Skip to main content

SINDSAÚDE-PR - Raio X - Especial HRSS- FEVEREIRO 2013

Page 1

I I especial

hRSS

Órgão de divulgação do SindSaúde/PR • Fevereiro de 2013 • R. Mal. Deodoro, 314, cj 801, CEP 80.010-010, Curitiba-PR

Hospital São Sebastião: um caso de abandono. Va m o s à l u ta p o r m e l h o r i a s ! Nos últimos anos, muita propaganda e quase nada tem sido feito para manter, recuperar e modernizar o hospital

O Hospital Regional São Sebastião da Lapa pode ser tomado como exemplo da falta de compromisso do governo em valorizar e recuperar o bem público. A política da Secretaria Estadual de Saúde é para fortalecer o setor privado. Milhões de reais são repassados aos hospitais filantrópicos e privados, enquanto as unidades que pertecem à Secretaria recebem umas moedinhas. O resultado é que o empresário da doença tem seu lucro garantido e as unidades 100% públicas morrem à mingua. É exatamente essa a situação do São Sebastião, que tem grande parte de sua estrutura subaproveitada. Fora os setores que estão

em funcionamento, mas com imensos problemas com o sucatemaneto das instalações e equipamentos. Há problemas na estrutura e nos equipamentos. A falta de solução se deve à ausência de atitude. Máquinas e materiais foram comprados, mas se deterioram. A reforma está parada há dois anos. Os trabalhadores sofrem com o descaso e os desacertos da administração.

Um breve Raio-X do Hospital mostra a dimensão do problema Detectamos os problemas e convocamos você para a luta por me-

lhores condições de atendimento. Isso vai significar melhores condições de trabalho. Nossa defesa é para a melhoria do Hospital Regional São Sebastião, patrimônio que pertence à população e precisa ser defendido antes que gestores, sem compromisso com o povo, consigam dar fim ao HRSS. Há anos o sindicato reivindica a otimização do Hospital. Nessa empreitada, temos acompanhado o desenrolar de muitas promessas e de diferentes governos. Na prática pouco tem sido feito. E a demora para que as melhorias aconteçam é um fato inquestionável.


especial hrSs

Tijolo por tijolo Festa do governo em 2010 na inauguração do Centro Cirúrgico. Decepção da população durante dois anos porque o Centro não tinha condições de funcionar. Motivo: as instalações elétricas não comportavam a carga de energia dos equipamentos do Centro. Em novembro de 2012, o hospital começou a funcionar. Se o hospital expandiu sua lista de atendimento, deveria ampliar o número de leitos e chamar mais aprovados no concurso para receber usuários do SUS que precisam de cirurgias e acompanhamento pós-cirúrgico. O hospital é conhecido como referência em tuberculose. Aliás, sempre cumpriu essa missão com primor, mui-

O Centro Cirúrgico ficou em construção anos a fio. Quando foi inaugurado, não tinha condições de funcionamento. Entre a inauguração e o efetivo funcionamento foram mais de 23 meses...

to em função do empenho da brava gente da saúde. Mas hoje o hospital deveria ir além dessa missão. Reabrir a pediatria, ampliar o rol de especialidades, estruturar um pronto-socorro, terminar a reforma da tisiologia masculina e reformar a ala feminina.

AGORA É SÓ ESPERAR MAIS 2 ANOS!

Só que o hospital continua sem investimento. Sem dinheiro, sem ser prioridade para o governo. E é assim que acontece o sucateamento do São Sebastião. Enquanto isso, a população fica na fila eterna para conseguir atendimento hospitalar.

Reforma inacabada As enfermarias masculinas da tisiologia tiveram a reforma iniciada em 2011. No mesmo ano a reforma foi interrompida por falta de capacidade da construtora que venceu a licitação. Quem paga o pato? Se a reforma fosse concluída, os leitos da unidade pediátrica seriam reabertos. Os pacientes da tisiologia estariam num espaço moderno, mais confortável e seguro. E as crianças da Lapa e região teriam o atendimento pertinho de sua casa e família. Já que estamos falando de problemas de estrutura e do descaso por parte da administração do HRSS, aproveitamos para perguntar: Por que o lixo comum produzido no hospital fica armazenado (ou mais parece esquecido...) a céu aberto, em local inadequado e sem as mínimas condições?

Enfermaria usada como sala de pronto atendimento Ao entrar no setor das enfermarias clínicas, que são poucas, percebe-se que uma delas está sendo utilizada como “pronto atendimento”. Além de diminuir a capacidade da clínica médica, será que tem a estrutura necessária para essa finalidade? Ou é só para dizer que tem?

Novos equipamentos no tempo, ao vento, ao léu... A cozinha carece de melhorias. É preciso uma avaliação profunda da estrutura predial da cozinha. O que mais espanta e demonstra a gestão ineficiente é que novos equipamen-

tos chegaram para o setor e até agora não foram instalados completamente. Somente a metade do fogão industrial está funcionando. Isso significa investimento que não se transforma em melhores condições de trabalho. As panelas industriais novas foram entregues há dois meses e estão armazenadas num local aberto, coberto apenas por um telhado, mas sob as intempéries do vento, chuva e calor. Resultado - já começaram a deteriorar.

Perguntamos: não pensaram nisso tudo antes da abrir a licitação? Há, ainda, na cozinha problema no sistema de gás. Recentemente um vazamento de gás aconteceu e o corpo de bombeiros teve de ser acionado. Veja se pode uma coisa dessas! Depois, quem leva no “lombo” são os trabalhadores que fazem suas tarefas com fogões e panelas industriais velhas e em péssimas condições. Se algo de maior proporção vier a ocorrer, quem estiver no Hospital pode sair machucado. IMAGEM MERAMENTE ILUSTRATIVA


especial hrss

Problemas se perpetuam na lavanderia A lavanderia é outro local onde o sinal é vermelho. E não é de hoje! Entra gestão e sai gestão e nada de melhorar as condições físicas do setor. A situação é critica. Há duas máquinas paradas há meses. As máquinas de lavar que estão em funcionamento são muito baixas. E a má posição adoece os trabalhadores, que sentem dores na coluna. E tem mais um agravante: o intenso ruído das máquinas poderá ocasionar perda auditiva nos servidores. Mais uma vez, sobra para os trabalhadores, com essas condições precárias de trabalho. E claro, para os usuários que podem estar utilizando roupas que não seriam sanitariamente adequadas.

Outra irregularidade que constatamos é que parte da equipe foi deslocada para outra função. A chefia fez um mexe-mexe e designou servidores da lavanderia para cortar grama. Isso é ilegal, pois tem servidor que passou no concurso para a função especifica de auxiliar operacional-lavanderia. Portanto, a mudança de setor gera desvio de função. Mas não é só isso! A realidade é que ao fazer a troca de setor, o trabalhador não consegue se especializar na sua função.

Guarita

PRA CONTROLAR O QUE, MESMO? Melhorar as instalações a fim de atender como Hospital Regional e dar condições de trabalho não é possível, mas, mas para construir uma guarita de controle (de quem?), a administração empenha esforços imediatos...

Uma coisa é uma coisa... Lavar roupas de hospital significa trabalhar diretamente com material contaminado. Sem contar que existem normas regulamentadoras que têm de ser seguidas para a descontaminação. É muito diferente da roupa que lavamos em casa. Por isso, o trabalho continuado fortalece o entendimento das regras técnicas da lavagem da roupa contaminada. A lavanderia é uma área estratégica para um hospital.

Falando em problemas de estrutura, na área suja existe apenas um banheiro masculino para uso geral dos trabalhadores. Como há homens e mulheres no mesmo setor, ou eles dividem o único banheiro – o que causa constrangimento – ou buscam o banheiro na área limpa ou outro local do hospital, gerando risco de contaminação. Urge fazer uma pequena reforma no local para resolver este problema tão básico!

Pelo risco das infecções hospitalares, é necessário que o trabalhador dessa área entenda e evite contaminação de roupas sujas com roupas limpas. Somente com qualificação, experiência e estabilidade na carreira o trabalhador estará apto a desenvolver seu trabalho corretamente.

Os trabalhadores precisam de mais valorização!

Os problemas extrapolam as paredes da lavanderia A equipe da lavanderia tem carrinhos para o transporte de roupas. Transportar roupas sujas e limpas no HRSS exige grande força física. Isso porque o hospital até hoje não construiu calçadas adequadas. O trabalhador não tem opção. É obrigado a transitar em terrenos de terra com pedregulhos e até em escadas. E quando chove a situação se agrava. Além dos riscos de gripe e demais problemas de saúde, não há coluna que aguente tanto sacrifício!

Falta de pessoal traz penalizações aos trabalhadores Enquanto milhares de trabalhadores aguardam o chamamento da Sesa, os que conseguiram ingressar no Estado estão sendo submetidos a diversas penalidades. Para dar aquele “jeitinho” na situação de falta de pessoal, muitas chefias fazem um jogo do troca-troca. Vira e mexe o servidor é deslocado de um setor para outro. Além disso, muita gente tem sido chamada para trabalhar no final de semana por necessidade do hospital. O trabalhador perde seu dia de folga, e a hora extra nem sempre é paga ou o valor vem errado. Sempre a menos, é claro! Por isso, nossa luta nossa luta é permanente pela pela convocação de mais trabalhadores aprovados no concurso.


especial hrss Prato vazio

Alimentação é direito básico Quando o diretor era o Coronel havia a separação de refeitórios: chefias comiam no refeitório bacana com cardápio diferenciado. Os servidores, no “geral”. Agora a ordem é não deixar a alimentação feita no hospital ser servida a todos. Só obtém permissão para almoçar quem está na escala de 12 horas.

Os trabalhadores que cumprem oito horas diárias têm opções: levar marmita ou se deslocar ao centro da Lapa para almoçar. Considerando que o HRSS fica distante da cidade, que não dá pra ir a pé, a hora de comer vira o corre-corre. Cada minuto é contadinho: deslocamento e almoço duram uma hora cravada.

Direção do HRSS proíbe liberação de almoço para todos

Parte dos excluídos mostra que está insatisfeita com a situação. O sindicato não aceita essa diferenciação. Queremos justiça: almoço para todos! Por que isso ocorre? Até onde sabemos, o HRSS é o único local que adota essa postura. A Sesa deveria dar tratamento igual a todos os trabalhadores, sejam concursados ou terceirizados.

Casa de ferreiro espeto de pau Os governos têm adotado a postura de mandar dinheiro grosso para os hospitais filantrópicos. Incentivos e mais incentivos. Tai o HospSUS que não nos deixa mentir. Já para os nossos hospitais, da rede própria da Sesa, fica a política do conta-gotas de dinheiro. E sem investimentos nossos hospitais não conseguem ser remodelados e renovados em sua área física e de equipamentos. É visível que a Sesa não tem dado importância ao HRSS Lapa. Seja pelo precário investimento financeiro, seja pela direção que não tem mostrado o necessário empenho para lutar de verdade pela melhoria do HRSS. O hospital é subutilizado, a começar pela falta de capacidade de ofertar assistência à saúde da população. Enquanto isso na região da Lapa, Contenda, e entorno, faltam leitos de emergência em hospitais, sendo que os casos graves são encaminhados para Campo Largo (em um hospital privado, conveniado) ou Curitiba, causando sofrimento e risco à vida do usuário. O hospital da Lapa está com re-

RAIO-X

é uma publicação do SindSaúde/ PR - Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos Estaduais dos Serviços de Saúde e Previdência do Estado do Paraná. Sede própria à Rua Mal. Deodoro, 314, 8º andar, cj.801, Ed. Tibagi, Curitiba, PR, CEP 80.010-010. Fone (041) 3322-0921, fax (041) 3324-7386 • www.sindsaudepr. org.br • contato@sindsaudepr.org.br • Diagramação: Excelência Comunicação. Fone: (41) 8802-4450 • É permitida a reprodução com a citação da fonte.

Via crucis da lavanderia

Trabalhadores trafegam arrastando pesados carrinhos com roupas na estrada de chão recoberta por pedregulhos. Um típico caso de falta de condições de trabalho que trará, ao longo dos anos, consequência para a coluna e ombros. formas paradas há mais de dois anos e nem sabemos em que condições se encontram depois de tanto tempo paradas. Além disso, há o problema do tratamento do esgoto. Ainda se utiliza fossa no HRSS, o que é muito inadequado para um hospital. Já escuta-

Diárias são cortadas e profissionais pagam para trabalhar Problema criado pela gestão do Beto Richa é o não pagamento das diárias. Desta forma, deslocar-se da Lapa para Curitiba é prejuízo certo no bolso do servidor. Não raro os pacientes do HRSS terem de vir fazer exames de alta complexidade em Curitiba. Para atender a po-

mos promessa de ligação do esgoto há mais de ano, mas o que encontramos é só enrolação. Sem dúvida, o Hospital Regional São Sebastião poderia ser de fato Regional e referência em assistência à saúde. pulação, o motorista e o profissional da enfermagem acompanham e realizam a viagem. Contando o tempo de viagem, os imprevistos do trânsito e o tempo de espera para o paciente ser atendido, é comum passar o dia todo na capital. Mas a diária para pagar almoço, nem pensar em receber, pois a gestão do PSDB fez questão de cortar. A direção do SindSaúde já levou essa situação à Sesa e Seap inúmeras vezes, mas até agora nada de resolver.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook