Especial Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região – CUT | 24 de junho de 2015 – www.sindbancarios.org.br
HSBC
Em defesa dos empregos
“Os bancários não são responsáveis por nenhum tipo de crise ou por problemas de administração. Continuamos mobilizados e não vamos admitir que o banco simplesmente feche as portas e deixe os trabalhadores na mão”. – Everton Gimenis, presidente do SindBancários.
A notícia de que o HSBC encerraria suas operações no Brasil, divulgada no dia 9 de junho, colocou os trabalhadores da instituição e o SindBancários em alerta máximo, para garantir que os cerca de 21 mil funcionários em todo o país – incluindo os 500 colegas do RS – não tivessem seus empregos ameaçados. A pressão dos trabalhadores vem funcionando, através do Sindicato, da Fetrafi-RS e, em nível nacional, da Contraf-CUT. Para marcar a presença dos trabalhadores, o SindBancários promoveu ato de mobilização e paralisação da Diretoria Regional do banco em Porto Alegre. Em várias outras capitais, houve manifestações semelhantes. Diante dos atos espalhados pelo país, o banco recuou de sua postura e agendou reunião com a Contraf-CUT em 10 de junho. Os representantes do HSBC na reunião, Marino Rodilla, diretor de relações trabalhistas e Juliano Marcílio, diretor de RH, informaram que os anúncios feitos pelo presidente mundial, Stuart Gulliver, foram mal compreendidos e distorcidos, que não haverá demissão de bancários no Brasil. Segundo eles, a decisão de deixar de operar no Brasil e na Turquia faz parte da estratégia global da empresa. Afirmaram que há um processo normal de
venda e que pretendem manter os empregados e entregar o banco operando normalmente, até que os novos controladores assumam. Os bancários, garantem os representantes do banco, permanecerão sob novo comando. Através da Contraf-CUT, ficou definido com a diretoria do HSBC, que o banco manterá reuniões quinzenais com os representantes dos trabalhadores sobre as negociações de venda dos ativos no Brasil. O Sindicato também está atento ao comprador. Entendemos que não é bom aos trabalhadores uma
“Vamos esclarecer a categoria para que notícias inverídicas não contribuam para o mal estar dos bancários, pois as primeiras informações divulgadas na mídia diziam que seriam demitidos 25 mil funcionários, quando o total de trabalhadores no Brasil é de 21 mil. Vamos manter a categoria informada com dados reais”. – Jorge Luis Lucas, diretor do SindiBancários e funcionários do HSBC.
maior concentração do mercado financeiro. Vamos continuar acompanhando de perto as negociações. “O HSBC precisa dos funcionários para entregar o banco em boas condições. Não vejo
preocupação em reduzir quadros no Brasil, pois temos preocupação em apresentar o grau de maturidade e eficiência da equipe.” destacou Juliano Marcílio, diretor de RH do banco.
“A função da entidade sindical é mostrar a verdade e que há informações equivocadas sobre demissões e sobre a negociação de venda do banco”. – José Orlando Ribeiro, diretor do SindBancários e funcionário do HSBC.
Porto Alegre, 24 de junho de 2015
2 O Bancário|Especial H S B C
Informação confiável é com o Sindicato Os colegas do HSBC foram informados, por meios de comunicação tradicionais, na manhã de 9 de junho, de que o banco demitiria 50 mil bancários no mundo, dos quais 25 mil no Brasil e na Turquia. É impossível esse número de bancários do HSBC ser demitido no Brasil. Além de garantir que não haverá demissões, o banco conta com cerca de 21 mil funcionários em 850 agências no país. A conta de demissões não fecha. É importante os colegas do HSBC prestarem atenção nas informações do Sindicato. Os dirigentes sindicais acompanham e vão continuar alertas para qualquer informação sobre os desdobramentos da saída do HSBC do Brasil até o fim de 2016. Vamos defender os empregos.
Maioridade & lucro na venda Quem não se lembra é sempre importante fazer a referência. O HSBC, banco inglês com operações concentradas também em Hong Kong e países asiáticos, comprou o Banco Bamerindus em 1997. O negócio se concretizou por míseros R$ 359 milhões à época. Não há inocentes na operação de agora, 18 anos depois. O banco já tem oferta de R$ 12 bilhões. É um lucro astronômico, e o leilão não terminou. Um banco que chega à maioridade, toma uma decisão de guri: sair do Brasil. Vai sair lucrando mais de 30 vezes o valor que usou para comprar o Bamerindus.
Hostilidade do banco no ato Esta é da série inacreditável. Pois durante os primeiros momentos do anúncio de venda dos ativos do HSBC no Brasil e na Turquia, o presidente mundial do banco, Stuart Gulliver, chegou a dizer que um dos motivos para a venda no Brasil seria a hostilidade. Disse ele que o povo brasileiro é hostil, que o mercado no Brasil é hostil e que os trabalhadores brasileiros costumam entrar com muitas ações na Justiça do Trabalho. Senhor Gulliver, se os brasileiros fossem hostis, o senhor não lucraria com uma possível venda por, no mínimo, de R$ 12 bilhões. O que falta ao HSBC é competência de gestão. Os bancários mostram todos os dias o quanto são competentes e que não têm nada a ver com o que aconteceu na Suíça e em outros países nem com a falta de lucro do ano passado. Aliás, houve quem, no ato do SindBancários, dissesse que a manifestação era hostil. O Sindicato luta por direitos dos trabalhadores e uma dessas formas é ir à Justiça para reparar hostilidades contra bancários. Quer maior hostilidade do que assédio moral e cobrança de meta inatingível?
Para o acordo judicial, tem dinheiro Os colegas do HSBC e também seus clientes estão preocupados com o que virá. Como dito, ao SindBancários não
Promessa de reuniões a cada 15 dias
interessa qual banco assumirá a bandeira HSBC. Agora, não
O SindBancários, a Fetrafi-RS e a Contfraf-CUT, as-
admitimos mais ouvir dos CEO dos bancos que o mercado
sessorada pela Comissão de Organização dos Empregados
no Brasil está em crise. Aliás, o HSBC tem sido alvo de
(COE) do HSBC, protegem os bancários e bancárias. Na
investigações de lavagem de dinheiro na Suíça, caso que
última vez que se reuniram, os representantes dos traba-
ficou conhecido como Swissleaks. E, para um banco que
lhadores e a direção do banco no Brasil acordaram que
está sempre chorando por falta de dinheiro, até que con-
irão voltar a conversar periodicamente a cada 15 dias. O
seguiram rapidamente R$ 134,5 milhões para a Justiça da
banco assumiu o compromisso de passar, nessas reuniões,
Suíça pôr fim às investigações. Isso que não estamos falando
informações sobre desdobramentos da venda. É um com-
de outros países. Quer dizer, o banco pagou para assumir
promisso firmado com os dirigentes sindicais. Outra reunião
a culpa por tudo que a gente ficou sabendo que existia de
que está prestes a acontecer é aquela em que a diretoria do
problemas em muitas contas na Suíça.
banco irá assinar o Acordo Aditivo.