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  Editorial Sociedade Brasileira de Dermatologia Afiliada à Associação Médica Brasileira

www.sbd.org.br

Diretoria 2007 - 2008 Presidente - Alice de Oliveira de Avelar Alchorne Vice-presidente - Omar Lupi Secretária-geral - Ryssia Florião Tesoureira - Claudia Pires Amaral Maia 1a secretária - Célia Kalil 2o secretário - Josemir Belo

Jornal da SBD Esta é uma publicação da Sociedade Brasileira de Dermatologia, dirigida a seus associados e órgãos de imprensa. Publicação bimestral - Ano XII - no 2 - março / abril - 2008 Coordenador médico - Paulo R. Cunha Conselho editorial - Alice Alchorne, Omar Lupi, Ryssia Florião, Claudia Pires Amaral Maia, Célia Kalil, e Josemir Belo Jornalista responsável - Andréa Fantoni - Reg. MTB/RJ n0 22.217 JP Redação - Andréa Fantoni Editoração eletrônica - Nazareno N. de Souza Estagiária - Ana Luíza Reyes Contato publicitário - Priscila Rudge Simões A equipe editorial do Jornal da SBD e a Sociedade Brasileira de Dermatologia não garantem nem endossam os produtos ou serviços anunciados, sendo as propagandas de responsabilidade única e exclusiva dos anunciantes. As matérias e textos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores. Correspondência para a redação do Jornal da SBD Av. Rio Branco, 39/18o andar - Centro - Rio de Janeiro – RJ CEP: 20090-003 E-mail: comunicacao@sbd.org.br Assinatura anual: R$ 100,00 Número avulso: R$ 20,00 Tiragem: 6.000 exemplares Impressão: Sol Gráfica

  Sumário

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Paulo R. Cunha - Coordenador médico do Jornal da SBD

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ossa sociedade – das de dermatologia, a segunda maior do mundo em número de associados – elege como seus dirigentes Omar Lupi e Victória Bogdana para o biênio 2009-2010. Essa eleição contou com o maior contingente de votantes da história da SBD.Vão administrar com inequívoca legitimidade, pois obtiveram 1.523 (55%) dos 2.793 votos, número que demonstra interesse e participação crescentes dos membros da entidade. Há ainda muito a descobrir nesta edição do nosso Jornal. Prof. Dr. Paulo Em Palavra da Presidente, o leitor terá dados suficientes para R. Cunha tirar suas próprias conclusões sobre a complexidade que é administrar nossa sociedade, assim como os benefícios que ela pode trazer para o dermatologista. Em 30/03/2008, foi realizado o exame do TED, aprovando 233 (47,55%) dos 490 participantes.Vejam a matéria na página 3. Imperdível, a coluna Dermatologia Internacional apresenta a entrevista com a profa. Dedee Murrell, titular de dermatologia da Universidade NSW, de Sydney, mostrando a realidade da especialidade na Austrália. Outra entrevista interessante é com a atriz Regiane Alves, que vive uma dermatologista na novela Beleza pura e evidencia a profissão ao público em geral. A reportagem Mulheres na Dermatologia constata que elas atualmente representam 73% de nossos associados e relata as histórias e opiniões de algumas das mulheres que tiveram a oportunidade de dirigir a SBD. Confiram a coluna Fronteiras da Dermatologia, em que o prof. Hiran Larangeira de Almeida Jr., do Rio Grande do Sul, expõe os últimos avanços no entendimento da biologia molecular e seus benefícios para a dermatologia. Leiam a reportagem sobre a criação, há 200 anos, da primeira Faculdade de Medicina do Brasil, em Salvador. Quem diria naquele tempo, ou mesmo há poucas décadas, que chegaríamos às mais de 170 escolas médicas que temos hoje, atingindo a posição de segundo país do mundo em número de faculdades de medicina. O artigo Aids ontem e hoje evidencia o desafio dessa luta.Após 27 anos da descrição dos primeiros casos da doença, ainda estamos longe de obter vacina que traga proteção. Nossa Linha do Tempo cobre nesta edição os anos de 1981 a 1986. Nesse período foi criado o ”Grupo Brasil e Estados Unidos para pesquisa do fogo selvagem”,que realizou pesquisas e publicou trabalhos que permitiram estabelecer um divisor de águas. Os estudos, que versavam basicamente sobre a clínica e a epidemiologia da doença, após a formação do grupo, evoluíram para o entendimento da imunologia e etiopatogênia da doença. Por fim, leiam com atenção (mas com descontração) a nova coluna Recomende. Nela, será possível se informar e aproveitar as boas opções de cinema, teatro e música.

Palavra da Presidente Resultado da prova do TED Entrevista Internacional: profa. Dedee Murrell Apresentado projeto da nova sede da SBD AIDS ontem e hoje Linha do Tempo Congresso da SBD unirá atividades científicas e sociais Medicina: primeira faculdade do Brasil Painel Novela da Globo aproxima dermatologia do grande público Fronteiras da Dermatologia Fórum de discussão de casos clínicos SBD realizará prova do TED Especial em junho Paralelos da Dermatologia: Armínio Fraga Mulheres na Dermatologia Vultos da Dermatologia: dra. Rosário de Maria Soares Lobato Waldemir Miranda: 105 anos dedicados à dermatologia Departamentos Recomende Serviços Credenciados Regionais

Matéria de capa Eleições na SBD

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Palavra da Presidente

O

trabalho na SBD é muito variado, e seu desempenho requer bastante disponibilidade. Há uma parte rotineira, até doméstica e cotidiana, que é a manutenção da empresa SBD. O atendimento às inúmeras solicitações de associados, das Regionais e Distritais, via eAlice de Oliveira de Avelar mail ou correio, é diário e deve ser célere. Alchorne São muitos também os pedidos de parceria em projetos e da chancela, através de nosso logo, que merecem ser avaliados criteriosamente. A captação de recursos mediante negociações com os diferentes parceiros é de fundamental importância e culmina com a elaboração de contratos que deverão ser bem redigidos, claros e completos. A Educação Médica Continuada em Dermatologia é a menina-dos-olhos de todas as diretorias e requer programação e elaboração cuidadosas, com as diferentes maneiras de apresentá-la, nos vários meios de comunicação, como cursos, jornadas, nosso site, folhetos educativos e o grande congresso brasileiro, que necessita de toda a colaboração de uma grande equipe comandada pelo presidente do congresso. Nossos três veículos de comunicação: mídia eletrônica, Jornal da SBD e Anais Brasileiros de Dermatologia, regularmente produzidos, requerem constante empenho de toda a Diretoria e funcionários. A representação da SBD junto às entidades de classe e governamentais, pela importância dos assuntos tratados, é realizada constantemente por membros das diretorias Executiva e Estendida. Entrevistas diárias a diferentes meios de comunicação

 

são concedidas de modo técnico, ético e responsável a fim de mostrar a abrangência e o rigor científico da especialidade no Brasil e servem especialmente para transmitir conhecimentos à coletividade. As atividades de cunho social e esclarecimento à comunidade são sempre feitas com o maior carinho e profissionalismo, e representam cartão de visita da SBD. Destacamos aqui as campanhas de prevenção do câncer, da psoríase, do meio ambiente e os folders educativos. Ações para valorização da dermatologia e melhoria do mercado de trabalho são realizadas não só pelas atividades aqui relacionadas, mas também via programações específicas, como a formação aprimorada de nossos especialistas pelos Serviços Credenciados, com a assessoria indispensável da Comissão de Ensino, lutas pela melhoria de nossos salários e apresentação de facilidades para trabalho nos consultórios, como as sugestões de compras de materiais que constam em nosso site. Importante destacar aqui a divulgação das competências da especialidade, o que vem sendo feito, por meio de folders explicativos para o público leigo, como o que foi distribuído no Dia do Dermatologista. Há que referir como tarefas extremamente trabalhosas alguns eventos próprios das gestões: Exame de Título de Especialista, sendo que, neste ano, serão realizados dois, em março o TED 2008 e em junho o TED Especial; o processo eleitoral para a próxima Diretoria da SBD (2009/2010); as reuniões do Conselho Deliberativo da SBD e Assembléias Gerais. Para que tudo isso aconteça são necessários dedicação e empenho de todos os membros das diretorias Executiva e Estendida, bem como das comissões da SBD, dos coordenadores de departamentos e de nossos funcionários.

Calendário - 2008 Regionais - Maio de 2008 16 e 17 17 17 23 e 24 24 28 28 28 30 e 31 30 e 31 30 e 31 31

XXI Jornada Capixaba de Dermatologia - Vitória - ES Curso de Cosmiatria - Curitiba - PR Workshop - Cirurgia de Hiperidrose Axilar Preenchimentos - Belém - PA 3º Curso EMC-D - Simpósio: Reações adversas a drogas e urticária Apresentação e discussão de casos clínicos com os distritos - São Paulo - SP Dermatoscopia Avançada Atualização em Melanoma - Campo Grande - MS Reunião Científica - São Luís - MA Reunião mensal de casos clínicos - Maceió - AL Reunião Mensal - Rio de Janeiro - RJ - Brasil I Jornada Catarinense de Dermatologia / V Jornada Hospital Universitário - UFSC - Hotel Mercuri - Itacorubi - Florianópolis - SC - Brasil II Simpósio Internacional de Celulite - CBED - Rio de Janeiro - RJ - Brasil

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Jornada Mineira de Dermatologia - UFOP - Ouro Preto - MG - Brasil 2ª Reunião Dermatológica do DF - Manifestações Cutâneas das Doenças Sistêmicas - da Clínica ao Laboratório - Brasília - DF - Brasil IV Encontro de Terapêutica Dermatológica - Hotel Mercure - Salvador - BA

Internacional 22 à 25

5o EADV Spring Symposium - Academia Européia de Dermatologia - Istambul - Turquia

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Resultado da prova do TED

Alice de Oliveira de Avelar Alchorne

Reg. ES Reg. PR Reg. PA Reg. SP Reg. MTS Reg. MA Reg. AL Reg. RJ Reg. SC Reg. Flum. e Reg. RJ Reg. MG Reg. DF Reg. BA

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prova para obtenção do Título de Especialista da Sociedade Brasileira de Dermatologia foi em 30 de março de 2008, nas cidades de São Paulo e Recife. Dos 490 participantes foram aprovados 233. Deles, 178 (65,44%) são associados da SBD, e 51 (35,58%) não pertencem à entidade. Segundo a presidente da Comissão do TED, dra. Maria Denise Takahashi, a prova deste ano foi considerada difícil por muitos candidatos, porém bem elaborada. Em São Paulo, assim como em Recife, foi constatada falha de impressão de uma questão da prova, versão 2, que por isso teve de ser anulada. “Alguns candidatos reclamaram de duas questões de histologia, em que realmente houve pixelização de algumas fotos, ou seja, quando as imagens foram ampliadas sua nitidez foi reduzida.Apesar disso, no momento do exame, e, em ambos os casos, a Comissão do TED considerou que era possível responder às questões. Tanto, que a maioria dos candidatos respondeu corretamente a uma delas”, comenta a dra. Maria Denise Takahashi. Ainda de acordo com ela, posteriormente, a Comissão optou por anular as duas questões. Também foi anulada outra questão da prova clínica. A comissão do TED é composta pelos professores Maria Denise Takahashi, Bernardo Gontijo, Jackson Machado-Pinto, Silvio A. Marques, Artur Antonio Duarte, José Antonio Sanches Jr., Lia Cândida M. de Castro, José Hermênio Cavalcante L. Filho e Silmara Cestari, a última, membro ad hoc. Segundo a dra. Maria Denise, o grupo temse esforçado, a cada ano, para valorizar os candidatos que fazem residência ou estágio em regime de residência. “No

próximo ano, o dr. Bernardo Gontijo deve assumir a presidência da Comissão e pretende fazer um exame que possibilitará valorizar ainda mais os candidatos vindos de Serviços Credenciados da SBD”, Embora a prova não seja classificatória, a primeira colocada, dra. Larissa Morais, que atua no Serviço de Dermatologia da UFRN, no Hospital Universitário Onofre Lopes, diz que a Comissão elaborou as questões de forma inovadora: “A parte prática foi abrangente, além de muito ilustrada. Foi uma prova difícil e cansativa, porém condizente com a realidade do dermatologista”, observa. Para obter tal êxito, ela intensificou os estudos nos últimos quatro meses. “O Sampaio e o Azulay foram relidos minuciosamente, e todas as provas desde 1995 foram resolvidas por completo, totalizando mais de 1.200 questões. Além disso, slides de histopatologia, micologia e dermatologia clínica foram vistos diariamente”, conclui.

Da esq. para dir.: Drs. Alice Alchorne, José Sanches Jr., Silvio Marques, Maria Denise Takahashi, Silmara Cestari, José Hermênio C. L. Filho, Lia Cândida M. de Castro e Artur Duarte

Estatística final do XLII Exame para Obtenção do Título de Especialista em Dermatologia Associado quite da SBD Associado quite da AMB (mediante comprovação) Não Associado da SBD e não associado da AMB Total Geral do Concurso

Inscritos 299 15 176 490

Presentes 272 13 142 427

Ausentes 27 2 34 63

Habilitados 178 4 51 233 Jornal da SBD

Reprovados 94 9 91 194 

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Entrevista com a profa. Dedee Murrell feita pelo prof. Paulo Cunha

Dermatologia na Austrália A

professora Dedee Murrell formou-se em ciências médicas pela Universidade de Cambridge, em 1984, e pela Faculdade de Medicina da Universidade de Oxford, em 1987, ambas na Inglaterra. Após três anos de estudos de Clínica Médica nos hospitais-escola de Oxford, Cambridge e da Universidade de Duke, especializou-se em dermatologia na Universidade da Carolina do Norte, Chapel Hill, Estados Unidos. Realizou pesquisa com Ray Gammon e Al Briggaman para definir os epítopes do colágeno VII reativos na epidermólise bolhosa adquirida e no lúpus eritematoso sistêmico bolhoso. Obteve a bolsa Howard Hughes para pós-doutorado, de modo a financiar pesquisa laboratorial na Universidade de Nova York, como proProfa. Dedee Murrell fessora-assistente. Depois recebeu bolsa para clínicos-cientistas do NIH e foi contratada pela Rockefeller University, em 1995, para desenvolver com o dr. Jim Krueger pesquisa sobre epidermólise bolhosa. Desde 1996, trabalha no St. George Hospital, University of NSW, em Sydney, onde se tornou professora titular de dermatologia em 2004. JSBD – Na Austrália há forte campanha contra o câncer da pele. Quais são os atuais índices da doença? Os dados mais recentes sobre câncer de pele não melanoma estão em um artigo publicado no Medical

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Journal of Australia em 2006: a taxa padronizada por idade para câncer de pele não melanoma para 100.000 habitantes foi 1.170; para carcinoma basocelular (CBC), 884; e para carcinoma espinocelular (CEC), 387. O número de casos de câncer de pele não melanoma estimado na Austrália para 2002 foi 374.000. Os riscos acumulados para indivíduos de 70 anos de idade de ter pelo menos um câncer de pele não melanoma foi 70% para homens e 58% para mulheres. As taxas de CBC e CEC têm aumentado desde 1985, e as taxas mais altas são para as pessoas com 60 anos ou mais; as taxas para aqueles com menos de 60 anos estabilizaram. JSBD – As campanhas têm surtido efeito na prevenção primária? Sim. A campanha “Slip Slap Slop”, organizada pelo Conselho de Câncer da Austrália (Cancer Council of Australia), teve enfoque especial para estudantes. A impressão dos termos “slip” em uma camiseta, “slap” no filtro solar, e “slop” em um chapéu foi muito eficaz para os alunos de cinco a 10 anos, mas não tanto para o grupo de adolescentes. Relatou-se que a incidência de câncer de pele não melanoma estabilizou para o grupo mais jovem, mas há controvérsias devido ao grande número de imigrantes com tipo de pele mais escura nessa faixa etária, que vieram principalmente do Sudeste Asiático e Oriente Médio para a Austrália. As taxas mais altas de melanoma no mundo foram descritas em Queensland, com incidência de 56 novos

casos por ano por 100.000 habitantes para homens e 43 para mulheres. As taxas de incidência têm aumentado, e as de mortalidade, diminuído devido à detecção precoce. JSBD – Qual é a proporção de dermatologistas em relação à população australiana? Aproximadamente um dermatologista para cada 80 mil habitantes, em todo o país. Para ser ressarcido pelo Medcare (sistema público de saúde australiano), o paciente deve ser encaminhado por seu clínico geral (médico de família) ou por outro especialista para o dermatologista. JSBD – Fale sobre a formação em dermatologia no seu país. Na Austrália, os médicos formados fazem residência obrigatória de dois anos, passando por várias áreas médicas. Depois desse período podem candidatar-se à especialização em dermatologia. Contudo, como há apenas 12 vagas disponíveis por ano, em todo o país, os candidatos mais bem sucedidos também completam um ou dois anos, ou até mais, de pesquisa em dermatologia, em geral como mestrado ou doutorado, ou fazem primeiramente residência em clínica médica ou outra especialidade. Atualmente o treinamento para dermatologistas dura cinco anos, com exames de título no primeiro ano, para ciências básicas e, no quarto ano, para dermatologia clínica, com prova escrita e prática, com pacientes.

JSBD – Como é o mercado de trabalho para a área? A maioria dos dermatologistas trabalha em clínica particular. Alguns trabalham meio horário em hospitais-escola, um ou dois plantões por quinzena. Há alguns poucos cargos remunerados acadêmicos ou em hospitais em Sydney, Melbourne e Brisbane. É muito fácil conseguir emprego em clínica privada após terminar a qualificação. JSBD – Por favor, fale sobre o sistema de saúde Medcare. A senhora consideraria um exemplo a ser seguido por outros países? O sistema público de saúde na Austrália é muito generoso em comparação ao de outros países. Todos os cidadãos e residentes permanentes têm direito à assistência, independente de sua renda. Qualquer tratamento realizado em serviço público – hospitalar ou ambulatorial – é gratuito e sujeito a listas de espera. Na prática privada, o sistema público paga aproximadamente 50% do valor da consulta como reembolso. O sistema público de previdência social também subsidia um grande número de medicamentos disponíveis para usuários, e esse subsídio também é sujeito à verificação de renda. Os aposentados têm sistema semelhante que também paga por todas as consultas particulares e pelos medicamentos. Esse sistema poderia ser aplicado em outros países se a arrecadação com impostos for suficiente. Jornal da SBD



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Sidney: breve prisma de um país belíssimo

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Austrália é o sexto país em extensão territorial, caracterizado pela diversidade natural: com imensas áreas de praias, florestas tropicais, montanhas nevadas e grandes desertos. A capital, Camberra, é uma cidade planejada, sendo mais da metade do território considerado reserva natural, com 120km de áreas verdes com ciclovias. O Parliament House australiano, câmara do governo, ocupa a parte central e mais alta da cidade. O país abriga, ainda, uma das mais belas cidades do mundo: Sidney, cuja multicultural população é formada por quatro milhões de habitantes. No ano novo, seu principal símbolo, a Ponte Harbour, serve de pano de fundo para espetacular queima de fogos. Para encontrar gente bonita, o roteiro segue para Bondi Beach, com inúmeros cafés, restaurantes, bares, clubes e hotéis movimentando a orla. Seguindo a costa na direção do sudoeste de Victoria, pela Great Ocean Road, encontram-se lugares deslumbrantes, tais como o Parque Nacional Port Campbell, com suas impressionantes esculturas criadas pelo vento e o mar, como Os Doze Apóstolos, a Ponte de Londres e o Loch Ard Gorge; e a cidade de Port Fairy, com seu festival folclórico. No meio do deserto de Gibson, no Parque Nacional de Uluru, está o Ayes Rock, monolito cultuado pelos aborígenes.

Outro lugar pitoresco é Cairns, ponto de partida para quem vai conhecer a Grande Barreira de Corais, na costa nordeste do país. São 2.300km de recifes que acompanham a costa australiana, abrigando uma das mais ricas fauna e flora marinhas. Ao sul do país, a ilha da Tasmânia tem 20% de suas florestas consideradas patrimônio da humanidade. Vale à pena conferir.

Apresentado projeto da nova sede da SBD

Serviço: A diferença de fuso horário é de 13 horas em rela-

ção a Brasília, e o vôo dura 17 horas de Buenos Aires a Sidney, vôo transpolar.

Para entrar na Austrália é preciso visto. Para saber como adquiri-lo entre no site da embaixada www.embaixada-australia.org.br.

 Site: www.sydney.com.au  Clima: mediterrâneo, marinho, árido, subtropical

Planta baixa humanizada do 18o andar

úmido e savana

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m reunião no dia primeiro de abril, a arquiteta Neuza Mar tinez apresentou à Diretoria o projeto preliminar da nova sede da SBD. Com a recente aquisição de mais um pavimento no prédio da Avenida Rio Branco, no Centro do Rio de Janeiro, a entidade contará com espaço mais amplo e confor tável para funcionários e associados. Pelo projeto, o 18 o andar, em que funciona hoje a SBD, será destinado à par te social, dispondo de auditório para 30 pessoas, aconchegante sala de espera, salas de reuniões, sala de telemedicina e uma pequena copa para os visitantes. A biblioteca será ampliada, ganhando mais espaço para as publicações, consulta e serviço de fotocópia. “Com essa nova estrutura, será possível a realização de pequenos cursos e debates, haverá mais confor to para a pesquisa e facilidade no acesso à Internet. Nossa intenção é estimular o associado a fre-

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qüentar a SBD”, declara a dra. Cláudia Maia, tesoureira da atual Diretoria. O 17o andar abrigará os setores administrativos, contando com cozinha e refeitório. “A ausência de paredes nesse pavimento proporcionará espaço mais arejado e interligado”, observa a arquiteta Neuza Mar tinez. Os setores serão separados por divisórias baixas. Além disso, piso, teto e iluminação serão uniformes, de forma a possibilitar mudanças na disposição dos ambientes quando necessário. Nesta fase preliminar, estão sendo avaliados os espaços para cada atividade, com a participação dos funcionários dos diversos setores da SBD. A apresentação do projeto definitivo, com a especificação das áreas e materiais, está marcada para o mês de maio, quando serão iniciadas as obras. A nova sede deverá ser concluída no segundo semestre de 2008. Jornal da SBD  Ano XII n. 2



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AIDS ontem e hoje Comentários sobre o artigo: One Step Forward,Two Steps Back — Will There Ever Be an Aids Vaccine? de Robert Steinbrook, M.D., publicado no New England Journal of Medicine, volume 357; n.26 de 27 de dezembro de 2007

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esse artigo o autor aborda o desenvolvimento de produtos candidatos ao status de vacina contra a infecção pelo HIV. Apesar de ter havido certo otimismo no início da pandemia de Aids acerca do rápido desenvolvimento de uma vacina, logo se verificou que essa tarefa não seria nada fácil, pois o vírus possui mecanismos de escape ao sistema imunológico humano. Por ser um vírus RNA, sua replicação é sujeita a erros freqüentes que resultam em mutações, gerando cepas adaptadas que fogem ao controle do sistema imune do hospedeiro. Os primeiros estudos, utilizando a glicoproteína GP120, que induzia a produção de anticorpos neutralizantes, não resultaram em proteção, e essa abordagem de indução de resposta humoral foi abandonada. A vacina V520 da Merck-Sharp-Dohme, que consiste de adenovírus tipo 5 defeituoso (não replicante) contendo genes gag, pol e nef do HIV, induziria imunidade celular específica contra o HIV. Entretanto, os estudos clínicos conduzidos até o momento falharam em demonstrar eficácia, e um deles mostrou até que haveria aumento do risco de adquirir infecção pelo HIV em indivíduos vacinados, apesar de ainda ser necessário confirmar essa informação. Outro estudo, patrocinado pelo National Institute of Health (NIH) dos Estados Unidos, utilizou estratégia diferente: seria aplicada uma dose inicial da vacina constituída de DNA viral do HIV (genes gag, pol e nef) e glicoproteínas do envelope viral de diferentes subtipos do HIV (clades A, B e C), seguida de outra dose após seis meses, composta de glicoproteínas e genes envelopados em adenovírus tipo 5 recombinante. A experiência, porém, foi colocada em compasso de espera diante dos resultados observados em outros estudos. Esperase que sejam introduzidas modificações em sua execução e que sejam incluídos somente indivíduos que não tenham tido infecção prévia pelo adenovírus tipo 5. Estudo em andamento na Tailândia está usando a estratégia de vacinação com uma dose inicial de vírus “canary pox” recombinante, com genes do HIV, seguida de reforço com GP120, na tentativa de produzir resposta celular e humoral, respectivamente. Seu resultado só será conhecido em 2009 ou 2010, se tudo correr bem. Nenhum desses trabalhos ou qualquer outro com novos candidatos ao status de vacina produzirá resultados antes do intervalo de cinco a 10 anos na melhor das estimativas, isto é, com a vacina induzindo imunidade protetora contra o HIV. Além disso, os custos de desenvolvimento ultrapassam

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750 milhões de dólares americanos por ano só nos Estados Unidos, sendo que a maior parte dos fundos vem de agências governamentais. O autor cita o alerta do dr.Anthony Faucy, do NIH, afirmando que, apesar de todos os nossos esforços no sentido de desenvolver uma vacina eficaz, existe a possibilidade de que esse objetivo jamais venha a ser alcançado. Essa afirmação se deve ao conhecimento atual do HIV e sua maneira de agir, e talvez só possa ser modificada se houver um fato novo favorável ao desenvolvimento de vacinas eficazes. Diante dessas perspectivas, é necessário continuar a dirigir esforços à prevenção da doença, através das medidas já conhecidas, como o uso de preservativos, vigilância em bancos de sangue etc. O tratamento de portadores com anti-retrovirais potentes também tem papel fundamental, pois, além de prolongar a vida dos portadores e impedir o aparecimento de infecções oportunistas, ajuda a prevenir a transmissão da doença. Prof. Dr. Décio Diament Médico infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, São Paulo; professor adjunto da disciplina Doenças Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina de Jundiaí, São Paulo.

  Linha do tempo

Prof. dr. Paulo Cunha 1985 – Fundação do Grupo Cooperativo Brasil-EUA para pesquisa do Fogo Selvagem, que produziu dezenas de trabalhos sobre a doença. Na foto sentados da esquerda para direita: Fernando Almeida, Raimundo Martins Castro, Sebastião Sampaio, Luis Diaz, Evandro Riviti. Em pé da esquerda para direita: Mário Macca, Ciro Martins, Paulo Cunha, Zilda Najar, Luis Gonzaga, Clóvis Lombardi, Paulo Borges

1981 – Primeira publicação sobre Aids: New York Times: “Rare cancer seen in 41 homosexuals”. By Lawrence K. Altman

1981 1981 – Luís Carlos Cucê e cols.: introdução do uso de cetoconazol para o tratamento da Paracoccidioidomicose. Rev. Inst. Méd. Trop. São Paulo 23(2):8285, março-abril de 1981

1984 1984 – Surge no Brasil o movimento das Diretas Já

1986

1985 1986 – 26 de abril: Desastre nuclear de Chernobyl.

A

s dificuldades em torno do desenvolvimento de uma vacina contra a Aids englobam não só aquelas inerentes ao vírus e suas repercussões no sistema imunológico,mas também a falta de união entre os diversos grupos de pesquisadores. Para o dr. Luiz Cláudio Arraes de Alencar, infectologista da Universidade Federal de Pernambuco, este é ainda um objetivo distante que depende de maior cooperação e comprometimento.“As vaidades e os interesses devem ser combatidos com vigor”, observa. Os primeiros casos do que mais tarde seria conhecido como Aids datam do final da década de 1970. Contudo, apenas em 1981, a preocupação com a nova e misteriosa moléstia atingiu maiores proporções, mobilizando as autoridades sanitárias e ganhando as páginas dos jornais. Foi nesse ano que o New York Times publicou o artigo pioneiro sobre os primeiros casos da doença, intitulado “Câncer raro visto em 41 homossexuais”.A nova síndrome era então considerada uma forma rara e rapidamente fatal de câncer, chamada sarcoma de Kaposi. Segundo o artigo do jornal americano, eram desconhecidas sua causa e formas de contágio, mas o estudo comparativo dos casos indicava infecção viral, possivelmente por contato sexual. A nova doença foi classificada em 1982, mas só dois anos depois os médicos Robert Gallo e Luc Montagner isolaram e caracterizaram um retrovírus como causador da Aids. Apesar de mais de 20 anos já se terem passado desde a descoberta do HIV, ainda não foi possível desenvolver uma vacina contra a doença. Os dois artigos sobre a Aids mencionados nesta matéria, de 1981 e de 2007, podem ser encontrados nos sites www.nytimes.com e www.nejm.org, respectivamente. * Aspecto histórico relatado pelo prof. Paulo Cunha Jornal da SBD



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Congresso da SBD unirá atividades científicas e sociais O 63o Congresso da Sociedade Brasileira de

Dermatologia será de 6 a 10 de setembro de 2008,

no Centro de Convenções do Ceará, em Fortaleza. A organização espera quatro mil participantes, entre especialistas nacionais e estrangeiros. A programação científica foi cuidadosamente elaborada e abrangerá novos procedimentos e avanços tecnológicos em temas tais como dermatopatologia, câncer de pele, doenças infecciosas, DST e Aids, hansenologia, dermatite atópica e de contato, dermatologia pediátrica, psoríase, fotobiologia e fototerapia, pênfigos, cirurgia dermatológica, laser em dermatologia e cosmiatria. Nesse contexto, os mais ilustres nomes da área farão palestras, entre eles 14 estrangeiros, oriundos de países como Estados Unidos, Alemanha, França, Austrália e Argentina. No início deste mês, o presidente, dr. Heitor de Sá Gonçalves, e a comissão científica do 63o CSBD participaram do 20o Congresso Brasileiro de Cirurgia Dermatológica.De acordo com Gonçalves,durante o evento, vários objetivos com relação ao congresso no Ceará foram alcançados, como, por exemplo,“fechamento definitivo da programação científica, principalmente no que se refere aos cursos práticos, verificação de novas tecnologias para implementação dos cursos de procedimentos em congresso e negociação com todas as empresas que comercializam equipamentos indispensáveis à realização do congresso”, ressalta.

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Programação Social A

inda segundo o presidente do 63o CSBD, a programação social do evento será privilegiada, com várias atividades.“Vamos adequar o melhor da realidade regional às expectativas dos dermatologistas brasileiros”. A capital do Ceará tem intensa programação cultural e povo bastante hospitaleiro. Com diversos museus, centros culturais e teatros, o mais tradicional é o Theatro José de Alencar, com sua fachada art nouveau, que combina vitrais coloridos e estrutura metálica importada da Escócia, com características da belle époque nos desenhos que enfeitam as frisas, os camarotes e as escadarias – além do jardim projetado por Burle Marx. Para conhecer os atrativos históricos e culturais de Fortaleza a dica é fazer um passeio a pé. A maioria das construções se concentra no Centro da cidade, como o Museu do Ceará e o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, que reúne museus e cinemas. Fora do circuito, os destaques são a Casa de José de Alencar, no bairro de Messejana, e o Museu do Maracatu, no Cristo Redentor. Todas as informações sobre o 63o Congresso da SBD estão no site www.dermato2008.com.br. Jornal da SBD



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Medicina: primeira faculdade do Brasil Uma das mais importantes ações realizadas pela Coroa portuguesa em 1808 foi lançar as bases para a edificação do ensino superior no país

 

Painel

Prezados Prof. Paulo R. Cunha – Coordenador Médico do Jornal da SBD – e Andréa Fantoni – Redatora do Jornal da SBD, Bons dias. O artigo sobre Titulo de Especialista, publicado na edição N 1, janeiro-fevereiro de 2008, está excelente. Gostei da foto dos meus 40 anos, passados com outros jovens. Segue texto de homenagem que fiz para Agostinho Patrus. o

Agostinho Patrus

E

m 2008, os 200 anos da chegada da família real portuguesa ao Brasil marcam o aniversário de diversas instituições. O Jardim Botânico, o Banco do Brasil e a imprensa foram algumas das novidades que o príncipe regente d. João implementou logo no primeiro ano de sua estada em terras brasílicas. A data assinala também o bicentenário da instauração do ensino médico superior no país. D. João fundou, em 18 de fevereiro de 1808, a primeira faculdade do Brasil, durante sua rápida passagem por Salvador. A Escola de Cirurgia da Bahia, como veio a se chamar, foi instalada no antigo prédio do Colégio dos Jesuítas, onde funcionava o Hospital Real Militar da Bahia, no Largo do Terreiro de Jesus (atual Praça 15 de Novembro). Até então, Portugal proibia a fundação de escolas de ensino superior em suas colônias. Enquanto nas possessões espanholas já existiam universidades desde o século XVI, no Brasil, durante muito tempo, os filhos da elite colonial precisaram ir à Europa para completar seus estudos. Segundo Antônio José Barbosa de Oliveira, historiador e pesquisador do Projeto Memória, do Sistema de Bibliotecas e Informação (Sibi) da UFRJ, a proibição tentava impedir que surgisse na colônia elite intelectual que tivesse formação ideológica destoante daquela existente na metrópole portuguesa.

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A medicina no Brasil colonial era exercida pelos mais diversos profissionais. Cirurgiões, boticários, barbeiros-sangradores, parteiras e os próprios padres jesuítas realizavam desde o corte de cabelo e extração de dentes até a aplicação de sanguessugas, cirurgias e preparação de medicamentos. Essa situação devia-se à carência de profissionais habilitados, já que os médicos formados nas universidades européias acabavam não retornando à colônia ou então concentravam-se nas cidades maiores. Com a chegada da corte portuguesa no Brasil, acompanhada de aproximadamente 15 mil pessoas, tornou-se necessário implementar aqui condições mínimas de infra-estrutura. Daí a criação das primeiras faculdades de medicina, que foram instaladas nas cidades de maior expressão do país na época: Salvador e Rio de Janeiro. Em seu início, entretanto, o ensino médico brasileiro funcionou de forma bastante precária. Na Bahia, nos primeiros anos de funcionamento da Escola de Cirurgia, eram ministradas apenas as cadeiras de “Cirurgia Especulativa e Prática” e “Anatomia e Operações Cirúrgicas”. A instituição contava então com dois professores e um porteiro, e obedecia aos estatutos da Universidade de Coimbra. O ensino seguia a orientação dos compêndios franceses, e era exigido o conhecimento da língua francesa para a realização da matrícula. Tendo concluído os quatro anos de curso, o aluno era submetido a exame e, caso fosse aprovado, recebia de Lisboa o diploma que lhe permitia sangrar, aplicar ventosas e tratar feridas, fraturas e contusões. Esses

diplomados, contudo, não eram considerados médicos — título conferido apenas aos licenciados pela Universidade de Coimbra — e, por isso, não podiam administrar medicamentos e tratar moléstias internas. A Escola Anatômica, Cirúrgica e Médica do Rio de Janeiro foi fundada em 5 de novembro de 1808 e funcionou no antigo Colégio dos Jesuítas, nas dependências do Real Hospital Militar, no Morro do Castelo.A nova escola apresentou inicialmente diretrizes iguais às de sua congênere baiana. Contudo, a condição de centro administrativo do Império legou ao Rio de Janeiro mais recursos e currículo mais amplo, que incluía, além dos conhecimentos de cirurgia e anatomia, as disciplinas de fisiologia, terapêutica cirúrgica e particular, medicina operatória e obstétrica, química e elementos de farmácia. Em 1813, a Escola da corte passou a denominar-se Academia Médico-Cirúrgica do Rio de Janeiro e teve seus cursos ampliados e transferidos para a Santa Casa de Misericórdia. Processo semelhante ocorreu, em 1816, com a instituição baiana, que se tornou Academia MédicoCirúrgica da Bahia. As Faculdades de Medicina do Rio de Janeiro e da Bahia passaram a ser assim denominadas a partir da profunda reforma de 1832, quando começaram a ministrar também os cursos de Farmácia e Obstetrícia e o curso médico passou a ter duração de seis anos. A cátedra de Dermatologia e Sifiligrafia das Faculdades de Medicina da Bahia e do Rio de Janeiro só surgiu em finais do século XIX.

Faleceu recentemente o dr. Agostinho Patrus. Formado em medicina, oftalmologista, foi presidente da Associação Médica de Minas. Depois dedicou-se à política, tendo sido várias vezes deputado estadual; foi também presidente da Assembléia. Ocupou cargos de secretário durante diferentes governos estaduais. Cumpre, entretanto, destacar em Agostinho Patrus sua constante colaboração com a AMB e a SBD. Agostinho era casado com a professora Orcanda A. Patrus, minha assistente em São Paulo, quando do casamento com Agostinho, o que muito me preocupou na ocasião, pois eu perdia excelente e promissora assistente e temi que a dermatologia também a perdesse. Ocorreu, porém, exatamente o oposto. Agostinho foi estímulo constante e incessante na carreira universitária de Orcanda, doutora, assistente e professora titular de dermatologia na Faculdade Federal de Medicina de Minas Gerais. Ocupou quadros associativos na SBD e foi presidente de nossa entidade em 19901991 e do Congresso Brasileiro realizado em Belo Horizonte. Como político, Agostinho Patrus sempre colaborou com a SBD e, muitas vezes, solicitei seu apoio em questões de interesse de nossa entidade. Por esse apoio poderia ter sido sócio colaborador da SBD, mas a modéstia dos Patrus não incentivou a idéia. Um câncer levou Agostinho. Senti muito sua morte. Orcanda perdeu o marido, eu, o amigo, e a SBD perdeu um médico e político que sempre a apoiou. Não é possível sua volta, mas a memória do que colaborou com a dermatologia mineira e a SBD permanecerá ab aeterno. Sebastião A. P. Sampaio Caros colegas! Conseguimos aqui, no Paraná, um posicionamento importante em relação à Medicina Estética e, finalmente, o apoio do CRM local. Espero que isto sirva de exemplo para outros CRMs. O alerta saiu em jornais de grande circulação nas maiores cidades do PR e está no site do CRM-PR (www.crmpr.org.br). Por favor, divulguem. Obrigada, Fabiane Mulinari Brenner - SBD-PR

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Novela da Globo aproxima dermatologia do grande público A novela das 7h da TV Globo, Beleza Pura, tem como personagem principal a dermatologista Joana, vivida pela atriz Regiane Alves. Atenta à repercussão que a personagem tem despertado, a SBD reuniu-se com a emissora para conhecer os rumos da personagem. Participaram da reunião a pesquisadora da TV Globo Danielle Lima, a consultora para esse trabalho e associada da SBD dra. Graça Tavares e o vice-presidente da SBD dr. Omar Lupi. Conforme acertado na reunião, a SBD foi citada em um dos capítulos da novela, que foi ao ar na sexta-feira, 9 de maio. Na cena, a dermatologista Joana é entrevistada sobre câncer da pele em um programa de televisão. Além de falar sobre proteção solar e apontar dados da incidência da doença no Brasil, a personagem cita a Campanha Nacional de Prevenção do Câncer da Pele promovida pela SBD. “Nossa preocupação era preservar a imagem do dermatologista e aproveitar a oportunidade para valorizar e difundir corretamente a especialidade”, afirma o dr. Omar. Danielle Lima, cujo trabalho consiste em fornecer subsídios técnicos à autora, que deseja retratar de forma fidedigna o tema abordado na obra, afirma que “é importante que a seleção, a fonte seja cautelosa”. A dra. Graça Tavares foi escolhida como consultora da TV Globo no que tange aos aspectos técnicos dermatológicos. “Achei a tarefa bastante interessante e inovadora; além de enriquecedora como experiência pessoal”, revelou. Para a composição da personagem a atriz freqüentou a clínica da dra. Graça, onde observou procedimentos médicos e cosmiátricos. “Tenho a função de orientar a ambientação das clínicas, os procedimentos médicos, a escolha de aparelhos e tratamentos, bem como de fazer leitura e revisão dos capítulos, além do acompanhamento nas gravações quando é realizado procedimento médico”, afirma a consultora. Todos os procedimentos e tratamentos que são vistos na novela são aprovados pelos médicos e pela Anvisa. De acordo com a autora,Andréa Maltarolli, a preocupação em checar as informaões abordadas é constante:“Nossa personagem principal feminina é dermatologista, mais um motivo para o nosso cuidado. No entanto, é fundamental lembrar que se trata de uma obra de ficção. Por conta disso, em alguns momentos recorremos a ‘licenças poéticas’ com o objetivo de agilizar a trama ou fazê-la mais compreensível para o público.” A novela destaca a vertente estética do dermatologista, embora sua autora considere a possibilidade de, em alguns momentos da história, ampliar a discussão e exibir outras faces da dermatologia.

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Divulgação

Pingue-pongue com Regiane Alves JSBD – Como foi o laboratório para encenar a Joana? Regiane Alves – Fiz um laboratório na clínica Dermobarra, no Rio de Janeiro, onde pude acompanhar alguns procedimentos e consultas ao lado da dra. Graça Tavares e sua equipe. Li alguns livros técnicos sobre dermatologia e estética. JSBD – As mulheres compõem 73% dos associados da SBD. Você se identificou com a profissão da personagem? RA – Realmente meu contato foi apenas com médicas mulheres.Todas possuem extrema delicadeza, gentileza e cuidado com suas pacientes. Como a pele é um órgão muito sensível, relacionada diretamente com o emocional, acredito que nesse campo as mulheres se sobressaem. Tenho uma personalidade parecida com a da Joana. Sou batalhadora e sempre desejo o bem do próximo. Admiro muito a medicina e passei a admirar mais ainda convivendo com médicos. JSBD – Como costuma cuidar de sua pele? RA – Tenho a pele normal. Lavo todas as manhãs e noites alternando com produtos próprios para o rosto. Uso tônico e depois filtro solar 30 ou 60, em dias de muito sol. À noite, cremes manipulados pela minha médica, dra. Maria Tereza Tieppo.

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  Capa | Eleições na SBD

Omar Lupi e Bogdana Kadunc são eleitos para gestão

2009/2010

Repercussão internacional: Diane Baker, president of the American Academy of Dermatology (USA) Congratulations on your election for president of the SBD! You will definitely do an excellent job. Linda A. Ayers, coordinator of the Program Members Who Make a Difference, of the American Academy of Dermatology (USA) Congratulations! I am very happy for you. I wish you all the best. Elizabeth Dawson, University of Portland - Oregon (USA) Congratulations! That’s good news! Bruce Thiers, editor of the Journal of the American Academy of Dermatology (JAAD) and professor at the Medical University of South Carolina (USA) Good news! Congratulations! Gil Yosipovitch, M.D., Department of Dermatology, Neurobiology & Anatomy and Regenerative Medicine of the Wake Forest University Health Sciences, Winston-Salem (USA) Congratulations on your appointment as president of the Brazilian Society of Dermatology.

A

chapa “Experiência, equilíbrio e inovação”, formada pelos professores Omar Lupi e Bogdana Kadunc, venceu as eleições com 1.523 (55%) votos, para os cargos de presidente e vice-presidente da gestão 2009/2010 da Sociedade Brasileira de Dermatologia. O resultado do pleito foi anunciado durante a Assembléia Geral da SBD do dia 12 de abril de 2008.A chapa 2, formada pelos professores Silmara Cestari e Celso Sodré, obteve 1.170 (42%) votos. Ao todo 2.793 associados participaram, sendo quatro votos em branco e 3% nulos. A SBD é a segunda maior sociedade de dermatologia no mundo. Essa representatividade tem sido expressa na participação cada vez mais efetiva dos especialistas brasileiros no cenário mundial. Sendo assim, especialistas da área, de diversas partes do mundo, enviaram mensagens destacando as eleições da entidade. Em contraponto, no Brasil, a vitória da chapa, apoiada pela atual diretoria, demonstra que a maioria dos associados aprova os atuais rumos da SBD. “Tivemos uma vitória sólida em todo o Brasil”, afirma o dr. Omar Lupi. Segundo ele, as propostas do grupo foram formuladas para atender a uma sociedade plural, sem privilegiar

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A presidente da SBD, dra. Alice de Oliveira de Avelar Alchorne, divulga oficialmente o resultado das eleições durante a Assembléia Geral. Na foto, da esq. para a dir., estão os diretores: Josemir Belo, Célia Kalil, Cláudia Maia, Alice Alchorne e Omar Lupi

categoria de sócios. “Nada mais salutar para um grupo do que promover ações que atendam a todos”, comenta. A dra. Bogdana Victória Kadunc considera a especialidade bastante forte, com expressivo número de associados bem informados, cientificamente exigentes e participantes. “Penso ser de fundamental importância difundir o conceito de que a dermatologia é especialidade abrangente, com suas áreas clínica, cirúrgica e cosmiátrica”, afirma a especialista. Para manter a política atual e valorizar ainda mais o setor dermatológico, está na pauta a aproximação mais efetiva com a mídia, por meio de ações envolvendo as campanhas sociais, tais como a Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele.“A Diretoria pretende fazer um grande trabalho envolvendo a mídia leiga, sobre essa visão abrangente da formação dermatológica. Vejo essa ação como um caminho importante para nossa valorização profissional”, revela a dra. Bogdana Victória Kadunc. Em termos de pesquisa acadêmica, segundo o dr. Omar Lupi, o Brasil é pouco democrático. Ele se refere mais especificamente à possibilidade de estudos no exterior. “Para o der-

Prof. Raul Cabrera, Universidad de Chile Felicidades, Omar, por el nuevo cargo! Félix Fich, Universidad de Chile Felicitaciones. Serás el mejor presidente que los dermatólogos de Brasil podrían tener, de veras. Gloria Sanclemente, Universidad de Bogotá (Colombia) Felicitaciones por esa importante promoción. Estoy seguro que vas a hacer un trabajo maravilloso, porque creo que los dermatólogos académicos están más interesados en el desarrollo y en la calidad de nuestra especialización. Mis mejores votos para ti. Office of the European Academy of Dermatology and Venereology (EADV) Congratulations upon the new post.Yours sincerely. Uwe Wollina, M.D. and professor of the Technical University of Dresden, Friedrichstrasse (Germany) Congratulations!

Jane M. Grant-Kels, M.D., Assistant Dean for Clinical Affairs, University of Connecticut (USA) Welcome! And congratulations upon the presidency of the SBD.

Michele Gralle, Institute Max-Plank of Gottingen (Germany) Congratulations on the victory.Tell me how you find time for so many activities. I barely have time for one job and you are a professor, work in many services, carry out high standart research, work for the SBD, have your private office, family, etc. Congratulations and success!

Carlos Garcia, M.D., director of the Department of Cutaneous Oncology – University of Oklahoma (USA) Congratulations!

Kingsley Bampoe Asiedu, World Health Organization (OMS) Congratulations upon your election!

matologista estudar fora, ele precisa de respaldo familiar ou pessoal ou ganhar bolsa do governo. Essas bolsas, normalmente, são restritas a doutorado ou pós-doutorado. Enfim, tornase uma opção para os profissionais com maior bagagem, geralmente mais velhos”, conclui. Por isso ele criará uma terceira via, por intermédio da SBD: um projeto que visa estabelecer intercâmbios com instituições para oferecer oportunidades de os associados estudarem em outros países.“Vamos mediar com o apoio logístico, passagem, estada, e estamos avaliando a possibilidade de oferecer bolsas de estudo”, explica. De acordo com o dr. Lupi, o processo seletivo será justo: por meio de edital, com vagas para a área de medicina tropical – e reafirma:“priorizando o melhor projeto”. Entre as vantagens dessas parcerias estão as trocas de informações.“Os estudantes trarão de fora suas experiências para os colegas e para o Serviço Credenciado. O mesmo acontecerá com o estrangeiro que vier para cá. Esse projeto fará a diferença a longo e médio prazos ao integrar o dermatologista nacional com o lá de fora”, acredita. A dra. Bogdana Victória Kadunc considera que outro ponto

importante a ser trabalhado diz respeito à padronização e à difusão do treinamento em cirurgia dermatológica e cosmiatria em todo o país. “A edição da nova Revista de Cirurgia Dermatológica e Cosmiatria será também um marco que trará oportunidade de publicação para farto material que os dermatologistas brasileiros têm acumulado nestes anos de prática cirúrgica e cosmiátrica”, comenta. O dr. Omar Lupi também julga importante a maior aproximação com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica, que vai colaborar com a publicação. “Esse envolvimento é importante porque a SBCD tem sua função específica, com sócios exclusivamente da SBD”, observa. Entre outras metas, a futura gestão pretende criar um grupo de membros notáveis com objetivo de formular um documento com informações estruturadas em torno destes dois eixos: o que o associado espera da SBD em cinco anos? E como ele vê a instituição em 10 anos? O dr. Omar Lupi deseja que tais metas sejam perseguidas pelos dirigentes subseqüentes. “Deixaremos como legado um caderno de intenções. Quero um projeto contínuo de melhorias para a SBD”, encerra. Jornal da SBD



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Fórum de discussão de casos clínicos:

Fronteiras da

Dermatologia A

o receber a tarefa de escrever sobre as novas fronteiras de nossa especialidade, tive que me indagar sobre vários aspectos. Os avanços moleculares dos últimos tempos mudam constantemente a compreensão dos fenômenos patogênicos, sendo exemplo as epidermólises bolhosas, nas quais as proteínas envolvidas foram descritas e seqüenciadas, e surgiram anticorpos monoclonais marcadores, alterando profundamente não só a compreensão, mas o diagnóstico e o aconselhamento genético desses pacientes. Além disso, só podemos desenvolver tratamentos para doenças cuja patogenia é bem conhecida. Descobertas milagrosas e ocasionais como a penicilina são improváveis hoje em dia, e, dada a complexidade das técnicas envolvidas, é pouco provável que os avanços não venham de grandes grupos de pesquisadores. Seguindo nessa mesma linha de raciocínio, das pesquisas complexas levando a evoluções, os anticorpos monoclonais, que são conhecidos há muito tempo, há pouco iniciaram a “revolução dos biológicos”, que nos fazem até esquecer “revoluções antigas”, como o marco da isotretinoína no tratamento da acne. Há meio século a imunossupressão é o tratamento das doenças auto-imunes. Surge com os biológicos a possibilidade de imunossupressões mais seletivas, como, por exemplo, o uso do Rituximab, que só atinge as células B e a respeito do qual já há relatos atestando o controle de pacientes com pênfigos graves e resistentes ao tratamento “convencional”. Nessa modalidade terapêutica a imunidade celular é mantida, o que até então não se conseguia. Será que ficará restrito aos casos refratários? O grande marco será desenvolver terapias capazes de agredir exclusivamente as células B produtoras dos anticorpos patogênicos! Quando for possível identificá-las, com um marcador protéico, poderemos ser mais seletivos. Espera-se que não demore muito, para a nossa satisfação profissional

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e para o bem dos pacientes. Pele normal e se encaixando no conceito vigente de beleza e saúde, com toda a possível variação cultural, sempre foi desejo das pessoas, desejo esse que as leva a nossos consultórios. De novo o trabalho de grupos multidisciplinares desenvolveu, por exemplo, lasers ou aparelhos emissores de luz intensa pulsada, capazes de destruir seletivamente pêlos, permitindo-nos prestar esse serviço aos pacientes e abandonar o que muitos de nós aprenderam na residência médica, a lenta termólise de pêlos com agulhas. Também os novos avanços em biotecnologia permitiram o uso da toxina botulínica para frear grupos musculares faciais específicos, mudando a estética facial, diminuindo a procura de tratamentos cirúrgicos de maior complexidade e, por que não dizer, mudando também o modo de envelhecer de uma geração e, muito provavelmente, de todas as próximas. Pensar em fronteiras da dermatologia é pensar que estaríamos chegando a uma linha, mas na realidade estamos em curso. Um curso que nos leva ao futuro, ao avanço, melhorando, como já disse, nossa satisfação como profissionais e acima de tudo o conceito de nossa especialidade como ciência. Vale a pena voltar o olhar para o passado, já que esse curso de modernização deve ter começado há muito tempo, com os pensadores. A palavra grega para ciência é epistimi, da qual decorre o termo epistemologia, e significa aquilo que está acima do que tem valor. Só a ciência para ter tanto valor, e que bom que ela faz parte de nosso cotidiano.

O

mais uma contribuição da SBD a seus associados

associado da Sociedade Brasileira de Dermatologia dispõe agora de nova ferramenta para auxiliá-lo na prática dermatológica. A seção “Caso Clínico”, na área restrita do site da entidade, consiste em um fórum de discussão, no qual o sócio pode divulgar seus casos clínicos e compartilhar suas dúvidas com os demais profissionais da dermatologia.

Por meio da seção, os associados poderão debater com os coordenadores dos diferentes departamentos da SBD as eventuais dificuldades encontradas em sua prática médica. “O objetivo desse espaço é criar um fórum de discussão sobre o diagnóstico e a terapêutica de casos clínicos observados no consultório, ambulatório ou enfermaria em que o associado atua”, explica o coordenador da mídia eletrônica da SBD, dr. Paulo Ricardo Criado. Além da descrição dos casos, o espaço permite ainda que sejam anexadas imagens clínicas e de histopatologia. Se preferirem, os sócios podem disponibilizar seus quadros clínicos para discussão e acesso de todos os associados. O público leigo, porém, não tem permissão para acessar a seção. O fórum de casos clínicos da SBD evidencia os benefícios que a tecnologia pode trazer para a área médica. Segundo o dr. Paulo Criado, o espaço poderá auxiliar de modo especial os associados que se encontram fisicamente distantes dos Serviços Credenciados, no território nacional ou no exterior. “Todos nós temos dúvidas no diaa-dia do exercício profissional, e agora será mais fácil dirimi-las”, observa. Então, submeta à discussão seu caso clínico!

Hiram Larangeira de Almeida Jr. Departamento de Biologia e Genética Moleculares

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SBD realizará prova do TED Especial em junho T

rezentas e setenta e três pessoas inscre- 100 veram-se para a prova 91 90 do Título de Especialista em Derma80 tologia (TED) Categoria Especial, promo70 vida pela SBD em convênio com a Asso57 60 ciação Médica Brasileira (AMB), que 50 acontecerá em junho de 2008, por intermé40 40 dio da Fundação para o Vestibular da Univer29 30 sidade Estadual Pau23 lista Júlio de Mesquita 19 20 Filho (Vunesp). Os 16 12 estados que mais tive11 9 8 8 7 7 10 6 6 ram inscritos foram 6 5 3 3 2 2 2 São Paulo (91), Rio de 1 0 Janeiro (57) e Minas AL AM AP BA CE DF ES GO MA MG MS MT PA PB PE PI PR RJ RN RR RS SC SE SP Gerais (40). Segundo a presidente da Comissão do Título de Especialista da SBD, dra. bem como aqueles que comparecem às atividades Maria Denise Takahashi, os critérios para o edital foram elapatrocinadas pela SBD. borados segundo orientação da AMB. “A prova, em si, foi Por se tratar de experiência nova, os interessados em constituída para avaliar a experiência dos colegas e não fazer a prova para o TED Especial apresentaram algumas detalhes de uma coisa ou outra. A maioria de nós tentou dúvidas. Uma das principais, segundo a dra. Maria Denise formular questões sem consultar qualquer livro, objetivanTakahashi, foi relacionada à maneira de o dermatologisdo, com isso, perguntar ‘o que todo dermatologista’ deveria ta comprovar sua atuação na área, já que para isso era saber”, afirma. necessário apresentar documentação. “Outros se mosTanto em relação à prova prática quanto à teórica, a traram preocupados com a revalidação do Título, e finalidade é avaliar a capacidade do candidato, uma vez outros, na verdade, queriam saber sobre a dificuldade da que serão solicitadas discussões de casos do dia-a-dia prova, pois não querem se expor a um possível fracasdo dermatologista. “Acreditamos que esse tipo de so”, observa. A Comissão do TED da SBD é formada prova vai premiar aqueles que são realmente dermatopelos professores Maria Denise Takahashi, Bernardo logistas”, afirma a dra. Maria Denise. O integrante da Gontijo, Jackson Machado-Pinto, Silvio Alencar Marques, Comissão do TED dr. Hermênio Lima julga que essa Ar tur Antonio Duar te, José Antonio Sanches Júnior, Lia avaliação será ideal para testar o médico que pratica a Cândida Miranda de Castro, José Hermênio Cavalcante dermatologia ética e baseada em evidências científicas, Lima Filho e Silmara Cestari, a última, membro ad hoc.

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Total de inscritos por estado

 Paralelos

da 

Dermatologia Armínio Fraga: competência na área de finanças e olhar clínico

O

ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, sempre conviveu com médicos. Na infância, essa influência até fez com que planejasse seguir a profissão. O pai, Sylvio Fraga, assim como o avô Armínio Fraga, era dermatologista. “Eu pretendia ser médico dermatologista ou imunologista, mas, observando meu pai e meus tios, percebi que não tinha vocação específica para a medicina. Ainda assim, acho que penso um pouco como médico”, afirma. Um dos mais respeitados economistas do país, Armínio Fraga é formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC) e fez o doutorado na Universidade Princeton, em Nova Jersey (EUA). Nos Estados Unidos,

Fraga lecionou na Universidade Columbia, em Nova York, e na Wharton School, da Universidade da Pensilvânia, referência mundial na área de finanças. Sua passagem pelo Banco Central, de 1999 a 2002, foi marcada por êxito ao implantar metas de inflação e o câmbio flutuante, estratégias que afastaram a hiperinflação. “Dediquei a maior parte de minha vida profissional ao mundo dos investimentos, sempre procurando desenvolver um trabalho bem fundamentado. Seguindo os conselhos de meu pai, tenho também dedicado bastante tempo ao ensino e aos carentes, através de ONGs.Tive duas gratificantes passagens pelo governo, ambas no Banco Central”, conta. O economista dirige a Gávea Investimentos, empresa que fundou em 2003, mas não abriu mão das atividades ligadas ao ensino e a ONGs, “muitas delas com minha esposa”, observa. O avô de Armínio morreu quando ele tinha sete anos de idade. “Dele guardo muito carinho e a sensação de que uma pessoa bem mais velha pode confiar num menino pequeno. De meu pai então veio a influência maior, me aconselhando e dando o exemplo: fazer bem as coisas, estudar sempre, ouvir os outros com atenção, manter uma boa atitude mesmo sob pressão, olhar as coisas num contexto amplo e de forma aber ta, ser honesto, manter sempre o senso de humor e muito mais.” Fascinado pela dermatologia, considera que “o sintoma aparece, mas a causa nem sempre. A cura exige entendimento profundo, inclusive da cabeça das pessoas. Parece com a vida, não?”, filosofa. Jornal da SBD



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Mulheres na

Dermatologia E

ciado por parte dos pacientes”, declarou no livro Mestres da dermatologia paulista. O aumento do número de mulheres na dermatologia teve reflexos diretos na estrutura da SBD, que passou a contar com mais figuras femininas em seus quadros. Em 1990, a entidade foi pela primeira vez presidida por uma mulher, a mineira Orcanda Andrade Patrus. Exemplo de pioneirismo, ela foi também a primeira mulher a presidir um Congresso da SBD. Em 96 anos de história, quatro mulheres ocuparam a presidência da entidade: além de Orcanda, a pernambucana Sarita Martins em 1995, a paulista Clarisse Zaitz em 1997 e, atualmente, a paulista Alice Alchorne. Diferente do que ocorre na área dermatológica, a maioria dos médicos brasileiros é composta de homens. Segundo dados do Conselho Federal de Medicina, as mulheres representam apenas 38% dos profissionais ativos. Para a dra. Clarisse Zaitz, a predominância do sexo feminino na dermatologia está relacionada ao longo período necessário à formação completa do especialista.“O homem é, muitas vezes, o principal sustento da família, e o início da remuneração de um bom dermatologista é geralmente tar-

las correspondem a 73% dos associados da SBD e são maioria em todas as 23 Regionais da entidade. A presença maciça de mulheres na dermatologia é, contudo, fenômeno relativamente recente. Quando Neuza Lima Dillon cursou a Faculdade de Medicina e Cirurgia de Belém, no Pará, em 1957, entre 18 homens e seis mulheres, apenas ela e uma colega — a dra. Iaci Pina Nazaré — optaram pela dermatologia. Neuza foi pioneira entre as mulheres que se destacaram na especialidade, tornando-se a primeira professora titular em dermatologia do Brasil. Em 1967, quando chegou à cidade de Botucatu para implantar o serviço dermatológico da recém-criada Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas (Unesp), Neuza defrontou-se com posturas conservadoras e inúmeras formas de preconceito. Havia calçadas só para homens e para mulheres, assim como, nos clubes, as piscinas eram abertas em dias alternados para cada um dos gêneros. Em sua opinião, entretanto, o fato de ser mulher nunca constituiu obstáculo para trilhar a carreira. “Sempre me considerei igual aos professores e colegas e nunca permiti que me tratassem com diferença. Tampouco recebi tratamento diferen-

Percentuais por estado 81

79

80 77 73,5 69

74

73

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76

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76

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61

61

61,5

Homenagem

53 47 39

32

31 27

26,5 23 20

21

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39

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Mulheres

30,5 25

24 19

27 24

26

20,5

Homens 4,5

22  Jornal da SBD  Ano XII n. 2

dio”, explica. A dra. Orcanda Patrus, por outro lado, considera que a recente valorização social da aparência física encontrou maior receptividade no desempenho profissional feminino, devido, talvez, a uma aptidão natural. “Quem sabe as mulheres, que na escala evolutiva desenvolveram os sentidos da visão das cores e da percepção das pequenas alterações espelhadas no tegumento da cria, tenham para a dermatologia uma facilidade atávica”, conjetura. A dra. Alice Alchorne apresenta opinião similar. “A especialidade requer objetividade e o emprego dos sentidos, que são qualidades bastante aguçadas na mulher”, observa. Segundo as ex-presidentes da SBD, os desafios da profissão são os mesmos para homens e mulheres, pois o que conta não é o gênero, mas uma boa formação médica e humana, além de senso estético e crítico apurado. “O mais importante é ser um profissional sério, competente e atualizado, independentemente do sexo. Isso é discussão do passado”, argumenta a dra. Sarita Martins. Contudo, ainda que ao longo da carreira a qualidade profissional fale mais alto do que o gênero, as mulheres encontram pela frente um desafio a mais: conciliar a profissão e a vida familiar. A professora Neuza Lima Dillon não se casou nem teve filhos, dedicando-se integralmente ao ensino da dermatologia. Nas gerações seguintes, com a possibilidade de profissionalização das mulheres não só na área médica, mas nas diversas atividades humanas, elas foram buscando meios de conciliar o trabalho e a família.“Fui adquirindo mais compromissos profissionais à medida que os filhos foram crescendo e se tornando mais independentes”, conta a dra. Alice Alchorne. A capacidade de cuidar bem ao mesmo tempo da família e da profissão é considerada uma característica feminina. “Eu mesma avancei muito na minha carreira tanto científica quanto associativa e tenho uma família maravilhosa”, aponta a dra. Clarisse Zaitz. A dra. Sarita Martins complementa: “para uma mulher é sempre difícil conciliar a jornada tripla: mãe, esposa e profissional, principalmente, quando buscamos a tão esperada perfeição. Graças a Deus e à ciência, possuímos, geneticamente, a capacidade de nos desdobrar”.

Dra. Neuza Lima Dillon (06.06.1929 - 10.07.2007)  Formada pela Faculdade de Medicina e Cirurgia da Universidade do Pará  Residência médica no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP  Responsável pelo Serviço de Dermatologia da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista de Botucatu (Unesp) por 30 anos  Primeira professora titular da Faculdade de Medicina da Unesp  Vice-presidente da SBD Regional São Paulo em 1977  Professora emérita da Faculdade de Medicina da Unesp

Presidentes da SBD Dra. Alice Alchorne  Formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP)  Residência de Dermatologia no Hospital das Clínicas da FMUSP  Concurso para livre-docente em dermatologia na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Pernambuco  Professora titular de dermatologia da Faculdade de Medicina de Bragança Paulista  Professora adjunta do Departamento de Dermatologia da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina  Presidente da SBD Regional São Paulo em 2003  Presidente atual da SBD Nacional Dra Clarisse Zaitz  Formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo  Mestrado em Dermatologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)  Doutorado em Dermatologia pela Unifesp  Professora adjunta da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo  Presidente da SBD Nacional entre 1997 e 1998 Dra. Sarita Martins  Formada pela Faculdade de Ciências Médicas de Pernambuco  Residência no Serviço de Dermatologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)  Mestrado em Medicina Tropical pela UFPE  Professora adjunta da Faculdade de Medicina da UFPE  Coordenadora da residência médica e do curso de especialização em Dermatologia da UFPE  Doutorado em Dermatologia pela Universidade de São Paulo Presidente da SBD Regional Pernambuco  Presidente da SBD Nacional entre 1995 e 1996  Presidente do Congresso da SBD em 1996 Dra. Orcanda Patrus  Formada pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)  Residência no Serviço de Dermatologia do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo  Mestrado em Doenças Infecciosas e Parasitárias na Faculdade de Medicina da UFMG  Doutorado em Medicina Tropical na Faculdade de Medicina da UFMG  Primeira professora titular da Faculdade de Medicina da UFMG  Presidente da SBD entre 1990 e 1991  Presidente do Congresso da SBD em 1991 Jornal da SBD



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u l t o s V da Dermatologia

Dra.

Rosário de Maria Soares Lobato

Por dr. Adelson Henrique Marinho da Silva, presidente da SBD-MA

Dra. Rosário de Maria Soares Lobato

A

dra. Rosário de Maria Soares Lobato nasceu em 01/10/1944 na cidade de São Luís - MA, formou-se na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) em 1969, especializou-se em Dermatologia no serviço do professor Glyne Leite Rocha, no Hospital Central do Iaserj, no Rio de Janeiro, do qual foi a primeira residente, no período de 1970-1971. Ao retornar a São Luís, em 1972, foi trabalhar no Hospital Geral Tarquínio Lopes Filho, na época hospitalescola da UFMA, além de iniciar sua carreira docente como professora substituta da disciplina de dermatologia da UFMA no ano seguinte. Só em 1975 se tornou titular e assim permaneceu até 1983.Teve importantíssima participação na fundação da SBD-MA, em 1985, junto com o dr. Ivanildo Everton, seu primeiro presidente. Ocupou a presidência da regional nos períodos de 1987-1989; 19881989; 2000-2002. Recebeu homenagem especial na Jornada Norte e Nordeste de 2004, em João Pessoa - PB. Na dermatologia, sua área de atuação e verdadeira paixão sempre foi a hanseníase, e sempre passou seus conhecimentos e experiência na área como professora e coordenadora de vários cursos para médicos e guardas sanitários promovidos pela Secretaria de Saúde - MA, FSESP e Delegacia Federal de Saúde. Na vida acadêmica sempre incentivou seus alunos a abraçar a especialidade, o estudo da hanseníase e o combate da endemia no Estado do Maranhão. Atualmente aposentada, continua, porém, apaixonada e estudando assuntos relativos à dermatologia e hanseníase. Adora ler, viajar, ir à praia para admirar o mar, ir ao cinema, fazer Tai Chi Chuan, alongamento e musculação, atividades que lhe proporcionam prazer imensurável, como gosta de frisar.

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Regional

Maranhão

Renasc. Medical Center Avenida Colares Moreira 555, 2º andar, Sala 8. 65075-441 - São Luís - MA Tel.: (98) 3217-4370 e-mail: adelsonmarinho@hotmail.com

Fundação - maio de 1985

No de associados - 23

Diretoria 2007-2008 Presidente dr. Adelson Henrique Marinho da Silva Vice-Presidente dra. Daniela Alves Lima Secretária-Geral dra.Virgínia Milhomens Costa 1o Secretário dr. Ivan Abreu Figueiredo Tesoureiro dr. Alberto José Jorge de Jesus Biblioteca dra. Maria Solange Cordeiro Soares

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Waldemir 105 anos dedicados Miranda: à dermatologia “É preciso encarar os problemas sem medo. Ter orgulho de ser médico e ter muito amor à vida.”

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om 105 anos recém-completados, o médico, professor e escritor Waldemir Miranda é hoje uma das mais importantes figuras da dermatologia brasileira. Nascido na cidade paraibana de Caiçara, em 24 de abril de 1903, dedicou grande parte de sua vida à prática e ao ensino da especialidade e aponta esse trabalho como um dos ingredientes para sua longevidade. Em sua filosofia de vida, Waldemir sempre dividiu o dia em três etapas: oito horas de sono, oito horas de lazer e oito horas de trabalho. Sem dar vez ao sedentarismo, o médico até pouco tempo nadava no mar de Boa Viagem e freqüentava o hospital que preside, participando das decisões estratégicas. Waldemir começou o curso médico na Bahia, aos 23 anos, mas formou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Já na década de 1920, adotou Recife como sua cida-

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de, desenvolvendo ali as atividades e os projetos que tanto contribuiriam para a medicina brasileira. Em 1947, fundou na cidade o primeiro centro privado de radioterapia do Nordeste — o Instituto de Radioterapia Waldemir Miranda (Irwam) —, até hoje referência na região. Ainda nos anos 40, fundou em Recife o Hospital São Marcos, do qual é o atual presidente, e, posteriormente, foi um dos principais fundadores da Clínica Dermatológica do tradicional Hospital Pedro II. O caráter empreendedor do dermatologista teve seus reflexos também na academia. Em 1950, ele foi um dos grandes responsáveis pela fundação da Faculdade de Ciências Médicas de Pernambuco, tornando-se seu primeiro diretor. Hoje, como professor emérito, Waldemir Miranda é ainda lembrado e homenageado pelos alunos. Em 2006, por exemplo, aos 103 anos de idade, o experiente

médico compareceu à cerimônia de colação de grau da FCM para receber a homenagem dos formandos. Clínico, professor e empresário,Waldemir Miranda dedicouse também à arte de escrever. Na década de 1930, começou a publicar livros científicos, entre os quais A bouba do Nordeste brasileiro e Vida médica em Pernambuco. O reconhecimento veio em 1971, quando entrou para a Academia Pernambucana de Letras, que presidiu de 1982 a 1992. Hoje, além de Presidente de Honra da instituição, é ainda sócio correspondente da Academia Paraibana de Letras, da Academia Carioca de Letras e da Academia de Letras de Campina Grande. Os inúmeros serviços prestados a Recife fizeram de Waldemir um pernambucano de coração, como ele mesmo insiste em dizer. Em 2002, foi de fato reconhecido cidadão de Pernambuco pela Assembléia Legislativa do estado. Além disso, no ano de seu centenário, recebeu o Diploma Cidadão do Grupo de Executivos do Recife e nomeou o prêmio que esse grupo dedica às empresas pernambucanas centenárias. Entre os empreendimentos que já receberam a medalha Waldemir Miranda estão o Diário de Pernambuco e o Hospital Português do Recife. Atualmente aposentado, Waldemir Miranda foi até pouco tempo atrás o médico dermatologista mais antigo em atividade no país. Sua trajetória foi contada na biografia Waldemir Miranda, um cidadão do mundo, lançada pelo jornalista Carlos Cavalcante em 2003. No mês de seu 105o

aniversário, Waldemir nos concedeu esta breve entrevista, palavras inspiradoras para todos aqueles que, como ele, consideram que continuar trabalhando pela medicina é o mais importante.  Qual seria, para o senhor, a receita da longevidade? Não viver para comer, comer para viver; comer aquilo que a natureza oferece, não perder noites de sono, não beber e não fumar.  Tendo acompanhado por tantos anos a trajetória da medicina no Brasil, o que, em sua opinião, se tornou melhor e pior na área médica? A medicina é boa para a paisagem social, porque ela melhora muito a sociedade. Mas, ainda peca na questão do humanismo.  Com trajetória tão bem-sucedida e premiada, existe algo que o senhor gostaria de ter feito, mas não foi possível? Todos nós temos falhas humanas, por isso nunca devemos figurar o fracasso. Acho que sou realizado, mas eu gostaria de ter ajudado mais as pessoas.  O que o senhor gostaria de dizer aos jovens dermatologistas? É preciso encarar os problemas sem medo. Ter orgulho de ser médico e ter muito amor à vida.

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  Departamentos Confira nossas dicas culturais e dê também sua indicação, pelo e-mail comunicacao@sbd.org.br

Teatro eat o

Recomende Cinem nema O sonho de Cassandra (estréia 1º de maio)

São Paulo: A Alma Imoral: falando diretamente para a platéia, a atriz Clarice Niskier trata de dilemas universais e questões éticas, especialmente da eterna tensão entre tradição e transgressão. Até 15 de junho no Teatro Eva Herz (tel.: 11 3170-4059). Sex e Sab às 21h e Dom às 19h. R$50,00.

Às Favas com os Escrúpulos: casados há 53 anos, a aposentada Lucila e o senador da República Bernardo vivem felizes e em harmonia. A trama ganha novo rumo quando Lucila descobre que Bernardo tem uma amante.Texto: Juca de Oliveira. Direção: Jô Soares. Com: Bibi Ferreira, Juca de Oliveira, Neusa Maria Faro e Adriane Galisteu. Até 1o de junho no Teatro Raul Cortez (tel.: 11 32541672). Qui e Sex às 21h30, Sab às 21h e Dom às 18h. R$80,00.

Porto Alegre Cirque du Soleil - Alegría: nove

O

A

SBD promoverá, nos dias 4 e 5 de julho, o I Simpósio Nacional de Cosmiatria e Laser, que acontecerá na Fecomércio, em São Paulo. No evento, serão abordados temas para atualização profissional e novidades de ambas as áreas. “Pela primeira vez, estarão reunidos especialistas renomados, tratando de tecnologias a laser e cosmiatria de maneira prática e participativa. Será uma oportunidade ímpar de atualização”, observa a dra. Denise Steiner, coordenadora do Departamento de Cosmiatria da SBD. A programação científica encontra-se em fase final de elaboração e, segundo o coordenador do Departamento de Laser da SBD, dr. Alexandre Filippo, estão sendo convidados diversos palestrantes com larga experiência nas duas áreas. “As equipes de ambos os departamentos estão trabalhando intensamente, visando à montagem de um programa de alto nível e que seja acessível a todos os graus de aprendizado, desde o básico até o avançado.” Os interessados em participar devem ficar atentos às inscrições, que serão feitas pelo site www.sbd.org.br. As vagas serão limitadas em função da capacidade do espaço físico.

coordenador do Departamento de Dermatologia Geriátrica, prof. Maurício Alchorne anuncia o II Curso Nacional de Dermatologia Geriátrica, no dia 30 de maio de 2008, no auditório do Serviço de Dermatologia do Hospital das Clínicas, em Goiânia (GO). O evento tem apoio da Regional Goiás.“Algumas das dermatoses que atingem pacientes nessa faixa etária podem estar relacionadas a causas primárias na pele, e outras podem representar manifestações tegumentares de doenças sistêmicas”, informa o prof. Maurício Alchorne. Ele afirma que a dermatologia geriátrica vem assumindo importância cada vez maior, em decorrência do número crescente de idosos na população. “Para esse curso foram selecionados temas de ocorrência freqüente, com os principais objetivos de diagnóstico precoce e a respectiva orientação terapêutica”, comenta o especialista. Alguns desses temas são:Abordagem do idoso na consulta dermatológica; Conduta prática no envelhecimento cutâneo; Cuidados no uso de drogas no idoso;Antioxidantes, vitaminas, hormônios – uso sistêmico e quando usar. Os interessados podem inscrever-se pelo site www.sbd.org.br. Está programada para julho outra edição do evento, em Salvador (BA), e em setembro será a vez de Curitiba (PR).

milhões de pessoas, em 15 países, já assistiram ao espetáculo da trupe canadense. Em uma época de fantasia e magia, bobos da corte, menestréis, mendigos, aristocratas e crianças transitam entre o glamour das cortes do Antigo Regime e a agilidade das democracias modernas. Durante os nove atos, o público confere performances com facas em chamas, desafios à lei da gravidade, elasticidade e equilíbrio. Até 1o de junho no Barra Shopping Sul. Sex às 21h, Sab às 17h e 21h e Dom às 16h e 20h. R$100,00 a R$400,00.

Dom Casmurro: a montagem da obra homônima de Machado de Assis homenageia o centenário da morte do escritor. Até 1º de junho no Hebraica (tel. 3012-3755). Sab e Dom às 21h. R$15,00.

Salvador Quem Guenta Com Essa Verdade? Nessa comédia cotidiana, após a falência de seu império, uma família de alta classe se vê obrigada a migrar para a casa do mordomo, no subúrbio da cidade. Até 15 de junho no Teatro Caballeros de Santiago (tel.: 3334-0241). Sex e Sab às 20 e Dom às 19h. R$20,00.

7 Conto: interpretando personagens variados, o ator Luís Miranda aponta, de maneira crítica e bem humorada, as diferenças do nosso país. Direção: Ingrid Guimarães. Até 8 de junho no Teatro ISBA (tel.: 71 4009-3699). Sex a Dom às 20h. R$24,00 (Sex) e R$30,00 (Sab e Dom).

Rio de Janeiro

Participe dos Departamentos da SBD

No Natal a gente vem te buscar: Claudia Jimenez vive seu primeiro papel dramático como uma solteirona que acredita estar indo morar na casa de uma prima e descobre estar sendo mandada para um asilo. Com Rodrigo Phavanello e Ernani Moraes. Em cartaz por tempo indeterminado no Teatro do Leblon Sala Marília Pêra. Qui a Sab às 21h30 e Dom às 20h. R$70,00 (Qui, Sex e Dom) e R$80,00 (Sab).

O coordenador dos departamentos e segundo secretário da SBD, dr. Josemir Belo, junto com a Diretoria, almeja

Rádio Nacional - As Ondas Que Conquistaram o Brasil: o espetá-

conhecer, mapear e viabilizar a participação dos sócios nas diversas áreas da profissão. Para isso preparou um ques-

culo traz ao palco 11 atores-cantores que resgatam momentos e canções memoráveis da época de ouro do rádio. Além das 47 músicas, o público confere imagens antigas dos cantores e programas da Rádio Nacional.Até 31 de maio no Teatro Villa-Lobos. Qui a Sab às 21h e Dom às 20h. R$40,00 (Qui e Sex) e R$50,00 (Sab e Dom).

tionário que os associados podem responder pelo site da SBD. “Gostaríamos de saber quais colegas estão trabalhando nas diferentes áreas dos departamentos e como esses trabalhos se dão. Dessa forma poderemos auxiliá-los

(Cassandra’s Dream, EUA / Inglaterra, 2007) Em seu novo filme, o diretor Woody Allen traz Colin Farrell e Ewan McGregor como dois irmãos londrinos que, para saírem do sufoco financeiro, aceitam uma proposta criminosa do tio milionário, interpretado por Tom Wilkinson. Seguindo os passos de Match Point e Scoop, o cineasta faz um filme mais sombrio, em que tragédia e comédia caminham de mãos dadas.

Personal Che (estréia 6 de junho) (Colômbia / Estados Unidos / Brasil, 2007) Lançado no último Festival do Rio, o documentário entra agora em circuito nacional. Os cineastas Douglas Duarte e Adraiana Mariño mostram a lenda de Che Guevara reinterpretada por diversas pessoas ao redor do mundo. Os depoimentos provam que o símbolo histórico do revolucionário argentino sobrevive até hoje, mas, como todo símbolo, é percebido de formas distintas e às vezes bastante contraditórias. Enquanto muitos filmes tentaram revelar a verdade por trás do mito de Che Guevara, este documentário, pelo contrário, tenta explorar o mito por trás da verdade.

Fim dos tempos (estréia 13 de junho) (The Happening, EUA, 2008) O novo longa do roteirista e diretor M. Night Shyamalan — de O Sexto Sentido, Sinais e A Vila — chega às telas brasileiras em junho. No thriller, estrelado por Mark Wahlberg, uma espécie de crise natural faz a população enlouquecer e cometer suicídio. Assim como nos filmes anteriores de Shyamalan, o melhor é não entender a sinopse e se deixar surpreender. Porque, sem dúvida, a surpresa é garantida!

Mostra As muitas vidas de Robert Altman Retrospectiva completa do cineasta norteamericano falecido em 2006. Serão exibidos 36 longas, entre raridades, inéditos e grandes sucessos. A mostra acontece no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro (de 27 de maio a 15 de junho), em São Paulo (de 4 a 22 de junho) e em Brasília (de 10 a 29 de junho).

Dica ca do d associado Dra. Claudia Maia (RJ) CD Meu coração brasileiro, de Clara Bellar É realmente um primor em termos de MPB, cantado em português pela francesa Clara Bellar que sabe transmitir, com calor e sensualidade, seu deslumbramento e sua sensibilidade amorosa pelo Brasil. Um disco do coração, com um toque feminino francês, que sabe tão sutilmente misturar glamour, música e poesia. A fina flor... Para completar, o CD tem a produção e direção musical assinadas pelo grande Dori Caymmi, além de participações especiais de Milton Nascimento e João Bosco.Vale a pena conferir!

no que for possível”, afirma. Os interessados em participar devem acessar a área restrita do site www.sbd.org.br.

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Serviços Credenciados ✓ Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás O Serviço de Dermatologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás ganhou novas instalações. Em área de 550m2, a nova sede é constituída por nove ambulatórios; um auditório para 81 pessoas; sala de estudos; biblioteca; sala de professores; secretaria; sala de espera; depósitos; DML; expurgo; sanitários; vestiários; copas; salas de micologia, alergia e procedimentos; e áreas reservadas para fototerapia e laser. O novo prédio está equipado com sistemas de som embutido e iluminação com sensor, além de infra-estrutura cabeada em rede. Salas e consultórios são climatizados por aparelhos de ar-condicionado e receberam sistema eletrônico de sinalização que chama automaticamente os pacientes através de um display na sala de espera. Para o chefe do Serviço de Dermatologia do HC/UFG, dr. Aiçar Chaul, a conclusão da obra representou uma grande conquista. “A construção da nova sede foi a realização de um sonho e resultado de muita persistência e empenho da equipe de dermatologia”, diz. Além das novas instalações, o Serviço de Dermatologia tem, dentro do Hospital das Clínicas, enfermarias com 17 leitos, utilizando, quando necessário, o centro cirúrgico do hospital para cirurgias de maior porte. O Serviço de Dermatologia, que existe desde 1977, funciona em tempo integral e conta atualmente com quatro residentes oficiais por ano.

Patrícia Ormiga Galvão Barbosa

✓ Hospital Naval Marcílio Dias O melhor caso apresentado nas reuniões mensais de 2007 da SBD-RJ foi o da pós-graduanda Patrícia Ormiga Galvão Barbosa, do Serviço de Dermatologia do Hospital Naval Marcílio Dias. Segundo o chefe do serviço, dr. Cláudio Lerer, a dra. Patrícia ganhou um pacote para o meeting da AAD, que aconteceu em Santo Antonio, EUA, em fevereiro de 2008. Além disso, recebeu o Prêmio Jovem Dermatologista La Roche Posay das mãos do presidente da Regional, Celso Sodré.

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Regionais ✓ Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná – UEL

Minas Gerais Espírito Santo Rio de Janeiro

Rio Grande do Sul Santa Catarina Paraíba

Bahia

Minas Gerais A SBD-MG realizou no dia 15 de março, no Serviço de Dermatologia do Hospital das Clínicas da UFMG, o Curso de Dermatoscopia Básica. O evento contou com 70 inscritos e teve como palestrantes os doutores Flávia Bittencourt, Maria Luiza Pires de Freitas, Andréa Machado Coelho Ramos e Fernando Barbosa Nasser. A regional prepara agora a XVII Jornada Mineira de Dermatologia, que será realizada em Ouro Preto, nos dias 30 e 31 de maio, com renomados professores em sua programação e para a qual se espera grande número de dermatologistas.

Da esquerda para a direita: Osmar Rotta, Lorivaldo Minelli, Lígia Martin, Airton Gon, João Roberto Antonio, Dora Grimaldi e Ilce Mara Cólus

No dia 28 de março, dois docentes do Serviço de Dermatologia do Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), concluíram seus cursos de pós-graduação. Airton dos Santos Gon obteve o título de doutor em medicina com a tese “Fatores de risco para o carcinoma basocelular: estudo de casos e controles”, e Lígia Márcia Mario Martin recebeu o título de mestre em medicina com a dissertação “Perfil dos portadores de piercing corporal em um estúdio de Londrina, PR”. Ambos os trabalhos foram realizados sob a orientação do prof. dr. Lorivaldo Minelli, chefe do serviço. As bancas examinadoras tiveram como convidados externos os professores dr. João Roberto Antonio (São José do Rio Preto) e dr. Osmar Rotta (Unifesp), além das professoras dra. Dora Maria Grimaldi (Anatomia Patológica) e dra. Ilce Mara de Syllos Cólus (Genética), ambas da UEL.

✓ Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo A Clínica Dermatológica do Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo promoverá, em 23 de agosto, seu I Curso Teórico-Prático de Cirurgia Dermatológica, sob a coordenação geral da dra. Bogdana Victoria Kadunc. A programação contará com aulas em vídeo e nove workshops. Para se inscrever, é necessário ser sócio da SBD e da SBCD, e ter o título de especialista em Dermatologia. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail dermatologiahspm@hotmail.com ou pelos sites www.sbd.org.br e www.sbd-sp.org.br, nos campos reservados aos serviços credenciados.

Espírito Santo A XXI Jornada Capixaba de Dermatologia será realizada nos dias 16 e 17 de maio de 2008, no Centro de Convenções de Vitória. Segundo a presidente, dra. Sandra Maria Bittencourt Miranda, a comissão científica preparou o evento visando aprimorar os conhecimentos técnicos, com assuntos nas áreas de dermatologia clínica, hansenologia e cosmiatria. Os palestrantes convidados são do Paraná, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Espírito Santo. “Teremos ainda espaço para apresentação de casos clínicos”, acrescenta a dra. Sandra Maria Bittencourt Miranda. Outras informações podem ser obtidas no site: www.sbdes.org.br.

Rio Grande do Sul As atividades científicas da SBD-RS tiveram início no dia 14 de março, com o workshop Toxina botulínica e preenchimento cutâneo com ácido hialurônico de forma combinada, ministrado pelo dr. André Braz. No mês de outubro, a regional realizará a XXXIII Jornada Gaúcha de Dermatologia, em conjunto com o IV Congresso LatinoAmericano de Fotobiologia e Fotomedicina, presidido pela dra. Tania Cestari, e com a XXV Jornada de Dermatologia do HCPA, presidida pelo dr. Lúcio Bakos. Mais informações estão disponíveis nos endereços www.sbdrs.org.br e www.lspp.net.

Rio de Janeiro Em reunião realizada no dia 11 de março, por iniciativa da SBD-RJ, membros da Regional, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabiologia (SBEM) e da Sociedade de Cirurgia Plástica debateram forma de ação conjunta para combater a prática da Medicina Estética. Reuniram-se na sede da SBD-RJ os doutores Celso Sodré, presidente da Regional, Abdiel Figueira, presidente do Conselho de Ética da Regional, Vera Lúcia Leal, presidente da regional carioca da SBEM, Maite Trojaner Saloña Chimeno, presidente do Comitê de Ética da SBEM, e Affonso Accorsi Júnior, secretário-geral da regional carioca da Sociedade de Cirurgia Plástica. Segundo a SBD-RJ, as medidas tomadas e os resultados serão regularmente comunicados a todos os associados.

Jornada Sul-Brasileira de Dermatologia Aconteceu, nos dias 27, 28 e 29 de março, a 17a Jornada Sul-Brasileira de Dermatologia, na Pousada Vila do Farol, na cidade catarinense de Bombinhas. Um dos palestrantes do evento, o prof. Sebastião Sampaio foi homenageado com o troféu de cristal que traz um dermatologista empunhando sua lupa. “Sampaio ajudou a construir o que hoje é a nossa Sociedade, pois foi professor e orientador de quase todos os professores de dermatologia do Brasil”, discursou o coordenador da Jornada, dr. Nilton Nasser, durante a homenagem.

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Paraíba

Em homenagem ao Dia do Dermatologista, comemorado em cinco de fevereiro, a Regional Paraíba lançou campanha de valorização da especialidade. O material foi veiculado em jornal de grande circulação no estado. “A todos que fazem da dermatologia uma paixão à flor da pele, meus votos de muito sucesso nesta data”, parabenizou o presidente da SBD-PB, Otávio Lopes.

Bahia promove concurso de redação em escolas públicas da capital baiana Numa iniciativa inédita, a Regional Bahia vai lançar o I Concurso de Redação. Com o tema "Pele: proteja quem nos protege", o concurso é dirigido aos alunos com idade entre 11 e 18 anos, matriculados nas escolas da rede municipal de Salvador e que estejam cursando do sexto ao nono ano do Ensino Fundamental. "Queremos nos aproximar da comunidade e incentivar os jovens à reflexão sobre os cuidados com a sua própria pele", afirma a presidente da Regional, Irene Spínola. O concurso será realizado nas escolas no dia 23 de maio, e a entrega da premiação será no dia 16 de agosto de 2008.As redações, previamente selecionadas pelas escolas e enviadas à organização do concurso, vão ser julgadas por comissão formada por um coordenador (profissional da área de pedagogia) e dois professores de língua portuguesa. O aluno vencedor será premiado com um computador e uma impressora; o segundo lugar ganhará uma televisão de 20', e o terceiro colocado levará um rádiogravador com CD player e MP3. Os professores de Português e de Ciências dos alunos premiados também serão contemplados com um aparelho de DVD cada um.

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Jornal da SBD - Nº 2 Março / Abril 2008  
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