Page 1

JornalAnoXII2008N4.qxd

02.09.08

12:06

Page 1

  Editorial Sociedade Brasileira de Dermatologia Afiliada à Associação Médica Brasileira

www.sbd.org.br

Diretoria 2007-2008 Presidente - Alice de Oliveira de Avelar Alchorne Vice-presidente - Omar Lupi Secretária-geral - Ryssia Florião Tesoureira - Claudia Pires Amaral Maia 1a secretária - Célia Kalil 2o secretário - Josemir Belo

Jornal da SBD Esta é uma publicação da Sociedade Brasileira de Dermatologia, dirigida a seus associados e órgãos de imprensa. Publicação bimestral - Ano XII - no 4 - julho-agosto - 2008 Coordenador médico - Paulo R. Cunha Conselho editorial - Alice Alchorne, Omar Lupi, Ryssia Florião, Claudia Pires Amaral Maia, Célia Kalil e Josemir Belo Jornalista responsável - Andréa Fantoni - Reg. MTB/RJ n0 22.217 JP Redação - Andréa Fantoni Editoração eletrônica - Nazareno N. de Souza Estagiária - Ana Luíza Reyes Contato publicitário - Priscila Rudge Simões A equipe editorial do Jornal da SBD e a Sociedade Brasileira de Dermatologia não garantem nem endossam os produtos ou serviços anunciados, sendo as propagandas de responsabilidade única e exclusiva dos anunciantes. As matérias e textos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores. Correspondência para a redação do Jornal da SBD Av. Rio Branco, 39/18o andar - Centro - Rio de Janeiro – RJ CEP: 20090-003 E-mail: comunicacao@sbd.org.br Assinatura anual: R$ 100,00 Número avulso: R$ 20,00 Tiragem: 6.000 exemplares Impressão: Sol Gráfica

  Sumário

02 03 05 06 11 12 13 15 19 20 22 23 24 28 29 31

                  

Paulo R. Cunha - Coordenador médico do Jornal da SBD

A matéria de capa desta edição fala sobre o TED Especial, assun-

to que recebe destaque merecido, já que, depois de muitos anos sendo almejado e planejado, o exame foi realizado com grande sucesso, tendo sido considerado pelos participantes bem elaborado, organizado e criterioso. Outra reportagem que certamente despertará o interesse do leitor trata da reforma da língua portuguesa. Essas mudanças terão repercussão na escrita técnico-científica que usamos.A SBD, possivelmente a sociedade médica pioneira a enfocar o assunto, convidou para esclarecer e opinar sobre a unificação o professor Márcio Lauria, escritor, proProf. Dr. Paulo fessor de literatura e grande conhecedor da semântica e lingüística porR. Cunha tuguesas. Além disso, contamos com a preciosa colaboração do professor Sampaio, mais uma vez demonstrando sua costumeira clareza e objetividade de análise. De olho no mundo, nosso Jornal segue com a série de entrevistas internacionais, desta vez com o professor Bernard Naafs, dermatologista na Holanda, terra de grandes artistas, como Rembrandt e Van Gogh. Em reportagem abrangente, ele nos fala da realidade da especialidade naquele país, onde o sistema nacional de saúde é privatizado e faltam dermatologistas. Importante verificar na reportagem da dra. Cláudia Maia, tesoureira da SBD, os benefícios que a Sociedade leva a seus associados. Apenas para citar alguns de maneira telegráfica: cursos promovidos pela Educação Médica Continuada, Anais Brasileiros de Dermatologia, Jornal da SBD, e um benefício de valor inestimável: o acesso on-line aos textos completos das principais revistas de dermatologia sem exigir deslocamentos do associado ou lhe impor qualquer dificuldade. Com a matéria sobre o I Simpósio Nacional de Cosmiatria e Laser, idealizado pela SBD e realizado em São Paulo, contando com cerca de 800 participantes, pode-se observar a pujança da dermatologia brasileira. Esse e outros programas da EMC-D têm sido de grande sucesso e são considerados a menina-dos-olhos da atual Diretoria. Na coluna Fronteiras da dermatologia, o experiente professor Fernando Almeida mostra de maneira sintética o estado da arte e os últimos avanços no conhecimento do melanoma maligno. Com satisfação recebemos da Regional de Minas Gerais a notícia de que o eleito como vulto da dermatologia mineira foi o professor Tancredo Furtado. Em homenagem merecida, abordamos de maneira sumária a vida desse homem que dignifica sobremaneira a dermatologia brasileira. Não deixe de ler a matéria sobre o estresse e as maneiras de combatê-lo. A professora de educação física Stella Torreão e a psicoterapeuta Célia Carvalhal dão orientações sobre o tema, e alguns dermatologistas contam o que fazem para contornar esse mal da atualidade. Na Linha do tempo, estamos na década de 1990, ilustrando os fatos que marcaram nossa sociedade nesse período; entre eles, a realização da Eco-92, abrindo caminho para nova visão dos problemas ambientais, que passaram a ser responsabilidade dos governos, o lançamento do Jornal da SBD, o início da EMC-D e a criação do real. Finalizaremos a coluna na última edição deste ano (novembro/dezembro), quando pretendemos ter percorrido 120 anos de história nesta linha inexorável do tempo. Esperamos encontrá-lo no Congresso de Fortaleza/2008. Além da vasta programação científica e social, teremos a cerimônia de posse da nova diretoria da SBD, formada por Omar Lupi (presidente) e Bogdana Victória (vice-presidente). Compareça à assembléia.

Palavra da Presidente Campanha Nacional de Prevenção do Câncer da Pele completa 10 anos Obras na sede Dermatologia na Holanda Investimento: vale a pena ser associado da SBD Recomende Campanhas sociais da SBD Vultos da Dermatologia: professor Tancredo Alves Furtado CBHPM: referencial para a medicina brasileira Carta Painel Unificação da língua portuguesa: um fato ou um facto? Fronteiras da Dermatologia Pérolas do Journal of Investigative Dermatology Xô estresse Linha do Tempo Serviços Credenciados Departamentos Regionais

Matéria de capa Sai resultado da prova do TED Especial da SBD

16 Jornal da SBD



Ano XII n. 4



1


JornalAnoXII2008N4.qxd

 

02.09.08

12:06

Page 2

Palavra da Presidente

Alice de Oliveira de Avelar Alchorne

Ampliação da sede da SBD A Sociedade Brasileira de Dermatologia cresceu muito nos últimos anos, e por isso temos muitas atividades e serviços voltados para os associados. Com vistas na reestruturação da parte físiAlice de Oliveira de Avelar ca da entidade, a Diretoria 2007/2008 adquiAlchorne riu mais um andar, com 380m2, no prédio em que já funciona a SBD, no Rio de Janeiro, duplicando, assim, sua área. Por feliz coincidência, o novo espaço é situado logo abaixo do atual, e a ligação entre ambos se fará por escada interna. Com a aquisição dessa área física daremos um salto de qualidade; os associados recebem inúmeros serviços que necessitam de muitos projetos e trabalho, tanto da Diretoria Executiva como dos assessores e dos diversos funcionários. O novo andar já está em fase terminal de reforma, que garantirá um espaço funcional, com toda infra-estrutura para a parte administrativa da SBD. Após a mudança do andar superior para o novo local, faremos também uma reforma no atual, que deverá abri-

 

gar, de forma mais confortável, a parte social da instituição. Aqui teremos a biblioteca ampliada, pequeno auditório para eventos, sala especial para teledermatologia, salas para reuniões da Diretoria, demais órgãos da SBD e outras que se fizerem necessárias. Para se ter idéia da limitação do espaço atual, não é possível fazer duas reuniões ao mesmo tempo, pois só temos uma pequena sala para esse fim. A compra das novas salas e a reforma foram realizadas sem comprometer o patrimônio ou a saúde financeira da Sociedade, pois uma das grandes metas em que a Diretoria obteve sucesso foi readequar as receitas e despesas da entidade. É muito provável que as áreas centrais do Rio de Janeiro, onde se encontra localizada a nossa sede, sejam revitalizadas, seguindo o exemplo das grandes cidades, o que trará, então, uma boa valorização do imóvel, aumentando o valor de nosso patrimônio. Com a nova sede, reforçaremos nossa posição no ranking das mais importantes e pujantes associações médicas brasileiras e, por que não, mundiais.

Calendário - 2008 Eventos SBD Nacional - Setembro de 2008  6 a 10  27

63o Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia Fortaleza - CE 3o Curso Nacional de Dermatologia Geriátrica SBD Curitiba - PR - Brasil

Eventos SBD Regionais - Setembro de 2008       

4 20 24 24 24 24 e 27 26

   

27 27 27 27

Quinta Dermatológica - Maceió - AL - Brasil 7a Reunião Ordinária Mensal - Niterói - RJ - Brasil Reunião Mensal - Rio de Janeiro - RJ - Brasil Curso Teórico-Prático de Toxina Botulínica e Preenchimento - Recife - PE - Brasil Reunião Científica - São Luís - MA - Brasil Reunião Científica com workshop - Natal - RN - Brasil Simpósio Manejo das Onicomicoses na Prática Dermatológica e Curso Prático de Micoses Superficiais e Cutâneas - South American Copacabana Hotel - Rio de Janeiro - RJ - Brasil Reunião Clínica Mensal - SDHUCAM - Vitória - ES - Brasil Reunião Clínica Mensal - SDSCMV - Vitória - ES - Brasil 5a Reunião Dermatológica do DF - Câncer da Pele - Brasília - DF - Brasil Traga seu Caso (Reunião Clínica com a participação dos Serviços Credenciados pela SBD) Recife - PE - Brasil

Regional AL Regional Flum. Regional RJ Regional PE Regional MA Regional RN Regional RJ

17o EADV - Academia Européia de Dermatologia

Paris - França

Regional Regional Regional Regional

ES ES DF PE

Internacional  17 a 21

2  Jornal da SBD  Ano XII n. 4


JornalAnoXII2008N4.qxd

02.09.08

12:06

Page 3

Campanha Nacional de Prevenção do Câncer da Pele completa 10 anos

E

ste ano a Campanha Nacional de Prevenção do Câncer da Pele chega a sua décima edição. No dia 08 de novembro, das 9 às 15h, cerca de dois mil dermatologistas cadastrados pela SBD se mobilizarão para gratuitamente atender e oferecer tratamento à população. Todos os anos, a SBD disponibiliza aproximadamente 200 postos de atendimento gratuito em todo o Brasil, em que são examinadas mais de 30 mil pessoas. Trata-se da maior campanha de orientação e atendimento médico da população existente no país. A Campanha constitui a principal ação do Programa Nacional de Controle do Câncer da Pele promovido pela SBD. Criado em 1999, o programa busca disseminar informações sobre a doença e conscientizar a população, contribuindo com a mudança de atitudes, crenças e comportamentos que afetam o risco individual para esse tipo de câncer.

O câncer da pele é ainda o de maior incidência no Brasil. As estimativas do Instituto Nacional do Câncer prevêem 120.930 novos casos da doença em 2008 no país.

Seja voluntário! Assim como nas edições anteriores, este ano a Campanha Nacional de Prevenção do Câncer da Pele precisa da colaboração dos dermatologistas para ser realizada com êxito. A participação voluntária de médicos em todo o Brasil tem permitido alertar a população para a possibilidade de desenvolvimento do câncer da pele, além de diagnosticar e tratar os casos detectados. O voluntário é hoje considerado ator social engajado, participante e consciente, além de importante agente transformador da sociedade. Ademais, o trabalho voluntário não só resulta em benefícios para a comunidade, como é tam-

bém responsável pelo crescimento interior do indivíduo que o pratica. A Campanha é ainda um importante instrumento de valorização da especialidade, dada a sua visibilidade na imprensa nacional. “Com o evento, a SBD realiza ação que, além do aspecto social, valoriza de fato a figura do dermatologista”, observam os coordenadores da edição deste ano, drs. Lúcio Bakos, Marcus Maia e Selma Cernea. Por isso, não deixe de par ticipar! Seja voluntário da Campanha Nacional de Prevenção do Câncer da Pele 2008! Jornal da SBD



Ano XII n. 4



3


02.09.08

12:06

Page 5

Foto: Ana Luíza Reyes

JornalAnoXII2008N4.qxd

Obras na sede Primeira fase será concluída em setembro

I

niciadas no último dia 13 de junho, as obras na sede da SBD continuam a todo vapor. Os que freqüentam e trabalham na entidade vez ou outra se sobressaltam com as marteladas e com o barulho das máquinas. No 17o andar, a cada dia que passa, as pilhas de entulho e materiais de construção vão-se transformando em uma única sala, ampla e arejada. As instalações hidráulicas e de esgoto já foram concluídas, e foram passados canaletas e eletrodutos para instalação elétrica, de telefone e iluminação. Durante estes dois meses, executaram-se ainda a demolição e a construção de paredes, o rebaixamento do teto em gesso e a abertura de um vão na laje para instalação da escada metálica que ligará os dois pavimentos da sede. Segundo a arquiteta Neuza Mar tinez, a demolição da laje em função da instalação da escada foi uma das par tes mais complexas da reforma. “Foi feita uma avaliação estrutural do edifício por engenheiro calculista gabaritado, uma vez que não possuíamos o projeto original. E foram instaladas escoras para total segurança da obra”, explica. Para conclusão da reforma no 17o pavimento, faltam agora os acabamentos. Nessa etapa, serão assentados os

pisos e revestidas as paredes com materiais diversos, tais como papel, madeira, fórmica, cerâmicas e mármores. “Finalmente será feita a pintura de todos os tetos, paredes e pilares sem revestimento”, informa Neuza Mar tinez. Além disso, serão realizados os trabalhos de marcenaria das por tas, janelas e armários, e instaladas as novas esquadrias em alumínio, luminárias, tomadas e interruptores. O próximo passo será a montagem do mobiliário. Segundo Neuza Martinez, os móveis foram escolhidos objetivando a máxima funcionalidade e conforto para os funcionários, sem esquecer a parte estética.Também foram avaliadas a durabilidade do mobiliário e sua possibilidade de adequação ao espaço existente. “Foram escolhidos móveis de qualidade, com materiais de fácil limpeza e conservação”, esclarece. As obras no 17o andar serão concluídas no dia 03 de setembro, e, após a mudança da Administração da SBD para o novo pavimento, terá início a reforma do 18o andar. “Estamos seguindo um rígido cronograma, executando paralelamente vários itens, para permitir a conclusão da obra no prazo definido”, ressalta Neuza Martinez. Jornal da SBD



Ano XII n. 4



5


JornalAnoXII2008N4.qxd

02.09.08

12:06

Page 6

Entrevista com o prof. Bernard Naafs feita pelo prof. Paulo Cunha

Dermatologia

na Holanda

Bernard Naafs

JSBD – Como foi a sua carreira na Holanda? Bernard Naafs – Iniciei o curso de medicina na Universidade de Utrecht em 1962 e participei ativamente dos movimentos estudantis da década de 1960. Garantia o sustento nos primeiros três anos com bicos, como barman e vendedor de carros e, depois, como professor de fisiologia humana. Após uma temporada na África, voltei à Holanda, onde fui devidamente treinado em dermatologia e venereologia pelo famoso dermatologista e imunologista professor Rudi Cormane, da Universidade Binnengasthuis, de Amsterdam, que se localizava, naquela época, no bairro da Luz Vermelha. Para aumentar minha renda familiar, trabalhava duas noites por semana no Pronto Socorro, era médico de um dos bordéis mais exclusivos da cidade e me tornei editor da Excerpta Medica – Dermatologia. Permaneci durante cinco anos na Holanda e, no último, fui chefe de imunologia clínica e alergia do Departamento de Dermatologia. Assim, participei do acompanhamento de jovens homossexuais masculinos que apresentavam, naquela época, uma imunodeficiência desconhecida. Atendi vários pacientes com hanseníase, pois após a independência do Suriname, aproximadamente metade da população se mudou para a Holanda. Em 1980, obtive o título de doutorado pela Universidade de Amsterdam, com a tese intitulada “Lesão de nervos em hanseníase”. Após três anos no Zimbábue, voltei ao meu país e tornei-me chefe do ambulatório de dermatologia da Universidade Erasmus, em Rotterdam, onde permaneci por 10 anos, envolvido no treinamento de residentes e na supervisão do tratamento de doenças de pele em pacientes com HIV e Aids.

6  Jornal da SBD  Ano XII n. 4

JSBD – O senhor trabalhou por muito tempo em diversos países da África. Como foi essa experiência? BN – Albert Schweitzer recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1953. Naquela época decidi que gostaria de trabalhar em países em desenvolvimento, assim como ele. Em 1972, após obter o título de mestre em Medicina Tropical, recebi uma oferta de trabalho no Quênia para reativar um centro de pesquisas em hanseníase. Para adquirir os conhecimentos necessários sobre hanseníase, fui para o All African Leprosy Rehabilitation and Training Centre (Alert), em Addis Abeba, Etiópia, em janeiro de 1974. Essa instituição trabalhava em cooperação com o Armauer Hansen Research Institute (Ahri), um centro de imunologia básica e aplicada em que a hanseníase era usada como modelo. Três meses depois fui convidado a fazer parte da equipe e lá permaneci por cinco anos, aprendendo sobre hanseníase com importantes hansenólogos, como John Pearson e Harold Wheate, e dermatologistas, como Ross St Claire Barnetson, que depois foi professor titular em Sidney. Aprendi imunologia com Göran Kronvall, Gunnar Bjune e Morton Harboe e com diversos eminentes imunologistas visitantes. A Etiópia vivia momentos difíceis, com uma revolução comunista seguida por tempos de terror. Isso definitivamente ajudou minha formação pessoal. Em 1979, deixei o país junto com minha família, e voltamos à Holanda, onde me especializei oficialmente como dermatologista e venereologista. Fui então convidado pela organização Associatione Italiana Amici di Raoul Follereau para reiniciar o controle de hanseníase no Zimbábue, após a guerra de independência. Passei três anos com minha família


JornalAnoXII2008N4.qxd

02.09.08

12:06

Page 7

nesse país e organizei algumas unidades para controle de hanseníase e outras doenças cutâneas. Naquela época, foram diagnosticados os primeiros pacientes infectados com HIV no Zimbábue, e percebemos que algumas das manifestações raras observadas em doenças cutâneas eram devidas ao HIV. Depois que me mudei, o Zimbábue tornou-se o primeiro país em desenvolvimento a controlar a hanseníase. Durante minha estada, testemunhei os primeiros assassinatos dos adversários do Mugabe, em que participaram tropas de elite lideradas por norte-coreanos.Tivemos que sair do Zimbábue quando meu salário, devido a circunstâncias econômicas, tornou-se muito pequeno para pagar a escola de ensino médio de nossa segunda filha. Saímos em direção à Holanda de carro, para uma viagem pela África, que, entretanto, por questões de política internacional, tivemos que interromper em Niger. Não obtivemos permissão para entrar na Algéria.Além disso, nos últimos 10 anos trabalhei três meses por ano no Centro Regional de Treinamento em Dermatologia (RDTC, sigla em inglês) em Moshi, na Tanzânia, que foi fundado por meu amigo Henning Grossmann. O centro de treinamento oferece um curso prático intensivo, com duração de dois anos, em dermatologia e venereologia, com ênfase especial em hanseníase e infecção por HIV, para auxiliares médicos e enfermeiros sanitaristas de países africanos de língua inglesa. Nos últimos 14 anos, foram treinados mais de 150 dermatologistas, de países distantes como Libéria, Etiópia, Botsuana e Lesoto. Só não foram treinados profissionais da Nigéria, Zimbábue e África do Sul. Além do Diploma Avançado em Dermatologia e Venereologia, o centro oferece também um programa de residência.

JSBD – O que o levou a trabalhar no Brasil? BN – Durante os anos em Rotterdam viajei intensamente para ensinar e fiz grande amizade com Diltor Opromolla, de Bauru (SP). Quando nossos filhos terminaram a universidade, pude buscar novas oportunidades. Deixei Rotterdam e fui para a famosa Universidade de Leiden, onde iniciei uma prática de dermatologia no pôlder,* atendendo agricultores e pescadores. Isso me deu a opção de seguir meus “ideais” novamente e voltar para os países em desenvolvimento. Após visitar amigos na Índia,Tanzânia e no Brasil, decidi aceitar o convite de Diltor

Opromolla para passar alguns meses por ano no Brasil e ajudálo a fortalecer a pesquisa em hanseníase no Instituto Lauro de Souza Lima. Aceitei pela oportunidade de aprender com sua vasta experiência clínica e também com Raul Fleury, patologista. Faço isso há mais de 10 anos e fiz novos amigos em Londrina, Rondonópolis, São Paulo, Rio e Manaus, o que enriqueceu minha experiência de maneira significativa. *Pôlder é uma planície protegida por diques contra inundações, usada para agricultura (fonte Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa).

JSBD – Além da prática médica, o senhor também se dedicou à vida acadêmica? BN – Minha lista de publicações contém mais de 180 artigos científicos e capítulos de livros, e mais de 80 dessas publicações estão disponíveis no PubMed. O foco principal de pesquisa é hanseníase, HIV e doenças de pele em negros. Tive o privilégio de receber diversos prêmios: primeiro, a Medalha de Honra do meu grêmio estudantil, seguida pela Companiate of Merit, do Hospital do Zimbábue; a Ordem dos Cavaleiros de São Lázaro, de Jerusalém; membro honorário do Sihan; Dermatologista Italiano, pela Associação de Hanseníase; o prêmio Leo por minhas contribuições à dermatologia holandesa, pela Sociedade Holandesa de Dermatologia e Venereologia; a Medalha Eijkman, da Sociedade Holandesa de Medicina Tropical, pela contribuição à pesquisa em hanseníase; e, mais recentemente, o Certificado de Apreciação da Liga Internacional de Sociedades Dermatológicas por colaborar com o ensino e prática de dermatologia tropical, a hanseníase incluída, em países em desenvolvimento. A rainha da Holanda concedeu-me a honra da Ordem dos Cavaleiros do Leão Holandês (Ridder in de Nederlandse leeuw).

JSBD – Como é feito o treinamento de um dermatologista na Holanda? BN – Há oito universidades na Holanda com especialização para dermatologistas. O treinamento dura cinco anos e inclui um ano de estágio em hospital geral. Após formados, os especialistas devem recredenciar-se a cada cinco anos, comprovando que trabalham mais de 20 horas por semana

Jornal da SBD  Ano XII n. 4



7


JornalAnoXII2008N4.qxd

02.09.08

12:07

Page 8

Entrevista com o prof. Bernard Naafs feita pelo prof. Paulo Cunha e que adquiriram quantidade suficiente de pontos de EMC. As clínicas são visitadas e avaliadas por colegas a cada cinco anos aproximadamente. Mais da metade dos dermatologistas trabalham em prática privada. E o salário dos que trabalham em hospitais não é muito menor. Só é menos rentável trabalhar para as universidades. Há um sistema nacional de saúde que foi privatizado, e os dermatologistas recebem pelo serviço prestado aos pacientes através das empresas de seguro. Por princípio, todos os cidadãos holandeses são segurados e podem receber atenção integral.

JSBD – Como está estruturada a dermatologia no país? BN – A especialidade Dermatologia e Venereologia existe na Holanda há 125 anos, e antes era área dos cirurgiões. Atualmente há cerca de 450 dermatologistas que trabalham em universidades, hospitais e clínicas particulares. Há falta de dermatologistas na Holanda, em geral por causa do trabalho em tempo parcial e pelo interesse crescente em cosmiatria. A forma de os dermatologistas trabalharem vem mudando nos últimos 20 anos — atuam menos em venereologia e proctologia e mais com cirurgia dermatológica e flebologia. O número de dermatologistas envolvidos em cosmiatria está

POPULAÇÃO:

16 milhões

MOEDA:

Euro

IDIOMA:

Neerlandês

DERMATOLOGISTAS:

450

aumentando; por isso o respeito da sociedade médica pela especialidade está diminuindo. Os sanitaristas e infectologistas assumem as doenças sexualmente transmissíveis e a infecção por HIV, e ameaçam a especialidade. Os infectologistas tratam doenças como hanseníase, leishmaniose, micoses profundas e até erisipela e herpes. As unidades de queimados cuidam de doenças bolhosas, e os reumatologistas tratam das colagenoses, incluindo a artrite psoriática. A flebologia é cada vez mais praticada por cirurgiões vasculares, e a proctologia, por cirurgiões gerais. Os alergologistas cuidam dos casos de eczema de contato e urticária, e os pediatras do eczema atópico.

JSBD – Quais os principais desafios das sociedades médicas holandesas? BN – O principal desafio para a sociedade médica em geral é a burocracia e a influência crescente de gerentes. O custo cada vez maior dos serviços de saúde é também um fato preocupante. Infelizmente a maneira de os políticos enfrentarem esse problema é atribuindo mais responsabilidade às companhias de seguro, que defendem uma medicina barata, uniforme e baseada em protocolos.

HOLANDA

Amsterdam Haia Utrecht Roterdam ALEMANHA

8  Jornal da SBD  Ano XII n. 4

BÉLGICA

Maastricht


JornalAnoXII2008N4.qxd

F

02.09.08

12:07

Page 9

amosa por seus diques, tulipas e moinhos, a Holanda é também um excelente destino para os amantes das belas artes. A terra de Rembrandt, Van Goth e Vermeer dispõe de grande número de museus, alguns dos melhores de que se tem notícia, como o gigante Museu Nacional Rijksmuseum, o moderno Stedelijk, o Museu Van Gogh, a Casa de Rembrandt e a Casa de Anne Frank. Na capital,Amsterdam, um dos pontos mais visitados é o Jardim de Flores Keukenhof, um dos maiores parques de flores da Europa, que abriga milhares de exemplares de tulipas, incluídos alguns raros. E a melhor maneira de visitar este e todos os demais parques holandeses é de bicicleta, meio de transporte mais popular do país. A Holanda é um dos poucos países cuja capital não abriga a sede do governo. É na cidade de Haia que estão o Parlamento, a residência da monarquia, os ministérios e a maioria das embaixadas. A cidade é ainda conhecida como sede do direito

internacional, pois no famoso Palácio da Paz se reúne o Tribunal Internacional de Justiça, principal órgão judicial das Nações Unidas. Em Haia, além dos elegantes prédios do governo, o visitante pode desfrutar as belas praias,o Museu Mauritshuis — construído por Maurício de Nassau, o governador das possessões holandesas no Brasil — e a pequena cidade de Madurodam, versão em miniatura da típica arquitetura neerlandesa. Outros destinos turísticos são as cidades de Roterdam, com sua moderna arquitetura, Utrecht, Maastricht e ValKenburg, onde é possível encontrar antigos castelos. A tradição holandesa de utilizar moinhos de vento também perdura, como nos vilarejos de Kinderdiik e Zaanse Schans. Nesses locais, o visitante encontra ainda produtos típicos do país, como a mostarda, os queijos e os tamancos de madeira. Outros pontos de parada obrigatória são as encantadoras vilas de pescadores Volendam e Marken, que mantêm vivas as tradições e o folclore neerlandês. Em função de grande parte de seu território estar localizada abaixo do nível do mar, a paisagem holandesa é caracterizada por diques e canais, estes só menos famosos do que os venezianos.Vem daí também sua denominação correta: apesar de popularmente conhecida como Holanda, a região corresponde de fato aos Países Baixos, união de diversas províncias, entre as quais a Holanda do Norte e a Holanda do Sul.

Holanda:

país de belezas imensuráveis Jornal da SBD



Ano XII n. 4



9


de Dermatologia l Jo s o r i rnal sile a r da B

Investimento:

SB D

l

Po rt

vale a pena ser associado da SBD?

DSB Médica - Público em ermatologia - Troi



se Clas

Jornal da SBD

as “ A tla

assinatura do The Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology custa mais de U$500 para pessoa física. Só nesses meios de informação e atualização a SBD investe mais de um milhão de reais por ano, o que equivaleria ao custo aproximado de R$ 200 por ano por associado. A atualização científica, através da Educação Médica Continuada, é outro carro-chefe da gestão. Os associados sempre têm descontos para participar de todos os eventos científicos da entidade. Além de grandes eventos de atualização, como o Congresso Brasileiro e o Simpósio de Cosmiatria e Laser, a SBD realiza também cursos menores, como, por exemplo, os Cursos de Dermatologia Geriátrica que ocorreram em Goiânia, Salvador e Curitiba, e o 1o Simpósio Nacional de Hanseníase da SBD, que foi na Bahia. Há que destacar também os cursos itinerantes de cosmiatria, que têm acontecido nas menores capitais, como Teresina, Vitória e Salvador, onde há normalmente menos eventos de atualização. As campanhas sociais, como a Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele, Dia do Meio Ambiente, Pare de Fumar ou Sinta na Pele e Dia Nacional da Psoríase, também tiveram grandes investimentos.“Sem dúvida um ganho imensurável diante dos resultados alcançados, afinal, temos responsabilidade frente à população”, comenta a tesoureira. A entidade também destina verbas para a doação de bolsas de estudos aos melhores colocados no TED. A engrenagem administrativa que compõe a máquina da SBD também está ligada diretamente aos associados, pois funciona para servi-los.“Gastamos cerca de dois milhões de reais na administração, incluindo informática, pessoal, correios, materiais de escritório, energia, taxas e impostos, além de assessoria jurídica e contábil. É importante o associado conhecer como está sendo aplicado o valor da anuidade”, explica a dra. Cláudia Maia. Cerca de 50% dos valores das anuidades são repassadas para as SBD-regionais.“Essa verba está diretamente ligada à sobrevivência de muitas das menores regionais e sem dúvida é de grande ajuda para as maiores”, ela justifica.

D G er al s de A nais Brasileiro

A transparência das ações de uma gestão é imprescindível para a conquista da confiança do associado. Afinal, as pessoas querem conhecer os resultados de seus investimentos, para poder responder sem dúvidas à pergunta: por que ser associado da SBD? O valor da informação é imensurável. Com a preocupação de oferecer ao associado amplas e modernas fontes de comunicação, a SBD disponibiliza seus veículos: os Anais Brasileiros de Dermatologia, o Jornal da SBD, o Portal da SBD – que compreende os sites Classe Médica, Público em Geral, Anais Brasileiros de Dermatologia e Troias “Atlas”, a Biblioteca da SBD, além de importante acervo; oferece gratuitamente acesso a diversos periódicos, através do Portal de Per i ó d i c o s SBD/EBSCO. Para se ter uma idéia, a

da

Ev en t

is

Page 11

al

sl

sl

a An

12:07

Bib

o

02.09.08

l s”.

JornalAnoXII2008N4.qxd

Ano XII n. 4



11


JornalAnoXII2008N4.qxd

02.09.08

12:07

Page 12

O montante recebido pelas anuidades representa apenas um terço das despesas da SBD. Os outros dois terços são oriundos dos eventos e dos patrocinadores. “A entidade investe toda a sua receita em benefício do associado, seguindo, portanto seus objetivos estatutários. Tanto é que o custo anual para que cada associado usufrua de todas essas benesses é de cerca de R$ 700 por ano, valor que ultrapassa em muito o arrecadado pela anuidade”, encerra a dra. Cláudia Maia. Pensando em oferecer mais conforto aos associados, possibilitar a realização de programações científicas, além de melhorar a organização operacional dos funcionários, decidiu-se em dezembro passado pela ampliação da sede da entidade, que foi uma das mais ousadas decisões da atual Diretoria. Foi feito um planejamento para enxugar os custos durante toda a gestão, e o resultado dessa economia foi revertido na compra do imóvel – um abaixo de onde atualmente funciona a SBD. As obras acabam até o

Fortaleza

final do ano, quando o associado poderá usufruir do novo ambiente. O novo espaço terá auditório, salas para reuniões e um lugar especial para videoconferências. Segundo a dra. Cláudia Maia, houve forte investimento na área de Telemedicina, ou seja, em tecnologia e aquisições de equipamentos com intuito de atender a antigas demandas dos sócios. “As instalações projetadas para Telemedicina incrementarão ainda mais as palestras on-line. Esse projeto tem enormes proporções, pois leva atualização aos associados que estão mais distantes”, declara. Segundo a dra. Cláudia Maia, ao pensar apenas em investimentos financeiros, nota-se que o associado da SBD tem reais benefícios em troca. “Entretanto, se pensarmos na força de nossa entidade, sua representação frente a entidades médicas (AMB, CRM), sua força política no cenário nacional e internacional, não há o que questionar: vale a pena ser associado da SBD!”, afirma.

Recomende

Com a proximidade do 63o Congresso da SBD, que acontecerá em Fortaleza entre os dias 6 e 10 de setembro, preparamos um guia especial com as principais atrações da cidade cearense. Praias Com sol quase o ano inteiro, Fortaleza oferece aproximadamente 30km de praia, com diversos restaurantes, barracas e muita diversão. A Praia do Futuro, a 10km do Centro da cidade, é a mais freqüentada durante o dia. Nas noites de quinta-feira, acontece a tradicional “caranguejada”: dezenas de barracas oferecem os mais variados pratos de caranguejo, acompanhados por música ao vivo e shows de humor. A Praia de Iracema distingue-se pelos seus bares, restaurantes e pela movimentada vida noturna. Lá estão localizados a Ponte dos Ingleses — um dos cartões-postais de Fortaleza, de onde se podem ver golfinhos e um belíssimo pôr-do-sol — e o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, centro de lazer e cultura que se tornou um ícone da cidade. Onde comer? Para quem quer conhecer os pratos tradicionais do Ceará, como a tapioca, as opções são o restaurante Coco Bambu e o Centro das Tapioqueiras, que fica em Eusébio, cidade

12  Jornal da SBD  Ano XII n. 4

vizinha a Fortaleza. São mais de 50 tipos diferentes de tapiocas, variando entre doces e salgadas. Para os amantes de frutos do mar, o restaurante Milmares oferece cozinha refinada que explora ao máximo a diversidade do litoral e da culinária regional. Na Avenida Beira-Mar, quiosques e barracas também oferecem opções de frutos do mar. Aproveite ainda para se refrescar com os mais de 50 sabores de frutas regionais e naturais da Sorveteria Tropical. Onde comprar? Aberta todos os dias, a tradicional feira de artesanato da Avenida BeiraMar oferece desde trabalhos em renda e couro até bijuterias e comidas típicas. O artesanato cearense pode também ser encontrado no Mercado Central. São quatro andares com milhares de artigos da cultura nordestina, como redes, crochês, suvenires, camisetas, entre outros. Outra opção de compras está nas centenas de lojas que se estendem por toda a Avenida Monsenhor Tabosa.


JornalAnoXII2008N4.qxd

02.09.08

12:07

Page 13

Campanhas sociais da SBD N

o segundo semestre de 2008, além da tradicional Campanha Nacional de Prevenção do Câncer da Pele, a SBD promove outras duas campanhas sociais. Integrando os eventos do Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado em 29 de agosto, a entidade realizou a campanha “Pare de fumar ou sinta na pele”, com o objetivo de esclarecer as conseqüências cutâneas do tabagismo. Foram enviados cartazes às Regionais e aos Serviços Credenciados com informações ressaltando as implicações estéticas do fumo: envelhecimento facial; pele amarelada, pálida e atrófica; contornos ósseos mais acentuados; linhas mais marcadas, principalmente nas mulheres; maior índice de complicações nas cirurgias plásticas. Informações mais aprofundadas podem ser adquiridas através do site da SBD, na palestra on-line "O tabagismo e suas conseqüências na pele", proferida pelo dr. Marcus Maia. A campanha foi muito

bem recebida pelos médicos e entidades engajados na luta contra o tabagismo, os quais parabenizaram a SBD pela iniciativa. Em outubro, a SBD realiza a campanha do Dia Nacional da Psoríase, englobando ações de esclarecimento sobre a doença, voltadas para a comunidade e a mídia. O projeto estreou em 2006 e este ano será coordenado pelos drs. Maria Denise Takahashi e Ricardo Romiti. Visando elucidar as principais questões a respeito da psoríase, a SBD produzirá materiais educativos — folders, cartazes e banners—, além de manter disponíveis informações sobre a doença no site da entidade para o público leigo. As atividades planejadas para este ano incluem a instalação de tendas em locais públicos para distribuição de folhetos explicativos à população, no dia 25 de outubro, e a realização de palestras educativas para pacientes, no âmbito dos Serviços Credenciados, no dia 29. Através de atividades de conscientização, a SBD pretende melhorar a qualidade de vida dos doentes, mostrando como identificar a psoríase, quais são os tratamentos e como é possível conviver com a doença. Além disso, espera-se ajudar a reduzir o preconceito, divulgando à sociedade civil que a psoríase não é contagiosa.

Jornal da SBD



Ano XII n. 4



13


JornalAnoXII2008N4.qxd

02.09.08

12:07

Page 15

u l t o s V da Dermatologia

D

e trajetória brilhante, o professor Tancredo Alves Furtado, grande expoente da dermatologia brasileira, atuou em áreas diversas, destacando-se como educador, cientista e médico. Nasceu em Carmo do Paranaíba, Prof. Tancredo Alves Furtado MG, em 1923, filho de Luciano Furtado da Silva e Lucília Alves Furtado. Sua opção por medicina sofreu forte influência familiar,uma vez que pai e avô materno eram médicos atuantes e respeitados no interior de Minas.Casou-se com Maria da Conceição Barbosa Melo, e tiveram seis filhos. Graduou-se em medicina em 1946 pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Com incentivos de grandes mestres da época, seguiu para uma temporada de aprimoramento científico nos Estados Unidos, com estada em Kansas, Califórnia e Nova York. No âmbito acadêmico, foi professor catedrático de dermatologia da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (63-82), professor titular de dermatologia da Universidade Federal de Minas Gerais, de cuja Faculdade de Medicina foi também diretor (82-86). Foi professor visitante em Chicago (Illinois University), Washington (Armed Forces Institute of Pathology) e no México. Com participação e atividade associativa ampla, na Sociedade Brasileira de Dermatologia foi presidente, membro do Conselho Deliberativo, das comissões de ensino e do corpo de redatores dos Anais. Participou de várias dire-

Prof. Tancredo Alves Furtado Por dra. Flávia Vasques Bittencourt, vice-presidente da SBD-MG torias da SBD – Seção Minas Gerais e da Associação Médica de Minas Gerais, sendo membro efetivo ou honorário de 22 sociedades científicas. Com vasta produção científica é autor de três teses, diversos livros, monografias, inúmeros capítulos de livros e mais de 200 trabalhos científicos em periódicos nacionais e estrangeiros. Foi agraciado com vários títulos honoríficos, como Medalha de Honra da Inconfidência (1983) e Comenda Carlos Chagas (1986), entre outros. Afastado de suas atividades desde 1998, quando se aposentou, o professor Tancredo deixa em quem teve a honra de seu convívio um exemplo de dedicação e profissionalismo.

Regional

Minas Gerais

Av. João Pinheiro, 161 - Sala 202 30130-180 - Belo Horizonte - MG Tel.: (31) 3247-1627 - Fax: (31) 3247-1632 email: dermatologia@ammgmail.org.br

No de associados - 480

   

Faculdade de Medicina da Uni. Federal de Minas Gerais Hospital Universitário da Univ. Federal de Juiz de Fora Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte Universidade Federal de Uberlândia

Diretoria 2007-2008 Presidente dr. Marcelo Grossi Araújo dra. Flávia Vasques Bittencourt Vice-Presidente Secretária-Geral dr. Glaysson Tassara Tavares 1a Secretária dra. Dra. Maria Ester Massara Café dr. Everton Carlos Siviero do Vale Tesoureiro Coord. Eventos e Comis. Cient.: dr. Claudemir R. Aguilar Coord. Médico Mídia Eletrônica: dr. Bernardo Gontijo

Jornal da SBD



Ano XII n. 4



15


JornalAnoXII2008N4.qxd

02.09.08

12:07

Page 16

Sai resultado da prova do

TED Especial da SBD O

exame do TED Especial constou de duas partes: prática e teórica, esta eliminatória, realizada em cinco estados do país: Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Por determinação da AMB, a parte teórica só pôde conter 30 testes, sendo obrigatória uma parte dissertativa, com valor maior. Nessa etapa foram aprovados 194 candidatos, dos 368 inscritos. De acordo com a presidente da Comissão do Título Especial da SBD, dra. Maria Denise Takahashi, a parte dissertativa continha 11 questões – das quais o candidato pôde escolher 10 para responder – apresentando, sempre um doente com alguma dermatose vista no dia-a-dia do dermatologista. As perguntas

Os professores que aplicaram a prova oral

16  Jornal da SBD  Ano XII n. 4

eram quase todas sobre as condutas diagnósticas ou terapêuticas, relativas àquelas doenças.“Nós acreditávamos que a maioria dos inscritos seria aprovada, já que tinha 15 ou mais anos de prática dermatológica”, comenta. Também por determinação da AMB, os habilitados na primeira etapa participaram da prova prática oral no dia 29 de junho de 2009, no Hotel Jaraguá, em São Paulo. Dos 194 convocados, 190 foram aprovados. De acordo com a dra. Maria Denise Takahashi, a prova oral foi aplicada com a ajuda de dermatologistas, todos com título de doutorado. Os casos clínicos eram projetados em um


JornalAnoXII2008N4.qxd

02.09.08

12:07

Page 17

telão, e o examinador argüía o candidato. Foram solicitadas hipóteses diagnósticas, condutas diagnósticas ou tratamentos. Na maioria das mesas havia uma testemunha presente. Além disso, foram oferecidos a cada turma um exame histopatológico e um micológico para diagnóstico. A dra. Ana Maria F. Roselino, professora-associada e preceptora da Residência em Dermatologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP), aplicou a prova e a considerou bem elaborada “tanto pelo modus faciendi como pelo conteúdo”, afirma. “A prova oral foi realmente gratificante para nós da Comissão do TED. Todos ficaram contentes com a participação: os candidatos, os doutores convidados e as testemunhas”, relata a dra. Maria Denise Takahashi. A Comissão do TED da SBD é formada pelos professores Maria Denise Takahashi, Bernardo Gontijo, Jackson Machado-Pinto, Silvio Alencar Marques, Artur Antonio Duarte, José Antonio Sanches Júnior, Lia Cândida Miranda de Castro, José Hermênio Cavalcante Lima Filho e Silmara Cestari, a última, membro ad hoc.

O

Fora dos grandes centros: primeiras colocadas no TED da SBD

As primeiras colocadas na Prova de Título de Especialista da SBD, realizada em março, são provenientes do Nordeste, as doutoras, à direita, Larissa Morais da Costa (RN) e, à esquerda, Mariana Modesto Dantas de Andrade Lima (PE)

Algumas histórias

dr. Paulo Notaroberto foi um dos 368 dermatologistas que fizeram a prova do TED. Ele conta que há 12 anos, época em que fez pós-graduação, estava muito focado em elaborar sua monografia, além de ter outras prioridades. “Cinco anos depois, quando prestei exame para obter o título, havia perdido o ritmo de estudo e ficou difícil”, conta. Para ele, com a iniciativa da atual Diretoria, a prova foi mais direcionada para as partes clínica e teórica, embora com complexidades. “Não foi fácil, mas uma boa prova de se fazer. Eu me preparei bem e passei bem”, reflete. “Sem o título, naturalmente, me afastei um pouco da SBD. Agora já sinto maior proximidade com a entidade, logo estou inscrito na Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica e quero me aproximar e participar cada vez mais da SBD. Gostaria, aliás, de parabenizar a atual gestão pela realização do TED Especial, porque criou a oportunidade de regularizar como sócio efetivo, com suas prerrogativas de direitos e deveres, parcela grande de sócios contribuintes”, encerra. As associadas mais antigas da SBD que conquistaram o Título Especial, as dras. Sulamita Costas e Rosamaria Kelbert, foram congratuladas pela entidade com bolsas para participar do XII Congresso Uruguaio de

Dermatologia. A catarinense Rosamaria Kelbert achou esse prêmio “fabuloso”: “Estou supercontente e agradecida por ser considerada merecedora”, afirma. Ela conta que passou a infância em Maringá, no Paraná, de onde saiu para estudar medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro. “A maior parte da minha formação clínica se deu na Santa Casa de Misericórdia, onde também me especializei em Dermatologia”, diz. Trabalhou como dermatologista estatutária no Centro de Saúde, em Petrópolis e em clínicas particulares da cidade, onde mora há 26 anos. Atualmente atua em seu consultório particular. Em sua opinião, a prova escrita do TED Especial foi bem arrochada. “O que só aumentou a aflição e expectativa para a prova prática. Para minha surpresa, e dos colegas de luta, a parte prática foi bem mais tranqüila.Achei o teste de modo geral muito bem organizado e condizente com a experiência de trabalho dos candidatos”, afirma. Ela informa também que estudou apoiada nos livros dos professores Luna Azulay, Sebastião Sampaio, René Garrido Neves e Artur Duarte, entre outros.“Valeu.Tanto aprendi como relembrei muita coisa, num prazo bastante reduzido”, encerra.

Jornal da SBD



Ano XII n. 4



17


JornalAnoXII2008N4.qxd

02.09.08

12:07

Page 18

TED Especial -

Estatística final por Serviço Credenciado

Instituição

Inscritos

Presentes

Ausentes Conv. 2F* Habilitados

% Habil.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS MACEIÓ AL INSTIT. DERMATOLOGIA TROPICAL E VENEREOLOGIA MANAUS AM FACULDADE DE CIÊNCIA DA SAÚDE UNIV. DO AMAZONAS MANAUS AM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO PROF. EDGARD SANTOS SALVADOR BA ESCOLA BAHIANA DE MEDICINA E SAÚDE PÚBLICA SALVADOR BA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ FORTALEZA CE CENTRO DE DERMATOLOGIA DONA LIBÂNIA FORTALEZA CE HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DE BRASÍLIA BRASÍLIA DF UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO UFES VITÓRIA ES IRMANDADE DA STA. CASA DE MISERICÓRIDIA DE VITÓRIA VITÓRIA ES HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA UNIV. FEDERAL DE GOIÁS GOIÂNIA GO SANTA CASA DE MISERICORDIA DE BELO HORIZONTE BELO HORIZONTE MG HOSPITAL UNIVERSIT. DA UNIV. FED. DE JUIZ DE FORA JUIZ DE FORA MG FAC. DE MEDICINA DA UNIVERS. FED. DE MINAS GERAIS BELO HORIZONTE MG UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ BELÉM PA SERVIÇO DE DERMATOLOGIA UNIV. FED. PERNAMBUCO RECIFE PE FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DE PERNAMBUCO RECIFE PE CENTRO ESTUDOS DERMATOLÓGICOS DE RECIFE CEDER RECIFE PE FACULDADE EVANGÉLICA DE MEDICINA DO PARANÁ CURITIBA PR UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ CURITIBA PR SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DO RIO DE JANEIRO RIO DE JANEIRO RJ HOSPITAL DOS SERVIDORES DO ESTADO DO RJ RIO DE JANEIRO RJ HOSPITAL CENTRAL DO IASERJ RIO DE JANEIRO RJ HOSPITAL UNIVERSITÁRIO GAFFRÉE E GUINLE UNIRIO RIO DE JANEIRO RJ HOSPITAL UNIVERSITÁRIO PEDRO ERNESTO RIO DE JANEIRO RJ HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CLEMENTINO FRAGA FILHO RIO DE JANEIRO RJ HOSPITAL UNIVERSITÁRIO ANTONIO PEDRO NITERÓI RJ HOSPITAL DA LAGOA RIO DE JANEIRO RJ POLICLÍNICA GERAL DO RIO DE JANEIRO RIO DE JANEIRO RJ HOSPITAL NAVAL MARCÍLIO DIAS RIO DE JANEIRO RJ HOSPITAL GERAL DE BONSUCESSO RIO DE JANEIRO RJ UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE NATAL RN UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL PORTO ALEGRE RS IRM. DA SANTA CASA DE MISER. DE PORTO ALEGRE PORTO ALEGRE RS FUNDAÇÃO FAC. FED. CIÊNCIAS MÉDICAS PORTO ALEGRE PORTO ALEGRE RS AMBULATÓRIO DE DERMATOLOGIA SANITÁRIA RS PORTO ALEGRE RS HOSPITAL UNIVERS. WLADIMIR ARRUDA UNIV.STO.AMARO SANTO AMARO SP COMPLEXO HOSPITALAR HELIÓPOLIS INAMPS/SUS SÃO PAULO SP INSTITUTO LAURO DE SOUZA LIMA SP BAURU SP ESCOLA PAULISTA DE MEDICINA UFSP SÃO PAULO SP HOSPITAL DO SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL SP SÃO PAULO SP FACULDADE DE MEDICINA DE JUNDIAÍ JUNDIAÍ SP FACULDADE DE MEDICINA DE RIBEIRÃO PRETO RIBEIRÃO PRETO SP FACULDADE DE MEDICINA DO ABC SANTO ANDRÉ SP HOSPITAL E MATERNIDADE CELSO PIERRO PUC CAMPINAS CAMPINAS SP FACULDADE DE MEDICINA DE MARÍLIA MARÍLIA SP UNESP UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA BOTUCATU SP HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FMUSP SÃO PAULO SP HOSPITAL CENTRAL DA SANTA CASA DE SÃO PAULO SÃO PAULO SP HOSPITAL DO SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL SP SÃO PAULO SP FAC. ESTADUAL DE MED. DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO SÃO JOSÉ DO RIO PRETO SP OUTROS Não realizei residência médica, estágio ou Especialização em Dermatologia

1 3 1 16 8 1 1 4 3 1 3 6 12 5 9 22 3 2 1 1 21 4 1 10 8 7 26 1 2 1 3 3 3 10 5 1 1 6 5 1 7 2 11 1 5 3 4 6 1 3 1 78 24

1 3 1 15 4 1 1 4 3 1 2 5 10 5 8 20 3 2 1 1 17 4 1 9 7 7 21 1 2 1 3 3 3 8 5 1 1 6 4 1 7 2 10 1 5 3 4 6 1 3 0 73 23

0 0 0 1 4 0 0 0 0 0 1 1 2 0 1 2 0 0 0 0 4 0 0 1 1 0 5 0 0 0 0 0 0 2 0 0 0 0 1 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 1 5 1

1 0 1 9 2 0 0 3 2 0 1 4 7 4 2 13 3 2 0 1 14 4 1 4 3 5 13 1 0 1 1 2 0 6 5 1 1 3 2 1 5 1 6 1 4 2 4 5 0 0 0 39 4

1 0 1 9 2 0 0 3 2 0 1 4 7 4 1 13 3 2 0 1 13 4 1 4 3 5 13 1 0 1 1 2 0 6 5 1 1 3 2 1 5 1 6 1 4 2 4 5 0 0 0 38 3

100 – 100 60 50 – – 75 66,67 – 50 80 70 80 12,50 65 100 100 – 100 76,47 100 100 44,44 42,86 71,43 61,90 100 – 100 33,33 66,67 – 75 100 100 100 50 50 100 71,43 50 60 100 80 66,67 100 83,33 – – – 52,05 13,04

Total Geral do Concurso

368

334

34

194

190

56,89

Estatística final por opção Opção

Inscritos

Presentes

Ausentes Conv. 2F* Habilitados % Habil.

Associado quite da SBD Associado quitado AMB (mediante comprovação) Não associado da SBD e não associado da AMB

288 25 55

258 23 53

30 2 2

151 16 27

149 16 25

57,75 69,57 47,17

Total Geral do Concurso

368

334

34

194

190

56,89

18  Jornal da SBD  Ano XII n. 4

* Convocados para a segunda fase Fonte: P:\SBDE0801\REPORT\ProvaOral\Estatistica Final ServCred.rpt emissão: 12/08/2008 10:36:10 (Fundação VUNESP)


JornalAnoXII2008N4.qxd

02.09.08

12:07

Page 19

 

CBHPM: referencial para a medicina brasileira

E

m agosto de 2008, a Associação Médica Brasileira (AMB) lança a quinta edição da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM). Essa atualização é o resultado de mais de um ano de trabalho da entidade no sentido de compor o rol de procedimentos médicos que integrará a Terminologia Unificada em Saúde Suplementar (Tuss), o novo referencial da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) a partir de 2009. A CBHPM é referência básica dos procedimentos médicos e a origem de um eixo de ações da AMB na área técnico-científica. Sua aplicação é essencial para que haja transparência no sistema de saúde. A primeira edição foi publicada em 2003 e, desde então, é revista anualmente. O principal escopo do documento é listar os procedimentos apropriados para uso clínico e, dessa forma, definir a integralidade da saúde. Existe uma Câmara Técnica que se debruça permanentemente sobre o assunto, analisando sugestões e revisando a lista existente. A ciência oferece aos médicos novas possibilidades de diagnóstico e tratamento que devem ser, quando demonstrados eficazes, incorporados à prática clínica, substituindo procedimentos que se tornaram obsoletos. Nessa complexa dinâmica está o grande valor da CBHPM. Ao lado da avaliação da efetividade dos procedimentos que compõem a CBHPM, existe um processo de hierarquização em que entram critérios como: tempo de execução, grau de responsabilidade e complexidade, refletindo o esforço necessário para sua realização. Para elaborar uma edição da CBHPM, é preciso reunir as 53 sociedades de especialidade reconhecidas no Brasil e solicitar que analisem os procedimentos de suas áreas respectivas.Todos os procedimentos são colocados em rol único, em que a consulta é o fator de normatização, e eventuais desvios são objeto de revisão individualizada. Quando surge uma proposta para incluir ou retirar algum procedimento médico, ela é encaminhada à equipe de medicina que, com base em evidências, analisa as justificativas. O projeto também é enviado à Câmara Técnica da CBHPM, composta por representantes da AMB, CFM, Fenam, Unidas, Unimed e Fenasaúde. A AMB propôs que a CBHPM fosse adotada como referencial para a remuneração médica dentro de um conjunto de regras fixado por lei. O deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE) apresentou o Projeto de Lei 3.466/2004, aprovado na Câmara dos Deputados e que, desde junho de 2007, tramita no Senado Federal como PLC n. 39/2007.

Carta Ribeirão Preto, 25 de julho de 2008

Ilma. Sra. Profa. Dra. Alice de Oliveira de Avelar Alchorne MD Presidente da SBD Ilma. Sra. Profa. Dra. Maria Denise Takahashi MD. Presidente da Comissão do TED Prezadas professoras, Com muita satisfação venho cumprimentá-las, cumprimento este estendido aos demais componentes da Diretoria da SBD, aos colegas da Comissão do TED, assim como a todos os professores convidados para o exame prático, funcionários e equipe Vunesp pelo excelente exame aplicado aos colegas dermatologistas com mais de 15 anos de atuação na especialidade. Como participante da prova oral, reitero meus especiais cumprimentos tanto pelo modus faciendi da prova como pelo conteúdo. Foram abordadas dermatoses que são prevalentes em nosso meio, as quais fazem parte da grade curricular do curso de medicina e da formação do especialista na residência médica em dermatologia, e, finalmente, cuja participação do dermatologista é essencial para a elaboração do diagnóstico diferencial, a requisição de exames subsidiários e o tratamento. Sem dúvida, foi oportunidade ímpar para nossos colegas adquirirem o título de especialista. Cordialmente, Ana Maria F. Roselino Professora-associada Preceptora da Residência em Dermatologia Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP Tel: +55.16.3633.0236 Fax: +55.16.3633.6695 E-mail: amfrosel@fmrp.usp.br

 

Painel

Participe da Assembléia Geral da SBD A Diretoria da Sociedade Brasileira de Dermatologia convida todos os associados para a Assembléia Geral da SBD, que acontecerá no dia 10 de setembro de 2008 (quarta-feira), das 9h30 às 11h, na sala 1 do Centro de Convenções do Ceará, durante o 63o Congresso da SBD, em Fortaleza. Na ocasião, haverá a cerimônia de posse da Diretoria biênio 2009/10, formada por Omar Lupi (presidente) e Bogdana Victória Kadunc (vice-presidente). Compareçam! Jornal da SBD



Ano XII n. 4



19


JornalAnoXII2008N4.qxd

02.09.08

12:07

Page 20

Unificação da língua portuguesa: um fato ou um facto?

E

m julho deste ano, o governo de Portugal finalmente sancionou o acordo que pretende unificar a escrita do português nos países que o adotam como idioma oficial. Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe já haviam aprovado a medida, mas consideraram inviável colocá-la em prática sem a adesão portuguesa. Agora, a implementação da reforma parece mais próxima, já que o governo luso se comprometeu a realizá-la após período de transição de até seis anos. Calcula-se que, com a adoção da nova ortografia, cerca de 1,6% dos vocábulos portugueses sofrerão alterações. A mudança mais significativa consiste na eliminação das consoantes mudas c e p, além do h inicial. Dessa forma, tecto, acto, eléctrico, baptismo, óptimo, herva e húmido passarão a ser grafados à moda brasileira. No Brasil, haverá mudança em aproximadamente 0,5% das palavras. Será o caso da perda do acento circunflexo nas formas verbais deem, leem, veem e nas paroxítonas terminadas em oo, como voo e enjoo. Também serão eliminados os acentos agudos dos ditongos ei e oi em sílaba tônica de palavras paroxítonas, caso de heroico e assembleia. Além disso, o trema deixará de existir, não havendo mais acentuação sobre o u de palavras como linguiça, traquilidade e frequência. Outra mudança importante será a reintrodução do K, Y e W no alfabeto da língua portuguesa. Para o professor

20  Jornal da SBD  Ano XII n. 4

Sebastião Sampaio, o retorno das letras representa importante progresso para a escrita científica, visto que sua exclusão tornou mais difícil a transcrição de nomes estrangeiros e abreviaturas científicas. “Recentemente, revisei uma obra e não sabia como proceder. Usando os termos com a tradução em português os leitores nunca encontrariam as referências na literatura. A solução foi manter os nomes em inglês e acrescentar no final a tradução. Com a reforma, será possível utilizar termos científicos não alterados”, ressalta. As regras para uso do hífen também serão mudadas. O sinal gráfico não mais será utilizado antes de vocábulos que comecem por r ou s, devendo a letra ser duplicada. É o caso de antissemita e contrarregra. Já em termos como micro-ondas e arqui-inimigo, o hífen será introduzido. Para Márcio José Lauria, professor de Literatura e Teoria Literária da Unip de São José do Rio Pardo, atual presidente do Conselho Euclidiano e autor de vasta obra literária, foi justamente neste ponto que a nova reforma se mostrou tímida. “O acordo não atacou corajosamente o maior de seus problemas conflitantes — o uso, ou não, do hífen em vocábulos compostos ou iniciados por prefixos. Saber a correta grafia de palavras começadas por ‘pre’, por exemplo, exige praticamente que se memorize palavra por palavra”, observa.


JornalAnoXII2008N4.qxd

02.09.08

12:07

Page 21

Histórico

O

Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi assinado em 1990, pelos

representantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, com o objetivo de dar fim à existência de duas normas ortográficas oficiais divergentes: a brasileira e a luso-africana. Em 2004, após obter sua independência, o Timor-Leste também aderiu ao acordo. As divergências entre a ortografia utilizada no Brasil e aquela empregada nos demais países de língua portuguesa tiveram início em 1911, quando Portugal realizou profunda reforma ortográfica, sem qualquer acordo com o Brasil.A partir de então, a Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras protagonizaram diversas tentativas para estabelecer uma grafia comum a ambos os países. Originalmente, o Acordo de 1990 deveria entrar em vigor após quatro anos,

Alterações no vocabulário científico:

caso fosse ratificado por todos os signatários.A falta de aprovação geral impediu

Reumatóide, linfóide, fungóide, plasmocitóide - perderão o acento agudo, como heróico e andróide. Protéico - perderá o acento agudo como assembléia e européia. Infecção/infeção - serão aceitas as duas formas de escrita. Microorganismo - ganhará hífen, como micro-ondas.

o cumprimento do prazo e levou os representantes da Comunidade dos Países

Vantagens e desvantagens

vados custos que a unificação implicará. Dicionários, gramáticas e livros escolares ficarão obsoletos em curto espaço de tempo e precisarão ser reeditados, assim como todas as demais obras literárias. No Brasil, a preparação e revisão de um único livro custa em média cinco mil reais, e a atualização de um dicionário fica entre 200 e 400 mil reais. Outro ponto muito criticado do acordo ortográfico foi a manutenção da dupla grafia de diversas palavras, como forma de contemplar as diferenças fonéticas existentes.Assim, amídala/amígdala, cacto/cato, infecção/infeção, abdômen/abdómen, acadêmico/académico, oxigênio/oxigénio, crônico/crónico, entre muitas outras, continuarão sendo escritas de duas maneiras, de acordo com a pronúncia de cada região.“Querer escrever de acordo com a pronúncia é uma aberração. O inglês é escrito da mesma maneira, porém é pronunciado e falado diversamente por milhões na maioria dos países civilizados. O português pode ser pronunciado diferentemente em Portugal, Brasil e ex-colônias portuguesas, porém é imprescindível que seja escrito da mesma maneira”, opina o dr. Sampaio. Entre aspectos positivos e negativos, o Acordo Ortográfico privilegiou a maneira brasileira de encarar a maioria das questões do idioma até então pendentes.“A força populacional, econômica e política do Brasil explica que a língua portuguesa em evidência nos estudos, no jornalismo e na ciência do mundo todo terá cada vez mais esta feição nossa”, conclui o professor Lauria.

de Língua Portuguesa (CPLP) a modificar as regras. Em 2004, estabeleceu-se que a ratificação do Acordo por três membros da CLPL seria suficiente para que ele entrasse em vigor nesses países. A recente adesão de Portugal reacendeu as discussões em torno da proposta, evidenciando que, apesar do comprometimento dos governos, não há consenso entre a sociedade lusófona.

Os defensores do acordo afirmam que a persistência de duas ortografias oficiais da língua portuguesa dificulta a difusão de informações e mesmo as relações econômicas entre os membros da CPLP. “Livros, jornais e revistas editados atualmente no Brasil têm dificuldade de aceitação nos outros países por causa das inúmeras diferenças de grafia”, afirma Lauria. Com a unificação, poderá haver maior cooperação educacional entre os países de língua portuguesa, pois livros e demais materiais didáticos poderão ser facilmente reproduzidos em qualquer nação lusófona. Além disso, será possível estabelecer certificação comum de proficiência em língua portuguesa para estrangeiros. Apesar de ser a terceira língua ocidental mais falada no mundo, com cerca de 250 milhões de falantes nativos, o português não goza de grande prestígio internacional, situação que também é atribuída à existência da dupla grafia. Contudo, para Lauria, a unificação ortográfica terá efeito pouco significativo nesse sentido.“O fortalecimento internacional de uma língua é decorrente do desenvolvimento social, cultural e econômico dos países que a utilizam. Não é agora, nem será em futuro próximo, o caso do português, que nem é tido como um dos idiomas oficiais da ONU”, observa. Entre os críticos, os argumentos giram em torno dos ele-

Jornal da SBD



Ano XII n. 4



21


JornalAnoXII2008N4.qxd

02.09.08

12:08

Page 22

Fronteiras da Dermatologia

Melanoma cutâneo O

melanoma cutâneo, embora corresponda a apenas 4% dos tumores malignos da pele, é responsável por cerca de 80% das mortes por esses tipos de tumor, e, apesar dos grandes avanços, nas últimas décadas, nas pesquisas desse tumor, sua incidência continua aumentando.

Clínica e fatores de riscos Os dermatologistas conhecem bem os aspectos clínicos da doença, utilizam quase rotineiramente a dermatoscopia em seus serviços e clínicas, e têm conhecimento dos fatores de riscos, tais como a exposição aguda intermitente à luz solar, múltiplos nevos melanocíticos, nevos displásicos, propensão a queimaduras solares e episódios de queimaduras solares e história familiar de melanoma. Prognóstico O prognóstico dos pacientes com melanoma cutâneo depende do diagnóstico precoce e principalmente de fatores como espessura do tumor (índice de Breslow), ulceração, índice mitótico e presença ou ausência de metástases linfonodais e se se trata de micro ou macrometástases, existindo sempre conduta interdisciplinar, evolvendo dermatologistas, dermatopatologistas, cirurgiões oncologistas e oncologista clínico. Cabe ressaltar que não se deve afirmar ao paciente a possibilidade de cura, mas antes de controle da doença, pois muitas vezes existe comportamento biológico inesperado das células tumorais em que, por exemplo, melanomas finos considerados de bom prognóstico evoluem para metástases, dependendo provavelmente do comportamento de mutações genéticas e outros fatores ainda não conhecidos. O fato triste é que, apesar de todos os enormes esforços para encontrar efetivo tratamento para o melanoma metastático, a doença continua extremamente não cooperativa. A combinação de drogas quimioterápicas, bioquimioterapia ou mesmo droga tendo como alvo as mutações do gene Braf, e as vacinas ainda não alcançaram a cura da doença, que permanece resistente como sempre. Histopatologia Por consenso, um laudo correto do exame anatomopatológico deve conter as seguintes informações: tipo histológico, fase de crescimento (radial ou vertical), nível de Clark, índice de

Breslow, infiltrado linfocitário, atividade mitótica, ulceração, regressão, permeação vascular, satelitose e lesão associada. Com relação ao exame anatomopatológico do linfonodo sentinela, as normas seriam evitar o exame de congelação, examinar tecidos bem fixados, examinar múltiplos níveis de ambas as metades do linfonodo dividido, examinar níveis intervalados HE e S100, HMB45, sendo o RT-PCR ainda reservado para protocolos. Genética – Predisposição hereditária Cerca de 10% dos pacientes com melanoma têm história familiar, o que sugere predisposição hereditária, geralmente em associação com a síndrome do nevo displásico. Mutações germinativas de dois genes, o CDKN2A e o CDK4, são associadas ao risco de desenvolvimento de melanoma; entretanto essas mutações são identificadas em 30% das famílias, sugerindo que outros genes podem predispor ao melanoma. Variantes no gene do receptor de melanocortina1(MC1R) podem estar associadas ao aumento do risco de melanoma. Mutações em Braf são comuns (60%) em áreas de exposição intermitente ao sol e são raras em pele expostas cronicamente à luz solar. Melanomas acrais e de mucosas têm padrões distintos de alterações cromossômicas comparados com os de outros locais. Linfonodo sentinela Embora ainda não exista consenso sobre a indicação para a pesquisa do linfonodo sentinela, essa técnica de pequena morbidade é importante para o estadiamento e prognóstico da doença, e controle da doença regional, e melhora da sobrevida para os pacientes com linfonodo positivo de espessura intermediária. A maioria dos cirurgiões oncologistas tem indicado a biópsia do linfonodo sentinela para lesões primárias com Breslow acima de 0,76mm e para Breslow inferior a 0,76mm associado a ulceração e índice mitótico diferente de zero, principalmente em pacientes jovens. Prof. Fernando Augusto de Almeida

Dermatologista, ex-presidente da SBD, fundador e coordenador científico do Grupo Brasileiro de Melanoma e professor adjunto da Universidade Federal de São Paulo.

22  Jornal da SBD  Ano XII n. 4


JornalAnoXII2008N4.qxd

02.09.08

12:08

Page 23

Pérolas do Journal of Investigative Dermatology Edição de junho de 2008 Papilomavírus humano em Carcinoma Espinocelular Asgari e cols. examinaram a prevalência de papilomavírus humano (HPV) em amostras de tecidos de 85 pacientes imunocompetentes com carcinoma espinocelular (CEC) confirmado histologicamente em 95 controles, pareados por idade, sem história de câncer de pele. A taxa geral de detecção do DNA do HPV foi maior em lesões (54%) e tecidos próximos às lesões (50%) e em ambos os tecidos normais expostos (59%) e não expostos ao sol (49%) dos controles. Alta prevalência de DNA do papilomavírus humano entre os controles indica que o HPV DNA está amplamente distribuído na população em geral, ao passo que a detecção diferencial em tumores da espécie HPV betapapilomavírus 2 sugere que certos tipos de HPV podem estar envolvidos na evolução do CEC.  J Invest Dermatol 2008; 128:1.409-1.417.

O gene que codifica a filagrina e a alergia ao níquel Para avaliar a relação entre o gene que codifica a filagrina (FLG) e a sensibilização de contato alérgica, Novak e cols. realizaram a fenotipagem dermatológica das duas mutações prevalentes de FLG – R501X e 2282del4 – em 1.502 indivíduos. As associações de mutações de FLG com eczema atópico podem ser replicadas e estão muito relacionadas à pele seca, hiperlinearidade palmar e ceratose pilar. Estão também envolvidas a sensibilização de contato ao níquel e ao níquel associada à alergia a jóias, mas sem outros alérgenos de contato. Os investigadores concluíram que deficiência de FLG determinada geneticamente se manifesta como pele seca e com características de ictiose vulgar, e que esse tipo de deficiência pode ser fator de risco para sensibilização de contato aos alérgenos. J Invest Dermatol 2008; 128:1.430-1.435.

Estudo multicêntrico randomizado de terapia fotodinâmica com metil aminolevulinato tópico comparada à crioterapia para ceratoses actínicas múltiplas nas extremidades Estudo intra-individual, aberto, multicêntrico, randomizado, controlado, de comparação entre os lados direito e esquerdo de pacientes com ceratoses actínicas não hiperceratóticas, tratados apenas uma vez por terapia fotodinâmica com metil aminolevulinato – (TFD-MAL) e crioterapia em um lado do corpo. Na 12a semana, as lesões que não mostravam resposta completa foram tratadas nova-

mente. A principal variável de eficácia foi a resposta na 24a semana. A avaliação do resultado cosmético pelo investigador, a preferência do paciente em termos de resultado cosmético e o questionário de preferência do paciente foram também analisados na 24a semana. Foram incluídos 121 pacientes com 1.343 lesões (98% localizadas nas extremidades, e o restante no tronco e pescoço). Ambos os tratamentos propiciaram grande redução percentual média na contagem de lesões na 24a semana: 78% para TFD-MAL e 88% para crioterapia (P = 0,002, para a população do protocolo). A avaliação do resultado cosmético pelo investigador foi significativamente melhor para TFD-MAL do que para crioterapia (P < 0,001), e 79% das lesões tiveram resultado cosmético excelente com TFD-MAL em comparação com 56% das lesões com crioterapia, na 24a semana. O resultado cosmético alcançado com TFD-MAL foi também o preferido dos pacientes comparado ao da crioterapia (50% x 22%, respectivamente; P < 0,001). Além disso, 59% dos pacientes prefeririam que as novas lesões fossem tratadas com TFD-MAL em relação a 25% com crioterapia (P < 0,001). Ambos os regimes terapêuticos foram seguros e bem tolerados. A TFD-MAL foi inferior à crioterapia, mas os pacientes preferiram a terapia fotodinâmica com MAL. Br J Dermatol 2008; 158:994-9.

Medida de temperatura de ulceração As complicações de membros inferiores em pacientes diabéticos freqüentemente estão associadas à neuropatia sensorial. A identificação de inflamação pré-ulcerativa nos pés pode prever a ulceração. Armstrong e colaboradores realizaram um estudo clínico randomizado, controlado, cego para médicos, com duração de 18 meses, para avaliar a efetividade de monitoramento da temperatura pelo próprio paciente, através de sonda infravermelha, para reduzir a incidência de úlceras de pés em veteranos de guerra diabéticos de alto risco. Surpreendeu o fato de que os pacientes que apresentaram úlceras reportaram temperatura 4,8 vezes mais alta no lado comprometido em um pé do que no lado correspondente do outro pé. Considerando que os pacientes diabéticos, suas famílias e mesmo os profissionais de saúde têm dificuldade para identificar os sinais iniciais de alerta para ulceração de membros inferiores, esses resultados sugerem fortemente que a implementação de estratégia com um simples medidor de temperatura possa ser usada para reduzir as úlceras de pé de modo efetivo. Am J Med 120:1042-6, 2007. Jornal da SBD



Ano XII n. 4



23


JornalAnoXII2008N4.qxd

02.09.08

12:08

Page 24

Xô, estresse! A

rotina do médico é bastante agitada. Parte da categoria, para aumentar os rendimentos, acumula várias atividades, além de outros compromissos como participação em congressos, cursos e atribuições da vida pessoal. Segundo a psicóloga e psicoterapeuta Célia Regina Carvalhal, a medicina é uma das carreiras que mais geram estresse porque lida com a vida humana. Com isso, os responsáveis por cuidar do bem-estar dos outros são atores de saúde prejudicada, que se alimentam mal e apresentam sinais de estresse. Para o dr. Hamilton Stolf esse é um grande desafio. “Sempre tenho postergado cuidar de minha saúde. Atualmente venho tentando baixar meu peso para melhorar o preparo físico e assim continuar enfrentando meus rivais nos jogos de tênis de campo, que são muito bons”, brinca. O dia-a-dia do professor da Faculdade de Medicina de Botucatu é cheio. Todas as segundas-feiras, ele se desloca para a cidade de Campinas onde presta assessoria para a Secretaria Municipal da Saúde. Ainda é chefe do Departamento de Hanseníase da SBD e acumula cargo de diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. “Participo de freqüentes reuniões em São Paulo na SBCD. Às vezes vou a São Paulo para participar de reuniões do Conselho da Resp e da Câmara Técnica de Dermatologia do Conselho Regional de Medicina (SP)”, informa. Como ninguém é de ferro, o dr. Hamilton também se diverte. Ele conta que nos finais de semana vai passear com o filho de dois anos na Lagoa do Taquaral, em Campinas.Também costuma jogar tênis no Clube Círculo Militar. A dra. Alessandra Yoradjia é assistente do Serviço de Dermatologia do Hospital do Servidor Público Municipal, dá plantão no ambulatório de especialidades da Prefeitura de São Paulo e ainda trabalha em um hospital privado e em seu consultório particular.“Num mesmo dia chego a me deslocar para três locais diferentes de trabalho. Ao mesmo tempo em que isso envolve cansaço, a correria muitas vezes me impede de me alimentar em horários adequados”, afirma. Segundo ela outro motivo de estresse é o trânsito, muitas vezes caótico na cidade de São Paulo. Apesar do corre-corre, ela se preocupa em atender muito bem seus pacientes. “Ter essa consciência e a sensação de que estou fazendo algo correto e útil é a melhor maneira de aliviar a tensão”, avalia. Para conciliar tantas atividades, a dra. Magda Weber pede auxílio, a começar pelos próprios familiares. “Felizmente eu posso contar com a compreensão familiar, principalmente

24  Jornal da SBD  Ano XII n. 4

nos momentos em que preciso me afastar devido às atividades fora da cidade”, cometa. Ela trabalha na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, tanto na graduação quanto na pós-graduação — “o que envolve trabalho no hospital, em ambulatórios e sala de aula”. Um dos fatores que para ela garante mais tranqüilidade é o fato de gostar muito do que faz. “Isso já evita muitos desgastes.” Outro ponto é organizar a agenda e as atividades de forma que não haja compromissos todos os dias da semana, assim sobra tempo para o lazer. “É bom ter o hábito de ler, fazer viagens e cultivar os amigos”, recomenda. A dra. Alessandra Yoradjia comunga da idéia. Ela reserva um tempo para atividades relacionadas ao esporte e a aulas de


JornalAnoXII2008N4.qxd

02.09.08

12:08

Page 25

Algumas dicas para evitar o estresse 

Respirar, respirar e respirar (usando as três etapas da respiração).



Fazer algum trabalho ligado à ioga e meditação.



Ter algum hobbie bastante diferente do trabalho, de forma sistemática. Por exemplo, praticar culinária, caminhar, viajar, tocar algum instrumento.



Fazer atividades físicas e ter boa alimentação.



Rir muito: divirta-se.



Sexo com qualidade: é necessário e bastante terapêutico.



Viver o presente.



Ouvir o seu corpo: relaxe, respire e medite.



Não tentar ser onipotente.



Não ter medo de compartilhar seus receios e desejos.



Ser honesto com você e com os outros.

Fonte: Como lidar com o estresse em gerenciamento de projetos – profissional e pessoal, de Célia Regina Carvalhal, editora Brasport.

“É bom ter o hábito de ler, fazer viagens e cultivar os amigos”

dança. “Procuro desenvolver também meu lado espiritual, o que me fortalece”, comenta. A curitibana Débora Ataide não foge à regra: trabalha em consultório privado e como preceptora no Ambulatório de Dermatologia do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba. Ela considera a elevada carga horária um dos principais motivos para aborrecimentos. “Contudo, para os que atuam na área estética, os riscos de possíveis complicações também afetam, pois trabalhamos com resultados”, comenta. Segundo a dermatologista, em situações estressantes o importante é manter o controle e resolver as questões com diplomacia.“Nas horas livres coloco um tênis e vou correr num parque ou na rua, pois nada

melhor que uma corridinha para desestressar... Busco estar o máximo de tempo com minha filha, de nove anos, e meu marido, pois eles são meu maior tesouro”, derrete-se. A psicoterapeuta Célia Regina Carvalhal diz que as várias jornadas de trabalho expõem os dermatologistas a lidar com chefes, pessoas diferentes, trânsito e a premência do tempo, ocasionando alterações em seus ritmos internos. “O médico não olha para ele, por isso pode negligenciar a saúde. Ele tem o conhecimento sobre o que faz bem para a sua saúde, mas nem sempre a consciência para mudar seu estilo de vida. Alguns deles não relacionam o estresse às questões emocionais, porém estas também devem ser levadas em consideração”, considera. Jornal da SBD



Ano XII n. 4



25


JornalAnoXII2008N4.qxd

02.09.08

12:08

Page 26

Entrevista com Stella Torreão

Bem-estar: exercícios físicos ajudam no combate ao estresse Mexa-se! Essa é uma das melhores maneiras de ter saúde e reduzir o estresse. A professora de educação física e empresária Stella Torreão falou para o JORNAL DA SBD sobre o tema. Leia a seguir:

JSBD – Quais são os principais benefícios de praticar atividades físicas? Ajuda a evitar o estresse? Stella Torreão – Acredito que o maior benefício seja a redução do risco de doenças crônicas e, conseqüentemente, o aumento da longevidade. O mais importante é a aplicação da atividade que deve ser de intensidade moderada e regular. De fato ela tem impacto positivo sobre o estresse, já que a vida ativa contribui para a saúde mental e para o prazer de viver.

26  Jornal da SBD  Ano XII n. 4


JornalAnoXII2008N4.qxd

02.09.08

12:08

Page 27

JSBD – Os médicos costumam ter a rotina bastante atribulada. Qual a importância de separar na agenda um tempo para as atividades físicas? ST – Eles são humanos e, como tal, suscetíveis a todos os danos causados pelo sedentarismo ou pela prática inadequada da atividade física. O mais importante é pensar no exercício como uma “poupança” e como uma boa “dose de vitamina” que em algum momento será de grande utilidade. Se ela puder ser uma opção primária, melhor ainda. JSBD – Existe algum truque para persistir praticando tais atividades? ST – A minha dica é procurar um lugar adequado, com profissionais qualificados e principalmente com médicos, fisioterapeutas e professores. É importante que esses profissionais tenham referência de uma sociedade médica. Outra dica é diversificar as atividades, já que ajuda a fugir da rotina e traz enormes benefícios. JSBD – Para quem pretende iniciar ou retomar, em quanto tempo os resultados aparecem? E quais são as principais melhoras no estado da pessoa? ST – Os resultados aparecem com assiduidade e disciplina, assim como em um tratamento clínico. O mais importante é a prescrição individual do treinamento.

JSBD – Quais são as dicas para quem quer conjugar atividades físicas e pouco tempo? ST – Para responder a isso, uso as palavras de John Locke: “Uma mente sadia, num corpo sadio é uma pequena mas completa descrição de um estado feliz neste mundo”. É importante conjugar um programa individualizado com o tempo disponível, planejar com antecedência, traçar metas realistas, ter flexibilidade. JSBD – Como conceitua “qualidade de vida”? Quais são seus conselhos para quem quer ter uma vida boa? ST – É preconizado que se exercite, de forma moderada, nos seis dias da semana, com duração de 60 minutos. Qualidade de vida é ter a certeza de que só com nossa saúde preservada podemos dar continuidade aos nossos objetivos. As etapas da vida propiciam muitos desafios, e precisamos estar prontos para atingir as metas estabelecidas. A atividade física deve ser encarada como um estilo de vida e deve estar incorporada ao comportamento de cada um. A medicina avança, a idade avança e o desuso vai contra o futuro. Sendo assim, inicie logo, bem orientado, a prática de exercícios, faça exames médicos periódicos, alimente-se bem e divirta-se. O melhor de tudo é poder optar por isso.

Jornal da SBD



Ano XII n. 4



27


JornalAnoXII2008N4.qxd

02.09.08

12:08

Page 28

  Linha do tempo

Prof. dr. Paulo Cunha

1992 1992 – Realiza-se no Rio de Janeiro a ECO-92, grande conferência mundial sobre o meio ambiente que consagrou o conceito de desenvolvimento sustentável.

1993 1993 – Morre no dia 03 de março o renomado cientista Albert Sabin, conhecido internacionalmente por ter desenvolvido a vacina oral contra a poliomielite. 1993 – A SBD adquire sua atual sede, em andar inteiro, localizada na Avenida Rio Branco, no 39, 18o andar, durante a presidência de Jesus Rodriguez Santamaria, o mais jovem presidente da entidade, que assumiu o cargo aos 38 anos.

1994 1994 – Nelson Mandela tornase o primeiro presidente negro da África do Sul. 1994 – O real torna-se a moeda oficial brasileira, visando à estabilização econômica e à redução da inflação no país.

1996 1996 – Morre Osvaldo Costa, dermatologista brasileiro mais citado em livros e revistas internacionais por ter descrito a acroqueratoelastoidose. 1996-1997 – A dermatologia brasileira tem o privilégio de colocar dois de seus ilustres membros na presidência da Academia Nacional de Medicina: Ruben David Azulay e Jarbas Porto.

1997 1997 – Lançamento do Jornal da SBD, que contaria, sucessivamente, com os seguintes coordenadores médicos: Iphis Campbell, Cyro Festa Neto, Alexandre Sittart, Jackson Machado, Alberto Cardoso e, atualmente, Paulo Cunha. 1997 – Tem início a Educação Médica Continuada em Dermatologia (EMC-D), antiga meta da SBD e até hoje um dos principais serviços prestados ao associado.

28  Jornal da SBD  Ano XII n. 4

 

Serviços Credenciados

 Hospital Naval Marcílio Dias No dia 14 de junho aconteceu a 10a Jornada de Dermatologia do Hospital Naval Marcílio Dias. O evento apresentou ampla variedade de temas, abrangendo a parte clínica, lasers e cosmiatria, e os palestrantes brilharam em suas exposições. Inovação deste ano foi a “Voz do Residente”, com a premiação dos melhores casos apresentados nas categorias de investigação e caso clínico. A dra. Patrícia Paludo ganhou o prêmio de melhor caso clínico com o tema "Carcinoma de células de Merkel metastático", e a dra. Joana Ribeiro Costa de Faria foi premiada na categoria de investigação, com o tema "Metotrexate: uso clínico em ambulatório de psoríase". O tradicional e descontraído almoço em uma churrascaria na Barra da Tijuca marcou o encerramento da Jornada.“O evento foi um sucesso”, resumiram os organizadores.  Hospital das Clínicas da UFPR Em 2008, o programa de residência do Serviço de Dermatologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) completa 30 anos. Uma festividade reunindo ex-residentes, médicos, professores e colaboradores está programada para o dia 07 de novembro. Agende-se! A história do programa passa pela cadeira de clínica dermatológica e sifiligráfica no currículo médico da Faculdade de Medicina da Universidade do Paraná, criada em 1913. Em agosto de 1961, foi inaugurado o Hospital das Clínicas, maior hospital do estado na época. Só em 1968 a Clínica Dermatológica e Sifiligráfica, já com o professor Ruy Noronha Miranda, foi incorporada ao Departamento de Clínica Médica. E só em 1978 foi oficialmente criada a Residência em Dermatologia que, desde então, formou 28 residentes e nove especializandos, reconhecidos pela SBD, com 100% de aprovação na prova de Título de Especialista em Dermatologia. O serviço foi sucessivamente coordenado pelos profs. Fernando Laynes de Andrade, Luiz Carlos Pereira, Jesus Rodriguez Santamaria e Fabiane Mulinari Brenner.  Policlínica Geral do Rio de Janeiro O Serviço de Dermatologia da Policlínica Geral do Rio de Janeiro realizou a X Jornada de Dermatologia Cosmiátrica da PGRJ, no último dia 02 de agosto, com a participação da presidente da SBD, profa. Alice Alchorne, da profa. Bogdana Victoria Kadunc, vice-presidente eleita da entidade, e a profa. Denise Steiner, coordenadora do Departamento de Cosmiatria da SBD, entre outros palestrantes de renome nacional. A profa. Andreia Mateus, coordenadora do evento, destacou a longa contribuição que a jornada vem prestando à cosmiatria carioca e nacional.


JornalAnoXII2008N4.qxd

02.09.08

12:08

Page 29

  Departamentos

I Simpósio Nacional de Cosmiatria e Laser

“O

objetivo final do I Simpósio Nacional de Cosmiatria e Laser foi alcançado. Recebemos muitos elogios e agradecimentos pela excelência do evento”, afirma o dr. Alexandre Filippo, um dos coordenadores do simpósio que aconteceu nos dias 04 e 05 de julho, no Fecomércio, em São Paulo. Organizado em conjunto pelos Departamentos de Laser e Cosmiatria da SBD, teve a participação de 776 pessoas, além de expressiva presença de representantes de produtos e equipamentos afins. A marca do evento foi o ineditismo. Reuniram-se, durante dois dias, especialistas que abordaram tecnologias a Laser e cosmiatria de maneira prática e participativa. O sucesso foi tamanho, que está agendada para o ano que vem uma edição ampliada. “Já temos o apoio do presidente eleito, Omar Lupi, e de sua futura Diretoria. Desde agora, aceitamos sugestões via e-mail. E podem aguardar: em 2009 surgirão muitas novidades nessas áreas, e estaremos atentos para trazê-las como forma de atualização para todos nós, dermatologistas”, comenta o dr. Alexandre Filippo.

Os drs. Alexandre Filippo, Alice Alchorne e Denise Steiner

Curso Nacional de Alergia Dermatológica e Dermatoses Ocupacionais

O

Departamento de Alergia e Dermatoses Ocupacionais da SBD promoveu no último dia 27 de junho, em Goiânia, o Curso Nacional de Alergia Dermatológica e Dermatoses Ocupacionais. O evento, coordenado localmente pela presidente da Regional GO, dra. Marilene Silvestre, contou com a presença dos ilustres palestrantes drs. Alice Alchorne, Paulo Criado, Renan Rangel Bonamigo e Aída Libis. Entre os temas discutidos estavam Dermatite de Contato, Dermatoses Ocupacionais, Farmacodermias, Urticária e Dermatite Atópica. “O curso foi prestigiado por uma platéia numerosa e interativa”, observa o dr. Renan Bonamigo, coordenador do Departamento de Alergia e Dermatoses Ocupacionais, a respeito dos mais de 60 sócios

Da esq. para dir.: drs. Renan Bonamigo, Marilene Silvestre, Alice Alchorne, Aída Libis e Paulo Criado

que estiveram presentes no Serviço de Dermatologia da Universidade Federal de Goiás. Esse foi o terceiro módulo do Curso em menos de dois anos de gestão; os anteriores foram realizados em Belo Horizonte, MG e Porto Alegre, RS. Segundo o dr. Renan Bonamigo, está em programação para o segundo semestre o módulo Pernambuco. Jornal da SBD



Ano XII n. 4



29


JornalAnoXII2008N4.qxd

02.09.08

12:08

Page 31

Regionais Pernambuco Rio de Janeiro

Fluminense Mato Grosso Rio Grande do Sul

Fluminense A Regional Fluminense realizou no dia 14 de junho, em sua reunião mensal, mesa-redonda sobre psoríase, na qual a dra. Luna Azulay apresentou os dados do Grupo Brasileiro de Biológicos do Rio de Janeiro, que conta com a experiência de colegas que trataram mais de 70 pacientes com biológicos. Cumprindo o calendário de eventos, no dia 28 de junho, foi realizada a IV Jornada de Cosmiatria, que contou com a participação de ilustres colegas. A Jornada reuniu os cerca de 260 inscritos no Teatro Popular Oscar Niemeyer, em Niterói, unindo arte e ciência. Este ano, os participantes contaram com importantes atualizações e puderam assistir à apresentação ao vivo de diversas técnicas, como terapia fotodinâmica, peelings, preenchimentos cutâneos e aplicação

Drs. Adilson Costa, Leonardo Cerqueira, Eloisa Ayres, Priscilla Braga, Sergio Talarico, Maria Alice Gabay e Carlos Roberto Antônio

de toxina botulínica. Em seguimento, a Regional realizou, no dia 23 de agosto, o Curso de Cirurgia Avançada, coordenado pelo dr. Flávio Luz.

Rio Grande do Sul Mato Grosso A Regional Mato Grosso, em parceria com o Hospital Federal Universitário Julio Müller, está construindo ambulatório para a criação do primeiro Serviço de Dermatologia do estado. O esforço para implantar o serviço ligado à Universidade Federal do Mato Grosso resultou na conquista de espaço com três salas ambulatoriais, uma sala para procedimentos cirúrgicos, banheiros e biblioteca. Membro da Diretoria da SBD-MT há quatro anos e atual presidente da entidade, a dra. Débora Ormond explica que uma das metas da arrecadação de verba da Regional era ajudar a criação do Ser viço Dermatológico. “Com cer teza seremos referência para todos os dermatologistas de nosso estado, e isso nos estimulará a produção de trabalhos científicos, além da reciclagem e capacitação de novos dermatologistas”, observa.

No dia 19 de julho, ocorreu no Ambulatório de Dermatologia Sanitária do Rio Grande do Sul o I Curso Itinerante de Cosmiatria, destinado exclusivamente aos residentes e especializandos do último ano de Serviços Credenciados. Os drs. Maria Helena Garrone e Beni Grinblat, do Departamento de Cosmiatria da SBD-SP, estiveram presentes, orientando os participantes nas técnicas básicas de aplicação de toxina botulínica, peelings e preenchimento com ácidos hialurônico e poliláctico. Entre os dias 16 e 18 de outubro, acontecerão conjuntamente em Porto Alegre a XXXIII Jornada Gaúcha de Dermatologia, a XXV Jornada do HCPA e o IV Congresso Latino-Americano de Fotobiologia e Fotomedicina. Este último, de caráter internacional, contará com palestras de inúmeros membros da SBD e convidados estrangeiros, como o dr. Robert Knobler, presidente internacional do Congresso. “Será um grande evento para a nossa Regional e, acredito, para todos os dermatologistas”, afirma a presidente da SBD-RS, dra. Berenice Valentini. Para mais informações, acesse www.LSPP.net. Jornal da SBD



Ano XII n. 4



31


JornalAnoXII2008N4.qxd

02.09.08

12:08

Page 32

Pernambuco

Da esq. para dir.: drs. Sarita Martins, Sergio Palma, Jaci Santana, Mariana A. Lima, Emerson A. Lima e Carolina Coelho

Os dermatologistas pernambucanos comemoraram no último dia 1o de agosto a aquisição da nova sede da SBDPE.A estrutura tem localização privilegiada, oferecendo mais espaço, conforto e comodidade. Um coquetel de inauguração marcou a data e atraiu mais de 80 sócios. A sede conta com uma biblioteca, sala de estudos, auditório, copa, arquivo, almoxarifado e outras facilidades. “O nosso objetivo é sempre aproximar cada vez mais o associado”, diz o presidente Emerson de A. de Lima.

Rio de Janeiro No dia 05 de julho, a Regional Rio de Janeiro promoveu evento sobre doenças infecciosas no Auditório do Hospital da Lagoa, sob coordenação das dras. Maria Clara Galhardo e Flavia de Freire Cássia. No dia 26 de julho, foi realizada a I Jornada de Dermatologia Pediátrica Professora Gabriela Lowy – UniRio. Apoiado pela SBD-RJ, com coordenação geral do dr. Daniel Dal’Asta Coimbra, o evento foi um sucesso, marcando a parceria inédita entre as especialidades dermatologia e pediatria. Ainda de acordo com o presidente da Regional-RJ, dr. Celso Sodré, duas ações importantes foram realizadas: a entidade, em conjunto com as sociedades de Cirurgia Plástica e Endocrinologia, deu entrada em consulta no CREMERJ sobre as transgressões e punições relacionadas à divulgação indevida da medicina estética como especialidade médica. “Também recebemos resposta à consulta feita ao MEC sobre o curso de especialização em dermatologia do Incisa (Instituto Superior de Ciências da Saúde). O parecer demonstrou sua legalidade, mas com o objetivo de apenas reciclar em dermatologia médicos em geral”, explica o dr. Celso Sodré.

Jornal da SBD



Ano XII n. 4



32


Jornal da SBD - Nº4 Julho / Agosto 2008  
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you