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Ano X No 1 Janeiro / Fevereiro 2006 Publicação oficial da Sociedade Brasileira de Dermatologia

Valorização profissional SBD promove mais uma ação de valorização profissional ao deflagrar campanha ressaltando as qualificações dos dermatologistas. Pág. 3

Eleições para presidência da SBD Conheça as propostas dos candidatos, conforme determinação do Regimento Eleitoral da SBD. Pág. 7

Lipoaspiração tumescente SBD propõe ao CFM revisar norma que exige a habilitação em cirurgia geral para prática de lipoaspiração Pág. 12 tumescente.

2º Simpósio Nacional de Cosmiatria Cosmiatria é foco de encontro científico. Diversas novidades serão abordadas, além do debate sobre o segmento para a Pág. 15 dermatologia.


Janeiro / Fevereiro - 2006 JSBD  Ano X no 1 1

E

Editorial

X P E D I E N T E

Alberto Cox Cardoso

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a primeira edição de 2006 do JSBD queremos ressaltar a leitura da Coluna da Diretoria, na qual o Dr. Sinésio Talhari escreveu “A cronologia dos fatos”, esclarecendo aos associados sobre notícias recentemente divulgadas. Outro fato importante retratado na edição é a campanha de valorização do dermatologista, destacando as qualificações da especialidade, que foi veiculada nas revistas de circulação nacional Época e Caras, além de inserções nos canais Globosat. Ainda são destaques desta edição uma série de eventos científicos, que serão realizados pelos Departamentos especializados da SBD, e importantes jornadas, como a Jornada Norte-Nordeste, que já são parte do calendário oficial da SBD. Em setembro, o 61º Congresso da SBD será realizado em Curitiba (PR), e já está com a programação praticamente montada. Os associados também poderão ler as propostas das três chapas que concorrem ao pleito para a presidência da SBD (2007/2008), que será realizado no dia 29 de abril. Durante o fechamento dessa edição, a diretoria recebeu com imensa satisfação o relatório final da auditoria contábil, datado de 20/02/06, aprovando sem restrições as demonstrações contábeis do exercício de 2005, ratificando o 60º Congresso da SBD. Um bom carnaval para todos. 

Sociedade Brasileira de Dermatologia Afiliada à Associação Médica Brasileira

DIRETORIA 2005 - 2006

Presidente Sinésio Talhari Vice-Presidente

Gerson O. Penna Secretário-Geral

Celso T. Sodré Tesoureiro

Abdiel Figueira Lima 1a Secretária Andréa M. C. Ramos 2o Secretário Heitor S. Gonçalves Diretor de Biblioteca Paulo R. Cunha

SBD Esta é uma publicação da Sociedade Brasileira de Dermatologia, dirigida aos seus associados e órgãos de imprensa.

Sumário

Publicação bimestral - Ano X – nº 1 Janeiro / fevereiro - 2006 C o o r d e n a d o r M é d i c o : Alberto E. Cox Cardoso (AL) C o o r d e n a d o r a A s s o c i a d a : Francisca Regina O. Carneiro (PA) J o r n a l i s t a r e s p o n s á v e l : Tatiana Gentil- Reg. MT no 22.375 R e d a ç ã o : Tatiana Gentil, Andréa Fantoni e Renata Porto C o n s e l h o e d i t o r i a l : Sinésio Talhari (AM), Gerson O. Penna (DF), Celso T. Sodré (RJ), Abdiel Figueira Lima (RJ), Andréa M. C. Ramos (MG), Heitor S. Gonçalves (CE), Paulo R. Cunha (SP) E d i t o r a ç ã o e l e t r ô n i c a : Nazareno Nogueira de Souza e Tatiana Gentil C o n t a t o s P u b l i c i t á r i o s : Tatiana Gentil e Priscila Rudge Simões A equipe editorial do Jornal da SBD e a Sociedade Brasileira de Dermatologia não garantem nem endossam os produtos ou serviços anunciados, sendo as propagandas de responsabilidade única e exclusiva dos anunciantes. As matérias e textos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores. Correspondência para a redação do Jornal da SBD Av. Rio Branco, 39/18º andar Rio de Janeiro – RJ - CEP: 20090-003 E-mail: comunicacao@sbd.org.br Assinatura anual: R$ 100,00 Número avulso: R$ 20,00 Tiragem: 5500 exemplares

 Coluna do  Ombudsman  Calendário 3  Coluna da Diretoria 4  Coluna do Tesoureiro  Painel 5  Campanha de valorização do Dermatologista 6  Resultados da Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele 7  Conheça as propostas dos candidatos à presidência da SBD 10  Artigo do Dr. Paulo Martins Souza  Prova do Título de Especialista da SBD 11  SBD lança manual de conduta  61º Congresso da SBD 12  Coluna Ética em Questão 2

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 Lipoaspiração Tumescente  Câmara de Cosméticos da Anvisa  Coluna Em Pauta  Clube de Revistas  2º Simpósio Internacional de Dermatologia Infecciosa  II Simpósio Nacional de Cosmiatria  I Simpósio Nacional de Micologia  II Simpósio de DST/Aids  Parceria: Programa Amigos da Escola  Coluna Departamentos  Serviços Credenciados  Regionais  Expressões da Dermatologia: Dr. Arival Cardoso de Brito


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Coluna do Ombudsman

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ada mais justo do que começar o ano discorrendo sobre o delicado e mais questionado tema, por parte dos associados, que é a situação do associado contribuinte. Institucionalmente e para fins não só de defesa da especialidade, mas também para campanhas de valorização profissional, o ideal seria que só tivéssemos associados efetivos já que o associado aspirante é uma situação transitória que pode perdurar por até cinco anos. Tempo mais do que suficiente para que essa categoria preste a prova de título de especialista e seja aprovada, passando automaticamente a efetivo, sendo essa a única entrada possível nessa categoria. Atualmente há em nosso país apenas duas formas de se obter o título de especialista: uma delas é concluindo residência credenciada pelo MEC na especialidade e a outra é se

David Azulay submetendo ao exame de título de especialista promovido pelas Sociedades de Especialidades filiadas a AMB e por ela credenciadas para este fim. Cabe ressaltar que o título deve ser registrado no CRM e só então terá validade. Certamente, sem querer diminuir a importância do título obtido pelo MEC esta possibilidade, segundo o nosso estatuto, não dá acesso à categoria de associado efetivo. Caberia a Comissão de Título de Especialista em conjunto com a diretoria, se legal for, criar mecanismos que, através da pontuação da nossa Educação Médica Continuada, permitisse também pontuar via análise curricular, o que somaria pontos no concurso do Título. Por outro lado, a AMB não permite pontuação curricular apenas por ser egresso de serviços credenciados, pois considera isso como reserva de mercado. É fundamental que se

encontre uma solução justa e legal para essa situação que vem perdurando por mais tempo do que deveria. Vale a pena ressaltar a extremamente útil conquista da Bibblioteca da SBD ao obter a assinatura on line das 28 principais revistas da área de dermatologia. O número de consultas superou a marca de quatro mil acessos por mês. Para acessar esse tesouro, basta que o associado entre na área restrita do site da SBD, digite o CRM e a senha padrão 12345. Em seguida clique em Periódicos Online, e por fim, “Portal de periódicos SBD/ EBSCO”. As eleições já estão aí. Procuremos nos inteirar das plataformas dos candidatos e nelas votarmos, evitando o voto por amizade ou simpatia. O futuro da SBD está em nossas mãos e na nossa consciência. Assim, votemos! 

Calendário

Abril 1 1 6 6a9 8 12 20 a 22 20 a 22

Sábado Sábado Quinta Quinta a Dom. Sábado Quarta-feira Quinta a Sáb. Quinta a Sáb.

21 e 22 Sexta e Sáb. 21 e 22 Sexta e Sáb. 25 Terça 25 Terça 26 Quarta 26 Quarta 26 Quarta 28 Sexta 29 29 29

Sábado Sábado Sábado

I Simpósio Internacional de Micologia - SBD Reunião Científica (Ecos de Congressos Internacionais) - SBD 3ª RDO - Fecomércio - SBD Congresso Latino Americano de Dermatologia Pediátrica Reunião Ordinária - HUAP - SBD Reunião Clínica - SBD Norte e Nordeste - SBD XV Reunião Sulbrasileira de Dermatologia/ III Encontro Gaúcho de Dermatologia Pediátrica - SBD 1ª Jornada Matogrossense de cirurgia dermatológica - SBD 3º DermaRio - Hotel Sheraton - Leblon - SBD Reunião Administrativa - SBD Reunião Científica - SBD Ecos do Meeting - SBD Reunião Mensal - CBC - SBD XLII Jornada Goiana de Dermatologia - SBD Workshop Dermatoscopia - SBD Reunião Científica Mensal - SDHCAM - SBD Atualização - SBD Ecos do Meeting da AAD - SBD Curso Teórico Unhas e Cabelos - SBD

Reg. BA Reg. MG Reg. SP Argentina Reg. FL Reg. SE Reg PI Reg. Reg. Reg. Reg. Reg. Reg. Reg. Reg. Reg. Reg. Reg. Reg. Reg.

RS MT RJ SE AL PE RJ GO ES ES DF PB BA


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Coluna da Diretoria

Sinésio Talhari

A cronologia dos fatos Esclarecimentos úteis aos associados da SBD Com relação a algumas informações que estão sendo divulgadas para os associados, a diretoria da Sociedade Brasileira de Dermatologia vem, através desta coluna, prestar alguns esclarecimentos:

1. Recolocando a cronologia dos fatos

2. Valorização do Dermatologista

O programa Dermatologia Comunitária teve início em 2001, no 56º Congresso Brasileiro de Dermatologia, em Goiânia. Era o ano internacional da solidariedade e a idealizadora do projeto, Dra. Lia Castro, organizou um mutirão de 169 dermatologistas para atender a 2.000 pessoas no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás. Em 2005, também por sugestão da Dra. Lia Castro, o Dr. Gerson Penna reeditou a ação durante o 60º Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia, como marco de lançamento da Campanha de Valorização do Dermatologista. Desta vez, ao invés de uma campanha assistencial, o programa foi transformado em Dermatologia Solidária, um projeto permanente em âmbito nacional que levará a educação dermatológica a 27.000 escolas em todo o país, através da parceria com o programa Amigos da Escola, da TV Globo. Iniciativas semelhantes são louváveis, porém não devem ser apontadas como ações regionais específicas, pois a Dermatologia Solidária é um programa criado pela SBD, que tem como objetivo oferecer assistência à população sobre doenças dermatológicas - seja na forma de consultas gratuitas, palestras ou exposições.

No primeiro mês da nossa gestão, em janeiro de 2005, enviamos um ofício a todas as regionais comunicando a intenção de a SBD produzir uma Campanha de Valorização do Dermatologista em âmbito nacional. Nossa idéia era utilizar amplamente a mídia para que todos recebessem a mesma mensagem, que poderia ser identificada em qualquer lugar do país. Ao fazer um levantamento do custo para produção de uma campanha publicitária deste porte, achamos que seria mais seguro adiarmos a campanha para 2006, pois essa despesa não estava prevista em nosso orçamento e poderia comprometer a execução das outras atividades da SBD. A iniciativa de promover a especialidade felizmente inspirou algumas regionais, que produziram campanhas exaltando a dermatologia nesses estados.

3. As possibilidades reais dos associados contribuintes Somos absolutamente solidários e estamos atentos às reivindicações dos associados contribuintes. Ocorre que, legalmente, é a Associação Médica Brasileira (AMB) quem define os critérios mínimos e outorga os Títulos de Especialista. As sociedades médicas têm a função de elaborar e

executar os exames, a partir de um edital aprovado pela AMB. Dentre as exigências da AMB, está a obrigatoriedade de os médicos passarem por uma prova para avaliação de conhecimento para a obtenção do Título de Especialista. Ou seja: juridicamente, não é possível outro tipo de avaliação que não seja a prova, pois a AMB proíbe qualquer outro exame por proficiência. O que estamos implementando esse ano, e que pensamos ser um recurso que poderá motivar os contribuintes a realizar a prova, é a inclusão no edital do exame da avaliação curricular como critério para pontuação dos candidatos. Esse critério poderá ser um diferencial para aqueles que têm experiência comprovada, e que por razões pessoais podem não ter realizado o exame em sua época. Finalmente, esta diretoria, que se pauta pela parceria ética com suas regionais, ratifica que pertencemos todos a uma só SBD. Como o próprio nome diz, somos a Sociedade Brasileira de Dermatologia, e nossas regionais são braços de uma entidade mater. Não pretendemos criar nenhum tipo de segmentação, e sim buscar a união dos associados e das regionais em torno de uma entidade única, que é a SBD. Os benefícios certamente serão melhores e maiores para todos. 


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Coluna do Tesoureiro

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no novo, velhos compromissos se repetem “mexendo” em nossos bolsos, gerando um certo grau de indignação. Acumulam-se as cobranças de IPVA (no qual, para quem não sabe, foi embutido um aumento de 43% no seguro obrigatório), IPTU, ISS, até os boletos bancários do CRM, AMB e, entre outros, a anuidade da SBD. A terrível tendência à procrastinação pode nos induzir a perda de alguma vantagem no pagamento destas obrigações. Muitos questionarão o valor a ser pago à nossa instituição, desconsiderando que, nesse ano, o aumento foi de apenas 6,5%, valor inferior à verdadeira inflação, não mensurada pelos índices de economia. Talvez por esquecimento, não consideram que tal valor será repassado para a Regional, na proporção definida pelo Estatuto e que varia de 40% a 80%.

Abdiel Figueira Lima Para o exercício de 2005, a SBD repassou cerca de 53% do valor arrecadado com a anuidade dos seus associados. Com o saldo, acrescido do resultado do Congresso Brasileiro, dos patrocínios de nossos parceiros e da receita oriunda de órgãos governamentais, tem sido possível manter a estrutura administrativa e institucional em nível satisfatório. E onde estão os seus benefícios imediatos envolvidos com a quitação da sua anuidade? a ser associado à uma entidade que representa a segunda maior associação de dermatologistas do mundo; b - receber em casa os seis números dos Anais Brasileiros de Dermatologia e seus suplementos; c poder acessar o site da SBD e chegar até o Portal da EBSCO onde terá acesso a 27 revistas periódicas online, permitindo uma atualização constante do associado; d - receber os seis

números do Jornal da SBD, que coloca o associado em contato com todas as atividades sociais e científicas da dermatologia brasileira; e - receber tratamento diferenciado em todos os cursos, congressos patrocinados ou apoiados pela SBD. Diante de todas estas considerações, vamos entender o boleto: na primeira página estão as instruções de pagamento: para ganhar o desconto de 5%, efetuando o pagamento até a data de 28/02/06, utilize a folha dois ou parcela única, onde você deduz o valor já fornecido e impresso e obtém assim o valor a ser pago. Esta mesma folha de parcela única também poderá ser utilizada para pagamento até 30/04/06, sem o direito do desconto. Entretanto, caso prefira o parcelamento, utilize as folhas seguintes com datas para 28/02, 30/03 e 30/04/2006. 

League of Dermatological Societies (ILDS) publicou nota sobre o “Certificate of Appreciation” concedido ao Prof. Sebastião Sampaio, pelo presidente da instituição Prof. Robin Marks, por ocasião do 60º Congresso da SBD, em Brasília.

exaltando sua contribuição para o serviço de dermatologia do Hospital Antônio Pedro.

Painel  Aldo Rabelo responde à SBD O presidente da Câmara dos Deputados Aldo Rebelo informou à SBD que o Projeto de Lei 65/2003, que dispõe sobre a proibição de novas escolas médicas e a ampliação do número de vagas nas existentes, pelos próximos dez anos, está tramitando na Comissão de Educação e de Cultura. Segundo o deputado, deverá ser emitido parecer favorável à proposição. Depois disso, o PL será encaminhado para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, para análise do mérito e da legalidade do mesmo.

 Prestígio internacional O Jornal da International

 Prof. Azulay é premiado No segundo semestre de 2005, o Prof. Rubem David Azulay foi condecorado com justas homenagens. Recebeu uma placa do XVI Congresso Ibero-Latino-Americano de Dermatologia; durante a comemoração de 80 anos da Universidade Federal Fluminense, ganhou o diploma e medalha de Honra ao Mérito. Além disso, recebeu uma condecoração

 Errata O nome do presidente da Regional Pernambuco, Dr. Emerson Vasconcelos de Andrade Lima, foi publicado erroneamente como Emerson Ferreira, na coluna “Regionais”, da edição nov/dez de 2005.

 Obituário É com pesar que a SBD comunica o falecimento do dermatologista e escritor alagoano Dídimo Otto Kummer, em setembro de 2005. O especialista se dedicou ao estudo do vitiligo. Foi vice-presidente da Regional Alagoas, no período de 1999 a 2004.


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SBD promove campanha para valorização da especialidade

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Sociedade Brasileira de Dermatologia está lançando uma campanha publicitária que vai destacar as qualificações do dermatologista. Com anúncios nas revistas Caras e Época, além de inserções nos canais Globosat, a publicidade ressalta que a Dermatologia é a especialidade da Medicina que cuida da pele, cabelos e unhas, e que os dermatologistas são preparados tanto para fazer procedimentos estéticos quanto para cuidar de doenças graves, como hanseníase e câncer de pele. Na publicidade impressa, o título do anúncio diz: “O espelho não mente. Mas nem sempre diz tudo. Consulte seu dermatologista regularmente.” A campanha de TV mostra o depoimento verdadeiro de uma paciente, mostrando que é possível unir o conceito de beleza e saúde, desde que sejam seguidas as orientações dos médicos dermatologistas. A SBD vem promovendo diferentes ações para valorização do dermatologista. Em setembro, durante o 60º Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia, uma feira de exposição sobre as características e doenças mais comuns da pele foi montada no Parque da Cidade, em Brasília, onde os associados da SBD estiveram junto à população para orientar sobre os temas apresentados. Também na mesma época, a SBD firmou uma parceria com o projeto Amigos da Escola, da TV Globo, que levará dermatologistas voluntários para dar palestras para alunos e professores em mais de 27 mil escolas cadastradas no projeto.

E em fevereiro, mês que se comemora o Dia do Dermatologista, a Comissão de Ética e Defesa Profissional está lançando para os associados o Manual de Conduta e Defesa Profissional, que vai orientar os dermatologistas sobre as questões

éticas que permeiam o cotidiano profissional. Todas essas ações formam uma ampla campanha de valorização do dermatologista, um compromisso assumido pela atual diretoria da SBD quando lançou o plano de gestão para 2005/2006. 


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Íncidência de câncer de pele é alta: 8,7%

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a opinião do Dr. Lucio Bakos, coordenador da Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer de Pele da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a sétima edição foi muito bem sucedida, com divulgação mais eficiente e maior engajamento dos voluntários. No dia 10 de dezembro, em todo o Brasil, foram atendidas 34.928 pessoas. Com 3.123 casos de câncer de pele detectados (8,7%). Ao todo, 68,5% dos atendidos ainda se expõem ao sol sem proteção. “A Campanha é essencial para a cultura de prevenção e detecção do câncer da pele porque dissemina conhecimentos básicos sobre como evitar a doença”, fala o Dr. Lúcio Bakos. Os números da Campanha indicam que os homens se arriscam mais sob o sol - dos 13.785 atendidos, 77,2% revelou não se proteger (contra 62,9% das mulheres) e 11,8% deles apresentou algum tipo de câncer de pele - nas mulheres, a taxa ficou em 7,1%. As pessoas de pele negra também demonstraram não se cuidar: 79,9% dos 2.270 negros que participaram da Campanha disseram não utilizar nenhuma proteção contra o sol e 1,6% deles apresentaram algum tipo de câncer de pele.

Equipe na Santa Casa de Misericórdia de Belém (PA)

Parceria com Light A SBD e a empresa de distribuição de energia do Estado do Rio de Janeiro, Light, estabeleceram ações de prevenção e esclarecimentos sobre a exposição solar. Selando a união, no dia 23 de janeiro, o Dr. Abdiel Figueira Lima ministrou palestra para funcionários, na sede da empresa. Estão planejadas outras ações com a participação dos dermatologistas da SBD. Dr. Abdiel Figueira Lima durante palestra

A campanha pelo Brasil

Equipe da Uviversodade Federal do Rio de Janeiro, coordenada pela Dra. Márcia Ramos-e Silva

Outro ponto da pesquisa avalia a divulgação da Campanha, questionando sobre o motivo pelo qual a população procurou os postos de atendimento. Dos entrevistados, 35,8% afirmaram que foram motivados através das matérias veiculadas na televisão, 15,4% ouviram pelo rádio e 8,7% souberam pelos jornais. Já 14,9% disseram que foram incentivados por familiares e amigos. A Região Sul é a que apresenta maior índice de casos de câncer de pele (9,6%), seguida da Região Centro-Oeste (9,2%). A região com o menor indicador é a Norte (6,7%), já a Região Nordeste tem 8% de casos da moléstia. O Sudeste apresentou 9,1%, sendo o Estado de Minas Gerais com a maior incidência (9,9%). Os estados que apresentaram maiores números de doentes com câncer de pele foram: Tocantins (15,6%), Rio Grande Norte (12,1) e Distrito Federal (12%).

Um exemplo da penetração da Campanha no interior é a mobilização de 40 voluntários, coordenados pelo Dr. Roberto Pagung, para o atendimento de 400 trabalhadores rurais da cidade de Paraju (ES). “Na Campanha facilitamos o acesso deles ao atendimento dermatológico”, conta o Roberto Dr. Pagung. Segundo os coordenadores locais de Belém (PA), doutores Francisca Rosa Miléo e Fernando Carneiro, no Serviço de Dermatologia da Santa Casa de Misericórdia foram atendidas 497 pessoas, com a realização de 32 cirurgias e 27 casos câncer da pele. Na Bahia, apesar do feriadão do dia de N.S. da Conceição da Praia (8/12), cerca de mil pessoas passaram pelo atendimento, que teve adesão significativa dos dermatologistas. Segundo a presidente regional, Dra. Ana Cristina Guerra, os apoios das secretarias municipal e estadual de saúde do Estado da Bahia foram fundamentais. “Eles apoiaram o projeto de capacitação dos PSF feito pela Dra. Ângela Mutti”, fala Dra. Ana Cristina Guerra. Ainda de acordo com ela, está sendo montado um serviço de dermatologia no CICAN, órgão estadual de referência para câncer, sob a supervisão da Dra. Ângela Mutti. 


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Eleição 2006 De acordo com o Regimento Eleitoral, este espaço será dedicado a apresentação das chapas que concorrem à gestão 2007/2008 da Sociedade Brasileira de Dermatologia. I. Alice Alchorne e Omar Lupi

CHAPA UNIÃO – EXPERIÊNCIA – INOVAÇÃO PRESIDENTE: ALICE ALCHORNE – SP VICE – PRESIDENTE: OMAR LUPI – RJ CONVIDADOS PARA A DIRETORIA SECRETÁRIA GERAL: RYSSIA FLORIÃO – RJ TESOUREIRA: ALTIVA L. SALGADO – RJ 1ª SECRETÁRIA: CÉLIA KALIL – RS 2º SECRETÁRIO: JOSEMIR BELO – PE RESPONSÁVEL PELA BIBLIOTECA: IZELDA COSTA – DF A chapa UNIÃO (dos associados), EXPERIÊNCIA (profissional, acadêmica e na SBD) e INOVAÇÃO (manter as boas e criar novas aquisições) mostra sua cara. ALICE ALCHORNE, Especialista em Dermatologia – FMUSP e Hansenologia; Especialização em Medicina do Trabalho; estágio na Espanha; Livre Docente; Profª Titular; Profª Adjunta, Orientadora do Mestrado e Doutorado, Responsável pelo Grupo de Alergia e Dermatologia Ocupacional, Membro do Comitê de Ética em Pesquisa e da Comissão de Ética Médica da Escola Paulista de

Medicina – atual; Membro do Conselho Fiscal do Grupo Brasileiro de Melanoma – atual; Diretora do Comitê de Dermatoses Ocupacionais do CILAD – atual; Autora de livro, 63 Capítulos de livros, artigos em periódicos nacionais e estrangeiros; revisora do livro Dermatologia Clínica de T. P. Habif; palestras no Brasil e Exterior; Presidente da Comissão de Ética Médica e Chefe da Dermatologia do Hospital Heliópolis (credenciado); participação contínua na SBD: Tesoureira (3 vezes) e Presidente da SBD/SP; Coordenadora da EMC/D; Presidente das Comissões de Título de Especialista e de Qualificação; atualmente é Membro dos Conselhos da SBD/SP e da SBD (mais votada em SP); Coordenadora do Departamento de Alergia; Membro do Corpo Editorial dos Anais Brasileiros de Dermatologia; Coordenadora do II Simpósio Ibero-Latino-Americano de Alergia Cutânea OMAR LUPI, Especialista em Dermatologia e DST. Pós-doutorado (University of Texas). Mestre, Doutor e Livre Docente em Dermatologia. Médico, Orientador de Mestrado e Doutorado na UFRJ atual. Coordenador da Pós-Graduação em Dermatologia da Policlínica Geral RJ - atual. Assessor do Ministério da Saúde para Viroses Emergentes e Membro da Câmara Técnica de Dermatologia do CREMERJ atual. Autor de 3 livros: Herpes, Câncer da Pele e Tropical Dermatology. Palestrante e autor de artigos/capítulos em livros e periódicos nacionais e estrangeiros. É Presidente da SBD-RJ atual e foi Secretário Geral por 2 vezes. Desenvolveu a “Campanha de Valorização do Dermatologista”, com o tema “Dermatologia

é Medicina, o resto é maquiagem”- 2005. Coordena a campanha “Dermatologista Solidário”, para pessoas de baixa renda. Criou o concurso Jovem Dermatologista; reformulou o jornal RioDermatológico; promoveu a Jornada Sudeste de Dermatologia; Presidente do II Fronteiras da Dermatologia e III DermaRio. Na SBD Nacional é Membro do Conselho Decisório – atual; foi Editor Associado dos Anais Brasileiros Dermatologia; Membro das Comissões de Ensino e Científica de 2 Congressos Brasileiros; foi 2º Secretário e Tesoureiro. PROPOSTAS da Chapa: 1. Incentivo e apoio às Regionais 2. Propor mecanismos para os contribuintes obterem o Título de Especialista 3. Profissionalização e modernização da SBD 4. Captação de recursos 5. EMC/D mais abrangente (temas e atingindo todas as Regionais) - Cursos presenciais e em modernos meios de comunicação 6. Propor Treinamento prático especialmente em Cirurgia e Cosmiatria 7. Valorização da Dermatologia atingindo a população e outras especialidades - mostrar sua importância e formação do dermatologista; representação em Entidades de classe e Instituições; campanhas de saúde e solidárias; controle da atividade de outros profissionais 8. Mercado de Trabalho: procura de outras atividades para os colegas; divulgação de concursos; mapeamento de trabalho no país; assessoria na compra de materiais. 9. Assessoria Jurídica e Contábil aos associados 10. Assessoria e ajuda para a Pesquisa e Carreira Acadêmica 11. Sugestões dos associados


SBD 8

JSBD  Ano X no 1

Eleição 2006 De acordo com o Regimento Eleitoral, este espaço será dedicado a apresentação das chapas que concorrem à gestão 2007/2008 da Sociedade Brasileira de Dermatologia. II. Gerson Penna e Andréa Ramos

Colega, Vimos fazer uma reflexão sobre nossa especialidade e o futuro dela, de fundamental interesse ao jovem dermatologista. Em cenário nebuloso, as perspectivas para o exercício da Medicina tornam-se incertas. Escolas médicas multiplicam-se em velocidade proporcional ao apetite de interesses eleitoreiros. As 140 existentes graduam 12 mil médicos/ano, número superior a qualquer proporção médico/população recomendada pela OMS. Apenas 30% desse contingente terá oportunidade de se especializar através da residência médica. Somente um estado brasileiro, como MG com 21 Escolas Médicas, ultrapassa em número a um país como o Canadá. Das 5 regiões geopolíticas, apenas a Centro-Oeste têm taxa de crescimento de médicos inferior à taxa de crescimento da população. Se, mantidos os atuais níveis de crescimento, é trágico imaginar a possibilidade futura de um médico por habitante. Na gênese desse problema, múltipla e complexa, destaca-se a visão míope das autoridades governamentais, presentes e passadas, incapazes de assumir

um compromisso decente com a Saúde e Educação, alicerces básicos da atividade médica. Ainda assim, os vestibulares para Medicina continuam a ser os mais concorridos, e a residência em Dermatologia, a mais cobiçada. Uma possível explicação é que a Medicina, contra tudo e todos, ainda apresenta níveis de desemprego desprezíveis, embora numerosos sejam os subempregos. Como parte de um fenômeno cíclico, a Dermatologia tornou-se especialidade da moda, como foram em passado recente a Cirurgia Plástica e a Oftalmologia. A parcela mais significativa desse glamour se deve à emergência da Cosmiatria, uma área sensível com inegável avanço tecnológico e perspectiva de ganhos financeiros lícitos, desde que observados os princípios éticos. Como o que reluz, a Dermatologia atrai aqueles interessados, mas também, infelizmente, alguns oportunistas que tentam se passar por especialistas. E é nesse mercado de trabalho conturbado, que nosso jovem especialista vai se iniciar. Onde os que recebem treinamento em serviço credenciado correm risco de ser nivelados àqueles “especialistas” treinados, sabe-se lá como, em cursos caça-níqueis, muitos deles de fim de semana, orientados (?) por profissionais (?) que desconhecem o sentido da ética. Um mercado em que grupos financeiros, travestidos de planos de saúde, se outorgam o direito de intermediar o serviço do médico e determinar seus honorários. Alguém saberia informar sobre um engenheiro conveniado para cons-

truir seu consultório ou de um possível “plano de direito” para que o advogado defenda o médico em um processo judicial? Um mercado em que - como ocorre em SP, onde a maioria dos planos de saúde não aceita mais novos credenciados - os próprios médicos sublocam suas consultas de convênio aos colegas mais jovens instituindo a redistribuição da miséria. Isoladamente, a SBD tem autonomia limitada na abordagem desses problemas mencionados. Contudo, associados a órgãos de classe como AMB e CFM, formamos um conjunto nada desprezível. Nosso poder centra-se, portanto, em nossa força associativa, que depende da participação de todos, em especial do jovem especialista. É dele o futuro de nossa especialidade. De todas as ações atribuídas estatutariamente a SBD, a mais importante no momento atual é, sem dúvida, a ação política. Em que pese o desgaste do lugar-comum, não há saída fora da ação política, aqui entendida na acepção da palavra, no sentido não desvirtuado do termo. A política associativa que todos os membros esperam de uma SBD engajada e comprometida com seus objetivos. Com esse espírito de luta, que esperamos contar com o voto de cada dermatologista brasileiro, de cada cidade e consultório do país, para juntos tentarmos conferir à nossa especialidade a dignidade que ela merece. Obrigado pela sua atenção. Nosso cordial abraço e, até breve. Gerson Penna - Andréa Ramos Candidatos a Presidente e Vice Presidente da SBD 2007-2008


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Eleição 2006 De acordo com o Regimento Eleitoral, este espaço será dedicado a apresentação das chapas que concorrem à gestão 2007/2008 da Sociedade Brasileira de Dermatologia. III. Sergio Talarico e Lia Castro

Colegas, Comecemos com duas perguntas: Você já leu um programa eleitoral que não fosse maravilhoso? Alguma chapa deixaria de apresentar lista de ações atendendo a todos os associados? No Brasil, sabemos que cartas à nação e programas representam pouco ou nada quando se chega ao poder. Portanto, pedimos que analisem não só programas, mas realizações e atuações passadas, e acima de tudo o compromisso com a verdade e a credibilidade dos candidatos, para então elegerem sua chapa. Fatos importantes precisam ser lembrados apesar de muitos desejarem ocultá-los. A SBD viveu terríveis dificuldades financeiras num passado recente. Poucos comentam o papel fundamental na arrancada para a recuperação desempenhado por nossa colega Lia Castro, então à frente do Congresso Brasileiro (Goiânia). Também em nome da verdade lembremos que foi ela a responsável pela introdução das ações de Dermatologia Comunitário-Solidária em nossos Congressos. Por falarmos em Congresso,

gostaríamos de discutir alguns aspectos. Neste momento em que a SBD se encontra equilibrada financeiramente, queremos nos dirigir a você colega associado que não pôde estar presente ao Congresso. Você que não compareceu seja pelos elevados custos da inscrição, dos cursos, ou das viagens e estadias não gostaria de ter podido estar lá? Já não é chegada a hora de pensarmos de forma diferente? Custos menores ampliariam nossa base de congressistas e assim estaríamos cumprindo melhor nossa função, que é oferecer conhecimento a um maior número de associados. Este não é um discurso eleitoreiro, é a política que há muito defendemos e como prova está em sintonia com a ação desencadeada agora mesmo na nossa Regional São Paulo, onde as reuniões científicas passarão a ser franqueadas aos associados. As mudanças estatutárias que permitem aos associados contribuintes exercerem seu direito ao voto estão sendo agora exaltadas por colegas que até pouco tempo nem concordavam com sua existência. Nós já os defendíamos incondicionalmente quando nem era permitido seu acesso aos cursos da Educação Médica Continuada no início de sua aplicação. Um dos maiores avanços alcançados durante a gestão 2003/04 foi sem dúvida a organização de uma Força Tarefa que reuniu Comissões de Ensino, Científica e Título de Especialista com membros da Diretoria e Chefes de Serviços para de forma inédita se articular uma ação integrada. O grande incentivador desta idéia foi o

então tesoureiro Celso Sodré e eu Sergio Talarico tive a oportunidade de coordenar os trabalhos. Nunca se avançou tanto na discussão de qual dermatologista buscamos, critérios para a seleção de candidatos, definição dos programas de formação, certificação dos Serviços Credenciados e por fim nas melhorias do exame de título de especialista. Este deveria ter se tornado um fórum permanente ao contrário de esvaziado por motivos políticos. No comando da SBD repetiremos o trabalho de apoio aos “menores” a exemplo do realizado em nossas passagens nas Regionais onde o desenvolvimento dos distritos foi meta prioritária e desenvolvida com pleno sucesso. Nossa chapa é composta por dermatologistas que além de suas ocupações acadêmicas e seu esforço em participar da política societária não abandonaram sua prática clínica e, portanto, conhecem as dificuldades que você associado que batalha o dia a dia enfrenta no seu trabalho. Você como ninguém sabe que contará com nosso esforço pela melhoria das condições de trabalho e de reciclagem do conhecimento. Decida qual será a sua SBD. Ela poderá seguir um caminho burocrático, uma linha de ação centralizadora ou junto a nós, apresentar seu desenvolvimento com um trabalho democrático e participativo. Nosso discurso não mudou, foi e sempre será coerente e verdadeiro. Trabalharemos não só por você, mas com você. Contamos com seu apoio e seu voto para renovar olhando para o futuro. TALARICO & LIA


SBD o 10 JSBD  Ano X n 1

Direito a alimentação, a fala e ao sorriso... Paulo Ricardo Martins Souza *

Em que pese a tragédia que aconteceu entre 1956 e 1962 em alguns países, entre eles o Brasil, conseqüente ao uso do medicamento talidomida por gestantes (pela ocorrência de malformações fetais), a utilização criteriosa e responsável desta medicação tem mitigado o sofrimento de portadores de diferentes doenças no mundo inteiro nos últimos anos. A impossibilidade de que a prescrevamos para nossos pacientes, por provável “esquizofrenia” do sistema de saúde do nosso país, que tem medo da “droga monstro”, nos coloca na contramão da história e configura uma óbvia omissão com os reais problemas de saúde e qualidade de vida da nossa população, senão vejamos: 1) Uma busca em um site da área da saúde (pubmed- procurar por thalidomide) nos coloca frente a algumas centenas de artigos sobre o uso da talidomida em várias doenças, só para citar os últimos dois anos. 2) Livros e publicações especializadas internacionais referem a talidomida como a medicação mais eficaz no tratamento de aftas recorrentes. 3) A talidomida é liberada para uso médico pelo exigente FDA norte-americano, país que não liberou esta medicação no passado. 4) Em declaração recente, a ONU manifestou-se favorável a inclusão do alívio da dor como parte dos direitos humanos (ver editorial da Folha de São Paulo de 14 de outubro de 2004 pág. A2). Se não são suficientes estes argumentos, vamos ao problema de saúde: alguns pacientes apresentam uma forma grave de aftas recorrentes que simplesmente os impede de terem uma alimentação adequada, são conhecidos pela sua pouca fala e pela falta de humor, pois além da alimentação, o ato de falar ou sorrir lhes causa sofrimento. As medicações disponíveis são pouco eficazes. A lei brasileira limita o uso da talidomida a pacientes com algumas doenças (Aids, lupus eritematoso, doença do enxerto versus hospedeiro e hanseníase). O que dizer a outros pacientes que igualmente necessitam desta medicação? O grau de sofrimento e baixa qualidade de vida que possuem não deveriam ser levados em consideração? O acesso à medicação não deveria ser menos discriminatório? Por outro lado, que medicações são liberadas para uso em gestantes sem critério médico? Ou por que mesmo homens são impedidos de tomar a medicação? Se no futuro noções básicas sobre ciência, epidemiologia e bioética forem pré-requisitos para os que concorrem cargos públicos na área da saúde, provavelmente os pacientes tenham com mais freqüência o direito a comer falar e sorrir. Sem dor. * Médico dermatologista do Complexo Hospitalar Santa Casa de Porto Alegre

Título de Especialista da SBD

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XL Exame para Obtenção do Título de Especialista em Dermatologia (TED) da SBD está previsto para o dia 9 de abril de 2005, em São Paulo. As inscrições podem ser feitas até o dia 20 de março. Já as confirmações, assim como informações sobre local da prova e horário de apresentação, devem ser obtidas no site da VUNESP (www.vunesp.com.br), a partir do dia 3 de abril. Esse ano a diretoria da SBD igualou o valor de inscrição para todas as categorias de associados. Assim sendo, o valor único da taxa de inscrição será de R$ 280. A diretoria e a Comissão do TED estão em contato permanente com a AMB para avaliar as vantagens e desvantagens da inserção do currículo no TED. Por esse motivo essa avaliação curricular não se constituirá em prova a ser incluída no TED 2006. Portanto, a prova segue o mesmo padrão do ano passado. Os candidatos devem ter 60% de acertos em cada etapa do exame, ou seja, nas provas teórica, teorico-prática e propedêutica laboratorial. O gabarito será divulgado no dia 9 de abril, a partir das 22h, no site da SBD. O edital completo está no site www.sbd.org.br.


Janeiro / Fevereiro - 2006 JSBD  Ano X no 1 11

Manual de Conduta da SBD anter uma boa relação com o paciente é um dos melhores caminhos para fugir de problemas. Com o intuito de orientar os associados, a Comissão de Ética e Defesa Profissional da SBD elaborou o Manual de Conduta e Defesa Profissional. O livro que marca o Dia do Dermatologista, comemorado em 5 de fevereiro, vai ser encaminhado para todos os sócios. O teor é bastante relevante para a área médica, visto que, apenas no ano passado, o Conselho Federal de Medicina julgou 779 recursos de médicos que já tinham sido apreciados pelos Conselhos Regionais de Medicina, instaurando 83 novos processos e cassando cinco registros. - A Comissão de Ética da SBD, por possuir representantes que participam de vários órgãos de classe no Brasil, participou à diretoria a necessidade de comunicar e orientar os dermatologistas sobre o número crescente de processos contra médicos em todo o país, que logo aprovou a idéia - conta a integrante da Comissão, Dra. Maria Ester Café. Os trabalhos foram coordenados por ela e pelo então presidente da Comissão de Ética, Dr. Ramon Varella Blanco. O manual, com dez capítulos, engloba desde o conceito de erro médico e as punições previstas em Lei, a relação entre médico-paciente, as responsabilidades civil e penal, até dicas de como lidar com a mídia. “A maioria dos médicos acha que este tipo de problema nunca acontecerá com ele. Mas, temos visto profissionais sendo acionados no dia-a-dia”, comenta a Dra. Maria Ester. Portanto, para se precaver o médico também deve conhecer muito bem os regulamentos dos Códigos de Ética Médica e Civil e, principalmente, ter uma visão humanista. A Dra. Maria Ester destaca ainda a competência, a ética profissional e a atualização constante como itens fundamentais no bom desem penho profissional.

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Encontro inédito

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comissão organizadora do 61º Congresso da SBD esteve reunida no dia 28 de janeiro, em Curitiba. Foram convidados a participar os doutores Gerson Penna e Jayme de Oliveira Da esq. p/ dir.: Doutores Filho, respectivamen- Jesus Santamaria, Gerson te presidentes do 60º Penna, Jayme Filho e Julio e 62º Congresso da Empinotti SBD. O encontro visou integrar as experiências comuns aos interesses da organização do principal evento promovido pela Sociedade. “Foi uma iniciativa inédita que almejou ainda melhores qualidades científicas e confraternização”, explica o Dr. Julio Empinotti. De acordo com o Dr. Jayme, é importante que a experiência frutifique e se torne uma prática. “ Assim as ações positivas são somadas e os fatos negativos sofrem reajustes”, justifica. Segundo o Dr. Júlio Empinotti os preparativos para o 61º CSBD estão bem adiantados. “A comissão organizadora tem se esmerado, visto que o primeiro comunicado, em circulação desde janeiro, contempla os nomes dos professores dos cursos pré-congresso, dos coordenadores de fóruns, simpósios e sessões especiais”, fala o Dr. Júlio Empinotti. As inscrições são feitas através do site www.dermatocuritiba2006. com.br. 


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Lipoaspiração tumescente

Ética em questão

A Dermatologia e a Publicidade * Vicente Pacheco Oliveira

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Dermatologia é uma das especialidades médicas que mais figura nas denúncias, junto aos Conselhos de Medicina, no tocante à publicidade médica. As presumidas infrações, comumente denunciadas por outros médicos ou pelas Comissões de Divulgação de Assuntos Médicos dos Conselhos (CODAME), vão desde a ausência do respectivo número de inscrição no Conselho (CRM do médico anunciante); ausência do Responsável Técnico e seu número de inscrição (CRM), no caso de clínicas; ausência de RQE (Registro de Qualificação de Especialidade), até outras irregularidades que por vezes evoluem para sindicâncias, além de processos ético-profissionais que trazem grande dissabor ao denunciado. O Conselho Federal de Medicina, através da Resolução 1701/2003, estabelece os critérios para que a publicidade médica possa ser realizada de acordo com parâmetros éticos; a mesma poderá ser consultada sempre que o médico, que tem o direito de divulgar os seus serviços profissionais, desejar fazê-lo de maneira correta. O dermatologista ainda deve atentar para fato de ser vedada a propaganda de métodos ou técnicas não aceitas pela comunidade científica; a exposição da figura de paciente seu, como forma de divulgar técnica, método ou resultado de tratamento, ainda que com autorização expressa deste; bem como, evitar a autopromoção e o sensacionalismo. Com grande freqüência, observa-se também a divulgação de especialidade não reconhecida pelo CFM, como a Medicina Estética, o que se contrapõe à Resolução 1634/2002, elaborada conjuntamente com a Associação Médica Brasileira e que dispõe sobre as especialidades médicas. A melhor recomendação para aqueles que pretenderem fazer publicidade médica é a de, na dúvida, consultar a Comissão de Assuntos Médicos (CODAME) de seus respectivos Conselhos de Medicina.  * Comissão de Ética e Defesa Profissional da SBD.

Norma será revista

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presidente da SBD, Dr. Sinésio Talhari, e o chefe do Departamento de Cirurgia Dermatológca, Dr. João Roberto Antônio, estiveram reunidos no dia 16 de fevereiro, em Brasília, com o presidente e o 1º vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Dr. Edson Andrade e Dr. Antonio Pinheiro, para pleitear a revisão da norma que exige a habilitação em cirurgia geral para realização de lipoaspiração tumescente. Segundo o Dr. Sinésio Talhari, o CFM decidiu que as normas da resolução serão revistas. No próximo dia 17 de março, o grupo vai se reunir novamente para definir os aspectos técnicos do procedimento. De acordo com o Dr. João Roberto Antônio, a cirurgia dermatológica inclui a lipoaspiração tumescente, fazendo parte do currículo de formação em dermatologia de todos os serviços universitários credenciados pela SBD. A técnica desenvolvida pelo dermatologista americano J.A. Klein tem parâmetros de segurança máxima. Realizada com anestesia local, ocasiona sangramento mínimo, além de limitar o volume de gordura aspirada e manter íntegra a sensibilidade dolorosa dos planos profundos, impossibilitando assim alcançar os órgãos internos. 

Câmara de Cosméticos da Anvisa

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Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) criou seis câmaras setoriais: Câmaras de Cosméticos, Medicamentos, Produtos para Saúde, Propaganda e Publicidade de Produtos sujeitos à Vigilância Sanitária, Serviços de Saúde e Toxicologia, compostas por representantes da sociedade civil e de especialidades, setor produtivo e governo. Com natureza consultiva, as câmaras têm por objetivo garantir o exercício da transparência e de qualidade das ações de vigilância sanitária. A Dra. Ana Maria Pinheiro, presidente da regional Distrito Federal, representa a SBD na Câmara de Cosméticos. Ela participou da primeira reunião do grupo que aconteceu no dia 30 de novembro, em Brasília. Na reunião, entre outros assuntos, trataram sobre a definição de cosmético para fotoprotetores e a isenção de imposto dada pelo governo ao produto. “A retirada da tributação dos fotoprotetores certamente beneficiará à população carente, sobretudo trabalhadores rurais, carteiros, garis, que são expostos à radiação solar permanentemente em suas atividades”, explica a Dra. Ana Maria pinheiro. A próxima reunião do grupo será em março. 


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A seção Em Pauta, coordenada pela Dra. Francisca Regina Carneiro, coloca em discussão um tema da dermatologia para a opinião de especialistas.

Clube de Revista

Ferrandiz L, Moreno-Ramirez D, Camacho FM. Shave Excision of common Acquired Melanocytic Nevi: Cometic Outcome, Recurrences, and Complications. Dermatol Surg 2005;31:12-15

 Por Ivonise Follador Quando fazer uma avaliação laboratorial hormonal em uma mulher? Diante de uma mulher com algum sintoma ou sinal clínico de hiperandrogenismo periférico: seborréia, acne, alopecia e/ou hirsutismo. Esses achados podem estar isolados ou associados. No caso da acne as lesões são mais presentes em mulheres adultas, atingindo regiões mandibulares e pescoço, muitas vezes também em dorso, associadas freqüente a hipertricose, seborréia e queixa de queda de cabelo. A avaliação visa detectar se esses achados clínicos são “constitucionais” (sensibilidade periférica por maior captação dos receptores androgênicos ou maior atividade da 5-alfa-redutase) ou se existe uma doença propriamente de base (de hipotálamo-hipófise, dos ovários, das adrenais ou mesmo exógena como uso de anabilizantes). Mais comumente não encontramos qualquer alteração laboratorial, principalmente se a mulher tem o ciclo menstrual regular. A doença mais comumente encontrada é a síndrome dos ovários policísticos onde a paciente deve apresentar dois dos seguintes itens: 1- irregularidade menstrual; 2elevação dos andrógenos nos exames laboratoriais; 3- achado ultrassonográfico de ovários polimicrocísticos. Um desses itens isolados não caracteriza a síndrome. Em uma primeira avaliação deve-se pedir: 1- ultrassonografia pélvica 2FSH/LH (habitualmente essa relação é de 1:1 e nos casos de SOP geralmente é de 1:2 ou +, elevando-se muito o LH), testosterona total e livre, SDHEA (indicativo de doença adrenal) e prolactina. Se esses exames estiverem alterados é que se pensará em ampliar a avaliação com exames mais específicos. Com uma boa anamnese, exame físico cuidadoso e essa avaliação básica, podemos ter um diagnóstico correto e decidir a melhor conduta terapêutica. A interpretação dos achados nem sempre é fácil, é preciso cuidado para não super valorizar algum achado isolado. Sempre que possível uma interconsulta com o ginecologista e endocrinologista completa a avaliação.  Dermatologista (Salvador – Professora adjunta da Escola Bahiana de Medicina e preceptora do Serviço de Dermatologia do Hospital sitário Professor Edgar Santos

Bahia) Médica Univer- UFBA

Alberto Cardoso *

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tratamento cirúrgico de lesões melanocíticas benignas necessita do uso de técnicas cirúrgicas simples e eficazes com a possibilidade de fazer um exame histopatológico com um resultado cosmético aceitável. Entretanto as taxas de recorrência e os resultados cosméticos deverão ser levados em conta, porque a principal razão para estas lesões serem removidas é o resultado cosmético. Este estudo alia o resultado obtido pela excisão por “shave” de lesões pigmentadas benignas em termos de resultados cosméticos, taxas de recorrência e complicações do ponto de vista subjetivo e objetivo. A excisão por “shave” de nevos melanocíticos comuns adquiridos foi realizada. Os pacientes foram reexaminados 3 meses após a cirúrgia para avaliar o resultado cosmético objetivo e subjetivo, recorrências e complicações pós-cirúrgicas. No período de 12 semanas, 204 nevos melanocíticos comuns foram excisadas. A avaliação objetiva revelou resultados excelentes em um terço das lesões tratadas (32,8%), com resultados não muito bons em (8,3%). A probabilidade de ter uma cicatriz imperceptível foi bastante significante nas lesões excisadas da face (p<0,5). Noventa e oito por cento dos pacientes (n=192) declararam que a “cicatriz” é melhor que o “sinal original”. Recorrências clínicas e dermatoscópicas foram observadas em 40 cicatrizes (19,6%). Um resultado cosmético aceitável com uma pequena taxa de recorrência, poderá ser o objetivo do tratamento cirúrgico das lesões melanociticas benignas. Os resultados obtidos nesta série nos permitem prover informações mais precisas com referência aos resultados e complica ções esperadas.


Eventos

Doenças infecciosas em debate

A

s doenças tropicais infecciosas matam 14 milhões de pessoas, a cada ano, nos países em desenvolvimento. No Brasil a malária, a leishmaniose e a doença de Chagas, entre outras, inflacionam essas estatísticas. Atentas ao problema, a SBD e o Colégio Ibero-Latino-americano de Dermatologia (Cilad) promovem o II Simpósio Internacional de Dermatologia Infecciosa, de 19 a 22 de julho, na Fundação Instituto de Medicina Tropical de Manaus, no Estado do Amazonas. Segundo o presidente da SBD, Dr. Sinésio Talhari, com os avanços do conhecimento e as conquistas da dermatologia nas áreas de biologia molecular e cirurgia cutânea, involuntariamente, os especialistas foram se afastando de doenças como DST e aids. “São poucos com experiência em hanseníase e leishmaniose, por exemplo. O que torna encontros como esse de suma importância para a saúde pública”, afirma o Dr. Talhari. O II Simpósio Internacional de Dermatologia Infecciosa se destaca pela excelência, a começar pela comissão científica formada por renomes da área, coor-

denada pelo Prof. Silvio Alencar Marques. O vasto programa vai abordar temas como viroses, enfermidades fúngicas, de etimologia bacteriana, micobacterioses, enfermidades zôo-parasitárias, antibioticoterapia em dermatologia, dermatoses infecciosas em imunossupridos. No último dia, haverá ainda apresentação e discussão de 15 casos clínicos, ao vivo. - Estarão presentes palestrantes de diferentes países das Américas e da Espanha, cada qual com larga vivência no estudo e pesquisa em dermatologia infecciosa e parasitária. O objetivo é atualizar conhecimentos em enfermidades clássicas de diferentes etiologias, discutir sobre aquelas emergentes, permeados pela apresentação de casos clínicos em multimídia e finalizando com casos clínicos ao vivo - fala o Dr. Silvio Marques. O evento original ocorreu em Valência, na Espanha, e foi idealizado pelo Dr. Juan Villata, em conjunto com alguns médicos do Cilad. “Sem dúvida o evento colocou na agenda dos dermatologistas a relevância deste enorme capítulo da especialidade.

Foto: Mauricio Ogusku

SBD 14 JSBD  Ano X no 1

Em Manaus, esperamos dar continuidade ao trabalho, ajudando a resgatar para a nossa prática esse amplo grupo denominado de ´doenças negligenciadas´”, diz o Dr. Sinésio Talhari. A comissão científica do evento é formada por Roberto Arenas, Patrícia Chang, Roberto Estrada, Carlos Fernando Gatti, Rafael Isa Isa, Jaime Soto, Joel Carlos Lastória, José Terencio de la Aguas, Juan José Villata Corell e Claudio Volquez. “Queremos repetir o que vivenciamos na Espanha: informalidade e ambiente propício para ampla troca de idéias. A dermatologia brasileira tem vocação para o ensino e pesquisa de doenças infecciosas, o Cilad também caminha nesta direção. E essa somatória de ações pode gerar maiúsculos impactos, de ordem social e científica, principalmente, em países ou regiões em desenvolvimento. Portanto, essa iniciativa corajosa em seus propósitos e desafios, sinaliza o compromisso da SBD com a sua história”, finaliza Dr. Silvio Marques. As inscrições podem ser feitas através do site  www.sbd.org.br.


Eventos

Janeiro / Fevereiro - 2006 JSBD  Ano X no 1 15

2º Simpósio Nacional de Cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia acontecerá nos dias 15, 16 e 17 de junho, no Rio de Janeiro. Uma comissão de especialistas, membros do Departamento de Cosmiatria e da diretoria da SBD, foi formada para elaborar o programa. “Existem muitas ofertas de cursos sobre essa temática de sociedades não reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina. Por ser a cosmiatria uma área de atuação da Dermatologia, reconhecida pelo CFM, é imperativo que a SBD some todos os esforços para informar aos seus associados sobre avanços no campo”, explica o coordenador, Dr. Jayme de Oliveira Filho. O Dr. Jayme apresentará o tema “A realidade da Cosmiatria no Brasil”. “Vou abordar a

importância do segmento dentro da complexidade que representa a nossa especialidade. Os dermatologistas devem explicar aos seus pacientes que suas orientações são embasadas em medicina de previdência, e principalmente, no conhecimento anatômico, morfológico e fisiológico da pele que somente um bom dermatologista tem”, afirma. Para uma das coordenadoras do simpósio, Dra. Ana Maria Pinheiro, é importante o dermatologista conhecer os reais benefícios e mecanismos de ação dos produtos e técnicas disponíveis no mercado. “Somos bombardeados pela impressa leiga, pela indústria e pelos pacientes sobre as inovações. Devemos ficar alertas com a procura desenfreada pela beleza na sociedade contemporânea, buscando conhecimentos científi-

cos para oferecer aos pacientes os procedimentos fundamentados em pesquisas”. No 2º Simpósio Nacional de Cosmiatria serão apresentadas novidades no tratamento do melasma, celulite, flacidez, peelings químicos, toxina botulínica, preenchimentos cutâneos. O “Painel sobre procedimentos combinados ou associados em vídeo” é um dos mais interessantes para a Dra. Ana Maria. “Serão vistas técnicas combinadas. O paciente se submete ao mesmo tempo à correção das rugas com toxina, peelings e preenchimento cutâneo. Buscando como resultado o rejuvenescimento global”, explica. Ainda serão apresentados pôsteres dos temas: hidratação cutânea, fotoproteção, cosmecêuticos, drogas anti-envelhecimento e clareadores, toxina botulínica, preenchimento cutâneo, peeling químico, luz intensa pulsada, lipoaspiração e lipoescultura. Os interessados em participar devem encaminhar os trabalhos até o dia 30 de abril de 2006, para a sede da SBD, onde serão submetidos à análise e seleção dos membros do Departamento de Cosmiatria. As inscrições para o 2º Simpósio Nacional de Cosmiatria podem ser feitas através do site www.sbd.org.br.

Micologia na Bahia

esse é o primeiro evento sobre o tema realizado pela Sociedade. “Futuramente o simpósio vai rodar pelo Brasil”, afirma a Dra. Ana Cristina Guera. Na sexta (30/1) acontece o bloco teórico–prático, e no sábado (1/4) serão discutidos temas voltados para o dia-a-dia dos consultórios. “Teremos também uma sessão anatomo-clínica, quando serão discutidos vários casos”, fala a Dra. Ana Cristina Guerra. O time de palestrantes confirmados até agora é de primeira

linha. São eles os doutores Arival Brito, Clarisse Zaitz, Valéria Maria Framil, Ligia Ruiz, Sinésio Talhari, Rosane Ourofino e a bióloga Laura Hitomi Muramatu. Eles vão proferir palestras, entre outras matérias, sobre Micoses Associadas a Imunossupressão: Atualização Clínica e Manejo Terapêutico, Situação Taxonômica da Rinosporidiose, Micoses causadas por FFND e Terapêutica das onicomicoses. As inscrições podem ser feitas através do site da SBD (www.sbd.org.br).

Cosmiatria com embasamento científico

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A SBD realiza o I Simpósio Nacional de Micologia Médica, nos dias 31 de março e 1º de abril, em Salvador (BA). Coordenado pelas Dra. Ana Cristina Guerra e Dra. Clarisse Zaitz,

Dra. Ana Maria, Dr. Jayme e Dra. Mônica: preparativos para o evento


SBD o 16 JSBD  Ano X n 1

Eventos

II Simpósio de DST/Aids será em Fortaleza A SBD vai realizar II Simpósio de II II SIMPÓSIO SIMPÓSIO DE DE DST/AIDS DST/AIDS DST/Aids, no dia 6 de maio, em DA DA SOCIEDADE SOCIEDADE Fortaleza. A coordenação geral é do BRASILEIRA BRASILEIRA DE DE DERMATOLOGIA DERMATOLOGIA chefe do departamento, Dr. João Avelleira, e a coordenação regional está sob responsabilidade do Dr. René Diógenes. O simpósio abre com a palestra do diretor do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, Dr. Pedro Chequer, que vai abordar o tema “Eliminação da sífilis congênita”; membro do mesmo programa, o Dr. Valdir Monteiro Pinto fala sobre “Situação atual do controle das DST no Brasil"; e o presidente da SBD, Dr. Sinésio Talhari, sobre “Abordagem sindrômica”. Segundo o Dr. Avelleira, o evento visa reciclar e capacitar dermatologistas e médicos municipais e estaduais para atendimento das DST. “Assim vamos inserindo, novamente, a SBD na luta contra as DST e Aids, em conjunto com o Ministério da Saúde e outras sociedades medicas”, explica Dr. Avelleira. A primeira edição aconteceu em junho do ano passado, no Rio de Janeiro. De acordo com Avelleira, o plano é que o evento percorra todas as regiões do país. Um dos motivos da escolha por Fortaleza se deve ao rápido crescimento do turismo, fator que aumenta o risco da disseminação das DST. “Precisamos centrar esforços em campanhas de informação”, fala Dr. Avelleira. Os interessados em se inscrever devem acessar o site www.sbd.org.br.

Início das atividades

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s coordenadores regionais do projeto Amigos da Escola já receberam os dados dos mais de 150 voluntários cadastrados pela SBD. Em breve, eles vão entrar em contato com cada um dos dermatologistas, para acertar a viabilidade da participação nas instituições de ensino. Todo o trabalho vai ser acompanhado pelos núcleos regionais no projeto. A SBD encaminhou, recentemente, carta para os voluntários esclarecendo sobre o andamento desse processo. O programa Amigos da Escola, desenvolvido pela TV Globo em 27.000 escolas de todo o país, e a Sociedade Brasileira de Dermatologia firmaram parceria no ano passado, durante o 60º Congresso da SBD, quando crianças da rede pública de Brasília assistiram às palestras sobre as dermatoses mais comuns à infância e adolescência. O projeto pretende desenvolver uma consciência dermatológica nos alunos e professores das escolas cadastradas nos Amigos da Escola. Os dermatologistas poderão participar através de palestras, exibição de vídeos e outros materiais que serão fornecidos aos voluntários. Aqueles que desejam participar podem preencher a ficha de inscrição na área restrita do site da SBD e enviá-la para o e-mail: comunicacao@sbd.org.br.

Departamentos Hanseníase O Departamento de Hanseníase produziu 30 mil panfletos abordando treinamento para médicos, além de 10 mil cartazes alertando sobre os sintomas da hanseníase. As peças foram distribuídas para os serviços credenciados e regionais da SBD. Além disso, aconteceu a primeira etapa da campanha no Acre, entre os dias 16 e 20 de janeiro, sob a supervisão da Dra. Maria Kátia Gomes, do serviço de Dermatologia da UFRJ. Participaram da ação os residentes da UFRJ, da Santa Casa do Rio de Janeiro, além das equipes locais. Segundo a Dra. Maria Leide de Oliveira,

Dermatologia Geriátrica O Departamento de Dermatologia Geriátrica, coordenado pelo Dr. José Alexandre Sittart, vai promover o 1º Simpósio de Dermatologia Geriátrica, no dia 8 de julho, em São Paulo. Segundo Dr. Sittart, o objetivo do encontro é chamar atenção para os problemas dermatológicos relacionados aos idosos. “Em 2025, a média de vida deverá ser de 80 anos no Brasil. Além disso, já contarmos com uma população idosa considerável”, afirma o Dr. Sittart. Múltiplos assuntos serão vistos no evento científico, tais como: prurido e prurigos, asteatose e hidratação cutânea, fotoenvelhecimento e proteção solar, cosmecêuticos, escaras, estomas e úlceras de pernas e interações medicamentosas. O coordenador julga ser grande o interesse pelo tema. “Afinal, quando solicitei aos colegas,


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Serviços Credenciados  Profa. Marcia Ramos-e-Silva assume diretoria da AAD A Profa. Marcia Ramos-e-Silva será a primeira representante das Américas eleita para o cargo de International Observer to the Board of Directors of the American Academy of Dermatology. Chefe do Serviço de Dermatologia da UFRJ, ela vai tomar posse na próxima reunião que acontece em março, na cidade de São Francisco (EUA).

 Hospital Prof. Alberto Antunes da UFAL Leonardo M. Ferreira (Sta Casa ES), Luis Eduardo Garcia (UFRJ) e Joana Cunha (UFF) na campanhade atendimento no Alto Juruá (AC)

foram 5.355 atendimentos, com 74 casos novos de hanseníase, sendo duas recidivas.

pessoalmente um a um, e consegui as 350 assinaturas para criar o Departamento, percebi excelente receptividade”, afirma. Em breve serão divulgadas mais informações sobre o 1º Simpósio de Dermatologia Geriátrica, através do site da site da SBD.

Alergia Os Departamentos especializados são as grandes assessorias científicas da Sociedade Brasileira de Dermatologia, sendo peça fundamental a diretoria da SBD e para aperfeiçoamento e atualização dos sócios no âmbito da área de cada Departamento. A idéia de um Departamento especializado é sempre reunir pessoas interessadas numa determinada área da dermatologia, de forma que, pelo debate, elas cresçam e ajudem os outros a crescerem. Se desejar participar entre em contato com a SBD.

O serviço de dermatologia do Hospital Prof. Alberto Antunes da UFAL, chefiado pelo Prof. Alberto Cardoso, realizou uma seleção pública para duas vagas de residência médica “R1”. “Evitando aumentar o número de vagas para o período de transição, ofertamos uma vaga para os médicos que possuíam o pré-requisito de clínica médica e uma para admissão sem pré-requisito”, explica o Prof. Alberto Cardoso. Os que alcançaram os primeiros lugares foram: Vanessa Martins F. de Albuquerque e Raquel Feliciano Albuquerque.

 Hospital Universitário de Taubaté Estão programados os seguintes cursos no serviço chefiado pelo Dr. Samuel Mandelbaum: Rejuvenescimento Facial (25/3), Psoríase - Atualização Terapêutica (29/4), Jornada Dermatológica – Casos clínicos ao vivo (27/5), Cabelos e Unhas – Clínica cirúrgica (30/9) e Doenças Infecciosas em Dermatologia (28/10).

 Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia Segundo a Profa. Sônia Mantese, chefe do serviço, o balanço das atividades realizadas em 2005 foi bastante positivo. Ao longo do ano acontece-

ram dois eventos, o “Curso de Dermatologia Pediátrica” e a “Jornada de Tricoses”. Para ela, o estabelecimento de reuniões mensais com palestras abordando temas dermatológicos e multidisciplinares, foi uma inovação.

 Complexo Padre Bento

Hospitalar

O Complexo Hospitalar Padre Bento passou a ser considerado hospital universitário em fevereiro, quando a diretoria efetivou o convênio com a Universidade Cidade de São Paulo (Unicid). Segundo o chefe da dermatologia, Dr. Mário César Pires, os alunos do terceiro ano do curso de medicina, incluindo a dermatologia, vão fazer a parte prática no CHPBG. “Além disso, alguns médicos do serviço de dermatologia serão contratados como professores da Universidade. Será uma nova e promissora fase”, diz o Dr. Mário César Pires.

 Universidade Federal de São Paulo O Departamento de Dermatologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp – EPM) vai fazer seleção para dois cursos de especialização, nos dias 1 e 2 de junho de 2006. São eles: Dermatologia Avançada e Áreas Eletivas - destinado a assuntos específicos como urticária, cosmiatria etc. Segundo o chefe, Prof. Osmar Rotta,


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para ambos são exigidos prérequisitos em residência médica ou especialização em Dermatologia, feita nos serviços credenciados da SBD, e o Título de Especialista em Dermatologia. Os cursos são gratuitos, com duração de um ano, devendo o aluno publicar um trabalho ou escrever monografia para receber o certificado de conclusão. Outras informações podem ser obtidas através do endereço eletrônico: http://proex.epm.br/latosensu/lato.htm.

 Santa Janeiro

Casa

Rio

de

O Instituto de Dermatologia Prof. Azulay da Santa Casa/RJ acaba de reequipar o setor de Fototerapia que passa a contar com dois aparelhos de PUVA, um UVB-narrow-band e um aparelho próprio para mãos e pés. Segundo o chefe, Dr. David Azulay, a biblioteca também ganhou modificações com a construção de uma estante, além das doações dos livros “Dermatology” (Bologna) e “Tropical Dermatology” (Tyring/Lupi), pela regional Rio de Janeiro. “O serviço ainda ganhou o prêmio "Melhor caso do ano" da SBD-RJ”, comemora o Dr. David Azulay.

 Hospital Heliópolis O serviço de dermatologia do Hospital Heliópolis, em conjunto com os serviços do Padre Bento de Guarulhos, Bauru, PUCAMP e Judiaí realizaram uma seleção de candidatos para o curso de especialização em Dermatologia, no dia 20 de janeiro. Dos 206 candidatos inscritos, 16 foram selecionados. Ele ainda avisa que estão abertas vagas para médicos observadores. Outras informações podem ser obtidas com a Ivani, através do telefone (11) 6168-7468.

Regionais Rio de Janeiro A Regional Rio de Janeiro promoveu o concurso “Jovem Dermatologista”, que premiou o melhor caso clínico do ano, eleito pelo voto direto dos associados. O trabalho vencedor de 2005 tem como autora principal a Dra. Karen Krause, da Santa Casa do Rio de Janeiro, com o tema síndrome de Cowden. Segundo o presidente da Regional, Dr. Omar Lupi, além de raro e exuberante, o caso foi complementado com extensa investigação sistêmica e do heredograma do paciente. A entrega do prêmio aconteceu no dia 15 de dezembro, durante a reunião mensal da SBD-RJ. O prêmio, que homenageou o Prof. Antar Padilha Gonçalves, ofereceu ao vencedor o pagamento da taxa de inscrição do próximo encontro da Academia Americana de Dermatologia, que acontece em São Francisco. Além dos custos com passagem, hospedagem e o valor de cinco mil reais para cobrir despesas.

Minas Gerais

Bahia

A diretoria da Regional Minas Gerais vai realizar reuniões bimestrais, sempre aos sábados, programadas para ter aproximadamente quatro horas de duração. “Fizemos esse planejamento para atender à demanda da nova determinação de revalidação do título de especialista exigida pelo CFM, viabilizando também a participação dos associados do interior”, fala a presidente da regional, Dra. Maria Silvia Laborne Alves de Sousa. O primeiro encontro foi no dia 4 de fevereiro, quando também comemoraram o Dia do Dermatologista. As informações sobre os próximos eventos poderão ser obtidas no site www.sbdmg.org.br.

A Regional Bahia encerrou o ano com a realização da XIII Jornada Baiana de Dermatologia, nos dias 4 e 5 de dezembro. Segundo a presidente regional, Dra. Ana Cristina Guerra, o evento teve a cara da Bahia: alegre, extrovertido e cheio de novidades. Durante o evento foi prestada homenagem ao Dr. Ênio Maynard Barreto, pela importância de seu trabalho em prol da dermatologia. Ainda segundo a presidente também houve as premiações de casos clínicos: em 1º lugar o minicaso “Endometriose Cutânea”, apresentado pela Dra. Viviane Serravalle Tavares, e em 2º lugar o mini-caso “Síndrome de Hipersensibilidade à Dapsona: Relato de Caso”, apresentado pela Dra. Larissa Alvim de Cerqueira.

Fluminense A Regional Fluminense vai promover o "Simpósio Fluminense de Lesões Melanocíticas", em 10 de março, no Hospital Universitário Antônio Pedro, em Niterói. Segundo o presidente da Regional, Dr. Ademilson Caldas, o evento abre oficialmente a programação de 2006. Dermatologistas e dermatopa-

tologistas renomados vão falar sobre tópicos relevantes, como diagnóstico clínico-patológico, dermatoscopia e tratamento das lesões melanocíticas. Outras informações podem ser acessadas através do site www.sbdfluminense.org.br ou pelos telefones (21) 2613-6340 e 2719-0411.


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Paraná

Exemplo de luta pela especialidade Na Regional Paraná, o ano de 2005 foi marcado pela busca ativa de irregularidades em clínicas de estética, além da divulgação indevida da especialidade, segundo a assessora de Defesa Ética e Profissional da Regional, Dra. Fabiane Mulinari Brenner. De acordo com a especialista, cada sócio foi motivado a fiscalizar a sua comunidade. Em cerca de um ano, foram encaminhados mais de 30 questionamentos éticos ao Conselho Regional de Medicina (CRM). Também foram dirigidas à Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) denúncias relativas às irregularidades nas áreas de atuação de podologia, técnico em estética, fisioterapia e terapia holística. O CRM tem como uma das atribuições supervisionar a ética médica nos estados e, ao mesmo tempo, é julgador e disciplinador das atividades médicas. Ainda segundo a Dra. Fabiane Brenner, entretanto, o órgão não fiscaliza. “Cabe às sociedades de especialidade e a cada um de seus sócios atuarem na rotina diária coibindo irregularidades”, explica. Os questionamentos encaminhados ao CRM são processados e a repreensão ao denunciado ocorre sem identificação do denunciante, evitando constrangimentos pessoais. “Desta forma conseguimos reduzir a, até então, crescente divulgação irregular da medicina estética, das denominações inexistentes de médicos das doenças da pele ou termos semelhantes, cosmiátras não dermatologistas, e ainda, de procedimentos encarados como medicina alternativa, como por exemplo, a mesoterapia”, explica Dra. Fabiane Mulinari Brenner. Ela ainda atribui o sucesso da iniciativa à responsabilidade de cada sócio. “Agradecemos a participação de todos, mas ainda há muito por fazer. Esperamos um comprometimento maior dos colegas, visando manter o mercado de trabalho e o bom conceito da Dermatologia, assim como a população bem esclarecida”, finaliza.

Piauí Teresina recebe tradicional Jornada Norte-Nordeste A XXV Jornada Norte-Nordeste será nos dias 20, 21 e 22 de abril, em Teresina (PI). Segundo o presidente da jornada, Dr. Lauro Lourival Lopes Filho, os últimos detalhes do evento científico estão sendo vistos com intuito de oferecer excelência na programação e na hospitalidade. “Convidamos a todos os colegas do Norte e do Nordeste, para nos três dias do encontro, aprimorarmos nossos conhecimento na dermatologia e estreitarmos ainda mais os laços de amizades que nos umem. Não deixem de vir e encantar-se com Teresina e com o Piauí”, convida Dr. Lauro Lopes Filho. As informações podem ser obtidas pelos telefones (86) 3222.3697/9444.

Distrital Norte Paraná A Distrital Norte do Paraná, junto com o serviço do Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná e do Departamento de Dermatologia da Associação Médica de Londrina, organizou o “Atendimento Dermatológico Solidário”, no dia 4 de fevereiro, na Policlínica da Secretaria Municipal de Londrina. Segundo o Dr. Lorivaldo Minelli, o objetivo foi atender, gratuitamente, a demanda reprimida do Sistema Único de Saúde. “ Foram atendidos 150 pacientes”, fala Dr. Minelli.


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Divulgação

Arival Cardoso de Brito

Expressões da Dermatologia O Dr. Arival Cardoso de Brito formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Pará (UFPA), em 1957. Cursou pós-graduação no Depto. de Dermatologia do Serviço do Prof. Sebastião Sampaio, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S. Paulo, no período de 62 até o início de 65. Doutor e livre docente em medicina na área JSBD - Em abril, serão realizadas eleições na SBD. Quando presidiu a entidade, em 1994, fez a reformulação do Estatuto. Como foi esse trabalho? Dr. Arival C. de Brito - Foi a principal meta a ser cumprida pela Diretoria eleita. Na qualidade de presidente, designei o Prof. Sampaio para presidir a Comissão de Regulamentação e Regimentação do Estatuto, aprovada por unanimidade pelo Conselho. O Prof. Sampaio com sua experiência, vivacidade intelectual e sempre disposto a aceitar desafios, de imediato convidou alguns conselheiros para compor a comissão: Gerson Penna (secretário); Márcia Ramos e Silva (membro); Clarisse Zaitz (membro); Rogério Ranulfo (membro); Doris Hexsel (membro); Alberto E. Cardoso (membro) e Iphis Campbell (colaborador). Finalmente, durante o 50º Congresso Brasileiro de Dermatologia, em Belém (PA), a comissão apresentou e submeteu à análise do Conselho, sendo aprovados por unanimidade. JSBD - Quais os benefícios da iniciativa para a Sociedade? Dr. Arival C. de Brito - Para refletir sobre alguns benéficos enumero os seguintes: os presidentes da SBD e do Congresso Brasileiro são eleitos independentemente, possibilitando maior tempo e dedicação dos dirigentes para as atividades inerentes às suas funções; o processo eleitoral para escolha do Presidente e do Vice-presidente passou a ser direto e por correspondência, assegurando ao associado ampla e democrática participação; a flexibilidade do novo estatuto favoreceu a criação de Departamentos Especializados, o fortalecimento

de Dermatologia, é chefe do serviço da UFPA. Lá também leciona nos cursos de mestrado e doutorado. Ao longo de sua carreira, entre outros cargos, foi diretor do Centro de Ciências da Saúde e de Chefe do Depto. de Patologia Tropical da UFPA, fazendo ainda parte de diversas comissões da SBD. Atualmente é membro da Comissão de Ensino da entidade.

da EMC-D, a incrementação da Mídia Eletrônica, a promoção mais freqüente de eventos nas Regionais com apoio da SBD; ainda foi possível, durante determinado período, a participação de presidentes e delegados regionais em comissões da Sociedade. JSBD - Em sua opinião, quais são os desafios da dermatologia no Brasil? Dr. Arival C. de Brito - Em principio, conciliar a boa formação do dermatologista – residência médica, Titulo de Especialista – e a constante atualização desse profissional; encontrar soluções concretas para problemas como leishmaniose, hanseníase, SIDA/AIDS, dermatoses bolhosas, entre outras. Ultrapassando as fronteiras da dermatologia e olhando a medicina de uma forma global, os desafios ainda são imensos como, para citar apenas alguns exemplos, a erradicação da malária, da doença de Chagas, da tuberculose, a descoberta de vacinas para controle ou erradicação de diversas doenças transmissíveis, especialmente as de causa viral, incluindo neste contexto o risco pandêmico da gripe aviária; aprofundamento dos estudos sobre o emprego de células-tronco na medicina, considerando aspectos éticos, possível transmissão de patógenos e risco de mutações genéticas. JSBD - O sr. considera que nas regiões Norte e Nordeste faltam dermatologistas. Por quê? Dr. Arival C. de Brito Acredito que não há carência de dermatologistas nessas regiões, mas sim uma concentração nas capitais. É óbvio que a má distribuição de profissionais pelos vários municípios das regiões Norte e Nordeste se deve, princi-

palmente, à péssima remuneração pelos órgãos governamentais, assim como à baixa renda per capita da população. Outros fatores também contribuem para ausência do especialista no interior, como o isolamento dos grandes centros gerando desatualização por falta de acesso à informação, carência de hospitais, postos de saúde, inexistência de instituições de ensino de bom nível para sua família, entre outras causas. JSBD - Como atrair mais profissionais para essas áreas? Dr. Arival C. de Brito - Não basta convencer o especialista a deixar sua vida urbana estruturada para se deslocar aos recantos mais distantes das metrópoles. É preciso que se criem condições para a formação de novos profissionais em campi universitários bem estruturados, instalados em municípios pólos, com o intuito de fixação do novo médico em sua própria terra, evitando-se o famoso êxodo. Ressalto também que não se deve abrir inúmeros cursos médicos por aí afora apenas para iludir a sociedade com a propalada relação numérica: médico versus habitantes. O que proponho é qualidade de cursos, com avaliação criteriosa e constante dos mesmos. É claro, também, que esse novo médico necessita de uma infra-estrutura mínima para poder exercer com profissionalismo o seu trabalho. Para isso, torna-se necessário a criação de hospitais regionais de bom nível, em cidades com maior contingente populacional e que possam atender vilas, distritos, colônias, aldeias e outros municípios satélites. O Estado e a sociedade juntos podem e devem traçar esse desenho. Basta vontade política para a ação. 


Jornal da SBD - Nº 1 Janeiro / Fevereiro 2006