo de 228,4 m2/hab, seguida do Jaçanã/ Tremembé que dispõe de 140,5 m2/hab. As subprefeituras de Pirituba/Jaraguá e Santana/Tucuruvi estão também entre as regiões com níveis mais altos de cobertura vegetal por habitante do município, superando a marca de 41 m2/hab.

63


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Quando analisamos a área verde, que corresponde à área dos parques, praças e Unidades de Conservação de Proteção Integral, toda a área do Polo atende à recomendação mínima da Organização Mundial de Saúde, de 12 m² de área verde por habitante, chegando a apresentar 87,9 m2/hab. em Jaçanã/Tremembé e 59,1 m2/hab. em Perus.

64

Distrito

Cobertura vegetal m²/hab.

Área Verde m²/hab.

Média de São Paulo

62,9

-

Perus

228,4

59,1

Jaçanã/Tremembé

140,5

89,7

Pirituba/ Jaraguá

55,3

12,4

Santana/Tucuruvi

41,7

23,6

Freguesia do Ó/ Brasilândia

31,9

17,7

Casa Verde/ Cachoeirinha

28,5

15,1

Tabela 2 - Cobertura vegetal e área verde - Plano de manejo PE Cantareira, 2009

Parte signif icativa da cobertura vegetal, e especialmente das áreas verdes, é protegida por Unidades de Conservação (UC), espaços protegidos, regidos por lei federal, com o objetivo de promover a conservação e manutenção do patrimônio natural – diversidade de fauna, flora e demais formas de vida – e suas interações com o meio no qual estão inseridos. As UCs podem ser de esfera federal, estadual ou municipal, e se subdividem em dois grupos: as de Proteção Integral, que permitem apenas o uso indireto dos seus recursos naturais; e as de Uso Sustentável, que compatibilizam a conservação da natureza com o uso sustentável dos seus recursos naturais. Na área do Polo estão presentes 5 UCs, sendo quatro delas de proteção integral e uma de uso sustentável.


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Unidade de Conservação

Parque Estadual da Cantareira

Parque Estadual Alberto Löfgren – Horto Florestal

Parque Estadual do Jaraguá

Reserva Particular do Patrimônio Natural Mutinga

Refúgio de Vida Silvestre Anhanguera

Extensão

4.278 ha

187 ha

492 ha

2,5 ha

800 ha

Esfera

Estadual

Estadual

Estadual

Municipal

Municipal

Grupo

Descrição

Proteção Integral

Abrange parte da zona Norte e também parte dos municípios de Mairiporã, Guarulhos e Caieiras. Foi criado principalmente para garantir a proteção dos mananciais que abastecem a RMSP e acabou se tornando um importante remanescente florestal, além de referencial em área urbana protegida.

Proteção Integral

Apesar de pequeno em relação ao PE da Cantareira, é contíguo a ele, e contribui para a preservação de importantes remanescente da Mata Atlântica e para manutenção do corredor ecológico. Além disso, constitui-se de um importante espaço de lazer da região, aproximando a população da natureza.

Proteção Integral

Abriga um dos últimos remanescentes da Mata Atlântica da RMSP. É conhecido especialmente pelo Pico do Jaraguá, o ponto mais alto da cidade, que chega a 1.135 metros de altitude. Está localizado numa região com vulnerabilidade social alta, com ocupação acelerada, apresentando-se como uma das poucas estruturas de lazer para a população do entorno.

Uso sustentável

A RPPN Mutinga é uma área privada, com interesse de conservação de sua biodiversidade. É a unica dessa modalidade de UC na cidade de São Paulo e está localizada no interior de um condomínio de prédios residenciais. A gestão da unidade é privada e feita pela Associação do Sítio Anhanguera, com avaliação e apoio da SVMA e não é permitida a visitação turística.

Proteção Integral

A RVS Anhanguera é a Unidade de Conservação mais nova criada pelo município de São Paulo. Tem o objetivo de preservar e enriquecer os seus recursos hídricos, flora e fauna; manter e proteger a fauna local e espécies migratórias, raras, vulneráveis, endêmicas e ameaçadas de extinção; conhecer e proteger sua biodiversidade, e agregar áreas particulares contíguas de igual importância. A RVS não é aberta ao público.

Tabela 3 - Unidades de Conservação - Plano de manejo PE Cantareira, 2009

As três unidades de conservação de proteção integral estaduais estão inseridas na Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo, criada em 1994, com certificado conferido pela UNESCO e reconhecida internacionalmente. Compreende ecossistemas de extrema importância, no caso a Mata Atlântica, buscando otimizar

65


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

a convivência entre homem e natureza a partir de projetos pautados pela preservação da natureza, pelo uso sustentável dos recursos e pela convivência harmoniosa com as áreas de entorno. • Parques Municipais Além das Unidades de Conservação, os parques municipais também têm grande importância na região do Polo. Dos 103 existentes em São Paulo (urbanos e lineares) 15 estão na zona Norte, ocupando área de 295,3 milhões de m², que abrange 3,52% do seu território, segundo dados da Secretaria do Verde e Meio Ambiente. Ainda que em números absolutos a zona Norte abrigue apenas 15% dos parques, é a que possui a maior proporção em área. Considerando as subprefeituras do Polo, são dez parques urbanos (cercados e voltados para atividades de contemplação, lazer e preservação) e dois parques lineares (abertos, integrados ao entorno, oferecendo espaços para passeios e circulação de pessoas. Estão relacionados à

66

rede hídrica e à estruturação e recuperação de áreas degradadas). Observa-se uma concentração de parques municipais na Subprefeitura de Pirituba/Jaraguá, que abriga oito parques. Perus se destaca por abrigar o Parque Anhanguera – maior parque municipal de São Paulo, com uma área grande de extensão (que chega a 9,430 milhões m2).

Parque

Subprefeitura

Área total (m²)

Freguesia do Ó/Brasilândia

51.519

Jaçanã/Tremembé

27.792

Perus

9.430.785

Cidade de Toronto

Pirituba/Jaraguá

130.081

Jacintho Alberto

Pirituba/Jaraguá

35.815

Jardim Felicidade

Pirituba/Jaraguá

26.040

Linear Fogo

Pirituba/Jaraguá

33.448

Pinheirinho d’Água

Pirituba/Jaraguá

287.010

Rodrigo de Gásperi

Pirituba/Jaraguá

36.833

Linear do Córrego do Bananal / Canivete Sena Anhanguera


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

São Domingos

Pirituba/Jaraguá

76.280

Senhor do Vale

Pirituba/Jaraguá

23.554

Santana / Tucuruvi

22.995

Lions Clube Tucuruvi

Tabela 4 - Parques municipais - Plano de manejo PE Cantareira, 2009

67

Área do Mapa:

Legenda: Subprefeituras do Polo Distritos do Polo

da

Cantareira

0

2,5

5km

Municípios limítrofes

São Paulo

Parques Municipais Parques Municipais em implantação Parques Municipais Projetados

Parques Estaduais Unidades de conservação

Figura 5 - Áreas Verdes - Elaboração própria

• Fauna Embora não haja estudo específico sobre a diversidade na região do Polo de Ecoturismo da Cantareira, é possível identificar espécies de fauna endêmicas, raras, exóticas e em extinção, citadas nos planos de manejo das Unidades de Conservação. No Parque Estadual da Cantareira, por exemplo, há mais de 50% das espécies de mamíferos de Mata Atlântica catalogadas na cidade, além de 29,8% das aves, 13,2% dos anfíbios, 10% dos répteis e 2,8% dos peixes.


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

O entorno das Unidades de Conservação e as estruturas instaladas como estradas e caminhos, incluindo as estradas de Santa Inês e Roseira, são importantes pontos de fragmentação dos habitats e são parte considerável dos impactos causados pelo homem dentro das áreas de preservação e seus contínuos.

Localidade / Grupo

Número de espécies Mamíferos

Aves

Anfíbios

Répteis

Peixes

Brasil

654

1.767

814

684

2.500

Mata Atlântica

234

1.020

370

---

350

São Paulo

187

780

250

200

352

Parque Estadual da Cantareira

97

233

33

20

10

Tabela 5 - Espécies - Plano de manejo PE Cantareira, 2009

• Clima 68

A partir da leitura dos Planos de Manejos dos Parques Estaduais da Cantareira e Alberto Löfgren é possível concluir que a área do Polo de Ecoturismo da Cantareira está inserida nas chamadas unidades climáticas "naturais" do Município de São Paulo dos tipos I, II e III. A porção Norte, que contempla as Unidades de Conservação, é área definida como Clima Tropical Úmido Serrano da Cantareira-Jaraguá, com altitudes entre 800 e 1.200 metros, temperaturas médias anuais entre 17,7° e 19,3°C, pluviosidade média anual entre 1.400 e 1.590 mm, com máximos em 24 horas, entre 150 e 220 mm. As médias de temperatura e pluviosidade da capital como um todo são, respectivamente, de 19° e 27°C, e 1.340 mm. Essas características exigem, portanto, especial atenção quanto ao uso e ocupação do solo em função do grande potencial a ocorrência de deslizamentos de massa. A grande concentração de verde faz com que a temperatura nessa porção seja até 7,5°C mais baixa que nas áreas urbanizadas da cidade. De forma geral, as áreas de proteção e seus entornos próximos apresentam como características fundamentais: elevados índices pluviométricos, boa circulação de ar com dispersão de poluentes, amenização de temperaturas nas porções de serra e boa drenagem do ar frio à noite.


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

A porção mais ao sul, próxima da Serra da Cantareira, apresenta o clima urbano chamado Unidade Climática Urbana da Periferia, cujo maior problema climatológico é o risco de desmoronamentos e deslizamentos em decorrência dos fortes impactos pluviais concentrados. • Vetores de pressão urbana Na zona Norte de São Paulo, onde está localizado o Polo de Ecoturismo da Cantareira, é perceptível o reflexo do processo de urbanização centrífugo da cidade de São Paulo, que expulsou, ao longo do tempo, a população para porções cada vez mais distantes do Centro, caracterizando a chamada cidade informal, constituída por assentamentos precários, favelas e loteamentos irregulares, com moradias construídas em áreas ausentes de títulos de propriedade e registro, ocupadas ou invadidas. Com a ocupação de terrenos irregulares e núcleos habitacionais precários, sobretudo nas áreas de proteção dos mananciais das bacias da Cantareira, se constituíram importantes vetores negativos de pressão nas Unidades de Conservação do Parque Estadual da Cantareira, do Jaraguá e do Horto Florestal, conforme quadro a seguir:

© José Cordeiro/SPTuris

Sra. Donut Cafeteria

69


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Ocupação

Assentamento precário – loteamento

Assentamento precário – favela

Descrição

Pressões específicas

● Traçado irregular das vias públicas; ● Grande concentração de residências; ● Inclui loteamentos clandestinos e irregulares; ● Ausência quase total de vegetação; ● Áreas ocupadas pela população de baixa renda.

● Comprometimento da qualidade dos corpos d’água e do solo pela precariedade ou ausência de serviços de saneamento básico (captação irregular de água, coleta e tratamento de esgoto e coleta de lixo); ● Desmatamento e ocupação de áreas de APP; ● Carência de áreas verdes e de lazer.

● Unidades habitacionais de tamanho mínimo, sem espaçamento entre si; ● Ausência de organização espacial; ● Ausência de estrutura viária.

● Comprometimento da qualidade dos corpos d’água e do solo pela precariedade ou ausência de serviços de saneamento básico (captação irregular de água, coleta e tratamento de esgoto e coleta de lixo); ● Desmatamento e ocupação de áreas de APP para expansão de áreas habitacionais; ● Carência de áreas verdes e de lazer.

Localização (distritos)

● Jaraguá ● Brasilândia ● Cachoeirinha ● Tucuruvi ● Mandaqui

● Jaraguá ● Brasilândia ● Cachoeirinha ● Tremembé

Carência de áreas verdes e de lazer.

● Cachoeirinha ● Tucuruvi ● Mandaqui (destaque para a presença da Vila Amélia) ● Tremembé

● Disposição simétrica das casas (uni); ● Disposição simétrica dos edifícios (multi); ● Tamanho uniforme das edificações.

Carência de áreas verdes e de lazer.

● Jaraguá ● Brasilândia ● Cachoeirinha ● Tucuruvi ● Mandaqui

Bairro-jardim

● Propriedades de média a grande dimensão; ● Presença significativa de vegetação nas ruas e nos jardins; ● Ocorrem em Zona de Uso Exclusivamente Residencial e Zona Mista de Proteção Ambiental; ● Áreas ocupadas pela população de renda média a alta.

Parcelamento dos terrenos, adensamento populacional ● Tremembé e perda de áreas verdes.

Problemas e pressões decorrentes

● Poluição dos cursos d’água e poluição do solo; ● Desmatamento, erosão do solo, assoreamento dos cursos d’água, instabilidade do terreno (riscos de deslizamento e solapamento); ● Impermeabilização do solo; ● Introdução de espécies exóticas; ● Proliferação de vetores de zoonoses; ● Alteração da paisagem.

Bairro médio padrão

● Traçado regular das ruas; ● Propriedades de média a pequena dimensão; ● Densidade baixa a média de vegetação; ● Áreas ocupadas pela população de renda média a baixa.

Conjunto habitacional uni e multifamiliar

70

Tabela 6 - Vetores de pressão urbana - Plano de manejo PE Cantareira, 2009


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Os caminhos que percorrem o entorno das unidades de conservação também constituem vetores de pressão para a circulação de fauna, principalmente no conjunto representado pelo Parque Estadual Alberto Löfgren e o Parque Estadual da Cantareira. A construção do trecho Norte do Rodoanel colocou em jogo mais uma barreira f ísica enquanto eixo rodoviário expresso, com importantes desdobramentos do ponto de vista ambiental e socioeconômico. Desde a primeira apresentação do projeto, muitas discussões foram realizadas sobre os possíveis impactos ambientais, ao interferir em áreas de proteção de mananciais e de nascentes importantes para o abastecimento hídrico de São Paulo. • Desmatamento Dados do Instituto Florestal apontam que, entre 1991 e 2000, São Paulo perdeu 6,5% da sua cobertura vegetal, sendo que 22% dessa área perdida (cerca de 1.170 hectares) localiza-se no entorno do Parque Estadual da Cantareira, com impactos relacionados ao desmatamento, especulação imobiliária e invasões. As áreas de amortecimento do Parque Estadual do Jaraguá e do Parque Municipal Anhanguera também sof reram impactos, ainda que não tenham sido encontrados os

© José Cordeiro/SPTuris

dados específ icos referentes a essas áreas.

Horta Comunitária

71


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Contextualização estrutural Os distritos que integram o Polo de Ecoturismo da Cantareira apresentam dados que ressaltam a precariedade na infraestrutura urbana e de acesso na região. As altas proporções de assentamentos problemáticos em partes consideráveis dos distritos, em especial aqueles localizados nas bordas da Serra da Cantareira, se refletem nos índices de precariedade no saneamento básico, com números significativos da população sem atendimento a redes de esgoto e água, por exemplo. O acesso é outro ponto crítico na região, que conta com poucas vias de circulação viária, além de índices deficientes no que se refere ao alcance a transportes de massa e, mais ainda, ao transporte público de alta capacidade (metrô, trem, monotrilho). Contextualização estrutural Subprefeitura

72

Distrito

Acesso a transporte de massa

Jaçanã

Jaçanã / Tremembé

Tremembé* Mandaqui*

Santana / Tucuruvi

Santana Tucuruvi Cachoeirinha

Casa Verde / Cachoeirinha

Casa Verde Limão

Freguesia do Ó / Brasilândia

Brasilândia Freguesia do Ó Anhanguera

Perus / Anhanguera

Perus Jaraguá

Pirituba / Jaraguá

Pirituba São Domingos

*Distrito indutor

Abaixo da média de São Paulo Média de São Paulo Acima da média de São Paulo

Acesso à infraestrutura cicloviária

Coleta seletiva

Moradia (% de domicílios em favelas)


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

• Acesso Uma das principais características a ser considerada quando se faz o planejamento territorial-turístico de um local é o seu acesso. No Polo de Ecoturismo da Cantareira, observou-se dificuldade de vias de acesso de uma maneira geral. Apesar de contar com importantes eixos rodoviários e alguns viários da capital, como a Marginal Tietê e as rodovias Anhanguera, Bandeirantes e Fernão Dias, nota-se a carência de vias secundárias ou locais que permitam a distribuição de fluxos de automóveis, por exemplo. Ainda que seja relativamente simples chegar às áreas das subprefeituras que compõem o Polo, a circulação dentro dela é dificultada por essa carência de vias secundárias. No que se refere aos transportes de massa, verificou-se que estes se constituem em dois eixos principais: de um lado, a CPTM e a linha Rubi que leva os trens da Estação da Luz até Jundiaí na parte ocidental do Polo, englobando os distritos do Jaraguá e Anhanguera. Do outro lado, na parte oriental do Polo, a linha 1 Azul do Metrô, nos distritos de Santana e Tucuruvi. A futura linha 6 - Laranja, cuja previsão de conclusão é para 2025 pretende, de certo modo, espraiar um pouco mais o acesso da porção central do Polo ao transporte de massa pela população da zona Norte. Os terminais urbanos não se encontram muito bem divididos ao longo deste território como um todo, mas o Polo conta com o maior terminal rodoviário da América Latina, o Tietê, localizado no distrito de Santana e com acesso direto ao Metrô. Considerando o acesso à infraestrutura cicloviária (% da população que reside em um raio de até 300 metros de distância de ciclovias e ciclofaixas), apenas os distritos da Freguesia do Ó, do Mandaqui, da Casa Verde e do Limão apresentam percentuais que superam a média municipal (41%). No outro extremo, nos distritos do Tucuruvi, Pirituba e Jaraguá, a proporção da população com acesso à estrutura cicloviária não chega a 15%.

73


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Apesar de alguns distritos apresentarem proporção acima da média, e outros tantos muito próximo dela, do ponto de vista turístico, não há conexão entre as áreas de serra, onde a atividade cicloturística é forte, com a malha cicloviária urbana, limitando o acesso por esse modal ao território de maior relevância turística. Parte dessa limitação se dá ao relevo acidentado da área, sobretudo nas áreas lindeiras ao Parque Estadual da Cantareira.

74

Legenda:

Área do Mapa:

da

Cantareira São Paulo

0

2,5

5km

Subprefeituras do Polo

Campo de Marte

Metrô linha 1 - azul

Distritos do Polo

Terminais urbanos

Metrô linha 2 - verde

Distritos indutores do desenvolvimento turístico

Terminal Rodoviário Tietê Estações de Metrô/ CPTM

Metrô linha 3 vermelha Metrô linha 4 amarela

Municípios limítrofes

Metrô linha 6 - laranja (previsão 2025) Linhas de trem metropolitano - CPTM Vias de acesso

Figura 6 - Acesso ao Polo de Ecoturismo da Cantareira - Elaboração própria

• Moradia A localização do Polo de Ecoturismo da Cantareira em zona urbana e zona rural concomitantemente, de acordo com o Plano Diretor Estratégico, faz com que 6.614 domicílios estejam localizados em zona rural (com ocorrência nos distritos Anhanguera, Brasilândia, Cachoeirinha, Jaraguá, Mandaqui, Perus e Tremembé) o que representa 1,13% dos domicílios da região, e 24% dos domicílios em área rural da cidade.


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

A moradia em assentamentos precários é um dos grandes desafios principalmente nas regiões de entorno do Parque Estadual da Cantareira. Dados do Mapa da Desigualdade 2020 apontam que em pelo menos seis distritos a média de domicílios em favela ultrapassa a média de São Paulo, que é de 9,7%. Em alguns distritos como Cachoeirinha, Brasilândia e Jaçanã, as médias ultrapassam os 20%, chegando a 31,4% no Jaçanã. Em números absolutos, os distritos que compõem o Polo acumulam 68.941 domicílios em favela, 18,52% do total de São Paulo. 35

31,4

30 25,8

25 20,5

20 15 9,7

10 5 0,1

0

0,7

0,2

3,1

8,6

8,3

6,9

4,1

4,0

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11,1

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75

São Paulo

Gráfico 2 - Moradia em assentamentos precários (%) - SEHAB, 2019.

100

99

98,6

98,6

98,4

96,4

95,2

94,5

92

91,1

90,6

80

87,8

87,6

87,6

86,7

85,6

84,2

60 • Esgotamento e abastecimento de água

A região do Polo de Ecoturismo da Cantareira apresenta níveis 40 relativamente próximos aos da média do município de São 20

Paulo, contudo, o fato de o domicílio estar ligado à rede de 0 esgoto e a rede de coletores-tronco instalada alia não resolve i s s e a a a á ã é o vi Ó ia lo an

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mento. Considerando o contexto do município SãodaPaulo, a Acima da média da capital Média da capital Abaixode da média capital taxa de tratamento do esgoto coletado encontra-se na faixa 2,5 2,36

de 46 a 75% (SNIS/2018). 2,0

2,01

1,95

1,80

A 1,5 questão do esgotamento sanitário é um ponto de atenção 1,33

1,26

para a subprefeitura do Jaçanã/Tremembé, sobretudo no dis1,0

0,89

trito do Tremembé e nas franjas do 0,73Parque Estadual da Can0,5 0

0,0

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Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

tareira. Nesta porção do território observa-se cerca de 22%1 dos domicílios sem cobertura da rede de esgoto, quase o dobro da média do município de São Paulo (12%). No distrito da Brasilândia, a média também é preocupante, com 12,4% dos domicílios sem acesso à rede de esgotos.

100

99

98,6

98,6

98,4

96,4

95,2

94,5

92

91,1

90,6

80

87,8

87,6

87,6

86,7

85,6

84,2

60

40

20 0

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Acima da média da capital

76

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Abaixo da média da capital

Gráfico 3 - Rede de esgoto (%) - Infocidade, dados Censo 2010.

Ainda no que se refere a uma análise ampla do saneamento básico, o abastecimento de água no município de São Paulo apresenta um índice de 99,3% (SNIS 2018). Com relação aos domicílios localizados nos distritos que compõem o Polo de Ecoturismo da Cantareira, observa-se um ponto de atenção, uma vez que os distritos do Jaçanã, Brasilândia, Perus, Jaraguá, Tremembé e Anhanguera encontramse acima da média do município de São Paulo no que diz respeito ao percentual de domicílios não conectados à rede de água. Este fator está associado, por sua vez, à precarização da expansão urbana, que ocorre de forma desordenada e ocupa terrenos de forma irregular. Mais uma vez, essa informalidade é chancelada por indicadores que demonstram o não atendimento a serviços básicos na cidade.

1. Dados do Caderno Regional das Subprefeituras de Jaçanã/Tremembé e Freguesia do Ó/Brasilândia, para o ano de 2018. Para as demais subprefeituras, não foram encontrados dados atualizados de cobertura da rede de esgoto.


0

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Acima da média da capital

Média da capital

Abaixo da média da capital

2,5

2,36

2,0

1,5

1,33

1,26 1,0

0,89

0,73

0,5 0

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A

São Paulo

Gráfico 4 - Abastecimento de água (%) - Infocidade, dados Censo 2010.

• Coleta de lixo De acordo com dados da AMLURB – Autoridade Municipal de Limpeza Urbana, responsável pela coleta, destinação e tratamento dos resíduos sólidos na cidade, a coleta de resíduo domiciliar comum está presente em todas as vias da cidade de São Paulo. Considerando a quantidade de resíduo domiciliar coletado por ano, a média de São Paulo é de 0,31 toneladas de resíduo por habitante. Nas subprefeituras que compõem o Polo, três delas apresentaram médias per capita menores que a média de São Paulo: Santana/Tucuruvi, Perus e Pirituba/Jaraguá. A coleta seletiva está presente em 76% das vias da cidade de São Paulo, de acordo com a AMLURB. Os resíduos recicláveis recolhidos nas residências vão prioritariamente para as 24 cooperativas de reciclagem habilitadas pelo Programa Socioambiental de Coleta seletiva da Prefeitura. Considerando as subprefeituras analisadas, a proporção de resíduos domésticos coletados seletivamente, em relação ao total de resíduo coletado, está abaixo da média de São Paulo em quase todos as subprefeituras, chegando a apenas 0,3% em Perus. Santana/Tucuruvi é a única subprefeitura que apresenta proporção similar à média de São Paulo, representando 2,2% de resíduo coletado seletivamente.

77


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Existe ainda na cidade os Ecopontos. Trata-se de locais de entrega voluntária de pequenos volumes de entulho, de até 1 m2; grandes objetos, como móveis, sofás etc; poda de árvores; e resíduos recicláveis. A Prefeitura de São Paulo disponibiliza 115 unidades espalhadas pela cidade, sendo 17 deles nas seis subprefeituras analisadas. Apesar dos ecopontos, o descarte de lixo e entulho em pontos viciados é um problema em evidência nas subprefeituras que compõem o Polo. Dados de 2016 apontam que havia nas seis subprefeituras analisadas, 751 pontos viciados de lixo. Apenas em Pirituba/Jaraguá o número de pontos viciados era de 355, sendo considerada a região com o maior número de pontos de toda a cidade. Perus e Santana/Tucuruvi foram as duas subprefeituras do Polo com menos pontos viciados identificados.

78

Pontos viciados de lixo e entulho

Proporção da cidade (%)

Pirituba/ Jaraguá

355

9,6

Freguesia do Ó/ Brasilândia

159

4,3

Casa Verde/ Cachoeirinha

119

3,2

Jaçanã/Tremembé

56

1,5

Santana/Tucuruvi

35

0,9

Perus

27

0,7

3.707

20,26

Subprefeitura

Total de São Paulo

Tabela 7 - Descarte de lixo - Prefeitura Municipal de São Paulo, 2016

• Rede elétrica O número de domicílios ligados à rede elétrica, de acordo com dados do Censo de 2010, apresenta percentuais menores que a média do município em mais da metade dos distritos do Polo. Tremembé, Perus, Jaraguá, Anhanguera, Brasilândia e São Domingos apresentam os piores números em relação ao total de


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

domicílios atendidos por ligações regulares da rede elétrica. Santana, Casa Verde, Mandaqui e Freguesia do Ó apresentam os melhores índices, com pelo menos 98% dos domicílios atendidos por rede elétrica, sendo a média da cidade de 92%. • Telefonia móvel A partir de dados de antenas de celular, é possível visualizar a distribuição de sinal nas regiões que abrangem o Polo de Ecoturismo da Cantareira. Observa-se que as concentrações aumentam conforme se diminui a distância do Centro da cidade de São Paulo. Da mesma maneira, a aproximação da parte mais Norte da cidade se reflete na diminuição da concentração das antenas. Nos distritos indutores, nas proximidades do PE da Cantareira, nota-se a baixa concentração de antenas, fazendo com que o sinal de celular seja bem ruim em muitas partes da região.

© José Cordeiro/SPTuris

79

Sabesp Guarau


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Contextualização turística O Polo de Ecoturismo da Cantareira apresenta um potencial grande para o desenvolvimento do turismo. A região possui uma extensa área de remanescentes florestais com a presença de Mata Atlântica, que revela belezas naturais ímpares e oferecem a possibilidade de inúmeras atividades em meio à natureza. A Lei de criação do Polo de Ecoturismo da Cantareira def iniu como locais de interesse turístico o Parque Estadual da Cantareira, o Parque Estadual Alberto Löfgren – Horto Florestal e as estradas Santa Inês e Roseira. Por essa razão, os distritos onde estão inseridos tais atrativos foram considerados como distritos indutores do desenvolvimento do turismo: Tremembé e Mandaqui. O Parque Estadual da Cantareira é um dos principais atrativos da re80

gião. Possui uma das maiores áreas de mata do mundo localizada dentro de região urbana e apresenta clara vocação para o turismo e o lazer. Possui quatro núcleos de visitação, mas em apenas dois deles a entrada está localizada no município de São Paulo: os núcleos Pedra Grande e Engordador. O primeiro núcleo tem como principal atrativo o mirante da Pedra Grande, de onde é possível admirar uma bela vista da cidade de São Paulo. A trilha que leva até a Pedra é um atrativo à parte: são 9.500 m em meio à Mata Atlântica, que pode ser percorrida também por bicicleta. Já o núcleo Engordador abriga uma antiga represa e conta com trilhas que passam por cachoeiras e rios e uma trilha de mountain bike de 1.400 m. Além disso, abriga a Casa de Bombas, que foi tombada pelo Condephaat e integra o conjunto arquitetônico e histórico, do primeiro sistema de abastecimento de água da cidade. Outro local de interesse turístico do Polo é o Parque Alberto Löfgren – Horto Florestal. Também possui remanescentes da Mata Atlântica e contribui para a manutenção do corredor ecológico que integra o Cinturão Verde da cidade de São Paulo. Trata-se de um importante espaço de lazer e cultura da região e conta com área de piquenique, equipamentos de


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

lazer e esportes, e ainda abriga o Museu Florestal, o Palácio de Verão do Governo do Estado, além da sede da Polícia Militar Ambiental do Estado de São Paulo. Ambos estão em processo de concessão do uso público pelo Governo do Estado de São Paulo para a iniciativa privada e devem sofrer alterações em seus atrativos, equipamentos e serviços de uso público nos próximos anos. No que se refere aos serviços e equipamentos turísticos, a região apresenta baixa oferta e qualificação. Em linhas gerais, observa-se uma concentração da oferta de serviços e equipamentos turísticos nas subprefeituras de Santana/Tucuruvi e Jaçanã/Tremembé. O distrito de Santana, em especial, apresenta boa parte da oferta de hospedagem e alimentação da região. Há uma carência de serviços e equipamentos turísticos – hotéis, restaurantes, atrativos, e tudo aquilo que motive o deslocamento do turista – na maioria dos distritos do Polo, inclusive nos distritos indutores, Mandaqui e Tremembé. Assim, é importante pontuar que não existe ainda uma oferta qualificada que possa atender um eventual crescimento da demanda turística na região. Muitos equipamentos e serviços de apoio identificados são apenas de uso local, das comunidades do entorno. Além disso, um grande desaf io para a gestão do Polo é o fato de a Serra da Cantareira extrapolar os limites do município de São Paulo. A região, além dos limites da capital – Caieiras e Mairiporã – já é conhecida do público paulistano, de maneira geral, como local de belezas naturais, prática de ecoturismo e contemplação da natureza e passeios ciclísticos. A oferta de restaurantes também é conhecida, atraindo pessoas de todas as partes da cidade. Contudo, são atrativos fora dos limites de atuação da Prefeitura de São Paulo. Nesse contexto, é importante destacar que essa f ronteira não é clara ao turista, que desconhece os limites territoriais de cada município. Por isso, é fundamental estimular ações integradas entre as prefeituras – considerando inclusive a possibilidade de ampliar a área do Polo de Ecoturismo da Cantareira para as cidades vizinhas – de modo a estabelecer estratégias convergentes para o desenvolvimento regional da Serra da Cantareira.

81


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

• Oferta turística Para fins da análise da oferta turística, os equipamentos identificados e inventariados foram categorizados em “atrativos turísticos”, “recursos turísticos”, “serviços e equipamentos turísticos” e "infraestrutura de apoio ao turismo". A metodologia utilizada foi adaptada do Ministério do Turismo, buscando adequar-se às características do território. Assim, neste documento, compreende-se por “atrativo turístico” locais, equipamentos, eventos e outros que já motivam o deslocamento de pessoas (turistas ou visitantes de outras cidades) para conhecê-los; por “recurso turístico” locais, equipamentos, eventos e outros com potencial para motivar o deslocamento de pessoas (turistas ou visitantes de outras cidades) para conhecê-los, desde que mais bem estruturados; por “serviços e equipamentos turísticos” equipamentos de hospedagem, alimentação, agenciamento, para eventos, de lazer e entretenimento etc, e por "infraestrutura de apoio ao turismo" os estabelecimentos comerciais com relação mais próxima do turista/visitante . 82

Atrativos turísticos Foram identificados nas subprefeituras que compõem o Polo de Ecoturismo da Cantareira 35 atrativos turísticos, sendo dois categorizados ao mesmo tempo como natural e cultural(*), totalizando 37 atrativos turísticos:

16

6

13

Atrativos culturais*

Atrativos naturais*

Equipamentos de lazer

6

13

Atrativos naturais*

Equipamentos de lazer

1 Evento programado

1

Realização técnica e científica

1 Evento programado

R t c


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Apesar da distribuição dos atrativos por categoria apontar uma tendência maior para o turismo cultural ou mesmo para as atividades de lazer, quando observada a distribuição espacial desses espaços no mapa, percebe-se que os atrativos culturais estão posicionados na porção sul da zona Norte, com exceção da Abadia de Santa Maria, Instituto de Ferrovias e Preservação do Patrimônio Cultural (Ferrovia Perus-Pirapora), Museu Acadêmico Cadete Eduardo Pinheiro, Museu do Jaçanã e Museu Florestal Octavio Vecchi. Destes, é importante destacar que, apesar da relevância ser de caráter cultural, apenas o Museu Acadêmico Cadete Eduardo Pinheiro e a Abadia de Santa Maria não estão relacionados com a questão hídrica/ambiental. O mesmo acontece com a maioria dos equipamentos de lazer. Já o evento programado e a realização técnica e científica estão diretamente relacionadas ao contexto do Polo de Ecoturismo.

83

Legenda:

Área do Mapa:

Subprefeituras do Polo

da

Cantareira São Paulo

0

2,5

5km

ATRATIVOS TURÍSTICOS:

Distritos do Polo

Atrativos Culturais

Distritos indutores do desenvolvimento turístico

Atrativos Naturais

Municípios limítrofes

Atrativos Culturais/Naturais

Equipamentos de Lazer Realizações Técnicas e Científicas

Figura 7 - Atrativos turísticos - Elaboração própria

A concentração dos atrativos relacionados ao contexto do Polo de Ecoturismo aponta para a necessidade de delimitação de um perímetro claro para o Polo, onde haja de fato a identif icação do território e sua po-


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

pulação com a temática do ecoturismo. Quando observado o posicionamento dos atrativos no mapa, considerando distritos e categorias, f ica evidenciado que os distritos da porção inferior da zona Norte, aqueles limítrofes à Marginal Tietê, além do Tucuruvi, têm pouca ou nenhuma relevância no contexto ambiental. Nessa mesma análise, f ica reforçado o caráter indutor dos distritos Mandaqui e Tremembé, que concentram os atrativos de relevância natural.

84

Nome

Categoria

Tipo

Distrito

1

Abadia de Santa Maria

Atrativo Cultural

Templo religioso

Tremembé

2

Acadêmicos do Tucuruvi

Equipamentos de lazer

Escola de samba

Tucuruvi

3

Adrena Paintball Cantareira

Equipamentos de lazer

Espaços de Recreação

Tremembé

4

Arquivo Público do Estado de São Paulo

Atrativo Cultural

Museu/Memorial

Santana

5

Biblioteca de São Paulo

Atrativo Cultural

Biblioteca

Santana

6

Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso

Atrativo Cultural

Centro Cultural

Cachoeirinha

7

Centro de Tradições Nordestinas

Equipamentos de lazer

Espaços de Recreação

Limão

8

Clube de Campo Cantareira

Atrativo Natural/Cultural

Cachoeira/Vila Histórica

Tremembé

9

Clube Plêiades Aquático e Campo

Equipamentos de lazer

Espaços de Recreação

Tremembé

10

Estação de Tratamento Guaraú

Realizações Téc. e Cient.

Estação de Tratamento

Mandaqui

11

FICA Festival de Inverno da Cantareira

Eventos Programados

Festivais

12

Império de Casa Verde

Equipamentos de lazer

Escola de samba

Casa Verde

do Patrimônio Cultural – IFPP

Atrativo Cultural

Obras de Infraestrutura

Perus

14

Museu de Odontologia de São Paulo

Atrativo Cultural

Museu/Memorial

Santana

15

Mocidade Alegre

Equipamentos de lazer

Escola de samba

Casa Verde

16

Museu Aberto de Arte Urbana de São Paulo

Atrativo Cultural

Museu/Memorial

Santana

17

Museu Acadêmico Cadete Eduardo Pinheiro

Atrativo Cultural

Museu/Memorial

Tucuruvi

18

Museu do Jaçanã

Atrativo Cultural

Museu/Memorial

Jaçanã

19

Museu Florestal Octavio Vecchi

Atrativo Cultural

Museu/Memorial

Mandaqui

20

Museu Penitenciário Paulista

Atrativo Cultural

Museu/Memorial

Santana

21

Paróquia Nossa Senhora do Ó

Atrativo Cultural

Templo religioso

Freguesia do Ó

22

Parque Anhanguera

Atrativo Natural

Unidade de Conservação

Anhanguera

23

Parque da Juventude

Equipamentos de lazer

Parques

Santana

24

Parque Estadual Alberto Löfgren Horto Florestal

Atrativo Natural

Unidade de Conservação

Mandaqui

13

Instituto de Ferrovias e Preservação


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

25

Parque Estadual da Cantareira Núcleo Engordador

Atrativo Natural/Cultural

Unidade de Conservação

Tremembé

26

Parque Estadual da Cantareira Núcleo Pedra Grande

Atrativo Natural

Unidade de Conservação

Mandaqui

27

Parque Estadual do Jaraguá

Atrativo Natural

Unidade de Conservação

Jaraguá

28

Pesqueiro Cantareira

Equipamentos de lazer

Espaços de Recreação

Tremembé

29

Pesqueiro do Arnaldão

Equipamentos de lazer

Espaços de Recreação

Tremembé

30

Rosas de Ouro

Equipamentos de lazer

Escola de samba

Limão

31

SESC Santana

Atrativo Cultural

Centro Cultural

Santana

32

Sítio Morrinhos

Atrativo Cultural

Museu/Memorial

Casa Verde

33

Tom Maior

Equipamentos de lazer

Escola de samba

Pirituba

34

Unidos do Peruche

Equipamentos de lazer

Escola de samba

Casa Verde

35

X-9 Paulistana

Equipamentos de lazer

Escola de samba

Santana

Tabela 8 - Atrativos turísticos - Elaboração própria, 2020

Recursos turísticos Foram identificados nas subprefeituras que compõem o Polo de Ecoturismo da Cantareira 29 recursos turísticos, um número bastante expressivo e que evidencia o potencial de incremento das experiências turísticas passíveis de serem experimentadas no Polo, bem como o nível de desenvolvimento inicial enquanto destino turístico.

20

7

Recursos culturais

Recursos naturais

2

Recursos técnicos e científicos

A categorização proposta indica a vocação principal identif icada para o recurso de acordo com a sua natureza, o que não determina seu uso f inal em uma eventual intervenção para o turismo. De forma diferente do observado no mapeamento dos atrativos, há uma presença considerável

85


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

de recursos culturais na porção superior da área de estudo (50%), o que pode complementar a oferta de atrativos do Polo.

Área do Mapa:

86

Legenda: Subprefeituras do Polo Distritos do Polo

da

Cantareira

0

2,5

5km

São Paulo

Distritos indutores do desenvolvimento turístico

Municípios limítrofes RECURSOS TURÍSTICOS:

Recurso Cultural Recurso Natural

Realizações Técnicas e Científicas

Figura 8 - Recursos turísticos - Elaboração própria

Já quando observamos os recursos naturais, fica reforçado o caráter indutor dos distritos Mandaqui e Tremembé, concentrando, juntos, 86% dos recursos naturais, com exceção da Reserva Particular do Patrimônio Natural Mutinga, no distrito São Domingos, que não abriga nenhum outro atrativo ou recurso turístico. Foram considerados recursos todos os bens tombados, além de locais subutilizados, ou utilizados exclusivamente pela população do entorno, que dependem de maior ou menor grau de intervenção e que podem ser convertidos em atrativos ou não. Não foi realizado estudo aprofundado de todos eles para identificar se há alguma destinação de uso, incompatível com a atividade turística, o que deve ser feito. Os recursos considerados são:


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Nome

Categoria (potencial)

Distrito

1

Antiga Companhia Brasileira de Cimento Portland Perus

Recurso Cultural

Perus

2

Biblioteca Narbal Fontes

Recurso Cultural

Santana

3

Capela de Santa Cruz

Recurso Cultural

Santana

4

Capela São Sebastião do Barro Branco

Recurso Cultural

Tucuruvi

5

Casa Cultural Império do Minho

Recurso Cultural

Casa Verde

6

Casa de Nassau

Recurso Cultural

Pirituba

7

Casa Ilha da Madeira

Recurso Cultural

Mandaqui

8

Casarão da Fazendinha

Recurso Cultural

Perus

9

Casarão do Anastácio

Recurso Cultural

São Domingos

10

Cavas de Ouro Históricas do Jaraguá

Recurso Cultural

Anhanguera

11

Cemitério Jardim Horto Florestal

Recurso Cultural

Tremembé

12

Chácara Frade

Recurso Natural

Tremembé

13

Estação Ferroviária de Perus

Recurso Cultural

Perus

14

Estação Ferroviária do Jaraguá

Recurso Cultural

Jaraguá

15

Estrada do Engordador

Recurso Natural

Tremembé

16

Fazenda Santa Maria

Recurso Cultural

Tremembé

17

Hospital Geriátrico Dom Pedro II - Asilo do Jaçanã

Recurso Cultural

Santana

18

Hospital São Luís Gonzaga

Recurso Cultural

Jaçanã

19

Igreja Santa Terezinha

Recurso Cultural

Santana

20

Linha Verde

Recurso Natural

Tremembé

21

Paróquia Santana

Recurso Cultural

Santana

22

Parque Estadual Alberto Löfgren - Horto Florestal - Arboreto

Recurso Natural

Mandaqui

23

Parque Estadual Alberto Löfgren - Horto Florestal - Olaria

Recurso Natural

Mandaqui

24

Parque Estadual Alberto Löfgren - Horto Florestal Polo Ecocultural Pedra Branca

Recurso Natural

Mandaqui

25

Pedreira Basalto

Recurso Téc. e Cient.

Tremembé

26

Pedreira Sant´ana

Recurso Téc. e Cient.

Tremembé

27

RPPN - Reserva Particular do Patrimônio Natural Mutinga

Recurso Natural

São Domingos

28

Sítio Santa Luzia

Recurso Cultural

Casa Verde

29

Terra Indígena Jaraguá

Recurso Cultural

Jaraguá

Tabela 9 - Recursos turísticos - Elaboração própria, 2020

Serviços e equipamentos turísticos Para elaboração do estudo, foram considerados como serviços e equipamentos turísticos: meios de hospedagem, estabelecimentos de alimentação, espaços para eventos, equipamentos culturais e de recreação. Ao todo, foram identificados nas subprefeituras que compõem o Polo de Ecoturismo da Cantareira 205 espaços:

87


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

71

Serviços de hospedagem

43

Serviços de alimentação

15

Espaços para eventos*

40

Equipamentos culturais

36

Espaços para recreação*

* Um equipamento foi categorizado, ao mesmo tempo, como espaço para eventos e para recreação.

• Serviço de hospedagem: contempla hotéis, hostels e motéis. Foram considerados todos os serviços com cadastro no Ministério do Turismo, sem qualquer análise abrangente quanto à qualificação desses estabelecimentos.

29

Hotéis

(4,7% da oferta da cidade)

37

Motéis

5

Hostels

(5% da oferta da cidade)

88

Apesar de um volume expressivo de equipamentos de hospedagem, com exceção de motéis, os espaços estão concentrados no distrito de Santana, com 91% da oferta de hotéis e quase toda oferta de hostels, com exceção de um estabelecimento. Isso porque é nesse distrito onde estão localizados o Anhembi e o Terminal Rodoviário do Tietê – grandes geradores de fluxo turístico – além das estações de metrô que conectam a zona Norte às demais regiões de São Paulo. Quando observados especificamente os distritos indutores, há apenas um hotel no Tremembé. Outros dois estão nas proximidades, localizados no Tucuruvi. Nenhum outro distrito da porção Norte oferece serviço de hospedagem em hotel ou hostel. Há uma evidente carência de opções para o turista que eventualmente queira estar próximo ao Polo para o consumo da oferta em mais de um dia, limitando as possibilidades do turismo na região. Já a distribuição dos motéis é mais equilibrada, porém não se pode afirmar que os estabelecimentos dessa região se posicionam como hospedagem alternativa à hotelaria, como acontece em outras regiões da cidade.


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Área do Mapa:

Legenda: Subprefeituras do Polo Distritos do Polo

da

Cantareira

0

2,5

Distritos indutores do desenvolvimento turístico

5km

São Paulo

Municípios limítrofes SERVIÇOS DE HOSPEDAGEM

Hotel Motel

Hostel

Figura 9 - Serviços de hospedagem - Elaboração própria

89

Nome

Tipo

Distrito

1

Brasilia Parque Hotel

Hotel

Tremembé

2

Brasília Santana Gold Flat

Hotel

Santana

3

Carpe diem Hotel

Hotel

Santana

4

Holiday Inn Parque Anhembi

Hotel

Santana

5

Holliday Norte Hotel

Hotel

Santana

6

Hotel Estrela da Água Fria

Hotel

Santana

7

Hotel Flor

Hotel

Santana

8

Hotel Intercity Anhembi

Hotel

Casa Verde

9

Hotel Jabuticaba

Hotel

Tucuruvi

10

Hotel Lua Nova

Hotel

Santana

11

Hotel Luni

Hotel

Santana

12

Hotel Tietê

Hotel

Santana

13

Ibis Styles São Paulo Anhembi

Hotel

Santana

14

Maison Florence Hotel

Hotel

Santana

15

Marechal I

Hotel

Santana

16

Marechal II

Hotel

Santana

17

Novotel São Paulo Center Norte

Hotel

Santana

18

Omega Palace Hotel

Hotel

Santana

19

Option

Hotel

Santana


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

90

20

OYO Estrela Dalva

Hotel

Santana

21

OYO Hotel Tenda

Hotel

Santana

22

OYO Hotel Vintage

Hotel

Casa Verde

23

Paulistano Parque Anhembi

Hotel

Santana

24

Paulistano Terminal Tietê

Hotel

Santana

25

Platinum Hotel

Hotel

Santana

26

Plaza Inn Small Town

Hotel

Santana

27

Topázio

Hotel

Santana

28

UOTEL Anhembi

Hotel

Santana

29

Wyndham Garden Convention Nortel

Hotel

Santana

30

Anhembi Hostel

Hostel

Santana

31

Hostel Brasil SP (Metrô Santana)

Hostel

Santana

32

Hostel da Landa (Santana)

Hostel

Santana

33

Metrô Hostel SP

Hostel

Santana

34

The Connection Hostel

Hostel

Santana

35

Alphis Motel

Motel

Tremembé

36

Calandre Hotel

Motel

Casa Verde

37

Censiv Motel

Motel

Limão

38

Classe A Hotel

Motel

Casa Verde

39

Destiny Motel

Motel

São Domingos

40

Discovery Motel

Motel

Santana

41

Drink's Anhanguera

Motel

Anhanguera

42

Estilo Vip Motel

Motel

São Domingos

43

Flor da Guapira Motel

Motel

Tucuruvi

44

Florence Motel

Motel

Pirituba

45

Floresta Hotel

Motel

Tucuruvi

46

Hotel Cantareira

Motel

Cachoeirinha

47

Hotel Viena

Motel

Casa Verde

48

Jaraguá Motel

Motel

Jaraguá

49

Maxim's Motel

Motel

Tremembé

50

Monkey's Motel

Motel

Limão

51

Motel Eskimó

Motel

Limão

52

Motel Genesis

Motel

São Domingos

53

Motel Le Jardim

Motel

Casa Verde

54

Motel Pirata

Motel

Tucuruvi

55

Motel Royal

Motel

Pirituba

56

Motel Salinas

Motel

Tucuruvi

57

Motel Sedução

Motel

Tucuruvi

58

Motel Taí

Motel

São Domingos

59

Motel Vai

Motel

São Domingos

60

Motel Xok's

Motel

São Domingos

61

North Palace Hotel

Motel

Tucuruvi

62

Paraty Plaza

Motel

Jaçanã

63

Park's Motel

Motel

São Domingos


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

64

Passione Motel

Motel

Jaçanã

65

Studio A

Motel

Limão

66

Style Hotel

Motel

Casa Verde

67

Tivoly Motel – Pirituba

Motel

São Domingos

68

Top Motel

Motel

Pirituba

69

Venus Motel

Motel

São Domingos

70

Voyage

Motel

Casa Verde

71

Zuquim Plaza Hotel

Motel

Santana

Tabela 10 - Serviços de hospedagem - Elaboração própria, 2020

• Serviço de alimentação: inclui bares, restaurantes e docerias. O volume expressivo de estabelecimentos de alimentação na cidade inviabiliza que sejam identificados e listados para esse tipo de estudo. Assim, para a análise desse serviço nos distritos que compõem o Polo foram inventariados os estabelecimentos localizados próximos aos atrativos turísticos dos distritos indutores, além dos bares e restaurantes com “caráter turístico”. Adotou-se como bares e restaurantes de caráter turístico aqueles que tenham sido mencionados nos principais guias de restaurantes da cidade (Comer & Beber: O melhor da gastronomia de São Paulo – da Veja São Paulo e Restaurantes, bares e cozinha: O Melhor de São Paulo – da Folha de São Paulo) entre os anos de 2018 e 2020 e que se mantenham em atividade. Além desses, foi incluído o Restaurante Mocotó, na Vila Medeiros, que apesar de não estar na área de abrangência do Polo, é um dos restaurantes premiados pelo Guia Michelin na categoria B&B Gourmand em 2019, bem como o restaurante no 43 da lista "Latin Americas 50 Best Restaurants" (50 melhores restaurantes da América Latina), da publicação inglesa "The Restaurant" em 2019. Foram identificados 43 serviços de alimentação nas subprefeituras que compõem o Polo de Ecoturismo da Cantareira:

32

7

4

Restaurantes

Bares

Docerias

*os equipamentos identificados não refletem a totalidade da oferta

91


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Novamente, na análise da oferta pela concentração dos equipamentos, o distrito de Santana se destaca com 47% dos restaurantes, seguido pela Casa Verde com 13%, e Freguesia do Ó e Tucuruvi com 9% cada. Cabe ressaltar que não há estabelecimento em nenhum dos distritos da porção Norte da área de estudo que tenha sido considerado de “caráter turístico”, segundo critérios adotados pelo levantamento.

92

Área do Mapa:

Legenda: Subprefeituras do Polo

Municípios limítrofes SERVIÇOS DE ALIMENTAÇÃO

Distritos do Polo da

Cantareira

0

2,5

5km

São Paulo

Distritos indutores do desenvolvimento turístico

Doceria Restaurante

Bar

Figura 10 - Serviços de alimentação - Elaboração própria

A ausência de estabelecimentos de perfil mais turístico no entorno dos principais atrativos dificulta a roteirização do Polo e constitui um gargalo para o desenvolvimento do turismo, quando consideramos os limites da cidade de São Paulo. Nome

Subtipo 2

Turístico Entorno

1

Bar do Luiz Fernandes

Bar

X

Santana

2

Bar do Plínio

Bar

X

Casa Verde

3

Cervejaria Tarantino

Bar

X

Limão

4

Estação Parada Sete

Bar

5

Famoso Bar do Justo

Bar

X X

Distrito

Tucuruvi Santana


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

6

Frangó

Bar

X

Freguesia do Ó

7

Terra Nova Cachaçaria

Bar

X

Tremembé

8

Coco Bambu Anhembi

Restaurante

X

Casa Verde

9

Marques Hamburguer

Restaurante

X

Casa Verde

10

Picanharia dos Amigos

Restaurante

X

Casa Verde

11

Vila do Samba

Restaurante

12

Bruno Pizzaria

Restaurante

X

Freguesia do Ó

13

Empório Nordestino

Restaurante

X

Freguesia do Ó

14

Oh Freguês

Restaurante

15

Barnabé

Restaurante

X

Jaçanã

16

Piazza Zini

Restaurante

X

Limão

17

Casa D'Adelia

Restaurante

X

Mandaqui

18

O Poderoso Sucão

Restaurante

19

Alibabar

Restaurante

X

Santana

20

Aoyama

Restaurante

X

Santana

21

Bullguer

Restaurante

X

Santana

22

Casa Garabed

Restaurante

X

Santana

23

Casa Garabed II

Restaurante

X

Santana

24

Dona Florinda

Restaurante

25

Graça di Napoli

Restaurante

X

Santana

26

Hou

Restaurante

X

Santana

27

Jullia Pizzaria

Restaurante

X

Santana

28

Lassù

Restaurante

X

Santana

29

Meime

Restaurante

30

Nosu

Restaurante

X

Santana

31

Pizza & Pizzas

Restaurante

X

Santana

32

Pra Lá de Bom

Restaurante

X

Santana

33

Sushi Hiroshi

Restaurante

X

Santana

34

Espeto da Serra

Restaurante

35

Pizza & Beer 7055

Restaurante

36

Arco's da Cantareira

Restaurante

37

Lenheira Pizzaria

Restaurante

38

Vale da Serra Restaurante e Pizzaria

Restaurante

39

Mocotó

Restaurante

X

Vila Medeiros

40

Gallette Chocolates

Doceria

X

Santana

41

Kopenhagen

Doceria

X

Santana

42

Maria Cristina Doces

Doceria

X

Mandaqui

43

Senhora Donut

Doceria

X

Tremembé

X

X

X

X

X

X X

Casa Verde

Freguesia do Ó

Mandaqui

Santana

Santana

Tremembé Tremembé

X X

Tucuruvi Tucuruvi

X

Tabela 11 - Serviços de alimentação - Elaboração própria, 2020

Tucuruvi

93


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

• Espaços para eventos: foram considerados os buffets para eventos sociais e corporativos, em especial aqueles localizados nos distritos indutores, não tendo sido considerados buffets para festa infantil. Além desses, foram incluídos os Centros de Convenções e Pavilhões de Exposições de toda a área de abrangência do Polo, uma vez que há uma grande concentração se comparado a outras regiões da cidade. Apesar de Expo Center Norte estar localizado na Subprefeitura Vila Maria/Vila Guilherme, ele foi considerado por sua relevância municipal.

O inventário de campo permitiu identificar uma grande concentração de 94

espaços para eventos sociais e corporativos no distrito do Tremembé, talvez por ter “ares de interior” ainda que não se caracterizem necessariamente como espaços para eventos no campo. Em relação aos Pavilhões de Exposições e Centro de Convenções, a região se destaca por abrigar três dos cinco maiores da cidade (Anhembi, ProMagno e Center Norte), além do Espaço APCD. Ainda que não haja relação direta desses espaços com o conceito do ecoturismo e estejam relativamente afastados dos atrativos de natureza, o Polo pode se aproveitar da movimentação de turistas nesses locais, para que os turistas que os frequentam fiquem mais um dia em São Paulo e possam usufruir da oferta de ecoturismo.


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Área do Mapa:

Legenda: Subprefeituras do Polo Distritos do Polo

da

Cantareira

0

2,5

5km

São Paulo

Distritos indutores do desenvolvimento turístico

Municípios limítrofes

Centros de convenções / Pavilhões de exposição

ESPAÇOS PARA EVENTOS Buffet

Figura 11 - Espaços para eventos - Elaboração própria

Nome

Tipo

Distrito

1

AABB São Paulo - Unidade Cantareira

Espaço para evento social/corporativo

Tremembé

2

AOPM - Espaço Barro Branco

Espaço para evento social/corporativo

Tucuruvi

3

Buffet Capricho

Espaço para evento social/corporativo

Tremembé

4

Buffet Giovanna

Espaço para evento social/corporativo

Tremembé

5

Buffet Mediterrâneo

Espaço para evento social/corporativo

Casa Verde

6

Espaço Aya

Espaço para evento social/corporativo

Tremembé

7

Espaço e Buffet Quinta dos Pinheiros

Espaço para evento social/corporativo

Tremembé

8

Espaço Vila Borghese

Espaço para evento social/corporativo

Tremembé

9

Espaço Villa II

Espaço para evento social/corporativo

Tremembé

10

Espazzio Parada Santa

Espaço para evento social/corporativo

Tremembé

11

Solene Espaço & Buffet - Unidade Cantareira

Espaço para evento social/corporativo

Cachoeirinha

12

Anhembi

Centro de convenção/ Pavilhão de exposição

Santana

13

APCD - Associação Paulista dos Cirurgiões Dentistas

Centro de convenção/ Pavilhão de exposição

Santana

14

Pro Magno

Centro de convenção/ Pavilhão de exposição

Casa Verde

15

Expo Center Norte

Centro de convenção/ Pavilhão de exposição

Vila Guilherme

Tabela 12 - Espaços para eventos - Elaboração própria, 2020

95


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

• Equipamentos culturais: foram considerados como equipamentos culturais as bibliotecas, centros culturais e casas de cultura, templos religiosos e teatros, em todos os distritos integrantes da área de abrangência do Polo. Os equipamentos culturais apresentados são voltados, principalmente, ao atendimento da população.

A distribuição dos equipamentos culturais, por não depender da demanda turística, é mais democrática, se comparada às demais categorias observadas. Distritos não atendidos, ou pouco atendidos nas outras categorias analisadas, 96

aparecem contemplados por equipamentos culturais. Contudo, são espaços com baixa atratividade, sem potencial de estimular o deslocamento do turista.

Área do Mapa:

Legenda: Subprefeituras do Polo Distritos do Polo

da

Cantareira São Paulo

0

2,5

5km

Distritos indutores do desenvolvimento turístico

Municípios limítrofes EQUIPAMENTOS CULTURAIS Biblioteca

Figura 12 - Equipamentos culturais - Elaboração própria

Centro cultural / Casa de cultura Teatro Templo religioso


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Nome

Tipo

Distrito

1

Biblioteca Afonso Schmidt

Biblioteca

Freguesia do Ó

2

Biblioteca Brito Broca

Biblioteca

Pirituba

3

Biblioteca CEU Jaçanã

Biblioteca

Jaçanã

4

Biblioteca CEU Jardim Paulistano

Biblioteca

Brasilândia

5

Biblioteca CEU Parque Anhanguera

Biblioteca

Anhanguera

6

Biblioteca CEU Pêra Marmelo "Educador Paulo Freire"

Biblioteca

Jaraguá

7

Biblioteca CEU Vila Atlântica “Maria Benedita Câmara Bormann”

Biblioteca

São Domingos

8

Biblioteca CEU Paz “Augusto dos Anjos”

Biblioteca

Brasilândia

9

Biblioteca CEU Perus “João Antonio”

Biblioteca

Perus

10

Biblioteca Érico Veríssimo

Biblioteca

Jaraguá

11

Biblioteca Jayme Cortez

Biblioteca

Cachoeirinha

12

Biblioteca José Mauro de Vasconcelos

Biblioteca

Jaçanã

13

Biblioteca Menotti Del Picchia

Biblioteca

Limão

14

Biblioteca Nuto Sant'Anna

Biblioteca

Santana

15

Biblioteca Padre José de Anchieta

Biblioteca

Perus

16

Biblioteca Pedro da Silva Nava

Biblioteca

Santana

17

Biblioteca Sylvia Orthof

Biblioteca

Tucuruvi

18

Biblioteca Thales Castanho de Andrade

Biblioteca

Freguesia do Ó

19

Casa de Cultura Brasilândia

Centro Cultural/ Casa de Cultura

Brasilândia

20

Casa de Cultura da Freguesia do Ó

Centro Cultural/ Casa de Cultura

Freguesia do Ó

21

Casa de Cultura Tremembé

Centro Cultural/ Casa de Cultura

Tremembé

22

Casa Hip Hop-Casa de Cultura Jaçanã

Centro Cultural/ Casa de Cultura

Tremembé

23

Fábrica de Cultura Brasilândia

Centro Cultural/ Casa de Cultura

Brasilândia

24

Fábrica de Cultura Jaçanã

Centro Cultural/ Casa de Cultura

Jaçanã

25

Fábrica de Cultura Vila Nova Cachoeirinha

Centro Cultural/ Casa de Cultura

Mandaqui

26

Oficina Cultural Maestro Juan Serrano

Centro Cultural/ Casa de Cultura

Jaraguá

27

Teatro Alfredo Mesquita

Teatro

Santana

28

Teatro APCD

Teatro

Santana

29

Igreja de Santo Antônio do Limão

Templo religioso

Limão

30

Igreja do Menino Jesus

Templo religioso

Tucuruvi

31

Igreja Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

Templo religioso

Jaçanã

32

Paróquia Nossa Senhora Aparecida

Templo religioso

Jaçanã

33

Paróquia Nossa Senhora da Salette

Templo religioso

Santana

97


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

34

Paróquia Santa Cruz

Templo religioso

Mandaqui

35

Paróquia Santa Joana D'Arc

Templo religioso

Tucuruvi

36

Paróquia São Benedito

Templo religioso

Jaçanã

37

Paróquia São Marcos Evangelista

Templo religioso

Mandaqui

38

Paróquia São Pedro Apóstolo

Templo religioso

Tremembé

39

Templo de Umbanda Arranca Toco e Zé Pelintra

Templo religioso

Tremembé

40

Capela Hospital Dom Pedro II

Templo religioso

Tucuruvi

Tabela 13 - Equipamentos culturais - Elaboração própria, 2020

• Espaços para recreação: foram considerados os espaços de diversão e cultura, instalações esportivas e parques, em todos os distritos integrantes da área de abrangência do Polo. Os espaços para recreação, em geral, atendem à demanda da população, mas podem complementar a oferta turística. 36 espaços para recreação foram identificados:

98

Assim como observado com os equipamentos culturais, a distribuição dos espaços para recreação está mais bem distribuída no território, mas também são espaços com baixa atratividade turística.


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Área do Mapa:

Legenda: Subprefeituras do Polo Distritos do Polo

da

Cantareira

0

2,5

5km

São Paulo

Municípios limítrofes ESPAÇOS DE LAZER:

Distritos indutores do desenvolvimento turístico

Instalação esportiva Parques

Espaço de diversão e cultura

Figura 13 - Espaços para recreação - Elaboração própria

99 Nome

Tipo

Distrito

1

Aze Games - Santana Parque Shopping

Espaço de diversão e cultura

Mandaqui

2

Brasil Skate Camp

Espaço de diversão e cultura

Casa Verde

3

Cinemark Tietê Plaza

Espaço de diversão e cultura

Pirituba

4

Cinemark Tucuruvi

Espaço de diversão e cultura

Tucuruvi

5

Heroes Play

Espaço de diversão e cultura

Tucuruvi

6

Mega Roller Skate Park

Espaço de diversão e cultura

Casa Verde

7

Morro da Casa Verde

Espaço de diversão e cultura

Casa Verde

8

Sherlock Holmes Escape Game Santana

Espaço de diversão e cultura

Santana

9

SPCINE Jaçanã - CEU Jaçanã

Espaço de diversão e cultura

Tremembé

10

SPCINE Paz - CEU Paz

Espaço de diversão e cultura

Brasilândia

11

SPCINE Perus - CEU Perus

Espaço de diversão e cultura

Perus

12

SPCINE Vila Atlântica - CEU Vila Atlântica

Espaço de diversão e cultura

São Domingos

13

Tradição Albertinense

Espaço de diversão e cultura

Tremembé

14

UCI Santana Parque Shopping

Espaço de diversão e cultura

Mandaqui

15

Arena de Lazer - Sambódromo Anhembi

Instalação esportiva

Santana

16

Centro Esportivo Aurélio Campos

Instalação esportiva

Freguesia do Ó

17

Centro Esportivo Coronel Brigadeiro Eduardo Gomes

Instalação esportiva

Jaraguá

18

Centro Esportivo Geraldo José de Almeida

Instalação esportiva

Pirituba


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

19

Centro Esportivo Jd. Cabuçu - Mini Balneário Irmãos Paulin

Instalação esportiva

Jaçanã

20

Centro Esportivo Perus

Instalação esportiva

Perus

21

Estádio Aníbal de Freitas

Instalação esportiva

Tremembé

22

Pista de skate - CEU Pêra Marmelo

Instalação esportiva

Jaraguá

23

Pista de skate - CEU Perus

Instalação esportiva

Perus

24

Pista de skate - CEU Vila Atlântica

Instalação esportiva

São Domingos

25

Pista de skate - Praça Fausto Antôni

Instalação esportiva

Jaçanã

26

Parque Cidade de Toronto

Parque

São Domingos

27

Parque Jacintho Alberto

Parque

Pirituba

28

Parque Jardim Felicidade

Parque

Pirituba

29

Parque Linear Canivete

Parque

Brasilândia

30

Parque Linear Fogo

Parque

Jaraguá

31

Parque Lions Clube Tucuruvi

Parque

Tucuruvi

32

Parque Pinheirinho d'Água

Parque

Jaraguá

33

Parque Rodrigo de Gásperi

Parque

Pirituba

34

Parque São Domingos

Parque

São Domingos

35

Parque Sena

Parque

Tremembé

36

Parque Senhor do Vale

Parque

Jaraguá

Tabela 14 - Espaços para recreação - Elaboração própria, 2020

100

Infraestrutura de apoio ao turismo Foram identificados nas subprefeituras que compõem o Polo de Ecoturismo da Cantareira 24 estabelecimentos de apoio ao turismo. Importante ressaltar que foram considerados nesta categoria apenas os estabelecimentos comerciais com maior identificação com o tema do ecoturismo e compras com perfil turístico, desconsiderando farmácias, mercados, lojas de conveniência etc. O levantamento foi aprofundado nos distritos indutores em equipamentos inventariados na pesquisa de campo. Novamente, foi considerado um estabelecimento na subprefeitura Vila Maria/Vila Guilherme, a Rede Cria Norte, que comercializa artesanatos produzidos em toda a zona Norte de São Paulo.

9

Hortas

3

Lojas de artesanato / souvenir

2

Mercados públicos

6

Shoppings

3

Viveiros

1

Mercado agroecológico


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Dentre a oferta da infraestrutura de apoio, destaca-se a presença expressiva de hortas, inclusive em áreas não rurais.

Área do Mapa:

Legenda: Subprefeituras do Polo Distritos do Polo

da

Cantareira

0

2,5

Distritos indutores do desenvolvimento turístico

5km

São Paulo

Municípios limítrofes INFRAESTRUTURA DE APOIO AO TURISMO: Horta

Loja de artesanato / Souvenir Mercado público

Viveiro

Shopping

Figura 14 - Infraestrutura de apoio ao turismo - Elaboração própria

As hortas, apesar de não aparecerem na metodologia de inventário do Ministério do Turismo, foram consideradas em função do potencial identificado para o turismo rural. Contudo, o tema requer estudos aprofundados.

Nome

Tipo

Distrito

1

Chácara Frade

Mercado Agroecológico

Mandaqui

2

É Hora da Horta

Horta

Casa Verde

3

Horta Comunitária Jardim Flamingo

Horta

Mandaqui

4

Horta da Associação Comunitária Mutirão

Horta

Tremembé

5

Horta da Praça Sambaqui (Horta das Corujas)

Horta

Brasilândia

6

Horta Do Arboreser

Horta

Tucuruvi

101


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

7

Horta do Projeto Terralma - Instituto REAGI

Horta

Brasilândia

8

Hortão da Casa Verde

Horta

Casa Verde

9

Quintal Da Eunice

Horta

Tremembé

10

Roça Urbana

Horta

Tremembé

11

Brasil-Souvenirs

Loja de artesanato/souvenirs

Santana

12

Rede Cria Norte

Loja de artesanato/souvenirs

Vila Guilherme

13

Victorias Restauração

Loja de artesanato/souvenirs

Tremembé

14

Mercado Municipal Pirituba

Mercado Público

Pirituba

15

Mercado Municipal Tucuruvi

Mercado Público

Tucuruvi

16

Cantareira Norte Shopping

Shopping

Jaraguá

17

Santana Parque Shopping

Shopping

Mandaqui

18

Santana Shopping

Shopping

Santana

19

Shopping Metrô Tucuruvi

Shopping

Tucuruvi

20

Tietê Plaza Shopping

Shopping

Pirituba

21

TriMais (em construção)

Shopping

Tucuruvi

22

Casa de Plantas Imperial

Viveiro

Tremembé

23

Embaixada das Plantas

Viveiro

Tremembé

24

Viveiro e Floricultura Pé da Serra

Viveiro

Tremembé

Tabela 15 - Infraestrutura de apoio ao turismo - Elaboração própria, 2020

102

Observação: Os números apresentados na contextualização turística foram coletados com base em pesquisa realizada no segundo semestre de 2020, podendo não traduzir a realidade atual.


© José Cordeiro/SPTuris

Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

103

Polo Cultural Pedra Branca


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Parque Estadual do Jaraguá

Presença indígena A Oeste do núcleo onde estão localizados os atrativos de interesse turísticos estabelecidos pela Lei de criação do Polo de Ecoturismo da Cantareira, próximas ao Pico do Jaraguá, estão localizadas seis aldeias indígenas: Tekoa Ytu, Tekoa Pyau, Tekoa Itakupé, Tekoa Itawe104

ra, Tekoa Yvy Porã e Tekoa Itaendu, cada uma delas com organização política própria. As aldeias, todas da etnia Guarani Mbya, compostas por grupos falantes dos dialetos Mbya e Nhandeva, ocupam área de 532 ha declarada pela portaria nº 581/15 do Ministério da Justiça e reconhecidas pela Funai, que expandem a área de 1,5766 ha anteriormente homologada pelo Decreto nº 94.221 de 1987. Após declaração – etapa mais importante do processo de demarcação – é feita a homologação, com a materialização e georreferenciamento da demarcação administrativa homologada e, por fim, a regularização, com registro da terra em cartório em nome da União e na Secretaria de Patrimônio da União. Apesar da declaração da terra indígena em 2015, em 2017 a Portaria nº683 do Ministério da Justiça tornou nula a Portaria nº 581/15. Porém, ainda em 2017, a Justiça Federal suspendeu a vigência da portaria nº683 e o assunto segue judicializado no Supremo Tribunal Federal. Por enquanto, está vigente a Portaria nº 581/15, e o território compreendido entre a junção do Rodoanel Mário Covas com a Rodovia Anhanguera, até quase todo o limite do Parque Estadual do Jaraguá ao Sul, seguindo contornando a Estrada Turística do Jaraguá até o seu fim e passando por outra parte a Oeste até fechar o contorno novamente no Rodoanel, segue ocupado pelos Guarani.


© José Cordeiro/SPTuris

Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

105

Área do Mapa: da

Cantareira São Paulo

0

2,5

5km

Legenda:

Distritos indutores do desenvolvimento turístico

Subprefeituras do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Terra Indígena declarada pela portaria nº 518/15

Distritos do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Terra Indígena homologada pelo Decreto nº94.221/87

Figura 15 - Terras indígenas - Elaboração própria

Independentemente da extensão ou etapa de demarcação do território após o reconhecimento, a atividade turística em terras indígenas é regida pela instrução normativa nº 03/15 da FUNAI, que estabelece normas e diretrizes relativas às atividades de visitação e prevê, em seu artigo 5º, que “as atividades de visitação para fins turísticos em terras indígenas serão propostas mediante Plano de Visitação, apresentado por indígenas, suas comunidades ou suas organizações”. Ao contrário das terras indígenas do extremo Sul de São Paulo, localizadas no Polo de Ecoturismo de Parelheiros, Marsilac e Ilha do Bororé, as aldeias do Jaraguá não possuem um Plano de Visitação Turística, conforme determina a instrução Normativa da Funai, ainda que haja algum nível de atividade turística no território, voltada às vivências guarani, num turismo de base comunitária. Por estar inseridas em área urbana, a terra indígena sofre com a descaracterização, que é bastante percebida nas construções e nos materiais utilizados.


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Análise Consolidada Os dados sociais, ambientais, estruturais, econômicos e turísticos foram subdivididos em diferentes indicadores, que demonstram a situação das subprefeituras e distritos em relação à média do município de São Paulo, e podem orientar ações e os investimentos em turismo.

Análise consolidada Subprefeitura

Distrito

Social

Jaçanã

Jaçanã / Tremembé

Tremembé* Mandaqui*

Santana / Tucuruvi

Santana Tucuruvi Cachoeirinha

Casa Verde / Cachoeirinha

Casa Verde Limão

106 Freguesia do Ó / Brasilândia

Brasilândia Freguesia do Ó Anhanguera

Perus / Anhanguera

Perus Jaraguá

Pirituba / Jaraguá

Pirituba São Domingos

*Distrito indutor

Abaixo da média de São Paulo Média de São Paulo Acima da média de São Paulo Legenda específica para o Eixo Turístico

Sem oferta Com oferta mínima Com oferta superior

Ambiental

Estrutal

Econômico

Turístico


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

O Polo de Ecoturismo da Cantareira está inserido em um território de contrastes. A importância de seu patrimônio natural é inquestionável, uma vez que o abastecimento de água de milhões de pessoas depende da proteção de seus mananciais e da preservação dos remanescentes de Mata Atlântica. Por outro lado, a realidade socioeconômica da região é paradoxalmente precária, quando comparada à média da capital, com deficiências estruturais que impactam negativamente no acesso, na comunicação, no saneamento e no crescimento desordenado, o que resulta em uma forte pressão urbana em um ambiente bastante sensível.

PRINCIPAIS DESTAQUES ● Índice de Desenvolvimento Humano Municipal - IDH-M abaixo da média de São Paulo; ● Índice Paulista de Vulnerabilidade Social - IPVS: alguns distritos com percentuais altos da população em situação de vulnerabilidade alta ou muito alta. SOCIAL*

● Insegurança (criminalidade).

● Parque Estadual da Cantareira: uma das maiores florestas urbana do mundo, com remanescentes de Mata Atlântica; ● Grande pressão urbana, principalmente na zona de amortecimento das unidades de conservação. AMBIENTAL

● Poucas vias de acesso viário e índices deficientes em relação ao transporte de massa; ● Alto índice de assentamentos precários, principalmente nas proximidades do PE da Cantareira; ● Comunicação: distribuição baixa de antenas de celular, em especial no entorno do PE da Cantareira.

ESTRUTURAL

● Renda média familiar mensal e remuneração do trabalho formal abaixo da média de São Paulo; ● Taxa baixa de emprego formal. ECONÔMICO*

● Concentração de oferta de equipamentos turísticos em Santana/Tucuruvi; ● Integração com municípios do entorno; TURISMO

● Oferta de equipamentos e atrativos pouco estruturada.

*Exceção: Subprefeitura Santana/Tucuruvi, em especial o distrito de Santana que apresenta índices socioeconômicos mais altos.

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Parque Anhanguera

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O TURISMO NO POLO DE

© José Cordeiro/SPTuris

ECOTURISMO DA CANTAREIRA


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O TURISMO NO POLO DE ECOTURISMO DA CANTAREIRA Mas afinal, qual é o nível de atividade turística do Polo? E quais são as possibilidades, diante de tudo o que foi apresentado até agora? Qual caminho seguir? Quais estratégias adotar? As respostas para essas perguntas passam por questões importantes e que devem ser levadas em conta: quem é o turista que visita o Polo hoje? E qual é o turista que queremos? Não existe, hoje, estudo de demanda específico para o território. Esse estudo é importante para nos permitir compreender quem são as pessoas que visitam o Polo, quais são seus valores, preferências, perfil socioeconômico, entre outros, e de forma a ter mais assertividade nas ações, especialmente as de desenvolvimen110

to de experiência, de comunicação, promoção e comercialização do produto. A percepção empírica mostra que hoje os atrativos do Polo são consumidos isoladamente, principalmente por moradores da zona Norte de São Paulo (o que por definição não é turismo, e sim lazer); seguido por moradores dos municípios limítrofes, que fazem um “bate e volta” (e que portanto trata-se de excursionismo, não turismo); por moradores da capital e outros municípios da região metropolitana; e por fim, por turistas que estão em São Paulo e que descobrem a área como opção para visitação durante a estada na capital. Alguns dados apresentados neste capítulo corroboram essa percepção. Além da base oferecida pelos estudos relacionados à contextualização do território, muito do que é apresentado neste capítulo vem da troca de informações com pessoas (entrevistas com representantes de atrativos turísticos, lideranças locais, representantes dos municípios limítrofes, especialistas em turismo, meio ambiente e marketing, agentes de turismo receptivo que vendem produtos do Polo e os que não vendem, guias de turismo, entre outros), e da análise do que o público está dizendo sobre o Polo, seja por meio da manifestação em redes sociais, ou escrevendo em publicações ou portais voltados ao consumo do turismo.


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O turismo que acontece no Polo A análise dos resultados dos estudos de campo, pesquisas com as agências de turismo receptivo, com guias de turismo e o levantamento das experiências do Airbnb, permitiram identificar quais são aqueles que mantêm um nível de atividade turística mais alto e regular, bem como o tipo de turismo praticado nesses locais atualmente, conforme ilustração abaixo:

ECOTURISMO

TURISMO PEDAGÓGICO / TÉCNICOCIENTÍFICO

TURISMO CULTURAL

Praticado por um público diversificado, com interesse num estilo de vida saudável e maior consciência ambiental. Inclui a prática de atividades em atrativos naturais, tais como contemplação da natureza, trilhas e cachoeiras, com o uso do patrimônio de forma sustentável. Dentro do ecoturismo, destaca-se no Polo o cicloturismo, já bastante consolidado.

Parque Estadual da Cantareira – Núcleos Pedra Grande e Engordador, Parque Estadual Alberto Löfgren, Parque Estadual do Jaraguá, Linha Verde, além de atrações nos municípios de Mairiporã e Guarulhos.

Presente em diversos equipamentos do Polo, é constituído por grupos escolares ou pedagógicos de diferentes perfis, sejam de escolas públicas ou privadas. No Polo, observa-se também a ocorrência de grupos de instituições de nível superior e pesquisadores. O foco são as atividades de interação com a natureza e educação ambiental, para os grupos pedagógicos, e o estudo dos equipamentos remanescentes do sistema de abastecimento e as pesquisas relacionadas à botânica para as instituições de nível superior.

Chácara Frade, Estação de Tratamento Guaraú, Instituto de Ferrovias e Preservação do Patrimônio Cultural (Estrada de Ferro Perus-Pirapora), Museu Florestal Octavio Vecchi, Parque Anhanguera, Parque Estadual Alberto Löfgren - Horto Florestal, Parque Estadual da Cantareira Núcleos Engordador e Pedra Grande, Terra Indígena Jaraguá.

Acontece em menor escala e está relacionado à vivência do patrimônio histórico e cultural. Acontece nos atrativos de forma isolada, sem uma roteirização acerca de um tema específico dentro do turismo cultural.

Instituto de Ferrovias e Preservação do Patrimônio Cultural (Estrada de Ferro Perus-Pirapora), Museu do Jaçanã, Museu Florestal Octavio Vecchi, Parque Estadual da Cantareira Núcleo Engordador e Terra Indígena Jaraguá.

Em todos os atrativos citados, o principal público visitante é de moradores do entorno dos atrativos, seguido por visitantes dos municípios

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vizinhos e da região metropolitana de São Paulo. Apesar de existente, a atividade turística desses segmentos é incipiente. Os atrativos precisam ser mais bem estruturados, articulados, roteirizados e comercializados, especialmente os relacionados ao ecoturismo. Importante ressaltar que, para essa análise, foram desconsiderados os atrativos sem identificação com o conceito do ecoturismo, especialmente os localizados nos distritos mais afastados da Serra (aqueles limítrofes à Marginal Tietê).

Quais tipos de turismo podem acontecer? Como complemento à oferta de ecoturismo, foi identificado potencial para outros segmentos do turismo, relacionados de alguma forma ao contexto ambiental, baseado na análise da oferta. Eles demandam maior ou menor esforço para implementação, e não devem ser ignorados especialmente quando temos 112

em mente os objetivos do desenvolvimento econômico a partir do turismo.

TURISMO RURAL

TURISMO DE BASE COMUNITÁRIA TERRA INDÍGENA

OUTRAS MODALIDADES DE ECOTURISMO

A existência de um número expressivo de hortas e propriedades rurais na área de Polo indicam para a oportunidade do desenvolvimento de atividades relacionadas ao turismo rural. Algumas iniciativas observadas (inclusive no município de São Paulo, porém no extremo Sul) estão desenvolvendo experiências nas quais esses espaços deixam de ser apenas produtores, para oferecer vivências rurais, podendo incluir atividades como a rotina com a terra, “colha e pague”, hospedagem etc. Para a elaboração do plano, o levantamento das hortas e propriedades rurais foi superficial, mas novos estudos podem indicar a viabilidade ou não desse potencial.

A presença Guarani é um recurso com grande potencial, e que requer uma demanda grande de trabalho até que seja convertido em produto (ainda que hoje receba grupos isolados), inclusive porque a visitação depende de regulamentação por meio de um plano de visitação. A FUNAI é um parceiro fundamental na condução do processo de sensibilização das lideranças, para que parta delas o interesse na construção do plano, garantindo a autonomia e os direitos dos povos indígenas, além do protagonismo das comunidades indígenas na “elaboração, execução, percepção dos f rutos, monitoramento, avaliação e revisão do plano”. Os estudos para a elaboração do plano também não se aprofundaram na temática indígena, que requer estudos específ icos.

Ainda dentro do ecoturismo, atividades ainda não praticadas, ou pouco praticadas podem ser mais bem desenvolvidas, como o birdwatching (observação de pássaros) nas unidades de conservação ou o turismo geológico, utilizando-se dos geosítios existentes no território.


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Quais são as forças competitivas? A partir do cruzamento das principais tendências do mercado com a oferta disponível no Polo de Ecoturismo da Cantareira, foram identificadas algumas forças competitivas que devem ser exploradas para a consolidação do Polo como produto:

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Localização O Polo de Ecoturismo da Cantareira está inserido no maior mercado consumidor do país, maior emissor de turistas e principal destino turístico brasileiro. São 12 milhões de habitantes, que compõem a cidade com maior PIB nacional e que recebe estimados 16 milhões de turistas ao ano. Além disso, apesar de estar posicionado no extremo Norte da cidade, chega-se a ele a partir do Centro em 30 minutos. Mata Atlântica Possui extensas áreas protegidas recobertas pela Mata Atlântica. Reconhecida pela Unesco como Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da cidade de São Paulo, título atribuído a determinadas áreas do globo, consideradas de relevante valor ambiental e humano, destinadas à conservação da biodiversidade do ecossistema, promoção do de114

senvolvimento sustentável em suas áreas de abrangência, pesquisa científica, educação e monitoramento permanente. Ao redor do mundo, existem outras 359 reservas e no total, sete estão no Brasil. A presença da Mata Atlântica e dos parques que as abriga, num contexto de tendência de busca pelo turismo de natureza, potencializa essa força. Patrimônio histórico-cultural Além das áreas verdes, e em função delas, o território guarda um rico patrimônio histórico-cultural relacionado ao abastecimento hídrico da cidade de São Paulo. Por ser área de manancial, a área do Polo teve fundamental importância no abastecimento da cidade. As primeiras obras na região começaram em 1873, a infraestrutura instalada funcionou até 1970 e parte das obras e equipamentos deste período estão nas áreas do Parque Estadual da Cantareira. A região também tem forte relação com o patrimônio histórico ferroviário, que ainda que não totalmente preservado, abriga maquinário remanescente.


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Entorno complementar à oferta São Paulo se beneficia por dispor de um produto “de Serra”, mesmo que o produto em si não esteja na capital. A ausência de limites claros entre Caieiras, Mairiporã e São Paulo, faz com que o produto ultrapasse limites administrativos e a oferta dos municípios se complemente na composição de um único produto. Marca forte “Cantareira” como marca é reconhecida. Há uma série de produtos locais, parte deles produzido nos municípios vizinhos, que levam o nome da Cantareira e fortalecem a imagem de produto do território. Foram identif icadas água mineral, brownie, cachaças, canelinha, cerveja, além do FICA – Festival de Inverno da Cantareira. 115

E os desafios? Apesar de toda riqueza e potencial, o território enfrenta desafios para a consolidação do turismo, que precisam ser observados com atenção. A análise dos desafios considerou principalmente os distritos Mandaqui e Tremembé, além dos entornos dos Parques Anhanguera e Estadual do Jaraguá, especialmente quando considerada a questão turística. Porém, a análise de documentos de fontes oficiais nos permite afirmar que grande parte dos desafios extrapola os distritos acima especificados, especialmente quando tratamos das questões estruturais. • Desafios estruturais

Infraestrutura básica e urbana

Mão de obra

Zeladoria urbana

Telefonia móvel

Segurança urbana


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O local apresenta algumas deficiências de infraestrutura básica e urbana, como saneamento básico, em especial o esgotamento sanitário e o acesso a determinados pontos de interesse turístico. A deficiência na zeladoria urbana também é observada em aspectos como a iluminação, pavimentação, macro e micro drenagem e manutenção de praças e parques. Outro aspecto importante é a cobertura de telefonia móvel (voz e dados) que inexiste, ou é bastante fraca, em algumas regiões, principalmente nos pontos mais próximos à Serra. Por fim, questões de segurança urbana associadas às áreas de Infraestrutura

básica e vulnerabilidade social podem inibir aZeladoria presença doTelefonia turista. urbana móvel urbana

Segurança urbana

• Desafios sociais

Mão de obra para o turismo

116

Engajamento da população

Cultura indígena

Os principais desafios sociais observados estão ligados à baixa qualificação Descarte Mineração Febre amarela da mão de obra localDesmatamento para o turismo – sejaCaçadores pela capacidade deRodoanel “bem receber” irregular e ocupação

e encantar, ou pela valorização do ambiente no qual estão inseridos. O baixo Infraestrutura

Zeladoria

Telefonia

Segurança

básica e urbana móvel urbana engajamento urbana da população em relação às questões ambientais, sociais e

turísticas (não percebem a importância e a riqueza do meio ambiente local Serviços e o turismo como agente de transformapara o turismo, ou nãoOferta reconhecem Articulação e equipamentos Governança Sustentabilidade Acessibilidade turística

comunicação

turísticos

ção) e ao empreendedorismo. Outro ponto importante se refere à questão indígena, cuja cultura segue sendo descaracterizada em função da proximidade com a zona urbanizada e pela falta de políticas públicas ligadas ao tema. Mão de obra para o turismo

Engajamento da população

Cultura indígena

• Desafios ambientais

Desmatamento e ocupação

Descarte irregular

Caçadores

Mineração

Rodoanel

Febre amarela

Oferta turística

Serviços e equipamentos turísticos

Governança

Articulação e comunicação

Sustentabilidade

Acessibilidade


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Considerando tratar-se de um Polo de Ecoturismo, os desaf ios ambientais merecem especial atenção e são muitos. O mais relevante deles está relacionado ao desmatamento e à ocupação irregular do território, em especial no entorno das áreas de proteção. A pressão urbana empurra a população mais desfavorecida para áreas cada vez mais periféricas, o que, na zona Norte, corresponde às áreas previstas na Lei de criação do polo, implicando em desmatamento, construção de moradia (ou até instalação de barracos) nas áreas de amortecimento e eventualmente em áreas de parque, além do loteamento de terrenos e construção de muitas pequenas moradias em local onde antes era habitado por uma única família. O descarte irregular de entulho é f requente e bastante degradante. E a presença de caçadores nas áreas de parque e outras áreas verdes constituem mais uma ameaça de caráter ambiental. O efeInfraestrutura tivo da Guarda Civil Metropolitana Ambiental e Polícia Militar Ambiental Zeladoria Telefonia Segurança básica e

urbana

móvel

urbana

urbana (e viaturas), responsáveis por coibir todas essas atividades é insuf iciente,

e muitas vezes a morosidade e burocracia do setor público resultam em impunidade e incentivo a essas práticas.

117

Outros desaf ios observados na área de estudo foram a coexistência das áreas de preservação com as de mineração (pedreiras); a construção do Mão de obra

Engajamento

Cultura

para oque f ragmentou o território provocando impactos ambientais, Rodoanel da população indígena turismo

e a circulação ativa do vírus da febre amarela, que dizimou a população de macacos bugio entre 2017 e 2018 e impactou signif icativamente no volume de turistas e visitantes nos parques da região.

Desmatamento e ocupação

Descarte irregular

Caçadores

Mineração

Rodoanel

Febre amarela

Governança

Articulação e comunicação

Sustentabilidade

Acessibilidade

• Desafios turísticos

Oferta turística

Serviços e equipamentos turísticos


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Apesar da existência de recursos e de alguns atrativos turísticos, há carência de produtos turísticos formatados na região. Ao redor dos atrativos, os serviços e equipamentos turísticos são escassos, em especial os serviços de hospedagem e alimentação. Entre os existentes, há poucas opções voltadas a um público mais exigente. Essa realidade se contrapõe quando observado os municípios vizinhos que, de certa forma, suprem essa carência – especialmente Mairiporã com a questão da gastronomia e esportes de aventura na Serra. Os atrativos turísticos existentes também possuem atratividade relativa, apesar do potencial para desenvolver uma série de atividades que aprimorem a experiência turística. Isso faz também com que o uso desses espaços seja de abrangência mais regional, sendo principalmente usufruídos pelos moradores dos bairros da zona Norte e dos municípios vizinhos. Outro aspecto extremamente relevante é que não há uma organização no que diz respeito à gestão do turismo. A ausência de governança estrutura118

da e ativa dificulta em muito a organização do turismo e impacta também na articulação da oferta existente e entre atores do território. A comunicação no território é falha em vários aspectos, e vão dos mais estruturantes – como o entendimento da importância da atividade turística pelos moradores e a falta de reconhecimento do turismo como um fator de desenvolvimento econômico e territorial, passando pela falta de mapeamento e concentração da informação sobre a oferta, culminando na falta de divulgação e no desconhecimento das agências que comercializam atividades turísticas em São Paulo de que existe um patrimônio cultural e ambiental tão relevante na zona Norte da capital. Percebe-se também que atrativos, equipamentos e serviços adotam poucas práticas ligadas à sustentabilidade (com exceção às iniciativas de reciclagem de lixo e reuso de óleo), assim como práticas ligadas à acessibilidade. Percebe-se, em alguns lugares, a existência de rampas, por exemplo, mas muitas vezes fora do padrão. Qualquer outro tipo de acessibilidade é inexistente.


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Quais aspectos do turismo precisam ser mais bem desenvolvidos? As regiões que buscam no turismo um meio de desenvolvimento sustentável inclusivo precisam estar minimamente estruturadas em diversos aspectos, sobretudo no que se refere à inf raestrutura, acesso a serviços básicos e ordenamento territorial. Tratam-se de elementos básicos que viabilizam condições dignas de vida à população local e, ao mesmo tempo, prestam suporte a qualquer atividade socioeconômica que ali se estabeleça, como no caso do turismo. Além dessas, num contexto especificamente do turismo, alguns aspectos precisam de atenção para garantir a inclusão, a estruturação, a consolidação, a comunicação, a gestão, a comercialização e a promoção do destino.

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Comercialização

Governança

ASPECTOS DO TURISMO A SEREM DESENVOLVIDOS

Práticas sustentáveis

Posicionamento digital

Integração regional


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Governança Governança turística é um conceito relativamente novo, estabelecido pela necessidade de regionalização na gestão do turismo. Trata-se de uma instância de gestão que promove integração e descentralização ao envolver as partes interessadas e impactadas no processo de planejamento, estruturação e desenvolvimento turístico, permitindo que elas possam assumir o protagonismo do seu desenvolvimento. A governança pode possuir diferentes formatos: conselho, fórum, comitê, consórcio. Contudo, é fundamental que conte com o envolvimento e participação do poder público, iniciativa privada, terceiro setor e comunidade, trabalhando em sinergia, compartilhando decisões e responsabilidades e garantindo o processo democrático. A principal instância de governança do turismo em âmbito municipal é o 120

Conselho Municipal de Turismo, vinculado à Secretaria Executiva de Turismo. Trata-se de um conselho deliberativo, consultivo e de assessoramento do Plano Municipal de Turismo. É paritário, e composto por 34 organizações relacionadas ao turismo, ou áreas correlatas. Quando analisamos o território do Polo de Ecoturismo da Cantareira especificamente, identificamos alguns conselhos e associações, além do poder público, atuando na região, porém não com o enfoque no turismo. Considerando o patrimônio natural predominante, a maioria dos conselhos existentes estão vinculados às questões ambientais, seguido por associações de moradores. Principais instituições de governança identificadas no território: Nome Amigos do Horto – Parque Estadual Aberto Löfgren

Descrição Associação dos frequentadores do parque, com intuito de cobrar melhorias no estado do parque em geral, bem como sua manutenção. Está em processo de formalização.


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Conselho consultivo, paritário, com mandato de dois anos. É constituído por 16 representantes dos poderes públicos e da Conselho Consultivo do

sociedade civil organizada – contemplando instituições am-

Parque Estadual

bientais, educacionais, culturais e turísticas, além de asso-

Alberto Löfgren

ciações de moradores do entorno, entre outros interessados. Vinculado à Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Conselho consultivo, paritário, com mandato de dois anos. É constituído por 24 representantes dos poderes públicos e da

Conselho Consultivo do

sociedade civil organizada – contemplando instituições am-

Parque Estadual

bientais, educacionais, culturais e turísticas, além de asso-

da Cantareira

ciações de moradores do entorno, entre outros interessados. Vinculado à Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo. A Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo abrange 73 municípios, incluindo as regiões metro-

Conselho de Gestão da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo

politanas de São Paulo e da Baixada Santista. Seu conselho de gestão é paritário, composto por 34 membros representativos dos atores relevantes governamentais e não-governamentais da região e secretariada pelo Instituto Florestal do Estado (com a recém extinção do Instituto Florestal, ainda não está definido qual órgão estará a cargo de secretariar o conselho).

As entrevistas realizadas com os stakeholders permitiu a identificação de algumas lideranças comunitárias, e de órgãos de governo, com atuação direta ou relacionado ao turismo, que de forma embrionária poderiam constituir um conselho gestor do Polo de Ecoturismo da Cantareira. Contudo, hoje não há nenhum tipo de organização, integração ou articulação dessas lideranças, demandando um processo de sensibilização, mobilização e institucionalização de governança a partir do poder público. As demandas do território, aliadas ao nível de desenvolvimento turístico, sugerem a instituição de dois níveis de governança: local, composta por órgãos da administração pública municipal com atuação direta e indireta nas questões do turismo, iniciativa privada e sociedade civil; e regional, envolvendo os municípios de Caieiras, Mairiporã e Guarulhos.

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Integração regional A Lei de criação do Polo de Ecoturismo da Cantareira, por se tratar de um instrumento de abrangência municipal, restringe a área do Polo aos limites da cidade de São Paulo. Contudo, a Serra da Cantareira – que é essencialmente o recurso a ser desenvolvido como produto turístico, extrapola os limites administrativos da capital. As entrevistas realizadas com as lideranças locais, assim como as pesquisas aplicadas ao longo do processo de construção do plano, evidenciaram que não há, no entendimento dos entrevistados, a separação clara do que está dentro ou fora dos limites de São Paulo. Isso porque a Serra é entrecortada e ora o território pertence a um município, ora a outro. O próprio Parque Estadual da Cantareira evidencia essa “mistura”: quando observada a organização de seus núcleos de Oeste para Leste, tem-se o Núcleo Pedra Grande – em São Paulo, o Núcleo Águas Claras – em Mairiporã, poucos metros após a divisa com São Pau122

lo, o Núcleo Engordador – novamente em São Paulo, seguido pelo Núcleo Cabuçu, em Guarulhos. Em Mairiporã está também quase toda a oferta gastronômica de qualidade da Serra, e parte dos atrativos turísticos e recursos naturais. Uma busca por “Serra da Cantareira” no portal de viagens TripAdvisor1 também deixa clara essa integração de territórios. Dentre as 48 ocorrências validadas (relacionas à Serra), 11 estão em São Paulo, 35 em Mairiporã, uma em Caieiras e uma em Guarulhos. Outra constatação relevante é que entre os 33 estabelecimentos de alimentos e bebidas, 30 estão em Mairiporã, enquanto apenas três em São Paulo. Todas as duas ocorrências de hospedagem estão em Mairiporã. Contudo, os principais parques estão localizados na capital. Percebe-se também que parte dos moradores da Serra, em Mairiporã, usufrui mais da infraestrutura de São Paulo (escolas, hospitais, mercados), do que da sua cidade de origem. Da mesma forma, os estabelecimentos turísticos e comerciais da Serra em Mairiporã utilizam, em parte, a mão de obra paulistana.

1.

Consulta realizada em 13 de novembro de 2020.


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Área do Mapa: da

Cantareira São Paulo

0

2,5

5km

Legenda: A&B

Hospedagem

A&B Hospedagem

Figura 16 - Região de Caieiras, Mairiporã e Guarulhos - Elaboração própria

Assim, se a linha imaginária que estabelece a área de um município não é limitante à experiência, ela não deve ser limitante para o desenvolvimento do produto. O conceito de integração dos municípios para constituição de um produto turístico está alinhado às estratégias do desenvolvimento do turismo do Governo Federal, estabelecidas pelo Programa de Regionalização do Turismo, do Ministério do Turismo. Ademais, a segregação vai contra o conceito de “polo”, que nada mais é que um núcleo no qual uma atividade é desenvolvida. Nesse contexto, o município de São Paulo pode liderar esse movimento de regionalização para fortalecimento do produto turístico, propondo o estabelecimento de um consórcio de municípios – ou outro instrumento similar – para a consolidação do Polo de Ecoturismo da Cantareira como um produto regional, uma vez que de maneira isolada ele não se sustente como Polo.

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Municípios abrangidos pela Serra da Cantareira MAIRIPORÃ É o principal município para constituição de um Polo de Ecoturismo regional abrangendo as cidades da Serra. É na área da Serra em Mairiporã que estão localizados o núcleo Águas Claras do Parque Estadual da Cantareira, o complexo Velhão (que abriga As Véia, As Pizza, o Café do Véio, a Cervejaria Da’s Nova), a Pedreira e restaurante do DIB, e outros espaços de A&B como o Jaques Café, Duana Pizzaria, Sachô, Padaria Miolo, Ora Pois, Empório da Serra, a sorveteria Frutta e Crema e tantos outros. A cidade dispõe ainda de opções interessantes de hospedagem, além de muitas casas no Airbnb – inclusive associadas às experiências gastronômicas. Mairiporã é reconhecida como capital 124

paulista do mountain bike, e recebe provas da categoria, oferecendo opções de percursos o ano todo. CAIEIRAS Apesar de abrigar uma pequena parcela do Parque Estadual da Cantareira, Caieiras não dispõe de acesso direto ao Parque. A área de Serra tem como principal atração a Sitiolândia Eco Park e a Basílica Nossa Senhora do Rosário, templo religioso de forte apelo turístico que abriga a Casa de Formação dos Arautos do Evangelho. Assim como São Paulo, a cidade não conta com oferta diferenciada de serviços turísticos (hospedagem e alimentação) na Serra. GUARULHOS No contexto do Polo de Ecoturismo, a cidade de Guarulhos é relevante por abrigar parte do Parque Estadual da Cantareira, incluindo o Núcleo Cabuçu. Além da questão natural, o Núcleo Cabuçu guarda parte do patrimônio cultural hídrico do complexo Cantareira.


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© José Cordeiro/SPTuris

Complexo O Velhão

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Posicionamento digital O turismo é cada dia mais digital e as tendências apontam para a aceleração dessa digitalização a partir dos hábitos adquiridos em decorrência da pandemia do coronavírus. Um destino, produto ou serviço turístico para “existir” precisa ser facilmente encontrado no ambiente virtual. Estudos recentes apontam que a internet é fundamental na escolha de um destino e a principal fonte de informações do viajante. Uma pesquisa realizada em 2019 pelo Portal Panrotas e pela agência de comunicação especializada em Turismo e Lifestyle B4TComm com profissionais da indústria de Viagens e Turismo do Brasil, revela a importância das mídias sociais na influência do consumo de viagens e turismo. Segundo a opinião dos entrevistados, desconsiderados os fatores econômicos como promoções (21,6%) e preços das passagens aéreas (14,5%), post de celebridades ou influenciadores em redes sociais é o que mais influencia na decisão do consumidor, com 14,8% das respostas e posts de amigos em redes 126

sociais, com 12,7% delas. Para se ter referência, formas tradicionais de divulgação, como propagandas em programas de TV e anúncios em jornais e revistas são as menos relevantes, citadas respectivamente por 2,4% e 0,4% dos entrevistados. Uma outra pesquisa publicada em 2019 pela IPK International, uma das principais consultorias de turismo do mundo, especializada em pesquisa, marketing e planejamento turístico, aponta que 82% das pessoas que viajam recorrem à internet como principal fonte. Em 2009, esse volume era de 46%. Em linhas gerais, podemos afirmar que enquanto as redes sociais, em especial o lnstagram e Facebook, são as que mais influenciam na escolha do destino, os sites de alojamentos, destinos, companhias aéreas, de reservas, e TripAdvisor são aqueles que mais informam e auxiliam no planejamento da viagem. Assim, é inegável que destinos, produtos e serviços turísticos devem direcionar esforços para construção de uma imagem, e uma reputação on-line, ainda que isso leve tempo. Para compreensão do posicionamento digital do Polo de Ecoturismo da Cantareira, foram feitas buscas com termos relacionados nos principais ambientes digitais (sites de busca, blogs de viagem, redes sociais etc)1.

1.

Consulta realizada em 18 agosto de 2021.


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• Sites de busca: A busca pela expressão “Polo de Ecoturismo da Cantareira” no Google retorna com aproximadamente 6.470 ocorrências1, sendo a grande maioria delas notícias sobre o evento de lançamento do Polo de Ecoturismo da Cantareira, realizado no Horto Florestal em janeiro de 2020, e uma segunda parte, menos representativa, sobre a Lei de criação do Polo. Já a busca pela expressão “Serra da Cantareira”, retorna com 1.740.000 resultados. Nas primeiras páginas, há destaque para sites de viagens com dicas do que fazer na Serra, o site oficial do Parque Estadual da Cantareira e de outras atrações em Mairiporã. As duas primeiras páginas são de ocorrências relacionadas ao turismo e somente a partir da terceira página aparecem assuntos relacionados ao mercado imobiliário, serviços, notícias etc. Em análise das 20 primeiras matérias em sites de viagens que falam sobre a Serra da Cantareira, observamos que:

• 15 apresentam atrações de natureza. O Núcleo Pedra Grande do Parque Estadual da Cantareira é citado em 12 delas e o Núcleo Engordador em 11; o Horto Florestal é mencionado em 3 delas, assim como o Pico do Jaraguá;

• Cinco publicações descrevem de forma imprecisa a localização do território, referindo tratar-se de Mairiporã ou São Paulo, mas mencionando atrativos de ambos os municípios;

Cinco publicações são específicas sobre gastronomia, duas delas men-

cionam um único estabelecimento em Mairiporã, uma abrange toda a área do Circuito “Entre Serras e Águas”, do qual Mairiporã faz parte com outros 11 municípios e não apresenta nenhum espaço para alimentação em São Paulo entre os 20 mencionados, e uma cita o restaurante Pizza&Beer, em São Paulo, entre as 10 opções mencionadas. Os sites identificados e consultados foram:

1.

Consulta realizada em 18 agosto de 2021.

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Sites: https://quantocustaviajar.com/blog/lugares-na-serra-da-cantareira/ https://www.viajali.com.br/serra-da-cantareira/ https://www.guiadasemana.com.br/viagens-nacionais/galeria/lugares-imperdiveis-para-conhecerna-serra-da-cantareira-em-sao-paulo https://guiaviajarmelhor.com.br/lugares-na-serra-da-cantareira-para-curtir-no-final-de-semana/ https://duplagourmet.com.br/index.php/2019/02/28/9-lugares-com-cara-de-viagem-para-conhecer-na-serra-da-cantareira/ https: //guia.folha.uol.com.br/passeios/2016/07/10003383-na-zona-norte-serra-da-cantareira-tem-atracoes-de-ecoturismo-e-gastronomia.shtml http://meusroteiros.com/serra-da-cantareira-um-paraiso-ha-dois-passos-da-pauliceia-desvairada/ https://spcity.com.br/lazer-e-muito-sabor-na-serra-da-cantareira/ https://spcity.com.br/conheca-parque-da-cantareira/ https://spcity.com.br/um-lugar-especial-na-serra-da-cantareira/ https://spcity.com.br/conheca-as-cachoeiras-sao-paulo/ https://www.feriasbrasil.com.br/sp/mairipora/ https://passeiosbaratosemsp.com.br/visite-uma-floresta-dentro-de-sao-paulo-o-parque-da-cantareira-na-zona-norte/

128

https://vejasp.abril.com.br/cidades/capa-respiros-verdes/ https://saopaulosao.com.br/nossos-encontros/2477-na-cantareira-boa-comida-e-um-dedo-de-prosa.html https://mejogueinomundo.com/brasil/sao-paulo/trilha-pedra-grande-parque-cantareira/ https://sejoganoroteiro.com.br/2020/08/22/serra-da-cantareira-refugio/?subscribe=success#518 https://oscaminhantes.com/2019/08/nucleo-engordador-pq-estadual-da-cantareira/

• Instagram As primeiras páginas relacionadas à expressão “Cantareira” encontradas foram: Página @restaurantecantareira

Conteúdo Página do restaurante Cantareira, em Mairiporã. Tem 700 publicações e 75,9k seguidores. Página do Parque Estadual. Divulga informações do parque e programa-

@parqueestadualcantareira

ção. Abrange todos os núcleos. Tem mais de 170 publicações e 4.435 seguidores.

@euamoaserradacantareira

Página de pessoa física, moradora e admiradora da Serra. Divulga fotos de natureza. Tem 697 publicações e 1.647 seguidores.


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@cantareiranorteshopping @nacantareira

Página do Cantareira Norte Shopping, com notícias, lojas e serviços do estabelecimento. Tem 2.271 publicações e 35,2 mil seguidores. Página do site “Na Cantareira”, com guia de serviços e lazer na região da Serra. Tem 480 publicações e 19k seguidores.

Excluindo-se as páginas de estabelecimentos comerciais, que embora estejam relacionados ao turismo, estão fora da capital, algumas outras páginas foram encontradas: Página

Conteúdo Divulga fotos de natureza e informações sobre a região. Também

@serradacantareirasp

sem informação dos proprietários. Possui página no Facebook, porém com menos atualização que a do Instagram. Tem 340 publicações e 3.298 seguidores. Foi a 11ª ocorrência encontrada. Página com link para site da secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho. Faz publicações eventuais relacionadas ao ecoturis-

@ecoturismocantareira

mo na Serra da Cantareira e é tida como a página oficial do Polo de Ecoturismo da Cantareira. Tem 13 publicações e 181 seguidores. Foi a 16ª ocorrência encontrada. Publicações sobre natureza e estabelecimentos locais. Não apresenta

@serradacantareiraoficial

dados de contato ou informação de quem administra a página. Tem 271 publicações e 3.210 seguidores. Foi a 17ª ocorrência encontrada.

• Facebook Principais páginas encontradas: Página Parque Estadual Cantareira https://www.facebook.com/parqueestadualcantareira Horto Florestal https://www.facebook.com/roteirofenomenal

Conteúdo Página do Parque estadual que divulga informações gerais. Tem 5.805 curtidas e 6.000 seguidores. Página com informações do parque. Tem 2.476 curtidas e 2.539 seguidores.

Na Cantareira

Página ligada ao site Na Cantareira, que divulga informações

https://www.facebook.com/nacan-

de serviços, comércio e lazer na região. Tem 5.228 curtidas e

tareira/

5.369 seguidores.

129


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Além das páginas, no Facebook é possível encontrar diversos grupos na busca. A maioria dos localizados na procura por Serra da Cantareira é voltada para moradores e admiradores da região. • Hashtags Principais encontradas: Hashtag

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Publicações

#zn

723k publicações

#znsp

194k publicações

#serradacantareira

136k publicações

#znlovers

85k publicações

#serradacantareirasp

14k publicações

#serradacantareiraoficial

6,6k publicações

#cantareira

76k publicações

#pedalzn

2.284 publicações

#cantareirasp

2000+ publicações

#parquedacantareira

3000+ publicações

#parqueestadualdacantareira

3000+ publicações

#pedragrande

66k publicações

#nucleopedragrande

2000+ publicações

#hortoflorestal

133K publicações

#hortoflorestalsp

6000+ publicações

#hortosp

600+ publicações

#ecoturismocantareira

101 publicações

#polodeecoturismodesãopaulo

1000+ publicações

#tremembe

156k publicações

#mandaqui

76k publicações


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• TripAdvisor O TripAdvisor é o maior site de viagens do mundo, com avaliações e opiniões de viajantes. Em análise ao site1, não há resultados na busca pela expressão “Polo de Ecoturismo de São Paulo”. Quando buscado “Serra da Cantareira”, são 48 ocorrências. Excluindo as ocorrências de serviços de alimentação e hospedagem, e aquelas localizadas em Caieiras (1), Guarulhos (1) e Mairiporã (3), restam 7 atrações em São Paulo:

• Parque Estadual da Cantareira - Núcleo Pedra Grande: possui 1.423 avaliações e nota de 4,5 estrelas. É classificada pelos usuários como atividade nº 36 de 877 na cidade de São Paulo. Em 2020, recebeu o prêmio Travellers' Choice (Escolha do Viajante);

• Parque Estadual da Cantareira: possui 357 avaliações e nota de 4,5 estrelas. É classificada pelos usuários como atividade nº 51 de 877 na cidade de São Paulo. Em 2020, recebeu o prêmio Travellers' Choice;

• Horto Florestal: possui 680 avaliações e nota de 4,5 estrelas. É classificada pelos usuários como atividade nº 67 de 877 na cidade de São Paulo. Em 2020, recebeu o prêmio Travellers' Choice;

• Parque Estadual do Jaraguá: possui 176 avaliações e nota de 4,5 estrelas. É classificada pelos usuários como atividade nº 102 de 877 na cidade de São Paulo. Em 2020, recebeu o prêmio Travellers' Choice;

Parque Estadual da Cantareira - Núcleo Engordador: possui 79 avalia-

ções e nota de 4,5 estrelas. É classificada pelos usuários como atividade nº 134 de 877 na cidade de São Paulo.

• Pico do Jaraguá: possui 470 avaliações e nota de 4 estrelas. É classificada pelos usuários como atividade nº 12 de 176 ao ar livre em São Paulo. Em 2020 recebeu o prêmio Travellers' Choice.

1.

Consulta realizada em 18 de agosto de 2021.

131


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O conceito de “Polo de Ecoturismo da Cantareira” passou a existir no ambiente virtual somente após a criação do site oficial (www.polodacantareira. com), com informações sobre o polo e indicações de seus atrativos, lançado em dezembro de 2020. Embora um termo recente, já se inicia o processo de reconhecimento/identificação nos mecanismos de busca. O site oficial de turismo da cidade de São Paulo (www.cidadedesaopaulo. com) não faz menção ao “Polo de Ecoturismo da Cantareira”, tampouco à “Serra da Cantareira”. Na seção “Pontos Turísticos” são apresentados de forma isolada o Parque Estadual da Cantareira, considerando seus quatro núcleos, o Horto Florestal e o Museu Florestal Octávio Vecchi, todos destacados na categoria “especial”. Já o conceito de “Serra da Cantareira”, ainda que sem identificação clara de território, é fortemente difundido e claramente reconhecido pelos atributos naturais e pelo ecoturismo, além da forte relação com a gastronomia. 132

Quando analisados especificamente os atrativos da cidade de São Paulo, percebemos que há pouca ocorrência, sendo o Parque Estadual e o Horto aqueles com maior presença, mas ainda com engajamento baixo. É preciso investir em estratégias de marketing digital para criar um posicionamento para o Polo como integrador de iniciativas, produtos, serviços, experiências etc, e promover uma conexão entre o que já existe hoje. Práticas Sustentáveis A sustentabilidade é uma das tendências do turismo e uma realidade na decisão de compra do turista mais consciente. Considerando o apelo ambiental intrínseco ao conceito do Polo de Ecoturismo e os objetivos da sua criação estabelecidos pela Lei no 16.832/18, é fundamental que este conceito esteja inserido em todos os estabelecimentos, práticas e eventos do território que desejem fazer parte da construção da Cantareira como produto turístico de qualidade e relevância.


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Contudo, não apenas o meio ambiente deve ser considerado. As práticas de sustentabilidade social são tão importantes quanto as ambientais, em especial quando consideramos os índices altos de vulnerabilidade em quase todo o entorno das áreas de preservação. As questões ambientais e sociais, de certa forma, estão entrelaçadas. A comunidade local deve ser capaz de perceber – a partir do envolvimento, aumento da empregabilidade, acesso, melhoria da renda, oportunidade de negócio etc – a importância do turismo, da presença do turista e a partir de então, da preservação do patrimônio. A transformação do território só se dará se houver a incorporação da comunidade, e não a segregação. O conceito da sustentabilidade cultural também não deve ser ignorado. A relevância histórico-cultural do território da Cantareira com todo o seu patrimônio hídrico, ferroviário, industrial, de mineração, artístico-musical e a questão indígena devem valorizar e agregar valor à questão ambiental. De forma geral, observa-se que os estabelecimentos do território adotam poucas práticas voltadas à sustentabilidade ambiental, com exceção de algumas iniciativas isoladas e incipientes relacionadas à reciclagem e reaproveitamento do lixo. Um pouco mais avançadas, mas também embrionárias, são as iniciativas relacionadas ao envolvimento da comunidade no turismo, como projetos de monitoria e capacitação de mão de obra. Comercialização O turismo enquanto atividade econômica, geradora de receita, emprego e desenvolvimento, assim como qualquer outra atividade econômica, depende da efetivação de transações comerciais. O turista pode comprar uma diária em um hotel, um bilhete de museu, uma refeição; pode não comprar nada e apenas “explorar” o destino visitado; pode comprar um produto turístico, ou ainda, comprar uma experiência turística. Um produto turístico é o conjunto dos bens e serviços consumidos pelo turista, que pode ser “empacotado” ou personalizado de acordo com as demandas e interesses particulares. Uma experiência turística, por sua vez, é única, depende

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da interação do turista com o meio e as sensações e emoções que essa interação provoca no indivíduo. Ela é impactada por todas as etapas dessa visitação e depende de uma história legítima e bem contada, de um serviço diferenciado, do envolvimento com o território e sua comunidade, de valores ambientais e sociais. A experiência turística possui um enorme valor agregado – ainda que seja simples – e tende a ser mais justa na distribuição das receitas. Para entender a comercialização de produtos e experiências que abrangem as áreas do Polo de Ecoturismo de São Paulo, foram realizadas pesquisas com agências de turismo receptivo e guias de turismo da cidade de São Paulo, além de um levantamento na plataforma Airbnb, principal referência na comercialização de experiências turísticas. • Agências de turismo receptivo A São Paulo Turismo possui hoje, em seu cadastro, 39 agências de turismo 134

receptivo. Dessas, 25 participaram da pesquisa1. Das agências que responderam:

• Dez informaram comercializar roteiros pelo Polo. Em consulta aos sites dessas agências, apenas quatro mencionam o território entre os produtos comercializados;

• Seis agências informaram que o volume de vendas desses produtos é baixo; • Sete alegaram ter dificuldades em operacionalizar seus roteiros no Polo, sendo as principais a distância/logística (três ocorrências); o desconhecimento do território, e a não disposição dos atrativos para atendimento a grupos (duas ocorrências cada); e a dificuldade em encontrar parceiros na região e restaurantes de qualidade (uma ocorrência cada);

1.

Pesquisa on-line realizada entre os dias 23 de outubro e 9 de novembro de 2020.


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• O ranking dos atrativos privilegiados por cada agência tem o Núcleo Pedra Grande em primeiro lugar (oito ocorrências), o Núcleo Engordador e o município de Mairiporã empatados em segundo lugar (quatro ocorrências cada), seguidos pelo Horto Florestal (três ocorrências), e pela Linha Verde, Pico do Jaraguá e município de Caieiras (uma ocorrência cada). • Guias de Turismo Os guias de turismo participantes da pesquisa1 são todos cadastrados pelo Ministério do Turismo (CADASTUR) e atuam regularmente na cidade de São Paulo (residentes ou não). 124 prof issionais participaram da pesquisa, com as seguintes informações:

• 55 informaram atuar na zona Norte de São Paulo. Apenas seis não citaram ao menos um dos atrativos de interesse turístico do Polo;

26 alegaram ter dificuldades em operacionalizar seus roteiros no Polo,

sendo elas a falta de conhecimento/informação e acesso (seis ocorrências cada); a distância e a impossibilidade de visita aos núcleos do Parque durante a semana – antes da pandemia (quatro ocorrências cada); a falta de incentivo (três ocorrências); falta de acesso pelo transporte público; falta de opções para agregar valor ao produto e dificuldade de estacionamento (duas ocorrências cada) e pouca infraestrutura dos parques, impossibilidade de bloqueio de ingresso dos parques para grupos, população pouco receptiva, falta de ponto de apoio e falta de apelo turístico (uma ocorrência cada);

• Os atrativos mais citados nos roteiros dos guias foram o Núcleo Pedra Grande em primeiro lugar (20 ocorrências), o Núcleo Engordador (13 ocorrências),

Horto Florestal (oito ocorrências) e o município de Mairiporã (sete ocorrên-

cias). O município de Guarulhos (cinco ocorrências), o Pico do Jaraguá (quatro ocorrências), o Museu Octávio Vecchi e o município de Caieiras (duas ocorrências cada) e as Aldeias Guarani e a Praça do Jaçanã (uma ocorrência cada).

1.

Pesquisa on-line realizada entre os dias 21 de outubro e 3 de novembro de 2020.

135


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• Experiências Airbnb O site Airbnb possui hoje, em seu cadastro, inúmeras experiências, não sendo possível quantificá-las, pois depende da disponibilidade de data oferecida pelo “anfitrião” da experiência. De 10 datas aleatórias pesquisadas para o mês de janeiro de 2021, pudemos encontrar 8 experiências na Cantareira: Experiência

Descrição

Aquarela na Cantareira

Experiência de aquarela em um ateliê na Serra

Paz e trilha para o Pico do Jaraguá

Trilha desde o Parque Estadual do Jaraguá até o Pico do Jaraguá, com meditação

Trilhando na Selva de Pedra

Trilha desde o Parque Estadual do Jaraguá até o Pico do Jaraguá

Trilha até o Pico mais alto de São Paulo

Trilha pelo Parque Estadual do Jaraguá

Floresta urbana com vista incrível de SP

Trilha pelo Núcleo Pedra Grande

Mata Atlântica com cachoeira em SP Experiência no Núcleo Engordador

136

Pedalando na Linha Verde

Trilha de bicicleta pela Linha Verde, incluindo as estradas de Santa Maria e Engordador. Possibilidade de saída noturna

Pedalando pela Serra da Cantareira

Trilha de bicicleta de 42km com ponto de encontro no Restaurante DIB para café da manhã

Vivência em aldeias indígenas Guarani

Vivência nas aldeias indígenas do Jaraguá, porém apenas se a experiência for realizada em dias de semana. Aos fins de semana, as experiências acontecem no Polo de Ecoturismo de Parelheiros

Ainda são poucas as iniciativas de formatar produtos do Polo, se comparadas a outras regiões da cidade. Não há uma estrutura sólida de comercialização, tampouco de promoção do território. O desconhecimento da região por parte do mercado é notado. Sem a criação de um produto que congregue atrativos e experiências, o potencial de atratividade do Polo fica diminuído, reduzindo a visitação aos atrativos de forma isolada, desconexa ao conceito de Polo e movimentando apenas o entorno próximo: visitantes dos municípios vizinhos e a população principalmente da zona Norte.


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© Marcelo Iha/SPTuris

Museu do Horto Florestal

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Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Parque Estadual da Cantareira - Núcleo Pedra Grande

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© Marcelo Iha/SPTuris

Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

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INSPIRAÇÕES


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inspirações Em busca de inspirações e observação de experiências de sucesso passíveis de aplicação no território do Polo de Ecoturismo da Cantareira, foi realizado um amplo estudo de benchmarking, abrindo novas perspectivas para tomada de decisão a partir da experiência observada em casos práticos e concretos. Nesse sentido, considerando as particularidades do Polo, foram propostas duas linhas de estudo de benchmarking: 1 - casos de sucesso ao redor do tema de integração regional e local para o turismo, especialmente com a intenção de olhar práticas e experiências de governança e estruturação de um produto turístico regional;

140

2 - casos de sucesso, considerando a necessidade de estruturar novos produtos que possam se converter em ofertas diferenciadas de alto valor agregado e motivadoras de demanda no Polo. O resultado foi o estudo de cinco casos, assim organizados: Inspiração em gestão e destino integrado Aspecto estudado

Destino

Referência em destino/produto integrado

Referência em gestão integrada de ecoturismo

Monte Belo do Sul Vale dos Vinhedos, Serra Gaúcha

Bonito - Serra da Bodoquena Mato Grosso do Sul

O Vale dos Vinhedos é um produto/destino regional integrado consolidado e de referência;

Por quê?

Monte Belo é um destino coadjuvante em pleno desenvolvimento e expansão; O turismo é vetor do desenvolvimento econômico, regional e local.

Parques naturais em metrópoles urbanas

Bonito é o melhor destino de ecoturismo do Brasil e reforça sua posição a cada ano; É referência na gestão integrada do turismo sob o ponto de vista do engajamento dos diversos atores; O turismo é vetor do desenvolvimento econômico, regional e local.

Reconversão de imóveis obsoletos

Requalificação de propriedades rurais


O Vale dos Vinhedos é um produto/destino regional integrado consolidado e de referência;

Bonito é o melhor destino de ecoturismo do Brasil e reforça sua posição a cada ano;

É referência na gestão integrada do turismo Monte Belo é um destino em Planocoadjuvante de Desenvolvimento Turístico Polo Ecoturismo da Cantareira sob o do ponto de de vista do engajamento dos pleno desenvolvimento e expansão; diversos atores; O turismo é vetor do desenvolvimento econômico, regional e local.

Projetos Inspiradores

O turismo é vetor do desenvolvimento econômico, regional e local.

Aspecto estudado

Parques naturais em metrópoles urbanas

Reconversão de imóveis obsoletos

Requalificação de propriedades rurais

Destino

Parque Nacional da Tijuca Rio de Janeiro

LX factory Lisboa, Portugal

Comuna de Ibitipoca Minas Gerais

Um dos casos de reconversão mais bem sucedidos no mundo, conduziu a requalificação de toda vizinhança e sua inclusão na rota dos turistas;

Projeto de requalificação de uma grande propriedade rural no entorno de uma UC;

Relação UC e metrópole urbana; Alto uso e aproveitamento turístico;

Por quê?

Compromisso com a qualidade de visitação; Evidente impacto econômico e na geração de negócios associados.

Altamente reconhecido e valorizado como atrativo/produto turístico; Abriga hoje um projeto autosuficiente financeiramente e gerador de lucros.

Oferta combina natureza, ruralidade, agricultura sustentável e turismo e uma rede de negócios; Conceito inovador de alta relevância para o turismo, reconhecido como modelo de sustentabilidade.

Inspiração em gestão e destinos integrados Na primeira etapa do estudo de benchmarking, buscou-se abordar destinos que já se converteram em grandes marcas e que realmente possuem posicionamento consolidado no mercado, em que o turismo se apresenta como uma legítima força de desenvolvimento local e regional, a partir de um produto regional integrado (destino Monte Belo do Sul no Vale dos Vinhedos na Serra Gaúcha) e de uma governança apoiada na participação de múltiplos atores (destino Bonito-Serra da Bodoquena - MS). Monte Belo do Sul: caso de desenvolvimento turístico de um destino complementar a partir do produto integrado Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha Na Serra Gaúcha, a Região da Uva e do Vinho é referência no Brasil como destino regionalizado, com uma marca já bastante reconhecida pelo mercado. Em sua totalidade compreende 47 municípios marcados, sobretudo, pela produção de uva e vinho e pela conexão com a cultura imigrante italiana refletida por sua vez na arquitetura, gastronomia e na memória histórica.

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Localizado na Região da Uva e do Vinho, o Vale dos Vinhedos é uma faixa territorial estabelecida na intersecção de três municípios: Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul. Como ocorre na Serra da Cantareira e no Parque Estadual da Cantareira, a delimitação da área do Vale dos Vinhedos não se modela por fronteiras administrativas. Nesse caso, ocorre a partir da existência convergente de diversos aspectos geológicos, climáticos, culturais e técnicos que conferem certa particularidade à produção vitivinícola realizada nessa extensão de área. Assim, com base em um sistema de classificação global aplicado às áreas produtoras e vitivinícolas, estabeleceu-se especificamente essa porção do território como Denominação de Origem (DO) Vale dos Vinhedos, o que diferencia e permite a certificação de toda produção e processamento de uva que ocorre dentro de seus limites estabelecidos. Apesar de menos conhecido e estruturado que os destinos Bento Gonçalves e Garibaldi, Monte Belo do Sul teve um recente boom no desenvolvimento, a partir da notoriedade e consolidação do destino/produto Vale dos Vinhedos, 142

decorrente das ações para organização da governança e de marketing, acompanhada de novos investimentos em infraestrutura, especialmente de acesso e sinalização que permitiram o deslocamento dos turistas no território e a conexão entre os atrativos e serviços; na estruturação de novos produtos turísticos; na melhoria e abertura de novos equipamentos e serviços (restaurantes, pousadas, comércios etc.), que se incrementavam a cada ano juntamente com o fluxo de turistas. Dessa forma, ao longo do tempo foi se formando um fluxo próspero de desenvolvimento local, regional ao redor não só da venda de vinhos como também, e mais ainda, da atividade turística. A expansão do turismo ano após ano foi notória, passando de 13 mil pessoas em 2001, para 430 mil em 2019 (em toda a região). Estudos apontam que, em 2017, 30 % dos 1,4 milhão de turistas de Bento Gonçalves estiveram nos demais municípios do Vale. Nesse contexto, muitos negócios familiares emergiram com a proposta de atender e trazer novas experiências aos visitantes, a partir da confiança e aposta da popu-


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lação local no turismo. São muitas histórias de agricultores (e filhos de agricultores) que estão expandindo e/ou agregando valor aos negócios da família por meio dos serviços aos visitantes, bem como investindo em novos equipamentos como hotéis, pousadas e restaurantes. Claramente, os destinos se organizaram de forma a consolidar a oferta principal desse território baseada nesse tripé – enoturismo + cultura + gastronomia – cada uma delas aportando um conjunto de produtos e experiências turísticas que recheiam esse portfólio de opções nesses temas. Assim, o lazer, o vinho e a gastronomia impulsionaram o crescimento econômico da região, fortalecendo e conectando todo o sistema produtivo local, encadeando benefícios para toda a comunidade.

Produto Central

Diferencial

Experiência principal

Exemplos de atrativos, produtos e experiências

Outros produtos e experiências

Roteiro Vale dos Vinhedos • Reconhecimento / Denominação de Origem Vale dos Vinhedos; • Estrada do Vinho conectando os 3 municípios, empreendimentos e atrativos; • Oferta em expansão e diversificação pelo estímulo ao empreendedorismo e novos projetos (ex. ciclovia Vale dos Vinhedos); • Sinalização e informação turística integrada; • Marketing digital, comunicação e RP, promoção e apoio à comercialização.

Enoturismo

Gastronomia

Visita a grandes vinícolas

Restaurantes de comida típica italiana

Visita a vinícolas familiares

Restaurantes gourmet

História e cultura imigrante italiana

Maratona do Vinho

Visita a produtores de vinhos naturais e sustentáveis

Festivais gastronômicos

Igrejas

Dia do Vinho

Museus

Festas de Colheita

Jantares harmonizados

Cultura

Eventos

Festivais culturais

Experiências de Vendímia

Produção rural associada / artesanal: charcutaria, cachaça, suco de uva, doces, massas artesanais ...

Cursos e degustações

Armazéns e lojas de vinhos

Visita a tanoaria (produção de tonéis)

Piqueniques

Cicloturismo

Mirantes

Trem Maria Fumaça

Ecoturismo

City tour

Congressos, convenções e feiras

Passeios de jipe

Parques de Aventura

Trilhas

Turismo rural e agroecologia

Pousadas rurais

Tabela 16 - Síntese dos aspectos de produto e oferta do Vale dos Vinhedos, Turis 360

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Bonito-Serra da Bodoquena: caso de desenvolvimento do turismo a partir da gestão integrada do ecoturismo Ano após ano, a atividade turística no Polo da Serra da Bodoquena tem se expandido, impulsionado pela consolidação e notoriedade de Bonito no cenário nacional e internacional, um destino que já foi eleito 16 vezes o melhor de ecoturismo no Brasil. Apesar de Bonito constituir-se na marca indutora, amplamente reconhecida pelo mercado, os atrativos e atividades que integram a experiência dos seus visitantes se encontram dispersos em toda a região da Serra da Bodoquena. Nos últimos anos tem havido um grande esforço em reforçar a marca conjunta Bonito-Serra da Bodoquena, propiciando que as cidades vizinhas, Jardim e Bodoquena, também possam ser reconhecidas e, consequentemente, possam igualmente prosperar a partir da atividade turística, assim como Bonito. Apesar de abrigarem recursos e atrativos de significativa 144

relevância, essas cidades ainda apresentam baixo retorno com o turismo quando comparado à famosa vizinha. A gestão conjunta do destino Bonito-Serra da Bodoquena é referência em como articular a cadeia do turismo regional/local ao redor da oferta conjunta, e como a efetiva colaboração entre atores, nos diferentes âmbitos, pode gerar resultados concretos ao desenvolvimento do turismo, definitivamente apoiando a consolidação de um destino. Em toda a Serra, os municípios souberam pautar o potencial turístico em recursos naturais de rara beleza como rios cristalinos, cachoeiras, grutas, matas, fauna e flora. A alavanca da atividade, entretanto, está ao redor de atrativos geridos e operados por empreendimentos privados, a maioria familiar, que foram se fortalecendo conjuntamente ao longo do tempo e se converteram em produtos consolidados no mercado nacional e internacional, amplamente demandados e premiados. Certamente, Bonito é o destino precursor do desenvolvimento e onde o turista encontra uma rede mais consolidada de inf raestrutura, equipamentos e serviços. E tem sido bastante discutida a necessidade de


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prover os demais municípios com investimentos tanto em inf raestrutura como em equipamentos e serviços de apoio ao turismo, ao nível de Bonito. Jardim e Bodoquena, se espelham neste destino, tentando implementar as mesmas ferramentas de gestão para organizar e otimizar o turismo. Bodoquena e Jardim, ao passo que compartem semelhante ecossistema, conf iguram-se como oportunidade de ampliar quantitativa e qualitativamente essa oferta, diversif icando o portfólio estratégico da região e nas prateleiras dos receptivos e emissivos.

Produto Central

Diferencial

Experiência principal

Exemplos de atrativos, produtos e experiências

Outros produtos e experiências

Ecoturismo e Aventura em Bonito-Serra da Bodoquena • Operação modelo, segura e certificada de turismo de aventura; • Foco na sustentabilidade; • Cadeia organizada; • Existência de empreendimentos modelo/referência; • Notoriedade nacional e internacional, presença nas prateleiras; • Potencial de expansão com foco principalmente na estruturação de produtos das cidades coadjuvantes; • Potencial de agregar valor por meio de redes locais.

Ecoturismo ativo

Turismo de Aventura

Turismo Rural

RPPNs

Flutuação

Cavalgadas

Parque Nacional

Mergulho de cilindro

Pesca lúdica

Balneários

Visita a cavidades e grutas

Visita a estâncias e fazendas

Quadriciclos

Esportes verticais

Hotéis fazenda

Trilhas

Arvorismo e circuitos de aventura

Pousadas rurais

Cachoeiras

Mountain bike

Produção associada / artesanal

Mirantes

Rafting e bóia cross

Agroecologia em assentamentos rurais

Observação de aves

Corridas de montanha

Congressos, convenções e feiras

City tour / turismo urbano (Bonito)

Eventos culturais (Ex. Festival de Jazz)

Turismo rural de base comunitária

Artesanato

Eventos esportivos

Estudos do meio e visitas pedagógicas

Turismo técnico científico

Pesca esportiva

Rota Bonito-Pantanal

Rota Bonito-Paraguai e Bolívia

Tabela 17 - Síntese dos aspectos de produto e oferta de Bonito-Serra da Bodoquena, Turis 360

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O que esses dois destinos nos ensinam? A integração é altamente positiva. Emerge como resultado de um processo longo e contínuo de evolução e aprendizado coletivo

Começar já? Como?

▼ A integração eficiente requer reconhecer os aspectos de unidade, estabelecer uma visão e estratégia comum e o compromisso de se trabalhar em sinergia, almejando atingir um "ciclo expansível de prosperidade" que se auto alimenta.

Por um produto central suficientemente competitivo

▼ O desenvolvimento dos destinos coadjuvantes é possível e estratégico à sustentabilidade dos destinos integrados. Mas depende primordialmente de sua capacidade individual de se estruturar, se organizar, se articular.

Agindo localmente, mas integrando e ofertando o destino regional

▼ A gestão integrada deve ter como foco criar, manter e aprimorar um ambiente de confiança e eficiência coletiva, assim como buscar oportunidades de conexões com outras redes.

Criando e fortalecendo redes colaborativas em pequenos projetos de resultado

146

O engajamento do setor privado requer uma atitude sistêmica. Pode ser estimulado por meio da ampliação da capacidade técnica, empresarial e empreendedora, bem como do apoio técnico aos projetos turísticos e/ou que podem atender ao turismo.

Refletindo sobre um programa amplo de empreendedorismo no turismo

Projetos Inspiradores Nesta etapa do estudo de benchmarking buscou-se trazer produtos turísticos e projetos inspiradores que abrem a mente para as possibilidades de aproveitamento de espaços hoje pouco ou não utilizados, bem como demonstrar a capacidade de rentabilizar e gerar desenvolvimento local, a partir de ideias de possíveis negócios que poderiam atender e orbitar tais produtos âncora, subsidiando as ações de atração de investimentos.

Inspirações e oportunidades ao redor da visitação de Parques de natureza em metrópoles urbanas: Referência Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro A despeito de o Parque Nacional da Tijuca localizar-se no coração da cidade do Rio de Janeiro e abrigar atrativos turísticos icônicos do Brasil, o


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Morro do Corcovado e o Cristo Redentor, o atrativo foi alvo de estudo por diversos aspectos e similaridades: pela relação entre natureza, unidade de conservação e uma grande metrópole urbana; pelo uso intensivo que suporta um sistema de grande variedade de atividades turísticas, unidades e oportunidades de negócios; pela organização do parque em setores, cada um com diferentes abordagens; pela rentabilidade da visitação, associada à conservação ambiental; por sua missão pertinente de “envolver a sociedade na conservação do patrimônio natural e cultural, proporcionando visitação de qualidade e mantendo serviços ambientais para o Rio de Janeiro”. Sua constituição iniciou-se a partir de uma iniciativa ousada do século XIX de desapropriação de chácaras e fazendas para reflorestação e regeneração natural da vegetação da área, pelo que ainda é possível identif icar diversas construções e ruínas das antigas propriedades rurais. Seguiu motivada pela proteção das fontes de água que abastecem a cidade, a ponto de que, em 1961, estabeleceu-se o Parque Nacional da Tijuca. Ao longo do tempo, essa unidade de conservação veio a se tornar a mais visitada no Brasil. Em 2019 foram mais de 3 milhões de visitas que geraram signif icativo impacto econômico. Estudo realizado pelo ICMBIO sobre a contribuição do turismo nas Unidades de Conservação brasileiras reforça a liderança e dinamização econômica representada pelo PN da Tijuca. O referido estudo estimou que os gastos dos seus visitantes na cidade tenham somado mais de R$ 416 milhões, gerando um volume total de negócios de quase R$ 1,5 bilhão que, por sua vez, responderam por mais de 13 mil postos de empregos e R$ 206 milhões em impostos. A visitação, aliada à preservação, é uma atividade estratégica para a gestão dessa UC. Não só em função do vantajoso retorno econômico-f inanceiro, como também por permitir maior envolvimento da sociedade e, desta forma, contribuir para amortizar a pressão urbana

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sobre a preservação ambiental, ainda que haja muitos desafios nesse sentido. A partir de um trabalho dirigido e articulado em diversos níveis e esferas, e um modelo de gestão compartilhada, o Parque Nacional da Tijuca e as variadas atrações que abriga se integram à cidade não só por uma questão de proximidade, mas pelo fato de que seus atrativos e instalações estão hoje amplamente conectados à vida urbana no Rio de Janeiro, melhoram a qualidade de vida da população, configurando-se como espaços dinâmicos de convivência, em contínua melhoria. Além disso, efetivamente compõe a oferta turística da cidade promovida, comercializada e, consequentemente, visitada. De forma concreta, sob o ponto de vista do envolvimento com a comunidade, diversas iniciativas são fomentadas como: • O Programa de Voluntários: só em 2017 foram mais de 1.300 voluntários e mais de 10.000 horas de trabalho mobilizados em mutirões 148

de adultos e crianças para o plantio de mudas, atividades semanais, voluntários de longa duração, adoção de trilhas e recantos, orientações e sensibilização dos visitantes, brigada voluntária; • A Formação de Condutores Ambientais e autorização de moradores das comunidades do entorno imediato para realização de visita guiada e serviços diferenciados para a visita ao Corcovado; • As atividades e instalações de educação ambiental em parceria com o Centro de Educação Municipal do PN da Tijuca realizam visitas de escolas, cursos de formação de professores, visitas técnicas, apoio a projetos sociais; • o apoio à realização científica em parceria com universidades. Para visitantes e turistas, além das atrações, o parque oferece estruturas de apoio que agregam valor à experiência, promovendo a estruturação, ampliação e qualificação da oferta de serviços turísticos para impulsionar o fluxo. São estruturas como centros de visitantes que mantêm exposições lúdicas e interativas pertinentes, áreas gastronômicas, de eventos e exposições, cafés e


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restaurantes, lojas de souvenir, guia de observação de pássaros e até mesmo uma escola de artes visuais. Ressalta-se como exemplos específicos: o restaurante "Os Esquilos", abrigado em casario histórico situado dentro da área do parque, que oferece uma oferta gastronômica de qualidade e também atende a diversos eventos particulares e empresariais que passam a ter o diferencial paisagístico do entorno; a linha de produtos com a marca do PN da Tijuca produzidos em parceria com a Associação Amigos do Parque e uma empresa local que produz os itens; a Escola da Laje, localizada no parque de mesmo nome que mantém uma programação de cursos ligados às artes visuais contemporâneas e expressões artísticas, para adultos e crianças, além de realizar e hospedar diversos eventos pertinentes; Dinomundi, instalado no Centro de Visitantes Paineiras, é uma espécie de game e experiência temática interativa e imersiva que usa storytelling e as mais novas tecnologias de realidade aumentada, trazendo lazer ao público infantil e conscientização ambiental ao mesmo tempo. Modelo de Negócio

Diferencial

Experiência principal

Exemplos de atrativos, produtos e experiências

Exemplos de outros produtos e experiências

Parque Nacional da Tijuca • UC mais visitada do Brasil (3 milhões de visitantes); • Impacto econômico e alta rentabilização da atividade turística; • Foco da gestão na qualidade da oferta de experiências diversificadas de atividades e da visitação somada à atuação de receptivos; • Envolvimento da sociedade e da comunidade local (ações como capacitação de guias e condutores, programa de voluntários, educação ambiental); • Integração à oferta de esportes, lazer e convívio da cidade, associada à qualidade de vida; • Integração à oferta turística do Rio de Janeiro, promovida, visitada, comercializada; • Infraestrutura de apoio ao visitante: própria, concessões e parcerias; • Associação "Amigos do Parque", ações e programas especiais tais como “Empresas Amigas do Parque”, “Ciclistas Amigos do Parque”.

Ecoturismo

Esportes na natureza

Esportes urbanos

Lazer

Trilhas

Escalada

Skate

Centros de visitantes

Mirantes

Mountain bike

Ciclismo

Trem e visita Corcovado

Grutas e cachoeiras

Rapel

Corrida e caminhada

Exposições temáticas

Trilhas guiadas

Voo livre

Eventos de corrida

Games temáticos / parque temático

Observação de aves

Curso de escalada

Treino de ciclismo

Tour fotográfico

Hike em família

Free walking tour

Circuito de aventura

Sunset tour

Espaços de eventos e exposições

Restaurantes e cafés

Escola de artes visuais

Lojas de souvenir

Eventos técnicocientíficos

Estudo do meio e educação ambiental

Terapia Florestal

Yoga e práticas de bem-estar na natureza

Tabela 18 - Síntese do estudo de benchmarking do Parque Nacional da Tijuca, Turis 360

149


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Reconversão de estruturas fabris obsoletas em cluster cultural, comercial, turístico e dinamizador: Referência LX Factory em Lisboa, Portugal Com o crescimento das áreas urbanas e as transformações do paradigma econômico nas últimas décadas, muitos espaços industriais situados dentro e/ou próximos de grandes destinos turísticos caíram no ostracismo e/ou foram abandonados, sofrendo degradação, consequentemente, comprometendo as paisagens urbanas e reverberando nos arranjos sociais ao redor. A revitalização e reconversão desses imóveis tem sido um movimento comumente observado nas principais cidades do mundo. Antigas fábricas, ferrovias, ou outros imóveis obsoletos tornam-se espaço para eventos, museus de arte, espaços culturais, ocupados por grupos culturais de dança, teatro, etc., bibliotecas e instalações de lazer e esportivas que atendem ao público das periferias ou mesmo espaços de conhecimento e projetos sociais.

150

Geralmente, a reconversão desses espaços tem como o objetivo, primeiro, atender a população local, sendo que, a partir de uma nova função, passam a reintegrar a vida urbana, catalisando a requalificação e revalorização dos seus entornos na melhor das situações. Alguns projetos, dependendo de onde se situam, das instalações e da oferta de atividades que propõem, acabam convertendo-se em mais um atrativo turístico. A inspiração para este estudo específico de benchmarking é a antiga Fábrica de Cimento Portland Perus, cujas características permitiriam a implantação de um projeto com as mesmas características, que claramente poderiam atribuir relevância turística ao espaço além da capacidade de gerar um movimento econômico e novos negócios. Trata-se da LX Factory, localizada em Lisboa, Portugal. Citada pelo Cond Nast Traveler um dos espaços reconvertidos mais interessantes do mundo para o viajante, trazendo novo frescor à oferta turística do destino português. Localizada em um antigo bairro industrial, fora da zona central, o projeto tem mobilizado a revitalização e revalorização do bairro, e motivado o deslocamento dos fluxos de visitantes ao tornar-se um novo epicentro criativo-cultural lisboeta.


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Com base em uma série de referências levantadas para esse estudo, podemos dizer que o projeto é representativo de uma fórmula de sucesso que tem sido adotado em iniciativas similares que se espalham ao redor do mundo, transformando uma antiga estrutura fabril abandonada em espaço democrático, jovem, dinâmico, funcional, ao mesmo tempo comercial e cultural, que converge as marcas do passado industrial com instalações artísticas e arte urbana, onde se encontram e conectam criativos, comércios e negócios engajados. O local tornou-se praticamente um território paralelo que, pela combinação desses elementos, atraem o público interessado e visitantes curiosos por conhecê-lo. Segundo a descrição do negócio no site oficial: (...) “uma fábrica de experiências criativas, onde é possível intervir, pensar, produzir, apresentar e ideias e produtos num lugar que é de todos e para todos” (...). Além do conceito atrativo, seu modelo de gestão é o diferencial. Embora se posicione como um cluster cultural, o modelo do negócio é em sua concepção um centro empresarial que, apesar de ter contado com subsídios iniciais do Governo na fase de instalação do projeto, pôde tornar-se totalmente autossuficiente economicamente, independente dos recursos da gestão pública, diferentemente de muitos dos imóveis convertidos que encontramos ao redor do mundo, sendo inclusive gerador de lucros à medida que concentra uma rede de outros negócios que o sustentam a partir do pagamento de aluguel. O antigo complexo industrial foi construído no século XIX para abrigar a Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonense, tendo depois hospedado outras empresas até a definitiva decadência industrial do bairro, quando acabou abandonado. O imóvel tem uma área extensa de 23 mil m2, em 2007 foi incorporado por uma empresa de investimento imobiliário, que, após definir o conceito e intervir no espaço, no ano seguinte, em plena crise econômica europeia, começou a atrair empresas e marcas âncoras que foram dando notoriedade e validação ao projeto, consequentemente, atraindo outros profissionais e negócios com perfil e segmentação similar. Os dez prédios do antigo complexo deram origem a mais de 100 locais para empresários residentes, que empregam perto de 1.000 pessoas e atraem

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mais de 1 milhão de visitantes por ano. A maioria das empresas ali instaladas são ligadas às indústrias criativas, outros negócios são transversais e, de alguma forma, também a atendem, gerando uma rede profissional e de conhecimento que se complementa, sustentando o conceito do lugar. Dentre os negócios e atividades que a LX Factory abriga e movimenta estão: • Comércios de restauração: cafés, restaurantes, bares, gastrobares, cervejarias, enotecas, doceiras, food trucks; • Lojas: de móveis, design, antiguidade, moda sustentável, lojas conceito, souvenir, cosméticos orgânicos, loja de bebidas e armazém etc. Negócios independentes e locais, fair trade; • Escritórios: negócios criativos e/ou tradicionais, mas que mantêm veia inovadora e disruptiva, e a estética local. São agências de marketing, 152

publicidade, estúdios de arte, fotografia, audiovisual, design, arquitetura, tatuagem, coletivo de ideias etc; • Outros: desde negócios dedicados a estética, beleza, terapias, massagem, aulas (yoga, pilates, aikidô, fit, etc.), a espaço de coworking, livraria, até um hostel e uma agência de receptivo turísticos com proposta de passeios fora do mainstream lisboeta; • Locação para eventos: salas de concertos, exposições, eventos em geral; • Eventos semanais: aos domingos o local recebe o mercado "LXMarket" e duas vezes por ano realiza o "Open Day" ou dia de "portas abertas" com concertos, exposições, instalações, intervenções de arte urbana ou demonstrações gastronômicas; • Eventos especiais: palco de diversos acontecimentos e eventos de terceiros em temas pertinentes ao conceito do projeto; Por fim, podemos compilar alguns aspectos do projeto que são relevantes


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para seu sucesso sob o ponto de vista turístico e que podem ser uma base para as ideias ao redor dos imóveis obsoletos situados no Polo: • O conceito do projeto tem grande apelo ao público formador de opinião, traduzindo uma nova realidade industrial do século XXI, as indústrias criativas, com abordagem diversificada, constituindo-se em um espaço auto organizativo de disrupção e inovação, o que conversa com o a própria ideia central de ocupar e transformar uma fábrica abandonada, uma área decadente, em um centro comercial criativo e engajado com os novos paradigmas do mundo; • Ao mesmo tempo abriga diversas empresas e oportunidades relevantes para a experiência turística – gastronomia, compras, eventos, entretenimento e cultura, experiências – em um espaço conceitual, vivo, dinâmico, interativo, “não turístico”; • O espaço é simples, democrático, mas extremamente autêntico. Preserva e usa sua história como marca, sem forçar uma nova identidade. Ao mesmo tempo, carrega uma identidade criativa, urbana, vintage; • O complexo é quase um destino paralelo e é tratado como tal. Com arte urbana, grafite e intervenções a cada canto, as ruas principais e secundárias convidam os visitantes a percorrer e desvendar seus labirintos e visitar cada estabelecimento; • O complexo também abriga alguns projetos únicos, quase icônicos, que acabam sendo grande atrativos, geradores de notoriedade e repercussão, como uma das livrarias mais originais do mundo, o rooftop do bar Rio Maravilha, dentre outros; • Os eventos são dinamizadores de público e reforçam a identidade e notoriedade do espaço perante seu público-alvo; • Apesar de estar fora das áreas que concentram os turistas na cidade, o local é de fácil acesso.

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Modelo de Negócio

Empreendimento imobiliário, polo criativo e centro comercial • Espaço comercial conceito - especialização nas indústrias criativas; • Espaço simples mas autêntico, democrático, disruptivo, jovem, dinâmico, funcional, ao mesmo tempo comercial e cultural; • Financeiramente lucrativo e independente; • Identidade convergente com o posicionamento do destino; • Integrado à oferta turística, oferece experiências e atividades de apelo aos turistas que visitam a cidade, especialmente jovens (entretenimento, cultura, gastronomia, compras); • Abriga projetos autênticos, únicos e icônicos.

Diferencial

Experiência principal

Exemplos de atrativos e experiências

Outros negócios e experiências

154

Polo cultural e criativo

A&B

Compras

Experiências lúdicas e criativas

Arte urbana

Restaurantes conceito

Design

Scape Room

Ateliês

Gastrobares

Moda autoral

Experiências culinárias

LX Market

Enotecas

Cosméticos sustentáveis

Experiências artísticas

Open Day

Food trucks

Container store

Eventos, desfiles, exposições, shows, festivais

Eventos gastronômicos

Fair trade

Livraria

Cervejarias

Armazéns

Hostel

Coworking

Beleza e bem-estar

Aulas

Espaços comerciais

Espaços de eventos

Receptivo turístico

Academia

Tabela 19 - Síntese do estudo de benchmarking da LX Factory, Turis 360

Turismo e regeneração de propriedades rurais: Referência Comuna de Ibitipoca, Minas Gerais Movimentos como Slow Food e Slow Travel têm particularmente fomentado uma tendência facilmente observada nos dias atuais. Inclui estilos de vida e alimentação mais saudáveis e conscientes, com o consumo de produtos orgânicos, comércio justo e de baixo impacto, a transparência na cadeia de alimentos, uma infinidade de projetos de agroecologia e incentivo à agricultura sustentável. Assim como a escolha de destinos, experiências e serviços de viagens que reaproximam os indivíduos aos ambientes naturais e rurais, às culturas e modos de vida locais, incentivam a produção local e sustentável, revalorizam a agricultura e processamento artesanal. Na esteira dessa tendência, conceitos como regeneração, localização, farm to table estão extremamente em voga, inspirando uma série de negócios e experiências que assumem tais compromissos.


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De forma a trazer uma reflexão sobre possibilidades ousadas para o aproveitamento do patrimônio e histórico rural extremamente comprometido do Polo, cuja maior expressão é a Fazenda Santa Maria, nos pautamos no estudo da Comuna de Ibitipoca, localizada em uma extensa área no entorno do Parque Estadual de Ibitipoca, em Minas Gerais. Ainda que traga referências de hospitalidade de luxo e alto padrão em sua oferta, o que não necessariamente se aplica ao Polo (a depender das estratégias adotadas), a escolha desse empreendimento como objeto de estudo se sustenta muito mais pelo intuito de trazer conceitos e referências de equipamentos/serviços/experiências e de modelos de interação com o território e o entorno, que podem inspirar um direcionamento de uso da Fazenda Santa Maria, cuja situação parece complexa, já que se trata de uma propriedade privada, mas com forte relação com o território e com a comunidade. A Comuna de Ibitipoca é “um projeto experimental eco social”, um modelo de turismo regenerativo no Brasil, que proporciona experiências em um contexto natural/rural/comunitário, e recebeu menção honrosa do Ministério do Turismo durante a segunda edição do Prêmio Nacional de Turismo pelo compromisso com a sustentabilidade e uma empresa certificada no Sistema B, um sistema global que reconhece negócios comprometidos com o bem-estar das pessoas, da comunidade e do meio ambiente. O conceito emergente da regeneração aporta justamente uma evolução do conceito de sustentabilidade, que está em não apenas minimizar os impactos e preservar, mas sim em recuperar, restaurar e, como o próprio nome traz, regenerar os ecossistemas, culturas e indivíduos que interagem e se relacionam ao redor da atividade e das experiências turísticas, a partir de uma reconciliação eco social completa e de um movimento vivo de contínua coevolução, cocriação e coaprendizado entre indivíduos, comunidade e natureza, para o florescimento e prosperidade de todos, cada um e do próprio sistema como um todo. A experiência de regeneração da Comuna de Ibitipoca nasceu há cerca de 40 anos, a partir da compra de antigas fazendas para a recuperação de uma área degradada de Mata Atlântica no entorno do Parque Estadual de Ibitipoca. Cerca de dez anos atrás iniciou-se um projeto turístico privado, uma pousada rural

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boutique que funcionaria como uma alternativa econômica para sustentar o projeto da Comuna e, ao mesmo tempo, traria uma nova fonte de renda local. Com o tempo o projeto foi se expandindo e se aprimorando a partir do valor central da regeneração. Dentre as iniciativas mais recentes está a completa revitalização da pequena Vila do Mongol que foi quase totalmente abandonada pelo êxodo rural e foi transformada em uma comunidade modelo, sendo hoje habitada por 22 pessoas naturais do entorno, funcionando com economia compartilhada, fontes renováveis de energia, e disponibilizando novos serviços turísticos de alimentação e hospedagem, que preservam e valorizam o ritmo de vida, os saberes e fazeres, e a cultura local rural, e a conexão com a natureza. Um dos aspectos interessantes na gestão da Comuna é o seu compromisso com a comunidade local, desdobrada em um grande Programa Empreendedores que abrange uma série de iniciativas de empoderamento e incentivo ao empreendedorismo local, que ao mesmo tempo que suportam a projetos e empreendimentos locais e geram novas oportunidades, também alimentam a cadeia 156

de valor de bens e serviços de excelência oferecidos pela Comuna. Destacam-se: • Central de Experiências que visa ampliar e manter o portfólio de atividades aos visitantes a partir de parcerias locais e cocriação de experiências; • Ibitipoca University com a oferta de cursos, capacitações e visitas técnicas para funcionários, hóspedes, vizinhos, parceiros e comunidade em geral ao redor da sustentabilidade; • Produção sustentável de alimentos a partir da prática de modelos de agricultura sustentável (agricultura sintrópica, biodinâmica e agroecologia); • Programa de voluntários e intercâmbio intercultural. Dessa forma, com uma área total que hoje soma 5 mil ha, o projeto turístico também vem expandindo, abrangendo diversos formatos de experiências regenerativas, mantendo seu compromisso com a recuperação e cuidado com todo o ecossistema e para uma relação positiva com os moradores locais. Hoje abrange:


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• Hospedagem: com diferentes estilos de hospedagem, que vão de suítes em uma antiga casa de engenho, construções menores integradas à natureza na Vila do Mongol ou em ambientes mais remotos da propriedade. • Gastronomia e agricultura agroecológica: baseado no aspecto da experiência. São quatro restaurantes, cada um com suas peculiaridades, que refletem uma vertente da identidade e cultura locais e proporcionam experiências diferentes aos hóspedes: de gastronomia de chef à cozinha rústica; gastronomia da fazenda a experiências mais intimistas, em que os hóspedes podem inclusive interagir com a equipe durante a preparação dos pratos. Todos, porém, abastecem-se quase exclusivamente dos produtos produzidos na Comuna, uma verdadeira experiência “da fazenda ao prato”, cultivados de maneira orgânica em hortas cuidadas por locais. Também são ofertadas cestas de piquenique. • Experiências: são ofertadas aos hóspedes diversas opções de experiências como yoga, academia, stand up paddle, observação de pássaros, mirantes, quadras poliesportivas, trilhas e cachoeiras, circuitos e travessias de trekking, bike, cavalgada, agenda de eventos que inclui música ao vivo, apresentações de grupos culturais e folclóricos locais, dentre outros. Modelo de Negócio

Diferencial

Produto principal

Atividades na propriedade e entorno

Hospitalidade e turismo rural, área de regeneração florestal e da biodiversidade no entorno de Unidade de Conservação (Parque Estadual de Ibitipoca) • Projeto experimental eco social de turismo regenerativo; • Experiências regenerativas, slow travel, slow food, produção/valorização local; • Comunidade modelo: construções sustentáveis, energias renováveis, pegada de carbono zero, economia solidária e colaborativa; • Programa empreendedores (central de experiências, “Ibitipoca University” de sustentabilidade, produção sustentável de alimentos, rede local, programa de voluntários, entre outros); • Empresa B.

Hospitalidade “novo luxo”, em pousada rural e casas/chalés para locação

Gastronomia sustentável e 4 restaurantes conceito, “farm to table”

Turismo rural e comunitário

Experiências lúdicas e criativas

Quadras poliesportivas

Academia

Yoga

Stand up paddle

Observação de pássaros

Trilhas e cachoeiras

Circuitos e travessias de trekking

Cavalgada

Eventos de música ao vivo

Apresentações de grupos culturais e folclóricos locais

Festival de pizza

Outros

Tabela 20 - Síntese do estudo de benchmarking da Comuna de Ibitipoca, Turis 360

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O que esses projetos nos ensinam? O estudo de referências de sucesso, pôde trazer alguns conceitos centrais, insights e inspirações que podem ser relevantes para o fomento ousado da oferta, a partir de algumas tipologias de recursos previamente identificadas, bem como demonstrar sua capacidade de rentabilizar e gerar desenvolvimento local a partir ideias de possíveis negócios que poderiam atender e orbitar tais produtos âncora, subsidiando as ações de atração de investimentos.

Parques naturais em metrópoles urbanas

Reconversão de imóveis obsoletos

Requalificação de propriedades rurais

Conceito inspirador

Conceito inspirador

Conceito inspirador

EXPERIÊNCIA Oportunidade para:

158

■ Condutores e guias; ■ Educadores e facilitadores; ■ Equipamentos de restauração e espaços gastronômicos; ■ Lojas de produtos locais; ■ Souvenirs; ■ Receptivos; ■ Receptivos especializados; ■ Provedores locais de experiências; ■ Conteúdo, multimídia e comunicação digital; ■ Tecnologia e realidade aumentada; ■ ONG, projetos socioambientais.

CRIATIVIDADE Oportunidade para:

■ Ideação e gestão de centro comercial e espaço de eventos; ■ Artistas e criativos locais; ■ Marcas independentes; ■ Start ups de inovação social e criatividade; ■ Negócios das indústias criativas; ■ Restauração e gastronomia; ■ Provedores de experiências criativas; ■ Organizadores e produtores de eventos.

REGENERAÇÃO Oportunidade para:

■ Negócios sociais e comunitários; ■ Hospitalidade sustentável; ■ Equipamentos e experiências gastronômicas conceito; ■ Agricultura sustentável; ■ Produtos artesanais e produção associada; ■ Provedores de passeios e experiências na natureza; ■ Provedores de experiências sustentáveis diversas; ■ Produção de conteúdos e educação sobre regeneração e sustentabilidade.


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

© José Cordeiro/SPTuris

159

Parque Estadual do Jaraguá


Pico do Jaraguá


© José Cordeiro / SPTuris

ESTRATÉGIAS DE DESENVOLVIMENTO


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

ESTRATÉGIAs DE DESENVOLVIMENTO Os estudos e análises que subsidiaram a construção do Plano de Desenvolvimento Turístico indicam que o turismo é uma das principais atividades capaz de integrar as questões econômicas e socioambientais do Polo de Ecoturismo da Cantareira, consolidando uma visão de desenvolvimento territorial sustentável. É talvez a principal atividade capaz de promover a conservação do meio ambiente, ao mesmo tempo que contribui para a diminuição das desigualdades, incluindo a comunidade local como parte ativa do processo de desenvolvimento, estimuladas pela geração de renda e emprego.

162

Para que a vocação para o ecoturismo se concretize de forma a induzir o desenvolvimento do território, a partir de todo resultado obtido nos estudos apresentados até aqui, e tendo em mente os objetivos estratégicos estabelecidos pela Lei de criação do Polo, cinco programas foram estabelecidos e divididos em 19 objetivos específicos, que agruparam por similaridade, as 112 ações propostas. Durante a elaboração das propostas, buscou-se apresentar respostas para todos os desafios, além de potencializar as forças de forma a dar competitividade ao produto “Polo de Ecoturismo da Cantareira”.

Objetivos estratégicos

5

programas

19

objetivos específicos

112 ações


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Considerando a necessidade iminente de induzir o desenvolvimento econômico e social em um território – que apesar de estar localizado na metrópole mais rica do país – padece pela falta de serviços essenciais, a estratégia do desenvolvimento do turismo deve começar – de forma imediata – com a indução do uso do território como espaço para lazer do paulistano (de todas as regiões da cidade) e entorno próximo, dando início à movimentação da rede de estabelecimentos e serviços turísticos, ao mesmo tempo em que se estrutura para de fato ser capaz de motivar o deslocamento do turista para São Paulo.

Objetivos estratégicos Os objetivos estratégicos a serem atingidos pelo plano de ações, foram definidos pela Lei nº 16.832/18 que cria o Polo de Ecoturismo da Cantareira: I - promover o desenvolvimento de atividades compatíveis com a conservação e recuperação ambiental e a proteção dos sistemas hídricos, fauna e flora; II - estruturar o desenvolvimento econômico local a partir das atividades econômicas que integram o ecoturismo sustentável; III - preservar a memória histórica e cultural do território; IV - fomentar o surgimento de infraestrutura adequada para implementar nova perspectiva de negócio, conseguindo unir a educação ambiental, a preservação do meio ambiente e a possibilidade real de geração de novos empregos; V - incentivar a preservação das porções de Mata Atlântica em área privada estimulando o desenvolvimento de negócios sustentáveis; VI - sensibilizar e educar a comunidade para o desenvolvimento da atividade turística; VII - promover a criação, recuperação e conservação dos centros de lazer, praças e parques;

163


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

VIII - propiciar condições de limpeza urbana, segurança, transporte, estacionamento, informação, controle da ordem urbana e sinalização turística.

Programas Programas nos quais estão divididos os objetivos específicos do plano :

1. Programa de instituição e fortalecimento de governança

2. Programa de estudos, pesquisas e monitoramento 164

5. Programa de promoção e apoio à comercialização

PROGRAMAS

4. Programa de estruturação do território

3. Programa de formatação e aprimoramento do produto turístico


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU) Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) constituem um pacto global firmado entre os Estados-Membro da ONU para promoção de um futuro mais sustentável para o planeta. São 17 objetivos que se desdobram em 169 metas, que seguem o compromisso de não deixar ninguém para trás (Leave no one behind), abordando os temas pertinentes ao desenvolvimento, com foco em cinco dimensões: pessoas, planeta, prosperidade, paz e parcerias. Para que os ODS sejam alcançados, as nações, as organizações, as empresas e a sociedade civil devem incorporá-los em suas estratégias. A Prefeitura de São Paulo adotou o compromisso de incorporar os ODS na gestão, com o propósito de contribuir para construção desse futuro melhor. Mais de 100 indicadores relacionados com os ODS foram mapeados para o Programa Cidades Sustentáveis, como forma de contribuir para a municipalização da agenda.

Figura 17 - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável - ONU

Durante o processo de construção deste documento, os ODS foram observados, e nortearam o desenvolvimento do Plano de Ações. Assim, buscou-se propor estratégias e ações alinhadas a um ou mais Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

165


Parque Estadual da Cantareira - Núcleo Pedra Grande


© Marcelo Iha / SPTuris

PLANO DE AÇÕES


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

plano de ações O potencial e as oportunidades do Polo de Ecoturismo da Cantareira se evidenciam pelos dados apresentados até aqui. É possível, e necessário, potencializar a atividade turística que acontece hoje, assim como ampliar as possibilidades de segmentos explorados. Há muito trabalho a ser feito e as ações precisam estar coordenadas e direcionadas aos objetivos estratégicos do Plano. As propostas aqui apresentadas estão divididas nos cinco programas, entendidos como prioritários para o atual estágio do desenvolvimento do Polo. As ações sinalizadas com o ícone

têm possibilidade de execução

conjunta com os municípios limítrofes.

1. Programa de instituição e fortalecimento de governança 168

A instituição e fortalecimento de governança, compõem o programa sugerido como prioritário para o Polo, por propor ações que organizam, fortalecem e integram as pessoas e instituições que agem no território de forma que todo esforço em prol do turismo esteja integrado e direcionados a um objetivo comum. Objetivo Específico 1.1.: Formar e fortalecer instância de governança territorial (local) Envolvidos

Prioridade

1.1.1. Sensibilizar, mobilizar e formar um Conselho Gestor do Polo

SMDET

Alta

1.1.2. Regulamentar o Conselho Gestor do Polo

SMDET

Alta

1.1.3. Delimitar e formalizar os limites do Polo de Ecoturismo da Cantareira

SMDET

Alta

1.1.4. Incluir no Conselho Municipal de Turismo uma cadeira para representante do Conselho Gestor do Polo

SMDET

Média

Ações

1.1.5. Sensibilizar os proprietários e gestores dos equipamentos e serviços turísticos para envolvimento nas ações do Polo e divulgação como participantes do programa

SMDET FPETC

SMVA SETUR

Alta

1.1.6. Sensibilizar as Secretarias Estaduais com atuação no território que de alguma forma impactem no turismo, para a importância do desenvolvimento do Polo

SMDET

Alta

1.1.7. Regulamentar a Lei Municipal nº 16.832/18, que cria o Polo

SMDET

Alta


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Objetivo Específico 1.2.: Formar e fortalecer instância de governança intermunicipal (regional) Envolvidos

Prioridade

1.2.1. Sensibilizar, mobilizar e formalizar, via consórcio ou outro instrumento jurídico, um Conselho Gestor Regional do Polo, incluindo os municípios de Caieiras e Mairiporã. Estudar viabilidade e interesse do município de Guarulhos

SMDET

Alta

1.2.2. Articular para que os municípios vizinhos (Caieiras e Mairiporã) realizem estudo similar ao Diagnóstico e Plano de Ações do Polo de Turismo da Cantareira, caso ainda não tenham, para consolidação de um único documento

SMDET

Média

Ações

Objetivo Específico 1.3.: Promover integração entre os atores locais

Ações 1.3.1. Promover encontros regulares entre empreendedores do Polo e gestores de atrativos e equipamentos turísticos para integração, networking, troca de experiência, parcerias e negócios

Envolvidos

Prioridade

SMDET ADE SAMPA SP Negócios

Alta

Sebrae-SP SMDET 1.3.2. Realizar Seminários Temáticos

ADE SAMPA SP Negócios

169 Alta

Sebrae-SP 1.3.3. Desenhar e implementar um programa de compras sustentáveis (local, coletivo, orgânicos, km 0, comércio justo, do pequeno produtor e consumo sustentável) e incentivar o consumo consciente, em consonância com o Programa "Ligue os Pontos"

SMDET ADE SAMPA

SMUL SMRI

Alta

2. Programa de estudos, pesquisas e monitoramento O programa de estudos, pesquisas e monitoramento apresenta a necessidade de estudos não abrangidos por este plano, que permitirão compreender a demanda, no caso de estudo da demanda turística, diversificar a oferta pelo aprofundamento de estudos de novas possibilidades para o turismo no território, além de monitorar o andamento e resultados do Plano.


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Objetivo Específico 2.1.: Promover novos estudos Envolvidos

Prioridade

2.1.1. Realizar estudo de demanda turística real e potencial

SMDET SPTuris

Alta

2.1.2. Realizar um estudo com as agências de turismo pedagógico para compreender as demandas e promover adequações do território para potencializar esse tipo de turismo

SMDET SPTuris SME

Média

2.1.3. Articular com a FUNAI para sensibilização das lideranças da terra indígena Jaraguá para elaboração de plano de visitação turística e transformação das aldeias em produto turístico, se conveniente para os indígenas

SMDET SMDH FUNAI

Média

2.1.4. Aprofundar estudos referentes à agricultura, em especial nas áreas da Fazenda Santa Maria e as próximas ao Núcleo Engordador para criação de produto turístico

SMDET SPTuris SMUL SMRI

Média

2.1.5. Realizar estudos que permitam a criação de produto de birdwatching nas áreas do Polo e realizar divulgação

SMDET SPTuris SVMA

Média

2.1.6. Elaborar estudo e parcerias sobre as possibilidades de formatação de produto turístico na Fazenda Santa Maria

SMDET SPTuris SMSUB

Média

2.1.7. Mapear e inventariar todas as trilhas para bicicleta, incluindo características, grau de dificuldade, extensão e responsável

SMDET SPTuris SMT

Ações

170

Média

CET

SMVA SIMA SETUR 2.1.8. Realizar estudo sobre novas possibilidades de cicloturismo incluindo estudo de demanda

SMDET SPTuris SMT Média

CET

SMVA SIMA SETUR 2.1.9. Realizar estudo sobre o potencial das pedreiras como produtos turísticos

SMDET SPTuris SIMA SETUR

Média

Objetivo Específico 2.2.: Buscar fontes alternativas de recursos Ações 2.2.1. Submeter portfólio de projetos do Plano de Ação do Polo aos gabinetes parlamentares, prévio à aprovação da Lei Orçamentária Anual, para buscar oportunidades de emendas parlamentares

Envolvidos

Prioridade

SMDET

Alta


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

2.2.2. Realizar estudo sobre possíveis fontes de recursos financeiros e captação de recurso alternativas para implementação das ações do Plano de Ações

SMDET SP Negócios

SPTuris SMRI

Alta

Objetivo Específico 2.3.: Monitorar a evolução das ações do Plano Envolvidos

Prioridade

SMDET SPTuris Conselho Gestor do Polo

Alta

SMDET SPTuris

Alta

SMDET SPTuris

Alta

Envolvidos

Prioridade

SMDET SPTuris

Baixa

Ações 2.3.1. Criar Plano Executivo anual para divulgar as metas eleitas como prioritárias em cada ano, contemplando os vários órgãos potencialmente envolvidos 2.3.2. Criar Relatório Anual de Monitoramento das ações do Polo, para apurar e divulgar o andamento da execução do Plano e o desenvolvimento do turismo no território 2.3.3. Criar ferramenta de monitoramento e implementação do Plano

Objetivo Específico 2.4.: Criar centro de estudos Ações 2.4.1. Criar um núcleo de estudos do Polo, onde possa ser concentrado todo o acervo de documentação referente à área do Polo

3. Programa de formatação e aprimoramento do produto turístico A formatação e aprimoramento do produto turístico tem o enfoque na melhoria da experiência do turista, tornando mais atrativo o que já é ofertado hoje (produto e serviço), e vai além, propondo novas formas de experienciar o turismo. Objetivo Específico 3.1.: Promover ações de sensibilização e capacitação Ações 3.1.1. Promover ações de capacitação relacionadas ao bem receber e (re)conhecimento do território para mão de obra empregada em atrativos, equipamentos e serviços turísticos 3.1.2. Promover ações de formação de mão de obra para serviços turísticos

Envolvidos

Prioridade

SMDET FPETC

Média

Sebrae-SP SMDET FPETC

Média

Sebrae-SP 3.1.3. Criar programa de capacitação de monitores e guias de turismo para condução de grupo dentro das áreas do Parque Estadual da Cantareira, em parceria com a SIMA, e manter cadastro para divulgação

SMDET FPETC

Sebrae-SP SETUR

Alta

171


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

3.1.4. Viabilizar a capacitação de empresários em temas como gestão e empreendedorismo; regularização das empresas; cadeia do turismo; marketing digital; bioma Mata Atlântica e cultura local 3.1.5. Realizar capacitação com empresários quanto à importância da presença digital e gerenciamento de aplicativos como Waze, TripAdvisor, Google, GoogleAnalytics, Facebook, Instagram etc 3.1.6. Capacitar os colaboradores dos equipamentos e serviços turísticos para atendimento à pessoa com deficiência

Alta

Sebrae-SP SMDET ADE SAMPA SP Negócios

Alta

Sebrae-SP SETUR SMPED

Alta

SMDET SPTuris SETUR

Baixa

3.1.8. Realizar capacitações com os atendentes das Centrais de Informação Turísticas da cidade de São Paulo referente aos atrativos e potenciais turísticos do Polo

SMDET SPTuris

Alta

3.1.9. Sensibilizar os proprietários e gestores dos equipamentos e serviços turísticos quanto às questões de acessibilidade e criar mecanismos/parcerias para facilitar essa adequação

SMPED

Alta

3.1.10. Sensibilizar os proprietários e gestores dos equipamentos e serviços turísticos quanto às questões de sustentabilidade e criar mecanismos/parcerias para facilitar essa adequação

SMDET SVMA Sebrae-SP

Alta

3.1.11. Sensibilizar os proprietários e gestores dos equipamentos e serviços turísticos sobre a infraestrutura necessária para atendimento ao público ciclista

ADE SAMPA

3.1.7. Realizar famtour para benchmarking de acessibilidade em turismo de aventura com os gestores dos parques do Polo

172

SMDET ADE SAMPA

3.1.12. Sensibilizar os proprietários e gestores dos equipamentos e serviços turísticos sobre a importância do atendimento bilíngue e criar condições que facilitem as adequações necessárias 3.1.13. Identificar, sensibilizar, capacitar agentes de produção artesanal do território

SMDET SPTuris Sebrae-SP SMDET ADE SAMPA FPETC

3.1.15. Viabilizar campanha de sensibilização com turistas sobre o respeito ao limite de velocidade, especialmente ao longo da Avenida Senador José Ermínio de Moraes (Estrada da Roseira) e Estrada de Santa Inês, ressaltando a preservação e cuidado com a fauna silvestre

Baixa

Sebrae-SP SMDET ADE SAMPA

SP Regula Sebrae-SP 3.1.14. Fomentar a criação de trabalhos artísticos com lixo reciclável a partir de técnicas inovadoras de design e economia criativa

Alta

SMDET Sebrae-SP SVMA SMT

Média

Baixa

Alta

CET

Objetivo Específico 3.2.: Implantar sinalização turística Ações 3.2.1. Revisar, realizar manutenção, complementar e ampliar a sinalização turística viária dos principais atrativos turísticos do Polo

Envolvidos SMDET SPTuris SMC-DPH SMT CET

Prioridade

Alta


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

3.2.2. Criar e implantar, em parceria com os empresários locais, programa de sinalização turística no âmbito do Polo

SMDET SMT CET

Média

Conselho Gestor do Polo 3.2.3. Implantar grandes totens e/ou portais de sinalização turística para identificar os principais acessos ao Polo

SMDET SMC-DPH SMT

Média

CET

Objetivo Específico 3.3.: Fortalecer a imagem do Polo Envolvidos

Prioridade

3.3.1. Mapear, sistematizar e divulgar locais de venda de souvenires e produtos manuais com identidade local

SMDET SPTuris

Alta

3.3.2. Articular e incentivar a produção de suvenires, utilizando a marca do Polo, por meio do licenciamento de produtos oficiais

SMDET

Média

3.3.3. Analisar, junto com a Spcine, a inclusão de locações para audiovisuais do Polo no portfólio da cidade

ADE SAMPA

Ações

SMDET SMC Spcine

Média

173

Objetivo Específico 3.4.: Aprimorar a experiência nos atrativos turísticos Envolvidos

Prioridade

3.4.1. Criar um Centro de Recepção ao Turista com apoio e participação comunitária

SMDET SPTuris Conselho Gestor do Polo

Média

3.4.2. Articular a implantação do sistema Wi-Fi Livre nos principais atrativos turísticos públicos

SMDET SMIT

Alta

3.4.3. Estimular a implantação de tecnologias interativas nos atrativos turísticos com a criação de QR codes, realidade virtual, realidade ampliada etc

SMDET SPTuris

Baixa

3.4.4. Articular para o aumento da segurança nas áreas de interesse turístico, incluindo trilhas para bicicleta

SMDET Conselho Gestor do Polo SMT

Alta

3.4.5. Coibir a presença de ambulantes no entorno do Horto Florestal aos fins de semana

SMSU Subprefeitura Jaçanã/ Tremembé

Média

Ações

3.4.6. Articular para que seja viabilizada a descontaminação dos antigos campos de tiro da gleba Polo Ecocultural Pedra Branca do Horto Florestal

SMDET

Baixa


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

3.4.7. Articular com a SIMA para que seja possível a compra de ingresso para acesso aos núcleos do Parque Estadual da Cantareira no dia da visita, ainda que o volume de ingressos disponíveis esteja limitado às restrições impostas pela pandemia do Coronavírus 3.4.8. Buscar investimentos para adequação da infraestrutura mantida pelo Instituto de Ferrovias e Preservação do Patrimônio Cultural – IFPPC, da Estação Mineral – Estrada de Ferro Perus Pirapora, tais como instalação de corrimãos e pneus no Buraco da Onça, sanitários, placas de comunicação do patrimônio material e imaterial existente;

SMDET

SMDET SP Negócios

3.4.9. Implantar infraestrutura necessária nas ciclovias existentes e realizar a sua manutenção constante 3.4.10. Realizar consultorias individuais com empreendedores locais

SMSUB SMDET SMT

Alta

Média

Média

SMDET ADE SAMPA

Alta

Sebrae-SP 3.4.11. Realizar eventos, no formato de hackathon, para estimular que startups e empresas de tecnologias desenvolvam soluções para questões do turismo no Polo

SMDET ADE SAMPA

Média

Sebrae-SP

Objetivo Específico: 3.5.: Criar novas experiências

174

Ações 3.5.1. Estimular a realização de programação especial noturna nos parques e museus do Polo

3.5.2. Realizar oficinas de roteirização turística

Envolvidos

Prioridade

SMDET SETUR SIMA SMVA SMSU

Média

SMDET ADE SAMPA

Alta

Sebrae-SP 3.5.3. Realizar um workshop de construção coletiva

SMDET ADE SAMPA

Alta

Sebrae-SP 3.5.4. Desenvolver parcerias com operadores e agências locais para a criação de roteiros turísticos personalizados e comercializáveis no Polo, conforme especialidade de venda de cada parceiro

SMDET

Média

3.5.5. Formatar roteiros turísticos relacionados à Serra, unindo os municípios de São Paulo, Caieiras e Mairiporã

SMDET SETUR

Média

3.5.6. Aplicar consultoria em design de experiência para recursos com potencial e interesse de desenvolvimento

ADE SAMPA

SMDET Média

SP Negócios

3.5.7. Articular para a construção de mirantes na Estrada do Engordador 3.5.8. Articular para o resgate do projeto de recuperação/visitação da vila Histórica no Clube de Campo da Cantareira - Associação Sabesp, e estudar formas de incentivo para que seja viabilizada

SMDET SMDET SMC SETUR

Baixa

Média


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

3.5.9. Realizar um urban hacking na região do Polo

SMDET SP Negócios

Alta

Sebrae-SP 3.5.10. Estimular e apoiar a realização de eventos relacionados à cultura Portuguesa, presente no território

SMDET SMC

3.5.11. Estimular e apoiar a realização de eventos relacionados à economia criativa

SP Negócios

SMDET

Baixa Baixa

4. Programa de Estruturação do Território As ações do programa de estruturação do território buscam suprir algumas das deficiências urbanas, sobretudo relacionadas à infraestrutura e zeladoria urbana, meio ambiente e segurança.

Objetivo Específico 4.1. Aprimorar aspectos de infraestrutura e zeladoria Ações

Envolvidos

Prioridade

4.1.1. Qualif icar a inf raestrutura básica e urbana em todo o território, com ênfase ao redor das áreas de interesse turístico

SIMA SETUR

Alta

4.1.2. Intensificar as ações de zeladoria urbana em todo o território, com ênfase ao redor das áreas de interesse turístico

SIMA SETUR

Alta

4.1.3. Readequar a estrutura de coleta de lixo da região e combater a pontos viciados de descartes

SIMA SETUR SP Regula

Alta

SMDET SVMA

Baixa

SMDET SMSU Conselho Gestor do Polo

Alta

SVMA

Alta

4.1.4. Propor o estudo do tombamento das principais trilhas identificadas, para impedir que sejam destruídas 4.1.5. Articular para o aumento da segurança nas áreas de interesse turístico

4.1.6. Realizar estudos e viabilizar passagens aéreas e subterrâneas para primatas, marsupiais, felinos e etc, ao longo da Avenida Senador José Ermínio de Moraes (Estrada da Roseira) e Estrada de Santa Inês

Objetivo Específico 4.2. Qualificar os acessos e promover integração territorial Ações 4.2.1. Viabilizar melhorias no acesso à Serra, com destaque para as estradas de Santa Inês, Roseira e Avenida Sezefredo Fagundes

Envolvidos

Prioridade

SIMA SETUR

Média

175


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

4.2.2. Implantar sinalização viária e redutor eletrônico de velocidade ao longo da Avenida Senador José Ermínio de Moraes (Estrada da Roseira) e Estrada de Santa Inês, com foco no controle da velocidade para proteção da fauna silvestre

SIMA SETUR SMT

Alta

4.2.3. Requalificar o acesso ao Parque Estadual da Cantareira Núcleo Engordador

SIURB

Alta

SEME SMT Conselho Gestor do Polo

Média

SMT

Alta

4.2.4. Integrar as regiões do Polo por meio de ciclofaixas, ciclovias ou ciclorrotas, com as demais vias para bicicleta das demais regiões da cidade 4.2.5. Promover melhorias no acesso ao Núcleo Engordador via transporte público, com melhorias no ponto de ônibus que atende o núcleo 4.2.6. Realizar estudo de impacto no trânsito com o aumento do fluxo de visitantes em função da concessão do Parque Estadual da Cantareira e Horto Florestal e viabilizar melhorias necessárias

SMT CET

Alta

Objetivo Específico 4.3.: Conter o desmatamento e promover a recuperação da vegetação Envolvidos

Prioridade

SVMA SMSU SIMA SEHAB

Alta

4.3.2. Viabilizar a implantação dos Parques Lineares previstos em projeto para desocupação, recuperação e preservação das Zonas de Amortecimento do Parque Estadual da Cantareira

SVMA SMSUB

Alta

4.3.3. Implantar iniciativas de arborização urbana para fluxo gênico, especialmente aves, nos territórios intermediários entre Parque Estadual da Cantareira - Pico do Jaraguá - Parque Anhanguera

SVMA SIMA

Média

4.3.4. Realizar ações de sensibilização da população que vive ao redor dos parques para a importância da preservação do patrimônio ambiental

SMDET SVMA

Alta

Ações 176

4.3.1. Implantar política efetiva de contenção das invasões em áreas de preservação

Objetivo Específico 4.4.: Fortalecer as instâncias de segurança ambiental

Envolvidos

Prioridade

4.4.1. Fortalecer a base da Guarda Civil Metropolitana Ambiental do território, por meio de aumento de efetivo e viatura

SMSU

Alta

4.4.2. Estudar a viabilidade de incluir nas atribuições da Guarda Civil Metropolitana a aplicação de sanções por meio do SISNAMA e implementá-la se viável

SMSU SVMA

Alta

4.4.3. Articular para o fortalecimento da base da Polícia Militar do território, por meio de aumento de efetivo e viatura

SMSU SVMA

Alta

Ações


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

5. Programa de promoção e apoio à comercialização O programa de promoção e apoio à comercialização tem como proposta principal tornar o Polo mais conhecido, assim como seus atrativos e serviços, bem como aumentar a comercialização dos produtos locais.

Objetivo Específico 5.1.: Fortalecer a presença digital Ações

Envolvidos

Prioridade

5.1.1. Manter o site www.polodacantareira.com em constante atualização e divulgá-lo.

SMDET

Alta

5.1.2. Criar um artigo sobre o Polo no site www.cidadedesaopaulo.com e mantê-lo atualizado

SMDET SPTuris

Alta

5.1.3. Criar páginas no Facebook e Instagram para divulgação do Polo e interação entre os atores locais e mantê-las em constante atualização

SMDET SECOM

Alta

5.1.4. Estimular o crossmarketing nas redes sociais entre os empreendedores do Polo

SMDET

Média

5.1.5. Estimular a utilização massiva de hashtags como #polodacantareira #ecoturismonacantareira (e/ou outras) por empreendedores, população, turistas etc 5.1.6. Criar perfil “Polo de Ecoturismo da Cantareira” no portal TripAdvisor e estimular que turistas testemunhem suas experiências

177 SMDET

Alta

SMDET

Alta

Objetivo Específico 5.2.: Promover o Polo, seus atrativos e serviços Ações 5.2.1. Definir regras de utilização de marca do Polo por terceiros e atribuir ao Conselho Gestor do Polo o gerenciamento da marca 5.2.2. Incluir entre os atrativos do site cidadedesaopaulo.com os atrativos turísticos identificados no território do Polo, ainda não contemplados pelo site

Envolvidos

Prioridade

SMDET

Alta

SMDET SPTuriS

Alta

5.2.3. Realizar campanhas de divulgação do Polo em mídias sociais, tendo como apoio os grupos de Facebook e Instagram da zona Norte de São Paulo

SMDET SECOM

Alta

5.2.4. Criar um guia turístico, impresso e eletrônico, para divulgação dos atrativos, serviços, agências de turismo que operam na região etc

SMDET SPTuris

Alta


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

5.2.5. Criar um guia de experiências pedagógicas do Polo para divulgar a oferta e estimular a demanda principalmente entre as agências de turismo pedagógico

SMDET SPTuris SME

Média

5.2.6. Realizar ações de famtour/press trip com agentes de viagens, blogueiros e influenciadores digitais para apresentação dos roteiros relacionados à Serra

SMDET SETUR Sebrae-SP

Alta

5.2.7. Criar mídia kit para divulgação do Polo como produto turístico da cidade de São Paulo

SMDET

Média

SMDET

Média

5.2.9. Criar, divulgar e fortalecer um calendário de eventos da região do Polo, junto com os municípios de Caieiras e Mairiporã

SMDET SETUR

Alta

5.2.10. Criar um banco de dados de guias de turismo, monitores ambientais e agências de turismo receptivo especializados na área do Polo e divulgá-las no site e redes sociais do Polo

SMDET

Média

5.2.11. Utilizar canais de comunicação do sistema de transporte público e mobiliário urbano para divulgar ações e eventos de turismo na cidade

SMDET SMT

Média

5.2.8. Elaborar um vídeo promocional do Polo

Objetivo Específico 5.3. Promover a comercialização de produtos e serviços 178

do Polo Envolvidos

Prioridade

5.3.1. Realizar mapeamento e curadoria do artesanato local

SMDET

Média

5.3.2. Criar ponto para comercialização do artesanato produzido no território

SMDET

Média

Ações

5.3.3. Criar um programa de "vitrine" dos produtos da Cantareira

SMDET ADE SAMPA

Alta

Sebrae-SP 5.3.4. Realizar ações de estímulo entre os empreendedores da região do Polo para venda cruzada dos produtos 5.3.5. Realizar ações de imersão com as agências de turismo receptivo, guias de turismo e concierges para conhecimento do Polo 5.3.6. Desenvolver narrativa, baseado no conceito de storytelling, para fortalecer o Polo, e que possa ser utilizado tanto para ações institucionais, quanto pelos empreendedores locais.

SMDET SP Negócios

Alta

SMDET SETUR Sebrae-SP

Alta

SMDET SPTuris

Alta


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Clube de Campo da Cantareira

© Marcelo Iha/SPTuris

Associação Sabesp

179


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Prioridades O turismo, no contexto da criação do Polo de Ecoturismo da Cantareira, é entendido como o vetor da preservação ambiental, recuperação da área degradada e motivador do desenvolvimento. As propostas apresentadas neste plano podem ter início imediato, mas tendem a ter maior efetividade quando aplicadas na etapa adequada do ciclo de desenvolvimento do destino. Ações massivas de promoção, por exemplo, quando ainda não há um produto “vendável”, tendem a gerar frustração no turista e na comunidade receptora. Considerando que o Polo de Ecoturismo da Cantareira ainda é um produto em fase de “descobrimento” e sem grande organização da atividade turística, sugere-se que, para alcançar os objetivos propostos pela Lei de criação do Polo, os primeiros esforços no sentido de sensibilizar, mobili180

zar, criar e fortalecer uma governança turística, paritária, com protagonismo do empresariado local e da sociedade civil, que aja, cobre e articule em prol do desenvolvimento territorial. Da mesma forma, é preciso haver um movimento de governo, atento ao mote do turismo no território, realizando as suas atividades de rotina, mas atribuindo a elas um viés turístico. Ações do poder público relativamente simples, mas que movimentam o território em torno do turismo, criam um ciclo positivo de entusiasmo. A articulação com os municípios vizinhos para a criação de um produto regional é também uma estratégia de fortalecimento do produto, que tende a suprir algumas carências da oferta de forma rápida e com esforço pequeno. As novas gestões municipais iniciadas em 2021 favorecem essa articulação. Ao mesmo tempo, é preciso investir na contenção do avanço das invasões ao redor de todo o Parque Estadual da Cantareira, por meio da implantação dos parques lineares nas zonas de amortecimento e para o fortalecimento da Guarda Civil Metropolitana Ambiental e Polícia Militar Ambiental. Esforços em monitoramento das ações, assim como investimento em estudos complementares também são vitais para que o movimento em torno do turismo seja perene.


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

1. Instituição e fortalecimento da governança

Dar força a quem deve ter protagonismo na condução do processo de transformação do Polo num produto turístico

2. Estruturação do território

Garantir a preservação e recuperação dos recursos naturais para que haja um produto de ecoturismo

3. Estudos, pesquisas e monitoramento

Mensurar os avanços. Compreender novas possibilidades

4. Formatação e aprimoramento do produto turístico

Formatar um “produto” para “pôr na prateleira”

5. Promoção e apoio à comercialização

Divulgar e vender

181


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

Grandes ambições As propostas apresentadas para o desenvolvimento da região, quando aplicadas, terão potencial para estimular, estruturar e aumentar o nível de atividade turística do território. Contudo, grandes transformações dependem de grandes investimentos, e de produtos e atrativos cuja relevância extrapole os limites municipal e estadual. A estratégia do desenvolvimento hoje, deve estar amparada na linha do “Fique mais um dia”. O turista que já vem à capital, pode aproveitar para estender sua estadia e conhecer o Polo, e assim movimentar a economia local. Espera-se, todavia, que a médio e longo prazo esse movimento transforme a região, evoluindo para um modelo em que o agente motivador da visita à cidade seja o próprio Polo, e que a oferta seja tamanha, que o turista deseje permanecer hospedado nesta região, consumindo seus produtos e serviços básicos e turísticos, potencializando a movimentação econômica e desenvolvimento territorial. 182

Para uma grande movimentação em torno do turismo, é preciso ambição! Assim foi com a construção dos grandes complexos de eventos. O Anhembi, em 1970, mudou a paisagem e a dinâmica da região, projetando a zona Norte de São Paulo para o mundo em uma política de incentivo ao turismo de negócios. Na década de 1980, como complemento à oferta, foi inaugurado o Expo Center Norte, distante cerca de 2 km do Anhembi, reforçando o caráter da região para receber eventos de abrangência internacional e atrair grandes negócios. É prematuro falar em grandes projetos para a zona Norte sem estudos de viabilidade e manifestação de interesse dos proprietários. No entanto, há alguns espaços com potencial para criação de excelentes produtos com o mote da preservação e do desenvolvimento econômico, nos melhores modelos: a Fazenda Santa Maria, por exemplo, teria potencial para prática de turismo de aventura e turismo rural; a antiga Companhia Brasileira de Cimento Portland Perus, poderia ser um grande centro de economia criativa e talvez até a antiga estrada de Ferro Perus Pirapora, poderia se tornar um museu ferroviário, seguindo as características do design de experiências. Estudos, projetos, muita articulação, parcerias, e busca por fontes de financiamento podem ser o caminho.


Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

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Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

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Plano de Desenvolvimento Turístico do Polo de Ecoturismo da Cantareira

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Horto Florestal

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